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EPIDEMIOLOGIA
Epidem
iologia
Aline Carvalho de Azevedo Aline Carvalho de Azevedo 
GRUPO SER EDUCACIONAL
gente criando o futuro
Caros leitores, é com imensa satisfação que apresento a vocês a disciplina de epide-
miologia. Aqui, vocês encontrarão os principais conceitos que envolvem a epidemiolo-
gia e observarão a importância das ações em saúde no campo da saúde pública.
Veremos como a evolução dos métodos possibilitou um maior engajamento entre as 
políticas públicas em saúde. A integração entre os gestores, as esferas governamen-
tais, os pro� ssionais da saúde e a população permeiam a epidemiologia e são essen-
ciais para sua contextualização.
Como uma ciência da saúde, a epidemiologia faz-nos entender como o monitoramen-
to de doenças pode auxiliar e fornecer informações relevantes para os sistemas de 
saúde. No contexto da medicina veterinária, abordaremos a elaboração de programas 
sanitários para o controle e erradicação de doenças de grande impacto na saúde hu-
mana e animal.
Podemos dizer que o foco dessa disciplina é o entendimento do processo saúde-doen-
ça, o funcionamento biológico de cada indivíduo e sua inserção na comunidade. Assim, 
faz-se necessário, também, o entendimento das variáveis envolvidas no processo de 
adoecimento, em busca de garantir o bem-estar e a qualidade de vida da população. 
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© Ser Educacional 2020
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Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
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Boxes
ASSISTA
Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple-
mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado.
CITANDO
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa 
relevante para o estudo do conteúdo abordado.
CONTEXTUALIZANDO
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato;
demonstra-se a situação histórica do assunto.
CURIOSIDADE
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto 
tratado.
DICA
Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma 
informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado.
EXEMPLIFICANDO
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto.
EXPLICANDO
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da 
área de conhecimento trabalhada.
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Unidade 1. Conceitos básicos em epidemiologia
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 12
Epidemiologia: contexto histórico .................................................................................... 13
História da epidemiologia no Brasil ............................................................................. 15
Conceito de saúde ................................................................................................................ 16
Direito à saúde ................................................................................................................. 20
Saúde pública e a promoção à saúde ......................................................................... 22
Conceito de doença ............................................................................................................. 26
Conceito de danos à saúde ................................................................................................ 29
Riscos à saúde ................................................................................................................. 30
Prevenção à saúde ......................................................................................................... 31
História natural da doença ................................................................................................. 31
Sintetizando ........................................................................................................................... 34
Referências bibliográficas ................................................................................................. 35
Sumário
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Sumário
Unidade 2 - Epidemiologia: conceito, objetivos e aplicabilidade no campo da saúde
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 40
Epidemiologia: conceito ..................................................................................................... 41
Estudos epidemiológicos ............................................................................................... 43
O conceito de causa em epidemiologia ...................................................................... 45
Epidemiologia: objetivos .................................................................................................... 47
Importância como eixo das ações de saúde e como base de informações ............. 49
Coleta de dados ............................................................................................................... 50
Sistemas de informação ................................................................................................. 52
Determinantes do processo saúde-doença .................................................................... 56
Adoção de políticas nos determinantes do processo saúde-doença .................... 60
Estrutura epidemiológica ................................................................................................... 61
Componentes da estrutura epidemiológica ................................................................ 62
Cadeia epidemiológica ................................................................................................... 63
Sintetizando ........................................................................................................................... 64
Referências bibliográficas ................................................................................................. 65
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Sumário
Unidade 3 - Indicadores epidemiológicos
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 68
Indicadores de saúde: indicador e índice ....................................................................... 69
A iniciativa Ripsa ................................................................................................................. 73
Indicadores de saúde e estatísticas públicas ................................................................ 75
Avaliação de indicadores............................................................................................... 76
Prevalência ....................................................................................................................... 77
Incidência ......................................................................................................................... 79
Mortalidade ......................................................................................................................acometem a população (GOMES, 2015, p. 10).
É levado em conta variações encontradas dentro de uma população (Figura 
1) no método descritivo do estudo epidemiológico, as quais permitem classifi-
car as pessoas em grupos de acordo com algumas características específicas, 
Transversal
Ecológico
Coorte
Caso-controle
Relato de casos Série de casos Observacionais Experimentais
*Ensaio clínico
*Ensaio de
comunidade
Estudos
epidemiológicos
Descritivos Analíticos
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chamadas de epidemiologia de categorias. Por exemplo, o grupo sanguíneo, 
quando são classifi cados pacientes que apresentam o grupo sanguíneo A fator 
RH positivo. Outras categorias periodicamente avaliadas nos estudos epide-
miológicos são: estado imunológico, condição sociocultural, condições traba-
lhistas, entre outros. 
É importante salientar que algumas variáveis podem estar conectadas, 
como a variável sexo, que aborda tanto a questão biológica quanto a social; a 
variável raça, que engloba uma abordagem biológica e social; a variável faixa 
etária, que permeia o aspecto biológico e social; a variável condição fi nanceira 
de uma família, que se refere aos aspectos sociais e culturais.
Pes
soa
 
“Q
ue
m es
tá 
exp
ost
o?”
Tempo
“Quando aconteceu?”
Lugar 
“Onde ocorreu?”
Figura 1. Método descritivo do estudo epidemiológico analisa a população/ pessoa, o tempo e o lugar.
O conceito de causa em epidemiologia
Em epidemiologia é importante conhecer as causas que levam os indiví-
duos a desenvolver determinadas doenças e agravos à saúde. Com esse co-
nhecimento, é possível, consequentemente, sugerir maneiras pelas quais esse 
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processo pode ser modificado. Atualmente, com o avanço da medicina e da 
genética, sabe-se que algumas doenças podem ser causadas exclusivamente 
por características genéticas, enquanto outras se destacam pela interação dos 
fatores genéticos com fatores ambientais. Logo, certos indivíduos podem se 
apresentar mais vulneráveis do que outros. Em geral, os desfechos em saúde 
são determinados por diferentes causas, ao que é definido como causalidade 
multifatorial das doenças.
A causa de uma doença ou agravo à saúde é um evento, condi-
ção, característica ou uma combinação desses fatores que de-
sempenham um papel importante no desenvolvimento de um 
desfecho em saúde. Logicamente, uma causa deve preceder o 
efeito (desfecho) (BONITA, 2010, p. 83).
A epidemiologia está vinculada a diferentes relações intraespecíficas. Pode-
-se afirmar que a classe social é um fator estritamente relacionado a problemas 
de saúde. As condições socioeconômicas, como a renda familiar, acesso à edu-
cação, condições de moradia e condições trabalhistas, torna o indivíduo mais 
ou menos suscetível a uma determinada condição de saúde. Tais condições 
(sociais, culturais e fitossanitárias) podem explicar o porquê de um determina-
do País ou região apresentar piores condições de saúde: a maior exposição a 
agentes microbiológicos devido à falta 
de espaço dentro das moradias, difi-
culdade de acesso à água tratada, fal-
ta de saneamento básico, alimentação 
precária, entre outros.
Para exemplificar a casualidade 
multifatorial, podemos tomar como 
base a tuberculose. O homem (hospe-
deiro) apresenta tanto fatores gené-
ticos (predisposição) quanto fatores 
ambientais/ externos (pobreza, des-
nutrição, aglomeração domiciliar, en-
tre outros) que favorecem a infecção, 
o que aumenta o risco de contrair a 
doença (Diagrama 3).
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DIAGRAMA 3. MODELO DE CASUALIDADE DA TUBERCULOSE
Fonte: BONITA, 2010. (Adaptado).
O trabalho de Pasteur sobre os microrganismos levou à formula-
ção dos seguintes postulados para determinar se um organismo 
vivo específi co causava uma doença em particular: 
• O organismo deve estar presente em todos os casos da doença; 
• O organismo deve ser capaz de ser isolado e crescer em cultura 
pura; 
• O organismo deve, quando inoculado em um animal suscetível, 
causar a doença específi ca; 
• O organismo deve, então, ser recuperado do animal e identifi -
cado (BONITA, 2010, p. 86).
Epidemiologia: objetivos
A epidemiologia, ciência que estuda a dinâmica do processo saúde-doença 
possui objetivos e princípios básicos para o seu cumprimento. Para que re-
sultados sejam alcançados é necessário que a epidemiologia analise como as 
doenças se distribuem e se desenvolvem, qual é a relação com os determinan-
Hospedeiro 
suscetível 
Fatores 
genéticos
Aglomeração 
domiciliar
Fatores de risco para tuberculose Mecanismo para tuberculose
Invasão 
tecidual
Exposição 
às bactérias
Desnutrição
Pobreza
Infecção Tuberculose
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tes em saúde e que proponha novas medidas com a intenção de prevenção e 
controle de doenças, prevenção de riscos à saúde (danos à saúde) e demais 
eventos relacionados à saúde, bem como forneça subsídios úteis para que se-
jam feitos planejamento, administração e adoção de medidas em saúde.
Do ponto de vista do alvo do estudo epidemiológico, encontra-se a popu-
lação, que são as pessoas envolvidas nesse processo avaliativo, que permite 
impor as articulações necessárias e propor o controle de doenças infecciosas.
Para cumprir seus propósitos, a epidemiologia possui como objetivos:
• A descrição da ocorrência da distribuição de problemas de saúde na 
população: como primeiro passo para um estudo epidemiológico, é necessário 
que sejam tomadas notas e referências do que acontece de novo e diferente ou 
reemergente em um determinado período e, assim, podem ser feitos relatos do 
que precisa ser levado em consideração para a adoção de medidas cabíveis em 
saúde pública; 
• A identificação de fatores de riscos no que se refere ao processo saú-
de-doença: depois de visto que novas doenças ou alterações na saúde da po-
pulação humana acontecem, é necessário que sejam investigados e identifica-
dos o que leva a essa população apresentar maior ou menor risco à sua saúde. 
Aqui, pode-se dizer que é a peça-chave para encontrar caminhos que levem a 
novas descobertas e sugestões;
• A análise de fatores externos (ambientais e socioeconômicos) que pos-
sam estar relacionados às condições de vida e saúde da população: é sabido 
que não apenas condições individuais ou predisposições genéticas de cada pes-
soa são fatores únicos para deixar o indivíduo mais propício ao adoecimento. 
Fatores externos, ambientais ou socioeconômicos estão comprovadamente re-
lacionados a algumas doenças. Dessa forma, a epidemiologia tenta interferir de 
maneira que amenize os riscos à população;
• A geração de dados e elaborações de planos em saúde: 
começa nesse ponto, a partir dos dados coletados, a 
elaboração de ações que visam garantir a prevenção 
e promoção da saúde. A geração de dados garante 
informações fidedignas que levam as esferas en-
volvidas a investir em medidas de contenção e me-
lhoria na qualidade de vida da população;
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• A fundamentação de planos de ação, planejamento e execução de 
práticas preventivas e de controle e o tratamento de doenças: nesse mo-
mento, fala-se em execução, ao colocar em prática tudo que até esse momento 
foi relatado, calculado e embasado. As ações de prevenção são tão importan-
tes quanto as ações de promoção da saúde, cada uma em um momento opor-
tuno para sua implementação;
• A fundamentação e consistência de novos programas e tecnologias 
que visem à assistência e vigilância em saúde: em um último pla-
no de um processo inteiramente integrado, chega-se à fundamen-
tação, isto é, a confi rmação e adoção de programas 
baseados em evidências. Tudo o que foi coletado, 
proposto, estudado e aceito até o momento se tor-
nauma medida palpável. Nesse momento, a averi-
guação das medidas tomadas se torna uma função 
da vigilância em saúde.
Importância como eixo das ações de saúde e como 
base de informações
A epidemiologia é uma ciência dentro do campo das ciências naturais. Ainda 
assim, de acordo com seus objetivos e campos de atuação, é possível classifi -
cá-las em subgrupos como a epidemiologia clínica, epidemiologia investigativa, 
epidemiologia nutricional, epidemiologia de campo e epidemiologia descritiva.
Independente da classifi cação da epidemiologia, todas as suas categorias 
possuem em comum objetivos claros: identifi car as condições de saúde de 
uma determinada população a fi m de construir indicadores de saúde; inves-
tigações das razões sociais para uma determinada situação de saúde; avaliar 
como as ações propostas impactam na vida da população, visando sua me-
lhoria e bem-estar.
A epidemiologia é a ciência utilizada como eixo norteador nas tomadas de 
decisões e na implementação das ações em saúde. Analisar como uma doença 
se distribui, quais os fatores envolvidos nessa distribuição e qual é sua duração 
são trabalhos importantes dos epidemiologistas para compreender o que se 
passa em determinada população em um período específi co. 
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Coleta de dados
A aquisição de dados e informações forma o alicerce para que um es-
tudo epidemiológico contemple a organização, a gestão e a consolidação 
de ações em saúde. Deve ser considerado que a variedade e quantidade de 
dados aumentem de acordo com o desenvolvimento e aquisição de novas 
tecnologias. A geração de dados, como de coleta, monitoramento e comu-
nicação são pontos importantes para o planejamento e para a execução de 
ações em saúde.
Em saúde pública, compreende-se dado como registro de ob-
servações e de medidas objetivas de características de pes-
soas e de fatos que compõem determinado evento ou ocor-
rência de saúde em determinado tempo e lugar. Nessa linha, 
o dado agrega significado aos eventos de saúde (CUNHA; 
VARGENS, 2016, p. 73).
A primeira etapa é a coleta de 
dados através da produção da infor-
mação e posterior registro do que foi 
coletado. De maneira geral, esse re-
gistro é feito em papel ou em plata-
forma eletrônica (sites e aplicativos), 
mais comumente utilizado. Em casos 
de registro manual em papel, esse 
documento necessita ser arquivado 
para fi ns de comprovação de fatos. 
Para que as etapas seguintes sejam 
realizadas, é imprescindível que a 
qualidade dos dados esteja atendendo aos requisitos básicos.
A coleta de dados ocorre em três esferas de atuação do sistema de saúde. 
As unidades ambulatoriais de saúde, hospitais e outras fontes de informa-
ções em saúde relatam à esfera municipal, como a secretaria municipal de 
saúde. Em seguida, passam a confi gurar responsabilidade da rede regional de 
saúde, no âmbito estadual e consequentemente ao Ministério da Saúde, no 
âmbito federal (Diagrama 4).
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DIAGRAMA 4. FLUXO DE INFORMAÇÃO DO SINAN
Fonte: GUSMÃO; FILHO, 2015, p. 23. (Adaptado).
Unidades ambulatoriais
de saúde Hospitais
Secretaria municipal
de saúde Municipal
Regional de saúde
Estadual
Secretaria estadual de saúde
Ministério da Saúde Nacional
Outras fontes
São classificados como requisitos básicos no controle da qualidade da cole-
ta/ geração de dados: ser fidedigno (corresponder com exatidão à realidade do 
fato); ser atual (os dados devem ser traçados com periodicidade e divulgados 
no momento oportuno) e ser completo (deve relatar o máximo de característi-
cas possíveis de um determinado evento).
A coleta de dados ocorre em todos os níveis de atuação do 
sistema de saúde. A força e o valor da informação (o dado 
analisado) dependem da qualidade e f idedignidade com que 
o mesmo é gerado. Para isso, faz-se necessário que os res-
ponsáveis pela sua geração estejam bem preparados para 
diagnosticar corretamente o caso, como também para rea-
lizar uma boa investigação epidemiológica, e fazer registros 
claros e objetivos destes e de outros dados de interesse, 
para que possam refletir a realidade da forma mais f idedigna 
possível (BRASIL, 2002, p. 14).
As informações que passaram pelas etapas de coleta e registro são in-
seridas em um banco de dados, que permitirá o acesso rápido no momento 
da análise. Após essa etapa, os dados passam pela codificação, isso é, são 
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transformados em valores numéricos ou letras (códigos) e por classifi cação 
em grupo ou categorias determinadas previamente, fase conhecida como 
processamento de dados. Por fi m, a divulgação é realizada e pode variar 
de acordo com o perfi l da análise ou das variações utilizadas no estudo. 
Dados e informações constituem um bem público, portanto, de-
vem estar acessíveis à população. Geralmente, no serviço de saú-
de, a divulgação da informação é realizada em formato de boletins 
ou de relatórios e é disseminada na Rede de Serviços, via sistemas 
de informação específi cos (CUNHA; VARGENS, 2016, p. 75).
EXEMPLIFICANDO
Dados podem ser conceituados como as características das variáveis 
analisadas em um estudo epidemiológico, por exemplo, pessoas, regiões 
e aspectos sociais. Na saúde pública, um dado está vinculado à descri-
ção de uma situação ou fato, e não a um contexto explicativo. Quando os 
dados adquiridos são processados e convertidos em um contexto com 
signifi cância é possível afi rmar que o dado gerou uma informação, pois 
possui uma realidade associada.
Sistemas de informação
Os sistemas de Informação em saúde foram desenvolvidos por inter-
médio do SUS para facilitar o acesso à situação de saúde em um determi-
nado local. Essa averiguação deve ter como referencial regiões pequenas 
e homogêneas, sem deixar de levar em conta as condições socioculturais 
da população em questão. Um ponto a ser ressaltado é a necessidade de 
integração dos sistemas de geração de dados para que contribuam para as 
ações da vigilância em saúde. 
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) define siste-
ma de informação em saúde como conjunto de componen-
tes (estruturas administrativas, departamento de estatística 
de saúde, unidades de informação em saúde) que atua, de 
forma integrada, com finalidade de produzir informação ne-
cessária e oportuna para implementar processos de decisão 
na área (ORGANIZACION PANAMERICANA DE SALUD, 1984 
citado por CUNHA; VARGENS, 2016, p. 78).
EPIDEMIOLOGIA 52
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O desenvolvimento dos sistemas de informação - sistemas que foram desen-
volvidos com a finalidade de gerar dados baseados nas variações epidemiológi-
cas - foi possível graças ao avanço da tecnologia. O surgimento e o crescimento 
da informática aumentaram o acesso à tecnologia, tornando a aquisição dessas 
informações um recurso relevante e frequente em diversos setores da comuni-
cação. A década de 1990 foi marcante para o Brasil pelo exponencial crescimento 
do setor de processamento de dados. Nesse período, pode-se considerar que a 
epidemiologia entrou em um processo de transição e evolução.
Para que a demanda de serviço fosse realizada com eficiência de acordo 
com a consolidação da tecnologia, era necessário deter conhecimentos espe-
cíficos, além de conhecer as técnicas de manipulação dos equipamentos. Para 
isso, mão de obra qualificada era extremamente necessária na época.
Os profissionais envolvidos nos estudos epidemiológicos iniciam uma in-
vestigação epidemiológica por meio de dados e informações periodicamen-
te coletados para saber como está o estado de saúde de uma determinada 
população. Assim, é possível averiguar as necessidades básicas e quais serão 
as medidas necessárias de acordo com o que foi analisado. 
EXPLICANDO
A investigação epidemiológicaconsiste em um procedimento que não 
apenas vincula-se a informações da notificação (como fonte de infecção, 
transmissibilidade, patogenicidade, riscos) mas, sobretudo, possibilita a 
descoberta de novos casos que não foram notificados. A importância da 
notificação promove uma maior robustez dos dados gerados pela epide-
miologia, o que favorece a aplicabilidade de políticas e ações em saúde.
De forma geral, os países registram nos atestados de óbito as causas da morte 
do paciente e informações como idade, sexo e região de residência. A Classifica-
ção Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde (CID) for-
nece informações sobre classificação dos óbitos. O CID é revisado e avaliado pe-
riodicamente de acordo com a relevância e emergência das doenças e surgimento 
de novas doenças infecciosas, assim como quais são os critérios de diagnósticos 
estabelecidos. Assim, é possível relacionar os óbitos de um grupo de pessoas à 
localidade, condição social, idade e outras variações com a finalidade de comparar 
e incluir dados sobre mortalidade e avaliar as mudanças ao longo do tempo.
EPIDEMIOLOGIA 53
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O objetivo dos sistemas de informação é transformar os dados gerados em 
informações úteis e contextualizá-los. Pa ra que esse processo linear (dado - in-
formação) ocorra é necessário a integração de alguns passos importantes, como: 
entrada (alocação de dados na plataforma virtual); processamento (conversão 
dos dados iniciais em informação, ou seja, em um formato contextualizado levan-
do em conta aspectos externos); armazenamento (maneira de manter os dados 
armazenados para posteriores análises); saída (geração de uma informação final, 
por exemplo, a produção de um relatório) e controle de desempenho (ajusta e 
formaliza as funções de entrada e saída para que ambas apresentem uma conec-
tividade, efetivando uma conclusão do relatório). 
Enquanto os sistemas de informação em saúde agregam 
dados e informações necessários ao planejamento, à avaliação 
e à operacionalização de ações e de serviços de saúde na 
perspectiva do cuidado individual e da saúde coletiva, as 
tecnologias de informação e comunicação permitem acesso a 
dados armazenados nos diferentes sistemas de informação 
(CUNHA; VARGENS, 2016, p. 86).
No Brasil, a oficialização dos Sistemas de Informação em Saúde (SIS) ocorreu 
a partir do estabelecimento das declarações de óbito na década de 1970. A partir 
de 1990, o desenvolvimento do SIS acompanha a regulamentação do Sistema 
Único de Saúde (SUS) pelo acelerado processo de crescimento e consolidação 
das tecnologias de informação no País. O SIS propôs o estabelecimento de dife-
rentes bases de dados de abrangência nacional que contemplam o registro de 
diferentes naturezas (Quadro 1). A utilização dos sistemas de informação nacio-
nais é uma etapa pré-analítica para o desenvolvimento de informações a serem 
disponibilizadas pelo SUS.
CONTEXTUALIZANDO
O CID tornou-se o padrão de classificação diagnóstica para todos os 
propósitos epidemiológicos e de registros em saúde. O CID-10 é utilizado 
para classificar doenças e outros problemas de saúde em diferentes tipos 
de registros, incluindo atestados de óbito e registros hospitalares. Essa 
classificação permite resgatar informações clínicas e epidemiológicas e 
compará-las com estatísticas nacionais de morbimortalidade. A Classifica-
ção Internacional de Doenças está, atualmente, em sua 10ª revisão, sendo, 
por essa razão, chamada de CID-10 (BONITA, 2010, p. 23).
EPIDEMIOLOGIA 54
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Sistemas de informação 
de saúde Objeto de registro Usos
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação Agravos e doenças notifi cáveis
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
notifi cação.
SIM – Sistema de Informação 
sobre Mortalidade Óbito Perfi l de mortalidade
SIH-SUS – Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS 
Internações fi nanciadas pelo 
SUS
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Sinasc – Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos Nascido vivo Perfi l das condições de 
nascimento
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
Básica 
Ações e procedimentos da 
Atenção Básica
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
SI-PNI – Sistema de 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Nutrição
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
nutricional.
Sisprenatal – Sistema de 
Acompanhamento da 
Gestante. 
Ações do Programa de 
pré-natal
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
Procedimentos de alta 
complexidade ou alto custo.
