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Yoshi Oida: O Mestre do Teatro Invisível
Uma das coisas mais lindas que li sobre Yoshi Oida acredito que é uma reflexão que define bem sua pesquisa e trabalho. "Aqueles que não sabem ver a pequenez de sua própria grandeza não serão capazes de perceber a grandeza na pequenez dos outros" 
Biografia e Carreira
Yoshi Oida, renomado ator e diretor japonês, é uma figura emblemática no mundo do teatro, apesar de não ter muitas informações sobre sua vida, aqui está o máximo que consegui encontrar. 
Yoshi Oida é um carismático ator e diretor de teatro japonês, nascido em 26 de julho de 1933, em Kobe, Japão, Yoshi Oida construiu uma carreira notável, marcada por sua profunda conexão com a filosofia budista e a estética do Teatro Oriental. desde 1968 reside na França, onde recebeu as prestigiosas distinções culturais de Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres (1992) e Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres (2007). Ele é formado em filosofia pela Universidade Keio em Tóquio. Em 1968, por recomendação de Jean-Louis Barrault, ele se encontrou com o diretor de teatro de renome mundial Peter Brook. O que se tornaria uma grande amizade até os últimos dias de vida de Brook, Em entrevista Peter Brook diz " O que eu e Oida estavam buscando, não é perceptível ao olhos, é algo que só pode ser sentido, nem visto e nem tocado, apenas sentido", em São Paulo em 1999, sua primeira vinda ao Brasil, em entrevista Oida disse sobre o amigo Peter " É a união de uma busca em comum, construída através dos tempos. Fazer teatro com ele é tentar buscar o mistério, a beleza e, por vezes, a violência. Quando começamos a trabalhar juntos, o desejo era criar e não só imitar algo". Ele trabalhou como ator em muitas das encenações de Brook em vários países da Europa e América, incluindo "Orghast de Ted Hughes", "Conference of Birds" de John Heilfern, "The IKS" após um livro de Colin Turnbull, "Mahabharata" adaptado por Jean-Claude Carriere, "The Man Who Mistook His Wife for a Hat" após um livro de Oliver Sacks, o experimento teatral de Peter Brook "Qui est la? (Who's There)" e "Tierno Bokar". Oida também trabalhou com outros diretores – com Jossy Wieler em Yotsuya Kaidan (O Fantasma de Yotsuya) de Tsuruya Nanboku e com Simon McBurny em Shun Kin de Junichiro Tanizaki. Ele também atuou em muitos filmes, dos quais o mais famoso é Mahabharata de Brook. O filme The Pillow Book, dirigido por Peter Greenaway, foi exibido no festival em Cannes. The Eyes of Asia, dirigido por JM Grilo, foi exibido na competição em Locarno, enquanto Felice, dirigido por Peter Delpeut, foi selecionado para o Festival de Roterdã. Autumn Flowers, dirigido por Shunshuke Ikehata, recebeu o Grande Prêmio no Festival Bénodet na França, e por sua atuação Oida ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante Masculino na Competição Mainichi. Também são importantes seus escritos, que refletem sua profissão como ator: os livros An Actor Adrift (1992), The Invisible Actor (1998) e An Actor's Tricks (2008) foram publicados em muitas traduções. Desde 1975, ele se dedica também à direção teatral. Suas produções são dadas por teatros e festivais de prestígio, como o Burgtheater em Viena, o Théâtre des Bouffes du Nord em Paris, o Schaubühne de Berlim e os festivais em Aldeburgh (Grã-Bretanha), Bregenz (Áustria) e Aix-En-Provence (França). Além de muitos textos japoneses, ele encenou inúmeras obras de escritores europeus - por exemplo, a Divina Comédia de Dante em sua própria adaptação, End Game de Samuel Beckett, Molly Sweeney do dramaturgo irlandês Brian Friel, The Misunderstanding de Albert Camus e Autumn Dream de Jon Fosse. Ele tratou de muitas obras dramáticas em apresentações de dança: sua adaptação para balé da peça The Maids, de Jean Genet, ganhou o prestigioso prêmio Time Out como o Melhor Espetáculo de Dança em Londres em 2002. Ele criou encenações de uma série inteira de obras musicais, por exemplo, Das Lied von der Erde, de Gustav Mahler, com arranjo de Arnold Schönberg, e Die Winterreise, de Franz Schubert. Ele também encenou várias óperas, como Curlew River e Death in Venice, de Benjamin Britten, The Nightingale, de Igor Stravinsky, The Village of the Wolf Club, de Guo Wenjing, Opéra: Alex Langer, de Giovanni Verrando,Ópera de câmara La Frontiere de Philippe Manoury e Nabucco de Verdi.
