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ERGONOMIA
UNIDADE IV
LEGISLAÇÃO RELACIONADA E 
OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE 
RISCOS ERGONÔMICO
Autoria
Lígia Rocha Cavalcante Feitosa
Atualização
Elisa Maria Amate
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
UNIDADE IV
LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO ............5
CAPÍTULO 1 
NORMA REGULAMENTADORA 17 ............................................................................................................................. 5
CAPÍTULO 2 
INSTRUMENTOS DE ANÁLISE E PREVENÇÃO DE RISCOS ERGONÔMICOS ...................................... 13
PARA (NÃO) FINALIZAR ......................................................................................................................24
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................26
5
UNIDADE IV
LEGISLAÇÃO 
RELACIONADA E 
OUTROS MÉTODOS DE 
ANÁLISE DE RISCOS 
ERGONÔMICO
CAPÍTULO 1 
NORMA REGULAMENTADORA 17
1.1. NR 17: orientação e aplicação
O bem-estar dos trabalhadores, dos usuários e o alcance dos objetivos organizacionais 
inter-relacionam-se favoravelmente quando colocados nas políticas cotidianas das 
organizações e ao se tornarem pertinentes na temática da qualidade de vida no trabalho 
(QVT) e da saúde do trabalhador (Ferreira; Ferreira; Antloga; Bergamaschi, 2009).
As questões ergonômicas constituem-se pela análise do ambiente de trabalho, 
posturas, ritmos de trabalho, layout, conforto térmico, ruído, iluminação, formas de 
trabalho, aspectos envolvendo quantidade de horas trabalhadas, entre muitos outros 
elementos que podem levar ao desconforto ou até mesmo a doenças ocupacionais. 
Dessa forma, caberá ao ergonomista, por meio de suas técnicas, proporcionar ao 
trabalhador a aproximação com o equilíbrio entre si mesmo, o seu contexto de trabalho 
e a infraestrutura na qual ele é realizado, em todas as suas dimensões. São, portanto, 
imprescindíveis para a aplicação da ergonomia nos ambientes de trabalho por conta 
da existência de elevado número de equipamentos e pessoas nesses ambientes, para 
os quais não foram considerados os princípios ergonômicos quando da realização de 
seus projetos de instalação.
1.2. O dispositivo legal da ergonomia
Atualmente, o Brasil dispõe de 37 Normas Regulamentadoras (NRs) que obrigam as 
empresas a cumprirem o disposto nas normas relativas à segurança e à Medicina do 
Trabalho. A NR 17, especificamente, orienta a respeito da adaptação das condições de 
trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, possuindo fundamentos 
jurídicos na legislação brasileira, incluindo a Consolidação das Leis do Trabalho e até 
mesmo a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho n. 346.
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
Trata-se de uma regulamentação resultante da intervenção das entidades sindicais 
sobre o reconhecimento das doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho 
informatizado e de enfrentamentos para melhoria das condições de trabalho de 
bancários, digitadores, entre outros. Por conta do seu processo de elaboração, a NR 
17 foi aplicada especialmente na área de informática, porém, sua redação contém 
parâmetros que devem ser observados e seguidos de forma ampla e abrangente e em 
todos os segmentos laborais.
A redação atual da NR 17, Ergonomia, prescrita pela Portaria Ministério do Trabalho e 
da Previdência Social n. 3.751, de 23 de novembro de 1990, dispõe sobre os seguintes 
subitens, que são imprescindíveis para os trabalhadores que executam suas atividades 
laborais sentados e possam ter à disposição um posto de trabalho adaptado às suas 
capacidades psicofisiológicas, antropométricas e biomecânicas humanas. 
Dentre os vários aspectos investigados pela NR 17, destacam-se os seguintes:
 » postura e movimentos corporais: trabalho sentado, trabalho em pé, movimentação 
de cargas, levantamento de peso;
 » informações captadas pela visão e audição;
 » controle (relação de mostradores e controles); 
 » cargos e tarefas.
O objetivo geral da norma é viabilizar a adaptação das condições de trabalho às 
características psicofisiológicas dos trabalhadores, incluindo os aspectos relacionados 
à organização do trabalho, as condições ambientais dos postos de trabalho, os 
equipamentos utilizados, o mobiliário, o transporte e a descarga de materiais.
Sob essa ótica, Wachowicz (2008) acrescenta que a investigação ergonômica deve buscar 
os seguintes objetivos:
 » Ajustar as exigências do trabalho às possibilidades do homem, a fim de reduzir a 
carga externa.
 » Conceber máquinas, equipamentos e instalações pensando na maior eficácia, 
precisão e segurança.
 » Estudar cuidadosamente a configuração dos postos de trabalho, com o intuito de 
assegurar ao trabalhador uma postura correta.
 » Adaptar o ambiente físico às necessidades físicas do homem.
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LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO | UNIDADE IV
Entende-se que, com a criação da NR 17, Ergonomia, tem-se uma inovação nos marcos 
regulatórios das instituições organizacionais, porque gera parâmetros para um ambiente 
de trabalho mais adequado e, consequentemente, pode auxiliar na prevenção de doenças 
ocupacionais, como lesão por esforços repetitivos (LER) ou distúrbios osteomusculares 
relacionados ao trabalho (DORT).
A NR 17 contém orientações a respeito dos levantamentos ergonômicos das atividades 
de trabalho, inclusive nas operações que exigem posturas rígidas e fixas, introdução 
de novas tecnologias, absenteísmo elevado, rotatividade elevada de pessoal, conflitos 
frequentes, trabalho em turnos, situações essas que estão diretamente ligadas ao tema 
principal desse trabalho, o teleatendimento.
