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Ementa e Acórdão 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN TETO CONSTITUCIONAL – PENSÃO – REMUNERAÇÃO OU PROVENTO – ACUMULAÇÃO – ALCANCE. Ante situação jurídica surgida em data posterior à Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, cabível é considerar, para efeito de teto, o somatório de valores percebidos a título de remuneração, proventos e pensão. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em, apreciando o tema 359 da repercussão geral, prover o recurso extraordinário para indeferir a ordem, nos termos do voto do relator e por maioria. Em seguida, foi fixada a seguinte tese: “Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por servidor”, em sessão realizada por videoconferência, em 6 de agosto de 2020, presidida pelo Ministro Dias Toffoli, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B81B-C0D8-2AF0-1365 e senha 33C7-D631-3C00-EDCA Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 58 Ementa e Acórdão RE 602584 / DF Brasília, 6 de agosto de 2020. MINISTRO MARCO AURÉLIO – RELATOR 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B81B-C0D8-2AF0-1365 e senha 33C7-D631-3C00-EDCA Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Brasília, 6 de agosto de 2020. MINISTRO MARCO AURÉLIO – RELATOR 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B81B-C0D8-2AF0-1365 e senha 33C7-D631-3C00-EDCA Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 58 Relatório 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN R E L A T Ó R I O O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – O assessor Dr. Vinicius de Andrade Prado prestou as seguintes informações: O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, no julgamento do mandado de segurança nº 2005.00.2.007788-9, assentou a não incidência do teto constitucional remuneratório sobre a soma dos valores recebidos, por servidora, a título de pensão por morte e os vencimentos alusivos à remuneração de cargo público efetivo. Consignou tratar-se de direitos decorrentes de fatos geradores distintos. Deferiu parcialmente a ordem pleiteada, determinando à União que, para efeito de aplicação do teto, considerasse individualmente as quantias percebidas. O acórdão impugnado, de folha 117 a 133, encontra-se assim ementado: MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN R E L A T Ó R I O O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – O assessor Dr. Vinicius de Andrade Prado prestou as seguintes informações: O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, no julgamento do mandado de segurança nº 2005.00.2.007788-9, assentou a não incidência do teto constitucional remuneratório sobre a soma dos valores recebidos, por servidora, a título de pensão por morte e os vencimentos alusivos à remuneração de cargo público efetivo. Consignou tratar-se de direitos decorrentes de fatos geradores distintos. Deferiu parcialmente a ordem pleiteada, determinando à União que, para efeito de aplicação do teto, considerasse individualmente as quantias percebidas. O acórdão impugnado, de folha 117 a 133, encontra-se assim ementado: MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 58 Relatório RE 602584 / DF 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX- SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE. Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal. Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata- se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tende o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto em particular, a fim de se determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente. (Mandado de segurança nº 2005.00.2.007788-9, Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distritotambém se operou no julgamento do RE 602.043. Naquela oportunidade, afirmei que: “A redação original do inciso XI do artigo 37 da Constituição já previa a necessidade de adequação ao teto remuneratório de qualquer parcela de vencimentos ou proventos e não fazia nenhuma ressalva quanto às vantagens pessoais ou quaisquer outros adicionais. 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF 02.10.2014). Tal como manifestei quando da apreciação do já referido RE 602.043, da leitura da ementa acima reproduzida se pode haurir que as principais teses referentes à interpretação e à aplicação do art. 37, XI, CRFB, foram definidas no julgamento do RE 609.381. A garantia de irredutibilidade, por exemplo, só se aplica se o padrão remuneratório nominal tenha sido obtido de acordo com o direito e se ele estiver compreendido dentro do limite máximo fixado pela CRFB. Ademais, nos termos do art. 17 do ADCT, os valores que ultrapassam o teto remuneratório devem ser ajustados, sem que o servidor possa alegar direito adquirido. Finalmente, a alteração promovida pela Emenda Constitucional 41/03 tem aplicação imediata. O caso dos autos, entretanto, comporta especificidade em relação a esse precedente. Isso porque está em causa saber se é constitucional a incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao montante que resulta de acumulação de proventos de aposentadoria com benefício de pensão por morte. Uma vez autorizada a cumulação, eis que os proventos e o benefício têm fatos geradores distintos e cumpre indagar se os servidores inativos que se encontrem nessa situação devem também obedecer ao limite exposto no art. 37, XI, da CRFB. Em meu sentir, a resposta é afirmativa. No voto que proferi no RE 606.358, Rel. Ministra Rosa Weber, Pleno, DJe 07.04.2016, pude rememorar, seguindo o caminho indicado pelo Ministro Teori Zavascki, o histórico da interpretação constitucional fixada pelo Supremo Tribunal Federal relativamente ao teto remuneratório, digressão que também se operou no julgamento do RE 602.043. Naquela oportunidade, afirmei que: “A redação original do inciso XI do artigo 37 da Constituição já previa a necessidade de adequação ao teto remuneratório de qualquer parcela de vencimentos ou proventos e não fazia nenhuma ressalva quanto às vantagens pessoais ou quaisquer outros adicionais. 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF À época, como bem ressaltou o Min. Teori, a controvérsia instaurada perante esta Corte dizia respeito à compatibilidade entre esse dispositivo e a redação original do art. 39, §1º, o qual colocava a salvo da isonomia de vencimentos, justamente, as vantagens de natureza individual e as decorrentes da natureza ou local de trabalho; e por esse motivo, as vantagens pessoais foram excluídas do teto remuneratório, conforme precedente na ADI 14 e demais julgados que se seguiram a ele. Com a Reforma Administrativa introduzida pela Emenda Constitucional nº 19/98, tentou-se uma primeira correção interpretativa do disposto na redação original do texto constitucional, extirpando a previsão da isonomia de vencimentos e, ademais, modificando a redação do artigo 7, XI, tornando explícita a inclusão das vantagens pessoais no teto remuneratório. Nada obstante, como a lei de iniciativa conjunta dos Chefes do Poder Executivo e do Judiciário, e dos Presidentes da Câmara e do Senado, para definição da remuneração dos Ministros do Supremo Tribunal Federal jamais adveio, esta Corte manteve o entendimento anteriormente exposto, no sentido de considerar excluídas do limite as verbas de natureza pessoal. Nova Emenda Constitucional, de nº 41/2003, intentou colocar fim à controvérsia, incluindo expressamente no teto remuneratório as vantagens pessoais e, no art. 8º, dispondo que o teto a ser considerado seria a maior remuneração percebida por Ministro do Supremo Tribunal Federal, até que fosse fixado por lei o valor do subsídio do cargo. Essa análise leva à inarredável conclusão de que a EC nº 41/2003 não instituiu o teto remuneratório do serviço público, ele existe desde a promulgação da Constituição Federal, por expressa manifestação do Constituinte originário. Retornando ao caso em debate, questiona-se se, com a nova conformação do artigo 37, inciso XI da 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF À época, como bem ressaltou o Min. Teori, a controvérsia instaurada perante esta Corte dizia respeito à compatibilidade entre esse dispositivo e a redação original do art. 39, §1º, o qual colocava a salvo da isonomia de vencimentos, justamente, as vantagens de natureza individual e as decorrentes da natureza ou local de trabalho; e por esse motivo, as vantagens pessoais foram excluídas do teto remuneratório, conforme precedente na ADI 14 e demais julgados que se seguiram a ele. Com a Reforma Administrativa introduzida pela Emenda Constitucional nº 19/98, tentou-se uma primeira correção interpretativa do disposto na redação original do texto constitucional, extirpando a previsão da isonomia de vencimentos e, ademais, modificando a redação do artigo 7, XI, tornando explícita a inclusão das vantagens pessoais no teto remuneratório. Nada obstante, como a lei de iniciativa conjunta dos Chefes do Poder Executivo e do Judiciário, e dos Presidentes da Câmara e do Senado, para definição da remuneração dos Ministros do Supremo Tribunal Federal jamais adveio, esta Corte manteve o entendimento anteriormente exposto, no sentido de considerar excluídas do limite as verbas de natureza pessoal. Nova Emenda Constitucional, de nº 41/2003, intentou colocar fim à controvérsia, incluindo expressamente no teto remuneratório as vantagens pessoais e, no art. 8º, dispondo que o teto a ser considerado seria a maior remuneração percebida por Ministro do Supremo Tribunal Federal, até que fosse fixado por lei o valor do subsídio do cargo. Essa análise leva à inarredável conclusão de que a EC nº 41/2003 não instituiu o teto remuneratório do serviço público, ele existe desde a promulgação da Constituição Federal, por expressa manifestação do Constituinte originário. Retornando ao caso em debate, questiona-se se, com a nova conformação do artigo 37, inciso XI da 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 20 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 41/2003, é possível que as vantagens pessoais adquiridas pelos servidores sejam excluídas do teto remuneratório fixado no dispositivo em comento, pelo princípio da irredutibilidadedos vencimentos.” Essa manifestação traz um histórico sobre a interpretação que esta Corte, no âmbito do precedente firmado no RE 609.381, atribuiu ao instituto do teto constitucional. Embora essa rememoração permita avaliar o valor que o constituinte originário atribui ao tema, é preciso reconhecer que o caso do autos apresenta particularidades. Registre-se que, na vigência da Emenda de 1969, esta Corte dedicou- se a reconhecer como possíveis a acumulação de proventos e vencimentos quando os cargos, funções ou empregos fossem acumuláveis na atividade, veja-se, v.g., o RE 81.729, Rel. Ministro Xavier de Albuquerque, Segunda Turma, DJ 19.09.1975. Com base nesse regime constitucional, o Supremo reconheceu que aqueles que tinha se aposentado observando as regras da Constituição de 1969 tinham direito à percepção cumulada de proventos, veja-se, por exemplo, o MS 24.952, Rel. Ministro Carlos Britto, Pleno, DJ 03.02.2006. A redação original da Constituição de 1988 manteve disposições semelhantes à redação dada pelo regime anterior. O artigo 37, XVI, dispunha, em sua redação original, que: “Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte: (…) XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários: a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 41/2003, é possível que as vantagens pessoais adquiridas pelos servidores sejam excluídas do teto remuneratório fixado no dispositivo em comento, pelo princípio da irredutibilidade dos vencimentos.” Essa manifestação traz um histórico sobre a interpretação que esta Corte, no âmbito do precedente firmado no RE 609.381, atribuiu ao instituto do teto constitucional. Embora essa rememoração permita avaliar o valor que o constituinte originário atribui ao tema, é preciso reconhecer que o caso do autos apresenta particularidades. Registre-se que, na vigência da Emenda de 1969, esta Corte dedicou- se a reconhecer como possíveis a acumulação de proventos e vencimentos quando os cargos, funções ou empregos fossem acumuláveis na atividade, veja-se, v.g., o RE 81.729, Rel. Ministro Xavier de Albuquerque, Segunda Turma, DJ 19.09.1975. Com base nesse regime constitucional, o Supremo reconheceu que aqueles que tinha se aposentado observando as regras da Constituição de 1969 tinham direito à percepção cumulada de proventos, veja-se, por exemplo, o MS 24.952, Rel. Ministro Carlos Britto, Pleno, DJ 03.02.2006. A redação original da Constituição de 1988 manteve disposições semelhantes à redação dada pelo regime anterior. O artigo 37, XVI, dispunha, em sua redação original, que: “Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte: (…) XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários: a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 21 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF c) a de dois cargos privativos de médico; XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;” Observe-se que não havia, nos textos desses dispositivos, qualquer remissão à previsão legal do teto remuneratório, constante do art. 37, XI, da Constituição Federal, cujo versão original era a seguinte: “Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte: (…) XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos Poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como remuneração, em espécie, pelo Prefeito;” Não surpreende, portanto, que, quando do exame das questões que surgiram após o advento do novo texto constitucional, a Corte mantivesse, inicialmente, a mesma compreensão delineada anteriormente, ressalvada a acumulação de proventos e vencimentos ante proibição constante do art. 37, XVI. Confira-se: “CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PROVENTOS E VENCIMENTOS: ACUMULAÇÃO. C.F., art. 37, XVI, XVII. I. - A acumulação de proventos e 11 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF c) a de dois cargos privativos de médico; XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;” Observe-se que não havia, nos textos desses dispositivos, qualquer remissão à previsão legal do teto remuneratório, constante do art. 37, XI, da Constituição Federal, cujo versão original era a seguinte: “Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte: (…) XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos Poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como remuneração, em espécie, pelo Prefeito;” Não surpreende, portanto, que, quando do exame das questões que surgiram após o advento do novo texto constitucional, a Corte mantivesse, inicialmente, a mesma compreensão delineada anteriormente, ressalvada a acumulação de proventos e vencimentos anteproibição constante do art. 37, XVI. Confira-se: “CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PROVENTOS E VENCIMENTOS: ACUMULAÇÃO. C.F., art. 37, XVI, XVII. I. - A acumulação de proventos e 11 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 22 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF vencimentos somente e permitida quando se tratar de cargos, funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma permitida pela Constituição. C.F., art. 37, XVI, XVII; art. 95, parágrafo único, I. Na vigência da Constituição de 1946, art. 185, que continha norma igual a que está inscrita no art. 37, XVI, CF/88, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era no sentido da impossibilidade da acumulação de proventos com vencimentos, salvo se os cargos de que decorrem essas remunerações fossem acumuláveis. II. - Precedentes do STF: RE-81729-SP, ERE-68480, MS-19902, RE-77237-SP, RE-76241-RJ. III. - R.E. conhecido e provido.” (RE 163204, Rel. Min. Carlos Velloso, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.1994). Registre-se que, quando da votação deste importante precedente, o e. Ministro Marco Aurélio divergiu da maioria, por entender que a Constituição de 1988 não previu, expressamente, a proibição de acumulação entre proventos e vencimentos. O regime constitucional sofreu, porém, duas alterações fundamentais. A primeira diz respeito à Emenda Constitucional n. 19 que alterou os incisos XI e XVI do art. 37 da Constituição: “Art. 37 (…) XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal; (…) XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI;” 12 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF vencimentos somente e permitida quando se tratar de cargos, funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma permitida pela Constituição. C.F., art. 37, XVI, XVII; art. 95, parágrafo único, I. Na vigência da Constituição de 1946, art. 185, que continha norma igual a que está inscrita no art. 37, XVI, CF/88, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era no sentido da impossibilidade da acumulação de proventos com vencimentos, salvo se os cargos de que decorrem essas remunerações fossem acumuláveis. II. - Precedentes do STF: RE-81729-SP, ERE-68480, MS-19902, RE-77237-SP, RE-76241-RJ. III. - R.E. conhecido e provido.” (RE 163204, Rel. Min. Carlos Velloso, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.1994). Registre-se que, quando da votação deste importante precedente, o e. Ministro Marco Aurélio divergiu da maioria, por entender que a Constituição de 1988 não previu, expressamente, a proibição de acumulação entre proventos e vencimentos. O regime constitucional sofreu, porém, duas alterações fundamentais. A primeira diz respeito à Emenda Constitucional n. 19 que alterou os incisos XI e XVI do art. 37 da Constituição: “Art. 37 (…) XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal; (…) XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI;” 12 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 23 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF Como se observa da leitura do texto reformado, a emenda relacionou diretamente o dispositivo relativo ao teto constitucional (art. 37, XI, CRFB), como o regime das acumulações (art. 37, XVI, da CRFB). A expressa remissão, assim como a previsão de incidência do teto sobre a remuneração e o subsídios “percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza” são as diretrizes de interpretação que a Constituição oferece para a hipótese dos autos. Registre-se, ademais, que mesmo a Emenda Constitucional 41, de 19 de dezembro de 2003, não alterou o texto normativo a ser interpretado. Com efeito, prevê a nova redação do art. 37, XI, da CRFB: “XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;” Como bem destacou o e. Ministro Teori Zavascki, no julgamento do RE 609.381: 13 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Como se observa da leitura do texto reformado, a emenda relacionou diretamente o dispositivo relativo ao teto constitucional (art. 37, XI, CRFB), como o regime das acumulações (art. 37, XVI, da CRFB). A expressa remissão, assim como a previsão de incidência do teto sobre a remuneração e o subsídios “percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza” são asdiretrizes de interpretação que a Constituição oferece para a hipótese dos autos. Registre-se, ademais, que mesmo a Emenda Constitucional 41, de 19 de dezembro de 2003, não alterou o texto normativo a ser interpretado. Com efeito, prevê a nova redação do art. 37, XI, da CRFB: “XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;” Como bem destacou o e. Ministro Teori Zavascki, no julgamento do RE 609.381: 13 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 24 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF “o teto de retribuição (a) continuou a incluir as vantagens pessoais ou de qualquer natureza (assim como tinha pretendido fazer a Emenda Constitucional 19/98); (b) voltou a depender de iniciativas políticas isoladas para a sua fixação; e (c) produziu eficácia imediata, porquanto o art. 8º da EC 41/03 determinou que, enquanto não fixado o valor do subsídio, “será considerado, para os fins do limite fixado naquele inciso, o valor da maior remuneração atribuída por lei na data da publicação desta Emenda a Ministro do Supremo Tribunal Federal, a título de vencimento, representação mensal e de parcela recebida em razão de tempo de serviço”. De modo semelhante ao que dispunha a EC 19/98, o art. 9º da EC 41/03 determinou fosse aplicado o disposto no art. 17 do ADCT “aos vencimentos, remunerações e subsídios dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza.