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Antônio Ribeiro E-book do Curso Udemy Petição Inicial APOSTILA 1 - APRESENTAÇÃO Olá Seja bem vindo, seja bem vinda ao Curso de Petição Inicial. Este curso foi criado para proporcionar uma visão completa deste importante ato processual, ou melhor, do principal ato processual que um advogado ou advogada pode fazer. Afinal, a Petição Inicial é o início de um processo. E como início do processo ela deve ser muito bem trabalhada. Uma peça bem escrita vai deixar claro que o profissional é conhecedor do direito em geral e do direito de seu cliente, vai exigir um esforço maior para a contestação e será um suporte importante para a decisão final da causa. Ao final deste curso você terá segurança para colocar no papel o seu conhecimento jurídico e aumentar as chances de sucesso nas ações judiciais que empreender. Vamos trabalhar neste curso os requisitos legais para a elaboração de uma boa petição, vamos também aplicar algumas técnicas consagradas de redação forense e, ao final, você estará plenamente apto a redigir suas próprias petições e obter bons resultados. Como faremos? 1ª Aula Na primeira aula, vamos abordar a questão ética do advogado na defesa dos interesses de seus clientes, especialmente na descrição adequada dos fatos e fundamentos do direito que se pleiteia judicialmente. Ainda na primeira aula, veremos os assuntos que devem e que não devem conter na petição inicial. Discussão doutrinária, jurisprudência, matérias jornalísticas, o que pode ser útil ou inútil para a solução do caso. 2ª Aula Nesta segunda aula vamos conhecer o Sistema de Precedentes do novo Código de Processo Civil e como ele pode ser utilizado na petição inicial. 3ª Aula A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil e as consequências do desatendimento destes requisitos. Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. 4ª Aula Nesta 4ª aula vamos conhecer algumas técnicas de redação forense mais utilizadas na elaboração da petição inicial. 5ª Aula Na quinta e última aula do curso, vamos ver alguns casos reais envolvendo a petição inicial, aquelas que foram bem sucedidas e outras que tiveram o seu indeferimento ou não foram aptas a cumprir o seu objetivo de defesa do interessado. Este curso não tem a pretensão de ser um guia definitivo para todas as petições iniciais, mas será de grande ajuda para todos os profissionais de direito que ainda não se sentem seguros ao redigir documentos forenses. Tenha um bom curso! APOSTILA 2 - ÉTICA Na primeira aula, vamos abordar a questão ética do advogado na defesa dos interesses de seus clientes, especialmente na descrição adequada dos fatos e fundamentos do direito que se pleiteia judicialmente. Ainda na primeira aula, veremos os assuntos que devem e que não devem conter na petição inicial. Discussão doutrinária, jurisprudência, matérias jornalísticas, o que pode ser útil ou inútil para a solução do caso. 1 – Questão ética Gente, advocacia é uma profissão para a vida toda. Não é incomum encontramos advogados e advogadas que continuam atuando com idade avançada. • Heráclito Fontoura Sobral Pinto – 98 anos • Edgar Silva – 102 anos • Waldir Troncoso Peres – 86 anos • Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda – 87 anos E uma carreira de sucesso deve ser construída passo a passo. Em cada ato o profissional deve demonstrar o cuidado e a sobriedade com que cuida de suas obrigações. O bom profissional do direito é aquele que sabe lidar com o direito de seus respectivos clientes, jamais se afastando dos princípios éticos que torna vivo o exercício da defesa destes direitos. A petição inicial é o ato primeiro de defesa dos interesses dos clientes, é onde o advogado apresenta ao judiciário a questão a ser decidida. O que se espera de um advogado é que ele mantenha o capricho técnico, em todos os seus escritos e manifestações, da mesma forma com que a decisão deve ser proferida. Requerimentos tecnicamente imperfeitos, com equívocos verbais, não combinam com o seu precioso ofício. Como já falamos, a petição inicial é o primeiro ato do processo, onde se pleiteia o direito em juízo e onde estão todas as informações necessárias para uma decisão favorável. Por isso é importante entender que as INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS são as que devem constar da petição. As desnecessárias devem ser evitadas pois não só NÃO SÃO NECESSÁRIAS como também ocupam espaço e podem desviar a atenção de quem precisa ler e compreender a situação para julgar. Veja este exemplo da descrição do fato numa ação de alimentos: O requerente é legítimo filho do requerido, conforme certidão de nascimento (documento anexo), nascido em decorrência de relacionamento fortuito entre a sua genitora e o requerido, uma vez que não se conheciam antecipadamente e tiveram relações carnais após uma noite de bebedeira numa festa de carnaval, na cidade do Rio de Janeiro. Tem legitimidade para pleitear alimentos o filho, não importando qual foi a causa de seu nascimento e as condições dos pais no momento da concepção. Muitas vezes, no intuito de ilustrar o pedido, o advogado acaba por introduzir informações totalmente irrelevantes do ponto de vista jurídico e para o resultado da causa. Assim, é importante, após a redação da petição, fazer um “pente fino” para retirar tudo o que não importa e manter o foco apenas nos fatos e fundamentos do pedido. Mas nós vamos explorar melhor as técnicas de redação na quarta aula. Por ora é só para fazer um aquecimento. Muitas dúvidas dos profissionais se referem a possibilidade ou não de inserir nas petições iniciais textos doutrinários, jurisprudência e outras informações. Vamos ver isso. Citações doutrinárias Antes de citar qualquer doutrina na petição, faça a simples pergunta: é necessário? Se não for, a resposta é óbvia: não ponha o texto na