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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 2 
 
 
 
 
 UMA PALAVRA DO REITOR 
 
O homem não age diretamente sobre as coisas. Sempre 
há um intermediário, um instrumento entre ele e seus 
atos. Isto também acontece quando faz ciência, quando 
investiga cientificamente. Ora, não é possível fazer um 
trabalho científico, sem conhecer os instrumentos. 
E estes se constituem de uma série de termos e conceitos que devem ser 
claramente distinguidos, de conhecimentos a respeito das atividades cognoscivas 
que nem sempre entram na constituição da ciência, de processos metodológicos 
que devem ser seguidos, a fim de chegar a resultados de cunho científico e, 
finalmente, é preciso imbuir-se de espírito científico. 
Pr. Marcos Cavalcante 
 
 
BREVE CURRÍCULUM 
BACHAREL E LICENCIADO EM LETRAS - pela Universidade Guarulhos/SP 
PÓS-GRADUADO em Gestão Educacional – Universidade de Maringá/Pr 
PÓS-GRADUADO em Docência p/Ensino Superior – Universidade Nove de Julho/SP 
BACHARELANDO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS – Unimes/SP 
LICENCIANDO EM HISTÓRIA – Faculdade ACADEMUS/SP 
BACHAREL EM TEOLOGIA – Faculdade Ibetel 
Mestre em Ciências da Religião – Faculdade Ibetel 
MESTRE em Antigo Testamento – Faculdade Logos 
DOUTOR em Antigo Testamento – Faculdade Logos 
 O Pastor Marcos é Pastor há mais de 20 anos. Serve a Deus na Igreja 
Assembleia de Deus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 3 
 
 
 
 
 
 
 
Licença de Uso 
 
 
Todos os Direitos são reservados. É proibida 
a reprodução total ou parcial, por quaisquer 
meios ou sistemas, para distribuição, quer 
a título gratuito ou oneroso, sem a 
autorização prévia e por escrito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A violação dos direitos autorais 
está sujeita às penalidades 
Legais de ordem civil e 
Penal – Artigo 184 
Código Penal. 
 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÍNDICE 
 
UMA PALAVRA, PG 5 
AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO, PG 5 
O CARÁTER DE CRISTO, PG 17 
A OBRA DE CRISTO, PG 21 
HERESIAS SOBRE A PESSOA DE CRISTO, PG 34 
O CARÁTER MESSIÂNICO DE CRISTO, PG 42 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 5 
 
 
UMA PALAVRA 
 
Toda a discussão cristológica parte da resposta que se dá à pergunta do 
próprio Cristo: “Quem diz o povo ser o Filho do homem?” e da crença na 
declaração bíblica: “...e Verbo era Deus.” 
 Cristo foi para os seus contemporâneos o que poderíamos chamar um ser 
controverso. Dificilmente duas pessoas pensavam e diziam a respeito dele a 
mesma coisa. Muitos daqueles que o viam comendo, diziam: “Ele é um glutão” 
(Mt 11.19). E eram esses mesmos que, ao saberem que Ele se abstivera de 
comer, diziam: “Este tem demônios. “Muitos daqueles que testemunhavam a 
operação dos seus milagres, diziam: “Ele engana o povo”, ou “Ele opera sinais 
pelo poder dos demônios.” 
 Quanto ao seu ministério, aqueles que o viam citando a Lei, diziam: “Este é 
Moisés.” Aqueles que viam o seu zelo em despertar nos homens fé no verdadeiro 
Deus, diziam: “Este é Elias.” Aqueles que o viam chorando enquanto consolava os 
infelizes e abandonados, diziam: “Este é Jeremias.” Aqueles que o viam pregar o 
arrependimento como meio único do homem alcançar o perdão divino, diziam: 
“Este é João Batista.” Ninguém contudo, exceto os seus discípulos, conhecia a sua 
verdadeira identidade. 
 
I.AS DUAS NATUREZAS 
 
I.1. A HUMANIDADE DE CRISTO 
 
 
A PESSOA DE CRISTO 
 
 Como Jesus pode ser Plenamente Deus e plenamente homem, e ainda 
assim uma pessoa? Podemos resumir da seguinte maneira o ensino bíblico acerca 
da pessoa de Cristo: Jesus Cristo foi plenamente Deus e plenamente homem em 
uma só pessoa. 
 O material bíblico que sustenta essa definição é extenso. Discutiremos 
primeiro a humanidade de Cristo, depois sua divindade e, em seguida, 
tentaremos mostrar como a divindade e a humanidade de Jesus, unem-se na 
única pessoa de Cristo. 
O Nascimento Virginal – Quando falamos na humanidade de Cristo, 
convém iniciar com uma consideração do nascimento virginal de Cristo. As 
Escrituras afirmam claramente que Jesus foi concebido no ventre de sua mãe, 
Maria, por obra miraculosa do Espírito Santo e sem um pai humano. 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 6 
 
 “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, 
desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo 
Espírito Santo (Mt 1.18). Logo depois, um anjo do Senhor [Gabriel?] disse a José, 
que havia desposado Maria: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua 
mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20). Então, 
lemos que: “José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. 
Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o 
nome de Jesus” (Mt 1.24,25). 
 A importância doutrinária do nascimento virginal é vista em pelo menos 
três áreas: 
 
1.Mostra que a salvação em última análise deve vir do Senhor - 
Exatamente como Deus havia prometido que a “Semente” da mulher (Gn 3.15) 
acabaria por destruir a serpente, Deus torna isso em realidade pelo seu poder, 
não por meros esforços humanos. O nascimento virginal de Cristo é um lembrete 
inequívoco de que a salvação jamais pode vir por meio do esforço humano, mas 
deve ser obra do próprio DEUS. (Gl 4.4,5). 
2.O Nascimento virginal possibilitou a união da plena divindade e da 
plena humanidade em uma só pessoa - Esse foi o meio empregado por Deus 
para enviar seu Filho (Jo3.16; Gl 4.4) ao mundo como homem. Se pensarmos por 
um momento em outros meios possíveis, pelos quais Cristo poderia ter vindo ao 
mundo, nenhum deles uniria com tamanha clareza a humanidade e a divindade 
em uma pessoa. É provável que Deus pudesse criar Jesus no céu como um ser 
completamente humano e enviá-lo para que descesse do céu à terra sem o 
benefício de nenhum genitor humano. Mas nesse caso ser-nos-ia muito difícil 
ver como Jesus poderia ser plenamente humano como somos, e ele não faria 
parte da raça humana que descende fisicamente de Adão. Por outro lado, é 
provável que fosse bem possível para Deus fazer Jesus entrar no mundo por 
meio de genitores humanos, pai e mãe, e com sua plena natureza divina 
miraculosamente unida à sua natureza humana em algum momento no início 
de sua vida. Mas então ser-nos-ia difícil compreender como Jesus seria 
plenamente Deus, uma vez que sua origem seria como a nossa em todos os 
sentidos. Quando pensamos nessas duas outras possibilidades, isso nos ajuda a 
compreender como Deus, em sua sabedoria, ordenou uma combinação de 
influência humana e divina no nascimento de Cristo, de modo que sua plena 
humanidade nos seria evidente pelo seu nascimento humano comum por meio de 
uma mulher, e sua plena divindade seria evidente por sua concepção no ventre de 
Maria pela obra poderosa do Espírito Santo. 
3.O nascimento virginal também torna possível a verdadeira humanidade 
de Cristo sem a herança do pecado - Os seres humanos herdaram a culpa legal e 
01 
04 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 7 
 
uma natureza moral corrupta do primeiro ancestral, Adão (ao que às vezes dá-se 
o nome “pecado herdado” ou “pecado original”). Mas o fato de Jesus não ter tido 
um pai humano significa que a linha de descendência de Adão é parcialmente 
interrompida. 
 Jesus não descendeu de Adão da maneira exata pela qual todos os outros 
seres humanos descendem de Adão. E isso nos ajuda a compreender por que a 
culpa legal e a corrupção moral que pertencem a todos os outros seres humanos 
não pertencem a Cristo. 
 Essa ideia parece estar implícita na declaração do anjo Gabriel a Maria, em 
que ele lhe diz: O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá 
com a sua sombra. Assim, aquele quenascer será chamado santo, Filho de Deus 
(Lc 1.35 NVI). 
 Mas por que Jesus não herdou uma natureza pecaminosa de Maria? [A 
Igreja Católica Romana responde a essa pergunta dizendo que a própria Maria 
era isenta de pecado], porém as Escrituras não ensinam isso em parte alguma, e 
de qualquer maneira isso não resolveria o problema (pois como, então, Maria 
não herdou o pecado da mãe?). Solução melhor é dizer que a obra do Espírito 
Santo em Maria deve ter evitado não só a transmissão do {pecado?} de José (pois 
Jesus não teve pai humano), mas também, de maneira miraculosa, a transmissão 
do pecado de Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo *...+ por isso, também o 
ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). 
 
IMPORTANTE: 
 Tertuliano, um ministro da Igreja cristã primitiva, mostrou aos 
pagãos de seus dias que seus mitos serviam apenas de objeto do ridículo 
público, e que não havia termo de comparação entre suas fábulas 
revoltantes e os registros evangélicos do Nascimento Virginal de Cristo. 
Nossos oponentes replicam que Buda e Zoroastro, além de outros, 
segundo afirmavam seus seguidores, teriam nascido de virgens. A isso 
retruca o Dr. Orr: “Nenhum escritor pagão de nomeada, pelo menos 
durante duzentos ( 200 ) anos depois de Buda, afirmou que ele tivesse 
nascido de uma virgem. Todo estudante da história sabe que nunca se 
pôde encontrar coisa alguma, nas vidas desses antigos personagens, capaz 
de convencer qualquer pessoa de são juízo de que eles tivessem nascido 
sobrenaturalmente, e as pessoas inteligentes daqueles tempos não 
aceitaram tais contos como verdadeiros. Acresce, ainda, que as predições 
messiânicas, encontradas no Antigo Testamento e cumpridas na vida de 
Cristo, constituem evidência adicional. Nada semelhante pode ser dito a 
respeito de Buda, de Maomé ou de qualquer outro fundador de religião 
pagã. Os profetas, séculos antes de Cristo, predisseram o lugar de Seu 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 8 
 
nascimento, os Seus sofrimentos e Sua expiação do pecado. Portanto, o 
argumento baseado em mitos pagãos, apresentado para derrubar o 
nascimento miraculoso de Cristo, CAI POR TERRA. 
 
FRAQUEZAS E LIMITAÇÕES HUMANAS 
 
1.Jesus possuía um CORPO Humano – O fato de que Jesus possuía um 
corpo humano exatamente como o nosso é visto em muitas passagens das 
Escrituras. Ele nasceu assim como nascem todos os bebês humanos (Lc 2.7). Ele 
passou da infância para a maturidade assim como crescem todas as outras 
crianças (Lc 2.40). Ale, disso, Lucas diz que “crescia Jesus em sabedoria, estatura 
e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2.52). 
 Jesus ficava cansado exatamente como nós (Jo 4.6). Ele tinha sede 
(Jo19.28). Teve fome (Mt 4.2). Quando Jesus estava caminhando para a 
crucificação, os soldados forçaram Simão Cireneu a carregar sua cruz (Lc 23.26), 
mais provavelmente porque Jesus estava tão fraco depois dos açoites que havia 
recebido, que não tinha forças suficientes para carregá-la por si. O auge das 
limitações de Jesus quanto ao seu corpo humano quando ele morreu sobre a cruz 
(Lc 23.46). Seu corpo humano deixou de conter a vida e parou de funcionar, 
assim como acontece com o nosso quando morremos. 
 Jesus também ressuscitou dos mortos num corpo humano, físico, ainda 
que aperfeiçoado e já não sujeito à fraqueza, enfermidade ou morte. Ele 
demonstra várias vezes aos discípulos que possui de fato um corpo real (Lc 
24.39,42; Jo 20.17,20,27; 21.9,13). Todos esses versículos juntos mostram que, 
no que diz respeito ao corpo humano, Jesus era COMO NÓS em todos os 
aspectos antes da ressurreição, e após a ressurreição ainda era um corpo 
humano com “carne e ossos”, mas tornado perfeito, o tipo de corpo que teremos 
quando Cristo voltar e formos também ressuscitados. Jesus continua existindo 
nesse corpo humano no céu, conforme a ascensão tem o propósito de ensinar. 
2. Jesus possuía uma MENTE Humana – O fato de Jesus ter crescido em 
sabedoria (Lc 2.52), significa que ele passou por um processo de aprendizado 
assim como acontece com todas as outras crianças – ele aprendeu a comer, a 
falar, a ler e a escrever, e a ser obediente a seus pais (Hb 5.8). Esse processo 
normal de aprendizado fazia parte da genuína humanidade de Cristo. 
 Também vemos que Jesus possuía uma mente humana como a nossa 
quando ele fala do dia em que retornará à terra: “Mas a respeito daquele dia ou 
da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai” (Mc 
13.32). 
3. Jesus possuía Alma Humana e Emoções humanas – Vemos várias 
indicações de que Jesus possuía alma humana. Logo antes de sua crucificação 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 9 
 
(Jo12.27). Neste versículo a palavra angustiar representa o termo grego tarassõ, 
palavra muitas vezes empregada em referência a pessoas ansiosas ou que de 
repente são surpreendidas por um perigo. Além disso, antes da crucificação, 
percebendo o sofrimento que enfrentaria, Jesus disse: “A minha alma está 
profundamente triste até a morte” (Mt 26.38), tamanha aflição que sentia, a 
ponto de parecer que, caso se intensificasse um pouco mais, lhe roubaria a vida. 
Veja outros casos: 
 
