Prévia do material em texto
Prof. Ivan Marques 2 Princípios Livro de Revisão de Direito Processual - Direito Penal Documento última vez atualizado em 31/07/2024 às 21:52. 2. Princípios 2. Princípios 1/23 3 4 4 5 8 10 11 12 13 13 14 14 15 16 16 17 17 20 22 Índice 2.1) Noções Gerais 2.2) Imparcialidade do Juiz 2.3) Igualdade Processual 2.4) Contraditório 2.5) Ampla Defesa 2.6) Princípio da correlação entre a acusação e a sentença 2.7) Da Disponibilidade e da Indisponibilidade 2.8) O�cialidade 2.9) Da verdade Formal 2.10) Da Verdade Material 2.11) Motivação das Decisões Judiciais 2.12) Publicidade 2.13) Lealdade Processual 2.14) Celeridade Processual 2.15) Economia Processual 2.16) Duplo Grau de Jurisdição 2.17) Juiz Natural 2.18) Presunção de Inocência 2.19) Vedação das provas ilícitas 2. Princípios 2. Princípios 2/23 Noções Gerais Pessoal, muita atenção no que eu vou dizer agora: PRINCÍPIOS TÊM FORÇA NORMATIVA Como assim, Professor? O que isso quer dizer e qual é o impacto disso nas questões objetivas de processo penal da prova da OAB? Isso significa, pessoal, que os princípios deixaram de ser vetores utópicos, de como a vida seria linda se eles fossem cumpridos. Eram apenas ideias que irradiavam a criação e aplicação do direito. Não mais! Hoje os princípios são ferramentas de trabalho do advogado criminalista. É possível vencer um processo penal apenas com um princípio. Isso mesmo. Você pode anular um processo utilizando apenas um princípio e, junto com a nulidade, conseguir a prescrição. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Diante disso eu te pergunto: É ou não é importante conhecê-los para o Exame de Ordem? Exemplo: um processo só começou por força de uma prova ilícita. O princípio que veda o uso das provas ilícitas vai fazer esse processo todo ser anulado. Caso o processo seja anulado após muitos anos de tramitação, pode ser que junto com todos os atos anulados sejam anulados também os marcos interruptivos da prescrição (art. 117, CP) e, portanto, o Tribunal anula o processo desde o momento em que a prova ilícita foi produzida e, a depender da situação, já pode declarar extinta a punibilidade pela prescrição. Seu cliente estará livre porque o Estado perdeu a punibilidade pela prescrição e pela sua habilidade profissional de advogado de identificar a violação de um princípio e anular todos os atos do processo. Genial! Tudo graças a um único princípio – a vedação das provas ilícitas. E esse é apenas UM exemplo. Há centenas de situações em que a advocacia criminal auxilia o cliente na solução de uma possível investigação criminal utilizando os princípios como ferramentas práticas de atuação. Após entender essa lógica, já estará apto a estudar cada um dos princípios processuais penais que caem na prova da OAB. Lembre-se: cada princípio deve ser vista por você como uma ferramenta de trabalho. 2. Princípios 2. Princípios 3/23 Imparcialidade do Juiz Igualdade Processual Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI. Juiz não é parte, logo, deve ser imparcial. O magistrado, sujeito processual, precisa agir com imparcialidade para exercer a sua função. Isso significa, na prática, que o juiz não pode escolher um dos lados - acusação ou defesa - para trabalhar no processo. Deve fica na dele, imparcial, esperando as partes comprovarem o que alegam. Juiz que faz juízo de valor antes da hora, que faz um pre julgamento antes do final do processo, antes de todas as provas, é um juiz injusto, parcial, tendencioso. Magistrados (juízes, desembargadores ou Ministros) não podem antecipar juízo de valor a respeito da culpa ou inocência do réu. Precisa esperar a produção das provas para fazê-lo. A imparcialidade é a capacidade do órgão jurisdicional de se manter inerte, um dos pressupostos para a constituição de uma relação processual válida. Para assegurar essa imparcialidade, a Constituição da República estipula garantias (art. 95) e prescreve vedações (art. 95, parágrafo único). Além da previsão constitucional, a própria legislação processual penal, para tutelar a imparcialidade do juiz (inclua-se, aqui, a dos jurados que são os juízes leigos) trouxe a previsão dos institutos do impedimento (art. 252 do CPP) e da suspeição (art. 254 do CPP). A leitura e memorização desses artigos é OBRIGATÓRIA para a prova. