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Ementa e Acórdão
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) :UNIÃO 
ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 
RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA 
ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO 
AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO IBDP 
ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA 
ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN 
TETO CONSTITUCIONAL – PENSÃO – REMUNERAÇÃO OU 
PROVENTO – ACUMULAÇÃO – ALCANCE. Ante situação jurídica 
surgida em data posterior à Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho 
de 1998, cabível é considerar, para efeito de teto, o somatório de valores 
percebidos a título de remuneração, proventos e pensão. 
A C Ó R D Ã O
 
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do 
Supremo Tribunal Federal em, apreciando o tema 359 da repercussão 
geral, prover o recurso extraordinário para indeferir a ordem, nos termos 
do voto do relator e por maioria. Em seguida, foi fixada a seguinte tese: 
“Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da 
Emenda Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no inciso 
XI do artigo 37 da Constituição Federal incide sobre o somatório de 
remuneração ou provento e pensão percebida por servidor”, em sessão 
realizada por videoconferência, em 6 de agosto de 2020, presidida pelo 
Ministro Dias Toffoli, na conformidade da ata do julgamento e das 
respectivas notas taquigráficas.
 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código B81B-C0D8-2AF0-1365 e senha 33C7-D631-3C00-EDCA
Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal
Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 58
Ementa e Acórdão
RE 602584 / DF 
Brasília, 6 de agosto de 2020.
 
 
MINISTRO MARCO AURÉLIO – RELATOR
2 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
Brasília, 6 de agosto de 2020.
 
 
MINISTRO MARCO AURÉLIO – RELATOR
2 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 58
Relatório
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) :UNIÃO 
ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 
RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA 
ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO 
AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO IBDP 
ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA 
ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN 
R E L A T Ó R I O
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – O assessor Dr. 
Vinicius de Andrade Prado prestou as seguintes informações:
O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito 
Federal e Territórios, no julgamento do mandado de segurança 
nº 2005.00.2.007788-9, assentou a não incidência do teto 
constitucional remuneratório sobre a soma dos valores 
recebidos, por servidora, a título de pensão por morte e os 
vencimentos alusivos à remuneração de cargo público efetivo. 
Consignou tratar-se de direitos decorrentes de fatos geradores 
distintos. Deferiu parcialmente a ordem pleiteada, 
determinando à União que, para efeito de aplicação do teto, 
considerasse individualmente as quantias percebidas. O 
acórdão impugnado, de folha 117 a 133, encontra-se assim 
ementado:
MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO 
E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 8EAD-E201-D461-E7AB e senha 5A82-EC3F-D9CC-860D
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06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) :UNIÃO 
ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 
RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA 
ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO 
AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO IBDP 
ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA 
ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN 
R E L A T Ó R I O
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – O assessor Dr. 
Vinicius de Andrade Prado prestou as seguintes informações:
O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito 
Federal e Territórios, no julgamento do mandado de segurança 
nº 2005.00.2.007788-9, assentou a não incidência do teto 
constitucional remuneratório sobre a soma dos valores 
recebidos, por servidora, a título de pensão por morte e os 
vencimentos alusivos à remuneração de cargo público efetivo. 
Consignou tratar-se de direitos decorrentes de fatos geradores 
distintos. Deferiu parcialmente a ordem pleiteada, 
determinando à União que, para efeito de aplicação do teto, 
considerasse individualmente as quantias percebidas. O 
acórdão impugnado, de folha 117 a 133, encontra-se assim 
ementado:
MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO 
E CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 58
Relatório
RE 602584 / DF 
41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. 
OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E 
ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. 
IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA 
JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE 
PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX-
SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE 
DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O 
BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA 
EM PARTE.
Demonstrado que, apesar da identidade de partes e 
causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais 
amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de 
litispendência.
No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a 
alegação de direito adquirido à imutabilidade 
vencimentos ou proventos de servidor público. Com o 
advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a 
respeito de diploma legal que estabeleça regras para a 
aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal.
Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-
se de direitos distintos, constitucional e legalmente 
garantidos, tende o primeiro como fato gerador o exercício 
de cargo público e o segundo, a morte do segurado. 
Segurança que se concede, quanto a este aspecto em 
particular, a fim de se determinar à douta autoridade 
coatora que, para efeito de aplicação do teto 
remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida 
pela impetrante individualmente.
(Mandado de segurança nº 2005.00.2.007788-9, 
Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distritotambém se 
operou no julgamento do RE 602.043.
Naquela oportunidade, afirmei que:
“A redação original do inciso XI do artigo 37 da 
Constituição já previa a necessidade de adequação ao teto 
remuneratório de qualquer parcela de vencimentos ou 
proventos e não fazia nenhuma ressalva quanto às 
vantagens pessoais ou quaisquer outros adicionais.
8 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
02.10.2014). 
Tal como manifestei quando da apreciação do já referido RE 602.043, 
da leitura da ementa acima reproduzida se pode haurir que as principais 
teses referentes à interpretação e à aplicação do art. 37, XI, CRFB, foram 
definidas no julgamento do RE 609.381. A garantia de irredutibilidade, 
por exemplo, só se aplica se o padrão remuneratório nominal tenha sido 
obtido de acordo com o direito e se ele estiver compreendido dentro do 
limite máximo fixado pela CRFB. Ademais, nos termos do art. 17 do 
ADCT, os valores que ultrapassam o teto remuneratório devem ser 
ajustados, sem que o servidor possa alegar direito adquirido. Finalmente, 
a alteração promovida pela Emenda Constitucional 41/03 tem aplicação 
imediata.
O caso dos autos, entretanto, comporta especificidade em relação a 
esse precedente. Isso porque está em causa saber se é constitucional a 
incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao montante que resulta de 
acumulação de proventos de aposentadoria com benefício de pensão por 
morte. Uma vez autorizada a cumulação, eis que os proventos e o 
benefício têm fatos geradores distintos e cumpre indagar se os servidores 
inativos que se encontrem nessa situação devem também obedecer ao 
limite exposto no art. 37, XI, da CRFB.
Em meu sentir, a resposta é afirmativa. No voto que proferi no RE 
606.358, Rel. Ministra Rosa Weber, Pleno, DJe 07.04.2016, pude 
rememorar, seguindo o caminho indicado pelo Ministro Teori Zavascki, o 
histórico da interpretação constitucional fixada pelo Supremo Tribunal 
Federal relativamente ao teto remuneratório, digressão que também se 
operou no julgamento do RE 602.043.
Naquela oportunidade, afirmei que:
“A redação original do inciso XI do artigo 37 da 
Constituição já previa a necessidade de adequação ao teto 
remuneratório de qualquer parcela de vencimentos ou 
proventos e não fazia nenhuma ressalva quanto às 
vantagens pessoais ou quaisquer outros adicionais.
8 
Supremo Tribunal Federal
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
À época, como bem ressaltou o Min. Teori, a 
controvérsia instaurada perante esta Corte dizia respeito à 
compatibilidade entre esse dispositivo e a redação original 
do art. 39, §1º, o qual colocava a salvo da isonomia de 
vencimentos, justamente, as vantagens de natureza 
individual e as decorrentes da natureza ou local de 
trabalho; e por esse motivo, as vantagens pessoais foram 
excluídas do teto remuneratório, conforme precedente na 
ADI 14 e demais julgados que se seguiram a ele.
Com a Reforma Administrativa introduzida pela 
Emenda Constitucional nº 19/98, tentou-se uma primeira 
correção interpretativa do disposto na redação original do 
texto constitucional, extirpando a previsão da isonomia de 
vencimentos e, ademais, modificando a redação do artigo 
7, XI, tornando explícita a inclusão das vantagens pessoais 
no teto remuneratório. Nada obstante, como a lei de 
iniciativa conjunta dos Chefes do Poder Executivo e do 
Judiciário, e dos Presidentes da Câmara e do Senado, para 
definição da remuneração dos Ministros do Supremo 
Tribunal Federal jamais adveio, esta Corte manteve o 
entendimento anteriormente exposto, no sentido de 
considerar excluídas do limite as verbas de natureza 
pessoal. 
Nova Emenda Constitucional, de nº 41/2003, intentou 
colocar fim à controvérsia, incluindo expressamente no 
teto remuneratório as vantagens pessoais e, no art. 8º, 
dispondo que o teto a ser considerado seria a maior 
remuneração percebida por Ministro do Supremo Tribunal 
Federal, até que fosse fixado por lei o valor do subsídio do 
cargo. 
Essa análise leva à inarredável conclusão de que a EC 
nº 41/2003 não instituiu o teto remuneratório do serviço 
público, ele existe desde a promulgação da Constituição 
Federal, por expressa manifestação do Constituinte 
originário. Retornando ao caso em debate, questiona-se se, 
com a nova conformação do artigo 37, inciso XI da 
9 
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
À época, como bem ressaltou o Min. Teori, a 
controvérsia instaurada perante esta Corte dizia respeito à 
compatibilidade entre esse dispositivo e a redação original 
do art. 39, §1º, o qual colocava a salvo da isonomia de 
vencimentos, justamente, as vantagens de natureza 
individual e as decorrentes da natureza ou local de 
trabalho; e por esse motivo, as vantagens pessoais foram 
excluídas do teto remuneratório, conforme precedente na 
ADI 14 e demais julgados que se seguiram a ele.
Com a Reforma Administrativa introduzida pela 
Emenda Constitucional nº 19/98, tentou-se uma primeira 
correção interpretativa do disposto na redação original do 
texto constitucional, extirpando a previsão da isonomia de 
vencimentos e, ademais, modificando a redação do artigo 
7, XI, tornando explícita a inclusão das vantagens pessoais 
no teto remuneratório. Nada obstante, como a lei de 
iniciativa conjunta dos Chefes do Poder Executivo e do 
Judiciário, e dos Presidentes da Câmara e do Senado, para 
definição da remuneração dos Ministros do Supremo 
Tribunal Federal jamais adveio, esta Corte manteve o 
entendimento anteriormente exposto, no sentido de 
considerar excluídas do limite as verbas de natureza 
pessoal. 
Nova Emenda Constitucional, de nº 41/2003, intentou 
colocar fim à controvérsia, incluindo expressamente no 
teto remuneratório as vantagens pessoais e, no art. 8º, 
dispondo que o teto a ser considerado seria a maior 
remuneração percebida por Ministro do Supremo Tribunal 
Federal, até que fosse fixado por lei o valor do subsídio do 
cargo. 
Essa análise leva à inarredável conclusão de que a EC 
nº 41/2003 não instituiu o teto remuneratório do serviço 
público, ele existe desde a promulgação da Constituição 
Federal, por expressa manifestação do Constituinte 
originário. Retornando ao caso em debate, questiona-se se, 
com a nova conformação do artigo 37, inciso XI da 
9 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 20 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
Constituição Federal, alterado pela Emenda 
Constitucional nº 41/2003, é possível que as vantagens 
pessoais adquiridas pelos servidores sejam excluídas do 
teto remuneratório fixado no dispositivo em comento, 
pelo princípio da irredutibilidadedos vencimentos.”
Essa manifestação traz um histórico sobre a interpretação que esta 
Corte, no âmbito do precedente firmado no RE 609.381, atribuiu ao 
instituto do teto constitucional. Embora essa rememoração permita 
avaliar o valor que o constituinte originário atribui ao tema, é preciso 
reconhecer que o caso do autos apresenta particularidades.
Registre-se que, na vigência da Emenda de 1969, esta Corte dedicou-
se a reconhecer como possíveis a acumulação de proventos e vencimentos 
quando os cargos, funções ou empregos fossem acumuláveis na 
atividade, veja-se, v.g., o RE 81.729, Rel. Ministro Xavier de Albuquerque, 
Segunda Turma, DJ 19.09.1975. 
Com base nesse regime constitucional, o Supremo reconheceu que 
aqueles que tinha se aposentado observando as regras da Constituição de 
1969 tinham direito à percepção cumulada de proventos, veja-se, por 
exemplo, o MS 24.952, Rel. Ministro Carlos Britto, Pleno, DJ 03.02.2006. 
A redação original da Constituição de 1988 manteve disposições 
semelhantes à redação dada pelo regime anterior. O artigo 37, XVI, 
dispunha, em sua redação original, que: 
“Art. 37. A administração pública direta, indireta ou 
fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios 
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, 
também, ao seguinte:
(…)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos 
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários: 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou 
científico;
10 
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
Constituição Federal, alterado pela Emenda 
Constitucional nº 41/2003, é possível que as vantagens 
pessoais adquiridas pelos servidores sejam excluídas do 
teto remuneratório fixado no dispositivo em comento, 
pelo princípio da irredutibilidade dos vencimentos.”
Essa manifestação traz um histórico sobre a interpretação que esta 
Corte, no âmbito do precedente firmado no RE 609.381, atribuiu ao 
instituto do teto constitucional. Embora essa rememoração permita 
avaliar o valor que o constituinte originário atribui ao tema, é preciso 
reconhecer que o caso do autos apresenta particularidades.
Registre-se que, na vigência da Emenda de 1969, esta Corte dedicou-
se a reconhecer como possíveis a acumulação de proventos e vencimentos 
quando os cargos, funções ou empregos fossem acumuláveis na 
atividade, veja-se, v.g., o RE 81.729, Rel. Ministro Xavier de Albuquerque, 
Segunda Turma, DJ 19.09.1975. 
Com base nesse regime constitucional, o Supremo reconheceu que 
aqueles que tinha se aposentado observando as regras da Constituição de 
1969 tinham direito à percepção cumulada de proventos, veja-se, por 
exemplo, o MS 24.952, Rel. Ministro Carlos Britto, Pleno, DJ 03.02.2006. 
A redação original da Constituição de 1988 manteve disposições 
semelhantes à redação dada pelo regime anterior. O artigo 37, XVI, 
dispunha, em sua redação original, que: 
“Art. 37. A administração pública direta, indireta ou 
fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios 
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, 
também, ao seguinte:
(…)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos 
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários: 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou 
científico;
10 
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Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
c) a de dois cargos privativos de médico;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e 
funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, 
sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades 
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;” 
Observe-se que não havia, nos textos desses dispositivos, qualquer 
remissão à previsão legal do teto remuneratório, constante do art. 37, XI, 
da Constituição Federal, cujo versão original era a seguinte: 
“Art. 37. A administração pública direta, indireta ou 
fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios 
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, 
também, ao seguinte:
(…)
XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores 
entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, 
observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos 
Poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, 
a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, 
Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e 
seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos 
Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como 
remuneração, em espécie, pelo Prefeito;”
Não surpreende, portanto, que, quando do exame das questões que 
surgiram após o advento do novo texto constitucional, a Corte 
mantivesse, inicialmente, a mesma compreensão delineada 
anteriormente, ressalvada a acumulação de proventos e vencimentos ante 
proibição constante do art. 37, XVI. Confira-se:
“CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR 
PÚBLICO. PROVENTOS E VENCIMENTOS: ACUMULAÇÃO. 
C.F., art. 37, XVI, XVII. I. - A acumulação de proventos e 
11 
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
c) a de dois cargos privativos de médico;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e 
funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, 
sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades 
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;” 
Observe-se que não havia, nos textos desses dispositivos, qualquer 
remissão à previsão legal do teto remuneratório, constante do art. 37, XI, 
da Constituição Federal, cujo versão original era a seguinte: 
“Art. 37. A administração pública direta, indireta ou 
fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios 
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, 
também, ao seguinte:
(…)
XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores 
entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, 
observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos 
Poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, 
a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, 
Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e 
seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos 
Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como 
remuneração, em espécie, pelo Prefeito;”
Não surpreende, portanto, que, quando do exame das questões que 
surgiram após o advento do novo texto constitucional, a Corte 
mantivesse, inicialmente, a mesma compreensão delineada 
anteriormente, ressalvada a acumulação de proventos e vencimentos anteproibição constante do art. 37, XVI. Confira-se:
“CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR 
PÚBLICO. PROVENTOS E VENCIMENTOS: ACUMULAÇÃO. 
C.F., art. 37, XVI, XVII. I. - A acumulação de proventos e 
11 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 22 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
vencimentos somente e permitida quando se tratar de cargos, 
funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma 
permitida pela Constituição. C.F., art. 37, XVI, XVII; art. 95, 
parágrafo único, I. Na vigência da Constituição de 1946, art. 
185, que continha norma igual a que está inscrita no art. 37, XVI, 
CF/88, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era no 
sentido da impossibilidade da acumulação de proventos com 
vencimentos, salvo se os cargos de que decorrem essas 
remunerações fossem acumuláveis. II. - Precedentes do STF: 
RE-81729-SP, ERE-68480, MS-19902, RE-77237-SP, RE-76241-RJ. 
III. - R.E. conhecido e provido.” (RE 163204, Rel. Min. Carlos 
Velloso, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.1994). 
Registre-se que, quando da votação deste importante precedente, o 
e. Ministro Marco Aurélio divergiu da maioria, por entender que a 
Constituição de 1988 não previu, expressamente, a proibição de 
acumulação entre proventos e vencimentos. 
O regime constitucional sofreu, porém, duas alterações 
fundamentais. A primeira diz respeito à Emenda Constitucional n. 19 que
alterou os incisos XI e XVI do art. 37 da Constituição:
“Art. 37 (…)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal; 
(…)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos 
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, 
observado em qualquer caso o disposto no inciso XI;”
12 
Supremo Tribunal Federal
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RE 602584 / DF 
vencimentos somente e permitida quando se tratar de cargos, 
funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma 
permitida pela Constituição. C.F., art. 37, XVI, XVII; art. 95, 
parágrafo único, I. Na vigência da Constituição de 1946, art. 
185, que continha norma igual a que está inscrita no art. 37, XVI, 
CF/88, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal era no 
sentido da impossibilidade da acumulação de proventos com 
vencimentos, salvo se os cargos de que decorrem essas 
remunerações fossem acumuláveis. II. - Precedentes do STF: 
RE-81729-SP, ERE-68480, MS-19902, RE-77237-SP, RE-76241-RJ. 
III. - R.E. conhecido e provido.” (RE 163204, Rel. Min. Carlos 
Velloso, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.1994). 
Registre-se que, quando da votação deste importante precedente, o 
e. Ministro Marco Aurélio divergiu da maioria, por entender que a 
Constituição de 1988 não previu, expressamente, a proibição de 
acumulação entre proventos e vencimentos. 
O regime constitucional sofreu, porém, duas alterações 
fundamentais. A primeira diz respeito à Emenda Constitucional n. 19 que
alterou os incisos XI e XVI do art. 37 da Constituição:
“Art. 37 (…)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal; 
(…)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos 
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, 
observado em qualquer caso o disposto no inciso XI;”
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 23 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
Como se observa da leitura do texto reformado, a emenda relacionou 
diretamente o dispositivo relativo ao teto constitucional (art. 37, XI, 
CRFB), como o regime das acumulações (art. 37, XVI, da CRFB). A 
expressa remissão, assim como a previsão de incidência do teto sobre a 
remuneração e o subsídios “percebidos cumulativamente ou não, 
incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza” são as 
diretrizes de interpretação que a Constituição oferece para a hipótese dos 
autos.
Registre-se, ademais, que mesmo a Emenda Constitucional 41, de 19 
de dezembro de 2003, não alterou o texto normativo a ser interpretado. 
Com efeito, prevê a nova redação do art. 37, XI, da CRFB: 
“XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos 
Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito 
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder 
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no 
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder 
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério 
Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;”
Como bem destacou o e. Ministro Teori Zavascki, no julgamento do 
RE 609.381:
13 
Supremo Tribunal Federal
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RE 602584 / DF 
Como se observa da leitura do texto reformado, a emenda relacionou 
diretamente o dispositivo relativo ao teto constitucional (art. 37, XI, 
CRFB), como o regime das acumulações (art. 37, XVI, da CRFB). A 
expressa remissão, assim como a previsão de incidência do teto sobre a 
remuneração e o subsídios “percebidos cumulativamente ou não, 
incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza” são asdiretrizes de interpretação que a Constituição oferece para a hipótese dos 
autos.
Registre-se, ademais, que mesmo a Emenda Constitucional 41, de 19 
de dezembro de 2003, não alterou o texto normativo a ser interpretado. 
Com efeito, prevê a nova redação do art. 37, XI, da CRFB: 
“XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos 
Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito 
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder 
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no 
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder 
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério 
Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;”
Como bem destacou o e. Ministro Teori Zavascki, no julgamento do 
RE 609.381:
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Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
“o teto de retribuição (a) continuou a incluir as vantagens 
pessoais ou de qualquer natureza (assim como tinha pretendido 
fazer a Emenda Constitucional 19/98); (b) voltou a depender de 
iniciativas políticas isoladas para a sua fixação; e (c) produziu 
eficácia imediata, porquanto o art. 8º da EC 41/03 determinou 
que, enquanto não fixado o valor do subsídio, “será 
considerado, para os fins do limite fixado naquele inciso, o 
valor da maior remuneração atribuída por lei na data da 
publicação desta Emenda a Ministro do Supremo Tribunal 
Federal, a título de vencimento, representação mensal e de 
parcela recebida em razão de tempo de serviço”. 
