Logo Passei Direto
Buscar

formacao do estado nacao

User badge image
aleatorio ala

em

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

A anarquia feudal, característica da crise do feudalismo, foi o ponto de partida para a formação dos Estados Nacionais na Europa Ocidental.
Assinale entre as opções a seguir aquela que justifica corretamente essa afirmação.
A) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre o campesinato e a aristocracia, que juntos derrotaram a burguesia e mantiveram a estrutura político-administrativa descentralizada. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno.
B) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre as famílias aristocráticas, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
C) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre as frações da burguesia comercial, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
D) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre a Igreja Católica e as frações da burguesia comercial, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
E) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre a Igreja Católica e as famílias aristocráticas, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Questões resolvidas

A anarquia feudal, característica da crise do feudalismo, foi o ponto de partida para a formação dos Estados Nacionais na Europa Ocidental.
Assinale entre as opções a seguir aquela que justifica corretamente essa afirmação.
A) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre o campesinato e a aristocracia, que juntos derrotaram a burguesia e mantiveram a estrutura político-administrativa descentralizada. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno.
B) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre as famílias aristocráticas, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
C) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre as frações da burguesia comercial, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
D) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre a Igreja Católica e as frações da burguesia comercial, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
E) As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre a Igreja Católica e as famílias aristocráticas, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.

Prévia do material em texto

A Formação do Estado-nação
O Estado Nacional como objeto das preocupações do pensamento político moderno ocidental e sua
constituição histórica.
Prof. Rodrigo Perez Oliveira
1. Itens iniciais
Propósito
O Estado, como aparelho burocrático-militar-institucional, é uma das invenções mais importantes da
modernidade ocidental, tendo sido difundido pelo mundo a partir das experiências de colonização que os
países europeus impuseram a outros territórios. Por isso, é fundamental compreender, em suas dimensões
teórica e prática, o Estado Nacional Moderno.
Objetivos
Identificar como o “Estado” tornou-se a questão fundamental para os tratados filosóficos que fundaram
o pensamento político moderno.
 
Descrever a formação dos Estados Nacionais e do nacionalismo como ideologia política, fenômenos
típicos da experiência histórica que chamamos de “modernidade”.
 
Exemplificar as diversas revoluções sociais que, na modernidade, confrontaram a estrutura do Estado-
nação.
Introdução
Entre os séculos XVI e XIX formou-se na Europa aquela que se tornou uma das principais organizações
institucionais da modernidade, estruturando nossas vidas até os dias atuais: o Estado Nacional, entendido
como aparelho burocrático-militar-institucional mais ou menos centralizado e capaz de exercer soberania
sobre determinado território.
 
Nosso conteúdo está dividido em três partes: primeiro, examinaremos as discussões conceituais que
definiram filosoficamente o Estado nos textos mais emblemáticos do pensamento político moderno. Em
seguida, analisaremos a história da construção do Estado Moderno, tomando como estudos de caso algumas
regiões da Europa. Por último, estudaremos as revoluções sociais que, desde o final do século XVII, estão
confrontando o Estado.
• 
• 
• 
Nicolau Maquiavel
1. O “Estado” e os tratados filosóficos que fundaram o pensamento político moderno
O conceito de Estado
Neste vídeo, conheça mais sobre a formação do Estado-Nação.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
The Course of Empire - Destruction, de Thomas Cole.
O conceito “Estado” costuma ser utilizado para definir o organismo institucional que nasceu na Europa, na
transição do século XIV para o século XV, sendo caracterizado pela centralização administrativa, burocrática e
militar e pela capacidade de exercer soberania sobre um território delimitado por fronteiras.
 
Na próxima seção, estudaremos com mais detalhes a história da formação do Estado na Europa. Por ora, é
importante entender como essa organização política chamou a atenção dos autores que, na época, tentavam
interpretar as sociedades europeias.
Certamente, o intelectual florentino Nicolau
Maquiavel (1469-1527) é um dos nomes mais
destacados entre os primeiros esforços de
criação de uma teoria do Estado Moderno,
sendo conhecido como o fundador da Ciência
Política. Maquiavel costuma ser conhecido pelo
livro O Príncipe, publicado postumamente em
1532, com a máxima os “fins justificam os
meios”, que, no senso comum, se tornou
sinônimo de tolerância com a perversidade
política.
Porém, se estudarmos com mais cuidado
os escritos de Maquiavel, perceberemos
que seu interesse era desenvolver uma
teoria de governo capaz de garantir a
“virtude da República”. A ideia de “República” que, segundo o historiador inglês Quentin Skinner,
Maquiavel herdou da tradição republicana, é fundamental para o pensamento político do intelectual
florentino e para o próprio pensamento político moderno.
Essa ideia de virtude foi desenvolvida, em um primeiro momento, na Grécia Clássica, especialmente por
Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), sendo trabalhada também em Roma por autores como Cícero (106 a.C.- 43
a.C.) e Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.), chegando até Maquiavel por uma série de debates políticos que estavam
sendo travados na Península Itálica desde o final do século XII.
Foi nesse momento, ainda segundo Quentin Skinner, que as estruturas políticas dos principados medievais,
comandados por monarcas com direito hereditário, começaram a ser repudiadas no território que, no século
XIX, passaria a ser chamado de “Itália”. As sociedades italianas, ou regnum italicum, como eram chamadas na
época, estavam preocupadas em desenvolver formas de convivência coletiva capazes de resistir ao
despotismo monárquico e garantir a estabilidade interna e externa, proporcionando aos seus cidadãos aquilo
que Aristóteles chamava de “boa vida”.
Regnum Italiae (Localização de Reino Itálico)
Para isso, era necessário encontrar meios que impedissem, ou amenizassem, a “corrupção” da República —
outro conceito trazido do vocabulário político aristotélico. Corrupção, disse Aristóteles no tratado da Política, é
o efeito natural do tempo nos governos, podendo, no máximo, ser atenuado por governantes virtuosos. Foi
essa atmosfera conceitual dentro da qual Maquiavel pensou, escreveu e atuou politicamente, como analista,
poeta, historiador e conselheiro do poder.
Tito Lívio, autor e historiador romano que registrou a história de Roma e seu significado político, elaborou o
texto Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio entre 1513 e 1521. Na obra, Maquiavel tem interesse de
entender as leis, a liberdade e as instituições políticas no funcionamento de uma República. Em sua discussão
sobre política e governos, Maquiavel parte da premissa de que os assuntos terrenos estão na alçada das
competências humanas, não restando espaço para a interferência divina.
República
República é uma ideia romana em que público e privado se separavam e a função do governo era
estabelecer a administração do que era público, além de zelar para que os limites do privado não fossem
ultrapassados. 
Reflexão
A boa vida comum, portanto, é da responsabilidade dos seres humanos, a eles cabendo desenvolver
mecanismos que tornem possível o convívio coletivo harmônico. A Ciência Política elaborada por
Maquiavel afirma a laicização (É o processo pelo qual a sociedade se torna laica, sem os incentivos
religiosos ou o pragmatismo natural das religiões.) da vida social. 
O nascimento de uma cidade se dá pela ação dos homens. Não é, contudo, produto de indivíduos, mas
sim de povos ou grupos que vivem dispersos e, de alguma forma, decidem unir-se em uma mesma área,
seja em razão de sua segurança ou de qualquer outro motivo [...] No momento da constituição do
Estado, os indivíduos já estão reunidos em grupos. E é como tal que se organizam para formar o Estado.
A prosperidade e a segurança da cidade não são matéria individual, de foro íntimo, mas sim assunto dos
grupos.
(MAQUIAVEL, 1982)
Temos, na citação, muitos elementos que nos permitem compreender o núcleo do pensamento político de
Maquiavel para além dos clichês compartilhados no senso comum. Na época de Maquiavel, Florença era
objeto de constantes assédios de repúblicas vizinhas e impérios estrangeiros, o que colocou o tema da
estabilidade do governo no primeiro plano das preocupações do autor.
 
A cidade, que no texto de Maquiavel pode ser tomada como sinônimo de “Estado”, é resultado de uma escolha
racional, feita por grupos humanos, que antes viviam de forma desagregada e esparsa. Não há em Maquiavel
um “Estado natural”, pré-social, como vamos encontrar em outros teóricos do Estado Moderno. A agregação
social é um “desde sempre” no pensamento do escritor florentino.
O Estado surge quando esses grupos, movidos por necessidade prática, decidem que é melhor se
unir e pactuar a organização de um poder relativamente centralizado que seja capaz de defender os
interesses de todos. A partir desse momento fundacional, o desafio da comunidade política passa a
ser a defesa da “virtude” da República, entendida como a capacidade de prover o bem comum
contra os assédios internos das facções e os ataques dos inimigos estrangeiros.
É essa a discussão que Maquiavel desenvolve em O Príncipe, sem dúvida um dos livros mais famosos da
literatura política ocidental. O interesse do autor é aconselhar o príncipe no melhor caminho para a
conservação da República.
O Príncipe
Umconstruiu o Estado Moderno, com sua estrutura política,
administrativa e militar centralizada e com seu espírito aristocrático, os séculos XVIII e XIX questionaram tanto
a centralização como a dimensão feudal dos Estados Nacionais, dando origem a uma série de disputas
ideológicas que marcariam a história humana no século XX.
Vem que eu te explico!
O vídeo a seguir aborda o assunto mais relevante do conteúdo que você acabou de estudar.
Estados Modernos e a invenção do capitalismo
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Estados modernos
A consolidação dos Estados também se da
quando se tem a transição do mercantilismo
para o capitalismo;
Monetização das relações entre Estados;
Revolução industrial como fato acelerador da
implementação do capitalismo nos Estados;
A busca por mercados não é só econômica é
também por influência política em outros
territórios;
Partilha da África como símbolo desse
momento da história, onde a busca por
mercados, matéria prima e poder de influência
vai fazer com que Estados europeus subjuguem
o continente africano a sua vontade;
Atividade
Leia o texto a seguir:
O processo que observamos aqui, diferentemente do que poderíamos pensar de maneira vã em um primeiro
momento, não é o de uma __________ do Estado Moderno. As revoluções acabam por forjar os __________ e suas
principais características, o sentido do __________ , a formação econômica. Todos esses fatores passam a ser
reafirmados por cada um dos levantes estabelecidos nesse momento.
 
A síntese __________ é poderosa. Ícone como __________ , é também ícone da Revolução Burguesa, que rompe
com as estruturas monárquicas, mas não com o Estado francês consolidado. O Estado e a ideia de Estado
Moderno estavam maduros, finalmente consolidados, e perpassavam as cortes de Luís XVI até a retomada de
um novo __________ com Napoleão Bonaparte.
 