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI. O princípio da igualdade é um desdobramento do princípio da isonomia substancial consignado na Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, caput, de que todas as pessoas são iguais perante a lei, na medida de sua igualdade. Dessa forma, as partes devem ter, em juízo, as mesmas oportunidades de fazer valer suas razões, e serem tratadas igualitariamente, na medida de suas igualdades, e desigualmente, na proporção de suas desigualdades. Mas atenção: 2. Princípios 2. Princípios 4/23 Contraditório Como no processo o acusado é a parte mais fraca frente ao poder do Estado, o réu deverá ser absolvido se o juiz estiver em dúvida a respeito da sua inocência ou culpa. In dubio pro reo. Você acabou de ler que os desiguais devem ser tratados desigualmente; justamente por isso a parte mais fraca terá o benefício da dúvida. Além do benefício da dúvida, a defesa possui peças que são exclusivas. As peças exclusivas da defesa são: Vamos começar com o macete para você entender o princípio do contraditório - Ciência e oportunidade. Esse é o segredo para você entender o princípio do contraditório. As partes tem o direito de ter ciência das decisões judiciais e das manifestações da parte contrária justamente para poder CONTRADITAR o que foi dito contra elas. As partes tem o direito de receber do Estado a oportunidade de se manifestar quando são mencionadas na manifestação da parte contrária. O direito de serem cientificadas sobre qualquer fato processual ocorrido e a oportunidade de falar antes de o juiz decidir materializam o contraditório (CRFB/88, art. 5º, LV). Esse binômio ciência e oportunidade leva aos autos o respeito ao princípio do contraditório. Legal, professor. Entendi o contraditório. Agora me explica como esse princípio pode aparecer em uma prova da OAB. Vou apresentar temas que poderão aparecer nas questões de processo penal e que, se não forem bem explicados, podem gerar erro e confusão. a) Perda do patrimônio supostamente ilícito do condenado O novo artigo 91-A do CP, trazido ao Código pelo Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) causa perplexidade. Inverte-se o ônus patrimonial de uma pessoa caso ela seja condenada a infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão. Nessa hipótese, poderá 2. Princípios 2. Princípios 5/23 ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. É isso mesmo que você leu. O condenado deverá apresentar uma relação de todos os seus bens e a sua declaração de rendimentos, ou comprovar, por demonstrativo de pagamentos, notas fiscais emitidas por sua empresa, pix feitos para ele por clientes etc. Caso não consiga comprovar que aquele patrimônio fora obtido licitamente, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. Ele perde seu patrimônio porque os bens não poderiam ter sido obtidos licitamente com o valor que ele ganha trabalhando. A ideia parece ser muito atrativa para o Estado-acusação, mas de difícil aplicação prática em crimes praticados pela criminalidade clássica com roubos ou traficantes. A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. Na sentença condenatória,o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificar os bens cuja perda for decretada. Para a OAB lembre-se: seu cliente sempre poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio, independentemente de qualquer cálculo feito pela acusação. TESE: não oportunizar ao condenado a tentativa de comprovar a origem lícita dos bens gera violação da ampla defesa e do contraditório e anulará a sentença ou acórdão condenatórios, por vícios de formalidade essencial para o ato (art. 564, inciso IV, do CPP). Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. b) Não dar ciência para as partes terem a oportunidade de se manifestar antes de decidir. Isso apareceu na segunda fase da OAB no Exame n. XXVIII. Vou postar aqui o trecho do enunciado e, na sequência, o padrão de resposta da OAB: "Antes de ser proferida decisão, mas após manifestação das partes em alegações finais, foram juntados aos autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação de que ela não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não causara lesões na adolescente. Com a juntada da documentação, de imediato, sem a adoção de qualquer medida, o magistrado proferiu decisão de pronúncia nos termos da denúncia" 2. Princípios 2. Princípios 6/23 Padrão de resposta: ocorreu a nulidade da pronúncia porque o juiz cerceou a defesa, em violação ao princípio da ampla defesa e ao princípio do contraditório, pois proferiu decisão após juntada de documentação, sem dar ciência da juntada de documentos às partes e sem dar a oportunidade de CONTRADITAR as informações que foram juntadas. c) Questão discursiva de 2ª fase do Exame XXXI: Nessa questão, houve o descumprimento das medidas impostas em pena restritiva de direitos. Porém, o condenado não foi intimado (ciência) e nem teve a oportunidade de justificar o não cumprimento (oportunidade de se manifestar. Por isso, a decisão que converteu a pena restritiva em privativa de liberdade é NULA, por violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Esse é o conteúdo do art. 44, § 4º, do CP. Apresentado o conteúdo de prova do princípio do contraditório, chegou o momento de indicar a concretização de sua primeira parte - dar ciência dos atos do processo às partes. Aproveitando o gancho, pergunto a você: de que forma as partes são cientificadas do que acontece nos autos no processo penal? A ciência dos atos processuais é dada através de 3 atos: citação, intimação e notificação. