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1 
 
 
A)Quatro a seis 
 
ERGONOMIA 
 2 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho 
de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de 
cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma 
entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de co-
nhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na 
sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos 
científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, 
transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publi-
cações e/ou outras normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, 
de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir 
uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, ex-
celência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar 
o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de quali-
dade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 
 
 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
1. ERGONOMIA: Conceituação, importância e aplicações ................ 4 
1.1 A Ergonomia na história ................................................................. 7 
2. A NORMA REGULAMENTADORA (NR-17) E A ATIVIDADE 
PROFISSIONAL DO ERGONOMISTA ............................................................. 10 
2.1 Laudo Ergonômico .................................................................... 13 
3. ERGONOMIA NAS EMPRESAS .................................................. 15 
3.1 Ergonomia na Construção Civil ................................................. 18 
3.2 Transporte Manual .................................................................... 20 
4. DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO............................. 25 
4.2 Acidente de Trajeto ou de Percurso ............................................ 26 
5. REFERÊNCIAS: ........................................................................... 30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 4 
 
 
 
1. ERGONOMIA: Conceituação, importância e 
aplicações 
 
 
 
Figura: 1 
 
 
A ergonomia é uma disciplina científica focada na interação do ser 
humano com os artefatos sob a perspectiva da ciência, engenharia, design, 
tecnologia e gerenciamento de sistemas compatíveis com o ser humano 
(KARWOWSKY, 2005). 
A Ergonomia, no entanto, é um estudo científico que aborda a interação 
e a adaptação do trabalho ao homem, a fim de garantir o bem estar e melhorar 
o seu desempenho geral. E por isso foi incluída nas regulamentações da prática 
laboral brasileira. 
Tais sistemas incluem uma variedade de produtos, processos e 
ambientes naturais e artificiais. Assim, a ergonomia lida com uma grande 
variedade de interesses e aplicações, incluindo o lazer e o trabalho. Disciplinas 
como as ciências biológicas, a psicologia e as ciências da engenharia 
convergiram para que a ergonomia pudesse conceber produtos e sistemas 
 5 
 
 
dentro da capacidade física e intelectual dos seres humanos, de forma que o 
sistema humano-máquina fosse mais seguro, confiável e eficaz. 
Neste contexto, segundo a Associação Internacional de Ergonomia (IEA, 
2018), a ergonomia (ou fatores humanos) é a disciplina científica dedicada ao 
conhecimento das interações entre o ser humano e outros elementos de um 
sistema, e a profissão que aplica teorias, princípios, dados e métodos para o 
projeto, de modo a otimizar o bem-estar do ser humano e, consequentemente, o 
seu desempenho, aumentando assim naturalmente a produtividade. 
O ergonomista contribui para a projetação e avaliação de tarefas, 
trabalhos, produtos, meio ambiente e sistemas para torná-los compatíveis com 
as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. 
De uma forma geral, a ergonomia promove uma visão holística, uma 
abordagem centrada no ser humano, aplicada a sistemas de trabalho, 
considerando os aspectos físicos, cognitivos, sociais, organizacionais, 
ambientais e outros fatores relevantes (KROEMER & GRANDJEAN, 2005; 
WILSON & CORLETT, 1990; SANDERS & MCCORMICK, 1993; 
CHAPANIS, 1996; SALVENDY, 1997; KARWOWSKY, 2001, 2005; VICENTE, 
2004; STANTON etal., 2004). 
 
A associação internacional de Ergonomia (IEA 2018) define três 
domínios e competências da ergonomia: 
► o físico; 
► o cognitivo e o; 
► organizacional. 
 
Os aspectos físicos estão relacionados com os aspectos que 
caracterizam as atividades físicas do corpo humano, como os aspectos 
antropométricos, biomecânicos, anatômicos e fisiológicos. Assim, os aspectos 
físicos do trabalho estudam a postura no trabalho, manuseio de materiais, 
movimentos repetitivos, distúrbios musculoesqueléticos relacionados com o 
trabalho, bem como aspectos ambientais (ruído, vibração, iluminação, 
temperatura e agentes tóxicos), projetos de posto de trabalho envolvidos com 
saúde, segurança, conforto e eficiência. 
 
 6 
 
 
Os aspectos cognitivos estão focados nos processos mentais, que 
envolvem a percepção, memória, processamento de informação, raciocínio e 
resposta motora que afeta a interação entre os seres humanos e os outros 
elementos do sistema. Como exemplo de estudos neste domínio tem-se: carga 
mental de trabalho, tomada de decisão, desempenho especializado, interação 
humano-computador, estresse e treinamento, conforme estes se relacionam 
com os projetos que envolvem seres humanos e sistemas. 
 
