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estudo dirigido II respondido - imunologia

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Questões resolvidas

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Universidade Federal da Paraíba 
Centro de Ciências da Saúde 
Departamento de Fisiologia e Patologia 
Prof. Dr. Claudio Bezerra-Santos – Imunologia 
 
Estudo dirigido – Linfócito T 
Aluno: Severino Pedro da Silva Neto – 20230056659 
 
Os linfócitos T desempenham um papel crucial no desenvolvimento e regulação das 
respostas imunes. Além disso, estas células são capazes de preservar antígenos 
próprios e eliminar antígenos estranhos após adquirir competência funcional no timo. 
1.Explique como linfócitos TCR+CD4+CD8+ se tornam células imunocompetentes. 
R: As células-tronco totipotentes presentes na medula óssea assumem um compromisso 
com a linhagem linfoide, dando origem a um precursor linfoide comum que se diferencia 
em células pró-B e pró-T. As células pró-T migram da medula óssea para o timo, um órgão 
linfoide primário, através da corrente sanguínea, onde passam por maturação. Na região 
cortical do timo, essas células, chamadas timócitos, iniciam a expressão de seu TCR 
(Receptor de Células T), o que as caracteriza como células T. Posteriormente, os timócitos 
migram da região cortical para a medular do timo, guiados por quimiocinas como CCL19 
e CCL21, que se ligam ao receptor CCR7. Na medula do timo, os timócitos são 
estimulados a expressarem as moléculas CD4+ e CD8+, tornando-se células duplo 
positivas. Em seguida, essas células passam por um processo de reconhecimento 
antigênico mediado pelo MHC (Complexo Principal de Histocompatibilidade), que é 
dividido em duas classes, I e II. A classe I é expressa em todas as células nucleadas do 
organismo, enquanto a classe II está presente apenas em células apresentadoras de 
antígenos (APCs). Inicialmente, as células duplo positivas reconhecem um MHC de 
classe I apresentado por uma célula dendrítica, uma APC. Esse reconhecimento promove 
a interação entre o TCR e o MHC, juntamente com o peptídeo próprio apresentado, 
resultando em uma maior produção de CD8+ e na diminuição de CD4+ na membrana, 
levando à diferenciação em células citotóxicas ou LT naive. No caso do reconhecimento 
de um TCR por um MHC de classe II, este apresenta antígenos exógenos para as células 
duplo positivas. O reconhecimento entre o TCR, o MHC e o peptídeo exógeno é intenso, 
levando a uma maior proliferação de CD4+ e à diminuição de CD8+, resultando na 
diferenciação em células T auxiliares naive ou LT CD4+. Após esses eventos de 
diferenciação, as células T naive migram para os órgãos linfóides secundários. 
2. Após o processo de maturação, o LT naive está apto a eliminar diferentes patógenos 
como por exemplo vírus e bactérias extracelulares. Responda. 
a) De que maneira as APCs no linfonodo influenciam no tipo de resposta de defesa 
mediada pelo LT. Explique. 
R: As APCs capturam antígenos de patógenos, os processam e os apresentam 
juntamente com moléculas MHC para LTs. As APCs nos linfonodos incluem células 
dendríticas, macrófagos e células B. Após a captura do antígeno realizada pelas APCs, as 
mesmas irão apresentar esses antígenos aos LTs por meio de moléculas de péptidos 
presentes no MHC de classe I ou II. Quando esse antígeno é apresentado ao LT, o mesmo 
começa a se proliferar e diferenciar em subtipos, como LT CD4+ (auxiliadores) ou LT CD8+ 
(citotóxico), vale ressaltar que, quando um peptídeo antigênico é apresentado por um 
moléculas de MHC I, o LT vai se diferenciar em TCD8+ (citotóxico), e quando esse 
antígeno é apresentado por um MHC II, o LT se diferencia em TCD4+ (auxiliares). Com 
isso, concluímos que as APCs no linfonodo influenciam no tipo de resposta imune 
mediada pelos LT, pois é a apresentação dos antígenos, realizada por elas, que 
determinará quais subtipos de LT serão ativados e como eles responderão 
especificamente ao invasor estranho. Além disso, a interação entre as APCs e os LT no 
linfonodo permite que ocorram eventos importantes, como a ativação e expansão clonal 
dos LT, a diferenciação entre subtipos celulares diferentes, e até mesmo a geração de 
memória imunológica. 
b) As respostas de LT contra vírus requerem a ativação tanto de LTCD4+ como LTCD8+. 
Explique como antígenos endógenos podem ativar células T auxiliares e a importância 
destas na resposta imune antiviral. 
R: A célula infectada por um vírus ativa a via do MHC de classe I. O proteassomo 
transforma as proteínas virais sintetizadas em peptídeos, que vai para o retículo 
endoplasmático, se liga a molécula de MHC de classe I. Esse complexo MHC I-Peptídeo 
Endógeno é exportado para o Golgi, que transporta o complexo para a membrana. 
Assim, Linfócitos CD8+ (citotóxicos) podem reconhecer. 
Porém, essa célula infectada pode ser fagocitada por uma APC e ela é digerida no interior 
de um fagolisossomo. Por se tratar de uma via fagocítica, vai induzir a via do MHC de 
classe II, onde os peptídeos virais serão apresentados a uma molécula de MHC de classe 
II, que será transportado para a membrana. Assim, Linfócitos CD4+ (auxiliares) podem 
interagir com o MHC-II. Nesse modo, uma via endógena pode acabar ativando células T 
auxiliares, como também uma via exógena também pode ativar células T citotóxicas 
(vírus escapa do fagolisossomo, produz proteínas que podem cair na via do MHC classe 
I). 
 