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Em casos de urgência, havendo perigo de perecimento do objeto em face da demora na prestação jurisdicional, admite-se a concessão de medidas judiciais sem ouvir a parte contrária. Seria essa urgência uma exceção ao contraditório? Não, meus amigos. 2. Princípios 2. Princípios 7/23 Ampla Defesa Não configura exceção ao princípio, já que, antes da prolação do provimento final, deverá o magistrado, necessariamente, abrir vista à outra parte para se manifestar sobre a medida, sob pena de nulidade do ato decisório. Nessa situação, dizemos que o contraditório é diferido, prorrogado, postergado, retardado para um momento futuro. Mas que ele existe, existe. Outra questão muito boa sobre o contraditório diz respeito à limitação ao livre convencimento do juiz na apreciação das provas, ao vedar a condenação do réu com base exclusivamente nos elementos informativos colhidos na fase policial, exigindo-se prova produzida com contraditório judicial. (art. 155 do CPP). O elemento de informação, produzido durante o inquérito policial, não pode, isoladamente, ser utilizado para condenar o réu no momento da sentença. Salvo as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas (Exemplos: perícia ou testemunho de quem estava prestes a falecer). Implica o dever de o Estado proporcionar a todo acusado da prática de uma infração penal a oportunidade concreta de se defender, materializada na: autodefesa e a obrigatoriedade de estar assistido por um defensor público ou, se o acusado tiver condições financeiras, representado por um advogado, materializada na denominada defesa técnica. Autodefesa – princípio que garante a todos os acusados em processo criminal o direito de se manifestar (direito de audiência) e de estar presente (direito de presença). Se esse direito for retirado do réu, o processo será atingido pela nulidade decorrente de violação de princípio constitucional. Defesa técnica – não há processo criminal sem advogado ou defensor público. Se o réu for julgado sem advogado/defensor, o processo será nulo de pleno direito. Trata-se de nulidade absoluta que não se convalida! Poderá ser alegada a qualquer tempo. Mesmo após o trânsito em julgado, em ação de revisão criminal, pois a violação constitucional seria gravíssima. 2. Princípios 2. Princípios 8/23 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. No dia a dia dos fóruns, na ausência do advogado, mesmo injustificada, a audiência não acontece e o juiz remarca para outra data (redesignação). Pelo menos os juízes preocupados com a ausência de hipóteses de nulidade processual. A ampla defesa é a mais completa defesa, seja pessoal (autodefesa), seja técnica (efetuada por defensor) (CF, art. 5º, LV), e o de prestar assistência jurídica integral e gratuita aos necessitados (CF, art. 5º, LXXIV). Desse princípio também decorre a obrigatoriedade de se observar a ordem natural do processo, de modo que a defesa se manifeste sempre em último lugar. Assim, qualquer que seja a situação, não pode o Ministério Público se manifestar depois da defesa, sob pena de nulidade, salvo nas hipóteses de contrarrazões de recurso, de sustentação oral ou de manifestação dos procuradores de justiça, em segunda instância. A regra é a oitiva das testemunhas de acusação e, somente com a completa oitiva de todas as testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público em sua denúncia, é que as testemunhas de defesa podem ser ouvidas. Conclusão - a ordem de oitiva das testemunhas só poderá ser invertida com a autorização da defesa. Caso contrário, teremos a nulidade de todos os atos praticados dali em diante. Essa questão caiu recentemente na 2a fase de Penal do Exame XXXIV; o gabarito foi a nulidade pela inversão da ordem das testemunhas. É ou não é atual? rs. 2. Princípios 2. Princípios 9/23 Princípio da correlação entre a acusação e a sentença As partes movimentam o processo. Cabe a elas requerer ao juiz o provimento jurisdicional. Isso ocorre pelo fato de a jurisdição ser inerte. Não pode o juiz se comportar como se fosse parte. Desta forma, ele deve ficar inerte, esperando alguém peticionar e pedir. Tema relevante nessa questão