Ele “admirou-se” (Mt 8.10) 
Ele “chorou” (Jo 11.35) 
Ele “suplicou com lágrimas” (Hb 5.7) 
Impecabilidade – Ainda que o Novo Testamento seja claro em afirmar que 
Jesus era plenamente humano exatamente como nós, também afirma que Jesus 
era diferente em um aspecto importante: Ele era isento de pecado e jamais 
cometeu um pecado durante sua vida. Alguns objetam que se Jesus não pecou, 
então não era verdadeiramente humano, pois todos os humanos pecam. Mas os 
que fazem tal objeção simplesmente não percebem que os seres humanos estão 
agora numa situação anormal. Deus não nos criou pecaminosos, mas santos e 
justos. 
 Adão e Eva no jardim eram verdadeiramente humanos antes de pecar, e 
nós agora, apesar de humanos, não nos conformamos ao padrão que Deus deseja 
que preenchamos quando nossa humanidade plena, impecável, for restaurada. 
 As declarações a respeito da impecabilidade de Jesus são mais explícitas no 
evangelho de João. Jesus fez a surpreendente proclamação: “Eu sou a luz do 
mundo” (Jo8.12). Se compreendermos que a luz representa tanto a fidedignidade 
como a pureza moral, então aqui Jesus está alegando ser a fonte da verdade e a 
fonte da pureza moral e da santidade no mundo - uma alegação estarrecedora 
que poderia ser feita só por alguém isento de pecado. Além disso, com respeito à 
obediência a seu Pai no céu, ele disse: “eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo8.29; 
o tempo presente dá o sentido de atividade contínua: “estou sempre fazendo o 
que lhe agrada”). Ao final da vida Jesus pôde dizer: “...eu tenho guardado os 
mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço” (Jo15.10). É significativo 
que quando Jesus foi julgado diante de Pilatos, apesar das acusações dos judeus, 
Pilatos só pôde concluir: “Eu não acho nele crime algum” (Jo 18.38). 
Por que era necessário que Jesus fosse plenamente humano? – Quando 
João escreveu sua primeira epístola, circulava na igreja um ensino herético, 
segundo o qual Jesus não era homem. Essa heresia tornou-se conhecida como 
DOCETISMO. Essa negação da verdade acerca de Cristo era tão séria que João 
podia dizer que tratava de uma doutrina do anticristo: “Nisto reconheceis o 
Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 10 
 
Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo 
contrário, este é o espírito do anticristo” (I Jo 4.2,3). O apóstolo João entendia 
que negar a verdadeira humanidade de Jesus era negar um fato bem central do 
cristianismo, de modo que ninguém que negasse que Jesus veio em carne era 
enviado por Deus. Quando examinamos o Novo Testamento, vemos vários 
motivos pelos quais Jesus tinha de ser plenamente humano para ser o Messias e 
obter nossa salvação. Podemos alistar aqui algumas razões: Para possibilitar uma obediência representativa – Conforme observamos 
nos ensinamentos acima sobre as alianças entre Deus e o homem, Jesus 
era nosso representante e obedeceu em nosso lugar naquilo que Adão 
falhou e desobedeceu. Vemos isso nos paralelos entre a tentação de nosso 
Senhor (Lc 4.1-13) e a ocasião da prova de Adão e Eva no Jardim (Gn 2.15-
3.7). Também reflete-se claramente na discussão de Paulo sobre os 
paralelos entre Adão e Cristo, na desobediência de Adão e na obediência 
de Cristo: Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os 
homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a 
graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, 
como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram 
pecadores, assim também, por meio da obediência de um só muitos se 
tornarão justos. (Rm 5.18-19). É esse o motivo pelo qual Paulo chama 
Cristo “o último Adão” (I Co 15.45) e pode chamar adão “o primeiro 
homem”, e Cristo, “o segundo homem” (I Co 15.47). Jesus tinha de ser 
homem para ser nosso representante e obedecer em nosso lugar. 
 Para ser um sacrifício substitutivo – Se Jesus não tivesse sido homem, não 
poderia ter morrido em nosso lugar e pago a penalidade que nos cabia (Hb 
2.16,16; cf v. 14). Ele tinha de se tornar homem, não um anjo, porque 
Deus estava interessado em salvar homens, não anjos. Mas para isso 
“convinha” que fosse como nós em todos os sentidos, de modo que 
pudesse ser a “propiciação” para nós, o sacrifício substitutivo aceitável em 
nosso lugar. É importante aqui perceber que a menos que Cristo fosse 
plenamente homem, ele não poderia ter morrido para pagar a pena dos 
pecados do homem. Ele não poderia ter sido um sacrifício substitutivo por 
nós. 
 Para ser o único mediador entre Deus e os homens – Porque estávamos 
alienados de Deus por causa do pecado, necessitávamos de alguém que se 
colocasse entre Deus e nós e nos levasse de volta a Ele. Precisávamos de 
um mediador que pudesse representar-nos diante de Deus e que pudesse 
representar Deus para nós. Só há uma pessoa que preencheu esse 
requisito: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os 
homens, Cristo Jesus, homem” (I Tm 2.5). 
10 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 11 
 
 Para cumprir o propósito original do homem de dominar a criação – Deus 
colocou o ser humano sobre a terra para subjugá-la e dominá-la como 
representante divino. Mas o homem não cumpriu esse propósito, pois caiu 
em pecado. Então, quando Jesus veio como homem, foi capaz de obedecer 
a Deus e, assim, teve o direito de dominar a criação como homem 
cumprindo o propósito original de Deus ao colocar o homem sobre a terra 
(Hb 2.9. Jesus (após ter ressuscitado) de fato recebeu “toda a autoridade 
no céu e na terra” (Mt 28.18), e Deus lhe “pôs todas as coisas debaixo dos 
pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja” (Ef 1.22). 
Aliás, um dia reinaremos com ele em seu trono (Ap 3.21) e 
experimentaremos , em sujeição a Cristo nosso Senhor, o cumprimento do 
propósito de Deus de reinarmos sobre a terra (Lc 19.17, 19; I Co 6.3). Jesus 
tinha de ser homem para cumprir o propósito original de Deus de que o 
homem dominasse sobre sua criação. 
 Para ser nosso exemplo e Padrão na vida – João nos diz: “...aquele que diz 
que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (I 
Jo2.6), e nos lembra que “quando ele se manifestar, seremos semelhantes 
a ele” e que essa esperança de futura conformidade com o caráter de 
Cristo confere mesmo agora pureza moral cada vez maior à nossa vida (I 
Jo3.2,3). Paulo nos diz que estamos continuamente sendo “transformados 
*...+ na sua própria imagem” (II Co 3.18), avançando, assim, para o alvo 
para o qual Deus nos salvou: sermos “conformes à imagem de seu Filho” 
(Rm 8.29) Pedro nos diz que, especialmente no sofrimento, temos de 
considerar o exemplo de Cristo: “pois que também Cristo sofreu em vosso 
lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (I Pe 2.21). Em 
Toda nossa vida cristã, devemos correr a carreira colocada diante de nós 
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da Fé, JESUS” (Hb 
12.2). 
 Para compadecer-se como Sumo Sacerdote – Se Jesus não tivesse existido 
na condição de homem, não teria sido capaz de conhecer por experiência o 
que sofremos em nossas tentações e lutas nesta vida. Mas porque viveu 
como homem, ele é capaz de compadecer-se mais plenamente de nós em 
nossas experiências (Hb 2.18; 4.15,16). 
4. O Auto-Esvaziamento de Cristo – “Tende em vós o mesmo sentimento 
que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não 
julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, 
assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, 
reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente 
até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.5-8). 
12 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 12 
 
 O auto-esvaziamento (kenosis) de Cristo, que foi um ato voluntário, 
consistiu na desistência do exercício independente dos atributos divinos. Para 
ilustrar: os seres finitos têm o poder, até certo grau, de restringir os limites da 
consciência. Por ato da vontade, podemos excluir muitas coisas de nossas 
mentes. Esforçamo-nos por esquecer algo, e até certo ponto somos bem 
sucedidos. Quando Mary Reed foi para a colônia de leprosos para viver e morrer, 
não pôs ela uma espécie de “kenosis” em sua consciência? Não renunciou ela 
voluntariamente muito do conhecimento dos prazeres do movimento mundo 
exterior? Não se pode dizer outro tanto de David Livingstone e Dan Crawford, 
que se dirigiram para a mais escura África a fim de trabalhar entre os africanos? 
São ilustrações inadequadas, mas nos fornecem alguma indicação das 
possibilidades de auto-renúncia por parte do Filho de Deus. 
 Como podia ser renunciado o exercício independente dos atributos divinos, 
ainda que por um breve período, seria inconcebível, se estivéssemos considerando 
o Logos ou Palavra de Deus conforme Ele é em Si mesmo, assentado sobre o trono 
do universo. A questão torna-se um tanto mais fácil quando nos relembramos que 
não foi o Logos como tal, mas antes, o Deus-homem, Jesus Cristo, em quem o 
Logos se submeteu a essa humilhação, possibilitando assim a auto-limitação. 
South diz: “Uma fonte pode estar quase transbordando de cheia; mas se 
extravasa apenas por um cano pequeno diâmetro, a corrente pode ser pequena e 
desprezível, igual à medida de seu condutor”. 
IMPORTANTE 
 Foi a união do humano com o divino que limitou o Logos. O sentido 
geral é que Ele se despiu daquele modo de existência que Lhe era peculiar 
como idêntico a Deus. Mas ele pôs de lado a forma de Deus. Contudo, ao 
fazê-lo, não se despiu de Sua natureza divina. A alteração foi uma mudança 
de estado: forma de servo em lugar de forma de Deus. Sua Personalidade 
continuou a mesma. Seu auto-esvaziamento não foi auto-extinção, nem o 
Ser Divino foi transformando em mero homem. 
 Em sua humanidade Ele reteve a consciência de ser Deus, e em Seu 
estado encarnado continuou a possuir a mente que O animava antes de 
Sua encarnação. Ele não era incapaz de asseverar igualdade, mas foi capaz 
de não asseverá-la. E assim, sem tentar evitar sua força, podemos aceitar a 
declaração inspirada de que Cristo verdadeiramente esvaziou a Si mesmo. 
 
CONCLUSÃO 
 A Divindade, no sentido distintivo, podia encarnar-se em forma humana 
porque a personalidade humana contém os elementos essenciais a toda a 
personalidade, que são: autoconsciência, inteligência, sentimento, natureza 
moral e vontade. A personalidade é o ponto em que a criação ascendente 
14 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 13 
 
retorna a Deus. O homem ostenta a imagem divina. O auto-esvaziamento de 
Cristo, na encarnação, foi a suspensão voluntária do pleno exercício dos atributos 
divinos, ainda que, potencialmente, todos os recursos divinos estivessempresentes. É-nos impossível entender completamente o processo pelo qual teve 
lugar esse auto-esvaziamento. 
 
I.2. A DIVINDADE DE CRISTO 
 
 A divindade de Cristo é comprovada pelos nomes divinos a ele aplicados, 
conforme consta da Bíblia Sagrada. 
1.chamado de Deus – Jesus é chamado “Deus” em vários trechos bíblicos. 
Na primeira lição deste livro, vimos como o termo [o Verbo] se refere sempre a 
Jesus. João 1.1 declara abertamente: “O Verbo era Deus”. Hebreus 1.8 lemos a 
declaração do Pai que diz acerca do Filho: “O teu trono, ó Deus, é para todo o 
sempre.” E, em João 20.28, Tomé afirma sua fé, dizendo a Jesus: “Senhor meu e 
Deus meu”. 
 Muitas vezes no Novo Testamento, Cristo é chamado “Senhor”, num uso 
específico da palavra grega Kurios, que é usada na primeira versão grega do 
Antigo Testamento somente com referência a [Jeová]. Tanto os judeus quanto os 
cristãos do Primeiro Século se recusaram a usar este título honorífico com 
referência aos imperadores romanos, os quais também se consideravam divinos 
e queriam ser chamados de “Senhor” (Kurios). 
2.Chamado “O Senhor” – Cristo é chamado “Senhor Jesus” vinte e uma ( 
21 ) vezes no texto do Novo Testamento. Em Atos 9.17, lemos as palavras de 
Ananias: “Saulo, irmão, O Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te 
apareceu no caminho por onde vinhas ...” E em Atos 16.31, Paulo e Silas 
proclamavam ao carcereiro: “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa”. 
 Jesus também, identifica-se como o Senhor soberano do Antigo 
Testamento quando pergunta aos fariseus acerca de Salmos 110.1: “Disse o 
Senhor (Deus) ao meu Senhor (Cristo); Assenta-te à minha direita, até que eu 
ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés” (Mt 22.44). O significado dessa 
frase é que “Deus, o Pai, disse à Deus (Cristo e Senhor de Davi): Assenta-te à 
minha direita...” Os fariseus sabem que ele está falando de si mesmo e se 
identificando como alguém digno do título vetero-testamentário Kyrios, 
“Senhor”. 
 Tal uso é visto com frequência nas epístolas, onde “o Senhor” é nome 
comumente empregado em referência a Cristo. Paulo diz: “... há um só Deus, o 
Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus 
Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele” (I Co 8.6; cf 12.3 e 
muitas outras passagens nas epístolas paulinas). 
16 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 14 
 
 Uma passagem especialmente CLARA encontra-se em Hebreus 1 (já 
comentado), em que o autor cita o salmo 102, que fala sobre a obra do Senhor 
na criação e aplica a Cristo. Veja: 
“No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus 
são obra das tuas mãos; eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, 
todos eles envelhecerão qual veste; também, qual manto, os 
enrolarás, e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és 
o mesmo, e os teus anos jamais terão fim” Hb 1.10-12). 
 
3.Chamado “O Filho de Deus” – Jesus Cristo é chamado repetidas vezes 
“Filho de Deus”. Quando ele perguntou aos seus discípulos, “Quem dizeis que eu 
sou?”, Pedro prontamente lhe respondeu [por inspiração divina+: “Tu és o Cristo, 
o Filho do Deus vivo”. (Mt 16.16) 
 Em Mateus 14.33, após presenciarem o milagre da calmaria no Mar da 
Galileia por Jesus, os discípulos adoraram-no dizendo: 
“Verdadeiramente és Filho de Deus”. 
 Em Mateus 8.29, até os demônios reconheceram a divindade de Jesus, 
gritando: “Que temos nós contigo, ó Filho de Deus?”. 
 Jesus se chamou claramente “Filho de Deus”. Ele declara em João 
10.30: “Eu e o Pai somos um”, e, ao ouvirem isto, os judeus pegaram em 
pedras para lhe atirarem por haver proferido aparente blasfêmia. No 
versículo 36 do mesmo capítulo, Jesus lhes perguntou: “Então daquele a 
quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: Tu blasfemas, porque 
declarei: Sou Filho de Deus?”. 
 
