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Provas em Espécie no Código de Processo Penal (CPP) O Código de Processo Penal (CPP) disciplina as provas no processo penal nos artigos 155 a 250. As provas em espécie correspondem aos diferentes meios de prova admitidos no ordenamento jurídico para demonstrar a veracidade dos fatos alegados. 1. Prova Testemunhal (Arts. 202 a 225) Testemunhas devem depor sobre fatos que presenciaram ou tomaram conhecimento. A testemunha presta compromisso de dizer a verdade, exceto parentes próximos do acusado e suspeitos de parcialidade. Número de testemunhas limitado a oito na instrução e cinco no procedimento do tribunal do júri. 2. Prova Documental (Arts. 231 a 238) Qualquer documento pode ser usado como prova, desde que legalmente obtido. Os documentos devem ser juntados aos autos e podem ser impugnados pela parte contrária. 3. Prova Pericial (Arts. 158 a 184) Obrigatória quando a prova depender de conhecimento técnico ou científico. Realizada por peritos oficiais ou, na ausência destes, por dois peritos nomeados pelo juízo. O laudo pericial deve conter a descrição do objeto examinado, as técnicas utilizadas e as conclusões dos peritos. 4. Interrogatório do Acusado (Arts. 185 a 196) Meio de defesa e de prova, onde o acusado pode apresentar sua versão dos fatos. Realizado em duas fases: perguntas sobre a vida pregressa e sobre os fatos. Deve ser garantido o direito ao silêncio e à assistência de advogado. 5. Prova Real (Arts. 240 a 250) Engloba busca e apreensão, reconhecimento de pessoas e coisas, reconstituição dos fatos. Deve ser realizada conforme os requisitos legais, garantindo a cadeia de custódia das provas. 6. Prova Indireta Indícios: circunstâncias conhecidas e provadas que levam à presunção da existência de outras circunstâncias. Presunções: inferências baseadas em experiência e lógica. 7. Prova Obtida por Meio Ilícito (Art. 157) Vedada pelo CPP e pela Constituição Federal. Não podem ser utilizadas provas obtidas com violação de direitos fundamentais. Prova Testemunhal no CPP A prova testemunhal é um dos meios de prova no processo penal, prevista no Código de Processo Penal (CPP), sendo regulada pelos artigos 202 a 225. 1. Conceito A prova testemunhal consiste no depoimento de uma pessoa que relata fatos de que teve conhecimento e que podem ser relevantes para o processo penal. 2. Quem pode ser testemunha? Qualquer pessoa que tenha conhecimento de fatos relacionados ao crime. Algumas pessoas podem ser impedidas, suspeitas ou proibidas de testemunhar. 3. Impedimentos, Suspeições e Proibições (Art. 207 a 208) Impedidos: Juiz, membros do MP, defensor, autoridade policial, peritos e auxiliares da justiça. Suspeitos: Pessoas que tenham inimizade ou interesse no processo. Proibidos: Cônjuges, ascendentes, descendentes e irmãos do acusado, salvo se não puderem se escusar. 4. Forma do Depoimento (Art. 203 a 210) A testemunha é ouvida sob compromisso de dizer a verdade. O depoimento deve ser prestado oralmente, sem leitura de textos escritos. O juiz pode indeferir perguntas impertinentes. 5. Número de Testemunhas (Art. 209 e 401 CPP) No inquérito: quantas forem necessárias. Na instrução: o máximo de 8 para cada parte no procedimento comum. No júri: até 5 testemunhas por fato. 6. Depoimento Especial Menores de idade e vítimas vulneráveis podem ser ouvidos por meio de depoimento especial (sala especial e entrevista conduzida por profissionais capacitados). 7. Contradita e Valoração da Prova A parte pode contestar a idoneidade da testemunha (contradita). O juiz tem liberdade para valorar a prova testemunhal, mas deve fundamentar sua decisão. 8. Retratação e Falsidade Testemunhal A testemunha pode retificar seu depoimento. Falsa testemunha comete crime (Art. 342 do Código Penal). A prova testemunhal é um meio importante, mas deve ser analisada com cautela, considerando a possibilidade de falhas na memória ou intenção de favorecer alguma parte. Processo Penal - Procedimentos 1. Procedimento: Inclui todos os atos processuais necessários para uma decisão. Regulado pelo Código de Processo Penal e Legislação Extravagante, respeitando garantias constitucionais. 