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1 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
 
 
 
 
Objetivos 
1. Compreender a morfofisiologia do Sistema Olfatório e Gustativo; 
2. Entender a morfofisiologia do Sistema Auditivo; 
3. Compreender a embriologia da orelha; 
4. Entender os fatores que levam as más formações da orelha; 
 
 
Sistema Olfatório 
 
Anatomia dos receptores olfatórios: 
Os receptores para o sentido do olfato, ou olfação, estão localizados no epitélio olfatório do nariz. 
Com uma área total de 5 cm, o epitélio olfatório ocupa a parte superior da cavidade nasal, cobrindo 
a superfície inferior da lâmina cribriforme e se estendendo ao longo da concha nasal superior. O 
epitélio olfatório consiste em três tipos de células: olfatórias, de sustentação e células basais. 
↠ Células olfatórias são os neurônios de primeira ordem da via olfatória. Cada célula olfatória é um 
neurônio bipolar com um dendrito exposto, em forma de botão, e um axônio que se projeta através 
da lâmina cribriforme e termina no bulbo olfatório. 
↠ Estendendo-se do dendrito de uma célula olfatória estão vários cílios olfatórios não móveis, que 
são os locais da transdução olfatória, isto é, locais onde ocorre a conversão da energia do estímulo 
em um potencial graduado em um receptor sensitivo. 
↠ Dentro das membranas 
plasmáticas dos cílios olfatórios 
estão proteínas receptoras 
olfatórias as quais detectam 
substâncias químicas inaladas. 
As substâncias químicas que se 
ligam e estimulam as células 
olfatórias nos cílios olfatórios 
são denominadas de odoríferas. 
As células olfatórias respondem 
ao estímulo químico de uma 
molécula odorífera produzindo 
um potencial receptor, que, por 
sua vez, dá origem à resposta 
olfatória. 
APG 9 – Audição, Sistema olfativo e gustativo 
 2 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
↠ Células de sustentação são células epiteliais colunares da 
membrana mucosa que reveste o nariz. Elas fornecem suporte 
físico, nutrição e isolamento elétrico para as células olfatórias 
e ajudam a desintoxicar as substâncias químicas que entram 
em contato com o epitélio olfatório. 
↠ As células basais são células-tronco localizadas entre as 
bases das células de sustentação; elas sofrem continuamente a 
divisão celular para produzir novas células olfatórias, que 
vivem cerca de 2 meses apenas, antes de serem substituídas. 
Esse processo é notável, considerando que as células olfatórias 
são neurônios e, como você já aprendeu, os neurônios maduros 
geralmente não são substituídos. 
↠ Dentro do tecido conjuntivo, que suporta o epitélio 
olfatório, estão as glândulas olfatórias ou glândulas de 
Bowman, as quais produzem o muco que é transportado para 
a superfície do epitélio por meio de ductos. A secreção 
umedece a superfície do epitélio olfatório e dissolve os odores 
para que ocorra a transdução. As glândulas olfatórias do 
epitélio nasal são inervadas por neurônios parassimpáticos 
dos ramos do nervo facial (VII), que podem ser estimulados 
por determinadas substâncias químicas. Os impulsos nesses 
nervos, por sua vez, estimulam as glândulas lacrimais dos 
olhos e as glândulas mucosas nasais. O resultado são lágrimas 
e coriza após a inalação de substâncias como pimenta ou 
vapores de amônia doméstica. 
 
 
 3 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Fisiologia do olfato: 
As células olfatórias reagem às moléculas odoríferas da mesma maneira que a maioria dos receptores 
sensitivos reage a seus estímulos específicos: um potencial receptor (despolarização) desenvolve-se 
e desencadeia um ou mais impulsos nervosos. 
Esse processo, denominado transdução olfatória, ocorre da seguinte maneira: a ligação de um 
odorífero a uma proteína do neurônio sensitivo olfatório em um cílio olfatório estimula uma proteína 
de membrana denominada proteína G, que vai ativar a enzima adenilato ciclase para produzir uma 
substância chamada adenosina monofosfato cíclica (cAMP), um tipo de segundo mensageiro. A 
cAMP abre um canal catiônico que permite a entrada de Na+ e Ca2+ no citosol, o que causa a 
formação de um potencial receptor 
despolarizante na membrana da 
célula olfatória. Se a despolarização 
atinge o limiar, é gerado um impulso 
nervoso ao longo do axônio da célula 
olfatória. 
O nariz humano contém cerca de 10 
milhões de receptores olfatórios, 
divididos em cerca de 400 tipos 
funcionais diferentes. Cada tipo de 
célula olfatória pode reagir a apenas 
um grupo seleto de moléculas 
odoríferas. No entanto, há apenas um 
tipo de receptor em qualquer célula 
olfatória. Portanto, 400 tipos 
diferentes de células olfatórias estão 
presentes no epitélio olfatório. 
 