Agora, marque a alternativa que melhor se encaixa.
A
ruptura definitiva - estados modernos - nacionalismo - francesa - antigo regime - modelo imperial
B
ruptura definitiva - estados modernos - modelo imperial - francesa - antigo regime - nacionalismo
C
ruptura definitiva - estados antigos - nacionalismo - francesa - antigo regime - modelo imperial
D
francesa - estados modernos - nacionalismo - ruptura definitiva - antigo regime - modelo imperial
A alternativa A está correta.
A sequência correta é:
O processo que observamos aqui, diferentemente do que poderíamos pensar de maneira vã em um
primeiro momento, não é o de uma ruptura definitiva do Estado Moderno. As revoluções acabam por forjar
os Estados Modernos e suas principais características, o sentido do nacionalismo, a formação econômica.
Todos esses fatores passam a ser reafirmados por cada um dos levantes estabelecidos nesse momento.
A síntese francesa é poderosa. Ícone como Antigo Regime, é também ícone da Revolução Burguesa, que
rompe com as estruturas monárquicas, mas não com o Estado francês consolidado. O Estado e a ideia de
Estado Moderno estavam maduros, finalmente consolidados, e perpassavam as cortes de Luís XVI até a
retomada de um novo modelo imperial com Napoleão Bonaparte.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A Revolução Americana guarda algumas particularidades quando comparada com as revoluções inglesas do
século XVII. Assinale entre as alternativas a seguir aquela que melhor apresenta essas particularidades.
A
Diferentemente das revoluções inglesas do século XVII, que questionaram o poder político da burguesia, a
Revolução Americana questionou o poder político da Igreja, considerada responsável pelo endurecimento das
relações coloniais a partir da década de 1760.
B
Diferentemente das revoluções inglesas do século XVII, que questionaram o poder político da Igreja, a
Revolução Americana questionou o poder político da burguesia, considerada responsável pelo endurecimento
das relações coloniais a partir da década de 1760.
C
Diferentemente das revoluções inglesas do século XVII, que questionaram a autoridade do rei, a Revolução
Americana questionou o poder do parlamento, considerado responsável pelo endurecimento das relações
coloniais a partir da década de 1760.
D
Diferentemente das revoluções inglesas do século XVII, que questionaram a autoridade do parlamento, a
Revolução Americana questionou o poder do rei, considerado responsável pelo endurecimento das relações
coloniais a partir da década de 1760.
E
Diferentemente das revoluções inglesas do século XVII, que questionaram a autoridade do rei, a Revolução
Americana questionou o poder da Igreja, considerada responsável pelo endurecimento das relações coloniais
a partir da década de 1760.
A alternativa C está correta.
A rebelião das Treze Colônias inglesas aconteceu pela insatisfação com o parlamento, e não com o rei, ou
seja, o alvo da revolta colonial não foi a monarquia centralizada, mas sim as políticas fiscais mercantis
desenvolvidas pelo parlamento britânico.
Questão 2
A Revolução Francesa foi um processo histórico complexo, heterogêneo e cheio de idas e vindas, que no final
do século XVIII desestabilizou o mundo francês. Assinale entre as alternativas a seguir aquela que melhor
define a Revolução Francesa.
A
A Revolução Francesa não ficou restrita apenas ao território europeu, chegando também à América, e a partir
disso surgiu o segundo país independente das Américas: a República do Haiti, fundada em janeiro de 1804.
B
A Revolução Francesa ficou restrita ao território europeu francês, chegando às Américas apenas no plano das
ideias políticas, levando o continente a restaurar as relações coloniais, abolidas desde a independência dos
EUA, na década de 1770.
C
A Revolução Francesa não ficou restrita apenas ao território europeu, chegando também à América, e a partir
disso surgiu o segundo país independente das Américas, os EUA, fundado em janeiro de 1804.
D
A Revolução Francesa não ficou restrita apenas ao território europeu, chegando também à América, e a partir
disso surgiu o primeiro país independente das Américas, os EUA, fundado em janeiro de 1804.
E
A Revolução Francesa ficou restrita ao território europeu francês, chegando às Américas apenas no plano das
ideias políticas, levando o continente a adotar o comunismo, tal como havia sido pregado em Paris, na década
de 1780.
A alternativa A está correta.
A Revolução Francesa foi um processo histórico intercontinental vivenciado no império colonial francês,
tanto na Europa como na América. Um de seus principais desdobramentos foi a independência do Haiti, que
em 1804 tornou-se a segunda nação autônoma das Américas.
4. Conclusão
Considerações finais
Como aprendemos, estudar a história dos Estados Nacionais nos convida e entender a heterogeneidade dos
processos históricos que, em diversos lugares da Europa, levaram à formação de estruturas políticas
centralizadas, cujo objetivo foi salvar o feudalismo da experiência de crise que começou no século XIV.
 
O tempo passou e, nos séculos XVIII e XIX, os Estados Nacionais tornaram-se alvo de contestações das
sociedades civis europeias, em um momento de urbanização e industrialização do Velho Mundo. Vários
projetos políticos foram formulados nesse momento: liberalismo, anarquismo, comunismo, que seriam
aprofundados no século XX e, de alguma maneira, estão presentes até hoje nos conflitos políticos do nosso
tempo.
Podcast
Para encerrar, ouça sobre o tema, a Formação do Estado-nação.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore+
Que tal conhecer um pouco mais sobre o republicanismo e o liberalismo? Para isso, visite as páginas:
 
Revista cult: Maquiavel e Republicanismo.
 
Todo estudo: Liberalismo. 
Assista também ao vídeo História - Fome, peste e rebeliões populares na Idade Média, disponível no canal
Aula De, no YouTube.
 
A Guerra dos Cem Anos é um dos eventos mais emblemáticos da história, inclusive sendo fortemente
representada. Por isso, acesse o site do Opera Mundi e veja o registro.
 
Acesse o site da galeria de artes Pixabay, queapresenta as formas como Joana D’Arc foi representada.
 
Você também pode assistir a estes vídeos:
 
Revolução Inglesa: o confronto entre a monarquia e o parlamento, disponível no canal Vestibular X, no
YouTube.
• 
• 
• 
 
Guerra dos Sete Anos (1756-1763), disponível no canal RSUGame, no YouTube.
 
Revolução Francesa - resumo desenhado, disponível no canal Historiar-te, no YouTube.
 
Revolução haitiana - Haiti e a República Negra, disponível no canal História em Gotas, no YouTube. 
E, por fim, leia estes clássicos:
 
A Riqueza das Nações, de Adam Smith.
 
O Príncipe e O Discurso de Tito Lívio, de Maquiavel.
Os dois estão disponíveis no site Domínio Público.
Referências
ANDERSON, B. Comunidades imaginadas. São Paulo: Geral, 2008.
 
ANDERSON, P. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: Brasiliense, 2004.
 
ARENDT, H. Da Revolução. São Paulo: Ática, 1998.
 
BAILYN, B. As origens ideológicas da Revolução Americana. São Paulo: Edusc, 2003.
 
BRENNER, R. The second serfdon. Londres: Past and Present, 1976.
 
CONSTANT, B. A liberdade dos antigos comparada à dos modernos. São Paulo: Edipro, 2019.
 
FOURQUIN, G. História econômica do ocidente medieval. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
 
ENGELS, F.; MARX, K. O manifesto comunista. Rio de Janeiro: Expressão Popular, 2003.
 
GENOVESE, E. Da rebelião à revolução. São Paulo: Global, 1983.
 
HILL, C. O mundo de ponta cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640. São Paulo:
Companhia das Letras, 1987.
 
• 
• 
• 
• 
• 
HOBBES, T. Leviatã ou matéria, forma e poder de Estado eclesiástico e civil. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural,
1983.
 
HOBBES, T. O príncipe. Rio de Janeiro: Difel, 2002.
 
HOBSBAWM, E.; RANGER, T. A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
 
KULA, W. Teoria económica del sistema feudal. Buenos Aires: Século XXI, 1974.
 
LOCKE, J. Dois tratados sobre o governo civil. São Paulo: Le Books, 1990.
 
MAQUIAVEL, N. Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio. Brasília: UnB, 1982.
 
MATEUCI, N. Liberalismo. In: BOBIO, N.; MATEUCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. São Paulo:
Imprensa Oficial do Estado, 2000.
 
MONTESQUIEU. O espírito das leis. São Paulo: Expressão Popular, 1999.
 
POCOCK, J. G. A. Linguagens do ideário político. São Paulo: Edusp, 2013.
 
ROUSSEAU, J. J. O contrato social. São Paulo: Globo, 1999.
 
SOBOUL, A. A Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Bertrand-Difel, 1995.
 
STONE, L. As causas da Revolução Inglesa. Bauru: Edusc, 2000.
 
TOMAS, L. F. De Ceuta a Timor. Lisboa: Difel, 1994.
 
