Prévia do material em texto
Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 SUMÁRIO Módulo 1. A expansão Ultramarina portuguesa dos séculos XV e XVI Módulo 2. O Sistema colonial português Estrutura político-administrativa / Estrutura sócio- econômica / A escravidão / A ação da Igreja / Invasões estrangeiras / Expansões territorias da colônia / Reformas Pombalinas / Rebeliões coloniais / Conjurações separatistas Módulo 3. O Período Joanino e o processo de Independência A transferência da corte / As principais medidas de D. João VI / Independência do Brasil Módulo 4. Brasil Imperial Primeiro Reinado / Período Regencial / Rebeliões Regenciais / Segundo Reinado / Proclamação da República MÓDULO 1. A EXPANSÃO ULTRAMARINA PORTUGUESA DOS SÉCULOS XV E XVI A expansão ultramarina Européia deu início ao processo da Revolução Comercial, que caracterizou os séculos XV, XVI e XVII. Através das Grandes Navegações, pela primeira vez na história, o mundo seria totalmente interligado. Somente então é possível falar-se em uma história em escala mundial. A Revolução Comercial, graças a acumulação primitiva de Capital que propiciou, preparou o começo da Revolução Industrial a partir da segunda metade do século XVIII. Apenas os Estados efetivamente centralizados tinham condições de levar adiante tal empreendimento, dada a necessidade de um grande investimento e principalmente de uma figura que atuasse como coordenador – no caso, o Rei. Além de formar um acúmulo prévio de capitais, pela cobrança direta de impostos, o rei disciplinava os investimentos da burguesia, canalizando-os para esse grande empreendimento de caráter estatal, ou seja, do Estado, que se tornou um instrumento de riqueza e poder para as monarquias absolutas. MERCANTILISMO - Conjunto de medidas econômicas adotadas pelos Estados Nacionais modernos no período de Transição (Feudalismo p/ Capitalismo), tendo os Reis e o Estado, o poder de intervir ma economia. Esse sistema buscava atender os setores feudais visando conseguir riquezas para a sua manutenção. O mercantilismo não é um modo de produção, mas sim um conjunto de práticas de produção. Não existe uma sociedade Mercantilista FATORES QUE PROVOCARAM A EXPANSÃO - Centralização Política: Estado Centralizado reuniu riquezas para financiar a navegação; - O Renascimento: Permitiu o surgimento de novas idéias e uma evolução técnica; - Objetivo da Elite da Europa Ocidental em romper o monopólio Árabe-Italiano sobre as mercadorias orientais; - A busca de terras e novas minas (ouro e prata) com o objetivo de superar a crise do século XIV; - Expandir a fé cristã OBJETIVOS DA EXPANSÃO - Metais - Mercados - Especiarias (Noz Moscada, Cravo...) - Terras - Fiéis Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 PIONEIRISMO PORTUGUÊS - Precoce centralização Política - Domínio das Técnicas de Navegação (Escola de Sagres) * - Participação da Rota de Comércio que ligava o mediterrâneo ao norte da Europa - Capital (financiamento de Flandres) - Posição Geográfica Favorável ESCOLA DE SAGRES – Centro de Estudos Náuticos, fundado pelo infante Dom Henrique, o qual manteve até a sua morte, em 1460, o monopólio régio do ultramar. O "Príncipe perfeito" Dom João II (1481-1495) continuou o aperfeiçoamento dos estudos náuticos com o auxílio da sua provável Junta de Cartógrafos, que teria elaborado em detalhe o plano de pesquisa do caminho marítimo para as índias. O TRATADO DE TORDESILHAS - foi um acordo firmado em 4 de junho de 1494 entre Portugal e Espanha. Ganhou este nome, pois foi assinado na cidade espanhola de Tordesilhas. O acordo tinha como objetivo resolver os conflitos territoriais relacionados às terras descobertas no final do século XV. De acordo com o Tratado, uma linha imaginária a 370 léguas de Cabo Verde serviria de referência para a divisão das terras entre Portugal e Espanha. As terras a oeste desta linha ficaram para a Espanha, enquanto as terras a leste eram de Portugal. MÓDULO 2. O SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS - sistema de administração territorial criado pelo rei de Portugal, D. João III, em 1534. Este sistema consistia em dividir o território brasileiro em grandes faixas e entregar a administração para particulares (principalmente nobres com relações com a Coroa Portuguesa). Este sistema foi criado pelo rei de Portugal com o objetivo de colonizar o Brasil, evitando assim invasões estrangeiras. Ganharam o nome de Capitanias Hereditárias, pois eram transmitidas de pai para filho (de forma hereditária). Estas pessoas que recebiam a concessão de uma capitania eram conhecidas como donatários. Tinham como missão colonizar, proteger e administrar o território, assegurar ao Rei de Portugal 10% dos lucros sobre todos os produtos da terra, 20% dos lucros sobre metais e pedras preciosas que fossem encontradas e o monopólio de exploração de pau-brasil. Por outro lado, tinham o direito de explorar os recursos naturais (madeira, animais, minérios), exercer plena autoridade judicial e administrativa e por meio da chamada "guerra justa" escravizar os indígenas considerados inimigos, obrigando-os a trabalhar na lavoura. O sistema não funcionou muito bem. Apenas as capitanias de São Vicente e Pernambuco deram certo. Podemos citar como motivos do fracasso: a grande extensão territorial para administrar (e suas obrigações), falta de recursos econômicos e os constantes ataques indígenas. O sistema de Capitanias Hereditárias vigorou até o ano de 1759, quando foi extinto pelo Marquês de Pombal. Capitanias Hereditárias criadas no século XVI: Capitania do Maranhão Capitania da Baía de Todos os Santos Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Capitania de Santana Capitania do Ceará Capitania de Ilhéus Capitania de Santo Amaro Capitania do Rio Grande Capitania de Porto Seguro Capitania de Ilhéus Capitania de Itamaracá Capitania do Espírito Santo Capitania de Pernambuco Capitania de São Tomé Capitania da Baía de Todos os Santos Capitania de São Vicente GOVERNO GERAL - Com o fracasso das capitanias hereditárias no Brasil no século XVI, o rei de Portugal, D. João III, estabeleceu em 1549 o sistema de Governo-geral para controlar o domínio de seu país no território brasileiro. Tomé de Sousa foi o escolhido para exercer a função de primeiro governador-geral em 29 de março, na Baía de Todos os Santos, acompanhado de uma expedição de cerca de 1.000 homens. Ele formou a primeira cidade do Brasil, Salvador, que acabou se tornando a capital do país por sua estratégica posição geográfica entre o sul e o norte do país. A principal função do governador-geral era impedir que os franceses ocupassem o litoral brasileiro, garantir que as capitanias distribuídas estivessem seguras e cuidar da administração do país. Para auxiliar na tarefa, o governador-geral criou os seguintes cargos ouvidor-mor, que era responsável pela justiça; provedor-mor, responsável pela carga tributária; capitão-mor, responsável pela defesa; Durante seu mandato, que durou de 1549 a 1553, Tomé de Sousa cuidou de manter uma relação pacífica com os índios, pois precisava erguer a cidade de Salvador próximo aos territórios indígenas. Nomeou o primeiro bispo, D. Pero Fernandes Sardinha,para comandar a missão de catequizar os índios com a intenção de obter o consenso entre eles e ampliar o domínio lusitano no território brasileiro. Mas essa relação pacífica com os índigenas foi por água abaixo quando Duarte da Costa ocupou o cargo de governador-geral, em 1553, e tentou usá- los como mão-de-obra escrava, mesmo os que já foram catequizados. Esse ato irritou o bispo Fernando Sardinha, que tomou partido pelos índios e decidiu entrar em conflito com os governantes. Após o desastroso governo de Duarte, Mem de Sá assumiu em 1556 a difícil tarefa de reassumir a liderança lusitana no Brasil e aliou-se a tribos indígenas para combater a invasão dos francesesna Ilha do Governador, localizado no futuro estado do Rio de Janeiro, que teve sua capital fundada pelo sobrinho do governador-geral, Estácio de Sá. Com o passar do tempo, as vilas e cidades formaram seus governos, comandados pelos ‘homens bons’, senhores de engenho que integravam as Câmaras municipais. Eles comandavam as pequenas regiões, enquanto o governo-geral representava o poder central da colônia lusitana no Brasil. Em 1711, o último cargo de governador-geral foi ocupado por Pedro de Vasconcelos e Souza, dando lugar, em 1714, ao cargo de vice-rei (uma espécie de representação da Corte Portuguesa no país colonizado) ao Marquês de Angeja, a mando do rei D. João V. Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 ESCRAVIDÃO - Os colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a inaptidão dos mesmos e a oposição dos religiosos dificultou esta prática. Os colonos partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem nos engenhos de açúcar da região Nordeste. - Os escravos também trabalharam nas minas de ouro, a partir da segunda metade do século XVIII. - Tanto nos engenhos quanto nas minas, os escravos executavam as tarefas mais duras, difíceis e perigosas. - A maioria dos escravos recebia péssimo tratamento. Comiam alimentos de péssima qualidade, dormiam na senzala (espécie de galpão úmido e escuro) e recebiam castigos físicos. - O transporte dos africanos para o Brasil era feito em navios negreiros que apresentavam péssimas condições. Muitos morriam durante a viagem. - Os comerciantes de escravos vendiam os negros como se fossem mercadorias. - Os escravos não podiam praticar sua religião de origem africana, nem seguir sua cultura. Porém, muitos praticavam a religião de forma escondida. - As mulheres também foram escravizadas e executavam, principalmente, atividades domésticas. Os filhos de escravos também tinham que trabalhar por volta dos 8 anos de idade. - Muitos escravos lutaram contra esta situação injusta e desumana. Ocorreram revoltas em muitas fazendas. Muitos escravos também fugiram e formaram quilombos, onde podiam viver de acordo com sua cultura. - A escravidão só acabou no Brasil no ano de 1888, após a decretação da Lei Áurea. QUILOMBO DOS PALMARES - Foi um dos mais importantes quilombos do Período Colonial da História do Brasil. Ele surgiu e se desenvolveu na antiga capitania de Pernambuco. Seu auge foi a segunda metade do século XVII, embora tenha surgido no final do século XVI. Era constituído por quilombolas (escravos fugitivos das fazendas que viviam nos quilombos) que tinham sido escravos em fazendas das capitanias da Bahia e Pernambuco. Organização O Quilombo dos Palmares era composto por vários mocambos (núcleos de povoamento). Os principais foram: Subupira, Macaco e Zumbi. De acordo com historiadores, o Quilombo de Palmares atingiu de 15 a 20 mil quilombolas na segunda metade do século XVII. Economia Os quilombolas de Palmares viviam basicamente da agricultura de subsistência, da pesca e caça. Plantavam milho, banana, feijão, mandioca, laranja e cana-de-açúcar. Faziam também artesanato com cerâmica, tecido palha e até metais. Repressão Considerando uma ameaça a organização política e social da colônia, o governo colonial organizou várias expedições para reprimir e dominar o Quilombo de Palmares. Foi dominado somente em 1695, após a investida militar do bandeirante Domingos Jorge Velho. Em 20 de novembro, Zumbi foi emboscado e morto. A IGREJA E A COLONIZAÇÃO - A igreja Católica teve um papel de destaque na colonização americana. Várias ordens religiosas atuaram no Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Brasil - carmelitas, dominicanos, beneditinos, com destaque para a Companhia de Jesus, os jesuítas. A Companhia de Jesus, criada em 1534, por Inácio de Loyola, surgiu no contexto da Contra-Reforma e com o objetivo de consolidar e ampliar a fé católica pela catequese e pela educação. A ação catequista dos jesuítas na colônia gerou um intenso conflito com os colonos, que queriam escravizar os índios. A existência de um grande número de índios nos aldeamentos de índios - as Missões, atraía a cobiça dos colonos, que destruíam as Missões e vendiam os índios como escravos. A Companhia de Jesus, pela catequese, não tinha exatamente intensões humanitárias, pois dominavam culturalmente os índios, facilitando sua submissão à colonização e impondo um novo modo de vida. O excedente de produção - realizado pelo trabalho indígena - era comercializado pelos jesuítas. A catequização do índio fortaleceu e incentivou a escravidão negra, pelo tráfico negreiro. INVASÕES ESTRANGEIRAS - Os invasores franceses Os franceses invadiram o Brasil em duas ocasiões e estabeleceram colônias no território: -no Rio de Janeiro (1555-1567), fundaram a França Antártica; -no Maranhão (1612-1615), a França Equinocial. Um dos motivos das invasões foi o fato de que o Tratado de Tordesilhas, assinado entre Portugal e Espanha, excluía a França e outras nações da divisão do Novo Mundo. Essas nações ficavam à margem das cobiçadas riquezas brasileiras, como o pau-brasil, a pimenta nativa e o algodão. França Antártica e França Equinocial A primeira invasão da França foi comandada por Villegaignon. Os franceses se estabeleceram na baía de Guanabara em novembro de 1555, onde fundaram a França Antártica. Para facilitar sua permanência na região, aliaram-se aos índios tamoios, apoiando-os na luta contra os portugueses. O governador-geral Duarte da Costa empreendeu diversas tentativas de expulsar os franceses, mas não obteve sucesso. Isso só aconteceu em 1567, sob o comando de Estácio de Sá, sobrinho do terceiro governador-geral, Mem de Sá. Para isso, contou com o apoio de jesuítas, colonos e algumas populações indígenas da região, além de reforços mandados pela metrópole. Expulsos do Rio de Janeiro, os franceses voltaram- se para a região norte da colônia. Comandados por La Touche, em 1612 ergueram no Maranhão o forte de São Luís, em homenagem ao rei francês Luís XIII, e fundaram ali a França Equinocial. Foram expulsos três anos depois, graças a uma aliança luso-espanhola com o apoio dos índios tremembés. Os invasores holandeses Os holandeses invadiram e ocuparam o território do Brasil em duas ocasiões: -em 1624, invasão na Bahia; -em 1630, invasão em Pernambuco. A Holanda, na época, era dominada pela Espanha e lutava por sua independência. As invasões constituíram um modo de atingir as bases coloniais espanholas - uma vez que, de 1580 a 1640, período conhecido como União Ibérica, o Brasil pertencia às duas Coroas: Portugal e Espanha. A situação econômica da Holanda, além disso, eraProfº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 difícil, devido ao embargo imposto pela Espanha: os holandeses estavam proibidos de comerciar com qualquer região dominada pela Espanha, perdendo assim o direito de refinar e distribuir o açúcar produzido no Brasil, como vinham fazendo havia vários anos. Com a invasão, os holandeses pretendiam estabelecer uma colônia voltada para a exploração econômica do Brasil, controlando os centros de produção açucareira. Desejavam, ainda, romper o monopólio comercial ibérico e recuperar seu papel no comércio do açúcar. INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA – Com o fim da união ibérica, em 1640, os portugueses negociaram um acordo de paz de 10 anos com os holandeses. Com a demissão de Nassau, em 1644, a administração holandesa intensificou a busca de lucros aumentando a pressão exercida na população. Reagindo a estas pressões, portugueses e brasileiros iniciaram ema luta pela expulsão dos mesmos, em um movimento que ficou conhecido como Insurreição pernambucana. Para tal, houve a união de diversos setores sociais da colônia, como senhores de engenho, indígenas e africanos. Ao fim, a rendição holendesa consolidou-se apenas depois de um acordo de paz entre as duas nações, na qual Portugal (em troca do Nordeste brasileiro e de terras na África) em 1699. EXPANSÃO TERRITORIAL DA COLÔNIA - Até o começo do século XVII, os colonizadores se concentraram em cidades fundadas na região litorânea do Brasil, principalmente