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Ementa e Acórdão 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) :CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) :MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) :MARILDA DE PAULA SILVEIRA INTDO.(A/S) :GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ EMENTA Ação direta de inconstitucionalidade. Artigo 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná. “Subsídio” mensal e vitalício a ex- governador que tenha exercido o cargo em caráter permanente. Aditamento à inicial. Dispositivos da legislação estadual (artigos 1º e 2º da Lei n. 13.426/2002, artigo 1º da Lei nº 16.656/2010). Inconstitucionalidade por arrastamento. Previsão de transferência do benefício ao cônjuge supérstite. Pensão. Precedentes do STF. Não devolução das verbas de caráter alimentar recebidas de boa-fé, tutela da confiança justificada dos cidadãos. Precedentes do STF. Ação direta julgada parcialmente procedente. 1. Revogação de ato normativo objeto de contestação de ação constitucional com o objetivo de fraudar o exercício da jurisdição constitucional ou cujo processo já tenha sido liberado para pauta de julgamento do Plenário não implica a necessária situação de perda superveniente de objeto. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. 2. O Supremo Tribunal Federal definiu interpretação jurídica, na formação de precedentes, no sentido de que a instituição de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex-governadores, designada “subsídio”, corresponde à concessão de benesse que não se compatibiliza com a Constituição Federal (notadamente com o princípio republicano e o Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C690-0231-394E-6AA0 e senha 3BB7-4097-350D-6C5E Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 67 Ementa e Acórdão ADI 4545 / PR princípio da igualdade, consectário daquele), por configurar tratamento diferenciado e privilegiado sem fundamento jurídico razoável, em favor de quem não exerce função pública ou presta qualquer serviço à administração. 2. Precedentes: ADI nº 4.544, Rel. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, DJe de 13/06/2018, ADI nº 3.418, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe de 20/09/2018, ADI nº 4.601, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, DJe de 25/10/2018, ADI nº 4.169, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, DJe de 25/10/2018, ADI nº 4.552-MC, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 9/6/15; ADI nº 3.853, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 26/10/07, ADI nº 1.461, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJe de 22/08/1997. 3. Inconstitucionalidade por arrastamento: art. 1º da Lei Estadual 13.426/2002 e art. 1º da Lei Estadual 16.656/2010 quanto à pensão das viúvas de ex-governadores, com vinculação de valor. Exclusão do art. 2º da Lei 13.426/2002, por impertinente. 4. O caráter alimentar das verbas recebidas de boa-fé, por significativo lapso temporal, assim como a confiança justificada e segurança jurídica dos atos praticados pelo poder público estadual, impõe restrição aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, assentando a inexigibilidade de devolução dos valores recebidos até a publicação do acórdão do presente julgado. Precedentes desta Suprema Corte. 5. Ação julgada parcialmente procedente, por maioria, para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná e, por arrastamento, declarar a inconstitucionalidade da Lei n. 16.656/2010 e do art. 1º da Lei n. 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, preliminarmente, por maioria, em rejeitar o pedido de prejuízo da ação, vencidos, neste ponto, os Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli (Presidente). Na sequência, por unanimidade, 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C690-0231-394E-6AA0 e senha 3BB7-4097-350D-6C5E Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR princípio da igualdade, consectário daquele), por configurar tratamento diferenciado e privilegiado sem fundamento jurídico razoável, em favor de quem não exerce função pública ou presta qualquer serviço à administração. 2. Precedentes: ADI nº 4.544, Rel. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, DJe de 13/06/2018, ADI nº 3.418, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe de 20/09/2018, ADI nº 4.601, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, DJe de 25/10/2018, ADI nº 4.169, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, DJe de 25/10/2018, ADI nº 4.552-MC, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 9/6/15; ADI nº 3.853, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 26/10/07, ADI nº 1.461, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJe de 22/08/1997. 3. Inconstitucionalidade por arrastamento: art. 1º da Lei Estadual 13.426/2002 e art. 1º da Lei Estadual 16.656/2010 quanto à pensão das viúvas de ex-governadores, com vinculação de valor. Exclusão do art. 2º da Lei 13.426/2002, por impertinente. 4. O caráter alimentar das verbas recebidas de boa-fé, por significativo lapso temporal, assim como a confiança justificada e segurança jurídica dos atos praticados pelo poder público estadual, impõe restrição aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, assentando a inexigibilidade de devolução dos valores recebidos até a publicação do acórdão do presente julgado. Precedentes desta Suprema Corte. 5. Ação julgada parcialmente procedente, por maioria, para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná e, por arrastamento, declarar a inconstitucionalidade da Lei n. 16.656/2010 e do art. 1º da Lei n. 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, preliminarmente, por maioria, em rejeitar o pedido de prejuízo da ação, vencidos, neste ponto, os Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli (Presidente). Na sequência, por unanimidade, 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C690-0231-394E-6AA0 e senha 3BB7-4097-350D-6C5E Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 67 Ementa e Acórdão ADI 4545 / PR acordam em julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, § 5º, da Constituição do Estado do Paraná e, por arrastamento, declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 16.656/2010 e do art. 1º da Lei nº 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. Por maioria, decidem que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento desta ação, vencido o Ministro Marco Aurélio. Falaram: pelo requerente, o Dr. Oswaldo Pinheiro Ribeiro Júnior; e, pela interessada Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, a Dra. Marilda de Paula Silveira. Afirmou suspeição o Ministro Edson Fachin. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Tudo nos termos do voto da Relatora, em sessão plenária, na conformidade da ata do julgamento. Brasília, 05 de dezembro de 2019. Ministra Rosa Weber Relatora 3 Supremo Tribunal Federal Documentoe considerado os precedentes acerca da matéria, justificam o não aplicação dos precedentes judiciais referentes à prejudicialidade da ação, por perda superveniente de objeto. Ante o exposto, afasto a preliminar de perda superveniente de objeto, com fundamento nos precedentes judiciais formados pelo Plenário desse Supremo Tribunal Federal, e conheço da ação direta de inconstitucionalidade. Passo ao exame do seu mérito. Validade Constitucional do Ato Normativo 9. O problema constitucional da legitimidade do subsídio mensal e vitalício, a título de representação, a ex-Governadores de Estados não é novidade na ordem normativa constitucional brasileira. No Estado constitucional antecedente, mais especificamente o inaugurado com a Emenda Constitucional n. 1/1969, havia a regulamentação de benefício análogo a título de subsídio para os ex-Presidentes, conforme o art. 184, que dispunha: “Art. 18. Cessada a investidura no cargo de Presidente da República, quem o tiver exercido, em caráter permanente, fará jus, a título de representação, a um subsídio mensal e vitalício igual aos vencimentos do cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal”. À exemplo da Constituição Federal, diversos entes federados replicaram a norma de concessão de subsídio a ex-Chefe do Poder Executivo, no âmbito dos Estados, em observância ao princípio da simetria que conforma o federalismo brasileiro. Tanto é assim que os os regramentos constitucionais estaduais que alargaram a incidência desse benefício tiveram sua validade questionados neste Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade, com fundamento 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR Acrescento que a revogação do ato normativo ora impugnado não explicitou regra acerca dos efeitos produzidos pela norma constitucional no seu período de vigência. Garantiu-se apenas a mudança do ordenamento jurídico paranaense para as situações futuras, fato jurídico que implica diversos desdobramentos de atos inconstitucionais pretéritos. Esse quadro normativo resultado da revogação do ato normativo, em momento posterior a sua liberação para julgamento, e considerado os precedentes acerca da matéria, justificam o não aplicação dos precedentes judiciais referentes à prejudicialidade da ação, por perda superveniente de objeto. Ante o exposto, afasto a preliminar de perda superveniente de objeto, com fundamento nos precedentes judiciais formados pelo Plenário desse Supremo Tribunal Federal, e conheço da ação direta de inconstitucionalidade. Passo ao exame do seu mérito. Validade Constitucional do Ato Normativo 9. O problema constitucional da legitimidade do subsídio mensal e vitalício, a título de representação, a ex-Governadores de Estados não é novidade na ordem normativa constitucional brasileira. No Estado constitucional antecedente, mais especificamente o inaugurado com a Emenda Constitucional n. 1/1969, havia a regulamentação de benefício análogo a título de subsídio para os ex-Presidentes, conforme o art. 184, que dispunha: “Art. 18. Cessada a investidura no cargo de Presidente da República, quem o tiver exercido, em caráter permanente, fará jus, a título de representação, a um subsídio mensal e vitalício igual aos vencimentos do cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal”. À exemplo da Constituição Federal, diversos entes federados replicaram a norma de concessão de subsídio a ex-Chefe do Poder Executivo, no âmbito dos Estados, em observância ao princípio da simetria que conforma o federalismo brasileiro. Tanto é assim que os os regramentos constitucionais estaduais que alargaram a incidência desse benefício tiveram sua validade questionados neste Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade, com fundamento 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR justamente no referido princípio da simetria (cf. Rep. 979, Rel Min. Cordeiro Guerra, Plenário, DJ de 01/07/1977). Com a promulgação da nova ordem constitucional, instituída com a Constituição Federal de 1988, aludido regramento de concessão de subsídio a ex-Presidente da República foi revogado, sem qualquer disciplina semelhante a tal título. A revogação desse benefício atendeu aos princípios estruturantes da normativa constitucional, consistentes no republicanismo, igualdade, impessoalidade, moralidade administrativa e liberdade. O desenho institucional para a Administração Pública e a estrutura dos Poderes da República não é compatível com qualquer normativa que imponha fator de discrímen sem justificativa adequada para tanto. No caso em análise, a percepção de benefício denominado de subsídio mensal e vitalício a ex-Chefe do Poder Executivo, que não mais ocupa cargo eletivo, ou seja, que não mais ostenta a natureza de agente político, é medida ilegítima, que viola o tratamento igualitário entre os cidadãos e os agentes políticos do Estado. A condição passada de exercente de cargo eletivo, independente do tempo necessário para a adequada percepção de aposentadoria, não justifica, dentro do contexto de uma República fundada na igualdade, impessoalidade, moralidade administrativa, a percepção de subsídio vitalício, o qual não possui qualquer equivalência com a autêntica natureza jurídica do subsídio previsto no art. 39, §4º, da Constituição Federal. Precedentes Judiciais Formados pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal 10. O mérito da controvérsia posta já foi objeto de deliberação e decisão por parte do Plenário desta Suprema Corte no julgamento da ADI 3.853/MS, oportunidade em que se julgou procedente o pedido, reconhecida a inconstitucionalidade do preceito da Constituição estadual pelo qual fora instituída semelhante vantagem. A interpretação jurídica definida neste julgado foi replicada para diversos outros julgamentos que 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR justamente no referido princípio da simetria (cf. Rep. 979, Rel Min. Cordeiro Guerra, Plenário, DJ de 01/07/1977). Com a promulgação da nova ordem constitucional, instituída com a Constituição Federal de 1988, aludido regramento de concessão de subsídio a ex-Presidente da República foi revogado, sem qualquer disciplina semelhante a tal título. A revogação desse benefício atendeu aos princípios estruturantes da normativa constitucional, consistentes no republicanismo, igualdade, impessoalidade, moralidade administrativa e liberdade. O desenho institucional para a Administração Pública e a estrutura dos Poderes da República não é compatível com qualquer normativa que imponha fator de discrímen sem justificativa adequada para tanto. No caso em análise, a percepção de benefício denominado de subsídio mensal e vitalício a ex-Chefe do Poder Executivo, que não mais ocupa cargo eletivo, ou seja, que não mais ostenta a natureza de agente político, é medidailegítima, que viola o tratamento igualitário entre os cidadãos e os agentes políticos do Estado. A condição passada de exercente de cargo eletivo, independente do tempo necessário para a adequada percepção de aposentadoria, não justifica, dentro do contexto de uma República fundada na igualdade, impessoalidade, moralidade administrativa, a percepção de subsídio vitalício, o qual não possui qualquer equivalência com a autêntica natureza jurídica do subsídio previsto no art. 39, §4º, da Constituição Federal. Precedentes Judiciais Formados pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal 10. O mérito da controvérsia posta já foi objeto de deliberação e decisão por parte do Plenário desta Suprema Corte no julgamento da ADI 3.853/MS, oportunidade em que se julgou procedente o pedido, reconhecida a inconstitucionalidade do preceito da Constituição estadual pelo qual fora instituída semelhante vantagem. A interpretação jurídica definida neste julgado foi replicada para diversos outros julgamentos que 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR tiveram por objeto atos normativos de conteúdo análogo, conforme os precedentes judiciais abaixo identificados: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PENSÃO VITALÍCIA PARA EX-GOVERNADORES DO ESTADO DE SERGIPE (ART. 263 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL). DESEQUIPARAÇÃO SEM FUNDAMENTO CONSTITUCIONALMENTE LEGÍTIMO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA IGUALDADE, REPUBLICANO E DEMOCRÁTICO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. 1. O benefício instituído pela norma impugnada – subsídio mensal e vitalício para ex-governadores, igual aos vencimentos do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça – é pago sem qualquer justificativa constitucionalmente legítima, representando inequívoca violação aos princípios da igualdade, republicano e democrático, consoante firme jurisprudência desta Corte. Precedentes: ADI-MC 4.552, Rel. Min. Cármen Lúcia; ADI 3.853, Rel. Min. Cármen Lúcia; SS 3.242, Rel. Min. Ellen Gracie; RE 252.352, Rel. Min. Sepúlveda Pertence; ADI 1.461, Rel. Min. Maurício Corrêa. 2. A continuidade do pagamento inconstitucional desse subsídio mensal e vitalício a ex-detentor de cargo eletivo traduz-se também em grave lesão à economia pública, já que não há qualquer contraprestação de serviço público por parte do beneficiado. 3. Ação direta de inconstitucionalidade cujo pedido se julga procedente. (ADI 4.544, Rel. Min Roberto Barroso, Pleno, DJe 13/06/2018) Ementa - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. ARTIGO 1º DA LEI 4.586/1983. DIREITO PRÉ-CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME EM SEDE DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 1º, PARTE FINAL, DA EMENDA CONSTITUCIONAL 22/2003 DO ESTADO DO MATO GROSSO. MANUTENÇÃO 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR tiveram por objeto atos normativos de conteúdo análogo, conforme os precedentes judiciais abaixo identificados: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PENSÃO VITALÍCIA PARA EX-GOVERNADORES DO ESTADO DE SERGIPE (ART. 263 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL). DESEQUIPARAÇÃO SEM FUNDAMENTO CONSTITUCIONALMENTE LEGÍTIMO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA IGUALDADE, REPUBLICANO E DEMOCRÁTICO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. 1. O benefício instituído pela norma impugnada – subsídio mensal e vitalício para ex-governadores, igual aos vencimentos do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça – é pago sem qualquer justificativa constitucionalmente legítima, representando inequívoca violação aos princípios da igualdade, republicano e democrático, consoante firme jurisprudência desta Corte. Precedentes: ADI-MC 4.552, Rel. Min. Cármen Lúcia; ADI 3.853, Rel. Min. Cármen Lúcia; SS 3.242, Rel. Min. Ellen Gracie; RE 252.352, Rel. Min. Sepúlveda Pertence; ADI 1.461, Rel. Min. Maurício Corrêa. 2. A continuidade do pagamento inconstitucional desse subsídio mensal e vitalício a ex-detentor de cargo eletivo traduz-se também em grave lesão à economia pública, já que não há qualquer contraprestação de serviço público por parte do beneficiado. 3. Ação direta de inconstitucionalidade cujo pedido se julga procedente. (ADI 4.544, Rel. Min Roberto Barroso, Pleno, DJe 13/06/2018) Ementa - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. ARTIGO 1º DA LEI 4.586/1983. DIREITO PRÉ-CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME EM SEDE DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 1º, PARTE FINAL, DA EMENDA CONSTITUCIONAL 22/2003 DO ESTADO DO MATO GROSSO. MANUTENÇÃO 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 20 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR DO PAGAMENTO DE PENSÃO VITALÍCIA A EX- GOVERNADORES, EX-VICE-GOVERNADORES E SUBSTITUTOS CONSTITUCIONAIS QUE PERCEBIAM O BENEFÍCIO À ÉPOCA DE SUA EXTINÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS FEDERATIVO, REPUBLICANO, DA IMPESSOALIDADE E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA PARTE, JULGADO PROCEDENTE O PEDIDO. 1. O artigo 1º da Emenda Constitucional 22/2003 do Estado do Mato Grosso, ao prever que deve ser “respeitado o disposto no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal”, permitiu a continuidade do pagamento de subsídio mensal e vitalício a ex- governadores, ex-vice-governadores e substitutos que percebiam o benefício à época de sua extinção. 2. O direito adquirido é inoponível à Constituição quando nela se encontra interditado, posto eclipsado em alegado regime jurídico imutável, mormente quando o regime jurídico que se pretende ver preservado não encontra guarida na Constituição Federal. 3. A manutenção do pagamento de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex-governadores extrapola o poder constituinte derivado, violando o princípio federativo, além de não se compatibilizar com os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. 4. O princípio republicano apresenta conteúdo contrário à prática do patrimonialismo na relação entre os agentes do Estado e a coisa pública, o que se verifica no caso sub examine. 5. O princípio da igualdade veda a instituição de tratamento privilegiado sem motivo razoável, tal qual o estabelecido em proveito de quem não mais exerce função pública ou presta qualquer serviço à Administração Pública. Precedentes: ADI 4.552-MC, Rel. Min. Cármen Lúcia, Plenário, DJe de 9/6/2015; ADI 3853, Rel. Min. Cármen Lúcia, Plenário, DJe de 26/10/2007; e ADI 3.418, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, julgamento em 20/09/2018. 6. O artigo 1º da Lei 4.586/1983 do Estado do Mato Grosso é direito pré- 11 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode seracessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR DO PAGAMENTO DE PENSÃO VITALÍCIA A EX- GOVERNADORES, EX-VICE-GOVERNADORES E SUBSTITUTOS CONSTITUCIONAIS QUE PERCEBIAM O BENEFÍCIO À ÉPOCA DE SUA EXTINÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS FEDERATIVO, REPUBLICANO, DA IMPESSOALIDADE E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA PARTE, JULGADO PROCEDENTE O PEDIDO. 1. O artigo 1º da Emenda Constitucional 22/2003 do Estado do Mato Grosso, ao prever que deve ser “respeitado o disposto no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal”, permitiu a continuidade do pagamento de subsídio mensal e vitalício a ex- governadores, ex-vice-governadores e substitutos que percebiam o benefício à época de sua extinção. 2. O direito adquirido é inoponível à Constituição quando nela se encontra interditado, posto eclipsado em alegado regime jurídico imutável, mormente quando o regime jurídico que se pretende ver preservado não encontra guarida na Constituição Federal. 3. A manutenção do pagamento de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex-governadores extrapola o poder constituinte derivado, violando o princípio federativo, além de não se compatibilizar com os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. 4. O princípio republicano apresenta conteúdo contrário à prática do patrimonialismo na relação entre os agentes do Estado e a coisa pública, o que se verifica no caso sub examine. 5. O princípio da igualdade veda a instituição de tratamento privilegiado sem motivo razoável, tal qual o estabelecido em proveito de quem não mais exerce função pública ou presta qualquer serviço à Administração Pública. Precedentes: ADI 4.552-MC, Rel. Min. Cármen Lúcia, Plenário, DJe de 9/6/2015; ADI 3853, Rel. Min. Cármen Lúcia, Plenário, DJe de 26/10/2007; e ADI 3.418, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, julgamento em 20/09/2018. 6. O artigo 1º da Lei 4.586/1983 do Estado do Mato Grosso é direito pré- 11 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 21 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR constitucional, insuscetível de figurar como objeto de ação direta de inconstitucionalidade. Precedentes: ADI 2, Rel. Min. Paulo Brossard, Plenário, DJ de 21/11/1997; ADI 74, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJ de 25/9/1992; e ADI 129, Rel. Min. Carlos Velloso, Plenário, DJ de 4/9/1992. 7. Ação direta parcialmente conhecida, para, nessa parte, julgar procedente o pedido, para dar interpretação conforme a Constituição Federal ao artigo 1º, parte final, da Emenda Constitucional 22/2003 do Estado do Mato Grosso e declarar que o trecho “respeitado o disposto no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal” não autoriza a continuidade do pagamento de pensão mensal e vitalícia aos ex-governadores, ex-vice-governadores e substitutos constitucionais. (ADI 4601, Rel. Min. Luiz Fux, Pleno, DJ 25/10/2018). Na mesma linha, e julgado de forma conjunta, a ADI 4169. EMENTA - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO MARANHÃO E LEI ESTADUAL Nº 6.245/1994. “SUBSÍDIO” MENSAL E VITALÍCIO A EX-GOVERNADOR QUE TENHA EXERCIDO O CARGO EM CARÁTER PERMANENTE. PENSÃO AO CÔNJUGE SUPÉRSTITE. INCONSTITUCIONALIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. AÇÃO DIRETA JULGADA PROCEDENTE. 1. O Supremo Tribunal tem afirmado que a instituição de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex- governadores, comumente designada sob o nomen juris “subsídio”, corresponde à concessão de benesse que não se compatibiliza com a Constituição Federal (notadamente com o princípio republicano e o princípio da igualdade, consectário daquele), por desvelar tratamento diferenciado e privilegiado sem fundamento jurídico razoável, com ônus aos cofres públicos, em favor de quem não exerce função pública ou presta qualquer serviço à administração, sendo também inconstitucionais prestações de mesma natureza concedidas aos cônjuges supérstites dos ex-mandatários. Precedentes: ADI nº 4.552-MC, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 12 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR constitucional, insuscetível de figurar como objeto de ação direta de inconstitucionalidade. Precedentes: ADI 2, Rel. Min. Paulo Brossard, Plenário, DJ de 21/11/1997; ADI 74, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJ de 25/9/1992; e ADI 129, Rel. Min. Carlos Velloso, Plenário, DJ de 4/9/1992. 7. Ação direta parcialmente conhecida, para, nessa parte, julgar procedente o pedido, para dar interpretação conforme a Constituição Federal ao artigo 1º, parte final, da Emenda Constitucional 22/2003 do Estado do Mato Grosso e declarar que o trecho “respeitado o disposto no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal” não autoriza a continuidade do pagamento de pensão mensal e vitalícia aos ex-governadores, ex-vice-governadores e substitutos constitucionais. (ADI 4601, Rel. Min. Luiz Fux, Pleno, DJ 25/10/2018). Na mesma linha, e julgado de forma conjunta, a ADI 4169. EMENTA - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO MARANHÃO E LEI ESTADUAL Nº 6.245/1994. “SUBSÍDIO” MENSAL E VITALÍCIO A EX-GOVERNADOR QUE TENHA EXERCIDO O CARGO EM CARÁTER PERMANENTE. PENSÃO AO CÔNJUGE SUPÉRSTITE. INCONSTITUCIONALIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. AÇÃO DIRETA JULGADA PROCEDENTE. 1. O Supremo Tribunal tem afirmado que a instituição de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex- governadores, comumente designada sob o nomen juris “subsídio”, corresponde à concessão de benesse que não se compatibiliza com a Constituição Federal (notadamente com o princípio republicano e o princípio da igualdade, consectário daquele), por desvelar tratamento diferenciado e privilegiado sem fundamento jurídico razoável, com ônus aos cofres públicos, em favor de quem não exerce função pública ou presta qualquer serviço à administração, sendo também inconstitucionais prestações de mesma natureza concedidas aos cônjuges supérstites dos ex-mandatários. Precedentes: ADI nº 4.552-MC, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 12 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 22 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR 9/6/15; ADI nº 3.853, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 26/10/07. 