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Reatividade Química e Mecanismos de
Reações Orgânicas
Conceitos de termodinâmica em química orgânica; apresentação dos símbolos utilizados em mecanismos;
tipos de quebra de ligação; estabilidade dos intermediários e reações de adição eletrofílica a alcenos,
dienos e alcinos.
Profa. Anna Claudia Silva
1. Itens iniciais
Propósito
Aprender os princípios que regem uma reação química e a leitura dos diagramas de energia e dos símbolos
utilizados universalmente no desenho dos mecanismos das reações orgânicas permite o entendimento e
estudo dessas reações não apenas na química orgânica, mas também na bioquímica e na farmacologia, por
exemplo, facilitando a aprendizagem dessas disciplinas.
Objetivos
Identificar os aspectos termodinâmicos que afetam uma reação química e as informações presentes
em um diagrama de energia.
 
Reconhecer nucleófilos e eletrófilos, além de símbolos utilizados em mecanismos, e a estabilidade de
intermediários.
 
Descrever as principais reações de adição eletrofílica a alcenos, dienos e alcinos.
Introdução
Neste conteúdo, entenderemos por que certas reações ocorrem espontaneamente e outras não; por que
algumas são rápidas à temperatura ambiente, enquanto outras precisam de aquecimento. Aprenderemos a ler
os diagramas de energia das reações químicas e obter deles informações importantes para a compreensão da
reação, dos reagentes e dos produtos. Além disso, conheceremos os principais símbolos e espécies
envolvidos nas reações químicas, e as maneiras universais de representá-los para que toda pessoa que
conheça química entenda o mecanismo da reação. Por fim, iniciaremos os estudos das reações químicas
orgânicas com as reações de adição eletrofílica a alcenos, dienos e alcinos, que permitem a formação de uma
série de compostos muito importantes. Pronto para começar?
• 
• 
• 
1. Os aspectos termodinâmicos e sua reação química em um diagrama de energia
Equilíbrio Químico
Sabemos que compostos orgânicos são passíveis de sofrer reações químicas. Essas reações, em geral,
apresentam condições específicas para que se processem da melhor forma possível. Algumas precisam ser
aquecidas, outras resfriadas, algumas precisam de excesso de solvente e outras de quantidades precisas.
 
O primeiro item a ser observado é a direção da reação. Toda reação química pode ser favorecida no sentido
da formação dos produtos – em geral é o desejável –, ou pode ter produtos pouco estáveis que retornam à
forma de reagentes que, no equilíbrio, estarão em maior quantidade.
O que é esse equilíbrio?
O equilíbrio químico de uma reação pode ser quantificado e expresso na forma da constante de
equilíbrio, Keq. Matematicamente, essa constante é dada pela razão entre as concentrações dos
produtos e dos reagentes, com os coeficientes da reação servindo como exponente da equação.
Experimentalmente, então, podemos calcular o Keq a partir das concentrações de cada espécie quando o
equilíbrio é atingido. Mas que fatores estão envolvidos nessa constante? O que faz com que a formação de
produtos seja mais favorável do que a dos reagentes ou o contrário? A resposta para essas perguntas é
essencialmente a mesma: energia. Existem dois tipos de energia importantes na química: a energia potencial e
a energia cinética, que se traduz em calor nas reações químicas. 
Energia Livre de GIBBS
A energia potencial de uma substância está intimamente relacionada com o quão estável a substância é, ou
seja, quanto maior for a energia potencial, mais reativa será a substância. Analogamente, podemos pensar em
uma pedra sobre uma colina. A pedra no alto da colina tem elevada energia potencial, podendo rolar montanha
abaixo e liberar sua energia potencial na forma de energia cinética. No entanto, se ela estiver no vale, não há
para onde rolar, sua energia potencial é muito menor e sua tendência é ficar parada, estável.
Keq maior ou igual a 1 
Quando Keq é maior ou igual a 1, a reação
ocorre no sentido de formação dos
produtos.
Keq menor que 1 
Já quando Keq é menor que 1, a reação
ocorre preferencialmente da direita
para a esquerda, ou seja, no sentido dos
reagentes.
Ilustração do matemático Josiah Willard Gibbs.
Ilustração de uma pedra rolando do alto de uma colina.
A energia das ligações químicas é uma forma de energia
potencial. Quando dois átomos se ligam para formar uma
ligação covalente, a energia da molécula é menor do que a
energia dos átomos separados, e essa energia “excessiva” é
liberada. A reação química como um todo tem sua energia
expressa na forma da energia livre de Gibbs (G) e, mais
especificamente, na forma de sua variação, ∆G°, onde a
letra grega delta (∆) representa a variação, G representa a
energia livre de Gibbs e o símbolo “°” sobrescrito significa
que as condições são padrão.
Como ∆G é uma variação, o valor obtido poderá ser positivo
ou negativo, e será a indicação da espontaneidade da
reação:
∆G negativo
Indica uma constante de equilíbrio favorável, e a
reação ocorre de maneira espontânea. Essa
reação é denominada exergônica.
∆G positivo
Indica uma constante de equilíbrio desfavorável,
ou seja, tendendo aos reagentes. É uma reação
que não ocorre espontaneamente e é
denominada endergônica.
Como vimos, o sinal do ∆G indica se a constante de equilíbrio é favorável ou desfavorável. Isso acontece
porque as duas grandezas estão relacionadas matematicamente da seguinte forma:
Rearranjando os termos em função da constante de equilíbrio, podemos escrever que:
Onde R é a constante dos gases ideais que corresponde a 8,315 J (K. mol)-1; ln Keq é o logaritmo neperiano, ou
natural, da constante de equilíbrio; e = 2,718; e T é a temperatura em Kelvin. Sabemos, então, que a constante
de equilíbrio depende da temperatura, e uma variação na temperatura levará a uma alteração da constante.
Estando de posse de qualquer uma das duas informações é possível calcular a outra. Além disso, o ∆G se
correlaciona ainda com outros dois fatores importantes, a entalpia e a entropia, pela seguinte equação:
Entalpia
A entalpia, representada pela letra H, mas principalmente pela sua variação (∆H°), é a medida do calor
liberado ou absorvido por determinada reação. Como dissemos, a ligação química é uma forma de energia
potencial que pode ser transformada em calor durante uma reação e, por isso, a quebra de uma ligação
química libera calor e sua formação a absorve. O ∆H° é a expressão de todas essas quebras e formações na
transformação dos reagentes em produtos.
 
Como ∆H° é a variação de calor na reação, temos que:
 
Quando calor é liberado em função da reação, o sinal de ∆H° é negativo e a reação é dita exotérmica.
 
