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Prévia do material em texto

Este livro consiste no resul-
:Jo do trabalho de Elza Lima e 
Iva Maia (responsavel pela Bi-
ioteca do Instituto Brasileiro 
Informagao em Glenda e 
cnologia), herdeira dos ma-
iscritos de Alice Principe Bar- 
por ocasiao de seu faleci-
anto em fevereiro de 1975. 
;One num so documento in-
rmagOes que existiam e ainda 
istem de forma esparsa. Urn 
grandes meritos desta obra 
que, pela primeira vez, fica 
gistrada para a posteridade a 
stOria da Catalogagao no Bra-
, vivida pela prOpria autora. 
em deste, os principais te-
as referentes as atividades da 
ttalogagao sao apresentados, 
Is como: o panorama interna-
)nal, inclusive do ponto de 
eta histOrico, daquelas ativi-
des; consideragoes sobre as 
Gras e principais cOdigos de 
talogagao (ALA, Instrugoes 
ussianas, Vaticana, Anglo-
nericano); os diversos tipos 
programas de catalogagao 
)operativa, centralizada, corn-
rtilhada, na fonte); o Contro-
Bibliografico Universal e seus 
droes (ISBDs, ISBN, ISSN, 
4RC, UNIMARC) e suas de-
rrencias em nivel nacional, 
mo o CALCO. 
BNG/BRASILART 
Trata-se de um livro 
indispensavel a atualiza-
cao dos conhecimentos 
dos bibliotecarios, alem 
de constituir valioso 
 au-
xil aos profe 
catalogacao e 
fonte de ensi 
para os alunos 
documentagio. 
• 
BARBOSA 
Nasceu Alice Principe Barbosa 
em 1919 na cidade do Salvador, 
Estado da Bahia. Graduou-se em 
1941 pelo Curso de Bibliotecono-
mia da Biblioteca Nacional. lniciou 
suas atividades profissionais em 
1942 como Bibliotecario-Auxiliar da 
Biblioteca Nacional. Em 1943 é 
aprovada em concurso pUblico rea-
lizado pelo antigo Departamento 
Administrativo do Servigo Public° 
— DASP, para exercer as fungOes 
de Bibliotecario. Em 1945, durante 
6 meses, estagiou na Card Division 
da Library of Congress. Apes esse 
estagio, em 1946 é encarregada de 
reorganizar o Servigo de Intercam-
bio de Catalogagao — SIC, que 
epoca pertencia ao DASP. 
Em 1954, foi criado o Institute 
Brasileiro de Bibliografia e Do-
cumentagao — IBBD, que passou a 
ser responsavel pelas atividades do 
SIC. Alice vem a integrar a equipe 
desse Institute, exercendo as fun-
goes de Bibliotecario durante qua-
se 21 anos, e chegando a ocupar os 
cargos de Diretora do Servigo de 
InformagOes Tecnico-Cientificas e 
Diretora do Servigo de Intercambio 
de Catalogagao. No SIC, em 1962, 
comegou a coordenar a preparagao 
de uma Lista Gera! de Cabecalhos 
de Assuntos em lingua portuguesa, 
que vem sendo publicada ate hoje. 
Suas atividades de magisterio se 
iniciam em 1960 como Professora 
de Catalogagao e Classificagao nos 
cursos promovidos pelo IBBD, as-
sociagOes de classe e instituigoes 
governamentais para reciclagem de 
pessoal e preparagao de candida-
tos para concurso public°. Em 
1962 passa a lecionar Catalogagao 
e Classificagao no Curso de Biblio-
teconomia da Biblioteca Nacional 
(atualmente Faculdade de Bibliote-
conomia e Documentagao da 
FEFIERJ). 
Na qualidade de examinadora, 
participou de varios concursos 
promovidos por argaos do 
governo. Participou ainda das ativi-
dades da Associagao Brasileira de 
Bibliotecarios, em 1962, e do Con-
selho Regional de Biblioteconomia 
— 7! Regiao, no periodo 1966/ 
COLKAO BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTA00, 
CIENCIA DA INFORMA00 
Alice Principe Barbosa 
Conselho de Edicao 
Lydia de Queiroz Sambaquy 
Hagar Espanha Gomes 
Maria Beatriz Pontes de Carvalho 
Maria de Nazare Freitas Pereira 
• 	 NOVOS RUMOS 
Outras obras do nosso Fundo Editorial 	 DA CATALO9A00 
BASTOS, Zenobia P.S. de Moraes. Organizaccio de mapotecas. 
Apresentacao de Maria Antonieta Ferraz. 1978. 115 p. 
LEHNUS, Donald J. Manual de redacao de fichas catalograficas 
de acordo com a ISBD(M). Traducao e adaptacao de Hagar 
Espanha Gomes. Apresentacao de Maria Luisa Monteiro da. 
Cunha. Edicao conjunta com a FEBAB. 1977. 76 p. 
LEHNUS, Donald J. Notacao de autor; manual para bibliotecas. 
Traducao e adaptacao de Hagar Espanha Gomes. Apresen-
tacao de Maria Antonieta Requiao Piedade. 1978. 83 p. 
• 
PrOximos lancamentos 
AITCHINSON, J. & GILCHRIST, A. Manual de construcao de 
thesaurus. Traducao de Helena Medeiros Pereira Braga. 
VICKERY, B. C. Classiticacilo e indexaciio nas ciencias. Tradu-
cao de Maria Christina Girao Pirolla. 
Organizacao, revisao e atualizacao de 
Elza Lima e Silva Maia 
BNG/BRASILART 
Barbosa, Alice Principe, 1919-1975. 
B195n 	 Novos rumos da catalogacao / Alice Princi- 
pe Barbosa ; organizacao, revisao e atualiza-
cdo de Elza Lima e Silva Maia. — Rio de Ja-
neiro : BNG/Brasilart; 1978. 
(Colecao Biblioteconomia, documenta-
cao, ciencia da informacao) 
Bibliografia 
1. Catalogacao 2. Catalogacao — Historia 
3. Catalogacao cooperativa 4. Controle Bi-
bligrafico Universal I. Maia, Elza Lima e 
Silva II. Titulo III. Serie 
78-0312 
CDD — 025.3 
025.30981 
025.35 
025.350981 
CDU — 025.3 
025.3(81) 
061:025.3 
061:025.3(81) 
BNG/BRASILART UNIAO EDITORIAL LTDA. 
Av. Presidente Vargas 633 s. 1720 
Caixa Postal 494 ZC-00 
20000 Rio de Janeiro, RJ 
Impresso no Brasil/Printed in Brazil 
UFRJ/CC,JFIBIBLIOTECA EUGENIO GUDtN 
DATA:912it.. 
513.502 
nIVrtit)MERO NO SISTEMA: 
CODIGO DE BARRAS: 
0- 5.3 
c33S 	 CIP-Brasil. Catalogacao-na-fonte 
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ 
1978 
S U M AR I O 
APRESENTAcA0 15 
NOTA EXPLICATIVA 21 
CAPITULO 1 — PANORAMA MUNDIAL 
1. PANORAMA INTERNACIONAL 23 
1.1. De Panizzi a Conferencia de Paris (periodo 
tradicional, 1841-1961) 26 
1.1.1. Sir Anthony Panizzi 26 
1.1.2. Charles C. Jewett 28 
1.1.3. Charles Ami Cutter 28 
1.1.4. InstrucOes Prussianas 31 
1.1.5. Codigo da ALA (1. ed., 1908) 33 
1.1.6. Codigo da ALA (2. ed. preliminar, 1941) 
35 
1.1.7. Codigo da ALA (2. ed., 1949) 37 
1.1.8. COdigo da Vaticana (1920) 39 
1.2. Da Conferencia de Paris a RIEC (periodo 
pre-mecanizado, 1961-1969) 40 
1.2.1. Conferencia de Paris 40 
1.2.2. Anglo-American Cataloging Rules (1967) 
46 
1.3. Da RIEC ao Controle Bibliografico Universal 
(periodo mecanizado, 1969 em diante) 53 
2. PANORAMA NACIONAL 57 
2.1. Tentativas de um codigo brasileiro 57 
2.2. Codigos adotados 63 
2.3. Mudancas e acrescimos ao AACR 65 
CAPITULO 2 — PROGRAMAS DE 
CATALOGAcA0 
Y. 
1. CATALOGACAO COOPERATIVA VS 
CATALOGACAO CENTRALIZADA 71 
1.1. Catalogaccio cooperativa 74 
1.2. Catalogaciio centralizada 79 
1.3. Brasil: Servico de Intercambio de Cataloga-
cab (SIC) 80 
1.3.1. Historic° 80 
1.3.2. Realizacties 88 
2. CENTRAIS DE CATALOGACAO 91 
2.1. Importancia 91 
2.2. Estados Unidos 96 
2.3. URSS 100 
2.4. Reino Unido 104 
2.5. Outros paises 106 
2.5.1. Canada 106 
2.5.2. Franca 107 
2.5.3. Australia 107 
2.5.4. Republica Democratica Alemd 107 
2.5.5. Republica Federal da Alemanha 108 
3. CATALOGACAO COMPARTILHADA 109 
3.1. Historic° 109 
3.2. Programa Nacional de Aquisicao e Cataloga-
coo (NPAC) 112 
3.3. Implicaci5es internacionais 114 
3.4. Desvantagens 115 
4. CATALOGACAO-NA-FONTE 118 
4.1. Definicao 118 
4.2. Vantagens 118 
4.3. HistOrico 119 
4.4. Co-edicoes 121 
4.5. Australia 121 
4.5.1. Historic° 121 
4.5.2. Material selecionado 123 
4.5.3. Caracteristicas 123 
4.6. Estados Unidos 123 
4.6.1. Historic° 123 
4.6.2. "Cataloging-in-publication" (CIP) 126 
4.6.3. Caracteristicas 126 
4.7. URSS 127 
4.7.1. Historic° 127 
4.7.2. Caracteristicas 127 
4.8. RepUblica Federal daiAlemanha 129 
4.8.1. Historic° 129 
4.8.2. Caracteristicas 129 
4.9. Canada 130 
4.10. Brasil 132 
4.10.1. Historic° 132 
4.10.2. Fatores motivadores 135 
4.10.3. Objetivos 136 
4.10.4. Metodo 137 
4.10.5. Criterios adotados 138 
4.10.6. Controle 139 
CAPITULO 3 — CONTROLE BIBLIOGRAFICO 
UNIVERSAL (CBU) 
1. HISTORICO 140 
2. CONCEITO 144 
3. OBJETIVO 145 
4. ESTRUTURA 145 
5. ESCRITORIO INTERNACIONAL 1466. PORQUE 0 CBU E NECESSARIO 147 
7. PADROES INTERNACIONAIS DO CBU 148 
7.1. AACR 149 
7.2. ISBN —NUmero Internacional Normalizado 
de Livros 150 
7.2.1. Historic° 151 
7.2.2. Estrutura 152 
7.2.3. Localizacao 155 
7.2.4. Objetivos e vantagens 155 
7.2.5. Agencia internacional 156 
7.2.6. Agencias de grupo 157 
7.2.7. Brasil 158 
7.3. ISSN — Milner() Internacional Normalizado 
de Publicacoes Seriadas 159 
7.3.1. PublicacOes seriadas 159 
7.3.1.1. Definicdo 162 
7.3.1.2. Titulo 164 
7.3.2. 0 ISSN propriamente dito 166 
7.3.2.1. Estrutura 166 
7.3.2.2. Atribuicao 167 
7.3.2.3. Localizacao 168 
7.3.3. ISDS — Sistema Internacional de Dados 
sobre Publicacoes Seriadas 168 
7.3.3.1. Objetivos 168 
7.3.3.2. Historic° 169 
7.3.3.3. Estrutura 170 
7.3.3.4. Blocos de ISSNs 172 
7.3.3.5. Disseminacao dos dados 174 
7.3.3.6. Brasil 175 
7.4. ISBD(M) — Descried° Bibliografica Inter- 
nacional Normalizada para Monografias 
	 175 
7.4.1. 	 Historic° 	 175 
7.4.2. Objetivos 178 
7.4.3. 	 Estrutura 178 
7.4.4. Ordem dos elementos 179 
7.4.5. Pontuacdo 180 
7.4.6. Simbolos 181 
7.4.7. Fontes de informacao 182 
7.4.8. Lingua e alfabeto 183 
7.4.9. Abreviaturas 183 
7.4.10. Uso de maiusculas 184 
7.4.11. Erros de impressao 184 
7.4.12. Publicacoes em varios volumes 184 
7.5. ISBD(S) — Descried° Bibliografica Interna- 
cional Normalizada para Publicacoes Seria- 
das 185 
7.5.1. 	 Historic° 185 
7.5.2. Objetivos 188 
7.5.3. Estrutura 188 
7.5.4. Ordem dos elementos 188 
7.5.5. Especificacdo dos elementos 188 
7.5.6. Pontuacdo 189 
7.5.7. Simbolos 189 
7.5.8. Fontes de informacao 189 
7.5.9. Outras informacOes 189 
7.6. ISBD(G) — Descried° Bibliografica Interna- 
cional Normalizada Gerul 	 190 
7.6.1. 	 Historic° 190 
7.6.2. 
	 Objetivos 191 
7.6.3. 	 Estrutura 192 
7.6.4. Ordem dos elementos 193 
7.6.5. Especificacdo dos elementos 193 
7.6.6. Pontuacao 194 
7.6.7. Simbolos 194 
7.6.8. Area especifica de material (ou tipo de 
publicacao) 194 
7.6.9. Area de descricao fisica 195 
7.7. Outros ISBDs 195 
CAPITULO 4 — SISTEMAS AUTOMATIZADOS 
DE CATALOGAQA0 
1. ANTECEDENTES 196 
2. MARC (Machine Readable Cataloging) 199 
2.1. Significado 199 
2.2. Hist6rico 199 
2.3. Projeto Piloto MARC 202 
2.3.1. Objetivo 202 
2.3.2. Implementacao 202 
2.3.3. Resultados 203 
2.4. Sistema MARC 204 
2.4.1. Finalidade e objetivos 204 
2.4.2. Implementacao 205 
2.5. Formato MARC II 208 
2.5.1. Estrutura 209 
2.5.2. Designadores de conteudo 210 
2.5.3. Contelido bibliografico 211 
2.6. Sistemas derivados do MARC 212 
2.6.1. America Latina 212 
2.6.2. UNIMARC 215 
3. CALCO (Catalogacdo Legivel 
216 
por Computador) 
3.1. Historic° 216 
3.2. Metodos 217 
3.2.1. Folha-de-entrada 218 
3.2.2. Treinamento de catalogadores 219 
3.2.3. Testes corn a folha-de-entrada 219 
3.3. Estabelecimento da rede de bibliotecas 220 3.3.1. Regras catalograficas 220 
3.3.2. Listas de cabecalhos de assunto 221 
3.3.3. Implantacao da central de processamento 
222 
3.4. Objetivos 223 
3.5. Situacao atual 223 
BIBLIOGRAFIA 227 
LISTA DE SIGLAS 237 
INDICE 241 
APRESENTACAO 
Geralmente, os bibliotecarios, por vocacdo ou 
por temperamento, se orientam para os trabalhos 
tecnicos de preparaciio das colecoes reunidas, ou 
para os servicos de referencia e informacclo. Especia-
lizam-se como catalogadores, ou como bibliotecarios 
de referencia, passando a servir muitas vezes, como 
tecnicos de informaccio. 
Os primeiros se dedicam a conviver mais direta-
mente corn o mundo maravilhoso dos livros, receben-
do-os, analisando-os, separando-os segundo suas 
caracteristicas especiais — assunto, forma, origem, 
epoca, possiveis usuarios, linguas etc. — fazendo a 
sua descricao meticulosa e registrando-os em seus 
caterlogos, de maneira que sejam encontrados, fa-
cilmente, por todos aqueles que deles necessitem 
para estudo, pesquisa, trabalho ou recreacclo, no 
momento adequado, na ocasiiio oportuna, por qual-
quer forma que os procurem. Preferem, esses biblio-
tecarios, servir de interpretes, tomando conhecimen-
to de todos aqueles que, de algum modo, serviram a 
memoria da humanidade corn poesias inspiradas, 
hist-arias encantadas, memorias cientificas, informa-
cOes tecnologicas e de carater social, criacoes litera-
rias e artisticas. Familiarizam-se corn os seus nomes, 
em suas verrias formas e usos; ficam informados 
sobre a producuo de cada um; passam a conviver 
intimamente corn eles atraves de suas biografias e 
bibliografias. Adquirem conhecimentos gerais e espe-
cificos, espontaneamente, atraves desse manuseio 
diario e, as vezes, bem duradouro das obras dos 
artistas, professores, filosofos, escritores, tecnicos e 
cientistas de todos os lugares e de todos os tempos. 
15 
ITRUCOE 
Biblioteca 
	 (ludirn 
Enfim, tern oportunidade constante e permanente 
para estudar e evoluir. Aprendem as terminologias 
tecnicas, os relacionamentos logicos entre os assuntos 
de todas as Ciencias e de todas as Artes e ficam 
conhecendo o que foi escrito no passado e o que esta 
sendo produzido no presente. Passam a ter uma 
crescente informayao sobre os temas em pauta, em 
termos universais, para a pesquisa e estudo, nos 
varios campos dos conhecimentos. 
Os bibliotecarios de referencia sao pessoas corn 
pendor especial para a pesquisa bibliografica, grande 
curiosidade intelectual e especial carinho humano, 
in teressando-se, principalmente, em servir direta-
mente aos estudiosos e leitores, quaisquer que sejam 
suas especializayOes, suas idades, ou condiyoes so-
ciais. Gostam do convivio das pessoas. Interessam-se 
por seus problemas de estudo e de trabalho. Prontifi-
cam-se a servir, auxiliando os usuarios das bibliote-
cas a encontrar, de maneira rapida e eficiente, res-
postas para as suas questa-es, soluyoes para os seus 
problemas. Desenvolvem-se no conhecimento das 
()bras secundarias, daquelas que existem para orien-
tar os leitores no use das obras primarias, ou para 
facilitar-lhes a obtenylio das informayoes e dados 
que necessitam. 
Em geral, os catalogadores ou indexadores tem 
temperamento retraido, gostam mais de trabalhar 
corn os livros do que com as pessoas; enquanto que 
Os bibliotecarios de referencia preferem lidar corn 
problemas concretes, que lhes sao apresentados pelos 
usuarios das coleyOes bibliograficas e documentarias. 
Sao pessoas extrovertidas, que gostam do contacto 
hu matzo. 
Ha, contudo, bibliotecarios e tecnicos de infor-
mayao que tern formayao intelectual muito completa 
e capacidade psicolOgica muito abrangente, podendo 
funcionar como excelentes catalogadores e otimos 
orientadores de pesquisa bibliografica e de estudo. 
Assim foi Alice Principe Barbosa. Entretanto, foi 
como catalogadora que desenvolveu, ao maxim°, sua 
capacidade de servir aqueles que servem a Ciencia. 
Existe, nos Estados Unidos, urn nome-simbolo, 
intimamente ligado as regras de catalogayao e a sua 
divulgayao: Margaret Mann. No que se refere 
Catalogayilo Cooperativa, aparecem como os vultos 
maiores Charles Jewett e Charles Ami Cutter. No 
Brasil, a figura mais significativa, no cenario da 
Biblioteconomia e Documentayiio, por reunir todos 
os dotes que caracterizaram aqueles bibliotecarios 
norte-americanos, e por ter tido oportunidade de 
realizar trabalho realmente notavel, e a de Alice 
Principe Barbosa. Por sua atuayiio na direcao do SIC 
(Servico de Intercambio de Catalogaciio), do antigo 
IBBD (atual IBICT), ao qual dedicou o melhor dos 
seus esforcos, grande entusiasmo e capacidade de 
realizayao; pelas obras que publicou; e, principal-
mente, pela sua atuayelo como professora, na Escola 
de Biblioteconomia e Documentayao da FEFIERJ e 
no curso de Documentayao Cientifica do IBICT em 
parias Universidades do Pais, onde, frequentemente, 
como professor visitants, proferia palestras e confe-
rencias,contribuiu, de maneira relevante, para esta-
belecer uma escola brasileira, voltada para a norma-
lizaccio de metodos e processos no tratamento da 
documentayao disponivel, atraves do perfeito e 
fico programa de cooperayao-entre-bibliotecas. 
Nao se deixava abater por dificuldades ou por 
empecilhos encontrados, quer de ordem material ou 
psicologica, na implementayao dos programas de 
trabalho aos quais esteve devotada. 
Ultimamente, vinha estudando a automayao dos 
processos de catalogayao, aos quais dedicou sua tese 
de Mestrado, sobre o Projeto CALCO de cataloga-
ccio cooperativa automatizada. Hoje em dia, esse pro-
grama, corn algumas modificacoes, esta fadado a vir a 
16 	 17 
ser considerado como o formato nacional para inter-
cambio de informacoes bibliograficas. 
Alice Principe Barbosa foi uma criatura admira-
vel e ilustrada, que serviu corn grande modestia, 
energia e coragem, pondo grande amor tanto em sua 
vida profissional, como em sua vida particular. Deu 
a todos que tiveram o prazer de conhece-la pessoal-
mente, bem como a tudo o que fazia, o maior 
carinho e dedicacao. Profissionalmente, foi uma ex-
celente professora, notavel catalogadora e perfeita 
bibliotecaria. 
No comeco de sua carreira profissional, dedi-
cou-se a renovacao dos metodos e processos entao 
empregados no tratamento das colec5es bibliografi-
cas, pugnando pela adocao, por parte das bibliotecas 
brasileiras, do sistema de catalogacao cooperativa, 
que representaria economia de trabalho e eficiencia 
na organizacao e divulgacao das coleceies existentes. 
Evoluindo sempre, num constante aperfeicoamento 
profissional, deixou a palavra CALCO (Catalogacao 
Legivel por Computador) como um estimulo especial 
para as bibliotecas, mostrando que o caminho da 
Biblioteconomia de hoje esto fortemente marcado por 
quatro grandes fatores, que, ha vinte anos, vem 
modificando inteiramente suas condic5es de tra-
balho: 
- o crescente progresso das formas de repro-
grafia e de microfotografia; 
- o computador empregado como veiculo de 
registro e recuperacao de informacoes; 
- o teleprocessamento, que facilita, de manei-
ra extraordinaria, a catalogacao cooperativa 
e o intercambio entre bibliotecas; 
- e, finalmente, o ultimo, mas importante, 
a COOPERA(A0 entre bibliotecas, atraves 
de redes e sistemas. 
Na presente obra, Alice Principe Barbosa 
mostra as tendencias modernas dos trabalhos de 
catalogaciio, que clever& ser, ja agora, baseados em 
projetos de estreita participacao interbibliotecaria, 
em forma automatizada, atraves de programas esta-
belecidos por redes ou sistemas de bibliotecas. So-
mente assim sera possivel a soma das colecoes de 
documentos e das obras existentes no Pais, atraves 
dos catalogos dessas Bibliotecas, para levantamento 
do universo de livros e documentos disponiveis, a fim 
de que, perfeitamente integrados, como um so cata-
logo de uma so biblioteca, servir a toda populacao no 
Brasil, por intermedio de redes de cooperacao locais, 
estaduais, regionais e nacional ide bibliotecas e de 
informacao. 
Lydia de Queiroz Sambaquy 
23 de junho de 1978 
Rio de Janeiro, RJ 
18 19 
NOTA EXPLICATIVA 
Durante muitos anos tivemos o privilegio de 
conviver corn Alice Principe Barbosa, cuja figura 
humana fez corn que suas atividades profissionais 
adquirissem dimensoes extremamente amplas. Seu 
desaparecimento prematuro, eqi fevereiro de 1975, 
deixou inegavelmente uma irrecuperavel lacuna na 
Biblioteconomia Brasileira. 
0 presente livro visa so a trazer a piiblico um 
dos diversos trabalhos que Alice deixou em fase 
embrionaria, mas tambem deve ser considerado 
como uma homenagem, por parte de intimeros cole-
gas, a memOria de quem tanto contribuiu para o 
desenvolvimento da Catalogaciio no Brasil. 
Nesta oportunidade, torna-se indispensavel men-
cionar nossa profunda gratidtio pelo forte estimulo e 
colaboracdo efetiva para que este trabalho fosse leva-
do a cabo, dos colegas Ida Maria Cardoso Lima e 
Maria de Nazare Freitas Pereira (que redigiram a 
seciio referente ao MARC e CALCO), Hagar Espa-
nha Gomes, Jannice Monte-MOr, Licia Carvalho Me-
deiros, Maria Beatriz Pontes de Carvalho, Maria 
Luisa Monteiro da Cunha, Philippe Damian e Regi-
na Carneiro. 
