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ARBOVIROSES 1 (2)

Trecho sobre arboviroses (dengue, Zika, chikungunya) com conceitos de doenças emergentes/reemergentes, fatores que favorecem seu surgimento, desafios de vigilância e pesquisa, definição de arbovírus, vetores Aedes aegypti/albopictus, transmissão e quadros clínicos da dengue.

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1. Arboviroses 
 
Doenças emergentes (Dengue, 
Zika Vírus, Chikungunya e 
Outras) 
1.1Conceitos gerais das arboviroses 
Doenças emergentes são aquelas doenças infecciosas cuja incidência aumentou nas 
duas últimas décadas ou tendem a aumentar no futuro. Trata-se do surgimento ou da 
descoberta de um novo problema de saúde ou de um novo agente infeccioso, como no 
caso do HIV e da febre hemorrágica pelo vírus Ebola (BRASIL, 2006). 
Já as doenças reemergentes representam os agravos infecciosos conhecidos e controlados 
que mudaram seu padrão epidemiológico, voltando a representar ameaça ao homem, 
como é o caso da dengue e da cólera, podendo representar a introdução de agentes 
conhecidos em populações susceptíveis (BRASIL, 2006). 
Doenças infecciosas emergentes e reemergentes: 
● Alterações ambientais 
● Migrações 
● Processos de urbanização sem adequada infraestrutura urbana 
● Grandes obras como hidrelétricas e rodovias 
● Desmatamento 
● Mudanças climáticas (aquecimento global) 
● Secas e inundações. 
● Aumento do intercâmbio internacional (vetor cultural) 
● Adensamentos populacionais. 
● Novas tecnologias médicas. 
● Alimentos industrializados. 
● Desestruturação/inadequação dos serviços de saúde. 
● Aprimoramento das técnicas de diagnóstico. 
● Mutações virais (bactérias resistentes). 
Todos esses fatores podem favorecer o aparecimento de novas doenças e de 
alteração no comportamento epidemiológico de doenças antigas, agregando maior 
complexidade 
Os desafios: 
● Fortalecimento da vigilância epidemiológico 
● Detecção precoce das doenças 
● Capacitação profissional 
● Fortalecer a vigilância em: Saúde, ambiental, Saúde sanitária Saúde pública veterinária 
● Pesquisa básica e aplicada, a partir de parcerias com universidades e institutos de 
pesquisa, sobretudo em novas tecnologias diagnósticas, epidemiologia, novos fármacos 
e vacinas. 
 
O que são arboviroses? 
Arboviroses são doenças causadas por arbovírus 
(Arthropod-borne virus), sendo assim denominados por serem 
vírus cujo ciclo de replicação envolve insetos, podendo ser 
transmitidos aos seres humanos e outros animais pela 
picada de artrópodes hematófagos, que picaram 
anteriormente pessoas virêmicas (LOPES et al., 2014). 
 
● 545 espécies de arbovírus conhecidos 
● Cerca de 150 causam doenças em humanos 
 
 
Os arbovírus que causam doenças em humanos e outros animais de 
sangue quente são membros de cinco famílias virais: 
● Bunyaviridae, 
● Togaviridae, 
● Flaviviridae, 
● Reoviridae 
● e Rhabdoviridae 
 
Os três principais arbovírus no Brasil são: 
● o vírus dengue (DENV), 
● o Zika vírus e 
● o vírus chikungunya (CHIKV). 
 
Entre as famílias dos arbovírus, destacam-se a: 
● Flaviviridae, cujo gênero Flavivirus engloba o DENV e o Zika vírus; 
● e a Togaviridae, cujo gênero Alphavirus engloba o CHIKV 
 
 
 
 
 
 
 
O vetor 
As três principais arboviroses no Brasil têm como vetor os artrópodes hematófagos Aedes 
aegypti e o Aedes albopictus. 
O A. aegypti é originário do Egito e se disseminou da Costa Leste da África para as 
Américas e da Costa Oeste para a Ásia. As teorias mais aceitas indicam que o A. 
aegypti tenha se disseminado da África para o continente americano por 
embarcações que aportaram no Brasil para o tráfico de escravos. Há registro da 
ocorrência da doença em Curitiba (PR) no final do século 19 e, em Niterói (RJ), no 
início do século XX (FIOCRUZ, 2015). 
Foi descrito inicialmente em 1762 e denominado Culex aegypti, isto é, “mosquito egípcio”. 
No entanto, quando o gênero Aedes foi descrito em 1818, percebeu-se que a espécie Aegypti 
apresentava características morfológicas e biológicas semelhantes às das espécies do 
gênero Aedes, e não do gênero Culex, ficando, assim, Aedes aegypti (FIOCRUZ, 2015). 
 