é a possibilidade de o juiz alterar a classificação jurídica do fato imputado ao réu na denúncia ou queixa-crime. Isso é possível, mas há regras importantes que caem na OAB sobre esse tema. Vamos a elas: O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. É a nossa conhecida Emendatio libelli - CPP, art. 383. Se o réu se defende dos FATOS, o juiz pode alterar o DIREITO, sem interferir no contraditório e na ampla defesa. Quanto ao artigo 384 do mesmo diploma (mutatio libelli), o aditamento passou a ser sempre necessário, porém, não mais atuando o juiz de ofício. Caso o Ministério Público não decida pelo aditamento da denúncia para alterá-la com os fatos novos descobertos em audiência, o juiz remete os autos, valendo-se do art. 28 do CPP, ao chefe do Ministério Público que dará a última palavra se adita (reescreve a denúncia adicionando uma parte nova) ou mantém a denúncia original (CPP, art. 384, § 1º). 2. Princípios 2. Princípios 10/23 Da Disponibilidade e da Indisponibilidade O princípio temfundamento na adoção do processo acusatório (em contraponto ao processo inquisitivo), no qual há nítida separação das funções de julgar, acusar e defender. É um progresso das regras processuais penais. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI. Disponibilidade é a liberdade que as pessoas têm de exercer ou não seus direitos. Elas escolhem. Na ação penal privada vigora o princípio da disponibilidade, ou seja, o ofendido pode desistir da ação ou, até mesmo, sequer oferecer a queixa-crime. Ele pode, literalmente, “deixar pra lá”. Esse mesmo princípio garante ao ofendido (querelante) o direito de desistir da ação penal ou do recurso interposto. De outro lado, prevalece no processo criminal o princípio da indisponibilidade ou obrigatoriedade da ação penal pública. A autoridade policial não pode se recusar a proceder às investigações preliminares (CPP, art. 5º) nem arquivar inquérito policial (CPP, art. 17); do mesmo modo que o Ministério Público não pode desistir da ação penal interposta (CPP, art. 42) nem do recurso interposto (CPP, art. 576). É a regra da indisponibilidade. Existem exceções a esse princípio: transação em infrações penais de menor potencial ofensivo (art. 76, da Lei 9.099/95); acordo de não persecução penal preenchidas as regras legais (art. 28-A do CPP); e suspensão condicional do processo, preenchidos os requisitos legais (art. 89 da Lei 9.099/95). Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Nas hipóteses abaixo, prevalece a Disponibilidade (é possível dispor do direito de ação): a) nos crimes de ação penal privada; b) nos crimes de ação penal pública condicionada à representação, quando o ofendido não representa; 2. Princípios 2. Princípios 11/23 O�cialidade c) nos crimes de ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça, quando o Ministro opta por não requisitar. Em decorrência da indisponibilidade do processo penal, os órgãos incumbidos da persecutio criminis não podem ser privados. Sendo pública a função penal, a pretensão punitiva do Estado também deve ser deduzida por agentes públicos. A Constituição da República consagra o princípio da oficialidade ao dispor que a ação penal pública é privativa do Ministério Público (CF, art. 129, I) e que a função de polícia judiciária incumbe à polícia civil ou federal (CF, art. 144, § 4º, c/c o CPP, art. 4º). O Ministério Público tem, como função institucional de promover, privativamente, a ação penal pública. Antes da fase da ação penal, quando houver necessidade de comprovar a existência da infração e a autoria delitiva, a polícia judiciária atua em busca dessas informações. Às polícias civis e federal, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá pôr fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. O sistema admite exceções, como, por exemplo, a ação penal privada, incluindo-se a privada subsidiária da pública, cabível no caso de o Ministério Público perder o prazo previsto no art. 46 do CPP para oferecer a denúncia (CF, art. 5º, LIX), vejamos: Art. 46, CPP: Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. 