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Este livro consiste no resul-
:Jo do trabalho de Elza Lima e
Iva Maia (responsavel pela Bi-
ioteca do Instituto Brasileiro
Informagao em Glenda e
cnologia), herdeira dos ma-
iscritos de Alice Principe Bar-
por ocasiao de seu faleci-
anto em fevereiro de 1975.
;One num so documento in-
rmagOes que existiam e ainda
istem de forma esparsa. Urn
grandes meritos desta obra
que, pela primeira vez, fica
gistrada para a posteridade a
stOria da Catalogagao no Bra-
, vivida pela prOpria autora.
em deste, os principais te-
as referentes as atividades da
ttalogagao sao apresentados,
Is como: o panorama interna-
)nal, inclusive do ponto de
eta histOrico, daquelas ativi-
des; consideragoes sobre as
Gras e principais cOdigos de
talogagao (ALA, Instrugoes
ussianas, Vaticana, Anglo-
nericano); os diversos tipos
programas de catalogagao
)operativa, centralizada, corn-
rtilhada, na fonte); o Contro-
Bibliografico Universal e seus
droes (ISBDs, ISBN, ISSN,
4RC, UNIMARC) e suas de-
rrencias em nivel nacional,
mo o CALCO.
BNG/BRASILART
Trata-se de um livro
indispensavel a atualiza-
cao dos conhecimentos
dos bibliotecarios, alem
de constituir valioso
au-
xil aos profe
catalogacao e
fonte de ensi
para os alunos
documentagio.
•
BARBOSA
Nasceu Alice Principe Barbosa
em 1919 na cidade do Salvador,
Estado da Bahia. Graduou-se em
1941 pelo Curso de Bibliotecono-
mia da Biblioteca Nacional. lniciou
suas atividades profissionais em
1942 como Bibliotecario-Auxiliar da
Biblioteca Nacional. Em 1943 é
aprovada em concurso pUblico rea-
lizado pelo antigo Departamento
Administrativo do Servigo Public°
— DASP, para exercer as fungOes
de Bibliotecario. Em 1945, durante
6 meses, estagiou na Card Division
da Library of Congress. Apes esse
estagio, em 1946 é encarregada de
reorganizar o Servigo de Intercam-
bio de Catalogagao — SIC, que
epoca pertencia ao DASP.
Em 1954, foi criado o Institute
Brasileiro de Bibliografia e Do-
cumentagao — IBBD, que passou a
ser responsavel pelas atividades do
SIC. Alice vem a integrar a equipe
desse Institute, exercendo as fun-
goes de Bibliotecario durante qua-
se 21 anos, e chegando a ocupar os
cargos de Diretora do Servigo de
InformagOes Tecnico-Cientificas e
Diretora do Servigo de Intercambio
de Catalogagao. No SIC, em 1962,
comegou a coordenar a preparagao
de uma Lista Gera! de Cabecalhos
de Assuntos em lingua portuguesa,
que vem sendo publicada ate hoje.
Suas atividades de magisterio se
iniciam em 1960 como Professora
de Catalogagao e Classificagao nos
cursos promovidos pelo IBBD, as-
sociagOes de classe e instituigoes
governamentais para reciclagem de
pessoal e preparagao de candida-
tos para concurso public°. Em
1962 passa a lecionar Catalogagao
e Classificagao no Curso de Biblio-
teconomia da Biblioteca Nacional
(atualmente Faculdade de Bibliote-
conomia e Documentagao da
FEFIERJ).
Na qualidade de examinadora,
participou de varios concursos
promovidos por argaos do
governo. Participou ainda das ativi-
dades da Associagao Brasileira de
Bibliotecarios, em 1962, e do Con-
selho Regional de Biblioteconomia
— 7! Regiao, no periodo 1966/
COLKAO BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTA00,
CIENCIA DA INFORMA00
Alice Principe Barbosa
Conselho de Edicao
Lydia de Queiroz Sambaquy
Hagar Espanha Gomes
Maria Beatriz Pontes de Carvalho
Maria de Nazare Freitas Pereira
• NOVOS RUMOS
Outras obras do nosso Fundo Editorial DA CATALO9A00
BASTOS, Zenobia P.S. de Moraes. Organizaccio de mapotecas.
Apresentacao de Maria Antonieta Ferraz. 1978. 115 p.
LEHNUS, Donald J. Manual de redacao de fichas catalograficas
de acordo com a ISBD(M). Traducao e adaptacao de Hagar
Espanha Gomes. Apresentacao de Maria Luisa Monteiro da.
Cunha. Edicao conjunta com a FEBAB. 1977. 76 p.
LEHNUS, Donald J. Notacao de autor; manual para bibliotecas.
Traducao e adaptacao de Hagar Espanha Gomes. Apresen-
tacao de Maria Antonieta Requiao Piedade. 1978. 83 p.
•
PrOximos lancamentos
AITCHINSON, J. & GILCHRIST, A. Manual de construcao de
thesaurus. Traducao de Helena Medeiros Pereira Braga.
VICKERY, B. C. Classiticacilo e indexaciio nas ciencias. Tradu-
cao de Maria Christina Girao Pirolla.
Organizacao, revisao e atualizacao de
Elza Lima e Silva Maia
BNG/BRASILART
Barbosa, Alice Principe, 1919-1975.
B195n Novos rumos da catalogacao / Alice Princi-
pe Barbosa ; organizacao, revisao e atualiza-
cdo de Elza Lima e Silva Maia. — Rio de Ja-
neiro : BNG/Brasilart; 1978.
(Colecao Biblioteconomia, documenta-
cao, ciencia da informacao)
Bibliografia
1. Catalogacao 2. Catalogacao — Historia
3. Catalogacao cooperativa 4. Controle Bi-
bligrafico Universal I. Maia, Elza Lima e
Silva II. Titulo III. Serie
78-0312
CDD — 025.3
025.30981
025.35
025.350981
CDU — 025.3
025.3(81)
061:025.3
061:025.3(81)
BNG/BRASILART UNIAO EDITORIAL LTDA.
Av. Presidente Vargas 633 s. 1720
Caixa Postal 494 ZC-00
20000 Rio de Janeiro, RJ
Impresso no Brasil/Printed in Brazil
UFRJ/CC,JFIBIBLIOTECA EUGENIO GUDtN
DATA:912it..
513.502
nIVrtit)MERO NO SISTEMA:
CODIGO DE BARRAS:
0- 5.3
c33S CIP-Brasil. Catalogacao-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
1978
S U M AR I O
APRESENTAcA0 15
NOTA EXPLICATIVA 21
CAPITULO 1 — PANORAMA MUNDIAL
1. PANORAMA INTERNACIONAL 23
1.1. De Panizzi a Conferencia de Paris (periodo
tradicional, 1841-1961) 26
1.1.1. Sir Anthony Panizzi 26
1.1.2. Charles C. Jewett 28
1.1.3. Charles Ami Cutter 28
1.1.4. InstrucOes Prussianas 31
1.1.5. Codigo da ALA (1. ed., 1908) 33
1.1.6. Codigo da ALA (2. ed. preliminar, 1941)
35
1.1.7. Codigo da ALA (2. ed., 1949) 37
1.1.8. COdigo da Vaticana (1920) 39
1.2. Da Conferencia de Paris a RIEC (periodo
pre-mecanizado, 1961-1969) 40
1.2.1. Conferencia de Paris 40
1.2.2. Anglo-American Cataloging Rules (1967)
46
1.3. Da RIEC ao Controle Bibliografico Universal
(periodo mecanizado, 1969 em diante) 53
2. PANORAMA NACIONAL 57
2.1. Tentativas de um codigo brasileiro 57
2.2. Codigos adotados 63
2.3. Mudancas e acrescimos ao AACR 65
CAPITULO 2 — PROGRAMAS DE
CATALOGAcA0
Y.
1. CATALOGACAO COOPERATIVA VS
CATALOGACAO CENTRALIZADA 71
1.1. Catalogaccio cooperativa 74
1.2. Catalogaciio centralizada 79
1.3. Brasil: Servico de Intercambio de Cataloga-
cab (SIC) 80
1.3.1. Historic° 80
1.3.2. Realizacties 88
2. CENTRAIS DE CATALOGACAO 91
2.1. Importancia 91
2.2. Estados Unidos 96
2.3. URSS 100
2.4. Reino Unido 104
2.5. Outros paises 106
2.5.1. Canada 106
2.5.2. Franca 107
2.5.3. Australia 107
2.5.4. Republica Democratica Alemd 107
2.5.5. Republica Federal da Alemanha 108
3. CATALOGACAO COMPARTILHADA 109
3.1. Historic° 109
3.2. Programa Nacional de Aquisicao e Cataloga-
coo (NPAC) 112
3.3. Implicaci5es internacionais 114
3.4. Desvantagens 115
4. CATALOGACAO-NA-FONTE 118
4.1. Definicao 118
4.2. Vantagens 118
4.3. HistOrico 119
4.4. Co-edicoes 121
4.5. Australia 121
4.5.1. Historic° 121
4.5.2. Material selecionado 123
4.5.3. Caracteristicas 123
4.6. Estados Unidos 123
4.6.1. Historic° 123
4.6.2. "Cataloging-in-publication" (CIP) 126
4.6.3. Caracteristicas 126
4.7. URSS 127
4.7.1. Historic° 127
4.7.2. Caracteristicas 127
4.8. RepUblica Federal daiAlemanha 129
4.8.1. Historic° 129
4.8.2. Caracteristicas 129
4.9. Canada 130
4.10. Brasil 132
4.10.1. Historic° 132
4.10.2. Fatores motivadores 135
4.10.3. Objetivos 136
4.10.4. Metodo 137
4.10.5. Criterios adotados 138
4.10.6. Controle 139
CAPITULO 3 — CONTROLE BIBLIOGRAFICO
UNIVERSAL (CBU)
1. HISTORICO 140
2. CONCEITO 144
3. OBJETIVO 145
4. ESTRUTURA 145
5. ESCRITORIO INTERNACIONAL 1466. PORQUE 0 CBU E NECESSARIO 147
7. PADROES INTERNACIONAIS DO CBU 148
7.1. AACR 149
7.2. ISBN —NUmero Internacional Normalizado
de Livros 150
7.2.1. Historic° 151
7.2.2. Estrutura 152
7.2.3. Localizacao 155
7.2.4. Objetivos e vantagens 155
7.2.5. Agencia internacional 156
7.2.6. Agencias de grupo 157
7.2.7. Brasil 158
7.3. ISSN — Milner() Internacional Normalizado
de Publicacoes Seriadas 159
7.3.1. PublicacOes seriadas 159
7.3.1.1. Definicdo 162
7.3.1.2. Titulo 164
7.3.2. 0 ISSN propriamente dito 166
7.3.2.1. Estrutura 166
7.3.2.2. Atribuicao 167
7.3.2.3. Localizacao 168
7.3.3. ISDS — Sistema Internacional de Dados
sobre Publicacoes Seriadas 168
7.3.3.1. Objetivos 168
7.3.3.2. Historic° 169
7.3.3.3. Estrutura 170
7.3.3.4. Blocos de ISSNs 172
7.3.3.5. Disseminacao dos dados 174
7.3.3.6. Brasil 175
7.4. ISBD(M) — Descried° Bibliografica Inter-
nacional Normalizada para Monografias
175
7.4.1. Historic° 175
7.4.2. Objetivos 178
7.4.3. Estrutura 178
7.4.4. Ordem dos elementos 179
7.4.5. Pontuacdo 180
7.4.6. Simbolos 181
7.4.7. Fontes de informacao 182
7.4.8. Lingua e alfabeto 183
7.4.9. Abreviaturas 183
7.4.10. Uso de maiusculas 184
7.4.11. Erros de impressao 184
7.4.12. Publicacoes em varios volumes 184
7.5. ISBD(S) — Descried° Bibliografica Interna-
cional Normalizada para Publicacoes Seria-
das 185
7.5.1. Historic° 185
7.5.2. Objetivos 188
7.5.3. Estrutura 188
7.5.4. Ordem dos elementos 188
7.5.5. Especificacdo dos elementos 188
7.5.6. Pontuacdo 189
7.5.7. Simbolos 189
7.5.8. Fontes de informacao 189
7.5.9. Outras informacOes 189
7.6. ISBD(G) — Descried° Bibliografica Interna-
cional Normalizada Gerul 190
7.6.1. Historic° 190
7.6.2.
Objetivos 191
7.6.3. Estrutura 192
7.6.4. Ordem dos elementos 193
7.6.5. Especificacdo dos elementos 193
7.6.6. Pontuacao 194
7.6.7. Simbolos 194
7.6.8. Area especifica de material (ou tipo de
publicacao) 194
7.6.9. Area de descricao fisica 195
7.7. Outros ISBDs 195
CAPITULO 4 — SISTEMAS AUTOMATIZADOS
DE CATALOGAQA0
1. ANTECEDENTES 196
2. MARC (Machine Readable Cataloging) 199
2.1. Significado 199
2.2. Hist6rico 199
2.3. Projeto Piloto MARC 202
2.3.1. Objetivo 202
2.3.2. Implementacao 202
2.3.3. Resultados 203
2.4. Sistema MARC 204
2.4.1. Finalidade e objetivos 204
2.4.2. Implementacao 205
2.5. Formato MARC II 208
2.5.1. Estrutura 209
2.5.2. Designadores de conteudo 210
2.5.3. Contelido bibliografico 211
2.6. Sistemas derivados do MARC 212
2.6.1. America Latina 212
2.6.2. UNIMARC 215
3. CALCO (Catalogacdo Legivel
216
por Computador)
3.1. Historic° 216
3.2. Metodos 217
3.2.1. Folha-de-entrada 218
3.2.2. Treinamento de catalogadores 219
3.2.3. Testes corn a folha-de-entrada 219
3.3. Estabelecimento da rede de bibliotecas 220 3.3.1. Regras catalograficas 220
3.3.2. Listas de cabecalhos de assunto 221
3.3.3. Implantacao da central de processamento
222
3.4. Objetivos 223
3.5. Situacao atual 223
BIBLIOGRAFIA 227
LISTA DE SIGLAS 237
INDICE 241
APRESENTACAO
Geralmente, os bibliotecarios, por vocacdo ou
por temperamento, se orientam para os trabalhos
tecnicos de preparaciio das colecoes reunidas, ou
para os servicos de referencia e informacclo. Especia-
lizam-se como catalogadores, ou como bibliotecarios
de referencia, passando a servir muitas vezes, como
tecnicos de informaccio.
Os primeiros se dedicam a conviver mais direta-
mente corn o mundo maravilhoso dos livros, receben-
do-os, analisando-os, separando-os segundo suas
caracteristicas especiais — assunto, forma, origem,
epoca, possiveis usuarios, linguas etc. — fazendo a
sua descricao meticulosa e registrando-os em seus
caterlogos, de maneira que sejam encontrados, fa-
cilmente, por todos aqueles que deles necessitem
para estudo, pesquisa, trabalho ou recreacclo, no
momento adequado, na ocasiiio oportuna, por qual-
quer forma que os procurem. Preferem, esses biblio-
tecarios, servir de interpretes, tomando conhecimen-
to de todos aqueles que, de algum modo, serviram a
memoria da humanidade corn poesias inspiradas,
hist-arias encantadas, memorias cientificas, informa-
cOes tecnologicas e de carater social, criacoes litera-
rias e artisticas. Familiarizam-se corn os seus nomes,
em suas verrias formas e usos; ficam informados
sobre a producuo de cada um; passam a conviver
intimamente corn eles atraves de suas biografias e
bibliografias. Adquirem conhecimentos gerais e espe-
cificos, espontaneamente, atraves desse manuseio
diario e, as vezes, bem duradouro das obras dos
artistas, professores, filosofos, escritores, tecnicos e
cientistas de todos os lugares e de todos os tempos.
15
ITRUCOE
Biblioteca
(ludirn
Enfim, tern oportunidade constante e permanente
para estudar e evoluir. Aprendem as terminologias
tecnicas, os relacionamentos logicos entre os assuntos
de todas as Ciencias e de todas as Artes e ficam
conhecendo o que foi escrito no passado e o que esta
sendo produzido no presente. Passam a ter uma
crescente informayao sobre os temas em pauta, em
termos universais, para a pesquisa e estudo, nos
varios campos dos conhecimentos.
Os bibliotecarios de referencia sao pessoas corn
pendor especial para a pesquisa bibliografica, grande
curiosidade intelectual e especial carinho humano,
in teressando-se, principalmente, em servir direta-
mente aos estudiosos e leitores, quaisquer que sejam
suas especializayOes, suas idades, ou condiyoes so-
ciais. Gostam do convivio das pessoas. Interessam-se
por seus problemas de estudo e de trabalho. Prontifi-
cam-se a servir, auxiliando os usuarios das bibliote-
cas a encontrar, de maneira rapida e eficiente, res-
postas para as suas questa-es, soluyoes para os seus
problemas. Desenvolvem-se no conhecimento das
()bras secundarias, daquelas que existem para orien-
tar os leitores no use das obras primarias, ou para
facilitar-lhes a obtenylio das informayoes e dados
que necessitam.
Em geral, os catalogadores ou indexadores tem
temperamento retraido, gostam mais de trabalhar
corn os livros do que com as pessoas; enquanto que
Os bibliotecarios de referencia preferem lidar corn
problemas concretes, que lhes sao apresentados pelos
usuarios das coleyOes bibliograficas e documentarias.
Sao pessoas extrovertidas, que gostam do contacto
hu matzo.
Ha, contudo, bibliotecarios e tecnicos de infor-
mayao que tern formayao intelectual muito completa
e capacidade psicolOgica muito abrangente, podendo
funcionar como excelentes catalogadores e otimos
orientadores de pesquisa bibliografica e de estudo.
Assim foi Alice Principe Barbosa. Entretanto, foi
como catalogadora que desenvolveu, ao maxim°, sua
capacidade de servir aqueles que servem a Ciencia.
Existe, nos Estados Unidos, urn nome-simbolo,
intimamente ligado as regras de catalogayao e a sua
divulgayao: Margaret Mann. No que se refere
Catalogayilo Cooperativa, aparecem como os vultos
maiores Charles Jewett e Charles Ami Cutter. No
Brasil, a figura mais significativa, no cenario da
Biblioteconomia e Documentayiio, por reunir todos
os dotes que caracterizaram aqueles bibliotecarios
norte-americanos, e por ter tido oportunidade de
realizar trabalho realmente notavel, e a de Alice
Principe Barbosa. Por sua atuayiio na direcao do SIC
(Servico de Intercambio de Catalogaciio), do antigo
IBBD (atual IBICT), ao qual dedicou o melhor dos
seus esforcos, grande entusiasmo e capacidade de
realizayao; pelas obras que publicou; e, principal-
mente, pela sua atuayelo como professora, na Escola
de Biblioteconomia e Documentayao da FEFIERJ e
no curso de Documentayao Cientifica do IBICT em
parias Universidades do Pais, onde, frequentemente,
como professor visitants, proferia palestras e confe-
rencias,contribuiu, de maneira relevante, para esta-
belecer uma escola brasileira, voltada para a norma-
lizaccio de metodos e processos no tratamento da
documentayao disponivel, atraves do perfeito e
fico programa de cooperayao-entre-bibliotecas.
Nao se deixava abater por dificuldades ou por
empecilhos encontrados, quer de ordem material ou
psicologica, na implementayao dos programas de
trabalho aos quais esteve devotada.
Ultimamente, vinha estudando a automayao dos
processos de catalogayao, aos quais dedicou sua tese
de Mestrado, sobre o Projeto CALCO de cataloga-
ccio cooperativa automatizada. Hoje em dia, esse pro-
grama, corn algumas modificacoes, esta fadado a vir a
16 17
ser considerado como o formato nacional para inter-
cambio de informacoes bibliograficas.
Alice Principe Barbosa foi uma criatura admira-
vel e ilustrada, que serviu corn grande modestia,
energia e coragem, pondo grande amor tanto em sua
vida profissional, como em sua vida particular. Deu
a todos que tiveram o prazer de conhece-la pessoal-
mente, bem como a tudo o que fazia, o maior
carinho e dedicacao. Profissionalmente, foi uma ex-
celente professora, notavel catalogadora e perfeita
bibliotecaria.
No comeco de sua carreira profissional, dedi-
cou-se a renovacao dos metodos e processos entao
empregados no tratamento das colec5es bibliografi-
cas, pugnando pela adocao, por parte das bibliotecas
brasileiras, do sistema de catalogacao cooperativa,
que representaria economia de trabalho e eficiencia
na organizacao e divulgacao das coleceies existentes.
Evoluindo sempre, num constante aperfeicoamento
profissional, deixou a palavra CALCO (Catalogacao
Legivel por Computador) como um estimulo especial
para as bibliotecas, mostrando que o caminho da
Biblioteconomia de hoje esto fortemente marcado por
quatro grandes fatores, que, ha vinte anos, vem
modificando inteiramente suas condic5es de tra-
balho:
- o crescente progresso das formas de repro-
grafia e de microfotografia;
- o computador empregado como veiculo de
registro e recuperacao de informacoes;
- o teleprocessamento, que facilita, de manei-
ra extraordinaria, a catalogacao cooperativa
e o intercambio entre bibliotecas;
- e, finalmente, o ultimo, mas importante,
a COOPERA(A0 entre bibliotecas, atraves
de redes e sistemas.
Na presente obra, Alice Principe Barbosa
mostra as tendencias modernas dos trabalhos de
catalogaciio, que clever& ser, ja agora, baseados em
projetos de estreita participacao interbibliotecaria,
em forma automatizada, atraves de programas esta-
belecidos por redes ou sistemas de bibliotecas. So-
mente assim sera possivel a soma das colecoes de
documentos e das obras existentes no Pais, atraves
dos catalogos dessas Bibliotecas, para levantamento
do universo de livros e documentos disponiveis, a fim
de que, perfeitamente integrados, como um so cata-
logo de uma so biblioteca, servir a toda populacao no
Brasil, por intermedio de redes de cooperacao locais,
estaduais, regionais e nacional ide bibliotecas e de
informacao.
Lydia de Queiroz Sambaquy
23 de junho de 1978
Rio de Janeiro, RJ
18 19
NOTA EXPLICATIVA
Durante muitos anos tivemos o privilegio de
conviver corn Alice Principe Barbosa, cuja figura
humana fez corn que suas atividades profissionais
adquirissem dimensoes extremamente amplas. Seu
desaparecimento prematuro, eqi fevereiro de 1975,
deixou inegavelmente uma irrecuperavel lacuna na
Biblioteconomia Brasileira.
0 presente livro visa so a trazer a piiblico um
dos diversos trabalhos que Alice deixou em fase
embrionaria, mas tambem deve ser considerado
como uma homenagem, por parte de intimeros cole-
gas, a memOria de quem tanto contribuiu para o
desenvolvimento da Catalogaciio no Brasil.
Nesta oportunidade, torna-se indispensavel men-
cionar nossa profunda gratidtio pelo forte estimulo e
colaboracdo efetiva para que este trabalho fosse leva-
do a cabo, dos colegas Ida Maria Cardoso Lima e
Maria de Nazare Freitas Pereira (que redigiram a
seciio referente ao MARC e CALCO), Hagar Espa-
nha Gomes, Jannice Monte-MOr, Licia Carvalho Me-
deiros, Maria Beatriz Pontes de Carvalho, Maria
Luisa Monteiro da Cunha, Philippe Damian e Regi-
na Carneiro.
