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A ERGONOMIA E OS RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS 
EMANUEL OLIVEIRA
RESUMO 
A ergonomia consiste em uma ciência relativamente nova, que busca colaborar com a adaptação do homem com os meios de produção, buscar a produtividade e visando proporcionar o conforto e a segurança nas atividades desempenhadas pelo colaborador. Emergiu com o surgimento de patologias osteomusculares ligadas ao trabalho e lesões devido aos esforços repetitivos. Em face do exposto, este artigo tem como objetivo geral: descrever qual relevância da ergonomia. E como objetivos específicos: Avaliar os impactos da ergonomia no posto de trabalho; relacionar a ergonomia no processo de transformação nos processos produtivos, mostrar qual a relação da ergonomia com o ambiente de trabalho e construção do conhecimento. Os dados foram coletados no site da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando-se as bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System On-line (MEDLINE) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além da Scientific Electronic Library Online (SciELO ). Foram encontrados 250 artigos nas bases de dados consultadas que tratavam acerca da ergonomia e qualidade de vida no trabalho, segundo os critérios de inclusão.O estudo mostrou que é necessário o emprego da ergonomia dentro das organizações, com vistas a assegurar a integridade dos trabalhadores como forma de protegê-los de doenças ocupacionais ou danos maiores, além disso, a organização também se beneficia, já a aplicação da ergonomia elimina movimentos desnecessários, resulta em ganho de tempo,elimina desperdícios e eleva a produtividade. 
Palavras -chaves: Ergonomia; qualidade de vida, recursos fisioterapêuticos
ABSTRACT
Ergonomics consists of a relatively new science, which seeks to collaborate with man's adaptation to the means of production, seeking productivity and aiming to provide comfort and safety in the activities performed by the employee. It emerged with the emergence of musculoskeletal pathologies linked to work and injuries due to repetitive efforts. In view of the above, this article has the general objective: to describe the relevance of ergonomics. And as specific objectives: Evaluate the impacts of ergonomics in the workplace; relate ergonomics to the transformation process in production processes, show the relationship between ergonomics and the work environment and the construction of knowledge. Data were collected on the Virtual Health Library (VHL) website, using the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) and Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS) databases. in addition to the Scientific Electronic Library Online (SciELO). 250 articles were found in the databases consulted that dealt with ergonomics and quality of life at work, according to the inclusion criteriat. The study showed that it is necessary to use ergonomics within organizations, with a view to ensuring the integrity of workers as a way of protecting them from occupational diseases or greater damage. Furthermore, the organization also benefits, since the application of ergonomics eliminates unnecessary movements, saves time, eliminates waste and increases productivity. 
Keywords: Ergonomics; quality of life, physiotherapeutic resources
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO	5
2 . METODOLOGIA	7
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO	8
3.1 O MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA E AS IMPLICAÇÕES NO ADOECIMENTO DA CLASSE TRABALHADORA	10
3.1.1 Trabalho e adoecimento	19
3.1.2 Distúrbios Osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT)	23
3.1.2 Norma Regulamentadora NR-17	24
3.2.2 A Ergonomia	24
3.2.3 O método OWAS	28
3.2.4 O método o RULA	30
3.2.5 O Método REBA	33
3.2.6 O Método NIOSH	35
3.2.7 O Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares	35
3.3 O CUSTO DE UM PROJETO DE ERGONOMIA	37
4 CONCLUSÃO	41
REFERÊNCIAS	42
1 INTRODUÇÃO 
As transformações que se processam no mundo do trabalho evidenciam um novo paradigma de organização das relações econômicas, sociais e políticas. Esse paradigma com diferentes denominações: mundialização, globalização, terceira revolução industrial e tecnológica se apoia, fundamentalmente, na conjugação de abertura de mercados e no desenvolvimento acelerado da tecnologia microeletrônica. Nesse sentido, a evolução tecnológica (ancorada no binômio melhoria dos produtos e diminuição dos custos) está presente em todas as esferas da produção, provocando alterações nas configurações industriais, nos padrões tecnológicos e no perfil das organizações (ABRAHAO; PINHO,2002).
	Ainda de acordo com Abrahão e Pinho (2002) as mudanças no campo do trabalho, consequentes aos avanços tecnológicos, fazem emergir um novo olhar para analisar a relação do homem com o trabalho, ou seja, o homem inserido no contexto de trabalho, refletindo assim a necessidade de incorporar a esta análise, ora restrita ao comportamento do homem, o ambiente no qual ocorre a atividade e que a condiciona e as consequências deste para o indivíduo e para a produção.
Nesta direção surge a ergonomia que é classificada como uma das mais relevantes linhas que fazem parte da saúde ocupacional e vem obtendo cada vez mais espaço nas últimas décadas, em que sua principal finalidade é colaborar para o aumento da produtividade e da melhora da saúde dos colaboradores de uma organização (FERREIRA, 2011). 
A Ergonomia nos anos 40 constitui uma abordagem do trabalho humano e suas interações no contexto social e tecnológico, que busca mostrar a complexidade da situação de trabalho e a multiplicidade de fatores que a compõe. Historicamente, a Ergonomia tem uma de suas bases ancorada na Psicologia Experimental. No entanto, a vertente representada sobretudo pelos países de língua francesa questiona o caráter exageradamente reducionista de posições apoiadas em normas e prescrições, fundamentadas em conhecimentos de natureza experimental, que ignoram a atividade de construção inerente a toda situação real de trabalho (RODRIGUES et al.,2013).
		De acordo com Souza e colaboradores (2013), a análise ergonômica no campo do trabalho diz respeito a um processo de construção e participação para resolução de problemas, que demandam o conhecimento de atividades desenvolvidas, e dos desafios enfrentados, para alcançar o desempenho e a produtividade.
		O emprego da Ergonomia é capaz de promover uma melhor relação entre a organização e o colaborador no qual são identificadas as necessidades de transformações para o alcance do restabelecimento do equilíbrio corporal, da mente e do espírito com vistas a eliminação de práticas por vezes não percebidos pelo trabalhador e só identificados por meio de repercussões não desejáveis na postura do corpo e na saúde de modo geral (TODESCHINI; FERREIRA,2013). 
		Segundo Dutra; Laureano e Dutra (2017) 	a ergonomia tem ainda como objetivo a produção de conhecimentos característicos da atividade laboral humana, além da finalidade almejada no processo de produção de conhecimentos que é de socializar informações acerca da jornada do colaborador, sendo a atividade do trabalho especifica a cada trabalhador. 
		Nesta direção, Ferreira e colaboradores (2015), apontam como finalidades práticas da ergonomia: promoção da saúde, segurança, satisfação e o bem-estar dos colaboradores na sua relação com sistemas de produção, culminando na eficiência como fruto, em suma, não é admissível que seja posto a eficiência como sendo o principal objetivo desejado pela ergonomia, haja vista que a ergonomia de maneira isolada poderia denotar sacrifício e sofrimento dos trabalhadores , já que a ergonomia se compromete com a promoção do bem estar do trabalhador.
		Estudos revelam que o interesse com a aplicação da ergonomia nos campos de trabalho tem sido bastante relevante nas organizações desde a baixa da qualidade de vida foi classificada como um dos maiores responsáveis pelas ausências, e de afastamentos (PINTO; TERESO; ABRAHÃO,2017).
		Este trabalho justifica-se porque pela possibilidade de instruir o empregado sobre as posturas corretas a seremde controle e definição de estratégias, com isso, o plano de produção deve ser elaborado de modo que a empresa trabalhe com uma ligeira folga. Outro fator crucial é o investimento em tecnologias, porque além de facilitar o desenvolvimento da produção também favorece as condições dos trabalhadores, ao passo que ocorre a manutenção preventiva dos equipamentos para prevenir a quebra e mantê-los sempre em funcionamento (SILVA et al.,2011). 