SKINNER, Q. Machiavelli’s Discorsi and the pre-humanist origins of republican ideas. In: BOCK, G.; SKINNER, Q.;
VIROLI, M. Machiavelli and Republicanism. Cambridge: University Press, 1999.
	A Formação do Estado-nação
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. O “Estado” e os tratados filosóficos que fundaram o pensamento político moderno
	O conceito de Estado
	Conteúdo interativo
	Reflexão
	Estado e Contrato Social
	Resumindo
	Estado e Liberdade
	Estado e a produção de riqueza
	Resumindo
	Vem que eu te explico!
	O Estado e o Príncipe: a visão de Maquiavel
	Conteúdo interativo
	O Liberalismo e o Estado: entre Jhon Locke e Adam Smith
	Conteúdo interativo
	Maquiavel
	Liberalismo
	Verificando o aprendizado
	2. A formação dos Estados Nacionais e do nacionalismo chamado de “modernidade”
	Estado Nacional
	Linha do Tempo com a formação dos Estados Nacionais
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	E o que significa esse princípio?
	Exemplo
	Formação dos Estados Modernos: Portugal
	Formação dos Estados Modernos: Espanha
	O dinamismo político e militar do novo Estado logo se revelaria dramaticamente em uma vasta série de conquistas externas.
	Recomendação
	Formação dos Estados Modernos: franceses x ingleses
	Primeiro movimento
	Segundo movimento
	Terceiro movimento
	Resumindo
	Vem que eu te explico!
	Nação e Nacionalismo: caminhos diversos
	Conteúdo interativo
	Estados em conflito: a era dos extremos
	Conteúdo interativo
	Nação e nacionalismo
	A era dos extremos
	Atividade
	Verificando o aprendizado
	3. As diversas revoluções sociais que confrontaram a estrutura do Estado-nação
	Estado Nacional: reafirmação e revoluções
	Revoltas sociais x Estados nacionais
	Conteúdo interativo
	Revolução Inglesa
	A independência dos Estados Unidos
	A Revolução Francesa
	Inglaterra
	Saiba mais
	Curiosidade
	Independência dos Estados Unidos
	Comentário
	E como os conflitos começaram?
	Os conflitos entre as colônias e o parlamento começaram na década de 1760, logo após o fim da Guerra dos Sete Anos (1756-1763).
	Tendo saído da guerra com as contas desequilibradas, o parlamento britânico, que, como sabemos, governava o Império desde a Revolução Gloriosa (1688), apertou o rigor em suas relações mercantis com as colônias.
	Entre 1764 e 1774, o parlamento criou dura legislação que pressionou os interesses econômicos coloniais.
	Em 1774, as lideranças coloniais organizaram o I Congresso da Filadélfia, quando redigiram um manifesto pedindo proteção e apresentando suas reclamações ao rei George III.
	Revolução Francesa
	Vem que eu te explico!
	Estados Modernos e a invenção do capitalismo
	Conteúdo interativo
	Estados modernos
	Atividade
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciasbreve manual direcionado a governantes do momento em que Maquiavel viveu, na busca de melhoria
de sua condição social. Era influenciado pela tradição greco-latina, bem como pelo seu contexto de
observação do entorno, como no Império Turco-Otomano. 
Deve, pois, alguém que se torne príncipe mediante o favor do povo conservá-lo amigo, o que se lhe torna
fácil, uma vez que não pede ele senão não ser oprimido. Porém, quem se torna príncipe pelo favor dos
grandes, contra o povo, deve antes de mais nada ganhar este para si, o que se lhe torna fácil quando
assume sua proteção. E porque os homens, quando recebem o bem de quem esperavam somente o mal,
obrigam-se mais ao seu benfeitor, torna-se o povo desde logo mais seu amigo do que se tivesse sido
por ele levado ao principado.
(MAQUIAVEL, 2002)
O governante, diz Maquiavel, deve ser julgado por critérios específicos, diferentes daqueles usados para
avaliar o caráter dos homens comuns. Temos aqui a diferença entre os governantes e os homens comuns,
entre a vida política e a vida privada, estabelecida por Maquiavel como “razão de Estado”.
 
A política teria moral própria e seu objetivo sempre é manter a “saúde cívica da República”, ainda que para isso
o governante precise fazer aquilo que seria considerado inadequado para o homem comum, como matar. É
fundamental que o governante, continua Aristóteles, tenha sorte (fortu) e a capacidade de ser amado pela
comunidade (virtu). Um governante azarado e odiado pela maioria jamais conseguiria manter a República
saudável e capaz de exercer “soberania sobre territórios e corações”.
Governo, 1896, de Elihu Vedder. Pintura exposta na Biblioteca do Congresso, em
Washington. Na placa, pode-se ler: "um governo das pessoas, pelas pessoas, para
as pessoas".
Se é fundamental ser “amigo do povo”, o governante precisa dosar os bons e os maus atos. Os bons atos são
executados em ritmo lento para “perpetuar a memória da bondade”, enquanto os “maus atos” devem ser
“executados de uma só vez para que sua memória seja curta”.
Então, ao governante é permitido ser mau?
Para Maquiavel, sim, desde que isso seja necessário para garantir a integridade da República. Não
se trata da defesa da maldade em si, mas sim do reconhecimento de que o governo da cidade
demanda escolhas difíceis. Por isso, o governante deve ser “sábio, ilustrado e corajoso”.
Estado e Contrato Social
Teoria do Estado bastante distinta da de Maquiavel foi aquela desenvolvida pelos autores que costumamos
agrupar na corrente dos “contratualistas”, que se desenvolveu na Europa entre os séculos XVII e XVIII,
encontrando em Thomas Hobbes (1588-1679) e Jean Jacques Rousseau (1712-1778) seus principais
expoentes.
 
Isso não significa que tenham abordado o tema do Estado da mesma maneira, pois há diferenças substantivas
entre os pensamentos políticos desenvolvidos pelos dois autores. Em comum entre eles estão a sintaxe
política e os conceitos acionados na reflexão.
Então, o que é Estado na visão do contratualismo?
O contratualismo parte da premissa de que o Estado é o resultado de um contrato social, de um
acordo coletivo movido pela racionalidade humana no qual a maioria, deliberada ou tacitamente,
decide que viver em comunidade é melhor do que viver isoladamente.
Disso depreende-se que, diferentemente de Maquiavel e da tradição aristotélica, os contratualistas
reconhecem a possibilidade de existência de um momento pré-político, de um “estado natural”, quando os
seres humanos não viviam de forma gregária.
Gregária
Que vivem em bandos ou em grupos. Em sentido mais amplo, aqueles que são sociáveis, que vivem bem
socialmente. 
Thomas Hobbes é autor do Leviatã, publicado em 1651 e um dos mais famosos tratados de filosofia política da
modernidade, popularmente reconhecido pela máxima “o homem é o lobo do homem”. Porém, da mesma
forma como fizemos há pouco com Maquiavel, é necessário entender o pensamento político de Hobbes para
além dos clichês e como um esforço de teorizar sobre a própria ontologia humana.
Leviatã
O livro traz a ideia de um grande ser, monstruoso, mas que precisava ser entendido para que o senso e o
coletivo não permitissem ser o monstro que era. Capa original de Leviatã, de Thomas Hobbes, no qual
ele discute o conceito de contrato social.
Destruição do Leviatã, 1865, Gustave Doré
Toda a discussão que o autor propõe a respeito do Estado parte de uma premissa ontológica, segundo a qual
nós, seres humanos, somos naturalmente ruins e racionais. Ou seja, nascemos perversos, egoístas e
apetitosos, mas nascemos também capazes de entender que nossa natureza é potencialmente destrutiva, e
que é necessário domá-la para que a própria vida seja possível.
 
O estado natural, então, é violento, selvagem, uma situação de “guerra de todos contra todos”, como o próprio
Thomas Hobbes afirmava.
Se dois homens desejam a mesma coisa, eles podem tornar-se inimigos, se for impossível que ambos
alcancem o que desejam ao mesmo tempo. E no caminho para seu fim (que é principalmente sua própria
conservação, e às vezes apenas seu deleite), esforçam-se por se destruir ou subjugar um ao outro.
Disso segue-se que, quando um invasor nada mais tem a recear do que o poder de um único outro
homem, se alguém planta, semeia, constrói ou possui um lugar conveniente, é provavelmente para
esperar que outros venham preparados com forças conjugadas, para desapossá-los e privá-los, não
apenas do fruto de seu trabalho, mas também de sua vida e de sua liberdade. Por sua vez, o invasor
ficará no mesmo perigo em relação aos outros.
(HOBBES, 1983)
Jean-Jacques Rousseau, autor de Contrato Social, publicado em 1762, parte de premissa ontológica
diametralmente oposta. Tal como Hobbes, Rousseau também afirma a existência de um mundo pré-social,
onde os homens viviam isolados. Porém, a natureza humana, para Rousseau, é boa e generosa.
 
O estado de natureza é pacífico, harmonioso, é o “império da felicidade”.
No princípio, quando viviam entregues ao livre-arbítrio dos seus instintos, os homens não praticavam
vilania, tirania ou assassínio. Eram doces como animais domésticos, inofensivos como crianças, e a terra
abundava, dando o necessário para todos viverem com fartura.
(ROUSSEAU, 1999)
Em Hobbes, o estado natural é o inferno na Terra. Em Rousseau, é o Éden.
Em comum entre eles está a ideia de que a saída da situação pré-social se deu por um acordo, por um
contrato estabelecido pela maioria e movido pelos imperativos da razão. Diz Hobbes que os primeiros
humanos perceberam que o estado de natureza, se perpetuado, significaria a extinção da espécie. Pactuaram,
então, que melhor seria abrir mão das liberdades primitivas para submeterem-se a um poder externo, acima
de todos, e que fosse capaz de garantir a vida e a propriedade, tornando a própria existência coletiva
possível.
O fim último, causa final e desígnio dos homens (que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre
os outros), ao introduzir aquela restrição sobre si mesmos sob a qual os vemos viver nos Estados, é o
cuidado com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita. Quer dizer, o desejo de sair
daquela mísera condição de guerra que é a consequência necessária (conforme se mostrou) das paixões
naturais dos homens, quando não há um poder visível capaz de os manter em respeito, forçando-os, por
medo do castigo, ao cumprimento de seus pactos e àquelas leis de natureza que foram expostas.
(HOBBES, 1983)
Resumindo
Na teoria hobbesiana, então, o Estado nasce de uma situação original de caos e violência e como
produto da racionalidade humana. Em Rousseau, a decadência não é original, intrínseca à natureza
humana, mas sim resultado de uma escolha infeliz: a invenção da propriedade privada, que se deu no
momento em que o primeiro ser humano “demarcou no chão um pedaço de terra para dizer que era seu,
encontrando outros inocentes o suficiente para acreditar nele”. 
Começava aqui a guerra geral rousseauniana, porque, não havendo nenhum poder externo capaz de regular
os limites de cada propriedade, estabeleceu-seo “reino da força”, que, no limite, não era proveitoso para
ninguém, “pois nada garante que o mais forte hoje se manterá forte amanhã, e a obrigação de se manter forte
para sempre é fardo tão pesado que ninguém pode carregar sobre os ombros” (ROUSSEAU, 1999).
Surge, então, o Estado, como um pacto no qual os homens abdicam de sua liberdade original para
dar aval à existência de um poder comum, responsável pela salvaguarda do interesse coletivo.
Rousseau, no entanto, resguarda a possibilidade de ruptura com esse poder, desde que ele não cumpra seu
papel no contrato. Então, o contrato social para Rousseau poderia ser rompido unilateralmente pela sociedade
civil, em uma ação revolucionária.
A fim de que não constitua, pois, um formulário inútil, o pacto social contém tacitamente esta obrigação,
a única a poder dar forças às outras: quem se recusar a obedecer à vontade geral, a isto será
constrangido pelo corpo em conjunto, o que apenas significa que será forçado a ser livre. Assim é esta
condição: oferecendo os cidadãos à pátria, protege-os de toda dependência pessoal; condição que
promove o artifício e o jogo da máquina política e que é a única a tornar legítimas as obrigações civis, as
quais, sem isso, seriam absurdas, tirânicas e sujeitas aos maiores abusos.
(ROUSSEAU, 1999)
Jean-Jacques Rousseau
Thomas Hobbes
Estado e Liberdade
 