2. Ação julgada procedente para se declarar a inconstitucionalidade do art. 45 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Maranhão e da Lei estadual nº 6.245/1994. (ADI 3418, Rel. Min. Dias Toffoli, Pleno, DJE 20-09-2018) EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 35, DE 20DE DEZEMBRO DE 2006, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL. ACRÉSCIMO DO ART. 29-A, CAPUT e §§ 1º, 2º E 3º, DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS E TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO SUL-MATO- GROSSENSE. INSTITUIÇÃO DE SUBSÍDIO MENSAL E VITALÍCIO AOS EX-GOVERNADORES DAQUELE ESTADO, DE NATUREZA IDÊNTICA AO PERCEBIDO PELO ATUAL CHEFE DO PODER EXECUTIVO ESTADUAL. GARANTIA DE PENSÃO AO CÔNJUGE SUPÉRSTITE, NA METADE DO VALOR PERCEBIDO EM VIDA PELO TITULAR. 1. Segundo a nova redação acrescentada ao Ato das Disposições Constitucionais Gerais e Transitórias da Constituição de Mato Grosso do Sul, introduzida pela Emenda Constitucional n. 35/2006, os ex-Governadores sul-mato-grossenses que exerceram mandato integral, em 'caráter permanente', receberiam subsídio mensal e vitalício, igual ao percebido pelo Governador do Estado. Previsão de que esse benefício seria transferido ao cônjuge supérstite, reduzido à metade do valor devido ao titular. 2. No vigente ordenamento republicano e democrático brasileiro, os cargos políticos de chefia do Poder Executivo não são exercidos nem ocupados 'em caráter permanente', por serem os mandatos temporários e seus ocupantes, transitórios. 3. Conquanto a norma faça menção ao termo 'benefício', não se tem configurado esse instituto de direito administrativo e previdenciário, que requer atual e presente desempenho de cargo público. 4. Afronta o equilíbrio 13 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR 9/6/15; ADI nº 3.853, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 26/10/07. 2. Ação julgada procedente para se declarar a inconstitucionalidade do art. 45 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Maranhão e da Lei estadual nº 6.245/1994. (ADI 3418, Rel. Min. Dias Toffoli, Pleno, DJE 20-09-2018) EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 35, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2006, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL. ACRÉSCIMO DO ART. 29-A, CAPUT e §§ 1º, 2º E 3º, DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS E TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO SUL-MATO- GROSSENSE. INSTITUIÇÃO DE SUBSÍDIO MENSAL E VITALÍCIO AOS EX-GOVERNADORES DAQUELE ESTADO, DE NATUREZA IDÊNTICA AO PERCEBIDO PELO ATUAL CHEFE DO PODER EXECUTIVO ESTADUAL. GARANTIA DE PENSÃO AO CÔNJUGE SUPÉRSTITE, NA METADE DO VALOR PERCEBIDO EM VIDA PELO TITULAR. 1. Segundo a nova redação acrescentada ao Ato das Disposições Constitucionais Gerais e Transitórias da Constituição de Mato Grosso do Sul, introduzida pela Emenda Constitucional n. 35/2006, os ex-Governadores sul-mato-grossenses que exerceram mandato integral, em 'caráter permanente', receberiam subsídio mensal e vitalício, igual ao percebido pelo Governador do Estado. Previsão de que esse benefício seria transferido ao cônjuge supérstite, reduzido à metade do valor devido ao titular. 2. No vigente ordenamento republicano e democrático brasileiro, os cargos políticos de chefia do Poder Executivo não são exercidos nem ocupados 'em caráter permanente', por serem os mandatos temporários e seus ocupantes, transitórios. 3. Conquanto a norma faça menção ao termo 'benefício', não se tem configurado esse instituto de direito administrativo e previdenciário, que requer atual e presente desempenho de cargo público. 4. Afronta o equilíbrio 13 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 23 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR federativo e os princípios da igualdade, da impessoalidade, da moralidade pública e da responsabilidade dos gastos públicos (arts. 1º, 5º, caput, 25, § 1º, 37, caput e inc. XIII, 169, § 1º, inc. I e II, e 195, § 5º, da Constituição da República). 5. Precedentes. 6. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 29-A e seus parágrafos do Ato das Disposições Constitucionais Gerais e Transitórias da Constituição do Estado de Mato Grosso do Sul. (ADI 3853, Rel. Min. Carmén Lúcia, Pleno, DJe 26-10-2007). EMENTA: CONSTITUCIONAL. MEDIDA CAUTELAR. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 2º DA LEI Nº 1.572, DE 13 DE JANEIRO DE 2006, DO ESTADO DE RONDÔNIA. Num juízo prévio e sumário -- próprio das cautelares --, afigura-se contrário ao § 4º do artigo 39 da Constituição Federal o artigo 2º da Lei rondoniense nº 1.572/06, que prevê o pagamento de verba de representação ao Governador do Estado e ao Vice-Governador. Medida liminar deferida para suspender a eficácia do dispositivo impugnado, até o julgamento de mérito da presente ação direta de inconstitucionalidade. (ADI 3771 MC, Rel. Min. Carlos Britto, Pleno, DJ 25-08-2006). EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA LIMINAR. EX- GOVERNADOR DE ESTADO. SUBSÍDIO MENSAL E VITALÍCIO A TÍTULO DE REPRESENTAÇÃO. EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 003, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1995, DO ESTADO DO AMAPÁ. 1. Normas estaduais que instituíram subsídio mensal e vitalício a título de representação para Governador de Estado e Prefeito Municipal, após cessada a investidura no respectivo cargo, apenas foram acolhidas pelo Judiciário quando vigente a norma-padrão no âmbito federal. 2. Não é, contudo, o que se verifica no momento, em face de inexistir parâmetro federal correspondente, suscetível de ser reproduzido em Constituição de Estado-Membro. 3. O 14 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR federativo e os princípios da igualdade, da impessoalidade, da moralidade pública e da responsabilidade dos gastos públicos (arts. 1º, 5º, caput, 25, § 1º, 37, caput e inc. XIII, 169, § 1º, inc. I e II, e 195, § 5º, da Constituição da República). 5. Precedentes. 6. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 29-A e seus parágrafos do Ato das Disposições Constitucionais Gerais e Transitórias da Constituição do Estado de Mato Grosso do Sul. (ADI 3853, Rel. Min. Carmén Lúcia, Pleno, DJe 26-10-2007). EMENTA: CONSTITUCIONAL. MEDIDA CAUTELAR. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 2º DA LEI Nº 1.572, DE 13 DE JANEIRO DE 2006, DO ESTADO DE RONDÔNIA. Num juízo prévio e sumário -- próprio das cautelares --, afigura-se contrário ao § 4º do artigo 39 da Constituição Federal o artigo 2º da Lei rondoniense nº 1.572/06, que prevê o pagamento de verba de representação ao Governador do Estado e ao Vice-Governador. Medida liminar deferida para suspender a eficácia do dispositivo impugnado, até o julgamento de mérito da presente ação direta de inconstitucionalidade. (ADI 3771 MC, Rel. Min. Carlos Britto, Pleno, DJ 25-08-2006). EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA LIMINAR. EX- GOVERNADOR DE ESTADO. SUBSÍDIO MENSAL E VITALÍCIO A TÍTULO DE REPRESENTAÇÃO. EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 003, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1995, DO ESTADO DO AMAPÁ. 1. Normas estaduais que instituíram subsídiomensal e vitalício a título de representação para Governador de Estado e Prefeito Municipal, após cessada a investidura no respectivo cargo, apenas foram acolhidas pelo Judiciário quando vigente a norma-padrão no âmbito federal. 2. Não é, contudo, o que se verifica no momento, em face de inexistir parâmetro federal correspondente, suscetível de ser reproduzido em Constituição de Estado-Membro. 3. O 14 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 24 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR Constituinte de 88 não alçou esse tema a nível constitucional. 4. Medida liminar deferida. (ADI 1461 MC, Rel. Min. Maurício Corrêa, Pleno, DJ 22-08-1997). 11. Ainda, não obstante a construção de uma linha normativa estável e coerente sobre a questão constitucional, pertinente referência à argumentação jurídica tecida pelo Professor José Afonso da Silva, em parecer juntado com a inicial. De acordo com o Professor: A conclusão é a de que não há um título jurídico que sustente a vantagem outorgada naquele art. 236 da Constituição sergipana; não há fundamento na Constituição Federal que a ampare. Ao contrário, todos os princípios constitucionais a repelem, o primeiro deles é que não pode haver dispêndio público sem causa. Ninguém pode receber pagamento sem uma contraprestação de serviço atual, salvo a título previdenciário nos casos constitucionalmente previstos. São ilegítimas as despesas com pessoas que não sejam a título d evencimentos ou de proventos de aposentadoria. Um Governador de Estado, enquanto no exercício do cargo, recebe seus estipêndios remuneratórios em paga do serviço que está prestando à comunidade, mas, uma vez cessado o seu mandato, desliga-se de uma vez dessa função pública, sem direitos a qualquer estipêndio, visto como não tem direito à aposentadoria. Agrava a ilegitimidade o fato de se outorgar a vantagem a quem tenha exercido o cargo até seis meses e um dia. Aí, sim, tem-se um privilégio inqualificável, senão aberrante até do bom senso, ofensivo, sim, ao princípio republicano, lembrado pelo impugnante. 12. Em resumo: aquele que não esteja titularizando cargo eletivo de Governador do Estado, extinto que tenha sido o mandato, não pode receber do povo pagamento por trabalho que já não presta, diferentemente de qualquer outro agente público, que – ressalvada a aposentação nas condições constitucionais e legais estatuídas – não 15 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR Constituinte de 88 não alçou esse tema a nível constitucional. 4. Medida liminar deferida. (ADI 1461 MC, Rel. Min. Maurício Corrêa, Pleno, DJ 22-08-1997). 11. Ainda, não obstante a construção de uma linha normativa estável e coerente sobre a questão constitucional, pertinente referência à argumentação jurídica tecida pelo Professor José Afonso da Silva, em parecer juntado com a inicial. De acordo com o Professor: A conclusão é a de que não há um título jurídico que sustente a vantagem outorgada naquele art. 236 da Constituição sergipana; não há fundamento na Constituição Federal que a ampare. Ao contrário, todos os princípios constitucionais a repelem, o primeiro deles é que não pode haver dispêndio público sem causa. Ninguém pode receber pagamento sem uma contraprestação de serviço atual, salvo a título previdenciário nos casos constitucionalmente previstos. São ilegítimas as despesas com pessoas que não sejam a título d evencimentos ou de proventos de aposentadoria. Um Governador de Estado, enquanto no exercício do cargo, recebe seus estipêndios remuneratórios em paga do serviço que está prestando à comunidade, mas, uma vez cessado o seu mandato, desliga-se de uma vez dessa função pública, sem direitos a qualquer estipêndio, visto como não tem direito à aposentadoria. Agrava a ilegitimidade o fato de se outorgar a vantagem a quem tenha exercido o cargo até seis meses e um dia. Aí, sim, tem-se um privilégio inqualificável, senão aberrante até do bom senso, ofensivo, sim, ao princípio republicano, lembrado pelo impugnante. 12. Em resumo: aquele que não esteja titularizando cargo eletivo de Governador do Estado, extinto que tenha sido o mandato, não pode receber do povo pagamento por trabalho que já não presta, diferentemente de qualquer outro agente público, que – ressalvada a aposentação nas condições constitucionais e legais estatuídas – não 15 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 25 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR dispõe de tal privilégio, em razão da observância dos direitos fundamentais que conformam a estrutura da Administração Pública e da organização dos Poderes da República. 13. Por arrastamento, igualmente inconstitucionais a Lei n. 16.656/2010 do Estado do Paraná e o art. 1º da Lei n. 13.246/2002, também do Estado do Paraná, que regulamentam o valor de pensão por morte devida às viúvas dos Governadores de Estado, nos termos da norma inconstitucional do art. 85, §5º. 14. Com relação ao art. 2º da Lei estadual n. 13.246/2002, que prescreve: “O valor das pensões de viúvas de ex-Deputados Estaduais ficam fixadas em 1/3 (um terço) da remuneração de Deputados Estaduais”, por versar questão relativa à fixação de valor de pensão de viúvas de ex-Deputados estaduais, não tem compatibilidade e relação jurídica de dependência com o art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná, que justifique a análise de sua validade constitucional por arrastamento, como pedido pela parte autora. 15. Por fim, considerado o caráter alimentar da vantagem pecuniária recebida de boa-fé, bem como a tutela da segurança jurídica e confiança justificada dos cidadãos nos atos do poder público, impõe, a meu juízo, registrar a inexigibilidade da devolução dos valores valores já recebidos a título de pensão vitalícia pelos ex-Governadores e viúvas até a data da publicação do julgamento do mérito da presente ação direta de inconstitucionalidade, conforme interpretação jurídica definida nos precedentes judiciais formados nos julgamentos deste Plenário (ADI 4601, Tribunal Pleno, Relator Ministro Luiz Fux, DJ 23.04.2019; ADI 4884, Tribunal Pleno, Relatora Ministra Rosa Weber, DJ 08.10.2018). Conclusão 16. Ante o exposto, julgo parcialmente procedente a presente ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná. Por arrastamento, declaro a inconstitucionalidade da Lei n. 16.656/2010 e do art. 1º da Lei n. 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. 16 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR dispõe de talprivilégio, em razão da observância dos direitos fundamentais que conformam a estrutura da Administração Pública e da organização dos Poderes da República. 13. Por arrastamento, igualmente inconstitucionais a Lei n. 16.656/2010 do Estado do Paraná e o art. 1º da Lei n. 13.246/2002, também do Estado do Paraná, que regulamentam o valor de pensão por morte devida às viúvas dos Governadores de Estado, nos termos da norma inconstitucional do art. 85, §5º. 14. Com relação ao art. 2º da Lei estadual n. 13.246/2002, que prescreve: “O valor das pensões de viúvas de ex-Deputados Estaduais ficam fixadas em 1/3 (um terço) da remuneração de Deputados Estaduais”, por versar questão relativa à fixação de valor de pensão de viúvas de ex-Deputados estaduais, não tem compatibilidade e relação jurídica de dependência com o art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná, que justifique a análise de sua validade constitucional por arrastamento, como pedido pela parte autora. 15. Por fim, considerado o caráter alimentar da vantagem pecuniária recebida de boa-fé, bem como a tutela da segurança jurídica e confiança justificada dos cidadãos nos atos do poder público, impõe, a meu juízo, registrar a inexigibilidade da devolução dos valores valores já recebidos a título de pensão vitalícia pelos ex-Governadores e viúvas até a data da publicação do julgamento do mérito da presente ação direta de inconstitucionalidade, conforme interpretação jurídica definida nos precedentes judiciais formados nos julgamentos deste Plenário (ADI 4601, Tribunal Pleno, Relator Ministro Luiz Fux, DJ 23.04.2019; ADI 4884, Tribunal Pleno, Relatora Ministra Rosa Weber, DJ 08.10.2018). Conclusão 16. Ante o exposto, julgo parcialmente procedente a presente ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná. Por arrastamento, declaro a inconstitucionalidade da Lei n. 16.656/2010 e do art. 1º da Lei n. 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. 16 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 26 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR Prejudicado o julgamento do agravo regimental, com pedido de reconsideração, interposto pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. É como voto. 17 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR Prejudicado o julgamento do agravo regimental, com pedido de reconsideração, interposto pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. É como voto. 17 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 27 de 67 Esclarecimento 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ ESCLARECIMENTO O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministra Rosa, posso só esclarecer uma dúvida? O que justificava o pagamento era o § 5º do art. 85? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Sim. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Foi revogado? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Foi. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Mas os pagamentos não foram revogados? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Nada, não, absoluto silêncio. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Revogação fantasma. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Eu fico preocupada com o tratamento... O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Revogado, deveriam imediatamente ter sido revogados os pagamentos e o efeito, obviamente, da revogação seria a não devolução do que foi recebido. Resolver-se-ia e daria segurança jurídica. Agora, revogado somente para extinguir a ação, realmente, como Vossa Excelência colocou aqui, é uma fraude jurídica. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código DA67-8DAB-9EB0-2338 e senha 5B59-BE92-5FB8-816E Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ ESCLARECIMENTO O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministra Rosa, posso só esclarecer uma dúvida? O que justificava o pagamento era o § 5º do art. 85? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Sim. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Foi revogado? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Foi. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Mas os pagamentos não foram revogados? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Nada, não, absoluto silêncio. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Revogação fantasma. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Eu fico preocupada com o tratamento... O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Revogado, deveriam imediatamente ter sido revogados os pagamentos e o efeito, obviamente, da revogação seria a não devolução do que foi recebido. Resolver-se-ia e daria segurança jurídica. Agora, revogado somente para extinguir a ação, realmente, como Vossa Excelência colocou aqui, é uma fraude jurídica. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código DA67-8DAB-9EB0-2338 e senha 5B59-BE92-5FB8-816E Inteiro Teor do Acórdão - Página 28 de 67 Esclarecimento 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ ESCLARECIMENTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Ministra Rosa, nós temos alguma notícia de quantas viúvas recebem esse valor? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Eu não tenho. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - A advogada poderia esclarecer? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - São situações que também me sensibilizam, não tenho a menor dúvida, mas são pessoas de avançada idade. O SENHOR OSWALDO PINHEIRO RIBEIRO (ADVOGADO) - Senhor Presidente, se me permite, está nos autos, são nove os beneficiários das pensões. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX – Nove senhoras? O SENHOR OSWALDO PINHEIRO RIBEIRO (ADVOGADO) - Entre familiares dos ex-governadores também. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - São familiares. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5FB3-3A66-5ED1-8175 e senha 2BA1-B0B1-74BF-B1FE Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ ESCLARECIMENTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Ministra Rosa, nós temos alguma notícia de quantas viúvas recebem esse valor? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Eu não tenho. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - A advogada poderia esclarecer? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - São situações que também me sensibilizam, não tenho a menor dúvida, mas são pessoas de avançada idade. O SENHOR OSWALDO PINHEIRO RIBEIRO (ADVOGADO) - Senhor Presidente, se me permite, está nos autos, são nove os beneficiáriosdas pensões. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX – Nove senhoras? O SENHOR OSWALDO PINHEIRO RIBEIRO (ADVOGADO) - Entre familiares dos ex-governadores também. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - São familiares. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5FB3-3A66-5ED1-8175 e senha 2BA1-B0B1-74BF-B1FE Inteiro Teor do Acórdão - Página 29 de 67 Observação 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) :CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) :MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) :MARILDA DE PAULA SILVEIRA INTDO.(A/S) :GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ OBSERVAÇÃO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Quando houve julgamento de precedente deste caso, eu fiquei vencido. Fiquei vencido e tenho ressalvado meu entendimento, mas citei exatamente o exemplo do ex-Presidente Truman, dos Estados Unidos, que comandou o Acordo de Bretton Woods, que conduziu o Projeto Manhattan, e que, quando deixou a presidência dos Estados Unidos, sobreviveu durante mais de 20 anos com a pensão de U$ 145, porque tinha sido soldado na Primeira Guerra Mundial. Foi a partir da situação de Truman que o Congresso dos Estados Unidos da América aprovou a pensão para ex-presidentes da República, porque se trata de uma proteção institucional. Ele foi morar na chácara da sogra, porque ele não tinha propriedades e sobreviveu, até o fim da vida, com uma pensão, ele que comandou a vitória final na Segunda Guerra Mundial. Eu lembrei isso no julgamento em que fiquei vencido. E faço esse registro novamente, porque realmente aqui há pensões que vêm do regime anterior à Constituição de 88, o qual não pode ser atingido, até porque o regime constitucional anterior a 88 previa a possibilidade de os Estados instituírem estes benefícios. Mas, evidentemente, aqui a Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F414-4D2A-AA8B-F7E6 e senha 2854-0C11-D3D8-24F8 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) :CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) :MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) :MARILDA DE PAULA SILVEIRA INTDO.(A/S) :GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ OBSERVAÇÃO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Quando houve julgamento de precedente deste caso, eu fiquei vencido. Fiquei vencido e tenho ressalvado meu entendimento, mas citei exatamente o exemplo do ex-Presidente Truman, dos Estados Unidos, que comandou o Acordo de Bretton Woods, que conduziu o Projeto Manhattan, e que, quando deixou a presidência dos Estados Unidos, sobreviveu durante mais de 20 anos com a pensão de U$ 145, porque tinha sido soldado na Primeira Guerra Mundial. Foi a partir da situação de Truman que o Congresso dos Estados Unidos da América aprovou a pensão para ex-presidentes da República, porque se trata de uma proteção institucional. Ele foi morar na chácara da sogra, porque ele não tinha propriedades e sobreviveu, até o fim da vida, com uma pensão, ele que comandou a vitória final na Segunda Guerra Mundial. Eu lembrei isso no julgamento em que fiquei vencido. E faço esse registro novamente, porque realmente aqui há pensões que vêm do regime anterior à Constituição de 88, o qual não pode ser atingido, até porque o regime constitucional anterior a 88 previa a possibilidade de os Estados instituírem estes benefícios. Mas, evidentemente, aqui a Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F414-4D2A-AA8B-F7E6 e senha 2854-0C11-D3D8-24F8 Inteiro Teor do Acórdão - Página 30 de 67 Observação ADI 4545 / PR declaração atinge a partir da Constituição do Estado do Paraná, atualmente em vigor. Só faço esse registro, ainda não estou a votar. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F414-4D2A-AA8B-F7E6 e senha 2854-0C11-D3D8-24F8 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR declaração atinge a partir da Constituição do Estado do Paraná, atualmente em vigor. Só faço esse registro, ainda não estou a votar. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F414-4D2A-AA8B-F7E6 e senha 2854-0C11-D3D8-24F8 Inteiro Teor do Acórdão - Página 31 de 67 Voto - MIN. ALEXANDRE DE MORAES 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, pegando o gancho de Vossa Excelência, realmente a questão dos Estados Unidos, com todo respeito a quem pense o contrário, é bem diferente da nossa pelo seguinte: lá há uma cláusula específica de que ninguém pode ser presidente dos Estados Unidos por mais de duas vezes. E foi exatamente a partir do Presidente Truman que passou a valer essa emenda. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ele recusou, depois, a pensão. Foi aprovada e ele recusou. Ele continuou com US$ 145. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ele foi o primeiro presidente da História para quem passou a valer a vedação a poder ser presidente dos Estados Unidos por mais de duas vezes. Até o Presidente Roosevelt, não havia essa vedação, apesar de ser uma tradição, tanto que o Presidente Roosevelt teve quatro mandatos, não tendo terminado o quarto. Com a alteração constitucional nos Estados Unidos, o presidente que exercesse dois mandatos não mais poderia ser mais candidato a um novo mandato presidencial. E, na tradição também deles, jamais seria candidato a nenhum outro cargo público. Por isso, o Congresso aprovou, na sequência dessa emenda constitucional, lei estabelecendo: "Já que vai se retirar da vida pública, terá direito a uma pensão". Não que os presidentes mais modernos dos Estados Unidos precisem disso, porque cada um que sai, escreve um livro e ganha um bom dinheiro. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ministro Alexandre, quando votei nesse precedente, realmente fiquei vencido, mas estabeleci o seguinte: desde que não tenha outra fonte de renda, desde que não ocupe outros cargos públicos. Quando eu votei, trazendo o modelo dos Estados Unidos, observei essas questões que Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 24E8-6B13-E6C7-A487 e senha 516B-2F77-C25C-D1DA Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, pegando o gancho de Vossa Excelência, realmente a questão dos Estados Unidos, com todo respeito a quem pense o contrário, é bem diferente da nossa pelo seguinte: lá há uma cláusula específica de que ninguém pode ser presidente dos Estados Unidos por mais de duas vezes. E foi exatamente a partir do Presidente Truman que passou a valer essa emenda. O SENHORMINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ele recusou, depois, a pensão. Foi aprovada e ele recusou. Ele continuou com US$ 145. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ele foi o primeiro presidente da História para quem passou a valer a vedação a poder ser presidente dos Estados Unidos por mais de duas vezes. Até o Presidente Roosevelt, não havia essa vedação, apesar de ser uma tradição, tanto que o Presidente Roosevelt teve quatro mandatos, não tendo terminado o quarto. Com a alteração constitucional nos Estados Unidos, o presidente que exercesse dois mandatos não mais poderia ser mais candidato a um novo mandato presidencial. E, na tradição também deles, jamais seria candidato a nenhum outro cargo público. Por isso, o Congresso aprovou, na sequência dessa emenda constitucional, lei estabelecendo: "Já que vai se retirar da vida pública, terá direito a uma pensão". Não que os presidentes mais modernos dos Estados Unidos precisem disso, porque cada um que sai, escreve um livro e ganha um bom dinheiro. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ministro Alexandre, quando votei nesse precedente, realmente fiquei vencido, mas estabeleci o seguinte: desde que não tenha outra fonte de renda, desde que não ocupe outros cargos públicos. Quando eu votei, trazendo o modelo dos Estados Unidos, observei essas questões que Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 24E8-6B13-E6C7-A487 e senha 516B-2F77-C25C-D1DA Inteiro Teor do Acórdão - Página 32 de 67 Voto - MIN. ALEXANDRE DE MORAES ADI 4545 / PR Vossa Excelência pertinentemente traz neste momento do debate, exatamente colocando, em mesa, que era para aquela circunstância daquelas pessoas, ou familiares, com direito à pensão que não tivessem outra condição de sobrevivência, pois a pessoa que ocupou determinado cargo público de alta relevância necessitava daquele auxílio. Sem necessidade, evidentemente, que não há que se falar em direito à pensão. Só para relembrar meu voto naquela oportunidade. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Presidente, se me permite, Ministro Alexandre, só para registrar que eu não trouxe essa proposta, porque essa não foi a compreensão da Corte em nenhum desses reiterados precedentes. Então, esse aspecto só. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim, eu fiquei vencido. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Trouxe como nós julgamos os outros todos. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Além disso, Presidente, Ministra Rosa, a excepcionalidade norte-americana é para uma pessoa que foi Chefe de Estado e Chefe de Governo. O Brasil proliferou isso não só para presidente, antes da Constituição de 88, governadores, vários Estados para vice-governadores, prefeitos; e, depois, isso passou para os presidentes de assembleias legislativas. E eu comungo com o entendimento da Corte, já pacificado, e com o entendimento da Ministra Rosa, de que, no caso de governadores, ex- governadores, em que não há nenhum impedimento para a sequência da vida política, não há nenhuma vedação, queira, ou não. E acredito que, provavelmente, pelo menos de um dos nomes que eu ouvi aqui, a viúva de um deles continuou na vida política. Não há nenhuma vedação ao exercício da vida política, e não me parece, com todas as vênias às posições em contrário, que seja republicano o pagamento de uma pensão vitalícia nessas hipóteses. Obviamente, a questão da humanidade, a questão da segurança jurídica parece-me resolvidas pelo fato de os efeitos não serem ex tunc, retroativos. Ninguém aqui, entendo eu, vai pleitear que todas as viúvas 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 24E8-6B13-E6C7-A487 e senha 516B-2F77-C25C-D1DA Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR Vossa Excelência pertinentemente traz neste momento do debate, exatamente colocando, em mesa, que era para aquela circunstância daquelas pessoas, ou familiares, com direito à pensão que não tivessem outra condição de sobrevivência, pois a pessoa que ocupou determinado cargo público de alta relevância necessitava daquele auxílio. Sem necessidade, evidentemente, que não há que se falar em direito à pensão. Só para relembrar meu voto naquela oportunidade. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Presidente, se me permite, Ministro Alexandre, só para registrar que eu não trouxe essa proposta, porque essa não foi a compreensão da Corte em nenhum desses reiterados precedentes. Então, esse aspecto só. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim, eu fiquei vencido. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Trouxe como nós julgamos os outros todos. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Além disso, Presidente, Ministra Rosa, a excepcionalidade norte-americana é para uma pessoa que foi Chefe de Estado e Chefe de Governo. O Brasil proliferou isso não só para presidente, antes da Constituição de 88, governadores, vários Estados para vice-governadores, prefeitos; e, depois, isso passou para os presidentes de assembleias legislativas. E eu comungo com o entendimento da Corte, já pacificado, e com o entendimento da Ministra Rosa, de que, no caso de governadores, ex- governadores, em que não há nenhum impedimento para a sequência da vida política, não há nenhuma vedação, queira, ou não. E acredito que, provavelmente, pelo menos de um dos nomes que eu ouvi aqui, a viúva de um deles continuou na vida política. Não há nenhuma vedação ao exercício da vida política, e não me parece, com todas as vênias às posições em contrário, que seja republicano o pagamento de uma pensão vitalícia nessas hipóteses. Obviamente, a questão da humanidade, a questão da segurança jurídica parece-me resolvidas pelo fato de os efeitos não serem ex tunc, retroativos. Ninguém aqui, entendo eu, vai pleitear que todas as viúvas 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 24E8-6B13-E6C7-A487 e senha 516B-2F77-C25C-D1DA Inteiro Teor do Acórdão - Página 33 de 67 Voto - MIN. ALEXANDRE DE MORAES ADI 4545 / PR devolvam os valores que receberam nesses 30 anos, 25 anos, 20 anos. Obviamente, pelo menos, o meu posicionamento é que os efeitos sejam ex nunc. Se já receberam todos esses anos, se há um entendimento que é inconstitucional, ao prevalecer o pagamento, então é melhor que se julgue constitucional, até porque a norma já foi revogada. Então, Presidente, pedindo vênia a Vossa Excelência e às posições em contrário, acompanho integralmente a Ministra Rosa, dou efeito ex nunc. Nenhuma devolução deve ser feita, até em virtude do caráter alimentar dessa pensão. E só, Ministro Rosa, faria uma observação, porque me parece que o objeto da ação é o § 5º do art. 85. Então, Vossa Excelência julgou parcialmente procedente, na ementa. Não seria procedente, totalmente procedente? Eu fiquei com essa dúvida. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não, é parcialmente. Tem alguma coisa. Eu excluí um artigo que, a rigor, não diz nada, não está eivado de inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Então, acompanho Vossa Excelência. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - É que, um dos diplomas em que se pede a declaração de inconstitucionalidade por arrastamento é constituído por dois dispositivos; e um não tem absolutamente nada a ver com essa pretensão. Por isso é parcialmenteprocedente. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Acompanho. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 24E8-6B13-E6C7-A487 e senha 516B-2F77-C25C-D1DA Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR devolvam os valores que receberam nesses 30 anos, 25 anos, 20 anos. Obviamente, pelo menos, o meu posicionamento é que os efeitos sejam ex nunc. Se já receberam todos esses anos, se há um entendimento que é inconstitucional, ao prevalecer o pagamento, então é melhor que se julgue constitucional, até porque a norma já foi revogada. Então, Presidente, pedindo vênia a Vossa Excelência e às posições em contrário, acompanho integralmente a Ministra Rosa, dou efeito ex nunc. Nenhuma devolução deve ser feita, até em virtude do caráter alimentar dessa pensão. E só, Ministro Rosa, faria uma observação, porque me parece que o objeto da ação é o § 5º do art. 85. Então, Vossa Excelência julgou parcialmente procedente, na ementa. Não seria procedente, totalmente procedente? Eu fiquei com essa dúvida. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não, é parcialmente. Tem alguma coisa. Eu excluí um artigo que, a rigor, não diz nada, não está eivado de inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Então, acompanho Vossa Excelência. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - É que, um dos diplomas em que se pede a declaração de inconstitucionalidade por arrastamento é constituído por dois dispositivos; e um não tem absolutamente nada a ver com essa pretensão. Por isso é parcialmente procedente. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Acompanho. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 24E8-6B13-E6C7-A487 e senha 516B-2F77-C25C-D1DA Inteiro Teor do Acórdão - Página 34 de 67 Voto - MIN. ROBERTO BARROSO 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Presidente, estava tentando localizar, aqui, uma crônica que li há algum tempo do ex- Deputado Professor Marcello Cerqueira, em que duas pessoas ficam confinadas em um lugar. Uma era antissemita e, durante uma conversa, falava: "Abaixo os judeus!" A outra falava: "Isso, e abaixo os ciclistas!". Daí, ele pergunta: "Mas por que os ciclistas?". E o segundo responde: "Por que os judeus?". Por que os governadores, e não os pedreiros, os bombeiros? Entendo que as pessoas devem ter direito à remuneração pelo trabalho ou à remuneração proveniente do benefício previdenciário, quando tenham contribuído. Tenho uma certa dificuldade de entender qual seria o fundamento lógico, filosófico, jurídico de se dar aos governadores um tratamento diferenciado. Eu, se tivesse que escolher alguém, talvez escolhesse pessoas que trabalhem em condições de insalubridade. Portanto, com todo respeito e vênia a quem pense diferente, acho que isso é uma vertente ainda patrimonialista do Estado brasileiro, uma apropriação privada para quem já tem um regime privilegiado. De modo que me filio ao entendimento que penso que tem predominado aqui de que o governador terá os mesmos direitos que as pessoas têm. Se ele contribuiu para a Previdência, tem direito ao benefício da Previdência; se ele estiver trabalhando, tem direito ao salário. Eu não consigo entender uma razão pela qual esse discrímen favorável mereça reconhecimento. Entendo, respeito, mas creio que viola o princípio republicano. De modo que estou acompanhando a Relatora. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F3D0-ADA8-0DB0-7A09 e senha C1DF-71A7-F0CF-97C2 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Presidente, estava tentando localizar, aqui, uma crônica que li há algum tempo do ex- Deputado Professor Marcello Cerqueira, em que duas pessoas ficam confinadas em um lugar. Uma era antissemita e, durante uma conversa, falava: "Abaixo os judeus!" A outra falava: "Isso, e abaixo os ciclistas!". Daí, ele pergunta: "Mas por que os ciclistas?". E o segundo responde: "Por que os judeus?". Por que os governadores, e não os pedreiros, os bombeiros? Entendo que as pessoas devem ter direito à remuneração pelo trabalho ou à remuneração proveniente do benefício previdenciário, quando tenham contribuído. Tenho uma certa dificuldade de entender qual seria o fundamento lógico, filosófico, jurídico de se dar aos governadores um tratamento diferenciado. Eu, se tivesse que escolher alguém, talvez escolhesse pessoas que trabalhem em condições de insalubridade. Portanto, com todo respeito e vênia a quem pense diferente, acho que isso é uma vertente ainda patrimonialista do Estado brasileiro, uma apropriação privada para quem já tem um regime privilegiado. De modo que me filio ao entendimento que penso que tem predominado aqui de que o governador terá os mesmos direitos que as pessoas têm. Se ele contribuiu para a Previdência, tem direito ao benefício da Previdência; se ele estiver trabalhando, tem direito ao salário. Eu não consigo entender uma razão pela qual esse discrímen favorável mereça reconhecimento. Entendo, respeito, mas creio que viola o princípio republicano. De modo que estou acompanhando a Relatora. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F3D0-ADA8-0DB0-7A09 e senha C1DF-71A7-F0CF-97C2 Inteiro Teor do Acórdão - Página 35 de 67 Voto - MIN. LUIZ FUX 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, egrégia Corte, ilustre Representante do Ministério Público, Senhores Advogados. Senhor Presidente, recordo que, no STJ, nós julgamos uma causa em que as leis que regulavam a atividade escolar eram claras, no sentido de que, se os pais não pagassem a escola, a criança deveria ser alijada do curso um mês após notificados os pais inadimplentes reiterados. Naquela oportunidade, entendemos que hoje há direitos fundamentais que emergem da Constituição não só derivados de regras, mas também de princípios. E o Superior Tribunal de Justiça entendeu que não perpassava pelo princípio da razoabilidade, ainda que seja pela sua conotação negativa - sabemos o que não é razoável -, tirar uma criança do colégio antes do encerramento daquele semestre do ano letivo. A lei era clara, e nós entendemos - à luz das razões eleitas pelos valores morais instituídos pela novel Constituição de 88, pós-positivista - considerando que no mundo se entende que a Constituição brasileira transformou o homem no centro do universo jurídico, ilumina o universo jurídico -, que um dos fundamentos da República assenta-se exatamente no respeito à pessoa humana, que foi uma conquista, entre lutas e barricadas, vencendo o nazifascismo. Em regra, é isso mesmo, quer dizer, uma pessoa tem que trabalhar para poder receber dos cofres públicos. Mas há casos e casos. Em primeiro lugar, há casos em que as pessoas se dedicaram à atividade pública de uma tal maneira que elas, depois, não têm esperança para exercer absolutamente mais nada. Não têm nem idade. Então, foram sonhos, esperanças que, eventualmente, se elas tiveram, não puderam mais realizar. O segundo aspectoé o da própria dignidade da pessoa humana, à luz da Constituição Federal. Essas pensões são necessárias in vitae. Então, como é que nós vamos poder fazer justiça, levando em consideração uma senhora de noventa anos? Ela vai perder toda a capacidade de Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6231-BC67-FD7B-E5EA e senha 0FCB-A46B-CE7E-2A95 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, egrégia Corte, ilustre Representante do Ministério Público, Senhores Advogados. Senhor Presidente, recordo que, no STJ, nós julgamos uma causa em que as leis que regulavam a atividade escolar eram claras, no sentido de que, se os pais não pagassem a escola, a criança deveria ser alijada do curso um mês após notificados os pais inadimplentes reiterados. Naquela oportunidade, entendemos que hoje há direitos fundamentais que emergem da Constituição não só derivados de regras, mas também de princípios. E o Superior Tribunal de Justiça entendeu que não perpassava pelo princípio da razoabilidade, ainda que seja pela sua conotação negativa - sabemos o que não é razoável -, tirar uma criança do colégio antes do encerramento daquele semestre do ano letivo. A lei era clara, e nós entendemos - à luz das razões eleitas pelos valores morais instituídos pela novel Constituição de 88, pós-positivista - considerando que no mundo se entende que a Constituição brasileira transformou o homem no centro do universo jurídico, ilumina o universo jurídico -, que um dos fundamentos da República assenta-se exatamente no respeito à pessoa humana, que foi uma conquista, entre lutas e barricadas, vencendo o nazifascismo. Em regra, é isso mesmo, quer dizer, uma pessoa tem que trabalhar para poder receber dos cofres públicos. Mas há casos e casos. Em primeiro lugar, há casos em que as pessoas se dedicaram à atividade pública de uma tal maneira que elas, depois, não têm esperança para exercer absolutamente mais nada. Não têm nem idade. Então, foram sonhos, esperanças que, eventualmente, se elas tiveram, não puderam mais realizar. O segundo aspecto é o da própria dignidade da pessoa humana, à luz da Constituição Federal. Essas pensões são necessárias in vitae. Então, como é que nós vamos poder fazer justiça, levando em consideração uma senhora de noventa anos? Ela vai perder toda a capacidade de Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6231-BC67-FD7B-E5EA e senha 0FCB-A46B-CE7E-2A95 Inteiro Teor do Acórdão - Página 36 de 67 Voto - MIN. LUIZ FUX ADI 4545 / PR sobrevivência, no limite já da sobrevivência biológica, porque sabemos o valor dessas pensões. Os Estados gastam muito e gastam mal, e não são nove pessoas que vão quebrá-lo. Eu, sinceramente, já votei assim, aqui, de acordo com a jurisprudência, mas eu me proponho, em razão do dever de vigília da minha consciência, a rever esse posicionamento. E começo a revê-lo agora. Entendo que, para uma pessoa jovem ainda, que tem possibilidade de exercer uma outra atividade, realmente não faz sentido, tem que trabalhar para receber dos cofres públicos. Agora, pessoas idosas, que não têm mais condições de sobrevivência, vão perder uma pensão que receberam durante trinta anos? O Estado alimentou essa suposta confiança legítima, essa suposta segurança jurídica. No meu modo de ver, data maxima venia dos entendimentos em contrário - e vou passar a rever esses casos -, não se pode, de uma hora para outra, levar uma pessoa a um estado de miserabilidade total. Peço todas as vênias. Eu entendo que nós juízes devemos promover uma justiça caridosa e uma caridade justa. Por isso é que eu estou fazendo esse distinguishing. Quando se trata de pessoas idosas, entendo que realmente nós temos de ponderar esses valores. Então, tendo em vista a fidelidade e a lealdade que merecem os advogados, que trouxeram da tribuna dados sobre a faixa etária dessas pessoas, peço todas as vênias, Senhor Presidente, inclusive à Ministra Rosa, que é uma pessoa de extrema sensibilidade, para exatamente me colocar na situação oposta e julgar improcedente, estabelecendo essa modulação... O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ou procedente para o futuro? O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Para o futuro. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro Fux, me permite só uma dúvida? O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Eu permito, mas eu não vou mudar de ponto de vista. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6231-BC67-FD7B-E5EA e senha 0FCB-A46B-CE7E-2A95 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR sobrevivência, no limite já da sobrevivência biológica, porque sabemos o valor dessas pensões. Os Estados gastam muito e gastam mal, e não são nove pessoas que vão quebrá-lo. Eu, sinceramente, já votei assim, aqui, de acordo com a jurisprudência, mas eu me proponho, em razão do dever de vigília da minha consciência, a rever esse posicionamento. E começo a revê-lo agora. Entendo que, para uma pessoa jovem ainda, que tem possibilidade de exercer uma outra atividade, realmente não faz sentido, tem que trabalhar para receber dos cofres públicos. Agora, pessoas idosas, que não têm mais condições de sobrevivência, vão perder uma pensão que receberam durante trinta anos? O Estado alimentou essa suposta confiança legítima, essa suposta segurança jurídica. No meu modo de ver, data maxima venia dos entendimentos em contrário - e vou passar a rever esses casos -, não se pode, de uma hora para outra, levar uma pessoa a um estado de miserabilidade total. Peço todas as vênias. Eu entendo que nós juízes devemos promover uma justiça caridosa e uma caridade justa. Por isso é que eu estou fazendo esse distinguishing. Quando se trata de pessoas idosas, entendo que realmente nós temos de ponderar esses valores. Então, tendo em vista a fidelidade e a lealdade que merecem os advogados, que trouxeram da tribuna dados sobre a faixa etária dessas pessoas, peço todas as vênias, Senhor Presidente, inclusive à Ministra Rosa, que é uma pessoa de extrema sensibilidade, para exatamente me colocar na situação oposta e julgar improcedente, estabelecendo essa modulação... O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ou procedente para o futuro? O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Para o futuro. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro Fux, me permite só uma dúvida? O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Eu permito, mas eu não vou mudar de ponto de vista. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6231-BC67-FD7B-E5EA e senha 0FCB-A46B-CE7E-2A95 Inteiro Teor do Acórdão - Página 37 de 67 Voto - MIN. LUIZ FUX ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Nem é essa a intenção. Se julgar improcedente, os futuros governadores continuarão tendo pensão. Então, seria procedente, mas modulando. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Exatamente, modulando. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6231-BC67-FD7B-E5EA e senha 0FCB-A46B-CE7E-2A95 Supremo Tribunal Federalassinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C690-0231-394E-6AA0 e senha 3BB7-4097-350D-6C5E Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR acordam em julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, § 5º, da Constituição do Estado do Paraná e, por arrastamento, declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 16.656/2010 e do art. 1º da Lei nº 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. Por maioria, decidem que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento desta ação, vencido o Ministro Marco Aurélio. Falaram: pelo requerente, o Dr. Oswaldo Pinheiro Ribeiro Júnior; e, pela interessada Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, a Dra. Marilda de Paula Silveira. Afirmou suspeição o Ministro Edson Fachin. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Tudo nos termos do voto da Relatora, em sessão plenária, na conformidade da ata do julgamento. Brasília, 05 de dezembro de 2019. Ministra Rosa Weber Relatora 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C690-0231-394E-6AA0 e senha 3BB7-4097-350D-6C5E Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 67 Antecipação ao Relatório 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) :CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) :MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) :MARILDA DE PAULA SILVEIRA INTDO.(A/S) :GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ ANTECIPAÇÃO AO RELATÓRIO A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Senhor Presidente, trata-se de tema bastante conhecido de todos nós. Eu só queria trazer ao conhecimento da Corte, mas vejo que está prejudicado, que ontem, dia 4 de dezembro, houve o ingresso de uma petição da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, representada por seu Procurador-Geral, noticiando uma série de fatos que estariam a inviabilizar a presença hoje do Procurador para efeito de sustentação oral. Nela se faz um relato pormenorizado de dificuldades enfrentadas ontem na Assembleia, que exigiram uma série de providências, o que seria, em princípio, uma causa justa para o adiamento. Mas, no final, registra-se a juntada de substabelecimento à Doutora Marilda, que eu vejo que está presente para a sustentação. Eu não teria nenhuma dificuldade em adiar, Presidente, mas, até em homenagem aos procuradores presentes, parece-me, sem querer desconsiderar as judiciosas razões aqui apresentadas para o adiamento, que não vai haver prejuízo. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 82AD-F92C-2978-08B2 e senha B766-4E26-DC53-9F15 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) :CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) :MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) :MARILDA DE PAULA SILVEIRA INTDO.(A/S) :GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ ANTECIPAÇÃO AO RELATÓRIO A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Senhor Presidente, trata-se de tema bastante conhecido de todos nós. Eu só queria trazer ao conhecimento da Corte, mas vejo que está prejudicado, que ontem, dia 4 de dezembro, houve o ingresso de uma petição da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, representada por seu Procurador-Geral, noticiando uma série de fatos que estariam a inviabilizar a presença hoje do Procurador para efeito de sustentação oral. Nela se faz um relato pormenorizado de dificuldades enfrentadas ontem na Assembleia, que exigiram uma série de providências, o que seria, em princípio, uma causa justa para o adiamento. Mas, no final, registra-se a juntada de substabelecimento à Doutora Marilda, que eu vejo que está presente para a sustentação. Eu não teria nenhuma dificuldade em adiar, Presidente, mas, até em homenagem aos procuradores presentes, parece-me, sem querer desconsiderar as judiciosas razões aqui apresentadas para o adiamento, que não vai haver prejuízo. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 82AD-F92C-2978-08B2 e senha B766-4E26-DC53-9F15 Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 67 Relatório 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) :CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) :MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) :MARILDA DE PAULA SILVEIRA INTDO.(A/S) :GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ RELATÓRIO A Senhora Ministra Rosa Weber (Relatora): 1. Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade, com pedido de medida cautelar, ajuizada pelo CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – CFOAB, em face do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná, que concede subsídio mensal e vitalício aos ex- governadores do Estado, igual ao recebido por Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, desde que tenha exercido a função em caráter permanente e não tenha sofrido suspensão dos direitos políticos. 2. O autor defende a inconstitucionalidade do ato normativo impugnado, ao argumento de que contraria os princípios federativo (art. 2º, e 25, caput e §1º) e republicano (art. 1º da Constituição da República); da moralidade e da impessoalidade (art. 37, caput, da CRFB); o art. 37, inciso XIII, da CRFB, que veda vinculação de quaisquer espécies remuneratórias entre si; o art. 39, §4º, da CRFB, que dispõe sobre o pagamento na forma de subsídio a membros de Poder; o art. 159, §5º, da CRFB, que veda a instituição de benefício de seguridade social sem correspondente fonte de custeio; o art. 201, §1º, da CRFB, que proíbe a instituição de critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria a beneficiários do regime geral de previdência social; e o art. 11 dos ADCT, Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) :CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) :MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) :ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) :MARILDA DE PAULA SILVEIRA INTDO.