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NOTAS DE ESTUDO 
DA DISCIPLINA PROCESSOS PSICOLÓGICOS BÁSICOS
	LIVROS
PSICOLOGIAS
(BOCK, Ana M. B.; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes T. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 14a. ed. São Paulo: Saraiva, 2008)
CAPÍTULO 10 – INTELIGÊNCIA, MEMÓRIA E PERCEPÇÃO
· Piaget:
· “A inteligência é a solução de um problema novo para o indivíduo, é a coordenação dos meios para atingir um certo fim, que não é acessível de maneira imediata: enquanto o pensamento é a inteligência interiorizada e se apoiando não mais sobre a ação direta, mas sobre um simbolismo, sobre a evocação simbólica pela linguagem, pelas imagens mentais etc”.
· Capacidade de pensar – como pensamos.
· Capacidade de decisão – capacidade de discernimento.
· ... somente muito recentemente a neurociência descobriu os fatores cerebrais ligados à memória e ao processo de decisão.
· ... a exagerada valorização do conhecimento racional, produzido a partir de Descartes (1596-1650), ajudou a construir uma determinada noção e valor da normalidade.
· Critério da normalidade racional: capacidade de o indivíduo se destacar no desempenho de atividades intelectuais e pela capacidade dos demais de resolver problemas básicos do dia a dia.
· 1921: primeiro simpósio sobre inteligência.
· Grosso modo, podemos dizer que os psicólogos se dividiram em dois grandes blocos quanto à compreensão desse aspecto do pensamento (cognição) humano: a abordagem da Psicologia diferencial e a abordagem dinâmica.
· A Psicologia diferencial, baseando-se na tradição positivista, considera que a tarefa da ciência é estudar aquilo que é observável (positivo) e mensurável. 
· Portanto, a inteligência, para ser estudada, deve se tornar observável. 
· Essa capacidade humana foi, então, decomposta em inúmeros aspectos e manifestações. 
· Não observamos diretamente a inteligência, mas podemos medi-la pelos comportamentos humanos, que são expressões da capacidade cognitiva.
· 1904: Alfred Binet: primeiros testes de inteligência.
· Binet partiu daquilo que as crianças poderiam realizar em cada idade.
· QI: Quociente Intelectual.
· ... o quociente intelectual se modifica ou não no decorrer da vida (?):
· ... concluindo, pode-se dizer que o QI tende a ser estável quando as condições de desenvolvimento da criança também o são: se tais condições se modificarem para melhor ou para pior, o mesmo acontecerá com o QI.
· Problemas dos testes de inteligência:
· O termo inteligência era compreendido de diferentes maneiras pelos psicólogos;
· A rotulação ou classificação das crianças.
· Tendenciosidade: testes construídos em função de fatores valorizados pela sociedade. 
· A abordagem dinâmica: a abordagem da subjetividade, que questionou fundamentalmente a decomposição da totalidade humana em diversos aspectos ou fatores, introduziu na Psicologia uma nova forma de interpretar os dados obtidos por meio dos testes psicológicos [e não mais nos testes de inteligência].
· O termo inteligência é questionado – a inteligência passa a ser um adjetivo que qualifica a produção cognitiva e intelectual, e não o sujeito.
· Os dados obtidos nos testes deixaram de ser considerados como medidas da inteligência. 
· Passaram a ser vistos como medidas apenas de eficiência do sujeito e as alterações dessa eficiência encaradas como sintomas de perturbações globais e não como indicadores de potencial intelectual deficiente.
· Os testes passam a ser instrumentos auxiliares na identificação de dificuldades, que são encaradas como sintomas de conflitos; tornam-se instrumentos para iniciar um trabalho de recuperação, e não instrumentos para finalizar um trabalho de classificação.
· O estudo do comportamento intelectual ou cognitivo do indivíduo, ou outro qualquer, é feito em função de sua personalidade e de seu contexto social.
· A inteligência deixa de ser estudada com uma capacidade isolada, para ser pensada como capacidade cognitiva e intelectual que integra a globalidade humana.
· Nessa abordagem dinâmica, supõe-se que o indivíduo, quando está bem do ponto de vista psíquico, conseguindo lidar adequadamente com seus conflitos, tem todas as condições para enfrentar o mundo, realizando atos “inteligentes”, ou seja, resolvendo adequadamente problemas que se apresentam, sendo criativo, verbalizando bem suas ideias etc.
INTELIGÊNCIA, MEMÓRIA E PERCEPÇÃO
· Ortega y Gasset: “O homem não tem natureza, o homem tem história”.
· Ao transformar-se em ser pensante [através do trabalho, da atividade e da ação sobre o mundo real], o ser humano modificou sua forma de agir no mundo.
· Sua ação passou a ser uma ação consciente; seu trabalho, proposital e não mais instintivo, como nos animais.
· ... uma eficiente máquina de controle para a ação consciente.
· ... os humanos conseguiram escapar do pensamento compartimentado – em dado momento da evolução, os setores cerebrais passaram a se comunicar entre si.
· Padrão de memória: pressão imediata pela sobrevivência + preocupação com o futuro.
· Essa forma de conexão das sinapses nervosas permitiu a unificação da consciência humana como processo que, inclusive, permitindo a autoconsciência, fez com que o animal humano controlasse seu próprio desenvolvimento por meio do desenvolvimento da tecnologia.
PAPEL DA MEMÓRIA E DA PERCEPÇÃO
· A linguagem.
· A linguagem simbólica, que permite a troca de informações... leva à construção da cultura humana.
· Dois processos básicos do psiquismo humano foram muito importantes: a memória e a percepção.
· ... nossa percepção é dirigida pela nossa própria história de vida e pela nossa cultura.
· Percebemos as coisas do mundo de acordo com a experiência anterior e essa experiência combina a experiência pessoal (ontológica) e a experiência de toda a humanidade (filológica).
· Memória – linguagem.
· Por um lado, [a memória] é um processo biológico com seus limites; por outro, trata-se de um processo social, cultural e histórico.
· O esquecimento é uma forma de proteger nossa dinâmica de armazenamento de fatos importantes e que merecem ser lembrados.
· A memória de longa duração depende de outros fatores de caráter fisiológicos e emocionais.
· ... a informação ou experiência, depois de passar pelas estruturas da memória de curta duração, necessitará de síntese proteica que garanta sua manutenção para além das 48 horas depois de aprendidas. 
· Memória social.
TIPOS DE MEMÓRIA
· Denominamos memórias os produtos mais ou menos permanentes que subjazem o processo de aprendizado.
· Ou seja, se a aprendizagem é o processo mediante o qual adquirimos informações, então a palavra “memória” se refere à persistência dessa informação em um estado tal que possa ser evocada consciente ou inconscientemente no futuro.
