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Dermatologia em pequenos animais Abordagem sistemática para casos dermatológicos 1. Identificação do problema 2. Diagnostico diferencial 3. Exames complementares 4. Plano terapêutico 5. Acompanhamento e reavaliação Particularidades 1. Localização das lesões 2. Aspectos das lesões 3. Prurido presente? 4. Exames complementares necessários Tipos de dermatopatias 1. Dermatopatias parasitárias 2. ¨¨ fúngicas 3. ¨¨ endócrinas 4. ¨¨ nutricionais 5. ¨¨ auto-imunes Anamnese: início do problema? Prurido? Se houver, ele aparece em momentos de atividades básicas? Lesões antes ou depois? Tratamentos anteriores Exame físico: lesões primárias e secundárias; localização e distribuição das lesões; verificar a qualidade da pele e pelos. Diagnostico diferencial: ordem de probabilidade → exames auxiliares → avaliar as principais suspeitas → exames mais complexos → tratamento Localização das lesões Distribuição das lesões pode indicar doenças, importe descrever detalhadamente. Lesões generalizadas: problemas sistêmicos Lesões localizadas: problemas específicos Padrões de lesões: dermatopatias especificas Exames complementares Raspado de pele → identificar parasitas Cultura bacteriana → infecções bacterianas Citologia → analisa células de pele Biópsia → diagnóstico preciso Tricograma Testes alérgicos Testes hormonais Abordagem do prurido 1. Identificação do paciente - raça, idade 2. Qual a idade de aparecimento do prurido? Há lesões associadas? Como são os aspectos das lesões? O que apareceu primeiro: a coceira ou a ferida? 3. Qual a intensidade do prurido? (utilizar uma escala como padrão) 4. Quais são as áreas do corpo afetadas? Lambe as patas? Esfrega o rosto no chão? 5. A quais tratamentos o animal já foi submetido? Qual foi a resposta a cada terapia? 6. Como é o ambiente em que o animal vive? Houve alguma mudança ambiental recentemente? Convive com outros animais? Há algum outro animal apresentando sinais dermatológicos? 7. A que dieta o animal é submetido? 8. Há alguma outra alteração ou problema associado? Terapêutica em dermatologia Tratamento sistêmico: antiparasitários, antibióticos, imunomoduladores Tratamento tópico: shampoos, cremes, pomadas Terapia adjuvante: dietas, suplementação, cuidados com a pele DEMODICOSE Doença parasitária inflamatória ocasionada por ácaros demodécicos, o Demodex. Caracterizada pelo aumento no numero de ácaros nos folículos pilosos e na epiderme, causando furunculose e infecção bacteriana secundária. A proliferação inicial pode ser resultado de um distúrbio genético ou imunológico como doenças imunossupressoras e metabólicas. Em cães não tem caráter infectocontagioso. Pode ser localizada ou generalizada. Cães: Demodex canis (folicular, encontrado na pele do animal, transmite ao neonato em 2-3 dias de aleitamento), Demodex injai (encontrado na unidade pilossebacea, mais agudo e grave), Demodex cornei (córnea da epiderme) Gatos: D. gatoi (potencialmente contagioso e associado a dermatite pruriginosa), D. cati (esses são associados a doenças imunossupressoras e metabólicas) Raça(s) Predominante(s) • Incidência elevada em potencial nos gatos das raças Siamês e Birmanês. • West Highland White terrier e Fox terrier de pelo duro - dermatite seborreica oleosa associada ao D. injai. Idade Média e Faixa Etária • Localizada — geralmente em cães jovens; idade média de 3-6 meses. • Generalizada — tanto animais jovens como idosos. • Não há dados coletados para o gato Sinais clínicos Eritema, descamação, alopecia, pápulas, pústulas, crostas, seborreia, prurido (ausente ou não), piodermite secundária, pododermatite, hiperpigmentação. Inicialmente o local das lesões é a face, especialmente nas áreas peribucais e perioculares, além dos membros anteriores. À medida que os folículos pilosos se distendem com uma grande quantidade de ácaros, as infecções bacterianas secundárias passam a ser comuns, resultando muitas vezes em ruptura do folículo (furunculose). Com a evolução da sarna, a pele pode ficar gravemente inflamada, exsudativa e granulomatosa. D. injai pode estar associado a uma dermatite seborreica oleosa do tronco dorsal, além de comedões, eritema, alopecia e hiperpigmentação. Em gatos ocorre mais o prurido e também se relata otite externa ceruminosa. Diagnóstico diferencial Cães: 1. Foliculite/furuncolose bacteriana 2. Dermatofitose 3. Dermatite de contato 4. Complexo pênfigo 5. Dermatomiosite 6. Lúpus eritematoso sistêmico Gatos: 1. Dermatite alégica 2. Escabiose felina (sarna notoédrica) 3. Dermatofitose 4. Dermatite psicogênica Diagnóstico • Raspado cutâneo profundo • Imprint com fita adesiva Tratamento • Milbemicina (0,5 mg/Kg SID/BID) • Ivermectina (0,4-0,6 mg/Kg SID)****** • Fluralaner (Bravecto) (25 - 56 mg / kg a cada 12 semanas) • Sarolaner (Simparic) (2mg/kg a cada 28 dias) • Moxidectina (Advocate) 200 mcg / kg - SC – 7 a 15 dias ou 400 mcg / kg / VO/ SID • Cefalexina (22 mg/Kg/ BID/TID) • TRATAMENTO TÓPICO ESCABIOSE CANINA Conhecida como sarna sarcóptica ou sarna vermelha. Sem predisposição de estação de ano. Doença cutânea parasitaria, altamente contagiosa, provocada por ácaros Sarcoptes scabiei var. canis. ZOONOSE Sua transmissão é direta ou indireta. Fisiopatologia: os ácaros cavam túneis (escavador) através do estrato córneo e provocam prurido intenso por intenso por irritação mecânica, bem como pela produção de subs. Irritantes e alergênicas, causando reação de hipersensibilidade. Prurido passageiro em outras espécies de hospedeiros contactantes (gatos, seres humanos) Causas e fatores de risco • Exposição a cães infectados 2-6 semanas antes do desenvolvimento dos sintomas. • Contato estreito com outros cães, sobretudo nos abrigos para animais, canis de hospedagem, tosadores, parques de cães e consultórios veterinários. Sinais clínicos A escabiose canina é uma doença não sazonal, de prurido intenso, que responde apenas variavelmente aos corticosteroides. As lesões incluem alopecia, pápulas, eritema, crostas e escoriações. Inicialmente, as áreas que apresentam rarefação pilosa (áreas glabras) estão envolvidas, como jarrete, cotovelos (articulações URU), margens do pavilhão auricular e região ventral do abdome e tórax. Com a