Prévia do material em texto
MERITÍSSIMO JUÍZO DE DIREITO DA ______VARA DE FAMÍLIA DESTA COMARCA AÇÃO DE ALIMENTOS CUMULADO COM LIMINAR DE ALIMENTOS PROVISÓRIO FERNANDES , menor impúbere, neste ato representado por sua genitora, Sr (a). CAROLINA OLIVEIRA DUTRA , CPF: , 39 CEP: , TELEFONE CELULAR , vem por intermédio de seu advogado constituído que ao final subscreve perante Vossa Excelência, propor AÇÃO DE ALIMENTOS em face de , brasileiro, endereço desconhecido, CPF desconhecido, filho de e , com fulcro nos arts. 1.694, 1.695 e 1.698 da Lei Substantiva Civil (Lei nº 10.406/2002), e na própria Lei nº 5.478/68 e com os artigos 227 e 229 da Constituição Federal Brasileira, pelo que expõem e a seguir requerem: DA JUSTIÇA GRATUITA Data vênia, de pronto, mister afirmar que a "gratuidade da justiça" tem berço constitucional no art. 5º, inciso LXXIV da Carta Magna estabelecendo que "o Estado prestará assistência judiciária integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos". O art. 99, § 3º do CPC estabelece a presunção relativa de veracidade à declaração de hipossuficiência financeira das pessoas físicas que pleiteiam a concessão de benefício de gratuidade da justiça . Não se pode olvidar que a assistência jurídica integral aos necessitados, garantia de dignidade constitucional, tem por desiderato possibilitar o acesso à Justiça ao economicamente hipossuficiente, sendo de rigor a observância dos preceitos legais afirmativos dessa franquia democrática. Logrando demonstrar as suas hipossuficiências, a parte embargante requer em primeira premissa o deferimento da gratuidade da justiça nos termos do art. 98 da Lei 13.105/2015. DOS FATOS Conforme faz prova a certidão de nascimento em anexo, o Requerente é filho legítimo do Requerido. Ocorre que, desde a separação dos genitores, o menor, que está aos cuidados de sua genitora, não vem recebendo o devido auxílio de seu pai. Atualmente, a mãe está desempregada, e com isso o menor vem sofrendo privação materiais tais: material escolar, roupas, alimentos, remédios, etc... Por isso, sendo notório que a criança deve ter auxílio de ambos os pais em sua criação, as responsabilidades devem ser divididas. No caso, cumpre mencionar que a Requerida está empregada, laborando como diarista para poder suprir algumas necessidades básicas do menor. Diante dos fatos aqui expostos, exsurgiu a necessidade de se ingressar com a presente Ação de Alimentos para fixação do valor da pensão alimentícia, haja vista a situação financeira da mãe e a necessidade de se compartilhar as responsabilidades quanto a criação do filho. DO DIREITO De acordo com o Código Civil: Art. 1.694 - Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. Art. 1695 - São devidos os alimentos quando o parente, que os pretende, não tem bens, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e o de quem se reclamam, pode fornecê- los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Dispõe o art. 1.696 da Lei Substantiva Civil (Lei nº 10.406/2002): Art. 1.696 - O direito de prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação, nos mais próximos em grau, uns em falta de outros. (grifo nosso). O dever de auxílio alimentício do pai ao suplicante também encontra fundamentação no art. 22 da Lei 8069/90, in verbis: Art. 22 - Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. (grifo nosso) Posicionamentos brilhantes são os de Frank, citado pelo magistral doutrinador e o de , citado pelo também ilustre doutrinador , os quais vão a seguir, transcritos in verbis: "Convocar um ser humano a existência é assumir o compromisso de ser a sua providência e de arredá-lo do sofrimento e das privações". "Incumbe a cada qual e a ambos conjuntamente, sustentar os filhos, provendo-lhes à subsistência material e moral, fornecendo-lhes alimentação, vestuário, abrigo, medicamentos, educação, enfim, tudo aquilo que se faça necessário à manutenção e sobrevivência dos mesmos" Ressalta-se, ainda que, com a intenção de proteger o suplicante, a Legislação instituiu o disposto no art. 4º da Lei 5.478/68, vindo dispor que, ao despachar o pedido, o juiz fixe desde logo alimentos provisórios, a serem pagos pelo