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INTRODUÇÃO
Olá, estudante!
Iniciamos aqui a Unidade 2 da disciplina de Fundamentos das Políticas Sociais. Nela, vamos tratar das Origens
das Políticas Sociais no Brasil, buscando refletir sobre o processo histórico de construção dessas políticas.
Iniciaremos esta caminhada pela Primeira República ou República Velha (1889-1930), período caracterizado
pelo domínio das oligarquias regionais na estrutura de alianças historicamente chamada de política do Café
com Leite. Essa estrutura política, associada ao fenômeno do coronelismo e à fragilidade do sistema eleitoral,
garantiam sua perpetuação e a defesa dos interesses dessas oligarquias regionais.
Nesse contexto, a política social no Brasil era fragmentada e limitada, com ações assistencialistas para atender
às necessidades básicas das camadas mais pobres da população. Em 1923, a Lei Eloy Chaves representou um
marco na implementação de uma estrutura de proteção social para os trabalhadores, estabelecendo as bases
para o desenvolvimento posterior do sistema previdenciário brasileiro.
Bons estudos!
Aula 1
PROTEÇÃO SOCIAL NA PRIMEIRA REPÚBLICA
Iniciaremos esta caminhada pela Primeira República ou República Velha (1889-1930), período
caracterizado pelo domínio das oligarquias regionais na estrutura de alianças historicamente chamada
de política do Café com Leite.
A ORIGEM DAS POLÍTICAS SOCIAIS NO BRASIL
 Aula 1 - Proteção social na Primeira República
 Aula 2 - Era Vargas: do Governo Provisório ao Estado Novo
 Aula 3 - Ditadura Militar
 Aula 4 - Redemocratização
 Aula 5 - Revisão da unidade
 Referências
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A CRISE DA POLÍTICA DO CAFÉ COM LEITE
A Primeira República, também conhecida como República Velha, foi um período de três décadas da história
brasileira (1889-1930) compreendida entre a Proclamação da República e as eleições de 1930. O arranjo
político ali configurado impactou diretamente a estruturação e as características das políticas sociais no Brasil
do início do século XX.
Naquele momento as oligarquias regionais controlavam a política do país. Você sabe o que são oligarquias?
Elas são grupos de poder formados por uma elite (indivíduos ou família) restrita e detentora de recursos
financeiros e conexões políticas e que, por isso, exerce influência e controle sobre os assuntos políticos,
econômicos e sociais de uma determinada região ou país, influenciando as decisões governamentais. As
oligarquias tendem a perpetuar seu poder ao longo do tempo, reforçando suas posições através de alianças,
controle político e acesso privilegiado a recursos econômicos, muitas vezes em detrimento da participação e
representação democrática de outros grupos sociais.
Portanto, afirmar que o Brasil era dominado por oligarquias regionais significa que grupos específicos e
restritos exerciam controle sobre a política e a economia de seus estados. A força dessas oligarquias regionais
era tanta que o arranjo por elas estabelecido como forma de equilibrar a distribuição de poder passou a dar
nome à principal característica do período – a política dos governadores. Em linhas gerais, tratava-se de um
acordo entre os presidentes estaduais (governadores) e o presidente da República, visando a garantir o
controle do governo central pelos estados, isto é, as oligarquias estaduais apoiavam o governo federal, desde
que tivessem seus interesses regionais atendidos (FAUSTO, 2019).
Talvez você já tenha ouvido outro nome para esse arranjo: política do Café com Leite. Isso porque esse arranjo
foi estabelecido entre as elites agrárias de São Paulo, representadas pelo setor cafeeiro, e as elites pecuaristas
de Minas Gerais, que se alternavam na presidência da República, consolidando o controle das oligarquias
regionais sobre o governo central. Esse sistema se fortaleceu sobre uma característica marcante do sistema
brasileiro, o chamado coronelismo.
O coronelismo é um fenômeno político e social caracterizado pelo poder exercido por líderes locais
conhecidos como coronéis, em áreas rurais do Brasil. Esses coronéis, usualmente grandes proprietários de
terra, exerciam controle sobre a população local por meio de relações de patronagem, influência política e
controle econômico. O coronelismo era baseado em uma estrutura de poder personalista e clientelista, em
que o coronel exercia uma autoridade quase feudal sobre os habitantes de sua região, influenciando suas
escolhas políticas e direcionando suas ações. O sistema coronelista envolve trocas de favores (como proteção
e benefícios) por lealdade e apoio político, perpetuando, assim, a concentração de poder nas mãos das
lideranças locais (LEAL, 2012).
O coronelismo expandido na política do Café com Leite gerou as fragilidades do sistema eleitoral marcado por
fraudes e manipulações. O controle das oligarquias sobre o processo eleitoral permitia a manipulação de
votos e resultados, garantindo a continuidade do poder das elites políticas. Além disso, o sistema eleitoral era
restritivo, com apenas uma minoria da população tendo direito ao voto: no geral, homens adultos com
propriedades ou nível mínimo de renda. O voto restrito limitava a participação política e reforçava o controle
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das oligarquias sobre o processo eleitoral. Em síntese, o coronelismo fortalecia a estrutura de poder das
oligarquias e contribuía para a manutenção da política do Café com Leite ao assegurar a dominação política
das elites rurais sobre as populações locais (LEAL, 2012).
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AS ELEIÇÕES DE 1930
A Revolução de 1930 marcou o fim da República Velha no Brasil que, como vimos, caracterizou-se pela política
do Café com Leite, uma aliança entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. A ascensão de Getúlio Vargas ao
poder foi resultado de intensas disputas políticas durante as eleições de 1930. Naquele período, Júlio Prestes,
representante de São Paulo, era o candidato oficial à presidência seguindo o arranjo do Café com Leite.
Porém, houve uma forte oposição liderada pela Aliança Liberal, uma frente política formada por dissidentes
de vários estados (entre eles, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba) que brigavam por mais espaço no
cenário político.
A Aliança Liberal tinha como candidato à presidência o gaúcho Getúlio Vargas, que contava com o apoio de
líderes políticos influentes. A campanha eleitoral foi marcada por tensões e conflitos entre as diferentes
facções políticas e as eleições (março de 1930) resultaram na vitória de Júlio Prestes nas urnas. No entanto, a
oposição contestou o resultado, alegando fraudes e irregularidades, o que gerou uma crescente insatisfação
popular e uma crise política, que culminou na Revolução de 1930 (FAUSTO, 2019).
A Revolução de 1930 marcou o fim do arranjo da política dos governadores, resultando na deposição de Júlio
Prestes e na instalação de um governo provisório liderado por Vargas. Com a ascensão de Vargas, houve
mudanças significativas na estrutura política e social do país. Vargas fortaleceu o governo central,
enfraquecendo a influência das oligarquias regionais, além de implementar medidas de modernização e maior
intervenção do Estado na economia e nas políticas sociais. No campo social, o período foi marcado pela
industrialização, urbanização e transformações sociais, com uma intensa migração de pessoas do campo para
a asJ. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. São Paulo: Civilização Brasileira, 2001.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2019.
GOMES, A. M. de C.; D'ARAUJO, M. C. Getulismo e trabalhismo: tensões e dimensões do Partido Trabalhista
Brasileiro. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil/CPDOC,
1987. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/6595/785.pdf. Acesso em:
8 jun. 2023.
