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1 
 
 
ASPECTOS CLÍNICOS, MENSURAÇÃO E DIAGNÓSTICO DA 
DOR E INFLAMAÇÃO 
1 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 2 
1. INTRODUÇÃO 3 
1.1 A Experiência Dolorosa e seu Enfrentamento 3 
2. OS ASPECTOS MULTIDIMENSIONAIS DAS DORES CRÔNICAS 8 
2.1 Dores Agudas e Dores Crônicas 8 
3. MODULAÇÃO DA DOR 10 
4 DOR: O 5º SINAL VITAL 18 
5. MENSURAÇÃO DA DOR 20 
6. DIAGNÓSTICO DA DOR 24 
7. EXAME FÍSICO 26 
8. DIAGNÓSTICO DA INFLAMAÇÃO 34 
CONCLUSÃO 41 
REFERÊNCIAS 42 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 A Experiência Dolorosa e seu Enfrentamento 
 
Ao logo dos anos, o homem vem, progressivamente, procurando compreender 
as causas da dor com a finalidade de livrar-se dela. Todas as pessoas, 
indiscriminadamente, sentem, sentiram ou vão sentir dor. Entretanto, a grande maioria 
das pessoas não sabe descrever sua dor, o que torna difícil para o profissional de 
saúde captar de fato a experiência de dor de outra pessoa. Essa dificuldade tem a ver 
com a resiliência do paciente: alguns suportam mais a dor, outros menos. 
A compreensão da dor foi sendo empregada de várias formas. Em 320 a.C., 
Aristóteles a considerou como sendo uma “antítese ao prazer”, alertando para uma 
sensação desconfortável. Em 1895, Strang associou a sensação e a reação como 
sendo dois componentes da dor. Sherrington, em 1900, reconheceu o caráter duplo 
do fenômeno, admitindo o envolvimento dos componentes sensitivos e afetivos na 
síndrome dolorosa. 
As descobertas mais importantes sobre a dor, entretanto, ocorreram após a II 
Guerra Mundial, decorrentes da expansão do conhecimento sobre anatomia e 
fisiologia e a utilização do método científico para investigar o significado da dor. A 
necessidade de uma definição de dor e de termos relacionados a ela para facilitar o 
entendimento e a comunicação com caráter universal, fez com que a Associação 
Internacional para o Estudo da Dor (IASP) constituísse, em 1976, uma subcomissão 
de taxonomia da dor. 
A subcomissão composta por diversos profissionais da área de saúde foi 
presidida por Merskey e Bogduk16, e apresentou em 1979 um trabalho consensual 
que foi apreciado pelo Congresso e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para 
inclusão na Classificação Internacional de Doença (CID). A partir de então, a dor 
passa a ser definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, 
associada às lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões. 
Dessa definição depreende-se que a relação entre lesão tecidual e dor não é exclusiva 
ou direta, e que na experiência dolorosa, aspectos sensitivos, emocionais e culturais 
estão imbricados de forma indissociável, de modo que a dor como experiência 
4 
 
 
subjetiva e pessoal se revela com intensidade e constância variáveis na expressão de 
um indivíduo para outro. 
Em 2000, a Joint CommissiononAccreditationon Health CareOrganizations 
(JCAHO) preconizou que a dor fosse avaliada e registrada em conjunto com os demais 
dados vitais, validando-a como 5º sinal vital. A uniformidade da conduta valoriza e 
respeita a queixa de dor e o desconforto que esta provoca no paciente e 
consequentemente produz um cuidado integral e mais humano. 
Ao instituir a dor como 5º sinal vital, a equipe de saúde emprega diversas 
perspectivas de cuidado em atendimento às queixas álgicas, assegurando ao paciente 
o acesso às intervenções terapêuticas específicas à situação de dor. 
Assim, a adequada avaliação da dor, sua identificação, controle e alívio 
constituem papel fundamental do enfermeiro como principal provedor do cuidado. 
Sabendo que as respostas humanas e os limiares para dor são diferenciados de um 
indivíduo para outro, a avaliação da dor deve englobar muitos aspectos, sendo foco 
da investigação tanto a qualidade quanto a intensidade da dor. 
O exame físico ajuda a certificar o profissional acerca da existência da dor, 
através da localização, duração, periodicidade, evolução e resposta aos fatores 
externos que atuam como agravantes ou atenuantes da dor e outros sintomas 
associados. No entanto, toda dor deve ser considerada real e ter validade diagnóstica 
simplesmente pelo relato do paciente de que ela existe. Nos casos em que existe dor, 
mas não há relatos verbais para expressá-la, urge o esforço do enfermeiro na 
detecção de possíveis indícios reveladores de experiência dolorosa. 
A experiência dolorosa de uma pessoa é influenciada por inúmeros fatores, 
incluindo as experiências pregressas com a dor, ansiedade, idade e expectativas a 
respeito do alívio da dor (efeito placebo). Esses fatores podem aumentar ou diminuir 
a percepção da dor da pessoa, aumentar ou reduzir a tolerância para a dor. 
A dor pode ser classificada em aguda ou crônica. A aguda se traduz numa dor 
breve, caracterizada por pontadas, midríase, sudorese, esforço cardíaco, fraqueza, 
dentre outros sintomas, exigindo abordagem quase que puramente sintomática 
relacionada ao desequilíbrio apresentado; o tratamento analgésico adequado e 
intervenções específicas levam ao desaparecimento do quadro álgico e de suas 
consequências. Já a dor crônica é persistente, de difícil localização, causando insônia, 
anorexia, diminuição da libido, desesperança e ansiedade. 
5 
 
 
Além da categorização em aguda e crônica, a dor pode ser classificada em nociceptiva 
e por desaferentaçãoA dor por Desaferentação(trata-se de uma subdivisão da dor 
neuropática, que pode decorrer de algum tipo de dano ao sistema somatossensorial 
em qualquer ponto ao longo de seu percurso). Essa diferenciação é importante, pois 
define as diferenças do tratamento. Dor nociceptiva é aquela onde há elevada síntese 
de substâncias algiogênicas e intensa estimulação das fibras nociceptivas, tal como 
ocorre nas situações de doenças inflamatórias, traumáticas ou isquêmicas. A dor 
neuropática ou por desaferentação ocorre quando há lesão parcial ou total das vias 
nervosas do sistema nervoso periférico ou central, como a decorrente de neuropatia 
dolorosa por diabetes, herpes zoster, acidente vascular encefálico, invasão de 
estruturas por tumores, entre outras situações. 
A dor é uma sensação, mas também um fenômeno emocional que leva a um 
comportamento de fuga e proteção; deve ser entendida como um fenômeno muito 
complexo e de variações biológicas, intelectuais, emocionais e culturais. 
A dor é reconhecidamente o principal fator estressor, o que justifica uso de 
protocolo de controle da dor, como alternativa para ajudar e promover algumas 
intervenções para seu alívio, como: avaliação da ocorrência da dor em intervalos 
regulares a cada seis horas ou de acordo com aferição de dados vitais; utilização de 
escalas específicas para a avaliação da intensidade da dor de acordo com as 
necessidades de cada paciente, o uso deOjugas, A. C. "A dor através da história e da arte". Vol.1, p.3. Atlas Medical 
PublishingLtd. 1999. 
 
Nocicepção é o processo neural no qual o estímulo que pode despertar a dor é 
detectado pelo sistema nervoso. 
 
Scholz, J.; Woolf, C. J. "Canweconquerpain?" NatureNeurosciences, Vol.5, pp.1062-
1067. 2002. 
 
Melzack, R. & Wall, P.D. The challengeofpain. pp.33-41. Basic Books ed. 1983. 
 
Gatchel, R. J., 1996. Apud Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes 
dores nociceptivas e neuropáticas, por meio de métodos psicofísicos variados". Tese 
de doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. USP. 2007. 
 
Foucault, M. 1980. Apud Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes 
dores nociceptivas e neuropáticas, por meio de métodos psicofísicos variados". Tese 
de doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. USP. 2007. 
 
Ferreira, J., 1998. Apud Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes dores 
nociceptivas e neuropáticas, por meio de métodos psicofísicos variados". Tese de 
doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. USP. 2007. 
 
Helman CG, 1994. Apud Hortense, P. "Escalonamento comparativo de diferentes 
dores nociceptivas e neuropáticas, por meio de métodos psicofísicos variados". Tese 
de doutorado, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. USP. 2007. 
 
Cahana, A. "Painandphilosophyofthe mind". PainClinical Updates. Vol.XV, no.5. July 
2007. 
 
Damásio, A. R. O erro de Descartes, emoção, razão e o cérebro humano. Companhia 
de Letras. São Paulo. 1994. 
 
Ajuriaguerra, J.D. &Hécaen, H. Le córtex cerebral, pg 41,43. Masson et Cie, França, 
1960. 
 
Tolosa AP, Canelas HM. Propedêutica neurológica, p.248. Sarvier. 1971. 
 
Pasternak . "22nd AnnualScientific Meeting". Chicago. 2003. 
 
Ross, Elisabeth Kübler. Sobre a morte e o morrer. Martins Fontes. 1969. 
 