Elza Lima e Silva Maia 
21 
CAPITULO 1 
PANORAMA MUNDIAL 
1. PANORAMA INTERNACIONAL 
I 
0 estabelecimento de regras para redacao de 
fichas catalograficas decorre da necessidade da orga-
nizacao uniforme de catalogos para bibliotecas. 
A historia da catalogacao, obscura em seu ini-
cio, so registra interesse por alguma normalizacao, 
principalmente de entradas, depois do seculo XVI. 
Ate essa epoca, as regras existentes nao tinham 
a finalidade de se constituirem em um codigo, e 
tampouco foram determinadas por bibliotecarios; 
mas sim por livreiros e bibliOgrafos, interessados, 
apenas, na compilacao de seus catalogos e biblio-
grafias. 
A importancia da estrutura dos catalogos de 
bibliotecas, apesar de já evidenciada naquele seculo 
por Andrew Maunsell, Conrad Gesner e outros, so 
foi realmente definida no sec. XIX por Charles Ami 
Cutter, em sua obra Rules for a dictionary catalog. 34 
Nela, Cutter enfatizava seus objetivos e functies, afir-
mando: "0 catalogo deve ser o instrumento que 
permita: 
a) encontrar urn livro do qual se conheca o 
autor, o titulo ou o assunto; 
23 
b) mostrar o que existe numa colecao de um 
determinado autor, ou sobre uma determinada edi-
cao de uma obra". 
No seculo XX, precisamente em 1961, como 
resultado da Conferencia Internacional sobre Princi-
pios de Catalogacao, em Paris, foi publicada uma 
Declaraciio de Principios, na qual, em seus itens 2 e 
3, as funciies e a estrutura dos catalogos, corn peque-
nas diferencas, foram as mesmas expostas por Cutter 
85 anos antes. 
Alem disso, embora ficasse estabelecido que os 
mesmos Principios deveriam ser usados para deter-
minacao de entradas, tanto em fichas catalograficas 
como bibliograficas, na realidade isto nao vem acon-
tecendo. Recentes estudos, apresentados em reuniOes 
internacionais posteriores a Conferencia de Paris, 
tem alertado bibliotecarios e documentalistas sobre a 
urgente necessidade de uma normalizacao que nao 
cause conflitos em pesquisas bibliograficas e que 
permita uma rapida permuta de informacOes. Esta 
foi, alias, uma das RecomendacOes da Reuniao Inter-
nacional de Especialistas em Catalogacao (RIEC), 
realizada em Copenhague no ano de 1969 (ver 1.3). 
A historia da normalizacao das regras catalogra-
ficas pode ser dividida, de maneira bem ampla, em 
tres periodos distintos: 
a) de Panizzi a Conferencia de Paris (periodo 
tradicional); 
b) da Conferencia de Paris a RIEC (periodo 
pre-mecanizado); 
c) da RIEC ao Controle Bibliografico Universal 
(CBU) (periodo mecanizado). 
24 
0 primeiro deles, abrangendo um espaco de 
tempo extremamente longo, foi marcado, a partir do 
seculo XX, pela predominancia de dois c6cligos — o 
da ALA (American Library Association) e as Instru-
goes Prussianas — que exerceram, por mais de ses-
senta anos, consideravel influencia em varios paises. 
Segundo Michael Gorman em seu artigo A-A 
1967: the new cataloguing rules, 52 este foi urn perio-
do estatico, porque de Panizzie Cutter ate Lubetzky 
— segundo ele "os tres genios da Catalogacao" — 
nada mais foi feito a favor de regras mais intuitivas, 
que se tornassem compativeis corn o conhecimento 
dos usuarios do catalog°. 
A lideranca da Library of Congress (LC) dos 
Estados Unidos, no campo da catalogacao coopera-
tiva, contribuiu para que o use do COdigo da ALA 
fosse mais difundido do que as InstrucOes Prussia-
nas, embora nunca tivesse recebido por parte dos 
catalogadores americanos uma total aprovacao. As 
inumeras criticas que recebeu redundaram na publi-
cacao de tres edicOes, e culminaramnum novo codi-
go, o Anglo-American Cataloging Rules (AACR). 
Depois da Segunda Guerra Mundial, o avanco 
tecnologico, originando o aparecimento de outros 
tipos de documentos ern variadas formas de apresen-
tacao e contend°, causou grande impacto nos servi-
cos de processamento tecnico das colecOes bibliogra-
ficas. Os catalogadores, por sua vez, utilizando mais 
tempo na elaboracao de fichas, comecaram a sentir 
necessidade de um codigo mais racional, pois ja esta-
vam bem conscientizados, no final da decada de 50, 
da urgencia de reformulacao das normas ate entao 
25 
usadas. Os movimentos realizados nesse sentido re-
sultaram na famosa Conferencia de Paris. 
O segundo periodo destacou-se: 
1) pela publicacao da Declaracdo de Principios, 
necessaria para que uma uniformizacao de regras 
existentes nos codigos pudesse ser atingida; e 
2) pelo desenvolvimento de projetos automati-
zados de catalogacao como o MARC (Machine 
Readable Cataloging) da LC, nessa epoca já em fase 
experimental (ver Cap. 4, 2). 
O terceiro periodo esta sendo profusamente co-
berto por programas internacionais, a maioria basea-
da na utilizacao do computador, visando a urn Con-
trole Bibliografico Universal. 
Esses programas, apesar de nao serem implici-
tamente relacionados corn a Catalogacao, sao quase 
todos dela dependentes, conforme veremos em capi-
tulos especificos sobre cada urn. 
1.1. De Panizzi a Conferencia de Paris 
(periodo tradicional, 1841-1961) 
1.1.1 Sir Anthony Panizzi 
Podemos considerar, como primeiro codigo de 
catalogacao propriamente dito, as 91 regras redigidas 
por Panizzi, nos meados do seculo XIX, para serem 
aplicadas aos catalogos do Museu Britanico. 
Publicadas em 1839 na Inglaterra, provocaram, 
quando difundidas, urn movimento conhecido por 
"Batalha das Regras", do qual participaram nao 56 
26 
bibliotecarios mas tambem usuarios do Museu e ate 
membros da Camara dos Comuns. 
Estas regras, aprovadas em 1841 pelos diretores 
do Museu Britanico, influenciaram todos os outros 
codigos subseqiientes, como os de Jewett, Cutter e 
outros mais. Sua Ultima edicao a de 1936. 
Entre suas principais caracteristicas destacam-se: 
a) a valorizacao da paginaide-rosto; 
b) a introducao do conceito de autoria coletiva, 
embora de maneira vaga e imprecisa; 
c) a escoiha do cabecalho de entrada de urn 
autor, de acordo com a forma encontrada na pagina-
de-rosto, acatando, sempre, a vontade do autor. Este 
cabecalho era determinado: 
a) pelo prenome, quando preferido, segui-
do pelo sobrenome; 
b) pelo titulo, no caso de obras anonimas, 
seguido pelo nome do autor quando identificado; 
c) pelo pseudonimo, mesmo quando o no-
me verdadeiro fosse descoberto; 
d) pelo sobrenome de familia, para autores 
pertencentes a nobreza. 
Corn excecao da primeira — universalmente 
aceita como fonte indispensavel para a identificacao 
de uma obra — as outras continuam, ainda hoje, 
sendo causa de estudos e, principalmente, de incom-
patibilidade de opiniaes. 
Foi, ainda, Panizzi, quern adotou cabecalhos 
formais como entradas principais. Por exemplo, 
27 
CONGRESSOS para atas e relatorios de conferen-
cias, congressos, etc.; ACADEMIAS para publica-
cOes de sociedades culturais; PUBLICAcOES PE-
RIODICAS para jornais, revistas, etc. 
Estes cabecalhos formais foram transformados 
por Cutter, mais tarde, em subcabecalhos de assuntos 
especificos, e assim vem sendo usados ate nossos 
dias. 
1.1.2 Charles C. Jewett 
Em 1852, Jewett publicou, para a Smithsonian 
Institution dos Estados Unidos, um codigo baseado 
no de Panizzi, com algumas modificacoes: 
a) as obras escritas sob pseudOnimo eram cata-
logadas pelo nome verdadeiro do autor, mesmo que o 
pseudOnimo fosse mais conhecido; 
b) o conceito de autoria coletiva foi firmado, 
adotando para entrada das publicacOes oficiais ame-
ricanas a abreviatura U.S. correspondente a United 
States. 
Mas a importancia de seu nome ficou funda-
mentalmente ligada a elaboracao de um catalog° 
coletivo, onde pretendia reunir as informacOes sobre 
colecoes existentes nas bibliotecas americanas e im-
primi-las pelo processo de estereotipia. 58 Infelizmen-
te nao conseguiu faze-1o, o que nao the tira o me-
rito de ser o precursor deste tipo de catalog°. 
1.1.3 Charles Ami Cutter 
A figura mais brilhante do seculo XIX — cha-
mado de "seculo de ouro da catalogacao ou da codi- 
28 
ficacao" — foi Cutter. Nesta epoca a normalizacao 
de regras catalograficas ja era • motivo de constante 
preocupacao por parte dos bibliotecarios, e desperta-
va urn interesse cada vez mais crescente pela sua 
consolidacao. 
Embora conhecido quase que exclusivamente 
por sua famosa tabela para nomes feita em colabora-
cao com Sanborn, Cutter consagrou a existencia da 
escola americana de catalogacao, ao publicar, em 
1876, suas Rules for a dicti6nary catalog, " cuja 
quarta e Ultima edicao em 1904, coincidiu com a 
preparacao do primeiro codigo da ALA. Ate a sua 
morte — ocorrida em 1903 — influenciou e colabo-
rou estreitamente na elaboracao deste codigo. 
Dele nasceu a ideia das regras alternativas, prin-
cipalmente em relacao a autoria coletiva vs pessoa, e 
que ate hoje sac) tao discutidas. 
E comum pensar-se que Rules for a dictionary 
catalog, talvez pelo seu titulo, seja uma obra que 
inclua apenas regras para catalogos-dicionarios. Nes-
te sentido, ainda a considerada como uma das mais 
importantes e utilizada, juntamente com a ALA rules 
for filing catalog cards,' para a qual serviu de base. 
No entanto, trata-se de um verdadeiro codigo, 
consistindo em 369 regras que incluem normas nao 
so para entradas por autor e por titulo, mas tambem 
para a parte descritiva, cabecalhos de assunto, e 
ainda alfabetacao e arquivamento de fichas. Sua 
publicacao valeu a Cutter ininneras criticas, devido 
ao excesso de minucias julgadas desnecessarias. 
Entre os objetivos incluia de maneira bem clara 
o estabelecimento de regras sistematicas, e a investi-
gaga° dos primeiros principios de catalogacao, obe-
decendo sempre a conveniencia do priblico. 
29 
Como principais caracteristicas, confirmava —
de acordo corn Jewett — a entrada pelo nome verda-
deiro do autor, mesmo para obras escritas sob pseu-
donimo, e dava liberdade de se escolher para cabe-
calho o seu nome mais conhecido. 
E interessante esclarecer o que vem a ser a 
conveniencia do public°, tao defendida por Cutter. 
0 catalog° é, na maioria das bibliotecas, o prin-
cipal veiculo de comunicacao entre o seu acervo e os 
usuarios. E o elo que une a informacao aos leitores. 
Assim, podemos dizer que a Catalogacao, isto é, 
o processo tecnico do qual resulta o catalog°, e a 
linguagem de descricao bibliografica, que so podera 
ser urn born instrumento de comunicacao a medida 
que for normalizado. 
Por sua vez, os catalogos sera° mais Uteis como 
instrumentos de comunicacao, quando adotarem 
uma linguagem padronizada, isto é, um mesmo cOdi-
go de catalogacao em ambito internacional. 
Entretanto, sendo o catalog° um meio e nao um 
fim, o usuario ou o public° a que se destina deve ter 
o privilegio de ser convenientemente por ele atendi-
do, mesmo contrariando os preceitos aos quais estao 
ligados os catalogadores. 
Na pratica, atualmente, isto se torna cada vez 
mais dificil. Na realidade, sabemos que uma bibliote-
ca nao possui apenas urn mas varios publicos, pois 
mesmo nas especializadas persistem as diferencas 
individuais de idade, cultura, interesses especificos, 
etc. 
Mas sempre julgamos conveniente relembrar 
que o sonho de Cutter, ha cerca de oitenta anos 
atras, nao se tornou uma utopia, pois, como disse- 
mos anteriormente, os objetivos do catalog° por ele 
preconizados foram os mesmos especificados na Con-
ferencia de Paris (ver 1.2.1). 
1.1.4 Instruciies Prussianas 
Elaboradaspcor homens de formacao cientifica e 
filosOfica, as Instrucaes Prussianas, (Instruktionen 
fur die A 1phabetischen Katalo3e der Preussischen 
Bibliotheken) influenciaram e foram totalmente 
adotadas nao so na Alemanha, mas tambem, na 
Austria, Hungria, Suecia, Suica, Dinamarca, Holan-
da e Noruega. 
Este cOdigo teve sua origem nas regras compila-
das em 1886 por Carl Dziatzko para a Universida-
de de Breslau. Modificado por Fritz Milkau, trans-
formou-se no COdigo da Real Biblioteca de Berlim, 
em 1890, ate ser publicado oficialmente corn o nome 
de Instrucoes Prussianas em 1899. 
Mas somente em 1936 é que foi reconhecido 
como um cOdigo de carater internacional, por ter 
sido utilizado na compilacao do Catalog° Coletivo 
Prussiano e do Catalog° Coletivo da Alemanha. 
Esgotado em 1904, sua segunda edicao de 1908 
coincidiu corn a primeira edicao do COdigo da ALA, 
e apresentava como caracteristicas a simplificacao e a 
abreviacao de entradas, principalmente pelo titulo. 
Em confronto corn as regras da ALA, outros 
detalhes se fizeram notar, dos quais destacamos 
como principais: 
a) a falta de regras para autoria coletiva. Se o 
nome de um autor pessoal nao figurasse na pagina-
de-rosto, a obra era considerada anenima e catalo- 
30 	 31 
UFRJ/CCIE 
Bibliotece Eugenio Gudttn 
gada pelo titulo. Uma excecao se fazia para firmas 
comerciais; e 
b) o arquivamento de fichas pela primeira pala-
vra substantivada do titulo (palavra-chave). 
Varias tentativas foram feitas pelos bibliotecarios 
alem Aes, no sentido de se obter uma uniformizacao 
de suas regras catalograficas corn as da ALA, inclu-
sive apOs a realizacao do Congresso Internacional de 
Arquivistas, em Bruxelas, ern 1910. No entanto, essa 
pretensao so foi conseguida em 1935, na cidade de 
Madri, atraves de uma proposta do Diretor-Geral 
das Bibliotecas da Prussia a Federacao Internacional 
de AssociacOes de Bibliotecarios (FIAB)* 
Constituida uma subcomissao para estudar o as-
sunto, verificou-se como primeira etapa a necessida-
de de se traduzir o codigo alemao para a lingua 
inglesa. Esta tarefa coube a Andrew Osborn, biblio-
tecario norte-americano, que publicou esse trabalho 
em 1938. " 0 estudo comparativo dos dois cOdigos 
ficou a cargo de J. C. Hanson, obrigado a interrom-
pe-lo com o inicio da Segunda Guerra Mundial. Em 
1954, durante a Assembleia de Bibliotecarios em 
Bremen, novamente a revisAo das InstrucOes Prussia-
nas voltou a ser discutida. A necessidade de simplifi-
cacao das regras catalograficas já era uma exigencia 
geral, tambem desejada por outros paises. 
Em 1959, quando foi realizada, em Londres, a 
reunido preparatoria da Conferencia de Paris, os 
alemaes resolveram aguardar os resultados da Confe-
rencia para entao reformular o seu codigo, de acordo 
com as conclusoes ali alcancadas. 
* Atualmente Federacao Internacional de AssociacOes e InstituicOes de Biblio-
tecarios. 
Baseado na Declaracdo dos Principios, o novo 
codigo alemao foi publicado, levando em considera-
cdo as entradas coletivas e o arquivamento de fichas 
pela primeira palavra do titulo que nAo fosse urn 
artigo. 
Esta adesdo da Alemanha Ocidental e de outros 
paises que tradicionalmente adotavam as Instrucoes 
Prussianas como codigo contribuiu para consolidar a 
cooperacdo internacional no campo da bibliografia e 
da catalogacao. 
As InstrucOes Prussianas foram substituidas 
pelas Regeln fur die alphabetische Katalogisierung 
(RA K) que, autorizadas pela Associacao de Bibliote-
cas Alemaes, foram publicadas em dezembro de 
1967. 
Este codigo difere substancialmente das Instru-
cOes Prussianas, uma vez que passou a adotar o 
conceito de autoria corporativa e o arquivo mecanico 
de titulos. Suas regras sdo regidas por principios 
modernos, adaptando-as ao use do computador e a 
acordos internacionais. 
JA esta sendo adotado pela Deutsche Bibliogra-
phie, por quase todas as novas listas de catalogos 
coletivos de periodicos e pela maioria dos catalogos 
de bibliotecas que operam com sistemas automati-
zados. 
1.1.5 COdigo da ALA (1. ed., 1908) 
Este COdigo teve sua origem em urn trabalho 
apresentado numa conferencia anual da ALA, com o 
titulo de Cond.'nsed rules for an author and title 
catalog, 29 publicado pela primeira vez na revista Li- 
32 33 
gos, ambos foram muito utilizados, respectivamente, 
na America e na Europa. 
brag Journal, em 1883; e mais tarde incluido na ter-
ceira edicao do codigo de Cutter, em 1891. 
Nao podemos deixar de destacar a valiosa e 
intensa colaboracao que a ALA vem prestando a LC 
nos estudos relativos a Catalogacao e a Classificacao, 
desde 1876, data de sua fundacao. 
Em 1901, quando a LC iniciou a impressao das 
fichas catalograficas de seu acervo — posteriormente 
extensiva as de outras bibliotecas americanas — a 
ALA nomeou uma comissao encarregada de estudar 
as normas de catalogacao adotadas por aquela enti-
dade. 
Por sugestao de Melvil Dewey, e em colaboracao 
com a "Library Association" da Inglaterra, algumas 
foram selecionadas e publicadas em 1908 com o 
titulo de Cataloguing rules: author and title entries, 23 
constituindo a primeira edicao do COdigo da ALA, 
como simplesmente é conhecido. 
Muitas das regras anteriormente estabelecidas 
por Panizzi, Cutter, Jewett, e outras da propria LC, 
foram nele incluidas: algumas como regras-padrao e 
outras como regras suplementares. 
0 fato de ter sido apoiado por duas grandes 
associacoes de classe de ambito nacional contribuiu 
para que o Codigo da ALA alcancasse um status de 
seriedade, sendo aceito sem reservas raiz) so nos 
Estados Unidos mas tambem em outros paises, em-
bora sofrendo varias adaptacoes por parte das biblio-
tecas que o adotaram. 
A data de seu lancamento coincidiu corn a se-
gunda edicao das Instrucoes Prussianas; apesar da 
divergencia entre as regras capitais, destes dois codi- 
1.1.6 COdigo da ALA (2. ed. preliminar, 1941) 
A primeira edicao foi bastante criticada pelos 
catalogadores, que tido encontraram solucoes para 
seus problemas e se confundiram com o excesso de 
detalhes, principalmente da party descritiva. 
A ALA, reconhecendo a validade destas criticas, 
organizou, em 1932 — de comum acordo com a 
Library Association — uma Comissao de Revisao do 
COdigo de Catalogacao, sob a presidencia de Charles 
Martel, Bibliotecario da LC, encarregado de estudar 
e revisar a edicao de 1908, visando a uma segunda 
edicao do codigo. 
No entanto, o inicio da Segunda Guerra Mun-
dial, em 1939, interrompeu a colaboracao da associa-
cao inglesa, que passou a acatar as decisOes tomadas 
pela ALA referentes aos trabalhos de revisao. 
Em 1941, o Codigo da ALA foi publicado como 
segunda ediedo preliminar, dividido em duas partes: 
Entradas e cabecalhos e Descried° do livro. 
As criticas a nova edicao nao tardaram a apa-
recer. 
Devido a atuacao da LC na difusao cada vez 
maior de suas fichas impressas, no desenvolvimento 
da catalogacao cooperativa e na publicacao periodica 
e regular de seus catalogos, verificou-se a aceitacao 
por parte dos bibliotecarios americanos e estrangei-
ros de sua pratica no processo de catalogacao. 
34 35 
Da primeira a segunda edicao um longo cami-
nho havia sido percorrido. Entretanto, os cataloga-
dores, conscientes da responsabilidade que lhes cabia 
na identificacao clara e precisa das obras que come-
cavam a proliferar — principalmente em decorrencia 
do avanco cientifico e tecnologico — passaram a 
exigir urn c6digo que os atendesse de maneira sim-
ples e objetiva. 
A critica mais famosa sobre esta situacao consi-
derada caotica é a de Andrew Osborn, no artigo The 
crisis of cataloguing. Nele, chama a atencao para a 
complexidade das regras incluidas na segunda edicao 
preliminar, denunciando dois pontos de grande im-
portancia: o abandono de principios que asfunda-
mentassem, e o afastamento do principal objetivo da 
Catalogacao: atender as necessidades dos usuarios 
atraves dos catalogos. 
Estas criticas tiveram tanta ressonancia que \TA-
rios paises comecaram a se movimentar no sentido de 
simplificar seus codigos. 
A ALA, consciente do desagrado geral manifes-
tado claramente no artigo de Osborn e da necessi-
dade urgente da padronizacao de suas regras, no-
meou uma Comissao sobre o use do COdigo, incum-
bida de corrigir as falhas existentes antes que uma 
edicao definitiva fosse autorizada. 
Em conseqiiencia, foi apresentado urn relatorio 
que, aprovado pela Comissao de Revisao do COdigo 
de Catalogacao, dividia suas recomendacoes em duas 
partes: uma referente a entradas, considerada satis-
fatOria; outra sobre catalogacao descritiva, que deve-
ria ser entregue a LC para que fosse feita uma 
revisao de acordo com as normas por ela adotadas. 
1.1.7 Codigo da ALA (2. ed., 1949) 
Em substituicao a segunda edicao preliminar foi 
publicada, em 1949, a segunda edicao, em dois 
volumes distintos e independentes: ALA cataloging 
rules for author and title entries, 4 editado por Clara 
Beetle, referente a entradas e cabecalhos, e identifi-
cado como Red book devido a sua encadernacdo ver-
melha, e Rules for descriptive cataloging in the LC, 41 
relativo a parte descritiva, e conhecido como Green 
Book devido a cor verde de sua capa. 
Este volume referente a catalogacdo descritiva 
apresentou a grande inovacao, em relacao aos codi-
gos existentes, de possuir uma introducao contendo 
os objetivos da catalogacao descritiva e os principios 
em que se devia fundamentar sua aplicacao. Nada é 
preciso dizer sobre seu sucesso. Dele existe, inclusive, 
uma traducao em lingua portuguesa, por Maria Luisa 
Monteiro da Cunha, divulgada pela propria LC em 
1956. 
Entretanto, desta vez nao ficaram satisfeitos os 
bibliotecarios principalmente americanos. 0 sucesso 
das regras descritivas simplificadas motivou a pro-
cura de uma solucao semelhante para a parte relativa 
a entradas e cabecalhos, que permanecera inaltera-
da. Suas caracteristicas gerais eram as mesmas, as 
modificacOes muito poucas, e persistiam os detalhes 
dos codigos anteriores, sem a indicacao dos princi-
pios que justificassem as regras adotadas. 
E, novamente, as criticas nao tardaram a apare-
cer. A LC, pela importancia do trabalho ja desenvol-
vido em sua central de catalogacao, considerou estas 
criticas como de interesse nacional. 
36 37 
Atraves de Luther Evans, Diretor-Geral da LC, 
Seymour Lubetzky foi convidado a preparar uma 
analise geral da segunda edicao, principalmente em 
relacao as entradas de autoria coletiva. 