cronicidade, as lesões podem se disseminar pelo corpo, porém, geralmente, o dorso é poupado. Linfoadenomegalia periférica está presente. Perda de peso secundária pode ocorrer. Cães com elevada infestação podem desenvolver escamação e crostas graves. Alguns cães podem apresentar prurido intenso, com lesões de pele mínimas ou ausentes. Diagnóstico diferencial 1. Hipersensibilidade (alimento, atopia, saliva de pulga) 2. Dermatite por Malassezia 3. Piodermite 4. Sarna demodécica 5. Dermatofitose 6. Dermatite de contato Métodos diagnósticos • Reposta ao tratamento escabicida • Sorologia (Elisa): igG contra antígenos do sarcoptes • Reflexo otopodal: friccionar a margem da orelha desencadeando o reflexo de coceira (positivo pra escabiose em 80% dos casos) • Parasitológicos por raspado cutâneos: resultados falso-negativos podem ocorrer Tratamento 1. Cães acometidos e todos os seus contactantes devem ser tratados com um acaricida. A falha em tratar todos os cães resultam em reinfecção e prurido persistente. 2. Qualquer piodermite secundária deve ser tratada com antibióticos sistêmicos apropriados por longo prazo (mínimo de três a quatro semanas), os quais devem ser continuados por pelo menos uma semana após o início da resolução clínica da piodermite. 3. A terapia tópica usando um xampu antimicrobiano a cada três a sete dias pode ajudar a acelerar a resolução e pode melhorar o tratamento acaricida. 4. Os tratamentos sistêmicos são mais eficazes devido a uma dosagemmais precisa e uma melhor aquiescência pelo proprietário. Os tratamentos sistêmicos eficazes são os seguintes: • Sarolaner (Simparic) (2 a 4 mg/kg a cada 28 dias) – cão • Moxidectina (Advocate) VO ou SC – 200 a 250 mcg / kg 1x por semana de 3-6 semanas – cão • Milbemicina oxima (Interceptor®) - 0,75mg/kg/24h/30dias- 2mg/kg/ a cd 7 dias/ 21 dias - cão • Selamectina (Revolution®) - 6-12mg/kg/1 ou 2 aplicações/ a cd 30 dias • Fipronil spray → 3 aplicações a cd 2 semanas - (filhotes e cadelas prenhes) • Deltametrina (Escabin® xampu): 1 banho a cada 2 dias/ H2O morna ESCABIOSE FELINA Sarna notoédrica. Dermatopatia parasitária altamente contagiosa não sazonal com prurido intenso em gatos causa pelo ácaro Notoedris cati. Sinais clínicos • Prurido intenso • Arrastamento de períneo no chão (forma crônica) • Lesões pruriginosas, crostas, secas e alopécicas • Inicialmente: pavilhão auricular e região da face, cabeça e pescoço. • Crostas amarelas bem aderentes. Pele queratótica e liquenificada • Crônica: acomete pés, períneo Diagnostico diferencial 1. Atopia 2. Alergia alimentar 3. Foliculite bacteriana 4. Dermatofitose 5. Demodicose 6. Dermatite por malassezia 7. Trombiculose (bichos-de-pé) 8. Dermatite otodécica 9. Pênfigo foliáceo ou eritematoso 10. Lúpus eritematoso sistêmico Tratamento Tratamento com acaricidas Banhar o animal com xampu antisseborreico leve para dissolver as crostas, após uso de polissulfato d enxofre de 2% a 3%, a cada sete dias até os parasitológicos derem negativos para presença do ácaro e até que as lesões estejam resolvidas (aproximadadamente, 4 a 8 semanas) Terapias alternativas: ivermectina 0,2 a 0,3mg/kg (VO ou SC), por semana, 4 aplicações totais Doramectina 0,2 a 0,3 mg/kg, por via oral ou subcutânea, a cada 1 ou 2 semanas, 4 aplicações. DERMATITE POR MALASSEZIA Malassezia pachydermatis. Levedura; comensal normal da pele, das orelhas e das regiões mucocutâneas; pode se proliferar e causar dermatite, quelite e otite em cães e gatos (para esses são raros). Podem ser relacionadas a alergia, condições seborreicas e fatores congênitos e hormonais, além do uso prolongado de corticosteroides. Em gatos, é ocasionada secundária a doenças subjacentes como fiv, diabetes mellito, neoplasia interna. Raças predispostas em cães: West Highland White terrier, Dachshunds, Setter inglês, Basset hound, Cocker spaniel americano e Pastor alemão. Sinais clínicos Locais de lesões: pescoço (face ventral), virilha, axilas, pele interdigital e áreas intertriginosas • Otite externa • Eritema • Alopecia regional ou generalizada • Crostas • Exsudato gorduroso (seborreia) • Prurido moderado a grave • Odor corpóreo desagradavel Diagnósticos diferenciais Sarna demodécica, piodermite superficial, dermatofitose, ectoparasitos e alergopatias Métodos diagnósticos • Citologia (fita adesiva, esfregaço por impressão) • Cultura fúngica • Testes alérgicos: demonstram hipersensibilidade a malassezia Tratamento Corrigir causa subjacente • Shampoo a cd 2-3 dias - Miconazol 2% + Clorexidine 3% - Cetoconazol 1% + clorexidine 2% - Sulfato de Selênio 1% (ceratolítico, desengordurante) - Ácido acético (vinagre branco + água 1:1) SISTÊMICO • Itraconazol: - 5-10 mg/Kg/SID/VO • Cetoconazol 10mg/Kg/SID/VO DERMATOFITOSE Infecção fúngica cutânea que acomete as regiões cornificadas dos pelos, das unhas, e ocasionalmente, das camadas superficiais da pele. Acomete cães e gatos (principalmente os de pelo longo). ZOONOSE Microsporum canis, Trichophyton mentagrophytes e M. gypseum A exposição a um dermatófitos ou o contato com esse microrganismo não resultam necessariamente em infecção. A infecção pode não culminar em sinais clínicos. Dermatófitos — crescem nas camadas queratinizadas dos pelos, das unhas e da pele; não se desenvolvem no tecido vivo ou persistem na presença de inflamação grave; período de incubação: 1-4 semanas. A transmissão pode ocorrer pelo contato direto com o ambiente contaminado, com animais e humanos doentes ou portadores. A transmissão através do contato indireto com objetos contaminados como escovas, coleiras, arreios, cobertores, camas entre outros, também pode ocorrer. Sinais clínicos Em cães: lesão plana com alopecia circular, descamação, pelos quebradiços, pápulas e algumas vezes pústulas e exsudação que podem evoluir para crostas e hiperpigmentação focal ou multifocal. Podem apresentar prurido e lesões nodulares elevadas e espessas (querión) Em gatos: lesões de alopecia circular. Fatores predisponentes • Imunocomprometimento • Fiv, felv • Densidade populacional elevada • Nutrição ineficiente Diagnostico diferencial Gatos: dermatite alérgica e outras dermatoses Cães: foliculite bacteriana, Demodicose Métodos diagnósticos • Exame com lâmpada de Wood: uma