“ O Ministro Teori Zavascki rememorou ainda o voto proferido pelo e. Ministro Cezar Peluso no MS 24.875, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 06.10.2006, no qual Sua Excelência assentou: “O texto original da Constituição estabeleceu três coisas: primeiro, fixou um limite de remuneração para a magistratura; segundo, incluiu, na apuração desse limite, qualquer parcela correspondente da estrutura da remuneração, ou seja, prescreveu textualmente que esse limite consideraria qualquer parcela, a qualquer título, do que fosse percebido por Ministros do Supremo Tribunal Federal. Relembro, observados como limite máximo dos respectivos poderes, os valores percebidos como remuneração em espécie, a qualquer título, por Ministro 14 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF “o teto de retribuição (a) continuou a incluir as vantagens pessoais ou de qualquer natureza (assim como tinha pretendido fazer a Emenda Constitucional 19/98); (b) voltou a depender de iniciativas políticas isoladas para a sua fixação; e (c) produziu eficácia imediata, porquanto o art. 8º da EC 41/03 determinou que, enquanto não fixado o valor do subsídio, “será considerado, para os fins do limite fixado naquele inciso, o valor da maior remuneração atribuída por lei na data da publicação desta Emenda a Ministro do Supremo Tribunal Federal, a título de vencimento, representação mensal e de parcela recebida em razão de tempo de serviço”. De modo semelhante ao que dispunha a EC 19/98, o art. 9º da EC 41/03 determinou fosse aplicado o disposto no art. 17 do ADCT “aos vencimentos, remunerações e subsídios dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza.“ O Ministro Teori Zavascki rememorou ainda o voto proferido pelo e. Ministro Cezar Peluso no MS 24.875, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 06.10.2006, no qual Sua Excelência assentou: “O texto original da Constituição estabeleceu três coisas: primeiro, fixou um limite de remuneração para a magistratura; segundo, incluiu, na apuração desse limite, qualquer parcela correspondente da estrutura da remuneração, ou seja, prescreveu textualmente que esse limite consideraria qualquer parcela, a qualquer título, do que fosse percebido por Ministros do Supremo Tribunal Federal. Relembro, observados como limite máximo dos respectivos poderes, os valores percebidos como remuneração em espécie, a qualquer título, por Ministro 14 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 25 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF do Supremo Tribunal Federal. Terceiro, não admitiu, para efeito de observância deste teto, a subsistência de direitos adquiridos na ordem jurídico-constitucional anterior. Estes três pontos, a meu ver, não foram alterados nem pela Emenda nº 19, nem pela Emenda nº 41. Tiro algumas consequências: quando a Constituição, no texto primitivo, inciso XI do artigo 37, se referia a valor recebido a qualquer título, isso significava que abrangia não apenas as parcelas preexistentes, mas também toda parcela que fosse criada após o advento da Constituição, sob pena de outra interpretação permitir uma fraude, uma burla ao próprio texto constitucional. O que a Constituição estava querendo tratar, a meu ver, e com o devido respeito, era que parcelas ou valores, a qualquer título decorrentes da legislação anterior ou de legislação infraconstitucional subsequente, estavam incluídos na apuração do valor do limite constitucionalmente fixado. Tanto estava que, em relação às vantagens preexistentes, não deixou nenhuma dúvida, e o artigo 17, embora exaurido temporalmente, significava que as remunerações excedentes do teto deveriam ser decotadas imediatamente para seajustar ao texto constitucional. Evidentemente se tratava de norma transitória, porque se referia às vantagens preexistentes. E excluiu, por isso mesmo, a invocação de direito adquirido. Quanto às vantagens novas, à evidência não era o caso de estabelecer nenhum dispositivo de caráter transitório, até porque a própria norma do inciso XI já previa que qualquer vantagem criada por norma infraconstitucional deveria, nos termos dessa limitação, compor o teto da remuneração. A mim me parece, com o devido respeito, que a Emenda 19/98 em nada alterou esses três pontos. Ela, pura e simplesmente, modificou o critério de apuração desse teto e repetiu a fórmula, que já estava na redação original, prevendo: “incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza” E tampouco a Emenda 41/03 introduziu qualquer alteração, porque tornou a incluir vantagens pessoais ou de 15 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF do Supremo Tribunal Federal. Terceiro, não admitiu, para efeito de observância deste teto, a subsistência de direitos adquiridos na ordem jurídico-constitucional anterior. Estes três pontos, a meu ver, não foram alterados nem pela Emenda nº 19, nem pela Emenda nº 41. Tiro algumas consequências: quando a Constituição, no texto primitivo, inciso XI do artigo 37, se referia a valor recebido a qualquer título, isso significava que abrangia não apenas as parcelas preexistentes, mas também toda parcela que fosse criada após o advento da Constituição, sob pena de outra interpretação permitir uma fraude, uma burla ao próprio texto constitucional. O que a Constituição estava querendo tratar, a meu ver, e com o devido respeito, era que parcelas ou valores, a qualquer título decorrentes da legislação anterior ou de legislação infraconstitucional subsequente, estavam incluídos na apuração do valor do limite constitucionalmente fixado. Tanto estava que, em relação às vantagens preexistentes, não deixou nenhuma dúvida, e o artigo 17, embora exaurido temporalmente, significava que as remunerações excedentes do teto deveriam ser decotadas imediatamente para se ajustar ao texto constitucional. Evidentemente se tratava de norma transitória, porque se referia às vantagens preexistentes. E excluiu, por isso mesmo, a invocação de direito adquirido. Quanto às vantagens novas, à evidência não era o caso de estabelecer nenhum dispositivo de caráter transitório, até porque a própria norma do inciso XI já previa que qualquer vantagem criada por norma infraconstitucional deveria, nos termos dessa limitação, compor o teto da remuneração. A mim me parece, com o devido respeito, que a Emenda 19/98 em nada alterou esses três pontos. Ela, pura e simplesmente, modificou o critério de apuração desse teto e repetiu a fórmula, que já estava na redação original, prevendo: “incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza” E tampouco a Emenda 41/03 introduziu qualquer alteração, porque tornou a incluir vantagens pessoais ou de 15 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 26 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF qualquer outra natureza. Ora, o perfil da disciplina constitucional, a despeito da mudança dos critérios de apuração desse limite, a partir dos quais os subsídios absorveriam todas essas parcelas que já estavam incluídas na definição e na estrutura desse limite, não alterou, em nenhum momento, a situação da magistratura. Desde o início, as limitações da magistratura eram as mesmas. Pouco importa que, na prática, elas não tenham sido alteradas. A verdade é que o texto constitucional não sofreu alteração substancial em relação à redação primitiva e às duas emendas que tornaram a regular o assunto. Ora, diante disso, não vejo como possa ser oposto direito adquirido, nem em termos de vantagens preexistentes, por força da regra expressa do art. 17 do ADCT, porque nenhum dos textos constitucionais permitiu que qualquer vantagem, ainda que criada superveniente pela legislação subalterna, poderia escapar a este teto. Daí, quando o eminente Relator se escusou de entrar nas águas procelosas da questão do alcance da garantia do direito adquirido perante emendas constitucionais, eu diria que – nem chego perto dessas águas, passo longe – a vantagem tratada aqui foi repristinada por uma Lei de 1990, donde esta vantagem não ficou fora da composição do teto: estava abrangida pela norma constitucional! De modo que não há, a meu ver, necessidade de se recorrer à discussão de direitos adquiridos, de fonte infra ou de fonte constitucional, porque essa vantagem, de caráter pessoal, superveniente, encontrou no próprio texto constitucional então vigente, que era o primitivo, a limitação de que ela também não escaparia à apuração do teto.” Acolhendo a argumentação trazida pelo Ministro Cezar Peluso, o Ministro Teori Zavascki afirmou, então, que: “De fato, na linha daquilo que já havia sido observado pelo Min. Cezar Peluso no voto proferido no MS 24.875, o 16 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF qualquer outra natureza. Ora, o perfil da disciplina constitucional, a despeito da mudança dos critérios de apuração desse limite, a partir dos quais os subsídios absorveriam todas essas parcelas que já estavam incluídas na definição e na estrutura desse limite, não alterou, em nenhum momento, a situação da magistratura. Desde o início, as limitações da magistratura eram as mesmas. Pouco importa que, na prática, elas não tenham sido alteradas. A verdade é que o texto constitucional não sofreu alteração substancial em relação à redação primitiva e às duas emendas que tornaram a regular o assunto. Ora, diante disso, não vejo como possa ser oposto direito adquirido, nem em termos de vantagens preexistentes, por força da regra expressa do art. 17 do ADCT, porque nenhum dos textos constitucionais permitiu que qualquer vantagem, ainda que criada superveniente pela legislação subalterna, poderia escapar a este teto. Daí, quando o eminente Relator se escusou de entrar nas águas procelosas da questão do alcance da garantia do direito adquirido perante emendas constitucionais, eu diria que – nem chego perto dessas águas, passo longe – a vantagem tratada aqui foi repristinada por uma Lei de 1990, donde esta vantagem não ficou fora da composição do teto: estava abrangida pela norma constitucional! De modo que não há, a meu ver, necessidade de se recorrer à discussão de direitos adquiridos, de fonte infra ou de fonte constitucional, porque essa vantagem, de caráter pessoal, superveniente, encontrou no próprio texto constitucional então vigente, que era o primitivo, a limitação de que ela também não escaparia à apuração do teto.” Acolhendo a argumentação trazida pelo Ministro Cezar Peluso, o Ministro Teori Zavascki afirmou, então, que: “De fato, na linha daquilo que já haviasido observado pelo Min. Cezar Peluso no voto proferido no MS 24.875, o 16 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 27 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF preceito constitucional do teto de retribuição possui comando normativo claro e eficiente, que veda o pagamento de excessos, ainda que adquiridos após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Assim, mesmo que a norma do art. 9º da EC 41/03 venha a ser invalidada, a mensagem enunciada pela Constituição será a mesma. Vale dizer: os excessos que transbordam o valor do teto são inconstitucionais, e não escapam ao comando redutor estabelecido pelo art. 37, XI, da CF. Em suma, ao conceder a segurança para permitir que os recorridos continuassem a perceber verbas de natureza remuneratória além dos limites do teto aplicável aos Estados- membros após a EC 41/03, endossando um regime de retribuição que destoa da norma constitucional do teto de retribuição, o acórdão recorrido infringiu o inciso XI do art. 37 da CF, razão pela qual deve ser reformado.” Resta examinar, portanto, se o dispositivo constante do art. 37, XI, da CRFB, aplica-se também às hipótese de cumulação de proventos Neste ponto, a parte final do art. 37, XVI, da CRFB parece não deixar dúvidas de que, mesmo nos casos de percepção cumulativa, deve-se observar “em qualquer caso o disposto no inciso XI”. Noutras palavras, a interpretação dada por esta Corte ao regime do teto remuneratório é também aplicável ao conjunto das remunerações percebidas de forma cumulativa. Conquanto o inciso XVI do art. 37 refira-se às hipóteses de cargos públicos cumuláveis e o tema em julgamento trate de percebimento conjunto de proventos de aposentadoria oriundos de cargo público e pensão por morte, as razões que determinam a incidência do teto do inciso XI do art. 37 são igualmente aplicáveis na hipótese sob exame. Tal posicionamento é também acompanhado pela doutrina. Maria Sylvia Zanella Di Pietro aduz, por exemplo, que (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 22ª ed. São Paulo: Atlas, 2016, p. 540): 17 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF preceito constitucional do teto de retribuição possui comando normativo claro e eficiente, que veda o pagamento de excessos, ainda que adquiridos após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Assim, mesmo que a norma do art. 9º da EC 41/03 venha a ser invalidada, a mensagem enunciada pela Constituição será a mesma. Vale dizer: os excessos que transbordam o valor do teto são inconstitucionais, e não escapam ao comando redutor estabelecido pelo art. 37, XI, da CF. Em suma, ao conceder a segurança para permitir que os recorridos continuassem a perceber verbas de natureza remuneratória além dos limites do teto aplicável aos Estados- membros após a EC 41/03, endossando um regime de retribuição que destoa da norma constitucional do teto de retribuição, o acórdão recorrido infringiu o inciso XI do art. 37 da CF, razão pela qual deve ser reformado.” Resta examinar, portanto, se o dispositivo constante do art. 37, XI, da CRFB, aplica-se também às hipótese de cumulação de proventos Neste ponto, a parte final do art. 37, XVI, da CRFB parece não deixar dúvidas de que, mesmo nos casos de percepção cumulativa, deve-se observar “em qualquer caso o disposto no inciso XI”. Noutras palavras, a interpretação dada por esta Corte ao regime do teto remuneratório é também aplicável ao conjunto das remunerações percebidas de forma cumulativa. Conquanto o inciso XVI do art. 37 refira-se às hipóteses de cargos públicos cumuláveis e o tema em julgamento trate de percebimento conjunto de proventos de aposentadoria oriundos de cargo público e pensão por morte, as razões que determinam a incidência do teto do inciso XI do art. 37 são igualmente aplicáveis na hipótese sob exame. Tal posicionamento é também acompanhado pela doutrina. Maria Sylvia Zanella Di Pietro aduz, por exemplo, que (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 22ª ed. São Paulo: Atlas, 2016, p. 540): 17 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 28 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF “Com a Emenda Constitucional n.º 41/03, tenta-se novamente impor um tento, devolvendo-se ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, a competência para fixar os subsídios dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (art. 48, XV), e alterando-se, mais uma vez, o artigo 37, I, que passou a vigorar com a seguinte redação: (…) A leitura desse dispositivo, conjugada com outros dispositivos da Constituição, permite as seguintes conclusões : (…) g) o teto atinge os proventos dos aposentados e a pensão devida aos dependentes do servidor falecido;” Haveria, ainda, outra razão a corroborar a interpretação pela incidência do teto à hipótese em tela. Posteriormente à Emenda Constitucional 19/98, que, na linha dos precedentes indicados, instituiu a aplicação do regime do teto remuneratório, o constituinte reformador, por meio da Emenda Constitucional 20/98, também estendeu aos proventos recebidos pelos servidores inativos o teto remuneratório. Tal dispositivo decorreu da inserção do antigo § 8º do art. 40 (“Observado o disposto no art. 37, XI, os proventos de aposentadoria e as pensões serão revistos na mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei”) do Texto Constitucional. A mesma emenda ainda acrescentou o § 11 ao art. 40: “§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral 18 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF “Com a Emenda Constitucional n.º 41/03, tenta-se novamente impor um tento, devolvendo-se ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, a competência para fixar os subsídios dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (art. 48, XV), e alterando-se, mais uma vez, o artigo 37, I, que passou a vigorar com a seguinte redação: (…) A leitura desse dispositivo, conjugada com outros dispositivos da Constituição, permite as seguintes conclusões :(…) g) o teto atinge os proventos dos aposentados e a pensão devida aos dependentes do servidor falecido;” Haveria, ainda, outra razão a corroborar a interpretação pela incidência do teto à hipótese em tela. Posteriormente à Emenda Constitucional 19/98, que, na linha dos precedentes indicados, instituiu a aplicação do regime do teto remuneratório, o constituinte reformador, por meio da Emenda Constitucional 20/98, também estendeu aos proventos recebidos pelos servidores inativos o teto remuneratório. Tal dispositivo decorreu da inserção do antigo § 8º do art. 40 (“Observado o disposto no art. 37, XI, os proventos de aposentadoria e as pensões serão revistos na mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei”) do Texto Constitucional. A mesma emenda ainda acrescentou o § 11 ao art. 40: “§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral 18 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 29 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF de previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.” O sentido que se dessume da norma é portanto inequívoco: a aplicação do art. 37, XI, da CRFB, deve ser respeitada inclusive na hipótese de cumulação de proventos de aposentadoria advinda de exercício de cargo público com pensão por morte devida dependente de servidor público falecido. Ainda que oriundos de fatos geradores distintos e, portanto, cumuláveis, é à soma de ambas as vantagens que o teto do art. 37, XI CRFB incide, devendo, portanto, atingir a soma total do montante cumulado percebível. Por fim, tal como também consignei no julgamento do multicitado RE 602.043, conquanto não seja esta uma discussão posta nos presentes autos, poder-se-ia questionar, em obiter dictum, como ficariam as remunerações dos que se aposentaram após ocupar cargos públicos e recebem também pensões advindas de exercício de funções em pessoas de direito público distintas, como, por exemplo, servidores inativos da União que acumulam proventos de aposentadoria advindos do cargo federal com pensão por morte decorrente do falecimento de instituidor que ocupava cargos em Estados ou Municípios. No regime da Emenda Constitucional 19/98, a resposta seria por meio da aplicação do próprio art. 37, XI, da CRFB, que fixou como limite remuneratório o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Ocorre que, com a Emenda 41, foram instituídos subtetos remuneratórios para as distintas pessoas jurídicas de direito público. A dúvida poderia, então, ser oposta relativamente a que teto aplicar. É preciso, contudo, relembrar a redação do art. 37, XI, da CRFB, cujos termos indicam que o teto geral é o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, in verbis: “XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 19 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF de previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.” O sentido que se dessume da norma é portanto inequívoco: a aplicação do art. 37, XI, da CRFB, deve ser respeitada inclusive na hipótese de cumulação de proventos de aposentadoria advinda de exercício de cargo público com pensão por morte devida dependente de servidor público falecido. Ainda que oriundos de fatos geradores distintos e, portanto, cumuláveis, é à soma de ambas as vantagens que o teto do art. 37, XI CRFB incide, devendo, portanto, atingir a soma total do montante cumulado percebível. Por fim, tal como também consignei no julgamento do multicitado RE 602.043, conquanto não seja esta uma discussão posta nos presentes autos, poder-se-ia questionar, em obiter dictum, como ficariam as remunerações dos que se aposentaram após ocupar cargos públicos e recebem também pensões advindas de exercício de funções em pessoas de direito público distintas, como, por exemplo, servidores inativos da União que acumulam proventos de aposentadoria advindos do cargo federal com pensão por morte decorrente do falecimento de instituidor que ocupava cargos em Estados ou Municípios. No regime da Emenda Constitucional 19/98, a resposta seria por meio da aplicação do próprio art. 37, XI, da CRFB, que fixou como limite remuneratório o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Ocorre que, com a Emenda 41, foram instituídos subtetos remuneratórios para as distintas pessoas jurídicas de direito público. A dúvida poderia, então, ser oposta relativamente a que teto aplicar. É preciso, contudo, relembrar a redação do art. 37, XI, da CRFB, cujos termos indicam que o teto geral é o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, in verbis: “XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 19 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 30 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;” Assim, caso a acumulação dê-se em distintas pessoas jurídicas, deve- se aplicar a regra geral do teto remuneratório, isto é, o subsídiodos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Ante o exposto, acolhendo o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte quando do julgamento do RE 609.381, dou parcial provimento ao recurso extraordinário para admitir a cumulação de proventos de aposentadoria com benefício decorrente de pensão por morte deixada por segurado instituidor também servidor público, desde que submetido o total do montante à incidência do teto do art. 37, XI, CRFB. Proposta de tese: O teto do art. 37, inciso XI, da Constituição da República deve incidir ao montante que resulta da cumulação de proventos de aposentadoria oriunda de exercício de cargo público com benefício de pensão por morte deixada por segurado instituidor também servidor público. É como voto. 20 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;” Assim, caso a acumulação dê-se em distintas pessoas jurídicas, deve- se aplicar a regra geral do teto remuneratório, isto é, o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Ante o exposto, acolhendo o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte quando do julgamento do RE 609.381, dou parcial provimento ao recurso extraordinário para admitir a cumulação de proventos de aposentadoria com benefício decorrente de pensão por morte deixada por segurado instituidor também servidor público, desde que submetido o total do montante à incidência do teto do art. 37, XI, CRFB. Proposta de tese: O teto do art. 37, inciso XI, da Constituição da República deve incidir ao montante que resulta da cumulação de proventos de aposentadoria oriunda de exercício de cargo público com benefício de pensão por morte deixada por segurado instituidor também servidor público. É como voto. 20 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 31 de 58 Voto - MIN. ROSA WEBER 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Senhor Presidente, egrégio Plenário, Senhor Procurador-Geral da República, Senhora Procuradora do Estado do Rio Grande do Sul, a quem cumprimento pela bela sustentação oral - sempre uma voz feminina que ilumina os nossos caminhos. O tema é delicado, Presidente, porque diz com a possibilidade da acumulação dos proventos do cargo com a pensão por morte. Essa é a primeira questão, em relação à qual o eminente Relator nega provimento ao recurso da União, mas dá-lhe provimento... O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra Rosa Weber, não cheguei a adentrar essa matéria, porque, examinando o processo, não a percebi envolvida no caso, tendo em conta a devolutividade do próprio recurso extraordinário e o decidido na origem. Apenas se discutiu na origem – pode ser que esteja equivocado – a problemática do teto constitucional e se impugnou, mediante o mandado de segurança originário e que surtiu efeitos, certa decisão do Presidente do Tribunal de Justiça. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Certo. Então, na verdade, Ministro Marco Aurélio, agradeço a Vossa Excelência. Eu estava inclinada a acompanhá-lo, entendendo que estava propondo o provimento parcial do recurso extraordinário. Mas, uma vez que Vossa Excelência explicita que o único tema em debate diz com a observância do teto constitucional, tendo o Tribunal de origem esposado a compreensão de que a limitação ao teto incide, isoladamente, quanto a cada uma das verbas consideradas, proventos e pensão por morte, e não ao somatório dessas duas parcelas, eu me manifesto na linha defendida por Vossa Excelência e provejo, portanto, o recurso extraordinário interposto pela União, acompanhando o Relator. É o voto, Senhor Presidente. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 40E6-FF4B-6480-0C50 e senha 0148-B6F2-639D-B3B6 Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Senhor Presidente, egrégio Plenário, Senhor Procurador-Geral da República, Senhora Procuradora do Estado do Rio Grande do Sul, a quem cumprimento pela bela sustentação oral - sempre uma voz feminina que ilumina os nossos caminhos. O tema é delicado, Presidente, porque diz com a possibilidade da acumulação dos proventos do cargo com a pensão por morte. Essa é a primeira questão, em relação à qual o eminente Relator nega provimento ao recurso da União, mas dá-lhe provimento... O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra Rosa Weber, não cheguei a adentrar essa matéria, porque, examinando o processo, não a percebi envolvida no caso, tendo em conta a devolutividade do próprio recurso extraordinário e o decidido na origem. Apenas se discutiu na origem – pode ser que esteja equivocado – a problemática do teto constitucional e se impugnou, mediante o mandado de segurança originário e que surtiu efeitos, certa decisão do Presidente do Tribunal de Justiça. A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Certo. Então, na verdade, Ministro Marco Aurélio, agradeço a Vossa Excelência. Eu estava inclinada a acompanhá-lo, entendendo que estava propondo o provimento parcial do recurso extraordinário. Mas, uma vez que Vossa Excelência explicita que o único tema em debate diz com a observância do teto constitucional, tendo o Tribunal de origem esposado a compreensão de que a limitação ao teto incide, isoladamente, quanto a cada uma das verbas consideradas, proventos e pensão por morte, e não ao somatório dessas duas parcelas, eu me manifesto na linha defendida por Vossa Excelência e provejo, portanto, o recurso extraordinário interposto pela União, acompanhando o Relator. É o voto, Senhor Presidente. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 40E6-FF4B-6480-0C50 e senha 0148-B6F2-639D-B3B6 Inteiro Teor do Acórdão - Página 32 de 58 Esclarecimento 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO(RELATOR) – Se os Colegas acham necessário, posso ler a síntese do que decidido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal: "MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC Nº 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE." Não esteve em jogo se ela poderia ou não acumular. Isso se mostrou pacífico. Penso que ninguém coloca em dúvida a possibilidade da acumulação, presente o texto constitucional. O que se discutiu é: acumulando, deve ou não somar-se o percebido ante as relações jurídicas, para aferir-se observância do teto. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8DF5-91BB-37DE-0C66 e senha 2CE8-9786-CD17-505F Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Se os Colegas acham necessário, posso ler a síntese do que decidido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal: "MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC Nº 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE." Não esteve em jogo se ela poderia ou não acumular. Isso se mostrou pacífico. Penso que ninguém coloca em dúvida a possibilidade da acumulação, presente o texto constitucional. O que se discutiu é: acumulando, deve ou não somar-se o percebido ante as relações jurídicas, para aferir-se observância do teto. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8DF5-91BB-37DE-0C66 e senha 2CE8-9786-CD17-505F Inteiro Teor do Acórdão - Página 33 de 58 Voto - MIN. LUIZ FUX 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, egrégia Corte, ilustre representante do Ministério Público, Senhores Ministros, Doutora Márcia dos Anjos Manoel. Senhor Presidente, também entendi que a hipótese era decorrente do fato gerador do montante recebido, ou seja, o montante recebido decorre 1) da aposentadoria e 2) da pensão por morte do marido ou companheiro. O Tribunal a quo entendeu que, como os fatos geradores eram distintos - aposentadoria do trabalhador e morte do marido -, o teto seria, digamos assim, aplicável a cada uma dessas verbas. Entretanto, pela interpretação que a jurisprudência do Supremo fixou nas hipóteses de cumulação, na verdade, só se admitiria esse recebimento se ela exercesse duas funções cumulativas autorizadas pela Constituição, como por exemplo, magistrado e professor - cada uma dessas funções tem um teto. Mas aqui, não, ela recebe a pensão pela aposentadoria e mais a pensão por morte do marido. O tribunal entendeu que os fatos geradores eram distintos e que o teto deveria aplicar-se distintamente. Estou, digamos assim, acompanhando o Ministro Marco Aurélio, muito embora, na ratio decidendi, leve em consideração a observação que o Ministro Fachin acaba de fazer. Porque se ela - sei que isso não foi suscitado, Ministro Marco Aurélio, estou ad argumentandum tantum - se aposentasse e recebesse menos do que o teto e recebesse pensão por morte do marido que também ficaria abaixo do teto, não haveria problema nenhum. O Ministro Fachin está entendendo que a cumulação é possível, mas bate no teto. Acho que essa é a inteligência da nossa jurisprudência. Então, com fundamento adstrito à causa petendi, acompanho o Ministro Marco Aurélio e, em obiter dictum, vou acompanhar a digressão Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5558-B15A-5E13-A2C3 e senha 2ADB-4AC5-627B-AD0B Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, egrégia Corte, ilustre representante do Ministério Público, Senhores Ministros, Doutora Márcia dos Anjos Manoel. Senhor Presidente, também entendi que a hipótese era decorrente do fato gerador do montante recebido, ou seja, o montante recebido decorre 1) da aposentadoria e 2) da pensão por morte do marido ou companheiro. O Tribunal a quo entendeu que, como os fatos geradores eram distintos - aposentadoria do trabalhador e morte do marido -, o teto seria, digamos assim, aplicável a cada uma dessas verbas. Entretanto, pela interpretação que a jurisprudência do Supremo fixou nas hipóteses de cumulação, na verdade, só se admitiria esse recebimento se ela exercesse duas funções cumulativas autorizadas pela Constituição, como por exemplo, magistrado e professor - cada uma dessas funções tem um teto. Mas aqui, não, ela recebe a pensão pela aposentadoria e mais a pensão por morte do marido. O tribunal entendeu que os fatos geradores eram distintos e que o teto deveria aplicar-se distintamente. Estou, digamos assim, acompanhando o Ministro Marco Aurélio, muito embora, na ratio decidendi, leve em consideração a observação que o Ministro Fachin acaba de fazer. Porque se ela - sei que isso não foi suscitado, Ministro Marco Aurélio, estou ad argumentandum tantum - se aposentasse e recebesse menos do que o teto e recebesse pensão por morte do marido que também ficaria abaixo do teto, não haveria problema nenhum. O Ministro Fachin está entendendo que a cumulação é possível, mas bate no teto. Acho que essa é a inteligência da nossa jurisprudência. Então, com fundamento adstrito à causa petendi, acompanho o Ministro Marco Aurélio e, em obiter dictum, vou acompanhar a digressão Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5558-B15A-5E13-A2C3 e senha 2ADB-4AC5-627B-AD0B Inteiro Teor do Acórdão - Página 34 de 58 Voto - MIN. LUIZ FUX RE 602584 / DF feita pelo Ministro Edson Fachin, porque outras situações surgirão com essa problemática. É assim, Senhor Presidente, que encaminho meu voto, pedindo vênia se, eventualmente, contrariei algum ponto de vista diferente. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5558-B15A-5E13-A2C3 e senha 2ADB-4AC5-627B-AD0B Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF feita pelo Ministro Edson Fachin, porque outras situações surgirão com essa problemática. É assim, Senhor Presidente, que encaminho meu voto, pedindo vênia se, eventualmente, contrariei algum ponto devista diferente. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 5558-B15A-5E13-A2C3 e senha 2ADB-4AC5-627B-AD0B Inteiro Teor do Acórdão - Página 35 de 58 Voto - MIN. ROBERTO BARROSO 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Boa tarde, Presidente, Ministra Rosa, prezados Colegas e Senhor Procurador-Geral da República, Doutor Augusto Aras. Penitencio-me aqui, Presidente - Vossa Excelência já passou por isso. Estava resolvendo obrigações urgentes do Tribunal Superior Eleitoral e, por isso, não pude entrar no início da sessão e ouvir o voto do eminente Ministro Marco Aurélio que, pelo que entendi, foi acompanhado pelo Ministro Luiz Edson Fachin e já agora pelo Ministro Luiz Fux. A hipótese é a possibilidade de cumulação de pensão por morte de servidor com remuneração ou proventos do próprio servidor. Essa é a hipótese configurada. Também não teria qualquer dúvida sobre a possibilidade de cumulação dessas duas verbas, que têm origem diversas e fontes de custeio diversos. Porém, parece-me - e aqui gostaria de fazer essa observação - legítimo e razoável que, em um ambiente de crise fiscal e de déficit crônico do sistema, faça-se essa opção. Acho que as questões fiscais não são decisivas. Penso que, para evitar horror econômico, não se pode produzir horror jurídico, mas, diante de uma crise fiscal e de interpretações alternativas razoáveis, esse é um fator que pode e deve ser levado em consideração. Na específica situação de cumulação de pensão com remuneração ou proventos, considero razoável a aplicação do teto. Infelizmente não acompanhei o voto do eminente Ministro Luiz Edson Fachin, mas, se entendi corretamente o que disse o Ministro Luiz Fux agora, Sua Excelência fez um distinguishing da situação em que alguém legitimamente cumulasse dois cargos cumuláveis em atividade e, nessa hipótese, não se somariam os valores para fins de teto. Foi essa observação que Vossa Excelência fez, Ministro Fachin? O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Se o Senhor Presidente e o eminente Ministro-Relator me permitirem, a suscitação que fiz, Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Boa tarde, Presidente, Ministra Rosa, prezados Colegas e Senhor Procurador-Geral da República, Doutor Augusto Aras. Penitencio-me aqui, Presidente - Vossa Excelência já passou por isso. Estava resolvendo obrigações urgentes do Tribunal Superior Eleitoral e, por isso, não pude entrar no início da sessão e ouvir o voto do eminente Ministro Marco Aurélio que, pelo que entendi, foi acompanhado pelo Ministro Luiz Edson Fachin e já agora pelo Ministro Luiz Fux. A hipótese é a possibilidade de cumulação de pensão por morte de servidor com remuneração ou proventos do próprio servidor. Essa é a hipótese configurada. Também não teria qualquer dúvida sobre a possibilidade de cumulação dessas duas verbas, que têm origem diversas e fontes de custeio diversos. Porém, parece-me - e aqui gostaria de fazer essa observação - legítimo e razoável que, em um ambiente de crise fiscal e de déficit crônico do sistema, faça-se essa opção. Acho que as questões fiscais não são decisivas. Penso que, para evitar horror econômico, não se pode produzir horror jurídico, mas, diante de uma crise fiscal e de interpretações alternativas razoáveis, esse é um fator que pode e deve ser levado em consideração. Na específica situação de cumulação de pensão com remuneração ou proventos, considero razoável a aplicação do teto. Infelizmente não acompanhei o voto do eminente Ministro Luiz Edson Fachin, mas, se entendi corretamente o que disse o Ministro Luiz Fux agora, Sua Excelência fez um distinguishing da situação em que alguém legitimamente cumulasse dois cargos cumuláveis em atividade e, nessa hipótese, não se somariam os valores para fins de teto. Foi essa observação que Vossa Excelência fez, Ministro Fachin? O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Se o Senhor Presidente e o eminente Ministro-Relator me permitirem, a suscitação que fiz, Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Inteiro Teor do Acórdão - Página 36 de 58 Voto - MIN. ROBERTO BARROSO RE 602584 / DF Ministro Barroso, foi apenas no sentido de admitir a cumulação - que vai em direção ao voto do eminente Ministro Marco Aurélio. Embora a União tenha ventilado essa matéria no recurso extraordinário, é matéria evidentemente pacífica admitir a cumulação, mas submeter, tal como disse Sua Excelência o Relator, o montante da cumulação ao teto constitucional. Portanto, é legítima a cumulação. No caso aqui, pelo que vejo, trata-se de analista judiciário que cumula vencimentos e pensão em virtude do falecimento de ex-servidor. A cumulação é legítima, possível, submetida ao teto do XI do art. 37 - ao contrário do que defende a União no recurso extraordinário. Fui até esse ponto e, por isso, acompanhei o eminente Ministro Marco Aurélio. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Entendi. Bem, essa posição que o Ministro Fachin acaba de verbalizar corresponde também à posição que adoto e que entendo que corresponda à do Ministro Marco Aurélio, eminente Relator. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Presidente e ministro Luís Roberto Barroso, presto dois esclarecimentos. Já disse que, sendo a Justiça obra do homem, é passível de falha. Está em jogo tão somente o teto constitucional. Não está em jogo a possibilidade, ou não, de acumular proventos com pensão, mesmo porque a razão de ser do inciso XI do artigo 37, ao versar o teto constitucional, é a possibilidade de acumulação. Por isso digo que fico, na matéria devolvida ao Supremo mediante recurso extraordinário, dentro das balizas do caso concreto e digo que o teto há de ser observado em se tratando de cumulação de proventos com pensão. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, só um esclarecimento. Antes, peço escusas porque acho que não me referi a Sua Excelência o Doutor Augusto Aras, nosso Procurador-Geral da República, em minha saudação primeira. Quero esclarecer ao Ministro Luís Roberto Barroso que mencionei que vou incluir em minha ratio, em obiter dictum, o fato de que esse caso nada tem a ver com a repercussão geral no RE 602.043, em que se fixou a seguinte tese: "Nas situações jurídicas em que a Constituição Federal 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Ministro Barroso, foi apenas no sentido de admitir a cumulação - que vai em direção ao voto do eminente Ministro Marco Aurélio. Embora a União tenha ventilado essa matéria no recurso extraordinário, é matéria evidentemente pacífica admitir a cumulação, mas submeter, tal como disse Sua Excelência o Relator, o montanteFederal e Territórios, relator desembargador Romão C. Oliveira, Diário da Justiça de 22 de maio de 2009) 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX- SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE. Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal. Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata- se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tende o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto em particular, a fim de se determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente. (Mandado de segurança nº 2005.00.2.007788-9, Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, relator desembargador Romão C. Oliveira, Diário da Justiça de 22 de maio de 2009) 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 58 Relatório RE 602584 / DF Embargos declaratórios foram desprovidos (folha 140 a 153). No extraordinário de folha 156 a 162, interposto com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional, a União articula com a ofensa ao artigo 37, inciso XI, da Carta da República, presente a redação conferida pela Emenda de nº 41/2003, bem assim aos artigos 8º e 9º desta. Consoante argumenta, a vedação do cômputo individual de cada rubrica – vencimentos e pensão –, para efeito da observância do teto constitucional, decorre do citado inciso do artigo 37, porquanto nele estabelecido que a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o subsídio mensal dos Ministros do Supremo, aí incluídos “proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não”, bem assim “as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza”. Articula com a ausência de eficácia vinculante de pronunciamentos do Tribunal de Contas da União sobre a matéria. Reputa impróprio justificar o extravasamento do teto em virtude da distinção dos fatos geradores. Afirma configurada a repercussão geral, ante o alcance da questão debatida, a ultrapassar os limites subjetivos da lide, presente a multiplicidade de situações idênticas. À folha 166 à 168, a recorrida, em contrarrazões, discorre sobre a natureza dos vínculos. Segundo entende, ao passo que os vencimentos consistem em contraprestação pelo desempenho do cargo público efetivo ocupado, o pagamento da pensão, em parcelas mensais, decorre do falecimento do instituidor do citado benefício, ante as contribuições por este efetuadas ao longo dos anos, de natureza compulsória, descontadas no contracheque. O extraordinário foi admitido na origem (folhas 170 e 171). 