 
3. Alguns vírus e tumores podem evadir das respostas defesa do linfócito T, responda. 
a) Cite os possíveis componentes do maquinário de processamento e apresentação de 
antígeno que podem ser alvo da ação inibitória dos vírus sobre a resposta imune. 
R: Processo de evasão da fagocitose pela ação enzimática no fagolisossomo, a inibição 
da expressão de MHC de classe I, inibição de TAP (Proteína Transportadora Associada ao 
Processamento de Antígeno) e inibição do transporte vesicular entre as cisternas de 
Golgi e a membrana plasmática. 
b) Porque células NK são consideradas um mecanismo de eliminação de vírus e 
tumores na ausência de resposta do linfócito T? Explique. 
R: As células NK (Natural Killer) são consideradas um mecanismo importante de 
eliminação de vírus e tumores, principalmente na ausência da resposta dos linfócitos T, 
porque elas são capazes de reconhecer diretamente células infectadas por vírus ou 
células tumorais, por meio do reconhecimento de moléculas de estresse celular, que são 
expressas pelas células alvo em resposta à infecção viral ou a uma transformação 
maligna. As células NK têm receptores em sua superfície que reconhecem essas 
moléculas de estresse celular, em resposta, as células NK liberam substâncias químicas, 
como a perforina e a granzima, que matam as células afetadas. Além disso, as células NK 
também são capazes de produzir citocinas, como o interferon-gama (IFN g), que podem 
ajudar a limitar a propagação viral e promover a atividade de outras células do sistema 
imunológico, como os macrófagos. 
Diferentemente das células T, que precisam de um período de maturação e ativação para 
se tornarem efetivas na eliminação de vírus e células tumorais, as células NK são 
rapidamente ativadas, o que permite uma resposta imune imediata e eficiente na 
ausência de uma resposta de células T. Além disso, as células NK são particularmente 
importantes na imunidade antiviral, uma vez que muitos vírus são capazes de evadir a 
resposta de células T, mas não a resposta de células NK. Por tanto, as células NK são 
consideradas um mecanismo crítico de eliminação de vírus e tumores, especialmente na 
ausência de uma resposta efetiva de células T. 
4. As células Th são responsáveis pela regulação de diferentes componentes inatos e 
adaptativos de defesa, responda. 
a) Por que respostas imunes de perfil Th1 são eficazes na eliminação do protozoário 
leishmania? Explique. 
R: Quando ocorre a formação de um complexo entre o MHC II de um macrófago, um 
peptídeo de Leishmania e o Receptor de Células T (TCR) de uma célula Th0, desencadeia 
a diferenciação de uma célula Th0 em uma célula Th1. Esse processo é mediado pela 
ação da interleucina-12(IL-12). Posteriormente, a célula Th1 produz interferon-gama 
(INF-γ), que por sua vez atua sobre os monócitos, estimulando ainda mais sua 
diferenciação em macrófagos do tipo M1. Os macrófagos M1 desempenham um papel 
crucial na resposta imune contra o parasita, pois são altamente eficazes na fagocitose. 
Além disso, produzem espécies reativas de óxido nítrico (NO), que são extremamente 
tóxicas para os organismos do gênero Leishmania. 
b) Qual o papel das células Th2 na resposta imune humoral contra parasitos helmintos? 
Explique o mecanismo imunológico. 
R: A diferenciação de uma célula Th0 é desencadeada pelas citocinas IL-4, liberadas pelos 
mastócitos presentes na mucosa intestinal, levando à sua diferenciação em um subtipo 
chamado Th2. Uma vez ativada, essa célula Th2 passa a produzir citocinas, com destaque 
para IL-4 e IL-13, que têm papel crucial na ativação de linfócitos B para secretar 
imunoglobulina E (IgE). Este processo ocorre por meio de um mecanismo conhecido 
como citotoxicidade dependente de anticorpos (ADCC), que visa combater infestações 
por helmintos, através da opsonização da superfície antigênica. Além disso, a célula Th2 
também libera IL-5, que cria um gradiente quimiotático para atrair eosinófilos para a 
mucosa intestinal. Os eosinófilos desempenham um papel importante no combate às 
infecções por parasitas, contribuindo significativamente para o processo de defesa do 
organismo.