reação positiva consiste na fluorescência de coloração verde-maçã na haste pilosa. • Cultivo micológico (melhor método) • Tricograma • Histopatologia Tratamento • Tricotomia da área e colar elizabetano • Xampus/ Rinses: a cd 3- 5 dias Clorexidine 3- 4% • Miconazol 2% • Enilconazol 0,2% • Enxofre 2% • Clotrimazol 1% • Cremes/ Loções/ sprays usados na lesão: BID Tratamento sistêmico • Griseofulvina 25- 60mg/Kg BID***** (4-10 semanas) • Cetoconazol 10mg/kg/vo SID (4-8 semanas) • Itraconazol 10mg/kg/vo BID (4-8 semanas) • Fluconazol 10- 20mg /kg/vo BID 50mg/gato • Lufenuron 60mg /kg/vo dose única ESPOROTRICOSE Doença fúngica zoonótica que pode acometer o tegumento, vasos linfáticos ou ser generalizada. Atinge baço, tecido ósseo. ZOONOSE Provocada pelo fungo dimórfico ubíquo Sporothrix schenkii, via inoculação direta. Pode acometer cães e gatos, além de humano, equinos e bovinos. Sua transmissão pode ser por mordedura, arranhadura. Para o sporothrix entrar na pele precisa de um trauma (porta de entrada). Vírus fica na cavidade oral. Sinais clínicos Forma cutânea: inicialmente, aparecem como feridas ou abscessos, encontrados na cabeça, tronco, pavilhão auricular, região lombar ou na parte distal dos membros. Forma cutaneolinfática: formação de novos nódulos (firmes; não pruriginosos) e trajetos drenantes ou crostas, com linfadenopatia Forma disseminada: mal-estar e febre, pode envolver manifestações neurológicas, oculares e ósseas com taxa de óbito elevado. Diagnóstico diferencial • Processos infecciosos como doenças bacterianas e fúngicas que se apresentam com nódulos e trajetos drenantes (criptococose, blastomicose, lepra felina, Histoplasmose) • Neoplasias • Infecção por parasitas – Demodex ou Pelodera. Métodos diagnósticos • Citologia de exsudatos • PAAF (punção aspirativa por agulha fina) • Histopatologia Tratamento • Cetoconazol • Itraconazol!!! • Fluconazol • Terbinafina • Iodeto de potássio DAPE / DAPP Dermatite alérgica a picada de pulga ou ectoparasita A alergia é causada pela saliva da pulga; ela possui anticoagulante, com 15 proteínas diferentes. Ela se manifesta por hipersensibilidade imediata e tardia, quando o animal ainda se coça, mesmo após semanas do contato com a pulga. Maioria dos animais tem as duas respostas em conjunto. Sinais clínicos • Prurido exarcebado (acima de 7/10) • Alopecia, hiperpigmentação Aguda – eritematoso Crônica – escurecida • Pápulas (comum em picadas de insetos) e pústulas (infecções secundárias) • Hiperqueratose e Liquenificação Lesão primária: dermatite papular Lesões secundárias (auto-traumáticas): pápulas, pústulas, hiperpigmentação e Liquenificação Área mais afetada: lombo sacral (ventre e dorso), pescoço Para GATOS 1. Não coçam na frente do tutor 2. Pode não ter inflamação na pele 3. Complexo granuloma eosinofílico 4. Prurido cabeça e pescoço Diagnostico Presença (ou evidência) da ectoparasita e evidência de auto-traumatismo distribuiçãodas lesões Tratamento • Fipronil (Frontline) • Fipronil + S-Metopreno (Frontline plus) • Selamectina (Revolution) • Imidacloprida +Moxidectina(Advocate) • Bravecto ® • Seresto® coleira • Leevre coleira • Nitempiran (Capstar) • Lufenurom (Program) DERMATITE ATÓPICA Reação de hipersensibilidade a substâncias normalmente inócuas, como polens (gramíneas, ervas daninhas e arbustos), bolores, ácaros da poeira doméstica, alérgenos epiteliais e outros alérgenos ambientais. Manifesta como uma dermatopatia inflamatória, recidivante, crônica, pruriginosa e não contagiosa. Animais suscetíveis tornam-se sensibilizados a alérgenos ambientais, produzindo IgE alérgeno-específica. Sistemas acometidos: oftálmico, respiratório e cutâneo/endócrino Cães tem predisposição hereditária e gatos tem uma influência genética incerta As raças predispostas ao desenvolvimento em cães incluem o chinês Shar-Pei, o Fox Terrier Wirehaired, o Golden Retriever, o Dalmatian, buldogue inglês, pug, o Boxer, o Boston Terrier, o Labrador Retriever, o Lhasa Apso, o Scottish Terrier, o Shih Tzu e o West Highland WhiteTerrier. Idade inicial é geralmente entre 6 meses e 3 anos. Sinais clínicos • Lesões em face (perioculares e labiais), perianais, em virilha e nos membros • Eritema de face interna de pavilhões auriculares ou meato acústico, mas sem lesões em bordos de pavilhões auriculares • raramente lesões lombossacrais • acometimento de animais jovens • prurido sazonal ou perene (coceira, arranhadura, fricção, lambedura) reposta temporária a glicocorticoides, idade precoce de início, histórico em indivíduos aparentados e sintomas piorando progressivamente são uns dos achados anamnésicos. As lesões variam desde sua ausência até pelos quebradiços ou manchas de saliva até eritema, reações papulares, crostas, alopecia, hiperpigmentação, seborreia excessivamente oleosa ou seca, hiperidrose. Métodos diagnósticos • Geralmente é diagnosticada por exclusão • Teste intradérmico (teste alérgico) • Tratamento • Identificação e eliminação de alérgenos (nem sempre possível) • Controle do prurido • Controle das infecções secundárias • Restabelecimento da barreira cutânea • Controle permanente de ectoparasitas • Evitar alterações de dieta • Oclacitinib (Apoquel) - 0,4 a 0,6 mg/kg, VO, BID, 14 dias, depois a mesma dose SID durante o necessário HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR Desordem cutânea caracterizada por prurido não sazonal decorrente da ingestão de componentes ou aditivos antigênicos da dieta. As fontes proteínas e de carboidratos encontradas na alimentação são os principais agentes alergênicos. Envolvem as reações imunológicas dos tipos I, III, IV. A idade de início é variável, sendo e 2 meses aos 14 anos de idade. A maioria começa com menos de 12 meses. Em adultos, a maioria foi alimentada com o alérgeno por mais de 2 anos. qualquer raça canina pode ser afetada, porém SharPei, West Highland White Terrier, Boxer, LhasaApso, Pastor Alemão e Golden Retriever parecem ter risco maior quanto a essa afecção. Sintomas • Prurido e lesões variam entre os animais. • Blefarite • Prurido generalizado (moderado a grave) • Seborreia generalizada • Erupção papular com padrões que mimetizam atopia (patas, face e ventre) ou a DAPE (região lombossacral dorsal e membros