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Profº André Feital 
UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 
 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 
SUMÁRIO 
Módulo 1. A expansão Ultramarina portuguesa 
dos séculos XV e XVI 
 
Módulo 2. O Sistema colonial português 
Estrutura político-administrativa / Estrutura sócio-
econômica / A escravidão / A ação da Igreja / 
Invasões estrangeiras / Expansões territorias da 
colônia / Reformas Pombalinas / Rebeliões coloniais 
/ Conjurações separatistas 
 
Módulo 3. O Período Joanino e o processo de 
Independência 
A transferência da corte / As principais medidas de 
D. João VI / Independência do Brasil 
 
Módulo 4. Brasil Imperial 
Primeiro Reinado / Período Regencial / Rebeliões 
Regenciais / Segundo Reinado / Proclamação da 
República 
 
MÓDULO 1. A EXPANSÃO ULTRAMARINA 
PORTUGUESA DOS SÉCULOS XV E XVI 
A expansão ultramarina Européia deu início ao 
processo da Revolução Comercial, que caracterizou 
os séculos XV, XVI e XVII. Através das Grandes 
Navegações, pela primeira vez na história, o mundo 
seria totalmente interligado. Somente então é 
possível falar-se em uma história em escala 
mundial. A Revolução Comercial, graças a 
acumulação primitiva de Capital que propiciou, 
preparou o começo da Revolução Industrial a partir 
da segunda metade do século XVIII. Apenas os 
Estados efetivamente centralizados tinham 
condições de levar adiante tal empreendimento, 
dada a necessidade de um grande investimento e 
principalmente de uma figura que atuasse como 
coordenador – no caso, o Rei. Além de formar um 
acúmulo prévio de capitais, pela cobrança direta de 
impostos, o rei disciplinava os investimentos da 
burguesia, canalizando-os para esse grande 
empreendimento de caráter estatal, ou seja, do 
Estado, que se tornou um instrumento de riqueza e 
poder para as monarquias absolutas. 
 
MERCANTILISMO - Conjunto de medidas 
econômicas adotadas pelos Estados Nacionais 
modernos no período de Transição (Feudalismo p/ 
Capitalismo), tendo os Reis e o Estado, o poder de 
intervir ma economia. Esse sistema buscava 
atender os setores feudais visando conseguir 
riquezas para a sua manutenção. O mercantilismo 
não é um modo de produção, mas sim um conjunto 
de práticas de produção. Não existe uma sociedade 
Mercantilista 
 
FATORES QUE PROVOCARAM A EXPANSÃO 
- Centralização Política: Estado Centralizado reuniu 
riquezas para financiar a navegação; 
- O Renascimento: Permitiu o surgimento de novas 
idéias e uma evolução técnica; 
- Objetivo da Elite da Europa Ocidental em romper o 
monopólio Árabe-Italiano sobre as mercadorias 
orientais; 
- A busca de terras e novas minas (ouro e prata) 
com o objetivo de superar a crise do século XIV; 
- Expandir a fé cristã 
 
OBJETIVOS DA EXPANSÃO 
- Metais 
- Mercados 
- Especiarias (Noz Moscada, Cravo...) 
- Terras 
- Fiéis 
 
 
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PIONEIRISMO PORTUGUÊS 
- Precoce centralização Política 
- Domínio das Técnicas de Navegação (Escola de 
Sagres) * 
- Participação da Rota de Comércio que ligava o 
mediterrâneo ao norte da Europa 
- Capital (financiamento de Flandres) 
- Posição Geográfica Favorável 
 
ESCOLA DE SAGRES – Centro de Estudos 
Náuticos, fundado pelo infante Dom Henrique, o 
qual manteve até a sua morte, em 1460, o 
monopólio régio do ultramar. O "Príncipe perfeito" 
Dom João II (1481-1495) continuou o 
aperfeiçoamento dos estudos náuticos com o auxílio 
da sua provável Junta de Cartógrafos, que teria 
elaborado em detalhe o plano de pesquisa do 
caminho marítimo para as índias. 
 
O TRATADO DE TORDESILHAS - foi um acordo 
firmado em 4 de junho de 1494 entre Portugal e 
Espanha. Ganhou este nome, pois foi assinado na 
cidade espanhola de Tordesilhas. O acordo tinha 
como objetivo resolver os conflitos territoriais 
relacionados às terras descobertas no final do 
século XV. De acordo com o Tratado, uma linha 
imaginária a 370 léguas de Cabo Verde serviria de 
referência para a divisão das terras entre Portugal e 
Espanha. As terras a oeste desta linha ficaram para 
a Espanha, enquanto as terras a leste eram de 
Portugal. 
 
MÓDULO 2. O SISTEMA COLONIAL 
PORTUGUÊS 
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS - sistema de 
administração territorial criado pelo rei de Portugal, 
D. João III, em 1534. Este sistema consistia em 
dividir o território brasileiro em grandes faixas e 
entregar a administração para particulares 
(principalmente nobres com relações com a Coroa 
Portuguesa). 
 
Este sistema foi criado pelo rei de Portugal com o 
objetivo de colonizar o Brasil, evitando assim 
invasões estrangeiras. Ganharam o nome de 
Capitanias Hereditárias, pois eram transmitidas de 
pai para filho (de forma hereditária). 
 
Estas pessoas que recebiam a concessão de uma 
capitania eram conhecidas como donatários. 
Tinham como missão colonizar, proteger e 
administrar o território, assegurar ao Rei de 
Portugal 10% dos lucros sobre todos os produtos 
da terra, 20% dos lucros sobre metais e pedras 
preciosas que fossem encontradas e o monopólio 
de exploração de pau-brasil. Por outro lado, tinham 
o direito de explorar os recursos naturais (madeira, 
animais, minérios), exercer plena autoridade judicial 
e administrativa e por meio da chamada "guerra 
justa" escravizar os indígenas considerados 
inimigos, obrigando-os a trabalhar na lavoura. 
 
 O sistema não funcionou muito bem. Apenas as 
capitanias de São Vicente e Pernambuco deram 
certo. Podemos citar como motivos do fracasso: a 
grande extensão territorial para administrar (e suas 
obrigações), falta de recursos econômicos e os 
constantes ataques indígenas. 
 
O sistema de Capitanias Hereditárias vigorou até o 
ano de 1759, quando foi extinto pelo Marquês de 
Pombal. 
 
Capitanias Hereditárias criadas no século XVI: 
Capitania do Maranhão 
Capitania da Baía de Todos os Santos 
 
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Capitania de Santana 
Capitania do Ceará 
Capitania de Ilhéus 
Capitania de Santo Amaro 
Capitania do Rio Grande 
Capitania de Porto Seguro 
Capitania de Ilhéus 
Capitania de Itamaracá 
Capitania do Espírito Santo 
Capitania de Pernambuco 
Capitania de São Tomé 
Capitania da Baía de Todos os Santos 
Capitania de São Vicente 
 
GOVERNO GERAL - Com o fracasso das 
capitanias hereditárias no Brasil no século XVI, o 
rei de Portugal, D. João III, estabeleceu em 1549 o 
sistema de Governo-geral para controlar o domínio 
de seu país no território brasileiro. 
Tomé de Sousa foi o escolhido para exercer a 
função de primeiro governador-geral em 29 de 
março, na Baía de Todos os Santos, acompanhado 
de uma expedição de cerca de 1.000 homens. Ele 
formou a primeira cidade do Brasil, Salvador, que 
acabou se tornando a capital do país por sua 
estratégica posição geográfica entre o sul e o norte 
do país. 
A principal função do governador-geral era impedir 
que os franceses ocupassem o litoral brasileiro, 
garantir que as capitanias distribuídas estivessem 
seguras e cuidar da administração do país. Para 
auxiliar na tarefa, o governador-geral criou os 
seguintes cargos 
 ouvidor-mor, que era responsável pela justiça; 
 provedor-mor, responsável pela carga tributária; 
 capitão-mor, responsável pela defesa; 
 
Durante seu mandato, que durou de 1549 a 1553, 
Tomé de Sousa cuidou de manter uma relação 
pacífica com os índios, pois precisava erguer a 
cidade de Salvador próximo aos territórios 
indígenas. Nomeou o primeiro bispo, D. Pero 
Fernandes Sardinha,para comandar a missão de 
catequizar os índios com a intenção de obter o 
consenso entre eles e ampliar o domínio lusitano no 
território brasileiro. 
Mas essa relação pacífica com os índigenas foi por 
água abaixo quando Duarte da Costa ocupou o 
cargo de governador-geral, em 1553, e tentou usá-
los como mão-de-obra escrava, mesmo os que já 
foram catequizados. Esse ato irritou o bispo 
Fernando Sardinha, que tomou partido pelos índios 
e decidiu entrar em conflito com os governantes. 
Após o desastroso governo de Duarte, Mem de Sá 
assumiu em 1556 a difícil tarefa de reassumir a 
liderança lusitana no Brasil e aliou-se a tribos 
indígenas para combater a invasão dos francesesna 
Ilha do Governador, localizado no futuro estado do 
Rio de Janeiro, que teve sua capital fundada pelo 
sobrinho do governador-geral, Estácio de Sá. 
Com o passar do tempo, as vilas e cidades 
formaram seus governos, comandados pelos 
‘homens bons’, senhores de engenho que 
integravam as Câmaras municipais. Eles 
comandavam as pequenas regiões, enquanto o 
governo-geral representava o poder central da 
colônia lusitana no Brasil. 
Em 1711, o último cargo de governador-geral foi 
ocupado por Pedro de Vasconcelos e Souza, dando 
lugar, em 1714, ao cargo de vice-rei (uma espécie 
de representação da Corte Portuguesa no país 
colonizado) ao Marquês de Angeja, a mando do rei 
D. João V. 
 
