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UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA Economia e Negócios Autores: Profa. Ivy Judensnaider Prof. Mauricio Fellipe Manzalli Colaboradoras: Profa. Sandra Castilho Profa. Christiane Mazur DoiProfessores conteudistas: Ivy Judensnaider / Mauricio Fellipe Manzalli Ivy Judensnaider Economista pela Fundação Armando Álvares Penteado, mestra pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência. Atualmente é professora da Universidade Paulista UNIP nos cursos de Ciências Econômicas e Administração, onde coordena curso de Ciências Econômicas no Campus Marquês (SP). Também atua no setor de publicações, dirigindo a editora eletrônica arScientia, e é autora de inúmeros textos de divulgação científica publicados na web. Mauricio Fellipe Manzalli Mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000) e bacharel em Ciências Econômicas pela UNIP (1995). Tem mais de 25 anos de experiência como docente, e atualmente é professor da UNIP nos cursos de Ciências Econômicas e Administração e coordenador do curso de Ciências Econômicas, tanto na modalidade presencial quanto na EaD. Atuou na área comercial, administração e finanças, custos e logística por mais de 30 anos no setor de transporte rodoviário de passageiros. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) J95 Judensnaider, Ivy Economia e Negócios / Ivy Judensnaider; Maurício Felipe Manzalli São Paulo: Editora Sol, 2023. 224 p. il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1.Economia 2.Negócios 3.Mercado CDU 330,3 23 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista.Profa. Sandra Miessa Reitora Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração e Finanças Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia Vice-Reitor de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora das Unidades Universitárias Profa. Silvia Gomes Miessa Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal Profa. Laura Ancona Lee Vice-Reitora de Relações Internacionais Prof. Marcus Vinícius Mathias Vice-Reitor de Assuntos da Comunidade Universitária UNIP EaD Profa. Elisabete Brihy Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto Prof. M. Ivan Daliberto Frugoli Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. M. Deise Alcantara Carreiro Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes Projeto gráfico: Revisão: Prof. Alexandre Ponzetto Vitor Andrade Leonardo do CarmoSumário Economia e Negócios APRESENTAÇÃO 7 INTRODUÇÃO 7 Unidade I 10 PROBLEMA ECONÔMICO 9 1.1 Recursos limitados versus necessidades ilimitadas 11 1.2 Fatores de produção: capital, recursos naturais, força de trabalho, tecnologia e capacidade empresarial 13 2 CURVA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO 20 2.1 Caracterização de bens e serviços 20 2.2 Questões centrais: que, como e para quem produzir 22 3 SISTEMA ECONÔMICO 26 3.1 Formas de organização: livre-iniciativa, planificação central e sistemas mistos: características do sistema econômico brasileiro atual 27 4 FLUXOS FUNDAMENTAIS: REAL E MONETÁRIO 30 4.1 Setores de produção: primário, secundário, terciário 34 Unidade Il 5 MICROECONOMIA E MERCADOS 45 5.1 Sistemas de preços e mercado de bens 48 5.1.1 Teoria do consumidor 49 5.2 Equilíbrio entre oferta e demanda e possibilidades de desequilíbrio 79 6 ESTRUTURAS DE MERCADO: VISÃO CONCEITUAL 87 6.1 Concorrência perfeita e imperfeita 88 Unidade III 7 MACROECONOMIA 107 7.1 Composição do PIB e demais agregados macroeconômicos: visão conceitual e analítica do caso do Brasil no século XXI 111 7.2 Economia do setor público 118 7.2.1 0 setor público como produtor de bens e serviços: visão conceitual e investimentos infraestruturais da atualidade 124 7.3 Moeda: origens, funções, motivos e demanda por moeda 1287.4 Política econômica atual: políticas econômicas (fiscal e monetária) e papel do Banco Central 155 7.5 Relações com exterior e mercado cambial: política cambial e comercial atual 160 7.5.1 Impacto dos resultados de contas externas no ambiente de negócios 162 8 PROBLEMAS ECONÔMICOS CONTEMPORÂNEOS 164 8.1 Inflação: conceituação e tipos 165 8.1.1 Formas de combate à inflação: política econômica brasileira atual no combate à inflação 168 8.2 Crescimento e desenvolvimento econômico: conceituação, indicadores e demais considerações 189 8.2.1 Medidas de crescimento: PNB e PIB 202 8.2.2 Medidas de desenvolvimento: IDH, curva de Lorenz e índice de Gini 204 8.3 Mercado de trabalho, desigualdade e mobilidade social 213 8.3.1 Políticas públicas atuais promotoras de crescimento e desenvolvimento: política de rendas 213 8.4 A questão ambiental: degradação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável 214APRESENTAÇÃO Quantas vezes você não se deparou com notícias cotidianas sobre economia e 0 impacto que tais notícias causa em sua vida, tanto pessoal quanto profissional? Não só em sua vida, mas no mundo dos negócios como um todo, sejam eles relacionados à economia interna ou às relações com a economia internacional. Notícias sobre taxa de juros, qualidade e produtividade do trabalho, produção e formação de estoques, taxa de retorno e atratividade das empresas, impactos em resultados contábeis em função de tributação governamental, acordos de cooperação no comércio internacional, fluxos de importação e exportação de bens, taxa de câmbio e demais variáveis. Pois bem: esta disciplina trata das noções de economia, em especial aquelas relativas ao ambiente de negócios, para que você possa compreender tais notícias. Como seus objetivos são os de saber interpretar, compreender, analisar e utilizar as informações do mundo da economia como ferramenta de auxílio à tomada de decisão, é essencial sabermos direcionar recursos para que metas organizacionais e eficientes sejam atingidas. Assim, será possível identificar fragilidades e potencialidades entre alternativas de investimentos considerando estrutura de capital e financeira das empesas, bem como desenvolver planos de ação para inserção de empresas no cenário internacional. Para tanto, a abordagem deste livro-texto estará inicialmente concentrada nas questões relativas a microeconomia e preços e de macroeconomia, acentuando setor público e a moeda e suas relações com a sociedade. Por fim, traz questões contemporâneas acerca de inflação, desigualdade e abordagens de relações internacionais, buscando situar aluno nos temas empresariais de nosso tempo. INTRODUÇÃO Caro aluno, As necessidades do cotidiano tornam indispensável conhecimento sobre economia, independentemente da área profissional em que estejamos inseridos ou mesmo nossa formação acadêmica. Assim, qualquer indivíduo tem noções de microeconomia e de macroeconomia, mesmo que não saiba exatamente do que tratam esses saberes. Em outras palavras, todos nós nos deparamos com aspectos relacionados à formação de preços, às estruturas de mercado, às questões de escassez de bens e serviços, à inflação, ao desempenho de determinados setores da economia e aos níveis de desenvolvimento e crescimento das nações. Desse modo, temos contato com que a ciência econômica nos propicia. A ciência econômica estuda a atividade produtiva. Economia, palavra derivada do grego oikosnomos (oikos significa casa; nomos, lei), representa a administração de uma casa, entendida como um patrimônio particular, uma empresa ou um Estado. De acordo com Sandroni (1996, p. 129), a ciência econômica "focaliza estritamente os problemas referentes ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de bens". De outra forma, é a ciência que trata dos fenômenos relativos à produção, à distribuição, à acumulação e ao consumo de bens. Este livro-texto destina-se aos que estão iniciando seus estudos sobre a economia, procurando distanciar-se dos jargões muito específicos da área, mas não incorrendo na questão da simplicidade. Serão apresentados os conceitos essenciais, as principais abordagens e os desdobramentos centrais dessa ciência social para entendermos mundo em que vivemos. 70 objetivo é introduzir 0 conhecimento com as questões econômicas de forma aplicada. Este livro-texto está dividido em três unidades. Em cada uma delas você encontrará: Textos explicativos que elucidam a matéria. Resumos do conteúdo estudado. Exercícios comentados. Tópicos para refletir, em que convidamos você a pensar sobre assuntos da atualidade. A seção Saiba Mais indica filmes e livros que, de alguma forma, complementam os temas investigados. Não deixe de explorar essas sugestões; garantimos que você vai ampliar seu conhecimento sobre os temas apresentados e que isso será extremamente útil, não apenas na questão específica da disciplina, mas em sua vida profissional. Os Lembretes acentuam anotações pontuais que remetem a alguma informação já tratada na unidade, e as Observações fazem apontamentos que chamam sua atenção para algum ponto destacado sobre assunto em desenvolvimento; são recursos que reforçam algumas questões que quisemos salientar. Por sua vez, os Exemplos de Aplicação convidam a refletir sobre um tema proposto. Na unidade abordaremos problema econômico fundamental, que reside basicamente na questão das necessidades humanas ilimitadas frente aos recursos produtivos, que são escassos, buscando respostas para as possibilidades de produção. A unidade avança para a caracterização dos sistemas econômicos bem como para funcionamento do fluxo circular da renda, inserindo os setores de atividades produtivas. Já a unidade está dedicada à análise da microeconomia e dos mercados. Aprenderemos como funciona sistema de preços e mercado de bens. Também teremos contato com a teoria de demanda e da oferta e sua importância para a manutenção de equilíbrio nos mercados de bens. Acentuaremos as estruturas de mercado, essenciais para que possamos compreender como funcionam os mercados em concorrência perfeita e em concorrência imperfeita, que será feito por meio de análise prática. Por fim, a unidade III tratará da macroeconomia, com a introdução do papel do governo na economia bem como as medidas da atividade econômica, a exemplo do PIB (Produto Interno Bruto). Segue com a abordagem da moeda funções, histórico, intermediários bancários e política monetária. Amplia os horizontes do conhecimento sobre as relações econômicas internacionais e finaliza com problemas econômicos contemporâneos, como inflação, crescimento e desenvolvimento econômico, desigualdade e mobilidade social, não deixando de lado a questão ambiental, que muito afeta as condições futuras de produção. Temos certeza de que conteúdo em muito contribuirá para seu desenvolvimento acadêmico e profissional. 