Os aspectos organizacionais (também conhecidos como 
macroergonomia) estão relacionados com a otimização dos sistemas 
sociotécnicos, incluindo a sua estrutura organizacional, políticas e processos. 
Exemplos deste último domínio incluem comunicações, projeto de trabalho, 
organização temporal do trabalho, trabalho em grupo, projeto participativo, novos 
paradigmas do trabalho, cultura organizacional, organizações em rede, 
teletrabalho e gestão da qualidade. 
Com base na informação destes três domínios é possível organizar o 
trabalho de forma favorável ao ser humano e ao sistema produtivo. O objetivo 
da ergonomia é adaptar o trabalho ao ser humano e não o inverso, como ocorre 
erroneamente em muitas situações de trabalho. 
Desta forma, podemos explicitar que a ergonomia contemporânea estuda 
e aplica as informações sobre o comportamento humano, as habilidades, 
limitações e outras características dos seres humanos ao design de ferramentas, 
máquinas, sistemas, tarefas, trabalhos e ambientes para o seu uso de forma 
produtiva, segura, confortável e efetiva (SANDERS & MCCORMICK, 1993; 
HELANDER, 1997). 
Karwowsky (2005) advoga que, na sua origem, a ergonomia estava 
focada na interação humano-máquina; hoje em dia ela pode ser definida, de 
maneira geral, como a interação humano-tecnologia. Neste contexto, o autor 
define tecnologia como um sistema composto por pessoas e organizações, 
processos e equipamentos que irão criar e operar artefatos tecnológicos. 
Assim, a ergonomia estuda a adaptação do trabalho ao ser humano e o 
comportamento humano no trabalho. 
Ela enfoca: 
 7 
 
 
O ser humano: características físicas, fisiológicas, cognitivas, 
psicológicas e sociais; 
A máquina: equipamentos, ferramentas, mobiliário e instalações; 
O ambiente: efeitosda temperatura, ruído, vibração, iluminação e 
aerodispersoides; 
A organização do trabalho: jornada de trabalho, turno, pausa, 
monotonia etc. 
 
Tal enfoque pode ser trabalhado sob contribuições (aplicações) que 
viabilizam as condições de trabalho (IIDA & BUARQUE, 2016), como: 
 
Ergonomia de concepção: quando a aplicação diz respeito ao 
desenvolvimento de produto, máquina, ambiente ou sistema. 
 
Ergonomia de correção: quando a ergonomia é aplicada em situações 
reais condizentes aos problemas relacionados com segurança, excesso de 
fadiga (física e/ou mental), doenças do trabalho ou quantidade e qualidade da 
produção. 
 
Ergonomia de conscientização: busca capacitar os trabalhadores, por 
meio de cursos de treinamento e reciclagens, visando a identificação de 
problemas do cotidiano ou os que necessitam de interferências emergenciais. 
 
Ergonomia de participação: trabalha o envolvimento do trabalhador na 
busca de solução de problemas de forma ativa. 
Com base no exposto, podemos dizer que o risco ergonômico deve ser 
avaliado englobando os aspectos físicos, cognitivos e organizacionais na 
interação do ser humano com tarefas, produtos, ambientes e sistemas. 
 
1.1 A Ergonomia na história 
 
A ergonomia emergiu como uma disciplina científica nos anos 1940, como 
consequência da crescente complexidade dos equipamentos técnicos. 
 8 
 
 
Começou-se a perceber que as vantagens decorrentes do uso dos novos 
equipamentos não estavam se concretizando, visto que as pessoas não 
conseguiam entendê-los e utilizá-los. 
 
 
 
Figura: 2 
O homem vitruviano de Da vinci 
Fonte: Janka Dharmasena/iStock/Thinkstock. 
 
Inicialmente, esses problemas eram mais evidentes no setor militar, em 
que se exigia muito dos operadores, tanto física quanto cognitivamente. 
Conforme os avanços tecnológicos da Segunda Guerra Mundial eram aplicados 
ao cotidiano civil, percebeu-se a dificuldade que as pessoas tinham de lidar com 
os equipamentos, resultando numa performance pobre e aumentando a chance 
de erro humano. Isso levou acadêmicos e psicólogos militares a realizarem 
pesquisas na área e, posteriormente, investigações sobre a interação entre 
pessoas, equipamentos e ambiente. Embora o foco inicial tenha sido ambientes 
de trabalho, a importância da ergonomia foi gradualmente se tornando 
 9 
 
 
reconhecida em outras áreas, como no projeto de produtos para consumidores 
(Ex. carrros e computadores etc.) 
Em 1949, em um encontro de psicólogos e fisiologistas renomados, o 
termo ergonomia foi cunhado. Mais tarde naquele ano, o mesmo grupo de 
cientistas formou a Ergonomics Research Society (ERS), que se tornou a 
primeira sociedade mundial de ergonomia. 
De acordo com Hendrick (1993), a evolução da ergonomia a partir da 
Segunda Guerra Mundial pode ser organizada em quatro fases, segundo a 
tecnologia enfocada. 
Veja mais detalhes no Quadro 1 
 