ROSENFIELD, L.; SOUZA, D. G. de. Direitos Sociais e Corporativismo: o nascimento da cidadania regulada no
Brasil de Vargas (1930-1945). Revista da AJURIS, v. 49, n. 153, pp. 269–290, 2023. Disponível em:
http://revistadaajuris.ajuris.org.br/index.php/REVAJURIS/article/view/1242. Acesso em: 11 jun. 2023.
SANTOS, W. G. dos. Cidadania e justiça: a política social na ordem brasileira. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus,
1987.
Aula 3
CAMARANO, A. A.; FERNANDES, D. A previdência social brasileira. In: ALCANTARA, A. de O.; CAMARANO, A. A.;
GIACOMIN, K. C. Política Nacional do Idoso: velhas e novas questões. Rio de Janeiro: IPEA, 2016. Disponível
em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/9096. Acesso em: 13 jun. 2023.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2019.
GOMES, A. de C. A invenção do trabalhismo. 3ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005.
SKIDMORE, T. Brasil: de Castelo à Tancredo. São Paulo: Paz e Terra, 1988.
YAZBEK, M. C. Estado e Políticas Sociais. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo, v. 20, n. 20, p. 10-20,
dez. 2014. Disponível em: https://www.paulus.com.br/assistencia-social/wp-
content/uploads/2017/03/Carmelita-Yazbek.pdf. Acesso em: 13 jun. 2023.   
Aula 4
BOSCHETTI, I. Seguridade social e trabalho: paradoxos na construção das políticas de previdência e
assistência social no Brasil. Brasília: Letras Livres/Editora UnB, 2006. 324 p. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da República.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 jun. 2023.  
COUTO, R. C. História indiscreta da ditadura e da abertura: Brasil: 1964-1985. Rio de Janeiro: Record, 2003.
FAUSTO, B. História do Brasil. 8ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo/ Fundação para o
Desenvolvimento da Educação, 2000. 
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https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/6595/785.pdf
http://revistadaajuris.ajuris.org.br/index.php/REVAJURIS/article/view/1242
https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/9096
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https://www.paulus.com.br/assistencia-social/wp-content/uploads/2017/03/Carmelita-Yazbek.pdf
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
LEMOS, R. Ditadura, anistia e transição política no Brasil (1964-1979). Rio de Janeiro: Consequência, 2018.
544p. 
MELO, A. Z. A seguridade social na Constituição Federal de 1988. Revista Mestrado em Direito, Osasco, ano
9, n. 1, p. 11-39, 2009. Disponível em:
https://biblat.unam.mx/hevila/Revistamestradoemdireito/2009/vol9/no1/1.pdf. Acesso em: 18 jun. 2023. 
Aula 5
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidente da República.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 jun. 2023.
CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: O longo caminho. São Paulo: Civilização Brasileira, 2001.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2019.
YAZBEK, M. C. Estado e Políticas Sociais. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo, v. 20, n. 20, p. 10-20,
dez. 2014. Disponível em: https://www.paulus.com.br/assistencia-social/wp-
content/uploads/2017/03/Carmelita-Yazbek.pdf. Acesso em: 13 jun. 2023.   
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https://www.paulus.com.br/assistencia-social/wp-content/uploads/2017/03/Carmelita-Yazbek.pdfregular as relações de trabalho,
promover direitos sociais e garantir uma maior proteção aos trabalhadores, reconhecendo que essas
questões eram fundamentais para o bem-estar social e a coesão política do país. Por outro lado, a forma
paternalista e populista com que essas políticas foram implementadas escondia limitações nos direitos
políticos e civis da população, além de vincular a cidadania à condição do trabalho.
Bons estudos!
A QUESTÃO SOCIAL TRATADA COMO CASO DE POLÍTICA
O período de 1930 a 1945, marcado pela presidência de Getúlio Vargas no Brasil, foi um momento de
transformações políticas e sociais significativas. Durante esse tempo, políticas sociais foram implementadas
visando a enfrentar os desafios socioeconômicos e a melhorar as condições de vida da população. No
entanto, essas políticas apresentaram um caráter controlador e paternalista, refletindo o contexto político e
ideológico da época. Durante os governos de Vargas (de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954), foram implementadas
várias legislações que tiveram um impacto significativo na política, economia e sociedade brasileiras. Essas leis
abordaram uma ampla gama de questões, desde a regulamentação do trabalho até a organização política do
país.
Nesse período, a questão social passou a ser considerada como uma questão política. O governo de Getúlio
Vargas implementou políticas e legislações que tinham como objetivo lidar com as questões sociais e
trabalhistas, reconhecendo a importância dessas questões para a estabilidade política e o desenvolvimento
econômico do Brasil. Uma das principais razões para essa mudança de perspectiva foi o contexto histórico em
que Vargas assumiu o poder. O Brasil estava passando por um processo acelerado de industrialização, com o
crescimento do setor urbano e o surgimento de uma classe trabalhadora mais organizada e consciente de
seus direitos. Esse novo cenário social demandava ações por parte do Estado para lidar com os problemas
enfrentados pelos trabalhadores (FAUSTO, 2019).
As legislações do período Vargas abrangeram diversas áreas e tiveram um impacto profundo na sociedade
brasileira. As leis trabalhistas, sobre as quais falaremos no próximo bloco, trouxeram avanços significativos na
proteção dos direitos dos trabalhadores. Sem embargo, outras medidas sociais podem ser destacadas. No
campo educacional, foi promulgada a primeira lei orgânica do ensino no Brasil, que estabeleceu a
obrigatoriedade da educação primária, garantindo o acesso à educação básica para todas as crianças, além de
prever a formação de professores, a criação de escolas normais e a valorização do magistério. Em 1940, foi
criado o Departamento Nacional da Criança (DNC), que tinha como objetivo promover políticas de proteção à
infância, como combate ao trabalho infantil e promoção de acesso à educação.
No âmbito da saúde, foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública, que buscava promover a saúde e
prevenir doenças por meio de ações de saneamento básico, campanhas de vacinação e a criação de hospitais
e postos de saúde. Outra área em que o governo Vargas promoveu mudanças foi a previdência social, com a
criação do Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAP), precursor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),
que tinha como objetivo garantir a proteção social aos trabalhadores e suas famílias.
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Essas políticas sociais implementadas durante a Era Vargas buscavam tanto atender às demandas dos
trabalhadores e das camadas mais pobres da sociedade quanto garantir a estabilidade política do regime.
Vargas procurou construir uma imagem de líder preocupado com o bem-estar e a justiça social, conquistando
apoio popular e mantendo a estabilidade política. No entanto, é importante destacar que as políticas sociais
adotadas durante a Era Vargas também tinham um caráter controlador e paternalista, buscando estabelecer
uma relação de dependência dos trabalhadores em relação ao Estado e ao próprio líder político. Além disso,
as políticas sociais eram implementadas em um contexto político autoritário, em que a participação política e
a liberdade de expressão eram restritas (CARVALHO, 2001).
CRIAÇÃO DE MINISTÉRIOS, DIREITOS DO TRABALHADOR E PRIMEIRAS LEGISLAÇÕES SOCIAIS
No Brasil, o trabalhismo teve uma influência significativa durante o governo de Getúlio Vargas, entre 1930 e
1945. Trata-se de uma ideologia política e social que valoriza os direitos e interesses dos trabalhadores,
buscando promover a justiça social por meio da proteção e regulamentação do trabalho. Surgiu no início do
século XX, como resposta às condições precárias enfrentadas pelos trabalhadores durante a Revolução
Industrial. Suas principais características incluem a defesa dos direitos trabalhistas, a valorização da
negociação coletiva e representação dos trabalhadores por meio de sindicatos, e a busca por políticas sociais
que promovam a igualdade e a justiça social (GOMES; D’ARAUJO, 2023). No esteio do trabalhismo no Brasil,
foram implementadas legislações trabalhistas abrangentes, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
organização sindical e a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. 
