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Antônio Ribeiro
E-book do Curso Udemy
Petição Inicial
APOSTILA 1 - APRESENTAÇÃO 
 
 
Olá 
 
Seja bem vindo, seja bem vinda ao Curso de Petição 
Inicial. 
 
Este curso foi criado para proporcionar uma visão 
completa deste importante ato processual, ou 
melhor, do principal ato processual que um 
advogado ou advogada pode fazer. 
 
Afinal, a Petição Inicial é o início de um processo. 
 
E como início do processo ela deve ser muito bem 
trabalhada. 
 
Uma peça bem escrita vai deixar claro que o 
profissional é conhecedor do direito em geral e do 
direito de seu cliente, vai exigir um esforço maior 
para a contestação e será um suporte importante 
para a decisão final da causa. 
 
Ao final deste curso você terá segurança para 
colocar no papel o seu conhecimento jurídico e 
aumentar as chances de sucesso nas ações 
judiciais que empreender. 
 
Vamos trabalhar neste curso os requisitos legais 
para a elaboração de uma boa petição, vamos 
também aplicar algumas técnicas consagradas de 
redação forense e, ao final, você estará plenamente 
apto a redigir suas próprias petições e obter bons 
resultados. 
 
Como faremos? 
 
 
1ª Aula 
 
Na primeira aula, vamos abordar a questão ética 
do advogado na defesa dos interesses de seus 
clientes, especialmente na descrição adequada dos 
fatos e fundamentos do direito que se pleiteia 
judicialmente. 
 
Ainda na primeira aula, veremos os assuntos que 
devem e que não devem conter na petição inicial. 
Discussão doutrinária, jurisprudência, matérias 
jornalísticas, o que pode ser útil ou inútil para a 
solução do caso. 
 
2ª Aula 
 
Nesta segunda aula vamos conhecer o Sistema de 
Precedentes do novo Código de Processo Civil e 
como ele pode ser utilizado na petição inicial. 
 
 
3ª Aula 
 
A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, 
iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da 
petição inicial, conforme contido no Art. 319 do 
Código de Processo Civil e as consequências do 
desatendimento destes requisitos. 
Sempre que possível, faremos comparações entre 
as petições do processo ordinário e de alguns 
procedimentos especiais no tocante aos requisitos 
específicos. 
 
4ª Aula 
 
Nesta 4ª aula vamos conhecer algumas técnicas de 
redação forense mais utilizadas na elaboração da 
petição inicial. 
 
 
 
5ª Aula 
 
Na quinta e última aula do curso, vamos ver alguns 
casos reais envolvendo a petição inicial, aquelas 
que foram bem sucedidas e outras que tiveram o 
seu indeferimento ou não foram aptas a cumprir o 
seu objetivo de defesa do interessado. 
 
Este curso não tem a pretensão de ser um guia 
definitivo para todas as petições iniciais, mas será 
de grande ajuda para todos os profissionais de 
direito que ainda não se sentem seguros ao redigir 
documentos forenses. 
 
Tenha um bom curso! 
APOSTILA 2 - ÉTICA 
 
Na primeira aula, vamos abordar a questão ética do advogado na defesa dos interesses 
de seus clientes, especialmente na descrição adequada dos fatos e fundamentos do 
direito que se pleiteia judicialmente. 
 
Ainda na primeira aula, veremos os assuntos que devem e que não devem conter na 
petição inicial. Discussão doutrinária, jurisprudência, matérias jornalísticas, o que 
pode ser útil ou inútil para a solução do caso. 
 
 
1 – Questão ética 
 
Gente, advocacia é uma profissão para a vida 
toda. 
 
Não é incomum encontramos advogados e 
advogadas que continuam atuando com idade 
avançada. 
 
• Heráclito Fontoura Sobral Pinto – 98 anos 
• Edgar Silva – 102 anos 
• Waldir Troncoso Peres – 86 anos 
• Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda – 87 
anos 
 
E uma carreira de sucesso deve ser construída 
passo a passo. Em cada ato o profissional deve 
demonstrar o cuidado e a sobriedade com que 
cuida de suas obrigações. 
 
O bom profissional do direito é aquele que sabe 
lidar com o direito de seus respectivos clientes, 
jamais se afastando dos princípios éticos que 
torna vivo o exercício da defesa destes direitos. 
 
A petição inicial é o ato primeiro de defesa dos 
interesses dos clientes, é onde o advogado 
apresenta ao judiciário a questão a ser decidida. 
 
O que se espera de um advogado é que ele 
mantenha o capricho técnico, em todos os seus 
escritos e manifestações, da mesma forma com 
que a decisão deve ser proferida. 
 
Requerimentos tecnicamente imperfeitos, com 
equívocos verbais, não combinam com o seu 
precioso ofício. 
 
Como já falamos, a petição inicial é o primeiro ato 
do processo, onde se pleiteia o direito em juízo e 
onde estão todas as informações necessárias 
para uma decisão favorável. 
 
Por isso é importante entender que as 
INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS são as que devem 
constar da petição. 
 
As desnecessárias devem ser evitadas pois não só 
NÃO SÃO NECESSÁRIAS como também ocupam 
espaço e podem desviar a atenção de quem 
precisa ler e compreender a situação para julgar. 
 
Veja este exemplo da descrição do fato numa ação 
de alimentos: 
 
O requerente é legítimo filho do requerido, conforme 
certidão de nascimento (documento anexo), nascido em 
decorrência de relacionamento fortuito entre a sua 
genitora e o requerido, uma vez que não se conheciam 
antecipadamente e tiveram relações carnais após uma 
noite de bebedeira numa festa de carnaval, na cidade 
do Rio de Janeiro. 
 
Tem legitimidade para pleitear alimentos o filho, 
não importando qual foi a causa de seu 
nascimento e as condições dos pais no momento 
da concepção. 
 
Muitas vezes, no intuito de ilustrar o pedido, o 
advogado acaba por introduzir informações 
totalmente irrelevantes do ponto de vista jurídico 
e para o resultado da causa. 
 
 
Assim, é importante, após a redação da petição, 
fazer um “pente fino” para retirar tudo o que não 
importa e manter o foco apenas nos fatos e 
fundamentos do pedido. 
 
Mas nós vamos explorar melhor as técnicas de 
redação na quarta aula. Por ora é só para fazer 
um aquecimento. 
 
Muitas dúvidas dos profissionais se referem a 
possibilidade ou não de inserir nas petições 
iniciais textos doutrinários, jurisprudência e 
outras informações. Vamos ver isso. 
 
Citações doutrinárias 
 
Antes de citar qualquer doutrina na petição, faça 
a simples pergunta: é necessário? 
 
Se não for, a resposta é óbvia: não ponha o texto 
na petição. 
 
Se, por outro lado, você entende que é necessário 
incluir um texto doutrinário na petição inicial, 
vamos ver alguns pontos importantes. 
 
