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Mama Doença Benigna da Mama t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da ÍNDICE 4 4 5 9 10 11 15 16 17 18 19 20 22 24 26 29 Doença Benigna da Mama GO INTRODUÇÃO EMBRIOLOGIA ANATOMIA - SUPRIMENTO SANGUÍNEO DA MAMA - INERVAÇÃO MAMÁRIA - DRENAGEM LINFÁTICA PROPEDÊUTICA MAMÁRIA - INSPEÇÃO ESTÁTICA - INSPEÇÃO DINÂMICA - PALPAÇÃO DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA - MASTALGIA - TRATAMENTO - FLUXO PAPILAR - DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DO FLUXO PAPILAR - TRATAMENTO 2 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da 30 32 43 43 47 49 51 52 Doença Benigna da Mama GO - CISTOS MAMÁRIOS - NÓDULOS FOCO NOS MÉTODOS DE IMAGEM - MAMOGRAFIA - ULTRASSONOGRAFIA - RESSONÂNCIA MAGNÉTICA CONCLUSÃO Bibliografia 3 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da INTRODUÇÃO Na ginecologia e obstetrícia, uma grande área presente nas provas de residência médica é a que abrange a mastologia. O Câncer de mama é a neoplasia com maior mortalidade entre as mulheres e é, sem dúvidas, o ponto alto de quem opta por seguir essa especialidade. Mas nem só de câncer vive a mastologia e por esse motivo não devemos nos esquecer das muitas doenças benignas que atingem as mamas. EMBRIOLOGIA A primeira coisa que você deve ter em mente sobre a glândula mamária é que ela é uma glândula sudorípara modificada e super especializada. O seu desenvolvimento embriológico tem início entre a 5.ª e a 6.ª semana da vida fetal, quando as cristas mamárias surgem, com extensão da axila à região inguinal. Durante esse processo também são formados os botões mamários, que darão origem aos lobos, lóbulos e ductos lactíferos. Com o desenvolvimento embrionário as cristas mamárias involuem, permanecendo apenas na região peitoral. Quando essa regressão não ocorre de maneira adequada há a formação de mamas e mamilos acessórios, que sempre estarão localizados ao longo da linha láctea. Essa condição é rara e atinge menos de 1% da população em geral. O desenvolvimento mamário feminino tem um grande avanço na puberdade (telarca), mas torna-se completo apenas durante o período gestacional. Doença Benigna da Mama GO 4 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da ANATOMIA A mama feminina tem uma anatomia bem tranquila, composta de pele, tecido subcutâneo e tecido mamário. Localiza-se entre a 2.ª e a 6.ª costela, na porção anterior da caixa torácica. É revestida pela fáscia superficial, entre os seus dois folhetos: anterior e posterior, sendo que o posterior oferece um plano de dissecção nas cirurgias mamárias. Cerca de dois terços do tecido mamário recobre o músculo peitoral maior, sendo o terço restante ficando em contato com o músculo serrátil e a bainha do músculo reto-abdominal. Uma porção do tecido mamário pode se estender até a axila, também conhecido como cauda ou prolongamento de Spence. Fonte: Shutterstock. Doença Benigna da Mama GO 5 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Os ligamentos de Cooper são compostos por tecido conectivo e atravessam o parênquima mamário e se inserem perpendicularmente à derme, quando contraídos, eles são responsáveis pela aparência de pele em casca de laranja, conhecido achado do exame clínico, associado aos tumores malignos de mama. Doença Benigna da Mama GO 6 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da O tecido mamário é constituído por componentes epiteliais e estromais, sendo esse último responsável por 85 a 90% do volume mamário total. O componente epitelial é encontrado nas unidades ductos lobulares, as quais são constituídas por duas camadas celulares: a primeira composta por células epiteliais, revestindo a luz dessas unidades, e a segunda de células mioepiteliais, que apresentam um importante papel na ejeção láctea durante a amamentação. Doença Benigna da Mama GO 7 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 2: Histologia do lóbulo mamário. Fonte: imagem retirada do site http:// anatpat.unicamp.br/lamgin21.html Em sua constituição a mama conta com cerca de 15 a 20 lobos, os quais são subdivididos em 20 a 40 lóbulos. Os lóbulos, por sua vez, são ramificados em unidades túbulo-alveolares. Cada lobo drena para um ducto lactífero principal (também chamados ductos galactóforos), os quais se estendem até a papila, onde todos desembocam no seio lactífero. Durante o período lactacional a secreção láctea é drenada para os 10 a 20 óstios presentes da papila. O espaço existente entre os lobos mamários é preenchido por gordura. Doença Benigna da Mama GO 8 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da http://anatpat.unicamp.br/lamgin21.html http://anatpat.unicamp.br/lamgin21.html Figura 3: Unidade ducto-lobular terminal da mama. Fonte: Shutterstock. Figura 4: Unidade ducto-lobular terminal da mama. Fonte: Shutterstock. SUPRIMENTO SANGUÍNEO DA MAMA Doença Benigna da Mama GO 9 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da A vascularização da mama se dá por 3 artérias principais. A artéria mamária interna ou também conhecida como torácica interna, responsável por 60% do suprimento sanguíneo mamário, através dos seus ramos perfurantes. Já a porção lateral da mama recebe o suprimento pelos ramos da artéria torácica lateral, que tem como origem a