1.2.1. Atualização da NR-17, o que teve de novidade?
No dia 3 de janeiro de 2022, a NR-17 entrou em vigor, conforme o art. 4o da Portaria 
423, de 7 de outubro de 2021. Essa portaria foi publicada no Diário Oficial da União, 
pelo Ministério do Trabalho e Previdência (MTP), aprovando a nova redação. 
É importante compreender a nova redação apenas após a leitura da NR-01, que vem 
como um normativo preliminar com diretrizes às normas subsequentes. 
Dentre as mudanças realizadas na NR-17, pode-se citar as principais abaixo:
1.2.1.1. Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP)
Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) é a principal novidade da nova NR-17 sendo 
obrigatória a todas as organizações com o objetivo de subsidiar a implementação das 
medidas de prevenção e adequações previstas na norma.
Segundo subitem 17.3.1.1, a AEP pode ser realizada através de abordagens qualitativas, 
semiquantitativas, quantitativas ou conjuntamente, conforme os riscos e os requisitos 
legais aplicáveis, visando identificar os perigos e produzir informações para o 
planejamento e a adoção das medidas de prevenção necessárias.
A avaliação preliminar é contemplada nas etapas do processo de identificação de 
perigos e de avaliação dos riscos descritos no item 1.5.4 da NR-1: “Pontos de verificação 
ergonômica: soluções práticas e de fácil aplicação para melhorar a segurança, a saúde 
e as condições de trabalho” é um manual da Fundacentro (2018) que auxiliaria a 
elaboração da AEP. 
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
1.2.1.2. Análise Ergonômica do Trabalho (AET)
A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) passa a ser mandatória quando há necessidade 
de análise aprofundada da situação; quando são observadas insuficiência ou inadequação 
das ações tomadas; quando indicado o acompanhamento de saúde dos trabalhadores, 
expresso no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e da alínea 
“c” do subitem 1.5.5.1.1 da NR-1 e quando há indicação de causa vinculada às condições 
de trabalho na análise de agravos relacionados ao trabalho (acidentes e doenças), 
conforme Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Além disso, a novaredação da NR-17 incluiu as etapas da AET: 
 » análise da demanda e, quando aplicável, reformulação do problema;
 » análise do funcionamento da organização, dos processos, das situações de trabalho 
e da atividade;
 » descrição e justificativa para definição de métodos, técnicas e ferramentas 
adequados para a análise e sua aplicação, não estando adstrita à utilização de 
métodos, técnicas e ferramentas específicos;
 » estabelecimento de diagnóstico;
 » recomendações para as situações de trabalho analisadas; 
 » restituição dos resultados, validação e revisão das intervenções efetuadas, quando 
necessárias, com a participação dos trabalhadores.
A empresa deve registrar e garantir que os trabalhadores sejam ouvidos durante a 
AEP e AET.
1.2.1.3. Microempresas (ME), Empresas de Pequeno Porte (EPP) e o 
Microempreendedor Individual (MEI)
Uma vez enquadradas como graus de risco 1 e 2 e o MEI não há obrigatoriedade de 
elaboração da AET, mas devem atender as disposições previstas na NR-17, devendo 
elaborar a AEP. Existem também exceções para este caso: caso PCMSO indicar o 
acompanhamento de saúde dos trabalhadores e o PGR indicar causa relacionada ao 
ambiente de trabalho gerador de acidentes e doenças, haverá a elaboração também 
da AET. 
1.2.1.4. Interface com o PGR
Com a sua revisão, houve a integração da NR-17 com a NR-1. A partir de sua vigência, 
também em 3 de janeiro de 2022, quanto ao inventário de riscos e planos de ação do 
PGR, respectivamente, os subitens 17.3.5 e 17.3.6 da NR-17 estabelecem que:
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LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO | UNIDADE IV
17.3.5 Devem integrar o inventário de riscos do PGR:
a) os resultados da avaliação ergonômica preliminar; e
b) a revisão, quando for o caso, da identificação dos perigos e da 
avaliação dos riscos, conforme indicado pela AET.
17.3.6 Devem ser previstos planos de ação, nos termos do PGR, para:
a) as medidas de prevenção e adequações decorrentes da avaliação 
ergonômica preliminar, atendido o previsto nesta NR; e
b) as recomendações da AET.
Por fim, cumpre destacar, os aspectos cognitivos que comprometem a saúde do 
trabalhador foram incluídos na organização do trabalho previstos nos itens 17.4.2 e 
17.4.3.; o conceito de posição ideal foi superado e outros quesitos foram mais detalhados, 
como no caso de levantamento, transporte e descarga individual de cargas:
17.4.5 A concepção dos postos de trabalho deve levar em consideração 
os fatores organizacionais e ambientais, a natureza da tarefa e das 
atividades e facilitar a alternância de posturas.
17.5.2 [...] 
a) os locais para pega e depósito das cargas devem ser organizados 
de modo que o trabalhador não efetue flexões, extensões e rotações 
excessivas do tronco e outros posicionamentos e movimentações 
forçadas e nocivas dos segmentos corporais.
17.4.3.3 Deve ser assegurada a saída dos postos de trabalho para 
satisfação das necessidades fisiológicas dos trabalhadores [...] 
independentemente da fruição das pausas.
17.6.2 Sempre que o trabalho puder ser executado alternando a posição 
de pé com a posição sentada, o posto de trabalho deve ser planejado 
ou adaptado para favorecer a alternância das posições.
17.6.6 [...] 
b) sistemas de ajuste e manuseio acessíveis;
17.6.7 Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados em 
pé, devem ser colocados assentos com encosto para descanso em locais 
em que possam ser utilizados pelos trabalhadores durante as pausas. 
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
17.7.3.2 Nas atividades com uso de computador portátil de forma 
não eventual em posto de trabalho, devem ser previstas formas de 
adaptação do teclado, do mouse ou da tela a fim de permitir o ajuste às 
características antropométricas do trabalhador e à natureza das tarefas 
a serem executadas. (Brasil, 2022) 
A rigor, muitos dos quesitos alterados na norma não precisariam ficar explícitos, 
atribuindo à AEP a identificação desses fatores de risco ou, a depender do caso, podendo 
até ser objeto de análise na AET.
