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FISIOTERAPIA: EVOLUÇÃO HISTÓRICA PROF. ME. MARCOS VINICIUS DA ROCHA BEZERRA z DEFINIÇÃO Ciência da saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas, na atenção básica, média complexidade e alta complexidade. Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da Bioquímica, da Biofísica, da Biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da cinesia patológica de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais (COFFITO, 2013) “A Fisioterapia, em sentido amplo, é a ciência que estuda o movimento humano. Com o sentido restrito à área de saúde, está voltada para o entendimento da funcionalidade humana. Ela estuda, diagnostica, previne e trata os distúrbios funcionais, entre outros, da cinesia humana decorrentes de alterações de órgãos e sistemas humanos. É a área de atuação do profissional formado em um curso superior de Fisioterapia. O fisioterapeuta é capacitado a avaliar, reavaliar, emitir ou prescrever o diagnóstico fisioterapêutico, prognóstico, prescrição, intervenção e alta, dentro de sua tipicidade assistencial” (RESOLUÇÃO COFFITO nº 8 e nº 80, 1975) z A partir desse conceito, podemos concluir que a Fisioterapia: Muito além de uma profissão, é uma ciência e, como tal, baseia-se em pesquisas desenvolvidas na área e está sempre em evolução; Não somente trata, mas também estuda e promove a saúde funcional, além de prevenir distúrbios funcionais. Além disso, trata recuperando funções de órgãos e sistemas de todo o corpo humano; Tem como objeto de estudo a cinesia, o movimento relacionado à função de órgãos e sistemas do corpo humano. Por isso, nosso diagnóstico é chamado diagnóstico cinesiológico funcional (o qual estudaremos mais adiante); Age nos cuidados à saúde do indivíduo nos três níveis de complexidade: Baixa complexidade (Atenção primária) Média Complexidade ( Atenção especializada) Alta complexidade Tem como referência o modelo biopsicossocial, com visão global do aspecto físico dos sistemas do corpo humano, além dos comportamentais e sociais. A Fisioterapia proporciona uma visão integral do ser e do adoecer, que compreende as dimensões física, psicológica e social. z Enquanto profissão, a Fisioterapia tem importância cada vez mais significativa na Saúde moderna. Do ponto de vista científico, tem acumulado conhecimento e experiências diversas, resultantes de investigações, pesquisas e práticas nas suas diferentes áreas de atuação. Isso possibilita sua consolidação como Ciência da Saúde, mostrando o seu real valor e sua necessidade como interventora no processo de promoção, manutenção e recuperação da saúde da população. A PARTIR DESSE CONCEITO, PODEMOS CONCLUIR QUE A FISIOTERAPIA: z FISIOTERAPEUTA Atua nas mais diferentes áreas com procedimentos, técnicas, metodologias e abordagens específicas que têm o objetivo de avaliar, tratar, minimizar problemas, prevenir e curar as mais variadas disfunções. O fisioterapeuta pode ser definido como um profissional de nível superior da área da Saúde, pleno e autônomo, que atua isoladamente ou em equipe em todos os níveis de assistência, incluindo prevenção, promoção, desenvolvimento, tratamento e recuperação da saúde em indivíduos, grupos de pessoas ou comunidades É o profissional que cuida da saúde da população com ênfase no movimento e na função, prevenindo, tratando e recuperando disfunções e doenças, sendo, portanto, seu principal objeto de trabalho a saúde funcional (BARROS, 2003). z Fisioterapeuta generalista: está capacitado para atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com conhecimento e competência para atuar em diferentes áreas e segmentos, desde o nascimento até a morte, nos diversos sistemas e órgãos do corpo humano (neurolocomotor, cardiorrespiratório, uroginecológico, dermatofuncional, entre outros); em ações da saúde coletiva, em programas e projetos de saúde pública, nas ações básicas em saúde, na área de vigilância sanitária e no campo de Fisioterapia do trabalho, como também na prescrição, no desenvolvimento, no tratamento e na recuperação de disfunções FISIOTERAPEUTA z Locais onde Fisioterapeutas podem exercer suas atividades: I. Hospitais; II. Clínicas; III. Consultórios; IV. Ambientes de trabalho; V. Instituições de ensino; VI. Centros esportivos; VII. Instituições de longa permanência; VIII. Centros de reabilitação; z FISIOTERAPIA CLÍNICA 1.1 - Atribuições Gerais 1.1.1 - Prestar assistência fisioterapêutica (Hospitalar, Ambulatorial e em Consultórios) 1.1.2 – Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, -prescrever, -planejar, -ordenar, -analisar, - supervisionar e avaliar os projetos fisioterapêuticos, a sua eficácia, a sua resolutividade e -as condições de alta do cliente submetido a estas práticas de saúde. 