Primeiro, é aconselhável o uso de texto 
proveniente de autor conhecido e consagrado no 
assunto. Nada de pegar texto de blog de internet 
e colocar na petição. 
 
No período da graduação do curso de direito, os 
professores nos apresentam os nomes que se 
tornaram referência em determinados assuntos, e 
estes são lidos, conhecidos e respeitados por 
todos, inclusive o próprio juiz que vai julgar o 
caso. 
 
Um autor desconhecido, por melhor que seja a sua 
tese, não vai causar o mesmo impacto que um 
autor referência. 
 
Além disso, o texto a ser citado na petição deve 
ter uma relação estreita com o assunto abordado 
e não basta inserir um texto doutrinário sem uma 
boa explicação do porquê ele está sendo utilizado. 
 
E como saber se é necessária a citação 
doutrinária? 
 
Os livros de doutrina normalmente apresentam 
estudos e explicações sobre institutos de direito, 
sua origem, sua natureza e consequências. 
 
Os casos concretos, fora eventuais exemplos, não 
são abordados nestes livros, de modo que 
certamente você não vai utilizar doutrina quando 
estiver descrevendo os fatos que geraram o 
litígio. 
 
Apesar de muito raro, pode acontecer de você 
encontrar uma citação que seja adequada ao fato 
descrito na inicial, mas neste caso é importante 
informar por que aquilo foi mencionado e qual a 
importância daquela ideia dentro da peça que 
você está elaborando, ou seja, é necessário que 
você esclareça a relação que tem a citação com o 
fato narrado. 
 
Na parte da petição inicial onde você vaimencionar o direito aplicável, pode ser que a lei ou 
o dispositivo legal a ser utilizado comporte 
interpretações diversas. 
 
Neste caso, pode ser necessária a inclusão de 
citações doutrinárias que esclareçam a melhor 
forma de interpretar o dispositivo, desde que, é 
claro, esteja de acordo com o que você pretende. 
 
Em todos os casos, o diálogo do texto escrito com 
a citação é necessário. Não basta simplesmente 
colocar a citação doutrinária, sem qualquer 
referência ou ligação com o que se pretende 
interpretar. 
 
Jurisprudência 
 
Com o novo Código de Processo Civil foi 
estabelecido um sistema de PRECEDENTES. 
 
Com este sistema, os juízes passaram a ser 
vinculados também a decisões proferidas em 
casos iguais, de modo que a referência de 
julgados é bastante utilizada hoje no reforço dos 
argumentos da petição inicial. 
 
Mas é importante observar que para a citação de 
julgados é necessário ter em mente que o caso 
que foi objeto do julgado mencionado deve ter 
uma relação muito próxima com o narrado na 
inicial. 
 
A vinculação do juiz aos julgados somente pode 
ocorrer em casos idênticos ou muito parecidos, 
pois se não houver uma relação estreita entre o 
caso em análise e o julgado, a citação 
jurisprudencial se torna irrelevante para o 
convencimento do juiz, sendo assim, 
desnecessária. 
 
Se, por exemplo, você quer discutir um contrato de 
locação residencial, não seria adequado incluir 
julgados referentes a contrato de locação 
comercial, pois os conceitos e consequências 
podem não ser os mesmos. 
 
 
 
 
 
Por isso, é muito importante “enxugar” o texto da 
petição inicial de tudo o que não é relevante para 
a compreensão dos fatos e do direito invocado. 
 
Uma petição muito longa, cheia de citações 
doutrinárias e jurisprudenciais, pode parecer uma 
linda peça processual, mas acaba por se tornar 
um fardo para ser lida e compreendida por quem 
precisa julgar. 
 
 
 
APOSTILA 3 - PRECEDENTES 
 
Nesta segunda aula vamos conhecer o Sistema de Precedentes do novo Código de 
Processo Civil e como ele pode ser utilizado na petição inicial. 
 
 
O Código de Processo Civil de 2015 estabeleceu um 
sistema de PRECEDENTES que deve ser observado 
pelo juiz no momento da sentença. 
 
Com este sistema, agora temos mais um fator de 
vinculação do julgador, além da lei. 
 
O precedente pode ser invocado por qualquer das 
partes, conforme redação do parágrafo primeiro 
do Art. 489, vejam: 
 
Art. 489 
§ 1º Não se considera fundamentada 
qualquer decisão judicial, seja ela 
interlocutória, sentença ou acórdão 
que: 
(...) 
VI – deixar de seguir enunciado de 
súmula, jurisprudência ou 
precedente invocado pela parte, sem 
demonstrar a existência de 
distinção no caso em julgamento ou 
a superação do entendimento. 
 
O mesmo Código de Processo Civil também 
determina que uma decisão judicial não 
fundamentada podem vir a ser anulada. 
 
Isso quer dizer que o precedente pode ser 
invocado na petição inicial. 
 
O que é este sistema? 
 
O Art. 927 do Código de Processo indica que os 
juízes e os tribunais deverão observar as decisões 
dos Tribunais Superiores no momento de proferir 
sua decisão nos processos que devem julgar. 
 
Há muitos autores que discordam da forma com 
que o sistema de precedentes foi implantado pelo 
Código, mas neste momento não vamos discutir 
sua validade. 
 
Resta entender como o precedente pode ser 
invocado na petição inicial, e isto nós podemos 
deduzir a partir do Art. 489 que vimos 
anteriormente. 
 
Observamos que o inciso V do § 1º dá uma dica 
importante: 
 
V – se limitar a invocar precedente 
ou enunciado de súmula, sem 
identificar seus fundamentos 
determinantes nem demonstrar que 
o caso sob julgamento se ajusta 
àqueles fundamentos; 
 
Este artigo se refere a sentença, mas define que 
para a consideração do procedente deve haver a 
IDENTIFICAÇÃO DOS FUNDAMENTOS e a QUE O 
CASO SE AJUSTA a eles. 
 
Certamente, quando uma das partes invoca o 
procedente, ela deve proceder da mesma forma. 
 
Isso quer dizer que se você encontrar um julgado 
de tribunais que se ajusta ao caso a ser colocado 
por meio da petição inicial, você deve analisar os 
fundamentos da decisão. 
 
Os fundamentos envolvem explicar o porquê de 
uma decisão, tanto em relação aos argumentos 
vitoriosos quanto aos argumentos vencidos. 
 
O maior trabalho então do advogado que invoca o 
precedente é justamente conseguir adequar o seu 
caso àquele que foi objeto da decisão utilizada 
como paradigma para a solução do seu caso. 
 
E esta adequação deve estar ligada justamente 
aos fundamentos, os porquês, daquela decisão e 
não da decisão em si. 
 
Ou seja, o advogado deve ler atentamente a 
fundamentação da decisão a ser utilizada como 
precedente e confirmar se o seu caso se enquadra 
naquela fundamentação, não esquecendo de 
explicar na petição inicial as suas conclusões. 
 