Limiares de odor e adaptação: 
O olfato, como todos os sentidos especiais, 
tem um limiar baixo. Bastam algumas 
moléculas no ar para que sejam percebidas 
como um odor. A adaptação (diminuição 
da sensibilidade) aos odores ocorre 
rapidamente. As células olfatórias 
adaptam-se em cerca de 50% no primeiro 
segundo, ou logo depois da estimulação, 
mas se adaptam muito lentamente depois 
disso. Ainda assim, a completa 
insensibilidade a determinados odores fortes ocorre aproximadamente um minuto após a exposição. 
Aparentemente, a sensibilidade reduzida também envolve um processo de adaptação no SNC. 
 4 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Via olfatória: 
A via olfatória é a rota percorrida pela informação olfatória desde sua origem, nas células olfatórias, 
até a parte do cérebro onde ocorre a percepção consciente do olfato. 
• Em cada lado do nariz, cerca de 40 feixes de axônios de células olfatórias formam os nervos 
olfatórios (I) direito e esquerdo. 
• Os nervos olfatórios passam através dos forames da lâmina cribriforme do osso etmoide e 
se estendem para porções do cérebro conhecidas como bulbos olfatórios, que contêm arranjos 
semelhantes a bolas denominados glomérulos. 
• Dentro de cada glomérulo, os axônios das células olfatórias convergem para as células 
mitrais – os neurônios de segunda ordem da via olfatória. 
• Cada glomérulo recebe o estímulo de apenas um tipo de célula olfatória. Isso permite que as 
células mitrais de um glomérulo específico transmitam informações sobre um grupo 
selecionado de moléculas odoríferas para as partes restantes da via olfatória. 
• Os axônios das células mitrais formam o trato olfatório. 
• Alguns desses axônios projetam-se para o córtex olfatório no lobo temporal do cérebro, 
onde ocorre a percepção consciente do olfato. 
• As sensações olfatórias são as únicas sensações que atingem o córtex cerebral sem primeiro 
fazer sinapses no tálamo. 
• Outros axônios do trato olfatório projetam-se para o sistema límbico; essas conexões neurais 
são responsáveis por nossas respostas emocionais aos odores. 
• Do córtex olfatório, uma via estende-se desde o tálamo até o córtex orbitofrontal no lobo 
frontal, onde ocorre a identificação e a discriminação de odores. Pessoas que sofrem danos 
nessa área têm dificuldade em identificar odores diferentes. 
 5 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Sistema Gustativo 
Gustação: sentido do paladar 
Como o olfato, a gustação, ou paladar, é um sentido químico. 
• O sabor salgado é causado pela presença de íons sódio (Na+) nos alimentos. Uma fonte 
comum de Na+ na dieta é o NaCl (sal de cozinha). 
• O sabor azedo é produzido por íons hidrogênio (H+) liberados de ácidos, os limões, por 
exemplo, têm um sabor azedo porque contêm ácido cítrico. 
• O sabor doce é provocadopor açúcares como glicose, frutose e sacarose e por adoçantes 
artificiais como sacarina, aspartame e sucralose. 
• O sabor amargo é causado por uma ampla variedade de substâncias, incluindo cafeína, 
morfina e quinina. Além disso, muitas substâncias tóxicas como a estricnina têm um sabor 
amargo. Quando algo tem gosto amargo, uma resposta natural é cuspir, uma reação que serve 
para proteger o indivíduo da ingestão de substâncias potencialmente prejudiciais. 
• O sabor umami, relatado pela primeira vez por cientistas japoneses, é descrito como “carnoso” 
ou “saboroso”, sendo estimulado por aminoácidos (principalmente o glutamato) que estão 
presentes nos alimentos; essa é a razão pela qual o aditivo glutamato monossódico (GMS) é 
utilizado como intensificador de sabor em muitos alimentos. 
• Todos os outros sabores, como chocolate, pimenta e café, são combinações dos cinco sabores 
primários, além de quaisquer sensações olfatórias, táteis e térmicas que o acompanham. Os 
odores dos alimentos podem passar da boca para a cavidade nasal, onde estimulam as células 
olfatórias. 
Como o olfato é muito mais sensível do que o paladar, uma determinada concentração de uma 
substância alimentar pode estimular o sistema olfatório milhares de vezes mais fortemente do que 
estimula o sistema gustativo. Durante um resfriado ou alergia, a pessoa não consegue sentir o gosto 
da comida, na verdade, é o olfato que está bloqueado, e não o paladar. 
 
Anatomia dos calículos (botões) gustatórios e papilas linguais: 
Os receptores do paladar estão localizados nos calículos gustatórios. Cada calículo gustatório é um 
corpo oval que consiste em três tipos de células epiteliais: de sustentação, gustativas e epiteliais 
basais. As células epiteliais de sustentação circundam cerca de 50 células gustativas em cada calículo 
gustatório. As microvilosidades 
gustativas (cílios gustativos) projetam-se 
de cada célula gustativa para a superfície 
externa através do poro gustatório, uma 
abertura no calículo gustatório. As células 
basais, células-tronco encontradas na 
periferia do calículo gustatório, próximo à 
camada de tecido conjuntivo, produzem 
células de sustentação, que então se 
 6 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
desenvolvem em células 
gustativas. Cada célula gustativa 
tem uma vida útil de cerca de 10 
dias. É por isso que os receptores 
de sabor na língua não demoram 
muito para se recuperarem da 
queimadura por uma xícara de 
café ou chocolate muito quente. 
↠ Em sua base, as células 
gustativas fazem sinapse com os 
dendritos dos neurônios de 
primeira ordem que formam a 
primeira parte da via gustativa. 
Os dendritos de cada neurônio de 
primeira ordem ramificam-se 
profusamente e entram em 
contato com muitas células 
gustativas em vários calículos 
gustatórios. 
 
Os calículos gustatórios são 
encontrados em elevações na 
língua denominadas papilas 
linguais, as quais aumentam a 
área de superfície e fornecem 
uma textura áspera à superfície superior da língua. Três tipos de papilas linguais contêm calículos 
gustatórios: 
1. Aproximadamente 12 papilas valadas, circulares e muito grandes, ou papilas circunvaladas, 
formam uma fileira em formato de “V” invertido na parte posterior da língua. Cada uma dessas 
papilas contém de 100 a 300 calículos gustatórios. 
2. Papilas fungiformes (semelhantes a um cogumelo) são elevações em forma de cogumelo 
espalhadas por toda a superfície da língua que contêm cerca de cinco calículos gustatórios cada. 
3. Papilas folhadas estão localizadas em pequenas valas nas margens laterais da língua, mas a 
maioria de seus calículos gustatórios degenera na primeira infância. 
Além disso, toda a superfície da língua tem papilas filiformes. Essas estruturas pontiagudas e 
filiformes contêm receptores táteis, mas não têm calículos gustatórios. Elas aumentam o atrito entre 
a língua e os alimentos, de modo a tornar mais fácil para a língua mover os alimentos na cavidade 
oral. 
 