Monitoramento 
do quantitativo de 
procedimentos de alto custo e 
complexidade
Sinan – Sistema de Informação Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
SIM – Sistema de Informação 
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
SIM – Sistema de Informação 
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
SIM – Sistema de Informação 
sobre Mortalidade 
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
SIM – Sistema de Informação 
sobre Mortalidade 
SIH-SUS – Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS 
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
SIM – Sistema de Informação 
sobre Mortalidade 
SIH-SUS – Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
SIM – Sistema de Informação 
sobre Mortalidade 
SIH-SUS – Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
Sinan – Sistema de Informação 
de Agravos de Notifi cação 
SIM – Sistema de Informação 
sobre Mortalidade 
SIH-SUS – Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos 
Sisab – Sistema de Informação 
SIM – Sistema de Informação 
sobre Mortalidade 
SIH-SUS – Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
Agravos e doenças notifi cáveis
SIM – Sistema de Informação 
SIH-SUS – Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
Agravos e doenças notifi cáveis
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
Agravos e doenças notifi cáveis
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
Básica 
SI-PNI – Sistema de 
Informações do Programa 
Agravos e doenças notifi cáveis
Informações Hospitalares do SUS 
Sinasc – Sistema de Informação 
sobre Nascidos Vivos 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
Básica 
SI-PNI – Sistema de 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Agravos e doenças notifi cáveis
Internações fi nanciadas pelo 
Sinasc – Sistema de Informação 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
Básica 
SI-PNI – Sistema de 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Agravos e doenças notifi cáveis
Óbito
Internações fi nanciadas pelo 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde paraa Atenção 
SI-PNI – Sistema de 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Agravos e doenças notifi cáveis
Óbito
Internações fi nanciadas pelo 
Sisab – Sistema de Informação 
em Saúde para a Atenção 
SI-PNI – Sistema de 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Agravos e doenças notifi cáveis
Internações fi nanciadas pelo 
SI-PNI – Sistema de 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Agravos e doenças notifi cáveis
Internações fi nanciadas pelo 
SUS
Nascido vivo
Ações e procedimentos da 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Estudos de morbidade de 
Internações fi nanciadas pelo 
Nascido vivo
Ações e procedimentos da 
Informações do Programa 
Nacional de Imunizações. 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
Internações fi nanciadas pelo 
Nascido vivo
Ações e procedimentos da 
Atenção Básica
Nacional de Imunizações. 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
Internações fi nanciadas pelo 
Nascido vivo
Ações e procedimentos da 
Atenção Básica
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
Ações e procedimentos da 
Atenção Básica
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Sisvan – Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional 
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
notifi cação.
Perfi l de mortalidade
Ações e procedimentos da 
Atenção Básica
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Ações previstas na Política 
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
notifi cação.
Perfi l de mortalidade
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Ações e procedimentos da 
Atenção Básica
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
notifi cação.
Perfi l de mortalidade
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Ações e procedimentos da 
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Estudos de morbidade de 
agravos e doenças sob 
Perfi l de mortalidade
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Perfi l das condições de 
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Perfi l de mortalidade
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Perfi l das condições de 
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
Ações assistenciais e 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Perfi l de mortalidade
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Perfi l das condições de 
nascimento
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Nutrição
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Perfi l das condições de 
nascimento
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
administrativas do Programa 
Nacional de Imunizações
Monitoramento da cobertura 
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Nutrição
Perfi l de morbidade e 
mortalidade hospitalar no SUS
Perfi l das condições de 
nascimento
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
Monitoramento da cobertura 
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
Nutrição
mortalidade hospitalar no SUS
Perfi l das condições de 
nascimento
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
Ações previstas na Política 
Nacional de Alimentação e 
mortalidade hospitalar no SUS
Perfi l das condições de 
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento do perfi l 
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
Monitoramento das condições 
de vida e saúde dos indivíduos 
e famílias cadastradas
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
Monitoramento da atenção 
de vida e saúde dos indivíduos 
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
Monitoramento da atenção 
Monitoramento da cobertura 
vacinal e dos eventos 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
nutricional.
Monitoramento da atenção 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
nutricional.
Monitoramento da atenção 
adversos, controle de estoque 
e distribuição de insumos.
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
nutricional.
Monitoramento da atenção 
Monitoramento do perfi l 
alimentar e da situação 
Monitoramento da atenção 
alimentar e da situação 
Monitoramento da atenção Monitoramento da atenção Monitoramento da atenção 
Sisprenatal – Sistema de Sisprenatal – Sistema de 
Acompanhamento da 
Sisprenatal – Sistema de 
Acompanhamento da 
Sisprenatal – Sistema de 
Acompanhamento da 
Gestante. 
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
Sisprenatal – Sistema de 
Acompanhamento da 
Gestante. 
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
Sisprenatal – Sistema de 
Acompanhamento da 
Gestante. 
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
Sisprenatal – Sistema de 
Acompanhamento da 
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
Acompanhamento da 
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
SIA-Apac – Sistema de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
Ações do Programa de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
Ações do Programa de 
Informações Ambulatoriais 
do SUS e Autorização de 
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
Ações do Programa de 
pré-natal
Procedimentos Ambulatoriais 
de Alta Complexidade/Custo. 
Ações do Programa de 
pré-natal
de Alta Complexidade/Custo. 
Ações do Programa de 
pré-natal
Procedimentos de alta 
complexidade ou alto custo.
Ações do Programa de 
pré-natal
Procedimentos de altacomplexidade ou alto custo.
Ações do Programa de 
Procedimentos de alta 
complexidade ou alto custo.
Procedimentos de alta 
complexidade ou alto custo.
Monitoramento da atenção 
Procedimentos de alta 
complexidade ou alto custo.
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Procedimentos de alta 
complexidade ou alto custo.
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Procedimentos de alta 
complexidade ou alto custo.
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
complexidade ou alto custo.
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
procedimentos de alto custo e 
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
Monitoramento 
do quantitativo de 
procedimentos de alto custo e 
Monitoramento da atenção 
à gestante e à puérpera 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
Monitoramento 
do quantitativo de 
procedimentos de alto custo e 
cadastrada no Programa de 
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
Monitoramento 
do quantitativo de 
procedimentos de alto custo e 
complexidade
Humanização no Pré-natal e 
Nascimento (PHPN)
Monitoramento 
do quantitativo de 
procedimentos de alto custo e 
complexidade
Monitoramento 
do quantitativo de 
procedimentos de alto custo e 
complexidade
do quantitativo de 
procedimentos de alto custo e 
complexidade
procedimentos de alto custo e 
complexidade
procedimentos de alto custo e 
Há um consenso sobre a importância central da informação para 
avaliar o sucesso das políticas de saúde. Este consenso se mani-
festa em relatórios e recomendações de Conferências de Saúde, 
ofi cinas de trabalho do SUS e eventos de sociedades científi cas. 
Informações epidemiológicas, fi nanceiras, orçamentárias, legais, 
normativas, socioeconômicas, demográfi cas e sobre recursos fí-
sicos e humanos, oriundas de dados de qualidade são capazes 
de revelar a realidade de serviços e ações de saúde e a situação 
de saúde da população, evidenciando vantagens e problemas de 
prioridades e investimentos defi nidos (BRASIL, 2004, p. 21).
QUADRO 1. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE ABRANGÊNCIA NACIONAL DO
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Fonte: CUNHA; VARGENS, 2016, p. 87 (Adaptado).
EPIDEMIOLOGIA 55
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 55 09/11/2020 11:42:39
Os sistemas de informação em saúde têm como objetivo a gestão, a vigi-
lância em saúde e os sistemas de prevenção e atenção primária. Logo, pode-se 
afi rmar que as informações em saúde obtidas e processadas são importantes 
insumos para que os profi ssionais de saúde possam trabalhar de maneira efi -
caz em um sistema de gestão integrado aos órgãos competentes.
O Ministério da Saúde, por meio do Portal da Saúde, leva informações con-
cretas sobre a situação de saúde no País. É possível utilizar fi ltros no portal 
eletrônico e pesquisar o que a vigilância considerar ser mais interessante. É um 
sistema de fácil acesso para estudantes e pesquisadores da área biomédica 
que queiram acompanhar a situação epidemiológica de determinada doença 
no Brasil (Figura. 2).
Figura 2. Portal da Saúde, mídia eletrônica do Governo Federal: disponibiliza informações sobre o estado de saúde da 
população brasileira.
Determinantes do processo saúde-doença
Os determinantes do processo saúde-doença incluem diferentes fatores 
que podem afetar o estado de saúde de um indivíduo, por exemplo, os fatores 
EPIDEMIOLOGIA 56
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 56 09/11/2020 11:42:39
biológicos, socioculturais, econômicos e comportamentais. A união e o equilí-
brio desses fatores resultam na definição de saúde (Figura 3). A Organização 
Mundial da Saúde (OMS) define que os determinantes sociais da saúde estão 
intimamente relacionados às condições de vida e trabalho de um determinado 
indivíduo na sociedade. A situação econômica é um dos fatores mais importan-
tes na concepção do processo saúde-doença, pois irá impactar diretamente no 
estado de saúde do paciente.
Renda Alimentação 
Emprego 
Condições 
de moradia 
Posse 
de terra Meio ambienteAcesso à educação 
Transporte Trabalho
Liberdade 
Acesso à saúde Lazer
Figura 3. A saúde é resultante do equilibro entre diferentes fatores. 
Alguns estudos experimentais foram desenvolvidos na tentativa de modificar os 
determinantes envolvidos no processo saúde-doença, como interrom-
per uma doença por meio de um tratamento. No entanto, esses tipos 
de estudos experimentais passam por uma série de restri-
ções, pois impactam diretamente na vida das pessoas. 
Para o entendimento de como tais determinan-
tes interferem no processo saúde-doença é pre-
ciso retomar o conceito de saúde e doença como 
eventos opostos, mas que possuem uma conexão.
EPIDEMIOLOGIA 57
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 57 09/11/2020 11:42:40
O processo saúde-doença marca a epidemiologia social, isso é, aquela que 
considera a saúde e doença como razões no coletivo. Dessa forma, o processo 
saúde-doença deve sempre ser embasado no bem-estar social da população, 
objeto de pesquisa da saúde pública. Esse processo ocorre por processos bio-
lógicos e sociais de desgaste que tem como consequência o adoecimento dos 
indivíduos (Figura 4).
Figura 4. Aspectos sociais e ambientais podem interferir no bem-estar e na qualidade de vida dos indivíduos. 
Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/09/2020.
O processo saúde-doença é um dos pontos centrais para os 
profissionais da saúde que buscam promovê-la, cuidando para 
que as pessoas possam ter, tanto quanto possível, uma boa 
qualidade de vida, mesmo quando as limitações se estabele-
cem. Para essa relação especial com os clientes, é necessário o 
aprendizado do uso dos instrumentos e das tecnologias para o 
cuidado que compõe a formação desses profissionais (VIANNA, 
2012, p. 86).
A busca pela saúde é um propósito em comum a toda população. Para isso, 
os profissionais da saúde e gestores trabalham pelo acesso à inclusão e ade-
rência de políticas de saúde que promovam ações em saúde.
EPIDEMIOLOGIA 58
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 58 09/11/2020 11:42:40
Alguns fatores intrínsecos e extrínsecos ao homem estão relacionados ao 
processo saúde-doença, que incluem causas suficientes para que uma doença 
seja adquirida e desenvolvida. Em alguns casos, a exposição a diversos deter-
minantes nem sempre podem subsidiar alterações imediatas ao indivíduo. Os 
casos em que a tríade ambiente-determinante-susceptibilidade se manifesta 
tardiamente, mas da mesma forma, acometem o bem-estar da população em 
um momento ou outro.
Carvalho e colaboradores (2005) citado por Lima e colaboradores (2008) 
sugere alguns dos fatores determinantes do processo saúde-doença: seden-
tarismo, tabagismo, obesidade, alcoolismo, estresse, baixa autoestima, uso 
incorreto de medicamento, uso inadequado da alimentação, problemas cola-
borativos e preexistentes, relações interpessoais prejudicadas, renda insufi-
ciente, educação inadequada, disposição ineficaz de agenda para tratamento e 
problemas com os cuidadores dos parciais ou totalmente dependentes.
A política de saúde engloba ações de promoção a saúde que 
cobrem os determinantes sociais, econômicos e ambien-
tais da saúde. A política de saúde pode ser vista como um 
conjunto de decisões sobre os objetivos estratégicos para 
o setor saúde e os meios para alcançar esses objetivos. A 
política é expressa em normas, práticas, regulamentos e leis 
que afetam a saúde da população e que em conjunto dão 
formato, direção e consistência às decisões tomadas ao lon-
go do tempo (BONITA, 2010, p. 165).
As políticasde saúde são referidas principalmente aos cuidados médicos ou 
pela organização assistencial de serviços de saúde. As decisões políticas tam-
bém influenciam as tomadas de decisões em saúde. Uma política verdadeira 
deve se empenhar em fornecer ações de saúde, como prevenção e 
promoção. Para que isso ocorra os determinantes do processo saú-
de-doença necessitam ser constantemente avaliados.
Os últimos 50 anos demonstraram a importância 
da epidemiologia como ciência. Hoje, seu maior de-
safio é avaliar como os determinantes de saúde e 
doença influenciam o processo saúde-doença. Os 
epidemiologistas estão preocupados não somente 
EPIDEMIOLOGIA 59
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 59 09/11/2020 11:42:40
com a vida ou morte de um indivíduo, mas também com a melhoria dos indica-
dores de saúde e com maneiras de promover saúde.
Uma nova maneira de pensar a saúde e a doença deve incluir explicações para 
os achados universais de que a mortalidade e a morbidade obedecem a um gra-
diente, que atravessa as classes socioeconômicas, de modo que menores rendas 
ou status social estão associados a uma pior condição em termos de saúde. Tal 
evidência constitui-se em um indicativo de que os determinantes da saúde estão 
localizados fora do sistema de assistência à saúde (VIANNA, 2012, p. 78). Em algu-
mas situações é importante se atentar para não culpar as pessoas quanto a deter-
minadas condições em que as mesmas se encontram, por exemplo, condições de 
trabalho insalubres que podem interferir na vida e nos cuidados de um indivíduo.
Adoção de políticas nos determinantes do processo 
saúde-doença
Os determinantes do processo saúde-doença infl uenciam diretamente o 
estilo de vida das pessoas. Por isso, foram pensadas e propostas políticas que 
garantam e estimulam a mudança no comportamento através de práticas e 
ações educativas, facilitando o acesso às comunidades menos favorecidas, pro-
movendo assim equidade social.
O estilo de vida e o comportamento dos cidadãos formam a entrave do início 
da promoção a saúde. A facilidade ao acesso a uma alimentação saudável, criação 
de academias ao ar livre e espaços para práticas de atividades físicas são algumas 
das atitudes propostas. Além disso, as redes de solidariedade, que visam o aco-
lhimento da comunidade, a implementação de redes de apoio e participação dos 
envolvidos, também pretendem aprimorar medidas e assim reduzir os possíveis 
danos no processo saúde-doença. Condições socioeconômicas, culturais, sanitá-
rias e trabalhistas envolvem diretamente as condições de vida de um indivíduo.
Para elucidar como a promoção da saúde vincula-se à adoção de medidas e po-
líticas nos determinantes do processo saúde-doença, podemos citar o tabagismo. 
Atualmente, é sabido que a principal causa do aumento do número de pessoas 
com câncer de pulmão é o tabagismo. Os primeiros estudos epidemiológicos que 
fi zeram a relação do tabagismo com o câncer de pulmão são datados de 1950. O 
tabagismo é uma prática que pode ser iniciada pela infl uência familiar ou de ami-
EPIDEMIOLOGIA 60
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 60 09/11/2020 11:42:40
gos ou pela ausência de estrutura emocional e educacional. O Instituto Nacional 
do Câncer (INCA) conta hoje como uma rede de apoio que se baseia em campa-
nhas e projetos para o controle do tabagismo. Diferentes locais (escolas, universi-
dades, unidades de saúde, empresas, entre outros) participam de um Plano Global 
de Controle do Tabagismo e Prevenção Primária do Câncer (Diagrama 5). 
DIAGRAMA 5. PLANO GLOBAL DE CONTROLE DO TABAGISMO E
PREVENÇÃO PRIMÁRIA DO CÂNCER
Fonte: BONITA, 2010, p. 84 (Adaptado).
As políticas que atuam no nível sanitário e com condições de trabalho 
normalmente são de responsabilidade de vários setores, como ofere-
cer a população água limpa e tratada, saneamento básico, habitação, 
alimentos saudáveis e nutritivos, emprego, ambientes de trabalho 
saudáveis, serviços de saúde e educação de qualidade etc. (BUSS, 
2007 citado por GUSMÃO; FILHO, 2015, p. 18).
Estrutura epidemiológica
A estrutura epidemiológica é defi nida como a relação das diferentes verten-
tes que determinam o agravo de uma doença: o meio ambiente, os hospedei-
ros e agente causador, podendo esse último ser químico, biológico ou físico. A 
integração entre esses três fatores leva a uma determinação do comportamen-
to da saúde da população em um determinado período de tempo.
INCA
Contapp
Centro de Tratamento da
Dependência à Nicotina
Escolas Ambientes de trabalho Unidades de Saúde Legislação e economia
Avaliação e monitoramentoProjetos para o controle de
fatores de risco de câncer
EPIDEMIOLOGIA 61
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 61 09/11/2020 11:42:40
Os principais alicerces epidemiológicos envolvidos na estrutu-
ração da epidemiologia são a frequência e como uma 
determinada doença se distribui em uma população 
ao longo do tempo (de acordo com variáveis, como 
espaço e tempo). A estrutura epidemiológica é di-
nâmica, possuindo a capacidade de se transformar 
com o tempo e no espaço.
Componentes da estrutura epidemiológica
Agente etiológico é o agente causador, responsável pela manifestação de 
determinada doença. Ele pode ser do tipo físico, como aqueles causados por 
acidentes, como traumatismos e queimaduras, químico, em casos de envene-
namento ou exposição a algum agente químico ou biológico, como infecções 
microbiológicas. Alguns aspectos do agente etiológico podem interferir na infec-
ção: sua morfologia (que facilita ou difi culta a penetração do agente no hospe-
deiro), a patogenicidade (a manifestação clínica da doença), a virulência (o quão 
grave e severo pode ser a manifestação), imunogenicidade (capacidade de gerar 
resposta imune ao hospedeiro), a resistência (capacidade de o agente sobreviver 
no ambiente), entre outros.
O hospedeiro de um agente infeccio-
so também apresenta condições favorá-
veis ou não ao início de um processo de 
adoecimento. É ele quem vai abrigar e 
tornar promissor a relação com o agente 
etiológico. Algumas das características 
do hospedeiro que favorecem essa re-
lação são: espécie, sexo, idade e estado fi siológico. As características do agente e 
hospedeiro, em sua maioria, são ditadas pela genética.
O ambiente constitui um fator essencial na estrutura epidemiológica, pois é o 
responsável pela conexão agente/ hospedeiro. São as características do ambiente 
que vão ditar o comportamento do agente dentro da população. Características 
ambientais como a variação de temperatura, umidade do ar, hidrografi a, entre ou-
tras, são condicionantes relevantes na estruturação do processo saúde-doença.
EPIDEMIOLOGIA 62
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 62 09/11/2020 11:42:41
Cadeia epidemiológica
Cadeia epidemiológica é assim denominada por ser um processo cíclico 
onde um agente etiológico é eliminado de um hospedeiro, em seguida é inse-
rido a um ambiente e atinge um novo hospedeiro susceptível. A partir daí se 
inicia novamente o ciclo: o agente penetra, evolui e é novamente eliminado.
O conhecimento da cadeia epidemiológica pode ser útil no reconhecimento 
da história natural da doença e pode vir a quebrar a transmissão e dissemina-
ção da doença se a prevenção for realizada corretamente. Assim, é de extrema 
relevância para saber como atuar de forma a interromper a doença e assim não 
a deixar chegar a atingir o próximo estágio do ciclo.
As etapas da cadeia epidemiológica são: fonte de infecção – organismo 
que serve como hospedeiro do agente etiológico, via de eliminação – meio por 
onde o agente é eliminado para o ambiente, meio de transmissão – meio por 
onde ocorre a transmissão de um agente e porta de entrada – meio por onde 
o agente penetra em um novo hospedeiro (Figura 5).
Figura 5. Representação de uma cadeia epidemiológica: o etiológico é eliminado de um hospedeiro, passa a fazer parte 
do ambiente até atingir um novo hospedeiro. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/09/2020.
EXPLICANDOProfi laxia é o conjunto de medidas adotadas com o objetivo de interromper 
a cadeia de transmissão de uma doença, e conta com: prevenção (ma-
neiras para evitar o surgimento de uma doença), controle (medidas que 
possuem como objetivo a redução da frequência da ocorrência de uma 
doença) e erradicação (medidas adotadas com o intuito de eliminar deter-
minada doença de uma região).
EPIDEMIOLOGIA 63
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 63 09/11/2020 11:42:41
Sintetizando
A epidemiologia é a ciência que estuda o comportamento das doenças em 
uma população, em um determinado período. Sua relevância é demonstrada 
pela importância do conhecimento do processo saúde-doença. Saber como uma 
doença surge, seu método de transmissão, os riscos que oferece à população, 
as maneiras de preveni-la e como promover a saúde, são ações essenciais no 
estudo epidemiológico.
A epidemiologia utiliza-se de ferramentas como os indicadores de saúde e 
sistemas de informação de alta capacidade que mantém os dados sempre atua-
lizados. Assim, as análises epidemiológicas ditam as tomadas de decisão e auxi-
liam de forma direta a saúde pública do País, permitindo a elaboração e prática 
das políticas públicas.
Toda investigação epidemiológica é feita baseada na população. É ela que 
direciona todo o estudo de acordo com a apresentação de características es-
pecíficas. O estudo epidemiológico conta com uma análise descritiva, de total 
demonstração da real situação que uma determinada população está passando. 
Os métodos analíticos atuam na tentativa de formular hipóteses, construir fer-
ramentas e prevenir fatores de risco, evitando maiores consequências futuras.
O Brasil acompanhou o surgimento da informática e de outras ferramentas 
tecnológicas eficazes para o melhoramento na geração de dados e consequente 
processamento das informações.
A estrutura epidemiológica composta pelo agente infeccioso, hospedeiro e 
meio ambiente revelam a pluralidade e a extensão da epidemiologia. A epide-
miologia visa manter a população o mais longe possível das novas ou reemer-
gentes doenças. Sua intenção como prática social é fornecer subsídios para um 
planejamento e gestão de medidas e políticas em saúde.
A casualidade multifatorial das doenças impulsiona a aborda-
gem de que não somente de fatores genéticos os indi-
víduos estão condicionados, mas de todas as demais 
características que podem afetar a incidência e pre-
valência de uma enfermidade. Aspectos sociocul-
turais e ambientais são comprovadamente capazes 
de interferir na qualidade de vida dos indivíduos.
EPIDEMIOLOGIA 64
SER_MEDVET_EPIDE_UNID2.indd 64 09/11/2020 11:42:41
Referências bibliográficas
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EPIDEMIOLOGIA 65
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EPIDEMIOLOGIA 66
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INDICADORES 
EPIDEMIOLÓGICOS
3
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Conceituar indicadores de saúde;
 Identificar métodos de avaliação de um indicador de saúde;
 Diferenciar indicador de saúde e índice;
 Compreender a importância da criação da Rede Interagencial de Informações 
para a Saúde (Ripsa);
 Compreender os fatores associados a medidas de prevalência e incidência;
 Definir mortalidade e compreender as diferentes variações da mortalidade geral;
 Reconhecer as medidas de esperança de vida e suas variáveis em uma população;
 Identificar as medidas de natalidade e fecundidade em uma população.