Elza Lima e Silva Maia
21
CAPITULO 1
PANORAMA MUNDIAL
1. PANORAMA INTERNACIONAL
I
0 estabelecimento de regras para redacao de
fichas catalograficas decorre da necessidade da orga-
nizacao uniforme de catalogos para bibliotecas.
A historia da catalogacao, obscura em seu ini-
cio, so registra interesse por alguma normalizacao,
principalmente de entradas, depois do seculo XVI.
Ate essa epoca, as regras existentes nao tinham
a finalidade de se constituirem em um codigo, e
tampouco foram determinadas por bibliotecarios;
mas sim por livreiros e bibliOgrafos, interessados,
apenas, na compilacao de seus catalogos e biblio-
grafias.
A importancia da estrutura dos catalogos de
bibliotecas, apesar de já evidenciada naquele seculo
por Andrew Maunsell, Conrad Gesner e outros, so
foi realmente definida no sec. XIX por Charles Ami
Cutter, em sua obra Rules for a dictionary catalog. 34
Nela, Cutter enfatizava seus objetivos e functies, afir-
mando: "0 catalogo deve ser o instrumento que
permita:
a) encontrar urn livro do qual se conheca o
autor, o titulo ou o assunto;
23
b) mostrar o que existe numa colecao de um
determinado autor, ou sobre uma determinada edi-
cao de uma obra".
No seculo XX, precisamente em 1961, como
resultado da Conferencia Internacional sobre Princi-
pios de Catalogacao, em Paris, foi publicada uma
Declaraciio de Principios, na qual, em seus itens 2 e
3, as funciies e a estrutura dos catalogos, corn peque-
nas diferencas, foram as mesmas expostas por Cutter
85 anos antes.
Alem disso, embora ficasse estabelecido que os
mesmos Principios deveriam ser usados para deter-
minacao de entradas, tanto em fichas catalograficas
como bibliograficas, na realidade isto nao vem acon-
tecendo. Recentes estudos, apresentados em reuniOes
internacionais posteriores a Conferencia de Paris,
tem alertado bibliotecarios e documentalistas sobre a
urgente necessidade de uma normalizacao que nao
cause conflitos em pesquisas bibliograficas e que
permita uma rapida permuta de informacOes. Esta
foi, alias, uma das RecomendacOes da Reuniao Inter-
nacional de Especialistas em Catalogacao (RIEC),
realizada em Copenhague no ano de 1969 (ver 1.3).
A historia da normalizacao das regras catalogra-
ficas pode ser dividida, de maneira bem ampla, em
tres periodos distintos:
a) de Panizzi a Conferencia de Paris (periodo
tradicional);
b) da Conferencia de Paris a RIEC (periodo
pre-mecanizado);
c) da RIEC ao Controle Bibliografico Universal
(CBU) (periodo mecanizado).
24
0 primeiro deles, abrangendo um espaco de
tempo extremamente longo, foi marcado, a partir do
seculo XX, pela predominancia de dois c6cligos — o
da ALA (American Library Association) e as Instru-
goes Prussianas — que exerceram, por mais de ses-
senta anos, consideravel influencia em varios paises.
Segundo Michael Gorman em seu artigo A-A
1967: the new cataloguing rules, 52 este foi urn perio-
do estatico, porque de Panizzie Cutter ate Lubetzky
— segundo ele "os tres genios da Catalogacao" —
nada mais foi feito a favor de regras mais intuitivas,
que se tornassem compativeis corn o conhecimento
dos usuarios do catalog°.
A lideranca da Library of Congress (LC) dos
Estados Unidos, no campo da catalogacao coopera-
tiva, contribuiu para que o use do COdigo da ALA
fosse mais difundido do que as InstrucOes Prussia-
nas, embora nunca tivesse recebido por parte dos
catalogadores americanos uma total aprovacao. As
inumeras criticas que recebeu redundaram na publi-
cacao de tres edicOes, e culminaramnum novo codi-
go, o Anglo-American Cataloging Rules (AACR).
Depois da Segunda Guerra Mundial, o avanco
tecnologico, originando o aparecimento de outros
tipos de documentos ern variadas formas de apresen-
tacao e contend°, causou grande impacto nos servi-
cos de processamento tecnico das colecOes bibliogra-
ficas. Os catalogadores, por sua vez, utilizando mais
tempo na elaboracao de fichas, comecaram a sentir
necessidade de um codigo mais racional, pois ja esta-
vam bem conscientizados, no final da decada de 50,
da urgencia de reformulacao das normas ate entao
25
usadas. Os movimentos realizados nesse sentido re-
sultaram na famosa Conferencia de Paris.
O segundo periodo destacou-se:
1) pela publicacao da Declaracdo de Principios,
necessaria para que uma uniformizacao de regras
existentes nos codigos pudesse ser atingida; e
2) pelo desenvolvimento de projetos automati-
zados de catalogacao como o MARC (Machine
Readable Cataloging) da LC, nessa epoca já em fase
experimental (ver Cap. 4, 2).
O terceiro periodo esta sendo profusamente co-
berto por programas internacionais, a maioria basea-
da na utilizacao do computador, visando a urn Con-
trole Bibliografico Universal.
Esses programas, apesar de nao serem implici-
tamente relacionados corn a Catalogacao, sao quase
todos dela dependentes, conforme veremos em capi-
tulos especificos sobre cada urn.
1.1. De Panizzi a Conferencia de Paris
(periodo tradicional, 1841-1961)
1.1.1 Sir Anthony Panizzi
Podemos considerar, como primeiro codigo de
catalogacao propriamente dito, as 91 regras redigidas
por Panizzi, nos meados do seculo XIX, para serem
aplicadas aos catalogos do Museu Britanico.
Publicadas em 1839 na Inglaterra, provocaram,
quando difundidas, urn movimento conhecido por
"Batalha das Regras", do qual participaram nao 56
26
bibliotecarios mas tambem usuarios do Museu e ate
membros da Camara dos Comuns.
Estas regras, aprovadas em 1841 pelos diretores
do Museu Britanico, influenciaram todos os outros
codigos subseqiientes, como os de Jewett, Cutter e
outros mais. Sua Ultima edicao a de 1936.
Entre suas principais caracteristicas destacam-se:
a) a valorizacao da paginaide-rosto;
b) a introducao do conceito de autoria coletiva,
embora de maneira vaga e imprecisa;
c) a escoiha do cabecalho de entrada de urn
autor, de acordo com a forma encontrada na pagina-
de-rosto, acatando, sempre, a vontade do autor. Este
cabecalho era determinado:
a) pelo prenome, quando preferido, segui-
do pelo sobrenome;
b) pelo titulo, no caso de obras anonimas,
seguido pelo nome do autor quando identificado;
c) pelo pseudonimo, mesmo quando o no-
me verdadeiro fosse descoberto;
d) pelo sobrenome de familia, para autores
pertencentes a nobreza.
Corn excecao da primeira — universalmente
aceita como fonte indispensavel para a identificacao
de uma obra — as outras continuam, ainda hoje,
sendo causa de estudos e, principalmente, de incom-
patibilidade de opiniaes.
Foi, ainda, Panizzi, quern adotou cabecalhos
formais como entradas principais. Por exemplo,
27
CONGRESSOS para atas e relatorios de conferen-
cias, congressos, etc.; ACADEMIAS para publica-
cOes de sociedades culturais; PUBLICAcOES PE-
RIODICAS para jornais, revistas, etc.
Estes cabecalhos formais foram transformados
por Cutter, mais tarde, em subcabecalhos de assuntos
especificos, e assim vem sendo usados ate nossos
dias.
1.1.2 Charles C. Jewett
Em 1852, Jewett publicou, para a Smithsonian
Institution dos Estados Unidos, um codigo baseado
no de Panizzi, com algumas modificacoes:
a) as obras escritas sob pseudOnimo eram cata-
logadas pelo nome verdadeiro do autor, mesmo que o
pseudOnimo fosse mais conhecido;
b) o conceito de autoria coletiva foi firmado,
adotando para entrada das publicacOes oficiais ame-
ricanas a abreviatura U.S. correspondente a United
States.
Mas a importancia de seu nome ficou funda-
mentalmente ligada a elaboracao de um catalog°
coletivo, onde pretendia reunir as informacOes sobre
colecoes existentes nas bibliotecas americanas e im-
primi-las pelo processo de estereotipia. 58 Infelizmen-
te nao conseguiu faze-1o, o que nao the tira o me-
rito de ser o precursor deste tipo de catalog°.
1.1.3 Charles Ami Cutter
A figura mais brilhante do seculo XIX — cha-
mado de "seculo de ouro da catalogacao ou da codi-
28
ficacao" — foi Cutter. Nesta epoca a normalizacao
de regras catalograficas ja era • motivo de constante
preocupacao por parte dos bibliotecarios, e desperta-
va urn interesse cada vez mais crescente pela sua
consolidacao.
Embora conhecido quase que exclusivamente
por sua famosa tabela para nomes feita em colabora-
cao com Sanborn, Cutter consagrou a existencia da
escola americana de catalogacao, ao publicar, em
1876, suas Rules for a dicti6nary catalog, " cuja
quarta e Ultima edicao em 1904, coincidiu com a
preparacao do primeiro codigo da ALA. Ate a sua
morte — ocorrida em 1903 — influenciou e colabo-
rou estreitamente na elaboracao deste codigo.
Dele nasceu a ideia das regras alternativas, prin-
cipalmente em relacao a autoria coletiva vs pessoa, e
que ate hoje sac) tao discutidas.
E comum pensar-se que Rules for a dictionary
catalog, talvez pelo seu titulo, seja uma obra que
inclua apenas regras para catalogos-dicionarios. Nes-
te sentido, ainda a considerada como uma das mais
importantes e utilizada, juntamente com a ALA rules
for filing catalog cards,' para a qual serviu de base.
No entanto, trata-se de um verdadeiro codigo,
consistindo em 369 regras que incluem normas nao
so para entradas por autor e por titulo, mas tambem
para a parte descritiva, cabecalhos de assunto, e
ainda alfabetacao e arquivamento de fichas. Sua
publicacao valeu a Cutter ininneras criticas, devido
ao excesso de minucias julgadas desnecessarias.
Entre os objetivos incluia de maneira bem clara
o estabelecimento de regras sistematicas, e a investi-
gaga° dos primeiros principios de catalogacao, obe-
decendo sempre a conveniencia do priblico.
29
Como principais caracteristicas, confirmava —
de acordo corn Jewett — a entrada pelo nome verda-
deiro do autor, mesmo para obras escritas sob pseu-
donimo, e dava liberdade de se escolher para cabe-
calho o seu nome mais conhecido.
E interessante esclarecer o que vem a ser a
conveniencia do public°, tao defendida por Cutter.
0 catalog° é, na maioria das bibliotecas, o prin-
cipal veiculo de comunicacao entre o seu acervo e os
usuarios. E o elo que une a informacao aos leitores.
Assim, podemos dizer que a Catalogacao, isto é,
o processo tecnico do qual resulta o catalog°, e a
linguagem de descricao bibliografica, que so podera
ser urn born instrumento de comunicacao a medida
que for normalizado.
Por sua vez, os catalogos sera° mais Uteis como
instrumentos de comunicacao, quando adotarem
uma linguagem padronizada, isto é, um mesmo cOdi-
go de catalogacao em ambito internacional.
Entretanto, sendo o catalog° um meio e nao um
fim, o usuario ou o public° a que se destina deve ter
o privilegio de ser convenientemente por ele atendi-
do, mesmo contrariando os preceitos aos quais estao
ligados os catalogadores.
Na pratica, atualmente, isto se torna cada vez
mais dificil. Na realidade, sabemos que uma bibliote-
ca nao possui apenas urn mas varios publicos, pois
mesmo nas especializadas persistem as diferencas
individuais de idade, cultura, interesses especificos,
etc.
Mas sempre julgamos conveniente relembrar
que o sonho de Cutter, ha cerca de oitenta anos
atras, nao se tornou uma utopia, pois, como disse-
mos anteriormente, os objetivos do catalog° por ele
preconizados foram os mesmos especificados na Con-
ferencia de Paris (ver 1.2.1).
1.1.4 Instruciies Prussianas
Elaboradaspcor homens de formacao cientifica e
filosOfica, as Instrucaes Prussianas, (Instruktionen
fur die A 1phabetischen Katalo3e der Preussischen
Bibliotheken) influenciaram e foram totalmente
adotadas nao so na Alemanha, mas tambem, na
Austria, Hungria, Suecia, Suica, Dinamarca, Holan-
da e Noruega.
Este cOdigo teve sua origem nas regras compila-
das em 1886 por Carl Dziatzko para a Universida-
de de Breslau. Modificado por Fritz Milkau, trans-
formou-se no COdigo da Real Biblioteca de Berlim,
em 1890, ate ser publicado oficialmente corn o nome
de Instrucoes Prussianas em 1899.
Mas somente em 1936 é que foi reconhecido
como um cOdigo de carater internacional, por ter
sido utilizado na compilacao do Catalog° Coletivo
Prussiano e do Catalog° Coletivo da Alemanha.
Esgotado em 1904, sua segunda edicao de 1908
coincidiu corn a primeira edicao do COdigo da ALA,
e apresentava como caracteristicas a simplificacao e a
abreviacao de entradas, principalmente pelo titulo.
Em confronto corn as regras da ALA, outros
detalhes se fizeram notar, dos quais destacamos
como principais:
a) a falta de regras para autoria coletiva. Se o
nome de um autor pessoal nao figurasse na pagina-
de-rosto, a obra era considerada anenima e catalo-
30 31
UFRJ/CCIE
Bibliotece Eugenio Gudttn
gada pelo titulo. Uma excecao se fazia para firmas
comerciais; e
b) o arquivamento de fichas pela primeira pala-
vra substantivada do titulo (palavra-chave).
Varias tentativas foram feitas pelos bibliotecarios
alem Aes, no sentido de se obter uma uniformizacao
de suas regras catalograficas corn as da ALA, inclu-
sive apOs a realizacao do Congresso Internacional de
Arquivistas, em Bruxelas, ern 1910. No entanto, essa
pretensao so foi conseguida em 1935, na cidade de
Madri, atraves de uma proposta do Diretor-Geral
das Bibliotecas da Prussia a Federacao Internacional
de AssociacOes de Bibliotecarios (FIAB)*
Constituida uma subcomissao para estudar o as-
sunto, verificou-se como primeira etapa a necessida-
de de se traduzir o codigo alemao para a lingua
inglesa. Esta tarefa coube a Andrew Osborn, biblio-
tecario norte-americano, que publicou esse trabalho
em 1938. " 0 estudo comparativo dos dois cOdigos
ficou a cargo de J. C. Hanson, obrigado a interrom-
pe-lo com o inicio da Segunda Guerra Mundial. Em
1954, durante a Assembleia de Bibliotecarios em
Bremen, novamente a revisAo das InstrucOes Prussia-
nas voltou a ser discutida. A necessidade de simplifi-
cacao das regras catalograficas já era uma exigencia
geral, tambem desejada por outros paises.
Em 1959, quando foi realizada, em Londres, a
reunido preparatoria da Conferencia de Paris, os
alemaes resolveram aguardar os resultados da Confe-
rencia para entao reformular o seu codigo, de acordo
com as conclusoes ali alcancadas.
* Atualmente Federacao Internacional de AssociacOes e InstituicOes de Biblio-
tecarios.
Baseado na Declaracdo dos Principios, o novo
codigo alemao foi publicado, levando em considera-
cdo as entradas coletivas e o arquivamento de fichas
pela primeira palavra do titulo que nAo fosse urn
artigo.
Esta adesdo da Alemanha Ocidental e de outros
paises que tradicionalmente adotavam as Instrucoes
Prussianas como codigo contribuiu para consolidar a
cooperacdo internacional no campo da bibliografia e
da catalogacao.
As InstrucOes Prussianas foram substituidas
pelas Regeln fur die alphabetische Katalogisierung
(RA K) que, autorizadas pela Associacao de Bibliote-
cas Alemaes, foram publicadas em dezembro de
1967.
Este codigo difere substancialmente das Instru-
cOes Prussianas, uma vez que passou a adotar o
conceito de autoria corporativa e o arquivo mecanico
de titulos. Suas regras sdo regidas por principios
modernos, adaptando-as ao use do computador e a
acordos internacionais.
JA esta sendo adotado pela Deutsche Bibliogra-
phie, por quase todas as novas listas de catalogos
coletivos de periodicos e pela maioria dos catalogos
de bibliotecas que operam com sistemas automati-
zados.
1.1.5 COdigo da ALA (1. ed., 1908)
Este COdigo teve sua origem em urn trabalho
apresentado numa conferencia anual da ALA, com o
titulo de Cond.'nsed rules for an author and title
catalog, 29 publicado pela primeira vez na revista Li-
32 33
gos, ambos foram muito utilizados, respectivamente,
na America e na Europa.
brag Journal, em 1883; e mais tarde incluido na ter-
ceira edicao do codigo de Cutter, em 1891.
Nao podemos deixar de destacar a valiosa e
intensa colaboracao que a ALA vem prestando a LC
nos estudos relativos a Catalogacao e a Classificacao,
desde 1876, data de sua fundacao.
Em 1901, quando a LC iniciou a impressao das
fichas catalograficas de seu acervo — posteriormente
extensiva as de outras bibliotecas americanas — a
ALA nomeou uma comissao encarregada de estudar
as normas de catalogacao adotadas por aquela enti-
dade.
Por sugestao de Melvil Dewey, e em colaboracao
com a "Library Association" da Inglaterra, algumas
foram selecionadas e publicadas em 1908 com o
titulo de Cataloguing rules: author and title entries, 23
constituindo a primeira edicao do COdigo da ALA,
como simplesmente é conhecido.
Muitas das regras anteriormente estabelecidas
por Panizzi, Cutter, Jewett, e outras da propria LC,
foram nele incluidas: algumas como regras-padrao e
outras como regras suplementares.
0 fato de ter sido apoiado por duas grandes
associacoes de classe de ambito nacional contribuiu
para que o Codigo da ALA alcancasse um status de
seriedade, sendo aceito sem reservas raiz) so nos
Estados Unidos mas tambem em outros paises, em-
bora sofrendo varias adaptacoes por parte das biblio-
tecas que o adotaram.
A data de seu lancamento coincidiu corn a se-
gunda edicao das Instrucoes Prussianas; apesar da
divergencia entre as regras capitais, destes dois codi-
1.1.6 COdigo da ALA (2. ed. preliminar, 1941)
A primeira edicao foi bastante criticada pelos
catalogadores, que tido encontraram solucoes para
seus problemas e se confundiram com o excesso de
detalhes, principalmente da party descritiva.
A ALA, reconhecendo a validade destas criticas,
organizou, em 1932 — de comum acordo com a
Library Association — uma Comissao de Revisao do
COdigo de Catalogacao, sob a presidencia de Charles
Martel, Bibliotecario da LC, encarregado de estudar
e revisar a edicao de 1908, visando a uma segunda
edicao do codigo.
No entanto, o inicio da Segunda Guerra Mun-
dial, em 1939, interrompeu a colaboracao da associa-
cao inglesa, que passou a acatar as decisOes tomadas
pela ALA referentes aos trabalhos de revisao.
Em 1941, o Codigo da ALA foi publicado como
segunda ediedo preliminar, dividido em duas partes:
Entradas e cabecalhos e Descried° do livro.
As criticas a nova edicao nao tardaram a apa-
recer.
Devido a atuacao da LC na difusao cada vez
maior de suas fichas impressas, no desenvolvimento
da catalogacao cooperativa e na publicacao periodica
e regular de seus catalogos, verificou-se a aceitacao
por parte dos bibliotecarios americanos e estrangei-
ros de sua pratica no processo de catalogacao.
34 35
Da primeira a segunda edicao um longo cami-
nho havia sido percorrido. Entretanto, os cataloga-
dores, conscientes da responsabilidade que lhes cabia
na identificacao clara e precisa das obras que come-
cavam a proliferar — principalmente em decorrencia
do avanco cientifico e tecnologico — passaram a
exigir urn c6digo que os atendesse de maneira sim-
ples e objetiva.
A critica mais famosa sobre esta situacao consi-
derada caotica é a de Andrew Osborn, no artigo The
crisis of cataloguing. Nele, chama a atencao para a
complexidade das regras incluidas na segunda edicao
preliminar, denunciando dois pontos de grande im-
portancia: o abandono de principios que asfunda-
mentassem, e o afastamento do principal objetivo da
Catalogacao: atender as necessidades dos usuarios
atraves dos catalogos.
Estas criticas tiveram tanta ressonancia que \TA-
rios paises comecaram a se movimentar no sentido de
simplificar seus codigos.
A ALA, consciente do desagrado geral manifes-
tado claramente no artigo de Osborn e da necessi-
dade urgente da padronizacao de suas regras, no-
meou uma Comissao sobre o use do COdigo, incum-
bida de corrigir as falhas existentes antes que uma
edicao definitiva fosse autorizada.
Em conseqiiencia, foi apresentado urn relatorio
que, aprovado pela Comissao de Revisao do COdigo
de Catalogacao, dividia suas recomendacoes em duas
partes: uma referente a entradas, considerada satis-
fatOria; outra sobre catalogacao descritiva, que deve-
ria ser entregue a LC para que fosse feita uma
revisao de acordo com as normas por ela adotadas.
1.1.7 Codigo da ALA (2. ed., 1949)
Em substituicao a segunda edicao preliminar foi
publicada, em 1949, a segunda edicao, em dois
volumes distintos e independentes: ALA cataloging
rules for author and title entries, 4 editado por Clara
Beetle, referente a entradas e cabecalhos, e identifi-
cado como Red book devido a sua encadernacdo ver-
melha, e Rules for descriptive cataloging in the LC, 41
relativo a parte descritiva, e conhecido como Green
Book devido a cor verde de sua capa.
Este volume referente a catalogacdo descritiva
apresentou a grande inovacao, em relacao aos codi-
gos existentes, de possuir uma introducao contendo
os objetivos da catalogacao descritiva e os principios
em que se devia fundamentar sua aplicacao. Nada é
preciso dizer sobre seu sucesso. Dele existe, inclusive,
uma traducao em lingua portuguesa, por Maria Luisa
Monteiro da Cunha, divulgada pela propria LC em
1956.
Entretanto, desta vez nao ficaram satisfeitos os
bibliotecarios principalmente americanos. 0 sucesso
das regras descritivas simplificadas motivou a pro-
cura de uma solucao semelhante para a parte relativa
a entradas e cabecalhos, que permanecera inaltera-
da. Suas caracteristicas gerais eram as mesmas, as
modificacOes muito poucas, e persistiam os detalhes
dos codigos anteriores, sem a indicacao dos princi-
pios que justificassem as regras adotadas.
E, novamente, as criticas nao tardaram a apare-
cer. A LC, pela importancia do trabalho ja desenvol-
vido em sua central de catalogacao, considerou estas
criticas como de interesse nacional.
36 37
Atraves de Luther Evans, Diretor-Geral da LC,
Seymour Lubetzky foi convidado a preparar uma
analise geral da segunda edicao, principalmente em
relacao as entradas de autoria coletiva.
Lubetzky verificou que o assunto merecia uma
analise profunda e, em 1952, apresentou um relat6-
rio a Comissao de Revisao do COdigo de Catalogacao
que, julgado pela LC juntamente corn consultores
especializados em Biblioteconomia e catalogadores
de renomada experiencia, resultou na obra Catalog-
ing rules and principles: a critique of ALA rules for
entry and a proposed design for their revision. °b
Publicada em 1953, talvez seja a mais impor-
tante contribuicao do seculo XX no campo da Cata-
logacao. Reconhecida, tambem pela ALA, como de
grande relevancia, foi indicada para servir de base
para a revisao do futuro codigo, e Lubetzky passou a
ser o editor principal da ComissAo.