pélvicos) • Áreas mais comuns são orelhas, patas, região inguinal, área axilar, regiões proximais anteriores dos membros torácicos, região periorbitária e focinho As apresentações clínicas da alergia alimentar nos gatos são: dermatite miliar, alopecia simétrica felina, complexo granulomatoso eosinofílico (primariamente a placa eosinofílica) e um prurido intenso na cabeça e no pescoço. Diagnóstico Dieta de eliminação alimentar rigorosa: não deve conter nenhum ingrediente que tenha sido oferecido anteriormente ao animal. Contem novas fontes de proteínas ou carboidratos. A dieta experimental deve ser oferecida por até 3 meses. Para confirmar, ele é provocado com os ingredientes alimentares oferecidos anteriormente. O retorno dos sinais clínicos depois da provocação se dá entre 1h e 14 dias. Resolução em menos de 14 dias. ALOPECIA PSICOGÊNICA Condição dermatológica relativamente comum em gatos, caracterizada pela perda de peso resultante de lambeduras excessivas, sem uma causa orgânica aparente. Está geralmente associada a distúrbios comportamentais como estresse e ansiedade. Os gatos são particularmente suscetíveis a distúrbios psicossomáticos devido a sua sensibilidade a mudanças no ambiente e à sua natureza territorial. Os fatores de risco para o desenvolvimento da alopecia psicogênica incluem mudanças no ambiente, conflitos territoriais, falta de estímulos e fatores genéticos. Diagnóstico Perda de pelos → exame físico e histórico clínico → dermatite, infestação parasitária ou alergia? → alopecia psicogênica O diagnóstico em sua maior parte é feito por exclusão. Tratamento • Identificar fatores de estresse no ambiente do animal • Incluir criação de espaço seguro • Introdução de arranhadores e brinquedos • Reduzir estressores como barulhos excessivos ou a presença de novos animais • Uso de feromônios sintéticos (feliway) • Em casos severos: antidepressivos (clomipramina, fluoxetina) Exame físico neurológico Componentes do exame neurológico • Estado mental • Postura • Marcha Paresia/paralisia Ataxia Proprioceptiva (NMS) Vestibular Cerebelar Andar em círculos Claudicação • Reações posturais Posicionamento tátil Saltitar Meio andar Carrinho de mão • Tônus e tamanho musculares • Reflexos espinais • Reflexo perineal / tônus anal • Percepção sensorial (nocicepção) • Nervos cranianos 1. Nível de consciência: avaliação inicial crucial Primeira etapa do exame, avaliando lucidez e a capacidade de resposta do paciente Serve como base para o restante da avaliação, orientando a profundidade do exame Normal: responde adequadamente a estímulos, consciente do ambiente Deprimido: apatia, sonolência, dificuldade de concentração Delirante: alerta, responde inadequadamente a estímulos, agitado ou confuso Estuporoso: desperta com estímulos fortes, mas volta a dormir (sinais de alerta) Comatoso: inconsciente, sem resposta a estímulos, risco de vida. (alerta!!!) 2. Postura e marcha Postura: analisando a posição corporal do paciente em repouso Marcha: observando o padrão de locomoção do paciente Paresia: fraqueza ou incapacidade de sustentação de peso (NMI) ou incapacidade de andar de forma normal (NMS) Paralisia: perda de todos os movimentos voluntários • Ambulatório: capacidade de caminhar normalmente • Tetraparesia: fraqueza nos quatros membros • Hemiparesia: fraqueza em um lado do corpo • Monoparesia: fraqueza em um único membro Postura de Schiff-Sherrington: observada em cães com lesão aguda grave da medula espinal torácica ou lombar cranial (geralmente fratura, luxação, infarto ou hemorragia) Rigidez de descerebração: lesão grave na porção rostral do tronco cerebral (mesencéfalo). Os acometidos apresentam estupor ou coma, com todos os membros em extensão rígida, além de extensão dorsal da cabeça e do pescoço. Rigidez de decerebelação: lesão na porção rostral do cerebelo, causando aumento do tônus do musculo extensor do membro anterior e opitótono. O estado mental é normal. Ataxia: descoberta da incoordenação Incoordenação de movimentos, perda de equilíbrio Pode ser causada por lesões cerebelares ou outras condições Ataxia da medula espinal (proprioceptiva geral): paresia de membros acometidos, postura de base ampla, passadas largas, abdução excessiva de membros, reações posturais anormais, estado mental e nervos cranianos normais Ataxia vestibular: inclinação de cabeça, postura ampla e agachada, problemas de equilíbrio. Periférica (reações posturais normais) ou central (r. p. anormais) Ataxia cerebelar:força normal, postura de base ampla, movimentos hipermétricos dos membros, balanço de tronco, r. p. normais, tremor de intenção da cabeça 3. Reflexos espinhais: patelar, retirada e perineal Patelar: testa a resposta reflexa no joelho Retirada: avalia a resposta ao toque doloroso Perineal: verificando a integridade do nervo pudendo 4. Reflexos cranianos: Ameaça: observando a reação a um estimulo visual Pupilar: avaliando a resposta da pupila à luz Palpebral: testando a resposta das pálpebras ao toque Óculo-cefálico: verificando o movimento dos olhos em relação à cabeça. Tipos de nistagmo • Nistagmo horizontal: movimentos dos olhos ocorrem horizontalmente • Nistagmo vertical: movimentos ocorrem verticalmente • Nistagmo rotatório: ocorrem de forma rotatória 5. Propriocepção Capacidade de perceber a posição do corpo no espaço Testes envolvem mover membros e pedir ao paciente para identificar sua posição. A propriocepção (posicionamento tátil) é avaliada por meio da colocação da superfície dorsal da pata do animal no chão enquanto seu peso é sustentado. A resposta normal é um retorno imediato à posição inicial. 