· Memória sensorial
· Memória de curta duração 
· Pode proceder diretamente da memória sensorial ou da de longa duração, bem como ser o resultado do processamento mental desses dados.
· Memória de trabalho
· Dura segundos e é parecida com a memória do computador.
· Memória de longa duração
· Explícitas (ou declarativas)
· Acesso consciente
· Implícitas (ou não declarativas)
· Procedimentos (vg andar de bicicleta)
· Habituação
· Condicionamento
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
· Capacidade de o indivíduo perceber, nomear, administrar e compreender a emoção em si e nos outros para utilizá-la de forma a favorecer sua adaptação no meio em que vive.
· Habilidade para reconhecer suas próprias emoções, diante de um estímulo qualquer, antes que interfiram em seu comportamento, controlando-as, a fim de que sejam manifestadas de maneira adequada... mantendo intacta a capacidade de raciocínio.
INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA: temas e variações
(WEITEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e varações. Revisão técnica Erika Lourenço; tradução Noveritis do Brasil. 3a. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2022)
CAPÍTULO 4 – SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO
· (p. 100):
· Sensação é a estimulação dos órgãos do sentido
· A sensação envolve a absorção de energia, como a luz ou as ondas sonoras pelos órgãos sensoriais, como os olhos e os ouvidos.
· Percepção é a seleção, organizaçãoe interpretação do impulso sensorial.
· A percepção envolve a organização e tradução do impulso sensorial em algo significativo.
· A experiência que as pessoas têm do mundo depende de ambos: o estímulo físico com que elas se deparam (sensação) e o seu processamento ativo dos impulsos de estímulo (percepção).
4.1. Sistema visual: princípios básicos da visão
· (p. 100 ss.)
· Luz, cristalino, pupila, retina, cones, bastonetes.
· O cristalino é uma estrutura transparente do olho que concentra os raios de luz da retina.
· A íris é o anel colorido de músculo em redor da pupila.
· A pupila é a abertura no centro da íris que ajuda a regular a quantidade de luz que passa para a câmara posterior do olho.
· A retina é o tecido neural que reveste a superfície interna do olho; ela absorve a luz, processa as imagens e envia a informação visual do cérebro.
· Os cones são receptores visuais especializados que desempenham importante função na visão diurna e na visão em cores.
· Os bastonetes são receptores visuais especializados que desempenham importante função na visão noturna e na visão periférica.
4.2. Sistema visual: processos perceptivos
· (p. 110 ss.):
· O mesmo impulso visual pode resultar em percepções radicalmente diferentes.
· Não há correspondência um a um entre o impulso sensorial e o que se percebe.
· Essa é uma das principais razões pelas quais a experiência que as pessoas têm do mundo é subjetiva.
· A percepção envolve muito mais do que receber passivamente sinais do mundo exterior.
· Ela envolve a interpretação do impulso sensorial.
· [No caso das figuras reversíveis], nossas interpretações resultam em duas “realidades” diferentes, porque suas expectativas foram manipuladas.
· A informação fornecida acerca do esboço criou um conjunto perceptivo – uma prontidão para perceber um estímulo de maneira particular.
· Um conjunto perceptivo cria certa inclinação na interpretação de impulsos sensoriais.
· Vários outros estudos também demonstraram que, até certo ponto, temos a tendência para ver o que queremos ver.
· A percepção da forma também depende da seleção da entrada sensorial – ou seja, aquilo no que as pessoas focam sua atenção.
· Análise de características – montando formas:
· Análise de características é um processo de detecção de elementos específicos no impulso visual e a sua montagem para a obtenção de uma forma mais complexa.
· Em outras palavras, começa-se com os componentes de uma forma, como linhas, bordas e cantos, e, com isso constroem-se percepções de quadrados, triângulos, sinais de trânsito, bicicletas, sorvetes e telefones.
· Vendo o todo: princípios da Gestalt
· Às vezes o todo, como o percebemos, pode ter qualidades que não existem em nenhuma das partes.
· Essa percepção – de que o todo pode ser maior que a soma das partes – se tornou a premissa básica da psicologia da Gestalt, uma importante escola de pensamento que surgiu na Alemanha, na primeira metade do século XX.
· Formulando hipóteses perceptivas
· Na percepção visual, as imagens projetadas na retina são versões distorcidas, bidimensionais de seus homólogos reais, tridimensionais.
· ... as pessoas estão constantemente elaborando e testando hipóteses sobre o que há no mundo real.
· Uma hipótese perceptiva é uma inferência sobre qual forma poderia ser responsável por um padrão de estimulação sensorial.
· Percebendo a profundidade e a distância
· Indícios binoculares, indícios monoculares
4.3. Sistema auditivo: audição
· (p. 120 ss):
· O estímulo: o som
· Capacidades auditivas, processamento sensorial no ouvido, percepção auditiva (teorias da audição), localização auditiva (fontes perceptivas do som).
4.4. Nossos outros sentidos: paladar, olfato e tato
· (p. 123 ss.)
· Paladar (o sistema gustativo), olfato (o sistema olfativo), tato (sistemas sensórias da pele)
4.5. Refletindo sobre os temas do capítulo
· (p. 130):
· Neste capítulo, três dos nossos temas unificadores foram destacados:
· (1) a psicologia é teoricamente diversa (diversidade teórica)
· (2) a experiência que as pessoas têm do mundo é muito subjetiva (subjetividade da experiência)
· (3) nosso comportamento é moldado por nossa herança cultural (herança cultural)
CAPÍTULO 5 – VARIAÇÕES DA CONSCIÊNCIA
5.1. Sobre a natureza da consciência
· (p. 140):
· O que é a consciência?
· Consciência é a percepção dos estímulos internos e externos.
· Inclui:
· Sua percepção de eventos externos
· Sua percepção de suas sensações internas
· A percepção de seu eu como um ser único experimentando essas coisas.
· O conteúdo da consciência muda continuamente. Raramente a consciência está parada. Ela se move, flui, flutua.
· William James batizou esse fluxo contínuo de “fluxo da consciência”.
· Enquanto James enfatizava o fluxo da consciência, Freud queria examinar o que acontecia sob a superfície desse fluxo.
· Processos conscientes e inconscientes são diferentes níveis de percepção.
· Deste a época de Freud, pesquisas têm mostrado que as pessoas continuam a manter alguma percepção durante o sono e até mesmo quando são colocadas sob o poder de anestésicos para cirurgias.
· A sensibilidade seletiva dos pais/mães a sons significa que algum processo mental deve estar ocorrendo durante o sono.
· A consciência não surge de nenhuma estrutura distinta [específica?] no cérebro, pelo contrário, é o resultado da atividade em redes distribuídas nos caminhos neurais.
· O eletroencefalógrafo (EEG) é o equipamento que monitora a atividade elétrica do cérebro no tempo, por meio de eletrodos de gravação fixados à superfície do couro cabeludo.