Na referida obra, Lubetzky critica e analisa
inumeras regras, indagando sobre a necessidade e o
valor de cada uma. Prova a fraqueza do codigo,
principalmente na inconsistencia, repeticao e arbitra-
riedade de suas normas, decorrentes, em grande
parte, da ausencia de urn piano e da organizacAo
sistematica das mesmas. 0 autor prop& uma revisao
geral enfatizando, na introducAo, que seu objetivo
era fazer um codigo baseado mais em condicoes de
autoria do que em tipo de trabalho, o que resultaria,
conseqiientemente, num ntimero menor de regras.
Conclui mencionando o custo dos trabalhos de cata-
logacao, razao da urgente necessidade de um codigo
mais simplificado e de facil aplicacao, o que certa-
mente contribuiria para a economia daqueles tra-
balhos.
Em 1960 Lubetzky publicou o Code of cataloging
rules; author and title entry. An unfinished draft for
a new edition of cataloging rules, traduzido para o
espanhol sob a responsabilidade da Uniao Pan-Ame-
ricana. 6' Embora incompleto, da uma ideia sobre o
que se poderia conseguir, em condicOes de autoria e
nao de casos especificos, com uma reducao drastica
do numero de regras. Este trabalho foi seguido por
urn outro, publicado em 1961: Additions, revisions
and changes, que contribuiu, de maneira decisiva,
para a preparacao de urn novo kodigo.
Nessa epoca, ja havia urn movimento de biblio-
tecarios, em varios paises, a procura de urn acordo
em termos internacionais. Regras mais uniformes
eram exigidas para use em centrals de catalogacao,
consideradas como a Unica solucao.para resolver o
problema da normalizacao, talvez ate em ambito
internacional.
Ranganathan, bibliotecario indiano, chegou a
advogar a criacao de urn codigo internacional, suple-
mentado por codigos nacionais que incluiriam a ter-
minologia e as peculiaridades de cada pals. Dal o
sucesso da Confere'ncia de Paris, em 1961; e o seu
reconhecimento como urn marco importante na his-
toria da Catalogacao.
1.1.8 Codigo da Vaticana (1920)
Intitulado Norme per it catalogo degli stam-
pati, foi redigido especialmente para atender a
reorganizacao da Biblioteca ApostOlica Vaticana,
no ano de 1920.
Preparado por urn grupo de renomados bibliote-
carios americanos, sob a principal responsabilidade
de John Ansteisson — noruegues de formacao ameri-
cana — baseou-se no COdigo da ALA de 1908.
4 ,
38 39
Traduzido para varias linguas, inclusive a por-
tuguesa e a espanhola, teve ampla aceitacao na Ame-
rica Latina, sendo usado ainda hoje em algumas de
nossas bibliotecas.
Sob muitos aspectos é considerado superior a
segunda edicao do COdigo da ALA, publicada na
mesma epoca da terceira edicao do Codigo da Vati-
cana (1949). Talvez seja "o melhor codigo de natu-
reza enumerativa existente, e o link() capaz de recon-
ciliar as praticas europeia e americana de cataloga-
cao", segundo Bishop.''
Seu arranjo é muito bom. Dividido em quatro
partes, inclui, alem de regras para entradas e catalo-
gaga° descritiva, outras relativas a redacao de cabe-
calhos de assunto e arquivamento de fichas, nao
encontradas em outros codigos.
1.2 Da Conferencia de Paris a RIEC
(periodo pre-mecanizado, 1961-1969)
1.2.1 Conferencia de Paris
A semente da Conferencia de Paris foi lancada
em 1954, quando o Conselho Geral da FIAB criou
urn grupo de trabalho composto por oito catalogado-
res, representantes de varios paises e de varias tra-
diceies de catalogacao. Eram suas atribuicoes:
preparar a coordenacao internacional dos princi-
pios de catalogacao, e
redigir urn relatorio sobre os principios a serem
observados no estabelecimento de entradas para
obras anonimas e de autoria coletiva.
Neste relatOrio ficou patente que, mesmo nos
codigos de catalogacao firmemente baseados em
tradicoes divergentes, como os da ALA e as Instru-
goes Prussianas, comecavam a surgir tendencias con-
vergindo para um mesmo ponto: urn crescente apoio
ao use de cabecalhos mais especificos, evitando-se os
cabecalhos geograficos e os cabecalhos formais ou
convencionais.
Concluindo, recomendava o RelatOrio "que se
deveria fazer um programa de consultas a especialis-
tas de varios paises, com prioridade para problemas
de catalogacao em geral e naoisomente para deter-
minadas categorias de publicacoes". 3° Foi esta reco-
mendacao que solidificou a organizacao da Conferen-
cia Internacional sobre Principios de Catalogacao,
corn o principal objetivo de uniformizar asregras de
entradas e cabecalhos principais.
As criticas de Lubetzky a segunda edicao do
Codigo da ALA motivaram a FIAB a realizar a
Conferencia e serviram de base as discussoes sobre o
estabelecimento de Principios. 0 planejamento da
composicao e organizacao da Conferencia, bem como
a definicao de seus objetivos e campos de acao, foi
discutido numa reuniao preliminar em Londres, em
1959.
A realizacao da Conferencia de Paris em 1961,
foi muito oportuna. Nos dois anos que a precederam,
associacCies nacionais de bibliotecarios de varios pai-
ses foram incentivadas a formar comissOes nacionais
de catalogacao, a estudar os documentos distribuidos
corn antecedencia para criticas e sugesteies, e a desig-
nar delegados com direito a voto.*
* 0 Brasil foi representado por Maria Luisa Monteiro da Cunha, e os trabalhos
por ela recebidos submetidos a apreciacao da Comissao Brasileira de Catalo-
gacao.
40
41
Entre os documentos distribuidos para estudo
pelas comissOes nacionais, incluia-se o resumo da
Declaracao de Principios. Esta, depois de revista e
discutida, secao por secao, foi votada durante a
conferencia pelos cinqiienta e tees delegados presen-
tes, que constataram que os cOdigos em use — em
face do fluxo de documentos que introduziam novos
tipos de autoria, novas formas de publicacoes, etc. —
eram antiquados ou inadequados por incluirem deta-
lhes desnecessarios ou por omitirem dados essenciais.
E, o que a mais importante, conseguiram chegar a
um acordo onde muitos principios contrariavam
frontalmente praticas estabelecidas e variadas tra-
dicOes.
Nao ha duvida de que a adesao da Alemanha e
de outros paises, tradicionalmente baseados nas Ins-
truckies Prussianas, ao aceitarem o conceito de auto-
ria coletiva contribuiu para consolidar a cooperacao
internacional no campo da bibliografia e da catalo-
gacao.
Foram resolucOes da Conferencia de Paris:
a) que os delegados e comissOes nacionais pro-
movessem, em seus paises, a maior publicidade pos-
sivel para o texto dos Principios nao so entre bibliote-
cas, mas tambem entre editoras, livreiros e autorida-
des responsaveis;
b) que paises pertencentes a mesma area lin-
gilistica deveriam elaborar seus cOdigos ou rever os ja
existentes, de acordo corn os Principios estabelecidos,
e adotar esses mesmos Principios na elaboracao de
suas bibliografias nacionais.
Como se ve, os Principios nao foram considera-
dos internacionais, devendo cada pais se encarregar
de ajusta-los as suas necessidades.
42
Os Principios estabelecidos para escolha e forma
de cabecalhos de entrada compreendem doze itens:
a) Objetivos;
b) Funcoes do catalogo;
c) Estrutura de urn catalogo,
d) Tipos de entrada;
e) Uso de entradas multiplas;
f) FuncOes dos diferentes tipos de entrada;
g) Escolha do cabecalho uniforme;
h) Autor pessoal e individual;
i ) Entrada coletiva;
j) Autoria multipla;
1 ) Obras que entram pelo titulo;
m) Cabecalhos de entrada para autores indi-
viduais.
Entre todos, o item de maior importancia e o
mais discutido na Conferencia foi o relativo a enti-
dades coletivas. A extincao da diferenca entre socie-
dades e instituicaes, predominante desde o seculo
XIX, foi de agrado geral. Mas a regra sobre autor
pessoal vs entidade coletiva nao foi bem aceita por
ter sido considerada inconsistente. Ate hoje ainda
nao foi encontrada uma solucao que correspondesse
a realidade do problema.
Lubetzky, ao analisar as regras do Codigo da
ALA de 1949, fez varias consideracOes a respeito de
entidades coletivas, valendo apenas destacar as se-
guintes:
43
"a) relatOrios e informes de uma entidade coleti-
va preparados, geralmente, por uma pessoa ou divi-
sao da entidade, dao origem a duvidas sobre a res-
ponsabilidade de sua autoria;
b) o nome da entidade coletiva impresso na
publicacao pode ser diferente de seu nome oficial;
c) nem sempre a entidade coletiva possui uma
denominacao distinta, mas sim nomes genericos co-
muns a muitas outras entidades semelhantes;
d) a entidade coletiva pode falar ou agir como
um todo, ou atraves de seus departamentos, divisoes,
comissoes, etc.;
e) algumas pessoas podem se reunir e atuar
coletivamente, sem se organizarem formalmente em
uma entidade coletiva e sem assumirem um nome
que as identifique."
Muitos dos delegados presentes a Conferencia
afirmaram que o item 9 dos Principios era uma
continuacao da linha de pensamento norte-america-
na preferindo a entrada pelo autor pessoal.
0 delegado da URSS apresentou urn trabalho
advogando que o criterio da escolha de entrada pela
entidade coletiva deveria ser feito de acordo corn o
conteudo, objetivos e carater da publicacao.
Ranganathan, representante da India, afirrnou
que o fato de uma entidade coletiva financiar, publi-
car ou aprovar urn trabalho, nao é razao suficiente
para que seja considerada autora. Sugeriu que so
deveria haver escolha de entrada pela entidade coleti-
va se sua responsabilidade fosse comprovada na obra
e nao figurasse entre os dados de autoria o nome de
uma pessoa. Caso esta indicacao conitasse da obra, o
nome da pessoa deveria ser o escolhido para entrada
44
principal, e o da entidade coletiva incluida na im-
prenta como editor. Se, entre os dados de autoria,
aparecesse o nome de uma entidade coletiva e tam-
bern o nome de uma pessoa, a entrada escolhida
deveria ser o da entidade, caso a publicacao fosse de
carater legislativo, judiciario ou executivo, ou consi-
derado como um trabaiho de rotina. Mas, se a
intencao do trabaiho fosse o acrescimo ou intensifi-
cacao de uma area do conhecimento humano, a
escolha deveria cair no nome da pessoa, membro cu
nao da entidade.
Lubetzky propos como norma que os trabalhos
editados por uma entidade so deveriam entrar para
ela se expressassem um pensamento coletivo. Como
exemplo, citava seu trabalho de critica ao COdigo
da ALA, que, apesar de determinado por um seu
superior, era de sua autoria por incluir analise e
pesquisa sobre o assunto.
A verdade é que a Regra 17 do Codigo Anglo-
Americano de Catalogacao, que se dedica a esse
aspecto, nao é satisfatOria. Sua inconsistencia dá
margem a dificuldades de aceitacao e interpretacao.
Sobre o assunto discutido — nao so durante mas
depois da realizacao da Conferencia de Paris —
sugerimos que sejam consultados os trabalhos de
Draper, Jolley, Lubetzky, Ranganathan e Vasilevs-
kaya.. MO. 100
.4 a decada de 60, o computador comecou a ser
considerado como solucao ideal para muitas servicos
realizados em bibliotecas e servicos afins, entre eles a
elaboracao de catalogos.
Em 1965 a LC lancou, em fase experimental, o
Projeto MARC — Machine Readable Cataloging —
considerado pela Organizacao Internacional de Nor-
45
malizacao (ISO) como uma linguagem padrao para
troca de informacoes bibliograficas. Quando outros
projetos semelhantes comecaram a surgir, a Catalo-
gaga° tomou urn novo rumo: o de se ajustar a
mecanizacao a fim de tornar possivel a urn livro "ser
catalogado uma Unica vez em seu pais de origem,
possibilitando um rapid° intercambio de informa-
cOes".
Por esta razao chamamos esse period() de pre-
mecanizado, pois os projetos nele iniciados, depois
de 1970 tornaram-se operacionais e passaram a ter
repercussao internacional.
1.2.2 Anglo-American Cataloging Rules (1967)
0 relatOrio apresentado por Lubetzky a Comis-
sao de Revisao do COdigo de Catalogacao da ALA
revolucionou, atraves de sua lucida e penetrante aria-
lise, os metodos ate entao usados na compilacao de
cOdigos. Portanto, nao foi surpresa o convite que the
foi feito para ocupar a direcao da Comissao, cargo
que exerceu ate 1962 quando, tendo renunciado, foi
substituido por C. Sumner Spaulding, que deu con-
tinuacao aos seus trabalhos.
Desde logo um fatoficou patente: de acordo
corn os trabalhos de Lubetzky e os principios estabe-
lecidos em Paris, urn novo cOdigo deveria ser publi-
cado, onde as inUmeras mudancas — algumas radi-
cais — nao justificariam uma nova edicao. Apenas a
parte descritiva incluida na edicao de 1949 (Green
Book; ver 1.1.7) deveria ser mantida sem modifi-
cacoes.
No periodo inicial de preparacao do novo cOdi-
go, a Comissao da ALA tomou conhecimento de que
tambem a "Library Association" da Inglaterra estava
empenhada em rever a edicao de 1949.
Acordos foram estabelecidos no sentido de coor-
denar os trabalhos das duas comissoes e de se manter
um intercambio regular dos projetos de regras e dos
assuntos e atas das discussoes.
A "Canadian Library Association" participou
tambem ativamente de todas as tarefas assumidas
para a elaboracao do novo cOdigo.
Sob a responsabilidade destas tres AssociacOes e
da Library of Congress foi publicado, em 1967, o
AACR ("Anglo-American Cataloging Rules").
Pela primeira vez, as associacOes inglesa e ame-
ricana nao chegaram a um acordo total quanto a sua
redacao. InUmeras divergencias dificultaram o esta-
belecimento de regras que satisfizessem ambas as
partes, principalmente em relacao a entidades coleti-
vas. Dal a existencia de dois cOdigos em lingua
inglesa: urn publicado na Inglaterra e outro nos
Estados Unidos. 0 codigo ingles, publicado antes do
americano, é considerado mais fiel as ideias de
Lubetzky e a Declaracao de Principios da Conferen-
cia de Paris.
As duas versoes sao suplementadas pelas seguin-
tes publicacties perioclicas: Cataloging Service Bulle-
tin, 24 para o texto americano; e Anglo-American
Cataloguing Rules Amendment Bulletin, para o texto
britanico.
Bastante infeliz foi a ideia da LC ao ter adotado,
durante certo tempo, por motivos particulares,
uma politica chamada de superimposicao. Devido a
sua grande influencia em todas as bibliotecas ameri-
canas, principalmente pelo vultoso trabalho desen-
volvido por sua central de catalogacao, a LC solicitou
e conseguiu da ALA autorizacao para continuar
mantendo em seus catalogos as fichas de entidades
46 47
UFRJ/CCJE
Biblioteoa Eugenio Gudim
coletivas com cabecalhos determinados pelo antigo
criterio de catalogacao, em oposicao as regras estabe-
lecidas no Capitulo 3 do AACR relativas a entidades
coletivas. Por isto, o antigo critetio foi mantido no
texto americano (regras 98 e 99) e quase afetaram
negativamente programas internacionais em fase de
desenvolvimento e execucao, como o MARC (ver
Cap. 4, 2) e a catalogacao compartilhada ("shared
cataloging") (ver Cap. 2, 3).
Felizmente, estas e outras regras estdo sendo
canceladas ou ajustadas, e a passos largos as diver-
gencias capitais das duas versOes caminham no sen-
tido de que seja estabelecido urn unico codigo, de
carater internacional, tal como vem sendo divulgada
sua proxima edicao.
0 AACR foi largamente difundido, principal-
mente depois de traduzido para outros idiomas.
Sua introducao menciona como objetivo princi-
pal "atender as necessidades das bibliotecas de pes-
quisa em geral", mas enfatiza que foi feito tambem
um esforco, na medida do possivel, para sua utiliza-
cao por bibliotecas publicas.
Regras alternativas sAo apresentadas para solu-
cionar exigencias de qualquer tipo de biblioteca,
admitindo-se, em relacdo a catalogacao descritiva,
modificacOes e adaptacOes de regras, de acordo corn
suas prOprias necessidades.
Sua aplicacao visa a todas as atividades bibliote-
conomicas, bibliograficas e livrescas, isto é, confec-
cao de fichas catalograficas, bibliografias, citacOes
bibliograficas, listas de livros e de outros materiais
para qualquer finalidade, incluindo catalogos cole-
tivos.
48
A obediencia ao principio firmemente estabeleci-
do, tanto na Catalogacao como na bibliografia mo-
derna, de que uma obra pode ser identificada pelo
autor e, na falta deste, pelo titulo, torna possivel a
maior colaboracdo entre estes dois campos tdo seme-
lhantes (Catalogacao e Bibliografia); portanto, o
AACR pode ser aceito por especialistas destas duas
disciplinas como um elemento de inestimavel valor
para a uniformizacao de catalogos e bibliografias que
cada vez mais tendem a se unificar.
E certo, tambem, que nenhum outro codigo de
catalogacao atual tenha alcancado tanta amplitude
no que diz respeito a descricao de tipos de material
especializado: microformas, manuscritos, mapas,
discos, pintura, partituras, desenhos, etc.
Atualmente, servem de base para as regras rela-
tivas a autoria de uma obra os seguintes principios
gerais:
a) faz-se a entrada por autor ou autor principal
quando este puder ser determinado;
b) faz-se entrada pelo titulo no caso de obras
cuja autoria seja indeterminada, desconhecida ou
A Regra 3, "Obras escritas em colaboracdo",
reline muito dos casos esparsos na edicao de 1949 do
Codigo da ALA — da qual diverge fundamentalmente
— como: correspondencia, debates, coletaneas de
homenagem, etc. IsIdo se aplica, entretanto, a:
a) publicacoes resultantes do trabalho de varias
pessoas sob a direcao de um editor ou supervisor, e
colecoes de obras ja existentes, escritas por diferentes
autores (Regra 4);
49
b) entradas por entidades coletivas (Regra 17); e
c) determinados tipos especiais de colaboracao
(Regras 8A, 13 e 16).
De acordo corn a Regra 3, para obras escritas
por mais de tres autores, sem indicacao do principal
responsavel, a entrada deve recair no titulo. No
entanto, se publicadas sob a direcao de urn compila-
dor ou supervisor, o catalogador é orientado a seguir
a Regra 4 — Colecoes e obras produzidas sob direciio
editorial, que passou a incluir, tambem, as obras
corn ou sem titulo comum, anteriormente reunidas
sob o titulo de "ColecOes" na Regra 5, ja. cancelada.
A Regra 6, "Publicacoes periodicas e seriadas"
esta sendo cuidadosamente revista e estudada. Gran-
des divergencias existem, tambem, na redacao dos
dois textos, embora o britanico seja mais coerente e
se enquadre melhor as exigencias estabelecidas pelo
ISDS (International Serials Data System) relativas a
determinacao do titulo-chave de uma publicacao se-
riada. (Ver Cap. 3, 7.3.3).
Em "Obras com autoria de carater misto" estao
reunidas algumas regras que dependem da analise do
catalogador para decisao de entradas. A mais contro-
vertida é a Regra 17-A, como ja foi bisto ern 1.2.2.
0 Capitulo 3, "Escolha e forma dos nomes para
entrada de entidades coletivas", foi muito bem acei-
to, principalmente por terminar corn a antiga dife-
renca entre sociedades e instituicOes, embora tenha
sido esta a causa principal da impressao de dois
codigos em lingua inglesa. A escolha de entrada para
sociedades diretamente por seus nomes, e de institui-
cOes pelos locais de suas sedes, nem sempre era facil
de determinar. Sociedades que incluiam em seu
nome a palavra Institute eram sempre motivo de
duvida quanto a sua real condicao: de sociedade
propriamente dita ou de Orgao governamental. No
caso do Instituto Nacional do Livro, por exemplo, os
catalogos impressos da LC, de acordo corn a antiga
regra do COdigo da ALA — "Entrar Institutos
pelo nome do local onde funcionam" — davam a
seguinte entrada: "Rio de Janeiro (cidade). Instituto
Nacional do Livro". No entanto, nos catalogos brasi-
leiros, por tratar-se de urn Org -ao governamental de
ambito nacional, sua entrada err: "Brasil. Instituto
Nacional do Livro".
0 Capitulo 6, relativo a parte descritiva, foi
totalmente refeito e publicado separadamente pela
ALA em novembro de 1976, sob os cuidados de Paul
W. Winkler, da LC, para que as novas regras de
pontuacao se ajustassem as exigidas pela ISBD ("In-
ternational Standard Bibliographic Description")
(Ver Cap. 3, 7.4). Nesta mesma publicacao, e pelo
mesmomotivo, foi incluido o Capitulo 9, "Reprodu-
cOes forograficas e de outran especies", bem como os
tres apendices: Glossario: acrescimos e revisoes; Abre-
viacOes: acrescimos e revisOes; e, Pontuacao e sinais
diacriticos. 7
Nestas ligeiras consideracOes apoiamos as pala-
vras de Pauline Seely no artigo ALA to AA: an
obstacle rare, 9' onde critica o AACR dizendo que
"ele diz o que fazer mas nao orienta sobre o que nao
fazer". Cita a inconsistencia de muitas regras, justifi-
cando o excesses de entradas do indice pela falta de
regras especificas para muitos casos, de acordo corn a
Declaracao dos Principios de Paris. Afirma ser da
competencia de catalogador a analise e a decisao do
problema de autoria, sem se preocupar corn o tipo de
publicacao.
SO 51
Por outro lado, pergunta-se: a tendencia atual
de automacao dos catalogos de bibliotecas foi previs-
ta pelo AACR?
No prefacio, encontra-se uma resposta: "Os pro-
blemas de arranjo mecanico das entradas em siste-
mas automatizados nao foram ignorados, mas rasp
foi possivel uma tomada de decisOes sem a fixacao
definitiva dos problemas das maquinas, relacionados
corn cabecalhos e entradas. Parece, no entanto, nao
haver dificuldades serias para modificacOes mera-
mente formais nos cabecalhos para obtencao, por
meios mecanicos, da mesma ordem contemplada
pelas presentes regras."
A pessoa mais credenciada a opinar sobre este
aspecto do Codigo, S. Spaulding, informa que as
regras do AACR foram preparadas antes que o Pro-
jeto MARC tivesse tornado o impulso que adquiriu,
havendo necessidade de uma revisao, no sentido de
converte-las ern forma legivel por computador.
Andrew Osborn, corn a agudeza de espirito que
the a peculiar, afirma, no "Summary of Proceedings"
do "Colloquium on the Anglo-American Cataloging
Rules", 27
que "o codigo de 1967 deveria ter apare-
cido em 1949, e, em 1967, urn outro, que indicasse
solucoes para o futuro". Insiste, ainda, na necessi-
dade urgente de acordos nacionais e internacionais
referentes ao preparo de regras para catalogacao por
computador, pois, de outra maneira, as diferencas de
praticas individuais irao prejudicar seriamente a coo-
peracao que deve haver entre bibliotecas no campo
da automacao.
0 importante papel do AACR no seu contexto
internacional foi reconhecido na Conferencia da
FIAB, ern 1974, em Washington.
