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Sistematização das Categorias 
Técnicas de Tributação
É muito comum, na linguagem cotidiana, utilizarem-se indistintamente termos 
como "isenção", "imunidade" ou "não incidência" como se fossem sinônimos. São 
categorias diversas, com regimes jurídicos próprios. Nem mesmo sua fonte se 
confunde, já que algumas exigem base constitucional e outras são matérias da lei 
ordinária.
Prof. Walter Piekny
Material base da aula: Direito tributário / Luís Eduardo Schoueri. – 9. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2019
Competência e Não Competência Tributária
Competência Tributária
No modelo federal brasileiro, cada pessoa jurídica de Direito Público 
Direito Público (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) tem 
Municípios) tem uma esfera de atuação própria, denominada 
denominada "competência". Esta pode ser exclusiva (quando apenas 
(quando apenas um ente atua) ou concorrente (quando mais de um 
mais de um ente pode atuar em conjunto).
Distribuição Constitucional
É a Constituição Federal que distribui campos de competência 
competência próprios para cada ente tributante. Haverá matérias 
matérias dentro do campo de competência de um ente tributante e 
tributante e outras que estarão fora. O ente apenas poderá 
contemplar, em sua lei, fatos compreendidos dentro de seu campo 
campo de competência.
Características da Competência Tributária
1 Privatividade
A competência se diz privativa 
quando sua atribuição a uma pessoa 
pessoa jurídica de direito público 
exclui a possibilidade de que outro 
outro ente federal institua tributo 
tributo sobre o mesmo fenômeno. 
fenômeno. Esta é a regra no 
ordenamento brasileiro: uma vez 
efetuada a repartição de 
competências, se uma pessoa jurídica 
jurídica pretender instituir tributo 
tributo sobre campo reservado a 
outro ente, haverá invasão de 
competência.
2 Indelegabilidade
Corolário da noção de competência 
competência privativa é sua 
indelegabilidade, prevista no artigo 7º 
artigo 7º do Código Tributário 
Nacional. A competência tributária 
tributária não pode ser delegada, 
embora as funções de arrecadar ou 
ou fiscalizar tributos possam ser 
atribuídas a outra pessoa jurídica de 
de direito público.
3 Perenidade
Também exsurge do caráter privativo 
privativo da competência tributária 
tributária sua perenidade, vez que 
que ainda que uma pessoa jurídica de 
jurídica de direito público não exerça 
exerça uma competência tributária 
tributária que lhe foi conferida pela 
pela Constituição, a competência não 
não lhe será tirada, podendo, a 
qualquer momento, vir a ser exercida.
exercida.
Competência Residual
Conceito
Surge o conceito de competência residual para referir-se àquele campo que não 
campo que não foi contemplado pelos dispositivos constitucionais que 
que distribuem competências tributárias. São situações econômicas não 
não arroladas nos artigos 153, 155 e 156 da Constituição Federal.
Atribuição
No caso de impostos, a competência residual está reservada à União, a qual 
deve exercê-la por meio de lei complementar, obedecido o disposto no artigo 
154, I, da Constituição Federal.
Requisitos
Para exercer a competência residual, a União deve instituir impostos que sejam 
que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo 
cálculo próprios dos discriminados na Constituição.
Imunidade Tributária
Conceito
Quando a Constituição Federal confere 
confere competências tributárias a cada 
cada ente tributante, ela mesma trata de 
trata de limitar o poder que foi 
conferido. Isso se dá por meio das 
imunidades, que cobrem situações com 
com elevadíssima carga valorativa, a 
a ponto de o constituinte não desejar 
desejar que, por meio do tributo, 
possam elas ser afetadas.
Natureza
A imunidade surge como uma limitação 
limitação da própria competência 
tributária. Ou seja: ao mesmo tempo que 
tempo que a Constituição Federal 
permite que uma pessoa jurídica de 
Direito Público venha a instituir um 
tributo, a própria Constituição cria uma 
uma barreira ao exercício da 
competência.
Fonte
Tal como a competência, a imunidade é 
imunidade é matéria tratada pela própria 
própria Constituição Federal. Uma e 
outra, em conjunto, delimitarão o campo 
campo onde pode atuar o legislador na 
legislador na instituição de um tributo.
tributo.
Incidência e Não Incidência Tributária
Tributária
1 Delimitação
Delimitado, positiva e negativamente, o campo da competência tributária, tem o 
legislador ampla liberdade para definir, abstratamente, a hipótese tributária. Fazendo-o, 
delimita o campo de incidência do tributo.