artéria axilar ou toracoacromial, ou subescapular, responsável por 30% do aporte sanguíneo da região. Por fim, os ramos das artérias intercostais posteriores são responsáveis pela irrigação da região ínfero lateral da mama, responsável por 10% do aporte sanguíneo local. A vascularização do complexo aréolo-papilar (CAP) ocorre pela presença do plexo areolar subdérmico, formado por ramos da artéria torácica interna, que deve ser preservado, sempre que possível, nas abordagens mamárias, com preservação do CAP. A drenagem venosa da mama segue o curso das artérias, porém com destino final principal a veia axilar. As veias tendem a formar um complexo circular ao redor do complexo aréolo-papilar, ramos deste círculo drenam para a veia mamária interna ou veia axilar. INERVAÇÃO MAMÁRIA A inervação da glândula mamária ocorre pela ação dos ramos laterais e anteriores do 2.º ao 6.º nervos intercostais, sendo que a pele e porção superior da mama também recebem ramos do nervo supraclavicular, parte do plexo cervical. Doença Benigna da Mama GO 10 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da DRENAGEM LINFÁTICA O sistema linfático mamário também acompanha a drenagem arterial dessa região. Cerca de 75% da drenagem linfática é direcionada para os linfonodos axilares, os quais são subdivididos em 5 subgrupos com base em seus reparos anatômicos, são eles: Apical Central Braquial ou lateral Peitoral ou torácico lateral Subescapular Doença Benigna da Mama GO • • • • • 11 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 5: Drenagem linfática da mama. Fonte: Shutterstock. AXILA A axila é uma região intimamente relacionada com a mama, sendo frequentemente abordada nos tratamentos cirúrgicos para o câncer de mama. Trata-se de uma região de abordagem delicada, pela presença de múltiplas estruturas tidas como nobres, como vasos e nervos responsáveis pela vascularização e inervação dos membros superiores. Doença Benigna da Mama GO 12 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da A vascularização arterial da axila se dá pela artéria axilar, ramo da artéria subclávia, já a drenagem venosa acontece pela veia axilar, localizada na borda medial da artéria. Os principais nervos responsáveis pela inervação da axila são: nervo torácico longo(ou nervo de Bell), responsável pela inervação do músculo serrátil anterior e pela fixação da escápula na parede torácica; o nervo toracodorsal, que inerva o músculo grande dorsal e o nervo intercostobraquial (responsável pela sensibilidade da região axilar) Doença Benigna da Mama GO 13 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Os subgrupos de linfonodos axilares podem ser classificados também quanto a posição em relação ao músculo peitoral menor, chamada classificação de Berg, é a mais utilizada para a descrição de comprometimentos das cadeias linfonodais. Nível I: linfonodos que ficam na parte lateral à borda do músculo peitoral menor: linfonodos axilares, mamários externos e subescapulares. Nível II: linfonodos que estão entre as bordas do músculo peitoral menor: linfonodos centrais e interpeitorais. Nível III: linfonodos medial à borda do músculo peitoral menor, são os linfonodos subclaviculares. Doença Benigna da Mama GO 14 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 6: Linfonodos axilares. Fonte: imagem retirada do site https:// www.bibliomed.com.br/bibliomed/bmbooks/oncologi/livro2/cap/fig02-5.htm PROPEDÊUTICA MAMÁRIA A anamnese da investigação das doenças e sintomas mamários é baseado nos aspectos gerais da história clínica habitual, pontos maiores de atenção aos fatores de riscos reconhecidos para o câncer de mama como menarca precoce ou menopausa tardia, uso de terapia de reposição hormonal, antecedentes gestacionais e idade da primeira gestação, história de amamentação, antecedentes familiares, com foco em antecedentes oncológicos. Na investigação de sintomas mamários, a anamnese pode ser fonte de informações que reduzem ou aumentam as chances de uma neoplasia mamária associada, tais aspectos podem ser encontrados na tabela abaixo. Doença Benigna da Mama GO 15 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da https://www.bibliomed.com.br/bibliomed/bmbooks/oncologi/livro2/cap/fig02-5.htm https://www.bibliomed.com.br/bibliomed/bmbooks/oncologi/livro2/cap/fig02-5.htm Tabela 1. Anamnese das principais afecções mamárias benignas. O exame físico das mamas deve ser realizado de preferência na primeira fase do ciclo menstrual da mulher, porém não deve ser postergado na evidência de sintomas, devendo ser realizado em todas as consultas, sempre na presença de um acompanhante. O exame clínico das mamas deve incluir os seguintes passos, para uma melhor investigação: INSPEÇÃO ESTÁTICA Doença Benigna da Mama GO 16 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Tem como objetivo principal identificar sinais maiores sugestivos de neoplasias mamárias malignas. Ele deve ser realizado com a mulher na posição sentada, com o examinador à sua frente. Durante a inspeção estática deve se realizar uma constante comparação entre às duas mamas, com o objetivo de identificar possíveis assimetrias, alterações de cor ou de aspecto das mamas. São os principais pontos a serem observados: volume, forma, simetria, alterações na cor e textura da pele, presença