 
De modo semelhante ao que dispunha a EC 19/98, o art. 9º da EC 
41/03 determinou fosse aplicado o disposto no art. 17 do ADCT “aos 
vencimentos, remunerações e subsídios dos ocupantes de cargos, funções e 
empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos 
membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos 
e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória percebidos 
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza.“
O Ministro Teori Zavascki rememorou ainda o voto proferido pelo e. 
Ministro Cezar Peluso no MS 24.875, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ 
de 06.10.2006, no qual Sua Excelência assentou: 
“O texto original da Constituição estabeleceu três coisas: 
primeiro, fixou um limite de remuneração para a magistratura; 
segundo, incluiu, na apuração desse limite, qualquer parcela 
correspondente da estrutura da remuneração, ou seja, 
prescreveu textualmente que esse limite consideraria qualquer 
parcela, a qualquer título, do que fosse percebido por Ministros 
do Supremo Tribunal Federal. Relembro, observados como 
limite máximo dos respectivos poderes, os valores percebidos 
como remuneração em espécie, a qualquer título, por Ministro 
14 
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“o teto de retribuição (a) continuou a incluir as vantagens 
pessoais ou de qualquer natureza (assim como tinha pretendido 
fazer a Emenda Constitucional 19/98); (b) voltou a depender de 
iniciativas políticas isoladas para a sua fixação; e (c) produziu 
eficácia imediata, porquanto o art. 8º da EC 41/03 determinou 
que, enquanto não fixado o valor do subsídio, “será 
considerado, para os fins do limite fixado naquele inciso, o 
valor da maior remuneração atribuída por lei na data da 
publicação desta Emenda a Ministro do Supremo Tribunal 
Federal, a título de vencimento, representação mensal e de 
parcela recebida em razão de tempo de serviço”. 
 
De modo semelhante ao que dispunha a EC 19/98, o art. 9º da EC 
41/03 determinou fosse aplicado o disposto no art. 17 do ADCT “aos 
vencimentos, remunerações e subsídios dos ocupantes de cargos, funções e 
empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos 
membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos 
e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória percebidos 
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza.“
O Ministro Teori Zavascki rememorou ainda o voto proferido pelo e. 
Ministro Cezar Peluso no MS 24.875, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ 
de 06.10.2006, no qual Sua Excelência assentou: 
“O texto original da Constituição estabeleceu três coisas: 
primeiro, fixou um limite de remuneração para a magistratura; 
segundo, incluiu, na apuração desse limite, qualquer parcela 
correspondente da estrutura da remuneração, ou seja, 
prescreveu textualmente que esse limite consideraria qualquer 
parcela, a qualquer título, do que fosse percebido por Ministros 
do Supremo Tribunal Federal. Relembro, observados como 
limite máximo dos respectivos poderes, os valores percebidos 
como remuneração em espécie, a qualquer título, por Ministro 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 25 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
do Supremo Tribunal Federal. Terceiro, não admitiu, para efeito 
de observância deste teto, a subsistência de direitos adquiridos 
na ordem jurídico-constitucional anterior. 
Estes três pontos, a meu ver, não foram alterados nem pela 
Emenda nº 19, nem pela Emenda nº 41. Tiro algumas 
consequências: quando a Constituição, no texto primitivo, 
inciso XI do artigo 37, se referia a valor recebido a qualquer 
título, isso significava que abrangia não apenas as parcelas 
preexistentes, mas também toda parcela que fosse criada após o 
advento da Constituição, sob pena de outra interpretação 
permitir uma fraude, uma burla ao próprio texto constitucional. 
O que a Constituição estava querendo tratar, a meu ver, e com o 
devido respeito, era que parcelas ou valores, a qualquer título 
decorrentes da legislação anterior ou de legislação 
infraconstitucional subsequente, estavam incluídos na apuração 
do valor do limite constitucionalmente fixado. Tanto estava que, 
em relação às vantagens preexistentes, não deixou nenhuma 
dúvida, e o artigo 17, embora exaurido temporalmente, 
significava que as remunerações excedentes do teto deveriam 
ser decotadas imediatamente para seajustar ao texto 
constitucional. Evidentemente se tratava de norma transitória, 
porque se referia às vantagens preexistentes. E excluiu, por isso 
mesmo, a invocação de direito adquirido. 
Quanto às vantagens novas, à evidência não era o caso de 
estabelecer nenhum dispositivo de caráter transitório, até 
porque a própria norma do inciso XI já previa que qualquer 
vantagem criada por norma infraconstitucional deveria, nos 
termos dessa limitação, compor o teto da remuneração.
A mim me parece, com o devido respeito, que a Emenda 
19/98 em nada alterou esses três pontos. Ela, pura e 
simplesmente, modificou o critério de apuração desse teto e 
repetiu a fórmula, que já estava na redação original, prevendo: 
“incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza”
E tampouco a Emenda 41/03 introduziu qualquer 
alteração, porque tornou a incluir vantagens pessoais ou de 
15 
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RE 602584 / DF 
do Supremo Tribunal Federal. Terceiro, não admitiu, para efeito 
de observância deste teto, a subsistência de direitos adquiridos 
na ordem jurídico-constitucional anterior. 
Estes três pontos, a meu ver, não foram alterados nem pela 
Emenda nº 19, nem pela Emenda nº 41. Tiro algumas 
consequências: quando a Constituição, no texto primitivo, 
inciso XI do artigo 37, se referia a valor recebido a qualquer 
título, isso significava que abrangia não apenas as parcelas 
preexistentes, mas também toda parcela que fosse criada após o 
advento da Constituição, sob pena de outra interpretação 
permitir uma fraude, uma burla ao próprio texto constitucional. 
O que a Constituição estava querendo tratar, a meu ver, e com o 
devido respeito, era que parcelas ou valores, a qualquer título 
decorrentes da legislação anterior ou de legislação 
infraconstitucional subsequente, estavam incluídos na apuração 
do valor do limite constitucionalmente fixado. Tanto estava que, 
em relação às vantagens preexistentes, não deixou nenhuma 
dúvida, e o artigo 17, embora exaurido temporalmente, 
significava que as remunerações excedentes do teto deveriam 
ser decotadas imediatamente para se ajustar ao texto 
constitucional. Evidentemente se tratava de norma transitória, 
porque se referia às vantagens preexistentes. E excluiu, por isso 
mesmo, a invocação de direito adquirido. 
Quanto às vantagens novas, à evidência não era o caso de 
estabelecer nenhum dispositivo de caráter transitório, até 
porque a própria norma do inciso XI já previa que qualquer 
vantagem criada por norma infraconstitucional deveria, nos 
termos dessa limitação, compor o teto da remuneração.
A mim me parece, com o devido respeito, que a Emenda 
19/98 em nada alterou esses três pontos. Ela, pura e 
simplesmente, modificou o critério de apuração desse teto e 
repetiu a fórmula, que já estava na redação original, prevendo: 
“incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza”
E tampouco a Emenda 41/03 introduziu qualquer 
alteração, porque tornou a incluir vantagens pessoais ou de 
15 
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RE 602584 / DF 
qualquer outra natureza. 
Ora, o perfil da disciplina constitucional, a despeito da 
mudança dos critérios de apuração desse limite, a partir dos 
quais os subsídios absorveriam todas essas parcelas que já 
estavam incluídas na definição e na estrutura desse limite, não 
alterou, em nenhum momento, a situação da magistratura. 
Desde o início, as limitações da magistratura eram as mesmas. 
Pouco importa que, na prática, elas não tenham sido alteradas. 
A verdade é que o texto constitucional não sofreu alteração 
substancial em relação à redação primitiva e às duas emendas 
que tornaram a regular o assunto. 
Ora, diante disso, não vejo como possa ser oposto direito 
adquirido, nem em termos de vantagens preexistentes, por 
força da regra expressa do art. 17 do ADCT, porque nenhum 
dos textos constitucionais permitiu que qualquer vantagem, 
ainda que criada superveniente pela legislação subalterna, 
poderia escapar a este teto. 
Daí, quando o eminente Relator se escusou de entrar nas 
águas procelosas da questão do alcance da garantia do direito 
adquirido perante emendas constitucionais, eu diria que – nem 
chego perto dessas águas, passo longe – a vantagem tratada 
aqui foi repristinada por uma Lei de 1990, donde esta vantagem 
não ficou fora da composição do teto: estava abrangida pela 
norma constitucional!
De modo que não há, a meu ver, necessidade de se 
recorrer à discussão de direitos adquiridos, de fonte infra ou de 
fonte constitucional, porque essa vantagem, de caráter pessoal, 
superveniente, encontrou no próprio texto constitucional então 
vigente, que era o primitivo, a limitação de que ela também não 
escaparia à apuração do teto.” 
Acolhendo a argumentação trazida pelo Ministro Cezar Peluso, o 
Ministro Teori Zavascki afirmou, então, que: 
“De fato, na linha daquilo que já havia sido observado 
pelo Min. Cezar Peluso no voto proferido no MS 24.875, o 
16 
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qualquer outra natureza. 
Ora, o perfil da disciplina constitucional, a despeito da 
mudança dos critérios de apuração desse limite, a partir dos 
quais os subsídios absorveriam todas essas parcelas que já 
estavam incluídas na definição e na estrutura desse limite, não 
alterou, em nenhum momento, a situação da magistratura. 
Desde o início, as limitações da magistratura eram as mesmas. 
Pouco importa que, na prática, elas não tenham sido alteradas. 
A verdade é que o texto constitucional não sofreu alteração 
substancial em relação à redação primitiva e às duas emendas 
que tornaram a regular o assunto. 
Ora, diante disso, não vejo como possa ser oposto direito 
adquirido, nem em termos de vantagens preexistentes, por 
força da regra expressa do art. 17 do ADCT, porque nenhum 
dos textos constitucionais permitiu que qualquer vantagem, 
ainda que criada superveniente pela legislação subalterna, 
poderia escapar a este teto. 
Daí, quando o eminente Relator se escusou de entrar nas 
águas procelosas da questão do alcance da garantia do direito 
adquirido perante emendas constitucionais, eu diria que – nem 
chego perto dessas águas, passo longe – a vantagem tratada 
aqui foi repristinada por uma Lei de 1990, donde esta vantagem 
não ficou fora da composição do teto: estava abrangida pela 
norma constitucional!
De modo que não há, a meu ver, necessidade de se 
recorrer à discussão de direitos adquiridos, de fonte infra ou de 
fonte constitucional, porque essa vantagem, de caráter pessoal, 
superveniente, encontrou no próprio texto constitucional então 
vigente, que era o primitivo, a limitação de que ela também não 
escaparia à apuração do teto.” 
Acolhendo a argumentação trazida pelo Ministro Cezar Peluso, o 
Ministro Teori Zavascki afirmou, então, que: 
“De fato, na linha daquilo que já haviasido observado 
pelo Min. Cezar Peluso no voto proferido no MS 24.875, o 
16 
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RE 602584 / DF 
preceito constitucional do teto de retribuição possui comando 
normativo claro e eficiente, que veda o pagamento de excessos, 
ainda que adquiridos após a promulgação da Constituição 
Federal de 1988. Assim, mesmo que a norma do art. 9º da EC 
41/03 venha a ser invalidada, a mensagem enunciada pela 
Constituição será a mesma. Vale dizer: os excessos que 
transbordam o valor do teto são inconstitucionais, e não 
escapam ao comando redutor estabelecido pelo art. 37, XI, da 
CF.
Em suma, ao conceder a segurança para permitir que os 
recorridos continuassem a perceber verbas de natureza 
remuneratória além dos limites do teto aplicável aos Estados-
membros após a EC 41/03, endossando um regime de 
retribuição que destoa da norma constitucional do teto de 
retribuição, o acórdão recorrido infringiu o inciso XI do art. 37 
da CF, razão pela qual deve ser reformado.” 
Resta examinar, portanto, se o dispositivo constante do art. 37, XI, da 
CRFB, aplica-se também às hipótese de cumulação de proventos 
Neste ponto, a parte final do art. 37, XVI, da CRFB parece não deixar 
dúvidas de que, mesmo nos casos de percepção cumulativa, deve-se 
observar “em qualquer caso o disposto no inciso XI”. Noutras palavras, a 
interpretação dada por esta Corte ao regime do teto remuneratório é 
também aplicável ao conjunto das remunerações percebidas de forma 
cumulativa. Conquanto o inciso XVI do art. 37 refira-se às hipóteses de 
cargos públicos cumuláveis e o tema em julgamento trate de 
percebimento conjunto de proventos de aposentadoria oriundos de cargo 
público e pensão por morte, as razões que determinam a incidência do 
teto do inciso XI do art. 37 são igualmente aplicáveis na hipótese sob 
exame.
Tal posicionamento é também acompanhado pela doutrina. Maria 
Sylvia Zanella Di Pietro aduz, por exemplo, que (DI PIETRO, Maria 
Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 22ª ed. São Paulo: Atlas, 2016, p. 
540):
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preceito constitucional do teto de retribuição possui comando 
normativo claro e eficiente, que veda o pagamento de excessos, 
ainda que adquiridos após a promulgação da Constituição 
Federal de 1988. Assim, mesmo que a norma do art. 9º da EC 
41/03 venha a ser invalidada, a mensagem enunciada pela 
Constituição será a mesma. Vale dizer: os excessos que 
transbordam o valor do teto são inconstitucionais, e não 
escapam ao comando redutor estabelecido pelo art. 37, XI, da 
CF.
Em suma, ao conceder a segurança para permitir que os 
recorridos continuassem a perceber verbas de natureza 
remuneratória além dos limites do teto aplicável aos Estados-
membros após a EC 41/03, endossando um regime de 
retribuição que destoa da norma constitucional do teto de 
retribuição, o acórdão recorrido infringiu o inciso XI do art. 37 
da CF, razão pela qual deve ser reformado.” 
Resta examinar, portanto, se o dispositivo constante do art. 37, XI, da 
CRFB, aplica-se também às hipótese de cumulação de proventos 
Neste ponto, a parte final do art. 37, XVI, da CRFB parece não deixar 
dúvidas de que, mesmo nos casos de percepção cumulativa, deve-se 
observar “em qualquer caso o disposto no inciso XI”. Noutras palavras, a 
interpretação dada por esta Corte ao regime do teto remuneratório é 
também aplicável ao conjunto das remunerações percebidas de forma 
cumulativa. Conquanto o inciso XVI do art. 37 refira-se às hipóteses de 
cargos públicos cumuláveis e o tema em julgamento trate de 
percebimento conjunto de proventos de aposentadoria oriundos de cargo 
público e pensão por morte, as razões que determinam a incidência do 
teto do inciso XI do art. 37 são igualmente aplicáveis na hipótese sob 
exame.
Tal posicionamento é também acompanhado pela doutrina. Maria 
Sylvia Zanella Di Pietro aduz, por exemplo, que (DI PIETRO, Maria 
Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 22ª ed. São Paulo: Atlas, 2016, p. 
540):
17 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 28 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
“Com a Emenda Constitucional n.º 41/03, tenta-se 
novamente impor um tento, devolvendo-se ao Congresso 
Nacional, com a sanção do Presidente da República, a 
competência para fixar os subsídios dos Ministros do Supremo 
Tribunal Federal (art. 48, XV), e alterando-se, mais uma vez, o 
artigo 37, I, que passou a vigorar com a seguinte redação: 
(…)
A leitura desse dispositivo, conjugada com outros 
dispositivos da Constituição, permite as seguintes conclusões :
(…)
g) o teto atinge os proventos dos aposentados e a pensão 
devida aos dependentes do servidor falecido;”
Haveria, ainda, outra razão a corroborar a interpretação pela 
incidência do teto à hipótese em tela. Posteriormente à Emenda 
Constitucional 19/98, que, na linha dos precedentes indicados, instituiu a 
aplicação do regime do teto remuneratório, o constituinte reformador, 
por meio da Emenda Constitucional 20/98, também estendeu aos 
proventos recebidos pelos servidores inativos o teto remuneratório. 
Tal dispositivo decorreu da inserção do antigo § 8º do art. 40 
(“Observado o disposto no art. 37, XI, os proventos de aposentadoria e as 
pensões serão revistos na mesma proporção e na mesma data, sempre 
que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo 
também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer 
benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em 
atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou 
reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que 
serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei”) do 
Texto Constitucional. A mesma emenda ainda acrescentou o § 11 ao art. 
40:
“§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total 
dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da 
acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de 
outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral 
18 
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RE 602584 / DF 
“Com a Emenda Constitucional n.º 41/03, tenta-se 
novamente impor um tento, devolvendo-se ao Congresso 
Nacional, com a sanção do Presidente da República, a 
competência para fixar os subsídios dos Ministros do Supremo 
Tribunal Federal (art. 48, XV), e alterando-se, mais uma vez, o 
artigo 37, I, que passou a vigorar com a seguinte redação: 
(…)
A leitura desse dispositivo, conjugada com outros 
dispositivos da Constituição, permite as seguintes conclusões :(…)
g) o teto atinge os proventos dos aposentados e a pensão 
devida aos dependentes do servidor falecido;”
Haveria, ainda, outra razão a corroborar a interpretação pela 
incidência do teto à hipótese em tela. Posteriormente à Emenda 
Constitucional 19/98, que, na linha dos precedentes indicados, instituiu a 
aplicação do regime do teto remuneratório, o constituinte reformador, 
por meio da Emenda Constitucional 20/98, também estendeu aos 
proventos recebidos pelos servidores inativos o teto remuneratório. 
Tal dispositivo decorreu da inserção do antigo § 8º do art. 40 
(“Observado o disposto no art. 37, XI, os proventos de aposentadoria e as 
pensões serão revistos na mesma proporção e na mesma data, sempre 
que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo 
também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer 
benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em 
atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou 
reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que 
serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei”) do 
Texto Constitucional. A mesma emenda ainda acrescentou o § 11 ao art. 
40:
“§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total 
dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da 
acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de 
outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral 
18 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 29 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
de previdência social, e ao montante resultante da adição de 
proventos de inatividade com remuneração de cargo 
acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão 
declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo 
eletivo.”
O sentido que se dessume da norma é portanto inequívoco: a 
aplicação do art. 37, XI, da CRFB, deve ser respeitada inclusive na 
hipótese de cumulação de proventos de aposentadoria advinda de 
exercício de cargo público com pensão por morte devida dependente de 
servidor público falecido. Ainda que oriundos de fatos geradores 
distintos e, portanto, cumuláveis, é à soma de ambas as vantagens que o 
teto do art. 37, XI CRFB incide, devendo, portanto, atingir a soma total do 
montante cumulado percebível. 
Por fim, tal como também consignei no julgamento do multicitado 
RE 602.043, conquanto não seja esta uma discussão posta nos presentes 
autos, poder-se-ia questionar, em obiter dictum, como ficariam as 
remunerações dos que se aposentaram após ocupar cargos públicos e 
recebem também pensões advindas de exercício de funções em pessoas 
de direito público distintas, como, por exemplo, servidores inativos da 
União que acumulam proventos de aposentadoria advindos do cargo 
federal com pensão por morte decorrente do falecimento de instituidor 
que ocupava cargos em Estados ou Municípios. No regime da Emenda 
Constitucional 19/98, a resposta seria por meio da aplicação do próprio 
art. 37, XI, da CRFB, que fixou como limite remuneratório o subsídio dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal. 
Ocorre que, com a Emenda 41, foram instituídos subtetos 
remuneratórios para as distintas pessoas jurídicas de direito público. A 
dúvida poderia, então, ser oposta relativamente a que teto aplicar. É 
preciso, contudo, relembrar a redação do art. 37, XI, da CRFB, cujos 
termos indicam que o teto geral é o subsídio dos Ministros do Supremo 
Tribunal Federal, in verbis: 
“XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
19 
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RE 602584 / DF 
de previdência social, e ao montante resultante da adição de 
proventos de inatividade com remuneração de cargo 
acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão 
declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo 
eletivo.”
O sentido que se dessume da norma é portanto inequívoco: a 
aplicação do art. 37, XI, da CRFB, deve ser respeitada inclusive na 
hipótese de cumulação de proventos de aposentadoria advinda de 
exercício de cargo público com pensão por morte devida dependente de 
servidor público falecido. Ainda que oriundos de fatos geradores 
distintos e, portanto, cumuláveis, é à soma de ambas as vantagens que o 
teto do art. 37, XI CRFB incide, devendo, portanto, atingir a soma total do 
montante cumulado percebível. 
Por fim, tal como também consignei no julgamento do multicitado 
RE 602.043, conquanto não seja esta uma discussão posta nos presentes 
autos, poder-se-ia questionar, em obiter dictum, como ficariam as 
remunerações dos que se aposentaram após ocupar cargos públicos e 
recebem também pensões advindas de exercício de funções em pessoas 
de direito público distintas, como, por exemplo, servidores inativos da 
União que acumulam proventos de aposentadoria advindos do cargo 
federal com pensão por morte decorrente do falecimento de instituidor 
que ocupava cargos em Estados ou Municípios. No regime da Emenda 
Constitucional 19/98, a resposta seria por meio da aplicação do próprio 
art. 37, XI, da CRFB, que fixou como limite remuneratório o subsídio dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal. 
