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Olhares Olhares 
AtentosAtentos
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O
GUIA PARA PREVENÇÃO, IDENTIFICAÇÃO E ENCAMINHAMENTOS EM CASOS DE
SUSPEITA DE VIOLÊNCIA SEXUAL NO ÂMBITO ESCOLAR
Assistente Social: Juliete Guerra Hiradai  CRESS/PR Nº7182 
Assistente Social:Luzinete Teixeira de Oliveira  CRESS/PR nº8993
Psicóloga: Karina Soares da Silva - CRP/PR Nº08/37438
Psicóloga:Rayana Aparecida Costa - CRP/PR Nº08/29353
Técnica Pedagógica: Fabiana Galvão
2ª Edição/2025
1
APRESENTAÇÃO
Esta é a segunda edição da cartilha “Olhares Atentos”, produzida
pela equipe multiprofissional do Núcleo Regional de Educação de
Goioerê (NRE-Goioerê), com o propósito de abordar um tema de
extrema relevância: o 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao
Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Instituída pela Lei Federal nº 9.970/00, a data é uma conquista que
marca a luta pelos direitos humanos de crianças e adolescentes. Ao
estabelecer o Dia Nacional, a lei oficializou a necessidade de ações
contínuas e coordenadas para protegê-las da violência sexual,
reforçando um compromisso coletivo.
A iniciativa está em consonância com o Plano Nacional de
Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e
Adolescentes, que orienta políticas públicas em todo o território
brasileiro, visando à prevenção, à proteção e à responsabilização
nos casos de violação de direitos, promovendo uma cultura de
proteção integral. Assim, reconhece-se o papel estratégico das
instituições escolares no enfrentamento a esse tipo de violência,
dada sua posição privilegiada no contato cotidiano com estudantes.
Neste contexto, a equipe multiprofissional do NRE apresenta este
material com o objetivo de promover reflexões sobre a prevenção, a
identificação e o encaminhamento de situações de violência sexual
contra crianças e adolescentes, valorizando os saberes, os olhares e
as vivências das equipes escolares, de forma articulada e integrada.
 Esperamos que este material
contribua de maneira reflexiva e
fortaleça o compromisso das
equipes diretivas das escolas para
atuarem na garantia dos direitos de
nossos alunos através de olhares
atentos e ações efetivas.
2
A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA NO ENFRENTAMENTO DA
VIOLÊNCIA SEXUAL
A escola exerce um papel essencial no processo de identificação e
proteção de crianças e adolescentes contra a violência, sendo
frequentemente o primeiro ambiente, além do familiar, em que se
observa alterações no comportamento, aparência ou desempenho
dos alunos. A presença contínua dos educadores no cotidiano dos 
estudantes possibilita uma observação atenta às
mudanças que possam indicar sinais de violência,
sejam elas físicas, psicológicas, negligência ou
outras formas de abuso.
Diante desse protagonismo na relação escola-
aluno no cotidiano escolar, é essencial
compreender as principais manifestações de
violência — física, psicológica, negligência ou
outras formas de abuso —, bem como saber como
registrar, observar e encaminhar
adequadamente esses casos.
A relação próxima entre educadores e
alunos facilita a percepção das mudanças
de comportamento e o reconhecimento de
sinais de alerta. Essa proximidade também
abre espaço para a construção de uma
relação de confiança e transparência,
essencial para que crianças e adolescentes
se sintam seguros ao relatarem suas
experiências, sem o risco de serem
julgadas/os ou discriminadas/os.
Entretanto, a atividade docente não é isenta de desafios. A rotina
escolar é muitas vezes sobrecarregada por demandas burocráticas e
operacionais, que podem dificultar a capacidade de observação e
reflexão crítica do dia a dia. A carga de trabalho dos educadores,
que envolve desde atividades em sala de aula até o planejamento, 
reuniões com pais e correção de avaliações, exige uma gestão
cuidadosa do tempo. Esse contexto, somado ao cansaço diário, pode
impactar na capacidade de perceber com clareza os sinais de
violação de direitos.
