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2019 Reforma Do Sector Público Manual do Curso de Administração Pública ENSINO ONLINE. ENSINO COM FUTURO i Direitos de autor (copyright) Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). A não observância do acima estipulado infractor é passível a aplicação de processos judiciais em vigor no País. Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) Direcção Académica Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa Beira - Moçambique Telefone: +258 23 323501 Cel: +258 82 3055839 Fax: 23323501 E-mail:isced@isced.ac.mz Website:www.isced.ac.mz mailto:isced@isced.ac.mz http://www.isced.ac.mz/ ii Agradecimentos O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) agradece a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual: Autor Joana Baico Coordenação Design Financiamento e Logística Revisão Científica Revisão Linguística Ano de Publicação Local de Publicação Direcção Académica do ISCED Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED) XXXXX XXXXX ISCED – BEIRA XXXXX iii Visão geral 1 Bem-vindo à Disciplina/Módulo de Reforma do Sector Público ...................................... 1 Objectivos do Módulo....................................................................................................... 1 Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 1 Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2 Ícones de actividade ......................................................................................................... 3 Habilidades de estudo ...................................................................................................... 3 Precisa de apoio? .............................................................................................................. 5 Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................ 6 Avaliação ........................................................................................................................... 7 TEMA – I: INTRODUÇÃO, CONCEITO DE REFORMA, SECTOR PÚBLICO 9 UNIDADE Temática 1.1. Considerações gerais sobre a disciplina. (Conceito de Reforma, Sector Público) .................................................................................................................. 9 UNIDADE Temática 1.2. A evolução e o papel das reformas no Sector Público .............. 9 Introdução ......................................................................................................................... 9 Sumário ........................................................................................................................... 18 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 19 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 22 TEMA – II: A GESTÃO DO PROCESSO DE REFORMA NO SECTOR PÚBLICO 24 UNIDADE Temática 2.1. Descentralização em Moçambique ......................................... 24 UNIDADE Temática 2.2. O Sistema de Administração e Finanças do Estado (SISTAFE) . 24 Introdução ....................................................................................................................... 24 Sumário ........................................................................................................................... 37 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 39 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 42 TEMA –III: A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM MOÇAMBIQUE E A REFORMA NO SECTOR PÚBLICO 43 UNIDADE Temática 3.1. Introdução, Noção ................................................................... 43 UNIDADE Temática 3.1. Fases da reforma do Sector Público ........................................ 43 Introdução ....................................................................................................................... 43 Sumário ........................................................................................................................... 53 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 54 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 56 TEMA –IV: MODELOS DE REFORMA NO SECTOR PÚBLICO 58 UNIDADE Temática 4.1. Modelo Sistêmico .................................................................... 58 UNIDADE Temática 4.2. Modelo Contingencial .............................................................. 58 UNIDADE Temática 4.1. Modelo Patrimonialista ........................................................... 58 Introdução ....................................................................................................................... 58 Sumário ........................................................................................................................... 67 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 68 iv Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 71 TEMA – V: REFORMAS DO SECTOR PÚBLICO NO MUNDO 72 UNIDADE Temática 5.1. Inovação tecnológica na reforma do sector público: o sistema electrónico de aquisições públicas do Chile ................................................................... 72 Introdução ....................................................................................................................... 72 Sumário ........................................................................................................................... 79 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 80 Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 83 TEMA – VI: AS NOVAS TENDÊNCIAS DA REFORMA NO SECTOR PÚBLICO EM MOÇAMBIQUE84 UNIDADE Temática 6.1. As tendências da gestão pública e governança interativa em Moçambique. .................................................................................................................. 84 UNIDADE Temática 6.1. Os novos rumos da gestão pública e a governança interativa 84 Introdução ....................................................................................................................... 84 Sumário ........................................................................................................................... 97 Exercícios de Auto-Avaliação .......................................................................................... 98 Exercícios de AVALIAÇÃO .............................................................................................. 103 TEMA – VII: A MODERNIZAÇÃO DA GESTÃO E A GOVERNANÇA NO SECTOR PÚBLICO 104 UNIDADE Temática 7.1. Modernização da Gestão e a Governança no Sector Público em Moçambique .................................................................................................................o poder de decidir se concentram no: a) Estado ou no topo da administração pública cabendo às restantes estruturas b) Estado ou no poder local da administração pública cabendo, c) Distritos e localidades de forma a fazer sentir a preencha do estado. d) Todas as alternativas estão correctas 40 Faça a correspondência de algumas Vantagens e desvantagens da Descentralização Vantagens Desvantagens I Procedimentos homogêneos A Maior dificuldade em avaliar gerentes II Facilidade de controle B Menor competição entre unidades II Eficiência na comunicação vertical C Alta dependência da cúpula Respostas I - C II- B II- A 8. A actividade administrativa pode ser prestada de duas formas: a) Uma é a concentrada, pela qual o serviço é prestado pela administração indirecta, e a outra é a centralizada, em que a prestação é deslocada para outras Pessoas Jurídicas; b) Uma é a centralizada, pela qual o serviço é prestado pela administração directa, e a outra é a descentralizada, em que a prestação é deslocada para outras Pessoas Jurídicas; c) Uma é a centralizada, pela qual o serviço é prestado pela administração directa, e a outra é a descentralizada, em que a prestação é deslocada para outras Pessoas Jurídicas. d) Uma é a descentralizada, pela qual o serviço é prestado pela administração directa, e a outra é a desconcentrada, em que a prestação é deslocada para outras Pessoas Jurídicas. 9. Descentralização consiste basicamente: a) Na administração indirecta, ou seja, concentrar a prestação do serviço para a Administração a directa ou para o singular; b) Na administração concentrada, ou seja, deslocar, manter o poder na prestação do serviço para a 41 Administração a directa ou para o singular; c) Na administração directa, ou seja deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para a Administração a Indirecta ou para o particular; d) Todas as alternativas estão correctas. 