8ECONOMIA E NEGÓCIOS Unidade I 1 PROBLEMA ECONÔMICO A ciência econômica estuda as relações entre famílias, empresas e governo para compreender os fenômenos que norteiam o funcionamento do mundo. A preocupação central desta ciência social é a análise da produção de bens e distribuição da renda, diante do problema da escassez de recursos e das necessidades ilimitadas dos indivíduos. Para estudar economia e negócios, deve-se destacar os primeiros pensamentos sobre problemas econômicos básicos de nosso cotidiano, por exemplo, a forma como distribuímos a renda proveniente de nosso salário para obter mercadorias e serviços dos quais necessitamos para a manutenção da Apresentando a questão dessa forma parece bastante simples, pois sabemos quanto ganhamos e que precisamos durante uma semana, um mês, um ano e assim por diante. Contudo, se ponderarmos assunto com mais calma, para termos salário é necessário que participemos de alguma atividade produtiva, como indústria, loja de comércio ou prestando algum serviço, seja ele financeiro (bancos), seja ele uma rede de lavanderias. Como exemplo, listamos a seguir alguns problemas econômicos que a ciência econômica está preocupada em explicar: Como a taxa de câmbio interfere na vida das empresas e na vida do cidadão comum? 0 que ocorre com a renda da população quando o governo anuncia a elevação das taxas de juros? Por que o preço da gasolina sobe quando um determinado país não tem capacidade suficiente para produzi-la? Por que a renda da região Norte-Nordeste tende a ser menos concentrada do que a renda da região Sul-Sudeste? Por que PIB de um país cresce conforme a sociedade consome maior quantidade de mercadorias? Quais fatores explicam a subida dos preços dos chocolates nas proximidades da Páscoa? Por que um governo que gasta mais do que arrecada tem dificuldades de financiar seus déficits? Qual a importância, na vida dos brasileiros, de um país vender uma empresa pública ao capital internacional? 9Unidade I 0 que significa inflação? 0 que é desemprego? Aparentemente, cada uma dessas questões em nada impacta nossa vida individual. Todavia, vejamos um exemplo: em um determinado período, em alguma manchete de jornal impresso ou pelos telejornais, é anunciada a seguinte informação: 0 balanço de pagamentos brasileiro de 2022 apresentou déficit de X unidades monetárias, e esse déficit é proveniente de saldos negativos da balança comercial, demonstrando que as exportações da economia brasileira foram menores do que suas importações, mesmo que a balança de serviços tenha sido positiva. Nesse instante, são trazidas à tona as seguintes questões: 0 que é déficit? 0 que é balanço de pagamentos? Balança comercial? Exportações? Importações? Balança de serviços? Sigamos com nossa análise. No exemplo anteriormente proposto, as exportações foram menores do que as importações, mas por quê? Não é possível responder isso prontamente. Contudo, estudando os dados da realidade concreta, poderíamos responder à pergunta utilizando os seguintes argumentos: as exportações brasileiras foram menores em 2022, pois nesse ano as empresas nacionais produziram quantidade menor de mercadorias do que no ano anterior; as exportações brasileiras foram menores em 2022, pois nesse ano consumo por parte dos brasileiros foi maior, assim, uma forma de não criar escassez de mercadorias no mercado interno foi não exportar; as exportações brasileiras foram menores em 2022, pois nesse ano governo brasileiro adotou medidas em favorecimento às importações, valorizando a taxa de câmbio, por exemplo. Observamos que, para apenas uma pergunta, elaboramos três possíveis respostas que somente poderão ser efetivamente consideradas como certas e verdadeiras ao observarmos os números da realidade concreta. É disso que se ocupa a ciência econômica. Por meio de suas teorias, conjuga-se uma série de ideias e definições do objeto a ser investigado, verificam-se as condições em que cada uma das teorias se sustenta para, a partir de argumentos, dar respostas sobre comportamento dos objetos de investigação, ou seja, construir hipóteses sobre 0 funcionamento da realidade concreta. Poderíamos, inicialmente, ilustrar 0 campo de observação desta ciência, que: estuda atividades econômicas que envolvem emprego de moeda e troca entre indivíduos, empresas e governo; observa comportamento das empresas, que produzem de modo eficiente, reduzindo custos para obter lucros; observa 0 comportamento do consumidor, tendo em vista os preços, a renda de que dispõem e a oferta de bens e serviços. 10ECONOMIA E NEGÓCIOS Utilizando-se da contribuição de um renomado economista, Paul Samuelson (1979, p. 3), chegamos ao seguinte conceito: Economia é estudo de como os homens e a sociedade decidem, com ou sem a utilização do dinheiro, empregar recursos produtivos escassos, que poderiam ter aplicações alternativas, para produzir diversas mercadorias ao longo do tempo e distribuí-las para consumo, agora e no futuro, entre diversas pessoas e grupos da sociedade. Ela analisa os custos e os benefícios da melhoria das configurações de alocação de recursos. Pois bem: eis aqui uma boa definição do que seria a economia, mas vamos traduzi-la para a linguagem de nossos dias. Como ciência, ela estuda emprego de recursos escassos entre usos alternativos, com fim de obter os melhores resultados. Vamos entender que é 0 emprego de recursos escassos e que são usos alternativos, entretanto, voltemos a uma das primeiras noções do que a economia estuda e que deve ser absorvida por um estudante dessa área: exemplo será você mesmo. 1.1 Recursos limitados versus necessidades ilimitadas Pense, primeiro, em sua renda. Se você trabalha, ou seja, se participa de alguma atividade produtiva, recebe um salário, que chamaremos de renda. Seu salário, seja ele qual for, será distribuído entre todas as suas necessidades de consumo. Salário é a sua renda, e suas categorias de consumo dizem respeito às suas despesas, portanto, estamos descrevendo seu orçamento particular. Vamos supor que sua renda esteja destinada ao pagamento de conta de luz, água, telefone, alimentação, moradia, transporte, lazer, vestuário etc. Após alocar sua renda entre todas essas categorias de despesas, ainda sobrou uma parcela da qual você poupará para consumo futuro. Contudo, agora você está cursando uma universidade e as mensalidades serão incorporadas em sua cesta de consumo, ou seja, valor ocupará uma parcela de sua renda, assim como quanto você gasta com alimentos, moradia, transporte, lazer etc. Nesse caso, você introduziu mais uma categoria de gasto para a mesma renda. Sem pensar muito, para conseguir pagar todas as contas, você deverá distribuir cada parcela de sua renda para cada um de seus gastos. Observação 0 simples exemplo que destacamos ilustra uma parte do conceito oferecido por Samuelson, ou seja, a economia estuda emprego de recursos escassos entre usos alternativos com a finalidade de obter os melhores resultados. Nesse exemplo, que representa a realidade da maioria dos brasileiros, emprego de recursos escassos é ilustrado por nossa renda, e os usos alternativos são demonstrados pela nossa cesta de consumo ou por tudo aquilo em que gastamos nossa renda. 11Unidade I Pensemos agora não mais no ponto de vista individual, mas sim nos limites de uma família, formada por pai, mãe e filhos, ou seja, uma unidade familial. Esse núcleo precisa se vestir, se alimentar, morar e se locomover. Essa família tem, conjuntamente, uma cesta de consumo que deve ser atendida, que será feito por meio da renda familiar, já que em nosso exemplo cada um dos membros participa de alguma atividade produtiva. Portanto, a renda familiar deve suprir todos os gastos desse grupo. As entradas de dinheiro (recursos) nós chamaremos de renda; já as saídas de dinheiro chamaremos de despesas. Eis orçamento familiar. Nesse instante, não pensaremos mais individualmente, tampouco em termos de família, mas sim nas dimensões de uma empresa. Esta pode produzir mercadorias e vendê-las diretamente aos seus consumidores. Ela pode apenas ser uma empresa comercial, comprando mercadorias produzidas por outras empresas e vendendo diretamente aos consumidores ou, ainda, pode ser prestadora de algum serviço. Quando uma empresa produz alguma mercadoria, mesas, por exemplo, precisa de meios de produção, bens necessários à execução de sua atividade produtiva. Para produzir determinada mercadoria, deverá adquirir meios de produção e pagará por essa aquisição. No simples exemplo de produção de mesas, essa empresa hipotética precisa adquirir fórmica, madeira, ferro, parafusos, colante, além de dispor de grande quantidade de máquinas, ferramentas, como furadeiras, lixadeiras e serra de corte. Além disso, deve contratar pessoas para trabalhar, pois esses meios de produção não trabalham sozinhos! Quando a empresa adquire meios de produção, incorre em custos com a produção. Esse custo será conhecido pela multiplicação de duas variáveis: preço de cada um dos fatores adquiridos e quantidade das mercadorias adquiridas. Portanto, ela tem um custo de produção, uma despesa com sua produção. Imaginando que as empresas não produzem mercadorias para satisfazer suas próprias necessidades de consumo, cada uma envidará todos os seus esforços para vender sua produção. Quando as empresas vendem sua produção, recebem uma quantidade de dinheiro proveniente da venda. Neste livro-texto, denominaremos essa quantidade de dinheiro como receita de vendas, que nada mais será do que a multiplicação de duas variáveis: preço da mercadoria e quantidade das mercadorias vendidas. Observação Quando mencionamos as receitas e as despesas empresariais, estamos falando do orçamento empresarial. É óbvio afirmar que, em regimes capitalistas de produção, as empresas existem não para satisfazer às necessidades de consumo da sociedade, mas sim para valorizar 0 capital investido pelo dono, portanto, existem para gerar lucro. Seu objetivo será elevar as vendas de suas mercadorias, que requer duas coisas: aumento da produção e uso de menor quantidade de recursos. Assim, procurará gastar cada vez menos com a quantidade de meios de produção que adquirem para, muitas vezes, aumentar a quantidade de lucro que obtêm. Portanto, as empresas também sofrem com a limitação de recursos à sua disposição diante de suas categorias de despesas. 