· Em outras palavras, ele resume o ritmo da atividade cortical do cérebro em forma de linhas chamadas ondas cerebrais.
· Os traços das ondas do cérebro variam em amplitude (altura) e frequência (ciclos por segundo).
· Tudo o que sabe, com certeza, é que as variações na consciência são associadas às variações na atividade cerebral.
5.2. Os ritmos biológicos e o sono
· (p. 142-143):
· As variações de consciência são moldadas, em parte, pelos ritmos biológicos.
· Seres humanos e muitos outros animais possuem ritmos biológicos ligados a esses ritmos planetários [luz, escuridão, fases da lua e estações].
· Ritmos biológicos são flutuações periódicas no funcionamento fisiológico.
· A existência desses ritmos significa que os seres vivos têm “relógios biológicos” internos que, de alguma forma, monitoram a passagem do tempo.
· O papel dos ritmos circadianos
· Ritmos circadianos são ciclos biológicos de 24 horas encontrados nos seres humanos e em muitas outras espécies.
· O que acontece quanto ignoramos nosso relógio biológico e vamos dormir em uma hora incomum? 
· Normalmente, a qualidade do sono sofre.
5.3. O ciclo sono-vigília
· (p. 143 ss.)
· Embora seja um estado familiar da consciência, o sono é muitas vezes mal-entendido.
· Historicamente, as pessoas sempre pensaram o sono como um estado único e uniforme, de inatividade física e mental, durante o qual o cérebro está “desligado”, quando, na realidade, no período do sono passamos por diversos estágios de consciência e experimentamos muitas atividades físicas e mentais ao longo da noite.
· ... a fase REM é um estágio profundo do sono, marcado por movimentos oculares rápidos, ondas cerebrais de alta frequência e sonhos.
· Durante a noite, as pessoas repetem esse ciclo do sono cerca de quatro vezes.
· Embora a idade claramente afete a natureza e a estrutura do próprio sono, a experiência psicológica e fisiológica do sono não parece variar sistematicamente de uma cultura para outra.
· Privação do sono
· As pesquisas científicas sobre privação do sono apresentam-se como um paradoxo.
· De um lado, alguns estudos sugerem que ela não é tão prejudicial como muitas pessoas subjetivamente pensam que seja.
· Do outro, há evidências de que a privação do sono pode ser um problema social importante, minando a eficiência no trabalho e contribuindo para inúmeros acidentes.
· Pesquisas indicam que a restrição do sono pode prejudicar a atenção, o tempo de reação, a coordenação motora, a tomada de decisão e, também, podeter efeitos negativos no funcionamento do sistema endócrino e imunológico do indivíduo.
· Alguns estudos influentes sugerem que o sono REM e o sono de ondas lentas contribuem para firmar o aprendizado que ocorre durante o dia – um processo chamado consolidação da memória.
· ... estudos sugerem que os efeitos benéficos do sono podem não estar limitados apenas em melhorar a memória; o sono também melhora o aprendizado e a solução de problemas.
· A insônia é o mais comum entre os transtornos do sono.
· Insônia diz respeito a problemas crônicos relativos à incapacidade e dormir adequadamente que resulta em fadiga diurna e o no funcionamento comprometido.
· Ela ocorre em três padrões básicos:
· (1) dificuldade em conseguir pegar no sono
· (2) dificuldade em permanecer dormindo
· (3) acordar persistentemente muito cedo.
· Os riscos potenciais das medicações para dormir são colocados em foco pelos estudos que relatam aumento drástico de mortalidade entre os que utilizam as pílulas.
· Outros problemas do sono.
· A narcolepsia é uma doença marcada por repentinos e irresistíveis ataques de sono durante as horas normais em que as pessoas estão acordadas.
· A apneia envolve arfadas frequentes e reflexas que acordam a pessoa e perturbam o sono.
· O sonambulismo, ou andar enquanto dorme, ocorre quando a pessoa se levanta da cama e vagueia ainda dormindo.
· O distúrbio comportamental do sono REM (DCS) é marcado pela manifestação de sonhos potencialmente problemáticos durante os períodos de REM.
· A causa do DCS parece ser a deterioração das estruturas do tronco cerebral que são geralmente responsáveis pela imobilização durante os períodos de REM.
· A maioria das pessoas que sofre do DCS desenvolve distúrbios neurodegenerativos, especialmente o mal de Parkinson.
5.34 O mundo dos sonhos
· (p. 153):
· O conteúdo dos sonhos
· O único elemento quase universal dos sonhos é o senso estável e coerente de si – as pessoas quase sempre vivenciam sonhos na primeira pessoa.
· Embora uma pequena minoria leve seus sonhos a sério, nas culturas ocidentais os sonhos são considerados insignificantes divagações do inconsciente.
5.5. Hipnose: consciência alterada ou representação de papeis?
· (p. 156 ss.)
· A hipnose é um procedimento sistemático que normalmente produz um estado aumentado de sugestionamento.
· Alguns dos mais proeminentes fenômenos hipnóticos incluem:
· Anestesia
· Distorções sensoriais e alucinações
· Desinibição
· Sugestões pós-hipnóticas e amnésia.
· A hipnose como representação de papeis.
· A hipnose como um estado alterado de consciência.
· De acordo com Hilgard, a hipnose cria uma dissociação de consciência.
· Dissociação é uma divisão dos processos mentais em duas correntes simultâneas separadas da consciência.
· Um aspecto interessante da teoria de Hilgard é que a consciência dividida é uma experiência normal (“hipnose das estradas”).
5.6. Meditação: em busca de maior consciência
· (p. 158-159)
· Meditação refere-se a um conjunto de práticas que treinam a atenção para aumentar a consciência e trazer processos mentais para um controle voluntário maior.
· Atenção focada
· Monitoramento aberto
5.7. Alteração da consciência com drogas
· (p. 159 ss.)
· Como a hipnose e a meditação, drogas são comumente usadas em esforços deliberados para alterar a consciência.
· Principais drogas e seus efeitos
· As drogas ilícitas são chamadas psicoativas.
· Drogas psicoativas são substâncias químicas que modificam o funcionamento mental, emocional ou comportamental.
· São seis principais categorias:
· Narcóticos ou opiáceos: são drogas derivadas do ópio que podem aliviar a dor.
· Heroína e morfina
· Sedativos: são drogas que induzem ao sono e tendem a diminuir a ativação do sistema nervoso central e atividade comportamental.
· barbitúricos
· Estimulantes: são drogas que tendem a aumentar a ativação do sistema nervoso central e a atividade comportamental.
· Cafeína, nicotina, crack, crank
· Alucinógenos: são um grupo diverso de drogas que têm efeitos poderosos sobre o funcionamento mental e emocional, marcados principalmente por distorções da experiência sensorial e perceptual.