Lubetzky verificou que o assunto merecia uma 
analise profunda e, em 1952, apresentou um relat6- 
rio a Comissao de Revisao do COdigo de Catalogacao 
que, julgado pela LC juntamente corn consultores 
especializados em Biblioteconomia e catalogadores 
de renomada experiencia, resultou na obra Catalog-
ing rules and principles: a critique of ALA rules for 
entry and a proposed design for their revision. °b 
Publicada em 1953, talvez seja a mais impor-
tante contribuicao do seculo XX no campo da Cata-
logacao. Reconhecida, tambem pela ALA, como de 
grande relevancia, foi indicada para servir de base 
para a revisao do futuro codigo, e Lubetzky passou a 
ser o editor principal da ComissAo. 
Na referida obra, Lubetzky critica e analisa 
inumeras regras, indagando sobre a necessidade e o 
valor de cada uma. Prova a fraqueza do codigo, 
principalmente na inconsistencia, repeticao e arbitra-
riedade de suas normas, decorrentes, em grande 
parte, da ausencia de urn piano e da organizacAo 
sistematica das mesmas. 0 autor prop& uma revisao 
geral enfatizando, na introducAo, que seu objetivo 
era fazer um codigo baseado mais em condicoes de 
autoria do que em tipo de trabalho, o que resultaria, 
conseqiientemente, num ntimero menor de regras. 
Conclui mencionando o custo dos trabalhos de cata-
logacao, razao da urgente necessidade de um codigo 
mais simplificado e de facil aplicacao, o que certa-
mente contribuiria para a economia daqueles tra-
balhos. 
Em 1960 Lubetzky publicou o Code of cataloging 
rules; author and title entry. An unfinished draft for 
a new edition of cataloging rules, traduzido para o 
espanhol sob a responsabilidade da Uniao Pan-Ame-
ricana. 6' Embora incompleto, da uma ideia sobre o 
que se poderia conseguir, em condicOes de autoria e 
nao de casos especificos, com uma reducao drastica 
do numero de regras. Este trabalho foi seguido por 
urn outro, publicado em 1961: Additions, revisions 
and changes, que contribuiu, de maneira decisiva, 
para a preparacao de urn novo kodigo. 
Nessa epoca, ja havia urn movimento de biblio-
tecarios, em varios paises, a procura de urn acordo 
em termos internacionais. Regras mais uniformes 
eram exigidas para use em centrals de catalogacao, 
consideradas como a Unica solucao.para resolver o 
problema da normalizacao, talvez ate em ambito 
internacional. 
Ranganathan, bibliotecario indiano, chegou a 
advogar a criacao de urn codigo internacional, suple-
mentado por codigos nacionais que incluiriam a ter-
minologia e as peculiaridades de cada pals. Dal o 
sucesso da Confere'ncia de Paris, em 1961; e o seu 
reconhecimento como urn marco importante na his-
toria da Catalogacao. 
1.1.8 Codigo da Vaticana (1920) 
Intitulado Norme per it catalogo degli stam-
pati, foi redigido especialmente para atender a 
reorganizacao da Biblioteca ApostOlica Vaticana, 
no ano de 1920. 
Preparado por urn grupo de renomados bibliote-
carios americanos, sob a principal responsabilidade 
de John Ansteisson — noruegues de formacao ameri-
cana — baseou-se no COdigo da ALA de 1908. 
4 , 
38 39 
Traduzido para varias linguas, inclusive a por-
tuguesa e a espanhola, teve ampla aceitacao na Ame-
rica Latina, sendo usado ainda hoje em algumas de 
nossas bibliotecas. 
Sob muitos aspectos é considerado superior a 
segunda edicao do COdigo da ALA, publicada na 
mesma epoca da terceira edicao do Codigo da Vati-
cana (1949). Talvez seja "o melhor codigo de natu-
reza enumerativa existente, e o link() capaz de recon-
ciliar as praticas europeia e americana de cataloga-
cao", segundo Bishop.'' 
Seu arranjo é muito bom. Dividido em quatro 
partes, inclui, alem de regras para entradas e catalo-
gaga° descritiva, outras relativas a redacao de cabe-
calhos de assunto e arquivamento de fichas, nao 
encontradas em outros codigos. 
1.2 Da Conferencia de Paris a RIEC 
(periodo pre-mecanizado, 1961-1969) 
1.2.1 Conferencia de Paris 
A semente da Conferencia de Paris foi lancada 
em 1954, quando o Conselho Geral da FIAB criou 
urn grupo de trabalho composto por oito catalogado-
res, representantes de varios paises e de varias tra-
diceies de catalogacao. Eram suas atribuicoes: 
preparar a coordenacao internacional dos princi-
pios de catalogacao, e 
redigir urn relatorio sobre os principios a serem 
observados no estabelecimento de entradas para 
obras anonimas e de autoria coletiva. 
Neste relatOrio ficou patente que, mesmo nos 
codigos de catalogacao firmemente baseados em 
tradicoes divergentes, como os da ALA e as Instru-
goes Prussianas, comecavam a surgir tendencias con-
vergindo para um mesmo ponto: urn crescente apoio 
ao use de cabecalhos mais especificos, evitando-se os 
cabecalhos geograficos e os cabecalhos formais ou 
convencionais. 
Concluindo, recomendava o RelatOrio "que se 
deveria fazer um programa de consultas a especialis-
tas de varios paises, com prioridade para problemas 
de catalogacao em geral e naoisomente para deter-
minadas categorias de publicacoes". 3° Foi esta reco-
mendacao que solidificou a organizacao da Conferen-
cia Internacional sobre Principios de Catalogacao, 
corn o principal objetivo de uniformizar asregras de 
entradas e cabecalhos principais. 
As criticas de Lubetzky a segunda edicao do 
Codigo da ALA motivaram a FIAB a realizar a 
Conferencia e serviram de base as discussoes sobre o 
estabelecimento de Principios. 0 planejamento da 
composicao e organizacao da Conferencia, bem como 
a definicao de seus objetivos e campos de acao, foi 
discutido numa reuniao preliminar em Londres, em 
1959. 
A realizacao da Conferencia de Paris em 1961, 
foi muito oportuna. Nos dois anos que a precederam, 
associacCies nacionais de bibliotecarios de varios pai-
ses foram incentivadas a formar comissOes nacionais 
de catalogacao, a estudar os documentos distribuidos 
corn antecedencia para criticas e sugesteies, e a desig-
nar delegados com direito a voto.* 
* 0 Brasil foi representado por Maria Luisa Monteiro da Cunha, e os trabalhos 
por ela recebidos submetidos a apreciacao da Comissao Brasileira de Catalo-
gacao. 
40 
	 41 
Entre os documentos distribuidos para estudo 
pelas comissOes nacionais, incluia-se o resumo da 
Declaracao de Principios. Esta, depois de revista e 
discutida, secao por secao, foi votada durante a 
conferencia pelos cinqiienta e tees delegados presen-
tes, que constataram que os cOdigos em use — em 
face do fluxo de documentos que introduziam novos 
tipos de autoria, novas formas de publicacoes, etc. — 
eram antiquados ou inadequados por incluirem deta-
lhes desnecessarios ou por omitirem dados essenciais. 
E, o que a mais importante, conseguiram chegar a 
um acordo onde muitos principios contrariavam 
frontalmente praticas estabelecidas e variadas tra-
dicOes. 
Nao ha duvida de que a adesao da Alemanha e 
de outros paises, tradicionalmente baseados nas Ins-
truckies Prussianas, ao aceitarem o conceito de auto-
ria coletiva contribuiu para consolidar a cooperacao 
internacional no campo da bibliografia e da catalo-
gacao. 
Foram resolucOes da Conferencia de Paris: 
a) que os delegados e comissOes nacionais pro-
movessem, em seus paises, a maior publicidade pos-
sivel para o texto dos Principios nao so entre bibliote-
cas, mas tambem entre editoras, livreiros e autorida-
des responsaveis; 
b) que paises pertencentes a mesma area lin-
gilistica deveriam elaborar seus cOdigos ou rever os ja 
existentes, de acordo corn os Principios estabelecidos, 
e adotar esses mesmos Principios na elaboracao de 
suas bibliografias nacionais. 
Como se ve, os Principios nao foram considera-
dos internacionais, devendo cada pais se encarregar 
de ajusta-los as suas necessidades. 
42 
Os Principios estabelecidos para escolha e forma 
de cabecalhos de entrada compreendem doze itens: 
a) Objetivos; 
b) Funcoes do catalogo; 
c) Estrutura de urn catalogo, 
d) Tipos de entrada; 
e) Uso de entradas multiplas; 
f) FuncOes dos diferentes tipos de entrada; 
g) Escolha do cabecalho uniforme; 
h) Autor pessoal e individual; 
i ) Entrada coletiva; 
j) Autoria multipla; 
1 ) Obras que entram pelo titulo; 
m) Cabecalhos de entrada para autores indi-
viduais. 
Entre todos, o item de maior importancia e o 
mais discutido na Conferencia foi o relativo a enti-
dades coletivas. A extincao da diferenca entre socie-
dades e instituicaes, predominante desde o seculo 
XIX, foi de agrado geral. Mas a regra sobre autor 
pessoal vs entidade coletiva nao foi bem aceita por 
ter sido considerada inconsistente. Ate hoje ainda 
nao foi encontrada uma solucao que correspondesse 
a realidade do problema. 
Lubetzky, ao analisar as regras do Codigo da 
ALA de 1949, fez varias consideracOes a respeito de 
entidades coletivas, valendo apenas destacar as se-
guintes: 
43 
"a) relatOrios e informes de uma entidade coleti-
va preparados, geralmente, por uma pessoa ou divi-
sao da entidade, dao origem a duvidas sobre a res-
ponsabilidade de sua autoria; 
b) o nome da entidade coletiva impresso na 
publicacao pode ser diferente de seu nome oficial; 
c) nem sempre a entidade coletiva possui uma 
denominacao distinta, mas sim nomes genericos co-
muns a muitas outras entidades semelhantes; 
d) a entidade coletiva pode falar ou agir como 
um todo, ou atraves de seus departamentos, divisoes, 
comissoes, etc.; 
e) algumas pessoas podem se reunir e atuar 
coletivamente, sem se organizarem formalmente em 
uma entidade coletiva e sem assumirem um nome 
que as identifique." 
Muitos dos delegados presentes a Conferencia 
afirmaram que o item 9 dos Principios era uma 
continuacao da linha de pensamento norte-america-
na preferindo a entrada pelo autor pessoal. 
0 delegado da URSS apresentou urn trabalho 
advogando que o criterio da escolha de entrada pela 
entidade coletiva deveria ser feito de acordo corn o 
conteudo, objetivos e carater da publicacao. 
Ranganathan, representante da India, afirrnou 
que o fato de uma entidade coletiva financiar, publi-
car ou aprovar urn trabalho, nao é razao suficiente 
para que seja considerada autora. Sugeriu que so 
deveria haver escolha de entrada pela entidade coleti-
va se sua responsabilidade fosse comprovada na obra 
e nao figurasse entre os dados de autoria o nome de 
uma pessoa. Caso esta indicacao conitasse da obra, o 
nome da pessoa deveria ser o escolhido para entrada 
44 
principal, e o da entidade coletiva incluida na im-
prenta como editor. Se, entre os dados de autoria, 
aparecesse o nome de uma entidade coletiva e tam-
bern o nome de uma pessoa, a entrada escolhida 
deveria ser o da entidade, caso a publicacao fosse de 
carater legislativo, judiciario ou executivo, ou consi-
derado como um trabaiho de rotina. Mas, se a 
intencao do trabaiho fosse o acrescimo ou intensifi-
cacao de uma area do conhecimento humano, a 
escolha deveria cair no nome da pessoa, membro cu 
nao da entidade. 
Lubetzky propos como norma que os trabalhos 
editados por uma entidade so deveriam entrar para 
ela se expressassem um pensamento coletivo. Como 
exemplo, citava seu trabalho de critica ao COdigo 
da ALA, que, apesar de determinado por um seu 
superior, era de sua autoria por incluir analise e 
pesquisa sobre o assunto. 
A verdade é que a Regra 17 do Codigo Anglo-
Americano de Catalogacao, que se dedica a esse 
aspecto, nao é satisfatOria. Sua inconsistencia dá 
margem a dificuldades de aceitacao e interpretacao. 
Sobre o assunto discutido — nao so durante mas 
depois da realizacao da Conferencia de Paris — 
sugerimos que sejam consultados os trabalhos de 
Draper, Jolley, Lubetzky, Ranganathan e Vasilevs-
kaya.. MO. 100 
.4 a decada de 60, o computador comecou a ser 
considerado como solucao ideal para muitas servicos 
realizados em bibliotecas e servicos afins, entre eles a 
elaboracao de catalogos. 
Em 1965 a LC lancou, em fase experimental, o 
Projeto MARC — Machine Readable Cataloging —
considerado pela Organizacao Internacional de Nor- 
45 
malizacao (ISO) como uma linguagem padrao para 
troca de informacoes bibliograficas. Quando outros 
projetos semelhantes comecaram a surgir, a Catalo-
gaga° tomou urn novo rumo: o de se ajustar a 
mecanizacao a fim de tornar possivel a urn livro "ser 
catalogado uma Unica vez em seu pais de origem, 
possibilitando um rapid° intercambio de informa-
cOes". 
Por esta razao chamamos esse period() de pre-
mecanizado, pois os projetos nele iniciados, depois 
de 1970 tornaram-se operacionais e passaram a ter 
repercussao internacional. 
1.2.2 Anglo-American Cataloging Rules (1967) 
0 relatOrio apresentado por Lubetzky a Comis-
sao de Revisao do COdigo de Catalogacao da ALA 
revolucionou, atraves de sua lucida e penetrante aria-
lise, os metodos ate entao usados na compilacao de 
cOdigos. Portanto, nao foi surpresa o convite que the 
foi feito para ocupar a direcao da Comissao, cargo 
que exerceu ate 1962 quando, tendo renunciado, foi 
substituido por C. Sumner Spaulding, que deu con-
tinuacao aos seus trabalhos. 
Desde logo um fatoficou patente: de acordo 
corn os trabalhos de Lubetzky e os principios estabe-
lecidos em Paris, urn novo cOdigo deveria ser publi-
cado, onde as inUmeras mudancas — algumas radi-
cais — nao justificariam uma nova edicao. Apenas a 
parte descritiva incluida na edicao de 1949 (Green 
Book; ver 1.1.7) deveria ser mantida sem modifi-
cacoes. 
No periodo inicial de preparacao do novo cOdi-
go, a Comissao da ALA tomou conhecimento de que 
tambem a "Library Association" da Inglaterra estava 
empenhada em rever a edicao de 1949. 
Acordos foram estabelecidos no sentido de coor-
denar os trabalhos das duas comissoes e de se manter 
um intercambio regular dos projetos de regras e dos 
assuntos e atas das discussoes. 
A "Canadian Library Association" participou 
tambem ativamente de todas as tarefas assumidas 
para a elaboracao do novo cOdigo. 
Sob a responsabilidade destas tres AssociacOes e 
da Library of Congress foi publicado, em 1967, o 
AACR ("Anglo-American Cataloging Rules"). 
Pela primeira vez, as associacOes inglesa e ame-
ricana nao chegaram a um acordo total quanto a sua 
redacao. InUmeras divergencias dificultaram o esta-
belecimento de regras que satisfizessem ambas as 
partes, principalmente em relacao a entidades coleti-
vas. Dal a existencia de dois cOdigos em lingua 
inglesa: urn publicado na Inglaterra e outro nos 
Estados Unidos. 0 codigo ingles, publicado antes do 
americano, é considerado mais fiel as ideias de 
Lubetzky e a Declaracao de Principios da Conferen-
cia de Paris. 
As duas versoes sao suplementadas pelas seguin-
tes publicacties perioclicas: Cataloging Service Bulle-
tin, 24 para o texto americano; e Anglo-American 
Cataloguing Rules Amendment Bulletin, para o texto 
britanico. 
Bastante infeliz foi a ideia da LC ao ter adotado, 
durante certo tempo, por motivos particulares, 
uma politica chamada de superimposicao. Devido a 
sua grande influencia em todas as bibliotecas ameri-
canas, principalmente pelo vultoso trabalho desen-
volvido por sua central de catalogacao, a LC solicitou 
e conseguiu da ALA autorizacao para continuar 
mantendo em seus catalogos as fichas de entidades 
46 47 
UFRJ/CCJE 
Biblioteoa Eugenio Gudim 
coletivas com cabecalhos determinados pelo antigo 
criterio de catalogacao, em oposicao as regras estabe-
lecidas no Capitulo 3 do AACR relativas a entidades 
coletivas. Por isto, o antigo critetio foi mantido no 
texto americano (regras 98 e 99) e quase afetaram 
negativamente programas internacionais em fase de 
desenvolvimento e execucao, como o MARC (ver 
Cap. 4, 2) e a catalogacao compartilhada ("shared 
cataloging") (ver Cap. 2, 3). 
Felizmente, estas e outras regras estdo sendo 
canceladas ou ajustadas, e a passos largos as diver-
gencias capitais das duas versOes caminham no sen-
tido de que seja estabelecido urn unico codigo, de 
carater internacional, tal como vem sendo divulgada 
sua proxima edicao. 
0 AACR foi largamente difundido, principal-
mente depois de traduzido para outros idiomas. 
Sua introducao menciona como objetivo princi-
pal "atender as necessidades das bibliotecas de pes-
quisa em geral", mas enfatiza que foi feito tambem 
um esforco, na medida do possivel, para sua utiliza-
cao por bibliotecas publicas. 
Regras alternativas sAo apresentadas para solu-
cionar exigencias de qualquer tipo de biblioteca, 
admitindo-se, em relacdo a catalogacao descritiva, 
modificacOes e adaptacOes de regras, de acordo corn 
suas prOprias necessidades. 
Sua aplicacao visa a todas as atividades bibliote-
conomicas, bibliograficas e livrescas, isto é, confec-
cao de fichas catalograficas, bibliografias, citacOes 
bibliograficas, listas de livros e de outros materiais 
para qualquer finalidade, incluindo catalogos cole-
tivos. 
48 
A obediencia ao principio firmemente estabeleci-
do, tanto na Catalogacao como na bibliografia mo-
derna, de que uma obra pode ser identificada pelo 
autor e, na falta deste, pelo titulo, torna possivel a 
maior colaboracdo entre estes dois campos tdo seme-
lhantes (Catalogacao e Bibliografia); portanto, o 
AACR pode ser aceito por especialistas destas duas 
disciplinas como um elemento de inestimavel valor 
para a uniformizacao de catalogos e bibliografias que 
cada vez mais tendem a se unificar. 
E certo, tambem, que nenhum outro codigo de 
catalogacao atual tenha alcancado tanta amplitude 
no que diz respeito a descricao de tipos de material 
especializado: microformas, manuscritos, mapas, 
discos, pintura, partituras, desenhos, etc. 
Atualmente, servem de base para as regras rela-
tivas a autoria de uma obra os seguintes principios 
gerais: 
a) faz-se a entrada por autor ou autor principal 
quando este puder ser determinado; 
b) faz-se entrada pelo titulo no caso de obras 
cuja autoria seja indeterminada, desconhecida ou 
A Regra 3, "Obras escritas em colaboracdo", 
reline muito dos casos esparsos na edicao de 1949 do 
Codigo da ALA — da qual diverge fundamentalmente 
— como: correspondencia, debates, coletaneas de 
homenagem, etc. IsIdo se aplica, entretanto, a: 
a) publicacoes resultantes do trabalho de varias 
pessoas sob a direcao de um editor ou supervisor, e 
colecoes de obras ja existentes, escritas por diferentes 
autores (Regra 4); 
49 
b) entradas por entidades coletivas (Regra 17); e 
c) determinados tipos especiais de colaboracao 
(Regras 8A, 13 e 16). 
De acordo corn a Regra 3, para obras escritas 
por mais de tres autores, sem indicacao do principal 
responsavel, a entrada deve recair no titulo. No 
entanto, se publicadas sob a direcao de urn compila-
dor ou supervisor, o catalogador é orientado a seguir 
a Regra 4 — Colecoes e obras produzidas sob direciio 
editorial, que passou a incluir, tambem, as obras 
corn ou sem titulo comum, anteriormente reunidas 
sob o titulo de "ColecOes" na Regra 5, ja. cancelada. 
A Regra 6, "Publicacoes periodicas e seriadas" 
esta sendo cuidadosamente revista e estudada. Gran-
des divergencias existem, tambem, na redacao dos 
dois textos, embora o britanico seja mais coerente e 
se enquadre melhor as exigencias estabelecidas pelo 
ISDS (International Serials Data System) relativas a 
determinacao do titulo-chave de uma publicacao se-
riada. (Ver Cap. 3, 7.3.3). 
Em "Obras com autoria de carater misto" estao 
reunidas algumas regras que dependem da analise do 
catalogador para decisao de entradas. A mais contro-
vertida é a Regra 17-A, como ja foi bisto ern 1.2.2. 
0 Capitulo 3, "Escolha e forma dos nomes para 
entrada de entidades coletivas", foi muito bem acei-
to, principalmente por terminar corn a antiga dife-
renca entre sociedades e instituicOes, embora tenha 
sido esta a causa principal da impressao de dois 
codigos em lingua inglesa. A escolha de entrada para 
sociedades diretamente por seus nomes, e de institui-
cOes pelos locais de suas sedes, nem sempre era facil 
de determinar. Sociedades que incluiam em seu 
nome a palavra Institute eram sempre motivo de 
duvida quanto a sua real condicao: de sociedade 
propriamente dita ou de Orgao governamental. No 
caso do Instituto Nacional do Livro, por exemplo, os 
catalogos impressos da LC, de acordo corn a antiga 
regra do COdigo da ALA — "Entrar Institutos 
pelo nome do local onde funcionam" — davam a 
seguinte entrada: "Rio de Janeiro (cidade). Instituto 
Nacional do Livro". No entanto, nos catalogos brasi-
leiros, por tratar-se de urn Org -ao governamental de 
ambito nacional, sua entrada err: "Brasil. Instituto 
Nacional do Livro". 
0 Capitulo 6, relativo a parte descritiva, foi 
totalmente refeito e publicado separadamente pela 
ALA em novembro de 1976, sob os cuidados de Paul 
W. Winkler, da LC, para que as novas regras de 
pontuacao se ajustassem as exigidas pela ISBD ("In-
ternational Standard Bibliographic Description") 
(Ver Cap. 3, 7.4). Nesta mesma publicacao, e pelo 
mesmomotivo, foi incluido o Capitulo 9, "Reprodu-
cOes forograficas e de outran especies", bem como os 
tres apendices: Glossario: acrescimos e revisoes; Abre-
viacOes: acrescimos e revisOes; e, Pontuacao e sinais 
diacriticos. 7 
Nestas ligeiras consideracOes apoiamos as pala-
vras de Pauline Seely no artigo ALA to AA: an 
obstacle rare, 9' onde critica o AACR dizendo que 
"ele diz o que fazer mas nao orienta sobre o que nao 
fazer". Cita a inconsistencia de muitas regras, justifi-
cando o excesses de entradas do indice pela falta de 
regras especificas para muitos casos, de acordo corn a 
Declaracao dos Principios de Paris. Afirma ser da 
competencia de catalogador a analise e a decisao do 
problema de autoria, sem se preocupar corn o tipo de 
publicacao. 
SO 51 
Por outro lado, pergunta-se: a tendencia atual 
de automacao dos catalogos de bibliotecas foi previs-
ta pelo AACR? 
No prefacio, encontra-se uma resposta: "Os pro-
blemas de arranjo mecanico das entradas em siste-
mas automatizados nao foram ignorados, mas rasp 
foi possivel uma tomada de decisOes sem a fixacao 
definitiva dos problemas das maquinas, relacionados 
corn cabecalhos e entradas. Parece, no entanto, nao 
haver dificuldades serias para modificacOes mera-
mente formais nos cabecalhos para obtencao, por 
meios mecanicos, da mesma ordem contemplada 
pelas presentes regras." 
A pessoa mais credenciada a opinar sobre este 
aspecto do Codigo, S. Spaulding, informa que as 
regras do AACR foram preparadas antes que o Pro-
jeto MARC tivesse tornado o impulso que adquiriu, 
havendo necessidade de uma revisao, no sentido de 
converte-las ern forma legivel por computador. 
Andrew Osborn, corn a agudeza de espirito que 
the a peculiar, afirma, no "Summary of Proceedings" 
do "Colloquium on the Anglo-American Cataloging 
Rules", 27 
 que "o codigo de 1967 deveria ter apare-
cido em 1949, e, em 1967, urn outro, que indicasse 
solucoes para o futuro". Insiste, ainda, na necessi-
dade urgente de acordos nacionais e internacionais 
referentes ao preparo de regras para catalogacao por 
computador, pois, de outra maneira, as diferencas de 
praticas individuais irao prejudicar seriamente a coo-
peracao que deve haver entre bibliotecas no campo 
da automacao. 