Melzack, R. "The short-formMcGillPainQuestionnaire". Pain. Vol.30, no.2, pp.191-7. 
1987.ações não farmacológicas para seu controle, 
protocolos de analgesia estabelecidos em literatura. A dor como 5º sinal vital: atuação 
da equipe de enfermagem no hospital privado com gestão do Sistema Único de Saúde 
(SUS). 
A avaliação da dor compreende o exame clínico (história da doença, exame 
físico, exames laboratoriais e de imagem), as características de experimentação da 
dor, repercussão da dor nas atividades de vida diária e a investigação de elementos 
psíquicos e socioculturais significativos para o quadro. Isso é possível com a 
implantação de protocolos de avaliação e manuseio da dor, como também com a 
aquisição de conhecimentos e de treinamento por parte da equipe de enfermagem. 
A dor pode ser avaliada por meio do relato do paciente, observação do seu 
comportamento e das respostas fisiológicas à dor. As escalas de avaliação são 
instrumentos para mensurar a dor e podem ser classificadas em uni ou 
multidimensionais. As escalas unidimensionais avaliam somente uma das dimensões 
da experiência dolorosa, e dentre as mais usadas, destacam-se as escalas visuais 
6 
 
 
numéricas (EVN) e a escala analógica visual (EAV). A EVN é graduada de zero a 10, 
onde zero significa ausência de dor e 10 a pior dor imaginável. A vantagem desse 
instrumento é a sua familiaridade com os participantes, uma vez que o ser humano 
utiliza números desde a infância. A EAV consiste em uma linha reta, não numerada, 
indicando-se em uma extremidade a marcação de “ausência de dor”, e na outra, “pior 
dor imaginável”. 
Há ainda escalas quantitativas não numéricas, de expressões faciais de 
sofrimento crescente ou de “sequência de copos” e a escala das mãos. A primeira 
gradua a intensidade da dor por meio de um copo de água, sendo o copo vazio 
equivalente a nenhuma dor e o copo transbordando, equivalente a dor 10; e a segunda 
seguindo a posição das mãos, o afastamento das mãos da posição de oração 
evidencia aumento da dor. Essas escalas são úteis em pacientes com baixa 
escolaridade e naqueles com dificuldade em compreender a escala numérica. 
Outra forma de graduação da dor é a escala comportamental, na qual se dá 
uma nota questionando diretamente o paciente sobre sua lembrança de dor em função 
de suas atividades cotidianas. A nota zero é atribuída quando o paciente está sem 
dor; nota três quando a dor está presente, havendo períodos em que é esquecida; 
nota seis quando a dor não é esquecida, mas também não é impeditiva das atividades 
da vida diária; nota oito quando a dor não é esquecida e atrapalha todas as atividades, 
exceto alimentação e higiene, e por último, nota 10, quando a dor persiste mesmo em 
repouso, está presente e não pode ser ignorada. 
No entanto, a experiência dolorosa não se restringe apenas à sua intensidade, 
sendo muito mais ampla. A necessidade de abrangência dessa realidade fez surgir 
escalas multidimensionais para a avaliação da dor. O questionário de dor mais 
largamente usado é o inventário desenvolvido por Melzack (1975), na Universidade 
McGill. Esse questionário consta de uma relação de 78 descritores das qualidades 
sensoriais da dor, além do desenho do corpo, no qual o paciente assinala a localização 
da dor, e de uma escala de intensidade da dor. Uma crítica aos instrumentos de 
avaliação multidimensional da dor é o fato de serem complexos, de difícil aplicação 
na prática clínica e entendimento pelo paciente. Portanto, o fator mais importante na 
escolha de qual instrumento deve ser usado é a capacidade do paciente para 
compreendê-lo; assim, os instrumentos de avaliação devem ser adequados à faixa 
etária, à capacidade cognitiva e aos aspectos culturais dos indivíduos avaliados. 
7 
 
 
É desejável o uso de intervenções múltiplas, que possibilitam a melhor resposta 
analgésica, visto a possibilidade de interferirem simultaneamente na geração do 
impulso nociceptivo, nos processos de transmissão e de interpretação do fenômeno 
doloroso e na estimulação do sistema supressor de dor. 
O tratamento da dor é complexo, e seu sucesso exige múltiplos esforços da 
equipe de saúde para a obtenção de resultados satisfatórios. Técnicas de 
relaxamento, hipnose, distração, terapias com gelo e calor, massagem e estimulação 
cutânea, imagem guiada, entre outros, são alguns exemplos de medidas não 
farmacológicas que surtem efeito desejável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
 
 
 
2. OS ASPECTOS MULTIDIMENSIONAIS DAS DORES CRÔNICAS 
 
A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP, 
InternationalAssociation for theStudyofPain), conceitua dor como sendo "uma 
experiência sensitiva e emocional desagradável, associada a uma lesão tecidual atual, 
potencial, ou descrita em termos de tal lesão". Já McCaffery em uma visão mais 
humanística, diz que "dor é o que o paciente diz ser, e existe quando ele diz existir", 
colocando uma ideia de uma experiência pessoal e peculiar a cada indivíduo. Ferreira 
F, modificada por Marquez JO (2008), procura uma conceituação mais abrangente, 
referindo que "dor é a consciência de uma sensação nociceptiva, induzida por 
estímulos químicos ou físicos, de origem exógena ou endógena, assim como por 
disfunções psicológicas, tendo como base um mecanismo biopsicossocial, causando 
emoções normalmente desagradáveis, com possibilidades de variáveis graus de 
comportamentos aversivos". 
 
2.1 Dores Agudas e Dores Crônicas 
 
É importante diferenciar as dores agudas das crônicas. As dores agudas são 
consideradas fisiológicas, como um sinal de alerta, da maior importância para a 
sobrevivência. Tem duração limitada no tempo e espaço, cessando com a resolução 
do processo nóxico. 
Já as dores crônicas não têm a finalidade biológica de alerta e sobrevivência e 
podemos dizer que se constituem como verdadeiramente uma doença. Com relação 
ao aspecto temporal, as definições variam quanto sua conceituação, da duração de 
mais de três ou seis meses, ou as que persistem após a cura da lesão inicial. Algumas 
vezes não se consegue um nexo causal, o que não invalida o seu diagnóstico e sua 
existência. 
As dores crônicas permitem discussões conceituais da medicina clássica, 
havendo a necessidade de argumentações que fogem do modelo dito biomédico 
clássico, com implicações filosóficas, sociais e emocionais, daí o emprego do modelo 
biopsicossocial. Assim, o pensamento de Shakespeare "Todos são capazes de 
9 
 
 
dominar a dor, exceto quem a sente" contraria as abordagens atuais, desde que um 
dos objetivos terapêuticos em uso é de técnicas que permitam aos pacientes conviver 
e interagir com a dor e o sofrimento. Outro aforismo clássico da medicina, "sublata 
causa tollitureffectus" (retirada a causa o efeito desaparece), também é invalidado 
pelo próprio conceito de dor crônica. 
O homem da atualidade muitas vezes ainda encara a dor com uma série de 
conceitos complexos, entre eles os com conotações religiosas, sentimentos de culpa 
e expiação, que somente dificultam a abordagem e aumentam o sofrimento. Como 
refere Ojugas (1) "Ante a dor reagem igualmente o homem do século XX e o das 
cavernas. Buscam no fundo algo sobrenatural". Daremos maior ênfase aos aspectos 
psicossociais em detrimento dos neurosensitivos (mediadores químicos, receptores, 
vias de transmissão e de modulação). 
O entendimento da dor não deve se limitar a sua expressão neurosensitiva, e 
sim também como uma mensagem emocional, uma metáfora perceptiva. Pode ser 
uma sensação adaptativa, um alerta precoce para proteger o corpo de lesões 
teciduais, ou eventualmente ser uma má adaptação, refletindo um funcionamento 
patológico do sistema nervoso. De tal forma que existe a dor como uma experiência 
sensitiva e a dor como uma metáfora perceptiva de sofrimento, de aflição ou mágoa. 
Pode ser como um sistema de alarme ativado para impedir danos ao 
organismo. Essa nocicepção é ativada somente por estímulos lesivos, atuandoem 
receptores especializados. A nocicepção uma vez presente, após o desaparecimento 
do sinal de alarme, toma características motivacionais, semelhantes à fome, sede ou 
desejo sexual. O limiar para despertar a dor tem que ser elevado o suficiente para que 
a mesma seja evocada, antes que ocorra lesão tecidual. Esse limiar não é fixo e pode 
ser alterado tanto para mais como para menos, podendo ser tanto adaptativo, como 
mau adaptativo. Mudanças no limiar de dor e da capacidade de resposta são 
expressões de neuroplasticidade, que é a maneira biológica pela qual, mudanças no 
sistema nervoso podem modular as respostas a qualquer estímulo. Essa plasticidade 
caracteriza essencialmente as síndromes clínicas dolorosas. 
 
 
 
 
 
10 
 
 
 
 
3. MODULAÇÃO DA DOR 
 
A dor não depende somente da natureza e da intensidade do estímulo. É 
influenciada por fatores psicossociais e neurosensitivos. Sofre uma modulação no 
sistema nervoso central, e da interação entre os estímulos nociceptivos e fatores 
moduladores é que resulta a experiência neurosensitiva da dor. A qualidade e a 
quantidade da dor dependem (e varia de pessoa para pessoa) do entendimento da 
situação geradora da dor, experiência prévia com o desencadeador álgico, cultura, da 
atenção, ansiedade e capacidade da pessoa em se abstrair das sensações nóxicas 
(distração) e dos sentimentos de controle da dor. 
 
