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ESCOLA DE CIÊNCIAS TEOLÓGICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRISTOLOGIA 
Estudos de Cristo 
 
Prof. Wesley Anselmo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESCOLA DE CIÊNCIAS TEOLÓGICAS 
 
 
 
Sumário 
1. Introdução. 
2. A Pessoa de Cristo. 
3. Os Ofícios de Cristo. 
4. A Expiação 
5. Os Estados de Cristo. 
 
 
 
 
 
MATERIAL PARA USO EXCLUSIVO NO CURSO DE BACHAREL EM 
TEOLOGIA MINISTERIAL NA ESCOLA DE CIÊNCIAS TEOLÓGICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESCOLA DE CIÊNCIAS TEOLÓGICAS 
 Cristo é o principal personagem do Cristianismo. Ele é ponto de partida 
espiritual e histórico desta religião. “O cristianismo é Jesus Cristo de modo 
inteiramente singular” (FERGUSON, 2009. pg. 230). Ser cristão é conhecer a 
Cristo e vive-lo em seu dia-a-dia. Os princípios que o Salvador deixou devem 
reger a vida do crente. 
 No decorrer da história do pensamento cristão foram muitas as ideias 
heréticas que tentaram perverter a doutrina acerca da pessoa e da obra de 
Cristo. Já nos primeiros séculos a igreja teve que lidar com os desafios 
impostos pelo gnosticismo, o docetismo, o arianismo, o modalismo e muitas 
outras heresias transvestidas de cristianismo. Como resposta às heresias as 
doutrinas cristãs foram sistematizadas e colocadas em linguagem clara e com 
rigor apologético. 
Nas próximas linhas, com base nas Sagradas Escrituras e observando 
estudos desenvolvidos por teólogos que trilham pelos caminhos da ortodoxia 
nos atreveremos a tentar argumentar que, Jesus, como afirma o credo de 
Calcedônia “foi plenamente Deus e plenamente homem e assim o será para 
sempre”. Também abordaremos a obra de Cristo, um assunto relevante que se 
desdobra nos temas da expiação, ressurreição, ascensão e o estudo dos três 
ofícios de Cristo. 
I. A PESSOA DE CRISTO 
1. A Humanidade de Cristo 
 Vejamos algumas evidências que atestam a plena humanidade de 
Jesus Cristo. 
a) Nasceu de uma Virgem. 
Vemos claramente nos evangelhos que Jesus foi nascido de mulher. 
Ele teve todas as etapas de uma gestação como tem um ser humano qualquer. 
O seu nascimento obedeceu às leis que regem a natureza. Mas o grande 
diferencial em sua concepção, é que Ele não foi o resultado de uma 
fecundação, pois se assim o fosse ele seria puramente humano. O que a 
Palavra de Deus nos mostra é que o Espírito Santo gerou o menino Jesus em 
Maria. “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua Mãe 
desposada com José, sem que tivessem antes coabitado achou-se grávida 
pelo Espírito Santo” (Mt 1.18). No versículo vinte do mesmo capítulo um anjo 
do Senhor fala a José: “José filho de Davi não temas receber Maria, tua 
mulher, por que o que nela foi gerado é do Espírito Santo”. Também em Lucas 
1 vemos Maria após saber que daria luz a um filho que seria chamado o Filho 
do Altíssimo (Lc 1. 32) curiosa para saber como se daria isso anjo lhe 
responde: “ O Espírito Santo virá sobre você e pode do Altíssimo a cobrirá com 
 
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a sua sombra. Assim aquele que a de nascer será chamado Santo, filho de 
Deus.” (Lc 1. 35). Essa seria a misteriosa concepção. 
b) Jesus Teve Um Corpo Material 
O fato de Jesus nascer de mulher prova que Cristo teve um corpo 
material em todos os aspectos exatamente igual ao dos demais seres 
humanos. Quanto a isso também vemos na Sagradas Escrituras que ele teve: 
um nascimento natural (Lc 2.7), seu crescimento (Lc 2.52). Ele se cansava ( Jo 
4.6). Sentia fome e sede (Jo 19.28; Mt 4.2) uma morte (Lc 23.46). 
O sofrimento e morte de Jesus são autenticas provas que ele era de 
fato humano pois depois de todo sofrimento na cruz “ Jesus bradou em alta 
voz: “Pai nas tuas mãos entrego meu espírito, tendo dito isto expirou”. Millard 
Erickson diz que “isso se evidencia em todo o episódio da crucificação, mas 
talvez de modo mais claro em João 19. 34, onde lemos que uma lança foi 
cravada em seu lado, fazendo jorrar água e sangue, indicando que já estava 
morto.” 
Mesmo depois de ressuscitado Jesus continuou tendo um corpo 
humano. Ele apareceu a seus discípulos depois da ressureição e suas 
cicatrizes em suas mãos podiam ser vistas e tocadas (Jo 20. 25-27). Na 
continuação o mesmo texto mostra que ele tinha carne, ossos e ainda comia 
(Lc 24.39, 41,42). 
É de suma importância destacarmos como João se refere a este 
assunto em sua epístola. Em sua primeira carta ele combate o gnosticismo que 
negava que Jesus tivesse sido verdadeiramente humano. Já no primeiro 
versículo ele afirma: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos 
com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a 
respeito do verbo da vida...”. O apóstolo esta deixando bem claro que Jesus foi 
um personagem histórico, ele existiu verdadeiramente. E as provas disso eram 
que João havia visto, ouvido e tocado, apalpado a Cristo. Ele sabia que o 
estava diante dele não era um fantasma, mas era ser com um corpo humano 
real. João esta aqui estabelecendo a realidade da natureza humana de Jesus. 
Ele de fato ouviu, viu e tocou Jesus. “Os gregos entendiam que o tato era mais 
básico e confiável dos sentidos, por ser uma percepção direta – nenhum 
intermediário intervém entre aquele que percebe e objeto percebido. Portanto 
João fala de tê-lo apalpado com as mãos, esta salientado que manifestação de 
Jesus era completamente física”. 
No capítulo quatro versículos dois e três diz: “Nisto reconheceis o 
Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é 
de Deus, mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. 
Para Russel Normam Champlin, 1995: Neste ponto o autor sagrado menciona 
 
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apenas uma questão crítica, o docetismo. O gnosticismo cria ser impossível a 
encarnação do Logos (uma emanação elevadíssima de Deus), e até mesmo 
um “aeon” (uma das emanações angelicais). Para eles a matéria era o princípio 
do mal, pelo que seria impossível uma emanação de Deus (um ser espiritual), 
dotado de qualquer gral de santidade, pudesse encarnar realmente. Notemos, 
entretanto, que segundo diz epístola Jesus Cristo veio em carne. O autor 
sagrado identifica Jesus como, O Cristo, como uma única pessoa, que se 
uniram mediante uma autêntica encarnação.” 
c) Teve Inteligência Humana 
Lucas 2.52 dia que “Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça 
diante de Deus e dos homens”. Esse texto mostra que Jesus não apenas se 
desenvolvia do ponto de vista biológico, mas também mental. Ele tinha uma 
mente humana, uma inteligência humana, por tanto apresentava os mesmos 
processos de aprendizagem de um criança comum. Aprendeu a comer, a ler, a 
escrever e “embora sendo Filho, aprendeu a obedecer por meio daquilo que 
sofreu” (Hb 5.8). 
d) Possuía Alma e Emoções Humanas 
A ideia grega é que um Deus verdadeiro não poderia sentir emoções, 
admitir um deus que se emociona, para os gregos, seria reduzi-lo ao potencial 
de existência humana algo impossível para o pensamento grego. No entanto a 
Bíblia revela Deus como um ser que sente emoções. Vemos nas Sagradas 
Escrituras que o Pai Eterno sente amor e compaixão e também sente ira 
quanto ao pecado dos homens. Contudo, vemos nos evangelhos que algumas 
reações de Jesus era inerentes a condição humana, ele sentia os mais 
profundos sentimentos de compaixão pelos homens (Mt 9.36; 15.32; 29.34), 
chegando até mesmo a chorar em diversos momentos de sua caminhada pela 
terra. Em João no capítulo onze vemos que Lázaro havia morrido e quando 
Jesus vê aquela triste cena a Bíblia diz que “Jesus chorou” (Jo 11.35). Em 
outros textos bíblicos vemos a emoção do Mestre aflorar em 12. 27 antes de 
sua crucificação, ele disse: “Agora esta angustiada a minha alma”. O lugar 
chamado Getsêmani é uma das grandes testemunhas da humanidade de 
Cristo. Jesus leva seus discípulos para aquele lugar afim de orar. Ele estava já 
sentindoa angustia dos momentos que viriam então Ele diz para Pedro e os 
dois filhos de Zebedeu: “A minha alma esta profundamente triste, numa dor 
mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo”. (Mt 26. 38). A angustia era tão grande 
em sua alma que por três vezes ele ora a Deus dizendo: “Meu Pai se possível 
afasta de mim este cálice” (Mt 26. 39, 42, 44). 
Podemos ainda citar uma série de versículos que mostram Jesus com 
emoções humanas. Jesus sentia admiração (Mt 8.10, Mc 6.6, Lc 7.9), sentia 
indignação (Mc 10.14), tristeza (Mc 3.5). 
 