0 importante papel do AACR no seu contexto 
internacional foi reconhecido na Conferencia da 
FIAB, ern 1974, em Washington. 
Com todas as suas imperfeicoes, foi apoiado e 
adotado pela maioria dos paises, mesmo por aqueles 
que possuem codigos nacionais, talvez por represen-
tar o codigo mais fiel aos principios estabelecidos na 
Conferencia de Paris. 
Durante o curso de sua revisao ate a data de sua 
publicacao, prevista para meados de 1978, o AACR 
incluira qualquer normalizacao estabelecida pela 
FLAB. 
1.3 Da RIEC ao Controle Bibliografico Universal 
(periodo mecanizado, 1969 em diante) 
A decisao de se organizar a Reuniao Internacio-
nal de Especialistas em Catalogacao (RIEC) foi to-
mada pelo Conselho Geral da FIAB em sua 34.a 
sessao, em Frankfurt-am-Main, 1968, por sugestao 
da Comissao de Regras Uniformes para Catalogacao, 
em decorrencia de algumas consideracoes baseadas 
nos trabalhos publicados posteriormente a Conferen-
cia de Paris. 
Sob os auspicios do "Council on Library Re-
sources" dos Estados Unidos, a RIEC foi realizada 
em Copenhague, em 1969, corn a participacao de 
trinta e oito catalogadores especialistas em bibliogra-
fias nacionais, procedentes de trinta e dois paises. 
Foram varios os motivos de sua realizacao: 
a) os Principios adotados na Conferencia de 
Paris já vinham servindo de base e influenciando nao 
s6 a criacao mas tambern a revisao de intImeros 
outros codigos nacionais de catalogacao. No entanto, 
estavam sendo mal interpretados e ate julgados in-
consistentes, devido aos enunciados muito gerais de 
algumas partes, e ao numero excessivo de regras 
52 53 
alternativas, principalmente nas secties relativas aos 
diversos tipos de publicacOes reunidas sob o cabeca-
lho "autoria coletiva"; 
b) o projeto iniciado em 1966 pela comissao de 
regras uniformes de catalogacao, para o estabeleci-
mento de normas internacionais para a parte descri-
tiva de informaciies bibliograficas, baseado num es-
tudo comparativo de varias bibliografias nacionais, 
feito por Michael Gorman; 53 
c) o exame de dois outros programas considera-
dos de grande importancia, por comecarem a in-
fluenciar radicalmente o panorama da catalogacao 
sob o ponto de vista internacional: a catalogacao 
compartilhada ("shared cataloging"), da LC, corn a 
finalidade de acelerar a aquisicao e a catalogacao de 
livros, e a aplicacao do computador em bibliotecas 
que resultou na criacao, pela FIAB, de uma Comis-
sao de Mecanizacao. 
A ma interpretacao dos Principios estabelecidos 
na Conferencia de Paris ja tinha dado a Secretaria da 
FIAB a certeza de uma necessidade de revisao corn-
pieta e definitiva de seu texto. Assim, em 1971, uma 
edicao anotada e exemplificada foi publicada por 
Eva Verona, sob a responsabilidade da Comissao de 
Catalogacao da Federacao. 31 
Durante a realizacao da RIEC, ficou evidencia-
do que nenhum dos codigos compilados apps a Con-
ferencia de Paris tinha conseguido formular regras 
uniformes relativas a autoria coletiva. 
Eva Verona, em nome da Comissao de Catalo-
gacao da FIAB, e atendendo a insistentes pedidos de 
outras comissOes nacionais, incumbiu-se de dar con-
tinuacao aos estudos sobre entidades coletivas, nao 
so para determinar seu conceito em relacao a auto- 
54 
ria, mas ainda para estabelecer os principios para a 
forma e estrutura destes cabecalhos. Este trabalho 
foi submetido a exame e discussao em uma das 
sessoes da Conferencia da FIAB em Grenoble, em 
1973, e publicado em 1975. '4 
Outros trabalhos relacionados a projetos espe-
cificos, completados logo apps a Conferencia de 
Paris, tambem foram divulgados em edicOes defini-
tivas: Nomes de pessoas, por Chaplin e Anderson; " 
AnOnimos classicos, por R. Pieprot; e Lista inter-
nacional para nomes de paises, por Suzanne Ho-
nore. 
A Comissao de Catalogacao da URSS, encarre-
gada de elaborar uma listagem de orgaos legislativos 
e executivos de varios paises, teve grande dificuldade 
em executar sua missao. 0 trabalho foi publicado em 
1975, depois que as entidades ou comissoes nacionais 
responsaveis aprovaram o texto sobre entradas refe-
rentes a cada pais." 
Mas o objetivo principal da RIEC era conseguir, 
em ambito internacional, uma padronizacao da cata-
logacao descritiva considerada imprescindivel ao born 
desempenho da catalogacao compartilhada, e neces-
saria a uma futura disseminacao da informacao. 
E o ponto de partida foi o trabalho de Gorman 
que serviu, inclusive, de semente para o desenvolvi-
mento da ISBD(M) (ver Cap. 3, 7.4). 
As resoluceies mais importantes desta Reuniao 
foram: 
a) a criacao de um grupo de trabalho, orientado 
por Eva Verona, para estudar o problema da autoria 
coletiva; 
b) a criacao de um grupo de trabalho para 
estudar a ISBD(M); 
55 
c) a criacao de urn sistema internacional de 
permuta de informacoes que estabelecia que a produ-
gao bibliografica de cada pais deveria ser feita e 
distribuida atraves de uma agencia nacional. Os 
meios de divulgacao seriam fichas ou fitas magneti-
cas. Para esse fim, deveria haver o maxim° de nor-
malizacao, tanto na forma quanto no conteudo da 
descricao bibliografica, 
d) a criacao de uma Secretaria de Catalogacao, 
corn sede na FIAB, que se concretizou em 1971. 
Colocando em pratica todas essas decisoes, os 
varios grupos de trabalho foram logo estabelecidos, 
pois todos tinham como objetivo a uniformizacao 
imprescindivel para a formacao de bancos de dados 
que se constituiriam numa rede de informacOes. 
Para divulgacao dos resultados desses trabalhos, 
a partir de 1972, a FIABcomecou a publicar, trimes-
tralmente, o boletim International cataloguing,' 
contrariando as palavras de Suzanne Massoneau, em 
seu artigo The year's work in cataloguing and classi-
fication, publicado no mesmo ano, no qual afirmou 
que "o sonho de uma padronizacao internacional 
continua urn sonho" Tudo indica que esse sonho, 
muito em breve, podera se transformar em realidade. 
A utilizacao de computadores e a imperiosa necessi-
dade de urn controle bibliografico universal encarre-
gar-se-ao desta transformacao. 
0 Controle Bibliografico Universal foi o terra 
principal de uma Conferencia da FIAB, em 1973, em 
Grenoble. Sua finalidade é tornar disponivel univer-
salmente, sob forma tradicionalmente aceita, os da-
dos bibliograficos de todas as publicacOes editadas 
em seus paises de origem (ver Cap. 3). 
56 
2. PANORAMA NACIONAL 
2.1 Tentativas de urn codigo brasileiro 
Varias tentativas foram feitas, todas infrutiferas, 
para a criacao de um codigo brasileiro de cataloga-
gao. 
A primeira delas foi em 1934, quando Jorge 
Duarte Ribeiro publicou urn trkbalho intittilado Re-
gras bibliograficas (ensaios de consolidaceio); segun-
do suas prOprias palavras, nao se tratava propria-
mente de urn codigo, mas de uma tentativa de esta-
belecimento de normas para entradas de nomes pes-
soais. 87 A titulo de curiosidade, esta publicacao 
inclui o modelo de ficha padronizado, naquela epo-
ca, pelo Instituto Bibliografico Internacional, atual 
FID (Federacao Internacional de Documentacao). 
Em 1941 a Associacao Paulista de Bibliotecarios 
apresentou algumas regras para casos considerados 
de maior importancia, sob o titulo Regras gerais de 
catalogacclo e redacdo de fichas, 8 estabelecidas e 
aprovadas 'pelo Conselho Bibliotecario do Estado de 
Sao Paulo. 
Nesse mesmo ano o DASP (entao Departamento 
Administrativo do Servico Publico) nomeou uma co-
missao para elaborar um codigo brasileiro de cata-
logacao, composta por representantes do Instituto 
Nacional do Livfo, da Biblioteca Nacional e do pro-
prio DASP. Em 1943 foram publicadas as Normas 
para organizactio de um catalog° dicionario de livros 
e periodicos (Projeto de um codigo de catalogacclo). 
Talvez porque as bibliotecas brasileiras ja tives-
sem estabelecido seus padraes sobre normas basea- 
57 
das em regras dos codigos da ALA e da Vaticana, 
este trabalho nAo teve aceitacAo. 
Quando Maria Luisa Monteiro da Cunha termi-
nou seu Mestrado na Universidade de Columbia, em 
1946, apresentou para a cadeira de "Advanced Cata-
loging" o trabalho Nomes brasileiros, um problema 
na catalogaclio. 32 
 Nele ressaltava que o problema 
resultava de: 
a) falta de urn codigo nacional de catalogacao: 
b) tratamento inadequado de assuntos nos c6di-
gos existentes; 
c) falta de precisdo e carater contradithrio das 
fontes bibliograficas; 
d) inexistencia de bibliografias brasileiras cor-
rentes. 
Alguns anos depois, em 1954, outros aconteci-
mentos contribuiram para que, novamente, os biblio-
tecarios se interessassem pelos assuntos "codigo" e 
"nomes brasileiros". Entre eles, destacam-se a cria-
cao do IBBD (Instituto Brasileiro de Bibliografia e 
Documentacao)* e a realizacao do Primeiro Congres-
so Brasileiro de Biblioteconomia ern Recife. 
Neste Congresso, Edson Nery da Fonseca apre-
sentou o trabalho Norm as brasileiras de catalogaciio, 
entrada de autores coletivos e nomes brasileiros, 4H 
abordando um assunto que ate hoje continua sendo 
motivo de grandes divergencias de opiniOes, princi-
palmente em relacao a entrada de nomes brasileiros. 
Entre as recomendacOes do Congresso incluem- 
se: 
* Atualmente IBICT — Instituto Brasileiro de Informacao em Ciencia e Tecno- 
logia. 
a) criacao de um codigo de catalogacao Bra-
sileiro; 
b) organizacao, pelo Institute Nacional do Li-
vro, de uma comissao de bibliotecarios formada, de 
preferencia, por professores de catalogacao e por 
catalogadores experientes; 
c) escolha da entrada de nomes brasileiros e 
portugueses de acordo com o criterio universalmente 
aceito de respeitar-se a vontade LI° autor, o use local 
e a tradicao literaria. 
Em novembro do mesmo ano, o IBBD — que, 
atraves do SIC (Servico de Intercambio de Cataloga-
cao) (ver Cap. 2, 1.3), já se empenhava em simplifi-
car determinadas regras de catalogacao — organi-
zou, em colaboracao com o Instituto Nacional do 
Livro, uma Comissao de Estudos de Catalogacao, 
que se subdividia em duas subcomiss6es estaduais: 
paulista e carioca. Esta comissao tinha como objetivo 
principal redigir urn Anteprojeto do COdigo Nacio-
nal. Da parte descritiva ficou encarregada a subco-
missao paulista, com a incumbencia de traduzir as 
regras de catalogacao descritiva da LC, incluidas 
como segunda parte do Codigo da ALA de 1949. " 
A parte de entradas de autor ficou a cargo da 
subcomissao carioca. 
A subcomissao paulista traduziu algumas regras 
da ALA que poderiam ter sido adotadas corn modifi-
cacOes, mas que nAo tiveram aceitacao geral. Por sua 
vez, a subcomissAo carioca tambem nAo conseguiu 
satisfazer os catalogadores sobre o problema — de 
dificil solucAo — da escolha de entrada de nomes 
brasileiros e portugueses. 
Decidiu-se entao que caberia ao SIC a tarefa de 
relacionar algumas das regras mais usadas em sua 
58 	 59 
central de catalogacao e distribui-las para estudo e 
sugestOes entre os membros da Comissao. Infeliz-
mente estes nao chegaram a urn acordo, o que contri-
buiu para que as reuni8es fossem suspensas e o 
assunto nao mais discutido. 
Em dezembro de 1954 a pedido da Unesco, o 
IBECC (Instituto Brasileiro para Educacao, Ciencia 
e Cultura) tentou redigir um "Projeto de Catalogacao 
para nomes de autores brasileiros e portugueses". 
Um anteprojeto ja havia sido preparado por Irene de 
Menezes D6ria, que exercia, aquela epoca, o cargo 
de Secretaria da Comissao de Bibliografia daquela 
entidade. Entretanto, nao foi dada continuidade a 
este trabalho. 
Todas estas tentativas iniciais visavam, quase 
sempre, a uniformizacao de nomes pessoais — brasi-
leiros e portugueses — problema constantemente de-
batido por existirem ate hoje duas correntes bem 
distintas: a que prefere adotar como entrada a Ultima 
parte dos sobrenomes, e a que procura respeitar a 
forma preferida pelo autor em suas obras, isto é, seu 
nome literario. 
Entre os trabalhos publicados sobre o assunto 
destacam-se: a redacao da Regra 38A de Calazans 
Rodrigues, incluida no c6digo da Vaticana; o de 
Antonio Caetano Dias, 0 problema da catalogactio 
dos nomes portugueses e brasileiros; 36 
 e o de Maria 
Luisa Monteiro da Cunha, Nomes brasileiros, urn 
problema na catalogaciio. 32 
Em 1960, durante a 23.a Conferencia Geral da 
FID no Rio de Janeiro, foi criada oficialmente a 
Comissao Brasileira de Catalogacao, filiada a FEBAB 
(Federacao Brasileira das AssociacOes de Biblioteca-
rios), e eleita Maria Luisa Monteiro da Cunha sua 
Presidente, cargo que ocupou ate pedir exoneracao, 
em 1966; em conseqiiencia, a Comissao foi extinta. 
Esta Comissao teve o merit° de conseguir remo-
ver os graves obstaculos de algumas praticas ja obso-
letas consagradas em determinadas bibliotecas do 
Pais, bem como as divergencias decorrentes do use 
de c6digos diversos e/ou das adaptacoes de caratef 
particular. 
Durante o Terceiro Congr9sso Brasileiro de Bi-
blioteconomia e Documentacao em 1961, no Parana, 
a Comissao Brasileira de Catalogacao reuniu-se para 
discutir os seguintes trabalhos: Projeto de regras de 
catalogacdo para os nomes brasileiros e portugueses, 
feito pela Comissao Carioca, e A catalogacdo de 
autores brasileiros e portugueses, de autoria de 
Maria Antonieta Requiao Piedade. 74 
Estes documentos, e outros anteriores sobre o 
mesmo assunto, serviram de base para que Maria 
Luisa Monteiro da Cunha redigisse uma publicacao 
intituladaNomes brasileiros e portugueses: proble-
mas e solucoes. Submetida a apreciacao das subco-
miss'Oes da Comissao Brasileira de Catalogacao, foi 
aprovada como edicao preliminar. Enviada a Comis-
sao organizadora da Conferencia de Paris, foi aceita 
como Documento n. 13, e incluida na edicao brasilei-
ra da AACR como Apendice n. VIII. 
Embora parecesse resolvido o problema, ele ain-
da continuou sendo causa de insatisfacao, como se 
vera mais adiante. 
Nao se pode omitir o trabalho constante e valio-
so que a APB (Associacao Paulista de Bibliotecarios) 
vem desenvolvendo na area de processos tecnicos, 
tentando conseguir atraves de varios grupos de traba- 
60 	 61 
lho uma padronizacAo nacional, sem a qual nao 
havers condicOes de participacAo em qualquer pro-
grama de nivel internacional. 
Esta Associacao, em 1974, sob a presidencia de 
Antonio Gabriel, criou uma comissao de Processos 
Tecnicos — incluindo SubcomissOes de CatalogacAo 
e Classificacao — e designou para Presidente Maria 
Luisa Monteiro da Cunha. Esta ComissAo, atualmen-
te Grupo de Trabalho em Processos Tecnicos da APB 
divulgou recentemente o documento Cabecalhos Uni-
formes para Entidades Coletivas, 9 em atendimento a 
recomendacao da ComissAo de CatalogacAo da FIAB 
de que "a compilacao de listas gerais de entidades 
deve ser confiada aos centros bibliograficos nacionais 
de cada pais, e a comissAo de catalogacAo devera 
empenhar-se em promover esta atividade de acordo 
corn os padrOes internacionais". 
Trabalho semelhante, pela importancia que 
apresentava, deveria ser elaborado pelas associacOes 
locais de bibliotecarios, como contribuicAo ndo 
so para o estabelecimento de entradas mas, sobre-
tudo, para a uniformizacao dos nomes de entidades 
coletivas brasileiras. 
Em relacAo a entradas de nomes brasileiros e 
portugueses Maria Luisa Monteiro da Cunha, numa 
tentativa de conciliar as correntes divergentes, fez 
uma revisAo no Documento n.° 13, aprovado na 
Conferencia de Paris, enviando-o para criticas e su-
gestOes a todas as escolas de biblioteconomia e pro-
fessores de catalogacao. 
Este trabalho foi fruto de estudos e trocas de 
ideias intensificadas desde o Primeiro SimpOsio Na-
cional de Professores de Catalogracao em Sao Paulo, 
em 1970, ate o Segundo Encontro de Professores de 
Catalogacao, em 1974, no Rio de Janeiro, onde com-
pareceram rid() s6 professores mas tambem especia-
listas em catalogacAo. 
Discutido e posto em votacao no Oitavo Con-
gresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documenta-
cao, em Brasilia, em 1975, aquele texto foi aprovado, 
optando a maioria dos bibliotecarios presentes pela 
entrada pela Ultima parte do sobrenome. 0 do-
cumento foi enviado, a pedido, ao escritorio do Con-
trole Bibliografico Universal da FIAB, como contri-
buicao nacional a padronizacao de entradas de no-
mes pessoais. 
0 Subgrupo de CatalogacAo do Grupo de Traba-
lho em Processos Tecnicos da Associacao Paulista de 
Bibliotecarios esta, atualmente, encarregado de urn 
estudo comparativo entre a ISBD(M) e o Capitulo 6 
revisto do AACR, fazendo, ao mesmo tempo, uma 
comparacAo entre este capitulo e o publicado origi-
nalmente no AACR em 1967: trabalho semelhante 
esta sendo elaborado em relacao a ISBD(S) e ao 
AACR no que se refere a normas em use para 
catalogacAo de periodicos. 
62 
2.2 Codigos adotados 
0 estudo das modernas tecnicas biblioteconOmi-
cas é relativamente novo em nosso pais, datando das 
decadas de 30 (para SA() Paulo) e 40 (para o Rio de 
i 	 Janeiro). 
Em SAo Paulo — estado pioneiro no ensino da 
biblioteconomia moderna — o Codigo da ALA foi o 
escolhido, por influencia da professora norte-ameri-
cana Muriel Geddes, designada como orientadora do 
63 
primeiro curso de biblioteconomia ministrado no Co-
legio Mackenzie, em 1929. 
No Rio de Janeiro, embora desde 1911 a Bi-
blioteca Nacional mantivesse urn curso de biblioteco-
nomia a fim de formar pessoal especializado apenas 
para seu quadro de funcionarios, somente em 1940, 
por iniciativa do DASP, é que foram instituidos 
cursos intensivos visando a formacao de profissionais 
para outras bibliotecas. 
Na epoca, a lingua inglesa constituia uma seria 
barreira lingiiistica — em maior escala que atual-
mente — decorrente do desconhecimento desse idio- 
pela maioria dos alunos de nossas escolas. A 
traducao do Codigo da Vaticana para a lingua espa-
nhola, a clareza de seu texto que incluia regras 
descritivas, de alfabetacao de fichas, e de redacao de 
cabecalhos de assunto, consolidou sua escolha e ado-
cao pelo Curso do DASP e pelos cursos de biblio-
teconomia da Biblioteca Nacional 
Outro fato que reforcou, tambern, esta decisao 
foi a criacao do Servico de Intercambio de Catalo-
gaga°, no DASP, em 1942 que, ao adotar em suas 
fichas impressas as regras estabelecidas por este C6- 
digo, influiu para sua difusao entre inumeras biblio-
tecas brasileiras. 
Data ainda desta epoca a normalizacao e divul-
gacao no Brasil das fichas de tamanho 12,5 x 7,5 cm, 
ja usadas pela LC desde o inicio do seculo. 
Em lingua portuguesa, o Codigo da Vaticana 
teve duas verso- es: uma em 1949, editada em Sao 
Paulo sob os auspicios do DASP; '°' e outra em 
1962, pelo IBBD, incluindo regras da ALA nele nao 
existentes, bem como modelos de fichas padronizadas, 
tipo ficha unica. 102 
Quando o IBBD se preparava para iniciar estu-
dos para uma terceira edicao, corn adaptacties, foi 
publicado o AACR em 1967. 
Em 1970 o SIC, aproveitando a fase de estudos 
preliminares para sua transformacao em uma central 
de processamento, iniciou uma mudanca gradativa 
nas normas relativas as entidades coletivas e nos 
nomes brasileiros, optando como entrada a Ultima 
parte dos sobrenomes. Estas n(udancas nao chega-
ram a ser divulgadas. 
2.3 Mudancas e acrescimos ao AACR 
Conscientizados da necessidade de uniformiza-
cao de entradas para bibliografias e catalogos de 
bibliotecas, e das finalidades da Conferencia de 
Paris, foi que algumas escolas de biblioteconomia 
acharam mais racional abandonar o use tradicional 
do Codigo da Vaticana e optar pela adocao do 
AACR, principalmente depois de sua traducao para 
o portugues em 1969. 28 No entanto, into acarretou 
inumeros problemas, devido a falta de clareza do 
texto e a falta de exemplos adequados, que contri-
buem para interpretacoes variadas quanto a aplica-
cdo de suas regras. 
A adocao oficial deste COdigo no Brasil ainda 
depende de muitos acertos, relacionados, inclusive, 
corn modificacOes nos catalogos. Mesmo que estes 
acertos sejam feitos a partir de uma determinada 
epoca, acarretarao problemas de mao-de-obra e con-
sequentemente de custo. Cientes de suas responsabi-
lidades, os bibliotecarios vem procurando determinar 
estas mudancas e acrescimos de acordo corn as 
exigencias nacionais. 
V 
64 65 
Dois movimentos foram realizados corn esta 
finalidade. 0 primeiro deles pelo IBBD, em 1972, 
quando foi criado urn grupo de trabalho para 
uniformizar normas de catalogacao adotadas pelo 
IBBD, Biblioteca Nacional e Instituto Nacional 
do Livro. Foram convidados a participar, tam-
bem, representantes do SNEL (Sindicato Nacio-
nal de Editores de Livros) e da Camara Brasi-
leira do Livro, em decorrencia de seus programas 
de catalogacao-na-fonte (ver Cap. 2, 4.10). 
0 interesse do IBBD nesses estudos era a aplica-
cao imediata das regras do AACR no acervo de sua 
propria biblioteca e tambem ao SIC, que necessitava 
uma definicao sobre as normas a serem adotadas e 
incluidas em um manual para seus futuros cooperan-
tes. Os trabalhos foram realizados na sede do IBBD, 
entre 4 de agosto e 11 de novembro de 1973, sendo 
feito urn cuidadoso confronto entre o original do 
AACR e a sua versao brasileira. Algumas pequenas 
alteracOes foram introduzidas no manual, principal-
mente nas normas usadas na BibliotecaNacional —
que sempre seguira o Codigo da ALA — e nas do 
SIC, onde o Codigo da Vaticana era usado desde sua 
criacao. Os casos pendentes e carentes de sugestties 
foram enviados as escolas de biblioteconomia do 
pais. Apenas duas se manifestaram enviando respos-
tas discordantes entre si. Em relacao aos nomes 
brasileiros, a tendencia maior foi a de se adotar para 
entrada a Ultima parte dos sobrenomes — regra 
sempre usada pela Biblioteca Nacional. Infelizmente 
nao foi possivel chegar-se a urn acordo, pois muitos 
eram de opiniao que esta escolha era dificil desde 
que, muitas vezes, é comum urn autor registrar seu 
nome de varias maneiras, ate se definir por uma 
Unica forma. 
