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ECG Profª. Esp. Andressa Nunes Eletrocardiograma • Gráfico que registra oscilações elétricas que resultam da atividade do músculo cardíaco. • É um exame de saúde na área de cardiologia no qual é feito o registro da variação dos potenciais elétricos gerados pela atividade elétrica do coração. Eletrocardiograma Atividade elétrica captada por eletrodos Transmitido ao equipamento que converte atividade elétrica em desenho gráfico Tradução em ondas que traduzem as etapas da atividade elétrica das células miocárdicas ECG Conhecimentos necessários • ECG normal: ritmo, FC, amplitude e forma das ondas e intervalos; • Anatomia do coração e os locais de ativação relacionados às ondas eletrocardiográficas; • Eletrofisiologia cardíaca, com enfoque aos canais iônicos; • 12 derivações cardíacas (periféricas e precordiais). • Derivações posteriores (complementares). Atividades do coração o Mecânicas • Inotropismo: Força de contração; • Lusitropismo: Distensibilidade e • Relaxamento. o Elétricas • Cronotropismo: Ritmo Cardíaco; • Dromotropismo: Condução elétrica; • Batmotropismo: Auto excitabilidade. Atividades do coração • A DESPOLARIZAÇÃO não é o mesmo que a CONTRAÇÃO. • DESPOLARIZAÇÃO é um evento elétrico, que se espera ocasionar uma contração, que é um evento mecânico. Inervação cardíaca • Extrínseca que provém de nervos situados fora do coração. Ex. SNA (simpático e parassimpático- X par craniano) • Intrínseca que constitui um sistema encontrado apenas no coração e que está localizado no seu interior. Inervação cardíaca • Extrínseca que provém de nervos situados fora do coração. Ex. SNA (simpático e parassimpático - X par craniano) • Intrínseca que constitui um sistema encontrado apenas no coração e que está localizado no seu interior. É a razão dos batimentos contínuos do coração. É uma atividade elétrica, intrínseca e rítmica, que se origina em uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas, chamadas células auto rítmicas (marca passo cardíaco), por serem auto excitáveis. Sistema de condução • Nódulo Sinoatrial ou Sinusal: o Nódulo sinoatrial fica localizado na região superior do átrio direito, tem a função de marca-passo do coração, isto é, comanda o ritmo e frequência do coração. Tem autoexitabilidade. • Nódulo atrioventricular: o nódulo atrioventricular fica localizado no assoalho do átrio direito e é responsável por fazer a pausa fisiológica que permite que os átrios ejetem sangue para as câmeras ventriculares. • Feixe de His: o Feixe de His é uma estrutura de bifurcação que leva estímulos específicos para cada ventrículo. • Fibras de Purkinje: é uma ponta de condução que entra em contato com a célula miocárdica. Eletrogênese Cardíaca Eletrogênese Cardíaca • A célula miocárdica como todas as outras células do organismo, tem, em repouso, o meio intracelular negativo (polarizado) em relação ao meio extracelular que é positivo; • Quando as células cardíacas estão em repouso (meio intracelular negativo) produz um evento mecânico conhecido como diástole, que é o relaxamento das fibras miocárdicas; • Em contrapartida, quando as células cardíacas estão despolarizadas (meio intracelular positivo) se tem a contração do músculo cardíaco, sendo chamado de sístole. Eletrogênese Cardíaca • Nas células em repouso, a concentração de K+ em seu meio intracelular é maior do que no meio extracelular, onde predomina a concentração de Na+; • Essa diferença de concentração de íons entre o meio intra e extracelular é garantida por mecanismos capazes de transferir Na+ e K+; • O Potencial de Repouso é consequência da distribuição iônica entre a célula e o meio que a circunda, e da permeabilidade relativa da membrana aos principais íons do sistema; • Para que exista o potencial de repouso, dois fenômenos são básicos: transporte passivo de íons (difusão) e transporte ativo de íons (Bomba