6. Localização da lesão: a chave para o diagnóstico Sistema nervoso central: encéfalo e medula espinhal Sistema nervoso periférico: nervos que conectam o SNC ao corpo Convulsões em pequenos animais Definição Convulsões são eventos neurológicos caracterizados por uma atividade elétrica anormal ou hipersincrônica no cérebro. Elas podem manifestar-se de várias maneiras, desde movimentos musculares involuntários até alterações no comportamento. Impacto Podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos animais. Elas podem causar danos neurológicos, levar à perda de consciência e comprometer o comportamento normal do animal. Fisiopatologia das convulsões Hiperexcitabilidade neuronal As convulsões ocorrem quando há uma descarga elétrica anormal e excessiva nos neurônios do cérebro. Essa atividade pode ser causada por fatores como doenças genéticas, traumas, infeções e toxinas. Desequilíbrio neurotransmissores O desequilíbrio na atividade de neurotransmissores, como o GABA e glutamato, pode contribuir para a hiperexcitabilidade neuronal. Um desequilíbrio desses neurotransmissores pode levar à excitação excessiva dos neurônios, desencadeando uma convulsão. Características clinicas das convulsões Pródomo: tempo (horas a dias) antes do inicio da convulsão, onde podem ser observados comportamentos incomuns como inquietação ou ansiedade. Outros passam despercebidos. Aura: período imediatamente anterior à convulsão, onde podem apresentar movimentos com membros posteriores, lambeduras, deglutição, salivação, vômito, micção ou esconder-se, buscar atenção, gemido ou agitação. Icto: convulsão em si. Alteração ou perda de consciência, alteração de tônus muscular, movimentos dos membros ou mandíbula, salivação e micção/defecação involuntária Período pós-ictal: logo após a convulsão e reflete a anomalia transitória da função cerebral (segundos a horas); pode apresentar comportamento anormal, desorientação, sonolência ou déficits neurológicos reais, como cegueira, ataxia, fraqueza ou déficits proprioceptivos. Essa fase é altamente sugestiva da natureza convulsiva do evento. Tipos de convulsões: focais reconhecimento de sinais Focais simples Envolvem apenas uma parte do cérebro. Podem apresentar movimentos musculares involuntários, alterações no comportamento, como mastigação excessiva ou lamber os lábios, espasmos focais ou alterações sensoriais. Focais complexas (psicomotoras ou automatismos) Causam alterações no comportamento e consciência, incluindo perda de consciência, confusão, desorientação e movimentos repetitivos. O animal pode parecer “em outro mundo” e não responder aos estímulos externos. Podem pressionar a cabeça em superfícies sólidas, andar sem rumo ou em círculos ou cambalear. Tipos de convulsões: Generalizadas Tônico-clônicas Mais comuns. Animal perde a consciência, enrijece os músculos, tem espasmos musculares e pode perder o controle dos esfíncteres. Ausência Caracterizadas por breves períodos de perda de consciência. O animal pode ficar parado, com olhos arregalados e sem responder aos estímulos. Pode haver um leve tremor ou contrações musculares. Mioclônicas Causam contrações musculares rápidas e involuntárias, geralmente em uma parte especifica do corpo. O animal pode ter espasmos repentinos nos membros, na cabeça ou na face. Tipos de convulsões: Psicogênicas Desafio diagnóstico Características As convulsões psicogênicas são desencadeadas por fatores psicológicos e emocionais, como medo, ansiedade ou estresse. O animal pode apresentar movimentos musculares involuntários, vocalização e comportamento anormal Diagnóstico difícil É desafiador diferencias de outras convulsões. A história do animal, incluindo seu comportamento geral e ambiente, pode ajudar a determinar a causa das convulsões Causas de convulsão Extracranianas (reativas): toxinas ou doenças metabólicas (hipoglicemia, hepatopatias, hipocalcemia, hiperlipoproteinemia, hiperviscosidade, hipertensão, distúrbios eletrolíticos, hiperosmolalidade, uremia grave, hipertireoidismo (gatos), hipotireoidismo em cães) Lesões intracranianas (epilepsia estrutural): hidrocefalia, lissencefalia, tumores cerebrais, doenças inflamatórias infecciosas, meningoencefalite, hemorragia, infarto, doenças degenerativas ou de armazenamento metabólico, Epilepsia idiopática (convulsões sem causa conhecida) Exames laboratoriais Hemograma completo Pode indicar infecção ou outras condições que podem causar convulsões. Bioquímica sanguínea Verifica a função dos órgãos e a presença de alterações metabólicas, como hipoglicemia, que podem estar associadas a convulsões. Análise de urina Pode revelar problemas renais, infecções ou outros distúrbios que podem levar a convulsões. Diagnóstico por imagem Tomografia computadorizada (TC) Ideal para avaliar a estrutura do crânio e do cérebro, detectando alterações como tumores, hematomas ou malformações. Ressonância magnética (RM) Imagens mais detalhadas do cérebro, revelando alterações na estrutura do tecido cerebral, como inflamação ou tumores. É mais sensível que a TC. Manejo emergencial: estabilizando o paciente em crise Proteção do animal: garantir a segurança do animal, evitando que ele se machuque durante a convulsão. Remover objetos que podem causar riscos, como móveis ou objetos pontiagudos. Controle da crise: administrar medicamentos para interromper a convulsão. É fundamental a intervenção rápida e precisa para minimizar os danos neurológicos. Diazepam e Midazolam: drogas de primeira linha Diazepam Um benzodiazepínico eficaz para controlar convulsões. Pode ser administrado por via intravenosa, intramuscular ou retal. Midazolam Outro benzodiazepínico que pode ser administrado pelas vias IV, SC ou nasal. É uma opção para animais com convulsões de difícil controle. Fenobarbital: Opção de emergência Efeitos Um barbitúrico que atua no sistema nervoso central, reduzindo a excitabilidade neuronal. É eficaz para controlar convulsões, mas possui efeitos colaterais como sedação. Administração Pode administrar por via intravenosa, intramuscular ou oral. A dose precisa ser cuidadosamente ajustada para evitar a sedação excessiva. Terapia anticonvulsionante • Estado epilético: diazepam 0,5 a 1,0 mg/kg IV • AD Till gotas • Fenobarbital – 2 a 6 mg/kg/BID/VO • Óleo de cannabis • KBr – 20 a 40 mg/kg, SID, VO (com alimento) • Acupuntura • Anizen • Mocha terapia Suporte pós-ictal Monitoramento Observar comportamento, nível de consciência, respiração e temperatura Hidratação Oferta de água ou soro, especialmente se estiver desidratado devido à perdade líquidos durante a convulsão Nutrição Oferecer dieta leve e fácil de ingerir, como comida úmida ou ração de fácil digestão. O animal pode ter dificuldade de comer após a convulsão. Terapia de longo prazo Controle de convulsões O objetivo principal da terapia é controlar as convulsões e prevenir