Quando a reação precisa absorver calor para ocorrer, o sinal de ∆H° é positivo e a reação é dita 
endotérmica.
Isso quer dizer também que, em uma reação exotérmica, a entalpia dos produtos é menor que a entalpia dos
reagentes (∆H° = Hprodutos - Hreagentes), e na reação endotérmica o contrário é verdadeiro.
Entropia
Um segundo fator que tem papel importante na
espontaneidade de uma reação química é a 
entropia (S) ou, mais comumente, por sua
variação (∆S°). A entropia está relacionada ao
nível de desordem ou ao grau de liberdade que
o sistema apresenta. Podemos ver, pelo sinal
negativo antes do termo na equação, que
quanto maior a desordem do sistema, maior o
∆S° e, consequentemente, menor é o ∆G°, ou
seja, mais a entropia contribui para o
favorecimento da formação dos produtos. Se
tivermos uma reação de decomposição de A
em duas moléculas, por exemplo, estaremos
aumentando o grau de desordem e
favorecendo a formação dos produtos.
Por isso, resumimos dizendo que:
Positivo
Quando ∆S° é positivo, a desordem no sistema
aumenta e a formação dos produtos é
favorecida.
Negativo
Quando ∆S° é negativo, a desordem no sistema
diminui e a formação dos reagentes é
favorecida.
De maneira geral, a entalpia tem um papel mais relevante para a energia livre de Gibbs, porém, temperaturas
mais elevadas fazem com que a entropia se torne significativa o suficiente para dominar a energia livre deGibbs e ter um papel mais relevante na direção da reação.
 
• 
• 
Agora que entendemos os termos que afetam a magnitude da constante de equilíbrio e sabemos como
verificar a direção na qual uma reação química ocorre, como podemos manipular as condições da reação de
maneira que possamos favorecer a formação do produto de interesse, ou seja, deslocar o equilíbrio a favor do
produto?
Deslocamento do equilíbrio
Precisamos lembrar que a constante de equilíbrio é, como seu próprio nome diz, constante. Isso quer dizer
que, se a temperatura não for alterada, a constante deverá se manter mesmo que as concentrações das
substâncias variem, ou seja, as concentrações restantes serão alteradas para a manutenção da constante de
equilíbrio. Como vimos anteriormente, para a reação genérica , a expressão
matemática da constante de equilíbrio é dada por:
Digamos que C seja o produto de interesse e D seja a água formada durante a reação. Se retirarmos a água à
medida que ela estiver sendo formada – por destilação, por exemplo –, a concentração de C terá que
aumentar para suprir a falta que a água fará, a fim de manter a constante de equilíbrio igual. A mesma coisa
ocorrerá se aumentarmos um dos reagentes – A ou B –, de modo que o outro terá que ser consumido para
compensar o súbito aumento na concentração. Da mesma forma, se uma reação libera calor (exotérmica), o
aumento da temperatura irá favorecer o sentido da formação dos reagentes, enquanto a diminuição
favorecerá o sentido dos produtos.
 
É importante observar que, ao longo de toda nossa discussão, estivemos falando da direção que a reação
deverá tomar. Isso é importante, pois uma reação que apresenta ∆G negativo e constante de equilíbrio alta
tem todos os pré-requisitos para ser extremamente favorável à formação dos produtos e, em certo momento,
isso irá acontecer, mas pode levar alguns minutos ou vários anos. À temperatura ambiente, por exemplo, a
reação de combustão da gasolina é extremamente lenta e, por isso, nos permite utilizá-la como combustível
em carros, porém, se uma fonte de calor for fornecida, a reação acontece quase imediatamente. Vamos ver
por que isso acontece.
Diagramas de Energia Livre
Sabemos que um ∆G negativo significa que os produtos apresentam menos energia que os reagentes e, por
isso, têm sua formação favorecida. No entanto, a conversão entre um e outro exige, em geral, que ligações
covalentes sejam rompidas nos reagentes e isso requer alguma energia para acontecer, ou seja, a energia
precisará aumentar antes que possa cair.
 
Para facilitar a visualização desse processo, utilizamos um diagrama de energia de reação, no qual o eixo x é o
progresso da reação e o eixo y é a energia. A figura a seguir traz um exemplo deste tipo de diagrama para uma
reação em que o ∆G é negativo e a formação dos produtos é favorável. Em seguida, vamos entender melhor
as informações que podemos extrair do diagrama de energia.
Diagrama de energia de reação com ∆G negativo.
A primeira observação que podemos fazer ao olhar para o gráfico é que os produtos têm nível de energia mais
baixo que os reagentes, e o ∆G°, que expressa essa característica, será negativo. A segunda observação é
que existe uma energia de ativação (∆G‡), uma barreira energética que atrapalha a conversão dos reagentes
em produtos. Quanto maior for a energia de ativação, mais lenta será a reação, pois poucas colisões entre as
moléculas terão energia suficiente para formar o estado de transição. Por outro lado, quanto menor for a
energia de ativação, mais rápida será a reação, pois grande parte das colisões levará ao estado de transição.
E o que é o estado de transição?
O estado de transição é a estrutura de maior energia que ocorre na reação, mas não pode ser
chamada de molécula. Essa estrutura tem ligações parcialmente rompidas e outras parcialmente
formadas, devido ao início da colisão entre os reagentes para formar o produto. Por ser o estado de
maior energia, essa estrutura não pode ser isolada. Qualquer tentativa de isolá-la levaria a uma
estrutura com menor energia e, por isso, simplesmente não seria possível. Uma vez que o estado de
transição é formado, no entanto, a reação tende para as estruturas de menor energia, que, no caso
apresentado, são os produtos.
E se o ∆G° for positivo? As informações que poderão ser extraídas do diagrama são as mesmas, porém, o
perfil será outro, uma vez que, quando a energia livre de Gibbs é positiva, sabemos que os produtos têm
energia maior que os reagentes. A figura a seguir mostra o perfil desse tipo de diagrama de energia.
Diagrama de energia de reação com ∆G positivo.
Note que, neste caso, a energia de ativação necessária para a conversão dos reagentes em produtos é muito
maior do que a vista anteriormente. É importante observar que, nos exemplos de diagramas anteriores,
mostramos casos clássicos em que a barreira dada pela energia de ativação é clara, assim como a diferença
de energia entre os produtos e os reagentes. Porém, nem sempre a diferença precisa ser tão grande; ela pode
ser mais discreta e, quanto menor for, mais rápida será a reação.
 
A energia de ativação pode ser pequena o bastante para que a reação ocorra em temperatura ambiente, mas,
caso seja muito grande e a energia proveniente da temperatura ambiente não seja suficiente, pode ser
necessário fornecer energia na forma de calor ou radiação, por exemplo.
 