 Indicadores de saúde: 
indicador e índice
 A iniciativa Ripsa
 Indicadores de saúde e 
estatísticas públicas
 Avaliação de indicadores
 Prevalência
 Incidência
 Mortalidade
 Esperança de vida
 Fecundidade
 Natalidade
EPIDEMIOLOGIA 68
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Indicadores de saúde: indicador e índice
A Epidemiologia é a ciência que estuda o processo saúde/doença em cer-
ta população por meio da análise da distribuição populacional e dos fatores 
determinantes das doenças, danos à saúde e eventos associados à saúde co-
letiva. Na prática, dessa forma, ela propõe medidas específi cas de prevenção, 
redução ou eliminação de enfermidades, além de fornecer indicadores que 
servem de parâmetros para planejar, administrar e avaliar ações na saúde.
Os conhecimentos e estratégias desenvolvidos pelos profi ssionais de saúde 
e gestores são essenciais durante todo o estudo epidemiológico: na investiga-
ção de doenças emergentes e reemergentes e na indicação de quais os melho-
res determinantes e indicadores de saúde ligados à origem de uma doença.
Os avanços na tentativa de controlar doenças infecciosas melhoraram a 
compreensão do estado de saúde, e os determinantes sociais passaram a fazer 
parte do quadro avaliativo de uma população. São exemplos práticos os dados 
de morbidade, prevalência, incidência, acesso a serviços de saúde, qualidade de 
vida, fatores socioambientais envolvidos na saúde pública etc. As informações 
disponibilizadasa partir de uma base de dados válidos são requisitos fundamen-
tais para avaliar os cidadãos e suas condições de saúde, visto que são essas as 
premissas que sustentarão e programarão as ações e políticas na saúde.
Os valores que avaliam o estado de saúde de uma população possuem um 
papel capital para a ciência; são eles: indicadores e índices de saúde. Nota-se 
a partir disso a importância de eventos relacionados à saúde com a intenção de 
conhecer suas condições em dado local. 
Os indicadores de saúde são realizados de modo a facilitar o desenvolvi-
mento de informações conforme elementos gerados pela quantifi cação e ava-
liação dos conhecimentos produzidos. Pode-se dizer que os indicadores refe-
rem-se a ferramentas imprescindíveis para a dimensão do estado de saúde e 
avaliação de desempenho dos sistemas de saúde. Eles, pois, refl etem na real 
situação sanitária e servem como guia para ações de vigilância. 
Valores absolutos não são ideais para a epidemiologia, pois há uma gama 
de informações referentes ao estado de saúde das pessoas: como chances de 
algum agravo à saúde, grupos de riscos de certas doenças, sexo, faixa etária 
etc. Tais informações são obtidas por meio dos indicadores. 
EPIDEMIOLOGIA 69
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Além de importante instrumento gerencial, de planejamento e de 
vigilância da saúde, tornar as informações acerca dos indicadores 
de saúde disponíveis e acessíveis a todos, especialmente aos usuá-
rios dos serviços de saúde, é passo essencial para a efetivação do 
controle social do SUS, um dos pilares de democratização de nosso 
sistema de saúde (SANTIAGO et al., 2002, p. 803).
A idealização de um indicador é um processo de complexidade variável – 
desde a contagem de casos de uma doença até cálculos estatísticos, como pro-
babilidades, taxas e razões. Se construídos e atualizados constantemente em 
um sistema dinâmico, os indicadores são ferramentas valiosas para a gestão de 
saúde. São evidências que constituem a situação e suas propensões permitem 
identificar, por exemplo, grupos com maiores necessidades de saúde e até mes-
mo localizar áreas mais críticas. Eles estabelecem, assim, subsídios que devem 
ser colocados rapidamente em prática de acordo com a precisão da população.
Os indicadores assentem que o número de pessoas ou animais afetados 
por uma doença favoreça a comparação de níveis de forma espacial e tempo-
ral. Destaca-se a importância dos indicadores de saúde e como sua construção 
e consolidação influenciam as definições e perspectivas de um grupo estudado. 
Para atuar na perspectiva da vigilância da saúde é imprescindível a 
utilização de indicadores sociais e de saúde que, articulados, ajudam 
a medir problemas e avaliar resultados da intervenção em saúde. 
Estes indicadores, utilizados de forma pactuada, constituem-se ca-
minho apropriado para o envolvimento de diferentes atores sociais 
na construção de projetos intersetoriais capazes de influenciar a for-
mulação de políticas públicas que melhor respondam às demandas 
sociais de saúde (SANTIAGO et al., 2002, p. 799).
Existem indicadores positivos, negativos e neutros. Indicadores negativos 
são mostras que traduzem dados negativos – morbidade, letalidade e morta-
lidade. Indicadores positivos referem-se àqueles que fornecem dados relacio-
nados à saúde e à qualidade de vida. E aqueles que não encaixam-se em indi-
cadores positivos ou negativos são definidos como indicadores neutros. Em 
Epidemiologia, no que tange à saúde de uma população, os dados negativos 
são os mais utilizados. Em Medicina Veterinária, por exemplo, há indicadores 
que medem a produtividade em explorações animais. 
EPIDEMIOLOGIA 70
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Os indicadores de saúde são continuadamente elaborados e atualizados con-
forme a necessidade de um estudo epidemiológico (Diagrama 1), apesar de se-
rem os indicadores negativos os mais empregados para esse fim. Eles identificam, 
monitoram e avaliam as ações e todo o planejamento que subsidiam as decisões 
do gestor. Torna-se possível identificar, por exemplo, áreas com maior ou menor 
risco de uma doença ocorrer e quais as tendências em dada época do ano. 
Os indicadores fortalecem as informações e os dados, auxiliam no direciona-
mento da tomada de decisões e evitam o desperdício de tempo em ações não pla-
nejadas. O acompanhamento de todo o processo, desde o recolhimento de dados 
até a confecção do relatório final, é de amplo valor: a segurança da informação 
reflete na realidade, e não em uma simples percepção sem fundamentação.
Quanto à qualidade e cobertura dos dados de saúde, é preciso 
transformar esses dados em indicadores que possam servir para 
comparar o observado em determinado local com o observado 
em outros locais ou com o observado em diferentes tempos. Por-
tanto, a construção de indicadores de saúde é necessária para 
analisar a situação atual de saúde; fazer comparações e avaliar 
mudanças ao longo do tempo (VAUGHAN; MORROW, 1992, n.p.).
DIAGRAMA 1. PROCESSO DE UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO. OS INDICADORES SÃO 
UTILIZADOS NO INTERMÉDIO ENTRE O DADO E A INFORMAÇÃO
Indicadores
Medidas 
corretivas 
Planejamento 
Juízo de valor
Informação
DecisãoDado
Ação
Fonte: VOSGERAU; CANAVASSE, 2001. p. 45. (Adaptado).
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Entre os principais indicadores de saúde, estão: 
• Aspectos demográficos;
• Morbidade/gravidade/incapacidade funcional; 
• Mortalidade/sobrevivência; 
• Nutrição/crescimento e desenvolvimento; 
• Saúde ambiental; 
• Condições socioeconômicas; 
• Serviços de saúde.
Na proposta de vigilância da saúde, as ações de saúde dirigidas ao 
coletivo não devem se resumir a intervenções sobre o hospedeiro, 
o agente etiológico e o meio ambiente, mas devem focalizar os de-
terminantes que estão por trás dessa tríade (CARVALHO, 1998, n.p.).
Os indicadores são expressos mediante proporções, médias, taxas, índi-
ces, distribuições por classes e valores absolutos; estes podem referir-se à to-
talidade da população ou a grupos sociodemográficos específicos.
EXPLICANDO
Os indicadores são diferentes de índices, pois retratam apenas 
um aspecto, como a mortalidade. O índice, por sua vez, exprime 
circunstâncias com múltiplas dimensões e incorpora diferentes 
indicadores em uma única medida. Um índice cotidiano na saúde 
pública é o índice de desenvolvimento humano (IDH).
Índice é um tipo de indicador de saúde cuja relação entre frequências 
atribuídas de determinado evento é avaliada. Os índices são expressos em 
valores percentuais. Eles são valores menores que a unidade pelo motivo de 
estarem como frequências de eventos associados ao numerador, significati-
vamente, menor que os valores do denominador. Pode-se considerar o índice 
um indicador multidimensional.
O índice é utilizado em alguns casos como sinônimo de indica-
dor, ora com uma conotação mais abrangente expondo situa-
ções multidimensionais do problema estudado e incorporan-
do, em uma medida única, diferentes aspectos ou diferentes 
indicadores (PEREIRA, 1995 apud PEREIRA, 2007, p. 12).
EPIDEMIOLOGIA 72
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A iniciativa Ripsa
Perante a grande necessidade de integrar a saúde com equidade, o Ministério 
da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) promoveram uma coo-
peração de informação sobre saúde para atender a dois objetivos convergentes. 
O primeiro diz respeito ao aumento da utilização das bases de informações a fi m 
de apoiar a idealização do Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa maneira, seria 
possível atingir o segundo objetivo: o de contribuir ativamente para a confecção 
e sistematização de dados gerados para a saúde, em especial aqueles produzidos 
pelos países das Américas, pela Iniciativa Regional de Dados Básicos em Saúde.
Tal estratégia de cooperação entre as duas instituiçõesincentivou a cria-
ção da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa). A Ripsa 
promove parcerias entre grupos representativos de segmentos brasileiros en-
volvidos diretamente na produção, avaliação e divulgação de resultados, com 
o único objetivo de somatizar informações essenciais para o conhecimento e 
compreensão do real perfi l das condições sanitárias do País e suas tendências.
A Ripsa favorece a organização e a constante atualização a partir de uma 
base de indicadores associados ao estado de saúde e aspectos socioambientais 
de uma população; fatores que infl uenciam diretamente e determinam a situa-
ção de saúde. Todo o processo faz parte de uma construção coletiva em que as 
instituições parceiras fornecem informações de forma a contribuir para o que 
há de mais importante, por meio de profi ssionais treinados e bases científi cas.
A partir das informações analisadas, foi criado o primeiro produ-
to da Ripsa: a publicação regular de indicadores e dados básicos 
(IDB). Essa base reúne informações que serão utilizadas para uma 
compreensão de circunstâncias reais de saúde, me-
diante o acompanhamento das tendências. No início 
de seu desenvolvimento, a Ripsa dedicou-se ao 
processo de construção do IDB e, com o passar dos 
anos, vem aperfeiçoando os métodos.
A campanha do IDB em 2013 abordou como tema 
as doenças imunopreveníveis em homenagem aos 40 anos do Programa Na-
cional de Imunizações (PNI). Nesse período, o Brasil alcançou uma política 
pública efi ciente que garantiu confi ança por parte da população (Figura 1). 
EPIDEMIOLOGIA 73
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Acredita-se que outros países possam se beneficiar da expe-
riência e dos produtos desenvolvidos pela Ripsa e que também 
possa ser estimulada a troca de experiências de sistematização 
de informações semelhantes e de relevância para a saúde glo-
bal. O projeto é coordenado pela Opas Brasil, por intermédio da 
Unidade Técnica de Informação e Gestão do Conhecimento, em 
parceria com o Instituto de Comunicação e Informação Científica 
e Tecnológica em Saúde – ICICT/Fiocruz (BVS RIPSA, 2008).
Os indicadores de saúde utilizados pela Ripsa são:
• Demográficos: analisam a distribuição das condições de saúde relaciona-
das à população em determinada região;
• Socioeconômicos: analisam a distribuição das condições de saúde concernen-
tes ao perfil social e econômico da população residente em determinada região;
• Mortalidade: revelam informações sobre a ocorrência e distribuição das 
causas de morte da população residente em determinada região;
• Morbidade: relatam a ocorrência e distribuição de doenças e agravos à 
saúde na população residente em determinada região;
Indicadores e dados básicos para a saúde 
IDB 2012, Brasil
Coberturas, vacinas e homogeneidade* de coberturas da vacina tríplice viral
(sarampo, rubéola e caxumba) em crianças de 1 ano de idade, 2012. 
Rede Interagencial de Informações para a Saúde - Ripsa
Homogeneidade (61,4)%
N = 3419/5585 · 100
reprodutibilidade ou fi dedignidade): método avaliativo 
que revela o quanto um teste é confi ável por meio da obtenção de resultados 
semelhantes; quando são repetidas várias vezes e se há concordância de re-
sultados, ponto-chave para tal critério. Em uma análise epidemiológica, devem 
ser escolhidas características com maior confi abilidade; valores que delimitem 
uma baixa confi abilidade tornam-se sem utilização;
• Representatividade ou cobertura: uma característica importante para 
utilização e efi ciência de um indicador é sua taxa de cobertura, principalmente 
quando questões sociais, econômicas e geográfi cas estão envolvidas. Quanto 
maior a cobertura, mais fi éis serão as informações trazidas;
• Aspectos éticos: toda a abordagem dos indicadores deve ser feita de 
maneira a não ferir princípios éticos; assim, não pode haver malefícios, cons-
trangimentos ou prejuízos às pessoas. A confi abilidade e o sigilo são fatores 
importantes para a epidemiologia clínica, e também devem ser considerados.
Os profi ssionais e gestores envolvidos na produção, geração de informação 
e análise de resultados são consideráveis aliados para a confecção e atuali-
zação dos indicadores de saúde. São eles os responsáveis e mais habilitados 
para conhecer as etapas a serem realizadas e, assim, conseguir monitorar as 
tendências em todas as esferas governamentais. Ressalte-se que 
os dados produzidos em certa localidade necessitam retratar os 
pontos fortes e as limitações de cada dado ou informação.
Sugere-se que um profi ssional local participe da primeira fase do pro-
cesso. Os demais profi ssionais e usuários dos dados devem estimular 
a valorização da informação, o incentivo à coleta e o gerenciamen-
to de dados. As iniciativas de capacitação (coleta, gerenciamento, 
avaliação e análise de dados) são fundamentais, portanto, para a 
melhora da capacidade nacional, sobretudo em nível local.
Prevalência
A prevalência (P) de uma doença é representada pelo número de casos pre-
sentes ao somar casos novos aos casos antigos em determinada região em 
certo período. A prevalência pode ser estabelecida pela Equação (1) (BONITA 
et al., 2010, p. 19).
EPIDEMIOLOGIA 77
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A taxa de prevalência é de maneira geral expressa como casos por 100 (%) 
ou por mil pessoas. Nesse caso, P precisa ser multiplicado por 10n. Em algumas 
situações, a população de uma área avaliada dá-se por meio de aproximação, 
pois nem sempre os dados estão disponíveis ou atualizados.
A prevalência como indicador de saúde é afetada, além dos casos emer-
gentes (incidência), pela duração da doença, que pode ser diferente entre as 
comunidades, graças a motivos como assistência à saúde, facilidade de acesso 
aos serviços públicos de saúde etc. Pode-se concluir que a duração média da 
doença é proporcional à diferença entre os valores de prevalência e incidência. 
A prevalência é ainda afetada pelos casos que emergem (entram) na comuni-
dade e por aqueles que emigram (saem) por curas e por mortes (Diagrama 2). 
A prevalência não mede o risco de ocorrência de enfermidades na popula-
ção, mas consegue ser empregada pelos gestores da área de saúde para o pla-
nejamento da estrutura e dos recursos necessários ao processo saúde/doença, 
bem como ser utilizada durante o tratamento de doenças.
P = (· 10n) (1)
População em risco
(Número de pessoas com a doença)
DIAGRAMA 2. ILUSTRAÇÃO DAS ENTRADAS E SAÍDAS QUE 
CONSTITUEM A PREVALÊNCIA EM DETERMINADO TEMPO
Fonte: SOARES et al., 2001. (Adaptado).
Casos novos 
Imigração Cura
Óbito
Emigração
Prevalência
Visto que a prevalência é influenciada por diversos fatores (Quadro 1) que não 
relacionam-se diretamente à origem da doença, os coeficientes de prevalência em 
geral não proporcionam grandes certificações do conceito de causa. Medidas de 
prevalência são importantes ferramentas para avaliação e histórico de necessida-
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des em saúde, sejam elas por caráter curativo, sejam elas por caráter preventivo, 
além da sua utilidade no planejamento dos serviços de saúde. A análise de preva-
lência é útil em condições em que o início ocorre de forma gradual (como diabetes).
QUADRO 1. FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR AS TAXAS DE PREVALÊNCIA DE UMA DOENÇA
• À duração maior da doença;
• Ao aumento de sobrevida do paciente, 
mesmo sem a cura da doença;
• Ao avanço de novos casos (aumento 
da incidência);
• À imigração de casos; 
• À emigração de pessoas sadias; 
• À imigração de pessoas susceptíveis; 
• À melhora dos recursos diagnósticos 
(melhora do sistema de registro).
• À duração menor da doença;
• À letalidade maior da doença;
• À redução de novos casos (diminuição 
da incidência);
• À imigração de pessoas sadias; 
• À emigração de casos;
• Ao aumento da taxa de cura da doença.
Aumento devido: Diminuição devido:
Incidência
A incidência refere-se à velocidade com que as novas doenças (emergentes ou 
reemergentes) ocorrem em uma população. A incidência considera o período em 
que os indivíduos não foram acometidos pela doença, mas que, ainda assim, pos-
suem o risco de desenvolvê-la. O risco de ocorrência de doenças entre populações 
deve ser avaliado de acordo com a incidência (I), pois esta contabiliza os novos 
casos da doença em uma população em dado período. Ela pode ser calculada por 
regra de três ou por meio da Equação (2) (BONITA et al., 2010, p. 20).
I = · (10n) (2)
Pessoa-tempo em risco
Número de pessoas que adoeceram no período
Na Tabela 1, nota-se que no período de 1990 a 2005 a taxa de incidência 
da hanseníase no Brasil variou entre 20 e 27 casos por 100 mil habitantes. Tal 
variação pode ser justifi cada pelas alternativas de diagnóstico e tratamento. 
Destacam-se as regiões Norte e Centro-Oeste pelas elevadas taxas quando 
comparadas com as demais regiões brasileiras.
EPIDEMIOLOGIA 79
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TABELA 1. TAXA DE INCIDÊNCIA DE HANSENÍASE (POR 100 MIL HABITANTES) POR ANO, 
CONFORME REGIÕES DO BRASIL, ENTRE 1990 E 2005
Região 1990 1993 1996 1999 2002 2005
Brasil 20 23 26 26 27 21
Norte 57 60 80 79 78 56
Nordeste 20 23 27 29 33 31
Sudeste 15 14 15 15 14 9
Sul 7 6 9 8 8 7
Centro-Oeste 50 73 70 64 67 44
57
20
15
60
7
23
50
14
80
6
27
73
15
79
29
9
29
70
15
78
33
64
14
56
31
67
9
7
44
Fonte: Datasus, 2006. (Adaptado).
A compreensão das medidas de prevalência e incidência na epidemiologia 
pode ser conferida na Figura 2. Uma população composta por 50 mil habitan-
tes apresenta 7 casos incidentes (novos casos) e 11 casos prevalentes (conti-
nuativos) no período de um ano. Na Equação (3), é representada a evidente 
relação entre a prevalência e a incidência (BONITA et al., 2010, p. 22).
Coefi ciente de prevalência = coefi ciente de incidência · duração média da doença (3)
01 janeiro 31 dezembro
= Início da doença
= Duração da doença
= Término da doença
Símbolos
Figura 2. Casos de doenças (início, desenvolvimento e fi m) de 01 de janeiro a 31 de dezembro em uma comunidade. 
População: 50 mil habitantes. Casos incidentes: 7. Casos prevalentes: 11. Fonte: SOARES et al., 2001. (Adaptado).
EPIDEMIOLOGIA 80
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A relação entre incidência e prevalência varia entre as doenças. Uma mes-
ma doença pode apresentar baixa incidência e alta prevalência – como no dia-
betes – ou alta incidência e baixa prevalência – como no resfriado comum. Isso 
implica dizer que o resfriado ocorre mais frequentemente do que o diabetes, 
mas por um curto período, enquanto que o diabetes aparece menos frequen-
temente, mas por um longo período (BONITA et al., 2010, p. 18).
Mortalidade
A mortalidade representa o número de mortes totais em todas as faixas 
etárias, na população residente em algum espaço de tempo (Diagrama 3). 
As taxas de mortalidade crescem81
Esperança de vida ........................................................................................................... 82
Fecundidade ..................................................................................................................... 84
Natalidade ........................................................................................................................ 86
Sintetizando ........................................................................................................................... 88
Referências bibliográficas ................................................................................................. 89
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Sumário
Unidade 4 - Investigação e vigilância epidemiológica
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 92
Composição da população em idade e sexo .................................................................. 93
Variável idade ................................................................................................................... 94
Variável sexo .................................................................................................................... 97
Projeções populacionais ................................................................................................ 98
Epidemiologia das doenças transmissíveis (doenças infecciosas) ........................ 100
Doenças transmissíveis com tendência declinante ................................................ 103
Doenças transmissíveis com quadro de persistência ............................................ 104
Doenças transmissíveis emergentes e reemergentes ........................................... 106
Epidemiologia das doenças não transmissíveis (doenças não infecciosas) ......... 107
Doenças crônicas não transmissíveis ....................................................................... 108
Vigilância epidemiológica ............................................................................................... 109
Avaliação dos sistemas de vigilância epidemiológica ........................................... 112
Métodos de investigação epidemiológica .................................................................... 112
Desafios e perspectivas para a saúde ...................................................................... 116
Sintetizando ......................................................................................................................... 118
Referências bibliográficas ............................................................................................... 119
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Caros leitores, é com imensa satisfação que apresento a vocês a disciplina 
de epidemiologia. Aqui, vocês encontrarão os principais conceitos que envol-
vem a epidemiologia e observarão a importância das ações em saúde no cam-
po da saúde pública.
Veremos como a evolução dos métodos possibilitou um maior engajamento 
entre as políticas públicas em saúde. A integração entre os gestores, as esferas 
governamentais, os profi ssionais da saúde e a população permeiam a epide-
miologia e são essenciais para sua contextualização.
Como uma ciência da saúde, a epidemiologia faz-nos entender como o mo-
nitoramento de doenças pode auxiliar e fornecer informações relevantes para 
os sistemas de saúde. No contexto da medicina veterinária, abordaremos a 
elaboração de programas sanitários para o controle e erradicação de doenças 
de grande impacto na saúde humana e animal.
Podemos dizer que o foco dessa disciplina é o entendimento do processo 
saúde-doença, o funcionamento biológico de cada indivíduo e sua inserção na 
comunidade. Assim, faz-se necessário, também, o entendimento das variáveis 
envolvidas no processo de adoecimento, em busca de garantir o bem-estar e a 
qualidade de vida da população. 
Permitam-se embarcar nessa jornada e aproveitem esse material da me-
lhor maneira possível. 
Desejo a vocês bons estudos e sucesso na carreira!
EPIDEMIOLOGIA 9
Apresentação
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Dedico este livro a todos que, de alguma forma, contribuíram para a saúde 
pública no Brasil.
A todos os profi ssionais da saúde e estudantes pela incessante busca por 
conhecimento e por nunca deixarem de acreditar na ciência e na pesquisa 
brasileira.