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ESCRAVIDÃO - Os colonos portugueses 
começaram escravizando os índios, porém a 
inaptidão dos mesmos e a oposição dos religiosos 
dificultou esta prática. Os colonos partiram para 
suas colônias na África e trouxeram os negros para 
trabalharem nos engenhos de açúcar da região 
Nordeste. 
- Os escravos também trabalharam nas minas de 
ouro, a partir da segunda metade do século XVIII. 
- Tanto nos engenhos quanto nas minas, os 
escravos executavam as tarefas mais duras, difíceis 
e perigosas. 
- A maioria dos escravos recebia péssimo 
tratamento. Comiam alimentos de péssima 
qualidade, dormiam na senzala (espécie de galpão 
úmido e escuro) e recebiam castigos físicos. 
- O transporte dos africanos para o Brasil era feito 
em navios negreiros que apresentavam péssimas 
condições. Muitos morriam durante a viagem. 
- Os comerciantes de escravos vendiam os negros 
como se fossem mercadorias. 
- Os escravos não podiam praticar sua religião de 
origem africana, nem seguir sua cultura. Porém, 
muitos praticavam a religião de forma escondida. 
- As mulheres também foram escravizadas e 
executavam, principalmente, atividades domésticas. 
Os filhos de escravos também tinham que trabalhar 
por volta dos 8 anos de idade. 
- Muitos escravos lutaram contra esta situação 
injusta e desumana. Ocorreram revoltas em muitas 
fazendas. Muitos escravos também fugiram e 
formaram quilombos, onde podiam viver de acordo 
com sua cultura. 
- A escravidão só acabou no Brasil no ano de 1888, 
após a decretação da Lei Áurea. 
 QUILOMBO DOS PALMARES - Foi um dos mais 
importantes quilombos do Período Colonial da 
História do Brasil. Ele surgiu e se desenvolveu na 
antiga capitania de Pernambuco. Seu auge foi a 
segunda metade do século XVII, embora tenha 
surgido no final do século XVI. 
Era constituído por quilombolas (escravos fugitivos 
das fazendas que viviam nos quilombos) que tinham 
sido escravos em fazendas das capitanias da Bahia 
e Pernambuco. 
Organização 
O Quilombo dos Palmares era composto por vários 
mocambos (núcleos de povoamento). Os principais 
foram: Subupira, Macaco e Zumbi. De acordo com 
historiadores, o Quilombo de Palmares atingiu de 15 
a 20 mil quilombolas na segunda metade do século 
XVII. 
 
Economia 
Os quilombolas de Palmares viviam basicamente da 
agricultura de subsistência, da pesca e caça. 
Plantavam milho, banana, feijão, mandioca, laranja 
e cana-de-açúcar. Faziam também artesanato com 
cerâmica, tecido palha e até metais. 
 
Repressão 
Considerando uma ameaça a organização política e 
social da colônia, o governo colonial organizou 
várias expedições para reprimir e dominar o 
Quilombo de Palmares. Foi dominado somente em 
1695, após a investida militar do bandeirante 
Domingos Jorge Velho. Em 20 de novembro, Zumbi 
foi emboscado e morto. 
 
A IGREJA E A COLONIZAÇÃO - A igreja Católica 
teve um papel de destaque na colonização 
americana. Várias ordens religiosas atuaram no 
 
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Brasil - carmelitas, dominicanos, beneditinos, com 
destaque para a Companhia de Jesus, os jesuítas. 
A Companhia de Jesus, criada em 1534, por Inácio 
de Loyola, surgiu no contexto da Contra-Reforma e 
com o objetivo de consolidar e ampliar a fé católica 
pela catequese e pela educação. 
A ação catequista dos jesuítas na colônia gerou um 
intenso conflito com os colonos, que queriam 
escravizar os índios. A existência de um grande 
número de índios nos aldeamentos de índios - as 
Missões, atraía a cobiça dos colonos, que destruíam 
as Missões e vendiam os índios como escravos. 
A Companhia de Jesus, pela catequese, não tinha 
exatamente intensões humanitárias, pois 
dominavam culturalmente os índios, facilitando sua 
submissão à colonização e impondo um novo modo 
de vida. O excedente de produção - realizado pelo 
trabalho indígena - era comercializado pelos 
jesuítas. A catequização do índio fortaleceu e 
incentivou a escravidão negra, pelo tráfico negreiro. 
 
INVASÕES ESTRANGEIRAS - 
Os invasores franceses 
Os franceses invadiram o Brasil em duas ocasiões e 
estabeleceram colônias no território: 
-no Rio de Janeiro (1555-1567), fundaram a França 
Antártica; 
-no Maranhão (1612-1615), a França Equinocial. 
Um dos motivos das invasões foi o fato de que o 
Tratado de Tordesilhas, assinado entre Portugal e 
Espanha, excluía a França e outras nações da 
divisão do Novo Mundo. Essas nações ficavam à 
margem das cobiçadas riquezas brasileiras, como o 
pau-brasil, a pimenta nativa e o algodão. 
França Antártica e França Equinocial 
A primeira invasão da França foi comandada 
por Villegaignon. Os franceses se estabeleceram 
na baía de Guanabara em novembro de 1555, onde 
fundaram a França Antártica. Para facilitar sua 
permanência na região, aliaram-se aos índios 
tamoios, apoiando-os na luta contra os portugueses. 
O governador-geral Duarte da Costa empreendeu 
diversas tentativas de expulsar os franceses, mas 
não obteve sucesso. Isso só aconteceu em 1567, 
sob o comando de Estácio de Sá, sobrinho do 
terceiro governador-geral, Mem de Sá. Para isso, 
contou com o apoio de jesuítas, colonos e algumas 
populações indígenas da região, além de reforços 
mandados pela metrópole. 
Expulsos do Rio de Janeiro, os franceses voltaram-
se para a região norte da colônia. Comandados por 
La Touche, em 1612 ergueram no Maranhão o forte 
de São Luís, em homenagem ao rei francês Luís 
XIII, e fundaram ali a França Equinocial. Foram 
expulsos três anos depois, graças a uma aliança 
luso-espanhola com o apoio dos índios tremembés. 
Os invasores holandeses 
Os holandeses invadiram e ocuparam o território do 
Brasil em duas ocasiões: 
-em 1624, invasão na Bahia; 
-em 1630, invasão em Pernambuco. 
 
A Holanda, na época, era dominada pela Espanha e 
lutava por sua independência. As invasões 
constituíram um modo de atingir as bases coloniais 
espanholas - uma vez que, de 1580 a 1640, período 
conhecido como União Ibérica, o Brasil pertencia às 
duas Coroas: Portugal e Espanha. 
A situação econômica da Holanda, além disso, eraProfº André Feital 
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difícil, devido ao embargo imposto pela Espanha: os 
holandeses estavam proibidos de comerciar com 
qualquer região dominada pela Espanha, perdendo 
assim o direito de refinar e distribuir o açúcar 
produzido no Brasil, como vinham fazendo havia 
vários anos. 
Com a invasão, os holandeses pretendiam 
estabelecer uma colônia voltada para a exploração 
econômica do Brasil, controlando os centros de 
produção açucareira. Desejavam, ainda, romper o 
monopólio comercial ibérico e recuperar seu papel 
no comércio do açúcar. 
 
INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA – Com o fim da 
união ibérica, em 1640, os portugueses negociaram 
um acordo de paz de 10 anos com os holandeses. 
Com a demissão de Nassau, em 1644, a 
administração holandesa intensificou a busca de 
lucros aumentando a pressão exercida na 
população. Reagindo a estas pressões, portugueses 
e brasileiros iniciaram ema luta pela expulsão dos 
mesmos, em um movimento que ficou conhecido 
como Insurreição pernambucana. Para tal, houve a 
união de diversos setores sociais da colônia, como 
senhores de engenho, indígenas e africanos. Ao fim, 
a rendição holendesa consolidou-se apenas depois 
de um acordo de paz entre as duas nações, na qual 
Portugal (em troca do Nordeste brasileiro e de terras 
na África) em 1699. 
 