 
FONTE: O GLOBO, 2024 
 
Transmissão 
● Fêmea do A. aegypti infectado transmite o vírus ao sugar o sangue (só a femea é 
hematófoga) 
● Normalmente, os mosquitos sugam apenas uma pessoa a cada grupo de ovos que 
produzem, mas o A. aegypti podem picar mais de uma pessoa para cada grupo de ovos 
que produzem, característica denominada de discordância gonotrófica. 
O mosquito fêmea pode se alimentar de sangue antes da cópula, mas a necessidade 
aumenta após a fecundação, quando precisam ingerir sangue para o desenvolvimento 
completo dos ovos e maturação dos ovários. Por volta de três dias após a ingestão de 
sangue, as fêmeas já estão aptas para a postura, passando então a procurar local para 
desovar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.2. Características e epidemiologia 
das principais arboviroses 
Dengue 
● Atinge pessoas de todas as idades, podendo causar: 
● Febre da dengue 
● Dengue hemorrágica 
● Síndrome do choque da dengue 
● Formas mais graves no espectro de manifestações clínicas. 
Esses vírus se reproduzem em ciclos florestais envolvendo pequenos primatas e o 
mosquito Aedes arborícolas, mas são os únicos arbovírus que se adaptaram de tal forma 
aos humanos e ao ambiente doméstico, que o ciclo florestal não é mais necessário, 
envolvendo somente seres humanos e mosquitos nos grandes centros urbanos tropicais. 
 
Período de incubação: varia de 4 a 10 dias, sendo em média de 5 a 6 dias 
Período de transmissibilidade - dois ciclos: 
● Intrínseco (no ser humano) - Quando o vírus da dengue está circulante no sangue de um 
humano em viremia (geralmente um dia antes do aparecimento da febre até o sexto dia 
da doença) 
● Extrínseco (no vetor) - Quando ingerido pela fêmea do mosquito durante o repasto, o vírus 
infecta o intestino médio e depois se espalha sistemicamente ao longo de um período de 
oito a doze dias. Após esse período de incubação extrínseca, o vírus pode ser transmitido 
para humanos durante futuros repastos. Este período de incubação é influenciado por 
fatores ambientais, especialmente temperatura. Em seguida o mosquito permanece 
infectante até o final da sua vida – 6 a 8 semanas. 
 
 
 
DENV 1, DENV 2, DENV 3 E DENV 4 
 
Quando infectado pelo DENV, o indivíduo adquire imunidade que pode ser 
homóloga para um mesmo sorotipo e heteróloga (imunidade cruzada, ou para um 
sorotipo diferente). A imunidade homóloga é permanente e a imunidade cruzada 
(heteróloga) existe, no entanto, temporariamente por dois a três meses (BRASIL, 
2017a). 
 
 
A fisiopatogenia da resposta imunológica à infecção aguda por Dengue pode ser: 
 
● Primária: ocorre em pessoas não expostas anteriormente ao flavivírus, no qual o título 
dos anticorpos se eleva lentamente (BRASIL, 2017b). 
 
● Secundária: ocorre em pessoas com infecção aguda por dengue, mas que tiveram 
 
infecção prévia por flavivírus, no qual o título de anticorpos IgG se eleva rapidamente, 
com aumento menos marcado de anticorpos IgM. 
 
Alguns fatores de risco: 
● Idade, 
● Etnicidade 
● Comorbidades - asma brônquica, diabetes mellitus, anemia falciforme e 
infecção secundária. 
● Crianças mais novas, particularmente, podem ser menos capazes que adultos, 
de compensar o extravasamento capilar e estão, consequentemente, em maior 
risco do choque da dengue. 
 
No Brasil, o DENV está presente desde o século XIX, sendo a causa provável de vários 
surtos de febre, mialgia e artralgia nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e 
Paraná, além de estados da região Nordeste. 
 
 
 
 
 
 
O vírus foi reintroduzido no Brasil no início da década de 1980, sendo responsável, desde 
então, por importantes surtos. Circulam no nosso país os DENV - 1, DENV - 2, DENV - 3 e 
DENV - 4, que se alternam entre os vírus responsáveis pela maioria dos casos de dengue, a 
depender da região e da época em questão. 
As primeiras evidências do DENV datam do final do século XVIII e sua expansão geográfica 
associada ao aumento da incidência de epidemia de dengue estão atrelados ao 
crescimento urbano e à globalização. 
Hoje é endêmico em mais de 110 países, resultando em cerca de 25 mil mortes 
anualmente. ODENV está presente, predominantemente, nas regiões tropicais da Ásia, 
Oceania, Austrália, África e as Américas; sendo que as áreas subtropicais são 
susceptíveis a sua introdução e propagação no período do verão (LOPES et al., 2014). 
 
 
Tendo em vista que a distribuição do DENV parece ser predominante em climas tropicais e 
subtropicais, vamos ver numa imagem os países e as áreas de risco. 
 
Estudos soroepidemiológicos em Cuba e na Tailândia corroboram o papel da infecção 
heterotípica secundária (infecção por sorotipo distinto em indivíduo com infecção 
prévia pelo DENV) como um fator de risco para dengue grave(Aumento da 
permeabilidade dos vasos e síndrome do choque da dengue), embora existam alguns 
relatos de casos de dengue grave associados com a infecção primária. 
A dengue grave é também regularmente observada durante infecção primária em bebês 
nascidos de mães imunes à dengue. 
 