Ao fazer estas considerações e não conseguindo a 
parte contrária comprovar a incompatibilidade 
entre os casos ou aquele precedente ter sido 
superado por outras decisões posteriores, haverá 
uma grande chance de vitória na ação. 
APOSTILA 4 – REQUISITOS 
1ª parte 
 
A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos 
requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil 
e as consequências do desatendimento destes requisitos. 
Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e 
de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. 
 
 
A aula anterior foi bem teórica, não é mesmo? 
Mas eu procurei ser bem conciso para não cansar. 
Afinal, esse negócio de precedente é bem 
sofisticado. 
 
Mas agora vamos a uma parte bem prática de 
nosso curso. Vamos procurar no Código de 
Processo Civil a receita para se fazer uma petição 
inicial apta a atingir os seus objetivos. 
 
Vamos começar pelo Art. 319 – a petição inicial 
indicará. 
 
E temos os primeiros 7 requisitos que não podem 
faltar em qualquer petição inicial. 
 
Vamos ao primeiro. 
 
I - o juízo a que é dirigida; 
 
Taí uma modificação sutil entre o antigo Código 
de 1973 e o atual. No anterior o texto dizia que o 
primeiro requisito da petição inicial era “o juiz ou 
tribunal, a que é dirigida;”. 
 
E toda petição inicial iniciava-se dirigida ao 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE 
DIREITO ... 
 
Na prática, endereçar a petição ao juiz ou ao juízo 
não trará consequências para o advogado, pois 
durante muitos anos, antes do novo CPC, as 
petições eram dirigidas ao juiz e não ao juízo. 
 
Mas ... e sempre tem o mas ... se você está fazendo 
este curso com o objetivo de ir bem numa prova 
de concurso ou mesmo no Exame de Ordem, é bom 
que atente aos dizeres legais em vigor e passar a 
dirigir as petições ao juízo. 
 
Assim, podemos iniciar a petição assim: AO 
EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DE DIREITO DE UMA DAS 
VARAS CÍVEIS DA COMARCA DE XXXXX, sem o 
senhor e sem o doutor. 
 
Ou ainda, de maneira mais simplificada AO JUÍZO 
DA ___ VARA CÍVEL DE XXX. 
 
Aí vai do estilo que você quer escolher para ser 
mais curto ou um pouco mais rebuscado. 
 
Continuando este item, o JUÍZO se refere à 
COMPETÊNCIA para apreciar o pedido. 
 
Sobre competência, acho que não precisamos 
falar muito, pois é matéria muito discutida no 
curso de graduação, sendo facilmente 
compreendido por todos os estudantes de direito: 
juiz do trabalho decide causas trabalhistas, juiz 
criminal decide causas criminais, e juiz cível 
decide as causas cíveis. 
 
Assim, é tranquila a definição da competência em 
razão da matéria. 
 
Mas temos outras competências que não 
podemos esquecer no momento de elaborar a 
petição inicial, sendo uma delas a que diz respeito 
ao valor da causa. 
 
Sabemos que ações de valor da causa igual ou 
inferior ao definido na Lei dos Juizados Especiais 
(Lei nº 9.099/95) onde o Art. 3º define a 
competências dos Juizadose a exclusão de 
competência. 
 
Assim, se o caso que se quer ingressar na justiça 
se enquadrar nas competências dos juizados, é 
para lá que devem ser dirigidas. 
 
Caso não se enquadre nas competências dos 
juizados, ainda temos de decidir em qual comarca 
ingressaremos com a ação, ou seja, decidir pela 
COMPETÊNCIA TERRITORIAL. 
 
Esta competência, felizmente Código de Processo 
Civil nos dá a receita a partir do Art. 46 até o Art. 
53. 
Art. 46 – ações pessoais – domicílio do réu 
Art. 47 – ações reais – situação da coisa 
Art. 48 – inventários – domicilio do autor da 
herança 
Art. 49 – ausentes – seu último domicílio 
Art. 50 – incapaz – domicílio de seu representante 
Art. 51/52 – ações da União, dos Estados ou DF – 
domicílio do réu 
Art. 53 – diversos 
 Divórcio – domicílio de filho incapaz, 
último domicílio do casal, domicílio do réu ou 
domicílio da vítima de violência doméstica 
 Alimentos – domicílio do alimentado 
 Pessoa Jurídica – sede, sucursal ou local 
de atividades 
 Reparação de danos ou administração de 
coisa alheia – local dos fatos 
 Acidentes de veículos e delitos – domicílio 
do autor ou local dos fatos 
 
Acredito que não haverá qualquer dificuldade de 
definir qual o juízo deverá conhecer o pedido com 
uma simples leitura destes artigos e identificar o 
tipo de ação que queremos propor. 
 
Mas e se a gente acabar por ingressar com a ação 
no juízo errado, o que acontece? 
 
Só para a gente recordar, existe a incompetência 
absoluta e a incompetência relativa. 
 
A absoluta se refere à matéria (cível, criminal, 
trabalhista, etc.) ou à pessoa, se houver algum 
tipo de privilégio de foro, e a relativa, as demais, 
ou seja, territorial e em razão do valor da causa. 
 
Ambas devem ser alegadas em contestação, 
sendo que a absoluta pode ser decidida pelo juiz 
sem ouvir a parte contrária, ou seja, DE OFÍCIO. 
 
Sendo a incompetência relativa e não for alegada 
em contestação, há o que o Código chama de 
PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA, ou seja, o caso 
seja decidido pelo juízo onde foi proposta a ação. 
 
A incompetência relativa poderia ser decidida de 
ofício pelo juiz? 
 
De acordo com a Súmula 33 do Superior Tribunal 
de Justiça, NÃO. 
 
Mas há dúvidas em relação a ingressar com ação 
na justiça comum, quando se trata de ação a ser 
apreciada pelo Juizado Especial. 
 
Se houver o direcionamento de uma petição inicial 
ao Juízo comum mas que a ação possa ser 
conhecida pelo Juizado Especial, o Superior 
Tribunal de Justiça entende que é caso de opção 
do autor, não cabendo ao juiz declarar-se 
incompetente. 
 
Porém, se ocorrer o contrário? 
 
Muitos autores entendem que a competência 
prevista para os Juizados Especiais é em razão da 
matéria e não ao valor da causa, de modo que 
seria então absoluta e pode assim ser declarada 
de ofício pelo juiz. 
 
Com tudo o que foi dito, claro que não esgotamos 
o assunto, acredito que já tratamos 
convenientemente deste primeiro item das 
exigências de uma petição inicial. 
 
 
 
 
 
APOSTILA 4 – REQUISITOS 
2ª parte 
 
A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos 
requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil 
e as consequências do desatendimento destes requisitos. 
Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e 
de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. 
 
 
Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial 
indicará. 
 
Dos 7 requisitos que não podem faltar em 
qualquer petição inicial, já vimos o primeiro na 
aula anterior. 
 