no Nordeste. A principal atividade era a produção de açúcar, e grande parte dos engenhos estava instalada nas capitanias da Bahia e Pernambuco. Na segunda metade do século XVII, com o aumento da criação de gado extensiva, a ocupação do território nordestino avançou para o interior. Neste período começaram a surgir os currais, que eram grandes fazendas voltadas para a pecuária. Neste contexto, ocorreu a ocupação do vale do rio São Francisco e parte do sertão nordestino. A ocupação da região amazônica Com a presença de estrangeiros na região amazônica no século XVII, a coroa portuguesa organizou e enviou para a região várias expedições militares para expulsar os invasores. Vilas, que mais tarde dariam origem a cidades, foram fundadas na região amazônica por integrantes destas expedições. A expansão pela região amazônica também foi favorecida por uma atividade econômica muito lucrativa no século XVII: a exploração das drogas do sertão (ervas medicinais e aromáticas, guaraná, pimenta, cravo e castanhas). Muitos se embrenharam pela floresta amazônica para coletar estas drogas e vender para comerciantes que as comercializavam na região nordestina e também na Europa. A expansão territorial da região centro-sul do Brasil Nos séculos XVII e XVIII, a expansão territorial no centro-sul do Brasil foi impulsionada pelas bandeiras. Estas expedições, organizadas pelos bandeirantes paulistas, tinham como objetivos principais o aprisionamento de índios, a busca de pedras e metais preciosos e a recuperação de escravos foragidos. Os bandeirantes entraram para o interior das regiões sudeste, sul e central do Brasil, indo além do estabelecido pelo Tratado de Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Tordesilhas, explorando e conquistando territórios. Neste contexto, várias vilas foram fundadas, favorecendo a ocupação destas regiões. Em meados do século XVII, os bandeirantes encontram várias minas de ouro em áreas de Minas Gerais, Goiás e Matogrosso. Após estas descobertas, começou o Ciclo do Ouro, deslocando o eixo de desenvolvimento econômico do Nordeste para as regiões central e sudeste do Brasil. Várias cidades foram fundadas e se desenvolveram rapidamente com a renda gerada pela exploração do ouro. A expansão territorial no sul do Brasil Com o auge da exploração do ouro no século XVIII, a região sul também prosperou. A criação de gado para o abastecimento de carne para a região aurífera fez com que várias vilas e cidades se desenvolvessem na região interior do sul do Brasil. BANDEIRISMO – Expedições oficiais, não militares, realizadas por colonos portugueses e outros exploradores em busca de ouro, índios escravos fugidos e outros recursos de interesse econômico. Quando organizadas pela Coroa, chamavam-se Entradas. Quando financiadas por particulares chamavam-se Bandeiras. TRATADOS E FRONTEIRAS – A colonização portuguesa não respeitou o Tratado de Tordesilhas, expandindo as fronteiras do Brasil por meio da ação de bandeirantes, jesuítas e pecuaristas. Os espanhóis também desrespeitaram o Tratado de Tordesilhas, invadindo colônias portuguesas situadas no Oriente, com as Filipinas. Para fixar novas fronteiras colônias na América, vários tratados internacionais foram assinados entre os governos de Portugal, Espanha e França. Tratado de Utrecht (1713 e 1715) – o primeiro tratado, assinado entre representantes de Portugal e da França, estabelecia que o rio Oiapoque, no extremo norte da colônia, seria o limite de fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. O segundo procurava resolver as divergências entre portugueses e espanhóis quanto aos limites de seus domínios no sul do Brasil. Estabelecia que a Colônia do Sacramento pertenceria aos portugueses. Tratado de Madri (1750) – estabelecido entre representantes dos reis da Espanha e de Portugal, determinava que a cada um desses países caberia a posse das terras que ocupavam na colônia. Além disso, a Colônia do Sacramento pertenceria aos espanhóis e a região dos Sete Povos das Missões (que ocupavam parte do atual estado do Rio Grande do Sul) pertenceria aos portugueses. O tratado não pôde ser cumprido, pois os jesuítas e índios guaranis dos aldeamentos dos Sete Povos das Missões não aceitaram a controle português. Houve violenta luta (Guerra Guaranítica) contra a ocupação portuguesa e, diante dessa situação, o governo de Portugal não entregou aos espanhóis a Colônia do Sacramento. Tratado de Santo Ildelfonso (1777) – assinado por representantes de Portugal e Espanha, estabelecia que os espanhóis ficariam com a Colônia do Sacramento e a região dos Sete Povos das Missões, mas desenvolveriam aos portugueses terras que, nesse período, haviam ocupado no atual estado do Rio Grande do Sul. O tratado foi considerado desvantajoso pelos portugueses, pois perdiam a Colônia do Sacramento e recebiam quase nada em troca. Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Tratado de Badajós (1801) – estabeleceu, finalmente, que a região dos Sete Povos das Missões ficaria com os portugueses e a Colônia do Sacramento, com os espanhóis. Depois de muitas lutas, confirmavam-se as fronteiras que, basicamente, tinham sido definidas pelo Tratado de Madri. REFORMAS DE POMBAL - Durante a segunda metade do século XVIII, a Coroa Portuguesa sofreu a influência dos princípios iluministas com a chegada de Sebastião José de Carvalho aos quadros ministeriais do governo de Dom José I. Mais conhecido como Marquês de Pombal, este “super-ministro” teve como grande preocupação modernizar a administração pública de seu país e ampliar ao máximo os lucros provenientes da exploração colonial, principalmente em relação à colônia brasileira. Esse tipo de tendência favorável a reformas administrativas e ao fortalecimento do Estado monárquico compunha uma tendência políticada época conhecida como “despotismo esclarecido”. A chegada do esclarecido Marquês de Pombal pode ser compreendida como uma conseqüência dos problemas econômicos vividos por Portugal na época. Nessa época, os portugueses sofriam com a dependência econômica em relação à Inglaterra, a perda de áreas coloniais e a queda da exploração aurífera no Brasil. Buscando ampliar os lucros retirados da exploração colonial em terras brasileiras, Pombal resolveu instituir a cobrança anual de 1500 quilos de ouro. Além disso, ele resolveu tirar algumas atribuições do Conselho Ultramarino e acabou com as capitanias hereditárias que seriam, a partir de então, diretamente pelo governo português. Outra importante medida foi a criação de várias companhias de comércio incumbidas de dar maior fluxo às transações comerciais entre a colônia e a metrópole. No plano interno, Marquês de Pombal instituiu uma reforma que desagradou muitos daqueles que viviam das regalias oferecidas pela Coroa Portuguesa. O chamado Erário Régio tinha como papel controlar os gastos do corpo de funcionários reais e, principalmente, reduzir os seus gastos. Outra importante medida foi incentivar o desenvolvimento de uma indústria nacional com pretensões de diminuir a dependência econômica do país. Outra importante medida trazida com a administração de Pombal foi a expulsão dos jesuítas do Brasil. Essa medida foi tomada com o objetivo de dar fim às contendas envolvendo os colonos e os jesuítas. O conflito se desenvolveu em torno da questão da exploração da mão-de-obra indígena. A falta de escravos negros fazia com que muitos colonos quisessem apresar e escravizar as populações indígenas. Os jesuítas se opunham a tal prática, muitas vezes apoiando os índios contra os colonos. Vendo os prejuízos trazidos com essa situação, Pombal expulsou os jesuítas e instituiu o fim da escravidão indígena. As terras que foram tomadas dos integrantes da Ordem de Jesus foram utilizadas como zonas de exploração econômica através da venda em leilão ou da doação das mesmas para outros colonos. Com relação aos índios, Pombal pretendia utilizá-los como força de trabalho na colonização de outras terras do território. Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Mesmo pretendendo trazer diversas melhorias para a Coroa, Pombal não conseguiu manter-se no cargo após a morte de Dom José I, em 1777. Seus opositores o acusaram de autoritarismo e de trair os interesses do governo português. Com a saída de Pombal do governo, as transformações sugeridas pelo ministro esclarecido encerraram um período de mudanças que poderiam amenizar o atraso econômico dos portugueses. REBELIÕES COLONIAIS: REVOLTA DE BECKMAN A Revolta de Beckman (1864) é um importante episódio das rebeliões coloniais do Brasil, assunto que cai bastante no Enem. Muitos colonos queriam capturar e escravizar os indígenas para utilizá-los como mão-de-obra, contrariando os jesuítas, que defendiam a proposta de aculturá-los e controlá-los dentro das missões. A partir de 1650, a capitania do Maranhão começou a passar por grave crise econômica, provocada pela redução dos preços do açúcar no mercado internacional. Sem condições de pagar os altos preços cobrados pelo escravo africano, os senhores de engenho da região organizaram tropas para invadir as missões e capturar indígenas para o trabalho escravo em suas propriedades. Essa atitude provocou o protesto dos jesuítas, junto ao governo português, que interveio e acabou reeditando a proibição de escravizar indígenas aldeados. Para suprir a mão-de-obra da capitania, o governo português criou a companhia Geral de Comércio do Maranhão (1682), com a responsabilidade de introduzir na região 500 escravos negros por ano, durante 20 anos. Essa companhia não conseguiu, no entanto, cumprir seus compromissos, agravando a crise de mão-de-obra e aumentando o descontentamento dos colonos. Um grupo de senhores de engenho, liderados por Manuel Beckman, organizou um movimento para acabar com a Companhia e com a influência dos jesuítas. Os rebeldes formaram um governo provisório. Ao saber dos acontecimentos, o rei enviou um novo governador, Gomes Freire de Andrade que, ao chegar, ordenou o enforcamento de Beckman e outros dois líderes do movimento. GUERRA DOS EMBOABAS O rápido e caótico afluxo de milhares de pessoas às regiões das minas logo trouxe seus problemas. Os paulistas, descobridores do ouro de Minas Gerais, sentiam-se no direito de explorá-lo com exclusividade. Entretanto, muitos portugueses vindos da metrópole ou de outras partes da própria colônia também queriam apoderar-se das jazidas descobertas. A tensão cresceu quando os portugueses passaram a controlar o sistema de abastecimento de mercadorias na região das minas, em 1707. O conflito teve fim em 1709, no chamado Capão da Traição, quando muitos paulistas foram mortos por tropas emboabas de cerca de mil homens. Posteriormente, os paulistas organizaram uma vingança contra os emboabas. Entre as consequências da Guerra dos Emboabas podemos destacar: o controle mais rígido por parte da Metrópole; a elevação de São Paulo à categoria de cidade; a criação da capitania de São Paulo e Minas Gerais do Ouro e a descoberta de ouro em Mato Grosso a Goiás. Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 GUERRA DOS MASCATES Devido à queda do preço do açúcar no mercado europeu, causada pela concorrência do açúcar antilhano, os ricos senhores de engenho de Olinda, principal cidade de Pernambuco em 1710, viram-se arruinados. Começaram, então, a pedir empréstimos aos comerciantes do povoado do Recife (Mascates), que cobravam juros bastante elevados por eles. Convencidos de sua relevância, os comerciantes de Recife pediram ao rei de Portugal, d. João V, que seu povoado fosse elevado à categoria de vila. D. João V atendeu ao pedido e, com isso, os senhores de engenho organizaram uma rebelião e invadiram Recife. Sem condições de resistir, os comerciantes mais ricos fugiram para não ser capturados. Em 1711, o governo português interveio na região, reprimindo duramente os revoltosos. Os principais líderes foram presos ou condenados ao exílio. Os Mascates reassumiram suas posições, e Recife tornou-se a capital de Pernambuco. REVOLTA DE VILA RICA O anúncio da Criação das Casas de Fundição causou insatisfação entre os mineradores, pois consideravam que a medida dificultava a circulação e o comércio do ouro dentro da capitania facilitando apenas a cobrança de impostos. Tal descontentamento acabou provocando a chamada Revolta de Felipe dos Santos ou Revolta de Vila Rica, em 1720. Cerca de 2 mil revoltosos, comandados pelo tropeiro português Felipe dos Santos, conquistaram a cidade de Vila Rica. Esse grupo exigiu do governador da capitania de Minas Gerais a extinção das Casas de Fundição. Apanhados de surpresa, o governador fingiu aceitar as exigências, ganhando tempo para organizar suas tropas e reagir energicamente. Pouco depois, os líderes do movimento foram presos, e Felipe dos Santos foi condenado, enforcado e esquartejado em praça pública. CONJURAÇÕES SEPARATISTAS: INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1789) Em Minas Gerais, grande parte da população colonial mineradora vivia na pobreza havia muito tempo. Essa situação agravou-se com o declínio da exploração do ouro, a partir da segunda metade do século XVIII.Um clima de tensão e revolta tomou conta dos proprietários das minas de ouro quando o governador da capitania anunciou que haveria uma nova derrama (cobrança forçada dos impostos atrasados). Membros da elite de Minas começaram a se reunir e planejar um movimento contra as autoridades portuguesas e a cobrança da derrama. O projeto dos inconfidentes incluía medidas como: - separar o Brasil de Portugal, criando uma república com capital em São João Del Rei; - adotar uma nova bandeira; - desenvolver indústrias no país; - criar uma universidade em Vila Rica (Ouro Preto); - criar o serviço militar obrigatório; - incentivar a natalidade. O movimento dos inconfidentes foi denunciado por Joaquim Silvério dos reis ao governador de Minas Gerais e, em troca, obteve o perdão de suas dívidas com a Fazenda Real. Os participantes da Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Inconfidência foram presos, julgados e condenados. Onze deles receberam sentença de morte, mas a rainha de Portugal, d. Maria I, modificou a pena para exílio perpétuo em colônias portuguesas da África. Só Tiradentes teve sua pena de morte mantida. CONJURAÇÃO BAIANA (1798) Quase dez anos depois da Inconfidência Mineira, ocorreu na Bahia um novo movimento revolucionário, que se diferenciava dos episódios mineiros por um motivo fundamental: foi promovido por brancos e negros pobres. Até mesmo alguns homens ricos e letrados que participavam da conjuração afastaram-se quando perceberam seu alcance popular. Participaram da Conjuração Baiana soldados, negros livres e profissionais como alfaiates, pedreiros e sapateiros, motivo pelo qual o movimento também ficou conhecido pelo nome de Revolta dos Alfaiates. Os planos dos revoltosos baianos incluíam: - o fim da dominação portuguesa sobre o Brasil; - a proclamação de uma república democrática; - a abolição da escravidão; - o aumento da remuneração dos soldados; - a abertura dos portos brasileiros a navios de todas as nações; - a melhoria das condições de vida da população. Os revoltosos produziram panfletos revolucionários e foram denunciados por inúmeras pessoas motivadas pelas recompensas do governo. Mais de 30 participantes foram presos e processados. Ao final, as penas mais severas recaíram sobre os líderes mais pobres. REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA (1817) Muitos moradores estavam desgostosos com o crescente aumento dos impostos, que serviam para sustentar o luxo da Corte portuguesa instalada no Rio de Janeiro. Além dessa insatisfação, outros dois problemas afetavam os habitantes da região: a grande seca de 1816 que causou graves prejuízos à agricultura e provocado fome no Nordeste e os preços do açúcar e do algodão que eram os principais produtos cultivados em Pernambuco, cujos preços estavam caindo no mercado internacional devido à concorrência