Os diagramas de energia livre que vimos anteriormente correspondem a reações que ocorrem em uma única
etapa e, por isso, apresentam apenas um estado de transição. Porém, se a reação apresentar várias etapas,
veremos esse padrão repetido, de maneira que os vales serão intermediários e as cristas dos morros no
gráfico serão os estados de transição. Os produtos e os reagentes estarão sempre ao início e ao fim do
gráfico, conforme o exemplo a seguir.
Diagrama de energia de uma reação em três etapas.
 Energia Livre de Gibbs e Diagramas de Energia 
No vídeo a seguir, o especialista Luiz Mota fará uma revisão do conceito de energia livre de Gibbs e dos
diagramas de energia de reações com mais de uma etapa.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A energia livre de Gibbs permite entender a espontaneidade de uma reação química com base nos valores de
entalpia, entropia e da temperatura em que a reação ocorre. Sobre a energia livre de Gibbs, a entalpia e a
entropia, assinale a alternativa CORRETA:
A
Quando ∆G é negativo, a reação direta não é favorável.
B
Quando ∆H é negativo, a reação absorve calor e é dita endotérmica.
C
Quando ∆S é positivo, a formação dos reagentes é favorecida.
D
Quando ∆G é positivo, a reação inversa é favorável.
E
Quando ∆H é positivo, a reação libera calor e é dita exotérmica.
A alternativa D está correta.
∆G é a energia livre de Gibbs e está relacionada à espontaneidade da reação. Valores negativos de ∆G
significam que a reação direta é favorável, enquanto valores positivos significam que a reação inversa é
favorável.
Questão 2
O diagrama de energia livre de uma reação nos fornece uma série de informações importantes sobre ela.
Sobre as informações disponíveis nos diagramas de energia, assinale a alternativa correta:
A
O estado de transição está sempre na parte mais baixa do gráfico, uma vez que é a estrutura de maior
energia.
B
Uma reação com ∆G positivo tem produtos com energia menor que os reagentes e é espontânea.
C
A energia de ativação é a barreira energética entre os reagentes e produtos e, quanto menor ela for, mais
rápida será a reação.
D
Energia de ativação é o mesmo que energia livre de Gibbs e os nomes podem ser usados de maneira
intercambiável.
E
Uma reação com ∆G negativo tem produtos com energia maior que os reagentes e não é espontânea.
A alternativa C está correta.
Quanto menor a energia de ativação, menos energia é necessária para que os reagentes possam formar os
produtos e, por isso, a reação é mais rápida.
2. Os nucleófilos e eletrófilos
Introdução
Vimos anteriormenteas energias envolvidas no processo de reação química e como cada uma afeta a direção
da reação e sua velocidade. Agora, vamos olhar para a reação em si, entender como ela acontece e como
podemos representar graficamente os diferentes tipos de reação.
Ligações Polarizadas
 
O conceito mais simples de entender é o de
que cargas opostas se atraem. No entanto, na
química orgânica, existem poucos ânions
estáveis e os cátions estão em menor
quantidade ainda. Por isso, tratamos
principalmente de cargas parciais resultantes
da polaridade nas ligações covalentes. Dois
conceitos fundamentais para o entendimento
de como se processa uma reação química
polarizada são os de nucleófilo e eletrófilo.
Nucleófilo
É uma substância que apresenta afinidade por
prótons (presentes no núcleo dos átomos), ou
seja, é uma substância rica em elétrons, o que
pode significar que é um ânion ou uma molécula
que apresenta pares de elétrons livres. A água,
a amônia e o íon hidróxido são alguns exemplos
de nucleófilos.
Eletrófilo
É uma substância que apresenta afinidade por
elétrons, ou seja, é uma substância com
deficiência de elétrons, o que pode significar
um cátion ou uma molécula neutra que
apresenta um átomo com carga parcial positiva.
Compostos carbonílicos, haletos de alquila e o
íon hidrônio são alguns exemplos de eletrófilos.
Um terceiro conceito fundamental no entendimento das reações orgânicas e que vai ser muito importante na
representação gráfica dos mecanismos é o de que, em uma reação orgânica, os elétrons serão os
responsáveis pela reação entre duas substâncias. Isso quer dizer que representaremos sempre o fluxo de
elétrons do nucleófilo para o eletrófilo. E como podemos fazer essa representação?
Símbolos Utilizados na Representação de Mecanismo de
Reação
Da mesma forma como foram criados símbolos uniformes para os elementos químicos, como as
nomenclaturas têm regras sobre a forma de serem escritas, e como as unidades são estabelecidas
internacionalmente, os mecanismos de reação também apresentam uma maneira padrão de serem escritos.
Isso é importante, pois permite que químicos do mundo todo possam compartilhar essas informações de
maneira a serem universalmente compreendidas. Um químico brasileiro, americano, indiano ou japonês
representará os mecanismos das reações de forma padrão e o entendimento será possível a qualquer um dos
outros.
Mecanismo de setas curvas
As setas curvas são a representação gráfica do movimento dos elétrons, na qual a seta se inicia nos elétrons
que vão se “mover”, e a ponta da seta indica para onde vão os elétrons. A figura a seguir traz o exemplo da
reação entre a água e o ácido clorídrico.
Reação entre a água e o ácido clorídrico com utilização das setas curvas.
Note que, na reação anterior, as setas curvas mostram o fluxo de elétrons do par de elétrons do átomo de
oxigênio presente na água (nucleófilo) para o átomo de hidrogênio do ácido clorídrico que apresenta carga
parcial positiva. Esse fluxo de elétrons faz com que a ligação H-Cl seja rompida, e o par de elétrons que
compõe a ligação simples se desloca em direção ao átomo de cloro, que é mais eletronegativo, levando à
formação dos íons hidrônio e cloreto.
Ao utilizar as setas curvas deve-se ter o cuidado de:
 
1. Representar o fluxo de elétrons sempre do nucleófilo para o eletrófilo.
 
2. Nunca representar a movimentação de átomos. Os átomos seguirão o fluxo de elétrons, mas a
representação é sempre em relação aos elétrons.
 