 
 
1ª fase: Ergonomia de Hardware ou 
Tradicional 
Teve início durante a 2ª Guerra Mundial e 
concentrava-se no estudo das características 
físicas do ser humano ( capacidades e 
limites), primeiramente na área militar e, em 
seguida, na área civil, com ênfase nas 
questões fisiológicas e biomecânicas do 
ambiente de trabalho e na interação dos 
sistemas homem-máquina 
 
 
2ª fase: Ergonomia do Meio Ambiente 
Trata das questões ambientais naturais e 
artificiais (ruído, vibrações, temperatura, 
iluminação, aerodispersoides) que interferem 
no trabalho. Fortaleceu-se em função do 
interesse em compreender melhor a relação 
do ser humano com o meio ambiente, 
atualmente muito em voga em função do 
conceito de sustentabilidade. 
 
 
3ª fase: Ergonomia de Software ou Cognitiva 
Trata do processamento de informações, que 
eclodiu com o advento da informática a partir 
da década de 1980. Essa modalidade é 
focada na interface da interação entre o 
homem e a máquina, que deixa de ser como 
na fase tradicional (antropométrica, 
biomecânica e fisiológica): o operador não 
manuseia mais o produto, mas comanda uma 
máquina que opera sobre o produto. A 
tecnologia da informação passa a ser uma 
extensão do cérebro e as interfaces para a 
operação devem levar em conta fatores 
cognitivos para facilitar o comando 
 
 
 
 
4ª fase: Macroergonomia 
Visão mais ampla da ergonomia, que não 
mais se restringe ao operador e sua interação 
com a máquina, atividade e ambiente, mas 
também en- globa o contexto organizacional, 
psicossocial e político de um sistema. 
Diferencia-se das anteriores por priorizar o 
processo participativo envolvendo 
administração de recursos, trabalho em 
equipe, jornada e projeto de trabalho, 
cooperação e rompimento de paradigmas, o 
que garante intervenções ergonômicas com 
 10 
 
 
melhores resultados, reduzindo o índice de 
erros gerando maior aceitação e colaboração 
por parte dos envolvidos. 
Quadro: 1 
Fonte: Janka Dharmasena/iStock/Thinkstoc 
 
 
 
No Brasil, as pesquisas na área são relativamente recentes. Embora haja 
registros de pesquisas realizadas no século XIX, foi apenas a partir da década 
de 1970 que pesquisadores de várias universidades brasileiras começaram a 
introduzir a ergonomia no escopo de várias áreas do conhecimento, sendo que 
o primeiro trabalho acadêmico data de 1973 – Ergonomia: notas de classe, 
escrito por Itiro Iida e Henry A. J. Wierzbicki. 
Em 1983, surge a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO), uma 
entidade sem fins lucrativos cujo objetivo é o estudo, a prática e a divulgação 
das interações das pessoas com a tecnologia, a organização e o ambiente, 
considerando as suas necessidades, habilidades e limitações. Hoje, nosso país 
conta com inúmeros profissionais diretamente relacionados à saúde dos 
trabalhadores, à organização do trabalho e aos projetos de equipamentos e 
produto. 
 
 
2. A NORMA REGULAMENTADORA (NR-17) E A 
ATIVIDADE PROFISSIONAL DO ERGONOMISTA 
 
As Normas Regulamentadoras ou NRs foram aprovadas pelo Ministério 
do Trabalho em 1978, e tornaram obrigatório que as empresas seguissem 
orientações e procedimentos da Medicina do Trabalho. 
A NR 17, conhecida como “norma da ergonomia” foi aprovada pela 
Portaria MTb n.º 3.214/1978, com redação dada pela Portaria MTPS n.º 3.751, 
somente em 23 de novembro de 1990. 
As NRs, ou “Normas Regulamentadoras” são regras para evitar 
acidentes, doenças e qualquer fator prejudicial à saúde. A NR 17 é uma 
regulamentação específica das condições de trabalho. 
 11 
 
 
Além disso, os dispositivos desta regulamentação abordam 
características de prevenção a doenças na tentativa de garantir qualidade de 
vida no trabalho, saúde, bem estar, e especialmente segurança. Em linhas 
gerais, a maioria das NRs são aplicáveis para toda a atividade laboral. 
A NR 17 trata da ergonomia e dos riscos à saúde de ambientes e locais 
de trabalhos impróprios: 
 
“Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parâmetros que 
permitam a adaptação das condições de trabalho às características 
psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo 
de conforto, segurança e desempenho eficiente”. (17.1) 
 
De acordo com a NR-17, para avaliar a adaptação das condições de 
trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao 
empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, a qual deve abordar, no 
mínimo, as condições de trabalho, conforme estabelecido na Norma 
Regulamentadora. 
A principal novidade da nova NR-17 é a análise Preliminar de Risco – 
APR ou Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), que é obrigatória para todas as 
organizações e tem o objetivo de subsidiar a implementação das medidas de 
prebvençãoe adequações necessárias previstas na NR-17. 
De acordo com o subitem 17.3.1.1 da nova NR-17, a AEP pode ser 
realizada através de abordagens qualitativas, semiquantitativas, quantitativas ou 
conjuntamente, conforme os riscos e os requisitos legais aplicáveis, visando 
identificar os perigos e produzir informações para o planejamento e a adoção 
das medidas de prevenção necessárias. 
A avaliação ergonômica preliminar pode ser contemplada nas etapas do 
processo de identificação de perigos e de avaliação dos riscos descritos no item 
1.5.4 da NR-1, ocorrendo a integração entre a NR-17 e a NR-1. 
AET- Análise Ergonômica do Trabalho 
Com o estabelecimento da AEP, a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) 
passou a ser obrigatória somente nas seguintes situações: 
► Observada a necessidade de uma avaliação mais aprofundada da 
situação; 
► Identificadas inadequações ou insuficiência das ações adotadas; 
 12 
 
 
Sugerida pelo acompanhamento de saúde dos trabalhadores, nos termos 
do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e da alínea 
“c” do subitem 1.5.5.1.1 da NR-1; 
► Indicada causa relacionada às condições de trabalho na análise de 
acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, nos termos do Programa de 
Gerenciamento de Riscos (PGR). 
Outra novidade da NR-17, é a inclusão das etapas da AET. Conforme 
descritas a seguir: 
1. Análise da demanda e, quando aplicável, reformulação do problema; 
2. Análise do funcionamento da organização, dos processos, das 
situações de trabalho e da atividade; 
3. Descrição e justificativa para definição de métodos, técnicas e 
ferramentas adequados para a análise e sua aplicação, não estando 
adstrita à utilização de métodos, técnicas e ferramentas específicos; 
4. Estabelecimento de diagnóstico; 
5. Recomendações para as situações de trabalho analisadas; e 
6. Restituição dos resultados, validação e revisão das intervenções 
efetuadas, quando necessária, com a participação dos trabalhadores. 
 
Contudo, a NR 17 existe para implementar regras que possam garantir a 
saúde do colaborador, a redução das doenças de trabalho, e a qualidade de vida 
e de desempenho do colaborador. 
Para as empresas, a NR 17 é uma norma regulamentadora que visa 
orientar os procedimentos obrigatórios para preservar a saúde e segurança de 
seus colaboradores. 
Em geral, as Normas Regulamentadoras exigem uma análise dos ricos e 
das possibilidades para prevenção de moléstias aos colaboradores. Porém, é 
necessário que as organizações investiguem as condições de trabalho e se 
adequem às normas estabelecidas. 
Um dos fatores mais importantes se trata da fiscalização. Ela ocorre com 
maior frequência em empresas que possuem risco maior à saúde, segurança e 
vida, porém, está presente também em escritórios e centros de telemarketing. 
 
 
 13 
 
 
 
2.1 Laudo Ergonômico 
 
O laudo ou análise ergonômica identifica os riscos ergonômicos, bem 
como recomenda as intervenções e ou adaptações necessárias, seja no 
ambiente de trabalho, mobiliário, máquinas, equipamentos e ferramentas, ou nos 
processos de trabalho, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança 
e desempenho eficiente, além de preservar a saúde do trabalhador, em especial, 
o acometimento das LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios 
Ósteosmusculares Relacionados ao Trabalho). 
De maneira bastante resumida, o laudo ergonômico é um documento 
solicitado em causas trabalhistas. 
Quando se deseja identificar as condições de trabalho oferecidas por uma 
empresa aos seus funcionários, o Juiz solicita a declaração, que visa comprovar 
que o local é seguro e não apresenta riscos à saúde do colaborador. 
É por meio deste documento, inclusive, que o INSS (Instituto Nacional do 
Seguro Social) é capaz de conceder os benefícios necessários aos 
trabalhadores afastados de suas funções devido à Lesão por Esforço Repetitivo 
(LER) ou Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT). 
Os riscos dos ambientes de trabalho são avaliados de forma qualitativa, 
procedendo-se em seguida, o enquadramento de acordo com os dispositivos 
legais. O laudo ergonômico deve ser realizado por equipe de especialistas em 
estudos ergonômicos e riscos ambientais à saúde, produzindo material descrito 
das operações, dos ambientes, dos equipamentos utilizados, que permitirá 
elaborar considerações e recomendações a respeito dos métodos e da 
organização do trabalho com relação às atividades inerentes à administração. O 
responsável pelo laudo é a pessoa que tem a habilitação para a função, ou seja, 
o engenheiro de segurança do trabalho, o profissional “legalmente habilitado” na 
área de segurança do trabalho e devidamente credenciado junto ao CREA 
(Conselho Regional de Engenharia). 
O laudo ergonômico tem o objetivo de estabelecer parâmetros para 
melhorar a empresa ou adaptações das condições de trabalho. 
 