Na+/K+ATP-ase). Fases do estímulo elétrico pela membrana miocárdica • Quando uma célula é estimulada elétrica, química ou mecanicamente, o seu potencial de repouso produz uma oscilação transitória, conhecido como potencial de ação. Esta produção de estímulo elétrico cardíaco se caracteriza por 5 fases, sendo elas: 0, 1, 2, 3 e 4. • Fase 0: Aumento rápido do potencial de ação, corresponde ao início da despolarização, que é caracterizada pela abertura rápida dos canais de sódio, ocasionando a entrada deste íon para dentro da célula. Fases do estímulo elétrico pela membrana miocárdica • Fase 1: Corresponde ao lento funcionamento dos canais de sódio e início da saída de potássio, ocasionando a inversão das concentrações iniciais entre os compartimentos do líquido intracelular e líquido extracelular. • Fase 2: Caracterizada pela abertura dos canais de Cálcio sendo conhecido como período de Platô, ou seja, período máximo da despolarização(Sístole). Fases do estímulo elétrico pela membrana miocárdica • Fase 3: Corresponde ao início da repolarização celular que é caracterizada pela grande saída de Potássio da célula e fechamento dos canais de sódio e cálcio resultando em uma positividade do líquido extracelular e negatividade do líquido intracelular, ainda com concentrações iônicas invertidas na tentativa de retornar ao repouso. A propagação do impulso cardíaco Envolve a condução do potencial de ação, que se origina em uma célula, ou em um grupo de células, do nódulo sinusal e se propagou, de célula a célula, através de todo o sistema de condução até o miocárdio contrátil ventricular. Sistema de condução cardíaco Excitação Despolarização Platô Repolarização Estímulo responsável pelo disparo da atividade iônica/elétrica do coração. É ativado pelo marca passo fisiológico (NSA). Aumenta com a permeabilidade da membrana dado por um estímulo que abre os canais de Na+ e fecha os de K+, levando carga positiva para dentro da célula que estava em repouso, e carga negativa para fora da célula. Responsável pelo início da contração cardíaca, ou seja, momento em que há alteração dos canais da membrana miocárdica, aumentando a concentração de Na+ dentro da célula. Período em que há entrada de cálcio nas miofibrilas, prolongando o período sistólico. O cálcio ativa as proteínas da musculatura para que se deslizem para fazer o movimento de entorse. Momento de inversão dos canais iônicos nas miofibrilas, início do retorno ao repouso. Refaz a polarização da célula, diminuindo a soma de cargas positivas dentro da célula com o aumento do K+, deixando o local negativo. Prevenção fisiológica de arritmias O NAV é a região do sistema de condução onde existe fisiologicamente o grande alentecimento da condução. Numerosos fatores podem ser responsáveis por esse processo, destacando-se: o 8 valor reduzido do potencial de membrana; a amplitude diminuída do potencial de ação e a diminuição da velocidade máxima de ascensão. Por isso, o NAV é o grande sítio de defesa do sistema de condução contra as taquicardias. Planos cardíacos Derivações periféricas e o plano frontal Derivações precordiais e o plano horizontal Indicações do ECG • Avaliação da atividade elétrica e a frequência cardíaca. • Detectar doenças cardíacas: isquemia cardíaca, IAM, arritmias, bloqueios de condução elétrica, sobrecargas (hipertrofia) atriais e ventriculares. • Alterações eletrolíticas (distúrbios do potássio). • Efeito de medicação (digitálico e betabloqueador). Como fazer um ECG • Utiliza-se um eletrocardiógrafo • O fato de ser um método não invasivo, o baixo custo, a facilidade de transporte e de manuseio contribuíram para que o ECG constituísse um método de rotina nas clínicas e consultórios. • Este aparelho capta a atividade elétrica por meio da pele do paciente, gerando imagens lineares em ondas que demonstram um padrão. Requisitos • Não fumar nos últimos 30 min. • Não praticar