12ECONOMIA E NEGÓCIOS Saiba mais Até momento, notadamente com parágrafo anterior, tratamos das empresas inseridas no sistema capitalista de produção. Nesse contexto, indicamos dois livros muito interessantes sobre assunto. CATANI, A. M. 0 que é capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 2011. RICHERS, R. 0 que é empresa. São Paulo: Brasiliense, 1986. Já destacamos cidadão individual, as famílias e as empresas. Agora pense no governo. De uma forma muito simplificada, governo de um país tem algumas obrigações e alguns direitos. Deve prover bens públicos como energia, transporte, saneamento básico, construir escolas, estradas, hospitais, pagar aposentadorias e pensões, por exemplo. Tem direito de legislar questões trabalhistas e contratuais e arrecadar recursos (impostos) da população. Portanto, por meio de sua arrecadação, aufere uma receita. Todavia, para prover bens públicos à sociedade, tem custos com essa provisão. Nesse instante, temos orçamento do governo, do setor público, representado por suas receitas e despesas. Observação Com 0 governo não será diferente do que ocorre com os indivíduos, as famílias e as empresas, pois vai alocar eficientemente seus recursos para suprir os gastos públicos. Salvo algumas não podemos afirmar que nossa família tradicional adquire tudo aquilo que tem vontade. Por que não podemos asseverar isso? Pelo simples fato da escassez. Qual escassez? Escassez de recursos necessários para aquisição de todas as mercadorias disponíveis ao consumo. É dela que passaremos a tratar. 1.2 Fatores de produção: capital, recursos naturais, força de trabalho, tecnologia e capacidade empresarial A ciência econômica existe para superar um grande problema: a escassez de recursos frente à grande quantidade de mercadorias e à ilimitada necessidade de consumo dos indivíduos. Portanto, estudo da ciência econômica envolve: recursos limitados e necessidades ilimitadas. De quais recursos estamos nos referindo? Dos recursos produtivos ou também denominados fatores de produção, elementos indispensáveis ao processo produtivo de bens materiais, que conceituaremos como: terra; trabalho; 13Unidade I capital; tecnologia; capacidade empresarial. 0 recurso econômico terra engloba as terras destinadas à agricultura e pecuária, ou seja, terras cultiváveis, florestas, minas disponíveis produções de mercadorias provenientes da utilização do solo. Já fator de produção trabalho é a mão de obra empregada na produção de mercadorias ou na prestação de serviços. Portanto, ser humano. 0 capital, inicialmente, pode ser destacado como capital financeiro, ou seja, o dinheiro necessário para dar impulso a qualquer empreendimento industrial, comercial etc. Mais do que exemplificar dinheiro enquanto recurso produtivo, há também capital representado pelas máquinas, pelos equipamentos, pelas instalações e pela matéria-prima. A tecnologia compreende as técnicas de produção utilizadas pelas empresas, que também podemos chamar de know-how ou knowledge, voltados à técnica de produção e ao conhecimento científico, respectivamente. Por fim, a capacidade empresarial envolve empresários, ou simplesmente aquelas pessoas disponíveis a empreender um novo investimento ou aptas a abrir um negócio. Cada fator de produção tem uma remuneração diferente em termos de denominação. Observe quadro a seguir, que ordena os fatores e as respectivas remunerações: Quadro 1 - Fatores de produção e remuneração Fatores Remuneração dos de produção fatores de produção Terra Aluguel Trabalho Salário Capital Juros Tecnologia Direito à propriedade Capacidade empresarial Lucros Adaptado de: Passos e Nogami (2016). Observação Os fatores de produção utilizados na economia são remunerados, e a essa remuneração daremos nome de renda. Já temos condições para afirmar que a renda de uma sociedade é limitada diante da quantidade de categorias de consumo que essa sociedade enfrenta. Ademais, as empresas procuram criar mercadorias novas para chamar a atenção de novos consumidores, criando hábitos de consumo; também podem fazê-lo pelo simples fato de produzir de forma diferente antigas mercadorias. 14ECONOMIA E NEGÓCIOS Exemplo de aplicação Observe a seguinte indagação: as empresas produzem bens para suprir necessidades de consumo da sociedade e, assim, também podem gerar novas necessidades até então inexistentes ou é a sociedade que dá sinais para as empresas do que elas devem produzir? Já parou para pensar nisso? Reflita sobre essa questão. Assim, estamos diante de um dilema, dilema este que será ilustrado através de um problema, problema econômico fundamental, que consiste em dar respostas às seguintes questões: 0 que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? Essas três perguntas básicas, que à primeira vista são bastante simples, nos remetem a noções de recursos escassos e necessidades ilimitadas. Observação Então, podemos dizer que problema econômico fundamental se origina da escassez de recursos, que é objeto de investigação da ciência econômica. De acordo com Heilbroner (1987, p. 19), "o problema econômico simplesmente, processo de prover bem-estar material da sociedade. Em seus termos mais simples, a economia é estudo de como homem ganha 0 pão de cada dia". 0 autor acentua que a questão em pauta é que a maioria dos problemas econômicos das sociedades e que estão acima do nível de subsistência são derivados do próprio ser humano, e não da natureza. Pelas suas palavras, As tarefas da sociedade econômica são: (1) organizar um sistema que assegure a produção de bens e serviços suficientes para sua própria sobrevivência; e (2) ordenar a distribuição dos frutos de sua produção, de modo que mais produção possa ter lugar. Essas duas tarefas envolvem: (i) mobilização de esforços; (ii) alocação de esforços; (iii) distribuição do produto (HEILBRONER, 1987, p. 23). 15Unidade I Vejamos. Se as empresas precisam produzir mercadorias como uma forma de remunerar capital que é investido e isso passa pela venda das mercadorias que são produzidas, e se os consumidores, dada sua renda escassa ou limitada, precisam alocar de forma eficiente as suas categorias de despesas, então resta às empresas produzirem mercadorias que são procuradas. Assim, temos as três questões anteriormente destacadas representando problema econômico fundamental: 0 que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? A questão que e quanto produzir diz respeito a quais os tipos de mercadorias que devem ser produzidas pelas empresas de um país e em quais quantidades. Responder tal questionamento implica conhecer tipo de mercadoria que é procurada por uma coletividade, bem como saber as quantidades dessa mercadoria que são consumidas. Para Heilbroner (1987, p. 24), que produzir diz respeito à mobilização de esforços, pois, como a natureza é restrita, parece que problema da produção deve ser essencialmente de aplicar proficiência técnica e engenharia aos recursos existentes, evitar desperdícios e utilizar esforço social, de modo tão eficaz quanto possível. [A produção], tarefa importante para qualquer sociedade, dedicada ao ato de economizar. Entretanto, antes de a sociedade poder preocupar-se a respeito de usar suas energias "economicamente", ela deve reunir energias para realizar próprio processo produtivo. Ou seja, problema básico da produção consiste em criar instituições sociais que mobilizem a energia humana para fins produtivos. Fazer com que os homens encontrem trabalho. Nesse instante, vem à tona a seguinte questão: é mais importante produzir alimentos ou investir em produção energética? Prosseguindo, a questão como produzir diz respeito a qual técnica de produção usar na produção de determinadas mercadorias. Responder a esse questionamento implica conhecer as tecnologias disponíveis às empresas para a produção das mais diversas mercadorias. Cada mercadoria possui uma técnica de produção diferenciada das demais. Umas necessitam de maior quantidade de matéria-prima, outras exigem maior quantidade de máquinas, ou seja, são capital-intensivas, e outras demandam grande quantidade de mão de obra em seu processo de produção. Imaginemos, por exemplo, a diferença entre os processos de produção de automóveis e processo de produção daquele pão francês que compramos na padaria mais próxima de nossa casa. Devem ser diferentes. São diferentes! 0 primeiro usa grande quantidade de robô, tecnologia, e outro é mais intensivo na utilização de mão de obra. 0 como produzir diz respeito à alocação de esforços. Sobre isso, Heilbroner (1987, p. 25) diz que: 16ECONOMIA E NEGÓCIOS não basta que homens e mulheres sejam postos a trabalhar; devem trabalhar nos lugares certos a fim de produzirem os bens e serviços de que a sociedade necessite. Assim, além de assegurarem uma quantidade suficientemente grande de esforço social, as instituições econômicas da sociedade devem garantir uma alocação viável desse esforço social. Afinal, quanto usar de cada recurso disponível, de forma a obter máximo, evitar desperdícios e ter garantida a sustentabilidade da produção? Deve-se preferir usar mão de obra intensiva ou é preferível utilizar máquinas para aumentar a produtividade? (BESANKO; BRAEUTIGAM, 2004). Por sua vez, a questão para quem produzir diz respeito às opções políticas que, necessariamente, devem ser feitas. A quem priorizar? A qual segmento da sociedade devemos atender? De todas as demandas feitas por uma sociedade, qual deve ser prioritária e qual deve ser postergada? Quem precisa de mais serviços de saúde: a população dos centros urbanos ou da periferia? Devemos construir escolas de Ensino Fundamental ou de Ensino Médio? Quais são, afinal, as necessidades mais prioritárias e a quem devemos atender primeiro? Dessa forma, a pergunta referente ao para quem produzir diz respeito à distribuição do produto (PASSOS; NOGAMI, 2016). Nem sempre a sociedade obtém êxito na alocação adequada de seus esforços. Ela pode produzir carros a mais ou a menos; pode dedicar suas necessidades e energias à produção de artigos de luxo, enquanto uma grande quantidade de pessoas necessita de alimentos. Esses fracassos podem afetar problema da produção de modo tão sério quanto fracasso em mobilizar uma quantidade adequada de esforços, pois uma sociedade viável deve produzir não apenas bens, mas os bens certos, ou seja, deve produzir da maneira correta. Não deve apenas atender às necessidades gerais, mas atender mais urgentes e socialmente prioritárias. 