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2. A Divindade de Cristo 
Afirmada a humanidade de Cristo agora afirmaremos sua divindade. 
Talvez para muitos seja mais simples aceitar a humanidade de Cristo, quando 
falo desses muitos estou falando dos céticos é claro. No Novo Testamento 
encontraremos muitos textos que deixam claro que Jesus além de ser 
plenamente homem era plenamente Deus. 
a) As Palavras “Deus” (theos) e “Senhor” (Kyrios) Atribuídas a 
Cristo 
Existem sete passagens no NT que atribuem a palavra Deus a Jesus 
Cristo. São elas: João 1.1-4; 1.8; 20.28; Rm 9.5; Tt 2.13; Hb 1.1,8; e 2 Pe 1.1. 
Quanto a palavra Kyrios essa palavra é geralmente usada na Bíblia 
com uma forma de tratamento a um superior. Porém, também é usada na 
Septuaginta como tradução da palavra hebraica yhwh, Javé. Isso ocorre 6 814 
vezes no Antigo Testamento grego, se referindo a Deus como governador do 
universo. Essa palavra se refere a Cristo por várias vezes no NT. Em Lucas 
2.11 quando o anjo aparece aos pastores de Belém anunciar o nascimento de 
jesus ele usou as seguintes palavras: “Hoje na cidade de Davi, lhes nasceu o 
Salvador, que é Cristo, o Senhor”. O anjo usou a Palavra Senhor no mesmo 
sentido que é usada no AT grego afirmando que Cristo é o próprio Deus, o 
Senhor do universo. Não para admitir o uso mais comum dessa palavra nesse 
texto uma vez que Jesus era apenas um menino, não lhes era um superior 
como um patrão por exemplo. Além desse texto muitos outros usam essa 
palavra no sentido do AT para Jesus, Lucas 1.43; Mt 3.3; Mt 22.44; 1 Co 8.6, 
12.3; Hb 1.10-12; Ap 19.16. O próprio Cristo a usa em Mateus 22.44 onde 
deixa bem claro que se identifica como tal. 
b) Demais Textos Bíblicos a Favor da Divindade de Cristo 
O Antigo Testamento contém algumas profecias quanto ao messias, 
tais passagens não falam de um messias humano, mas sim de um messias 
divino, um homem qualquer jamais poderia redimir os homens uma vez que a 
santidade de Deus exigia um sacrifício perfeito então o próprio Deus deveria 
encarnar afim de resgatar a humanidade. “Alguns demonstram certa inclinação 
para negar que o Antigo Testamento tenha predições de um Messias divino, 
mas essa negação é completamente insustentável em vista de passagens 
como: Sl 2.6-12 (Hb 1.5; 45.6,7 (Hb 1.8,9); 110.1 (Hb 1.13); Is 9.6; Jr 23.6; Dn 
7.13; Mq 5.2; Zc 13.7; Ml 3.1”. 
No NT há um conjunto expressivo de versículos que afirmam a 
divindade de Cristo, Mt 5.17; 9.6; Mc 8.38; Jo 1.1-3; 14,18; 2.24,25; 3.16-18; 
4.14-15; 5.18,20-22; 1 Jo 1.3; 2.23; 4.14; Rm 1.7; 1 Co 1.1-3; 2.8; 2 Co 5.10; Gl 
 
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2.20; 4.4; Fp 2.6; Cl 2.9; 1 Tm 3.16; Hb 1.1-3; 5,8; 4.14. Entre essas passagens 
é importante destacarmos Jo 1.1. Pois nesse texto João a palavra “verbo” 
(logos), na verdade trata-se da repetição da expressão “No Princípio” 
encontrada em Gn 1.1. O autor está falando que Cristo já existia antes que 
tudo existisse, que ele (Cristo) sempre foi plenamente Deus. 
c) A Expressão “Filho de Deus” 
No Antigo Testamento pelo menos três categorias de pessoas são 
chamadas de filho de Deus: 1. O povo de Israel é chamado de Filho de Deus, 
“Israel é meu filho primogênito” (Ex 4.22) e ainda textos como Is 1.2;11.1;Jr 
31.20; Is 45.11; Ml 1.6. 2. Para se referir ao rei, “Eu serei para ele um pai e ele 
será mim um filho (2 Sm7.14). 3 Também se usa este título e também a anjos. 
Mas nestes casos o título é usado simplesmente para descrever tanto o povo 
de Israel, como seus reis e os anjos, como gerados e eleitos por Deus. Agora a 
questão é se este título serve para atestar a divindade de Cristo. 
Ao que parece não ha textos no AT que explicitamente usem o termo 
“Filho de Deus” como que se referindo à divindade do messias. E uma vez que 
os judeus tinham sua expectativa em um reinado humano com grandes 
conquistas políticas que os libertasse das garras de seus inimigos e punisse 
toda forma de injustiça, possivelmente não havia a idéia de que o próprio Deus 
viria para resgatar seu povo. Acreditavam que o Deus Único enviaria o seu 
servo. 
Vale a pena citarmos Oscar Cullmanann falando deste assunto “... 
podemos dizer que para o Antigo Testamento e o judaísmo o que caracteriza o 
Filho de Deus não é primordialmente a posse de uma força excepcional, nem 
uma relação de substância com Deus em virtude de haver sido divinamente 
gerado; mas sim eleito para realizar uma missão divina particular, e obedecer 
estritamente ao chamado de Deus”. 
Mas já que esta expressão era usada no Antigo Testamento trazendo 
um sentido de eleição como se pode admitir “Filho de Deus” como uma prova 
da divindade de Cristo? Uma vez que a expressão não é utilizada com este fim 
no AT cabe agora verificarmos a mesma no NT. 
Que o Novo Testamento usa tal expressão falando de Jesus isso é fato 
e o próprio Cristo chama a si mesmo de Filho de Deus. Porém vale lembrarmos 
que no período do Novo Testamento muitos homens que operavam coisas 
extraordinárias como milagres se autodenominavam “filhos de Deus”, assim a 
ideia que se tinha da frase era a de um indivíduo dotado de poderes especiais 
não seria este o sentido da expressão quando as pessoas se referiam a 
Cristo? No entanto o uso que os evangelhos dão a expressão é totalmente 
diferente do uso helenístico. 
 
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Segundo Wayne Grudem, 1999: Ainda que o título “Filho de Deus” 
possa ser às vezes simplesmente empregado em referência a Israel (Mt 2.15), 
ou homem criado por Deus (Lc 2.38), ou ao homem regenerado (Rm 
8.14,19,23), há entretanto casos em que a frase “Filho de Deus” refere-se a 
Jesus como filho celestial eterno igual ao próprio Deus. 
Podemos então analisar esta afirmativa a luz das Escrituras tirando 
algumas conclusões: 
João diz que Jesus é o filho celestial eterno igual ao Pai, em João 1.14 
diz: “Aquele que é Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua 
glória, glória como a do Unigênito vindo do pai, cheio de graça e de verdade”. 
Então esse texto fala do Cristo como o filho especial vindo de Deus, como uma 
espécie de Filho celestial, o termo usado é monoguenous, que trata-se de 
junção das expressões mono – único, unigênito e guenous – raça, linhagem, ou 
até mesmo filho, a tradução mais apropriada é Filho Único. 
Então essa expressão nos passa a ideia como se Deus tivesse muitos 
filhos, mas este Filho Jesus é exatamente o seu Filho especial aquele que 
revela as perfeições do Pai por que é exatamente igual ao Pai, ele é eterno 
pois é preexistente pois “Ele estava com o Pai no principio com Deus. Todas as 
coisas foram feitas por intermédio dele, sem ele, nada do existe teria sido feito” 
(Jo 1.2,3), Ele é antes de todas coisas, e nele tudo subsiste” (Cl 1.17). 
Interessante é como esse termo aparece em Hebreus 1. 2 que diz que 
Deus “nestes últimos dias se revelou a nós por meio do Filho”. No versículo 3 
aparece ainda uma afirmação que para mim é umas das profundas quanto a 
este assunto, diz que “ele é o esplendor da glória de Deus e a expressão exata 
do seu ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder”. 
O Filho é perfeitamente igual ao Pai, esses textos se harmonizam com 
o que Cristo disse acerca de si mesmo: “Quem vê a mim vê o Pai” procurar, 
então a expressão Filho no contexto imediato de Hebreus não fala de Jesus 
apenas como um enviado por Deus, alguém eleito para cumpriruma missão, 
porém fala também de Cristo como sendo o próprio o Deus “Mas a respeito do 
Filho diz: “O teu trono ó Deus, subsiste para todo sempre.” (Hb 1.5). 
As afirmações que Cristo faz sobre si mesmo usando a expressão “filho 
de Deus” mostram que ele é o próprio Deus, Jesus usou esse título para 
descrever sua divindade. Isso fica claro na polêmica que surge entre Jesus e 
alguns judeus quando em Jerusalém nos dias da Festa da Dedicação, festa 
que se comemora até os dias de hoje em Israel, lhe fazem a seguinte pergunta 
“Até quando no deixara em suspense? Se é você o Cristo, diga-nos 
abertamente.”. E dentro das respostas de Jesus ele diz “Eu e o Pai somos um” 
(v 30). Logo os judeus pegaram pedras para apedrejar a Jesus dizendo: que 
 