Figura 1: Interrelações entre os vários componentes da dor e Correlações dos componentes 
da dor com seus equivalentes orgânicos 
 
 
 
Desempenho de papéis do paciente frente à dor 
Esse conjunto delineado anteriormente faz com que nas dores crônicas o 
paciente venha a assumir o papel de doente, em detrimento de outros papéis da vida 
cotidiana, variando segundo sua personalidade e condições socioeconômicas. Essa 
situação leva ao afastamento das suas responsabilidades e obrigações sociais, com 
crescente incapacidade física e reações emocionais negativas. 
11 
 
 
O corpo, como espaço da doença, torna-se um conteúdo com diferentes 
expressões, procurando significados, tanto para o paciente como para o terapeuta. 
Sendo o corpo um reflexo social, torna-se impossível atribuir a ele, no seu 
comportamento, processos exclusivamente biológicos, sendo assim simbólico de todo 
um processo social. Desse modo, a doença torna-se uma construção social, e as 
crenças sobre o significado e a importância da dor, e contexto onde ocorrem as 
emoções associadas, acaba afetando a sensação dolorosa. 
Os pacientes podem se apresentar ansiosos, agressivos, deprimidos, 
discordarem dos diagnósticos, manifestarem efeitos adversos inexplicáveis. Por sua 
vez, o terapeuta pode então reagir com sentimentos negativos, enfraquecendo sua 
relação terapêutica com o paciente. Os questionamentos sobre as causas de que 
pacientes "mais ou menos semelhantes", com diagnósticos e tratamento semelhantes, 
possam apresentar resultados diferentes, não tem resposta no modelo biomédico 
convencional. Essas e outras respostas, no dizer de Cahana, merecem uma análise 
conjunta, da prática clínica, epistemológica, ontológica e fenomenológica e, para o 
entendimento da dor, requeremos além das habilidades biomédicas básicas, reflexões 
de ordem filosófica. A filosofia do psiquismo é tão relevante quanto a reflexão da 
clínica médica (pesquisa pré clínica e clínica). 
 
Relações mente, corpo, dor, paciente como ser total 
Outro aspecto aberto às discussões reside no entendimento das relações 
mente/corpo, de capital importância para a interpretação do complexo das dores 
crônicas e do seu consequente sofrimento. Ainda segundo Cahana, é oportuna a 
explicação oferecida pela hipótese da sobreposição da mente e corpo, com referência 
de que a sobreposição de A sobre B significa que não pode haver diferença em A que 
não haja consequente correspondência em B. Se supusermos que uma pessoa esteja 
com dor (propriedade mental de estar e sentir dor), pelo princípio da sobreposição, 
alguma propriedade física da pessoa tem que ser assinalada (causar a dor). A dor 
sempre tem um substrato ou uma base para sobreposição. A sobreposição corpo e 
mente, conduz a ideia que a dor, portanto depende de um substrato neural. 
A relação/cérebro mente pode ser analisada na prática com alguns exemplos. 
Tomamos como primeiro a estranha e trágica história de Phineas Gage, revista 
magistralmente, com demonstrações científicas atuais, por Damásio AR, em O erro 
de Descartes, emoção, razão e o cérebro humano. 
12 
 
 
Trata-se da história de um jovem, de 25 anos, capataz da construção civil, inicialmente 
descrita de maneira detalhada pelo Dr. John Harlow que, em 1848, acompanhou o 
acontecimento, na qualidade de médico assistente. Em 15 de setembro de 1848 
Phineas Gage, trabalhador em construção de ferrovias, admirado pelos seus colegas, 
pela sua dedicação, inteligência e coragem, quando manuseava uma carga de pólvora 
para destruir rochas, durante a explosão foi acidentado por uma barra pontiaguda de 
ferro, a qual penetrou pela sua hemiface esquerda, trespassando-lhe a porção retro-
orbitária e o crânio, com perda de massa encefálica. 
Sobreviveu, sem déficits motores e da linguagem, mas apresentou profundas 
alterações da personalidade e do caráter, com "uma linguagem obscena, irreverência, 
indiferença, incapacidade de tomar decisões, com degradação da sua vida 
profissional e social". "Possivelmente, manifestação de lesão do lobo frontal, chamada 
moria". Alteração do humor e do caráter com aspecto hipomaníaco atípico, com 
características de expansividade, otimismo, que contrasta com seu estado mórbido, 
erotismo, piadas inoportunas, puerilidade, que pode ser sucedida por profunda 
depressão, chamado por Oppenhein de Witzelsucht. Hanna Damásio reconstituiu com 
moderna tecnologia radiológica, a partir do estudo de seu crânio, o tipo de lesão e a 
trajetória da barra de ferro. Concluiu por uma lesão perfurante do córtex pré-frontal 
bilateral. 
Outro exemplo é o verificado com as psicocirurgias, como a lobotomia pré-
frontal, proposta por Ègas Moniz (Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, juntamente 
com Walter Hess, 1947) e Almeida Lima, representada no cinema de forma impecável 
por Jack Nicholson e Lousie Fletcher (Oscar de melhor ator e melhor atriz, 
respectivamente, 1976), em Um estranho no ninho, de autoria de Ken Kesey e direção 
de Milos Forman. 
Existe uma falha para a explicação entre psiquismo e encéfalo, onde os fatos 
do mundo físico nunca explicam satisfatoriamente as experiências da consciência. 
Historicamente se discute em três eixos. Primeiro: a consciência simplesmente está 
lá. Duvidando disso, duvidamos da nossa existência. O que está indo na mente 
somente é definido e acessível para quem está experimentando o fato. 
Segundo: Eixo natural ou primitivo. A consciência será explicada claramente 
com o suporte da ciência. Há necessidade de conhecermos melhor o funcionamento 
do encéfalo, seu modelo computadorizado, as interações comportamentais e do meio 
ambiente. Terceiro: combinação envolvendo uma abordagem filosófico-científica, 
13 
 
 
admitindo que a solução esteja fora da ciência ortodoxa. Há necessidade da ciência 
cognitiva, de novos conceitos, modelos, técnicas experimentais, da associação entre 
a psicologia, neurobiologia e da filosofia, com base na experiência humana subjetiva, 
enfocando o ser total. 
O entendimento das bases teóricas das doenças não é suficiente para avaliar 
o doente (doente não é o mesmo que doença). A abordagem deve seguir o modelo 
biopsicossocial. Também dor e sofrimento não são o mesmo. Dor é representada pelo 
impulso nociceptivo, lesão prévia e inflamação. Sofrimento representa o significado 
que a dor tem no curso da doença, a incapacidade física, social e financeira. 
Existem variadas formas de compartilhar a dor, através das atividades motoras, 
expressões faciais, alterações posturais, respostasautonômicas e expressões 
paralinguísticas (como gemer, suspirar). Este conjunto representa a linguagem da dor. 
Na análise do impacto da dor crônica sobre o indivíduo, admite-se que haja a 
passagem pelos vários períodos, como descrito pela psiquiatra nascida na Suíça, 
Elisabeth Kübler Ross, em seu livro Sobre a morte e o morrer (14) onde, ao invés da 
morte, existe o sofrimento. O primeiro dos períodos identificados por Kübler Ross no 
processo de morte (sofrimento) é a negação, quando o paciente se recusa a aceitar 
que tem uma condição fatal (ou crônica). Depois se seguem a raiva, a negociação, a 
depressão e a aceitação de que a morte é inevitável (sofrimento). 
Os períodos, advertiu Kübler Ross, não se sucedem de forma ordenada e 
excludente, mas podem misturar-se, em particular durante o da negociação, quando 
o paciente pensa que caso se submeta a um determinado tratamento, ou se fizer dieta 
ou exercício, talvez possa reverter sua condição. O reconhecimento de que a 
negociação não é possível com a morte (sofrimento), frequentemente leva à quarta 
fase, que é a depressão. A etapa final é a aceitação, quando a pessoa reconhece sua 
mortalidade (seu sofrimento como tratável, não a proximidade do fim) e a proximidade 
do fim. 
Nas dores crônicas, teríamos na Fase I, comportamentos de negação, busca 
de tratamento, vulnerabilidade ao charlatanismo e métodos mágicos e não 
convencionais. Fase II, hostilidade, agressividade, litígios e abusos medicamentosos. 
Fase III, depressão, desespero, insônia, busca de tratamentos, não aceitação de 
ajuda pessoal e abuso de medicamentos. Fase IV, aceitação da incapacidade, 
permissão de uma abordagem realística no tratamento, podendo ser ajudado. 
14 
 
 
Assim é que foram descritos diferentes comportamentos dos pacientes com 
dores crônicas, reconhecidos como neurose da dor, os quais devem ser considerados 
no processo terapêutico, relatados a seguir: incapacidade física, depressão, 
ansiedade, visita a múltiplos médicos, utilização abusiva de drogas, dependência 
física e vícios de fármacos (principalmente de narcóticos), uso de tratamentos 
ineficientes ou potencialmente prejudiciais, incapacidade sócio-profissional, 
envolvimentos judiciais, aposentadoria forçada, prejuízos financeiros e nas relações 
sociais, culminando algumas vezes com a rejeição familiar e frequentemente pelo 
sistema de saúde. 
 