0 ato de produzir, em si, não responde aos requisitos para a sobrevivência. Além disso, a sociedade deve distribuir esses bens para que processo de produção possa ter continuidade. Em outras palavras, se uma sociedade quiser assegurar seu constante reaproveitamento material, deverá distribuir sua produção de modo a manter não só a capacidade, mas também a disposição de se continuar trabalhando. A questão para quem produzir diz respeito a que tipo de público deve ser atendido com determinada produção. Implica conhecer público-alvo para determinada mercadoria e, portanto, conhecer que tipo de consumidor tem a renda correspondente ao consumo de determinada mercadoria. Assim, reencontramos foco da investigação econômica dirigido ao estudo das instituições humanas dedicadas à produção e distribuição de riqueza. É disso que se ocupa a ciência econômica: do estudo da produção e da distribuição de bens. E quais são seus métodos de investigação? Vimos até agora que a preocupação da economia está estreitamente ligada ao comportamento humano, pois estuda as relações entre as pessoas em uma sociedade enquanto trabalham com um propósito definido, que é a produção de bens e serviços. Por essa razão, a economia se alinha entre as ciências sociais. Esse ponto é muito importante, pois implica que os fatos econômicos estão sujeitos ao estudo e ao julgamento do cientista. Em outras palavras, conforme Silva e Luiz (2018, p. 16), "o indivíduo que está estudando a economia de uma sociedade pode, depois de certo tempo, saber com razoável grau de precisão como se dá a produção, a distribuição e consumo do produto do trabalho daquela sociedade". 17Unidade I Para entender método de investigação do cientista econômico, imagine a seguinte situação. Em uma praia qualquer há aproximadamente cem pessoas. A temperatura está em 30 graus e aproximadamente há uma hora não aparece nenhum sorveteiro. Eis que chega um. Você acredita que alguém comprará sorvetes para se refrescar? Se sim, quantas pessoas? Todas as que estão ali presentes? Não são respostas simples. Porém, com auxílio de um modelo, as possibilidades de responder adequadamente são maiores. Conforme a situação apresentada, sabemos que alguém comprará sorvete. Por que sabemos disso? Pelo simples fato de que algumas pessoas tomam tal atitude diante de determinada situação. Contudo, não se pode afirmar que as cem pessoas se comportarão dessa forma e não se sabe, de imediato, um percentual específico. Ao afirmar que algumas pessoas comprarão sorvetes, estamos nos utilizando de um conhecimento do senso comum, impregnado de juízo de valor. Estamos aplicando a chamada análise da economia normativa. Parte-se da constatação de como a realidade é, ou seja, do entendimento dos mecanismos econômicos, para em seguida propor um estado de coisas considerado melhor pelo observador. A análise da economia normativa estuda a atividade econômica como ela deveria ser (SILVA; LUIZ, 2018). Por outro lado, se ficássemos junto das pessoas que estão na praia observando, de fato, 0 comportamento de cada um, responderíamos com certeza sobre a quantidade de pessoas que efetivaram a compra do sorvete. Por abstração, digamos que da observação das pessoas ali presentes, 53 delas dirigiram-se até sorveteiro e não efetuaram a compra, ao passo que restante, 47, fizeram a compra. Portanto, temos agora números reais: 53% dos presentes não compraram sorvetes; 47% efetuaram a compra de sorvetes. Ao fazer tal afirmação, a partir da observação real de comportamento desse extrato da sociedade em uma situação de consumo, utilizamos outro método de investigação da ciência econômica, qual seja, a economia positiva. Tal método de investigação se preocupa com a realidade como ela é, procurando depois determinar os mecanismos que levam os indivíduos a cumprir seu propósito, no caso apresentado, da compra do sorvete para satisfazer uma necessidade. Podemos ir além. 0 que levou os 53% dos presentes a não efetuar a compra dos sorvetes? Podemos tentar algumas respostas: parte dos presentes não tinha dinheiro suficiente para pagar pelo sorvete; parte dos presentes portava somente cartão para crédito ou débito e 0 vendedor de sorvetes somente aceitava em dinheiro ou pagamento via Pix; parte dos presentes não sentia necessidade em consumir sorvetes naquele momento; parte dos presentes não gostou dos sabores dos sorvetes ofertados; parte dos presentes não gostou da marca dos sorvetes ofertados. 18ECONOMIA E NEGÓCIOS Cada uma dessas respostas são conjecturas, hipóteses, "achismos", e fazem parte da economia normativa, diga-se de passagem, menos interessante ao cientista econômico. Agora, se nossas respostas fossem dos que não compraram sorvetes, teríamos: doze não portavam dinheiro suficiente para pagar pelo sorvete; nove portavam somente cartão para crédito ou débito e o vendedor de sorvetes somente aceitava dinheiro ou pagamento via Pix; onze não sentiram necessidade em consumir sorvetes naquele momento; quinze não gostaram dos sabores dos sorvetes ofertados; seis não consideraram confiável a marca dos sorvetes ofertados. 0 que mudou na forma de responder? No primeiro caso, subjetividade. No segundo, objetividade, positivismo, análise econômica positiva. É desse tipo de análise que os economistas se utilizam. Vejamos que expõe Walter Wessels (2002, p. 2). Considere um modelo econômico simples. Estamos em um supermercado que tem vários caixas abertos. É um dia com muito movimento e há pessoas em todas as filas dos caixas. Queremos um modelo que faça previsões sobre quantas pessoas estarão em cada fila. Um economista provavelmente assumiria que as pessoas sabem quão rápido cada uma se move e que procuram gastar mínimo de tempo possível de tempo na fila. Isso vai continuar até que o tempo esperado de permanência em cada fila seja igual. Essa é a principal previsão do modelo. 0 modelo também prevê que os caixas mais lentos terão filas menores. A previsão do tempo de espera igual em todos os caixas é uma proposição positiva. Uma proposição positiva é uma afirmação sobre que realmente é. Uma proposição positiva pode ser testada. Poderíamos medir 0 tempo de espera em um supermercado. Provavelmente, encontraríamos apenas um tempo médio de espera. Entretanto, os resultados poderiam ser falsos porque as hipóteses são falsas (as pessoas podem não ter informação suficiente ou podem importar-se com outras coisas além do tempo de espera). Portanto, uma proposição positiva é uma proposição que pode ser demonstrada verdadeira ou falsa. Outro tipo de proposição é uma proposição normativa. Uma proposição normativa faz um julgamento moral sobre como as coisas deveriam ser. Por exemplo, alguns clientes poderiam dizer: alguns são obrigados a esperar mais que outros, que não é justo. Sem fazer um julgamento moral, não existe maneira de dizer que tal proposição é correta. 19Unidade I 2 CURVA DE POSSIBILIDADE DE Quando mencionamos produção, lembremo-nos de produto. Por definição, trocaremos a palavra produto por bem Contudo, por definição, quando utilizamos a palavra bem, estamos querendo também nos referir a serviços. Portanto, da produção nasce um produto chamado bem, que será por nós identificado como bem ou serviço. Os bens representarão algo material; os serviços, intangível. Precisaremos agora fazer algumas distinções. 2.1 Caracterização de bens e Os bens serão divididos entre livres e econômicos. Os primeiros são aqueles que, ao serem consumidos, não ensejam qualquer contraprestação como pagamento por sua utilização. Vamos exemplificar: 0 ar que respiramos, sol que nos aquece, a chuva que irriga nossas plantações, 0 vento que movimenta as nuvens. Enfim, há uma infinidade de bens que são livres e que, de alguma forma, auxiliam na produção de determinadas mercadorias bem como auxiliam na manutenção da vida das pessoas. Com esses bens, a ciência econômica não se preocupa, justamente pelo motivo de não ensejarem a contraprestação por seu pagamento. Já os bens econômicos terão atenção especial por nossa ciência, pois requerem contraprestação de pagamento por sua utilização. Vamos definir as diversas categorias de bens econômicos. Eles podem ser de consumo, intermediários e podem ser classificados como de capital (PASSOS; NOGAMI, 2016). Quanto aos bens de consumo, podem ser classificados como duráveis e não duráveis. Um aparelho televisor, por exemplo, é durável, assim como um automóvel e um computador. 13 09 Figura 1 - Bens de consumo durável: mesa, cadeira, computador, estante Disponível em: https://bit.ly/3GCOEwT. Acesso em: 3 abr. 2023. 20ECONOMIA E NEGÓCIOS Serão considerados bens de consumo não durável aqueles que se destroem enquanto são utilizados, ou seja, seu consumo os leva à destruição. É caso dos alimentos. 