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não iriam apedrejar Jesus pelas obras que fazia, mas por se apresentar como 
Deus”. Depois Jesus diz: “por que vocês me acusam de blasfêmia por que eu 
disse: Sou Filho de Deus” (v36). 
Jesus era consciente de sua divindade e usa o título para se 
apresentar como Deus aos Judeus, o que era uma grande blasfêmia para eles. 
É oportuno uma rápida análise do versículo 30. Trata-se de um texto pequenino 
apenas quatro palavras, mas muito profundo. Nele Jesus não esta falando que 
é apenas uma pessoa idêntica ao Pai, mas que possui a mesma essência que 
o Pai. Afirma que o Pai e o Filho possuem a mesma plenitude divina, que assim 
como o Pai é Deus, o Filho também o é. O termo grego “en” traz significado de 
“uma única coisa”, a ênfase não está apenas na identidade, mas 
principalmente na essência, ou seja, Pai e Filho possuem mesma essência. 
Então o que pode-se concluir é que o uso que o Novo Testamento faz 
dessa expressão é um atestado da divindade do messias. Além do mais, textos 
onde as pessoas o chamaram de Filho de Deus parecem dar indícios que na 
época de Jesus havia uma esperança em que viria um restaurador e esse 
restaurador seria o Filho Único de Deus, o messias divino, percebe-se 
claramente isso nas palavras de João ao usar a Palavra unigênito no capítulo 
primeiro a qual já explicamos aqui que significa Filho Único de Deus. Também 
quando João Batista encontra Jesus pela primeira vez diz as seguintes 
palavras: “Eu testifico que este é o Filho de Deus” e quando Natanael se 
encontra com Jesus faz a seguinte afirmação: “Tu és o Filho de Deus, tu és o 
Rei de Israel” Essa convicção de Natanael veio de saber que Cristo o havia 
visto antes mesmo de se conhecerem, então podemos dizer que o uso da 
expressão por Natanael esta associado a capacidade de Jesus conhecê-lo 
antes mesmo de se encontrarem, uma capacidade divina. De fato Jesus é o 
Filho de Deus ou o Deus Filho não no sentido adocionista, mas no sentido 
trinitário. 
c) Jesus Era Consciente da Sua Divindade 
O título Filho do homem é usado somente por Jesus se referindo a si 
mesmo, encontramos isso oitenta e quatro vezes nos evangelhos. Não dá para 
estudar essa expressão sem se voltar para Daniel 7. Nesse texto esta a visão 
de Daniel, “vi alguém semelhante a um filho do homem, vindo com as nuvens 
dos céus. Ele se aproximou do ancião e foi conduzido a sua presença. Ele 
recebeu autoridade, glória e o reino; todos os povos, nações e homens de 
todas as línguas o adoraram. Seu domínio é domínio eterno que não 
acabará...” (v. 13,14). 
Esse filho do homem que viu Daniel jamais poderia ser um ser 
humano, pois o profeta fala que ele veio “com as nuvens dos” isso fala de sua 
majestade e ainda o reinado desse filho do homem era eterno que não teria fim 
 
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de dias, não se tratava de reinado humano, pois os reinados humanos por mais 
gloriosos que seja são como palha queimada pelo fogo, logo se tornam cinzas 
na história e deixam de existir, então esse filho do homem é o próprio Deus. 
Em Mateus 26 Jesus foi acusado de blasfêmia por usar essas palavras com 
referencia a si mesmo, ele afirmou ser este Filho do Homem. Cristo sabia que 
era o próprio Deus que haveria de governar para sempre, teria um governo 
eterno. 
Outro momento em que Jesus escandalizou judeus de sua época esta 
relatado em João 10. Aquilo que Cristo disse foi tão forte que um grupo de 
judeus quis apedrejá-lo. Tudo começa quando os judeus perguntam a Jesus se 
ele era verdadeiramente o Messias. Jesus responde que as obras que o Pai 
fizera por meio dele eram o seu grande testemunho e ao final da resposta ele 
diz: “ Eu e o Pai somos um” (v. 30). Depois disse os judeus quiseram apedrejá-
lo pois os próprios disseram “ Não vamos apedrejá-lo com por nenhuma obra, 
mas pela blasfêmia, porque você é um simples homem e se apresenta como 
Deus. Jesus não disse tais palavras por acidente ele estava realente se 
apresentando como o próprio Deus. 
e) Jesus Usou Atributos da Divindade 
Existem diversos momentos nos evangelho em que Jesus só poderia 
esta usando seus atributos de “Ser Divino”. Quanto à onipotência vemos que: 
Jesus acalmou a tempestade (Mt 8.26-27), e multiplicou os pães (Jo2.1-11). 
Quanto a onisciência percebe-se claramente que Jesus sabia exatamente o 
que as pessoas pensavam e de situações de suas vidas como no caso da 
mulher samaritana (Jo 4. 1-26) e também de Natanael (Jo 1.48) procura outros. 
Alguns podem até mesmo dizer que tais sinais não servem para indicar 
a divindade de Cristo, dizem: ele era Deus, mas não usou seus atributos, uma 
vez que certos profetas no Antigo Testamento realizaram coisas semelhantes, 
como o profeta Elias que fez um machado flutuar subjugando as leis naturais e 
que sabia os segredos do Rei acabe sem que este os tivesse revelado a 
pessoa alguma, assim concluem que Jesus realizou todos os seus sinais 
apenas na dependência do Espírito Santo. 
Que Jesus era cheio do Espírito Santo isso é inquestionável, mas dizer 
que todos os milagres operados por Jesus foram apenas obra do Espírito é de 
certo modo é dizer que não ele era plenamente Deus, era apenas um homem 
capacitado pelo Espírito. Para provar que Jesus usou atributos divinos em seu 
ministério, quero lembrar de duas situações aqui. Primeiro “quando Jesus 
transforma a água em vinho, João nos diz: “Com este deu Jesus principio a 
seus sinais em Caná da Galileia, manifestou a sua glória, e os seus discípulos 
creram nele” (Jo 2.11). Então o que se manifestou não foi a glória do Espírito 
Santo, mas a glória do próprio Jesus, quando seu poder divino atuou para 
 
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transformar a água em vinho” (Grudem pag. 451). Segundo em Marcos 2 Jesus 
quando Jesus estava em Cafarnaum reunido com uma multidão em uma casa 
que não havia espaço nem perto da porta. Alguns homens lhe trouxeram um 
paralítico e tiveram que transportar o homem pela abertura do teto até chegar 
até o local em que Jesus estava. Vendo aquela atitude de fé Jesus disse ao 
paralítico: “Filho, os seus pecados estão perdoados”. Isso foi escândalo para os 
metres da lei ali presentes. Depois Jesus ainda diz aos mestres da lei: “Para 
que saibam que o Filho do homem tem autoridade para perdoar pecados – 
disse ao paralítico – “eu lhe digo: Levante-se pegue sua maca e vá para casa.” 
Essa autoridade usada por Jesus nunca foi e nem será usada por um homem, 
por mais dependente que este seja do Espírito Santo, pois tal autoridade é um 
atributo de soberania divina, só Deus tem o poder de perdoar pecados. 
Ele possuía até mesmo o atributo da imortalidade, pois tinha pode 
sobre a vida tanto que disse: “Dou a minha vida para reassumi-la. Ninguém a 
tira de mim; pelo contrário eu espontaneamente a dou.” (Jo10. 17). Numa 
perspectiva meramente humana Jesus morreu, no entanto em uma perspectiva 
divina ele entregou sua vida. Jesus não foi golpeado pela morte como se 
tivesse em uma batalha contra a ela, como o fazem todos os seres humanos, 
mas ele mesmo “entregou o espírito” (Mt 27. 50). Era imortal no sentido que 
tinha domínio sobre seu estado de estar vivo. 
Entãodiante dessas evidências bíblicas e de tantas outras encontradas 
no texto Sagrado podem dizer que Jesus usou sim seus atributos divinos. Nem 
mesmo a chamada “teoria da Kenosis” que se trata de uma interpretação do 
texto Filipenses 2.7 que afirma que Jesus se esvaziou de alguns de seus 
atributos o pode. A primeira coisa que deve nos levar a desconfiar dessa teoria 
é que ela se baseia em um único versículo da Bíblia. Há claro desrespeito a 
regra áurea da hermenêutica “a Bíblia interpreta a própria Bíblia”. Além disso, 
esse texto não afirma que Jesus se esvaziou de alguns de seus atributos, mas 
que ele se esvaziou de sua glória, ele deixou sua posição celestial para 
assumir uma posição inferior, ele humilhou-se. Então uma vez provado que 
Jesus possuía atributos divinos e os usou em seu ministério terreno pode-se 
afirmar que o uso dos mesmos provam que Cristo era e é perfeitamente Deus. 
f) A Impecabilidade De Cristo 
Apesar de Jesus apresentar fraquezas e limitações, pois tinha um 
corpo humano e uma inteligência humana como já foi falado anteriormente ele 
não teve fraquezas morais. Lendo os evangelho percebe-se que Jesus sempre 
apresentou virtudes mais excelentes e atitudes que expressavam a nobreza de 
seu caráter. Em um livro que não esconde as fraquezas de caráter de seus 
heróis, não encontrar se quer uma fraqueza em personagem significa que de 
fato ele não as teve. 
 