Para tal, Vilela e colaboradores (2013), destacam que os profissionais do campo da engenharia tem um protagonismo relevante neste contexto, devem assegurar que as normas sejam usadas e que a segurança e a ergonomia de novos projetos e instalações tanto de produtos quanto de processos sejam revistos antes de serem liberados da produção, os engenheiros são essenciais para a resolução de problemas de ergonomia, para a garantia de treinamentos cruciais sobre a utilização de novas ferramentas e do manuseio de peças da melhor maneira possível. 	Além do mais, os engenheiros podem desenvolver e efetuar soluções que colaborem com a melhoraria da ergonomia do trabalhador no local de trabalho, devendo dispor auxílio por meio de avaliações de riscos proativos e garantir que problemas ergonômicos tenham resolutividade através de ações corretivas adequadas, focadas em soluções relativas a engenharia (CASTAÑON et al.,2016). Com isto, espera-se que sejam evitados: a fadiga, o cansaço, a falta de conforto, e o incomodo no campo de trabalho, vale lembrar que é de interesse da ergonomia a melhoraria do ambiente de trabalho, fazer com que o funcionário sinta-se motivado para o labor, executando suas funções de modo seguro, com vistas a prevenir acidentes, incidentes e lesões.
4 CONCLUSÃO 
O presente estudo se propôs a descrever qual relevância da ergonomia os, foi mostrado que a ergonomia, é um elemento importante para o aumento da produtividade dos colaboradores e para a organização, pois colabora para que haja um melhor dimensionado, otimizando a eficácia, e prevenindo tanto acidentes e o desenvolvimento de doenças ocupacionais. Foi descrito que a utilização de pressupostos relativos à ergonomia nas organizações e nos processos de trabalho é uma maneira de prevenir a ocorrência de lesões e distúrbios provocados pelo uso inadequado de equipamentos e movimentos na execução de tarefas rotineiras .
É importante lembrar que embora o avanço de tecnologias, ter simplificado a vida das pessoas, isso também colaborou para que as mesmas tornassem mais sedentárias, onde este estilo de vida sedentário provocou muitos malefícios para o funcionamento das organizações, colaborando para a elevação dos números de ocorrência de lesões no trabalho, isto porque por vezes para a execução de alguma tarefa, o trabalhador acaba provocando sobrecargas mecânicas em suas estruturas osteomioarticulares, sobretudo, quando o trabalho demanda que sejam assumidas posturas ocupacionais ou funcionais incorretas em decorrência de um posto de trabalho projetado incorretamente. 
Desta maneira, o estudo mostrou que é necessário o emprego da ergonomia dentro das organizações, com vistas a assegurar a integridade dos trabalhadores como forma de protegê-los de doenças ocupacionais ou danos maiores, além disso, a organização também se beneficia, já a aplicação da ergonomia elimina movimentos desnecessários, resulta em ganho de tempo, elimina desperdícios e eleva a produtividade. 
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250 artigos potencialmente relevantes selecionados 
93 foram excluídos por não atenderem aos critérios 
80 estavam duplicados;
170 foram avaliados 
Sendo utilizados 77 produções cientificas para compor este estudo
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image2.png
image3.png
image4.png
image5.pngadotadas no trabalho, a forma correta de manusear ferramentas ou cargas pesadas, esclarecer sobre possíveis doenças ocupacionais e a importância dos intervalos durante o expediente, de acordo com as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, o fisioterapeuta, em conjunto com uma equipe multiprofissional, utilizando equipamentos e técnicas essenciais para o bem-estar do trabalhador, evita disfunções físicas e psicológicas, não reduzindo o funcionário a ser apenas um mecanismo que impulsiona a empresa, mas sim como um ser biopsicossocial.
	Este estudo tem como pergunta norteadora: qual relevância da ergonomia e quais são os recursos fisioterapêuticos?
		Em face do exposto, este artigo tem como objetivo geral: descrever qual relevância da ergonomia. E como objetivos específicos: Avaliar os impactos da ergonomia no posto de trabalho; relacionar a ergonomia no processo de transformação nos processos produtivos, mostrar qual a relação da ergonomia com o ambiente de trabalho e construção do conhecimento.
2 . METODOLOGIA 
	Com o intuito de alcançar os objetivos propostos, optou-se por uma revisão bibliográfica do tipo exploratória e de natureza qualitativa. Conforme descreve Minayo (2010), o método qualitativo é adequado ao estudo de grupos delimitados, de histórias sociais, sob a perspectiva dos autores, e nas análises de discursos e de documentos. Tal abordagem se mostra mais do que adequada, necessária, para analisar a importância da ergonomia nos processos produtivos. 
 	Considerando os objetivos do estudo, em concordância ao apresentado pelo autor supracitado, a atual pesquisa contará com levantamento bibliográfico com a intencionalidade de verificar o conhecimento produzido sobre a temática em questão. Os dados foram coletados no site da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando-se as bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System On-line (MEDLINE) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além da Scientific Electronic Library Online (SciELO ).Para a pesquisa nas bases de dados utilizaram-se as seguintes palavras chaves: Ergonomia ; qualidade de vida, recursos fisioterapeuticos. Os critérios de inclusão para seleção dos artigos foram: artigos na íntegra, que continham no resumo alguma evidência do tema pesquisado.
	Foi realizada uma leitura exploratória do material que transformou dados brutos, estabelecendo relações com os objetivos propostos, alcançando os núcleos de sentido, que foram: a influência da ergonomia na produtividade, Norma Regulamentadora 17, adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores.Cabe ressaltar, que foram selecionados apenas estudos da língua portuguesa, haja vista, interesse do pesquisador em saber o estado da arte no Brasil. Foram excluídas produções repetidas e aquelas que não contemplavam informações sobre o tema, além de textos com idiomas que não foram o português brasileiro. Após triagem, o conteúdo foi analisado e usado de maneira a fornecer contribuições dentro do campo de estudo.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
	Foram encontrados 250 artigos nas bases de dados consultadas que tratavam acerca da ergonomia e qualidade de vida no trabalho, segundo os critérios de inclusão. Tratam-se de revisões bibliográficas, estudos de caso e pesquisas em saúde com enfoque no tema central deste estudo.
	A análise dos artigos científicos foi dividida em quatro etapas: a primeira foi a leitura do título dos artigos (250), dos quais foram selecionados aqueles que continham os descritores citados acima, após esta leitura, foram excluídos os artigos que apresentavam repetições (80); na segunda etapa, foram selecionados os artigos (170) a partir da leitura dos resumos, que mencionavam a influência da ergonomia na produtividade, Norma Regulamentadora 17, adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, na terceira etapa, foram lidos e avaliados os artigos completos (170), conforme os assuntos de interesse; e a última etapa foi a seleção dos artigos (177) que se enquadravam no escopo desta pesquisa para discussão.
FIGURA 1 - Fluxograma dos artigos selecionados
3.1 O MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA E AS IMPLICAÇÕES NO ADOECIMENTO DA CLASSE TRABALHADORA
A definição de “trabalho” foi diversas vezes definida, e até agora tem sofrido inúmeras mudanças. Na era primitiva, os meios de produção do trabalho eram executados em propriedades comunitárias, com regime de escravidão, com produção pertencendo ao senhor. É oportuno comentar que existiu ainda o trabalho feudal, em que a propriedade era o núcleo do labor; o regime socialista da propriedade social dos meios de produção. E por fim o capitalismo, constituídas pela Revolução Francesa e a Revolução Industrial provocando uma relevante expansão da produção material e do desempenho do trabalho, possibilitando, deste modo, a acumulação de capital (DE-JOURS, 2012).
De acordo com Lhuilier et al (2013) a expressão trabalho, etimologicamente significa tripalium, que consiste em um instrumento de tortura constituído por três paus ou varas cruzadas, que tinha a finalidade de prender o réu. Os mesmos autores explicam que essa expressão originou, no português, os vocábulos "trabalho" e "trabalhar", apesar de que no sentido original "trabalhador" seria um opressor, e não a "vítima”.
Vale comentar que o trabalho é uma forma de organizar as sociedades, sendo classificado como o meio pelo qual o homem cria o seu ambiente e a si mesmo. Sendo assim, tem ocupado um lugar importante na construção social e individual dos trabalhadores (TENORIO, 2011).
De acordo com Barbosa (2008), o trabalho faz parte da história da humanidade, não somente os novos formatos de labor que emergiram com o passar dos anos, mas por ser transformador, bem como um dos impulsores da evolução. Outrora, o trabalho era de subsistência, atualmente, com o modelo capitalista, tem sido considerado como uma mercadoria e uma maneira produzir mais e mais. O que faz com que exista um elevado nível de competitividade, porque o trabalho passou a ser visto como produto, provocando insatisfação, medo, elevada alienação, queda de produtividade e outros problemas que causam influência na saúde geral da população.