3. Não violar a regra do octeto para elementos do segundo período da tabela periódica.
Há ainda a possibilidade de cada átomo participante da ligação covalente receber um elétron na quebra da
ligação, e esse mecanismo também é representado pelas setas curvas. No entanto, essas setas têm apenas
meia ponta, sendo chamadas de setas anzol. As regras a serem seguidas para essa representação são as
mesmas vistas anteriormente, e a diferença está apenas na ponta da seta. A figura a seguir mostra as setas
curvas utilizadas em cada caso.
 Tipos de setas utilizadas na representação de mecanismos de reações orgânicas.
Atenção
Além das setas curvas, que são fundamentais para compreender os mecanismos das reações orgânicas,
há outros dois símbolos que são importantes para a total compreensão do mecanismo representado
graficamente. 
Outros símbolos importantes
O primeiro desses símbolos são os colchetes, [ ]. Nos mecanismos de reações orgânicas, muitas vezes são
formadas diversas substâncias antes do produto de interesse. Quando isso ocorre, representamos esses 
intermediários entre colchetes para sinalizar que aquele ainda não é o produto final, mas uma parte do
mecanismo a fim de obter o produto que aparece na equação química. A figura a seguir traz o exemplo da
redução de uma carbonila, na qual o íon alcóxido é formado como intermediário.
 Mecanismo de redução de uma cetona com formação do intermediário alcóxido.
Por outro lado, quando o símbolo ‡ está presente sobrescrito após o colchete, isso significa que aquela
estrutura representa o estado de transição entre reagentes e produtos. Como vimos no módulo 1, no estado
de transição temos ligações sendo rompidas e outras sendo formadas simultaneamente. A figura a seguir traz
um exemplo do estado de transição de uma reação de substituição nucleofílica aromática.
 Mecanismo de reação de substituição nucleofílica com formação de um estado de
transição.
Devemos ter um cuidado especial com os conceitos de intermediário e estado de transição. Um intermediário 
apresenta ligações covalentes bem definidas e pode apresentar cargas formais, como no caso do alcóxido
mostrado anteriormente, ou ser apenas um composto intermediário entre os reagentes e o produto desejado.
Esse seria o caso de uma cetona na oxidação de um álcool a um ácido carboxílico. Um estado de transição é
uma representação do que acontece quando há aproximação dos reagentes com a formação e quebra das
ligações sendo mostradas simultaneamente sem que haja cargas formais, por exemplo.
Tipos de Quebras de Ligação
Como vimos anteriormente, uma ligação covalente pode ser rompida de modo que um elétron fique em cada
átomo, ou de maneira que um par de elétrons seja transferido para um átomo ou outro.
Tipos de quebras de ligação covalente.
Estabilidade dos intermediários
As quebras que vimos anteriormente vão originar compostos com características e estabilidades diferentes. A
cisão heterolítica de um composto carbônico pode levar à formação de um carbocátion, composto no qual o
carbono tem uma carga positiva, ou ainda de um carbânion, composto em que o carbono apresenta carga
negativa. Os carbocátions são, em geral, mais comuns do que os carbânions, pois, para que esses últimos
sejam formados, é necessário que o carbono esteja ligado a um elemento menos eletronegativo que ele. Em
geral, carbânions são provenientes de compostos organolitiados e de compostos de Grignard, e têm papel
importantíssimo na formação de ligações carbono-carbono.
Compostos de Grignard
São compostos organometálicos nos quais um metal, geralmente o magnésio, está ligado diretamente a
um átomo de carbono e a um halogênio.
Cisão heterolítica 
A quebra de ligação é chamada de cisão 
heterolítica, quando ocorre de maneira que o
par de elétrons compartilhado na ligação
covalente permanece em um dos átomos,
enquanto o outro perde ambos. Neste tipo de
ruptura, dois elétrons participam do fluxo da
reação.
Cisão homolítica 
No entanto, quando a cisão ocorre de
maneira que cada átomo que compõe a
ligação covalente recebe um elétron, a
ruptura é chamada de cisão homolítica.
Isso ocorre em reações denominadas 
radicalares – um radical é uma espécie
neutra que contém um elétron
desemparelhado em sua estrutura e é
altamente reativo.
A estabilidade dos carbânions está relacionada à hibridização do carbono que apresenta a carga negativa.
Cargas negativas são mais bem estabilizadas pela presença de cargas positivas que, no caso de átomos,
estão presentes no núcleo na forma dos prótons. Isso quer dizer que, paracarbânions, a estabilidade será
maior quanto mais próximo ao núcleo estiverem os elétrons. Como podemos avaliar essa proximidade? Os
carbonos hidridizados podem ser do tipo sp, sp2 ou sp3 e, quanto maior for o caráter s do orbital do carbono,
maior será a estabilidade do carbânion formado, pois os elétrons estarão mais próximos ao núcleo e,
consequentemente, à carga positiva. Sendo assim, temos que:
Estabilidade relativa dos carbânions.
Carbocátions, por outro lado, apresentam carbono com hibridização sp2 e geometria trigonal plana. Sua
estabilidade depende de dois fatores: o efeito indutivo e a hiperconjugação.
Efeito indutivo
É, em geral, resultado do deslocamento da nuvem eletrônica de um
átomo em função da eletronegatividade do átomo vizinho. Embora, em
carbocátions, ambos os átomos presentes na ligação covalente sejam de
carbono e, por isso, não haja diferença de eletronegatividade, a presença
da carga positiva em um átomo de carbono atrai as nuvens eletrônicas
dos carbonos vizinhos e, assim, aquela carga é mais bem estabilizada.
Isso quer dizer que, quanto mais substituído for o carbono do
carbocátion, mais estável ele será, uma vez que será estabilizado pelos
elétrons dos carbonos vizinhos. Assim, temos que:
Hiperconjugação
É o resultado da sobreposição de um orbital p vazio e de um orbital
ocupado do átomo de carbono vizinho que faça uma ligação σ carbono-
carbono ou carbono-hidrogênio, como pode ser visto na figura a seguir.
Isso quer dizer que metilas não são capazes de sofrer o efeito da hiperconjugação, pois não existe carbono
vizinho com quem o orbital possa se sobrepor. Carbocátions primários têm uma chance de realizar
hiperconjugação, secundários têm duas e, por fim, terciários têm três. Sendo assim, considerando o fenômeno
de hiperconjugação, a estabilidade relativa dos carbocátions será a mesma apresentada anteriormente ao
discutirmos o efeito indutivo, no qual a metila é a menos estável e os carbocátions terciários, os mais estáveis.
Agora que vimos as estabilidades dos carbânions e carbocátions formados pelas cisões heterolíticas, vamos
ver a estabilidade dos intermediários formados pelas cisões homolíticas. Esses intermediários são
denominados radicais e apresentam um elétron desemparelhado. Embora não apresentem carga positiva, os
radicais são espécies deficientes em elétrons e, por isso, são estabilizados de maneira similar aos
carbocátions. Na verdade, radicais são igualmente estabilizados por hiperconjugação e apresentam a mesma
ordem de estabilidade relativa que os carbocátions vistos anteriormente.
Estabilidade relativa dos radicais.
Agora que aprendemos os símbolos utilizados para descrever uma reação e as quebras que podem ocorrer,
vamos conhecer as reações químicas que podem ocorrer.
Introdução às Reações Orgânicas: símbolos, mecanismos e intermediários de
reações
Para reconhecer reações orgânicas e os símbolos utilizados, descobrir os mecanismos que envolvam setas
anzol e cheias, bem como revisar os tipos de quebra de ligação e a estabilidade dos intermediários, vamos
assistir ao vídeo a seguir:
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Acerca dos símbolos utilizados para representar os mecanismos de reações, é possível afirmar que:
A
Indicamos, por meio de setas curvas, o fluxo de elétrons acontecendo do composto menos estável para o
mais estável.
B
A seta anzol deve ser utilizada para representar o fluxo de dois elétrons (um par).
C
Os colchetes são utilizados para indicar que a estrutura é um estado de transição.
D
Os intermediários em uma reação química devem ficar entre colchetes e ter o símbolo ‡ sobrescrito.
E
A seta cheia deve ser utilizada para representar o fluxo de um par de elétrons.
A alternativa E está correta.
Existem duas possibilidades de seta no mecanismo de setas curvas: a cheia e a anzol. A seta anzol
representa o fluxo de um elétron, enquanto a cheia representa o fluxo de dois elétrons, ou seja, um par.
Questão 2
 Sobre a estabilidade dos intermediários após as cisões homo e heterolíticas, podemos afirmar que:
A
A estabilidade relativa dos carbânions é dada pelos mesmos efeitos que a estabilização dos carbocátions.
B
Os carbocátions do tipo metil são os mais estáveis, pois não têm outros átomos de carbono para interferir.
C
A estabilidade relativa dos carbocátions é influenciada unicamente pelo efeito indutivo.
D
Carbocátions terciários são os mais estáveis devido ao efeito indutivo e à hiperconjugação.
E
Quanto maior o caráter s do carbono que apresenta carga negativa, menor sua estabilidade.
A alternativa D está correta.
Os carbonos vizinhos a um carbono positivo têm sua nuvem eletrônica deslocada no sentido de estabilizar
a carga formada. Por isso, quanto mais carbonos ligados àquele que apresenta carga positiva, maior sua
estabilidade. A hiperconjugação, por outro lado, é a sobreposição dos orbitais e, por isso, quanto mais
carbonos, maior a chance de sobreposição e estabilização.
3. As principais reações de adição eletrofílica a alcenos, dienos e alcinos
Introdução
No módulo anterior, falamos sobre a maneira de representar mecanismos de reações orgânicas, e vimos
também algumas definições muito importantes: de nucleófilo e de eletrófilo.
Nucleófilo
Um nucleófilo é uma substância rica em elétrons que, em geral, apresenta pares de elétrons livres ou
carga negativa. 
Saiba mais
EletrófiloUm eletrófilo é uma substância que apresenta deficiência em elétrons, seja na forma de cargas
positivas ou orbitais vazios, por exemplo. 
A adição eletrofílica a alcenos é possível e favorável, pois os elétrons π dos alcenos estão mais disponíveis
para reação do que aqueles presentes em ligações σ, por exemplo, e criam uma região de alta densidade de
elétrons para onde os eletrófilos são atraídos, ou seja, a ligação π se comporta como um nucleófilo. Além
disso, elétrons π têm maior energia que elétrons σ, e as ligações π são mais fracas que as ligações σ, o que
significa que o rompimento de uma ligação π em favor da formação de uma ligação σ é um processo
energeticamente favorável.
 