2. Procedimento Comum: Ordinário: Para crimes com pena máxima superior a 4 anos de reclusão. Sumário: Para crimes com pena máxima até 4 anos de reclusão. Sumaríssimo: Para infrações de menor potencial ofensivo (pena máxima de até 2 anos, podendo ser cumulada ou não com multa). Regulado pela Lei 9.099/1995. 3. Procedimento Especial: Possui peculiaridades próprias, diferentes do procedimento comum. Exemplo: Crimes Dolosos Contra a Vida. Procedimento Comum Ordinário no Código de Processo Penal (CPP) O procedimento comum ordinário está disciplinado no Código de Processo Penal (CPP) e é aplicado para crimes cuja sanção máxima cominada seja igual ou superior a 4 anos de pena privativa de liberdade. 1. Fases do Procedimento Comum Ordinário O procedimento comum ordinário segue quatro fases principais: 1.1. Fase da Denúncia ou Queixa O Ministério Público ou o ofendido (nos casos de ação penal privada) propõem a acusação. O juiz recebe ou rejeita a peça acusatória com base nos requisitos do Art. 41 do CPP. 1.2. Fase da Instrução, Debates e Julgamento 1. Citação do acusado: o réu é citado para apresentar resposta escrita no prazo de 10 dias (Art. 396 e 396-A do CPP). 2. Audiência de instrução e julgamento: Ocorre a oitiva do ofendido (se houver), inquirição de testemunhas (acusacão e defesa), peritos e interrogatório do réu. Encerrada a instrução, passam-se aos debates orais, com sustentação da acusação e da defesa (Art. 403 do CPP). O juiz pode conceder prazo de 5 dias para memorais escritos, caso o processo seja complexo. 3. Sentença: o juiz profere a decisão, podendo condenar ou absolver o réu, bem como aplicar outras disposições previstas no CPP. 1.3. Fase Recursal As partes podem recorrer da decisão judicial (exemplo: apelação - Art. 593 do CPP). O prazo para recurso geralmente é de 5 dias, salvo disposição em contrário. 2. Princípios Aplicáveis Contraditório e Ampla Defesa: assegura a participação das partes em todos os atos processuais. Devido Processo Legal: garante que todas as normas processuais sejam respeitadas. Indúbila Pro Reo: em caso de dúvida, decide-se a favor do réu. Procedimentos Ordinário, Sumário e Sumaríssimo no CPP 1. Procedimento Ordinário (Art. 394, §1, I, CPP) Aplicabilidade: Crimes com pena máxima superior a 4 anos. Características: Mais complexo, permitindo ampla produção de provas e debate aprofundado. 1. Fases do Procedimento Ordinário: Oferecimento da denúncia ou queixa pelo Ministério Público ou ofendido. Recebimento da denúncia pelo juiz. Citação do réu para apresentar resposta em 10 dias (Art. 396-A, CPP). 2. Instrução e Julgamento: Audiência de instrução, debates e julgamento. O juiz ouve a acusação, defesa, testemunhas e interroga o réu. Alegações finais orais ou escritas. Prolação da sentença, com possibilidade de condenação ou absolvição. 3. Recursos: Apelação ao Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal (Art. 593, CPP). 2. Procedimento Sumário (Art. 394, §1, II, CPP) Aplicabilidade: Crimes com pena máxima igual ou inferior a 4 anos. Características: Menos formalismo, rito mais célere. 1. Fases do Procedimento Sumário: Denúncia ou queixa. Citação do réu para apresentar resposta em 10 dias. 2. Audiência Una (Art. 531 a 534, CPP): Produção de provas e depoimentos. Interrogação do réu. Debates orais (20 minutos para cada parte, prorrogáveis por mais 10). Prolação da sentença. 3. Recursos: Apelação (Art. 593, CPP) ou Embargos de Declaração (Art. 382, CPP). 3. Procedimento Sumaríssimo (Lei 9.099/95 - Juizados Especiais Criminais) Aplicabilidade: Infrações penais de menor potencial ofensivo (pena máxima até 2 anos, cumuladas ou não com multa). Características: Princípio da oralidade, informalidade e celeridade. 