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Prof. Ivan Marques
2 Princípios
Livro de Revisão de Direito Processual -
Direito Penal
Documento última vez atualizado em 31/07/2024 às 21:52.
2. Princípios
2. Princípios 1/23
3
4
4
5
8
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11
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13
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14
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16
17
17
20
22
Índice
2.1) Noções Gerais
2.2) Imparcialidade do Juiz
2.3) Igualdade Processual
2.4) Contraditório
2.5) Ampla Defesa
2.6) Princípio da correlação entre a acusação e a sentença
2.7) Da Disponibilidade e da Indisponibilidade
2.8) O�cialidade
2.9) Da verdade Formal
2.10) Da Verdade Material
2.11) Motivação das Decisões Judiciais
2.12) Publicidade
2.13) Lealdade Processual
2.14) Celeridade Processual
2.15) Economia Processual
2.16) Duplo Grau de Jurisdição
2.17) Juiz Natural
2.18) Presunção de Inocência
2.19) Vedação das provas ilícitas
2. Princípios
2. Princípios 2/23
Noções Gerais
Pessoal, muita atenção no que eu vou dizer agora:
PRINCÍPIOS TÊM FORÇA NORMATIVA
Como assim, Professor? O que isso quer dizer e qual é o impacto disso nas questões objetivas 
de processo penal da prova da OAB?
Isso significa, pessoal, que os princípios deixaram de ser vetores utópicos, de como a vida seria 
linda se eles fossem cumpridos. Eram apenas ideias que irradiavam a criação e aplicação do 
direito. Não mais!
Hoje os princípios são ferramentas de trabalho do advogado criminalista.
É possível vencer um processo penal apenas com um princípio. Isso mesmo. Você pode anular 
um processo utilizando apenas um princípio e, junto com a nulidade, conseguir a prescrição.
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Diante disso eu te pergunto: É ou não é importante conhecê-los para o Exame de Ordem?
Exemplo: um processo só começou por força de uma prova ilícita. O princípio que veda o uso 
das provas ilícitas vai fazer esse processo todo ser anulado. Caso o processo seja anulado após 
muitos anos de tramitação, pode ser que junto com todos os atos anulados sejam anulados 
também os marcos interruptivos da prescrição (art. 117, CP) e, portanto, o Tribunal anula o 
processo desde o momento em que a prova ilícita foi produzida e, a depender da situação, já 
pode declarar extinta a punibilidade pela prescrição. Seu cliente estará livre porque o Estado 
perdeu a punibilidade pela prescrição e pela sua habilidade profissional de advogado de 
identificar a violação de um princípio e anular todos os atos do processo. Genial!
Tudo graças a um único princípio – a vedação das provas ilícitas.
E esse é apenas UM exemplo. Há centenas de situações em que a advocacia criminal auxilia o 
cliente na solução de uma possível investigação criminal utilizando os princípios como 
ferramentas práticas de atuação.
Após entender essa lógica, já estará apto a estudar cada um dos princípios processuais penais 
que caem na prova da OAB. Lembre-se: cada princípio deve ser vista por você como uma 
ferramenta de trabalho.
2. Princípios
2. Princípios 3/23
Imparcialidade do Juiz
Igualdade Processual
 Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
Juiz não é parte, logo, deve ser imparcial.
O magistrado, sujeito processual, precisa agir com imparcialidade para exercer a sua função.
Isso significa, na prática, que o juiz não pode escolher um dos lados - acusação ou defesa - 
para trabalhar no processo. Deve fica na dele, imparcial, esperando as partes comprovarem o 
que alegam. Juiz que faz juízo de valor antes da hora, que faz um pre julgamento antes do final 
do processo, antes de todas as provas, é um juiz injusto, parcial, tendencioso.
Magistrados (juízes, desembargadores ou Ministros) não podem antecipar juízo de valor a 
respeito da culpa ou inocência do réu. Precisa esperar a produção das provas para fazê-lo.
A imparcialidade é a capacidade do órgão jurisdicional de se manter inerte, um dos 
pressupostos para a constituição de uma relação processual válida.
Para assegurar essa imparcialidade, a Constituição da República estipula garantias (art. 95) e 
prescreve vedações (art. 95, parágrafo único).
Além da previsão constitucional, a própria legislação processual penal, para tutelar a 
imparcialidade do juiz (inclua-se, aqui, a dos jurados que são os juízes leigos) trouxe a previsão 
dos institutos do impedimento (art. 252 do CPP) e da suspeição (art. 254 do CPP).
A leitura e memorização desses artigos é OBRIGATÓRIA para a prova.
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
 Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
O princípio da igualdade é um desdobramento do princípio da isonomia substancial consignado 
na Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, caput, de que todas as pessoas 
são iguais perante a lei, na medida de sua igualdade.