de retrações e abaulamentos. Figura 7: Inspeção estática. Fonte: Shutterstock. INSPEÇÃO DINÂMICA Mantendo a posição da inspeção estática, nessa etapa o examinador deve solicitar que a mulher eleve e abaixe os braços, seguido de uma contração da musculatura peitoral, que pode ser realizada através da Doença Benigna da Mama GO 17 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da compressão das palmas das mãos ou da compressão do quadril. Essa sequência de movimentos pode ser repetida, quantas vezes for necessário para uma melhor avaliação dos pontos já descritos na inspeção estática. Figura 8: Inspeção dinâmica. Fonte: Shutterstock. PALPAÇÃO A palpação das mamas deve ser realizada com a mulher deitada em decúbito dorsal com a mão sob a cabeça, sendo exposta uma mama por vez, de modo a minimizar o desconforto da mulher. Nesta etapa do exame físico é possível utilizar duas técnicas, a primeira em que a palpação é realizada com a face palmar dos dedos (técnica de Velpeaux), ou com as falanges distais dos 2.º e 3.º dedo (técnica de Bloodgood). A palpação pode seguir o sentido horário ou anti horário, em direção radial Doença Benigna da Mama GO 18 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da ou anti radial, sendo o importante palpar todos os quadrantes mamários, até os limites anatômicos das mamas. Figura 9: Palpação mamária. Fonte: Shutterstock. A região axilar, por sua vez, deve ser avaliada com a mulher sentada, com o membro superior do lado a ser examinado relaxado, de modo a provocar o relaxamento do músculo peitoral, facilitando o exame. A palpação das cadeias supraclaviculares deve ser realizada com a mulher na mesma posição, porém com a cabeça levemente inclinada para o lado oposto ao examinado. DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA As doenças benignas das mamas são lesões frequentemente identificadas durante o exame clínico ou de imagem de rotina, pelo médico ou pela própria paciente. Após uma propedêutica Doença Benigna da Mama GO 19 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da detalhada, o seguimento dessas lesões baseiam-se majoritariamente no alívio dos sintomas e orientação da mulher. As lesões benignas são mais frequentes em pacientes jovens, com um aumento da incidência a partir da segunda década de vida e declínio entre a 4.ª e 5.ª década, quando as lesões malignas se tornam mais frequentes, principalmente após a menopausa. MASTALGIA A mastalgia ou dor nas mamas é uma queixa frequente entre as mulheres e corresponde a 60% a 70% das consultas ginecológicas durante a menacme, uma vez que muitas mulheres possuem uma falsa associação de dor com risco de câncer, relação coexistente em apenas 2% dos casos. A cancerofobia pode intensificar o sintoma e dificultar o tratamento e por esse motivo a orientação é um dos principais tratamentos. A etiologia da mastalgia não é totalmente conhecida. A dor mamária pode ser classificada como cíclica, não cíclica ou ainda de origem extra- mamária, sendo as dores cíclicas correspondentes a ⅔ de todas as queixas de mastalgia. A dor extramamária é aquela referida na região das mamas, porém que tem como ponto de origem a parede torácica ou coluna vertebral, por exemplo. A sensibilidade mamária ou dor leve bilateral e difusa é normal em muitas mulheres, normalmente mais frequente durante a fase lútea, com remissão completa após o início da menstruação. A etiologia desse sintoma é a flutuação dos níveis hormonais que estimulam uma proliferação discreta do tecido mamário, por esse motivo ela pode ser Doença Benigna da Mama GO 20 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da associada ao uso de medicamentos hormonais, como da pílula contraceptiva ou terapia de reposição hormonal. Nas pacientes com mastalgia cíclica, o desequilíbrio na relação estrogênio e progesterona ao final da fase lútea do ciclo menstrual leva a alteração do sistema dopaminérgico, provocando uma maior secreção da prolactina e consequentemente uma elevação da sensibilidade mamária. A mastalgia acíclica, por outro lado, não tem relação com o ciclo menstrual, podendo estar presente em mulheres tanto na pré quanto na pós-menopausa. Cerca de 85% das mastalgias acíclicas estão associadas ao uso de sutiãs inadequados, provocando distensão dos ligamentos de Cooper e podem ser solucionadas com orientação e adequação do suporte das mamas. Outras causas mais raras de mastalgia acíclica são: mastite,hidradenite, gestação, trauma, tromboflebite e uso de medicações. Tabela 2: Medicamentos associados a mastalgia A anamnese e exame físico de pacientes com mastalgia geralmente não apresenta alterações. O rastreamento para o câncer de mama deve ser realizado na investigação das queixas de dor mamária, sempre que identificado lesões focais. Doença Benigna da Mama GO 21 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da TRATAMENTO A orientação verbal é o principal tratamento da mastalgia, cerca de 80 a 90% dos casos apresentam resolução após a informação de que a dor mamária não está associada, em sua maioria das vezes, ao câncer de mama e de que se trata de um sintoma autolimitado. Medidas comportamentais como uso de sutiã adequado, com maior sustentação e alças largas, redução da gordura na dieta e prática de exercícios físicos Doença Benigna