O Brasil passava por transformações significativas em sua estrutura social e econômica. A industrialização
estava em curso, substituindo progressivamente a economia agroexportadora, e as relações de trabalho
estavam passando por mudanças. Os trabalhadores enfrentavam condições precárias, longas jornadas de
trabalho, salários baixos e falta de garantias básicas. Nesse contexto, o Ministério do Trabalho foi criado como
uma resposta a essas condições e como parte de um projeto de modernização do Estado brasileiro. Sua
principal função era regulamentar as relações de trabalho, fiscalizar as condições nas fábricas e estabelecer
direitos e garantias para os trabalhadores (FAUSTO, 2019).
Entre as atribuições do Ministério, estavam a organização sindical, a fixação de salários-mínimos, a
implementação de normas de segurança e higiene no trabalho, além da mediação de conflitos entre
trabalhadores e empregadores. Uma das primeiras medidas tomadas pelo Ministério do Trabalho foi a criação
da Justiça do Trabalho, que tinha como objetivo resolver disputas trabalhistas por meio de tribunais
especializados. Essa medida contribuiu para a pacificação dos conflitos laborais e para a garantia dos direitos
dos trabalhadores.
O impacto da criação do Ministério do Trabalho sobre a questão social no Brasil foi significativo. Pela primeira
vez, os trabalhadores tiveram um órgão governamental específico voltado para a proteção de seus direitos e
interesses. Posteriormente, em 1943, foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), inspirada na
Carta del Lavoro italiana do governo fascista de Benito Mussolini e influenciada por correntes de pensamento
do trabalhismo que buscavam conciliar as demandas dos trabalhadores com os interesses econômicos e
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políticos do Estado. Na prática, a CLT consolidou e regulamentou as leis trabalhistas existentes até então,
estabelecendo uma série de direitos e garantias para os trabalhadores, como jornada de trabalho limitada,
férias remuneradas, descanso semanal, salário-mínimo e estabilidade no emprego (GOMES; D’ARAUJO, 1987).
Essas medidas contribuíram para melhorar as condições de trabalho e para elevar o padrão de vida dos
trabalhadores brasileiros. Além disso, a organização sindical estimulada pelo Ministério do Trabalho fortaleceu
a representação dos trabalhadores e sua capacidade de negociaçãocoletiva, gerando um avanço significativo
na proteção dos direitos trabalhistas no Brasil, embora também tenha gerado críticas por seu caráter
paternalista e corporativista, que restringia a autonomia dos trabalhadores e favorecia o controle estatal
sobre as relações de trabalho. Contudo, não se pode negar o profundo impacto da criação do Ministério do
Trabalho na questão social do Brasil, ao estabelecer uma estrutura institucional para a proteção dos direitos
trabalhistas e ao promover a regulamentação das relações de trabalho. Seus efeitos podem ser sentidos até
os dias atuais, quando as leis e instituições criadas naquela época ainda estão em vigor e continuam a moldar
as relações de trabalho no país.
CONSTITUIÇÕES FEDERAIS E O PERÍODO DITATORIAL
A atuação do governo Vargas (1930-45) e a regulamentação do trabalho promovida ocasionou o fenômeno
que Santos (1987) descreveu como cidadania regulada, conceito que descreve uma forma específica de
cidadania em que os direitos e garantias dos cidadãos são limitados e regulados pelo Estado. A cidadania
regulada implica em uma relação assimétrica entre o Estado e os cidadãos, em que o Estado tem o poder de
definir os termos e as condições para o exercício dos direitos e liberdades individuais; por isso, essa forma de
cidadania está associada a regimes políticos em que há um controle rígido sobre os direitos civis e políticos
dos cidadãos, geralmente acompanhado de um grau de autoritarismo ou restrições à participação política.
Durante o governo Vargas, houve uma combinação de medidas populistas e autoritárias que impactaram a
cidadania e os direitos dos cidadãos. Por um lado, Vargas implementou políticas trabalhistas e sociais, como a
criação da CLT e outras medidas que representaram avanços importantes na garantia de direitos trabalhistas
e na proteção dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que essas ações eram marcadas por uma lógica de
controle estatal sobre as relações de trabalho, buscando uma regulamentação centralizada e paternalista
(FAUSTO, 2019).
No campo político, houve uma concentração de poder nas mãos do Estado com a supressão de direitos civis e
políticos (censura à imprensa, perseguição política, limitação da participação política, entre outros). Isso
resultou em restrições à liberdade de expressão e ao exercício pleno da cidadania política.
Nessa mesma linha, Carvalho destaca como o governo Vargas foi marcado por uma combinação de ações
autoritárias e populistas que moldaram o desenvolvimento da cidadania e dos direitos sociais no país. Vargas
adotou medidas importantes para a expansão dos direitos sociais e a garantia de algumas proteções para os
trabalhadores que, contudo, tinham uma natureza paternalista e reforçavam o controle estatal sobre as
relações de trabalho, limitando a autonomia dos trabalhadores e a liberdade sindical (CARVALHO, 2001).
Segundo Rosenfield e Souza, essa engenharia corporativista que relacionava a cidadania ao trabalho impactou
a construção da cidadania:
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Embora as políticas sociais adotadas durante a Era Vargas tenham trazido benefícios significativos para os
trabalhadores e para a população em geral, elas também estabeleceram uma relação de dependência e
controle do Estado sobre os cidadãos. O caráter controlador e paternalista dessas políticas refletia o contexto
político autoritário e populista da época, em que o Estado buscava manter o controle sobre a sociedade e
fortalecer sua própria posição de poder.
VÍDEO RESUMO
Nesta videoaula, vamos tratar das características das Constituições Federais promulgadas sob o governo de
Getúlio Vargas: a primeira, de 1934, uma Constituição dentro dos parâmetros e limites democráticos; e a
segunda, de 1937, que estabeleceu o regime autoritário de Vargas que ficou conhecido como Estado novo. O
objetivo desta discussão será relacionar as duas constituições aos contextos históricos e os direitos
trabalhistas ali inseridos.
 Saiba mais
O Politize! disponibiliza uma série de textos e vídeos apresentando a história dos direitos do trabalho,
organizados em 10 temas. É interessante consultá-los. No tópico 2, você encontrará um vídeo tratando
especificamente da CLT, seu histórico e a atualidade.
O resultado, então, consiste na ampliação dos direitos de cidadania, a qual se estabelece
pela regulamentação de novas profissões e pela gradual ampliação dos direitos associados
a essas profissões, e não por valores inerentes ao conceito de membro da comunidade
política. Isso acarretou embutir a cidadania na profissão, restringindo os direitos dos
cidadãos ao lugar que cada trabalhador ocupa na cadeia do processo produtivo. Esse é o
paradoxo que cerca a questão da cidadania no Brasil, em que os direitos sociais,
assegurados pelo regime autoritário, tiveram precedência em relação aos direitos políticos.
Dessa forma, o Estado não somente regulava o trabalho e os trabalhadores – ele os criava
legalmente.
— (ROSENFIELD; SOUZA, 2023, p. 281)
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https://www.politize.com.br/direitos-trabalhistas-historia/
INTRODUÇÃO
Olá, estudante!