Recomendamos que a norma seja consultada, na íntegra, para complementar 
o estudo desta disciplina. Ainda sobre esse assunto, a Associação Brasileira de 
Ergonomia (ABERGO) publica estudos e promove cursos e eventos sobre Ergonomia. 
Como sugestão de pesquisa complementar desta unidade, acesse o site disponível 
em: https://www.abergo.org.br/.
Nesta disciplina, você conheceu parte do conteúdo da Norma Regulamentadora 17 (NR- 
17), que se refere à regulamentação do trabalho informatizado e de enfrentamentos para 
melhoria das condições de trabalho de bancários, digitadores, entre outros, resultante 
da intervenção das entidades sindicais contra as doenças osteomusculares oriundas 
dessas atividades específicas. 
A Portaria MTPS n. 3.751, de 23 de novembro 1990; art. 7o, XXII e XXXIII, da Constituição 
da República Federativa do Brasil de 1988; arts. 72, 198, 199, 253; 390 da Consolidação 
das Leis do Trabalho e Súmula do Tribunal Superior do Trabalho no 346 foram os marcos 
legais que deram respaldo à NR-17.
Cabe ainda falar dos aspectos psicossociais relacionados ao trabalho, cujo 
aprofundamento se faz imprescindível dentro da nova realidade do trabalho no Brasil: 
o aumento de casos de transtornos mentais entre os trabalhadores. A NR 17 menciona 
algo sobre os aspectos psicossociais interferentes no ambiente de trabalho. Assim, 
como forma de preencher essa lacuna, dentro do campo da psicologia organizacional 
e do trabalho, foram criadas várias metodologias de abordagem do sofrimento e prazer 
relacionados ao trabalho, bem como instrumentos valiosos na identificação e diagnóstico 
de riscos à saúde mental, tais como questionário de Lipp, ICT, entre outros.
Sobre aspectos psicossociais faça a leitura complementar do artigo a seguir: 
PEREIRA, A. C. L. et al. Fatores de riscos psicossociais no trabalho: limitações para 
uma abordagem integral da saúde mental relacionada ao trabalho. Rev. Brasileira 
de Saúde Ocupacional – RBSO, 2020. ISSN: 2317-6369. Disponível em: http://
dx.doi.org/10.1590/2317-6369000035118. Acesso em: fev. 2024.
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LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO | UNIDADE IV
1.2.2. O que é ser ergonomista? 
Segundo a ABERGO (2024), os ergonomistas atuam em setores econômicos, indústrias ou 
campos de aplicação específicos, mas a prática e a ciência dessa área não são oriundas 
de um domínio. A Ergonomia é multidisciplinar e centrada no trabalhador. Tem um olhar 
sistêmico e uma abordagem holística de sistemas na aplicação de teorias, princípios 
e dados das diversas áreas do saber que sejam relevantes ao projeto e avaliação de 
trabalhos, tarefas, ambientes, produtos e sistemas. 
A ergonomia leva em consideração os fatores físicos, ambientais, 
cognitivos, organizacionais, sociotécnicos e outros fatores relevantes, 
bem como as complexas interações entre o ser humano e outros 
humanos, o meio ambiente, ferramentas, produtos, equipamentos 
e tecnologia. 
(ABERGO, 2024)
É necessário que a prática de ergonomia tenha uma visão integrada para que seja 
efetiva. Daí, os profissionais especializados em um determinado campo de saber devem 
abordar elementos importantes da Ergonomia – o que pressupõe um vasto campo de 
conhecimento. Contudo, a solução de problemas necessita a abordagem participativa 
de outros especialistas em Ergonomia, em diferentes domínios do saber, assim como 
especialistas com know-how em áreas correlatas (ABERGO, 2024).
Insta destacar que a profissão de ergonomista ainda é pouco conhecida no Brasil, 
pela população em geral. A autora Débora Dengo (2020), afirma em seu site, Soluções 
Ergonômicas, que é comum esse desconhecimento do que faz um ergonomista e 
que muitas pessoas até poderiam estar atuando como tal, mas, por não possuírem 
informações sobre a profissão, acabam tendo pouca adesão (Dengo, 2020). 
Segundo a mesma autora, o ergonomista é aquele profissional responsável pelaadequação do posto de trabalho, tarefas, equipamentos para prevenir acidentes, 
doenças, desconfortos e lesões corriqueiras no desempenho funcional: 
Ele analisa tudo que envolve um determinado trabalho: o colaborador 
e o ambiente em que ele atua, as questões organizacionais, ambientais, 
equipamentos e mobiliários além dos fatores psicossociais e cognitivos. 
A partir daí, ele prepara um estudo profundo de todas as informações 
coletadas e sua relação com os trabalhadores, para chegar ao 
diagnóstico ergonômico que pode indicar se alguns desses itens 
avaliados podem levar a um desconforto no trabalho, uma dor, uma 
queixa ou até mesmo uma doença. 
(Dengo, 2020)
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
O ergonomista se propõe a agir no ambiente de trabalho e até mesmo no equipamento 
que executa a atividade na organização, focando em soluções viáveis para a execução de 
tarefas, sem prejudicar o trabalhador e gerando benefícios à organização (Dengo, 2020).
A sua atuação pode envolver desde o ambiente industrial, até mesmo escritórios, 
hospitais etc. No meio industrial, por exemplo, o ergonomista poderá fazer uma análise 
do manuseio de carga e tudo que envolve o seu transporte: a forma de execução, 
frequência, horários, movimentos envolvidos, cargas transportadas, distâncias e alturas 
percorridas manuseando a carga, entre outras informações. Após essa análise, com a 
identificação do cenário e o diagnóstico, caso encontre riscos, é fundamental trazer 
soluções, seja a modificação do layout até mesmo a mudança dos horários de trabalho, 
a fim de minimizar lesões. Essa seria uma prévia do que é a Análise Ergonômica do 
Trabalho (AET) – mas esse profissional pode atuar de outras formas (Dengo, 2020).