Dessa forma, as partes devem ter, em juízo, as mesmas oportunidades de fazer valer suas 
razões, e serem tratadas igualitariamente, na medida de suas igualdades, e desigualmente, na 
proporção de suas desigualdades.
Mas atenção:
2. Princípios
2. Princípios 4/23
Contraditório
Como no processo o acusado é a parte mais fraca frente ao poder do Estado, o réu deverá ser 
absolvido se o juiz estiver em dúvida a respeito da sua inocência ou culpa. In dubio pro reo. 
Você acabou de ler que os desiguais devem ser tratados desigualmente; justamente por isso a 
parte mais fraca terá o benefício da dúvida.
Além do benefício da dúvida, a defesa possui peças que são exclusivas.
As peças exclusivas da defesa são:
Vamos começar com o macete para você entender o princípio do contraditório - Ciência e 
oportunidade.
Esse é o segredo para você entender o princípio do contraditório.
As partes tem o direito de ter ciência das decisões judiciais e das manifestações da parte 
contrária justamente para poder CONTRADITAR o que foi dito contra elas.
As partes tem o direito de receber do Estado a oportunidade de se manifestar quando são 
mencionadas na manifestação da parte contrária.
O direito de serem cientificadas sobre qualquer fato processual ocorrido e a oportunidade de 
falar antes de o juiz decidir materializam o contraditório (CRFB/88, art. 5º, LV).
Esse binômio ciência e oportunidade leva aos autos o respeito ao princípio do contraditório.
Legal, professor. Entendi o contraditório. Agora me explica como esse princípio pode aparecer 
em uma prova da OAB.
Vou apresentar temas que poderão aparecer nas questões de processo penal e que, se não 
forem bem explicados, podem gerar erro e confusão.
a) Perda do patrimônio supostamente ilícito do condenado
O novo artigo 91-A do CP, trazido ao Código pelo Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) causa 
perplexidade. Inverte-se o ônus patrimonial de uma pessoa caso ela seja condenada a infrações 
às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão. Nessa hipótese, poderá 
2. Princípios
2. Princípios 5/23
ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à 
diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu 
rendimento lícito. É isso mesmo que você leu. O condenado deverá apresentar uma relação de 
todos os seus bens e a sua declaração de rendimentos, ou comprovar, por demonstrativo de 
pagamentos, notas fiscais emitidas por sua empresa, pix feitos para ele por clientes etc.
Caso não consiga comprovar que aquele patrimônio fora obtido licitamente, poderá ser 
decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença 
entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento 
lícito. Ele perde seu patrimônio porque os bens não poderiam ter sido obtidos licitamente com 
o valor que ele ganha trabalhando.
A ideia parece ser muito atrativa para o Estado-acusação, mas de difícil aplicação prática em 
crimes praticados pela criminalidade clássica com roubos ou traficantes.
A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério Público, por 
ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. Na sentença 
condenatória,o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificar os bens cuja 
perda for decretada.
Para a OAB lembre-se: seu cliente sempre poderá demonstrar a inexistência da 
incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio, independentemente de qualquer 
cálculo feito pela acusação.
TESE: não oportunizar ao condenado a tentativa de comprovar a origem lícita dos bens gera 
violação da ampla defesa e do contraditório e anulará a sentença ou acórdão condenatórios, 
por vícios de formalidade essencial para o ato (art. 564, inciso IV, do CPP).
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
b) Não dar ciência para as partes terem a oportunidade de se manifestar antes de decidir.
Isso apareceu na segunda fase da OAB no Exame n. XXVIII. Vou postar aqui o trecho do 
enunciado e, na sequência, o padrão de resposta da OAB:
"Antes de ser proferida decisão, mas após manifestação das partes em alegações finais, foram 
juntados aos autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação 
de que ela não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de 
Túlio sem outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio 
utilizado não causara lesões na adolescente. Com a juntada da documentação, de imediato, 
sem a adoção de qualquer medida, o magistrado proferiu decisão de pronúncia nos termos da 
denúncia"
2. Princípios
2. Princípios 6/23
Padrão de resposta: ocorreu a nulidade da pronúncia porque o juiz cerceou a defesa, em 
violação ao princípio da ampla defesa e ao princípio do contraditório, pois proferiu decisão após 
juntada de documentação, sem dar ciência da juntada de documentos às partes e sem dar a 
oportunidade de CONTRADITAR as informações que foram juntadas.
c) Questão discursiva de 2ª fase do Exame XXXI:
Nessa questão, houve o descumprimento das medidas impostas em pena restritiva de direitos. 
Porém, o condenado não foi intimado (ciência) e nem teve a oportunidade de justificar o não 
cumprimento (oportunidade de se manifestar. Por isso, a decisão que converteu a pena 
restritiva em privativa de liberdade é NULA, por violação ao princípio do contraditório e da 
ampla defesa. Esse é o conteúdo do art. 44, § 4º, do CP.