 14 
 
 
É por meio deste documento que se torna possível, por exemplo, traçar 
estratégias e implementar mudanças que consigam reduzir as chances de 
acidentes e doenças ocupacionais. 
Isso acontece, porque o laudo ergonômico traz o real cenário da empresa, 
identificando quais são os pontos que devem ser tratados e como devem ser as 
intervenções para que surtam os efeitos esperados. 
Em geral, essas adaptações são feitas nas máquinas, equipamentos, 
ferramentas e mobiliários usados no ambiente de trabalho e que devem se 
adequar às características psicofisiológicas dos trabalhadores. 
O laudo ergonômico deverá ser realizado sempre que necessário, 
observando o seu desenvolvimento e realização dos ajustes necessários e 
estabelecimento de novas metas e prioridades. Deve, ainda, ser refeito se 
houver modificações no posto, no trabalho ou no usuário. Ele, por fim, deve ser 
guardado por um período mínimo de vinte (vinte) anos. 
A Norma Regulamentadora – NR-17 – Ergonomia (Lei no 6514/77 – 
Portaria no 3751/90) estabelece a obrigatoriedade da elaboração e 
implementação, por parte de todas as empresas que admitam empregados que 
estejam expostos a riscos ergonômicos. 
O laudo ergonômico de uma estação de trabalho deve ser direcionado à 
análise global do posto de trabalho, sempre levando em consideração o 
psicobiofísico do seu operador. Ele deve ser elaborado por posto de trabalho 
individual, levando em consideração a empresa como um todo. Nada deve ser 
analisado de forma segmentada. 
Conforme a NR 17, o objetivo do laudo ergonômico é estabelecer 
parâmetros para a adaptação das condições de trabalho as características 
psicofisiológicas dos trabalhadores. 
Existem três tipos de laudos ergonômicos: 
 
a) Laudo ergonômico do objeto; 
b) Laudo ergonômico do posto de trabalho; 
c) Laudo ergonômico funcional. 
 
 15 
 
 
O laudo ergonômico denominado “consciente” deve ser realizado com 
estudos visando os três tipos de laudos mencionados anteriormente, para que 
se tenha uma real avaliação ergonômica do posto de trabalho. 
O desenvolvimento de um laudo ergonômico consta de: 
a) Estudo detalhado dos processos utilizados no desenvolvimento 
das atividades; 
b) Avaliações qualitativa e quantitativa dos riscos ergonômicos; 
c) Avaliação do mobiliário e equipamentos frente às atividades (hora 
x homem x trabalho); 
d) Aferição e análise das condições ambientais dos locais de trabalho; 
e) Aferição e análise do psicobiofísico do operador; 
f) Recomendações técnicas para melhoria das condições de 
Implantação de medidas de controle; 
g) Treinamentos e cursos sobre ergonomia. 
 
 
3. ERGONOMIA NAS EMPRESAS 
 
 
 Ergonomia promove uma abordagem holísticana qual são levados em 
conta fatores os físicos, cognitivos, sociais, organizacionais, ambientais, entre 
outros fatores relevantes. 
Os ergonomistas trabalham ainda em setores particulares da economia 
ou em domínios de aplicação, aqui entendidos não como exclusivos e, sim, em 
constante desenvolvimento. Esses domínios de especialização dentro da 
disciplina da Ergonomia são tão amplos, como os listados a seguir: 
a) Ergonomia física: se refere às características humanas anatômicas, 
antropométricas, fisiológicas e biomecânicas, e como estas se 
relacionam com a atividade física. Tópicos importantes incluem 
posturas de trabalho, levantamento de material, movimentos 
repetitivos, distúrbios muscoesqueléticos relacionados ao trabalho, 
layout do local de trabalho, segurança e saúde. 
 
 16 
 
 
A Figura 3 , apresenta (a) postura errada (b) postura correta de sentar-se 
à mesa de um escritório para utilizar computador de mesa. 
É possível perceber na figura (a) que a coluna esta curvada para a frente. 
 