EXPANSÃO TERRITORIAL DA COLÔNIA - Até o 
começo do século XVII, os colonizadores se 
concentraram em cidades fundadas na região 
litorânea do Brasil, principalmente no Nordeste. A 
principal atividade era a produção de açúcar, e 
grande parte dos engenhos estava instalada nas 
capitanias da Bahia e Pernambuco. Na segunda 
metade do século XVII, com o aumento da criação 
de gado extensiva, a ocupação do território 
nordestino avançou para o interior. Neste período 
começaram a surgir os currais, que eram grandes 
fazendas voltadas para a pecuária. Neste contexto, 
ocorreu a ocupação do vale do rio São Francisco e 
parte do sertão nordestino. 
 
A ocupação da região amazônica 
 
Com a presença de estrangeiros na região 
amazônica no século XVII, a coroa portuguesa 
organizou e enviou para a região várias expedições 
militares para expulsar os invasores. Vilas, que mais 
tarde dariam origem a cidades, foram fundadas na 
região amazônica por integrantes destas 
expedições. 
A expansão pela região amazônica também foi 
favorecida por uma atividade econômica muito 
lucrativa no século XVII: a exploração das drogas do 
sertão (ervas medicinais e aromáticas, guaraná, 
pimenta, cravo e castanhas). Muitos se 
embrenharam pela floresta amazônica para coletar 
estas drogas e vender para comerciantes que as 
comercializavam na região nordestina e também na 
Europa. 
 
A expansão territorial da região centro-sul do Brasil 
Nos séculos XVII e XVIII, a expansão territorial no 
centro-sul do Brasil foi impulsionada pelas 
bandeiras. Estas expedições, organizadas pelos 
bandeirantes paulistas, tinham como objetivos 
principais o aprisionamento de índios, a busca de 
pedras e metais preciosos e a recuperação de 
escravos foragidos. Os bandeirantes entraram para 
o interior das regiões sudeste, sul e central do 
Brasil, indo além do estabelecido pelo Tratado de 
 
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Tordesilhas, explorando e conquistando territórios. 
Neste contexto, várias vilas foram fundadas, 
favorecendo a ocupação destas regiões. 
Em meados do século XVII, os bandeirantes 
encontram várias minas de ouro em áreas de Minas 
Gerais, Goiás e Matogrosso. Após estas 
descobertas, começou o Ciclo do Ouro, deslocando 
o eixo de desenvolvimento econômico do Nordeste 
para as regiões central e sudeste do Brasil. Várias 
cidades foram fundadas e se desenvolveram 
rapidamente com a renda gerada pela exploração 
do ouro. 
 
A expansão territorial no sul do Brasil 
Com o auge da exploração do ouro no século XVIII, 
a região sul também prosperou. A criação de gado 
para o abastecimento de carne para a região 
aurífera fez com que várias vilas e cidades se 
desenvolvessem na região interior do sul do Brasil. 
 
BANDEIRISMO – Expedições oficiais, não militares, 
realizadas por colonos portugueses e outros 
exploradores em busca de ouro, índios escravos 
fugidos e outros recursos de interesse econômico. 
Quando organizadas pela Coroa, chamavam-se 
Entradas. Quando financiadas por particulares 
chamavam-se Bandeiras. 
 
TRATADOS E FRONTEIRAS – A colonização 
portuguesa não respeitou o Tratado de Tordesilhas, 
expandindo as fronteiras do Brasil por meio da ação 
de bandeirantes, jesuítas e pecuaristas. Os 
espanhóis também desrespeitaram o Tratado de 
Tordesilhas, invadindo colônias 
portuguesas situadas no Oriente, com as Filipinas. 
 
Para fixar novas fronteiras colônias na América, 
vários tratados internacionais foram assinados entre 
os governos de Portugal, Espanha e França. 
 
Tratado de Utrecht (1713 e 1715) – o primeiro 
tratado, assinado entre representantes de Portugal e 
da França, estabelecia que o rio Oiapoque, no 
extremo norte da colônia, seria o limite de fronteira 
entre o Brasil e a Guiana Francesa. O segundo 
procurava resolver as divergências entre 
portugueses e espanhóis quanto aos limites de seus 
domínios no sul do Brasil. Estabelecia que a Colônia 
do Sacramento pertenceria aos portugueses. 
 
Tratado de Madri (1750) – estabelecido entre 
representantes dos reis da Espanha e de Portugal, 
determinava que a cada um desses países caberia 
a posse das terras que ocupavam na colônia. Além 
disso, a Colônia do Sacramento pertenceria aos 
espanhóis e a região dos Sete Povos das Missões 
(que ocupavam parte do atual estado do Rio Grande 
do Sul) pertenceria aos portugueses. O tratado não 
pôde ser cumprido, pois os jesuítas e índios 
guaranis dos aldeamentos dos Sete Povos das 
Missões não aceitaram a controle português. Houve 
violenta luta (Guerra Guaranítica) contra a ocupação 
portuguesa e, diante dessa situação, o governo de 
Portugal não entregou aos espanhóis a Colônia do 
Sacramento. 
 
Tratado de Santo Ildelfonso (1777) – assinado por 
representantes de Portugal e Espanha, estabelecia 
que os espanhóis ficariam com a Colônia do 
Sacramento e a região dos Sete Povos das 
Missões, mas desenvolveriam aos portugueses 
terras que, nesse período, haviam ocupado no atual 
estado do Rio Grande do Sul. O tratado foi 
considerado desvantajoso pelos portugueses, pois 
perdiam a Colônia do Sacramento e recebiam 
quase nada em troca. 
 
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Tratado de Badajós (1801) – estabeleceu, 
finalmente, que a região dos Sete Povos das 
Missões ficaria com os portugueses e a Colônia do 
Sacramento, com os espanhóis. Depois de muitas 
lutas, confirmavam-se as fronteiras que, 
basicamente, tinham sido definidas pelo Tratado de 
Madri. 
 
REFORMAS DE POMBAL - Durante a segunda 
metade do século XVIII, a Coroa Portuguesa sofreu 
a influência dos princípios iluministas com a 
chegada de Sebastião José de Carvalho aos 
quadros ministeriais do governo de Dom José I. 
Mais conhecido como Marquês de Pombal, este 
“super-ministro” teve como grande preocupação 
modernizar a administração pública de seu país e 
ampliar ao máximo os lucros provenientes da 
exploração colonial, principalmente em relação à 
colônia brasileira. 
Esse tipo de tendência favorável a reformas 
administrativas e ao fortalecimento do Estado 
monárquico compunha uma tendência políticada 
época conhecida como “despotismo esclarecido”. A 
chegada do esclarecido Marquês de Pombal pode 
ser compreendida como uma conseqüência dos 
problemas econômicos vividos por Portugal na 
época. Nessa época, os portugueses sofriam com a 
dependência econômica em relação à Inglaterra, a 
perda de áreas coloniais e a queda da exploração 
aurífera no Brasil. 
 
Buscando ampliar os lucros retirados da exploração 
colonial em terras brasileiras, Pombal resolveu 
instituir a cobrança anual de 1500 quilos de ouro. 
Além disso, ele resolveu tirar algumas atribuições 
do Conselho Ultramarino e acabou com as 
capitanias hereditárias que seriam, a partir de então, 
diretamente pelo governo português. Outra 
importante medida foi a criação de várias 
companhias de comércio incumbidas de dar maior 
fluxo às transações comerciais entre a colônia e a 
metrópole. 
 
No plano interno, Marquês de Pombal instituiu uma 
reforma que desagradou muitos daqueles que 
viviam das regalias oferecidas pela Coroa 
Portuguesa. O chamado Erário Régio tinha como 
papel controlar os gastos do corpo de funcionários 
reais e, principalmente, reduzir os seus gastos. 
Outra importante medida foi incentivar o 
desenvolvimento de uma indústria nacional com 
pretensões de diminuir a dependência econômica 
do país. 
 
Outra importante medida trazida com a 
administração de Pombal foi a expulsão dos jesuítas 
do Brasil. Essa medida foi tomada com o objetivo de 
dar fim às contendas envolvendo os colonos e os 
jesuítas. O conflito se desenvolveu em torno da 
questão da exploração da mão-de-obra indígena. A 
falta de escravos negros fazia com que muitos 
colonos quisessem apresar e escravizar as 
populações indígenas. Os jesuítas se opunham a tal 
prática, muitas vezes apoiando os índios contra os 
colonos. 
 