A professora Aline Carvalho de Aze-
vedo é doutora em Ciências pelo Pro-
grama de Pós-graduação em Vigilância 
Sanitária (2019) do Instituto Nacional 
de Controle de Qualidade, da Fiocruz; 
mestra em Ciências pelo Programa de 
Pós-Graduação em Biotecnologia e 
Bioprocessos (2013) da Universidade 
Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; bacha-
rel em Ciências Biológicas (2010) e li-
cenciada em Ciências Biológicas (2009) 
pela Universidade do Grande Rio – Uni-
granrio. Atua com projetos que envol-
vem técnicas de biologia molecular, 
imunologia e microbiologia, com a fi na-
lidade de geração de dados de saúde 
em epidemiologia. Ministra aulas de 
biologia para o ensino médio.
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/3586555578332948
EPIDEMIOLOGIA 10
A autora
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CONCEITOS BÁSICOS 
EM EPIDEMIOLOGIA
1
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Conhecer o histórico da epidemiologia em nível nacional e mundial;
 Identificar as principais contribuições dos pesquisadores pioneiros e sua 
importância na evolução da epidemiologia;
 Identificar os conceitos de saúde e doença por meio de trabalhos de 
conceituados pesquisadores em epidemiologia e saúde pública;
 Identificar o direito à saúde como um processo gradual de democracia e 
cidadania;
 Estabelecer uma correlação entre promoção e prevenção à saúde e sua 
importância para a saúde pública;
 Reconhecer os aspectos e etapas da história natural da doença;
 Epidemiologia: contexto histó-
rico
História da epidemiologia no 
Brasil
 Conceito de saúde
 Direito à saúde
 Saúde pública e promoção à 
saúde
 Conceito de doença
 Conceito de danos à saúde
 Riscos à saúde
 Prevenção à saúde
 História natural da doença
EPIDEMIOLOGIA 12
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Epidemiologia: contexto histórico
Diante da notícia de uma doença emergente ou reemergente, ou de uma 
nova epidemia, percebemos a importância dos dados epidemiológicos. Es-
ses dados são imprescindíveis para tomadas de decisões e desenvolvimento 
de estratégias em saúde, especialmente quando se referem a doenças con-
tra as quais ainda não há métodos preventivos. Entretanto, o que grande 
parcela da população não imagina é como a epidemiologia evoluiu e se de-
senvolveu na história.
A epidemiologia, como a conhecemos, passou por inúmeras transforma-
ções ao longo dos anos. No entanto, a importância dos dados e das análises 
realizadas no passado embasa todo o conhecimento que temos hoje. Alguns 
dos métodos de monitoramento criados há séculos foram aperfeiçoados, mas 
seus princípios, por exemplo, ainda têm grande valor para a ciência atual.
Como disciplina, a epidemiologia iniciou-se somente a partir da Segunda 
Guerra Mundial – mas o pensamento epidemiológico foi traçado muito antes, 
por Hipócrates, John Graunt, William Farr e John Snow, entre outros.
Embora não haja exatidão sobre quem empregou ou quando o termo “epi-
demiologia” foi empregado pela primeira vez, Hipócrates recebeu reconhe-
cimento por seu pioneirismo. Conhecido como pai da medicina, Hipócrates 
deixou um legado pelas contribuições iniciais à epidemiologia, já que foram 
seus primeiros relatos (há aproximadamente 2,5 mil anos) que alicerçaram os 
conhecimentos vigentes.
Hipócrates sugeriu que fatores ambientais podiam infl uenciar o apareci-
mento e desenvolvimento de doenças e que, portanto, tais doenças ocorre-
riamde acordo com a faixa etária, por isso, 
é incomum comparar o impacto da saúde com diferentes populações, pois 
a taxa de mortalidade sempre apresentará maior elevação se houver maior 
população de idosos. Um coefi ciente alto de mortalidade para populações 
mais idosas signifi ca apenas uma tendência natural, já que os idosos pos-
suem menos tempo de vida que os mais jovens. Em uma população jovem, 
esse signifi cado seria de mortalidade prematura.
DIAGRAMA 3. COEFICIENTE DE MORTALIDADE GERAL E SUAS PRINCIPAIS VARIAÇÕES
Coefi ciente de 
mortalidade 
geral
Coefi ciente de 
mortalidade 
infantil
Coefi ciente de 
mortalidade 
específi co
Coefi ciente de 
mortalidade 
materna
Coefi ciente de 
mortalidade 
pós-natal
Coefi ciente de 
mortalidade 
neonatal tardia
Coefi ciente de 
mortalidade 
neonatal 
precoce
Fonte: RODRIGUES, et al., 2015. (Adaptado).
EPIDEMIOLOGIA 81
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As variações da mortalidade geral englobam:
• Mortalidade infantil: número de mortes de menores de um ano de idade por 
mil nascidos vivos na população residente em uma região por determinado período;
• Mortalidade neonatal precoce: número de mortes de 0 a 6 dias de vida 
completos por mil nascidos vivos na população residente em uma região por 
determinado período;
• Mortalidade neonatal tardia: número de mortes de 7 a 27 dias de vida 
completos por mil nascidos vivos na população residente em uma região por 
determinado período;
• Mortalidade pós-natal: número de mortes de 28 a 364 dias de vida 
completos por mil nascidos vivos na população residente em uma região 
por determinado período;
• Mortalidade materna: número de mortes maternos por 100 mil nascidos 
vivos de mães residentes em uma região por determinado período;
• Mortalidade específi ca: percentual de mortes por grupos de causas defi -
nidas em uma região por determinado período.
Esperança de vida
Pode-se defi nir esperança de vida como o número médio de anos que ainda res-
tam para serem vividos por uma pessoa de certa idade. Antigamente, esse indicador 
era vinculado ao termo expectativa de vida; no entanto, expectativa de vida remete 
a uma frustração; ou seja, tempo contado até chegar à morte. O uso do termo espe-
rança de vida conota um sentido de alerta à saúde, deixando de ser visto como quan-
to tempo falta para a morte, mas sim quanto tempo ainda há para aproveitar a vida.
Esse indicador sintetiza a experiência de vida de um grupo de indivíduos, 
geralmente nascidos no mesmo lugar e no mesmo período, denominado coor-
te. De fácil interpretação, a esperança de vida expressa o número médio de 
anos a ser vivido pela coorte a partir de determinada idade.
A esperança de vida tem sido utilizada como parâmetro de longevidade, isto 
é, quanto tempo uma pessoa tem de vida. É um indicador, portanto, considerado 
adequado para sugerir as condições correntes de mortalidade. A estimativa, en-
tretanto, apresenta desvantagem se levado em consideração aproximadamente 
um século de vida, estando sujeita a falhas na projeção da esperança de vida.
EPIDEMIOLOGIA 82
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Assim, não é uma das tarefas mais fáceis inter-
pretar as razões para as diferenças encontradas 
na expectativa de vida entre os países, porque 
cada um apresenta uma cultura diferente e distin-
tos padrões podem surgir de acordo com a escolha da 
medida a ser utilizada.
Em nível global, a esperança de vida aumentou de 46,5 
anos (entre 1950 e 1955) para 65,0 anos (entre 1995 e 2000) 
(Gráfico 1). A esperança de vida relaciona-se especialmente 
a épocas de epidemias e pandemia, quando algumas doenças es-
tão diretamente conexas a um maior número de mortes. A Tabela 2 fornece 
dados de esperança de vida em alguns países em 2004; tais dados demons-
tram grandes diversidades nos países. 
Para exemplificar, é possível observar que as mulheres nascidas no 
 Japão em 2004 têm esperança de vida de 86 anos; as mulheres nascidas 
no Zimbábue, contudo, apresentam esperança de vida de 30 a 38 anos. A 
relação de esperança de vida com as condições de vida das mulheres de 
países diferentes (acesso à educação, situação econômica, emprego, clima, 
condição fitossanitária) fica evidente. Na quase totalidade dos países, as 
mulheres vivem mais que os homens.
GRÁFICO 1. TENDÊNCIA MUNDIAL DE ESPERANÇA DE VIDA AO NASCER (1950-2000)
1950
Período
Ex
pe
ct
at
iv
a 
de
 v
id
a 
ao
 n
as
ce
r 
(a
no
s)
55
80
70
60
50
40
30
60 65 70 80 85 90 95 2000
América do Norte
Oceania
Europa 
América latina 
e Caribe
Mundo
Ásia 
África
Fonte: BONITA et al., 2010, p. 29. (Adaptado).
EPIDEMIOLOGIA 83
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Um estudo feito em 2015 mostra a evolução da esperança de vida ao nascer 
(característica fundamental para validação de esperança de vida). De acordo 
com o Gráfi co 2, nota-se que entre o período de 1950 e 1955 houve baixa es-
perança de vida em comparação com o período de 2010 a 2015. Essa diferença 
é evidente por causa das melhores condições de saúde, acesso à saúde, me-
dicamentos etc. Espera-se que, em estudos futuros (Gráfi co 3), a tendência de 
esperança de vida tenha maiores valores comparados com os de 2010 a 2015.
TABELA 2. ESPERANÇA DE VIDA AO NASCER PARA 
HOMENS E MULHERES EM ALGUNS PAÍSES (2004)
GRÁFICO 2. EVOLUÇÃO DE ESPERANÇA DE VIDA AO NASCER POR REGIÕES (1950-2015)
Expectativa de vida ao nascer (anos)
País Mulheres Homens
Zimbábue 34 (30-38) 37 (34-40)
Rússia 72 59
Egito 70 66
China 74 70
México 77 72
Estados Unidos 80 75
Japão 86 79
34 (30-38)34 (30-38)34 (30-38)
72
70
74
77
80
86
37 (34-40)37 (34-40)37 (34-40)37 (34-40)
59
66
70
72
75
79
Fonte: BONITA et al., 2010, p. 29. (Adaptado).
Fonte: FERREIRA; LOPES, 2015, p. 7. (Adaptado).
Mundo África Ásia Europa Oceania BrasilAmérica
latina e
Caribe
América
do norte
Estado de
São Paulo
90,0
e0 (em anos) 1950-1955 2010-2015
80,0
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
EPIDEMIOLOGIA 84
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GRÁFICO 3. AUMENTO NA EXPECTATIVA DE VIDA DOS BRASILEIROS
Fonte: O Tempo, 2016. (Adaptado).
Fecundidade
O indicador fecundidade relaciona-se à população feminina em idade fértil. É co-
mum, por exemplo, que a fecundidade seja expressa pela média de fi lhos por mulher 
(exemplo: três fi lhos por mulher). O coefi ciente de fecundidade é dado por fórmula ou 
calculado por regra de três, conforme a Equação (3) de Soares e colaboradores, 2001:
EXPLICANDO
Fertilidade é a capacidade de gerar fi lhos. Toda mulher teoricamente nasce 
com essa capacidade, representada desde a primeira menstruação até a 
menopausa. Fecundidade refere-se à realização do potencial de gerar fi lhos, 
que pode ser alterado por esterilidade ou uso de métodos anticoncepcionais.
Evolução da expectativa de vida
SC
Estados onde se vive mais
78,7
77,9
77,8
77,8
77,5
77
ES
DF
SP
RS
MG
Idade
Quanto vivem os brasileiros
1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010
45,5
48
52,5
57,6
62,5
66,9
69,8
75,5
É o quanto aumentou a 
expectativa de vida dos 
brasileiros desde 1940
· 1000 (3)
Mulheres de 15 a 49 anos da mesma área, no meio do período
Nascidos vivos em determinada área e período
EPIDEMIOLOGIA 85
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A queda nos valores de fecundidade e a queda nos valores de mortalidade evi-
denciaram importantes modifi cações estruturais na população de acordo com a 
faixa etária e sexo (Figura 3). Houve uma diminuição no ritmo de crescimento da 
população e seu consequente envelhecimento, signifi cando maior número de pes-
soas idosas por região. A esse fenômeno dá-se o nome de transição demográfi ca.
Conhecer a taxa de fecundidade de uma população é um fator considerado 
favorável para a qualidade de vida das pessoas que ali vivem.Tal informação 
auxilia no planejamento dos serviços direcionados à saúde da mãe e do bebê, 
como exames, internações etc. A preocupação com mulheres grávidas pelo sis-
tema de saúde é tamanha que políticas e ações são constantemente elabora-
das para melhorar as condições de vida das gestantes. Os serviços devem ser 
dimensionados a partir do conhecimento do número de mulheres grávidas e 
dos recursos a serem utilizados por elas nesse momento de vida.
No Brasil, a taxa de fecundidade total caiu de 
aproximadamente 6 fi lhos por mulher, na déca-
da de 1960, para 2,4 fi lhos por mulher, em 2000
(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2000).
Figura 3. A taxa de fecundidade caiu, segundo estudos comparativos entre os dados da década de 1960 e anos 2000.
Fonte: BOING; D’ORSI; JUNIOR REIBNITZ, 2010. 
Natalidade
O coefi ciente de natalidade está pertinente ao tamanho da população; o nú-
mero de nascidos vivos por mil habitantes em uma região em determinado perío-
do. Tal coefi ciente sofre infl uência da faixa etária, sexo, condições socioculturais e 
econômicas da população O coefi ciente de natalidade, portanto, consegue ser cal-
culado pela fórmula apresentada na Equação (4) de Soares e colaboradores, 2001:
EPIDEMIOLOGIA 86
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Algumas atribuições e importância para conhecer a natalidade englobam: 
a formação de subsídios para planejamentos e ações políticas que envolvem 
a atenção à saúde da gestante e do bebê, o favorecimento de cálculo do cres-
cimento natural da população e, por fim, a contribuição para estimativa da 
variação demográfica da população.
Exemplificando a importância da natalidade em epidemiologia, uma ava-
liação da região Sudoeste foi realiza a fim de estimar os nascidos vivos. A taxa 
de natalidade equivaleu a 16,5 nascimentos por mil habitantes. A taxa de na-
talidade variou dentro da mesma região em diferentes localidades: Taguatinga 
variou em 13,3 e Águas Claras, em 22,0. A variação observada pode ser decor-
rente tanto da composição etária das populações das diferentes localidades 
quanto das condições socioeconômicas específicas. 
GRÁFICO 4. TAXA DE NATALIDADE DA REGIÃO SUDOESTE EM 2012
Fonte: Distrito Federal, 2015, p. 5. (Adaptado).
Águas 
Claras Taguatinga Vicente 
Pires Samambaia Recanto das 
Emas
Região 
Sudoeste
2540 3110 898 3993 2285 12.826
22,0 13,3 13,5 17,8 16,3 16,5
14.000
Nascidos vivos 
Nú
m
er
o 
de
 n
as
cid
os
 v
iv
os
 
Ta
xa
 d
e 
na
ta
lid
ad
e
Tx natalidade 
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
12.000
10.000
8000
6000
4000
2000
0
“A correlação desse indicador com a fecundidade exige cautela. Além de se 
referir apenas à população feminina, a taxa de fecundidade não é influenciada 
por variações na sua composição etária” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, s.d.).
· 1000 (4)
População da mesma área, no meio período
Nascidos vivos em determinada área e período
Distrito Federal, 2015, p. 5. (Adaptado).
EPIDEMIOLOGIA 87
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Sintetizando
A Epidemiologia como ciência que estuda o processo saúde/doença e o bem-es-
tar da população põe em prática medidas de prevenção, redução ou eliminação de 
enfermidades. Ela concede indicadores que auxiliam no planejamento de atividades 
administrativas e gestão, a fim de oferecer informações sobre a saúde populacional.
Os indicadores são importantes marcadores que contêm informações relevantes 
acerca da dimensão do estado de saúde da população e contribuem com o desempe-
nho do sistema de saúde. Tais mostras devem refletir na real situação sanitária de uma 
população e gerar subsídios a novas propostas e estratégias para a vigilância em saúde.
A qualidade de um indicador tem que ser mensurada, sendo dependente das 
características dos componentes usados na sua formulação. A qualidade do indi-
cador é definida pela validade (capacidade de medir e discriminar o fenômeno) e 
confiabilidade (reprodução dos mesmos resultados quando em condições simi-
lares), representatividade (cobertura) e aspectos éticos. 
A intenção do uso de indicadores é para que estes possam ser interpretados facil-
mente, tanto para os profissionais quanto para os gestores. Para garantir a confiança das 
informações produzidas, o monitoramento da qualidade dos indicadores é imprescindí-
vel; deve-se revisar constantemente o histórico e a disseminação de dados.
Os indicadores possuem o objetivo de facilitar o monitoramento e metas 
referentes à saúde, estimular o pensamento crítico e analítico das equipes e 
desenvolver sistemas de informações. 
O Ministério da Saúde e a Opas acordaram uma solução para o aperfeiçoa-
mento das informações de saúde no Brasil; tal cooperação resultou na criação da 
Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa). O projeto apoia-se em 
parcerias institucionais técnicas e científicas envolvidas na produção, avaliação e 
disseminação de informação, de modo a reunir elementos úteis à compreensão 
da realidade das condições sanitárias e sociais do país. 
Alguns indicadores de saúde utilizados rotineiramente em epidemiologia são: 
prevalência (número de pessoas com determinada doença, novos casos somados 
aos casos antigos), incidência (novos casos de dada doença que acomete uma re-
gião em determinado período), mortalidade (número de mortes na população), 
esperança de vida (tempo que uma pessoa possui de vida), fecundidade (expressa 
pela média de filhos de uma mulher) e natalidade (número de nascidos vivos).
EPIDEMIOLOGIA 88
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Referências bibliográficas
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BONITA, R.; BEAGLEHOLE, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiologia básica. 2. ed. 
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EPIDEMIOLOGIA 89
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FERREIRA, C. E. C.; LOPES, L. L. C. Sobrevivência e esperança de vida em São Paulo. 1ª 
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EPIDEMIOLOGIA 90
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INVESTIGAÇÃO 
E VIGILÂNCIA 
EPIDEMIOLÓGICA
4
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Identificar a importância dos indicadores idade e sexo em um estudo 
epidemiológico e, a partir desse conhecimento, propor ideias de programas e 
políticas;
 Identificar a urbanização e a transição demográfica como um processo de 
modificação epidemiológica no Brasil e no mundo;
 Reconhecer o processo de envelhecimento da população e sua importância 
para a epidemiologia;
 Saber interpretar gráficos de pirâmide etária, bem como fórmulas para 
cálculos de índice de envelhecimento e razão de sexo;
 Compreender a epidemiologia de doenças transmissíveis e não 
transmissíveis;
 Identificar quais são as maneiras de transmissão direta e transmissão 
indireta nas doenças transmissíveis e entender a relação das doenças crônicas 
não transmissíveis com a epidemiologia;
 Compreender a vigilância epidemiológica, suas ferramentas e sua 
importância para a saúde pública;
 Conhecer os princípios de uma investigação epidemiológica.
 Composição da população em 
idade e sexo
 Variável idade
 Variável sexo
 Projeções populacionais
 Epidemiologia das doenças 
transmissíveis (doenças 
infecciosas)
 Doenças transmissíveis com 
tendência declinante
 Doenças transmissíveis com 
quadro de persistência
 Doenças transmissíveis 
emergentes e reemergentes
 Epidemiologia das doenças 
não transmissíveis (doenças não 
infecciosas)
 Doenças crônicas não 
transmissíveis
 Vigilância epidemiológica
 Avaliação dos sistemas de 
vigilância epidemiológica
 Métodos de investigação 
epidemiológica
 Desafios e perspectivas para 
a saúde
EPIDEMIOLOGIA 92
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Composição da população em idade e sexo
As características da população brasileira têm apresentado signifi cativas 
mudanças com o passar dos anos. Algumas dessas mudanças estão estrita-
mente relacionadas aos padrões do processo saúde-doença e sua interação 
com determinantes sociais, demográfi cos e econômicos. A essa transição, deu-
-se o nome de transição epidemiológica. Essas modifi cações trazem conse-
quências para os estudos epidemiológicos, enfatizando a importância da epi-
demiologia como uma ciência em constante atualização.
Para enfrentar os desafi os relacionados com as mudanças ocasionadas pe-
las características de uma população, a informação epidemiológica é essencial. 
Sem uma vigilância adequada e atualizada sobre a dinâmica epidemiológica do 
País, é impossível encaminhar soluções e estratégias para os problemas apon-
tados. Tomar decisões e defi nir prioridades em um cenário complexo e cheio 
de instabilidade é uma ação que merece fundamentação. Para isso, a geração 
de dados epidemiológicos é importante e, diga-se de passagem, essencial para 
o conhecimento da estrutura epidemiológica que se deseja avaliar.
 O Centro Nacional de Epidemiologia é a instituição responsável por prover 
informações epidemiológicas ao Ministério da Saúde. Para que essas informa-
ções cheguem até lá, os sistemas hospitalares e ambulatoriais do SUS contri-
buem fornecendo os materiais necessários para a produção técnica.
Em termos mundiais, a melhoria nos níveis de saúde em alguns países foi 
notória e ocorreu principalmente a partir das transformações ocasionadas pela 
Revolução Industrial, que trouxe modifi cações em alguns setores produtivos, 
como a demanda de alimento, as condições fi tossanitárias e a moradia. Houve, 
então, uma alteração nos padrões de mortalidade e morbidade nos países, em 
especial no hemisfério norte.
Os países desenvolvidos apresentaram uma transformação ex-
pressiva em seu perfi l epidemiológico com a queda no número de 
doenças infectocontagiosas e com o aumento no número 
de doenças degenerativas, em particular, doenças rela-
cionadas a problemas cardiorrespiratórios.
No Brasil, a chegada da urbanização promoveu 
uma série de mudanças na estrutura populacional, em 
EPIDEMIOLOGIA 93
SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 93 09/11/2020 13:01:05
especial, mudanças demográfi cas. A inserção da mulher no mercado de traba-
lho e o direito ao voto foram algumas das referências para tais mudanças. A 
família tradicional brasileira ganhou novos formatos. O aumento da tecnologia, 
a queda na fecundidade e o aumento da esperança de vida foram algumas 
das modifi cações mais notadas, que iniciaram uma nova era na epidemiologia 
moderna. A partir da década de 1990, o Brasil iniciou um processo de polariza-
ção epidemiológica, onde foram necessárias novas avaliações nas políticas de 
saúde que pudessem nivelar as causas e consequências do sistema de saúde.
Informações geradas que relatem a composição da população brasileira de 
acordo com a idade e sexo são marcadores signifi cantes em epidemiologia. 
Elas refl etem as mudanças na dinâmica populacional desde um passado dis-
tante até os dias atuais. Por meio desse indicador, é possível alinhar as necessi-
dades da população e a efi cácia do planejamento em saúde.
Variável idade
Em epidemiologia, a variável idade refl ete a diversidade do país de acordo 
com a faixa etária da população residente. Por meio do conhecimentoda pre-
dominância de determinada faixa de idade, é possível inferir dados importan-
tes que serão levados em conta pelos órgãos gestores. Assim, algumas caracte-
rísticas marcantes na população podem ser notadas.
Para o cálculo do número de pessoas com uma determinada idade em uma 
população, deve-se avaliar o número de nascimentos que ocorreram anos atrás 
e as taxas de mortalidade às quais esses indivíduos estiveram suscetíveis des-
de seu nascimento. Para exemplifi car podemos pensar da seguinte forma: o nú-
mero de mulheres de 20 anos no ano 2020 dependerá de quantos nascimentos 
ocorreram no ano 2000, além de contabilizar as mortes ocorridas de 2000 até 
2020 de acordo com os dados do Censo.
Ao se avaliar uma população por idade, essa análise está sujeita a algumas 
variações. Essas variações tendem a diminuir quando se avalia grupos etários 
quinquenais, isto é, grupos a cada cinco anos.