(A/S) :GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ RELATÓRIO A Senhora Ministra Rosa Weber (Relatora): 1. Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade, com pedido de medida cautelar, ajuizada pelo CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – CFOAB, em face do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná, que concede subsídio mensal e vitalício aos ex- governadores do Estado, igual ao recebido por Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, desde que tenha exercido a função em caráter permanente e não tenha sofrido suspensão dos direitos políticos. 2.ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Nem é essa a intenção. Se julgar improcedente, os futuros governadores continuarão tendo pensão. Então, seria procedente, mas modulando. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Exatamente, modulando. 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6231-BC67-FD7B-E5EA e senha 0FCB-A46B-CE7E-2A95 Inteiro Teor do Acórdão - Página 38 de 67 Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Presidente, peço vênia ao eminente Ministro Luiz Fux pelo que acaba de votar, mas estou acompanhando a Ministra-Relatora em seu voto. A circunstância, para mim, é de Direito Constitucional apenas, no sentido de que o art. 37 da Constituição estabelece que a Administração Pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes - União, Estados, Distrito Federal e Municípios - observará os princípios da impessoalidade e da legalidade. Não vejo como compatibilizar uma situação que, desde a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.552, de que fui Relatora, foi tida exatamente como a criação de um privilégio, considerando-se a circunstância de que uma pessoa exerce um cargo público por um período e mantém esta condição. Creio que há uma diferença enorme desta situação entre outras, de Direito comparado, até, como Vossa Excelência propõe, pelas próprias condições em que isso se dá no Brasil e a extensão que se deu na sequência da Constituição da República e nas Constituições estaduais. Não vejo embasamento jurídico que pudesse sustentar, estruturar, subsidiar, fundamentar as decisões anteriores, daí a configuração da inconstitucionalidade, também afirmada pela Ministra Rosa Weber. Por isso, estou mantendo, no sentido, portanto, de julgar procedente, tal como feito pela Ministra Rosa Weber. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B680-81F7-1F9A-436A e senha 0DF1-3503-F21E-02AC Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Presidente, peço vênia ao eminente Ministro Luiz Fux pelo que acaba de votar, mas estou acompanhando a Ministra-Relatora em seu voto. A circunstância, para mim, é de Direito Constitucional apenas, no sentido de que o art. 37 da Constituição estabelece que a Administração Pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes - União, Estados, Distrito Federal e Municípios - observará os princípios da impessoalidade e da legalidade. Não vejo como compatibilizar uma situação que, desde a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.552, de que fui Relatora, foi tida exatamente como a criação de um privilégio, considerando-se a circunstância de que uma pessoa exerce um cargo público por um período e mantém esta condição. Creio que há uma diferença enorme desta situação entre outras, de Direito comparado, até, como Vossa Excelência propõe, pelas próprias condições em que isso se dá no Brasil e a extensão que se deu na sequência da Constituição da República e nas Constituições estaduais. Não vejo embasamento jurídico que pudesse sustentar, estruturar, subsidiar, fundamentar as decisões anteriores, daí a configuração da inconstitucionalidade, também afirmada pela Ministra Rosa Weber. Por isso, estou mantendo, no sentido, portanto, de julgar procedente, tal como feito pela Ministra Rosa Weber. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B680-81F7-1F9A-436A e senha 0DF1-3503-F21E-02AC Inteiro Teor do Acórdão - Página 39 de 67 Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ V O T O O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor Presidente, acompanho a Relatora no que diz respeito à conclusão, mas me sensibilizei com os argumentos do Ministro Luiz Fux. Creio que a modulação no caso se faz necessária, imperativa, considerando que essa pensão vem sendo recebida há mais de trinta anos. E há fundamentos jurídicos para tal, eu diria até, fundamentos constitucionais para essa modulação. Em primeiro lugar, invoco não o princípio da dignidade da pessoa humana, que, claro, é um princípio básico, um pilar fundamental da Constituição, mas o princípio da segurança jurídica, porque as pessoas que recebem uma pensão há trinta anos têm a legítima expectativa, na idade provecta em que se encontram, de continuar com esta pensão, sob pena de perderem os meios de subsistência. Relembraria também que o Direito Administrativo reconhece a teoria do fato consumado. Em matéria de Direito Administrativo, há inúmeras decisões judiciais, quer dizer, essa pensão recebida por décadas, de certa maneira, a meu ver, incorporou-se no patrimônio jurídico dessas pessoas assim beneficiadas. Portanto, acompanho a conclusão da eminente Ministra Rosa Weber, até porque já votei assim. Penso que a pensão, daqui para frente, não pode mais ser admitida. Mas, tendo em conta esses argumentos que, sucintamente, desfiei, e também forte na argumentação do Ministro Luiz Fux, modulo para que as pessoas que atualmente são beneficiárias dessa pensão continuem podendo recebê-la. É como voto. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F320-E547-C399-C2B9 e senha E4BF-873B-D36B-9869 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ V O T O O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor Presidente, acompanho a Relatora no que diz respeito à conclusão, mas me sensibilizei com os argumentos do Ministro Luiz Fux. Creio que a modulação no caso se faz necessária, imperativa, considerando que essa pensão vem sendo recebida há mais de trinta anos. E há fundamentos jurídicos para tal, eu diria até, fundamentos constitucionais para essa modulação. Em primeiro lugar, invoco não o princípio da dignidade da pessoa humana, que, claro, é um princípio básico, um pilar fundamental da Constituição, mas o princípio da segurança jurídica, porque as pessoas que recebem uma pensão há trinta anos têm a legítima expectativa, na idade provecta em que se encontram, de continuar com esta pensão, sob pena de perderem os meios de subsistência. Relembraria também que o Direito Administrativo reconhece a teoria do fato consumado. Em matéria de Direito Administrativo, há inúmeras decisões judiciais, quer dizer, essa pensão recebida por décadas, de certa maneira, a meu ver, incorporou-se no patrimônio jurídico dessas pessoas assim beneficiadas. Portanto, acompanho a conclusão da eminente Ministra Rosa Weber, até porque já votei assim. Penso que a pensão, daqui para frente, não pode mais ser admitida. Mas, tendo em conta esses argumentos que, sucintamente, desfiei, e também forte na argumentação do Ministro Luiz Fux, modulo para que as pessoas que atualmente são beneficiárias dessa pensão continuem podendo recebê-la. É como voto. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código F320-E547-C399-C2B9 e senha E4BF-873B-D36B-9869Inteiro Teor do Acórdão - Página 40 de 67 Voto - MIN. GILMAR MENDES 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Presidente, este tema já foi várias vezes discutido aqui, como Vossa Excelência apontou. E, de fato, suscita essa controvérsia em relação não a eventual direito adquirido, mas a um tema sensível de segurança jurídica. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Essas pessoas são nove e não tiveram o direito de defesa nessa ação. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - E nós temos uma série de casos a partir do caso da Infraero, em que nós reconhecemos a subsistência, mesmo numa situação ilícita. Era um caso de pessoas que foram contratadas sem o devido concurso público, naquela franja, naquele momento em que não se sabia bem se era exigível ou não o concurso público para as empresas públicas, na transição 89/90. E nós reconhecemos nesse caso. Também o Ministro Lewandowski fala da questão da teoria do fato consumado, que, de fato, é uma expressão da ideia de segurança jurídica. Eu me lembro que, quando Advogado-Geral da União, surgiu um debate sobre, Vossa Excelência vai se lembrar também, aquelas pessoas não concursadas que, eventualmente, passaram a integrar quadros da AGU, sobretudo, na chamada Advocacia das Autarquias e Fundações. E isso se deu em algum momento, dentro daqueles atos que se praticavam, e eles passaram a integrar a Advocacia-Geral da União por força dessa associação. E, quando se criou, então, a Procuradoria-Geral Federal, fez-se a criação do cargo de procurador federal. E veio, então, uma impugnação, dizendo que essas pessoas estavam se beneficiando de um "trem da alegria". Eu sempre contrastava, dizendo que não se tratava de "trem da alegria". Eles, há muitos anos, são funcionários públicos e estavam lá: procurador do INSS, procurador da Funai, procurador dessa ou daquela autarquia. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 77F3-B2B3-C9E2-01B6 e senha 5D33-0A3A-707F-A97B Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Presidente, este tema já foi várias vezes discutido aqui, como Vossa Excelência apontou. E, de fato, suscita essa controvérsia em relação não a eventual direito adquirido, mas a um tema sensível de segurança jurídica. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Essas pessoas são nove e não tiveram o direito de defesa nessa ação. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - E nós temos uma série de casos a partir do caso da Infraero, em que nós reconhecemos a subsistência, mesmo numa situação ilícita. Era um caso de pessoas que foram contratadas sem o devido concurso público, naquela franja, naquele momento em que não se sabia bem se era exigível ou não o concurso público para as empresas públicas, na transição 89/90. E nós reconhecemos nesse caso. Também o Ministro Lewandowski fala da questão da teoria do fato consumado, que, de fato, é uma expressão da ideia de segurança jurídica. Eu me lembro que, quando Advogado-Geral da União, surgiu um debate sobre, Vossa Excelência vai se lembrar também, aquelas pessoas não concursadas que, eventualmente, passaram a integrar quadros da AGU, sobretudo, na chamada Advocacia das Autarquias e Fundações. E isso se deu em algum momento, dentro daqueles atos que se praticavam, e eles passaram a integrar a Advocacia-Geral da União por força dessa associação. E, quando se criou, então, a Procuradoria-Geral Federal, fez-se a criação do cargo de procurador federal. E veio, então, uma impugnação, dizendo que essas pessoas estavam se beneficiando de um "trem da alegria". Eu sempre contrastava, dizendo que não se tratava de "trem da alegria". Eles, há muitos anos, são funcionários públicos e estavam lá: procurador do INSS, procurador da Funai, procurador dessa ou daquela autarquia. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 77F3-B2B3-C9E2-01B6 e senha 5D33-0A3A-707F-A97B Inteiro Teor do Acórdão - Página 41 de 67 Voto - MIN. GILMAR MENDES ADI 4545 / PR Universidades. Eram mais de cem carreiras. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Universidades, muitas. Então, isso não tem nada de "trem da alegria". Agora se está mudando o nome, ao invés de se chamar procurador da autarquia A ou B, chama-se procurador federal. E, portanto, será designado para a autarquia A ou B. Era uma disputa também de caráter corporativo. E, aí, houve um almoço no Itamaraty, e os jornalistas estavam todos andando atrás deste assunto: o trem da alegria da AGU. Eu dizia: "Só se está mudando a placa, nada mais do que isso." Então, um deles me perguntou, ao encerrar o almoço, na saída: "Como isso vai se resolver?" E eu me lembrei de uma frase dita com humor, mas com um certo sarcasmo, que eu ouvi de Darcy Ribeiro na Universidade de Brasília. Ele censurava fortemente o Mobral, dizendo que não se devia dar atenção à alfabetização dos adultos. E, aí, ele dizia assim: "Todo mundo sabe" - com a graça que ele sempre sabia fazer, depois disse-se que isso também era impróprio - "que o analfabetismo do adulto só se resolve com a morte." Hoje, muitos pedagogos censuram esse entendimento dizendo que é importante enfrentar o analfabetismo do adulto, porque ele ganha consciência também para educar os seus próprios filhos, tirá-los da condição de analfabetos. Mas, então, brinquei com o jornalista. "Mas como que isso vai se resolver?", dizia um deles. E eu disse: "Ah, isso é fácil de se resolver." Ele imaginando que eu ia anunciar a impugnação ou, eventualmente, a anulação, eu disse: "A morte vai resolver esse problema." Portanto, com essas considerações, estou também acompanhando o voto do Ministro Fux. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 77F3-B2B3-C9E2-01B6 e senha 5D33-0A3A-707F-A97B Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR Universidades. Eram mais de cem carreiras. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Universidades, muitas. Então, isso não tem nada de "trem da alegria". Agora se está mudando o nome, ao invés de se chamar procurador da autarquia A ou B, chama-se procurador federal. E, portanto, será designado para a autarquia A ou B. Era uma disputa também de caráter corporativo. E, aí, houve um almoço no Itamaraty, e os jornalistas estavam todos andando atrás deste assunto: o trem da alegria da AGU. Eu dizia: "Só se está mudando a placa, nada mais do que isso." Então, um deles me perguntou, ao encerrar o almoço, na saída: "Como isso vai se resolver?" E eu me lembrei de uma frase dita com humor, mas com um certo sarcasmo, que eu ouvi de Darcy Ribeiro na Universidade de Brasília. Ele censurava fortemente o Mobral, dizendo que não se devia dar atenção à alfabetização dos adultos. E, aí, ele dizia assim: "Todo mundo sabe" - com a graça que ele sempre sabia fazer, depois disse-se que isso também era impróprio - "que o analfabetismo do adulto só se resolve com a morte." Hoje, muitos pedagogos censuram esse entendimento dizendo que é importante enfrentar o analfabetismo do adulto, porque ele ganha consciência também para educar os seus próprios filhos, tirá-los da condição de analfabetos. Mas,então, brinquei com o jornalista. "Mas como que isso vai se resolver?", dizia um deles. E eu disse: "Ah, isso é fácil de se resolver." Ele imaginando que eu ia anunciar a impugnação ou, eventualmente, a anulação, eu disse: "A morte vai resolver esse problema." Portanto, com essas considerações, estou também acompanhando o voto do Ministro Fux. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 77F3-B2B3-C9E2-01B6 e senha 5D33-0A3A-707F-A97B Inteiro Teor do Acórdão - Página 42 de 67 Voto - MIN. MARCO AURÉLIO 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Presidente, tenho sustentado que não se pode transformar processo subjetivo em objetivo. A recíproca é verdadeira. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Aqui é um processo objetivo virando subjetivo. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Não se está a julgar situações concretas, situações constituídas a partir do que, para mim, surge como inconstitucionalidade útil. Há de saber, para se adentrar o campo do controle concentrado de constitucionalidade, se o ato impugnado está em vigor. É um ato abstrato normativo em pleno vigor? A Relatora apontou que a Constituição do Estado do Paraná foi alterada para afastar-se o que seria a aposentadoria de governadores. E lembraria que são 27 governadores e 5.570 prefeitos. O que prevê a Constituição Federal? E, no primeiro passo, declaro o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade, a não ser que o Tribunal esteja disposto a transformar este processo em subjetivo, para perquirir aqueles que foram beneficiados pela previsão do preceito anterior. Um passo demasiadamente largo, que não dou. Há o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade. Questiona-se: fraude, vício de consentimento, no que se teria, mediante emenda constitucional, alterado, para frustrar a jurisdição, a própria Constituição do Estado? Vício de consentimento, a gerar anulabilidade, não se presume. Deve ser demonstrado. E não posso presumir, muito menos em relação a um Estado, como o do Paraná, e presente o instrumento utilizado para afastar-se do cenário jurídico os proventos, reconhecidos antes, e também as pensões quanto aos familiares, pela Carta do Estado, fraude. Então, de início, assento o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade. Vencido quanto a essa parte, vou à Constituição Federal e vejo que Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código D555-DFF9-D5D8-1A53 e senha 94EB-DD67-DD1C-9A87 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Presidente, tenho sustentado que não se pode transformar processo subjetivo em objetivo. A recíproca é verdadeira. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Aqui é um processo objetivo virando subjetivo. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Não se está a julgar situações concretas, situações constituídas a partir do que, para mim, surge como inconstitucionalidade útil. Há de saber, para se adentrar o campo do controle concentrado de constitucionalidade, se o ato impugnado está em vigor. É um ato abstrato normativo em pleno vigor? A Relatora apontou que a Constituição do Estado do Paraná foi alterada para afastar-se o que seria a aposentadoria de governadores. E lembraria que são 27 governadores e 5.570 prefeitos. O que prevê a Constituição Federal? E, no primeiro passo, declaro o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade, a não ser que o Tribunal esteja disposto a transformar este processo em subjetivo, para perquirir aqueles que foram beneficiados pela previsão do preceito anterior. Um passo demasiadamente largo, que não dou. Há o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade. Questiona-se: fraude, vício de consentimento, no que se teria, mediante emenda constitucional, alterado, para frustrar a jurisdição, a própria Constituição do Estado? Vício de consentimento, a gerar anulabilidade, não se presume. Deve ser demonstrado. E não posso presumir, muito menos em relação a um Estado, como o do Paraná, e presente o instrumento utilizado para afastar-se do cenário jurídico os proventos, reconhecidos antes, e também as pensões quanto aos familiares, pela Carta do Estado, fraude. Então, de início, assento o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade. Vencido quanto a essa parte, vou à Constituição Federal e vejo que Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código D555-DFF9-D5D8-1A53 e senha 94EB-DD67-DD1C-9A87 Inteiro Teor do Acórdão - Página 43 de 67 Voto - MIN. MARCO AURÉLIO ADI 4545 / PR aposentadoria – e é disso que se trata – pressupõe servidor, não agente político, como é o governador, e pressupõe também a ocupação de cargo efetivo, e não mandato. Vossa Excelência ressaltou que, no regime anterior, poder-se-ia cogitar dessa aposentadoria. Mas houve opção, pelos Constituintes de 1988, em sentido diverso. E não cabe ao Supremo reescrever a Lei das leis. Então, Presidente, num primeiro passo, assento o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade e, em passo seguinte, reitero o que sempre se julgou, e não vai ser diferente em relação ao Estado do Paraná, àqueles que estão usufruindo indevidamente, sob o ângulo constitucional, o benefício. Reitero a jurisprudência. No caso, estou apreciando a Constituição do Estado na redação já suplantada. Fica difícil dizer que é inconstitucional a Constituição hoje em vigor do Estado do Paraná. Mas, suplantado o prejuízo, assento a inconstitucionalidade da previsão, que não é atual, repito, da Constituição do Estado do Paraná. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código D555-DFF9-D5D8-1A53 e senha 94EB-DD67-DD1C-9A87 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR aposentadoria – e é disso que se trata – pressupõe servidor, não agente político, como é o governador, e pressupõe também a ocupação de cargo efetivo, e não mandato. Vossa Excelência ressaltou que, no regime anterior, poder-se-ia cogitar dessa aposentadoria. Mas houve opção, pelos Constituintes de 1988, em sentido diverso. E não cabe ao Supremo reescrever a Lei das leis. Então, Presidente, num primeiro passo, assento o prejuízo da ação direta de inconstitucionalidade e, em passo seguinte, reitero o que sempre se julgou, e não vai ser diferente em relação ao Estado do Paraná, àqueles que estão usufruindo indevidamente, sob o ângulo constitucional, o benefício. Reitero a jurisprudência. No caso, estou apreciando a Constituição do Estado na redação já suplantada. Fica difícil dizer que é inconstitucional a Constituição hoje em vigor do Estado do Paraná. Mas, suplantado o prejuízo, assento a inconstitucionalidade da previsão, que não é atual, repito, da Constituição do Estado do Paraná. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código D555-DFF9-D5D8-1A53 e senha 94EB-DD67-DD1C-9A87 Inteiro Teor do Acórdão - Página 44 de 67 Confirmação de Voto 05/12/2019PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ CONFIRMAÇÃO DE VOTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, quero só fazer uma observação. Na verdade, esta ação direta de inconstitucionalidade se adstringe ao território do Paraná. Então, os Municípios não têm nenhuma vinculação a esta ação direta de inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Vossa Excelência não me atribui a modificação do objeto da ação, não é? O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Não, Vossa Excelência mencionou os Municípios. Então, estou dizendo que eu teria essa preocupação. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – É porque dá a impressão de que estou julgando, inclusive, normas que beneficiariam os Prefeitos que já não exercem cargos na Administração. Não é isso, Presidente. Votei e terminei o voto, Presidente, muito embora não satisfaça o ministro Luiz Fux. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Nós divergimos pouco, mas temos direito, um pouquinho só, de divergir. Não é comum entre nós dois. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Vossa Excelência pediu a palavra para atacar o que veiculei. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Não, não, para dizer da minha preocupação. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso é que cada qual – e tenho adotado disciplina férrea – deve votar na sua oportunidade. E aqui ninguém convence ninguém, muito menos no grito! O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Então, Presidente, voltando à palavra, eu votei nesse sentido, porque entendi que ficaria adstrito ao Estado do Paraná. Essa é a primeira observação que eu faria. Em segundo lugar, nós vamos ter a oportunidade de modular esta Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7D1-D7A0-72A3-9EE2 e senha 3341-7983-811B-77EE Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ CONFIRMAÇÃO DE VOTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, quero só fazer uma observação. Na verdade, esta ação direta de inconstitucionalidade se adstringe ao território do Paraná. Então, os Municípios não têm nenhuma vinculação a esta ação direta de inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Vossa Excelência não me atribui a modificação do objeto da ação, não é? O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Não, Vossa Excelência mencionou os Municípios. Então, estou dizendo que eu teria essa preocupação. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – É porque dá a impressão de que estou julgando, inclusive, normas que beneficiariam os Prefeitos que já não exercem cargos na Administração. Não é isso, Presidente. Votei e terminei o voto, Presidente, muito embora não satisfaça o ministro Luiz Fux. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Nós divergimos pouco, mas temos direito, um pouquinho só, de divergir. Não é comum entre nós dois. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Vossa Excelência pediu a palavra para atacar o que veiculei. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Não, não, para dizer da minha preocupação. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso é que cada qual – e tenho adotado disciplina férrea – deve votar na sua oportunidade. E aqui ninguém convence ninguém, muito menos no grito! O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Então, Presidente, voltando à palavra, eu votei nesse sentido, porque entendi que ficaria adstrito ao Estado do Paraná. Essa é a primeira observação que eu faria. Em segundo lugar, nós vamos ter a oportunidade de modular esta Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7D1-D7A0-72A3-9EE2 e senha 3341-7983-811B-77EE Inteiro Teor do Acórdão - Página 45 de 67 Confirmação de Voto ADI 4545 / PR decisão, eventualmente. Vossa Excelência fixou também um dado importantíssimo, que, a partir da Constituição de 88, não seria legítima essa concessão. Então, não só o efeito ex nunc, mas também inaplicável a transferência aos cônjuges de aposentadorias após a Constituição de 88. Só para acrescentar, reafirmando o meu voto anteriormente proferido. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7D1-D7A0-72A3-9EE2 e senha 3341-7983-811B-77EE Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR decisão, eventualmente. Vossa Excelência fixou também um dado importantíssimo, que, a partir da Constituição de 88, não seria legítima essa concessão. Então, não só o efeito ex nunc, mas também inaplicável a transferência aos cônjuges de aposentadorias após a Constituição de 88. Só para acrescentar, reafirmando o meu voto anteriormente proferido. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7D1-D7A0-72A3-9EE2 e senha 3341-7983-811B-77EE Inteiro Teor do Acórdão - Página 46 de 67 Revisão de Apartes 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Não havia votado, havia feito considerações a respeito do tema. Diante do fato concreto, da revogação do dispositivo, inicialmente acompanho a posição do Ministro Marco Aurélio no sentido da prejudicialidade da ação. Na verdade, não há o que modular para o futuro, porque não existe mais a possibilidade de o atual governador ou de futuros governadores ou pensionistas virem a receber o benefício. A ação se subjetivou em nove pessoas que são beneficiárias daquele texto constitucional ou de legislação anterior, porque, pelo que ouvi da tribuna, da Dra. Marilda, uma das beneficiárias inclusive recebe desde 1987, ou seja, anteriormente à Constituição de 1988. Uma declaração de inconstitucionalidade aqui não pode atingir o regime jurídico anterior. Digo isso obiter dictum. Pois, não, Dra. Marilda. A SENHORA MARILDA DE PAULA SILVEIRA (ADVOGADA) - A aposentadoria foi em 1987 e, após o falecimento em 2002, se não me engano, ela passou a receber pensão. Então, advém de 1987. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): De toda sorte, voto, na primeira parte, pelo prejuízo. Fico vencido ao lado do Ministro Marco Aurélio. Quanto à questão de mérito, ressalvado meu entendimento pessoal, acompanho a eminente Relatora, sem prejuízo de que a Assembleia Legislativa ou qualquer Parlamento brasileiro legisle a respeito de pensões especiais, porque aqui não é Previdência Social, é pensão. Existem várias leis e, no voto que proferi, quando fiquei vencido, lembrava disso. Por exemplo, a tataraneta de Tiradentes recebe pensão por lei federal; os familiares de vítimas daquele acidente trágico que houve em Alcântara, quando do lançamento de satélite, receberam, por lei específica, pensões. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Não havia votado, havia feito considerações a respeito do tema. Diante do fato concreto, da revogação do dispositivo, inicialmente acompanho a posição do Ministro Marco Aurélio no sentido da prejudicialidade da ação. Na verdade, não há o quemodular para o futuro, porque não existe mais a possibilidade de o atual governador ou de futuros governadores ou pensionistas virem a receber o benefício. A ação se subjetivou em nove pessoas que são beneficiárias daquele texto constitucional ou de legislação anterior, porque, pelo que ouvi da tribuna, da Dra. Marilda, uma das beneficiárias inclusive recebe desde 1987, ou seja, anteriormente à Constituição de 1988. Uma declaração de inconstitucionalidade aqui não pode atingir o regime jurídico anterior. Digo isso obiter dictum. Pois, não, Dra. Marilda. A SENHORA MARILDA DE PAULA SILVEIRA (ADVOGADA) - A aposentadoria foi em 1987 e, após o falecimento em 2002, se não me engano, ela passou a receber pensão. Então, advém de 1987. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): De toda sorte, voto, na primeira parte, pelo prejuízo. Fico vencido ao lado do Ministro Marco Aurélio. Quanto à questão de mérito, ressalvado meu entendimento pessoal, acompanho a eminente Relatora, sem prejuízo de que a Assembleia Legislativa ou qualquer Parlamento brasileiro legisle a respeito de pensões especiais, porque aqui não é Previdência Social, é pensão. Existem várias leis e, no voto que proferi, quando fiquei vencido, lembrava disso. Por exemplo, a tataraneta de Tiradentes recebe pensão por lei federal; os familiares de vítimas daquele acidente trágico que houve em Alcântara, quando do lançamento de satélite, receberam, por lei específica, pensões. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Inteiro Teor do Acórdão - Página 47 de 67 Revisão de Apartes ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Pracinhas também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Pracinhas. Então, a legislação específica, ou seja... O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - O pessoal da Guerra do Paraguai recebe também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim. Então, a Assembleia Legislativa do Paraná, dentre esses nove beneficiários, independentemente de nossa decisão, poderá eventualmente fazer lei específica para essas pessoas. Estou falando isso obiter dictum. Não é posição da Corte, é opinião pessoal. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Vossa Excelência está trazendo um ponto relevante. Não se trata de aposentadoria stricto sensu. Na verdade, é uma benesse que o Estado outorga a algum particular, tendo em vista os relevantes serviços prestados ao próprio Estado ou Estado genericamente compreendido, o Estado-membro da Federação. Presidente, aproveitando a oportunidade que Vossa Excelência me concedeu de fazer uso da palavra, gostaria de observar que, de acordo com a jurisprudência desta Corte, aquelas verbas recebidas de boa-fé não terão que ser restituídas, independentemente do resultado do nosso julgamento. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que isso podemos explicitar depois da proclamação do resultado inicial. Voto pelo prejuízo. Vencido no prejuízo pelos votos já proferidos, acompanho a eminente Relatora. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Pracinhas também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Pracinhas. Então, a legislação específica, ou seja... O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - O pessoal da Guerra do Paraguai recebe também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim. Então, a Assembleia Legislativa do Paraná, dentre esses nove beneficiários, independentemente de nossa decisão, poderá eventualmente fazer lei específica para essas pessoas. Estou falando isso obiter dictum. Não é posição da Corte, é opinião pessoal. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Vossa Excelência está trazendo um ponto relevante. Não se trata de aposentadoria stricto sensu. Na verdade, é uma benesse que o Estado outorga a algum particular, tendo em vista os relevantes serviços prestados ao próprio Estado ou Estado genericamente compreendido, o Estado-membro da Federação. Presidente, aproveitando a oportunidade que Vossa Excelência me concedeu de fazer uso da palavra, gostaria de observar que, de acordo com a jurisprudência desta Corte, aquelas verbas recebidas de boa-fé não terão que ser restituídas, independentemente do resultado do nosso julgamento. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que isso podemos explicitar depois da proclamação do resultado inicial. Voto pelo prejuízo. Vencido no prejuízo pelos votos já proferidos, acompanho a eminente Relatora. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Inteiro Teor do Acórdão - Página 48 de 67 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Não havia votado, havia feito considerações a respeito do tema. Diante do fato concreto, da revogação do dispositivo, inicialmente acompanho a posição do Ministro Marco Aurélio no sentido da prejudicialidade da ação. Na verdade, não há o que modular para o futuro, porque não existe mais a possibilidade de o atual governador ou de futuros governadores ou pensionistas virem a receber o benefício. A ação se subjetivou em nove pessoas que são beneficiárias daquele texto constitucional ou de legislação anterior, porque, pelo que ouvi da tribuna, da Dra. Marilda, uma das beneficiárias inclusive recebe desde 1987, ou seja, anteriormente à Constituição de 1988. Uma declaração de inconstitucionalidade aqui não pode atingir o regime jurídico anterior. Digo isso obiter dictum. Pois, não, Dra. Marilda. A SENHORA MARILDA DE PAULA SILVEIRA (ADVOGADA) - A aposentadoria foi em 1987 e, após o falecimento em 2002, se não me engano, ela passou a receber pensão. Então, advém de 1987. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): De toda sorte, voto, na primeira parte, pelo prejuízo. Fico vencido ao lado do Ministro Marco Aurélio. Quanto à questão de mérito, ressalvado meu entendimento pessoal, acompanho a eminente Relatora, sem prejuízo de que a Assembleia Legislativa ou qualquer Parlamento brasileiro legisle a respeito de pensões especiais, porque aqui não é Previdência Social, é pensão. Existem várias leis e, no voto que proferi, quando fiquei vencido, lembrava disso. Por exemplo, a tataraneta de Tiradentes recebe pensão por lei federal; os familiares de vítimas daquele acidente trágico que houve em Alcântara, quando do lançamento de satélite, receberam, por lei específica, pensões. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Não havia votado, havia feito considerações a respeito do tema. Diante do fato concreto, da revogação do dispositivo, inicialmente acompanho a posição do Ministro Marco Aurélio no sentido da prejudicialidade da ação. Na verdade, não há o que modular para o futuro, porque não existe mais a possibilidade de o atual governador oude futuros governadores ou pensionistas virem a receber o benefício. A ação se subjetivou em nove pessoas que são beneficiárias daquele texto constitucional ou de legislação anterior, porque, pelo que ouvi da tribuna, da Dra. Marilda, uma das beneficiárias inclusive recebe desde 1987, ou seja, anteriormente à Constituição de 1988. Uma declaração de inconstitucionalidade aqui não pode atingir o regime jurídico anterior. Digo isso obiter dictum. Pois, não, Dra. Marilda. A SENHORA MARILDA DE PAULA SILVEIRA (ADVOGADA) - A aposentadoria foi em 1987 e, após o falecimento em 2002, se não me engano, ela passou a receber pensão. Então, advém de 1987. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): De toda sorte, voto, na primeira parte, pelo prejuízo. Fico vencido ao lado do Ministro Marco Aurélio. Quanto à questão de mérito, ressalvado meu entendimento pessoal, acompanho a eminente Relatora, sem prejuízo de que a Assembleia Legislativa ou qualquer Parlamento brasileiro legisle a respeito de pensões especiais, porque aqui não é Previdência Social, é pensão. Existem várias leis e, no voto que proferi, quando fiquei vencido, lembrava disso. Por exemplo, a tataraneta de Tiradentes recebe pensão por lei federal; os familiares de vítimas daquele acidente trágico que houve em Alcântara, quando do lançamento de satélite, receberam, por lei específica, pensões. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Inteiro Teor do Acórdão - Página 49 de 67 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Pracinhas também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Pracinhas. Então, a legislação específica, ou seja... O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - O pessoal da Guerra do Paraguai recebe também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim. Então, a Assembleia Legislativa do Paraná, dentre esses nove beneficiários, independentemente de nossa decisão, poderá eventualmente fazer lei específica para essas pessoas. Estou falando isso obiter dictum. Não é posição da Corte, é opinião pessoal. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Vossa Excelência está trazendo um ponto relevante. Não se trata de aposentadoria stricto sensu. Na verdade, é uma benesse que o Estado outorga a algum particular, tendo em vista os relevantes serviços prestados ao próprio Estado ou Estado genericamente compreendido, o Estado-membro da Federação. Presidente, aproveitando a oportunidade que Vossa Excelência me concedeu de fazer uso da palavra, gostaria de observar que, de acordo com a jurisprudência desta Corte, aquelas verbas recebidas de boa-fé não terão que ser restituídas, independentemente do resultado do nosso julgamento. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que isso podemos explicitar depois da proclamação do resultado inicial. Voto pelo prejuízo. Vencido no prejuízo pelos votos já proferidos, acompanho a eminente Relatora. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Pracinhas também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Pracinhas. Então, a legislação específica, ou seja... O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - O pessoal da Guerra do Paraguai recebe também. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim. Então, a Assembleia Legislativa do Paraná, dentre esses nove beneficiários, independentemente de nossa decisão, poderá eventualmente fazer lei específica para essas pessoas. Estou falando isso obiter dictum. Não é posição da Corte, é opinião pessoal. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Vossa Excelência está trazendo um ponto relevante. Não se trata de aposentadoria stricto sensu. Na verdade, é uma benesse que o Estado outorga a algum particular, tendo em vista os relevantes serviços prestados ao próprio Estado ou Estado genericamente compreendido, o Estado-membro da Federação. Presidente, aproveitando a oportunidade que Vossa Excelência me concedeu de fazer uso da palavra, gostaria de observar que, de acordo com a jurisprudência desta Corte, aquelas verbas recebidas de boa-fé não terão que ser restituídas, independentemente do resultado do nosso julgamento. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que isso podemos explicitar depois da proclamação do resultado inicial. Voto pelo prejuízo. Vencido no prejuízo pelos votos já proferidos, acompanho a eminente Relatora. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 837E-5FCF-0AE5-33AF e senha D47F-F07E-7530-4F88 Inteiro Teor do Acórdão - Página 50 de 67 Proposta 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ PROPOSTA O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Em relação às verbas já recebidas, não discutimos durante o julgamento. Colocarei isso em discussão, a partir da eminente Relatora. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 894A-46BD-7FC1-28B4 e senha DE11-A0E2-9DF0-C836 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ PROPOSTA O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Em relação às verbas já recebidas, não discutimos durante o julgamento. Colocarei isso em discussão, a partir da eminente Relatora. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 894A-46BD-7FC1-28B4 e senha DE11-A0E2-9DF0-C836 Inteiro Teor do Acórdão - Página 51 de 67 Voto s/ modulação 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO S/PROPOSTA A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) -Senhor Presidente, continuo julgando uma ação de controle concentrado e, com todo o respeito às compreensões contrárias, mantenho meu entendimento, que é exatamente aquele que expressei e que todos aqui, quase na integralidade, expressaram nos outros julgamentos. Sempre que não leio o voto, arrependo-me, porque tenho os precedentes de todos, todos nesta linha. Trata-se de ação de controle concentrado - por óbvio, não coloco em dúvida os dados fáticos trazidos -, mas não tenho condições sequer de aferi-los. Estou até com o coração apertado pensando nos outros processos, todas aquelas ações de que fui Relatora, de que Vossas Excelências foram Relatores, nas quais nós não fizemos qualquer modulação. Nunca me passou pela cabeça que alguma das pessoas, eventualmente atingidas, fosse ter que devolver alguma coisa. Estou todos os dias aqui julgando no sentido da não devolução do que foi recebido de boa-fé. Mas onde julgo isso? Em Mandado de Segurança. Nunca em uma ação de controle concentrado, com todo o respeito. Então, mantenho, Presidente, como trouxe o voto. Não é um, não são dois, nem três precedentes. São inúmeros precedentes. Só de minha relatoria, na linha dos outros julgamentos todos, têm quatro ou cinco, se bem me recordo. Por outro lado, a alteração constitucional feita no Paraná faz com que não se preveja mais esse pagamento a governadores. Ainda, Presidente, não tem nenhumgovernador - que eu saiba - que aqui esteja nessa situação calamitosa, são pensionistas. Relativamente, não saberia dizer se há mandatos exercidos por quatro anos ou por período superior, porque se trata de mandato político. Realmente, uma benesse que o Supremo entendeu inconstitucional. Continuo restringindo-me ao que fiz: julgando procedente em parte, porque a ação se direciona a dispositivo que, hoje, está revogado e há Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0EA4-24A5-07A7-FE95 e senha 30E7-F31E-DB81-081D Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO S/PROPOSTA A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) -Senhor Presidente, continuo julgando uma ação de controle concentrado e, com todo o respeito às compreensões contrárias, mantenho meu entendimento, que é exatamente aquele que expressei e que todos aqui, quase na integralidade, expressaram nos outros julgamentos. Sempre que não leio o voto, arrependo-me, porque tenho os precedentes de todos, todos nesta linha. Trata-se de ação de controle concentrado - por óbvio, não coloco em dúvida os dados fáticos trazidos -, mas não tenho condições sequer de aferi-los. Estou até com o coração apertado pensando nos outros processos, todas aquelas ações de que fui Relatora, de que Vossas Excelências foram Relatores, nas quais nós não fizemos qualquer modulação. Nunca me passou pela cabeça que alguma das pessoas, eventualmente atingidas, fosse ter que devolver alguma coisa. Estou todos os dias aqui julgando no sentido da não devolução do que foi recebido de boa-fé. Mas onde julgo isso? Em Mandado de Segurança. Nunca em uma ação de controle concentrado, com todo o respeito. Então, mantenho, Presidente, como trouxe o voto. Não é um, não são dois, nem três precedentes. São inúmeros precedentes. Só de minha relatoria, na linha dos outros julgamentos todos, têm quatro ou cinco, se bem me recordo. Por outro lado, a alteração constitucional feita no Paraná faz com que não se preveja mais esse pagamento a governadores. Ainda, Presidente, não tem nenhum governador - que eu saiba - que aqui esteja nessa situação calamitosa, são pensionistas. Relativamente, não saberia dizer se há mandatos exercidos por quatro anos ou por período superior, porque se trata de mandato político. Realmente, uma benesse que o Supremo entendeu inconstitucional. Continuo restringindo-me ao que fiz: julgando procedente em parte, porque a ação se direciona a dispositivo que, hoje, está revogado e há Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0EA4-24A5-07A7-FE95 e senha 30E7-F31E-DB81-081D Inteiro Teor do Acórdão - Página 52 de 67 Voto s/ modulação ADI 4545 / PR duas leis estaduais, por arrastamento, que foram as leis que estipularam as pensões. Uma delas tem dois dispositivos, como disse, e o arrastamento não alcança um dos dispositivos. Por isso, com todo respeito, fico como votei, Presidente. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0EA4-24A5-07A7-FE95 e senha 30E7-F31E-DB81-081D Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR duas leis estaduais, por arrastamento, que foram as leis que estipularam as pensões. Uma delas tem dois dispositivos, como disse, e o arrastamento não alcança um dos dispositivos. Por isso, com todo respeito, fico como votei, Presidente. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 0EA4-24A5-07A7-FE95 e senha 30E7-F31E-DB81-081D Inteiro Teor do Acórdão - Página 53 de 67 Voto s/ modulação 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO S/ MODULAÇÃO O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, talvez não tenha entendido, mas, no meu voto, declaro a inconstitucionalidade, só que modulo efeitos ex nunc, daqui para frente. Faço essa modulação não prospectiva, obviamente, mas, daqui para frente, ou seja, corta-se a partir de agora. Não se devolve nada, porque, se não fizermos a modulação, os efeitos naturais são ex tunc. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Ex tunc, mas, em todos os outros, julgamos nessa linha e entendemos... O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Mas acho que, em todos os outros, modulamos também ex nunc. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não, não, não, nenhum ex nunc. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Enfim, Vossa Excelência vota por efeitos ex nunc? O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ex nunc. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 3711-22A0-1332-CAF5 e senha 358F-F271-2B06-79AA Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO S/ MODULAÇÃO O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Presidente, talvez não tenha entendido, mas, no meu voto, declaro a inconstitucionalidade, só que modulo efeitos ex nunc, daqui para frente. Faço essa modulação não prospectiva, obviamente, mas, daqui para frente, ou seja, corta-se a partir de agora. Não se devolve nada, porque, se não fizermos a modulação, os efeitos naturais são ex tunc. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Ex tunc, mas, em todos os outros, julgamos nessa linha e entendemos... O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Mas acho que, em todos os outros, modulamos também ex nunc. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não, não, não, nenhum ex nunc. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Enfim, Vossa Excelência vota por efeitos ex nunc? O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ex nunc. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 3711-22A0-1332-CAF5 e senha 358F-F271-2B06-79AA Inteiro Teor do Acórdão - Página 54 de 67 Confirmação de Voto 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ CONFIRMAÇÃO DE VOTO A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Minha manifestação é que seja a partir de agora. De forma alguma, devolver. Agora, se Vossas Excelências entenderem que se deva explicitar, nesse aqui, não tenho nenhuma dificuldade em fazê-lo. O pressuposto do meu voto é exatamente que nada tenha que ser devolvido; é daqui para frente. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 028F-0492-0A1E-F644 e senha 4080-7B5A-5806-4C6F Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ CONFIRMAÇÃO DE VOTO A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Minha manifestação é que seja a partir de agora. De forma alguma, devolver. Agora, se Vossas Excelências entenderem que se deva explicitar, nesse aqui, não tenho nenhuma dificuldade em fazê-lo. O pressuposto do meu voto é exatamente que nada tenha que ser devolvido; é daqui para frente. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conformeMP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 028F-0492-0A1E-F644 e senha 4080-7B5A-5806-4C6F Inteiro Teor do Acórdão - Página 55 de 67 Revisão de Apartes 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ DEBATE O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso que coloquei o debate em etapas diferentes, porque uma coisa são os efeitos ex nunc. Se decidirmos pela inconstitucionalidade com efeitos ex nunc, as pensões concedidas permanecerão. Diferentemente, é a discussão relativa à devolução. O entendimento que a Presidência colheu - posso ter entendido equivocadamente - foi que não houve número de votos suficientes para a modulação com efeitos ex nunc. Por isso que, separadamente, coloquei a discussão relativa aos efeitos de pagamentos já ocorridos. Explicito o porquê - alguns Colegas mencionaram isto: questão de segurança jurídica. A partir do voto do Ministro Luiz Fux, como decisão do Supremo Tribunal Federal, em matéria objetiva todos sabemos que atingirá questões subjetivas, convém evitar que essas discussões se repitam em ações que, eventualmente, estejam já em curso na Justiça, como foi citado - ações populares, ações civis e/ou futuras de ressarcimento contra essas pessoas ou seus herdeiros, pelo que já receberam no passado. A jurisprudência sedimentada dessa Corte em matéria de mandado de segurança, como a própria eminente Relatora destacou, é que aquilo que é recebido de boa-fé - e o Tribunal de Contas da União também placita esse entendimento - não há que ser devolvido. A partir disso, coloquei em debate, separadamente e posteriormente, a questão relativa aos efeitos. Não efeitos ex nunc, porque precisaríamos de oito votos para dar esse efeito, e não os alcançamos. Em relação a efeitos ex nunc, não. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Acho que sim, se há quatro votos prospectivos. Se houver mais quatro votos ex nunc, prevalece o ex nunc, porque o prospectivo é mais do que o ex nunc, que está contido. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ DEBATE O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso que coloquei o debate em etapas diferentes, porque uma coisa são os efeitos ex nunc. Se decidirmos pela inconstitucionalidade com efeitos ex nunc, as pensões concedidas permanecerão. Diferentemente, é a discussão relativa à devolução. O entendimento que a Presidência colheu - posso ter entendido equivocadamente - foi que não houve número de votos suficientes para a modulação com efeitos ex nunc. Por isso que, separadamente, coloquei a discussão relativa aos efeitos de pagamentos já ocorridos. Explicito o porquê - alguns Colegas mencionaram isto: questão de segurança jurídica. A partir do voto do Ministro Luiz Fux, como decisão do Supremo Tribunal Federal, em matéria objetiva todos sabemos que atingirá questões subjetivas, convém evitar que essas discussões se repitam em ações que, eventualmente, estejam já em curso na Justiça, como foi citado - ações populares, ações civis e/ou futuras de ressarcimento contra essas pessoas ou seus herdeiros, pelo que já receberam no passado. A jurisprudência sedimentada dessa Corte em matéria de mandado de segurança, como a própria eminente Relatora destacou, é que aquilo que é recebido de boa-fé - e o Tribunal de Contas da União também placita esse entendimento - não há que ser devolvido. A partir disso, coloquei em debate, separadamente e posteriormente, a questão relativa aos efeitos. Não efeitos ex nunc, porque precisaríamos de oito votos para dar esse efeito, e não os alcançamos. Em relação a efeitos ex nunc, não. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Acho que sim, se há quatro votos prospectivos. Se houver mais quatro votos ex nunc, prevalece o ex nunc, porque o prospectivo é mais do que o ex nunc, que está contido. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 56 de 67 Revisão de Apartes ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI -Presidente, Vossa Excelência me permite? O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Mas foi o voto de Vossa Excelência, o voto do Ministro Luiz Fux. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro Roberto. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não votei ainda sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Presidente, manifestei-me, e tenho certeza que Vossa Excelência também, nos estritos termos do art. 27 da Lei 9.868/99. Não é absolutamente estranho, é atividade normal deste Plenário que se module com fundamento nesse dispositivo legal. O que diz esse artigo? “Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado”. Esse artigo permite não só que modulemos nossa decisão, do ponto de vista temporal, mas também que possamos restringir os efeitos, como - pelo menos em minha proposta e creio que segundo a proposta do Ministro Fux - estamos restringindo os efeitos da nossa decisão de inconstitucionalidade para que não atinja pensionistas que recebam esse benefício há décadas. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Exatamente. Mas essa posição não alcançou oito votos. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Perfeito, não alcançou. É só para dizer que não estamos inovando. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI -Presidente, Vossa Excelência me permite? O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Mas foi o voto de Vossa Excelência, o voto do Ministro Luiz Fux. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro Roberto. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não votei ainda sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Presidente, manifestei-me, e tenho certeza que Vossa Excelência também, nos estritos termos do art. 27 da Lei 9.868/99. Não é absolutamente estranho, é atividade normal deste Plenário que se module com fundamento nesse dispositivo legal. O que diz esse artigo? “Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado”. Esse artigopermite não só que modulemos nossa decisão, do ponto de vista temporal, mas também que possamos restringir os efeitos, como - pelo menos em minha proposta e creio que segundo a proposta do Ministro Fux - estamos restringindo os efeitos da nossa decisão de inconstitucionalidade para que não atinja pensionistas que recebam esse benefício há décadas. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Exatamente. Mas essa posição não alcançou oito votos. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Perfeito, não alcançou. É só para dizer que não estamos inovando. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 57 de 67 Revisão de Apartes ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Há duas questões diferentes aqui. A primeira diz respeito a não ter que devolver o dinheiro; a segunda diz respeito a sua valia para frente. Ambas são modulações, é verdade. O que acontece é que a não devolução do que foi recebido de boa-fé se enraizou tão profundamente na jurisprudência que já nem consideramos mais isso modulação. Na verdade, pela teoria da nulidade, se estamos declarando inconstitucional, em rigor, nenhum efeito válido deveria ser admitido. Portanto, dever-se-ia devolver. Se entendemos que não tem que devolver – e entendo que não tem que devolver – , quanto a esse ponto, estou modulando também. A modulação para não ter que devolver tem o meu apoio. A modulação para valer apenas daqui para frente não tem o meu apoio. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso proclamei que era julgada parcialmente procedente a ação, nos termos do voto da Relatora, por unanimidade, e que havia votos - naquele momento, proclamei os votos dos Ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e o meu próprio - para efeitos futuros. Depois, coloquei em discussão exatamente esse outro ponto, para evitar debates jurídicos. Aqui, penso, não são necessários oito votos nesse sentido. Nesse aspecto, penso que seriam necessários seis votos relativos à devolução. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Acho que não, Presidente. Esse é um caso em que declaramos a inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim, mas em relação ao recebimento de boa-fé, com a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Sim, acho que precisa de dois terços, e acho que tem dois terços. Mas creio que precisa, porque, se declaramos inconstitucional e não mandamos devolver, na verdade, não estamos invalidando tudo o que aconteceu no passado. Para permitir efeitos válidos à norma inconstitucional do passado, tem que modular, não tem alternativa. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Presidente, duas 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Há duas questões diferentes aqui. A primeira diz respeito a não ter que devolver o dinheiro; a segunda diz respeito a sua valia para frente. Ambas são modulações, é verdade. O que acontece é que a não devolução do que foi recebido de boa-fé se enraizou tão profundamente na jurisprudência que já nem consideramos mais isso modulação. Na verdade, pela teoria da nulidade, se estamos declarando inconstitucional, em rigor, nenhum efeito válido deveria ser admitido. Portanto, dever-se-ia devolver. Se entendemos que não tem que devolver – e entendo que não tem que devolver – , quanto a esse ponto, estou modulando também. A modulação para não ter que devolver tem o meu apoio. A modulação para valer apenas daqui para frente não tem o meu apoio. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso proclamei que era julgada parcialmente procedente a ação, nos termos do voto da Relatora, por unanimidade, e que havia votos - naquele momento, proclamei os votos dos Ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e o meu próprio - para efeitos futuros. Depois, coloquei em discussão exatamente esse outro ponto, para evitar debates jurídicos. Aqui, penso, não são necessários oito votos nesse sentido. Nesse aspecto, penso que seriam necessários seis votos relativos à devolução. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Acho que não, Presidente. Esse é um caso em que declaramos a inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim, mas em relação ao recebimento de boa-fé, com a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Sim, acho que precisa de dois terços, e acho que tem dois terços. Mas creio que precisa, porque, se declaramos inconstitucional e não mandamos devolver, na verdade, não estamos invalidando tudo o que aconteceu no passado. Para permitir efeitos válidos à norma inconstitucional do passado, tem que modular, não tem alternativa. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Presidente, duas 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 58 de 67 Revisão de Apartes ADI 4545 / PR coisas. Primeiro, declarada a inconstitucionalidade de uma lei, temos duas consequências básicas. Uma é a cessação da ultratividade, portanto a norma deixa de ser aplicada doravante, e a possibilidade de retroação, se houver essa possibilidade. Ao dizer que não tem que devolver, estamos determinando que cesse a ultratividade e que isso é o bastante. Portanto, não se aplica doravante, mas também não tem consequência em relação... E, para isso, tem oito votos. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Inclusive o da Relatora. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Gostaria de saber quais são os oito votos, porque a Relatora não quis entrar nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Inclusive o meu. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ah, sim! Vossa Excelência disse que não entrava nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Já tinha afirmado, com todas as letras, que não havia a menor necessidade. Apenas entendi que não havia necessidade de explicitar, porque tenho aqui oito ou dez precedentes e em nenhum se explicitou. Para mim, era muito tranquilo, a partir, inclusive, da colocação feita pelo Ministro Luís Roberto de que estamos tão acostumados a entender que aquilo que é recebido de boa-fé não exige modulação expressa. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Vossa Excelência não se opõe, então, a esse entendimento? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Não só não me oponho, como afirmei que não havia ... O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Então, há oito votos. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Há o meu voto nesta linha. Achei que não havia necessidade de lançar um dispositivo diferente dos proclamados neste Plenário tem feito, mas não tenho nenhuma oposição. 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR coisas. Primeiro, declarada a inconstitucionalidade de uma lei, temos duas consequências básicas. Uma é a cessação da ultratividade, portanto a norma deixa de ser aplicada doravante,e a possibilidade de retroação, se houver essa possibilidade. Ao dizer que não tem que devolver, estamos determinando que cesse a ultratividade e que isso é o bastante. Portanto, não se aplica doravante, mas também não tem consequência em relação... E, para isso, tem oito votos. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Inclusive o da Relatora. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Gostaria de saber quais são os oito votos, porque a Relatora não quis entrar nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Inclusive o meu. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ah, sim! Vossa Excelência disse que não entrava nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Já tinha afirmado, com todas as letras, que não havia a menor necessidade. Apenas entendi que não havia necessidade de explicitar, porque tenho aqui oito ou dez precedentes e em nenhum se explicitou. Para mim, era muito tranquilo, a partir, inclusive, da colocação feita pelo Ministro Luís Roberto de que estamos tão acostumados a entender que aquilo que é recebido de boa-fé não exige modulação expressa. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Vossa Excelência não se opõe, então, a esse entendimento? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Não só não me oponho, como afirmei que não havia ... O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Então, há oito votos. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Há o meu voto nesta linha. Achei que não havia necessidade de lançar um dispositivo diferente dos proclamados neste Plenário tem feito, mas não tenho nenhuma oposição. 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 59 de 67 Revisão de Apartes ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que é importante, Ministra Rosa, porque se evitam essa discussão e outras ações individuais, sejam ações populares, civis, de ressarcimento, que a própria Procuradoria do Estado do Paraná teria que propor por dever de ofício, em razão da não explicitação deste ponto. Mas, na medida em que Vossa Excelência concorda com os debates ocorridos, penso que realmente há oito votos nesse sentido. Então, fica registrado que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento deste caso. 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que é importante, Ministra Rosa, porque se evitam essa discussão e outras ações individuais, sejam ações populares, civis, de ressarcimento, que a própria Procuradoria do Estado do Paraná teria que propor por dever de ofício, em razão da não explicitação deste ponto. Mas, na medida em que Vossa Excelência concorda com os debates ocorridos, penso que realmente há oito votos nesse sentido. Então, fica registrado que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento deste caso. 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 60 de 67 Debate 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ DEBATE O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso que coloquei o debate em etapas diferentes, porque uma coisa são os efeitos ex nunc. Se decidirmos pela inconstitucionalidade com efeitos ex nunc, as pensões concedidas permanecerão. Diferentemente, é a discussão relativa à devolução. O entendimento que a Presidência colheu - posso ter entendido equivocadamente - foi que não houve número de votos suficientes para a modulação com efeitos ex nunc. Por isso que, separadamente, coloquei a discussão relativa aos efeitos de pagamentos já ocorridos. Explicito o porquê - alguns Colegas mencionaram isto: questão de segurança jurídica. A partir do voto do Ministro Luiz Fux, como decisão do Supremo Tribunal Federal, em matéria objetiva todos sabemos que atingirá questões subjetivas, convém evitar que essas discussões se repitam em ações que, eventualmente, estejam já em curso na Justiça, como foi citado - ações populares, ações civis e/ou futuras de ressarcimento contra essas pessoas ou seus herdeiros, pelo que já receberam no passado. A jurisprudência sedimentada dessa Corte em matéria de mandado de segurança, como a própria eminente Relatora destacou, é que aquilo que é recebido de boa-fé - e o Tribunal de Contas da União também placita esse entendimento - não há que ser devolvido. A partir disso, coloquei em debate, separadamente e posteriormente, a questão relativa aos efeitos. Não efeitos ex nunc, porque precisaríamos de oito votos para dar esse efeito, e não os alcançamos. Em relação a efeitos ex nunc, não. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Acho que sim, se há quatro votos prospectivos. Se houver mais quatro votos ex nunc, prevalece o ex nunc, porque o prospectivo é mais do que o ex nunc, que está contido. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ DEBATE O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso que coloquei o debate em etapas diferentes, porque uma coisa são os efeitos ex nunc. Se decidirmos pela inconstitucionalidade com efeitos ex nunc, as pensões concedidas permanecerão. Diferentemente, é a discussão relativa à devolução. O entendimento que a Presidência colheu - posso ter entendido equivocadamente - foi que não houve número de votos suficientes para a modulação com efeitos ex nunc. Por isso que, separadamente, coloquei a discussão relativa aos efeitos de pagamentos já ocorridos. Explicito o porquê - alguns Colegas mencionaram isto: questão de segurança jurídica. A partir do voto do Ministro Luiz Fux, como decisão do Supremo Tribunal Federal, em matéria objetiva todos sabemos que atingirá questões subjetivas, convém evitar que essas discussões se repitam em ações que, eventualmente, estejam já em curso na Justiça, como foi citado - ações populares, ações civis e/ou futuras de ressarcimento contra essas pessoas ou seus herdeiros, pelo que já receberam no passado. A jurisprudência sedimentada dessa Corte em matéria de mandado de segurança, como a própria eminente Relatora destacou, é que aquilo que é recebido de boa-fé - e o Tribunal de Contas da União também placita esse entendimento - não há que ser devolvido. A partir disso, coloquei em debate, separadamente e posteriormente, a questão relativa aos efeitos. Não efeitos ex nunc, porque precisaríamos de oito votos para dar esse efeito, e não os alcançamos. Em relação a efeitos ex nunc, não. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Acho que sim, se há quatro votos prospectivos. Se houver mais quatro votos ex nunc, prevalece o ex nunc, porque o prospectivo é mais do que o ex nunc, que está contido. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.aspO autor defende a inconstitucionalidade do ato normativo impugnado, ao argumento de que contraria os princípios federativo (art. 2º, e 25, caput e §1º) e republicano (art. 1º da Constituição da República); da moralidade e da impessoalidade (art. 37, caput, da CRFB); o art. 37, inciso XIII, da CRFB, que veda vinculação de quaisquer espécies remuneratórias entre si; o art. 39, §4º, da CRFB, que dispõe sobre o pagamento na forma de subsídio a membros de Poder; o art. 159, §5º, da CRFB, que veda a instituição de benefício de seguridade social sem correspondente fonte de custeio; o art. 201, §1º, da CRFB, que proíbe a instituição de critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria a beneficiários do regime geral de previdência social; e o art. 11 dos ADCT, Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 67 Relatório ADI 4545 / PR da CRFB, que vincula a elaboração das Constituições estaduais pelas Assembleias Legislativas aos princípios da Carta da República. 3. Aponta que somente é possível remunerar por subsídio os indivíduos que estiverem exercendo função pública e que estejam no rol exaustivo dos arts. 39, §§4º e 8º, 73, §3º, 75, 135 e 144, §9º, da CR. E que, como os ex-governadores não cumprem os critérios necessários à percepção do benefício, a sua concessão está eivada de vício. Explica que a remuneração criada pelo Estado do Paraná é uma forma híbrida de subsídio e pensão, mas que não poderia se encaixar em nenhuma destas modalidades. A objeção à pensão se baseia na definição de que esta constitui “uma prestação pecuniária contínua de natureza civil ou previdenciária, paga a título de auxílio, compensação ou indenização”, o que não se verifica no presente caso. Explicita que também não se enquadra como representação pelo fato de este ser, no serviço público, “uma espécie de gratificação que se outorga a agentes políticos de escalão superior da administração, especialmente aos Chefes de Poder Executivo e a seus auxiliares diretos”, desde que estejam em exercício. Esclarece que caso o benefício fosse considerado uma pensão, o beneficiário deveria cumprir todas as regras estabelecidas para aposentadoria no regime geral da previdência social – condições não respeitadas pela legislação paranaense. Pontua que o diploma estadual não especifica a fonte de custeio da pensão vitalícia, conforme prescreve o art. 195, §5º, da CRFB. 4. Defende que a autonomia legislativa estadual conferida pela Constituição da República não possibilita a concessão de subsídio mensal e vitalício a ex-governadores pelo fato desta última ser silente quanto à matéria. Ainda afirma que o dispositivo impugnado violou a proibição constitucional de que as Cartas estaduais não tenham normas contrárias aos preceitos da Constituição da República. Observa, além disso, que o art. 85, §5º, da Constituição paranaense viola a regra constitucional da não vinculação da remuneração entre o pessoal do serviço público, dado que esta norma estabelece paridade de subsídios entre ex-governadores e Desembargadores de Justiça do Estado 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR da CRFB, que vincula a elaboração das Constituições estaduais pelas Assembleias Legislativas aos princípios da Carta da República. 3. Aponta que somente é possível remunerar por subsídio os indivíduos que estiverem exercendo função pública e que estejam no rol exaustivo dos arts. 39, §§4º e 8º, 73, §3º, 75, 135 e 144, §9º, da CR. E que, como os ex-governadores não cumprem os critérios necessários à percepção do benefício, a sua concessão está eivada de vício. Explica que a remuneração criada pelo Estado do Paraná é uma forma híbrida de subsídio e pensão, mas que não poderia se encaixar em nenhuma destas modalidades. A objeção à pensão se baseia na definição de que esta constitui “uma prestação pecuniária contínua de natureza civil ou previdenciária, paga a título de auxílio, compensação ou indenização”, o que não se verifica no presente caso. Explicita que também não se enquadra como representação pelo fato de este ser, no serviço público, “uma espécie de gratificação que se outorga a agentes políticos de escalão superior da administração, especialmente aos Chefes de Poder Executivo e a seus auxiliares diretos”, desde que estejam em exercício. Esclarece que caso o benefício fosse considerado uma pensão, o beneficiário deveria cumprir todas as regras estabelecidas para aposentadoria no regime geral da previdência social – condições não respeitadas pela legislação paranaense. Pontua que o diploma estadual não especifica a fonte de custeio da pensão vitalícia, conforme prescreve o art. 195, §5º, da CRFB. 4. Defende que a autonomia legislativa estadual conferida pela Constituição da República não possibilita a concessão de subsídio mensal e vitalício a ex-governadores pelo fato desta última ser silente quanto à matéria. Ainda afirma que o dispositivo impugnado violou a proibição constitucional de que as Cartas estaduais não tenham normas contrárias aos preceitos da Constituição da República. Observa, além disso, que o art. 85, §5º, da Constituição paranaense viola a regra constitucional da não vinculação da remuneração entre o pessoal do serviço público, dado que esta norma estabelece paridade de subsídios entre ex-governadores e Desembargadores de Justiça do Estado 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 67 Relatório ADI 4545 / PR do Paraná. 5. Sustenta que o princípio republicano exige que todos os cidadãos sejam tratados de forma isonômica, sem que tenham benefícios decorrentes de exercício de múnus público temporário. Acrescenta o argumento da violação aos princípios da igualdade e da moralidade, uma vez que o subsídio se baseia em condição unicamente pessoal, sem a devida correlação que pudesse albergar tal benefício. 6. Em aditamento à petição inicial, o autor questiona a constitucionalidade dos arts. 1º e 2º da Lei Estadual paranaense nº 13.426/2002, e do art. 1º da Lei Estadual paranaense nº 16.656/2010, que vinculam o valor da pensão das viúvas de ex-governadores ao montante previsto no art. 85, §5º, da Constituição estadual, argumentando que também violam o art. 37, XIII, da CR. 7. Pede seja concedida medida cautelar, ao argumento de que o numerário referente à pensão mensal e vitalícia em discussão é despesa mensal. Quanto ao fumus boni iuris, alega que neste caso “é translúcido e pode ser observado e provado por meio de simples leitura dos precedentes jurisprudenciais utilizados como paradigmas, reforçado por toda a argumentação e fundamentação expostas”. Com relação ao perigo da demora, explicita que a natureza existe visto que “a vantagem, uma vez concedida e percebida não poderá mais ser desfeita, sendo de difícil recuperação aos cofres públicos”. 8. No mérito, requer a procedência da ação direta para que seja declarada a inconstitucionalidade dos arts.sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 61 de 67 Debate ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI -Presidente, Vossa Excelência me permite? O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Mas foi o voto de Vossa Excelência, o voto do Ministro Luiz Fux. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro Roberto. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não votei ainda sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Presidente, manifestei-me, e tenho certeza que Vossa Excelência também, nos estritos termos do art. 27 da Lei 9.868/99. Não é absolutamente estranho, é atividade normal deste Plenário que se module com fundamento nesse dispositivo legal. O que diz esse artigo? “Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado”. Esse artigo permite não só que modulemos nossa decisão, do ponto de vista temporal, mas também que possamos restringir os efeitos, como - pelo menos em minha proposta e creio que segundo a proposta do Ministro Fux - estamos restringindo os efeitos da nossa decisão de inconstitucionalidade para que não atinja pensionistas que recebam esse benefício há décadas. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Exatamente. Mas essa posição não alcançou oito votos. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Perfeito, não alcançou. É só para dizer que não estamos inovando. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI -Presidente, Vossa Excelência me permite? O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Mas foi o voto de Vossa Excelência, o voto do Ministro Luiz Fux. O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES - Ministro Roberto. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não votei ainda sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sobre a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Não. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Presidente, manifestei-me, e tenho certeza que Vossa Excelência também, nos estritos termos do art. 27 da Lei 9.868/99. Não é absolutamente estranho, é atividade normal deste Plenário que se module com fundamento nesse dispositivo legal. O que diz esse artigo? “Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado”. Esse artigo permite não só que modulemos nossa decisão, do ponto de vista temporal, mas também que possamos restringir os efeitos, como - pelo menos em minha proposta e creio que segundo a proposta do Ministro Fux - estamos restringindo os efeitos da nossa decisão de inconstitucionalidade para que não atinja pensionistas que recebam esse benefício há décadas. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Exatamente. Mas essa posição não alcançou oito votos. O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Perfeito, não alcançou. É só para dizer que não estamos inovando. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 62 de 67 Debate ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Há duas questões diferentes aqui. A primeira diz respeito a não ter que devolver o dinheiro; a segunda diz respeito a sua valia para frente. Ambas são modulações, é verdade. O que acontece é que a não devolução do que foi recebido de boa-fé se enraizou tão profundamente na jurisprudência que já nem consideramos mais isso modulação. Na verdade, pela teoria da nulidade, se estamos declarando inconstitucional, em rigor, nenhum efeito válido deveria ser admitido. Portanto, dever-se-ia devolver. Se entendemos que não tem que devolver – e entendo que não tem que devolver – , quanto a esse ponto, estou modulando também. A modulação para não ter que devolver tem o meu apoio. A modulação para valer apenas daqui para frente não tem o meu apoio. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso proclamei que era julgada parcialmente procedente a ação, nos termos do voto da Relatora, por unanimidade, e que havia votos - naquele momento, proclamei os votos dos Ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e o meu próprio - para efeitos futuros. Depois, coloquei em discussão exatamente esse outro ponto, para evitar debates jurídicos. Aqui, penso, não são necessários oito votos nesse sentido. Nesse aspecto, penso que seriam necessários seis votos relativos à devolução. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Acho que não, Presidente. Esse é um caso em que declaramos a inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim, mas em relação ao recebimento de boa-fé, com a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Sim, acho que precisa de dois terços, e acho que tem dois terços. Mas creio que precisa, porque, se declaramos inconstitucional e não mandamos devolver, na verdade, não estamos invalidando tudo o que aconteceu no passado. Para permitir efeitos válidos à norma inconstitucional do passado, tem que modular, não tem alternativa. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Presidente, duas 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Há duas questões diferentes aqui. A primeira diz respeito a não ter que devolver o dinheiro; a segunda diz respeito a sua valia para frente. Ambas são modulações, é verdade. O que acontece é que a não devolução do que foi recebido de boa-fé se enraizou tão profundamente na jurisprudência que já nem consideramos mais isso modulação. Na verdade, pela teoria da nulidade, se estamos declarando inconstitucional, em rigor, nenhum efeito válido deveria ser admitido. Portanto, dever-se-ia devolver. Se entendemos que não tem que devolver – e entendo que não tem que devolver – , quanto a esse ponto, estou modulando também. A modulação para não ter que devolver tem o meu apoio. A modulação para valer apenas daqui para frente não tem o meu apoio. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Por isso proclamei que era julgada parcialmente procedente a ação, nos termos do voto da Relatora, por unanimidade, e que havia votos - naquele momento, proclamei os votos dos Ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e o meu próprio - para efeitos futuros. Depois, coloquei em discussão exatamente esse outro ponto, para evitar debates jurídicos. Aqui, penso, não são necessários oito votosnesse sentido. Nesse aspecto, penso que seriam necessários seis votos relativos à devolução. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Acho que não, Presidente. Esse é um caso em que declaramos a inconstitucionalidade. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Sim, mas em relação ao recebimento de boa-fé, com a modulação. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Sim, acho que precisa de dois terços, e acho que tem dois terços. Mas creio que precisa, porque, se declaramos inconstitucional e não mandamos devolver, na verdade, não estamos invalidando tudo o que aconteceu no passado. Para permitir efeitos válidos à norma inconstitucional do passado, tem que modular, não tem alternativa. O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Presidente, duas 3 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 63 de 67 Debate ADI 4545 / PR coisas. Primeiro, declarada a inconstitucionalidade de uma lei, temos duas consequências básicas. Uma é a cessação da ultratividade, portanto a norma deixa de ser aplicada doravante, e a possibilidade de retroação, se houver essa possibilidade. Ao dizer que não tem que devolver, estamos determinando que cesse a ultratividade e que isso é o bastante. Portanto, não se aplica doravante, mas também não tem consequência em relação... E, para isso, tem oito votos. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Inclusive o da Relatora. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Gostaria de saber quais são os oito votos, porque a Relatora não quis entrar nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Inclusive o meu. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ah, sim! Vossa Excelência disse que não entrava nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Já tinha afirmado, com todas as letras, que não havia a menor necessidade. Apenas entendi que não havia necessidade de explicitar, porque tenho aqui oito ou dez precedentes e em nenhum se explicitou. Para mim, era muito tranquilo, a partir, inclusive, da colocação feita pelo Ministro Luís Roberto de que estamos tão acostumados a entender que aquilo que é recebido de boa-fé não exige modulação expressa. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Vossa Excelência não se opõe, então, a esse entendimento? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Não só não me oponho, como afirmei que não havia ... O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Então, há oito votos. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Há o meu voto nesta linha. Achei que não havia necessidade de lançar um dispositivo diferente dos proclamados neste Plenário tem feito, mas não tenho nenhuma oposição. 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR coisas. Primeiro, declarada a inconstitucionalidade de uma lei, temos duas consequências básicas. Uma é a cessação da ultratividade, portanto a norma deixa de ser aplicada doravante, e a possibilidade de retroação, se houver essa possibilidade. Ao dizer que não tem que devolver, estamos determinando que cesse a ultratividade e que isso é o bastante. Portanto, não se aplica doravante, mas também não tem consequência em relação... E, para isso, tem oito votos. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Inclusive o da Relatora. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Gostaria de saber quais são os oito votos, porque a Relatora não quis entrar nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Inclusive o meu. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Ah, sim! Vossa Excelência disse que não entrava nessa questão. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Já tinha afirmado, com todas as letras, que não havia a menor necessidade. Apenas entendi que não havia necessidade de explicitar, porque tenho aqui oito ou dez precedentes e em nenhum se explicitou. Para mim, era muito tranquilo, a partir, inclusive, da colocação feita pelo Ministro Luís Roberto de que estamos tão acostumados a entender que aquilo que é recebido de boa-fé não exige modulação expressa. O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Vossa Excelência não se opõe, então, a esse entendimento? A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Não. Não só não me oponho, como afirmei que não havia ... O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Então, há oito votos. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (RELATORA) - Há o meu voto nesta linha. Achei que não havia necessidade de lançar um dispositivo diferente dos proclamados neste Plenário tem feito, mas não tenho nenhuma oposição. 4 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 64 de 67 Debate ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que é importante, Ministra Rosa, porque se evitam essa discussão e outras ações individuais, sejam ações populares, civis, de ressarcimento, que a própria Procuradoria do Estado do Paraná teria que propor por dever de ofício, em razão da não explicitação deste ponto. Mas, na medida em que Vossa Excelência concorda com os debates ocorridos, penso que realmente há oito votos nesse sentido. Então, fica registrado que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento deste caso. 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Penso que é importante, Ministra Rosa, porque se evitam essa discussão e outras ações individuais, sejam ações populares, civis, de ressarcimento, que a própria Procuradoria do Estado do Paraná teria que propor por dever de ofício, em razão da não explicitação deste ponto. Mas, na medida em que Vossa Excelência concorda com os debates ocorridos, penso que realmente há oito votos nesse sentido. Então, fica registrado que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento deste caso. 5 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5D9F-1E08-93EB-BFFA e senha 2BAA-86A5-F254-51E9 Inteiro Teor do Acórdão - Página 65 de 67 Voto s/ modulação 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Presidente, submetida a matéria, até por coerência, fico vencido. Entendo que lei contrária à Constituição Federal é natimorta e não produz efeitos. Não agasalho, Presidente, apostando-se inclusive na morosidade da Justiça, a inconstitucionalidade útil. Não se está a cogitar de situação concreta de peões de obra, mas de ex-governadores e daqueles que tiveram, segundo o texto pretérito e já revogado da Constituição do Estado do Paraná, reconhecida pensão. Por isso, peço a Vossa Excelência que registre meu voto no sentido de indeferir ou de não assentar – porque continuo julgando processo objetivo – a desnecessidade de devolução das quantias indevidamente recebidas. Vossa Excelênciamesmo apontou que pode haver ação popular em curso. Pode haver providências já tomadas, no âmbito jurisdicional, pelo próprio Estado. Se, agora, assentar-se que aqueles que receberam quantias não ficam obrigados a devolvê-las, se estará substituindo o Juízo competente para essas ações. Deixe-se que as situações concretas sejam dirimidas no campo propício, que não é aquele revelado pelo controle concentrado de constitucionalidade. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código CDDE-1895-676B-254C e senha A427-E6F9-9263-59F3 Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Presidente, submetida a matéria, até por coerência, fico vencido. Entendo que lei contrária à Constituição Federal é natimorta e não produz efeitos. Não agasalho, Presidente, apostando-se inclusive na morosidade da Justiça, a inconstitucionalidade útil. Não se está a cogitar de situação concreta de peões de obra, mas de ex-governadores e daqueles que tiveram, segundo o texto pretérito e já revogado da Constituição do Estado do Paraná, reconhecida pensão. Por isso, peço a Vossa Excelência que registre meu voto no sentido de indeferir ou de não assentar – porque continuo julgando processo objetivo – a desnecessidade de devolução das quantias indevidamente recebidas. Vossa Excelência mesmo apontou que pode haver ação popular em curso. Pode haver providências já tomadas, no âmbito jurisdicional, pelo próprio Estado. Se, agora, assentar-se que aqueles que receberam quantias não ficam obrigados a devolvê-las, se estará substituindo o Juízo competente para essas ações. Deixe-se que as situações concretas sejam dirimidas no campo propício, que não é aquele revelado pelo controle concentrado de constitucionalidade. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código CDDE-1895-676B-254C e senha A427-E6F9-9263-59F3 Inteiro Teor do Acórdão - Página 66 de 67 Extrato de Ata - 05/12/2019 PLENÁRIO EXTRATO DE ATA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PROCED. : PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) : CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) : MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO (18958/DF, 167075/MG, 2525/PI) E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) : MARILDA DE PAULA SILVEIRA (33954/DF, 90211/MG) INTDO.(A/S) : GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ Decisão: Preliminarmente, o Tribunal, por maioria, rejeitou o pedido de prejuízo da ação, vencidos, neste ponto, os Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli (Presidente). Na sequência, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o pedido formulado na ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, § 5º, da Constituição do Estado do Paraná e, por arrastamento, declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 16.656/2010 e do art. 1º da Lei nº 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. Por maioria, foi decidido que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento desta ação, vencido o Ministro Marco Aurélio. Tudo nos termos do voto da Relatora. Falaram: pelo requerente, o Dr. Oswaldo Pinheiro Ribeiro Júnior; e, pela interessada Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, a Dra. Marilda de Paula Silveira. Afirmou suspeição o Ministro Edson Fachin. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Plenário, 05.12.2019. Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. Presentes à sessão os Senhores Ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Augusto Brandão de Aras. Carmen Lilian Oliveira de Souza Assessora-Chefe do Plenário Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C70E-EC33-44C0-F908 e senha AFDE-CF56-FD45-1324 Supremo Tribunal Federal PLENÁRIO EXTRATO DE ATA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PROCED. : PARANÁ RELATORA : MIN. ROSA WEBER REQTE.(S) : CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL ADV.(A/S) : MARCUS VINICIUS FURTADO COÊLHO (18958/DF, 167075/MG, 2525/PI) E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ ADV.(A/S) : MARILDA DE PAULA SILVEIRA (33954/DF, 90211/MG) INTDO.(A/S) : GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ Decisão: Preliminarmente, o Tribunal, por maioria, rejeitou o pedido de prejuízo da ação, vencidos, neste ponto, os Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli (Presidente). Na sequência, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o pedido formulado na ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 85, § 5º, da Constituição do Estado do Paraná e, por arrastamento, declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 16.656/2010 e do art. 1º da Lei nº 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná. Por maioria, foi decidido que a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento desta ação, vencido o Ministro Marco Aurélio. Tudo nos termos do voto da Relatora. Falaram: pelo requerente, o Dr. Oswaldo Pinheiro Ribeiro Júnior; e, pela interessada Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, a Dra. Marilda de Paula Silveira. Afirmou suspeição o Ministro Edson Fachin. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Plenário, 05.12.2019. Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. Presentes à sessão os Senhores Ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Augusto Brandão de Aras. Carmen Lilian Oliveira de Souza Assessora-Chefe do Plenário Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código C70E-EC33-44C0-F908 e senha AFDE-CF56-FD45-1324 Inteiro Teor do Acórdão - Página 67 de 67 Ementa e Acórdão Antecipação ao Relatório Relatório Voto - MIN. ROSA WEBER Esclarecimento Esclarecimento Observação Voto - MIN. ALEXANDRE DE MORAES Voto - MIN. ROBERTO BARROSO Voto - MIN. LUIZ FUX Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Voto - MIN. GILMAR MENDES Voto - MIN. MARCO AURÉLIO Confirmação de Voto Revisão de Apartes Voto - MIN. DIAS TOFFOLI Proposta Voto s/ modulação Voto s/ modulação Confirmação de Voto Revisão de Apartes Debate Voto s/ modulação Extrato de Ata - 05/12/20191º e 2º da Lei Estadual nº 13.426/2002, do art. 1º da Lei Estadual nº 16.656/2010 e do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná. 9. Requisitadas informações, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná registra que os diplomas legislativos questionados foram introduzidos no ordenamento jurídico estadual “sob o fiel cumprimento às normas regimentais e legais, sujeitando-se a todas as formalidades exigidas, desde sua propositura, discussão, votação e aprovação”. 10. O Governador do Estado do Paraná afirma que a ordem constitucional anterior a 1988 autorizava a instituição de pensão mensal e vitalícia a ocupantes da chefia do Poder Executivo, tanto em nível federal 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR do Paraná. 5. Sustenta que o princípio republicano exige que todos os cidadãos sejam tratados de forma isonômica, sem que tenham benefícios decorrentes de exercício de múnus público temporário. Acrescenta o argumento da violação aos princípios da igualdade e da moralidade, uma vez que o subsídio se baseia em condição unicamente pessoal, sem a devida correlação que pudesse albergar tal benefício. 6. Em aditamento à petição inicial, o autor questiona a constitucionalidade dos arts. 1º e 2º da Lei Estadual paranaense nº 13.426/2002, e do art. 1º da Lei Estadual paranaense nº 16.656/2010, que vinculam o valor da pensão das viúvas de ex-governadores ao montante previsto no art. 85, §5º, da Constituição estadual, argumentando que também violam o art. 37, XIII, da CR. 7. Pede seja concedida medida cautelar, ao argumento de que o numerário referente à pensão mensal e vitalícia em discussão é despesa mensal. Quanto ao fumus boni iuris, alega que neste caso “é translúcido e pode ser observado e provado por meio de simples leitura dos precedentes jurisprudenciais utilizados como paradigmas, reforçado por toda a argumentação e fundamentação expostas”. Com relação ao perigo da demora, explicita que a natureza existe visto que “a vantagem, uma vez concedida e percebida não poderá mais ser desfeita, sendo de difícil recuperação aos cofres públicos”. 8. No mérito, requer a procedência da ação direta para que seja declarada a inconstitucionalidade dos arts. 1º e 2º da Lei Estadual nº 13.426/2002, do art. 1º da Lei Estadual nº 16.656/2010 e do art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná. 9. Requisitadas informações, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná registra que os diplomas legislativos questionados foram introduzidos no ordenamento jurídico estadual “sob o fiel cumprimento às normas regimentais e legais, sujeitando-se a todas as formalidades exigidas, desde sua propositura, discussão, votação e aprovação”. 10. O Governador do Estado do Paraná afirma que a ordem constitucional anterior a 1988 autorizava a instituição de pensão mensal e vitalícia a ocupantes da chefia do Poder Executivo, tanto em nível federal 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 67 Relatório ADI 4545 / PR quanto estadual. Entretanto, a atual Constituição da República não se pronunciou com relação à matéria, e o Supremo Tribunal Federal estabeleceu em duas oportunidades (RP 892 e ADI 1461) que a remuneração de governadores e ex-governadores devem seguir as diretrizes aplicadas em âmbito nacional. Com base nesses argumentos, defendeu a manutenção da representação mensal e vitalícia. 11. A Advocacia-Geral da União manifesta-se pela procedência do pedido (doc. 30). 12. A Procuradoria-Geral da República argumenta pela procedência do pedido deduzido na ação direta de inconstitucionalidade, ao fundamento de violação do princípio republicano (doc. 31). 13. O pedido de amicus curiae feito por pessoa física, o senhor Mario Pereira, foi indeferido, nos termos da decisão monocrática proferida em 26/09/2017 (doc. 39). 14. A Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, por meio de petição, requereu o sobrestamento do do feito pelo período de seis meses, a fim de aguardar o processamento do projeto de emenda à Constituição do Estado, cujo objeto era a alteração do dispositivo impugnado na presente ação (doc. 43). 15. Em decisão monocrática indeferi o pedido de suspensão do feito, conforme justificativa exposta no sentido de que a mera existência de projeto de lei ou de emenda à Constituição não constitui fato impeditivo ou obstativo para o desenvolvimento do processo de caráter objetivo, haja vista o dever da jurisdição constitucional de fiscalizar e decidir sobre a validade de atos normativos impugnados (25.03.2019, doc. 45). 16. Contra a decisão monocrática proferida, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná interpôs agravo regimental, com pedido de reconsideração (doc. 48), ao argumento de que a potencial aprovação da emenda constitucional implicará perda superveniente de objeto do presente processo. Desse modo, justifica a necessidade de sobrestamento do feito, como forma de se preservar o postulado da separação de poderes e preservar a eficiência nas atividades da jurisdição. 17. Requereram a admissão no feito, na qualidade de amici curiae, 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR quanto estadual. Entretanto, a atual Constituição da República não se pronunciou com relação à matéria, e o Supremo Tribunal Federal estabeleceu em duas oportunidades (RP 892 e ADI 1461) que a remuneração de governadores e ex-governadores devem seguir as diretrizes aplicadas em âmbito nacional. Com base nesses argumentos, defendeu a manutenção da representação mensal e vitalícia. 11. A Advocacia-Geral da União manifesta-se pela procedência do pedido (doc. 30). 12. A Procuradoria-Geral da República argumenta pela procedência do pedido deduzido na ação direta de inconstitucionalidade, ao fundamento de violação do princípio republicano (doc. 31). 13. O pedido de amicus curiae feito por pessoa física, o senhor Mario Pereira, foi indeferido, nos termos da decisão monocrática proferida em 26/09/2017 (doc. 39). 14. A Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, por meio de petição, requereu o sobrestamento do do feito pelo período de seis meses, a fim de aguardar o processamento do projeto de emenda à Constituição do Estado, cujo objeto era a alteração do dispositivo impugnado na presente ação (doc. 43). 15. Em decisão monocrática indeferi o pedido de suspensão do feito, conforme justificativa exposta no sentido de que a mera existência de projeto de lei ou de emenda à Constituição não constitui fato impeditivo ou obstativo para o desenvolvimento do processo de caráter objetivo, haja vista o dever da jurisdição constitucional de fiscalizar e decidir sobre a validade de atos normativos impugnados (25.03.2019, doc. 45). 16. Contra a decisão monocrática proferida, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná interpôs agravo regimental, com pedido de reconsideração (doc. 48), ao argumento de que a potencial aprovação da emenda constitucionalimplicará perda superveniente de objeto do presente processo. Desse modo, justifica a necessidade de sobrestamento do feito, como forma de se preservar o postulado da separação de poderes e preservar a eficiência nas atividades da jurisdição. 17. Requereram a admissão no feito, na qualidade de amici curiae, 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 67 Relatório ADI 4545 / PR Orlando Pessuti, ex-Governador do Estado do Paraná (petição nº 25230/2019); e os deputados estaduais Adriano José da Silva, Alexandre Amaro, Emerson Gieliski Bacil, Everton Marcelino de Souza, Fernando Destito Francischini, Fernando Ernandes Martins, Gilson de Souza, Homero Figueiredo Lima e Marchese, José Aparecido Jacovós, José Rodrigues Lemos, Luiz Fernando Guerra Filho, Mabel Cora Canto, Márcio José Pacheco Ramos, Marcos Adriano Ferreira Fruet, Marilei de Souza Lima, Matheus Viniccius Petriv, Mauro Rafael Moraes e Silva, Paulo Rogério do Carmo, Ricardo Arruda Nunes, Rodrigo Tlustik Venek e Washington Lee Abe (petições nºs 30261/2019, 30264/2019 e 36608/2019). Os pedidos foram indeferidos, ao fundamento principal de que são extemporâneos, na medida em protocolados em momento posterior ao marco temporal do encaminhamento do feito à pauta do Plenário, conforme jusrisprudência consolidada deste Supremo tribunal Federal (decisão monocrática proferida em 01.08.2019, doc. 102). 18. A Assembleia Legislativa do Paraná informa no processo a aprovação de Emenda à Constituição do Estado do Paraná n. 43/2019, a qual dispõe sobre a revogação integral do art. 85, §5º, ora contestado. Explicita que, por conta da nova redação do texto constitucional, o art. 1º da Lei n. 16.656/2000 e o art. 1º da Lei n. 13.426/2002 perderam seu fundamento de validade e, por conseguinte, sua eficácia, fato jurídico que configura a situação de perda superveniente de objeto. Aponta precedentes judiciais que se aplicariam. 19. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – CFOAB refuta o argumento de eventual perda superveniente de objeto da presente ação, alegando o interesse e pertinência na análise e decisão acerca da constitucionalidade do ato normativo consistente no art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná, não obstante a alteração que sofreu por meio de emenda. Isso porque, justifica a parte autora, seguem mantidos vigentes na ordem jurídica a pensão mensal vitalícia deferida a ex-Governadores e as respectivas viúvas, uma vez que este ponto não foi objeto de modificação constitucional (petição n. 34116/2019), além do que trata-se de conduta tomada para obstar o controle jurisdicional de 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR Orlando Pessuti, ex-Governador do Estado do Paraná (petição nº 25230/2019); e os deputados estaduais Adriano José da Silva, Alexandre Amaro, Emerson Gieliski Bacil, Everton Marcelino de Souza, Fernando Destito Francischini, Fernando Ernandes Martins, Gilson de Souza, Homero Figueiredo Lima e Marchese, José Aparecido Jacovós, José Rodrigues Lemos, Luiz Fernando Guerra Filho, Mabel Cora Canto, Márcio José Pacheco Ramos, Marcos Adriano Ferreira Fruet, Marilei de Souza Lima, Matheus Viniccius Petriv, Mauro Rafael Moraes e Silva, Paulo Rogério do Carmo, Ricardo Arruda Nunes, Rodrigo Tlustik Venek e Washington Lee Abe (petições nºs 30261/2019, 30264/2019 e 36608/2019). Os pedidos foram indeferidos, ao fundamento principal de que são extemporâneos, na medida em protocolados em momento posterior ao marco temporal do encaminhamento do feito à pauta do Plenário, conforme jusrisprudência consolidada deste Supremo tribunal Federal (decisão monocrática proferida em 01.08.2019, doc. 102). 18. A Assembleia Legislativa do Paraná informa no processo a aprovação de Emenda à Constituição do Estado do Paraná n. 43/2019, a qual dispõe sobre a revogação integral do art. 85, §5º, ora contestado. Explicita que, por conta da nova redação do texto constitucional, o art. 1º da Lei n. 16.656/2000 e o art. 1º da Lei n. 13.426/2002 perderam seu fundamento de validade e, por conseguinte, sua eficácia, fato jurídico que configura a situação de perda superveniente de objeto. Aponta precedentes judiciais que se aplicariam. 19. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – CFOAB refuta o argumento de eventual perda superveniente de objeto da presente ação, alegando o interesse e pertinência na análise e decisão acerca da constitucionalidade do ato normativo consistente no art. 85, §5º, da Constituição do Estado do Paraná, não obstante a alteração que sofreu por meio de emenda. Isso porque, justifica a parte autora, seguem mantidos vigentes na ordem jurídica a pensão mensal vitalícia deferida a ex-Governadores e as respectivas viúvas, uma vez que este ponto não foi objeto de modificação constitucional (petição n. 34116/2019), além do que trata-se de conduta tomada para obstar o controle jurisdicional de 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 67 Relatório ADI 4545 / PR constitucionalidade dos referidos atos. É o relatório dos principais elementos argumentativos do processo. 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR constitucionalidade dos referidos atos. É o relatório dos principais elementos argumentativos do processo. 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E6A3-09A0-FDB3-0818 e senha 405D-8DBF-FAD7-A567 Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO A Senhora Ministra Rosa Weber (Relatora): Problema jurídico constitucional 1. Consoante relatado, trata-se de ação direta de inconstitucionalidade com o objetivo de questionar a validade do § 5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná, preceito normativo que instituiu subsídio mensal e vitalício, a título de representação, a ex- governadores daquela unidade federada, bem como da Lei n. 16.656/2010 e dos arts. 1º e 2º da Lei n. 13.246/2002, do Estado do Paraná, que regulamentam o subsídio e o valor de pensão por morte devida às viúvas dos Governadores de Estado, nos termos do referido art. 85, §5º. 2. Para adequada compreensão da controvérsia constitucional, transcrevo teor do § 5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná: Art. 85. Substituirá o Governador, em caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Governador do Estado. § 5º. Cessada a investidurano cargo de Governador do Estado, quem o tiver exercido em caráter permanente fará jus, a título de representação, desde que não tenha sofrido suspensão dos direitos políticos, a um subsídio mensal e vitalício, igual ao vencimento do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Vida Lei 13.426 de 07/0/2002. Reproduzo a Lei n. 16.656/2010 e os arts. 1º e 2º da Lei n. 