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 Também fica que Jesus teve uma vida sem pecados em afirmações 
que o Cristo fez de si mesmo chegando a dizer “Quem dentre vós me convence 
de pecado?” (Jo 8.46) e em outras partes do NT como em Hebreus 4.15 “pois 
não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossa 
fraquezas, mas sim alguém que, como nós passou por todo tipo de tentação, 
porém sem pecado.”, na primeira carta de Pedro “não cometeu pecado, nem 
dolo algum se achou em sua boca” (1 Pe 2.22). Ainda os textos At 2.27; 3.14; 
4.30; 7.52; 13.35; Hb 7.26; 1 Pe 1.19; 3.18; 1 Jo 3.5. 
A impecabilidade de Jesus é ensinada com frequência no Novo 
Testamento. Vemos indicações disso quando encheu-se de 
sabedoria e quando “a graça de Deus de Deus estava sobre ele”. 
Depois vemos que Satanás foi incapaz de obter sucesso ao enfrentar 
Jesus, não conseguindo após quarenta dias, convencê-lo a pecar ... 
Também não vemos nos sinópticos nenhum indicio de erros da parte 
de Jesus. Para os Judeus que se opunham a ele, Jesus perguntou: 
“Quem dentre vós me convence de pecado?”(Jo 8.46) e não recebeu 
resposta”. (GRUDEM, 1999, p. 440) 
Que seria inconcebível que Cristo cometesse pelo menos um pecado, 
pois ele não tinha uma natureza caída como os demais homens, ele era Deus e 
Deus jamais pecaria. Porém surge dentro dessa doutrina surge uma aparente 
contradição quanto às tentações que Cristo sofreu. Uma vez que era 
impossível que ele pecasse por que foi tentado? Isso não faz das tentações de 
Cristo coisas ilusórias uma que ele jamais viria a cair em pecado? Outra coisa, 
seria Jesus verdadeiro homem sem cometer pecado? 
Ao estudarmos o Novo Testamento de Deus vemos que as tentações 
de Jesus foram reais. Satanás não estava brincando de teatrinho ao tentar 
Jesus ele foi pra cima de Jesus com todas as suas forças e usando as 
estratégias mais terríveis. A maneira como Jesus resistiu a essas tentações 
nos deixa grande lições sobre como resistir às tentações que surgem em nossa 
caminhada se não fosse assim não seriam reais. 
As tentações de Cristo são parte integrante dos Seus sofrimentos. 
Essas tentações se acham na vereda do sofrimento, Mt 4.1-11 (e 
paralelas); Lc 22.28; Jo 12.27; Hb 4.15; 5.7,8. Seu primeiro público 
iniciou-se com um período de tentação, e mesmo após esse período 
as tentações se repetiam, a intervalos, culminando no trevoso 
Getsêmani. Só penetrando empaticamente nas provações dos 
homens em suas tentações, Jesus poderia ser o Sumo Sacerdote 
compassivo que foi e atinge as culminâncias da perfeição provada e 
triunfante, Hb 4.15; 5. 7-9. Não podemos pôr em dúvida a realidade 
das tentações de Jesus como o último Adão, por mais difícil que seja 
conceber que alguém que não podia pecar fosse tentado. Várias 
sugestões têm sido feitas para dirimir a dificuldade, como, por 
exemplo, que na natureza humana de Cristo, como na do primeiro 
Adão, havia a nuda possibilitas peccandi, a possibilidade puramente 
 
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abstrata de pecar (Kuyper); que a santidade de Jesus era santidade 
ética, que tinha que se desenvolver altamente por meio da tentação e 
em meio a esta manter-se (bavinck); e que as coisas com as quais 
Cristo foi tentado eram em si mesmas perfeitamente legítimas, e 
exerciam atração sobre instintos e apetites perfeitamente naturais. 
Contudo a mesma Bíblia que deixa claro que as tentações de Jesus 
eram reais nos afirma que Deus não pode ser tentado “Deus não pode ser 
tentado pelo mal” (Tg 1.13) e Jesus era plenamente Deus. 
O que podemos dizer é que mesmo que Jesus teve uma natureza 
humana e por causa dessa natureza ele sofreu dores, fome e sede, no entanto 
um ato pecaminoso acabaria fazendo sua natureza divina pecar e assim ele 
não seria o verdadeiro Deus. “Assim, se perguntamos se de fato era possível 
Jesus pecar, parece que precisamos concluir que isso não era possível. A 
união da natureza humana e divina em uma pessoa o impediria de pecar” 
(GRUDEM, 1999, p. 444). Então como homem Jesus foi tentado sim e resistiu 
as tentações como homem também, por sua natureza divina poderia ter 
facilmente vencido as tentações, mas ao vermos como se deram as tentações 
de Cristo vemos que ele resistiu como homem. Em síntese pode-se dizer que 
Jesus não usou sua natureza divina contra as tentações, sua decisão de não 
ouvir os apelos de satanás foram decisões humanas, mas como Deus ele 
jamais poderia pecar. Então quanto ao que o texto de Tiago diz que “Deus não 
pode ser tentado pelo mal” fica simples de responder como Deus Jesus não 
poderia jamais ser tentado pelo mal, contudo como homem ele o foi. 
III. OS OFÍCIOS DE CRISTO 
No Antigo Testamento havia pelo menos três tipos de indivíduos de 
grande influência para o povo de Israel. Eram o profeta, como Samuel, 
sacerdote, como Arão e o Rei, como Davi. É comum em teologia aplicar esses 
três ofícios para a pessoa de Cristo e isso se verifica na própria Bíblia que 
Jesus teria sim exercido tais ofícios. Como profeta, ele nos revela o Deus 
Eterno. Como sacerdote ele é nosso mediador e ofereceu de uma vez por 
todas sacrifício por nossos pecados, sendo que ele mesmo entregou-se como 
sacrifício. Como Rei ele é soberano sobre sua igreja e sobre o universo. 
a) Jesus Como Profeta 
No Antigo Testamento usa-se as palavras nabhi, ro eh e chozed. A 
palavra nabhi descreve aquele que vem com uma palavra de Deus para o 
povo. Já ro eh e chozed do profeta como aquele que recebe revelações de 
Deus, principalmente sob a forma de visão. Em suma profeta é aquele que fala 
em lugar de Deus, revela a vontade e o plano de Deus para os seu povo. 
 
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Quanto a aplicação do ofício profético a Cristo ou aceitabilidade de 
Cristo como profeta existe uma problemática levantada por Wayne Grudem: 
Quando examinamos os evangelhos vimos que Jesus não é visto 
fundamentalmente como um profeta ou como o profeta semelhante a 
Moisés, apesar de referências eventuais a isso. Geralmente aqueles 
que chamavam Jesus de “profeta” conheciam muito pouco sobre 
ele... “profeta” não uma designação básica de Jesus nem usada 
frequentemente por ele ou a respeito dele.” (Grudem, 2011, p 400). 
 O que se entende dessa afirmação é que não há nos Evangelhos e 
nem nas Epístolas no Novo Testamento uma teologia que apresente 
especificamente Jesus como o profeta, assim como vemos quanto ao oficio 
sacerdotal de Cristo por exemplo. Encontra-se 
 Então Jesus é ou não o profeta? Segundo o próprio autor “Jesusseria 
profeta pois Pedro o identifica como o profeta predito por Moisés (At 3.22-24; 
Dt 18.15). Então por que as epístolas, de maneira geral, não identificam Jesus 
como profeta? Simplesmente para não reduzi-lo ao mesmo patamar dos 
demais profetas. Por isso Hebreus inicialmente faz uma distinção entre Jesus e 
os demais profetas “ Havendo Deus, outrora, falado falado, muitas vezes e de 
muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou por 
meio do Filho” (Hb 1.1,2). 
“Mas não se pode negar que de fato Cristo é profeta pois ele chegou a 
falar de si mesmo como profeta ( Lc 13.33). Ele trouxe uma mensagem do Pai, 
Jo 8.26-28;12.49,50; 14. 10,24;15.15;17.8,20. Outra coisa que atesta que 
Jesus é profeta é o fato de ele ter predito coisas futuras (Mt 24. 3-35; Lc 19.41-
44. Então era por esses motivos que o povo o via como profeta.” Berkof 
Jesus é de fato um profeta isso esta claro nas Sagradas Escrituras, 
mas ao chama-lo profeta tem-se que ter o cuidado de não reduzi-lo ao patamar 
dos demais profetas da Bíblia. Ele é usou do ofício profético, mas não era 
como um profeta comum ou era apenas o maior dos profetas. Ele era Deus. 
Agora devemos aqui fazer outra pergunta. Esse ofício profético de Cristo trata-
se de um ofício eterno? Pode-se dizer que sim e não depende um tanto do 
sentido que se aplique a palavra do ponto de vista que Jesus revela o Deus 
eterno pode-se até se admitir que sim, pois mesmo na era futura ele continuará 
exercendo esse papel de revelar Deus aos homens. No entanto partindo do 
ponto de vista que na era futura não haverá a necessidade de profecias nem 
profetas podemos afirmar que não. O apóstolo Paulo chega afirmar que “as 
profecias desaparecerão” (1 Co 13. 8). Isso fala do encerramento do dom de 
profecia na era vindoura e também podemos dizer que até mesmo do ofício 
profético. 
b) Jesus Como Sacerdote 
 