atividade física 10 minutos antes do exame. • ECG esforço- alimentação leve 2h antes do exame, não fumar 2 horas antes e usarroupas apropriadas. • Conexão adequada dos eletrodos. Tipos • ECG de repouso. • ECG de esforço- teste ergométrico. • Holter- monitorização do ECG de 24h e anotação das atividade Passos para realização do ECG 1 - Higienizar as mãos; 2 - Conferir a prescrição médica ou pedido de exame; 3 - Preparar o material e colocá-lo próximo à unidade do cliente; 4 - Orientar o paciente sobre o procedimento a ser realizado e posicioná-lo em decúbito dorsal, com braços e pernas relaxados; 5 - Ligar ao aparelho à rede de energia, prestando atenção a voltagem solicitada; 6 - Colocar a folha de ECG e apertar tecla "papel"; 7 - Friccionar com gazes e álcool a área a ser monitorada. Se necessário, os pelos deverão ser cortados; Passos para realização do ECG 8 - Colocar as braçadeiras nos membros: • Cabo vermelho em braço D - RA • Cabo amarelo em braço E - LA • Cabo verde em perna E - LL • Cabo preto em perna D - RL Passos para realização do ECG 9 - Colocar eletrodos no tórax: Passos para realização do ECG • V1 em 4º espaço intercostal na borda esternal direita • V2 em 4º espaço intercostal na borda esternal esquerda • V3 a meio caminho entre V2 e V4 • V4 em 5º espaço intercostal na linha clavicular média E • V5 em 5º espaço intercostal na linha axilar anterior (meio caminho entre V4 e V6) • V6 em 5º espaço intercostal na linha axilar média, nivelado com V4 Passos para realização do ECG Passos para realização do ECG 10 - Apertar o botão "segue"; 11 - Identificar o ECG com nome do paciente, data, hora e setor; 12 - Desligar o aparelho, retirar cabos e eletrodos, limpar e organizar as braçadeiras; 13 - Deixar o paciente confortável no leito e o ambiente em ordem; 14 - Realizar as anotações de enfermagem no prontuário. Eletrodos Periféricos • R: Braço Direito (Right), evitando proeminências ósseas. • L: Braço Esquerdo (Left), evitando proeminências ósseas. • F: Perna Esquerda (Foot), evitando proeminências ósseas. • N: Perna Direita, é o Neutro (N). • Se o paciente tivesse um membro amputado, o eletrodo correspondente será colocado no coto do membro, ou na sua falta, a região mais próxima do tronco (ombros ou região abdominal inferior). Eletrodos Periféricos • Medem a diferença de potencial entre o tórax e o centro elétrico do coração (NAV). • V1 - Quarto espaço intercostal linha para esternal direita; • V2 - Quarto espaço intercostal linha para esternal esquerda; • V3 - Entre V2 e V4; • V4 - Quinto espaço intercostal na linha hemiclavicular; • V5 - Quinto espaço intercostal linha axilar anterior; • V6 - Quinto espaço intercostal, linha axilar média Ondas do ECG • Onda P: traduz a despolarização dos átrios, enquanto evento elétrico e sístole destas câmaras, enquanto evento mecânico. Ondas do ECG • Intervalo P-R: no significado elétrico, referente-se ao tempo em que o impulso cardíaco leva para despolarizar os átrios, percorrer as vias de condução internodais, o nódulo AV, o feixe de His e ramos até alcançar os ventrículos. Já no significado mecânico, traduz o período de sístole dos átrios em consonância à pausa fisiológica que ocorre no Nó Átrio-ventricular. O tempo desse intervalo limita-se entre 0,12 segundos a 0,20 segundos. Ondas do ECG • Complexo QRS: refere-se à despolarização dos ventrículos e sístole dessas câmaras. O tempo médio desse complexo situa-se entre 0,08 até 0,12 segundos. Ondas do ECG • Segmento ST: é a fase inicial da repolarização ventricular dos ventrículos, portanto determina a diástole ventricular. Este segmento, eletrocardiograficamente normal, deve ser isoelétrico, ou seja, reto; não formando nem uma onda positiva ou negativa. Ondas do ECG • Onda T: onda que representa a repolarização dos ventrículos e o momento final da diástole dos mesmos. Intervalos • Horizontal- Cada quadrado pequeno equivale 0,04 