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná, igualmente contestadas: Lei 16.656 - 09 de Dezembro de 2010: Dispõe que as viúvas(os) dos(as) governadores do Estado do Paraná, passam a perceber pensão por morte, nos termos que especifica. A Assembléia Legislativa do Estado do Paraná decretou e Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal 05/12/2019 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.545 PARANÁ VOTO A Senhora Ministra Rosa Weber (Relatora): Problema jurídico constitucional 1. Consoante relatado, trata-se de ação direta de inconstitucionalidade com o objetivo de questionar a validade do § 5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná, preceito normativo que instituiu subsídio mensal e vitalício, a título de representação, a ex- governadores daquela unidade federada, bem como da Lei n. 16.656/2010 e dos arts. 1º e 2º da Lei n. 13.246/2002, do Estado do Paraná, que regulamentam o subsídio e o valor de pensão por morte devida às viúvas dos Governadores de Estado, nos termos do referido art. 85, §5º. 2. Para adequada compreensão da controvérsia constitucional, transcrevo teor do § 5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná: Art. 85. Substituirá o Governador, em caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Governador do Estado. § 5º. Cessada a investidura no cargo de Governador do Estado, quem o tiver exercido em caráter permanente fará jus, a título de representação, desde que não tenha sofrido suspensão dos direitos políticos, a um subsídio mensal e vitalício, igual ao vencimento do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Vida Lei 13.426 de 07/0/2002. Reproduzo a Lei n. 16.656/2010 e os arts. 1º e 2º da Lei n. 13.246/2002, ambas do Estado do Paraná, igualmente contestadas: Lei 16.656 - 09 de Dezembro de 2010: Dispõe que as viúvas(os) dos(as) governadores do Estado do Paraná, passam a perceber pensão por morte, nos termos que especifica. A Assembléia Legislativa do Estado do Paraná decretou e Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º. As viúvas(os) dos(as) governadores do Estado do Paraná, passam a perceber pensão por morte, nos mesmos termos do contido no artigo 85, § 5º da Constituição Estadual. Art. 2º. Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Lei 13.426 - 07 de Janeiro de 2002: Dispõe sobre o valor das pensões de que tratam o art. 2º, da Lei nº 7.568/82 e suas posteriores alterações, concedidas a viúvas de exgovernadores, conforme especifica. A Assembléia Legislativa do Estado do Paraná decretou e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º. O valor das pensões de que tratam o art. 2º, da Lei nº 7.568/82 e suas posteriores alterações, concedidas a viúvas de ex-governadores, será igual ao benefício constante do art. 85, § 5º, da Constituição Estadual. Art. 2º. O valor das pensões de viúvas de ex-Deputados Estaduais ficam fixadas em 1/3 (um terço) da remuneração de Deputados Estaduais. 3. Para justificar o alegado vício de inconstitucionalidade, a parte autora identificou como parâmetros normativos constitucionais de controle: a) o princípio da separação de poderes, ao argumento de que matéria deveria ser regulamentada por legislação ordinária, com a participação do Poder Executivo, b) o art. 39, §4º, que não autoriza instituição de subsídio em favor de quem não é ocupante de cargo público, c) os arts. 195, §5º, e 201, §1º, ao fundamento de que ex- Governadores se submetem ao Regime Geral de Previdência, instituído no art. 40, §13, d) o art. 25, caput, porquanto não existe fundamento ou disciplina na Constituição Federal acerca da concessão de subsídio para ex-Chefe do Poder Executivo Federal, e) o art. 37, XIII, em decorrência da vinculação do subsídio a ser percebido pelo ex-Governador ao subsídio de Desembargador do Tribunal de Justiça daquele Estado, f) os princípios republicano, da impessoalidade e da moralidade administrativa. 4. Conforme informou a Assembleia Legislativa do Estado do 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º. As viúvas(os) dos(as) governadores do Estado do Paraná, passam a perceber pensão por morte, nos mesmos termos do contido no artigo 85, § 5º da Constituição Estadual. Art. 2º. Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Lei 13.426 - 07 de Janeiro de 2002: Dispõe sobre o valor das pensões de que tratam o art. 2º, da Lei nº 7.568/82 e suas posteriores alterações, concedidas a viúvas de exgovernadores, conforme especifica. A Assembléia Legislativa do Estado do Paraná decretou e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º. O valor das pensões de que tratam o art. 2º, da Lei nº 7.568/82 e suas posteriores alterações, concedidas a viúvas de ex-governadores, será igual ao benefício constante do art. 85, § 5º, da Constituição Estadual. Art. 2º. O valor das pensões de viúvas de ex-Deputados Estaduais ficam fixadas em 1/3 (um terço) da remuneração de Deputados Estaduais. 3. Para justificar o alegado vício de inconstitucionalidade, a parte autora identificou como parâmetros normativos constitucionais de controle: a) o princípio da separação de poderes, ao argumento de que matéria deveria ser regulamentada por legislação ordinária, com a participação do Poder Executivo, b) o art. 39, §4º, que não autoriza instituição de subsídio em favor de quem não é ocupante de cargo público, c) os arts. 195, §5º, e 201, §1º, ao fundamento de que ex- Governadores se submetem ao Regime Geral de Previdência, instituído no art. 40, §13, d) o art. 25, caput, porquanto não existe fundamento ou disciplina na Constituição Federal acerca da concessão de subsídio para ex-Chefe do Poder Executivo Federal, e) o art. 37, XIII, em decorrência da vinculação do subsídio a ser percebido pelo ex-Governador ao subsídio de Desembargador do Tribunal de Justiça daquele Estado, f) os princípios republicano, da impessoalidade e da moralidade administrativa. 4. Conforme informou a Assembleia Legislativa do Estado do 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR Paraná, o §5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná foi expressamente revogado pela Emenda Constitucional n. 43/2019, após o ajuizamento do presente feito e em momento posterior à suainclusão em pauta. Transcrevo a nova redação do texto da constituição estadual: Art. 1º Revoga o §5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná. Art. 2 Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. Legitimidade Ativa 5. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil é a parte autora da presente ação direta. A legitimidade ativa universal do requerente é atribuída pela norma constitucional do art. 103, VII, bem como replicado na legislação processual da jurisdição constitucional, especificamente no art. 2º, VII, da Lei n. 9.868/99, não havendo qualquer dúvida normativa acerca da sua interpretação e incidência nos casos das ações constitucionais que compõem o quadro do controle normativo abstrato. Potencial Perda Superveniente do Objeto da Ação 6. A jurisprudência desta Suprema Corte é firme no sentido de que a revogação da norma impugnada, após o ajuizamento da ação direta de inconstitucionalidade e antes da inclusão no processo em pauta, acarreta a perda superveniente do seu objeto, independentemente da existência de efeitos residuais concretos dela decorrentes. Isso porque, vocacionada essa espécie de ação constitucional a assegurar a higidez da ordem jurídica vigente, o interesse na tutela judicial pressupõe, em consequência, ato normativo em vigor. Nesse sentido, o precedente judicial abaixo identificado: “Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Lei 15.227/2006 do Estado do Paraná objeto de fiscalização abstrata. 3. Superveniência da Lei estadual 15.744/2007 que, expressamente, 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR Paraná, o §5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná foi expressamente revogado pela Emenda Constitucional n. 43/2019, após o ajuizamento do presente feito e em momento posterior à sua inclusão em pauta. Transcrevo a nova redação do texto da constituição estadual: Art. 1º Revoga o §5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná. Art. 2 Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. Legitimidade Ativa 5. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil é a parte autora da presente ação direta. A legitimidade ativa universal do requerente é atribuída pela norma constitucional do art. 103, VII, bem como replicado na legislação processual da jurisdição constitucional, especificamente no art. 2º, VII, da Lei n. 9.868/99, não havendo qualquer dúvida normativa acerca da sua interpretação e incidência nos casos das ações constitucionais que compõem o quadro do controle normativo abstrato. Potencial Perda Superveniente do Objeto da Ação 6. A jurisprudência desta Suprema Corte é firme no sentido de que a revogação da norma impugnada, após o ajuizamento da ação direta de inconstitucionalidade e antes da inclusão no processo em pauta, acarreta a perda superveniente do seu objeto, independentemente da existência de efeitos residuais concretos dela decorrentes. Isso porque, vocacionada essa espécie de ação constitucional a assegurar a higidez da ordem jurídica vigente, o interesse na tutela judicial pressupõe, em consequência, ato normativo em vigor. Nesse sentido, o precedente judicial abaixo identificado: “Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Lei 15.227/2006 do Estado do Paraná objeto de fiscalização abstrata. 3. Superveniência da Lei estadual 15.744/2007 que, expressamente, 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR revogou a norma questionada. 4. Remansosa jurisprudência deste Tribunal tem assente que sobrevindo diploma legal revogador ocorre a perda de objeto. Precedentes. 5. Ação direta de inconstitucionalidade prejudicada.” (ADI 3885/PR, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 28.6.2013) Na mesma linha de raciocínio jurídico, ainda: ADI 4240/MS (Relator Ministro Edson Fachin, decisão monocrática, DJe 05.11.2015); ADI 4379- AgR/MT (Relator Ministro Gilmar Mendes, decisão monocrática, DJe 04.11.2015); ADI 5116/DF (Relatora Ministra Cármen Lúcia, decisão monocrática, DJe 01.10.2015); ADI 4665/DF (Relator Ministro Teori Zavascki, decisão monocrática, DJe 03.08.2015); ADI 4035/DF (Relatora Ministra Rosa Weber, decisão monocrática, DJe 27.6.2013). 7. Noutro giro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal formou precedentes que definiram interpretação jurídica no sentido da inocorrência de prejuízo ao prosseguimento da ação constitucional, na hipótese de revogação superveniente de ato normativo questionado, quando (i) houver impugnação da norma a tempo e modo adequado; (ii) o feito for incluído em pauta antes do exaurimento da eficácia da lei de caráter temporário; (iii) se fizer presente a possibilidade de que reflexos do ato normativo estejam em curso e (iv) casos em que há indícios de fraude à atuação da jurisdição constitucional. Identifico abaixo os precedentes: CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. EMBRAGOS DE DECLARAÇÃO. REVOGAÇÃO DA NORMA OBJETO DA AÇÃO DIRETA. COMUNICAÇÃO APÓS O JULGAMENTO DO MÉRITO. DESPROVIMENTO. 1. Há jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal no sentido de que a revogação da norma cuja constitucionalidade é questionada pro meio de ação direta enseja a perda superveniente do objeto da ação. Nesse sentido: ADI 709 ADI 709, Rel. Min. Paulo Brossard, DJ, 20.05.1994; ADI 1442, Rel. Min. Celso de Mello, DJ, 29.04.2005; ADI 4620-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Dje, 01.08.2012. 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR revogou a norma questionada. 4. Remansosa jurisprudência deste Tribunal tem assente que sobrevindo diploma legal revogador ocorre a perda de objeto. Precedentes. 5. Ação direta de inconstitucionalidade prejudicada.” (ADI 3885/PR, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 28.6.2013) Na mesma linha de raciocínio jurídico, ainda: ADI 4240/MS (Relator Ministro Edson Fachin, decisão monocrática, DJe 05.11.2015); ADI 4379- AgR/MT (Relator Ministro Gilmar Mendes, decisão monocrática, DJe 04.11.2015); ADI 5116/DF (Relatora Ministra Cármen Lúcia, decisão monocrática, DJe 01.10.2015); ADI 4665/DF (Relator Ministro Teori Zavascki, decisão monocrática, DJe 03.08.2015); ADI 4035/DF (Relatora Ministra Rosa Weber, decisão monocrática, DJe 27.6.2013). 7. Noutro giro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal formou precedentes que definiram interpretação jurídica no sentido da inocorrência de prejuízo ao prosseguimento da ação constitucional, na hipótese de revogação superveniente de ato normativo questionado, quando (i) houver impugnação da norma a tempo e modo adequado; (ii) o feito for incluído em pauta antes do exaurimento da eficácia da lei de caráter temporário; (iii) se fizer presente a possibilidade de que reflexos do ato normativo estejam em curso e (iv) casos em que há indícios de fraude à atuação da jurisdição constitucional. Identifico abaixo os precedentes: CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE.EMBRAGOS DE DECLARAÇÃO. REVOGAÇÃO DA NORMA OBJETO DA AÇÃO DIRETA. COMUNICAÇÃO APÓS O JULGAMENTO DO MÉRITO. DESPROVIMENTO. 1. Há jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal no sentido de que a revogação da norma cuja constitucionalidade é questionada pro meio de ação direta enseja a perda superveniente do objeto da ação. Nesse sentido: ADI 709 ADI 709, Rel. Min. Paulo Brossard, DJ, 20.05.1994; ADI 1442, Rel. Min. Celso de Mello, DJ, 29.04.2005; ADI 4620-AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Dje, 01.08.2012. 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR 2. Excepcionam-se desse entendimento os casos em que há indícios de fraude à jurisdição da Corte, como, a título de ilustração, quando a norma é revogada com o propósito de evitar a declaração da sua inconstitucionalidade. Nessa linha: ADI 3306, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe, 07.06.2011. 3. Excepcionam-se, ainda, as ações diretas que tenham por objeto leis de eficácia temporária, quando: (i) houve impugnação em tempo adequado, (ii) a ação foi incluída em pauta e (iii) seu julgamento foi iniciado antes do exaurimento da eficácia. Nesse sentido: ADI 5287, Rel. Min. Luiz Fux, Dje, 12.09.2016; ADI 4.426, Rel. Min. Dias Toffoli, Dje, 17.05.2011; ADI 3.146/DF, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ, 19.12.2006. 4. Com maior razão, a prejudicialidade da ação direta também deve ser afastada nas ações cujo mérito já foi decidido, em especial se a revogação da lei só veio a ser arguida posteriormente, em sede de embargos de declaração. Nessa última hipótese, é preciso não apenas impossibilitar a fraude à jurisdição da Corte e minimizar os ônus decorrentes da demora na prestação da tutela jurisdicional, mas igualmente preservar o trabalho já efetuado pelo Tribunal, bem como evitar que a constatação da efetiva violação à ordem constitucional se torne inócua. 5. Embargos de declaração desprovidos. (ADI 951 ED, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-134 DIVULG 20- 06-2017 PUBLIC 21-06-2017) “Ação Direta de Inconstitucionalidade. CONAMP. Artigo 6º da Lei nº 14.506, de 16 de novembro de 2009, do Estado do Ceará. Fixação de limites de despesa com a folha de pagamento dos servidores estaduais do Poder Executivo, do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Ministério Público estadual. Conhecimento parcial. Inconstitucionalidade. 1. Singularidades do caso afastam, excepcionalmente, a aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a prejudicialidade da ação, visto que houve impugnação em 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR 2. Excepcionam-se desse entendimento os casos em que há indícios de fraude à jurisdição da Corte, como, a título de ilustração, quando a norma é revogada com o propósito de evitar a declaração da sua inconstitucionalidade. Nessa linha: ADI 3306, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe, 07.06.2011. 3. Excepcionam-se, ainda, as ações diretas que tenham por objeto leis de eficácia temporária, quando: (i) houve impugnação em tempo adequado, (ii) a ação foi incluída em pauta e (iii) seu julgamento foi iniciado antes do exaurimento da eficácia. Nesse sentido: ADI 5287, Rel. Min. Luiz Fux, Dje, 12.09.2016; ADI 4.426, Rel. Min. Dias Toffoli, Dje, 17.05.2011; ADI 3.146/DF, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ, 19.12.2006. 4. Com maior razão, a prejudicialidade da ação direta também deve ser afastada nas ações cujo mérito já foi decidido, em especial se a revogação da lei só veio a ser arguida posteriormente, em sede de embargos de declaração. Nessa última hipótese, é preciso não apenas impossibilitar a fraude à jurisdição da Corte e minimizar os ônus decorrentes da demora na prestação da tutela jurisdicional, mas igualmente preservar o trabalho já efetuado pelo Tribunal, bem como evitar que a constatação da efetiva violação à ordem constitucional se torne inócua. 5. Embargos de declaração desprovidos. (ADI 951 ED, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-134 DIVULG 20- 06-2017 PUBLIC 21-06-2017) “Ação Direta de Inconstitucionalidade. CONAMP. Artigo 6º da Lei nº 14.506, de 16 de novembro de 2009, do Estado do Ceará. Fixação de limites de despesa com a folha de pagamento dos servidores estaduais do Poder Executivo, do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Ministério Público estadual. Conhecimento parcial. Inconstitucionalidade. 1. Singularidades do caso afastam, excepcionalmente, a aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a prejudicialidade da ação, visto que houve impugnação em 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR tempo adequado e a sua inclusão em pauta antes do exaurimento da eficácia da lei temporária impugnada, existindo a possibilidade de haver efeitos em curso (art. 7º da Lei 14.506/2009).(...)” (ADI 4356/CE, Relator Ministro Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgamento em 09.02.2011, DJe 12.5.2011, destaquei) “Ação Direta de Inconstitucionalidade. AMB. Lei nº 14.506, de 16 de novembro de 2009, do Estado do Ceará. Fixação de limites de despesa com a folha de pagamento dos servidores estaduais do Poder Executivo, do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Ministério Público estadual. Conhecimento parcial. Inconstitucionalidade. 1. Singularidades do caso afastam, excepcionalmente, a aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a prejudicialidade da ação, visto que houve impugnação em tempo adequado e a sua inclusão em pauta antes do exaurimento da eficácia da lei temporária impugnada, existindo a possibilidade de haver efeitos em curso (art. 7º da Lei 14.506/2009). (...)” (ADI 4426/CE, Relator Ministro Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgamento em 09.02.2011, DJe 18.5.2011) “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. PROCESSO LEGISLATIVO. MEDIDA PROVISÓRIA. TRANCAMENTO DE PAUTA. ART. 62, §6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Preliminar de prejudicialidade: dispositivo de norma cuja eficácia foi limitada até 31.12.2005. Inclusão em pauta do processo antes do exaurimento da eficácia da norma temporária impugnada. Julgamento posterior ao exaurimento. Circunstâncias do caso afastam a aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a prejudicialidade da ação, visto que o requerente impugnou a norma em tempo adequado. Conhecimento da ação. A Constituição federal, ao dispor regras sobre processo legislativo, permite o controle judicial da regularidade do 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDFe senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR tempo adequado e a sua inclusão em pauta antes do exaurimento da eficácia da lei temporária impugnada, existindo a possibilidade de haver efeitos em curso (art. 7º da Lei 14.506/2009).(...)” (ADI 4356/CE, Relator Ministro Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgamento em 09.02.2011, DJe 12.5.2011, destaquei) “Ação Direta de Inconstitucionalidade. AMB. Lei nº 14.506, de 16 de novembro de 2009, do Estado do Ceará. Fixação de limites de despesa com a folha de pagamento dos servidores estaduais do Poder Executivo, do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Ministério Público estadual. Conhecimento parcial. Inconstitucionalidade. 1. Singularidades do caso afastam, excepcionalmente, a aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a prejudicialidade da ação, visto que houve impugnação em tempo adequado e a sua inclusão em pauta antes do exaurimento da eficácia da lei temporária impugnada, existindo a possibilidade de haver efeitos em curso (art. 7º da Lei 14.506/2009). (...)” (ADI 4426/CE, Relator Ministro Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgamento em 09.02.2011, DJe 18.5.2011) “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. PROCESSO LEGISLATIVO. MEDIDA PROVISÓRIA. TRANCAMENTO DE PAUTA. ART. 62, §6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Preliminar de prejudicialidade: dispositivo de norma cuja eficácia foi limitada até 31.12.2005. Inclusão em pauta do processo antes do exaurimento da eficácia da norma temporária impugnada. Julgamento posterior ao exaurimento. Circunstâncias do caso afastam a aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a prejudicialidade da ação, visto que o requerente impugnou a norma em tempo adequado. Conhecimento da ação. A Constituição federal, ao dispor regras sobre processo legislativo, permite o controle judicial da regularidade do 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR processo. Exceção à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a impossibilidade de revisão jurisdicional em matéria interna corporis. Precedente. Alegação de inconstitucionalidade formal: nulidade do processo legislativo em que foi aprovado projeto de lei enquanto pendente a leitura de medida provisória numa das Casas do Congresso Nacional, para os efeitos do sobrestamento a que se refere o art. 62, § 6º, da Constituição federal. Medida provisória que trancaria a pauta lida após a aprovação do projeto que resultou na lei atacada. Ausência de demonstração de abuso ante as circunstâncias do caso. Ação direta conhecida, mas julgada improcedente.” (ADI 3146/DF, Relator Ministro Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, julgamento em 11.5.2006, DJ 19.12.2006, destaquei) 8. No caso em exame, verifica-se a presença de circunstâncias aptas a afastar a prejudicialidade da ação, por perda superveniente de objeto, tendo em vista que, não obstante a revogação expressa do §5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná, a ação direta foi ajuizada em 28.01.2011, tendo sido liberada para inclusão em Pauta no dia 14.02.2019 para julgamento pelo Plenário. Mais especificamente, cumpre registrar que a questão constitucional controversa foi objeto de diversas ações constitucionais ajuizadas pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados, como a ADI 5.473, ADI 4.601, ADI 5.767, ADI 3.418, ADI 4.544, ADI 4.555, ADI 4.601, ADI 3.418, ADI 3853, ADI 3.771, ADI 1.461. A partir das deliberações e decisões tomadas pelo Plenário desta Suprema Corte, precedentes foram definidos no sentido da inconstitucionalidade da previsão de concessão de subsídios vitalícios a ex-Governadores. A Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, em decorrência de projeto de reforma constitucional iniciado para discutir a questão ora controversa, requereu sobrestamento do feito em 25.02.2019. O pedido foi indeferido em 25.03.2019, ao argumento de que realizado em momento posterior à liberação do processo para pauta de julgamento e sua respectiva inclusão em lista de julgamento. 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Supremo Tribunal Federal ADI 4545 / PR processo. Exceção à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a impossibilidade de revisão jurisdicional em matéria interna corporis. Precedente. Alegação de inconstitucionalidade formal: nulidade do processo legislativo em que foi aprovado projeto de lei enquanto pendente a leitura de medida provisória numa das Casas do Congresso Nacional, para os efeitos do sobrestamento a que se refere o art. 62, § 6º, da Constituição federal. Medida provisória que trancaria a pauta lida após a aprovação do projeto que resultou na lei atacada. Ausência de demonstração de abuso ante as circunstâncias do caso. Ação direta conhecida, mas julgada improcedente.” (ADI 3146/DF, Relator Ministro Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, julgamento em 11.5.2006, DJ 19.12.2006, destaquei) 8. No caso em exame, verifica-se a presença de circunstâncias aptas a afastar a prejudicialidade da ação, por perda superveniente de objeto, tendo em vista que, não obstante a revogação expressa do §5º do art. 85 da Constituição do Estado do Paraná, a ação direta foi ajuizada em 28.01.2011, tendo sido liberada para inclusão em Pauta no dia 14.02.2019 para julgamento pelo Plenário. Mais especificamente, cumpre registrar que a questão constitucional controversa foi objeto de diversas ações constitucionais ajuizadas pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados, como a ADI 5.473, ADI 4.601, ADI 5.767, ADI 3.418, ADI 4.544, ADI 4.555, ADI 4.601, ADI 3.418, ADI 3853, ADI 3.771, ADI 1.461. A partir das deliberações e decisões tomadas pelo Plenário desta Suprema Corte, precedentes foram definidos no sentido da inconstitucionalidade da previsão de concessão de subsídios vitalícios a ex-Governadores. A Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, em decorrência de projeto de reforma constitucional iniciado para discutir a questão ora controversa, requereu sobrestamento do feito em 25.02.2019. O pedido foi indeferido em 25.03.2019, ao argumento de que realizado em momento posterior à liberação do processo para pauta de julgamento e sua respectiva inclusão em lista de julgamento. 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 317F-DC24-AE5B-5FDF e senha EBAC-2A9A-D558-B6BB Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 67 Voto - MIN. ROSA WEBER ADI 4545 / PR Acrescento que a revogação do ato normativo ora impugnado não explicitou regra acerca dos efeitos produzidos pela norma constitucional no seu período de vigência. Garantiu-se apenas a mudança do ordenamento jurídico paranaense para as situações futuras, fato jurídico que implica diversos desdobramentos de atos inconstitucionais pretéritos. Esse quadro normativo resultado da revogação do ato normativo, em momento posterior a sua liberação para julgamento,