4.Declarações a respeito de [Jeová] no A.T. – Muitas declarações a 
respeito de [Jeová] no Antigo Testamento, são afirmadas e interpretadas no 
Novo Testamento, referindo-se profeticamente a Cristo. Compare as citações 
bíblicas: 
 
Is 40.3,4 ................ Lc 1.68,69,76 
Êx 3.14 ................ Jo 8.56-58 
Jr 17.10 ……………. Ap 2.23 
Is 60.19 ................. Lc 2.32 
Is 6.10 ……………. Jo 12.37-41 
Is 8.13,14 ……………. I Pe 2.7,8 
Is 8.12,13 ……………. I Pe 3.14,15 
Nm 21.6,7 …………….. I Co 10.9 
Sl 23.1 …………….. Jo 10.11; II Pe 5.4 
Ez 31.11,12 .................. Lc 19.10 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 15 
 
Dt 6.16 .................. Mt 4.10 
 
5.Cristo é Eterno – No versículo 13 do último capítulo do Apocalipse, estão 
registradas as seguintes palavras de Jesus: “Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e 
o último, o princípio e o fim”. “Alfa” e “Omega”, são o “A” e o “Z” do alfabeto 
grego. É evidente que quando Cristo se apresenta como a primeira e a última 
letra do alfabeto, estava dando uma das mais evidentes provas da sua 
eternidade. Com isto ele dizia que antes que qualquer coisa existisse, ele já 
existia, e que após o fim de todas as coisas ele continuará a existir. Isto fala da 
sua eternidade “passada” e “futura”. 
 A respeito de Cristo, eis o que diz Deus, O Pai: “...tu, porém, és o mesmo e 
os teus anos jamais terão fim”. (Hb 1.12) Ele (Jesus) afirma sua eternidade 
quando diz: “Antes que Abraão existisse, EU Sou” (Jo 8.58). 
6.Cristo é Todo-poderoso – Após cumprir finalmente a profecia de Oséias 
13.14, “...onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua 
destruição?...”, após ressuscitar bradou Jesus: Toda a autoridade me foi dada no 
céu e na terra”. (Mt 28.18). 
 Para entender-se que Cristo é onipotente, necessário se faz que se 
tenha certeza de que ele tem todo o poder no céu e na terra. 
 Como onipotente, Cristo é: Senhor dos senhores (Ap 17.14); Criador 
(Jo 1.3); Rei dos reis (Ap 1.5); Cabeça da Igreja (Ef 1.22); Preservador 
de tudo (Hb 1.3); e Salvador (Tt 3.4-6). 
7.Cristo é Onisciente – “Onisciência” é a capacidade de conhecer todos os 
fatos e pensamentos no tempo e no espaço, mesmo antes que eles tenham se 
consumado. Só as pessoas da Trindade têm esta capacidade. Muitos são os 
testemunhos dados pelas Escrituras, de que Cristo é onisciente. 
 Pedro disse: “Senhor, tu sabes todas as coisas...” (Jo 21.17); 
 Às sete ( 7 ) igrejas da Ásia, Jesus declara: “Conheço as tuas obras...” (Ap 
2.2,19; 3.1, 8, 15) 
 Veja outra declaração de Jesus: “É me dado todo o poder...” (Mt 28.18). 
8.Cristo é Onipresente – “Onipresença” é a capacidade de existir e estar 
simultaneamente em toda a parte. Esta capacidade é característica a Cristo como 
Deus que é. 
 Durante o seu ministério terreno, Cristo não podia bilocar-se, isto é, não 
podia estar em dois lugares ao mesmo tempo, isto dado às suas limitações 
humanas, mas, após levantar-se dentre os mortos, ele disse: “E eis que 
estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (Mt 28.20b); 
 O apóstolo Paulo, falando sobre a onipresença de Cristo, escreveu que 
Deus “...pôs todas as coisas debaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 16 
 
todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele 
que a tudo enche em toda as coisas.” (Ef 1.22, 23). 
9.Cristo é Perdoador de Pecados – O Perdão de pecados é prerrogativa 
divina. Até mesmo os fariseus notaram que Cristo, sem titubear, assumiu esse 
direito. Ele não só declarava perdoados os pecados; Ele mesmo os perdoava. Os 
judeus reconheciam nisso a presunção de Sua divindade, pois diziam: “Quem 
pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?”. 
 O perdoar pecados é prerrogativa exclusiva de Deus. Ao assumi-la, Jesus 
Cristo fez asserção prática de Sua Divindade. Veja, 
-“Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão 
perdoados... Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra 
autoridade para perdoarpecados – disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, 
toma o teu leito, e vai para tua casa”. (Mc 2.5,10,11), veja ainda Mc 2.5-11; 
comparar com Sl 51.4; Lc 7.48-50. 
10.Cristo é preservador de tudo – Este universo nem se sustenta sozinho 
nem foi abandonado por Deus, conforme os deístas nos querem fazer acreditar. 
Cristo preserva ou sustenta todas as coisas em existência. Sua Palavra é o fulcro 
sobre o qual se firma o eixo do universo e sobre o qual gira, ‘sustentando todas 
as coisas pela palavra do Seu poder’. A pulsação da vida universal é regulada e 
controlada pela pulsação do poderoso coração de Cristo. O que nós chamamos 
leis da natureza são as ações voluntárias do Filho de Deus. A preservação de 
todas as coisas é uma função divina atribuída a Cristo, o que comprova a sua 
Divindade. Veja, 
-“Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando 
todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos 
pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas”. (Hb 1.3), veja ainda Cl 
1.17. 
11.Ele é Juiz de vivos e mortos – No Novo Testamento, o julgamento 
futuro é atribuído a Deus. É também atribuído a Jesus Cristo. A conclusão lógica é 
que Cristo é o Deus que executará todo julgamento futuro. (Jo 5.22) 
 O homem da Cruz deverá ser o Homem do trono. Ele que é o atual 
Salvador do homem será seu futuro juiz. As questões do juízo estão todas em 
Suas mãos. A execução do julgamento, função divina, tendo sido atribuída a 
Cristo, fornece ampla prova de Sua Divindade. Veja, 
-“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus que há de julgar vivos e mortos, pela sua 
manifestação e pelo seu reino...” (II Tm 4.1), veja ainda At 17.31; Mt 25.31-33. 
12.Doador da vida imortal e da vida pela ressurreição – Muitos poderão 
perguntar se Elias e Eliseu não ressuscitaram aos mortos. Respondemos que Deus 
ressuscitou mortos em resposta à oração deles, mediante poder delegado; ao 
20 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 17 
 
passo que Jesus Cristo ressuscitou mortos e ainda os ressuscitará por Sua própria 
palavra e poder. Transmitir vida pertence exclusivamente a Deus. 
 Quando o rei da Síria enviou Naamã para que o rei Jeorão o curasse de sua 
lepra, este clamou: “Acaso sou Deus com poder de tirar a vida, ou dá-la, para que 
este envie a mim um homem para eu curá-lo de sua lepra?” Portanto, a 
capacidade de Jesus Cristo e Sua autoridade para levantar os mortos 
estabelecem firmemente Sua Divindade. Veja, 
-“O qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da 
sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas 
as coisas.” (Fp 3.21), veja ainda Jo 5.28, 29; 6.39, 44. 
13.Ele é Doador da Vida Eterna – Somente um Ser que possui 
inerentemente a vida eterna é que pode proporcioná-la, e somente Deus possui 
a vida eterna no sentido absoluto; por conseguinte, Jesus Cristo, para ser Doador 
da vida eterna, necessariamente há de se Deus. Ofícios e funções que pertencem 
distintamente a Deus, são atribuídas a ELE. Veja, 
-“Assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele 
conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.” (Jo 17.2), veja ainda Jo 10.28. 
 
II.O CARÁTER DE CRISTO 
 
 Jesus Cristo, em Seu caráter, tem recebido a aprovação e a recomendação 
de Deus, dos homens, dos anjos e até dos demônios. 
 O caráter de Jesus dá tremenda força às Suas crenças... Sua vida foi tudo 
quanto uma vida deve ser, quando julgada segundo os padrões mais 
elevados; 
 Ainda que algo do caráter de Cristo se tenha desdobrado em uma era e 
algo mais em outra, a própria eternidade, todavia, não é suficiente para 
desdobrá-lo inteiramente; 
 Seu caráter saiu aprovado dos assaltos maliciosos de dois mil ( 2000 ) anos, 
e hoje perante o mundo apresenta-se impecável em todos os sentidos... 
Ele foi uma revelação de grandiosa e vigorosa varonilidade. Seu nome é 
sinônimo de Deus sobre a terra. 
 
II.1. A SANTIDADE DE JESUS 
 
1.Ele era isento de pecado – No Antigo Testamento Deus [Jeová] é Quem é 
chamado o Santo. Ele é chamado o Santo de Israel cerca de trinta ( 30 ) vezes por 
Isaías. No Novo Testamento é Jesus Cristo Quem é chamado o Santo. Portanto, a 
Santidade de Cristo significa a mesma coisa que a Santidade de Deus; e, pelo lado 
22 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 18 
 
negativo, significa separação entre Ele e toda contaminação, ou seja, isenção de 
todo o pecado. 
-“Sabeis também que ele se manifestou para tirar os pecados, e nEle não existe 
pecado.” (I Jo 3.5), veja ainda Hb 9.14; IPÊ 1.19; IICo 5.21; Hb 4.15. 
 
2.Alguns testemunhos de sua Santidade – Vejamos agora alguns 
testemunhos registrados no Livro do Eterno: 
 O testemunho do espírito imundo “...Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: 
o Santo de Deus!” (Mc 1.24); 
 O testemunho de Judas Iscariotes “Então Judá, o que o traiu, vendo que 
Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta ( 30 ) moedas 
de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo 
sangue inocente.” (Mt 27.3,4); 
 O testemunho de Pilatos “Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade? Tendo 
dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum” (Jo 
18.38); 
 O testemunho da esposa de Pilatos “E, estando ele no tribunal, sua mulher 
mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, 
muito sofri por seu respeito” (Jo 19.4-6); 
 O testemunho do malfeitor moribundo “Nós na verdade com justiça, 
porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este 
nenhum mal fez” ( Lc 23.41); 
 O testemunho do centurião romano “Vendo o centurião o que tinha 
acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente este homem era 
justo” (Lc 23.47); 
 O testemunho do apóstolo Pedro “Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, 
e pedistes que vos concedessem um homicida” (At 3.14); 
 O testemunho do apóstolo João “Sabeis também que ele se manifestou 
para tirar os pecados, e nele não existe pecado” (I Jo 3.5); 
 O testemunho de todo o grupo apostólico “Porque verdadeiramente se 
ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Filho Jesus, ao qual ungiste, 
Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e povos de Israel” (At 4.27); 
 O testemunho do apóstolo Paulo “Àquele que não conheceu pecado, ele o 
fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (II Co 
5.21); 
 O testemunho do próprio Jesus “Quem dentre vós me convence de 
pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?” (Jo 8.46); 
 O testemunho do Pai “Mas, acerca do filho: O teu trono, ó Deus, é para 
todo o sempre e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino. Amaste a justiça 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 19 
 
e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de 
alegria como a nenhum dos teus companheiros” (Hb 1.8,9). 
3.A Mansidão de Jesus Cristo – Por “mansidão” nos referimos àquela 
atitude de espírito que é o contrário da aspereza, da disposição contenciosa, e 
que se evidencia na brandura e na ternura, no trato com as pessoas. (II Tm 
2.24,25). 
 O vocábulo “mansidão”, embora nunca fosse usado em mau sentido, foi, 
contudo elevado pelo cristianismo para um plano superior, tornando-se símbolo 
de um bem superior ao daquele considerado no seu uso pagão. Seu sentido 
principal é “brandura”, “delicadeza”. Era aplicado as coisas inanimadas, como a 
luz, o vento, o som e a enfermidade. É aplicado aos animais; assim, falamos em 
“cavalo manso”. 
 IMPORTANTE: 
 Como “atributo” humano, Aristóteles define-o como o meio termo 
entre a ira obstinada e aquele negativismo de caráter que é incapaz de ao 
menos indignar-se contra a injustiça. De conformidade com esta definição, 
seria equivalente à equanimidade. Platão o contrastava com a ferocidade 
ou a crueldade, e usava-o para indicar a humanidade para com os 
condenados; mas também empregava-o para indicar a conduta 
conciliatória dos demagogosque buscavam popularidade ou poder. 
Píndaro aplica-o ao rei que é brando ou bondoso para com os cidadãos, e 
Heródoto aplicava-o como contrário à ira. 
 No Cristianismo, porém, descreve uma qualidade interior, e essa 
relacionada primariamente com Deus. A equanimidade, a brandura e a 
bondade representa pela palavra clássica, baseiam-se no autocontrole ou 
na disposição natural. A mansidão cristã na humildade que não é uma 
qualidade natural, mas fruto da natureza renovada, exceto no caso de 
Cristo, onde é a expressão e a manifestação de Sua natureza santa. 
 