Vendo os prejuízos trazidos com essa situação, 
Pombal expulsou os jesuítas e instituiu o fim da 
escravidão indígena. As terras que foram tomadas 
dos integrantes da Ordem de Jesus foram utilizadas 
como zonas de exploração econômica através da 
venda em leilão ou da doação das mesmas para 
outros colonos. Com relação aos índios, Pombal 
pretendia utilizá-los como força de trabalho na 
colonização de outras terras do território. 
 
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Mesmo pretendendo trazer diversas melhorias para 
a Coroa, Pombal não conseguiu manter-se no cargo 
após a morte de Dom José I, em 1777. Seus 
opositores o acusaram de autoritarismo e de trair os 
interesses do governo português. Com a saída de 
Pombal do governo, as transformações sugeridas 
pelo ministro esclarecido encerraram um período de 
mudanças que poderiam amenizar o atraso 
econômico dos portugueses. 
 
REBELIÕES COLONIAIS: 
 
REVOLTA DE BECKMAN 
A Revolta de Beckman (1864) é um importante 
episódio das rebeliões coloniais do Brasil, assunto 
que cai bastante no Enem. Muitos colonos queriam 
capturar e escravizar os indígenas para utilizá-los 
como mão-de-obra, contrariando os jesuítas, que 
defendiam a proposta de aculturá-los e controlá-los 
dentro das missões. 
A partir de 1650, a capitania do Maranhão começou 
a passar por grave crise econômica, provocada pela 
redução dos preços do açúcar no mercado 
internacional. Sem condições de pagar os altos 
preços cobrados pelo escravo africano, os senhores 
de engenho da região organizaram tropas para 
invadir as missões e capturar indígenas para o 
trabalho escravo em suas propriedades. Essa 
atitude provocou o protesto dos jesuítas, junto ao 
governo português, que interveio e acabou 
reeditando a proibição de escravizar indígenas 
aldeados. 
Para suprir a mão-de-obra da capitania, o governo 
português criou a companhia Geral de Comércio do 
Maranhão (1682), com a responsabilidade de 
introduzir na região 500 escravos negros por ano, 
durante 20 anos. Essa companhia não conseguiu, 
no entanto, cumprir seus compromissos, agravando 
a crise de mão-de-obra e aumentando o 
descontentamento dos colonos. 
Um grupo de senhores de engenho, liderados por 
Manuel Beckman, organizou um movimento para 
acabar com a Companhia e com a influência dos 
jesuítas. Os rebeldes formaram um governo 
provisório. Ao saber dos acontecimentos, o rei 
enviou um novo governador, Gomes Freire de 
Andrade que, ao chegar, ordenou o enforcamento 
de Beckman e outros dois líderes do movimento. 
 
GUERRA DOS EMBOABAS 
O rápido e caótico afluxo de milhares de pessoas às 
regiões das minas logo trouxe seus problemas. Os 
paulistas, descobridores do ouro de Minas Gerais, 
sentiam-se no direito de explorá-lo com 
exclusividade. Entretanto, muitos portugueses 
vindos da metrópole ou de outras partes da própria 
colônia também queriam apoderar-se das jazidas 
descobertas. A tensão cresceu quando os 
portugueses passaram a controlar o sistema de 
abastecimento de mercadorias na região das minas, 
em 1707. 
O conflito teve fim em 1709, no chamado Capão da 
Traição, quando muitos paulistas foram mortos por 
tropas emboabas de cerca de mil homens. 
Posteriormente, os paulistas organizaram uma 
vingança contra os emboabas. 
Entre as consequências da Guerra dos Emboabas 
podemos destacar: o controle mais rígido por parte 
da Metrópole; a elevação de São Paulo à categoria 
de cidade; a criação da capitania de São Paulo e 
Minas Gerais do Ouro e a descoberta de ouro em 
Mato Grosso a Goiás. 
 
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GUERRA DOS MASCATES 
Devido à queda do preço do açúcar no mercado 
europeu, causada pela concorrência do açúcar 
antilhano, os ricos senhores de engenho de Olinda, 
principal cidade de Pernambuco em 1710, viram-se 
arruinados. Começaram, então, a pedir 
empréstimos aos comerciantes do povoado do 
Recife (Mascates), que cobravam juros bastante 
elevados por eles. 
Convencidos de sua relevância, os comerciantes de 
Recife pediram ao rei de Portugal, d. João V, que 
seu povoado fosse elevado à categoria de vila. D. 
João V atendeu ao pedido e, com isso, os senhores 
de engenho organizaram uma rebelião e invadiram 
Recife. Sem condições de resistir, os comerciantes 
mais ricos fugiram para não ser capturados. 
Em 1711, o governo português interveio na região, 
reprimindo duramente os revoltosos. Os principais 
líderes foram presos ou condenados ao exílio. Os 
Mascates reassumiram suas posições, e Recife 
tornou-se a capital de Pernambuco. 
 
REVOLTA DE VILA RICA 
O anúncio da Criação das Casas de Fundição 
causou insatisfação entre os mineradores, pois 
consideravam que a medida dificultava a circulação 
e o comércio do ouro dentro da capitania facilitando 
apenas a cobrança de impostos. Tal 
descontentamento acabou provocando a chamada 
Revolta de Felipe dos Santos ou Revolta de Vila 
Rica, em 1720. 
Cerca de 2 mil revoltosos, comandados pelo 
tropeiro português Felipe dos Santos, conquistaram 
a cidade de Vila Rica. Esse grupo exigiu do 
governador da capitania de Minas Gerais a extinção 
das Casas de Fundição. Apanhados de surpresa, o 
governador fingiu aceitar as exigências, ganhando 
tempo para organizar suas tropas e reagir 
energicamente. Pouco depois, os líderes do 
movimento foram presos, e Felipe dos Santos foi 
condenado, enforcado e esquartejado em praça 
pública. 
 
CONJURAÇÕES SEPARATISTAS: 
INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1789) 
Em Minas Gerais, grande parte da população 
colonial mineradora vivia na pobreza havia muito 
tempo. Essa situação agravou-se com o declínio da 
exploração do ouro, a partir da segunda metade do 
século XVIII.Um clima de tensão e revolta tomou 
conta dos proprietários das minas de ouro quando o 
governador da capitania anunciou que haveria uma 
nova derrama (cobrança forçada dos impostos 
atrasados). 
Membros da elite de Minas começaram a se reunir e 
planejar um movimento contra as autoridades 
portuguesas e a cobrança da derrama. O projeto 
dos inconfidentes incluía medidas como: 
- separar o Brasil de Portugal, criando uma 
república com capital em São João Del Rei; 
- adotar uma nova bandeira; 
- desenvolver indústrias no país; 
- criar uma universidade em Vila Rica (Ouro Preto); 
- criar o serviço militar obrigatório; 
- incentivar a natalidade. 
 
O movimento dos inconfidentes foi denunciado por 
Joaquim Silvério dos reis ao governador de Minas 
Gerais e, em troca, obteve o perdão de suas dívidas 
com a Fazenda Real. Os participantes da 
 
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Inconfidência foram presos, julgados e condenados. 
Onze deles receberam sentença de morte, mas a 
rainha de Portugal, d. Maria I, modificou a pena para 
exílio perpétuo em colônias portuguesas da África. 
Só Tiradentes teve sua pena de morte mantida. 
 
CONJURAÇÃO BAIANA (1798) 
Quase dez anos depois da Inconfidência Mineira, 
ocorreu na Bahia um novo movimento 
revolucionário, que se diferenciava dos episódios 
mineiros por um motivo fundamental: foi promovido 
por brancos e negros pobres. Até mesmo alguns 
homens ricos e letrados que participavam da 
conjuração afastaram-se quando perceberam seu 
alcance popular. 
Participaram da Conjuração Baiana soldados, 
negros livres e profissionais como alfaiates, 
pedreiros e sapateiros, motivo pelo qual o 
movimento também ficou conhecido pelo nome de 
Revolta dos Alfaiates. Os planos dos revoltosos 
baianos incluíam: 
- o fim da dominação portuguesa sobre o Brasil; 
- a proclamação de uma república democrática; 
- a abolição da escravidão; 
- o aumento da remuneração dos soldados; 
- a abertura dos portos brasileiros a navios de todas 
as nações; 
- a melhoria das condições de vida da população. 
 
Os revoltosos produziram panfletos revolucionários 
e foram denunciados por inúmeras pessoas 
motivadas pelas recompensas do governo. Mais de 
30 participantes foram presos e processados. Ao 
final, as penas mais severas recaíram sobre os 
líderes mais pobres. 
 