que elas ocorram com frequência. A escolha da terapia depende da causa das convulsões e da resposta do animal. Estratégias Medicamentos anticonvulsionantes, como fenobarbital, gabapentina ou levatiracetam, são frequentemente utilizados para controlar as convulsões. A terapia pode incluir também a modificação do estilo de vida do animal. Monitoramento continuo: ajuste da terapia Monitoramento da resposta: Observar a frequência e a intensidade das convulsões. Ajustar conforme necessário. Efeitos colaterais: Monitorar para detectar possíveis efeitos colaterais dos medicamentos. Pode ajustar a dose ou trocar o medicamento. Hepatotoxicidade!!! Protocolos de tratamento Tratamento inicial: resumo dos passos iniciais para o tratamento inicial de convulsões, desde a avaliação inicial até a administração de medicamentos de primeira linha Tratamento de longo prazo: principais estratégias para o tratamento de longo prazo, incluindo escolha do medicamento, monitoramento e ajustes de terapia. Terapias genéticas Terapias celulares Traumatismo cranioencefálico (TCE) O trauma cranioencefálico (TCE) é uma condição frequente em situações de emergência, podendo resultar em sequelas neurológicas graves. Acometidos em situações de acidente com veículos automotivos, lesão por esmagamento, ataque de humanos ou animais, queda e ferimentos por projétil de arma de fogo ou outros ferimentos penetrantes. A gravidade da lesão é variável. A abordagem clínica do TCE exige rapidez, precisão e conhecimento técnico, com foco na estabilização e prevenção de complicações. Classificação do TCE TCE leve: perda de consciência menor que 30 minutos, sem sinais neurológicos focais. TCE moderado: perda de consciência entre 30 minutos e 6 horas, ou sinais neurológicos focais. TCE grave: perda de consciência maior que 6 horas, ou coma profundo. TCE leve Anamnese detalhada: investigar mecanismo da lesão e a presença de outros sintomas. Exame neurológico: avaliar o nível de consciência, função cognitiva e sinais focais Observação: monitorar o paciente por algumas horas em busca de sinais de piora Orientações ao paciente: repouso e acompanhamento médico TCE moderado Alterações da consciência: confusão, sonolência, dificuldade de concentração. Dor intensa: dor persistente e crescente, que não melhora com analgésicos. Vômito: repetido e/ou em jato, sinal de pressão intracraniana elevada. Convulsões: movimentos involuntários e desordenados, podem indicar lesão cerebral. Fraqueza muscular: paralisia ou dificuldade de movimentação em um lado do corpo. TCE grave • Estabilização do paciente Manter vias aéreas permeáveis, ventilação adequada e circulação eficaz. • Controle da pressão intracraniana Utilizar manitol, furosemida, hiperventilação controlada e medidas adicionais • Diagnóstico por imagem Realizar tomografia computadorizada (TC) para identificar extensão da lesão • Monitorização contínua Monitorar o nível de consciência, sinais vitais e pressão intracraniana (PIC) Fisiopatologia do TCE: Edema Cerebral Injúria cerebral: após a trauma, ocorre um processo inflamatório e vasodilatação. Aumento do fluxo sanguíneo: aumento do volume sanguíneo no tecido cerebral, comprimindo as células. Aumento da permeabilidade vascular: extravasamento de liquido para o espaço intersticial, intensificando o edema. Compressão cerebral: o edema cerebral aumenta a pressão intracraniana, prejudicando o funcionamento neuronal. Hipertensão intracraniana: mecanismos e consequências • Pressão elevada O aumento da PIC ocorre quando o volume intracraniano é excedido. • Compressão cerebral A PIC elevada comprime os vasos sanguíneos cerebrais, diminuindo fluxo sanguíneo. • Isquemia cerebral A redução do fluxo sanguíneo causa falta de oxigênio, prejudicando o funcionamento cerebral. • Danos neurológicos A isquemia prolongada pode levar à morte celular e sequelas neurológicas graves. Diagnóstico clinico do TCE: avaliação neurológica rápida Nível de consciência Escala de coma de Glasgow (GCS) e avaliação da resposta à estimulação. Função cognitiva Orientação, memória, atenção, linguagem e capacidade de raciocínio. Sinais neurológicos focais Fraqueza, paralisia, alterações sensitivas, pupilas desiguais, déficits visuais. Resultado da escala de Glasgow Diagnóstico por imagem: tomografia computadorizada (TC) TC de crânio: Exame de imagem fundamental para avaliar extensão da lesão Identificação da lesão Permite detectar fraturas, hematomas, edema cerebral e outras anormalidades Guia para o tratamento Orientam o manejo clinico e a necessidade de intervenção cirúrgica. j ABCDE do trauma no TCE: estabilização vital A → Vias aéreas: manter permeáveis, garantindo a passagem de ar B → Respiração: assegurar ventilação adequada, observando frequência e padrão respiratório C → Circulação: avaliar a frequência cardíaca, pressão arterial e verificar sangramentos D → Deficiência neurológica: avaliar nível de consciência e sinais neurológicos focais E → Exposição e controle da temperatura: despir o paciente para identificar outros traumas e prevenir hipotermia Controle da pressão intracraniana Manitol Diurético osmótico, reduz o edema cerebral e diminui a PIC. Furosemida Diurético de alça, diminui o volume sanguíneo e auxilia na redução da PIC. Administração: Administrados por via intravenosa, com monitorização cuidadosa da pressão arterial e diurese. Hiperventilação controlada Indicações: reduzir PIC em casos de hipertensão intracraniana severa Objetivo: diminuir o dióxido de carbono (CO2) no sangue, promovendo vasoconstrição cerebral Riscos: hipocapnia, vasoconstrição excessiva e redução do fluxo sanguíneo cerebral. Monitorização: monitorar continuamente a pressão arterial, frequência cardíaca e gases sanguíneos. Corticoides no TCE Eficácia controversa Estudos demonstram resultados conflitantes sobre o uso de corticoides Efeitos adversos Aumento do risco de infecção, hiperglicemia, retardo na cicatrização Uso seletivo Monitorização da PIC TCE grave: monitorização contínua da PIC Hipertensão intracraniana: detectar precocemente a justar as medidas terapêuticas. Intervenção cirúrgica: monitorar para avaliar eficácia de descompressão craniana Tratamento cirúrgico: descompressão Objetivo: remover