Outra tradição que, na modernidade, trouxe o
Estado para o centro de suas preocupações
filosóficas foi o liberalismo político, um
“fenômeno histórico pertencente à história
europeia e marcado pelos embates com o
absolutismo monárquico e outras formas de
tirania política que existiram na Europa no início
da modernidade” (MATEUCI, 2000).
Entre os fundadores do liberalismo político
estão nomes como:
John Locke (1632-1704)
Benjamin Constant (1767-1830)
Locke e Constant notabilizaram-se por delinear dimensões mais claras ao ideário político liberal, escrevendo
importantes tratados sobre a limitação institucional do poder do Estado. Destacam-se aqui o Primeiro tratado
sobre o governo civil e o Segundo tratado sobre o governo civil, escritos por Locke e publicados em 1689,
além de Sobre a liberdade dos antigos comparada com a dos modernos, escrito por Constant e publicado em
1819.
Liberal
Princípio filosófico que discute o sentido do ser, a capacidade de escolha e liberdade, do seu corpo, das
suas ações, entre outros. 
Ambos os autores partem da premissa de que a boa vida em comunidade somente é possível a
partir de uma premissa: a existência de um Estado comprometido com o bem-estar coletivo e com a
defesa da vida e da propriedade dos indivíduos (entendidas como direitos naturais), sem que com
isso se exerça tirania ou poder absoluto sobre a sociedade.
A noção de “governo consentido” é fundamental para Locke, que acredita que os seres humanos, dotados de
racionalidade intrínseca, são perfeitamente capazes de idealizar formas de governo que atendam às suas
necessidades, ou seja, a defesa da vida e da propriedade. Segundo Locke, portanto, a existência dos
governos, e no limite do próprio Estado, justifica-se pelas necessidades da sociedade civil e não pelos
interesses do próprio governo, ou do próprio Estado.
Se o homem no estado de natureza é livre como se disse, se é senhor absoluto da sua própria pessoa e
suas próprias posses, igual ao mais eminente dos homens e a ninguém submetido, por que haveria ele
de se desfazer dessa liberdade? Por que haveria de renunciar a esse império e submeter-se ao domínio
e ao controle de qualquer outro poder? A resposta evidente é a de que, embora tivesse tal direito no
estado de natureza, o exercício do mesmo é muito incerto e está constantemente exposto à violação por
parte dos outros [...]. Tais circunstâncias o fazem querer abdicar dessa condição, a qual, conquanto livre,
é repleta de temores e perigos constantes. E não é sem razão que ele procura e almeja unir-se em
sociedade com outros que já se encontram reunidos ou projetam unir-se, para a mútua conservação de
suas vidas, liberdades e bens, aos quais atribuo o termo genérico de propriedade. O fim maior e principal
para os homens unirem-se em sociedades políticas e submeterem-se a um governo é, portanto, a
conservação de sua propriedade.
(LOCKE, 1990)
Benjamin Constant, por sua vez, está interessado em entender as especificidades da liberdade moderna
quando comparada com a antiga, com o objetivo de teorizar formas de governo adequadas às modernas
sociedades de massa, em muitos aspectos diferentes das sociedades antigas. O autor argumenta que, na
Antiguidade, a liberdade republicana era viável, pois garantia aos cidadãos participarem diretamente do
governo.
 
Esse tipo de liberdade somente seria possível em pequenos territórios, ocupados por populações pouco
numerosas. Como na modernidade a situação é bastante diferente, uma vez que as nações modernas
costumam ser mais extensas e populosas do que as repúblicas antigas, fez-se necessária a reconceituação
das ideias de liberdade e de participação política.
A liberdade moderna consiste no direito, para cada um, de influir sobre a administração do governo, seja
pela nomeação de todos ou de certos funcionários, seja por representações, petições, reivindicações, às
quais a autoridade é mais ou menos obrigada a levar em consideração. Comparai agora a esta a
liberdade dos antigos. Esta última consistia em exercer coletiva, mas diretamente, várias partes da
soberania inteira, em deliberar na praça pública sobre a guerra e a paz, em concluir com os estrangeiros
tratados de aliança, em votar as leis, em pronunciar julgamentos, em examinar as contas, os atos, a
gestão dos magistrados; em fazê-los comparecer diante de todo um povo, em acusá-los de delitos, em
condená-los ou em absolvê-los.
(CONSTANT, 2019)
Aqui o autor está formulando aquela que é uma das principais características do liberalismo político: a defesa
de uma democracia fundada em instituições legislativas responsáveis por representar os interesses da
população, que participaria do governo de forma indireta. Assim, seria possível garantir direitos políticos às
populações numerosas, que periodicamente seriam convocadas ao debate público, no período eleitoral, para
escolher livremente seus representantes.
 
Outra filosofia política moderna que se preocupou em teorizar limites institucionais ao poder do Estado foi o
Constitucionalismo, principalmente com Montesquieu (1689-1756), autor do tratado O espírito das leis,
publicado em 1748 e considerado a matriz teórica inspiradora das Constituições modernas. No texto,
Montesquieu idealizou o sistema de “freios e contrapesos”, segundo o qual o poder do Estado é dividido em
três partes independentes entre si:
 
Poder Legislativo
 
Poder Executivo
 
Poder Judiciário
Como a virtude é necessária em uma república e na monarquia a honra, o medo é necessário em um
governo despótico, pois nele a virtude não é necessária e a honra seria perigosa. O imenso poder do
príncipe passa inteiramente àqueles que ele confia e se torna perigoso instrumento de opressão contra a
liberdade de todos. Manter o poder do príncipe restrito a leis pactuadas coletivamente é a única forma
de garantir as liberdades individuais e coletivas.
(MONTESQUIEU, 1990)
Percebe-se claramente como a preocupação com a liberdade contra a tirania do Estado pauta o pensamento
político moderno desde o século XVI, junto com outras questões, como a segurança territorial contra as
invasões estrangeiras e a prosperidade econômica da República.
Estado e a produção de riqueza
A teoria política marxista, desenvolvida por Marx e Engels no século XIX, trouxe para a discussão a agenda da
libertação das classes oprimidas. No Manifesto comunista, publicado em 1848, os autores argumentam que:
O Estado é um órgão especial que surge em certo momento da evolução histórica da humanidade, e que
está condenado a desaparecer no decurso da mesma evolução. Nasceu da divisão da sociedade em
classes e desaparecerá no momento em que desaparecer esta divisão. Nasceu como instrumentonas
mãos da classe dominante, com o fim de manter o domínio desta classe sobre a sociedade, e
desaparecerá quando o domínio desta classe desaparecer.
(ENGELS; MARX, 2003)
• 
• 
• 
Resumindo
No vocabulário marxista, portanto, o Estado não é o resultado de uma racionalidade humana intrínseca
nem tampouco uma evolução em relação à situação das liberdades primitivas. O Estado é resultado de
uma realidade material e objetiva, na qual as classes superiores desenvolvem aparelhos institucionais
para dominar as classes inferiores. 
Essa relação de dominação somente seria superada pela abolição da divisão de classes e do próprio Estado,
dando lugar a uma sociedade comunista em que as pessoas viveriam solidariamente, consumindo o que
produzem, sem se apropriarem da riqueza produzida por outros.
 
No próximo módulo, nos debruçaremos sobre a realidade histórica que, na Europa, deu origem ao Estado
Nacional, buscando entender como foi forjada a estrutura de poder que por tanto tempo tem sido o principal
objeto do pensamento político ocidental.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O Estado e o Príncipe: a visão de Maquiavel
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O Liberalismo e o Estado: entre Jhon Locke e Adam Smith
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Maquiavel
Resumo da história de Maquiavel;
Defensor da separação de Estado x Igreja
apresentado a ideia de que os homens é quem
deveriam resolver assuntos terrenos.
Acreditava que o surgimento do estado se dá
quando grupos se unem e organizam um poder
centralizado para defender os interesses de
todos.
Para ter a estabilidade do governo, Maquiavel
defendia a Razão do Estado, o governante
precisa fazer aquilo que o homem comum é
inadequado.
Virtude - tomar as melhores decisões para o
fortalecimento de seu poder.
Fortuna - está ligado a sorte. Nada poderia
acontecer para limitar o poder do rei.
Liberalismo
O motivo do homem abdicar de sua liberdade e
se submeter a um governo é a conservação da
propriedade.
 
Locke defende a limitação institucional do
poder do Estado se justifica pelas necessidades
da sociedade civil e não pelos interesses do
próprio governo, ou seja, a soberania não está
no Estado, mas sim na população.
 
O bom governo devia estar comprometido com
o bem-estar coletivo, defesa da vida e da
propriedade privada.
 
Princípio da divisão dos três poderes.
A não intervenção estatal na economia.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O intelectual florentino Nicolau Maquiavel costuma ser reconhecido pela máxima “os fins justificam os meios”,
que se tornou sinônimo de legitimação da perversidade política. No entanto, a obra de Maquiavel é muito mais
complexa. Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que melhor define a obra de Maquiavel.
A
Maquiavel estava interessado em discutir como seria possível defender a monarquia e a tirania do príncipe,
sendo assim o principal teórico do autoritarismo político na modernidade.
B
Maquiavel estava interessado em discutir a abolição da propriedade privada e a revolução social, sendo, por
isso, o precursor do comunismo na modernidade e a fonte onde beberia Karl Marx.
C
Maquiavel estava interessado em discutir formas de garantir a estabilidade interna e externa da República, e,
dessa maneira, atenuar os efeitos da corrupção, sendo o republicanismo de Aristóteles sua principal
referência.
D
Maquiavel estava interessado em afirmar a liberdade do mercado, sendo, portanto, o precursor do liberalismo
econômico, e a fonte onde a escola austríaca beberia.
E
Maquiavel estava interessado em defender a total abolição do Estado, sendo um dos primeiros pensadores a
formular o ideal anarquista.
A alternativa C está correta.
Maquiavel é herdeiro do republicanismo aristotélico, sendo seu interesse, portanto, discutir a ação do
governo no sentido de preservar a “virtude” da República.
Questão 2
Thomas Hobbes e Jean Jacques Rousseau são os principais expoentes da corrente de pensamento político
que costumamos chamar de “contratualista”. Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que melhor define
a premissa do contratualismo.
A
A premissa do contratualismo afirma a organização política como o resultado de um acordo coletivo segundo
o qual, racionalmente, os homens decidem que viver em coletividade é melhor do que viver em situação de
desagregação.
B
A premissa do contratualismo afirma que o homem é naturalmente gregário e, por isso, a questão principal é
desenvolver mecanismos de aprimoramento da sociedade política, visto que a sua existência se confunde
com a própria natureza humana.
C
A premissa do contratualismo afirma que o Estado Moderno é o resultado da vitória política da burguesia, que
acumulou poder suficiente para organizar uma estrutura de dominação, cujo objetivo é a exploração do
trabalho.
D
A premissa do contratualismo afirma que os homens estão naturalmente vocacionados à liberdade, sendo o
Estado o artifício criado pela tirania divina com o objetivo de impedir a plena realização da natureza humana.
E
A premissa do contratualismo afirma que os seres humanos são naturalmente gregários, logo o Estado é um
“desde sempre” que não precisa ser necessariamente explicado, mas apenas aprimorado.
A alternativa A está correta.
Diferentemente do republicanismo maquiavélico de matriz aristotélica, o contratualismo parte do princípio
de que a organização política é o resultado de uma escolha racional, e não a manifestação da natureza
humana.
2. A formação dos Estados Nacionais e do nacionalismo chamado de “modernidade”
Estado Nacional
Linha do Tempo com a formação dos Estados Nacionais
Neste vídeo, conheça mais sobre o que é a linha do tempo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O Estado Nacional, entendido como estrutura de poder centralizada e capaz de exercer soberania burocrática,
política e militar sobre um território delimitado por fronteiras, é resultado da história europeia ocidental entre
os séculos XIV e XVII.
 