Alguns grupos etários importantes em um estudo epidemiológico são crian-
ças e jovens; população em idade produtiva; e a população de idosos, visto que 
os programas e políticas devem ser voltados a uma população-alvo de certa 
EPIDEMIOLOGIA 94
SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 94 09/11/2020 13:01:05
região. Por exemplo, uma população mais jovem necessita de cuidados dife-
renciados quando comparada a uma população idosa. O primeiro grupo pode-
ria ser associado a uma cultura mais engajada, na qual a tecnologia está 100% 
presente. A essas pessoas, programas e políticas públicas relacionadas à práti-
ca de esportes, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e acesso à 
cultura seriam interessantes. Para a população mais idosa, programas de pro-
moção à saúde, prevenção ao câncer de próstata, câncer de mama, doenças 
cardiovasculares são mais indicados.
ASSISTA
A diversidade do país por faixa etária demonstra histórias 
reais de milhões de brasileiros. O vídeo mostra a trajetória 
de Jair, nascido em 1960, e de Cristina, nascida em 2000, e 
algumas das diferenças mais marcantes nas característi-
cas da população brasileira.
O Gráfico 1 demonstra a distribuição da população mundial por continente 
de acordo com a faixa etária. A África é a região que apresenta uma população 
mais jovem (41%), enquanto a Europa apresenta uma população idosa (24%). 
Essas características tão extremas relacionam-se com a qualidade de vida e o 
acesso à saúde da população.
GRÁFICO 1. DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO, SEGUNDO FAIXAS ETÁRIAS, POR 
CONTINENTES, 2015
Fonte: ONU, 2015. (Adaptado).
África
Oceania
Europa
0 10 20 30 40 50
Porcentagem
60 70 80 90 100
Ásia
América Latina 
e Caribe 
América do 
Norte 
0-14 15-24 25-59 60+
41
46
48
49
47
45
11
11
12
26
24
24
1419
16
23
21
17
16
1615
19 34 5
EPIDEMIOLOGIA 95
SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 95 09/11/2020 13:01:05
As modificações observadas na população refletem uma tendência para 
maiores índices de envelhecimento, o que pode ser associado a outros fatores 
como menores taxas de fecundidade e acréscimo de anos vividos. Essas carac-
terísticas resultam em um aumento de número de indivíduos com problemas 
de saúde crônicos que devem prestar mais atenção à saúde nos anos seguintes.
Um parâmetro estudado em epidemiologia quando se avalia a idade de uma 
população é o índice de envelhecimento. O índice de envelhecimento é cal-
culado a partir da razão entre os componentes etários extremos da população 
representados por idosos e jovens. Assim:
Índice de envelhecimento =
População ≥ 60 anos . 100
População ≤ 15 anos
Valores elevados desse índice indicam que a transição demográfica se encontra 
em estágio avançado. Uma criteriosa avaliação do índice de envelhecimento da po-
pulação permite o acompanhamento da evolução de uma determinada população e 
sua relação com as demais regiões e grupos sociais, o que contribui para uma rique-
za de informações referentes à dinâmica geográfica e ao fornecimento de subsídios, 
com a formulação e atualização de políticas públicas na área da saúde (Gráfico 2).
GRÁFICO 2. ÍNDICE DE ENVELHECIMENTO, BRASIL E REGIÕES, 1991-2010
Fonte: IBGE, 2010; 2015. (Adaptado).
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
1991 1996 2000 2001 2002 2003 2004 2007 2008 2009 2010
0,0
Região
Norte
Região
Nordeste
Região
Sudeste
Região
Sul
Região
Centro-Oeste Brasil
(1)
EPIDEMIOLOGIA 96
SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 96 09/11/2020 13:01:05
De acordo com os resultados ob-
tidos, observa-se que para a maioria 
dos países a razão de sexo é maior 
que 100, com uma variação de 102 a 
107. Nos países mais desenvolvidos, 
ocorre em torno de 105, demonstran-
do que o sexo masculino é favorecido 
sobre o sexo feminino. De acordo com 
o Gráfi co 3, conforme avança a idade, 
as taxas de mortalidade masculinas 
são mais altas em comparação às ta-
xas femininas em todas as idades. 
Conclui-se, então, que o excesso de 
homens contabilizados ao nascer vai 
sendo gradualmente reduzido até o momento em que, nas idades avançadas, 
o número de mulheres ultrapasse o número de homens. Algumas caracterís-
ticas importantes que implicam nesses dados são a idade da mãe, a ordem de 
nascimento ou a raça.
Variável sexo
Em um estudo epidemiológico, a variável sexo depende de alguns fenôme-
nos como migração, força de trabalho, mortalidade e fecundidade. Um dos 
principais motivos para se conhecer a estrutura da população pelo sexo é sua 
relevância na formação de uma família. O equilíbrio entre os sexos em diferen-
tes faixas etárias da população irá infl uenciar o número possível de uniões em 
um país.
A medida mais utilizada é a razão de sexo ou também conhecida como ín-
dice de masculinidade. Pode ser calculado de acordo com o número total da 
população ou por subgrupos. A razão de sexo permite uma comparação da 
composição quanto ao número de homens e mulheres entre populações dife-
rentes, independentemente do tamanho, época ou lugar. Observe:
Razão de sexo =
nº de homens . 100
nº de homens
(1)
EPIDEMIOLOGIA 97
SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 97 09/11/2020 13:01:06
GRÁFICO 3. RAZÃO DE SEXO (HOMENS POR 100 MULHERES), 
ESTADO DE SÃO PAULO, 1980-2010
1980 2010
100,0
30,0
35,0
40,0
45,0
50,0
55,0
60,0
65,0
70,0
75,0
80,0
85,0
90,0
95,0
105,0 
Men
or 
de
 1 
an
o 
1 a
 4 
an
os
5 a
 9 
an
os 
10 
a 1
4 a
no
s 
15 
a 1
9 a
no
s
20 
a 2
9 a
no
s 
30 
a 3
9 a
no
s 
40 
a 4
9 a
no
s 
50 
a 5
9 a
no
s 
60 
a 6
9 a
no
s 
70 
a 7
9 a
no
s
Acim
a d
e 8
0 a
no
s
101,2
95,4 92,4
88,7
97,0
89,9
83,5
83,6
73,7
65,7
56,2
Fonte: IBGE, 2010. (Adaptado).
Projeções populacionais
As projeções populacionais são idealizadas a partir das informações sobre 
os elementos da dinâmica demográfi ca – mortalidade, fecundidade, migração, 
entre outros – e investigadas pelos Censos Demográfi cos. É importante que 
revisões e atualizações sejam feitas com frequência, pois cada revisão da pro-
jeção adiciona informações atualizadas sobre esses elementos e/ou mudanças 
metodológicas de cálculo da projeção, que devem ser devidamente explicita-
dos nas respectivas metodologias. Desta forma, recomenda-se o uso da revi-
são de projeção de população mais recente.
As projeções são importantes para dar um embasamento na escolha dos 
indicadores sociodemográfi cos, além de servirem como um parâmetro para a 
implementação ou atualização de políticas públicas que norteiam o direciona-
mento dos Ministérios e Secretarias. 
EPIDEMIOLOGIA 98
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Uma ferramenta bastante utilizada nas projeções e que demonstram a di-
nâmica demográfica é o gráfico do tipo pirâmide etária (Gráfico 4). Trata-se de 
um gráfico representativo sobre a quantidade de habitantes de um determinado 
local em relação às distintas faixas etárias. Um lado da pirâmide representa pes-
soas do sexo masculino e o outro lado pessoas do sexo feminino. Se a pirâmide 
tiver muitas faixas etárias, significa que exibirá um maior número de detalhes.GRÁFICO 4. REPRESENTAÇÃO DA PIRÂMIDE ETÁRIA. NAS ORDENADAS SÃO INDICADAS 
AS IDADES E NA ABSCISSA SÃO REGISTRADAS AS PORCENTAGENS
Idade
Por meio da visualização de uma pirâmide etária é possível compreender 
o cenário da população, conhecer a faixa etária e a composição da população 
com base no sexo. Com isso, é possível projetar a facilidade de acesso a servi-
ços públicos e a qualidade de vida a que estão submetidos. Todos esses fatores 
auxiliam a gestão pública e fornecem subsídios para investimento nas áreas da 
segurança, educação e, principalmente, saúde. Assim, novas políticas públicas 
podem ser sugeridas e avaliadas por apresentar um maior embasamento teó-
rico. Posteriormente, as políticas públicas adotadas devem ser avaliadas para 
acompanhar se elas surtiram efeito na população de um país.
Em 2017, a Divisão de População da ONU divulgou as projeções mais atuais da 
população para todos os países e para a população mundial. No Brasil, esses dados 
indicam um pico populacional em 2047, quando a população poderá atingir a marca 
EPIDEMIOLOGIA 99
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de 232,8 milhões de habitantes. Em 2055, a população brasileira passa a cair gra-
dualmente para 231,5 milhões. Na revisão anterior, realizada em 2015, as projeções 
da ONU propuseram que o pico populacional ocorreria em 2050 com 238,3 milhões 
de pessoas. Já as projeções mais recentes do IBGE (2013) indicam um pico popula-
cional em 2042 no Brasil, com 228,4 milhões de habitantes. É possível concluir com 
essas informações de projeção da ONU (2017) se aproximam da projeção do IBGE 
(2013), o que é um bom sinal para os estudos futuros. É evidente que o número da 
população brasileira e mundial no futuro dependerá das taxas de natalidade, das 
taxas mortalidade e do coefi ciente migratório (Gráfi co 5).
GRÁFICO 5. PROJEÇÕES DA POPULAÇÃO BRASILEIRA, SEGUNDO ONU E IBGE, 2015-2055
Fonte: ONU, 2015, 2017; IBGE, 2013. (Adaptado).
240
230
220
210
200
20
15
20
20
20
25
20
30
20
35
20
40
20
45
20
50
20
55
Po
pu
la
çã
o 
(e
m
 m
ilh
õe
s)
 
20
42
 =
 2
28
,4
 m
ilh
õe
s
20
47
 =
 2
32
,8
 m
ilh
õe
s 
20
50
 =
 2
38
,3
 m
ilh
õe
s 
Revisão 2015 Revisão 2017 IBGE, revisão 2013 
Epidemiologia das doenças transmissíveis (doenças 
infecciosas)
De acordo com a implicação dos determinantes da saúde no âmbito da epi-
demiologia, reconhece-se a origem multicausal das doenças. As doenças trans-
missíveis possuem um agente etiológico infeccioso ou biológico associados a 
elas, as doenças não transmissíveis referem-se a um agente não biológico.
Os avanços na área da microbiologia permitiram o progresso no conhecimen-
to das doenças transmissíveis. Com as informações adquiridas, foi possível 
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obter o controle das doenças, o que levou a uma notória redução dos índices 
de morbidade e mortalidade no mundo. Inicialmente, esses índices caíram nos 
países desenvolvidos e nos grupos de população em risco (por exemplo, idosos), 
que foram privilegiados com a adoção de práticas e programas de saúde pública. 
O espectro das doenças transmissíveis está evoluindo rapidamen-
te em relação ao conjunto de fortes mudanças sociais e ambientais 
contemporâneas. O crescimento populacional com expansão da 
pobreza e migração urbana, a globalização da tecnologia são, entre 
outros, mudanças que afetam a suscetibilidade ao risco de exposi-
ção a agentes infecciosos (OPAS, 2010, p. 13).
Na década de 1930, as doenças transmissíveis eram a principal causa de 
óbito nas principais capitais brasileiras, percentual muito divergente e inferior 
quando comparado à área rural (apesar dos poucos registros da época).
EXPLICANDO
Doença transmissível é qualquer doença causada por um agente infeccioso 
específico ou seus produtos tóxicos. Se manifesta pela transmissão deste 
agente ou de seus produtos – de um reservatório a um hospedeiro suscetível –, 
seja diretamente de uma pessoa ou animal infectado, ou indiretamente por meio 
de um hospedeiro intermediário, de natureza vegetal ou animal, de um vetor ou 
do meio ambiente inanimado (OPAS, 2010, p. 13).
Com o passar dos anos, muita coisa se modificou levando a um panorama 
diferenciado, gerando melhorias para a população. Foram as melhorias sanitá-
rias; o desenvolvimento de antibióticos e vacinas; e a maior facilidade de acesso 
aos serviços de saúde - com medidas de promoção e prevenção - que fizeram 
que esse cenário se modificasse consideravelmente. Hoje, as doenças trans-
missíveis são responsáveis por aproximadamente 6% dos óbitos no mundo.
Apesar da redução significativa na participação desse grupo de doen-
ças no perfil da mortalidade do nosso país, ainda há um impacto im-
portante sobre a morbidade, principalmente naquelas doenças para 
as quais não se dispõe de mecanismos eficazes de prevenção e/ou 
que apresentam uma estreita correlação com fatores externos ao se-
tor saúde. A alteração do quadro de morbimortalidade com a perda 
de importância relativa das doenças transmissíveis faz com que haja 
uma percepção de que essas doenças estariam todas “extintas” ou 
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próximas a isso, porém esse quadro não é verdadeiro no Brasil ou 
mesmo em países desenvolvidos (CARMO et al., 2013, p. 67).
Embora existam fatores que comprovadamente promoveram a prevenção 
e controle de várias doenças transmissíveis nas últimas décadas, isso não sig-
nifica que, nos dias atuais, não existam doenças infecciosas que causem preo-
cupação à saúde pública. Por isso, é importante deixar claro que a eliminação 
completa de tais doenças é uma utopia – pelo menos no século XX – levando 
em conta os meios tecnológicos disponíveis hoje.
A princípio, existia uma ideia de que as doenças transmissíveis seriam er-
radicadas de forma natural. Partindo dessa afirmativa, as ações de controle e 
prevenção foram subestimadas, gerando graves prejuízos para o desenvolvi-
mento de propostas e respostas nas esferas governamentais, que seriam im-
portantes para um menor impacto das doenças na população.
Com diferenças associadas às condições sociais, sanitárias e am-
bientais, as doenças transmissíveis ainda são um dos principais 
problemas de saúde pública no mundo. Doenças antigas ressurgem 
com outras características e doenças novas se disseminam com uma 
velocidade impensável há algumas décadas. A erradicação completa 
de doenças, como no caso da varíola, ainda o único e solitário exem-
plo em escala mundial, é produto de anos e décadas de esforço con-
tinuado de governos e sociedade, e da disponibilidade de medidas 
amplamente eficazes (SILVA JUNIOR, 1999, p. 3).
Um ponto importante na cadeia de infecção é o modo de transmissão ou 
difusão do agente infeccioso para o ambiente ou para outra pessoa, que pode 
ser de forma direta ou indireta.
A transmissão direta ocorre a partir do agente infeccioso de um hospedeiro 
ou reservatório para uma porta de entrada por onde a infecção poderá ocorrer. 
Alguns exemplos de transmissão direta são: contato físico (toque, beijo, relação 
sexual) ou pela disseminação de perdigotos ao tossir ou espirrar. A transfusão 
de sangue e a infecção transplacentária da mãe para o feto são outras impor-
tantes formas de transmissão direta. 
A transmissão indireta pode acontecer por meio de veículo, a partir de ma-
teriais contaminados como: alimentos, vestimentas, roupas de cama e utensí-
lios de cozinha; vetor, quando o agente é carregado por um inseto ou animal – o 
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vetor – para um hospedeiro suscetível; e transmissão aérea de longa distância, 
disseminação de partículas de poeira e gotículas a longo alcance. Veja as possi-
bilidades de transmissão direta e indireta no Quadro 1.
QUADRO 1. MÉTODOS DE TRANSMISSÃO DE AGENTES INFECCIOSOS: TRANSMISSÃODIRETA E TRANSMISSÃO INDIRETA
Transmissão direta Transmissão direta 
Mãos
Beijo
Relações Sexuais
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
amamentação) 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
espirro)
Transfusão (sangue) 
Transplacentária
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Outro contato (por exemplo, durante o parto, Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Mãos
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Mãos
Relações Sexuais
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Beijo
Relações Sexuais
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Relações Sexuais
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Relações Sexuais
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
amamentação) 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Relações Sexuais
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
amamentação) 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
amamentação) 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Transfusão (sangue) 
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
amamentação) 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
espirro)
Transfusão (sangue) 
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
amamentação) 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
espirro)
Transfusão (sangue) 
Transplacentária
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
espirro)
Transfusão (sangue) 
Transplacentária
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Transfusão (sangue) 
Transplacentária
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
Outro contato (por exemplo, durante o parto, 
procedimentos médicos, injeção de drogas, 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Transfusão (sangue) 
Transplacentária
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Transfusão (sangue) 
Transplacentária
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Aérea, curta distância (via gotículas, tosse, 
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
lhas, instrumentos agrícolas, etc.) 
Vetores (insetos, animais) 
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Veículos (alimentos contaminados, água, toa-
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Aérea, longa distância (poeira, gotículas)
Parenteral (injeção com seringas contaminadas)Parenteral (injeção com seringas contaminadas)Parenteral (injeção com seringas contaminadas)
Apesar do grande número de doenças transmissíveis conhecidas, o Bra-
sil dispõe de instrumentos efi cazes de prevenção e controle, trazendo êxito 
para o sistema de saúde unifi cado. As doenças transmissíveis são classifi cadas 
em grupos de acordo com a duração e efetividade da doença, sendo: doenças 
transmissíveis com tendência declinante, doenças transmissíveis com quadro 
de persistência e doenças transmissíveis emergentes e reemergentes. 
Doenças transmissíveis com tendência declinante
Algumas doenças transmissíveis apresentam uma tendência de declínio com 
o passar do tempo. A esse declínio, estão associadas metodologias efi cazes de 
prevenção, controle e tratamento. A varíola, em 1973, e a poliomielite, em 1989, 
são exemplos de doenças com tendência declinante e que foram erradicadas.
A transmissão do sarampo foi interrompida desde o fi nal dos anos 2000, 
ocorrendo casos esporádicos em 2005 e 2006. Posteriormente, os casos de 
sarampo só voltaram a aparecer no país em 2018. O tétano apresentou taxa 
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de incidência abaixo do preconizado pela OMS. Outras doenças transmissíveis 
com tendência declinante são a difteria, a coqueluche e o tétano acidental. A 
mesma tendência também foi observada para a doença de Chagas, endêmica 
há várias décadas no país, a febre tifoide, a oncocercose, a fi lariose e a peste.
Doenças transmissíveis com tendência declinante:
• Difteria;
• Coqueluche;
• Tétano;
• Poliomielite;
• Sarampo;
• Rubéola;
• Raiva humana;
• Doença de Chagas;
• Hanseníase;
• Febre tifoide;
• Oncocercose;
• Filariose;
• Peste.
Doenças transmissíveis com quadro de persistência
Doenças transmissíveis com quadro de persistência 
são aquelas que apresentam como característica princi-
pal a predominância na população.
Algumas doenças transmissíveis apresentam 
quadro de persistência, ou de redução em pe-
ríodo ainda recente, confi gurando uma agenda 
inconclusa nessa área. Para essas doenças é ne-
cessário o fortalecimento de novas estratégias, recentemente 
adotadas, que propõem uma maior integração entre as áreas 
de prevenção e controle e a rede assistencial, já que um impor-
tante foco da ação nesse conjunto de doenças está voltado para 
o diagnóstico e tratamento das pessoas doentes, visando à in-
terrupção da cadeia de transmissão (CARMO et al., 2003, p. 68).
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São exemplos as hepatites virais, especialmente as B e C, em função das altas 
prevalências, ampla distribuição geográfica e potencial para evoluir para formas 
graves, que podem levar ao óbito.
Apesar da taxa de incidência de tuberculose apresentar um declínio a partir 
do ano 2000, a persistência da doença prevalece.
A leptospiroseé uma doença comum em locais que apresentam condi-
ções sanitárias precárias, o que favorece sua transmissão e persistência na 
população. Apresenta uma considerável importância para a saúde pública 
em função do grande número de casos que ocorre nos meses mais quentes 
e chuvosos, quando o contato com a água das chuvas é maior.
As meningites bacterianas sorogrupo B e C apresentam altos níveis de trans-
missão, e sua letalidade média é acima de 10%. No Brasil, os registros chegam a 
24.000 casos de meningites por ano. 
As leishmanioses e a esquistossomose são doenças com elevadas prevalên-
cias, que, de maneira geral, estão relacionadas às mudanças ambientais provo-
cadas pelo homem, aos deslocamentos populacionais e à falta de infraestrutura 
do sistema sanitário – água e esgoto.
A malária apresentou uma forte tendência em sua elevação a partir da dé-
cada de 70, em função da ocupação desenfreada da região amazônica, com im-
plantação de novos projetos de colonização e mineração. Além da falta de uma 
estrutura básica de saúde para atender à população. 
A febre amarela possui um número de notificações variável de acordo com a 
região onde é avaliada. A vacinação foi ajustada em regiões que apresentavam 
maior necessidade com base no número de casos de efeitos adversos. 
De acordo com a situação descrita para esse grupo de doenças, é necessário o 
fortalecimento das ações e programas para prevenção e controle, que exigem uma 
maior integração entre as áreas de vigilância epidemiológica e do sistema gestor.
Adicionalmente, enfatiza-se a necessidade de ações multissetoriais 
para enfrentamento da situação, haja vista que a manutenção de 
endemicidade reside na persistência dos seus fatores determinan-
tes, externos às ações típicas do setor saúde, como alterações do 
meio ambiente: desmatamento, ampliação de fronteiras agrícolas, 
processos migratórios e grandes obras de infraestrutura (rodovias 
e hidroelétricas), entre outras (BRASIL, 2010, p. 41).
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Doenças transmissíveis com quadro de persistência:
• Malária;
• Tuberculoses;
• Meningites;
• Leishmaniose visceral;
• Leishmaniose tegumentar americana;
• Febre amarela silvestre;
• Hepatites;
• Esquistossomose;
• Leptospirose;
• Acidentes por animais peçonhentos;
• Tracoma.
Doenças transmissíveis emergentes e reemergentes
Doenças emergentes são aquelas que aparecem na população ou que são 
apenas identifi cadas em um pequeno espaço de tempo. Doenças reemergentes 
são assim denominadas pois já foram controladas no passado, mas algum fator 
foi responsável por inseri-las novamente na sociedade. As doenças reemergen-
tes podem reaparecer por diversos motivos, um deles relaciona-se a modifi ca-
ções no agente infeccioso. Assim, essa categoria de doença constitui um sério 
problema para a saúde pública.
Algumas doenças emergentes são a AIDS e a cólera. A taxa de incidência da 
AIDS entrou em estabilidade, característica favorecida pelo aumento da sobre-
vida dos pacientes soropositivos. Os portadores passaram a ter uma maior ex-
pectativa de vida depois que novas drogas antivirais entraram em sua rotina. A 
cólera é uma doença relacionada às características ambientais precárias e seu 
controle tem sido realizado de forma efi caz. Assim, a incidência da doença dimi-
nuiu consideravelmente.
Entre as doenças reemergentes, pode-se destacar a dengue. Ela foi reintro-
duzida no país em 1982. No continente americano, retornou na década de 1970, 
principalmente pela falta de atenção à saúde básica e pelo acelerado processo 
de urbanização. Para a prevenção da dengue a nível global, o trabalho precisa 
ser mobilizado por políticas públicas, além de ter atenção de todos: gestores e 
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população. A conscientização e mobilização da sociedade sobre os métodos pre-
ventivos fazem toda a diferença na luta contra a dengue.