da Mama GO 22 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da diariamente, podem auxiliar na resolução ou redução dos sintomas. Analgésicos e AINEs são comumente associados. O uso de medicações como vitamina E, óleo de prímula, dieta livre de xantinas, não se apresentam como superiores ao placebo em estudos recentes e por esse motivo não devem ser indicados. O tratamento farmacológico preferencial da mastalgia cíclica consiste no bloqueio hormonal, podendo ser utilizado inibidores de estrogênio ou da prolactina, bem como outros bloqueadores do eixo hipotálamo-hipófise. Na tabela abaixo você pode encontrar os principais tratamentos para essa condição. Tabela 3. Tratamento de bloqueio hormonal da mastalgia Doença Benigna da Mama GO 23 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 10: Fluxograma para Mastalgia. Fonte: Tratado de ginecologia da Febrasgo página 903. FLUXO PAPILAR Fluxo papilar, descarga papilar ou derrame papilar. Todos esses nomes representam a mesma condição de exteriorização de material fluido pela papila mamária fora do ciclo gravídico-puerperal. Trata-se de um quadro de origem benigna em 90 a 95% das vezes e pode acometer mulheres em diferentes faixas etárias, A classificação do fluxo papilar pode ser realizada com base na localização da causa: intraductal, extraductal ou ainda extramamária, como no caso da galactorreia. Doença Benigna da Mama GO 24 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Tabela 4. Etiologia segundo classificação de fluxo papilar Outra possível classificação pode ser realizada divide os fluxos papilares entre fisiológicos, patológicos e pseudo-derrames. Os fluxos fisiológicos são aqueles decorrentes da manipulação papilar excessiva, correspondendo à secreção apócrina, não espontânea, de aspecto escurecido e multiductal. Os fluxos patológicos, são aqueles associados a lesões proliferativas, apresentando aspecto aquoso ou sanguíneo, de aparecimento espontâneo. Os pseudo-derrames, por sua vez, são aqueles associados à presença de inversão papilar ou infecção da glândula mamária. Doença Benigna da Mama GO • • • 25 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da A investigação com exames complementares é necessária com o uso da mamografia de rotina para a exclusão de outras lesões associadas. A ultrassonografia pode ser associada de modo a identificar lesões intraductais ou diferenciar lesões sólidas de císticas. A ressonância magnética pode ser associada à propedêutica complementar quando os demais exames não mostram alterações, mas a suspeita persiste. A ductografia e a ductoscopia são exames abandonados atualmente. A citologia oncótica do fluxo papilar não tem valor diagnóstico. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DO FLUXO PAPILAR Doença Benigna da Mama GO 26 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Papiloma intraductal: lesão que se desenvolve nos ductos subareolares, está associada a fluxo papilar seroso ou sanguinolento, é a causa mais frequente de fluxo papilar na ausência de lesão ao exame físico ou de imagem, estando presente em 95% das pacientes com esse quadro. Figura 11: Diagnóstico ultrassonográfico de lesão intraductal típica de papiloma intraductal Fonte: Imagem retirada do site http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp? id=2935&idioma=Portugues Papilomatose juvenil: quadro que afeta mulheres entre 10 e 14 anos, que se apresenta na forma de nódulo palpável na região retroareolar, confere um maior risco para câncer de mama. Ectasia ductal: dilatação dos ductos que promove estagnação da secreção, associado por fluxo papilar viscoso, escuro ou multicolorido. Não existe tratamento específico. Doença Benigna da Mama GO 27 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=2935&idioma=Portugues http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=2935&idioma=Portugues Figura 12: Diagnóstico histológico de ectasia ductal. Fonte: Wikimedia. Mastite periductal: inflamação periductal, associada a fluxo papilar purulento, pode estar associada ao tabagismo. Adenoma de mamilo: tumor benigno localizado no complexo aréolo- papilar, pode estar associado a fluxo papilar sanguinolento. Figura 13: Adenoma papilar, com fluxo papilar sanguinolento. Fonte: Imagem retirada do livro Disease of breast página 43 Doença Benigna da Mama GO 28 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Doença de Paget: ulceração do complexo aréolo-papilar, decorrente da infiltração de células neoplásicas, pode estar associado a fluxos papilares serosos ou sanguinolentos. Tabela 5. Característica dos fluxos e possíveis diagnósticos TRATAMENTO O tratamento para o fluxo papilar é dependente das características apresentadas pelo mesmo. Os fluxos de aspecto fisiológicos não necessitam de tratamentos, já aqueles com características suspeitas devem seguir investigação com exérese e tratamento específico adequado. Vale lembrar: em pacientes jovens com desejo de amamentar é possível realizar a exérese apenas do ducto comprometido, para isso é necessária a identificação do ducto através de coloração injetada no pré-operatório, com posterior dissecção do mesmo. Doença Benigna da Mama GO 29 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da O derrame papilar possui inúmeras etiologias. O fundamental