2 Incidência
Incidência existe quando a situação, compreendida no campo da competência, foi 
competência, foi contemplada pelo legislador para dar nascimento à relação tributária.
tributária.
3 Não Incidência
Não incidência revelará situação igualmente compreendida no campo da competência, 
competência, mas deixada de lado pelo legislador no momento da descrição da hipótese.
da hipótese.
Princípio da Legalidade na Tributação
Competência
O constituinte não cria tributo, apenas 
apenas autoriza sua criação, a qual se dá 
se dá por meio de uma lei.
1
Instituição
É o legislador quem, atuando dentro de 
de sua competência, decide se o tributo 
tributo será, ou não, instituído.
2
Incidência
Somente a lei cria a incidência. Se o 
legislador não contemplou a hipótese, está 
hipótese, está ela fora do campo de 
incidência, ainda que possa estar no 
campo de competência.
3
Relação entre Incidência e Não Incidência
Complementaridade
Incidência e não incidência são complementares, na medida em que 
em que uma e outra esgotam o campo da competência tributária. O 
tributária. O campo de incidência pode crescer, desde que o 
legislador assim o decida, até os confins impostos pela competência 
competência e pela imunidade.
Não Incidência em Sentido Amplo
A imunidade ou a não competência não deixam de ser casos de não 
casos de não incidência. Em sentido amplo, não há incidência em 
incidência em qualquer situação não coberta pela incidência. 
incidência. Entretanto, reserva-se usualmente a expressão para se 
para se referir ao campo não coberto pela incidência por falta de 
falta de previsão legal.
Isenção Tributária
1
Conceito
Na sistemática do Código Tributário Nacional, a isenção não se confunde com a não incidência, 
não incidência, mas pressupõe a incidência.
2
Natureza
A isenção é incluída, no art. 175 do Código Tributário Nacional, como hipótese de 
hipótese de exclusão do crédito tributário.
3
Diferenciação
Se o legislador tratou da hipótese e decidiu não tributá-la, então há 
então há isenção; não incidência surgiria apenas quando o legislador 
legislador se omitisse sobre a situação.
Visão Tradicional da Isenção
1
Doutrina Tradicional
A doutrina tradicional, apoiada nas lições de Rubens Gomes de Sousa, entende que haveria dois momentos 
momentos cronologicamente não coincidentes: incidência da norma tributária num primeiro momento e 
momento e incidência da norma isentiva num segundo.
2
Pressuposto
A isenção pressupõe a incidência, porque só se pode dispensar o pagamento de um tributo 
de um tributo que seja efetivamente devido.
3
Consequência
Há a concretização do fato gerador do tributo sendo este devido, 
devido, mas a lei dispensa seu pagamento.
Críticas à Visão Tradicional da Isenção
Incoerência
O modelo tradicional causa estranheza, já que ele implicaria o surgimento de 
surgimento de uma obrigação e simultaneamente a dispensa de seu pagamento.
pagamento.
Nova Visão
Tem-se criticado o modelo por não ter sentido falar em nascimento de um 
crédito tributário quando a própria lei teria disposto sobre a sua isenção.
Alternativa
Seria a isenção uma hipótese de não incidência qualificada ou uma supressão do 
supressão do próprio campo de incidência da norma. Em consequência, não 
consequência, não haveria a incidência da norma sobre ocampo isento; não 
isento; não surgiria, assim, a obrigação tributária.
Diferenças entre Imunidade e 
Isenção
Característica Imunidade Isenção
Fonte Constituição Federal Lei ordinária
Natureza Limitação à competência
competência
Dispensa de pagamento 
(visão tradicional) ou não 
incidência qualificada 
(visão crítica)
Alcance Impede o surgimento da 
competência
Atua dentro do campo da 
competência
Revogabilidade Apenas por Emenda 
Constitucional
Pode ser revogada por lei 
ordinária
Isenção e Outras Não Incidências
Modelo Teórico
Ao mesmo tempo que se verifica que isenção 
não passa de um caso de não incidência, não 
se pode deixar de lado a circunstância de que 
algumas vezes o ordenamento jurídico 
parece exigir que se identifique a ocorrência 
de uma isenção, impondo-lhe consequências 
jurídicas.