 7 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Fisiologia da gustação: 
As substâncias químicas que estimulam as células gustativas são conhecidas como elementos 
gustativos. Quando um elemento gustativo é dissolvido na saliva, ele pode entrar em contato com as 
membranas plasmáticas das microvilosidades gustativas, que são os sítios de transdução do 
paladar. 
O resultado é um potencial receptor despolarizante capaz de estimular a exocitose das vesículas 
sinápticas da célula gustativa. Por sua vez, as moléculas de neurotransmissores liberadas 
desencadeiam potenciais graduados que produzem impulsos nervosos nos neurônios sensitivos de 
primeira ordem responsáveis por fazer sinapses com células gustativas. 
O potencial receptor surge de forma diferente para elementos gustativos distintos. Os íons sódio 
(Na+) em um alimento salgado, por exemplo, entram nas células gustativas através dos canais de 
Na+ na membrana plasmática. O acúmulo de Na+ dentro da célula causa despolarização, o que leva 
à liberação do neurotransmissor. Os íons hidrogênio (H+) em estimulantes gustativos azedos, por 
sua vez, fluem para as células gustativas através dos canais de H+. Novamente, o resultado é a 
despolarização e a liberação do neurotransmissor. 
Outros elementos gustativos, responsáveis por estimular os sabores doce, amargo e umami, não 
entram nas células gustativas. Em vez disso, eles se ligam a receptores na membrana plasmática 
que estão ligados às proteínas G. Essas proteínas então ativam enzimas produtoras do segundo 
mensageiro, o inositol trifosfato (IP3), que, por sua vez, causa despolarização da célula gustativa e a 
liberação do neurotransmissor. 
↠ Cada célula gustativa é “sintonizada” para detectar um sabor primário específico e essa segregação 
é mantida à medida que a informação do sabor específico é retransmitida para o cérebro. Um 
determinado calículo gustatório contém células gustativas para cada tipo de estimulante gustativo, 
permitindo que todos os sabores primários sejam detectados em todas as partes da língua. 
Diferentes sabores surgem da ativação de diferentes combinações de células gustativas. Por exemplo, 
os estimulantes gustativos do chocolate ativam uma determinada combinação de células gustativas, 
assim, o padrão de atividade resultante no cérebro é interpretado como o sabor do chocolate. 
Limiar e adaptação do paladar: 
O limiar de sabor varia para cada um dos paladares primários. O limiar para substâncias amargas, 
como quinina, é mais baixo. Como as substâncias tóxicas geralmente são amargas, o limiar baixo (ou 
alta sensibilidade) pode ter uma função protetora. O limiar para substâncias azedas (como limão), 
medido pelo uso de ácido clorídrico, é um pouco mais alto. Os limiares para substâncias salgadas 
(representadas pelo cloreto de sódio) e para substâncias doces (conforme medido pelo uso de 
sacarose) são semelhantes e mais altos do que para substâncias amargas ou azedas. 
 8 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
A adaptação completa a um gosto específico pode ocorrer no 
período de 1 a 5 minutos de estimulação contínua. A adaptação 
do paladar se deve a mudanças que ocorrem nos receptores 
gustativos, nos receptores olfatórios e nos neurônios da via 
gustativa no SNC. 
 
Via gustativa: 
A via gustativa é a rota percorrida pela informação gustativa 
desde sua origem nas células gustativas até a parte do cérebro 
onde ocorre a percepção consciente do paladar. Três nervos 
cranianos contêm axônios dos neurônios gustativos de primeira 
ordem que inervam os calículos gustatórios. O nervo facial 
(VII) atende aos calículos gustatórios nos dois terços anterioresda língua; o nervo glossofaríngeo (IX) atende aos calículos 
gustatórios no terço posterior da língua; e o nervo vago (X) 
atende aos calículos gustatórios na garganta e na epiglote. Das 
células gustativas nos calículos gustatórios, os impulsos 
nervosos propagam-se ao longo desses nervos cranianos até o 
núcleo gustativo no bulbo. Do bulbo, alguns axônios que 
transportam sinais gustativos projetam-se para o sistema 
límbico e o hipotálamo; outros projetam-se para o tálamo. Os 
sinais gustativos que se projetam do tálamo para o córtex 
gustativo na ínsula do cérebro dão origem à percepção 
consciente do paladar e à discriminação das sensações 
gustativas. 
 9 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Sistema Auditivo 
Audição é a capacidade de perceber sons. A orelha tem seus receptores sensitivos que permitem a 
transdução de vibrações sonoras, com amplitudes tão pequenas quanto o diâmetro de um em sinais 
elétricos 1 mil vezes mais rápido do que os fotorreceptores podem responder à luz. A orelha também 
contém receptores para o equilíbrio, o sentido que ajuda a manter o equilíbrio e a estar ciente de sua 
orientação no espaço. 
 
Anatomia da orelha: 
A orelha é dividida em três regiões principais: (1) a orelha externa, que coleta as ondas sonoras e as 
canaliza para dentro; (2) a orelha média, que transmite as vibrações sonoras para a janela do 
vestíbulo; e (3) a orelha interna, que abriga os receptores para audição e equilíbrio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orelha externa: A orelha externa consiste na aurícula, meato acústico externo e tímpano. 
• A aurícula, ou pavilhão auricular, é um retalho de cartilagem elástica com formato da ponta 
alargada de uma trombeta e coberta por pele. A margem da aurícula é a hélice; a porção 
inferior é o lóbulo. Ligamentos e músculos prendem a aurícula à cabeça. 
• O meato acústico externo, também chamado de canal auditivo, é um tubo curvo com 
aproximadamente 2,5 cm de comprimento localizado no osso temporal e leva ao tímpano. 
• A membrana timpânica, ou tímpano, é uma divisão fina e semitransparente entre o meato 
acústico externo e a orelha média; essa membrana é coberta por epiderme e revestida por 
epitélio cúbico simples. Entre as camadas epiteliais está o tecido conjuntivo composto de 
colágeno, fibras elásticas e fibroblastos. 
 10 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Próximo à abertura externa, o meato acústico externo contém alguns pelos e glândulas sudoríparas 
especializadas, denominadas glândulas ceruminosas, que secretam cera de ouvido ou cerume. A 
combinação de pelos e cerume ajuda a evitar que poeira, objetos, água e insetos estranhos entrem na 
orelha. O cerume geralmente seca e cai do meato acústico externo. 
 
Orelha média: A orelha média é uma pequena cavidade cheia de ar, (cavidade timpânica) na porção 
petrosa do osso temporal, que é revestida por epitélio. É separada da orelha externa pela membrana 
timpânica, e da orelha interna por uma fina partição óssea que contém duas pequenas aberturas: a 
janela do vestíbulo e a janela da cóclea. 
Estendendo-se através da orelha média e ligados a ela, estão os três menores ossos do corpo, os 
ossículos auditivos, que são conectados por articulações sinoviais. Os ossos, nomeados por suas 
formas, são: martelo, bigorna e estribo. 
O cabo do martelo prende-se à superfície interna da membrana timpânica; a cabeça do martelo 
articula-se com o corpo da bigorna. A bigorna, o osso do meio da série, articula-se com a cabeça do 
estribo. A base do estribo encaixa-se na janela do vestíbulo (oval). Diretamente abaixo da janela oval, 
há outra abertura, a janela da cóclea (redonda), que é cercada pela membrana timpânica secundária. 
 