Nesta aula, seguimos percorrendo o caminho das origens das políticas sociais no Brasil, partindo agora do
Estado Novo até o fim da ditatura militar. O estudo dos marcos da política social deste período é fundamental
para compreendermos as transformações políticas, econômicas e sociais ocorridas nesse período histórico.
Essas fases da história brasileira compartilharam características que moldaram significativamente a política
social do país, desde a consolidação da legislação trabalhista e a implementação da previdência social no
Estado Novo até as políticas de desenvolvimento econômico e as mudanças nas relações de poder durante o
Regime Militar. Convidamos você a explorar este caminho com atenção e curiosidade, a fim de ampliar seu
conhecimento sobre a história do Brasil e as trajetórias das políticas sociais em diferentes contextos políticos.
Bons estudos!
MARCOS DA POLÍTICA SOCIAL NO FIM DO ESTADO NOVO
Recebe o nome de Estado Novo o regime político autoritário instaurado por Getúlio Vargas em 1937 e que
perdurou até 1945. O período caracterizou-se pela concentração de poder nas mãos de Vargas através de
medidas de fortalecimento do poder executivo e de repressão da oposição política. No campo político, foram
suspensas as garantias constitucionais, a imprensa foi censurada e os direitos políticos foram restringidos. Na
área econômica, Vargas implementou políticas nacionalistas, industrializantes e de centralização do Estado.
Na área social, houve uma série de ações e medidas que impactaram a sociedade brasileira. Como aponta
Yazbek (2008, p.11), “a partir do Estado Novo (Getúlio Vargas,1937-1945) as políticas sociais se desenvolvem,
de forma crescente como resposta às necessidades do processo de industrialização”.
O primeiro destaque foi a política de salário mínimo que, embora criado em 1936 com a promulgação da Lei
de nº185, foi instituído de fato em 1940, pelo decreto-lei nº 2.162, que fixou os seus valores. A medida tinha
como objetivo estabelecer um valor fixo a ser pago aos trabalhadores por uma jornada de trabalho
determinada, evitando a exploração e reduzindo as desigualdades sociais. A proposta era estabilizar o poder
Aula 3
DITADURA MILITAR
Nesta aula, seguimos percorrendo o caminho das origens das políticas sociais no Brasil, partindo agora
do Estado Novo até o fim da ditatura militar.
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de compra da população diante dos aumentos nos preços em itens de alimentação, transporte, saúde e lazer
e, por isso, o valor deveria ser reajustado periodicamente para acompanhar a inflação e as mudanças nas
condições econômicas do país.
Outro destaque importante foi a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituída em 1943 por meio do
Decreto-Lei nº 5.452, com o objetivo de regulamentar as relações de trabalho, estabelecer direitos e deveres
para empregados e empregadores, e proteger os trabalhadores de abusos e exploração (GOMES, 2005). A CLT
unificou e consolidou diversas leis trabalhistas existentes, simplificando a legislação e tornando-a mais
acessível. Ela abrangeu uma ampla gama de temas relacionados ao trabalho, como contratos de trabalho,
jornada, férias, salário, direitos sindicais, segurança e saúde, entre outros.
Alguns dos principais pontos abordados pela CLT podem ser visualizados no Quadro 1 a seguir:
Quadro 1 | Principais pontos da CLT
·     Contrato de trabalho
Definiu os requisitos para a formação do contrato de trabalho, especificando
as condições mínimas que deveriam ser acordadas entre empregado e
empregador, como remuneração, carga horária, local de trabalho e função.
·     Jornada de trabalho
Estabeleceu a jornada máxima de trabalho em 8 horas diárias e 48 horas
semanais, com possibilidade de horas extras mediante remuneração
adicional. Também definiu os critérios para o descanso semanal remunerado
e para as folgas.
·     Férias remuneradas
Garantiu o direito a férias remuneradas para os trabalhadores,
estabelecendo a duração mínima de 30 dias de descanso após cada período
de 12 meses trabalhados.
·     Direitos sindicais
Reconheceu e regulamentou os direitos dos trabalhadores de se associarem
em sindicatos, negociarem coletivamente com os empregadores e
participarem de atividades sindicais. Também tratou da organização e
funcionamento dos sindicatos.
·     Segurança e saúde no
trabalho
Estabeleceu normas e diretrizes para garantir a segurança e saúde dos
trabalhadores nos ambientes de trabalho, incluindo medidas de prevenção
de acidentes e doenças ocupacionais.
Fonte: elaborado pela autora.
A implementação da CLT representou um avanço na proteção dos direitos trabalhistas no Brasil ao
estabelecer garantias e regulamentações que visavam a promover relações mais justas e equilibradas entre
empregados e empregadores, melhorando as condições de trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores
(GOMES, 2005). Ainda hoje, a CLT continua sendo a principal legislação trabalhista do Brasil, passando por
atualizações e ajustes ao longo dos anos.
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Outra medida de destaque foi a criação do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI), uma
das primeiras iniciativas de previdência social no país. Ele tinha como objetivo oferecer aos trabalhadores da
indústria proteção financeira e assistência em momentos de necessidade. O IAPI proporcionava aos
trabalhadores benefícios como aposentadoria por idade, aposentadoria por invalidez, pensão por morte e
auxílio-doença, benefícios financiados pela contribuição de trabalhadores e empregadores. Na prática, o IAPI
atuou como uma rede de proteção social que fornecia suporte financeiro aos trabalhadores em momentos de
dificuldade, além de garantir uma renda após a aposentadoria, oferecendo-lhes maior segurança econômica e
social.
Em conjunto, essas medidas tiveram um impacto duradouro no Brasil, estabelecendo as bases para o
desenvolvimento de políticas sociais mais abrangentes nas décadas seguintes.
MARCOS DA POLÍTICA SOCIAL DE 1945 A 1964
O período compreendido entre 1945 e 1964 no Brasil pode ser visto por dois olhares que são, de fato,
complementares. Primeiramente, ele marca uma espécie de interregno democrático entre dois períodos
autoritários (Estado Novo e Ditadura Militar). Essa incipiente democracia foi regida por uma sequência de
líderes populistas, o que acabou por deixar o período historicamente marcado como a Era dos Governos
Populistas, abrangendo os mandatos de Eurico Gaspar Dutra (1946-51), Getúlio Vargas (1951-54), Juscelino
Kubitschek (1956-61) e João Goulart (1961-64).
O contexto deste período foi caracterizado por mudanças significativas na sociedade brasileira associadas ao
acelerado processo de urbanização, ao crescimento da classe trabalhadora e à industrialização do país. Esses
fatores foram fundamentais para o surgimento e a consolidação do populismo como uma corrente política
relevante. Tratou-se de um período político que buscou promover a inclusão social e o desenvolvimento
econômico do país, por meio de medidas econômicas intervencionistas, políticas trabalhistas e sociais,
investimentos em infraestrutura e uma relação direta com as massas, os governos populistas (FAUSTO, 2019).
Os governos populistas adotaram uma série de medidas com o objetivo de conquistar o apoio das massas
populares, entre as quais se destacam o nacionalismo econômico, a intervenção estatal na economia, as
políticas trabalhistas e sociais, o desenvolvimento de infraestrutura e a relação direta com as massas. Essa é
uma das principais marcas do populismo: utilizando discursos populistas e carismáticos, os governantes
buscaram se apresentar como defensores dos interesses das classes trabalhadoras e dos setores
marginalizados da sociedade. Essa relação direta com as massas contribuiu para a mobilização política e a
conquista do apoio popular.