Quantificação da dor e comportamentos 
Existem alguns testes que buscam quantificar a dor, desde os mais simples, 
apenas quantificando a intensidade (unidimensionais), como as escala numérica de 0 
a 10 (0= sem dor, 10= pior dor possível), a Escala Visual Analógica (marcação sobre 
uma linha de 10 cm, desde sem dor, até a pior dor possível), e os mais complexos, 
multidimensionais quantificando os aspectos sensitivos discriminativos, afetivos 
motivacionais e cognitivos comportamentais (Questionário de McGill). São usados 
testes para avaliação de diferentes aspectos da personalidade e emocionais, dentre 
os quais temos os mais usados: de personalidade (MMPI), para a depressão (Teste 
de Hamilton, Teste de Becker), para qualidade de vida, e para avaliação dos 
mecanismos de enfrentamento. 
 
Conceitualização da perspectiva biopsicossocial 
A perspectiva biopsicossocial é um modelo mais heurístico, quando comparada 
com a perspectiva reducionista e simplista, do modelo dito biomédico. O primeiro 
avalia a interação complexa e dinâmica entre fatores fisiológicos, psicológicos e 
sociais, que perpetuam e pioram as manifestações clínicas. 
Ajuda a explicar a diversidade da expressão da dor ou da doença, incluindo a 
severidade, duração e consequências psicossociais. Segundo Flor e Hermann, pode-
se elaborar o seguinte fluxograma, explicativo para o modelo biopsicossocialda dor. 
 
 
 
 
15 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 
 
 
 
O âmbito da avaliação dos sintomas no modelo biopsicossocial, inclui uma 
ampla categoria de medidas física, psicológica e socioeconômica, consideradas as 
expressões dos sintomas, no conjunto correlacionado e interdependente, médico-
espiritual- psicológico-social. 
Transcreveremos algumas ideias e propostas relativas à conceituação e uma 
possível terapia das dores crônicas, resultantes da visão socioeconômica e 
16 
 
 
antropológica de Porto e Garrafa, intitulada "Bioética de intervenção”, a meu ver 
pertinentes ao exposto acima no presente artigo. 
O trabalho pretende "Legitimar na moralidade, na aplicação de valores éticos, 
uma perspectiva que envolva os aspectos sociais da produção das doenças". Seria 
uma colaboração criticada da bioética indicada para os países ditos periféricos, com 
especial atenção para o Brasil. O interessante, entre outras observações nesse 
trabalho, é referir como um marco teórico e conceitual, a corporeidade, sendo 
exatamente a dor e o prazer os indicadores da necessidade de intervenções éticas, 
não ficando com uma limitação de dimensão puramente fisiológica. 
Em qualquer sociedade o corpo é a matéria que constitui a pessoa a qual é a 
estruturação e o sustentáculo da vida social, funcionando a dor e o prazer como 
marcadores somáticos e como indicadores de intervenções. Como indicadores, 
refletem a satisfação de necessidades concretas, e a sua gradação reflete as 
condições sociais e econômicas a que os sujeitos estão submetidos. 
"Reconhecendo as necessidades e expectativas concretas dos seres 
humanos, ouvindo os ecos da dor e do prazer podemos usar instrumentos de 
mensuração para medir desigualdades entre sociedades". Comentam que o PIB 
(Produto Interno Bruto) e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) levam em 
consideração a pobreza, expectativa de vida e o grau de conhecimento acumulado, 
dependentes das condições econômicas individuais. 
As categorias de prazer e dor seriam utilizadas para definir o espectro das 
necessidades básicas da existência humana, escolha baseada na psiquiatria, 
psicologia, filosofia e economia. O medo, a força e a dor representariam situações 
marcantes nas relações entre explorados e exploradores, que legaliza o uso do poder, 
condicionando o comportamento das pessoas. 
Qualquer pacto social decorre, em última análise, do uso desses parâmetros 
que têm características sensoriais. Isso resultaria na percepção subjetiva, tendo como 
reflexo a dor e o sofrimento provocados pela insuficiência de recursos a que estão 
submetidas às pessoas de baixa renda. 
Essa é, portanto, uma abordagem humanizada das necessidades sociais, 
colocando dor e prazer como pontos referenciais, evidenciando que o pensamento 
popular, "o dinheiro não traz felicidade", é acertado e que a complementação "não 
traz, mas compra" é uma deturpação do comportamento racional, uma perversão do 
capitalismo selvagem e predatório. Foge da visão fria de economistas e dos políticos 
17 
 
 
com pouca ou nenhuma noção humanística, que infelizmente legislam e decidem os 
rumos do Brasil. 
Com relação à participação de alguns políticos, além do despreparo 
humanístico, devemos levar em conta que o povo brasileiro manifesta um traço de 
personalidade masoquista (prazer em sofrer e sentir dor), escolhendo personalidades 
sabidamente envolvidas em escândalos administrativos e financeiros, tendo também 
um espírito jocoso, com opções hilariantes, elegendo mesmo alguns especialistas no 
assunto, como comprovado pelos resultados eleitorais de uma forma geral. 
Além da complexidade em si do modelo biopsicossocial existem dificuldades 
na metodologia para a realização de estudos epidemiológicos nas dores crônicas. 
Seria devido às suas diferentes prevalências, das faixas etárias abordadas, de 
diferenças relativas ao sexo, fatores ambientais e profissionais, de fatores ligados à 
equipe de saúde (diferentes áreas de atuação e profissionais, analisando a mesma 
afecção). 
Outros fatores complicadores são apontados, como os aspectos emocionais 
não serem ainda adequadamentevalorizados nos estudos epidemiológicos, as 
diversidades dos desenhos dos estudos, nas etiologias, quanto às populações alvos 
e, principalmente, da falta de uma linguagem homogênea. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
 
 
 
 
 
4 DOR: O 5º SINAL VITAL 
 
Apesar de estudos despontarem com enfoque na mensuração e registro da dor 
pela equipe de saúde como uma intervenção imprescindível para a terapêutica, ainda 
existe grande dificuldade por parte dos profissionais na valorização da dor sofrida 
pelos indivíduos. 
Por ser a dor definida como uma experiência subjetiva e multidimensional cuja 
mensuração e manuseio dependem tanto da sensibilidade do profissional em 
percebê-la no sujeito com dor quanto da escolha de estratégias para alívio dos 
sintomas, o despreparo do profissional na identificação da dor ou a negligência do seu 
diagnóstico pode desqualificar o processo de cuidar. 
De modo que a dor não pode ser objetivada, mas como um evento orgânico, 
ela, assim como o peso corporal, a temperatura, a altura, a pressão sanguínea e o 
pulso, podem ser captados pela alteração dos dados vitais e outras alterações 
orgânicas. O paciente “sem dor” experimenta o bem-estar do equilíbrio sistêmico, que 
pode ser considerado uma experiência interna, complexa e pessoal. 
A despeito dessas dificuldades intrínsecas, por que mensurar a dor? A 
mensuração da dor é importante, pois torna possível ao profissional de saúde utilizar 
uma medida sobre a qual irá basear o tratamento ou a conduta terapêutica da dor, 
acertando na prescrição e determinando até o tempo de tratamento ou quando se 
deve interrompê-lo. 
A terapêutica que deve ser empregada para o alívio da dor e do sofrimento do 
paciente lhes permitindo um cuidado integral. 
É importante entender que assim como os demais sinais vitais, a dor traz um 
forte indício de desconforto e instabilidade capaz de desestabilizar os sinais vitais 
fisiológicos e consequentemente a hemodinâmica dos pacientes. Por isso, na 
utilização dos sinais vitais clássicos para o direcionamento do atendimento à saúde 
do paciente com dor, destacam-se os parâmetros fisiológicos como os mais 
19 
 
 
importantes a serem observados e registrados, para concomitantemente se explorar 
os sinais de dor. 
Apesar disso, pode-se constatar que a avaliação e controle da dor ainda não 
estão legitimados nas instituições de saúde; observa-se que apenas a mensuração 
dos sinais vitais clássicos faz parte da rotina de enfermagem enquanto que o registro 
da dor e seu manuseio permanecem exclusos dos protocolos de avaliação da situação 
de saúde do paciente oncológico. 
A herança/influência do positivismo é fortemente identificada na lógica de 
cuidar desses enfermeiros. A subjetividade que envolve a avaliação e o registro da 
dor parece obstaculizar o reconhecimento de sua importância como dado vital que 
merece ser valorizado e incluído no planejamento da assistência dos indivíduos, 
especialmente do paciente oncológico. 
Estes relatos ratificam a necessidade de capacitação permanente da equipe de 
enfermagem, bem como uma reestruturação na folha de registros do paciente, 
incluindo o 5º sinal vital – a dor. Assim, seria possível sua abordagem não como algo 
que evoca uma terapêutica complementar, nem como um elemento dissociado da 
hemodinâmica corpórea, mas como um sinal vital revelador do equilíbrio, conforto e 
bem-estar dos pacientes. 
Desse modo, garante-se que o cuidado e o conforto prestados ao paciente que 
está experimentando a dor, sejam tão básicos na prática de enfermagem quanto as 
intervenções utilizadas para estabilizar os outros sinais vitais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
 
 
 
 
 