Então, vamos agora ao segundo. 
 
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a 
existência de união estável, a profissão, o número 
de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no 
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço 
eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do 
réu; 
 
 
Este é o requisito que depende do conhecimento 
que temos de ambas as partes. 
 
Normalmente, do próprio cliente, não há 
problemas. Mas, em se tratando da parte 
contrária, podemos encontrar alguma dificuldade. 
 
Como o Código determina as informações 
cadastrais das partes, vamos ver cada um deles, 
rapidamente: 
 
NOMES E PRENOMES – sempre usar o nome 
completo das partes, para evitar que possa haver 
confusão entre quem ingressa e contra quem se 
ingressa com a ação judicial. 
 
ESTADO CIVIL E EXISTÊNCIA DE UNIÃO ESTÁVEL – 
considerando o tipo de ação judicial, por exemplo, 
se versar sobre bens, é importante incluir o 
regime de bens no casamento ou a existência de 
contrato de união estável, quando for o caso. 
 
Estas informações podem ser relevantes para a 
necessidade ou não de litisconsórcio, ou para 
apuração de responsabilidades. 
 
PROFISSÃO – é sempre uma dúvida no caso de 
pessoas que não possuem uma profissão 
definida, como quem não tem trabalho externo a 
sua própria casa. 
 
No passado era comum o uso de DO LAR para as 
mulheres que não tinham empregos. 
 
Há também o caso de pessoas que estão 
provisoriamente desempregadas, e alguns usam 
esta situação como profissão, mas é correto 
colocar a profissão habitual da pessoa, mesmo 
que ela esteja momentaneamente desempregada. 
 
Muitos usam esta informação para reforçar o 
posterior pedido de justiça gratuita ou para 
enfatizar a sua situação numa ação de cobrança, 
por exemplo. 
 
Se for este o caso, pode-se usar a profissão 
habitual acompanhada da expressão 
DESEMPREGADO, pois assim se está declarando a 
real e atual situação da parte. 
 
NÚMEROS DO CPF OU CNPJ – eu creio que a 
exigência dos números de cadastros nacionais 
ocorre porque os números de carteiras de 
identidade são controlados pelos Estados e não 
pela União. 
 
Por outro lado, considerando que ações judiciais 
podem trazer direitos e obrigações patrimoniais 
para as partes, a identificação fiscal serve como 
controle tributário de valores envolvidos na 
demanda judicial. 
 
Serve também para evitar problemas com nomes 
iguais, principalmente no momento em que 
alguém necessita de uma certidão judicial e corre 
o risco de ter pessoas com nomes idênticos terem 
ações judiciais contra si e constar na certidão de 
outros. 
 
 
ENDEREÇO ELETRÔNICO – exigência nova neste 
Código de 2015, uma vez que o anterior era 
vigente antes da existência da Internet. 
 
Há situações em que a parte pode ser intimada 
por meio eletrônico, como o caso de cumprimento 
de sentença, quando não houver procurador 
constituído – Art. 513. 
 
Também a intimação do executado, no caso de 
adjudicação de coisa – Art. 876 e outros casos 
também previstos no Código. 
 
DOMICÍLIO E RESIDÊNCIA – o Código Civil dedica 
um capítulo sobre estes conceitos de residência e 
domicílio, o que são bem conhecidos de qualquer 
profissional do Direito. 
 
A residência é um fato de fixação do domicílio 
para pessoas naturais, e o domicílio é importante 
fator de determinação de competência, como 
falamos em aula anterior. 
 
Há a residência escolhida pela pessoa, que, se for 
HABITUAL E COM ÂNIMO DEFINITIVO, define o seu 
domicílio e há também o critério de domicílio pela 
ocupação da pessoa, principalmente nos casos de 
algumas atividades que exigem a residência no 
local da prestação de serviços. 
 
No caso de pessoa jurídica, não se fala em 
residência, mas em domicílio fixado por ela 
própria, em estatutos de constituição, ou 
domicílio legal, como no caso das pessoas 
jurídicas de direito público. 
 
 
E quando não temos todos os dados, 
principalmente da parte contrária? 
 
O próprio Código de Processo define como são 
resolvidos estes casos, nos parágrafos do Art. 319 
que são bem esclarecedores: 
 
§ 1º Caso não disponha das informações 
previstas no inciso II, poderá o autor, na petição 
inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a 
sua obtenção. 
§ 2º A petição inicial não será indeferida se, a 
despeito da falta deinformações a que se refere o 
inciso II, for possível a citação do réu. 
§ 3º A petição inicial não será indeferida pelo 
não atendimento ao disposto no inciso II deste 
artigo se a obtenção de tais informações tornar 
impossível ou excessivamente oneroso o acesso à 
justiça. 
 
Ou seja, se for possível estabelecer a relação 
processual, a falta de algum dos elementos 
identificadores do Inciso II poderão ser obtidas 
posteriormente e não haverá prejuízo nem 
indeferimento da Petição Inicial. 
 
APOSTILA 4 – REQUISITOS 
3ª parte 
 
A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos 
requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil 
e as consequências do desatendimento destes requisitos. 
Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e 
de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. 
 
 
Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial 
indicará. 
 
Dos 7 requisitos que não podem faltar em 
qualquer petição inicial, já vimos o primeiro e o 
segundo nas aulas anteriores. 
 
O terceiro requisito do Art. 319 sempre causa 
grandes preocupações de quem está redigindo 
uma petição inicial. 
 
Afinal o que são O FATO E OS FUNDAMENTOS 
JURÍDICOS DO PEDIDO? 
 
Primeiro, observamos que a lei se refere a FATO, 
no singular, e FUNDAMENTOS, no plural. 
 
Vamos fazer um esforço para entender as grandes 
diferenças que existem entre esses dois 
elementos identificadores de uma demanda 
judicial. 
 
O que é o FATO? 
 
É um evento ocorrido no passado e que produziu 
uma consequência jurídica. 
 
Por exemplo: numa ação de alimentos o autor 
apresenta o FATO de que ele é filho do réu. Isso 
quer dizer que o FATO ocorrido no passado, a 
paternidade, produz a consequência jurídica de 
cuidados e atenção do pai para com o filho. 
 
Outro exemplo: numa ação de despejo, o FATO é a 
existência de uma relação jurídica contratual 
entre as partes, o que gera direitos e obrigações 
de ambos, o de conceder a posse direta e o 
pagamento dos alugueis. 
 
Mais um exemplo: no caso de uma ação de 
reparação de danos, o FATO é a atitude da parte 
contrária que, contrária ao direito, trouxe como 
consequência DANOS para a parte que pleiteia sua 
reparação na justiça. 
 
Isto quer dizer que FATO é a relação jurídica 
existente entre as partes, como no caso de uma 
relação legal, contratual ou extracontratual, como 
falei nos exemplos acima. 
 