Por isso, é imperativo que as equipes escolares, especialmente os
educadores, desenvolvam "olhares atentos". Mesmo diante de um
contexto institucionalizado e sobrecarregado, é necessário criar
condições para que as/os profissionais consigam se manter sensíveis
às vivências de seus alunos. Essa sensibilidade deve ser cultivada por
meio de vínculos, acolhimento e uma escuta ativa, capaz de
identificar necessidades emocionais e comportamentais.
3
Violência Sexual o que é? Segundo o art. 4.º, inciso III, da Lei n.º
13.431, de 4 de abril de 2017, violência sexual é “entendida como
qualquer conduta que constranja a criança ou o adolescente a
praticar ou presenciar conjunção carnal ou qualquer outro ato
libidinoso, inclusive exposição do corpo em foto ou vídeo por meio
eletrônico, ou não, que compreenda: abuso sexual, exploração
sexual; importunação sexual e assédio sexual” (BRASIL, 2017).
A violência sexual pode ocorrer dentro dos lares — um ambiente
que, em tese, deveria representar proteção. O espaço doméstico,
por ser privado, muitas vezes está envolto em segredos familiares e
sociais, o que dificulta ainda mais a identificação do abuso. Em casos
como esses, o autor da violência pode exercer poder moral,
econômico e disciplinar sobre a vítima, tornando o rompimento do
silêncio ainda mais difícil.
A violência sexual representa uma grave ameaça ao bem-estar, à
saúde e ao futuro de crianças e adolescentes, podendo
comprometer seriamente seu desenvolvimento emocional, físico e
cognitivo. A condição de vulnerabilidade inerente à infância e
adolescência torna esse público mais suscetível a situações de
abuso. No entanto, alguns grupos enfrentam riscos ainda maiores,
como crianças e adolescentes em situação de pobreza, negras, com
deficiência ou inseridas em contextos de exclusão social.
SINAIS DE VIOLÊNCIA SEXUAL: O QUE OBSERVAR?
Quando a violência não é identificada ou enfrentada
adequadamente, e a vítima não recebe o acolhimento e
o suporte necessários, há um risco significativo de que
ela internalize a agressão como algo natural ou
aceitável, perpetuando um ciclo de dor e silêncio. Os
impactos no desenvolvimento da criança podem ser
graves se não receberem o apoio necessário e o
atendimento com profissionais capacitados. 
Nesse cenário, a escola tem um papel
fundamental: Criar um ambiente
seguro, acolhedor e protetivo, onde
crianças e adolescentes possam
expressar seus sentimentos e
vivências. A escuta acolhedora é o
primeiro passo para romper o ciclo da
violência — e deve ser uma prática
constante no cotidiano escolar e não
apenas nas campanhas de 18 de maio.
4
A violência sexual contra crianças e adolescentes pode se
manifestar por meio de diversos sinais físicos, comportamentais e
contextuais. Em muitos casos, esses sinais não são explícitos,
exigindo atenção qualificada por parte da equipe escolar, toda
suspeita é importante, lembre-se de exercitar olhares atentos.
Abaixo estão listados os principais indicadores que podem sugerir
situações de abuso ou exploração sexual:
SINAIS FÍSICOS
Lesões genitais ou anais (dor, inchaço,
sangramento, feridas).
Dificuldade em sentar ou caminhar.
Roupas íntimas rasgadas, manchadas ou
fora do lugar.
Hematomas ou machucados em locais
incomuns para quedas acidentais.
Infecções urinárias ou doenças
sexualmente transmissíveis.
Gravidez precoce ou aborto sem
justificativa plausível.
Problemas de saúde sem causa médica
definida (distúrbios do sono, fala,
alimentação).
SINAIS COMPORTAMENTAIS
Mudanças bruscas de comportamento (apatia,
agressividade, isolamento).
Regressão a comportamentos infantis
(enurese, sucção do dedo, fala infantilizada).