 
5. MENSURAÇÃO DA DOR 
 
A mensuração da dor é extremamente importante no ambiente clínico, pois 
torna-seimpossível manipular um problema desta natureza sem ter uma medida sobre 
a qual basear otratamento ou a conduta terapêutica. Por ser uma experiência 
subjetiva, a dor não pode serobjetivamente determinada por instrumentos físicos que 
usualmente mensuram o peso corporal, atemperatura, a altura, a pressão sanguínea 
e o pulso. 
Assim, os instrumentos unidimensionais são designados para quantificar 
apenas aseveridade ou a intensidade da dor e têm sido usados frequentemente em 
hospitais e/ou clínicaspara se obterem informações rápidas, não invasivas e válidas 
sobre a dor e a analgesia. Exemplosdesses instrumentos são as escalas de categoria 
numérica/verbal e a escala analógico-visual, asquais são frequentemente 
empregadas por serem de aplicação fácil e rápida. 
Seu registro rotineiro, além de temperatura, pulsação, pressão arterial e 
respiração, constitui-se numa imprescindível responsabilidade clínica para minorar o 
sofrimento dos pacientes. O uso de escalas de mensuração de dor foi incorporado 
aos variados contextos clínicos, tornando-se, muitas delas, populares para os 
diferentes profissionais da saúde que as usam para mensurar a dor. 
A sensação de dor não pode ser objetivamente determinada por instrumentos 
físicos que, usualmente, mensuram diretamente o peso corporal, a temperatura, a 
altura, a pressão arterial e a pulsação. 
A mensuração da dor é extremamente importante no ambiente clínico, pois se 
torna impossível manipular um problema desta natureza sem ter uma medida sobre a 
qual basear o tratamento ou a conduta terapêutica. Sem tal medida, torna-se difícil 
determinar se um tratamento prescrito é necessário, eficaz ou, até mesmo, quando 
deve ser interrompido. 
21 
 
 
Com uma mensuração da dor apropriada, é possível determinar se os riscos 
de um dado tratamento superam os danos causados pelo problema clínico, conhecer 
qual é o melhor, o mais seguro, entre diferentes tipos de conduta terapêutica, e fazer 
um melhor acompanhamento e uma análise dos mecanismos de ação de diferentes 
drogas analgésicas. 
Alguns métodos usados para avaliar e mensurar a dor consideram-na como 
uma qualidade simples, única e unidimensional que varia apenas em intensidade, mas 
outros a entendem como uma experiência multidimensional composta por fatores 
afetivos, emocionais, cognitivos e motivacionais. Os instrumentos unidimensionais 
são designados para quantificar apenas a intensidade da dor e têm sido usados 
frequentemente em hospitais e/ou clínicas para se obterem informações rápidas, não 
invasivas e válidas sobre a dor e a analgesia. 
Os instrumentos multidimensionais, por outro lado, são empregados para 
avaliar as diferentes dimensões da dor. Algumas escalas multidimensionais incluem 
indicadores fisiológicos, comportamentais, contextuais e, também, os autorregistros 
por parte do paciente. 
Vários métodos têm sido utilizados paramensurar a percepção/sensação de 
dor. Algunsmétodos consideram a dor como umaqualidade simples, única e 
unidimensional quevaria apenas em intensidade, mas outros aconsideram como uma 
experiênciamultidimensional composta também por fatoresafetivo-emocionais. 
Os instrumentos unidimensionais sãodesignados para quantificar apenas 
aseveridade ou a intensidade da dor e têm sidousados frequentemente em hospitais 
e/ouclínicas para se obterem informações rápidas,não invasivas e válidas sobre a dor 
e aanalgesia. Exemplos desses instrumentos sãoas escalas de categoria 
numérica/verbal e aescala analógico-visual que sãofrequentemente empregadas em 
ambientesclínicos, por serem de aplicação fácil e rápida. 
Os instrumentos multidimensionais, deoutro lado, são empregados para avaliar 
emensurar as diferentes dimensões da dor apartir de diferentes indicadores de 
respostas esuas interações. As principais dimensõesavaliadas são as sensoriais, as 
afetivas e as avaliativas. Algumas escalas multidimensionaisincluem indicadores 
fisiológicos, comportamentais, contextuais e, também, osauto-registros por parte do 
paciente. 
Exemplos desses instrumentos são a escala dedescritores verbais diferenciais,o Questionário McGill de avaliação da dor e a teoria dadetecção do sinal. Com essas 
22 
 
 
escalas, torna-se possível avaliar a dor em suas múltiplasdimensões, ou seja, os 
componentessensoriais, afetivos e avaliativos que estãorefletidos na linguagem usada 
para descrevera experiência dolorosa. 
Em resumo, atualmente, a dor éconsiderada um sinal vital, tão 
importantequanto os outros e deve sempre ser avaliadanum ambiente clínico, para se 
empreender umtratamento ou conduta terapêutica. A eficáciado tratamento e o seu 
seguimento dependemde uma avaliação e mensuração da dorconfiável e válida. 
Dada essa ênfase namensuração e na avaliação da dor, entendemosque todas 
as escolas médicas e deenfermagem, bem como as de áreasparamédicas correlatas, 
deveriam,urgentemente, implementar, em suas estruturascurriculares, disciplinas ou 
cursos com opropósito de ensinar e disseminar o uso dessesinstrumentos e/ou 
escalas de avaliação emensuração da dor. 
 
Tabela 1 
 
 
Por que mensurar a dor? 
 
Figura 3 
23 
 
 
 
Por ser uma experiência subjetiva, a dornão pode ser objetivamente 
determinada porinstrumentos físicos que, usualmente, mensuram o peso corporal, a 
temperatura, aaltura, a pressão sanguínea e o pulso. Emoutras palavras, não existe 
um instrumentopadrão que permita a um observador externo,objetivamente, mensurar 
essa experiênciainterna, complexa e pessoal. 
A despeito dessas dificuldadesintrínsecas, por que mensurar a dor? 
Amensuração da dor é extremamente importanteno ambiente clínico, pois torna-se 
impossívelmanipular um problema dessa natureza semter uma medida sobre a qual 
basear otratamento ou a conduta terapêutica. Sem talmedida, torna-se difícil 
determinar se umtratamento é necessário, se o prescrito é eficazou mesmo quando 
deve ser interrompido. 
Com uma mensuração apropriada dador torna-se possível determinar se os 
riscosde um dado tratamento superam os danoscausados pelo problema clínico e, 
também,permite-se escolher qual é o melhor e o maisseguro entre diferentes tipos. 
Uma medidaeficaz da dor possibilita examinar a suanatureza, as suas origens e os 
seus correlatosclínicos em função das característicasemocionais, motivacionais, 
cognitivas e depersonalidade do cliente. 
Algumas vezes, apenas medidasgrosseiras, tais como “dor presente” ou 
“dorausente”, são necessárias para as intervençõesclínicas; mas, para 
completamente entender ofenômeno e avaliar a eficácia dessasintervenções, 
necessitamos de medidas maissofisticadas tanto da intensidade quanto dasrespostas 
afetivas associadas à dor. 
 
 
24 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. DIAGNÓSTICO DA DOR 
 
Alguns questionamentos são fundamentais na avaliação de um quadro 
doloroso: 
 
A dor é aguda ou crônica? 
Não há consenso na definição de dor aguda ou crônica, mas alguns autores 
definem a dor crônica como aquela que persiste além de um mês do curso usual de 
uma doença aguda ou aquela que é associada a doenças crônicas que levam a dor 
contínua ou recorrente em meses ou anos. 
 
A dor é adaptada ou mal adaptada ao quadro clínico do paciente? 
 A dor adaptada é um mecanismo de proteção e alerta do organismo. É 
consequência da ativação do sistema nociceptivo, decorrente de lesão tecidual 
somática ou visceral, fundamental para o processo de reparação e cicatrização. Em 
geral, correlaciona-se a dor adaptada ao conceito de dor aguda. 
Entretanto, a dor mal adaptada tem grande influência de fatores 
neurofisiológicos, psicológicos, cognitivos, comportamentais, sociais e familiares, que 
afetam tanto sua gênese quanto sua perpetuação. Há estreita relação da dor mal 
adaptada com dor crônica, sendo frequentemente desacompanhada de um estímulo 
nocivo ou de cicatrização de tecidos. A entidade “dor” deixa de ter a função biológica 
de alerta e, muitas vezes, pode ser encarada como uma doença por si só. 
 
A dor é nociceptiva, inflamatória, neuropática ou funcional? 
25 
 
 
Uma vez definida a dor como sendo aguda ou crônica e adaptada ou mal 
adaptada ao quadro clínico, devemos diferenciar naqueles quatro tipos já citados 
anteriormente, o que ajudará no diagnóstico diferencial e na escolha da terapêutica. 
 
