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Fernanda Rodrigues DOR PSICOGÊNICA (NOCIPLÁSTICA) 1. Compreenda a dor psicogênica (nociplástica) Toda dor tem um componente emocional associado, o que varia é sua magnitude. A dor denominada psicogênica, porém, é uma condição inteiramente distinta, na qual não há substrato orgânico, sendo gerada por condições emocionais. A localização e a distribuição da dor causada primariamente por um distúrbio psicológico ou psiquiátrico geralmente não se encaixa nos padrões neuroanatômicos normais. Exemplos incluem a dor com distribuição de luva ou de estocadas, dor envolvendo todo o corpo ou várias dores dispersas por todo o corpo. A irradiação não segue dermátomos. Observado em distúrbios psicológicos como na depressão e ansiedade generalizada. Embora essa seja uma denominação comumente utilizada para dores sem patologia observável associada, certamente não é um fingimento ou causada inteiramente por processos misteriosos da mente do paciente. Mais frequentemente, é um comportamento de dor causado por fatores ambientais. Outros pacientes apresentam síndromes miofasciais ignoradas por seus médicos. O uso apropriado deste termo diagnóstico requer achados positivos que sugerem que processos mentais são a única causa da queixa do paciente. Esse não deve ser um diagnóstico de exclusão, quando não há achados físicos que expliquem os sintomas apresentados. Dor psicogênica é um tipo de dor em relação à origem, nesse caso, resultado da interação entre fatores físicos e psicológicos. Também conhecida como psicofisiológica, está muito ligada ao medo e a ansiedade, que tendem a tornar os neurônios mais sensíveis à dor por reduzirem os níveis das substâncias que modelam essa sensação. Em muitos casos o problema surge após a resolução da causa da dor, ou seja, o incômodo persiste, e muitas vezes se torna ainda mais intenso, apesar da sua origem já ter sido tratada. Para ser classificada como psicogênica, a dor não deve envolver nenhum mecanismo nociceptivo ou neuropático. Os sintomas psicológicos são suficientes para explicá-la, embora seu caráter subjetivo torne o diagnóstico mais complexo e demorado. 1 Fernanda Rodrigues Sendo assim, é necessária uma avaliação médica criteriosa de cada paciente com intuito de identificar a origem da dor. Nesses casos, os exames geralmente são inconclusivos e não demonstram nenhuma alteração física, não evidenciando enfermidade alguma. Um bom exemplo são pacientes que procuram o médico com queixas de dores no peito, mas não apresentam problemas fisiológicos no coração. Sintomas cardíacos são bastante comuns em pacientes fóbicos. Características da Dor Psicogênica: – Tende a ser uma dor difusa ou de localização imprecisa. – Algumas vezes, pode ser bem localizada, mas, nesse caso, sua topografia corresponde à da imagem corporal que o paciente tem da estrutura que julga doente. – Assim, se ele imagina ter um infarto do miocárdio, a área dolorida localiza-se no mamilo esquerdo e não na região retroesternal ou na face interna do braço esquerdo, como ocorre na dor por isquemia miocárdica. A dor psicológica causa uma dor física real, embora não esteja relacionada a alterações fisiológicas. Seria possível ao paciente com dor no coração identificar se é uma dor física ou se trata-se de apenas um sintoma psicológico? Infelizmente, não. A dor psicológica causa uma dor física real, embora não esteja relacionada a alterações fisiológicas. Geralmente, o sintoma tem similaridades com dores já experimentadas em outros momentos da vida, que retornam através da memória da dor causando episódios dolorosos repetitivos e intensos. Cada paciente descreve a sua dor de uma forma. Em sua maioria, queixam-se de dor austera e profunda, como uma facada. Outros dizem ter a sensação de que estão encostando feridas em ferro quente. Dentre as mais comuns, dor de cabeça, dor muscular, dor