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA (1817) 
Muitos moradores estavam desgostosos com o 
crescente aumento dos impostos, que serviam para 
sustentar o luxo da Corte portuguesa instalada no 
Rio de Janeiro. Além dessa insatisfação, outros dois 
problemas afetavam os habitantes da região: a 
grande seca de 1816 que causou graves prejuízos à 
agricultura e provocado fome no Nordeste e os 
preços do açúcar e do algodão que eram os 
principais produtos cultivados em Pernambuco, 
cujos preços estavam caindo no mercado 
internacional devido à concorrência do açúcar 
antilhano e do algodão norte-americano. 
Tudo isso serviu para dar início à revolta contra o 
governo de d. João VI. O principal objetivo era 
proclamar uma república, que seria organizada 
conforme os ideais de igualdade, liberdade e 
fraternidade que inspiraram a revolução Francesa. 
O movimento conseguiu tomar o poder e constituir 
um governo provisório, que decidiu: 
- extinguir alguns impostos; 
- elaborar uma Constituição; 
- decretar a liberdade religiosa e de imprensa e a 
igualdade para todos, exceto para os escravos. 
 
D. João VI tratou de combater violentamente a 
revolução, enviando tropas, armas e navios para a 
região. Os revoltosos foram duramente atacados e, 
depois de muita luta, acabaram por se entregar. 
Esta foi a única rebelião anterior à independência do 
Brasil que ultrapassou a fase de conspiração. 
 
MÓDULO 3. O PERÍODO JOANINO E O 
PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA 
 
O período joanino caracterizou-se pelo esforço da 
Coroa Portuguesa no sentido de estabelecer um 
 
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equilíbrio entre os interesses dos grandes 
proprietários de terras brasileiros e os dos 
comerciantes. Alguns estancos foram mantidos para 
satisfazerem estes últimos. Estabeleceram-se 
impostos pesados e progressivos, necessários à 
manutenção do luxo da Corte. 
Para evitar incompatibilidades, foram concedidos à 
aristocracia rural alguns privilégios fiscais. O 
absolutismo permaneceu em vigor, mas sempre 
fazendo concessões aos senhores de terra que 
eram atraídos para a Corte através da outorga de 
títulos. 
A estrutura colonial aniquilara a vida cultural do 
Brasil. Inexistiam as preocupações com a educação 
e saúde pública; as academias filosóficas, literárias 
e científicas estavam desamparadas; as bibliotecas 
não haviam sido formadas pois eram consideradas 
perniciosas; a publicação de jornais era proibida. O 
Príncipe-Regente, influenciado por seus ministros, 
deu início a várias reformas nesse setor. 
As primeiras providências de dom João 
Com a vinda da família real de Portugal para o 
Brasil, em 1808, a colônia se tornou sede da 
monarquia portuguesa, e sua situação político-
econômica logo se modificou. Em 28 de janeiro, 
dias após a sua chegada, o príncipe regente dom 
João assinou o Decreto de Abertura dos Portos 
Brasileiros às Nações Amigas. Além de liberar os 
portos para o comércio internacional, esse decreto 
marcou o fim do pacto colonial, extinguindo o 
monopólio comercial lusitano, ou seja, a obrigação 
de o Brasil comerciar exclusivamente com Portugal, 
inaugurando o início do domínio inglês. 
A transferência da família e da corte portuguesa 
para o Brasil, no início do século XIX, deflagrou 
ainda um conjunto de transformações as quais, 
segundo vários historiadores, significaram o fim do 
período colonial. Os estudiosos chegam a afirmar 
que houve um “novo descobrimento" do território e 
que o Rio de Janeiro se tomou palco de um 
“processo dvilizatório”, visto que ocorreu uma 
verdadeira “interiorização” da metrópole 
portuguesa. 
Tratados comerciais do período joanino 
Entre as várias mudanças desencadeadas pela 
presença da família real no Brasil, merece destaque 
o fim do monopólio exercido pelos comerciantes 
portugueses, em decorrência da carta régia 
de Abertura dos Portos de 1808 e dos Tratados 
de Aliança e Amizade e de Comércio e 
Navegação, firmados com a Inglaterra em 1810. 
Tais tratados asseguravam privilégios ao governo e 
aos súditos ingleses. 
Entre os privilégios destacava-se o estabelecimento 
de tarifas preferenciais (15% sobre o valor da 
mercadoria) para os produtos ingleses, o que 
contrastava com as tarifas pagas pelos produtos 
vindos de Portugal (16%) e dos demais países 
(24%). Assim, na prática, o monopólio do comércio 
da colônia, que fora exercido pelos comerciantes 
portugueses até 1808, com a abertura dos portos 
passou a ser exercido pelos comerciantes ingleses. 
Aparelho burocrático do período joanino 
Grande parte do aparelho burocrático do Estado 
português foi remontada no Brasil. Para organizar 
as finanças e fazer frente às novas despesas, foi 
criado, em 1808, o Banco do Brasil. Sua função 
principal era obter fundos para cobrir os pesados 
gastos da corte, além de realizar transações 
comerciais. 
Instalaram-se ainda o Erário [tesouro] Régio, depois 
 
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transformado em Ministérioda Fazenda; o Conselho 
de Estado; a Junta de Comércio; a Intendência 
[administração] Geral da Polícia; as Mesas do 
Desembargo do Paço e da Consciência e Ordens 
(ou tribunal); a Casa da Suplicação (órgão ligado ao 
poder judiciário) e a Junta Real de Agricultura e 
Navegação. 
Política externa e cultural do período joanino 
No cenário externo, a conquista da Guiana 
Francesa (1809) e a invasão da Província Cisplatina 
(1817), atual Uruguai, significaram uma represália 
do governo joanino à invasão de Portugal pelas 
tropas francesas e espanholas, respectivamente. 
No plano cultural, a presença da coroa portuguesa 
efetivou uma série de transformações no território 
brasileiro: a instalação da Imprensa Régia (ou 
oficial) e a publicação da Gazeta do Rio de Janeiro, 
primeiro jornal a circular na América portuguesa; a 
fundação de cursos superiores de Medicina e de 
escolas de formação de oficiais militares; a criação 
do Jardim Botânico e da Biblioteca Real; e a vinda 
das missões artísticas estrangeiras, a partir de 
1816. 
Rio de Janeiro: a nova capital do Império Luso 
A chegada da corte ao Rio de Janeiro gerou, num 
primeiro momento, uma série de conflitos com a 
população local. 
A capital colonial era uma cidade pequena para 
acomodar repentinamente o séquito real. Para 
resolver o problema, os funcionários reais 
recorreram até mesmo à violência, obrigando os 
moradores das melhores casas a abandoná-las. A 
senha P.R. (Príncipe Regente), inscrita nas casas 
escolhidas, passou a significar “ponha-se na rua!”. 
A chegada da corte ainda trouxe outros conflitos 
para a sociedade. Muitos dos brasileiros passaram a 
adotar a moda europeia, com roupas incompatíveis 
com o clima e com o estilo de vida dos colonos. A 
abertura dos portos para os produtos ingleses 
também trouxe uma série de novidades, mas sem 
nenhuma utilidade, tais como patins de gelo. 
Apesar das dificuldades iniciais, a instalação da 
corte no Rio de Janeiro dinamizou a sociedade, a 
economia e a cultura, dando ares metropolitanos à 
nova capital do Império Luso: em 1815, o Brasil foi 
elevado à condição de Reino Unido a Portugal e 
Algarves. 
Tal medida foi tomada em razão das pressões para 
que dom João retomasse a Portugal. Segundo 
determinação do Congresso de Viena (que se 
ocupou da reorganização política e territorial da 
Europa depois da queda de Napoleão), um Estado 
só poderia ser governado da metrópole, nunca da 
colônia. Na condição de reino, o Brasil deixava de 
ser colônia, e dom João podia permanecer aqui, 
tendo sido aclamado rei em 1818, com o título de 
dom João VI. 
 
O período joanino: contratempos no Brasil 
No Brasil, várias províncias, como a de 
Pernambuco, passaram a se queixar de merecerem 
a atenção do governo somente por ocasião do 
lançamento de novos impostos, ressentindo-se da 
posição ocupada pelo Rio de Janeiro. 
A Insurreição Pernambucana de 1817 teve 
importante papel na luta pela emancipação política. 
Na raiz desse movimento, estavam a crise 
econômica em que vivia a região, esquecida pela 
administração joanina, e o espírito republicano 
separatista nordestino. 
 