Aqui vamos ver as três principais reações de adição eletrofílica a alcenos: aquelas que envolvem ácidos
binários halogenados (HX), água e halogênios moleculares.
Adição de HX a Alcenos
 
A reação entre os ácidos binários halogenados
e os alcenos leva à formação de um haleto de
alquila, uma vez que o átomo de hidrogênio
entrará em um carbono e o halogênio no outro,
conforme o esquema geral a seguir:
Esquema geral de reação entre um alceno e um ácido HX.
A reatividade dos ácidos segue o padrão da força deles, então, HI é o mais reativo e HF, o menos reativo.
Nesse tipo de reação, o alceno terá uma molécula adicionada a ele em duas etapas. Vamos ver o mecanismo
com um exemplo geral utilizando o ácido HX:
1ª etapa - 1ª etapa da reação de adição eletrofílica a alcenos.
Ataque dos elétrons da ligação π ao eletrófilo, com formação de um
carbocátion proveniente do alceno e de um ânion proveniente do ácido.
2ª etapa - 2ª etapa da reação de adição eletrofílica a alcenos.
Ataque do ânion (nucleófilo) ao carbocátion (eletrófilo) levando a um
produto neutro de adição.
Agora que conhecemos o mecanismo da reação e vimos que ela ocorre em duas etapas, podemos analisar o
seu diagrama de energia.
Diagrama de energia da reação de adição eletrofílica a alcenos.
Como podemos ver ao analisar o diagrama, o haleto de alquila formado na reação tem menor nível de energia
que os produtos, ou seja, o ∆G da reação é negativo e a reação é espontânea. Podemos ver também que a
energia de ativação da etapa 1, que leva à formação do carbocátion intermediário, é maior do que a da etapa
2, ou seja, a primeira é a etapa limitante da reação. A etapa limitante de uma reação determina a velocidade
em que a reação vai ocorrer, uma vez que é a mais lenta.
 
Quando os alcenos em que a reação estiver ocorrendo forem simétricos, como é o caso do eteno e do 2-
buteno, por exemplo, não importao carbono que ficará com o hidrogênio e com o halogênio, pois o produto
formado será o mesmo. Porém, quando o alceno é assimétrico, existe a possibilidade de ocorrerem dois
produtos. Vamos ver o caso do 2-metilpropeno:
 Reação de adição eletrofílica entre o HBr e o 2-metilpropeno.
Na reação entre o 2-metilpropeno e o HBr existe a possibilidade de formar o 2-bromo-2-metilpropano ou o 1-
bromo-2-metilpropano, porém, a reação se processa de forma que o produto majoritário é o 2-bromo-2-
metilpropano, ou seja, ela é regioespecífica e o outro produto possível é formado em concentrações tão
baixas que são desprezíveis. Como podemos saber, então, qual produto será formado em uma reação de
adição eletrofílica em um alceno assimétrico? Foi por meio da observação de diversas reações desse tipo que
o químico Vladimir Markovnikov criou uma regra usada até hoje.
Atenção
Na adição de HX a um alceno, o haleto se adicionará ao carbono com menor quantidade de átomos de
hidrogênio. Ou seja, o produto formado é aquele no qual o átomo de hidrogênio se liga ao carbono
menos substituído, e o halogênio, ao carbono com maior número de substituintes alquila. Você não
precisa decorar essa regra, pois entendê-la é bastante simples agora que sabemos como é o mecanismo
da reação e conhecemos a estabilidade relativa dos carbocátions. 
Sabemos, ao estudar o mecanismo da reação, que um carbocátion é formado na primeira etapa. Vamos ver
então os carbocátions que podem ser formados a partir do 2-metilpropeno na primeira etapa da reação?
Carbocátions formados na primeira etapa de reação entre o 2-metilpropeno e o HBr.
A maior estabilidade do carbocátion terciário significa que a energia de ativação necessária para que ele seja
formado é menor do que a energia necessária para formar o carbocátion primário, ou seja, como a reação
tende a ir pelo caminho de menor energia, apenas o carbocátion terciário é formado, e o halogênio só poderá
entrar nessa posição.
 