1.3. Certificação de Ergonomista e Código de Ética
Conforme orientações da ABERGO (2024), a única forma de candidatura é pelo Processo 
Regular, divulgado no seu site e apresentado anualmente no Edital do ENERGO – Exame 
Nacional de Ergonomia. Nesse edital, constam as regras vigentes, o cronograma para 
a submissão dos documentos, o local e a data da prova – que acontecem junto ao 
Congresso Brasileiro de Ergonomia, no geral.
Após a aprovação, cabe a todo o associado da ABERGO observar o Código de Ética do 
Ergonomista (Norma ERG BR 1002 – Código de Deontologia do Ergonomista Certificado) 
conforme o artigo 8o do Estatuto da ABERGO.
Para conhecer a respeito do código de ética do ergonomista certificado pela 
Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO), acesse a Norma ERG BR 1002 – 
Código de Deontologia do Ergonomista Certificado, disponível em: https://www.
abergo.org.br/_files/ugd/18ffee_5eb6d7909124416bba8f0626945105ae.pdf.
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CAPÍTULO 2 
INSTRUMENTOS DE ANÁLISE E PREVENÇÃO DE 
RISCOS ERGONÔMICOS 
2.1. Índice de capacidade para o trabalho (ICT)
Diversas pesquisas mostram a necessidade de medidas preventivas para a manutenção 
ou mesmo a promoção da capacidade para o trabalho, em qualidade, impactando na 
redução da incapacidade do indivíduo e nas aposentadorias precoces, com aumento 
da produtividade do indivíduo (Martinez; Latorre; Fischer, 2010).
O nível de escolaridade e a remuneração têm entre si uma associação direta e positiva 
na capacidade para o trabalho. Isso acontece porque o elevado nível de escolaridade 
possibilita acesso aos empregos mais bem remunerados e qualificados. Essas condições 
impactam de maneira favorável no estado de saúde e na manutenção da capacidade 
para o trabalho por mais tempo.
O índice de capacidade para o trabalho (ICT) é um instrumento que avalia a percepção 
do trabalhador em relação ao quão bem está, ou estará, neste momento ou em um 
futuro próximo, e quão bem ele pode executar seu trabalho, em função das exigências, 
de seu estado de saúde e capacidades físicas e mentais (Silva Junior et al., 2016).
Esse instrumento serve para medir a capacidade para o trabalho e foi desenvolvido na 
década de 1980 por uma equipe multiprofissional do Finnish Institute of Occupational 
Health (FIOH, em português, Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional), constituída 
por psicólogos, médicos, bioestatísticos, epidemiologistas e pesquisadores da área de 
Saúde Ocupacional, para acompanhamento de funcionários municipais em processo 
de envelhecimento (Marinho et al., 2011).
O ICT é construído com base em um questionário autoaplicável, composto de dez itens, 
sintetizados em sete dimensões:
1. Capacidade para o trabalho comparada com o melhor de toda vida.
2. Capacidade para o trabalho em relação a exigências físicas.
3. Número de doenças atuais diagnosticadas pelo médico.
4. Perda estimada para o trabalho por causa de doenças.
5. Faltas ao trabalho por doenças nos últimos 12 meses.
6. Prognóstico próprio da capacidade para o trabalho daqui a 2 anos.
7. Recursos mentais.
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
A pontuação do ICT varia de 7 (pior índice) a 49 pontos (melhor índice). Sua aplicação no 
Brasil demanda como escolaridade mínima a quarta série do Ensino Fundamental 1. A versão 
em português e as instruções detalhadas para o cálculo do escore são encontradas em 
“Índice de Capacidade para o Trabalho”, de Kaija Tuomi.
Quadro 8. Estrutura do Índice de Capacidade para o Trabalho.
Item N. de questões Pontuação
Capacidade atual para o 
trabalho comparada com o 
melhor de toda vida.
1 De 0 a 10 pontos.
Capacidade para o trabalho 
em relação às exigências do 
trabalho.
2
De 0 a 10 pontos (considera a natureza do trabalho 
física e ou mental).
Número de doenças atuais 
diagnosticadas por médico.
1 (lista de 51 
doenças)
De 0 a 7 pontos (inversamente proporcional ao número 
de doenças diagnosticadas apenas, sendo nenhuma 
doença de 0, e 5 ou mais doenças, 1 ponto).
Perda estimada para o trabalho 
por causa de doenças.
1 De 1 a 6 pontos
Faltas ao trabalho (dias) por 
doenças nos últimos 12 meses.
1
De 1 a 5 pontos (inversamente proporcional ao valor 
apontado). Para nenhum dia 5 pontos e no mínimo 100 
dias 1 ponto.
Prognóstico próprio da 
capacidade para o trabalho 
daqui a 2 anos.
1
1,4 ou 7 pontos (respectivamente incapaz, incerto e 
capaz).
Capacidade de apreciar a 
vida, de se sentir alerta e da 
esperança no futuro.
3
Cada questão varia de 0 a 4, sendo respectivamente 
nunca e sempre. Os valores das questões são somados 
e a pontuação final varia de 1 a 4 proporcional a soma.
Fonte: adaptação de Tuomi et al., 2010.
Quadro 9. Pontos do ICT e seus objetivos.
Pontos Capacidade para o 
trabalho
Objetivos das 
medidas Ações
7-27 Baixa
Restaurar a capacidade 
para o trabalho.
Agir sobre o ambiente de trabalho e a capacidade de restaurar as 
condições do trabalhador.