 
 11 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Além dos ligamentos, dois minúsculos músculos esqueléticos também se ligam aos ossículos: 
• O músculo tensor do tímpano, que é suprido pelo ramo mandibular do nervo trigêmeo (V), 
limita o movimento e aumenta a tensão no tímpano para evitar danos à orelha interna por 
ruídos altos. 
• O músculo estapédio, suprido pelo nervo facial (VII), é o menor músculo esquelético do 
corpo humano; ao amortecer grandes vibrações do estribo causadas por ruídos altos, o 
estapédio protege a janela do vestíbulo, mas também diminui a sensibilidade da audição. 
Como leva uma fração de segundo para os músculos tensor do tímpano e do estapédio se contraírem, 
eles podem proteger a orelha interna de ruídos altos prolongados, mas não de ruídos breves, como 
um tiro. 
A parede anterior da cavidade timpânica contém uma abertura que conduz diretamente para a tuba 
auditiva, ou tuba faringotimpânica, conhecida também pelo epônimo tuba auditiva. A tuba auditiva, 
que consiste em osso e cartilagem elástica, conecta a cavidade timpânica à nasofaringe (porção 
superior da garganta). Em geral, sua extremidade medial (faríngea) é fechada. Durante a deglutição e 
o bocejo, ela se abre, permitindo que o ar entre ou saia da cavidade timpânica até que a pressão nessa 
cavidade iguale-se à pressão atmosférica. Quando as pressões são equilibradas, a membrana 
timpânica vibra livremente conforme as ondas sonoras atingem-na. Se a pressão não for equalizada, 
pode haver dor intensa, deficiência auditiva, zumbido nas orelhas e vertigem. 
 
Orelha interna: A orelha interna também é denominada labirinto em decorrência de sua 
complicada série de canais. Estruturalmente, consiste em duas divisões principais: um labirinto 
ósseo externo que circunda um labirinto membranáceo interno. 
O labirinto ósseo consiste em uma série de cavidades na porção petrosa do osso temporal divididas 
em três áreas: (1) os canais semicirculares; (2) o vestíbulo; e (3) a cóclea. 
 12 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
• O labirinto ósseo é revestido com periósteo e contém perilinfa; esse líquido, quimicamente 
semelhante ao líquido cerebrospinal, envolve o labirinto membranáceo, uma série de sacos e 
tubos epiteliais dentro do labirinto ósseo que têm a mesma forma geral do labirinto ósseo e 
abrigam os receptores para audição e equilíbrio. 
• O labirinto membranáceo epitelial, por sua vez, contém endolinfa. O nível de íons potássio 
(K+) na endolinfa é excepcionalmente alto para um líquido extracelular e desempenham um 
papel na geração de sinais auditivos (descritos mais adiante). 
O vestíbulo é a porção central oval do labirinto ósseo. O labirinto membranáceo no vestíbulo consiste 
em dois sacos denominados utrículo e sáculo, que são conectados por um pequeno ducto. 
Projetando-se superior e posteriormente do vestíbulo, estão os três canais semicirculares ósseos, cada 
um dos quais se situa em ângulos aproximadamente retos com os outros dois. Com base em suas 
posições, eles são denominados canais semicirculares anterior, posterior e lateral. Os canais 
semicirculares anterior e posterior são orientados verticalmente; o lateral é orientado horizontalmente. 
Em uma extremidade de cada canal, há uma dilatação inchada, a ampola (ducto em forma de saco). 
As porções do labirinto membranáceo que se encontram dentro dos canais semicirculares ósseos são 
os ductos semicirculares. Essas estruturas conectam-se ao utrículo do vestíbulo. 
O nervo vestibular, parte do 
nervo vestibulococlear (VIII), 
consiste nos nervos ampular, 
utricular e sacular. Esses 
nervos contêm neurônios 
sensitivos de primeira ordem e 
neurônios eferentes que fazem 
sinapses com receptores para o 
equilíbrio. Os neurônios 
sensitivos de primeira ordem 
carregam informações 
sensitivas dos receptores, e os 
neurôniossensitivos carregam 
sinais de retroalimentação para 
os receptores, a fim de 
modificar sua sensibilidade. Os 
corpos celulares dos neurônios 
sensitivos estão localizados nos 
gânglios vestibulares. 
Anterior ao vestíbulo está a 
cóclea (em forma de caracol), 
um canal ósseo espiral que se 
assemelha a uma concha de 
caracol e faz quase três voltas 
em torno de um núcleo ósseo 
central, o modíolo. Os cortes 
 13 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
através da cóclea revelam que ela é dividida em três canais: ducto coclear, rampa do vestíbulo e 
rampa do tímpano. 
• O ducto coclear é uma continuação do labirinto membranáceo em direção à cóclea; é 
preenchido com endolinfa. 
• O canal acima desse ducto é a rampa do vestíbulo, que termina na janela do vestíbulo. 
• O canal abaixo é a rampa do tímpano, que termina na janela da cóclea. 
Tanto a rampa do vestíbulo quanto a rampa do tímpano fazem parte do labirinto ósseo da cóclea; 
portanto, essas câmaras são preenchidas com perilinfa. A rampa do vestíbulo e a rampa do tímpano 
são completamente separadas pelo ducto coclear, exceto por uma abertura no ápice da cóclea, o 
helicotrema. A cóclea é adjacente à parede do vestíbulo, na qual se abre a rampa do vestíbulo. A 
perilinfa no vestíbulo é contínua com a da rampa do vestíbulo. 
A membrana vestibular separa o ducto coclear da rampa do vestíbulo, e a lâmina basilar separa o 
ducto coclear da rampa do tímpano. Repousando na lâmina basilar, está o órgão espiral ou órgão de 
Corti. O órgão espiral é uma camada espiralada de células epiteliais, incluindo células de sustentação 
e cerca de 16 mil células ciliadas, que são os receptores da audição. 
1. Existem dois grupos de células ciliadas: as ciliadas internas, dispostas em uma única fileira; e 
as ciliadas externas, dispostas em três fileiras. Na extremidade apical de cada célula ciliada 
estão os estereocílios, que se estendem até a endolinfa do ducto coclear. Apesar do nome, os 
estereocílios são, na verdade, microvilosidades longas e semelhantes a pelos, dispostas em 
várias fileiras de altura graduada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 14 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Natureza das ondas sonoras: As ondas sonoras são regiões alternadas de alta e baixa pressão 
percorrendo na mesma direção através de algum meio (como o ar). Elas se originam de um objeto 
vibrante da mesma forma que as ondulações surgem e percorrem pela superfície de um lago quando 
você joga uma pedra nele. A frequência de uma vibração sonora é o seu tom. Quanto maior a 
frequência de vibração, maior é o tom. Os sons ouvidos mais agudamente pela orelha humana são 
aqueles provenientes de fontes que vibram em frequências entre 500 e 5 mil hertz (Hz; 1 Hz = 1 ciclo 
por segundo). Toda a faixa audível estende-se de 20 a 20 mil Hz. Os sons da fala contêm 
principalmente frequências entre 100 e 3 mil Hz, e o “C agudo” cantado por uma soprano tem uma 
frequência dominante em 1.048 Hz. Os sons de um avião a jato a várias milhas de distância variam 
de 20 a 100 Hz. 
Quanto maior a intensidade (tamanho ou amplitude) da vibração, mais alto é o som. A intensidade do 
som é medida em unidades denominadas decibéis (dB). Um aumento de um decibel representa um 
aumento de 10 vezes na intensidade sonora. O limiar auditivo – o ponto em que um jovem adulto 
médio consegue distinguir o som do silêncio – é definido como 0 dB a 1 mil Hz. As folhas farfalhantes 
têm intensidade de 15 decibéis; fala sussurrada, 30; conversa normal, 60; um aspirador de pó, 75; 
grito, 80; e uma motocicleta ou britadeira próximo, 90. O som torna-se desconfortável para uma 
orelha normal em cerca de 120, doloroso acima de 140 dB. 
 