A regra de Markovnikov pode ser expandida para outros tipos de reação eletrofílica a alcenos e não só para a
adição de HX. Sempre será formado o carbocátion mais estável na primeira etapa e o ataque do nucleófilo,
com posterior adição, ocorrerá neste carbono. O fato de a regra de Markovnikov se aplicar às reações de
adição eletrofílica implica que reações desse tipo são regiosseletivas, ou seja, embora teoricamente
pudessem existir dois ou mais isômeros constitucionais, apenas um é formado ou, pelo menos, é formado
majoritariamente em detrimento dos demais.
Atenção
A adição de HBr a alcenos na presença de peróxidos apresenta um mecanismo diferente, pela formação
de radicais, em que o produto preferencial não obedece à regra de Markovnikov. Esse mecanismo não é
relevante para HF, HI e HCl e não será tratado em detalhes neste estudo, mas é importante saber que
pode acontecer. 
Hidratação de Alcenos
Reações de hidratação são aquelas nas quais
uma molécula de água é adicionada a
determinado composto. Aqui veremos a adição
de uma molécula de água a um alceno, levando
à formação de um álcool. Essa é uma reação
muito utilizada na preparação em larga escala
de álcoois de baixo peso molecular, sendo
necessário utilizar ácido como catalisador.
 
A hidratação de alcenos segue a seguinte
reação geral:
Reação geral de hidratação em alcenos.
O mecanismo dessa reação se dá em três etapas. Vamos vê-las individualmente utilizando como exemplo a
hidratação do 2-metilpropeno:
1ª Etapa - 1ª etapa da reação de hidratação do 2-
metilpropeno.
Ataque dos elétrons da ligação dupla do alceno ao íon hidrônio, formado
pela presença de ácido como catalisador no meio, com formação do
carbocátion intermediário e de uma molécula de água. O próton será
adicionado ao carbono menos substituído conforme a regra de
Markovnikov. Esta é a etapa limitante da reação.
2ª etapa - 2ª etapa da reação de hidratação do 2-
metilpropeno.
O carbocátion formado (eletrófilo) sofre um ataque de um dos pares de
elétrons livres do átomo de oxigênio da água (nucleófilo), levando à
formação de um produto de adição que apresenta carga positiva no
átomo de oxigênio. Essa etapa acontece rapidamente.
3ª etapa - 3ª etapa da reação de hidratação do 2-
metilpropeno.
Por fim, uma molécula de água ataca um átomo de hidrogênio do
composto carregado positivamente que foi formado na etapa anterior e
regenera o íon hidrônio, que é o catalisador da reação.
Embora as reações de hidratação dos alcenos pareçam simples, elas têm um diferencial: os compostos sofrem
rearranjos para formar carbocátions mais estáveis. Na reação do 3,3-dimetil-1-buteno, por exemplo, o produto
obtido é o 2,3-dimetil-2-butanol e não o 3,3-dimetil-2-butanol, como visto na reação a seguir:
Hidratação do 3,3-dimetil-1-buteno.
Por que isso acontece? Pelo mecanismo que vimos antes, um carbocátion secundário seria o intermediário da
reação, porém, um rearranjo na molécula permite a formação de um carbocátion terciário que é mais estável e,
por isso, favorecido.
 Rearranjo para formação de carbocátion mais estável.
Além disso, as reações de hidratação podem ainda ocorrer por processos conhecidos como oximercuriação,
no qual o acetato de mercúrio é utilizado como eletrófilo inicial no lugar do ácido. Esse processo é mais
utilizado em laboratórios de síntese orgânica, pois as condições de trabalho são mais simples. Apesar das
diferenças nos reagentes, o fundamento e a ideia por trás do mecanismo são os mesmos dos vistos para os
ácidos.
Adição de Halogênios aos Alcenos
A adição de halogênios a alcenos leva à formação de 1,2-
dihaletos. Falamos halogênios de maneira geral, mas, na
realidade, o flúor é reativo demais para que as condições
possam ser controladas adequadamente em laboratório.
Além disso, o iodo não reage com alcenos, sobrando então
o bromo e o cloro.
Essas reações são particularmente importantes para a
indústria. A reação entre o eteno e o cloro (Cl2), por
exemplo, leva à formação do 1,2-dicloroetano, que pode ser
utilizado tanto como solvente quanto como produto de
partida na produção de policloreto de vinila, o PVC.
 Reação entre o eteno e o cloro, levando à formação do 1,2-dicloroetano.
Todas as reações que vimos até o momento contavam com reagentes naturalmente polarizados, como a água
e os HX. Agora, porém, estamos falando de moléculas nas quais não há diferença de eletronegatividade.
Então, o que permite que essas reações ocorram mesmo assim? Um efeito de repulsão. Quando o halogênio
molecular se aproxima dos elétrons da ligação dupla do alceno, há uma repulsão entre os elétrons do
halogênio e do alceno, gerando um dipolo induzido na molécula de halogênio. Com isso, um átomo passa a
apresentar carga parcial positiva e o outro, carga parcial negativa. Quando a cisão da ligação ocorre, formam-
se um cátion e um ânion do mesmo elemento.
 