parte do osso do crânio para aliviar a pressão sobre o cérebro. Indicações: hipertensão intracraniana grave, não respondendo à terapia medicamentosa Riscos: infecção, sangramento, convulsões, déficits neurológicos, necessidade de segunda cirurgia. Prognóstico do TCE Gravidade da lesão: TCE graves tem maior chance de sequelas, como coma prolongado e deficiência neurológica Idade: animais idosos e mais jovens são mais vulneráveis a complicações e sequelas Tempo de isquemia: quanto maior o tempo de privação de oxigênio, maiores as chances de danos neurológicos Tratamento adequado: o manejo clínico e cirúrgico eficaz aumenta as chances de recuperação Cuidados pós-trauma 1. Reabilitação/fisioterapia 2. Acompanhamento médico 3. Cuidado do tutor Doenças Gastrintestinais Exame clinico Anamnese • Anamnese detalhada é fundamental. Coletar informações sobre sinais clínicos, como algia, náuseas e alterações do hábito intestinal é essencial para o diagnóstico • Histórico de doenças previas também deve ser considerado • Fatores de risco comodieta, estresse e medicamentos devem ser investigados Palpação e percussão • Palpação superficial e profunda para avaliar a sensibilidade e textura dos órgãos • Percussão para identificar organomegalia (órgãos aumentados) e ascite Métodos diagnósticos Exames laboratoriais • Hemograma completo • Bioquímica: analisar função hepática, pancreática e renal Radiografia • Radiografia simples: detectar obstruções e perfurações • Contraste baritado (esofagograma, trânsito intestinal) ajuda a visualizar o trato digestivo • Sensibilidade de 70-80% para obstruções intestinais Ultrassonografia • Avalia órgãos sólidos, como fígado, baço e pâncreas, e a vesícula biliar • Doppler para analisar o fluxo sanguíneo em vasos sanguíneos Endoscopia • Endoscopia digestiva alta (esôfago, estômago e duodeno) para visualizar o trato digestivo superior • Colonoscopia (cólon e íleo terminal) para examinar o trato digestivo inferior. • Capsula endoscópica para avaliar o intestino delgado, com 83% de detecção de lesões Biópsia • A análise histopatológica identifica inflamação, malignidade e outras alterações • Coleta de amostras durante endoscopia para análise histopatológica Exames avançados • Tomografia computadorizada (TC): estadiamento tumoral • Ressonância magnética (RM): doenças pancreato- biliares Abordagem terapêutica Fluidoterapia para corrigir desidratação e desequilíbrios eletrolíticos Nutrição enteral e parenteral para garantir a ingestão adequada de nutrientes Controle da dor com escala analgésica, individualizando o tratamento A terapia de suporte visa estabilizar o paciente e preparar para o tratamento especifico. Sinais de dor Prevalência: As doenças gastrintestinais representam 10-15% das consultas veterinárias. Classificação: Existem 4 categorias principais que são as metabólicas, funcionais, obstrutivas e neoplásicas, cada uma com características especificas. O sistema digestório é composto pela boca, esôfago, faringe, estômago, intestino, fígado e pâncreas além do reto e ânus. Principais doenças gastrintestinais Gastroenterite aguda: vômito e diarreia repentinos, geralmente autolimitados Doença inflamatória intestinal (DII): doença crônica que causa inflamação do intestino, sintomas recorrentes Pancreatite: inflamação do pâncreas, sintomas graves, potencialmente fatais Parasitoses intestinais: infecções por parasitas intestinais, variabilidade de sintomas Corpos estranhos: ingestão de objetos não comestíveis, obstrução intestinal, emergência! Sinais clínicos comuns • Vômito (frequência, aspecto, conteúdo) • Diarreia (aguda vs. Crônica, consistência, dor) • Anorexia e perda de peso • Dor abdominal (pode ser demonstrada com a posição de prece) • desidratação abordagem terapêutica geral • fluidoterapia e correção de desequilíbrios • controle de vômito e náusea • modulação da motilidade intestinal • antibioticoterapia (quando indicada) • manejo nutricional (dietas hipoalergênicas, prebióticos e probióticos, suplementação com fibras, dietas de alta digestibilidade) ESTOMATITE Inflamação da boca que pode causar úlceras dolorosas e sangrentas. É uma doença crônica que pode afetar a língua, gengivas, faringe e mucosa oral. Causas: trauma, corpo estranho, doenças imunomediadas, periodontite, abscessos dentários, irritação química ou térmica, neoplasias, desordens metabólicas como IRA e IRC, doenças infecções (FIV, FELV, Leptospirose, calicivirose e herpesvirose, cinomose) Sinais clínicos: inapetência, perda de peso, sialorreia, halitose, disfagia, secreções oral, nasal e ocular, linfadenopatia regional e sinais de dor oral. Tratamento: Controle de dor Limpeza dentária Terapia antimicrobiana tópica e sistêmica Extração dentária, parcial ou total (padrão-ouro para tratamento de estomatite) Uso de corticosteroides são muitas vezes necessários para diminuir inflamação, reduzir dor e estimular o apetite MEGAESÔFAGO Dilatação generalizada e difusa do esôfago com peritalse diminuída a ausente (hipomotilidade do esôfago), dificultando o transporte de alimentos. É incomum em cães e raras em gatos. Tipos: pode ser congênita ou adquirida, desenvolvida posteriormente. A adquirida tem como causas: idiopática, doença neuromuscular – miastenia grave; obstrução esofágica; intoxicação – chumbo; endocrinopatia – hipoadrenocorticismo, hipotireoidismo; intussuscepção gastresofágica; esofagite. Sinais clínicos Regurgitação frequente, perda de peso, tosse persistente, dificuldade para engolir, fraqueza geral, pneumonia por aspiração, apetite devorador ou inapetência. Diagnóstico: Radiografias contrastadas: visualiza dilatação e motilidade esofágica. Tratamento: Manejo alimentar como dietas especiais e alimentação em posição vertical. Prognóstico Varia, sendo mais favorável em casos adquiridos tratados precocemente. OBSTRUÇÕES GASTRINTESTINAIS Bloqueio parcial ou total do trato digestivo. Causado por corpos estranhos como ossos, brinquedos e pedaços de alimentos. Representam 5-10% das emergências veterinárias e demandam atenção imediata. Diagnóstico • Radiografias • Ultrassonografia • Endoscopia Tratamento Cirurgia é necessária em casos graves. prognóstico é bom GASTRITE AGUDA Primária • Ingestão de materiais