Ocorre que, com a Emenda 41, foram instituídos subtetos 
remuneratórios para as distintas pessoas jurídicas de direito público. A 
dúvida poderia, então, ser oposta relativamente a que teto aplicar. É 
preciso, contudo, relembrar a redação do art. 37, XI, da CRFB, cujos 
termos indicam que o teto geral é o subsídio dos Ministros do Supremo 
Tribunal Federal, in verbis: 
“XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
19 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 30 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos 
Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito 
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder 
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no 
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder 
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério 
Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;”
Assim, caso a acumulação dê-se em distintas pessoas jurídicas, deve-
se aplicar a regra geral do teto remuneratório, isto é, o subsídiodos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal. 
Ante o exposto, acolhendo o entendimento firmado pelo Plenário 
desta Corte quando do julgamento do RE 609.381, dou parcial 
provimento ao recurso extraordinário para admitir a cumulação de 
proventos de aposentadoria com benefício decorrente de pensão por 
morte deixada por segurado instituidor também servidor público, desde 
que submetido o total do montante à incidência do teto do art. 37, XI, 
CRFB.
Proposta de tese: O teto do art. 37, inciso XI, da Constituição da 
República deve incidir ao montante que resulta da cumulação de proventos de 
aposentadoria oriunda de exercício de cargo público com benefício de pensão por 
morte deixada por segurado instituidor também servidor público.
É como voto.
20 
Supremo Tribunal Federal
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RE 602584 / DF 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos 
Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito 
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder 
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no 
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder 
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério 
Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;”
Assim, caso a acumulação dê-se em distintas pessoas jurídicas, deve-
se aplicar a regra geral do teto remuneratório, isto é, o subsídio dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal. 
Ante o exposto, acolhendo o entendimento firmado pelo Plenário 
desta Corte quando do julgamento do RE 609.381, dou parcial 
provimento ao recurso extraordinário para admitir a cumulação de 
proventos de aposentadoria com benefício decorrente de pensão por 
morte deixada por segurado instituidor também servidor público, desde 
que submetido o total do montante à incidência do teto do art. 37, XI, 
CRFB.
Proposta de tese: O teto do art. 37, inciso XI, da Constituição da 
República deve incidir ao montante que resulta da cumulação de proventos de 
aposentadoria oriunda de exercício de cargo público com benefício de pensão por 
morte deixada por segurado instituidor também servidor público.
É como voto.
20 
Supremo Tribunal Federal
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 31 de 58
Voto - MIN. ROSA WEBER
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Senhor Presidente, egrégio 
Plenário, Senhor Procurador-Geral da República, Senhora Procuradora do 
Estado do Rio Grande do Sul, a quem cumprimento pela bela sustentação 
oral - sempre uma voz feminina que ilumina os nossos caminhos.
O tema é delicado, Presidente, porque diz com a possibilidade da 
acumulação dos proventos do cargo com a pensão por morte. Essa é a 
primeira questão, em relação à qual o eminente Relator nega provimento 
ao recurso da União, mas dá-lhe provimento...
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra 
Rosa Weber, não cheguei a adentrar essa matéria, porque, examinando o 
processo, não a percebi envolvida no caso, tendo em conta a 
devolutividade do próprio recurso extraordinário e o decidido na origem. 
Apenas se discutiu na origem – pode ser que esteja equivocado – a 
problemática do teto constitucional e se impugnou, mediante o mandado 
de segurança originário e que surtiu efeitos, certa decisão do Presidente 
do Tribunal de Justiça.
 A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Certo. Então, na verdade, 
Ministro Marco Aurélio, agradeço a Vossa Excelência. Eu estava inclinada 
a acompanhá-lo, entendendo que estava propondo o provimento parcial 
do recurso extraordinário. Mas, uma vez que Vossa Excelência explicita 
que o único tema em debate diz com a observância do teto constitucional, 
tendo o Tribunal de origem esposado a compreensão de que a limitação 
ao teto incide, isoladamente, quanto a cada uma das verbas consideradas, 
proventos e pensão por morte, e não ao somatório dessas duas parcelas, 
eu me manifesto na linha defendida por Vossa Excelência e provejo, 
portanto, o recurso extraordinário interposto pela União, acompanhando 
o Relator.
É o voto, Senhor Presidente.
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Senhor Presidente, egrégio 
Plenário, Senhor Procurador-Geral da República, Senhora Procuradora do 
Estado do Rio Grande do Sul, a quem cumprimento pela bela sustentação 
oral - sempre uma voz feminina que ilumina os nossos caminhos.
O tema é delicado, Presidente, porque diz com a possibilidade da 
acumulação dos proventos do cargo com a pensão por morte. Essa é a 
primeira questão, em relação à qual o eminente Relator nega provimento 
ao recurso da União, mas dá-lhe provimento...
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra 
Rosa Weber, não cheguei a adentrar essa matéria, porque, examinando o 
processo, não a percebi envolvida no caso, tendo em conta a 
devolutividade do próprio recurso extraordinário e o decidido na origem. 
Apenas se discutiu na origem – pode ser que esteja equivocado – a 
problemática do teto constitucional e se impugnou, mediante o mandado 
de segurança originário e que surtiu efeitos, certa decisão do Presidente 
do Tribunal de Justiça.
 A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Certo. Então, na verdade, 
Ministro Marco Aurélio, agradeço a Vossa Excelência. Eu estava inclinada 
a acompanhá-lo, entendendo que estava propondo o provimento parcial 
do recurso extraordinário. Mas, uma vez que Vossa Excelência explicita 
que o único tema em debate diz com a observância do teto constitucional, 
tendo o Tribunal de origem esposado a compreensão de que a limitação 
ao teto incide, isoladamente, quanto a cada uma das verbas consideradas, 
proventos e pensão por morte, e não ao somatório dessas duas parcelas, 
eu me manifesto na linha defendida por Vossa Excelência e provejo, 
portanto, o recurso extraordinário interposto pela União, acompanhando 
o Relator.
É o voto, Senhor Presidente.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 32 de 58
Esclarecimento
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO(RELATOR) – Se os 
Colegas acham necessário, posso ler a síntese do que decidido pelo 
Tribunal de Justiça do Distrito Federal:
"MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E 
CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC Nº 
41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA 
ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO 
PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA 
CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE 
SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE 
FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA 
SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS 
VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. 
SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE."
Não esteve em jogo se ela poderia ou não acumular. Isso se mostrou 
pacífico. Penso que ninguém coloca em dúvida a possibilidade da 
acumulação, presente o texto constitucional. O que se discutiu é: 
acumulando, deve ou não somar-se o percebido ante as relações jurídicas, 
para aferir-se observância do teto.
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Se os 
Colegas acham necessário, posso ler a síntese do que decidido pelo 
Tribunal de Justiça do Distrito Federal:
"MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E 
CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC Nº 
41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA 
ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO 
PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA 
CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE 
SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE 
FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA 
SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS 
VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. 
SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE."
Não esteve em jogo se ela poderia ou não acumular. Isso se mostrou 
pacífico. Penso que ninguém coloca em dúvida a possibilidade da 
acumulação, presente o texto constitucional. O que se discutiu é: 
acumulando, deve ou não somar-se o percebido ante as relações jurídicas, 
para aferir-se observância do teto.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 33 de 58
Voto - MIN. LUIZ FUX
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, egrégia 
Corte, ilustre representante do Ministério Público, Senhores Ministros, 
Doutora Márcia dos Anjos Manoel.
Senhor Presidente, também entendi que a hipótese era decorrente do 
fato gerador do montante recebido, ou seja, o montante recebido decorre 
1) da aposentadoria e 2) da pensão por morte do marido ou companheiro.
O Tribunal a quo entendeu que, como os fatos geradores eram 
distintos - aposentadoria do trabalhador e morte do marido -, o teto seria, 
digamos assim, aplicável a cada uma dessas verbas. Entretanto, pela 
interpretação que a jurisprudência do Supremo fixou nas hipóteses de 
cumulação, na verdade, só se admitiria esse recebimento se ela exercesse 
duas funções cumulativas autorizadas pela Constituição, como por 
exemplo, magistrado e professor - cada uma dessas funções tem um teto. 
Mas aqui, não, ela recebe a pensão pela aposentadoria e mais a pensão 
por morte do marido.
O tribunal entendeu que os fatos geradores eram distintos e que o 
teto deveria aplicar-se distintamente. Estou, digamos assim, 
acompanhando o Ministro Marco Aurélio, muito embora, na ratio 
decidendi, leve em consideração a observação que o Ministro Fachin acaba 
de fazer. Porque se ela - sei que isso não foi suscitado, Ministro Marco 
Aurélio, estou ad argumentandum tantum - se aposentasse e recebesse 
menos do que o teto e recebesse pensão por morte do marido que 
também ficaria abaixo do teto, não haveria problema nenhum. O Ministro 
Fachin está entendendo que a cumulação é possível, mas bate no teto. 
Acho que essa é a inteligência da nossa jurisprudência.
Então, com fundamento adstrito à causa petendi, acompanho o 
Ministro Marco Aurélio e, em obiter dictum, vou acompanhar a digressão 
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, egrégia 
Corte, ilustre representante do Ministério Público, Senhores Ministros, 
Doutora Márcia dos Anjos Manoel.
Senhor Presidente, também entendi que a hipótese era decorrente do 
fato gerador do montante recebido, ou seja, o montante recebido decorre 
1) da aposentadoria e 2) da pensão por morte do marido ou companheiro.
O Tribunal a quo entendeu que, como os fatos geradores eram 
distintos - aposentadoria do trabalhador e morte do marido -, o teto seria, 
digamos assim, aplicável a cada uma dessas verbas. Entretanto, pela 
interpretação que a jurisprudência do Supremo fixou nas hipóteses de 
cumulação, na verdade, só se admitiria esse recebimento se ela exercesse 
duas funções cumulativas autorizadas pela Constituição, como por 
exemplo, magistrado e professor - cada uma dessas funções tem um teto. 
Mas aqui, não, ela recebe a pensão pela aposentadoria e mais a pensão 
por morte do marido.
O tribunal entendeu que os fatos geradores eram distintos e que o 
teto deveria aplicar-se distintamente. Estou, digamos assim, 
acompanhando o Ministro Marco Aurélio, muito embora, na ratio 
decidendi, leve em consideração a observação que o Ministro Fachin acaba 
de fazer. Porque se ela - sei que isso não foi suscitado, Ministro Marco 
Aurélio, estou ad argumentandum tantum - se aposentasse e recebesse 
menos do que o teto e recebesse pensão por morte do marido que 
também ficaria abaixo do teto, não haveria problema nenhum. O Ministro 
Fachin está entendendo que a cumulação é possível, mas bate no teto. 
Acho que essa é a inteligência da nossa jurisprudência.
Então, com fundamento adstrito à causa petendi, acompanho o 
Ministro Marco Aurélio e, em obiter dictum, vou acompanhar a digressão 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 34 de 58
Voto - MIN. LUIZ FUX
RE 602584 / DF 
feita pelo Ministro Edson Fachin, porque outras situações surgirão com 
essa problemática.
É assim, Senhor Presidente, que encaminho meu voto, pedindo vênia 
se, eventualmente, contrariei algum ponto de vista diferente.
2 
Supremo Tribunal Federal
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RE 602584 / DF 
feita pelo Ministro Edson Fachin, porque outras situações surgirão com 
essa problemática.
É assim, Senhor Presidente, que encaminho meu voto, pedindo vênia 
se, eventualmente, contrariei algum ponto devista diferente.
2 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 35 de 58
Voto - MIN. ROBERTO BARROSO
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Boa tarde, 
Presidente, Ministra Rosa, prezados Colegas e Senhor Procurador-Geral 
da República, Doutor Augusto Aras.
Penitencio-me aqui, Presidente - Vossa Excelência já passou por isso. 
Estava resolvendo obrigações urgentes do Tribunal Superior Eleitoral e, 
por isso, não pude entrar no início da sessão e ouvir o voto do eminente 
Ministro Marco Aurélio que, pelo que entendi, foi acompanhado pelo 
Ministro Luiz Edson Fachin e já agora pelo Ministro Luiz Fux.
A hipótese é a possibilidade de cumulação de pensão por morte de 
servidor com remuneração ou proventos do próprio servidor. Essa é a 
hipótese configurada. Também não teria qualquer dúvida sobre a 
possibilidade de cumulação dessas duas verbas, que têm origem diversas 
e fontes de custeio diversos. Porém, parece-me - e aqui gostaria de fazer 
essa observação - legítimo e razoável que, em um ambiente de crise fiscal 
e de déficit crônico do sistema, faça-se essa opção.
Acho que as questões fiscais não são decisivas. Penso que, para 
evitar horror econômico, não se pode produzir horror jurídico, mas, 
diante de uma crise fiscal e de interpretações alternativas razoáveis, esse é 
um fator que pode e deve ser levado em consideração. Na específica 
situação de cumulação de pensão com remuneração ou proventos, 
considero razoável a aplicação do teto.
Infelizmente não acompanhei o voto do eminente Ministro Luiz 
Edson Fachin, mas, se entendi corretamente o que disse o Ministro Luiz 
Fux agora, Sua Excelência fez um distinguishing da situação em que 
alguém legitimamente cumulasse dois cargos cumuláveis em atividade e, 
nessa hipótese, não se somariam os valores para fins de teto.
Foi essa observação que Vossa Excelência fez, Ministro Fachin?
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Se o Senhor Presidente 
e o eminente Ministro-Relator me permitirem, a suscitação que fiz, 
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06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Boa tarde, 
Presidente, Ministra Rosa, prezados Colegas e Senhor Procurador-Geral 
da República, Doutor Augusto Aras.
Penitencio-me aqui, Presidente - Vossa Excelência já passou por isso. 
Estava resolvendo obrigações urgentes do Tribunal Superior Eleitoral e, 
por isso, não pude entrar no início da sessão e ouvir o voto do eminente 
Ministro Marco Aurélio que, pelo que entendi, foi acompanhado pelo 
Ministro Luiz Edson Fachin e já agora pelo Ministro Luiz Fux.
A hipótese é a possibilidade de cumulação de pensão por morte de 
servidor com remuneração ou proventos do próprio servidor. Essa é a 
hipótese configurada. Também não teria qualquer dúvida sobre a 
possibilidade de cumulação dessas duas verbas, que têm origem diversas 
e fontes de custeio diversos. Porém, parece-me - e aqui gostaria de fazer 
essa observação - legítimo e razoável que, em um ambiente de crise fiscal 
e de déficit crônico do sistema, faça-se essa opção.
Acho que as questões fiscais não são decisivas. Penso que, para 
evitar horror econômico, não se pode produzir horror jurídico, mas, 
diante de uma crise fiscal e de interpretações alternativas razoáveis, esse é 
um fator que pode e deve ser levado em consideração. Na específica 
situação de cumulação de pensão com remuneração ou proventos, 
considero razoável a aplicação do teto.
Infelizmente não acompanhei o voto do eminente Ministro Luiz 
Edson Fachin, mas, se entendi corretamente o que disse o Ministro Luiz 
Fux agora, Sua Excelência fez um distinguishing da situação em que 
alguém legitimamente cumulasse dois cargos cumuláveis em atividade e, 
nessa hipótese, não se somariam os valores para fins de teto.
Foi essa observação que Vossa Excelência fez, Ministro Fachin?
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Se o Senhor Presidente 
e o eminente Ministro-Relator me permitirem, a suscitação que fiz, 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 36 de 58
Voto - MIN. ROBERTO BARROSO
RE 602584 / DF 
Ministro Barroso, foi apenas no sentido de admitir a cumulação - que vai 
em direção ao voto do eminente Ministro Marco Aurélio. Embora a União 
tenha ventilado essa matéria no recurso extraordinário, é matéria 
evidentemente pacífica admitir a cumulação, mas submeter, tal como 
disse Sua Excelência o Relator, o montante da cumulação ao teto 
constitucional. Portanto, é legítima a cumulação.
 No caso aqui, pelo que vejo, trata-se de analista judiciário que 
cumula vencimentos e pensão em virtude do falecimento de ex-servidor. 
A cumulação é legítima, possível, submetida ao teto do XI do art. 37 - ao 
contrário do que defende a União no recurso extraordinário. Fui até esse 
ponto e, por isso, acompanhei o eminente Ministro Marco Aurélio.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Entendi. 
Bem, essa posição que o Ministro Fachin acaba de verbalizar corresponde 
também à posição que adoto e que entendo que corresponda à do 
Ministro Marco Aurélio, eminente Relator.
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – 
Presidente e ministro Luís Roberto Barroso, presto dois esclarecimentos. 
Já disse que, sendo a Justiça obra do homem, é passível de falha. Está 
em jogo tão somente o teto constitucional. Não está em jogo a 
possibilidade, ou não, de acumular proventos com pensão, mesmo 
porque a razão de ser do inciso XI do artigo 37, ao versar o teto 
constitucional, é a possibilidade de acumulação. Por isso digo que fico, na 
matéria devolvida ao Supremo mediante recurso extraordinário, dentro 
das balizas do caso concreto e digo que o teto há de ser observado em se 
tratando de cumulação de proventos com pensão.
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, só um 
esclarecimento. Antes, peço escusas porque acho que não me referi a Sua 
Excelência o Doutor Augusto Aras, nosso Procurador-Geral da República, 
em minha saudação primeira. 
Quero esclarecer ao Ministro Luís Roberto Barroso que mencionei 
que vou incluir em minha ratio, em obiter dictum, o fato de que esse caso 
nada tem a ver com a repercussão geral no RE 602.043, em que se fixou a 
seguinte tese:
"Nas situações jurídicas em que a Constituição Federal 
2 
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RE 602584 / DF 
Ministro Barroso, foi apenas no sentido de admitir a cumulação - que vai 
em direção ao voto do eminente Ministro Marco Aurélio. Embora a União 
tenha ventilado essa matéria no recurso extraordinário, é matéria 
evidentemente pacífica admitir a cumulação, mas submeter, tal como 
disse Sua Excelência o Relator, o montanteFederal e Territórios, relator desembargador Romão C. 
Oliveira, Diário da Justiça de 22 de maio de 2009)
2 
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RE 602584 / DF 
41/2003. PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. 
OFENSA ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E 
ATO JURÍDICO PERFEITO – INOCORRÊNCIA. 
IMPETRANTE QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA 
JUDICIÁRIO E PERCEBE SIMULTANEAMENTE 
PENSÃO EM VIRTUDE DE FALECIMENTO DE EX-
SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE 
DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O 
BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA 
EM PARTE.
Demonstrado que, apesar da identidade de partes e 
causa de pedir, a segunda impetração tem objeto mais 
amplo e pedido diverso, rejeita-se a preliminar de 
litispendência.
No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a 
alegação de direito adquirido à imutabilidade 
vencimentos ou proventos de servidor público. Com o 
advento da EC nº 41, tem-se como superada a discussão a 
respeito de diploma legal que estabeleça regras para a 
aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição Federal.
Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-
se de direitos distintos, constitucional e legalmente 
garantidos, tende o primeiro como fato gerador o exercício 
de cargo público e o segundo, a morte do segurado. 
Segurança que se concede, quanto a este aspecto em 
particular, a fim de se determinar à douta autoridade 
coatora que, para efeito de aplicação do teto 
remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida 
pela impetrante individualmente.
(Mandado de segurança nº 2005.00.2.007788-9, 
Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito 
Federal e Territórios, relator desembargador Romão C. 
Oliveira, Diário da Justiça de 22 de maio de 2009)
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 58
Relatório
RE 602584 / DF 
Embargos declaratórios foram desprovidos (folha 140 a 
153).
No extraordinário de folha 156 a 162, interposto com 
alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional, a 
União articula com a ofensa ao artigo 37, inciso XI, da Carta da 
República, presente a redação conferida pela Emenda de nº 
41/2003, bem assim aos artigos 8º e 9º desta. Consoante 
argumenta, a vedação do cômputo individual de cada rubrica – 
vencimentos e pensão –, para efeito da observância do teto 
constitucional, decorre do citado inciso do artigo 37, porquanto 
nele estabelecido que a remuneração e o subsídio dos ocupantes 
de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o 
subsídio mensal dos Ministros do Supremo, aí incluídos 
“proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, 
percebidos cumulativamente ou não”, bem assim “as vantagens 
pessoais ou de qualquer outra natureza”. Articula com a 
ausência de eficácia vinculante de pronunciamentos do 
Tribunal de Contas da União sobre a matéria. Reputa impróprio 
justificar o extravasamento do teto em virtude da distinção dos 
fatos geradores.
Afirma configurada a repercussão geral, ante o alcance da 
questão debatida, a ultrapassar os limites subjetivos da lide, 
presente a multiplicidade de situações idênticas. 
À folha 166 à 168, a recorrida, em contrarrazões, discorre 
sobre a natureza dos vínculos. Segundo entende, ao passo que 
os vencimentos consistem em contraprestação pelo 
desempenho do cargo público efetivo ocupado, o pagamento da 
pensão, em parcelas mensais, decorre do falecimento do 
instituidor do citado benefício, ante as contribuições por este 
efetuadas ao longo dos anos, de natureza compulsória, 
descontadas no contracheque.