Fisiologia da audição: Os seguintes eventos estão envolvidos na audição: 
1. O pavilhão direciona as ondas sonoras para o meato acústico externo. 
2. As ondas sonoras alternadas de alta e baixa pressão no ar, quando atingem a membrana timpânica, 
fazem com que a membrana vibre para frente e para trás. A membrana timpânica vibra lentamente 
em resposta a sons de baixa frequência (graves) e rapidamente em resposta a sons de alta 
frequência (agudos). 
3. A área central da membrana timpânica conecta-se ao martelo, que vibra com a membrana 
timpânica. Essa vibração é transmitida do martelo para a bigorna e depois para o estribo. 
4. À medida que o estribo move-se para frente e para trás, sua placa basal de formato oval, que é 
fixada por meio de um ligamento à circunferência da janela do vestíbulo, faz vibrar essa janela. 
Essas vibrações são cerca de 20 vezes mais vigorosas do que as da membrana timpânica, porque 
os ossículos auditivos transformam eficientemente pequenas vibrações espalhadas por uma 
grande área de superfície (a membrana timpânica) em vibrações maiores em uma superfície menor 
(a janela do vestíbulo). 
5. O movimento do estribo na janela do vestíbulo estabelece ondas de pressão fluida na perilinfa da 
cóclea. À medida que a janela do vestíbulo projeta-se para dentro, ela empurra a perilinfa da 
rampa do vestíbulo. 
6. Ondas de pressão são transmitidas da rampa do vestíbulo para a rampa do tímpano e, 
eventualmente, para a janela da cóclea, fazendo com que ela projete-se para fora na orelha média. 
7. À medida que as ondas de pressão deformam as paredes da rampa do vestíbulo e da rampa do 
tímpano, elas também empurram a membrana do vestíbulo para frente e para trás, criando ondas 
de pressão na endolinfa dentro do ducto coclear. 
 15 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
8. As ondas de pressão na endolinfa fazem a lâmina basilar vibrar, o que move as células ciliadas 
do órgão espiral contra a membrana tectória. Isso leva à flexão dos estereocílios e, finalmente, à 
geração de impulsos nervosos em neurônios de primeira ordem nas fibras nervosas cocleares. 
 
Ondas sonoras de várias frequências fazem com que certas regiões da lâmina basilar vibrem mais 
intensamente do que outras. Cada segmento da lâmina basilar é “afinado” para um tom particular. 
Como a membrana é mais estreita e rígida na base da cóclea (mais perto da janela do vestíbulo), sons 
de alta frequência (agudos) induzem vibrações máximas nessa região. Em direção ao ápice da cóclea, 
a lâmina basilar é mais larga e flexível; sons de baixa frequência (graves) causam vibração máxima 
da lâmina basilar. O ruído é determinado pela intensidade das ondas sonoras: ondas sonoras de alta 
intensidade causam vibrações maiores da lâmina basilar, o que leva a uma maior frequência de 
impulsos nervosos que chegam ao encéfalo. Além disso, sons mais altos também podem estimular 
um número maior de células ciliadas. 
 
Transdução sonora: 
1. As células ciliadas internas promovem a transdução das vibrações mecânicas em sinais elétricos. 
2. Conforme a lâmina basilar vibra, os estereocílios no ápice da célula ciliada dobram-se para 
frente e para trás e deslizam uns contra os outros. 
3. Canais de cátions mecanossensíveis estão localizados na membrana dos estereocílios. A abertura 
desses canais permite que cátions na endolinfa, principalmente K+, entrem no citosol das células 
ciliadas. (Aqui, é importante lembrar que os níveis de K+ na endolinfa são muito altos, o que 
normalmente não ocorre em outros líquidos extracelulares do corpo). 
4. À medida que os cátions entram, eles produzem um potencial receptor despolarizante. 
 16 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
5. Uma proteína de ligação de ponta une um canal de cátions mecanossensível em um estereocílio 
à ponta de seu estereocílio vizinho mais alto. 
6.Quando a célula ciliada está em repouso, os estereocílios apontam para cima e os canais de 
cátions estão em um estado parcialmente aberto. Isso permite que alguns íons K+ entrem na 
célula, causando um potencial receptor despolarizante fraco. 
7. A despolarização fraca espalha-se ao longo da membrana plasmática e abre alguns canais de 
Ca2+ dependentes de voltagem na base da célula. Como resultado, uma pequena quantidade de 
Ca2+ entra na célula e desencadeia a exocitose de um pequeno número de vesículas sinápticas 
contendo neurotransmissor. 
8. O baixo nível de liberação de neurotransmissores gera uma baixa frequência de impulsos 
nervosos no neurônio auditivo de primeira ordem que faz sinapse com a célula ciliada. Quando 
a vibração da lâmina basilar promove a curvatura dos estereocílios em direção aos estereocílios 
mais altos, as ligações de ponta são esticadas e puxadas nos canais de cátions, fazendo com que 
os canais de cátions abram-se completamente. 
9. Como resultado, uma quantidade maior de K+ entra na célula, causando um forte potencial 
receptor despolarizante. Isso leva à abertura de mais canais de Ca2+ dependentes de voltagem e 
liberação de mais neurotransmissores. 
10. O aumento da liberação de neurotransmissores gera uma maior frequência de impulsos nervosos 
no neurônio auditivo de primeira ordem. 
11. Quando a vibração da lâmina basilar faz com que os estereocílios desviem-se do estereocílio 
mais alto, as ligações de ponta ficam frouxas e todos os canais de cátions fecham-se. Como o 
K+ não é capaz de 
entrar na célula 
ciliada, a célula torna-
se mais negativa no 
interior (em 
comparação ao estado 
de repouso) e um 
potencial receptor 
hiperpolarizante se 
desenvolve. 
12. Essa hiperpolarização 
resulta em pouca 
liberação de 
neurotransmissor e o 
neurônio auditivo de 
primeira ordem gera 
muito poucos 
impulsos nervosos. 
 