10. Segundo MENEGUIN (2013), Regulamento do SISTAFE no seu artigo 99 define, o e SISTAFE como, único sistema informático que suporta o SISTAFE, e para atender todos os procedimentos estabelecidos no seu Regulamento e nos seus instrumentos complementares está dividido em módulos. Constituem um dos módulos do e SISTAFE: a) Módulo de Elaboração Orçamental, que apoia a elaboração da Proposta do Orçamento do Estado; b) Módulo de Execução Orçamental, que apoia a execução do Orçamento do Estado; c) Módulo de Gestão de Informações, que apoia a geração de informações obtidas a partir dos demais Módulos do e SISTAFE, propiciando a acção do Controlo Interno e Externo e da administração pública; d) Todas as alternativas estão correctas. Resposta 1 - A 2 - A 3 - A 4 - A 5 – C 6 - B 7 - A 8 - C 9 – C 10 - D 42 Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-2 Marque a alternativa certa em cada questão abaixo descrita: 1. Constitui um dos principais objectivos do SISTAFE: Estabelecer e harmonizar regras e procedimentos de programação, gestão, execução, controlo e avaliação dos recursos públicos; Desenvolver subsistemas que proporcionem informação oportuna e fiável sobre o comportamento orçamental e patrimonial dos órgãos e instituições do Estado; Estabelecer, implementar e manter um sistema contabilístico de controlo da execução orçamental e patrimonial, adequado às necessidades de registo, da organização da informação e da avaliação do desempenho das acções desenvolvidas no domínio da actividade financeira dos órgãos e instituições do Estado; d) Todas as alternativas estão correctas. 2. Segundo a lei n˚09/2002 (lei que cria SISTAFE, o SISTAFE, contribui para a economia de recursos, na medida em que: a) A base de dados permite ampliar a mão-de-obra na recolha, armazenamento, processamento e difusão de dados; b) A base de dados permite reduzir mão-de-obra na recolha, armazenamento, processamento e difusão de dados; c) A base de dados não permite reduzir mão-de-obra na recolha, armazenamento, processamento e difusão de dados; d) A base de dados vai aumentar a mão-de-obra na recolha, armazenamento, processamento e difusão de dados. A descentralização em Moçambique emergiu num contexto de transição do regime socialista para a democracia multipartidária. a) Verdadeiro 43 b) Falso Estado e o funcionamento dos órgãos do Estado a nível local obedecem aos princípios de descentralização e desconcentração, sem prejuízo da unidade de acção e dos poderes de direcção do Governo”. a) Verdadeiro b) Falso Estado e o funcionamento dos órgãos do Estado em Moçambique, a nível local obedecem aos princípios de descentralização e desconcentração, com prejuízo da unidade de acção e dos poderes de direcção do Governo”. a) Verdadeiro b) Falso Resposta 1 - D 2 - B 3 - A 4 - A 5 – B TEMA –III: A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM MOÇAMBIQUE E A REFORMA NO SECTOR PÚBLICO UNIDADE Temática 3.1. Introdução, Noção UNIDADE Temática 3.1. Fases da reforma do Sector Público Introdução Introdução Falar de Reforma é falar de processos e mudanças contínuas em Moçambique, abordar esta questão há que destacar três fases de inflexão, particularmente relevantes para a própria edificação do Estado moçambicano, com diferentes 44 enfoques nas diferentes fases da história, sempre com a finalidade de melhorar dada situação, quer seja económica, social ou política na sociedade. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos • Conhecer as diversas fases da RSPM • Analisar a relação existente entre as acções de reforma realizadas a nível macro (de formulação de políticas) UNIDADE Temática 3.1. Introdução, Noção A qualidade da prestação nos serviços públicos é hoje entendida como uma necessidade intrínseca aos próprios serviços, uma vez que estes existem para servir os utentes. Em consequência, é fundamental ir de encontro às necessidades, expectativas e conseguir um elevado grau de satisfação desses mesmos utentes com os cuidados que lhes são prestados. No que se refere à realidade moçambicana, a definição pela Estratégia Global de Reforma do Sector Público (EGRSP, 2006 - 2011) da necessidade de se introduzir mudanças na administração pública possui um valor fundamental para a adoção das novas práticas de gestão pública, o que ressalta a importância de se examinar quais as 45 concepções que orientam o modelo de reforma administrativa em Moçambique e sobre que pressupostos ou bases que esta estabeleceu. No final dos anos 1980 e início de 1990 passou-se a associar centralização a práticas não democráticas de decisão, à ausência de transparência das decisões, à impossibilidade de controle sobre as ações de governo e à ineficácia das políticas públicas. As expectativas postas sobre a descentralização e a visão negativa das formas centralizadas de gestão implicariam, por essa via, a necessária redução do escopo de atuação das instâncias centrais de governo. Nesse contexto, como salienta Plank (1993:410), nasceram as ideias a favor da autonomização e da partilha de poder entre as esferas governamentais como uma forma de transformação do Estado monolítico norteado pelo modelo típico burocrático centralista constituído em 1975 e da institucionalização de um sistema político e administrativo alicerçado em princípios democráticos baseados na liberalização e no pluralismo político dentro da sociedade moçambicana. Contexto das Reformas do Sector Público em Moçambique Em Moçambique, o processo de reformas teve um marco importante com o abandono do sistema de economia centralmente planificada e adopção do sistema de economia de mercado em 1987. Com esta viragem, o Governo moçambicano almejava entre outros objectivos, a melhoria e desenvolvimentoda capacidade do Estado, para responder aos desafíos sócio-económicos impostos pelo contexto global MAZULA, A. (1998). O alcance deste objectivo passava necessariamente pela implementação de reformas a nível das instituições do Estado, adequando o seu funcionamento e suas acções às exigências impostas pelo sistema de economia de mercado. Para responder a este desafio, 46 Moçambique implementou várias acções de reforma, contudo, a coordenação nas acções a nível inter e intra-institucional eram ainda fracas. Esta situação não permitia o desenvolvimento de acções assentes numa visão única e partilhada sobre os objectivos da reforma. É neste contexto, que para melhor responder à necessidade da reforma, em 2001 o Governo Moçambicano apresentou a Estratégia Global para Reforma do Sector Público (EGRSP), um documento orientador, que além de apresentar uma visão comum, direcciona as acções de reforma a nível das Instituições Públicas. Entretanto, a existência da EGRSP, por sí só, não representa condição suficiente para que a reforma a nível das instituições seja efectiva. De acordo com a EGRSP “ é condição de viabilidade, que haja coerência entre os objectivos traçados para com a Reforma e a prática da actuação dos agentes dessas transformações, a um ritmo de implementação credível e baseado em condições concretas de viabilidade”(CIRESP 2001:10). Neste sentido, por forma a salvaguardar a efectividade da implementação da reforma, que a CIRESP, através da Unidade Técnica da Reforma do Sector Público (UTRESP), orientou a criação de Unidades Técnicas de Reforma (UTR) nas Instituições Públicas com vista a criar Análise da Relevância da Unidade Técnica de Reforma. Fase I da reforma do Sector Público em Moçambique A Estratégia Global da Reforma do sector Público, consistiu de um plano de dez anos (2001-2011), dividido em duas fases: A primeira (2001-2005) cujo foco foi criar as condições básicas para a transformação do sector público, nomeadamente: A mobilização política e o apoio público a reforma; a capacitação das instituições públicas a nível nacional e local para gerir a implementação da 47 reforma; a criação da base legal, metodológica e das ferramentas e instrumentos necessários a orientação da reforma; e mobilização de fundos. A Estratégia Global da Reforma do Sector Público, estabelece seis componentes para as quais foram definidas acções estratégicas, lançadas durante a Fase I, tal como ilustrado na figura 1. Figura I. As componentes da Reforma do Sector Público e respectivas acções estratégicas Componentes Actividades Etratégicas ✓ Racionalização e descentralização de estruturas, e processos de prestação de serviços Objectivos específicos: ✓ Acções de Impacto Imediato. ✓ Análise Funcional e Restruturação ✓ Descentralização e Desconcentração · ✓ Balcões de Atendimento Único. ✓ Gestão da Mudança ✓ Gestão de Políticas Públicas ✓ Estudo da Macro- Estrutura do Governo Central. ✓ Governo Electrónico ✓ Profissionalização dos Funcionários do Sector Público ✓ Desenvolvimento do Sistema de Formação em Administração Pública; ✓ Desenvolvimento da Gestão Estratégica dos Recursos Humanos da Função Pública; ✓ Reforma Salarial; 48 ✓ 4 - Melhoria da Gestão Financeira e da Prestação de Contas ✓ Reforma do Sistema