O extraordinário foi admitido na origem (folhas 170 e 171). 
3 
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RE 602584 / DF 
Embargos declaratórios foram desprovidos (folha 140 a 
153).
No extraordinário de folha 156 a 162, interposto com 
alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional, a 
União articula com a ofensa ao artigo 37, inciso XI, da Carta da 
República, presente a redação conferida pela Emenda de nº 
41/2003, bem assim aos artigos 8º e 9º desta. Consoante 
argumenta, a vedação do cômputo individual de cada rubrica – 
vencimentos e pensão –, para efeito da observância do teto 
constitucional, decorre do citado inciso do artigo 37, porquanto 
nele estabelecido que a remuneração e o subsídio dos ocupantes 
de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o 
subsídio mensal dos Ministros do Supremo, aí incluídos 
“proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, 
percebidos cumulativamente ou não”, bem assim “as vantagens 
pessoais ou de qualquer outra natureza”. Articula com a 
ausência de eficácia vinculante de pronunciamentos do 
Tribunal de Contas da União sobre a matéria. Reputa impróprio 
justificar o extravasamento do teto em virtude da distinção dos 
fatos geradores.
Afirma configurada a repercussão geral, ante o alcance da 
questão debatida, a ultrapassar os limites subjetivos da lide, 
presente a multiplicidade de situações idênticas. 
À folha 166 à 168, a recorrida, em contrarrazões, discorre 
sobre a natureza dos vínculos. Segundo entende, ao passo que 
os vencimentos consistem em contraprestação pelo 
desempenho do cargo público efetivo ocupado, o pagamento da 
pensão, em parcelas mensais, decorre do falecimento do 
instituidor do citado benefício, ante as contribuições por este 
efetuadas ao longo dos anos, de natureza compulsória, 
descontadas no contracheque.
O extraordinário foi admitido na origem (folhas 170 e 171). 
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Relatório
RE 602584 / DF 
Em 16 de dezembro de 2010, o chamado Plenário Virtual 
reconheceu a repercussão geral da controvérsia, tendo a ementa 
sido confeccionada nos seguintes termos:
TETO REMUNERATÓRIO – INCIDÊNCIA SOBRE O 
MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE 
PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO – 
ARTIGO 37, INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E 
ARTIGOS 8º E 9º DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 
41/2003. Possui repercussão geral a controvérsia sobre a 
possibilidade de, ante o mesmo credor, existir a distinção 
do que recebido, para efeito do teto remuneratório, 
presentes as rubricas proventos e pensão, a teor do artigo 
37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 9º da 
Emenda Constitucional nº 41/2003.
À folha 196 à 201, o Ministério Público Federal opina pelo 
parcial provimento do extraordinário. Destaca a possibilidade 
de cumulação de vencimentos e pensão em virtude do 
falecimento de cônjuge. Salienta, a partir da leitura do inciso XI 
do artigo 37 da Lei Maior, presente a expressão “percebidos 
cumulativamente ou não”,da cumulação ao teto 
constitucional. Portanto, é legítima a cumulação.
 No caso aqui, pelo que vejo, trata-se de analista judiciário que 
cumula vencimentos e pensão em virtude do falecimento de ex-servidor. 
A cumulação é legítima, possível, submetida ao teto do XI do art. 37 - ao 
contrário do que defende a União no recurso extraordinário. Fui até esse 
ponto e, por isso, acompanhei o eminente Ministro Marco Aurélio.
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Entendi. 
Bem, essa posição que o Ministro Fachin acaba de verbalizar corresponde 
também à posição que adoto e que entendo que corresponda à do 
Ministro Marco Aurélio, eminente Relator.
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – 
Presidente e ministro Luís Roberto Barroso, presto dois esclarecimentos. 
Já disse que, sendo a Justiça obra do homem, é passível de falha. Está 
em jogo tão somente o teto constitucional. Não está em jogo a 
possibilidade, ou não, de acumular proventos com pensão, mesmo 
porque a razão de ser do inciso XI do artigo 37, ao versar o teto 
constitucional, é a possibilidade de acumulação. Por isso digo que fico, na 
matéria devolvida ao Supremo mediante recurso extraordinário, dentro 
das balizas do caso concreto e digo que o teto há de ser observado em se 
tratando de cumulação de proventos com pensão.
O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, só um 
esclarecimento. Antes, peço escusas porque acho que não me referi a Sua 
Excelência o Doutor Augusto Aras, nosso Procurador-Geral da República, 
em minha saudação primeira. 
Quero esclarecer ao Ministro Luís Roberto Barroso que mencionei 
que vou incluir em minha ratio, em obiter dictum, o fato de que esse caso 
nada tem a ver com a repercussão geral no RE 602.043, em que se fixou a 
seguinte tese:
"Nas situações jurídicas em que a Constituição Federal 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 37 de 58
Voto - MIN. ROBERTO BARROSO
RE 602584 / DF 
autoriza a acumulação de cargos, o teto remuneratório é 
considerado em relação à remuneração de cada um deles, e não 
ao somatório do que recebido." 
São coisas diferentes. O que disse foi o seguinte: se, no caso concreto, 
fosse a mesma servidora, exercendo funções compatíveis 
constitucionalmente, aplicaríamos essa tese. 
No caso específico, ela tem a aposentadoria dela e também tem a 
pensão por morte, mas essa soma bate no teto. Por que o Tribunal 
recorrido decidiu diferente? Porque entendeu que os fatos geradores 
eram diferentes: o trabalho que ela empreendeu e o trabalho que o 
marido empreendeu e que veio a falecer. 
Mas a Doutora Márcia dos Anjos citou, em um trecho de sua bela 
sustentação, que a diminuição da renda familiar sobreveio em razão da 
própria morte do marido, então ficaria compatível podar a verba 
remanescente que ultrapassa o teto. Foi basicamente isso. 
Só fiz questão de colocar em obiter dictum que hoje a Constituição 
permite a cumulação, como magistrado e professor, por exemplo, dois 
tetos diferentes. Está esclarecido, Ministro?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - 
Perfeitamente esclarecido. Muito obrigado, Ministro Fux e Ministro Luiz 
Edson Fachin!
Dizia, Presidente, que, se fosse uma situação de normalidade fiscal e 
de equilíbrio fiscal, eu me inclinaria, para ser sincero, pelo 
estabelecimento de tetos distintos, porque as origens e os mecanismos de 
custeio são distintos. 
No entanto, como não se trata de ganho por trabalho próprio, e sim 
ganho obtido como beneficiário de trabalho e distribuição alheia, estou 
aceitando esse distinguishing que bem destacou o Ministro Luiz Fux. Se 
fosse a mesma pessoa acumulando em razão de cargos diversos 
acumuláveis, também entendo, na linha do precedente que já temos, que 
os tetos são individuais. Porém, aqui ela tem uma remuneração por 
trabalho próprio e um benefício previdenciário que lhe advém da morte 
do marido, que custeou esse benefício. 
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RE 602584 / DF 
autoriza a acumulação de cargos, o teto remuneratório é 
considerado em relação à remuneração de cada um deles, e não 
ao somatório do que recebido." 
São coisas diferentes. O que disse foi o seguinte: se, no caso concreto, 
fosse a mesma servidora, exercendo funções compatíveis 
constitucionalmente, aplicaríamos essa tese. 
No caso específico, ela tem a aposentadoria dela e também tem a 
pensão por morte, mas essa soma bate no teto. Por que o Tribunal 
recorrido decidiu diferente? Porque entendeu que os fatos geradores 
eram diferentes: o trabalho que ela empreendeu e o trabalho que o 
marido empreendeu e que veio a falecer. 
Mas a Doutora Márcia dos Anjos citou, em um trecho de sua bela 
sustentação, que a diminuição da renda familiar sobreveio em razão da 
própria morte do marido, então ficaria compatível podar a verba 
remanescente que ultrapassa o teto. Foi basicamente isso. 
Só fiz questão de colocar em obiter dictum que hoje a Constituição 
permite a cumulação, como magistrado e professor, por exemplo, dois 
tetos diferentes. Está esclarecido, Ministro?
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - 
Perfeitamente esclarecido. Muito obrigado, Ministro Fux e Ministro Luiz 
Edson Fachin!
Dizia, Presidente, que, se fosse uma situação de normalidade fiscal e 
de equilíbrio fiscal, eu me inclinaria, para ser sincero, pelo 
estabelecimento de tetos distintos, porque as origens e os mecanismos de 
custeio são distintos. 
No entanto, como não se trata de ganho por trabalho próprio, e sim 
ganho obtido como beneficiário de trabalho e distribuição alheia, estou 
aceitando esse distinguishing que bem destacou o Ministro Luiz Fux. Se 
fosse a mesma pessoa acumulando em razão de cargos diversos 
acumuláveis, também entendo, na linha do precedente que já temos, que 
os tetos são individuais. Porém, aqui ela tem uma remuneração por 
trabalho próprio e um benefício previdenciário que lhe advém da morte 
do marido, que custeou esse benefício. 
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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO
RE 602584 / DF 
No entanto, em quadro fiscal e social brasileiro em que a pessoa já 
bata no teto - estamos falando de quase quarenta mil reais brutos -, 
considero uma política pública razoável fixar esse limite em razão da 
crise fiscal e social do País e do desequilíbrio do sistema previdenciário. 
Faço esse destaque, Presidente, para enfatizar que o fato de haver 
uma crise fiscal não é o fator determinante da decisão. Como disse, não 
produziria horror jurídico para evitar horror econômico, mas considero 
razoável essa interpretação e acho que ela realiza melhor o interesse 
público, a meu ver, sem frustrar um direito fundamental, ao considerar 
remuneração dentro do teto nas circunstâncias brasileiras. É bastante 
razoável.
Com essas considerações, estou acompanhando a conclusão do 
eminente Relator.
4 
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RE 602584 / DF 
No entanto, em quadro fiscal e social brasileiro em que a pessoa já 
bata no teto - estamos falando de quase quarenta mil reais brutos -, 
considero uma política pública razoável fixar esse limite em razão da 
crise fiscal e social do País e do desequilíbrio do sistema previdenciário. 
Faço esse destaque, Presidente, para enfatizar que o fato de haver 
uma crise fiscal não é o fator determinante da decisão. Como disse, não 
produziria horror jurídico para evitar horror econômico, mas considero 
razoável essa interpretação e acho que ela realiza melhor o interesse 
público, a meu ver, sem frustrar um direito fundamental, ao considerar 
remuneração dentro do teto nas circunstâncias brasileiras. É bastante 
razoável.
Com essas considerações, estou acompanhando a conclusão do 
eminente Relator.
4 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 39 de 58
Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Senhor Presidente, 
boa tarde; Senhores Ministros, cumprimento a todos. 
Peço desculpas pelo atraso, é a luta conseguir entrar no sistema de 
novo depois desses dias. Mas acompanhei e estava ouvindo - acho que 
não estava sendo vista - , pelo que me foi comunicado, Presidente. 
Acompanhei o relatório e o voto do eminente Ministro Marco Aurélio, 
Relator, também a sustentação oral. 
Estou acompanhando, Senhor Presidente, o Ministro-Relator 
exatamente pelas razões já aqui expostas. Cuidam-se de fatos geradores 
distintos, como enfatizou o Ministro Fux. Entretanto, a questão do teto 
está posta com outro fundamento, como bem explicitado pelo Ministro 
Marco Aurélio, ao afirmar que se atém ao devolvido ao Supremo Tribunal 
Federal em sede recursal. 
Em que pesem as observações do Ministro Fachin quanto à 
possibilidade ou não de compatibilidade, quando houver, de cumulações 
legítimas relativas ao teto - que pode ser discutida em outra oportunidade 
-, neste caso, estou acompanhando o Relator pelo quadro apresentado nos 
autos e pelos fundamentos expostos, Senhor Presidente. 
Agradeço a Vossa Excelência, desculpando-me mais uma vez, e por, 
desde ontem, ter disponibilizado o Doutor Edmundo para estar comigo 
quase o tempo todo, tentando retomar os trabalhos. 
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra 
Cármen Lúcia, Vossa Excelência me permite?
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Por favor.
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Não 
fossem as balizas do processo, a questão levantada pelo ministro Luiz 
Edson Fachin já está pacificada no Tribunal, tendo em conta o Tema nº 
377, e transcrevo no voto a decisão. 
No caso concreto, não. As relações são distintas, não envolvem o 
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Senhor Presidente, 
boa tarde; Senhores Ministros, cumprimento a todos. 
Peço desculpas pelo atraso, é a luta conseguir entrar no sistema de 
novo depois desses dias. Mas acompanhei e estava ouvindo - acho que 
não estava sendo vista - , pelo que me foi comunicado, Presidente. 
Acompanhei o relatório e o voto do eminente Ministro Marco Aurélio, 
Relator, também a sustentação oral. 
Estou acompanhando, Senhor Presidente, o Ministro-Relator 
exatamente pelas razões já aqui expostas. Cuidam-se de fatos geradores 
distintos, como enfatizou o Ministro Fux. Entretanto, a questão do teto 
está posta com outro fundamento, como bem explicitado pelo Ministro 
Marco Aurélio, ao afirmar que se atém ao devolvido ao Supremo Tribunal 
Federal em sede recursal. 
Em que pesem as observações do Ministro Fachin quanto à 
possibilidade ou não de compatibilidade, quando houver, de cumulações 
legítimas relativas ao teto - que pode ser discutida em outra oportunidade 
-, neste caso, estou acompanhando o Relator pelo quadro apresentado nos 
autos e pelos fundamentos expostos, Senhor Presidente. 
Agradeço a Vossa Excelência, desculpando-me mais uma vez, e por, 
desde ontem, ter disponibilizado o Doutor Edmundo para estar comigo 
quase o tempo todo, tentando retomar os trabalhos. 
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Ministra 
Cármen Lúcia, Vossa Excelência me permite?
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Por favor.
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Não 
fossem as balizas do processo, a questão levantada pelo ministro Luiz 
Edson Fachin já está pacificada no Tribunal, tendo em conta o Tema nº 
377, e transcrevo no voto a decisão. 
No caso concreto, não. As relações são distintas, não envolvem o 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 40 de 58
Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA
RE 602584 / DF 
mesmo servidor. Tinha-se a relação jurídica do falecido com a 
Administração Pública e a relação jurídica, atual, da recorrida.
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA – Sim. Por isso estou 
acompanhando o voto que foi proferido Vossa Excelência, exatamente 
porque fica muito bem esclarecida, na situação, essa diferença. 
Portanto, Presidente, mais uma vez agradecendo Vossa Excelência 
por me ter concedido a palavra para voto, estou acompanhando o voto do 
Ministro Marco Aurélio. 
2 
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
mesmo servidor. Tinha-se a relação jurídica do falecido com a 
Administração Pública e a relação jurídica, atual, da recorrida.
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA – Sim. Por isso estou 
acompanhando o voto que foi proferido Vossa Excelência, exatamente 
porque fica muito bem esclarecida, na situação, essa diferença. 
Portanto, Presidente, mais uma vez agradecendo Vossa Excelência 
por me ter concedido a palavra para voto, estou acompanhando o voto do 
Ministro Marco Aurélio. 
2 
Supremo Tribunal Federal
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Observação
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) :UNIÃO 
ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 
RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA 
ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO 
AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO IBDP 
ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA 
ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN 
OBSERVAÇÃO
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, 
permita-mesó uma observação. Apenas saliento que mencionei o tema da 
cumulação porque o final do recurso extraordinário deduz dois pedidos, 
ainda que um diga respeito a jurisprudência pacífica que admite a 
cumulação - e por isso estou acompanhando o eminente Ministro-Relator. 
Mas, nesse ponto, não é de se dar provimento ao recurso da União, tendo 
em vista ser a cumulação, como disse o Ministro Marco Aurélio - e estou 
de inteiro acordo -, matéria mansa e pacífica neste Tribunal. Daí porque 
estou com Sua Excelência, e agora também com as razões da eminente 
Ministra Cármen Lúcia, admitindo a cumulação, ao contrário do que 
sustenta a União - portanto, não acolhendo o recurso da União nessa 
parte. Acolho o recurso no sentido de submeter o montante da cumulação 
ao teto constitucional.
Muito obrigado, Senhor Presidente!
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) :UNIÃO 
ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 
RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA 
ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO 
AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO IBDP 
ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA 
ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN 
OBSERVAÇÃO
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, 
permita-me só uma observação. Apenas saliento que mencionei o tema da 
cumulação porque o final do recurso extraordinário deduz dois pedidos, 
ainda que um diga respeito a jurisprudência pacífica que admite a 
cumulação - e por isso estou acompanhando o eminente Ministro-Relator. 
Mas, nesse ponto, não é de se dar provimento ao recurso da União, tendo 
em vista ser a cumulação, como disse o Ministro Marco Aurélio - e estou 
de inteiro acordo -, matéria mansa e pacífica neste Tribunal. Daí porque 
estou com Sua Excelência, e agora também com as razões da eminente 
Ministra Cármen Lúcia, admitindo a cumulação, ao contrário do que 
sustenta a União - portanto, não acolhendo o recurso da União nessa 
parte. Acolho o recurso no sentido de submeter o montante da cumulação 
ao teto constitucional.
Muito obrigado, Senhor Presidente!
Supremo Tribunal Federal
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 42 de 58
Voto - MIN. CELSO DE MELLO
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
V O T O
O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Trata-se de recurso 
extraordinário, com repercussão reconhecida, interposto pela União Federal 
contra acórdão que, confirmado em sede de embargos de declaração pelo 
E. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, concedeu 
parcialmente a segurança pleiteada, em ordem a determinar que, para os 
fins e efeitos a que se refere o inciso XI do art. 37 da Constituição da 
República, fossem considerados individualmente os valores da 
remuneração do cargo efetivo e da pensão por morte recebidos 
cumulativamente pela parte ora recorrida, em decisão assim ementada:
“MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E 
CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. 
PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA 
ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO 
JURÍDICO PERFEITO - INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE 
QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E 
PERCEBE PENSÃO DECORRENTE DE FALECIMENTO DE 
EX-SERVIDOR - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE 
DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O 
BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM 
PARTE.
Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa 
de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido 
diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. 
No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a 
alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou 
proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se 
como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça 
regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição 
Federal.
Supremo Tribunal Federal
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06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
V O T O
O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Trata-se de recurso 
extraordinário, com repercussão reconhecida, interposto pela União Federal 
contra acórdão que, confirmado em sede de embargos de declaração pelo 
E. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, concedeu 
parcialmente a segurança pleiteada, em ordem a determinar que, para os 
fins e efeitos a que se refere o inciso XI do art. 37 da Constituição da 
República, fossem considerados individualmente os valores da 
remuneração do cargo efetivo e da pensão por morte recebidos 
cumulativamente pela parte ora recorrida, em decisão assim ementada:
“MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E 
CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. 
PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA 
ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO 
JURÍDICO PERFEITO - INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE 
QUE OCUPA CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E 
PERCEBE PENSÃO DECORRENTE DE FALECIMENTO DE 
EX-SERVIDOR - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O MONTANTE 
DA ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS COM O 
BENEFÍCIO DE PENSÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM 
PARTE.
Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa 
de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido 
diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência. 
No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a 
alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou 
proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, tem-se 
como superada a discussão a respeito de diploma legal que estabeleça 
regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da Constituição 
Federal.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 43 de 58
Voto - MIN. CELSO DE MELLO
RE 602584 / DF 
Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de 
direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o 
primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a 
morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto 
em particular, a fim de se determinar à douta autoridade coatora que, 
para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de 
cada parcela recebida pela impetrante individualmente.” (grifei)
A parte ora recorrente sustentou, para fundamentar sua pretensão 
recursal, que o Tribunal “a quo”, teria transgredido os preceitos inscritos 
no art. 37, XI, da Constituição da República e nos arts. 8º e 9º 
da EC nº 41/03.
O Ministério Público Federal, em manifestação da lavra do ilustre 
Subprocurador-Geralda República Dr. PAULO DE TARSO BRAZ 
LUCAS, opinou pelo conhecimento e parcial provimento do presente recurso, 
fazendo-o em parecer assim ementado:
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MANDADO DE 
SEGURANÇA – SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO 
TJDFT – PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E 
PENSÃO – TETO REMUNERATÓRIO – ALEGAÇÃO DE 
CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E 
ARTS. 8º E 9º DA EC Nº41/2003 – REPERCUSSÃO GERAL 
RECONHECIDA – AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A 
REGIME JURÍDICO – INCIDÊNCIA DO TETO 
REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA 
ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR 
MORTE, INDEPENDEMENTEME DA ORIGEM DO DIREITO 
A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS – PRINCÍPIOS DA 
RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE 
DA COISA PÚBLICA – PRECEDENTES DO STF – PARECER 
PELO CONHEICMENTO PARCIAL E PROVIMENTO DO 
RECURSO.” (grifei)
2 
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de 
direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo o 
primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o segundo, a 
morte do segurado. Segurança que se concede, quanto a este aspecto 
em particular, a fim de se determinar à douta autoridade coatora que, 
para efeito de aplicação do teto remuneratório, considere o valor de 
cada parcela recebida pela impetrante individualmente.” (grifei)
A parte ora recorrente sustentou, para fundamentar sua pretensão 
recursal, que o Tribunal “a quo”, teria transgredido os preceitos inscritos 
no art. 37, XI, da Constituição da República e nos arts. 8º e 9º 
da EC nº 41/03.