1. Fases do Procedimento Sumaríssimo: Lavratura do Termo Circunstanciado deOcorrência (TCO) pela autoridade policial. Autor do fato assina termo de compromisso para comparecer à audiência preliminar. 2. Audiência Preliminar: Busca-se composição civil entre as partes. Possibilidade de transação penal (acordo para evitar a persecução criminal). 3. Audiência de Instrução e Julgamento: Caso não haja acordo, ocorre a produção de provas. Debate oral e sentença. 4. Recursos: Embargos de Declaração ou Apelação ao Tribunal de Justiça. Rito do Procedimento na Lei 9.099/95 (Juizados Especiais Criminais) A Lei 9.099/95 estabelece o rito dos Juizados Especiais Criminais (JECRIM), aplicando-se a infrações penais de menor potencial ofensivo, ou seja, aquelas cuja pena máxima não exceda 2 anos de privação de liberdade, cumulada ou não com multa (Art. 61 da Lei 9.099/95). 1. Princípios Aplicáveis Oralidade: prioriza-se a comunicação verbal para agilizar o procedimento. Simplicidade: evita formalismos desnecessários. Celeridade: busca a rápida solução dos conflitos. Informalidade: minimiza exigências burocráticas. Economia processual: reduz custos e atos processuais. Consensualidade: incentiva soluções consensuais entre as partes. 2. Fases do Procedimento nos JECRIM Registro do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), sem necessidade de inquérito policial. Citação do autor do fato para audiência preliminar. Audiência preliminar: tentativa de composição civil entre ofendido e autor do fato. Caso haja acordo, o juiz homologa e extingue a punibilidade. 2.2. Oferecimento da Transação Penal Se não houver composição civil, o Ministério Público pode propor a transação penal (Art. 76 da Lei 9.099/95). A aceitação da transação penal pelo autor do fato resulta na aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, extinguindo a punibilidade. 2.3. Denúncia e Procedimento Sumário Se não houver transação penal ou se for recusada, o Ministério Público oferece denúncia oral ou escrita. O juiz recebe a denúncia e designa audiência de instrução e julgamento. 2.4. Audiência de Instrução e Julgamento Produção de provas, com inquirição de testemunhas e interrogatório do acusado. A seguir, realiza-se os debates orais e a sentença é proferida. 3. Benefícios Processuais Composição Civil: se aceita, extingue a punibilidade. Transação Penal: se aceita e cumprida, impede a ação penal. Suspensão Condicional do Processo (Art. 89 da Lei 9.099/95): suspende a ação penal por 2 a 4 anos, desde que o réu cumpra condições fixadas pelo juiz. 4. Recursos nos JECRIM Embargos de Declaração: para esclarecer dúvidas, omissões ou contradições na decisão. Recurso Inominado: interposto no prazo de 10 dias, julgado por turma recursal. A Sentença no Código de Processo Penal (CPP) A sentença no processo penal é o ato pelo qual o juiz resolve a questão principal do processo, pondo fim à fase de conhecimento. Está disciplinada principalmente nos artigos 381 a 393 do Código de Processo Penal (CPP). 1. Estrutura da Sentença (Art. 381, CPP) A sentença deve conter: 1. Relatório: resumo da acusação e da defesa, com indicação das provas produzidas. 2. Fundamentação: exposição dos motivos de fato e de direito que embasam a decisão. 3. Dispositivo: conclusão do juiz, declarando a condenação ou a absolvição do réu, aplicando eventual pena ou medida de segurança. 2. Espécies de Sentença Condenatória: quando impõe pena ao réu. Absolutória: quando reconhece a inocência do réu, podendo ser fundamentada em: Inexistência do fato (Art. 386, I, CPP); Não constituir o fato infração penal (Art. 386, III, CPP); Faltar provas para a condenação (Art. 386, VII, CPP). Declaratória de extinção da punibilidade: quando reconhece causas que impedem a aplicação da pena, como prescrição. 