seg e 5 quadrados pequenos = 0,20 seg. • Vertical - cada quadrado pequeno é 1mV e o grande 5mV. Intervalo PR • Despolarização atrial e pausa do NAV- permite a entrada de sangue nos ventrículos. • Medir do início da onda P ao início do QRS; • Varia de acordo com a idade e a frequência cardíaca; • Intervalo PR constante, sendo maior que 120 ms (0,12s) e menor que 200 ms (0,20seg); • Alterações: a) Menor que o normal (< 0,12 seg): Feixe anômalo (Síndrome de Wolff Parkinson White) ou o estímulo não é sinusal e presença de onda Delta. b) Maior que o normal ( > 0,20 seg): bloqueio AV QRS Despolarização do ventrículo - Impulso elétrico do NAV por meio do feixe de His (direito e esquerdo) para fibra de Purking. Intervalo QT Ocorre entre o início do complexo QRS e o fim da onda T. Esse intervalo indica a duração da despolarização e repolarização dos ventrículos, e varia de acordo com a taxa de batimentos cardíacos, idade e sexo do paciente. Segmento ST • Pausa após o QRS (isoelétrico). • Vai do fim do QRS (ponto J) ao início da onda T; • Deve estar no mesmo nível do PR; • Duração 0,12 seg • Alterações do ST: a) Supradesnivelamento - Lesão miocárdica ( fase inicial do IAM) - Pericardite aguda b) Infradesnivelamento - Lesão miocárdica ( fase inicial do IAM) - Ação digitálica Onda T • Ocorre após a pausa do segmento ST. Representa a repolarização do ventrículo e, consequentemente, relaxamento ventricular. • É uma onda única, assimétrica: a) Ramo ascendente mais lento que o descendente; b) Ápice arredondado; • A isquemia miocárdica modifica a onda T: a) Onda T positiva apiculada: Isquemia subendocárdica; b) Onda T negativa e apiculada: Isquemia subepicárdica; Onda U Última e menor deflexão do ECG que, quando presente, inscreve-se logo após a onda T e antes da P do ciclo seguinte, de igual polaridade à T precedente e de amplitude entre 5 e 25% da mesma, na maioria das vezes. Geralmente visível apenas em frequências cardíacas baixas, tem sua gênese atribuída a: • Repolarização demorada dos músculos papilares. • Repolarização tardia das fibras de Purkinje. • Potenciais residuais tardios do septo. • Acoplamento eletromecânico. Derivações As derivações podem ser definidas de acordo com a posição dos eletrodos exploradores no plano frontal, formando as derivações periféricas bipolares ou unipolares; e no plano horizontal, formando as derivações precordiais (unipolares). Derivações Periféricas o Bipolares (medem a diferença de potencial entre os membros): • D1 (Diferença de potencial entre o braço direito e o braço esquerdo); • D2 (Diferença de potencial entre o braço direito e a perna esquerda); • D3 (Diferença de potencial entre o braço esquerdo e a perna esquerda). Derivações Periféricas o Unipolares (vetores): • aVR (Potencial absoluto do braço direito); • aVL (Potencial absoluto do braço esquerdo); • aVF (Potencial absoluto da perna esquerda). Derivações dos membros Derivações Precordiais • V1, V2, V3, V4, V5 e V6 • Unipolares Derivações Periféricas o DI • Parede lateral esquerda alta do coração • D1 é quase o homólogo de D3 em sentido inverso. • Onda P: positiva, com ápice arredondado. • Onda R positiva e ápice pontiagudo. • Onda S imperceptível. • A onda T tem sua maior amplitude em D1, onda positiva, assimétrica (ramo inicial mais longo). • Em um indivíduo sadio, a onda T jamais é negativa nessa derivação. Derivações Periféricas o DII • Parede inferior do coração • D2= D1+D3 (lei de Einthoven) • Onda P positiva e arredondada. • Onda T positiva (excepcionalmente negativa) • Onda S: imperceptível Derivações Periféricas o DIII • Parede inferior do coração • Onda P positiva e arredondada. • R positiva • Onda T negativa Derivações Periféricas o aVR • Átrio D • Fornece informações sobre a borda direita dos ventrículos no plano frontal. • As ondas P, R e T são negativas, e as ondas Q e S são praticamente imperceptíveis. Derivações Periféricas