O Ministério Público Federal, em manifestação da lavra do ilustre 
Subprocurador-Geral da República Dr. PAULO DE TARSO BRAZ 
LUCAS, opinou pelo conhecimento e parcial provimento do presente recurso, 
fazendo-o em parecer assim ementado:
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MANDADO DE 
SEGURANÇA – SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO 
TJDFT – PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E 
PENSÃO – TETO REMUNERATÓRIO – ALEGAÇÃO DE 
CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E 
ARTS. 8º E 9º DA EC Nº41/2003 – REPERCUSSÃO GERAL 
RECONHECIDA – AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A 
REGIME JURÍDICO – INCIDÊNCIA DO TETO 
REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA 
ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR 
MORTE, INDEPENDEMENTEME DA ORIGEM DO DIREITO 
A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS – PRINCÍPIOS DA 
RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE 
DA COISA PÚBLICA – PRECEDENTES DO STF – PARECER 
PELO CONHEICMENTO PARCIAL E PROVIMENTO DO 
RECURSO.” (grifei)
2 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 44 de 58
Voto - MIN. CELSO DE MELLO
RE 602584 / DF 
Sendo esse o contexto, passo a apreciar o litígio constitucional em 
exame.
Como resulta claro dos autos, a controvérsia instaurada na presente 
causa concerne à discussão em torno da possibilidade constitucional, ou não, 
de se considerar individualmente, para os fins e efeitos a que se refere o 
inciso XI do art. 37 da Constituição da República, a remuneração do 
cargo público efetivo ocupado pela parte ora recorrente e a pensão por 
morte, quando ocorrente situação de percepção cumulativa.
É importante destacar, desde logo, que o Plenário do Supremo 
Tribunal Federal, após reconhecer a existência de repercussão geral da 
questão constitucional, julgou o RE 602.043/MT e o RE 612.975/MT, ambos 
de relatoria do eminente Ministro MARCO AURÉLIO, em que foi 
examinada controvérsia análoga à ora em discussão, neles fixando tese 
assim formulada:
“Nos casos autorizados constitucionalmente de 
acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do 
art. 37, inciso XI, da Constituição Federal pressupõe consideração 
de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância 
do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente 
público.” (grifei)
Impende rememorar , por oportuno, em face de sua extrema 
pertinência, os seguintes fragmentos dos debates travados por 
ocasião de mencionado julgamento:
“O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO 
(RELATOR) – Ante as balizas objetivas do pronunciamento 
impugnado, também assumem relevância os incisos XVI e XVII 
e o § 10 do artigo 37 e o § 11 do artigo 40 do Diploma Maior 
(introduzido pela Emenda Constitucional nº 20/1998):
…...................................................................................................
3 
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
Sendo esse o contexto, passo a apreciar o litígio constitucional em 
exame.
Como resulta claro dos autos, a controvérsia instaurada na presente 
causa concerne à discussão em torno da possibilidade constitucional, ou não, 
de se considerar individualmente, para os fins e efeitos a que se refere o 
inciso XI do art. 37 da Constituição da República, a remuneração do 
cargo público efetivo ocupado pela parte ora recorrente e a pensão por 
morte, quando ocorrente situação de percepção cumulativa.
É importante destacar, desde logo, que o Plenário do Supremo 
Tribunal Federal, após reconhecer a existência de repercussão geral da 
questão constitucional, julgou o RE 602.043/MT e o RE 612.975/MT, ambos 
de relatoria do eminente Ministro MARCO AURÉLIO, em que foi 
examinada controvérsia análoga à ora em discussão, neles fixando tese 
assim formulada:
“Nos casos autorizados constitucionalmente de 
acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do 
art. 37, inciso XI, da Constituição Federal pressupõe consideração 
de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância 
do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente 
público.” (grifei)
Impende rememorar , por oportuno, em face de sua extrema 
pertinência, os seguintes fragmentos dos debates travados por 
ocasião de mencionado julgamento:
“O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO 
(RELATOR) – Ante as balizas objetivas do pronunciamento 
impugnado, também assumem relevância os incisos XVI e XVII 
e o § 10 do artigo 37 e o § 11 do artigo 40 do Diploma Maior 
(introduzido pela Emenda Constitucional nº 20/1998):
…...................................................................................................
3 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 45 de 58
Voto - MIN. CELSO DE MELLO
RE 602584 / DF 
O pronunciamento impugnado revela duas conclusões 
principais: 1) nas acumulações compatíveis com o texto 
constitucional, o que auferido em cada um dos vínculos não 
deve ultrapassar o teto constitucional; e 2) situações 
remuneratórias consolidadas antes do advento da Emenda 
Constitucional nº 41/2003 não podem ser atingidas, observadas as 
garantias do direito adquiridoe da irredutibilidade de 
vencimentos,porque oponíveis ao Poder Constituinte Derivado.
A solução da controvérsia pressupõe interpretação capaz de 
compatibilizar os dispositivos constitucionais em jogo, no que aludem 
ao acúmulo de cargos públicos e das respectivas remunerações, 
incluídos os vencimentos e proventos decorrentes da aposentadoria, 
levando em conta os preceitos atinentes ao direito adquirido (artigo 5º, 
inciso XXXVI) e da irredutibilidade de vencimentos (artigo 37, 
inciso XV), pois instrumentalizam o princípio da segurança jurídica, 
elemento estruturante do Estado Democrático do Direito.
…...................................................................................................
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA 
(PRESIDENTE) – Peço vênia também ao Ministro Fachin para 
acompanhar o Relator. 
Não seria razoável, que a Constituição reconhecesse a 
possibilidade de acumulação, portanto, lícita e, de outro lado, 
que permitisse que essa acumulação somente se faria 
exigindo-se, do nomeado para o cargo, que ele abrisse mão de 
direitos, que é o direito à remuneração correspondente ao 
cargo, que, no fundo, é isso que se daria. Isso seria um 
contrasenso. 
E, na linha do que Vossa Excelência afirmou e que, para usar 
apenas a fórmula de Rui Barbosa: a Constituição não dá com a mão 
direita para tirar com a esquerda. Não se pode garantir um direito 
numa passagem da Constituição e, em outra, retirar, menos ainda 
quando se trata de retirada do que é um direito fundamental, que é o 
direito a ter uma contraprestação pelo trabalho prestado.” (grifei)
Nesse sentido, forçoso reconhecer a possibilidade de tratamento 
autônomo, portanto, individualizado, dos proventos, para efeito de 
4 
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RE 602584 / DF 
O pronunciamento impugnado revela duas conclusões 
principais: 1) nas acumulações compatíveis com o texto 
constitucional, o que auferido em cada um dos vínculos não 
deve ultrapassar o teto constitucional; e 2) situações 
remuneratórias consolidadas antes do advento da Emenda 
Constitucional nº 41/2003 não podem ser atingidas, observadas as 
garantias do direito adquirido e da irredutibilidade de 
vencimentos,porque oponíveis ao Poder Constituinte Derivado.
A solução da controvérsia pressupõe interpretação capaz de 
compatibilizar os dispositivos constitucionais em jogo, no que aludem 
ao acúmulo de cargos públicos e das respectivas remunerações, 
incluídos os vencimentos e proventos decorrentes da aposentadoria, 
levando em conta os preceitos atinentes ao direito adquirido (artigo 5º, 
inciso XXXVI) e da irredutibilidade de vencimentos (artigo 37, 
inciso XV), pois instrumentalizam o princípio da segurança jurídica, 
elemento estruturante do Estado Democrático do Direito.
…...................................................................................................
A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA 
(PRESIDENTE) – Peço vênia também ao Ministro Fachin para 
acompanhar o Relator. 
Não seria razoável, que a Constituição reconhecesse a 
possibilidade de acumulação, portanto, lícita e, de outro lado, 
que permitisse que essa acumulação somente se faria 
exigindo-se, do nomeado para o cargo, que ele abrisse mão de 
direitos, que é o direito à remuneração correspondente ao 
cargo, que, no fundo, é isso que se daria. Isso seria um 
contrasenso. 
E, na linha do que Vossa Excelência afirmou e que, para usar 
apenas a fórmula de Rui Barbosa: a Constituição não dá com a mão 
direita para tirar com a esquerda. Não se pode garantir um direito 
numa passagem da Constituição e, em outra, retirar, menos ainda 
quando se trata de retirada do que é um direito fundamental, que é o 
direito a ter uma contraprestação pelo trabalho prestado.” (grifei)
Nesse sentido, forçoso reconhecer a possibilidade de tratamento 
autônomo, portanto, individualizado, dos proventos, para efeito de 
4 
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Voto - MIN. CELSO DE MELLO
RE 602584 / DF 
incidência do limite estabelecido no inciso XI do artigo 37 da 
Constituição da República, consideradas as razões expostas pelos 
eminentes Ministros desta Corte no mencionado julgamento plenário, 
bem assim aquelas constantes do RE 903.213/DF, de que foi Relator o 
eminente Ministro LUIZ FUX, em decisão assim ementada:
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO 
CONSTITUCIONAL. SERVIDOR PÚBLICO. INCIDÊNCIA 
DO TETO CONSTITUCIONAL. CUMULAÇÃO DE 
CARGOS PÚBLICOS PERMITIDA PELA CONSTITUIÇÃO. 
CONSIDERAÇÃO ISOLADA DO VALOR DA REMUNERAÇÃO 
DOS CARGOS. RECURSO DESPROVIDO.” (grifei)
Cumpre observar, ainda, que o entendimento ora exposto – ao 
reconhecer a possibilidade de consideração autônoma dos proventos 
percebidos para efeito de incidência do teto remuneratório (art. 37, XI, 
da Constituição da República) – encontra apoio no magistério da 
doutrina (ALEXANDRE DE MORAES, “Direito Constitucional”, p. 386, 
item n. 3.1, 13ª, ed., 2019, Atlas; UADI LAMMÊGO BULOS, 
“Constituição Federal Anotada”, p. 712/713, item n. 1, 10ª ed., 2012, 
Saraiva, v.g.), valendo mencionar a lição de LUCIANO DE ARAÚJO 
FERRAZ (“Comentários à Constituição do Brasil”, Coordenado por J. J. 
Gomes Canotilho, Gilmar Ferreira Mendes, Ingo Wolfgang Sarlet e Lenio 
Luiz Streck, p. 931/932, 2ª ed., 2018, Saraiva), que assim se pronuncia 
sobre o tema:
“Relativamente às pensões – e por questão de coerência 
interpretativa – elas também devem se submeter ao teto de 
maneira isolada, até porque literalmente o art. 40, § 11, 
somente faz menção a proventos de inatividade. Se o servidor 
percebe remuneração de cargo ou emprego ou aposentadoria 
decorrente do art. 40 (cargo efetivo) e percebe ainda na 
condição de beneficiário, cada um desses valores deve se 
submeter a teto próprio isoladamente. A questão está com 
repercussão geral reconhecida no STF no RE 602.584, Rel. Min. 
5 
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incidência do limite estabelecido no inciso XI do artigo 37 da 
Constituição da República, consideradas as razões expostas pelos 
eminentes Ministros desta Corte no mencionado julgamento plenário, 
bem assim aquelas constantes do RE 903.213/DF, de que foi Relator o 
eminente Ministro LUIZ FUX, em decisão assim ementada:
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO 
CONSTITUCIONAL. SERVIDOR PÚBLICO. INCIDÊNCIA 
DO TETO CONSTITUCIONAL. CUMULAÇÃO DE 
CARGOS PÚBLICOS PERMITIDA PELA CONSTITUIÇÃO. 
CONSIDERAÇÃO ISOLADA DO VALOR DA REMUNERAÇÃO 
DOS CARGOS. RECURSO DESPROVIDO.” (grifei)
Cumpre observar, ainda, que o entendimento ora exposto – ao 
reconhecer a possibilidade de consideração autônoma dos proventos 
percebidos para efeito de incidência do teto remuneratório (art. 37, XI, 
da Constituição da República) – encontra apoio no magistério da 
doutrina (ALEXANDRE DE MORAES, “Direito Constitucional”, p. 386, 
item n. 3.1, 13ª, ed., 2019, Atlas; UADI LAMMÊGO BULOS, 
“Constituição Federal Anotada”,p. 712/713, item n. 1, 10ª ed., 2012, 
Saraiva, v.g.), valendo mencionar a lição de LUCIANO DE ARAÚJO 
FERRAZ (“Comentários à Constituição do Brasil”, Coordenado por J. J. 
Gomes Canotilho, Gilmar Ferreira Mendes, Ingo Wolfgang Sarlet e Lenio 
Luiz Streck, p. 931/932, 2ª ed., 2018, Saraiva), que assim se pronuncia 
sobre o tema:
“Relativamente às pensões – e por questão de coerência 
interpretativa – elas também devem se submeter ao teto de 
maneira isolada, até porque literalmente o art. 40, § 11, 
somente faz menção a proventos de inatividade. Se o servidor 
percebe remuneração de cargo ou emprego ou aposentadoria 
decorrente do art. 40 (cargo efetivo) e percebe ainda na 
condição de beneficiário, cada um desses valores deve se 
submeter a teto próprio isoladamente. A questão está com 
repercussão geral reconhecida no STF no RE 602.584, Rel. Min. 
5 
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RE 602584 / DF 
Marco Aurélio, embora já tenha sido tratada no Ag Reg no 
RE 612.764, Rel. Min. Roberto Barroso. Neste último julgado, que 
afirma a compatibilidade da decisão recorrida do Tribunal de Origem 
com a jurisprudência do STF, está dito que ‘quisesse o constituinte 
obstar a percepção de pensão por morte concomitantemente com 
remuneração de cargos públicos cumuláveis, tê-lo-ia feito 
expressamente, mas, pelo contrário, garantiu ambos os direitos e, 
adredemente ou não, fato é que fê-lo em dispositivos sequenciais, o que 
demonstra a sua não intenção de que um direito importasse na 
exclusão do outro’.” (grifei)
Impende referir a propósito do tema ora em exame, ante a 
pertinência de suas observações, a seguinte passagem do voto proferido pelo 
eminente Ministro UBIRATAN AGUIAR, proferido por ocasião da 
resposta pelo Plenário do Tribunal de Contas da União à consulta 
feita pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho 
(CONS 009.585/2004-9):
“3.Trata-se, como se vê, de situações em que há expressa 
distinção de fatos geradores. Em ambas, há dois contribuintes 
distintos do sistema previdenciário, um que se torna instituidor de 
benefício de pensão e outro, ainda na atividade, percebendo 
remuneração, ou já na inatividade, percebendo proventos. Dessa 
forma, verifico que a Consulta traz à discussão escopo mais 
abrangente do que aquele que vislumbraram a unidade técnica e o 
Ministério Público.
…...................................................................................................
9. Retomando as considerações acerca dos fatos geradores 
das parcelas a serem acumuladas, nos termos da Consulta do 
Ministro Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, cabe 
mencionar que os benefícios decorrentes da seguridade social do 
servidor, na forma definida pela Constituição Federal e pela Lei n° 
8.112/90, aposentadoria e pensão, observam a lógica do regime 
contributivo. Cada servidor, mediante desconto mensal para a 
seguridade social, conforme parâmetros fixados em lei, contribui para 
o fundo, genericamente falando, que, no futuro, arcará com os 
6 
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RE 602584 / DF 
Marco Aurélio, embora já tenha sido tratada no Ag Reg no 
RE 612.764, Rel. Min. Roberto Barroso. Neste último julgado, que 
afirma a compatibilidade da decisão recorrida do Tribunal de Origem 
com a jurisprudência do STF, está dito que ‘quisesse o constituinte 
obstar a percepção de pensão por morte concomitantemente com 
remuneração de cargos públicos cumuláveis, tê-lo-ia feito 
expressamente, mas, pelo contrário, garantiu ambos os direitos e, 
adredemente ou não, fato é que fê-lo em dispositivos sequenciais, o que 
demonstra a sua não intenção de que um direito importasse na 
exclusão do outro’.” (grifei)
Impende referir a propósito do tema ora em exame, ante a 
pertinência de suas observações, a seguinte passagem do voto proferido pelo 
eminente Ministro UBIRATAN AGUIAR, proferido por ocasião da 
resposta pelo Plenário do Tribunal de Contas da União à consulta 
feita pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho 
(CONS 009.585/2004-9):
“3.Trata-se, como se vê, de situações em que há expressa 
distinção de fatos geradores. Em ambas, há dois contribuintes 
distintos do sistema previdenciário, um que se torna instituidor de 
benefício de pensão e outro, ainda na atividade, percebendo 
remuneração, ou já na inatividade, percebendo proventos. Dessa 
forma, verifico que a Consulta traz à discussão escopo mais 
abrangente do que aquele que vislumbraram a unidade técnica e o 
Ministério Público.
…...................................................................................................
9. Retomando as considerações acerca dos fatos geradores 
das parcelas a serem acumuladas, nos termos da Consulta do 
Ministro Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, cabe 
mencionar que os benefícios decorrentes da seguridade social do 
servidor, na forma definida pela Constituição Federal e pela Lei n° 
8.112/90, aposentadoria e pensão, observam a lógica do regime 
contributivo. Cada servidor, mediante desconto mensal para a 
seguridade social, conforme parâmetros fixados em lei, contribui para 
o fundo, genericamente falando, que, no futuro, arcará com os 
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RE 602584 / DF 
desembolsos decorrentes do pagamento de sua aposentadoria ou da 
pensão de seus beneficiários. O fato gerador do direito à pensão é 
a morte do segurado. Já no caso da remuneração e da 
aposentadoria é o exercício do cargo público e o preenchimento 
dos requisitos definidos para a inatividade. Nesse sentido, a 
cada servidor são assegurados esses benefícios.
10. Não há, portanto, que se confundir servidores 
distintos, detentores de direitos distintos, constitucional e 
legalmente garantidos. A cada um, individualmente, aplicam-se 
todos os dispositivos relacionados à acumulação de cargos e ao teto de 
remuneração, em especial quando se fala daqueles de natureza 
restritiva. Todavia, não é plausível querer extrapolar essas restrições 
para o somatório dos direitos individuais. A prevalecer essa tese, 
estaríamos restringindo direitos que a Constituição Federal não 
restringiu.
11. Tomemos como exemplo marido e mulher, ambos 
servidores públicos, percebendo remunerações próximas ao 
teto. Quando na atividade, a cada um se aplicam as restrições 
anteriormente mencionadas. As respectivas remunerações devem 
observar o teto constitucional. Só são permitidas as acumulações de 
cargos que a Constituição Federal considera legais. Portanto, no 
exercício do cargo público, ou ao desfrutar da aposentadoria, a cada 
um será permitido receber a remuneração/provento, ou o somatório de 
remunerações/proventosde cargos legalmente acumuláveis, até o 
limite fixado no art. 37, inciso XI, da Constituição Federal. Qual o 
fundamento, portanto, para concluir que, na hipótese de um dos dois 
vir a falecer, passando o outro a ser beneficiário de pensão, nos termos 
da lei, estaria criada uma nova situação em que seriam 
desconsiderados os fatos geradores da remuneração/provento a que 
cada um tem direito? Não encontro amparo legal para prosseguir em 
tal linha de raciocínio, pois não se trata de verificação de renda 
familiar em face do teto constitucional. Caso contrário, estaríamos 
admitindo a hipótese absurda de ser mais vantajoso ao beneficiário da 
pensão exonerar-se de seu cargo.
7 
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desembolsos decorrentes do pagamento de sua aposentadoria ou da 
pensão de seus beneficiários. O fato gerador do direito à pensão é 
a morte do segurado. Já no caso da remuneração e da 
aposentadoria é o exercício do cargo público e o preenchimento 
dos requisitos definidos para a inatividade. Nesse sentido, a 
cada servidor são assegurados esses benefícios.
10. Não há, portanto, que se confundir servidores 
distintos, detentores de direitos distintos, constitucional e 
legalmente garantidos. A cada um, individualmente, aplicam-se 
todos os dispositivos relacionados à acumulação de cargos e ao teto de 
remuneração, em especial quando se fala daqueles de natureza 
restritiva. Todavia, não é plausível querer extrapolar essas restrições 
para o somatório dos direitos individuais. A prevalecer essa tese, 
estaríamos restringindo direitos que a Constituição Federal não 
restringiu.