0 mesmo exemplo também se aplica a roupas, e canetas. Assim, os bens de consumo duráveis ou não duráveis atendem diretamente às necessidades de consumo da sociedade, pois já estão prontos para o consumo. Figura 2 - - Bem de consumo não durável: alimento Disponível em: Acesso em: 4 abr. 2023. Outra categoria de bens são os intermediários. Estes serão transformados em bens de consumo através do processo de produção. São exemplo as matérias-primas usadas nas mais diferentes produções de mercadorias. Pense no processo de produção de um pão francês, aquele mesmo que demos de exemplo anteriormente. Trata-se de um bem de consumo não durável, pois na medida em que é consumido é destruído. Contudo, para produzir esse pão francês, é necessário usar meios de produção, matérias-primas, bens intermediários, que nesse caso é a farinha. Esta, juntamente com outros ingredientes, outros bens intermediários, será transformada em pão. Dessa forma, os bens intermediários são utilizados para satisfazer indiretamente às necessidades de consumo da sociedade, pois passarão por um processo de transformação até chegarem à categoria de bens de consumo, durável ou não durável. Há ainda outra categoria de bens, os de capital. São máquinas e equipamentos que são aplicados para produzir outros bens e, assim, também atendem indiretamente às necessidades da sociedade. Nesse momento, você deve estar se perguntando de que forma estão relacionados os bens e serviços com as necessidades de consumo da sociedade, bem como com problema econômico fundamental. Vejamos a seguir. 21Unidade I 2.2 Questões centrais: o que, como e para quem produzir Feitas as distinções entre bens de consumo, intermediários e de capital, devemos retornar nossa investigação quanto ao problema econômico fundamental, ou seja, aquelas três questões básicas elencadas anteriormente: 0 que quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? Para avançar em nossa análise, é preciso também retornar ao objeto de estudo da ciência econômica, isto é, a diferença entre os recursos limitados e as necessidades ilimitadas. Desse modo, como as necessidades dos indivíduos são renovadas a cada momento, são ilimitadas, mas os recursos pertencentes a um sistema econômico são escassos, limitados, portanto, há problema de escolha em atenção à resposta três perguntas básicas: 0 que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? Nesse contexto, temos que a ciência econômica é uma ciência ligada a problemas de escolha, haja vista a questão da escassez. De acordo com Wessels (2002), escassez significa que não podemos satisfazer a todos os nossos desejos. Ela nos obriga a escolher quais necessidades iremos satisfazer e quais não. Mas como fazemos essa escolha? Para responder a tal questionamento, usaremos um instrumental analítico, representado pela curva de possibilidade de produção. Y X Figura 3 Curva de possibilidade de produção Vamos examinar esse instrumental a partir de um simples exemplo. Suponhamos que em um sistema econômico exista somente a produção de duas mercadorias, aviões e sapatos, e que os aviões sejam representados pelo eixo Y e que os sapatos pelo eixo X. Portanto, Y = unidades de aviões X = pares de sapatos Essa curva de possibilidade de produção (CPP), também chamada de curva de transformação, mostra as quantidades máximas que podem ser produzidas das duas mercadorias em um sistema econômico, dadas as combinações ótimas entre todos os seus fatores de produção disponíveis. 22ECONOMIA E NEGÓCIOS Dito de outra forma, ao simplificarmos demasiadamente a realidade, estamos supondo que para a produção de sapatos e de aviões seja necessária a utilização de quantidades de fatores de produção; neste caso, todos os recursos disponíveis a essa economia estão sendo usados na produção dessas duas mercadorias. Estamos afirmando que todas as quantidades disponíveis de terra, trabalho, capital, tecnologia e capacidade empresarial foram destinadas à produção das máximas quantidades de cada uma dessas mercadorias para suprir as necessidades de consumo de sua população. Vejamos outra forma de apresentar a CPP para derivarmos novos conceitos. Y a f b d e X Figura 4 Curva de possibilidade de produção e seus pontos 0 que expressa cada um desses pontos? Os pontos a, b e representam as quantidades máximas das duas mercadorias que essa economia pode produzir, mas: ponto a mostra que todos os recursos disponíveis nessa economia foram destinados à total produção da mercadoria Y e nenhuma produção da mercadoria X; - ponto b indica que há produção das duas mercadorias, tanto de aviões quanto de sapatos; ponto destaca que há produção das duas mercadorias, tanto de aviões quanto de sapatos, e ainda acentua que uma maior quantidade de produzida em detrimento das quantidades de Y. Quanto ao ponto e, como ele está posicionado na origem dos dois eixos representando também número zero, mostra que não há qualquer produção, nem de aviões, muito menos de sapatos. Assim, ele representa o total desemprego de recursos. 0 ponto d ilustra 0 conceito de capacidade ociosa ou desemprego de recursos produtivos, pois seria como se por ele passasse uma CPP imaginária, ou seja, um ponto para dentro daquela CPP que representa as quantidades máximas que essa economia pode produzir diante da disponibilidade total de fatores de produção. 23Unidade I Por fim, temos ponto f, posicionado à direita da curva de possibilidade de produção. Esse ponto seria alcançado em uma situação de longo prazo, quando fossem aumentadas as quantidades de fatores de produção disponíveis na economia. 0 ponto f demonstra que houve um deslocamento das possibilidades de produção da economia em um sentido para um aumento nas quantidades produzidas das duas mercadorias, tanto em Y quanto em X, conforme a figura a seguir. Y f X Figura 5 Deslocamento da curva de possibilidade de produção Expressando com números exemplo aplicado anteriormente, consideremos a seguinte tabela: Tabela 1 Possibilidades alternativas de produção Aviões Pontos Sapatos (unidades) (pares) A 0 14 B 1 12 C 2 10 D 3 7 E 4 0 A tabela anterior mostra que podemos produzir tanto aviões quanto sapatos. Mudando alguns pontos de lugar, pois eles são meramente ilustrativos em termos de conceito, teremos que, no ponto A, enquanto essa economia hipotética produz 14 unidades de pares de sapatos, nenhuma produção de aviões é possível, pois todos os fatores de produção (terra, trabalho, capital, tecnologia e capacidade empresarial) foram empregados para produzir sapatos. No ponto B, temos uma diminuição na quantidade produzida de pares de sapatos para ocorrer um aumento na quantidade produzida de aviões. Nesse caso, a produção de pares de sapatos foi diminuída em duas unidades para que fosse elevada uma unidade da produção de aviões. Na passagem do ponto B para C, uma nova situação é verificada. Em B temos um avião sendo produzido e 12 pares de sapatos. Em C, temos a produção de dois aviões e 10 pares de sapatos. Ao passarmos a economia para ponto D, temos uma nova combinação da produção dessas duas mercadorias. Agora são três aviões para a produção de sete pares de sapatos. Finalmente, em E 24ECONOMIA E NEGÓCIOS teremos quatro aviões para nenhuma produção de sapatos, situação contrária à do ponto A, ou seja, em E todos os fatores de produção foram destinados à produção de aviões e nenhum para a produção de sapatos. Observação Ao analisar novamente a tabela anterior, percebemos que à medida que aumentamos a produção de uma das mercadorias, necessariamente diminuímos a produção de outra. 0 que isso quer dizer? Conforme aumentamos a produção de aviões, deixamos de utilizar fatores de produção na fabricação de sapatos, portanto, uma menor quantidade de sapatos deve ser produzida. Dito de outra forma, quando elevamos a produção de aviões, mostramos que uma maior quantidade de fatores de produção foi empregada na produção de aviões e que, dessa forma, restam poucos fatores disponíveis à produção de sapato. Logo, a produção de sapatos diminui. Com relação à tabela, ao passarmos do ponto A para 0 B, elevamos em uma unidade a produção de aviões, porém diminuímos em duas unidades a produção de pares de sapatos. Algo parecido acontece quando a economia passa do ponto B para 0 C. Agora, para produzir dois aviões, torna-se necessário diminuir em mais duas unidades a produção de pares de sapatos, passando então de uma produção de 12 para 10. Continuando a observar os dados da tabela, percebemos que a passagem do ponto C para D requer sacrificar ainda mais a produção de pares de sapatos para que a produção de aviões aumente. A relação agora é que, para poder produzir três unidades de aviões, é necessário diminuir em três unidades a de pares de sapatos. Então, em E anula-se a produção de sapatos e todos os fatores de produção disponíveis na economia foram destinados à produção de aviões. Após analisar a CPP e a tabela anterior, chegamos a mais um conceito importante para a ciência econômica, qual seja, conceito de custo de oportunidade. De acordo com Wessels (2002, p. 11), custo de qualquer recurso (incluindo dinheiro, tempo, energia e bens) é que os economistas chamam de custo de oportunidade: valor mais alto daquilo que os mesmos recursos poderiam ter se [fossem] produzidos em outro lugar". Distanciando-se um pouco do "economês", conceito de custo de oportunidade diz respeito às quantidades de uma mercadoria que são deixadas de serem produzidas para que sejam produzidas maiores quantidades de outra. 0 custo de oportunidade pode ser entendido também como uma taxa de sacrifício. Esta pode ser explicada da seguinte forma. Para satisfazer às necessidades de consumo da sociedade por uma maior quantidade de uma mercadoria, devemos sacrificar essa mesma sociedade com a menor produção de outra mercadoria. 25Unidade I Conforme exemplo anterior, podemos dizer que quando aumentamos em uma unidade a produção de aviões, ou seja, quando passamos do ponto A para B, sacrificamos a sociedade em duas unidades de pares de sapatos. Há, portanto, um custo de oportunidade de dois pares de sapatos para a produção de uma unidade de avião. Quando essa economia passa do ponto C para custo de oportunidade de se produzir aviões aumenta. Agora, serão três unidades de pares de sapatos, ou seja, foram aumentadas as taxas de sacrifício em trocar a produção de pares de sapatos pela de aviões. Ainda para Wessels (2002, p. 11), devido à escassez, não podemos fazer tudo 0 que queremos nem podemos resolver todos os nossos problemas. Em outras palavras, estamos diante de compensações ou, no jargão econômico, de trade-offs. Podemos fazer alguma coisa, mas não outras. 0 custo de oportunidade é uma medida daquilo que poderia ter sido feito de outra maneira. Ele nos orienta na realização das compensações corretas. Lembrete Para efeito de nosso estudo, custo de oportunidade é tratado como que deixamos de produzir de uma mercadoria para que seja aumentada a quantidade produzida de outra. 