Nesse período, entende-se por “Europa Ocidental”, segundo o historiador inglês Perry Anderson (2004), a
aproximação de França e Inglaterra com a Península Ibérica, formada por Portugal e Espanha. Crises
democráticas agudas, guerras civis religiosas, início da laicização das mentalidades e dos costumes,
modernização das relações econômicas, urbanização. São essas as experiências que aconteceram em uma
Europa Ocidental plural e extremamente diversificada, e que serviram de pano de fundo para o surgimento dos
Estados Nacionais.
Começar a contar a história da origem dos Estados Nacionais nos convida, segundo Guy Fourquin, a entender
a dinâmica da prosperidade material vivida pela Europa no século XI. O crescimento produtivo aumentou a
quantidade de alimentos disponíveis para o comércio, fazendo com que seus preços dos víveres alimentícios
diminuíssem e a qualidade de vida aumentasse, resultando no crescimento demográfico e,
consequentemente, no crescimento das cidades e na intensificação da atividade comercial.
Guy Fourquin
Professor na Universidade de Lille, Guy Fourquin foi um dos mais reconhecidos especialistas franceses
em matéria de História Medieval, seja no domínio da história econômica, seja no da organização social e
institucional. 
E essa evolução também pode ser percebida nos âmbitos artístico e intelectual.
Manuscrito medieval mostrando uma reunião de
doutores na Universidade de Paris
 
 
Na vida cultural, observou-se notória expansão
das atividades artísticas e intelectuais, com a
difusão de universidades pelo continente.
Tratava-se, portanto, de um ciclo virtuoso
experimentado em graus distintos em diversas
regiões da Europa e que aponta para um
cenário de desenvolvimento econômico,
prosperidade material e grandeza cultural, bem
diferente da imagem de uma Idade Média
atrasada e decadente, que muitas vezes
modula o imaginário histórico coletivo.Um dos resultados desse cenário, ainda
seguindo os estudos de Fourquin, foi o aumento
do custo de vida da aristocracia feudal, pois,
com a Revolução Comercial, para utilizarmos as palavras de Henri Pirenne (apud FOURQUIN, 1987), ficou mais
caro manter os signos de distinção tão importantes para alimentar o ethos aristocrático em sociedades pré-
modernas.
Henri Pirenne
Historiador, Henri Pirenne (1862-1935) fez grandes contribuições para o entendimento sobre a formação
do mundo ocidental, compreendendo a dinâmica de ocupação maior do Norte após a expansão islâmica.
A formação e o espírito das cidades marcam um ideal de vida europeu, e a reestruturação do comércio
mercantilista é a base do fortalecimento da Europa nos séculos decorrentes. 
Saiba mais
Ethos Conjunto de costumes e hábitos fundamentais no âmbito do comportamento (instituições,
afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças). Muitas vezes traduzido por espírito, é mais
intenso do que a ideia de cultura. 
E, com isso...
A consequência dessa situação foi o endividamento em massa da nobreza europeia, fenômeno detectado por
Fourquin (1987) a partir da análise de inventários post mortem. Ao estudar essas fontes, o autor detectou que
os nobres europeus, em geral, estavam morrendo endividados.
Temos aqui um impasse que, na racionalidade econômica moderna, capitalista, não seria dos mais difíceis de
se resolver. Bastaria que a nobreza diminuísse seus gastos ou aumentasse os impostos cobrados sobre seus
dependentes. No entanto, a racionalidade econômica feudal funciona a partir de outras prioridades, como
demonstra Witold Kula (1974) no livro Teoria econômica do sistema feudal.
Witold Kula
Witold Kula (1916-1988) foi cientista social, historiador e economista polonês, próximo da metodologia
do materialismo histórico. 
Obrigações Feudais
O autor argumenta que a economia, entendida como o
conjunto de atividades sociais desenvolvidas com o objetivo
de garantir a existência material das pessoas, não pode ser
pensada de forma separada dos valores culturais. A cultura
feudal é fundada na ideia da desigualdade natural, ou seja,
na premissa de que as pessoas nascem diferentes entre si,
divididas em inferiores e superiores, e assim ficarão até
morrer. Isso não significa, entretanto, que essa mesma
tradição não reconheça os direitos adquiridos pelos “de
baixo”.
O princípio da reciprocidade de direitos e deveres entre
fortes e fracos, diz Kula, também é basilar da cosmovisão
feudal.
E o que significa esse princípio?
Se o menor deve obediência e impostos (em forma de serviços e produtos) ao seu senhor, o
aristocrata também tem suas obrigações, como proteger seus dependentes e não cobrar taxas
abusivas. O endividamento da aristocracia colocava, então, um impasse ao sistema.
Ou seja, se a nobreza não pode cortar gastos porque precisa manter seu estilo de vida ostentatório, e
os servos não aceitam impostos que consideram abusivos, o que fazer? Essa situação é o ponto de
partida para a famosa “crise do feudalismo”. A crise do feudalismo, portanto, foi o resultado da
disfunção do próprio sistema, pois suas causas foram endógenas, isto é, internas. A epidemia de
Peste Negra, que assolou a Europa durante o século XIV, não foi a causa da crise, mas sim o seu
agravante.
Pressionada e endividada, parte da nobreza começou a quebrar os acordos consuetudinários (legitimados
pelos costumes), o que provocou uma revolta geral junto ao campesinato, dando início ao que alguns autores
chamam de “anarquia feudal”. Em alguns lugares da Europa Ocidental, os conflitos foram mais intensos do que
em outros, mas a realidade de colapso estrutural foi comum a todo o continente, de acordo com as pesquisas
desenvolvidas pelo historiador francês Georges Duby.
Georges Duby
Georges Duby (1919-1996) foi um dos grandes medievalistas de seu tempo, teve foco principal sobre as
dinâmicas da organização política da França, decorrentes da formação do Estado francês. 
Diante da real possibilidade da destruição física e do desaparecimento do estamento social, a aristocracia
europeia aceitou fazer algo que, em condições normais, jamais aceitaria: abnegar de sua autonomia, inclusive
militar, para permitir que uma família aristocrática centralizasse o poder, dominando todas as outras e, dessa
maneira, reunisse condições políticas, econômicas e militares para o restabelecimento das hierarquias feudais,
ameaçadas pelas guerras camponesas.
Estamento social
O estamento constitui uma forma de estratificação social com camadas mais fechadas do que as classes
sociais, e mais abertas do que as castas, ou seja, possui maior mobilidade social do que o sistema de
castas, e menor mobilidade social do que o sistema de classes sociais. 
 
Aconteceu, nesse momento, aquilo que Perry
Anderson, no livro Linhagens do Estado
Absolutista, chama de Revolução Militar, que
marcou o nascimento dos exércitos modernos,
formados não mais por servos que pagavam o
“tributo de sangue”, mas sim por soldados
profissionais, remunerados e subordinados ao
Estado centralizado, personificado na pessoa
do rei, o “primeiro entre iguais, o primus inter
pares”, como se costumava dizer na época.
A ideia de monarquia precede a de República, mas a ideia de noção de identidade nacional remete
diretamente às dinâmicas da construção da identidade monárquica.
Exemplo
No Brasil, a identidade monárquica é tão forte, que, mesmo na tentativa de ruptura republicana, as cores
e muitos dos símbolos foram mantidos. 
Agora, uma casa aristocrática específica detinha o poder sobre as outras e sobre o território. Surgiu, assim, o
Estado Nacional, impulsionado pela tentativa de salvar as hierarquias tradicionais da destruição, preservando
o máximo possível a ordem social feudal. Para isso, entretanto, foi necessário mudar, e a nobreza perdeu suas
antigas liberdades, passando a estar subordinada ao rei.
 
Desse jeito foi possível impor ao campesinato a “segunda servidão”, novamente utilizando as palavras de Perry
Anderson. Essa foi a contradição que caracterizou a formação dos Estados Nacionais. Para salvar a ordem
feudal, o novo arranjo político deixou aquele que era um dos seus valores fundamentais: a autarquia
aristocrática.
 