2. Princípios 2. Princípios 12/23 Da verdade Formal Da Verdade Material Cabe ao representante do Ministério Público ser diligente no cumprimento dos prazos do artigo 46 para oferecer denúncia para evitar que o advogado contratado pela vítima atravesse uma queixa-crime subsidiária no lugar da denúncia. Regra de que o juiz depende, na instrução da causa, da iniciativa das partes quanto às provas e às alegações em que fundamentará sua decisão. Segundo o princípio, pode o juiz dar-se por satisfeito, quanto à instrução do feito, com as provas produzidas pelas partes, rejeitando a demanda ou a defesa por falta de elementos de convicção. Este princípio é próprio do processo civil. Contudo, nota-se clara tendência publicista no processo, levando o juiz a assumir uma posição mais ativa, impulsionando o andamento da causa, determinando a produção de provas ex officio (art. 156 do CPP) e reprimindo condutas abusivas ou irregulares, afastando-se de uma verdade puramente formal. Característico do processo penal, dado o caráter público do direito material sub judice. É dever do magistrado superar a desidiosa iniciativa das partes na colheita do material probatório, esgotando todas as possibilidades para alcançar a verdade real dos fatos, como fundamento da sentença. Pode, no plano probatório, agir de ofício (ou seja, sem ninguém pedir). Vejamos: Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 2. Princípios 2. Princípios 13/23 Motivação das Decisões Judiciais Publicidade Portanto, para atingir a verdade substancial, ou pelo menos se aproximar dela, no plano probatório, o juiz não precisa se contentar com a atuação das partes. Outro exemplo é a possibilidade de o juiz, mesmo após a audiência, intimar testemunhas para serem ouvidas em audiência em continuação como testemunhas arroladas pelo juízo. As decisões judiciais precisam sempre ser motivadas (CF, art. 93, IX; CPP, art. 381). A não motivação de uma decisão judicial importará em sua nulidade. Trata-se de verdadeira garantia da sociedade, que pode aferir a imparcialidade do juiz e a legalidade e justiça das suas decisões. Destaque para a positivação dessa mesma regra constitucional no próprio artigo que trata das nulidades no CPP, pelo pacote anticrime: Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: V - em decorrência de decisão carente de fundamentação. Leve para a sua prova a seguinte regra: decisão sem fundamentação é decisão NULA. A publicidade é garantia da sociedade de que o magistrado irá atuar com independência e imparcialidade. Há situações previstas em lei que admitem o sigilo dos atos praticados. Encontra exceção nos casos em que o decoro ou o interesse social aconselhem que eles não sejam divulgados (CPP, arts. 485, § 11º, e 792, § 1º). É a chamada publicidade restrita, segundo a qual os atos são públicos só para as partes e seus advogados. A restrição se baseia no art. 5º, LX, da CF, segundo o qual “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”. 2. Princípios 2. Princípios 14/23 Lealdade Processual O art. 93, IX, da CF prevê que “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos... podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação”. Assim, o Poder Judiciário somente poderá restringir o número de pessoas em julgamento quando o direito público à informação não for prejudicado. Sopesam-se os dois bens jurídicos: direito à intimidade e direito público à informação. A regra é a publicidade. No caso do inquérito policial, embora seja um procedimento inquisitivo e sigiloso (CPP, art. 20), o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei Federaln. 8.906/94), estabelece como direito do advogado o de examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos. Merece destaque a Súmula Vinculante 14, com a seguinte redação: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Se existe inquérito instaurado e documentos ou declaração já produzidos e juntados, o advogado deverá ter vista. Se a súmula vinculante 14 não for respeitada pelo delegado, caberá ao advogado apresentar Reclamação Constitucional diretamente para o Ministro Presidente do STF. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Consiste no dever de nãoempregar no processo meios fraudulentos (ilícitos processuais). Sua violação acarreta sanções de ordem processual. 2. Princípios 2. Princípios 15/23 Celeridade Processual Economia Processual A fraude destinada a produzir efeitos em processo penal foi tipificada no Código Penal como crime apenado com detenção (CP, art. 347), vejamos: Fraude processual Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. De acordo com o art. 8º do Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos, promulgada pelo Decreto n. 678/92), são garantias judiciais: “1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza”. Muito embora no Brasil já acolhêssemos o princípio da celeridade processual com base no Pacto de São José da Costa Rica, a EC n. 45/2004 cuidou de erigi-lo expressamente em garantia constitucional, acrescentando um novo inciso ao art. 5º, o LXXVIII, o qual prevê que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Finalmente, visando atender à determinação contida no Pacto de São José da Costa Rica e no art. 5º, LXXVIII, que ordena a razoabilidade da duração do processo e os meios que garantam a sua celeridade, foram promovidas algumas reformulações no Código de Processo Penal no tocante ao procedimento, sobressaindo o princípio da oralidade, do qual decorrem vários desdobramentos: (a) concentração dos atos processuais em audiência una (vide CPP, art. 400); (b) identidade física do juiz - o juiz que atuou na audiência deverá, como regra, julgar o réu. EXCEÇÃO: o juiz, por exemplo, foi promovido para outra Vara Criminal. Nesse caso, outro juiz poderá julgar. 