Assim uma das teorias que se propuseram a busca de reflexões e o entendimento do campo do trabalho é a Psicodinâmica do Trabalho, que estuda o sofrimento, a partir da inter-relação dos trabalhadores com a organização do trabalho e para as estratégias defensivas que utilizam para lidar com o trabalho (MENDES, 2007). O trabalho pode ser entendido como fonte de prazer e realização, representa o que de mais humano existe no homem: a capacidade de expressar sua “marca essencial” – a subjetividade – fator fundamental ao equilíbrio e desenvolvimento humano (DEJOURS, 1996).
Antunes (2004) explica que quanto mais o trabalhador desgasta-se trabalhando, tão mais poderoso se torna o mundo objetivo, alheio que ele cria diante de si, tão mais pobre se torna ele mesmo, seu mundo interior. O mesmo autor destaca ainda que o trabalhador termina a sua vida no objeto; mas agora ela não pertence mais a ele, mas sim ao objeto. Por conseguinte, quão maior esta atividade, tanto mais sem-objeto é o trabalhador. Ele não é o que é o produto do seu trabalho.
Em consonância com o entendimento de Antunes (2004) fica claro que quanto mais o trabalhador produz, mais enriquecido fica o capital e menos ele se vê fazendo parte do processo e menos ele possui. Além disso, o capitalismo converte a condição humana, ao passo que o mesmo não é capaz de ver seu trabalho na mercadoria final, já que os produtos passam a ser mais importantes do que a pessoa.
Para Carmo et al (2012) o desenvolvimento das forças de produção acontece de forma contraditória, ao privilegiar a expansão e a acumulação do capital e oprimir a força de trabalho. O avanço da tecnologia é voltado para atender o capital e aparece de forma romantizada nos filmes e produções cinematográficas, idealizandoa ausência de limites terminologia e expropriação da força de trabalho.
Carmo et al (2012) destaca que a contradição existente entre o trabalho romantizado e o real podem repercutir em consequências negativas em face da relação existente entre homem e o trabalho, aonde a compressão do sofrimento e prazer provenientes da relação entre o trabalhador e seu trabalho é crucial para o entendimento do elo entre trabalho e saúde.
Dias et al(2014), explica que o sofrimento por vezes tem articulação com pró-pria existência e tem se mostrado como uma atitude, uma postura de resistência e em conviver em ambiente precário. Desta forma, torna-se importante a mobilização para o enfrentamento de doenças sociais e pela saúde.
Sendo assim, é possível entender que o sofrimento emerge quando há um entrave na negociação das distintas forças envolvidas no desejo de produção e o desejo do trabalhador; quando não há possibilidade de negociação entre o trabalhador e o que é imposto pela organização. O sofrimento vai se intensificando ao passo que
a organização do trabalho não possibilita a insubordinação do trabalho imposto em um trabalho, no qual o trabalhador usa sua inteligência, criatividade e autonomia nos modos de fazer o seu trabalho (GUIRALDELLI, 2014).
Nesta direção, Yamamoto (2004) destaca que com a Revolução Industrial, as habilidades, capacidades e auto expressão dos operários perderam valor, pois com gênese da fábrica, isto porque, o trabalhador não cria mais o produto, somente colabora na fabricação deixando de ter o controle. Em consonância com Yamamoto (2004), Pinto (2012) revela que as fábricas estavam em todos os locais e tinha a finalidade de subordinação do trabalhador. Contudo, o sucesso da fábrica não pode ser atribuído a mecanização e o desenvolvimento das tecnologias, mas deve ser atribuído a subordinação da classe trabalhadora e a inevitável disseminação do modelo capitalista.
A divisão social do trabalho tinha como objetivo a apreensão dos saberes que pertenciam aos artesãos, com isso a alienação do processo de produção das mercadorias. Além disso, o desenvolvimento tecnológico era mais uma forma de controle do trabalhador com a imposição da noção de tempo útil, fazendo com que prevaleça, a ideia moralizante de que não se pode perder tempo, de que tempo é dinheiro. Com essa doutrinação cada vez mais as pessoas são dominadas pelos dominadores (MORAES NETO, 2014).
· oportuno evidenciar que a divisão social do trabalho também divide os homens como forma de assegurar que seja realizada a divisão do trabalho por meio de hierarquias. Desta forma, cada categoria profissional está subordinada a uma divisão específica de trabalho, o qual pode oferecer pressupostos homogêneos ou contraditórios, que podem facilitar a ocorrência de conflitos e pode afetar a saúde do trabalhador, isto porque, a organização social do trabalho delimita as formas de estruturar, supervisionar e executar, esculpindo os corpos, controlando as relações interpessoais e sociais (DEJOURS, 2012).
O mesmo autor acredita que dividir as tarefas inclui tanto as ações, bem como a maneira de realiza-las, e tudo que é imposto pelo trabalho. Em se tratando da divisão dos homens, esta é feita pela empresa, aonde há o engessamento das relações entre as pessoas, sobretudo, a segmentação de responsabilidade, hierarquia, coordenação, controle.
Deste modo, em certas situações surge um sofrimento que pode ser relacionado ao impacto produzido pela história individual face aos projetos imposto pela organização do trabalho. Refletir desta maneira ultrapassa uma visão reducionista de responsabilização apenas do indivíduo pelos efeitos do trabalho sobre sua saúde (LHUILIER et al.,2013).
Vale destacar que o trabalho tem sido orientado para uma finalidade de produção que inclui os pensamentos que são intrínsecos a ele. Deste modo, o trabalho tem implicação com o fato de trabalhar, quer dizer, os gestos, a forma de fazer, um envolvimento do corpo, a canalização da inteligência, a reflexão, interpretação, a reação face às situações; a forma de sentir, de pensar e de criar, haja vista, que no mundo trabalho, surgem situações inesperadas que nem sempre são previsíveis (MIOTO; NOGUEIRA, 2013). Sendo assim, entende-se que o trabalhador tem que agir e enfrentar as situações de maneira conveniente.
Em face do exposto, emergem vários problemas de saúde ao trabalhador, que surge quando não há um equilíbrio entre a divisão do trabalho e os trabalhadores. Esse equilíbrio deve ser construído, haja vista, que regras e normas sempre irão existir, por ser da própria natureza física imposta ao trabalhador (BARBOSA, 2008).
Os mesmos autores explicam ainda regras e normas só se configura em problema quando não há uma possibilidade de negociação, quando não se podem modificá-las ou reconstruí-las. O alcance da saúde do trabalhador tem possibilidade por meio de um olhar para a organização e para os trabalhadores como um todo, em suma, por meio, de um olhar biopsicossocial e dos modos de negociação e ressignificação entre ambos. Sendo assim, a organização do trabalho pode repercutir na saúde dos trabalhadores.
Dejours (2012) explica que para o manejo do sofrimento relacionado ao trabalho existem dois caminhos, ou o trabalhador se transforma em um agente de transformação da organização do trabalho ou se torna um progenitor de um processo de alienação e de conservadorismo entre o trabalhador e a divisão preconizada para a produção do trabalho.
Com isso, entende-se a necessidade da criação de um cenário de liberdade que possibilite que seja realizada a negociação, processo criativo e as ações de modificação do modo de produzir, ou seja, uma criação do operador sobre a própria divisão do trabalho para ajustá-la de acordo as suas necessidades de modo a torná-la mais coincidente com a sua realidade.
Bueno e Oliveira (2009) indicam que as repetições de tarefas e os sistemas para controlar, podem favorecer o surgimento de doenças derivadas do conflito. Vale destacar que a divisão do trabalho pode ocasionar um conflito e doenças quando não 
· possível adapta a organização do trabalho e as necessidades dos trabalhadores. Os mesmos autores explicam que a mobilização subjetiva, pode ser uma forma de enfrentamento do sofrimento. Distingue-se das estratégias individuais e coletivas de defesa, pois repercute na ressignificação do sofrimento e não na negação ou minimização do mesmo. Deste modo, é um processo pelo qual as pessoas podem ser colocar no labor utilizando sua subjetividade, seu intelecto a coletividade para modificar as situações que podem causa sofrimento.
Em concordância com Bruno e Oliveira (2009), Dejours (2012), explica que a subjetividade, neste sentido, é um recurso de atribuição de sentido, constituído a partir da relação do indivíduo com a conjuntura de trabalho, explicitados em maneiras de refletir, sentir, agir individualmente e coletivamente. Deste modo, para Dejours (2012) a subjetividade relacionada ao trabalho demanda pensar as formas como as experiências do trabalho delineiam as maneiras de agir, pensar, sentir e laborar, imbricados em momentos que necessitam um intercâmbio entre distintos fatores, valores, demandas e projetos.