do açúcar antilhano e do algodão norte-americano. Tudo isso serviu para dar início à revolta contra o governo de d. João VI. O principal objetivo era proclamar uma república, que seria organizada conforme os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade que inspiraram a revolução Francesa. O movimento conseguiu tomar o poder e constituir um governo provisório, que decidiu: - extinguir alguns impostos; - elaborar uma Constituição; - decretar a liberdade religiosa e de imprensa e a igualdade para todos, exceto para os escravos. D. João VI tratou de combater violentamente a revolução, enviando tropas, armas e navios para a região. Os revoltosos foram duramente atacados e, depois de muita luta, acabaram por se entregar. Esta foi a única rebelião anterior à independência do Brasil que ultrapassou a fase de conspiração. MÓDULO 3. O PERÍODO JOANINO E O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA O período joanino caracterizou-se pelo esforço da Coroa Portuguesa no sentido de estabelecer um Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 equilíbrio entre os interesses dos grandes proprietários de terras brasileiros e os dos comerciantes. Alguns estancos foram mantidos para satisfazerem estes últimos. Estabeleceram-se impostos pesados e progressivos, necessários à manutenção do luxo da Corte. Para evitar incompatibilidades, foram concedidos à aristocracia rural alguns privilégios fiscais. O absolutismo permaneceu em vigor, mas sempre fazendo concessões aos senhores de terra que eram atraídos para a Corte através da outorga de títulos. A estrutura colonial aniquilara a vida cultural do Brasil. Inexistiam as preocupações com a educação e saúde pública; as academias filosóficas, literárias e científicas estavam desamparadas; as bibliotecas não haviam sido formadas pois eram consideradas perniciosas; a publicação de jornais era proibida. O Príncipe-Regente, influenciado por seus ministros, deu início a várias reformas nesse setor. As primeiras providências de dom João Com a vinda da família real de Portugal para o Brasil, em 1808, a colônia se tornou sede da monarquia portuguesa, e sua situação político- econômica logo se modificou. Em 28 de janeiro, dias após a sua chegada, o príncipe regente dom João assinou o Decreto de Abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas. Além de liberar os portos para o comércio internacional, esse decreto marcou o fim do pacto colonial, extinguindo o monopólio comercial lusitano, ou seja, a obrigação de o Brasil comerciar exclusivamente com Portugal, inaugurando o início do domínio inglês. A transferência da família e da corte portuguesa para o Brasil, no início do século XIX, deflagrou ainda um conjunto de transformações as quais, segundo vários historiadores, significaram o fim do período colonial. Os estudiosos chegam a afirmar que houve um “novo descobrimento" do território e que o Rio de Janeiro se tomou palco de um “processo dvilizatório”, visto que ocorreu uma verdadeira “interiorização” da metrópole portuguesa. Tratados comerciais do período joanino Entre as várias mudanças desencadeadas pela presença da família real no Brasil, merece destaque o fim do monopólio exercido pelos comerciantes portugueses, em decorrência da carta régia de Abertura dos Portos de 1808 e dos Tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação, firmados com a Inglaterra em 1810. Tais tratados asseguravam privilégios ao governo e aos súditos ingleses. Entre os privilégios destacava-se o estabelecimento de tarifas preferenciais (15% sobre o valor da mercadoria) para os produtos ingleses, o que contrastava com as tarifas pagas pelos produtos vindos de Portugal (16%) e dos demais países (24%). Assim, na prática, o monopólio do comércio da colônia, que fora exercido pelos comerciantes portugueses até 1808, com a abertura dos portos passou a ser exercido pelos comerciantes ingleses. Aparelho burocrático do período joanino Grande parte do aparelho burocrático do Estado português foi remontada no Brasil. Para organizar as finanças e fazer frente às novas despesas, foi criado, em 1808, o Banco do Brasil. Sua função principal era obter fundos para cobrir os pesados gastos da corte, além de realizar transações comerciais. Instalaram-se ainda o Erário [tesouro] Régio, depois Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 transformado em Ministérioda Fazenda; o Conselho de Estado; a Junta de Comércio; a Intendência [administração] Geral da Polícia; as Mesas do Desembargo do Paço e da Consciência e Ordens (ou tribunal); a Casa da Suplicação (órgão ligado ao poder judiciário) e a Junta Real de Agricultura e Navegação. Política externa e cultural do período joanino No cenário externo, a conquista da Guiana Francesa (1809) e a invasão da Província Cisplatina (1817), atual Uruguai, significaram uma represália do governo joanino à invasão de Portugal pelas tropas francesas e espanholas, respectivamente. No plano cultural, a presença da coroa portuguesa efetivou uma série de transformações no território brasileiro: a instalação da Imprensa Régia (ou oficial) e a publicação da Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal a circular na América portuguesa; a fundação de cursos superiores de Medicina e de escolas de formação de oficiais militares; a criação do Jardim Botânico e da Biblioteca Real; e a vinda das missões artísticas estrangeiras, a partir de 1816. Rio de Janeiro: a nova capital do Império Luso A chegada da corte ao Rio de Janeiro gerou, num primeiro momento, uma série de conflitos com a população local. A capital colonial era uma cidade pequena para acomodar repentinamente o séquito real. Para resolver o problema, os funcionários reais recorreram até mesmo à violência, obrigando os moradores das melhores casas a abandoná-las. A senha P.R. (Príncipe Regente), inscrita nas casas escolhidas, passou a significar “ponha-se na rua!”. A chegada da corte ainda trouxe outros conflitos para a sociedade. Muitos dos brasileiros passaram a adotar a moda europeia, com roupas incompatíveis com o clima e com o estilo de vida dos colonos. A abertura dos portos para os produtos ingleses também trouxe uma série de novidades, mas sem nenhuma utilidade, tais como patins de gelo. Apesar das dificuldades iniciais, a instalação da corte no Rio de Janeiro dinamizou a sociedade, a economia e a cultura, dando ares metropolitanos à nova capital do Império Luso: em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Tal medida foi tomada em razão das pressões para que dom João retomasse a Portugal. Segundo determinação do Congresso de Viena (que se ocupou da reorganização política e territorial da Europa depois da queda de Napoleão), um Estado só poderia ser governado da metrópole, nunca da colônia. Na condição de reino, o Brasil deixava de ser colônia, e dom João podia permanecer aqui, tendo sido aclamado rei em 1818, com o título de dom João VI. O período joanino: contratempos no Brasil No Brasil, várias províncias, como a de Pernambuco, passaram a se queixar de merecerem a atenção do governo somente por ocasião do lançamento de novos impostos, ressentindo-se da posição ocupada pelo Rio de Janeiro. A Insurreição Pernambucana de 1817 teve importante papel na luta pela emancipação política. Na raiz desse movimento, estavam a crise econômica em que vivia a região, esquecida pela administração joanina, e o espírito republicano separatista nordestino. Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 A carga tributária exagerada para sustentar a corte portuguesa, os prejuízos dos grandes proprietários de terras em virtude de uma grande seca e a miséria da população estimularam a elite pernambucana, o clero, os comerciantes e as camadas populares a querer o desligamento de Portugal. Os revoltosos tinham por ideal a independência do Brasil, a proclamação de uma República federativa e a promulgação da Constituição. O governo reprimiu o movimento violentamente. Apesar do fracasso, a Insurreição Pernambucana deixou claro que a independência do Brasil era uma questão de tempo. O período joanino: contratempos em Portugal A Revolução Liberal de 1820, na cidade do Porto, em Portugal, foi um movimento burguês que exigia o retorno da família real. Os revoltosos propunham a elaboração de uma Constituição que limitasse o poder do monarca e defendiam a volta do Brasil à situação de colônia. Pressionado, dom João VI passou o trono brasileiro a seu filho, Pedro, na qualidade de príncipe regente, e embarcou de volta para Lisboa, em 1821. Ao chegar, teve seus poderes limitados pela Constituição elaborada pelos políticos liberais do Porto. Na prática, o Parlamento passou a governar Portugal. INDEPENDÊNCIA DO BRASIL - A Independência do Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1822. A partir desta data o Brasil deixou de ser uma colônia de Portugal. A proclamação foi feita por D. Pedro I as margens do riacho do Ipiranga em São Paulo. Causas: - Vontade de grande parte da elite política brasileira em conquistar a autonomia política; - Desgaste do sistema de controle econômico, com restrições e altos impostos, exercido pela Coroa Portuguesa no Brasil; - Tentativa da Coroa Portuguesa em recolonizar o Brasil. Medidas pré independência: Logo após o Dia do Fico, D. Pedro I tomou várias medidas com o objetivo de preparar o país para o processo de independência: - Organização a Marinha de Guerra - Convocou uma Assembleia Constituinte; - Determinou o retornou das tropas portuguesas; - Exigiu que todas as medidas tomadas pela Coroa Portuguesa deveriam, antes de entrar em vigor no Brasil, ter a aprovação de D. Pedro. - Visitou São Paulo e Minas Gerais para acalmar os ânimos, principalmente entre a população, que estavam exaltados em várias regiões. Ao viajar de Santos para São Paulo, D. Pedro recebeu uma carta da Coroa Portuguesa que exigia seu retorno imediato para Portugal e anulava a Constituinte. Diante desta situação, D. Pedro deu seu famoso grito, as margens do riacho Ipiranga: “Independência ou Morte!” MÓDULO 4. BRASIL IMPERIAL PRIMEIRO REINADO - Proclamada a independência, o Brasil assumiu a forma monárquica de governo. Uma monarquia imperial que teria no príncipe D. Pedro de Alcântara, herdeiro da Casa de Bragança, seu primeiro imperador. O governo de D. Pedro I, entre 1822 e 1831, denominou-se Primeiro Reinado, momento Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 em que se inicia a instalação do Estado Nacional brasileiro, em meio a dificuldades econômico- financeiras e aos primeiros conflitos internos, típicos de uma fase em que se acomodam os múltiplos interesses que marcaram a luta pela independência. (Ver: Guerras da Independência do Brasil). As propostas liberais da nova elite dirigente, agora dividida ao sabor de antigas divergências, entrou em choque com o absolutismo do Imperador, provocando o rompimento da aliança que assegurou a ruptura com Portugal. Opondo-se aos liberais brasileiros, que novamente se uniram para resistir ao autoritarismo imperial, o grupo português (comerciantes, militares e burocratas) aproximou-se de D. Pedro I, manobrando para garantir suas van- tagens e, no limite, inviabilizar a independência. O reconhecimento internacional da independência Uma vez vencida a resistência interna, o Império buscou o reconhecimento externo, francamente apoiado pela Inglaterra no âmbito europeu, onde Portugal recusava-se a aceitar a nova situação da ex-colônia. Contudo foram os Estados Unidos (26/5/1824) o primeiro país a reconhecer oficialmente a nação brasileira. O reconhecimento norte-americano baseava-se na Doutrina Monroe, que defendia o princípio “A América para os americanos”, reagindo à ameaça de intervenção daSanta Aliança na América. Além disso, era parte de uma política de resguardo dos promissores mercados da América Latina. A partir daí, o México e a Argentina também deram o seu reconhecimento. O reconhecimento português, sob pressão inglesa, deu-se em agosto de 1825, através do Tratado Luso-Brasileiro. Por esse tratado, Portugal concordava com a emancipação brasileira, mediante o pagamento, pelo Império, de uma indenização de dois milhões de libras esterlinas, além da concessão a D. João VI do título de Imperador Honorário do Brasil. Em outubro do mesmo ano, a França também reconhecia o Império, em troca de vantagens comerciais. A Inglaterra reconheceu o Brasil independente apenas em janeiro de 1826. Para tanto, exigiu a renovação dos tratados de 1810 por mais 15 anos, garantindo aos produtos ingleses baixas taxas alfandegárias, além de do governo imperial o compromisso de extinguir o tráfico negreiro, provocando assim, reações das elites agrárias. A primeira constituição - 1823 Firme oposição aos portugueses (militares e comerciantes) que ameaçavam a independência e queriam a recolonização. A constituição proibia os estrangeiros de ocupar cargos públicos de representação nacional e tinha a preocupação de limitar e diminuir os poderes do imperador e aumentar o poder legislativo. Também tinha a intenção de manter o poder político nas mãos dos grandes proprietários rurais. O projeto estabelecia que o eleitor precisava ter uma renda anual equivalente a, no mínimo, 150 alqueires de mandioca. Por isso o projeto ficou conhecido como Constituição da Mandioca. A constituição autorgada de 1824 Em seguida à dissolução da Constituinte de 1823, D. Pedro I, já governando de forma autoritária, nomeou um Conselho de Estado com a tarefa de redigir o novo projeto de Constituição, que ficou pronto em janeiro de 1824. Depois de enviado a todas as Câmaras Municipais do país e não ter recebido emendas ou críticas significativas, o Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 projeto foi assinado por D. Pedro I, tornando-se a Constituição do Império do Brasil, na prática, uma carta outorgada pelo Imperador em 25 de março de 1824. Essa carta, defendida pelo Imperador como uma constituição “duplicadamente liberal” era, na realidade, uma simplificação da Constituição da Mandioca, uma vez que se mantinha fiel aos princípios e às aspirações políticas da aristocracia rural. Confederação do Equador O nordeste atravessava uma grave crise econômica devido a queda das exportações de açúcar. Tomados por um sentimento anti-lusitano, diferentes setores da sociedade uniram-se em torno de idéias contrárias à monarquia e a centralização do poder. Diziam que o sistema de governo no Brasil deveria ser republicano, com a descentralização do poder e autonomia para as províncias. Os estados que participaram do movimento foram: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Os líderes mais democráticos da confederação defendiam a extinção do tráfico negreiro e a igualdade sacial para o povo. (Ver: Confederação do Equador) A guerra Cisplatina -Conflito armado entre Brasil e Argentina, disputando o atual Uruguai. A questão da sucessão portuguesa Com a morte de D. João VI, em 1826, D. Pedro foi aclamado rei de Portugal. A aceitação do título pelo Imperador provocou um profundo mal-estar entre todos os brasileiros, que se viam agora ameaçados pela reunificação das duas coroas, o que colocava em risco a independência do Brasil. Diante das sucessivas manifestações no Rio de Janeiro, D. Pedro renunciou ao trono português em favor de D. Maria da Glória, sua filha, que ainda era criança. Para governar como regente, D. Pedro indicou seu irmão, D. Miguel, de tendência absolutista e que acabou se apossando ilegitimamente do trono português. Sempre sob suspeita dos brasileiros e apoiado pelos constitucionalistas lusos, D. Pedro começou uma longa luta contra o irmão, sustentada por recursos nacionais e pelos empréstimos ingleses. A questão do trono português foi solucionada em 1830; um ano depois, abdicando ao trono brasileiro, D. Pedra se tomaria rei de Portugal. com título de Pedro IV. O problema dos tratados com a Inglaterra O Brasil independente herdou os tratados de 1810, celebrados por D. João com a Inglaterra. Foram esses