Prévia do material em texto
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO GRUPO MULTIVIX A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacan- do-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conheci- mento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquis - taram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de qualidade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como refe- rência em qualidade educacional. 2 APRESENTAÇÃO DA DIREÇÃO EXECUTIVA Aluno (a) Multivix, Estamos muito felizes por você agora fazer parte do maior grupo educacional de Ensino Superior do Espírito Santo e principalmente por ter esco- lhido a Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional. A Faculdade Multivix possui unidades em Cacho- eiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de cursos de graduação, pós-gradu- ação e extensão de qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na modalidade presencial quanto a distância. Além da qualidade de ensino já comprovada pelo MEC, que coloca todas as unidades do Grupo Multivix como parte do seleto grupo das Instituições de Ensino Superior de excelência no Brasil, contando com sete unidades do Grupo entre as 100 melhores do País, a Multivix preo- cupa-se bastante com o contexto da realidade local e com o desenvolvimento do país. E para isso, procura fazer a sua parte, investindo em projetos sociais, ambientais e na promoção de oportunidades para os que sonham em fazer uma faculdade de qualidade mas que precisam superar alguns obstáculos. Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é: “Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de qualidade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores.” Entendemos que a educação de qualidade sempre foi a melhor resposta para um país crescer. Para a Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o mundo à sua volta. Seja bem-vindo! - R E I T O R APRESENTAÇÃO DA DIREÇÃO EXECUTIVA Aluno(a) Multivix, Estamos muito felizes por você agora fazer parte do maior grupo educacional de Ensino Superior do Espírito Santo e principalmente por você ter escolhido a Multi- vix para fazer parte da sua trajetória profissional. A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de cursos de graduação, pós-graduação e extensão de quali- dade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na modalidade presencial quanto a distância. Além da qualidade de ensino já comprovada pelo MEC, que coloca todas as unidades do Grupo Multivix como parte do seleto grupo das Instituições de Ensino Superior de excelência no Brasil, contando com sete unidades do Grupo entre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa-se bastante com o contexto da realidade local e com o desenvolvimento do país. E para isso, procura fazer a sua parte, investindo em projetos sociais, ambientais e na promoção de oportunidades para os que sonham em fazer uma faculdade de qualidade mas que precisam superar alguns obstáculos. Buscamos a cada dia cumprir com nossa missão que é: “Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores.” Entendemos que a educação de qualidade sempre foi a melhor resposta para um país crescer. Para a Multi- vix, educar é mais que ensinar. É transformar o mundo à sua volta. Seja bem-vindo! Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretor Executivo do Grupo Multivix Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretor Executivo do Grupo Multivix 3 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 4 BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) Janaína Ferreira de Lima, Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso / Ferreira de Lima, Janaína - Multivix, 2024. Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2024 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 5 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Lista de Quadros UNIDADE 1: Quadro 1: Políticas Públicas na Saúde do Idoso 28 UNIDADE 2: Quadro 1: Florence Nightingale e a lâmpada tradicional 48 Quadro 2: Teorias biológicas 49 Quadro 3: Teorias psicossociais 50 UNIDADE 3: Quadro 1: Domínios funcionais 61 Quadro 2: Síndromes Geriátricas 62 Quadro 3: Tipos de incontinência urinária 66 UNIDADE 4: Quadro 1: Etapas do Processo de Enfermagem 83 Quadro 2: Guia para Consulta de Enfermagem 86 Quadro 3: Exame Físico no Idoso 88 Quadro 4: Principais teorias da Enfermagem 91 6 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso UNIDADE 5: Quadro 1: Cuidados de enfermagem ao idoso hipertenso 103 Quadro 2: Cuidados de enfermagem ao idoso hipertenso 105 Quadro 3: Indicadores objetivos e subjetivos da saúde renal 111 UNIDADE 6: Quadro 1: Padrões da Associação Americana de Enfermeiros para a prática da Enfermagem Gerontológica 124 Quadro 2: Diretrizes no cuidado ao idoso hospitalizado 129 Quadro 3: Imunização 138 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 7 Lista de Figuras UNIDADE 1: Figura 1: População residente no Brasil 19 Figura 2: O envelhecimento e suas diversidades 23 Figura 3: Década do Envelhecimento Saudável 26 UNIDADE 2: Figura 1: Admirando a vida 42 Figura 2: Marcas do envelhecimento 46 Figura 3: Funcionalidade no envelhecimento 52 Figura 4: O namoro na terceira idade 55 UNIDADE 3: Figura 1: Título da Imagem: Polifarmácia 64 Figura 2: Incontinência urinária em idosos 66 Figura 3: Alteração no sono 69 Figura 4: Depressão na terceira idade 72 Figura 5: Alzheimer 76 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 8 UNIDADE 4: Figura 1: Atendimento ao idoso 82 Figura 2: Anotação de enfermagem 85 Figura 3: Exame Físico no Idoso 87 Figura 4: Assistência de Enfermagem 90 Figura 5: Manual de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa 93 UNIDADE 5: Figura 1: Idoso fragilizado 101 Figura 2: Idoso com Diabetes Mellitus 109 Figura 3: Tosse em idoso 115 Figura 4: Vacinação de idosos 119 UNIDADE 6: Figura 1: Felicidade 125 Figura 2: Idoso Hospitalizado 128 Figura 3: Idoso Institucionalizado 131 Figura 4: Atendimento Domiciliar 134 9 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Sumário APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 15 UNIDADE 1 1 A POPULAÇÃO IDOSA BRASILEIRA 18 1.1 TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA E EPIDEMIOLÓGICA: O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA 18 1.1.2 O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL BRASILEIRO E AS NECESSIDADES DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE 21 1.1.3 ENVELHECIMENTO ATIVO E ATIVIDADES DE PROMOÇÃO À SAÚDE 24 1.2pacientes mais velhos. Por meio de avaliações de risco de quedas, intervenções personalizadas e educação do paciente e da família, os enfermeiros podem ajudar a reduzir significativamente o risco de quedas e suas consequências adversas. Isso inclui a identificação de fatores de risco individuais, como fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, uso de certos medicamentos e deficiências senso- riais, e a implementação de estratégias para mitigar esses riscos (Santos et al., 2021). Além disso, os enfermeiros desempenham um papel fundamental na promoção de ambientes seguros para os idosos, tanto em ambientes hospi- talares quanto em configurações comunitárias. 54 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Isso envolve a organização de espaços físicos para reduzir obstáculos e perigos, bem como a implementação de protocolos de segurança, como o uso de barras de apoio, tapetes antiderrapantes e iluminação adequada. Ao colaborar com uma equipe multidisciplinar e adotar uma abordagem holís- tica no cuidado do idoso, os enfermeiros desempenham um papel essen- cial na prevenção de quedas e na promoção da segurança e bem-estar dos idosos (Santos et al., 2021). 2.2.3 SEXUALIDADE NA VELHICE A sexualidade na terceira idade é alvo de mitos e tabus, sendo que a socie- dade acredita que idosos são pessoas assexuadas. Um olhar voltado para a sexualidade após os 60 anos, de forma geral, é negado por nossa cultura. Os idosos são capazes de ter experiências sexuais prazerosas, mas, para que isso ocorra, é preciso que eles tenham consciência e conhecimento das mudanças que acontecem no seu corpo e do seu parceiro, para que a sexu- alidade possa ser vivenciada de forma positiva (Koopamans et al., 2013). As mudanças fisiológicas no envelhecimento podem influenciar na resposta sexual dos idosos. As alterações na fisiologia sexual masculina não ocorrem igualmente para todos os homens e se caracterizam quanto aos aspectos: ereção mais flácida, sendo ne cessário mais tempo para alcançar o orgasmo; as ere ções involuntá- rias noturnas diminuem; ejaculação retardada e redução do líquido pré-eja- culatório. Já na fisiologia feminina, as alterações se ini ciam na fase da meno- pausa, com a diminuição dos hormônios ovarianos; a pele tende a ficar mais fina e seca; a lubrificação vaginal diminui, podendo ocorrer a dispaurenia; o orgasmo dura menos, devido às contrações vagi nais estarem mais fracas e em menor número (Araujo; Freiras; Timoteo, 2022). A sexualidade, vivida com paixão e intensidade durante a juventude, não tem porque não ser vivida da mesma maneira quando nos tornamos idosos. Ela é muito mais do que sexo, corresponde a uma função humana de dimensão psicossocial, que não é regida, exclusivamente, por instinto. A sexualidade envolve sentimentos, carícias, palavras, comportamentos que vão desde o nascimento até a morte, o que evidencia o desejo sexual, que permanece 55 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso intacto, e a persistência da vontade de intimidade e afetividade, tão repri- mida na velhice (Braga; Galleguillos, 2014). Eliopoulos (2010) diz em seu livro que com boa saúde e disponibilidade de um parceiro, a atividade sexual pode continuar até a sétima década de vida ou mais. Essa faixa etária pode encontrar e realmente encontra satisfação nos prazeres das preliminares e do ato sexual. Figura 4: O namoro na terceira idade Fonte: Kristo-Gothard Hunor, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem temos um casal de idosos heterossexuais se beijando. A Enfermagem está diretamente envolvida com a sexualidade dos idosos, pois as práticas do cuidado remetem ao contato com os corpos, com a inti- midade e com o erótico. O enfermeiro deve ter a mente aberta e responder questões diretamente, sem rodeios ou embaraços, mostrando que quer discutir a respeito do assunto, que há interesse por isso, além de mostrar provas científicas sobre 56 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso alguns assuntos, quando os idosos desejarem. Deve estar preparado para ouvir atentamente, mostrando interesse pelo que eles vão falar e enxergar os idosos como indivíduos que têm necessidades sexuais (Araujo; Freiras; Timoteo, 2022). 57 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso CONCLUSÃO À medida que a população mundial envelhece, compreender as alterações fisiológicas associadas ao processo de envelhecimento se torna fundamental para oferecer cuidados de enfermagem adequados. Essas mudanças fisiológicas podem predispor os idosos a uma variedade de condições de saúde, tornando essencial uma abordagem holística na prática de enfermagem para lidar com os desafios decorrentes dessas alterações. Esses desafios podem incluir a gestão de condições crônicas, a diminuição da funcionalidade e as questões psicossociais associadas ao envelhecimento, como solidão e isolamento social. Entender as alterações fisiológicas e as teorias do envelhecimento é essen- cial para os enfermeiros proporcionarem cuidados de qualidade aos idosos. Ao integrar esses elementos em sua prática, os enfermeiros podem desem- penhar um papel significativo na melhoria da qualidade de vida e no cuidado holístico da população idosa. 58 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, veja as indicações a seguir. 1. PARANÁ. Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Superintendência de Atenção à Saúde. P223a Avaliação multidimensional do idoso. Curitiba: SESA, 2017, p. 6 -26. Disponível em: https://www.saude.pr.gov.br/sites/ default/arquivos_restritos/files/documento/2020-04/avaliacaomultiddoi- doso_2018_atualiz.pdf. Acesso em: 28 mar. 2024. 2. ALÉM do Aposento. Envelhescência: Documentário Completo. [S. l.]. 19 set. 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=i4cLyL- dK5EA. Acesso em: 28 mar. 2024. 3. CHAIMOWICZ, Flávio et al. Saúde do idoso. 2. ed. Belo Horizonte: NESCON UFMG, 2013. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblio- teca/imagem/3836.pdf. Acesso em: 28 mar. 2024. 4. BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim temático da biblioteca do Minis- tério da Saúde. v. 1, n. 1, mar. 2021. Brasília: Ministério da Saúde, 2021, p. 6 a 11. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/boletim_tematico/ saude_idoso_outubro_2022-1.pdf. Acesso em 28 mar. 2024. 5. MOLETA, Anna Carla. Enfermagem na saúde do idoso. Londrina: Educa- cional, 2017, p. 9 a 22. Disponível em: https://cm-kls-content.s3.amazo- naws.com/201702/INTERATIVAS_2_0/ENFERMAGEM_NA_SAUDE_DO_ IDOSO/U1/LIVRO_UNICO.pdf. Acesso em: 28 mar. 2024. https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2020-04/avaliacaomultiddoidoso_2018_atualiz.pdf https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2020-04/avaliacaomultiddoidoso_2018_atualiz.pdf https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2020-04/avaliacaomultiddoidoso_2018_atualiz.pdf https://www.youtube.com/watch?v=i4cLyLdK5EA https://www.youtube.com/watch?v=i4cLyLdK5EA https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/3836.pdf https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/3836.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/boletim_tematico/saude_idoso_outubro_2022-1.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/boletim_tematico/saude_idoso_outubro_2022-1.pdf https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201702/INTERATIVAS_2_0/ENFERMAGEM_NA_SAUDE_DO_IDOSO/U1/LIVRO_UNICO.pdf https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201702/INTERATIVAS_2_0/ENFERMAGEM_NA_SAUDE_DO_IDOSO/U1/LIVRO_UNICO.pdf https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/201702/INTERATIVAS_2_0/ENFERMAGEM_NA_SAUDE_DO_IDOSO/U1/LIVRO_UNICO.pdf Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 59 OBJETIVOS Ao final desta unidade, esperamos que possa: Descrever os principais problemas clínicos de idosos. Analisar as alterações na saúde mental dos idosos. UNIDADE 3 60 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 3 PRINCIPAIS ALTERAÇÕES CLÍNICAS NOS IDOSOS O aumento da longevidade e ocrescente interesse na melhoria da qualidade de vida dos idosos têm impulsionado iniciativas para prolongar o período de atividade, prevenir perdas funcionais e restaurar habilidades (Gonçalves; Tourinho, 2012). O processo de envelhecimento traz consigo uma série de mudanças bioló- gicas, psicológicas e culturais, que afetam tanto o indivíduo quanto seu ambiente familiar e social. É fundamental encarar esse processo como uma etapa natural da vida, não apenas focalizando aspectos relacionados à doença, mas também abrangendo uma perspectiva ampla de saúde (Fechine; Trompieri, 2012). No contexto da prática de enfermagem com idosos, é essencial basear-se em evidências científicas, adotando uma abordagem fundamentada nesta prática, enquanto se cultivam habilidades interpessoais e se promove a inclusão da família. É crucial considerar as expectativas e necessidades dos idosos dentro de seu contexto, visando à promoção da saúde de forma holística e de alta qualidade (Gonçalves; Tourinho, 2012; Kawamoto; Fortes, 2011). 3.1 ABORDAGEM DOS PROBLEMAS CLÍNICOS DE IDOSOS Para iniciarmos esta temática, faz-se necessário compreender o significado de senilidade e senescência. Senilidade engloba as doenças vinculadas ao envelhecimento, ou seja, aquelas condições mais prevalentes em idades avançadas, as quais, se não controladas ou monitoradas adequadamente, podem comprometer signifi- cativamente a capacidade funcional (Brasil, 2023). Já senescência é o processo de envelhecimento “normal”. É marcado por alterações físicas, funcionais e psicológicas que ocorrem de maneira gradual 61 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso e quase imperceptível ao longo da vida de um indivíduo (Brasil, 2023). Essas doenças podem ser resultado de predisposições genéticas, bem como estar ligadas a fatores ambientais e escolhas de estilo de vida. Além disso, podem afetar tanto a capacidade física quanto a intelectual, influenciando aspectos como atenção, memória, raciocínio, fala e reflexos. Essas mudanças podem impactar diversos aspectos da vida do idoso e de seus familiares (Cançado; Alanis; Horta, 2017). Mesmo enfrentando condições de saúde adversas, os idosos podem conti- nuar desempenhando seus papéis na sociedade. Para isso, é crucial intro- duzir um novo indicador de saúde: a capacidade funcional. Este conceito se concentra na habilidade global de um indivíduo para administrar sua vida e cuidar de si próprio (Gonçalves; Tourinho, 2012). Conforme a Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2003, o declínio funcional é caracterizado pela perda de autonomia e/ou independência, limitando a participação social do indivíduo (Brasil, 2007). Por sua vez, a independência e a autonomia estão diretamente ligadas ao funcionamento integrado e equilibrado dos seguintes domínios funcionais. Cognição É a capacidade mental de compreender e resolver adequadamente os problemas do cotidiano. Humor/ Comportamento É a motivação necessária para a realização das atividades e/ ou participação social. Inclui também o comportamento do indivíduo, que é afetado pelas outras funções mentais, como senso-percepção, pensamento e consciência. Mobilidade É a capacidade individual de deslocamento e de manipulação do meio. Por sua vez, a mobilidade depende de quatro subsistemas funcionais: a capacidade aeróbica e muscular (massa e função), o alcance/preensão/pinça (membros superiores) e a marcha/ postura/transferência. A continência esfi-ncteriana é também considerada um subdomínio da mobilidade, pois a sua ausência (incontinência esfi¬ncteriana) é capaz de interferir na mobilidade e restringir a participação social do indivíduo. Comunicação É a capacidade de estabelecer um relacionamento produtivo com o meio, trocar informações, manifestar desejos, ideias e sentimentos. Depende de três subsistemas funcionais: visão, audição e produção/motricidade orofacial. Esta é representada pela voz, fala e mastigação/deglutição. Quadro 1: Domínios funcionais 62 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Paraná, 2018. #PraTodosVerem: Quadro com os domínios funcionais Cognição, Humor/ Comportamento, Mobilidade e Comunicação e suas respectivas explicações. Assim, quando um idoso que costumava ser independente começa a perder uma função, não devemos simplesmente atribuir isso à idade avançada. Em vez disso, pode haver um sinal precoce de doença ou de um conjunto de condições não tratadas, que muitas vezes não apresentam sinais típicos. Se o idoso passa a depender de assistência para realizar atividades devido a limitações físicas ou cognitivas, é importante iniciar uma investigação clínica abrangente (Chaimowicz, 2013). O principal desafio enfrentado pela Geriatria é lidar com os problemas mais comuns que afetam os idosos. Isso inclui a identificação e o tratamento das chamadas “Síndromes Geriátricas”, conhecidas como “IS”. Essas síndromes incluem a Imobilidade, a Instabilidade Postural, a Incontinência, a Insufici- ência Cerebral, a Iatrogenia, a Insuficiência Familiar e a Incapacidade Comu- nicativa (Morais; Marino; Santos, 2010). Quadro 2: Síndromes Geriátricas 63 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Morais; Marino; Santos; 2010. #PraTodosVerem: A imagem mostra um organograma com as síndromes geriátricas. Elas são caracterizadas por complexidade terapêutica, múltiplas causas, falta de risco de vida iminente e impacto severo na qualidade de vida dos pacientes, muitas vezes afetando também seus familiares. Essas síndromes podem ocorrer isoladamente ou em combinação, resultando em danos funcionais significativos que limitam a capacidade do indivíduo de realizar atividades cotidianas (Cançado; Alanis; Horta, 2017). 3.1.1 IATROGENIA E PROBLEMAS COM MEDICAMENTOS A iatrogenia em idosos é um aspecto crítico da prática médica e do cuidado geriátrico. O termo “iatrogenia” refere-se aos danos causados aos pacientes como resultado de intervenções médicas, sejam elas diagnósticas, terapêu- ticas ou preventivas (Braga; Galleguillos, 2014). Nos idosos, a iatrogenia pode ser especialmente preocupante devido a uma série de fatores. Primeiramente, os idosos geralmente apresentam múltiplas condições clínicas e fazem uso de diversos medicamentos prescritos. Isso aumenta o risco de interações medicamentosas e efeitos colaterais adversos, especialmente porque o metabolismo e a eliminação de medicamentos podem ser mais lentos nessa faixa etária (Braga; Galleguillos, 2014). Além disso, o risco de iatrogenia nos idosos também pode ocorrer devido ao fato de eles terem taxas mais elevadas de analfabetismo, o que pode preju- dicar a compreensão e a utilização correta das prescrições médicas (Brasil, 2023). Os idosos podem ser mais vulneráveis a complicações de procedimentos médicos invasivos devido a fragilidades físicas, como diminuição da reserva fisiológica, fragilidade óssea e redução da capacidade de cicatrização (Contreira-Júnior et al., 2020). Outro fator importante é que a iatrogenia também pode surgir devido a falhas na comunicação entre profissionais de saúde, falta de coor- denação nos cuidados, erros de medicação, procedimentos cirúrgicos 64 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso desnecessários ou inapropriados, entre outros (Contreira-Júnior et al., 2020; Brunner; Suddarth, 2015). A iatrogenia medicamentosa é um importante capítulo da geriatria. Idosos em geral acumulam doenças crônicas que requerem tratamento farmaco- lógico contínuo com número cada vez mais alto de medicamentos (“polifar- mácia”) (Paraná, 2017). Portanto, é fundamental que os profissionais de saúde, incluindo a enfer- magem, estejam atentos aos riscos de iatrogenia em idosos e adotem abor- dagens cuidadosas e individualizadas ao planejar e administrar cuidados médicos. Reflita Qual é a razão de os idosos tomarem tantos medica- mentos? Há formas de reduzir o número dessas drogas?Que problemas podem estar envolvidos na utilização de tantas medicações? Figura 1: Título da Imagem: Polifarmácia 65 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: GPESEG. Escola de Enfermagem Anna Nery/ UFRJ, 2015. #PraTodosVerem: Na imagem temos uma mão de um idoso segurando muitos medicamentos. Isso inclui uma revisão regular da lista de medicamentos, comunicação eficaz entre os membros da equipe de saúde, envolvimento do paciente e seus familiares nas decisões de tratamento e uma abordagem centrada no paciente que leve em consideração as preferências, metas e os valores do idoso. Ao reduzir os riscos de iatrogenia, podemos melhorar a segurança e a qualidade dos cuidados prestados aos idosos (Sales et al., 2023). 3.1.2 INCONTINÊNCIA URINÁRIA E FECAL A incontinência é caracterizada pela perda do controle esfincteriano e é uma síndrome geriátrica que pode se manifestar como incontinência urinária, fecal ou ambas. A capacidade de manter a continência depende da inte- gridade anatômica do trato, dos mecanismos fisiológicos de enchimento e esvaziamento da bexiga e do intestino, da capacidade cognitiva, da mobili- dade, da destreza manual e da motivação para usar o banheiro (Sales et al., 2023, 2019; Brasil, 2006). Embora a incontinência urinária seja mais comum que a fecal, ambas podem ter impactos significativos na mobilidade, limitando a participação social dos idosos. A incontinência fecal é uma condição anorretal caracterizada pela evacu- ação involuntária de fezes, que pode incluir tanto a perda de fezes líquidas quanto sólidas, bem como a liberação involuntária de gases (Hospital Israe- lita Albert Einstein, 2020). • Incontinência Urinária (IU) A incontinência urinária (IU) é categorizada como transitória ou estabele- cida. A IU transitória é caracterizada por um período curto de evolução, com início repentino, frequentemente associado a uma condição clínica aguda ou ao uso de medicamentos, e tende a ser resolvida após o tratamento da causa subjacente (Brasil, 2023). 66 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Figura 2: Incontinência urinária em idosos Fonte: Toa55, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na foto há uma senhora sentada no sofá, mostrando somente suas pernas e a barro do vestido, sem mostrar seu rosto. À frente dessa senhora, há uma pessoa agachada no chão, vestindo uma fralda geriátrica na senhora que está sentada. Os tipos de IU são: INCONTINÊNCIA DE ESFORÇO: ocorre quando há uma fraqueza dos músculos pélvicos que dão suporte à bexiga ou quando há fraqueza ou lesão do esfíncter uretral. Nesse tipo de incontinência urinária, pode acontecer o vazamento de urina quando há qualquer atividade que force o abdome, como tossir, espirrar, dar risada, carregar peso ou até mesmo andar. URGEINCONTINÊNCIA: é o tipo de incontinência que acontece quando a bexiga se contrai de forma involuntária. É possível ter a sensação de que é preciso correr para o banheiro, mas muitas vezes não é possível chegar a tempo de evitar o escape de urina. Algumas vezes pode se perder urina sem que haja nenhum sinal antes. Em alguns casos, os pacientes vão ao banheiro com intervalos muito curtos e acordam várias vezes durante o sono para esvaziar a bexiga. Quadro 3: Tipos de incontinência urinária 67 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Brasil, 2023. #PraTodosVerem: O quadro apresenta quatro tipos de incontinência urinária e suas explicações. INCONTINÊNCIA POR TRANSBORDAMENTO: nessa situação, a bexiga fica tão cheia que chega a transbordar. A causa desse tipo de incontinência se dá pelo enfraquecimento do músculo da bexiga ou pela obstrução da saída de urina. O aumento da próstata pode resultar nessa obstrução, sendo esse tipo de incontinência mais frequente em homens. O enfraquecimento do músculo da bexiga pode ocorrer tanto em homens como em mulheres, mas ocorre principalmente em pacientes com diabetes, etilismo crônico e alguns tipos de distúrbios neurológicos. INCONTINÊNCIA AMBIENTAL OU FUNCIONAL: acontece quando a pessoa não consegue chegar ao banheiro ou não tem acesso a um urinol quando precisa. Nesses casos, embora o sistema urinário funcione bem, limitações físicas, mentais ou outras circunstâncias impedem que a pessoa utilize normalmente o banheiro. Um exemplo é o caso de pacientes com demências, que, em algumas situações, esquecem que precisam ir ao banheiro. A IU pode estar associada aos seguintes aspectos. Delirium: um estado confusional agudo causado por diversos fatores, porém sempre passível de reversão e associado a causas clínicas, como pneumonia, infecção urinária, impactação fecal, entre outras. Infecção urinária: caracterizada pela irritação do trato urinário devido à infecção, comum em idosos e nem sempre manifestada por sintomas uriná- rios. Uretrite e vaginite atrófica: a deficiência estrogênica na menopausa afeta a fisiologia dos tecidos do trato geniturinário, resultando em incontinência urinária, urgência urinária e disúria. Restrição da mobilidade: limita o acesso ao banheiro, contribuindo para problemas urinários. Aumento do débito urinário: causado por ingestão excessiva de líquidos, hiperglicemia, distúrbios metabólicos, como hipercalciúria e insuficiência cardíaca (que pode resultar em nictúria patológica). Medicamentos: são uma das causas mais comuns de incontinência urinária, agindo por vários mecanismos. Diuréticos (especialmente furosemida), halo- peridol, diazepam, amitriptilina e betabloqueadores estão entre os fármacos 68 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso mais comumente associados. Além disso, o álcool e a cafeína também podem contribuir para a incontinência urinária. Impactação fecal: a impactação fecal pode causar irritação na bexiga e obstrução na uretra, dificultando a passagem da urina e levando à inconti- nência urinária. Distúrbios psicológicos: a depressão pode levar à apatia geral, incluindo a falta de interesse em urinar (Brasil, 2023; Brunner; Suddarth, 2015). Curiosidade Um fato interessante sobre incontinência urinária em idosos é que, apesar de ser mais comum entre as mulheres, especialmente após a menopausa, os homens também podem desenvolver esse problema à medida que enve- lhecem. A incontinência urinária masculina muitas vezes está associada a condições médicas como hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata), cirurgias uroló- gicas ou lesões na região pélvica. A conscientização sobre esse aspecto é importante para garantir que homens idosos também recebam a devida atenção e o tratamento adequado para essa questão de saúde (Braga; Galleguillos, 2014). Trata-se de uma questão de saúde significativa, cujos efeitos negativos afetam as atividades diárias e a qualidade de vida, podendo levar a condi- ções como depressão, ansiedade, redução da produtividade no trabalho e isolamento social (Fundação Oswaldo Cruz, 2018). 3.1.3 ALTERAÇÕES NO PADRÃO DE SONO O sono, ocupando cerca de um terço da vida humana, é uma função fisioló- gica essencial para o bem-estar. Disrupções no sono podem levar a sintomas 69 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso como sonolência diurna, fadiga, dificuldade de memória e concentração, além de aumentar o risco de erros e acidentes (Forlenza, 2023). Os transtornos do sono estão ligados a vários problemas de saúde e, se não tratados adequadamente, podem contribuir para a refratariedade de diversos quadros médicos e neuropsiquiátricos (Chaimowicz, 2013). Com o avanço da idade, a vulnerabilidade a distúrbios do sono aumenta, devido a alterações físicas e fisiológicas, maior prevalência de comorbi- dades, polifarmácia e fatores psicossociais, como rotinas irregulares de sono (Forlenza, 2023). Figura 3: Alteração no sono Fonte: Instituto de Especialidade e Sono, 2015. #PraTodosVerem: Na imagem, observamos uma senhora vestindo pijama listrado, sentada na cama e segurando uma xícara. Seu olhar é direcionado para a janela, que está fechada. O quarto está inundadode luz, criando uma atmosfera luminosa e serena. Pacientes com insônia enfrentam dificuldades para iniciar ou manter o sono. Esses sintomas afetam até 50% dos adultos acima de 65 anos, com 12 a 40% atendendo aos critérios de transtorno de insônia. A insônia crônica está associada a riscos aumentados de morbidade e mortalidade, além de piorar desfechos em condições como depressão, quedas, acidente vascular cerebral, declínio cognitivo e funcional (Forlenza, 2023). 