· LSD, mescalina e psilocibina
· Cannabis: planta da qual a maconha, o haxixe e o tetraidrocanabinol (THC)
· THC é o ingrediente químico ativo da cannabis
· (p. 164): a grande maioria dos usuários de maconha não desenvolve psicoses, mas parece que a maconha pode ativar a doença psicótica em pessoas com vulnerabilidade.
· Álcool 
· Fatores que influenciam nos efeitos das drogas
· Causalidade multifatorial
· Subjetividade da experiência
· Tolerância: é a progressiva diminuição na resposta de uma pessoa a uma droga como resultado do uso continuado.
· Mecanismos de ação das drogas
· Muitas drogas têm efeitos que repercutem por todo o corpo; entretanto, drogas psicoativas funcionam principalmente pela alteração da atividade neurotransmissora no cérebro.
· Dependência
· A dependência física existe quando uma pessoa tem de continuar tomando uma droga para evitar distúrbios advindos de sua abstinência
· A dependência psicológica existe quando uma pessoa tem de continuar tomando uma substância para satisfazer o intenso desejo mental e emocional da droga.
CAPÍTULO 7 – A MEMÓRIA HUMANA
· (p. 214):
· A memória envolve mais do que absorver informação e armazená-la em algum compartimento mental.
· Três questões, que correspondem aos três processos principais envolvidos na memória (codificação, armazenamento, recuperação):
· Como a informação entra na memória?
· Como é mantida na memória?
· Como é resgatada a memória?
· Codificação envolve a formação de um código de memória.
· Codificar geralmente requer atenção: em muitos casos, você não se recordará de coisas, a não ser que faça um esforço consciente para tal.
· Armazenamento envolve a manutenção da informação codificada na memória por um período.
· Recordação (recuperação) envolve o resgate das informações armazenadas na memória.
7.1. Codificação: registrando a informação na memória
· (p. 215):
· O papel da atenção
· Em geral, você precisa prestar atenção à informação se pretende lembrá-la.
· A atenção envolve a focalização consciente a uma classe restrita de estímulos ou eventos.
· A atenção é a seleção do estímulo.
· ... o cérebro humano pode lidar de maneira eficaz com apenas uma tarefa que consome a atenção por vez.
· (p. 216):
· Níveis de processamento
· A atenção é fundamental para a codificação das memórias. 
· Craik e Lochart propõem que a entrada de informação pode ser processada em diferentes níveis.
· Por exemplo, eles sustentam que, ao lidar com informação verbal, as pessoas se encaixam em três níveis progressivamente mais profundos do processamento:
· Codificação estrutural
· Codificação fonética
· Codificação semântica
· As teorias de níveis de processamento propõem que os mais profundos níveis de processamento resultam em traços de memória mais duradouros.
· Codificação enriquecedora
· As codificações estrutural, fonética e semântica não são os únicos processos envolvidos na formação dos traços da memória.
· Outras dimensões que podem enriquecer o processo de codificação e assim melhorar a memória incluem elaboração, imagem mental e motivação que as pessoas têm para se lembrar.
· Elaboração
· Consiste em ligar um estímulo a outra informação no momento da codificação.
· Imagens mentais
· Criação de imagens mentais para representar palavras a serem lembradas.
· É mais fácil criar imagens para objetos concretos do que para conceitos abstratos.
· As imagens mentais facilitam a memória porque fornecem um segundo tipo de código para a memorização, e dois códigos são melhores que um.
· Motivação para lembrar
7.2. Armazenamento: mantendo a informação na memória
· (p. 218):
· Segundo o modelo mais influente (Atkinson e Shiffrin), a informação de entrada passa por dois divisores temporários de armazenamento – o armazenamento sensorial e o de curto prazo – para depois ser transferida para o de longo prazo.
· Memória sensorial
· A memória sensorial preserva a informação em sua forma sensorial originalpor um curto período, geralmente apenas uma fração de segundo.
· Memória de curto prazo
· A memória de curto prazo (MCP) é um armazenamento de capacidade limitada que pode manter informação não reprocessada por até 20 segundos.
· Não obstante, pode-se prolongar esse tempo: pelo reprocessamento da informação – o processo de repetidamente verbalizar ou pensar na informação.
· Capacidade de armazenamento
· A memória de curto prazo é também limitada quanto ao número de itens que pode abranger.
· As pessoas rotineiramente retiram a informação de seus bancos de memória de longo prazo para avaliar e entender a informação com que estão trabalhando na memória de curto prazo.
· Memória de trabalho como “memória de curto prazo”
· ... um modelo mais complexo de memória de curto prazo, que a caracteriza como memória de trabalho – um sistema modular para manipulação e armazenamento temporários de informações.
· A capacidade de memória de trabalho refere-se à habilidade de manter e manipular informações na atenção consciente.
· ... indivíduos com alta capacidade de memória de trabalho tendem a deixar sua mente divagar sobre a tarefa imediata, em comparação aos indivíduos com baixa capacidade de memória de trabalho quando as demandas por atenção para a tarefa forem modestas – supostamente porque eles podem efetivamente fazer isso – mas eles também conseguem manter seu foco com eficácia quando necessário.
· A capacidade de memória de trabalho é vital para a cognição complexa.
· Memória de longo prazo
· A memória de longo prazo (MPL) é um armazenamento de capacidade ilimitada que pode manter informação por períodos mais longos.
· Diferentemente da memória sensorial e da de curto prazo, que esmorecem rapidamente, a memória de longo prazo pode armazenar informação indefinidamente e é durável. Algumas informações podem permanecer na MPL por toda a vida.
· (p. 222):
· Como o conhecimento é representado e organizado na memória?
· Categorias e hierarquias conceituais
· As pessoas organizam espontaneamente as informações em categorias para armazená-las na memória.
· Hierarquia conceitual é um sistema de classificação de múltiplos níveis de acordo com as propriedades comuns entre os itens.
· Esquemas
· Esquema é um conjunto organizado de conhecimentos a respeito de um objeto em particular ou evento absorvido de experiência anterior com o objeto ou evento.
· As pessoas têm uma tendência maior a se lembrar das coisas que são condizentes com seus esquemas do que das que não são.
· O inverso também é verdade: as pessoas às vezes têm melhor recordação das coisas que violam suas expectativas.
· Redes semânticas
· Consiste em pontos que representam conceitos interligados.
7.3. Recordação: recuperando a informação na memória
· (p. 224):
· Usando pistas para auxiliar a recordação
· ... as lembranças podem, com frequência, ser manipuladas com pistas de recordação – estímulos que ajudam no acesso às lembranças – como sugestões, informações relacionadas ou recordações parciais.
· (p. 225):
· Restabelecendo o contexto de um evento
· ... efeitos das pistas contextuais na lembrança.
· Reconstruindo memórias
· Na realidade, todas as memórias são reconstruções grosseiras do passado que podem estar distorcidas e incluir detalhes que, na verdade, não ocorreram.