petição. Se, por outro lado, você entende que é necessário incluir um texto doutrinário na petição inicial, vamos ver alguns pontos importantes. Primeiro, é aconselhável o uso de texto proveniente de autor conhecido e consagrado no assunto. Nada de pegar texto de blog de internet e colocar na petição. No período da graduação do curso de direito, os professores nos apresentam os nomes que se tornaram referência em determinados assuntos, e estes são lidos, conhecidos e respeitados por todos, inclusive o próprio juiz que vai julgar o caso. Um autor desconhecido, por melhor que seja a sua tese, não vai causar o mesmo impacto que um autor referência. Além disso, o texto a ser citado na petição deve ter uma relação estreita com o assunto abordado e não basta inserir um texto doutrinário sem uma boa explicação do porquê ele está sendo utilizado. E como saber se é necessária a citação doutrinária? Os livros de doutrina normalmente apresentam estudos e explicações sobre institutos de direito, sua origem, sua natureza e consequências. Os casos concretos, fora eventuais exemplos, não são abordados nestes livros, de modo que certamente você não vai utilizar doutrina quando estiver descrevendo os fatos que geraram o litígio. Apesar de muito raro, pode acontecer de você encontrar uma citação que seja adequada ao fato descrito na inicial, mas neste caso é importante informar por que aquilo foi mencionado e qual a importância daquela ideia dentro da peça que você está elaborando, ou seja, é necessário que você esclareça a relação que tem a citação com o fato narrado. Na parte da petição inicial onde você vaimencionar o direito aplicável, pode ser que a lei ou o dispositivo legal a ser utilizado comporte interpretações diversas. Neste caso, pode ser necessária a inclusão de citações doutrinárias que esclareçam a melhor forma de interpretar o dispositivo, desde que, é claro, esteja de acordo com o que você pretende. Em todos os casos, o diálogo do texto escrito com a citação é necessário. Não basta simplesmente colocar a citação doutrinária, sem qualquer referência ou ligação com o que se pretende interpretar. Jurisprudência Com o novo Código de Processo Civil foi estabelecido um sistema de PRECEDENTES. Com este sistema, os juízes passaram a ser vinculados também a decisões proferidas em casos iguais, de modo que a referência de julgados é bastante utilizada hoje no reforço dos argumentos da petição inicial. Mas é importante observar que para a citação de julgados é necessário ter em mente que o caso que foi objeto do julgado mencionado deve ter uma relação muito próxima com o narrado na inicial. A vinculação do juiz aos julgados somente pode ocorrer em casos idênticos ou muito parecidos, pois se não houver uma relação estreita entre o caso em análise e o julgado, a citação jurisprudencial se torna irrelevante para o convencimento do juiz, sendo assim, desnecessária. Se, por exemplo, você quer discutir um contrato de locação residencial, não seria adequado incluir julgados referentes a contrato de locação comercial, pois os conceitos e consequências podem não ser os mesmos. Por isso, é muito importante “enxugar” o texto da petição inicial de tudo o que não é relevante para a compreensão dos fatos e do direito invocado. Uma petição muito longa, cheia de citações doutrinárias e jurisprudenciais, pode parecer uma linda peça processual, mas acaba por se tornar um fardo para ser lida e compreendida por quem precisa julgar. APOSTILA 3 - PRECEDENTES Nesta segunda aula vamos conhecer o Sistema de Precedentes do novo Código de Processo Civil e como ele pode ser utilizado na petição inicial. O Código de Processo Civil de 2015 estabeleceu um sistema de PRECEDENTES que deve ser observado pelo juiz no momento da sentença. Com este sistema, agora temos mais um fator de vinculação do julgador, além da lei. O precedente pode ser invocado por qualquer das partes, conforme redação do parágrafo primeiro do Art. 489, vejam: Art. 489 § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão que: (...) VI – deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. O mesmo Código de Processo Civil também determina que uma decisão judicial não fundamentada podem vir a ser anulada. Isso quer dizer que o precedente pode ser invocado na petição inicial. O que é este sistema? O Art. 927 do Código de Processo indica que os juízes e os tribunais deverão observar as decisões dos Tribunais Superiores no momento de proferir sua decisão nos processos que devem julgar. Há muitos autores que discordam da forma com que o sistema de precedentes foi implantado pelo Código, mas neste momento não vamos discutir sua validade. Resta entender como o precedente pode ser invocado na petição inicial, e isto nós podemos deduzir a partir do Art. 489 que vimos anteriormente. Observamos que o inciso V do § 1º dá uma dica importante: V – se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Este artigo se refere a sentença, mas define que para a consideração do procedente deve haver a IDENTIFICAÇÃO DOS FUNDAMENTOS e a QUE O CASO SE AJUSTA a eles. Certamente, quando uma das partes invoca o procedente, ela deve proceder da mesma forma. Isso quer dizer que se você encontrar um julgado de tribunais que se ajusta ao caso a ser colocado por meio da petição inicial, você deve analisar os fundamentos da decisão. Os fundamentos envolvem explicar o porquê de uma decisão, tanto em relação aos argumentos vitoriosos quanto aos argumentos vencidos. O maior trabalho então do advogado que invoca o precedente é justamente conseguir adequar o seu caso àquele que foi objeto da decisão utilizada como paradigma para a solução do seu caso. E esta adequação deve estar ligada justamente aos fundamentos, os porquês, daquela decisão e não da decisão em si. Ou seja, o advogado deve ler atentamente a fundamentação da decisão a ser utilizada como precedente e confirmar se o seu caso se enquadra naquela fundamentação, não esquecendo de explicar na petição inicial as suas conclusões. Ao fazer estas considerações e não conseguindo a parte contrária comprovar a incompatibilidade entre os casos ou aquele precedente ter sido superado por outras decisões posteriores, haverá uma grande chance de vitória na ação. APOSTILA 4 – REQUISITOS 1ª parte A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil e as consequências do desatendimento destes requisitos. Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. A aula anterior foi bem teórica, não é mesmo? Mas eu procurei ser bem conciso para não cansar. Afinal, esse negócio de precedente é bem sofisticado. Mas agora vamos a uma parte bem prática de nosso curso. Vamos procurar no Código de Processo Civil a receita para se fazer uma petição inicial apta a atingir os seus objetivos. Vamos começar pelo Art. 319 – a petição inicial indicará. E temos os primeiros 7 requisitos que não podem faltar em qualquer petição inicial. Vamos ao primeiro. I - o juízo a que é dirigida; Taí uma modificação sutil entre o antigo Código de 1973 e o atual. No anterior o texto dizia que o primeiro requisito da petição inicial era “o juiz ou tribunal, a que é dirigida;”. E toda petição inicial iniciava-se dirigida ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO ... Na prática, endereçar a petição ao juiz ou ao juízo não trará consequências para o advogado, pois durante muitos anos, antes do novo CPC, as petições eram dirigidas ao juiz e não ao juízo. Mas ... e sempre tem o mas ... se você está fazendo este curso com o objetivo de ir bem numa prova de concurso ou mesmo no Exame de Ordem, é bom que atente aos dizeres legais em vigor e passar a dirigir as petições ao juízo. Assim, podemos iniciar a petição assim: AO EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DE DIREITO DE UMA DAS VARAS CÍVEIS DA COMARCA DE XXXXX, sem o senhor e sem o doutor. Ou ainda, de maneira mais simplificada AO JUÍZO DA ___ VARA CÍVEL DE XXX. Aí vai do estilo que você quer escolher para ser mais curto ou um pouco mais rebuscado. Continuando este item, o JUÍZO se refere à COMPETÊNCIA para apreciar o pedido. Sobre competência, acho que não precisamos falar muito, pois é matéria muito discutida no curso de graduação, sendo facilmente compreendido por todos os estudantes de direito: juiz do trabalho decide causas trabalhistas, juiz criminal decide causas criminais, e juiz cível decide as causas cíveis. Assim, é tranquila a definição da competência em razão da matéria. Mas temos outras competências que não podemos esquecer no momento de elaborar a petição inicial, sendo uma delas a que diz respeito ao valor da causa. Sabemos que ações de valor da causa igual ou inferior ao definido na Lei dos Juizados Especiais (Lei nº 9.099/95) onde o Art. 3º define a competências dos Juizadose a exclusão de competência. Assim, se o caso que se quer ingressar na justiça se enquadrar nas competências dos juizados, é para lá que devem ser dirigidas. Caso não se enquadre nas competências dos juizados, ainda temos de decidir em qual comarca ingressaremos com a ação, ou seja, decidir pela COMPETÊNCIA TERRITORIAL. Esta competência, felizmente Código de Processo Civil nos dá a receita a partir do Art. 46 até o Art. 53. Art. 46 – ações pessoais – domicílio do réu Art. 47 – ações reais – situação da coisa Art. 48 – inventários – domicilio do autor da herança Art. 49 – ausentes – seu último domicílio Art. 50 – incapaz – domicílio de seu representante Art. 51/52 – ações da União, dos Estados ou DF – domicílio do réu Art. 53 – diversos Divórcio – domicílio de filho incapaz, último domicílio do casal, domicílio do réu ou domicílio da vítima de violência doméstica Alimentos – domicílio do alimentado Pessoa Jurídica – sede, sucursal ou local de atividades Reparação de danos ou administração de coisa alheia – local dos fatos Acidentes de veículos e delitos – domicílio do autor ou local dos fatos Acredito que não haverá qualquer dificuldade de definir qual o juízo deverá conhecer o pedido com uma simples leitura destes artigos e identificar o tipo de ação que queremos propor. Mas e se a gente acabar por ingressar com a ação no juízo errado, o que acontece? Só para a gente recordar, existe a incompetência absoluta e a incompetência relativa. A absoluta se refere à matéria (cível, criminal, trabalhista, etc.) ou à pessoa, se houver algum tipo de privilégio de foro, e a relativa, as demais, ou seja, territorial e em razão do valor da causa. Ambas devem ser alegadas em contestação, sendo que a absoluta pode ser decidida pelo juiz sem ouvir a parte contrária, ou seja, DE OFÍCIO. Sendo a incompetência relativa e não for alegada em contestação, há o que o Código chama de PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA, ou seja, o caso seja decidido pelo juízo onde foi proposta a ação. A incompetência relativa poderia ser decidida de ofício pelo juiz? De acordo com a Súmula 33 do Superior Tribunal de Justiça, NÃO. Mas há dúvidas em relação a ingressar com ação na justiça comum, quando se trata de ação a ser apreciada pelo Juizado Especial. Se houver o direcionamento de uma petição inicial ao Juízo comum mas que a ação possa ser conhecida pelo Juizado Especial, o Superior Tribunal de Justiça entende que é caso de opção do autor, não cabendo ao juiz declarar-se incompetente. Porém, se ocorrer o contrário? Muitos autores entendem que a competência prevista para os Juizados Especiais é em razão da matéria e não ao valor da causa, de modo que seria então absoluta e pode assim ser declarada de ofício pelo juiz. Com tudo o que foi dito, claro que não esgotamos o assunto, acredito que já tratamos convenientemente deste primeiro item das exigências de uma petição inicial. APOSTILA 4 – REQUISITOS 2ª parte A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil e as consequências do desatendimento destes requisitos. Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial indicará. Dos 7 requisitos que não podem faltar em qualquer petição inicial, já vimos o primeiro na aula anterior. Então, vamos agora ao segundo. II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; Este é o requisito que depende do conhecimento que temos de ambas as partes. Normalmente, do próprio cliente, não há problemas. Mas, em se tratando da parte contrária, podemos encontrar alguma dificuldade. Como o Código determina as informações cadastrais das partes, vamos ver cada um deles, rapidamente: NOMES E PRENOMES – sempre usar o nome completo das partes, para evitar que possa haver confusão entre quem ingressa e contra quem se ingressa com a ação judicial. ESTADO CIVIL E EXISTÊNCIA DE UNIÃO ESTÁVEL – considerando o tipo de ação judicial, por exemplo, se versar sobre bens, é importante incluir o regime de bens no casamento ou a existência de contrato de união estável, quando for o caso. Estas informações podem ser relevantes para a necessidade ou não de litisconsórcio, ou para apuração de responsabilidades. PROFISSÃO – é sempre uma dúvida no caso de pessoas que não possuem uma profissão definida, como quem não tem trabalho externo a sua própria casa. No passado era comum o uso de DO LAR para as mulheres que não tinham empregos. Há também o caso de pessoas que estão provisoriamente desempregadas, e alguns usam esta situação como profissão, mas é correto colocar a profissão habitual da pessoa, mesmo que ela esteja momentaneamente desempregada. Muitos usam esta informação para reforçar o posterior pedido de justiça gratuita ou para enfatizar a sua situação numa ação de cobrança, por exemplo. Se for este o caso, pode-se usar a profissão habitual acompanhada da expressão DESEMPREGADO, pois assim se está declarando a real e atual situação da parte. NÚMEROS DO CPF OU CNPJ – eu creio que a exigência dos números de cadastros nacionais ocorre porque os números de carteiras de identidade são controlados pelos Estados e não pela União. Por outro lado, considerando que ações judiciais podem trazer direitos e obrigações patrimoniais para as partes, a identificação fiscal serve como controle tributário de valores envolvidos na demanda judicial. Serve também para evitar problemas com nomes iguais, principalmente no momento em que alguém necessita de uma certidão judicial e corre o risco de ter pessoas com nomes idênticos terem ações judiciais contra si e constar na certidão de outros. ENDEREÇO ELETRÔNICO – exigência nova neste Código de 2015, uma vez que o anterior era vigente antes da existência da Internet. Há situações em que a parte pode ser intimada por meio eletrônico, como o caso de cumprimento de sentença, quando não houver procurador constituído – Art. 513. Também a intimação do executado, no caso de adjudicação de coisa – Art. 876 e outros casos também previstos no Código. DOMICÍLIO E RESIDÊNCIA – o Código Civil dedica um capítulo sobre estes conceitos de residência e domicílio, o que são bem conhecidos de qualquer profissional do Direito. A residência é um fato de fixação do domicílio para pessoas naturais, e o domicílio é importante fator de determinação de competência, como falamos em aula anterior. Há a residência escolhida pela pessoa, que, se for HABITUAL E COM ÂNIMO DEFINITIVO, define o seu domicílio e há também o critério de domicílio pela ocupação da pessoa, principalmente nos casos de algumas atividades que exigem a residência no local da prestação de serviços. No caso de pessoa jurídica, não se fala em residência, mas em domicílio fixado por ela própria, em estatutos de constituição, ou domicílio legal, como no caso das pessoas jurídicas de direito público. E quando não temos todos os dados, principalmente da parte contrária? O próprio Código de Processo define como são resolvidos estes casos, nos parágrafos do Art. 319 que são bem esclarecedores: § 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção. § 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta deinformações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. § 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça. Ou seja, se for possível estabelecer a relação processual, a falta de algum dos elementos identificadores do Inciso II poderão ser obtidas posteriormente e não haverá prejuízo nem indeferimento da Petição Inicial. APOSTILA 4 – REQUISITOS 3ª parte A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil e as consequências do desatendimento destes requisitos. Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial indicará. Dos 7 requisitos que não podem faltar em qualquer petição inicial, já vimos o primeiro e o segundo nas aulas anteriores. O terceiro requisito do Art. 319 sempre causa grandes preocupações de quem está redigindo uma petição inicial. Afinal o que são O FATO E OS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO? Primeiro, observamos que a lei se refere a FATO, no singular, e FUNDAMENTOS, no plural. Vamos fazer um esforço para entender as grandes diferenças que existem entre esses dois elementos identificadores de uma demanda judicial. O que é o FATO? É um evento ocorrido no passado e que produziu uma consequência jurídica. Por exemplo: numa ação de alimentos o autor apresenta o FATO de que ele é filho do réu. Isso quer dizer que o FATO ocorrido no passado, a paternidade, produz a consequência jurídica de cuidados e atenção do pai para com o filho. Outro exemplo: numa ação de despejo, o FATO é a existência de uma relação jurídica contratual entre as partes, o que gera direitos e obrigações de ambos, o de conceder a posse direta e o pagamento dos alugueis. Mais um exemplo: no caso de uma ação de reparação de danos, o FATO é a atitude da parte