nas costas, dor no peito e dor no estômago são frequentemente diagnosticadas como dores psicogênicas. Se você tem histórico para esse tipo de dor, pode suspeitar sim que alguns sintomas possuem origem psicológica. Contudo, em todo caso, uma investigação é importante para descarte de possíveis alterações físicas envolvidas. Mecanismo da dor O mecanismo da dor psicogênica ainda é pouco compreendido, embora venha chamando a atenção de estudiosos. Acredita-se que fatores ambientais podem estar envolvidos, em especial aqueles relacionados a alterações do estado e da função do sistema nervoso. Até então é aceita a participação de uma combinação complexa de eventos envolvendo questões físicas e psicogênicas. 2 Fernanda Rodrigues No entanto, cada caso é único e deve ser avaliado de maneira individualizada. Situações particulares estão envolvidas com a iniciação dos sintomas e podem ser associadas às suas causas. Basta comparar as reações de diferentes indivíduos em circunstâncias similares. Talvez você sinta muita dor de cabeça quando passa por momentos estressantes, enquanto outros indivíduos descrevem dor no peito, por exemplo. Mais uma vez ressaltamos a importância da análise clínica de cada paciente. “A dor, por ser diretamente influenciada por fatores psicológicos, irá demandar um acompanhamento com equipe multidisciplinar, que deverá contar com um psicólogo ou um psiquiatra.” Tratamento para dor psicogênica Embora ainda se entenda pouco sobre o mecanismo por trás desse tipo de dor, e suas causas ainda não sejam conhecidas, existem diferentes opções terapêuticas capazes de ajudar pacientes que convivem com esse problema. O tratamento deve ser adequado às necessidades individuais de cada paciente com o objetivo de melhorar tanto sua saúde física como psicológica. Tratamento medicamentoso Alguns medicamentos podem ajudar no alívio da dor. O tratamento medicamentoso é importante para controlar possíveis complicações da dor psicogênica como insônia, ansiedade e depressão. Antidepressivos tricíclicos como a imipramina e os inibidores seletivos de serotonina e noradrenalina são os mais usados nesses casos. O uso de fármacos deve ser feito estritamente sob prescrição médica. A automedicação é contraindicada e pode trazer prejuízos à saúde. Psicoterapia Geralmente, a psicoterapia é o primeiro recurso terapêutico escolhido para combate a dor psicogênica. O tratamento é realizado por meio do diálogo entre o paciente e o terapeuta, que lança mão de diferentes ferramentas na tentativa de ajudar o indivíduo a compreender a si mesmo, seus sentimentos e comportamentos. Com a ajuda de um psicólogo, é possível se aproximar das causas da dor, tratar distúrbios psicológicos e eliminar sintomas que prejudicam a qualidade de vida do indivíduo. Técnicas de relaxamento Aquietar o corpo é um meio de aquietar também a mente. Hoje em dia muitas pessoas sentem dificuldades de relaxar. Aprender a assumir o controle de si mesmo é muito importante. As técnicas de relaxamento são uma excelente forma de lidar com a dor psicogênica. 3 Fernanda Rodrigues É preciso treino para controlar a respiração. Você não conseguirá fazer isso enquanto faz suas atividades diárias. Sendo assim, é necessário um momento específico, um tempo para que você possa acessar a sua mente e estimular o seu corpo a encontrar calmaria. Alguns profissionais podem te ajudar nesse sentido, em especial o terapeuta. Geralmente, músicas leves, chás, um ambiente confortável, massagens corporais são boas alternativas para você que deseja começar sozinho. Técnicas de meditação A meditação é o caminho para quem precisa desenvolver disciplina emocional, o que pode ajudar muitas pessoas que sofrem com dores psicogênicas. A técnica é super acessível e você pode optar por contar com a ajuda de um profissional ou mesmo fazer sozinho. Meditar é uma forma de aquietar a mente,lidar com o estresse do