 
 
Figura: 3 
(a) Postura errada 
 
 
 
(b) Postura correta 
 
 
 
b) ergonomia cognitiva: se relaciona com processos mentais, como 
percepção, memória, raciocínio e respostas motoras. Estuda, 
também, como esses processos afetam as interações entre pessoas 
e outros elementos do sistema. Entre os tópicos relevantes destacam-
se: carga de trabalho mental, tomada de decisão, performance 
especializada, interação humano-computador, confiabilidade humana, 
estresse e treinamento de trabalho da maneira que possam se 
relacionar com o projeto humano-sistema. 
 17 
 
 
 
A Figura 4 , apresenta uma funcionária apresentando dor no ombro, e o 
modelo, apresentando distâncias adequadas para a utilização de um notebook 
sobre uma mesa. 
 
 
Figura: 4 
Distancias adequadas 
 
 
c) Ergonomia organizacional: se relaciona com a otimização de sistemas 
sociotécnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e 
processos. São tópicos relevantes: comunicação, gerenciamento de 
recursos humanos, projeto do trabalho, projeto de turnos de trabalho, 
equipe de trabalho, projeto participativo, trabalho cooperativo, novos 
paradigmas do trabalho, organizações virtuais, teletrabalho e gerência 
de qualidade. 
 
A questão ergonômica passou a ser uma preocupação constante das 
empresas a partir do momento em que foi identificada como uma das maiores 
causas de absenteísmo. As consequências desses afastamentos, além da 
geração de custos diretos e indiretos elevados, têm contribuído para a queda da 
qualidade de vida dos trabalhadores lesionados, já que são bem conhecidos os 
efeitos psicológicos e sociais dos acometidos por doenças causadas pela 
inadequabilidade dos postos de trabalho e dos processos produtivos, que 
impõem ritmos repetitivos, emprego de força, posições antiergonômicas, entre 
outros múltiplos fatores de riscos potenciais. 
 18 
 
 
 
3.1 Ergonomia na Construção Civil 
 
Atitudes ergonômicas são muito necessárias também na indústria da 
construção civil. Levantamento manual de carga, transporte, e movimentação 
podem ser feitos com segurança, minimizando, assim, o desgaste nos discos 
vertebrais. 
O treinamento dos funcionários pode ser uma forma de conscientização 
poderosa. Afinal, em se tratando principalmente das posições corretas, a decisão 
entre fazer o certo ou o errado acaba ficando a cargo do próprio funcionário. Sem 
uma conscientização adequada não há nem a possibilidade de um comporta- 
mento adequado. 
Os riscos ergonômicos da construção civil são esforço físico intenso, 
levantamento e transporte manual de pesos, trabalho em turnos diurno e noturno 
e situações causadoras de stress físico e/ou psíquico. 
 
As principais doenças do trabalho são: 
► LER (lesão por esforço repetitivo); 
► Lombalgia; 
 ► Fadiga; 
► Sono; 
► irritabilidade e; 
► acidentes. 
 
A Figura 5 , apresenta (a) trabalhadores instalando uma placa de forro e 
a figura (b) o trabalhador revestindo a parede com argamassa. 
 19 
 
 
 
Figura: 5 
Instalação de placa de forro 
 
 
 
 
 
Figura: 6 
Trabalhador revestindo a parede com argamassa 
 
 
 
 
 20 
 
 
3.2 Transporte Manual 
 
O transporte manual de objetos é sem dúvida uma das situações de 
trabalho que mais causam acidentes. Muitos são os motivos, entre eles postura 
incorreta, excesso de carga e formato da embalagem de difícil fixação das mãos. 
Estas lesões, em sua maioria, afetam a coluna vertebral, e também podem 
causar outros problemas, como a hérnia escrotal. 
A movimentação manual de cargas é cara, ineficaz (o rendimento útil para 
operações de levantamento é da ordem de 8 a 10%), penosa (provoca fadiga 
intensa) e causa inúmeros acidentes. Portanto, sempre que possível, deve ser 
evitada ou minimizada. 
 
A Figura 7 (a) mostra a técnica correta para o levantamento de cargas 
(caixa, barra, saco, etc.). 
O joelho deve ficar adiantado em ângulo de noventa graus, braços 
esticados entre as pernas, dorso plano, queixo não dirigido para baixo, pernas 
distanciadas entre si lateralmente, carga próxima ao eixo vertical do corpo, 
tronco em mínima flexão. 
 
 
Figura: 7 
(a) Postura correta para carregar telhas que estão no chão. 
 
 21 
 
 
 
(b) Postura errada para levantar do chão uma caixa de ferramentas pesada. 
 
 
O uso de equipamentos mecanizados representa um custo de 
investimento, razão porque devem ser adquiridos e empregados apenas, quando 
forem constatemente utilizados. 
A Figura 8, apresenta uma esteira rolante ou transportador de correia, 
muito usado no manuseio de sacas e outros materiais (brita e areia). 
 