Isenções Heterônomas
A isenção, como qualquer caso de incidência 
ou não incidência, se dá nos limites da 
competência. Que dizer da regra do art. 151, 
III, da Constituição Federal, segundo a qual 
não pode a União "instituir isenções de 
tributos da competência dos Estados, do 
Distrito Federal ou dos Municípios"?
Papel da Lei Complementar
A resposta exige que se pondere acerca do 
papel da lei complementar como lei nacional, 
não lei federal. Não é a União, enquanto 
autora de leis federais, que está atuando na 
matéria, mas o próprio Estado Federal, por 
meio de lei nacional.
Entendimento do STF sobre Isenções
Base de Cálculo do ISS
O Supremo Tribunal Federal decidiu que 
que o Decreto-Lei 406/68, que tinha 
tinha força de lei complementar, era 
instrumento adequado para autorizar 
autorizar que se deduzissem as 
subempreitadas da base de cálculo do 
do ISS sobre serviços de construção civil, 
civil, já que seus dispositivos "cuidam da 
"cuidam da base de cálculo do ISS e não 
não configuram isenção".
Profissionais Liberais
Entendeu o STF que a forma de cálculo 
cálculo do ISS estipulada pelo mesmo 
mesmo Decreto-lei n. 406/68, aplicável 
aplicável aos profissionais liberais, foi 
foi recepcionada pela Constituição de 
de 1988, por não ser caso de isenção 
isenção heterônoma, mas mera definição 
definição da base de cálculo.
ICMS e Convênios
O STF já decidiu que "A não incidência do 
incidência do tributo equivale a todas as 
todas as situações de fato não 
contempladas pela regra jurídica da 
tributação. A isenção é a dispensa do 
do pagamento de um tributo devido em 
devido em face da ocorrência do fato 
fato gerador."
Isenções Técnicas e Isenções Próprias
Isenções Técnicas
Quando a atuação do legislador é no sentido de tornar comparáveis 
comparáveis as situações a partir do critério da capacidade 
contributiva, tem-se que o emprego da isenção é meramente 
meramente técnico: não há a excepcionalidade. O legislador apenas 
apenas procurou descrever a hipótese de incidência, valendo
valendo-
-
se de todos os artifícios que tinha à mão.
se de 
Isenções Próprias
Outras situações haverá em que o legislador, não obstante a 
igualdade diante do critério primeiro de diferenciação, ainda assim, 
ainda assim, procurará destacar um grupo dentre os "iguais", dando
"iguais", dando-
-
lhe um tratamento diferenciado, mais benéfico que 
benéfico que o genérico.
Fundamentação das Isenções 
Próprias
1 Distributivos
As isenções próprias poderão ter 
ter fundamentos distributivos, 
visando corrigir desigualdades 
sociais e econômicas, favorecendo 
favorecendo grupos específicos que 
que necessitam de tratamento 
diferenciado para alcançar equidade.
equidade.
2 Simplificativos
Podem ter fundamentos 
simplificativos, buscando reduzir a 
reduzir a complexidade do sistema 
sistema tributário e os custos 
administrativos tanto para o fisco 
fisco quanto para os contribuintes.
contribuintes.
3 Indutores
O mais comum é caracterizarem-se como normas tributárias indutoras, servindo de 
servindo de instrumento para a intervenção do Estado no Domínio Econômico, 
Econômico, incentivando comportamentos desejados pelo legislador.
Dificuldades na Distinção entre Isenções
1 Casos Híbridos
A distinção entre as isenções técnicas e as próprias nem sempre é imediata. A realidade 
realidade mostra que, no mais das vezes, surgem situações híbridas que combinam 
combinam características de ambos os tipos.
2 Exemplo Prático
A possibilidade de se deduzirem da base de cálculo do Imposto de Renda das pessoas 
pessoas físicas os gastos com educação será vista, por alguns, como evidente caso 
caso técnico, já que a renda empregada com a educação não revelaria capacidade 
capacidade contributiva.
3 Visão Alternativa
Outros apontariam a mesma hipótese entre as normas indutoras, já que o Estado oferece 
Estado oferece educação pública e, portanto, a escolha de uma escola particular seria 
particular seria uma liberalidade do contribuinte, financiada, parcialmente, pelo Estado.
pelo Estado.
Tipologia das Isenções
Abordagem Tipológica
A distinção entre isenções técnicas e 
isenções próprias não pode ser feita a 
a partir de características conceituais. 
conceituais. Embora haja situações que 
que seguramente se inserirão numa 
categoria e outras que apenas se 
enquadram na outra, as fronteiras entre 
entre ambas se revelam permeáveis.