Observe: 
 Na longanimidade e tolerância para com os fracos e faltosos (Mt 12.20; Is 
42.3). Ele cuida dos mais pobres, dos mais fracos, dos mais dolorosamente 
esmagados, com sua mão bondosa. Ele encoraja ‘a mais fraca centelha de 
sentimento de arrependimento’, o mais débil desejo de retornar a Deus; 
 Na concessão do perdão e da paz a quem merecia censura e condenação 
(Lc 7.38,48,50). A magnetita não atrai nem ouro nem pérolas, mas atrai o 
ferro, que é considerado um metal inferior. Assim, Cristo deixou os anjos, 
aqueles nobres espíritos não-caídos – o ouro e a pérola – e veio ao pobre e 
pecaminoso homem, atraindo-o para Sua comunhão; 
26 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 20 
 
 No proporcionar cura a quem procurava obtê-la de modo “indigno” (Mc 
5.33,34). Jesus prestou atenção antes ao motivo que impelia a mulher, do 
que a seu método de ação. Eram motivos de fé e esperança, pelo que 
encontraram reação favorável no grande coração de Cristo; 
 No repreender mansamente a incredulidade renitente (Jo 20.24,25,29). A 
repreensão de Jesus não era daquela espécie que provoca o desespero 
desencorajador, mas antes, da espécie que encoraja motivos legítimos. Foi 
uma repreensão positiva e não negativa, construtiva e não destrutiva; 
 No corrigir de modo terno a autoconfiança, a infidelidade e a tríplice e 
flagrante negação a seu Senhor por parte de Pedro (Jo 21.15-17). No trato 
de Jesus com Pedro, vemos o Grande Pastor a restaurar Sua ovelha 
desviada. Sua disciplina sempre tinha o propósito de corrigir; 
 No repreender mansamente àquele que O traiu (Mt 26.48-50). Judas havia 
cometido talvez a maior ofensa que é possível em relação a um amigo – a 
da perfídia ou traição. Não obstante, Jesus exerceu para com ele uma 
tolerância verdadeiramente maravilhosa; 
 Na compassiva oração a favor de Seus assassinos (Lc 23.34). A mansidão de 
Jesus Cristo foi demonstrada pelo modo brando com que tratou os 
pecadores e errados. 
4.A Humildade de Jesus Cristo – Por humildade referimo-nos àquela 
atitude de mente e coração oposta ao orgulho, à arrogância e à autoconfiança, 
revelando-se na submissão a Deus e na dependência dEle. 
IMPORTANTE: 
 A palavra grega “tapeinos” traduzida por humilde, tem uma bela 
história. No período clássico era empregada comumente em sentido mau e 
degradante, indicando vileza de condição, baixeza de classe, abjeção 
bajuladora e torpeza de caráter. Não obstante, no grego clássico, não era 
esse seu sentido universal. Ocasionalmente era usada de modo a prever 
seu sentido superior, Platão, por exemplo, diz: “Seria feliz aquele que se 
apega àquela lei (de Deus), com toda humildade e ordem; porém, aquele 
que se exalta por causa de orgulho, dinheiro, honra ou beleza, cuja alma 
está abrasada de insensatez, de juventude e de insolência, e que pensa não 
precisar de guia ou governante, mas se sente capaz de ser o guia dos 
outros, o tal, repito, é abandonado por Deus”. E Aristóteles disse: “Aquele 
que é digno das pequenas coisas, e assim se considera, é sábio”. Quando 
muito, todavia, o conceito clássico não passa da moléstia, da ausência de 
presunção. A humildade era considerada elemento de sabedoria, e de 
modo algum oposta à justiça própria. A palavra, com o sentido da virtude 
de humildade cristã, nunca foi usada antes da era cristã, e é, 
distintamente, um subproduto do Evangelho. 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 21 
 
 
Observe: 
 Ao assumir a forma e posição de servo (Jo 13.4,5). Cristo nos mostra, por 
Seu exemplo, o caminho único para a autêntica grandeza. A maioria dos 
homens reconhece que ninguém pode ser verdadeiramente grande sem 
esse amor desinteressado e que, por maior que pareça um homem, o 
egoísmo sempre faz diminuir ou remover sua coroa e seu trono; 
 Por não buscar Sua própria glória (Jo 8.50). De tal modo absorto estava Ele 
pelo desejo de glorificar ao Pai que não ficava lugar disponível para 
qualquer disposição de honrar ou exaltar a Si mesmo; 
 Ao evitar a notoriedade e o louvor (Is 42.2). Muitos professores seguidores 
de Jesus Cristo cortejam a notoriedade, a fama. Mas Ele a evitava. Dava 
ordem terminante aos que por Ele eram beneficiados, que nada 
propagassem a Seu respeito. Não tinha escritório de publicidade; 
 Ao associar-se aos desprezados e rejeitados (Lc 15.1,2). Por que motivo 
Jesus escolheu um publicano para ser um dos doze? Talvez para dar uma 
lição objetiva de esperança para os mais desprezados entre os pecadores, 
para aqueles que eram prisioneiros das algemas mais fortes de pecado. 
Ninguém estava longe demais para que o Seu Evangelho o alcançasse e o 
salvasse; ninguém estava tão profundamente atolado no lodaçal do 
pecado que não pudesse ser erguido daqueles abismos até aos píncaros da 
glória; 
 Por Sua paciente submissão e silêncio em vista de injúrias, ultrajes e 
injustiça (I Pe 2.23). Jesus Cristo mostrou humildade ao procurar a glória de 
Deus e os melhores interesses dos homens, e não Sua própria glória ou 
interesse, e isso a custo de grande sacrifício, sofrimento e vergonha. 
 
III. A OBRA DE JESUS CRISTO 
 
Referimo-nos aqui à obra de Jesus Cristo em relação à nossa redenção, e 
não em relação a Seu ministério pessoal de ensino, pregação e cura. 
 
III.1. A MORTE DE CRISTO 
 
 Lembremo-nos de que a principal missão de Cristo, ao se tornar homem 
quando veio à terra, não era a de ensinar, nem realizar milagres. É verdade que 
ele fez ambas as coisas, mas Deus poderia haver ungido profetas (como no 
Antigo Testamento) para tais fins. A principal missão de Cristo foi de morrer 
pelos pecados do mundo, tarefa que nenhum profeta poderia cumprir. Eis o 
motivo da encarnação de Jesus Cristo: a restauração do homem à perfeita 
28 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 22 
 
comunhão com Deus Pai, através do perfeito sacrifício do seu Filho. Cristo 
mesmo declarou: “O próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para 
servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. (Mc 10.45); Veja ainda Hb 2.9. 
IMPORTANTE: 
 O cristianismo é, distintamente, uma religião de expiação. Dá à 
morte de Cristo o primeiro lugar em sua mensagem evangélica. Dessa 
forma, o cristianismo assume uma posição sem paralelo entre todas as 
religiões do mundo. É uma religião redentora. 
 Anos atrás, foi realizado um Parlamento de Religiões em Chicago, 
Estados Unidos do Norte, em conexão com a Feira Mundial ali realizada. 
Por ocasião do parlamento, as grandes crenças étnicas do mundo se 
fizeram representar. 
 Um a um seus líderes se levantaram e falaram a favor do budismo, 
do confucionismo, do hinduísmo e do maometismo. Então o Dr. Joseph 
Cook, de Boston, que havia sido escolhido para representar o cristianismo, 
levantou-se para falar. “Eis a mão de Lady Macbeth”, disse ele, “manchada 
pelo horrendo assassínio do rei Duncan. Vede-a a perambular pelos salões 
e corredores de seu palácio, fazendo alto para clamar: Sai, mancha 
maldita! Sai, repito! Jamais hão de ficar limpas estas mãos?’’ Voltando-se 
então para os que estavam assentados na tribuna, disse o orador: “Pode 
algum de vós, ansiosos como estais de propagar vossos sistemas religiosos, 
oferecer qualquer purificação eficaz para o pecado e a culpa do crime de 
Lady Macbeth?” Pesado silêncio mantiveram todos eles, e com razão, pois 
nenhuma das religiões que representavam, nem qualquer outra religião 
humana sobre a terra, pode oferecerpurificação eficaz para a culpa do 
pecado. Somente o sangue de Cristo, que pelo Espírito Eterno se ofereceu 
a Si mesmo sem mancha a Deus, pode purificar a consciência das obras 
mortas a fim de servirmos ao Deus vivo. 
 
1.O que Cristo proclamou da Cruz? – Muitas vezes, no decorrer do seu 
ministério, Jesus Cristo vaticinou sua própria morte, especialmente quando ele 
previu que a sua hora se aproximava. Seus discípulos, porém, pareciam não 
compreender, nem a realidade nem o significado da morte do seu Mestre. (Mc 
9.31,32). 
 Estando no Calvário, Jesus declarou o significado de sua morte, tanto para 
seus discípulos como para todos os ouvintes. 
a) O perdão 
 Em primeiro lugar, ele falou de perdão. Em Lucas 23.34 temos suas 
palavras: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem...” Por meio da sua morte, mesmo 
aqueles que zombavam dele, que cuspiam no seu rosto, e que lhe cravavam as 
30 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 23 
 
mãos e os pés, podiam obter o perdão ali mesmo, se arrependidos, nEle cressem 
como Senhor e Salvador. 
b) O Paraíso 
 Em segundo lugar, Jesus falando da cruz prometeu o Paraíso aos 
arrependidos. Enquanto um dos malfeitores crucificados com ele, zombava, 
outro, reconhecendo a inocência e a divindade de Cristo, lhe disse: “Jesus, 
lembra-te de mim quando vieres no teu reino”. (Lc 23.43) Ao que Cristo 
respondeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. (Lc 23.43) 
A obra expiatória na cruz do Calvário proporciona a única entrada para o céu, 
pois a Bíblia diz claramente que o pecado lá não pode entrar. 
c) Deus não pode suportar Pecado 
 Em terceiro lugar, ouvimos as palavras angustiadas, proferidas por Jesus 
após três horas de agonia na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me 
desamparaste?” (Mt 27.46). Jesus Cristo, ao tomar os nossos pecados e 
iniquidades, sofreu a maior das angústias pois sentia que o seu Pai lhe virara as 
costas por não admitir a presença do pecado em seu Filho. A mensagem fica bem 
clara: o pecado não tem parte com Deus. 
d) Vitória 
 Em quarto lugar, ouvimos II Jo 19.30, as triunfantes palavras do Salvador 
agonizante, “Está consumado”. Estas palavras foram pronunciadas como 
declaração de vitória sobre o pecado. Sua missão tinha se realizado 
completamente; tudo estava cumprido! A morte não conseguiria vencer ao 
Senhor Jesus, pois ele se submetera voluntariamente a ela como servo de Deus, 
dizendo em alta voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lc 23.46). 
Como ele já dissera aos seus discípulos (Jo 10.17,18), “... eu dou a minha vida 
para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a 
dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la...” 
2.A Cruz trouxe Expiação – “Expiar implica cobrir as culpas, mediante um 
sacrifício exigido. A palavra é empregada 77 vezes no VT, sendo usada pela 
primeira vez em Ex 29.33 quando Moisés recebeu as instruções de Deus acerca 
do sacrifício de animais, cujo sangue serviria como símbolo de expiação dos 
pecados, satisfazendo temporariamente as exigências da Lei de Deus até o 
momento do sacrifício perfeito que Cristo efetuaria na cruz do Calvário. 
a) Exemplos de Expiação 
 Antes mesmo do uso bíblico da palavra “expiação”, o conceito já aparece 
em Gn 3.21 onde temos o sacrifício de animais pelo próprio Deus, para vestir 
Adão e Eva com suas peles; vemos também o sacrifício agradável feito por Abel 
(Gn 4.4), e o sacrifício de animais limpos realizado por Noé após sair da arca com 
sua família, (Gn 8.20,21). 
b) Cristo é Nossa Expiação 
32 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 24 
 
Veja o que diz em Is 53.6,7; o versículo 10 do mesmo capítulo esclarece ainda: 
“Quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado”. Ainda no NT, João, o 
Batista o chama “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (Jo 1.29, 36) 
Estava se referindo à sua missão expiatória. 
-Veja estas referências: II Co 5.21; Ef 5.2; Isto nos diz que Cristo, o perfeito Filho 
de Deus, que nunca cometeu pecado, de acordo com a vontade do Pai tomou 
sobre si toda a nossa culpa para que nós (os pecadores) pudéssemos receber por 
intermédio de Cristo a justiça de Deus, como se essa fosse a nossa própria justiça. 
Este ato de reconciliação agradou em tudo ao Pai. 
3.A Cruz trouxe Redenção – “Redimir” quer dizer “comprar de volta”, 
“readquirir” uma pessoa ou coisa, mediante pagamento do preço exigido. Tal 
conceito de redenção, ou resgate com relação a escravos foi decretado pela Lei 
Mosaica: 
“... e vender-se ao estrangeiro... depois de haver-se vendido, haverá ainda 
resgate para ele: Um de seus irmãos poderá resgatá-lo.” (Lv 25.47, 48) 
 Toda a humanidade se encontra “vendida à escravidão do pecado” (Rm 
7.14) e precisa de um Redentor que possa resgatá-la. O preço elevado de tal 
redenção é a morte, como se lê em Ez 18.4, foi isso que para nos resgatar, Jesus 
morreu em nosso lugar. 
IMPORTANTE: 
 A quem é devido o preço da redenção? Evidentemente não é a 
Satanás. Ele simplesmente escraviza aqueles que escolhem uma vida de 
pecado. O preço do resgate é devido à santidade de Deus; a nossa dívida é 
com Deus mesmo. E foi Deus, não Satanás quem aceitou o “pagamento” 
mediante o sacrifício de Cristo. O resultado foi a derrota eterna de Satanás. 
a) Cristo, Nosso Redentor 
Jesus se declarou Redentor da humanidade quando disse que sua missão 
era a de “dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28). Veja ainda I Tm 2.6. 
 A palavra “redimir” ou “resgatar” é usada muitas vezes na Bíblia, sendo 
que muitos desses usos prefiguram a obra redentora de Cristo. 
4.A Cruz trouxe Reconciliação – “Reconciliar” significa harmonizar as 
relações interrompidas entre dois indivíduos, promovendo o mútuo 
entendimento através da remoção de barreiras e restaurando a comunicação 
entre ambos. O ato, ou o processo de reconciliação geralmente abrange três 
pessoas: 1)o ofensor; 2) o ofendido; 3) o mediador. 
 No caso espiritual, o ofensor é toda a humanidade. A bíblia afirma 
claramente, “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). O ofendido 
é o Deus Santo, que dado o estado pecaminoso de Adão e Eva os expulsou do 
Jardim do Éden. A natureza santa e justa de Deus não tolera a comunhão com 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 25 
 