de Administração Financeira do Estado; ✓ Reforma do Sistema de Aquisições do Estado; ✓ 5 - Boa Governação e Combate a corrupção ✓ Estratégia Anti-corrupção; ✓ Implementação da Reforma do Sector Público ✓ Pesquisa de base sobre boa governação e combate a corrupção · ✓ Reforma do Judiciário ✓ 6 - Gestão da Reforma ✓ Criação da CIRESP e UTRESP · ✓ Criação das Unidades Técnicas de Apoio e Coordenação da reforma na província, distrito e posto administrativo Fonte: ERSP;2011. A primeira fase da RFSP, teve um marco importante na reintrodução geral no sector público, pelo menos até 2002, de livros de reclamações e sugestões; Serviços prestados por unidades da administração directa do governo central descentralizados para Institutos públicos ou autarquias locais, ou desconcentrados para órgãos da administração local do Estado ou ainda privatizados ou em parcerias; No ano de 2002, legislação sobre as formas de responsabilização dos serviços perante os cidadãos aprovada e em execução, em sectores chave de prestação de serviços essenciais aos cidadãos. As reclamações envolvendo corrupção investigadas e processadas para fins preventivos e ou punitivos, consoante os casos; ¨ Legislação aprovada sobre a institucionalização e 49 organização da função de análise de políticas públicas e requisitos do pessoal técnico respectivo, assim como sua implantação inicial na administração central do Estado; ¨ Aprovados e em aplicação, pelo menos em actividades prioritárias procedimentos simplificados de decisão em matéria de licenciamento e observância de direitos legalmente previstos. Resultados específicos ¨ Em funcionamento o Sistema Informatizado de Gestão Financeira (SIGF) na administração pública; Em funcionamento em rede informática, as unidades de análise orçamental da administração pública; Preparadas as bases legais e institucionais para a implantação de orçamentos programa, incluindo o plano de implementação de sistemas integrados de informação para a gestão financeira; Incluídos na contabilidade pública todos os fundos públicos em operação; Disponibilizados a tempo todos os fundos orçamentais atribuídos aos órgãos locais do Estado; Ampliado o uso de contratos programa e/ou de contratos de gestão similares às organizações públicas dotadas de autonomia financeira seleccionadas para esse fim pela reforma; Adoptados e em implementação experimental, propostas de consulta, acompanhamento e informação sobre o uso de fundos públicos pelos cidadãos, em especial os que tenham uma relação de financiamento ou de beneficio com os mesmos; Realizado estudo de base sobre o grau de regularidade e abrangência das auditorias e exames financeiros e estabelecidas medidas de elevação desses níveis, existindo em decorrência uma base comparativa e projecção de melhorias; 50 Segunda Fase da Reforma do Sector Público A segunda fase (2006-2011), teve como objectivo aprofundar as reformas iniciadas durante a primeira fase, ajustando-as as prioridades actuais do Governo, com especial destaque para o desenvolvimento de instituições Públicas racionalizadas e integradas prestando serviços de qualidade ao cidadão. A Fase II, assenta em quatro prioridades, nomeadamente, a melhoria na prestação de serviços, fortalecimento dos órgãos locais com enfoque no distrito; a profissionalização da função pública e a boa governação e combate à corrupção. O plano é indicativo, cabendo as instituições implementadoras refinar, no âmbito operacional, as prioridades estabelecidas de acordo com a sua situação específica, e enriquecer a relevância da reforma através da implementação de iniciativas complementares. A segunda da Reforma do Sector Público (RSP), enquadra-se na estratégia mais ampla do Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA). Um dos pilares deste plano é promover a boa governação. Com efeito, a pobreza no quadro deste instrumento é definida numa perspectiva ampla e inclui, para além das medidas econométricas, factores como o limitado acesso aos serviços, a exclusão no processo de tomada de decisões, exposição à corrupção, a falta de participação entre outros. Os desafios estabelecidos no pilar da boa Governação estão sumariados da seguinte forma: (a) Melhorar o modelo democrático, através do desenvolvimento de uma democracia participativa, abrindo o espaço para a participação e intervenção de grupos de interesse da sociedade civil; (b) Fortalecer o funcionamentodo Parlamento, órgãos locais do Estado e o Desenvolvimento Municipal; (c) Fortalecer a capacidade do Governo de formular e gerir políticas públicas, 51 promover a descentralização, a transparência e a prestação de contas; (d) Fortalecer as instituições públicas e o seu respectivo pessoal por forma a melhorar a prestação de serviços; (e) Fortalecer o Distrito como unidade de planificação; (f) Promover a legalidade, justiça e a sociedade civil; (g) Resolver as questões ligadas ao HIV-SIDA, género, segurança alimentar, meio ambiente e tecnologias de informação. O programa da Reforma Sector Público é uma estratégia que contribui de forma significativa para a materialização dos objectivos da política nacional de redução da pobreza absoluta. A RSP operacionaliza o PARPA, no sentido de orientar o conjunto das organizações públicas a prestar serviços de qualidade, cada vez mais próximos do cidadão; a promover uma cultura pública baseada na integridade, transparência e prestação de contas; a promover uma democracia participativa; e a combater a corrupção e garantir o fortalecimento do Estado de Direito. Para orientar política e metodologicamente a Reforma do Sector Público, o Governo criou, através do Decreto Presidencial 5/2000 de 20 de Março, a Comissão InterMinisterial para a Reforma do Sector Público - CIRESP. A CIRESP é assistida pela Unidade Técnica da Reforma do Sector Público – UTRESP, criada pelo Decreto do Conselho de Ministros 6/2000 de 4 de Abril. A Estratégia Global da Reforma do Sector Publico é o documento político orientador da reforma no Pais, tendo a sua relevância e actualidade sido reafirmadas durante a avaliação da Fase I, levada a cabo em 2005. Abordagem da Reforma na Fase II A Fase II inspira-se nos mais legítimos anseios do cidadão e das comunidades no sentido de produzir melhorias visíveis na qualidade das respostas do Estado a sociedade. Neste sentido a Fase II, vai buscar resultados concretos, que tornem claro ao cidadão comum e ao empreendedor que a Reforma, realmente “ faz a diferença”. Para materializar este pressuposto a 52 abordagem da fase II assenta nas seguintes estratégias: ß Selecção de Prioridades ß Integração das diversas iniciativas da reforma, por forma a manter um alto grau de coerência entre as suas componentes ß Implementação descentralizada nos sectores, províncias, distritos e autarquias por forma a assegurar a responsabilização ß Reforço da coordenação e base interna e externa de apoio técnico e metodológico. A Abordagem Selectiva: eleger prioridades na intervenção A segunda Fase da Reforma é da Responsabilidade de todos os sectores como entidades que promovem e desenvolvem serviços públicos para o cidadão e o sector privado, caracterizando-se como um processo de abordagem selectiva pela definição de áreas prioritárias e sua respectiva hierarquização. Neste sentido, as quatro prioridades para a Fase II são: (1) a melhoria da prestação de serviços ao cidadão e ao sector privado; (2) fortalecimento da capacidade dos órgãos locais com enfoque no Distrito; (3) a profissionalização da função pública e; (4) fortalecimento dos sistemas de Boa Governação e Combate a Corrupção. A implementação da Fase II requer, por um lado, o fortalecimento das instituições do Estado que intervêm na coordenação da Reforma, nomeadamente a Autoridade Nacional da Função Pública, o Ministério da Administração Estatal, o Ministério de Planificação e Desenvolvimento, o Ministério das Finanças, Ministério da Justiça, Ministério do Trabalho, o Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental e o Ministério da Ciência e Tecnologia. E, por outro, o fortalecimento das instituições do Estado chaves no combate a pobreza no âmbito do PARPA, tais como Ministério da Educação e Cultura, Ministério da Saúde, Ministério da Industria e Comércio, Ministério da Agricultura, Ministério do Turismo, Ministério do Interior, Ministério das Obras Públicas e Habitação, Ministério dos Transportes e Comunicação e, Ministério da Mulher e Acção Social. O 53 fortalecimento das instituições acima, constitui condição indispensável à implementação efectiva da Reforma. O Governo encoraja ainda e apoia esforços complementares tendentes a melhoria da qualidade de serviços ao cidadão em geral e ao sector privado a nível sectorial (Ministérios), Local (Províncias, Distritos e