Isso quer dizer então que o mecanismo dessas reações vai seguir o mesmo padrão das que vimos antes? Não.
As reações de adição de halogênios a alcenos apresentam algumas particularidades bastante importantes. A
primeira delas é que essas reações apresentam esteroquímica anti, ou seja, os átomos de bromo ficarão o
mais distantes possível um do outro. Em um composto cíclico, cada um estará em uma face – apenas o
composto trans será formado. Vamos ver o caso do ciclopenteno para ilustrar o que estamos falando.
Reação de halogenação do ciclopenteno.
A explicação para isso foi sugerida na década de 1930 por George Kimball e Irving Roberts. Os químicos
propuseram que, ao invés de formar um carbocátion, os intermediários da reação eram os íons bromônio
(R2Br+) ou clorônio (R2Cl+), dependendo do halogênio utilizado. Aqui vamos tratar do bromônio por ser mais
usual. O esquema abaixo ilustra a formação do bromônio, porém, é importante ressaltar que esta é apenas
uma maneira ilustrativa de retratar a formação para fins didáticos. O íon bromônio é, na realidade, formado em
uma única etapa.
Representação didática da formação do íon bromônio.
Agora que conhecemos o íon bromônio, vamos ver o mecanismopor trás da reação de adição de halogênios
utilizando um alceno genérico como exemplo.
1ª Etapa: Formação do íon bromônio
O íon bromônio é formado essencialmente da mesma forma que um
carbocátion, com o ataque dos elétrons da ligação dupla a um dos
átomos do bromo, conforme o esquema a seguir:
2ª etapa - Ataque do íon bromônio pelo brometo com
formação do composto dibromado vicinal. 
O íon bromônio será atacado pelo brometo pelo lado oposto ao qual foi
formado o anel de três membros, levando à abertura do anel e ao
composto dibromado, conforme o seguinte esquema:
É importante observar que o ataque do brometo ao íon bromônio pode ocorrer em qualquer um dos dois
carbonos, uma vez que a molécula é simétrica. Isso quer dizer que, em compostos cíclicos, por exemplo, será
formado apenas o composto trans em uma mistura racêmica, como pode ser visto a seguir:
Reação entre o ciclopenteno e o bromo molecular.
Formação de haloidrinas
As haloidrinas são formadas quando a reação de adição eletrofílica do halogênio molecular ocorre na presença
de água. O mecanismo dessa reação é uma mistura da reação de adição de halogênios e da hidratação de
alcenos. Vamos ver a seguir, etapa por etapa, utilizando o bromo como exemplo:
Etapa 1: Formação do íon bromônio - Etapa 1 de formação das
haloidrinas.
Os elétrons da ligação dupla dos alcenos atacam o átomo de bromo mais
próximo, com a formação do íon bromônio e do brometo, conforme o
esquema:
Etapa 2: Ataque da água ao íon bromônio - Etapa 2 da reação
de formação das haloidrinas.
O par de elétrons livre do oxigênio da água ataca um dos carbonos na
face oposta daquela na qual está o íon bromônio.
Etapa 3: Abstração do próton - Etapa 3 de formação das
haloidrinas.
O íon brometo formado anteriormente ataca um dos átomos de
hidrogênio provenientes da molécula de água, levando à formação da
haloidrina e do ácido HBr.
Reações de Adição Eletrofílica a Dienos
Agora que compreendemos as reações de adição eletrofílica aos alcenos simples, vamos ver o que acontece
quando a molécula apresenta mais de uma dupla ligação. A primeira coisa que precisamos observar é a
distância entre as duplas ligações.
 
Se o mesmo carbono estiver participando de duas duplas ligações, dizemos que esse é um dieno
acumulado, como é o caso do 1,2-propadieno.
 
Se um ou mais carbonos saturados estiverem presentes entre as duplas ligações, dizemos que são
dienos isolados, como é o caso do 1,4-pentadieno.
 
Já quando as duplas ligações estão alternadas com ligações simples, dizemos que esses alcenos são
conjugados, como é o caso do 1,3-butadieno.
Os dienos isolados se comportam e reagem da mesma forma que os alcenos simples, com a diferença de que
podem reagir duas vezes. Os dienos acumulados podem dar origem a compostos quirais e são menos estáveis
do que dienos isolados, mas, ainda assim, podem ser encontrados em alguns compostos naturais. São os
dienos conjugados, no entanto, que apresentam as maiores diferenças em suas reações, pois suas ligações
duplas interagem uma com a outra.
 
A reação entre um dieno conjugado e um reagente eletrofílico, como HBr ou Br2, leva à formação de dois
produtos: os produtos de adição 1,2 e 1,4. O esquema a seguir traz um exemplo desse tipo de reação:
• 
• 
• 
 Reação de adição do HBr ao 1,3-butadieno.
Uma vez que vimos as reações de adição a alcenos, o produto 1,2 deve parecer familiar, enquanto o 1,4 parece
não fazer sentido. Mas, calma, existe uma explicação! Vamos ver o mecanismo passo a passo para entender
como a formação desses produtos acontece.
1ª etapa - 1ª etapa da reação de adição eletrofílica de HX a um
dieno conjugado. 
Ataque da dupla ligação ao átomo de hidrogênio parcialmente positivo do
HBr, com formação de um carbocátion e do íon brometo.
2ª etapa - Duas possibilidades de ataque do nucleófilo ao
carbocátion. 
Adição do nucleófilo, nesse caso, o íon brometo, ao carbocátion formado.
Vamos ver a reação separadamente com as duas estruturas de
ressonância para facilitar a visualização.
E qual é a proporção em que esses produtos são formados?
 