70 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso As abordagens não farmacológicas são preferenciais no tratamento da insônia em idosos, devido aos significativos efeitos adversos das medicações hipnóticas, que incluem sedação excessiva, comprometimento cognitivo e risco de quedas (Forlenza, 2023; Brunner; Suddarth, 2015). Os hábitos de higiene do sono são práticos e devem ser oferecidos a todos, enquanto a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-i) é o trata- mento não farmacológico mais respaldado pela evidência, com eficácia comparável ao tratamento medicamentoso, além de oferecer resultados mais duradouros (Paraná, 2018). A comorbidade com transtornos do sono é comum em idosos, resultando de diversos fatores, como condições médicas e psiquiátricas, polifarmácia e características do envelhecimento. A identificação desses distúrbios pode ser desafiadora devido à complexidade envolvida, mas é crucial devido à associação com maior morbidade e mortalidade. Os profissionais de saúde devem estar atentos e avaliar regularmente o sono como parte dos cuidados de saúde global, encaminhando os pacientes para especialistas, quando necessário (Forlenza, 2023). 3.2 SAÚDE MENTAL À medida que a população mundial envelhece, a atenção à saúde mental dos idosos se torna cada vez mais crucial. O avanço da idade frequentemente traz consigo uma série de desafios psicológicos e emocionais que podem impactar significativamente a qualidade de vida dos idosos (Forlenza, 2023). Saiba Mais Pesquisa do IBGE aponta que idosos são os mais afetados pela depressão. Confira a matéria completa acessando o link disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/ pesquisa-do-ibge-aponta-que-idosos-sao-os-mais-afeta- dos-pela-depressao/. Acesso em: 15 abr. 2024. https://jornal.usp.br/atualidades/pesquisa-do-ibge-aponta-que-idosos-sao-os-mais-afetados-pela-depressao/ https://jornal.usp.br/atualidades/pesquisa-do-ibge-aponta-que-idosos-sao-os-mais-afetados-pela-depressao/ https://jornal.usp.br/atualidades/pesquisa-do-ibge-aponta-que-idosos-sao-os-mais-afetados-pela-depressao/ 71 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso A saúde mental na terceira idade não só afeta o bem-estar individual, mas também tem implicações sociais e econômicas, destacando a importância de abordagens holísticas e sensíveis às necessidades específicas desse grupo demográfico (Brasil, 2023). 3.2.1 DEPRESSÃO E ANSIEDADE EM IDOSOS Os idosos enfrentam uma gama diversa de fatores de risco para problemas de saúde mental, como doenças crônicas, luto pela perda de entes queridos, isolamento social, questões financeiras e declínio cognitivo (IBGE, 2020). Estigmas culturais e falta de acesso a serviços de saúde mental podem agravar ainda mais esses desafios. Portanto, compreender e atender às necessidades psicológicas dos idosos é essencial para promover um enve- lhecimento saudável e garantir que desfrutem de uma vida plena e signifi- cativa em suas últimas décadas (IBGE, 2020). • Depressão A prevalência da depressão entre os idosos é um desafio significativo, frequen- temente subestimado e subdiagnosticado. Estudos sugerem que cerca de metade dos casos permanecem sem detecção, destacando a urgência de maior atenção a essa questão (Forlenza, 2023). Além de impactar diretamente a qualidade de vida dos idosos afetados, o transtorno depressivo também reverbera nas vidas de seus familiares, criando um fardo emocional adicional (IBGE, 2020) Para os idosos, a depressão pode representar não apenas uma diminuição na qualidade de vida, mas também uma deterioração da independência e capacidade de realizar tarefas cotidianas sem assistência, o que destaca ainda mais a importância de intervenções eficazes nessa população vulne- rável (Forlenza, 2023). Diversos fatores estão correlacionados com um aumento do risco de desen- volver depressão em idosos. Estes incluem, entre outros, o sexo feminino, idade avançada, status civil solteiro ou divorciado, níveis educacionais mais baixos, desemprego ou baixa renda, autoestima diminuída, experiências 72 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso traumáticas na infância, sentimentos de solidão e isolamento social, luto recente, comprometimento cognitivo, uso de substâncias e histórico prévio de depressão (Kitamura et al., 2022). Esses fatores, muitas vezes interligados, podem contribuir para um cenário propício ao desenvolvimento e à persistência da depressão em idosos, exigindo uma abordagem multifacetada e sensível para a prevenção e o tratamento dessa condição (Kitamura et al., 2022). A depressão frequentemente segue um curso insidioso, dificultando sua detecção não apenas pelo paciente, mas também pelos familiares e até mesmo pelos profissionais de saúde envolvidos no cuidado do idoso (Gonçalves; Tourinho, 2012). Os idosos podem manifestar sintomas depressivos de maneira atípica, não necessariamente expressando tristeza, mas sim retraimento, apatia e falta de energia. Em alguns casos, concentram-se mais em queixas somáticas do que emocionais (Brasil, 2023). Figura 4: Depressão na terceira idade Fonte: Lourenço, 2021. #PraTodosVerem: Na imagem, vemos uma senhora de perfil, em um cenário em tons de preto e branco, destacando seus cabelos grisalhos. Sua mão repousa delicadamente na testa, enquanto seu olhar parece estar voltado para baixo, sugerindo uma expressão de tristeza. 73 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Embora o comprometimento cognitivo não faça parte dos critérios diag- nósticos da depressão, essa é uma associação frequente, o que torna ainda mais desafiador o reconhecimento e manejo dessa condição em idosos (Gonçalves; Tourinho, 2012). • Ansiedade É frequente que os idosos experimentem sintomas ansiosos, que nem sempre indicam um distúrbio psicológico subjacente. No entanto, quando esses sintomas persistem e afetam a funcionalidade, podem sinalizar a presença de transtornos de ansiedade, condições que exigem atenção espe- cífica (Guimarães; Silva; Carvalho, 2020). Diferentemente da depressão, os transtornos de ansiedade são muito preva- lentes na população idosa, ainda que em menor grau, se comparada à popu- lação adulta jovem (Guimarães; Silva; Carvalho, 2020). O transtorno de ansie- dade generalizada (TAG) é comum em idosos, afetando entre 1,2% e 11,2% da população nesta faixa etária (Forlenza, 2023). Caracteriza-se por preocupações excessivas sobre vários aspectos da vida, acompanhadas por ansiedade persistente e dificuldade em controlar esses sentimentos (Gonçalves; Tourinho, 2012). Os sintomas incluem medo, apre- ensão e inquietação, que ocorrem na maioria dos dias, afetando tanto o bem-estar físico quanto o emocional. Esse transtorno muitas vezes passa despercebido, especialmente devido à sobreposição a sintomas físicos do envelhecimento normal, complicando o diagnóstico em um contexto de polifarmácia e comorbidades clínicas (Kitamura et al., 2022). Fatores como gênero feminino, eventos de vida estressantes e presença de outras condições médicas crônicas contribuem para o desenvolvimento do TAG, uma condição crônica que pode persistir por décadas (Kitamura et al., 2022). 74 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 3.2.2 DEMÊNCIA, CONFUSÃO MENTAL E DOENÇA DE ALZHEIMER A demência, incluindo o Alzheimer, e a confusão mental representam desa- fios significativos na saúde dos idosos, afetando não apenas os indivíduos, mas também suas famílias e seus cuidadores (Barbosa; Mota, 2023). A demência é uma síndromecaracterizada pela perda progressiva da função cognitiva, interferindo nas atividades diárias e na qualidade de vida. Entre as diversas formas de demência, a doença de Alzheimer é a mais comum, marcada por deterioração cognitiva gradual e perda de memória (Leite et al., 2020). Paralelamente, a confusão mental, muitas vezes associada a distúrbios agudos e reversíveis, apresenta sintomas como desorientação, alterações no comportamento e no estado de consciência, podendo ser desencadeada por fatores como infecções, desequilíbrios metabólicos ou uso de medica- mentos. Uma compreensão abrangente dessas condições é essencial para o diag- nóstico precoce, tratamento adequado e implementação de medidas de suporte eficazes para os idosos e seus cuidadores (Silva et al., 2023). A enfermagem desempenha um papel fundamental no cuidado de pacientes com demência, Alzheimer e confusão mental no idoso, oferecendo uma variedade de intervenções para promover o bem-estar e a qualidade de vida (Leite et al., 2020). Primeiramente, os enfermeiros estão envolvidos na avaliação e no moni- toramento contínuo dos sintomas, identificando mudanças no estado de saúde do paciente e adaptando o plano de cuidados conforme necessário. Eles também desempenham um papel crucial na educação dos pacientes, familiares e cuidadores sobre as condições, fornecendo informações sobre o curso da doença, estratégias de gerenciamento de sintomas e promoção de um ambiente seguro em casa (Silva et al., 2023). Além disso, os enfermeiros ajudam na administração de medicamentos prescritos, garantindo a adesão ao tratamento e monitorando os possíveis efeitos colaterais. 75 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Eles também podem colaborar com outros profissionais de saúde, como médicos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, para fornecer uma abordagem interdisciplinar e abrangente ao cuidado do paciente (Barbosa; Mota, 2023). Outras intervenções incluem o apoio emocional ao paciente e à família, o incentivo à participação em atividades de estimulação cognitiva e física e a implementação de medidas para garantir a segurança do ambiente, preve- nindo quedas e lesões (Leite et al., 2020). Em resumo, a enfermagem desempenha um papel multifacetado e holís- tico no cuidado de pacientes com demência, Alzheimer e confusão mental, visando melhorar sua qualidade de vida e proporcionar suporte tanto ao paciente quanto à família. Muitos idosos que sofrem de Doença de Alzheimer (DA) não são diagnos- ticados, uma vez que os sintomas são frequentemente confundidos com lapsos de memória acometidos pelo envelhecimento (Forlenza, 2012). A progressão dessa condição é dividida em diferentes fases, começando pela fase pré-sintomática, caracterizada por mudanças no humor, seguida pela fase sintomática, na qual percebe-se a deterioração cognitiva, a perda de independência funcional e mudanças comportamentais (Leite et al., 2020). Na fase avançada da DA, ocorre o comprometimento da memória de longo prazo, que abrange as memórias adquiridas ao longo de toda a trajetória de vida do paciente. Nesse estágio, a supervisão desse indivíduo torna-se neces- sária para as atividades básicas, e é comum o aparecimento de alterações comportamentais, como agressividade, irritabilidade e até mesmo alucina- ções (Forlenza, 2012). Na fase final da doença, o idoso perde completamente a capacidade de se comunicar, deixando de reconhecer familiares e amigos. Nesse estágio, ele se torna completamente dependente de cuidados em tempo integral, necessitando de assistência constante para todas as atividades da vida diária (Kitamura et al., 2022). 76 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Atenção Um tópico crucial para a doença de Alzheimer é a promoção da segurança do paciente. Isso abrange medidas para prevenir quedas, administrar corretamente medicamentos, minimizar agitação e comportamentos de risco e prevenir o desaparecimento do paciente. A segu- rança é fundamental para garantir um ambiente seguro e protegido para os pacientes, reduzindo o risco de lesões e promovendo seu bem-estar geral (Brasil, 2006). À medida que a Doença de Alzheimer progride, é comum o esquecimento de atividades de autocuidado, como tomar banho, usar o banheiro e trocar de roupa. Com isso, torna-se indispensável a presença constante de um cuidador para fornecer assistência nas atividades diárias (Braga; Galleguillo, 2014). O cuidador de idosos portadores de DA desempenha um papel crucial, assu- mindo a responsabilidade direta por esses indivíduos, consequentemente, alterando sua rotina diária e influenciando em sua qualidade de vida, aumen- tando a probabilidade de enfrentar complicações físicas e mentais devido à sobrecarga de trabalho. Figura 5: Alzheimer 77 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Uol, 2023. #PraTodosVerem: Na imagem, um idoso é retratado com as mãos sobre a cabeça, apresentando uma expressão facial de confusão e desorientação. Seu olhar triste e o sorriso contido sugerem uma sensação de estar perdido ou sobrecarregado. A postura das mãos sobre a cabeça pode indicar frustração ou tentativa de compreensão de algo difícil. A importância de um diagnóstico precoce foi enfatizada, pois isso permite intervenções e tratamentos mais eficazes para retardar a progressão da doença. Ressaltamos também a importância de um plano de cuidados abrangente, que inclui apoio emocional e social tanto para os pacientes quanto para os cuidadores, que desempenham um papel crucial no manejo da doença. A estigmatização e a falta de compreensão podem tornar ainda mais difícil para os pacientes e suas famílias lidarem com a doença (Leite et al., 2020). 78 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso CONCLUSÃO À medida que a população mundial envelhece, torna-se cada vez mais crucial compreender e abordar as alterações no domínio funcional do idoso e as síndromes geriátricas que frequentemente acompanham o processo de envelhecimento. Além das síndromes geriátricas, as incontinências e a iatrogenia emergem como questões de destaque no cuidado do idoso. A incontinência, seja urinária ou fecal, pode impactar significativamente a autonomia e a autoes- tima do idoso, exigindo estratégias de manejo personalizadas e sensíveis. Da mesma forma, a iatrogenia, resultado de intervenções médicas inadequadas ou excessivas, pode gerar complicações adicionais e comprometer a quali- dade de vida do paciente. As alterações do sono, a depressão e a ansiedade são problemas comuns entre os idosos, muitas vezes interconectados e exacerbados por fatores como doenças crônicas e perda de entes queridos. O sono fragmentado ou irregular pode contribuir para o surgimento ou agravamento da depressão e da ansiedade, criando um ciclo complexo que requer uma abordagem multidisciplinar para intervenção e manejo eficazes. Além disso, as demências, incluindo o Alzheimer, representam um desafio significativo para os idosos e suas famílias. Essas condições neurodegenera- tivas afetam não apenas a cognição, mas também a funcionalidade e a inde- pendência do indivíduo, exigindo cuidados especializados e apoio contínuo para enfrentar os desafios que surgem ao longo da progressão da doença. Diante desses desafios complexos, a enfermagem desempenha um papel crucial no cuidado e na promoção do bem-estar dos idosos. Com uma abor- dagem centrada no paciente, os enfermeiros são fundamentais para iden- tificar e gerenciar as síndromes geriátricas, oferecer suporte emocional e prático para lidar com a incontinência e outras questões de saúde, e cola- borar com uma equipe multidisciplinar para garantir um cuidado abran- gente e coordenado. Ao adotar uma abordagem holística e compassiva, os enfermeiros desempenham um papel vital na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida dos idosos em todas as etapas do envelheci- mento. 79 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso MATERIAL COMPLEMENTAR Para sabermais sobre este tema, veja as indicações a seguir. 1. DIAS, S. Projeto de lei institui Dia Nacional da Incontinência Urinária. Agência Senado, 28 mar. 2022. Disponível em: https://www12.senado.leg. br/noticias/audios/2022/03/projeto-de-lei-institui-dia-nacional-da-incon- tinencia-urinaria. Acesso em: 15 abr. 2024. 2. FORLENZA, Orestes V.; LOUREIRO, Júlia C.; PAIS, Marcos V. Trans- tornos mentais no idoso: guia prático. Barueri: Editora Manole, 2023. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9786555768244/. Acesso em: 24 mar. 2024. (Ler páginas 25 a 42). 3. VARELLA, D. Um Outro Olhar #2 | Alzheimer. YouTube, 13 maio 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZXnYHcVmxqk. Acesso em: 15 abr. 2024. 4. CALDAS, C. P. O idoso em processo de demência: o impacto na família. In: MINAYO, M. C. S.; COIMBRA JUNIOR, C. E. A. (Orgs). Antropologia, saúde e envelhecimento [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2002. Dispo- nível em: https://books.scielo.org/id/d2frp/pdf/minayo-9788575413043-05. pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. 5. PODPEOPLE – Ana Beatriz Barbosa. MENTES EM PAUTA - DEPRESSÃO NA 3ª IDADE. YouTube, 14 jul. 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=tCrOW2-kc5Y. Acesso em: 15 abr. 2024. https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2022/03/projeto-de-lei-institui-dia-nacional-da-incontinencia-urinaria https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2022/03/projeto-de-lei-institui-dia-nacional-da-incontinencia-urinaria https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2022/03/projeto-de-lei-institui-dia-nacional-da-incontinencia-urinaria https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555768244/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555768244/ https://www.youtube.com/watch?v=ZXnYHcVmxqk https://books.scielo.org/id/d2frp/pdf/minayo-9788575413043-05.pdf https://books.scielo.org/id/d2frp/pdf/minayo-9788575413043-05.pdf https://www.youtube.com/watch?v=tCrOW2-kc5Y https://www.youtube.com/watch?v=tCrOW2-kc5Y Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 80 OBJETIVOS Ao final desta unidade, esperamos que possa: Avaliar os cuidados de enfermagem espe- cíficos no atendimento geriátrico nas diversas patologias. Descrever as metodologias da assistência de enfermagem gerontogeriátrica. UNIDADE 4 81 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 4 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE IDOSO I A Avaliação Gerontogeriátrica é essencial para desenvolver um plano de trata- mento adequado, levando em consideração as particularidades do envelhe- cimento. Isso ajuda a reduzir a exposição a fatores de risco e a preservar a saúde funcional e cognitiva (Braga; Galleguillos, 2014). Durante o atendimento, é crucial comunicar-se efetivamente com a pessoa idosa para obter informações importantes para o tratamento. Aqui estão algumas diretrizes importantes a serem seguidas: • use frases curtas e claras; • chame a pessoa pelo nome que ela preferir; • evite tratá-la de maneira infantilizada, usando termos inapropriados como “vovô” ou termos diminutivos desnecessários; • certifique-se de que a pessoa entendeu as explicações e pergunte se há alguma dúvida; • se a informação for mal interpretada, repita-a usando outras palavras e adapte-a para uma linguagem mais compreensível; • fale de frente para a pessoa, sem cobrir a boca, e mantenha-se próximo enquanto conversa; • dê tempo suficiente para a pessoa responder às perguntas, evitando elaborar uma nova pergunta antes que ela tenha respondido à anterior; • não interrompa a pessoa idosa enquanto ela estiver falando, demonstre paciência e permita que ela conclua seus pensamentos (São Paulo, 2016). 82 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Figura 1: Atendimento ao idoso Fonte: Ground Picture, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na foto, vemos uma enfermeira sorrindo, com um estetoscópio ao redor do pescoço, levemente inclinada sobre um homem idoso que está sentado em uma cadeira de rodas. A expressão da enfermeira transmite felicidade e cuidado enquanto ela se inclina para cobrir o idoso. Esse atendimento deve ser subsidiado pelo Processo de Enfermagem, conforme descrito na Resolução COFEN 736/2024 (Cofen, 2024). 4.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO Agora, estudaremos mais a fundo o Processo de Enfermagem no cuidado ao idoso. Acompanhe! 4.1.1 PROCESSO DE ENFERMAGEM NO CUIDADO À PESSOA IDOSA Em janeiro de 2024, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicou a Resolução 736/24, que determina a implementação do Processo de Enfer- magem (PE) em todo o contexto socioambiental no qual ocorram cuidados prestados por enfermeiros, técnicos e auxiliares. A normativa atualiza a Reso- 83 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso lução 358/2009, se adequando às novas perspectivas da profissão e delimi- tando seu escopo de aplicação na prática (Cofen, 2024). Saiba Mais A Resolução 736/24 estabelece uma diferenciação concei- tual entre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e o Processo de Enfermagem (PE). Saiba mais em: https://www.cofen.gov.br/cofen-atualiza- -resolucao-sobre-implementacao-do-processo-de-enfer- magem/. Acesso em: 15 abr. 2024. Além disso, o PE deve estar fundamentado em suporte teórico, que pode estar associado entre si, como Teorias e Modelos de Cuidado, Sistemas de Linguagens Padronizadas, instrumentos de avaliação de predição de risco validados, protocolos baseados em evidências e outros conheci- mentos correlatos, como estruturas teóricas conceituais e operacionais que fornecem propriedades descritivas, explicativas, preditivas e prescritivas que lhe servem de base. O PE organiza-se em cinco etapas inter-relacionadas, interdependentes, recorrentes e cíclicas, descritas a seguir. Quadro 1: Etapas do Processo de Enfermagem 1º Avaliação de Enfermagem – compreende a coleta de dados subjetivos (entrevista) e objetivos (exame físico) inicial e contínua pertinentes à saúde da pessoa, da família, da coletividade e de grupos especiais, realizada mediante auxílio de técnicas (laboratorial e de imagem, testes clínicos, escalas de avaliação validadas, protocolos institucionais e outros) para a obtenção de informações sobre as necessidades do cuidado de enfermagem e saúde relevantes para a prática. 2º Diagnóstico de Enfermagem – compreende a identificação de problemas existentes, condições de vulnerabilidades ou disposições para melhorar comportamentos de saúde. Estes representam o julgamento clínico das informações obtidas sobre as necessidades do cuidado de enfermagem e saúde da pessoa, da família, da coletividade ou de grupos especiais. https://www.cofen.gov.br/cofen-atualiza-resolucao-sobre-implementacao-do-processo-de-enfermagem/ https://www.cofen.gov.br/cofen-atualiza-resolucao-sobre-implementacao-do-processo-de-enfermagem/ https://www.cofen.gov.br/cofen-atualiza-resolucao-sobre-implementacao-do-processo-de-enfermagem/ 84 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Cofen, 2024. #PraTodosVerem: Quadro com cinco etapas do Processo de Enfermagem. 3º Planejamento de Enfermagem – compreende o desenvolvimento de um plano assistencial direcionado para a pessoa, família, coletividade, grupos especiais, e é compartilhado com os sujeitos do cuidado e a equipe de enfermagem e saúde. Deverá envolver: I – priorização de diagnósticos de enfermagem; II – determinação de resultados (quantitativos e/ou qualitativos) esperados e exequíveis de enfermagem e de saúde; III – tomada de decisão terapêutica, declarada pela prescrição de enfermagem das intervenções, ações/atividades e protocolos assistenciais. 4º Implementação de Enfermagem – compreende a realização das intervenções, ações e atividades previstas no planejamento assistencial, pela equipe de enfermagem, respeitando as resoluções/os pareceres do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Enfermagem quanto à competência técnica de cada profissional, por meio da colaboração e comunicação contínua, inclusive com a checagem quanto à execução da prescriçãode enfermagem, e apoiados nos seguintes padrões: I – padrões de cuidados de enfermagem: cuidados autônomos do enfermeiro, ou seja, prescritos pelo enfermeiro de forma independente e realizados pelo enfermeiro, por técnico de enfermagem ou por auxiliar de enfermagem, observadas as competências técnicas de cada profissional e os preceitos legais da profissão; II – padrões de cuidados interprofissionais: cuidados colaborativos com as demais profissões de saúde; III – padrões de cuidados em programas de saúde: cuidados advindos de protocolos assistenciais, tais como prescrição de medicamentos padronizados nos programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição, bem como a solicitação de exames de rotina e complementares. 5º Evolução de Enfermagem – compreende a avaliação dos resultados alcançados de enfermagem e saúde da pessoa, da família, da coletividade e de grupos especiais. Esta etapa permite a análise e a revisão de todo o Processo de Enfermagem. É importante ressaltar que a consulta de Enfermagem deve ser organizada e registrada conforme as etapas do Processo de Enfermagem. 85 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Figura 2: Anotação de enfermagem Fonte: lenetstan, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na foto, vemos uma enfermeira, cujo rosto não está visível, apenas do pescoço para baixo. Ela está usando um estetoscópio em volta do pescoço e segurando uma prancheta enquanto faz anotações com uma caneta. Ao ENFERMEIRO, observadas as disposições da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, e do Decreto nº 94.406, de 08 de junho de 1987, no processo de enfermagem cabe-lhe privativamente o Diagnóstico de Enfermagem e a Prescrição de Enfermagem (Cofen, 2024). Aos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem, em conformidade com o disposto na Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, e do Decreto 94.406, de 8 de junho de 1987, que a regulamenta, participam do Processo de Enfermagem, com Anotações de Enfermagem, bem como na implementação dos cuidados prescritos e sua checagem, sob a supervisão e orientação do Enfermeiro (Cofen, 2024). 86 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 4.1.2 CONSULTA DE ENFERMAGEM AO IDOSO A consulta de enfermagem ao paciente idoso deve abordar a procura por alteração das funções biológicas e psicológicas, como: Instabilidade Cogni- tiva (demência, depressão e delírio), Instabilidade postural e quedas, Imobili- dade, Incontinência e Iatrogenia; Incapacidade Comunicativa e Insuficiência familiar a partir da Avaliação Multidimensional do Idoso (Coren MS, 2020; Gonçalves; Tourinho, 2012). É importante destacar que, para garantir a eficácia da consulta de enfer- magem, é recomendado observar certas informações relevantes durante o histórico do paciente, conforme a avaliação proposta pela Caderneta do Idoso (Brasil, 2018). Quadro 2: Guia para Consulta de Enfermagem IDENTIFICAÇÃO: sexo, idade, estado civil (tempo), ocupação atual (tempo); profissão; escolaridade; conhecimento sobre sua saúde e os fatores de risco relacionados a agravos à saúde. HISTÓRIA ATUAL E PREGRESSA: queixa principal, doenças, tratamentos, cirurgias, internações, vícios, quedas, sintomatologia. USO DE MEDICAMENTOS: medicamentos prescritos, auto administrados, conhecimentos, dificuldades (econômica, deglutição, visual, memória, manipulação, outras); imunização. PERFIL FISIOLÓGICO: aspectos cardiovasculares e metabólicos; nível pressórico, colesterol, triglicérides, glicemia de jejum. PERFIL NUTRICIONAL: alimentação: composição, número de refeições, quem prepara a comida, conservação; deglutição, mastigação. ASPECTOS SENSORIAIS: acuidade auditiva, acuidade visual, paladar, olfato, tato. PERFIL PSICOLÓGICO: dependências: álcool, drogas, tabaco. Cognição/memória. Sono e repouso. Sinais de violência psicológica no nível do convívio familiar. PERFIL FAMILIAR: riscos familiares: obesidade, hipertensão, infarto, artrose, diabetes, câncer. História familiar. Situação familiar: composição, necessidade/ disponibilidade de cuidador. PERFIL SÓCIO-CULTURAL: lazer, atividades laborais, ocupação do tempo livre (frequência, tipo, satisfação). Espiritualidade: crenças, atividades, frequência. Ansiedade, estresse, depressão. AUTOCUIDADO: Atividades de vida diária. Hábitos de higiene corporal e bucal (frequência, dificuldades). Vestuários (adequação/temperatura ambiente, elásticos, autonomia). 87 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso PERFIL DE AMBIENTE: tipo de moradia, utilização de tapetes, corrimão, banheira, iluminação, animais domésticos, condições de higiene e segurança. SEXUALIDADE: parceiro, dificuldades/queixas, sexo seguro, etc. HÁBITO INTESTINAL E URINÁRIO: frequência, queixas, perdas urinárias e/ou dificuldade de urinar e aspecto das eliminações. Fonte: São Paulo, 2016; Brasil, 2018. #PraTodosVerem: Quadro com dados a serem analisados na enfermagem. O enfermeiro deve se apropriar de conhecimentos técnicos-científicos para abordagem à pessoa idosa, e também de capacitações voltadas ao atendi- mento para esse público. 4.1.3 EXAME FÍSICO NO IDOSO Compreende-se por exame físico o uso de instrumentos e técnicas prope- dêuticas com a intenção de realizar o levantamento das condições globais do paciente, tanto físicas como psicológicas, a fim de buscar informações significativas para a enfermagem, capazes de subsidiar a assistência a ser prestada ao paciente. Em conjunto com a entrevista, o exame físico compõe a avaliação de enfermagem, parte fundamental do PE (Paula; Rocha, 2019; Barros, 2021). O exame físico é composto da inspeção, percussão, ausculta e palpação. Figura 3: Exame Físico no Idoso 88 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: fizkes, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem, uma jovem enfermeira está realizando um exame físico, especificamente a ausculta cardíaca, em uma senhora idosa. Ambas estão sentadas confortavelmente em um sofá, com a enfermeira concentrada em ouvir os batimentos cardíacos da paciente. Avaliar o idoso de forma multidimensional implica investigar todas as áreas da vida – biológica, funcional, psíquica, social e espiritual – para identificar precocemente problemas de saúde, capacidade de autogestão e compre- ensão das orientações recebidas. Isso garante o apoio necessário para manter sua autonomia e independência (Ralph; Taylor, 2009). Quadro 3: Exame Físico no Idoso AVALIAR SINAIS VITAIS MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS: peso, altura, estabelecer índice de massa corpórea e circunferência abdominal. SINAIS SUGESTIVAS DE VIOLÊNCIA FÍSICA: o enfermeiro deve atentar para possíveis sinais que sugerem que o idoso esteja sofrendo violência física: • CABEÇA: 1 - Fácies: simétricas, cicatrizes, erupções da pele, lesões etc. 2 - Couro cabeludo: lesões, assimetrias, condições de higiene etc. 3 -Olhos: acuidade visual, uso de óculos, sensibilidade à luz, edema, congestão, lacrimejamento, secura, catarata, queda palpebral, coloração da esclera. 