Muitas vezes o FATO é complexo e exige uma 
narração detalhada de tudo o que ocorreu, como 
no caso de uma relação jurídica extracontratual; 
em outras vezes, basta mencionar o fato legal, 
como no caso da filiação, ou o fato contratual, 
indicando o contrato existente e os 
detalhamentos necessários para a compreensão 
do caso. 
 
Mas é certo que por ser um dos elementos 
identificadores de uma demanda judicial, a 
descrição do FATO deve ser clara e completa, para 
que se possa fazer o pedido ou os pedidos de 
forma adequada. 
 
Agora vamos aos FUNDAMENTOS. 
 
Na doutrina processualística se usa a expressão 
CAUSA DE PEDIR para descrever o FATO e os 
FUNDAMENTOS JURÍDICOS, sendo os 
FUNDAMENTOS chamados de CAUSA PRÓXIMA e o 
FATO, CAUSA REMOTA. 
 
O que é esse negócio de CAUSA PRÓXIMA e CAUSA 
REMOTA? 
 
Se a gente pensar numa maneira bem simples, 
usando o exemplo de obrigações, CAUSA REMOTA 
é a geradora da obrigação. 
 
Nos nossos exemplos, a paternidade, o contrato e 
o dano. 
 
CAUSA PRÓXIMA é o não cumprimento da 
obrigação gerada. 
 
Ainda nos nossos exemplos: o pai que não pagou 
a pensão, a parte que não cumpriu o contrato ou o 
causador do dano que não indenizou. 
 
Não é necessário colocar na petição inicial os 
FUNDAMENTOS LEGAIS mas somente os 
FUNDAMENTOS JURÍDICOS. 
 
Isso quer dizer que o próprio fato, uma vez 
narrado, gera uma obrigação da parte contrária e 
o fundamento jurídico é o não cumprimento desta 
obrigação. 
 
Você pode colocar na petição inicial DE ACORDO 
COM A LEI ... mas isso não faz com que o juiz seja 
obrigado a decidir de acordo com AQUELA lei que 
você mencionou. Ele pode entender que neste caso 
se aplica OUTRA lei, por exemplo, ou dar uma 
interpretação diferente da que você usou na 
petição. 
 
Vamos ver se ficou claro ... 
 
Quando o Código determina que a petição deve ter 
o fato e os fundamentos jurídicos do pedido, ele 
está se referindo a CAUSA DE PEDIR, aquilo que 
gerou a necessidade do pedido de socorro ao 
Poder Judiciário. 
 
Temos a CAUSA REMOTA que é o FATO, ou seja, o 
que gerou a obrigação. 
 
E temos a CAUSA PRÓXIMA que são os 
FUNDAMENTOS, ou seja, a obrigação não 
cumprida. 
 
Na redação da petição inicial podemos incluir as 
duas causas em apenas um item, descrevendo em 
conjunto a obrigação e o seu não cumprimento, 
ou podemos separar as duas causas, inicialmente 
descrevendo o fato e depois, os fundamentos. Isso 
depende do tipo de ação que estamos a propor. 
 
Por exemplo, numa ação de reparação de danos 
por acidente, fazemos uma descrição detalhada 
do ocorrido, suas circunstâncias, as atitudes da 
parte contrária, o valor do prejuízo, etc. E, depois, 
de modo mais simplificado, apresentamos a causa 
próxima que foi a recusa da parte contrária em 
indenizar os prejuízos. 
 
Numa ação de alimentos, outro exemplo, não é 
necessário fazer uma explanação detalhada da 
condição de pai, bastando declarar e apresentar o 
documento representativo desta condição. 
Usaremos mais argumentos no fato de que o pai 
seria obrigado a cuidar, visitar e pensionar o filho. 
 
Já numa ação baseada em contrato, certamente 
usaremos uma divisão igualitária entre a 
descrição do contrato e quais seriam as 
obrigações assumidas e como foi o 
descumprimento daquelas obrigações. 
 
É isso, e espero que eu tenha sido claro na 
explicação, facilitando o trabalho nas suas 
próximas petições iniciais. 
 
Vamos agora continuar a analisar as exigências 
do Código de Processo Civil, faltam 4. 
 
 
APOSTILA 4 – REQUISITOS 
4ª parte 
 
A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos 
requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil 
e as consequências do desatendimento destes requisitos. 
Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e 
de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. 
 
 
Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial 
indicará. 
 
Ainda faltam 4 requisitos, e vamos agora falar do 
pedido e suas especificações. 
 
Também chama a atenção a leitura do código 
quando ele se refere ao PEDIDO no singular, dando 
a impressão que somente se pode fazer um 
pedido. 
 
Mas não é isso, o pedido pode envolver várias 
situações e assim poderemos entender que o 
código, ao mencionar AS SUAS ESPECIFICAÇÕES, 
admite um pedido mais complexo. 
 
Vamos entender também que o pedido deve ser 
uma decorrência lógica da CAUSA DE PEDIR. 
 
Ora, se alguém contraiu uma obrigação (CAUSA 
REMOTA) e não a cumpriu (CAUSA PRÓXIMA) o 
pedido deve ser o CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO, 
não é mesmo? 
 
E essa lógica deve ser perfeita! 
 
Afinal, uma das causas de indeferimento da inicial 
está no Art. 330 inciso III do § 1º: 
 
III - da narração dos fatos não decorrer 
logicamente a conclusão; 
 
A doutrina fala também em pedido IMEDIATO e 
pedido MEDIATO, ou seja, o pedido da tutela 
judicial e a proteção do bem jurídico com a 
sentença. 
 
Não é muito fácil compreender essa questão de 
pedido IMEDIATO e MEDIATO, mas só para ter uma 
noção superficial disso é que o imediato se refere 
a direito processual, enquanto o MEDIATO se 
refere a direito material. 
 
Acho que é suficiente para não encher muito você 
com doutrina ... 
 
E como deve ser feito o pedido? 
 
O código diz que o pedido deve ser CERTO e 
DETERMINADO, mas o que é isso? 
 
Podemos entender que PEDIDO CERTO éaquele 
que foi efetivamente formulado na petição. Não 
se pode admitir que haja pedido implícito. 
 
Lembra-se que falamos antes que o pedido é a 
decorrência lógica da CAUSA DE PEDIR? Às vezes a 
descrição do fato e fundamentos é tão completa 
que parece que o pedido já está formulado, mas 
isso a lei não permite. 
 
Mesmo parecendo redundante, o pedido deve ser 
feito de forma expressa. A falta do pedido pode 
resultar no indeferimento da petição inicial, ou 
pior, a perda da ação. 
 
Por PEDIDO DETERMINADO a doutrina entende que 
se deve dar um contorno limitador ao pedido. Este 
não pode ser genérico. 
 
Mas o código permite pedidos genéricos em 
algumas situações previstas no próprio Art. 324, 
quando não é possível, durante o trâmite da ação, 
determinar todas as consequências da obrigação 
não cumprida, por exemplo. 
 