Independente da forma como se apresentam, as doenças emergentes e ree-
mergentes precisam de total atenção. São elas que mostram o panorama real 
da epidemiologia em um país e auxiliam na adoção de medidas de controle e 
prevenção.
O Centers for Disease Control and Prevention defi ne doenças in-
fecciosas emergentes como novas infecções que têm aparecido re-
centemente em determinada população ou que já existiam e vêm 
aumentando rapidamente, tanto em incidência como no alcance 
geográfi co. Podem ocorrer pela introdução do agente etiológico 
em outras espécies ou como variante de uma infecção humana 
existente em outra população hospedeira ou pelo reconhecimento 
do caráter não detectável em uma infecção que já estava presente 
na população e da origem infecciosa de uma doença já estabeleci-
da (GRISOTTI, 2010, p. 1096).
Doenças transmissíveis emergentes e reemergentes:
• AIDS;
• Cólera;
• Dengue;
• Hantaviroses (doenças provocadas por roedores);
• Febre maculosa brasileira.
Epidemiologia das doenças não transmissíveis 
(doenças não infecciosas)
Novas tendências de um mundo pós-moderno demonstram o aumento 
de doenças não transmissíveis. O “estilo de vida moderno”, a que toda a 
população está sujeita, traz um grande risco à saúde. A esse novo modelo 
de vida, estão relacionadas algumas mudanças drásticas, como: os 
hábitos alimentares – pelo aumento do consumo de fast-food 
–, o sedentarismo, e o tabagismo. Esses são os principais 
hábitos apontados como causas para o desenvolvimento 
das doenças não transmissíveis (doenças não infecciosas).
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As doenças que fazem parte do grupo de doenças não transmissíveis 
são consideravelmente abrangentes, pois envolvem doenças que, na maio-
ria das vezes, não podem ser controladas. Por exemplo: doenças cardio-
vasculares; doenças degenerativas (câncer, doenças reumáticas, diabetes 
etc.); os agravos ocorridos por causas externas (como acidentes); e trans-
tornos psíquicos. Todas contribuem igualitariamente na carga global de 
doenças que atingem o país.
Doenças crônicas não transmissíveis
Dentro do grande grupo de doenças não transmissíveis, existem as doenças 
crônicas não transmissíveis, que compõem o conjunto de condições crônicas re-
lacionadas a múltiplas causas. Elas são caracterizadas por apresentar um início 
gradual, de duração incerta, que pode apresentar um curso clínico, que se trans-
forma com o passar do tempo, intercalando períodos de fase aguda, podendo 
comprometer o paciente.
No cenário nacional, as doenças cardiovasculares, que têm a hi-
pertensão e diabetes como um importante fator de risco para seu 
desenvolvimento, representam a principal causa de mortalidade 
no país (OPAS, 2010, p. 18). 
Além dos índices de mortalidade, um fator considerável nas doenças crônicas 
é a grande morbidade relacionada a essas doenças. São números expressivos de 
pacientes internados; que têm perda de membros; de mobilidade; ou disfunções 
neurológicas. Essas morbidades levam a uma consequente perda da qualidade 
de vida e traz mais sofrimento cada vez que a doença avança.
Essa situação levou o Brasil a elaborar o Plano de ações estratégicas para 
o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis. O objetivo 
desse plano é garantir a idealização e a implementação de políticas 
públicas baseadas especialmente na prevenção, na pro-
moção e no controle das doenças crônicas. Políticas 
que precisam levar em conta o público-alvo e os fato-
res de risco. Em 2012, foi proposta a construção da 
Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas 
(Portaria nº 252, de 19 de fevereiro de 2013).
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Vigilância epidemiológica
A vigilância epidemiológica é defi nida pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro 
de 1990, como: 
[…] um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a de-
tecção ou prevençãode qualquer mudança nos fatores determi-
nantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a 
fi nalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e 
controle das doenças ou agravos (BRASIL,1990).
Alguns dos objetivos da vigilância epidemiológica são: fornecer parecer técni-
co para ser utilizado pelo pessoal capacitado na execução de ações; programas de 
controle de doenças e agravos pelos profi ssionais de saúde; criação de sistemas de 
alerta que confi gurem em uma resposta rápida a doenças infecciosas. Os objetivos 
da vigilância epidemiológica visam melhorias na estruturação do sistema de saúde 
pública, para torná-lo mais efi ciente por meio de planejamento e organização.
As informações oriundas da vigilância epidemiológica devem assegurar efi ciên-
cia e fi delidade de dados. A vigilância requer o domínio e atualização constante de 
todos os fatores que envolvam a ocorrência e a disseminação de uma doença, por 
meio de métodos práticos e de fácil execução. Para isso, é preciso que sejam cons-
tantemente atualizadas com novos resultados e inovações técnico-científi cas, que 
sejam capazes de arcar com melhorias à sua abrangência e qualidade.
A análise de dados em um sistema de vigilância epidemiológica fornece infor-
mações a respeito do aumento ou diminuição de casos. Algumas das funções que 
cabem à vigilância epidemiológica estão descritas no Quadro 2.
Coleta de dados (dados demográfi cos, ambientais, socioeconômicos, morbidade, mortalidade);
Representatividade dos dados;
Processamento de dados coletados;
Análise e interpretação dos dados processados;
Recomendação das medidas de prevenção e controle apropriados;
Promoção das ações de prevenção e controle indicados;
Avaliação da efi cácia e efetividade das medidas adotadas;
Divulgação de informações pertinentes (BRASIL, 2005). 
QUADRO 2. FUNÇÕES DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
Fonte: BRASIL, 2009. (Adaptado).
EPIDEMIOLOGIA 109
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A vigilância epidemiológica pode ser estruturada como um processo, de 
acordo com seu ciclo de funções, sejam elas específicas ou complementares. 
A cada momento, é possível conhecer o comportamento da doença ou agravo 
que será o alvo da ação, criando assim medidas de intervenção precoces e di-
recionadas a uma determinada finalidade (Diagrama 1).
DIAGRAMA 1. CICLO DE FUNÇÕES DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: CONHECIMENTO, 
DETECÇÃO, PREVENÇÃO E AÇÃO
 
 A
ções 
 Conhecim
ento Detecção 
 
 
 
 
 
 P
re
ve
nç
ão
 
Vigilância 
epidemiológica 
Fonte: SOUZA, 2014. (Adaptado).
A vigilância é uma característica essencial da prática epidemiológica e pode ser 
usada na identificação de casos isolados ou de grupos; na avaliação do impacto 
de eventos relacionados à saúde pública e de suas tendências; na mensuração de 
fatores e agravos à saúde; no monitoramento e avaliação do impacto das medidas 
protetivas e de controle; no monitoramento das estratégias utilizadas para inter-
venção e modificações nas políticas públicas; na atenção ao paciente.
A maioria dos países tem leis regulando a notificação compulsória 
de algumas doenças. As doenças que devem ser notificadas frequen-
temente incluem as que são preveníveis pela vacinação, tais como, 
poliomielite, sarampo, tétano e difteria, além de outras doenças 
transmissíveis, como, por exemplo, tuberculose, hepatite, meningite 
e lepra. Também pode ser requerida a notificação de óbito materno, 
EPIDEMIOLOGIA 110
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acidentes e doenças ocupacionais e ambientais, como, por exemplo, 
a intoxicação por pesticidas. A notificação compulsória de algumas 
doenças constitui parte da vigilância (BONITA et al., 2010, p. 127).
CITANDO
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba: “a escolha das doen-
ças e agravos de notificação compulsória obedece a critérios como: magni-
tude, potencial de disseminação, transcendência, vulnerabilidade e disponi-
bilidade de medidas de controle, sendo a lista periodicamente revisada, tanto 
em função da situação epidemiológica da doença, como pela emergência de 
novos agentes e por alterações no Regulamento Sanitário Internacional. Os 
dados coletados sobre as doenças de notificação compulsória são incluídos 
no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN)” (2016).
Além da utilização dos dados gerados pela vigilân-
cia epidemiológica, as estimativas de abrangência e 
magnitude de uma epidemia ou surto auxiliam no 
monitoramento da sua tendência. Os dados também 
podem ser usados no engajamento da comunidade com 
os setores de saúde, e na defesa da utilização de mais re-
cursos disponibilizados para a saúde.
Em países subdesenvolvidos, os sistemas de vigilância e 
notificação são escassos, levando à uma subnotificação e enfraquecimento do 
sistema de saúde. A fim de tentar unificar a geração de informações em saúde, 
uma grande rede – que inclui organizações não governamentais, ferramentas 
de busca na internet, grupos de discussão eletrônica e redes de treinamento e 
laboratórios – oferece mecanismos eficazes, que visam reunir informações que 
possam levar a uma resposta internacional unificada.
A dinâmica do perfil epidemiológico das doenças, o avanço do 
conhecimento científico e algumas características da sociedade 
contemporânea têm exigido não só constantes atualizações das 
normas e procedimentos técnicos de Vigilância Epidemiológica, 
como também o desenvolvimento de novas estruturas e estraté-
gias capazes de atender aos desafios que vêm sendo colocados 
(BRASIL, 2018, p.14).
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Avaliação dos sistemas de vigilância epidemiológica
A vigilância epidemiológica é um sistema que precisa ser alimentado e atuali-
zado constantemente. Seu funcionamento deve ser avaliado regularmente para 
garantir a efi ciência do planejamento e seu aprimoramento.
A avaliação do sistema é aferida pelo demonstrativo dos resultados obtidos 
com a ação ou programa desenvolvido. Eles precisam justifi car de maneira clara 
os recursos fi nanceiros investidos em sua execução. Assim, é importante utilizar 
os indicadores de saúde: morbidade, mortalidade, incapacidade, fecundidade, 
entre outros. A vigilância necessita avaliar e informar com precisão e clareza 
cada etapa de um estudo epidemiológico, que envolva vigilância e investigação, 
para verifi car se as tendências estão ocorrendo como previsto e impactando de 
forma positiva a população-alvo. 
Os resultados provenientes do conjunto de ações desenvolvidas e executa-
das no sistema são mensurados pelos benefícios sociais e econômicos adquiri-
dos, como um termômetro. São avaliados, por exemplo, a porcentagem de vidas 
poupadas pelos programas de prevenção e promoção; os casos evitados; os cus-
tos de assistências etc. A manutenção de um sistema de vigilância ativo abrange 
complexas e diferenciadas atividades, que, em conjunto, têm o intuito de apri-
morar a qualidade, efi cácia, efi ciência e efetividade das ações.
Métodos de investigação epidemiológica
O surgimento de novos casos de uma doença, sejam elas emergentes ou 
reemergentes, que possuam formas de prevenção, controle ou tratamento por 
meio dos serviços de saúde, sugere que a população está vulnerável a riscos e 
agravos à saúde. Esses riscos se apresentam como uma ameaça à saúde, e por 
isso precisam ser identifi cados e controlados da forma mais rápida possível, 
em seu estágio inicial.
O exame cuidadoso do paciente e de seus contatos é fundamental, porque 
dependendo da enfermidade, pode-se identifi car seu estágio inicial e come-
çar o tratamento rapidamente – aumentando as chances de sucesso – ou re-
correr ao isolamento social, com objetivo de evitar que a doença se dissemine 
nacomunidade.
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SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 112 09/11/2020 13:01:08
Para que o sistema de saúde funcione de maneira adequada, é necessário um 
controle baseado nos fatores de risco que uma população está submetida; nas 
falhas na assistência à saúde; ou no comprometimento das medidas de proteção. 
Nestes casos, a investigação epidemiológica torna-se uma atividade obrigatória de 
qualquer sistema de saúde local ou regional. O Diagrama 2 retrata um esquema 
de surgimento de uma doença e a identificação de fatores de risco pela investiga-
ção sistemática.
DIAGRAMA 2. ETAPAS QUE GERAM UM PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO 
EPIDEMIOLÓGICA: DEFINIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DE FATORES
DIAGRAMA 3. FLUXOGRAMA DE COMO OCORRE UMA INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA: 
A DETECÇÃO E CONTROLE DOS FATORES DE RISCO SÃO PEÇAS-CHAVE
Não ocorrem
por acaso 
Causais e
preveníveis 
Identificação
de fatores 
Doenças Fatores Investigação
epidemiológica 
A investigação epidemiológica é um trabalho de campo, estritamente prático, 
que deve ser iniciado assim que haja notificação de casos, sejam eles únicos ou de 
grupos; apenas suspeitos; declarados clinicamente; ou de contatos. A investigação 
funciona como uma alerta à população de risco, e seu controle errôneo pode gerar 
falhas na assistência à saúde e nas medidas preventivas (Diagrama 3).
Controle inadequado Fatores
Como ocorre uma investigação epidemiológica?
Novos casos de uma doença
População em risco
Falha na assistência à saúde
e/ou medidas de proteção 
Identificação e controle
de fatores
EPIDEMIOLOGIA 113
SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 113 09/11/2020 13:01:08
Os principais objetivos da investigação epidemiológica são: a identificação da 
fonte de infecção e do modo de transmissão; a avaliação dos grupos que apresen-
tam maior risco e os fatores de risco associados a eles; a confirmação do diagnós-
tico; e a determinação das principais medidas a serem tomadas. O seu propósito é 
orientar medidas de controle para impedir que novos casos ocorram.
Apesar da investigação epidemiológica se assemelhar com a pesquisa epide-
miológica, a investigação epidemiológica distingue-se da pesquisa por duas prin-
cipais diferenças:
• O início de uma investigação epidemiológica de campo se inicia sem hipótese 
clara, o que requer o uso da epidemiologia descritiva na formulação de hipóteses, 
que serão corroboradas por meio da epidemiologia analítica (por exemplo, estu-
dos de caso-controle).
• Na ocorrência de problemas que impliquem na adoção de medidas de prote-
ção à saúde da comunidade, a investigação deve ser seletiva na coleta dos dados 
e acelerar a análise para favorecer a resolução imediata das ações de controle.
A gravidade do evento representa um fator que condiciona a urgên-
cia no curso da investigação epidemiológica e na implementação de 
medidas de controle. Em determinadas situações, especialmente 
quando a fonte e o modo de transmissão já são evidentes, as ações 
de controle devem ser instituídas durante ou até mesmo antes da 
realização da investigação (BRASIL, 2009, p. 29).
A investigação epidemiológica possui papel fundamental na definição das me-
lhores medidas a serem tomadas; no controle de doenças infecciosas em menor 
tempo possível; e na orientação de formas de tratamento antes que tomem maio-
res proporções. Essas medidas dependem, essencialmente, das informações gera-
das pela investigação, o que justifica sua importância no processo saúde-doença. 
O principal objetivo da vigilância epidemiológica é um grande desafio para todos 
os envolvidos, pois se trata da resolução de um aspecto individual, que implica na 
comunidade como um todo.
A investigação epidemiológica de campo consiste na repetição das 
etapas listadas a seguir, até que os objetivos sejam alcançados: con-
solidação e análise de informações já disponíveis; conclusões preli-
minares a partir dessas informações; apresentação das conclusões 
preliminares e formulação de hipóteses; definição e coleta das infor-
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mações necessárias para testar as hipóteses; reformulação das hipó-
teses preliminares, caso não sejam confi rmadas, e comprovação da 
nova conjectura, caso necessária; defi nição e adoção de medidas de 
prevenção e controle, durante todo o processo (BRASIL, 2009, p. 30).
Na investigação epidemiológica, quando existe uma suspeita de doença trans-
missível classifi cada como doença de notifi cação compulsória, os profi ssionais 
da vigilância epidemiológica devem responder questionamentos essenciais para 
orientar a investigação e as medidas de controle à doença (Quadro 3).
Investigação epidemiológica 
Questões a serem respondidas Informações produzidas 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
suspeita? Confi rmação do diagnóstico 
Quais são os principais atributos individuais 
dos casos?
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
doença? Fonte de infecção 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
doentes? Modo de transmissão
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção? Determinação da abrangência da transmissão 
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Identifi cação de novos casos/contatos/
comunicantes
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Identifi cação de fatores de risco 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
espaço e no tempo?
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
poral dos casos 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população? Medidas de controle
Trata-se realmente de casos da doença que se Trata-se realmente de casos da doença que se Trata-se realmente de casos da doença que se Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
suspeita? 
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
suspeita? 
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
suspeita? 
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
dos casos?
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
dos casos?
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
dos casos?
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
doença? 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
Trata-se realmente de casos da doença que se 
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
doença? 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fontede infecção?
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
doença? 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
doentes?
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
doentes?
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Quais são os principais atributos individuais 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
doentes?
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
doentes?
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
A partir do quê ou de quem foi contraída a 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
Como o agente da infecção foi transmitido aos 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
Outras pessoas podem ter sido infectadas/afe-
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
transmitido a doença?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
Fonte de infecção 
tadas a partir da mesma fonte de infecção?
A quem os casos investigados podem ter 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Confi rmação do diagnóstico 
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
Fonte de infecção 
Determinação da abrangência da transmissão 
A quem os casos investigados podem ter 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
Fonte de infecção 
Modo de transmissão
Determinação da abrangência da transmissão 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Identifi cação de características biológicas, 
ambientais e sociais 
Fonte de infecção 
Modo de transmissão
Determinação da abrangência da transmissão 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Identifi cação de características biológicas, 
Fonte de infecção 
Modo de transmissão
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
Identifi cação de características biológicas, 
Fonte de infecção 
Modo de transmissão
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
Modo de transmissão
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
Modo de transmissão
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
Modo de transmissão
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
comunicantes
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
comunicantes
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
comunicantes
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
comunicantes
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/
Determinação da abrangência da transmissão 
Identifi cação de novos casos/contatos/Identifi cação de novos casos/contatos/
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Como os casos encontram-sede forma natural, o que as desvinculava dos pensamentos sobrenaturais 
da época, como, por exemplo, aqueles que defi niam doença como “castigo di-
vino”. Seus estudos retratavam a relação saúde/doença com o ambiente. Hipó-
crates relatou, assim, que os hábitos de higiene podiam auxiliar na prevenção 
de doenças.
John Graunt também é considerado um dos pioneiros no estudo da epide-
miologia pela marcante atuação na geração de dados epidemiológicos. Graunt 
confeccionou tabelas sobre taxas de natalidade e mortalidade em Londres, re-
lacionando tais resultados a fatores como sexo, idade e localidade (ambiente 
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urbano e rural). Dessa maneira, foi o primeiro a fazer um monitoramento das 
doenças infecciosas e medir os riscos de mortalidade em uma determinada po-
pulação. Seus métodos, apesar de desenvolvidos há muito tempo, ainda fazem 
parte do cenário atual da epidemiologia.
William Farr, por sua vez, desenvolveu um sistema moderno de estatística 
baseado nas ideias propostas por Graunt. Farr defendeu a ideia de que algu-
mas doenças, principalmente as crônicas, teriam uma etiologia multifatorial. 
Dessa maneira, é considerado um dos fundadores da epidemiologia moderna. 
Um de seus trabalhos marcantes em epidemiologia foi a correlação entre o 
encarceramento e o risco de mortalidade dos prisioneiros, utilizando fatores 
como idade e tempo da sentença. Com esses dados, Farr sugeriu que a popula-
ção carcerária apresentava um maior risco de morte.
Por fim, John Snow teve grande destaque na história da epidemiologia 
ao iniciar uma investigação que identificou onde as pessoas com cólera re-
sidiam e de qual fonte coletavam água para consumo. Snow observou uma 
relação entre o consumo de água e as mortes por cólera e supôs ser a água 
o fator responsável pela transmissibilidade da doença. Um mapa das ruas 
de Londres foi, então, confeccionado, relacionando as principais fontes de 
água (bombas d’água) aos casos confirmados de cólera. Na Figura 1, é pos-
sível observar a proximidade da bomba A (pump A) com o maior número de 
casos na população. Com essa descoberta, novas medidas de políticas em 
saúde puderam ser tomadas em Londres, evitando o aumento do número 
de pessoas contaminadas.
A partir das conclusões de Snow, melhorias foram realizadas no abasteci-
mento de água e na questão fitossanitária, o que claramente ressalta o aporte 
dado à saúde pública. Dessa forma, a partir de 1850, os estudos epidemiologi-
cos têm demonstrado, cada vez mais, sua relevância no que concerne à saúde 
das populações.
No entanto, apesar de o trabalho de Snow ter-se apresentado como pionei-
ro na adoção de medidas contra a cólera, as epidemias ainda são relativamente 
frequentes nas populações menos favorecidas socioeconomicamente nos dias 
atuais. Em 2006, houve, em Angola, 40 mil casos de cólera, com 1,6 mil óbitos; 
no Sudão, foram 13.852 casos e 516 mortes, somente nos primeiros meses do 
mesmo ano.
EPIDEMIOLOGIA 14
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Além das ideias revolucionárias dos cientistas citados anteriormente, não 
podemos deixar de lembrar que as descobertas na área da microbiologia, a 
partir do século XIX, proporcionaram um novo rumo para a ciência. Os traba-
lhos do francês Louis Pasteur favoreceram uma maior compreensão e aprofun-
damento na epidemiologia, pois a microbiologia permitiu o conhecimento de 
agentes infecciosos – uma nova e relevante informação para a compilação de 
dados estatísticos e monitoramento de doenças infecciosas.
Figura 1. Mapa de ruas de Londres e casos de cólera. Fonte: CDC, 2012.
História da epidemiologia no Brasil
No fi nal do século XIX, várias tentativas de análise quantitativa da ocorrên-
cia de doenças foram registradas no Brasil, no entanto, sem empregar técnicas 
estatísticas já de uso corrente no cenário europeu e norte-americano.
Em 1903, o médico Oswaldo Cruz (Figura 2) foi nomeado para a Diretoria-
-Geral de Saúde Pública com o importante desafi o de sanear o Rio de Janeiro, 
capital do País, e, assim, combater a febre amarela, a peste bubônica e a varío-
la, principais epidemias que assolavam a cidade. Como medidas de controle, 
foram impostas multas e intimações à população. 
Bomba B
Casa de 
trabalho
Bomba A
Bomba
Bomba
Rua Broad
Rua Poland
Rua Berw
ick
Bomba C
Praça 
dourada
Rua Regent
Rua Carnaby
Pulteney
Rua Grea
Rua M
arshall
Rua Silver
EPIDEMIOLOGIA 15
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Figura 2. Retrato de Oswaldo Cruz em nota de 50 cruzados, 1986. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 03/08/2020. 
Dois anos depois, Carlos Chagas conseguiu controlar um surto de malária 
em uma cidade do interior de São Paulo, e sua experiência acabou por torná-lo 
referência no combate à doença no mundo inteiro. Em 1909, Chagas descobriu 
o protozoário causador da tripanossomíase americana, denominado por ele 
Trypanosoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz. A doença fi cou conhecida 
mundialmente como doença de Chagas.
No plano de organização do ensino, duas instituições de pes-
quisa e formação especializadas no campo da saúde pública 
foram criadas na primeira metade do século XX: a Fundação 
Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, então capital da República; 
e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Pau-
lo, na metrópole economicamente mais dinâmica no período.
Conceito de saúde
Popularmente, é comum ouvirmos dizer: “Fulano tem uma saúde de ferro!”, ou 
então: “Ele tem saúde para dar e vender!”. Esses jargões são muito utilizados pela 
população para remeter a uma pessoa considerada saudável. No entanto, para 
considerarmos alguém saudável, isto é, prezando por saúde, primeiramente, temos 
que conhecer o conceito de saúde e como surgiu a necessidade de conceituação. 