 
 
 17 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Além de seu papel na detecção de sons, a cóclea tem a surpreendente capacidade de produzir sons. 
Esses sons geralmente inaudíveis, denominados emissões otoacústicas, podem ser captados 
colocando um microfone sensível próximo ao tímpano. São causadas por vibrações das células 
ciliadas externas que ocorrem em resposta às ondas sonoras e aos sinais dos neurônios eferentes. À 
medida que se despolarizam e repolarizam, as células ciliadas externas encurtam-se e alongam-se 
rapidamente. Esse comportamento vibratório parece alterar a rigidez da membrana tectória e acredita-
se que amplifica o movimento da lâmina basilar, o que amplifica as respostas das células ciliadas 
internas. Ao mesmo tempo, as vibrações das células ciliadas externas estabelecem uma onda que 
retorna ao estribo e sai da orelha como uma emissão otoacústica. A detecção desses sons produzidos 
pela orelha interna é uma maneira rápida, barata e não invasiva de detectar defeitos auditivos em 
recém-nascidos. Em bebês surdos, as emissões otoacústicas não são produzidas ou são de amplitude 
muito reduzida. 
 
Via auditiva: 
• A via auditiva é o caminho percorrido pelas informações auditivas das células ciliadas no 
órgão espiral para o encéfalo, onde ocorre o processamento. 
• A liberação do neurotransmissor das células ciliadas do órgão espiral gera, por fim, impulsos 
nervosos nos neurônios auditivos de primeira ordem que inervam as células ciliadas. 
• Os axônios desses neurônios formam a parte coclear do nervo vestibulococlear (VIII). Esses 
axônios fazem sinapse com neurônios nos núcleos cocleares no bulbo. 
• Alguns dos axônios dos núcleos cocleares cruzam na medula, ascendem em um trato chamado 
lemnisco lateral no lado oposto e terminam no colículo inferior do mesencéfalo, já outros 
terminam no núcleo olivar superior da ponte. 
• Pequenas diferenças no tempo dos impulsos nervosos que chegam provenientes das duas 
orelhas aos núcleos olivares superiores permitem-nos localizar a fonte de um som. Os axônios 
dos núcleos olivares superiores ascendem ao mesencéfalo, onde terminam nos colículos 
inferiores. 
• De cada colículo inferior, os axônios estendem-se até o núcleo geniculado medial do tálamo. 
• Os neurônios no tálamo, por sua vez, projetam axônios para o córtex auditivo primário no 
lobo temporal do cérebro, onde ocorre a percepção consciente do som. 
• Do córtex auditivo primário, os axônios estendem-se para a área de associação auditiva do 
córtex cerebral do lobo temporal para uma integração mais complexa do estímulo sonoro. 
A chegada de impulsos nervosos no córtex auditivo primário permite que você perceba o som. Um 
aspecto do som que é percebido por essa área é o tom (frequência). O córtex auditivo primário é 
mapeado de acordo com o tom: o estímulo sobre o tom de cada porção da lâmina basilar é 
transmitido para uma parte diferente do córtex auditivo primário. Sons de alta frequência ativam 
uma parte do córtex auditivo, sons de baixa frequência ativam outra parte e sons de média frequência 
ativam a região intermediária. Por conseguinte, diferentes neurônios corticais respondem a diferentes 
tons. Os neurônios no córtex auditivo primário também permitem que você perceba outros aspectos 
do som, como volume e duração. 
 18 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
A partir do córtex auditivo 
primário, a informação 
auditiva é transmitida para a 
área de associação auditiva 
no lobo temporal, a qual 
armazena memórias 
auditivas e compara 
experiências auditivas 
presentes e passadas, o que 
faz com que você reconheça 
um som específico como 
fala, música ou ruído. Se o 
som for a fala, o sinal de 
estímulo na associação 
auditiva é transmitido para a 
área de Wernicke na parte 
adjacente do lobo temporal, 
que interpreta o significado 
das palavras, traduzindo-as 
em pensamentos. 
 19 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Desenvolvimento da Orelha 
As orelhas são formadas por três partes: 
• Orelha externa, que consiste em pavilhão auricular (pina), meato (conduto) acústico externo 
e camada externa da membrana timpânica (tímpano) 
• Orelha média, que consiste em três pequenos ossículos da audição e na camada interna das 
membranas timpânicas, que estão ligadas às janelas ovais das orelhas internas pelos ossículos 
• Orelha interna, que consiste no órgão vestibulococlear, com funções na audição e no 
equilíbrio. 
As partes externa e média são responsáveis pela transferência das ondas de som para as orelhas 
internas, que convertem as ondas em impulsos nervosos e registram alterações no equilíbrio. 
 