Neste sentido, entende-se que para o trabalho ser considerado saudável, deve ser capaz de respeitar a identidade em sua gênese plena, cuja divisão seja eticamente estabelecida, observando possibilidades e limites inerentes a condição humana, assim como deve prezar pela manutenção da criatividade e a responsabilidade com a realização de um trabalho com qualidade. Ademais, os trabalhadores devem buscar controlar as condições e os ambientes de trabalho, como forma de fazê-lo mais saudável. Contudo, este é um passo lento, permeado por contradições e desigualdades que tem dependência com da inclusão da classe de trabalhadores no processo de produção e no cenário sociopolítico da sociedade (CARMO,2012).
Lhuilier et al(2013) e Dejours (2012) acreditam que a procura do prazer só acontece através da ressignificação do sofrimento na procura de um caminhode equilíbrio sociopsíquico de oportunidade expressão da subjetividade. É importante salientar que quando o trabalho se contrapõe à sua livre atividade os trabalhadores estão frente a um risco, sendo que para satisfação deles é importante que o livre funcionamento, estruturado de forma dialética com a ideia de trabalho, revelado, no próprio trabalho e renovado pelo trabalhador.
Dessa maneira, o saudável é compreendido como algo que enfrenta as exigências e pressões impostas pelo trabalho que provocam doenças, dando vazão a satisfação quando as condições favoráveis ao sofrimento podem ser modificadas. Já as patologias, podem ser instalar em casos em que ocorrem erros nas maneiras de enfrentar o sofrimento. Deste modo, acontecem quando a vontade de produzir supera outra vontade dos trabalhadores. É importante destacar que o trabalho como fonte de satisfação, possibilita que o trabalhador torne-se protagonista na ação, gerando possibilidades de minimizar o sofrimento, na perspectiva do domínio do mesmo (MO-RAES NETO, 2014). Deste modo, experenciar a satisfação tem dependência com as condições em que o trabalho é executado, no caráter do trabalho e no tipo de imposição e não de um desejo de trabalhador. Sendo assim, é relevante salientar que vivenciar a satisfação mesmo em conjuturas precarizadas, é um possiblidade, para tanto é necessário que a divisão do trabalho seja capaz de oferecer condições para o desenvolvimento de ações da inteligência prática, do espaço público e da cooperação (GUIRALDELLI,2014).
Com isto entende-se que a satisfação consiste em dos sentidos do trabalho e surge quando este estabelece identidade, pois viabiliza o aprendizado acerca de um fazer específico, criação, inovação e desenvolvimento novas maneiras de executar as tarefas.
Sendo assim, a satisfação e o sofrimento são vivenciados pelos trabalhadores no trabalho. Deste modo, reflete-se que as atividades laborais podem provocar sofrimento e patologias, podendo estar aliado ao prazer, mas isso tem dependência com o significado que cada indivíduo confere a seu labor (LHUILIER,2013).
Marques (2013), explica que o trabalhador procura dar a suas atitudes um significado que seja aceito para ele e para sociedade em que está inserido. Essa procura decorre também no mundo do trabalho. O significado do trabalho pode ser entendido por meio de dois elementos: o conteúdo significativo relacionado ao sujeito e o conteúdo significativo relacionado ao objeto.
O mesmo autor explica que essa segregação conteúdo é realizada somente de maneira explicativa, haja vista, existir uma intima relação entre os mesmos e, deste modo, investir no indivíduo só pode se renovar em virtude do investimento no objeto e vice-versa. Levando em conta que o significado do trabalho se explicita como uma consequência, um produto do trabalho humana, podendo ser descrito com o auxílio de três elementos: o significado do trabalho para o indivíduo, a orientação do indivíduo em relação ao trabalho e a coerência que o trabalho tem para o indivíduo. Marques (2013) entende que o significado do trabalho define o trabalho, ou seja, o conhecimento e a compreensão que o indivíduo tem do mesmo, a representatividade do trabalho, a relevância e valor do trabalho para o indivíduo.
Deste modo, a criação do significado do trabalho é conforme as particularidades das ações executadas, a divisão do trabalho e as distinções individuais. Em consequência, o significado necessitara da maneira como os trabalhadores a experiência laboral nas novas maneiras de divisão do trabalho experimentadas por eles nos inúmeros setores de produção da sociedade (GUIRALDELLI ,2014)
O mesmo autor acredita que ao se pensar na história da organização do trabalho, esta não deve se dissociar da história do desenvolvimento tecnológico e que ambas foram pensadas para favorecer a acumulação do capital, junto a isso se pode vincular também o sofrimento dos trabalhadores. Frente a isso fica claro que os avanços da ciência, aconteceram para alcançar o progresso, através da exploração física e psíquica em que os trabalhadores sofrem nas fábricas ou fora delas.
· importante destacar que os modelos de organização da produção e do trabalho, baseadas nos princípios taylorista, fordista e toyotista só fizeram amplificar estas formas de exploração da classe trabalhadora. No decorrer das últimas décadas do século XIX, o Fordismo foi implantado e aperfeiçoado como modelo de produção. No ano de 1914, a Ford estabeleceu o dia de trabalho de oito horas e cinco dólares como recompensa para trabalhadores de linha de montagem de carros de Dearbon, no Michigan em Estados Unidos, data inicial do fordismo (JORGE; ALBAGLI, 2015).
O referido modelo de produção é conhecido como Fordismo, Taylorismo ou produção em massa, pois quem primeiro escreveu este modelo de trabalho foi Taylor e quem implantou primeiro foi Ford, já o termo produção em massa é porque a produção era padronizada e em grandes quantidades.
Ford foi o homem que pôs em pratica os conceitos tayloristas e em 1913 revoluciona a indústria do automóvel ao inaugurar a primeira linha de montagem em cadeia, na nova fábrica de Highland Park, Michigan. Utilizando o "scientific management" em conjunto com o trabalho em linha com plataforma móvel, tornava-se absolutamente dispensável o operário de ofício configurando-se as potencialidades da produção em grande série (SANTOS 2003 apud BUENO; OLIVEIRA, 2009, p. 03).
Assim, para Ford o seu modelo era mais amplo do que um simples modelo de produção, em que em 1913 iniciou a linha de montagem móvel e em 1927 se arriscou e, tentou implementar um modelo de produção altamente padronizado e verticalizado, que se popularizou ficando conhecido como produção em massa. É importante explicitar que a sua forma de administrar o trabalho passou a ser aceita e implantada em outras organizações, sendo denominado como o modelo de produção fordista, isto porque, propiciava expressivos ganhos em produtividade.
Vale explicar que o modelo de produção fordista caracterizou-se pela linha de montagem em movimento contínuo, onde os trabalhadores ficavam fixos em um lugar limitado com tarefas reduzidas do processo produtivo, pois preconizava a administração científica do trabalho. E assim, consolidou-se a divisão de trabalho e a especialização do trabalhador em única tarefa. O sucesso do modo de produção fordista começou entre a Segunda Guerra Mundial e 1973, neste momento ocorreu ainda uma crise no petróleo que desencadeou também uma crise sobre o sistema produtivo mundial, transformando algumas bases econômicas e colocando o Japão em evidência como potência capitalista mundial (TENORIO,2011). Observou-se que há alguns anos vinham desenvolvendo no Japão outro modelo de produção, e por ter originado na Toyota Motor Company, ficou conhecido como Toyotismo.
O referido modelo nasceu da necessidade de se produzir veículos competitivos, mas em volume reduzidos devido à demanda, o que exigia maior flexibilidade das máquinas e ferramentas, foi por isso que ficou conhecido também como produção enxuta. É oportuno comentar que Taichi Ohno, Engenheiro de Produção da Toyota, iniciou uma mudança do modelo de produção. Além disso, desenvolveu máquinas e ferramentas que permitiram uma maior flexibilização na troca de peças, modelos e ferramentas, percebeu-se que quando produziam em pequenos lotes os custos eram menores. Ohno agrupou os trabalhadores em equipes onde cada uma tinha um líder, cada equipe se responsabilizava por um conjunto de etapas de montagem de uma parte de linha de produção, também eram atribuídas às equipes outras ações, como a limpeza do seu ambiente de trabalho, manutenção de pequenas máquinas e ferramentais e o controle da qualidade do que produziam (BRESSAN et al.,2012).
