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BUCKLAND O QUE É UM DOCUMENTO - Resumo

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BUCKLAND O QUE É UM DOCUMENTO
13 pág.

Biblioteconomia Universidade Estácio de SáUniversidade Estácio de Sá

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Resumo sobre a Definição de "Documento" na Ciência da Informação O conceito de "documento" é central para a Ciência da Informação, e sua definição tem evoluído ao longo do tempo, especialmente com o advento de novas tecnologias e formas de comunicação. Tradicionalmente, a palavra "documento" refere-se a registros textuais, mas a crescente diversidade de mídias e formatos de informação levanta questões sobre o que deve ser considerado um documento. O artigo de Michael K. Buckland, publicado no Journal of the American Society of Information Science, explora essa evolução conceitual, destacando as contribuições de pensadores como Paul Otlet e Suzanne Briet, que ampliaram a definição de documento para incluir não apenas textos, mas também objetos físicos e evidências. Buckland inicia sua análise discutindo a necessidade de uma definição mais abrangente de "documento", especialmente em um contexto onde a informação não se limita a textos escritos. Ele menciona que, enquanto os sistemas de armazenamento e recuperação de informações tradicionalmente focam em registros textuais, a realidade contemporânea exige uma abordagem mais inclusiva que considere eventos, imagens e objetos. A transição do termo "bibliografia" para "documentação" no início do século XX reflete essa mudança, onde a documentação passou a englobar técnicas para gerenciar uma variedade de documentos, não apenas textos impressos. Essa evolução é crucial para entender como a Ciência da Informação se adapta às novas demandas da sociedade da informação. A Evolução do Conceito de Documento A discussão sobre o que constitui um documento é complexa e multifacetada. Buckland destaca que, no final do século XIX, a explosão de publicações científicas e técnicas exigiu novas técnicas de gerenciamento de informações. O termo "documentação" começou a ser utilizado para descrever um conjunto de práticas que incluíam a coleta, organização e disseminação de documentos. A partir de então, a definição de "documento" começou a se expandir, incorporando não apenas textos, mas também objetos tridimensionais e evidências físicas. Paul Otlet, por exemplo, argumentou que objetos como esculturas e artefatos poderiam ser considerados documentos, uma ideia que foi posteriormente apoiada por Suzanne Briet, que definiu um documento como qualquer sinal físico ou simbólico que represente um fenômeno. Briet, em particular, trouxe uma perspectiva inovadora ao afirmar que um documento é evidência em apoio a um fato. Ela propôs que a materialidade e a intencionalidade são fundamentais para a definição de um documento. Por exemplo, um antílope em estado selvagem não seria considerado um documento, mas se capturado e estudado em um zoológico, tornaria-se um documento devido ao seu uso como evidência. Essa abordagem enfatiza a importância do contexto e da percepção do observador na definição do que é um documento, sugerindo que a documentação não se limita a textos, mas abrange qualquer objeto que possa ser tratado como evidência. Implicações e Conclusões As implicações dessa discussão são vastas, especialmente em um mundo cada vez mais digital. A transição para a tecnologia digital desafia as definições tradicionais de documentos, uma vez que a informação digital não possui uma forma física fixa. Buckland argumenta que a distinção entre documento e não-documento se torna ainda mais problemática no ambiente digital, onde qualquer sequência de bits pode ser considerada um documento. Essa mudança exige uma reavaliação das práticas de documentação e recuperação de informações, levando em conta a natureza dinâmica e multifacetada da informação contemporânea. Além disso, a análise de Buckland sugere que a construção social do significado e a percepção do espectador são fundamentais para a compreensão do que constitui um documento. A relevância de um documento é frequentemente atribuída pelo espectador, e a forma como um objeto é organizado e apresentado pode influenciar sua interpretação como evidência. Portanto, a discussão sobre o que é um documento não é apenas uma questão de definição, mas também de como a informação é percebida e utilizada na prática. Destaques O conceito de "documento" evoluiu de um foco em registros textuais para uma definição mais ampla que inclui objetos físicos e evidências. Paul Otlet e Suzanne Briet foram pioneiros na ampliação da definição de documento, considerando objetos tridimensionais e sinais físicos como documentos. A materialidade e a intencionalidade são fundamentais para a definição de um documento, conforme discutido por Briet. A transição para a tecnologia digital desafia as definições tradicionais de documentos, tornando a distinção entre documento e não-documento mais complexa. A construção social do significado e a percepção do espectador são essenciais para entender a relevância e a natureza dos documentos na Ciência da Informação.

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