tratados, especialmente o de Comércio e Navegação e o de Aliança e Amizade, que garantiram a continuidade da preponderância britânica no Império brasileiro. Em 1826, para garantir o reconhecimento da independência, D. Pedro I cedeu aos interesses ingleses, renovando a taxa preferencial de 15% sobre os produtos ingleses por mais quinze anos, com dois de carência, além da promessa de acabar com o tráfico negreiro. Em 1827, sob pressão da diplomacia inglesa, ocorreu a ratificação do acordado no ano anterior com um novo adendo: o Brasil assumia o compromisso de extinguir o tráfico de escravos em três anos. Com isso, D. Pedro I mostrava sua fraqueza diante Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 dos interesses britânicos e, especialmente com relação ao tráfico negreiro, feria diretamente os interesses da aristocracia rural escravista. Em vista disso, a Assembléia Geral procurou facilitar a concessão de privilégios semelhantes a outras nações, como a França, Áustria e Estados Unidos, entre outros. Em 1828, para melhorar a imagem desgastada, D. Pedro passou a adotar uma postura nacionalista e decretou a unificação das tarifas alfandegárias, ou seja, toda e qualquer mercadoria, procedente de qualquer país do mundo, pagaria apenas 15% de taxa alfandegária quando entrasse no Brasil. A redução das tarifas aduaneiras, na prática, a instauração do livre-cambismo no Brasil, reduziu drasticamente a arrecadação do governo e contribui, ainda mais, para o desequilíbrio na balança comercial brasileira. Economia e finanças do primeiro reinado A organização econômica do Brasil independente era a mesma dos tempos coloniais: predominava a lavoura mercantil escravista de produtos tropicais destinados ao mercado externo. Contudo, o açúcar e o algodão, os principais produtos de exportação, bem como outros produtos de menor importância, sofriam na primeira década do Estado Nacional os efeitos das crises de preço e de mercados. O açúcar tinha suas exportações em queda, devido à concorrência da produção cubana e do açúcar de beterraba europeu. Da mesma forma, a lavoura algodoeira era abalada pela expansão dos algodoais norte-americano. O tabaco era um produto em queda, devido à diminuição tráfico negreiro, e as exportações de cacau cresciam muito lentamente. As exportações de couro e peles também caíam, orientando-se, portanto, para o mercado interno. O café, na época, era ainda um produto secundário, só crescendo em importância a partir de 1835. Portanto, o Império brasileiro nascia em meio a uma crise econômica, com uma balança de comércio deficitária, pois a queda das exportações não era acompanhada pela redução das importações, que sempre mantinham o mesmo ritmo. Não havia ainda uma indústria nacional e, por isso, era preciso importar sempre mais. O governo conheceu também uma grave crise financeira, pois, nessa fase de montagem do Estado, dependia-se de dinheiro para tudo e o que se ganhava com as exportações não dava para cobrir nem as importações. Com isso, para fazer frente às despesas do Estado e cobriros déficits que se acumulavam, o governo imperial passou a emitir mais moedas e a emprestar mais dinheiro da Inglaterra, gerando o endividamento crônico que marcou a História do Brasil a partir do século passado. O fim do primeiro reinado Desde 1823, D. Pedro I trilhava o caminho do abso- lutismo, aliando-se ao Partido Português e chocando-se com o liberalismo dos brasileiros. Estes, aliados dentro do Partido Brasileiro, deixaram de lado as antigas divergências e passaram a fazer cerrada oposição ao Imperador. A resposta foi a crescente violência de D. Pedro e de seus partidários. O rompimento da aliança D. Pedro/elites agrárias, que levou à independência, iniciou-se em 1823, quando da dissolução da Constituinte pelo Imperador, seguida da outorga da Carta de 1824 e da violenta repressão à Confederação do Equador. A isso, somaram-se o envolvimento de D. Pedro na Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 questão sucessória portuguesa e a desastrosa Guerra da Cisplatina, abertamente condenada pela opinião pública. Todas essas ocorrências foram permeadas pela crise econômico-financeira que se agravava durante o período: a falência do Banco do Brasil, em 1828, espelha a situação do Brasil na época. Nesse quadro, cresceu e se fortaleceu à oposição ao imperialismo imperial, com a multiplicação dos jornais de liberal - "Aurora Fluminense", "O Repúblico" e "A Malagueta", entre outros -, e com os veementes pronunciamentos na Câmara dos Deputados, nos momento'" de curta convocação do Parlamento brasileiro. Abdicação de D. Pedro I Após oito anos pontuados por sucessivas crises, D. Pedro I acabou cedendo às pressões da aristocracia rural brasileira e abdicou ao trono brasileiro em favor de seu filho, também chamado Pedro de Alcântara, dando início ao Segundo Reinado. PERÍODO REGENCIAL - O Período Regencial (1831 a 1840) compreende a transição política do governo de D. Pedro I para o de D. Pedro II durante a qual o Brasil foi administrado pelas seguintes regências: Regência Trina Provisória – de sete de abril a 17 de junho de 1831; Regência Trina Permanente – de 17 de junho de 1831 a 12 de outubro de 1835; Regência Una – de 12 de outubro de 1835 a 23 de julho de 1840, subdividida em: Regência Una de Feijó (1835-1837) Regência Una de Araújo Lima (1837-1840) O objetivo das regências era manter a monarquia no país após aabdicação de Dom Pedro I, de forma a permitir que seu filho e herdeiro do trono, Pedro de Alcântara, então com cinco anos de idade, pudesse assumir a coroa, fato ocorrido em 1840 após o chamado Golpe da Maioridade. No plano econômico, ocorre entre 1831 e 1840, a expansão da cultura cafeeira na região do Vale do Paraíba, colocando em cena os “barões do café”. Nesse contexto, torna-se fundamental a manutenção da escravidão e do tráfico negreiro, apesar da pressão inglesa pela abolição. Como D. Pedro II era menor, a Constituição de 1824 determinava que deputados e senadores elegessem uma regência composta por três membros. No entanto, no dia 7 de abril, quando da saída de D. Pedro I, os parlamentares estavam de férias. Por isso, elegeram uma regência provisória, formada por Nicolau de Campos Vergueiro, José Joaquim de Campos (marquês de Caravelas) e brigadeiro Francisco de Lima e Silva (barão de Barra Grande). O Governo temporário foi substituído em junho de 1831 pela Regência Trina Permanente composta novamente pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva, além dos deputados José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz. A figura de maior destaque no período, entretanto, foi o padre Diogo Antônio Feijó, que ocupava o cargo de ministro da Justiça. Tal formação administrou o país até 12 de outubro de 1835. A principal contribuição política do período foi a modificação da Constituição pelo Ato Adicional tornando-a mais democrática. A regência trina foi transformada em una, com mandato de quatro anos. Outro fator relevante é a criação da Guarda Nacional, subordinada ao Ministério da Justiça. Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Com a aprovação do Ato Adicional em 1834, torna- se evidente uma divisão entre os moderados. Os que eram a favor do Ato Adicional começaram a ser chamados de progressistas, e os que eram contra passaram a ser conhecidos como regressistas. Estes últimos aproximaram-se dos antigos restauradores a favor do centralismo, enquanto os primeiros mantinham-se favoráveis à descentralização impulsionada pelo Ato. Nas eleições de de 7 de abril de 1835, realizadas para determinar o regente de acordo com a nova definição dada pelo Ato Adicional, vence Diogo Feijó, candidato do Partido Moderador. No período entre 1831 a 1837, que compreende as regências Trina Provisória, Trina Permanente e Una de Feijó foram tomadas várias medidas liberais. A partir de 1837, entretanto, intensificam-se no país revoltas e rebeliões populares como a Cabanagem, Sabinada e a Farroupilha. Além das disputas por todo o Brasil, as pressões pela revogação do Ato Adicional e a resistência dos barões do café às idéias abolicionistas de Feijó levam-no a renunciar, nomeando Pedro Araújo Lima, do Partido Conservador, como substituto. A Regência Una de Araújo Lima caracterizou-se como um período de retorno das idéias regressistas. O regente, no entanto, teve seu mandato interrompido pelo Golpe da Maioridade. REBELIÕES REGENCIAIS - As Revoltas Regenciais foram rebeliões que ocorreram em várias regiões do Brasil durante o Período Regencial (1831 a 1840). Aconteceram em função da instabilidade política que havia no país (falta de um governo forte) e das condições de vida precárias da população pobre, que era a maioria naquele período. Principais revoltas: Cabanagem (1835 a 1840) - Local: Província do Grão-Pará - Revoltosos: índios, negros e cabanos (pessoas que viviam em cabanas às margens dos rios). - Causas: péssimas condições de vida da população mais pobre e domínio político e econômico dos grandes fazendeiros. Balaiada (1838 a 1841) - Local: Província do Maranhão - Revoltosos: pessoas pobres da região, artesãos, escravos e fugitivos (quilombolas). - Causas: vida miserável dos pobres (grande parte da população) e exploração dos grandes comerciantes e produtores rurais. Sabinada (1837 a 1838) - Local: Província da Bahia - Revoltosos: militares, classe média e pessoas ricas. - Causas: descontentamento dos militares com baixos salários e revolta com o governo regencial que queria enviá-los para lutarem na Revolução Farroupilha no sul do país. Já a classe média e a elite queriam mais poder e participação política. Guerra dos Farrapos (1835 a 1845) - Local: Província de São Pedro do Rio Grande do Sul (atual RS). - Revoltosos: estancieiros, militares-libertários, membros das camadas populares, escravos e abolicionistas. - Causas: descontentamento com os altos impostos cobrados sobre produtos do sul (couro, mulas, charque, etc.); revolta contra a falta de autonomia Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 das províncias. Revolta dos Malês (1835) - Local: cidade de Salvador, Província da Bahia. - Revoltosos: escravos de origem muçulmana. - Causas: os revoltososeram contrários à escravização, à imposição do catolicismo e às restrições religiosas. SEGUNDO REINADO – D. Pedro II é aclamado imperador aos 15 anos de idade. A antecipação de sua maioridade, para que ele pudesse assumir o trono real, foi uma decisão tomada pelos políticos do Partido Liberal. Esta foi a única opção encontrada para se por fim ao governo regencial, que na época era visto como o provável causador das rebeliões e abalos sociais que passaram a atingir o país após a abdicação de D. Pedro I. Este feito entrou para a história como o “golpe da maioridade”. Seu reinado, no entanto, só inicia de fato um ano depois, no dia 23 de julho de 1840, e se prolonga até 15 de novembro de 1889, quando se implanta a República. Foi um momento em que o país passou por várias mudanças internas: coibição e indulto aos movimentos revoltosos e separatistas; reorganização do cenário político, com a instituição de dois partidos; a instauração do sistema parlamentarista e a reativação do comércio internacional. O poder do café na economia do país O café detinha ótimas condições de plantio. O Sudeste contava com solo e clima favoráveis - Minas Gerais, após a decadência da mineração, passou a investir na plantação do café, no Rio de Janeiro ele se espalhou até Campos e ao sul do Estado chegou a Vassouras, situada no Vale do Paraíba, quando a produção voltou-se para o comércio exportador. Houve um aquecimento na economia do país, o que alimentou a ganância dos grandes proprietários rurais, que passaram a utilizar a mão-de-obra escrava em grande escala. O país passou a exportar mais do que importava, alcançando rapidamente superávit na balança comercial. Nasce uma nova classe social - apoiada pelos comerciantes -, a qual sustentava o governo imperial e detinha grande influência política. Com o advento do café formaram-se muitas cidades, surgiram novos latifúndios e conseqüentemente muitos barões do café, os quais obtiveram seus títulos de nobreza junto ao imperador. Surgiram as ferrovias e os portos de Santos e do Rio de Janeiro prosperaram, sendo até hoje os mais conceituados no Brasil. Partidos Políticos vigentes no segundo reinado - Partido Liberal - constituiu-se no ano de 1837, protegia os interesses dos indivíduos que formavam a classe média da sociedade urbana e comercial, a ambição dos bacharéis, os ideais políticos e sociais avançados das classes não comprometidas diretamente com a escravidão, e cuidava também do que era importante para os donos de terras. - Partido Conservador - pregava a conservação do poder político nas mãos dos grandes donos de escravos campestres. Não defendia o caráter revolucionário ou democrático do regime. No decorrer do segundo reinado, liberais e conservadores se revezaram no poder. Profº André Feital UNIDADE GARDÊNIA AZUL – Rua Menta, nº 200, sala 301. 3477-8723 / 3243-2217 / 3248-8366 Parlamentarismo e Poder Moderador No ano de 1847 foi implantado o Parlamentarismo, forma de governo na qual o poder responsável por criar as leis – o Legislativo -, representado pelos deputados e senadores, passa a exercer um posto muito respeitado. O parlamentarismo no Brasil iniciou-se, de fato, com a instituição da presidência do corpo consultivo de ministros e quem fixava o nome do eleito era D. Pedro II. O sistema parlamentar brasileiro tinha uma característica própria, oposta ao do regime da Inglaterra – neste país o povo tinha o direito de indicar o seu parlamentar, a quem cabia optar pela escolha do primeiro-ministro e sua deposição, caso necessário. No Brasil era o presidente do conselho quem estabelecia o quadro de ministros, motivo pelo qual historicamente ficou conhecido como Parlamentarismo às avessas. D. Pedro II, que contava com o apoio do Partido Moderador, gozava de absoluto poder sobre a Assembléia, tendo força suficiente para demitir todo o ministério e escolher outro presidente do conselho, ou até mesmo diluir a Câmara e chamar novas eleições, conforme os acontecimentos políticos do momento. Escravidão e ausência de participação popular O governo imperial brasileiro resistia em banir o tráfico de escravos, contando com o apoio da elite. Contudo, havia tratados, normas sociais e acordos firmados neste sentido com a Inglaterra, país que, por razões econômicas, defendeu o fim do tráfico de escravos. No dia 4 de setembro de 1850, pela lei n◦ 581, o Brasil deu-se por vencido e tornou oficialmente pública a Lei Eusébio de Queirós, a qual decidiu categoricamente eliminar o tráfico de escravos para o Brasil. Os últimos escravos que para cá foram trazidos aportaram em Pernambuco em 1855. Foi somente em 13 de maio de 1888 que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que terminou com a escravidão dos negros no Brasil. Sem a mão-de- obra escrava, a solução encontrada pelos bem sucedidos fazendeiros paulistas foi o estímulo à vinda de colonos estrangeiros, os quais introduziram o trabalho assalariado. O Brasil foi um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão. Declínio do Segundo reinado A República estava surgindo aos poucos, como conseqüência de profundas mudanças econômicas, políticas e sociais que estavam ocorrendo no País. A produção de café, em virtude do desgaste do solo, decaiu no Vale do Rio Paraíba e no Rio de Janeiro. Em contrapartida, o Oeste Paulista ampliou sua produção, favorecido pelas terras roxas, adequadas ao cultivo do café. Para os grandes proprietários de terras nordestinos a monarquia já não lhes favorecia; assim o sistema monárquico foi perdendo força perante as novas pretensões políticas e sociais emergentes. As mudanças incomodaram e através de um golpe político implantou-se a República no Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, quando o marechal Deodoro da Fonseca assumiu o governo transitório da república.