O destaque nas políticas sociais deste período é a Lei n° 3.807, de 26 de agosto de 1960, conhecida como Lei
Orgânica de Previdência Social (LOPS). Ela teve como objetivo unificar e harmonizar a legislação referente aos
Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs), que eram as instituições responsáveis pela administração da
previdência social. Até então, cada instituto possuía legislação própria. 
Assim, a LOPS estabeleceu uma estrutura unificada para a previdência social, com critérios e normas comuns
a todos os IAPs. A LOPS unificou os diversos IAPs existentes, responsáveis por diferentes categorias de
trabalhadores, como o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (IPSE), o Instituto de Aposentadoria e
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Pensões dos Marítimos (IAPM), o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC) e outros. Além
disso, a LOPS padronizou os benefícios, estabelecendo critérios e regras comuns para a concessão de
benefícios previdenciários, como aposentadoria e pensão por morte, a fim de garantir maior equidade e
igualdade no acesso aos benefícios, independentemente da categoria profissional ou do IAP ao qual o
segurado estava vinculado (CAMARANO; FERNANDES, 2016).
O modelo político populista também enfrentou críticas e desafios relacionados ao reforço de práticas políticas
autoritárias e clientelistas, e à concentração de poder que enfraquece as instituições democráticas. Imerso em
transformações políticas e sociais, alternância de governos, avanços democráticos e tensões sociais, o período
populista chega ao com um golpe militar que interrompeu o processo político e social em curso no país.
MARCOS DA POLÍTICA SOCIAL NO PERÍODO DA DITADURA MILITAR
Em 31 de março de 1964 tem início a Ditadura Militar no Brasil, instalada por um golpe que manteve os
militares no comando político do país por 21 anos (até 1985). Através da suspensão das eleições, dos direitos
civis e políticos, da supressão de partidos políticos e da instauração de um bipartidarismo, o poder foi
concentrado nas mãos dos militares, que passaram a governarpor meio de atos institucionais, isto é,
instrumentos normativos com força de lei que permitiam a tomada de decisões unilaterais pelo governo.
A Ditadura Militar promoveu um controle autoritário do Estado sobre a sociedade com a implementação de
uma série de medidas repressivas e o cerceamento das liberdades civis e políticas. A censura foi intensificada,
afetando a imprensa, o cinema, a música e outras formas de expressão cultural. Houve perseguição política,
prisões arbitrárias, tortura e morte de opositores políticos. O regime também promoveu uma política de
controle social e repressão a movimentos sociais e sindicais. Organizações de trabalhadores foram
desmanteladas, lideranças sindicais foram perseguidas e greves foram reprimidas. O governo adotou medidas
para enfraquecer os movimentos sociais e controlar a participação política da sociedade, estabelecendo um
ambiente de repressão e silenciamento (SKIDMORE, 1988).
Embora o regime tenha se caracterizado por um contexto de repressão política e restrição das liberdades
civis, houve a implementação de algumas ações e marcos relacionados à política social, com destaque para:
•  Implementação do FGTS (1966).
•  Criação do Sistema Nacional de Crédito Rural (1965).
•  Implementados de programas habitacionais voltados para a construção de moradias populares: Banco
Nacional de Habitação (BNH, 1964) e o Programa de Integração Nacional (PIN, 1970).
•  Criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS, 1966).
Como vimos, a previdência social no Brasil era administrada por diversas instituições, cada uma responsável
por um setor específico. Essas instituições incluíam o Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAPs), o Instituto
de Previdência dos Servidores do Estado (IPSE) e outros institutos regionais e setoriais, geridos pelas próprias
categorias profissionais. Em 1960, o LOPS deu início ao processo de padronização das regas e normas desses
IAPs. 
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Em 1966, o processo de estruturação e unificação dos programas de previdência social foi ampliado com a
criação do Instituto Nacional de Previdência Social – INPS. O Decreto-Lei n° 72, de 21 de novembro de 1966,
unificou as ações da previdência para os trabalhadores do setor privado (exceto os trabalhadores rurais e os
domésticos) com a criação do INPS. A criação do INPS representou um avanço na política social ao estabelecer
uma estrutura centralizada para a gestão da previdência social, ampliar a cobertura previdenciária e fortalecer
o sistema de proteção social no país (CAMARANO; FERNANDES, 2016). Durante o processo de criação do INPS,
os principais passos e medidas tomadas foram os seguintes:
Quadro 2 | Medidas tomadas durante o processo de criação do INPS
Fonte: elaborado pela autora.
Após a incorporação dos IAPs, o INPS assumiu a responsabilidade pela administração da previdência social no
país, passando a ser a instituição centralizada e unificada nesse campo. No decorrer da década de 1970,
inovações importantes aconteceram na legislação previdenciária, disciplinadas por vários diplomas legais,
surgindo a necessidade de unificação, que de fato ocorreu com a CLPS (Consolidação das Leis da Previdência
Social, 1976) por meio do Decreto nº 77.077. No ano seguinte, foi criado o Sistema Nacional de Previdência e
Assistência Social – SINPAS.
ESTRUTURAÇÃO DO INPS
 estabelecimento da estrutura organizacional do INPS definindo os departamentos, divisões e cargos
necessários para a administração da previdência social no âmbito nacional.
INCORPORAÇÃO DOS IAPS
incorporação dos IAPs existentes ao INPS com a transferência de suas atribuições e responsabilidades
para o novo instituto. 
UNIFICAÇÃO DOS SISTEMAS E PROCEDIMENTOS
 unificação dos sistemas e procedimentos dos IAPs, buscando harmonizar e padronizar os critérios de
concessão de benefícios, a arrecadação de contribuições e os processos administrativos, e permitindo
maior eficiência e integração na gestão previdenciária.
TRANSIÇÃO DE DADOS E RECURSOS
 transferência das bases de dados, informações e recursos financeiros dos IAPs para o INPS de forma a
garantir a continuidade dos benefícios e a continuidade do funcionamento do sistema previdenciário.
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Apesar dessas iniciativas na área social, as políticas econômicas adotadas pelos governos militares
aprofundaram as desigualdades sociais e a concentração de renda. O contexto político e autoritário do regime
influenciou a forma como essas políticas sociais foram implementadas e suas limitações em relação à garantia
de direitos e ao desenvolvimento social mais amplo. A Ditadura Militar teve fim em 1985, quando se inicia o
processo de redemocratização do país, cujo marco é a promulgação da Constituição de 1988 e a retomada das
eleições diretas para presidente em 1989 (SKIDMORE, 1988).
VIDEO RESUMO
Como forma de complementar seus estudos, convidamos você a assistir a videoaula, na qual trataremos dos
principais marcos das políticas sociais do Estado Novo ao fim da Ditadura Militar. Mais especificamente,
vamos tratar dos impactos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) na vida do trabalhador e a relação
dúbia entre a expansão das políticas sociais em contraposição à redução de direitos civis e políticos.
 Saiba mais
O Ipea (Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas) disponibiliza um conjunto de informações em
forma de artigos, pesquisas, mapas, dados e indicadores sobre os mais diversos temas, incluindo
políticas sociais, na página Repositório do Conhecimento do Ipea. Acesse-a e conheça um pouco mais
sobre o Brasil através de dados e fontes confiáveis.
INTRODUÇÃO
Olá, estudante!