· O efeito da informação equivocada ocorre quando a recordação de um evento por parte dos participantes que o testemunharam é alterada pela introdução de uma informação enganosa pós evento.
· (p. 226):
· Os estudos demonstraram que a influência das informações errôneas não é limitada às memórias de eventos que alguém viveu ou testemunhou pessoalmente; ela também pode distorcer o conhecimento dessa pessoa sobre os fatos básicos.
· Outra pesquisa sobre a natureza reconstrutiva da memória demonstrou que o simples ato de recontar uma história pode introduzir imprecisões na memória.
· Quando as pessoas recontam uma história, elas podem simplificá-la, embelezar os fatos, exagerar sua participação e assim por diante.
· Monitoramento de fonte
· O efeito da informação equivocada parece ser devido, em parte, à falta de confiabilidade do monitoramento da fonte.
· Monitoramento da fonte é o processo de fazer inferências acerca das origens das memórias.
· ... quando as pessoas puxam registros específicos de memória, elas têm de tomar decisões na hora da recuperação sobre o local onde as memórias [as informações] vieram.
· Um erro de monitoramento da fonte ocorre quando uma lembrança derivada de uma fonte à atribuída erroneamente a outra.
· Muitas teorias enfrentam dificuldades em explicar como as pessoas se lembram de eventos que nunca viram ou experimentaram; mas esse paradoxo não parece ser tão surpreendente quando é explicado como um erro de monitoramento de fonte.
7.4. Esquecimento: quando a memória falha
· (p. 227):
· Embora esquecer informações importantes possa ser frustrante, alguns teóricos da memória argumentam que o esquecimento, na verdade, é adaptativo... as pessoas precisam esquecer as informações que não são relevantes.
· As pesquisas mostram que o esquecimento pode ser causado por defeitos na codificação, armazenamento, recuperação ou alguma combinação desses processos.
· Com que rapidez esquecemos: a curva de esquecimento de Ebbinghaus
· ... a grande parte do esquecimento ocorre muito rapidamente após aprendermos algo.
· ... (mas) a curva de esquecimento de Ebbinghaus era atípica...
· ... quando participantes memorizam material sem sentido, como prosa ou poesia, as curvas de esquecimento não são tão acentuadas.
· (p. 228):
· Medidas do esquecimento
· Medidas do esquecimento inevitavelmente medem também a retenção, que é a proporção do material retido (lembrado).
· Psicólogos usam três métodos para medir o esquecimento/retenção: o resgate, o reconhecimento e o reaprendizado.
· Uma medida de recordação (resgate) requer que os participantes reproduzam informações por si próprios sem auxílio de qualquer sugestão.
· Uma medida de reconhecimento de retenção requer que os participantes selecionem informação previamente aprendida em uma variedade de opções.
· Em provas educacionais, perguntas de múltipla escolha, de verdadeiro ou falso e de correspondência são medidas de reconhecimento; questões dissertativas e de preenchimento de lacunas são medidas de resgate da recordação.
· O reaprendizado de retenção requer que um participante memorize uma informação uma segunda vez para determinar quanto tempo e esforço são economizados, visto que ele já havia aprendido isso antes.
· Por que esquecemos
· Codificação ineficiente
· Muito do esquecimento pode parecer simples esquecimento.
· Em primeiro lugar, a informação em questão pode nunca ter sido inserida na memória. Uma vez que não se pode realmente esquecer algo que nunca se tenha aprendido, esse fenômeno é às vezes chamado de pseudoesquecimento.
· O pseudoesquecimento geralmente é atribuído a falhas de atenção.
· Deterioração
· Em vez de focar a codificação, a teoria da deterioração atribui o esquecimento à não permanência do armazenamento na memória.
· Propõe ainda que os traços de memória desaparecem com o tempo. 
· O pressuposto é que ocorre deterioração nos mecanismos fisiológicos responsáveis pelas lembranças... a simples passagem do tempo produz o esquecimento.
· (porém) os pesquisadores não foram bem sucedidos em fornecer demonstrações evidentes sobre se a deterioração provoca o esquecimento da memória de longo prazo.
· Pesquisas mostram que o esquecimento não depende da quantidade de tempo que passou desde a aprendizagem, mas da quantidade, da complexidade e do tipo de informação que os sujeitos tiveram de absorver durante o intervalo de retenção.
· Interferência
· A teoria da interferência propõe que as pessoas esquecem algumas informações por causa da competição com outros materiais.
· Há dois tipos de interferência: retroativa e proativa
· A interferência retroativa ocorre quando a nova informação interfere com a retenção, informação anteriormente aprendida, ou seja, entre o aprendizado original e a reavaliação sobre esse aprendizado.· Em contrapartida, a interferência proativa ocorre quando a informação previamente aprendida interfere na retenção da nova informação.
· Falhas no resgate
· Grande parte do esquecimento pode ser atribuída a falhas no processo de resgate.
· O princípio da especificidade da codificação estabelece que o valor de uma sugestão de resgate depende de quão bem ela corresponde ao traço de memória.
· A tendência a esquecer coisas em que não se quer pensar é chamada esquecimento motivado, ou, para usar a terminologia de Freud, recalcamento, que se refere à manutenção de pensamentos e sentimentos tristes enterrados no inconsciente.
· A controvérsia das lembranças recalcadas
· Apoio a lembranças recalcadas
· O ceticismo das lembranças recalcadas
· ... sustentam que algumas pessoas sugestionáveis, em conflito com seus problemas emocionais, foram convencidas por terapeutas persuasivos de que seus problemas emocionais seriam o resultado de abusos ocorridos anos atrás.
· Usando hipnose, interpretação dos sonhos e muitas vezes perguntas tendenciosas, eles supostamente encorajaram e sondaram pacientes até que esses criaram as lembranças de abusos que estavam procurando.
· ... algumas evidências sugerem que as memórias de abuso recuperadas por meio de terapia são mais possíveis de serem falsas do que as recuperadas espontaneamente.
· Na verdade, a dicotomia subjacente ao debate das lembranças recalcadas – algumas são verdadeiras e outras são falsas – é enganosa ou muito simplificada.
· Pesquisas demonstram que todas as lembranças humanas são reconstruções imperfeitas do passado que estão sujeitas a muitos tipos de distorção.
7.5. À procura do traço de memória: a fisiologia da memória
· (p. 233):
· A anatomia da memória
· Casos de amnésia (perda extensiva de memória) resultantes de lesões na cabeça são uma boa fonte de indícios acerca das bases anatômicas da memória.
· Há dois tipos básicos de amnésia:
· Na retrógrada, uma pessoa perde a memória de eventos que ocorreram anteriormente à lesão.
· Na anterógrada, uma pessoa perde a memória de eventos que ocorreram após a lesão.