o aVL • Parede lateral esquerda alta do coração. • A onda P é imperceptível. • Onda Q pequena. • A onda R é positiva, com amplitude e duração próximos àquelesda onda S. • A onda T é positiva. Derivações Periféricas o aVF • Juntamente com as derivações D2 e D3, corresponde à margem inferior ou diafragmática do coração. • A onda P é positiva e muito pequena. • A onda R é positiva. • A onda T, também positiva, possui valor de amplitude menor em aVF em relação às derivações aVR e aVL. • Não são perceptíveis as ondas Q e S em aVF. Derivações Precordiais o V1 • Ventrículo direito • A onda P tem amplitude máxima de 0,15 mV em V1 e duração de 40 ms; a onda Q é nula. • As ondas R e S variam em sentido inverso, de V1 a V6. • R mínimo. Derivações Precordiais o V2 • Ventrículo direito • Onda P perceptível • Onda Q nula • R mínimo Derivações Precordiais o V3 • Zona de transição, parede inferior do Ventrículo E • Onda P pequena ou invisível • Onda Q nula • Onda R começa a aumentar de amplitude em V3 • S vai diminuindo até nulo em V6 Derivações Precordiais o V4 • Juntamente com as derivações V5 e V6, ao ventrículo esquerdo. • Onda P visível • Onda Q pequena ou nula • Onda R aumenta. • S quase nulo Derivações Precordiais o V5 • Juntamente com as derivações V4 e V6, ao ventrículo esquerdo. • A onda P é visível • Onda R de amplitude máxima (1,9 mV com 80 ms de duração) • S quase nulo. • Onda T positiva Derivações Precordiais o V6 • Em conjunto com as derivações V4 e V5: ventrículo esquerdo. • A onda P é pequena ou invisível. • O acidente R atinge um de seus valores de amplitude máxima de 1,8 mV com 40 ms de duração. • S quase nulo. • Onda T positiva Ponto J • É o ponto final da inscrição do QRS em sua interseção com o segmento ST. • É útil para o diagnóstico dos desníveis do segmento ST. Laudo descritivo • Análise do ritmo e quantificação da Frequência Cardíaca (FC). • Análise da duração, amplitude e morfologia da onda P e duração do intervalo PR. • Determinação do eixo elétrico de P, QRS e T. • Análise da duração, amplitude e morfologia do QRS. • Análise da repolarização ventricular e descrição das alterações do ST- T, QT e U quando presentes. Como interpretar um ECG? 1. Deve ser analisado de maneira sistemática para determinar o Ritmo cardíaco do paciente e detectar arritmias, distúrbios de condução, evidências de isquemia, lesão e infarto do miocárdio. • Informações do paciente: Idade e dados clínicos; • Identificar as derivações; • Observar a qualidade do traçado: Ausência de interferência elétrica e Ausência de tremor muscular. Como interpretar um ECG? Método de Dubin 2. Verificar a FC (60 a 100 bpm): • Conta os quadrados grandes dentro do intervalo RR e depois divide por 300 (ritmo regular). Ou soma dos quadrados pequenos e divide por 1500. Bradicardia e taquicardia. 3. Verificar o ritmo: • Regular: contar os quadrados grandes entre a diferença das ondas R. Será regular se for igual ou muito próximo. - Ritmo sinusal a) Uma onda P precedendo cada QRS b) Cada QRS antecedido por uma onda P e P positiva em DII, DIII e avF Como interpretar um ECG? Método de Dubin 4. Identificar a onda P e verificar a onda P(despolarização atrial): morfologia 5. Intervalo PR- 0,12 a 0,20 (alterações atrioventriculares) 6. Intervalo QRS- deve durar até 0.12 seg (3 quadradinhos) (alterações ventriculares) 7. Onda T 8. Procure onda Q patológica (maior que um quadradinho) Determinação do ritmo sinusal • Onda P positiva em DI, DII e aVF e Negativa em aVR; • Onda P de mesma morfologia e sempre seguida do seu correspondente complexo QRS; • Distância RR regular. Alterações no ECG Distúrbios de condução o Arritmias • Alteração da frequência, formação e/ou condução do impulso elétrico através do miocárdio. • Relação da onda P com o complexo QRS. • Causas: Excitabilidade aumentada, diminuída e distúrbios de condução. Distúrbios de condução o Arritmias atriais