2. Princípios 2. Princípios 16/23 Duplo Grau de Jurisdição Juiz Natural O processo é instrumento, não se podendo exigir um gasto exagerado de dinheiro público com relação aos bens que estão em disputa. Esse é um dos argumentos do princípio penal da insignificância também - gastar muito dinheiro público para investigar, processar e punir um agente que furta uma caneta, por exemplo, não é correto. Deve-se buscar a aplicação do direito ao caso concreto com a máxima eficiência e com o menor dispêndio de dinheiro e tempo. No processo penal, não se anulam atos imperfeitos quando não prejudicarem a acusação ou a defesa e quando não influírem na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa (CPP, arts. 563 e 566). Atenção aqui, pessoal: esse princípio não está expresso no CPP. Tem previsão expressa no Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana sobre Direitos Humanos, promulgada pelo Decreto n. 678/92), no art. 8º, item 3º, h. Trata-se da possibilidade de revisão, por via de recurso, das causas já julgadas pelo juiz de primeiro grau. O princípio decorre, no plano constitucional, da própria estrutura atribuída ao Poder Judiciário, incumbindo-se a Constituição, nos artigos 102, II, 105, II, e 108, II, de outorgar competência recursal a vários órgãos da jurisdição, reportando-se expressamente aos Tribunais, no art. 93, III, como órgãos do Poder Judiciário de segundo grau. CUIDADO! Nem todo processo terá a observância do duplo grau de jurisdição, como as hipóteses legais de competência originária do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102, I) - um Deputado Federal pratica um crime no exercício do mandato e em função dele. Tem-se, ainda, a possibilidade de as partes abrirem mão do direito de recorrer, situação em que teremos o trânsito em julgado no 1º grau. Duplo Grau de Jurisdição: Trata-se da possibilidade de revisão, por via de recurso, das causas já julgadas pelo juiz de primeiro grau. 2. Princípios 2. Princípios 17/23 Questão 2022 | 4000008686 O prefeito do Município de Canto Feliz, juntamente com o juiz estadual e o promotor de justiça, todos da mesma comarca (Art. 77, inciso I, do CPP), cometeu um crime contra a administração pública federal - interesse da União -, delito que não era de menor potencial ofensivo e nem cabia, objetivamente, qualquer medida penal consensual. Todos foram denunciados pelo Ministério Público federal perante a 1ª Vara Criminal da Justiça Federal da correspondente Seção Judiciária. Recebida a denúncia, a fase probatória da instrução criminal foi encerrada, sendo que o Dr. João dos Anjos, que era advogado em comum aos réus (inexistência de colidência de defesas), faleceu, tendo os acusados constituído um novo advogado para apresentar memoriais (Art. 403, § 3º, do CPP) e prosseguir em suas defesas. Nessa fase de alegações �nais, somente há uma matéria de mérito a ser defendida em relação a todos os réus, que é a negativa de autoria. Todavia, antes de adentrar ao Está previsto no art. 5º, LIII, da Constituição Federal, que dispõe que ninguém será sentenciado senão pelo juiz competente. Significa dizer que temos a garantia constitucional de sermos julgados somente por órgão do Poder Judiciário escolhido a partir de regras definidas e pré-determinadas. O Juiz natural é aquele previamente conhecido, segundo regras de competência estabelecidas anteriormente à infração penal. A ideia é ser julgado por um juiz que seja independente e imparcial, e o princípio do juiz natural auxilia nessa busca. Do princípio depreende-se também a proibição de criação de tribunais de exceção, com os quais, evidentemente, não se confundem as jurisdições especializadas, que são meras divisões de atividade jurisdicional. Juiz Natural: Aquele previamente conhecido, segundo regras objetivas de competência estabelecidas anteriormente à infração penal, investido de garantias que lhe assegurem absoluta independência e imparcialidade. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. 