Apresentado o conteúdo de prova do princípio do contraditório, chegou o momento de indicar 
a concretização de sua primeira parte - dar ciência dos atos do processo às partes.
Aproveitando o gancho, pergunto a você: de que forma as partes são cientificadas do que 
acontece nos autos no processo penal?
A ciência dos atos processuais é dada através de 3 atos: citação, intimação e notificação.
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Em casos de urgência, havendo perigo de perecimento do objeto em face da demora na 
prestação jurisdicional, admite-se a concessão de medidas judiciais sem ouvir a parte contrária. 
Seria essa urgência uma exceção ao contraditório?
Não, meus amigos.
2. Princípios
2. Princípios 7/23
Ampla Defesa
Não configura exceção ao princípio, já que, antes da prolação do provimento final, deverá o 
magistrado, necessariamente, abrir vista à outra parte para se manifestar sobre a medida, sob 
pena de nulidade do ato decisório. Nessa situação, dizemos que o contraditório é diferido, 
prorrogado, postergado, retardado para um momento futuro. Mas que ele existe, existe.
Outra questão muito boa sobre o contraditório diz respeito à limitação ao livre convencimento 
do juiz na apreciação das provas, ao vedar a condenação do réu com base exclusivamente nos 
elementos informativos colhidos na fase policial, exigindo-se prova produzida com 
contraditório judicial. (art. 155 do CPP).
O elemento de informação, produzido durante o inquérito policial, não pode, 
isoladamente, ser utilizado para condenar o réu no momento da sentença. Salvo as 
provas cautelares, não repetíveis e antecipadas (Exemplos: perícia ou testemunho de 
quem estava prestes a falecer).
Implica o dever de o Estado proporcionar a todo acusado da prática de uma infração penal a 
oportunidade concreta de se defender, materializada na: autodefesa e a obrigatoriedade de 
estar assistido por um defensor público ou, se o acusado tiver condições financeiras, 
representado por um advogado, materializada na denominada defesa técnica.
Autodefesa – princípio que garante a todos os acusados em processo criminal o direito de se 
manifestar (direito de audiência) e de estar presente (direito de presença). Se esse direito for 
retirado do réu, o processo será atingido pela nulidade decorrente de violação de princípio 
constitucional.
Defesa técnica – não há processo criminal sem advogado ou defensor público. Se o réu for 
julgado sem advogado/defensor, o processo será nulo de pleno direito. Trata-se de nulidade 
absoluta que não se convalida! Poderá ser alegada a qualquer tempo. Mesmo após o trânsito 
em julgado, em ação de revisão criminal, pois a violação constitucional seria gravíssima.
2. Princípios
2. Princípios 8/23
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
No dia a dia dos fóruns, na ausência do advogado, mesmo injustificada, a audiência não 
acontece e o juiz remarca para outra data (redesignação). Pelo menos os juízes preocupados 
com a ausência de hipóteses de nulidade processual.
A ampla defesa é a mais completa defesa, seja pessoal (autodefesa), seja técnica (efetuada por 
defensor) (CF, art. 5º, LV), e o de prestar assistência jurídica integral e gratuita aos necessitados 
(CF, art. 5º, LXXIV).
Desse princípio também decorre a obrigatoriedade de se observar a ordem natural do 
processo, de modo que a defesa se manifeste sempre em último lugar.
Assim, qualquer que seja a situação, não pode o Ministério Público se manifestar depois da 
defesa, sob pena de nulidade, salvo nas hipóteses de contrarrazões de recurso, de sustentação 
oral ou de manifestação dos procuradores de justiça, em segunda instância.
A regra é a oitiva das testemunhas de acusação e, somente com a completa oitiva de 
todas as testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público em sua denúncia, é 
que as testemunhas de defesa podem ser ouvidas.
Conclusão - a ordem de oitiva das testemunhas só poderá ser invertida com a autorização da 
defesa. Caso contrário, teremos a nulidade de todos os atos praticados dali em diante. Essa 
questão caiu recentemente na 2a fase de Penal do Exame XXXIV; o gabarito foi a nulidade pela 
inversão da ordem das testemunhas.
É ou não é atual? rs.
2. Princípios
2. Princípios 9/23
Princípio da correlação entre a acusação e a sentença
As partes movimentam o processo. Cabe a elas requerer ao juiz o provimento jurisdicional.
Isso ocorre pelo fato de a jurisdição ser inerte. Não pode o juiz se comportar como se fosse 
parte. Desta forma, ele deve ficar inerte, esperando alguém peticionar e pedir.