contrária que, contrária ao direito, trouxe como consequência DANOS para a parte que pleiteia sua reparação na justiça. Isto quer dizer que FATO é a relação jurídica existente entre as partes, como no caso de uma relação legal, contratual ou extracontratual, como falei nos exemplos acima. Muitas vezes o FATO é complexo e exige uma narração detalhada de tudo o que ocorreu, como no caso de uma relação jurídica extracontratual; em outras vezes, basta mencionar o fato legal, como no caso da filiação, ou o fato contratual, indicando o contrato existente e os detalhamentos necessários para a compreensão do caso. Mas é certo que por ser um dos elementos identificadores de uma demanda judicial, a descrição do FATO deve ser clara e completa, para que se possa fazer o pedido ou os pedidos de forma adequada. Agora vamos aos FUNDAMENTOS. Na doutrina processualística se usa a expressão CAUSA DE PEDIR para descrever o FATO e os FUNDAMENTOS JURÍDICOS, sendo os FUNDAMENTOS chamados de CAUSA PRÓXIMA e o FATO, CAUSA REMOTA. O que é esse negócio de CAUSA PRÓXIMA e CAUSA REMOTA? Se a gente pensar numa maneira bem simples, usando o exemplo de obrigações, CAUSA REMOTA é a geradora da obrigação. Nos nossos exemplos, a paternidade, o contrato e o dano. CAUSA PRÓXIMA é o não cumprimento da obrigação gerada. Ainda nos nossos exemplos: o pai que não pagou a pensão, a parte que não cumpriu o contrato ou o causador do dano que não indenizou. Não é necessário colocar na petição inicial os FUNDAMENTOS LEGAIS mas somente os FUNDAMENTOS JURÍDICOS. Isso quer dizer que o próprio fato, uma vez narrado, gera uma obrigação da parte contrária e o fundamento jurídico é o não cumprimento desta obrigação. Você pode colocar na petição inicial DE ACORDO COM A LEI ... mas isso não faz com que o juiz seja obrigado a decidir de acordo com AQUELA lei que você mencionou. Ele pode entender que neste caso se aplica OUTRA lei, por exemplo, ou dar uma interpretação diferente da que você usou na petição. Vamos ver se ficou claro ... Quando o Código determina que a petição deve ter o fato e os fundamentos jurídicos do pedido, ele está se referindo a CAUSA DE PEDIR, aquilo que gerou a necessidade do pedido de socorro ao Poder Judiciário. Temos a CAUSA REMOTA que é o FATO, ou seja, o que gerou a obrigação. E temos a CAUSA PRÓXIMA que são os FUNDAMENTOS, ou seja, a obrigação não cumprida. Na redação da petição inicial podemos incluir as duas causas em apenas um item, descrevendo em conjunto a obrigação e o seu não cumprimento, ou podemos separar as duas causas, inicialmente descrevendo o fato e depois, os fundamentos. Isso depende do tipo de ação que estamos a propor. Por exemplo, numa ação de reparação de danos por acidente, fazemos uma descrição detalhada do ocorrido, suas circunstâncias, as atitudes da parte contrária, o valor do prejuízo, etc. E, depois, de modo mais simplificado, apresentamos a causa próxima que foi a recusa da parte contrária em indenizar os prejuízos. Numa ação de alimentos, outro exemplo, não é necessário fazer uma explanação detalhada da condição de pai, bastando declarar e apresentar o documento representativo desta condição. Usaremos mais argumentos no fato de que o pai seria obrigado a cuidar, visitar e pensionar o filho. Já numa ação baseada em contrato, certamente usaremos uma divisão igualitária entre a descrição do contrato e quais seriam as obrigações assumidas e como foi o descumprimento daquelas obrigações. É isso, e espero que eu tenha sido claro na explicação, facilitando o trabalho nas suas próximas petições iniciais. Vamos agora continuar a analisar as exigências do Código de Processo Civil, faltam 4. APOSTILA 4 – REQUISITOS 4ª parte A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil e as consequências do desatendimento destes requisitos. Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial indicará. Ainda faltam 4 requisitos, e vamos agora falar do pedido e suas especificações. Também chama a atenção a leitura do código quando ele se refere ao PEDIDO no singular, dando a impressão que somente se pode fazer um pedido. Mas não é isso, o pedido pode envolver várias situações e assim poderemos entender que o código, ao mencionar AS SUAS ESPECIFICAÇÕES, admite um pedido mais complexo. Vamos entender também que o pedido deve ser uma decorrência lógica da CAUSA DE PEDIR. Ora, se alguém contraiu uma obrigação (CAUSA REMOTA) e não a cumpriu (CAUSA PRÓXIMA) o pedido deve ser o CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO, não é mesmo? E essa lógica deve ser perfeita! Afinal, uma das causas de indeferimento da inicial está no Art. 330 inciso III do § 1º: III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; A doutrina fala também em pedido IMEDIATO e pedido MEDIATO, ou seja, o pedido da tutela judicial e a proteção do bem jurídico com a sentença. Não é muito fácil compreender essa questão de pedido IMEDIATO e MEDIATO, mas só para ter uma noção superficial disso é que o imediato se refere a direito processual, enquanto o MEDIATO se refere a direito material. Acho que é suficiente para não encher muito você com doutrina ... E como deve ser feito o pedido? O código diz que o pedido deve ser CERTO e DETERMINADO, mas o que é isso? Podemos entender que PEDIDO CERTO éaquele que foi efetivamente formulado na petição. Não se pode admitir que haja pedido implícito. Lembra-se que falamos antes que o pedido é a decorrência lógica da CAUSA DE PEDIR? Às vezes a descrição do fato e fundamentos é tão completa que parece que o pedido já está formulado, mas isso a lei não permite. Mesmo parecendo redundante, o pedido deve ser feito de forma expressa. A falta do pedido pode resultar no indeferimento da petição inicial, ou pior, a perda da ação. Por PEDIDO DETERMINADO a doutrina entende que se deve dar um contorno limitador ao pedido. Este não pode ser