4 - Ouvido: acuidade auditiva, cerúmen, secreções, dor, prurido, cuidados com o ouvido. 5 - Nariz/narina: desvios, secreções, lesões, olfato, sangramento nasal, sensação de obstrução, dor e outros sintomas. 6 - Cavidade oral: condições de dentição e/ou próteses, mucosa, odor à respiração, higiene, lesões, umidade, cor, infecções etc. • PESCOÇO: Presença de nódulos, palpação da glândula tireoide, veias jugulares. • PELE E ANEXOS: 1 - Coloração, cicatrizes, icterícia, lesões. 2 -Hidratação: turgor, xerodermia. 3 - Unhas: onicomicose, deformidades. • TÓRAX: 1 - Forma, expansão simétrica a respiração, cicatrizes, anormalidades estruturais etc. 2 - Ausculta cardíaca: frequência, ritmo, pulso apical, arritmias, sopros. 3 - Ausculta pulmonar: frequência respiratória, ritmo, expansividade e ressonância. Qualidade dos sons respiratórios (estertores, roncos e sibilos). Mamas/mamilos: simetria, presença de massas/ nódulos e secreções. • ABDOME: 1 - Inspeção: simetria, hérnias, cicatrizes, veias dilatadas, saliências,distensões, contrações fortes. 2 - Ausculta: ruídos hidroaéreos e sons vasculares. 3 - Palpação: massas, pulsações e órgãos (fígado, baço). 4 - Percussão: timpânico e/ou maciço. 89 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso • APARELHO GENITOURINÁRIO: 1 - Avaliação da região escrotal: simetria dos testículos, dor e massas. Avaliação da próstata: urgência miccional, disúria. 2 - Avaliação da região vulvar e vaginal: inflamações, presença de secreções, lesões e prolapso. 3 - Avaliação perianal: fissuras, hemorroidas. • APARELHO MÚSCULO-ESQUELÉTICO (MMSS E MMII): Postura, força muscular, claudicação, hemiparesias, deformidades, dor articular; uso de órtese e prótese. • VASCULAR PERIFÉRICO: Dilatação venosa, circulação colateral, engurgitamento jugular, varizes. Pulso pedioso e perfusão periférica: enchimento capilar, cor e temperatura das extremidades. Dor, claudicação intermitente, edema, cor, alterações cutâneas (pele fina, atrófica, lustrosa, queda de pelos, coloração acastanhada no terço inferior das pernas, dermatite, fibrose, úlcera. Fonte: São Paulo, 2016; Brasil, 2018. #PraTodosVerem: Quadro com o passo a passo da avaliação do idoso. Essa avaliação demanda mais tempo devido a fatores como multimorbi- dades, capacidade de autocuidado, uso de vários medicamentos e deficiên- cias cognitivas e sensoriais, podendo até exigir criatividade do enfermeiro para priorizar as necessidades do idoso durante a consulta inicial (Paula; Rocha, 2019). Reflita Ao realizar o exame físico em idosos, é essencial considerar suas particularidades decorrentes do envelhecimento. Adaptar as técnicas e abordagens é fundamental para garantir uma avaliação precisa. É importante adotar uma abordagem empática e cuida- dosa, proporcionando conforto e respeito aos pacientes idosos, cuja fragilidade física e emocional pode tornar o exame desconfortável. No Brasil, é importante ressaltar que a Caderneta do Idoso representa um instrumento valioso para orientar o cuidado da saúde da pessoa idosa, ofere- cendo diretrizes e informações úteis aos profissionais de saúde (Brasil, 2018). 90 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 4.2 AS TEORIAS DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO A aplicação das teorias de enfermagem na prática assistencial promove a construção de um conhecimento mais sólido, crítico e reflexivo, proporcio- nando uma base científica para a profissão. Além de valorizar tanto a teoria quanto as habilidades práticas, essa aplicação contribui significativamente para a melhoria do cuidado (Souza et al., 2021) As teorias de enfermagem desempenham um papel crucial no processo de reflexão crítica, auxiliando os enfermeiros ao fornecer referências teóricas que podem ser conectadas à realidade da população-alvo (Nettina, 2021). Figura 4: Assistência de Enfermagem Fonte: Gorodenkoff, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem, uma enfermeira utilizando máscara facial está verificando a infusão de soro em um paciente. Desde que Florence Nightingale desenvolveu o primeiro modelo educacional para enfermagem, em 1873, as atribuições do enfermeiro e a abrangência do campo de atuação têm evoluído (Souza et al., 2021). 91 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso TEORIA DE FLORENCE NIGHTINGALE A Teoria de Florence Nightingale é conhecida como Teoria Ambientalista. Florence Nightingale estruturou essa teoria demonstrando que a enfermidade do indivíduo e/ou sua não reabilitação pode estar relacionada com o ambiente em que o mesmo está inserido, o qual possa estar insalubre. Nightingale acreditava que o ambiente influenciava diretamente na recuperação do doente, dessa forma, procurou estabelecer o conhecimento sanitário do dia a dia ao conhecimento de enfermagem considerando a doença como um processo reparador. TEORIA DE DOROTHEA OREM A teoria de Orem envolve três aspectos: (1) autocuidado: consiste na ideia de que os indivíduos são capazes de executar atividades para a manutenção de sua vida e bem-estar; (2) atividade de autocuidado: reflete na habilidade de aplicar o autocuidado; (3) exigência terapêutica de autocuidado: corresponde à totalidade das ações de autocuidado. TEORIA DE VIRGINIA HENDERSON A teoria de Virginia Henderson, conhecida também como a teoria das necessidades fundamentais, insere-se na linha das necessidades humanas básicas, cujo foco principal é o cuidado com o indivíduo. Enfoca no papel do enfermeiro em ajudar os pacientes a manter a saúde, se recuperar de ferimentos ou alcançar uma morte pacífica. TEORIA DE WANDA HORTA A Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Horta é uma abordagem na enfermagem que enfatiza a importância de compreender e atender às necessidades fundamentais dos seres humanos. Horta argumenta que os enfermeiros devem considerar não apenas as necessidades físicas, mas também as emocionais, sociais e espirituais dos pacientes. TEORIA DE MYRA LEVINE A teoria holística de Myra Levine orienta o cuidar como uma prática acessível, humanizada e predominante no contexto da saúde, na qual o ser humano deve ser visto holisticamente, o que pressupõe sua compreensão como um ser complexo. Isto é a realidade como uma totalidade de integração entre o todo e as partes, mas compreendendo diferentemente a dinâmica e os processos dessa integração. Quadro 4: Principais teorias da Enfermagem Fonte: Souza et al., 2021. #PraTodosVerem: Quadro com as principais teorias utilizadas na área de enfermagem. 92 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso A ênfase agora está em cuidados de enfermagem baseados em evidências e práticas preventivas de saúde. A compreensão de conceitos básicos na prática de enfermagem, como suas atribuições, teorias de enfermagem, licenciamento e questões legais, ajudam a melhorar o desempenho profis- sional (Nettina, 2021). A ênfase agora está em cuidados de enfermagem baseados em evidências e práticas preventivas de saúde. A compreensão de conceitos básicos na prática de enfermagem, como suas atribuições, teorias de enfermagem, licenciamento e questões legais, ajudam a melhorar o desempenho profissional (Nettina, 2021). Atenção As teorias de enfermagem são essenciais para os enfer- meiros, pois oferecem referências teóricas que ajudam na reflexão crítica e na conexão com a realidade dos pacientes. A Resolução 736/24 aborda que o PE deve estar fundamen- tado em suportes teóricos, que podem estar associados entre si, como Teorias e Modelos de Cuidado. Ao integrar essas teorias à prática profissional, os enfermeiros são capa- citados a fornecer cuidados de alta qualidade, promover a segurança do paciente e contribuir para o avanço contínuo da profissão de enfermagem. 4.2.1 AVALIAÇÃO MULTIDIMENSIONAL DA PESSOA IDOSA O Manual de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa para a Atenção Primária à Saúde foi desenvolvido em parceria entre diversas instituições, como o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (Conasems), a Sociedade Brasileira de Medicina e a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), com apoio da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa na Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (Conass, 2023; Kawamoto; Fortes, 2011). 93 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Seu objetivo é fortalecer a Atenção Primária à Saúde ao considerar as parti- cularidades da pessoa idosa, com destaque para a estratificação de risco por meio de ferramentas específicas, como o Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional-20 (IVCF-20) e o Programa de Atenção Integrada para a Pessoa Idosa (ICOPE – OMS) (Conass, 2023). Figura 5: Manual de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa Fonte: Conass, 2023. #PraTodosVerem: Na imagem, temos a capa do Manual de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa para a Atenção Primária à Saúde, que é composta de quatro idosas caminhando e o título centralizado. 94 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso O manual tambémpropõe estratégias para a Linha de Cuidado da Pessoa Idosa, tanto para a organização da Rede de Atenção à Saúde quanto para o manejo clínico (Conass, 2023; Siqueira, 2023). Além disso, aborda questões como fragilidade e multimorbidade, que repre- sentam desafios crescentes para as Redes de Atenção à Saúde devido ao envelhecimento populacional no Brasil (Siqueira, 2023). Curiosidade O Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional (IVCF-20) foi desenvolvido e validado no Brasil a partir de outros instru- mentos de triagem rápida amplamente citados na litera- tura. É um instrumento simples e de rápida aplicação (5 a 10 minutos), que avalia as principais dimensões conside- radas preditoras de declínio funcional e/óbito em idosos: a idade, a autopercepção da saúde, as atividades de vida diária, a cognição, o humor, a mobilidade, a comunicação e a presença de comorbidades múltiplas. Pode ser utili- zado por qualquer profissional de saúde ou até mesmo pelo próprio idoso e seus familiares. (Conass, 2023). O manual conta com a colaboração de diversos profissionais da saúde, gestores, especialistas em áreas relacionadas à geriatria, gerontologia, entre outros. Foi lançado durante eventos importantes na área da saúde, como a II Conferência Nacional da Planificação da Atenção à Saúde, a I Mostra Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde (APS) e a I Mostra de Cuidados Palia- tivos e Segurança do Paciente (Siqueira, 2023). 4.2.2 ESCALAS PARA AVALIAÇÃO DA SAÚDE DO IDOSO O envelhecimento populacional é uma realidade global que traz consigo desafios significativos para a saúde pública, demandando uma abordagem 95 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso cada vez mais abrangente e eficaz para a promoção do bem-estar e da quali- dade de vida dos idosos (São Paulo, 2016). Nesse contexto, o uso de escalas e instrumentos de avaliação específicos para essa faixa etária desempenha um papel crucial na identificação precoce de problemas de saúde, no monitoramento do estado funcional e cognitivo, e na promoção de intervenções personalizadas e eficazes (Braga; Galleguillos, 2014). Este texto abordará a importância e o uso de escalas de avaliação da saúde do idoso, destacando algumas das principais ferramentas disponíveis e seus respectivos domínios de aplicação. Avaliação Funcional As escalas de avaliação funcional, como o Índice de Katz e o Índice de Lawton e Brody, são amplamente utilizadas para avaliar a independência e autonomia dos idosos em realizar atividades básicas e instrumentais da vida diária. Essas escalas permitem uma avaliação rápida e objetiva do estado funcional do idoso, fornecendo informações essenciais para o planejamento de cuidados e intervenções adequadas (Brasil, 2018). Avaliação da Depressão Escalas de avaliação da depressão, como a Escala de Depressão Geriátrica (GDS) e a Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos (CES- D), são ferramentas úteis para identificar sintomas depressivos e monitorar a resposta ao tratamento ao longo do tempo. Essas escalas permitem uma avaliação sistemática dos sintomas depressivos, possibilitando uma intervenção precoce e adequada (Forleza et al., 2021). Avaliação da Demência A demência é outra condição comum em idosos, caracterizada por declínio cognitivo progressivo que afeta a memória, o raciocínio e o comportamento. Escalas de avaliação da demência, como o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e a Escala de Avaliação de Demência de Montreal (MoCA), são utili- 96 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso zadas para avaliar o estado cognitivo dos idosos e identificar possíveis sinais de comprometimento cognitivo. Essas escalas permitem uma avaliação abrangente das funções cogni- tivas, auxiliando no diagnóstico precoce e no planejamento de cuidados adequados para os pacientes (Forleza et al., 2021). • Outras escalas Escala de Comorbidade de Charlson: é utilizada para avaliar a presença e a gravidade de comorbidades em pacientes idosos. Ela considera uma varie- dade de condições médicas crônicas, como insuficiência cardíaca, diabetes, câncer, entre outras, e atribui uma pontuação com base na gravidade e no impacto dessas condições na saúde geral do paciente. Essa escala é útil para ajudar os profissionais de saúde a compreender melhor o estado de saúde global do idoso e a planejar intervenções específicas para suas necessidades (Jesus et al., 2022). Escala de Risco de Quedas de Morse: é utilizada para avaliar o risco de quedas em idosos, considerando fatores como história prévia de quedas, uso de dispositivos de assistência para caminhar, diagnósticos médicos e estado mental do paciente. A pontuação na escala de risco de quedas de Morse pode ajudar os profissionais de saúde a identificar idosos com maior probabilidade de cair e implementar medidas preventivas para reduzir esse risco, como modificação do ambiente, exercícios de equilíbrio e revisão da medicação (Coren SC, 2019). Índice de Qualidade de Vida do Idoso (WHOQOL-OLD): esta escala foi desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é projetada espe- cificamente para avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde em idosos. Ela aborda diversos domínios, como saúde física, saúde mental, autonomia, relações sociais, ambiente e espiritualidade/religiosidade. O WHOQOL-OLD permite uma avaliação abrangente da qualidade de vida dos idosos, forne- cendo insights importantes sobre aspectos que podem influenciar seu bem-estar geral. Escala de Qualidade de Vida de Flanagan (QVFI): avalia a qualidade de vida do idoso em termos de satisfação com diferentes aspectos da vida, como saúde, relacionamentos interpessoais, finanças, trabalho e lazer. Ela utiliza 97 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso uma abordagem multidimensional para capturar a percepção subjetiva do idoso sobre sua própria qualidade de vida. A QVFI é útil para identificar áreas específicas que podem precisar de intervenção para melhorar o bem-estar do idoso (Forleza et al., 2021). Escala de Avaliação da Satisfação com a Vida (SWLS): avalia a satisfação global com a vida do idoso, considerando aspectos como realização pessoal, relacionamentos interpessoais, saúde, lazer e autoestima. Ela permite uma avaliação rápida e objetiva da satisfação geral do idoso com sua vida, fornecendo informações valiosas sobre seu bem-estar subjetivo. A SWLS é frequentemente utilizada em estudos de pesquisa e na prática clínica para avaliar o impacto de intervenções e tratamentos na qualidade de vida dos idosos (Forleza et al., 2021). O uso de escalas de avaliação da saúde do idoso desempenha um papel crucial na identificação precoce de problemas de saúde, no monitoramento do estado funcional e cognitivo e na promoção de intervenções personali- zadas e eficazes. Essas ferramentas permitem uma avaliação sistemática e objetiva dos idosos, contribuindo para uma abordagem mais abrangente e centrada no paciente na prestação de cuidados de saúde. 98 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso CONCLUSÃO O cuidado à pessoa idosa envolve um processo complexo, no qual a enfer- magem desempenha um papel crucial. Desde a consulta inicial até a avaliação multidimensional, passando pelo uso de teorias e escalas específicas, os enfermeiros estão capacitados para oferecer cuidados abrangentes e personalizados. Essas ferramentas não apenas auxiliam na identificação das necessidades dos idosos, mas também na promoção de um envelhecimento saudável e com qualidade de vida. Assim, ao integrar o processo de enfermagem com as escalas de avaliação, os profissionais podem garantir que cada idoso receba cuidados individua- lizados e voltados para sua saúde e bem-estar específicos. O enfermeiro desempenha um papel essencial na promoção da saúde e no cuidado integral à pessoa idosa, garantindo que cada paciente receba a atenção e os recursos necessários para desfrutar de uma vida plena e saudável. 99 Assistência de Enfermagem na Saúdedo Idoso MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, veja as indicações a seguir. 1. COREN SP. Teoria da Enfermagem e sua aplicação no processo de enfer- magem. YouTube, 27 jan. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=OW1N2DfckPU. Acesso em: 15 mar. 2024. 2. COREN SP. Discutindo a nova resolução do processo de enfermagem nº 736/2024. YouTube, 30 jan. 2024. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=0QnWbdy2Qng. Acesso em: 15 mar. 2024. 3. SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Saúde. Manual de atenção à pessoa idosa. São Paulo: SMS, 2016. Disponível em: https://biblioteca.cofen.gov. br/wp-content/uploads/2020/09/ManualEnfermagemPessoaIdosa.pdf. Acesso em: 15 mar. 2024. (Ler capítulo 2). 4. BARROS, Alba L. B L. Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. Porto Alegre: Grupo A, 2021. (Ler capítulo 15- Avaliação do Idoso (p. 276-290)). 5. SÃO PAULO. Secretaria Estadual da Saúde. Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia José Ermírio de Moraes. Avaliação Funcional do Idoso. 2. ed. São Paulo: SES, 2015. Disponível em: https://www.saude.sp.gov.br/ resources/ipgg/guias-e-manuais/ipgg_-_livreto_de_apresentacao.pdf. Acesso em: 15 mar. 2024. https://www.youtube.com/watch?v=OW1N2DfckPU https://www.youtube.com/watch?v=OW1N2DfckPU https://www.youtube.com/watch?v=0QnWbdy2Qng https://www.youtube.com/watch?v=0QnWbdy2Qng https://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2020/09/ManualEnfermagemPessoaIdosa.pdf https://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2020/09/ManualEnfermagemPessoaIdosa.pdf https://www.saude.sp.gov.br/resources/ipgg/guias-e-manuais/ipgg_-_livreto_de_apresentacao.pdf https://www.saude.sp.gov.br/resources/ipgg/guias-e-manuais/ipgg_-_livreto_de_apresentacao.pdf Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 100 OBJETIVOS Ao final desta unidade, esperamos que possa: Realizar os cuidados de enfermagem específicos no atendimento geriátrico. Desenvolver a assistência de enfermagem junto aos idosos com ênfase na promoção do envelhecimento ativo e saudável. UNIDADE 5 101 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 5 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE IDOSO II No estudo sobre assistência de enfermagem ao paciente idoso é essencial ressaltar a importância de compreendermos as particularidades desse grupo populacional (Gonçalves; Tourinho, 2012). Os idosos frequentemente apresentam condições de saúde complexas, que demandam uma abordagem cuidadosa e individualizada, sendo neces- sário explorar os desafios e as considerações específicas ao fornecer assis- tência a essa parcela da população, incluindo a avaliação multidimensional, a promoção da autonomia e a prevenção de complicações decorrentes do envelhecimento (Paula; Rocha, 2019). 5.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM ESPECIALIZADA AO IDOSO I A assistência de enfermagem ao paciente idoso com comorbidades requer uma abordagem cuidadosa e integrada, considerando as múltiplas condi- ções de saúde que podem coexistir nesse grupo populacional (Braga; Galle- guillos, 2014). Figura 1: Idoso fragilizado 102 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: evrymmnt, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem, observamos uma idosa sentada, cujo rosto não está visível, enfatizando apenas o seu tórax. Uma pessoa está posicionada atrás dela, em pé, com as mãos gentilmente colocadas sobre o peito da idosa, enquanto esta coloca sua mão sobre a da outra pessoa, recebendo o afeto e carinho oferecidos. Cuidar de um idoso com múltiplas comorbidades é desafiador devido à inte- ração entre diferentes condições de saúde, exigindo uma abordagem inte- grada e coordenada. A presença de várias condições médicas aumenta a complexidade do quadro clínico, pois cada uma pode influenciar e complicar o manejo das outras. Isso pode resultar em uma maior necessidade de inter- venções terapêuticas, exames médicos frequentes e medicamentos adicio- nais, aumentando o risco de eventos adversos e afetando a qualidade de vida do paciente (Paula; Rocha, 2019). 5.1.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES, CEREBROVASCULARES E METABÓLICAS: HIPERTENSÃO ARTERIAL, SÍNDROME CORONARIANA AGUDA, INSUFICIÊNCIA CARDÍACA, ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO, TROMBOSE VENOSA PROFUNDA E DIABETES MELLITUS Cuidar de idosos com alterações cardiovasculares, cerebrovasculares e meta- bólicas demanda compreensão profunda das características específicas dessas condições e de suas interações mútuas (Gonçalves; Tourinho, 2012). Uma abordagem centrada no paciente é fundamental, considerando não apenas as necessidades físicas, mas também as emocionais e sociais do idoso. A colaboração com outros profissionais de saúde e a educação do paciente e de seus familiares são elementos essenciais para garantir uma assistência de enfermagem eficaz e abrangente para idosos com essas condições de saúde (Gonçalves; Tourinho, 2012). 103 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso • Hipertensão Arterial (HAS) O processo natural do envelhecimento traz consigo alterações orgânicas que podem tornar os indivíduos mais vulneráveis ao desenvolvimento de doenças crônicas, como a HAS (Maia et al., 2023). Essa condição crônica é amplamente prevalente entre os idosos no Brasil, representando um desafio significativo de saúde pública devido à sua alta incidência e às dificuldades frequentemente encontradas para controlá-la (Lopes et al., 2023). Os cuidados de enfermagem incluem o descrito a seguir. Estabelecimento da meta de pressão arterial: Determinar a meta de pressão arterial em idosos é crucial para o manejo eficaz da hipertensão. Essa meta pode variar de acordo com as condições clínicas individuais do paciente, mas geralmente visa alcançar valores que reduzam o risco de complicações cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca. Avaliação dos sinais e sintomas: Além da monitorização da pressão arterial, os enfermeiros devem estar atentos aos sinais e sintomas que possam indicar complicações associadas à hipertensão. Isso inclui sintomas como dor torácica, dispneia, visão turva, tonturas e edema. Identificar e relatar prontamente esses sinais é essencial para prevenir eventos adversos e complicações agudas. Avaliação abrangente: Uma avaliação completa do paciente idoso com hipertensão arterial deve incluir a verificação dos pulsos, a avaliação do estado nutricional, a medição do índice de massa corporal (IMC) e a avaliação da função renal. Essa abordagem holística permite uma compreensão mais completa do estado de saúde do paciente e auxilia na identificação de fatores de risco adicionais que possam influenciar o manejo da hipertensão. Educação para o autocuidado: Os enfermeiros desempenham um papel fundamental na educação dos pacientes sobre estratégias de autocuidado para o manejo da hipertensão arterial. Isso inclui orientações sobre modificações no estilo de vida, como dieta saudável, controle do peso, prática de exercícios físicos regulares e limitação do consumo de álcool e tabaco. Além disso, a adesão à terapia medicamentosa e a importância do acompanhamento regular são aspectos essenciais abordados durante a educação do paciente. Monitorização das complicações potenciais: A hipertensão arterial não controlada pode levar a uma série de complicações graves, incluindo doença cardíaca, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e danos oculares. Portanto, é fundamental realizar uma monitorização regular para identificar precocemente qualquer sinal de deterioração da saúde cardiovascular e tomar medidas preventivas adequadas. Quadro 1: Cuidados de enfermagem ao idoso hipertenso Fonte: Paula; Rocha, 2019. #PraTodosVerem: Quadro com passos para avaliação de idoso hipertenso. 104 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso A HAS contribui de forma substancial para as taxas de morbidade e morta- lidade cardiovascular, sublinhando a importância crucial de abordagens eficazesPOLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS À POPULAÇÃO IDOSA 27 1.2.1 POLÍTICA NACIONAL DA PESSOA IDOSA 29 1.2.2 PACTO PELA SAÚDE: PRIORIDADES NA SAÚDE DO IDOSO 32 1.2.3 CADERNETA DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA E ESTATUTO DO IDOSO 35 CONCLUSÃO 37 MATERIAL COMPLEMENTAR 38 2 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO 40 2.1 ANATOMIA E FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO 40 2.1.1 CONHECENDO O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO HUMANO 41 UNIDADE 2 10 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso UNIDADE 3 2.1.2 ALTERAÇÕES ANTROPOMÉTRICAS NO PROCESSO DO ENVELHECIMENTO 46 2.2 TEORIA DO ENVELHECIMENTO 47 2.2.1 OS DESAFIOS DO ENVELHECIMENTO 51 2.2.2 INSTABILIDADE POSTURAL E QUEDAS 53 2.2.3 SEXUALIDADE NA VELHICE 54 CONCLUSÃO 57 MATERIAL COMPLEMENTAR 58 3 PRINCIPAIS ALTERAÇÕES CLÍNICAS NOS IDOSOS 60 3.1 ABORDAGEM DOS PROBLEMAS CLÍNICOS DE IDOSOS 60 3.1.1 IATROGENIA E PROBLEMAS COM MEDICAMENTOS 63 3.1.2 INCONTINÊNCIA URINÁRIA E FECAL 65 3.1.3 ALTERAÇÕES NO PADRÃO DE SONO 68 3.2 SAÚDE MENTAL 70 3.2.1 DEPRESSÃO E ANSIEDADE EM IDOSOS 71 3.2.2 DEMÊNCIA, CONFUSÃO MENTAL E DOENÇA DE ALZHEIMER 74 CONCLUSÃO 78 MATERIAL COMPLEMENTAR 79 11 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso UNIDADE 4 4 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE IDOSO I 81 4.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO 82 4.1.1 PROCESSO DE ENFERMAGEM NO CUIDADO À PESSOA IDOSA 82 4.1.2 CONSULTA DE ENFERMAGEM AO IDOSO 86 4.1.3 EXAME FÍSICO NO IDOSO 87 4.2 AS TEORIAS DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO IDOSO 90 4.2.1 AVALIAÇÃO MULTIDIMENSIONAL DA PESSOA IDOSA 92 4.2.2 ESCALAS PARA AVALIAÇÃO DA SAÚDE DO IDOSO 94 CONCLUSÃO 98 MATERIAL COMPLEMENTAR 99 UNIDADE 5 5 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE IDOSO II 101 5.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM ESPECIALIZADA AO IDOSO I 101 5.1.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES CARDIOVASCULA- RES, CEREBROVASCULARES E METABÓLICAS: HIPERTENSÃO ARTERIAL, SÍNDROME CORONARIANA AGUDA, INSUFICIÊNCIA CARDÍACA, ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO, TROMBOSE VENOSA PROFUNDA E DIABETES MELLITUS 102 5.1.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES RENAIS: DOENÇA RENAL CRÔNICA, LESÃO RENAL AGUDA, TERAPIAS DE SUBSTITUIÇÃO RENAL 110 12 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 5.1.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS: TUBERCULOSE, PNEUMONIA E DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC). 113 5.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM ESPECIALIZADA AO IDOSO II 116 5.2.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÃO GASTROINTESTINAL: ESTOMAS, HEPATITES E CIRROSES 116 5.2.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS 118 5.2.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES IMUNOLÓGICAS 119 CONCLUSÃO 121 MATERIAL COMPLEMENTAR 122 UNIDADE 6 6 AS ESPECIFICIDADES DA ENFERMAGEM GERONTOLÓGICA 124 6.1 ESPECIFICIDADES DO IDOSO I 125 6.1.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO HOSPITALIZADO 126 6.1.2 IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS (INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS) 131 6.1.3 ATENÇÃO DOMICILIAR À PESSOA IDOSA 134 6.2 ESPECIFICIDADES DO IDOSO II 136 6. 2. 1 CALENDÁRIO VACINAL DO IDOSO 136 6.2.2 IDOSO, FAMÍLIA E COMUNIDADE 139 CONCLUSÃO 141 MATERIAL COMPLEMENTAR 142 13 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso REFERÊNCIAS 143 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 14 Iconografia Atenção Para Saber Saiba Mais Dicas Onde Pesquisar Leitura Complementar Glossário Midias Integradas Anotações Exemplo Reflita Atividades de Aprendizagem Curiosidades Questões Áudios Citações Download 15 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Seja bem-vindo(a) a disciplina Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso! Esta disciplina aborda a enfermagem voltada para a saúde do idoso, contem- plando os aspectos biológicos, sociais, espirituais e éticos. O conteúdo inclui tanto as situações clínicas e cirúrgicas quanto as psicológicas ou psiquiá- tricas, abrangendo desde o atendimento primário até o secundário. Explo- ra-se a legislação pertinente à saúde do idoso, além do conhecimento das principais patologias prevalentes nessa faixa etária. O desenvolvimento de habilidades de cuidado ao idoso, tanto em situações domiciliares quanto institucionais, é uma parte crucial da formação. A disciplina também enfoca aspectos nutricionais importantes, ações da clínica e do cuidado nos prin- cipais agravos da saúde do idoso, promovendo autonomia, independência e longevidade. São abordados ainda aspectos psicológicos, promoção da saúde, prevenção de doenças, fatores de risco e avaliação de enfermagem ao idoso. Além disso, discute-se noções de atenção primária e caracteri- zação das morbidades prevalentes, acidentes, ensino e reabilitação, visando à qualidade de vida do idoso. Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 16 OBJETIVOS DA DISCIPLINA • Cultivar competências essenciais para a prestação de cuidados de enfer- magem voltados aos idosos, destacando a promoção do envelhecimento ativo e saudável dentro do contexto familiar e comunitário. • Aprofundar a compreensão do processo de envelhecimento popula- cional, fundamentado nos dados da transição epidemiológica brasileira, e sua correlação com as necessidades refletidas nas políticas e programas sociais e de saúde destinados aos idosos. • Compreender os determinantes do envelhecimento humano, suas impli- cações e as demandas por apoio social e assistência à saúde enfrentadas pela população idosa. Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 17 OBJETIVOS Ao final desta unidade, esperamos que possa: Compreender o processo de envelheci- mento da população brasileira. Descrever a legislação vigente referente à saúde do idoso e às políticas públicas de saúde. UNIDADE 1 18 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 1 A POPULAÇÃO IDOSA BRASILEIRA O Brasil está passando por um processo de envelhecimento acelerado de sua população, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- tística (IBGE), no qual se destaca o crescimento exponencial do segmento populacional composto de idosos (IBGE, 2022). À medida que a expectativa de vida aumenta, compreender as necessidades específicas dessa parcela da sociedade torna-se crucial para a formulação de políticas públicas para a população idosa (Silva et al., 2022). O fenômeno do envelhecimento populacional desencadeia alterações signi- ficativas nas capacidades e necessidades da sociedade, exercendo impacto abrangente em diversos aspectos da vida social e econômica. Essa mudança demográfica, por exemplo, repercute na participação na força de trabalho e nos custos com a saúde, intensificando a pressão sobre os sistemas de previdência e saúde, que desempenham um papel crucial na garantia de proteção social à população (Escorsim, 2021). 1.1 TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA E EPIDEMIOLÓGICA: O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA Nas últimas décadas, o mundo está sendo marcado por profundas trans- formações na estrutura populacional de diversos países, entre eles o Brasil. Essas mudanças resultam não apenas de conquistas sociais e políticas, mas também da incorporação acelerada de novas tecnologias, destacando-se o envelhecimento populacional como um dos fenômenos mais proeminentes deste século (Braga; Galleguillos, 2014). O crescimento na proporção de idosos constitui um fenômeno global. Esse aumento não se revela de forma abrupta ou surpreendente; ao contrário, é uma consequência das transições demográficas ocorridas nas décadas passadas, razão pela qual se torna um processo praticamente inevitável. Além disso, não é um fenômeno isolado; está intrinsecamente ligado a 19 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso alterações no perfil epidemiológico e nas características sociais e econô- micas das populações (Oliveira, 2019). Conforme o IBGE (2022), o cálculo do índice de envelhecimento se baseia na proporção entre o grupo de indivíduos com 65 anos ou mais em relação à população de 0 a 14 anos. Dessa maneira, quanto mais elevado é o valor do indicador,na assistência ao paciente idoso com essa condição (Nettina, 2007). • Síndrome Coronariana Aguda (SCA) e Insuficiência Cardíaca A síndrome coronariana aguda (SCA) é uma condição médica caracteri- zada por um conjunto de manifestações clínicas e laboratoriais de isquemia miocárdica aguda (Nettina, 2007). É importante que os enfermeiros coletem detalhadamente as queixas dos pacientes com sintomas cardíacos graves até que a causa seja identificada. Devido à alta incidência de doença arterial coronariana (DAC), é crucial que todos os pacientes que relatem novos sintomas cardíacos ou agravamento dos sintomas, especialmente aqueles com fatores de risco ou histórico de DAC, sejam inicialmente avaliados quanto à possibilidade de estarem apre- sentando síndrome coronariana aguda (SCA) (Nettina, 2007). Muitos pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) apresentam sintomas prodrômicos um mês ou mais antes do evento agudo. Esses sintomas podem incluir fadiga incomum, falta de ar, distúrbios do sono, ansiedade ou desconforto torácico intermitente. Por serem menos intensos do que os sintomas típicos da SCA, os pacientes muitas vezes os atribuem a problemas benignos, como estresse, e não buscam ajuda médica. Portanto, é importante que os enfermeiros questionem sobre sintomas prodrômicos ao avaliar pacientes com sintomas cardíacos (Brunner; Suddarth, 2019). Cerca de metade dos homens e mulheres com SCA relatam dor torácica, enquanto outros podem apresentar sintomas como dor nas costas, ombros, braços ou pescoço, queimação no epigástrio ou falta de ar. Homens e mulheres muitas vezes têm concepções equivocadas sobre seus fatores de risco e os sinais e sintomas de doença cardíaca (Brunner; Suddarth, 2019). Durante um episódio de SCA, o indivíduo apresenta pelo menos quatro sintomas, como desconforto ou dor no peito, dor nas costas, ombro, braço ou pescoço, queimação no epigástrio ou indigestão, falta de ar, fadiga incomum e sudorese. A combinação de sintomas varia de pessoa para pessoa e é frequentemente referida como um conjunto de sintomas de SCA (Brunner; Suddarth, 2019). 105 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Em idosos e pacientes diabéticos, a neuropatia pode resultar na ausência de sensação de dor ou desconforto associados à isquemia miocárdica. Como resultado, eles podem relatar sintomas como fadiga incomum ou falta de ar. Em algumas situações, a síndrome coronariana aguda (SCA) pode ocorrer sem sintomas perceptíveis, sendo chamada de isquemia silenciosa (Brunner; Suddarth, 2019). Um eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações e a análise de biomarca- dores cardíacos séricos são necessários para determinar se um cliente com sintomas de SCA está desenvolvendo angina instável ou um infarto agudo do miocárdio (IAM) (Brunner; Suddarth, 2019). • Acidente Vascular Encefálico O acidente vascular encefálico (AVE), mais conhecido como derrame cere- bral, é uma condição complexa que se manifesta por um ou mais déficits neurológicos localizados. Esses déficits são específicos da área do cérebro afetada e são causados pela redução do fluxo sanguíneo cerebral, levando à morte das células cerebrais e resultando em limitações funcionais (Nettina, 2007). Os sintomas mais comuns de um AVE estão listados a seguir. Avaliação inicial direcionada AVE dos hemisférios esquerdo e direito Fique alerta aos seguintes sinais e sintomas: AVE do hemisfério esquerdo - Paralisia ou fraqueza do lado direito do corpo - Déficit do campo visual direito - Afasia (expressiva, receptiva ou global) - Alteração das funções intelectuais - Comportamento lento e cauteloso AVE do hemisfério direito - Paralisia ou fraqueza do lado esquerdo do corpo - Déficit do campo visual esquerdo - Déficits de percepção espacial - Dificuldade de concentração - Comportamento impulsivo e raciocínio prejudicado - Incapacidade de perceber os próprios déficits Quadro 2: Cuidados de enfermagem ao idoso hipertenso 106 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Pellico, 2014. #PraTodosVerem: Na imagem há um guia de orientações de avaliação inicial direcionada ao AVE. As síndromes de AVE causam grande variedade de déficits neurológicos, conforme localização da lesão, vasos obstruídos, dimensão e área de tecidos cerebrais pouco perfundidos e extensão da circulação colateral (secundária ou acessória) na área acometida (Nettina, 2007). Curiosidade É essencial que toda a população saiba identificar os principais sinais e sintomas de um AVE. Existem diversos conteúdos lúdicos que ensinam as crianças e adultos na identificação precoce, como o vídeo disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=7GeJY7A6Wdw. Acesso em: 23 abr. 2024. A American Heart Association/American Stroke Association recomenda que a população leiga seja instruída quanto aos sinais e sintomas de um AVE e ligue para 192 imediatamente, caso precise de ajuda (WHO, 2005). • Trombose Venosa Profunda Os termos trombose venosa, trombose venosa profunda (TVP), trombofle- bite e flebotrombose são utilizados para descrever diferentes condições relacionadas aos vasos sanguíneos, mas não representam necessariamente os mesmos processos patológicos. Eles são agrupados de maneira a faci- litar sua descrição clínica, considerando suas características distintas (Paula; Rocha, 2019). A TVP está associada ao edema do membro em consequência do bloqueio da drenagem venosa. O edema pode ser avaliado medindo-se a circunfe- rência do membro afetado e comparando-se um membro com o outro no https://www.youtube.com/watch?v=7GeJY7A6Wdw https://www.youtube.com/watch?v=7GeJY7A6Wdw 107 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso mesmo nível. Ao toque, o membro afetado pode parecer mais quente do que o outro (Paula; Rocha, 2019). A hipersensibilidade geralmente é um sinal tardio causado pela inflamação da parede vascular. Com uma palpação suave do membro afetado, é possível detectar um cordão ao longo das veias acometidas. Anteriormente, o sinal de Homans (dor na panturrilha durante a flexão do pé para cima) era consi- derado um sinal de TVP, mas não é confiável e não é mais utilizado (Paula; Rocha, 2019). A trombose venosa superficial causa dor ou hipersensibilidade, eritema e aumento da temperatura na área afetada. Alguns casos de trombose super- ficial regridem espontaneamente. Essa condição pode ser tratada ambula- torialmente com repouso ao leito, elevação do membro, analgésicos e anti- -inflamatórios. É importante destacar que, embora os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) produzam analgesia, também podem obscurecer os sinais clínicos de propagação dos trombos (Brunner; Suddarth, 2019). A enfermagem deve avaliar possíveis diferenças nas circunferências dos membros, desde a coxa até o tornozelo, bem como o aumento da tempe- ratura superficial da perna, principalmente na região da panturrilha ou do tornozelo, e a presença de áreas de hipersensibilidade ou trombose super- ficial. A presença de assimetria nos membros, caracterizada por edema na panturrilha com pelo menos 3 cm a mais do que no membro contralateral assintomático, medido 10 cm abaixo da tuberosidade tibial, deve alertar o profissional de enfermagem para a possibilidade de TVP. Além disso, é importante verificar se o paciente apresenta febre baixa (Brunner; Suddarth, 2019). • Diabetes Mellitus (DM) O Diabetes Mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia resultante de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. O DM pode ser classificado em tipo I e tipo II (Brunner; Suddarth, 2019). O DM tipo I é uma doença crônica, podendo acometer diferentes faixas etárias, sendo mais comumente diagnosticada em crianças, adolescentes e adultos jovens (Gonçalves; Tourinho, 2012). 108 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso O DM tipo II representa a grande maioria dos casos de diabetes, correspon- dendo de 90% a 95% dos diagnósticos. Embora possa afetar pessoas de qualquer idade, é mais frequentemente diagnosticadoapós os 40 anos. Essa forma de diabetes é causada por um defeito na secreção e na ação da insu- lina, o que resulta em resistência à insulina, podendo haver predomínio de um componente sobre o outro (Gonçalves; Tourinho, 2012). O DM é um problema de saúde pública atual. Nessa perspectiva, o enfermeiro, enquanto profissional de saúde com compromisso de prestar cuidados às pessoas portadoras dessas afecções em todos os níveis de atenção, desde a atenção básica até a alta complexidade, desempenha papel primordial, evitando complicações sérias por meio de um cuidado sistematizado e coerente, com um olhar holístico para cada indivíduo (Gonçalves; Tourinho, 2012). Tais aspectos são inerentes à enfermagem, enquanto prática social, que promove a saúde por meio do desenvolvimento de ações essenciais, desde as mais simples, como orientações sobre o uso da insulina, até as mais complexas, como prevenção de agravos e amputações, sempre voltadas para o bem-estar do paciente (Gonçalves; Tourinho, 2012). Saiba Mais O diagnóstico de diabetes mellitus (DM) muitas vezes chega de surpresa e pode trazer preocupações, angústia, medo do desconhecido. Mas atualmente a diabetes, apesar de ser uma doença crônica, tem tratamentos eficazes, e por meio de uma dieta saudável, exercícios físicos, antidia- béticos orais e/ou insulina o paciente pode ter uma exce- lente qualidade de vida, além de poder continuar a buscar a realização de seus sonhos. Saiba mais em: https://www.saudedireta.com.br/docsu- pload/13403686111118_1324_manual_enfermagem.pdf. Acesso em: 23 abr. 2024. https://www.saudedireta.com.br/docsupload/13403686111118_1324_manual_enfermagem.pdf https://www.saudedireta.com.br/docsupload/13403686111118_1324_manual_enfermagem.pdf 109 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso O uso de insulina é fundamental no tratamento adequado do diabetes mellitus. Portanto, os profissionais de enfermagem devem orientar os pacientes sobre a técnica correta de aplicação, o uso de instrumentos adequados, o rodízio do local de aplicação e a importância de dominar essa técnica. É essencial que tanto os pacientes quanto os profissionais estejam sempre atentos a sinais como calor, rubor e edema nos locais de aplicação (Gonçalves; Tourinho, 2012). Figura 2: Idoso com Diabetes Mellitus Fonte: Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2020. #PraTodosVerem: Na imagem, um idoso está realizando um auto teste de glicemia capilar, mas seu rosto não está visível. A avaliação podológica consiste em um instrumento fundamental utili- zado pela enfermagem, identificando fatores de risco por meio da inspeção dermatológica, estrutural, circulatória e da sensibilidade tátil pressórica, além das condições higiênicas e características dos calçados (Braga; Galle- guillos, 2014). 110 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso No caso de pacientes com pé diabético, a equipe de enfermagem deve realizar uma anamnese completa, incluindo informações sobre história clínica, familiar e social. Além disso, é necessário realizar um exame físico detalhado e um acompanhamento rigoroso das lesões nos membros infe- riores. As intervenções devem ser realizadas de acordo com as necessidades básicas do paciente, como curativos, monitoramento da glicemia e verifi- cação dos sinais vitais. Também é importante viabilizar o acompanhamento nutricional e médico (Braga; Galleguillos, 2014). 5.1.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES RENAIS: DOENÇA RENAL CRÔNICA, LESÃO RENAL AGUDA, TERAPIAS DE SUBSTITUIÇÃO RENAL As doenças renais afetam diversas populações em todo o mundo, indepen- dentemente da faixa etária. Sua origem é multifatorial, sendo que o enve- lhecimento populacional e o aumento das doenças crônicas não transmis- síveis (DCNT) têm contribuído para o crescimento do número de casos. O impacto dessas doenças na saúde humana varia de acordo com diversos fatores, incluindo características individuais, acesso aos serviços de saúde, diagnóstico e as causas subjacentes do desenvolvimento da doença renal (Braga; Galleguillos, 2014). Essa doença pode ser classificada em insuficiência renal aguda (IRA) e insu- ficiência renal crônica (IRC), de acordo com o tempo e do acometimento do sistema renal (Brunner; Suddarth, 2019). A avaliação da saúde renal deve incluir dados objetivos e subjetivos, no intuito de identificar e tratar possíveis alterações. Alguns sinais e sintomas uriná- rios podem ser monitorados durante as nossas ações assistenciais (Brunner; Suddarth, 2019). 111 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Quadro 3: Indicadores objetivos e subjetivos da saúde renal Fonte: Santos, 2021. #PraTodosVerem: Na imagem, temos um organograma sobre os indicadores objetivos e subjetivos da saúde renal. O enfermeiro deve compreender a importância do monitoramento do débito urinário para identificar precocemente disfunções renais, bem como altera- ções em outros órgãos, como o coração. A diurese é um reflexo da taxa de filtração glomerular, da hidratação e da perfusão tissular, sendo parâmetros essenciais para avaliar o estado hemodinâmico. Portanto, o acompanha- mento regular do débito urinário é fundamental na prática clínica (Brunner; Suddarth, 2019). O exame físico e a solicitação de exames laboratoriais (ureia e creatinina) e de imagem são uma rotina durante a hospitalização. Os exames labora- toriais são simples e de baixo custo, disponíveis na maioria das instituições (Brunner; Suddarth, 2019). Os idosos são mais propensos a desenvolver hipernatremia e déficit de volume de líquidos devido à diminuição do estímulo osmótico da sede asso- ciada ao envelhecimento. A sede é uma sensação subjetiva definida pela percepção do desejo de ingerir líquidos. A sensação de sede é tão eficaz na proteção contra a hipernatremia que raramente ocorre em adultos jovens com menos de 60 anos (Brunner; Suddarth, 2019). As anormalidades estruturais ou funcionais que ocorrem com o envelheci- mento também podem dificultar o esvaziamento completo da bexiga. Isso 112 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso pode ser atribuído à redução da contratilidade da parede vesical; pode ser secundário a fatores miogênicos ou neurogênicos; ou pode estar relacionado com a obstrução do trato de saída da bexiga. As mucosas vaginais e uretrais atrofiam (tornam-se mais delgadas) nas mulheres idosas em consequência dos níveis baixos de estrogênio, resultando em redução do fluxo sanguíneo aos tecidos urogenitais com irritação uretrovaginal subsequente e, possivel- mente, incontinência urinária (Brunner; Suddarth, 2019). As intervenções de enfermagem se concentram na orientação do cliente sobre o processo patológico, nas explicações dos exames laboratoriais e diagnósticos e na preparação para o autocuidado seguro e eficaz em domi- cílio (Nettina, 2007). A orientação ao cliente visa ao manejo dos sintomas e à monitorização das complicações. É importante rever a restrição alimentar e hídrica com o cliente para evitar agravamento do edema e da hipertensão. O cliente deve ser orientado a comunicar imediatamente o médico ao primeiro sinal de infecção e caso apresente sintomas de insuficiência renal, como fadiga, náuseas, vômitos e redução do débito urinário. As informações são forne- cidas de forma verbal e por escrito (Nettina, 2007). Com o objetivo de avaliar a progressão da doença no cliente, o profissional de enfermagem o orienta acerca da importância das avaliações de acompa- nhamento da pressão arterial, urinálise para detecção de proteína e níveis séricos de ureia e creatinina (Nettina, 2007). O encaminhamento para o cuidado domiciliar pode ser indicado, carac- terizando uma oportunidade de pesquisar e detectar os sinais e sintomas precoces de insuficiência renal. Se corticosteroides, agentes imunossupres- sores ou medicamentos antibióticos forem prescritos, o profissional deverá revisar a dosagem, as ações desejadas, os efeitos adversos dos medicamentos e as precauções a seremimplementadas (Nettina, 2007). 113 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 5.1.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS: TUBERCULOSE, PNEUMONIA E DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC). O declínio progressivo da função respiratória começa nos adultos jovens e de meia-idade e afeta a estrutura e a função do sistema respiratório. Com o envelhecimento (≥ 40 anos), ocorrem alterações nos alvéolos que reduzem a superfície disponível para a troca de oxigênio por dióxido de carbono (Fontaine; Morton, 2014). Reflita O tabagismo é a grande causa da DPOC, principalmente em pessoas acima de 40 anos e fumantes de um ou mais maços de cigarro por dia, por 10 ou mais anos. Além disso, pacientes podem ter uma mistura de bronquite crônica e enfisema com exposição à fumaça de fogão, lenha ou carvão, assim como vapores industriais ou poluição ambiental (Associação Brasileira de Asmáticos, 2022). Por volta dos 50 anos, os alvéolos pulmonares começam a perder elastici- dade, o que reduz a capacidade vital devido à perda de mobilidade torá- cica e à limitação do fluxo de ar. Além disso, o espaço morto respiratório aumenta com a idade (Fontaine; Morton, 2014). Essas mudanças resultam em uma capacidade reduzida de difusão de oxigênio à medida que o indivíduo envelhece, levando a níveis mais baixos de oxigênio na circulação arterial (Fontaine; Morton, 2014). Os sintomas comuns de doenças respiratórias incluem dispneia (falta de ar), tosse, produção de escarro, dor torácica, sibilos, baqueteamento dos dedos das mãos, hemoptise (expectoração de sangue) e cianose (Fontaine; Morton, 2014). 114 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Essas manifestações clínicas estão relacionadas à duração e à gravidade da doença. Além de determinar a razão principal que levou o cliente a buscar atendimento clínico, o profissional tenta identificar quando o problema de saúde ou o sintoma começou, há quanto tempo está presente, se houve melhora em alguma época e como o sintoma foi aliviado. O profissional também deve obter informações sobre fatores desencadeantes, duração, gravidade e fatores ou sintomas associados (Fontaine; Morton, 2014). A condição que provoca dispneia deve ser determinada. Portanto, é impor- tante fazer as seguintes perguntas ao cliente: • Que intensidade de esforço desencadeia falta de ar? • Também há tosse? • A falta de ar está relacionada a outros sinais e sintomas? • O início da falta de ar foi súbito ou progressivo? • Em que hora do dia ou da noite a falta de ar ocorre? • A falta de ar piora quando o cliente está deitado no leito? • A falta de ar ocorre em repouso? Quando faz esforço? Quando corre ou sobe escadas? • A falta de ar piora quando o cliente anda? Em caso afirmativo, qual é a distância percorrida? E a velocidade da marcha? (Fontaine; Morton, 2014). Para avaliar a dispneia, é importante considerar a intensidade da falta de ar relatada pelo cliente, o esforço necessário para respirar e a frequência da dispneia. Os clientes usam uma variedade de termos e frases para descrever a falta de ar, como “não consigo respirar o suficiente”, “é difícil respirar” e “sinto aperto no peito” (Nettina, 2005). O profissional de enfermagem deve esclarecer quais termos são mais fami- liares ao cliente e o que eles significam. Além disso, clientes que tossem por longos períodos geralmente produzem escarro, uma resposta dos pulmões a irritantes persistentes ou à secreção nasal (Nettina, 2005). 115 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Figura 3: Tosse em idoso Fonte: Senra, 2020. #PraTodosVerem: Na imagem, há um casal de idosos sentados em um sofá. O homem está tossindo, segurando a mão na frente da boca. A mulher está ao lado dele, dando tapi- nhas suaves em suas costas. O homem parece estar um pouco vermelho e com uma expressão facial que sugere dificuldade para respirar. O tipo de escarro sugere a causa subjacente. Grandes quantidades de escarro purulento (espesso e amarelo ou esverdeado) são comuns em infecções bacterianas, abscessos pulmonares, bronquiectasias ou fístulas broncopleu- rais comunicando-se com empiemas (pus no espaço pleural). Quantidades menores de escarro purulento podem indicar bronquite aguda, fase de reso- lução da pneumonia, cavidades tuberculosas pequenas ou abscessos pulmo- nares. O escarro semelhante à geleia de groselha está associado à infecção por Klebsiella pneumoniae ou Streptococcus pneumoniae. O escarro ferru- ginoso purulento sugere pneumonia pneumocócica. O escarro mucoide fino é comumente causado por bronquite viral. O aumento gradual na produção de escarro ao longo do tempo pode indicar bronquite crônica ou bron- quiectasia, que pode produzir volumes diários entre 200 e 500 ml. O escarro mucoide tingido de rosa sugere tumor pulmonar. Secreções profusas, espu- mosas, brancas ou rosadas, geralmente acumuladas na garganta, podem 116 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso indicar edema pulmonar. Escarro com odor fétido e mau hálito indicam abscesso pulmonar, bronquiectasia ou infecção por bactérias anaeróbicas. O odor bolorento pode sugerir infecção por Pseudomonas (Fontaine; Morton, 2014). 5.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM ESPECIALIZADA AO IDOSO II Manter a saúde e o equilíbrio integral é fundamental nos cuidados geriá- tricos, visto que o envelhecimento e as condições crônicas podem impactar negativamente o bem-estar físico, mental e espiritual. A enfermagem desem- penha um papel crucial na redução desses impactos, focando não apenas na cura, mas também na restauração da saúde. Além disso, é essencial fornecer suporte aos idosos para que possam encontrar significado, conexão e compreensão em sua jornada final (Paula; Rocha, 2019). 5.2.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÃO GASTROINTESTINAL: ESTOMAS, HEPATITES E CIRROSES Com o avançar da idade, o sistema digestivo enfrenta desafios significativos, resultando em mudanças que afetam a ingestão, digestão e absorção de alimentos. Essas alterações podem levar a problemas como dificuldade na absorção de nutrientes, sensação de saciedade precoce, baixa produção de ácido clorídrico, e constipação (Paula; Rocha, 2019). Além disso, outras questões, como a redução da capacidade de mastigação, alterações nos sentidos, fluxo salivar e na saúde bucal também contribuem para influenciar a alimentação dos idosos. Esses fatores, segundo alguns estudos, podem levar a uma ingestão inadequada de vitaminas e minerais, resultando em deficiências nutricionais e, em casos crônicos, desnutrição (Paula; Rocha, 2019). 117 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Ostoma, ostomia, estoma ou estomia são palavras com o mesmo signifi- cado, derivado do grego, em que osto é “boca” e tomia, “abertura”, ou seja, uma cirurgia realizada com objetivo de construir um caminho alternativo de comunicação com o meio exterior, para eliminar a urina ou as fezes, assim como auxiliar na respiração ou na alimentação. Sendo assim, a estomia pode ser de respiração (traqueostomia), eliminação (cistostomia, colonos- tomia e ileostomia) ou alimentação (gastrostomia e jejunostomia) (Paula; Rocha, 2019). Assim, o portador de estomia precisa adotar uma série de medidas para cuidar de si mesmo e manter uma boa qualidade de vida. Essa situação é bastante complexa, pois envolve a integração de várias relações que sustentam a existência entre os seres no universo (Paula; Rocha, 2019). Observa-se que os idosos com estomia costumam enfrentar mais dificul- dades do que os mais jovens para realizar esses cuidados. Após a cirurgia, é comum que esses pacientes tenham muitas dúvidas sobre sua saúde e sintam medo da situação em que se encontram, o que pode levá-los a resistir às orientações para o autocuidado. Eles podem acreditar que suas fragili- dades os impedem de alcançar uma nova forma de vida saudável (Brunner; Suddarth, 2015). O enfermeiro, atuando como educador em saúde, deve orientar o paciente e seus familiaressobre os cuidados necessários com o estoma em casa. Nesse sentido, a tecnologia educacional surge como uma ferramenta disponível que facilita o processo de ensino-aprendizagem, auxiliando no desenvol- vimento de habilidades e mediando o conhecimento necessário para o cuidado. Neste estudo, adotamos a compreensão da tecnologia como o resultado de processos derivados da experiência diária e da pesquisa, visando desenvolver um conjunto de conhecimentos científicos com o propósito de intervir em situações práticas (Brunner; Suddarth, 2015). • Doenças Hepáticas A cirrose é o resultado final de uma lesão hepática progressiva. Ela pode se desenvolver em casos de hepatite crônica que não regrediram esponta- neamente ou após episódios repetidos de lesão aguda do fígado, como no alcoolismo crônico (Fontaine; Morton, 2014). 118 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Na cirrose, o fígado se torna endurecido, atrofiado e nodular, com função deficiente e reserva reduzida devido à diminuição do tecido hepático funcional. Além disso, a dinâmica do fluxo sanguíneo é alterada, elevando a pressão na veia porta. Isso faz com que o sangue seja desviado ao redor do fígado, em vez de ser filtrado por ele. Esse fenômeno, conhecido como deri- vação (shunt) portal para sistêmica (ou portossistêmica), tem efeitos signifi- cativos sobre a função de vários sistemas orgânicos e prepara o terreno para complicações graves da doença hepática, conforme descrito posteriormente (Fontaine; Morton, 2014). As consequências de doença do fígado podem ser reversíveis ou irreversíveis (Brunner; Suddarth, 2015). Os cuidados específicos de enfermagem ao paciente portador de IHA devem incluir, em sua admissão: avaliar e anotar características da pele; avaliar estado mental; manter leito a 45°; administrar medicamentos prescritos; restringir paciente ao leito em caso de agitação e confusão mental; realizar a passagem de SNG e medir e anotar características do volume drenado; realizar passagem de SVD e monitorar fluxo urinário; ficar atento para sinais de edema cerebral; medir circunferência abdominal pelo menos uma vez por dia; manter jejum VO absoluto; avaliar coagulograma diariamente; evitar múltiplas punções venosas periféricas; monitorar criteriosamente os níveis de glicemia capilar; ficar atento a sinais de acidose metabólica; suspender anti- coagulantes, em caso de alteração significativa no coagulograma (Brunner; Suddarth, 2015). 5.2.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS As doenças hematológicas podem variar em gravidade, sendo algumas menos preocupantes e outras mais sérias. Elas têm o potencial de afetar diversos sistemas do corpo humano. O cuidado de enfermagem para pessoas com esses distúrbios exige conhecimento detalhado da anatomia e fisiologia do processo de formação das células sanguíneas e do sistema imunológico, além de habilidade para realizar avaliações clínicas precisas (Fontaine; Morton, 2014). 119 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Os cuidados de enfermagem podem envolver auxiliar o paciente a iden- tificar atividades prioritárias e estabelecer um equilíbrio adequado entre atividade e descanso, considerando as necessidades individuais. Pacientes com anemia crônica devem manter um nível de atividade física para evitar perda de condicionamento decorrente da inatividade. Exercícios breves realizados diariamente também podem ajudar a reduzir a intensidade da fadiga (Fontaine; Morton, 2014). Além disso, deve-se estimular a ingestão de alimentos que contenham vita- minas e minerais em todas as refeições do dia; criar um ambiente propício para que o paciente possa se alimentar melhor; explicar ao paciente a rele- vância da alimentação para sua recuperação e incluir a família na elaboração de um plano alimentar para o período após a alta (Brunner; Suddarth, 2015). 