2. Princípios 2. Princípios 18/23 mérito, existe uma questão preliminar processual a ser suscitada, relativa à competência, e consequente arguição de nulidade. Como advogado(a) dos réus, assinale a opção que indica como você fundamentaria a existência dessa nulidade. A) O processo é nulo, por ser o juízo relativamente incompetente, aproveitando-se os atos instrutórios. Anulado o processo, este deverá prosseguir para todos a partir da apresentação dos memoriais perante uma das Turmas do Tribunal Regional Federal da respectiva Seção Judiciária, por serem os réus detentores de foro especial por prerrogativa de função junto àquele órgão jurisdicional. B) O processo é nulo, por ser o juízo absolutamenteincompetente desde o recebimento da denúncia, devendo ser reiniciado para todos a partir deste momento processual perante o Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação, por serem os réus detentores de foro especial por prerrogativa de função perante aquela Corte estadual de justiça. C) O processo é nulo, por ser o juízo relativamente incompetente, aproveitando-se os atos instrutórios. Anulado o processo este deverá prosseguir a partir da apresentação dos memoriais perante o Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação, por serem todos os réus detentores de foro especial por prerrogativa de função perante aquela Corte estadual de justiça. D) O processo é nulo, por ser o juízo absolutamente incompetente. Em relação ao Prefeito do Município de Canto Feliz, o processo deverá ser remetido a uma das Turmas do Tribunal Regional Federal da respectiva Seção Judiciária, sendo reiniciado a partir do recebimento da denúncia. Em relação ao Juiz estadual e ao Promotor de Justiça, há nulidade por vício de incompetência absoluta, com a necessidade de desmembramento do processo, devendo ser reiniciado para ambos a partir do recebimento da denúncia, sendo de competência do Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação. Solução Gabarito: D) O processo é nulo, por ser o juízo absolutamente incompetente. Em relação ao Prefeito do Município de Canto Feliz, o processo deverá ser remetido a uma das Turmas do Tribunal Regional Federal da respectiva Seção Judiciária, sendo reiniciado a partir do recebimento da denúncia. Em relação ao Juiz estadual e ao Promotor de Justiça, há nulidade por vício de incompetência absoluta, com a necessidade de desmembramento do processo, devendo ser reiniciado para ambos a partir do recebimento da denúncia, sendo de competência do Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação. Análise do Caso Essa questão exigiu do candidato conhecimento a respeito da prerrogativa de foro de algumas autoridades que praticam crimes. Onde serão julgadas? Para acertar a questão, 2. Princípios 2. Princípios 19/23 seria necessário conhecer a súmula 702 do STF e a regra do art. 96, III, da Constituição da República: Para o Prefeito - Súmula 702 do STF – “A competência do tribunal de justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau”. Para o juiz e o promotor, serão julgados no Tribunal a que estão vinculados, por expressa disposição constitucional - CRFB/88. Art. 96, III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. Essa competência é absoluta, pela prerrogativa de foro constitucional. A letra A está incorreta. Alternativa errada, pois ignora a competência do TJ para julgar juízes e promotores estaduais, nos termos do art. 96, III da CF - CRFB/88. Art. 96, III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. A letra B está incorreta. Alternativa errada, pois ignora a competência da Justiça Federal para julgar o prefeito no TRF - Súmula 702 do STF – “A competência do tribunal de justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau”. A letra C está incorreta. Alternativa errada pois ignora a súmula 702 do STF: Súmula 702 do STF – “A competência do tribunal de justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau”. A letra D está correta. Está correta. O prefeito praticou um crime de interesse da União e será julgado na Justiça Federal, em segundo grau, ou seja, no Tribunal Regional Federal, nos termos da súmula 702 do STF. O juiz e o promotor, independetemente do crime praticado, possuem prerrogativa de foro para serem julgados no Tribunal em que estão vinculados, nos termos do art. 96, III, da Constituição Federal. Presunção de Inocência As pessoas nascem inocentes, sendo esse o seu estado natural, razão pela qual, para quebrar tal regra, torna-se indispensável que o Estado-acusação evidencie, com provas suficientes, ao Estado-juiz, a culpa do réu. Tem por objetivo garantir o ônus da prova das acusações feitas contra o réu na denúncia cabe à acusação e não à defesa. Em palavras mais simples, para reverter o estado de inocência que todos nós temos, a Constituição da República exige o trânsito em julgado de uma decisão penal condenatória. 