Tema relevante nessa questão é a possibilidade de o juiz alterar a classificação jurídica do 
fato imputado ao réu na denúncia ou queixa-crime.  Isso é possível, mas há regras 
importantes que caem na OAB sobre esse tema. Vamos a elas:
O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe 
definição jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. É a 
nossa conhecida Emendatio libelli - CPP, art. 383.
Se o réu se defende dos FATOS, o juiz pode alterar o DIREITO, sem interferir no contraditório 
e na ampla defesa.
Quanto ao artigo 384 do mesmo diploma (mutatio libelli), o aditamento passou a ser sempre 
necessário, porém, não mais atuando o juiz de ofício.
Caso o Ministério Público não decida pelo aditamento da denúncia para alterá-la com os fatos 
novos descobertos em audiência, o juiz remete os autos, valendo-se do art. 28 do CPP, ao 
chefe do Ministério Público que dará a última palavra se adita (reescreve a denúncia 
adicionando uma parte nova) ou mantém a denúncia original (CPP, art. 384, § 1º).
2. Princípios
2. Princípios 10/23
Da Disponibilidade e da Indisponibilidade
O princípio temfundamento na adoção do processo acusatório (em contraponto ao processo 
inquisitivo), no qual há nítida separação das funções de julgar, acusar e defender. É um 
progresso das regras processuais penais.
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
 Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
Disponibilidade é a liberdade que as pessoas têm de exercer ou não seus direitos. Elas 
escolhem.
Na ação penal privada vigora o princípio da disponibilidade, ou seja, o ofendido pode desistir 
da ação ou, até mesmo, sequer oferecer a queixa-crime. Ele pode, literalmente, “deixar pra lá”. 
  Esse mesmo princípio garante ao ofendido (querelante) o direito de desistir da ação penal ou 
do recurso interposto.
De outro lado, prevalece no processo criminal o princípio da indisponibilidade ou 
obrigatoriedade da ação penal pública. 
A autoridade policial não pode se recusar a proceder às investigações preliminares (CPP, art. 
5º) nem arquivar inquérito policial (CPP, art. 17); do mesmo modo que o Ministério Público não 
pode desistir da ação penal interposta (CPP, art. 42) nem do recurso interposto (CPP, art. 576). 
É a regra da indisponibilidade.
Existem exceções a esse princípio:
transação em infrações penais de menor potencial ofensivo (art. 76, da Lei 9.099/95);
acordo de não persecução penal preenchidas as regras legais (art. 28-A do CPP); e
suspensão condicional do processo, preenchidos os requisitos legais (art. 89 da Lei 
9.099/95).
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Nas hipóteses abaixo, prevalece a Disponibilidade (é possível dispor do direito de ação):
a) nos crimes de ação penal privada;
b) nos crimes de ação penal pública condicionada à representação, quando o ofendido não 
representa;
2. Princípios
2. Princípios 11/23
O�cialidade
c) nos crimes de ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça, quando 
o Ministro opta por não requisitar.
Em decorrência da indisponibilidade do processo penal, os órgãos incumbidos da persecutio 
criminis não podem ser privados.
Sendo pública a função penal, a pretensão punitiva do Estado também deve ser deduzida por 
agentes públicos.
A Constituição da República consagra o princípio da oficialidade ao dispor que a ação penal 
pública é privativa do Ministério Público (CF, art. 129, I) e que a função de polícia judiciária 
incumbe à polícia civil ou federal (CF, art. 144, § 4º, c/c o CPP, art. 4º).
O Ministério Público tem, como função institucional de promover, privativamente, a ação penal 
pública.
Antes da fase da ação penal, quando houver necessidade de comprovar a existência da 
infração e a autoria delitiva, a polícia judiciária atua em busca dessas informações.
Às polícias civis e federal, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, as funções 
de polícia judiciária e a apuração de infrações penais.
Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas 
respectivas circunscrições e terá pôr fim a apuração das infrações penais e da sua autoria.
O sistema admite exceções, como, por exemplo, a ação penal privada, incluindo-se a privada 
subsidiária da pública, cabível no caso de o Ministério Público perder o prazo previsto no art. 
46 do CPP para oferecer a denúncia (CF, art. 5º, LIX), vejamos:
Art. 46, CPP:
Art. 46.   O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado 
da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 
dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito à 
autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público 
receber novamente os autos.
2. Princípios
2. Princípios 12/23
Da verdade Formal
Da Verdade Material
Cabe ao representante do Ministério Público ser diligente no cumprimento dos prazos do 
artigo 46 para oferecer denúncia para evitar que o advogado contratado pela vítima atravesse 
uma queixa-crime subsidiária no lugar da denúncia.
Regra de que o juiz depende, na instrução da causa, da iniciativa das partes quanto às provas e 
às alegações em que fundamentará sua decisão.