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No Antigo Testamento usa-se a palavra Kohen sempre indicando 
alguém de posição destacada em privilégios e responsabilidade com 
autoridade sobre os outros, assim ministério sacerdotal era de fundamental 
importância para Israel. Estes homens eram escolhidos por Deus para oferecer 
sacrifícios, orações e louvores pelos pecados do povo. Era um intermediário ou 
representante entre Deus e o povo 
No NT “hiereus” que tinha o significado de pessoa sagrada ou uma 
pessoa dedicada a Deus é palavra grega para sacerdote. Então uma vez que 
Cristo ofereceu a si mesmo como sacrifico pelos pecados dos homens ele é 
nosso sumo sacerdote. Esse sacrifício foi feito de uma vez por todas, foi 
completo “ ... ao se cumprir os tempos, se manifestou uma vez por todas, para 
aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.” (Hb 9.26). “ Jesus preencheu 
todas as expectativas que prefigurou, não apenas nos sacrifícios do Antigo 
Testamento, mas também na vida e ação dos sacerdotes que os ofereciam: 
ele era tanto o sacrifico quanto o sacerdote que oferecia o sacrifício. Jesus ... 
compareceu na presença de Deus em nosso favor (Hb 9.24), visto que 
ofereceu um sacrifício de uma vez por todas pôs fim a necessidade de 
quaisquer outros sacrifícios”. 
Outra razão por que Cristo é sumo sacerdote é que Jesus é nos leva a 
presença de Deus. Assim como os sacerdotes do AT eram representantes 
entre o povo e Deus. Cristo é nosso representante, ele no apresenta diante de 
Deus é por isso que podemos ir livremente a Deus pois Cristo nos assegura 
acesso a presença de Deus. Ele é o mediador entre Deus e os homens como 
diz em... Em Lucas 23.45 nos que diz que “já era quase meio-dia, e trevas 
cobriram todas as terra até às três horas da tarde, o sol deixava de brilhar. E o 
véu do santuário rasgou-se de alto a baixo”. Esse fato da cortina do santo dos 
santos ter se rasgado de alto abaixo significa que o acesso a Deus estava livre 
e garantido pela obra sacrificial de Cristo na cruz. 
IV. A EXPIAÇÃO 
a) A Causa e Necessidade da Expiação 
Existem dois aspectos importantes quanto a causa da expiação: a 
justiça, santidade e o amor. A justiça por que não poderíamos ter nossos 
pecados impunes, todo pecados que cometemos são uma ofensa ao próprio 
Deus, são divida. Então essa divida foi imputada a Cristo, ele levou sobre si os 
nossos pecados e por isso podemos nos apresentar a Deus e “nenhuma 
condenação há para os que estão em Cristo” (Rm 8.1). A santidade de Deus 
também reivindicava uma expiação, pois nossos pecados são uma profanação 
a santidade de Deus, ofendemos a sua santidade quando pecamos contra ele. 
 
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Então para que os homens pudessem se apresentar a um Deus santo 
precisam também estar santidade e esta santidade veio através do sangue de 
Jesus. E a atitude de Deus em dar o seu filho como sacrifício pelos pecados 
dos homens foi uma grande demonstração de seu amor. João fala quanto a 
isso de maneira muito simples: “Por que Deus amou seu Filho ao mundo para 
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3.16). 
Por que era necessária a expiação? Sabemos que Deus não tinha 
necessidade de salvar alguém. A salvação é um ato de misericórdia e graça 
divina, misericórdia por não nos dar o que merecemos, a condenação eterna, e 
graça por nos oferecer o que não merecemos a redenção de nossos pecados. 
O tratamento de Deus para os anjos caídos foi totalmente diferente 
para com os homens. Pois quanto aos anjos Deus não usou de graça nem 
misericórdia, mas “não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os 
no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para o juízo” (2 Pe 
2.4). Então partindo desse ponto de vista a expiação não era necessária. Toda 
via ao olharmos para condição do homem e seu estado de pecaminosidade 
não vemos outra estratégia de redenção. Somente Deus enviando seu Filho 
para ser sacrificado pelos homens poderia salvar os creem. Luiz Berkof fala 
deste assunto usando a expressão natureza divina que poderia ser substituída 
por santidade divina sem nenhum problema. 
Pelo que se vê, é claro ensino da Escritura que Deus, em virtude da 
Sua retidão e santidade divina, não pode simplesmente passar por 
alto o desafio feito a Sua majestade infinita, mas necessariamente 
deve visitar com punição o pecado. Diz-nos repetidamente a Bíblia 
que de modo algum Ele absorverá o culpado, Ex 34.7; Nm 14.18; Na 
1.3. Ele odeia o pecado com ódio divino; todo o Seu Ser reage contra 
ele, Sl 5.4-6; na 1.2; Rm 1.18. Paulo argumenta, em Rm 3.25,26, que 
era necessário que Cristo fosse oferecido como sacrifício expiatório 
pelo pecado, a fim de que Deus pudesse ser justo ao justificar o 
pecador. O importante era que a justiça de Deus fosse mantida. Isto 
mostra claramente o fato de que a necessidade da expiação decorre 
da natureza divina. (Luiz Berkof pg. 364). 
b) A Natureza da Expiação 
A expiação é de natureza totalmente vicária e não pessoal. A expiação 
poderia ter sido pessoal se o eterno Deus não usa-se de misericórdia com 
homem, especialmente os que creem. Seria pessoal se o homem pagasse a 
ofensa cometida contra Deus através de sua própria condenação eterna. 
Sendo assim todos os homens estariam condenados pois a Bíblia diz que 
“Todos pecaram” (Rm 3.23). Porém como o Deus todo-amoroso providenciou 
 
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um substituto para pagar essa dívida trata-se de expiação vicária. Onde o Filho 
de Deus morreu no lugar dos pecadores, o justo pelos injustos. Como diz em 
Isaias 53. 5: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi 
esmagado por causa de nossa iniquidade; o castigo que nos traz a paz estava 
sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados”. 
Mas não seria uma injustiça imputar ao um inocente o castigo que seria 
para o culpado? Louis Berkof chama isso de relaxação penal e isso é possível 
se o legislador permitir, esse conceito corresponde ao que a Bíblia chama de 
remissão. Masquanto à relaxação penal existem algumas condições para que 
esta tenha valor efetivo, e tais condições também são obedecidas na remissão. 
As condições são as seguintes: 
(1) que a parte culpada não esteja em condições de suportar a 
penalidade até o fim, pelo que resulta numa relação justa; (2) que a 
transferência não invada os direitos e privilégios de terceiros 
inocentes, nem os leve a sofrer dificuldades e privações; (3) que a 
pessoa que se dispõe a sofrer a penalidade já não seja devedora à 
justiça, e não tenha que prestar serviços devidos ao governo; e (4) 
que a parte culpada mantenha a consciência da sua culpa e do fato 
de que o substituto estará sofrendo por ela. Em vista disso tudo, 
poder-se-á entender que a transferência do débito penal é quase, 
senão inteiramente, impossível entre os homens. (BERKOF, 2000, p. 
367) 
Essas condições foram cumpridas em Cristo. Quanto a primeira 
mesmo que parte culpada (os pecadores) suportassem o sofrimento que Jesus 
suportou na cruz tanto a dor moral como a física, mas tal sofrimento não traria 
os benefícios necessários, não pagaria a dívida do homem com Deus. Não 
traria justificação pois homem algum pode justificar-se a si mesmo. Então 
pode-se dizer que não havia condições do homem pagar essa dívida de um 
vez por todas e desfrutar da paz com Deus. A segunda é simples de ser 
entendida e podemos dizer que não há terceiros neste caso, a não ser que se 
coloque os anjos, mas em se tratando da humanidade não pois em Adão 
“todos pecaram” ( Rm 5.12). 
A terceira e quarta condições se aplicam mais a expiação. Pois como já 
vimos Cristo foi um homem totalmente sem pecados, ele foi moralmente 
perfeito e, portanto o único apto a cumprir a terceira condição. “Pois não temos 
um sumo sacerdote que não se compadeça de nossas fraquezas, mas sim 
alguém que como nós, em tudo foi tentado, porém, sem pecado.” (Hb 4.15). No 
que concerne aos que creem a quarta condição se aplica, pois estes tem total 
consciência que o Justo conquistou a justificação. Estes tem o seu 
entendimento ensinado pela Palavra que diz “Pois o salário do pecado é morte, 
mas o dom gratuito de Deus é vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 
6.23). Então esta relaxação penal de fato ocorre de maneira integral na 
 
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expiação de Cristo, onde todas as condições são cumpridas. Então não se trata 
de injustiça um justo pagar a dívida do injusto, principalmente no caso de Cristo 
morrendo pelos pecadores. 
Vale aqui ressaltarmos que doutrina da expiação vicária de Cristo é 
acima de tudo bíblica. Essa ideia de sacrifício vicário existe desde de o Antigo 
Testamento. Levítico 1.4 diz: “E porá a mão sobre a cabeça do animal do 
holocausto para que seja aceito como propiciação em seu lugar”. Esse texto é 
muito claro o animal de fato carregava as transgressões do pecador quando 
este lhe impunha as mãos na cabeça, o pecador estava livre da culpa. O 
significado da imposição das mãos sobre a cabeça do animal aparece de 
maneira mais clara em Levítico 16. 20-22 “quando Arão terminar de fazer 
propiciação pelo Lugar Santíssimo, pela Tenda do Encontro e pelo altar, trará 
para frente o bode vivo. Então colocará as duas mãos sobre a cabeça do bode 
vivo e confessará todas as iniquidades e rebeliões dos israelitas, todos os seus 
pecados, e os porá sobre a cabeça do bode. E seguida enviará o bode para o 
deserto aos cuidados de um homem designado para isso. O bode levará 
consigo todas as iniquidades deles para um lugar solitário. E o homem soltará 
o bode no deserto”. Ai o momento mais importante era a entrada no Santo do 
Santos com o sangue da oferta pelo pecado e o envio do bode vivo. Essas 
ações expiavam os pecados dos israelitas. Esses sacrifícios já apontavam para 
o sacrifício futuro, era um tipo que simbolizava Cristo sacrificando-se pelo seu 
povo. 
Isaias contém a maior profecia quanto à morte de Cristo esta no 
capítulo 53. Esse texto mostra o quão terrível seria a morte do redentor divino. 
E quais os efeitos que essa morte causaria em seu povo. É interessante que da 
setenta citações que o Novo Testamento faz do profeta Isaias pelo menos são 
deste capítulo. Se não vejamos a tabela abaixo retirada do Comentário 
Chaplim do Novo Testamento: 
Essência da Citação Isaias Novo Testamento 
A incredulidade 
daqueles que recebem a 
mensagem. 
53.1 João 12.38 
Romanos 10.16 
Sofrimento vicário 53.4 Mateus 8.17 
Sofrimento vicário traz 
perdão e restauração 
53.6,7 1 Pe 2.24,25 
As ovelhas rebeldes 
ganham o perdão e se 
restaurarão no 
sofrimento do messias 
53.7,8 Atos 8.32,33 
Apocalipse 5.6,12; 13.18 
O homem inocente, cuja 
linguagem era 
impecável, 
53.9 Mateus 27.57-60 
Marcos 15.2 
Lucas 22.37; 23.33 
 