Os modelos citados fazem com que o processo produtivo fique mais eficiente, aumente a produtividade e consequentemente a exploração dos trabalhadores, que devem atender o mercado a qualquer custo. Como dito anteriormente, produzir está intimamente ligado ao avanço de tecnologias e daciência, e que há a substituição do
trabalho morto pelo trabalho vivo, o que se quer dizer com isso é que as pessoas estão cada vez mais tendo a sua força de trabalho sendo substituída pelas máquinas.
De acordo com Guiraldelli (2014) a empresa tem a possibilidade de deslocamento de sua produção para outros territórios, operando de forma global e se beneficiando de níveis salariais inferiores, da ausência de organização coletiva dos trabalhadores e de estímulos fiscais. Além disso, é importante mostrar outros pontos o crescente desemprego, o aumento do emprego "autônomo", informal, temporário, domiciliar e subcontratado, além de um conjunto de arranjos produtivos que provocam consequências deletérias para a vida dos trabalhadores.
O autor supracitado destaca que o trabalho informal colaborou para diminuir a exploração dos trabalhadores, mas colabora para que a combinação da flexibilização, exploração, abuso, produtividade e desproteção social. Lhuilier (2014) indica quais setores estão crescendo, dentre eles estão os setores de transportes, comunicação, administração, educação, saúde e finanças, o que acompanha uma queda da participação das indústrias.
Essa situação pode ser mais bem ilustrada no caso do trabalho bancário e da indústria automobilística que geraram uma redução significativa do contingente de trabalhadores, pois, a reestruturação produtiva tem provocado consequências nefastas tanto no âmbito da indústria e dos serviços, quanto na agricultura, onde o processo de mecanização no campo tem desencadeado um alto índice de desemprego, expulsão de trabalhadores rurais e miserabilidade (GUIRALDELLI, 2014).
Deste modo, pressupõe-se que se o significado do trabalho conferido pelos trabalhadores que os realizam for somente o de assegurar a sua sobrevivência, laborando apenas pelo salário e sem ter ciência de sua participação na produção das objetivações, poderá ocorrer a ruptura como sentido firmado socialmente. Refletindo o trabalho por sua dimensão social, esse tem lógica para o indivíduo ao passo que a capacidade de auxiliar e ser útil para a sociedade. A dimensão social atinge maior abrangência quando o trabalhador entende que seu trabalho não colabora somente para seu próprio desenvolvimento, mas para a sociedade de forma global. Sendo assim, é importante que o trabalho agregue valor tanto para o trabalhador, quanto para a sociedade (MORAES NETO, 2014).
Deste modo, pode-se entender que os elementos sociais, econômicos, políticos, podem interferir na divisão do trabalho e na subjetividade do trabalhador. Porquanto, o significado do trabalho será desenvolvido pelo indivíduo de acordo com a sua forma de enfrentar todos as situações de seu cotidiano, levando em conta o contexto histórico e cultural no qual o sujeito, trabalhador, está incluso.
Podemos e devemos lembrar que essa reestruturação produtiva, traz consigo vários impactos negativos na vida dos trabalhadores, pois desencadeia um processo de precarização das relações de trabalho, porque quando se estabelece a flexibilização dos contratos, faz com que as condições de trabalho sejam degradantes, o que acaba por estimular a informalidade.
Ainda como impactos negativos trazemos a modalidade de trabalhos temporários, parciais, subcontratados e domiciliares, Carmo (2012), destaca uma tendência marcante que é a ocupação por mulheres em atividades com baixas remunerações, reforçando e preservando a divisão sexual do trabalho.
Frente a esses impactos negativos, salientamos que são criadas estratégias com vistas a abrandar as manifestações da questão social. Essas estratégias são as políticas sociais, que de forma compensatória, focalizada e minimalista, não conseguem transformar a estrutura social, pois não conseguem alcançar o cerne da questão social, desta forma não dão conta de modificar o histórico das desigualdades sociais. Entretanto, podem ser entendidas também em certos aspectos como um ganho para os trabalhadores.
3.1.1 Trabalho e adoecimento
A terminologia Qualidade de Vida traz com ela pressupostos de ordem subjetivas como: reconhecimento; afetividade; conhecimento de vida e objetivos: saúde, condições físicas, salário e moradia, incluindo assim uma perspectiva particular de cada indivíduo, o termo é abordado sobre diversas visões, seja do ponto de vista cientifico, senso comum, ponto de vista objetivo ou subjetivo e em comportamentos individuais e coletivos, deste modo, entende-se que a qualidade de vida diz respeito ao nível de satisfação encontrado na vida familiar, sentimental, social e ambiental(SAMPAIO,2012).
Segundo Lopes et al (2012), é importante elaborar uma síntese cultural de todos os fatores que delimitam o conceito de sociedade, levando em conta os padrões de conforto e bem-estar, sentimentos de contentamento com o próprio estilo de vida, aceitação de sua saúde física, mental e social, bem como o julgamento objetivo e o pensamento das pessoas que vivem em nosso entorno pode influenciar na maneira como pensamos sobre a nossa qualidade de vida , onde indicadores de bem-estar moderno, como felicidade e realização, tem sido referenciais de uma boa qualidade de vida.
Vale destacar que a qualidade de vida pode ser vista como um estado de espírito, uma maneira de conectar com o mundo externo por meio da subjetividade e o modo de enfrentamento do indivíduo. Deste modo, questões como trabalho, estudo e família, por exemplo, influenciam uma avaliação individualmente que os seres humanos devem fazer, sendo a satisfação pessoal um indicativo positivo de avaliação de uma boa qualidade de vida (RODRIGUES; MOREIRA; TRIANA; RABELO; HIGA-RASHI, 2013).
Já para Alquimim et al (2012) qualidade de vida consiste em uma união harmo-niosa e equilibrada de realizações em todos os graus: saúde, trabalho, lazer, vida sexual, familiares, espiritualidade. Pensar dessa maneira ratifica a ideia subjetiva e ampla que o termo oferece, sem deixar de lembrar de questões coletivas que se pode avaliar.
O conceito de qualidade de vida provém, sobretudo, da medicina, contudo, sabe se que é usado, pela população em geral, além de ser alvo de estudos relacionado aos campos da sociologia, medicina, enfermagem, psicologia, economia, geografia, história social e filosofia. Entende-se que então, que qualidade de vida é uma temática bastante ampla sendo tratada em diferentes áreas. Vale lembrar que qualidade de vida outrora tratava da saúde privada e pública, hoje, é considerada como direitos humanos, trabalhistas e dos cidadãos (ASSUNCAO; SILVA, 2013).
Segundo Dias et al (2014) o debate acerca da qualidade de vida, bem como a sua apropriação em distintos campos de atividades do ser humano, exibe novas maneiras de percepção de questões relativas ao bem-estar e da satisfação das pessoas em seus distintos cenários de socialização, englobando o mundo do trabalho. Destarte, entre as peculiaridades reconhecidas pelas pessoas que se julgam saudáveis, estão a sensação de bem-estar e conforto, cuidado com as suas funções físicas, emocionais e intelectuais, o convívio e a presença em eventos familiares, no cenário de trabalho e na comunidade, aonde, alguma patologia ou distúrbio é capaz de desestruturar essas características, fazendo com que a pessoa tenha uma compreensão negativa da qualidade de vida.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (1947), saúde pode ser entendida como um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. Deste modo, fica claro que a saúde é para além da ausência de doença, incluindo outras características relacionados a vida das pessoas, tendo como primícias o julgamento do indivíduo sobre a sua própria vida, o contexto qual está inserido e os sistemas de valores que direciona os seus desejos, suas expectativas, padrões e preocupações.
Nesta direção, levando em conta que o conceito de saúde preconizado pela Organização mundial de saúde, é possível entender que a qualidade de vida está relacionado a vida sem patologias e de superação de um conjunto de causas capazes de produzir uma doença,e todas as distinções provocadas pelos conflitos provenientes da atividade laboral(CARVALHO et al.,2011).
 Para Guimarães e colaboradores (2011) a Ergonomia estuda questões atinentes ao desempenho do sujeito em atividade, com a intencionalidade de aplicá-la a conceito de tarefas, instrumentos, máquinas e sistemas produtivos, para que o individuo desenvolva suas ações com o máximo de conforto, eficiência e segurança.