11. Tomemos como exemplo marido e mulher, ambos 
servidores públicos, percebendo remunerações próximas ao 
teto. Quando na atividade, a cada um se aplicam as restrições 
anteriormente mencionadas. As respectivas remunerações devem 
observar o teto constitucional. Só são permitidas as acumulações de 
cargos que a Constituição Federal considera legais. Portanto, no 
exercício do cargo público, ou ao desfrutar da aposentadoria, a cada 
um será permitido receber a remuneração/provento, ou o somatório de 
remunerações/proventos de cargos legalmente acumuláveis, até o 
limite fixado no art. 37, inciso XI, da Constituição Federal. Qual o 
fundamento, portanto, para concluir que, na hipótese de um dos dois 
vir a falecer, passando o outro a ser beneficiário de pensão, nos termos 
da lei, estaria criada uma nova situação em que seriam 
desconsiderados os fatos geradores da remuneração/provento a que 
cada um tem direito? Não encontro amparo legal para prosseguir em 
tal linha de raciocínio, pois não se trata de verificação de renda 
familiar em face do teto constitucional. Caso contrário, estaríamos 
admitindo a hipótese absurda de ser mais vantajoso ao beneficiário da 
pensão exonerar-se de seu cargo.
7 
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RE 602584 / DF 
12.Por essas razões, entendo que os dispositivos da 
Constituição Federal só permitem a compreensão de que todas 
as restrições referem-se sempre a uma única pessoa. Quer dizer: 
remuneração, proventos e pensões decorrentes do exercício de cargo ou 
emprego por uma determinada pessoa estão submetidos ao teto 
constitucional. Por outro lado, quando se trata do recebimento de 
pensão, que é a única situação em que pessoa diferente do instituidor 
receberá seus benefícios, cumulativamente com remuneração ou com 
proventos de aposentadoria, verifico que a Constituição Federal não 
contém dispositivo que permita extravasar o entendimento da 
aplicação do teto, pois se trata de situações de servidores distintos que 
geraram direitos distintos. E, como se trata de direito, não cabe ao 
intérprete adotar entendimento restritivo quando a própria lei não o 
fez.
…...................................................................................................
15. O beneficiário da pensão não receberá melhor 
tratamento do que o instituidor. Da relação estabelecida em vida 
pelo instituidor com o Estado resulta o direito do beneficiário à 
pensão, cujo valor submete-se ao teto constitucional. De outra relação, 
constituída por outro servidor com o Estado, resulta o direito à 
remuneração, quando na atividade, e ao provento de aposentadoria, 
quando na inatividade. A cada uma das relações constituídas aplica-
se, isoladamente, o teto constitucional. Ademais, esse entendimento 
não pretende excluir as pensões do teto, até mesmo porque, com a 
edição da Emenda Constitucional nº 20/98, o provento de pensão 
passou a constar expressamente do limite estabelecido no art. 37, 
inciso XI, da Constituição Federal.” (grifei)
Cabe observar, ainda, quanto à cumulação de subsídios dos 
membros da magistratura com pensão por morte, o que dispõe a 
Resolução nº 42/2007 do Conselho Nacional de Justiça que, ao alterar o 
conteúdo do art. 6º da Resolução nº 13/2006, deu-lhe a seguinte redação:
“Art. 6º Para efeito de percepção cumulativa de subsídios, 
remuneração ou proventos, juntamente com pensão decorrente de 
falecimento de cônjuge ou companheira(o), observar-se-á o limite 
8 
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12.Por essas razões, entendo que os dispositivos da 
Constituição Federal só permitem a compreensão de que todas 
as restrições referem-se sempre a uma única pessoa. Quer dizer: 
remuneração, proventos e pensões decorrentes do exercício de cargo ou 
emprego por uma determinada pessoa estão submetidos ao teto 
constitucional. Por outro lado, quando se trata do recebimento de 
pensão, que é a única situação em que pessoa diferente do instituidor 
receberá seus benefícios, cumulativamente com remuneração ou com 
proventos de aposentadoria, verifico que a Constituição Federal não 
contém dispositivo que permita extravasar o entendimento da 
aplicação do teto, pois se trata de situações de servidores distintos que 
geraram direitos distintos. E, como se trata de direito, não cabe ao 
intérprete adotar entendimento restritivo quando a própria lei não o 
fez.
…...................................................................................................
15. O beneficiário da pensão não receberá melhor 
tratamento do que o instituidor. Da relação estabelecida em vida 
pelo instituidor com o Estado resulta o direito do beneficiário à 
pensão, cujo valor submete-se ao teto constitucional. De outra relação, 
constituída por outro servidor com o Estado, resulta o direito à 
remuneração, quando na atividade, e ao provento de aposentadoria, 
quando na inatividade. A cada uma das relações constituídas aplica-
se, isoladamente, o teto constitucional. Ademais, esse entendimento 
não pretende excluir as pensões do teto, até mesmo porque, com a 
edição da Emenda Constitucionalnº 20/98, o provento de pensão 
passou a constar expressamente do limite estabelecido no art. 37, 
inciso XI, da Constituição Federal.” (grifei)
Cabe observar, ainda, quanto à cumulação de subsídios dos 
membros da magistratura com pensão por morte, o que dispõe a 
Resolução nº 42/2007 do Conselho Nacional de Justiça que, ao alterar o 
conteúdo do art. 6º da Resolução nº 13/2006, deu-lhe a seguinte redação:
“Art. 6º Para efeito de percepção cumulativa de subsídios, 
remuneração ou proventos, juntamente com pensão decorrente de 
falecimento de cônjuge ou companheira(o), observar-se-á o limite 
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RE 602584 / DF 
fixado na Constituição Federal como teto remuneratório, hipótese em 
que deverão ser considerados individualmente. (Redação dada pela 
Resolução nº 42, de 11.09.07).” (grifei)
Convém registrar, finalmente, preciosíssimo julgado que, proferido 
pelo E. Superior Tribunal de Justiça, da lavra do eminente Ministro 
MOURA RIBEIRO, bem examinou a questão pertinente à incidência do 
teto remuneratório sobre a remuneração do cargo efetivo e da pensão por 
morte, consideradas individualmente:
“DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO – 
SERVIDOR APOSENTADO E BENEFICIÁRIO DE PENSÃO 
POR MORTE – TETO CONSTITUCIONAL – INCIDÊNCIA 
ISOLADA SOBRE CADA UMA DAS VERBAS – 
INTERPRETAÇÃO LÓGICO SISTEMÁTICA DA 
CONSTITUIÇÃO – CARÁTER CONTRIBUTIVO DO SISTEMA 
PREVIDENCIÁRIO DO SERVIDOR PÚBLICO – SEGURANÇA 
JURÍDICA – VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO SEM 
CAUSA – PRINCÍPIO DA IGUALDADE – RECURSO 
ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA PROVIDO.
1. Sendo legítima a acumulação de proventos de aposentadoria 
de servidor público com pensão por morte de cônjuge finado e também 
servidor público, o teto constitucional deve incidir isoladamente sobre 
cada uma destas verbas.
2. Inteligência lógico-sistemática da Constituição Federal.
3. Incidência dos princípios da segurança jurídica, da vedação 
do enriquecimento sem causa e da igualdade.
4. Recurso ordinário em mandado de segurança provido.”
(RMS 30.880/CE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, 
QUINTA TURMA, julgado em 20/05/2014, DJe 24/06/2014)
Desse modo, Senhor Presidente, conclui-se não ser constitucional a 
incidência do teto remuneratório sobre o montante da acumulação dos 
vencimentos e da pensão por morte.
9 
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fixado na Constituição Federal como teto remuneratório, hipótese em 
que deverão ser considerados individualmente. (Redação dada pela 
Resolução nº 42, de 11.09.07).” (grifei)
Convém registrar, finalmente, preciosíssimo julgado que, proferido 
pelo E. Superior Tribunal de Justiça, da lavra do eminente Ministro 
MOURA RIBEIRO, bem examinou a questão pertinente à incidência do 
teto remuneratório sobre a remuneração do cargo efetivo e da pensão por 
morte, consideradas individualmente:
“DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO – 
SERVIDOR APOSENTADO E BENEFICIÁRIO DE PENSÃO 
POR MORTE – TETO CONSTITUCIONAL – INCIDÊNCIA 
ISOLADA SOBRE CADA UMA DAS VERBAS – 
INTERPRETAÇÃO LÓGICO SISTEMÁTICA DA 
CONSTITUIÇÃO – CARÁTER CONTRIBUTIVO DO SISTEMA 
PREVIDENCIÁRIO DO SERVIDOR PÚBLICO – SEGURANÇA 
JURÍDICA – VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO SEM 
CAUSA – PRINCÍPIO DA IGUALDADE – RECURSO 
ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA PROVIDO.
1. Sendo legítima a acumulação de proventos de aposentadoria 
de servidor público com pensão por morte de cônjuge finado e também 
servidor público, o teto constitucional deve incidir isoladamente sobre 
cada uma destas verbas.
2. Inteligência lógico-sistemática da Constituição Federal.
3. Incidência dos princípios da segurança jurídica, da vedação 
do enriquecimento sem causa e da igualdade.
4. Recurso ordinário em mandado de segurança provido.”
(RMS 30.880/CE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, 
QUINTA TURMA, julgado em 20/05/2014, DJe 24/06/2014)
Desse modo, Senhor Presidente, conclui-se não ser constitucional a 
incidência do teto remuneratório sobre o montante da acumulação dos 
vencimentos e da pensão por morte.
9 
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Sendo assim, em face das razões expostas, nego provimento ao 
presente recurso extraordinário.
É o meu voto.
10 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o código 722F-1E13-383A-2690 e senha 2838-C7D0-9A9C-0406
Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
Sendo assim, em face das razões expostas, nego provimento ao 
presente recurso extraordinário.
É o meu voto.
10 
Supremo Tribunal Federal
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 52 de 58
Retificação de Voto
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RETIFICAÇÃO DE VOTO
O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor 
Presidente, eu ouvi atentamente o belíssimo voto do nosso eminente 
Decano, Ministro Celso de Mello, e fiquei absolutamente convencido do 
acerto da posição de Sua Excelência.
Aliás, quando ingressei no julgamento, já havia tentado também unir 
esta mesma posição. Mas nós todos temos que ingressar no julgamento 
com espírito aberto, com a mente aberta, pronta a acompanhar os debates 
e ficar sensível aos argumentos que nos pareçam juridicamente mais 
sólidos.
Eu peço, então, a devida vênia ao eminente Relator para 
acompanhar, agora, o voto do ilustre Decano desta Corte, o Ministro 
Celso de Mello.
Primeiro, porque é uma solução que me parece mais justa, mais 
razoável. Não é possível que o servidor público, o combativo, o servidor 
público que nós conhecemos, que dá o sangue para que a Administração 
seja bem-sucedida, seja responsabilizado pela crise financeira que não 
causou.
Eu penso, inclusive, que esta solução, agora alvitrada pelo eminente 
Decano, se mostra mais consentânea com aqueles julgamentos que o 
Plenário proferiu nos REs 602.043 e 612.975, porque senão estaríamos 
fazendo uma distinção, a meu ver, data venia, odiosa entre essas situações. 
Ou seja, entre aquela situação em que a Constituição permite a 
cumulação de cargos e esta outra, em que o Decano bem ressaltou, que 
decorre de duas situações jurídicas absolutamente distintas, de fatos 
geradores diferentes que devem, ao meu ver, levar à compreensão que o 
teto deve-se aplicar isoladamente a cada uma dessas situações, sejam elas 
pensões, sejam elas proventos. 
Então, eu peço licença para rever o meu voto e acompanhar, agora, a 
divergência aberta pelo eminente Decano desta Casa.
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06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RETIFICAÇÃO DE VOTO
O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor 
Presidente, eu ouvi atentamente o belíssimo voto do nosso eminente 
Decano, Ministro Celso de Mello, e fiquei absolutamente convencido do 
acerto da posição de Sua Excelência.
Aliás, quando ingressei no julgamento, já havia tentado também unir 
esta mesma posição. Mas nós todos temos que ingressar no julgamento 
com espírito aberto, com a mente aberta, pronta a acompanhar os debates 
e ficar sensível aos argumentos que nos pareçam juridicamente mais 
sólidos.
Eu peço, então, a devida vênia ao eminente Relator para 
acompanhar, agora, o voto do ilustre Decano desta Corte, o Ministro 
Celso de Mello.
Primeiro, porque é uma solução que me parece mais justa, mais 
razoável. Não é possível que o servidor público, o combativo, o servidor 
público que nós conhecemos, que dá o sangue para que a Administração 
seja bem-sucedida, seja responsabilizado pela crise financeira que não 
causou.
Eu penso, inclusive, que esta solução, agora alvitrada pelo eminente 
Decano, se mostra mais consentânea com aqueles julgamentos que o 
Plenário proferiu nos REs 602.043 e 612.975, porque senão estaríamos 
fazendo uma distinção, a meu ver, data venia, odiosa entre essas situações. 
Ou seja, entre aquela situação em que a Constituição permite a 
cumulação de cargos e esta outra, em que o Decano bem ressaltou, que 
decorre de duas situações jurídicas absolutamente distintas, de fatos 
geradores diferentes que devem, ao meu ver, levar à compreensão que o 
teto deve-se aplicar isoladamente a cada uma dessas situações, sejam elas 
pensões, sejam elas proventos. 
Então, eu peço licença para rever o meu voto e acompanhar, agora, a 
divergência aberta pelo eminente Decano desta Casa.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 53 de 58
Observação
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) :UNIÃO 
ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 
RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA 
ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO 
AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO IBDP 
ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA 
ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN 
OBSERVAÇÃO
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Só para ter 
uma interlocução pessoal e intelectualmente prazerosa, como sempre, 
com o Ministro Celso de Mello, já agora com o reajuste do Ministro 
Ricardo Lewandowski.
Como disse ao início, se não houvesse uma crise fiscal e social, 
possivelmente me inclinaria também por esse entendimento que professa 
o Ministro Celso de Mello. A linha que me inspirou - e penso que a 
muitos dos demais Colegas - é que não estamos falando de algo 
adquirido por direito próprio, mas de benefício adquirido por atuação de 
terceiro. Acho que se houver uma situação de dependência ou de risco 
social, justifica-se. Mas um servidor que já ganha no teto, com todas as 
vênias, nem é dependente nem está em risco social. Por essa razão, ao 
botar os dois pratos na balança - os argumentos primorosamente expostos 
pelo Ministro Celso e os argumentos contrapostos -, eu me inclinei pelo 
argumento contraposto de permitir a acumulação, porém com o limite do 
teto. Pela simples razão, Ministro Celso, da inexistência de dependência e 
de risco social.
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06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) :UNIÃO 
ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO 
RECDO.(A/S) :KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA 
ADV.(A/S) :MOZART HAMILTON BUENO 
AM. CURIAE. :ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL 
PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL 
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO IBDP 
ADV.(A/S) :NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA 
ADV.(A/S) :GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN 
OBSERVAÇÃO
O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Só para ter 
uma interlocução pessoal e intelectualmente prazerosa, como sempre, 
com o Ministro Celso de Mello, já agora com o reajuste do Ministro 
Ricardo Lewandowski.
Como disse ao início, se não houvesse uma crise fiscal e social, 
possivelmente me inclinaria também por esse entendimento que professa 
o Ministro Celso de Mello. A linha que me inspirou - e penso que a 
muitos dos demais Colegas - é que não estamos falando de algo 
adquirido por direito próprio, mas de benefício adquirido por atuação de 
terceiro. Acho que se houver uma situação de dependência ou de risco 
social, justifica-se. Mas um servidor que já ganha no teto, com todas as 
vênias, nem é dependente nem está em risco social. Por essa razão, ao 
botar os dois pratos na balança - os argumentos primorosamente expostos 
pelo Ministro Celso e os argumentos contrapostos -, eu me inclinei pelo 
argumento contraposto de permitir a acumulação, porém com o limite do 
teto. Pela simples razão, Ministro Celso, da inexistência de dependência e 
de risco social.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 54 de 58
Observação
RE 602584 / DF 
Acho que a linha que Vossa Excelência segue é impecável e, talvez, 
se as circunstâncias fossem de normalidade, também teria optado pela 
linha em que Vossa Excelência se encaminhou.
Era esse o registro que queria fazer.
2 
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
Acho que a linha que Vossa Excelência segue é impecável e, talvez, 
se as circunstâncias fossem de normalidade, também teria optado pela 
linha em que Vossa Excelência se encaminhou.
Era esse o registro que queria fazer.
2 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 55 de 58
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE):
Já tinha aqui em minhas anotações voto exatamente no sentido de 
negar provimento. O que facilitou muito para mim é que, agora, me basta 
acompanhar o Ministro Celso de Mello e também, agora, o Ministro 
Ricardo Lewandowski, pedindo vênia ao Relator e aos eminentes 
Colegas.
Do acórdão do TJ/DF, destaco o seguinte item:
"Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefícios de pensão. Trata-se 
de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, 
tendo o primeirocomo fato gerador o exercício de cargo 
público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se 
concede quanto a este aspecto em particular a fim de 
determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de 
aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada 
parcela recebida pela impetrante individualmente."
O acórdão recorrido garantiu à impetrante direito, em razão de 
títulos distintos, de perceber pensão e também valores referentes a sua 
aposentadoria. Por serem títulos distintos, o teto incidirá separadamente, 
e não em somatória. São exatamente os termos do voto brilhantemente 
apresentado pelo Ministro Celso de Mello no sentido de se negar 
provimento ao recurso extraordinário.
Pedindo vênia aos entendimentos contrários, eu me sinto vinculado, 
pois houve ato jurídico perfeito e há toda uma garantia de direito 
adquirido. O teto incide, mas vai incidir, como disse o Ministro Celso de 
Mello, isoladamente, em razão dos títulos distintos.
Peço vênia para acompanhar a divergência aberta pelo Ministro 
Celso de Mello.
Em relação à tese, ela corresponde à minha. A maioria favorável à 
tese foi formada a partir do voto do Relator. Desde logo, digo que estou a 
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Supremo Tribunal Federal
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
VOTO
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE):
Já tinha aqui em minhas anotações voto exatamente no sentido de 
negar provimento. O que facilitou muito para mim é que, agora, me basta 
acompanhar o Ministro Celso de Mello e também, agora, o Ministro 
Ricardo Lewandowski, pedindo vênia ao Relator e aos eminentes 
Colegas.
Do acórdão do TJ/DF, destaco o seguinte item:
"Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefícios de pensão. Trata-se 
de direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, 
tendo o primeiro como fato gerador o exercício de cargo 
público e o segundo, a morte do segurado. Segurança que se 
concede quanto a este aspecto em particular a fim de 
determinar à douta autoridade coatora que, para efeito de 
aplicação do teto remuneratório, considere o valor de cada 
parcela recebida pela impetrante individualmente."
O acórdão recorrido garantiu à impetrante direito, em razão de 
títulos distintos, de perceber pensão e também valores referentes a sua 
aposentadoria. Por serem títulos distintos, o teto incidirá separadamente, 
e não em somatória. São exatamente os termos do voto brilhantemente 
apresentado pelo Ministro Celso de Mello no sentido de se negar 
provimento ao recurso extraordinário.
Pedindo vênia aos entendimentos contrários, eu me sinto vinculado, 
pois houve ato jurídico perfeito e há toda uma garantia de direito 
adquirido. O teto incide, mas vai incidir, como disse o Ministro Celso de 
Mello, isoladamente, em razão dos títulos distintos.
Peço vênia para acompanhar a divergência aberta pelo Ministro 
Celso de Mello.
Em relação à tese, ela corresponde à minha. A maioria favorável à 
tese foi formada a partir do voto do Relator. Desde logo, digo que estou a 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 56 de 58
Voto - MIN. DIAS TOFFOLI
RE 602584 / DF 
favor da tese, embora divergindo quanto ao sentido de provimento ou 
não provimento.
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RE 602584 / DF 
favor da tese, embora divergindo quanto ao sentido de provimento ou 
não provimento.
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Extrato de Ata - 06/08/2020
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584
PROCED. : DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) : UNIÃO
ADV.(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
RECDO.(A/S) : KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA
ADV.(A/S) : MOZART HAMILTON BUENO (1522A/DF)
AM. CURIAE. : ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP
ADV.(A/S) : NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA (119891/MG, 
119891/MG)
ADV.(A/S) : GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN (18200/SC)
Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 359 da 
repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário para 
indeferir a ordem, nos termos do voto do Relator, vencidos os 
Ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli 
(Presidente). Em seguida, foi fixada a seguinte tese: “Ocorrida a 
morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda 
Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no 
inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal incide sobre o 
somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por 
servidor”. Falou, pelo amicus curiae Estado do Rio Grande do Sul, 
a Dra. Márcia dos Anjos Manoel, Procuradora do Estado. Afirmou 
suspeição o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 06.08.2020 
(Sessão realizada inteiramente por videoconferência - Resolução 
672/2020/STF). 
 
Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. Presentes à 
sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Marco Aurélio, Gilmar 
Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber, 
Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.
Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Augusto Brandão de 
Aras. 