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Embargos declaratórios foram desprovidos (folha 140 a 153). No extraordinário de folha 156 a 162, interposto com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional, a União articula com a ofensa ao artigo 37, inciso XI, da Carta da República, presente a redação conferida pela Emenda de nº 41/2003, bem assim aos artigos 8º e 9º desta. Consoante argumenta, a vedação do cômputo individual de cada rubrica – vencimentos e pensão –, para efeito da observância do teto constitucional, decorre do citado inciso do artigo 37, porquanto nele estabelecido que a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o subsídio mensal dos Ministros do Supremo, aí incluídos “proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não”, bem assim “as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza”. Articula com a ausência de eficácia vinculante de pronunciamentos do Tribunal de Contas da União sobre a matéria. Reputa impróprio justificar o extravasamento do teto em virtude da distinção dos fatos geradores. Afirma configurada a repercussão geral, ante o alcance da questão debatida, a ultrapassar os limites subjetivos da lide, presente a multiplicidade de situações idênticas. À folha 166 à 168, a recorrida, em contrarrazões, discorre sobre a natureza dos vínculos. Segundo entende, ao passo que os vencimentos consistem em contraprestação pelo desempenho do cargo público efetivo ocupado, o pagamento da pensão, em parcelas mensais, decorre do falecimento do instituidor do citado benefício, ante as contribuições por este efetuadas ao longo dos anos, de natureza compulsória, descontadas no contracheque. O extraordinário foi admitido na origem (folhas 170 e 171). 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 58 Relatório RE 602584 / DF Em 16 de dezembro de 2010, o chamado Plenário Virtual reconheceu a repercussão geral da controvérsia, tendo a ementa sido confeccionada nos seguintes termos: TETO REMUNERATÓRIO – INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO – ARTIGO 37, INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E ARTIGOS 8º E 9º DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41/2003. Possui repercussão geral a controvérsia sobre a possibilidade de, ante o mesmo credor, existir a distinção do que recebido, para efeito do teto remuneratório, presentes as rubricas proventos e pensão, a teor do artigo 37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 9º da Emenda Constitucional nº 41/2003. À folha 196 à 201, o Ministério Público Federal opina pelo parcial provimento do extraordinário. Destaca a possibilidade de cumulação de vencimentos e pensão em virtude do falecimento de cônjuge. Salienta, a partir da leitura do inciso XI do artigo 37 da Lei Maior, presente a expressão “percebidos cumulativamente ou não”,da cumulação ao teto constitucional. Portanto, é legítima a cumulação. No caso aqui, pelo que vejo, trata-se de analista judiciário que cumula vencimentos e pensão em virtude do falecimento de ex-servidor. A cumulação é legítima, possível, submetida ao teto do XI do art. 37 - ao contrário do que defende a União no recurso extraordinário. Fui até esse ponto e, por isso, acompanhei o eminente Ministro Marco Aurélio. O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Entendi. Bem, essa posição que o Ministro Fachin acaba de verbalizar corresponde também à posição que adoto e que entendo que corresponda à do Ministro Marco Aurélio, eminente Relator. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Presidente e ministro Luís Roberto Barroso, presto dois esclarecimentos. Já disse que, sendo a Justiça obra do homem, é passível de falha. Está em jogo tão somente o teto constitucional. Não está em jogo a possibilidade, ou não, de acumular proventos com pensão, mesmo porque a razão de ser do inciso XI do artigo 37, ao versar o teto constitucional, é a possibilidade de acumulação. Por isso digo que fico, na matéria devolvida ao Supremo mediante recurso extraordinário, dentro das balizas do caso concreto e digo que o teto há de ser observado em se tratando de cumulação de proventos com pensão. O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, só um esclarecimento. Antes, peço escusas porque acho que não me referi a Sua Excelência o Doutor Augusto Aras, nosso Procurador-Geral da República, em minha saudação primeira. Quero esclarecer ao Ministro Luís Roberto Barroso que mencionei que vou incluir em minha ratio, em obiter dictum, o fato de que esse caso nada tem a ver com a repercussão geral no RE 602.043, em que se fixou a seguinte tese: "Nas situações jurídicas em que a Constituição Federal 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Inteiro Teor do Acórdão - Página 37 de 58 Voto - MIN. ROBERTO BARROSO RE 602584 / DF autoriza a acumulação de cargos, o teto remuneratório é considerado em relação à remuneração de cada um deles, e não ao somatório do que recebido." São coisas diferentes. O que disse foi o seguinte: se, no caso concreto, fosse a mesma servidora, exercendo funções compatíveis constitucionalmente, aplicaríamos essa tese. No caso específico, ela tem a aposentadoria dela e também tem a pensão por morte, mas essa soma bate no teto. Por que o Tribunal recorrido decidiu diferente? Porque entendeu que os fatos geradores eram diferentes: o trabalho que ela empreendeu e o trabalho que o marido empreendeu e que veio a falecer. Mas a Doutora Márcia dos Anjos citou, em um trecho de sua bela sustentação, que a diminuição da renda familiar sobreveio em razão da própria morte do marido, então ficaria compatível podar a verba remanescente que ultrapassa o teto. Foi basicamente isso. Só fiz questão de colocar em obiter dictum que hoje a Constituição permite a cumulação, como magistrado e professor, por exemplo, dois tetos diferentes. Está esclarecido, Ministro? O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Perfeitamente esclarecido. Muito obrigado, Ministro Fux e Ministro Luiz Edson Fachin! Dizia, Presidente, que, se fosse uma situação de normalidade fiscal e de equilíbrio fiscal, eu me inclinaria, para ser sincero, pelo estabelecimento de tetos distintos, porque as origens e os mecanismos de custeio são distintos. No entanto, como não se trata de ganho por trabalho próprio, e sim ganho obtido como beneficiário de trabalho e distribuição alheia, estou aceitando esse distinguishing que bem destacou o Ministro Luiz Fux. Se fosse a mesma pessoa acumulando em razão de cargos diversos acumuláveis, também entendo, na linha do precedente que já temos, que os tetos são individuais. Porém, aqui ela tem uma remuneração por trabalho próprio e um benefício previdenciário que lhe advém da morte do marido, que custeou esse benefício. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF autoriza a acumulação de cargos, o teto remuneratório é considerado em relação à remuneração de cada um deles, e não ao somatório do que recebido." São coisas diferentes. O que disse foi o seguinte: se, no caso concreto, fosse a mesma servidora, exercendo funções compatíveis constitucionalmente, aplicaríamos essa tese. No caso específico, ela tem a aposentadoria dela e também tem a pensão por morte, mas essa soma bate no teto. Por que o Tribunal recorrido decidiu diferente? Porque entendeu que os fatos geradores eram diferentes: o trabalho que ela empreendeu e o trabalho que o marido empreendeu e que veio a falecer. Mas a Doutora Márcia dos Anjos citou, em um trecho de sua bela sustentação, que a diminuição da renda familiar sobreveio em razão da própria morte do marido, então ficaria compatível podar a verba remanescente que ultrapassa o teto. Foi basicamente isso. Só fiz questão de colocar em obiter dictum que hoje a Constituição permite a cumulação, como magistrado e professor, por exemplo, dois tetos diferentes. Está esclarecido, Ministro? O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Perfeitamente esclarecido. Muito obrigado, Ministro Fux e Ministro Luiz Edson Fachin! Dizia, Presidente, que, se fosse uma situação de normalidade fiscal e de equilíbrio fiscal, eu me inclinaria, para ser sincero, pelo estabelecimento de tetos distintos, porque as origens e os mecanismos de custeio são distintos. No entanto, como não se trata de ganho por trabalho próprio, e sim ganho obtido como beneficiário de trabalho e distribuição alheia, estou aceitando esse distinguishing que bem destacou o Ministro Luiz Fux. Se fosse a mesma pessoa acumulando em razão de cargos diversos acumuláveis, também entendo, na linha do precedente que já temos, que os tetos são individuais. Porém, aqui ela tem uma remuneração por trabalho próprio e um benefício previdenciário que lhe advém da morte do marido, que custeou esse benefício. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Inteiro Teor do Acórdão - Página 38 de 58 Voto - MIN. ROBERTO BARROSO RE 602584 / DF No entanto, em quadro fiscal e social brasileiro em que a pessoa já bata no teto - estamos falando de quase quarenta mil reais brutos -, considero uma política pública razoável fixar esse limite em razão da crise fiscal e social do País e do desequilíbrio do sistema previdenciário. Faço esse destaque, Presidente, para enfatizar que o fato de haver uma crise fiscal não é o fator determinante da decisão. Como disse, não produziria horror jurídico para evitar horror econômico, mas considero razoável essa interpretação e acho que ela realiza melhor o interesse público, a meu ver, sem frustrar um direito fundamental, ao considerar remuneração dentro do teto nas circunstâncias brasileiras. É bastante razoável. Com essas considerações, estou acompanhando a conclusão do eminente Relator. 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documentopode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF No entanto, em quadro fiscal e social brasileiro em que a pessoa já bata no teto - estamos falando de quase quarenta mil reais brutos -, considero uma política pública razoável fixar esse limite em razão da crise fiscal e social do País e do desequilíbrio do sistema previdenciário. Faço esse destaque, Presidente, para enfatizar que o fato de haver uma crise fiscal não é o fator determinante da decisão. Como disse, não produziria horror jurídico para evitar horror econômico, mas considero razoável essa interpretação e acho que ela realiza melhor o interesse público, a meu ver, sem frustrar um direito fundamental, ao considerar remuneração dentro do teto nas circunstâncias brasileiras. É bastante razoável. Com essas considerações, estou acompanhando a conclusão do eminente Relator. 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código E7E1-2B71-E985-EBC3 e senha 3E54-B230-2B81-E887 Inteiro Teor do Acórdão - Página 39 de 58 Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Senhor Presidente, boa tarde; Senhores Ministros, cumprimento a todos. Peço desculpas pelo atraso, é a luta conseguir entrar no sistema de novo depois desses dias. Mas acompanhei e estava ouvindo - acho que não estava sendo vista - , pelo que me foi comunicado, Presidente. Acompanhei o relatório e o voto do eminente Ministro Marco Aurélio, Relator, também a sustentação oral. Estou acompanhando, Senhor Presidente, o Ministro-Relator exatamente pelas razões já aqui expostas. Cuidam-se de fatos geradores distintos, como enfatizou o Ministro Fux. Entretanto, a questão do teto está posta com outro fundamento, como bem explicitado pelo Ministro Marco Aurélio, ao afirmar que se atém ao devolvido ao Supremo Tribunal Federal em sede recursal. Em que pesem as observações do Ministro Fachin quanto à possibilidade ou não de compatibilidade, quando houver, de cumulações legítimas relativas ao teto - que pode ser discutida em outra oportunidade -, neste caso, estou acompanhando o Relator pelo quadro apresentado nos autos e pelos fundamentos expostos, Senhor Presidente. Agradeço a Vossa Excelência, desculpando-me mais uma vez, e por, desde ontem, ter disponibilizado o Doutor Edmundo para estar comigo quase o tempo todo, tentando retomar os trabalhos. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra Cármen Lúcia, Vossa Excelência me permite? A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Por favor. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Não fossem as balizas do processo, a questão levantada pelo ministro Luiz Edson Fachin já está pacificada no Tribunal, tendo em conta o Tema nº 377, e transcrevo no voto a decisão. No caso concreto, não. As relações são distintas, não envolvem o Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8469-6A21-88E7-A85B e senha 49A8-0446-FCF3-B16A Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Senhor Presidente, boa tarde; Senhores Ministros, cumprimento a todos. Peço desculpas pelo atraso, é a luta conseguir entrar no sistema de novo depois desses dias. Mas acompanhei e estava ouvindo - acho que não estava sendo vista - , pelo que me foi comunicado, Presidente. Acompanhei o relatório e o voto do eminente Ministro Marco Aurélio, Relator, também a sustentação oral. Estou acompanhando, Senhor Presidente, o Ministro-Relator exatamente pelas razões já aqui expostas. Cuidam-se de fatos geradores distintos, como enfatizou o Ministro Fux. Entretanto, a questão do teto está posta com outro fundamento, como bem explicitado pelo Ministro Marco Aurélio, ao afirmar que se atém ao devolvido ao Supremo Tribunal Federal em sede recursal. Em que pesem as observações do Ministro Fachin quanto à possibilidade ou não de compatibilidade, quando houver, de cumulações legítimas relativas ao teto - que pode ser discutida em outra oportunidade -, neste caso, estou acompanhando o Relator pelo quadro apresentado nos autos e pelos fundamentos expostos, Senhor Presidente. Agradeço a Vossa Excelência, desculpando-me mais uma vez, e por, desde ontem, ter disponibilizado o Doutor Edmundo para estar comigo quase o tempo todo, tentando retomar os trabalhos. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra Cármen Lúcia, Vossa Excelência me permite? A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Por favor. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Não fossem as balizas do processo, a questão levantada pelo ministro Luiz Edson Fachin já está pacificada no Tribunal, tendo em conta o Tema nº 377, e transcrevo no voto a decisão. No caso concreto, não. As relações são distintas, não envolvem o Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8469-6A21-88E7-A85B e senha 49A8-0446-FCF3-B16A Inteiro Teor do Acórdão - Página 40 de 58 Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA RE 602584 / DF mesmo servidor. Tinha-se a relação jurídica do falecido com a Administração Pública e a relação jurídica, atual, da recorrida. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA – Sim. Por isso estou acompanhando o voto que foi proferido Vossa Excelência, exatamente porque fica muito bem esclarecida, na situação, essa diferença. Portanto, Presidente, mais uma vez agradecendo Vossa Excelência por me ter concedido a palavra para voto, estou acompanhando o voto do Ministro Marco Aurélio. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8469-6A21-88E7-A85B e senha 49A8-0446-FCF3-B16A Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF mesmo servidor. Tinha-se a relação jurídica do falecido com a Administração Pública e a relação jurídica, atual, da recorrida. A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA – Sim. Por isso estou acompanhando o voto que foi proferido Vossa Excelência, exatamente porque fica muito bem esclarecida, na situação, essa diferença. Portanto, Presidente, mais uma vez agradecendo Vossa Excelência por me ter concedido a palavra para voto, estou acompanhando o voto do Ministro Marco Aurélio. 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8469-6A21-88E7-A85B e senha 49A8-0446-FCF3-B16A Inteiro Teor do Acórdão - Página 41 de 58 Observação 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN OBSERVAÇÃO O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, permita-mesó uma observação. Apenas saliento que mencionei o tema da cumulação porque o final do recurso extraordinário deduz dois pedidos, ainda que um diga respeito a jurisprudência pacífica que admite a cumulação - e por isso estou acompanhando o eminente Ministro-Relator. Mas, nesse ponto, não é de se dar provimento ao recurso da União, tendo em vista ser a cumulação, como disse o Ministro Marco Aurélio - e estou de inteiro acordo -, matéria mansa e pacífica neste Tribunal. Daí porque estou com Sua Excelência, e agora também com as razões da eminente Ministra Cármen Lúcia, admitindo a cumulação, ao contrário do que sustenta a União - portanto, não acolhendo o recurso da União nessa parte. Acolho o recurso no sentido de submeter o montante da cumulação ao teto constitucional. Muito obrigado, Senhor Presidente! Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7065-FC0D-FC34-1546 e senha 7100-FCB9-B481-0250 Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN OBSERVAÇÃO O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, permita-me só uma observação. Apenas saliento que mencionei o tema da cumulação porque o final do recurso extraordinário deduz dois pedidos, ainda que um diga respeito a jurisprudência pacífica que admite a cumulação - e por isso estou acompanhando o eminente Ministro-Relator. Mas, nesse ponto, não é de se dar provimento ao recurso da União, tendo em vista ser a cumulação, como disse o Ministro Marco Aurélio - e estou de inteiro acordo -, matéria mansa e pacífica neste Tribunal. Daí porque estou com Sua Excelência, e agora também com as razões da eminente Ministra Cármen Lúcia, admitindo a cumulação, ao contrário do que sustenta a União - portanto, não acolhendo o recurso da União nessa parte. Acolho o recurso no sentido de submeter o montante da cumulação ao teto constitucional. Muito obrigado, Senhor Presidente! Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7065-FC0D-FC34-1546 e senha 7100-FCB9-B481-0250 Inteiro Teor do Acórdão - Página 42 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL V O T O O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Trata-se de recurso extraordinário, com repercussão reconhecida, interposto pela União Federal contra acórdão que, confirmado em sede de embargos de declaração pelo E. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, concedeu parcialmente a segurança pleiteada, em ordem a determinar que, para os fins e efeitos a que se refere o inciso XI do art. 37 da Constituição da República, fossem considerados individualmente os valores da remuneração do cargo efetivo e da pensão por morte recebidos cumulativamente pela parte ora recorrida, em decisão assim ementada: “MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO - INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE PENSÃO DECORRENTE DE FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE. Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL V O T O O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Trata-se de recurso extraordinário, com repercussão reconhecida, interposto pela União Federal contra acórdão que, confirmado em sede de embargos de declaração pelo E. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, concedeu parcialmente a segurança pleiteada, em ordem a determinar que, para os fins e efeitos a que se refere o inciso XI do art. 37 da Constituição da República, fossem considerados individualmente os valores da remuneração do cargo efetivo e da pensão por morte recebidos cumulativamente pela parte ora recorrida, em decisão assim ementada: “MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO - INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE PENSÃO DECORRENTE DE FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE. Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 43 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto em particular, a fim de se determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente.” (grifei) A parte ora recorrente sustentou, para fundamentar sua pretensão recursal, que o Tribunal “a quo”, teria transgredido os preceitos inscritos no art. 37, XI, da Constituição da República e nos arts. 8º e 9º da EC nº 41/03. O Ministério Público Federal, em manifestação da lavra do ilustre Subprocurador-Geralda República Dr. PAULO DE TARSO BRAZ LUCAS, opinou pelo conhecimento e parcial provimento do presente recurso, fazendo-o em parecer assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO TJDFT – PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E PENSÃO – TETO REMUNERATÓRIO – ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E ARTS. 8º E 9º DA EC Nº41/2003 – REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA – AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO – INCIDÊNCIA DO TETO REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR MORTE, INDEPENDEMENTEME DA ORIGEM DO DIREITO A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS – PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE DA COISA PÚBLICA – PRECEDENTES DO STF – PARECER PELO CONHEICMENTO PARCIAL E PROVIMENTO DO RECURSO.” (grifei) 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto em particular, a fim de se determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente.” (grifei) A parte ora recorrente sustentou, para fundamentar sua pretensão recursal, que o Tribunal “a quo”, teria transgredido os preceitos inscritos no art. 37, XI, da Constituição da República e nos arts. 8º e 9º da EC nº 41/03. O Ministério Público Federal, em manifestação da lavra do ilustre Subprocurador-Geral da República Dr. PAULO DE TARSO BRAZ LUCAS, opinou pelo conhecimento e parcial provimento do presente recurso, fazendo-o em parecer assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO TJDFT – PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E PENSÃO – TETO REMUNERATÓRIO – ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E ARTS. 8º E 9º DA EC Nº41/2003 – REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA – AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO – INCIDÊNCIA DO TETO REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR MORTE, INDEPENDEMENTEME DA ORIGEM DO DIREITO A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS – PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE DA COISA PÚBLICA – PRECEDENTES DO STF – PARECER PELO CONHEICMENTO PARCIAL E PROVIMENTO DO RECURSO.” (grifei) 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 44 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF Sendo esse o contexto, passo a apreciar o litígio constitucional em exame. Como resulta claro dos autos, a controvérsia instaurada na presente causa concerne à discussão em torno da possibilidade constitucional, ou não, de se considerar individualmente, para os fins e efeitos a que se refere o inciso XI do art. 37 da Constituição da República, a remuneração do cargo público efetivo ocupado pela parte ora recorrente e a pensão por morte, quando ocorrente situação de percepção cumulativa. É importante destacar, desde logo, que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, após reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, julgou o RE 602.043/MT e o RE 612.975/MT, ambos de relatoria do eminente Ministro MARCO AURÉLIO, em que foi examinada controvérsia análoga à ora em discussão, neles fixando tese assim formulada: “Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do art. 37, inciso XI, da Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público.” (grifei) Impende rememorar , por oportuno, em face de sua extrema pertinência, os seguintes fragmentos dos debates travados por ocasião de mencionado julgamento: “O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ante as balizas objetivas do pronunciamento impugnado, também assumem relevância os incisos XVI e XVII e o § 10 do artigo 37 e o § 11 do artigo 40 do Diploma Maior (introduzido pela Emenda Constitucional nº 20/1998): …................................................................................................... 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Sendo esse o contexto, passo a apreciar o litígio constitucional em exame. Como resulta claro dos autos, a controvérsia instaurada na presente causa concerne à discussão em torno da possibilidade constitucional, ou não, de se considerar individualmente, para os fins e efeitos a que se refere o inciso XI do art. 37 da Constituição da República, a remuneração do cargo público efetivo ocupado pela parte ora recorrente e a pensão por morte, quando ocorrente situação de percepção cumulativa. É importante destacar, desde logo, que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, após reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, julgou o RE 602.043/MT e o RE 612.975/MT, ambos de relatoria do eminente Ministro MARCO AURÉLIO, em que foi examinada controvérsia análoga à ora em discussão, neles fixando tese assim formulada: “Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do art. 37, inciso XI, da Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público.” (grifei) Impende rememorar , por oportuno, em face de sua extrema pertinência, os seguintes fragmentos dos debates travados por ocasião de mencionado julgamento: “O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ante as balizas objetivas do pronunciamento impugnado, também assumem relevância os incisos XVI e XVII e o § 10 do artigo 37 e o § 11 do artigo 40 do Diploma Maior (introduzido pela Emenda Constitucional nº 20/1998): …................................................................................................... 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 45 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF O pronunciamento impugnado revela duas conclusões principais: 1) nas acumulações compatíveis com o texto constitucional, o que auferido em cada um dos vínculos não deve ultrapassar o teto constitucional; e 2) situações remuneratórias consolidadas antes do advento da Emenda Constitucional nº 41/2003 não podem ser atingidas, observadas as garantias do direito adquiridoe da irredutibilidade de vencimentos,porque oponíveis ao Poder Constituinte Derivado. A solução da controvérsia pressupõe interpretação capaz de compatibilizar os dispositivos constitucionais em jogo, no que aludem ao acúmulo de cargos públicos e das respectivas remunerações, incluídos os vencimentos e proventos decorrentes da aposentadoria, levando em conta os preceitos atinentes ao direito adquirido (artigo 5º, inciso XXXVI) e da irredutibilidade de vencimentos (artigo 37, inciso XV), pois instrumentalizam o princípio da segurança jurídica, elemento estruturante do Estado Democrático do Direito. …................................................................................................... A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE) – Peço vênia também ao Ministro Fachin para acompanhar o Relator. Não seria razoável, que a Constituição reconhecesse a possibilidade de acumulação, portanto, lícita e, de outro lado, que permitisse que essa acumulação somente se faria exigindo-se, do nomeado para o cargo, que ele abrisse mão de direitos, que é o direito à remuneração correspondente ao cargo, que, no fundo, é isso que se daria. Isso seria um contrasenso. E, na linha do que Vossa Excelência afirmou e que, para usar apenas a fórmula de Rui Barbosa: a Constituição não dá com a mão direita para tirar com a esquerda. Não se pode garantir um direito numa passagem da Constituição e, em outra, retirar, menos ainda quando se trata de retirada do que é um direito fundamental, que é o direito a ter uma contraprestação pelo trabalho prestado.” (grifei) Nesse sentido, forçoso reconhecer a possibilidade de tratamento autônomo, portanto, individualizado, dos proventos, para efeito de 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF O pronunciamento impugnado revela duas conclusões principais: 1) nas acumulações compatíveis com o texto constitucional, o que auferido em cada um dos vínculos não deve ultrapassar o teto constitucional; e 2) situações remuneratórias consolidadas antes do advento da Emenda Constitucional nº 41/2003 não podem ser atingidas, observadas as garantias do direito adquirido e da irredutibilidade de vencimentos,porque oponíveis ao Poder Constituinte Derivado. A solução da controvérsia pressupõe interpretação capaz de compatibilizar os dispositivos constitucionais em jogo, no que aludem ao acúmulo de cargos públicos e das respectivas remunerações, incluídos os vencimentos e proventos decorrentes da aposentadoria, levando em conta os preceitos atinentes ao direito adquirido (artigo 5º, inciso XXXVI) e da irredutibilidade de vencimentos (artigo 37, inciso XV), pois instrumentalizam o princípio da segurança jurídica, elemento estruturante do Estado Democrático do Direito. …................................................................................................... A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA (PRESIDENTE) – Peço vênia também ao Ministro Fachin para acompanhar o Relator. Não seria razoável, que a Constituição reconhecesse a possibilidade de acumulação, portanto, lícita e, de outro lado, que permitisse que essa acumulação somente se faria exigindo-se, do nomeado para o cargo, que ele abrisse mão de direitos, que é o direito à remuneração correspondente ao cargo, que, no fundo, é isso que se daria. Isso seria um contrasenso. E, na linha do que Vossa Excelência afirmou e que, para usar apenas a fórmula de Rui Barbosa: a Constituição não dá com a mão direita para tirar com a esquerda. Não se pode garantir um direito numa passagem da Constituição e, em outra, retirar, menos ainda quando se trata de retirada do que é um direito fundamental, que é o direito a ter uma contraprestação pelo trabalho prestado.” (grifei) Nesse sentido, forçoso reconhecer a possibilidade de tratamento autônomo, portanto, individualizado, dos proventos, para efeito de 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 46 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF incidência do limite estabelecido no inciso XI do artigo 37 da Constituição da República, consideradas as razões expostas pelos eminentes Ministros desta Corte no mencionado julgamento plenário, bem assim aquelas constantes do RE 903.213/DF, de que foi Relator o eminente Ministro LUIZ FUX, em decisão assim ementada: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO CONSTITUCIONAL. SERVIDOR PÚBLICO. INCIDÊNCIA DO TETO CONSTITUCIONAL. CUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS PERMITIDA PELA CONSTITUIÇÃO. CONSIDERAÇÃO ISOLADA DO VALOR DA REMUNERAÇÃO DOS CARGOS. RECURSO DESPROVIDO.” (grifei) Cumpre observar, ainda, que o entendimento ora exposto – ao reconhecer a possibilidade de consideração autônoma dos proventos percebidos para efeito de incidência do teto remuneratório (art. 37, XI, da Constituição da República) – encontra apoio no magistério da doutrina (ALEXANDRE DE MORAES, “Direito Constitucional”, p. 386, item n. 3.1, 13ª, ed., 2019, Atlas; UADI LAMMÊGO BULOS, “Constituição Federal Anotada”, p. 712/713, item n. 1, 10ª ed., 2012, Saraiva, v.g.), valendo mencionar a lição de LUCIANO DE ARAÚJO FERRAZ (“Comentários à Constituição do Brasil”, Coordenado por J. J. Gomes Canotilho, Gilmar Ferreira Mendes, Ingo Wolfgang Sarlet e Lenio Luiz Streck, p. 931/932, 2ª ed., 2018, Saraiva), que assim se pronuncia sobre o tema: “Relativamente às pensões – e por questão de coerência interpretativa – elas também devem se submeter ao teto de maneira isolada, até porque literalmente o art. 40, § 11, somente faz menção a proventos de inatividade. Se o servidor percebe remuneração de cargo ou emprego ou aposentadoria decorrente do art. 40 (cargo efetivo) e percebe ainda na condição de beneficiário, cada um desses valores deve se submeter a teto próprio isoladamente. A questão está com repercussão geral reconhecida no STF no RE 602.584, Rel. Min. 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF incidência do limite estabelecido no inciso XI do artigo 37 da Constituição da República, consideradas as razões expostas pelos eminentes Ministros desta Corte no mencionado julgamento plenário, bem assim aquelas constantes do RE 903.213/DF, de que foi Relator o eminente Ministro LUIZ FUX, em decisão assim ementada: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO CONSTITUCIONAL. SERVIDOR PÚBLICO. INCIDÊNCIA DO TETO CONSTITUCIONAL. CUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS PERMITIDA PELA CONSTITUIÇÃO. CONSIDERAÇÃO ISOLADA DO VALOR DA REMUNERAÇÃO DOS CARGOS. RECURSO DESPROVIDO.” (grifei) Cumpre observar, ainda, que o entendimento ora exposto – ao reconhecer a possibilidade de consideração autônoma dos proventos percebidos para efeito de incidência do teto remuneratório (art. 37, XI, da Constituição da República) – encontra apoio no magistério da doutrina (ALEXANDRE DE MORAES, “Direito Constitucional”, p. 386, item n. 3.1, 13ª, ed., 2019, Atlas; UADI LAMMÊGO BULOS, “Constituição Federal Anotada”,p. 712/713, item n. 1, 10ª ed., 2012, Saraiva, v.g.), valendo mencionar a lição de LUCIANO DE ARAÚJO FERRAZ (“Comentários à Constituição do Brasil”, Coordenado por J. J. Gomes Canotilho, Gilmar Ferreira Mendes, Ingo Wolfgang Sarlet e Lenio Luiz Streck, p. 931/932, 2ª ed., 2018, Saraiva), que assim se pronuncia sobre o tema: “Relativamente às pensões – e por questão de coerência interpretativa – elas também devem se submeter ao teto de maneira isolada, até porque literalmente o art. 40, § 11, somente faz menção a proventos de inatividade. Se o servidor percebe remuneração de cargo ou emprego ou aposentadoria decorrente do art. 40 (cargo efetivo) e percebe ainda na condição de beneficiário, cada um desses valores deve se submeter a teto próprio isoladamente. A questão está com repercussão geral reconhecida no STF no RE 602.584, Rel. Min. 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 47 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF Marco Aurélio, embora já tenha sido tratada no Ag Reg no RE 612.764, Rel. Min. Roberto Barroso. Neste último julgado, que afirma a compatibilidade da decisão recorrida do Tribunal de Origem com a jurisprudência do STF, está dito que ‘quisesse o constituinte obstar a percepção de pensão por morte concomitantemente com remuneração de cargos públicos cumuláveis, tê-lo-ia feito expressamente, mas, pelo contrário, garantiu ambos os direitos e, adredemente ou não, fato é que fê-lo em dispositivos sequenciais, o que demonstra a sua não intenção de que um direito importasse na exclusão do outro’.” (grifei) Impende referir a propósito do tema ora em exame, ante a pertinência de suas observações, a seguinte passagem do voto proferido pelo eminente Ministro UBIRATAN AGUIAR, proferido por ocasião da resposta pelo Plenário do Tribunal de Contas da União à consulta feita pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (CONS 009.585/2004-9): “3.Trata-se, como se vê, de situações em que há expressa distinção de fatos geradores. Em ambas, há dois contribuintes distintos do sistema previdenciário, um que se torna instituidor de benefício de pensão e outro, ainda na atividade, percebendo remuneração, ou já na inatividade, percebendo proventos. Dessa forma, verifico que a Consulta traz à discussão escopo mais abrangente do que aquele que vislumbraram a unidade técnica e o Ministério Público. …................................................................................................... 9. Retomando as considerações acerca dos fatos geradores das parcelas a serem acumuladas, nos termos da Consulta do Ministro Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, cabe mencionar que os benefícios decorrentes da seguridade social do servidor, na forma definida pela Constituição Federal e pela Lei n° 8.112/90, aposentadoria e pensão, observam a lógica do regime contributivo. Cada servidor, mediante desconto mensal para a seguridade social, conforme parâmetros fixados em lei, contribui para o fundo, genericamente falando, que, no futuro, arcará com os 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Marco Aurélio, embora já tenha sido tratada no Ag Reg no RE 612.764, Rel. Min. Roberto Barroso. Neste último julgado, que afirma a compatibilidade da decisão recorrida do Tribunal de Origem com a jurisprudência do STF, está dito que ‘quisesse o constituinte obstar a percepção de pensão por morte concomitantemente com remuneração de cargos públicos cumuláveis, tê-lo-ia feito expressamente, mas, pelo contrário, garantiu ambos os direitos e, adredemente ou não, fato é que fê-lo em dispositivos sequenciais, o que demonstra a sua não intenção de que um direito importasse na exclusão do outro’.” (grifei) Impende referir a propósito do tema ora em exame, ante a pertinência de suas observações, a seguinte passagem do voto proferido pelo eminente Ministro UBIRATAN AGUIAR, proferido por ocasião da resposta pelo Plenário do Tribunal de Contas da União à consulta feita pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (CONS 009.585/2004-9): “3.Trata-se, como se vê, de situações em que há expressa distinção de fatos geradores. Em ambas, há dois contribuintes distintos do sistema previdenciário, um que se torna instituidor de benefício de pensão e outro, ainda na atividade, percebendo remuneração, ou já na inatividade, percebendo proventos. Dessa forma, verifico que a Consulta traz à discussão escopo mais abrangente do que aquele que vislumbraram a unidade técnica e o Ministério Público. …................................................................................................... 9. Retomando as considerações acerca dos fatos geradores das parcelas a serem acumuladas, nos termos da Consulta do Ministro Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, cabe mencionar que os benefícios decorrentes da seguridade social do servidor, na forma definida pela Constituição Federal e pela Lei n° 8.112/90, aposentadoria e pensão, observam a lógica do regime contributivo. Cada servidor, mediante desconto mensal para a seguridade social, conforme parâmetros fixados em lei, contribui para o fundo, genericamente falando, que, no futuro, arcará com os 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 48 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF desembolsos decorrentes do pagamento de sua aposentadoria ou da pensão de seus beneficiários. O fato gerador do direito à pensão é a morte do segurado. Já no caso da remuneração e da aposentadoria é o exercício do cargo público e o preenchimento dos requisitos definidos para a inatividade. Nesse sentido, a cada servidor são assegurados esses benefícios. 10. Não há, portanto, que se confundir servidores distintos, detentores de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos. A cada um, individualmente, aplicam-se todos os dispositivos relacionados à acumulação de cargos e ao teto de remuneração, em especial quando se fala daqueles de natureza restritiva. Todavia, não é plausível querer extrapolar essas restrições para o somatório dos direitos individuais. A prevalecer essa tese, estaríamos restringindo direitos que a Constituição Federal não restringiu. 11. Tomemos como exemplo marido e mulher, ambos servidores públicos, percebendo remunerações próximas ao teto. Quando na atividade, a cada um se aplicam as restrições anteriormente mencionadas. As respectivas remunerações devem observar o teto constitucional. Só são permitidas as acumulações de cargos que a Constituição Federal considera legais. Portanto, no exercício do cargo público, ou ao desfrutar da aposentadoria, a cada um será permitido receber a remuneração/provento, ou o somatório de remunerações/proventosde cargos legalmente acumuláveis, até o limite fixado no art. 37, inciso XI, da Constituição Federal. Qual o fundamento, portanto, para concluir que, na hipótese de um dos dois vir a falecer, passando o outro a ser beneficiário de pensão, nos termos da lei, estaria criada uma nova situação em que seriam desconsiderados os fatos geradores da remuneração/provento a que cada um tem direito? Não encontro amparo legal para prosseguir em tal linha de raciocínio, pois não se trata de verificação de renda familiar em face do teto constitucional. Caso contrário, estaríamos admitindo a hipótese absurda de ser mais vantajoso ao beneficiário da pensão exonerar-se de seu cargo. 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF desembolsos decorrentes do pagamento de sua aposentadoria ou da pensão de seus beneficiários. O fato gerador do direito à pensão é a morte do segurado. Já no caso da remuneração e da aposentadoria é o exercício do cargo público e o preenchimento dos requisitos definidos para a inatividade. Nesse sentido, a cada servidor são assegurados esses benefícios. 10. Não há, portanto, que se confundir servidores distintos, detentores de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos. A cada um, individualmente, aplicam-se todos os dispositivos relacionados à acumulação de cargos e ao teto de remuneração, em especial quando se fala daqueles de natureza restritiva. Todavia, não é plausível querer extrapolar essas restrições para o somatório dos direitos individuais. A prevalecer essa tese, estaríamos restringindo direitos que a Constituição Federal não restringiu. 