nessa situação é saber avaliar adequadamente os casos com maior risco para câncer de mama, apenas 10% dos fluxos considerados suspeitos. Nesses casos, mesmo com exames de imagem normais, a biópsia cirúrgica sempre é necessária CISTOS MAMÁRIOS Os cistos mamários são as lesões mamárias não proliferativas mais frequentes entre as mulheres. Essa condição acomete cerca de um terço das mulheres entre 35 e 50 anos, sendo que em 20 a 25% desses casos há formação de massas palpáveis, levando à busca pelos serviços médicos. A formação dos cistos simples se dá pelo preenchimento dos ductos terminais, sob a influência da flutuação hormonal, podendo também estar associado ao desenvolvimento e involução lobular e ao ciclo menstrual. O quadro clínico da mulher com cistos mamários pode ser completamente assintomático, mas também pode ser doloroso, principalmente nos quadros de crescimento agudo. O método diagnóstico preferencial é a ultrassonografia, uma vez que com ela é possível identificar o aspecto do conteúdo cístico (fluido, sólido, misto) e sua complexidade (presença de debris, espessura das paredes, septos e fluxo vascular), podendo dessa forma categorizar o cisto em simples, complicado e complexo. Doença Benigna da Mama GO 30 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Tabela 6. Característica suspeitas de cisto mamário Os cistos simples são osmais comuns e apresentam-se como bem circunscritos, anecoicos, sem componentes sólidos em seu interior e com reforço acústico posterior ao ultrassom. Uma vez definido o cisto como simples não há necessidade de condutas adicionais ou seguimento, uma vez que esses não apresentam risco de malignidade. A aspiração dos cistos é apenas indicada nos casos de dor intensa e, na presença de fluido claro, não existe necessidade de análise desse conteúdo. Doença Benigna da Mama GO 31 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 14: Imagem ultrassonográfica de um cisto simples. Fonte: Wikimedia. NÓDULOS Os nódulos mamários são responsáveis pela maior parte das queixas do consultório de mastologia, sendo em sua maioria benignos, principalmente quando presente em mulheres abaixo dos 30 anos, mas em sua investigação é sempre essencial afastar a possibilidade de malignidade da lesão. Doença Benigna da Mama GO 32 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 15: incidência das doenças mamárias de acordo com a idade. Fonte: Imagem retirada do livro Tratado de ginecologia da febrasgo pagina 898, Os nódulos mamários são tumores que crescem na glândula mamária, podendo ser palpáveis ou não, ou ainda sólido, ou cístico. O nódulo mamário mais frequente é o fibroadenoma, uma lesão fibroepitelial, formada por uma resposta exagerada do tecido mamário aos estímulos hormonais durante a menacme. O fibroadenoma é um nódulo de crescimento limitado, com tendência à involução após a menopausa e que geralmente não ultrapassa 2 cm. Essas características são importantes na diferenciação dos fibroadenomas e dos tumores filóides e fibroadenomas gigantes. Em análise histológica dos fibroadenomas, podemos identificar que muitos se apresentam associados a outras lesões proliferativas como adenose esclerosante e hiperplasias ductais usuais, sendo então denominados fibroadenomas complexos. A investigação deve ser realizada com uma anamnese detalhada; idade, ciclo menstrual, fatores associados, como dor, alterações cutâneas, linfonodomegalia, uso de medicamentos (principalmente os hormonais) Doença Benigna da Mama GO 33 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da e fatores de risco para o câncer de mama, são importantes para avaliar o risco de malignidade da lesão. Já a propedêutica mamária deve ser baseada em três pilares: exame clínico, exame radiológico e cito-histológico. O exame clínico, como já conversamos anteriormente, deve ser detalhado e completo, com a identificação do nódulo devemos buscar algumas características essenciais para avaliação adequada, são elas: consistência, limites, regularidade, tamanho e localização. Figura 16: Pilares na investigação dos nódulos mamários Os nódulos tipicamente benignos são normalmente móveis, com consistência firme ou fibroelástica, com contornos regulares e margens bem definidas. Os nódulos suspeitos, por sua vez, tendem a ser aderidos aos planos mais profundos, com consistência mais endurecida, contornos irregulares e margens pouco definidas, podendo também estar associados a fluxos papilares suspeitos (como cristalino ou sanguinolento) e retrações de pele e papila. Para a avaliação radiológica a ultrassonografia ganha destaque pela capacidade de distinção entre lesões sólidas e císticas, porém devemos lembrar que não é método de rastreamento para o câncer de mama. A mamografia deve ser utilizada como forma de rastreamento de lesões como lipomas e fibroadenomas calcificados, além de ser exame de extrema importante na exclusão de lesões potencialmente malignas. A ressonância magnética apresenta um papel mais restrito para a investigação inicial dos nódulos, uma vez que se trata de um exame menos disponível e de alto custo, com altas taxas de falso positivo. Doença Benigna da Mama GO 34 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Fonte: Tratado de ginecologia Febrasgo 2019 O terceiro pilar consiste na avaliação