A redemocratização compreende o período da história do Brasil entre os anos finais da ditadura militar e os
anos iniciais da Nova República, tendo como símbolo deste processo a promulgação da Constituição Federal
de 1988, documento elaborado por uma Assembleia Nacional Constituinte composta por representantes de
diversos setores da sociedade e que contribuiu para a consolidação da democracia e o fortalecimento das
políticas sociais. 
Aula 4
REDEMOCRATIZAÇÃO
Nesta aula, vamos tratar da Seguridade Social na Constituição Federal de 1988, um marco na proteção
social e na promoção da igualdade no Brasil.
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https://repositorio.ipea.gov.br/
Nesta aula, vamos tratar da Seguridade Social na Constituição Federal de 1988, um marco na proteção social e
na promoção da igualdade no Brasil. Ela estabelece os direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros no
campo da previdência social, assistência social e saúde, buscando garantir o bem-estar e a dignidade de
todos. É fundamental que esses direitos sejam efetivamente implementados e aprimorados, visando à
construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Bons estudos!
LUTAS PELA REDEMOCRATIZAÇÃO DO PAÍS 
Chamamos de redemocratização o processo de transição do Regime Militar para a democracia no Brasil. Este
processo, que teve início no final da década de 1970 após mais de 20 anos de Ditadura Militar, marca um
período importante na história recente do país com a retomada da democracia e o fim das restrições aos
direitos democráticos, a censura e a opressão impostas pelos militares. Assim, a redemocratização
representou a reconquista desses direitos e a reintegração das instituições democráticas.O período de
redemocratização no Brasil ocorreu entre os anos de 1975 e 1985, e foi marcado por avanços e recuos por
parte dos militares, que desejavam uma transição “lenta, gradual e segura” (COUTO, 2003). Diversas medidas
foram adotadas nesse processo, visando à ampliação das garantias individuais e a liberdade de imprensa. 
Uma das medidas importantes deste processo foi a revogação do AI-5, um dos atos institucionais mais
repressivos do Regime Militar, chamado por isso de golpe dentro do golpe. Esse ato concedia poderes
excepcionais ao governo, como a suspensão de direitos constitucionais e a censura prévia à imprensa e às
manifestações culturais. Com a revogação do AI-5, houve uma flexibilização dessas restrições, permitindo uma
maior liberdade de expressão. 
Outra medida relevante foi o retorno ao pluripartidarismo suspenso durante o Regime. Em seu lugar, fora
implantado um sistema bipartidário, com apenas duas legendas permitidas: Arena e MDB. Com o retorno ao
sistema pluripartidário, muitas legendas foram reativadas e outras criadas, permitindo uma maior
representatividade política e uma ampliação do debate democrático (FAUSTO, 2000). 
Outra medida que se destaca no processo de redemocratização é a Lei da Anistia (1979), que concedeu o
perdão aos crimes políticos e conexos cometidos durante a Ditadura Militar, tanto por parte dos opositores ao
regime quanto por agentes estatais. Apesar de sua importância no contexto, a Lei de Anistia é passível de
muitas críticas em razão de sua extensão aos agentes do Estado responsáveis por violações aos direitos
humanos (LEMOS, 2018). 
Um marco importante da redemocratização foi a realização das Diretas Já, um movimento que defendia
eleições diretas para presidente da República. Esse movimento ganhou força em 1984 e mobilizou milhões de
pessoas em todo o país. Embora a Emenda Dante de Oliveira, que propunha as eleições diretas, tenha sido
rejeitada pelo Congresso Nacional, o movimento foi fundamental para o fortalecimento da democracia e abriu
caminho para a eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985, marcando o início da Nova República. 
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Neste contexto de retorno do país à ordem democrática, as políticas sociais no Brasil ganharam espaço e
relevância, com destaque para a preocupação com a promoção dos direitos humanos, a inclusão social e a
redução das desigualdades. O país avançou na implementação de políticas voltadas para a educação, saúde,
moradia, assistência social e outros setores, visando a garantir uma maior igualdade de oportunidades e uma
melhoria na qualidade de vida da população. 
Contudo, é preciso pontuar que esses avanços não se deram facilmente e as políticas sociais enfrentaram
muitos desafios ao longo desse processo. A herança deixada pela Ditadura Militar, a persistência de
desigualdades estruturais e a fragilidade das instituições dificultaram a efetivação e a continuidade de
políticas sociais abrangentes e consistentes. Ainda assim, a redemocratização representou um momento
crucial para a consolidação e o aprimoramento das políticas sociais no país, concretizados na Constituição
Federal de 1988, que colocou fim aos aparatos antidemocráticos instituídos pelo Regime Militar. Vamos
entender um pouco mais sobre ela? 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 
A Constituição Federal de 1988 (CF/88) representa um marco importante na história do Brasil, não apenas por
estabelecer os princípios fundamentais do Estado e os direitos e garantias individuais, mas também por ter
um impacto significativo nas políticas sociais do país. A promulgação da CF/88 marcou uma transição para um
regime democrático e trouxe mudanças significativas na abordagem e no desenvolvimento das políticas
sociais no Brasil. 
A CF/88 reconhece a dignidade da pessoa humana como um princípio fundamental e estabelece uma série de
direitos sociais que devem ser garantidos pelo Estado. Dentre esses direitos, destacam-se o direito à
educação, saúde, trabalho, moradia, segurança, assistência social, entre outros. Esses direitos representam
uma mudança de paradigma, pois reconhecem o Estado como promotor de políticas que visem à melhoria da
qualidade de vida da população: 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o
transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.       (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015) 
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma
renda básica familiar, garantida pelo poder público em programa permanente de
transferência de renda, cujas normas e requisitos de acesso serão determinados em lei,
observada a legislação fiscal e orçamentária. 
— (BRASIL, 1988)
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Dentre os avanços nos direitos sociais estabelecidos pela CF/88, destaca-se a consolidação do Sistema Único
de Saúde (SUS), um dos pilares das políticas sociais no Brasil, que tem como objetivo principal promover e
garantir o acesso universal, integral e gratuito aos serviços de saúde. A CF/88 estabeleceu os princípios e
diretrizes do SUS, que incluem a universalidade, a integralidade, a equidade e a participação social.  
Nesse momento, a saúde foi transformada em um direito universal, deixando de ser vinculado apenas à
contribuição previdenciária. Até então, o subsistema de saúde era vinculado ao Instituto de Assistência Médica
da Previdência Social (INAMPS), e os serviços somente assegurados aos seus contribuintes. A partir da
Constituição, o SUS foi instituído como o responsável pela organização e prestação dos serviços de saúde,
baseado nos princípios da descentralização, atendimento integral e participação da comunidade (MELO,
2009). 
O SUS é reconhecido mundialmente como referência nas políticas públicas na área de saúde por ser um dos
maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo. Com sua criação, a atenção integral à saúde
foi transformada em um direito de todos os brasileiros, da gestação à velhice, com foco na qualidade de vida,
prevenção de doenças e promoção da saúde. Sua estrutura abrangente engloba desde a atenção primária até
a média e alta complexidades, serviços de urgência e emergência, atenção hospitalar, vigilâncias
epidemiológica, sanitária e ambiental, e assistência farmacêutica. Gerido de forma solidária e participativa
entre a União, os Estados e os municípios, sua organização promove a participação dos diversos atores
envolvidos na formulação e controle das políticas de saúde (MELO, 2009). 