11. Tomemos como exemplo marido e mulher, ambos servidores públicos, percebendo remunerações próximas ao teto. Quando na atividade, a cada um se aplicam as restrições anteriormente mencionadas. As respectivas remunerações devem observar o teto constitucional. Só são permitidas as acumulações de cargos que a Constituição Federal considera legais. Portanto, no exercício do cargo público, ou ao desfrutar da aposentadoria, a cada um será permitido receber a remuneração/provento, ou o somatório de remunerações/proventos de cargos legalmente acumuláveis, até o limite fixado no art. 37, inciso XI, da Constituição Federal. Qual o fundamento, portanto, para concluir que, na hipótese de um dos dois vir a falecer, passando o outro a ser beneficiário de pensão, nos termos da lei, estaria criada uma nova situação em que seriam desconsiderados os fatos geradores da remuneração/provento a que cada um tem direito? Não encontro amparo legal para prosseguir em tal linha de raciocínio, pois não se trata de verificação de renda familiar em face do teto constitucional. Caso contrário, estaríamos admitindo a hipótese absurda de ser mais vantajoso ao beneficiário da pensão exonerar-se de seu cargo. 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 49 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF 12.Por essas razões, entendo que os dispositivos da Constituição Federal só permitem a compreensão de que todas as restrições referem-se sempre a uma única pessoa. Quer dizer: remuneração, proventos e pensões decorrentes do exercício de cargo ou emprego por uma determinada pessoa estão submetidos ao teto constitucional. Por outro lado, quando se trata do recebimento de pensão, que é a única situação em que pessoa diferente do instituidor receberá seus benefícios, cumulativamente com remuneração ou com proventos de aposentadoria, verifico que a Constituição Federal não contém dispositivo que permita extravasar o entendimento da aplicação do teto, pois se trata de situações de servidores distintos que geraram direitos distintos. E, como se trata de direito, não cabe ao intérprete adotar entendimento restritivo quando a própria lei não o fez. …................................................................................................... 15. O beneficiário da pensão não receberá melhor tratamento do que o instituidor. Da relação estabelecida em vida pelo instituidor com o Estado resulta o direito do beneficiário à pensão, cujo valor submete-se ao teto constitucional. De outra relação, constituída por outro servidor com o Estado, resulta o direito à remuneração, quando na atividade, e ao provento de aposentadoria, quando na inatividade. A cada uma das relações constituídas aplica- se, isoladamente, o teto constitucional. Ademais, esse entendimento não pretende excluir as pensões do teto, até mesmo porque, com a edição da Emenda Constitucional nº 20/98, o provento de pensão passou a constar expressamente do limite estabelecido no art. 37, inciso XI, da Constituição Federal.” (grifei) Cabe observar, ainda, quanto à cumulação de subsídios dos membros da magistratura com pensão por morte, o que dispõe a Resolução nº 42/2007 do Conselho Nacional de Justiça que, ao alterar o conteúdo do art. 6º da Resolução nº 13/2006, deu-lhe a seguinte redação: “Art. 6º Para efeito de percepção cumulativa de subsídios, remuneração ou proventos, juntamente com pensão decorrente de falecimento de cônjuge ou companheira(o), observar-se-á o limite 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF 12.Por essas razões, entendo que os dispositivos da Constituição Federal só permitem a compreensão de que todas as restrições referem-se sempre a uma única pessoa. Quer dizer: remuneração, proventos e pensões decorrentes do exercício de cargo ou emprego por uma determinada pessoa estão submetidos ao teto constitucional. Por outro lado, quando se trata do recebimento de pensão, que é a única situação em que pessoa diferente do instituidor receberá seus benefícios, cumulativamente com remuneração ou com proventos de aposentadoria, verifico que a Constituição Federal não contém dispositivo que permita extravasar o entendimento da aplicação do teto, pois se trata de situações de servidores distintos que geraram direitos distintos. E, como se trata de direito, não cabe ao intérprete adotar entendimento restritivo quando a própria lei não o fez. …................................................................................................... 15. O beneficiário da pensão não receberá melhor tratamento do que o instituidor. Da relação estabelecida em vida pelo instituidor com o Estado resulta o direito do beneficiário à pensão, cujo valor submete-se ao teto constitucional. De outra relação, constituída por outro servidor com o Estado, resulta o direito à remuneração, quando na atividade, e ao provento de aposentadoria, quando na inatividade. A cada uma das relações constituídas aplica- se, isoladamente, o teto constitucional. Ademais, esse entendimento não pretende excluir as pensões do teto, até mesmo porque, com a edição da Emenda Constitucionalnº 20/98, o provento de pensão passou a constar expressamente do limite estabelecido no art. 37, inciso XI, da Constituição Federal.” (grifei) Cabe observar, ainda, quanto à cumulação de subsídios dos membros da magistratura com pensão por morte, o que dispõe a Resolução nº 42/2007 do Conselho Nacional de Justiça que, ao alterar o conteúdo do art. 6º da Resolução nº 13/2006, deu-lhe a seguinte redação: “Art. 6º Para efeito de percepção cumulativa de subsídios, remuneração ou proventos, juntamente com pensão decorrente de falecimento de cônjuge ou companheira(o), observar-se-á o limite 8 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 50 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF fixado na Constituição Federal como teto remuneratório, hipótese em que deverão ser considerados individualmente. (Redação dada pela Resolução nº 42, de 11.09.07).” (grifei) Convém registrar, finalmente, preciosíssimo julgado que, proferido pelo E. Superior Tribunal de Justiça, da lavra do eminente Ministro MOURA RIBEIRO, bem examinou a questão pertinente à incidência do teto remuneratório sobre a remuneração do cargo efetivo e da pensão por morte, consideradas individualmente: “DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO – SERVIDOR APOSENTADO E BENEFICIÁRIO DE PENSÃO POR MORTE – TETO CONSTITUCIONAL – INCIDÊNCIA ISOLADA SOBRE CADA UMA DAS VERBAS – INTERPRETAÇÃO LÓGICO SISTEMÁTICA DA CONSTITUIÇÃO – CARÁTER CONTRIBUTIVO DO SISTEMA PREVIDENCIÁRIO DO SERVIDOR PÚBLICO – SEGURANÇA JURÍDICA – VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA – PRINCÍPIO DA IGUALDADE – RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA PROVIDO. 1. Sendo legítima a acumulação de proventos de aposentadoria de servidor público com pensão por morte de cônjuge finado e também servidor público, o teto constitucional deve incidir isoladamente sobre cada uma destas verbas. 2. Inteligência lógico-sistemática da Constituição Federal. 3. Incidência dos princípios da segurança jurídica, da vedação do enriquecimento sem causa e da igualdade. 4. Recurso ordinário em mandado de segurança provido.” (RMS 30.880/CE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, QUINTA TURMA, julgado em 20/05/2014, DJe 24/06/2014) Desse modo, Senhor Presidente, conclui-se não ser constitucional a incidência do teto remuneratório sobre o montante da acumulação dos vencimentos e da pensão por morte. 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF fixado na Constituição Federal como teto remuneratório, hipótese em que deverão ser considerados individualmente. (Redação dada pela Resolução nº 42, de 11.09.07).” (grifei) Convém registrar, finalmente, preciosíssimo julgado que, proferido pelo E. Superior Tribunal de Justiça, da lavra do eminente Ministro MOURA RIBEIRO, bem examinou a questão pertinente à incidência do teto remuneratório sobre a remuneração do cargo efetivo e da pensão por morte, consideradas individualmente: “DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO – SERVIDOR APOSENTADO E BENEFICIÁRIO DE PENSÃO POR MORTE – TETO CONSTITUCIONAL – INCIDÊNCIA ISOLADA SOBRE CADA UMA DAS VERBAS – INTERPRETAÇÃO LÓGICO SISTEMÁTICA DA CONSTITUIÇÃO – CARÁTER CONTRIBUTIVO DO SISTEMA PREVIDENCIÁRIO DO SERVIDOR PÚBLICO – SEGURANÇA JURÍDICA – VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA – PRINCÍPIO DA IGUALDADE – RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA PROVIDO. 1. Sendo legítima a acumulação de proventos de aposentadoria de servidor público com pensão por morte de cônjuge finado e também servidor público, o teto constitucional deve incidir isoladamente sobre cada uma destas verbas. 2. Inteligência lógico-sistemática da Constituição Federal. 3. Incidência dos princípios da segurança jurídica, da vedação do enriquecimento sem causa e da igualdade. 4. Recurso ordinário em mandado de segurança provido.” (RMS 30.880/CE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, QUINTA TURMA, julgado em 20/05/2014, DJe 24/06/2014) Desse modo, Senhor Presidente, conclui-se não ser constitucional a incidência do teto remuneratório sobre o montante da acumulação dos vencimentos e da pensão por morte. 9 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 51 de 58 Voto - MIN. CELSO DE MELLO RE 602584 / DF Sendo assim, em face das razões expostas, nego provimento ao presente recurso extraordinário. É o meu voto. 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Sendo assim, em face das razões expostas, nego provimento ao presente recurso extraordinário. É o meu voto. 10 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406 Inteiro Teor do Acórdão - Página 52 de 58 Retificação de Voto 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RETIFICAÇÃO DE VOTO O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor Presidente, eu ouvi atentamente o belíssimo voto do nosso eminente Decano, Ministro Celso de Mello, e fiquei absolutamente convencido do acerto da posição de Sua Excelência. Aliás, quando ingressei no julgamento, já havia tentado também unir esta mesma posição. Mas nós todos temos que ingressar no julgamento com espírito aberto, com a mente aberta, pronta a acompanhar os debates e ficar sensível aos argumentos que nos pareçam juridicamente mais sólidos. Eu peço, então, a devida vênia ao eminente Relator para acompanhar, agora, o voto do ilustre Decano desta Corte, o Ministro Celso de Mello. Primeiro, porque é uma solução que me parece mais justa, mais razoável. Não é possível que o servidor público, o combativo, o servidor público que nós conhecemos, que dá o sangue para que a Administração seja bem-sucedida, seja responsabilizado pela crise financeira que não causou. Eu penso, inclusive, que esta solução, agora alvitrada pelo eminente Decano, se mostra mais consentânea com aqueles julgamentos que o Plenário proferiu nos REs 602.043 e 612.975, porque senão estaríamos fazendo uma distinção, a meu ver, data venia, odiosa entre essas situações. Ou seja, entre aquela situação em que a Constituição permite a cumulação de cargos e esta outra, em que o Decano bem ressaltou, que decorre de duas situações jurídicas absolutamente distintas, de fatos geradores diferentes que devem, ao meu ver, levar à compreensão que o teto deve-se aplicar isoladamente a cada uma dessas situações, sejam elas pensões, sejam elas proventos. Então, eu peço licença para rever o meu voto e acompanhar, agora, a divergência aberta pelo eminente Decano desta Casa. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documentopode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código AE3D-6F23-C1ED-59AF e senha 4E78-205F-1592-932D Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RETIFICAÇÃO DE VOTO O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor Presidente, eu ouvi atentamente o belíssimo voto do nosso eminente Decano, Ministro Celso de Mello, e fiquei absolutamente convencido do acerto da posição de Sua Excelência. Aliás, quando ingressei no julgamento, já havia tentado também unir esta mesma posição. Mas nós todos temos que ingressar no julgamento com espírito aberto, com a mente aberta, pronta a acompanhar os debates e ficar sensível aos argumentos que nos pareçam juridicamente mais sólidos. Eu peço, então, a devida vênia ao eminente Relator para acompanhar, agora, o voto do ilustre Decano desta Corte, o Ministro Celso de Mello. Primeiro, porque é uma solução que me parece mais justa, mais razoável. Não é possível que o servidor público, o combativo, o servidor público que nós conhecemos, que dá o sangue para que a Administração seja bem-sucedida, seja responsabilizado pela crise financeira que não causou. Eu penso, inclusive, que esta solução, agora alvitrada pelo eminente Decano, se mostra mais consentânea com aqueles julgamentos que o Plenário proferiu nos REs 602.043 e 612.975, porque senão estaríamos fazendo uma distinção, a meu ver, data venia, odiosa entre essas situações. Ou seja, entre aquela situação em que a Constituição permite a cumulação de cargos e esta outra, em que o Decano bem ressaltou, que decorre de duas situações jurídicas absolutamente distintas, de fatos geradores diferentes que devem, ao meu ver, levar à compreensão que o teto deve-se aplicar isoladamente a cada uma dessas situações, sejam elas pensões, sejam elas proventos. Então, eu peço licença para rever o meu voto e acompanhar, agora, a divergência aberta pelo eminente Decano desta Casa. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código AE3D-6F23-C1ED-59AF e senha 4E78-205F-1592-932D Inteiro Teor do Acórdão - Página 53 de 58 Observação 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN OBSERVAÇÃO O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Só para ter uma interlocução pessoal e intelectualmente prazerosa, como sempre, com o Ministro Celso de Mello, já agora com o reajuste do Ministro Ricardo Lewandowski. Como disse ao início, se não houvesse uma crise fiscal e social, possivelmente me inclinaria também por esse entendimento que professa o Ministro Celso de Mello. A linha que me inspirou - e penso que a muitos dos demais Colegas - é que não estamos falando de algo adquirido por direito próprio, mas de benefício adquirido por atuação de terceiro. Acho que se houver uma situação de dependência ou de risco social, justifica-se. Mas um servidor que já ganha no teto, com todas as vênias, nem é dependente nem está em risco social. Por essa razão, ao botar os dois pratos na balança - os argumentos primorosamente expostos pelo Ministro Celso e os argumentos contrapostos -, eu me inclinei pelo argumento contraposto de permitir a acumulação, porém com o limite do teto. Pela simples razão, Ministro Celso, da inexistência de dependência e de risco social. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6C8C-D4C4-44AE-A342 e senha 92A9-5A8F-79AE-FA7A Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :UNIÃO ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN OBSERVAÇÃO O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Só para ter uma interlocução pessoal e intelectualmente prazerosa, como sempre, com o Ministro Celso de Mello, já agora com o reajuste do Ministro Ricardo Lewandowski. Como disse ao início, se não houvesse uma crise fiscal e social, possivelmente me inclinaria também por esse entendimento que professa o Ministro Celso de Mello. A linha que me inspirou - e penso que a muitos dos demais Colegas - é que não estamos falando de algo adquirido por direito próprio, mas de benefício adquirido por atuação de terceiro. Acho que se houver uma situação de dependência ou de risco social, justifica-se. Mas um servidor que já ganha no teto, com todas as vênias, nem é dependente nem está em risco social. Por essa razão, ao botar os dois pratos na balança - os argumentos primorosamente expostos pelo Ministro Celso e os argumentos contrapostos -, eu me inclinei pelo argumento contraposto de permitir a acumulação, porém com o limite do teto. Pela simples razão, Ministro Celso, da inexistência de dependência e de risco social. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6C8C-D4C4-44AE-A342 e senha 92A9-5A8F-79AE-FA7A Inteiro Teor do Acórdão - Página 54 de 58 Observação RE 602584 / DF Acho que a linha que Vossa Excelência segue é impecável e, talvez, se as circunstâncias fossem de normalidade, também teria optado pela linha em que Vossa Excelência se encaminhou. Era esse o registro que queria fazer. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6C8C-D4C4-44AE-A342 e senha 92A9-5A8F-79AE-FA7A Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Acho que a linha que Vossa Excelência segue é impecável e, talvez, se as circunstâncias fossem de normalidade, também teria optado pela linha em que Vossa Excelência se encaminhou. Era esse o registro que queria fazer. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 6C8C-D4C4-44AE-A342 e senha 92A9-5A8F-79AE-FA7A Inteiro Teor do Acórdão - Página 55 de 58 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Já tinha aqui em minhas anotações voto exatamente no sentido de negar provimento. O que facilitou muito para mim é que, agora, me basta acompanhar o Ministro Celso de Mello e também, agora, o Ministro Ricardo Lewandowski, pedindo vênia ao Relator e aos eminentes Colegas. Do acórdão do TJ/DF, destaco o seguinte item: "Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefícios de pensão. Trata-se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o primeirocomo fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede quanto a este aspecto em particular a fim de determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente." O acórdão recorrido garantiu à impetrante direito, em razão de títulos distintos, de perceber pensão e também valores referentes a sua aposentadoria. Por serem títulos distintos, o teto incidirá separadamente, e não em somatória. São exatamente os termos do voto brilhantemente apresentado pelo Ministro Celso de Mello no sentido de se negar provimento ao recurso extraordinário. Pedindo vênia aos entendimentos contrários, eu me sinto vinculado, pois houve ato jurídico perfeito e há toda uma garantia de direito adquirido. O teto incide, mas vai incidir, como disse o Ministro Celso de Mello, isoladamente, em razão dos títulos distintos. Peço vênia para acompanhar a divergência aberta pelo Ministro Celso de Mello. Em relação à tese, ela corresponde à minha. A maioria favorável à tese foi formada a partir do voto do Relator. Desde logo, digo que estou a Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 178C-DCCF-8CF7-07EB e senha 24B9-39CF-E723-4B91 Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE): Já tinha aqui em minhas anotações voto exatamente no sentido de negar provimento. O que facilitou muito para mim é que, agora, me basta acompanhar o Ministro Celso de Mello e também, agora, o Ministro Ricardo Lewandowski, pedindo vênia ao Relator e aos eminentes Colegas. Do acórdão do TJ/DF, destaco o seguinte item: "Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefícios de pensão. Trata-se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede quanto a este aspecto em particular a fim de determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente." O acórdão recorrido garantiu à impetrante direito, em razão de títulos distintos, de perceber pensão e também valores referentes a sua aposentadoria. Por serem títulos distintos, o teto incidirá separadamente, e não em somatória. São exatamente os termos do voto brilhantemente apresentado pelo Ministro Celso de Mello no sentido de se negar provimento ao recurso extraordinário. Pedindo vênia aos entendimentos contrários, eu me sinto vinculado, pois houve ato jurídico perfeito e há toda uma garantia de direito adquirido. O teto incide, mas vai incidir, como disse o Ministro Celso de Mello, isoladamente, em razão dos títulos distintos. Peço vênia para acompanhar a divergência aberta pelo Ministro Celso de Mello. Em relação à tese, ela corresponde à minha. A maioria favorável à tese foi formada a partir do voto do Relator. Desde logo, digo que estou a Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 178C-DCCF-8CF7-07EB e senha 24B9-39CF-E723-4B91 Inteiro Teor do Acórdão - Página 56 de 58 Voto - MIN. DIAS TOFFOLI RE 602584 / DF favor da tese, embora divergindo quanto ao sentido de provimento ou não provimento. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 178C-DCCF-8CF7-07EB e senha 24B9-39CF-E723-4B91 Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF favor da tese, embora divergindo quanto ao sentido de provimento ou não provimento. 2 Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 178C-DCCF-8CF7-07EB e senha 24B9-39CF-E723-4B91 Inteiro Teor do Acórdão - Página 57 de 58 Extrato de Ata - 06/08/2020 PLENÁRIO EXTRATO DE ATA RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 PROCED. : DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) : UNIÃO ADV.(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) : KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) : MOZART HAMILTON BUENO (1522A/DF) AM. CURIAE. : ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) : NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA (119891/MG, 119891/MG) ADV.