ESCOLA DE CIÊNCIAS TEOLÓGICAS 
O sofrimento vicário do 
messias e sua 
intercessão pelos 
pecadores conquistaram 
uma herança para ele e 
para eles. 
53.12 Romanos 4.25 
Hebreus 9.28 
1 Pe 2.24 
 
Todo esse texto como vemos é uma predição do sacrifício vicário de 
Cristo. As citações no NT mostram como tal predição foi cumprida em Cristo. 
Isso fica claro nos seguintes versículos: Jo 1.29; 2 Co 5.21; Gl 3.13; Hb 9.28; 1 
Pe 2.24. 
Também não poderia deixar de falar de dois aspectos importantes com 
relação a natureza da expição trata-se da obediência de Cristo, dividida em 
duas partes: Obediência passiva e Obediancia Ativa. 
No que diz respito a primeira, a obediência ativa, trata-se da total 
obediência de Cristo ao Pai em satisfazer todos os requisitos da Lei, que fosse 
justo em todos os seus atos, afim de que sua justiça fosse atribuída ao 
pecador. 
“Ele tinha de obedecer a Lei ao longo de toda a sua vida por nós, de 
modo que os méritos de sua perfeita obediência fossem contados em nosso 
favor” (Grudem, 1999, p 473). “Porque, como, pela desobediência de um só 
homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos 
serão feitos justos” (Rm 5.19). 
Para Berkof (1990, p. 374), a obediencia ativa esta muito realcionada a 
condição de Cristo como mediador. Como mediador Cristo realmente mereceu 
a vida eterna para o pecador. Ele obedeceu a Lei em todos os seus aspectos 
como condição para redenção do pecador. 
Um simples ato, palavra ou pensamento que manchasseo caráter 
Jesus diante de Deus seria o suficiente para que sua obediência não fosse 
perfeita, só um sacrificio perfeito poderia expiar os pecados da humnidade. Só 
o justo poderia morrer pelos injustos. E isso esta em total acordo com as 
predições do Antigo Testamento quanto ao messias. Ou seja não bastava 
apenas que Cristo morresse, toda a sua vida teria que ser plena de justiça, 
para que ele fosse o justificador dos pecadores. Então pode-se dizer que a 
obediância ativa é justamente o mérito conquistado por Cristo através de sua 
perfeita obediência a Deus dado ao pecador, o mérioto é a justificação. 
Enquanto que na obediência ativa Jesus obedece ao Pai por toda a 
sua vida, na obediência passiva ele recebe o cálice amargo do sofrimento 
necessário para pagar a dívida do pecador com Deus e inocentá-lo. Acredito 
 
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que não houve homem algum no mundo que sofreu com tanta intensidade 
como Jesus sofreu. Não foi apenas o sofrer no corpo, que foi algo terrível como 
vimos nas Sagradas Escrituras, mas também o sofrimento na alma. A rejeição 
por parte de quem ele tanto amava, o abandono nas horas mais difeceis de sua 
vida até mesmo de seus discípulos, as ofensas graves aquele que não merecia 
nenhuma punição. 
O próprio Jesus expressou seus sentimentos algumas vezes. O texto 
de Matus 26.36-45 mostra o quanto Jesus estava imerso no oceano da dor. Ele 
diz aos seus discípulos “A minha alma esta profundamente triste até morte” (Mt 
26.38). Esse ao se ler os evangélhos não é difpicil de perceber que quanto 
mais Jesus chegava próximo da Cruz mais se intensificava seu sofrimento. Foi 
na cruzo maior dor que um ser humano poderia sentir. A crucificação era a pior 
das execuções. Uma morte sangrenta, demorada e miserável. Era conhecida 
dos gregos, romanos, egípcios, persas e babilônios. Alexandre, o Grande, 
executou dois mil cativos de Tiro dessa maneira. Os cidadãos romanos eram 
isentos desse suplício, considerado o modo de execução para escravos e 
pessoas que provocavam rebeliões ou se envolviam nesse tipo de revolta, por 
isso a cruz era colocada em local publico. Jesus enfrentou essa dor 
abominável. 
Antes de ser crucificado Jesus foi açoitado. Os romanos usavam um 
chicote especial que tinha pequenos pedaços de osso e metal amarrados a 
vários fios de couro. O número de açoites dados a Jesus não foi dito nos 
evangelhos ou não foi contado; no entanto, o número comum na lei judaica era 
39. Durante o açoite, a pele das costas era rasgada, expondo uma massa 
sangrenta de tecido e osso. Grande perda de sangue ocorria, geralmente 
causando a morte, ou pelo menos a falta de consciência. Além de ser açoitado, 
Jesus também sofria espancamento e tormento por parte dos soldados 
romanos, além disso teve sua cabeça perfurada por uma coroa de espinhos. 
Depois de carregar a cruz por um longo caminho. Jesus é pregado na 
cruz. Pregos de mais ou menos 14 centímetros perfuram seu pulsos que 
geralmente atingiam o nervo mediano, nervo responsável pelos movimentos da 
mãos e dos dedos, provocando choques por todo o braço. 
Um criminoso crucificado morria por sufocação. Quando os braços do 
criminoso eram estendidos e fixados por pregos na cruz, ele tinha de 
sustentar a maior parte do peso do corpo com os braços. A caixa 
torácica era forçada para cima e para fora, tornando difícil o ato de 
expirar a fim de inspirar o ar fresco. Mas quando a ânsia da vítima por 
oxigênio se tornava insuportável, ela tinha de pressionar a si mesma 
para cima com os pés, dando dessa forma um apoio mais natural 
para o peso do corpo, tirando dos braços parte do peso e permitindo 
que a caixa torácica se contraísse de modo mais normal. Ao foçar 
dessa forma o corpo para cima, o criminoso podia deter a sufocação, 
 
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mas isso era extremamente doloroso, pois exigia que colocasse o 
peso do corpo sobre os pregos que prendiam os pés e que flexiona-
se os cotovelos e pressionasse para cima sobre os pregos cravados 
nos pulsos. As costas do criminoso, rasgadas repetidas vezes por 
chicoteamento anterior a execução, era esfregada contra a cruz de 
madeira a cada respiração. (GRUDEM, 2010, p.475) 
Muito pior que sofrer dores terríveis por todo corpo foi sofrer a dor de 
carregar os pecados da humanidade inteira. Isaias 53.6 diz que “... o Senhor 
fez cair sobre ele a iniquidade de todos”. Ele carregava a culpa dos mais 
terríveis homicídios, das maiores injustiças, das coisas mais aberrantes que um 
ser humano possa fazer até a mais “simples”, todos os pecados da 
humanidade cometido por longos anos foram derramados sobre ele. Se 
carregar o pecado é difícil para o ser humano, se conviver com a injustiça 
social deixa muita gente angustiada, imagine aquele que o próprio Deus ter que 
levar toda bagagem suja da humanidade rebelde. Ali o Filho foi abandonado 
pelo seu próprio Pai pois se ouviu o seu grito angustia:” Deus meu, Deus meu 
por que me abandonaste” (Mt 27. 46). 
 Spurgeon falando sobre o sofrimento de Cristo na cruz fala o que é 
confirmado pelas Escrituras que tudo o que ouve ali era da vontade de Deus, o 
Pai quis, decidiu moer o Filho. 
Aquele que lê a Bíblia com os olhos da fé – desejando descobrir os 
seus segredos – vê algo mais na morte do Salvador do que a 
crueldade romana ou a malícia judaica. Ele vê o decreto solene de 
Deus cumprido pelos homens, que foram os ignorantes, mas 
instrumentos culpados de sua realização! Ele olha para a lança e a 
haste romanas, para os insultos e zombarias dos judeus, para a 
Fonte Sagrada, da qual todas as coisas fluem e traçam a crucificação 
de Cristo ao peito da Deidade! Ele concorda com Pedro – ―Este 
homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-
conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, 
o mataram, pregando-o na cruz. ‖ Não devemos imputar a Deus o 
pecado, mas ao mesmo tempo o fato, como todos os seus efeitos 
maravilhosos na redenção do mundo, de que nós devemos sempre 
traçar para a Fonte Sagrada do Amor Divino. Como faz o nosso 
Profeta. Ele disse, ― foi da vontade de Jeová esmagá-lo.‖ Ele 
despreza tanto Pilatos quanto Herodes, e traça para o Pai celestial, a 
primeira pessoa na Divina Trindade ― Foi da vontade do Senhor 
esmagá-lo e fazê-lo sofrer. (Spurgeon, 2011 p. 68) 
 Por que Deus fez isso com seu Filho? Por que tudo isso era da 
vontade de Deus? Por que lhe agradou moer seu Filho? Por que alguém 
deveria receber o cálice de sua ira e os homens não poderiam expiar sua 
própria culpa, somente o Filho de Deus poderia carregar a ira que seria para 
toda a humanidade. 
 