mundo e assumir o controle de si. Essa é uma excelente ferramenta para lidar com fatores que estejam nos influenciando negativamente. Os benefícios são muitos, melhora a concentração, a consciência, promove autodisciplina, relaxamento muscular e ajuda a focar a mente, propiciando o alcance de um estado de maior clareza mental. TENS Muito usada no tratamento dos mais diversos tipos de dores, a sigla TENS vem do inglês Transcutaneous electrical nerve stimulation, que significa neuroestimulação elétrica transcutânea, técnica baseada na teoria das comportas de dor. Sua principal finalidade é a analgesia, para a qual tem se mostrado bastante efetiva. O método é seguro, rápido e não invasivo. Além disso, pode ser usado para dores crônicas e agudas de diferentes origens, reduzindo a necessidade de uso de medicamentos, que poderiam vir a causar efeitos colaterais. Na prática, consiste na aplicação de impulsos elétricos na pele por meio de aparelhos específicos. A eletricidade ativa mecanismos internos de controle da dor, fazendo com que o sistema nervoso libera analgésicos naturais, ou bloqueando os sinais de dor enviados ao cérebro. O procedimento dura entre 20 a 40 minutos e pode ser realizado no consultório, não há necessidade de anestesia e os riscos de complicações são baixíssimos. A maioria dos pacientes apresenta ótimos resultados, ficando satisfeitos com o tratamento. Biofeedback O biofeedback também é muito usado no tratamento da dor psicogênica. A ideia é permitir que a pessoa desenvolva autorregulação, o que pode ser útil nos mais diversos distúrbios. 4 Fernanda Rodrigues O indivíduo aprende a regular suas reações fisiológicas e emocionais por meio de um treinamento que envolve conscientização e relaxamento, principalmente. Todo esse processo torna-se possível por meio da medição de processos biológicos como frequência cardíaca, pressão arterial, tensão muscular, atividade cerebral, entre outros. A partir dessa análise a percepção corporal do indivíduo é ampliada, o que permite não só o controle da dor psicogênica, mas alivia dores de cabeça, melhora a concentração e ajuda na prevenção de diversas doenças, inclusive de problemas no coração. Um aparelho sensível a tais processos fisiológicos é utilizado para amplificar cada resposta, convertendo-as em informações significativas, em sua maioria sinais visuais. São esses sinais que guiarão o paciente ao autocontrole. Fisioterapia A fisioterapia oferece diversos recursos para pacientes que sofrem com dor psicogênica. O tratamento exige uma avaliação completa do paciente para que se descubra quais são os instrumentos válidos para cada caso. Geralmente, conta-se com uma equipe multidisciplinar, o que traz uma abordagem mais abrangente. Além de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, o tratamento coopera para a reabilitação e controle dos sintomas. São muitas as vantagens e praticamente nulos os riscos de complicações. Deve-se, contudo, sempre respeitar os limites de cada um. A termoterapia, a eletroterapia, a cinesioterapia e as massagens são alguns dos recursos mais usados. Uma combinação deles pode ser indicada, potencializando os resultados do tratamento. REFERÊNCIA: – Onofre – Psicofisiologia da dor: uma revisão bibliográfica. 2. Sobre a Fibromialgia, discorra: a) Conceito. b) Etiologia. c) Fisiopatologia. d) Quadro clínico. e) Diagnóstico. f) Tratamento. 3. Sobre a Síndrome Dolorosa Miofascial, entenda: a) Conceito. b) Etiologia. c) Fisiopatologia. d) Quadro clínico. e) Diagnóstico. f) Tratamento. 4. Diferencie e entenda Tônus e Trofismo Muscular. 5. Discorra sobre a semiologia da dor. 5 Mecanismo da dor O mecanismo da dor psicogênica ainda é pouco compreendido, embora venha chamando a atenção de estudiosos. Tratamento para dor psicogênica Tratamento medicamentoso Psicoterapia Técnicas de relaxamento Técnicas de meditação TENS Biofeedback Fisioterapia