Orelhas internas: As orelhas internas são a primeira das três partes da orelha a se desenvolver. 
No início da 4a semana, ocorre um espessamento do ectoderma superficial, o placoide ótico, em um 
campo pré-placoidal dos precursores neuronais em cada lado do mielencéfalo, que é a parte caudal 
do rombencéfalo. 
Os sinais indutivos, inclusive aqueles do mesoderma paraxial e da notocorda, estimulam o ectoderma 
superficial a formar placoides. A sinalização via PGF inicia a especificação dos progenitores 
epibranquiais óticos a partir dos progenitores sensoriais na região pré-placoidal. O desenvolvimento 
do placoide ótico envolve a Pa2G4 codificadora de proteínas, os fatores de transcrição FoxL1/3, as 
vias de sinalização Wnt e Notch, Pax2/8 e os genes Dix codificadores de proteínas. 
Cada placoide ótico logo se invagina e afunda até o ectoderma superficial, adentrando o mesênquima 
subjacente e, desse modo, formando uma fosseta ótica. As margens da fosseta se unem e fundem 
para formar uma vesícula ótica, que é o primórdio do labirinto membranáceo. A vesícula logo 
perde a sua conexão com oectoderma superficial, e um divertículo se desenvolve a partir da vesícula, 
alongando-se para formar o ducto e o saco endolinfáticos. 
 
 
Desenhos do 
desenvolvimento inicial da 
orelha interna. A. Vista 
posterior de um embrião de 
aproximadamente 22 dias 
mostra os placoides óticos. 
B, D, F e G. Cortes 
coronais esquemáticos 
mostram os sucessivos 
estágios de 
desenvolvimento das 
vesículas óticas. C e E. 
Vistas laterais da região 
craniana de embriões de 
aproximadamente 24 e 28 
dias, respectivamente. 
 20 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
Desenhos das vesículas 
óticas mostram o 
desenvolvimento dos 
labirintos membranáceo e 
ósseo da orelha interna. A a 
E. Vistas laterais mostram os 
sucessivos estágios de 
desenvolvimento da vesícula 
ótica para o interior do 
labirinto membranáceo da 5a 
à 8a semana e o 
desenvolvimento de um 
ducto semicircular. F a I. 
Cortes através do ducto 
coclear mostram os 
sucessivos estágios de 
desenvolvimento do órgão 
espiral e do espaço 
perilinfático da 8a à 20a 
semana. 
 
 
As vesículas óticas possuem duas regiões reconhecíveis: 
• Partes utriculares dorsais, a partir das quais se originam os pequenos ductos endolinfáticos, 
os utrículos e os ductos semicirculares 
• Partes saculares ventrais, que dão origem aos sáculos e ductos cocleares. 
 
Três divertículos semelhantes a um disco originam-se das partes utriculares dos labirintos 
membranáceos primitivos. Logo, as partes centrais desses divertículos se fundem e desaparecem. 
As partes periféricas dos divertículos não fusionadas transformam-se em ductos semicirculares, que 
estão ligados ao utrículo e mais tarde ficam encerrados nos canais semicirculares do labirinto ósseo. 
Dilatações localizadas, as ampolas, desenvolvem-se em uma das extremidades de cada ducto 
semicircular. Áreas receptoras especializadas (cristas ampulares) diferenciam-se nas ampolas, no 
utrículo e no sáculo (máculas utriculares e sáculos). 
A partir da parte sacular da vesícula ótica, cresce um divertículo tubular (ducto coclear), que forma 
uma espiral e dá origem à cóclea membranácea. A cóclea desenvolve as 2,5 voltas finais 
aproximadamente na 8a semana. Logo se forma uma conexão da cóclea com o sáculo (ducto de 
união). O órgão espiral diferencia-se a partir das células da parede do ducto coclear. As células 
ganglionares do nervo vestibulococlear (NC VIII) migram ao longo das espirais da cóclea 
membranácea e formam o gânglio espiral. Os processos nervosos estendem-se desse gânglio até o 
órgão espiral, onde terminam nas células ciliares. As células do gânglio espiral conservam a sua 
condição bipolar embrionária. 
 
 21 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
As influências indutivas da vesícula ótica estimulam o mesênquima adjacente a se condensar e 
diferenciar na cápsula ótica cartilaginosa. Estudos indicam que o gene PAX2 é necessário para a 
formação do órgão espiral de Corti e do gânglio espiral. O ácido retinoico e o fator de transformação 
de crescimento β1 desempenham um papel importante na modulação da interação 
epiteliomesenquimal da orelha interna e no direcionamento da formação da cápsula ótica ou do 
labirinto ósseo. 
À medida que o labirinto membranáceo cresce, aparecem vacúolos na cápsula ótica cartilaginosa 
que logo coalescem para formar o espaço perilinfático. O labirinto membranáceo fica, então, 
suspenso na perilinfa (líquido presente no espaço perilinfático). O espaço perilinfático, relacionado 
com o ducto coclear, desenvolve-se em duas divisões, a rampa do tímpano e a rampa do vestíbulo. 
A cápsula ótica cartilaginosa mais tarde se ossifica para formar o labirinto ósseo da orelha interna. A 
orelha interna atinge o seu tamanho e formato adultos até meados do período fetal (20 a 22 semanas), 
e a audição passa a existir aproximadamente com 26 semanas. 
 
