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A Península Ibérica é uma das principais penínsulas da Europa, localizada no extremo sudoeste do continente. Ela é composta principalmente pelos territórios de Portugal e Espanha, além do Principado de Andorra e do território britânico ultramarino de Gibraltar. A região tem uma história milenar que envolve múltiplas civilizações, disputas territoriais, intercâmbios culturais e grande influência na formação da Europa moderna. Sua geografia diversificada, que inclui cadeias montanhosas, vales férteis, planícies e uma extensa linha costeira banhada pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo, contribuiu para o desenvolvimento de culturas distintas ao longo do tempo.
A ocupação humana da Península Ibérica remonta à pré-história. Pinturas rupestres encontradas em locais como as cavernas de Altamira, no norte da Espanha, evidenciam a presença de populações humanas há mais de 30 mil anos. Durante o período neolítico, surgiram as primeiras sociedades agrícolas e sedentárias, que deram origem a complexas culturas megalíticas. A partir do primeiro milênio a.C., diversos povos começaram a colonizar e influenciar a região, como os íberos, os celtas, os fenícios, os cartagineses e os gregos. Esses contatos comerciais e culturais moldaram profundamente as tradições e línguas locais.
No século III a.C., a Península Ibérica tornou-se um campo de disputa entre Cartago e Roma durante as Guerras Púnicas. A vitória romana resultou na progressiva conquista da península, concluída no século I a.C., e sua incorporação ao Império Romano como as províncias da Hispânia. Sob o domínio romano, a região passou por uma intensa romanização: foram construídas cidades, estradas, aquedutos e teatros; o latim tornou-se a língua predominante, e o cristianismo se espalhou amplamente a partir do século III d.C. Essa herança romana deixaria marcas profundas na cultura, na língua e na estrutura social da península.
Com o declínio do Império Romano no século V, a Península Ibérica foi invadida por povos germânicos, como os suevos, vândalos e, principalmente, os visigodos. Os visigodos estabeleceram um reino que unificou grande parte da península e adotou o cristianismo como religião oficial. No entanto, essa estabilidade seria abalada no início do século VIII, quando forças muçulmanas vindas do Norte da África atravessaram o Estreito de Gibraltar e derrotaram os visigodos na Batalha de Guadalete, iniciando a ocupação islâmica da península.
Durante quase 800 anos, grande parte da Península Ibérica esteve sob domínio muçulmano, principalmente nas regiões sul e central, onde foi estabelecido o Califado de Córdoba, seguido pelos reinos de taifas e pelos impérios almorávida e almóada. Esse período foi caracterizado por notáveis avanços científicos, artísticos e culturais, com importantes centros urbanos como Córdoba, Sevilha e Granada florescendo como polos de conhecimento e convivência entre muçulmanos, judeus e cristãos.
Enquanto isso, no norte da península, formaram-se pequenos reinos cristãos, como Astúrias, Leão, Castela, Navarra, Aragão e o Condado Portucalense. A partir desses núcleos começou a Reconquista — um longo processo de guerra e repovoamento, que durou séculos e culminou na retomada dos territórios muçulmanos. Em 1492, os Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, conquistaram o Reino de Granada, encerrando oficialmente a Reconquista.
O ano de 1492 marcou também o início da Era dos Descobrimentos. Nesse mesmo ano, Cristóvão Colombo, financiado pelos monarcas espanhóis, descobriu as Américas. Portugal, por sua vez, já havia iniciado suas explorações marítimas anteriormente, tendo chegado à costa da África e, em 1498, às Índias com Vasco da Gama. A Península Ibérica tornou-se, assim, o centro das grandes navegações e da expansão ultramarina, criando vastos impérios coloniais que se estendiam pela América, África, Ásia e Oceania.
Durante os séculos XVI e XVII, Espanha e Portugal viveram seu apogeu imperial. A união das coroas ibéricas entre 1580 e 1640 sob domínio espanhol consolidou temporariamente o controle de vastos territórios, embora a rivalidade cultural e política entre os dois reinos tenha persistido. Com o tempo, o poderio ibérico entrou em declínio devido a guerras, crises econômicas, revoltas coloniais e a ascensão de outras potências europeias, como a Inglaterra, a França e os Países Baixos.
No século XIX, a Península Ibérica passou por profundas transformações políticas e sociais. As invasões napoleônicas, as guerras civis e os movimentos de independência nas colônias da América Latina alteraram radicalmente o cenário político. Espanha e Portugal adotaram monarquias constitucionais, embora com períodos de instabilidade e ditaduras ao longo dos séculos seguintes. No século XX, ambos os países viveram regimes autoritários: Portugal sob António de Oliveira Salazar e Espanha sob Francisco Franco.
Após a morte de Franco em 1975 e a Revolução dos Cravos em Portugal em 1974, ambos os países iniciaram processos de democratização. Nas décadas seguintes, integraram-se plenamente à União Europeia, o que trouxe modernização econômica, melhorias sociais e maior integração com o restante do continente europeu. Hoje, Portugal e Espanha são repúblicas parlamentares (Portugal) e monarquias parlamentares (Espanha), com economias desenvolvidas e sociedades multiculturais.
Culturalmente, a Península Ibérica é uma das regiões mais ricas do mundo. A variedade de línguas (como o espanhol, o português, o catalão, o basco e o galego), tradições religiosas, gastronomia, literatura e arte refletem séculos de influências diversas. A convivência histórica de diferentes povos e religiões também deixou um legado arquitetônico e artístico notável, visível em monumentos como a Alhambra de Granada, a Torre de Belém em Lisboa, a Sagrada Família em Barcelona e o Mosteiro dos Jerónimos.
A Península Ibérica continua a desempenhar um papel importante na geopolítica europeia e nas relações com a América Latina e a África, graças a seus laços históricos, culturais e linguísticos. Sua trajetória histórica, marcada por encontros e confrontos de civilizações, faz dela um exemplo único de diversidade e resistência, que segue influenciando o mundo contemporâneo.

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