3 SISTEMA ECONÔMICO Conforme já acentuado, como a ciência econômica preocupa-se com a escassez de recursos diante das necessidades ilimitadas, também é uma ciência voltada a problemas de escolha, ou seja, procura explicar que tipos de mercadorias devem ser produzidas, portanto escolhidas, para suprir as necessidades da sociedade. Não é por outro motivo que foi enunciado problema econômico fundamental: 0 que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? Agora, como decidir qual a quantidade de aviões ou qual a quantidade de sapatos deve ser produzida? Só de aviões e sapatos vive uma sociedade? Sabemos que não. Então como isso é resolvido? A resolução desse problema passa pela organização da atividade econômica. Observação Antes de explicarmos como a atividade econômica é organizada, lembremos das relações entre a produção de mercadorias e seu consumo. 26ECONOMIA E NEGÓCIOS 3.1 Formas de organização: livre-iniciativa, planificação central e sistemas mistos: características do sistema econômico brasileiro atual Afirmamos anteriormente que as empresas produzem bens para comercialização e, a partir de sua venda, tiram algum proveito de lucro. Para que elas consigam vender sua produção, é necessária a existência de consumidores com capacidade de aquisição, e isso somente é possível se tiverem recursos. Aqui chamamos esses recursos de renda. Portanto, observe a seguir fluxo circular da renda que representa funcionamento de uma economia de mercado. C A Empresas Família D B Figura 6 - Fluxo circular da renda 0 fluxo circular da renda anterior representa, de forma muito simplificada, funcionamento de uma economia de mercado. Vamos explicá-lo a seguir. 0 movimento indicado pela seta A mostra que as empresas destinam bens e serviços às famílias. Dessa forma, as empresas são representadas por todos os produtores ou vendedores de bens, e as famílias indicam os consumidores de tais bens. Como as famílias consomem os bens e serviços que são destinados pelas empresas, as famílias também destinam algo às empresas. Nesse caso, as famílias geram as receitas (seta B), e estas expressam as formas de pagamento dos bens e serviços que são efetuados pelas famílias. Para que as empresas produzam bens e serviços que serão destinados às famílias, devem empregar fatores de produção; precisam adquirir terra, trabalho, capital, tecnologia e capacidade empresarial. Assim, a seta C denota as famílias destinando fatores de produção às empresas, e como as empresas precisam remunerar a utilização desses fatores de produção, também há uma contrapartida. A seta D ilustra as empresas remunerando os fatores de produção que foram destinados às famílias. 0 total dessa remuneração é a renda. 27Unidade I 0 quadro a seguir ordena tais movimentações. Quadro 2 - Relacionamento do fluxo circular da renda Sentido Movimento A Empresas destinam bens e serviços para consumo das famílias B Famílias geram receitas às empresas provenientes do consumo de bens e serviços C Famílias destinam fatores de produção às empresas D Empresas geram receitas às famílias provenientes da utilização de fatores de produção É possível observar que, na parte de cima do fluxo circular da renda, há destino de bens e serviços das empresas às famílias (A), ao mesmo tempo que há destino de fatores de produção das famílias às empresas A esses movimentos chamaremos de fluxo real. Na parte de baixo do fluxo da renda, há a geração de receitas, por parte das famílias, às empresas (B), ao mesmo tempo que há a geração de renda, por parte das empresas, às famílias (D). Chamaremos esses movimentos de fluxo monetário. Observação Comos se trata de um fluxo, tanto faz fluxo real estar desenhado na parte de cima como na parte de baixo, e 0 mesmo vale para fluxo monetário. Percebemos então que fluxo monetário complementa fluxo real e é válido também contrário. Nesse fluxo circular da renda, apresentamos relacionamento monetário e real entre empresas e famílias, encarando as empresas como produtoras e/ou vendedoras e as famílias como consumidoras. Contudo, temos que pensar também de outra forma. Para produzir suas mercadorias, muitas vezes as empresas necessitam adquirir bens intermediários ou de capital de outras. Portanto, além de serem vendedoras, são compradoras, empreendendo um relacionamento entre os fluxos monetários e reais entre as próprias empresas. Também vale outro raciocínio para as famílias, pois elas destinam fatores de produção a outras famílias, aplicando relação tanto monetária quanto real entre elas. Portanto, no fluxo circular da renda, temos relacionamento empresa-família, empresa-empresa, família-empresa e Em empresa-família, as empresas usam os fatores de produção das famílias e as remuneram por isso. Em as famílias utilizam-se dos bens e serviços que são produzidos pelas empresas e as remuneram por isso. Em empresa-empresa, as empresas adquirem bens e serviços de outras, gerando receitas umas às outras. Por fim, no relacionamento família-família, as famílias adquirem e destinam seus fatores de produção a outras, ensejando então fluxos real e monetário entre esses agentes econômicos. 0 fluxo circular da renda na figura anterior ilustra funcionamento de uma economia de mercado, e essa representação está bastante simplificada ainda. Para Hubbard e O'Brien (2010, p. 106), nosso modelo deixa de fora alguns elementos: 28ECONOMIA E NEGÓCIOS a figura deixa de fora importante papel do governo na compra de bens das empresas e na realização de pagamentos, como os de seguridade social ou seguro-desemprego para as famílias. A figura também deixa de fora os papéis exercidos pelos bancos, pelos mercados de ações e de títulos de dívida, e por outras partes do sistema financeiro, de ajudar fluxo de fundos dos credores para os mutuários. Ainda a figura não mostra que alguns bens e serviços comprados são produzidos em países estrangeiros e que alguns bens e serviços produzidos por empresas domésticas são vendidos para famílias estrangeiras. Outra questão vital: nosso modelo pressupõe uma economia a dois setores, ou seja, considerando somente relacionamento de empresas e famílias. Essa é uma simplificação que deve ser ponderada, já que, conforme afirma Schwarz (2009), a economia deve ser vista como um sistema aberto, embutido na sociedade e no ambiente natural, que depende para seu funcionamento e evolução da existência não só de um quadro organizacional, como de fluxos permanentes de materiais, de energia e de informação: matérias-primas, combustíveis fósseis, água, ar etc.; são por ela capturados, depois transformados em bens e serviços aptos a satisfazerem às necessidades humanas e, por fim, devolvidos à origem na forma de resíduos sólidos, líquidos e gasosos (SCHWARZ, 2009, p. 41). Agora vamos analisar as formas de organização da sociedade econômica ou então de que forma as sociedades se organizam para poder cumprir fluxo circular da renda. Estabeleceremos neste livro-texto que há duas formas de organização da atividade econômica: uma descentralizada, predominante nas economias ocidentais, e uma centralizada, influente no caso cubano. Observação Nesta disciplina estudaremos em pormenores a forma descentralizada, que é a predominante nas economias modernas. A forma descentralizada, também chamada de economia de mercado, reúne três elementos principais: livre-iniciativa, presença do Estado e elementos de uma economia capitalista. Examinaremos cada um desses elementos a seguir. No caso da livre-iniciativa, nenhum agente econômico sejam empresas (produtoras ou vendedoras de mercadorias), sejam famílias (fornecedoras de fatores de produção e consumidores de mercadorias) se preocupa em desempenhar papel de gerenciar bom funcionamento do sistema de preços; em vez disso, preocupa-se em resolver isoladamente seus próprios negócios, tenta sobreviver apenas à concorrência imposta pelos mercados, tanto na venda e compra de produtos finais como na dos fatores de produção. Trata-se de um jogo econômico, baseado em sinais dados por preços formados nos diversos mercados. 29Unidade I 0 modo de agir retratado é Entretanto, resolve inconscientemente os problemas básicos da coletividade. Há uma espécie de "mão invisível" agindo sobre os mercados, coordenando as atividades econômicas e sociais. A ação conjunta dos indivíduos e empresas permite que centenas de milhares de mercadorias sejam produzidas como um fluxo constante, mais ou menos voluntariamente, sem uma direção central. A livre-iniciativa ajuda a responder ao problema econômico fundamental, ou seja, resolve as questões principais: 0 que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? 0 que e quanto produzir é resolvido pela procura dos consumidores no mercado, ou seja, são os consumidores que dão sinais de mercado às empresas do que elas precisam produzir. Portanto, agente principal nesse processo é consumidor, pois sua atuação determinará quais produtos serão confeccionados. A questão sobre como produzir é determinada pela concorrência entre os produtores, pelo emprego do método de fabricação mais eficiente ou mais barato, em que aquele produtor mais eficiente derrotará produtor mais ineficiente. Por fim, a questão sobre para quem produzir será respondida pela oferta e demanda no mercado de fatores de produção, ou seja, pelo montante de renda individual. 