· ... a perda de memória de H.M. foi originalmente à remoção do seu hipocampo, uma estrutura do sistema límbico.
· Baseados em décadas de pesquisas adicionais, os cientistas acreditam que toda a região hipocampo é crucial para muitos tipos de memórias de longo prazo. Muitos cientistas se referem a esse complexo mais amplo da memória como sistema de memória do lobo temporal medial.
· Isso significa que as lembranças estão armazenadas na região hipocampal e áreas adjacentes? 
· Provavelmente não. Muitos teóricos acreditam que o sistema de memória do lobo temporal medial desempenha papel-chave na consolidação das memórias.
· Consolidação é um processo hipotético que envolve a conversão gradual da informação em novos códigos de memória duráveis e estáveis, armazenados na memória de longo prazo.
· Mesmo após a consolidação, no entanto, as memórias podem estar sujeitas à modificação, principalmente quando são reativadas.
· Os estudos sugerem que, quando as memórias consolidadas são recuperadas, as memórias reativadas voltam temporariamente para um estado instável, a partir do qual elas devem ser reestabilizadas por meio de um processo chamado de reconsolidação.
· Durante a reconsolidação, dependendo do que acontece, as memórias podem ser enfraquecidas, fortalecidas ou atualizadas para levar em consideração das informações mais recentes.
· ... mesmo a arquitetura neural da memória de longo prazo parece ser inerentemente reconstrutiva.
· (p. 235):
· O circuito neural e a bioquímica da memória
· Richard F. Thompson et alli mostraram que recordações específicas podem depender de três circuitos neurais localizados no cérebro.
· Em outras palavras, elas podem criar caminhos únicos e reutilizáveis no cérebro ao longo do fluxo de sinais.
· Outra linha de pesquisa sugere que a formação da memória resulta em alterações na transmissão sináptica em locais específicos.
· Pesquisas sugerem que o processo de neurogênese – a formação de novos neurônios – pode contribuir com a escultura dos circuitos neurais, que são a base da memória.
· Em resumo, uma variedade de estruturas anatômicas, circuitos neurais e processos bioquímicos parecem desempenhar uma função na memória.
7.6. Diferentes tipos de sistemas de memória
· (p. 235):
· Os vários sistemas de memória são distinguidos principalmente pelos tipos de informação com as quais eles lidam.
· Memória declarativa x memória não declarativa (procedural)
· O sistema de memória declarativa lida com informação factual.
· Ele contém memória de palavras, definições, nomes, datas, rostos, eventos, conceitos e ideias.
· O sistema de memória procedural guarda a lembrança de ações, habilidades, respostas condicionadas e memórias emocionais.
· ... o resgate de informação factual geralmente depende de processos conscientes e de esforço, enquanto a memória de reflexos condicionados é, em grande parte, automática, e as memórias de habilidades com frequência demandam pouco esforço e atenção.
· Outra disparidade é que a memória de habilidades (tais como digitar ou andar de bicicleta) não declina muito em intervalos longos para retenção, ao passo que a memória declarativa é mais vulnerável ao esquecimento.
· Memória semântica x memória episódica
· Ambas contêm informação factual, mas a episódica contém fatos pessoais, e a semântica, fatos gerais.
· O sistema de memória episódica constitui-se de memórias cronológicas, ou temporariamente datadas, de experiências pessoais.
· ... é uma “viagem no tempo”, ou seja, permite que a pessoa reviva o passado.
· O sistema de memória semântica contém conhecimentos gerais que não estão vinculados ao tempo quando a informação foi aprendida.
· No momento da recuperação, as memórias episódicas são associadas a um sentido de “lembrança”, ao passo que as memórias semânticas são associadas a um sentido de “conhecimento”.
· Memória prospectiva x memória retrospectiva
· São tipos de tarefas da memória
· A memória retrospectiva envolve lembrar eventos do passado ou informação previamente aprendida.
· A memória prospectiva envolve lembrar-se de realizar ações no futuro.
· Uma grande diferença é que na memória prospectiva ninguém pede para que o indivíduo se lembre da ação pretendida.
· Dessa forma, é preciso lembrar-se de lembrar.
· Os indivíduos que parecem deficientes na memória prospectiva muitas vezes são caracterizados como “distraídos”.
7.7. Refletindo sobre os temas do capítulo
7.8. Aplicação pessoal – aprimorando a memória do dia a dia
· (p. 239):
· Recursos mnemônicos são estratégias que aprimoram a memória.
· Repetição adequada – a atenção melhora com o aumento da repetição – o teste realmente aumenta a retenção.
· A prática da programação distribuída e interferência minimizada
· Processamento profundo e organização da informação
· Enriquecendo a codificação com mnemônicos verbais
· Acrósticos e acrônimos
· Método de associação
· Método de loci 
7.9. Aplicação do pensamento crítico
· (p. 242):
· A memória é um processo reconstrutivo, e a recordação das testemunhas oculares pode ser distorcida por esquemas que as pessoas têm para vários acontecimentos.
· ... as testemunhas às vezes cometem erros de monitoramento da fonte.
· Talvez o fator mais generalizado seja o efeito da informação equivocada.
· As recordações das testemunhas são rotineiramente distorcidas pela informação introduzida depois do evento pela polícia, advogados, jornalistas etc. 
· Além desses fatores, o relato das testemunhas oculares é nutrido de maneira imprecisa pelo viés retrospectivo e pelos efeitos da superconfiança.
· A contribuição do viés retrospectivo
· É a tendência a moldar a interpretação do passado a fim de encaixá-lo no modo como as coisas de fato aconteceram.
· Quando as autoridades confirmam as identificações alinhadas das pessoas, essa confirmação altera sua lembrança da cena do crime.
· A contribuição da superconfiança
· É a tendência das pessoas a serem superconfiantes quanto às suas recordações.
· A suposiçãode que a confiança é um excelente indicador de precisão está claramente errada.
· O falso testemunho da testemunha ocular passou a ser o principal fator em cerca de três quartos dessas condenações errôneas.
· A superconfiança é nutrida por outro erro comum no pensamento – a falha em buscar evidências em contrário.
· O processo de considerar as razões pelas quais você pode estar errado a respeito de uma coisa é uma habilidade de pensamento crítico muito útil que pode reduzir os efeitos da superconfiança.
	TEXTOS COMPLEMENTARES
A MEMÓRIA EM QUESTÃO: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL
(SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. A memória em questão: uma perspectiva histórico-cultural. In Educação e Sociedade, ano XXI, nº 71, julho/2000, p. 166-193)
· Resumo:
· A memória enquanto prática social
· Os muitos modos de pensar e de falar sobre memória
· Elaboração coletiva da memória
· Constituição da memória no nível individual
· Dimensão discursiva, estatuto da linguagem.
INTRODUÇÃO
· (p. 166-168):
· Psicologia discursiva da rememoração.