e ventriculares • Arritmia supraventricular: Ritmo que se origina acima da junção entre o nó AV e o feixe de His. Pode-se originar no tecido atrial, na junção atrioventricular ou envolvendo vias acessórias. a) taquicardia sinusal; b) taquicardia atrial paroxística; c) flutter e fibrilação atriais. Distúrbios de condução o Taquicardia sinusal • Estímulos gerados no Nó AS • Não ocorrem “falhas” nas palpitações • Associada a causa desencadeante • Inicio e termino são gradativos • Pode apresentar palpitações e dispneia Distúrbios de condução o Taquicardia atrial paroxística • FC de 150 a bpm, ritmo regular, QRS estreito • Crises abruptas, duração variável • As repercussões dependem da FC e do miocárdio: isquemia cardíaca, IAM, edema agudo de pulmão. Distúrbios de condução o Flutter atrial • Ondas F com duração, amplitudes e morfologia constantes • Frequência atrial de 250 a 350 bpm • Frequência ventricular geralmente metade da atrial. Distúrbios de condução o Fibrilação atrial • Ausência de onda P • Ritmo ventricular irregular • Ondas F com amplitude, forma e duração variáveis • Frequência atrial de 300 a 600 estímulos por minuto. Distúrbios de condução o Arritmias atriais e ventriculares • Arritmia ventricular: Ritmo de origem abaixo da bifurcação do feixe de His, habitualmente expressa por QRS alargado. a) Taquicardia ventricular b) Fibrilação ventricular c) Wolff-Parkinson-White d) Bloqueio de ramo Distúrbios de condução o Taquicardia ventricular • Duração de no mínimo 30s, se não TVS • Frequências cardíacas entre 100 e 250 bpm, mas em alguns casos pode ter um ritmo irregular • QRS largo Distúrbios de condução o Fibrilação ventricular • Ritmo ventricular rápido (mais de 250 bpm), irregular, de morfologia caótica e implica a perda absoluta da contração cardíaca, pelo que é fatal sem tratamento • Ondulações irregulares em forma e morfologia, sem ser capaz de distinguir complexos QRS ou ondas T. Distúrbios de condução o Wolff-Parkinson-White • Presença de uma via acessória (Feixe de Kent) que liga, eletricamente, os átrios com os ventrículos. Provocando uma segunda via de propagação do impulso eléctrico. • Onda P sinusal, exceto outras alterações. • Intervalo PR encurtado (menor de 0.12s). • Onda Delta. • QRS alargado devido à presença de onda Delta. • Com altos grau de pré-excitação: QRS tipo Bloqueio de Ramo, e alterações da repolarização (ST e onda T). Distúrbios de condução Bloqueios Atrioventricular BAV 1º, 2º e 3º grau Intraventricular Bloqueio de ramo D e E Distúrbios de condução o Bloqueio atrioventriculares - BAV • São distúrbios da condução elétrica dos átrios para os ventrículos, causados por alterações do nó AV; • Podem se caracterizar por atrasos da condução, falhas contínuas ou intermitentes, ou mesmo ausência total de condução AV. • Durante o BAV, o bloqueio pode ocorrer no nó AV, feixe de His ou ramos ventriculares. • BAV 1º, 2° e 3° grau Distúrbios de condução o BAV 1º grau • Intervalo PR > 0,2 seg (prolongado). • Retardo na condução do nó AV, mas todos os batimentos são conduzidos para o ventrículo. • Causas medicamentosas (amiodarona ou digital), miocardite, doenças degenerativa de condução Distúrbios de condução BAV 2ºgrau Mobitz I Prolongamento progressivo do PR até que 1 QRS é bloqueado Mobitz II QRS são bloqueados se prolongamento do PR Distúrbios de condução o BAV 2º grau – Mobitz I • Alargamento do PR até o aparecimento de uma onda P bloqueada. • Bloqueio AV • Distúrbios infranodais (sistema His –Purking) • Causa: medicamentos, IAM Distúrbios de condução o BAV 2º grau – Mobitz II • Onda P bloqueada sem alargamento do PR. • Acompanhada de síncope • Necessário marca-passo Distúrbios de condução o BAV 3º grau ou total • Dissociação AV, sem correlação da onda P e o QRS. • Átrio e ventrículo se contraem de modo independente • FC em torno de 40 • A frequência atrial é maior do que a frequência