4 FLUXOS FUNDAMENTAIS: REAL E MONETÁRIO Esquematizando, voltamos ao fluxo circular da renda. Gastos ($) (=PIB) Receitas ($) (=PIB) Mercado de produtos Bens e serviços Bens e serviços comprados vendidos Fluxo de bens e serviços Famílias Empresas Fluxo de dinheiro Terra, capital, trabalho Insumos para e empreendedorismo a produção Mercado de fatores de produção Renda ($) (=PIB) Salários, aluguéis, juros e lucros ($) (PIB) Figura 7 Fluxo circular da renda: mercado de produtos e de fatores 30ECONOMIA E NEGÓCIOS A livre-iniciativa opera conforme acentuado no fluxo circular da renda, ou seja, as famílias dão sinais de mercado às empresas do que elas necessitam consumir e, portanto, sinalizam que devem produzir. Para tanto, as empresas também dão sinais de mercado de que é necessário empregar fatores de produção (terra, trabalho, capital, tecnologia e capacidade empresarial) e em quais quantidades. Com esses sinais de mercado, do que produzir e quanto empregar de fatores de produção, temos a definição dos preços das mercadorias e a determinação dos preços dos fatores de produção. Portanto, a livre-iniciativa também pode ser chamada de sistema de preços, ou seja, fluxo circular da renda ou sistema de preços coordena as decisões de milhões de unidades econômicas. Então, além de fluxo circular da renda demonstrar os fluxos monetário e real, acentua a existência de um mercado de bens e um mercado de fatores. Quando as empresas destinam bens e serviços às famílias, estamos trabalhando com um mercado de bens no qual serão estabelecidos os preços das mercadorias transacionadas, bem como suas quantidades. Quando as famílias destinam fatores de produção às empresas, estamos trabalhando com um mercado de fatores de produção, e, nesse mercado, são fixados os preços desses fatores e as quantidades de fatores utilizadas pelas empresas. 0 sistema de preços define os preços e a quantidade de equilíbrio, pois os consumidores estipulam os preços máximos que desejam pagar pelo consumo das mercadorias, e os produtores estabelecem os preços mínimos que desejam remunerar pela utilização dos fatores de produção. No que diz respeito à presença do Estado, dadas as imperfeições apresentadas pelo sistema de preços da livre-iniciativa, Estado surge para regulamentar essas atividades. Sendo 0 governo um agente econômico como outro qualquer, ele se apropria de uma parte da renda e, com ela, proporciona à sociedade 0 suprimento de bens e serviços de uso coletivo que, de outra forma, não seriam disponibilizados. Para tanto, ele também emprega e remunera fatores de produção, interagindo com as unidades familiares. Tem ainda a função de adquirir produtos das empresas. Quanto aos elementos de uma economia capitalista, esse sistema caracteriza-se por uma organização econômica baseada na propriedade privada dos meios de produção, isto é, os bens de produção ou de capital. Os elementos são: capital; propriedade privada dos meios de produção, devido à existência do sistema capitalista; divisão do trabalho através da especialização do trabalho e da mecanização da produção; moeda. 31Unidade I Saiba mais A obra indicada a seguir é essencial para que você entenda os elementos de um sistema de capital. DOWBOR, L. que é capital. São Paulo: Brasiliense, 1982. Revisando que foi apresentado anteriormente, vivemos em uma sociedade baseada nas trocas que ocorrem no mercado. Nesse modelo, 0 agente busca individualmente solucionar 0 seu problema econômico. Para isso, de forma racional, ele dá em troca à sociedade, no mercado, 0 que detém, recebendo em troca também no mercado que necessita e não detém. Ou seja, nessa sociedade, não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas à sua autoestima, e nunca lhes falamos das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que advirão para eles (SMITH, 1983, p. 50). Portanto, nessa sociedade, de forma anárquica afinal, cada agente cuida de si emergiria 0 bem-estar coletivo. Portanto, uma vez que cada um cuida de si, vemos que a competição é um fator inerente e determinante em uma economia de mercado: todos os agentes se movimentam pelo interesse próprio fazendo escolhas racionais no intuito de obter mais poder de mercado que os demais agentes e, com isso, minimizando as suas restrições na busca da maximização de seu benefício individual. Assim, na economia de mercado, a relação de troca das mercadorias é peça-chave na solução do problema econômico, individual e coletivo. Nas economias modernas, por uma questão de eficiência e necessidade, as trocas são intermediadas pela moeda. Por exemplo, no mercado, não trocamos trabalho por geladeira. De fato primeiro vendemos trabalho no mercado e, com dinheiro apurado nessa venda, compramos no mercado a geladeira que desejávamos. Portanto, na economia de mercado em que vivemos, as trocas, de fato, ocorrem, não mercadoria por mercadoria, e sim mercadoria por dinheiro (vendas) e dinheiro por mercadoria (compras). De forma nítida, estamos tratando de trocas: empresas produzindo mercadorias para consumo da sociedade em troca de recursos, no caso monetário, para ser aplicado novamente na produção de mais mercadorias, e assim por diante. Pessoas trabalhando para empresas que, em troca de sua força de trabalho, recebem salário na forma de dinheiro para destinar ao consumo de mais mercadorias. Para Jorge e Moreira (1990, p. 27), "qualquer que seja a forma de organização da atividade econômica de uma comunidade, [...] os seus objetivos são muito semelhantes: busca-se otimizar a satisfação do indivíduo, de um lado e, de outro, maximizar a eficiência produtiva". 32ECONOMIA E NEGÓCIOS Ademais, em um sistema de livre-iniciativa empresarial, impera a propriedade privada dos bens de produção ao lado das decisões sobre 0 que e quanto produzir fundamentadas no mercado e nos preços. As atividades econômicas são, portanto, dirigidas e controladas unicamente por empresas privadas, que competem entre si. Daí a alcunha de "economia de mercado", porque mercado é habitat natural das empresas (JORGE; MOREIRA, 1990, p. 29). Lembrete A introdução do governo nesse modelo simplificado não modifica, pois Estado exerce funções normativas e regulatórias ao participar dos fluxos econômicos fundamentais. Quanto à segunda forma de organização da atividade econômica, ou seja, a forma centralizada, quem responde ao problema econômico fundamental é um órgão planejador central MANZALLI, 2010). Apenas para dar um exemplo: desde a revolução que destituiu Fulgencio Batista e levou Fidel Castro ao poder cubano, é governo quem decide que cada um deve produzir e que cada agente deve consumir. 0 princípio que norteia essas decisões é princípio socialista, que prevê que cada um deve de acordo com sua capacidade e conforme seu trabalho. Do ponto de vista prático, as vendas são realizadas através de libretas, criadas em 1962, e que representam conjunto de mercadorias que podem ser consumidas por cada pessoa. A quantidade e os tipos de produtos foram os seguintes: em todo território nacional, 2 libras de gordura comestível, óleo ou banha de porco ao mês; 6 libras de arroz por pessoa ao mês; 13 libras e meia de feijões de qualquer tipo, grão-de-bico, ervilhas ou lentilhas por pessoa nos nove meses seguintes. Na cidade de Havana, [...] uma barra de sabão por pessoa ao mês; um pacote médio de detergente por pessoa ao mês; um sabonete por pessoa ao mês; um tubo grande de creme dental para cada duas pessoas ao mês. Na cidade de Havana, três quartos de libra de carne de gado por pessoa por semana; 2 libras de frango por pessoa ao mês; meia libra de peixe de escama, limpo e em posta, por pessoa ao mês; cinco ovos por pessoa ao mês; um litro de leite diário para cada criança de menos de sete anos e um litro diário para cada 5 pessoas maiores de 7 anos (PIÑEDA, 2001 apud CARCANHOLO; NAKATANI, 2002, p. 142). 33Unidade I Judensnaider e Manzalli (2010) levantam seguinte questionamento: qua tipo de sistema da maior parte das economias nos dias de hoje? Dizemos que elas são economias mistas e que combinam características das economias de mercado e das economias centralizadas. Para Hubbard e O'Brien (2010, p. 66), uma economia mista ainda é primordialmente uma economia de mercado com a maioria das decisões econômicas sendo resultantes da interação entre compradores e vendedores em mercados, mas em uma economia mista governo desempenha um papel significativo na alocação dos recursos. 4.1 Setores de produção: primário, secundário, terciário É importante sistematizar como a atividade econômica está distribuída e de que forma ela ocorre, uma vez que uma infinidade de bens e serviços são produzidos e consumidos pela sociedade. Pensando em termos de economias contemporâneas, tanto nas nações mais desenvolvidas quanto naquelas em desenvolvimento, são constituídas por diversificados setores de atividade produtiva, que promovem teias de relações econômicas na produção de todos os bens e serviços destinados à satisfação das necessidades sociais existentes. Essa teia de relações é realizada entre diferentes setores de atividade econômica, chamados de setor primário, setor secundário e setor terciário. Conforme destaca Rossetti (1992, p. 51), 0 conjunto desses setores e subsetores compõe aparelho de produção da economia nacional. No processamento de suas atividades, nenhum dos setores permanece isolado do conjunto. No decurso das atividades de produção, todos integram e se interligam, numa intrincada e quase indescritível sucessão de transações econômicas interdependentes. Formam-se redes de interdependência não apenas em nível intersetorial, mas também em nível intrassetorial. Assim, além da teia de fornecimentos que liga cada subsetor aos demais, verificam-se ainda transações entre as próprias unidades de produção de cada subsetor. Assim, a cargo do setor primário estão as atividades concernentes à agropecuária e aqui estão as lavouras, a produção de animal e derivados e atividades de extração, bem como aquelas relacionadas à indústria rural, a exemplo de moinhos e moendas. Ao setor secundário cabem as atividades da indústria de transformação e construção. Em tal setor são encontradas atividades da indústria extrativa mineral (extração de minerais metálicos e não metálicos), indústria de transformação (de minerais não metálicos, metalurgia, mecânica, material elétrico e de comunicações, material de transporte, madeira, mobiliário, papel e papelão, borracha, couros, peles e produtos similares, química, produtos farmacêuticos e medicinais, produtos de perfumaria, sabões e velas, produtos de matéria plástica, têxtil, vestuário, calçados e artefatos de couro, produtos alimentares, bebidas, fumo, editorial e gráfica e diversos), indústria de construção (construção de unidades residenciais, edificações para fins não residenciais e obras públicas em geral) e ainda os serviços industriais de utilidade pública, a exemplo da produção e distribuição de energia elétrica. Já as atividades de comércio, tanto atacadistas como varejistas, intermediação financeira, serviços de transporte, comunicação, atividades governamentais, 34ECONOMIA E NEGÓCIOS presença de autônomos em diversas atividades produtivas e serviços diversos, a exemplo de atividades sociais e prestação de serviços, entre outros, estão sob a responsabilidade do setor terciário. Saiba mais Como a atividade econômica é dinâmica e apresenta momentos de crescimento ou de estagnação, é interessante que você busque números sobre comportamento dos setores de atividade econômica tanto em evolução da economia brasileira quanto em termos conjunturais. Para tanto, acesse site do IBGE, que atualiza periodicamente as informações. IBGE. Produto Interno Bruto - PIB. Rio de Janeiro, [s.d.]