 22 
 
 
 
Figura: 8 
Transportador de correia 
 
 
 
O transporte vertical por cabos ou correntes utilizando-se de um guincho 
(içamento) é necessário quando a carga é muito pesada e o acesso ao local de 
seu uso é limitado. 
Algumas considerações podem ser apresentadas sobre os cuidados 
advindos de manuais de ergonomia: 
 
I- Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o 
peso da carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, 
compreendendo o levantamento e a deposição da carga; 
II- Transporte manual regular de cargas designa toda a atividade 
realizada de maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma 
descontínua, o transporte manual de cargas. Não deverá ser 
exigido e nem admitido o transporte manual de cargas cujo peso 
possa comprometer a saúde ou a segurança do trabalhador. 
III- Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de 
cargas, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias 
 23 
 
 
quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar com vistas a 
salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes. 
Figura 9 (a), apresenta um funcionário transportando a mercadoria 
de maneira errada e a (b) de maneira correta ao transportar. 
 
Figura: 9 
(a) Carregamento errado 
 
 
 
 
(b)Carregamento correto 
 
 24 
 
 
 
 
IV- Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o 
transporte manual de cargas, o peso máximo destas cargas deverá 
ser nitidamente inferior aquele admitido para os homens, para não 
comprometer sua saúde ou sua segurança. 
V- Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas, 
deverão ser usadosmeios técnicos apropriados. O trabalho de 
levantamento de material feito com equipamento mecânico de 
ação manual deverá ser executado de forma que o esforço físico 
realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de 
força e não comprometa sua saúde ou sua segurança. 
 
A figura 10: apresenta (a) um funcionário utilizando uma 
empilhadeira manual para transportar cargas 
 
 
 
 25 
 
 
 
(b) um carrinho para transporte de pneus. 
 
 
4. DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO 
 
 
As doenças ocupacionais ou profissionais, os acidentes e as doenças do 
trabalho constituem as principais causas de afastamento temporário do trabalho. 
Por desconhecimento, muitos empregam os termos doenças ocupacionais e 
doenças do trabalho como sinônimos. No entanto, tratam-se de conceitos 
diferentes. 
Diretamente voltada ao ambiente laboral, a doença do trabalho é 
adquirida em decorrência do ambiente em que as atividades laborais são 
efetuadas, como níveis de ruído, condições de temperatura e de ventilação. Já 
as doenças ocupacionais ou profissionais são desencadeadas pelo exercício da 
função do trabalhador. Ambas as formas de doença decorrentes do trabalho são 
consideradas acidente de trabalho e têm o respaldo da Lei 8.213, de 24 de julho 
de 1991 (BRASIL, 1991): 
Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo 
anterior, as seguintes entidades mórbidas: 
 
 26 
 
 
I- Doença profissional, assim entendida a produzida ou 
desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada 
atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo 
Ministério do Trabalho e da Previdência social; 
II- Doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou 
desencadeada em função de condições especiais em que o 
trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante 
da relação mencionada no inciso I. 
 
 
Doenças ocupacionais são moléstias de evolução lenta e progressiva, 
originárias de causa igualmente gradativa e durável, vinculadas às condições de 
trabalho (COSTA, 2009). 
Adriano (2013) classifica como modalidades de doenças ocupacionais: 
 Doença do trabalho: enfermidade adquirida ou desencadeada em 
decorrência das condições de realização das tarefas. 
 Doença profissional: enfermidade ocasionada pelas peculiaridades de 
certa função, tendo como causadores agentes físicos, químicos e biológicos. 
 Acidente de trabalho: lesão corporal ou perturbação funcional que pode 
resultar em morte ou redução da capacidade temporária e permanente de 
trabalho. Pode acontecer no exercício da função a serviço da empresa. 
 
 
4.2 Acidente de Trajeto ou de Percurso 
 
O acidente de trajeto ocorre quando um funcionário da empresa sofre um 
acidente no percurso da residência para o local de trabalho, ou do local de 
trabalho para a residência. Esta situação é considerada um imprevisto durante o 
caminho de ida ou volta do trabalho. 
O acidente de trajeto inclui qualquer meio de locomoção utilizado pelo 
funcionário: seja transporte público, carro próprio ou da empresa, ou mesmo 
carro compartilhado. Todas as maneiras usadas pelos trabalhadores para se 
transportar no trajeto de ida e volta do trabalho são válidos. 
 27 
 
 
Portanto, se o trabalhador torcer o pé ou bater o carro no caminho de ida 
ou volta do trabalho, pode ser considerado um acidente de trajeto de acordo com 
a Lei 8.213/91. 
A Lei 8.213/91 que trata sobre os benefícios da previdência social, dispõe 
em seu artigo 19 que: 
“Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço 
da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII 
do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que 
cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade 
para o trabalho”. 
Uma vez que não é possível listar todas as hipóteses para essas doenças, 
o § 2º do mencionado artigo da Lei nº 8.213/91 estabelece que: 
“Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na 
relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais 
em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência 
Social deve considerá-la acidente do trabalho”. 
Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos desta 
Lei: 
I – o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa 
única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou 
perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção 
médica para a sua recuperação; 
 
[ ...] 
 