Baixa autoestima, medo de adultos ou figuras
de autoridade.
Desconfiança excessiva, sensação de
constante ameaça.
Auto agressões, ideação suicida ou
comportamentos autodestrutivos.
Interesse ou conhecimento sexual incompatível
com a idade.
Desenhos ou brincadeiras com conteúdo
sexual explícito. 5
SINAIS OBSERVÁVEIS NA DINÂMICA FAMILIAR
Justificativas contraditórias ou evasivas por
parte dos responsáveis.
Excesso de rigidez ou disciplina física
imposta à criança.
Falta deafeto e comunicação entre pais e
filhos.
Presença de familiares com histórico de
violência ou abuso.
Afastamento da criança de atividades
escolares ou sociais.
Quando uma criança ou adolescente revela, direta ou indiretamente,
situações de violência sexual, é essencial que a equipe escolar saiba
como agir de forma técnica, ética e acolhedora, sem julgamentos,
oferecendo suporte adequado, ambiente seguro. A escuta e os
encaminhamentos adequados são determinantes para a proteção e
o bem-estar da vítima.
COMO DEVE SER FEITA ESSA ESCUTA? 
Atenta e empática, sem julgamentos ou
reações de choque.
Reservada e individual, em ambiente seguro
e sem interrupções.
Respeitosa ao tempo e à forma de
expressão da criança/adolescente.
Livre de perguntas sugestivas ou
detalhamento excessivo dos fatos.
Não pressione a vítima para obter
informações. Seja paciente e permita que ela
fale livremente (revelação espontânea).
6
EVITE
Fazer perguntas investigativas ou inquisitivas.
Duvidar ou minimizar o que foi dito.
Repetir o relato diversas vezes a diferentes profissionais.
REFORCE COM FRASES COMO:
"Você não tem culpa do que aconteceu."
"Estou aqui para te ajudar."
REGISTRO E DOCUMENTAÇÃO
Faça anotações o mais breve possível após a
escuta.
Registre com fidelidade o que foi dito,
utilizando as palavras da criança/adolescente
sempre que possível.
Evite incluir opiniões pessoais no relatório.
Garanta a confidencialidade das informações
– compartilhe apenas com as/os profissionais
responsáveis pelo encaminhamento.
ENCAMINHAMENTOS
No Brasil, toda e qualquer prática sexual é proibida a pessoas com
menos de 14 anos é limitada entre adolescentes de 14 a 18 anos.
As primeiras regulamentações sobre esse assunto encontram-se
registradas no Código Criminal do Império do Brasil (BRASIL, 1831).
Desde então, foram estabelecidas normas com o intuito de proteger
a sexualidade de crianças e adolescentes.
Devemos considerar a violência sexual contra crianças e
adolescentes uma violação à dignidade sexual desses sujeitos
(alteração no Código Penal de 1940, Lei 12.015, Título VI – BRASIL).
7
A respeito de como encaminhar, use o documento de referência Guia
de Orientações às Equipes Diretivas e Pedagógicas sobre os
Protocolos a serem adotados em situações de violência intra e
extra escolar envolvendo crianças e adolescentes: Clique aqui!
Devemos considerar a violência sexual contra crianças e
adolescentes uma violação à dignidade sexual desses sujeitos
(alteração no Código Penal de 1940, Lei 12.015, Título VI – BRASIL).
Se a equipe gestora da escola se recusar a IMPORTANTE:
realizar a notificação, a/o profissional que recebeu o relato
ainda tem a responsabilidade legal de comunicar o caso,
neste caso, conte com o apoio da equipe multiprofissional do
Núcleo de educação. O silêncio institucional pode configurar
omissão e gerar responsabilização civil, administrativa e
criminal.
Após a escuta e o registro de uma suspeita ou confirmação de
violência sexual, é dever da escola acionar imediatamente o
Conselho Tutelar , conforme previsto no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e na Lei 13.431/2017.