5.2.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO COM ALTERAÇÕES IMUNOLÓGICAS O sistema imunológico é fundamental para proteger o corpo contra doenças, respondendo de forma específica a agentes invasores. Fatores como sistema nervoso, estado emocional e medicamentos afetam sua função. Disfunções podem levar a distúrbios, como autoimunidade, causados por respostas inadequadas do sistema imunológico (Brunner; Suddarth, 2015). Figura 4: Vacinação de idosos 120 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: G1 Santos, 2021. #PraTodosVerem: Na imagem, temos uma profissional da enfermagem administrando uma vacina em uma idosa que está com o rosto virado. À medida que envelhecemos, o sistema imunológico passa por mudanças significativas, tornando-se menos eficiente e aumentando a suscetibilidade a infecções e doenças. Esse fenômeno, conhecido como imunossenescência, resulta em parte da diminuição da produção de células imunes e da capaci- dade de resposta a estímulos externos. Além disso, ocorrem alterações nas respostas inflamatórias do corpo, aumentando o risco de inflamação crônica, o que pode contribuir para o desenvolvimento de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer (Brunner, Suddarth, 2015). Atenção Anualmente, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) divulga o calendário vacinal dos idosos. Para acessar o calendário 2024-2025, basta clicar no link disponível em: https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso. pdf. Acesso em: 23 abr. 2024. Essas mudanças no sistema imunológico dos idosos também podem afetar a eficácia das vacinas, levando a uma resposta imune reduzida. Portanto, é essencial que os idosos recebam vacinas recomendadas para protegê-los contra doenças infecciosas, além de adotarem medidas para manter um estilo de vida saudável, incluindo uma dieta equilibrada, exercícios físicos regulares e controle de doenças crônicas, a fim de fortalecer seu sistema imunológico e reduzir o risco de complicações relacionadas à imunossenes- cência (Brunner; Suddarth, 2015). https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf 121 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso CONCLUSÃO Ao cuidar de idosos com condições cardiovasculares, cerebrovasculares, metabólicas, respiratórias, gastrointestinais e imunológicas, a enfermagem desempenha um papel crucial na promoção da saúde e no manejo dessas enfermidades. É essencial adotar abordagens abrangentes e personalizadas, considerando as necessidades únicas de cada paciente. Isso envolve não apenas a administração de tratamentos e cuidados diretos, mas também a educação dos pacientes e suas famílias sobre a importância da adesão ao tratamento, mudanças no estilo de vida e prevenção de compli- cações. O cuidado centrado no paciente e baseado em evidências é fundamental para garantir a eficácia dos tratamentos e melhorar a qualidade de vida dos idosos com essas condições. Além disso, a enfermagem desempenha um papel fundamental na promoção da autonomia e da independência dos idosos, incentivando a participação ativa no autocuidado e na tomada de decisões relacionadas à saúde. 122 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, veja as indicações a seguir. 1. DIABETES tipo 2 e sedentarismo | Dicas de Saúde. [S. l.: s. n.], 2015. 1 vídeo, 1 min. 2015. Publicado pelo canal Drauzio Varella. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=bH1itLcmxWQ. Acesso em: 23 abr. 2024. 2. PINELLI, Natasha. Calendário vacinal do idoso: vacinas impulsionam a longevidade e o bem-estar da população acima de 60 anos. Portal do Butantan, 2 out. 2023. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/ calendario-vacinal-do-idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o- -bem-estar-da-populacao-acima-de-60-anos. Acesso em: 23 abr. 2024. 3. PELLICO, Linda H. Enfermagem Médico-Cirúrgica. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2014. (Ler capítulo 19). 4. BACCHIN, Amanda S. F.; ZEPPINI, Victor A. Hipertensão Arterial em Idosos. Sociedade Brasileira de Geriatriae Gerontologia, [s. d.]. Disponível em: https://www.sbgg-sp.com.br/hipertensao-arterial-em-idosos/. Acesso em: 23 abr. 2024. https://www.youtube.com/watch?v=bH1itLcmxWQ https://www.youtube.com/watch?v=bH1itLcmxWQ https://butantan.gov.br/noticias/calendario-vacinal-do-idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o-bem-estar-da-populacao-acima-de-60-anos https://butantan.gov.br/noticias/calendario-vacinal-do-idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o-bem-estar-da-populacao-acima-de-60-anos https://butantan.gov.br/noticias/calendario-vacinal-do-idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o-bem-estar-da-populacao-acima-de-60-anos https://www.sbgg-sp.com.br/hipertensao-arterial-em-idosos/ Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 123 OBJETIVOS Ao final desta unidade, esperamos que possa: Compreender as especificidades no aten- dimento ao idoso hospitalizado, insti- tucionalizado, e a atenção domiciliar à pessoa idosa. Descrever o atendimento ao idoso na Atenção Primária à Saúde. UNIDADE 6 124 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 6 AS ESPECIFICIDADES DA ENFERMAGEM GERONTOLÓGICA A enfermagem gerontológica, como especialidade, nem sempre foi ampla- mente reconhecida ou valorizada. No entanto, nas últimas décadas, expe- rimentou um significativo avanço, acompanhando o crescente reconhe- cimento da importância dos idosos na sociedade. Os enfermeiros têm atualmente diversas oportunidades para desempenhar papéis cruciais nos cuidados aos idosos e na definição do futuro da gerontologia (Eliopoulos, 2019). Quadro 1: Padrões da Associação Americana de Enfermeiros para a prática da Enfermagem Gerontológica PADRÃO 1. COLETA DE DADOS: O enfermeiro gerontólogo coleta dados abrangentes, pertinentes à saúde ou à situação física e mental do idoso. PADRÃO 2. DIAGNÓSTICO: O enfermeiro gerontólogo analisa os dados coletados para determinar diagnósticos ou tópicos. PADRÃO 3. IDENTIFICAÇÃO DE RESULTADOS: O enfermeiro gerontólogo identifica os resultados esperados para um plano individualizado ao adulto idoso ou à situação. PADRÃO 4. PLANEJAMENTO: O enfermeiro gerontólogo elabora um plano de cuidados para o alcance dos resultados esperados. PADRÃO 5. IMPLEMENTAÇÃO: O enfermeiro gerontólogo implementa o plano identificado. PADRÃO 5A. Coordenação dos cuidados: O enfermeiro gerontólogo coordena os cuidados prestados ao idoso. PADRÃO 5B. Ensino de saúde e promoção da saúde: O enfermeiro gerontólogo com registro profissional emprega estratégias para promover a saúde e um ambiente de segurança. PADRÃO 5C. Consulta: O enfermeiro gerontólogo de prática avançada proporciona consulta para influenciar o plano identificado, fortalecer as capacidades dos outros e realizar mudanças. PADRÃO 5D. Autoridade prescritiva e tratamento: O enfermeiro gerontólogo de prática avançada usa a autoridade para prescrever procedimentos, encaminhamentos e tratamentos, além de terapias, de acordo com legislação e regulamentação estadual e federal. PADRÃO 6. AVALIAÇÃO: O enfermeiro gerontólogo avalia o progresso do adulto idoso na direção do alcance dos resultados esperados. Fonte: Eliopoulos, 2019. #PraTodosVerem: Quadro com 6 padrões para a avaliação da enfermagem gerontológica. 125 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Durante a década de 1970, os enfermeiros começaram a perceber cada vez mais a importância de promover um envelhecimento saudável para os adultos mais velhos, garantindo seu bem-estar. Como resultado, houve um interesse em mudar o nome da especialidade de enfermagem geriátrica para gerontológica, para abranger não apenas o cuidado de idosos doentes, mas também o enfoque em uma gama mais ampla de questões relacio- nadas ao envelhecimento (Eliopoulos, 2019). 6.1 ESPECIFICIDADES DO IDOSO I A diversidade crescente da população idosa apresenta desafios à enfer- magem gerontológica, exigindo competência cultural no cuidado (Elio- poulos, 2019). É crucial para esse tipo de atendimento compreender experiências, crenças, valores, tradições e práticas de diversos grupos étnicos e raciais, bem como as necessidades específicas de saúde, experiências e riscos relacionados à orientação sexual (Eliopoulos, 2019). Além disso, é importante considerar as próprias atitudes e crenças em relação a diferentes grupos étnicos, raciais e orientações sexuais, assim como as atitudes dos colegas de trabalho (Eliopoulos, 2019). Figura 1: Felicidade 126 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: fizkes, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem, temos um idoso sorrindo, dando as mãos para uma profissional de saúde. As barreiras linguísticas também devem ser consideradas, pois podem afetar a capacidade dos pacientes de se comunicar sobre questões de saúde, entender instruções, dar consentimento informado e participar plenamente de seus cuidados (Eliopoulos, 2019). Compreender essas diversas orientações étnicas, culturais e sexuais é essencial para evitar estereótipos e preconceitos que possam interferir nos cuidados eficazes, demonstrando assim a valorização das características individuais de cada pessoa (Eliopoulos, 2019). 6.1.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO HOSPITALIZADO O envelhecimento é um processo que traz consigo uma variedade de mudanças biológicas, psicológicas e culturais, que afetam tanto o indi- víduo quanto o seu contexto familiar e social. Deve ser compreendido como um ciclo natural da vida, não apenas focado em questões relacionadas a doenças, mas também considerando a saúde em seu sentido mais abran- gente (Gonçalves; Tourinho, 2012). A enfermagem com idosos hospitalizados deve ser fundamentada em evidências científicas. Além disso, é essencial empregar conhecimentos e habilidades em relações interpessoais, envolvendo a família e conside- rando as expectativas e necessidades dos idosos em seu contexto, visando à promoção da saúde de forma abrangente e de qualidade (Gonçalves; Tourinho, 2012). A enfermagem deve guiar o processo assistencial em direção à integralidade, enfatizando uma abordagem abrangente no trabalho em saúde, visando ao cuidado integral, que inclui a promoção da saúde, a cura e a reabilitação. As enfermeiras que cuidam de idosos hospitalizados desempenham um papel crucial ao atender suas necessidades básicas de forma integral e indis- pensável (Gonçalves; Tourinho, 2012). 127 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso A abordagem da enfermagem na prestação de cuidados ao idoso hospi- talizado é conduzida de forma sistemática, utilizando o processo de enfer- magem baseado na teoria das necessidades humanas (Gonçalves; Tourinho, 2012). Essa abordagem possibilita a identificação das necessidades específicas do paciente idoso, levando à formulação de diagnósticos de enfermagem, planejamento de intervenções e sua implementação (Gonçalves; Tourinho, 2012). A prática resulta em uma avaliação contínua da assistência prestada. Ao aplicar seus conhecimentos técnico-científicos, as enfermeiras desenvolvem habilidades críticas e competências para oferecer um cuidado holístico e integral ao paciente, o que também contribui para o reconhecimento profis- sional (Gonçalves; Tourinho, 2012). O cuidado de enfermagem para o idoso internado em hospital abrange diversas áreas, incluindo higiene, alimentação e hidratação (Braga; Galle- guillos, 2014). O banho do paciente idoso deve ser realizado de forma cuidadosa, respei- tando sua autonomia e privacidade, além de considerar suas condições de saúde, como a fragilidade da pele e a presença de dispositivos médicos (Braga; Galleguillos, 2014). Quanto à alimentação, é fundamental garantir uma dieta balanceada e adequada às necessidades nutricionais do idoso, levando em conta suas preferências e restrições alimentares (Braga; Galleguillos, 2014). A hidratação também é essencial, pois muitos idosos têm maior propensão à desidratação devido a fatores como diminuição da sensação de sede e alterações renais. Portanto, é importante que a equipe de enfermagemesteja atenta e promova cuidados específicos para garantir o bem-estar e a recuperação do paciente idoso durante sua internação hospitalar (Braga; Galleguillos, 2014). A integridade da pele é uma preocupação primordial no cuidado do paciente idoso hospitalizado, devido à maior vulnerabilidade a lesões, como úlceras por pressão. É essencial realizar avaliações frequentes da pele, 128 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso especialmente em áreas de maior risco, como regiões ósseas proeminentes. Medidas preventivas, como o reposicionamento regular do paciente e o uso de superfícies de apoio adequadas, são fundamentais para evitar lesões por pressão. Além disso, a manutenção da higiene e da hidratação da pele também contribui para a prevenção de infecções (Eliopoulos, 2019). Figura 2: Idoso Hospitalizado Fonte: Ground Picture, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na foto, temos uma enfermeira ajudando um idoso a se levantar do leito hospitalar. O risco de infecções é aumentado em pacientes idosos devido a alterações no sistema imunológico e a condições crônicas de saúde. A equipe de enfer- magem deve adotar medidas de prevenção, como a lavagem das mãos, o uso correto de equipamentos de proteção individual e a higienização adequada dos materiais e do ambiente hospitalar (Eliopoulos, 2019). A seguir estão algumas das diretrizes para o cuidado ao idoso hospitalizado. 129 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Quadro 2: Diretrizes no cuidado ao idoso hospitalizado Fonte: Paula; Rocha, 2019. #PraTodosVerem: Quadro com as diretrizes comunicação empática, avaliação abrangente, prevenção de complicações, mobilização precoce, alimentação e hidratação adequadas, cuidados com a pele, controle da dor, promoção da autonimia, apoio emocional e educação e orientação. Comunicação empática: Estabeleça uma comunicação clara e empática, considerando as necessidades individuais do idoso. Avaliação abrangente: Realize uma avaliação abrangente da saúde do idoso, levando em consideração suas condições médicas prévias, medicações em uso e necessidades específicas. Prevenção de complicações: Previna complicações comuns em idosos, como úlceras por pressão, infecções e quedas, por meio de medidas preventivas adequadas. Mobilização precoce: Incentive a mobilização precoce do idoso, sempre que possível, para prevenir complicações relacionadas à imobilidade, como trombose venosa profunda e atrofia muscular. Alimentação e hidratação adequadas: Garanta uma alimentação balanceada e adequada às necessidades nutricionais do idoso, além de manter uma boa hidratação. Cuidados com a pele: Realize cuidados específicos para prevenir lesões na pele, como úlceras por pressão, incluindo a avaliação regular da pele e o uso de medidas preventivas. Controle da dor: Realize o controle adequado da dor do idoso, levando em consideração suas condições médicas e preferências pessoais. Promoção da autonomia: Incentive a autonomia do idoso sempre que possível, respeitando suas escolhas e limitações. Apoio emocional: Ofereça apoio emocional ao idoso e a seus familiares, considerando o impacto emocional da hospitalização. Educação e orientação: Forneça educação e orientação ao idoso e a seus familiares sobre sua condição de saúde, tratamentos e cuidados necessários após a alta hospitalar. A locomoção e a segurança do paciente idoso também são aspectos cruciais a serem considerados. A mobilização precoce, sempre que possível, ajuda a prevenir complicações como tromboembolismo venoso e atrofia muscular. Além disso, é importante garantir um ambiente seguro, livre de obstáculos, e utilizar recursos como barras de apoio e dispositivos de auxílio à locomoção, quando necessário, para evitar quedas e lesões (Eliopoulos, 2019). 130 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Curiosidade A Escala de Braden (EB) é a escala mais utilizada no Brasil para medir o risco que o usuário dos serviços de saúde tem de apresentar uma lesão por pressão. É constituída de seis variáveis para avaliação em seis subescalas: Percepção Sensorial, Umidade, Atividade, Mobilidade, Nutrição, Fricção e força de Cisalhamento. (Coren SP, 2017). Em resumo, o cuidado com a integridade da pele, a prevenção de infecções, a mobilidade e a segurança do paciente idoso no hospital exigem uma abor- dagem abrangente e integrada por parte da equipe de enfermagem, visando sempre a promover o conforto, a segurança e a recuperação do paciente (Fontaine; Morton, 2014). A confusão mental, ou delirium, é uma condição comum entre os idosos internados em hospitais e instituições de cuidados de saúde. O delirium é caracterizado por uma alteração aguda e flutuante da consciência, que pode incluir desorientação, dificuldade de concentração, agitação e alucina- ções. Essa condição pode ser desencadeada por diversos fatores, como infec- ções, desidratação, uso de medicamentos, entre outros, e é mais comum em idosos devido a uma série de fatores, incluindo fragilidade física e condições médicas subjacentes (Eliopoulos, 2019). Durante a internação, os idosos podem ficar mais vulneráveis ao delirium devido ao ambiente desconhecido, à mudança de rotina, à dor, à ansiedade e ao uso de medicamentos. Além disso, a falta de sono adequado e a desi- dratação podem contribuir para o desenvolvimento do delirium. Esse estado não apenas causa desconforto e sofrimento para os idosos, mas também está associado a piores resultados de saúde, como aumento do tempo de internação, maior risco de complicações e até mesmo maior mortalidade (Paula; Rocha, 2019). Para prevenir a confusão mental nos idosos internados, é importante que a equipe de saúde esteja atenta aos fatores de risco e adote medidas preven- tivas. Isso inclui a manutenção de um ambiente calmo e familiar, a garantia 131 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso de uma boa hidratação e nutrição, o estímulo à mobilidade e atividade física, a manutenção de uma rotina regular de sono e a minimização do uso de medicamentos que possam contribuir para o delirium. Além disso, a comu- nicação clara e o apoio emocional também são fundamentais para reduzir o estresse e a ansiedade dos idosos durante a internação (Braga; Galleguillos, 2014). É essencial que os profissionais de saúde estejam capacitados para reco- nhecer os sinais dessa condição e intervir precocemente, a fim de minimizar os impactos negativos dessa condição nos idosos internados. A educação dos familiares e cuidadores também é importante para que possam apoiar os idosos durante a internação e contribuir para a prevenção desse estado (Braga; Galleguillos, 2014). 6.1.2 IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS (INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS) À medida que envelhecemos, várias mudanças ocorrem em nosso corpo, tanto fisiológicas quanto relacionadas a doenças. Essas mudanças podem tornar os idosos mais frágeis e vulneráveis, afetando sua autonomia e inde- pendência. Em casos de doenças crônicas incapacitantes, a dependência resultante pode representar um desafio adicional para a família, tornando o cuidado do idoso mais complexo (Braga; Galleguillos, 2014). Figura 3: Idoso Institucionalizado 132 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na foto, temos três idosas residentes em uma instituição de longa permanência, sentadas à mesa durante uma refeição. Uma enfermeira está auxiliando uma das idosas na alimentação, demonstrando cuidado e atenção. Um homem mais jovem observa o cuidado sendo prestado. A institucionalização de idosos tornou-se um desafio global devido ao envelhecimento da população em todo o mundo. As Instituições de Longa Permanência (ILPs) são concebidas como locais que oferecem estrutura física adequada e pessoal qualificado para cuidar dos idosos, funcionando como um lar especializado. Elas têm a dupla função de fornecer assistência gerontogeriátrica de acordo com o nível de dependência do residente e criar um ambienteacolhedor que preserve a identidade desses indivíduos (Braga; Galleguillos, 2014). A crescente demanda por cuidados especiais para a população idosa tem destacado a importância das instituições dedicadas a prestar assistência a esse grupo. É fundamental incentivar a busca por novos modelos institucio- nais que proporcionem um ambiente adequado para esses cuidados, respei- tando e promovendo os direitos fundamentais do idoso (Braga; Galleguillos, 2014). Saiba Mais As normas de funcionamento das ILPS estão estabelecidas na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 502, de 27 de maio de 2021. Saiba mais em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/ servicosdesaude/saloes-tatuagens-creches/instituicoes- -de-longa-permanencia-para-idosos. Acesso em: 9 maio 2024. Os idosos que vivem nessas instituições muitas vezes enfrentam desa- fios como o sedentarismo, a falta de afeto, a perda de autonomia devido a limitações físicas e mentais, a ausência de familiares para auxiliar no https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/saloes-tatuagens-creches/instituicoes-de-longa-permanencia-para-idosos https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/saloes-tatuagens-creches/instituicoes-de-longa-permanencia-para-idosos https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/saloes-tatuagens-creches/instituicoes-de-longa-permanencia-para-idosos 133 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso autocuidado e a falta de suporte financeiro. Esses aspectos têm levado a uma maior atenção da sociedade em relação às condições desses idosos nas instituições de longa permanência (Braga; Galleguillos, 2014). A institucionalização do idoso se tornou um problema universal em decor- rência do processo de envelhecimento mundial. As ILPS teoricamente são um ambiente dotado de estrutura física adequada e pessoal qualificado para o atendimento ao idoso, ou seja, um lar especializado, com dupla função: propiciar assistência gerontogeriátrica, de acordo com o grau de dependência do interno e um ambiente de aconchego que possa preservar a identidade desse indivíduo (Eliopoulos, 2019). O idoso institucionalizado e a entidade que o abriga geralmente não conseguem arcar sozinhos com a complexidade e as dificuldades da senescência e/ou senilidade. As instituições de longa permanência para idosos (ILPI) recebem várias denominações, como casa de repouso, asilo, clinica geriátrica (Eliopoulos, 2019). De acordo com o Estatuto do Idoso, somente possui o consentimento para o funcionamento de instituições asilares aqueles que estão inscritos junto ao órgão competente da vigilância sanitária e aos conselhos de idosos. Em caso do descumprimento das determinações da lei, tais entidades são sujeitas a penas, desde advertências até o fechamento delas, se não gover- namentais; e advertência à proibição de atendimento, passando por multa e suspensão parcial ou total do repasse de verbas públicas, se governamentais (Boas, 2015). Os idosos que vivem em instituições necessitam de cuidados especiais e apoio adicional, especialmente porque muitos deles enfrentam problemas de saúde física e mental. O tempo de permanência nessas instituições pode aumentar a fragilidade desses idosos, pois acredita-se que a instituciona- lização possa acelerar e agravar a perda de funcionalidade, levando a um declínio nas habilidades físicas e cognitivas (Eliopoulos, 2019) Esses idosos institucionalizados apresentam características comuns, como a idade (maiores de 75 anos), o sexo feminino, solteiros ou viúvos, baixa escolaridade, polifarmácia, presença de uma ou mais síndromes geriátricas, presença de doenças cronicodegenerativas, presença de depressão severa e dependência na realização de atividades de vida diária (Eliopoulos, 2019). 134 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 6.1.3 ATENÇÃO DOMICILIAR À PESSOA IDOSA A assistência domiciliar é um tipo de cuidado à saúde prestado na residência do paciente, envolvendo diversas ações para promover a saúde, prevenir e tratar doenças, reabilitar e garantir a continuidade do cuidado, integran- do-se à Rede de Atenção à Saúde. Esse serviço, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), é adaptado às necessidades individuais de cada paciente e é fornecido por equipes especializadas (Brasil, 2024). Com diferentes abordagens, a assistência domiciliar está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Dependendo das necessidades do paciente, esse tipo de cuidado em casa pode ser realizado por equipes variadas. Por exemplo, pacientes que precisam de visitas menos frequentes, como uma vez por mês, e já estão mais estáveis, podem ser atendidos pela equipe de Saúde da Família/Atenção Básica de sua referência. Por outro lado, casos mais complexos são acompanhados pelas Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD) e de Apoio (EMAP) do Serviço de Atenção Domi- ciliar (SAD) - Melhor em Casa (Brasil, 2024). Figura 4: Atendimento Domiciliar Fonte: shisu_ka, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: A imagem retrata um idoso sentado em sua cama, sendo auxiliado por uma enfermeira para se levantar. O idoso está segurando um andador, para tentar ficar em pé. 135 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso A seguir, serão discutidos conceitos/ferramentas/dispositivos bastante úteis para a gestão do cuidado no processo de trabalho das equipes de AD. Acolhimento: na assistência domiciliar, o acolhimento pela equipe é essen- cial, pois envolve compreender a dor e o sofrimento dos pacientes e seus familiares. Isso é feito ao conhecer melhor a vida do paciente. Esse tipo de cuidado é mais humano quando focado nas necessidades das pessoas. O acolhimento também envolve reorganizar o trabalho da equipe para atender às necessidades de saúde, considerando tanto o paciente quanto o cuidador. Embora seja mais associado à atenção primária, o acolhimento também é importante na assistência domiciliar, garantindo o acesso aos cuidados necessários e criando conexões na Rede de Atenção à Saúde. Clínica Ampliada: na clínica ampliada da assistência domiciliar, o profissional de saúde foca na qualidade de vida do paciente, que depende da partici- pação ativa do paciente e de sua adaptação à doença. A escuta qualificada ajuda o paciente e a família a compreenderem a doença, incentivando uma abordagem proativa ao tratamento. O método clínico centrado na pessoa é utilizado, considerando suas ideias, emoções e objetivos, e compartilhando decisões e responsabilidades com o profissional de saúde. Apoio Matricial: o apoio matricial na atenção domiciliar envolve uma equipe de saúde especializada que apoia as equipes de atenção básica no cuidado ao paciente em casa. Essa equipe especializada oferece suporte técnico, compartilha conhecimento e orienta as decisões clínicas, garantindo uma abordagem mais integrada e eficaz ao paciente em domicílio. Projeto Terapêutico Singular (PTS): na assistência domiciliar, é um plano de cuidado individualizado elaborado pela equipe de saúde em conjunto com o paciente e sua família. Ele considera as necessidades específicas de cada pessoa, levando em conta suas condições de vida, preferências e valores. O PTS inclui a definição de metas terapêuticas, a indicação de intervenções e a organização dos cuidados, visando a promover a saúde e melhorar a quali- dade de vida do paciente no ambiente domiciliar (Brasil, 2013). A Atenção Domiciliar proporciona ao paciente um cuidado ligado direta- mente aos aspectos referentes à estrutura familiar, à infraestrutura do domi- cílio e à estrutura oferecida pelos serviços para esse tipo de assistência. Dessa forma, evita-se hospitalizações desnecessárias e diminui o risco de infecções. 136 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Além disso, melhora a gestão dos leitos hospitalares e o uso dos recursos, bem como diminui a superlotação de serviços de urgência e emergência (Brasil, 2024). Os cuidados de enfermagem domiciliar são: identificação do paciente; histó- rico clínico:diagnóstico médico, cirurgias, internação anteriores, vacinas, aler- gias, medicamentos atuais; atividades diárias; sono e repouso; locomoção e imobilidade; higiene; alimentação e hidratação; eliminações; comunicações e orientação; desenvolver ações para capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde – ASC e auxiliares de enfermagem; supervisionar o desempenho dessas funções com o serviço de saúde e comunidade; executar consultas de enfermagem dentro dos programas de saúde, como HAS, DM, atendi- mento à mulher e outros; participar do diagnóstico de saúde com a equipe e elaborar estratégias de ação com a sua equipe; mapear territórios segundo riscos e agravos à saúde local; realizar visitas domiciliares, reuniões, com a equipe multidisciplinar e estudos de casos; manter educação continuada na equipe e na comunidade; elaborar e coordenar programas de saúde na comunidade; realizar procedimentos de enfermagem em geral; participar das avaliações de resultados (Brasil, 2024). 6.2 ESPECIFICIDADES DO IDOSO II As especificidades do idoso envolvem uma série de características físicas, psicológicas e sociais que tornam essa fase da vida única e que devem ser consideradas ao abordar questões de saúde, como a vacinação e o idoso na família e comunidade. 6. 2. 1 CALENDÁRIO VACINAL DO IDOSO A vacinação é uma estratégia eficaz para proteger a saúde da população e reduzir a disseminação de doenças infecciosas na comunidade. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, é responsável por coordenar a política de vacinação no Brasil, oferecendo gratuitamente no SUS 48 imunobiológicos, incluindo vacinas, soros e imunoglobulinas (Brasil, 2024). 137 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso O calendário nacional de vacinação contempla 20 vacinas que protegem em todos os ciclos de vida, desde o nascimento, contra doenças como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano e coqueluche. O PNI também coor- dena campanhas anuais para alcançar altas coberturas vacinais, garantindo a proteção individual e coletiva contra diversas doenças, em parceria com estados, municípios e o Distrito Federal (Brasil, 2024). Reflita As fake news sobre vacinas representam uma grave ameaça à saúde pública, podendo prejudicar significativamente os esforços de erradicação de doenças. A enfermagem tem o dever e a responsabilidade de trazer informações verda- deiras e éticas sobre as vacinas! As fake news relacionadas às vacinas para idosos são especialmente preocu- pantes, pois essa população geralmente enfrenta maior risco de complica- ções graves decorrentes de doenças evitáveis por vacinação. Notícias falsas que questionam a segurança ou a eficácia das vacinas podem levar a uma diminuição da adesão vacinal entre os idosos, aumentando assim o risco de surtos de doenças como a gripe, pneumonia e outras infecções evitáveis (Brasil, 2023) É importante combater ativamente essas informações falsas, fornecendo informações precisas e confiáveis sobre a importância da vacinação para a saúde e o bem-estar dos idosos. A educação e a conscientização sobre os benefícios das vacinas são fundamentais para garantir que essa população esteja protegida contra doenças potencialmente graves (Brasil, 2023). 