Com todas as suas imperfeicoes, foi apoiado e
adotado pela maioria dos paises, mesmo por aqueles
que possuem codigos nacionais, talvez por represen-
tar o codigo mais fiel aos principios estabelecidos na
Conferencia de Paris.
Durante o curso de sua revisao ate a data de sua
publicacao, prevista para meados de 1978, o AACR
incluira qualquer normalizacao estabelecida pela
FLAB.
1.3 Da RIEC ao Controle Bibliografico Universal
(periodo mecanizado, 1969 em diante)
A decisao de se organizar a Reuniao Internacio-
nal de Especialistas em Catalogacao (RIEC) foi to-
mada pelo Conselho Geral da FIAB em sua 34.a
sessao, em Frankfurt-am-Main, 1968, por sugestao
da Comissao de Regras Uniformes para Catalogacao,
em decorrencia de algumas consideracoes baseadas
nos trabalhos publicados posteriormente a Conferen-
cia de Paris.
Sob os auspicios do "Council on Library Re-
sources" dos Estados Unidos, a RIEC foi realizada
em Copenhague, em 1969, corn a participacao de
trinta e oito catalogadores especialistas em bibliogra-
fias nacionais, procedentes de trinta e dois paises.
Foram varios os motivos de sua realizacao:
a) os Principios adotados na Conferencia de
Paris já vinham servindo de base e influenciando nao
s6 a criacao mas tambern a revisao de intImeros
outros codigos nacionais de catalogacao. No entanto,
estavam sendo mal interpretados e ate julgados in-
consistentes, devido aos enunciados muito gerais de
algumas partes, e ao numero excessivo de regras
52 53
alternativas, principalmente nas secties relativas aos
diversos tipos de publicacOes reunidas sob o cabeca-
lho "autoria coletiva";
b) o projeto iniciado em 1966 pela comissao de
regras uniformes de catalogacao, para o estabeleci-
mento de normas internacionais para a parte descri-
tiva de informaciies bibliograficas, baseado num es-
tudo comparativo de varias bibliografias nacionais,
feito por Michael Gorman; 53
c) o exame de dois outros programas considera-
dos de grande importancia, por comecarem a in-
fluenciar radicalmente o panorama da catalogacao
sob o ponto de vista internacional: a catalogacao
compartilhada ("shared cataloging"), da LC, corn a
finalidade de acelerar a aquisicao e a catalogacao de
livros, e a aplicacao do computador em bibliotecas
que resultou na criacao, pela FIAB, de uma Comis-
sao de Mecanizacao.
A ma interpretacao dos Principios estabelecidos
na Conferencia de Paris ja tinha dado a Secretaria da
FIAB a certeza de uma necessidade de revisao corn-
pieta e definitiva de seu texto. Assim, em 1971, uma
edicao anotada e exemplificada foi publicada por
Eva Verona, sob a responsabilidade da Comissao de
Catalogacao da Federacao. 31
Durante a realizacao da RIEC, ficou evidencia-
do que nenhum dos codigos compilados apps a Con-
ferencia de Paris tinha conseguido formular regras
uniformes relativas a autoria coletiva.
Eva Verona, em nome da Comissao de Catalo-
gacao da FIAB, e atendendo a insistentes pedidos de
outras comissOes nacionais, incumbiu-se de dar con-
tinuacao aos estudos sobre entidades coletivas, nao
so para determinar seu conceito em relacao a auto-
54
ria, mas ainda para estabelecer os principios para a
forma e estrutura destes cabecalhos. Este trabalho
foi submetido a exame e discussao em uma das
sessoes da Conferencia da FIAB em Grenoble, em
1973, e publicado em 1975. '4
Outros trabalhos relacionados a projetos espe-
cificos, completados logo apps a Conferencia de
Paris, tambem foram divulgados em edicOes defini-
tivas: Nomes de pessoas, por Chaplin e Anderson; "
AnOnimos classicos, por R. Pieprot; e Lista inter-
nacional para nomes de paises, por Suzanne Ho-
nore.
A Comissao de Catalogacao da URSS, encarre-
gada de elaborar uma listagem de orgaos legislativos
e executivos de varios paises, teve grande dificuldade
em executar sua missao. 0 trabalho foi publicado em
1975, depois que as entidades ou comissoes nacionais
responsaveis aprovaram o texto sobre entradas refe-
rentes a cada pais."
Mas o objetivo principal da RIEC era conseguir,
em ambito internacional, uma padronizacao da cata-
logacao descritiva considerada imprescindivel ao born
desempenho da catalogacao compartilhada, e neces-
saria a uma futura disseminacao da informacao.
E o ponto de partida foi o trabalho de Gorman
que serviu, inclusive, de semente para o desenvolvi-
mento da ISBD(M) (ver Cap. 3, 7.4).
As resoluceies mais importantes desta Reuniao
foram:
a) a criacao de um grupo de trabalho, orientado
por Eva Verona, para estudar o problema da autoria
coletiva;
b) a criacao de um grupo de trabalho para
estudar a ISBD(M);
55
c) a criacao de urn sistema internacional de
permuta de informacoes que estabelecia que a produ-
gao bibliografica de cada pais deveria ser feita e
distribuida atraves de uma agencia nacional. Os
meios de divulgacao seriam fichas ou fitas magneti-
cas. Para esse fim, deveria haver o maxim° de nor-
malizacao, tanto na forma quanto no conteudo da
descricao bibliografica,
d) a criacao de uma Secretaria de Catalogacao,
corn sede na FIAB, que se concretizou em 1971.
Colocando em pratica todas essas decisoes, os
varios grupos de trabalho foram logo estabelecidos,
pois todos tinham como objetivo a uniformizacao
imprescindivel para a formacao de bancos de dados
que se constituiriam numa rede de informacOes.
Para divulgacao dos resultados desses trabalhos,
a partir de 1972, a FIABcomecou a publicar, trimes-
tralmente, o boletim International cataloguing,'
contrariando as palavras de Suzanne Massoneau, em
seu artigo The year's work in cataloguing and classi-
fication, publicado no mesmo ano, no qual afirmou
que "o sonho de uma padronizacao internacional
continua urn sonho" Tudo indica que esse sonho,
muito em breve, podera se transformar em realidade.
A utilizacao de computadores e a imperiosa necessi-
dade de urn controle bibliografico universal encarre-
gar-se-ao desta transformacao.
0 Controle Bibliografico Universal foi o terra
principal de uma Conferencia da FIAB, em 1973, em
Grenoble. Sua finalidade é tornar disponivel univer-
salmente, sob forma tradicionalmente aceita, os da-
dos bibliograficos de todas as publicacOes editadas
em seus paises de origem (ver Cap. 3).
56
2. PANORAMA NACIONAL
2.1 Tentativas de urn codigo brasileiro
Varias tentativas foram feitas, todas infrutiferas,
para a criacao de um codigo brasileiro de cataloga-
gao.
A primeira delas foi em 1934, quando Jorge
Duarte Ribeiro publicou urn trkbalho intittilado Re-
gras bibliograficas (ensaios de consolidaceio); segun-
do suas prOprias palavras, nao se tratava propria-
mente de urn codigo, mas de uma tentativa de esta-
belecimento de normas para entradas de nomes pes-
soais. 87 A titulo de curiosidade, esta publicacao
inclui o modelo de ficha padronizado, naquela epo-
ca, pelo Instituto Bibliografico Internacional, atual
FID (Federacao Internacional de Documentacao).
Em 1941 a Associacao Paulista de Bibliotecarios
apresentou algumas regras para casos considerados
de maior importancia, sob o titulo Regras gerais de
catalogacclo e redacdo de fichas, 8 estabelecidas e
aprovadas 'pelo Conselho Bibliotecario do Estado de
Sao Paulo.
Nesse mesmo ano o DASP (entao Departamento
Administrativo do Servico Publico) nomeou uma co-
missao para elaborar um codigo brasileiro de cata-
logacao, composta por representantes do Instituto
Nacional do Livfo, da Biblioteca Nacional e do pro-
prio DASP. Em 1943 foram publicadas as Normas
para organizactio de um catalog° dicionario de livros
e periodicos (Projeto de um codigo de catalogacclo).
Talvez porque as bibliotecas brasileiras ja tives-
sem estabelecido seus padraes sobre normas basea-
57
das em regras dos codigos da ALA e da Vaticana,
este trabalho nAo teve aceitacAo.
Quando Maria Luisa Monteiro da Cunha termi-
nou seu Mestrado na Universidade de Columbia, em
1946, apresentou para a cadeira de "Advanced Cata-
loging" o trabalho Nomes brasileiros, um problema
na catalogaclio. 32
Nele ressaltava que o problema
resultava de:
a) falta de urn codigo nacional de catalogacao:
b) tratamento inadequado de assuntos nos c6di-
gos existentes;
c) falta de precisdo e carater contradithrio das
fontes bibliograficas;
d) inexistencia de bibliografias brasileiras cor-
rentes.
Alguns anos depois, em 1954, outros aconteci-
mentos contribuiram para que, novamente, os biblio-
tecarios se interessassem pelos assuntos "codigo" e
"nomes brasileiros". Entre eles, destacam-se a cria-
cao do IBBD (Instituto Brasileiro de Bibliografia e
Documentacao)* e a realizacao do Primeiro Congres-
so Brasileiro de Biblioteconomia ern Recife.
Neste Congresso, Edson Nery da Fonseca apre-
sentou o trabalho Norm as brasileiras de catalogaciio,
entrada de autores coletivos e nomes brasileiros, 4H
abordando um assunto que ate hoje continua sendo
motivo de grandes divergencias de opiniOes, princi-
palmente em relacao a entrada de nomes brasileiros.
Entre as recomendacOes do Congresso incluem-
se:
* Atualmente IBICT — Instituto Brasileiro de Informacao em Ciencia e Tecno-
logia.
a) criacao de um codigo de catalogacao Bra-
sileiro;
b) organizacao, pelo Institute Nacional do Li-
vro, de uma comissao de bibliotecarios formada, de
preferencia, por professores de catalogacao e por
catalogadores experientes;
c) escolha da entrada de nomes brasileiros e
portugueses de acordo com o criterio universalmente
aceito de respeitar-se a vontade LI° autor, o use local
e a tradicao literaria.
Em novembro do mesmo ano, o IBBD — que,
atraves do SIC (Servico de Intercambio de Cataloga-
cao) (ver Cap. 2, 1.3), já se empenhava em simplifi-
car determinadas regras de catalogacao — organi-
zou, em colaboracao com o Instituto Nacional do
Livro, uma Comissao de Estudos de Catalogacao,
que se subdividia em duas subcomiss6es estaduais:
paulista e carioca. Esta comissao tinha como objetivo
principal redigir urn Anteprojeto do COdigo Nacio-
nal. Da parte descritiva ficou encarregada a subco-
missao paulista, com a incumbencia de traduzir as
regras de catalogacao descritiva da LC, incluidas
como segunda parte do Codigo da ALA de 1949. "
A parte de entradas de autor ficou a cargo da
subcomissao carioca.
A subcomissao paulista traduziu algumas regras
da ALA que poderiam ter sido adotadas corn modifi-
cacOes, mas que nAo tiveram aceitacao geral. Por sua
vez, a subcomissAo carioca tambem nAo conseguiu
satisfazer os catalogadores sobre o problema — de
dificil solucAo — da escolha de entrada de nomes
brasileiros e portugueses.
Decidiu-se entao que caberia ao SIC a tarefa de
relacionar algumas das regras mais usadas em sua
58 59
central de catalogacao e distribui-las para estudo e
sugestOes entre os membros da Comissao. Infeliz-
mente estes nao chegaram a urn acordo, o que contri-
buiu para que as reuni8es fossem suspensas e o
assunto nao mais discutido.
Em dezembro de 1954 a pedido da Unesco, o
IBECC (Instituto Brasileiro para Educacao, Ciencia
e Cultura) tentou redigir um "Projeto de Catalogacao
para nomes de autores brasileiros e portugueses".
Um anteprojeto ja havia sido preparado por Irene de
Menezes D6ria, que exercia, aquela epoca, o cargo
de Secretaria da Comissao de Bibliografia daquela
entidade. Entretanto, nao foi dada continuidade a
este trabalho.
Todas estas tentativas iniciais visavam, quase
sempre, a uniformizacao de nomes pessoais — brasi-
leiros e portugueses — problema constantemente de-
batido por existirem ate hoje duas correntes bem
distintas: a que prefere adotar como entrada a Ultima
parte dos sobrenomes, e a que procura respeitar a
forma preferida pelo autor em suas obras, isto é, seu
nome literario.
Entre os trabalhos publicados sobre o assunto
destacam-se: a redacao da Regra 38A de Calazans
Rodrigues, incluida no c6digo da Vaticana; o de
Antonio Caetano Dias, 0 problema da catalogactio
dos nomes portugueses e brasileiros; 36
e o de Maria
Luisa Monteiro da Cunha, Nomes brasileiros, urn
problema na catalogaciio. 32
Em 1960, durante a 23.a Conferencia Geral da
FID no Rio de Janeiro, foi criada oficialmente a
Comissao Brasileira de Catalogacao, filiada a FEBAB
(Federacao Brasileira das AssociacOes de Biblioteca-
rios), e eleita Maria Luisa Monteiro da Cunha sua
Presidente, cargo que ocupou ate pedir exoneracao,
em 1966; em conseqiiencia, a Comissao foi extinta.
Esta Comissao teve o merit° de conseguir remo-
ver os graves obstaculos de algumas praticas ja obso-
letas consagradas em determinadas bibliotecas do
Pais, bem como as divergencias decorrentes do use
de c6digos diversos e/ou das adaptacoes de caratef
particular.
Durante o Terceiro Congr9sso Brasileiro de Bi-
blioteconomia e Documentacao em 1961, no Parana,
a Comissao Brasileira de Catalogacao reuniu-se para
discutir os seguintes trabalhos: Projeto de regras de
catalogacdo para os nomes brasileiros e portugueses,
feito pela Comissao Carioca, e A catalogacdo de
autores brasileiros e portugueses, de autoria de
Maria Antonieta Requiao Piedade. 74
Estes documentos, e outros anteriores sobre o
mesmo assunto, serviram de base para que Maria
Luisa Monteiro da Cunha redigisse uma publicacao
intituladaNomes brasileiros e portugueses: proble-
mas e solucoes. Submetida a apreciacao das subco-
miss'Oes da Comissao Brasileira de Catalogacao, foi
aprovada como edicao preliminar. Enviada a Comis-
sao organizadora da Conferencia de Paris, foi aceita
como Documento n. 13, e incluida na edicao brasilei-
ra da AACR como Apendice n. VIII.
Embora parecesse resolvido o problema, ele ain-
da continuou sendo causa de insatisfacao, como se
vera mais adiante.
Nao se pode omitir o trabalho constante e valio-
so que a APB (Associacao Paulista de Bibliotecarios)
vem desenvolvendo na area de processos tecnicos,
tentando conseguir atraves de varios grupos de traba-
60 61
lho uma padronizacAo nacional, sem a qual nao
havers condicOes de participacAo em qualquer pro-
grama de nivel internacional.
Esta Associacao, em 1974, sob a presidencia de
Antonio Gabriel, criou uma comissao de Processos
Tecnicos — incluindo SubcomissOes de CatalogacAo
e Classificacao — e designou para Presidente Maria
Luisa Monteiro da Cunha. Esta ComissAo, atualmen-
te Grupo de Trabalho em Processos Tecnicos da APB
divulgou recentemente o documento Cabecalhos Uni-
formes para Entidades Coletivas, 9 em atendimento a
recomendacao da ComissAo de CatalogacAo da FIAB
de que "a compilacao de listas gerais de entidades
deve ser confiada aos centros bibliograficos nacionais
de cada pais, e a comissAo de catalogacAo devera
empenhar-se em promover esta atividade de acordo
corn os padrOes internacionais".
Trabalho semelhante, pela importancia que
apresentava, deveria ser elaborado pelas associacOes
locais de bibliotecarios, como contribuicAo ndo
so para o estabelecimento de entradas mas, sobre-
tudo, para a uniformizacao dos nomes de entidades
coletivas brasileiras.
Em relacAo a entradas de nomes brasileiros e
portugueses Maria Luisa Monteiro da Cunha, numa
tentativa de conciliar as correntes divergentes, fez
uma revisAo no Documento n.° 13, aprovado na
Conferencia de Paris, enviando-o para criticas e su-
gestOes a todas as escolas de biblioteconomia e pro-
fessores de catalogacao.
Este trabalho foi fruto de estudos e trocas de
ideias intensificadas desde o Primeiro SimpOsio Na-
cional de Professores de Catalogracao em Sao Paulo,
em 1970, ate o Segundo Encontro de Professores de
Catalogacao, em 1974, no Rio de Janeiro, onde com-
pareceram rid() s6 professores mas tambem especia-
listas em catalogacAo.
Discutido e posto em votacao no Oitavo Con-
gresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documenta-
cao, em Brasilia, em 1975, aquele texto foi aprovado,
optando a maioria dos bibliotecarios presentes pela
entrada pela Ultima parte do sobrenome. 0 do-
cumento foi enviado, a pedido, ao escritorio do Con-
trole Bibliografico Universal da FIAB, como contri-
buicao nacional a padronizacao de entradas de no-
mes pessoais.
0 Subgrupo de CatalogacAo do Grupo de Traba-
lho em Processos Tecnicos da Associacao Paulista de
Bibliotecarios esta, atualmente, encarregado de urn
estudo comparativo entre a ISBD(M) e o Capitulo 6
revisto do AACR, fazendo, ao mesmo tempo, uma
comparacAo entre este capitulo e o publicado origi-
nalmente no AACR em 1967: trabalho semelhante
esta sendo elaborado em relacao a ISBD(S) e ao
AACR no que se refere a normas em use para
catalogacAo de periodicos.
62
2.2 Codigos adotados
0 estudo das modernas tecnicas biblioteconOmi-
cas é relativamente novo em nosso pais, datando das
decadas de 30 (para SA() Paulo) e 40 (para o Rio de
i Janeiro).
Em SAo Paulo — estado pioneiro no ensino da
biblioteconomia moderna — o Codigo da ALA foi o
escolhido, por influencia da professora norte-ameri-
cana Muriel Geddes, designada como orientadora do
63
primeiro curso de biblioteconomia ministrado no Co-
legio Mackenzie, em 1929.
No Rio de Janeiro, embora desde 1911 a Bi-
blioteca Nacional mantivesse urn curso de biblioteco-
nomia a fim de formar pessoal especializado apenas
para seu quadro de funcionarios, somente em 1940,
por iniciativa do DASP, é que foram instituidos
cursos intensivos visando a formacao de profissionais
para outras bibliotecas.
Na epoca, a lingua inglesa constituia uma seria
barreira lingiiistica — em maior escala que atual-
mente — decorrente do desconhecimento desse idio-
pela maioria dos alunos de nossas escolas. A
traducao do Codigo da Vaticana para a lingua espa-
nhola, a clareza de seu texto que incluia regras
descritivas, de alfabetacao de fichas, e de redacao de
cabecalhos de assunto, consolidou sua escolha e ado-
cao pelo Curso do DASP e pelos cursos de biblio-
teconomia da Biblioteca Nacional
Outro fato que reforcou, tambern, esta decisao
foi a criacao do Servico de Intercambio de Catalo-
gaga°, no DASP, em 1942 que, ao adotar em suas
fichas impressas as regras estabelecidas por este C6-
digo, influiu para sua difusao entre inumeras biblio-
tecas brasileiras.
Data ainda desta epoca a normalizacao e divul-
gacao no Brasil das fichas de tamanho 12,5 x 7,5 cm,
ja usadas pela LC desde o inicio do seculo.
Em lingua portuguesa, o Codigo da Vaticana
teve duas verso- es: uma em 1949, editada em Sao
Paulo sob os auspicios do DASP; '°' e outra em
1962, pelo IBBD, incluindo regras da ALA nele nao
existentes, bem como modelos de fichas padronizadas,
tipo ficha unica. 102
Quando o IBBD se preparava para iniciar estu-
dos para uma terceira edicao, corn adaptacties, foi
publicado o AACR em 1967.
Em 1970 o SIC, aproveitando a fase de estudos
preliminares para sua transformacao em uma central
de processamento, iniciou uma mudanca gradativa
nas normas relativas as entidades coletivas e nos
nomes brasileiros, optando como entrada a Ultima
parte dos sobrenomes. Estas n(udancas nao chega-
ram a ser divulgadas.
2.3 Mudancas e acrescimos ao AACR
Conscientizados da necessidade de uniformiza-
cao de entradas para bibliografias e catalogos de
bibliotecas, e das finalidades da Conferencia de
Paris, foi que algumas escolas de biblioteconomia
acharam mais racional abandonar o use tradicional
do Codigo da Vaticana e optar pela adocao do
AACR, principalmente depois de sua traducao para
o portugues em 1969. 28 No entanto, into acarretou
inumeros problemas, devido a falta de clareza do
texto e a falta de exemplos adequados, que contri-
buem para interpretacoes variadas quanto a aplica-
cdo de suas regras.
A adocao oficial deste COdigo no Brasil ainda
depende de muitos acertos, relacionados, inclusive,
corn modificacOes nos catalogos. Mesmo que estes
acertos sejam feitos a partir de uma determinada
epoca, acarretarao problemas de mao-de-obra e con-
sequentemente de custo. Cientes de suas responsabi-
lidades, os bibliotecarios vem procurando determinar
estas mudancas e acrescimos de acordo corn as
exigencias nacionais.
V
64 65
Dois movimentos foram realizados corn esta
finalidade. 0 primeiro deles pelo IBBD, em 1972,
quando foi criado urn grupo de trabalho para
uniformizar normas de catalogacao adotadas pelo
IBBD, Biblioteca Nacional e Instituto Nacional
do Livro. Foram convidados a participar, tam-
bem, representantes do SNEL (Sindicato Nacio-
nal de Editores de Livros) e da Camara Brasi-
leira do Livro, em decorrencia de seus programas
de catalogacao-na-fonte (ver Cap. 2, 4.10).
0 interesse do IBBD nesses estudos era a aplica-
cao imediata das regras do AACR no acervo de sua
propria biblioteca e tambem ao SIC, que necessitava
uma definicao sobre as normas a serem adotadas e
incluidas em um manual para seus futuros cooperan-
tes. Os trabalhos foram realizados na sede do IBBD,
entre 4 de agosto e 11 de novembro de 1973, sendo
feito urn cuidadoso confronto entre o original do
AACR e a sua versao brasileira. Algumas pequenas
alteracOes foram introduzidas no manual, principal-
mente nas normas usadas na BibliotecaNacional —
que sempre seguira o Codigo da ALA — e nas do
SIC, onde o Codigo da Vaticana era usado desde sua
criacao. Os casos pendentes e carentes de sugestties
foram enviados as escolas de biblioteconomia do
pais. Apenas duas se manifestaram enviando respos-
tas discordantes entre si. Em relacao aos nomes
brasileiros, a tendencia maior foi a de se adotar para
entrada a Ultima parte dos sobrenomes — regra
sempre usada pela Biblioteca Nacional. Infelizmente
nao foi possivel chegar-se a urn acordo, pois muitos
eram de opiniao que esta escolha era dificil desde
que, muitas vezes, é comum urn autor registrar seu
nome de varias maneiras, ate se definir por uma
Unica forma.