Apesar dos avanços alcançados com CF/88, há ainda muitos desafios na efetivação das políticas sociais no
Brasil. O financiamento adequado e a implementação eficaz das políticas são questões que ainda precisam ser
enfrentadas. A Emenda Constitucional nº 95/2016, por exemplo, estabeleceu um teto de gastos públicos que
pode impactar negativamente a área social. Por isso, é fundamental o esforço contínuo da sociedade e do
poder público para garantir a efetiva implementação e proteção dos direitos sociais consagrados nessa
Constituição.
SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO
Seguridade Social é um conjunto integrado de ações e políticas públicas que têm como objetivo assegurar os
direitos relativos à saúde, previdência e assistência social. No contexto da Constituição Federal de 1988, a
seguridade social é definida no artigo 194: 
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Ou seja, a seguridade social compreende um conjunto de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da
sociedade, voltadas para garantir os direitos relacionados à saúde, previdência e assistência social com vistas
a atingir os objetivos definidos. No bloco anterior, tratamos da implementação do subsistema da saúde.
Vamos agora falar sobre os dois outros subsistemas. 
A Assistência Social visa a garantir a proteção social e amparo aos indivíduos em situação de vulnerabilidade
e risco social por meio de benefícios, serviços, programas e projetos. Ela abrange ações de caráter preventivo,
protetivo e proativo, buscando promover a inclusão social e a melhoria das condições de vida dos cidadãos,
assegurando o acesso a benefícios e serviços socioassistenciais independentemente de contribuição à
seguridade social. Sua organização também segue um modelo de sistema único, o SUAS (Sistema Único de
Assistência Social). Destacam-se entre seus princípios: a universalidade, a equidade, a territorialidade, a
descentralização político-administrativa, a participação da população, a integração das ações intersetoriais e a
centralidade na família. Esses princípios são fundamentais para garantir uma abordagem ampla e integral da
assistência social, considerando as diferentes demandas e realidades dos indivíduos e das famílias
(BOSCHETTI, 2006). 
A Previdência Social é um sistema público de seguro social que objetiva garantir a proteção e o amparo
social aos trabalhadores em situações de aposentadoria, doença, invalidez, morte e maternidade.
Regulamentada pela Constituição, a previdência funciona por meio de contribuições realizadas ao longo do
tempo de trabalho e que garantem ao segurado uma renda quando ele não puder mais trabalhar. Além da
Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos
poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à
previdência e à assistência social. 
Parágrafo único. Compete ao poder público, nos termos da lei, organizar a seguridade
social, com base nos seguintes objetivos:
I.  universalidade da cobertura e do atendimento; 
II.  uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; 
III.  seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; 
irredutibilidade do valor dos benefícios;
IV.  equidade na forma de participação no custeio; 
V.  diversidade da base de financiamento; 
VI.  caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão
quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e
do Governo nos órgãos colegiados. 
— (BRASIL, 1988)
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aposentadoria, a Previdência Social oferece outros benefícios, como auxílio-doença, salário-maternidade e
pensão por morte, visando a proteger os trabalhadores contra diversos riscos econômicos (BOSCHETTI,
2006). 
Existem dois regimes principais na Previdência Social do Brasil: o Regime Geral da Previdência Social (RGPS,
aplicado aos trabalhadores com carteira assinada e a qualquer pessoa que contribua facultativamente) e o
Regime Próprio de Previdência Social (RPPS, destinado aos servidores públicos titulares de cargos efetivos),
regulados por legislações específicas e por normas e regulamentos emitidos pelos órgãos responsáveis pela
sua gestão (como o Instituto Nacional do Seguro Social/INSS). 
Juntos, esses três subsistemas têm como objetivo principal garantir o bem-estar e a proteção social da
população brasileira, assegurando-lhes direitos fundamentais. No entanto, é importante destacar que, ao
longo dos anos, a implementação efetiva dos direitos sociais previstos na Constituição tem enfrentado
desafios e limitações. Há a necessidade contínua de aprimoramento das políticas públicas, de modo a garantir
o pleno exercício dos direitos sociais pelos cidadãos brasileiros. 
VIDEO RESUMO
Nesta videoaula, vamos tratar da Constituição Federal de 1988, que coloca fim, na forma da lei, a todo o
aparato autoritário construído pela Ditadura Militar. Vamos discorrer sobre os antecedentes históricos, a
elaboração e as características deste que é o mais importante documento legal da história recente do país.
 Saiba mais
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada ao
Ministério do Planejamento e Orçamento. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e
institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e
programas de desenvolvimento no Brasil. O Ipea é reconhecido como um dos mais respeitados institutos
de pesquisa do país e seus trabalhos são disponibilizados para a sociedade por meio de publicações
eletrônicas, impressas e eventos. 
No artigo “As Políticas Sociais e a Constituição de 1988: conquistas e desafios”, os autores analisam as
principais características das políticas sociais até 1988, a fim de compreender as principais inovações
introduzidas pela Constituição. 
CASTRO, J. A. de; RIBEIRO, J. A. C. As políticas sociais e a Constituição de 1988: conquistas e desafios. IPEA.
In: Políticas Sociais: acompanhamento e análise – vinte anos da Constituição Federal. Brasília: IPEA, n.
17, 2010. Disponível em: Repositório Ipea. Acesso em 17 jun. 2023.
Aula 5
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NOÇÕES BÁSICAS DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Olá, estudante!
Chegou a hora de revisarmos a Unidade II, da disciplina Fundamentos das Políticas Sociais. Nela, tratamos da
origem das Políticas Sociais no Brasil, refletindo sobre o processo histórico de sua construção.
Iniciamos pela Primeira República ou República Velha (1889-1930), período caracterizado pelo domínio das
oligarquias regionais na estrutura de alianças historicamente chamada de política do Café com Leite. Esta,
associada ao coronelismo e à fragilidade do sistema eleitoral, garantiram sua perpetuação e a defesa dos
interesses das oligarquias regionais. Nesse contexto, a política social no Brasil era fragmentada e limitada,
com ações assistencialistas para atender às necessidades básicas das camadas mais pobres da população. A
Lei Eloy Chaves (1923) iniciou a implementação de uma estrutura de proteção social para os trabalhadores e
lançou a base para o desenvolvimento posterior do sistema previdenciário brasileiro.
Avançamos então pela Era Vargas (1930-45), momento em que a questão social passou a ser considerada
como uma questão política à medida que o Estado reconheceu a necessidade de intervir nas relações
trabalhistas e nas condições sociais, visando tanto ao desenvolvimento econômico quanto à estabilidade
política. Este governo implementou medidas que buscavam regular as relações de trabalho, promover direitos
sociais e garantir maior proteção aos trabalhadores, reconhecendo essas questões como fundamentais para o
bem-estar social e a coesão política do país. Durante o Estado Novo (1937-45), o caráter paternalista e
populista dessas políticas escondia limitações nos direitos políticos e civis da população, além de vincular a
cidadania à condição de trabalho.
As relações de base populista se seguiram entre 1945-64, quando uma sequência de governos adotou
medidas com o objetivo de conquistar o apoio das massas populares como o nacionalismo econômico, a
intervenção estatal na economia, as políticas trabalhistas e sociais, o desenvolvimento de infraestrutura e a
relação direta com as massas. Utilizando discursos carismáticos, esses governantes se apresentaram como
defensores dos interesses das classes trabalhadoras edos setores marginalizados da sociedade a fim de
conquistar seu apoio.