pecadores impenitentes, cujo salário do pecado é a morte, a separação eterna de 
Deus (Rm 6.23), a menos que se arrependam e sigam a Cristo. 
a) Cristo, Nosso Reconciliador 
 Glória a Deus! Há reconciliação agora! O reconciliador é Jesus Cristo, que 
veio reconciliar com Deus não os justos, mas os pecadores! 
-Veja esses versículos, com cuidado (Rm 5.8-11). 
 Vemos, neste trecho, que antes de aceitarmos a Cristo como nosso 
Redentor, éramos chamados inimigos de Deus. Vemos também que o preço da 
nossa reconciliação com Deus foi a morte de nosso Senhor Jesus. Por ser Cristo o 
perfeito sacrifício, a morte não pôde retê-lo e ele ressuscitou dentre os mortos, 
para continuar sua obra de reconciliação em favor dos crentes (I Jo2.1; I Jo1.7-9). 
b) O Ministério da reconciliação 
 Não foi só a nossa própria reconciliação com Deus que a morte de Cristo 
nos proveu, mas também o ministério da reconciliação entre os homens. Um 
Cristão iracundo, dado a contendas, duro, intrigante e que não perdoa, é uma 
anomalia e um escândalo para o reino de Deus, uma vez que fomos chamados 
para ministrar a reconciliação da parte de Deus (II Co 5.18-21). 
5.A Cruz trouxe Propiciação – Lemos em Êx 25.17-22, do propiciatório 
construído por Moisés para cobrir a arca da Aliança. A posição do propiciatório, 
como cobertura da Arca ressalta o fato de, em Cristo a misericórdia de Deus 
sobrepor-se à maldição da Lei. 
 Cristo foi dado por Deus Pai como propiciação pelos pecados daqueles que 
tivessem fé no seu sangue derramado (Rm 3.24-26). 
-Meditemos na profundidade dessa revelação divina! 
a) Cristo, Nossa Justificação 
 Ser justificado concernente a salvação, significa ser declarado justo, livre 
de pecados cometidos.Nossas tentativas de esconder ou cobrir nossos próprios 
pecados resultam tão inúteis como as folhas da figueira com que Adão e Eva 
tentaram cobrir sua nudez. Vale a pena lembrarmos que o Senhor proporcionou a 
Adão e Eva vestes de peles com que se cobrirem depois que eles lhe confessaram 
seu pecado. Mais uma vez se nota o derramamento de sangue para satisfazer a 
santidade de Deus, violentada que fora pelo pecado. 
 Quem nos justifica é Cristo, se tivermos fé no seu sangue, Deus vê ao olhar 
para nós, não as leis violadas em nosso coração, mas a propiciação através do 
sangue de seu Filho (Ef 2.13). 
IMPORTANTE: 
 Quem é capaz de medir ou calcular a grande misericórdia de Deus? 
Ela nos proporcionou o único agente digno de servir como propiciação de 
nossos pecados – o sangue de Cristo. Ó maravilha do poder do sangue do 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 26 
 
Cordeiro! O sangue de Jesus tem poder de Justificar todo e qualquer 
pecador (I Jo 2.2). 
 
O FATO 
 
6.O Fato Central - O fato central de toda a história humana é a morte de 
Cristo. A cruz não apenas se eleva altaneira sobre as ruínas do tempo, mas se 
sobrepõe a tudo quanto interessa ao homem. Todos os séculos que antecederam 
à morte de Cristo no Calvário, ou inconscientemente ou com vaga esperança, 
aguardavam esse evento, e todos os séculos desde então só podem ser 
corretamente interpretados à luz da sua realização. 
 Assim sendo, seria inconcebível que alguma luz não fosse projetada com 
antecedência sobre esse grande propósito de Deus de enviar um Salvador que 
morresse pelos homens – luz, não somente para o encorajamento daqueles que, 
sem seu concurso, estariam tateando nas trevas, mas também para fornecer 
informações que possibilitassem a correta compreensão da Pessoa e da obra do 
Messias quando chegasse. 
 
III.2.A RESSURREIÇÃO DE CRISTO 
 
 Era necessária a ressurreição de Cristo para que se pudesse confiar nEle 
como Salvador. Um Deus moribundo e crucificado, um Salvador do mundo que 
não pudesse salvar a SI MESMO, teria rejeitado pelo consenso universal da razão 
como horrendo paradoxo e coisa absurda. 
 Se a ressurreição não tivesse seguido à crucificação, o desafio dos judeus 
teria permanecido como argumento irretorquível contra Ele: “Salvou os outros, a 
si mesmo não pode salvar-se; desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para 
que vejamos e creiamos”. Doutro modo, certamente aquilo que era o exemplo 
mais flagrante de fraqueza e mortalidade humana não poderia servir de 
demonstração competente de que Ele era Deus verdadeiro. 
 A salvação é efeito de poder e de um poder tal que prevalece até à vitória 
completa. Entretanto foi expressamente dito que Ele “foi crucificado em 
fraqueza”. A morte foi por demais penosa para a Sua humanidade, e por algum 
tempo arrebatou-lhe os despojos. Por isso mesmo, enquanto Cristo estava no 
sepulcro, seria tão razoável esperar que um homem enforcado com cadeias de 
ferro descesse da forca para chefiar um exército, quanto o seria imaginar que um 
cadáver, assim permanecendo, pudesse triunfar sobre o pecado e a morte que 
com tanto sucesso triunfam sobre os vivos. Ele – Jesus [ o Cristo ] RESSUSCITOU. 
1.A Ressurreição de Jesus é o firme alicerce do Cristianismo – Sua 
ressurreição é o firme alicerce da Igreja Cristã, sendo o elemento do qual se 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 27 
 
origina uma das principais diferenças da doutrina cristã, quando considerada 
ante outras religiões. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios sobre a 
importância da ressurreição, disse: “... se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e 
ainda permaneceis nos vossos pecados” (I CO 15.17). 
a) A importância da ressurreição 
 Os mensageiros da ressurreição de Cristo foram ministros dotados de 
grande poder. Um anjo do Senhor facilmente fez deslizar uma pedra maciça (Mt 
28.2,3). Foi um anjo o portador da extraordinária mensagem de vitória sobre a 
morte (Mt 28.5-7). A morte não é o fim da vida para aqueles que estão em Cristo 
(Mt 16.18; Jo6.37-40; 19.25,26). 
 Jesus ressuscitou! Aleluia! Atravessou a matéria física, deixando vazio o 
túmulo onde jazera. O anjo rolou a pedra que fechava a entrada do túmulo, para 
que todos vissem que este, agora, estava vazio. Glória a Deus! 
b) Os resultados da ressurreição 
 “Ele não está aqui, porque já ressuscitou!” (Mt 28.6). O que serve de 
derrota para uns, foi a mensagem de gloriosa vitória e poder para outros. A 
ressurreição de nosso Senhor trouxe aos crentes a garantia da vitória sobre a 
morte e o inferno, e a certeza da vida eterna (I Co 15.20-23; 53-55). 
 O pavor da morte dissolve-se, por assim dizer, e o crente em Cristo pode 
agora, enxergar para além das nuvens, até á glória dourada da vida eterna em 
seu Salvador. Assim, a certeza da nossa futura ressurreição em Jesus é sempre 
nova, baseada no que diz a Escritura: 
-“Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que 
dormem” (I Co 15.20). 
 Devemos, portanto, ter em mente este agora e, assim, proclamar a 
ressurreição de nosso Senhor como um fato sempre novo! A ressurreição de 
Cristo é, para sempre, a suprema e majestosa base do Evangelho e da nossa fé. 
2.Cristo ressuscitou ao terceiro dia – O Senhor Jesus havia ensinado aos 
seus discípulos que Ele ressuscitaria “ao terceiro dia” (Mt 16.21; Mc 9.31; Lc 
9.22). após permanecer três dia e três noites no seio da terra (Mt 12.40). Para 
que haja uma melhor compreensão do significado dos sofrimentos, morte e 
ressurreição de Jesus, voltemos nossas atenções para a semana da sua 
crucificação. 
a) Cronologia dos acontecimentos 
 Cronologicamente falando, Jesus terminou seu discurso escatológico numa 
terça-feira e, a partir daí, seguiu em direção à cruz, “como um cordeiro levado ao 
matadouro”, para que se cumprisse a Escritura (Is 53.7). Acompanhemos então 
os acontecimentos que se seguiram a esse dia: 
38 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 28 
 
 Domingo: Jesus é ungido em Betânia em casa de Marta, onde estavam seus 
irmãos, Maria e Lázaro (Jô 12.1-7). João diz que este acontecimento deu-se 
“seis dias antes da Páscoa”. Portanto, exatamente no domingo! 
 Segunda-feira: Entra em Jerusalém e chora sobre ela (Lc 19.37-41). 
Portanto, “no dia seguinte” (Jô 12.12); 
 Terça-feira: Faz a purificação do templo (Mc 11.11,12,15), e após censurar 
os escribas e fariseus (Mt 23) ele acrescenta: “Bem sabeis que daqui a dois 
dias é a Páscoa” Mt 26.2); 
 Quarta-feira: Os evangelistas não registram nenhuma atividade humana de 
Jesus nesse dia; 
 Quinta-feira: Come a Páscoa com seus discípulos à tarde, e à noite segue 
para o Jardim do Getsêmani (Mt 26.20). De acordo com esta cronologia, 
Jesus morreu na sexta-feira e, consequentemente, ressuscitou no 
domingo. O testemunho deixado pelos Pais da Igreja Primitiva, até o 
terceiro século, é unânime em afirmar que a crucificação teve lugar na 
sexta-feira. 
b) Parasceve ou Sexta-feira 
 Parasceve, significa “preparação para o sábado”. Na passagem de Marcos 
15.42, fica terminantemente esclarecido que Jesus morreu numa sexta-feira: “E, 
chegada a tarde, porquanto era o dia da “preparação”, isto é, a “véspera do 
sábado”. Isso o autor deste evangelho registrou a fim de certificar-se de que seus 
leitores, não judeus, entenderiam que ele apontava o dia da crucificação como o 
dia imediatamente anterior ao sábado, pois leitores gentios talvez entendessem 
a expressão “preparação” como designação para um dia particular da semana. 
 Nas fontes informativas judaicas também encontramos provas sobre o fato 
de que o Senhor Jesus foi morto no dia da “preparação” ou em nossa linguagem 
moderna – sexta-feira, o dia anterior ao sábado daquela semana da Páscoa. 
3.Três dias e três noites no Seio da Terra 
a) Expressões diversas com o mesmo sentido 
 “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da ‘baleia’, assim 
estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra” (Mt12.40). 
Muitas pessoas questionam a veracidade da afirmação de Jesus na passagem em 
foco. Então perguntam: “Como pôde Jesus permanecer no túmulo três dias e três 
noites se Ele foi crucificado na sexta-feira e levantado dos mortos no domingo 
pela manhã?”. 
 A expressão usa-se em outras conexões das Escrituras como sendo idêntica 
a “Depois de três dias” (Mt 27.63). Conforme o costume dos judeus e de outros 
povos da antiguidade, parte de um dia, no começo e no fim de um período, era 
contado, em casos especiais, como um dia completo (Et 4.16; 5.1). A expressão 
“três dias e três noites”, na passagem bíblica supramencionada, equivale a dizer 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 29 
 
“três dias”. Do mesmo modo, as expressões “Depois de três dias” e “ao terceiro 
dia” (Mc 8.31; 10.34; Jo 2.19), são frases que se usam uma pela outra para 
significar o período de tempo que Jesus passou no “seio da terra”, desde a tarde 
da sexta-feira à manhã do domingo. 
b) Diferentes métodos de contagem do tempo 
 Conforme nosso costume ocidental, muitas vezes, usamos o mesmo 
método de contagem do tempo. Por exemplo, muitos casais esperam que seus 
filhos nasçam antes de meia-noite de 31 de dezembro. Se nascido às “23:59 
horas” a criança será tratada, para efeito de imposto de renda, como tendo 
nascido a 365 dias e 365 noites daquela data. Isto é verdade mesmo que 99,9% 
do ano já se tenham passado! 
 De acordo com o ponto de vista dos maiores eruditos no assunto em 
pauta, no período da Criação o primeiro dia começou com a escuridão, e daí em 
diante, sucessivamente, cada período de 24 horas foi indicado como “a tarde e 
manhã” (Gn 1.5). Ao considerarmos o período de tempo desde o sepultamento 
até a ressurreição de Cristo, concluiremos que todos estes argumentos devem 
estar presentes. 
c) O cômputo abrangente 
 No cômputo abrangente do tempo, as noites são retrospectivas, isto é, 
apontam para trás, porém os dias são prospectivos, apontam para a frente. Isso 
se dá, devido ao sistema judaico de calcular o espaço de tempo entre as 18h do 
dia anterior e as 18h do dia posterior. Conforme este sistema, o dia judaico 
começa às 18h, ou seja, um período de tempo que irá terminar no dia seguinte às 
mesmas horas. Assim a noite da sexta-feira é retroativa: vai das seis horas da 
manhã desse dia até às 18h do dia anterior, isto é, da quinta-feira quando teve 
início a noite de sexta. Do mesmo modo, a noite do sábado também é retroativa: 
vai das 6h da manhã do sábado até às 18h da sexta-feira, quando teve início a 
noite de sábado, e assim sucessivamente. Dessa maneira, não há dificuldade 
alguma em compreendermos que qualquer período de tempo no domingo, 
depois das 6h é contado como um todo daquele dia, segundo este cômputo. 
 