Verificando nao ter condicoes de resolver estes 
problemas, principalmente pela falta de representan-
tes de outros Estados, o grupo de trabalho encerrou 
suas atividades. Nenhum documento foi elaborado, 
ficando registrado apenas nas Atas os assuntos dis-
cutidos. Nao foi necessario discutir sobre a parte 
relativa a descricao do livro nao so porque o SIC e a 
Biblioteca Nacional adotaram criterios semelhantes, 
mas tambem porque ja se anunciava a revisao do 
Capitulo 6 do AACR. 
O segundo movimento partiu tambem do IBBD, 
corn ativa participacao da ABEBD (Associacao Bra-
sileira de Escolas de Biblioteconomia e Documen-
tack)). 
Os motivos do IBBD foram os mesmos da vez 
anterior; e o da ABEBD — sob a presidencia de 
Stela Santos Pita Leite — foi a uniformizacao do 
ensino de catalogacao nas escolas do pais. 
A partida para esses novos estudos foi dada em 
novembro de 1973, quando o IBBD organizou uma 
serie de seminarios internos, corn a participacao da 
Biblioteca Nacional, do Instituto Nacional do Livro, 
do SNEL, da Camara Brasileira do Livro e de alguns 
catalogadores de outras bibliotecas locais, usuarias 
do SIC. 
Dessas reunioes resultaram dois documentos 
preliminares: urn sob a responsabilidade da Bibliote-
ca do IBBD, intitulado Consideraci3es sobre as regras 
relativas a orgeios corporativos; e outro, redigido 
pelo SIC, chamado Catalogacao descritiva: requisitos 
minimos, que foram enviados a ABEBD para distri-
buicao as escolas do pais, solicitando sugestOes e 
criticas. 
66 67 
Posteriormente esses documentos foram, ainda, 
debatidos no Segundo Encontro de Professores de 
Catalogacao, realizado no Rio de Janeiro de 8 a 10 de 
abril de 1974, sob os auspicios da ABEBD, e, depois 
de novamente redigidos, discutidos na Quarta Jorna-
da Sul-Rio-Grandense de Biblioteconomia e Documen-
tacao, em Porto Alegre, de 26 a 31 de maio do 
mesmo ano pelos professores de catalogacao pre-
sentes. 
Por ocasiao da Terceira Bienal Internacional do 
Livro, em Sao Paulo, em 1974, a FEBAB, aprovei-
tando a presenca de varios professores, deu oportu-
nidade para que, numa reuniao informal, estes dois 
documentos fossem mais uma vez discutidos. Na ata 
desta reuniao, intitulada "Segunda Fase do Segundo 
Encontro Nacional de Professores de Catalogacao", 
em 19 de junho, consta como discutidos os seguintes 
assuntos: Regra 17-A do AACR e elaboracao de uma 
lista de entidades nacionais, corn a finalidade de se 
determinar aquelas que poderiam ter suas entradas 
por siglas. 
As emendas a Regra 17 deram origem a urn 
documento, de 4 de julho de 1974, onde a adocao das 
siglas como entrada ficou na dependencia de uma 
decisao tomada em ambito estadual e, posteriormen-
te, comunicada a Comissao Brasileira de Documen-
tack) em Processos Tecnicos da FEBAB, que se 
encarregaria de divulgar o trabalho. Distribuido as 
escolas de biblioteconomia, este documento nao teve 
total aprovacao, o que levou alguns professores de 
Catalogacao a discutirem novamente o problema sem 
que uma solucao definitiva fosse alcancada. 
Em janeiro de 1975, o IBBD promoveu um 
Curso de Reciclagem de Catalogacao, sob o patroci-
nio da Unesco, que reuniu catalogadores de varios 
estados do Brasil e de alguns paises latino-america-
nos. Num dos Seminarios relizados verificou-se que 
eram ainda adotados o Codigo da ALA por uns, o da 
Vaticana corn adaptacoes por outros, e ainda o 
AACR corn modificacOes. Constatou-se, corn surpre-
sa, o use difundido do Codigo da Vaticana em 
muitos paises latino-americanos. 
Como consequencia das recomendacOes da 
"Reuniao de Especialistas para a Implementacao do 
NATIS* no Brasil", promovida'pelo IBBD e realiza-
da em junho de 1975, foi criado urn Grupo de 
Trabalho para Estabelecimento de Normas de Cata-
logacao em Ambito Nacional (GT-ENCAN), a fim 
de garantir a uniformidade de criterios nas praticas 
biblioteconOmicas. De imediato, foi tracado urn pro-
grama de atuacao, tendo por objetivo a normalizacao 
da catalogacao visando a integracao das bibliotecas 
brasileiras nos programas internacionais de infor-
macao. 
Em reuniOes posteriores ficou decidido que a 
adocao do AACR, como cOdigo oficialmente aceito, 
seria recomendado nao so as escolas de bibliotecono-
mia e bibliotecas, mas tambem em concursos oficiais 
do pais. Coube a Presidente da Comissao Brasileira 
de Documentacao em Processos Tecnicos da FEBAB, 
o encargo de enviar, neste sentido, uma circular a 
todos os diretores de escolas, e uma carta ao Diretor 
do DASP. 
Durante o Primeiro Encontro dos Grupos de 
Trabalho em Processos Tecnicos da FEBAB, em Sao 
Paulo, em 1976, a adocao do AACR foi considerada 
como essencial, tendo em vista seu carater interna-
cional. 
* NATIS — National Information Systems (Programa da Unesco). 
68 69 
Neste sentido, ficou decidido que as Modifica-
cOes, acrescimos e supressoes as regras do AACR, 
publicadas no Cataloging Service Bulletin e traduzi-
dos por urn grupo de bibliotecarios paulistas, seriam 
divulgadas atraves da FEBAB. 
CAPITULO 2 
PROGRAMAS DE CATALOGA00 
I 
1. CATALOGA00 COOPERATIVA 
VS CATALOGA00 CENTRALIZADA 
No que se refere a producao de fichas para 
catalogos, a historia da catalogacao registra muitas 
vezes, quase como sinonimos, as palavras coopera-
tiva e centralizada. 
Cooperativa significa o trabalho realizado por 
varias bibliotecas e enviado a uma Central, que se 
encarrega de normalizar e reproduzir suas fichas e 
distribui-las a uma coletividade. A catalogacao corn-
partilhada ("shared cataloging") é urn exemplo de 
catalogacao cooperativa, efetuada pela LC. 
Centralizada, ao contrario, é o trabalho feito por 
uma Central para atender as necessidades de depar-
tamentos, filiais, etc. E urn tipo de catalogacao 
muito comum em universidades, ou onde a aquisi-
cao planificada seja adotada. E muito mais perfeita e 
uniforme do que a cooperativa. A catalogacao-na-
fonte é urn exemplo de catalogacao centralizada. 
0 fato de se chamar de centrais aos locais onde 
sao efetuadas as catalogagOes é que gera confusao 
nos seus enunciados. Os diagramas a seguir ilustram 
as diferencas entre uma e outra: 
70 71 
Bibliotecas diferentes "compar-
tilhando - 
 o encargo da catalo-
gaciio atraves de uma Central. 
Uma (mica Biblioteca, funcio-
nando como Central, catalo-
gando para outras bibliotecas. 
As fichas para catalogos comecaram a ganhar 
popularidade no seculo XIX corn a adocao do cat& 
logo dicionario, embora seu uso, iniciado corn a 
Revolucao Francesa ern 1789, servisse apenas para 
registro das colecOes confiscadas pelo governo revo-
lucionario. Corn a criacao da Central de Catalogacao 
da LC, em 1901, comecaram a ser utilizadas como 
veiculo de registro da informacao, na medida padrao 
atual de 12,5 x 7,5 cm. 
A preparacao e a producao de fichas tern sido 
motivo de preocupacao constante dos bibliotecarios 
desde a metade do seculo passado. 0 desperdicio de 
tempo e a mao-de-obra gastos no trabalho repetitivo 
de se catalogar o mesmo livro inumeras vezes — de 
acordo corn as colecOes de cada biblioteca — tem 
sido urn problema que desafia nao so administrado-
res comocatalogadores. 
Qual o preco de uma catalogacao? Qual o tempo 
gasto na elaboracdo de uma ficha? sao perguntas de 
varias respostas, pois a catalogacao é uma atividade 
de multiplos aspectos e Depende de 
varios fatores: tipo de biblioteca, tipo de registro 
desejado — completo ou simplificado; e, em parti-
cular, de pessoal qualificado que tenha, principal-
mente, conhecimentos tecnicos, de linguas estrangei-
ras e cultura geral. Acrescente-se a tudo isto a difi-
culdade na analise e interpretacao das paginas-de-
rosto, cuja diagramaca'o, na maioria das vezes, omite 
dados fundamentais o que provoca excessiva demora 
nas pesquisas essenciais a descricao correta de uma 
obra e na determinacao exata de sua autoria prin-
cipal. 
Os custos do processamento tecnico das colecOes 
de uma biblioteca tem sido o principal motivo de 
tantos pianos idealizados para que elas tenham con-
dicOes de, ao comprarem seus livros, receberem ime-
diatamente as fichas catalograficas a eles correspon-
dentes; isto atualizaria rapidamente seus catalogos e 
baixaria o custo de suas catalogaciies. 
Corn raizes num passado bem distante, a cata-
logacao-na-fonte e a catalogacdo compartilhada pro-
curam tambem os mesmos resultados: facilidade na 
busca, na identificacdo de autoria da obra, na corn-
pra de livros, na compilacdo de bibliografias, na 
confeccao de catalogos de bibliotecas e na padroni-
zacdo de dados descritivos. 
Atualmente, mais do que nunca, a cooperacao é 
o unico meio capaz de tornar vitoriosos os diversos 
projetos em estudo ou em execuedo, objetivando uma 
recuperacao mais eficiente da informacao. 
O trabalho isolado ha muito perdeu sua razao 
de ser. A cooperacao aplicada a catalogacdo vem 
transformando-a, pouco a pouco, numa disciplina 
revestida de novas caracteristicas. Anteriormente, a 
funcao da catalogacao era apenas a de servir como 
veiculo de registro das colecties; sua redacao traba- 
72 73 
lhosa e complicada tornava-a uma tarefa quase que 
indesejavel. Hoje, sistematizada e adaptada as tecni-
cas modernas, alia a sua funcao anterior, a de servir 
tambem como veiculo de transmissao da informacao. 
Para que as grandes redes nacionais e interna-
cionais de informacao possam ser compativeis entre 
si, é necessario que as mesmas normas de redacao 
sejam adotadas, nao so para fichas catalograficas 
mas tambem para referencias bibliograficas. 
1.1 Catalogacao cooperativa 
No ligeiro retrospecto a seguir, enfatizam-se os 
primeiros esforcos em prol de trabalhos cooperativos. 
Estes nao tinham, como atualmente, finalidades tao 
amplas. Mas ja evidenciavam a preocupacao dos 
bibliotecarios em diminuir ao maxim° o trabalho dos 
catalogadores, liberando-os para outras tarefas e co-
locando o livro recem-adquirido nas maos dos usua-
rios em tempo minimo. 
Meio seculo se passou para que a ideia frutifi-
casse e pouco mais desse periodo transcorreu para 
torna-la de ambito internacional. 
E interessante notar que em todas as tentativas 
realizadas em termos de cooperacao, as cataloga-
cOes eram feitas em papeletas ou em folhas de papel. 
Depois eram enviadas as bibliotecas para serem re-
cortadas e montadas em fichas, de acordo com o 
tamanho usado em cada uma delas. Era um processo 
economic°, ja que ainda nao havia uma ficha-padrao 
de use generalizado. 
De acordo corn Pope, em The time-lag in cata-
loging,76 a evolucao da catalogacao cooperativa 
apresenta os seguintes marcos: 
1850: Ano em que a ideia da catalogacao coo-
perativa foi lancada. Dois projetos foram tentados e, 
por terem sido prematuros para a epoca, nao tiveram 
prosseguimento. 0 primeiro partiu de Charles 
Jewett, que pensou em reproduzir as catalogacties da 
biblioteca da Smithsonian Institution dos Estados 
Unidos em blocos estereotipados, corn a finalidade 
de serem permutados com outras bibliotecas. 57 
 Guardados para futuras reimpressOes e acumulacOes, 
dariam origem a urn catalog° /impress° de livros. 
Jewett pretendia, assim, criar um sistema uniformi-
zado de catalogacao, originando uma Central na 
prOpria Smithsonian Institution. 
0 segundo projeto partiu do Museu Britanico, 
que tinha sugerido a Panizzi, alem das regras de 
catalogacao, a publicacao de urn catalog° que in-
cluisse todos os livros publicados ern lingua inglesa 
na Gra-Bretanha e suas colOnias. 3 7 
1876: Ficou registrado como o ano das grandes 
contribuicOes a biblioteconomia, ocorridas nos Esta-
dos Unidos. Dentre outras, podem-se citar: a criacao 
da ALA, o lancamento da Classificacao Decimal de 
Dewey, a publicacao do codigo de Cutter, alem de 
inumeros movimentos em favor de trabalhos coope-
rativos, normas de catalogacao, etc. 
Nessa epoca, alguns bibliotecarios ja se preo-
cupavam em fornecer a informacao catalografica jun-
to corn a distribuicao de novos livros. Varias tenta-
tivas foram feitas nesse sentido, todas infrutiferas. 0 
grupo dos nao conscientizados para os beneficios a 
serem recebidos, infelizmente, era bem maior do que 
aquele que lutava por uma normalizacao e pelo baixo 
custo da catalogacao. 
Em marco de 1876, Max Mueller, da Bodleian 
Library, abordou na revista Academy 70 o fato de 
74 75 
UFRJ/CCJE 
Biblioteca Eugenio Guru... 
centenas de bibliotecas catalogarem uma mesma 
obra, e recomendava que as catalogagOes, feitas em 
papeletas deveriam ser impressas e permutadas entre 
bibliotecas — principalmente as nacionais da Europa 
— que ficariam responsaveis por sua propria produ-
gao bibliografica. Esta ideia foi aproveitada pela LC, 
mais de cem anos depois, como o programa da 
catalogacao compartilhada (ver 3.). Mueller sugeriu 
tambern a possiblidade dos proprios autores, de co-
mum acordo corn os catalogadores, prepararem as 
papeletas de suas obras e, atraves dos editores, distri-
bui-las corn os livros. Urn mes depois, em abril, a 
editora R. R. Bowker endossava a ideia do bibliote-
cario Justin Winson, do Harvard College, de dimi-
nuir o custo da catalogacao. Esta firma, atraves de 
um editorial, 19 
 declarava que as editoras deveriam 
distribuir seus livros corn a informacao bibliografica 
impressa numa papeleta de papel resistente e num 
tamanho padronizado, ou entao numa folha tendo na 
parte superior os dados bibliograficos, e na inferior o 
sumario da obra, propaganda de novos lancamentos, 
etc. Isto seria util nao so para bibliotecarios mas 
tambern para editores e livreiros." 
Ainda nesse mesmo ano, C. A. Nelson escreveu, 
no Library Journal, 71 
 um artigo sobre a ideia de 
Winson, sugerindo que, se o piano se tornasse rea-
lidade, as papeletas deveriam incluir na mesma dis-
posicao da pagina-de-rosto os dados nela registrados, 
num tamanho menor do que as comumente usadas, 
para que pudessem ser coladas em fichas e inseridas' 
nos catalogos das bibliotecas. Se os editores concor-
dassem, poderiam ser prepari 'as corn vistas a uma 
normalizacao e publicadas no Library Journal ou no 
Publisher's Weekly. Estava, assim, lancada a semen-
te da catalogacao-na-fonte. 
76 
1877: Na Conferencia anual da ALA esse assun-
to foi discutido calorosamente. Seu Presidente suge-
riu que a papeleta, em tamanho maior, fosse dividida 
em 4 partes, cada uma delas contendo o titulo subor-
dinado aos diversos cabecalhos necessarios para os 
catalogos. Este piano nem chegou a ser posto em 
pratica, devido a falta de receptividade dos editores. 
Mas o tema foi considerado de tanta importancia, 
que nessa mesma Conferencia foi criado o Committee 
on Publisher's Title Slip, dor qual faziam parte 
Dewey, Bowker e Winson. 
Nessa epoca, o tipo de catalogacao em papeletas 
ficou conhecido como "title slip". Mas tarde foi 
aproveitado pela LC para atender aos seus usuarios 
de assinaturas por assunto, corn o nome de "card 
slip." 
1878: 0 primeiro relatorio da citada Comissao 
foi publicado no Library Journal 83 cornas seguintes 
recomendacOes: 
a) preparacao de entradas uniformes de titulos 
bibliograficos, incluindo cabecalhos e notas, para 
serem fornecidas e utilizadas pelas editoras como 
propaganda em circulares, catalogos, etc.; 
b) fornecimento aos assinantes de papeletas 
para use imediato no catalog°, consistindo em cabe-
calhos que incluiam o titulo, os cabecalhos de assun-
to em ordem de importancia, o numero de classifica-
cao e o nome do autor seguido pelo titulo da publi-
cacao e notas descritivas e explicativas. 78 
Foi aprovada tambem a ideia inicial de C. A. 
Nelson, de se criar um escritOrio central no Library 
Journal ou no Publisher's Weekly para registro das 
bibliotecas e livreiros; as papeletas deveriam ser redi-
gidas numa central, supervisionada por bibliotecarios 
77 
da Harvard University e do Boston Atheneum, a fim 
de se assegurar maior uniformizacao. 0 processo se 
desenvolveria da seguinte maneira: a primeira prova 
dos livros ou de um exemplar impresso — antes da 
distribuicao — seria enviado pelas editoras a Central 
que se encarregaria da catalogacao. As papeletas, 
processadas por estereotipia, seriam devolvidas aos 
livreiros a tempo de serem inseridas nos livros, em 
folhas soltas; posteriormente, impressas em papel 
resistente, tipo cartonado, do tamanho de um cartao-
postal, seriam remetidas pelo correio aos assinantes. 
Dewey advogou essa causa, afirmando que na 
Italia esse processo ja tinha sido demonstrado corn 
grande exito. Acreditava ele, firmemente, nos exce-
lentes beneficios que traria aos editores, facilitando a 
compilacao de catalogos comerciais, propaganda de 
livros, etc. Mas o piano nao foi aceito nem pelos 
editores nem pelos bibliotecarios. 
0 desejo de que a ideia da catalogacao coopera-
tiva frutificasse era tao grande, que o grupo que 
liderava o movimento nao se deixou abater pelos 
insucessos. E nova tentativa foi feita, visando a divul-
gar a informacao bibliografica logo apps a publica-
cao do livro. 
1879: 0 Library Journal publicou um suplemen-
to intitulado Title slip registry corn o objetivo de 
enviar gratuitamente a seus assinantes, papeletas 
preparadas em sua central, incluindo dados catalo-
graficos impressos de um so lado; recortadas, po-
diam ser coladas em fichas e imediatamente inseri-
das nos catalogos. COpias extras seriam adquiridas a 
preco accessivel, atraves de uma assinatura anual. 
Pouco tempo depois, esse suplemento passou a cha-
mar-se Book registry. Infelizmente o empreendimen-
to era avancado demais para a epoca. No ano seguin- 
te, por falta de apoio dos dirigentes de bibliotecas, 
foi terminado.* 
No entanto, os bibliotecarios americanos nao 
desanimaram, continuando a alertar colegas e livrei-
ros sobre as vantagens desse trabalho cooperativo. 
1893: Outra tecnica foi tentada. Em vez das 
papeletas serem preparadas e incluidas nos livros, e 
paralelamente as fichas produzidas e remetidas as 
bibliotecas, os bibliotecarios corrtecaram a preparar e 
imprimir fichas que eram distribuidas a bibliotecas, 
livreiros e a quem estivesse interessado no assunto. 
As catalogacoes ficaram centralizadas no "Li-
brary Bureau" (firma criada por Dewey) onde os 
livros eram recebidos das editoras para serem cata-
logados e as fichas impressas e vendidas aos interes-
sados de acordo com os padreies usados pelos assi-
nantes. Essa Central funcionou quase 3 anos, sendo 
posteriormente transferida para o setor de publica-
goes da ALA." 
Por nao ter conseguido assinantes em numero 
suficiente para cobrir os gastos, o piano foi abando- 
nado. 76 
1.2 Catalogaciio centralizada 
1901: Nao conformados corn a ideia de que urn 
piano com tao serios propositos nao conseguisse acei-
tacao geral, os bibliotecarios levantaram novamente, 
a questao na Conferencia da ALA realizada em 
W inconsin. 
Melvil Dewey, num brilhante discurso, conse-
guiu comprovar e justificar a necessidade da criacao 
* Trabalho semelhante vem sendo desenvolvido no Brasil, pela Camara Brasi- 
leira do Livro, atraves de sua publicacao Oficina do livro: novidades catalo- 
gadas na fonte. 
78 79 
de urn programa de catalogacao cooperativa e centra-
lizada. 
Foi votada como provavel sede da central de 
catalogacao a LC, biblioteca oficial do governo ame-
ricano, (mica credenciada para levar avante tao arro-
jado projeto, pelas seguintes razOes: 
a) possuia a maior colecao de livros do mundo 
ocidental; 
b) era o orgao controlador dos direitos autorais; 
c) mantinha um alto indice de permutas; 
d) tinha uma equipe tecnica de grande gabarito. 
A ideia, aceita imediatamente por seu Diretor-
Geral, deu inicio a urn novo ciclo de trabalhos de 
grande projecao no panorama biblioteconomico 
mundia1.35 
Hoje, centrais de catalogacao existem em quase 
todos os grandes paises e sao fruto daquela semente 
que foi plantada, com tanta persistencia, por biblio-
tecarios que deixaram nome na histOria. 
Que a HO° possa ser assimilada por todos aque-
les que Ira° compreenderam ainda o verdadeiro signi-
ficado da palavra COOPERAcAO, (mica solucao 
para que objetivos identicos possam ser atingidos. 
1.3 Brasil: Servico de Interciimbio 
de Catalogaciio (SIC) 
1.3.1 Historic° 
A decada de 40 foi no Brasil, inegavelmente, a 
do inicio do desenvolvimento das modernas tecnicas 
80 
biblioteconornicas. Varias causas contribuiram para 
essa evolucao, destacando-se, entre outras: a atuacao 
do entao recem-criado Departamento A dministrativo 
do Servico Public° (DASP), atraves de seus concur-
sos e cursos especializados que, formando melhores 
tecnicos, abriram novas perspectivas de trabalho; a 
reforma da Biblioteca Nacional, dando aos futuros 
profissionais maior soma de conhecimentos; o aper-
feicoamento de tecnicos brasileiros nas universidades 
americanas e a criacao de umiservico nacional de 
catalogacao cooperativa, unico na America Latina. 
Embora caiba a Sao Paulo o pioneirismo da 
Biblioteconomia moderna brasileira, é inegavel que 
foram os cursos e concursos publicos promovidos 
pelo DASP — na epoca em que era dirigido por Luiz 
Simoes Lopes — que asseguraram melhoria sempre 
crescente em qualidade de mao-de-obra e o advento 
de urn mercado de trabalho que vem exigindo, ano a 
ano, melhor nivel cultural e intelectual. 
A ele, portanto, se deve a criacao, em setembro 
de 1942, de um servico que tinha a finalidade de 
ajuda mutua entre as bibliotecas do Pais — o Servico 
de Intercambio de Catalogacao, mais conhecido pela 
sigla SIC. 
A ideia de instalar, naquela epoca, urn tao 
avancado servico — se considerarmos os parcos re-
cursos financeiros e tecnicos de quase todas as biblio-
tecas, nao capacitadas, ainda, para entende-lo e exe-
cuta-lo — surgiu de uma visita da entao Chefe da 
Biblioteca do DASP, Lydia de Queiroz Sambaquy, 
a Biblioteca do Congresso americano, onde funciona, 
desde o inicio deste seculo, o maior servico de cata-
logacao cooperativa do mundo. 
Impressionada com o grande alcance de tal em-
preendimento, logo imaginou, para o Brasil, urn 
81 
servico similar, guardando, obviamente, as devidas 
proporciies entre os recursos de urn e outro pais. 
0 SIC desenvolveu-se, a principio, na prOpria 
Biblioteca do DASP, dela dependendo administrati-
vamente. Foi, portanto, a DASP seu primeiro orgao 
mantenedor. 
Um acordo foi firmado entre este Orgao e a Im-
prensa Nacional — atualmente Departamento de 
Imprensa Nacional — cabendo ao primeiro a parte 
tecnica de revisao das fichas catalograficas e, ao 
segundo, a impressao, distribuicao e venda das fichas 
aos interessados. 