autarquias) Esta abordagem, já integrada na filosofia dos Programas de Impacto Imediato e Fundo para a Melhoria do Desempenho vai ser reforçada e acelerada Sumário De forma sucinta, discutimos sobre o processo das reformas em Moçambique, onde chegamos a ficou visivel que as reforma em Moçambique teve um marco importante com o abandono do sistema de economia centralmente planificada e adopção do sistema de economia de mercado em 1987. Com esta viragem, o Governo moçambicano almejava entre outros objectivos, a melhoria e desenvolvimento da capacidade do Estado, para responder aos desafios sócio-económicos impostos pelo contexto global MAZULA, A. (1998). O alcance deste objectivo passava necessariamente pela implementação de reformas a nível das instituições do Estado, adequando o seu funcionamento e suas acções às exigências impostas pelo sistema de economia de mercado. Para responder a este desafio, Moçambique implementou várias acções de reforma, A primeira Fase I da reforma do Sector Público em Moçambique decorreu entre (2001-2005) cujo foco foi criar as condições básicas para a transformação do sector público, nomeadamente: A mobilização política e o apoio público a reforma; a capacitação das instituições públicas a nível nacional e local para gerir a implementação da reforma; a criação da base legal, metodológica e das ferramentas e instrumentos necessários a orientação da reforma; e mobilização de fundos; A segunda fase (2006-2011), teve como objectivo aprofundar as reformas iniciadas durante a primeira fase, ajustando-as as prioridades actuais do Governo, com especial destaque para o desenvolvimento de instituições Públicas 54 racionalizadas e integradas prestando serviços de qualidade ao cidadão. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO GRUPO-1: Perguntas Fechadas 1. A Estratégia Global da Reforma do sector Público, consistiu de um plano de dez anos (2001-2011), dividido em duas fases nomeadamente: a) A primeira (2003-2005) e a segunda fase (2006-2017); b) A primeira (2001-2005) e a segunda fase (2008-2011); c) A primeira (2000-2005) e a segunda fase (2006-2014); d) A primeira (2001-2005) e a segunda fase (2006-2011). 2. Em Moçambique, o processo de reformas teve um marco importante com o abandono do sistema de economia centralmente planificada e adopção do sistema de economia de mercado em 2000. a) Verdadeiro b) Falso 3. A Estratégia Global da Reforma do sector Público, consistiu de um plano de dez anos (2001-2011), dividido em duas fases. a) Verdadeiro b) Falso Componentes Actividades Etratégicas 1 Racionalização e descentralização de estruturas, e processos de prestação de serviços Objectivos específicos: A ✓ Desenvolvimento do Sistema de Formação em Administração Pública; ✓ Desenvolvimento da Gestão Estratégica dos Recursos Humanos da Função Pública; Reforma Salarial; 55 4. O foco da primeiro (2001-2005) foi criar as condições básicas para a transformação do sector público, nomeadamente: a) A mobilização política e o apoio público a reforma; b) Capacitação das instituições públicas a nível nacional e local para gerir a implementação da reforma; c) Criação da base legal, metodológica e das ferramentas e instrumentos necessários a orientação da reforma; e mobilização de fundos; d) Todas as alternativas estão correctas. Faça a correspondências dos componentes da Reforma do Sector 2 Gestão de Políticas PúblicasB ✓ Reforma do Sistema de Administração Financeira do Estado; ✓ Reforma do Sistema de Aquisições do Estado; 3 Profissionalização dos Funcionários do Sector Público C ✓ Acções de Impacto Imediato. ✓ Análise Funcional e Restruturação ✓ Descentralização e Desconcentração · ✓ Balcões de Atendimento Único. Gestão da Mudança 4 Melhoria da Gestão Financeira e da Prestação de Contas D ✓ Estudo da Macro-Estrutura do Governo Central. ✓ Governo Electrónico 5 Boa Governação e Combate a corrupção E ✓ Criação da CIRESP e UTRESP · ✓ Criação das Unidades Técnicas de Apoio e Coordenação da reforma na província, distrito e posto administrativo 6 Gestão da Reforma F ✓ Estratégia Anti-corrupção; ✓ Implementação da Reforma do Sector Público ✓ Pesquisa de base sobre boa governação e combate a corrupção · Reforma do Judiciário 56 Público e respectivas acções estratégicas Resposta 1 - d 2 - b 3 - a 4 - d Resposta/Corespondencia 1 - C 2 - D 3 - A 4 - B 5 - F 6 - E Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-2 Marque a alternativa certa em cada questão abaixa descrita: 1. A segunda fase (2006-2011), teve como objectivo: a) A mobilização política e o apoio público a reforma; b) Capacitação das instituições públicas a nível nacional e local para gerir a implementação da reforma; c) Criação da base legal, metodológica e das ferramentas e instrumentos necessários a orientação da reforma; e mobilização de fundos; d) Aprofundar as reformas iniciadas durante a primeira fase, ajustando-as as prioridades actuais do Governo, com especial destaque para o desenvolvimento de instituições Públicas racionalizadas e integradas prestando serviços de qualidade ao cidadão. 2. Um dos desafios estabelecidos no pilar da boa Governação está sumariado da seguinte forma: a) Melhorar o modelo democrático, através do desenvolvimento de uma democracia participativa, abrindo o espaço para a participação e 57 intervenção de grupos de interesse da sociedade civil; b) Fortalecer o funcionamento do Parlamento, órgãos locais do Estado e o Desenvolvimento Municipal; c) Fortalecer a capacidade do Governo de formular e gerir políticas públicas, promover a descentralização, a transparência e a prestação de contas; d) Todas as alternativas estão correctas. 3. O Governo criou, através do Decreto Presidencial 5/2000 de 20 de Março, a Comissão InterMinisterial para a Reforma do Sector Público - CIRESP. A CIRESP é assistida pela Unidade Técnica da Reforma do Sector Público – UTRESP, criada pelo Decreto do Conselho de Ministros 6/2000 de 4 de Abril. a) Verdadeiro b) Falso 4. A Estratégia Global da Reforma do Sector Publico é o documento político orientador da reforma no Pais, tendo a sua relevância e actualidade sido reafirmadas durante a avaliação da Fase I, levada a cabo em 2015. a) Verdadeiro b) Falso 5. A primeira fase da RFSP, teve um marco importante na reintrodução geral no sector público, pelo menos até 2002 de seguintes serviços: a) Serviços prestados por unidades da administração directa do governo central descentralizados para Institutos públicos ou autarquias locais, ou desconcentrados para órgãos da administração local do Estado ou ainda privatizados ou em parcerias; b) Caixa eletrotónica de filas de espera; c) Linha verde de reclamação e sugestão; 58 d) Serviços de atendimento a domicílio. Resposta 1 - D 2 - D 3 - A 4 - B 5 - A TEMA –IV: MODELOS DE REFORMA NO SECTOR PÚBLICO UNIDADE Temática 4.1. Modelo Sistêmico UNIDADE Temática 4.2. Modelo Contingencial UNIDADE Temática 4.1. Modelo Patrimonialista Introdução O contexto em que se insere a RSP em Moçambique, a implementação da EGRSP, o enquadramento da URESS, bem como a sua implementação tinha como foco central a modernização da Administração, periodizando prestação de serviços com qualidades Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos • Identificar os modelos da RSP • Descrever os modelos da RSP 59 Existem várias teorias ou abordagens de análise que podem ser aplicadas à análise sobre os processos de reforma institucional, contudo, os pressupostos apresentados pela abordagem sistêmica e abordagem contingencial da Teoria Organizacional contém elementos que possibilitam melhor articulação e análise sobre a relevância da URESS no processo da reforma do SS. Assim, as abordagens sistêmica e contingencial da teoria organizacional serão as perspectivas de análise usadas no presente trabalho. Unidade: 4.1 Modelo Sistêmico A teoria de sistemas foi proposta em meados de 1950 pelo biólogo Ludwig Von Bertalanffy. O desenvolvimento da abordagem sistémica nos estudos organizacionais abriu novas possibilidades de análise para o espaço das organizações ao considerá-las não mais como um sistema fechado e demonstrando seu contínuo intercâmbio com o ambiente e a influência deste na sua estruturação. A teoria de sistemas parte do princípio que assim como os organismos, as organizações estão abertas ao ambiente no qual estão inseridas e precisam manter uma relação adequada com este caso queiram sobreviver (Bertalanffy, 1975). Chiavenato (2002) enfatiza que as oganizações para sobreviverem devem ajustar-se constantemente às condições do meio, e para isso, elas são adaptivas. A sua adaptabilidade é um contínuo processo de aprendizagem e de auto-organização. Análise da Relevância da Unidade Técnica de Reforma no Sector Saúde: 2006 - 2008 17 De acordo com Bertalanffy (1975) e 