Verificando nao ter condicoes de resolver estes
problemas, principalmente pela falta de representan-
tes de outros Estados, o grupo de trabalho encerrou
suas atividades. Nenhum documento foi elaborado,
ficando registrado apenas nas Atas os assuntos dis-
cutidos. Nao foi necessario discutir sobre a parte
relativa a descricao do livro nao so porque o SIC e a
Biblioteca Nacional adotaram criterios semelhantes,
mas tambem porque ja se anunciava a revisao do
Capitulo 6 do AACR.
O segundo movimento partiu tambem do IBBD,
corn ativa participacao da ABEBD (Associacao Bra-
sileira de Escolas de Biblioteconomia e Documen-
tack)).
Os motivos do IBBD foram os mesmos da vez
anterior; e o da ABEBD — sob a presidencia de
Stela Santos Pita Leite — foi a uniformizacao do
ensino de catalogacao nas escolas do pais.
A partida para esses novos estudos foi dada em
novembro de 1973, quando o IBBD organizou uma
serie de seminarios internos, corn a participacao da
Biblioteca Nacional, do Instituto Nacional do Livro,
do SNEL, da Camara Brasileira do Livro e de alguns
catalogadores de outras bibliotecas locais, usuarias
do SIC.
Dessas reunioes resultaram dois documentos
preliminares: urn sob a responsabilidade da Bibliote-
ca do IBBD, intitulado Consideraci3es sobre as regras
relativas a orgeios corporativos; e outro, redigido
pelo SIC, chamado Catalogacao descritiva: requisitos
minimos, que foram enviados a ABEBD para distri-
buicao as escolas do pais, solicitando sugestOes e
criticas.
66 67
Posteriormente esses documentos foram, ainda,
debatidos no Segundo Encontro de Professores de
Catalogacao, realizado no Rio de Janeiro de 8 a 10 de
abril de 1974, sob os auspicios da ABEBD, e, depois
de novamente redigidos, discutidos na Quarta Jorna-
da Sul-Rio-Grandense de Biblioteconomia e Documen-
tacao, em Porto Alegre, de 26 a 31 de maio do
mesmo ano pelos professores de catalogacao pre-
sentes.
Por ocasiao da Terceira Bienal Internacional do
Livro, em Sao Paulo, em 1974, a FEBAB, aprovei-
tando a presenca de varios professores, deu oportu-
nidade para que, numa reuniao informal, estes dois
documentos fossem mais uma vez discutidos. Na ata
desta reuniao, intitulada "Segunda Fase do Segundo
Encontro Nacional de Professores de Catalogacao",
em 19 de junho, consta como discutidos os seguintes
assuntos: Regra 17-A do AACR e elaboracao de uma
lista de entidades nacionais, corn a finalidade de se
determinar aquelas que poderiam ter suas entradas
por siglas.
As emendas a Regra 17 deram origem a urn
documento, de 4 de julho de 1974, onde a adocao das
siglas como entrada ficou na dependencia de uma
decisao tomada em ambito estadual e, posteriormen-
te, comunicada a Comissao Brasileira de Documen-
tack) em Processos Tecnicos da FEBAB, que se
encarregaria de divulgar o trabalho. Distribuido as
escolas de biblioteconomia, este documento nao teve
total aprovacao, o que levou alguns professores de
Catalogacao a discutirem novamente o problema sem
que uma solucao definitiva fosse alcancada.
Em janeiro de 1975, o IBBD promoveu um
Curso de Reciclagem de Catalogacao, sob o patroci-
nio da Unesco, que reuniu catalogadores de varios
estados do Brasil e de alguns paises latino-america-
nos. Num dos Seminarios relizados verificou-se que
eram ainda adotados o Codigo da ALA por uns, o da
Vaticana corn adaptacoes por outros, e ainda o
AACR corn modificacOes. Constatou-se, corn surpre-
sa, o use difundido do Codigo da Vaticana em
muitos paises latino-americanos.
Como consequencia das recomendacOes da
"Reuniao de Especialistas para a Implementacao do
NATIS* no Brasil", promovida'pelo IBBD e realiza-
da em junho de 1975, foi criado urn Grupo de
Trabalho para Estabelecimento de Normas de Cata-
logacao em Ambito Nacional (GT-ENCAN), a fim
de garantir a uniformidade de criterios nas praticas
biblioteconOmicas. De imediato, foi tracado urn pro-
grama de atuacao, tendo por objetivo a normalizacao
da catalogacao visando a integracao das bibliotecas
brasileiras nos programas internacionais de infor-
macao.
Em reuniOes posteriores ficou decidido que a
adocao do AACR, como cOdigo oficialmente aceito,
seria recomendado nao so as escolas de bibliotecono-
mia e bibliotecas, mas tambem em concursos oficiais
do pais. Coube a Presidente da Comissao Brasileira
de Documentacao em Processos Tecnicos da FEBAB,
o encargo de enviar, neste sentido, uma circular a
todos os diretores de escolas, e uma carta ao Diretor
do DASP.
Durante o Primeiro Encontro dos Grupos de
Trabalho em Processos Tecnicos da FEBAB, em Sao
Paulo, em 1976, a adocao do AACR foi considerada
como essencial, tendo em vista seu carater interna-
cional.
* NATIS — National Information Systems (Programa da Unesco).
68 69
Neste sentido, ficou decidido que as Modifica-
cOes, acrescimos e supressoes as regras do AACR,
publicadas no Cataloging Service Bulletin e traduzi-
dos por urn grupo de bibliotecarios paulistas, seriam
divulgadas atraves da FEBAB.
CAPITULO 2
PROGRAMAS DE CATALOGA00
I
1. CATALOGA00 COOPERATIVA
VS CATALOGA00 CENTRALIZADA
No que se refere a producao de fichas para
catalogos, a historia da catalogacao registra muitas
vezes, quase como sinonimos, as palavras coopera-
tiva e centralizada.
Cooperativa significa o trabalho realizado por
varias bibliotecas e enviado a uma Central, que se
encarrega de normalizar e reproduzir suas fichas e
distribui-las a uma coletividade. A catalogacao corn-
partilhada ("shared cataloging") é urn exemplo de
catalogacao cooperativa, efetuada pela LC.
Centralizada, ao contrario, é o trabalho feito por
uma Central para atender as necessidades de depar-
tamentos, filiais, etc. E urn tipo de catalogacao
muito comum em universidades, ou onde a aquisi-
cao planificada seja adotada. E muito mais perfeita e
uniforme do que a cooperativa. A catalogacao-na-
fonte é urn exemplo de catalogacao centralizada.
0 fato de se chamar de centrais aos locais onde
sao efetuadas as catalogagOes é que gera confusao
nos seus enunciados. Os diagramas a seguir ilustram
as diferencas entre uma e outra:
70 71
Bibliotecas diferentes "compar-
tilhando -
o encargo da catalo-
gaciio atraves de uma Central.
Uma (mica Biblioteca, funcio-
nando como Central, catalo-
gando para outras bibliotecas.
As fichas para catalogos comecaram a ganhar
popularidade no seculo XIX corn a adocao do cat&
logo dicionario, embora seu uso, iniciado corn a
Revolucao Francesa ern 1789, servisse apenas para
registro das colecOes confiscadas pelo governo revo-
lucionario. Corn a criacao da Central de Catalogacao
da LC, em 1901, comecaram a ser utilizadas como
veiculo de registro da informacao, na medida padrao
atual de 12,5 x 7,5 cm.
A preparacao e a producao de fichas tern sido
motivo de preocupacao constante dos bibliotecarios
desde a metade do seculo passado. 0 desperdicio de
tempo e a mao-de-obra gastos no trabalho repetitivo
de se catalogar o mesmo livro inumeras vezes — de
acordo corn as colecOes de cada biblioteca — tem
sido urn problema que desafia nao so administrado-
res comocatalogadores.
Qual o preco de uma catalogacao? Qual o tempo
gasto na elaboracdo de uma ficha? sao perguntas de
varias respostas, pois a catalogacao é uma atividade
de multiplos aspectos e Depende de
varios fatores: tipo de biblioteca, tipo de registro
desejado — completo ou simplificado; e, em parti-
cular, de pessoal qualificado que tenha, principal-
mente, conhecimentos tecnicos, de linguas estrangei-
ras e cultura geral. Acrescente-se a tudo isto a difi-
culdade na analise e interpretacao das paginas-de-
rosto, cuja diagramaca'o, na maioria das vezes, omite
dados fundamentais o que provoca excessiva demora
nas pesquisas essenciais a descricao correta de uma
obra e na determinacao exata de sua autoria prin-
cipal.
Os custos do processamento tecnico das colecOes
de uma biblioteca tem sido o principal motivo de
tantos pianos idealizados para que elas tenham con-
dicOes de, ao comprarem seus livros, receberem ime-
diatamente as fichas catalograficas a eles correspon-
dentes; isto atualizaria rapidamente seus catalogos e
baixaria o custo de suas catalogaciies.
Corn raizes num passado bem distante, a cata-
logacao-na-fonte e a catalogacdo compartilhada pro-
curam tambem os mesmos resultados: facilidade na
busca, na identificacdo de autoria da obra, na corn-
pra de livros, na compilacdo de bibliografias, na
confeccao de catalogos de bibliotecas e na padroni-
zacdo de dados descritivos.
Atualmente, mais do que nunca, a cooperacao é
o unico meio capaz de tornar vitoriosos os diversos
projetos em estudo ou em execuedo, objetivando uma
recuperacao mais eficiente da informacao.
O trabalho isolado ha muito perdeu sua razao
de ser. A cooperacao aplicada a catalogacdo vem
transformando-a, pouco a pouco, numa disciplina
revestida de novas caracteristicas. Anteriormente, a
funcao da catalogacao era apenas a de servir como
veiculo de registro das colecties; sua redacao traba-
72 73
lhosa e complicada tornava-a uma tarefa quase que
indesejavel. Hoje, sistematizada e adaptada as tecni-
cas modernas, alia a sua funcao anterior, a de servir
tambem como veiculo de transmissao da informacao.
Para que as grandes redes nacionais e interna-
cionais de informacao possam ser compativeis entre
si, é necessario que as mesmas normas de redacao
sejam adotadas, nao so para fichas catalograficas
mas tambem para referencias bibliograficas.
1.1 Catalogacao cooperativa
No ligeiro retrospecto a seguir, enfatizam-se os
primeiros esforcos em prol de trabalhos cooperativos.
Estes nao tinham, como atualmente, finalidades tao
amplas. Mas ja evidenciavam a preocupacao dos
bibliotecarios em diminuir ao maxim° o trabalho dos
catalogadores, liberando-os para outras tarefas e co-
locando o livro recem-adquirido nas maos dos usua-
rios em tempo minimo.
Meio seculo se passou para que a ideia frutifi-
casse e pouco mais desse periodo transcorreu para
torna-la de ambito internacional.
E interessante notar que em todas as tentativas
realizadas em termos de cooperacao, as cataloga-
cOes eram feitas em papeletas ou em folhas de papel.
Depois eram enviadas as bibliotecas para serem re-
cortadas e montadas em fichas, de acordo com o
tamanho usado em cada uma delas. Era um processo
economic°, ja que ainda nao havia uma ficha-padrao
de use generalizado.
De acordo corn Pope, em The time-lag in cata-
loging,76 a evolucao da catalogacao cooperativa
apresenta os seguintes marcos:
1850: Ano em que a ideia da catalogacao coo-
perativa foi lancada. Dois projetos foram tentados e,
por terem sido prematuros para a epoca, nao tiveram
prosseguimento. 0 primeiro partiu de Charles
Jewett, que pensou em reproduzir as catalogacties da
biblioteca da Smithsonian Institution dos Estados
Unidos em blocos estereotipados, corn a finalidade
de serem permutados com outras bibliotecas. 57
Guardados para futuras reimpressOes e acumulacOes,
dariam origem a urn catalog° /impress° de livros.
Jewett pretendia, assim, criar um sistema uniformi-
zado de catalogacao, originando uma Central na
prOpria Smithsonian Institution.
0 segundo projeto partiu do Museu Britanico,
que tinha sugerido a Panizzi, alem das regras de
catalogacao, a publicacao de urn catalog° que in-
cluisse todos os livros publicados ern lingua inglesa
na Gra-Bretanha e suas colOnias. 3 7
1876: Ficou registrado como o ano das grandes
contribuicOes a biblioteconomia, ocorridas nos Esta-
dos Unidos. Dentre outras, podem-se citar: a criacao
da ALA, o lancamento da Classificacao Decimal de
Dewey, a publicacao do codigo de Cutter, alem de
inumeros movimentos em favor de trabalhos coope-
rativos, normas de catalogacao, etc.
Nessa epoca, alguns bibliotecarios ja se preo-
cupavam em fornecer a informacao catalografica jun-
to corn a distribuicao de novos livros. Varias tenta-
tivas foram feitas nesse sentido, todas infrutiferas. 0
grupo dos nao conscientizados para os beneficios a
serem recebidos, infelizmente, era bem maior do que
aquele que lutava por uma normalizacao e pelo baixo
custo da catalogacao.
Em marco de 1876, Max Mueller, da Bodleian
Library, abordou na revista Academy 70 o fato de
74 75
UFRJ/CCJE
Biblioteca Eugenio Guru...
centenas de bibliotecas catalogarem uma mesma
obra, e recomendava que as catalogagOes, feitas em
papeletas deveriam ser impressas e permutadas entre
bibliotecas — principalmente as nacionais da Europa
— que ficariam responsaveis por sua propria produ-
gao bibliografica. Esta ideia foi aproveitada pela LC,
mais de cem anos depois, como o programa da
catalogacao compartilhada (ver 3.). Mueller sugeriu
tambern a possiblidade dos proprios autores, de co-
mum acordo corn os catalogadores, prepararem as
papeletas de suas obras e, atraves dos editores, distri-
bui-las corn os livros. Urn mes depois, em abril, a
editora R. R. Bowker endossava a ideia do bibliote-
cario Justin Winson, do Harvard College, de dimi-
nuir o custo da catalogacao. Esta firma, atraves de
um editorial, 19
declarava que as editoras deveriam
distribuir seus livros corn a informacao bibliografica
impressa numa papeleta de papel resistente e num
tamanho padronizado, ou entao numa folha tendo na
parte superior os dados bibliograficos, e na inferior o
sumario da obra, propaganda de novos lancamentos,
etc. Isto seria util nao so para bibliotecarios mas
tambern para editores e livreiros."
Ainda nesse mesmo ano, C. A. Nelson escreveu,
no Library Journal, 71
um artigo sobre a ideia de
Winson, sugerindo que, se o piano se tornasse rea-
lidade, as papeletas deveriam incluir na mesma dis-
posicao da pagina-de-rosto os dados nela registrados,
num tamanho menor do que as comumente usadas,
para que pudessem ser coladas em fichas e inseridas'
nos catalogos das bibliotecas. Se os editores concor-
dassem, poderiam ser prepari 'as corn vistas a uma
normalizacao e publicadas no Library Journal ou no
Publisher's Weekly. Estava, assim, lancada a semen-
te da catalogacao-na-fonte.
76
1877: Na Conferencia anual da ALA esse assun-
to foi discutido calorosamente. Seu Presidente suge-
riu que a papeleta, em tamanho maior, fosse dividida
em 4 partes, cada uma delas contendo o titulo subor-
dinado aos diversos cabecalhos necessarios para os
catalogos. Este piano nem chegou a ser posto em
pratica, devido a falta de receptividade dos editores.
Mas o tema foi considerado de tanta importancia,
que nessa mesma Conferencia foi criado o Committee
on Publisher's Title Slip, dor qual faziam parte
Dewey, Bowker e Winson.
Nessa epoca, o tipo de catalogacao em papeletas
ficou conhecido como "title slip". Mas tarde foi
aproveitado pela LC para atender aos seus usuarios
de assinaturas por assunto, corn o nome de "card
slip."
1878: 0 primeiro relatorio da citada Comissao
foi publicado no Library Journal 83 cornas seguintes
recomendacOes:
a) preparacao de entradas uniformes de titulos
bibliograficos, incluindo cabecalhos e notas, para
serem fornecidas e utilizadas pelas editoras como
propaganda em circulares, catalogos, etc.;
b) fornecimento aos assinantes de papeletas
para use imediato no catalog°, consistindo em cabe-
calhos que incluiam o titulo, os cabecalhos de assun-
to em ordem de importancia, o numero de classifica-
cao e o nome do autor seguido pelo titulo da publi-
cacao e notas descritivas e explicativas. 78
Foi aprovada tambem a ideia inicial de C. A.
Nelson, de se criar um escritOrio central no Library
Journal ou no Publisher's Weekly para registro das
bibliotecas e livreiros; as papeletas deveriam ser redi-
gidas numa central, supervisionada por bibliotecarios
77
da Harvard University e do Boston Atheneum, a fim
de se assegurar maior uniformizacao. 0 processo se
desenvolveria da seguinte maneira: a primeira prova
dos livros ou de um exemplar impresso — antes da
distribuicao — seria enviado pelas editoras a Central
que se encarregaria da catalogacao. As papeletas,
processadas por estereotipia, seriam devolvidas aos
livreiros a tempo de serem inseridas nos livros, em
folhas soltas; posteriormente, impressas em papel
resistente, tipo cartonado, do tamanho de um cartao-
postal, seriam remetidas pelo correio aos assinantes.
Dewey advogou essa causa, afirmando que na
Italia esse processo ja tinha sido demonstrado corn
grande exito. Acreditava ele, firmemente, nos exce-
lentes beneficios que traria aos editores, facilitando a
compilacao de catalogos comerciais, propaganda de
livros, etc. Mas o piano nao foi aceito nem pelos
editores nem pelos bibliotecarios.
0 desejo de que a ideia da catalogacao coopera-
tiva frutificasse era tao grande, que o grupo que
liderava o movimento nao se deixou abater pelos
insucessos. E nova tentativa foi feita, visando a divul-
gar a informacao bibliografica logo apps a publica-
cao do livro.
1879: 0 Library Journal publicou um suplemen-
to intitulado Title slip registry corn o objetivo de
enviar gratuitamente a seus assinantes, papeletas
preparadas em sua central, incluindo dados catalo-
graficos impressos de um so lado; recortadas, po-
diam ser coladas em fichas e imediatamente inseri-
das nos catalogos. COpias extras seriam adquiridas a
preco accessivel, atraves de uma assinatura anual.
Pouco tempo depois, esse suplemento passou a cha-
mar-se Book registry. Infelizmente o empreendimen-
to era avancado demais para a epoca. No ano seguin-
te, por falta de apoio dos dirigentes de bibliotecas,
foi terminado.*
No entanto, os bibliotecarios americanos nao
desanimaram, continuando a alertar colegas e livrei-
ros sobre as vantagens desse trabalho cooperativo.
1893: Outra tecnica foi tentada. Em vez das
papeletas serem preparadas e incluidas nos livros, e
paralelamente as fichas produzidas e remetidas as
bibliotecas, os bibliotecarios corrtecaram a preparar e
imprimir fichas que eram distribuidas a bibliotecas,
livreiros e a quem estivesse interessado no assunto.
As catalogacoes ficaram centralizadas no "Li-
brary Bureau" (firma criada por Dewey) onde os
livros eram recebidos das editoras para serem cata-
logados e as fichas impressas e vendidas aos interes-
sados de acordo com os padreies usados pelos assi-
nantes. Essa Central funcionou quase 3 anos, sendo
posteriormente transferida para o setor de publica-
goes da ALA."
Por nao ter conseguido assinantes em numero
suficiente para cobrir os gastos, o piano foi abando-
nado. 76
1.2 Catalogaciio centralizada
1901: Nao conformados corn a ideia de que urn
piano com tao serios propositos nao conseguisse acei-
tacao geral, os bibliotecarios levantaram novamente,
a questao na Conferencia da ALA realizada em
W inconsin.
Melvil Dewey, num brilhante discurso, conse-
guiu comprovar e justificar a necessidade da criacao
* Trabalho semelhante vem sendo desenvolvido no Brasil, pela Camara Brasi-
leira do Livro, atraves de sua publicacao Oficina do livro: novidades catalo-
gadas na fonte.
78 79
de urn programa de catalogacao cooperativa e centra-
lizada.
Foi votada como provavel sede da central de
catalogacao a LC, biblioteca oficial do governo ame-
ricano, (mica credenciada para levar avante tao arro-
jado projeto, pelas seguintes razOes:
a) possuia a maior colecao de livros do mundo
ocidental;
b) era o orgao controlador dos direitos autorais;
c) mantinha um alto indice de permutas;
d) tinha uma equipe tecnica de grande gabarito.
A ideia, aceita imediatamente por seu Diretor-
Geral, deu inicio a urn novo ciclo de trabalhos de
grande projecao no panorama biblioteconomico
mundia1.35
Hoje, centrais de catalogacao existem em quase
todos os grandes paises e sao fruto daquela semente
que foi plantada, com tanta persistencia, por biblio-
tecarios que deixaram nome na histOria.
Que a HO° possa ser assimilada por todos aque-
les que Ira° compreenderam ainda o verdadeiro signi-
ficado da palavra COOPERAcAO, (mica solucao
para que objetivos identicos possam ser atingidos.
1.3 Brasil: Servico de Interciimbio
de Catalogaciio (SIC)
1.3.1 Historic°
A decada de 40 foi no Brasil, inegavelmente, a
do inicio do desenvolvimento das modernas tecnicas
80
biblioteconornicas. Varias causas contribuiram para
essa evolucao, destacando-se, entre outras: a atuacao
do entao recem-criado Departamento A dministrativo
do Servico Public° (DASP), atraves de seus concur-
sos e cursos especializados que, formando melhores
tecnicos, abriram novas perspectivas de trabalho; a
reforma da Biblioteca Nacional, dando aos futuros
profissionais maior soma de conhecimentos; o aper-
feicoamento de tecnicos brasileiros nas universidades
americanas e a criacao de umiservico nacional de
catalogacao cooperativa, unico na America Latina.
Embora caiba a Sao Paulo o pioneirismo da
Biblioteconomia moderna brasileira, é inegavel que
foram os cursos e concursos publicos promovidos
pelo DASP — na epoca em que era dirigido por Luiz
Simoes Lopes — que asseguraram melhoria sempre
crescente em qualidade de mao-de-obra e o advento
de urn mercado de trabalho que vem exigindo, ano a
ano, melhor nivel cultural e intelectual.
A ele, portanto, se deve a criacao, em setembro
de 1942, de um servico que tinha a finalidade de
ajuda mutua entre as bibliotecas do Pais — o Servico
de Intercambio de Catalogacao, mais conhecido pela
sigla SIC.
A ideia de instalar, naquela epoca, urn tao
avancado servico — se considerarmos os parcos re-
cursos financeiros e tecnicos de quase todas as biblio-
tecas, nao capacitadas, ainda, para entende-lo e exe-
cuta-lo — surgiu de uma visita da entao Chefe da
Biblioteca do DASP, Lydia de Queiroz Sambaquy,
a Biblioteca do Congresso americano, onde funciona,
desde o inicio deste seculo, o maior servico de cata-
logacao cooperativa do mundo.
Impressionada com o grande alcance de tal em-
preendimento, logo imaginou, para o Brasil, urn
81
servico similar, guardando, obviamente, as devidas
proporciies entre os recursos de urn e outro pais.
0 SIC desenvolveu-se, a principio, na prOpria
Biblioteca do DASP, dela dependendo administrati-
vamente. Foi, portanto, a DASP seu primeiro orgao
mantenedor.
Um acordo foi firmado entre este Orgao e a Im-
prensa Nacional — atualmente Departamento de
Imprensa Nacional — cabendo ao primeiro a parte
tecnica de revisao das fichas catalograficas e, ao
segundo, a impressao, distribuicao e venda das fichas
aos interessados.