A lei também prevê o pedido ALTERNATIVO, o 
pedido CUMULATIVO e o pedido SUBSIDIÁRIO, em 
casos específicos definidos nos arts.325, 326 e 
327. 
 
ALTERNATIVO é o pedido que pode envolver dois 
tipos de cumprimento OU isto OU aquilo, desde 
que, é claro, tenham a relação lógica com a causa 
de pedir. 
 
Por exemplo: o pedido de cumprimento de 
obrigação de fazer ou a indenização quando não é 
possível fazer. 
 
CUMULATIVO é o pedido que abrange pedidos 
diferentes contra o mesmo réu. 
 
Mas vamos lembrar que todos eles têm que ter 
relação lógica com a CAUSA DE PEDIR e vale para a 
economia processual. Se temos condições de 
entrar com duas ou mais ações contra a mesma 
pessoa, é possível incluir tudo numa única ação e 
fazer os pedidos cumulativos para todas as 
obrigações descumpridas. 
 
E, por último, temos o pedido SUBSIDIÁRIO que é 
aquele que é feito, caso o primeiro pedido não 
possa ser atendido pelo juiz, que poderá conceder 
o segundo. 
 
Neste caso, se o juiz atender o pedido INICIAL já 
deixou satisfeito o autor da ação, mas, caso não o 
faça, o pedido SUBSIDIÁRIO poderá também 
atender os interesses do mesmo autor. 
 
Para completar o assunto PEDIDOS, existe a 
possibilidade de alterar o pedido após o ingresso 
da petição inicial em juízo. 
 
De acordo com a lei, antes da citação, o pedido 
pode ser alterado sem necessitar autorização do 
réu ... e até o saneamento do processo, com 
autorização do réu. 
 
Além do pedido, nestas mesmas condições 
também pode ser alterada a causa de pedir. 
 
Isso não acontece por falha da petição inicial ... 
pode ser também ... mas podem ter ocorridos 
fatos novos que alterem substancialmente a 
CAUSA DE PEDIR e, por sua vez, o PEDIDO. 
 
Olha só ... nossa petição já está quase pronta ... 
mas ainda faltam 3 requisitos. 
Vamos a eles na próxima apresentação. 
APOSTILA 4 – REQUISITOS 
5ª parte 
 
A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos 
requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil 
e as consequências do desatendimento destes requisitos. 
Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e 
de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. 
 
 
 Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial 
indicará. 
 
Quase completando a nossa petição inicial, vamos 
falar agora do requisito VALOR DA CAUSA. 
 
Quando a gente está elaborando uma Petição 
Inicial, é normal dar maior atenção aos itens 
anteriores. 
 
Tomamos muito cuidado em endereçar a petição 
ao juízo competente ... procuramos explicar 
direitinho tudo o que aconteceu e buscamos fazer 
os pedidos compatíveis com tudo isso. 
 
Quando chega o momento de definir o valor da 
causa, muitas vezes temos dúvidas. 
 
Ou porque a ação que pretendemos ingressar não 
tem um valor definido, como por exemplo um 
DIVÓRCIO onde não há discussão de bens ou filhos 
... ou porque queremos ingressar com uma ação 
de valor muito alto, como um pedido de 
indenização por danos morais. 
 
Isso porque é sobre o VALOR DA CAUSA que são 
calculadas as custas do processo e, depois, podem 
ser calculados os valores de sucumbência, como 
os honorários, por exemplo. 
 
Em alguns casos também o VALOR DA CAUSA pode 
definir a competência do juízo, como nos casos 
em que a ação pode ser dirigida aos Juizados 
Especiais. 
 
Bem, mas nós temos de incluir o VALOR DA CAUSA 
na PETIÇÃO INICIAL, por ser um dos requisitos do 
Art. 319 e também porque o Código inclui um 
TÍTULO específico para isso, a partir do Art. 291 
que diz: 
 
Art. 291. A toda causa será 
atribuído valor certo, ainda que 
não tenha conteúdo econômico 
imediatamente aferível. 
 
Como saber o VALOR DA CAUSA? 
 
Uma parte do problema está resolvida pelo 
próprio Código no Art. 292 que define vários 
parâmetros para isso. 
 
Ali vamos ver como definir o valor da causa em 
vários tipos de ações judiciais, como cobrança, 
contrato, alimentos e indenização. 
 
No mesmo artigo encontramos os parâmetros 
para os pedidos cumulativos, alternativos e 
subsidiários, como falamos na aula anterior. 
 
Os parâmetros contidos no Art. 292 devem ser 
observados no momento de definir o valor da 
causa, porque se colocamos um valor diferente 
este pode ser modificado e teremos de refazer – 
EMENDAR – a petição inicial e complementar as 
custas. 
 
Esta previsão está contida no PARÁGRAFO 
TERCEIRO do mesmo artigo: 
 
§ 3º O juiz corrigirá, de ofício e 
por arbitramento, o valor da 
causa quando verificar que não 
corresponde ao conteúdo 
patrimonial em discussão ou ao 
proveito econômico perseguido 
pelo autor, caso em que se 
procederá ao recolhimento das 
custas correspondentes. 
 
E a parte contrária poderá também discutir o 
valor atribuído à causa, fazendo isso na própria 
contestação, como previsto no Art. 293: 
 
Art. 293. O réu poderá impugnar, 
em preliminar da contestação, o 
valor atribuído à causa pelo 
autor, sob pena de preclusão, e 
o juiz decidirá a respeito, 
impondo, se for o caso, a 
complementação das custas. 
 
Pode haver problema em colocar um valor da 
causa fora dos parâmetros do Art. 292? 
 
Como já foi dito antes, SIM. 
 
Se não forem utilizados os critérios legais de 
fixação, o juiz poderá corrigir de ofício ou a parte 
contrária poderá impugnar, e, em qualquer caso, a 
petição deverá ser emendada e as custas 
complementadas. 
 
Somente nos casos em que não houver uma 
possibilidade de aferição do conteúdo econômico 
da ação, como uma ação declaratória, por 
exemplo, ou quando houver pedido genérico, 
como os previstos no § 1º do Art. 324, é que se 
poderá atribuir um valor da causa simbólico. 
 
Nos demais casos, deve-se fazer os cálculos, 
colocar como valor da causa o que efetivamente 
se pretende ... e pagar as custas correspondentes. 
 
Vamos continuar nesta mesma aula para falar do 
penúltimo requisito da petição inicial, que está no 
inciso VI do Art. 319: 
 
VI - as provas com que o autor pretende 
demonstrar a verdade dos fatos alegados 
 
Muitas das provas que demonstram o fato e os 
fundamentos do pedido são documentais, outras 
dependem de perícia e outras ainda de 
testemunhas. 
 
Pode ser que no momento da elaboração da 
petição inicial ainda não temos todo o conjunto 
probatório definido. 
 