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A carga tributária exagerada para sustentar a corte 
portuguesa, os prejuízos dos grandes proprietários 
de terras em virtude de uma grande seca e a 
miséria da população estimularam a elite 
pernambucana, o clero, os comerciantes e as 
camadas populares a querer o desligamento de 
Portugal. Os revoltosos tinham por ideal a 
independência do Brasil, a proclamação de uma 
República federativa e a promulgação da 
Constituição. 
O governo reprimiu o movimento violentamente. 
Apesar do fracasso, a Insurreição Pernambucana 
deixou claro que a independência do Brasil era uma 
questão de tempo. 
O período joanino: contratempos em Portugal 
A Revolução Liberal de 1820, na cidade do Porto, 
em Portugal, foi um movimento burguês que exigia 
o retorno da família real. Os revoltosos propunham 
a elaboração de uma Constituição que limitasse o 
poder do monarca e defendiam a volta do Brasil à 
situação de colônia. 
Pressionado, dom João VI passou o trono brasileiro 
a seu filho, Pedro, na qualidade de príncipe regente, 
e embarcou de volta para Lisboa, em 1821. Ao 
chegar, teve seus poderes limitados pela 
Constituição elaborada pelos políticos liberais do 
Porto. Na prática, o Parlamento passou a governar 
Portugal. 
 
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL - A Independência 
do Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1822. A 
partir desta data o Brasil deixou de ser uma colônia 
de Portugal. A proclamação foi feita por D. Pedro I 
as margens do riacho do Ipiranga em São Paulo. 
 
Causas: 
- Vontade de grande parte da elite política brasileira 
em conquistar a autonomia política; 
- Desgaste do sistema de controle econômico, com 
restrições e altos impostos, exercido pela Coroa 
Portuguesa no Brasil; 
- Tentativa da Coroa Portuguesa em recolonizar o 
Brasil. 
 
Medidas pré independência: 
Logo após o Dia do Fico, D. Pedro I tomou várias 
medidas com o objetivo de preparar o país para o 
processo de independência: 
 
- Organização a Marinha de Guerra 
- Convocou uma Assembleia Constituinte; 
- Determinou o retornou das tropas portuguesas; 
- Exigiu que todas as medidas tomadas pela Coroa 
Portuguesa deveriam, antes de entrar em vigor no 
Brasil, ter a aprovação de D. Pedro. 
- Visitou São Paulo e Minas Gerais para acalmar os 
ânimos, principalmente entre a população, que 
estavam exaltados em várias regiões. 
 
Ao viajar de Santos para São Paulo, D. Pedro 
recebeu uma carta da Coroa Portuguesa que exigia 
seu retorno imediato para Portugal e anulava a 
Constituinte. Diante desta situação, D. Pedro deu 
seu famoso grito, as margens do riacho Ipiranga: 
“Independência ou Morte!” 
 
MÓDULO 4. BRASIL IMPERIAL 
PRIMEIRO REINADO - Proclamada 
a independência, o Brasil assumiu a forma 
monárquica de governo. Uma monarquia imperial 
que teria no príncipe D. Pedro de Alcântara, 
herdeiro da Casa de Bragança, seu primeiro 
imperador. O governo de D. Pedro I, entre 1822 e 
1831, denominou-se Primeiro Reinado, momento 
 
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em que se inicia a instalação do Estado Nacional 
brasileiro, em meio a dificuldades econômico-
financeiras e aos primeiros conflitos internos, típicos 
de uma fase em que se acomodam os múltiplos 
interesses que marcaram a luta pela independência. 
(Ver: Guerras da Independência do Brasil). 
As propostas liberais da nova elite dirigente, agora 
dividida ao sabor de antigas divergências, entrou 
em choque com o absolutismo do Imperador, 
provocando o rompimento da aliança que assegurou 
a ruptura com Portugal. Opondo-se aos liberais 
brasileiros, que novamente se uniram para resistir 
ao autoritarismo imperial, o grupo português 
(comerciantes, militares e burocratas) aproximou-se 
de D. Pedro I, manobrando para garantir suas van-
tagens e, no limite, inviabilizar a independência. 
 
O reconhecimento internacional da independência 
Uma vez vencida a resistência interna, o Império 
buscou o reconhecimento externo, francamente 
apoiado pela Inglaterra no âmbito europeu, onde 
Portugal recusava-se a aceitar a nova situação da 
ex-colônia. Contudo foram os Estados Unidos 
(26/5/1824) o primeiro país a reconhecer 
oficialmente a nação brasileira. O reconhecimento 
norte-americano baseava-se na Doutrina Monroe, 
que defendia o princípio “A América para os 
americanos”, reagindo à ameaça de intervenção daSanta Aliança na América. Além disso, era parte de 
uma política de resguardo dos promissores 
mercados da América Latina. A partir daí, o México 
e a Argentina também deram o seu reconhecimento. 
O reconhecimento português, sob pressão inglesa, 
deu-se em agosto de 1825, através do Tratado 
Luso-Brasileiro. Por esse tratado, Portugal 
concordava com a emancipação brasileira, 
mediante o pagamento, pelo Império, de uma 
indenização de dois milhões de libras esterlinas, 
além da concessão a D. João VI do título de 
Imperador Honorário do Brasil. Em outubro do 
mesmo ano, a França também reconhecia o 
Império, em troca de vantagens comerciais. 
A Inglaterra reconheceu o Brasil independente 
apenas em janeiro de 1826. Para tanto, exigiu a 
renovação dos tratados de 1810 por mais 15 anos, 
garantindo aos produtos ingleses baixas taxas 
alfandegárias, além de do governo imperial o 
compromisso de extinguir o tráfico negreiro, 
provocando assim, reações das elites agrárias. 
A primeira constituição - 1823 
Firme oposição aos portugueses (militares e 
comerciantes) que ameaçavam a independência e 
queriam a recolonização. 
A constituição proibia os estrangeiros de ocupar 
cargos públicos de representação nacional e tinha a 
preocupação de limitar e diminuir os poderes do 
imperador e aumentar o poder legislativo. 
 
Também tinha a intenção de manter o poder político 
nas mãos dos grandes proprietários rurais. O 
projeto estabelecia que o eleitor precisava ter uma 
renda anual equivalente a, no mínimo, 150 alqueires 
de mandioca. Por isso o projeto ficou conhecido 
como Constituição da Mandioca. 
A constituição autorgada de 1824 
Em seguida à dissolução da Constituinte de 1823, 
D. Pedro I, já governando de forma autoritária, 
nomeou um Conselho de Estado com a tarefa de 
redigir o novo projeto de Constituição, que ficou 
pronto em janeiro de 1824. Depois de enviado a 
todas as Câmaras Municipais do país e não ter 
recebido emendas ou críticas significativas, o 
 
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projeto foi assinado por D. Pedro I, tornando-se a 
Constituição do Império do Brasil, na prática, uma 
carta outorgada pelo Imperador em 25 de março de 
1824. 
Essa carta, defendida pelo Imperador como uma 
constituição “duplicadamente liberal” era, na 
realidade, uma simplificação da Constituição da 
Mandioca, uma vez que se mantinha fiel aos 
princípios e às aspirações políticas da aristocracia 
rural. 
Confederação do Equador 
O nordeste atravessava uma grave crise econômica 
devido a queda das exportações de açúcar. 
Tomados por um sentimento anti-lusitano, diferentes 
setores da sociedade uniram-se em torno de idéias 
contrárias à monarquia e a centralização do poder. 
Diziam que o sistema de governo no Brasil deveria 
ser republicano, com a descentralização do poder e 
autonomia para as províncias. Os estados que 
participaram do movimento foram: Pernambuco, 
Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Os 
líderes mais democráticos da confederação 
defendiam a extinção do tráfico negreiro e a 
igualdade sacial para o povo. (Ver: Confederação do 
Equador) 
A guerra Cisplatina 
-Conflito armado entre Brasil e Argentina, 
disputando o atual Uruguai. 
A questão da sucessão portuguesa 
Com a morte de D. João VI, em 1826, D. Pedro foi 
aclamado rei de Portugal. A aceitação do título pelo 
Imperador provocou um profundo mal-estar entre 
todos os brasileiros, que se viam agora ameaçados 
pela reunificação das duas coroas, o que colocava 
em risco a independência do Brasil. 
Diante das sucessivas manifestações no Rio de 
Janeiro, D. Pedro renunciou ao trono português em 
favor de D. Maria da Glória, sua filha, que ainda era 
criança. 
Para governar como regente, D. Pedro indicou seu 
irmão, D. Miguel, de tendência absolutista e que 
acabou se apossando ilegitimamente do trono 
português. 
Sempre sob suspeita dos brasileiros e apoiado 
pelos constitucionalistas lusos, D. Pedro começou 
uma longa luta contra o irmão, sustentada por 
recursos nacionais e pelos empréstimos ingleses. A 
questão do trono português foi solucionada em 
1830; um ano depois, abdicando ao trono brasileiro, 
D. Pedra se tomaria rei de Portugal. com título de 
Pedro IV. 
O problema dos tratados com a Inglaterra 
O Brasil independente herdou os tratados de 1810, 
celebrados por D. João com a Inglaterra. Foram 
esses tratados, especialmente o de Comércio e 
Navegação e o de Aliança e Amizade, que 
garantiram a continuidade da preponderância 
britânica no Império brasileiro. 
Em 1826, para garantir o reconhecimento da 
independência, D. Pedro I cedeu aos interesses 
ingleses, renovando a taxa preferencial de 15% 
sobre os produtos ingleses por mais quinze anos, 
com dois de carência, além da promessa de acabar 
com o tráfico negreiro. Em 1827, sob pressão da 
diplomacia inglesa, ocorreu a ratificação do 
acordado no ano anterior com um novo adendo: o 
Brasil assumia o compromisso de extinguir o tráfico 
de escravos em três anos. 
Com isso, D. Pedro I mostrava sua fraqueza diante 
 