Segundo o princípio, pode o juiz dar-se por satisfeito, quanto à instrução do feito, com as 
provas produzidas pelas partes, rejeitando a demanda ou a defesa por falta de elementos de 
convicção. Este princípio é próprio do processo civil.
Contudo, nota-se clara tendência publicista no processo, levando o juiz a assumir uma posição 
mais ativa, impulsionando o andamento da causa, determinando a produção de provas ex officio 
(art. 156 do CPP) e reprimindo condutas abusivas ou irregulares, afastando-se de uma verdade 
puramente formal.
Característico do processo penal, dado o caráter público do direito material sub judice.
É dever do magistrado superar a desidiosa iniciativa das partes na colheita do material 
probatório, esgotando todas as possibilidades para alcançar a verdade real dos fatos, como 
fundamento da sentença.
Pode, no plano probatório, agir de ofício (ou seja, sem ninguém pedir). Vejamos:
Art. 156.  A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de 
ofício:
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas 
consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade 
da medida;
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências 
para dirimir dúvida sobre ponto relevante.
2. Princípios
2. Princípios 13/23
Motivação das Decisões Judiciais
Publicidade
Portanto, para atingir a verdade substancial, ou pelo menos se aproximar dela, no plano 
probatório, o juiz não precisa se contentar com a atuação das partes.
Outro exemplo é a possibilidade de o juiz, mesmo após a audiência, intimar testemunhas para 
serem ouvidas em audiência em continuação como testemunhas arroladas pelo juízo.
As decisões judiciais precisam sempre ser motivadas (CF, art. 93, IX; CPP, art. 381).
A não motivação de uma decisão judicial importará em sua nulidade.
Trata-se de verdadeira garantia da sociedade, que pode aferir a imparcialidade do juiz e a 
legalidade e justiça das suas decisões.
Destaque para a positivação dessa mesma regra constitucional no próprio artigo que trata das 
nulidades no CPP, pelo pacote anticrime:
Art. 564.  A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: V - em decorrência de decisão carente de 
fundamentação.
Leve para a sua prova a seguinte regra: decisão sem fundamentação é decisão NULA.
A publicidade é garantia da sociedade de que o magistrado irá atuar com independência e 
imparcialidade.
Há situações previstas em lei que admitem o sigilo dos atos praticados.
Encontra exceção nos casos em que o decoro ou o interesse social aconselhem que eles não 
sejam divulgados (CPP, arts. 485, § 11º, e 792, § 1º).
É a chamada publicidade restrita, segundo a qual os atos são públicos só para as partes e seus 
advogados. A restrição se baseia no art. 5º, LX, da CF, segundo o qual “a lei só poderá restringir 
a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o 
exigirem”.
2. Princípios
2. Princípios 14/23
Lealdade Processual
O art. 93, IX, da CF prevê que “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão 
públicos... podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus 
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do 
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação”.
Assim, o Poder Judiciário somente poderá restringir o número de pessoas em julgamento 
quando o direito público à informação não for prejudicado.
Sopesam-se os dois bens jurídicos: direito à intimidade e direito público à informação.
A regra é a publicidade.
No caso do inquérito policial, embora seja um procedimento inquisitivo e sigiloso (CPP, 
art. 20), o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei Federaln. 8.906/94), 
estabelece como direito do advogado o de examinar em qualquer repartição policial, 
mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, 
ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos.
Merece destaque a Súmula Vinculante 14, com a seguinte redação: “É direito do 
defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já 
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de 
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.
Se existe inquérito instaurado e documentos ou declaração já produzidos e juntados, o 
advogado deverá ter vista.
Se a súmula vinculante 14 não for respeitada pelo delegado, caberá ao advogado apresentar 
Reclamação Constitucional diretamente para o Ministro Presidente do STF.
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Consiste no dever de nãoempregar no processo meios fraudulentos (ilícitos processuais).
Sua violação acarreta sanções de ordem processual.
2. Princípios
2. Princípios 15/23
Celeridade Processual
Economia Processual
A fraude destinada a produzir efeitos em processo penal foi tipificada no Código Penal como 
crime apenado com detenção (CP, art. 347), vejamos:
Fraude processual
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de 
lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não 
iniciado, as penas aplicam-se em dobro.
De acordo com o art. 8º do Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana sobre 
Direitos Humanos, promulgada pelo Decreto n. 678/92), são garantias judiciais: “1. Toda pessoa 
tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz 
ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na 
apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus 
direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza”.
Muito embora no Brasil já acolhêssemos o princípio da celeridade processual com base no 
Pacto de São José da Costa Rica, a EC n. 45/2004 cuidou de erigi-lo expressamente em 
garantia constitucional, acrescentando um novo inciso ao art. 5º, o LXXVIII, o qual prevê que “a 
todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os 
meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.