Ainda pode acontecer de o réu, na contestação, 
acabar não contestando todos os argumentos ou 
mesmo confessando todo ou parte do que foi 
narrado na inicial, o que deixa de ser uma matéria 
controversa e não necessita mais ser provada. 
 
Por isso, não é incomum que na petição inicial se 
coloque as provas já existentes (e juntadas com a 
inicial) e se indique genericamente as demais 
provas pretendidas, como perícias e testemunhas. 
 
Quando o processo chegar na fase de 
saneamento, onde o juiz determinará as matérias 
controversas e aquelas que ainda dependam de 
prova, haverá oportunidade para uma 
especificação mais detalhada do que se pode 
apresentar. 
 
Por isso, é comum, e plenamente aceito pelos 
juízes a informação de forma genérica das provas 
na petição inicial... e até na contestação ... pois 
haverá oportunidade para especificar no decorrer 
do processo. 
 
 
E, para terminar as exigências do Art. 319, temos o 
inciso VII 
 
VII - a opção do autor pela realização ou não 
de audiência de conciliação ou de mediação. 
 
É necessário incluir esta opção e, de preferência, 
justificar, pois o objetivo do código é que a 
prestação jurisdicional seja a mais rápida possível 
e é muito comum que as partes cheguem a um 
acordo em audiência, sem a necessidade de 
julgamento, recursos, etc. 
 
O próprio código dá uma definição do que seja 
conciliação e mediação, tudo isso no Art. 165, onde 
podemos ver: 
 
§ 2º O conciliador, que atuará 
preferencialmente nos casos em que não houver 
vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir 
soluções para o litígio, sendo vedada a utilização 
de qualquer tipo de constrangimento ou 
intimidação para que as partes conciliem. 
§ 3º O mediador, que atuará preferencialmente 
nos casos em que houver vínculo anterior entre as 
partes, auxiliará aos interessados a compreender 
as questões e os interesses em conflito, de modo 
que eles possam, pelo restabelecimento da 
comunicação, identificar, por si próprios, soluções 
consensuais que gerem benefícios mútuos. 
 
E ainda o código determina que os judiciários 
estaduais criem centros para isso – os CEJUSC – 
que são compostos de profissionais treinados 
para cada uma destas atividades de conciliação e 
mediação. 
 
Por isso, salvo nos casos em que as partes já 
haviam tentado de tudo e não conseguiram a 
conciliação, e uma audiência desta somente viria 
a aumentar o tempo da solução judicial do caso, 
ou ainda em casos em que a realização da 
audiência poderia vir a causar prejuízos, por 
depreciação da coisa em discussão, é sempre 
aconselhável se mostrar disposto a audiência e já 
demonstrar isso na petição inicial. 
 
Por outro lado, caso não seja aconselhável esta 
audiência, é bom demonstrar ao juiz as causas 
que podem ser várias, inclusive uma fase pré-
processual que resultou infrutífera, a 
possibilidade de deterioração do objeto em 
discussão, ou qualquer outro motivo que possa 
ser demonstrado. 
 
 
Para terminar, vimos nesta aula – ou nestas 
últimas aulas – quais são os requisitos da petição 
inicial, porque existem tais requisitos e a forma 
de cumpri-los. 
 
Só até aqui, tenho certeza que você estará apto a 
criar uma boa petição inicial e aumentar muito a 
sua chance de sucesso na ação proposta. 
 
Como complemento desta aula fracionada, vou 
colocar um resumo e elaborar uma petição inicial 
bem simples para que possamos ver o resultado. 
 
APOSTILA 5 – TÉCNICAS DE 
REDAÇÃO 
 
Nesta 4ª aula vamos conhecer algumas técnicas de redação forense mais utilizadas na 
elaboração da petição inicial. 
 
 
Seja bem vindo a esta quarta aula. 
 
Agora nós vamos abordar algumas técnicas de 
redação que poderão ajudar na elaboração de 
suas futuras petições iniciais. 
 
Mas antes, vale um registro importante. 
 
 
 
O advogado recebe todas as informações de seu 
cliente, os fatos, as explicações, os documentos, e 
se houver algo a acrescentar, é possível ainda 
falar novamente com o cliente e completar as 
informações. 
 
Por outro lado, o juiz que vai decidir a questão 
recebe TODAS as informações por escrito ... só em 
casos específicos as informações chegam a ele 
por via oral ... e é na peça vestibular, ou a PETIÇÃO 
INICIAL que tudo lhe é relatado. 
 
Pois bem, a PETIÇÃO INICIAL deve ser um relato 
bem adequado para que o juiz possa conhecer o 
caso para que ele forme a sua convicção. 
 
Por isso é que eu insisto em dizer que por ser um 
documento de tamanha importância, a PETIÇÃO 
INICIAL deve ser elaborada com o maior cuidado e, 
depois de redigida, deve ser lida e relida. 
 
 
 
 
A primeira questão que devemos pontuar é a 
respeito do destinatário da PETIÇÃO. 
 
Nós já vimos, nos REQUISITOS da PETIÇÃO INICIAL, 
que a petição é dirigida ao JUÍZO e será lida por 
um JUIZ. 
 
Pode parecer que estou falando o óbvio ... e estou 
mesmo ... mas nós não podemos esquecer que um 
juiz é uma pessoa que fez o curso de direito e 
estudou para passar num concurso bem 
concorrido. 
 
Isto quer dizer que um juiz CONHEÇE O DIREITO ... 
ele só não conhece o FATO que você pretende 
narrar. 
 
Por isso, é importante que você se dedique mais a 
esclarecer o FATO e OS FUNDAMENTOS do que 
pretende ... deixando para o juiz a tarefa de dar o 
DIREITO. 
 
 
 
 
E para isso, você deve se atentar para uma 
segunda questão de suma importância: A 
VERDADE. 
 
Quem escreve deve ater-se a fatos ... fantasias, 
opiniões pessoais ou divagações não devem fazer 
parte de uma peça processual. 
 
É claro que não estou falando de ALTERAR A 
VERDADE ... se ocorreu um fato ele deve ser 
descrito conforme aconteceu ... aliás, alterar o 
fato é motivo de punição da parte e do próprio 
advogado, segundo a lei processual ... 
 
... mas em algum momento somos tentados a 
emitir opiniões pessoais a respeito do fato, por 
exemplo, o que não é aconselhável e nem 
necessário para a decisão judicial. 
 
 
Superadas essas questões que falei antes, vamos 
ver algumas técnicas para deixar o seu texto bem 
legal. 
 
A primeira coisa que devemos observar é a 
CLAREZA. 
 
Não posso negar que isso a gente vai adquirindo 
com a prática ... não existe uma fórmula mágica 
para que os textos fiquem claros da noite para o 
dia. 
 
Mas, contar um fato, é pontuar os seus detalhes ... 
colocando o texto em frases curtas ... explicando 
bem o que se quer dizer. 
 