28-36 Moderada
Melhorar a capacidade para 
o trabalho.
Incentivar atitudes positivas como a prática de exercícios físicos, dieta, 
sono, repouso e atividades sociais.
37-43 Boa
Apoiar a capacidade para 
o trabalho.
Esclarecer o trabalhador acerca dos fatores ligados ao trabalho e ao 
estilo de vida que auxiliam ou deterioram sua capacidade para o 
trabalho.
44-49 Ótima
Manter a capacidade para 
o trabalho.
Esclarecer o trabalhador acerca dos fatores ligados ao trabalho e ao 
estilo de vida que auxiliam ou deterioram sua capacidade para o 
trabalho.
Fonte: adaptado de Tuomi et al., 2010.
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LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO | UNIDADE IV
A capacidade para o trabalho é uma condição oriunda da junção entre as necessidades 
humanas em relação às demandas biopsicossociais, cultura organizacional e ambiente 
de trabalho, expressando como estará o estado do trabalhador atual e ou a curto prazo, 
na capacidade de poder trabalhar.
Segundo Martinez, Latorre e Fisher (2009), a versão brasileira do Índice de Capacidade 
para o Trabalho apresentou propriedades psicométricas satisfatórias para a validade de 
critério, de construção e de confiabilidade, representando uma opção adequada para 
avaliação da capacidade para o trabalhoem âmbito individual e ou coletivo.
Individualmente, o ICT possibilita a identificação de trabalhadores com capacidade 
funcional comprometida e a adoção de medidas de apoio para a redução de danos ou 
mesmo eliminação. Coletivamente, serve para identificar um perfil geral de capacidade 
para o trabalho e os fatores determinantes que comprometem a capacidade laboral, 
direcionando ações interventivas. Fora que o preenchimento do formulário é rápido e 
simples, de fácil aplicação e de baixo custo.
2.2. Inventário de estresse 
Até o século XVII o termo estresse era utilizado na literatura inglesa 
esporadicamente com o significado de aflição e adversidade. No 
século XVIII foi utilizado pelo fisiologista francês Claude Bernard 
e posteriormente por Walter Cannon referindo-se às reações que 
produziam um colapso nos mecanismos de homeostase orgânica. 
(Maslach; Leiter, 1999)
Na conjuntura atual, falar de trabalho na vida contemporânea está muito relacionado 
ao estresse, mecanismo corpóreo explicitado na unidade I e que pode a vir ser um 
problema de saúde relacionado ao ambiente de trabalho. 
Para mensurar o estresse, a autora e pesquisadora Marilda Lipp e Guevara 
desenvolveram o Inventário de Sintomas de Stress (ISS), baseando-se em um modelo 
trifásico desenvolvido por Selye. O ISSL é um instrumento validado no nosso país e 
amplamente aplicado em trabalhos clínicos e pesquisas na área de estresse, no Brasil 
e no mundo. 
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
Figura 19. Dra. Marilda Emmanoel Novaes Lipp, 2024.
Fonte: Instituto de Psicologia e Controle do Stress (IPCS), 2024.
Esse inventário vem com o intuito de identificar, mensurar o quadro de sinais e sintomas 
preponderantes (física ou psicológica) e indicar a fase em que o indivíduo se encontra, 
dentro daquelas quatro fases clínicas de alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão.
O ISSL contém três quadros que detalham a sintomatologia do último dia, semana e 
do último mês, sendo que cada um desses quadros correlaciona os sintomas físicos e 
psicológicos à sua respectiva fase de estresse. Como o pesquisador sabe que o indivíduo 
está com o agravo e em que status (fase)? É realizado um somatório dos sintomas físicos 
e psicológicos em cada quadro. 
Acesse o INVENTÁRIO DE SINTOMAS DE STRESS DE LIPP (ISSL) disponível 
em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/conexoes/article/
view/8637630/19568.
No quadro 0, fase de alerta, o indivíduo apresenta mais de seis sintomas; na fase 
de resistência ou quase-exaustão. No quadro 2, se a pessoa apresentar mais que 
três sintomas, ela está na resistência enquanto, se marcar mais que nove, estará na 
quase-exaustão. Já o quadro 3, representa a sintomatologia da exaustão, tendo a 
sua constatação feita quando o indivíduo apresenta mais de oito sintomas (Santos 
et al., 2024). 
O inventário de Lipp é bem conhecido, ainda que não seja uma ferramenta 
livremente disponível, mas para mensurar estresse e a capacidade para o trabalho 
tem-se inúmeros questionários, como o Job Content Questionnarie (JCQ), criado 
por Karasek (1998), cujo objetivo é avaliar o conteúdo do trabalho através de 
49 questões, abordando demanda psicológica, suporte social além do controle 
proveniente do ambiente de trabalho, incluindo-se chefia e colegas de trabalho, a 
demanda física e a insegurança no emprego (Karasek, 1998). 
17
LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO | UNIDADE IV
Esse é só mais um exemplo de instrumento dentre tantos disponíveis na literatura 
atual. Além disso, existem outros instrumentos que medem estresse, tal como 
descrito no artigo “Instrumentos de avaliação do estresse na população brasileira: 
uma revisão integrativa”, disponível em: https://www.uclastresslab.org/pubs/Cazassa_
RevistaBrasileira_2023.pdf.
Você pode conhecer melhor a estrutura do Inventário de LIPP, adentrando em 
alguns estudos e os critérios utilizados na pesquisa como esse trabalho científico 
publicado neste outro link: https://pepsic.bvsalud.org/pdf/rbtc/v4n2/v4n2a08.pdf.
Antes de finalizarmos esta unidade, é importante atentarmos que a Ergonomia vai além 
do aspecto físico e de prevenção de dores musculares – ainda que seja essa a definição 
para grande parte da população quando se pergunta: o que é Ergonomia para você? 