Em 31 de março de 1964, tem início a Ditadura Militar no Brasil, instalada por um golpe que manteve os
militares no comando político do país por 21 anos (até 1985). A Ditadura Militar promoveu um controle
autoritário do Estado sobre a sociedade com a implementação de uma série de medidas repressivas e o
cerceamento das liberdades civis e políticas. A censura foi intensificada, afetando a imprensa, o cinema, a
música e outras formas de expressão cultural. Houve perseguição política, prisões arbitrárias, tortura e morte
de opositores políticos.
REVISÃO DA UNIDADE
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Foram adotadas medidas para enfraquecer os movimentos sociais e controlar a participação política da
sociedade, estabelecendo um ambiente de repressão e silenciamento. No campo das políticas sociais,
destacam-se a implementação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, 1966); a criação do Sistema
Nacional de Crédito Rural (1965); a implementação de programas habitacionais voltados para a construção de
moradias populares (BNH, 1964; PIN 1970); e a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS, 1966).
A redemocratização marca o retorno do país à democracia (1975-85) com a reintegração das instituições
democráticas e os direitos suprimidos durante a Ditadura. A Constituição Federal de 1988 simboliza este
processo, não apenas por reestabelecer os princípios fundamentais do Estado democrático e os direitos e
garantias individuais, mas também pelo impacto na abordagem e no desenvolvimento das políticas sociais no
Brasil, reconhecendo a dignidade da pessoa humana como um princípio fundamental e definindo direitos
sociais a serem garantidos pelo Estado. A CF/88 concretiza uma mudança de paradigma ao reconhecer o
Estado como promotor de políticas que visam à melhoria da qualidade de vida da população.
REVISÃO DA UNIDADE
Chegamos ao fim da Unidade 2 da disciplina Fundamentos das Políticas Sociais, que teve como objetivo
compreender a origem das políticas sociais no Brasil. Nesta videoaula, vamos retomar os principais temas
abordados ao longo de toda a Unidade com o objetivo de consolidar os conteúdos, transformando-os em
conhecimento.
ESTUDO DE CASO
Maria é uma brasileira de 45 anos que, recentemente, recebeu o diagnóstico de câncer de mama, uma doença
séria e que requer um tratamento intensivo. Ao receber o diagnóstico, Maria fica desamparada e preocupada
com a possibilidade de não ter recursos financeiros suficientes para arcar com todas as despesas médicas e
hospitalares que surgirão durante o tratamento. Contudo, ao buscar informações sobre o tratamento
necessário, Maria descobre que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para o
câncer, garantindo acesso a todos os procedimentos necessários, desde o diagnóstico até a reabilitação.
Em atendimento na Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência, Maria é acolhida por
profissionais de saúde que avaliam sua condição e iniciam os procedimentos para o tratamento do câncer. Ela
tem acesso a uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos especializados, enfermeiros, psicólogos e
assistentes sociais, que fornecem o suporte necessário para enfrentar o câncer. Além disso, ela não precisa se
preocupar com os custos financeiros, uma vez que o SUS garante gratuitamente todos os procedimentos e
medicamentos.
Por meio dessa experiência, Maria desenvolve uma consciência mais profunda sobre a importância da
seguridade social e do caráter universalista do subsistema de saúde no Brasil. Ela passa a reconhecer a
necessidade de políticas públicas que assegurem a todos os cidadãos o direito à saúde, independentemente
de sua condição socioeconômica.
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 Reflita
Que relação podemos identificar entre a situação vivida por Maria e a mudança de paradigma no
tratamento das políticas sociais no Brasil, especialmente no que diz respeito ao subsistema de saúde?
O tratamento recebido por Maria é exclusivo? Somente ela consegue acesso ao tratamento oncológico
gratuito?
RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO
O Estudo de caso de Maria destaca a importância do caráter universalista da seguridade social no subsistema
de saúde do Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecido como um programa de inclusão social de
alcance global, proporcionando acesso gratuito a tratamento médico. No caso específico de pacientes com
câncer, o SUS assegura que o tratamento – seja cirurgia, quimioterapia ou radioterapia – seja iniciado em até
60 dias após o diagnóstico confirmado pelo médico. Além disso, o paciente tem direito a receber
medicamentos, exames, internações e outros procedimentos necessários sem nenhum custo.
Antes da implementação do SUS no Brasil, o paciente enfrentava desafios e dificuldades significativas para
receber o tratamento oncológico. O acesso aos serviços de saúde era limitado, restringindo-se a um número
reduzido de pessoas que tinham recursos financeiros para arcar com os altos custos da assistência médica
privada. Ou seja, a maioria da população não tinha acesso adequado aos recursos necessários para combater
a doença, porque o tratamento era fortemente influenciado pela posição socioeconômica do paciente,
resultando em desigualdades na saúde. Aqueles com recursos financeiros limitados enfrentavam dificuldades
em obter os cuidados necessários.
Com a implementação do SUS estabelecida pela Constituição Federal de 1988, houve uma transformação
significativa no tratamento de saúde no Brasil. O sistema garante acesso universal e igualitário aos serviços de
saúde, incluindo o diagnóstico e o tratamento do câncer, independentemente da condição socioeconômica do
paciente. Embora ainda existam desafios a serem superados, o sistema público de saúde ampliou o acesso
aos serviços oncológicos, reduzindo as desigualdades e melhorando a qualidade de vida dos pacientes com
câncer no país.
RESUMO VISUAL
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Fonte: elaborada pela autora.
Aula 1
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REFERÊNCIAS
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Aula 2
CARVALHO,J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. São Paulo: Civilização Brasileira, 2001.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2019.
GOMES, A. M. de C.; D'ARAUJO, M. C. Getulismo e trabalhismo: tensões e dimensões do Partido Trabalhista
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Aula 3
CAMARANO, A. A.; FERNANDES, D. A previdência social brasileira. In: ALCANTARA, A. de O.; CAMARANO, A. A.;
GIACOMIN, K. C. Política Nacional do Idoso: velhas e novas questões. Rio de Janeiro: IPEA, 2016. Disponível
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FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2019.
GOMES, A. de C. A invenção do trabalhismo. 3ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005.
SKIDMORE, T. Brasil: de Castelo à Tancredo. São Paulo: Paz e Terra, 1988.
YAZBEK, M. C. Estado e Políticas Sociais. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo, v. 20, n. 20, p. 10-20,
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content/uploads/2017/03/Carmelita-Yazbek.pdf. Acesso em: 13 jun. 2023.   
Aula 4
BOSCHETTI, I. Seguridade social e trabalho: paradoxos na construção das políticas de previdência e
assistência social no Brasil. Brasília: Letras Livres/Editora UnB, 2006. 324 p. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da República.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 jun. 2023.  
COUTO, R. C. História indiscreta da ditadura e da abertura: Brasil: 1964-1985. Rio de Janeiro: Record, 2003.
FAUSTO, B. História do Brasil. 8ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo/ Fundação para o
Desenvolvimento da Educação, 2000. 
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https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/6595/785.pdf
http://revistadaajuris.ajuris.org.br/index.php/REVAJURIS/article/view/1242
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Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.
LEMOS, R. Ditadura, anistia e transição política no Brasil (1964-1979). Rio de Janeiro: Consequência, 2018.
544p. 
MELO, A. Z. A seguridade social na Constituição Federal de 1988. Revista Mestrado em Direito, Osasco, ano
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Aula 5
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidente da República.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 jun. 2023.
CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: O longo caminho. São Paulo: Civilização Brasileira, 2001.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2019.
YAZBEK, M. C. Estado e Políticas Sociais. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo, v. 20, n. 20, p. 10-20,
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