A baixas temperaturas, o produto majoritário é produto de adição 1,2; enquanto a altas temperaturas
favorecemos a formação do produto de adição 1,4. Se o produto de adição 1,2 puro for aquecido, o equilíbrio
também levará à formação majoritária do produto 1,4. Isso nos traz outros conceitos importantes: de produto
termodinâmico e de produto cinético. Nesse caso, o produto de adição 1,4 é o produto termodinâmico, ou
seja, sua energia de ativação é maior, porém, o produto final tem menor energia. Já o produto 1,2 tem menor
energia de ativação, mas o produto final terá maior energia. Isso quer dizer que, quando houver energia
suficiente para ultrapassar a energia de ativação do produto de adição 1,4, ele será preferencialmente formado
devido à sua maior estabilidade. Essas relações estão resumidas no seguinte diagrama de energia:
 Diagrama de energia da formação dos produtos de adição 1,2 e 1,4.
Reações de Adição Eletrofílica a Alcinos
Os alcinos vão apresentar o mesmo tipo de reação eletrofílica que vimos anteriormente para os alcenos
simples, com a diferença de que podem reagir com um ou dois mols do reagente. Podemos ver a adição de
bromo molecular no esquema a seguir:
Reação entre um alcino genérico e bromo molecular.
Atenção
Isso quer dizer que, se forem adicionados 2 mols de bromo, a reação procederá até a formação do
composto tetrahalogenado, porém, se apenas 1 mol de bromo for utilizado, a reação fornecerá o
composto trans-dihalogenado. 
Reação entre alcino genérico e HBr. 
Para as reações de adição de HX, as regras também serão as mesmas. A
adição seguirá a regra de Markovnikov e poderá ocorrer com um mol de
HX, levando à formação do produto monohalogenado, ou com 2 mols de
HX, levando à formação do produto dihalogenado geminal, conforme
pode ser visto no esquema.
Conversão do ácido fumárico a ácido málico pela enzima
fumarase no ciclo do ácido cítrico. 
É muito importante conhecer as reações de adição eletrofílica, inclusive
para o nosso organismo. A conversão do ácido fumárico a ácido málico
no ciclo do ácido cítrico, por exemplo, é uma reação de adição eletrofílica
a uma dupla ligação, como podemos ver no esquema.
Adição Eletrofílica a Alcenos, Dienos e Alcinos
Para concluir, com a ajuda do especialista Luiz Mota, aprenderemos um pouco mais a respeito da Regra de
anti-Markovnikov e suas aplicações, bem com conheceremos exemplos e mecanismos de reação de adição
eletrofílica.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre as reações de adição eletrofílica a alcenos, é possível afirmar que:
A
As reações de hidratação levam à formação de dióis.
B
Nas reações de hidratação, o composto pode sofrer rearranjo.
C
As reações com Br2 levarão à formação dos isômeros cis e trans.
D
As reações com Br2 levarão à formação dos isômeros cis e trans.
E
A regra de Markovnikov estabelece que o hidrogênio entrará no carbono com menos hidrogênios.
A alternativa B está correta.
Nas reações de hidratação, pode haver rearranjo para formação de um intermediário carbocátion mais
estável.
Questão 2
Alcinos e dienos também sofrem reações de adição eletrofílica. Acerca dessas reações, é possível afirmar que:
A
Dienos isolados precisam sempre de 2 mols do eletrófilo para que a reação ocorra.
B
Dienos conjugados podem reagir de maneira a formar os produtos de adição 1,2 ou 1,4.
C
Alcinos vão reagir com 2 mols de HBr para formar o produto dihalogenado vicinal.
D
A reação de um alcino com 1 mol de Br2 levará à formação do isômero cis, apenas.
E
Qualquer dieno irá reagir como um alceno simples, não importando a localização das duplas ligações.
A alternativa B está correta.
O produto de adição 1,2 tem menor energia de ativação, é o produto cinético dessa reação, e será formado
preferencialmente a baixas temperaturas. Já o produto de adição 1,4 é o produto termodinâmico, ou seja,
ele apresenta maior energiade ativação, porém a energia do produto é menor e, por isso, se houver energia
o suficiente para ultrapassar a barreira da energia de ativação (aquecimento, por exemplo), ele será o
produto preferencial.
4. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, pudemos conhecer os componentes termodinâmicos que regem uma reação orgânica e as
informações que podem ser obtidas por meio dela, como a espontaneidade da reação, por exemplo. Vimos
também os diagramas de energia e os conceitos de energia de ativação e de estado de transição e as
informações que podem ser obtidas a partir da leitura desse diagrama.
 
Pudemos aprender as regras universais de representação gráfica dos mecanismos de reação, os tipos de
quebra que podem ocorrer em ligações covalentes e conhecer melhor a estabilidade dos intermediários
formados e que nos possibilitam entender os mecanismos das reações. Por fim, começamos o estudo dos
mecanismos das reações orgânicas pelas reações de adição eletrofílica a alcenos, dienos e alcinos, passando
por conceitos importantes como a regra de Markovnikov.
Podcast
Para encerrar o assunto abordado, o podcast contribuirá com mais informações sobre a Regra de
Markovnikov e exceções e sobre os produtos de adição 1,2 e 1,4.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
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Os estudos sobre as reações de adição eletrofílica continuam acontecendo. Quer saber um pouco
mais? Dê uma olhada no artigo The Selective addition of water, publicado na revista Catalysis Science
& Technology.
Referências
CAREY, F. A.; GIULIANO, R. M.; ALLISON, N. T.; BANE, S. L. Organic Chemistry. Nova York: McGraw-Hill
Education, 2018.
 
MCMURRAY, J. Química Orgânica. São Paulo: Cengage Learning, 2010.
 
SOLOMONS, T. W. G.; FRYHLE, C. B.; SNYDER, S. A. Organic Chemistry. Hoboken: John Wiley & Sons, Inc.,
2016.
 
WARREN, S.; GREEVES, N; CLAYDEN, J. Organic Chemistry. Oxford: Oxford University Press, 2012.
• 
	Reatividade Química e Mecanismos de Reações Orgânicas
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Os aspectos termodinâmicos e sua reação química em um diagrama de energia
	Equilíbrio Químico
	O que é esse equilíbrio?
	Energia Livre de GIBBS
	∆G negativo
	∆G positivo
	Entalpia
	Entropia
	Positivo
	Negativo
	Deslocamento do equilíbrio
	Diagramas de Energia Livre
	E o que é o estado de transição?
	Energia Livre de Gibbs e Diagramas de Energia
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Os nucleófilos e eletrófilos
	Introdução
	Ligações Polarizadas
	Nucleófilo
	Eletrófilo
	Símbolos Utilizados na Representação de Mecanismo de Reação
	Mecanismo de setas curvas
	Atenção
	Outros símbolos importantes
	Tipos de Quebras de Ligação
	Estabilidade dos intermediários
	Efeito indutivo
	Hiperconjugação
	Introdução às Reações Orgânicas: símbolos, mecanismos e intermediários de reações
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. As principais reações de adição eletrofílica a alcenos, dienos e alcinos
	Introdução
	Saiba mais
	Adição de HX a Alcenos
	1ª etapa - 1ª etapa da reação de adição eletrofílica a alcenos.
	2ª etapa - 2ª etapa da reação de adição eletrofílica a alcenos.
	Atenção
	Atenção
	Hidratação de Alcenos
	1ª Etapa - 1ª etapa da reação de hidratação do 2-metilpropeno.
	2ª etapa - 2ª etapa da reação de hidratação do 2-metilpropeno.
	3ª etapa - 3ª etapa da reação de hidratação do 2-metilpropeno.
	Adição de Halogênios aos Alcenos
	1ª Etapa: Formação do íon bromônio
	2ª etapa - Ataque do íon bromônio pelo brometo com formação do composto dibromado vicinal.
	Formação de haloidrinas
	Etapa 1: Formação do íon bromônio - Etapa 1 de formação das haloidrinas.
	Etapa 2: Ataque da água ao íon bromônio - Etapa 2 da reação de formação das haloidrinas.
	Etapa 3: Abstração do próton - Etapa 3 de formação das haloidrinas.
	Reações de Adição Eletrofílica a Dienos
	1ª etapa - 1ª etapa da reação de adição eletrofílica de HX a um dieno conjugado.
	2ª etapa - Duas possibilidades de ataque do nucleófilo ao carbocátion.
	Reações de Adição Eletrofílica a Alcinos
	Atenção
	Reação entre alcino genérico e HBr.
	Conversão do ácido fumárico a ácido málico pela enzima fumarase no ciclo do ácido cítrico.
	Adição Eletrofílica a Alcenos, Dienos e Alcinos
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências

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