2. Princípios 2. Princípios 20/23 Não deveria existir exceção a essa regra. Como regra geral, não existe execução provisória de uma pena privativa de liberdade. Só cumpre pena quem é culpado e só é culpado quem recebeu decisão condenatória de um órgão jurisdicional competente, não sendo mais cabível nenhum recurso, seja pelo esgotamento de toda via recursal, seja pelo escoamento do prazo sem a interposição do recurso. Atenção: não confunda prisão penal (de culpados) com prisão processual (cautelar). A prisão processual é regida pela proteção do processo, não tendo relação com a culpa antecipada do réu. Por força da presunção de inocência, na dúvida, o magistrado deve absolver o acusado. Trata-se do princípio da prevalência do interesse do réu (in dubio pro reo), garantindo que, em caso de dúvida, deve sempre prevalecer o estado de inocência, absolvendo-se o acusado (favor rei). O Supremo Tribunal Federal modificou, novamente, seu posicionamento, para afastar qualquer possibilidade de execução provisória da pena. Não se pode mais falar de condenação em segunda instância para início da execução. Respeitou-se a literalidade do texto constitucional. A Lei 13.964, de 2019, conhecida como pacote anticrime, trouxe nova regra de exceção à presunção de inocência. Trata-se de execução provisória de pena de prisão para quem for condenado em 1.ª instância a uma pena privativa de liberdade igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão. Apesar de contrariar o princípio constitucional da presunção de inocência, o STF já validou a seguinte regra: Seção XIV - Da sentença Art. 492. Em seguida, o presidente proferirá sentença que: I – no caso de condenação: e) mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se presentes os requisitos da prisão preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena igual ou superior a 15 (quinze) anos de reclusão, determinará a execução provisória das penas, com 2. Princípios 2. Princípios 21/23 Vedação das provas ilícitas expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem prejuízo do conhecimento de recursos que vierem a ser interpostos; (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI. Para encerrar, amigos, duas súmulas que permitem antecipar situações de execução penal, porém, no decorrer de prisão processual (cautelar). Vamos a elas: Súmula 716 do STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento de pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. Súmula 717 do STF: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial. Provas são os elementos produzido pelas partes ou mesmo pelo Juiz, visando à formação do convencimento deste mesmo magistrado sobre determinado fato concreto. A lei deixou bem clara a inadmissibilidade das provas ilícitas (art. 157 do CPP). Admite-se o uso de provas obtidas ilicitamente se for a única maneirade absolver um inocente. Exemplo: em uma interceptação telefônica ilegal, sem ordem judicial, descobre-se a inocência de um agente que já for a condenado por esse crime. Será possível utilizar essa evidência em ação de revisão criminal para corrigir esse erro judiciário. O preceito legal dispôs acerca do desentranhamento e, uma vez preclusa essa decisão, da destruição dessa prova por decisão judicial, facultando às partes acompanhar esse incidente. Ainda, o art. 157 do CPP albergou a teoria dos frutos da árvore envenenada e trouxe limites a ela, inspirando-se na legislação norte-americana, de forma a se saber quando uma prova é ou não derivada da ilícita, isto é, a lei procurou trazer contornos para o estabelecimento do nexo causal entre uma prova e outra. Desta forma, em resumo, temos duas espécies de provas ilícitas: 2. Princípios 2. Princípios 22/23 Provas ilícitas - são consideradas provas ilícitas aquelas produzidas mediante violação de normas de direito material (normas constitucionais ou legais). Ex.: Prova obtida mediante tortura. Provas ilícitas por derivação - são aquelas provas que, embora sejam lícitas em sua essência, derivam de uma prova ilícita, daí o nome “provas ilícitas por derivação”. Ex.: Prova obtida mediante depoimento válido. Contudo, só se descobriu a testemunha em razão de uma interceptação telefônica ilegal. Consequências processuais da prova ilícita Provas ilícitas - deverão ser desentranhadas do processo e, após estar preclusa a decisão que determinou o desentranhamento, serão inutilizadas pelo Juiz. OBS.: Há forte entendimento no sentido de que a prova, ainda que seja ilícita, deverá ser utilizada no processo, desde que seja a única prova capaz de conduzir à absolvição do réu ou comprovar fato importante para sua defesa, em razão do princípio da proporcionalidade. 2. Princípios 2. Princípios 23/23