A rede de cooperantes comecou a ser formada 
corn as bibliotecas interessadas, sendo as ministeriais 
— na ocasiao as mais bem aparelhadas, no Rio de 
Janeiro — as primeiras a integra-la. Em troca de sua 
colaboracao recebiam as fichas por elas prOprias 
elaboradaspara o SIC, já impressas, e por doacao. 
A kleia de sua criacao foi aceita corn muito 
entusiasmo, mas um problema foi logo evidenciado: 
a. falta de pessoal treinado em tecnicas catalografi-
cas, decorrente da existencia de poucas escolas de 
Bibioteconomia no pais. 
Como exigir das bibliotecas cooperantes fichas 
corretas se nao havia normas estabelecidas, oficial-
mente, para este fim? Como poderiam estabelecer 
assuntos e cabecalhos se, para isso, poucos bibliote-
carios tinham aprendido a tecnica essencial? Como 
dispor de material de referencia para pesquisa, se a 
maioria das bibliotecas existentes nao possuia este 
tipo de material? 
Tentando suprir estas deficiencias, a Direcao do 
DASP autorizou sua Biblioteca a adquirir o material 
de referencia disponivel e considerado indispensavel 
para o melhor desempenho da tarefa a qual se pro-
punha o SIC. 
E assim, apesar de suas limitacOes de pessoal e 
de material de pesquisa, o SIC iniciou suas ativida-
des imprimindo, no mesmo ano de sua instalacao, 
fichas correspondentes a 600 titulos. 
A adesao recebida de inumerfas bibliotecas, dos 
pontos mais variados do Pais, contribuiu inegavel-
mente para o seu desenvolvimento. 
0 SIC cresceu a tal ponto, que precisou se 
desligar da Biblioteca do DASP e constituir-se num 
organismo isolado, sem regimento prOprio, embora 
ainda vinculado ao DASP e a Imprensa Nacional. 
Ate meados de 1947 funcionou ativamente den-
tro do mesmo sistema de cooperacao, ja sentindo a 
imperiosa necessidade de ampliar sua capacidade de 
producao, nao apenas na parte de revisao das fichas 
originais recebidas das bibliotecas cooperantes, mas 
tambem, e principalmente, na diminuicao do tempo 
necessario a impressao das fichas. 
Para facilitar seu desenvolvimento, resolveu a 
Fundacao Getulio Vargas unir seus esforcos aos do 
DASP e do Departamento de Imprensa Nacional, e 
conceder-lhe valioso auxilio financeiro e tecnico. 
Por meio de cursos intensivos, organizados pelo 
SIC e mantidos pela Fundacdo Getillio Vargas, foi 
feito o treinamento de revisores que, de forma quase 
imediata, conseguiram melhorar a producao do Ser-
vico. Por outro lado, assumiu a Fundacao o encargo 
de promover, com exclusividade, a venda e a distri-
buicao das fichas impressas. 
82 83 
Nessa oportunidade, procurou-se divulgar as 
vantagens do SIC por meio de varias publicacoes e de 
tres catalogos impressos, distribuidos graciosamente, 
que mostravaim como cooperar, adquirir e utilizar as 
fichas produzidas, em colaboracao, por diversas 
bibliotecas. 
A criacao de algumas escolas de Bibliotecono-
mia contribuiu para que, nessa epoca, o SIC possuls-
se quase 200 bibliotecas cooperantes. 
Devido a adocao, pela maioria das bibliotecas 
brasileiras, do Codigo da Vaticana (ver Cap. 1, 2), o 
SIC tambem escolhera este Codigo para normalizar 
suas fichas, atitude que contribuiu para que colegas 
da Biblioteca Nacional e de Sao Paulo nunca tives-
sem colaborado, alegando divergencia de normas, 
pois utilizavam o celdigo da ALA. 
Em 1954 foi criado o Instituto Brasileiro de 
Bibliografia e Documentacao (IBBD) que recebeu, 
como uma de suas atribuiceies fundamentais, o 
encargo da manutencao do SIC. 
Com a finalidade de estudar as medidas que 
deveriam ser tomadas para a ampliacao dos traba-
lhos que vinham sendo realizados por aquele servico, 
o IBBD fez um cuidadoso levantamento, pelo qual 
ficou convencido de sua real utilidade para as biblio-
tecas e centros de documentacao do Pais. 
Para aperfeicoar os servicos prestados pelo SIC, 
o IBBD tomou, entre outras providencias, a respon-
sabilidade de publicar a segunda edicao do COdigo 
da Vaticana' a fim de contribuir para a uniformi-
zacao das regras de catalogacao no Pais; firmou, 
tambem, urn acordo corn o Instituto Nacional do 
Livro (INL), pelo qual se obrigava a fornecer as 
bibliotecas fichas correspondentes aos livros que lhes 
fossem doados pelo INL. 
Por outro lado, é fato incontestavel que, a cada 
dia que passa, diminuem as possibilidades do biblio-
tecario manter atualizados os servicos de catalogacao 
e classificacao a seu cargo. 
Tao volumosa é a producao tecnico-cientifica 
atual que a Unica solucao possivel sera, por certo, o 
use de computadores. Estudos tentativas ja se vem 
fazendo, nesse sentido, nos rneios economicamente 
mais favorecidos do Pais. 
Na maior parte dos paises desenvolvidos, a cata-
logacao cooperativa ou centralizada, em ambito na-
cional, ja é uma realidade e pianos estao sendo 
elaborados para que se alcance extensao internacio-
nal. Haja vista o recente programa da "Association 
of Research Libraries", conhecido entre nos como 
programa de catalogacao compartilhada (ver 3.). 
Esses pianos em grande escala encerram, no 
entanto, uma serie de problemas, pois é quase im-
possivel uma completa unificacao na estrutura dos 
principios a adotar. 
Entretanto, todos os esforcos levam a urn Unico 
objetivo: colocar o volume de documentos recem-
chegados a uma biblioteca a disposicao do leitor, o 
mais rapidamente possivel. 
Quando em 1942 nasceu a catalogacao coopera-
tiva em nosso Pais, ja se pressupunha que talvez o 
projeto fosse ainda prematuro para que tivesse corn-
pieta e rapida aceitacao, devido ao estado de nossas 
bibliotecas, pobres ainda em sua maior parte, em 
recursos financeiros e pessoal tecnico adequado. 
84 85 
Montado de maneira inversa da adotada pelo 
modelo que the deu origem — isto é, baseado em 
catalogacao feita pelos integrantes da rede e revisada 
pelo Servico, e estando, entao, a Biblioteconomia 
brasileira em fase embrionaria, era de se esperar o 
lento desenvolvimento que teve. 
Levando-se em conta a vastissima extensao terri-
torial do Brasil, facil é deduzir que teria mais rapi-
damente atingido sua meta se estruturado sobre a 
base da catalogacao centralizada; mais logic° seria 
reunir urn grupo bem treinado de tecnicos para 
trabalhar para uma coletividade, do que esperar que, 
em pontos tao distantes e em bibliotecas de acervo 
tao heterogeneo, se encontrassem grupos que a tra-
balhassem homogeneamente para um centro distri-
buidor. 
A estrutura dos Orgaos que the deram cobertura 
nao permitiu que tal projeto de centralizacao fosse o 
escolhido. Anos mais tarde, apps terem sido realiza-
das varias tentativas de anexar o SIC a Biblioteca 
Nacional — unico local, a epoca, vifivel para que 
atingisse plenamente a realizacao de seus objetivos — 
nada foi conseguido. 
0 SIC sempre trabalhou na base da confianca 
depositada nos dados enviados pelas bibliotecas coo-
perantes, pois nao dispunha de recursos para corn-
provar se os mesmos eram ou nao fieis a obra em 
processo de catalogacao; faltava-lhe o principal: ter a 
obra ao seu alcance para confrontar as fichas envia-
das. Mesmo assim, lancava mao de todos os recursos 
disponiveis nao so para revisar e normalizar mas, 
principalmente, para identificar, comparar e comple-
tar os dados catalograficos, a fim de atingir seu 
objetivo: incentivar o aperfeicoamento dos cataloga- 
86 
dores brasileiros, atraves do material impresso, pa-
dronizado e bem apresentado. Geralmente, 80% das 
contribuicoes recebidas tinham de ser totalmente re-
feitas. 
Apesas dos problemas enfrentados e das criticas 
que the eram feitas, 94 continuou o SIC a prestar as 
modalidades de auxilio a que se tinha proposto: 
a) barateamento do custo ide catalogacao dos 
acervos e aperfeicoamento das tecnicas catalogra-
ficas; 
b) desenvolvimento da cooperacao entre biblio-
tecas; 
c) contribuicao para a formacao de catalogos 
coletivos regionais; 
d) economia de tempo nas tarefas tecnicas de 
catalogar e classificar; 
e) facilidades nas pesquisas bibliograficas e 
ajuda na atualizacao dos catalogos das bibliotecas. 
A medida que o tempo avancava, novos proble-
mas apareceram, entreos quais: a nao melhoria na 
qualidade de trabalho apresentado pela maior parte 
das cooperantes; a necessidade de uniformizacao das 
entradas e, finalmente, uma certa desatualizacao do 
estoque de fichas (que foi ern parte compensada pela 
inauguracao da grafica do IBBD, em 1960). 
Em 1970, corn a divulgacao das vantagens do 
Projeto MARC (ver Cap. 4), o SIC decidiu que nao 
deveria continuar a atuar nas bases estabelecidas ini-
cialmente. Sua reformulacao comecou a ser idealiza-
da em termos de automatize-lo, tendo ern vista que 
algumas das mais importantes bibliotecas ja usavam 
computadores na realizacao de tarefas catalograficas. 
87 
Por que nao criar uma central formada por um 
grupo selecionado de cooperantes, escolhido por 
areas de assunto, capaz de aliments-la em beneficio 
das demais bibliotecas do Pais? 
0 tema foi entao escolhido como tema de dis-
sertacao. Preliminarmente a redacao final, foi envia-
do urn questionario a 900 bibliotecas brasileiras que 
indagava, entre outras perguntas, sobre a aceitacdo 
de uma central de catalogacao. Das 356 respostas 
recebidas, todas, sem excecao, foram favoraveis 
ideia, havendo inclusive palavras de incentivo a sua 
futura montagem. 
Mais uma vez a LC foi tomada como modelo, 
pois o Projeto CALCO" (ver Cap. 4, 3) — redigido 
especialmente para transformar o SIC numa central 
de catalogacao automatizada — foi baseado no 
MARC II (ver Cap. 4, 1), considerado como lingua-
gem padrao para a troca de dados bibliograficos. 
Para que um piano experimental pudesse ser 
desenvolvido — sem qualquer ajuda financeira — 
adotou-se o criterio de terminar corn a colaboracao 
das bibliotecas cooperantes, passando a nao receber 
mais originais para revisao. 
E o Servico de Intercambio de Catalogacao, 
depois de 31 anos deixou de existir em setembro de 
1973, para que o Projeto CALCO entrasse em funcio-
namento.* 
1.3.2 Realizaceies 
No decorrer de seus tres decenios de existencia, 
o Servico de Intercambio de Catalogacao contribuiu 
* Sua Ultima Diretora, Alice Principe Barbosa, trabalhou e lutou incansavel-
mcnte pela concretizacao de seu ideal. Faleceu em fevereiro de 1975, sem 
conhecer o resultado final de seu trabalho (ver Cap. 4, 2). 
88 
para varios empreendimentos, alem de suas funcoes 
normais de orgao central numa rede de cooperantes. 
Suas mais importantes realizacOes foram: 
a) o aperfeicoamento de seu prOprio pessoal, 
que nesse espaco de tempo foi, pouco a pouco, 
adquirindo a vivencia necessaria para tao responsa-
yel encargo; 
b) o treinamento de numerosos bibliotecarios 
que estagiaram em seu setor tectico; 
c) o auxilio a diversas bibliotecas, particulares e 
oficiais; 
d) os acordos corn varias entidades oficiais e 
privadas no sentido de ampliar o intercambio biblio-
teconomico; 
e) o estabelecimento de normas de simplificacao 
de suas catalogagOes, conforme recomendacao do 
Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e 
Documentacao; 
f) o controle dos cabecalhos usados em suas 
fichas; 
g) a tentativa, embora infrutifera, de implantar 
a catalogacao-na-fonte (nao houve receptividade por 
parte dos editores); 
h) o auxilio ao Programa do Livro Cientifico 
(USAID/CNPq), catalogando e classificando as cole-
goes recebidas atraves do IBBD; 
i ) a organizacao de algumas bibliotecas oficiais; 
j ) a publicacao de catalogos e folhetos ilustra-
tivos de seus servicos; 
89 
1 ) a cloaca° de milhares de fichas, beneficiando, 
entre outros, as universidades, no intuito de auxi-
lia-las em suas pesquisas e alerts-las sobre as vanta-
gens do Servico; 
m) o atendimento, direta ou indiretamente, as 
mais variadas consultas. 
2. CENTRAIS DE CATALOGAcA0 
2.1 Importeincia 
No capitulo anterior foi demonstrado que, des-
de o seculo passado, a difusao de fichas para catalo-
gos, elaboradas numa Central, ja era motivo de 
grande preocupacAo por parte dos bibliotecarios. 
Centrais de catalogacdo naquela epoca — e hoje mais 
do que nunca — sdo as Unicas onsideradas capazes 
de oferecer as seguintes vantagens: 
a) economia de tempo, material e mao-de-obra; 
(Estes tres fatores superam, com a catalogacdo 
apenas de material nacional, as dificuldades criadas: 
pelo crescente aumento da producao bibliografica; 
pela enorme variedade de formas de apresentacAo do 
material; e pelo numero consideravel de publicacoes 
em outras linguas. Em conseqiiencia, as centrais de 
catalogacao suprem a falta de pessoal qualificado, 
que podera ser aproveitado em outras tarefas.) 
b) normalizaclio: de entradas, de dados descriti-
vos, de cabecalhos de assunto e de numeros de 
classificacao; 
c) rapidez: no preparo da colecao para use ime-
diato; na eliminacao de trabalho duplicado; na cata-
logacdo, feita uma unica vez por uma central, em vez 
de repetida por outras bibliotecas; na reducao, conse-
qiientemente, do custo, do equipamento e da mao-
de-obra. 
Mas ha algumas limitacOes, em relacao as bi-
bliotecas cooperantes, que sAo as seguintes: 
a) demora no recebimento das fichas; 
90 	 91 
b) demora no confronto de livros e fichas para 
identifica-los; 
c) diferenca na interpretacao de regras de cata-
logacao. 
Existem centrais de catalogacdo em quase todos 
os paises desenvolvidos, geralmente em bibliotecas 
nacionais. No entanto, ha pouca literatura acerca de 
seu funcionamento e programas, corn excecao da 
Central da LC, pioneira neste tipo de trabalho. Sua 
disseminacao esta ligada ao final da Segunda Guerra 
Mundial, quando as bibliotecas tiveram seus acervos 
enriquecidos com a proliferacao da literatura tecnica 
e cientifica, o que as tornou incapazes de resolver o 
impasse do actimulo do material a ser catalogado. 
A variedade de formas de apresentacao, o gran-
de volume de obras em linguas nao latinas e a 
complexidade dos assuntos abordados num mesmo 
documento, ocasionaram urn aumento da necessida-
de de mao-de-obra qualificada e raramente existente, 
originando urn atraso consideravel na preparacao 
desse material para use imediato. 
Novamente os bibliotecarios compreenderam 
que so o trabalho em cooperacao os levaria as solu-
cOes de seus problemas. Entre os esforcos desenvol-
vidos no passado e no presente, destaca-se, corn 
grande diferenca, a necessidade atual de uma coo-
peracao em ambito internacional. Urn programa a 
longo prazo precisa ser desenvolvido paralelamente a 
outros programas. Em capitulos diferentes eles sera° 
analisados pormenorizadamente. 
Das centrais existentes, a da LC é a mais impor-
tante nao so pelo volume de trabalho realizado como 
pelos esforcos despendidos em prol de um maior 
intercambio de informacOes bibliograficas. 
92 
Apesar da venda sempre crescente de suas fichas 
impressas, é interessante notar que estas rid() sac, 
aceitas totalmente por todas as bibliotecas, inclusive 
nos Estados Unidos. Como causas principais pode-
mos citar: 
a) falta de uniformidade nas entradas em rela-
cao as diversas normas vigentes em outras biblio-
tecas; 
b) demora no recebimento ferias fichas pelas bi-
bliotecas cooperantes. Quando a obra nao existe na 
colecao da LC, sua preparacao fica na dependencia 
de compra — as vezes no estrangeiro — de remessa, 
,etc., e para resolver esse impasse ela vem trabalhan-
do na execucao de varios programas, todos eles ate 
agora vitoriosos. 
Quando, na decada de 60, o computador passou 
a ser aplicado a varios servicos de bibliotecas — entre 
eles a catalogacao — uma nova perspectiva foi aberta 
para aumentar a difusao das fichas catalograficas 
alem das fronteiras nacionais. 
Esse periodo ficou marcado na historia da cata-
logacao pelo inicio de grandes e audaciosos projetos, 
todos eles visando a uma grande rede internacional 
de informacOes. 
Interessada em saber por que as fichas impres-
sas pelas centrais de catalogacao nao erampermuta-
das — o que limitaria a catalogacao a nivel nacional 
— a Unesco, atraves de sua Comissao Consultiva 
Internacional de Bibliografia, Documentacao e Ter-
minologia, em sessao realizada em Moscou no ano de 
1965, recomendou que urn estudo fosse feito a esse 
respeito. Desse encargo ficou incumbida a Biblioteca 
Nacional de Literatura Estrangeira da URSS, sob a 
direcao de Rudomina Giljarevskij. 
93 
94_ 
Tomando por base as respostas obtidas atraves 
de urn questionario enviado a cento e vinte institui-
cOes de trinta e dois paises, foi feita uma analise das 
seguintes perguntas: 
a) se a difusao de fichas era ern ambito nacional 
ou internacional; 
b) se as fichas eram, tambem, usadas para fins 
bibliograficos; 
c) como eram feitas as remessas de fichas: se 
junto corn os livros ou em separado; 
d) se a catalogacao era restrita somente a livros, 
ou se incluia, tambem, artigos de periodicos; 
e) se a catalogacao era de material recente ou 
retrospectivo; 
f) quais as normas usadas para a determinacao 
de entradas; 
g) quais as normas usadas para decisao de ca-
becalhos de assunto; 
h) se o material catalogado era apenas nacional, 
ou tambem internacional; 
e muitas outras perguntas. 
0 resultado, infelizmente desatualizado, revelou 
que: 
a) a difusao internacional das fichas catalografi-
cas era de utilidade impar; 
b) os principais obstaculos se relacionavam com 
a falta de regras normalizadas para a redacao de 
fichas, e pela impossibilidade de se assegurar, por 
meios tradicionais, o envio simultaneo de livros e das 
fichas a eles correspondentes. A adocao de diferentes 
normas de catalogacao pelas diversas Centrais, im-
possibilitava o reconhecimento de certos itens biblio-
graficos quando comparados corn os livros. 
Para que esses obstaculos fossem superados, 
acentua Giljarevskij, a solucao seria: 
a) a unificacao, em piano internacional, da des-
cric ao bibliografica; 
b) a elaboracao de novos metodos de cataloga-
cao centralizada. 
Atualmente, a primeira solucao esta sendo reali-
zada atraves da ISBD (ver Cap. 3, 7.4), e a segunda 
pela crescente aceitacao da Catalogacao-na-fonte (ver 
Cap. 2, 4). Esta é a maneira mais eficiente de se 
conseguir urn rapid° intercambio de informacoes, 
pois a catalogacao realizada no proprio livro pelo 
pais de origem é a Unica capaz de acelerar a compi-
lacao de bibliografias nacionais e de difundir fichas 
ou fitas perfuradas, atingindo assim, a meta do 
Controle Bibliografico Universal (ver Cap. 3). 
As Centrais de Catalogacao, para interligarem-
se numa Unica rede de informacoes, necessitam: 
a) adotar o AACR, adaptado as necessidades de 
cada pais; 
b) adotar a ISBD; 
c) adotar projetos de automacao, compativeis 
com as normas da ISO 2079, baseadas no Projeto 
MARC II, pioneiro da automacao aplicada a cata-
logacao. 
A seguir apresentam-se os trabalhos cooperati-
vos desenvolvidos em alguns paises, destacando-se o 
da LC e o do SIC. 
95 
2.2 Estados Unidos 
Berg° da catalogacao cooperativa, este pais é, 
entre todos os outros, o que possui maior niimero de 
firmas comerciais realizando trabalho similar ao da 
LC. 
Infelizmente, as mesmas normas de catalogacao 
nao sao usadas, o que implica na revisao das fichas 
— cada vez que uma obra é encomendada — para 
estas se ajustem as necessidades locais. 
A Wilson cataloga, imprime e vende fichas de 
todos os livros por ela publicados. Outras firmas, e 
ate mesmo bibliotecas governamentais, usam o siste-
ma de catalogacao centralizada para atenderem a 
bibliotecas de suas redes. Mas a Central de maior 
projecao no mundo, caminhando atualmente, para se 
transformar no maior Banco de Dados existente, é a 
que funciona, desde 1901, na LC. 
Sobre o assunto recomendamos os artigos publi-
cados no Library Trends, 16(1), July 1967, dedicados 
a catalogacao cooperativa e centralizada. 
Em 1901, Herman Putnam aceitou a incumben-
cia que the foi confiada pela ALA, de catalogar e 
vender a outras bibliotecas americanas as fichas im-
pressas dos livros existentes na colecao da LC. 
No inicio, vinte e uma bibliotecas selecionadas 
comecaram a receber, sem qualquer onus, um exem-
plar de cada ficha impressa, dando origem as chama-
das bibliotecas depositarias. 
De centralizada — por incluir apenas fichas de 
seu acervo — a LC passou a cooperativa quando 
comecou a aceitar catalogacejes feitas por outras bi-
bliotecas governamentais e nacionais, como as da 
96 
 
"National Agricultural Library", da "National Libra-
ry of Medicine", etc., o que contribuiu para que, final-
mente, depois de tantos pianos frustrados, a cata-
logacao cooperativa iniciasse um ciclo evolutivo. Sua 
aceitacao foi enorme. A venda de fichas, sempre 
crescente, contribuiu para que ela se tornasse na 
maior central cooperativa autofinanciavel. 
Em 1910 comecou a receber, tambem, 'contri-
buicOes de outros tipos de bibytecas, inclusive das 
depositarias. 
Apesar do numero de usuarios de suas fichas 
impressas ter crescido consideravelmente, e tambem 
do aumento de bibliotecas cooperantes, constatou-se 
que seu acervo nao correspondia as necessidades das 
bibliotecas de pesquisa do pais. 
Para estudar este assunto, em 1923 a ALA no-
meou uma Comissao de Bibliografia, supervisionada 
por Ernest Cushing Richardson, que nada conseguiu 
fazer para resolver o problema." 
Em 1927, num Simposio realizado pela Seca() de 
Catalogacao da ALA, uma nova Comissao foi criada 
com a mesma finalidade. Seus estudos concluiram 
que, do material adquirido pelas bibliotecas acade-
micas do pais (20% a 75% ), a LC nao possuia as 
fichas impressas correspondentes. 
Foi entao sugerido a ALA a criacao de uma 
comissao permanente — sob a presidencia de Keyes 
Metcalf — encarregada de estudar a possibilidade de 
se catalogar as publicacoes estrangeiras adquiridas 
pelas bibliotecas de pesquisa. Analisados os diversos 
aspectos da questao, foi esbocado um piano para 
estabelecer, na propria LC, urn Escritorio encarrega-
do de rever a catalogacao do material adquirido por 
aquelas bibliotecas. 
97 
 
 
 
Iniciando suas atividades em 1932, a Comissao 
teve um sucesso tao grande que, em 1934, foi reor-
ganizada como um Departamento da LC, com o 
nome de "Cooperative Cataloging and Classification 
Service", tendo entre outras fungi -5es: incluir a classi-
ficacao de Dewey e rever as contribuicOes enviadas 
pelas bibliotecas cooperantes (a partir de 1936). 
Em 1940 passou a chamar-se "Cooperative Ca-
taloging Section", subordinada a "Descriptive Cata-
loging Division." 
Entre 1942 e 1946 a LC iniciou a publicacao do 
seu famoso catalog° de fichas impressas Library of 
Congress Catalog of Printed Cards, em cento e ses-
senta e sete volumes — incluindo o acervo de fichas 
catalogadas desde o inicio de sua Central ate 1946 —
que passou a ser o melhor instrumento de pesquisa 
em catalogacao para a maioria das bibliotecas de 
todos os paises. 