genérico. Mas o código permite pedidos genéricos em algumas situações previstas no próprio Art. 324, quando não é possível, durante o trâmite da ação, determinar todas as consequências da obrigação não cumprida, por exemplo. A lei também prevê o pedido ALTERNATIVO, o pedido CUMULATIVO e o pedido SUBSIDIÁRIO, em casos específicos definidos nos arts.325, 326 e 327. ALTERNATIVO é o pedido que pode envolver dois tipos de cumprimento OU isto OU aquilo, desde que, é claro, tenham a relação lógica com a causa de pedir. Por exemplo: o pedido de cumprimento de obrigação de fazer ou a indenização quando não é possível fazer. CUMULATIVO é o pedido que abrange pedidos diferentes contra o mesmo réu. Mas vamos lembrar que todos eles têm que ter relação lógica com a CAUSA DE PEDIR e vale para a economia processual. Se temos condições de entrar com duas ou mais ações contra a mesma pessoa, é possível incluir tudo numa única ação e fazer os pedidos cumulativos para todas as obrigações descumpridas. E, por último, temos o pedido SUBSIDIÁRIO que é aquele que é feito, caso o primeiro pedido não possa ser atendido pelo juiz, que poderá conceder o segundo. Neste caso, se o juiz atender o pedido INICIAL já deixou satisfeito o autor da ação, mas, caso não o faça, o pedido SUBSIDIÁRIO poderá também atender os interesses do mesmo autor. Para completar o assunto PEDIDOS, existe a possibilidade de alterar o pedido após o ingresso da petição inicial em juízo. De acordo com a lei, antes da citação, o pedido pode ser alterado sem necessitar autorização do réu ... e até o saneamento do processo, com autorização do réu. Além do pedido, nestas mesmas condições também pode ser alterada a causa de pedir. Isso não acontece por falha da petição inicial ... pode ser também ... mas podem ter ocorridos fatos novos que alterem substancialmente a CAUSA DE PEDIR e, por sua vez, o PEDIDO. Olha só ... nossa petição já está quase pronta ... mas ainda faltam 3 requisitos. Vamos a eles na próxima apresentação. APOSTILA 4 – REQUISITOS 5ª parte A 3ª aula do curso, que será dividida em partes, iniciaremos o estudo e a prática dos requisitos da petição inicial, conforme contido no Art. 319 do Código de Processo Civil e as consequências do desatendimento destes requisitos. Sempre que possível, faremos comparações entre as petições do processo ordinário e de alguns procedimentos especiais no tocante aos requisitos específicos. Continuando pelo Art. 319 – a petição inicial indicará. Quase completando a nossa petição inicial, vamos falar agora do requisito VALOR DA CAUSA. Quando a gente está elaborando uma Petição Inicial, é normal dar maior atenção aos itens anteriores. Tomamos muito cuidado em endereçar a petição ao juízo competente ... procuramos explicar direitinho tudo o que aconteceu e buscamos fazer os pedidos compatíveis com tudo isso. Quando chega o momento de definir o valor da causa, muitas vezes temos dúvidas. Ou porque a ação que pretendemos ingressar não tem um valor definido, como por exemplo um DIVÓRCIO onde não há discussão de bens ou filhos ... ou porque queremos ingressar com uma ação de valor muito alto, como um pedido de indenização por danos morais. Isso porque é sobre o VALOR DA CAUSA que são calculadas as custas do processo e, depois, podem ser calculados os valores de sucumbência, como os honorários, por exemplo. Em alguns casos também o VALOR DA CAUSA pode definir a competência do juízo, como nos casos em que a ação pode ser dirigida aos Juizados Especiais. Bem, mas nós temos de incluir o VALOR DA CAUSA na PETIÇÃO INICIAL, por ser um dos requisitos do Art. 319 e também porque o Código inclui um TÍTULO específico para isso, a partir do Art. 291 que diz: Art. 291. A toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível. Como saber o VALOR DA CAUSA? Uma parte do problema está resolvida pelo próprio Código no Art. 292 que define vários parâmetros para isso. Ali vamos ver como definir o valor da causa em vários tipos de ações judiciais, como cobrança, contrato, alimentos e indenização. No mesmo artigo encontramos os parâmetros para os pedidos cumulativos, alternativos e subsidiários, como falamos na aula anterior. Os parâmetros contidos no Art. 292 devem ser observados no momento de definir o valor da causa, porque se colocamos um valor diferente este pode ser modificado e teremos de refazer – EMENDAR – a petição inicial e complementar as custas. Esta previsão está contida no PARÁGRAFO TERCEIRO do mesmo artigo: § 3º O juiz corrigirá, de ofício e por arbitramento, o valor da causa quando verificar que não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido pelo autor, caso em que se procederá ao recolhimento das custas correspondentes. E a parte contrária poderá também discutir o valor atribuído à causa, fazendo isso na própria contestação, como previsto no Art. 293: Art. 293. O réu poderá impugnar, em preliminar da contestação, o valor atribuído à causa pelo autor, sob pena de preclusão, e o juiz decidirá a respeito, impondo, se for o caso, a complementação das custas. Pode haver problema em colocar um valor da causa fora dos parâmetros do Art. 292? Como já foi dito antes, SIM. Se não forem utilizados os critérios legais de fixação, o juiz poderá corrigir de ofício ou a parte contrária poderá impugnar, e, em qualquer caso, a petição deverá ser emendada e as custas complementadas. Somente nos casos em que não houver uma possibilidade de aferição do conteúdo econômico da ação, como uma ação declaratória, por exemplo, ou quando houver pedido genérico, como os previstos no § 1º do Art. 324, é que se poderá atribuir um valor da causa simbólico. Nos demais casos, deve-se fazer os cálculos, colocar como valor da causa o que efetivamente se pretende ... e pagar as custas correspondentes. Vamos continuar nesta mesma aula para falar do penúltimo requisito da petição