33 z 1.2 - Atribuições Específicas 9 - Hospitais, Clínicas e Ambulatórios a) Avaliar o estado funcional do cliente, a partir da identidade da patologia clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da anamnese funcional e exame da cinesia, funcionalidade e sinergismo das estruturas anatômicas envolvidas. b) Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, planejar, organizar, supervisionar, prescrever e avaliar os projetos terapêuticos desenvolvidos nos clientes. z 1.2.1 - Hospitais, Clínicas e Ambulatórios c) Estabelecer rotinas para a assistência fisioterapêutica, fazendo sempre as adequações necessárias. d) Solicitar exames complementares para acompanhamento da evolução do quadro funcional do cliente, sempre que necessário e justificado. e) Recorrer a outros profissionais de saúde e/ou solicitar pareceres técnicos especializados, quando necessário. 10 z 1.2.2 - Em Consultórios a) Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, a partir da identidade da patologia clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da anamnese funcional e exame da cinesia, da funcionalidade e do sinergismo das estruturas anatômicas envolvidas. b) Estabelecer o programa terapêutico do cliente, fazendo as adequações necessárias. c) Solicitar exames complementares e/ou requerer pareceres técnicos especializados de outros profissionais de saúde, quando necessários. 11 z 1.2.2 - Em Consultórios 12 d) Registrar em prontuário ou ficha de evolução do cliente, a prescrição fisioterapêutica, a sua evolução, as intercorrências e as condições de alta em Fisioterapia. e) Colaborar com as autoridades de fiscalização sanitárias e de equipamentos. f) Efetuar controle periódico da qualidade e z 1.2.3 - Centros de Recuperação Bio-Psico-Social (Reabilitação) a) Avaliar o estado funcional do cliente, através da elaboração do Diagnóstico Cinesiológico Funcional a partir da identidade da patologia clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da anamnese funcional e do exame da cinesia, da funcionalidade e do sinergismo das estruturas anatômicas envolvidas. b) Desenvolver atividades, de forma harmônica na equipe multiprofissional de saúde. c) Zelar pela autonomia científica de cada um dos membros da equipe, não abdicando da independência científico- profissional e da isonomia nas suas relações profissionais. 13 z 1.2.3 - Centros de Recuperação Bio-Psico-Social (Reabilitação) d) Participação plena na atenção de saúde prestada a cada cliente, na integração das ações multiprofissionalizadas, na sua resolutividade e na deliberação da alta do cliente. e) Participar das reuniões de estudos e discussões de casos, de forma ativa e contributiva aos objetivos pretendidos. f) Registrar no prontuário do cliente, todas as prescrições e ações neledesenvolvidas. 14 z SURGIMENTO Decreto-Lei nº 938 de 13 de outubro de 1969 PROVÊ SOBRE AS PROFISSÕES DE FISIOTERAPEUTA E TERAPEUTA OCUPACIONAL, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. Lei nº 6.316 de 17 de dezembro de 1975 CRIA O CONSELHO FEDERAL E OS CONSELHOS REGIONAIS DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. z História da Fisioterapia A história da profissão de fisioterapeuta no país tem sido objeto de estudo de professores e pesquisadores, principalmente fisioterapeutas vinculados a programas de pós-graduação em áreas como saúde coletiva, educação e na própria fisioterapia. Diversos trabalhos têm abordado períodos recentes da profissionalização da fisioterapia, tendo principalmente o Decreto-Lei 938, que regulamenta as profissões de fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional no Brasil, como ponto de partida de suas análises, passando pela criação dos Conselhos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional nos anos 1970 e utilizando, por vezes, a história como pano de fundo para suas produções acadêmicas (Rebelatto, 1986; Rebelatto e Botomé, 1999; Moura Filho, 1999; Barros, 2002b; Nicida, 2002). z Oliveira (2005) em sua pesquisa, retrata a importância da primeira (1914 – 1918) e da segunda (1939 – 1945) grande guerra mundial para o desenvolvimento da fisioterapia nos Estados Unidos e Europa, como também