Quais são as características da dor? 
A dor pode ser pulsátil, em peso, em pressão, em cólica, latejante, em 
queimação ou em “ferroada”. Pode também ter início súbito ou insidioso, além de 
poder ser intermitente ou persistente. As diferentes características da dor podem 
ajudar a restringir o leque de diagnósticos diferenciais, sendo também úteis na 
abordagem terapêutica. 
Qual a intensidade da dor? 
A dor é uma experiência sensorial subjetiva e, portanto, sua intensidade é 
variável para cada paciente. Logo, deve-se tomar cuidado em definir um diagnóstico 
ou atribuir gravidade apenas pela intensidade. Dessa forma, é errado deixar de 
valorizar uma dor pelo motivo de sua fraca intensidade. 
A avaliação da intensidade da dor é de fundamental importância para se saber 
qual o grau de incômodo ao paciente e para se avaliar a eficácia da terapêutica 
adotada. Para se avaliar uma sensação subjetiva mediante métodos objetivos foram 
criadas escalas de intensidade de dor. As escalas mais utilizadas são a numérica, que 
varia de zero (sem dor) a 10 (máximo de dor); a escala analógica visual, que consiste 
de uma linha cujos extremos correspondem ao mínimo e máximo de dor possível; a 
escala de cores; a escala de fácies de dor (muito útil em crianças); e a escala verbal 
(dor ausente, leve, moderada e intensa). 
 
A dor é somática ou referida? 
A dor pode estar relacionada ao local lesado ou pode ser referida. A dor referida 
ocorre devido à convergência de fibras aferentes de diversos tecidos na medula 
espinal. Esse é o mecanismo que explica a dificuldade em diferenciar uma isquemia 
miocárdica de um espasmo de esôfago, ou até mesmo explicar porque o infarto de 
miocárdio leva sensação dolorosa ao membro superior esquerdo, pescoço e 
mandíbula. Conhecer a existência e importância da dor referida pode auxiliar na 
formulação de diagnósticos diferenciais. 
 
Qual o estado psicológico do paciente? 
26 
 
 
Transtornos ansiosos e do humor podem interferir ou estar relacionados com a 
dor e são comuns em pacientes com dor crônica. O tratamento desses distúrbios pode 
ser de extrema valia no manejo da dor crônica. 
 
 
 
 
 
 
 
7. EXAME FÍSICO 
 
Como a dor é um sintoma, não há um exame físico específico para definirmos 
se o paciente tem ou não dor. Sinais indiretos podem ser indicativos de dor, como 
fácies de dor (franzir a testa, fechar os olhos), posição antálgica, taquicardia, 
hipertensão arterial e sudorese. Tais sinais podem estar ausentes em pacientes com 
dor crônica. 
A inspeção e a palpação das áreas dolorosas podem levar ao diagnóstico. A 
inspeção será útil principalmente em afecções dermatológicas, como por exemplo em 
celulites e erisipelas, quando houver Dor neuropática após infecção por herpes-zoster 
ou em áreas de cianose podendo indicar áreas de isquemia tecidual. 
Examinar com cuidado a área dolorosa ajudará a definir a topografia da doença 
envolvida. É importante saber, por exemplo, se a dor é superficial ou profunda ou se 
é articular ou óssea. É importante identificar limitações ao movimento, irradiações, 
situações de piora e posições antálgicas. 
O exame da área contralateral à da dor pode fornecer informações na avaliação 
da sensibilidade do paciente e ajuda a revelar alterações que levem ao diagnóstico, 
como cianose, hipertricose, assimetrias e outras alterações dermatológicas. 
 
 
 
 
 
 
27 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4 
 
 
 
 
Dor Aguda 
28 
 
 
O tratamento ideal para a dor aguda é remover a causa de base. Porém, nem 
sempre o alívio da dor será imediato após a causa de base ter sido corrigida. Outro 
conceito importante é o de que após melhora da dor com a terapêutica instituídaesta 
não deixará de ser um sinal de perigo, devendo ser investigada caso ainda não tenha 
sido esclarecida a causa. Vários agentes analgésicos podem ser utilizados no controle 
da dor aguda. Em situações de emergência e/ou casos de dores muito intensas, 
geralmente lança-se mão de medicamentos por via intravenosa; se isso for 
impossibilitado, podem-se empregar as vias intramuscular, subcutânea ou sublingual. 
Em dores de moderada ou fraca intensidade pode ser consideradas as vias oral e 
retal. 
 
As duas classes mais importantes de analgésicos no controle da dor agudam 
são os analgésicos opióides e os não-opióides; estes últimos incluem os 
antiinflamatórios não-hormonais (AINHs). Os analgésicos não-opióides são indicados 
para o tratamento da dor moderada ou fraca, e os antiinflamatórios podem ser 
utilizados, com grande eficácia, em dores do tipo inflamatório. Os agentes opióides 
são mais utilizados em quadros de dores moderadas ou intensas. 
 
 
Dor Crônica 
 
Figura 5 
 
 
29 
 
 
O tratamento da dor crônica é complexo, sendo muitas vezes necessário 
envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, 
terapeutas ocupacionais, psicólogos, entre outros. 
O tratamento das agudizações compreende os analgésicos não-opióides e 
opióides descritos anteriormente. Já o tratamento da dor crônica costuma envolver, 
além dos analgésicos opióides e não-opióides, o uso de medicações adjuvantes. 
O uso de analgésicos opióides e não opióides deve ser feito com critério na dor 
crônica. Em alguns casos, por exemplo, o uso de analgésicos não será efetivo, como 
é o caso da fibromialgia e outras doenças funcionais. O uso de analgésicos pode 
inclusive piorar o prognóstico em alguns casos, por exemplo, quando uma enxaqueca 
se torna uma cefaléia crônica devido ao abuso de analgésicos, ou quando o paciente 
torna-se dependente de opióides devido ao uso prolongado. No entanto, muitas vezes 
é necessário usar os analgésicos na dor crônica, como em casos de dor oncológica, 
dores neuropáticas intensas ou osteoartrose avançada. 
A escolha das medicações adjuvantes para o tratamento da dor crônica baseia-
se no tipo de dor e nas comorbidades do paciente. Uma dor crônica de padrão 
neuropático, por exemplo, costuma responder aos antidepressivos (principalmente os 
tricíclicos), ou anticonvulsivantes. Se a dor estiver associada a depressão, ansiedade 
ou insônia, os antidepressivos tricíclicos serão a droga de escolha. 
É muito importante investigar a coexistência de quadros depressivos 
associados à dor crônica, pois essa associação provavelmente diminuirá o limiar a dor 
do paciente. O tratamento com antidepressivos, neste caso, facilitará o tratamento da 
dor. 
 
Tratamento Não-farmacológico 
Existem várias técnicas não-farmacológicas para o tratamento da dor aguda ou 
crônica. Com exceção da termoterapia superficial em casos de lesão músculo-
esquelética não complicada, geralmente são indicadas por profissionais de saúde 
especializados no tratamento das síndromes dolorosas, como fisiatras, ortopedistas, 
reumatologistas, fisioterapeutas, neurologistas e outros profissionais habituados ao 
tratamento da dor. 
 
Termoterapia 
30 
 
 
A termoterapia poderá ser de adição (calor) ou de subtração (frio). A 
termoterapia por adição consiste do emprego de calor superficial ou profundo. O calor 
superficial pode ser obtido mediante compressas quentes, bolsa de água quente, 
tanque de turbilhão, tanque de Hubbard, forno de Bier ou radiação infravermelha. Já 
o calor profundo pode ser obtido mediante ultra-som, ondas curtas e microondas. 
A termoterapia por adição determina vasodilatação, melhora do metabolismo e 
da circulação local, aumento de fagocitose, aumento da flexibilidade dos tecidos 
moles, relaxamento muscular, analgesia e redução da rigidez articular. Com isso, 
obtêm-se remoção de substâncias angiogênicas, melhor oxigenação e nutrição 
tecidual favorecendo a cicatrização e reparação da área lesada. Está indicada quando 
se pretende alcançar diminuição da contratura muscular, diminuição da rigidez 
articular, em mialgias localizadas e/ou generalizadas, na resolução de hematomas e 
na analgesia em bursites, tenossinovites, fibrosites, fibromialgia, tromboflebites 
superficiais, distrofia simpático-reflexa e lombalgias. 
O calor local nunca deve ser utilizado em lesões músculo-esqueléticas agudas, 
pois pode aumentar a hemorragia e o edema no local. Nas primeiras 48 horas de uma 
lesão muscular aguda deve-se usar a crioterapia (descrita a seguir). 
Também não se deve usar calor local nas seguintes situações: processos 
inflamatórios agudos, hemorragia, alterações de coagulação, insensibilidade ao calor, 
obnubilação, comprometimento da regulação térmica (pelo uso de neurolépticos), 
áreas com insuficiência vascular ou isquêmica, pele atrófica, tecidos fibrosados, 
suspeita de tumoração maligna, regiões gonadais e gestação. 
Na termoterapia superficial, o calor é aplicado em períodos de até 30 minutos, 
sempre se evitando o calor excessivo, que poderá queimar a pele e piorar a área de 
lesão. 
Já a termoterapia profunda com o uso de ultra-som, ondas curtas e microondas 
deve ser sempre indicada por profissionais familiarizados com as diferentes técnicas. 
A crioterapia também é útil no tratamento das doenças músculo-esqueléticas, 
sendo particularmente útil nas primeiras 48 horas da lesão, pois levará à diminuição 
do edema formado e terá ação analgésica. Deve ser feita por períodos de, no máximo, 
20 minutos, evitando-se sempre o frio excessivo, que poderá levar a lesões de pele e 
nos nervos. Novas aplicações de 20 minutos podem ser realizadas uma vez por hora. 
A crioterapia é contra-indicada em pacientes com síndrome de Raynould, insuficiência 
vascular periférica, crioglobulinemia e urticária ao frio. 
31 
 
 
 
Acupuntura 
É um procedimento terapêutico da medicina tradicional chinesa. A analgesia 
decorreria de um mecanismo denominado contra-irritação, que é um processo no qual 
um estímulo nociceptivo em uma região do corpo alivia a dor em uma estrutura 
distante e/ou profunda, envolvendo para isso o controle inibitório nocivo difuso. No 
entanto, a medicina ocidental ainda não consegue explicar pela fisiopatologia grande 
parte dos efeitos da acupuntura. 
 