Surgiu, junto com o Estado, um novo tipo de nobreza. Não mais aquela que vivia no campo, com hábitos
rústicos e no controle de seu exército particular. O nobre deixou de ser o “senhor da guerra” para tornar-se o
cortesão, sedentarizado, desarmado, vivendo na corte, sob controle do trono.
Retrato do "Tratados de Münster", um dos caminhos percorridos para a Paz de
Vestfália, onde o conceito de Estado-nação foi criado.
Batalha de Aljubarrota, de Jean de Wavrin.
Formação dos Estados Modernos: Portugal
Portugal foi o primeiro caso de modernidade política na Europa, no pleno sentido do termo, com sistema fiscal,
exército e burocracia em dimensão centralizada, supralocal. Tal como aconteceu no restante da Europa, o
Estado surgiu em Portugal como um dos resultados de experiências de intensa movimentação militar e guerra
civil provocadas pelo cenário geral da crise feudal, que estudamos anteriormente.
Foi a chamada Revolução de Avis, iniciada em
1383 e terminada em 1385, que levou D. João
(1385-1433), chefe da casa de Avis, ao trono
português, com o título de D. João I. A partir de
então, todos os empreendimentos da
sociedade portuguesa, inclusive a expansão
marítima e comercial a partir do final do século
XIV, seriam coordenados pela autoridade
central do Estado. Comparado com o restante
da Europa, Portugal tinha vantagem em termos
de eficiência e rapidez, o que explica a dianteira
que tomou na geopolítica continental na época.
Para entender como se deu a construção da
modernidade em Portugal, é importante, segundo Luiz Felipe Tomaz, estudar o processo de recristianização
da Península Ibérica, pois, somente mais tarde — a partir do século XI —, o território foi incorporado à
cristandade. Desde a Idade Média, argumenta Tomaz, Portugal contava com uma estrutura política e militar
relativamentecentralizada. Quem comandou a reconquista cristã (avanço da cristandade sobre os mouristas)
foi a monarquia.
D. Afonso Henriques, fundador da nação e da dinastia
borgonhesa
Entre os séculos VII e XI, a Península Ibérica foi controlada
pelos muçulmanos. Nesse momento, a cristandade resumia-
se a senhorios que se encontravam ao norte da península.
Um dos principais senhorios era o Condado Portucalense,
onde vigorava a família de Borgonha (origem francesa),
sendo Afonso Henriques (1110-1185) o principal líder. A
princípio, o Condado Portucalense estava subordinado ao
Reino de Leão.
Esse condado, juntamente com os outros senhores do
norte, manifestou o desejo de ampliar seus domínios
(autoridade e riqueza) por meio da expansão militar e da
guerra com os muçulmanos. Nesse momento, as cidades do
Porto e de Viana eram extremamente importantes para o
contato comercial com Flandres, atual Bélgica e centro
comercial da época. A aliança com essas cidades, que eram chefiadas por uma oligarquia mercantil, permitiu à
coalizão cristã a aquisição de recursos para a formação de exércitos.
 
Nessas cidades tinha-se grande autonomia municipal, pois as câmaras detinham forte poder em relação aos
senhores do norte. Essas câmaras eram governadas pelos homens bons (elite local), que tinham interesse em
garantir sua autonomia, que estava sendo contestada pelos senhores do norte.
 
Afonso Henriques surgiu nesse contexto para oferecer proteção militar a fim de que essas cidades
mantivessem sua autonomia. Em troca, essas cidades ofereceriam dinheiro a Afonso Henriques.
 
Por meio da aliança com as cidades, Afonso Henriques acumulou dinheiro e, com os nobres, otimizou a
atividade militar. Tal fato conferiu notória força militar ao Condado Portucalense, a ponto de outras casas
aristocráticas reconhecerem sua ascendência sobre elas. A partir do século XII, essas casas aristocráticas
proclamaram a família dos Bourbon como dinastia real.
Surge, assim, a monarquia feudal em Portugal, liderada por um grande senhor de terras, que se
sobrepõe aos demais.
A expansão marítima e comercial portuguesa, portanto, foi potencializada por uma monarquia com longo
histórico de centralização administrativa, que gerenciou a nobreza com ethos militar e que efetivamente se
lançou aos mares.
Para entender melhor esses acontecimentos históricos, leia os textos de Luís Vaz de
Camões, em especial Os Lusíadas, obra de poesia épica da epopeia portuguesa.
Formação dos Estados Modernos: Espanha
O caso do Estado Nacional espanhol remete à principal experiência imperialista dos primeiros anos da
modernidade, visto o poder que a Espanha exerceu sobre grande parte do continente americano e sobre o
extenso território na própria Europa. Mais do que qualquer outro país europeu, a Espanha beneficiou-se da
política de alianças matrimoniais/diplomáticas característica das sociedades monárquicas.
 
No século XIV, pressionados pela crise estrutural que assolava as sociedades europeias e pela ocupação
muçulmana, alguns reinos ibéricos decidiram unir-se com o objetivo de centralizar esforços para a superação
da crise e a reconquista cristã do território. Entre esses reinos, os maiores eram o de Castela e o de Aragão,
que se uniram por meio do casamento de Isabel I e Fernando II, em 1649.
Localização de Castela
Isabel I
Fernando II
Perry Anderson mostra como, durante a escassez de mão de obra provocada pela crise geral do feudalismo,
Castela mostrou-se sede de uma lucrativa economia lanífera. Enquanto isso, Aragão, que já era potência
territorial e comercial com capacidade de controlar territórios mediterrânicos, como a Sicília e a Sardenha,
garantia o fluxo comercial para abastecer o Estado espanhol.
Lanífera
Que produz lã.
O dinamismo político e militar do novo Estado logo se revelaria dramaticamente em uma vasta série
de conquistas externas.
Granada, o último reduto mouro, foi destruída, completando a reconquista.
Nápoles foi anexada.
Navarra, absorvida.
E, acima de tudo, as Américas foram descobertas e subjugadas.
O Império espanhol chegou ao apogeu, em 1519, com Carlos I (1550-1558), que foi também o Carlos V do
Sacro Império Romano-Germânico. Devido a uma complexa teia de relações dinásticas, Carlos, ao mesmo
tempo um Bourbon e um Habsburgo, acabou herdando aqueles que na época eram os maiores impérios do
mundo: o espanhol, voltado ao Atlântico, e o Habsburgo, continental, voltado ao centro da Europa. Surgiu
assim, comandado a partir de Madri, o maior império da era moderna.
Recomendação
A transição espanhola é muito bem explorada na literatura de Dom Quixote, que fala sobre um novo
mundo e os grupos apegados. No grande livro de Miguel de Cervantes (1547-1616), é trabalhada a
“confusão” de ideias entre um velho e um novo mundo, com a transição da mentalidade e a confusa
relação entre o ideal de cavalaria e a velha aristocracia. 
Formação dos Estados Modernos: franceses x ingleses
Na França, o Estado Nacional formou-se na transição do século XIV para o século XV, a partir da sobreposição
de duas situações de crise: a crise estrutural do feudalismo e a famosa Guerra dos Cem Anos (1339-1453)
contra a Inglaterra. Em desvantagem na guerra e pressionada pela crise das hierarquias feudais, a nobreza
francesa permitiu que o rei Carlos VII concentrasse em si a talha, que era o imposto de sangue que o
campesinato pagava à aristocracia em forma de serviços militares esporádicos. Nasceu assim a “talha real”,
que direcionou à dinastia a prerrogativa de apropriar-se do serviço militar dos camponeses.
Guerra dos Cem Anos
Guerra travada na transição do medievo e da modernidade. O objetivo era, pelas relações
consanguíneas, o pleito inglês ao trono francês. Depois de uma primeira fase de vitórias ingleses a partir
de Calais, os franceses retomaram as terras continentais. O trajeto também é mitológico, com
representações como a de Joana D’Arc (1412-1431).
Guerra das Duas Rosas
Soldados ingleses que desembarcaram na Normandia, c. 1380–1400, durante a
Guerra dos Cem Anos
Temos aqui, também segundo Perry Anderson, o evento que fundou o exército moderno, ao centralizar no rei
o direito exclusivo de convocar e coordenar a força militar. A nobreza foi, então, desarmada, sedentarizada,
em um ato voluntário, consentido, por uma questão de sobrevivência. Como se diz popularmente: “entregou
os anéis para não perder os dedos”.
Já na Inglaterra...
A formação do Estado Nacional deu-se de maneira distinta quando comparada à situação dos países
continentais (Portugal, Espanha e França). Para entender essas particularidades, precisamos conhecer a
situação de quase colapso na qual se encontrava a Inglaterra na segunda metade do século XV.
 
Após perder a guerra para os franceses, a
Inglaterra, que tinha tradição de
descentralização político-administrativa, foi
dividida por uma guerra civil travada entre duas
de suas principais casas aristocráticas.
 
Foi a chamada Guerra das Duas Rosas
(1450-1485), envolvendo os York e os
Lancaster. A guerra foi tão longa e sangrenta
que praticamente extinguiu as duas casas,
abrindo um vazio de poder que foi ocupado por
outra dinastia, a dos Tudor.
Henrique VII (1457-1509) foi o primeiro rei da
dinastia Tudor, diante da fragilidade das outras casas aristocráticas, sempre rivais potenciais da dinastia. O
O irrestrito amor à nação como elemento formador de
uma nova visão política
projeto de centralização político-administrativa liderado por Henrique VII, na avaliação do historiador Perry
Anderson, teve três movimentos:
Primeiro movimento
Desarmar a nobreza, fragilizando-a ainda mais e concentrando, na autoridade central, o poder de
convocar e formar exércitos.
Segundo movimento
Mais complexo, consistiu no esvaziamento político da nobreza.
Terceiro movimento
Como consequência direta, foi o rompimento com a tradição que orientava o monarca a delegar
cargos para a aristocracia, nomeando em seu lugar novas famílias emergentes e enriquecidas em
virtude do comércio de lã.
 
Assim, a monarquia feudal menoscentralizada
da Europa Ocidental fortaleceu sua autoridade
central em virtude do profundo esgotamento da
aristocracia, e não por causa dos esforços do
grupo em sobreviver à crise estrutural do
feudalismo, como aconteceu no continente.
O processo de construção do Estado Nacional,
no entanto, não envolve apenas centralização
política, administrativa e militar, mas também
representações simbólicas que sejam capazes
de construir vínculos identitários entre as
pessoas.
Resumindo
Trata-se de convencer todos os que nasceram no território controlado por determinado Estado de que
fazem parte de uma comunidade, de que existem vínculos afetivos que os irmanam. 
Para isso, foi fundamental o “nacionalismo”, um ambiente político-cultural que teve seu lugar na
Europa e nas Américas durante o século XIX.
Mural nacionalista irlandês, em Belfast, mostrando
solidariedade com o nacionalismo basco.
 
Os diversos nacionalismos mobilizaram os
estudos históricos, geográficos, e os rituais da
cultura popular com o objetivo de inventar ritos
e tradições capazes de fomentar sensações de
pertencimento à nação que, antes de ser o
território e seu aparato de poder institucional, é
uma “comunidade imaginada”, nas palavras do
historiador norte-americano Benedict Anderson
(2008).
A nação é um tipo de comunidade imaginada
socialmente, construída de modo a fazer as
pessoas pensarem sobre si próprias como parte
de um grupo. A invenção da nação é de
interesse direto do Estado, pois não há poder
que consiga se sustentar apenas pela
repressão, sem contar com nenhum consentimento.
 