· Edwards, Potter & Middleton:
· “Sem dúvida a linguagem tem proporcionado a base mais penetrante para operacionalizar e teorizar sobre a memória... todos os estudos da memória são estudos de desempenho, operacionalizados por medidas de capacidades... Inserindo o estudo da memória dentro do estudo do discurso, muitas preocupações teóricas dos psicólogos podem ser redefinidas”.
· Esquecimentos.
DOS MUITOS MODOS DE PENSAR E DE FALAR SOBRE A MEMÓRIA
I.
· (p. 169):
· Mnemosyne – deusa.
· ... inspirado pela musa, o poeta é suporte e mestre da verdade. Resgata o acontecido do esquecimento, presentifica o passado.
· ... presentifica e encobre...
· Mímesis:
· O impacto, o efeito, a ação, a força da palavra do outro, levam a imitar, a repetir, a reter, a memorizar... mas podem também levar a esquecer.
· A poesia e ... as possibilidades de memorização das pessoas comuns, e não apenas das mais bem dotadas... Na memória rítmica, então...
· O mito e a memória: o mito é uma memória inventada?
II.
· (p. 170):
· Exercícios para aprender – exercitar a memória – dessacralização da memória.
· Memória como techné (Simonides de Céos):
· A lembrança e a criação de imagens na memória
· A organização das imagens em locais, ou lugares da memória.
· ... é preciso ver locais, ver imagens...
· Francis Yates:
· Há dois tipos de memória, uma natural, outra artificial
· A memória natural é gravada em nossas mentes, nasce simultaneamente com o pensamento.
· A memória artificial é a memória fortalecida ou confirmada pelo treino.
· É estabelecida a partir de locais e imagens.
· A arte da memória é como uma escrita interna.
· Há dois tipos de imagens, uma para coisas e outra para palavras.
· O estudante que deseja adquirir memória para palavras começa do mesmo modo que o estudante da memória para coisas; isto é, memoriza lugares para sustentar suas imagens.
· ... intensa ginástica interna...
· ... podemos aprender ideias por meio de imagens e a sua ordem por meio de locais.
· Um método para lembrar envolve, portanto, disciplina e arte.
III.
· (p. 172):
· Época de Platão:
· ... são séculos de exercitação da experiência rítmica memorizada, conservada em formas de enunciados verbais, na memória vida das pessoas, como modo de consciência partilhado, como tradição.
· Platão suspeita da mimesis, critica a poesia – não pela criação, mas pela sedução: a atração da mimesis é estranha ao “pensar”. 
· O filósofo, amante da verdade e da sabedoria, difere do poeta, amante de espetáculos e da opinião.
· Com Platão, uma teoria da memória é fundamentalmente uma teoria do conhecimento.
· Episteme – Logos (conhecimento da verdade) X Mimesis (mascara a verdade)
· Mnemotécnica (arte da memória) X Escrita (morte da memória)
· Para Platão, há uma incompatibilidade entre o que está escrito e o que é verdadeiro... a escrita é simulacro e sedução.
· As resistências e a desconfiança de Platão com relação à escrita remetem, portanto, aos deslocamentos e às transformações que a difusão do texto escrito provocava na cultura, nos modos de vida e de conhecimento das pessoas: democratização, dessacralização, banalização, perversão da atividade de lembrar.
IV.
· (p. 176):
· Aristóteles distingue a memória propriamente dita, a mneme, faculdade de conservar o passado; da reminiscência, a mamnesi, faculdade de invocar voluntariamente o passado.
· Sua teoria do conhecimento traz novas contribuições ao estudo da memória.
· Para Aristóteles, as impressões sensoriais são a fonte básica de conhecimento; sem elas, não pode haver conhecimento.
· ... são as imagens assim formadas que se tornam material para a faculdade intelectual.
· ... A alma nunca pensa sem uma “imagem mental”; a faculdade de pensar pensa em imagens mentais [ver Damásio].
· Aristóteles:
· Toda memória, então, implica a passagem do tempo.
· ... a memória pertence àquela parte da alma à qual a imaginação também pertence...
· ... como se pode lembrar alguma coisa que não está presente, se é apenas o afeto (sensação) que está presente, não o fato?
· Falta ainda falar da recordação ... ela não é nem recuperação nem a aquisição da memória; porque quando se aprende ou recebe uma impressão sensória, não se recupera qualquer memória (porque nenhuma aconteceu antes), nem se adquire pela primeira vez; é somente quando o estado ou afeto foi induzido que existe memória...
· Três elementos da memória em Aristóteles: as sensações e o afeto; a imaginação e o tempo.
· Além disso, com Aristóteles, a mimesis adquire novo estatuto: é imitação da natureza; representação; forma de conhecimento. 
· A poesia deve instruir e divertir.
V.
· (p. 178):
· Nos textos gregos, a palavra história não existe... há uma oposição crescente à narrativa mítica. História é testemunho. Distingue-se da epopeia homérica.
· Gagnebin:
· Heródoto retoma e transforma a tarefa do poeta arcaico: contar os acontecimentos passados, conservar a memória, resgatar o passado, lutar contra o esquecimento.
· ... memória e tradição formam este conglomerado confuso de falsas evidências.
· Tucídides:
· A memória é frágil, enganadora. Ela seleciona, interpreta, reconstrói.
· Com Tucídides, registra-se uma ruptura radical: operando ainda sobre a tradição oral, sem arquivos e com raros documentos epigráficos, ele rompe com as “velhas histórias” de origem e natureza mítica, faz pouco caso do passado e da tradição.
· Reivindica a escrita como meio de fixação dos acontecimentos, fazendo da imutabilidade do escrito uma garantia de fidelidade.
· Inaugura, assim, uma política da memória, e delimita os domínios de um novo saber histórico.
VI
· (p. 179):
· Cícero e as quatro virtudes (prudência, justiça, força e temperança).
· São Tomás de Aquino:
· A memória é discutida por ele como parte da prudência e relacionada às regras de memória artificial.
· A partir de locais e imagens, São Tomás formula três regras mnemônicas:
· A memória está ligada ao corpo (sensações, imagens);
· A memória é razão (ordenação, lógica);
· A memória é hábito de recordar (meditação preserva a memória).
· Santo Agostinho:
· A ênfase de Agostinho é na memória como atividade psíquica.
· ... vai se fortalecendo uma tradição mnemônica cristã...
· Cristianização da memória: a religião, o culto, o ritual, a celebração, a comemoração e o ensino se destacam...
VII
· (p. 182):
· Yates comenta sobre a longa agonia da arte da memória no século XVIII...
· ... desdobram-se os modelos explicativos da memória e do processo mental. A ênfase, agora, não está nos “locais e imagens da memória”, mas na busca da memória “localizada” no cérebro, memória como um lugar, como sede, como órgão, foco das pesquisas nas ciências biológicas, médicas, cognitivas.