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS ÓRGÃOS NESSE PROCESSO
DE PROTEÇÃO E GARANTIA DOS DIREITOS DE
CRIANÇAS E ADOLESCENTES?
A escola integra a rede de proteção à
criança e ao adolescente, junto a
diversos órgãos que atuam de forma
articulada:
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https://drive.google.com/file/d/1Crm_pUGGdoF2l5fG84_uqDM-V5yd3ZIg/view?usp=sharing
Conselho Tutelar
Responsável pela proteção dos
direitos da criança e
adolescente; aciona demais
serviços da rede.
Delegacia de Polícia/DPCA
Investiga os fatos, instaura
inquérito, solicita exames e
provas.
Ministério Público
Fiscaliza o cumprimento das
leis, acompanha denúncias e
promove ações judiciais.
Defensoria Pública
Presta assistência jurídica
gratuita às vítimas e suas
famílias.
Justiça da Infância e
Juventude
Aplica medidas de proteção e
responsabilização, conforme o
ECA.
CREAS/CRAS
Oferecem acompanhamento
especializado multiprofissional
às vítimas e suas famílias.
Serviço de Saúde
Atendimento clínico, psicológico
e emissão de laudos médicos.
9
O QUE ACONTECE COM A NOTIFICAÇÃO DA VIOLÊNCIA
A criança e o adolescente necessitam de atenção especial. Por isso,
os órgãos competentes devem, simultaneamente, apurar os fatos e
encaminhá-los aos serviços de assistência social, apoio médico e
psicológico.
ENCAMINHAMENTO AO INSTITUTO MÉDICO LEGAL (IML)
A fase de apuração se inicia com a emissão de um Boletim de
Ocorrência (B.O.), que é o primeiro passo para a instauração de um
inquérito policial — peça fundamental para a responsabilização dos
agressores. Em seguida, busca-se reunir dois tipos de provas da
ocorrência: o laudo pericial e a prova testemunhal.
Nos casos de suspeita de violência sexual ocorridos até 72 horas, as
crianças ou os adolescentes devem ser encaminhados para
hospitais de referência da região. Caso a violência tenha ocorrido
há mais de 72 horas, as vítimas devem ser encaminhadas e
acompanhadas pelos pais ou responsáveis legais (desde que estes
não sejam suspeitos da violência) para Unidades de Saúde (US) da
região.
No laudo pericial, o(a) delegado(a) deve solicitar exames que
verifiquem a ocorrência de ato sexual (conjunção carnal), lesões
corporais (corpo de delito) e indícios de autoria do crime. Por isso,
é essencial que as/os profissionais orientem pais e responsáveis
quanto às providências imediatas após o abuso sexual, como não
dar banho na criança e não lavar as roupas utilizadas.
Laudos psicológicos também podem dar
suporte a denúncias de violência sexual que
não deixam marcas físicas visíveis. Nessa
etapa, é necessário que a criança seja
acompanhada ao IML por familiares,
educadores ou outros responsáveis legais. O
Conselho Tutelar também pode realizar esse
encaminhamento.
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APLICAÇÃO DE MEDIDAS DE PROTEÇÃO APÓS O IML
Após os procedimentos no IML, a criança poderá retornar à
sua residência. Caso isso não seja possível, ela deve ser
encaminhada a família extensa ou a um abrigo, e o Juiz
da Infância e Juventude deve ser informado, com
posterior encaminhamento para acompanhamento
psicológico.
O Conselho Tutelar deverá aplicar outras
medidas de proteção à criança e aos pais ou
responsáveis, conforme previsto nos artigos
101 e 129 do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA).
APURAÇÃO DOS FATOS
A apuração prossegue com a oitiva da criança ou
adolescente vítima de abuso, bem como de
testemunhas. Uma postura cooperativa por parte
do notificador pode amenizar o sofrimento da
vítima, contribuindo para que o processo não se prolongue 
MITOS E VERDADES
A desinformação e os estigmas
sociais dificultam o reconhecimento
da violência sexual e podem levar à
negligência no atendimento. Abaixo
estão alguns dos principais mitos que
ainda circulam no imaginário social e
profissional — e suas respectivas
correções técnicas.
desnecessariamente. Se a notificação for bem fundamentada, a
autoridade competente pode optar por não ouvir o notificador.
