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1 Prof. Paulo Seixas Eficiência Energética Aula 4 Conversa Inicial Nesta aula veremos como é feita a melhoria energética de alguns componentes elétricos em instalações elétricas, sistemas de iluminação, motores elétricos, transformadores e sistemas de ar-condicionado O assunto abordado é bastante extenso, por isso procuramos trazer os pontos principais para nortear o projeto de eficiência em seu local de trabalho Melhoria de eficiência energética em instalações elétricas Muitos de nossos projetos são feitos para atender a exigências solicitadas por nossos clientes; especificamos fiações, disjuntores, que atenderão ao consumo de energia de cada um dos equipamentos São dimensionamentos específicos que têm de ser feitos para suprir cada um deles Ao iniciarmos projetos visando à eficiência energética, temos de levar em conta o consumo de energia e como podemos realizá-lo de acordo com os requisitos que o nosso cliente deseja Comece com as exigências de energia da fábrica ou instalação Certifique-se de que a exigência é válida atualmente, avaliando qualquer mudança quanto às necessidades de energia Certifique-se, também, de que o sistema está o mais próximo possível do requerido em termos de tempo e magnitude do fornecimento de energia Abordagem 2 Procure maneiras mais eficientes de operar e fazer a manutenção dos equipamentos em cada um dos setores Observe se a tecnologia existente pode ser modificada para que a operação seja mais eficiente Verifique se na indústria moderna existe tecnologia disponível que apresente maior eficiência Verifique se podemos utilizar fontes de energia alternativas e mais econômicas Para o dimensionamento correto da seção do condutor, devem-se seguir as orientações da NBR 5410:2004 São seis os critérios para dimensionamento da seção Seção mínima Capacidade de condução de corrente Queda de tensão Proteção contra sobrecargas Proteção contra curto-circuito Proteção contra contatos indiretos A Norma IEC 60364-8-1: Low-voltage electrical installations – Part 8.1: Energy efficiency (Instalações elétricas de baixa tensão – Parte 8-1: Eficiência energética), publicada em outubro de 2014 em sua versão 1.0, inclui as instalações elétricas de baixa tensão como contribuintes para a eficiência energética e para a sustentabilidade Melhoria de eficiência energética em sistemas de iluminação Para uma redução de consumo de energia em iluminação, devemos realizar uma combinação simples de lâmpadas, reatores e refletores eficientes, em associação a uma mudança comportamental na sua utilização O bom desempenho depende de alguns cuidados, iniciados no projeto elétrico, que envolvem informações sobre luminárias, perfil de utilização, tipo de atividade a ser exercida no local e outras, conforme a NBR 5413 Máximo aproveitamento da luz natural Determinação das áreas de efetiva utilização Níveis de iluminação adequados ao trabalho, conforme recomenda a NBR 5413, que trata da iluminância de interiores Circuitos independentes para a utilização de iluminação (parcial e por setores) O que os novos projetos de iluminação devem considerar 3 Iluminação com pontos localizados e especiais, como máquinas operatrizes, pranchetas de desenho etc. Sistemas que permitam desviar o calor gerado pela iluminação para fora do ambiente, visando à redução da carga térmica dos equipamentos de ar-condicionado Seleção cuidadosa de lâmpadas e luminárias, buscando um conforto visual com mínima carga térmica ambiental Uso de luminárias espelhadas, pois têm alta eficiência Seleção cuidadosa de reatores, buscando a redução das perdas e um aumento do fator de potência Uso de sensores fotoelétricos para o controle de lâmpadas acesas, em função da luz natural ou movimentação de pessoas no local A NBR 5413 traz uma metodologia para a análise do sistema de iluminação, fornecendo os dados para que possamos avaliar a qualidade de luz de que determinado ambiente necessita, com tabelas que levem em consideração o tipo de tarefa desenvolvida no ambiente, a idade das pessoas, a precisão e a refletância dessas tarefas, além de índices de iluminância com fatores baixo, médio e alto para cada setor Vários softwares foram lançados para a aplicação da norma de forma eficiente, tanto de rapidez de resultados como de eficiência energética Comparativo de eficiência energética das lâmpadas 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Led Vapor de Sódio Vapor de Mercúrio Vapor Metálico Luz Mista Flourescente Halógenas Incandescentes Mínimo Máximo Atualmente, o termo retrofitting é bastante utilizado, ou seja, diz respeito à atualização dos equipamentos. Necessitamos de uma análise minuciosa de nossas alternativas e da mensuração de quais serão os investimentos necessários à sua execução Os cálculos devem ser feitos de modo a minimizar os erros de retorno de investimentos, procurando também diminuir o seu tempo de retorno financeiro. Também devemos considerar em nossos projetos a vida útil das lâmpadas e dos reatores utilizados, para minimizar os custos Em indústrias ou empresas que estejam no Grupo A de fornecimento de energia, seus custos de energia com demandas e consumos de ponta e fora de ponta, mencionados anteriormente, com a substituição do sistema de iluminação (lâmpadas e reatores), podem sofrer variação de preço por conta dessas lâmpadas e reatores 4 Melhoria de eficiência energética em motores elétricos A eficiência energética de motores no Brasil é tratada pela série de normas ABNT NBR 17094 sobre motores de indução trifásicos e regulamentada através da Portaria do Inmetro n. 488, de dezembro de 2010 Essa portaria define os níveis mínimos de eficiência energética de motores elétricos trifásicos de indução de rotor em gaiola de esquilo, nacionais ou importados, para uso ou comercialização no Brasil Leva em conta também a Portaria Interministerial n. 553, de dezembro de 2005, assinada pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia, que