Finalmente, visando atender à determinação contida no Pacto de São José da Costa Rica e no 
art. 5º, LXXVIII, que ordena a razoabilidade da duração do processo e os meios que garantam a 
sua celeridade, foram promovidas algumas reformulações no Código de Processo Penal no 
tocante ao procedimento, sobressaindo o princípio da oralidade, do qual decorrem vários 
desdobramentos:
(a) concentração dos atos processuais em audiência una (vide CPP, art. 400);
(b) identidade física do juiz - o juiz que atuou na audiência deverá, como regra, julgar o réu. 
EXCEÇÃO: o juiz, por exemplo, foi promovido para outra Vara Criminal. Nesse caso, outro juiz 
poderá julgar.
2. Princípios
2. Princípios 16/23
Duplo Grau de Jurisdição
Juiz Natural
O processo é instrumento, não se podendo exigir um gasto exagerado de dinheiro público com 
relação aos bens que estão em disputa.
Esse é um dos argumentos do princípio penal da insignificância também - gastar muito dinheiro 
público para investigar, processar e punir um agente que furta uma caneta, por exemplo, não é 
correto.
Deve-se buscar a aplicação do direito ao caso concreto com a máxima eficiência e com o 
menor dispêndio de dinheiro e tempo.
No processo penal, não se anulam atos imperfeitos quando não prejudicarem a acusação ou a 
defesa e quando não influírem na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa 
(CPP, arts. 563 e 566).
Atenção aqui, pessoal: esse princípio não está expresso no CPP.
Tem previsão expressa no Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana sobre 
Direitos Humanos, promulgada pelo Decreto n. 678/92), no art. 8º, item 3º, h.
Trata-se da possibilidade de revisão, por via de recurso, das causas já julgadas pelo juiz de 
primeiro grau.
O princípio decorre, no plano constitucional, da própria estrutura atribuída ao Poder Judiciário, 
incumbindo-se a Constituição, nos artigos 102, II, 105, II, e 108, II, de outorgar competência 
recursal a vários órgãos da jurisdição, reportando-se expressamente aos Tribunais, no art. 93, III, 
como órgãos do Poder Judiciário de segundo grau.
CUIDADO! Nem todo processo terá a observância do duplo grau de jurisdição, como as 
hipóteses legais de competência originária do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102, I) - um 
Deputado Federal pratica um crime no exercício do mandato e em função dele. Tem-se, ainda, 
a possibilidade de as partes abrirem mão do direito de recorrer, situação em que teremos o 
trânsito em julgado no 1º grau.
Duplo Grau de Jurisdição: Trata-se da possibilidade de revisão, por via de recurso, das causas 
já julgadas pelo juiz de primeiro grau.
2. Princípios
2. Princípios 17/23
Questão 2022 | 4000008686
O prefeito do Município de Canto Feliz, juntamente com o juiz estadual e o promotor de
justiça, todos da mesma comarca (Art. 77, inciso I, do CPP), cometeu um crime contra a
administração pública federal - interesse da União -, delito que não era de menor
potencial ofensivo e nem cabia, objetivamente, qualquer medida penal consensual. Todos
foram denunciados pelo Ministério Público federal perante a 1ª Vara Criminal da Justiça
Federal da correspondente Seção Judiciária.
Recebida a denúncia, a fase probatória da instrução criminal foi encerrada, sendo que o
Dr. João dos Anjos, que era advogado em comum aos réus (inexistência de colidência de
defesas), faleceu, tendo os acusados constituído um novo advogado para apresentar
memoriais (Art. 403, § 3º, do CPP) e prosseguir em suas defesas.
Nessa fase de alegações �nais, somente há uma matéria de mérito a ser defendida em
relação a todos os réus, que é a negativa de autoria. Todavia, antes de adentrar ao
Está previsto no art. 5º, LIII, da Constituição Federal, que dispõe que ninguém será sentenciado 
senão pelo juiz competente.
Significa dizer que temos a garantia constitucional de sermos julgados somente por órgão do 
Poder Judiciário escolhido a partir de regras definidas e pré-determinadas.
O Juiz natural é aquele previamente conhecido, segundo regras de competência estabelecidas 
anteriormente à infração penal. A ideia é ser julgado por um juiz que seja independente e 
imparcial, e o princípio do juiz natural auxilia nessa busca.
Do princípio depreende-se também a proibição de criação de tribunais de exceção, com os 
quais, evidentemente, não se confundem as jurisdições especializadas, que são meras divisões 
de atividade jurisdicional.
Juiz Natural: Aquele previamente conhecido, segundo regras objetivas de competência 
estabelecidas anteriormente à infração penal, investido de garantias que lhe assegurem 
absoluta independência e imparcialidade.
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2. Princípios
2. Princípios 18/23
mérito, existe uma questão preliminar processual a ser suscitada, relativa à competência,
e consequente arguição de nulidade.