irritantes • Corpos estranhos • Drogas • AINEs • Corticoides • Antibióticos • Agentes bacterianos, virais e parasitários Secundária • Doenças metabólicas como IR, IH, CAD, Pancreatite, hipoadrenocorticismo • Stress • Mastocitoma • Doenças infecciosas (parvovirose, cinomose, Leptospirose, hepatite infecciosa, panleucopenia felina) Sinais clínicos • Vômito agudo • Hematêmese • Hiporexia / anorexia • Desidratação e desequilíbrio eletrolítico • Polidipsia • Depressão • Febre / dor abdominal Diagnósticos • Histórico e exame físico • Hemograma: stress • Hiperproteinemia • Perda de K, NA e Cl, acidose ou alcalose metabólica • Biópsia Tratamento • Manejo dietético • Fluidoterapia • Antieméticos como metoclopramida • Inibidores da secreção ácida Bloqueadores dos receptores H2: ranitidina, cimetidina Inibidor da bomba de prótons: omeprazol Protetor da mucosa: sucralfato INTUSSUSCEPÇÃO Ocorre quando uma parte do intestino se invagina em outra, causando obstrução. Como fatores temos parasitas, corpos estranhos e tumores. Representa 1-2% dos casos de obstrução intestinal em cães e gatos, sendo mais comum em filhotes. CONSTIPAÇÃO Distúrbio de defecação, no qual ocorre diminuição na frequência e/ou dificuldade de evacuação (disquezia e tenesmo) resultando no acúmulo intestinal de fezes duras, extremamente ressecadas e mais compactadas. Causas • Ingestão de material não digerível • Falta de exercício • Hospitalização • Obesidade • Dor ao defecar • Lesões perianais (abscesso, tumores, fístula) • Trauma pélvico • Obstrução mecânica • Massa • Fratura pélvica • Hérnia perianal • Divertículo retal • Prostatomegalia • Medicamentos (anticolinérgicos, anti- histamínicos, opioides, sulfato de sódio, sucralfato, antiácidos, caopectina, suplemento de ferro, diuréticos) Diagnóstico • Radiografia • Ultrassonografia (essa não fecha diagnóstico) Tratamento • Manejo alimentar, com dieta especial com fibras • Correção da causa primária Enema: glicerina + água morna Fosfhoenema (apenas em cães) Laxantes – lactulona PANCREATITE Inflamação do pâncreas. Aguda: ocorre abruptamente com pouca ou nenhuma alteração patológica permanente. Pode ser grave. Crônica: doença inflamatória acompanhada por alteração morfológica irreversível. Resistente. Fisiopatologia • Os mecanismos de defesa do hospedeiro normalmente evitam a autodigestão do pâncreas pelas enzimas pancreáticas; porém, em algumas circunstâncias, essas defesas naturais falham; dessa forma, ocorreautodigestão quando essas enzimas digestivas são ativadas dentro das células acinares. • A lesão tecidual local e sistêmica é atribuída à atividade das enzimas pancreáticas liberadas e de diversos mediadores inflamatórios, como as cininas, os radicais livres e os fatores relacionados com o complemento. Sistemas acometidos • Gastrintestinal — motilidade GI alterada (íleo paralítico) em virtude da peritonite química regional; peritonite local ou generalizada atribuída à permeabilidade vascular aumentada; enteropatia inflamatória concomitante pode ser observada nos gatos. • Cardiovascular — arritmias cardíacas podem resultar da liberação do fator depressor do miocárdio. • Hematológico — ocorrem ativação da cascata de coagulação e coagulopatia sistêmica por consumo (CID). • Hepatobiliar — lesões atribuídas a quadros de choque, dano pelas enzimas pancreáticas, infiltrados celulares inflamatórios, lipidose hepática e colestase intra/extra-hepática. • Respiratório — edema pulmonar ou efusão pleural; síndrome da angústia respiratória do adulto é uma sequela rara, mas potencialmente fatal com complicações sistêmicas. Achados anamnésicos • Letargia/depressão/anorexia • Vômito • Perda de peso • Dor abdominal • Diarreia • Icterícia • Desidratação • Febre ou hipotermia Causas • Nutricional: hiperlipoproteinemia • Traumatismo/isquemia pancreática • Reflexo duodenal • Medicamentos/toxinas • Hipercalcemia • Agentes infecciosos: toxoplasmose, PIF • Extensão de inflamação hepatobiliar ou intestinal felina Diagnóstico • Exames laboratoriais • Ultrassonografia • Biópsia • Imunorreativida semelhante à tripsina (TLI) • Verificação dos níveis de lipase pancreática canina (cPLI) Tratamento • Suporte intensivo (fluidoterapia IV rigorosa – corrigir a hipovolemia e manter a microcirculação) • Suplementação com cloreto de potássio (KCL) em casos de vômito • Antieméticos (os da classe de fenotiazínicos apenas nos pacientes bem hidratados, pois causa hipotensão) • Manejo da dor • Nutrição enteral Prognóstico Em casos leves a moderados, a recuperação é de 80% dos casos LIPIDOSE HEPÁTICA FELINA A lipidose hepática felina é o acúmulo excessivo de gordura no fígado, comprometendo sua função. → 80% dos hepatócitos com acúmulo de triglicerídeos, resultando em colestase grave e disfunção hepática. É mais comum em gatos obesos ou com anorexia prolongada, principalmente aqueles com doenças concomitantes. Fatores de Risco • Obesidade • estresse • Doenças infecciosas – toxoplasmose, PIF, FIV ou FELV • IR, nefrite crônica • Hipertireoidismo • Diabetes • Deficiência de B12 • Obstrução, pancreatite, enteropatia inflamatória Sistemas acometidos • Hepatobiliar — colestase intra-hepática grave; disfunção ou insuficiência hepática. • Gastrintestinal — anorexia; vômitos. • Hematológico/linfático/imune — hemácias de formato anormal (pecilócitos), hemólise por corpúsculos de Heinz. • Musculosquelético — emaciação de tecido periférico. • Nervoso — encefalopatia hepática, ptialismo, condição moribunda. • Renal/urológico — depleção de potássio; acúmulo de triglicerídeos nos túbulos renais. Sinais clínicos • Anorexia e perda de peso • Icterícia • Letargia e fraqueza → evoluem para colapso • Vômitos, diarreia ou constipação • Ptialismo • Flexão ventral do pescoço • Hepatomegalia • Desidratação Diagnóstico • Exames laboratoriais: presença de anemia, hiperfosfatemia, corpúsculos de Heinz, hiperbilirrubinemia, ALT e FA elevados. • Ultrassonografia • Biópsia hepática Tratamento • Suporte nutricional intensivo – nutralife, hiperkcal, mirtz 9estimulante de apetite) • Correção de desequilíbrios metabólicos • Uso de fosfato sérico • Suplementos – L-carnitina, vitamina B12, E, taurina, tiamina, K1 • Medicação em alguns casos (antiemético, antibióticos)