1
Categorias Não Excludentes
Isenções técnicas e isenções próprias não 
não são categorias excludentes; não há, 
há, nos estritos termos, uma classificação, 
classificação, mas mera descrição 
tipológica.
2
Análise Funcional
O raciocínio tipológico ganha especial 
especial relevo, já que, a partir dele, 
propõe-se a análise da isenção por uma 
uma aproximação funcional, mais 
adequada para o estudo da função 
indutora das normas tributárias.
3
Alíquota Zero
Conceito
Do ponto de vista matemático, ao reduzir a zero 
a zero a alíquota de um tributo, o legislador 
legislador acaba por afastar qualquer pretensão 
pretensão tributária. Ter-se-á, então, efeito 
efeito idêntico ao da isenção.
Diferenciação
Poder-se-á dizer que na redução da alíquota 
alíquota mutila-se a regra de incidência em seu 
em seu aspecto quantitativo, enquanto na 
na isenção a mutilação se dá no aspecto 
material, temporal, pessoal ou espacial.
Peculiaridade
A alíquota zero tem peculiaridade que não deve 
ser deixada de lado. Para alguns impostos 
(aduaneiros, IPI e IOF), o Poder Executivo pode 
fixar a alíquota, dentro dos limites 
estabelecidos pelo legislador.
Base de Cálculo Reduzida
1 Similaridade com Isenção
A base de cálculo reduzida é 
recurso que muito se aproxima da 
isenção. Na vigência do sistema 
constitucional anterior, tinha a 
redução de base de cálculo função 
semelhante à redução de alíquota.
2 Regime Atual
Hoje, não há exceção ao 
mandamento constitucional de que 
de que a base de cálculo do tributo 
tributo seja fixada por lei. Nesse 
Nesse sentido, a base de cálculo 
cálculo reduzida sofre idêntica 
restrição aplicável a qualquer outra 
outra hipótese de isenção.
3 Aplicações Práticas
A redução de base de cálculo surge com frequência no âmbito do ICMS, podendo 
ICMS, podendo ser um expediente simplificativo: o legislador reduz a base de 
base de cálculo, ao mesmo tempo que proíbe o aproveitamento de créditos de 
créditos de ICMS.
Entendimento do STF sobre Base de Cálculo Reduzida
Evolução Jurisprudencial
A restrição ao aproveitamento de 
créditos em caso de redução de base de 
base de cálculo chegou a ser rejeitada 
rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal. 
Federal. Com efeito, a Constituição 
Federal apenas prevê a restrição ao 
aproveitamento do crédito do imposto 
imposto nos casos de isenção ou não 
não incidência do ICMS.
Mudança de Posicionamento
Esse posicionamento foi posteriormente 
alterado, prevalecendo, atualmente, a 
visão de que a redução de base de 
cálculo nada mais é que uma isenção 
parcial, de modo que, se é permitida a 
restrição ao crédito na isenção, igual 
possibilidade seestende à redução de 
base de cálculo.
Decisão com Repercussão Geral
O Plenário do Supremo Tribunal Federal 
Federal decidiu a matéria com 
repercussão geral, entendendo que a 
a redução de base de cálculo equivale a 
equivale a uma isenção parcial, 
permitindo a anulação proporcional dos 
dos créditos relativos às operações 
anteriores.
Sistema Tributário e Discriminação de Competências
1
Competência Tributária
O estudo do sistema tributário brasileiro revela que o constituinte optou por conferir a cada uma das pessoas jurídicas 
de direito público um campo próprio para instituir seus tributos.
2
Competência Legislativa Plena
Compreende, nos termos do art. 6º do Código Tributário Nacional, a competência legislativa plena, a 
legislativa plena, a identificar que nenhuma das pessoas jurídicas de direito público necessita da 
necessita da autorização de outro ente federado para instituir seus tributos.
3
Matéria Constitucional
É corrente a lição de que a competência é matéria exclusivamente constitucional: o 
constitucional: o constituinte, detentor do poder soberano, teria distribuído matéria 
matéria taxativa e imutável, parcelas desse poder a cada uma das pessoas jurídicas de 
jurídicas de direito público.
Competência Tributária vs. Capacidade Tributária Ativa
Competência Tributária
A competência tributária é indelegável e, mesmo que não seja 
seja exercida por uma pessoa jurídica de direito público, não pode 
não pode outra valer-se do vácuo para instituir tributo fora de sua 
de sua competência. É o que se extrai dos artigos 7º e 8º do Código 
Código Tributário Nacional.