 
 
 
Cinesioterapia 
No tratamento não-farmacológico da dor, a cinesioterapia permite ganho e/ou 
manutenção de amplitude dos movimentos articulares, fortalecimento muscular, 
desbridamento de retrações teciduais, alongamento músculo-tendíneo global e 
localizado, estabilização da propriocepção e do equilíbrio, adequação da postura, 
aprimoramento da coordenação motora, melhora da capacidade aeróbica e da 
resistência à fadiga muscular. 
A cinesioterapia não deverá ser realizada na presença de neoplasia 
comprometendo a área a ser manipulada, deformidade óssea com rigidez articular, 
artrite inflamatória aguda, doença vascular e alterações degenerativas em estado 
avançado. 
 
Estimulação Elétrica 
Várias modalidades de terapêutica com estimulação elétrica podem ajudar no 
manejo da dor. Pode-se incluir a estimulação elétrica transcutânea, estimulação 
elétrica do nervo periférico, estimulação da medula espinal e estimulação intracerebral 
ou cerebral profunda (casos extremos). 
Na estimulação elétrica transcutânea, impulsos elétricos são liberados por meio 
de eletrodos na pele para as fibras nervosas. Seu mecanismo de ação é controverso. 
Acredita-se haver alteração nos sistemas de modulação da dor, com ativação do 
sistema supressor. Tem como principais indicações dor por desaferentação, artrite 
reumatóide, osteoartrose e síndrome miofascial. 
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Terapia Cognitivo-comportamental 
Envolve uma ampla variedade de habilidades e métodos de relaxamento, 
permitindo ao paciente preparar-se para a dor e suportá-la. Pode ser utilizada em 
pacientes com dor de origemoncológica. Visa modificar a experiência subjetiva do 
paciente permitindo que adquira habilidades cognitivas e comportamentais que lhe 
possibilitem lidar melhor com a dor. 
 
Técnicas Invasivas 
Devem ser indicadas e realizadas por profissionais especializados. As 
principais técnicas são a administração de opióides por via tecal, infiltração local de 
analgésicos, bloqueio neuronal e ablação cirúrgica de nervos, sendo geralmente 
indicadas para dores muito intensas e refratárias. 
A dor pode ser classificada em quatro tipos de acordo com a fisiopatologia: 
nociceptiva, inflamatória, neuropática e funcional. 
Tanto a dor nociceptiva quanto a inflamatória pode ser diferenciada em 
somática ou visceral. 
A Dor neuropática é resultado de lesões anatômicas do sistema nervoso, tendo 
como característica principal a dor em queimação ou “ferroada”. 
Fibromialgia, síndrome do intestino irritável, cefaléia tensional e algumas 
formas de dor torácica não-cardíaca são exemplos de dor funcional. 
Uma correta caracterização do quadro doloroso é fundamental para se 
estabelecer o diagnóstico diferencial e para se programar a abordagem terapêutica. 
Na tentativa de se avaliar objetivamente um sintoma que é subjetivo, foram 
criadas as escalas de dor, sendo uma das mais utilizadas a numérica, que gradua a 
intensidade em níveis variando de 0 a 10. 
Transtornos ansiosos e do humor podem interferir ou estar relacionados com a 
dor e são comuns em pacientes com dor crônica. 
Mais do que simplesmente tratar a dor, esta deve sempre ser considerada um 
sinal de alerta e ter sua causa esclarecida. 
Os opióides podem levar a tolerância, dependência ou adição, portanto o seu 
uso em casos de dor não oncológica deve ser criterioso. 
A meperidina é uma escolha menos apropriada do que a morfina, visto que, 
quando utilizada em repetidas doses, resulta em acúmulo de metabólitos tóxicos que 
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atuam no sistema nervoso central, podendo levar a convulsões e confusão mental, 
além de induzir dependência mais frequentemente que a morfina. 
Recomenda-se extrema cautela com o uso de opióides, principalmente os 
opióides fortes, iniciando-se sempre na menor dose possível e aumentando-se 
gradativamente até atingir o efeito analgésico adequado, sempre monitorando os 
efeitos colaterais, principalmente sonolência, depressão respiratória e hipotensão. 
O uso de analgésicos muitas vezes não é efetivo em casos de dor crônica, 
como é o caso da fibromialgia e outras doenças funcionais. O uso de analgésicos 
pode inclusive piorar o prognóstico em alguns casos, por exemplo, quando uma 
enxaqueca se torna uma cefaléia crônica devido ao abuso de analgésicos, ou quando 
o paciente se torna dependente de opióides devido ao uso prolongado. 
É importante investigar a coexistência de quadros depressivos associados a 
dor crônica, pois o tratamento com antidepressivos, neste caso, facilitará o tratamento 
da dor. 
Os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina, imipramina e 
clomipramina), são os mais usados no tratamento da dor crônica, sendo 
particularmente úteis em casos de cefaléia tensional, enxaqueca, fibromialgia e dores 
neropáticas. 
Os antidepressivos tricíclicos devem ser evitados em pacientes com história 
prévia de arritmias, distúrbio de condução no eletrocardiograma e com insuficiência 
cardíaca, pois podem aumentar o risco de arritmias nesses pacientes. 
Muitos anticonvulsivantes são úteis no tratamento de dor com características 
neuropáticas e na profilaxia de enxaqueca. 
Os beta-bloqueadores são as drogas de primeira escolha na profilaxia de 
enxaqueca, juntamente com os antidepressivos tricíclicos. 
O calor (superficial ou profundo) está indicado em contraturas musculares, 
rigidez articular, mialgias localizadas e/ou generalizadas, na resolução de hematomas 
e na analgesia em bursites, tenossinovites, fibrosites, fibromialgia, tromboflebites 
superficiais, distrofia simpático-reflexa e lombalgias. 
Nunca deve ser utilizado em lesões músculo-esqueléticas agudas, e deve ser 
evitado em processos inflamatórios agudos, hemorragia, alterações de coagulação, 
insensibilidade ao calor, obnubilação, comprometimento da regulação térmica (pelo 
uso de neurolépticos), em áreas com insuficiência vascular ou isquemia, pele atrófica, 
tecidos fibrosados, suspeita de tumoração maligna, regiões gonadais e gestação. 
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A crioterapia é útil no tratamento das doenças musculoesqueléticas, 
principalmente nas primeiras 48 horas da lesão, pois levará à diminuição do edema e 
terá ação analgésica. 
 
 
 
 
 
 
 
8. DIAGNÓSTICO DA INFLAMAÇÃO 
 
 O que é a inflamação? 
A inflamação é a resposta de proteção normal do corpo a uma lesão. Ocorre quando 
os nossos glóbulos brancos entram em ação para nos proteger de uma infeção, por 
exemplo de bactérias ou vírus. Também pode ocorrer quando o nosso corpo sofre 
uma lesão, por exemplo devido a um estiramento ao praticar desporto, 
frequentemente fica doloroso e inchado, devido à inflamação. 
 
 Quanto tempo dura a inflamação? 
A inflamação aguda é uma resposta imunitária que normalmente dura apenas alguns 
dias e é normalmente benéfica para a recuperação, apesar de ser muitas vezes 
acompanhada de sensações desagradáveis como comichão ou dor. 
Ocorre quando o sistema imunitário tenta proteger órgãos de infeções e lesões. O seu 
propósito é localizar e eliminar tecido danificado de forma que o corpo possa começar 
a recuperar. 
 
 Sintomas da inflamação 
Há cinco sinais, ou sintomas, que podem indicar uma inflamação aguda: vermelhidão, 
calor, inchaço, dor e disfunção, por exemplo ser difícil mover normalmente a zona 
afetada. Algumas inflamações podem ser menores, afetando apenas uma pequena 
área e irão recuperar por si, mas também podem ser generalizadas, dolorosas e 
requerer tratamento. 
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 Diagnóstico e tratamento 
Se a dor que sente for forte ou durar muito tempo deverá consultar um médico, que o 
examinará e provavelmente pedirá que faça análises ao sangue ou exames de 
imagiologia, tais como raios X, ressonâncias magnéticas ou tomografia 
computadorizada para apurar a causa da inflamação. O médico pode 
tambémrecomendar tratamento, tal como tomar anti-inflamatórios não-esteróides, que 
são usados para propósitos anti-inflamatórios e alívio da dor. 
 