Essa ciência extrapola em muito a prevenção de dores e tensões musculares provocadas 
por posturas prolongadas ou mesmo o estresse que o trabalho pode gerar. Ela permeia 
a gestão de competências, estrutura organizacional, governança, gestão de riscos etc. 
Vamos falar um pouco do que representa a Ergonomia na prevenção de dores e até 
mesmo algumas medidas de prevenção para evitá-las, antes de concluirmos esta 
disciplina do curso. 
2.3. A prevenção de tensões musculares
Imagine o seu dia! Excluindo-se as horas de sono, quase todo o restante é dedicado 
ao estudo e ao trabalho.
Agora, pense nas suas preocupações! Em sua maioria, elas vêm desses compromissos 
que assumimos em nossas vidas. Daí vem a necessidade de dar atenção ao ambiente, 
local e até mesmo pessoas com quem convivemos nesses momentos. 
É comum aos indivíduos estarem cercados de inseguranças e incertezas oriundas ou 
relacionadas ao trabalho, deixando o indivíduo apreensivo, o que, comumente, facilita o 
surgimento de sintomas estressantes. Independentemente da ocupação laboral, formal 
ou informal, trabalhador ou estudante, as condições ergonômicas do posto de trabalho 
e ou estudo são fundamentais para a manutenção da saúde. 
Pressões emocionais e operações repetitivas podem levar ao adoecimento, sendo as 
altgerações do sistema musculo esquelético uma das principais causas de redução de 
produtividade e absenteísmo (Iida; Guimarães, 2016). 
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
Pesquisadores constataram que há uma forte relação entre dores físicas e altos índices 
de estresse, aliada às posturas inadequadas, cansaço físico-mental, dentro dos aspectos 
ergonômicos irregulares (Yaribeygi et al., 2017; Xiao et al., 2020). Como preveni-las? 
Vejamos a seguir. 
2.3.1. Fortalecimento muscular 
Quando gerada a tensão muscular, ocorre a contração do músculo, de forma constante, 
mesmo na ausência de estímulos contínuos com potenciais de ação, que levam ao 
surgimento de trigger points miofasciais – pontos dolorosos de hiperirritabilidade tecidual 
que surgem devido ao acúmulo metabólico causado pela tonicidade aumentada dentro 
de um músculo (Miyamoto et al., 1999). 
Segundo pesquisas realizadas no nosso país, as dores causadas pela tensão muscular 
devido ao estresse aparecem em 65% dos brasileiros na lombar e em 41% no restante 
das costas. Constatou-se também que essas dores afetam a capacidade produtiva 
dos brasileiros, limitando o desempenho profissional, dificultando a concentração e 
provocando alterações do humor, desinteresse pelo trabalho, irritação, incapacidade 
física e psicológica, diminuição da produtividade e absenteísmo. 
Essas pesquisas apontam a importância da intervenção em saúde, por meio da análise 
ergonômica, para identificar a origem do estresse e, intervir nas condições de trabalho 
do indivíduo, adaptando o trabalho ao trabalhador, minimizando os impactos à saúde 
do processo de adoecimento previamente instalado: 
Diante dessa definição bastante abrangente do construto de estresse, 
torna-se possível identificar que qualquer medida que avalie a exposição 
biológica ou neural, bem como a percepção do sujeito sobre o contexto 
e/ou as respostas despertadas pelos estímulos estressores, podem ser 
consideradas pertinentes à mensuração do construto. 
(Epel et al., 2018) 
A realização de um programa de fortalecimento muscular gera benefícios significativos, 
como o reforço muscular, para além das questões estéticas e padrões de beleza a ele 
correlacionados. Os músculos fornecem estabilidade para o bom funcionamento das 
articulações, que são as estruturasresponsáveis pelos movimentos durante a vida 
inteira. Caso elas não tenham estabilidade, não havendo a contração muscular efetiva ao 
movimento, não há contração muscular suficiente, aumentando as chances de desgaste 
das estruturas anatômicas. 
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LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO | UNIDADE IV
Figura 20. Exercício muscular na UFCG.
Fonte: Barbosa, 2013
Principalmente após os 30 anos de idade, o processo natural de envelhecimento envolve 
queda progressiva da força muscular, com a diminuição articular progressiva, reduzindo 
a estabilidade ao longo dos anos e, por conseguinte, o desgaste será cada vez maior. 
Isso propicia o aparecimento de diversas patologias, como artroses, tendinites, bursites, 
condropatias patelares, degenerações de discos da coluna vertebral, entre outras. 
Portanto, a fraqueza muscular é um dos fatores principais envolvidos no surgimento 
de dores e patologias articulares. 
Outro aspecto positivo é a melhora da capacidade funcional do indivíduo e a sua 
autonomia nas atividades diárias. Quanto mais força muscular tiver, melhor será a 
capacidade para andar, correr, subir escadas, carregar pesos, praticar esportes e realizar 
atividades recreativas. 
Esse fortalecimento pode ser estimulado por exercícios de alongamento e exercícios 
físicos, como a musculação ou a prática de esportes. A ginástica laboral também é uma 
grande aliada. Ela não substitui as outras atividades de fortalecimento, mencionadas 
anteriormente, ela ajuda na recuperação e ainda prepara o trabalhador para a sua 
jornada, podendo ser realizada antes, durante ou ao final do dia, sendo realizada dentro 
do ambiente de trabalho. 
Além disso, contribui para a prevenção de Distúrbios Músculos Esqueléticos (DME) 
relacionados ao trabalho, tais como as Doenças osteomusculares relacionadas ao 
trabalho (DORT) e outros problemas, promovendo ambientes mais saudáveis e 
melhorando a sensação de disposição e bem-estar no trabalho.