A rede de cooperantes comecou a ser formada
corn as bibliotecas interessadas, sendo as ministeriais
— na ocasiao as mais bem aparelhadas, no Rio de
Janeiro — as primeiras a integra-la. Em troca de sua
colaboracao recebiam as fichas por elas prOprias
elaboradaspara o SIC, já impressas, e por doacao.
A kleia de sua criacao foi aceita corn muito
entusiasmo, mas um problema foi logo evidenciado:
a. falta de pessoal treinado em tecnicas catalografi-
cas, decorrente da existencia de poucas escolas de
Bibioteconomia no pais.
Como exigir das bibliotecas cooperantes fichas
corretas se nao havia normas estabelecidas, oficial-
mente, para este fim? Como poderiam estabelecer
assuntos e cabecalhos se, para isso, poucos bibliote-
carios tinham aprendido a tecnica essencial? Como
dispor de material de referencia para pesquisa, se a
maioria das bibliotecas existentes nao possuia este
tipo de material?
Tentando suprir estas deficiencias, a Direcao do
DASP autorizou sua Biblioteca a adquirir o material
de referencia disponivel e considerado indispensavel
para o melhor desempenho da tarefa a qual se pro-
punha o SIC.
E assim, apesar de suas limitacOes de pessoal e
de material de pesquisa, o SIC iniciou suas ativida-
des imprimindo, no mesmo ano de sua instalacao,
fichas correspondentes a 600 titulos.
A adesao recebida de inumerfas bibliotecas, dos
pontos mais variados do Pais, contribuiu inegavel-
mente para o seu desenvolvimento.
0 SIC cresceu a tal ponto, que precisou se
desligar da Biblioteca do DASP e constituir-se num
organismo isolado, sem regimento prOprio, embora
ainda vinculado ao DASP e a Imprensa Nacional.
Ate meados de 1947 funcionou ativamente den-
tro do mesmo sistema de cooperacao, ja sentindo a
imperiosa necessidade de ampliar sua capacidade de
producao, nao apenas na parte de revisao das fichas
originais recebidas das bibliotecas cooperantes, mas
tambem, e principalmente, na diminuicao do tempo
necessario a impressao das fichas.
Para facilitar seu desenvolvimento, resolveu a
Fundacao Getulio Vargas unir seus esforcos aos do
DASP e do Departamento de Imprensa Nacional, e
conceder-lhe valioso auxilio financeiro e tecnico.
Por meio de cursos intensivos, organizados pelo
SIC e mantidos pela Fundacdo Getillio Vargas, foi
feito o treinamento de revisores que, de forma quase
imediata, conseguiram melhorar a producao do Ser-
vico. Por outro lado, assumiu a Fundacao o encargo
de promover, com exclusividade, a venda e a distri-
buicao das fichas impressas.
82 83
Nessa oportunidade, procurou-se divulgar as
vantagens do SIC por meio de varias publicacoes e de
tres catalogos impressos, distribuidos graciosamente,
que mostravaim como cooperar, adquirir e utilizar as
fichas produzidas, em colaboracao, por diversas
bibliotecas.
A criacao de algumas escolas de Bibliotecono-
mia contribuiu para que, nessa epoca, o SIC possuls-
se quase 200 bibliotecas cooperantes.
Devido a adocao, pela maioria das bibliotecas
brasileiras, do Codigo da Vaticana (ver Cap. 1, 2), o
SIC tambem escolhera este Codigo para normalizar
suas fichas, atitude que contribuiu para que colegas
da Biblioteca Nacional e de Sao Paulo nunca tives-
sem colaborado, alegando divergencia de normas,
pois utilizavam o celdigo da ALA.
Em 1954 foi criado o Instituto Brasileiro de
Bibliografia e Documentacao (IBBD) que recebeu,
como uma de suas atribuiceies fundamentais, o
encargo da manutencao do SIC.
Com a finalidade de estudar as medidas que
deveriam ser tomadas para a ampliacao dos traba-
lhos que vinham sendo realizados por aquele servico,
o IBBD fez um cuidadoso levantamento, pelo qual
ficou convencido de sua real utilidade para as biblio-
tecas e centros de documentacao do Pais.
Para aperfeicoar os servicos prestados pelo SIC,
o IBBD tomou, entre outras providencias, a respon-
sabilidade de publicar a segunda edicao do COdigo
da Vaticana' a fim de contribuir para a uniformi-
zacao das regras de catalogacao no Pais; firmou,
tambem, urn acordo corn o Instituto Nacional do
Livro (INL), pelo qual se obrigava a fornecer as
bibliotecas fichas correspondentes aos livros que lhes
fossem doados pelo INL.
Por outro lado, é fato incontestavel que, a cada
dia que passa, diminuem as possibilidades do biblio-
tecario manter atualizados os servicos de catalogacao
e classificacao a seu cargo.
Tao volumosa é a producao tecnico-cientifica
atual que a Unica solucao possivel sera, por certo, o
use de computadores. Estudos tentativas ja se vem
fazendo, nesse sentido, nos rneios economicamente
mais favorecidos do Pais.
Na maior parte dos paises desenvolvidos, a cata-
logacao cooperativa ou centralizada, em ambito na-
cional, ja é uma realidade e pianos estao sendo
elaborados para que se alcance extensao internacio-
nal. Haja vista o recente programa da "Association
of Research Libraries", conhecido entre nos como
programa de catalogacao compartilhada (ver 3.).
Esses pianos em grande escala encerram, no
entanto, uma serie de problemas, pois é quase im-
possivel uma completa unificacao na estrutura dos
principios a adotar.
Entretanto, todos os esforcos levam a urn Unico
objetivo: colocar o volume de documentos recem-
chegados a uma biblioteca a disposicao do leitor, o
mais rapidamente possivel.
Quando em 1942 nasceu a catalogacao coopera-
tiva em nosso Pais, ja se pressupunha que talvez o
projeto fosse ainda prematuro para que tivesse corn-
pieta e rapida aceitacao, devido ao estado de nossas
bibliotecas, pobres ainda em sua maior parte, em
recursos financeiros e pessoal tecnico adequado.
84 85
Montado de maneira inversa da adotada pelo
modelo que the deu origem — isto é, baseado em
catalogacao feita pelos integrantes da rede e revisada
pelo Servico, e estando, entao, a Biblioteconomia
brasileira em fase embrionaria, era de se esperar o
lento desenvolvimento que teve.
Levando-se em conta a vastissima extensao terri-
torial do Brasil, facil é deduzir que teria mais rapi-
damente atingido sua meta se estruturado sobre a
base da catalogacao centralizada; mais logic° seria
reunir urn grupo bem treinado de tecnicos para
trabalhar para uma coletividade, do que esperar que,
em pontos tao distantes e em bibliotecas de acervo
tao heterogeneo, se encontrassem grupos que a tra-
balhassem homogeneamente para um centro distri-
buidor.
A estrutura dos Orgaos que the deram cobertura
nao permitiu que tal projeto de centralizacao fosse o
escolhido. Anos mais tarde, apps terem sido realiza-
das varias tentativas de anexar o SIC a Biblioteca
Nacional — unico local, a epoca, vifivel para que
atingisse plenamente a realizacao de seus objetivos —
nada foi conseguido.
0 SIC sempre trabalhou na base da confianca
depositada nos dados enviados pelas bibliotecas coo-
perantes, pois nao dispunha de recursos para corn-
provar se os mesmos eram ou nao fieis a obra em
processo de catalogacao; faltava-lhe o principal: ter a
obra ao seu alcance para confrontar as fichas envia-
das. Mesmo assim, lancava mao de todos os recursos
disponiveis nao so para revisar e normalizar mas,
principalmente, para identificar, comparar e comple-
tar os dados catalograficos, a fim de atingir seu
objetivo: incentivar o aperfeicoamento dos cataloga-
86
dores brasileiros, atraves do material impresso, pa-
dronizado e bem apresentado. Geralmente, 80% das
contribuicoes recebidas tinham de ser totalmente re-
feitas.
Apesas dos problemas enfrentados e das criticas
que the eram feitas, 94 continuou o SIC a prestar as
modalidades de auxilio a que se tinha proposto:
a) barateamento do custo ide catalogacao dos
acervos e aperfeicoamento das tecnicas catalogra-
ficas;
b) desenvolvimento da cooperacao entre biblio-
tecas;
c) contribuicao para a formacao de catalogos
coletivos regionais;
d) economia de tempo nas tarefas tecnicas de
catalogar e classificar;
e) facilidades nas pesquisas bibliograficas e
ajuda na atualizacao dos catalogos das bibliotecas.
A medida que o tempo avancava, novos proble-
mas apareceram, entreos quais: a nao melhoria na
qualidade de trabalho apresentado pela maior parte
das cooperantes; a necessidade de uniformizacao das
entradas e, finalmente, uma certa desatualizacao do
estoque de fichas (que foi ern parte compensada pela
inauguracao da grafica do IBBD, em 1960).
Em 1970, corn a divulgacao das vantagens do
Projeto MARC (ver Cap. 4), o SIC decidiu que nao
deveria continuar a atuar nas bases estabelecidas ini-
cialmente. Sua reformulacao comecou a ser idealiza-
da em termos de automatize-lo, tendo ern vista que
algumas das mais importantes bibliotecas ja usavam
computadores na realizacao de tarefas catalograficas.
87
Por que nao criar uma central formada por um
grupo selecionado de cooperantes, escolhido por
areas de assunto, capaz de aliments-la em beneficio
das demais bibliotecas do Pais?
0 tema foi entao escolhido como tema de dis-
sertacao. Preliminarmente a redacao final, foi envia-
do urn questionario a 900 bibliotecas brasileiras que
indagava, entre outras perguntas, sobre a aceitacdo
de uma central de catalogacao. Das 356 respostas
recebidas, todas, sem excecao, foram favoraveis
ideia, havendo inclusive palavras de incentivo a sua
futura montagem.
Mais uma vez a LC foi tomada como modelo,
pois o Projeto CALCO" (ver Cap. 4, 3) — redigido
especialmente para transformar o SIC numa central
de catalogacao automatizada — foi baseado no
MARC II (ver Cap. 4, 1), considerado como lingua-
gem padrao para a troca de dados bibliograficos.
Para que um piano experimental pudesse ser
desenvolvido — sem qualquer ajuda financeira —
adotou-se o criterio de terminar corn a colaboracao
das bibliotecas cooperantes, passando a nao receber
mais originais para revisao.
E o Servico de Intercambio de Catalogacao,
depois de 31 anos deixou de existir em setembro de
1973, para que o Projeto CALCO entrasse em funcio-
namento.*
1.3.2 Realizaceies
No decorrer de seus tres decenios de existencia,
o Servico de Intercambio de Catalogacao contribuiu
* Sua Ultima Diretora, Alice Principe Barbosa, trabalhou e lutou incansavel-
mcnte pela concretizacao de seu ideal. Faleceu em fevereiro de 1975, sem
conhecer o resultado final de seu trabalho (ver Cap. 4, 2).
88
para varios empreendimentos, alem de suas funcoes
normais de orgao central numa rede de cooperantes.
Suas mais importantes realizacOes foram:
a) o aperfeicoamento de seu prOprio pessoal,
que nesse espaco de tempo foi, pouco a pouco,
adquirindo a vivencia necessaria para tao responsa-
yel encargo;
b) o treinamento de numerosos bibliotecarios
que estagiaram em seu setor tectico;
c) o auxilio a diversas bibliotecas, particulares e
oficiais;
d) os acordos corn varias entidades oficiais e
privadas no sentido de ampliar o intercambio biblio-
teconomico;
e) o estabelecimento de normas de simplificacao
de suas catalogagOes, conforme recomendacao do
Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentacao;
f) o controle dos cabecalhos usados em suas
fichas;
g) a tentativa, embora infrutifera, de implantar
a catalogacao-na-fonte (nao houve receptividade por
parte dos editores);
h) o auxilio ao Programa do Livro Cientifico
(USAID/CNPq), catalogando e classificando as cole-
goes recebidas atraves do IBBD;
i ) a organizacao de algumas bibliotecas oficiais;
j ) a publicacao de catalogos e folhetos ilustra-
tivos de seus servicos;
89
1 ) a cloaca° de milhares de fichas, beneficiando,
entre outros, as universidades, no intuito de auxi-
lia-las em suas pesquisas e alerts-las sobre as vanta-
gens do Servico;
m) o atendimento, direta ou indiretamente, as
mais variadas consultas.
2. CENTRAIS DE CATALOGAcA0
2.1 Importeincia
No capitulo anterior foi demonstrado que, des-
de o seculo passado, a difusao de fichas para catalo-
gos, elaboradas numa Central, ja era motivo de
grande preocupacAo por parte dos bibliotecarios.
Centrais de catalogacdo naquela epoca — e hoje mais
do que nunca — sdo as Unicas onsideradas capazes
de oferecer as seguintes vantagens:
a) economia de tempo, material e mao-de-obra;
(Estes tres fatores superam, com a catalogacdo
apenas de material nacional, as dificuldades criadas:
pelo crescente aumento da producao bibliografica;
pela enorme variedade de formas de apresentacAo do
material; e pelo numero consideravel de publicacoes
em outras linguas. Em conseqiiencia, as centrais de
catalogacao suprem a falta de pessoal qualificado,
que podera ser aproveitado em outras tarefas.)
b) normalizaclio: de entradas, de dados descriti-
vos, de cabecalhos de assunto e de numeros de
classificacao;
c) rapidez: no preparo da colecao para use ime-
diato; na eliminacao de trabalho duplicado; na cata-
logacdo, feita uma unica vez por uma central, em vez
de repetida por outras bibliotecas; na reducao, conse-
qiientemente, do custo, do equipamento e da mao-
de-obra.
Mas ha algumas limitacOes, em relacao as bi-
bliotecas cooperantes, que sAo as seguintes:
a) demora no recebimento das fichas;
90 91
b) demora no confronto de livros e fichas para
identifica-los;
c) diferenca na interpretacao de regras de cata-
logacao.
Existem centrais de catalogacdo em quase todos
os paises desenvolvidos, geralmente em bibliotecas
nacionais. No entanto, ha pouca literatura acerca de
seu funcionamento e programas, corn excecao da
Central da LC, pioneira neste tipo de trabalho. Sua
disseminacao esta ligada ao final da Segunda Guerra
Mundial, quando as bibliotecas tiveram seus acervos
enriquecidos com a proliferacao da literatura tecnica
e cientifica, o que as tornou incapazes de resolver o
impasse do actimulo do material a ser catalogado.
A variedade de formas de apresentacao, o gran-
de volume de obras em linguas nao latinas e a
complexidade dos assuntos abordados num mesmo
documento, ocasionaram urn aumento da necessida-
de de mao-de-obra qualificada e raramente existente,
originando urn atraso consideravel na preparacao
desse material para use imediato.
Novamente os bibliotecarios compreenderam
que so o trabalho em cooperacao os levaria as solu-
cOes de seus problemas. Entre os esforcos desenvol-
vidos no passado e no presente, destaca-se, corn
grande diferenca, a necessidade atual de uma coo-
peracao em ambito internacional. Urn programa a
longo prazo precisa ser desenvolvido paralelamente a
outros programas. Em capitulos diferentes eles sera°
analisados pormenorizadamente.
Das centrais existentes, a da LC é a mais impor-
tante nao so pelo volume de trabalho realizado como
pelos esforcos despendidos em prol de um maior
intercambio de informacOes bibliograficas.
92
Apesar da venda sempre crescente de suas fichas
impressas, é interessante notar que estas rid() sac,
aceitas totalmente por todas as bibliotecas, inclusive
nos Estados Unidos. Como causas principais pode-
mos citar:
a) falta de uniformidade nas entradas em rela-
cao as diversas normas vigentes em outras biblio-
tecas;
b) demora no recebimento ferias fichas pelas bi-
bliotecas cooperantes. Quando a obra nao existe na
colecao da LC, sua preparacao fica na dependencia
de compra — as vezes no estrangeiro — de remessa,
,etc., e para resolver esse impasse ela vem trabalhan-
do na execucao de varios programas, todos eles ate
agora vitoriosos.
Quando, na decada de 60, o computador passou
a ser aplicado a varios servicos de bibliotecas — entre
eles a catalogacao — uma nova perspectiva foi aberta
para aumentar a difusao das fichas catalograficas
alem das fronteiras nacionais.
Esse periodo ficou marcado na historia da cata-
logacao pelo inicio de grandes e audaciosos projetos,
todos eles visando a uma grande rede internacional
de informacOes.
Interessada em saber por que as fichas impres-
sas pelas centrais de catalogacao nao erampermuta-
das — o que limitaria a catalogacao a nivel nacional
— a Unesco, atraves de sua Comissao Consultiva
Internacional de Bibliografia, Documentacao e Ter-
minologia, em sessao realizada em Moscou no ano de
1965, recomendou que urn estudo fosse feito a esse
respeito. Desse encargo ficou incumbida a Biblioteca
Nacional de Literatura Estrangeira da URSS, sob a
direcao de Rudomina Giljarevskij.
93
94_
Tomando por base as respostas obtidas atraves
de urn questionario enviado a cento e vinte institui-
cOes de trinta e dois paises, foi feita uma analise das
seguintes perguntas:
a) se a difusao de fichas era ern ambito nacional
ou internacional;
b) se as fichas eram, tambem, usadas para fins
bibliograficos;
c) como eram feitas as remessas de fichas: se
junto corn os livros ou em separado;
d) se a catalogacao era restrita somente a livros,
ou se incluia, tambem, artigos de periodicos;
e) se a catalogacao era de material recente ou
retrospectivo;
f) quais as normas usadas para a determinacao
de entradas;
g) quais as normas usadas para decisao de ca-
becalhos de assunto;
h) se o material catalogado era apenas nacional,
ou tambem internacional;
e muitas outras perguntas.
0 resultado, infelizmente desatualizado, revelou
que:
a) a difusao internacional das fichas catalografi-
cas era de utilidade impar;
b) os principais obstaculos se relacionavam com
a falta de regras normalizadas para a redacao de
fichas, e pela impossibilidade de se assegurar, por
meios tradicionais, o envio simultaneo de livros e das
fichas a eles correspondentes. A adocao de diferentes
normas de catalogacao pelas diversas Centrais, im-
possibilitava o reconhecimento de certos itens biblio-
graficos quando comparados corn os livros.
Para que esses obstaculos fossem superados,
acentua Giljarevskij, a solucao seria:
a) a unificacao, em piano internacional, da des-
cric ao bibliografica;
b) a elaboracao de novos metodos de cataloga-
cao centralizada.
Atualmente, a primeira solucao esta sendo reali-
zada atraves da ISBD (ver Cap. 3, 7.4), e a segunda
pela crescente aceitacao da Catalogacao-na-fonte (ver
Cap. 2, 4). Esta é a maneira mais eficiente de se
conseguir urn rapid° intercambio de informacoes,
pois a catalogacao realizada no proprio livro pelo
pais de origem é a Unica capaz de acelerar a compi-
lacao de bibliografias nacionais e de difundir fichas
ou fitas perfuradas, atingindo assim, a meta do
Controle Bibliografico Universal (ver Cap. 3).
As Centrais de Catalogacao, para interligarem-
se numa Unica rede de informacoes, necessitam:
a) adotar o AACR, adaptado as necessidades de
cada pais;
b) adotar a ISBD;
c) adotar projetos de automacao, compativeis
com as normas da ISO 2079, baseadas no Projeto
MARC II, pioneiro da automacao aplicada a cata-
logacao.
A seguir apresentam-se os trabalhos cooperati-
vos desenvolvidos em alguns paises, destacando-se o
da LC e o do SIC.
95
2.2 Estados Unidos
Berg° da catalogacao cooperativa, este pais é,
entre todos os outros, o que possui maior niimero de
firmas comerciais realizando trabalho similar ao da
LC.
Infelizmente, as mesmas normas de catalogacao
nao sao usadas, o que implica na revisao das fichas
— cada vez que uma obra é encomendada — para
estas se ajustem as necessidades locais.
A Wilson cataloga, imprime e vende fichas de
todos os livros por ela publicados. Outras firmas, e
ate mesmo bibliotecas governamentais, usam o siste-
ma de catalogacao centralizada para atenderem a
bibliotecas de suas redes. Mas a Central de maior
projecao no mundo, caminhando atualmente, para se
transformar no maior Banco de Dados existente, é a
que funciona, desde 1901, na LC.
Sobre o assunto recomendamos os artigos publi-
cados no Library Trends, 16(1), July 1967, dedicados
a catalogacao cooperativa e centralizada.
Em 1901, Herman Putnam aceitou a incumben-
cia que the foi confiada pela ALA, de catalogar e
vender a outras bibliotecas americanas as fichas im-
pressas dos livros existentes na colecao da LC.
No inicio, vinte e uma bibliotecas selecionadas
comecaram a receber, sem qualquer onus, um exem-
plar de cada ficha impressa, dando origem as chama-
das bibliotecas depositarias.
De centralizada — por incluir apenas fichas de
seu acervo — a LC passou a cooperativa quando
comecou a aceitar catalogacejes feitas por outras bi-
bliotecas governamentais e nacionais, como as da
96
"National Agricultural Library", da "National Libra-
ry of Medicine", etc., o que contribuiu para que, final-
mente, depois de tantos pianos frustrados, a cata-
logacao cooperativa iniciasse um ciclo evolutivo. Sua
aceitacao foi enorme. A venda de fichas, sempre
crescente, contribuiu para que ela se tornasse na
maior central cooperativa autofinanciavel.
Em 1910 comecou a receber, tambem, 'contri-
buicOes de outros tipos de bibytecas, inclusive das
depositarias.
Apesar do numero de usuarios de suas fichas
impressas ter crescido consideravelmente, e tambem
do aumento de bibliotecas cooperantes, constatou-se
que seu acervo nao correspondia as necessidades das
bibliotecas de pesquisa do pais.
Para estudar este assunto, em 1923 a ALA no-
meou uma Comissao de Bibliografia, supervisionada
por Ernest Cushing Richardson, que nada conseguiu
fazer para resolver o problema."
Em 1927, num Simposio realizado pela Seca() de
Catalogacao da ALA, uma nova Comissao foi criada
com a mesma finalidade. Seus estudos concluiram
que, do material adquirido pelas bibliotecas acade-
micas do pais (20% a 75% ), a LC nao possuia as
fichas impressas correspondentes.
Foi entao sugerido a ALA a criacao de uma
comissao permanente — sob a presidencia de Keyes
Metcalf — encarregada de estudar a possibilidade de
se catalogar as publicacoes estrangeiras adquiridas
pelas bibliotecas de pesquisa. Analisados os diversos
aspectos da questao, foi esbocado um piano para
estabelecer, na propria LC, urn Escritorio encarrega-
do de rever a catalogacao do material adquirido por
aquelas bibliotecas.
97
Iniciando suas atividades em 1932, a Comissao
teve um sucesso tao grande que, em 1934, foi reor-
ganizada como um Departamento da LC, com o
nome de "Cooperative Cataloging and Classification
Service", tendo entre outras fungi -5es: incluir a classi-
ficacao de Dewey e rever as contribuicOes enviadas
pelas bibliotecas cooperantes (a partir de 1936).
Em 1940 passou a chamar-se "Cooperative Ca-
taloging Section", subordinada a "Descriptive Cata-
loging Division."
Entre 1942 e 1946 a LC iniciou a publicacao do
seu famoso catalog° de fichas impressas Library of
Congress Catalog of Printed Cards, em cento e ses-
senta e sete volumes — incluindo o acervo de fichas
catalogadas desde o inicio de sua Central ate 1946 —
que passou a ser o melhor instrumento de pesquisa
em catalogacao para a maioria das bibliotecas de
todos os paises.