138 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Quadro 3: Imunização Fonte: Brasil, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem, temos um quadro com as vacinas disponibilizadas para os idosos no SUS. IDADE VACINA DOSE (ESQUEMA) DOENÇAS EVITADAS 60 anos e mais Vacina Hepatite B (HM – recombinante) 3 doses, de acordo com histórico vacinal Proteção contra Hepatite B Vacina Difteria e Tétano (dT) 3 doses, de acordo com histórico vacinal Reforço a cada 10 anos ou a cada 5 anos em caso de ferimentos graves Proteção contra Difteria e Tétano Vacina Febre Amarela (VFA – atenuada) Uma dose Proteção contra Febre Amarela Vacina Difteria, Tétano, Pertussis (dTpa – acelular) Uma dose Reforço a cada 10 anos ou 5 anos em caso de ferimentos graves Proteção contra Difteria, Tetano e Coqueluche A imunização é uma das formas de melhorar a qualidade de vida da popu- lação, por meio de prevenção de doenças, o que leva à promoção da saúde. O objetivo de imunizar é contribuir para o controle ou a erradicação das doenças imunopreviníveis, causar impacto nos índices de morbidade e mortalidade das doenças imunopreviníveis e quebrar a cadeia epidemioló- gica das doenças imunopreviníveis (Braga; Galleguillos, 2014). Além das vacinas do quadro apresentado, ressaltamos que o PNI também disponibiliza doses de vacina contra a influenza e contra a covid-19 anual- mente (Brasil, 2024). 139 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 6.2.2 IDOSO, FAMÍLIA E COMUNIDADE No contexto do envelhecimento, o idoso enfrenta uma série de desafios físicos, emocionais e sociais. O processo natural de envelhecimento pode trazer consigo limitações físicas e cognitivas, além de questões emocionais como solidão e perda de autonomia. É importante que a sociedade reco- nheça e valorize a contribuição e a experiência dos idosos, proporcionando um ambiente inclusivo e acolhedor (Paula; Rocha, 2019). A família desempenha um papel fundamental no apoio aos idosos durante o processo de envelhecimento. Além de fornecer cuidados físicos e emocio- nais, a família também pode ser uma fonte importante de apoio e compa- nhia. É essencial que a família esteja atenta às necessidades específicas dos idosos, proporcionando um ambiente seguro e acolhedor que promova o seu bem-estar e qualidade de vida (Brasil, 2023). Nesse contexto, a família também desempenha um papel importante na promoção do envelhecimento ativo e saudável dos idosos. Estimular a parti- cipação em atividades sociais, culturais e de lazer pode contribuir para a saúde física e mental dos idosos, além de fortalecer os laços familiares e comunitários (Brasil, 2023). A sociedade e a comunidade também têm um papel crucial no apoio aos idosos. É fundamental que a comunidade esteja preparada para acolher e integrar os idosos, proporcionando oportunidades para que se sintam úteis e participativos. Programas de voluntariado, atividades recreativas e cultu- rais adaptadas às necessidades dos idosos são exemplos de iniciativas que podem contribuir para um envelhecimento mais saudável e satisfatório (Brasil, 2023). A comunidade pode desempenhar um papel significativo ao reconhecer e valorizar a experiência e a contribuição dos idosos. Ao acolher os idosos de forma inclusiva e respeitosa, a comunidade pode proporcionar um ambiente que promova o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos. O envolvimento dos idosos na comunidade, valorizando suas habilidades e conhecimentos, é essencial para promover um envelhecimento ativo e saudável (Brasil, 2023) 140 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Em suma, o apoio da família, da sociedade e da comunidade é fundamental para garantir o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos. É importante que a sociedade reconheça e valorize a contribuição dos idosos, proporcionando um ambiente inclusivo e acolhedor que promova um envelhecimento ativo e saudável (Brasil, 2023). 141 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso CONCLUSÃO Durante a hospitalização, é essencial que os profissionais de enfermagem estejam atentos às necessidades físicas, emocionais e sociais dos idosos, garantindo um ambiente seguro, confortável e acolhedor. Além disso, é de suma importância que as Instituições de Longa Perma- nência, prestem um cuidado humanizado e individualizado, oferecendo um ambiente que promova o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos, garan- tindo sua integridade física e emocional. No que diz respeito ao calendário vacinal do idoso, enfatizamos a impor- tância da vacinação na prevenção de doenças e na promoção da saúde. É fundamental que os idosos estejam com suas vacinas em dia, protegendo-se de doenças como a gripe, pneumonia e outras infecções. Por fim, a relação entre oidoso, a família e a comunidade, ressaltando a importância do apoio e da integração social para o bem-estar dos idosos. É essencial que a família e a comunidade estejam engajadas em proporcionar um ambiente acolhedor e inclusivo, valorizando a experiência e a sabedoria dos idosos. O cuidado e a atenção voltados aos idosos devem ser pautados na promoção da saúde, na prevenção de doenças e no respeito à sua dignidade e auto- nomia. É fundamental que os profissionais de saúde, as famílias e a comu- nidade trabalhem juntos em prol do bem-estar e da qualidade de vida dos idosos, garantindo que essa fase da vida seja vivida com dignidade e pleni- tude. 142 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, veja as indicações a seguir. 1. A ROTINA de um profissional de enfermagem em uma instituição de longa permanência. [S. l.: s. n.], 2019. 1 vídeo, 2 min. Publicado pelo canal Centro Geriátrico Cristo Rei. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=cVcgfJEIejU. Acesso em: 9 maio 2024. 2. Webinário Atenção Domiciliar/Jan 24. [S. l.: s. n.], 2024. 1 vídeo, 1 h 54 min. Publicado pelo canal DATASUS. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=zwmXafptdxo. Acesso em 9 maio 2024. 3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm). Calendário de vaci- nação SBIm Idoso 2024/2025. Disponível em: https://sbim.org.br/images/ calendarios/calend-sbim-idoso.pdf. Acesso em: 9 maio 2024. 4. MINISTÉRIO DA SAÚDE. “Saúde com Ciência”: Governo Federal lança programa em defesa das vacinas e de combate à desinformação. Biblio- teca Virtual em Saúde, [s. d.]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/ saude-com-ciencia-governo-federal-lanca-programa-em-defesa-das- -vacinas-e-de-combate-a-desinformacao/. Acesso em: 9 maio 2024. 5. LOPES, R. G. C.; CALDERONI, S. Z. O Idoso na Família: Expansão de Possibili- dades ou Retração? Gerontologia, [s. d.]. Disponível em: https://www.prefei- tura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/Aula%202%20 Lopes%20Calderoni%20Idoso%20na%20fami_lia.pdf. Acesso em: 9 maio 2024. https://www.youtube.com/watch?v=cVcgfJEIejU https://www.youtube.com/watch?v=cVcgfJEIejU https://www.youtube.com/watch?v=zwmXafptdxo https://www.youtube.com/watch?v=zwmXafptdxo https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf https://bvsms.saude.gov.br/saude-com-ciencia-governo-federal-lanca-programa-em-defesa-das-vacinas-e-de-combate-a-desinformacao/ https://bvsms.saude.gov.br/saude-com-ciencia-governo-federal-lanca-programa-em-defesa-das-vacinas-e-de-combate-a-desinformacao/ https://bvsms.saude.gov.br/saude-com-ciencia-governo-federal-lanca-programa-em-defesa-das-vacinas-e-de-combate-a-desinformacao/ https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/Aula 2 Lopes Calderoni Idoso na fami_lia.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/Aula 2 Lopes Calderoni Idoso na fami_lia.pdf https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/assistencia_social/Aula 2 Lopes Calderoni Idoso na fami_lia.pdf 143 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso REFERÊNCIAS ARAUJO, S. R. S.; FREITAS, L. C.; TIMOTEO, L. M. Velho-ser: um olhar sobre qualidade de vida e sexualidade da pessoa idosa. Revista Kairós-Geronto- logia, v. 25, n. 1, p. 169-185, 2022. ASSOSIAÇÃO BRAISLEIRA DE ASMÁTICOS. DPOC – Quais são as causas? 18 nov. 2022. Disponível em: https://www.instagram.com/p/ClGfxMho3xu/. Acesso em: 23 abr. 2024. ASSUMPÇÃO, D. et al. Mudanças em indicadores antropométricos e de velo- cidade de marcha em idosos: estudo de coorte. Revista Brasileira de Geria- tria e Gerontologia, v. 25, n. 5, 2022. BACCHIN, A. S. F.; ZEPPINI, V. A. Hipertensão Arterial em Idosos. Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, [s. d.]. Disponível em: https://www. sbgg-sp.com.br/hipertensao-arterial-em-idosos/. Acesso em: 23 abr. 2024. BARBOSA, I. E. B.; MOTA, B. de S. O impacto na qualidade de vida do cuidador do idoso com Doença de Alzheimer. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 97, n. 1, p. e023020, 2023. BARROS, A. L. B. L. Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfer- magem no adulto. Porto Alegre: Grupo A, 2021. BARSANO, P. R. et al. Evolução e Envelhecimento Humano. São Paulo: Saraiva, 2014. BERLEZI, E. M. Fragilidade em Idosos – Causas Determinantes. Ijuí: Unijuí, 2019. BOAS, M. A. V. Estatuto do Idoso Comentado. 5. ed. Barueri: Grupo GEN, 2015. BOMBEIROS CABEDELO. Aprenda a identificar um AVC – Derrame Cere- bral. YouTube, 3 maio 2023. Disponível em: https://youtu.be/7GeJY7A6Wdw. Acesso em: 23 abr. 2024. https://www.instagram.com/p/ClGfxMho3xu/ https://www.sbgg-sp.com.br/hipertensao-arterial-em-idosos/ https://www.sbgg-sp.com.br/hipertensao-arterial-em-idosos/ https://youtu.be/7GeJY7A6Wdw 144 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso BRAGA, C.; GALLEGUILLOS, T. G. B. Saúde do Adulto e do Idoso. São Paulo: Saraiva, 2014. BRASIL Ministério da Saúde. Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. 5. ed. Brasília, 2018. BRASIL, Ministério da Previdência e Assistência Social. Lei n. 8.842. Política Nacional do Idoso. Brasília, DF: Presidência da República, 1994. BRASIL. Fundacentro. Diversas áreas do conhecimento analisaram apli- cação da CIF. Brasília, 7 dez. 2007. Disponível em: https://www.gov.br/funda- centro/pt-br/comunicacao/noticias/noticias/2007/7/diversas-areas-do-co- nhecimento-analisaram-aplicacao-da-cif. Acesso em: 23 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Idoso. Instabilidade postural e queda. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção Domiciliar. Brasília: Ministério da Saúde, [2024?]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/ saes/dahu/atencao-domiciliar. Acesso em: 9 maio 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta de saúde da pessoa idosa. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov. br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_pessoa_idosa_5ed.pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Domiciliar. Brasília: Minis- tério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publi- cacoes/caderno_atencao_domiciliar_melhor_casa.pdf. Acesso em: 9 maio 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto do Idoso. 2. ed. rev. Brasília: do Minis- tério da Saúde, 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Minis- tério da Saúde, 2006. https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/comunicacao/noticias/noticias/2007/7/diversas-areas-do-conhecimento-analisaram-aplicacao-da-cif https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/comunicacao/noticias/noticias/2007/7/diversas-areas-do-conhecimento-analisaram-aplicacao-da-cif https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/comunicacao/noticias/noticias/2007/7/diversas-areas-do-conhecimento-analisaram-aplicacao-da-cif https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/dahu/atencao-domiciliar https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/dahu/atencao-domiciliar https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_pessoa_idosa_5ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_pessoa_idosa_5ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_atencao_domiciliar_melhor_casa.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_atencao_domiciliar_melhor_casa.pdf 145 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Depar- tamento de Gestão do Cuidado Integral. Guia de cuidados para a pessoa idosa [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departa- mento de Análise de Situação de Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. BRASIL. Ministérioda Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departa- mento de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. 8. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2010 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Coordenação de Apoio à Gestão Descentralizada. Diretrizes operacionais para os pactos pela vida, em defesa do SUS e de gestão. Brasília: do Ministério da Saúde, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, [2024?]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao. Acesso em: 9 maio 2024. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Manual de Enfermagem Médico-Cirúr- gica. 13. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2015. CANÇADO, F. A. X.; ALANIS, L. M.; HORTA, M. L. Envelhecimento Cerebral. In: FREITAS, E. V.; PY, L. (Eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. CARVALHO, N.; DUQUE, E. A importância da realização de atividades como pilar do envelhecimento ativo. Lisboa: Editorial Caritas, 2021. CHAIMOWICZ, F. Saúde do idoso. 2. ed. Belo Horizonte: NESCON UFMG, 2013. CHAIMOWICZ, F.; CHAIMOWICZ, G. F. O envelhecimento populacional brasi- leiro. Pista: Periódico Interdisciplinar. Belo Horizonte, v. 4, n. 2, p. 6-26, ago./ nov. 2022. COCHAR-SOARES, N.; DELINOCENTE, M. L. B.; DATI, L. M. M. Fisiologia do enve- lhecimento: da plasticidade às consequências cognitivas. Revista Neuroci- https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao 146 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso ências, v. 29, 2021. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/ neurociencias/article/view/12447. Acesso em: 11 mar. 2024. CONCEIÇÃO, M. S.; ANDRADE, B. F.; MENEZES, A. F. A. Estado nutricional antropométrico de idosas jovens e longevas ativas. Revista Brasileia de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, v. 16, n. 101. 2022. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 736 de 17 de janeiro de 2024. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.cofen. gov.br/resolucao-cofen-no-736-de-17-de-janeiro-de-2024/. Acesso em: 15 abr. 2024. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE (CONASS). Manual de avaliação multidimensional da pessoa idosa para a atenção primária à saúde: aplicações do IVCF-20 e do ICOPE – Linha de cuidado: saúde da pessoa idosa. Brasília, DF: Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2023. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM (Coren) MS. Protocolo de enfer- magem na atenção primária à saúde. Saúde do Idoso. Mato Grosso, 2020. Disponível em: https://www.corenms.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/ COREN_MS_PROTOCOLO_SA%C3%9ADE_DO_IDOSO-2.pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM (Coren) SC. Escala de Queda de Morse. Santa Catarina, 2019. Disponível em: https://www.corensc.gov.br/ wp-content/uploads/2019/11/PT-017-2019-Escala-de-Morse-.pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO ESTADO DE SÃO PAULO (COREN-SP). Escala de Braden, 2017. Disponível em: https://portal.coren-sp. gov.br/wp-content/uploads/2017/03/Orienta%C3%A7%C3%A3o%20Funda- mentada%20-%20038_2.pdf. Acesso em: 9 maio 2024. CONTREIRA-JÚNIOR, D. et al. Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos: uma revisão integrativa. Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida. v. 12, n. 3, 2020. DIABETES tipo 2 e sedentarismo | Dicas de Saúde. [S. l.: s. n.], 2015. 1 vídeo, 1 min. 2015. Publicado pelo canal Drauzio Varella. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=bH1itLcmxWQ. Acesso em: 23 abr. 2024. https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/12447 https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/12447 https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-736-de-17-de-janeiro-de-2024/ https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-736-de-17-de-janeiro-de-2024/ https://www.corenms.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/COREN_MS_PROTOCOLO_SA%C3%9ADE_DO_IDOSO-2.pdf https://www.corenms.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/COREN_MS_PROTOCOLO_SA%C3%9ADE_DO_IDOSO-2.pdf https://www.corensc.gov.br/wp-content/uploads/2019/11/PT-017-2019-Escala-de-Morse-.pdf https://www.corensc.gov.br/wp-content/uploads/2019/11/PT-017-2019-Escala-de-Morse-.pdf https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/03/Orienta%C3%A7%C3%A3o Fundamentada - 038_2.pdf https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/03/Orienta%C3%A7%C3%A3o Fundamentada - 038_2.pdf https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/03/Orienta%C3%A7%C3%A3o Fundamentada - 038_2.pdf https://www.youtube.com/watch?v=bH1itLcmxWQ https://www.youtube.com/watch?v=bH1itLcmxWQ 147 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso DURAN-BADILLO, T. et al. Sensory and cognitive functions, gait ability and functionality of older adults. Rev. Latino-Am. Enfermagem, n. 28. 2020. ELIOPOULOS, C. Enfermagem gerontológica. Porto Alegre: Grupo A, 2019. ENTENDA como o diabetes pode afetar os idosos. Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 14 nov. 2020. Disponível em: https://sbgg.org.br/ entenda-como-o-diabetes-pode-afetar-os-idosos/. Acesso em: 23 abr. 2024. ESCORSIM, S. M. O envelhecimento no Brasil: aspectos sociais, políticos e demográficos em análise. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 142, p. 427-446, set./ dez. 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0101-6628.258. Acesso em: 19 mar. 2024. FECHINE, B. R. A.; TROMPIERI, N. O processo de envelhecimento: as princi- pais alterações que acontecem com o idoso com o passar dos anos. Revista Científica Internacional, v. 1, n. 20. jan./mar. 2012. FONTAINE, Dorrie K.; MORTON, Patricia Gonce. Fundamentos dos Cuidados Críticos em Enfermagem – Uma Abordagem Holística. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2014. FORLENZA, O, V.; LOUREIRO, J. C.; PAIS, M. V. Transtornos mentais no idoso: guia prático. Barueri: Manole, 2023. Disponível em: https://integrada.minha- biblioteca.com.br/#/books/9786555768244/. Acesso em: 29 mar. 2024. FORLENZA, Orestes V.; LOUREIRO, Júlia C.; PAIS, Marcos V. Transtornos mentais no idoso: guia prático. Barueri: Manole, 2023. FREITAS, G. B. L. Epidemiologia e Políticas Públicas de Saúde. 2. ed. Irati: Pasteur, 2021. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Principais questões sobre incontinência e urgência urinária. Rio de Janeiro, 21 fev. 2022. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-ques- toes-sobre-incontinencia-e-urgencia-urinaria/. Acesso em: 15 abr. 2024. https://sbgg.org.br/entenda-como-o-diabetes-pode-afetar-os-idosos/ https://sbgg.org.br/entenda-como-o-diabetes-pode-afetar-os-idosos/ http://dx.doi.org/10.1590/0101-6628.258 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555768244/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555768244/ https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-incontinencia-e-urgencia-urinaria/ https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-incontinencia-e-urgencia-urinaria/ 148 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso G1 SANTOS. Praia Grande começa a aplicar dose de reforço da vacina contra a Covid em idosos com 80 anos ou mais. g1, 16 set. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2021/09/16/praia- -grande-comeca-a-aplicar-dose-de-reforco-da-vacina-contra-a-covid- -19-em-idosos-com-80-anos-ou-mais.ghtml. Acesso em: 23 abr. 2024. GARCIA, A. C. O. et al. Capacidade funcional e perda sensorial em um grupo de idosos usuários de um plano de saúde. Research, Society and Develop- ment, v. 10, n. 2, 2021. GONÇALVES, L. H. T.; TOURINHO, F. S. V. Enfermagem no cuidado ao idoso hospitalizado. Barueri: Manole, 2012. GROSSI, Sonia; PASCALI, Paula. Cuidados de Enfermagem em Diabetes Mellitus. Manual de Enfermagem. São Paulo: SBD, 2009. Disponível em: https://www.saudedireta.com.br/docsupload/13403686111118_1324_manual_ enfermagem.pdf. Acesso em: 23 abr.mais envelhecida é a composição demográfica. No Brasil, seu índice atingiu 55,2% em 2022. Isso significa que temos 55,2 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças de 0 a 14 anos. Em 2010, o índice de envelhecimento era inferior, marcado em 30,7%. Figura 1: População residente no Brasil Fonte: IBGE, 2022. #PraTodosVerem: Na imagem, há um gráfico composto dos dados da população residente no Brasil ao longo dos anos de 2010 a 2022, separados por idade e sexo. 20 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Tal fato associa-se ao progresso socioeconômico e ao declínio da fecundi- dade a partir da década de 1960, como resultado das mudanças sociocul- turais associadas ao crescimento da população urbana e à disponibilidade generalizada de métodos contraceptivos. O declínio da fertilidade começou a se manifestar de maneira notável inicialmente nas áreas urbanas das regiões Sul e Sudeste do Brasil, progredindo para as demais regiões a partir de 1970. De acordo com o IBGE, a taxa de fecundidade experimentou uma redução significativa, caindo 60% entre 1970 a 2000, atingindo cerca de 2,2 filhos por mulheres, e no ano de 2020, uma média de 1,65 filhos (IBGE, 2022). A transição demográfica é a passagem de altas a baixas taxas de mortalidade e natalidade, ocorrendo em sincronia com o desenvolvimento econômico. À medida que avanços se materializam na urbanização, industrialização, expansão e diversificação do consumo, bem como no acesso aos direitos fundamentais, como educação, trabalho e proteção social, observa-se uma redução consistente nas taxas de mortalidade. Em uma segunda fase desse processo, as taxas de fecundidade, ou seja, o número médio de filhos por mulher, também experimentam uma diminuição (Braga; Galleguillos, 2014). A entrada das mulheres no mercado de trabalho evidencia que aquelas com maior tempo de estudo e avanço profissional tendem a ter menos filhos, às vezes, menos do que o número desejado. Isso ocorre, principalmente, devido às dificuldades em conciliar as demandas do trabalho e as responsa- bilidades familiares (Lebrão, 2007). Atualmente, o Brasil superou as antigas taxas elevadas de mortalidade e natalidade, abandonando uma estrutura etária predominantemente jovem, passando por um notável declínio do crescimento populacional. O cenário demográfico atual revela índices reduzidos tanto de mortalidade quanto de natalidade, uma estrutura etária em processo de envelhecimento e uma tendência demográfica em direção ao declínio populacional (IBGE, 2022). Os fatores subjacentes a esse declínio não se limitam apenas aos indica- dores de desenvolvimento econômico, mas também estão intrinsicamente associados a mudanças institucionais e culturais. Estas viabilizam a dissemi- nação de novos comportamentos reprodutivos, além de influenciar aspectos ligados à vida das mulheres e às dinâmicas de gênero na família e na socie- dade. Em particular, os determinantes associados à regulação da fecundi- 21 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso dade, notadamente ao acesso a métodos contraceptivos, desempenham um papel crucial na realização plena do desejo de prole dentro desse novo contexto demográfico (Chaimowicz; Chaimowicz, 2022). A ampliação do grupo dos idosos na população do Brasil ocorre de maneira intensa, constante e em uma trajetória sem volta. As próximas gerações de brasileiros serão compostas de um número menor de pessoas, com fecundi- dade extremamente baixa; os nascimentos não serão suficientes para frear o envelhecimento (Oliveira, 2019). As projeções futuras são de que os grupos dos jovens perderão mais espaço, enquanto os grupos dos idosos aumentarão suas participações no total da população, o que fará emergir uma nova realidade demográfica, jamais vivenciada no país, com milhões de idosos que demandarão novos serviços (Oliveira, 2019). 1.1.2 O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL BRASILEIRO E AS NECESSIDADES DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE Como descrito anteriormente, a transição epidemiológica refere-se às mudanças ocorridas nos padrões de morbidade e mortalidade da popu- lação, determinadas pelas transformações econômicas, sociais e demográ- ficas. Esse processo caracteriza-se pela maior ocorrência de doenças não transmis- síveis e causas externas em substituição das doenças transmissíveis; ocorre um deslocamento da carga de morbidade e de mortalidade da população mais jovem para a população mais idosa, ou seja, como as pessoas vivem mais e ficam mais idosas, tendem, com o tempo, a apresentar mais doenças crônicas, mudando a situação em que predominava a mortalidade para outra, em que há predomínio da morbidade (Braga; Galleguillos, 2014, p. 36) Isso significa que existe uma relação direta entre as mudanças demográficas e a transição epidemiológica: enquanto a expectativa de vida aumenta, as pessoas vivem mais, e o número de idosos aumenta, o que determina maior número de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (Torres et al., 2020). 22 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Essas mudanças geram alterações significativas de utilização dos serviços de saúde, portanto, entre os serviços que precisam ser oferecidos, gera-se aumento dos gastos, principalmente porque indivíduos portadores de doenças crônicas utilizam mais os serviços de saúde, já que essas doenças que não têm cura e, depois de instaladas, permanecerão presentes no sujeito pelo resto da vida. O envelhecimento da população brasileira leva a novas demandas de serviços de saúde e sociais, além de levar à reintrodução de algumas doenças, como dengue, febre amarela, hanseníase, tuberculose etc. (OPS, 2012; Paula, Rocha, 2019). Atualmente, o Brasil apresenta um perfil epidemiológico bastante hetero- gêneo. Podemos dizer que chega a se dividir em dois – apresenta doenças de país em desenvolvimento, assim como também de países desenvolvidos. Se, por um, lado busca controlar as doenças transmissíveis e a mortalidade infantil, por outro, precisa desenvolver e aplicar estratégias para a efetiva prevenção e para o tratamento de doenças crônico-degenerativas e suas complicações, como as doenças cardiovasculares e diabetes, além de estabe- lecer políticas públicas para diminuir os agravos, como violência e acidentes (Freitas, 2021). São exemplos de doenças em países em desenvolvimento as infecciosas, parasitárias, maternas, perinatais e nutricionais: essas causas estão relacio- nadas às condições de vida e de acesso a serviços e bens essenciais. A falta de saneamento básico é determinante no caso de doenças parasitárias; as doenças maternas e perinatais estão relacionadas ao parto e ao nascimento – a falta de acesso ao pré-natal e a serviços adequados, que atendam na hora do parto, determina essa causa. As causas nutricionais estão relacionadas à pobreza, à falta de acesso aos alimentos adequados e, muitas vezes, à fome (Brasil, 2010). Já as doenças consideradas de países desenvolvidos são aquelas não trans- missíveis: doenças cardiovasculares, neoplasias, doenças do aparelho respi- ratório, doenças congênitas, diabetes mellitus, doenças endócrinas, entre outras. Essas doenças estão relacionadas à organização social e ao modo de vida da população, o que inclui a própria exploração do meio ambiente. Com a urbanização e o desenvolvimento industrial, as formas de viver foram se modificando. Atualmente, as pessoas trabalham muito, gastam muito tempo no deslocamento de casa para o trabalho, tendo em vista as grandes 23 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso cidades, a alimentação ocorre fora de casa e, muitas vezes, com alimentos pouco saudáveis – fast foods, por exemplo –, as pessoas não encontram tempo para realizar atividades físicas e são bastante influenciadas pela tecnologia, que contribui para o sedentarismo, os espaços para lazer são poucos e o consumo passou a ser atividade de diversão (Brasil, 2011). Figura 2: O envelhecimento e suas diversidades Fonte: tynyuk, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem:2024. GUIMARÃES, T. M. R. et al. Assistência de enfermagem aos pacientes com Doença de Alzheimer em cuidados paliativos: revisão sistemática. Revista Eletrônica Acervo Saúde. n. 38, p. e1984, 31 jan. 2020. HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Guia de Doenças e Sintomas. Incontinência fecal. 2020. Disponível em: https://www.einstein.br/doencas- -sintomas/incontinencia-fecal. Acesso em: 15 abr. 2024. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo 2022. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/ 2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas- -com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos. Acesso em: 19 mar. 2024. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA- IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal. 2020. Disponível em: https://biblioteca.ibge. gov.br/visualizacao/livros/liv101764.pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. JESUS, A. P. S. et al. Association of the Charlson index with risk classification, clinical aspects, and emergency outcomes. Rev Esc Enferm USP. São Paulo, 2022; 56:e20200162. https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2021/09/16/praia-grande-comeca-a-aplicar-dose-de-reforco-da-vacina-contra-a-covid-19-em-idosos-com-80-anos-ou-mais.ghtml https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2021/09/16/praia-grande-comeca-a-aplicar-dose-de-reforco-da-vacina-contra-a-covid-19-em-idosos-com-80-anos-ou-mais.ghtml https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2021/09/16/praia-grande-comeca-a-aplicar-dose-de-reforco-da-vacina-contra-a-covid-19-em-idosos-com-80-anos-ou-mais.ghtml https://www.saudedireta.com.br/docsupload/13403686111118_1324_manual_enfermagem.pdf https://www.saudedireta.com.br/docsupload/13403686111118_1324_manual_enfermagem.pdf https://www.einstein.br/doencas-sintomas/incontinencia-fecal#:~:text=A incontin%C3%AAncia fecal %C3%A9 um,de 4 anos de idade https://www.einstein.br/doencas-sintomas/incontinencia-fecal#:~:text=A incontin%C3%AAncia fecal %C3%A9 um,de 4 anos de idade https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101764.pdf https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101764.pdf 149 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso KAWAMOTO, E. E.; FORTES, J. I. Fundamentos de Enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2011. KITAMURA, E. S.; FARIA, L. R.; CAVALCANTE, R. B.; LEITE, I. C. Depressão e transtorno de ansiedade generalizada em idosos pela infodemia de COVID- 19. Acta Paul Enferm., v. 35, eAPE03177, 2022. KOOPMANS, F. F. et al. A representação do sexo na terceira idade: uma contri- buição para saúde da família. Cadernos Unisuam, v. 3, n. 1, p. 178-185. jun. 2013. LEBRÃO, M. L. O envelhecimento no Brasil: aspectos da transição demográ- fica e epidemiológica. Saúde Coletiva, São Paulo, v. 4, n. 17, 2007. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2559.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. LEITE, N.M.F.; SILVA, J. R. O. et al. Educação em saúde para cuidado huma- nizado ao idoso com Alzheimer: extensão em tempo de pandemia. Experi- ência. Revista Científica de Extensão, v. 6, n. 2, p. 62–72, 2020. MAIA, M. S. et al. Cuidados de enfermagem ao paciente hipertenso. Revista Ft ciências da Saúde, ed. 119, fev. 2023. MESA-ARANGO, A. C.; MUNOZ, S. V. F.; SANCLEMENTE, G. Mechanisms of skin aging. Iatreia, v. 20, n. 2. abr./jun. 2017. MIKAEL, L. R. et al. Envelhecimento Vascular e Rigidez Arterial. Arq. Bras. Cardiol., v. 109, n. 3. 2017. MIRANDA, H. L. L. et al. Neuropsicogeriatria: uma abordagem integrada. Curitiba: CRV, 2023. MORAIS, D. C. et al. Instabilidade postural e a condição de fragilidade física em idosos. Rev. Latino-Am. Enfermagem., v. 27, 2019. MORAIS, E. N.; MARINO, M. C. A.; SANTOS, R. R. Principais síndromes geriá- tricas. Rev Med Minas Gerais, 2010, v. 1, n. 20, p. 54-66. Disponível em: http:// www.observatorionacionaldoidoso.f iocruz.br/biblioteca/_artigos/196.pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2559.pdf http://www.observatorionacionaldoidoso.fiocruz.br/biblioteca/_artigos/196.pdf http://www.observatorionacionaldoidoso.fiocruz.br/biblioteca/_artigos/196.pdf 150 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso MREJEN, M.; NUNES, L.; GIACOMIN, K. Envelhecimento populacional e saúde dos idosos: o Brasil está preparado? Estudo Institucional n. 10, São Paulo, Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, 2023. Disponível em: https:// ieps.org.br/wp-content/uploads/2023/01/Estudo_Institucional_IEPS_10.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. NASCIMENTO, M. M. Uma visão geral das teorias do envelhecimento humano. Revista Saúde e Desenvolvimento Humano, v. 8, n. 1, 2020. NEDER, J. A.; BERTON, D. C.; O’DONNELL, D. E. Avaliando o pulmão envelhe- cido: desafios da interpretação de testes de função pulmonar em idosos. J Bras Pneumol, v. 48, n. 5. 2022. NETTINA, S. M. Prática de Enfermagem. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2021. NETTINA, S. M. Manual de Prática de Enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2007. OLIVEIRA, A. S. Transição demográfica, transição epidemiológica e envelhe- cimento populacional no Brasil. Hygeia – Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, Uberlândia, v. 15, n. 32, p. 69–79, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.14393/Hygeia153248614. Acesso em: 19 mar. 2024. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (OPAS). Série A Década do Envelhecimento Saudável nas Américas: Situação e Desafios. OPAS, 17 abr. 2023. Disponível em: https://www.paho.org/pt/serie-decada-do-envelheci- mento-saudavel-nas-americas-situacao-e-desafios. Acesso em: 19 mar. 2024. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (OPS). O cuidado das condi- ções crônicas na atenção primária à saúde: o imperativo da consolidação da estratégia da saúde da família. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2012. PARANÁ. Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Superintendência de Atenção à Saúde. Avaliação multidimensional do idoso. Curitiba: SESA, 2017. PAULA, A. S.; ROCHA, R. P. F. Cuidado integral à saúde do adulto I. Porto Alegre: SAGAH, 2019. https://ieps.org.br/wp-content/uploads/2023/01/Estudo_Institucional_IEPS_10.pdf https://ieps.org.br/wp-content/uploads/2023/01/Estudo_Institucional_IEPS_10.pdf http://dx.doi.org/10.14393/Hygeia153248614 https://www.paho.org/pt/serie-decada-do-envelhecimento-saudavel-nas-americas-situacao-e-desafios https://www.paho.org/pt/serie-decada-do-envelhecimento-saudavel-nas-americas-situacao-e-desafios 151 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso PELLICO, L. H. Enfermagem Médico-Cirúrgica. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2014. PINELLI, N. Calendário vacinal do idoso: vacinas impulsionam a longevidade e o bem-estar da população acima de 60 anos. Portal do Butantan, 2 out. 2023. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/calendario-vacinal-do- -idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o-bem-estar-da-populacao- -acima-de-60-anos. Acesso em: 23 abr. 2024. QUINONES, M. S.; GOMES, M. M. Sono no envelhecimento normal e patoló- gico: aspectos clínicos e fisiopatológicos. Rev Bras Neurol, v. 47, n. 1, p. 31-42, 2011. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2011/v47n1/a2021. pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. RABELO, L. M. et al. Papel do enfermeiro na prevenção da hipertensão arterial sistêmica em idosos. Revista Brasileira de Pesquisa em Ciências da Saúde, v. 6, n. 12, 2019. Disponível em: http://revistas.icesp.br/index.php/RBPeCS/article/view/722/756. Acesso em: 19 mar. 2024. RALPH, S. S.; TAYLOR, C.M. Manual de Diagnóstico de Enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2009. SALES, W. B. et al. Relação da iatrogenia e polifarmácia em idosos: uma revisão integrativa. Revista Arquivos Científicos (IMMES). Macapá, 2023, v. 6, n. 1, p. 1-8. Disponível em: https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/ article/view/561/194. Acesso em: 15 abr. 2024. SANTOS, L. M. dos. Assistência de enfermagem ao paciente crítico: sistemas neurológico e renal. São Paulo: Saraiva, 2021. SANTOS, P. H. F. et al. Intervenções de enfermagem para prevenção de quedas em idosos na atenção primária: revisão integrativa. Revista de enfermagem In Derme, v. 95, n. 34. 2021. SÃO PAULO. Secretaria Municipal da Saúde. Manual de atenção à pessoa idosa. 2. ed. São Paulo: SMS, 2016. Disponível em: https://biblioteca.cofen. gov.br/wp-content/uploads/2020/09/ManualEnfermagemPessoaIdosa.pdf. Acesso em: 15 abr. 2024. https://butantan.gov.br/noticias/calendario-vacinal-do-idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o-bem-estar-da-populacao-acima-de-60-anos https://butantan.gov.br/noticias/calendario-vacinal-do-idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o-bem-estar-da-populacao-acima-de-60-anos https://butantan.gov.br/noticias/calendario-vacinal-do-idoso-vacinas-impulsionam-a-longevidade-e-o-bem-estar-da-populacao-acima-de-60-anos http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2011/v47n1/a2021.pdf http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2011/v47n1/a2021.pdf http://revistas.icesp.br/index.php/RBPeCS/article/view/722/756 http://revistas.icesp.br/index.php/RBPeCS/article/view/722/756 https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/article/view/561/194 https://arqcientificosimmes.emnuvens.com.br/abi/article/view/561/194 https://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2020/09/ManualEnfermagemPessoaIdosa.pdf https://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2020/09/ManualEnfermagemPessoaIdosa.pdf 152 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso SENRA, D. Certas complicações na vida do idosos podem ser evitadas. Uol, 8 fev. 2020. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/danta- -senrra/2020/02/08/certas-complicacoes-na-vida-do-idoso-podem-ser-evi- tadas.htm. Acesso em: 23 abr. 2024. SILVA, A. et al. Envelhecimento populacional: realidade atual e desafios. Global Academic Nursing Journal, v. 2, n. sup. 3, p. e188, 2021. SILVA, M. R. et al. Doença de Alzheimer: estratégias de cuidado diante das dificuldades ao portador e cuidador. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 5, n. 3, 2023. SIQUEIRA, F. M. et al. Avaliação multidimensional de pessoas idosas na Atenção Primária à Saúde: uma revisão de escopo. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., v. 26, e230051, 2023. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm). Calendário de vacinação SBIm Idoso 2024/2025. Disponível em: https://sbim.org.br/images/calenda- rios/calend-sbim-idoso.pdf. Acesso em: 23 abr. 2024. SOUZA, D. G. et al. Teorias de enfermagem: relevância para a prática profis- sional na atualidade. Campo Grande: Inovar, 2021. STOBÄUS, C.; LIRA, G.; RIBEIRO, K. Elementos para um Envelhecimento mais Saudável através da Promoção da Saúde do Idoso e Educação Popular. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento, v. 23, n. 2, 2018. Dispo- nível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/RevEnvelhecer/article/view/47701. Acesso em: 19 mar. 2024. TORRES, K. R. B. O. et al. Evolução das políticas públicas para a saúde do idoso no contexto do Sistema Único de Saúde. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 30, n. 1, e300113, 2020. VICTOR, N. É falso que vacinas contra gripe e Covid-19 causem doenças. Ministério da Saúde alerta sobre notícias mentirosas contra vacinação. Ministério da Saúde, 9 jun. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ pt-br/assuntos/noticias/2023/junho/e-falso-que-vacinas-contra-gripe-e-co- vid-19-causem-doencas-ministerio-da-saude-alerta-sobre-noticias-menti- rosas-contra-vacinacao. Acesso em: 9 maio 2024. https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/danta-senrra/2020/02/08/certas-complicacoes-na-vida-do-idoso- https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/danta-senrra/2020/02/08/certas-complicacoes-na-vida-do-idoso- https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/danta-senrra/2020/02/08/certas-complicacoes-na-vida-do-idoso- https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf https://seer.ufrgs.br/index.php/RevEnvelhecer/article/view/47701 https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/junho/e-falso-que-vacinas-contra-gripe-e-covid-19-causem-doencas-ministerio-da-saude-alerta-sobre-noticias-mentirosas-contra-vacinacao https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/junho/e-falso-que-vacinas-contra-gripe-e-covid-19-causem-doencas-ministerio-da-saude-alerta-sobre-noticias-mentirosas-contra-vacinacao https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/junho/e-falso-que-vacinas-contra-gripe-e-covid-19-causem-doencas-ministerio-da-saude-alerta-sobre-noticias-mentirosas-contra-vacinacao https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/junho/e-falso-que-vacinas-contra-gripe-e-covid-19-causem-doencas-ministerio-da-saude-alerta-sobre-noticias-mentirosas-contra-vacinacao 153 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Envelhecimento ativo: uma polí- tica de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 1 A população idosa brasileira 1.1 Transição demográfica e epidemiológica: o envelhecimento da população brasileira 1.1.2 O Envelhecimento Populacional Brasileiro e as Necessidades de Assistência à Saúde 1.1.3 Envelhecimento Ativo e Atividades de Promoção à Saúde 1.2 Políticas públicas e sociais à população idosa 1.2.1 Política Nacional da Pessoa Idosa 1.2.2 Pacto pela Saúde: Prioridades na Saúde do Idoso 1.2.3 Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa e Estatuto do Idoso Conclusão Material Complementar 2 Alterações fisiológicas do envelhecimento 2.1 Anatomia e fisiologia do envelhecimento 2.1.1 Conhecendo o processo de envelhecimento humano 2.1.2 Alterações antropométricas no processo do envelhecimento 2.2 Teoria do envelhecimento 2.2.1 Os desafios do envelhecimento 2.2.2 Instabilidade postural e quedas 2.2.3 Sexualidade na velhice Conclusão Material Complementar 3 Principais Alterações Clínicas nos Idosos 3.1 Abordagem dos problemas clínicos de idosos 3.1.1 Iatrogenia e problemas com medicamentos 3.1.2 Incontinência urinária e fecal 3.1.3 Alterações no padrão de sono 3.2 Saúde mental 3.2.1 Depressão e ansiedade em idosos 3.2.2 Demência, confusão mental e doença de Alzheimer Conclusão Material Complementar 4 Assistência de Enfermagem ao Paciente Idoso I 4.1 Assistência de enfermagem ao idoso 4.1.1 Processo de Enfermagem no cuidado à pessoa idosa 4.1.2 Consulta de enfermagem ao idoso 4.1.3 Exame físico no idoso 4.2 As teorias de Enfermagem na Saúde do Idoso 4.2.1 Avaliação multidimensional da pessoa idosa 4.2.2 Escalas para avaliação da saúde do idoso Conclusão Material Complementar 5 Assistência de Enfermagem ao Paciente Idoso II 5.1 Assistência de enfermagem especializada ao idoso I 5.1.1 Assistência de enfermagem ao idoso com alterações cardiovasculares, cerebrovasculares e metabólicas: Hipertensão Arterial, Síndrome Coronariana Aguda, Insuficiência Cardíaca, Acidente Vascular Encefálico, Trombose Venosa Profunda e Diabetes Melli 5.1.2 Assistência de enfermagem ao idoso com alterações renais: Doença Renal Crônica, Lesão Renal Aguda, Terapias de Substituição Renal 5.1.3 Assistência de enfermagem ao idoso com alterações respiratórias: Tuberculose, Pneumonia e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). 5.2 Assistência de enfermagem especializada ao idoso II 5.2.1 Assistência de enfermagem ao idoso com alteração gastrointestinal: Estomas, Hepatites e Cirroses 5.2.2 Assistência de enfermagem ao idoso com alterações hematológicas 5.2.3 Assistência de enfermagem ao idoso com alteraçõesimunológicas Conclusão Material Complementar 6 As especificidades da Enfermagem Gerontológica 6.1 Especificidades do idoso I 6.1.1 Assistência de enfermagem ao idoso hospitalizado 6.1.2 Idosos institucionalizados (Instituição de Longa Permanência para Idosos) 6.1.3 Atenção domiciliar à pessoa idosa 6.2 Especificidades do Idoso II 6. 2. 1 Calendário vacinal do idoso 6.2.2 Idoso, família e comunidade Conclusão Material Complementar ReferênciasA imagem apresenta dez idosos, cinco do sexo feminino e cinco do sexo masculino, cada um com suas particularidades, sendo: um idoso na cadeira de rodas, uma idosa com andador e um idoso com uso de muleta. Os demais idosos aparentam ser saudáveis e sem dificuldade de locomoção. O papel do enfermeiro é de suma importância nesse cenário, devido ao seu envolvimento na identificação das necessidades de cuidados da comuni- dade e capacitação das pessoas em relação aos processos de saúde e doença (Freitas, 2021). Reflita As modificações demográficas, epidemiológicas e sociais que o Brasil vem sofrendo nas últimas décadas são inter-relacionadas. O que esperar nos próximos anos? O enfermeiro desempenha um papel central no cuidado de indivíduos com Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). O aumento da incidência dessas condições requer uma abordagem renovada para promover a saúde, 24 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso visando prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos afetados por tais doenças (Freitas, 2021). 1.1.3 ENVELHECIMENTO ATIVO E ATIVIDADES DE PROMOÇÃO À SAÚDE O início do envelhecimento é marcado por mudanças biológicas, sociais, culturais e físicas. O declínio nas atividades de cada um pode iniciar ou dar sinais em diferentes idades, levando em conta o estilo de vida, doenças pré-existentes, como diabetes, hipertensão, artrite, e fatores sociais: amor, amizade, família. É benéfico adotar um estilo de vida saudável, considerando que atividade física, dieta balanceada, ótimas noites de sono, contribuindo para o aumento da energia, autoconfiança e disposição refletem na quali- dade de vida (Carvalho; Duque, 2021). Senescência é um processo fisiológico, natural e dinâmico, que atinge os dois gêneros de forma irreversível, marcado por alterações sociais, bioló- gicas e psicológicas. Essas alterações biológicas do envelhecimento acon- tecem independentemente dos atos de vida adotados. O envelhecimento, portanto, é considerado um processo normal, universal e com diferenças individuais (Cochar-Soares; Delinocente; Dati, 2021). A forma de envelhecer depende das escolhas feitas ao longo da vida, ou seja, depende dos hábitos do dia a dia adquiridos e do ambiente em que se vive. É possível adotar hábitos saudáveis em qualquer idade, e quanto mais cedo, maiores as chances de envelhecer com saúde. Viver cada momento e ter um objetivo na vida é fundamental. Além disso, cultivar bons relacionamentos e estar conectado socialmente é importante para uma vida ativa (Brasil, 2006; WHO, 2005). A Promoção em Saúde implica garantir a autonomia dos idosos. A auto- nomia é um processo gradual que envolve a capacidade de tomar decisões e ter responsabilidade por um longo período da vida do idoso; os processos educativos ajudam a promover um desempenho melhor e devem respeitar a liberdade do indivíduo (Stobaus; Lira; Ribeiro, 2018). 25 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Ter autonomia é criar oportunidades que permitam às pessoas fazerem o que valorizam ao longo de suas vidas. Senilidade saudável consiste em desenvolver e manter a habilidade funcional, que permite o bem-estar na idade avançada. Essa habilidade funcional reflete as capacidades físicas e mentais do idoso, além dos ambientes em que ele habita e as maneiras como ele interage nesses lugares. É importante criar ambientes facilitadores e promover atividades físicas e mentais para, então, manter uma habilidade funcional e, consequentemente, alcançar um envelhecimento saudável (OPS, 2020). Com a independência, o idoso poderá praticar atividades que lhe agradem naturalmente. Ter competência para andar sozinho pode resultar na inte- ração entre as capacidades físicas e mentais do idoso. Promover e manter habilidade funcional é essencial para um envelhecimento saudável e deve ser uma meta prioritária da saúde pública (Rodrigues, 2019). A melhor idade está associada à vida ativa ou produtiva, que proporciona novas experiências. É preciso ter uma participação ativa na sociedade, respeitando a política nacional do idoso. Nesse sentido, a Política Nacional do Idoso e o Estatuto do Idoso proporcionam uma transição saudável para a aposentadoria, incluindo programas de preparação para esse período, pois muitas pessoas nessa faixa etária se sentem despreparadas para essa etapa da vida, após a aposentadoria, devido à perda de relações sociais e problemas de saúde. O suporte familiar é essencial para que essa transição seja tranquila, bem como a presença de uma rede de apoio na comunidade em que o idoso está inserido (Brasil, 2007). 26 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Figura 3: Década do Envelhecimento Saudável Fonte: Sociedade Brasileira de Gerontologia e Geriatria, 2020. #PraTodosVerem: Na imagem, temos seis idosos, sendo três do sexo feminino e três do sexo feminino, todos sorrindo, felizes, e fazendo sinal de “joia”, indicativo de vida saudável e feliz. Os cuidados específicos do enfermeiro são prestados durante a consulta de enfermagem, cujo foco principal reside em oferecer orientações para o enve- lhecimento saudável e a prevenção de DCNTs. Essas condutas abrangem uma variedade de aspectos, incluindo a adoção de uma dieta balanceada, a redução do consumo de sódio e álcool, a gestão do estresse, a cessação do tabagismo e a promoção de atividades físicas. Tais orientações desem- penham um papel fundamental no controle dos fatores de risco de adoeci- mento (Rabelo et al., 2019). 27 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Saiba Mais Você sabia que a Organização Pan-Americana de Saúde laçou a campanha “Década do Envelhecimento Saudável (2020-2030)”? Saiba mais na página a seguir: ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (OPS). Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030). Dispo- nível em: https://www.paho.org/pt/decada-do-envelheci- mento-saudavel-nas-americas-2021-2030. Acesso em: 19 mar. 2024. É essencial compreender a condição de saúde dos idosos, juntamente com as medidas preventivas e de tratamento, visando diminuir a mortalidade e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dessa população. Nesse sentido, o papel do profissional de enfermagem é essencial. 1.2 POLÍTICAS PÚBLICAS E SOCIAIS À POPULAÇÃO IDOSA Como explicado anteriormente, a transição demográfica é um fenômeno irreversível. O século XXI apresentará um cenário demográfico com baixas taxas de mortalidade e de natalidade, alta esperança de vida ao nascer, poucos filhos por mulher e uma estrutura etária envelhecida, tendo uma população com grande proporção de idosos (Escorsim, 2021). Como resultado, revelam-se três questões principais, que podem ser vistas a seguir (Mrejen; Nunes; Giacomin, 2023). 1. A população brasileira está envelhecendo rapidamente, o que traz inúmeros desafios na área da saúde. A composição da carga de doenças varia com a idade: entre idosos, ganham relevância doenças respiratórias (crônicas e infecciosas), doenças neurológicas e doenças cardiovasculares. 2. As condições de saúde da população pioram com a idade: aumentam as limitações funcionais e o diagnóstico de Doenças Crônicas Não Transmis- síveis (DCNTs), piora o estado de saúde reportado e diminui a frequência https://www.paho.org/pt/decada-do-envelhecimento-saudavel-nas-americas-2021-2030 https://www.paho.org/pt/decada-do-envelhecimento-saudavel-nas-americas-2021-2030 28 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso de atividade física. Ao mesmo tempo, aumenta a utilização de serviços de saúde de forma marcada ao redor dos 75 anos de idade, quando há um salto nas probabilidades de uma pessoa idosa ser hospitalizada ou de precisar de cuidados emergenciais no domicílio. As desigualdades socio- econômicas nas condições de saúde e na utilização de serviços da popu- lação idosas são muito relevantes: para quase todas as dimensões anali- sadas, existe um gradiente persistente indicando que idosos das faixas de menor renda apresentam pior saúde do que os dasfaixas de maior renda, e idosos do quintil de menor renda apresentam maiores probabili- dades de requererem cuidados emergenciais no domicílio. Essa situação reforça a necessidade de uma atuação intersetorial com as políticas de assistência social, que não devem estar restritas à transferência de renda. 3. O envelhecimento populacional se espelha em mudanças nos arranjos familiares brasileiros e isso pode ter consequências para membros da família que estão em idade ativa, principalmente mulheres. Entre 1998 e 2019, aumentou o percentual de domicílios no Brasil em que residem idosos, assim como o percentual de idosos residindo em domicílios exclu- sivamente de idosos. E, como as limitações funcionais aumentam com o envelhecimento, aumenta também a proporção de idosos necessitando de ajuda para realizar atividades da vida diária. A legislação brasileira assegura determinados direitos para a população de 60 anos ou mais. Para comprovar a idade, basta apresentar um documento que contenha foto, como Carteira de Identidade ou Carteira de Habilitação (Brasil, 2005). Política Nacional do Idoso Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994 Estatuto do Idoso Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (A Lei nº 13.466, de 12 de julho de 2017, altera os arts. 3º, 15 e 71 do Estatuto do Idoso, assegurando, entre os idosos, prioridade especial aos maiores de 80 anos) Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa Portaria de Consolidação GM/MS nº 2, anexo I do anexo XI, de 28 de setembro de 2017 Quadro 1: Políticas Públicas na Saúde do Idoso 29 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Brasil, 2018. #PraTodosVerem: A imagem apresenta um quadro com as Políticas Públicas na Saúde do Idoso vigentes no Brasil. Nesse contexto, a atuação do Estado por meio de políticas públicas torna-se crucial para assegurar os direitos da população idosa, especialmente ao prover as condições necessárias para preservar a qualidade de vida dessas pessoas. Atenção A fim de fomentar o envelhecimento ativo em longo prazo, é necessário que haja um planejamento estruturado, com passos do que deve ser feito. Pensando nisso, foi criado o plano para a “Década do Envelhecimento Saudável 2020- 2030”, pela Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre envelhecimento saudável. Tais políticas devem também orientar as ações dos profissionais da saúde, promovendo medidas específicas de proteção e cuidado voltadas para a terceira idade. 1.2.1 POLÍTICA NACIONAL DA PESSOA IDOSA Em 1994, sob a Lei n. 8.842, de 4 de janeiro de 1994, foi criada a Política Nacional da Pessoa Idosa. Em 2010, foi reimpressa, e dispõe sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providên- cias. Artigo 1º - A política nacional do idoso tem por objetivo assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. Artigo 2º - Considera-se idoso, para os efeitos desta Lei, a pessoa maior de sessenta anos de idade (Brasil, 2010). 30 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Sua principal contribuição foi estabelecer prioridades na garantia dos direitos dos idosos, enumerando uma série de benefícios. Essas prioridades incluem: acesso preferencial em relação a outras faixas etárias; prioridade legal na implementação de ações sociais direcionadas aos idosos; alocação privilegiada de recursos públicos; oportunidades de participação e convívio; preferência pelo cuidado dentro do núcleo familiar, exceto em casos em que a família não tenha condições adequadas de prover esse cuidado, seja por falta de recursos ou outros motivos; oferta de serviços especializados em geriatria e gerontologia; orientação sobre o processo de envelhecimento, abordando os aspectos biológicos, psicológicos e sociais; e facilitação do acesso aos serviços de saúde e assistência social, de prefe- rência dentro da comunidade onde o idoso reside (Boas, 2015). Veja os princípios dessa política: Artigo 3° - A política nacional do idoso reger-se-á pelos seguintes princípios: I - a família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida; II - o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos; III - o idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza; IV - o idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transfor- mações a serem efetivadas através desta política; V - as diferenças econômicas, sociais, regionais e, particularmente, as contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral, na aplicação desta Lei (Brasil, 2010). Já as diretrizes da lei são: Art. 4º Constituem diretrizes da política nacional do idoso: 31 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso I - viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações; II - participação do idoso, através de suas organizações represen- tativas, na formulação, implementação e avaliação das políticas, planos, programas e projetos a serem desenvolvidos; III - priorização do atendimento ao idoso através de suas próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar, à exceção dos idosos que não possuam condições que garantam sua própria sobrevi- vência; IV - descentralização político-administrativa; V - capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços; VI - implementação de sistema de informações que permita a divul- gação da política, dos serviços oferecidos, dos planos, programas e projetos em cada nível de governo; VII - estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicosso- ciais do envelhecimento; VIII - priorização do atendimento ao idoso em órgãos públicos e privados prestadores de serviços, quando desabrigados e sem família; IX - apoio a estudos e pesquisas sobre as questões relativas ao enve- lhecimento (Brasil, 2010). O direito ao envelhecimento é intrinsecamente pessoal e sua proteção é um direito social fundamental. Cabe ao Estado assegurar à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, por meio da implementação de políticas públicas que promovam um envelhecimento saudável e digno. 32 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 1.2.2 PACTO PELA SAÚDE: PRIORIDADES NA SAÚDE DO IDOSO O pacto pela vida é o compromisso entre os gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situ- ação de saúde da população brasileira (Brasil, 2006). A definição de prioridades deve ser estabelecida por meio de metas nacio- nais, estaduais, regionais ou municipais. Prioridades estaduais ou regionais podem ser agregadas às prioridades nacionais, conforme pactuação local. Os estados, a região ou o município devem pactuar as ações necessárias para o alcance das metas e dos objetivos propostos (Brasil, 2006). São seis as prioridades pactuadas: • saúde do idoso; • controle do câncer de colo de útero e de mama; • redução da mortalidade infantil e materna; • fortalecimento da capacidade de respostas às doenças emergentes e endemias, com ênfase em dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza; • promoção da saúde; • fortalecimento da atenção básica. Saúde do Idoso Para efeitos desse pacto, será considerada idosa a pessoa com 60 anos ou mais. O trabalho na área deve seguir as seguintes diretrizes (Brasil, 2006): Diretrizes: • Prom oção do envelhecimento ativo e saudável. • Atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa. • Estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção. • Implantação de serviços de atenção domiciliar. 