 Segundo a Associação Internacional de Ergonomia, a ergonomia consiste em um componente cientifico que diz respeito teorias, pressupostos, dados metodologias a projetos com a intencionalidade de melhoraria do bem estar do trabalhador e o desenrolar do sistema (ABERGO, 2008).
É oportuno comentar que no contexto brasileiro a ergonomia é regulada através da Norma Regulamentadora 17, a NR 17, do Ministério do trabalho e Emprego, sendo redigida pela Portaria n° 3.751, de 23 de Novembro de 1990, que estabelece os critérios fundamentais para a adaptar as condições de trabalho às características psicofisiologicas dos colaboradores possibilitando de conforto, segurança e desempenho.
A ergonomia almeja integrar as condições favoráveis de trabalho com segurança e eficiência do trabalho no cenário do trabalho, contudo pra alcançar essas condições, é necessária a inclusão de conhecimentos como: anatomia, fisiologia, biomecânica, antropométrica, psicologia, engenharia, desenho industrial, informática e administração (MORIGUCHI; ALEM; COURY, 2011).
Santos et al (2017) dissertam em seus estudos que a aplicação da ergonomia é importante porque contribui para promoção da segurança e bem estar dos colaboradores, resultando na eficiência dos sistemas em que estão implicados. Os mesmos autores explicam que o Ministério do Trabalho, por meio de da NR 17 de 1990, determina as normas relacionadas à adaptação das condições de trabalho ás peculiaridades psicofisiológicas dos trabalhadores. 
Está dividida em três domínios de especialização: a Ergonomia Física que tem relação com as propriedades da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica em sua ligação da atividade física. O domínio da ergonomia organizacional que diz respeito ao incremento dos sistemas sócio técnicos, onde estão inclusas as estruturas organizacionais, políticas e de processos. A Ergonomia cognitiva que diz respeito aos processos da mente, como por exemplo: a percepção, memória, raciocínio e resposta motora (PICHLER et al.,2014).
Durante as atividades exercidas local de trabalho, é frequente que as pessoas se sintam desconfortáveis, isto acontece em decorrência de posturas incorretas ,movimentos repetitivos, iluminação inadequadas e equipamentos impróprios para quem os utiliza(CAVALCANTE; TELES.2015).
Segundo Altoé et al (2013), a ergonomia é fundamental no contexto das organizações, porque é capaz de promover uma melhoria da qualidade de vida, contudo, os autores destacam que esta deve ser executada por um profissional qualificado que deverá inspecionar o local de trabalho e fazer uma avaliação da postura, do movimento, do imobiliário, e desta maneira, empregar a ergonomia conforme cada necessidade. 
Vale destacar a existência pressupostos ligados à ergonomia que podem atingir de forma direta a produtividade dos trabalhadores, que por vezes não são percebidos pelas organizações, mas que unidos provocam graves problemas, tais quais: absenteísmo, patologias trabalhistas, desgaste e outros. No entanto, existem as medidas ergonômicas que podem impedir ou reduzir o impacto desses problemas na produção (VARGAS,2012).
 Estevam e Guimarães (2016) mostraram em seus estudos que algumas situações e métodos usados para adaptação da linha de produção ao colaborador de modo a proporcionar um ambiente com mais segurança e qualidade para o mesmo, como por exemplo : a Antropometria que estuda as medidas humanas e é muito relevante para adequar o ser humano ao mundo do trabalho, com vistas a prevenção de esforços excessivos, dores e dificuldades para executar o trabalho, elementos que podem provocar interferência na produtividade, porque distintas dimensões de uma pessoa se não forem usadas de forma correta no planejamento das atividades do trabalho podem provocar movimentos mais lentos, ou seja, menos produtivos; Prevenção da sobrecarga do trabalho: é um elemento que guarda relação de maneira direta com a produtividade de uma empresa e nas condições favoráveis de trabalho ao colaborador que se forem bem organizadas são muito eficientes, em contrapartida, se forem mal geridas são capazes de provocar grandes problemas na produtividade, qualidade e lesões sobre os colaboradores. 
 Ainda conforme Estevam e Guimarães (2016) para manutenção de proporcionar um ambiente com mais segurança e qualidade é importante a avaliação do Aumento da velocidade de esteira: o aumento da velocidade para fins de compensação de atrasos de produção pode culminar em lesões e formação de gargalos em alguns setores de montagem, Qualidade de vida do trabalhador: os problemas que guardam relação com a qualidade de vida no trabalho, sobretudo, a robotização do ser humano; Pausas para reabilitação do corpo do trabalhador.
As ações ergonômicas devem estar pautadas na situação do trabalho devem buscar a compreensão do funcionamento da atividade executadas e a sua consequência tanto para o bem-estar do colaborador como para o desempenho dele, com vistas a correção de perigos ergonômicos, e fazer com que o colaborador execute as suas atribuições de uma com mais segurança e qualidade, isso colabora para que o processo se torne mais produtivo (MONTEIRO,2012).
Nogueira et al (2015), declaram que as condições de trabalho englobam questões ligadas ao levantamento de peso, transporte e descarga de materiais, imobiliário, maquinários e as circunstâncias do ambiente de trabalho. É designado que na primeira etapa de uma intervenção ergonômica seja realizada uma análise, mediada por uma fase de exploração que deve envolver o mapeamento dos problemas ergonômicos. 
A análise ergonômica compreende a díade indivíduo tarefa-máquina e na identificação dos problemas ergonômico relacionados a postura, informacionais, acionais, de cognição, de deslocamento, movimentos e operação, onde a conclusão da etapa da análise consiste na eleição da hierarquia dos problemas, priorização dos ambientes que serão diagnosticados e transformados , além da indicação de estratégias para melhoria dos cenários que estão em não conformidade (FERREIRA,2016).
Os produtos de uma análise ergonômica do trabalho devem nortear e direcionar transformações para melhoraria das condições de trabalho no que diz respeito aos nós críticos que foram identificados, bem como aumentar tanto a produtividade como a qualidade dos objetos ou serviços que serão produzidos (VILELA; ALMEIDA; MENDES,2012).
Para Vasconcelos et al (2011), a análise ergonômica do trabalho não garante que os problemas de postura, saúde e segurança no trabalho sejam totalmente sanados, desta maneira, é importante que ocorra um comprometimento da organização na promoção de modificações e criação de uma cultura que valorize a segurança no trabalho, levando em conta pressupostos pertinentes a ergonomia como elementos essenciais para a melhoria na qualidade de vida e no trabalho dos colaboradores.
É importante destacar que a avaliação ergonômica pode ser concentrada em estudos feitos no ambiente de trabalho, de modo a analisar a relação homem-tarefa-máquina. Para tanto devem ser utilizadas técnicas de avaliação que necessitam de dias de estudo, observações, registros de imagens nos campos de trabalho, como ainda entrevistas e questionários direcionados aos colaboradores. Nesta direção, é valido evidenciar a existência de ferramentas e métodos que ajudam a levantar dados, os mais conhecidos são : OWAS, REBA, RULA, NIOSH e o Questionário Nórdico (ZANETIN, Pamela Mayara; FATEL,2017). 
3.2.3 O método OWAS 
O método OWAS– (Ovako Working Posture Analysing System) consiste em um sistema de avaliação postural dos colaboradoresque foi criado na década de 70 por três pesquisadores finlandeses cplaboradores de uma empresa siderúrgica. Por meio do método OWAS existe a possibilidade de registro das posturas combinadas entre as costas, braços, pernas e forças exercidas para determinação do efeito resultante sobre o sistema músculo esquelético. Além disso, há a possibilidade de examinar o tempo relativo gasto em uma certa postura para cada região do corpo (PEREIRA et al.,2013).
Ademais, o método OWAS possibilita a obtenção de dados através da observação direta, ou indireta, apor meio de vídeo ou fotografias. A análise pode ser tabelada com protocolos específicos ou com a ajuda de software. Cada uma das 72 posturas típicas pré-definidas culmina em combinações das posições do dorso (4 posições típicas), braços (3 posições) e pernas (7 posições). A Figura 1 ilustra um esquema de classificação postural pelo método OWAS (IIDA; BUARQUE,2016).
Figura 1 - Posições dos setores do corpo utilizados no método OWAS.
 Fonte: (IIDA; BUARQUE, 2016).
