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Atuação e desafios da enfermagem no Piauí A saúde pública no Brasil, desde o período provincial até o republicano, enfrentou uma série de desafios, devido as condições precárias e a ausência de políticas eficazes voltadas para o bem-estar da população. Durante esse período, foram notórios os surtos de doenças como varíola, febre amarela, cólera, entre outras, que afetaram diversas regiões, incluindo a sociedade paulista e, de maneira específica, a população teresinense, entre outras localidades (SILVA,2014). Nessa perspectiva, a deficiência no saneamento básico nas cidades brasileiras levou os gestores públicos a focarem suas ações em reformas urbanas, com o objetivo de melhorar as condições de higiene nos espaços urbanos. Nesse contexto, destaca-se a cidade de Teresina durante o período do Estado Novo, entre 1937 e 1945, quando foram implementadas iniciativas significativas para a modernização e saneamento da cidade (SILVA, 2014). A problemática era agravada pelo fato de que, em Teresina, existia apenas um hospital, a Santa Casa de Misericórdia, que, apesar de suas condições precárias enquanto instituição de saúde, prestava serviços essenciais aos mais necessitados, não só do Piauí, mas também de estados vizinhos, como o Maranhão (SILVA, 2014). Essa realidade decadente começou a ser transformada com a construção do moderno Hospital Getúlio Vargas, na década de 1940, porém a implementação dessa instituição veio apenas reafirmar o poder do Estado Novo, entretanto não demonstrou uma real preocupação com o bem-estar da sociedade teresinense da época. A saúde pública foi organizada em Teresina durante o governo do Estado Novo, no regime autoritário de Getúlio Vargas. O ponto de partida é a criação do Departamento de Saúde Pública (DSP) em 1938, um órgão estadual que centralizaria a gestão da saúde pública (SILVA, 2014). Assim, foi mediante a atuação do DSP no Piauí que a saúde pública começou a se consolidar na sociedade, através de educação sanitária, ou pesquisas com temáticas voltadas a saúde, epidemiologia e profilaxia de doenças, entre outros. Outro movimento importante na institucionalização da saúde pública no Piauí foi à criação do Instituto de Assistência Hospitalar do Estado do Piauí em 1941. Sua principal função era a administração direta do Hospital Getúlio Vargas e de todos os outros hospitais estaduais estabelecidos em outras cidades (SILVA, 2014). A criação da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí (UFPI) na década de 1970 representou um avanço significativo para a área de saúde no Estado. Este marco consolidou a formação de enfermeiros com um currículo estruturado, incorporando uma perspectiva crítica e técnica sobre o cuidado em saúde. O impacto dessa iniciativa foi profundo, uma vez que elevou os padrões de qualificação profissional, contribuindo diretamente para a valorização e fortalecimento da enfermagem no Piauí. Essa mudança não apenas beneficiou os profissionais, mas também a população atendida, ao assegurar cuidados de saúde mais qualificados e humanizados (AGUIAR, 2018). Universidade Federal do Piauí - UFPI/CSHNB Disciplina: História da Enfermagem Docente: Dr. Ana Roberta Vilarouca da Silva Discente: Alícia Kelly de Araújo Silva Antes da instituição do curso de Enfermagem na Universidade Federal do Piauí (UFPI) em 1973, as jovens piauienses que demonstravam vocação para o cuidado e a assistência precisavam buscar formação fora do estado. Essa busca refletia tanto a ausência de oportunidades locais quanto a determinação dessas mulheres em seguir sua paixão pela enfermagem (AGUIAR, 2018). Algumas dessas profissionais foram pioneiras e marcaram história, não apenas no Piauí, mas em diferentes regiões do Brasil. Por meio de sua força de vontade, dedicação e coragem, essas enfermeiras conquistaram reconhecimento e contribuíram significativamente para o avanço da profissão. Um exemplo notável é o da enfermeira Melo, que, ao longo de sua carreira, batalhou pela valorização e inserção da enfermagem como profissão essencial no campo da saúde (AGUIAR, 2018). A atuação da Irmã Abrahide Alvarenga foi um marco na profissionalização da enfermagem no Piauí, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da área. Sua liderança resultou na fundação da Escola de Auxiliar de Enfermagem Maria Antoinette Blanchot, instituição que desempenhou papel crucial na formação de auxiliares de enfermagem no estado. Além disso, a criação da ABEn-PI – Seção Piauí consolidou o movimento de organização e fortalecimento da categoria, sendo um acontecimento histórico para a enfermagem piauiense (MARINELI et al., 2021). É igualmente importante destacar o trabalho e o compromisso das irmãs de caridade e das primeiras enfermeiras que se dedicaram a iniciar o processo de profissionalização da enfermagem no estado. Essas pioneiras enfrentaram desafios para implementar uma visão mais técnica e humanizada do cuidado em saúde, estabelecendo bases sólidas para o reconhecimento da enfermagem como profissão indispensável na assistência à saúde no Piauí (MARINELI et al., 2021). REFERÊNCIAS SILVA, I.M. A institucionalização da saúde pública no Estado do Piauí, 1937- 1945. In: Encontro da Associação Brasileira de História Oral. Teresina, 2014. AGUIAR, T. O. S. O ensino da arte de cuidar: a escola Irmã Maria Antonieta Blanchot e formação de auxiliares e técnicos em enfermagem em Teresina (1958 a 1984), 2018. MARINELI, N. P. et al.“Profissionalização da enfermagem no piauí: abordagem sócio-histórica”. International Journal of Development Research, v. 1,n.3, 2021.