11
MITOS VERDADES
"O agressor é sempre um
estranho."
Na maioria dos casos, o agressor
é alguém próximo da vítima: um
familiar, vizinho ou pessoa
conhecida e de confiança.
"A criança inventa o abuso para
chamar atenção."
Crianças raramente inventam
situações de abuso sexual.
Quando relatam, mesmo que de
forma fragmentada, é importante
levar a sério e investigar.
"Mulheres não cometem abuso
sexual."
Mulheres podem, sim, ser autoras
de abuso sexual. No entanto,
esses casos são menos
denunciados por conta de
estigmas sociais, preconceitos de
gênero e até da forma como se
entende o abuso —
especialmente quando a vítima é
um homem ou uma criança.
"Dá para reconhecer um
abusador só de olhar."
Não há um perfil físico ou
comportamental que identifique
um abusador. Muitos são
socialmente aceitos e ocupam
posições de respeito na
sociedade.
"A violência sexual deixa sempre
marcas físicas."
Muitas vezes não há sinais físicos
visíveis. Os indícios podem ser
apenas comportamentais ou
emocionais.
"Educar sobre sexualidade
incentiva asexualização
precoce."
Educação sexual é uma
ferramenta de proteção. Ensinar
sobre o corpo, os limites e o
consentimento ou não, fortalece
a autodefesa da criança.
12
AÇÕES DE PREVENÇÃO
Educação Sexual e Prevenção da Violência Sexual
A sexualidade tem importância fundamental em todas as fases do
desenvolvimento humano, sendo indissociável da vida, pois envolve
sentimentos, pensamentos e ações. Desde a década de 1970, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua a sexualidade como
algo muito mais amplo do que a relação sexual e a reprodução:
ela envolve desejo, busca de prazer, formas de expressão,
comunicação e afeto. Inerente ao ser humano, desenvolve-se ao
longo de toda a vida. Falar de sexualidade é, portanto, abordar
tanto o individual quanto o cultural — crenças, valores,
intimidades, sentimentos e emoções — e não apenas o sexo em si.
Os direitos sexuais são direitos humanos universais, baseados na
liberdade, dignidade e igualdade entre todas as pessoas. A saúde
sexual, por sua vez, deve ser reconhecida como um direito
fundamental, que precisa ser garantido com respeito à diversidade,
sem moralismo e com base em fundamentos sólidos. Para que
esse direito se efetive, é essencial que a educação sexual esteja
presente de forma ética, informativa e respeitosa nos espaços
educativos.
Nesse contexto, a educação sexual se apresenta como a melhor
forma de prevenção. Crianças e adolescentes que não recebem
orientação adequada sobre sexualidade estão mais vulneráveis a
informações distorcidas, incorretas e inadequadas, geralmente
oriundas de meios de comunicação pouco confiáveis, como
programas de televisão, redes sociais ou mesmo de seus próprios
pares. A autodefesa, nesse cenário, torna-se um
instrumento importante de proteção. Com acesso
a conhecimentos apropriados sobre o próprio
corpo, crianças e adolescentes desenvolvem, com
mais segurança, a capacidade de tomar
decisões, de reconhecer situações
desconfortáveis e de dizer “não” quando
necessário.
Por isso, é imprescindível ensinar os direitos
sexuais desde a infância, favorecendo um
desenvolvimento saudável e integral. Conhecer as
características de cada fase do crescimento
ajuda educadores e responsáveis a evitar
equívocos ao abordar o tema, respeitando as
formas de expressão da sexualidade sem
reprimi-las.
13
Cabe ao educador, portanto, estar sensibilizado e capacitado para
observar e compreender as manifestações da sexualidade nas
diferentes faixas etárias, respondendo às questões com linguagem
simples, respeitosa e adequada ao nível de compreensão de cada
criança ou adolescente.