3. Princípios Aplicáveis Livre convencimento motivado: o juiz decide com base em sua convicção, desde que fundamente a decisão. In dubio pro reo: em caso de dúvida, deve-se decidir a favor do réu. Ne reformatio in pejus: o recurso exclusivo da defesa não pode agravar a situação do réu. 4. Efeitos da Sentença Condenatória: gera execução penal e pode acarretar efeitos secundários, como perda de cargo público. Absolutória: pode gerar reabilitação e restituição de bens apreendidos. 5. Recursos Contra a Sentença Apelação (Art. 593, CPP): para revisão da sentença. Embargos de Declaração (Art. 382, CPP): para esclarecer obscuridade, contradição ou omissão. Revisão Criminal (Art. 621, CPP): para corrigir erro judiciário em sentença transitada em julgado. Recursos das Decisões no Código de Processo Penal (CPP) Os recursos no Código de Processo Penal (CPP) são instrumentos que possibilitam a revisão de decisões judiciais, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Estão previstos nos artigos 574 a 595 do CPP. 1. Princípios Aplicáveis aos Recursos Duplo grau de jurisdição: permite a reanálise das decisões judiciais. Proibição da reformatio in pejus: o recurso exclusivo da defesa não pode agravar a situação do réu. Fungibilidade recursal: admite a aceitação de um recurso pelo outro, caso haja erro escusável. 2. Espécies de Recursos no CPP 2.1. Apelação (Art. 593, CPP) Utilizada contra sentenças condenatórias ou absolutórias. Prazo: 5 dias para interposição e 8 dias para razões. 2.2. Recurso em Sentido Estrito (Art. 581, CPP) Cabível contra decisões interlocutórias, como rejeição da denúncia ou prisão preventiva. Prazo: 5 dias. 2.3. Embargos de Declaração (Art. 382, CPP) Servem para esclarecer obscuridade, omissão ou contradição na decisão. Prazo: 2 dias. 2.4. Recurso Especial (Art. 105, III, CF) Para questões federais relevantes, dirigidas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Prazo: 15 dias. 2.5. Recurso Extraordinário (Art. 102, III, CF) Para questões constitucionais, dirigidas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Prazo: 15 dias. 2.6. Revisão Criminal (Art. 621, CPP) Possível após trânsito em julgado, para corrigir erro judicial. Não tem prazo definido. Tribunal do Júri no Código de Processo Penal (CPP) O Tribunal do Júri é um órgão do Poder Judiciário competente para julgar crimes dolosos contra a vida, previstos no artigo 5º, inciso XXXVIII, da Constituição Federal e disciplinado nos artigos 406 a 497 do Código de Processo Penal (CPP). 1. Princípios do Tribunal do Júri Plenitude de defesa: garante ao acusado todos os meios de defesa. Sigilo das votações: os jurados decidem de forma secreta. Soberania dos veredictos: as decisões do júri prevalecem. Competência para crimes dolosos contra a vida: homicídio, induzimento ao suicídio, infanticídio e aborto. 2. Fases do Procedimento do Tribunal do Júri 2.1. Primeira Fase: Judicium Accusationis (Instrução Preliminar) Denúncia ou queixa: oferecimento pelo Ministério Público ou ofendido. Resposta do acusado: defesa preliminar. Audiência de instrução e julgamento: o juiz ouve testemunhas, interroga o réu e analisa provas. Decisão de pronúncia (Art. 413, CPP): se houver indícios suficientes, o juiz encaminha o réu a julgamento pelo Júri. Outras decisões possíveis: Impronúncia (Art. 414, CPP): falta de prova suficiente. Desclassificação (Art. 419, CPP): caso o crime não seja doloso contra a vida. Absolvição sumária (Art. 415, CPP): se houver causa excludente de ilicitude ou de culpabilidade. 2.2. Segunda Fase: Judicium Causae (Julgamento em Plenário) Sorteio dos jurados: 25 cidadãos são sorteados, e 7 compõem o Conselho de Sentença. Sessão de julgamento: Leitura da pronúncia e explicação do caso. Inquirição de testemunhas e interrogatório do réu. Debates entre acusação e defesa. Votação secreta pelos jurados sobre a culpabilidade. Prolação da Sentença: o juiz fixa a pena em caso de condenação. 3. Recursos no Tribunal do Júri Recurso em Sentido Estrito (Art. 581, CPP): contra a pronúncia. Apelação (Art. 593, CPP): contra decisão do Júri manifestamente contrária à prova dos autos. Embargos de Declaração: para esclarecer omissão, contradição ou obscuridade.