cito/histopatológica, que pode ser realizada pela punção e biópsia (agulha fina ou grossa), podendo ou não ser guiada por método de imagem. A punção por agulha fina (PAAF) não precisa ser em centro cirúrgico sendo considerada o padrão-ouro na diferenciação de lesões sólidas e císticas. Entretanto, ela apresenta menos material para análise pelo patologista. A punção por agulha grossa é um método que proporciona a retirada de fragmentos do nódulo, possibilitando uma maior especificidade no diagnóstico. Doença Benigna da Mama GO 35 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Mulheres com o triplo diagnóstico (exame físico, radiológico e biópsia) normalmente apresentam baixo risco para malignidade. A realização de biópsias cirúrgicas incisionais deve sempre ser evitada, uma vez que a terapêutica cirúrgica pode ser bastante comprometida se diagnosticada uma neoplasia. A biópsia cirúrgica excisional pode ser utilizada em locais onde a biópsia não é disponível, e em casos com baixa suspeita de câncer. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DOS NÓDULOS MAMÁRIOS: Fibroadenoma: lesão benigna mais frequente, aparece em 30% das mulheres, principalmente no período da puberdade. A principal característica desses nódulos é a consistência firme e fibroelástica, com bordas lisas e regulares, perceptível à palpação e visualizado em exames de imagens. O padrão de crescimento é lento, podem ser bilaterais em 10% dos casos e múltiplos em 15%. O tratamento do fibroadenoma não necessita de cirurgia, exceto quando a lesão provoca deformidades ou assimetrias mamárias, ou quando as características fazem suspeitar de outra lesão fibroepitelial, como o tumor filóides. Doença Benigna da Mama GO 36 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Tumor filóide: apresenta as mesmas características clínicas dos fibroadenomas, porém possui a capacidade de atingir volumes maiores, normalmente com crescimento rápido. São histologicamente diferentes dos fibroadenomas por apresentarem maior celularidade estromal, podendo apresentar formas benignas, malignas e borderline, a depender do número de mitoses e índice de celularidade. O tratamento para o tumor filóide é cirúrgico, uma vez que mesmo benigno pode causar assimetrias e deformidades mamárias importantes. Para minimizar o risco de recorrência é indicada a exérese com margem maior do que 1 cm. Fibroadenoma juvenil: quadro muito semelhante ao dos tumores filóides, mas tendem a acometer mulheres mais jovens (em agudas ou crônicas. As mastites agudas são aquelas com evolução clínica inferior a 30 dias, sendo a mastite puerperal a mais frequente dentre elas. Já as mastites crônicas são aquelas com quadro mais arrastado, com evolução clínica maior do que 30 dias ou com recorrência após o tratamento, sendo mais frequente em mulheres entre 30 e 40 anos e rara na pós menopausa. MASTITE AGUDA PUERPERAL A mastite aguda puerperal/ lactacional ocorre durante o período de amamentação, com maior incidência na segunda a quinta semana de puerpério. A principal porta de entrada para os microrganismos são as Doença Benigna da Mama GO 38 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da fissuras nas papilas, tendo a estase láctea um meio de cultura favorável para a proliferação de bactérias e instalação da infecção. Os microrganismos mais associados a essa condição são: Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis, porém não é infrequente também infecções por Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosas e Proteus mirabillis. Os principais fatores de risco para a mastite puerperal são: primiparidade, parto cesárea, mamilo plano ou umbilicados. O quadro clínico é de edema, eritema e calor na mama acometida, seguida por sintomas sistêmicos como febre, anorexia, náusea e vômitos. As mastites causadas por estafilococos tendem a formar com maior facilidade abscessos multioculados. O diagnóstico dessa condição é clínico e exames complementares não são necessários. Na suspeita de abscesso mamário a ultrassonografia pode ser utilizada para confirmação. O tratamento indicado é a manutenção da lactação, ordenha manual e uso de sutiãs com boa sustentação, a fim de reduzir o desconforto local. O tratamento inicial se dá com antibióticos por via oral, porém podendo evoluir para a via endovenosa em caso de piora clínica. Quando identificado abscesso mamário a abordagem cirúrgica é indicada para drenagem. Figura 17: características clínicas típicas da mastite aguda puerperal. À direita podemos ver uma imagem ultrassonográfica compatível com abscesso, indicando conduta cirúrgica para o tratamento. Fonte: Wikimedia. Doença Benigna da Mama GO 39 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da ABSCESSO SUBAREOLAR CRÔNICO RECIDIVANTE O abscesso subareolar crônico recidivante (ASCR) é uma mastite crônica de causa infecciosa associada ao tabagismo, diabetes e obesidade. Trata- se de uma infecção recorrente na região subareolar e não apresenta fisiopatologia definida. O ASCR normalmente apresenta-se unilateral, porém em alguns casos pode acometer as duas mamas. Inicialmente há instalação de um quadro inflamatório bem localizado na área subareolar, com evolução para abscesso que tende a drenar espontaneamente, podendo provocar a formação de fístula. Essa