60 Chiavenato (2002), as organizações não são organismos isolados, interagem com o ambiente externo e nessa interação devem procurar responder às exigências do mesmo adaptando para o efeito a sua estrutura e funcionamento. Ao fundamentar a necessidade de as organizações responderem às exigências do ambiente externo, a Teoria Sistémica forneceu bases para a abrdagem contingencial. A Abordagem Sistêmica da Administração trata de três escolas principais: 1. Cibernética: é a teoria dos sistemas de controle baseada na comunicação (transferência de informação) entre o sistema e o meio e dentro do sistema, e do controle (retroação) da função dos sistemas com respeito ao ambiente. Os sistemas cibernéticos apresentam três propriedades principais: a) São excessivamente complexos, portanto devem ser focalizados através da caixa negra. O sistema recebe entradas ou insumos para poder operar, processando ou transformando essas entradas em saídas (outputs). Através da saída, o sistema exporta o resultado de suas operações para o meio ambiente. O conceito de caixa negra refere-se a um sistema onde seu interior não pode ser desvendado, e são conhecidos através de manipulações ou de observação externa. São sistemas impenetráveis ou inacessíveis e/ou sistemas é excessivamente complexos. b) São probabilísticos, portanto, devem ser focalizados através da estatística e da teoria da informação. A retroação (feedback) serve para comparar a maneira como um sistema funciona em relação ao padrão estabelecido para ele funcionar: quando ocorre alguma diferença (desvio ou discrepância) entre ambos, a retroação incumbe-se de regular a entrada para que sua saída se aproxime do padrão estabelecido, o que é fundamental 61 para o equilíbrio do sistema. c) São auto-regulados, portanto, devem ser focalizados através da retroação que garante a homeostase. A homeostasia é um equilíbrio dinâmico obtido através do feedback. É a capacidade que tem o sistema de manter certas variáveis dentro de limites, mesmo quando os estímulos do meio externo forçam essas variáveis a assumir valores que ultrapassam os limites da normalidade. Um dos grandes problemas da Cibernética é a representação de sistemas originais através de outros sistemascomparáveis, que são denominados modelos. Principais Conseqüências da Cibernética na Administração “Se a primeira Revolução Industrial desvalorizou o esforço muscular humano, a segunda Revolução Industrial (provocada pela Cibernética) está levando a uma desvalorização do cérebro humano”. • Automação: engenhos com dispositivos que tratam informações e produzem ações/respostas. • Informática: ferramenta tecnológica à disposição do homem para promover seu desenvolvimento. 2. Teoria Matemática da Administração: Teoria Matemática põe ênfase no processo decisório e procura tratá-lo de modo lógico e racional. Permite novas técnicas de planejamento e controle no emprego de recursos materiais, financeiros e humanos e diminui os riscos envolvidos nos planos que afetam o futuro a curto ou longo prazo. Segundo a Teoria da Decisão, todo o problemas administrativo equivale a um processo de decisão. . Necessidade de Modelos Matemáticos em Administração: A Teoria Matemática preocupa-se em construir modelos matemáticos capazes de simular situações reais na empresa, normalmente futuras, que visam a avaliação da probabilidade de ocorrência e a resolução de problemas de tomada de decisão. 3. Teoria de Sistemas: A Teoria Geral de Sistemas não busca solucionar 62 problemas ou tentar soluções práticas, mas sim produzir teorias e formulações conceituais que possam criar condições de aplicações na realidade empírica. A importância da TGS é significativa tendo em vista a necessidade de se avaliar a organização como um todo e não somente em departamentos ou setores. Parâmetros dos Sistemas • Entrada ou insumo ou impulso: (input). • Saída ou produto ou resultado: (output. • Processamento ou processador ou transformador: (throughput. • retroação, retroalimentação ou retroinformação (feedback). • Ambiente (meio que envolve externamente o sistema). Tipos de Sistemas Quanto à sua constituição, os sistemas podem ser físicos ou abstratos: • Sistemas físicos ou concretos (hardware). • Sistemas abstratos (software). Quanto à sua natureza, os sistemas podem ser abertos ou fechados. • Sistemas fechados: sistemas que não apresentam intercâmbio com o meio ambiente externo, • Sistemas abertos: sistemas que apresentam relações de intercâmbio, através de entradas e saídas. O Sistema Aberto: O Sistema Aberto mantém um intercâmbio de transações e conserva-se constantemente no mesmo estado (auto- regulação), apesar da matéria e energia que o integram se renovarem constantemente (equilíbrio dinâmico ou homeostase). O sistema aberto é influenciado pelo meio ambiente e influi sobre ele, alcançando um estado de equilíbrio dinâmico nesse meio. A Organização como um Sistema Aberto: A descrição de sistema aberto é exatamente aplicável a uma organização empresarial. Uma empresa é um sistema criado pelo homem e mantém uma dinâmica interação com seu meio ambiente. 63 Influi sobre o meio ambiente e recebe influências dele. É um sistema integrado por diversas partes relacionadas entre si, que trabalham em harmonia umas com as outras, com a finalidade de alcançar uma série de objetivos, tanto da organização como de seus participantes. O Homem Funcional: A Teoria de Sistemas baseia-se no conceito do “homem funcional”, que comporta-se em um papel dentro das organizações, inter- relacionado-se com os demais indivíduos como um sistema aberto. A perspectiva sistêmica trouxe uma nova maneira de ver as coisas, não somente em termos de abrangência, mas principalmente quanto ao enfoque, o enfoque do todo e das partes, do dentro e do fora, do total e da especialização, da integração interna e da adaptação externa, da eficiência e da eficácia. Uniddade: 4.2. Modelo Contingencial Contingência é definida por Campos (1996:168) como "toda variável externa, característica ambiental ou factor circundante, que afecta o desenho ou estrutura de uma organização numa relação de causa efeito”. Neste caso a variável externa que demanda a Reforma do SP são as mudanças das políticas do país que geraram a necessidade de implementação de Reforma a nivel das instituições públicas, para que elas respondam aos seus objectivos. As contingências são parte integrante do ambiente. Segundo Campos (1996), ambiente é o conjunto de condições comuns, sejam elas políticas, económicas, demográficas, ecológicas, tecnológicas ou culturais que afectam directa ou indirectamente toda e qualquer organização. A teoria da contingência enfatiza que não há nada de absoluto nas organizações ou na teoria administrativa, tudo é relativo, tudo depende. Em vez de uma relação de causa e efeito existe uma relação funcional entre elas do tipo “se-então”. A teoria da contingência 64 nasceu a partir de uma série de pesquisas feitas para verificar os modelos de estruturas organizacionais mais eficazes em determinados tipos de indústrias em diferentes condições. Os resultados das pesquisas, resumem que não há uma única e melhor forma de organizar. 1. Chandler (1967) – pesquisou empresas americanas e conclui que elas foram gradativamente determinadas pela sua estratégia mercado lógica e por um grande processo histórico. 2. Burns e Stalker (1969) – pesquisaram indústrias inglesas para verificar a relação existente entre as práticas administrativas e o ambiente externo dessas indústrias. Do ponto de vista da administração, a tecnologia pode ser abordada e analisada sob vários ângulos e perspectivas, tal a sua complexidade. Assim a necessidade de classificações e tipologias de tecnologia para facilitar sua administração. 