Como advogado(a) dos réus, assinale a opção que indica como você fundamentaria a
existência dessa nulidade.
A)
O processo é nulo, por ser o juízo relativamente incompetente, aproveitando-se os atos
instrutórios. Anulado o processo, este deverá prosseguir para todos a partir da
apresentação dos memoriais perante uma das Turmas do Tribunal Regional Federal da
respectiva Seção Judiciária, por serem os réus detentores de foro especial por
prerrogativa de função junto àquele órgão jurisdicional.
B)
O processo é nulo, por ser o juízo absolutamenteincompetente desde o recebimento da
denúncia, devendo ser reiniciado para todos a partir deste momento processual perante
o Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação, por serem os réus detentores
de foro especial por prerrogativa de função perante aquela Corte estadual de justiça.
C)
O processo é nulo, por ser o juízo relativamente incompetente, aproveitando-se os atos
instrutórios. Anulado o processo este deverá prosseguir a partir da apresentação dos
memoriais perante o Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação, por serem
todos os réus detentores de foro especial por prerrogativa de função perante aquela
Corte estadual de justiça.
D)
O processo é nulo, por ser o juízo absolutamente incompetente. Em relação ao Prefeito
do Município de Canto Feliz, o processo deverá ser remetido a uma das Turmas do
Tribunal Regional Federal da respectiva Seção Judiciária, sendo reiniciado a partir do
recebimento da denúncia. Em relação ao Juiz estadual e ao Promotor de Justiça, há
nulidade por vício de incompetência absoluta, com a necessidade de desmembramento
do processo, devendo ser reiniciado para ambos a partir do recebimento da denúncia,
sendo de competência do Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação.
Solução
Gabarito: D)
O processo é nulo, por ser o juízo absolutamente incompetente. Em relação
ao Prefeito do Município de Canto Feliz, o processo deverá ser remetido a
uma das Turmas do Tribunal Regional Federal da respectiva Seção Judiciária,
sendo reiniciado a partir do recebimento da denúncia. Em relação ao Juiz
estadual e ao Promotor de Justiça, há nulidade por vício de incompetência
absoluta, com a necessidade de desmembramento do processo, devendo ser
reiniciado para ambos a partir do recebimento da denúncia, sendo de
competência do Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação.
Análise do Caso
Essa questão exigiu do candidato conhecimento a respeito da prerrogativa de foro de
algumas autoridades que praticam crimes. Onde serão julgadas? Para acertar a questão,
2. Princípios
2. Princípios 19/23
seria necessário conhecer a súmula 702 do STF e a regra do art. 96, III, da Constituição
da República: Para o Prefeito - Súmula 702 do STF – “A competência do tribunal de
justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da justiça comum
estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de
segundo grau”. Para o juiz e o promotor, serão julgados no Tribunal a que estão
vinculados, por expressa disposição constitucional - CRFB/88. Art. 96, III - aos Tribunais
de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os
membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a
competência da Justiça Eleitoral. Essa competência é absoluta, pela prerrogativa de foro
constitucional.
A letra A está incorreta. Alternativa errada, pois ignora a competência do TJ para julgar
juízes e promotores estaduais, nos termos do art. 96, III da CF - CRFB/88. Art. 96, III - aos
Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como
os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a
competência da Justiça Eleitoral.
A letra B está incorreta. Alternativa errada, pois ignora a competência da Justiça Federal
para julgar o prefeito no TRF - Súmula 702 do STF – “A competência do tribunal de justiça
para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da justiça comum estadual; nos
demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau”.
A letra C está incorreta. Alternativa errada pois ignora a súmula 702 do STF: Súmula 702 do
STF – “A competência do tribunal de justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de
competência da justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá
ao respectivo tribunal de segundo grau”.
A letra D está correta. Está correta. O prefeito praticou um crime de interesse da União e
será julgado na Justiça Federal, em segundo grau, ou seja, no Tribunal Regional Federal, nos
termos da súmula 702 do STF. O juiz e o promotor, independetemente do crime praticado,
possuem prerrogativa de foro para serem julgados no Tribunal em que estão vinculados, nos
termos do art. 96, III, da Constituição Federal.
Presunção de Inocência
As pessoas nascem inocentes, sendo esse o seu estado natural, razão pela qual, para quebrar 
tal regra, torna-se indispensável que o Estado-acusação evidencie, com provas suficientes, ao 
Estado-juiz, a culpa do réu.
Tem por objetivo garantir o ônus da prova das acusações feitas contra o réu na denúncia cabe 
à acusação e não à defesa.
Em palavras mais simples, para reverter o estado de inocência que todos nós temos, a 
Constituição da República exige o trânsito em julgado de uma decisão penal condenatória.