condição tende a ser recorrente, acometendo diversas vezes a mesma localidade, podendo até mesmo levar formação de cavidade, a qual se reabre a cada novo processo infeccioso. O diagnóstico é clínico, porém a mamografia deve ser utilizada para a exclusão de malignidade e a ultrassonografia pode ser indicada para auxiliar na drenagem de abscesso quando necessário. O tratamento inicial é realizado com antibioticoterapia, porém quando há formação de fístulas o tratamento cirúrgico, com ressecção do sistema ductal envolvido, é indicado. Tratamentos adjuntos para cessar o tabagismo são essenciais para o sucesso e remissão completa do quadro, pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico que mantém o hábito tabágico podem desenvolver novas fístulas no decorrer da vida. Doença Benigna da Mama GO 40 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 18: Abscesso subareolar recidivante. Na segunda imagem podemos identificar a formação de fístulas na transição entre a aréola e a pele da mama, isso acontece por ser uma área de maior fragilidade cutânea, facilitando a abertura dos orifícios fistulosos. Fonte: Figuras retiradas do livro Doenças da Mama página 48 Antibióticos mais utilizados para o tratamento da mastite. Fonte: tratado de ginecologia febrasgo 2019 MASTITE TUBERCULOSA A mastite tuberculosa é uma condição extremamente rara, porém que deve ser considerada quando tratamos de mulheres moradoras de zonas endêmicas. Mulheres com história pessoal ou familiar de tratamento para tuberculose que desenvolvem quadros de mastite crônica devem ser avaliadas quanto a esse possível diagnóstico. Doença Benigna da Mama GO 41 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da O quadro clínico típico consiste na formação de múltiplos abscessos com evolução lenta, podendo levar a formação de trajetos fistulosos periféricos. Para o diagnóstico dessa condição deve-se realizar prova tuberculínica e radiografia de tórax a fim de avaliar o foco primário pulmonar. O diagnóstico definitivo é obtido por meio de biópsia da lesão, com identificação de granulomas caseosos. A cultura da secreção também pode ser avaliada para a identificação do bacilo álcool resistente (BAAR), porém nem sempre a identificação é possível. O tratamento é realizado com tuberculostáticos (esquema RIPE) e deve sempre ser acompanhado por um infectologista. MASTITE GRANULOMATOSA IDIOPÁTICA A mastite granulomatosa idiopática é classificada como uma mastite crônica não infecciosa e é uma condição rara na qual há um processo inflamatório com alterações granulomatosas em torno dos lóbulos e ductos mamários, na ausência de qualquer agente infeccioso, trauma, corpo estranho ou sarcoidose. Sua fisiopatologia não é definida, mas acredita-se em uma origem autoimune. A apresentação clínica e duração pode variar, sendo uma condição extremamente heterogênea, dificultando a suspeita e atrasando muitas vezes o seu tratamento. Uma característica frequente é o acometimento lobular, o que permite a diferenciação com a sarcoidose, normalmente apresenta-se de forma difusa, com mínima formação de pus. A mastite granulomatosa idiopática é um diagnóstico de exclusão não apresentando achados específicos em exames de imagem. O tratamento deve ser avaliado em cada caso de acordo com a apresentação clínica. A corticoterapia pode ser utilizada em altas doses 60 mg/ dia ou Metotrexate, porém apresenta altas taxas de recidiva. Doença Benigna da Mama GO 42 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da FOCO NOS MÉTODOS DE IMAGEM Quando falamos da investigação de nódulos de mamas não podemos deixar de dar um foco a mais nos métodos de imagem utilizados nesse processo. As três principais modalidades são: ultrassonografia, mamografia e ressonância magnética, vamos entender os pontos principais de cada um a seguir. MAMOGRAFIA É o melhor método para o diagnóstico precoce do câncer de mama, com redução da mortalidade já comprovada em diversos estudos, sendo assim considerada um método de rastreamento populacional. São indicações: Mamografia diagnóstica: utilizada em pacientes sintomáticas e é o exame de escolha em pacientes acima de 40 anos Mamografia de rastreamento: realizada em mulheres assintomáticas a partir dos 40 anos com intervalos anuais, pela indicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (o MS indica mamografia de rastreio bienal a partir dos 50 anos). Mamografia de rastreamento para alto risco: deve ser realizada 10 anos antes da idade de diagnóstico do câncer de mama em parente de 1o grau, mas não antes dos 30 anos ou entre os 25 e 30 anos em pacientes com mutação dos genes BRCA1 e 2 conhecidas. Mulheres com história pessoal de radioterapia torácica ou axilar antes dos 30 anos devem realizar mamografia derastreamento a partir de 8 anos após tratamento. Doença Benigna da Mama GO • • • 43 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da É realizada em pelo menos duas incidências: crânio-caudal (CC) e oblíqua médio-lateral (OML), o que permite o entendimento tridimensional das estruturas glandulares e possibilitando a visualização de estruturas sobrepostas. Figura 19: posicionamento oblíquo médio lateral, possibilitando a visualização da papila — A, o músculo peitoral na linha retropapilar — B, e o sulco inframamário — C. Imagens retiradas do site https://drpixel.fcm.unicamp.br/conteudo/fundamentos-da-propedeutica- por-imagem-da-mama Figura 20: posicionamento crânio-caudal, possibilitando a visualização da papila (A) e de parte do músculo peitoral (B). Imagens retiradas do site https://drpixel.fcm.unicamp.br/ conteudo/fundamentos-da-propedeutica-por-imagem-da-mama Doença Benigna da Mama GO 44 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da https://drpixel.fcm.unicamp.br/conteudo/fundamentos-da-propedeutica-por-imagem-da-mama https://drpixel.fcm.unicamp.br/conteudo/fundamentos-da-propedeutica-por-imagem-da-mama https://drpixel.fcm.unicamp.br/conteudo/fundamentos-da-propedeutica-por-imagem-da-mama https://drpixel.fcm.unicamp.br/conteudo/fundamentos-da-propedeutica-por-imagem-da-mama A mamografia deve receber a classificação de BIRADS para detalhamento dos achados e definição de conduta. Para mulheres com implantes mamários a mamografia continua sendo o método preferencial de rastreamento, podendo ser utilizada uma incidência adicional, a manobra de Eklund, que desloca posteriormente o implante para uma melhor compressão do tecido glandular. Figura 21: Mamografia com implante mamário. Fonte: Shutterstock. Doença Benigna da Mama GO 45 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Doença Benigna da Mama GO 46 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da ULTRASSONOGRAFIA É o exame mais utilizado na investigação de lesões mamárias, porém não deve ser utilizado como forma de rastreamento. As principais limitações da ultrassonografia são: calcificações e distorções arquiteturais, as quais podem ser identificadas no exame mamográfico, mas que raramente apresentam correspondente ao ultrassom. São indicações da ultrassonografia mamária: Diagnóstico diferencial entre lesões sólidas e císticas Doença Benigna da Mama GO • 47 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Caracterização de lesão palpável Avaliação de achados mamográficos Avaliação de achados clínicos em pacientes jovens Avaliação dos implantes mamários Orientação para procedimentos percutâneos: PAAF, biópsia por agulha grossa Diferenciação dos nódulos sólidos malignos e benignos. Tabela 8. Achados ultrassonográficos de nódulos mamários sugestivos de malignidade e benignidade. Doença Benigna da Mama GO • • • • • • 48 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Figura 22: Ultrassonografia de lesão benigna (A) e maligna (B) da mama. Fonte: Wikimedia. Na primeira imagem podemos ver uma lesão tipicamente benigna, com maior diâmetro paralelo à pele, margens circunscritas e reforço acústico posterior. Na segunda imagem temos uma lesão com alta suspeita de malignidade, pois é verticalizada (não paralela à pele), possui margens obscurecidas e sombra acústica posterior. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA A RNM de mamas é um exame com alta sensibilidade (90 a 95%) para a detecção de câncer, porém pelo seu alto custo fica reservada para as seguintes condições com alto nível de evidência: Rastreamento de paciente com alto risco para câncer de mama com mutação genética conhecida ou risco de desenvolver câncer de mama durante a vida estimado em > 20 a 25% Investigação de carcinoma oculto (exame de escolha) Doença Benigna da Mama GO • • 49 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Avaliação de resposta ao tratamento neoadjuvante do câncer de mama Avaliação de implantes mamários. Avaliação da extensão da doença Algumas indicações com maior índice de controvérsia também podem ser encontradas nas provas, porém é sempre importante se atentar ao enunciado e identificar a referência que está sendo utilizada na questão. Doença Benigna da Mama GO • • • 50 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da CONCLUSÃO As doenças benignas da mama são muito prevalentes principalmente nas mulheres jovens , e levam as pacientes ao ginecologista com medo de ser câncer de mama . Saber as principais características dessas patologias assim como a melhor maneira de investigar pode fazer muita diferença na vida da paciente. Doença Benigna da Mama GO 51 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Bibliografia Doença Benigna da Mama GO REFERÊNCIAS FRASSON, Antônio et al . Doenças da Mama. Guia Prático Baseado em Evidências. 2 ed. Atheneu, 2017. HARRIS, Jay R. – Diseases of the Breast – fifth edition Lippincott Williams & Wilkins/Wolters Kluwer Health, 2014 e alterações. Tratado de Ginecologia, FEBRASGO, 1a edição, 2018. Atlas BIRADS do ACR, Sistema de Laudos e Registro de Dados de Imagem da mama, 5.ª edição. CBR, 2016 1. 1. 2. 1. 52 t.m e/ m ed ic in al iv re pr oi bi da v en da Curso de preparação anual para a fase teórica das provas de residência médica, incluindo as mais concorridas do estado de São Paulo, como USP, Unifesp e Unicamp. Conheça as opções: • Extensivo Base (1 ano): fundamentos teóricos para quem está no 5º ano da faculdade e vai iniciar a sua preparação • Extensivo São Paulo (1 ano): ideal para quem quer passar na residência em São Paulo. Oferece acesso ao Intensivo São Paulo, liberado a partir do segundo semestre • Extensivo Programado (2 anos): a opção mais completa e robusta para quem busca se preparar de forma contínua desde o quinto ano. 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