2.3.2. Ginástica laboral (GL) 
Segundo Martinez (2020), a ginástica laboral é uma ferramenta que tem como objetivo 
melhorar a qualidade de vida e as condições de trabalho por meio de um programa de 
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exercícios físicos – alongamento, mobilidade e fortalecimento – adaptados ao trabalho, 
podendo reduzir a fadiga e a satisfação dos beneficiários. 
Estudos científicos têm demonstrado que a prática da ginástica laboral diminui de maneira 
considerável o absenteísmo em diversas instituições, podendo ser realizada de duas a três 
vezes por semana, com duração média de 15 minutos, podendo incluir alongamentos, 
relaxamento e/ou práticas de fortalecimento muscular e atividades de massagem. 
A ginástica laboral é uma atividade física que integra o corpo, a mente e 
o espírito. Pode ser realizada a qualquer momento do dia, objetivando 
dinamizar o ambiente, para evitar a monotonia. As atividades podem 
ser, por exemplo: caminhadas, exercícios respiratórios e metabólicos, 
auto alongamento global, exercícios ativos resistidos, técnicas de 
percepção corporal, técnicas de relaxamento, entre outras. Estas 
atividades podem ser acompanhadas por músicas com ritmo adequado 
para cada atividade. 
(Fernandes, 2019) 
A exemplo da atividade de digitação, muito comum na área administrativa das 
organizações, a manutenção de posições por longos períodos, em especial a posição 
sentada, associada à digitação, predispõem ao surgimento da fadiga dos músculos 
da região cervical, ombros, cotovelos, punhos e mãos, da região baixa da coluna, que 
frequentemente acometem os trabalhadores expostos a esses tipos de riscos ergonômicos. 
A prática da ginástica laboral é uma alternativa viável para a recuperação desses grupos 
musculares, reduzindo a sobrecarga e o acometimento musculoesquelético. 
Figura 21. Ginástica laboral.
Fonte: UFMG, 2016. 
2.3.2.1. Tipos de ginástica laboral 
A ginástica laboral é uma prática que detém mais de um tipo de atividade, cujas 
modalidades mudam de acordo com a percepção de diversos autores. Martinez (2020), 
descreve pelo menos cinco tipos principais em seu artigo: 
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GL preparatória - Condiz com a prática de ginástica antes do turno 
de trabalho do funcionário (início da manhã, tarde ou noite), podendo 
ser utilizada como um “despertar” matinal, principalmente para os 
trabalhadores que manuseiam ferramentas e utensílios que apresentam 
risco de acidentes por erros humanos. 
GL compensatória - Também conhecida como ginástica de pausa ou 
pausa ativa, é a modalidade mais comumente utilizada, sendo aplicada 
durante o expediente ou no horário de pico de fadiga dos indivíduos. 
Assim, é executada após 3 ou 4 horas do início do trabalho, visando 
prevenir a adoção de vícios posturais errôneos nas atividades de vida 
diária e no ambiente de trabalho. Essa modalidade inclui exercícios 
que alongam a musculatura solicitada durante o expediente (agonista) 
e fortalecem a musculatura menos solicitada nos afazeres diários 
(antagonista). 
GL relaxante - É executada no fim da jornada de trabalho e deve ser 
iniciada de 10 a 15 minutos antes do término do expediente. É indicada 
para trabalhadores que atendem o público diretamente, como bancários 
e funcionários do serviço de atendimento ao cliente. Esses trabalhadores 
necessitam de relaxamento devido ao estresse acumulado ao longo 
do dia; podem receber massagens nas regiões dorsal, cervical, lombar, 
ombros e pés ou em outra área dolorosa. 
GL corretiva - O objetivo desse tipo de aula é a correção postural, 
visando restabelecer possíveis desequilíbrios musculares e articulares. 
Engloba exercícios físicos específicos, de modo a alongar a musculatura 
encurtada (frequentemente utilizada na atividade laboral) e fortalecer 
a enfraquecida (menos utilizada). Para tanto, define-se um grupo 
específico de trabalhadores com o mesmo problema (10 a 12 pessoas) 
e, então, é realizada uma sessão comum de GL com foco nos problemas 
do grupo em questão. 
GL de manutenção - A GL de manutenção visa ao equilíbrio 
morfofisiológico dos indivíduos, de modo a prevenir ou evitar doenças 
crônico-degenerativas. Essa modalidade pode ser executada antes da 
jornada de trabalho, durante o intervalo do almoço, após o expediente 
ou em um contraturno do trabalho. O tempo aproximado para a 
execução é de 30 a 60 minutos, podendo ser divido ao longo do dia 
em pequenas sessões de 10, 15 ou 20 minutos de duração. As principais 
atividades exercidas nesse tipo de aula são os exercícios aeróbios, que 
aumentam a capacidade respiratória, e os exercícios localizados, que 
visam ao ganho de massa muscular, fatores que auxiliam e promovem 
o bem-estar do trabalhador no dia a dia. 
(Martinez, 2020, p. 525) 
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UNIDADE IV | LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO
2.3.3. Pausas na jornada de trabalho com planejamento de 
folgas 
Ao longo da jornada de trabalho, é importante estabelecer um bom planejamento de 
pausas e folgas de trabalhadores, organizando-se rodízios dos postos de trabalho, 
quando possível e, assim, evitando a fadiga mental e a sobrecarga muscular. Essas pausas 
vão depender da atividade do trabalhador, do ambiente que ele labora e as posturas 
adotadas ao longo da sua jornada. 
Ressalta-se também que, a depender das condições de trabalho e da atividade executada, 
além das folgas e pausas, a organização fornece equipamentos e ou itens de proteção 
ao trabalhador para evitar ou reduzir o surgimento de doenças relacionadas ao trabalho. 
2.3.4. Readequação ergonômica 
A readequação ergonômica é recomendada após a análise ergonômica do posto 
de trabalho atentando-se à melhoria das condições funcionais e biomecânicas. 