requerido, exceto no caso do requerente vir a declarar que deles não necessita. Art. 4 - Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar que deles não necessita. § Único. Se se tratar de alimentos provisórios pedidos pelo cônjuge, casado pelo regime de comunhão universal de bens, o juiz determinará igualmente que seja entregue ao credor, mensalmente, parte da renda líqüida dos bens comuns, administrados pelo devedor. (grifo nosso) A Constituição Federal de 1988 assegura consagradamente os direitos da criança e do adolescente, in verbis: Art. 227 - É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Art. 229 - Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Demonstrada a imperiosa necessidade dos alimentos por parte do suplicante, passa este a pedir. DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS Os alimentos provisórios pleiteados na presente ação têm como objetivo promover o sustento do menor na pendência da lide. Encontra-se previsto no art. 4º da Lei 5.478/68, que dispõe sobre a ação de alimentos, senão vejamos: Art. 4º. Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar que deles não necessita. No caso sub examine, resta translúcido a necessidade de fixação de tal provisão legal, face à dificuldade financeira enfrentada pela genitora do menor, o que fatalmente resvala na manutenção da criança. Isto posto, com o objetivo de propiciar ao autor os meios à sua mantença digna, requerem-se os presentes alimentos provisórios de 30% do salário mínimo , até o julgamento final da presente ação, quando então deverão ser os mesmos revertidos em definitivos. DO PEDIDO Ex Positis, requerem, com esteio nos dispositivos doutrinários e legais atinentes à matéria, que V. Exa. digne- se de: 1) Receber a presente inicial, uma vez demonstradas as condições da ação e os pressupostos processuais para, ao final, após o regular trâmite previsto em lei, JULGAR por sentença o presente pedido procedente em todos os seus termos, com o efetivo acolhimento do pedido alimentos ao autor, no quantum e na forma aqui pleiteadas; 2) Fixar alimentos provisórios em 30% do salário minimo , até julgamento final da ação, quando então os alimentos serão convertidos em definitivos em favor do requerente, no valor não inferior a 30% (trinta por cento) do salário mínimo vigente. 3) Requer que seja mantido a porcentagem estipulada nos provisionais acrescidos do repasse integral do abono família, incidindo ainda o percentual sob o 13º salário, férias, horas extras, rescisão contratual, seguro desemprego, afora os descontos obrigatórios de lei, caso o mesmo trabalhe com registro na CTPS. Ou caso o requerido trabalhe no mercado informal, que fique de logo registrado em sentença o dever de pagar o correspondente a 60% (sessenta por cento) sob o salário mínimo nacional vigente, reajustado anualmente de acordo com o índice oficial dogoverno, a ser pago mediante recibo ou mediante depósito, até o dia 10 (dez) de cada mês, diretamente a genitora do menor que deverá ser intimada para fornecer a este juízo sua corrente do BANCO, AGENCIA, OPERACAO E N. DA CONTA. 3) DETERMINAR a citação para responder à presente ação, querendo, no prazo legal, sob pena de, em assim não procedendo, sofrer os efeitos da REVELIA, bem como, acompanhá- la em todos os seus termos, até decisão final, quando espera seja o feito julgado procedente, com a sua condenação a prestar alimentos definitivos ao autor; 4) CONDENAR o promovido a suportar o ônus da sucumbência, com o pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, na base de 20% (vinte por cento) do valor da causa. 5) INTIMAR pessoalmente o respeitável representante do Ministério Público Estadual, para participar em todo o processo; Protestam provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pelo depoimento pessoal do réu, a juntada ulterior de documentos, oitiva de testemunhas, posteriormente arroladas, e o que mais se fizer necessário ao fiel deslinde da questão, ficando, desde logo, tudo requerido, bem como todas as diligências que se fizerem necessárias ao bom andamento processual. Dá-se à causa o valor de para efeitos legais. Nesses termos. Pede deferimento. advogado