5. Tipologia de Thompson (Thompson) – Classificou a tecnologia em 6, entre elas definindo como em linha de produção em massa, em tecnologia intensiva, flexível, fixa e de produto abstrato. O arranjo organizacional: As organizações são, de um lado, sistemas abertos, sua eficácia reside na tomada de decisões capazes de permitir que a organização se antecipe as oportunidades, se defendam das coações e se ajuste as contingências do ambiente. Por outro lado, as organizações são sistemas fechados, tendo em vista que o nível operacional funciona em termos de certeza e de previsibilidade, operando a tecnologia de acordo com eficiência reside nas operações executadas dentro de programas, rotinas e procedimentos cíclicos, repetitivos, e moldes da melhor maneira. Organizações por equipe: A mais recente tendência tem sido o esforço das organizações em implementar os conceitos de equipe. A cadeia vertical de comando constitui um poderoso meio de controle, mas seu ponto frágil é jogar a responsabilidade 65 para o topo. A abordagem de equipes torna as organizações mais flexíveis e ágeis ao ambiente global e competitivo. Existem dois tipos de equipes: a funcional (vários departamentos) e a permanente (departamentos formais). O Homem Complexo: “Homem Complexo”: o homem como um sistema complexo de valores, percepções, características pessoais e necessidade, porém variável, tem muitas motivações, que se encontram dispostas em uma certa hierarquia e sujeita a mudanças de situação à situação e de momento à momento. A visão contingencial requer habilidades de diagnóstico situacional não somente habilidades de aplicar ferramentas ou esquemas de trabalho. Administração não é somente indicar o que fazer, mas principalmente analisar por que fazer as coisas.Consenso dos autores quanto ao relativismo em administração A Teoria Contingencial põe forte ênfase no ambiente, focalizando a organização de fora para dentro, na tecnologia, meios de se utilizar adequadamente da tecnologia que proporciona os produtos/serviços da organização e integra e compatibiliza as abordagens de sistemas fechado e de sistema aberto, mostrando que as abordagens mecanísticas se preocuparam com os aspectos internos da organização, e as orgânicas voltaram-separa os aspectos da periferia e dos níveis . Pressuposto da abordagem contingencial A abordagem contingencial parte do pressuposto que não existe uma estrutura funcional que efetiva para todas as organizações, pois a melhor optimização da estrutura dependerá de alguns fatores contingenciais, tais como estratégia, tamanho, incerteza da tarefa e tecnologia, que por sua vez refletem a influência do ambiente externo numa dada organização. 66 (Donaldson, 1999). Assim, tendo em vista os fatores contingências que constituem factores do ambiente externo e que podem criar impacto nas organizações, a teoria contingencial procura tratar da influência dos factores ou variáveis contingenciais na formatação das estruturas das organizações, que ao adotarem distintas formas de se configurarem, procuram se adaptar criando mudanças no ambiente interno e na sua estrutura, em resposta às exigências do ambiente externo. Do ponto de vista da Teoria Contingencial, existe uma relação funcional entre as condições do ambiente e as técnicas administrativas que se adoptam de forma a organizar a estrutura funcional das organizações. Nesta relação funcional, os factores ambientais constituem variáveis independentes, enquanto que as técnicas administrativas são variáveis dependentes. Todavia, esta relação funcional entre variáveis independentes e dependentes não implica uma relação de causaefeito, pois segundo Donaldson (1999), a gestão é activa. O cerne do debate da abordagem contingencial reside na forma em que a estrutura organizacional é formatada, para responder às exigências do ambiente, partindo do pressuposto que não há planos, estruturas ou sistemas de controle adequados para todas as organizações, ainda que inseridas no mesmo ambiente (Donaldson, 1999). As organizações precisam identificar formas próprias de se estruturar e organizar para de acordo com as suas especificidades e necessidades, se ajustarem e responderem adequadamente às demandas ambientais, e, consequentemente, responderem adequadamente aos seus objectivos (Hampton, 1990; Donaldson, 1999). À luz das teorias Sistémica e Contingencial, as mudanças na política económica do país constituem o ambiente externo às instituições públicas. A implementação de reformas e criação das UTR constituem resposta às exigências criadas com a mudança na política económica. A criaçã das UTR reflecte-se na estrutura interna das instituições públicas, incluindo do MISAU. 67 Contudo, estas mudanças ocorrem com vista ao alcance dos objectivos das instituições e do Estado em geral. Fazendo ligação da abordagem contingencial ao trabalho, esta sugere que a criação de uma Unidade Técnica para Reforma pode não representar estratégia adequada para todas as instituições do SP se se tiver em conta que, cada uma das instituições tem as suas especificidades na estrutura funcional, que podem contribuir sobremaneira na forma destas se organizarem por forma a responder às exigências do ambiente e aos objectivos institucionais. Unidade 4.3 Modelo Patrimonialista Neste modelo, os governantes consideram o Estado seu patrimônio, dispondo dos bens públicos como sendo de sua propriedade. O aparelho do Estado funciona como uma extensão do poder do soberano. A característica principal é a indistinção entre a res publica (coisa pública, patrimônio do povo) e a res principis (patrimônio do príncipe ou do soberano). Essa indistinção colabora para que haja uma grande confusão entre o patrimônio público e o privado e essa confusão proporciona aos Soberanos um cenário propício para a apropriação indevida dos bens públicos. A corrupção e o nepotismo são inerentes a esse tipo de administração (Pereira, L. C. B. (2003), mesmo de forma desorganizada, o patrimonialismo foi o primeiro modelo de administração do Estado. Neste modelo administrativo não havia distinção entre a administração de bens públicos e bens particulares: “tudo que existia nos limites territoriais de seu “reinado” era tido como domínio do soberano, que podia utilizar livremente os bens sem qualquer prestação de contas à sociedade” Sumário 68 Estudamos e discutimos fundamentalmente sobre os modelos de reforma no sector público, nomeadamente Modelo Sistêmico, Modelo Contingencial, Modelo Patrimonialista onde ficou retido que o modelo sistemas parte do princípio que assim como os organismos, as organizações estão abertas ao ambiente no qual estão inseridas e precisam manter uma relação adequada com este caso queiram sobreviver, o modelo contingência enfatiza que não há nada de absoluto nas organizações ou na teoria administrativa, tudo é relativo, tudo depende. Em vez de uma relação de causa e efeito existe uma relação funcional entre elas do tipo “se-então”. A teoria da contingência nasceu a partir de uma série de pesquisas feitas para verificar os modelos de estruturas organizacionais mais eficazes em determinados tipos de indústrias em diferentes condições. Os resultados das pesquisas, resumem que não há uma única e melhor forma de organizar deste modo ao modelo contingencial advoga que as mudanças na política económica do país constituem o ambiente externo às instituições públicas. A implementação de reformas e criação das UTR constituem resposta às exigências criadas com a mudança na política económica, no modelo patrimonialista, os governantes consideram o Estado seu patrimônio, dispondo dos bens públicos como sendo de sua propriedade. O aparelho do Estado funciona como uma extensão do poder do soberano. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO GRUPO-1: Perguntas Fechadas 1. A teoria de sistemas foi proposta em meados de 1950 pelo biólogo Ludwig Von Bertalanffy. a) Verdadeiro b) Falso 2. Chiavenato (2002) enfatiza que as oganizações para sobreviverem devem ajustar-se constantemente às condições do meio, e para isso, elas são adaptivas. a) Verdadeiro 69 b) Falso 3. A Abordagem Sistêmica da Administração trata de três escolas principais nomeadamente: a) Cibernética, Teoria Matemática da Administração e o Homem Funcional; b) Classica, Neoclassica e o Homem Funcional; c) Cibernética, Teoria Geometrica e O Homem tradicional; d) Classica, Neoclassica e o Contemporânea. 4. A teoria dos sistemas de controle baseada fundamentalmente na: a) Tolerância (Paciencia) entre as partes do sistema e o meio e dentro do sistema, e do Valor (retroação) da função dos sistemas com respeito ao ambiente. b) comunicação (transferência de informação) entre o sistema e o meio e dentro do sistema, e do controle (retroação) da função dos sistemas com respeito ao ambiente. c) Concordia (Resignação) entre as partes do sistema e o meio e dentro do sistema, e do princípios(retroação) da função dos sistemas com respeito ao ambiente. d) Todas as Alternativas estão correctas. 5. Os sistemas cibernéticos apresentam três propriedades principais: a) São excessivamente complexos, portanto devem ser focalizados através da caixa negra; b) São probabilísticos, portanto, devem ser focalizados através da estatística e da teoria da informação; c) São auto-regulados, portanto, devem ser focalizados através da retroação que garante a homeostase; d) Todas as Alternativas estão correctas. 