Uma descrição dos fatos com os detalhes 
separados em parágrafos específicos auxilia a 
compreensão do leitor e facilita a decisão judicial. 
 
 
 
 
Outro ponto que devemos também observar é a 
COERÊNCIA 
 
Por COERÊNCIA podemos entender que as ideias 
colocadas no texto possuem uma conexão, uma 
lógica. 
 
O próprio Código de Processo Civil define que se 
não houver lógica entre os fundamentos e o 
pedido, a petição será inepta, ou seja, não 
cumprirá a sua função. 
 
Um texto coerente é aquele que segue uma 
mesma linha de raciocínio todo o tempo ... não 
deve haver contradição ... se afirmamos algo no 
início, não podemos afirmar algo contrário ao 
longo do texto. 
 
Também por coerência, usamos ligações entre as 
informações ... ocorreu isso e depois aquilo, por 
causa disso e por consequência aquilo ... etc ... 
 
As conclusões a respeito dos fatos narrados na 
inicial devem sempre seguir um processo lógico, 
como o clássico exemplo que estudamos em 
filosofia: 
 
 
 
Todo homem é mortal. 
Pedro é homem. 
Logo, Pedro é mortal. 
 
 
 
 
Como terceiro item importante na redação 
forense é a CONCISÃO. 
 
Um texto conciso é aquele que não se perde em 
detalhes inúteis ... 
 
Nós já tratamos disso neste curso, quando 
falamos sobre o que é necessário e o que é 
desnecessário colocar na petição inicial, lembram-
se? 
 
Se alguma informação já foi colocada no texto, 
não é necessário repeti-la outras vezes ... se ela 
foi bem colocada já está lá ... 
 
É claro que isso depende um pouco da experiência 
... podemos acelerar essa experiência com leitura 
de boas obras literárias, onde vamos nos 
acostumando a contar os casos de forma mais 
rápida e objetiva, sem rodeios. 
 
Mas não podemos negar que é muito mais 
agradável ler um texto objetivo, que vai direto ao 
ponto sem rodeios, do que um texto que fica 
passeando sem pressa por detalhes irrelevantes. 
 
 
 
 
E não podemos deixar de mencionar o LATINÓRIO 
... 
 
Pode parecer bonito e erudito colocar expressões 
em latim na petição inicial ... é claro que alguns 
casos é inevitável como HABEAS CORPUS, por 
exemplo ... mas, na maioria das vezes e 
desnecessário. 
 
 
 
 
Mais um ponto que deve ser observado é a 
CORREÇÃO. 
 
Alguns erros de gramática ou ortografia podem 
revelar o pouco cuidado na redação de um texto ... 
 
Essa falta de cuidado compromete a confiançado 
leitor nas informações deste texto ... 
 
E faltando esta confiança ... todo o trabalho fica 
comprometido. 
 
É sabido que a nossa linguagem escrita nos 
coloca às vezes em situações constrangedoras, 
afinal tal palavra é com “Cê” ou “Dois esses”??? 
 
É comum termos essas dúvidas e nem sempre o 
corretor do editor de texto nos ajuda. 
 
Taí mais uma habilidade que vamos adquirindo 
com o tempo e com muita leitura. 
 
 
 
 
O quinto ponto que devemos observar é PRECISÃO. 
 
Um texto preciso é aquele que se atém aos fatos e 
não se perde em adjetivos e advérbios ... 
 
Se um recurso é intempestivo ele é só 
intempestivo ... ele não é COMPLETAMENTE 
intempestivo, nem TOTALMENTE intempestivo ... 
 
Também não é adequado tirar conclusões de fatos 
quando essas conclusões não são lógicas ... 
 
Ele se machucou no acidente porque estava sem 
cinto de segurança é uma conclusão lógica .... 
 
Mas, ele causou o acidente porque, certamente, 
deveria estar usando o celular enquanto dirigia, é 
apenas uma opinião e não melhora a precisão dos 
fatos narrados. 
 
 
 
 
Um último ponto que devemos observar na 
redação da petição é a SIMPLICIDADE 
 
Escrever com simplicidade é o mesmo que 
escolher as palavras mais fáceis de compreender, 
tanto para o juiz quanto para qualquer um que 
tenha acesso ao texto. 
 
Usar palavreado rebuscado, latinório, ou qualquer 
outra forma que torne o texto muito PESADO não 
é adequado para descrever um fato e dele tirar 
conclusões. 
 
O Demandante adentrou no recinto solene do 
excelso pretório ... o autor entrou na sala de 
audiências ... 
 
 
 
 
 
Dessas técnicas de redação que falamos, não 
podemos esquecer que os nossos textos devem 
também ser o fruto do nosso CONHECIMENTO, 
DIGNIDADE e CRIATIVIDADE. 
 
Quando escrevemos uma petição inicial, temos de 
deixar claro para o leitor que nós CONHECEMOS os 
fatos e estudamos as consequências jurídicas 
dele. 
 
Do contrário, estamos a “chutar”, a “enrolar” e a 
tentar enganar o leitor ... 
 
Quem conhece sobre o que escreve, tem mais 
facilidade em usar as técnicas de redação mais 
apropriadas. 
 
 
 
 
 
A DIGNIDADE tem a ver com a elegância na escrita. 
 
Uma escrita elegante não fere, não atinge o leitor 
ou outras pessoas ... não se utiliza de termos 
chulos ou faz gracejos com as pessoas ... não usa 
vulgaridades para descrever fatos. 
 
 
 
 
E a CRIATIVIDADE? 
 
Nada de preguiça ... procure escrever o seu texto 
da forma mais criativa possível ... 
 
Nada de textos pesados, excessos de dados 
numéricos e estatísticas ... faça textos leves e 
agradáveis de se ler ... isso só vai ajudar na 
compreensão do que você pretende com a petição, 
vai fazer com que o juiz se concentre nos pontos 
principais e não vai perder tempo lendo textos 
longos e complexos. 
 
 
 
 
Que tal um exercício? 
 
Para realizar este exercício, sugiro assistir ao 
pequeno vídeo que vou passar agora ... 
... depois de assistido, pause a aula e descreva o 
que aconteceu no vídeo, como se este fosse o fato 
que você quer colocar numa petição inicial. 
 
Procure colocar o máximo de detalhes que 
conseguir. 
 
Depois, mostre o que você escreveu para alguém 
que não tenha assistido o vídeo. 
 
Então, mostre para esta pessoa o vídeo e veja se a 
sua descrição está de acordo com o que 
aconteceu. 
 
Esta é uma forma interessante de avaliar se você 
consegue traduzir em narrativa os fatos que 
conhece. Se você for bem sucedido, quer dizer que 
os seus textos serão bem compreendidos pelo 
juiz. 
 
Caso este primeiro exercício não chegue a bons 
resultados, pegue outros vídeos e faça o mesmo. 
Com o tempo, certamente você conseguirá 
descrever com exatidão os fatos e suas petições 
vão melhorando a cada dia.

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