	É importante explicar que a depender da postura adotada e de outros elementos tais quais : esforço, duração e fase da tarefa, podem ser quatro níveis de intervenção: o primeiro é classificado como postura normal, dispensando maiores cuidados; o segundo é uma postura que deve ser verificada na próxima revisão dos métodos de trabalho; a terceira é uma postura que merece atenção em curto prazo; e a quarta é a postura que requer intervenção imediata (IIDA; BUARQUE, 2016).As medidas estão relacionadas de acordo com o quadro 1.
Quadro 1 - Protocolo OWAS e seu escore final
	PONTUAÇÃO
	PROPOSTAS
	1
	Sem medidas corretivas, postura adequada
	2
	Medidas corretivas em um futuro próximo
	3
	Medidas corretivas assim que possível
	4
	Medidas corretivas imediatas
 Fonte: (IIDA, 2005).
 Lida e Buarque (2016), ressaltam que o método OWAS possui baixa especificidade, o que ocasiona um detalhamento incipiente quando aplicado a algumas atividades laborais.
3.2.4 O método o RULA
O método o RULA consiste em um procedimento que foi desenvolvido por McAtamney e Corlett na década de 90 de uma maneira similar com o método OWAS, contudo, para a avaliação de pessoas expostas a posturas que colaboram para distúrbios de membros superiores. Ademais, o RULA (Rapid Upper Limb Assessment) utiliza observações que são adotadas pelos membros superiores, como pescoço, costas e braços, antebraços e punhos. O método faz avaliação da postura, força e movimentos relacionados com tarefas sedentárias, tais quais, trabalho com computador (PAIM et al.,2017). 
É importante explicar que as quatro principais aplicações do RULA são: Medir o risco musculoesquelético, normalmente como parcela de uma vasta investigação ergonômica; comparar o esforço musculoesquelético entre design da estação de trabalho atual e modificada; avaliação dos resultados como produtividade ou compatibilidade de equipamentos; orientação de trabalhadores acerca de riscos musculoesqueléticos realizados por várias posturas de trabalho (VERGARA et al.,2014). 
Além disso, o método é composto de 3 etapas a saber: Seleção da postura ou posturas para avaliação; as posturas são pontuadas utilizando uma planilha de pontos, diagramas de partes do corpo e tabelas. Ademais, as pontuações são convertidas em 1 das 4 medidas propostas. Este tipo de técnica ergonômica faz a abordagem de resultados de risco entre uma pontuação de 1 a 7, em que as pontuações mais altas simbolizam elevados níveis de risco aparente. Em contrapartida uma baixa pontuação no método RULA não assegura entretanto, que o local de trabalho esteja livre de riscos ergonômicos, bem como uma alta pontuação não garante que um problema severo existe. O método RULA foi criado para identificar posturas de trabalho ou fatores de risco que demandam uma maior atenção (ALMEIDA et al.,2016). 
Nesta direção, o método RULA possui como vantagens a não necessidade da utilização de equipamentos especializados e sua aplicação não provoca interferência a situação do trabalho. Outra vantagem deste método é o fornecimento de uma classificação do posto de trabalho no que concerne a prioridade de intervenção. (VERGARA et al.,2014). 
Com o objetivo de aplicar um método de realização rápida, o corpo é dividido em partes que formam os grupos A e B. No grupo A estão o braço, antebraço e pulso, e no grupo B estão o pescoço, tronco e pernas. Essa divisão assegura que todas as posturas do corpo serão verificadas, garantindo que qualquer postura constrangedora das pernas, tronco ou pescoço que influenciem na postura de membros superiores seja incluída na avaliação (PAIM et al.,2016). As figuras 2 e 3 simbolizam as posturas das divisões do corpo e suas referentes contribuições para o escore final.
Figura 2 - Escores dos segmentos do corpo para o grupo A.
 Fonte: www.ergonomics.co.uk
Figura 3 - Escores dos segmentos do corpo para o grupo B.
 Fonte: www.ergonomics.co.uk
A partir desses escores, deve ser cruzados em tabelas os resultados observados nas tabelas A e B. A partir daí, acrescenta-se à análise o uso dos músculos e a carga de trabalho e o escore final do grupo A e do grupo B que são usados para encontrar o escore final. Desse escore final é determinada a urgência das medidas a serem implementadas que podem ser vistas no quadro 2.
Quadro 2 -Escore final do método RULA
	PONTUAÇÃO
	NÍVEL DE AÇÃO
	INTERVENÇÃO
	1 ou 2
	1
	Postura aceitável, desde que não seja mantida por longos períodos.
	3 ou 4
	2
	É necessário investigar. Podem ser necessárias mudanças.
	5 ou 6
	3
	É necessário mudar logo.
	7
	4
	É necessário investigar e mudar imediatamente.
 Fonte: Paim et al(2016)
3.2.5 O Método REBA
 O Método REBA (Rapid Entire Body Assessment) foi criado por uma equipe multidisciplinar, com vistas a reduzir a ocorrência de lesões no corpo humano, de modo a simplificar as medições estáticas e dinâmicas. O método divide o corpo em dois grupos: o Grupo A é contido por tronco, pescoço e pernas; e o Grupo B os braços, antebraços e punhos. O REBA usa uma ferramenta de análise postural para detecção de tarefas que demandam movimentos e posturas inesperadas, normalmente geradas pela manipulação de cargas (BATIZ; VERGARA; LICEA,2012). 
O REBA é uma ferramenta muito relevante para a prevenir riscos e com capacidade de alertar acerca das inadequadas condições de trabalho, Contudo, para usar esse método deve ser feita a análise do colaborador durante a realização da atividade e pontuar as posturas de tronco, pescoço, pernas, cargas, braços, antebraços e punhos. Depois da pontuação de cada grupo é obtida uma pontuação final que deverá ser comparada com uma tabela para verificar os níveis de risco (TORRES et al.,2014).
 A Tabela utilizada para verificar os níveis de risco e as ações do método REBA (Tabela 1) possui 5 níveis, em que o nível de ação 0 significa uma postura de trabalho considerada aceitável e que não demanda melhorias na atividade, entre os níveis de ação 1 e 3, podem haver uma demanda de intervenções nas posturas de trabalho e no nível de ação 4 o fator de risco é muito elevado, o que implica ação imediata no ambiente de trabalho, com vistas a correção da postura do colaborador.
Tabela 1 - Níveis de intervenções para os resultados do método REBA
 Fonte: Pavani e Quelhas (2006)
3.2.6 O Método NIOSH
 O Método NIOSH (National Institute for Ocupational Safety and Health), foi criado por um grupo de pesquisadores com fins de determinação da carga máxima a ser manuseada e movimentada de modo manual durante o trabalho. O NIOSH é complexo, porque é baseado em cálculos e pode ser usado desde simples planilhas no Excel até sofisticados softwares (PEREIRA et al.,2015).
Ainda conforme Pereira et al (2015) o método utiliza a seguinte uma equação matemática (Equação 1) para definir o peso ideal a ser carregado/transportado: LPR = 23 x FDH x FAV x FDVP x FFL x FRLT x FQPC (1) Onde: LPR (Limite de Peso Recomendável): Carga fácil e confortável (boa); o peso limiteideal, considerando que a carga esteja posicionada corretamente. 
 FDH (Fator de Distância Horizontal em relação à carga); 
 FAV (Fator de Altura Vertical em relação ao solo)
; FDVP (Fator de Distância Vertical percorrida); 
 FFL (Fator Frequência de Levantamento):Menor que uma vez a cada 5 minutos; 
 FRLT (Fator de Rotação Lateral do Tronco); 
 FQPC (Fator de qualidade de perca da carga).
Deste modo, é um método muito usado no Brasil e no mundo, porque pode ser aplicado desde análises dos postos de trabalho, perícias ocupacionais, até simulações de projetos de melhoria (SILVA; HECKSHER; LIMA,2015).
3.2.7 O Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares
O Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares, é capaz de realizar a avaliação dos sintomas de DORT bem como a relação com a morbidade osteomuscular, hábitos pessoais, variáveis demográficas e ocupacionais. O Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares e muito utilizado em forma de entrevista com os colaboradores, em que eles devem apontar os locais que mais sentem dor e qual a frequência. É muito simples e eficaz e consegue identificar os principais sintomas de DORTs (MOTA et al.,2014). A figura 4 exemplifica um modelo de Questionário Nórdico.
Figura 4 - Modelo de Questionário Nórdico.