Sempre atualizado por meio de suplementos
acumulados, este catalog° veio resolver os problemas
de espaco e de economia de mao-de-obra, necessarios
anteriormente, para alfabetar e arquivar as fichas
recebidas da LC. A partir de 1952, quando comecou
a incluir as fichas recebidas pelo Catalog° Coletivo
Nacional, passou a chamar-se "National Union Ca-
talog", mais conhecido por NUC.
Em 1948 Ralph Ellsworth apresentou a LC um
plano — conhecido pelo seu nome — onde sugeria
que ela se tornasse uma agencia de catalogacao
centralizada para todo o pais. Sua ideia era que
todas as bibliotecas cooperantes enviassem a LC as
copias das suas papeletas de encomenda. Ao recebe-
rem os livros, tambern, as respectivas fichas ja deve-
riam estar impressas pela LC. Este servico seria
financiado pelas pr6prias bibliotecas, incluindo nao
so o prep de custoda catalogacao, como tambern a
impressao e distribuicao das fichas. Por ter sido
considerado impraticavel, nao chegou a ser posto em
execuc ao.
A partir de 1951, as fichas da LC passaram a ser
mais difundidas devido a inclusao dos seus ntimeros
de impressiio (numero de identificacao da ficha no
estoque) nos catalogos de varios editores, bem como
no verso da pagina-de-rosto da maior parte dos livros
publicados nos Estados Unidos.
A divulgacao destes numeros reduziu o preco da
ficha, facilitando sua encomenda pelo numero de
imp ressao.
A partir dessa epoca a LC vem procurando
servir cada vez melhor seus usuarios, atraves de uma
serie de programas, alguns atualmente corn reper-
cussao internacional.
Em 1953 foi criado o "All-the-Books Program",
corn a finalidade de conscientizar o comercio livreiro
do valor de sua contribuicao, ao enviar a LC uma
copia dos livros antes de serem impressos, colaboran-
do para que as bibliotecas pudessem receber as
fichas a eles correspondentes logo apos a sua publi-
cacao.
Tentando facilitar cada vez mais os trabalhos
desenvolvidos no processamento tecnico das colecOes,
em 1958 a LC iniciou urn piano experimental de
catalogacao-na-fonte, chamado CIS (Cataloging-in-
source), sob a direcao de Andrew Osborn, que, devi-
do a sua importancia, sera estudado em outro capi-
tulo (ver Cap. 2, 4.6). Em 1961 outro programa,
"Cards-for-Books", tentava mais uma vez interessar
livreiros na divulgacao simultanea do livro corn a
98 99
ficha impressa a ele correspondente. Havia uma dife-
renca em relacao ao plano anterior: as fichas impres-
sas seriam remetidas aos livreiros e distribuidas corn
os livros. Plano semelhante já havia sido tentado,
infrutiferamente, no seculo XIX (ver 4.3.).
A partir de 1965 sua Central de Catalogacao
projetou-se mundialmente atraves de tees grandes
program as considerados como capazes de resolver o
problema dominante da epoca moderna — a total
compatibilidade de informaciies bibliograficas — e
de atingirem o Controle Bibliografico Universal (ver
Cap. 3):
a) o ressurgimento da catalogacAo-na-fonte, tam-
tambem chamada CIP (cataloging in publication)
(ver 4);
b) a catalogacao compartilhada ("shared cata-
loging") (ver 3);
c) o MARC II (ver Cap. 4, 2.4-5).
A LC comunicou, na Conferencia anual da ALA
em Detroit (1977), que em 1980 pretende interrom-
per os servicos prestados por seus catalogos, a fim de
adotar o AACR e abandonar assim sua politica de
superimposicao.
2.3 URSS
Na Uniao das Republicas Socialistas Sovieticas,
a catalogacao centralizada é subvencionada, planifi-
cada e dirigida pelo governo e considerada de grande
importancia nas atividades culturais nacionais.
Abrange todos os tipos de documentos, e é realizada
por inumeras e diferentes bibliotecas:
— Biblioteca da Academia das Ciencias
100
— Biblioteca de Lenine (Biblioteca Nacional da
URSS)
— Biblioteca Nacional de PublicacOes Estran-
geiras
— Biblioteca Publica Nacional de Ciencia e
Tecnologia
— Camara do Livro da URSS
— Camara do Livro das Republicas da Uniao
— Comissao de Normas, Medidas e Instrumen-
tos de Medidas da URSS
— Instituto Central de Informacoes sobre Pa-
tentes e Pesquisas Tecnicas Economicas
— Instituto cle Informacoes Cientificas e Tecni-
cas da URSS (VINITI)
— outros institutos de pesquisa.
Em 1925 foi criada a Oficina de Catalogacao
Centralizada, corn o encargo de imprimir fichas para
as publicacties russas correntes, servico atualmente
realizado pela editora Kniga.
Pela primeira vez, as fichas obedeceram a uma
uniformizacao de normas de entrada descritiva, cop
o tamanho padrao de 12,5 x 7,5 cm.
Dois anos depois, a Camara do Livro do Estado
— hoje da URSS — iniciava a impressao da produ-
cao corrente nacional, entrando a Academia das
Ciencias nesse esquema a partir de 1937.
Em 1949, a Biblioteca de Lenine comecou a
imprimir fichas, apresentando um melhor aspecto na
disposicao dos seus dados, que incluiam numero da
CDU e de Cutter adaptados aos caracteres cirilicos,
cabecalhos de assunto, excluindo apenas entradas
101
secundarias. Na determinacao das entradas, usavam
regras unificadas. A fim de atender aos diferentes
interesses das bibliotecas regionais, municipais, ru-
rais, escolares e infantis, as fichas eram impressas
em varias series, incluindo as obras relevantes dos
assuntos de suas especializacOes. Esta biblioteca
ficou, tambem, encarregada de imprimir as fichas
relativas ao material retrospectivo de 1708 a 1925.
Depois de 1954, a Camara do Livro principiou
a imprimir fichas referentes as teses doutorais, indi-
cando, apenas, o nome do autor e os dados biblio-
graficos; os cabecalhos de assunto sao incluidos,
apenas, em Medicina, Biologia e Tecnologia, como
parte de uma serie especial, enviada aos interessados
mediante assinaturas. As series podem ser comple-
tas, anuais ou especializadas, e cobrem catorze dis-
ciplinas.
A proliferacao da producao de livros e o conse-
qiiente aumento das colecoes levaram a URSS a
imprimir, em 1955, fichas para livros estrangeiros —
exceto para traducoes de obras publicadas em russo
— inicialmente destinadas, apenas, a Biblioteca de
Lenine. A partir de 1956, ficaram disponiveis para
qualquer outra biblioteca. Sua redacao obedecia a
uma rigorosa pesquisa bibliografica, e a composicao
tipografica era aproveitada para imprimir, tambem,
urn Boletim Informativo em tres series, que divulgava
as novas aquisicaes no campo da Fisica, Materna-
tica, Quimica, Geologia e Tecnologia. Os titulos
apresentavam a traducao em russo e as vezes um
pequeno resumo.
As bibliotecas podiam recortar os dados biblio-
graficos, e colando-os em fichas, coloca-los imediata-
mente nos catalogos.
Em 1956, a Biblioteca Nacional de Literatura
Estrangeira da URSS comecou a produzir fichas
para material estrangeiro no campo da Ciencia e
Tecnologia, enviando sua producao a trezentos e
oitenta bibliotecas da URSS e a outras pertencentes a
paises socialistas. As fichas incluiam tambem a nota-
cao de classificacao usada pela propria Biblioteca,
uma analise do assunto e o titulo em russo.
Desde 1960, a Biblioteca Nacional de Publica-
goes Estrangeiras imprime fields para artigos sobre
Biblioteconomia e Documentacao, Fisica, Quimica,
Matematica e Biologia. Nelas sac, incluidas a notacao
da CDU e o titulo traduzido para o russo.
A partir de 1963, a Biblioteca do VINITI iniciou
a impressao de fichas para livros tecnicos — publica-
dos em todos os paises no formato internacional e in-
cluindo os nUmeros da CDU, uma analise da obra e o
titulo traduzido em russo. Trabalho semelhante é
feito, tambem, pela Biblioteca Publica Nacional de
Ciencia e Tecnologia.
A area do material nao-impresso comecou a des-
pertar a atencao da URSS a partir de 1956, quando a
Biblioteca de Lenine passou a imprimir fichas para
material cartografico (em russo), mapas estrangeiros
e partituras musicais da Uniao Sovietica, estenden-
do-se depois as normas nacionais, obedecendo as
da ISO.
0 Instituto Central de Informacao sobre Paten-
tes e Pesquisa e a Biblioteca da Uniao Sovietica para
Patentes e Pesquisas Tecnicas, depois de 1962, ini-
ciaram a impressao de fichas para certificados de
invencOes e patentes obtidos na URSS.
A partir de 1964, a Academia de Ciencias da
URSS principiou a imprimir fichas para mapas geo-
graficos e revistas cientificas.
102 103
Atualmente, muitos dos institutos da URSS
estao imprimindo fichas para resumos de artigos, de
interesse para bibliotecas e centros de documentacao,
nos mais variados assuntos tecnicos e cientificos.
2.4 Reino Unido
A catalogacao centralizada na Gra-Bretanha
comecou corn urn servico — que durou pouco mais
de urn ano — realizado pela firma Harrods de Lon-dres, atraves de seu "Library Supply Department",
imprimindo fichas semelhantes as da LC.
Em 1949 foi criado o "Council of the British
National Bibliography Ltd.", corn a finalidade de
editar a British National Bibliography, que princi-
piou com uma lista semanal de livros correntes publi-
cados em lingua inglesa. Este Conselho inclui repre-
sentantes do Museu Britanico, Library Association,
Publisher's Association, Booksellers Association, Na-
tional Book League, British Council, Royal Society,
Aslib e Joint Committee of the Four Copyright Li-
braries.
Do material incluido na "British National Bi-
bliography" eram feitas fichas para venda — servico
que durou de 1956 a 1969 — atraves de urn processo
que eliminava a necessidade de se manter um es-
toque.
Elas eram datilografadas em carbono, colocadas
numa moldura de papelao resistente, e arquivadas.
Sempre que solicitadas, eram duplicadas em apare-
lhagem especial.
As fichas incluidas na "British National Biblio-
graphy" sao catalogadas de acordo com as normas
estabelecidas pelo AACR, a partir de 1968, e classifi-
cadas pelo sistema de Dewey. Depois da colacao, sao
indicados o preco da obra, a bibliografia, o indice —
quando existentes — e o ISBN. A pista nao é indica-
da, porque os assuntos e fichas secundarias apare-
cem na bibliografia em ordem alfabetica, da mesma
forma que num catalog° dicionario: por autor, titulo
e assunto.
Suas fichas impressas, que cobrem o material
depositado no Museu Britanico por contribuicao
legal, nao sao usadas pela maioria das bibliotecas
inglesas. A maior incidencia &luso é verificada em
bibliotecas publicas.
Em 1966, a "British National Bibliography" foi
escolhida pela LC para fazer parte do plano experi-
mental de catalogacao compartilhada, como a pri-
meira biblioteca cooperante estrangeira. Semanal-
mente suas fichas sao enviadas ao EscritOrio da LC
em Londres, e remetidas a Washington para impre-
sao e distribuicao.
Em 1969, a catalogacao centralizada passou a
ser feita por computador, atraves do projeto UK/
MARC II.
E interessantes notar que existem inumeras dife-
rencas entre os servicos de catalogacao centralizada
da LC e os da "British National Bibliography".
Nesta, a catalogacao é mantida por uma entidade
que inclui representantes de muitas outras, e surgiu
muito tempo depois de publicada a bibliografia,
incluindo apenas material publicado em lingua ingle-
sa. No servico da LC — biblioteca nacional america-
na — o servico de fichas impressas ja existia ha mais
de quarenta anos antes da decisao de reproduzi-las
em forma de livro, e inclui nao so as fichas do seu
acervo mas tambem urn grande numero de obras
estrangeiras. Esta é a maior diferenca entre os dois
servicos, aparentemente semelhantes.
105 104
Rgaigagiazza====_._
2.5 Outros paises
Os servicos de catalogacao centralizada ou coo-
perativa existentes estao a cargo das bibliotecas
nacionais, por sua funcao especifica de depositarias
das obras publicadas em ambito nacional. A literatu-
ra sobre o assunto é muito escassa, e por esta razao
Dorothy Anderson' menciona a possibilidade de a
Unesco patrocinar um novo levantamento, semelhan-
te ao realizado por Giljarevskij.' Assim, havers
condicOes de se conhecer as alteracities introduzidas
nos servicos de catalogacao apos a Conferencia de
Paris e a RIEC.
A obra de Giljarevskij, embora desatualizada,
serviu de base para os dados que se seguem.
2.5.1 Canada
Atraves de urn programa assistencial do governo
as bibliotecas pUblicas, a catalogacao centralizada é
realizada por diversas centrais, onde fichas sao ad-
quiridas para manutencao de catalogos.
Essas fichas sac) reproduzidas por variados pro-
cessos, como datilografia, impressao, offset, Addres-
sograph, Varytyper e Multilith.
0 sistema de classificacao adotado é o de Dewey,
e as regras de catalogacao as do AACR.
A Biblioteca Nacional do Canada, responsavel
pela "Canadiana" (bibliografia nacional desse pais)
nao adotou o esquema de impressao de fichas para
venda, mesmo depois de 1970, quando iniciou a
mecanizacao de sua producao bibliografica atraves
do Canadian/MARC.
106
2.5.2 Franca
A catalogacao centralizada a feita pelo "Service
d'Information Bibliographique", da "Direction des
Bibliotheques et de la Lecture Publique", que inclui
publicacoes estrangeiras destinadas as bibliotecas
universitarias e especializadas.
As bibliotecas universitarias francesas permu-
tarn entre si as teses defendi4as em suas universi-
dades e nas da Belgica, Finlandia, Suecia, Holanda,
Noruega, Suica e Dinamarca. Por esse motivo, as
teses sao catalogadas e suas fichas reproduzidas e
distribuidas entre as bibliotecas universitarias e cien-
tificas desses paises.
0 sistema de classificacao adotado é a CDU, e as
fichas reproduzidas por datilografia ou offset.
2.5.3 Australia
Em 1967 foi criado urn servico de fichas impres-
sas pela Biblioteca Nacional da Australia, incluindo
o material arrolado na Australian National Biblio-
graphy.
A permuta de fichas é feita pelas bibliotecas
universitarias do pais e bibliotecas nacionais de ou-
tros paises, principalmente entre a LC dos Estados
Unidos, a Academia de Ciencias da Russia, a Biblio-
teca Nacional do Canada e a Biblioteca do Congresso
do Japao.
2.5.4 Republica Democratica Alema
A catalogacao centralizada a distribuida entre
varias bibliotecas de acordo com o tipo de material.
107
UFRJ/CCJE
Bibliotetm Euakio Gudirr
Em Leipzig, a Deutsche Bilcherei imprime as
fichas de livros nacionais e estrangeiros e difunde
aquelas impressas pelo "Leipziger Titeldrucke".
Em Berlim, a "Deutsche Staatsbibliothek" —
que funciona como uma central de catalogacao coo-
perativa — imprime o material estrangeiro recebido
por cinco bibliotecas alemas, que por sua vez é
distribuido pelo "Berliner Titeldrucke".
2.5.5 Republica Federal da Alemanha
Na Alemanha Federal, a Deutsche Bibliothek,
de Frankfurt-am-Main, ate 1963 distribuia as fichas
incluidas na "Deutsche Bibliographie", trabalho rea-
lizado, atualmente, por uma agencia central de cata-
logacao.
Antes da Conferencia de Paris as regras adota-
das eram as InstrucOes Prussianas. Com
a reformu-
lacao deste codigo, segundo os "Principios" estabele-
cidos naquela Conferencia, nao se pode afirmar —
devido a problemas de custo de mao-de-obra para
atualizacao dos catalogos — se as novas regras cata-
lograficas estao sendo usadas, atualmente, nas fichas
impressas posteriores a 1961.
108
3. CATALOGAcA0 COMPARTILHADA
3.1 HistOrico
Dois grandes problemas tern sido constantemen-
te causa, ha mais de urn seculo, de enorme preo-
cupacao e de dificil solucao pare bibliotecarios:
a) o alto custo da catalogacao, quando feita
pelas proprias bibliotecas;
b) o tempo decorrido entre a publicacao de uma
obra e a disponibilidade imediata de seus dados para
o usuario.
Tentando soluciona-los, a LC criou em 1901 a
catalogacao cooperativa, na esperanca de que as
fichas impressas por sua central superassem aqueles
problemas (ver 1 e 2.2).
A partir de 1945, corn o crescimento assustador
da literatura tecnico-cientifica em outras linguas —
algumas de dificil interpretacao — sua central de
catalogacao comecou a ter serias dificuldades em
atualizar o processamento tecnico de suas obras,
ocasionando uma demora de seis a oito meses entre a
impressao e a divulgacao das fichas, principalmente
nas areas da Ciencia e da Tecnologia.
As bibliotecas tecnicas e principalmente as de
pesquisa se ressentiam de nao encontrar nos catalo-
gos da LC cerca de 70% das fichas correspondentes
as obras por elas adquiridas.
Sentindo a gravidade do problema, a LC tentou
acelerar sua producao catalografica atraves de dois
projetos:
109
a)Plano Farmington, criado apos a Segunda
Guerra Mundial, corn o objetivo de garantir que pelo
menos um exemplar de cada obra publicada no
exterior existisse no acervo de uma biblioteca ame-
ricana;
b) "Public Law 480", atraves da qual conseguiu
do governo autorizacao para utilizar os creditos ame-
ricanos existentes em moeda local, em certos paises,
com a finalidade de comprar e catalogar publicacoes
de valor cientifico e envia-las as bibliotecas america-
nas que quisessem participar desse piano.
Apesar dos resultados positivos, nao houve pos-
sibilidade de se equilibrar a preparacao tecnica e a
impressao das fichas devido ao nomero cada vez
maior de obras publicadas em nivel tecnico-cientifico
por outros paises.
Entre as justificativas apresentadas pela LC, as
principais eram:
a) a impossibilidade de catalogar imediatamente
o material tecnico-cientifico, devido a prioridade
estabelecida para a catalogacao de seu acervo geral;
b) o excessivo aumento de publicacOes em ou-
tras linguas, exigindo mao-de-obra altamente qualifi-
cada;
c) a falta de cooperacao das editoras, Ilk) en-
viando corn antecedencia seus livros para serem cata-
logados, o que dificultava a distribuicao simultanea
dos livros e das fichas impressas;
d) a demora no recebimento do material enco-
mendado no exterior;
e) a demora na impressao das fichas, causada
pelo congestionamento da grafica;
110
f) a falta, na grafica, de tipos em caracteres
orientais, implicando no envio das fichas para serem
impressas nos paises de origem dos livros.
Preocupada em atualizar a catalogacao dessas
obras, a "Association of Research Libraries" resolveu
desenvolver um estudo — atraves do trabalho con-
junto da LC corn outras bibliotecas interessadas no
assunto — onde concluia que:
a) as setenta e quatro prinoipais bibliotecas fi-
liadas a Associacao gastavam uma media anual de
US$18,000.00 em catalogacao, quantia exorbitante,
tendo em vista o orcamento total previsto para este
processamento tecnico;
b) os quarenta e sete milhoes de fichas vendidas
pela LC a dezessete mil bibliotecas equivaliam a
menos da metade do total da catalogacao executada
pelas outras bibliotecas, em particular;
c) a falta de bibliotecarios especializados, corn
conhecimento de outras linguas alem da inglesa, era
dificil e so poderia ser superada com uma cataloga-
cao cooperativa em nivel internacional.
Discutidos estes pontos em varias reuniOes, um
programa foi submetido ao Congresso, em 1964, e
por ele aprovado como "Higher Education Act", em
1965. Um dos itens desta lei sugeria a fusao das
verbas destinadas as bibliotecas universitarias e de
nivel superior, com a finalidade de aumentar suas
colecOes bibliograficas. Os problemas decorrentes
foram solucionados atraves da emenda "Title 11-C"
que estabelecia:
a) a aquisicao pela LC de todo material corrente
estrangeiro, de interesse cientifico;
111
b) a catalogacao e a difusao, o mais rapid° pos-
sivel, atraves de qualquer um de seus meios em uso:
fichas impressas, catalog° coletivo impresso ou fitas
magneticas;
c) a incorporacao destas obras ao seu acervo,
caso fossem de seu interesse; ou, em caso contrario,
permutadas.
Em 1968, foram acrescentadas tres emendas a
esta lei, que autorizavam a LC, como sua executo-
ra, a:
a) adquirir varios exemplares de uma mesma
obra;
b) fornecer as bibliotecas interessadas, alem da
ficha catalografica impressa, o exemplar da publica-
cao considerada indispensavel a pesquisa, como indi-
ces, bibliografias, catalogos coletivos, etc.;
c) cobrir os gastos administrativos decorrentes
dos servicos cooperativos estabelecidos para aquisi-
cao de obras publicadas em locais, cuja compra é
de dificil acesso.
Assim, teve inicio o "National Program for Ac-
quisitions and Cataloging" (NPAC), que, na reali-
dade, era uma catalogacao cooperativa internacional.
3.2 Programa Nacional de Aquisicao
e Catalogacilo (NPAC)
Desde o inicio ficou estabelecido que o material a
ser catalogado incluiria: monografias, anuarios'e atlas
publicados em 1966 ou incluidos em bibliografias
nacionais correntes estrangeiras desse ano; seriam
excluidos: periOdicos, teses e materiais especiais
("non-book materials").
Avaliando o volume do trabalho a ser realizado,
a Divisao de Processamento da LC, sob a eficiente
direcao de John Cronin, idealizou que melhores re-
sultados poderiam ser obtidos se conseguisse o apoio
dos centros encarregados da compilacao de bibliogra-
fias nacionais.
Na verdade, logo se verificou que o numero de
publicacoes adquiridas pela LC era bem maior do
que o pessoal qualificado para cataloga-las corn a
brevidade 'de tempo desejada; 9 que a catalogacao
compartilhada so poderia atingir suas finalidades se
houvesse um trabalho de cooperacao internacional.
Acordos foram estabelecidos entre varios paises,
livreiros e bibliotecas nacionais (controladoras de
direitos autorais), para que, segundo criterios prees-
tabelecidos, o material a ser adquirido fosse selecio-
nado e enviado, por via aerea, a LC.
Varios escritorios regionais foram, tambern, ins-
talados com a mesma finalidade, principalmente em
paises que nao possuiam bibliografias nacionais cor-
rentes.
Uma analise de dezoito bibliografias nacionais
demonstrou que, de maneira geral, todas seguiam os
mesmos metodos descritivos.
Durante uma conferencia informal, realizada
em Londres em 1966, da qual participaram represen-
tantes de quatro bibliotecas nacionais europeias —
Inglaterra, Franca, Alemanha Ocidental e Noruega
— Quincy Munford, Diretor da LC, expos o que a LC
pretendia alcancar para a continuidade e o exito da
catalogacao compartilhada. Corn o apoio de todos,
ficou decidido que ela passaria a aceitar em seus
catalogos as entradas estabelecidas pelas bibliogra-
fias nacionais desde que se ajustassem — inclusive na
parte descritiva — as suas normas e as do AACR.