das epidemias de poliomielite. Somente na Inglaterra, a poliomielite atingiu “7.646 crianças e jovens durante a primeira grande epidemia em 1947, matando ou incapacitando um total de 20.000 pacientes nos cinco anos seguintes”. História da Fisioterapia z As primeiras escolas formadoras de fisioterapeutas de que se tem registro começaram a se organizar na Europa, especificamente na Inglaterra e Alemanha. A partir daí, foram se multiplicando nos demais países, com a criação de novas escolas nos Estados Unidos ainda no início do século XX e posteriormente desenvolvendo-se no Canadá e Austrália. Entre as décadas de 1940 e 1960 dezenas de países das Américas, Ásia e África começaram também a formar fisioterapeutas. História da Fisioterapia z Estados Unidos além das epidemias de poliomielite que varreram o mundo na primeira metade do século XX, a primeira e a segunda Guerras Mundiais, com seus milhões de feridos e sequelados, também contribuíram para aumentar a necessidade pelos serviços de fisioterapia. História da Fisioterapia z Em diversos países da América Latina, as primeiras instituições formadoras de fisioterapeutas foram criadas nas décadas de 1940 e 50. Foi o caso da Colômbia, em 1952/53, com a Escola Nacional de Fisioterapia, ligada ao Instituto Franklin Delano Roosevelt (Ascofi, 1984). No Chile, a Escola de Fisioterapia da Universidade do Chile foi criada em 1956 e passou a formar fisioterapeutas, que antes eram formados como especialização da profissão de educador físico (Chile, 2007). Na Argentina, um dos primeiros serviços especializados em fisioterapia, que incluía o treinamento profissional em fisioterapia, era o Instituto Municipal de Radiologia e Fisioterapia, criado em 1925 em Buenos Aires. História da Fisioterapia z Para Soares, os serviços de reabilitação foram desenvolvidos no Brasil a partir da década de 1940 e 1950 e, para isso, o país contou com o apoio de organismos internacionais como a Organização Internacional do Trabalho – OIT, a Organização das Nações Unidas – ONU e a Organização Mundial da Saúde – OMS. Os serviços de reabilitação foram criados principalmente em hospitais gerais e especializados, reabilitação profissional ligados aos antigos Institutos de Aposentadorias e Pensões IAP´s e em entidades da sociedade civil, ligados à reabilitação física e mental (Soares, 1987). História da Fisioterapia z Entidades profissionais da Fisioterapia Tais associações representam os interesses de seus associados e buscam, em geral: Aproximar os profissionais desenvolvendo a categoria e oferecendo benefícios aos seus membros. Promover eventos científicos (cursos, congressos, oficinas, seminários); incentivar a publicação de trabalhos, divulgação e produção científica nas mais diversas áreas de atuação. Em termos de representação, a profissão de fisioterapeuta no país está organizada por meio de associações científicas, culturais, profissionais e de ensino, sindicatos e conselhos de fiscalização profissional. São dezenas de associações que reúnem profissionais das mais diversas áreas de atuação. z Os sindicatos - tem por objetivo reunir e representar fisioterapeutas na área trabalhista, nas negociações salarias, definições do piso salarial e assistência jurídica aos seus sindicalizados. A participação ativa junto aos sindicatos está diretamente ligada as condições de trabalho e remuneração da categoria profissional. Entidades profissionais da Fisioterapia z Sistema COFFITO/CREFITOS: Trata-se de uma autarquia pública federal que tem por objetivo garantir a qualidade assistencial na área da fisioterapia no país. É um órgão público da administração indireta, que por força de lei deve fiscalizar a prestação de serviços na área, criar normas que definam critérios de atuação e julgar desvios de conduta e problemas encontrados. Entidades profissionais da Fisioterapia z O Conselho funciona também como órgão cartorial de registro obrigatório do profissional e tribunal de ética. A inscrição no Conselho e o pagamento das anuidades é condição obrigatória para o exercício da profissão de fisioterapeuta no país. Os membros dos Conselhos Regionais (CREFITOs) são eleitos a cada quatro anos pelos profissionais inscritos na jurisdição do conselho. Para o Conselho Federal, as eleições são indiretas, um delegado de cada Conselho Re- gional vota para a conformação da chapa. Entidades profissionais da Fisioterapia z image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image2.png image3.png