III.3.AS APARIÇÕES DO CRISTO RESSURRETO 
 
“Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as 
primícias dos que dormem” (I Co 15.20) 
 
 A passagem de Atos 1.3 afirma que Jesus “depois de ter padecido, se 
apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas”. Essas provas são decorrentes 
das aparições e palavras do Senhor aos seus discípulos pelo “espaço de quarenta 
42 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 30 
 
dias”, testemunhas por várias pessoas e mencionadas por Paulo em sua primeira 
epístola aos Coríntios (I Co 15.1-8). 
 À Maria (como Consolador). Jo 20.16; 
 Às mulheres (como concretização da alegria restaurada). Mt 28.5,8,9; 
 A Simão Pedro (como Restaurador de almas). Lc 24.34 – Por que “e a 
Pedro”? Não era Pedro um dos discípulos? Certamente que sim, pois era o 
próprio primus inter pares [primeiro entre iguais] do grupo apostólico. 
Então, por que e a Pedro? Nenhuma explicação nos é dada no texto, mas a 
reflexão mostra que foi uma afirmação de amor para com aquele 
desanimado e desesperado discípulo, que por três vezes havia negado seu 
Senhor; 
 Aos dois discípulos no caminho para Emaús (como o simpatizante 
Instrutor). Lc 24.13,14,25-27,30-32 – Sem dúvida alguma Jesus desejava 
consolá-los, e indubitavelmente conseguiu Seu intento. Ele tinha, porém, 
ainda algo mais profundo e mais essencial a fazer. Aqueles homens 
estavam tristes, não à semelhança de Maria Madalena, que se entristecera 
pessoalmente por haver perdido seu Senhor, mas estavam tristes porque 
lhes faltara a fé, julgando ter perdido seu Messias. “Esperávamos que fosse 
ele quem havia de redimir a Israel; mas...” Para esses discípulos, a cura 
seria a ternura pessoal, como no caso de Maria, mas dependia de melhor 
compreensão das Escrituras. 
 Aos discípulos, no cenáculo (como doador da Paz). Jo 20.19 – Jesus deixou 
um testamento pouco antes de entregar-se à crucificação. Deixou um 
legado para Seus discípulos – um legado de paz. Ele disse: “Deixo-vos a 
paz, a minha paz vos dou”. Não podiam, porém, desfrutar dessa herança 
senão após a morte do Testador, mas depois, eis que ele se levantou dos 
mortos para ser o Seu próprio administrador! Por isso, a primeira coisa que 
faz é entregar-lhes a possessão da herança, que Ele lhes tinha deixado: a 
Sua paz; 
 A Tomé (como Confirmador da fé). Jo 20.26-29 – Tomé era o discípulo 
incrédulo; apesar disso, pela graça, o Senhor ressurreto dispôs-se a 
satisfazer o próprio Tomé. Aquele discípulo sabia muito bem que era a 
divindade de nosso Salvador que estava em jogo por ocasião de Sua morte, 
pelo que, ao ficar convencido de Sua ressurreição, prestou-Lhe 
imediatamente adoração que só a Deus se dá; 
 A João e a Pedro (como Interessado nas atividades diárias da vida). Jo 21.5-
7 – A ressurreição de Cristo no-lO devolve para as atividades ordinárias da 
vida, para os afazeres do ganha-pão. Ele ressuscitou a fim de ser nosso 
Companheiro diário nos deveres mais prosaicos de nossa experiência 
terrena; 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 31 
 
 A todo o grupo dos discípulos (como concretização de chefia e autoridade). 
I Co 15. 4-7 – Na qualidade de Senhor ressurreto, Ele toma Seu lugar na 
chefia da Igreja à qual deu vida, investido de toda a autoridade para liderá-
la e controlá-la. Sua ressurreição fornece amplas provas de Sua autoridade 
– “A este Jesus, Deus ressuscitou”; 
 
TODOS ELES FORAM TESTEMUNHAS 
 Três coisas são necessárias para fazer com que um testemunho seja digno 
de confiança: 
1. As testemunhas têm que ser competentes, isto é, têm que ser testemunhas 
oculares; 
2. Têm que ser em número suficiente; 
3. Tem que ser de boa reputação, se quisermos que seu testemunho seja 
recebido com mérito completo. 
 
-Os apóstolos e demais discípulos se qualificam em todos esses aspectos. 
Referem-se repetidamente ao fato de terem sido testemunhas oculares (Lc 
24.33-36; Jo 20.19, 26; At 1.3, 21, 22), isto é, não baseavam seus testemunhos 
nos relatórios de outras pessoas. 
 
III.4.PROVAS FINAIS DA RESSURREIÇÃO 
 
1.A Grande comissão dada aos discípulos – Os versículos 16-20 de Mateus 
28 narram a história do último aparecimento de Jesus, após a sua ressurreição, 
aos onze apóstolos. Nesta altura o evangelho de Mateus atinge a sua conclusão, 
como final apropriado de uma história de tal magnitude. 
 Este evangelho começa segundo o estilo do AT mencionado a genealogia 
real do Messias, e termina afirmando que esse mesmo Jesus é o Salvador e 
Senhor universal, tanto na Terra como no Céu. Uma das provas mais cabais era a 
continuação da presença do Senhor entre seus discípulos. “Eis que eu estou 
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. 
 Essa promessa tão majestosa é motivo suficiente para incentivar-nos a 
obedecer incondicionalmente à grande comissão, dada por Jesus, de pregar o 
Evangelho a toda a criatura (Mc 16.15). A presença real de nosso Senhor foi, de 
fato, confirmada entre os apóstolos “pelos sinais que se seguiram” (Mc 16.20). E 
entre nós, não tem sido diferente! 
2. “Eis que estou convosco” – A preocupação divina para com todos os 
seguidores de Cristo, é a de que não haja qualquer sombra de dúvida quanto à 
ressurreição de Cristo em algum coraçãocomo aconteceu a princípio, conforme 
vemos no texto de Mateus 28. 16-17, que diz “E os onze discípulos partiram para 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 32 
 
a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. “E, quando o viram, o 
adoraram; mas alguns duvidaram”. Muitas vezes, entre nós, acontece o mesmo. 
Alguém que está um pouco longe do Senhor, pode ser tomado de improviso 
pelas amarras da dúvida. Mas nosso Senhor em Sua eterna bondade, pode fazer 
o mesmo que fez com seus discípulos, isto é, “...aproximando-se, falou-lhes, 
dizendo: eis que estou convosco”. 
 
III.5.A ASCENSÃO DE CRISTO 
 
 Cristo ressuscitou dentre os mortos para nunca mais morrer (Ap 1.18). Em 
certo ponto de tempo, (cerca de 40 dias após sua ressurreição), deixou de ser 
visto pelos homens. Fez a sua ascensão aos lugares celestiais, deixando a 
convivência terrena com os seus discípulos, e entrou na augusta e santíssima 
presença de Deus Pau, assentando-se à Sua destra, para interceder por nós (Hb 
1.1-3; 7.22-25; 8.1-6). 
1.A Ascensão do Senhor – A ascensão de nosso Senhor, após ter passado 
quarenta dias com Seus discípulos depois da Sua ressurreição, foi o selo da 
aprovação do Pai à sua missão na Terra. Comprovou-se que, de fato, Ele era e é o 
Messias, o Salvador dos homens. 
a) Selo de aprovação ao trabalho de Cristo 
 A ascensão de Cristo foi a grande evidência da aprovação final de Deus à 
Sua missão terrena perfeitamente no Calvário. Jesus “havendo feito por si 
mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas 
alturas” (Hb 1.3). Deus, assim, confirma que aceitou o Seu sacrifício, aplicou a Sua 
obra e continua a aplicá-la resgatando os homens da escravidão o pecado. 
 Por tudo isso, o Pai demonstrou o Seu apreço elevando a Jesus Cristo, 
àquele lugar que lhe pertence por direito, á Sua mão direita. 
b) Descrição da ascensão de Jesus 
 Os 4 (quatro) evangelistas são breves quando descrevem a ascensão de 
nosso Senhor à presença do Pai. O testamento dos apóstolos, entretanto é 
unânime em afirmar que Jesus “foi recebido em cima no céu”, e “assentou-se à 
destra da majestade nas alturas” (Mc 16.19; Lc 24. 51; At 1. 9, 11; Hb 1.3; Ap 
3.21). 
2. Ao ausentar-se, Jesus prometeu enviar o Espírito Santo (Consolador) – 
Ele disse que não os deixaria órfãos – e, cumpriu a sua palavra. 
a) O Consolador é prometido 
 O evangelho de Lucas começa com a narrativa da encarnação de Cristo e 
termina com a Sua ascensão. Este último evento era condição necessária para o 
cumprimento da promessa da “vinda” do Espírito Santo, porque o Espírito de 
Deus não poderia “vir” enquanto Jesus não ascendesse para o Pai (Jo 16.7). Dessa 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 33 
 
forma, Lucas deixou registrado como essa promessa teve cumprimento logo 
depois da ascensão de Cristo (At 2.1-4). Entretanto, o retorno de Jesus ao Pai não 
ocorreu enquanto não foram tomadas certas providências no sentido de dar 
continuação à Sua obra de redenção da humanidade. Para tanto, Ele comissionou 
seus apóstolos para a obra de evangelização, continuada pela Igreja por eles 
representada, pois, para esse mister, seriam, brevemente, batizados com o 
Espírito Santo, conforme lhes havia prometido (Lc 24.49). 
b) A notícia da ascensão havia entristecido os discípulos 
 No capítulo 16.7, de João, Jesus falou para seus discípulos acerca de sua 
partida. Ele encarecia a necessidade de ir, porque sua partida traria aos seus o 
prometido Consolador, com a missão de convencer o mundo do pecado, da 
justiça e do juízo. Jesus então observa que a declaração da sua volta ao Pai deixa 
pesarosos os seus discípulos (Jo 16.16). 
 Ele, porém volta a afirmar que se ausentará fisicamente, até à Sua volta, 
porém sua presença espiritual será constante e percebia através das obras do 
Espírito Santo, que estará para sempre com a Igreja, fortalecendo-a e 
consolando-a até que Ele volte (Mt 28.20; Jo 14.1-3; 16. 5-22; I Co 11.26). 
-Leia ainda Fp 3.20, 21; I Ts 4.13-17. 
c) A ascensão e a bênção do Senhor Jesus 
 Nosso Senhor não voltaria ao Pai sem que primeiro abençoasse os seus 
discípulos, cumprindo assim o desejo de seus corações, conforme registrou Lucas 
quando descreveu a ascensão de Jesus. “E levou-os fora, até Betânia; e, 
levantando as mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se 
apartou deles e foi elevado ao céu” (Lc 24.50-51). Cristo ascendeu ao céu 
deixando contentes os seus seguidores, pois, com inefável amor, levantou as 
mãos, e abençoou seus discípulos, tal como o sumo sacerdote abençoava o povo, 
após fazer a expiação pelos pecados do mesmo (Lv 9.22). A última vez que os 
discípulos viram a Jesus, Ele estava com as mãos levantadas abençoando seu 
povo, e até hoje, continua abençoando. –Aleluia!!! 
3.A Glorificação de Cristo – A ascensão e glorificação de Cristo devem ser 
diferenciadas uma da outra. Primeiro, por ascensão de Cristo, queremos dizer 
Sua volta ao céu em Seu corpo ressurreto; segundo, por exaltação ou glorificação, 
queremos dizer o ato do Pai pelo qual Ele concedeu ao Filho ressurreto e assunto 
ao céu, a posição de honra e de poder à Sua própria destra. 
 O escritor da epístola aos Hebreus fala dessa glorificação, quando diz: 
“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um 
pouco menor que os anjos...” (Hb 2.9). 
a) Confirmada pelo Pai 
48 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 34 
 
 Os anjos prostram-se adorando e servindo ao Filho de Deus e Ele se 
assenta à direita do Pai. Ele é digno de assentar-se do “lado direito” do trono 
porque cumpriu cabalmente a missão recebida do Pai. 
 Portanto, esse lugar lhe pertence, e não a qualquer outra criatura. Sentado 
no céu, Cristo é também nosso intercessor; pois embora sua obra tenha se 
consumado, na terra, em seu aspecto redentivo, não se consumou, contudo, no 
aspecto sacerdotal. O fato de que Ele ali intercede por nós (Hb 7.21-28), é um 
pensamento que nos consola e nos sustém. A Bíblia diz que Ele assentou-se à 
“mão direita da Majestade”. 
-No original grego temos megalosume, que significa, “grandeza”, 
“magnificência”. Tudo isso personifica a pujança majestática que há em sua glória 
junto do Pai. Aleluia! 
b) Testemunhada pelos anjos 
 A aparição dos “dois varões vestidos de branco” foi súbita, e a aproximação 
deles nem foi notada pelos discípulos. Suas formas eram semelhantes às que 
foram vistas na entrada do sepulcro vazio, por Maria Madalena, quando ali 
esteve na manhã da ressurreição, resplandecentes e de belíssima aparência. 
-Então eles falaram aos discípulos dizendo: Varões galileus, por que estais 
olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu há de 
vir assim como para o céu o vistes ir (At 1.9-11) Amém! 
 