6. Teoria Matemática põe ênfase no processo decisório e procura tratá-lo de modo lógico e racional. a) Verdadeiro 70 b) Falso 7. A Teoria Matemática preocupa-se em construir modelos matemáticos capazes de simular situações reais na empresa, normalmente futuras, que visam a avaliação da probabilidade de ocorrência e a resolução de problemas de tomada de decisão. a) Verdadeiro b) Falso 8. A Teoria Geral de Sistemas não busca solucionar problemas ou tentar soluções práticas, mas sim produzir teorias e formulações conceituais que possam criar condições de aplicaçõesna realidade empírica. a) Verdadeiro b) Falso 9. O sistema aberto é influenciado pelo meio ambiente e influi sobre ele, alcançando um estado de equilíbrio dinâmico nesse meio. a) Verdadeiro b) Falso 10. Chandler (1967) – pesquisou empresas americanas e conclui que: a) Elas foram gradativamente determinadas pela sua estratégia mercadológica e por um grande processo histórico; b) Elas foram positivamente determinadas pela sua estratégia Interna e por um grande processo histórico; c) Elas foram gradativamente determinadas pela sua ousadia no processo de adaptação e por um grande processo histórico; d) Nenhuma das alternativas está correcta. Resposta 1 - A 2 - A 3 - A 4 - B 5 – D 6 - A 7 - A 8 - A 9 – A 10 - A 71 Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-2 Marque a alternativa certa em cada questão abaixa descrita: 1. Contingência é definida por Campos (1996:168) como "toda variável externa, característica ambiental ou factor circundante, que afecta o desenho ou estrutura de uma organização numa relação de causa efeito”. a) Verdadeiro b) Falso 2. A Teoria Contingencial enfatiza fortemente: a) Ambiente, focalizando a organização de fora para dentro; b) NA tecnologia, meios de se utilizar adequadamente os mesmo; c) Compatibiliza as abordagens de sistemas fechado e de sistema aberto, mostrando que as abordagens mecanísticas se preocuparam com os aspectos internos da organização, e as orgânicas voltaram-se para os aspectos da periferia e dos níveis; d) Todas as Alternativas estão correctas. 3. O modelo Patrimonialista os governantes consideram o Estado como: a) seu patrimônio, dispondo dos bens públicos como sendo de sua propriedade; b) A consolidação da vontade de viver em colectividade; c) A mafestação da construção de uma sociedade sã; d) Todas as Alternativas estão correctas. Resposta 1 - A 2 - D 3 - A 72 TEMA – V: REFORMAS DO SECTOR PÚBLICO NO MUNDO UNIDADE Temática 5.1. Inovação tecnológica na reforma do sector público: o sistema electrónico de aquisições públicas do Chile Introdução O sistema chileno de aquisições públicas, recentemente reformado, mostra como a tecnologia da informação pode tornar o governo mais eficiente, transparente e responsável - beneficiando os cidadãos, as empresas e as agências públicas. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos • Conhecer as diversas reformas efectivadas no mundo; • Conhecer as diversas reformas efectivadas em África; • Conhecer a contribuição das reformas UNIDADE Temática 5.1. Inovação tecnológica na reforma do sector público: o sistema electrónico de aquisições públicas do Chile A tecnologia da informação está mudando a maneira das pessoas pensarem e perceberem o mundo, impulsionando as inovações e contribuindo para o bem-estar 73 económico e social. Quando utilizada no sector público, a tecnologia da informação pode dar apoio à democratização, tornar o governo mais responsável em termos de prestação de contas e aumentar a igualdade social através do fornecimento de acesso à informação e à tecnologia. O governo chileno utilizou a tecnologia da informação para oferecer um serviço público voltado para os cidadãos que seja mais transparente, eficiente e responsável. O Chile queria colocar o governo a serviço da população e, para isso, implementou inovações que permitiram ao governo atender as necessidades dos cidadãos de maneira simples, rápida e eficiente. Para realizar esse objectivo, o governo desenvolveu um plano estratégico para o período de 1998- 2000. Tecnologia da informação e reforma do sector público. A tecnologia da informação realiza muito mais do que apenas afectar as expectativas e a satisfação do público em relação ao desempenho do sector público. Ela também oferece um meio de tornar o sector público mais voltado para os serviços, além de aumentar sua capacidade em atender a essas expectativas. A tecnologia de informação pode facilitar o desenvolvimento e a implementação da modernização do sector público - aumentando a a eficiência e a qualidade dos serviços públicos, dando poder de actuação ao público e colocando o governo a serviço dos cidadãos. A eficiência e a efectividade dos serviços podem ser aumentadas através do governo electrónico. A condução electrónica das transacções públicas possibilita a eliminação da presença física - aguardar em uma fila, ir a vários departamentos - necessária, com frequência, ao apresentar documentos em papel. As transacções electrónicas criam um único veículo para acessar os serviços de muitas agências, reduzindo o tempo gasto para efectuar essas transacções e as despesas resultantes das várias etapas de procedimentos burocráticos. Essas economias permitem que o governo obtenha dividendos de seu dinheiro, porque o que ele economiza pode ser utilizado no fornecimento de melhores serviços. A transparência e a probidade aumentam através da publicação online das transacções do governo e do fornecimento de acesso às 74 mesmas. Esse procedimento reduz as oportunidades de uso arbitrário dos fundos públicos, aumentando a imparcialidade e a integridade dessas operações. Além disso, a possibilidade de dispor de um registo electrónico das transacções, que pode ser rastreado, reduz as oportunidades de corrupção e aumenta a credibilidade do sector público. • O governo electrónico dá poderes aos cidadãos, permitindo sua maior participação. As informações na Internet estão disponíveis a qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer momento. Os portais abertos ao público fornecem acesso fácil às agências governamentais. Esse recurso pode auxiliar na obtenção de feedback, incentivar a participação nas atividades de licitações para contratos e aumentar o acesso às informações - de modo que o público esteja sempre actualizado. O governo electrónico pode ser utilizado como uma ferramenta de gestão no setor público. Ele serve também para harmonizar as normas e os regulamentos das diferentes agências, integrar melhor os serviços públicos e reunir as informações enviadas por todas as agências governamentais. Além disso, a possibilidade de desenvolver intranets cria a oportunidade de aperfeiçoar a coordenação interna e entre agências, assim como aumenta a supervisão ministerial dos serviços públicos. O problema e a solução no Chile Então, como a tecnologia da informação afectou o sistema de aquisições públicas do Chile? Antes da implantação do Sistema Electrónico de Informação sobre Aquisições Públicas, a Dirección de Aprovisionamento del Estado (DAE) era a principal compradora no setor público. A DAE perdeu a sua legitimidade entre as agências públicas, que começaram a desenvolver os seus próprios sistemas e procedimentos de aquisição. Seus controles eram fracos, não havia uma estrutura jurídica uniforme e era sobrecarregada pelas frequentes regulamentações conflituantes, vinculadas às várias agências. Este cenário tornava quase impossível às empresas privadas 75 saber e, às vezes, atender aos requisitos das diferentes agências. Dois estudos concluíram categoricamente que a DAE deveria ser extinta. Mas essa mudança implicava em riscos políticos e sociais - incluindo o conflito potencial entre o governo e os sindicatos. Em 1997, o Comité Interministerial para a Modernização da Gestão Pública apresentou um plano estratégico trienal para orientar o processo de modernização do sector público. O comité criou a Unidade de Tecnologia da Informação e de Comunicações para coordenar, promover e dar consultoria ao governo chileno sobre o desenvolvimento da tecnologia de informação para emprego, informação e comunicações. Uma área na qual a unidade foi particularmente bem-sucedida consistiu em impulsionar a reformaampla do sistema de aquisições públicas. Em um período bastante curto, a reforma gerou uma economia visível, criou uma melhor troca de informações e aumentou a transparência e a confiabilidade referente às aquisições do governo. Elementos do sistema electrónico O Comité Interministerial para a Modernização da Gestão Pública elaborou diversas etapas importantes para reformar o sistema de aquisições públicas do Chile. Formação das bases de apoio O primeiro desafio do comité foi enfrentar o ambiente e criar apoio para o novo sistema. O comité se deparou com diversas perguntas: Como seria possível desenvolver um sistema que acomodasse as várias agências públicas? Como lidar com a resistência às mudanças e com a crença de que informatização significa privatização ou terciarização? Como obter os recursos necessários ao desenvolvimento do sistema, uma vez que não constava da agenda orçamentária? O que fazer