· Com Bergson, assim como já com Santo Agostinho, cada um a seu modo, refletimos sobre a experiência subjetiva do tempo, a duração, a consciência.
· Com Freud, assim como com Aristóteles, examinamos os afetos nas lembranças... e procuramos compreender as falhas na linguagem...
· Luria:
· Que efeito uma espantosa capacidade de memóriatem em outros aspectos da personalidade, nos hábitos de pensamento e imaginação de um indivíduo, em seu comportamento e desenvolvimento da personalidade?
· Que mudanças ocorrem no mundo interno da pessoa, nas suas relações com os outros, no seu estilo de vida, quando um elemento de seu psiquismo – sua memória – desenvolve a um ponto tão incomum que começa a alterar cada um dos outros aspectos de sua atividade?
· Entre o mnemonista de Luria, que não consegue esquecer, e os doentes de Alzheimer, que não conseguem lembrar, o que fica? O que significa? O que faz sentido?
VIII
· (p. 184):
· Vygotsky:
· ... distingue entre imagens eidéticas e signos, ressaltando a importância dos últimos na constituição da memória: “A verdadeira essência da memória humana está no fato de os seres humanos serem capazes de lembrar ativamente com a ajuda de signos”.
· Quintiliano:
· “Precisamos, portanto, de locais, reais ou imaginários, e imagens ou simulacros que devem ser inventados”.
· Aristóteles:
· “A alma nunca pensa sem uma imagem mental”.
· Bruno:
· “Pensar é especular com imagens”.
· Dentre os grandes “pensadores da alma”, Aristóteles e Agostinho exploraram a dimensão psíquica, discutiram profundamente as relações de pensamento e linguagem, investiram na compreensão da memória e teorizaram sobre a função do signo na experiência humana.
· Vygotsky e Bakhtin:
· ... vão falar sobre a emergência e o funcionamento do signo na vida mental, a partir da perspectiva do materialismo histórico.
· ... a dimensão psicológica, de natureza fundamentalmente social, é necessariamente mediada/constituída por signos.
· A palavra, como signo por excelência, constitui os modos específicos de ação significativa, de modo que a memória humana e a história tornam-se possíveis no/pelo discurso.
· Assim, onde existe imagem, imaginação, memória, aí incide necessariamente o signo, e mais particularmente, a palavra – verbum.
· Estudar a memória no homem, então, não é estudar uma “função mnemônica” isolada, mas é estudar os meios, os modos, os recursos criados coletivamente no processo de produção e apropriação da cultura.
IX
· (p. 186):
· Le Goff e Nora:
· Estudo dos “lugares” da memória coletiva.
· Estudos sobre a memória nos têm mostrado que o discurso constitui lembranças e esquecimentos, que ele organiza e mesmo institui recordações, que ele se torna um locus da recordação partilhada – ao mesmo tempo para si e para o outro – locus, portanto, das esferas pública e privada.
· ... a linguagem é vista como o processo mais fundamental na socialização da memória.
· Assim, a linguagem não é apenas instrumento da (re)construção das lembranças; ela é constitutiva da memória, em suas possibilidades e seus limites, em seus múltiplos sentidos, e é fundamental na construção da história.
· Bakhtin:
· A palavra é o fenômeno ideológico por excelência... é o modo mais puro e sensível da relação social.
· Smolka:
· Se de algum modo nos preocupamos em compreender como a palavra vai forjando e transformando a memória, ou seja, como a memória (dita) psicológica vai se constituindo e se organizando no e pelo discurso, podemos também problematizar como a memória vai se inscrevendo na palavra, como as práticas vão se inscrevendo no discurso, como aquilo que se tornou objeto da fala e da emoção humana perdura ou se esvai.
A ARTE DE ESQUECER
(IZQUIERDO, Iván; BEVILÁQUA, Lia R. M.; CAMMAROTA, Martin. A arte de esquecer. In Estudos Avançados 20 (58), 2006, p. 289-296)
· (p. 289):
· “Talvez o aspecto mais notável da memória é o esquecimento”.
· De fato, esquecemos a maioria das informações que adquirimos.
· É necessário esquecer, ou pelo menos manter longe da evocação muitas memórias.
· Há muitas que nos perturbam: aquelas de medos, humilhações, maus momentos.
· Há outras que nos prejudicam (fobias) ou nos perseguem (estresse pós-traumático).
· Em razão do problema da saturação, existem memórias que nos impedem de adquirir outras novas ou adquirir outras antigas, mais importantes (por exemplo, como fugir de uma situação de medo).
· (p. 290):
· Formas de esquecimento
· Extinção
· A extinção se deve à desvinculação, de um estímulo condicionado, do estímulo incondicionado com o qual tinha se associado e gerado uma resposta aprendida; o estímulo passa a se vincular com a ausência desse último estímulo.
· Isso tem um tremendo valor adaptativo, porque nos impede de insistir na realização de comportamentos (ou em manter pensamentos) que já não se ligam mais com a realidade.
· Repressão
· Um dos postulados mais heurísticos de Freud foi o da repressão de memórias.
· A repressão pode ser voluntária ou inconsciente.
· Esquecimento real
· Tanto as memórias extinguidas ou reprimidas podem voltar à tona, quer espontaneamente quer como consequência de estímulos específicos.
· Não correspondem, portanto, ao conceito de esquecimento real, pelo qual as memórias efetivamente se perdem.
· A maior parte dos componentes da memória de trabalho desaparece em segundos; os das memória de curta duração não persistem além de umas poucas horas, a menos que se tenha conseguido construir uma memória de longa duração ao mesmo tempo.
· A não persistência dessas memórias mais breves decorre de seu papel fisiológico e não implica esquecimento algum.
· Numerosos trabalhos demonstram que na construção de uma memória de longa duração são necessárias a expressão gênica e a síntese proteica nas primeiras três a seis horas, no hipocampo ou em outras regiões vinculadas a esse processo.
· ... há um segundo processo que envolve síntese proteica no hipocampo doze horas depois da aquisição, pelo qual as memórias persistem para além das 48 horas depois de apreendidas.
· As memórias com conteúdo emocional forte são gravadas com participação das vias nervosas que regulam as emoções, que agem estimulando vias enzimáticas hoje bem determinadas no hipocampo e outras regiões a ele ligadas.
· Fora dessas memórias, as demais, no entanto, duram pouco tempo; e se não repetidas (se não revividas), desaparecem por falta de uso.
· A memória é a função cerebral que mais se encaixa com o dito de que “a função faz o órgão”.
· Se praticada intensamente, a memória como função não esmorece; se não recordada, dissolve-se no esquecimento.
· A melhor forma de manter viva a memória, em geral, é por meio da leitura. 
· A melhor forma de manter viva cada memória em particular é recordando-a.
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