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dos interesses britânicos e, especialmente com 
relação ao tráfico negreiro, feria diretamente os 
interesses da aristocracia rural escravista. Em vista 
disso, a Assembléia Geral procurou facilitar a 
concessão de privilégios semelhantes a outras 
nações, como a França, Áustria e Estados Unidos, 
entre outros. 
Em 1828, para melhorar a imagem desgastada, D. 
Pedro passou a adotar uma postura nacionalista e 
decretou a unificação das tarifas alfandegárias, ou 
seja, toda e qualquer mercadoria, procedente de 
qualquer país do mundo, pagaria apenas 15% de 
taxa alfandegária quando entrasse no Brasil. 
A redução das tarifas aduaneiras, na prática, a 
instauração do livre-cambismo no Brasil, reduziu 
drasticamente a arrecadação do governo e 
contribui, ainda mais, para o desequilíbrio na 
balança comercial brasileira. 
Economia e finanças do primeiro reinado 
A organização econômica do Brasil independente 
era a mesma dos tempos coloniais: predominava a 
lavoura mercantil escravista de produtos tropicais 
destinados ao mercado externo. Contudo, o açúcar 
e o algodão, os principais produtos de exportação, 
bem como outros produtos de menor importância, 
sofriam na primeira década do Estado Nacional os 
efeitos das crises de preço e de mercados. 
O açúcar tinha suas exportações em queda, devido 
à concorrência da produção cubana e do açúcar de 
beterraba europeu. Da mesma forma, a lavoura 
algodoeira era abalada pela expansão dos 
algodoais norte-americano. O tabaco era um 
produto em queda, devido à diminuição tráfico 
negreiro, e as exportações de cacau cresciam muito 
lentamente. As exportações de couro e peles 
também caíam, orientando-se, portanto, para o 
mercado interno. O café, na época, era ainda um 
produto secundário, só crescendo em importância a 
partir de 1835. 
Portanto, o Império brasileiro nascia em meio a uma 
crise econômica, com uma balança de comércio 
deficitária, pois a queda das exportações não era 
acompanhada pela redução das importações, que 
sempre mantinham o mesmo ritmo. Não havia ainda 
uma indústria nacional e, por isso, era preciso 
importar sempre mais. 
O governo conheceu também uma grave crise 
financeira, pois, nessa fase de montagem do 
Estado, dependia-se de dinheiro para tudo e o que 
se ganhava com as exportações não dava para 
cobrir nem as importações. Com isso, para fazer 
frente às despesas do Estado e cobriros déficits 
que se acumulavam, o governo imperial passou a 
emitir mais moedas e a emprestar mais dinheiro da 
Inglaterra, gerando o endividamento crônico que 
marcou a História do Brasil a partir do século 
passado. 
O fim do primeiro reinado 
Desde 1823, D. Pedro I trilhava o caminho do abso-
lutismo, aliando-se ao Partido Português e 
chocando-se com o liberalismo dos brasileiros. 
Estes, aliados dentro do Partido Brasileiro, deixaram 
de lado as antigas divergências e passaram a fazer 
cerrada oposição ao Imperador. A resposta foi a 
crescente violência de D. Pedro e de seus 
partidários. 
O rompimento da aliança D. Pedro/elites agrárias, 
que levou à independência, iniciou-se em 1823, 
quando da dissolução da Constituinte pelo 
Imperador, seguida da outorga da Carta de 1824 e 
da violenta repressão à Confederação do Equador. 
A isso, somaram-se o envolvimento de D. Pedro na 
 
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questão sucessória portuguesa e a desastrosa 
Guerra da Cisplatina, abertamente condenada pela 
opinião pública. Todas essas ocorrências foram 
permeadas pela crise econômico-financeira que se 
agravava durante o período: a falência do Banco do 
Brasil, em 1828, espelha a situação do Brasil na 
época. 
Nesse quadro, cresceu e se fortaleceu à oposição 
ao imperialismo imperial, com a multiplicação dos 
jornais de liberal - "Aurora Fluminense", "O 
Repúblico" e "A Malagueta", entre outros -, e com os 
veementes pronunciamentos na Câmara dos 
Deputados, nos momento'" de curta convocação do 
Parlamento brasileiro. 
Abdicação de D. Pedro I 
Após oito anos pontuados por sucessivas crises, D. 
Pedro I acabou cedendo às pressões da aristocracia 
rural brasileira e abdicou ao trono brasileiro em 
favor de seu filho, também chamado Pedro de 
Alcântara, dando início ao Segundo Reinado. 
 
PERÍODO REGENCIAL - O Período 
Regencial (1831 a 1840) compreende a transição 
política do governo de D. Pedro I para o de D. Pedro 
II durante a qual o Brasil foi administrado pelas 
seguintes regências: 
 
 Regência Trina Provisória – de sete de abril a 
17 de junho de 1831; 
 Regência Trina Permanente – de 17 de junho 
de 1831 a 12 de outubro de 1835; 
 Regência Una – de 12 de outubro de 1835 a 23 
de julho de 1840, subdividida em: 
 Regência Una de Feijó (1835-1837) 
 Regência Una de Araújo Lima (1837-1840) 
 
O objetivo das regências era manter a monarquia no 
país após aabdicação de Dom Pedro I, de forma a 
permitir que seu filho e herdeiro do trono, Pedro de 
Alcântara, então com cinco anos de idade, pudesse 
assumir a coroa, fato ocorrido em 1840 após o 
chamado Golpe da Maioridade. 
No plano econômico, ocorre entre 1831 e 1840, a 
expansão da cultura cafeeira na região do Vale do 
Paraíba, colocando em cena os “barões do café”. 
Nesse contexto, torna-se fundamental a 
manutenção da escravidão e do tráfico negreiro, 
apesar da pressão inglesa pela abolição. 
Como D. Pedro II era menor, a Constituição de 1824 
determinava que deputados e senadores elegessem 
uma regência composta por três membros. No 
entanto, no dia 7 de abril, quando da saída de D. 
Pedro I, os parlamentares estavam de férias. Por 
isso, elegeram uma regência provisória, formada 
por Nicolau de Campos Vergueiro, José Joaquim de 
Campos (marquês de Caravelas) e brigadeiro 
Francisco de Lima e Silva (barão de Barra Grande). 
O Governo temporário foi substituído em junho de 
1831 pela Regência Trina Permanente composta 
novamente pelo brigadeiro Francisco de Lima e 
Silva, além dos deputados José da Costa Carvalho 
e João Bráulio Muniz. A figura de maior destaque no 
período, entretanto, foi o padre Diogo Antônio 
Feijó, que ocupava o cargo de ministro da Justiça. 
Tal formação administrou o país até 12 de outubro 
de 1835. 
A principal contribuição política do período foi a 
modificação da Constituição pelo Ato Adicional 
tornando-a mais democrática. A regência trina foi 
transformada em una, com mandato de quatro anos. 
Outro fator relevante é a criação da Guarda 
Nacional, subordinada ao Ministério da Justiça. 
 
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Com a aprovação do Ato Adicional em 1834, torna-
se evidente uma divisão entre os moderados. Os 
que eram a favor do Ato Adicional começaram a ser 
chamados de progressistas, e os que eram contra 
passaram a ser conhecidos como regressistas. 
Estes últimos aproximaram-se dos antigos 
restauradores a favor do centralismo, enquanto os 
primeiros mantinham-se favoráveis à 
descentralização impulsionada pelo Ato. 
Nas eleições de de 7 de abril de 1835, 
realizadas para determinar o regente de acordo com 
a nova definição dada pelo Ato Adicional, vence 
Diogo Feijó, candidato do Partido Moderador. 
No período entre 1831 a 1837, que compreende as 
regências Trina Provisória, Trina Permanente e Una 
de Feijó foram tomadas várias medidas liberais. A 
partir de 1837, entretanto, intensificam-se no país 
revoltas e rebeliões populares como a Cabanagem, 
Sabinada e a Farroupilha. Além das disputas por 
todo o Brasil, as pressões pela revogação do Ato 
Adicional e a resistência dos barões do café às 
idéias abolicionistas de Feijó levam-no a renunciar, 
nomeando Pedro Araújo Lima, do Partido 
Conservador, como substituto. 
A Regência Una de Araújo Lima caracterizou-se 
como um período de retorno das idéias regressistas. 
O regente, no entanto, teve seu mandato 
interrompido pelo Golpe da Maioridade. 
 