inicial, que está no inciso VI do Art. 319: VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados Muitas das provas que demonstram o fato e os fundamentos do pedido são documentais, outras dependem de perícia e outras ainda de testemunhas. Pode ser que no momento da elaboração da petição inicial ainda não temos todo o conjunto probatório definido. Ainda pode acontecer de o réu, na contestação, acabar não contestando todos os argumentos ou mesmo confessando todo ou parte do que foi narrado na inicial, o que deixa de ser uma matéria controversa e não necessita mais ser provada. Por isso, não é incomum que na petição inicial se coloque as provas já existentes (e juntadas com a inicial) e se indique genericamente as demais provas pretendidas, como perícias e testemunhas. Quando o processo chegar na fase de saneamento, onde o juiz determinará as matérias controversas e aquelas que ainda dependam de prova, haverá oportunidade para uma especificação mais detalhada do que se pode apresentar. Por isso, é comum, e plenamente aceito pelos juízes a informação de forma genérica das provas na petição inicial... e até na contestação ... pois haverá oportunidade para especificar no decorrer do processo. E, para terminar as exigências do Art. 319, temos o inciso VII VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. É necessário incluir esta opção e, de preferência, justificar, pois o objetivo do código é que a prestação jurisdicional seja a mais rápida possível e é muito comum que as partes cheguem a um acordo em audiência, sem a necessidade de julgamento, recursos, etc. O próprio código dá uma definição do que seja conciliação e mediação, tudo isso no Art. 165, onde podemos ver: § 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem. § 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. E ainda o código determina que os judiciários estaduais criem centros para isso – os CEJUSC – que são compostos de profissionais treinados para cada uma destas atividades de conciliação e mediação. Por isso, salvo nos casos em que as partes já haviam tentado de tudo e não conseguiram a conciliação, e uma audiência desta somente viria a aumentar o tempo da solução judicial do caso, ou ainda em casos em que a realização da audiência poderia vir a causar prejuízos, por depreciação da coisa em discussão, é sempre aconselhável se mostrar disposto a audiência e já demonstrar isso na petição inicial. Por outro lado, caso não seja aconselhável esta audiência, é bom demonstrar ao juiz as causas que podem ser várias, inclusive uma fase pré- processual que resultou infrutífera, a possibilidade de deterioração do objeto em discussão, ou qualquer outro motivo que possa ser demonstrado. Para terminar, vimos nesta aula – ou nestas últimas aulas – quais são os requisitos da petição inicial, porque existem tais requisitos e a forma de cumpri-los. Só até aqui, tenho certeza que você estará apto a criar uma boa petição inicial e aumentar muito a sua chance de sucesso na ação proposta. Como complemento desta aula fracionada, vou colocar um resumo e elaborar uma petição inicial bem simples para que possamos ver o resultado. APOSTILA 5 – TÉCNICAS DE REDAÇÃO Nesta 4ª aula vamos conhecer algumas técnicas de redação forense mais utilizadas na elaboração da petição inicial. Seja bem vindo a esta quarta aula. Agora nós vamos abordar algumas técnicas de redação que poderão ajudar na elaboração de suas futuras petições iniciais. Mas antes, vale um registro importante. O advogado recebe todas as informações de seu cliente, os fatos, as explicações, os documentos, e se houver algo a acrescentar, é possível ainda falar novamente com o cliente e completar as informações. Por outro lado, o juiz que vai decidir a questão recebe TODAS as informações por escrito ... só em casos específicos as informações chegam a ele por via oral ... e é na peça vestibular, ou a PETIÇÃO INICIAL que tudo lhe é relatado. Pois bem, a PETIÇÃO INICIAL deve ser um relato bem adequado para que o juiz possa conhecer o caso para que ele forme a sua convicção. Por isso é que eu insisto em dizer que por ser um documento de tamanha importância, a PETIÇÃO INICIAL deve ser elaborada com o maior cuidado e, depois de redigida, deve ser lida e relida. A primeira questão que devemos pontuar é a respeito do destinatário da PETIÇÃO. Nós já vimos, nos REQUISITOS da PETIÇÃO INICIAL, que a petição é dirigida ao JUÍZO e será lida por um JUIZ. Pode parecer que estou falando o óbvio ... e estou mesmo ... mas nós não podemos esquecer que um juiz é uma pessoa que fez o curso de direito e estudou para passar num concurso bem concorrido. Isto quer dizer que um juiz CONHEÇE O DIREITO ... ele só não conhece o FATO que você pretende narrar. Por isso, é importante que você se dedique mais a esclarecer o FATO e OS FUNDAMENTOS do que pretende ... deixando para o juiz a tarefa de dar o DIREITO. E para isso, você deve se atentar para uma segunda questão de suma importância: A VERDADE. Quem escreve deve ater-se a fatos ... fantasias, opiniões pessoais ou divagações não devem fazer parte de uma peça processual. É claro que não estou falando de ALTERAR A VERDADE ... se ocorreu um fato ele deve ser descrito conforme aconteceu ... aliás, alterar o fato é motivo de punição da parte e do próprio advogado, segundo a lei processual ... ... mas em algum momento somos tentados a emitir opiniões pessoais a respeito do fato, por exemplo, o que não é aconselhável e nem necessário para a decisão judicial. Superadas essas questões que falei antes, vamos ver algumas técnicas para deixar o seu texto bem legal. A primeira coisa que devemos observar é a CLAREZA. Não posso negar que isso a gente vai adquirindo com a prática ... não existe uma fórmula mágica para que os textos fiquem claros da noite para o dia. Mas, contar um fato, é pontuar os seus detalhes ... colocando o texto em frases curtas ... explicando bem o que se quer dizer. Uma descrição dos fatos com os detalhes separados em parágrafos específicos auxilia a compreensão do leitor e facilita a decisão judicial. Outro ponto que devemos também observar é a COERÊNCIA Por COERÊNCIA podemos entender que as ideias colocadas no texto possuem uma conexão, uma lógica. O próprio Código de Processo Civil define que se não houver lógica entre os fundamentos e o pedido, a petição será inepta, ou seja, não cumprirá a sua função. Um texto coerente é aquele que segue uma mesma linha de raciocínio todo o tempo ... não deve haver contradição ... se afirmamos algo no início, não podemos afirmar algo contrário ao longo do texto. Também por coerência, usamos ligações entre as informações ... ocorreu isso e depois aquilo, por causa disso e por consequência aquilo ... etc ... As conclusões a respeito dos fatos narrados na inicial devem sempre seguir um processo lógico, como o clássico exemplo que estudamos em filosofia: Todo homem é mortal. Pedro é homem. Logo, Pedro é mortal. Como terceiro item importante na redação forense é a CONCISÃO. Um texto conciso é aquele que não se perde em detalhes inúteis ... Nós já tratamos disso neste curso, quando falamos sobre o que é necessário e o que é desnecessário colocar na petição inicial, lembram- se? Se alguma informação já foi colocada no texto, não é necessário repeti-la outras vezes ... se ela foi bem colocada já está lá ... É claro que isso depende um pouco da experiência ... podemos acelerar essa experiência com leitura de boas obras literárias, onde vamos nos acostumando a contar os casos de forma mais rápida e objetiva, sem rodeios. Mas não podemos negar que é muito mais agradável ler um texto objetivo, que vai direto ao ponto sem rodeios, do que um texto que fica passeando sem pressa por detalhes irrelevantes. E não podemos deixar de mencionar o LATINÓRIO ... Pode parecer bonito e erudito colocar expressões em latim na petição inicial ... é claro que alguns casos é inevitável como HABEAS CORPUS, por exemplo ... mas, na maioria das vezes e desnecessário. Mais um ponto que deve ser observado é a CORREÇÃO. Alguns erros de gramática ou ortografia podem revelar o pouco cuidado na redação de um texto ... Essa falta de cuidado compromete a confiançado leitor nas informações deste texto ... E faltando esta confiança ... todo o trabalho fica comprometido. É sabido que a nossa linguagem escrita nos coloca às vezes em situações constrangedoras, afinal tal palavra é com “Cê” ou “Dois esses”??? É comum termos essas dúvidas e nem sempre o corretor do editor de texto nos ajuda. Taí mais uma habilidade que vamos adquirindo com o tempo e com muita leitura. O quinto ponto que devemos observar é PRECISÃO. Um texto preciso é aquele que se atém aos fatos e não se perde em adjetivos e advérbios ... Se um recurso é intempestivo ele é só intempestivo ... ele não é COMPLETAMENTE intempestivo, nem TOTALMENTE intempestivo ... Também não é adequado tirar conclusões de fatos quando essas conclusões não são lógicas ... Ele se machucou no acidente porque estava sem cinto de segurança é uma conclusão lógica .... Mas, ele causou o acidente porque, certamente, deveria estar usando o celular enquanto dirigia, é apenas uma opinião e não melhora a precisão dos fatos narrados. Um último ponto que devemos observar na redação da petição é a SIMPLICIDADE Escrever com simplicidade é o mesmo que escolher as palavras mais fáceis de compreender, tanto para o juiz quanto para qualquer um que tenha acesso ao texto. Usar palavreado rebuscado, latinório, ou qualquer outra forma que torne o texto muito PESADO não é adequado para descrever um fato e dele tirar conclusões. O Demandante adentrou no recinto solene do excelso pretório ... o autor entrou na sala de audiências ... Dessas técnicas de redação que falamos, não podemos esquecer que os nossos textos devem também ser o fruto do nosso CONHECIMENTO, DIGNIDADE e CRIATIVIDADE. Quando escrevemos uma petição inicial, temos de deixar claro para o leitor que nós CONHECEMOS os fatos e estudamos as consequências jurídicas dele. Do contrário, estamos a “chutar”, a “enrolar” e a tentar enganar o leitor ... Quem conhece sobre o que escreve, tem mais facilidade em usar as técnicas de redação mais apropriadas. A DIGNIDADE tem a ver com a elegância na escrita. Uma escrita elegante não fere, não atinge o leitor ou outras pessoas ... não se utiliza de termos chulos ou faz gracejos com as pessoas ... não usa vulgaridades para descrever fatos. E a CRIATIVIDADE? Nada de preguiça ... procure escrever o seu texto da forma mais criativa possível ... Nada de textos pesados, excessos de dados numéricos e estatísticas ... faça textos leves e agradáveis de se ler ... isso só vai ajudar na compreensão do que você pretende com a petição, vai fazer com que o juiz se concentre nos pontos principais e não vai perder tempo lendo textos longos e complexos. Que tal um exercício? Para realizar este exercício, sugiro assistir ao pequeno vídeo que vou passar agora ... ... depois de assistido, pause a aula e descreva o que aconteceu no vídeo, como se este fosse o fato que você quer colocar numa petição inicial. Procure colocar o máximo de detalhes que conseguir. Depois, mostre o que você escreveu para alguém que não tenha assistido o vídeo. Então, mostre para esta pessoa o vídeo e veja se a sua descrição está de acordo com o que aconteceu. Esta é uma forma interessante de avaliar se você consegue traduzir em narrativa os fatos que conhece. Se você for bem sucedido, quer dizer que os seus textos serão bem compreendidos pelo juiz. Caso este primeiro exercício não chegue a bons resultados, pegue outros vídeos e faça o mesmo. Com o tempo, certamente você conseguirá descrever com exatidão os fatos e suas petições vão melhorando a cada dia.