IV – HERESIAS SOBRE A PESSOA DE JESUS CRISTO 
 
 Um dos pontos relevantes da doutrina cristológica, consiste da afirmação, 
segundo a qual Jesus Cristo possui dupla natureza, o que o faz Homem e Deus. 
Apesar disto, não poucas vozes, ao longo dos séculos, se têm levantado contra 
esta verdade e outras encontradas nas Escrituras. Dentre os movimentos que no 
decorrer da história da Igreja se insurgiram contra a doutrina das duas naturezas 
de Cristo, se destacam os seguintes: 
1.Márcion (95 – 165) – Informações indicam que Márcion nasceu em 
Sinope, no Ponto, Ásia Menor. Foi proprietário de navios, portanto, muito 
próspero. Aplicou sua vida à fé religiosa, primeiramente, como cristão e, 
finalmente, ao desenvolvimento de congregações marcionistas. 
 Influente líder cristão, suas ideias o conduziram à exclusão, em 144 d.C. 
Então, formou uma escola gnóstica. Tendo uma mente prolífera, desenvolveu 
muitas ideias, as quais foram lançadas em uma obra apologética alvo de combate 
de apologistas, especialmente Tertuliano e Epifânio. 
 Procurou ter uma perspectiva paulina, contudo, incluiu muitas ideias 
próprias e conjecturas sem respaldo bíblico. Era convicto de uma missão pessoal: 
restauraro puro evangelho. Antes, rejeitou o AT por achá-lo inútil e ultrapassado, 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 35 
 
além de afirmar que foi produzido por um deus inferior ao Deus do evangelho. 
Para Márcion, o cristianismo era totalmente independente do judaísmo; era uma 
nova revelação. Segundo ele, Cristo pegou o deus do AT de surpresa e este teve 
de entregar as chaves do inferno Àquele. Além disso, Cristo não era Deus, apenas 
uma emanação do filho de Deus. O único apóstolo fiel ao evangelho, segundo 
Márcion, fora Paulo, em detrimento dos demais apóstolos e evangelistas. 
 Consequentemente, a Igreja primitiva havia desviado e, por isso, 
necessitava de uma restauração. Ainda segundo ele, o homem devia levar uma 
vida asceta, o casamento, embora legal, era aviltador. 
-Entre os seus muitos ensinos, encontramos o batismo pelos mortos. O cânon de 
Márcion restringia-se as (10) epístolas de Paulo e à uma versão modificada do 
Evangelho de Lucas. 
-Para ele CRISTO NÃO ERA DEUS. 
NOTA IMPORTANTE (Gnosticismo) 
Gnosticismo – Nome derivado do termo grego gnosis, que significa 
“conhecimento”. Os gnósticos se transformaram em uma seita que 
defendia a posse de conhecimentos secretos. Segundo eles, esses 
conhecimentos tornavam-nos superiores aos cristãos comuns, que não 
tinham o mesmo privilégio. O movimento surgiu a partir das filosofias 
pagãs anteriores ao cristianismo que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e 
Grécia (Macedônia). Ao combinar filosofia pagã, alguns elementos da 
astrologia e mistérios das religiões gregas com as doutrinas apostólicas do 
cristianismo, o gnosticismo tornou-se uma forte influência na igreja. A 
premissa básica do gnosticismo é uma cosmovisão dualista. O supremo 
Deus Pai, emanava do mundo espiritual “bom”. A partir dele, surgiram 
sucessivos seres finitos (éons) até que um deles, Sofia, deu à luz a Demirgo 
(Deus criador), que criou o mundo material “mal”, juntamente com todos 
os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Cristãos gnósticos, 
como Márcion e Valentim, ensinavam que a salvação vem por meio desses 
éons, Cristo, que se esgueirou através dos poderes das trevas para 
transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, 
cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo material 
mais elevado. Cristo, embora parecesse ser homem, nunca assumiu um 
corpo; portanto, não foi sujeito às fraquezas e às emoções humanas. 
Algumas evidências sugerem que uma forma incipiente de gnosticismo 
surgiu na era apostólica e foi o tema de várias epístolas do NT (I João, uma 
das epístolas pastorais). A maior polêmica contra os gnósticos apareceu, 
entretanto, no período patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu, 
Tertuliano e Hipólito. O gnosticismo foi considerado um movimento 
herético pelos cristãos ortodoxos. Atualmente, é submetido a muitas 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 36 
 
pesquisas, devido às descobertas dos textos de Nag Hammadi, em 
1945/46, no Egito. Muitas seitas e grupos ocultistas demonstram alguma 
influência do antigo gnosticismo (“Dicionário de religiões, crenças e 
ocultismo”. George A. Mather & Larry A Nichols. Vida, 2000, pp 175-6). 
2.Montano (120-180) – Por volta do ano 150 d.C., surgiu na Frigia um 
profeta chamado Montano que, junto com Prisca e Maximilia, se anunciou 
portador de uma nova revelação. Inicialmente, esse novo movimento reagiu 
contra o gnosticismo, contudo, ele mesmo se caracterizou por tendências 
inovadoras. As profecias e revelações de Montano giravam em torno da segunda 
vinda e incentivavam os ascetismos. 
 Salientavam fortemente que o fim do mundo estava próximo, e esperavam 
esse acontecimento para a sua própria geração. Insistiam sobre estritas 
exigências morais, como, por exemplo, o celibato, o jejum e uma rígida disciplina 
moral. Exaltavam o martírio e proibiam que seus seguidores fugissem das 
perseguições. Alguns pecados eram imperdoáveis, independente do 
arrependimento demonstrado. 
 Finalmente Montano afirmou ser o Parakleto, pois nele iniciaria e findaria o 
ministério do Espírito Santo. Prisca e Maximilia abandonaram seus respectivos 
maridos para se dedicarem à obra profética de Montano. Algumas vezes, 
Montano procurava esclarecer que ele era um agente do Espírito Santo, mas 
sempre retornava à sua primeira posição e afirmava ser o Consolador prometido. 
Sua palavra deveria ser observada acima das Escrituras, porque era a palavra 
para aquele tempo do fim. 
 Esse movimento desvaneceu no terceiro século no Ocidente e no sexto, no 
Oriente. 
NOTA IMPORTANTE (Ascetismo) 
 Autonegação, visão de que a matéria e o espírito estão em oposição 
um ao outro. O corpo físico, com suas necessidades e desejos inerentes, é 
incompatível com o espírito e sua natureza divina. O ascetismo defende a 
ideia de que uma pessoa só alcança uma condição espiritual mais elevada 
se renunciar à carne e ao mundo. O ascetismo foi amplamente aceito nas 
religiões antigas e ainda hoje é uma filosofia proeminente, sobretudo nas 
seitas e religiões orientais. Platão idealizou-o. As seitas judaicas, como os 
essênios, praticavam-no fervorosamente e o cristianismo institucionalizou-
o, com o desenvolvimento de várias ordens monásticas. O gnosticismo foi 
o maior defensor dessa filosofia (“Dicionário de religiões, crenças e 
ocultismo”). 
3.Sabélio (180-250) – Nasceu na Líbia, África do Norte, no terceiro século 
depois de Cristo. Depois, mudou-se para a Itália, passando a viver em Roma. Ao 
conhecer o evangelho, logo se tornou um pensador respeitado em suas 
52 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 37 
 
considerações teológicas. Recebeu influência do Modalismo que já estava sendo 
divulgado na África. 
 O Modalismo ocorreu, no início, como um movimento asiático, com Noeto 
de Esmirna. Os principais expoentes do movimento: Noeto, Epógono, Cleômenes 
e Calixto. Na África, foi ensinado por Práxeas e na Líbia, defendido por Sabélio. 
Hoje, o Modalismo é muito conhecido pelo nome sabelianismo, devido à 
influência intelectual fornecida por Sabélio. O objetivo era preservar o 
monoteísmo a qualquer custo. Tinha um objetivo em vista que, pensava, 
justificava os meios. Ensinava que havia uma única essência na divindade, 
contudo, rejeitava o conceito de (3) três Pessoas em uma só essência. Afirmava 
que isso designaria um culto triteísta, isto é de três deuses. A questão poderia ser 
resolvida, afirmava, pelo conceito de que Deus se apresenta com diversas faces 
ou manifestações. Primeiramente, Deus se apresentou como Deus Pai, gerando, 
criando e administrando; Em seguida, como Deus Filho, mediando, redimindo, 
executando a justiça; E, finalmente e sucessivamente, como Deus Espírito Santo, 
fazendo a manifestação das obras anteriores, sustentando e guardando. Uma só 
Pessoa e três manifestações temporárias e sucessivas. 
-Para ele Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo era um só Pessoa. 
4.Mani (216-277) – Nasceu por volta de 216 d.C., na Babilônia. Foi 
considerado por alguns como o último dos gnósticos. Diferente dos demais 
hereges, desenvolveu-se fora do cristianismo. Todavia, era um rival do 
evangelho. Seus ensinos buscavam respaldo no cristianismo. Afirmava, por 
exemplo, ser o Parakleto, o profeta final. Em seus ensinos enfatizava a 
purificação pelos rituais. Em 243 d.C., o profeta Mani teve seus ensinamentos 
reconhecidos por Ardashir, rei sassânida (Índia). Então, a nova fé teve o seu 
“pentecostes”, analogia traçada pelos maniqueístas. 
 Durante 34 anos, Mani e seus discípulos intensificaram seu trabalho 
missidevo apolinário pelo leste da Ásia, Sul e Oeste da África do Norte e Europa. 
 A base do maniqueísmo engloba um Deus teísta que se revela ao homem. 
Deus usou diversos servos, como Buda, Zoroastro, Jesus e, finalmente, Mani. 
Deveria seus discípulos praticar o ascetismo e evitar a participação em alguma 
morte, mesmo de animais ou plantas. Deveriam evitar o casamento, antes, 
abraçarem o celibato.O universo é dualista, existem duas linhas morais em 
existência, distintas, eternas e invictas: a luz e as trevas. A remissão ocorre pela 
gnosis, conhecimento especial que os iniciados conquistavam. Entre os remidos 
há duas classes, os eleitos e os ouvintes. Os eleitos não podiam nem mesmo 
matar uma planta, por isso eram servidos pelos ouvintes, que podiam matar 
plantas, mas nunca animais ou até mesmo comê-los. Os eleitos subiriam, após a 
morte, para a glória, enquanto os ouvintes passariam por um longo processo de 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 38 
 
purificação. Quanto aos ímpios, continuariam reencarnando na terra. Recebeu 
grande influência de Márcion. 
-Isto é o cúmulo da HERESIA. 
5.Ário (256-336) – Presbítero de Alexandria entre o fim do terceiro século 
e o início do quarto depois de Cristo. Foi excluído em 313, quando diácono, por 
apoiar, com suas atitudes, o cisma da Igreja no Egito. Após a morte do patriarca 
da Igreja em Alexandria, foi recebido novamente como diácono. Depois, 
nomeado presbítero, quando então começou a ensinar que Jesus Cristo era um 
ser criado, sem nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus, por exemplo, 
eternidade, onisciência, onipotência etc, pelo que foi censurado, em 318, e 
excluído em 321. Mas, infelizmente, sua influência já havia sido propagada e 
diversos bispos da Igreja no Oriente aceitaram o novo ensino. 
 Em 325, ocorreu o CONCÍLIO DE NICÉIA e Ário, apesar de excluído, pôde 
recorrer de sua exclusão, sendo banido. Ário preparou uma resposta ao Credo 
Niceno, o que impressionou muito o imperador Constantino. Atanásio resistiu à 
ordem de Constantino de receber Ário em comunhão. Então Ário foi deposto e 
exilado em Gália, falecendo no dia em que entraria em comunhão em 
Constantinopla. 
 A base de seu ensino era estabelecer a razão natural, como meios de 
entender a relação entre Deus e Cristo. Haveria uma só Pessoa na divindade. O 
logos não foi apenas gerado, mas literalmente criado. Seria tão-somente um 
intermediário entre Deus e os homens e, devido à sua elevada posição, receberia 
adoração e glória. 
-Para ele Cristo não era Deus. 
6.Apolinário (310-390) – Foi bispo de Laodiceia da Síria no final do quarto 
século. Cooperou na reprodução das Escrituras. Fez oposição à afirmação de Ário 
quanto à criação e à mutabilidade de Cristo. 
 Por outro lado, se opôs ao conceito da completa união entre as naturezas 
divina e humana em Jesus. Afirmava que Jesus não tinha um espírito humano. 
Segundo ele, o espírito de Cristo manipulava o corpo humano. Sua posição inicial 
era contra o arianismo, que negava a divindade de Cristo. Em sua opinião, seria 
mais fácil manter a unidade da Pessoa de Cristo, contanto que o logos fosse 
conceituado apenas como substituto do mais elevado princípio racional do 
homem. Contrapondo-se a Ário, ele advogava a autêntica divindade de Cristo, e 
tentava proteger sua impecabilidade substituindo o pneuma (espírito) humano 
pelo logos, pois julgava aquela sede do pecado. 
 Consequentemente, Apolinário negava a própria e autêntica humanidade 
de Jesus Cristo. 
 Em 381, o sínodo de Constantinopla declarou contundentemente, entre 
outros sínodos, herética a cristologia de Apolinário. 
56 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 39 
 