Urn teste inicial foi feito corn a "British National
Bibliography". Atraves de um escritorio estabelecido
em Londres, os livros com as respectivas fichas eram
enviados a LC pelo seguinte processo:
a) os livros eram cedidos pelo British Museum;
b) a entrada, o titulo, a imprenta, a colacdo, o
prep e o British Book Number determinados pela
British National Bibliography;
c) a LC se incumbia de verificar estes dados, a
fim de que coincidissem corn suas normas e as do
AACR, e acrescentar os cabecalhos de assunto e os
numeros de classificacao de Dewey e de seu proprio
sistema.
3.3 Implicacoes internacionais
0 sucesso desta primeira experiencia foi tao
grande que, imediatamente, outras foram tenta-
das.". 65.
Atraves do estabelecimento de diversos escrito-
rios situados nos mais diferentes locais, a LC come-
cou a criar uma verdadeira rede de catalogacao.
Alem do escritOrio de Londres, para publicacOes
inglesas, urn outro, em Paris, ficou responsavel pelos
livros publicados na Franca, Belgica, Suica e Holan-
da; outro em Oslo, para publicacoes dos paises es-
candinavos; em Wiesbaden, para obras em lingua
alema; em Belgrado, para publicacoes iugoslavas, e
muitos outros, inclusive no Brasil.
Basicamente, a metodologia usada por todos os
escritorios é a mesma, corn pequenas variacoes. Me-
114
diante urn convenio estabelecido corn paises que tem
bibliografias nacionais, a LC recebe com anteceden-
cia a Ultima prova tipografica (boneca) destas biblio-
grafias, de onde seleciona as obras de seu interesse.
A entrada catalografica é mantida — salvo raras
excecoes — cabendo a LC completar e uniformizar os
dados restantes.
Mesmo em paises que nao possuem bibliografias
nacionais, como inumeros paises africanos, escrito-
rios foram criados corn a mesma tfinalidade, cabendo
a eles o levantamento e a selecao do materialadqui-
rido.
Esses escritorios funcionam corn pessoal tecnico
dos proprios paises em que estao localizados, ocasio-
nalmente corn a supervisao de um funcionario da LC.
A catalogacao compartilhada é realizada por
tres fontes de aquisicao:
a) centros bibliograficos responsaveis pelas bi-
bliografias nacionais correntes;
b) escritorios regionais responsaveis pela aquisi-
cao e catalogacao de obras publicadas numa deter-
minada lingua, provenientes de varios paises;
c) escritorios regionais responsaveis pela aquisi-
ca- o de obras localizadas em paises que nao possuem
bibliografias nacionais correntes.
3.4 Desvantagens
Corn este gigantesco empreendimento, a LC con-
seguiu aumentar seu acervo e as bibliotecas cientifi-
cas americanas diminuiram seu deficit de cataloga-
cao por realizar.
115
116 117
Ainda assim, o trabalho despendido pela LC em
verificar e adaptar as entradas as suas normas ou as
estabelecidas pelo AACR (inumeros paises adotam
outros codigos como as InstrucOes Prussianas, usadas
em grande parte da Europa) nao oferece compensa-
cOes, e é de tal vulto que ainda nao se conseguiu
superar o atraso na impressao de suas fichas.
Por outro lado, é urn programa que atende aos
paises de lingua inglesa — alem dos Estados Unidos
— como Inglaterra, Australia e Canada, mas que
nao conta com o apoio de outros paises para a
compra de suas fichas impressas.
A barreira lingilistica é a principal causa, devido
a necessidade capital das notas especiais e cabecalhos
de assunto precisaram ser traduzidos e adaptados, de
acordo corn a lingua oficial usada pelo pais em que
forem utilizadas.
A falta de um link() codigo de catalogacao e de
normas e padrOes internacionais contribui para a
diversificacao de criterios na escolha da entrada prin-
cipal; isto exige pessoal altamente categorizado para
identificar as fichas impressas com a obra em pro-
cesso de catalogacao.
Embora o AACR tenha servido de base para
outros codigos, e ate mesmo tenha sido escolhido por
muitos paises — havendo mesmo uma forte tenden-
cia para se tornar internacional — outros codigos
ainda sao usados, como as Instruciies Prussianas, o
da Vaticana, etc., que permitem varias opcOes para a
decisao de urn cabecalho principal, seja pessoal ou
coletivo.
Nem todas as bibliotecas usam os sistemas de
classificacao de Dewey ou da LC. Embora o primeiro
seja o mais usado, existem diferencas de notacOes nas
diversas edicO'es. As bibliotecas especializadas prefe-
rem a CDU e, na Inglaterra, o sistema de Bliss é
bastante usado.
Como conciliar todas essas divergencias?
Na realidade, embora vendidas a cerca de dezes-
sete mil bibliotecas, as fichas da LC servem, apenas,
para a maioria, como fonte de referencia.
Se a adocao integral da cltalogacao comparti-
lhada implica diminuicao de custo pelo menos nos
paises onde a lingua inglesa é a oficial, o AACR
adotado, e os sistemas de classificacao de Dewey ou
da LC utilizados, nos demais paises o fator economia
é quase impossivel de se obter.
A catalogacao cooperativa, para ser usada em
bases internacionais e para diminuir o custo do pro-
cessamento tecnico de suas colecOes, precisa ainda de
outros recursos.
Talvez a utilizacao do UNIMARC (ver Cap. 4,
2.6.2) como meio universal de troca de informacOes
bibliograficas, atraves de urn sistema mecanizado,
possa vir a solucionar o problema e transformar a LC
num valioso banco de dados.
4. CATALOGA00-NA-FONTE
Os recentes programas elaborados pela Unesco e
pela FIAB tem como objetivo final um controle bi-
bliografico, em ambito universal. Para atingi-lo,
ficou evidenciado que o meio mais eficiente seria a
catalogacao da producao bibliografica no seu prOprio
pais de origem e sua rapida permuta atraves de
fichas impressas, fitas magneticas, bibliografias im-
pressas, etc.
Porem, nem todas as centrais cooperativas exis-
tentes cobrem toda a producao nacional e nem todos
os paises possuem bibliografias nacionais atualiza-
das. Muitos nem as compilam.
Por essas razoes, aquelas entidades considera-
ram a catalogacao-na-fonte como o processo mais
rapid° de difusao bibliografica, alem das fronteiras
nacionais. Subvencionado pela Unesco, a Comissao
de Catalogacao da FIAB esta realizando urn levanta-
mento sobre o assunto a fim de verificar as condi-
c•3es em que estao funcionando as centrais existentes
e como poderao ser iniciados programas semelhantes
em paises de diferentes niveis de desenvolvimento.
4.1 Definicdo
Catalogacao-na-fonte é aquela em que a ficha
catalografica acompanha o respectivo livro, impres-
sa no verso da pagina-de-rosto, feita quando o livro
esta ainda em fase de impressao.
4.2 Vantagens
Desde que obedientes a normas preestabelecidas
e adotadas em ambito nacional, sao inumeras suas
vantagens, dentre as quais se destacam:
a) reducao do custo da catalogacao;
b) economia na verba destinada ao contrato de
catalogadores;
c) reducao, quase que total, do minimo de
obras catalogadas nas bibliotecas (a ficha impressa
no livro auxilia o bibliotecario a fazer, apenas, as
adaptacoes necessarias);
d) solucao do problema constante de haver sem-
pre urn numero maior de livros i a catalogar do que
catalogadores;
e) facilidade na citacao bibliografica, na enco-
menda de fichas as centrais de catalogacao e na
organizacao de pequenas bibliotecas sem cataloga-
dores;
f) melhoria na qualidade das catalogacOes, uni-
formizando: entradas, parte descritiva, cabecalhos de
assunto e numeros de classificacao (este de maneira
restrita, pois nem todas as bibliotecas adotam um
mesmo sistema).
4.3 Hist6rico
A partir de 1850, as tentativas de se colocar a
informacao bibliogtafica no livro foram feitas apenas
corn o intuito de divulgar seus dados na epoca de sua
venda.
Quem, pela primeira vez, imaginou as vantagens
dos dados catalograficos impressos no prOprio livro
foi Ranganathan, quase um seculo depois, quando
em 1948, numa reuniao realizada na LC, foiconvida-
do a falar sobre a biblioteconomia na India. 0
problema comum a todas as bibliotecas — da redu-
cao do tempo entre a publicacao de urna obra e a
119 118
disponibilidade imediata de seu conteudo pelo usua-
rio — tinha sido insistentemente mencionado e dis-
cutido. Ranganathan sugeriu que a LC experimen-
tasse uma ideia sua idealizada para a India, onde os
editores foram motivados a enviar a Biblioteca Nacio-
nal Central as provas finais dos livros por eles publi-
cados para que fossem catalogados e classificados.
No verso da pagina-de-rosto sairiam impressas as
indicacoes de autoria e titulo e o numero-de-chama-
da. Batizou esse processo de "pre-natal" . 8 '
Como se ye, n'ao era ainda a catalogacdo-na-
fonte tal como seria adotada mais tarde, mas tinha o
merito de auxiliar as bibliotecas pelo menos em dois
pontos fundamentais: a determinacdo de autoria e do
assunto dos livros, atraves do numero de classificacao
o que, por certo, viria a diminuir em muito o tempo
decorrido entre a preparacao de uma obra e a sua
disponibilidade para o leitor.
A brilhante ideia do bibliotecario indiano foi
posta em pratica dez anos depois, pela LC, quando
desde o seculo passado a solucdo de se colocar os
dados bibliograficos no pr6prio livro ja tinha sido
evidenciada como vantajosa, pois resolvia inumeros
problemas ligados a catalogacao.
Atualmente, a catalogacao-na-fonte ja é uma
realidade em alguns paises, como se constatou na
reunia- o realizada em setembro de 1976, em Wash-
ington, na sede da LC.
Nesta reuniao, onde foram discutidos problemas
comuns bem como futuros pianos relativos aos diver-
sos programas nacionais, procurou-se tambem defi-
nir a responsabilidade para o registro de obras publi-
cadas por editoras internacionais, que incluem naimprenta a localizacao de suas sedes em mais de um
pais.
Entre suas resolucOes, destaca-se a indicacao
obrigatOria das iniciais CIP (Cataloging in Publica-
tion), antes da indicacao da entidade responsavel
pela ficha catalografica impressa na obra.
4.4 Co-edicOes
Corn referencia a co-edicOefi em paises diferen-
tes, bem como a editoras que possuem filiais em mais
de urn pais, foi estabelecido um acordo entre a
Australia, o Brasil e os Estados Unidos, a fim de se
definir a qual pais cabe a responsabilidade do CIP.
Os termos do acordo foram os seguintes:
a) todos os titulos produzidos dentro de Irma
jurisdicao nacional sera. ° incluidos na CIP do pais
cujo editor aparecer claramente mencionado na im-
prenta da pagina-de-rosto;
b) no caso de haver mais de um local para um
!ink° editor (ex. J. Wiley, London, New York), a
cidade mencionada em primeiro lugar determinara a
responsabilidade da CIP;
c) o fato de duas editoras serem localizadas em
dois paises diferentes significa que o livro é destinado
a dois mercados. Neste caso, os dois paises farao a
catalogacao-na-fonte, a fim de auxiliarem os bibliote-
carios de cada pais.
4.5 Australia
4.5.1 Historico
Entre 1945 e 1950, a "Commonwealth National
Library" (atualmente Biblioteca Nacional da Austra-
4 ,
120 121
lia) e a editora Angus & Robertson resolveram, de
comum acordo, tentar uma experiencia de cataloga-
cao-na-fonte atraves de provas tipograficas das obras
publicadas por aquela firma. A Biblioteca se encarre-
garia de preparar a entrada catalografica, e a firma
se responsabilizaria pela impressao e distribuicao das
fichas a qualquer biblioteca interessada em adqui-
ri-las.
Esta tentativa nao teve sucesso devido a demora
no recebimento pela editora das provas tipograficas,
a ma qualidade das fichas, e ao interesse decrescente
pelo servico.
Mais tarde outra tentativa, conhecida como
auto-catalogacao de livros ("self cataloging book"),
foi feita entre 1953 e 1954 entre a editora F. W.
Cheshire e a Biblioteca da Universidade de Melbour-
ne. A experiencia feita corn onze livros durou, ape-
nas, nove meses. As causas do insucesso foram as
mesmas da vez anterior, embora seu principio funda-
mental fosse considerado valido."
A iniciativa de se criar efetivamente a cataloga-
cao-na-fonte, na Australia, partiu de urn editor.
Em 1972 a firma Butterworths, que mantinha
excelentes relacoes corn a Biblioteca Nacional da
Australia, sugeriu que um servico semelhante ao da
LC (ver 4.6) fosse executado na Australia. Um proje-
to-piloto foi, entao, estabelecido entre novembro de
1972 e junho de 1973, mas nao teve sucesso.
Mais tarde, em 1974, a Biblioteca Nacional da
Australia retomou o programa para todas as publica-
coes australianas, depois de urn teste feito corn trinta
editoras. Em todas as catalogaciies deveria figurar a
legenda "National Library of Australia Cataloguing
in Publication Data". Em maio de 1976, noventa e
quatro editoras cooperavam corn este programa.
4.5.2 Material selecionado
A catalogacao-na-fonte da Australia inclui, na
realidade, todas as publicaciies constantes da Austra-
lian National Bibliography, como: monografias co-
merciais e academicas; edicoes novas ou revistas de
antigas publicacOes e reimpressOles; traducOes da lin-
gua inglesa para outras linguas; trabalhos escritos
em outras linguas publicados na Australia; material
audio-visual. Nao inclui publicacoes seriadas, mate-
rial considerado efemero, nem separatas de publica-
cOes seriadas.
4.5.3 Caracteristicas
0 cOdigo adotado é o AACR, utilizando para a
parte descritiva as normas da ISBD(M). 0 ISBN é
incluido. 0 sistema de classificacao usado e o de
Dewey. As indicacoes de autor, edicao, imprenta e
colacao sao omitidas.
4.6 Estados Unidos
4.6.1 Historic°
Corn uma subvencao do "Council on Library
Resources" e com o auxilio da Biblioteca do Depar-
tamento de Agricultura dos Estados Unidos, a LC
iniciou, entre 1958 e 1959, um projeto piloto que
recebeu o nome de "Cataloging-in-source" ou, sim-
plesmente, CIS:"
Realizara antes uma pesquisa junto a editores e
bibliotecarios sobre a adocao do metodo de impres-
sao das fichas no livro, com a finalidade de:
122 123
a) testar os problemas financeiros e tecnicos
relacionados a catalogacao, e verificar se os editores
estavam interessados em colaborar; o teste seria feito
corn mil titulos, niimero considerado suficiente para
a pesquisa;
b) verificar a reacao do consumidor, isto é, a
utilizacao pelas bibliotecas das entradas catalografi-
cas incluidas nas publicacoes por elas adquiridas, e
no tempo gasto no processamento e metodos usados
na transferencia destes dados para as fichas do cata-
logo; ao mesmo tempo, investigar se isto implicaria
na compra de fichas impressas para catalogos, e no
custo da catalogacdo.
Verificada sua viabilidade, o projeto teve pouca
duracAo pois foi posto em execucao em junho de
1958, e terminado no final de fevereiro de 1959, corn
mil duzentos e tres livros catalogados (vinte por cento
mais do que fora estabelecido) de cento e cinqiienta e
sete editoras.
Infelizmente, essa primeira tentativa real fracas-
sou devido a fatores tecnicos e financeiros, tais como:
a) pressAo dos editores sobre os catalogadores
da LC que, dispondo de prazo muito curto para
catalogar, cometiam erros nem sempre considerados
como decorrentes da falta de tempo para pesquisa,
agravados pelas mudancas incluidas no livro depois
de catalogado;
b) alto custo da catalogacao, em virtude da
necessidade da LC contratar um maior numero de
catalogadores e classificadores qualificados;
c) interferencia dos programas editoriais, pois
As vezes a demora na devolucao das provas incidia
em problemas internos nas graficas;
124
d) desagrado dos editores pelo acrescimo, nas
fichas, das datas de nascimento dos autores, da
substituicAo do pseudenimo pelo nome verdadeiro .
(determinadas pelas regras de autoria estabelecida
pelo c6digo da ALA) e pelas falhas na ma determi-
nacAo dos assuntos.
Num relatorio muito bem elaborado, publicado
pelo "Processing Department" da LC sob o titulo
"Cataloging-in-source experiment" sao fornecidos,
minuciosamente, dados estatistitos e todas as outras
causas do fracasso da CIS.
Um inquerito posterior constatou que noventa e
nove por cento dos bibliotecarios e a maioria dos
editores consultados manifestaram-se a favor da con-
tinuacAo do projeto em carater permanente.
Em junho de 1969, durante uma reuniAo conjun-
ta da Comissao de Recursos e Servicos Tecnicos da
ALA e do Conselho Americano de Editores de Livros
(atualmente Associacao dos Editores Americanos),
em Atlantic City, onde foram discutidos problemas
relacionados a aquisicao de publicacties, concluiu-se
que a principal falha era da LC, por nao ter a
disposicdo de seus usuarios fichas impressas de pu-
blicac -Oes recentes para venda imediata.
W. Carl Jackson sugeriu, corn agrado geral, que
urn novo estudo fosse feito sobre a CIS. Foi eleita
uma comissdo, sob a direcao de Vernon Clapp, para
apresentar um novo projeto a ser discutido no proxi-
mo encontro que se realizaria em janeiro de 1970.
Como conseqiiencia de uma analise das razties
que interromperam a CIS, de um projeto baseado em
sugesthes e estimativas de custo (a realizar-se em
carater permanente) e de uma pesquisa feita atraves
de questionarios distribuidos aos editores (em que
125
1
estes manifestaram por escrito o desejo de colaborar
no novo projeto) foram tomadas inumeras medidas
para que os erros anteriormente cometidos nAo fos-
se m repetidos.
4.6.2 "Cataloging-in-Publication" (CIP)
Finalmente, em junho de 1971, a LC anunciou
que tinha recebido uma subvencao de duzentos mil
Mares das entidadespatrocinadoras — "Council on
Library Resources" e "National Endowment for the
Humanities" — para iniciar por urn periodo experi-
mental de dois anos a "Cataloging-in-Publication"
ou simplesmente CIP (catalogacAo-na-fonte). De ini-
cio contou corn a colaboracAo de vinte e sete editoras.
Terminado o prazo, e tendo em vista o exito alcan-
gado, a CIP continua sendo desenvolvida com os
recursos da prOpria LC. Atualmente cooperam no
programa mais de mil editoras, inclusive de alguns
orgAos oficiais e de universidades. Ate setembro de
1976 mais de setenta e sete mil titulos foram proces-
sados, calculando-se, atualmente, uma media de
vinte e cinco mil titulos por ano.
As obras catalogadas na fonte sdo registradas
nas fitas do MARC, por ocasiAo da restituicAo do
material aos editores, e aparecem no Weekly Record
do Publisher's Weekly, quatro semanas antes do livro
ser publicado.
As obras processadas na LC tem prioridade na
catalogacao, e incluem a informacao "Library of
Congress Cataloging in Publication Data".
4.6.3 Caracteristicas
A catalogacao é simplificada e inclui o nome do
autor, o titulo resumido, cabecalhos de assunto, en-
126
tradas secundarias, numeros-de-chamada da LC, nu-
meros de classificacao da LC e de Dewey, o numero
da ficha impressa pela LC e o ISBN, se fornecido
pelo editor.
Os editores recebem informacOes sobre a CIP
atraves de "Notes on cataloging in publication" e
"CIP progress report".
4.7 URSS
4.7.1 Hist()rico
Na Unido das Republicas Socialistas Sovieticas a
catalogacao-na-fonte é largamente difundida desde
1959, quando foi publicada a primeira regulamen-
tag -do sobre o assunto. Chama-se "Pre-publicacAo da
catalogacao" e aplica-se nAo so a livros como a
qualquer outro tipo de material bibliografico.
4.7.2 Caracteristicas
As normas especificam que:
a) as fichas devem ser impressas no verso da
pagina-de-rosto;
b) os livros destinados as bibliotecas publicas
devem incluir o numero-de-chamada no canto supe-
rior a esquerda do verso da pagina-de-rosto. Estes
livros sAo aqueles publicados pelos editores de Mos-
cou e Leningrado para edicoes com tiragem superior
a oito mil exemplares, e publicados por editores
locais seja qual for sua tiragem. 0 numero-de-cha-
mada consiste em urn numero de classificacao basea-
do na Ultima edicAo da Tablits bibliotechnoi; Klassi-
fikatsii dlia massovykh bibliotek (Tabelas de classifi-
127
cacao para bibliotecas publicas) e de urn numero de
autor da tabela de Cutter;
c) as publicacOes as quais foram atribuidas,
tambem, uma notacao da CDU, devem indica-la logo
depois do numero-de-chamada;
d) os livros cientificos e tecnicos devem incluir
a notacao da CDU no canto superior esquerdo do
verso da pagina-de-rosto;
e) os livros vendidos por livreiros devem incluir
outro tipo de classificacao, colocado no canto inferior
esquerdo do verso da pagina-de-rosto. Este numero é
baseado no Edinaia skhema klassifikatsii literatury v
knigotorgovoi seti (Sistema de classificacao padro-
nizado para o comercio livreiro), publicado pela pri-
meira vez em 1965;
f) cada livro destinado as bibliotecas publicas
deve possuir urn modelo da ficha colocado na parte
inferior da pagina-de-rosto ou no final do livro,
ficando excluidos dessa obrigatoriedade os especiali-
zados em Literatura Infantil, Arte, e aqueles cuja
disposicao da ficha interfira na parte artistica da
publicacao;
g) ficam desobrigados de apresentar cataloga-
cao-na-fonte os livros cujas editoras fornecam fichas
impressas a epoca da publicacao dos mesmos e os
livros adquiridos por bibliotecas que tenham uma
central que forneca, simultaneamente, fichas im-
pressas;
h) monografias cientificas devem apresentar,
tambem, resumos impressos no verso da pagina-de-
rosto.
Na Conferencia Cientifica sobre Catalogacao
realizada em Moscou, em 1965, foi solicitada uma
128
revisdo nas entradas catalograficas das bibliografias
impressas a fim de que apresentassem o maxim° de
compatibilidade corn as fichas catalograficas.
4.8 RepUblica Federal da Alemanha
4.8.1 Historic°
Em novembro de 1973, os participantes da Reu-
niao sobre o Potencial e as LinfitacOes dos Servicos
Centrais da Deutsche Bibliothek decidiram estabele-
cer a catalogacao-na-fonte na Alemanha, sob a res-
ponsabilidade daquela biblioteca.
No inicio de 1974, a Deutsche Bibliothek, im-
pressionada corn o progresso da CIP na LC, iniciou
um projeto-piloto contando, apenas, corn a participa-
cao de uma editora. Seis meses depois, no entanto,
os resultados apresentados eram positivos, o que
contribuiu efetivamente para que, corn a assistencia
financeira da Deutsche Forschungsgemeinschaft e a
cooperacao da Borsenverein des Deutschen Buchhan-
dels, fosse estabelecida paulatinamente, a cataloga-
cao-na-fonte.
Durante o primeiro estagio do projeto participa-
ram vinte e sete editoras; na segunda fase, ja no
inicio de 1975, foram convocadas todas as editoras
interessadas em integrar o programa, aumentando
consideravelmente o numero de participantes (atual-
mente, cerca de quatrocentas editoras)'°s
4.8.2 Caracteristicas
A catalogacao-na-fonte segue as normas alemas
do "Regeln fiir die Alphabetische Katalogisierung"
(RAK), incluidas na "Deutsche Bibliographie: Neuer-
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