 
 
Chikungunya 
Como a chikungunya chegou até o Brasil
 
 
Tem o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, duas espécies invasoras e cosmopolitas, como 
vetores. Ao contrário do DENV, o CHIKV é mais frequente em áreas de menor 
aglomeração humana, alimentando-se e repousando, preferencialmente, 
peridomicílio. Chikungunya significa, no idioma africano Makonde, “aqueles que se 
dobram” ou “andar encurvado”, referência à forma como as pessoas infectadas se 
mostravam na primeira epidemia documentada no país, entre 1952 e 1953. 
 
No Brasil, há possibilidade de GRANDES EPIDEMIAS, devido a diversos fatores como: 
 
1) ampla infestação do vetores Aedes aegypti e o Aedes albopictus; 
2) circulação simultânea DENV e CHIKV, dificultando o diagnóstico e abordagem 
terapêutica; 
3) possibilidade de adaptação do CHIKV ao Aedes albopictus, como descrito em 
outros países; 
4) maior proporção de casos sintomáticos comparado ao vírus da dengue; 
5) maior período de viremia (até 8 dias depois do início da febre); 
6) susceptibilidade de toda população humana, favorecendo a disseminação 
rápida do vírus; 
7) abundância de espécies de primatas, juntamente com espécies de culicídeos 
nunca expostos ao CHIKV, oferecendo oportunidades de estabelecimento de ciclos 
silvestres até então presentes somente na África; 
8) e, finalmente, a extensão territorial do país, que dificulta a vigilância e o acesso 
de grande parte dos serviços de saúde aos testes laboratoriais de diagnóstico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Zika vírus 
O vírus Zika tem essa denominação, pois foi isolado pela primeira vez em 1947, em 
primatas na Floresta Zika em Uganda. 
Entre 1951 e 2013, foram notificadas evidências sorológicas em humanos em países 
africanos, asiáticos e da Oceania. Nas Américas, o vírus Zika foi identificado somente na 
Ilha de Páscoa (Chile) em 2014. É considerado endêmico no leste e oeste do continente 
africano, e evidências apontam que, a partir de 1966, o vírus tenha sido disseminado para 
a Ásia. 
O primeiro grande surto da doença causado pela infecção por Zika vírus foi notificado na 
ilha de Yap (Estados Federados da Micronésia) em 2007. 
Em julho de 2015, o Brasil notificou uma associação entre a infecção pelo vírus Zika e a 
síndrome de Guillain-Barré. Em outubro de 2015, o Brasil notificou uma associação entre a 
infecção pelo vírus Zika e a microcefalia (BRASIL, 2017b). 
Distribuição mundial do Zika vírus. 
 
Países com evidências anteriores ou atuais de transmissão de zika vírus (anterior a dezembro de 2015). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disseminação do Zika vírus no Brasil e a associação com a microcefalia 
 
 
Fonte: . Acesso em: 27 mar. 2018. 
Em 22 de outubro de 2015, o estado de Pernambuco notificou o Ministério da Saúde 
acerca de 26 casos de microcefalia, considerando-os um evento de importância para a 
saúde pública no estado. Em 23 de outubro de 2015, o Ministério da Saúde informou o 
evento à OMS. Nessa época, com base em dados epidemiológicos e testes laboratoriais 
realizados na FIOCRUZ-Pernambuco, principalmente a identificação do vírus no líquido 
cefalorraquidiano (LCR), a principal hipótese proposta pelos pesquisadores da 
FIOCRUZ-Pernambuco e o Grupo de Resposta de Emergência de Microcefalia (MERG) para o 
aumento acentuado nos casos de microcefalia foi a infecção por ZIKV na gravidez 
(BRASIL, 2017b). 
Com base em resultados preliminares de estudos clínicos, e investigações laboratoriais, o 
Ministério da Saúde reconheceu a associação entre a epidemia Zika e o aumento do 
número de microcefalia no Nordeste do Brasil. Em 11 de novembro de 2015, o 
Ministério da Saúde declara Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional 
(ESPIN). Um protocolo para detecção e investigação de casos de microcefalia foi logo 
estabelecido pelo Ministério da Saúde. A OMS declarou uma Emergência de Saúde 
 
Pública de Interesse Internacional no dia 1 de fevereiro de 2016; e, em 18 de novembro 
de 2016, como uma ameaça permanente de saúde pública (BRASIL, 2017b). 
 
 
 
 
 
 
O GLOBO. Tamanho, cor, hora da picada: infográfico mostra as 7 diferenças entre 
o mosquito da dengue e o pernilongo comum. O Globo, 2025. Disponível em: 
https://oglobo.globo.com/saude/guia/tamanho-cor-hora-da-picada-infografico-mo
stra-as-7-diferencas-entre-o-mosquito-da-dengue-e-o-pernilongo-comum.ghtml. 
Acesso em: 26 fev. 2025.

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