IV – o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de 
trabalho: 
 
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade 
da empresa; 
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar 
prejuízo ou proporcionar proveito; 
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando 
financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão de 
 28 
 
 
obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de 
propriedade do segurado; 
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para 
aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade 
do segurado. 
 
§ 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da 
satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante 
este, o empregado é considerado no exercício do trabalho. 
Ao contrapor a doença ocupacional e a doença do trabalho, Costa (2009) 
cita que, ao passo que nas doenças profissionais o trabalhador não tem a 
obrigatoriedade do ônus probatório, nas enfermidades do trabalho há a 
obrigatoriedade desse ônus. Apesar de haver a hipótese de que o funcionário 
tenha iniciado suas atividades em determinada função com a saúde perfeita, ou 
que apresentava uma doença que não o impossibilitasse de atuar, ele deve 
comprovar que a patologia ou perturbação funcional surgiu ou foi agravada pelo 
ambiente de trabalho. Nesse caso, o trabalhador deverá confirmar a 
impossibilidade de continuar executando suas atividades. 
Segundo o Portal Repórter Brasil (2007), as doenças ocupacionais têm 
relação direta com a atividade efetuada pelo profissional ou às condições de 
trabalho vivenciadas por ele. As lesões por esforços repetitivos, ou distúrbios 
osteomusculares relacionados ao trabalho (LER/DORT), são mais corriqueiras. 
Tais lesões englobam aproximadamente 30 doenças, como as tendinites (ou 
inflamações nos tendões) e as tenossinovites (ou inflamações da membrana que 
recobre os tendões). As LER/DORT atuam modificando as composições 
osteomusculares, como tendões, articulações, músculos e nervos. 
Segundo Adriano (2013), as doenças ocupacionais ocorrem pela 
alteração na saúde física e/ou mental do trabalhador, originada pela exposição 
demasiada a agentes químicos, físicos, biológicos e radiativos, prejudiciais à 
saúde humana. Outras causas têm relação com uma situação extrema à da 
permitida pela lei, quando não são utilizados equipamentos de proteção e 
segurança compatíveis ao risco. Geralmente a manifestação das doenças 
ocupacionais demora a ocorrer, podendo surgir em forma de tumores ou lesões 
em órgãos humanos. 
 29 
 
 
Outros problemas desencadeados pelo estresse e pela pressão diária no 
trabalho são o alcoolismo, o consumo de drogas, a síndrome do pânico, a 
claustrofobia e o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). A qualidadede vida 
no trabalho (QVT) busca justamente oferecer melhores condições aos 
trabalhadores para suportarem essas tensões, sejam de ordem física ou 
emocional. Na impossibilidade de resolução dos problemas, a prática de novas 
concepções de trabalho procura amenizá-los. 
Entre as principais classes de trabalhadores que sofrem com problemas 
de saúde que podem estar relacionados ao trabalho, destacam-se: 
 
1. Condutores de veículos, como táxi e ônibus, e profissionais que 
atuam no transporte de cargas exercendo funções de carregamento e 
descarregamento. Esses profissionais estão submetidos a constantes tensões 
envolvendo o sistema musculo esquelético. Além disso, podem ter problemas 
relacionados à má postura, uma vez que permanecem muito tempo em uma 
mesma posição. 
2. Digitadores, caixas de supermercado e cabeleireiros. Esses 
profissionais estão sujeitos a desenvolver LER e DORT, uma vez que forçam 
músculos e ligamentos ao realizar as mesmas atividades diariamente, horas a 
fio. 
3. Balconistas de farmácia, seguranças e professores são 
profissionais que têm maior propensão a desenvolver problemas circulatórios, 
como varizes, varicoses e trombose venosa (formação de trombos ou coágulos 
nas veias), uma vez que permanecem muito tempo na posição estática em pé. 
4. Mulheres que atuam como médicas, jornalistas e policiais militares, 
segundo pesquisas, estão na relação das profissionais que mais desenvolvem 
endometriose. Uma das razões para isso é que essas profissionais se submetem 
a constantes pressões e a altos níveis de estresse. 
 
 
 
 
 
 30 
 
 
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