Além disso, é fundamental que cada educador utilize sua criatividade
e sensibilidade para estabelecer vínculos com os estudantes,
construindo uma abordagem acolhedora e significativa. A formação
contínua e o compromisso com uma prática educativa que respeite
as singularidades e a diversidade são caminhos essenciais para
garantir uma educação sexual efetiva e humanizada.
E ainda mais, a prevenção do abuso sexual envolve três frentes:
PREVENÇÃO PRIMÁRIA
Práticas recomendadas:
Inserção da temática de sexualidade
de forma transversal no currículo.
Orientação sobre direitos do corpo,
privacidade e consentimento.
Desenvolvimento de projetos
educativos com linguagem acessível
e adequada à idade.
Envolvimento das famílias e da
comunidade escolar em campanhas
de prevenção.
Realização de oficinas, palestras e
rodas de conversa com apoio da
rede de proteção.
Objetivo: Evitar que a violência ocorra.
Ações voltadas à promoção de uma cultura de respeito, cuidado e
proteção, com foco na conscientização e educação desde a
infância.
PREVENÇÃO SECUNDÁRIA
Objetivo: Identificar precocemente situações de risco e evitar a
repetição de abusos.
14
Ações focadas na detecção de sinais de violência e no
fortalecimento da escuta e da vigilância ativa dentro da escola.
Práticas recomendadas:
Capacitação das equipes escolares para
reconhecer sinais físicos, emocionais e
comportamentais.
Estabelecimento de protocolos internos
claros de escuta e encaminhamento. Os
educadores podem utilizar este material e o
Guia de Orientações às Equipes Diretivas e
Pedagógicas sobre os Protocolos a serem
adotados em situações de violência intra e
extra escolar envolvendo crianças e
adolescentes.
Registro sistematizado de observações e
condutas adotadas.
Parceria com os serviços da rede para
acompanhamento de alunos em situação de
desproteção social.
PREVENÇÃO TERCIÁRIA
Objetivo: Minimizar danos e prevenir novas ocorrências.
Ações voltadas à proteção e acompanhamento de crianças e
adolescentes que já sofreram violência sexual.
Práticas recomendadas:
Encaminhamento imediato aos serviços
especializados (saúde, assistência, jurídico). No
Guia de Orientações às Equipes Diretivas e
Pedagógicas sobre os Protocolos a serem
adotados em situações de violência intra e
extraescolar envolvendo crianças e adolescentes,
descreve-se passo a passo as orientações sobre
como fazer a notificação.
Acompanhamento pedagógico, garantindo a
permanência e o vínculo com a escola.
Apoio na reintegração segura no ambiente
escolar e familiar.
Participação da escola na articulação com o
Conselho Tutelar, CREAS, Ministério Público e
Judiciário.
15
PROPOSTAS DE AÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O MAIO
LARANJA
O Maio Laranja é um momento estratégico para intensificar as ações
de prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes. As
escolas possuem papel fundamental na mobilização da
comunidade escolar, na formação crítica de alunos e profissionais, e
no fortalecimento da cultura de proteção e denúncia.
A seguir, apresentamos sugestões de atividades pedagógicas e
institucionais que podem ser organizadas de forma articulada com o
currículo escolar e com o apoio da rede de proteção.
Atividades com os estudantes
Rodas de conversa temáticas com estudantes
(adequadas à faixa etária), abordando temas
como corpo, respeito, sentimentos, proteção e
confiança.
Oficinas de expressão artística (desenhos,
cartazes, produção de vídeos ou teatro) com o
tema "Você pode falar com a gente".
Dinâmicas sobre confiança e cuidado: Quem são
os adultos de confiança? Como pedir ajuda?
Fortalecimento da Caixa “Escola escuta":
reforçar e divulgar a caixa que é um espaço
sigiloso para que estudantes deixem bilhetes com
pedidos de ajuda ou sugestões.