Essa readequação pode ser feita com registro em fotos e filmagens da rotina de 
trabalho, observando-se hábitos e posturas adotadas ao longo da jornada, aspectos 
domobiliário, ambiente físico em geral (Iida; Guimarães, 2016). Podem ser utilizados 
diversos instrumentos e formulários de avaliação; alguns citados nas unidades anteriores 
deste caderno de estudo. Em resumo, ainda abordando as formas de evitar a tensão 
muscular proveniente do estresse, a intervenção ergonômica é capaz de eliminar 
inconformidades e minimizar os fatores de risco que levam ao aparecimento de 
distúrbios musculoesqueléticos (DME). 
Até o século passado, a relação produtividade versus competitividade estava associada 
ao reconhecimento dos trabalhadores no desenvolvimento da organização, dado que 
eles eram os agentes das mudanças organizacionais. Mas, paulatinamente, o corpo de 
trabalhadores foi visto como peça fundamental para o funcionamento da engrenagem, 
sendo alvo de ações de qualificação profissional, de educação, de desenvolvimento 
de competências, de qualidade de vida, entre outras. A temática da qualidade de vida 
no trabalho é marcada pela satisfação da pessoa e a promoção do bem-estar físico e 
mental. (Fidelis et al, 2020). 
Diante de tudo isso, a ergonomia é promotora de prevenção de agravos, combatendo 
e solucionando problemas organizacionais de diversas maneiras, inclusive por meio da 
conscientização e informação. A conscientização na organização perpassa por momentos 
de educação para saúde, que podem incluir a realização de palestras, encontros, oficinas 
(além de outros recursos em comunicação) que abordem temas como: ergonomia, 
estresse, exercícios físicos e relaxamento, postura etc. 
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LEGISLAÇÃO RELACIONADA E OUTROS MÉTODOS DE ANÁLISE DE RISCOS ERGONÔMICO | UNIDADE IV
As informações e a forma como serão passadas ao trabalhador ficam a critério da 
equipe de especialistas, que pode usar meios ilustrativos facilitadores à compreensão 
fácil e rápida, adotando uma linguagem simples, com exemplos da rotina dos 
trabalhadores, dentro e fora da empresa, com o objetivo de estimular a participação e 
gerar engajamento para a mudança de hábitos e uma conscientização mais eficiente. 
Não é apenas a informação em saúde que vai mudar o cenário do ambiente de trabalho, 
tampouco transformar imediatamente a postura do trabalhador frente a uma condição 
insegura de trabalho, mas a educação transforma e é uma forte aliada em quase todas 
as frentes de prevenção em saúde, em quaisquer espaços de convívio humano. 
24
PARA (NÃO) FINALIZAR
A análise da relação homem-trabalho revela, de modo geral, como as contradições 
existentes no contexto de trabalho podem dificultar e/ou provocar no trabalhador o 
enfrentamento das condições adversas, fazendo com que ele desprenda esforço nas 
esferas física, cognitiva e afetiva.
Ao considerar o conjunto de exigências presentes no ambiente laboral, que se 
exemplificam por meio do excesso de ritmo de trabalho, do aumento dos prazos e 
cobranças, do incentivo à polivalência e da individualização da tomada de decisão, 
tem-se mais uma vez a confirmação da premissa, tão criticada pela ergonomia da 
atividade, do trabalhador como a “variável de ajuste” (Ferreira, 2008). Esse contexto 
crítico se tornou um desafio para as organizações repensarem os modelos de gestão 
que questionam o possível diálogo entre bem-estar e produtividade.
Um importante salto foi a atualização das normas, incluindo a Norma Regulamentadora 
17 – ainda que distante das atualizações frequentes das normas internacionais de higiene 
ocupacional – preconizando que as organizações apresentem ações ergonômicas, 
fazendo uso da Análise Preliminar e ou Ergonômica do Trabalho englobando quatro 
frentes principais:
1. levantamento, transporte e descarga individual de materiais;
2. mobiliário do posto de trabalho;
3. condições ambientais de trabalho;
4. organização do trabalho.
Fora todas as considerações tecidas ao longo deste material, reforça-se a necessidade 
de todos compreenderem que a Ergonomia ganhou mais destaque quando passou de 
elemento prescindível para essencial no levantamento detalhado dos fatores de risco 
no ambiente de trabalho, os chamados fatores ergonômicos, considerados não apenas 
na NR 17, mas exigência para o e-Social. Sem falar da discussão em volta dos fatores 
psicossociais do trabalho etc.
Frente aos desafios atuais gerados pela tecnologia, relações humanas moldadas pelas 
redes sociais e outros fatores da modernidade, a Ergonomia tem como ponto crítico 
exceder o cumprimento de obrigações legais e promover espaços de trabalho saudáveis 
e acolhedores aos trabalhadores. Essa realidade punge e demonstra cada vez mais o 
25
PARA (NÃO) FINALIZAR
aumento de adoecimentos e afastamentos por transtornos mentais, gerados muitas vezes 
pela pressão de produtividade, relações sociais fragilizadas e até mesmo o isolamento, 
a depender do modus operandi do trabalho. 
Da complexidade da temática às exigências normativas estabelecidas pelo Estado, 
as empresas deveriam olhar para além da produtividade e compreender que o ser 
humano é a mola propulsora do seu negócio. Sendo que esse Ser é movido por outras 
motivações, fora salário, carreira e empregabilidade: a satisfação, a saúde física e mental, 
a qualidade de vida podem ser fatores determinantes para uma boa produção no 
ambiente de trabalho. 
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	UNIDADE IV
	Legislação relacionada e outros métodos de análise de riscos ergonômico
	Capítulo 1 
	Norma Regulamentadora 17
	Capítulo 2 
	Instrumentos de análise e prevenção de riscos ergonômicos 
	Para (não) Finalizar
	Referências

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