2. Princípios
2. Princípios 20/23
Não deveria existir exceção a essa regra.
Como regra geral, não existe execução provisória de uma pena privativa de liberdade. Só 
cumpre pena quem é culpado e só é culpado quem recebeu decisão condenatória de um 
órgão jurisdicional competente, não sendo mais cabível nenhum recurso, seja pelo 
esgotamento de toda via recursal, seja pelo escoamento do prazo sem a interposição do 
recurso.
Atenção: não confunda prisão penal (de culpados) com prisão processual (cautelar).
A prisão processual é regida pela proteção do processo, não tendo relação com a culpa 
antecipada do réu.
Por força da presunção de inocência, na dúvida, o magistrado deve absolver o acusado.
Trata-se do princípio da prevalência do interesse do réu (in dubio pro reo), garantindo que, em 
caso de dúvida, deve sempre prevalecer o estado de inocência, absolvendo-se o acusado 
(favor rei).
O Supremo Tribunal Federal modificou, novamente, seu posicionamento, para afastar qualquer 
possibilidade de execução provisória da pena. Não se pode mais falar de condenação em 
segunda instância para início da execução. Respeitou-se a literalidade do texto constitucional.
A Lei 13.964, de 2019, conhecida como pacote anticrime, trouxe nova regra de exceção 
à presunção de inocência.
Trata-se de execução provisória de pena de prisão para quem for condenado em 1.ª 
instância a uma pena privativa de liberdade igual ou superior a 15 (quinze) anos de 
reclusão.
Apesar de contrariar o princípio constitucional da presunção de inocência, o STF já 
validou a seguinte regra:
Seção XIV - Da sentença
Art. 492.  Em seguida, o presidente proferirá sentença que:
I – no caso de condenação:
e) mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á à prisão em que se encontra, se 
presentes os requisitos da prisão preventiva, ou, no caso de condenação a uma pena igual ou 
superior a 15 (quinze) anos de reclusão, determinará a execução provisória das penas, com 
2. Princípios
2. Princípios 21/23
Vedação das provas ilícitas
expedição do mandado de prisão, se for o caso, sem prejuízo do conhecimento de recursos 
que vierem a ser interpostos;     (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
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Para encerrar, amigos, duas súmulas que permitem antecipar situações de execução penal, 
porém, no decorrer de prisão processual (cautelar). Vamos a elas:
Súmula 716 do STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento de pena ou a 
aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da 
sentença condenatória.
Súmula 717 do STF: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em 
sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.
Provas são os elementos produzido pelas partes ou mesmo pelo Juiz, visando à formação do 
convencimento deste mesmo magistrado sobre determinado fato concreto.
A lei deixou bem clara a inadmissibilidade das provas ilícitas (art. 157 do CPP).
Admite-se o uso de provas obtidas ilicitamente se for a única maneirade absolver um 
inocente. Exemplo: em uma interceptação telefônica ilegal, sem ordem judicial, descobre-se a 
inocência de um agente que já for a condenado por esse crime. Será possível utilizar essa 
evidência em ação de revisão criminal para corrigir esse erro judiciário.
O preceito legal dispôs acerca do desentranhamento e, uma vez preclusa essa decisão, da 
destruição dessa prova por decisão judicial, facultando às partes acompanhar esse incidente.
Ainda, o art. 157 do CPP albergou a teoria dos frutos da árvore envenenada e trouxe limites a 
ela, inspirando-se na legislação norte-americana, de forma a se saber quando uma prova é ou 
não derivada da ilícita, isto é, a lei procurou trazer contornos para o estabelecimento do nexo 
causal entre uma prova e outra.
Desta forma, em resumo, temos duas espécies de provas ilícitas:
2. Princípios
2. Princípios 22/23
Provas ilícitas - são consideradas provas ilícitas aquelas produzidas mediante violação de 
normas de direito material (normas constitucionais ou legais). Ex.: Prova obtida mediante 
tortura.
Provas ilícitas por derivação - são aquelas provas que, embora sejam lícitas em sua 
essência, derivam de uma prova ilícita, daí o nome “provas ilícitas por derivação”. Ex.: 
Prova obtida mediante depoimento válido. Contudo, só se descobriu a testemunha em 
razão de uma interceptação telefônica ilegal.
Consequências processuais da prova ilícita
Provas ilícitas - deverão ser desentranhadas do processo e, após estar preclusa a decisão que 
determinou o desentranhamento, serão inutilizadas pelo Juiz.
OBS.: Há forte entendimento no sentido de que a prova, ainda que seja ilícita, deverá ser 
utilizada no processo, desde que seja a única prova capaz de conduzir à absolvição do réu ou 
comprovar fato importante para sua defesa, em razão do princípio da proporcionalidade.
2. Princípios
2. Princípios 23/23

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