Sobre seu livro "O Ator Invisível". 
Em seu livro "O Ator Invisível", Yoshi Oida compartilha suas reflexões sobre a arte da atuação, enfatizando a importância da simplicidade, da pausa eloquente e da conexão com o corpo e a voz. Esta obra é um testemunho de sua busca pela essência do teatro, onde o ator se torna um canal para a expressão da alma.
O livro foi escrito com a colaboração de Lorna Marshall.
Esse livro não é uma “receita de bolo” para o sucesso e soluções da atuação, mas sim um convite à reflexão. São apresentadas questões, sugestões, histórias e exercícios a fim de aprofundar a arte da atuação.
Logo na introdução, Yoshi vai defender a ideia do ator “invisível”. Segundo ele, interpretar não está ligado ao exibicionismo formal ou ao virtuosismo técnico, mas sim ao revelar sensitivo de “algo a mais”, algo que não se encontra na vida cotidiana. É preciso que o público “esqueça” o ator, mergulhe no mundo e na vida que seu corpo e arte criam no palco
Seguindo a tradição oriental de um olhar ritualístico para o fazer teatral, o livro começa defendendo a limpeza do ambiente. Mas não qualquer limpeza!
Através do conceito de samadhi (estado de concentração plena e profunda da filosofia budista indiana), buscar concentração total nos movimentos e nas ações do aqui e agora (momento presente), apoiados pela energia do universo além da nossa energia pessoal.
Então limpar não se trata apenas de uma preparação do espaço, mas de assegurar o corpo em um estado de prontidão. Sendo portanto, parte integral do próprio treinamento.
Além de cuidar do espaço, Oida propõe o cuidado com o corpo, e segundo a tradição japonesa, de seus 9 orifícios: dois olhos, duas narinas, duas orelhas, uma boca, um para passagem de água e um para defecação; “todas as áreas precisam de atenção"
Outras áreas importantes que merecem atenção de acordo com Oida é a coluna vertebral, pois com a coluna ativa ficamos mais sensíveis e despertos; o Hara (centro de gravidade do corpo humano, abaixo do umbigo), considerado também o centro da força da personalidade, da saúde, da energia, da integridade, e o sentido de conexão com o mundo e o universo; e as mãos, que têm pontos que funcionam como “canais que conectam o centro energético ao mundo exterior”.
Considerando essencial aprender a geografia do corpo humano, o estudo do movimento é proposto a partir da exploração de níveis e possibilidades de padrões de movimentação para atingir uma consciência desperta do corpo e de suas capacidades para o trabalho artístico interior. “Cada minúsculo detalhe do corpo corresponde a uma diferente realidade interior”.
Através de técnicas do teatro nô, como por exemplo o JO-HA-KYU (progressão rítmica), Yoshi propõe a busca de uma estrutura de espaço e tempo-ritmo teatral que seja real, evitando que as ações em cena fiquem ‘frouxas’. Relação com outros atores, a fim de se explorar reação, sintonia e troca viva no palco; e na relação com o público, “sentir o público” em uma relação complementar de equilíbrio ligada à ideia de Yin/Yang, percebendo-o e jogando com ele para a criação no palco.
Prêmios e Reconhecimento
Yoshi Oida recebeu diversos prêmios e honrarias, incluindo:
- Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres (1992)
- Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres (2007)
- Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante Masculino
Conclusão
Yoshi Oida é um mestre do teatro, cuja contribuição ao mundo da arte é inestimável. Sua jornada, marcada pela busca da perfeição e pela conexão com a espiritualidade, inspira gerações de atores e diretores. "O Ator Invisível" é um legado de sua sabedoria, convidando-nos a explorar as profundezas da arte teatral