contempla o Programa de Metas dos motores elétricos de indução trifásicos e estabelece que os níveis mínimos de rendimento nominal não tenham a distinção entre as linhas padrão e alto rendimento Em motores, a melhoria da eficiência pode ser obtida com o uso de motores de alta eficiência ( 100%), cargas de acordo com a capacidade dos motores, correções de fator de potência (cos 0,92), uso de inversores de frequência para a partida dos motores, plano de manutenção preventiva/preditiva, equilíbrio da tensão de alimentação etc. Atualmente, a ABNT-ISO 50001:2011 tem especificado os requisitos de eficiência energética. As empresas devem reduzir a emissão de gases tóxicos à natureza, para evitar o efeito estufa, e essa norma, assim como as internacionais, tem se atentado a esse objetivo de gestão energética A NBR contém orientações para uso de sistemas de gestão de energia, incluindo planejamento energético, implementação e operação, monitoramento, medição e análise Os rendimentos, determinados a partir de medições de perdas, podem variar conforme abaixo Os valores de eficiência variam conforme a categoria de eficiência das máquinas, segundo o determinado pelas normas ABNT NBR17094-1 e IEC60034-2-1 Motores (plena carga) (%) 1 a 10 kW 80-90 11 a 100 kW 90-95 Acima de 200 kW 99 5 Em nossos projetos de eficiência energética, devemos considerar que As fugas de ar em sistemas de ar comprimido podem desperdiçar de 30 a 50% de todo esse ar Um compressor de ar rodando em vazio consome cerca de 25% da energia que consumiria a plena carga (...) (...) Dependendo do ciclo, o tempo de operação sem carga corresponde entre 30 e 70% do tempo total de trabalho. Recomenda-se o uso de sistemas de controle inteligente acoplados a máquinas de diferentes tamanhos. O potencial de economia varia muito com o porte da indústria e o tipo de carga instaladaMelhoria de eficiência energética em transformadores A eficiência dos transformadores, em geral, é muito alta, devido à ausência de partes rotativas, como as encontradas em motores de indução, o que permite que as eficiências fiquem na ordem de 96 a 99% Os transformadores acabam sendo empregados em várias fases do processo de produção e uso de energia elétrica As principais normas que tratam de transformadores são NBR 5356: transformadores de potência – especificação NBR 5440: transformadores para redes aéreas de distribuição – padronização NBR 5380: transformadores de potência – método de ensaio Essas normas padronizam e estabelecem valores mínimos e máximos de diversas características dos transformadores A melhoria de eficiência começa no projeto e na construção do transformador. O núcleo deve ser feito de um material com alta indução de saturação, ferromagnéticos (permeabilidade magnética, ), de alta resistividade (impedindo a condução de corrente elétrica no núcleo) e com baixas perdas na frequência de operação. As bobinas em contrapartida devem ter a menor resistividade possível (alta condutância) 6 A potência reativa, além de não produzir potência útil, gera perdas pelo aquecimento dos condutores, quando o FP é muito baixo, e devido a essa potência há uma penalidade O art. 64 da Resolução n. 456/2000, da ANEEL, estabelece um valor máximo para a utilização de energia reativa, em função da energia ativa consumida, isto é, um FP 0,92 não gera cobrança, que é o cosseno Potência Ativa (W)/Potência Aparente (VA). Os valores inferiores a 0,92 indicam excedente de reativo, que será onerado na conta de energia elétrica Redução do custo de energia elétrica, sem o ônus do baixo FP Aumento da eficiência energética do consumidor (empresa) Melhora da tensão (há menor flutuação do nível médio de tensão) Vantagens da correção do fator de potência Aumento da capacidade e da vida útil das instalações e dos equipamentos (menos perdas) Redução do efeito Joule e consequente menor aquecimento do ambiente pela redução da corrente reativa na rede elétrica Melhoria de eficiência energética em sistemas de ar-condicionado Os custos de operação do sistema de ar-condicionado são dos maiores, principalmente se falamos de centros comerciais e algumas indústrias, como as têxteis e gráficas. Nesses locais, o consumo pode chegar a 60% do total de energia. Devem-se sempre observar nesses locais a limpeza e a manutenção, para evitar um consumo maior de energia Selecionar componentes e sistemas, observando seus dados técnicos e tabelas de consumo para que essas instalações se tornem econômicas e eficientes Pensar no modo como foi projetada a edificação, para que se possam manter, dentro dos limites requeridos, tabelados ou regulamentados, a temperatura e a umidade dos ambientes, controlando-as e monitorando-as para que fiquem dentro dos limites estabelecidos 7 Manter a qualidade do ar interno (QAI) por meio de fornecimento e quantidades adequados de ar externo para a sua renovação Utilizar equipamentos e sistemas com baixa relação kW/TR (quilowatt por tonelada de refrigeração) Minimizar a liberação de substâncias que contribuam para o aquecimento global ou agridam a camada de ozônio Estabelecer programas de manutenção, de tal forma que as condições dos equipamentos e sistemas permaneçam próximas às condições de projeto A estrutura é composta pelo conjunto de elementos que tornam os edifícios ou locais servidos pelo sistema de ar-condicionado Podemos, então, tomar medidas para minimizar os ganhos ou perdas de calor por Transmissão térmica Insolação Infiltração de ar e umidade Geração interna Melhorias relativas à estrutura Os sistemas de ar-condicionado possuem instalações, ventiladores, bombas, tubulações, dutos, que são os equipamentos mecânicos, e motores de potência, manobra e regulagem, que são os equipamentos elétricos Todos esses componentes devem ser analisados antes de efetuar modificações, pois podem aumentar o consumo de energia se não passarem por um novo cálculo Melhorias relativas ao sistema de ar-condicionado