. Disponível em: Acesso em: 4 abr. 2023. 35Unidade I Resumo Nesta unidade, você pôde entrar em contato com as primeiras leis da economia, ou a principal delas, a questão da escassez. 0 texto trouxe à baila os primeiros conceitos acerca do estudo da ciência econômica partindo do entendimento de que a palavra economia derivou da expressão em grego oikosnomos. Nesse sentido, foi possível perceber que essa ciência estuda a relação da sociedade em seus interesses de administração eficiente de recursos no sentido de se obter os melhores resultados possíveis, admitida a presença da escassez. Assim, consideramos surgimento do problema econômico fundamental fortemente relacionado às necessidades de consumo da sociedade que se apresentam ilimitadas no tempo. A lei da escassez permitiu compreender a importância dos fatores de produção que estão presentes nas sociedades bem como sua administração na solução do problema econômico fundamental. Sobre assunto, três questões básicas foram consideradas: que e quanto produzir, como produzir e para quem produzir? Como destacamos tema produção, fizemos a caracterização de bens, apresentando suas mais diversas ramificações, bens livres e econômicos. Ao iniciar estudo da ciência econômica, foi possível perceber que nenhuma sociedade consegue a qualquer tempo produzir tudo que necessita. Tal fato deve-se à limitação de fatores de produção e, diante disso, é preciso escolher em cada período quais necessidades da sociedade serão atendidas. Nesse contexto, ao estudar a CPP, vimos que a escolha de qual necessidade atender levará essa mesma sociedade a incorrer no custo de oportunidade. Ainda, nesta unidade, acentuamos um modelo simplificado que expressa funcionamento da sociedade econômica. Tal modelo, denominado fluxo circular da renda, apresenta as relações econômicas existentes entre os agentes econômicos de cada economia: inicialmente, empresas e famílias, para depois passar a considerar governo e as economias externas. Pela análise do fluxo circular da renda, aprendemos que um sistema econômico tem seu funcionamento baseado na relação entre mercado real e mercado monetário e que cada tipo de sociedade (capitalista, socialista) organiza a atividade econômica conforme seus interesses. 36ECONOMIA E NEGÓCIOS Exercícios Questão 1. Leia texto a seguir. Como funciona a Curva de Possibilidades de Produção (CPP)? Por José Eduardo Daronco Figura 8 Quem estudou Economia e Administração já se deparou com conceito de Curva de Possibilidades de Produção (CPP). 0 que é a Curva de Possibilidades de Produção (CPP)? A CPP é uma ferramenta que demonstra, em formato gráfico, a capacidade de produção de determinado produto. Esse recurso pode ser utilizado, inclusive, para comparar desempenho de dois produtos diferentes. Também é conhecida pela alcunha de Fronteira de Possibilidades de Produção (FPP). A Economia e a CPP Em resumo, podemos dizer que a Economia trabalha com três questões básicas, mostradas a seguir. 0 que produzir? Para quem produzir? Como fazer a produção? 37Unidade I Quando falamos em CPP, os principais valores analisados são os seguintes: que produzir e como produzir. Isso porque esse recurso permite à indústria analisar previamente qual produto poderia ser produzido em maior quantidade ou por mais tempo. Para tal, é necessário considerar que os recursos, em geral, são escassos. Adaptado de: https://bit.ly/3nhjynN. Acesso em: 28 mar. 2023. Suponha que, em dada economia, possamos produzir unidades de dois bens, X e Y, de acordo com a CPP da figura a seguir. Y Curva de possibilidades de produção 70 60 50 40 30 20 10 X 10 20 30 40 50 60 70 80 Figura 9 Com base na figura, avalie as afirmativas. - A produção de 40 unidades de X e 60 unidades de Y usa todos os recursos disponíveis na economia. Il - - A produção de 60 unidades de unidades de Y usa todos os recursos disponíveis na economia. III Sempre que total de produtos for igual a 100, usaremos todos os recursos disponíveis na economia. IV - A produção de 60 unidades de X e 60 unidades de Y usa todos os recursos disponíveis na economia. 38ECONOMIA E NEGÓCIOS É correto apenas que se afirma em: A) e III. B) C) I e IV. D) I, E) I. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas - Afirmativa correta. Justificativa: na figura a seguir, ponto A corresponde à produção de 40 unidades de X e 60 unidades de Y. Y A Curva de possibilidades de produção 70 60 50 40 30 20 10 X 10 20 30 40 50 60 70 80 Figura 10 Note que ponto A está sobre a CPP. Sabendo que a CPP mostra as quantidades máximas que podem ser produzidas das duas mercadorias em dado sistema econômico, quando a produção dos dois bens indica um ponto sobre essa curva, estamos usando todos os recursos disponíveis pela economia. 39Unidade I - Afirmativa incorreta. Justificativa: na figura a seguir, ponto corresponde à produção de 60 unidades de X e 40 unidades de Y. Y Curva de possibilidades 70 de produção 60 50 40 30 B 20 10 X 10 20 30 40 50 60 70 80 Figura 11 Note que ponto está na região compreendida entre a CPP e os eixos X e Y. Um ponto nessa região indica que a economia tem capacidade ociosa, ou seja, ela é capaz de produzir mais do que está sendo produzido. III - Afirmativa incorreta. Justificativa: na figura a seguir, os pontos A, B e C correspondem a produções cujo total de itens é igual a 100. Y A Curva de possibilidades 70 de produção 60 50 40 30 20 10 X 10 20 30 40 50 60 70 80 Figura 12 40ECONOMIA E NEGÓCIOS Podemos verificar que segue. Na produção de 40 unidades de X e 60 unidades de Y (ponto A), usamos todos os recursos disponíveis pela economia. Na produção de 60 unidades de X e 40 unidades de Y (ponto B), existe ociosidade de recursos. Não é possível produzir 30 unidades de X e 70 unidades de Y (ponto C). Não é possível produzir 70 unidades de Y mesmo que a produção de X seja nula. IV - Afirmativa incorreta. Justificativa: na figura a seguir, 0 ponto D corresponde à produção de 60 unidades de X e 60 unidades de Y. Y D 70 60 Curva de 50 possibilidades de produção 40 30 20 10 X 10 20 30 40 50 60 70 80 Figura 13 Como ponto D está fora da área compreendida entre a CPP e os eixos, ele está na região em que a economia não dispõe dos recursos necessários para a produção das quantidades dos dois itens mencionadas na afirmativa. 41Unidade I Questão 2.0 fluxo circular da renda é um modelo que explica, de maneira simples, funcionamento básico da atividade econômica e a interação entre os agentes de uma economia, pois mostra como o dinheiro flui, por meio dos mercados, entre as empresas e as famílias. A figura a seguir ilustra modelo do fluxo circular da renda. Mercado de bens e serviços Empresas Famílias Mercado de fatores de produção Figura 14 Com base no exposto e nos seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. A) As setas que formam um fluxo no sentido horário representam fluxo monetário, pois as famílias gastam quando adquirem produtos e serviços das empresas, e as empresas gastam quando contratam os fatores de produção das famílias. B) As setas que formam um fluxo no sentido anti-horário representam fluxo real, pois as empresas procuram no mercado os fatores de produção oferecidos pelas famílias, e as famílias efetuam no mercado a aquisição de bens e serviços. C) As setas que formam um fluxo no sentido anti-horário representam fluxo monetário, pois as famílias gastam quando adquirem produtos e serviços das empresas, e as empresas gastam quando contratam os fatores de produção das famílias. D) Os dois fluxos podem existir isoladamente, isto é, pode ser que exista apenas fluxo monetário sem que exista fluxo real, e vice-versa. E) A figura não representa um modelo do fluxo circular da renda. Resposta correta: alternativa C. 42ECONOMIA E NEGÓCIOS Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: o fluxo monetário é representado pelas setas que formam um fluxo anti-horário. 0 fluxo real é indicado pelas setas que formam um fluxo horário. Isso está ilustrado na figura a seguir, que foi construída a partir da figura do enunciado. Fluxo monetário Mercado de bens e serviços Empresas Famílias Fluxo Mercado de real fatores de produção Figura 15 No fluxo monetário, as famílias adquirem bens e serviços que são oferecidos pelas empresas. Isso significa que dinheiro flui das famílias para as empresas. As empresas adquirem no mercado de fatores de produção "o trabalho" disponibilizado pelas famílias. Isso significa que dinheiro flui das empresas para as famílias. Portanto, na figura apresentada, dinheiro flui no sentido anti-horário. B) Alternativa incorreta. Justificativa: fluxo real é representado pelas setas que formam um fluxo horário na figura. Isso está mostrado na figura acentuada na justificativa da alternativa A. No fluxo real, as empresas procuram no mercado os fatores de produção, e as famílias procuram bens e serviços no mercado de bens e serviços. C) Alternativa correta. Justificativa: fluxo real é representado na figura pelas setas que formam um fluxo horário. Isso está ilustrado na figura indicada na justificativa da alternativa A. No fluxo real, as empresas procuram no mercado os fatores de produção, e as famílias procuram bens e serviços no mercado de bens e serviços. 43Unidade I D) Alternativa incorreta. Justificativa: não existe um fluxo sem outro. E) Alternativa incorreta. Justificativa: a figura representa um fluxo circular da renda com os dois fluxos destacados: fluxo real, que ocorre no sentido horário, e fluxo monetário, que ocorre no sentido anti-horário. 44