33 Assistência deEnfermagem na Saúde do Idoso • Acolhimento preferencial em unidades de saúde, respeitado o critério de risco. • Provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa. • Fortalecimento da participação social. • Formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa. • Divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS. • Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção à saúde da pessoa idosa. • Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. Ações estratégicas • Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa – Instrumento de cidadania com informações relevantes sobre a saúde da pessoa idosa, possibilitando um melhor acompanhamento por parte dos profissionais de saúde. • Manual de Atenção Básica e Saúde para a Pessoa Idosa – Para indução de ações de saúde, tendo por referência as diretrizes contidas na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. • Programa de Educação Permanente à Distância – Implementação de programa de educação permanente na área do envelhecimento e saúde do idoso, voltado para profissionais que trabalham na rede de atenção básica em saúde, contemplando os conteúdos específicos das repercus- sões do processo de envelhecimento populacional para a saúde indivi- dual e para a gestão dos serviços de saúde. • Acolhimento – Reorganizar o processo de acolhimento à pessoa idosa nas unidades de saúde, como uma das estratégias de enfrentamento das dificuldades atuais de acesso. 34 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso • Assistência Farmacêutica – Desenvolver ações que visem a qualificar a dispensação e o acesso da população idosa. • Atenção Diferenciada na Internação – Instituir avaliação geriátrica global realizada por equipe multidisciplinar, a toda pessoa idosa internada em hospital que tenha aderido ao Programa de Atenção Domiciliar. • Atenção Domiciliar – Instituir esta modalidade de prestação de serviços ao idoso, valorizando o efeito favorável do ambiente familiar no processo de recuperação de pacientes e os benefícios adicionais para o cidadão e o sistema de saúde. O novo paradigma sobre o envelhecimento enfatiza uma perspectiva posi- tiva, na qual a velhice é vista não apenas como um período de declínio, mas também como uma fase de crescimento (Escorsim, 2021). Curiosidade A fim de fomentar o envelhecimento ativo a longo prazo, é necessário que haja um planejamento estruturado com passos do que deve ser feito. Pensando nisso, foi criado o plano para a Década do Envelhecimento Saudável 2020- 2030, pela Estratégia Global da OMS sobre envelhecimento e saúde. Durante essa etapa da vida, existem chances de vivenciar experiências signi- ficativas, desfrutar de estabilidade e aproveitar oportunidades que possam contribuir de forma construtiva para o processo de envelhecimento. Essa abordagem valoriza o desenvolvimento psicológico ao longo do enve- lhecimento, reconhecendo seu potencial transformador e enriquecedor (Escorsim, 2021). 35 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 1.2.3 CADERNETA DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA E ESTATUTO DO IDOSO O Ministério da Saúde compreende o envelhecimento populacional como uma conquista e um triunfo da humanidade no século XX, mas reconhece que existem muitos desafios para que o envelhecimento aconteça com quali- dade de vida. No campo das políticas e dos programas dirigidos à população idosa, o desafio é contemplar seus direitos, preferências e necessidades, para a manutenção e melhoria de sua capacidade funcional, garantindo atenção integral à sua saúde (Brasil, 2018; Boas, 2015). A Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa integra um conjunto de iniciativas que tem por objetivo qualificar a atenção ofertada às pessoas idosas no Sistema Único de Saúde. É um instrumento proposto para auxiliar no bom manejo da saúde da pessoa idosa, sendo usado tanto pelas equipes de saúde quanto pelos idosos, por seus familiares e cuidadores. É muito impor- tante que seu preenchimento se dê por meio de informações cedidas pela pessoa idosa, por seus familiares e/ou cuidadores, a fim de compor o Plano de Cuidado, a ser construído em conjunto com os profissionais de saúde (Barsano et al., 2014). A Caderneta permitirá o registro e o acompanhamento, pelo período de cinco anos, de informações sobre dados pessoais, sociais e familiares da pessoa idosa, sobre suas condições de saúde e seus hábitos de vida, identi- ficando suas vulnerabilidades, além de ofertar orientações para seu autocui- dado (Brasil, 2018). Veja, a seguir, o que diz o Estatuto do Idoso. LEI N. 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003- Dispõe sobre o Esta- tuto do Idoso e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚ- BLICA. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: (Boas, 2015, p. 1) TÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 36 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Art. 1.º É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. Art. 2.º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Art. 3.º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária (Brasil, 2003). 37 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso CONCLUSÃO É crucial compreender que o mundo está atualmente atravessando uma transição demográfica e epidemiológica, e o Brasil está inserido nesse contexto dinâmico. Devido à diversidade populacional brasileira, enfrentamos não apenas desa- fios de saúde típicos de países desenvolvidos, mas também lidamos com questões características de nações em desenvolvimento. Ao longo das últimas décadas, observamos um envelhecimento contínuo da população, e essa tendência não apenas persistirá, mas também se inten- sificará nos próximos anos. Diante desse panorama, é inevitável que a composição demográfica do país seja majoritariamente de pessoas idosas. Portanto, é imperativo que essa complexa questão seja minuciosamente estudada e analisada, visando explorar novas abordagens para o envelhecimento. A reformulação das Políticas Públicas se mostra indispensável para assegurar integralmente os direitos das pessoas idosas em todas as suas dimensões. 38 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso MATERIAL COMPLEMENTAR Para saber mais sobre este tema, leia os artigos a seguir. 1. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (OPAS). Série A. Década do Envelhecimento Saudável nas Américas: Situação e Desafios. 17 abr. 2023. Disponível em: https://www.paho.org/pt/serie-decada-do-envelhe- cimento-saudavel-nas-americas-situacao-e-desafios. Acesso em: 19 mar. 2024. 2. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Década do Enve- lhecimento Saudável 2020-2030. 2020. Disponível em: https://iris.paho. org/handle/10665.2/52902. Acesso em: 19 mar. 2024. 3. FUNDO DE POPULAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (UNFPA). Fecundidade e Dinâmica da População Brasileira. Brasília, dez. 2018. Disponível em: https://brazil.unfpa.org/sites/default/files/pub-pdf/swop_brasil_web.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. 4. MREJEN, M.; NUNES, L.; GIACOMIN, K. Envelhecimento populacional e saúde dos idosos: o Brasil está preparado? Estudo Institucional n. 10. Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, São Paulo, 2023. Dispo- nível em: https://ieps.org.br/wp-content/uploads/2023/01/Estudo_Institu-cional_IEPS_10.pdf. Acesso em: 19 mar. 2024. 5. IBGE registra queda da taxa de natalidade no Brasil. Jornal da USP, São Paulo, 22 mar. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/ibge- -registra-queda-da-taxa-de-natalidade-no-brasil/. Acesso em: 19 mar. 2024. https://www.paho.org/pt/serie-decada-do-envelhecimento-saudavel-nas-americas-situacao-e-desafios https://www.paho.org/pt/serie-decada-do-envelhecimento-saudavel-nas-americas-situacao-e-desafios https://iris.paho.org/handle/10665.2/52902 https://iris.paho.org/handle/10665.2/52902 https://brazil.unfpa.org/sites/default/files/pub-pdf/swop_brasil_web.pdf https://ieps.org.br/wp-content/uploads/2023/01/Estudo_Institucional_IEPS_10.pdf https://ieps.org.br/wp-content/uploads/2023/01/Estudo_Institucional_IEPS_10.pdf https://jornal.usp.br/radio-usp/ibge-registra-queda-da-taxa-de-natalidade-no-brasil/ https://jornal.usp.br/radio-usp/ibge-registra-queda-da-taxa-de-natalidade-no-brasil/ Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 39 OBJETIVOS Ao final desta unidade, esperamos que possa: Descrever as principais alterações anatô- micas e fisiológicas do processo de enve- lhecimento. Compreender o processo fisiológico do envelhecimento. UNIDADE 2 40 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso 2 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO Todos os seres humanos, como parte do ciclo da vida, passam por diversas fases desde o nascimento até a morte. Durante esse percurso, experiências tanto positivas quanto negativas são vivenciadas, contribuindo para a cons- trução da história de cada indivíduo (Barsano et al., 2024). O envelhecimento é um fenômeno que afeta todas as pessoas. Trata-se de um processo dinâmico, progressivo e irreversível, intimamente ligado a fatores biológicos, psicológicos e sociais (Fechine; Trompieri, 2012). Além disso, o envelhecimento é entendido como um processo natural de gradual diminuição da reserva funcional dos indivíduos, conhecido como senescência. Em condições normais, esse processo não costuma acarretar problemas significativos (Brasil, 2006). No entanto, deve-se compreender que o envelhecimento humano pode levar a uma série de alterações no organismo, as quais podem compro- meter diversas capacidades dos idosos. Os déficits cognitivos, por exemplo, exercem um impacto significativo em todos os aspectos da vida, podendo dificultar o desempenho em atividades básicas e instrumentais do cotidiano, bem como nas áreas de lazer e trabalho (WHO, 2005). 2.1 ANATOMIA E FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO O envelhecimento biológico é um processo gradual que traz consigo mudanças nas funções do organismo, tornando o indivíduo menos adap- tável ao ambiente e mais suscetível a doenças. É importante destacar que envelhecer não é necessariamente associado a doenças, podendo ocorrer naturalmente (Barsano et al., 2014; Berlezi, 2019). 41 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Envelhecer de maneira natural significa aceitar e lidar com as limitações que surgem com o passar dos anos, mantendo-se ativo e saudável ao longo do tempo. Esse tipo de envelhecimento é o que chamamos de senescência (Barsano et al., 2014). O processo de envelhecimento pode variar consideravelmente de uma pessoa para outra, sendo mais gradual em alguns e mais acelerado em outros. Essa diversidade de ritmo está diretamente ligada a uma série de fatores, incluindo estilo de vida, condições socioeconômicas e presença de doenças crônicas (Fechine; Trompieri, 2012). 2.1.1 CONHECENDO O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO HUMANO O envelhecimento pode ser compreendido em diferentes dimensões: bioló- gica, relacionada aos aspectos moleculares, celulares, teciduais e orgânicos do indivíduo; e psíquica, que engloba os aspectos cognitivos e psicoafetivos, influenciando na personalidade e no bem-estar emocional da pessoa (Brasil, 2006). Abordar o envelhecimento é abrir espaço para uma ampla gama de interpre- tações, que se entrelaçam com o cotidiano e perspectivas culturais variadas. • Composição corporal À medida que envelhecemos, ocorrem diversas mudanças no corpo humano. A quantidade total de água diminui, enquanto a gordura, especialmente na região abdominal, aumenta. Os órgãos internos tendem a perder peso, exceto o coração que, devido ao processo natural de envelhecimento, aumenta de tamanho (Miranda, 2023). Além disso, a altura do indivíduo tende a diminuir, influenciada pela redução do arco dos pés, o afinamento das cartilagens, a curvatura da coluna e as alterações nos discos intervertebrais (Miranda, 2023). A cavidade torácica expande-se devido ao esforço respiratório aumentado e à perda de elasticidade pulmonar. Ademais, algumas características faciais 42 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso típicas do idoso, como o aumento do nariz, do crânio e das orelhas, tornam-se mais evidentes (Miranda, 2023). • Pele O envelhecimento normal da pele acarreta atrofia, perda de elasticidade e comprometimento das funções metabólicas e de reparação. Esse processo resulta em pele mais fina, com menor vascularização e capacidade biossin- tética dos fibroblastos, tornando-a mais suscetível a lesões e cicatrizações mais lentas (Miranda, 2023; Mesa-Arango; Muñoz; Sanclemente, 2016). A xerose, ou pele seca, ocorre devido à perda de ondulações na junção dermoepidérmica, diminuindo a eficiência da função de barreira cutânea. As mudanças na composição celular epidérmica levam a uma redução de 50% no crescimento das unhas, além da diminuição na atividade das glân- dulas sudoríparas e sebáceas. Ademais, o colágeno pode diminuir em até 75% com o avançar da idade (Miranda, 2023; Mesa-Arango; Muñoz; Sancle- mente, 2016). Figura 1: Admirando a vida Fonte: Bonsales, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem, há um idoso do sexo masculino se olhando no espelho, com a mão no queixo, observando suas mudanças na face. 43 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso • Alterações sensoriais • Olhos À medida que envelhecemos, os olhos passam por transformações signifi- cativas. Os tecidos ao redor da órbita diminuem, afetando a aparência e a funcionalidade dos olhos. Além disso, as glândulas lacrimais têm sua função reduzida, levando a uma diminuição na produção de lágrimas. A íris se torna menos flexível, resultando em uma pupila menor e com uma resposta mais lenta a estímulos visuais. A retina também sofre alterações, tornando-se mais fina e afetando a percepção visual. A elasticidade da lente diminui, exigindo uma maior distância focal para focar objetos próximos (Brasil, 2023). Adicionalmente, os olhos mais velhos têm uma capacidade de adaptação mais lenta às mudanças na iluminação, experimentando uma redução na sensibilidade ao contraste e uma maior dispersão da luz, o que pode tornar o idoso mais sensível ao brilho (Garcia et al., 2021). • Audição Mudanças decorrentes do envelhecimento afetam o sistema auditivo, resul- tando em uma redução na capacidade de ouvir sons de alta frequência e dificuldade no reconhecimento da fala, especialmente em ambientes baru- lhentos. O canal auditivo externo também sofre alterações, com as paredes tornando-se mais finas e o cerume mais seco e persistente. Essas transforma- ções podem levar ao isolamento social e aumentar o risco de delírio durante internações hospitalares (Miranda, 2023). • Paladar e olfato À medida que envelhecemos, a quantidade de papilas gustativas diminui, o que pode ter um efeito sutil na nossa percepção do sabor. Entretanto, a perda do paladar em pessoas idosas está principalmente associada à dimi- nuição do olfato. Essa redução tanto no paladar quanto no olfato pode levar a uma diminuição do prazer ao comer e à dificuldade em distinguir dife- rentes sabores dos alimentos (Garcia et al., 2021). 44 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Reflita Você já considerou a profundidade do envelhecimento e suas implicações? Pense sobre isso. • Alterações musculoesqueléticas (músculos e ossos) Com o avançar daidade, ocorre uma redução na quantidade de ossos saudáveis, resultando em uma diminuição gradual e progressiva da massa óssea. Isso leva a uma fragilidade óssea, tornando os ossos mais suscetíveis a fraturas (Duran-Badillo et al., 2020). À medida que envelhecemos, observamos mudanças significativas na postura, com uma tendência a curvar-se devido à diminuição da altura das vértebras da coluna. Além disso, o padrão de caminhada também se altera, com o equilíbrio tornando-se mais difícil, e os passos, mais curtos (Barsano et al., 2014). Os músculos, por sua vez, sofrem com a perda de massa muscular, o que os torna mais frágeis e atrofiados, resultando em uma redução da flexibilidade e resistência mesmo diante de esforços físicos mínimos. Adicionalmente, há uma deterioração progressiva da cartilagem das articulações, contribuindo para a dificuldade de movimentação e aumento do desconforto físico (Duran-Badillo et al., 2020). • Alterações respiratórias Conforme envelhecemos, a capacidade respiratória é afetada pela perda de elasticidade na caixa torácica. As costelas e os músculos tornam-se mais rígidos, e os músculos respiratórios podem atrofiar, resultando em uma tosse menos eficaz e com mais demanda dos músculos do diafragma e abdominais. Isso, por sua vez, leva a uma redução na capacidade respira- tória e na força dos músculos respiratórios, além do aumento do espaço morto e anatômico no pulmão dentro da cavidade torácica. A diminuição na capacidade de ventilação (tanto na inspiração quanto na expiração) e a 45 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso redução do débito cardíaco tornam a prática de exercícios e algumas ativi- dades do dia a dia mais desafiadoras (Neder; Berton; O’Donnell, 2022). • Alterações digestivas Com o avançar da idade, ocorrem diversas mudanças no corpo. O pâncreas produz menos insulina, resultando em níveis elevados de glicose no sangue. A mucosa do estômago diminui, afetando a digestão e a absorção de algumas vitaminas. Além disso, há uma redução na produção de substâncias como prostaglandina, pepsina, fator intrínseco (B12), muco e bicarbonato de sódio, aumentando o risco de infecções bacterianas e fúngicas. A motilidade intestinal diminui, levando à constipação, e a capacidade de absorção de cálcio e vitaminas B6 e B12 é prejudicada. O fluxo sanguíneo para o fígado também diminui, afetando o metabolismo de diversos medicamentos. Por fim, há uma diminuição na secreção de albumina, glicoproteínas, colesterol e ácidos biliares (Miranda, 2023). • Alterações geniturinárias Com o avançar da idade, a função dos rins é afetada pela diminuição da massa renal, resultando em uma menor capacidade de filtragem sanguínea e eliminação de certos medicamentos pela urina. Isso pode levar a uma redução na produção de urina e afetar o tônus muscular nos ureteres, bexiga e músculo perineal (assoalho pélvico) (Barsano et al., 2014). • Alterações cardíacas Observam-se mudanças discretas no lado direito do coração durante o envelhecimento. Embora o volume do átrio direito aumente levemente, o fluxo sanguíneo sistólico médio e máximo nas veias cavas superior e infe- rior diminuem com a idade. Por outro lado, o ventrículo esquerdo torna-se mais rígido e hipertrofiado. No caso de idosos, a hipertensão arterial pode se manifestar como uma elevação isolada ou predominantemente sistólica (Mikael et al., 2017). 46 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Figura 2: Marcas do envelhecimento Fonte: fizkes, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: A imagem mostra uma senhora de cabelos brancos olhando para o horizonte, com a cabeça levemente lateralizada, e com suas mãos apoiadas em sua bengala. O reconhecimento das alterações fisiológicas do envelhecimento é crucial para que o enfermeiro possa oferecer cuidados personalizados e preventivos aos idosos. Essa compreensão permite a identificação precoce de problemas de saúde, a promoção da autonomia e qualidade de vida, além de garantir intervenções adequadas e uma abordagem holística no cuidado ao paciente idoso. 2.1.2 ALTERAÇÕES ANTROPOMÉTRICAS NO PROCESSO DO ENVELHECIMENTO A senescência está ligada a alterações na composição corporal, como a dimi- nuição do tecido muscular e ósseo e o aumento do tecido adiposo, além 47 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso de sua redistribuição. A perda de massa muscular resulta em uma redução na taxa metabólica basal, aumentando a propensão ao ganho de peso e ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, independen- temente de idade, sexo ou composição corporal (Brasil, 2023; Brunner; Suddarth, 2015). A diminuição da massa muscular e o aumento da gordura corporal aumentam significativamente o risco de mortalidade e têm efeitos adversos na saúde e na qualidade de vida. Essas mudanças estão associadas ao declínio na velo- cidade de locomoção e na capacidade funcional, bem como a uma maior incidência de quedas, fragilidade e doenças crônicas não transmissíveis (Assumpção et al., 2022). Durante o envelhecimento, a ativação do sistema imunológico inato desen- cadeia um processo inflamatório crônico de baixo grau, conhecido como “inflammaging”. Esse processo acelera o desenvolvimento de doenças crônicas e contribui para a perda de massa muscular (Assumpção et al., 2022). Saiba Mais Como é envelhecer? Assista ao vídeo a seguir e descubra! Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hJ8M- B05jOOs. Acesso em: 28 mar. 2024. Para a avaliação antropométrica, existem vários indicadores amplamente utilizados, práticos, de baixo custo e com boa confiabilidade. Entre eles, estão o Índice de Massa Corporal (IMC), a Circunferência da Cintura (CC) e a Razão Cintura-Quadril (RCQ). (Conceição; Andrade; Menezes, 2022). 2.2 TEORIA DO ENVELHECIMENTO Ao longo do tempo, têm surgido diversas tentativas de explicar o processo de envelhecimento por meio da formulação de várias hipóteses, que deram https://www.youtube.com/watch?v=hJ8MB05jOOs https://www.youtube.com/watch?v=hJ8MB05jOOs 48 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso origem a várias teorias, divididas em categorias biológicas, sociais e psicoló- gicas. Essas teorias buscam lançar luz sobre os mecanismos subjacentes ao envelhecimento humano (Braga; Galleguillos, 2014). Quadro 1: Florence Nightingale e a lâmpada tradicional Fonte: Nascimento, 2020. #PraTodosVerem: Na imagem, há um organograma com a divisão das quatro teorias do envelhecimento no topo, e abaixo de cada divisão, os nomes das teorias que se aplicam a cada uma delas. • Teorias biológicas Nessas teorias, a estrutura complexa das células pode ser comprometida por diversos estresses, como aqueles originados por vírus, radicais livres, hidrólise espontânea, traumas, radiações ou variações de temperatura. Esses fatores, provenientes do ambiente ou de processos metabólicos internos, resultam em instabilidade molecular, afetando a integridade da informação contida em moléculas cruciais (Braga; Galleguillos, 2014). O quadro a seguir apresenta as teorias biológicas. 49 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Teoria da Exaustão ou Teoria dos Radicais Livres A Teoria da Exaustão ou Teoria dos Radicais Livres propõe que o envelhecimento é causado pelo acúmulo de danos celulares provocados pela ação dos radicais livres, moléculas altamente reativas que podem danificar o DNA, as proteínas e os lipídios das células. Com o passar do tempo, esse dano acumulado contribui para o declínio da função celular e, consequentemente, para o processo de envelhecimento. Essa teoria enfatiza a importância da redução do estresse oxidativo e do reforço dos mecanismos de defesa antioxidante para desacelerar o envelhecimento e promover uma vida saudável e prolongada. Teoria Imunológica A Teoria Imunológica do envelhecimento sugere que o declínio gradual do sistema imunológico ao longo do tempo contribui para o envelhecimento. À medida que envelhecemos, o sistema imunológicose torna menos eficiente na identificação e na eliminação de células danificadas ou patógenos, o que aumenta a suscetibilidade a doenças e reduz a capacidade de resposta a novos desafios. Esse declínio na função imunológica pode levar a um estado de inflamação crônica, que por sua vez está associado a várias doenças relacionadas à idade. Teoria do Erro Baseada nas alterações que ocorrem na estrutura do ácido desoxirribonucleico (DNA) na senescência, as quais acarretam erros que serão transmitidos para o ácido ribonucleico (RNA) mensageiro, levando ao desenvolvimento de enzimas de defesa que podem ocasionar a morte de células do organismo. Na Teoria do Relógio do envelhecimento, acredita-se que o relógio se situa no hipotálamo e que as alterações da idade sobre ele exercem papel importante nas perdas dos mecanismos homeostáticos do corpo. Teoria do Uso e Desgaste Afirma que o envelhecimento ocorre como resultado do uso normal do corpo e dos sistemas corporais. Com a idade, esses sistemas se desgastam e não agem plenamente com sua capacidade. Essa teoria descarta a idade cronológica como fator de mensuração de envelhecimento. A lesão cumulativa por causa do uso e do abuso contínuo leva à morte dos tecidos e das células, causando a morte do organismo. Teoria Genética O indivíduo herda o programa genético que determina a expectativa de vida. Um relógio biológico determina a senilidade, pois as células estão preparadas por certo tempo. Quanto maior a expectativa de vida, maior o número de divisões celulares. O que sustenta essa teoria é a predisposição genética de algumas famílias à longevidade. Teoria da Ligação Cruzada Descreve que o envelhecimento é o resultado de uma redução na divisão celular causada por um agente de ligação cruzada que se prende ao filamento do DNA, evitando que ele funcione corretamente. Quando acontece a ligação cruzada, ocorrem alterações no tecido colagenoso do corpo. O colágeno é um conglomerado de proteínas que forma a estrutura do corpo e dá sustentação ao tecido. Um erro na ligação cruzada resulta em alterações degenerativas em órgãos, como o coração, a pele, os vasos sanguíneos, os pulmões, os músculos, entre outros. Quadro 2: Teorias biológicas 50 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Fonte: Braga; Galleguillos, 2014. #PraTodosVerem: Quadro com as explicações relativas às Teorias da Exaustão ou dos Radicais Livres, Imunológica, do Erro, do Uso e Desgaste, Genética e da Ligação Cruzada. • Teorias psicossociais Essas teorias buscam compreender o envelhecimento em relação às habili- dades mentais da pessoa, incluindo inteligência, memória, emoções, capaci- dade de enfrentamento e mudanças sociais (Nascimento, 2020). Quadro 3: Teorias psicossociais Teoria do Desengajamento Considera o envelhecimento como um processo de afastamento da vida. Ocorre o afastamento social do idoso, no qual ele se isola da sociedade. Esse afastamento é aceitável para a pessoa e para a sociedade, pois há um comportamento social de proibição da frustração do idoso quando este se defronta com mudanças nos papéis decorrentes do envelhecimento. À medida que a pessoa idosa se afasta da vida social, as mais jovens assumem maiores responsabilidades e exercem seus papéis de liderança. Teoria da Atividade Afirma que a sociedade deve ter, em relação, ao idoso as mesmas expectativas que tem para com os adultos. O envelhecimento deve ser negado até quando for possível. Na ocorrência de perdas, elas devem ser substituídas por novos e diferentes papéis, interesses ou pessoas. Teoria da Continuidade O sucesso do envelhecimento depende da capacidade de cada um de manter e continuar com os padrões de comportamento anteriores. A perseverança do estilo de vida, bem como dos padrões de comportamento, dão um prognóstico da resposta do envelhecimento de cada indivíduo. Fonte: Braga, Galleguillos, 2014. #PraTodosVerem: Quadro com as explicações relativas às Teorias do Desengajamento, da Atividade e da Continuidade. A teoria da atividade argumenta que os idosos devem se manter engajados em atividades para alcançar maior satisfação na vida, autoestima e saúde. A velhice bem-sucedida é associada à teoria da atividade, que incentiva a descoberta de novos papéis e atividades a serem realizados (Nascimento, 2020). 51 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Atenção Até o momento, ainda não surgiu uma teoria abrangente que possa explicar todos os aspectos do envelhecimento de forma completa. Ao término desta discussão, podemos observar que as diversas teorias do envelhecimento oferecem perspectivas valiosas para compreendermos esse processo complexo. Desde as explicações centradas nos aspectos biológicos, como a Teoria dos Radicais Livres, até aquelas que consideram os aspectos psicossociais, como a Teoria da Atividade, cada abordagem contribui para uma compreensão mais completa do envelhecimento humano. Ao integrar essas diferentes perspectivas, podemos desenvolver estratégias mais eficazes para promover um envelhecimento saudável e uma qualidade de vida otimizada para as pessoas em todas as fases da vida. 2.2.1 OS DESAFIOS DO ENVELHECIMENTO Um dos maiores obstáculos na promoção da saúde para os idosos é a neces- sidade de aceitação do envelhecimento e da cronicidade de certas doenças. Outro fator comum na população idosa são as queixas de dependência nas atividades de vida diária (AVD), no declínio da cognição e de habilidades funcionais. As AVDs incluem, por exemplo, tomar banho, comer, usar o banheiro e andar pelos cômodos da casa. Já as Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVDs) incluem a realização de trabalhos domésticos, o preparo de refei- ções, o cuidado com as finanças, a utilização de meios de transporte etc. (WHO, 2005). 52 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Curiosidade A Escala de Katz foi planejada para medir a habilidade da pessoa idosa em desempenhar suas atividades cotidianas de forma independente e, assim, determinar as necessá- rias intervenções de reabilitação (Brasil, 2006). Quando se avalia a funcionalidade da pessoa idosa, é necessário diferenciar seu desempenho e sua capacidade funcional. Desempenho avalia o que o idoso realmente faz no seu dia a dia, enquanto a capacidade funcional avalia o potencial que a pessoa idosa tem para realizar a atividade, ou seja, sua capacidade remanescente, que pode ou não ser utilizada (Brasil, 2006). Figura 3: Funcionalidade no envelhecimento Fonte: Prostock-studio, Shutterstock, 2024. #PraTodosVerem: Na imagem, há uma senhora de cabelo branco, usando avental e luvas. Ela está na cozinha, lavando louça. 53 Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso Compreender o envelhecimento em sua complexidade – que abrange aspectos biopsicossocioeconômicos, espirituais e culturais – e reconhecer suas implicações na variedade de problemas associados a ele demanda uma abordagem que promova a aceitação, o restauro da autonomia e o incentivo à participação e à responsabilidade no tratamento (Brasil, 2006). 2.2.2 INSTABILIDADE POSTURAL E QUEDAS A instabilidade postural e as quedas representam a principal causa de inca- pacidade entre os idosos. Considerada uma das síndromes geriátricas, a instabilidade postural é carac- terizada pela dificuldade em processar informações sensoriais e controlar as oscilações do corpo enquanto se mantém na posição vertical, equilibrada (Morais et al., 2019). A queda não pode ser vista de forma independente ou isolada, mas sim como um sintoma que deve ser sempre investigado. Ela significa a total perda do equilíbrio postural, decorrente de fatores isolados próprios da pessoa (aspectos próprios do envelhecimento, associados ou não com pato- lógicos) e/ou de fatores da incapacidade de superar a instabilidade provo- cada por fatores ambientais (Brasil, 2000). A enfermagem desempenha um papel crucial na prevenção de quedas em idosos, dada a sua posição central no cuidado de