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Como Mediador, Cristo entrou também na relação penal com a lei, a 
fim de cumprir a pena em nosso lugar. Sua obediência passiva 
consistiu em Seu cumprimento da penalidade do pecado mediante os 
Seus sofrimentos e morte, cancelando assim o débito de todo o Seu 
povo. Os sofrimentos de Cristo, já descritos, não Lhe sobrevieram 
acidentalmente, nem como resultado de circunstancias puramente 
naturais. Foram lançados judicialmente sobre Ele como o nosso 
representante e, portanto, foram sofrimentos realmente penais. O 
valor redentor desses sofrimentos resulta dos seguintes fatos: Foram 
padecidos por uma pessoa divina que, somente em virtude as Sua 
divindade, podia sofrer a penalidade até o fim e, assim libertar-se 
dela. (BERKOF, 1990, pg. 374). 
c) Teorias Divergentes da Expiação 
A expiação busca de maneira específica livrar o homem da punição 
divina, trata-se de algo objetivo, ela não visa especialmente levar o homem a 
Deus isso caberia mais a reconciliação. 
1. Teoria do resgate pago a Satanás 
Muito defendida por pais da igreja primitiva, especialmente . Acreditavam que a 
expiação foi uma forma de Deus resgatar o homem das mãos de satanás. 
2. Teoria da Satisfação de Anselmo 
Essa teoria afirma que a expiação deriva da natureza de Deus. Uma 
vez que o pecado impede o homem de dar a honrar devida a Deus, Deus ficou 
privado da Sua honra então era necessário resolver esse problema a fim de 
que Deus recebe a sua honra. Dai a única maneira de se fazer isso seria 
através da morte de seu Filho, e uma vez que este Filho sofreu e morreu 
obteve reconpensa que foi a paga pelo pecados dos homens. 
No entanto essa teoria deve receber algumas críticas. Pois ela não se 
baseia na justiça de Deus, mas na honra. Essa teoria torna-se então vasia pois 
não há como se estabelecer uma teoria da expiação sem se voltar para a 
justiça de Deus. 
3. Teoria da Influência Moral 
A ideia principal aqui é que a natureza divina não busca reivindicar 
para si uma honra ou satisfação do pecador. E também afirma que a morte de 
Cristo não deve ser tida como expiação pelo pecado. A expiação deve ser 
entendida apenas como uma ato do amor de Deus pelos homens afim de 
conduzí-los ao arrependimento. 
4. Teoria do Exemplo 
 
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Teoria mais defendida pelos socinianos do século dezesseis não 
afirmava ligações diretas entre a morte de Cristo e o pecado do homem. Não 
uma ideia de expiação vicaria, Cristo sofreu apenas para nos deixar o exemplo 
de obediência absoluta a Deus para inspirar os homens a desenvolverem uma 
vida semelhante. 
5. Teoria Governamental 
É uma tentativa de equilibrar a teoria sociniana e a teoria dos 
reformadores. Para eles Deus não deveria exigir pagamento pelo pecado, mas 
como governador moral ele reivindicou o pagamento pela quebra de suas leis. 
Então o sofrimento de Cristo não foi para remir os homens,mas para mostrar 
que onde quer que as leis de Deus forem quebradas alguém terá que sofrer 
penalidade. 
6. Teoria Mística 
Defende que a expiação busca uma mudança no homem. Mas uma 
mudança subconciente onde Cristo foi o promotor dessa mudança quando 
encarnou a natureza humana depravada e a sanou, estirpou toda a depravação 
resultante do pecado pela influência do Espírito Santo. 
7. Teoria do Arrependimento Vicário 
Parte do ponto de vista que so um verdadeiro arrependimento poderia 
servir como expiação pelo pecado. Porém como o homem era incapaz de fazer 
o fazer, Cristo com sua morte satisfez as condições necessárias para esse 
arrependimento e confissão dando ao homem as condições cabíveis para tal. 
d) Propósito e Extensão da Expiação 
O Propósito 
O propósito da expiação justamente afeta a todos os envolvidos na 
mesma. Assim pode-se dizer que seus efeitos são triplices. Suas influencias 
incidem sobre Deus, sobre Cristo e sobre o pecador. Quanto a Deus sabemos 
que ele é imutável neste caso a expiação não exerce nenhuma mudança em 
seus caráter, ele continua sendo Santo, Justo, Onipotente, ou seja, não se 
desfaz de nenhum de seus atributos. Mas os efeitos afetam a relação de Deus 
com o pecador, não apenas sobre Deus como dizem alguns teólogos como 
Grudem que chega afirmar que “a influência da obra redentora não é sobre 
nós, mas sobre Deus Pai”. 
Conforme Berkof “A expiação assegurou a multiforme recompensa 
para Cristo como o Mediador. Ele foi constituído Espírito vivificante, fonte 
inexaurível de todas as bênçãos da salvação para os pecadores”. (Berkof, 
 
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1990, p. 383). Este mesmo teólogo fala dos efeitos da expiação sobre Cristo 
como aquilo que o Redentor recebeu como mediador do pecador: 1. Sua 
glorificação 
Para o homem pecador a expiação é fonte de salvação. Para os de 
tedência mais calvinista a expiação assegurou a salvação, para os arminianos 
ela ofereceu a salvação, como aguém oferece comida ao mendingo, como um 
presente dado cabendo aos homens recebê-la ou rejeitá-la. Além disso 
podemos citar aqui outros efetitos: A justificação, garantindo uma posição ao 
homem de justo diante de Deus, a adoção de filho, a herança eterna, a união 
com Cristo, comunhão com os santos etc. 
e) A Extenssão 
Essa é uma área de grande divergência principalmente entre 
arminianos e calvinistas. Um pergunta comum neste estudo é a salvação se 
estende a todos os homens ou apenas aos eleitos? Uma falta de equilíbrio 
nessa área pode levar a dois extremos: o do universalismo e o que se chama 
neste trabalho de reducionismo. Quanto ao primeiro sabe-se claramente pelas 
escrituras que nem todos os homens serão salvos, por mais que “a vontade de 
Deus é que todos sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da 
verdade”. Quanto ao reducionismo usa-se aqui este termo para dizer que 
afirmar uma expiação que se extende apenas aos que creem é reduzir o 
potencial da obra efetuada por Cristo na cruz do calvário. 
V. OS ESTADOS DE CRISTO 
Inicialmente é necessário uma definição de “estado”. Para Berkof: 
Estado é uma posição ou categoria ou “status” na vida, e 
particularmente a relação forense da pessoa com a lei, enquanto que 
condição é o modo de existência da pessoa, especialmente como 
determinado pelas circunstancias da vida. Quem é achado culpado 
num tribunal de justiça acha-se num estado de culpa ou condenação, 
e a isto geralmente se segue uma condição de encarceramento com 
toda a resultante provação e vergonha. Na teologia, os estados do 
Mediador são geralmente considerados como incluindo as condições 
resultantes (1990, p. 325). 
Nessa definição uma palavra importante para o entendimento dos 
“estados de Cristo” é “posição”. Podemos a partir da encarnação ver que Jesus 
se destituiu da sua posição (estado) que vivia nos Céus como Deus e tomou a 
forma de homem, este estado chamamos humilhação. A posição que Cristo 
ocupou depois de sua morte é chamada de estado de exaltação. 
 
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Vale destacar a definição de Wayne Grudem onde relaciona os estados 
não apenas com a posição ocupada, mas com as formas deferentes de 
relacionamento que Jesus tinha com a Lei. 
Ao comentar sobre a vida, a morte e ressureição de Cristo, os 
teólogos muitas vezes aludem aos “estados de Jesus Cristo”. Com 
isso eles se referem às diferentes relações que Jesus mantinha com 
a Lei de Deus para humanidade, com a posse de autoridade e com 
honra que lhe deve. De forma geral distinguem-se dois estados 
(humilhação e exaltação). Assim a doutrina do “estado duplo de 
Cristo” é o ensino de que ele experimentou primeiramente o estado 
de humilhação para depois passar ao estado de exaltação. 
(GRUDEM, 2011, pg. 519) 
A definição acima traz clarividência ao assunto. Passada a definição 
vejamos os dois estados assumidos por Cristo. O primeiro é o Estado é o de 
humilhação. 
Humilhação 
Um dos versículos que melhor descreve essa teoria é Filipenses 2.7,8, 
o qual já foi analisado anteriormente quando se falou da teoria quenótica. O 
texto diz: “mas esvaziou-se a si mesmo vindo em forma de servo, tornando-se 
semelhante aos homens. E sendo encontrado em forma humana, humilhou-se 
a si mesmo e foi obediente até morte e morte de cruz!”. Parafraseando este 
versículo estado de humilhação é a posição humana ocupada por Jesus, ou 
simplesmente dizer que Jesus se fez homem. Para melhor esclarecer a 
definição de humilhação cabe citarmos as palavras do teólogo Charles Hodge 
A humilhação de Cristo consistiu em ele nascer, e isso em condição humilde, 
feito sob a lei, sofrendo as misérias da vida, a ira de Deus e maldição da morte 
na cruz; em ser sepultado e continuar sob o poder da morte um certo tempo” 
(HODGE, 2001, p. 939). São bases para este assunto a encarnação, o 
sofrimento, a morte e o sepultamento de Cristo (GRUDEM, 2011, p.519). 
A Encarnação 
Quanto ao primeiro alguns teólogos chegaram afirmar que a 
encarnação, o fato de Cristo ter vindo em carne ou tomado a forma humana, 
não está relacionada à humilhação. 
Deus se revela na rocha, nos vegetais, nos animais, no homem. Não 
pode o processo continuar? Não pode aparecer na plenitude dos 
tempos um homem que revele Deus tão perfeitamente quanto é 
possível nas condições humanas – um homem que é Deus dentro 
das limitações da humanidade? Tal encarnação é humilhação apenas 
aos olhos humanos. Para Cristo, trata-se de exaltação, de Glória. 
(STRONG, 2003 apud Theological Definition, p. 79.) 
 