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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Supremo Tribunal Federal
PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584
PROCED. : DISTRITO FEDERAL
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
RECTE.(S) : UNIÃO
ADV.(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO
RECDO.(A/S) : KÁTHIA MARIA CANTUÁRIA PEREIRA DA SILVA
ADV.(A/S) : MOZART HAMILTON BUENO (1522A/DF)
AM. CURIAE. : ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
AM. CURIAE. : INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO PREVIDENCIÁRIO IBDP
ADV.(A/S) : NAZARIO NICOLAU MAIA GONCALVES DE FARIA (119891/MG, 
119891/MG)
ADV.(A/S) : GISELE LEMOS KRAVCHYCHYN (18200/SC)
Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 359 da 
repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário para 
indeferir a ordem, nos termos do voto do Relator, vencidos os 
Ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli 
(Presidente). Em seguida, foi fixada a seguinte tese: “Ocorrida a 
morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda 
Constitucional nº 19/1998, o teto constitucional previsto no 
inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal incide sobre o 
somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por 
servidor”. Falou, pelo amicus curiae Estado do Rio Grande do Sul, 
a Dra. Márcia dos Anjos Manoel, Procuradora do Estado. Afirmou 
suspeição o Ministro Alexandre dea aplicação do teto a todas as 
espécies remuneratórias, sendo inadequado evocar-se direito 
adquirido no tocante à percepção de excesso a qualquer título.
Cita o decidido no recurso extraordinário nº 463.738/MT, 
no qual proclamada a validade do referido dispositivo do 
Diploma Maior, na redação conferida pela Emenda nº 41/2003, e 
no agravo regimental no recurso extraordinário nº 477.447/MG, 
ambos da relatoria do ministro Eros Grau. Consoante discorre, 
apesar dos fatos geradores distintos, não se legitima a 
consideração, em separado, das rubricas – vencimentos e 
pensão –, considerado o disposto na Lei das leis. Frisa que o 
único requisito a ser observado quanto ao teto é o destinatário 
único das quantias pagas pelo erário, independentemente da 
4 
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RE 602584 / DF 
Em 16 de dezembro de 2010, o chamado Plenário Virtual 
reconheceu a repercussão geral da controvérsia, tendo a ementa 
sido confeccionada nos seguintes termos:
TETO REMUNERATÓRIO – INCIDÊNCIA SOBRE O 
MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE 
PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO – 
ARTIGO 37, INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E 
ARTIGOS 8º E 9º DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 
41/2003. Possui repercussão geral a controvérsia sobre a 
possibilidade de, ante o mesmo credor, existir a distinção 
do que recebido, para efeito do teto remuneratório, 
presentes as rubricas proventos e pensão, a teor do artigo 
37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 9º da 
Emenda Constitucional nº 41/2003.
À folha 196 à 201, o Ministério Público Federal opina pelo 
parcial provimento do extraordinário. Destaca a possibilidade 
de cumulação de vencimentos e pensão em virtude do 
falecimento de cônjuge. Salienta, a partir da leitura do inciso XI 
do artigo 37 da Lei Maior, presente a expressão “percebidos 
cumulativamente ou não”, a aplicação do teto a todas as 
espécies remuneratórias, sendo inadequado evocar-se direito 
adquirido no tocante à percepção de excesso a qualquer título.
Cita o decidido no recurso extraordinário nº 463.738/MT, 
no qual proclamada a validade do referido dispositivo do 
Diploma Maior, na redação conferida pela Emenda nº 41/2003, e 
no agravo regimental no recurso extraordinário nº 477.447/MG, 
ambos da relatoria do ministro Eros Grau. Consoante discorre, 
apesar dos fatos geradores distintos, não se legitima a 
consideração, em separado, das rubricas – vencimentos e 
pensão –, considerado o disposto na Lei das leis. Frisa que o 
único requisito a ser observado quanto ao teto é o destinatário 
único das quantias pagas pelo erário, independentemente da 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 58
Relatório
RE 602584 / DF 
origem dos direitos. Evoca jurisprudência. Diz irrelevante 
inexistir alusão expressa, no artigo 40, § 11, da Carta de 1988, a 
pensões. Conforme esclarece, o preceito tem como alvo os casos 
de acumulação de cargos e empregos públicos, sem relação com 
a situação concreta. Conclui asseverando que, mesmo nos casos 
de cumulação lícita de cargos ou empregos públicos, 
envolvendo fatos geradores diversos, há a submissão do 
somatório da remuneração percebida ao teto constitucional.
Vossa Excelência indeferiu os pedidos de ingresso 
formalizados pela Associação dos Procuradores do Estado de 
São Paulo – APESP, pelo Sindicato dos Procuradores do Estado, 
das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do 
Estado de São Paulo – SINDIPROESP e pela Associação 
Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE (folhas 193 e 
194, 213 a 215, 219 e 220).
O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de 
Direito Previdenciário – IBDP foram admitidos como terceiros 
interessados (folhas 242 e 243, 269 e 270).
É o relatório. 
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
origem dos direitos. Evoca jurisprudência. Diz irrelevante 
inexistir alusão expressa, no artigo 40, § 11, da Carta de 1988, a 
pensões. Conforme esclarece, o preceito tem como alvo os casos 
de acumulação de cargos e empregos públicos, sem relação com 
a situação concreta. Conclui asseverando que, mesmo nos casos 
de cumulação lícita de cargos ou empregos públicos, 
envolvendo fatos geradores diversos, há a submissão do 
somatório da remuneração percebida ao teto constitucional.
Vossa Excelência indeferiu os pedidos de ingresso 
formalizados pela Associação dos Procuradores do Estado de 
São Paulo – APESP, pelo Sindicato dos Procuradores do Estado, 
das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do 
Estado de São Paulo – SINDIPROESP e pela Associação 
Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE (folhas 193 e 
194, 213 a 215, 219 e 220).
O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de 
Direito Previdenciário – IBDP foram admitidos como terceiros 
interessados (folhas 242 e 243, 269 e 270).
É o relatório. 
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Voto - MIN. MARCO AURÉLIO
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
V O T O
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Atendeu-
se aos pressupostos gerais de recorribilidade. A peça, subscrita por 
Advogado da União, foi protocolada no prazo dobrado a que tem jus a 
recorrente, presente a regência pelo Código de Processo Civil de 1973. A 
matéria encontra-se prequestionada, revelando controvérsia 
constitucional a ensejar o conhecimento do recurso. 
Na sessão do dia 27 de abril de 2020, foi concluído o exame dos 
recursos extraordinários nº 612.975 – Tema nº 377 – e 602.043 – Tema nº 
384. O Tribunal fixou a seguinte tese, considerado o teto previsto no 
artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal:
Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação 
de cargos, empregos e funções, a incidência do artigo 37, inciso 
XI, da Constituição Federal, pressupõe a consideração de cada 
um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto 
remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente 
público. 
O Colegiado teve presente, em primeiro lugar, a existência de 
vínculos com a Administração Pública envolvendo o servidor 
individualmente e, em segundo, a autorização constitucional alusiva à 
acumulação de cargos, empregos e funções. Assentou, como decorre da 
tese anunciada, que, ante tal quadro, há de considerar-se, para efeito de 
teto, não o somatório do que percebido, mas a remuneração resultante de 
cada qual das relações jurídicas mantidas. Já agora, o conflito de 
interesses diz respeito a institutos distintos, a saber: remuneração e 
pensão; proventos e pensão. 
Em jogo, no caso concreto, questão diversa. O servidor que instituiu 
a pensão faleceu em 13 de junho de 1999 – certidão de folha 19. Na época 
Supremo Tribunal Federal
Documento assinado digitalmenteMoraes. Plenário, 06.08.2020 
(Sessão realizada inteiramente por videoconferência - Resolução 
672/2020/STF). 
 
Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. Presentes à 
sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Marco Aurélio, Gilmar 
Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber, 
Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.
Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Augusto Brandão de 
Aras. 
Carmen Lilian Oliveira de Souza
Assessora-Chefe do Plenário
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06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
V O T O
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Atendeu-
se aos pressupostos gerais de recorribilidade. A peça, subscrita por 
Advogado da União, foi protocolada no prazo dobrado a que tem jus a 
recorrente, presente a regência pelo Código de Processo Civil de 1973. A 
matéria encontra-se prequestionada, revelando controvérsia 
constitucional a ensejar o conhecimento do recurso. 
Na sessão do dia 27 de abril de 2020, foi concluído o exame dos 
recursos extraordinários nº 612.975 – Tema nº 377 – e 602.043 – Tema nº 
384. O Tribunal fixou a seguinte tese, considerado o teto previsto no 
artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal:
Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação 
de cargos, empregos e funções, a incidência do artigo 37, inciso 
XI, da Constituição Federal, pressupõe a consideração de cada 
um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto 
remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente 
público. 
O Colegiado teve presente, em primeiro lugar, a existência de 
vínculos com a Administração Pública envolvendo o servidor 
individualmente e, em segundo, a autorização constitucional alusiva à 
acumulação de cargos, empregos e funções. Assentou, como decorre da 
tese anunciada, que, ante tal quadro, há de considerar-se, para efeito de 
teto, não o somatório do que percebido, mas a remuneração resultante de 
cada qual das relações jurídicas mantidas. Já agora, o conflito de 
interesses diz respeito a institutos distintos, a saber: remuneração e 
pensão; proventos e pensão. 
Em jogo, no caso concreto, questão diversa. O servidor que instituiu 
a pensão faleceu em 13 de junho de 1999 – certidão de folha 19. Na época 
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Voto - MIN. MARCO AURÉLIO
RE 602584 / DF 
do julgamento impugnado mediante o extraordinário, a beneficiária 
estava na ativa – dezembro de 2008 –, vindo a aposentar-se em 19 de 
outubro de 2015. Tem-se, a esta altura, pensão e proventos. Com esses 
esclarecimentos, cabe definir o alcance do artigo 37, inciso XI, da 
Constituição Federal, a revelar o teto, a percepção máxima capaz de ser 
alcançada pelo servidor, pouco importando se ativo ou inativo. Até a 
Emenda Constitucional nº 19, considerava-se, para efeito do teto, a 
remuneração. O tratamento dispensado levava em conta aquelas 
recebidas diretamente pelo servidor presentes relações jurídicas mantidas 
com a Administração Pública:
Art. 37 [...]
[…]
XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores 
entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, 
observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos 
poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, 
a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, 
Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e 
seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos 
Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como 
remuneração, em espécie, pelo Prefeito; 
Com a Emenda de nº 19, de 4 de junho de 1998, deu-se a mudança 
do preceito, lançando-se o teto de forma mais abrangente, ou seja, 
alcançando, além da remuneração, subsídio, proventos, pensões ou outra 
espécie remuneratória, “percebidos cumulativamente ou não”. Confiram 
a redação dada ao inciso XI do artigo 37 da Carta da República:
Art. 37. […]
[…]
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
2 
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RE 602584 / DF 
do julgamento impugnado mediante o extraordinário, a beneficiária 
estava na ativa – dezembro de 2008 –, vindo a aposentar-se em 19 de 
outubro de 2015. Tem-se, a esta altura, pensão e proventos. Com esses 
esclarecimentos, cabe definir o alcance do artigo 37, inciso XI, da 
Constituição Federal, a revelar o teto, a percepção máxima capaz de ser 
alcançada pelo servidor, pouco importando se ativo ou inativo. Até a 
Emenda Constitucional nº 19, considerava-se, para efeito do teto, a 
remuneração. O tratamento dispensado levava em conta aquelas 
recebidas diretamente pelo servidor presentes relações jurídicas mantidas 
com a Administração Pública:
Art. 37 [...]
[…]
XI - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores 
entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, 
observados, como limites máximos e no âmbito dos respectivos 
poderes, os valores percebidos como remuneração, em espécie, 
a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, 
Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal e 
seus correspondentes nos Estados, no Distrito Federal e nos 
Territórios, e, nos Municípios, os valores percebidos como 
remuneração, em espécie, pelo Prefeito; 
Com a Emenda de nº 19, de 4 de junho de 1998, deu-se a mudança 
do preceito, lançando-se o teto de forma mais abrangente, ou seja, 
alcançando, além da remuneração, subsídio, proventos, pensões ou outra 
espécie remuneratória, “percebidos cumulativamente ou não”. Confiram 
a redação dada ao inciso XI do artigo 37 da Carta da República:
Art. 37. […]
[…]
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
2 
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Voto - MIN. MARCO AURÉLIO
RE 602584 / DF 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal; 
O dispositivo veio a ser modificado novamente por intermédio da 
Emenda de nº 41/2003, ficando mantida, no texto, a expressão 
“percebidos cumulativamente ou não”.
Ocorrido em 1999 o óbito do instituidor da pensão, ou seja, após a 
Emenda nº 19, publicada em 1998, a situação jurídica da recorrida – viúva 
– é apanhada pelo preceito transcrito, cabendo limitar ao teto 
constitucional o resultado da soma dos proventos com a pensão recebida.
Provejo o extraordinário, para indeferir a ordem.
Proponho a seguinte tese, a ser observada sob o ângulo da 
sistemática da repercussão geral: “Ocorrida a morte do instituidor da 
pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional nº 19/1998, o 
teto constitucional previsto no inciso XI do artigo 37 da ConstituiçãoFederal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão 
percebida por servidor”.
3 
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RE 602584 / DF 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal; 
O dispositivo veio a ser modificado novamente por intermédio da 
Emenda de nº 41/2003, ficando mantida, no texto, a expressão 
“percebidos cumulativamente ou não”.
Ocorrido em 1999 o óbito do instituidor da pensão, ou seja, após a 
Emenda nº 19, publicada em 1998, a situação jurídica da recorrida – viúva 
– é apanhada pelo preceito transcrito, cabendo limitar ao teto 
constitucional o resultado da soma dos proventos com a pensão recebida.
Provejo o extraordinário, para indeferir a ordem.
Proponho a seguinte tese, a ser observada sob o ângulo da 
sistemática da repercussão geral: “Ocorrida a morte do instituidor da 
pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional nº 19/1998, o 
teto constitucional previsto no inciso XI do artigo 37 da Constituição 
Federal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão 
percebida por servidor”.
3 
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Antecipação ao Voto
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
ANTECIPAÇÃO AO VOTO
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, 
eminentes Pares, Senhor Ministro-Relator, eminente Ministro Marco 
Aurélio, Senhora Procuradora do Estado, Doutora Márcia dos Anjos 
Manoel, Senhor Procurador-Geral da República, Doutor Augusto Aras.
Senhor Presidente e eminente Ministro-Relator, eu, ao lado de 
cumprimentar Sua Excelência, o eminente Ministro Marco Aurélio, 
assento que vou juntar declaração de voto, que fiz um pouco mais 
alongada, mas serei muitíssimo breve para dizer que acompanho Sua 
Excelência. 
Não tenho dúvida alguma da circunstância que foi levada em 
consideração pelo eminente Ministro-Relator para fazer incidir o teto no 
montante das verbas cumuláveis. Ou seja, teto, para o rigor da própria 
palavra, tem precisamente esse sentido que o eminente Ministro-Relator 
traz à colação.
É verdade que, no recurso, a União também se volta contra a 
acumulação, mas essa é uma matéria sobre a qual não resta dúvida. A 
acumulação é legítima, mas está submetida ao teto.
Por isso, acompanho o eminente Ministro-Relator no sentido de 
prover o recurso extraordinário. Da minha parte, estou assentando que 
admito a acumulação - e creio que esse também é o sentido do voto de 
Sua Excelência -, mas desde que esta acumulação seja sempre submetida 
ao teto do inciso XI do art. 37 da Constituição.
Como bem salientado pelo eminente Ministro-Relator, a impetrante 
ocupava ou ocupa cargo de analista judiciário e percebe simultaneamente 
pensão, em virtude do falecimento de ex-servidor. A acumulação é 
legítima, nada obstante submetida ao teto constitucional à luz dos 
precedentes do Tribunal e, precisamente, na linha de Sua Excelência o 
eminente Ministro Marco Aurélio, a quem acompanho, Senhor 
Presidente. 
Supremo Tribunal Federal
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Supremo Tribunal Federal
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
ANTECIPAÇÃO AO VOTO
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente, 
eminentes Pares, Senhor Ministro-Relator, eminente Ministro Marco 
Aurélio, Senhora Procuradora do Estado, Doutora Márcia dos Anjos 
Manoel, Senhor Procurador-Geral da República, Doutor Augusto Aras.
Senhor Presidente e eminente Ministro-Relator, eu, ao lado de 
cumprimentar Sua Excelência, o eminente Ministro Marco Aurélio, 
assento que vou juntar declaração de voto, que fiz um pouco mais 
alongada, mas serei muitíssimo breve para dizer que acompanho Sua 
Excelência. 
Não tenho dúvida alguma da circunstância que foi levada em 
consideração pelo eminente Ministro-Relator para fazer incidir o teto no 
montante das verbas cumuláveis. Ou seja, teto, para o rigor da própria 
palavra, tem precisamente esse sentido que o eminente Ministro-Relator 
traz à colação.
É verdade que, no recurso, a União também se volta contra a 
acumulação, mas essa é uma matéria sobre a qual não resta dúvida. A 
acumulação é legítima, mas está submetida ao teto.
Por isso, acompanho o eminente Ministro-Relator no sentido de 
prover o recurso extraordinário. Da minha parte, estou assentando que 
admito a acumulação - e creio que esse também é o sentido do voto de 
Sua Excelência -, mas desde que esta acumulação seja sempre submetida 
ao teto do inciso XI do art. 37 da Constituição.
Como bem salientado pelo eminente Ministro-Relator, a impetrante 
ocupava ou ocupa cargo de analista judiciário e percebe simultaneamente 
pensão, em virtude do falecimento de ex-servidor. A acumulação é 
legítima, nada obstante submetida ao teto constitucional à luz dos 
precedentes do Tribunal e, precisamente, na linha de Sua Excelência o 
eminente Ministro Marco Aurélio, a quem acompanho, Senhor 
Presidente. 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
1. O presente voto, ao dispor aos eminentes pares e às 
partes a respectiva íntegra, expressa fundamentação nos termos 
do inciso IX do art. 93 da Constituição da República Federativa 
do Brasil, e se contém em aproximadamente 20 (vinte) páginas. 
A síntese e conclusão podem ser apresentadas, sem prejuízo da 
explicitação no voto contida, à luz do procedimento que se 
fundamenta nos termos do insculpido no inciso LXXVIII do art. 
5º da Constituição Federal de 1988, em cuja abrangência se 
insere a celeridade de julgamento, mediante sucinta formulação 
que tem em conta as seguintes premissas e arremate:
1.1. Premissas:
Primeira: 
O teto de retribuição estabelecido no art. 37, inciso XI, na 
redação conferida pela Emenda Constitucional 41/03, possui 
eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo 
nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória 
percebidas pelos servidores públicos da União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de acordo 
com regime legal anterior. 
Segunda:
A observância da norma de teto de retribuição representa 
verdadeira condição de legitimidade para o pagamento das 
remunerações no serviço público. 
Terceira:
Os valores que ultrapassarem os limites preestabelecidos 
para cada nível federativo na Constituição constituem excesso 
cujo pagamento não pode ser reclamado comamparo na 
garantia da irredutibilidade de vencimentos.
Quarta:
A Constituição da República autoriza a percepção 
cumulada de proventos de aposentadoria advinda de exercício 
de cargo público com pensão por morte devida a dependente 
de servidor público falecido, pois são vantagens oriundas de 
fatos geradores distintos.
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06/08/2020 PLENÁRIO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO 602.584 DISTRITO FEDERAL
1. O presente voto, ao dispor aos eminentes pares e às 
partes a respectiva íntegra, expressa fundamentação nos termos 
do inciso IX do art. 93 da Constituição da República Federativa 
do Brasil, e se contém em aproximadamente 20 (vinte) páginas. 
A síntese e conclusão podem ser apresentadas, sem prejuízo da 
explicitação no voto contida, à luz do procedimento que se 
fundamenta nos termos do insculpido no inciso LXXVIII do art. 
5º da Constituição Federal de 1988, em cuja abrangência se 
insere a celeridade de julgamento, mediante sucinta formulação 
que tem em conta as seguintes premissas e arremate:
1.1. Premissas:
Primeira: 
O teto de retribuição estabelecido no art. 37, inciso XI, na 
redação conferida pela Emenda Constitucional 41/03, possui 
eficácia imediata, submetendo às referências de valor máximo 
nele discriminadas todas as verbas de natureza remuneratória 
percebidas pelos servidores públicos da União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de acordo 
com regime legal anterior. 
Segunda:
A observância da norma de teto de retribuição representa 
verdadeira condição de legitimidade para o pagamento das 
remunerações no serviço público. 
Terceira:
Os valores que ultrapassarem os limites preestabelecidos 
para cada nível federativo na Constituição constituem excesso 
cujo pagamento não pode ser reclamado com amparo na 
garantia da irredutibilidade de vencimentos.
Quarta:
A Constituição da República autoriza a percepção 
cumulada de proventos de aposentadoria advinda de exercício 
de cargo público com pensão por morte devida a dependente 
de servidor público falecido, pois são vantagens oriundas de 
fatos geradores distintos.
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
 Quinta:
A cumulação dos proventos de aposentadoria e de pensão 
por morte, contudo, na hipótese, deve necessariamente 
respeitar a aplicação do teto remuneratório constitucionalmente 
previsto no art. 37, XI, da CRFB.
Sexta: É à soma de ambas as vantagens que o teto do art. 
37, XI CRFB incide; devendo, portanto, atingir o montante 
cumulado percebível. 
1.2.Base constitucional: artigo 37, incisos XI e XVI da 
CRFB.