ventricular. • Intervalos PR muito variáveis • Causa: distúrbios hidroeletrolíticos, chagas, miocardites • Tratamento: Marca-passo Distúrbios de condução o Bradiarritmias• Alterações da frequência e/ou ritmo cardíaco que cursam com resposta ventricular baixa. • Absoluta: FC menor que 50 a 60 bpm. • Relativa: FC 65 a 70 bpm em situações de maior demanda, como insuficiência cardíaca descompensada ou choque séptico; • A bradiarritmia pode ser fisiológica, como em atletas bem treinados com baixa frequência cardíaca durante o repouso. • Patológica: doenças do nó sinusal ou medicações Distúrbios de condução o Bradicardia sinusal • Tônus vagal excessivo: durante vômitos ou quadros vasovagais; durante o sono em pessoas hígidas; • Efeito de medicações que deprimem o nó sinusal: betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, amiodarona, propafenona, lítio. • Condições sistêmicas diversas (meningite, tumores de SNC com hipertensão intracraniana, hipóxia severa, hipotermia, hipotireoidismo, sepse por germes Gram-negativos). • Tratamento: Apenas se DC diminuído com atropina. Se persistente e sintomática é indicado marca-passo. Distúrbios de condução o Parada sinusal • Assistolia maior que 2 seg - falha do automatismo sinusal. • Caracteriza-se por longos períodos sem onda P no ECG. Estes períodos não são múltiplos do intervalo R-R normal. Quando longas, tais paradas sinusais são interrompidas por batimentos de escape. • Causas : Tônus vagal excessivo; IAM (geralmente inferior); Doenças degenerativas (doença do nó sinusal); Hipersensibilidade do seio carotídeo (com resposta cardioinibitória: assistolia maior que 3 segundos durante estímulo do seio carotídeo); Efeito de drogas: digital; Apneia do sono. • Tratamento marca-passo definitivo. Alterações do K • Hipocalemia: o segmento ST e o intervalo QT estão prolongados e U proeminente. Causas: uso inadequado de diuréticos, administração de líquidos IV e acidose diabética. • Hipercalemia: ondas T pontiagudas, bloqueio intraventricular. Alterações dos digitálicos • Segmento ST em colher Lesões isquêmicas Normal Depressão ST Elevação ST Onda Q necrose (6 horas) Onda T negativa > 24 horas Lesões isquêmicas o Os achados no ECG dependem de fatores diversos como: • Duração do processo isquêmico, • Extensão da lesão, • Topografia da parede ventricular acometida • Associação de outras anormalidade (o bloqueio do ramo esquerdo mascara os sinais de infarto). Lesões isquêmicas o Alterações do ST a) Supradesnivelamento - Lesão miocárdica ( fase inicial do IAM) - Pericardite aguda b) Infradesnivelamento - Lesão miocárdica ( fase inicial do IAM) - Ação digitálica Lesões isquêmicas o Alterações do ST Lesões isquêmicas o Outros motivos de alterações do ST • Pericardite • Sobrecarga ventricular • Hiperpotassemia • Espasmos coronarianos (angina de Prinszmetal) Lesões isquêmicas o Onda Q de necrose • Destruição celular, perda da integridade da membrana • Área eletricamente inativa no ECG. • Q com duração > 0,04 s • Amplitude maior que ¼ do QRS • Outras situações com alterações da onda Q: miocardiopatias, doenças de chagas, fibrose do miocárdio Lesões isquêmicas o Inversão da onda T • IAM e outras situações (pericardites, miocardites, hipertrofias ventriculares) Lesões isquêmicas o Evolução do IAM Lesões isquêmicas o IAM mais comum parede anterior ou inferior do VE Lesões isquêmicas o Localização do IAM • Inferior: DII, DIII e AVF • Antero-septal: V1 a V3 • Anterior: V4 a V6 • Posterior: aVR, V1 a V3 • Lateral DI e aVL Lesões isquêmicas o Localização do IAM Lesões isquêmicas o Derivações posteriores • Serve para detectar infartos posteriores • V7: No quinto espaço intercostal esquerdo (mesmo nível que V4, V5, V6), a linha axilar posterior. • V8: No mesmo nível que o eletrodo V7, na linha midscapular, no ângulo inferior da escápula. • V9: No mesmo nível que os eletrodos V7 e V8, na linha paravertebral esquerda.