Sempre atualizado por meio de suplementos 
acumulados, este catalog° veio resolver os problemas 
de espaco e de economia de mao-de-obra, necessarios 
anteriormente, para alfabetar e arquivar as fichas 
recebidas da LC. A partir de 1952, quando comecou 
a incluir as fichas recebidas pelo Catalog° Coletivo 
Nacional, passou a chamar-se "National Union Ca-
talog", mais conhecido por NUC. 
Em 1948 Ralph Ellsworth apresentou a LC um 
plano — conhecido pelo seu nome — onde sugeria 
que ela se tornasse uma agencia de catalogacao 
centralizada para todo o pais. Sua ideia era que 
todas as bibliotecas cooperantes enviassem a LC as 
copias das suas papeletas de encomenda. Ao recebe-
rem os livros, tambern, as respectivas fichas ja deve-
riam estar impressas pela LC. Este servico seria 
financiado pelas pr6prias bibliotecas, incluindo nao 
so o prep de custoda catalogacao, como tambern a 
impressao e distribuicao das fichas. Por ter sido 
considerado impraticavel, nao chegou a ser posto em 
execuc ao. 
A partir de 1951, as fichas da LC passaram a ser 
mais difundidas devido a inclusao dos seus ntimeros 
de impressiio (numero de identificacao da ficha no 
estoque) nos catalogos de varios editores, bem como 
no verso da pagina-de-rosto da maior parte dos livros 
publicados nos Estados Unidos. 
A divulgacao destes numeros reduziu o preco da 
ficha, facilitando sua encomenda pelo numero de 
imp ressao. 
A partir dessa epoca a LC vem procurando 
servir cada vez melhor seus usuarios, atraves de uma 
serie de programas, alguns atualmente corn reper-
cussao internacional. 
Em 1953 foi criado o "All-the-Books Program", 
corn a finalidade de conscientizar o comercio livreiro 
do valor de sua contribuicao, ao enviar a LC uma 
copia dos livros antes de serem impressos, colaboran-
do para que as bibliotecas pudessem receber as 
fichas a eles correspondentes logo apos a sua publi-
cacao. 
Tentando facilitar cada vez mais os trabalhos 
desenvolvidos no processamento tecnico das colecOes, 
em 1958 a LC iniciou urn piano experimental de 
catalogacao-na-fonte, chamado CIS (Cataloging-in-
source), sob a direcao de Andrew Osborn, que, devi-
do a sua importancia, sera estudado em outro capi-
tulo (ver Cap. 2, 4.6). Em 1961 outro programa, 
"Cards-for-Books", tentava mais uma vez interessar 
livreiros na divulgacao simultanea do livro corn a 
98 99 
ficha impressa a ele correspondente. Havia uma dife-
renca em relacao ao plano anterior: as fichas impres-
sas seriam remetidas aos livreiros e distribuidas corn 
os livros. Plano semelhante já havia sido tentado, 
infrutiferamente, no seculo XIX (ver 4.3.). 
A partir de 1965 sua Central de Catalogacao 
projetou-se mundialmente atraves de tees grandes 
program as considerados como capazes de resolver o 
problema dominante da epoca moderna — a total 
compatibilidade de informaciies bibliograficas — e 
de atingirem o Controle Bibliografico Universal (ver 
Cap. 3): 
a) o ressurgimento da catalogacAo-na-fonte, tam-
tambem chamada CIP (cataloging in publication) 
(ver 4); 
b) a catalogacao compartilhada ("shared cata-
loging") (ver 3); 
c) o MARC II (ver Cap. 4, 2.4-5). 
A LC comunicou, na Conferencia anual da ALA 
em Detroit (1977), que em 1980 pretende interrom-
per os servicos prestados por seus catalogos, a fim de 
adotar o AACR e abandonar assim sua politica de 
superimposicao. 
2.3 URSS 
Na Uniao das Republicas Socialistas Sovieticas, 
a catalogacao centralizada é subvencionada, planifi-
cada e dirigida pelo governo e considerada de grande 
importancia nas atividades culturais nacionais. 
Abrange todos os tipos de documentos, e é realizada 
por inumeras e diferentes bibliotecas: 
— Biblioteca da Academia das Ciencias 
100 
— Biblioteca de Lenine (Biblioteca Nacional da 
URSS) 
— Biblioteca Nacional de PublicacOes Estran-
geiras 
— Biblioteca Publica Nacional de Ciencia e 
Tecnologia 
— Camara do Livro da URSS 
— Camara do Livro das Republicas da Uniao 
— Comissao de Normas, Medidas e Instrumen-
tos de Medidas da URSS 
— Instituto Central de Informacoes sobre Pa-
tentes e Pesquisas Tecnicas Economicas 
— Instituto cle Informacoes Cientificas e Tecni-
cas da URSS (VINITI) 
— outros institutos de pesquisa. 
Em 1925 foi criada a Oficina de Catalogacao 
Centralizada, corn o encargo de imprimir fichas para 
as publicacties russas correntes, servico atualmente 
realizado pela editora Kniga. 
Pela primeira vez, as fichas obedeceram a uma 
uniformizacao de normas de entrada descritiva, cop 
o tamanho padrao de 12,5 x 7,5 cm. 
Dois anos depois, a Camara do Livro do Estado 
— hoje da URSS — iniciava a impressao da produ-
cao corrente nacional, entrando a Academia das 
Ciencias nesse esquema a partir de 1937. 
Em 1949, a Biblioteca de Lenine comecou a 
imprimir fichas, apresentando um melhor aspecto na 
disposicao dos seus dados, que incluiam numero da 
CDU e de Cutter adaptados aos caracteres cirilicos, 
cabecalhos de assunto, excluindo apenas entradas 
101 
secundarias. Na determinacao das entradas, usavam 
regras unificadas. A fim de atender aos diferentes 
interesses das bibliotecas regionais, municipais, ru-
rais, escolares e infantis, as fichas eram impressas 
em varias series, incluindo as obras relevantes dos 
assuntos de suas especializacOes. Esta biblioteca 
ficou, tambem, encarregada de imprimir as fichas 
relativas ao material retrospectivo de 1708 a 1925. 
Depois de 1954, a Camara do Livro principiou 
a imprimir fichas referentes as teses doutorais, indi-
cando, apenas, o nome do autor e os dados biblio-
graficos; os cabecalhos de assunto sao incluidos, 
apenas, em Medicina, Biologia e Tecnologia, como 
parte de uma serie especial, enviada aos interessados 
mediante assinaturas. As series podem ser comple-
tas, anuais ou especializadas, e cobrem catorze dis-
ciplinas. 
A proliferacao da producao de livros e o conse-
qiiente aumento das colecoes levaram a URSS a 
imprimir, em 1955, fichas para livros estrangeiros — 
exceto para traducoes de obras publicadas em russo 
— inicialmente destinadas, apenas, a Biblioteca de 
Lenine. A partir de 1956, ficaram disponiveis para 
qualquer outra biblioteca. Sua redacao obedecia a 
uma rigorosa pesquisa bibliografica, e a composicao 
tipografica era aproveitada para imprimir, tambem, 
urn Boletim Informativo em tres series, que divulgava 
as novas aquisicaes no campo da Fisica, Materna-
tica, Quimica, Geologia e Tecnologia. Os titulos 
apresentavam a traducao em russo e as vezes um 
pequeno resumo. 
As bibliotecas podiam recortar os dados biblio-
graficos, e colando-os em fichas, coloca-los imediata-
mente nos catalogos. 
Em 1956, a Biblioteca Nacional de Literatura 
Estrangeira da URSS comecou a produzir fichas 
para material estrangeiro no campo da Ciencia e 
Tecnologia, enviando sua producao a trezentos e 
oitenta bibliotecas da URSS e a outras pertencentes a 
paises socialistas. As fichas incluiam tambem a nota-
cao de classificacao usada pela propria Biblioteca, 
uma analise do assunto e o titulo em russo. 
Desde 1960, a Biblioteca Nacional de Publica-
goes Estrangeiras imprime fields para artigos sobre 
Biblioteconomia e Documentacao, Fisica, Quimica, 
Matematica e Biologia. Nelas sac, incluidas a notacao 
da CDU e o titulo traduzido para o russo. 
A partir de 1963, a Biblioteca do VINITI iniciou 
a impressao de fichas para livros tecnicos — publica-
dos em todos os paises no formato internacional e in-
cluindo os nUmeros da CDU, uma analise da obra e o 
titulo traduzido em russo. Trabalho semelhante é 
feito, tambem, pela Biblioteca Publica Nacional de 
Ciencia e Tecnologia. 
A area do material nao-impresso comecou a des-
pertar a atencao da URSS a partir de 1956, quando a 
Biblioteca de Lenine passou a imprimir fichas para 
material cartografico (em russo), mapas estrangeiros 
e partituras musicais da Uniao Sovietica, estenden-
do-se depois as normas nacionais, obedecendo as 
da ISO. 
0 Instituto Central de Informacao sobre Paten-
tes e Pesquisa e a Biblioteca da Uniao Sovietica para 
Patentes e Pesquisas Tecnicas, depois de 1962, ini-
ciaram a impressao de fichas para certificados de 
invencOes e patentes obtidos na URSS. 
A partir de 1964, a Academia de Ciencias da 
URSS principiou a imprimir fichas para mapas geo-
graficos e revistas cientificas. 
102 103 
Atualmente, muitos dos institutos da URSS 
estao imprimindo fichas para resumos de artigos, de 
interesse para bibliotecas e centros de documentacao, 
nos mais variados assuntos tecnicos e cientificos. 
2.4 Reino Unido 
A catalogacao centralizada na Gra-Bretanha 
comecou corn urn servico — que durou pouco mais 
de urn ano — realizado pela firma Harrods de Lon-dres, atraves de seu "Library Supply Department", 
imprimindo fichas semelhantes as da LC. 
Em 1949 foi criado o "Council of the British 
National Bibliography Ltd.", corn a finalidade de 
editar a British National Bibliography, que princi-
piou com uma lista semanal de livros correntes publi-
cados em lingua inglesa. Este Conselho inclui repre-
sentantes do Museu Britanico, Library Association, 
Publisher's Association, Booksellers Association, Na-
tional Book League, British Council, Royal Society, 
Aslib e Joint Committee of the Four Copyright Li-
braries. 
Do material incluido na "British National Bi-
bliography" eram feitas fichas para venda — servico 
que durou de 1956 a 1969 — atraves de urn processo 
que eliminava a necessidade de se manter um es-
toque. 
Elas eram datilografadas em carbono, colocadas 
numa moldura de papelao resistente, e arquivadas. 
Sempre que solicitadas, eram duplicadas em apare-
lhagem especial. 
As fichas incluidas na "British National Biblio-
graphy" sao catalogadas de acordo com as normas 
estabelecidas pelo AACR, a partir de 1968, e classifi-
cadas pelo sistema de Dewey. Depois da colacao, sao 
indicados o preco da obra, a bibliografia, o indice — 
quando existentes — e o ISBN. A pista nao é indica-
da, porque os assuntos e fichas secundarias apare-
cem na bibliografia em ordem alfabetica, da mesma 
forma que num catalog° dicionario: por autor, titulo 
e assunto. 
Suas fichas impressas, que cobrem o material 
depositado no Museu Britanico por contribuicao 
legal, nao sao usadas pela maioria das bibliotecas 
inglesas. A maior incidencia &luso é verificada em 
bibliotecas publicas. 
Em 1966, a "British National Bibliography" foi 
escolhida pela LC para fazer parte do plano experi-
mental de catalogacao compartilhada, como a pri-
meira biblioteca cooperante estrangeira. Semanal-
mente suas fichas sao enviadas ao EscritOrio da LC 
em Londres, e remetidas a Washington para impre-
sao e distribuicao. 
Em 1969, a catalogacao centralizada passou a 
ser feita por computador, atraves do projeto UK/ 
MARC II. 
E interessantes notar que existem inumeras dife-
rencas entre os servicos de catalogacao centralizada 
da LC e os da "British National Bibliography". 
Nesta, a catalogacao é mantida por uma entidade 
que inclui representantes de muitas outras, e surgiu 
muito tempo depois de publicada a bibliografia, 
incluindo apenas material publicado em lingua ingle-
sa. No servico da LC — biblioteca nacional america-
na — o servico de fichas impressas ja existia ha mais 
de quarenta anos antes da decisao de reproduzi-las 
em forma de livro, e inclui nao so as fichas do seu 
acervo mas tambem urn grande numero de obras 
estrangeiras. Esta é a maior diferenca entre os dois 
servicos, aparentemente semelhantes. 
105 104 
Rgaigagiazza====_._ 
2.5 Outros paises 
Os servicos de catalogacao centralizada ou coo-
perativa existentes estao a cargo das bibliotecas 
nacionais, por sua funcao especifica de depositarias 
das obras publicadas em ambito nacional. A literatu-
ra sobre o assunto é muito escassa, e por esta razao 
Dorothy Anderson' menciona a possibilidade de a 
Unesco patrocinar um novo levantamento, semelhan-
te ao realizado por Giljarevskij.' Assim, havers 
condicOes de se conhecer as alteracities introduzidas 
nos servicos de catalogacao apos a Conferencia de 
Paris e a RIEC. 
A obra de Giljarevskij, embora desatualizada, 
serviu de base para os dados que se seguem. 
2.5.1 Canada 
Atraves de urn programa assistencial do governo 
as bibliotecas pUblicas, a catalogacao centralizada é 
realizada por diversas centrais, onde fichas sao ad-
quiridas para manutencao de catalogos. 
Essas fichas sac) reproduzidas por variados pro-
cessos, como datilografia, impressao, offset, Addres-
sograph, Varytyper e Multilith. 
0 sistema de classificacao adotado é o de Dewey, 
e as regras de catalogacao as do AACR. 
A Biblioteca Nacional do Canada, responsavel 
pela "Canadiana" (bibliografia nacional desse pais) 
nao adotou o esquema de impressao de fichas para 
venda, mesmo depois de 1970, quando iniciou a 
mecanizacao de sua producao bibliografica atraves 
do Canadian/MARC. 
106 
2.5.2 Franca 
A catalogacao centralizada a feita pelo "Service 
d'Information Bibliographique", da "Direction des 
Bibliotheques et de la Lecture Publique", que inclui 
publicacoes estrangeiras destinadas as bibliotecas 
universitarias e especializadas. 
As bibliotecas universitarias francesas permu-
tarn entre si as teses defendi4as em suas universi-
dades e nas da Belgica, Finlandia, Suecia, Holanda, 
Noruega, Suica e Dinamarca. Por esse motivo, as 
teses sao catalogadas e suas fichas reproduzidas e 
distribuidas entre as bibliotecas universitarias e cien-
tificas desses paises. 
0 sistema de classificacao adotado é a CDU, e as 
fichas reproduzidas por datilografia ou offset. 
2.5.3 Australia 
Em 1967 foi criado urn servico de fichas impres-
sas pela Biblioteca Nacional da Australia, incluindo 
o material arrolado na Australian National Biblio-
graphy. 
A permuta de fichas é feita pelas bibliotecas 
universitarias do pais e bibliotecas nacionais de ou-
tros paises, principalmente entre a LC dos Estados 
Unidos, a Academia de Ciencias da Russia, a Biblio-
teca Nacional do Canada e a Biblioteca do Congresso 
do Japao. 
2.5.4 Republica Democratica Alema 
A catalogacao centralizada a distribuida entre 
varias bibliotecas de acordo com o tipo de material. 
107 
UFRJ/CCJE 
Bibliotetm Euakio Gudirr 
Em Leipzig, a Deutsche Bilcherei imprime as 
fichas de livros nacionais e estrangeiros e difunde 
aquelas impressas pelo "Leipziger Titeldrucke". 
Em Berlim, a "Deutsche Staatsbibliothek" —
que funciona como uma central de catalogacao coo-
perativa — imprime o material estrangeiro recebido 
por cinco bibliotecas alemas, que por sua vez é 
distribuido pelo "Berliner Titeldrucke". 
2.5.5 Republica Federal da Alemanha 
Na Alemanha Federal, a Deutsche Bibliothek, 
de Frankfurt-am-Main, ate 1963 distribuia as fichas 
incluidas na "Deutsche Bibliographie", trabalho rea-
lizado, atualmente, por uma agencia central de cata-
logacao. 
Antes da Conferencia de Paris as regras adota-
das eram as InstrucOes Prussianas. Com 
 a reformu-
lacao deste codigo, segundo os "Principios" estabele-
cidos naquela Conferencia, nao se pode afirmar — 
devido a problemas de custo de mao-de-obra para 
atualizacao dos catalogos — se as novas regras cata-
lograficas estao sendo usadas, atualmente, nas fichas 
impressas posteriores a 1961. 
108 
3. CATALOGAcA0 COMPARTILHADA 
3.1 HistOrico 
Dois grandes problemas tern sido constantemen-
te causa, ha mais de urn seculo, de enorme preo-
cupacao e de dificil solucao pare bibliotecarios: 
a) o alto custo da catalogacao, quando feita 
pelas proprias bibliotecas; 
b) o tempo decorrido entre a publicacao de uma 
obra e a disponibilidade imediata de seus dados para 
o usuario. 
Tentando soluciona-los, a LC criou em 1901 a 
catalogacao cooperativa, na esperanca de que as 
fichas impressas por sua central superassem aqueles 
problemas (ver 1 e 2.2). 
A partir de 1945, corn o crescimento assustador 
da literatura tecnico-cientifica em outras linguas — 
algumas de dificil interpretacao — sua central de 
catalogacao comecou a ter serias dificuldades em 
atualizar o processamento tecnico de suas obras, 
ocasionando uma demora de seis a oito meses entre a 
impressao e a divulgacao das fichas, principalmente 
nas areas da Ciencia e da Tecnologia. 
As bibliotecas tecnicas e principalmente as de 
pesquisa se ressentiam de nao encontrar nos catalo-
gos da LC cerca de 70% das fichas correspondentes 
as obras por elas adquiridas. 
Sentindo a gravidade do problema, a LC tentou 
acelerar sua producao catalografica atraves de dois 
projetos: 
109 
a)Plano Farmington, criado apos a Segunda 
Guerra Mundial, corn o objetivo de garantir que pelo 
menos um exemplar de cada obra publicada no 
exterior existisse no acervo de uma biblioteca ame-
ricana; 
b) "Public Law 480", atraves da qual conseguiu 
do governo autorizacao para utilizar os creditos ame-
ricanos existentes em moeda local, em certos paises, 
com a finalidade de comprar e catalogar publicacoes 
de valor cientifico e envia-las as bibliotecas america-
nas que quisessem participar desse piano. 
Apesar dos resultados positivos, nao houve pos-
sibilidade de se equilibrar a preparacao tecnica e a 
impressao das fichas devido ao nomero cada vez 
maior de obras publicadas em nivel tecnico-cientifico 
por outros paises. 
Entre as justificativas apresentadas pela LC, as 
principais eram: 
a) a impossibilidade de catalogar imediatamente 
o material tecnico-cientifico, devido a prioridade 
estabelecida para a catalogacao de seu acervo geral; 
b) o excessivo aumento de publicacOes em ou-
tras linguas, exigindo mao-de-obra altamente qualifi-
cada; 
c) a falta de cooperacao das editoras, Ilk) en-
viando corn antecedencia seus livros para serem cata-
logados, o que dificultava a distribuicao simultanea 
dos livros e das fichas impressas; 
d) a demora no recebimento do material enco-
mendado no exterior; 
e) a demora na impressao das fichas, causada 
pelo congestionamento da grafica; 
110 
f) a falta, na grafica, de tipos em caracteres 
orientais, implicando no envio das fichas para serem 
impressas nos paises de origem dos livros. 
Preocupada em atualizar a catalogacao dessas 
obras, a "Association of Research Libraries" resolveu 
desenvolver um estudo — atraves do trabalho con-
junto da LC corn outras bibliotecas interessadas no 
assunto — onde concluia que: 
a) as setenta e quatro prinoipais bibliotecas fi-
liadas a Associacao gastavam uma media anual de 
US$18,000.00 em catalogacao, quantia exorbitante, 
tendo em vista o orcamento total previsto para este 
processamento tecnico; 
b) os quarenta e sete milhoes de fichas vendidas 
pela LC a dezessete mil bibliotecas equivaliam a 
menos da metade do total da catalogacao executada 
pelas outras bibliotecas, em particular; 
c) a falta de bibliotecarios especializados, corn 
conhecimento de outras linguas alem da inglesa, era 
dificil e so poderia ser superada com uma cataloga-
cao cooperativa em nivel internacional. 
Discutidos estes pontos em varias reuniOes, um 
programa foi submetido ao Congresso, em 1964, e 
por ele aprovado como "Higher Education Act", em 
1965. Um dos itens desta lei sugeria a fusao das 
verbas destinadas as bibliotecas universitarias e de 
nivel superior, com a finalidade de aumentar suas 
colecOes bibliograficas. Os problemas decorrentes 
foram solucionados atraves da emenda "Title 11-C" 
que estabelecia: 
a) a aquisicao pela LC de todo material corrente 
estrangeiro, de interesse cientifico; 
111 
b) a catalogacao e a difusao, o mais rapid° pos-
sivel, atraves de qualquer um de seus meios em uso: 
fichas impressas, catalog° coletivo impresso ou fitas 
magneticas; 
c) a incorporacao destas obras ao seu acervo, 
caso fossem de seu interesse; ou, em caso contrario, 
permutadas. 
Em 1968, foram acrescentadas tres emendas a 
esta lei, que autorizavam a LC, como sua executo-
ra, a: 
a) adquirir varios exemplares de uma mesma 
obra; 
b) fornecer as bibliotecas interessadas, alem da 
ficha catalografica impressa, o exemplar da publica-
cao considerada indispensavel a pesquisa, como indi-
ces, bibliografias, catalogos coletivos, etc.; 
c) cobrir os gastos administrativos decorrentes 
dos servicos cooperativos estabelecidos para aquisi-
cao de obras publicadas em locais, cuja compra é 
de dificil acesso. 
Assim, teve inicio o "National Program for Ac-
quisitions and Cataloging" (NPAC), que, na reali-
dade, era uma catalogacao cooperativa internacional. 
3.2 Programa Nacional de Aquisicao 
e Catalogacilo (NPAC) 
Desde o inicio ficou estabelecido que o material a 
ser catalogado incluiria: monografias, anuarios'e atlas 
publicados em 1966 ou incluidos em bibliografias 
nacionais correntes estrangeiras desse ano; seriam 
excluidos: periOdicos, teses e materiais especiais 
("non-book materials"). 
Avaliando o volume do trabalho a ser realizado, 
a Divisao de Processamento da LC, sob a eficiente 
direcao de John Cronin, idealizou que melhores re-
sultados poderiam ser obtidos se conseguisse o apoio 
dos centros encarregados da compilacao de bibliogra-
fias nacionais. 
Na verdade, logo se verificou que o numero de 
publicacoes adquiridas pela LC era bem maior do 
que o pessoal qualificado para cataloga-las corn a 
brevidade 'de tempo desejada; 9 que a catalogacao 
compartilhada so poderia atingir suas finalidades se 
houvesse um trabalho de cooperacao internacional. 
Acordos foram estabelecidos entre varios paises, 
livreiros e bibliotecas nacionais (controladoras de 
direitos autorais), para que, segundo criterios prees-
tabelecidos, o material a ser adquirido fosse selecio-
nado e enviado, por via aerea, a LC. 
Varios escritorios regionais foram, tambern, ins-
talados com a mesma finalidade, principalmente em 
paises que nao possuiam bibliografias nacionais cor-
rentes. 
Uma analise de dezoito bibliografias nacionais 
demonstrou que, de maneira geral, todas seguiam os 
mesmos metodos descritivos. 
Durante uma conferencia informal, realizada 
em Londres em 1966, da qual participaram represen-
tantes de quatro bibliotecas nacionais europeias — 
Inglaterra, Franca, Alemanha Ocidental e Noruega 
— Quincy Munford, Diretor da LC, expos o que a LC 
pretendia alcancar para a continuidade e o exito da 
catalogacao compartilhada. Corn o apoio de todos, 
ficou decidido que ela passaria a aceitar em seus 
catalogos as entradas estabelecidas pelas bibliogra- 
fias nacionais desde que se ajustassem — inclusive na 
parte descritiva — as suas normas e as do AACR. 