Envolvimento das famílias
Reuniões formativas com pais e
responsáveis sobre sinais de alerta e
o papel da família na prevenção.
Envio de materiais informativos
(folders, vídeos curtos, links) sobre o 18
de Maio com canais de denuncia.
Ações conjuntas com a comunidade
e o Conselho Escolar para promoção
de ambientes protetivos.
16
 Formação de profissionais
Mobilização da comunidade 
Campanhas internas de conscientização,
com o uso da cor laranja (murais, laços,
camisetas, faixas).
Semana de Proteção com palestras, rodas
de leitura e debates com profissionais da
rede (CRAS, CREAS, Saúde, Conselho Tutelar,
Promotoria, etc.).
Participação em ações intersetoriais
promovidas pelo município.
Realização de formações internas
sobre escuta, identificação de sinais e
encaminhamentos.
Discussão de casos fictícios para
fortalecer a aplicação do protocolo de
ação (estudos de caso).
Mais do que cumprir um protocolo, trata-se de assumir um
compromisso ético e institucional com a proteção integral de
crianças e adolescentes, consolidando a escola como um espaço
seguro e ativo na rede de proteção.
A partir dessas orientações, esperamos fortalecer a atuação das
equipes diretivas das escolas, atuando conectadas a equipe
multiprofissional do Nucleo de Educação de Goioerê e incentivar a
criação de práticas consistentes e permanentes no combate à
violência sexual infantojuvenil.
Seguimos todas/os com o
compromisso firmado de exercitarmos
nossos “olhares atentos” na luta por
direitos de crianças e adolescentes
enquanto uma conduta ética e
humana.
17
REFERÊNCIAS
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lei nº 8.069, de
13 de julho de 1990. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm.Acesso em: 14
fev. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.935, de 11 de dezembro de 2019. Dispõe sobre a
prestação de serviços de psicologia e de serviço social nas redes
públicas de educação básica. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-
2022/2019/lei/L13935.htm. Acesso em: abr. 2025.
BRASIL. Lei nº 14.811, de 12 de janeiro de 2024. Altera o Código Penal
e o ECA para dispor sobre crimes hediondos relacionados a crianças
e adolescentes e institui o Programa de Prevenção e Enfrentamento
do Abuso e Exploração Sexual da Criança e do Adolescente.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-
2026/2024/lei/L14811.htm. Acesso em: abr. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para atenção
integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em
situação de violência: orientação para gestores e profissionais de
saúde. Brasília: MS, 2010. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linha_cuidado_criancas
_adolescentes_violencia.pdf. Acesso em: abr. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde do Adolescente. Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-
do-adolescente. Acesso em: 14 fev. 2025.
BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos. Plano Nacional de
Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes.
Brasília: MMFDH, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-
br/navegue-por-temas/crianca-e-adolescente/plano-nacional-de-
enfrentamento-da-violencia-contra-criancas-e-adolescentes. Acesso
em: abr. 2025.
BRASÍLIA. Guia Escolar: métodos para identificação de sinais de
abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes: rede de
proteção à infância. 2. ed. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos
Humanos; Ministério da Educação, 2004. 163 p.
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. A escola contra o abuso
sexual infantil: guia de orientação aos profissionais de ensino –
identificar, acolher e não se omitir. São Paulo: Governo do Estado
de São Paulo, 2018. 18
PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Guia de orientações às
equipes diretivas e pedagógicas sobre os protocolos a serem
adotados em situações de violência intra e extraescolar
envolvendo crianças e adolescentes. 2. ed. Curitiba: SEED, 2024.
PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação e do Esporte. Protocolo
de fluxo para atendimento às situações de violência envolvendo
crianças e adolescentes no ambiente escolar. Curitiba: SEED, 2021.
Disponível em:
https://www.educacao.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files
/documento/2021-
06/protocolo_fluxo_atendimento_violencia_escolas.pdf. Acesso em:
abr. 2025.
19

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