Capacidade Tributária Ativa
A competência legislativa nada tem a ver com a capacidade para 
arrecadar os tributos, já que esta sim é delegável, nos termos do 
artigo 7º, caput, e § 3º do Código Tributário Nacional. A capacidade 
tributária ativa refere-se à função de arrecadar ou fiscalizar tributos.
Competência Tributária vs. 
Competência Legislativa
Competência 
Tributária
A competência tributária 
versa sobre a instituição de 
tributos, sendo a faculdade 
conferida às pessoas 
jurídicas de direito público 
para criar tributos dentro de 
seu campo de atuação.
Competência 
Legislativa
A competência para legislar 
legislar sobre Direito 
Tributário cogita normas 
gerais tributárias. O artigo 
artigo 24 da Constituição 
Constituição Federal inclui 
inclui no campo da 
competência concorrente a 
concorrente a legislação 
sobre Direito Tributário.
Hierarquia Normativa
Normativa
À União cabe editar normas 
normas gerais (mediante lei 
(mediante lei 
complementar), podendo os 
podendo os Estados e 
Distrito Federal 
suplementar aquelas, ou, 
ou, inexistindo normas 
gerais, exercer competência 
competência plena.
Repartição de Competências Tributárias
1
Autonomia Financeira
A discriminação de competências tributárias não é 
requisito de um sistema federal. Este exige que se 
assegure às pessoas jurídicas de direito público 
autonomia financeira, que implica discriminação de 
rendas, não de competências.
3
Opção Constitucional
O constituinte brasileiro optou pela repartição de 
competências. Embora não haja um mandamento 
expresso vedando a cumulação de competências, o 
o regime se extrai da leitura dos artigos 153, 155 e 156.
e 156.
5
Competência Privativa
O texto de 1988 introduziu campos de competência 
competência privativa: são excepcionais os casos em que 
em que os impostos atribuídos primeiro a uma pessoa 
pessoa jurídica de direito público podem ser cobrados 
cobrados por outra.
Visão Sistemática da Repartição de Competências
Tributos Vinculados
Para os tributos vinculados, cuja justificação está no 
está no sinalagma, o tema da competência tributária 
tributária confunde-se com a própria atribuição 
atribuição constitucional de competências materiais.
materiais.
1
Competência Anexa
Quem tem competência material para a prática de 
prática de determinado ato administrativo tem 
competência, também, para decidir sua intensidade 
intensidade e, portanto, os gastos necessários; a 
a consequência é que a competência para taxar tem 
taxar tem seu limite na própria competência do ato 
do ato administrativo.
2
Tributos Não Vinculados
Para os tributos não vinculados, voltados a satisfazer 
satisfazer às necessidades gerais da sociedade, não há 
não há uma relação imediata entre a hipótese 
tributária e os encargos públicos. A justificação está 
está na solidariedade, que se reflete no princípio da 
princípio da capacidade contributiva.
3
Proteção Contra o Excesso de Tributação
Repartição Rígida
Por meio do mecanismo de rígida repartição de competências, protege-se o contribuinte contra o exagero de tributação. Se a 
tributação. Se a União já tributa, não devem outras pessoas jurídicas de direito público instituir tributos e vice-
versa.
versa.
Manifestações da Renda
O que há são diversas manifestações da renda (auferida, poupada, consumida) ou diversos momentos em que se pode tributar 
se pode tributar a renda. Repartem-se as ocasiões em que se dará a tributação para que todas as pessoas jurídicas de direito 
jurídicas de direito público não se vejam intituladas a tributar, simultaneamente, a renda.
Excesso de Tributação
O excesso de tributação já não mais aparece vinculado ao quantum, mas ao momento. O que o constituinte quis evitar foi uma 
concentração de incidências tributárias em uma única manifestação da capacidade contributiva.
Diretrizes da Repartição de Competências
Tributos Vinculados
Para os tributos vinculados, justificados 
justificados pelo sinalagma, a competência 
competência se resolve a partir do 
conceito de competência anexa: quem tem 
quem tem a atribuição para a atividade 
atividade estatal terá, igualmente, 
competência tributária.
Tributos Não Vinculados
Para os tributos não vinculados, 
justificados pela capacidade contributiva, o 
contributiva, o próprio constituinte trata 
trata de atribuir as competências 
tributárias, tomando o cuidado de afastar a 
afastar a cumulação de competências.
competências.