Urn teste inicial foi feito corn a "British National 
Bibliography". Atraves de um escritorio estabelecido 
em Londres, os livros com as respectivas fichas eram 
enviados a LC pelo seguinte processo: 
a) os livros eram cedidos pelo British Museum; 
b) a entrada, o titulo, a imprenta, a colacdo, o 
prep e o British Book Number determinados pela 
British National Bibliography; 
c) a LC se incumbia de verificar estes dados, a 
fim de que coincidissem corn suas normas e as do 
AACR, e acrescentar os cabecalhos de assunto e os 
numeros de classificacao de Dewey e de seu proprio 
sistema. 
3.3 Implicacoes internacionais 
0 sucesso desta primeira experiencia foi tao 
grande que, imediatamente, outras foram tenta-
das.". 65. 
Atraves do estabelecimento de diversos escrito-
rios situados nos mais diferentes locais, a LC come-
cou a criar uma verdadeira rede de catalogacao. 
Alem do escritOrio de Londres, para publicacOes 
inglesas, urn outro, em Paris, ficou responsavel pelos 
livros publicados na Franca, Belgica, Suica e Holan-
da; outro em Oslo, para publicacoes dos paises es-
candinavos; em Wiesbaden, para obras em lingua 
alema; em Belgrado, para publicacoes iugoslavas, e 
muitos outros, inclusive no Brasil. 
Basicamente, a metodologia usada por todos os 
escritorios é a mesma, corn pequenas variacoes. Me- 
114 
diante urn convenio estabelecido corn paises que tem 
bibliografias nacionais, a LC recebe com anteceden-
cia a Ultima prova tipografica (boneca) destas biblio-
grafias, de onde seleciona as obras de seu interesse. 
A entrada catalografica é mantida — salvo raras 
excecoes — cabendo a LC completar e uniformizar os 
dados restantes. 
Mesmo em paises que nao possuem bibliografias 
nacionais, como inumeros paises africanos, escrito-
rios foram criados corn a mesma tfinalidade, cabendo 
a eles o levantamento e a selecao do materialadqui-
rido. 
Esses escritorios funcionam corn pessoal tecnico 
dos proprios paises em que estao localizados, ocasio-
nalmente corn a supervisao de um funcionario da LC. 
A catalogacao compartilhada é realizada por 
tres fontes de aquisicao: 
a) centros bibliograficos responsaveis pelas bi-
bliografias nacionais correntes; 
b) escritorios regionais responsaveis pela aquisi-
cao e catalogacao de obras publicadas numa deter-
minada lingua, provenientes de varios paises; 
c) escritorios regionais responsaveis pela aquisi-
ca- o de obras localizadas em paises que nao possuem 
bibliografias nacionais correntes. 
3.4 Desvantagens 
Corn este gigantesco empreendimento, a LC con-
seguiu aumentar seu acervo e as bibliotecas cientifi-
cas americanas diminuiram seu deficit de cataloga-
cao por realizar. 
115 
116 117 
Ainda assim, o trabalho despendido pela LC em 
verificar e adaptar as entradas as suas normas ou as 
estabelecidas pelo AACR (inumeros paises adotam 
outros codigos como as InstrucOes Prussianas, usadas 
em grande parte da Europa) nao oferece compensa-
cOes, e é de tal vulto que ainda nao se conseguiu 
superar o atraso na impressao de suas fichas. 
Por outro lado, é urn programa que atende aos 
paises de lingua inglesa — alem dos Estados Unidos 
— como Inglaterra, Australia e Canada, mas que 
nao conta com o apoio de outros paises para a 
compra de suas fichas impressas. 
A barreira lingilistica é a principal causa, devido 
a necessidade capital das notas especiais e cabecalhos 
de assunto precisaram ser traduzidos e adaptados, de 
acordo corn a lingua oficial usada pelo pais em que 
forem utilizadas. 
A falta de um link() codigo de catalogacao e de 
normas e padrOes internacionais contribui para a 
diversificacao de criterios na escolha da entrada prin-
cipal; isto exige pessoal altamente categorizado para 
identificar as fichas impressas com a obra em pro-
cesso de catalogacao. 
Embora o AACR tenha servido de base para 
outros codigos, e ate mesmo tenha sido escolhido por 
muitos paises — havendo mesmo uma forte tenden-
cia para se tornar internacional — outros codigos 
ainda sao usados, como as Instruciies Prussianas, o 
da Vaticana, etc., que permitem varias opcOes para a 
decisao de urn cabecalho principal, seja pessoal ou 
coletivo. 
Nem todas as bibliotecas usam os sistemas de 
classificacao de Dewey ou da LC. Embora o primeiro 
seja o mais usado, existem diferencas de notacOes nas 
diversas edicO'es. As bibliotecas especializadas prefe-
rem a CDU e, na Inglaterra, o sistema de Bliss é 
bastante usado. 
Como conciliar todas essas divergencias? 
Na realidade, embora vendidas a cerca de dezes-
sete mil bibliotecas, as fichas da LC servem, apenas, 
para a maioria, como fonte de referencia. 
Se a adocao integral da cltalogacao comparti-
lhada implica diminuicao de custo pelo menos nos 
paises onde a lingua inglesa é a oficial, o AACR 
adotado, e os sistemas de classificacao de Dewey ou 
da LC utilizados, nos demais paises o fator economia 
é quase impossivel de se obter. 
A catalogacao cooperativa, para ser usada em 
bases internacionais e para diminuir o custo do pro-
cessamento tecnico de suas colecOes, precisa ainda de 
outros recursos. 
Talvez a utilizacao do UNIMARC (ver Cap. 4, 
2.6.2) como meio universal de troca de informacOes 
bibliograficas, atraves de urn sistema mecanizado, 
possa vir a solucionar o problema e transformar a LC 
num valioso banco de dados. 
4. CATALOGA00-NA-FONTE 
Os recentes programas elaborados pela Unesco e 
pela FIAB tem como objetivo final um controle bi-
bliografico, em ambito universal. Para atingi-lo, 
ficou evidenciado que o meio mais eficiente seria a 
catalogacao da producao bibliografica no seu prOprio 
pais de origem e sua rapida permuta atraves de 
fichas impressas, fitas magneticas, bibliografias im-
pressas, etc. 
Porem, nem todas as centrais cooperativas exis-
tentes cobrem toda a producao nacional e nem todos 
os paises possuem bibliografias nacionais atualiza-
das. Muitos nem as compilam. 
Por essas razoes, aquelas entidades considera-
ram a catalogacao-na-fonte como o processo mais 
rapid° de difusao bibliografica, alem das fronteiras 
nacionais. Subvencionado pela Unesco, a Comissao 
de Catalogacao da FIAB esta realizando urn levanta-
mento sobre o assunto a fim de verificar as condi-
c•3es em que estao funcionando as centrais existentes 
e como poderao ser iniciados programas semelhantes 
em paises de diferentes niveis de desenvolvimento. 
4.1 Definicdo 
Catalogacao-na-fonte é aquela em que a ficha 
catalografica acompanha o respectivo livro, impres-
sa no verso da pagina-de-rosto, feita quando o livro 
esta ainda em fase de impressao. 
4.2 Vantagens 
Desde que obedientes a normas preestabelecidas 
e adotadas em ambito nacional, sao inumeras suas 
vantagens, dentre as quais se destacam: 
a) reducao do custo da catalogacao; 
b) economia na verba destinada ao contrato de 
catalogadores; 
c) reducao, quase que total, do minimo de 
obras catalogadas nas bibliotecas (a ficha impressa 
no livro auxilia o bibliotecario a fazer, apenas, as 
adaptacoes necessarias); 
d) solucao do problema constante de haver sem-
pre urn numero maior de livros i a catalogar do que 
catalogadores; 
e) facilidade na citacao bibliografica, na enco-
menda de fichas as centrais de catalogacao e na 
organizacao de pequenas bibliotecas sem cataloga-
dores; 
f) melhoria na qualidade das catalogacOes, uni-
formizando: entradas, parte descritiva, cabecalhos de 
assunto e numeros de classificacao (este de maneira 
restrita, pois nem todas as bibliotecas adotam um 
mesmo sistema). 
4.3 Hist6rico 
A partir de 1850, as tentativas de se colocar a 
informacao bibliogtafica no livro foram feitas apenas 
corn o intuito de divulgar seus dados na epoca de sua 
venda. 
Quem, pela primeira vez, imaginou as vantagens 
dos dados catalograficos impressos no prOprio livro 
foi Ranganathan, quase um seculo depois, quando 
em 1948, numa reuniao realizada na LC, foiconvida-
do a falar sobre a biblioteconomia na India. 0 
problema comum a todas as bibliotecas — da redu-
cao do tempo entre a publicacao de urna obra e a 
119 118 
disponibilidade imediata de seu conteudo pelo usua-
rio — tinha sido insistentemente mencionado e dis-
cutido. Ranganathan sugeriu que a LC experimen-
tasse uma ideia sua idealizada para a India, onde os 
editores foram motivados a enviar a Biblioteca Nacio-
nal Central as provas finais dos livros por eles publi-
cados para que fossem catalogados e classificados. 
No verso da pagina-de-rosto sairiam impressas as 
indicacoes de autoria e titulo e o numero-de-chama-
da. Batizou esse processo de "pre-natal" . 8 ' 
Como se ye, n'ao era ainda a catalogacdo-na-
fonte tal como seria adotada mais tarde, mas tinha o 
merito de auxiliar as bibliotecas pelo menos em dois 
pontos fundamentais: a determinacdo de autoria e do 
assunto dos livros, atraves do numero de classificacao 
o que, por certo, viria a diminuir em muito o tempo 
decorrido entre a preparacao de uma obra e a sua 
disponibilidade para o leitor. 
A brilhante ideia do bibliotecario indiano foi 
posta em pratica dez anos depois, pela LC, quando 
desde o seculo passado a solucdo de se colocar os 
dados bibliograficos no pr6prio livro ja tinha sido 
evidenciada como vantajosa, pois resolvia inumeros 
problemas ligados a catalogacao. 
Atualmente, a catalogacao-na-fonte ja é uma 
realidade em alguns paises, como se constatou na 
reunia- o realizada em setembro de 1976, em Wash-
ington, na sede da LC. 
Nesta reuniao, onde foram discutidos problemas 
comuns bem como futuros pianos relativos aos diver-
sos programas nacionais, procurou-se tambem defi-
nir a responsabilidade para o registro de obras publi-
cadas por editoras internacionais, que incluem naimprenta a localizacao de suas sedes em mais de um 
pais. 
Entre suas resolucOes, destaca-se a indicacao 
obrigatOria das iniciais CIP (Cataloging in Publica-
tion), antes da indicacao da entidade responsavel 
pela ficha catalografica impressa na obra. 
4.4 Co-edicOes 
Corn referencia a co-edicOefi em paises diferen-
tes, bem como a editoras que possuem filiais em mais 
de urn pais, foi estabelecido um acordo entre a 
Australia, o Brasil e os Estados Unidos, a fim de se 
definir a qual pais cabe a responsabilidade do CIP. 
Os termos do acordo foram os seguintes: 
a) todos os titulos produzidos dentro de Irma 
jurisdicao nacional sera. ° incluidos na CIP do pais 
cujo editor aparecer claramente mencionado na im-
prenta da pagina-de-rosto; 
b) no caso de haver mais de um local para um 
!ink° editor (ex. J. Wiley, London, New York), a 
cidade mencionada em primeiro lugar determinara a 
responsabilidade da CIP; 
c) o fato de duas editoras serem localizadas em 
dois paises diferentes significa que o livro é destinado 
a dois mercados. Neste caso, os dois paises farao a 
catalogacao-na-fonte, a fim de auxiliarem os bibliote-
carios de cada pais. 
4.5 Australia 
4.5.1 Historico 
Entre 1945 e 1950, a "Commonwealth National 
Library" (atualmente Biblioteca Nacional da Austra- 
4 , 
120 121 
 
 
lia) e a editora Angus & Robertson resolveram, de 
comum acordo, tentar uma experiencia de cataloga-
cao-na-fonte atraves de provas tipograficas das obras 
publicadas por aquela firma. A Biblioteca se encarre-
garia de preparar a entrada catalografica, e a firma 
se responsabilizaria pela impressao e distribuicao das 
fichas a qualquer biblioteca interessada em adqui-
ri-las. 
Esta tentativa nao teve sucesso devido a demora 
no recebimento pela editora das provas tipograficas, 
a ma qualidade das fichas, e ao interesse decrescente 
pelo servico. 
Mais tarde outra tentativa, conhecida como 
auto-catalogacao de livros ("self cataloging book"), 
foi feita entre 1953 e 1954 entre a editora F. W. 
Cheshire e a Biblioteca da Universidade de Melbour-
ne. A experiencia feita corn onze livros durou, ape-
nas, nove meses. As causas do insucesso foram as 
mesmas da vez anterior, embora seu principio funda-
mental fosse considerado valido." 
A iniciativa de se criar efetivamente a cataloga-
cao-na-fonte, na Australia, partiu de urn editor. 
Em 1972 a firma Butterworths, que mantinha 
excelentes relacoes corn a Biblioteca Nacional da 
Australia, sugeriu que um servico semelhante ao da 
LC (ver 4.6) fosse executado na Australia. Um proje-
to-piloto foi, entao, estabelecido entre novembro de 
1972 e junho de 1973, mas nao teve sucesso. 
Mais tarde, em 1974, a Biblioteca Nacional da 
Australia retomou o programa para todas as publica-
coes australianas, depois de urn teste feito corn trinta 
editoras. Em todas as catalogaciies deveria figurar a 
legenda "National Library of Australia Cataloguing 
in Publication Data". Em maio de 1976, noventa e 
quatro editoras cooperavam corn este programa. 
4.5.2 Material selecionado 
A catalogacao-na-fonte da Australia inclui, na 
realidade, todas as publicaciies constantes da Austra-
lian National Bibliography, como: monografias co-
merciais e academicas; edicoes novas ou revistas de 
antigas publicacOes e reimpressOles; traducOes da lin-
gua inglesa para outras linguas; trabalhos escritos 
em outras linguas publicados na Australia; material 
audio-visual. Nao inclui publicacoes seriadas, mate-
rial considerado efemero, nem separatas de publica-
cOes seriadas. 
4.5.3 Caracteristicas 
0 cOdigo adotado é o AACR, utilizando para a 
parte descritiva as normas da ISBD(M). 0 ISBN é 
incluido. 0 sistema de classificacao usado e o de 
Dewey. As indicacoes de autor, edicao, imprenta e 
colacao sao omitidas. 
4.6 Estados Unidos 
4.6.1 Historic° 
Corn uma subvencao do "Council on Library 
Resources" e com o auxilio da Biblioteca do Depar-
tamento de Agricultura dos Estados Unidos, a LC 
iniciou, entre 1958 e 1959, um projeto piloto que 
recebeu o nome de "Cataloging-in-source" ou, sim-
plesmente, CIS:" 
Realizara antes uma pesquisa junto a editores e 
bibliotecarios sobre a adocao do metodo de impres-
sao das fichas no livro, com a finalidade de: 
122 	 123 
a) testar os problemas financeiros e tecnicos 
relacionados a catalogacao, e verificar se os editores 
estavam interessados em colaborar; o teste seria feito 
corn mil titulos, niimero considerado suficiente para 
a pesquisa; 
b) verificar a reacao do consumidor, isto é, a 
utilizacao pelas bibliotecas das entradas catalografi-
cas incluidas nas publicacoes por elas adquiridas, e 
no tempo gasto no processamento e metodos usados 
na transferencia destes dados para as fichas do cata-
logo; ao mesmo tempo, investigar se isto implicaria 
na compra de fichas impressas para catalogos, e no 
custo da catalogacdo. 
Verificada sua viabilidade, o projeto teve pouca 
duracAo pois foi posto em execucao em junho de 
1958, e terminado no final de fevereiro de 1959, corn 
mil duzentos e tres livros catalogados (vinte por cento 
mais do que fora estabelecido) de cento e cinqiienta e 
sete editoras. 
Infelizmente, essa primeira tentativa real fracas-
sou devido a fatores tecnicos e financeiros, tais como: 
a) pressAo dos editores sobre os catalogadores 
da LC que, dispondo de prazo muito curto para 
catalogar, cometiam erros nem sempre considerados 
como decorrentes da falta de tempo para pesquisa, 
agravados pelas mudancas incluidas no livro depois 
de catalogado; 
b) alto custo da catalogacao, em virtude da 
necessidade da LC contratar um maior numero de 
catalogadores e classificadores qualificados; 
c) interferencia dos programas editoriais, pois 
As vezes a demora na devolucao das provas incidia 
em problemas internos nas graficas; 
124 
d) desagrado dos editores pelo acrescimo, nas 
fichas, das datas de nascimento dos autores, da 
substituicAo do pseudenimo pelo nome verdadeiro . 
 (determinadas pelas regras de autoria estabelecida 
pelo c6digo da ALA) e pelas falhas na ma determi-
nacAo dos assuntos. 
Num relatorio muito bem elaborado, publicado 
pelo "Processing Department" da LC sob o titulo 
"Cataloging-in-source experiment" sao fornecidos, 
minuciosamente, dados estatistitos e todas as outras 
causas do fracasso da CIS. 
Um inquerito posterior constatou que noventa e 
nove por cento dos bibliotecarios e a maioria dos 
editores consultados manifestaram-se a favor da con-
tinuacAo do projeto em carater permanente. 
Em junho de 1969, durante uma reuniAo conjun-
ta da Comissao de Recursos e Servicos Tecnicos da 
ALA e do Conselho Americano de Editores de Livros 
(atualmente Associacao dos Editores Americanos), 
em Atlantic City, onde foram discutidos problemas 
relacionados a aquisicao de publicacties, concluiu-se 
que a principal falha era da LC, por nao ter a 
disposicdo de seus usuarios fichas impressas de pu-
blicac -Oes recentes para venda imediata. 
W. Carl Jackson sugeriu, corn agrado geral, que 
urn novo estudo fosse feito sobre a CIS. Foi eleita 
uma comissdo, sob a direcao de Vernon Clapp, para 
apresentar um novo projeto a ser discutido no proxi-
mo encontro que se realizaria em janeiro de 1970. 
Como conseqiiencia de uma analise das razties 
que interromperam a CIS, de um projeto baseado em 
sugesthes e estimativas de custo (a realizar-se em 
carater permanente) e de uma pesquisa feita atraves 
de questionarios distribuidos aos editores (em que 
125 
1 
estes manifestaram por escrito o desejo de colaborar 
no novo projeto) foram tomadas inumeras medidas 
para que os erros anteriormente cometidos nAo fos-
se m repetidos. 
4.6.2 "Cataloging-in-Publication" (CIP) 
Finalmente, em junho de 1971, a LC anunciou 
que tinha recebido uma subvencao de duzentos mil 
Mares das entidadespatrocinadoras — "Council on 
Library Resources" e "National Endowment for the 
Humanities" — para iniciar por urn periodo experi-
mental de dois anos a "Cataloging-in-Publication" 
ou simplesmente CIP (catalogacAo-na-fonte). De ini-
cio contou corn a colaboracAo de vinte e sete editoras. 
Terminado o prazo, e tendo em vista o exito alcan-
gado, a CIP continua sendo desenvolvida com os 
recursos da prOpria LC. Atualmente cooperam no 
programa mais de mil editoras, inclusive de alguns 
orgAos oficiais e de universidades. Ate setembro de 
1976 mais de setenta e sete mil titulos foram proces-
sados, calculando-se, atualmente, uma media de 
vinte e cinco mil titulos por ano. 
As obras catalogadas na fonte sdo registradas 
nas fitas do MARC, por ocasiAo da restituicAo do 
material aos editores, e aparecem no Weekly Record 
do Publisher's Weekly, quatro semanas antes do livro 
ser publicado. 
As obras processadas na LC tem prioridade na 
catalogacao, e incluem a informacao "Library of 
Congress Cataloging in Publication Data". 
4.6.3 Caracteristicas 
A catalogacao é simplificada e inclui o nome do 
autor, o titulo resumido, cabecalhos de assunto, en- 
126 
tradas secundarias, numeros-de-chamada da LC, nu-
meros de classificacao da LC e de Dewey, o numero 
da ficha impressa pela LC e o ISBN, se fornecido 
pelo editor. 
Os editores recebem informacOes sobre a CIP 
atraves de "Notes on cataloging in publication" e 
"CIP progress report". 
4.7 URSS 
4.7.1 Hist()rico 
Na Unido das Republicas Socialistas Sovieticas a 
catalogacao-na-fonte é largamente difundida desde 
1959, quando foi publicada a primeira regulamen-
tag -do sobre o assunto. Chama-se "Pre-publicacAo da 
catalogacao" e aplica-se nAo so a livros como a 
qualquer outro tipo de material bibliografico. 
4.7.2 Caracteristicas 
As normas especificam que: 
a) as fichas devem ser impressas no verso da 
pagina-de-rosto; 
b) os livros destinados as bibliotecas publicas 
devem incluir o numero-de-chamada no canto supe-
rior a esquerda do verso da pagina-de-rosto. Estes 
livros sAo aqueles publicados pelos editores de Mos-
cou e Leningrado para edicoes com tiragem superior 
a oito mil exemplares, e publicados por editores 
locais seja qual for sua tiragem. 0 numero-de-cha-
mada consiste em urn numero de classificacao basea-
do na Ultima edicAo da Tablits bibliotechnoi; Klassi-
fikatsii dlia massovykh bibliotek (Tabelas de classifi- 
127 
cacao para bibliotecas publicas) e de urn numero de 
autor da tabela de Cutter; 
c) as publicacOes as quais foram atribuidas, 
tambem, uma notacao da CDU, devem indica-la logo 
depois do numero-de-chamada; 
d) os livros cientificos e tecnicos devem incluir 
a notacao da CDU no canto superior esquerdo do 
verso da pagina-de-rosto; 
e) os livros vendidos por livreiros devem incluir 
outro tipo de classificacao, colocado no canto inferior 
esquerdo do verso da pagina-de-rosto. Este numero é 
baseado no Edinaia skhema klassifikatsii literatury v 
knigotorgovoi seti (Sistema de classificacao padro-
nizado para o comercio livreiro), publicado pela pri-
meira vez em 1965; 
f) cada livro destinado as bibliotecas publicas 
deve possuir urn modelo da ficha colocado na parte 
inferior da pagina-de-rosto ou no final do livro, 
ficando excluidos dessa obrigatoriedade os especiali-
zados em Literatura Infantil, Arte, e aqueles cuja 
disposicao da ficha interfira na parte artistica da 
publicacao; 
g) ficam desobrigados de apresentar cataloga-
cao-na-fonte os livros cujas editoras fornecam fichas 
impressas a epoca da publicacao dos mesmos e os 
livros adquiridos por bibliotecas que tenham uma 
central que forneca, simultaneamente, fichas im-
pressas; 
h) monografias cientificas devem apresentar, 
tambem, resumos impressos no verso da pagina-de-
rosto. 
Na Conferencia Cientifica sobre Catalogacao 
realizada em Moscou, em 1965, foi solicitada uma 
128 
revisdo nas entradas catalograficas das bibliografias 
impressas a fim de que apresentassem o maxim° de 
compatibilidade corn as fichas catalograficas. 
4.8 RepUblica Federal da Alemanha 
4.8.1 Historic° 
Em novembro de 1973, os participantes da Reu-
niao sobre o Potencial e as LinfitacOes dos Servicos 
Centrais da Deutsche Bibliothek decidiram estabele-
cer a catalogacao-na-fonte na Alemanha, sob a res-
ponsabilidade daquela biblioteca. 
No inicio de 1974, a Deutsche Bibliothek, im-
pressionada corn o progresso da CIP na LC, iniciou 
um projeto-piloto contando, apenas, corn a participa-
cao de uma editora. Seis meses depois, no entanto, 
os resultados apresentados eram positivos, o que 
contribuiu efetivamente para que, corn a assistencia 
financeira da Deutsche Forschungsgemeinschaft e a 
cooperacao da Borsenverein des Deutschen Buchhan-
dels, fosse estabelecida paulatinamente, a cataloga-
cao-na-fonte. 
Durante o primeiro estagio do projeto participa-
ram vinte e sete editoras; na segunda fase, ja no 
inicio de 1975, foram convocadas todas as editoras 
interessadas em integrar o programa, aumentando 
consideravelmente o numero de participantes (atual-
mente, cerca de quatrocentas editoras)'°s 
4.8.2 Caracteristicas 
A catalogacao-na-fonte segue as normas alemas 
do "Regeln fiir die Alphabetische Katalogisierung" 
(RAK), incluidas na "Deutsche Bibliographie: Neuer- 
129 
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