EPIDEMIOLOGIA 16
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A preocupação histórica dos povos pela busca de um ideal de saúde tem 
sido constante e natural, visando ao fortalecimento do grupo e até mesmo por 
instinto de preservação da espécie humana, tantas vezes ameaçada por lutas 
fratricidas, guerras de conquista e epidemias de caráter destrutivo. O surgi-
mento de médicos, ao lado dos “mágicos”, curandeiros ou feiticeiros, data dos 
primórdios da humanidade, com notícias que remontam ao ano de 4.000 a.C., 
na Mesopotâmia (OLIVEIRA, 2001).
Fundada em 1948, após a Segunda Guerra, a Organização Mundial da Saú-
de (OMS) definiu saúde como: “um estado de completo bem-estar físico, men-
tal e social e não somente ausência de afecções e enfermidades” (OPAS, 1948, 
p. 2). Apesar de ser um conceito deliberado há décadas, essa foi, por muito 
tempo – e, diga-se de passagem, ainda é – a definição mundialmente aceita. 
A partir da divulgação do conceito de saúde pela OMS, um dilema instalou-se 
na sociedade acadêmica. Como em tudo que nos cerca, existem aqueles que são 
favoráveis e aqueles que são contrários. Tal divergência entre os cientistas sobre 
a “saúde definida em palavras” leva-nos a uma boa reflexão sobre o tema. 
Em um trabalho recente, Souza e Silva, Schraiber e Mota (2019) descreve-
ram como diferentes grupos se posicionaram sobre a conceituação de saúde 
pela OMS. Vejamos alguns deles: 
• Grupo dos que defendem o conceito de saúde da OMS sem levantar ques-
tionamentos; 
• Grupo dos que defendem mais de uma percepção sobre o conceito de 
saúde, sendo o conceito da OMS majoritário; 
• Grupo dos que defendem o conceito de saúde como ausência de doença; 
• Grupo dos que defendem que o conceito de saúde é subjetivo; 
• Grupo dos que defendem uma não conceituação de saúde.
Como favoráveis ao conceito da OMS, vamos citar os autores Brugnerotto e 
Simões (2009). Eles analisaram o conceito de saúde nos projetos político-peda-
gógicos de cursos de formação em educação física nas principais universidades 
do estado do Paraná. A compreensão de saúde ocorreu por duas vertentes: pordistribuídos no 
espaço e no tempo?
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
espaço e no tempo?
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
espaço e no tempo?
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Que fatores determinaram a ocorrência da do-
ença ou podem contribuir para que os casos 
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
transmitir a doença? 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
espaço e no tempo?
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
possam transmitir a doença a outras pessoas? 
Durante quanto tempo os doentes podem 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
espaço e no tempo?
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Durante quanto tempo os doentes podem 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
espaço e no tempo?
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Identifi cação de fatores de risco 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Identifi cação de fatores de risco 
Como os casos encontram-se distribuídos no 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Identifi cação de fatores de risco 
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
as ou se dissemine na população?
Identifi cação de fatores de risco 
Determinação do período 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
Como evitar que a doença atinja outras pesso-
Identifi cação de fatores de risco 
Determinação do período 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
Identifi cação de fatores de risco 
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
Identifi cação de fatores de risco 
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
Identifi cação de fatores de risco 
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
Identifi cação de fatores de risco 
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
poral dos casos 
Identifi cação de fatores de risco 
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
poral dos casos 
Medidas de controle
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
poral dos casos 
Medidas de controle
Determinação do período 
de transmissibilidade 
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
poral dos casos 
Medidas de controle
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
poral dos casos 
Medidas de controle
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
Medidas de controle
Determinação de agregação espacial e/ou tem-
Medidas de controle
Determinação de agregação espacial e/ou tem-Determinação de agregação espacial e/ou tem-
QUADRO 3. QUESTÕES ESSENCIAIS E INFORMAÇÕES PRODUZIDAS EM UMA 
INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA
Fonte: BRASIL, 2009, p. 30.
EPIDEMIOLOGIA 115
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Desafios e perspectivas para a saúde
No Brasil, o quadro epidemiológico apresenta alguns desafios que ain-
da precisam ser replanejados. O primeiro deles é a batalha contra doenças 
antigas e persistentes, como a AIDS, a dengue, a doença de Chagas e a 
cólera. Ao mesmo tempo em que tais doenças ocupam a atenção do siste-
ma de saúde, há o aparecimento de novas doenças que, muitas vezes, são 
classificadas como doenças negligenciadas.
Conforme demonstrado em estudos realizados nos Estados Unidos e 
Europa, as doenças cardiovasculares podem ser evitadas, principalmen-
te por medidas de promoção da saúde (como a redução do tabagismo, a 
atividade física, a redução do consumo de sal e gorduras na alimentação, 
entre outros) e de medidas de prevenção secundária (como diagnóstico 
precoce e tratamento imediato), que devem ser prioritárias na atenção 
básica do SUS.
Outro desafio para a saúde brasileira chama-se equidade. Por apre-
sentar proporções continentais, o Brasil é um país diverso e multicultu-
ral. Essas características diferentes entre regiões podem ser observadas 
por meio dos índices de morbidade e mortalidade entre diferentes grupos 
sociais. Tal situação não reflete apenas a condição social, mas também a 
dificuldade de acesso a serviços de saúde, instalados, preferencialmente, 
em regiões mais favorecidas.
Na tentativa de enfrentar esses desafi os, a informação epidemiológica é 
essencial. A vigilância epidemiológica precisa ser efi ciente, adequada e atual, a 
fi m de refl etir a real dinâmica das taxas de morbidade e da mortalidade no Bra-
sil e, assim, encaminhar estratégias robustas para os problemas apontados.
A informação epidemiológica é a base do planejamento de 
saúde. Acredita-se que as informações oriundas do sistema de 
atendimento ambulatorial e hospitalar do SUS possam forne-
cer o material de que o Centro Nacional de Epidemiologia (Ce-
nepi) necessita para prover o Ministério da Saúde com as infor-
mações epidemiológicas indispensáveis (ARAÚJO, 2012, p. 537).
A evolução da tecnologia, em especial da informática, juntamente com 
a redução dos seus custos, vem possibilitando o desenvolvimento de sis-
EPIDEMIOLOGIA 116
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temas de informações mais rápidos e eficientes, que contribuem signifi-
cativamente para tornar mais oportunas as intervenções neste campo da 
saúde pública.
Os profissionais de saúde necessitam trabalhar de forma árdua para 
o desenvolvimento da consciência sanitária dos gestores municipais dos 
sistemas de saúde. É essencial enfatizar a importância de colocar as ações 
de saúde em primeiro plano. O panorama proposto pela vigilância epide-
miológica é o que fornece o alicerce necessário para a luta contra os pro-
blemas de saúde de uma população.
EPIDEMIOLOGIA 117
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Sintetizando
A epidemiologia se baseia na investigação e aquisição de informações referentes 
à uma população em um determinado período. A população é o alvo de um estudo 
epidemiológico. É por meio dela que conhecemos a melhor maneira de intervir nos 
sistemas públicos de saúde. 
Um fator importante em um estudo epidemiológico refere-se à composição da 
população em idade e sexo. São essas informações que levam a um melhor acom-
panhamento das necessidades da população, e auxiliam na adoção de medidas ca-
bíveis. É possível compreender as modificações ocorridas ao longo do tempo, a dis-
tribuição populacional e propor quais são as maiores necessidades para uma região, 
além de fazer prospecções do que poderá acontecer em um futuro próximo. Um 
acontecimento visualizado a nível mundial é o envelhecimento da população, fator 
que ocorre por motivos como: melhoria no acesso aos serviços de saúde, promoção 
da saúde, inovação tecnológica, entre outros.
As doenças que assolam a uma população servem, também, como um bom pa-
râmetro para conhecer essa população. Doenças transmissíveis são as mais preo-
cupantes, pois apresentam risco de acometer mais indivíduos, chegando ao ponto 
de ser difícil seu controle e tratamento.Doenças não transmissíveis são aquelas as-
sociadas a comportamentos individuais ou genéticos, também importantes para a 
vigilância, no entanto, não possuem risco de transmissibilidade.
A vigilância epidemiológica é um setor bem estruturado da epidemiologia, pois 
é por meio dela que as informações são organizadas para o bom planejamento dos 
serviços públicos. A investigação epidemiológica conta com a participação de toda a 
comunidade, população suscetível, profissionais de saúde e gestores.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela epidemiologia para se tornar 
uma ciência de relevância reconhecida, a perspectiva atual é de grandes avanços 
na área. Deve-se levar em conta tudo o que já foi estabelecido e compreender que, 
como uma ciência em constante atualização, os desafios estarão sempre presentes. 
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UNA-SUS/UFMA, 2014.
EPIDEMIOLOGIA 120
SER_MEDVET_EPIDE_UNID4.indd 120 09/11/2020 13:01:09meio do modelo biomédico e a partir da estratégia da nova promoção da saú-
de. Ao final, os autores concluíram que a definição da OMS é a melhor escolha.
Do outro lado da moeda, temos um grande grupo contrário ao conceito de 
saúde da OMS. Alguns pesquisadores da área da saúde, durante todos esses 
EPIDEMIOLOGIA 17
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anos, têm tentado aprimorar, atualizar e até mesmo sugerir uma nova defi-
nição para saúde. Eles alegam que a falta de clareza no que se entende por 
“completo bem-estar físico, mental e social” é uma das razões pela busca de 
um novo conceito.
Segre e Ferraz (1997), por exemplo, publicaram um repúdio ao conceito de 
saúde da OMS. Os autores a consideram ultrapassada, por visar uma perfeição 
inatingível, atentando contra as próprias características da personalidade. Suas 
principais notas mostram a inadequação de se fazer distinção entre o físico, o 
mental e o social. Segundo os autores, trata-se de uma definição irreal porque, 
aludindo ao “perfeito bem-estar”, propõe uma utopia. O que é “perfeito bem-es-
tar?” É, por acaso, possível caracterizar-se a “perfeição”? Scliar afirma que “o con-
ceito de saúde deve refletir a conjuntura social, econômica, política e cultural”, ou 
seja, “saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da 
época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de 
concepções científicas, religiosas, filosóficas” (SCLIAR, 2007, p. 30). 
Existem, ainda, aqueles que aderem a uma “não conceituação” de saúde, ale-
gando o fato de que saúde é um lema. De acordo com Czeresnia (1999), nenhum 
conceito, ou sistema de conceitos, pode esperar explicar a característica de uni-
dade na singularidade. Os conceitos expressam identidades, enquanto a unida-
de singular é uma expressão da diferença. Ainda que muito potencial explicativo 
um conceito possa ter e por mais operativo que possa ser, é incapaz de expres-
sar o fenômeno em sua totalidade; isto é, não pode representar a realidade.
Agora, conhecendo os dois lados da história e antes da tentativa de concei-
tuar saúde, devemos refletir o quão (in)atingível isto pode ser: definir uma condi-
ção em palavras. Afinal, o que deve ser levado em conta? Interpretar o conceito 
de saúde ou vivenciá-lo? É notória que a interpretação de texto é uma questão 
individual. Cada pessoa pode interpretar de diferentes maneiras, motivo esse 
para tanta divergência. A vivência segue a mesma tendência, com a ideia de que 
cada indivíduo é único, com particularidades e experiências próprias.
Vivemos em um País de proporções continentais que tem passado por gran-
des transformações tanto sociais quanto econômicas. Esses fatores geram 
uma diferença na qualidade de vida do brasileiro. Logo, as peculiaridades de 
cada indivíduo, família ou população são importantes passos na tentativa de 
conceituar saúde. 
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Não podíamos imaginar o quanto isso seria difícil – parece ser um desafio e 
tanto –: generalizar um conceito tão amplo como saúde. Apesar da discordân-
cia entre aqueles que não aceitam o conceito da OMS, independentemente se 
preferem uma atualização ou uma não conceituação, uma coisa é fato: há uma 
preocupação de todos com a promoção da saúde, como veremos adiante. 
A epidemiologia mostra-se, assim, como uma ciência com constantes desa-
fios de contextualização. Essa ciência parece não ser capaz de referenciar de 
maneira teórica o conceito de saúde. Entre todos os parâmetros e definições 
estudados pela epidemiologia, a conceituação de saúde pode constituir um 
ponto cego, capaz de abranger diferentes causas e permear diferentes campos 
de visão.
Ainda assim, as Conferências Inter-
nacionais sobre Promoção da Saúde 
mostraram seu valor quando o concei-
to de saúde começou a ser produzido 
e avaliado teoricamente. A primeira 
conferência de importância interna-
cional emergiu com a necessidade de 
aperfeiçoar a saúde das populações, 
em especial por parte dos países que 
implementaram as recomendações 
sugeridas na Conferência Internacio-
nal sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada em 1978 pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS) em Alma-Ata, no Cazaquistão.
Posteriormente, a definição de saúde sofreu uma atualização no Brasil com 
a promulgação da Lei Orgânica da Saúde (LOS), sob o nº 8.080, de 1990. A LOS 
procura abordar aspectos mais abrangentes do que os apresentados pela OMS 
e incita fatores determinantes e condicionantes do processo saúde-doença. 
De acordo com a lei, alguns dos fatores determinantes e condicionantes são: 
alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, 
educação, entre outros. Além disso, a LOS regulamenta o Sistema Único de 
Saúde (SUS) e é complementada pela lei n° 8.142, de 1990, que dispõe sobre a 
participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências inter-
governamentais de recursos financeiros na área da saúde.
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Atualmente, alguns fatores estão intimamente relacionados ao processo 
saúde-doença, e, por isso, simples atitudes do dia a dia tornam-se importantes 
na intenção de manter uma rotina e um hábito de vida mais saudáveis. Alimen-
tar-se corretamente (principalmente pela ingestão de frutas, legumes e ver-
duras), praticar exercícios físicos com regularidade, manter uma regularidade 
no sono e ingerir um volume sufi ciente de água por dia são alguns exemplos 
de conselhos médicos para que uma pessoa mantenha uma boa qualidade de 
vida, o que impactará diretamente a sua saúde.
Direito à saúde
A saúde, no Brasil, passou por processos em busca da melhoria do aces-
so pela população. Historicamente, o acesso aos serviços de saúde foi ins-
taurado com a industrialização. Apenas os trabalhos inseridos no mercado 
de trabalho formal, porém, tinham direitos sobre o sistema público de saú-
de – e, até a década de 1970, a maioria da população fazia parte da classe de 
trabalhadores do campo ou daqueles que trabalhavam no mercado infor-
mal, desprovidos de direitos pela legislação trabalhista. O direito à saúde, 
então, mostrava-se elitista e excludente, defi nido pelas condições empre-
gatícias, e não por uma questão de cidadania. Foi a partir de intensas lutas 
por direitos iguais e pela democracia que a cidadania foi posta em prática a 
partir da década de 1980.
Após a conquista do acesso ao sistema de saúde, tornou-se necessária a de-
fi nição da expressão “direito à saúde”. Após duas Guerras Mundiais, que mos-
traram ainda mais veementemente a importância da saúde, e a solidifi cação 
da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial de Saúde 
(OMS), o direito a saúde passou a ter uma contextualização. A saúde passou a 
fazer parte das constituições nacionais como direito fundamental – e foi reco-
nhecida por diversos documentos internacionais, como a Declaração Universal 
de Direitos Humanos da ONU, de 1948, e o Pacto Internacional de Direitos Eco-
nômicos, Sociais e Culturais, de 1976.
A partir de 1988, a saúde passou a ser direito de todo brasileiro. De acordo 
com o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, “a saúde é direito de to-
dos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que 
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visem à redução do risco de doença e de outros agravos ao acesso universal 
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” 
(BRASIL, 1988).
Embora tenha existido uma grande luta pelo direito à saúde e uma de-
longa para que o direito fosse consolidado – afinal, são aproximadamente 
40 anos de existência da Constituição –, o direito à saúde veio para tentar 
amenizar a estratificação de classes no Brasil, como um direito para todos. 
Na realidade brasileira, no entanto, não é bem isso que é visto e sentido:a 
crise no sistema de saúde está diretamente relacionada à questão política 
do País, e a crise na gestão afeta a saúde pela falta de profissionais e falta de 
insumos, medicamentos, leitos, entre outros itens. Desse modo, uma política 
que deveria consolidar acaba por afastar e separar aqueles que necessitam 
do sistema público de saúde daqueles que conseguem optar por um plano de 
saúde privado. 
Na Constituição Brasileira de 1988, por sinal, instituiu-se o Sistema Único 
de Saúde (SUS), que assume o direito à saúde como obrigação do Estado. 
EXPLICANDO
A lei que regulamentou o Sistema Único de Saúde, previsto na constitui-
ção federal, foi a de nº 8.080, que definiu claramente os objetivos do SUS: 
identificar e divulgar os condicionantes e determinantes da saúde, formu-
lar a política de saúde para promover os campos econômico e social para 
diminuir o risco de agravos à saúde e fazer ações de saúde de promoção, 
proteção e recuperação, integrando ações assistenciais e preventivas.
Ao se colocar a epidemiologia social no contexto do Sistema Único de Saú-
de, é possível percebê-la como fundamental para a realização do princípio da 
integralidade, haja vista sua capacidade de articulação das dimensões de sin-
gularidade, particularidade e estruturação da realidade objetiva dos sujeitos 
sociais e das comunidades, necessárias para a compreensão dos fenômenos 
e para o planejamento e execução de ações que transformem o quadro da 
saúde no País. 
Como exemplo de ações e programas trazidos pelo SUS está a atenção in-
tegral à saúde das pessoas no sistema prisional. A iniciativa prevê a inclusão 
da população penitenciária no SUS, garantindo que o direito à cidadania se 
efetive na perspectiva dos direitos humanos.
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Saúde pública e a promoção à saúde
A saúde pública pode ser considerada como a adoção de medidas que al-
mejam manter populações saudáveis, por meio da promoção e da prevenção 
em saúde. Manter e promover a saúde para um grupo de pessoas é muito mais 
complexo do que se possa imaginar: deve haver um engajamento e colabo-
ração de todos os envolvidos nesse processo para um bom planejamento de 
práticas em saúde. O auxílio do conhecimento científi co pode ser usado aqui 
para oferecer um maior embasamento na formulação e organização de políti-
cas públicas em saúde. 
CITANDO
“A epidemiologia exerce importante papel ao se preocupar não apenas 
com o controle de doenças e de seus vetores, mas, sobretudo, com a 
melhoria da saúde da população antes mesmo que a doença a alcance. 
Os estudos que privilegiam temáticas da saúde pública, em geral, estão 
frequentemente interessados em investigar o modo pelo qual as condi-
ções sociais infl uenciam e determinam o processo saúde-doença das 
populações, o que tem gerado uma forte articulação entre a epidemiologia 
e as ciências sociais” (RAMOS et al., 2016, p. 221).
No campo da saúde pública, abordamos a saúde sob a perspectiva de um 
conceito de coletividade, sobre o quão é importante promover a saúde em gru-
po, seja ele um grupo pequeno, como a família, sejam grupos maiores, como 
a população de um município, por exemplo. Para que essa estratégia tenha 
funcionalidade e cumpra os objetivos, é importante ressaltar a autoconsciên-
cia de fazer parte do coletivo. Nesse sentido, é importante que cada um faça 
sua parte, que se integre à comunidade e favoreça o bom funcionamento dos 
serviços de saúde. 
Em 2008, a Comissão da OMS elaborou um relatório sobre determinantes 
sociais da saúde, enfatizando a importância da ação sobre os determinantes 
sociais para reduzir as iniquidades em saúde (Figura 3). 
ASSISTA
Entenda mais sobre os determinantes sociais de saúde 
por meio da explicação do Professor Dr. Alberto Pellegrini 
Filho, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.
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Figura 3. Determinantes sociais em saúde: modelo de Dahlgren e Whitehead, adotado pela OMS. Fonte: GARBOIS; 
SODRÉ; DALBELLO-ARAÚJO, 2017.
O relatório também destacou a importância de construir um movimento 
global para diminuir as desigualdades em saúde tanto entre países como em 
seu interior no curso de uma geração. Uma representação de desigualdade 
social em saúde é divulgada em cartaz da OMS (Figura 4). 
Figura 4. Cartaz da Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde da OMS. Fonte: BUSS, 2010.
Idade, sexo 
e fatores 
hereditários
Educação
Produção 
agrícila de 
alimentos
Serviços 
sociais de 
saúde
Habitação
Condições de vida 
e de trabalho
DesempregoAmbiente 
de trabalho
Água e 
esgoto
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A vulnerabilidade das classes sociais menos favorecidas sempre foi percep-
tível em questões que envolviam o acesso à saúde e os riscos à população. As-
sim, tornou-se necessária a busca por intervenções e o combate às iniquidades 
em saúde. Para que ações que diminuíssem as diferenças sociais pudessem ser 
colocadas em práticas, alguns fatores foram levados em conta, como o acesso 
ao mercado de trabalho, à educação e à seguridade social, entre outros. As 
políticas públicas visavam a diminuir as diferenças sociais e buscavam redu-
zir a exposição da população. Neste último objetivo, podem ser considerados 
alvos das políticas os trabalhadores que vivem em condições insalubres, sem 
saneamento básico e aqueles que trabalham em locais sem segurança básica.
Um exemplo claro de intervenção no sistema de saúde é mostrado no Grá-
fico 1. Apesar de ser uma imagem de 2003, ainda é comprovadamente atual. 
No gráfico, é possível visualizar que as mulheres com mais tempo de instrução 
e estudo (15 anos ou mais) apresentam-se como aquelas que mais realizam o 
exame de mamografia. A partir daí, tiramos uma conclusão que remete clara-
mente ao que foi relatado, sobre o combate às diferenças e a estratificação 
sociocultural, na promoção de um acesso igualitário. 
GRAFICO 1. PROPORÇÃO (%) DE MULHERES DE 25 ANOS OU MAIS DE IDADE QUE JÁ 
REALIZARAM ALGUMA VEZ EXAME DE MAMOGRAFIA, POR ANOS DE ESTUDO
Fonte: BRASIL, 2008. (Adaptado).
%
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Sem instrução
e menos de
1 ano Anos de estudo
1 a 3 anos
24,3
34,4
42,0
45,9
51,5
68,1
4 a 7 anos 8 a 10 anos 11 a 14 anos 15 ou mais
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A proposta de promoção à saúde está atrelada ao conceito de qualidade de 
vida. Mais um termo abrangente, mas que vamos, nesse momento, generalizar 
como uma condição favorável e satisfatória para se viver. Então, o investimento 
na promoção à saúde interfere diretamente na qualidade de vida. A promo-
ção à saúde sugere encontrar a saúde a partir da doença. A linha de frente 
da promoção visa ao enfrentamento no que concerne à vivência particular do 
indivíduo e coletiva, para assim buscar, na história, o que faz com que ocorra o 
adoecimento da população.
A Figura 5 mostra um exemplo de promoção da saúde implementado em 
Quatinga, no município de Mogi das Cruzes, São Paulo.
Figura 5. Academia da Terceira Idade em Quatinga, Mogi das Cruzes. Fonte: PREFEITURA DE MOGI DAS CRUZES. 
Acesso em: 04/08/2020.
A Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Otta-
wa, fez surgir a contextualização do termo promoção da saúde, definido como 
processo que capacita os indivíduos para agir e controlar os seus determinan-
tes de saúde, impactando diretamente a saúde da população.