 Apolinário formou um grupo de discípulos que manteve seus ensinos. Mas 
não demorou muito e o movimento se desfez. 
7.Nestório (375-451) – Patriarca da Igreja em Constantinopla na metade do 
quinto século depois de Cristo. Seu objetivo de expurgar as heresias na região de 
seu controlo encontrou problemas quando expressou sua cristologia. Encontrava-
se em seu tempo ideias divergentes sobre a natureza de Cristo. Alguns, 
aparentemente, negavam a existência de duas naturezas em Cristo, postulando 
uma única natureza. Outros como Teodoro de Mopsuéstia, afirmavam que o 
entendimento deveria partir da completa humanidade de Cristo. 
 Teodoro negava a residência essencial do logos em Cristo, concedendo 
somente a residência moral. Essa posição realmente substituía a encarnação pela 
residência moral do logos no homem Jesus. Contudo, Teodoro declinava das 
implicações de seu ensino que, inevitavelmente, levaria à dupla personalidade 
em Cristo, duas pessoas entre as quais haveria uma união moral. Nestório foi 
fortemente influenciado pelo seu mestre – Teodoro de Mopsuéstia. 
 O nestorianismo é deficiente, não em relação à doutrina das duas 
naturezas de Cristo, mas, sim, quanto à Pessoa de cada uma delas. Concorda com 
a autêntica e própria deidade e a autêntica e própria humanidade, mas não são 
elas concebidas de forma a comporem uma verdadeira unidade, nem a 
constituírem uma pessoa. As duas naturezas seriam igualmente duas pessoas. Ao 
invés de mesclar as duas naturezas em uma única autoconsciência, o 
nestorianismo as situava lado a lado, sem outra ligação além de mera união 
moral e simpática entre elas. JESUS SERIA UM HOSPEDEIRO DE CRISTO. 
 Nestor foi vigorosamente atacado por Cirilo, patriarca de Alexandria, e 
condenado pelo Terceiro Concílio de Éfeso, em 431. 
 O movimento nestoriano sobreviveu até o século XIV. Adotaram o nome de 
“cristãos caldeus”. A Igreja persa aceitou claramente a cristologia nestoriana. 
Atingiu expressão culminante no décimo terceiro século, quando dispunha de 
(25) vinte e cinco arcebispos e cerca de (200) duzentos bispos. Nos séculos XII e 
XIII, formou-se a Igreja Nestoriana Unida e, atualmente, seus membros são 
conhecidos como Caldeus Uniatos. Na Índia, são conhecidos como cristãos de São 
Tomé. Hoje, esse movimento está em declínio. 
8.Pelágio (360-420) – Teólogo britânico, teve uma vida piedosa e 
exemplar. Baseado exatamente nessa questão desenvolveu conceitos sobre a 
hamartiologia (doutrina que estuda o pecado). Sofreu resistência e, finalmente, 
foi excluído por diversos sínodos (Mileve e Cartago), sendo, ainda, condenado no 
Concílio de Éfeso, em 431 d.C. 
 Seus ensinos afirmavam que o homem poderia viver isento do pecado. Que 
o homem fora criado a imagem de Deus e, apesar da queda, essa imagem é real e 
viva. Do contrário, o homem não seria aquele homem criado por Deus. No 
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CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 40 
 
pelagianismo a morte é uma companheira do homem, querendo dizer que, 
pecando ou não, Adão finalmente morreria, ainda que não pecasse. O ideal do 
homem é viver obedecendo. 
 O pecado original é uma impossibilidade, pois o pecado depende de uma 
ação voluntária do pecador. Afirma ainda que, por uma vida digna, os homens 
podem atingir o céu, mesmo desconhecendo o evangelho. Todos serão julgados 
segundo o que conheciam e o que praticavam. O livre-arbítrio era enfatizado em 
todas as suas afirmações, excluindo a eleição. Um século depois, desenvolveu-se 
o semipelagianismo, que amortecia alguns ensinos extravagantes de Pelágio. 
9.Eutíquio (410-470) – Viveu em um mosteiro fora de Constantinopla 
durante a primeira metade do quinto século. Discípulo de Cirilo de Alexandria 
teve grande influência e chefiava mosteiros na Igreja oriental. Oponente do 
nestorianismo, afirmava que, por ocasião da encarnação, a natureza humana de 
Cristo foi totalmente absorvida pela natureza divina. 
 Era de opinião de que os atributos humanos em Cristo haviam sido 
assimilados pelo divino, pelo que seu corpo não seria consubstancial como o 
nosso, que Cristo não seria humano no sentido restrito da palavra. 
 Esse extremo doutrinário contou com o apoio temporário do chamado 
Sínodo dos Ladrões (em 449 d.C.). Essa decisão foi anulada mais tarde pelo 
Concílio de Calcedônia, em 451 depois de Cristo. 
 O Sínodo dos Ladrões recebeu esse nome porque seus participantes 
roubavam características da doutrina cristocêntrica. Por esse motivo, Eutíquio foi 
afastado de suas atividades eclesiásticas. Mas a Igreja egípcia continuou 
apoiando a doutrina de Eutíquio e manteve seus ensinos por algum tempo. 
Então, o eutiquismo surge novamente no movimento monofisista. 
 
JESUS – Concepção JUDAICAJesus – (palavra de origem grega, equivalente à forma Josué, de origem 
hebraica; m. em 29 E.C.). Fundador do CRISTIANISMO. Não existem fontes 
judaicas independentes sobre a vida de Jesus de Nazaré. A referência que se 
encontra em Josephus é, pelo menos em parte, interpolação cristã; as alusões no 
Talmud e no Toledot Yeshu pós-talmúdico são válidas apenas como indicação de 
atitudes judaicas posteriores. A única fonte de informação sobre Jesus, portanto, 
são os Evangelhos do NT. A análise dos Evangelhos tem demonstrado que certos 
trechos parecem refletir mais as ideias e situações da Igreja Cristã em 
desenvolvimento que as da época de Jesus. Não é fácil, assim, determinar os fatos 
de sua vida e os seus verdadeiros ensinamentos. 
 A segunda sinopse é, nessas condições, mais provável que certa; Jesus era 
um judeu da Galileia que, na juventude, foi influenciado pelo asceta JOÃO 60 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 41 
 
BATISTA e tornou-se pregador e professor itinerante. Com um pequeno bando de 
seguidores, perambulou pelo país, anunciando a breve chegada do “Reino de 
Deus” e advertindo os homens para a necessidade de arrepender-se antes do 
julgamento final. No ano 29, ele e seu grupo foram a Jerusalém para a Páscoa; os 
discípulos prestaram-lhe honras messiânicas e é possível que o próprio Jesus se 
tenha atribuído a condição de messias. Como líder potencial de uma revolta 
contra Roma, foi preso e crucificado pelo Procurador romano, Pôncio Pilatos, à 
idade de cerca de 35 anos. Seus seguidores devotos (apóstolos), que acreditavam 
ter ele voltado de entre os mortos, formaram o núcleo da igreja cristã primitiva. 
 Os relatos dos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) indicam 
que, tanto na forma como conteúdo, a pregação de Jesus tinha grande afinidade 
com a dos pregadores fariseus. Entre os ensinamentos de Jesus e os dos rabinos 
existem paralelos impressionantes. Como eles, usava as parábolas com grande 
eficácia e defendia uma moral nobre e altruísta. Jesus, entretanto, dava maior 
importância que eles ao iminente fim dos tempos e em razão disso inclinava-se a 
ver com indiferença as obrigações familiares e comunitárias, pois esperava o 
rápido desaparecimento da ordem social contemporânea. Além disso, ensinava a 
doutrina da não-resistência ao mal, que não se encontra nas fontes clássicas 
judaicas. Os Evangelhos mostram Jesus e os fariseus em posição de hostilidade 
mútua, mas também revelam muitos casos de ligações cordiais entre eles. 
 A maior parte da doutrina ético-religiosa de Jesus é inteiramente farisaica. 
Parece provável, por conseguinte, que o crescente antagonismo entre a jovem 
igreja e o judaísmo oficial tenha criado, retroativamente, a imagem de um 
antagonismo semelhante no tempo de Jesus. Isso é o que fica mais claramente 
demonstrado pelas narrativas de sua execução. É provável que autoridades 
judaicas, nomeadas pelos romanos e ansiosas por agradá-los, tenham levado à 
atenção destes o incipiente movimento messiânico. Mas os Evangelhos mostram 
todo o povo judeu ávido pela morte de Jesus, rejeitando a proposta de Pilatos de 
libertá-lo e assumido, sobre si mesmo e seus descendentes, a responsabilidade 
pelo sangue derramado. Esse episódio reflete o sentimento antijudaico dos 
primeiros cristãos e também o desejo de absolver os romanos de qualquer culpa 
pela morte de seu salvador. O quarto Evangelho (João) mostra Jesus, ao longo de 
toda a sua carreira, desdenhoso e implacável para com os judeus. O abismo cada 
vez maior entre o judaísmo e o cristianismo levou a deformações semelhantes por 
parte dos judeus. Os episódios do Toledot Yeshu e do Talmud refletem essa 
animosidade quando lançam dúvidas sobre a origem e o caráter de Jesus. Nos 
tempos modernos, entretanto, muitos judeus têm escrito com simpatia sobre 
Jesus e prestado importante contribuição ao estudo do NT. 
ENCICLOPÉDIA JUDAICA – Cecil Roth 
 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 42 
 
CONCLUSÃO 
 Segundo o judaísmo Jesus não é o Messias prometido nas Escrituras dos 
profetas do AT, mas, um profeta como qualquer outro, e inferior a Moisés. 
-Talvez nem um profeta de Deus, mas um usurpador ao trono de Davi. 
ISSO É UMA HERESIA abominável. 
 
-As Escrituras ensinam que: 
 Jesus é o profeta semelhante a Moisés (Dt 18.15-18); 
 Ele é o único Filho de Deus (“geração”) (Jo 3.16); 
 Ele é o único mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5); 
 O Verdadeiro Deus e a Vida Eterna (I Jo 5.20); 
 Portanto, Jesus Cristo é Deus (Jo 1.1). 
 
V. O CARÁTER MESSIÂNICO DE JESUS 
 
 É evidente que Jesus ensinou aos Seus discípulos que confiasse nEle como 
o Messias – o Cristo (o rei ungido) de Deus. Porém, devido às muitas ideias 
errôneas a respeito do Messias, entre os judeus (Jo 6.15), Ele proibiu 
expressamente a proclamação pública a respeito de Seu caráter messiânico (Mc 
9.7-9; Mt 16.20; 17.9). Somente depois que Ele completou o Seu ministério 
público e que o tempo se aproximou para Ele sofrer na cruz, é que assumiu 
publicamente o papel de Rei messiânico, por ocasião de Sua entrada triunfal em 
Jerusalém (Mt 21.1-11; Mc 11.1-18; Lc 19.1-48; Jo 12.12-50). Perante os Seus 
juízes, Ele afirmou de modo inequívoco que de fato era o Cristo (Mt 26.63,64; Mc 
14.61,62; Lc 22.68-71; 23.2,3); contudo, deixou claro que não era um messias 
judaico terreno (Jo 18.36). 
IMPORTANTE 
 É essencial observar que Ele não ensinou que, visto ser o Messias, 
era, por consequência, filho de Deus. Bem ao contrário, Seu ensinamento 
básico é que Ele é o Filho de Deus em sentido absoluto (Mt 27.43; 11.27; 
24.36, etc), e, em vista de Ele ser o Filho de Deus, é em consequência o 
Messias real, o Ungido do Senhor. Primária e essencialmente Ele é o eterno 
e unigênito Filho do Pai. 
 
 
 
 
 
 
 
62 
 
 
 
CRISTOLOGIA – Doutrina de Jesus Cristo Página 43 
 
 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
Almeida, J. Ferreira. Bíblia Sagrada. Ed. SBB e IBB, RJ. 
Bancroft, Emery H. Teologia Elementar, Imprensa Batista Regular, 1989, SP Brasil. 
Champlin, Russel Norman. Bentes, João Marques. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Física, Ed 
Candeia, 1991, SP – Brasil. 
Horton, Stanley M. Teologia Sistemática, Ed. CPAD, 1996, RJ – Brasil. 
Thiessen, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. Imprensa Batista Regular, 1989, 
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Enciclopédia Judaica, 1991 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Declaração Doutrinária – Cremos... 
 
A Faculdade de Educação Teológica do Espírito - FAETESP, professa sua Fé Pentecostal 
alicerçada fundamentalmente no que se segue: 
1. Há um só Deus, poderoso, perfeito, santo e eternamente subsistente em três ( 3 ) pessoas: Pai, Filho e 
Espírito Santo; 
2. As Escrituras Sagradas, compostas do Antigo e Novo Testamentos, são inteiramente inspiradas por Deus, 
infalíveis na sua composição original e completamente dignas de confiança em quaisquer áreas que 
venham a se expressar, sendo também a autoridade final e suprema de fé e conduta; 
3. Jesus – o Cristo, nasceu do Espírito Santo e da Virgem Maria, é o verdadeiro Deus e a vida eterna; é o 
único mediador entre Deus (o Pai) e o homem; somente Ele foi perfeito em natureza, ensino e 
obediência; 
4. Nosso Senhor ressuscitou fisicamente dentre os mortos; ascendeu aos céus, está assentado à direita do 
Pai e voltará; 
5. O Espírito Santo é o regenerador e santificador dos redimidos; o doador dos dons e frutos espirituais; o 
Consolador permanente e Guia da Igreja; 
6. Em Adão a humanidade foi criada à imagem e semelhança de Deus. Através da queda de Adão, a 
humanidade tornou-se radicalmente corrupta, distanciada de Deus e desintegrada de seu coração. A 
necessidade premente do homem é a restauração de sua comunhão com Deus, a qual o homem é 
incapaz de operar por si mesmo; 
7. Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuantedo Espírito Santo e 
da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do reino dos céus; 
8. No Perdão dos pecados, na Salvação presente e perfeita e na eterna Justificação da alma recebidos 
gratuitamente pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor; 
9. Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora 
de Jesus no Calvário, através do poder regenerador, inspirador e santificador do Espírito Eterno, que nos 
capacita a viver como fiéis testemunhas do Poder de Jesus Cristo; 
10. No Batismo bíblico, efetuado por imersão do corpo inteiro uma só vez em águas, em nome do Pai, do 
Filho e do Espírito Santo, conforme determinou Nosso Senhor; 
11. No Batismo bíblico com o Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo, com 
a evidência inicial de falar em outras línguas, conforme a Sua vontade; 
12. Na atualidade dos Dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação conforme 
a sua soberana vontade; 
13. A tarefa da Igreja é ensinar a todas as nações, fazendo que o Evangelho produza frutos em cada aspecto 
da vida e do pensamento. A missão suprema da Igreja é a Salvação das almas. Deus transforma a 
natureza humana, tornando-se isto então o meio para a redenção da sociedade. 
14. Na Segunda vinda pré-milenar de Cristo em duas fases distintas: a primeira – invisível ao mundo, para 
arrebatar a sua Igreja fiel da terra, antes da grande tribulação; a segunda – visível e corporal, com sua 
Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil (1000) anos; 
15. Que todos os cristãos comparecerão ante ao Tribunal de Cristo para receber a recompensa dos seus 
feitos em favor da causa de Cristo, na terra; 
16. No comparecimento de todos os ímpios desde Caim ao último infiel, mesmo no Milênio perante o Juízo 
Final, onde receberão a devida punição final do Todo-Poderoso; 
17. Na punição eterna que sofrerá Satanás, seus demônios, a Besta, o falso profeta e todos aqueles que 
rejeitaram o Filho de Deus durante a sua existência na terra., onde serão enviados ao Lago de Fogo e 
enxofre e serão eternamente separados de Deus. 
18. E na Vida Eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tristeza para os infiéis. 
 
NISSO CREMOS... 
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III

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