A afetividade e a identidade fomentadas pela simbologia identitária, nesse sentido, são fundamentais para a
própria efetividade do poder público. Por isso, e essa foi uma das principais caraterísticas da história política
do século XIX, o Estado investe tanto na “invenção de tradições”, como dizem os historiadores ingleses Eric
Hobsbawm (1917-2012) e Terence Ranger (1929-2015).
Por “tradição inventada” entende-se um conjunto de práticas, normalmente reguladas por regras tácita
ou abertamente aceitas; tais práticas, de natureza ritual ou simbólica, visam inculcar certos valores e
normas de comportamento através da repetição, o que implica, automaticamente, uma continuidade em
relação ao passado. Aliás, sempre que possível, tenta-se estabelecer continuidade com um passado
histórico apropriado.
(HOBSBAWM; RANGER, 2004)
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Nação e Nacionalismo: caminhos diversos
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Estados em conflito: a era dos extremos
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Nação e nacionalismo
Foi necessário a criação de vínculos identitários
entre as pessoas como a criação de tradições,
ícones e sentimento de pertencer.
Revolução inglesa como ponto de partida para a
descentralização do poder real, formação da
monarquia parlamentarista.
Com a Revolução francesa o conceito de nação
se torna mais próximo de todos, o poder sai das
mãos de uma elite e o estado passa a ser
comandado por parte da população;
Fazer com que as pessoas se sintam parte
daquela luta e anseiem em defender os
interesses do seu grupo gera um sentimento de
pertença que ajuda a construir a ideia de nação.
A era dos extremos
Os discursos nacionalistas são usados não mais
para unir o povo, agora é necessário atacar os
adversários, provar a superioridade da nação.
O belicismo como consequência dos conflitos
entre nações;
 
Durante o século XX regimes como Nazismo e
Fascismo usaram do discurso nacionalista para
atacar inimigos e promover a guerra.
Atividade
Leia o texto a seguir:
Aprendemos que os __________ já tinham características nacionais em seu processo de formação. Mesmo
mantendo dinâmicas __________ , a ruptura com as estruturas medievais realçou a descrição de um movimento
político na __________ , que marcou o modelo político de todo o mundo, com demarcação de fronteiras,
burocracias estatais e processos de identidade nacional que somente a partir de então seriam modelados e
reafirmados.
Porém, como nenhum __________ é completamente eficiente, a história dos Estados Nacionais é atravessada
por tensões, __________ , movimentos de contestação que, vindos da sociedade civil, confrontaram a
autoridade do __________ e suas práticas de representações simbólicas e identitárias. Estudaremos alguns
exemplos desses atos coletivos contestatórios no próximo módulo.
Agora, marque a alternativa que melhor se encaixa.
A
estados modernos - monárquicas - europa ocidental - poder - conflitos - estado 
B
monárquicas -estados modernos - europa ocidental - poder - conflitos - estado 
C
estados antigos - monárquicas - europa ocidental - poder - conflitos - estado 
D
estados modernos - monárquicas - estado - ocidental - poder - conflitos - europa
A alternativa A está correta.
A sequência correta é:
Aprendemos que os Estados Modernos já tinham características nacionais em seu processo de formação.
Mesmo mantendo dinâmicas monárquicas, a ruptura com as estruturas medievais realçou a descrição de
um movimento político na Europa Ocidental, que marcou o modelo político de todo o mundo, com
demarcação de fronteiras, burocracias estatais e processos de identidade nacional que somente a partir de
então seriam modelados e reafirmados.
Porém, como nenhum poder é completamente eficiente, a história dos Estados Nacionais é atravessada por
tensões, conflitos, movimentos de contestação que, vindos da sociedade civil, confrontaram a autoridade
do Estado e suas práticas de representações simbólicas e identitárias. Estudaremos alguns exemplos
desses atos coletivos contestatórios no próximo módulo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A anarquia feudal, característica da crise do feudalismo, foi o ponto de partida para a formação dos Estados
Nacionais na Europa Ocidental. Assinale entre as opções a seguir aquela que justifica corretamente essa
afirmação.
A
As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre o campesinato e
a aristocracia, que juntos derrotaram a burguesia e mantiveram a estrutura político-administrativa
descentralizada. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno.
B
As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre as famílias
aristocráticas, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de repressão ao
campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
C
As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre as frações da
burguesia comercial, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de
repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
D
As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre a Igreja Católica
e as frações da burguesia comercial, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os
esforços de repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
E
As guerras camponesas (a anarquia feudal) levaram ao estabelecimento de uma aliança entre a Igreja Católica
e as famílias aristocráticas, que favoreceram o fortalecimento de uma delas para centralizar os esforços de
repressão ao campesinato. Nasceu, assim, o Estado Nacional Moderno centralizado.
A alternativa B está correta.
As guerras camponesas travadas entre os séculos XIII e XIV colocaram a hierarquia feudal em perigo, o que
fez com que a nobreza europeia pactuasse que casas aristocráticas específicas centralizariam os esforços
para o restabelecimento da ordem.
Questão 2
Portugal foi o primeiro caso de modernidade política na Europa. Assinale entre as opções a seguir aquela que
melhor explica por quê.
A
Portugal foi o primeiro caso de modernidade política na Europa porque já vinha desenvolvendo relações
comerciaisno campo desde o século XI, o que potencializou a formação de um Estado burguês.
B
Portugal foi o primeiro caso de modernidade política na Europa porque precisou formar um exército nacional e
centralizado pra lutar contra a França no conflito que ficou conhecido como Guerra dos Cem Anos.
C
Portugal foi o primeiro caso de modernidade política na Europa porque já contava com situação de relativa
centralização militar e administrativa desde a Idade Média, quando a aristocracia cristã formou uma coalizão
pra reconquistar o território ibérico, então ocupado pelos muçulmanos.
D
Portugal foi o primeiro caso de modernidade política na Europa porque a expansão marítima comercial
forneceu recursos para a burguesia portuguesa, que se articulou politicamente e fundou o primeiro Estado
capitalista do mundo.
E
Portugal foi o primeiro caso de modernidade política na Europa porque a guerra com a Espanha fortaleceu a
nobreza, que derrotou a burguesia incipiente, fundando assim o primeiro Estado aristocrático do mundo.
A alternativa C está correta.
Portugal já havia centralizado esforços administrativos e militares na época da reconquista, sob o comando
de Afonso Henriques, chefe do Condado Portucalense.
3. As diversas revoluções sociais que confrontaram a estrutura do Estado-nação
Estado Nacional: reafirmação e revoluções
Revoltas sociais x Estados nacionais
Neste vídeo, conheça mais sobre o Estado que está relacionado ao poder.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O período compreendido entre os séculos XVII e XIX foi, ao mesmo tempo, o momento de consolidação e crise
dos Estados Nacionais. Foi nessa época que o modelo de Estado centralizado, originado na Europa Ocidental
no século XIV, se espalhou pelo mundo, mas foi também quando a sociedade civil questionou e confrontou a
autoridade centralizada.
 
Estudaremos aqui o ciclo de rebeliões sociais e políticas que aconteceu na Europa e nas Américas nesse
período. Foram experiências tão transformadoras que chegaram a modificar o vocabulário político, como
demonstra a filósofa alemã Hannah Arendt (1998), que identificou aquela que teria sido a principal
transformação político-semântica trazida pela modernidade: a mudança no sentido do conceito “revolução”.
 
Se antes “revolução” era uma palavra associada ao movimento circular dos corpos celestes, agora passa a ser
um sinônimo de ruptura social e política drástica, que transforma para melhor as sociedades, que acelera a
marcha da história rumo ao futuro, como, por exemplo:
Revolução Inglesa
A independência dos Estados Unidos
A Revolução Francesa
Foi assim que se construiu uma memória positiva desse conjunto de rebeliões sociais e políticas que
aprendemos a chamar de “Revoluções Burguesas”.
Guerra Civil Inglesa durante a Revolução Inglesa
Vamos começar pela Revolução Inglesa!
Inglaterra
Ainda no século XVII, a Inglaterra foi desestabilizada por um conjunto de revoltas sociais que acabaram por
instituir aquele que se tornaria um dos valores mais sagrados das democracias liberais modernas: o 
Constitucionalismo, que, como vimos no módulo 1, está fundado na premissa de que o poder do Estado deve
ser limitado pela lei.
Constitucionalismo
É o exercício de estruturar a sociedade a partir da lei e da submissão de todos às suas regras, públicas e
claras por meio de Constituições nacionais. 
Saiba mais
A Revolução Inglesa foi bastante estudada na bibliografia especializada, que apresenta diferentes, e por
vezes conflitantes, interpretações do evento. Certamente, as duas principais referências para o assunto
são os livros O mundo de ponta cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640, de
Christopher Hill, publicado em 1987, e o livro As causas da Revolução Inglesa, de Lawrence Stone,
publicado em 1988. 
Enquanto Christopher Hill, em perspectiva marxista, afirma que a Revolução Inglesa foi o evento de
inauguração da fase moderna da luta de classes, ao decretar a primeira grande vitória da burguesia sobre a
aristocracia; Stone argumenta que o processo de aburguesamento da Inglaterra se deu pela modernização da
própria nobreza rural, a gentry.
Seja como for, apesar das diferenças, ambos os
autores interpretam as revoluções inglesas do
século XVII como o momento de fundação da
ordem capitalista, que passaria a estruturar a
vida social e política no mundo ocidental.
 
A Revolução Inglesa (1640-1688) foi um
processo plural, cheio de idas e vindas e
atravessado por diversas guerras civis. Desde o
século XVI, a burguesia inglesa (famílias ricas,
mas sem signos aristocráticos de distinção) era
um grupo influente devido ao processo de
cercamento dos campos, que pioneiramente
passou a subordinar o espaço rural às
demandas comerciais e industriais urbanas.
O campo inglês especializou-se em criar ovelhas para servirem como fonte de matéria-prima para a incipiente
indústria têxtil. Esse foi o “cercamento dos campos”, enclosures, aquilo que Karl Marx (1818-1883) chamou de
“acumulação primitiva do capital”.
 
Entretanto, essa burguesia ascendente estava sub-representada na estrutura da monarquia aristocrata
inglesa. Podemos dizer que essa situação de sub-representação foi um dos principais focos de tensão que
implodiram o sistema político inglês. No processo, o rei Carlos I foi morto, em janeiro de 1649, no primeiro
regicídio, ou seja, assassinato do rei, moderno da história.
Curiosidade
Regicídios são normais nas monarquias, pois é comum que o trono seja objeto de desejo e alvo de
conspirações, quase sempre envolvendo grupos aristocráticos próximos ao monarca. 
No caso da morte de Carlos I, o regicídio não foi conspiratório, mas sim realizado em execução pública, em
nome da “autoridade do povo”. O povo, então, empoderou-se a ponto de condenar o rei à morte, o mesmo
monarca que até então era visto como o portador de um direito divino.
 