No Brasil, a promoção da saúde vem sendo implementada de maneira gra-
dual e pode ser observada em propostas provenientes da Reforma Sanitária, 
em especial pela construção do SUS, que envolve a formulação de políticas e 
programas nos serviços de saúde em diferentes esferas do governo.
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A estratégia de promoção da saúde conduzida pela SUS refere-se prefe-
rencialmente aos aspectos condicionantesparticulares que interferem no pro-
cesso saúde-doença da população brasileira. O Ministério da Saúde levanta 
fatores como violência, desemprego, escassez de saneamento básico, habita-
ção inadequada, difi culdade de acesso à educação, alimentação, urbanização, 
entre outros.
As políticas públicas saudáveis precisam demonstrar potencial para pro-
duzir saúde socialmente, para que sejam consideradas no campo da promoção 
da saúde. Alguns exemplos de políticas saudáveis comuns à nossa sociedade 
são o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Estatuto da Cidade, a Po-
lítica Nacional de Trânsito e a Política Nacional de Promoção da Saúde do Mi-
nistério da Saúde. A atuação das políticas públicas saudáveis na promoção 
à saúde tem como objetivo reduzir as desigualdades mediante ações sobre os 
determinantes dos problemas de saúde, nos múltiplos setores em que estes se 
localizam. Tais políticas podem ser vinculadas a qualquer setor, uma vez que os 
determinantes sociais da saúde podem se originar de diferentes setores.
A elaboração da Política Nacional de Promoção da Saúde 
tem boa aceitação e produz bons resultados: a interação das 
várias esferas de gestão do SUS com o setor sanitário e os 
demais setores das políticas públicas e da sociedade altera 
a maneira de organização, planejamento, realização, análise e 
avaliação do trabalho proposto para a saúde. 
Conceito de doença
A doença, no sentido amplo da palavra, remete-nos a maus pensamentos, 
ideia generalizada de adoecer e risco de morte. Não que essa ideia seja errada 
ou exagerada, mas é um conceito que, historicamente, vem atrelado a algum 
mal para o corpo ou para a mente. Desde os primórdios da humanidade, a as-
sociação doença-morte sempre foi encarada como uma mazela. Dos males que 
acometem o homem sempre resultaram grandes questionamentos: qual a ori-
gem de uma doença? Como é sua maneira de transmissão? Como se prevenir? 
Atualmente, reconhece-se que o conceito de doença está relacionado a 
múltiplos fatores. Alguns cientistas levam em conta a defi nição de doença 
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como ausência de saúde, mas seria a melhor definição? Seria doença um ter-
mo conceituável?
O conceito de doença tem gerado um grande impasse na ciência, especial-
mente por médicos e profissionais que lidam diretamente com pacientes. O 
que considerar para atestar uma doença é uma questão difícil de ser respondi-
da. O estado “doente” pode estar atrelado a diferentes perspectivas: psíquicas, 
médicas e sociais, e um novo olhar para o conceito de doença vem-se reinven-
tando com o passar dos anos.
É de grande relevância uma consulta com um médico quando um indiví-
duo apresenta queixas ou um mau funcionamento do organismo. Apesar das 
dificuldades socioeconômicas encontradas pelo caminho, a visita a um profis-
sional de saúde é a melhor escolha a ser feita. Por intermédio da consulta, o 
profissional avaliará o paciente e chegará, em um momento, a um diagnóstico.
Estar doente e sentir-se doente são estados diferentes e que geram constan-
tes reflexões. É possível estar doente sem sentir-se doente? É possível sentir-se 
doente e não estar, de fato, doente? Quais são os requisitos básicos para uma 
pessoa ser considerada doente? O que levar em conta para um diagnóstico de 
doença? Essas e muitas outras perguntas que envolvem o cenário médico e epi-
demiológico contam com a abordagem histórica e cultural do conceito de doença. 
A conceituação de doença não é simples. Deverá levar em consideração 
diversas condições, como a história, as consequências, os determinantes e 
condicionantes do processo de adoecimento. Não é pensar apenas no fato 
da relação agente-hospedeiro, mas partir desse princípio para melhorar sua 
compreensão.
A definição de doença é um desafio tanto no âmbito clínico quanto na epi-
demiologia, na saúde pública e nas ciências sociais em saúde. É a partir da com-
preensão de como o processo de adoecimento e de como a história natural da 
doença e de determinação das doenças ocorrem que o sistema previdenciário 
é organizado.
Existe uma contextualização diferenciada de doença que a classifica em três 
metáforas ou categorias em que não somente aparece como um fator negativo 
para a vida do indivíduo:
• Doença como destruidora. Nesse enfoque, pode-se notar a maneira mais 
clássica da doença, aquela que pode limitar a capacidade pessoal do paciente, 
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por exemplo, ao privá-lo de assumir responsabilidades. Nota-se a concomitan-
te perda da posição social e o isolamento social, considerando-se as condições 
em que se encontra;
• Doença como libertadora. Nesse sentido, há a concepção de doença 
como libertadora das responsabilidades ou das pressões que a vida coloca. 
Ao se manifestar a doença, o indivíduo livra-se de compromissos que antes 
deveriam ser rigorosamente cumpridos. A doença como libertadora vincula be-
nefícios e privilégios, incluindo os cuidados e a simpatia dos outros. A doença 
traduz um ganho secundário;
• Doença como desafio. A doença concebida como um desafio refere-se a 
um mal contra o qual devemos lutar com todas as nossas forças. É uma con-
cepção em que é necessária muita energia e positividade, com o intuito dedicar 
nossa capacidade e tudo que nos rodeia à intenção de melhoria e recuperação.
Sabe-se que, apesar de algumas doenças serem causadas apenas por 
fatores genéticos, a maioria delas resulta da interação destes e de outros 
com fatores ambientais. Por isso, a importância da vigilância aos fatores 
externos e como eles interferem no processo saúde-doença. Para exempli-
ficar, pode-se relatar a diabetes (tipo 1 e tipo 2), que apresenta componen-
tes genéticos e ambientais. Vê-se, então, como o ambiente é a inclusão de 
qualquer elemento que possa afetar a saúde, seja ele biológico, químico, 
físico, social, psicológico, econômico ou cultural. A maneira como as pessoas 
encaram o desafio de viver e manter uma qualidade de vida diz muito a res-
peito da importância da conexão socioeducativa. A epidemio-
logia é aqui utilizada como uma ferramenta de intervenção, 
pela adoção de medidas preventivas através da promoção 
da saúde.
O motivo pelo qual o processo saúde-
-doença se manifesta de forma única e 
diferenciada entre as populações está 
estreitamente relacionado aos aspec-
tos socioculturais e econômicos de de-
terminada comunidade, em como ela se 
inclui como principal agente interessado no 
melhor conhecimento de tais fatores ambientais.
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Conceito de danos à saúde
Ao refl etirmos sobre saúde e como prezar por ela, remetemos a um con-
ceito importante: a prevenção e os riscos à saúde. Sabemos que nosso País 
apresenta desigualdades em diferentes campos – social, educacional e eco-
nômico –, assim como uma estratifi cação ocorre nessas vertentes. 
Apesar do apelo e do desenvolvimento de políticas públicas em saúde que 
visem a uma equidade da população, tais medidas ainda parecem distantes da 
realidade. É visível que as classes menos favorecidas estão mais expostas a danos 
à sua saúde, acometidas por diferentes fatores. Para exemplifi car, podemos citar 
as populações de baixa renda (no caso, uma desigualdade socioeconômica), que 
vivem sem as condições sanitárias básicas. Essas pessoas possivelmente apresen-
tarão riscos à sua saúde, que estarão diretamente ligados à questão sanitária, di-
ferentemente daquelas que usufruem das condições sanitárias adequadas.
A Figura 6 apresenta como um despejo inadequado de esgoto sanitário 
pode alterar o equilíbrio de uma determinada região. É possível observar a 
presença de pombas, que são vetores de zoonoses e outros riscos à saúde. 
CITANDO
“Fatores demográfi cos de países pobres, defi nidos pela aglomeração de 
população vivendo em espaço reduzido, com saneamento inadequado,em condições precárias de habitação, proliferação de fauna sinantrópica, 
infraestrutura urbana defi citária e elevada degradação ambiental. Esses 
indicadores criam condições favoráveis para a multiplicação e propaga-
ção de determinados agentes, seus vetores e reservatórios – por exemplo, 
a emergência da dengue” (RAMOS et al., 2016, p. 226).
Figura 6. As águas residuais mal tratadas são lançadas na área da praia e atraem vetores de doenças para o homem. 
Este caso é em Odessa, na Ucrânia. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 04/08/2020. 
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Do lado oposto, podemos citar os danos à saúde que acometem a popu-
lação de uma determinada região que sofreu um grande impacto – e até toda 
a população de um País.
ASSISTA
Assista ao vídeo que mostra os danos à saúde causados 
pela tragédia de Brumadinho e seu impacto na saúde 
pública. O pesquisador Carlos Machado Freitas, coorde-
nador do Centro de Estudos para Emergências e Desas-
tres em Saúde (Cepedes/Fiocruz) conversou com o Centro 
de Estudos Estratégicos da Fiocruz sobre os principais 
impactos da tragédia na barragem.
Riscos à saúde
Em epidemiologia, quando estudamos os conceitos de danos à saúde, re-
metemo-nos aos métodos de promoção e prevenção à saúde para evitar o 
adoecimento da população. Assim, entende-se por risco a possibilidade de 
ocorrer uma doença em uma determinada região. 
A garantia da saúde implica asse-
gurar o acesso universal e igualitário 
dos cidadãos aos serviços de saúde, 
como também à formulação de políti-
cas sociais e econômicas que operem 
na redução dos riscos de adoecer.
Para que medidas sejam elabora-
das sobre o risco à saúde, é preciso 
que alguns determinantes em saúde 
sejam utilizados como parâmetros. Os 
coefi cientes de incidência e prevalência, as taxas de letalidade e mortalidade, a 
exposição e os fatores socioambientais são alguns dos critérios utilizados para 
esse fi m. Logo, por intermédio das análises estatísticas e ferramentas matemá-
ticas, pode-se defi nir uma estratégia.
Além disso, a mudança do pensamento social deve ser um parâmetro que 
todos os componentes de uma população precisam praticar: a coletividade, 
mais uma vez, ganhando forças em prol de um bem maior, a saúde.
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Prevenção à saúde
Em algumas situações, é considerável que a população não enxergue as 
políticas públicas em Saúde do jeito que os profi ssionais da saúde enxer-
gam. A utilização de serviços públicos, por exemplo, pode ser mais sentida 
por uma parte da população do que por outra. No entanto, o sistema de 
saúde é único para todas as classes (uma alusão à sigla SUS – Sistema Único 
de Saúde), independentemente se utilizado constantemente ou não. Algu-
mas notas de repúdio contra o sistema de saúde público são frequentemen-
te relatadas: “Eu não uso o SUS” ou “Eu não dependo de hospital público”. 
Esses são exemplos clássicos de uma aversão ao sistema. No entanto, em 
casos de vacinação, acidentes de trânsito, acidentes domésticos, entre ou-
tros, o serviço público é o serviço a ser lembrado e utilizado e, na maioria 
dos casos, salva vidas.
As práticas de prevenção e promoção caminham juntas no cenário da saú-
de pública. São apresentadas e moldadas em critérios de constante atualização 
das condições de vida da população, para que, assim, as práticas em saúde 
pública possam ser direcionadas.
Proteção à saúde é o campo da saúde que trabalha com os riscos de adoe-
cer. As medidas diretas, como as vacinas, os exames preventivos, o uso do fl úor 
na água ou associado à escovação são medidas preventivas comuns ofertadas 
pelo SUS.
História natural da doença
Leavell e Clark foram os pioneiros na descrição da ocorrência das doenças 
no homem e publicaram suas ideias no livro Medicina preventiva, em 1976. 
Os autores sugeriram o que acontece a um paciente em cada fase de uma 
doença, desde seu período de susceptibilidade até à conclusão (recuperação, 
defi ciências ou óbito). 
Reconhecidos pela importância do seu trabalho, Leavell e Clark ressal-
taram a tríade epidemiológica (ou tríade ecológica) – agente, hospedeiro e 
meio ambiente – como a relação fundamental para defi nir a causa das doen-
ças (Figura 7). 
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Figura 7. Modelo da tríade epidemiológica. Fonte: ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2010.
Todo processo saúde-doença se sustenta em uma dimensão de temporali-
dade, seja o começo da exposição a um fator de risco que inicialmente causará 
danos biológicos imperceptíveis, mas que se desenvolverá plenamente como 
dano à saúde depois de certo tempo; seja o dinamismo da própria doença, 
que cursa com um padrão evolutivo clínico, a chamada história natural das 
doenças. Assim, os delineamentos dos estudos, comumente, levam em consi-
deração esse dinamismo e transformações no tempo, que é dimensão crucial 
para a interpretação dos dados do estudo para o teste de hipóteses causais.
A epidemiologia, enfocando, inicialmente, doenças infecciosas e nutri-
cionais e, mais tarde, estudando enfermidades crônicas e outras de origem 
ambiental e ocupacional, acumulou um imenso patrimônio de conhecimento 
que tem sido relevante para o entendimento da história natural de muitas 
dessas doenças, suas causas e consequências, cruciais para a elaboração de 
propostas de prevenção e controle.
Ao contexto de história natural da doença, pode-se adicionar o conceito 
de processo epidêmico, como o conhecimento das relações entre o agente 
etiológico e os demais componentes que interferem na história da doença. 
Hospedeiro
Agente Ambiente
Vetor
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A detecção e tratamento em qualquer estágio podem alterar a história 
natural de uma doença, mas o efeito do tratamento somente pode ser deter-
minado se a história natural da doença for conhecida.
Atualmente, a epidemiologia é um ramo indispensável da ciência, como 
discutido no início desta unidade: os dados gerados são essenciais para uma 
visualização do cenário em saúde pública. 
Devemos ressaltar, ainda, a importância dos epidemiologistas – de todas 
as gerações –, profissionais capacitados e motivados pela busca de conhe-
cimento. A epidemiologia como método investigativo e sua contribuição na 
aplicação das políticas Públicas são essenciais no combate e na prevenção 
dos riscos à população.
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Sintetizando
Nessa unidade, observamos a importância do contexto histórico, com os 
principais e pioneiros pesquisadores em saúde, que forneceram contribuições 
importantes para a epidemiologia atual. Vimos que, apesar de passadas déca-
das, algumas das pesquisas e metodologias permanecem bastante atuais, como 
é o caso da utilização de tabelas e monitoramento como fonte de informações 
para a geração de dados epidemiológicos.
Observamos também o grande desafio da conceituação dos termos saúde 
e doença. O conceito proposto pela OMS pareceu vago e desatualizado, mas a 
Lei Orgânica da Saúde abordou, no Brasil, questões mais abrangentes, chegan-
do mais próxima à realidade. Definir saúde e doença mostrou-se mais difícil do 
que se esperava. Saúde e doença devem ser, então, tratadas como um lema, de 
forma individualizada, levando sempre em consideração os aspectos psíquicos, 
sociais e culturais de cada indivíduo. A saúde deve ser vivida, de maneira preven-
tiva, e promovida pela adoção de medidas de políticas públicas.
Por falar em políticas públicas, são elas que conectam a epidemiologia à me-
dicina. São ciências que caminham de mãos dadas, uma dando o suporte que a 
outra precisa. Não seria mais fácil a caminhada pelo saber se cada uma tomasse 
direções opostas. 
Precisamos entender aqui como a epidemiologia se tornou e se torna cada 
vez mais importante para a saúde Pública.Afinal, a criação do SUS mostra-nos 
a relevância da criação de um Sistema Único, unificado para todos, que ainda 
tem muito a se transformar e melhorar, sempre em busca de alternativas para 
permitir a qualidade de vida do brasileiro.
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EPIDEMIOLOGIA 38
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EPIDEMIOLOGIA: 
CONCEITO, 
OBJETIVOS E 
APLICABILIDADE NO 
CAMPO DA SAÚDE
2
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Conhecer os conceitos em epidemiologia;
 Ser capaz de formular ideias sobre conceitos em epidemiologia;
 Identificar a importância do processo saúde-doença para a epidemiologia;
 Compreender como a população é o objeto de estudo da epidemiologia e 
como sua classificação pode ser útil no processo saúde-doença;
 Conhecer as etapas do processo de análise epidemiológica através da 
abordagem em objetivos;
 Ser capaz de conectar as ações de coleta e registro de dados ao processo analítico;
 Identificar a estrutura epidemiológica de uma doença;
 Reconhecer as etapas da cadeia epidemiológica como um desafio para a 
saúde pública.
 Epidemiologia: conceito
 Estudos epidemiológicos
 O conceito de causa em 
epidemiologia
 Epidemiologia: objetivos
 Importância como eixo das 
ações de saúde e como base de 
informações
 Coleta de dados
 Sistemas de informação
 Determinantes do processo 
saúde-doença
 Adoção de políticas nos determi-
nantes do processo saúde-doença
 Estrutura epidemiológica
 Componentes da estrutura 
epidemiológica
 Cadeia epidemiológica
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Epidemiologia: conceito
Conceituar epidemiologia é uma tarefa um tanto quanto complexa, pois 
pode ser apresentada em diferentes sentidos, por exemplo, a epidemiologia é 
notada facilmente como disciplina e nas atividades práticas na área da saúde, 
de forma totalmente atuante na sociedade.
A epidemiologia como ciência nos mostra a relevância de estudar o pro-
cesso saúde-doença nas populações. Para isso, é de fundamental importância 
conhecer como uma doença surge, quais são os motivos que a faz ter alta ou 
baixa transmissibilidade, as razões pelas quais os processos de prevenção e 
tratamento são efi cazes, entre outros. Logo, a epidemiologia descreve, explica 
e explora as possíveis causas e consequências e como uma determinada doen-
ça impacta na vida da população.
A palavra epidemiologia vem do grego epi “sobre”, demos “povo” e logos 
“estudo”. A epidemiologia é defi nida como “o estudo da distribuição e dos de-
terminantes de estados ou eventos relacionados à saúde em populações es-
pecífi cas, e sua aplicação na prevenção e controle dos problemas de saúde” 
(MORABIA, 2013, p. 1060).
Epidemiologia é um termo de origem grega que signifi ca estu-
do sobre a população. A epidemiologia pode ser conceituada 
como a ciência que estuda o processo saúde-doença na socie-
dade, analisando a distribuição e os fatores determinantes das 
doenças, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, 
propondo medidas específi cas de prevenção, controle ou erra-
dicação de doenças e fornecendo indicadores que sirvam de su-
porte ao planejamento, administração e avaliação das ações de 
saúde (BRASIL, 2005, citado por GUSMÃO; FILHO, 2015, p. 20).
O conceito de epidemiologia demonstra como a abrangência de suas infor-
mações possui uma estreita relação e funcionalidade com a saúde pública. As-
sim, é notável que nada nesse processo de identifi cação e conhecimento fun-
ciona de maneira singular. A epidemiologia com seus indicadores e sistemas 
de informação favorece a saúde pública que, por sua vez, formula estratégias 
de promoção e prevenção e políticas públicas (Diagrama 1), sendo uma “chave 
que abre portas” para o conhecimento da saúde da população.
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DIAGRAMA 1. RELAÇÃO ENTRE A EPIDEMIOLOGIA E A SAÚDE PÚBLICA:
INTERAÇÃO IMPLICA DIRETAMENTE NO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA
Para que a epidemiologia se fortaleça, diversas disciplinas como Biologia, 
Medicina, Enfermagem, Matemática, Estatística, Geografia e Sociologia estão 
envolvidas nesse processo. Todas em prol de um interesse comum, o conheci-
mento para o bem-estar da sociedade. A Biologia, Medicina e Enfermagem são 
ciências atuantes diretamente nas condições e nos determinantes de saúde. É 
a partir delas que existe a conscientização e o alerta do que pode estar acome-
tendo uma comunidade ou população. A Matemática e Estatística participam 
da etapa de geração e elaboração de resultados concretos que irão embasar 
a disseminação de informações em saúde. A Geografia e Sociologia atuam de 
forma mais generalizada pela obtenção de dados demográficos e pelo estudo 
das condições sociais os quais um grupo é exposto. A integração entre as ciên-
cias permite que o processo saúde-doença seja o mais explorado e estudado 
possível. O conhecimento gerado se torna um subsidio para as ações da Vigi-
lância em Saúde, que tem como princípio a atenção na saúde das populações 
a partir do que é coletado de informações.
É importante salientar que os epidemiologistas não estão preocupados 
apenas com a saúde e a doença de uma população, mas também, e primor-
dialmente, em como podem contribuir aos fatores que estão intima-
mente relacionados ao processo saúde-doença, como nas práticas 
de promoção e prevenção à saúde e a avaliação de da-
nos à saúde.
O elemento base para que a epidemiologia 
se demonstre como uma ciência é a população 
humana, que é dividida em grandes grupos siste-
matizados, podendo ser uma família, um grupo de 
Indicadores de saúde
Sistemas de Informação
Epidemiologia
Promoção e prevenção
Políticas públicas
Saúde pública
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trabalhadores de uma empresa, pacientes da ala oncológica de um hospital, 
alunos de uma escola, entre outros. De certa forma, a população 
deve se localizar em uma área em um determinado período. Isso 
favorece a formação de subgrupos, como sexo, faixa 
etária, raça, aspectos sociais e econômicos. Deven-
do ainda ser levado em consideração é a variação 
da estrutura de um grupo de acordo com a área e 
o tempo, fator esse que deverá ser estimado em 
todo processo epidemiológico.
Estudos epidemiológicos
Os estudos epidemiológicos são 
divididos em estudos/métodos des-
critivos e estudos/métodos analíticos 
(Diagrama 2). O principal papel de um 
estudo descritivo é relatar, descrever 
o que está acontecendo e acometen-
do uma população, sem que haja in-
terferência nesse processo. Exemplos 
claros são: a descrição de dados de 
prevalência e incidência de uma deter-
minada enfermidade. As vertentes do 
processo descritivo são: pessoa/ po-
pulação, tempo e lugar.
Os estudos analíticos, por sua 
vez, estão associados à relação causa 
e efeito. Aqui são sugeridas hipóteses a partir das medidas abordadas em 
diferentes fatores, que incluem: vigilância, observação, pesquisa analítica e 
experimento. O estudo transversal é uma abordagem que sugere uma com-
paração entre dois grupos, um exposto e um não exposto. Assim, é possível 
sugerir a prevalência de risco ao grupo exposto. Já nos estudos ecológicos o 
alvo do estudo não é o indivíduo, mas sim a população e a sua exposição a 
um evento externo (ambiental), como à poluição do ar. O estudo de coorte 
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também conta com a avaliação de dois grupos (exposto e não exposto), no 
entanto, o que é medida é a incidência (presença ou ausência) de uma doen-
ça. A avaliação de casos-controle explora, em suma, a criação de hipóteses 
em uma investigação epidemiológica.
DIAGRAMA 2. CLASSIFICAÇÃO DO ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO
A epidemiologia se firmou enquanto ciência, baseada em pes-
quisas e evidências científicas que visam à determinação das 
condições de saúde da população e à busca sistemática dos 
agentes etiológicos das doenças ou dos fatores de risco envol-
vidos no seu aparecimento, através de diferentes tipos de es-
tudos (ex.: estudos de coorte, caso-controle) e da avaliação de 
intervenções em saúde para o efetivo controle das doenças que

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