REBELIÕES REGENCIAIS - As Revoltas 
Regenciais foram rebeliões que ocorreram em 
várias regiões do Brasil durante o Período 
Regencial (1831 a 1840). Aconteceram em função 
da instabilidade política que havia no país (falta de 
um governo forte) e das condições de vida precárias 
da população pobre, que era a maioria naquele 
período. 
 
Principais revoltas: 
Cabanagem (1835 a 1840) 
- Local: Província do Grão-Pará 
- Revoltosos: índios, negros e cabanos (pessoas 
que viviam em cabanas às margens dos rios). 
- Causas: péssimas condições de vida da população 
mais pobre e domínio político e econômico dos 
grandes fazendeiros. 
 
Balaiada (1838 a 1841) 
- Local: Província do Maranhão 
- Revoltosos: pessoas pobres da região, artesãos, 
escravos e fugitivos (quilombolas). 
- Causas: vida miserável dos pobres (grande parte 
da população) e exploração dos grandes 
comerciantes e produtores rurais. 
 
Sabinada (1837 a 1838) 
- Local: Província da Bahia 
- Revoltosos: militares, classe média e pessoas 
ricas. 
- Causas: descontentamento dos militares com 
baixos salários e revolta com o governo regencial 
que queria enviá-los para lutarem na Revolução 
Farroupilha no sul do país. Já a classe média e a 
elite queriam mais poder e participação política. 
 
Guerra dos Farrapos (1835 a 1845) 
- Local: Província de São Pedro do Rio Grande do 
Sul (atual RS). 
- Revoltosos: estancieiros, militares-libertários, 
membros das camadas populares, escravos e 
abolicionistas. 
- Causas: descontentamento com os altos impostos 
cobrados sobre produtos do sul (couro, mulas, 
charque, etc.); revolta contra a falta de autonomia 
 
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das províncias. 
 
Revolta dos Malês (1835) 
- Local: cidade de Salvador, Província da Bahia. 
- Revoltosos: escravos de origem muçulmana. 
- Causas: os revoltososeram contrários à 
escravização, à imposição do catolicismo e às 
restrições religiosas. 
 
SEGUNDO REINADO – D. Pedro II é aclamado 
imperador aos 15 anos de idade. A antecipação de 
sua maioridade, para que ele pudesse assumir o 
trono real, foi uma decisão tomada pelos políticos 
do Partido Liberal. Esta foi a única opção 
encontrada para se por fim ao governo regencial, 
que na época era visto como o provável causador 
das rebeliões e abalos sociais que passaram a 
atingir o país após a abdicação de D. Pedro I. Este 
feito entrou para a história como o “golpe da 
maioridade”. 
 
Seu reinado, no entanto, só inicia de fato um ano 
depois, no dia 23 de julho de 1840, e se prolonga 
até 15 de novembro de 1889, quando se implanta a 
República. Foi um momento em que o país passou 
por várias mudanças internas: coibição e indulto aos 
movimentos revoltosos e separatistas; 
reorganização do cenário político, com 
a instituição de dois partidos; a instauração do 
sistema parlamentarista e a reativação do comércio 
internacional. 
 
O poder do café na economia do país 
O café detinha ótimas condições de plantio. O 
Sudeste contava com solo e clima favoráveis - 
Minas Gerais, após a decadência da mineração, 
passou a investir na plantação do café, no Rio de 
Janeiro ele se espalhou até Campos e ao sul do 
Estado chegou a Vassouras, situada no Vale do 
Paraíba, quando a produção voltou-se para o 
comércio exportador. Houve um aquecimento na 
economia do país, o que alimentou a ganância dos 
grandes proprietários rurais, que passaram a utilizar 
a mão-de-obra escrava em grande escala. O país 
passou a exportar mais do que importava, 
alcançando rapidamente superávit na balança 
comercial. Nasce uma nova classe social - apoiada 
pelos comerciantes -, a qual sustentava o governo 
imperial e detinha grande influência política. Com o 
advento do café formaram-se muitas cidades, 
surgiram novos latifúndios e conseqüentemente 
muitos barões do café, os quais obtiveram seus 
títulos de nobreza junto ao imperador. Surgiram as 
ferrovias e os portos de Santos e do Rio de Janeiro 
prosperaram, sendo até hoje os mais conceituados 
no Brasil. 
 
Partidos Políticos vigentes no segundo reinado 
- Partido Liberal - constituiu-se no ano de 1837, 
protegia os interesses dos indivíduos que formavam 
a classe média da sociedade urbana e comercial, a 
ambição dos bacharéis, os ideais políticos e sociais 
avançados das classes não comprometidas 
diretamente com a escravidão, e cuidava também 
do que era importante para os donos de terras. 
- Partido Conservador - pregava a conservação do 
poder político nas mãos dos grandes donos de 
escravos campestres. Não defendia o caráter 
revolucionário ou democrático do regime. No 
decorrer do segundo reinado, liberais e 
conservadores se revezaram no poder. 
 
 
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Parlamentarismo e Poder Moderador 
No ano de 1847 foi implantado o Parlamentarismo, 
forma de governo na qual o poder responsável por 
criar as leis – o Legislativo -, representado pelos 
deputados e senadores, passa a exercer um posto 
muito respeitado. O parlamentarismo no Brasil 
iniciou-se, de fato, com a instituição da presidência 
do corpo consultivo de ministros e quem fixava o 
nome do eleito era D. Pedro II. O sistema 
parlamentar brasileiro tinha uma característica 
própria, oposta ao do regime da Inglaterra – neste 
país o povo tinha o direito de indicar o seu 
parlamentar, a quem cabia optar pela escolha do 
primeiro-ministro e sua deposição, caso necessário. 
No Brasil era o presidente do conselho quem 
estabelecia o quadro de ministros, motivo pelo qual 
historicamente ficou conhecido 
como Parlamentarismo às avessas. D. Pedro II, 
que contava com o apoio do Partido Moderador, 
gozava de absoluto poder sobre a Assembléia, 
tendo força suficiente para demitir todo o ministério 
e escolher outro presidente do conselho, ou até 
mesmo diluir a Câmara e chamar novas eleições, 
conforme os acontecimentos políticos do momento. 
 
Escravidão e ausência de participação popular 
O governo imperial brasileiro resistia em banir o 
tráfico de escravos, contando com o apoio da elite. 
Contudo, havia tratados, normas sociais e acordos 
firmados neste sentido com a Inglaterra, país que, 
por razões econômicas, defendeu o fim do tráfico de 
escravos. No dia 4 de setembro de 1850, pela lei n◦ 
581, o Brasil deu-se por vencido e tornou 
oficialmente pública a Lei Eusébio de Queirós, a 
qual decidiu categoricamente eliminar o tráfico de 
escravos para o Brasil. Os últimos escravos que 
para cá foram trazidos aportaram em Pernambuco 
em 1855. 
Foi somente em 13 de maio de 1888 que a Princesa 
Isabel assinou a Lei Áurea, que terminou com a 
escravidão dos negros no Brasil. Sem a mão-de-
obra escrava, a solução encontrada pelos bem 
sucedidos fazendeiros paulistas foi o estímulo à 
vinda de colonos estrangeiros, os quais introduziram 
o trabalho assalariado. O Brasil foi um dos últimos 
países do mundo a abolir a escravidão. 
 
Declínio do Segundo reinado 
A República estava surgindo aos poucos, como 
conseqüência de profundas mudanças econômicas, 
políticas e sociais que estavam ocorrendo no País. 
A produção de café, em virtude do desgaste do solo, 
decaiu no Vale do Rio Paraíba e no Rio de Janeiro. 
Em contrapartida, o Oeste Paulista ampliou sua 
produção, favorecido pelas terras roxas, adequadas 
ao cultivo do café. Para os grandes proprietários de 
terras nordestinos a monarquia já não lhes 
favorecia; assim o sistema monárquico foi perdendo 
força perante as novas pretensões políticas e 
sociais emergentes. As mudanças incomodaram e 
através de um golpe político implantou-se a 
República no Brasil, no dia 15 de novembro de 
1889, quando o marechal Deodoro da Fonseca 
assumiu o governo transitório da república.

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