Orelhas médias: O desenvolvimento do recesso tubotimpânico a partir da primeira bolsa 
faríngea. A parte proximal do recesso tubotimpânico forma a tuba auditiva. 
A parte distal do recesso se expande, tornando-se a cavidade timpânica, que envolve gradualmente 
os pequenos ossos da orelha média (ossículos da audição: martelo, bigorna e estribo), seus tendões 
e ligamentos, e o nervo corda do tímpano. 
• O martelo e a bigorna derivam da cartilagem do primeiro arco faríngeo. 
• Os ramos anterior e posterior, a base e a cabeça do estribo parecem formar-se a partir da crista 
neural, enquanto a margem externa do estribo é originária das células mesodérmicas. 
Essas estruturas recebem um revestimento epitelial quase completo originário das células da crista 
neural do endoderma. As células da crista neural sofrem uma transformação epiteliomesenquimal. 
Além da apoptose na orelha média, um organizador epitelial localizado na extremidade do recesso 
tubotimpânico provavelmente participa do desenvolvimento inicial da cavidade da orelha média e da 
membrana timpânica. A cavitação tem início no terceiro mês e termina até o 8o mês. 
Os desenhos esquemáticos ilustram o 
desenvolvimento das partes externa e 
interna da orelha. Observa-se a relação 
dessas partes com a vesícula ótica, o 
primórdio da orelha interna. A. Com 4 
semanas, o desenho mostra a relação da 
vesícula ótica com o aparelho faríngeo. 
B. Com 5 semanas, o desenho mostra o 
recesso tubotimpânico e as cartilagens 
do arco faríngeo. C. O desenho de um 
estágio posterior mostra o recesso 
tubotimpânico (futura cavidade 
timpânica e antro mastóideo) 
começando a envolver os ossículos. D. 
O desenho do estágio final do 
desenvolvimento da orelha mostra 
relação da orelha média com o espaço 
perilinfático e o meato acústico 
externo. A membrana timpânica desenvolve-se a partir de três camadas germinativas: ectoderma superficial, mesênquima 
e endoderma do recesso tubotimpânico. 
 22 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
No fim do período fetal, a expansão da cavidade timpânica dá origem ao antro mastóideo, localizado 
na parte petromastóidea do osso temporal. O antro mastóideo tem quase o tamanho adulto no 
nascimento, mas as células mastóideas não existem nos neonatos. Até os 5 anos de idade, as células 
mastóideas já estão bem desenvolvidas e produzem projeções cônicas dos ossos temporais, os 
processos mastoides. 
A orelha média continua a crescer durante a puberdade. O músculo tensor do tímpano, ligado ao 
martelo, é originário do mesênquima do primeiro arco faríngeo e é inervado pelo nervo trigêmeo (NC 
V), o nervo desse arco. O músculo estapédio é originário do segundo arco faríngeo e é alimentado 
pelo nervo facial (NC VII), o nervo desse arco. As moléculas sinalizadoras fator de crescimento de 
fibroblastos 8 (FGF8), endotelina 1 (EDN1) e T-box 1 (TBX1) estão envolvidas no desenvolvimento 
da orelha média. 
 
Orelhas externas: O meato acústico externo, que é a passagem da orelha externa que conduz 
à membrana timpânica, desenvolve-se a partir da parte dorsal do primeiro sulco faríngeo. As células 
do ectoderma na base desse tubo afunilado proliferam para formar uma placa epitelial sólida, o 
tampão do meato. Ao fim do período fetal, as células centrais desse tampão sofrem degeneração, 
formando uma cavidade que passa a constituir a parte interna do meato acústico externo. 
O meato, que é relativamente curto no nascimento, atinge o seu comprimento adulto 
aproximadamente no 9º ano. 
O primórdio da membrana timpânica é a primeira membrana faríngea, que forma a superfície 
externa da membrana timpânica. No embrião, a membrana timpânica separa o primeiro sulco faríngeo 
da primeira bolsa faríngea. Com o desenvolvimento, o mesênquima cresce entre asduas partes da 
membrana faríngea e diferencia-se nas fibras colagênicas da membrana timpânica. 
A membrana timpânica desenvolve-se a partir de três fontes: 
• Ectoderma do primeiro sulco faríngeo 
• Endoderma do recesso tubotimpânico, originário da primeira bolsa faríngea 
• Mesênquima do primeiro e do segundo arcos faríngeos. 
 
A orelha (aurícula ou pina), que se projeta da lateral da cabeça, desenvolve-se a partir de proliferações 
mesenquimais no primeiro e no segundo arcos faríngeos (saliências auriculares) que circundam o 
primeiro sulco faríngeo. À medida que a aurícula cresce, a contribuição do primeiro arco é reduzida, 
e forma o trago. 
O lóbulo da orelha é a última parte da aurícula a se desenvolver. A aurícula atinge sua estrutura adulta 
até a 22a semana. HoxA2 parece ser fundamental para o desenvolvimento auricular. As aurículas 
começam a se desenvolver na base do pescoço. À medida que a mandíbula se desenvolve, as aurículas 
adotam sua posição normal na lateral da cabeça devido ao crescimento diferencial da cabeça e do 
pescoço. 
 23 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
 
As partes da aurícula originárias do primeiro arco faríngeo são supridas pelo ramo mandibular do 
nervo trigêmeo (NC V); as partes originárias do segundo arco são supridas pelos ramos cutâneos do 
plexo cervical, especialmente pelos nervos occipitais menor e auricular maior. O nervo do 
segundo arco faríngeo, o nervo facial, possui poucos ramos cutâneos; algumas de suas fibras 
contribuem para a inervação sensorial da pele na região mastóidea e, provavelmente, em pequenas 
áreas em ambas as faces da aurícula. 
 
 24 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 11/03/2024 
O que podem levar as Más Formações da orelha 
As más formações da orelha podem ser causadas por uma variedade de fatores genéticos e ambientais. 
Aqui estão algumas das condições que podem levar a más formações da orelha: 
1. Fatores Genéticos: Algumas más formações da orelha podem ser hereditárias, passando de 
geração em geração. Anormalidades genéticas podem resultar em uma variedade de 
condições, desde lóbulos de orelha ausentes até deformidades mais complexas. 
2. Fatores Ambientais: Exposição a substâncias tóxicas ou teratogênicas durante a gravidez pode 
levar a más formações da orelha. Isso pode incluir drogas, álcool, medicamentos ou produtos 
químicos presentes no ambiente. 
3. Defeitos no Desenvolvimento Fetal: Durante o desenvolvimento fetal, qualquer interrupção 
ou anormalidade nos processos de formação das estruturas da orelha pode levar a más 
formações. Isso pode ocorrer por uma variedade de razões, incluindo problemas de 
desenvolvimento do embrião ou complicações durante a gravidez. 
4. Síndromes Genéticas: Algumas síndromes genéticas, como a Síndrome de Down (Trissomia 
21), a Síndrome de Turner e a Síndrome de Treacher Collins, estão associadas a más 
formações da orelha, entre outras características físicas distintivas. 
5. Fatores Nutricionais: Deficiências nutricionais durante a gravidez podem afetar o 
desenvolvimento fetal e contribuir para más formações da orelha. 
6. Radiação: Exposição à radiação durante a gravidez pode aumentar o risco de más formações 
congênitas, incluindo aquelas relacionadas à orelha. 
7. Trauma Fetal: Trauma físico durante a gravidez, como impacto ou compressão na região 
abdominal, pode prejudicar o desenvolvimento fetal e resultar em más formações. 
É importante notar que muitas vezes não é possível identificar uma causa específica para as más 
formações da orelha, pois frequentemente são o resultado de uma interação complexa entre múltiplos 
fatores genéticos e ambientais. O diagnóstico e tratamento de más formações da orelha geralmente 
são conduzidos por especialistas em otorrinolaringologia ou cirurgiões plásticos especializados em 
reconstrução facial.

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