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 Observando mais detalhadamente esta afirmação vemos que se trata 
de ideia ilusória. Não há como desvincular a encarnação do estado de 
humilhação. Pois pode-se dizer que a encarnação é parte desse estado, uma 
vez que o estado de humilhação não existiria sem que Cristo estivesse 
encarnado. O fato do “Deus Filho” tomar a forma humana já consiste em 
humilhação, pois o estado humano se comparado a “ forma divina” é 
terrivelmente miserável, é humilhante. 
A encarnação do Filho de Deus, seu rebaixamento, ao tomar em 
união pessoal e perpetua uma natureza infinitamente inferior à sua, 
foi um ato de indizível condescendência, e portanto é 
apropriadamente incluído nos pontos particulares nos quais ele se 
humilhou voluntariamente. È assim descrito nas Escrituras, e que 
esse é o caso, está envolvido na própria natureza do ato, em 
qualquer hipótese distinta que presume a igualdade de Deus e do 
homem, ou que o homem é um modos existendim da Deidade, e que 
é o mais excelso. (HODGE, 2001, pg. 940) 
Além do fato de ter encarnado também as condições de vida em que 
Cristo veio falam de sua humilhação. Se Ele tivesse vindo como um grande Rei 
que libertasse o seu povo do Romanos e estabelece um reinado político 
superior a todos outros e todos os reis se rendessem a Ele e toda injustiça e 
sofrimento fossem subjugados por tal reino poder-se-ia falarem exaltação. Mas 
a Jesus escolheu assumir a forma de servo humilde. Nasceu numa manjedoura 
rodeado pela pobreza, foi tão pobre que não tinha onde reclinar a cabeça e, 
além disso, foi desprezado e rejeitado pelos homens, “veio par os que eram 
seus mais os seus não o receberam” (João 1.11). 
A sujeição a Lei não deve ser deixada de lado nesse assunto pois o 
Deus Filho foi completamente obediente e “Sendo Deus a fonte de toda a lei, 
não pode estar sujeito a ela, exceto por um estado de humilhação” (HODGE, 
2001, pg. 941). Mas a que lei Cristo se submeteu? A lei dada a Adão em que 
tinha que permanecer em completa obediência a Deus. Também a lei de 
Moisés dada ao povo de Israel. E ainda a lei moral três dois aspectos formam a 
lei obedecida por Cristo. 
Podemos entender melhor a obediência lei como humilhação fazendo 
uma relação com os reinados humanos. Em uma monarquia o Rei esta acima 
das leis, dele provém toda a lei, ele pode até mesmo muda-las ou extingui-las 
sem ter obrigatoriedade de consultar a ninguém. Então como Cristo é Deus, 
Rei sobre todos, não haveria obrigação de vir debaixo da lei. Foi um ato 
voluntário de humilhação, como qualquer outro ser humano ele estaria abaixo 
da lei. 
Vários versículos dão base a esta doutrina. Podemos citar aqui: 
 
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 “Mas quando chegou a plenitude do tempo Deus enviou seu Filho, 
nascido de mulher, nascido sob a lei. Afim de redimir os que estavam sob a Lei, 
para que recebêssemos a adoção de Filhos.” (Gálatas 4.4,5). 
“Por que eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a 
vontade de meu Pai que me enviou”. (João 6.38) 
“Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” 
(Hb 5.8). “A si mesmo se mesmo se humilhou, tornando-se obediente até 
morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). 
“Logo, assim como por meio da desobediência de um só homens 
muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de 
único homem muitos serão feitos justos” (Rm 5.19). 
Estes textos destacam essa humilhação voluntária de Cristo em ter 
nascido sob Lei, subjugado pela lei e obedecendo a vontade do Pai no plano 
redentor incluindo a sujeição completa a lei e conforme Romanos 5.19 essa 
obediência ou podemos dizer até mesmo esse estado de humilhação resulta 
em justificação para os que creem. 
O Sofrimento e Morte 
Ao lermos os evangelhos vemos que o Filho de Deus sofreu durante 
toda a sua vida. Já nascendo sob condições precárias e por fim tendo uma 
morte de cruz. 
Foi uma vida de servo, a do Senhor dos Exércitos, a vida do único ser 
humano sem pecado, na diária companhia de pecadores, e a vida do 
Santo num mundo amaldiçoado pelo pecado. O caminho da 
obediência foi para Ele, ao mesmo tempo, um caminho de sofrimento. 
Ele sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a 
incredulidade do Seu povo, e com a perseguição dos Seus inimigos. 
Visto que Ele pisou sozinho o lagar, a Sua solidão só tinha que ser 
deprimente e o Seu senso de responsabilidade, esmagador. Seu 
sofrimento foi um sofrimento consagrado, e cada vez mais atroz, 
conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na encarnação, 
chegou finalmente ao clímax na passio magna (grande paixão) no fim 
da Sua vida. Foi quando pesou sobre Ele toda a ira de Deus contra o 
pecado. (BERKOF, 1990, p. 331) 
Quanto ao sofrimento e morte do Filho de Deus tratado nesse trabalho 
em seus múltiplos aspetos. Então falar-se-á agora sobre o seu sepultamento. 
Sepultamento 
 
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Seria tão importante falar sobre o sepultamento? Seria essa parte da 
vida do Salvador significativa para os pecadores? Não são a sua morte e 
ressureição que tem influências no relacionamento entre Deus e o pecador? 
Em se falando do estado de humilhação não se pode deixar de lado o 
sepultamento de Jesus. Por mais que o mesmo em suas últimas palavras 
tenha dito “esta consumado”, realmente ele tinha enfrentado todo o sofrimento, 
mas o seu sepultamento esta intimamente relacionado, tanto que Berkof 
responde a perguntas feitas acima mostrando como o sepultamento se 
relaciona com a humilhação. 
(a) Voltar o homem ao pó, do qual fora tomado, é descrito na 
escritura como parte da punição do pecado, Gn 3.19; (b) Diversas 
declarações da escritura implicam que a permanência do Salvador na 
sepultura foi uma humilhação, Sl 16.10; At 2.27, 31; 13.34, 35. Foi 
uma descida ao hades, em si mesmo sombrio e lúgubre, lugar de 
corrupção, se bem que ele foi guardado da corrupção; (c) Ser 
sepultado é ir para baixo, e, portanto, uma humilhação. O 
sepultamento dos cadáveres foi ordenado por Deus para simbolizar a 
humilhação do pecador. (BERKOF, 1990, p. 334). 
Exaltação 
Basta uma caminhada pelos evangelhos e se entende que logo após a 
sua humilhação veio sua exaltação. A passagem tradicionalmente usada para 
afirmar essa doutrina é a de Filipenses 2.9-11: “pelo que também Deus o 
exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para 
que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da 
terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus 
pai”. Neste texto destancam-se duas palavras que merecem uma rápida 
análise. A primeira é “exaltou” essa palavra no grego é usada nesse texto para 
descrever um estágio na vida de Cristo. Ele é único e absoluto em poder. A 
palavra significa literalemente exalta muito. A outra palavra é o verbo “deu” 
essa palavrinha a luz do texto grego significa dar de graça, graciosamente, ou 
seja, depois de um vida de humilhação obedecendo a vontade do Pai, o Pai lhe 
confere a exaltação. Cristo se assenta destra de Deus e o nome sobre todo 
nome ao qual todo joelho se dobrará. Fazem parte deste estado de exaltação a 
ressureição, a ascensão, o assentar a destra de Deus, e o regresso físico de 
Cristo a terra. 
 
Bibliografia Consultada e Recomendada 
Introdução a Teologia Sistemática. Millard J. Ericson, Editora Vida 
1997. São Paulo 2003. 
 
ESCOLA DE CIÊNCIAS TEOLÓGICAS 
Os Atributos de Deus. A. W. Pink. 
Teologia Sistemática. Augustos Hopkins Strong. Editora Hagnos. São 
Paulo 2003. 
Teologia Sistemática Atual e Exautiva. Wayne Grudem. Editora Vida. 
1999. 
Teologia Sistemática, Uma Perspectiva Pentecostal. Antônio Gilberto. 
Editora CPAD. 
Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica. Aliester E. McGrath. Shedd 
Publicações. 2005. 
Teologia Sistemática. Louis Berkof. Editora Hagnos. 1990. 
Teologia Sitemática. Uma análise histórica, bíblica e apologética para o 
contexto atual. Frankilm Ferreira, Alan Myatt. Editora Vida. 2007. 
Teologia Sistemática. Charles Rodge. Editora Hagnos. 1990. 
Teologia Sistemática. Milard Erikson. Editora Vida Nova. 2015.

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