Distribuição do Poder Tributário
Tributário
O constituinte distribui o poder tributário 
tributário entre as diversas ocasiões em 
em que se manifesta a capacidade 
contributiva, evitando que múltiplos entes 
entes tributem a mesma manifestação de 
manifestação de riqueza.
Espécies Tributárias e Suas Competências
Espécie Tributária Competência
Imposto Privativa: União, Estados, DF e Municípios (conforme discriminação constitucional)
constitucional)
Taxa Comum: União, Estados, DF e Municípios (competência anexa)
Contribuição de Melhoria Comum: União, Estados, DF e Municípios (competência anexa)
Empréstimo Compulsório Privativa: União
Contribuição Social Privativa: União (com exceções para regimes próprios de previdência)
Contribuições Especiais Privativa: União
Contribuição de Iluminação Pública Privativa: Municípios e DF
Competência para Taxas
Competência Anexa
Para as taxas, o art. 80 do Código Tributário Nacional 
positiva o conceito de competência anexa, oriunda 
do direito germânico. Não é porque o artigo 145 da 
Constituição Federal admite que qualquer ente 
federal as institua que se deve entender possível 
uma múltipla incidência sobre uma única hipótese 
tributária.
Poder de Polícia
Encontra-se a competência para a instituição estatal 
quando se investiga a quem é atribuído o exercício 
do poder de polícia: se o constituinte conferiu a 
competência para tal atividade a determinado ente 
federal, tacitamente admitiu que este obtivesse 
recursos financeiros para a atividade.
Serviço Público
De forma similar, a competência para instituir taxas 
de serviço está vinculada à competência para prestar 
o serviço público específico e divisível. O ente que 
presta o serviço tem competência para instituir a 
taxa correspondente.
A competência anexa significa que quem tem a atribuição para a atividade estatal terá,igualmente, competência tributária para instituir a taxa correspondente.
Competência para Contribuição de Melhoria
1Vinculação à Obra
A competência para a instituição da contribuição de 
melhoria, semelhante ao caso das taxas, decorre da 
materialidade da hipótese tributária. Por isso é que o art. 
o art. 81 do Código Tributário Nacional se refere ao "âmbito 
"âmbito de suas respectivas atribuições".
2 Obras Conjuntas
Por meio de convênios, obras vultosas podem ser 
assumidas por mais de uma pessoa jurídica de direito 
público. Para tais casos, todas as pessoas jurídicas de 
direito público poderiam instituir contribuições, desde que 
cada uma limitada ao custo da respectiva participação.3Valorização e Custo
Se a somatória das participações no custo ultrapassar o 
ultrapassar o total do benefício, a contribuição de melhoria 
melhoria é fator redutor do benefício. A totalidade das 
das contribuições não poderá ultrapassar o benefício do 
benefício do contribuinte.
Competência para Impostos
Possivelmente é na matéria de impostos que o tema da competência ganha maior relevo. Afinal, se para taxas e contribuições de melhoria a 
competência se torna imediata a partir da hipótese tributária, nos impostos o raciocínio não é tão simples.
Não sendo a receita de impostos afetada a alguma despesa, não fica óbvio o critério de distribuição de competências. Em algun
alguns casos, pode
s casos, pode
-
-
se especular acerca da vocação de determinado imposto, mas outros casos apresentam maiores dificuldades.
se 
dificuldades.
Tipos e Conceitos na Discriminação de Competências
1988
Constituição Federal
O constituinte de 1988 não tinha a ilusão de 
ilusão de que o elenco de impostos 
apresentasse limites rígidos. Ao contrário, 
contrário, sabia ele que se tratava de 
expressões fluidas, que por vezes implicariam 
implicariam uma interpenetração, 
possibilitando, até mesmo, o nascimento de 
nascimento de conflitos de competência.
competência.
146
Lei Complementar
Tal conclusão se demonstra quando se lê, no 
inciso I do art. 146 do texto constitucional, 
ser papel da lei complementar "dispor sobre 
conflitos de competência, em matéria 
tributária, entre a União, os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios".
154
Competência Residual
Ganha contornos de lógica a decisão do 
do constituinte de exigir lei complementar 
complementar para que a União exerça sua 
sua competência residual. Afinal, esta se dará 
se dará em campos que não estejam na 
competência de outras pessoas jurídicas de 
jurídicas de direito público.
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