 Fonte: Mota et al. (2014)
O diagrama facilita a localização de áreas dolorosas. A imagem do corpo humano de costas é dividida em vários segmentos e, após a jornada de trabalho do colaborador, o pesquisador faz com que ele aponte as regiões onde sente dores. O método pode ser aplicado com ou sem ajuda de softwares específicos, o que pode ser benéfica em algumas situações de pesquisa. Ademais, não demanda que sejam interrompidos o trabalho na coleta de dados. Contudo, é baseado de forma exclusiva para a colaboração do colaborador entrevistado, que pode vir a omitir ou superestimar alguma queixa (SILVA et al.,2014).
O método é útil em casos em que há uma pretensão de realização de uma análise abrangente, rápida e de baixo custo. Para tanto pode ser feito um levantamento inicial das situações que demanda análises mais minuciosas e medidas corretivas. É importante a manutenção de condições de trabalho adequadas para os colaboradores. Vale destacar que no Brasil e no mundo as empresas estão aos poucos aderindo aos conceitos de ergonomia para possibilitar que o ambiente de trabalho seja favorável a execução de tarefas vantajosas aos colaboradores. Sendo assim, o desempenho produtivo dos colaboradores tende a aumentar, e os índices de absenteísmo e afastamentos a diminuir (AMARAL,2014).
3.3 O CUSTO DE UM PROJETO DE ERGONOMIA 
A ergonomia como todas as outras atividades que são desenvolvidas no setor produtivo, só obtém uma aprovação houver uma comprovação de que é economicamente viável, e que terá um bom custo/benefício para a organização. Para tanto, é importante a demonstração dos custos necessários para a implementação do projeto ergonômico, levando em conta o material e equipamento, treinamento de pessoal, mas é essencial ser apontados os benefícios que o projeto ergonômico oferecerá para a organização, tais quais: economia de material, redução da ocorrência de acidentes e absenteísmo da organização, bem como o aumento da produtividade (OLIVEIRA; FONTES,2011).
Vale destacar que o projeto só se torna economicamente viável se a sua razão custo/benefício for menor que 1,0 sendo os benefícios superiores aos custos. Em grande parte dos casos os custos aparecem em curto prazo, enquanto os benefícios aparecem de forma gradativa, tendo um prazo estabelecido em algumas empresas para obtenção do retorno do investimento, que normalmente é de cinco anos. Em contrapartida, essa análise não é tão simples de fazer, porque existem dois elementos associados à relação custo/benefício que nem sempre podem ser quantificados, tais quais: risco de investimento e fatores intangíveis (MONTEIRO,2012).
Os riscos de investimentos podem ser classificados como as incertezas que ocorrem dentro do processo de implantação do projeto, causando assim certos imprevistos. Em se tratando da ergonomia isso normalmente ocorre por causa do avanço tecnológico provoca mudanças importantes no ambiente de trabalho. Deste modo, o retorno do investimento por vezes é menor do que o esperado, o que torna o projeto ergonômico inviável (NOGUEIRA,2011).
No que diz respeito aos fatores intangíveis são aqueles que não podem ser convertidos em valores monetários, tais quais : aumento da motivação dos colaboradores, uma melhora na comunicação do ambiente de trabalho, o aumento do conforto, embora não sejam quantificáveis são muito relevantes para a organização, em alguns casos até se sobressaem aos fatores quantificáveis porque as decisões envolvidas com esses fatores são tomadas no alto escalão(DOURADO;LIMA, 2011).
Uma análise de custo/beneficio é realizada inicialmente com os fatores quantificáveis e a seguir complementada com os fatores intangíveis, possibilitando a identificação de dados exatos para saber a viabilidade do projeto ergonômico e dados qualitativo e subjetivo, conhecendo assim as limitações da organização(FERREIRA, 2015). 
É importante destacar que a Ergonomia é conhecida no Brasil, em grande parte das vezes, somente como uma norma regulamentadora (NR17) que vem ganhando uma maior atenção de grandes, médias e pequenas empresas, no entanto, sua implantação pode oferecer um conjunto de benefícios, a saber : redução de custos com a saúde do trabalhador, o que consequentemente reduz os fatores de riscos ergonômicos; aumento nos índices de produtividade , o que pode eliminar os movimentos que não agregam valor ao produto, melhores arranjos físicos e células mais flexíveis(DAHER et al.,2011). 
Daher et al(2011) citam ainda melhoria na qualidade do produto , o que melhora a inspeção de qualidade com uma iluminação adequada; ambientes mais seguros e a percepção dos colaboradores no investimento da empresa, que pode ser revertido na qualidade de vida dos mesmos, reduzindo a rotatividade e o absenteísmo; ganhos com segurança e o investimento em ergonomia guarda relação com a segurança, pois o investimento em uma se torna ganho na outra, tornando atividades mais seguras.
A implantação da ergonomia nas empresas pode ser aplicada por meio de uma escala crescente simbolizando um degrau, onde mostra o passo a passo da implantação do processo no posto de trabalho : Situação primitiva: empresas que ainda trabalham da forma primária, com situações de trabalho desconfortáveis para o colaborador, gerando fadiga, dor e improdutividade;ambiente de trabalho: essa etapa do processo aponta as condições climáticas, preocupando-se com o frio e o calor excessivo, e circunstâncias de iluminação e conforto auditivo para o trabalhador; Método de trabalho: essa fase tem por objetivo planejar o trabalho com as devidas ferramentas disponíveis, a fim de reduzir os esforços na realização das atividades do trabalho(GRUBER; VERGARA,2019).
Ainda conforme Gruber e Vergara(2019) a organização do trabalho: é necessário o planejamento dos meios de trabalho para se alcançar o objetivo esperado, ou seja, tecnologia, maquinário, manutenção, matéria-prima, material, método, meio ambiente e mão-de-obra, devem funcionar perfeitamente para não sobrecarregar os colaboradores onde cada meio, tem a sua forma de prejudicar na ergonomia das empresas, caso não funcione corretamente; ergonomia no projeto: por fim, é a fase mais avançada de implantação da ergonomia, pois, fazendo a junção de todos os outros processos para o aprimoramento das condições de trabalho, o profissional de ergonomia realiza a análise dos impactos dessas condições de forma preventiva, podendo ser avaliadas para refletir em benefícios ergonômicos para o trabalhador.
Para reduzir a sobrecarga do trabalhador e elevar a produção também é importante ser pontual na data de entrega do produto final, sendo feita na data zero (data da entrega) ou menor que zero (entrega antecipada), contudo, as empresas têm um grande problema com a faltaRemigio; FERREIRA, Mário Cesar. Olhar de dirigentes sindicais sobre qualidade de vida no trabalho e mal-estar no trabalho. Estudos de Psicologia (Natal), v. 18, n. 2, p. 241-247, 2013.
TORRES, Bettina Patricia et al. Evaluación de sobrecarga Postural en Trabajadores: revisión de la Literatura. Ciencia & trabajo, v. 16, n. 50, p. 111-115, 2014.
VARGAS, Leandro Martinez. Conceitos ergonômicos e tecnologia adequada relacionados à qualidade de vida no trabalho e produtividade. Estudo de caso com gerentes de uma unidade do exército brasileiro. Publicatio UEPG: Ciências Exatas e da Terra, Agrárias e Engenharias, v. 18, n. 2, p. 61-61, 2012.
VASCONCELOS, Christianne Soares Falcão et al. Avaliação Ergonômica do Ambiente Construído: Estudo de caso em uma biblioteca universitária. Revista Ação Ergonômica, v. 4, n. 1, 2011.
VERGARA, Lizandra Garcia Lupi et al. ANÁLISE ERGONÔMICA NA ATIVIDADE DE DESRAMA FLORESTAL. Iberoamerican Journal of Project Management, v. 5, n. 1, p. 23-34, 2014.
VILELA, Rodolfo Andrade de Gouveia; ALMEIDA, Ildeberto Muniz; VEZZÁ, Flora Maria Gomide. The Investigation of Industrial Accidents: an interview with Michel Llory. Saúde e Sociedade, v. 22, n. 1, p. 262-269, 2013.
VILELA, Rodolfo; ALMEIDA, Ildeberto; MENDES, Renata. Da vigilância para prevenção de acidentes de trabalho: contribuição da ergonomia da atividade. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 10, 2012.
ZANETIN, Pamela Mayara; DE SOUZA FATEL, Elis Carolina. Avaliação da ergonomia e do uso de equipamentos de proteção individual em unidades produtoras de refeições. Revista da Associação Brasileira de Nutrição-RASBRAN, v. 8, n. 1, p. 90-100, 2017.
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