Depois da execução de Carlos I, a Inglaterra viu, ainda, a formação de uma ditadura comandada por um líder
militar chamado Oliver Cromwell (1599-1658). A monarquia foi restaurada com a dinastia dos Stuart, e uma
nova guerra civil, a Revolução Gloriosa, em 1688, instituiu a primeira monarquia constitucional da história.
Agora, a verdadeira soberania não pertencia ao rei, mas sim à lei, entendida como a manifestação da
vontade do “povo”.
É a máxima que diz que “o rei reina, mas não governa”.
Em todo esse período, o trono esteve em conflito com o parlamento, disputando a quem caberia o controle
político da monarquia. O parlamento venceu. O parlamentarismo sobrepôs-se ao absolutismo.
Independência dos Estados Unidos
Na segunda metade do século XVIII, o mundo inglês protagonizaria outro evento que seria reconhecido como
um dos momentos de fundação da cultura democrática moderna. Foi a independência das treze colônias
inglesas, ou a Revolução Americana, que trouxe ao mundo a novidade de um país independente na América.
Comentário
A formação dos Estados Unidos nunca contou com uma organização única, tendo cada uma das colônias
estruturas singulares. Sua unidade nunca feriu esse princípio, não à toa foi ali que se consolidou o
modelo de federalismo. 
Declaração da independência dos Estados Unidos.
Diferentemente das revoluções inglesas do século XVII, a Revolução Americana não questionou a monarquia
ou a autoridade do rei, mas sim o parlamento, acusado de violar direitos coloniais adquiridos. Até o fim do
processo, as elites coloniais insurgentes pediram a proteção do rei contra a espoliação feita pelo parlamento
britânico. Por isso, como afirma John Pocock, a independência dos EUA deve ser inserida no contexto mais
amplo das transformações das instituições britânicas que vinham se processando desde o século XVII.
Século XVII
Entre os períodos de 1641 a 1660 e entre 1688 a 1689, ocorreram crises nas relações entre a Coroa
inglesa e a classe inglesa proprietária de terras, das quais o King-in-Parliament saiu fortalecido, embora
profundamente transformado. A capacidade da Inglaterra de criar e consolidar a “Grã-Bretanha”e seguir
em busca de um império atlântico foi um dos subprodutos de 1688. Porém, em 1776, ou mais
propriamente entre 1764 e 1801, a capacidade do parlamento de exercer o governo sobre as províncias
— e, em menor grau, a maneira como ele agora governava a sociedade inglesa — foi severamente
desafiada. Nas colônias americanas teve lugar a revolução contra o parlamento (POCOCK, 2003).
E como os conflitos começaram?
Os conflitos entre as colônias e o parlamento começaram na
década de 1760, logo após o fim da Guerra dos Sete Anos
(1756-1763). 
Tendo saído da guerra com as contas desequilibradas, o
parlamento britânico, que, como sabemos, governava o
Império desde a Revolução Gloriosa (1688), apertou o rigor em
suas relações mercantis com as colônias. 
Entre 1764 e 1774, o parlamento criou dura legislação que
pressionou os interesses econômicos coloniais. 
Em 1774, as lideranças coloniais organizaram o I Congresso da
Filadélfia, quando redigiram um manifesto pedindo proteção e
apresentando suas reclamações ao rei George III. 
A Inglaterra era o parceiro governante e as raízes do parlamento estavam na sociedade inglesa comercial e de
proprietários de terra. Era isso o que “tornaria a conciliação com as colônias, em última instância, impossível”
(POCOCK, 2003).
Diante da recusa do parlamento inglês em atender às reivindicações das colônias, os representantes coloniais
reuniram-se novamente em 1776, quando Thomas Jefferson (1743-1826) redigiu a Declaração de
Independência dos EUA. Começou, então, um ciclo de conflitos que se arrastaria até 1783, mostrando ao
mundo o caso inédito de colônias que confrontaram a autoridade de sua metrópole e venceram.
Thomas Jefferson
Um dos mais importantes intelectuais norte-americanos. Notabilizou-se como um defensor da República
pela atuação na Constituição, e foi presidente dos Estados Unidos.
Para Bernard Bailyn (2003), o que alimentou a insatisfação das colônias foi a convicção de que seus direitos
tradicionais estavam sendo atacados, de que suas liberdades adquiridas corriam risco. O algoz não era a
monarquia centralizada. Era o parlamento.
No fim, cheguei à conclusão de que o medo de uma conspiração ampla contra a liberdade no mundo de
língua inglesa – uma conspiração que se acreditava ter sido alimentada na corrupção e sobre a qual se
sentia que a opressão na América do Norte era apenas a parte mais imediatamente visível – estava no
coração do movimento revolucionário.
(BAILYN, 2003)
Sem dúvida alguma, as revoltas sociais que desestabilizaram o mundo francês durante as décadas de 1780 e
1790, e que posteriormente ficariam conhecidas como Revolução Francesa, tornaram-se o evento
simbolicamente mais importante da cultura política moderna. Já tendo sido objeto de diversos estudos
especializados, a Revolução Francesa precisa ser pensada como um processo complexo, cheio de idas e
vindas e não restrito apenas ao território europeu francês, visto que se manifestou também em terras
coloniais, como na ilha caribenha de Santo Domingo, palco da mais radical e violenta revolução social dos
primeiros anos da modernidade.
Modernidade
A independência de uma parte da ilha conhecida atualmente como Haiti, liderada pelos negros locais,
gerou uma intensa reação dos senhores do restante da ilha, Santo Domingo, além de desestabilizar o
governo revolucionário haitiano.
Nos diversos momentos dos conflitos, em alguns de forma mais aguda, em outros de maneira mais pálida, a
“tirania” do Estado monárquico foi questionada pela sociedade. O historiador francês Albert Soboul
(1914-1982) divide o processo revolucionário em três momentos, cada qual apresentando níveis diferentes de
radicalismo disruptivo e projetos distintos para a organização político-institucional do Império francês.
 
Entre 1789 e 1791, o projeto vitorioso foi o girondino, marcado pelo objetivo de transformar a monarquia
absolutista comandada pelos Bourbons em uma monarquia constitucional, à moda inglesa. A propriedade
privada foi defendida e a desigualdade social não foi pautada como problema estrutural da sociedade
francesa.
Foi um momento de compromisso entre a burguesia e os setores mais progressistas da aristocracia e da
Igreja. O objetivo do pacto era abolir a feudalidade, ampliar o acesso aos direitos políticos, numa
revolução pacífica que não almejava questionar a propriedade privada e a ampliação de direitos sociais.
(SOBOUL, 1995)
Revolução Francesa
Revolução Francesa
A partir de 1792 até 1795, começaria o momento de maior radicalidade do conflito, quando a própria estrutura
da sociedade francesa foi posta em questão pelo projeto jacobino, comandado pela aliança entre operariados
urbanos e a pequena burguesia liderada por Maximilien François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794).
Toussaint Bréda
Esses grupos situavam-se mais à esquerda do espectro político francês e demandavam mais do que apenas o
fim da monarquia absolutista e o fim da feudalidade. Desejavam questionar a estrutura fundiária, a divisão de
terras, a miséria dos trabalhadores urbanos.
Mas, politicamente, quem eram os jacobinos?
Politicamente, os jacobinos eram republicanos e não estavam dispostos a negociar com a estrutura
monárquica. O resultado foi o acirramento dos conflitos sociais e a militarização efetiva da crise francesa,
dando início àquilo que já na época ficou conhecido como “terror”, quando o tribunal revolucionário executou
milhares de pessoas, incluindo o rei Luís XVI e o próprio Robespierre.
 
Os efeitos da guerra revolucionária atravessaram o oceano Atlântico, chegando à ilha de Santo Domingo,
colônia francesa na América. Santo Domingo era uma sociedade escravocrata, em que a minoria branca
comandava uma economia agroexportadora, movida pelo trabalho escravo da maioria negra.
 
Nos anos da Revolução Pacífica girondina, como explica Eugene Genovese, a elite colonial manifestou o
desejo de ser representada na Assembleia dos Estados Gerais e gozar da ampliação dos direitos políticos.
Porém, com a radicalização jacobina, a escravidão foi abolida em todo o império colonial francês.
 
 
Nesse momento, as forças revolucionárias eram
lideradas pelo comandante e governador de
Santo Domingo Toussaint Bréda (1743-1803), e
o objetivo era defender a Revolução, o que
significava defender a abolição da escravidão,
tanto dos ataques restauradores internos como
dos externos.
O termo “revolucionário” provocou a
formação de um amplo arco de forças, que
passou a ter o objetivo de derrotar a
agenda social e republicana dos jacobinos.
Nobreza, clero, potências internacionais e
alta burguesia juntaram-se para atacar a Revolução Jacobina e retroceder o processo ao estágio do
capitalismo monárquico liberal, tal como era o objetivo na fase jacobina do processo.
Em Santo Domingo, a reação colocou a emancipação política na agenda dos revolucionários, agora
comandados J. J. Dessalines (1758-1806), outra importante liderança militar negra. Os conflitos foram
sangrentos e a minoria branca foi quase completamente exterminada naquela que foi a primeira revolução
moderna a trazer a discussão racial para o centro da pauta dos conflitos.
Em 1º de janeiro de 1804 foi proclamada a independência da República do Haiti, que se tornou o segundo país
independente das Américas, logo depois dos EUA. Na França, a monarquia foi restaurada, a propriedade
privada respeitada e as demandas jacobinas por direitos sociais sufocadas. Napoleão Bonaparte (1769-1821)
tornou-se a principal liderança política do Império francês.
Comandante militar do Egito e convocado para comandar a França Revolucionária ao fim do processo
relatado.
Os questionamentos ao Estado Moderno continuariam no século XIX, novamente nas duas margens do
Atlântico: dezenas de processos emancipacionistas decretaram o fim da dominação colonial europeia nas
Américas, novas revoluções sociais desestabilizaram a França, em 1830, 1848 e 1871, apresentando amplo
leque de projetos políticos, indo do liberalismo burguês ao comunismo.
 
Se, entre os séculos XIV e XVI, a Europa

Mais conteúdos dessa disciplina