 
 
 Quem promove a inflamação? 
A inflamação, é desencadeada mediante um estímulo. Esse estímulo é 
reconhecido por células locais, especialmente os macrófagos, que após serem 
ativados iniciam a produção de importantes substâncias, como as citocinas e as 
quimiocinas. 
As principais substâncias produzidas e presentes em um processo inflamatório 
agudo são IL-1, IL-6, TNF-alfa. Essas citocinas promovem diversas ações e eventos. 
Uma dessas ações visa aumentar o número de leucócitos que chegam ao local, e 
assim ocorre a vasodilatação, aumentando o fluxo sanguíneo e consequentemente os 
leucócitos. 
Ao serem liberadas, essas substâncias ativam células endoteliais a 
expressarem moléculas de adesão, as selectinas. Com isso, os leucócitos que estão 
circulando no sangue, principalmente os neutrófilos e monócitos, iniciam um processo 
de rolamento se ligando fracamente as selectinas. 
Em seguida, também por estímulo das citocinas, principalmente TNF e IL-1, o 
endotélio começa a expressar integrinas, e nessas moléculas de adesão os neutrófilos 
e monócitos em processo de rolamento se ligam fortemente, e após essa forte ligação 
inicia-se o processo de diapedese, que consiste na passagem de tais leucócitos do 
vaso sanguíneo para o tecido, passagem essa que ocorre por entre as células 
endoteliais. 
 
Alfa-1 Antitripsina 
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Também é uma proteína produzida pelo fígado. Sua função é inativar algumas 
enzimas liberadas durante os processos inflamatórios, como a elastase liberada pelos 
neutrófilos, de modo a reduzir o dano tecidual no organismo. 
Dessa forma,seus valores se elevam durante os processos inflamatórios e/ou 
infecciosos. 
Uma peculiaridade importante é que, se a alfa-1 antitripsina estiver abaixo do 
valor normal indica que a ação protetora que ela realiza está deficiente, e isso pode 
levar ao desenvolvimento de enfisema (por destruição da elastina no parênquima 
pulmonar), e doença hepática. 
 
 
 
Interleucina-6 
A interleucina-6 (IL-6), é uma substância muito conhecida nos processos 
inflamatórios, como conversamos anteriormente, sendo importantíssima na resposta 
imunológica desencadeada por infecções. Também está presente em diversas 
doenças autoimunes. 
Níveis elevados podem indicar a ocorrência de processos inflamatórios. 
 
Ferritina 
A ferritina é uma substância envolvida no armazenamento de ferro. Geralmente 
seus níveis são proporcionais à quantidade de ferro no organismo. 
Por ser uma proteína de fase aguda, em casos de inflamação ou infecção, ela 
se eleva. Porém, essa elevação não é proporcional à quantidade de ferro no 
organismo. 
Outra importante utilidade da ferritina é a pesquisa da causa entre os diversos 
tipos de anemia, pois se o paciente apresentar anemia e a dosagem de ferritina 
demonstrar valores abaixo do normal, a anemia pode ser decorrente de deficiência do 
ferro. 
 
Haptoglobina 
A haptoglobina, proteína produzida pelo fígado, possui como função retirar a 
hemoglobina livre do plasma. 
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Assim como as anteriores, é uma proteína de fase aguda, e em quadros 
inflamatórios como colite ulcerativa (uma doença inflamatória intestinal), infarto agudo 
do miocárdio, doenças reumáticas em fase aguda e em infecções, encontra-se 
elevada. 
A dosagem de haptoglobina é muito importante na pesquisa diagnóstica das 
anemias, pois quadros de anemia hemolítica podem provocar a redução de 
haptoglobina, devido ao aumento do consumo. 
 
Hepcidina 
A hepcidina é uma proteína muito importante na homeostase sistêmica do ferro, 
ou seja, é ela quem controla o ferro plasmático. Assim, em altas concentrações leva 
à redução do ferro plasmático, enquanto em concentrações reduzidas aumenta a 
concentração do ferro sérico. 
Essa ação se dá, pois, a hepcidina se liga à ferroportina – uma proteína 
presente na membrana de várias células como macrófagos, enterócitos e hepatócitos, 
sendo o poro por onde o ferro sai da célula -, e assim, quando a hepcidina se liga à 
ferroportina, ela impede a saída de ferro das células. 
Quando ocorrem processos inflamatórios e/ou infecciosos, as concentrações 
de hepcdina se elevam. A importância disso é que, maiores concentrações de 
hepcidina reduzem as concentrações de ferro, e assim, reduz a disponibilidade de 
ferro para microrganismos, reduzindo assim a virulência do patógeno e controlando a 
infecção. 
 
Procalcitonina 
A procalcitonina é um hormônio normalmente produzido pelas células C da 
tireoide, e que permanece dentro dessas células. 
Quando se têm processos inflamatórios extensos ou infecções sistêmicas, a 
procalcitonina passa a ser produzida por outras células como os macrófagos, e assim 
é liberada na circulação, e seus níveis são detectados pela dosagem sérica. 
Esse marcador tem sido considerado um importante marcador clínico, por ter 
maior especificidade às infecções bacterianas, e por diminuir rapidamente quando a 
infecção é controlada, o que favorece muito no acompanhamento da 
antibioticoterapia. 
É considerado também um marcador de prognóstico nas infecções sistêmicas. 
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Amiloide Sérico A 
Outra proteína de fase aguda, produzida pelo fígado, o amiloide sérico A é 
importantíssimo na resposta inflamatória, uma vez que estimula a expressão a 
liberação de diversas substâncias como IL-1 beta, IL-18 e o TNF-alfa (fator de necrose 
tumoral). 
Além desses estímulos, o amiloide sérico A realiza uma importante função de 
potencializar a opsonização de microrganismo, e assim induzir a fagocitose. 
Assim, como as demais proteínas de fase aguda, o amiloide sérico A se eleva 
em processos inflamatórios. 
 
 
 
Figura 6 
 
Diapedese. Nessa imagem vemos os polimorfonucleares, neutrófilos, migrando do vaso em 
direção ao tecido, passando através das células endoteliais. O terceiro neutrófilo (mais superior) está 
fagocitando microrganismos. Já o segundo neutrófilo está liberando substâncias no tecido. E o primeiro, 
ainda está no vaso sanguíneo. 
 
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Para que seja possível a diapedese, deve ocorra o aumento da permeabilidade, 
ou seja, aumento do espaço entre as células endoteliais. Porém, além das células, há 
passagem de outras substâncias. 
Os leucócitos ao chegarem no local onde há a presença de algum agente 
agressor ou lesão celular, iniciam sua atividade liberando mais citocinas e quimiocinas 
para amplificar a resposta. 
Tem-se o importante processo de fagocitose, o qual os leucócitos ali presentes 
englobam microrganismos ou tecidos lesados e os digerem por meio da liberação de 
substâncias tóxicas como óxido nítrico, espécies reativas de oxigênio e lisozimas. 
Os leucócitos também podem liberar suas substâncias no tecido de modo a 
combater os agentes ali presentes e com isso afetam tanto os microrganismos quanto 
o próprio tecido. 
 
 
 
Figura 7 
 
Processo de Fagocitose – Na imagem o processo de fagocitose por uma ameba – há a emissão 
de pseudópodes que englobam a bactéria, se fecham formando o fagossomo. Ocorre então a fusão do 
fagossomo com o lisossomo, formando o fagolisossoma, local onde ocorre a digestão da bactéria. E 
por fim, alguns resíduos são eliminados. 
 
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Após a destruição do agente agressor ou da digestão de algum tecido lesado 
(necrótico), há estímulo para a limpeza e regeneração do tecido, e a principal célula 
envolvida nesse processo é o macrófago. 
Conhecemos então, como se dá o processo de inflamação e algumas etapas 
importantes. Mas, diante de tantas alterações, é esperado que aconteçam muitas 
repercussões clínicas desse processo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONCLUSÃO 
 
É indiscutível a importância de se estabelecer a dor como 5º sinal vital, 
principalmente em oncologia, visto que o impacto da doença é global. A monitorização 
sistemática da dor mostra ser um recurso que facilita a comunicação entre a equipe 
de saúde e o paciente, colabora com a sobrevida e a QV do paciente e ainda reduz o 
seu período de permanência nas instituições hospitalares. 
Pode-se concluir que a dor interfere de forma negativa nas atividades da vida 
diária de um indivíduo, precisando de imediato entendê-la como sinal vital e intervir 
adequadamente. 
A enfermagem presta cuidados no manuseio da dor de modo limitado 
acarretando um gerenciamento inadequado do sintoma álgico e aquém da demanda 
dos pacientes. 
A maioria dos profissionais enfermeiros não domina o mecanismo do quadro 
doloroso, baseando-se em parâmetros comportamentais para a identificação da dor 
no paciente, em virtude do desconhecimento das escalas de mensuração da dor e 
também fundamentam as ações terapêuticas de enfermagem antiálgicas no modelo 
médico. Esses achados mostram a necessidade de instaurar processos educativos 
de forma emergencial para que os enfermeiros possam desenvolver uma qualificação 
periódica e atualizada de enfermagem oncológica para a problemática da dor. 
Em meio às reflexões, suscita-se ainda a proposta de uma reestruturação nos 
currículos de graduação do curso de enfermagem, incluindo a temática da dor e seus 
afins, com o propósito de subsidiar os estudantes no gerenciamento da dor no 
processo de cuidar. 
Reitera-se que o paciente necessita de acolhimento, apoio familiar e cuidado 
numa perspectiva ampla de intervenções de enfermagem, para que desenvolva 
estratégias de enfrentamento à doença, controle da dor e garanta seu bem-estar. 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS

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