(A/S) : GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN (18200/SC) Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 359 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário para indeferir a ordem, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli (Presidente). Em seguida, foi fixada a seguinte tese: “Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por servidor”. Falou, pelo amicus curiae Estado do Rio Grande do Sul, a Dra. Márcia dos Anjos Manoel, Procuradora do Estado. Afirmou suspeição o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 06.08.2020 (Sessão realizada inteiramente por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. Presentes à sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes. Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Augusto Brandão de Aras. Carmen Lilian Oliveira de Souza Assessora-Chefe do Plenário Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7964-78D8-B9D0-0641 e senha 6F4B-58CA-6924-5510 Supremo Tribunal Federal PLENÁRIO EXTRATO DE ATA RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 PROCED. : DISTRITO FEDERAL RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) : UNIÃO ADV.(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO RECDO.(A/S) : KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA ADV.(A/S) : MOZART HAMILTON BUENO (1522A/DF) AM. CURIAE. : ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP ADV.(A/S) : NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA (119891/MG, 119891/MG) ADV.(A/S) : GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN (18200/SC) Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 359 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário para indeferir a ordem, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli (Presidente). Em seguida, foi fixada a seguinte tese: “Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por servidor”. Falou, pelo amicus curiae Estado do Rio Grande do Sul, a Dra. Márcia dos Anjos Manoel, Procuradora do Estado. Afirmou suspeição o Ministro Alexandre dea aplicação do teto a todas as espécies remuneratórias, sendo inadequado evocar-se direito adquirido no tocante à percepção de excesso a qualquer título. Cita o decidido no recurso extraordinário nº 463.738/MT, no qual proclamada a validade do referido dispositivo do Diploma Maior, na redação conferida pela Emenda nº 41/2003, e no agravo regimental no recurso extraordinário nº 477.447/MG, ambos da relatoria do ministro Eros Grau. Consoante discorre, apesar dos fatos geradores distintos, não se legitima a consideração, em separado, das rubricas – vencimentos e pensão –, considerado o disposto na Lei das leis. Frisa que o único requisito a ser observado quanto ao teto é o destinatário único das quantias pagas pelo erário, independentemente da 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Em 16 de dezembro de 2010, o chamado Plenário Virtual reconheceu a repercussão geral da controvérsia, tendo a ementa sido confeccionada nos seguintes termos: TETO REMUNERATÓRIO – INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO – ARTIGO 37, INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E ARTIGOS 8º E 9º DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41/2003. Possui repercussão geral a controvérsia sobre a possibilidade de, ante o mesmo credor, existir a distinção do que recebido, para efeito do teto remuneratório, presentes as rubricas proventos e pensão, a teor do artigo 37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 9º da Emenda Constitucional nº 41/2003. À folha 196 à 201, o Ministério Público Federal opina pelo parcial provimento do extraordinário. Destaca a possibilidade de cumulação de vencimentos e pensão em virtude do falecimento de cônjuge. Salienta, a partir da leitura do inciso XI do artigo 37 da Lei Maior, presente a expressão “percebidos cumulativamente ou não”, a aplicação do teto a todas as espécies remuneratórias, sendo inadequado evocar-se direito adquirido no tocante à percepção de excesso a qualquer título. Cita o decidido no recurso extraordinário nº 463.738/MT, no qual proclamada a validade do referido dispositivo do Diploma Maior, na redação conferida pela Emenda nº 41/2003, e no agravo regimental no recurso extraordinário nº 477.447/MG, ambos da relatoria do ministro Eros Grau. Consoante discorre, apesar dos fatos geradores distintos, não se legitima a consideração, em separado, das rubricas – vencimentos e pensão –, considerado o disposto na Lei das leis. Frisa que o único requisito a ser observado quanto ao teto é o destinatário único das quantias pagas pelo erário, independentemente da 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 58 Relatório RE 602584 / DF origem dos direitos. Evoca jurisprudência. Diz irrelevante inexistir alusão expressa, no artigo 40, § 11, da Carta de 1988, a pensões. Conforme esclarece, o preceito tem como alvo os casos de acumulação de cargos e empregos públicos, sem relação com a situação concreta. Conclui asseverando que, mesmo nos casos de cumulação lícita de cargos ou empregos públicos, envolvendo fatos geradores diversos, há a submissão do somatório da remuneração percebida ao teto constitucional. Vossa Excelência indeferiu os pedidos de ingresso formalizados pela Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo – APESP, pelo Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do Estado de São Paulo – SINDIPROESP e pela Associação Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE (folhas 193 e 194, 213 a 215, 219 e 220). O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário – IBDP foram admitidos como terceiros interessados (folhas 242 e 243, 269 e 270). É o relatório. 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF origem dos direitos. Evoca jurisprudência. Diz irrelevante inexistir alusão expressa, no artigo 40, § 11, da Carta de 1988, a pensões. Conforme esclarece, o preceito tem como alvo os casos de acumulação de cargos e empregos públicos, sem relação com a situação concreta. Conclui asseverando que, mesmo nos casos de cumulação lícita de cargos ou empregos públicos, envolvendo fatos geradores diversos, há a submissão do somatório da remuneração percebida ao teto constitucional. Vossa Excelência indeferiu os pedidos de ingresso formalizados pela Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo – APESP, pelo Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do Estado de São Paulo – SINDIPROESP e pela Associação Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE (folhas 193 e 194, 213 a 215, 219 e 220). O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário – IBDP foram admitidos como terceiros interessados (folhas 242 e 243, 269 e 270). É o relatório. 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 58 Voto - MIN. MARCO AURÉLIO 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL V O T O O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Atendeu- se aos pressupostos gerais de recorribilidade. A peça, subscrita por Advogado da União, foi protocolada no prazo dobrado a que tem jus a recorrente, presente a regência pelo Código de Processo Civil de 1973. A matéria encontra-se prequestionada, revelando controvérsia constitucional a ensejar o conhecimento do recurso. Na sessão do dia 27 de abril de 2020, foi concluído o exame dos recursos extraordinários nº 612.975 – Tema nº 377 – e 602.043 – Tema nº 384. O Tribunal fixou a seguinte tese, considerado o teto previsto no artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal: Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, pressupõe a consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público. O Colegiado teve presente, em primeiro lugar, a existência de vínculos com a Administração Pública envolvendo o servidor individualmente e, em segundo, a autorização constitucional alusiva à acumulação de cargos, empregos e funções. Assentou, como decorre da tese anunciada, que, ante tal quadro, há de considerar-se, para efeito de teto, não o somatório do que percebido, mas a remuneração resultante de cada qual das relações jurídicas mantidas. Já agora, o conflito de interesses diz respeito a institutos distintos, a saber: remuneração e pensão; proventos e pensão. Em jogo, no caso concreto, questão diversa. O servidor que instituiu a pensão faleceu em 13 de junho de 1999 – certidão de folha 19. Na época Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmenteMoraes. Plenário, 06.08.2020 (Sessão realizada inteiramente por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. Presentes à sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber, Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes. Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Augusto Brandão de Aras. Carmen Lilian Oliveira de Souza Assessora-Chefe do Plenário Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 7964-78D8-B9D0-0641 e senha 6F4B-58CA-6924-5510 Inteiro Teor do Acórdão - Página 58 de 58conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 439E-A7FC-0E9C-7177 e senha 5C70-E2B9-B90C-340A Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL V O T O O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Atendeu- se aos pressupostos gerais de recorribilidade. A peça, subscrita por Advogado da União, foi protocolada no prazo dobrado a que tem jus a recorrente, presente a regência pelo Código de Processo Civil de 1973. A matéria encontra-se prequestionada, revelando controvérsia constitucional a ensejar o conhecimento do recurso. Na sessão do dia 27 de abril de 2020, foi concluído o exame dos recursos extraordinários nº 612.975 – Tema nº 377 – e 602.043 – Tema nº 384. O Tribunal fixou a seguinte tese, considerado o teto previsto no artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal: Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, pressupõe a consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público. O Colegiado teve presente, em primeiro lugar, a existência de vínculos com a Administração Pública envolvendo o servidor individualmente e, em segundo, a autorização constitucional alusiva à acumulação de cargos, empregos e funções. Assentou, como decorre da tese anunciada, que, ante tal quadro, há de considerar-se, para efeito de teto, não o somatório do que percebido, mas a remuneração resultante de cada qual das relações jurídicas mantidas. Já agora, o conflito de interesses diz respeito a institutos distintos, a saber: remuneração e pensão; proventos e pensão. Em jogo, no caso concreto, questão diversa. O servidor que instituiu a pensão faleceu em 13 de junho de 1999 – certidão de folha 19. Na época Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 439E-A7FC-0E9C-7177 e senha 5C70-E2B9-B90C-340A Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 58 Voto - MIN. MARCO AURÉLIO RE 602584 / DF do julgamento impugnado mediante o extraordinário, a beneficiária estava na ativa – dezembro de 2008 –, vindo a aposentar-se em 19 de outubro de 2015. Tem-se, a esta altura, pensão e proventos. Com esses esclarecimentos, cabe definir o alcance do artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, a revelar o teto, a percepção máxima capaz de ser alcançada pelo servidor, pouco importando se ativo ou inativo. Até a Emenda Constitucional nº 19, considerava-se, para efeito do teto, a remuneração. O tratamento dispensado levava em conta aquelas recebidas diretamente pelo servidor presentes relações jurídicas mantidas com a Administração Pública: Art. 37 [...] […] XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como remuneração, em espécie, pelo Prefeito; Com a Emenda de nº 19, de 4 de junho de 1998, deu-se a mudança do preceito, lançando-se o teto de forma mais abrangente, ou seja, alcançando, além da remuneração, subsídio, proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, “percebidos cumulativamente ou não”. Confiram a redação dada ao inciso XI do artigo 37 da Carta da República: Art. 37. […] […] XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 439E-A7FC-0E9C-7177 e senha 5C70-E2B9-B90C-340A Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF do julgamento impugnado mediante o extraordinário, a beneficiária estava na ativa – dezembro de 2008 –, vindo a aposentar-se em 19 de outubro de 2015. Tem-se, a esta altura, pensão e proventos. Com esses esclarecimentos, cabe definir o alcance do artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, a revelar o teto, a percepção máxima capaz de ser alcançada pelo servidor, pouco importando se ativo ou inativo. Até a Emenda Constitucional nº 19, considerava-se, para efeito do teto, a remuneração. O tratamento dispensado levava em conta aquelas recebidas diretamente pelo servidor presentes relações jurídicas mantidas com a Administração Pública: Art. 37 [...] […] XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como remuneração, em espécie, pelo Prefeito; Com a Emenda de nº 19, de 4 de junho de 1998, deu-se a mudança do preceito, lançando-se o teto de forma mais abrangente, ou seja, alcançando, além da remuneração, subsídio, proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, “percebidos cumulativamente ou não”. Confiram a redação dada ao inciso XI do artigo 37 da Carta da República: Art. 37. […] […] XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 439E-A7FC-0E9C-7177 e senha 5C70-E2B9-B90C-340A Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 58 Voto - MIN. MARCO AURÉLIO RE 602584 / DF Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal; O dispositivo veio a ser modificado novamente por intermédio da Emenda de nº 41/2003, ficando mantida, no texto, a expressão “percebidos cumulativamente ou não”. Ocorrido em 1999 o óbito do instituidor da pensão, ou seja, após a Emenda nº 19, publicada em 1998, a situação jurídica da recorrida – viúva – é apanhada pelo preceito transcrito, cabendo limitar ao teto constitucional o resultado da soma dos proventos com a pensão recebida. Provejo o extraordinário, para indeferir a ordem. Proponho a seguinte tese, a ser observada sob o ângulo da sistemática da repercussão geral: “Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no inciso XI do artigo 37 da ConstituiçãoFederal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por servidor”. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 439E-A7FC-0E9C-7177 e senha 5C70-E2B9-B90C-340A Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal; O dispositivo veio a ser modificado novamente por intermédio da Emenda de nº 41/2003, ficando mantida, no texto, a expressão “percebidos cumulativamente ou não”. Ocorrido em 1999 o óbito do instituidor da pensão, ou seja, após a Emenda nº 19, publicada em 1998, a situação jurídica da recorrida – viúva – é apanhada pelo preceito transcrito, cabendo limitar ao teto constitucional o resultado da soma dos proventos com a pensão recebida. Provejo o extraordinário, para indeferir a ordem. Proponho a seguinte tese, a ser observada sob o ângulo da sistemática da repercussão geral: “Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por servidor”. 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 439E-A7FC-0E9C-7177 e senha 5C70-E2B9-B90C-340A Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 58 Antecipação ao Voto 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL ANTECIPAÇÃO AO VOTO O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, eminentes Pares, Senhor Ministro-Relator, eminente Ministro Marco Aurélio, Senhora Procuradora do Estado, Doutora Márcia dos Anjos Manoel, Senhor Procurador-Geral da República, Doutor Augusto Aras. Senhor Presidente e eminente Ministro-Relator, eu, ao lado de cumprimentar Sua Excelência, o eminente Ministro Marco Aurélio, assento que vou juntar declaração de voto, que fiz um pouco mais alongada, mas serei muitíssimo breve para dizer que acompanho Sua Excelência. Não tenho dúvida alguma da circunstância que foi levada em consideração pelo eminente Ministro-Relator para fazer incidir o teto no montante das verbas cumuláveis. Ou seja, teto, para o rigor da própria palavra, tem precisamente esse sentido que o eminente Ministro-Relator traz à colação. É verdade que, no recurso, a União também se volta contra a acumulação, mas essa é uma matéria sobre a qual não resta dúvida. A acumulação é legítima, mas está submetida ao teto. Por isso, acompanho o eminente Ministro-Relator no sentido de prover o recurso extraordinário. Da minha parte, estou assentando que admito a acumulação - e creio que esse também é o sentido do voto de Sua Excelência -, mas desde que esta acumulação seja sempre submetida ao teto do inciso XI do art. 37 da Constituição. Como bem salientado pelo eminente Ministro-Relator, a impetrante ocupava ou ocupa cargo de analista judiciário e percebe simultaneamente pensão, em virtude do falecimento de ex-servidor. A acumulação é legítima, nada obstante submetida ao teto constitucional à luz dos precedentes do Tribunal e, precisamente, na linha de Sua Excelência o eminente Ministro Marco Aurélio, a quem acompanho, Senhor Presidente. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8BCF-67AD-40B6-819D e senha 3B09-37BA-C585-A42F Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL ANTECIPAÇÃO AO VOTO O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, eminentes Pares, Senhor Ministro-Relator, eminente Ministro Marco Aurélio, Senhora Procuradora do Estado, Doutora Márcia dos Anjos Manoel, Senhor Procurador-Geral da República, Doutor Augusto Aras. Senhor Presidente e eminente Ministro-Relator, eu, ao lado de cumprimentar Sua Excelência, o eminente Ministro Marco Aurélio, assento que vou juntar declaração de voto, que fiz um pouco mais alongada, mas serei muitíssimo breve para dizer que acompanho Sua Excelência. Não tenho dúvida alguma da circunstância que foi levada em consideração pelo eminente Ministro-Relator para fazer incidir o teto no montante das verbas cumuláveis. Ou seja, teto, para o rigor da própria palavra, tem precisamente esse sentido que o eminente Ministro-Relator traz à colação. É verdade que, no recurso, a União também se volta contra a acumulação, mas essa é uma matéria sobre a qual não resta dúvida. A acumulação é legítima, mas está submetida ao teto. Por isso, acompanho o eminente Ministro-Relator no sentido de prover o recurso extraordinário. Da minha parte, estou assentando que admito a acumulação - e creio que esse também é o sentido do voto de Sua Excelência -, mas desde que esta acumulação seja sempre submetida ao teto do inciso XI do art. 37 da Constituição. Como bem salientado pelo eminente Ministro-Relator, a impetrante ocupava ou ocupa cargo de analista judiciário e percebe simultaneamente pensão, em virtude do falecimento de ex-servidor. A acumulação é legítima, nada obstante submetida ao teto constitucional à luz dos precedentes do Tribunal e, precisamente, na linha de Sua Excelência o eminente Ministro Marco Aurélio, a quem acompanho, Senhor Presidente. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8BCF-67AD-40B6-819D e senha 3B09-37BA-C585-A42F Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL 1. O presente voto, ao dispor aos eminentes pares e às partes a respectiva íntegra, expressa fundamentação nos termos do inciso IX do art. 93 da Constituição da República Federativa do Brasil, e se contém em aproximadamente 20 (vinte) páginas. A síntese e conclusão podem ser apresentadas, sem prejuízo da explicitação no voto contida, à luz do procedimento que se fundamenta nos termos do insculpido no inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição Federal de 1988, em cuja abrangência se insere a celeridade de julgamento, mediante sucinta formulação que tem em conta as seguintes premissas e arremate: 1.1. Premissas: Primeira: O teto de retribuição estabelecido no art. 37, inciso XI, na redação conferida pela Emenda Constitucional 41/03, possui eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória percebidas pelos servidores públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de acordo com regime legal anterior. Segunda: A observância da norma de teto de retribuição representa verdadeira condição de legitimidade para o pagamento das remunerações no serviço público. Terceira: Os valores que ultrapassarem os limites preestabelecidos para cada nível federativo na Constituição constituem excesso cujo pagamento não pode ser reclamado comamparo na garantia da irredutibilidade de vencimentos. Quarta: A Constituição da República autoriza a percepção cumulada de proventos de aposentadoria advinda de exercício de cargo público com pensão por morte devida a dependente de servidor público falecido, pois são vantagens oriundas de fatos geradores distintos. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal 06/08/2020 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL 1. O presente voto, ao dispor aos eminentes pares e às partes a respectiva íntegra, expressa fundamentação nos termos do inciso IX do art. 93 da Constituição da República Federativa do Brasil, e se contém em aproximadamente 20 (vinte) páginas. A síntese e conclusão podem ser apresentadas, sem prejuízo da explicitação no voto contida, à luz do procedimento que se fundamenta nos termos do insculpido no inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição Federal de 1988, em cuja abrangência se insere a celeridade de julgamento, mediante sucinta formulação que tem em conta as seguintes premissas e arremate: 1.1. Premissas: Primeira: O teto de retribuição estabelecido no art. 37, inciso XI, na redação conferida pela Emenda Constitucional 41/03, possui eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória percebidas pelos servidores públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de acordo com regime legal anterior. Segunda: A observância da norma de teto de retribuição representa verdadeira condição de legitimidade para o pagamento das remunerações no serviço público. Terceira: Os valores que ultrapassarem os limites preestabelecidos para cada nível federativo na Constituição constituem excesso cujo pagamento não pode ser reclamado com amparo na garantia da irredutibilidade de vencimentos. Quarta: A Constituição da República autoriza a percepção cumulada de proventos de aposentadoria advinda de exercício de cargo público com pensão por morte devida a dependente de servidor público falecido, pois são vantagens oriundas de fatos geradores distintos. Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF Quinta: A cumulação dos proventos de aposentadoria e de pensão por morte, contudo, na hipótese, deve necessariamente respeitar a aplicação do teto remuneratório constitucionalmente previsto no art. 37, XI, da CRFB. Sexta: É à soma de ambas as vantagens que o teto do art. 37, XI CRFB incide; devendo, portanto, atingir o montante cumulado percebível. 1.2.Base constitucional: artigo 37, incisos XI e XVI da CRFB. 1.3. Base doutrinária: o voto se assenta no pensamento dos diversos autores nele citados; menciona-se aqui especialmente Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1.4. Base em precedentes: o voto se estriba em precedentes que formam jurisprudência deste Tribunal; especificamente citam-se os seguintes: RE 602.043, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017; RE 609381, Rel. o saudoso Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 02.10.2014; RE 606.358, Rel. Min. Rosa Weber, Pleno, DJe 07.04.2016. 1.5. Conclusão do voto: dou parcial provimento ao recurso extraordinário para admitir a cumulação de proventos de aposentadoria com benefício decorrente de pensão por morte deixada por segurado instituidor também servidor público, desde que submetido o total do montante à incidência do teto do art. 37, XI, CRFB. O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Saúdo o bem lançado relatório proferido pelo e. Ministro Relator Marco Aurélio. Apenas para rememorar as premissas que conduziram às minhas conclusões na matéria, permito-me consignar que se trata do Tema 359 da Repercussão que discute se é constitucional a incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao montante que resulta de acumulação de proventos de aposentadoria com benefício de pensão por morte. Na origem, a União interpôs recurso extraordinário em face de acórdão do TJDFT que concedeu parcialmente a segurança em mandamus 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Quinta: A cumulação dos proventos de aposentadoria e de pensão por morte, contudo, na hipótese, deve necessariamente respeitar a aplicação do teto remuneratório constitucionalmente previsto no art. 37, XI, da CRFB. Sexta: É à soma de ambas as vantagens que o teto do art. 37, XI CRFB incide; devendo, portanto, atingir o montante cumulado percebível. 1.2.Base constitucional: artigo 37, incisos XI e XVI da CRFB. 1.3. Base doutrinária: o voto se assenta no pensamento dos diversos autores nele citados; menciona-se aqui especialmente Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1.4. Base em precedentes: o voto se estriba em precedentes que formam jurisprudência deste Tribunal; especificamente citam-se os seguintes: RE 602.043, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017; RE 609381, Rel. o saudoso Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 02.10.2014; RE 606.358, Rel. Min. Rosa Weber, Pleno, DJe 07.04.2016. 1.5. Conclusão do voto: dou parcial provimento ao recurso extraordinário para admitir a cumulação de proventos de aposentadoria com benefício decorrente de pensão por morte deixada por segurado instituidor também servidor público, desde que submetido o total do montante à incidência do teto do art. 37, XI, CRFB. O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Saúdo o bem lançado relatório proferido pelo e. Ministro Relator Marco Aurélio. Apenas para rememorar as premissas que conduziram às minhas conclusões na matéria, permito-me consignar que se trata do Tema 359 da Repercussão que discute se é constitucional a incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao montante que resulta de acumulação de proventos de aposentadoria com benefício de pensão por morte. Na origem, a União interpôs recurso extraordinário em face de acórdão do TJDFT que concedeu parcialmente a segurança em mandamus 2 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF impetrado por Káthia Maria Cantuária Pereira da Silva, cuja ementa reproduzo (eDOC 40, pp. 127-140): “MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE. Demonstradoque, apesar da identidade de partes e causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal. Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto em particular, a fim de determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente“. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados pelo e. TRF1 (eDOC 03). 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF impetrado por Káthia Maria Cantuária Pereira da Silva, cuja ementa reproduzo (eDOC 40, pp. 127-140): “MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE. Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal. Não incide o teto constitucional sobre o montante da acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto em particular, a fim de determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela impetrante individualmente“. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados pelo e. TRF1 (eDOC 03). 3 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF No recurso extraordinário interposto, sustenta-se que o acórdão prolatado pelo TJDFT violou o art. 37, inc. IX, da Constituição da República, na redação determinada pela EC nº 41/2003, em razão de ter reconhecido a possibilidade de acumulação de pensão e de proventos por parte da impetrante. Destaca, diante disso, que o dispositivo supra referido “determinou expressamente que a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aí incluídos os ‘proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não’ e ‘as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza’” (eDOC 06, p. 5). Por outro lado, argui que “Entender, como fez o acórdão recorrido, que entendimento do Tribunal de Contas da União em consulta formulada pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho autorizou a acumulação e que a decisão do TCU é vinculativa, é absolutamente equivocado”. No mais, alega ser equivocada a premissa de que parte o TCU na apreciação da matéria, qual seja: “a norma insculpida no artigo 37, XI, da CF, teria como intenção proibir a acumulação (para a finalidade do teto) por uma única pessoa (e, no caso, a pensão seria devida em razão de outra pessoa)” (eDOC 06, p. 6). Requer, ao fim, “o processamento e conhecimento deste recurso, porque cumpridos todos os requisitos legais para sua admissibilidade, dando-se-lhe provimento para que seja reformado o v. Acórdão recorrido, em face da violação do preceito da Constituição Federal indicado” (eDOC 06, p. 7). Em contrarrazões, a recorrida arguiu que a pensão e o vencimento por ela percebidos “São dois institutos diferentes e distintos que têm como fato gerador situações também diferentes e distintas”, posicionamento que, a seu ver, estaria corroborado pela jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal. Pugna, portanto, pelo desprovimento do extraordinário (eDOC 07). A repercussão geral foi admitida, em acórdão assim ementado: (eDOC 40, pp. 191-195): “TETO REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO - ARTIGO 37, 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF No recurso extraordinário interposto, sustenta-se que o acórdão prolatado pelo TJDFT violou o art. 37, inc. IX, da Constituição da República, na redação determinada pela EC nº 41/2003, em razão de ter reconhecido a possibilidade de acumulação de pensão e de proventos por parte da impetrante. Destaca, diante disso, que o dispositivo supra referido “determinou expressamente que a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aí incluídos os ‘proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não’ e ‘as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza’” (eDOC 06, p. 5). Por outro lado, argui que “Entender, como fez o acórdão recorrido, que entendimento do Tribunal de Contas da União em consulta formulada pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho autorizou a acumulação e que a decisão do TCU é vinculativa, é absolutamente equivocado”. No mais, alega ser equivocada a premissa de que parte o TCU na apreciação da matéria, qual seja: “a norma insculpida no artigo 37, XI, da CF, teria como intenção proibir a acumulação (para a finalidade do teto) por uma única pessoa (e, no caso, a pensão seria devida em razão de outra pessoa)” (eDOC 06, p. 6). Requer, ao fim, “o processamento e conhecimento deste recurso, porque cumpridos todos os requisitos legais para sua admissibilidade, dando-se-lhe provimento para que seja reformado o v. Acórdão recorrido, em face da violação do preceito da Constituição Federal indicado” (eDOC 06, p. 7). Em contrarrazões, a recorrida arguiu que a pensão e o vencimento por ela percebidos “São dois institutos diferentes e distintos que têm como fatogerador situações também diferentes e distintas”, posicionamento que, a seu ver, estaria corroborado pela jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal. Pugna, portanto, pelo desprovimento do extraordinário (eDOC 07). A repercussão geral foi admitida, em acórdão assim ementado: (eDOC 40, pp. 191-195): “TETO REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO - ARTIGO 37, 4 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E ARTIGOS 8Q E 9º DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41/2003. Possui repercussão geral a controvérsia sobre a possibilidade de, ante o mesmo credor, existir a distinção do que recebido, para efeito do teto remuneratório, presentes as rubricas proventos e pensão, a teor do artigo 37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 9º da Emenda Constitucional nº 41/2003. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cezar Peluso, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes”. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo parcial provimento do recurso. Reproduzo a ementa do parecer (eDOC 40, pp. 214-219): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO TJDFT - PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E PENSÃO - TETO REMUNERATÓRIO - ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E ARTS. 8° E 9° DA EC N° 41/2003 - REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA - AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO À REGIME JURÍDICO - INCIDÊNCIA DO TETO REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR MORTE, INDEPENDENTEMENTE DA ORIGEM DO DIREITO A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS - PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE DA COISA PÚBLICA - PRECEDENTES DO STF - PARECER PELO CONHECIMENTO E PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO”. A Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo – APESP, o Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do Estado de São Paulo – SINDIPROESP, e a 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E ARTIGOS 8Q E 9º DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41/2003. Possui repercussão geral a controvérsia sobre a possibilidade de, ante o mesmo credor, existir a distinção do que recebido, para efeito do teto remuneratório, presentes as rubricas proventos e pensão, a teor do artigo 37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 9º da Emenda Constitucional nº 41/2003. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cezar Peluso, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes”. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo parcial provimento do recurso. Reproduzo a ementa do parecer (eDOC 40, pp. 214-219): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO TJDFT - PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E PENSÃO - TETO REMUNERATÓRIO - ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E ARTS. 8° E 9° DA EC N° 41/2003 - REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA - AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO À REGIME JURÍDICO - INCIDÊNCIA DO TETO REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR MORTE, INDEPENDENTEMENTE DA ORIGEM DO DIREITO A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS - PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE DA COISA PÚBLICA - PRECEDENTES DO STF - PARECER PELO CONHECIMENTO E PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO”. A Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo – APESP, o Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do Estado de São Paulo – SINDIPROESP, e a 5 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF Associação Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE, requereram ingresso no feito na qualidade de amici curiae (eDOCs 12 e 18), os quais restaram indeferidos pelo e. Relator (eDOCs 25, 27, 30 e 31). O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) foram admitidos como amici curiae (eDOCs 44 e 49). Era o que cabia rememorar. Na oportunidade do julgamento do RE 602.043, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017, rememorei que, quanto a interpretação do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, esta Corte assentou, no julgamento do RE 609.381, Rel. o saudoso Ministro Teori Zavascki, qual deve ser o alcance e a interpretação a ser dada ao dispositivo. O Texto Constitucional dispõe que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (…) XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF Associação Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE, requereram ingresso no feito na qualidade de amici curiae (eDOCs 12 e 18), os quais restaram indeferidos pelo e. Relator (eDOCs 25, 27, 30 e 31). O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) foram admitidos como amici curiae (eDOCs 44 e 49). Era o que cabia rememorar. Na oportunidade do julgamento do RE 602.043, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017, rememorei que, quanto a interpretação do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, esta Corte assentou, no julgamento do RE 609.381, Rel. o saudoso Ministro Teori Zavascki, qual deve ser o alcance e a interpretação a ser dada ao dispositivo. O Texto Constitucional dispõe que: “Art. 37.A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (…) XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 6 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;” Ao interpretar o referido dispositivo, a Corte assentou que: “CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. TETO DE RETRIBUIÇÃO. EMENDA CONSTITUCIONAL 41/03. EFICÁCIA IMEDIATA DOS LIMITES MÁXIMOS NELA FIXADOS. EXCESSOS. PERCEPÇÃO NÃO RESPALDADA PELA GARANTIA DA IRREDUTIBILIDADE. 1. O teto de retribuição estabelecido pela Emenda Constitucional 41/03 possui eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória percebidas pelos servidores públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de acordo com regime legal anterior. 2. A observância da norma de teto de retribuição representa verdadeira condição de legitimidade para o pagamento das remunerações no serviço público. Os valores que ultrapassam os limites preestabelecidos para cada nível federativo na Constituição Federal constituem excesso cujo pagamento não pode ser reclamado com amparo na garantia da irredutibilidade de vencimentos. 3. A incidência da garantia constitucional da irredutibilidade exige a presença cumulativa de pelo menos dois requisitos: (a) que o padrão remuneratório nominal tenha sido obtido conforme o direito, e não de maneira ilícita, ainda que por equívoco da Administração Pública; e (b) que o padrão remuneratório nominal esteja compreendido dentro do limite máximo pré- definido pela Constituição Federal. O pagamento de remunerações superiores aos tetos de retribuição de cada um dos níveis federativos traduz exemplo de violação qualificada do texto constitucional. 4. Recurso extraordinário provido.” (RE 609381, Rel. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Supremo Tribunal Federal RE 602584 / DF do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;” Ao interpretar o referido dispositivo, a Corte assentou que: “CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. TETO DE RETRIBUIÇÃO. EMENDA CONSTITUCIONAL 41/03. EFICÁCIA IMEDIATA DOS LIMITES MÁXIMOS NELA FIXADOS. EXCESSOS. PERCEPÇÃO NÃO RESPALDADA PELA GARANTIA DA IRREDUTIBILIDADE. 1. O teto de retribuição estabelecido pela Emenda Constitucional 41/03 possui eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória percebidas pelos servidores públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de acordo com regime legal anterior. 2. A observância da norma de teto de retribuição representa verdadeira condição de legitimidade para o pagamento das remunerações no serviço público. Os valores que ultrapassam os limites preestabelecidos para cada nível federativo na Constituição Federal constituem excesso cujo pagamento não pode ser reclamado com amparo na garantia da irredutibilidade de vencimentos. 3. A incidência da garantia constitucional da irredutibilidade exige a presença cumulativa de pelo menos dois requisitos: (a) que o padrão remuneratório nominal tenha sido obtido conforme o direito, e não de maneira ilícita, ainda que por equívoco da Administração Pública; e (b) que o padrão remuneratório nominal esteja compreendido dentro do limite máximo pré- definido pela Constituição Federal. O pagamento de remunerações superiores aos tetos de retribuição de cada um dos níveis federativos traduz exemplo de violação qualificada do texto constitucional. 4. Recurso extraordinário provido.” (RE 609381, Rel. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 7 Supremo Tribunal Federal Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 47EC-B224-3027-3AA9 e senha 9225-0CDD-ECAE-157C Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 58 Voto - MIN. EDSON FACHIN RE 602584 / DF 02.10.2014). Tal como manifestei quando da apreciação do já referido RE 602.043, da leitura da ementa acima reproduzida se pode haurir que as principais teses referentes à interpretação e à aplicação do art. 37, XI, CRFB, foram definidas no julgamento do RE 609.381. A garantia de irredutibilidade, por exemplo, só se aplica se o padrão remuneratório nominal tenha sido obtido de acordo com o direito e se ele estiver compreendido dentro do limite máximo fixado pela CRFB. Ademais, nos termos do art. 17 do ADCT, os valores que ultrapassam o teto remuneratório devem ser ajustados, sem que o servidor possa alegar direito adquirido. Finalmente, a alteração promovida pela Emenda Constitucional 41/03 tem aplicação imediata. O caso dos autos, entretanto, comporta especificidade em relação a esse precedente. Isso porque está em causa saber se é constitucional a incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao montante que resulta de acumulação de proventos de aposentadoria com benefício de pensão por morte. Uma vez autorizada a cumulação, eis que os proventos e o benefício têm fatos geradores distintos e cumpre indagar se os servidores inativos que se encontrem nessa situação devem também obedecer ao limite exposto no art. 37, XI, da CRFB. Em meu sentir, a resposta é afirmativa. No voto que proferi no RE 606.358, Rel. Ministra Rosa Weber, Pleno, DJe 07.04.2016, pude rememorar, seguindo o caminho indicado pelo Ministro Teori Zavascki, o histórico da interpretação constitucional fixada pelo Supremo Tribunal Federal relativamente ao teto remuneratório, digressão que