1.3. Base doutrinária: o voto se assenta no pensamento dos 
diversos autores nele citados; menciona-se aqui especialmente 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro.
1.4. Base em precedentes: o voto se estriba em precedentes 
que formam jurisprudência deste Tribunal; especificamente 
citam-se os seguintes: RE 602.043, Rel. Min. Marco Aurélio, 
Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017; RE 609381, Rel. o 
saudoso Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 
02.10.2014; RE 606.358, Rel. Min. Rosa Weber, Pleno, DJe 
07.04.2016. 
1.5. Conclusão do voto: dou parcial provimento ao recurso 
extraordinário para admitir a cumulação de proventos de 
aposentadoria com benefício decorrente de pensão por morte 
deixada por segurado instituidor também servidor público, 
desde que submetido o total do montante à incidência do teto 
do art. 37, XI, CRFB.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Saúdo o bem lançado 
relatório proferido pelo e. Ministro Relator Marco Aurélio. Apenas para 
rememorar as premissas que conduziram às minhas conclusões na 
matéria, permito-me consignar que se trata do Tema 359 da Repercussão 
que discute se é constitucional a incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao 
montante que resulta de acumulação de proventos de aposentadoria com 
benefício de pensão por morte. 
Na origem, a União interpôs recurso extraordinário em face de 
acórdão do TJDFT que concedeu parcialmente a segurança em mandamus 
2 
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Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001. O documento pode ser acessado pelo endereço
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Supremo Tribunal Federal
RE 602584 / DF 
 Quinta:
A cumulação dos proventos de aposentadoria e de pensão 
por morte, contudo, na hipótese, deve necessariamente 
respeitar a aplicação do teto remuneratório constitucionalmente 
previsto no art. 37, XI, da CRFB.
Sexta: É à soma de ambas as vantagens que o teto do art. 
37, XI CRFB incide; devendo, portanto, atingir o montante 
cumulado percebível. 
1.2.Base constitucional: artigo 37, incisos XI e XVI da 
CRFB.
1.3. Base doutrinária: o voto se assenta no pensamento dos 
diversos autores nele citados; menciona-se aqui especialmente 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro.
1.4. Base em precedentes: o voto se estriba em precedentes 
que formam jurisprudência deste Tribunal; especificamente 
citam-se os seguintes: RE 602.043, Rel. Min. Marco Aurélio, 
Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017; RE 609381, Rel. o 
saudoso Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 
02.10.2014; RE 606.358, Rel. Min. Rosa Weber, Pleno, DJe 
07.04.2016. 
1.5. Conclusão do voto: dou parcial provimento ao recurso 
extraordinário para admitir a cumulação de proventos de 
aposentadoria com benefício decorrente de pensão por morte 
deixada por segurado instituidor também servidor público, 
desde que submetido o total do montante à incidência do teto 
do art. 37, XI, CRFB.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Saúdo o bem lançado 
relatório proferido pelo e. Ministro Relator Marco Aurélio. Apenas para 
rememorar as premissas que conduziram às minhas conclusões na 
matéria, permito-me consignar que se trata do Tema 359 da Repercussão 
que discute se é constitucional a incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao 
montante que resulta de acumulação de proventos de aposentadoria com 
benefício de pensão por morte. 
Na origem, a União interpôs recurso extraordinário em face de 
acórdão do TJDFT que concedeu parcialmente a segurança em mandamus 
2 
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Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
impetrado por Káthia Maria Cantuária Pereira da Silva, cuja ementa 
reproduzo (eDOC 40, pp. 127-140):
“MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E 
CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. 
PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA 
ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO 
PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA 
CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE 
SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE 
FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA 
SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS 
VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. 
SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE.
Demonstradoque, apesar da identidade de partes e causa 
de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido 
diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência.
No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a 
alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou 
proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, 
tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal 
que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da 
Constituição Federal.
Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de 
direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo 
o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o 
segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, 
quanto a este aspecto em particular, a fim de determinar à 
douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto 
remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela 
impetrante individualmente“.
Os embargos de declaração opostos foram rejeitados pelo e. TRF1 
(eDOC 03).
3 
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RE 602584 / DF 
impetrado por Káthia Maria Cantuária Pereira da Silva, cuja ementa 
reproduzo (eDOC 40, pp. 127-140):
“MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO E 
CONSTITUCIONAL. TETO REMUNERATÓRIO. EC 41/2003. 
PORTARIAS GPR Nº 170 E 470, AMBAS DE 2004. 
PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA REJEITADA. OFENSA 
ÀS GARANTIAS DO DIREITO ADQUIRIDO E ATO JURÍDICO 
PERFEITO – INOCORRÊNCIA. IMPETRANTE QUE OCUPA 
CARGO DE ANALISTA JUDICIÁRIO E PERCEBE 
SIMULTANEAMENTE PENSÃO EM VIRTUDE DE 
FALECIMENTO DE EX-SERVIDOR – NÃO INCIDÊNCIA 
SOBRE O MONTANTE DA ACUMULAÇÃO DOS 
VENCIMENTOS COM O BENEFÍCIO DE PENSÃO. 
SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE.
Demonstrado que, apesar da identidade de partes e causa 
de pedir, a segunda impetração tem objeto mais amplo e pedido 
diverso, rejeita-se a preliminar de litispendência.
No ordenamento jurídico pátrio não há lugar para a 
alegação de direito adquirido à imutabilidade vencimentos ou 
proventos de servidor público. Com o advento da EC nº 41, 
tem-se como superada a discussão a respeito de diploma legal 
que estabeleça regras para a aplicação do inciso XI, do art. 37 da 
Constituição Federal.
Não incide o teto constitucional sobre o montante da 
acumulação dos vencimentos e benefício de pensão. Trata-se de 
direitos distintos, constitucional e legalmente garantidos, tendo 
o primeiro como fato gerador o exercício de cargo público e o 
segundo, a morte do segurado. Segurança que se concede, 
quanto a este aspecto em particular, a fim de determinar à 
douta autoridade coatora que, para efeito de aplicação do teto 
remuneratório, considere o valor de cada parcela recebida pela 
impetrante individualmente“.
Os embargos de declaração opostos foram rejeitados pelo e. TRF1 
(eDOC 03).
3 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
No recurso extraordinário interposto, sustenta-se que o acórdão 
prolatado pelo TJDFT violou o art. 37, inc. IX, da Constituição da 
República, na redação determinada pela EC nº 41/2003, em razão de ter 
reconhecido a possibilidade de acumulação de pensão e de proventos por 
parte da impetrante. Destaca, diante disso, que o dispositivo supra 
referido “determinou expressamente que a remuneração e o subsídio dos 
ocupantes de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o subsídio 
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aí incluídos os ‘proventos, pensões 
ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não’ e ‘as 
vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza’” (eDOC 06, p. 5).
Por outro lado, argui que “Entender, como fez o acórdão recorrido, que 
entendimento do Tribunal de Contas da União em consulta formulada pelo 
Presidente do Tribunal Superior do Trabalho autorizou a acumulação e que a 
decisão do TCU é vinculativa, é absolutamente equivocado”. No mais, alega ser 
equivocada a premissa de que parte o TCU na apreciação da matéria, 
qual seja: “a norma insculpida no artigo 37, XI, da CF, teria como intenção 
proibir a acumulação (para a finalidade do teto) por uma única pessoa (e, no caso, 
a pensão seria devida em razão de outra pessoa)” (eDOC 06, p. 6).
Requer, ao fim, “o processamento e conhecimento deste recurso, porque 
cumpridos todos os requisitos legais para sua admissibilidade, dando-se-lhe 
provimento para que seja reformado o v. Acórdão recorrido, em face da violação 
do preceito da Constituição Federal indicado” (eDOC 06, p. 7).
Em contrarrazões, a recorrida arguiu que a pensão e o vencimento 
por ela percebidos “São dois institutos diferentes e distintos que têm como fato 
gerador situações também diferentes e distintas”, posicionamento que, a seu 
ver, estaria corroborado pela jurisprudência deste Supremo Tribunal 
Federal. Pugna, portanto, pelo desprovimento do extraordinário (eDOC 
07).
A repercussão geral foi admitida, em acórdão assim ementado: 
(eDOC 40, pp. 191-195):
“TETO REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA SOBRE O 
MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE 
PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO - ARTIGO 37, 
4 
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RE 602584 / DF 
No recurso extraordinário interposto, sustenta-se que o acórdão 
prolatado pelo TJDFT violou o art. 37, inc. IX, da Constituição da 
República, na redação determinada pela EC nº 41/2003, em razão de ter 
reconhecido a possibilidade de acumulação de pensão e de proventos por 
parte da impetrante. Destaca, diante disso, que o dispositivo supra 
referido “determinou expressamente que a remuneração e o subsídio dos 
ocupantes de cargos, funções e empregos públicos não poderão exceder o subsídio 
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aí incluídos os ‘proventos, pensões 
ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não’ e ‘as 
vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza’” (eDOC 06, p. 5).
Por outro lado, argui que “Entender, como fez o acórdão recorrido, que 
entendimento do Tribunal de Contas da União em consulta formulada pelo 
Presidente do Tribunal Superior do Trabalho autorizou a acumulação e que a 
decisão do TCU é vinculativa, é absolutamente equivocado”. No mais, alega ser 
equivocada a premissa de que parte o TCU na apreciação da matéria, 
qual seja: “a norma insculpida no artigo 37, XI, da CF, teria como intenção 
proibir a acumulação (para a finalidade do teto) por uma única pessoa (e, no caso, 
a pensão seria devida em razão de outra pessoa)” (eDOC 06, p. 6).
Requer, ao fim, “o processamento e conhecimento deste recurso, porque 
cumpridos todos os requisitos legais para sua admissibilidade, dando-se-lhe 
provimento para que seja reformado o v. Acórdão recorrido, em face da violação 
do preceito da Constituição Federal indicado” (eDOC 06, p. 7).
Em contrarrazões, a recorrida arguiu que a pensão e o vencimento 
por ela percebidos “São dois institutos diferentes e distintos que têm como fatogerador situações também diferentes e distintas”, posicionamento que, a seu 
ver, estaria corroborado pela jurisprudência deste Supremo Tribunal 
Federal. Pugna, portanto, pelo desprovimento do extraordinário (eDOC 
07).
A repercussão geral foi admitida, em acórdão assim ementado: 
(eDOC 40, pp. 191-195):
“TETO REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA SOBRE O 
MONTANTE DECORRENTE DA ACUMULAÇÃO DE 
PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO - ARTIGO 37, 
4 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E ARTIGOS 8Q E 9º DA 
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41/2003. Possui repercussão 
geral a controvérsia sobre a possibilidade de, ante o mesmo 
credor, existir a distinção do que recebido, para efeito do teto 
remuneratório, presentes as rubricas proventos e pensão, a teor 
do artigo 37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 
9º da Emenda Constitucional nº 41/2003. Decisão: O Tribunal 
reconheceu a existência de repercussão geral da questão 
constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros 
Cezar Peluso, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Gilmar 
Mendes”.
A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo parcial 
provimento do recurso. Reproduzo a ementa do parecer (eDOC 40, pp. 
214-219):
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO - MANDADO DE 
SEGURANÇA - SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO 
TJDFT - PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E 
PENSÃO - TETO REMUNERATÓRIO - ALEGAÇÃO DE 
CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E 
ARTS. 8° E 9° DA EC N° 41/2003 - REPERCUSSÃO GERAL 
RECONHECIDA - AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO À 
REGIME JURÍDICO - INCIDÊNCIA DO TETO 
REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA 
ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR 
MORTE, INDEPENDENTEMENTE DA ORIGEM DO DIREITO 
A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS - PRINCÍPIOS DA 
RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE 
DA COISA PÚBLICA - PRECEDENTES DO STF - PARECER 
PELO CONHECIMENTO E PARCIAL PROVIMENTO DO 
RECURSO”.
A Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo – APESP, o 
Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e 
das Universidades Públicas do Estado de São Paulo – SINDIPROESP, e a 
5 
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RE 602584 / DF 
INCISO XI, DA CARTA FEDERAL E ARTIGOS 8Q E 9º DA 
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 41/2003. Possui repercussão 
geral a controvérsia sobre a possibilidade de, ante o mesmo 
credor, existir a distinção do que recebido, para efeito do teto 
remuneratório, presentes as rubricas proventos e pensão, a teor 
do artigo 37, inciso XI, da Carta da República e dos artigos 8º e 
9º da Emenda Constitucional nº 41/2003. Decisão: O Tribunal 
reconheceu a existência de repercussão geral da questão 
constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros 
Cezar Peluso, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Gilmar 
Mendes”.
A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo parcial 
provimento do recurso. Reproduzo a ementa do parecer (eDOC 40, pp. 
214-219):
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO - MANDADO DE 
SEGURANÇA - SERVIDORA PÚBLICA E PENSIONISTA DO 
TJDFT - PERCEPÇÃO SIMULTÂNEA DE REMUNERAÇÃO E 
PENSÃO - TETO REMUNERATÓRIO - ALEGAÇÃO DE 
CONTRARIEDADE AO ART. 37, INCISO XII, DA CF/88, E 
ARTS. 8° E 9° DA EC N° 41/2003 - REPERCUSSÃO GERAL 
RECONHECIDA - AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO À 
REGIME JURÍDICO - INCIDÊNCIA DO TETO 
REMUNERATÓRIO SOBRE O MONTANTE DA 
ACUMULAÇÃO DOS VENCIMENTOS E DA PENSÃO POR 
MORTE, INDEPENDENTEMENTE DA ORIGEM DO DIREITO 
A QUE O SERVIDOR FAÇA JUS - PRINCÍPIOS DA 
RAZOABILIDADE, MORALIDADE E INDISPONIBILIDADE 
DA COISA PÚBLICA - PRECEDENTES DO STF - PARECER 
PELO CONHECIMENTO E PARCIAL PROVIMENTO DO 
RECURSO”.
A Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo – APESP, o 
Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e 
das Universidades Públicas do Estado de São Paulo – SINDIPROESP, e a 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
Associação Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE, requereram 
ingresso no feito na qualidade de amici curiae (eDOCs 12 e 18), os quais 
restaram indeferidos pelo e. Relator (eDOCs 25, 27, 30 e 31).
O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de Direito 
Previdenciário (IBDP) foram admitidos como amici curiae (eDOCs 44 e 
49).
Era o que cabia rememorar.
Na oportunidade do julgamento do RE 602.043, Rel. Min. Marco 
Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017, rememorei que, quanto a 
interpretação do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, esta 
Corte assentou, no julgamento do RE 609.381, Rel. o saudoso Ministro 
Teori Zavascki, qual deve ser o alcance e a interpretação a ser dada ao 
dispositivo. O Texto Constitucional dispõe que:
“Art. 37. A administração pública direta e indireta de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência e, também, ao seguinte:
(…)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos 
Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito 
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder 
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no 
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 
6 
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RE 602584 / DF 
Associação Nacional dos Procuradores de Estado – ANAPE, requereram 
ingresso no feito na qualidade de amici curiae (eDOCs 12 e 18), os quais 
restaram indeferidos pelo e. Relator (eDOCs 25, 27, 30 e 31).
O Estado do Rio Grande do Sul e o Instituto Brasileiro de Direito 
Previdenciário (IBDP) foram admitidos como amici curiae (eDOCs 44 e 
49).
Era o que cabia rememorar.
Na oportunidade do julgamento do RE 602.043, Rel. Min. Marco 
Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 27.04.2017, rememorei que, quanto a 
interpretação do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, esta 
Corte assentou, no julgamento do RE 609.381, Rel. o saudoso Ministro 
Teori Zavascki, qual deve ser o alcance e a interpretação a ser dada ao 
dispositivo. O Texto Constitucional dispõe que:
“Art. 37.A administração pública direta e indireta de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência e, também, ao seguinte:
(…)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais 
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie 
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas 
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não 
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros 
do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos 
Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito 
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder 
Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no 
âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder 
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério 
Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;”
Ao interpretar o referido dispositivo, a Corte assentou que:
“CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. TETO DE 
RETRIBUIÇÃO. EMENDA CONSTITUCIONAL 41/03. 
EFICÁCIA IMEDIATA DOS LIMITES MÁXIMOS NELA 
FIXADOS. EXCESSOS. PERCEPÇÃO NÃO RESPALDADA 
PELA GARANTIA DA IRREDUTIBILIDADE. 1. O teto de 
retribuição estabelecido pela Emenda Constitucional 41/03 
possui eficácia imediata, submetendo às referências de valor 
máximo nele discriminadas todas as verbas de natureza 
remuneratória percebidas pelos servidores públicos da União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de 
acordo com regime legal anterior. 2. A observância da norma de 
teto de retribuição representa verdadeira condição de 
legitimidade para o pagamento das remunerações no serviço 
público. Os valores que ultrapassam os limites preestabelecidos 
para cada nível federativo na Constituição Federal constituem 
excesso cujo pagamento não pode ser reclamado com amparo 
na garantia da irredutibilidade de vencimentos. 3. A incidência 
da garantia constitucional da irredutibilidade exige a presença 
cumulativa de pelo menos dois requisitos: (a) que o padrão 
remuneratório nominal tenha sido obtido conforme o direito, e 
não de maneira ilícita, ainda que por equívoco da 
Administração Pública; e (b) que o padrão remuneratório 
nominal esteja compreendido dentro do limite máximo pré-
definido pela Constituição Federal. O pagamento de 
remunerações superiores aos tetos de retribuição de cada um 
dos níveis federativos traduz exemplo de violação qualificada 
do texto constitucional. 4. Recurso extraordinário provido.” (RE 
609381, Rel. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 
7 
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RE 602584 / DF 
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos 
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder 
Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério 
Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;”
Ao interpretar o referido dispositivo, a Corte assentou que:
“CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. TETO DE 
RETRIBUIÇÃO. EMENDA CONSTITUCIONAL 41/03. 
EFICÁCIA IMEDIATA DOS LIMITES MÁXIMOS NELA 
FIXADOS. EXCESSOS. PERCEPÇÃO NÃO RESPALDADA 
PELA GARANTIA DA IRREDUTIBILIDADE. 1. O teto de 
retribuição estabelecido pela Emenda Constitucional 41/03 
possui eficácia imediata, submetendo às referências de valor 
máximo nele discriminadas todas as verbas de natureza 
remuneratória percebidas pelos servidores públicos da União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios, ainda que adquiridas de 
acordo com regime legal anterior. 2. A observância da norma de 
teto de retribuição representa verdadeira condição de 
legitimidade para o pagamento das remunerações no serviço 
público. Os valores que ultrapassam os limites preestabelecidos 
para cada nível federativo na Constituição Federal constituem 
excesso cujo pagamento não pode ser reclamado com amparo 
na garantia da irredutibilidade de vencimentos. 3. A incidência 
da garantia constitucional da irredutibilidade exige a presença 
cumulativa de pelo menos dois requisitos: (a) que o padrão 
remuneratório nominal tenha sido obtido conforme o direito, e 
não de maneira ilícita, ainda que por equívoco da 
Administração Pública; e (b) que o padrão remuneratório 
nominal esteja compreendido dentro do limite máximo pré-
definido pela Constituição Federal. O pagamento de 
remunerações superiores aos tetos de retribuição de cada um 
dos níveis federativos traduz exemplo de violação qualificada 
do texto constitucional. 4. Recurso extraordinário provido.” (RE 
609381, Rel. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, julgado em 
7 
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Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 58
Voto - MIN. EDSON FACHIN
RE 602584 / DF 
02.10.2014). 
Tal como manifestei quando da apreciação do já referido RE 602.043, 
da leitura da ementa acima reproduzida se pode haurir que as principais 
teses referentes à interpretação e à aplicação do art. 37, XI, CRFB, foram 
definidas no julgamento do RE 609.381. A garantia de irredutibilidade, 
por exemplo, só se aplica se o padrão remuneratório nominal tenha sido 
obtido de acordo com o direito e se ele estiver compreendido dentro do 
limite máximo fixado pela CRFB. Ademais, nos termos do art. 17 do 
ADCT, os valores que ultrapassam o teto remuneratório devem ser 
ajustados, sem que o servidor possa alegar direito adquirido. Finalmente, 
a alteração promovida pela Emenda Constitucional 41/03 tem aplicação 
imediata.
O caso dos autos, entretanto, comporta especificidade em relação a 
esse precedente. Isso porque está em causa saber se é constitucional a 
incidência do teto do art. 37, XI, CRFB ao montante que resulta de 
acumulação de proventos de aposentadoria com benefício de pensão por 
morte. Uma vez autorizada a cumulação, eis que os proventos e o 
benefício têm fatos geradores distintos e cumpre indagar se os servidores 
inativos que se encontrem nessa situação devem também obedecer ao 
limite exposto no art. 37, XI, da CRFB.
Em meu sentir, a resposta é afirmativa. No voto que proferi no RE 
606.358, Rel. Ministra Rosa Weber, Pleno, DJe 07.04.2016, pude 
rememorar, seguindo o caminho indicado pelo Ministro Teori Zavascki, o 
histórico da interpretação constitucional fixada pelo Supremo Tribunal 
Federal relativamente ao teto remuneratório, digressão que

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