com a DAE? Como seria possível obter e manter um forte apoio político para uma iniciativa considerada como uma solução tecnocrática sem quase nenhum benefício político? O comité apresentou a sua estratégia em termos de eficiência e mostrou a economia potencial gerada pelo programa de reforma das aquisições do governo. Essa economia iria assegurar o desenvolvimento geral desse programa e obteria o apoio do setor orçamentário. A estimativa de poupança seria de aproximadamente US$200 milhões por ano, o equivalente a 1,4% dos gastos do governo central em 1997, a 26,2% dos gastos com habitação 76 popular ou em torno de 12 vezes os gastos com programas de criação de postos de trabalho. Para garantir o sucesso dessa proposta, o comité procurou apoio público e político. Ao longo do desenvolvimento do sistema electrónico, fez-se um grande esforço de divulgação na imprensa a fim de mostrar os benefícios da iniciativa em termos de transparência, eficiência e desenvolvimento do potencial do comércio electrónico chileno. Foi explicado como o sistema aumentaria a transparência e a credibilidade, uma vez que as informações sobre as operações de aquisição estariam disponíveis online para qualquer pessoa, a qualquer momento e em qualquer lugar, sem censura, podendo as transacções ser rastreadas até chegar aos funcionários públicos responsáveis por elas. O apoio também foi obtido através de lobbies junto a partidos políticos, grupos de interesse, defensores do sector privado e empresas de tecnologia da informação. Além disso, o comité ganhou o apoio do Ministério das Relações Exteriores pela ênfase dada à importância das aquisições do governo nas negociações de livre comércio e às vantagens potenciais do comércio electrónico no Chile. Para manter o apoio político, o comité criou um conselho que incluiu o director da DAE e representantes de cada ministério e agência envolvidos no programa de reforma. Planeamento e desenvolvimento Após obter apoio para o sistema electrónico, a próxima etapa foi estabelecer uma parceria com a Corporación de Fomento (CORFO), a agência responsável pelo incentivo à competição e ao investimento no Chile através de esforços de modernização e desenvolvimento tecnológico. O comitê e o Fundo de Inovação da CORFO concordaram em fazer uma licitação para o planeamento do sistema electrónico. O contrato foi ganho por um consórcio formado pela maior empresa de telecomunicações chilena, por um grupo de consultoria bem conhecido e pela empresa chilena líder em aplicativos para Internet. Foram escolhidas doze agências públicas para participar do planeamento, desenvolvimento e dos testes. As agências foram seleccionadas para representar as diversas tecnologias utilizadas e a capacidade administrativa disponível, a diversidade das quantidades e tipos de operações de aquisição, assim como os diferentes estágios do processo de modernização. Do ponto de vista dos funcionários públicos, a maior mudança ocorreu na passagem de uma perspectiva baseada em 77 procedimentos e regulamentações para outra mais orientada para a transparência, a confiabilidade e os resultados. As normas e os procedimentos antigos haviam perdido sua legitimidade porque não garantiam que o governo estivesse adquirindo bens e serviços da maneira melhor e mais imparcial com o sistema electrónico, esse poder seria dado aos cidadãos, políticos e a todas as pessoas envolvidas nas aquisições. O planeamento e desenvolvimento do sistema electrónico produziram resultados muito positivos. Os funcionários públicos contribuíram com comentários sobre o sistema e passaram a se sentir confortáveis com a sua utilização. Ao longo do tempo, mais mudanças e melhorias foram implementadas. Finalmente, em Agosto de 1999, foi lançado um plano piloto e colocado inteiramente online o sistema com base na Internet, no endereço www.compraschile.cl. Embora o desenvolvimento do sistema electrónico tenha sido dinâmico, ocorreram problemas com o consórcio encarregado do panejamento. A maioria dos problemas estava relacionada a questões sobre o modo de conciliar as possibilidades da Internet e as novas tecnologias com as realidades administrativas e políticas de diferentes organizações públicas e do governo chileno como um todo. Em Outubro de 1999, o Presidente Eduardo Frei assinou a Lei de Aquisições do Governo, que deu coerência ao sistema, permitiu as transacções de comércio electrónico, criou uma nova estrutura legislativa comum e substituiu a DAE por uma agência menor, que não está encarrega de adquirir bens e serviços. A sua função é supervisionar o sistema, fornecer assistência técnica e negociar contratos para compra de algumas commodities. Funções e recursos com o sistema electrónico, as empresas que quiserem fazer negócios com o sector público não precisam procurar informações sobre licitações nos jornais ou na World Wide Web. É necessário apenas registrar-se nas áreas de consultoria de tecnologia da informação, móveis para escritório ou serviços de construção, por exemplo, com as quais lidarem. Quando uma agência pública precisa adquirir um bem ou contratar um serviço, ela preenche uma solicitação no sistema electrónico, especificando o tipo de operação e incluindo toda a documentação e as informações associadas ao pedido. O sistema envia automaticamente uma mensagem electrónica a todas as empresas 78 registadas na respectiva área, minimizando o tempo de resposta e oferecendo oportunidades iguais a todas as firmas. O sistema eletrônico também fornece, online, todas as informações relacionadas às operações de aquisição, incluindo o perfil da agência, o nome, cargo, endereço, números de telefone e fax, e correio electrónico do funcionário público encarregado da operação. Finalmente, o sistema informa os resultados da licitação: quais foram os participantes, seus desempenhos técnicos e económicos, seus objectivos económicos, quem ganhou a licitação e o histórico dos contratos e das aquisições da agência. A Lei de Aquisições do Governo torna obrigatória a participação de todas as agências públicas no sistema electrónico a médio prazo. Contudo a incorporação do sistema será gradual, permitindo que sejam feitas modificações resultantes das conclusões obtidas pela prática do plano piloto. Uma empresa privada irá administrar o sistema electrónico de modo a obter o máximo desempenho e dinamismo, gerar economia nos custos da administração pública e promover o crescimento e o desenvolvimento do comércio electrónico no Chile. Primeiros resultados e próximas etapas Entre outubro de 1999 e fevereiro de 2000, o sistema dispunha, como parte do plano piloto, de 454 fornecedores em 75 áreas e 16 agências públicas registradas. O aumento das solicitações de licitação enviadas nos primeiros cinco meses demonstrou a confiança no sistema. Ao reconhecer o sucesso inicial do novo sistema de aquisições, em Janeirode 2000, o comité necessitou de mais desenvolvimento para expandir os seus recursos de comércio electrónico. Como melhorar o serviço público com a tecnologia da informação Os governos são os maiores compradores em todas as economias. Eles adquirem bens e contratam serviços para atender às necessidades dos cidadãos, havendo razões éticas e políticas para que isso seja feito da melhor maneira possível: um dólar a mais pago acima do preço mais baixo disponível representa um dólar a menos para assistência de saúde, segurança social ou habitação popular. A experiência chilena do sistema electrónico de informação sobre aquisições mostra a importância do papel da Internet e da tecnologia de informação nas reformas do sector público. A tecnologia da 79 informação e a Internet podem oferecer soluções interessantes para o combate à corrupção nos países em desenvolvimento ou industrializados, e quando houver demanda dos cidadãos de maior e melhor controle do governo. Esses recursos permitem maior controle por parte dos cidadãos, aumentam a transparência e a credibilidade do governo, bem como possibilitam boas aquisições públicas em outras áreas, levando-se em conta o enorme potencial de economia nos gastos. A tecnologia também cria novas formas de aperfeiçoar a gestão do serviço público através da melhor fiscalização e coordenação entre as agências. Finalmente, a tecnologia da informação faz com que o sector público atenda, de modo mais eficaz e eficiente, às necessidades dos cidadãos. O sistema eletrônico de aquisições também promoveu a transparência nas oportunidades de negócio junto ao governo do Chile. Além de cortar os custos operacionais das empresas, aumentar a possibilidade de receber comentários e incentivar a cooperação entre as firmas e as agências públicas, melhorou a troca de informações, eliminando o incentivo à prática da corrupção. Esta nota foi escrita por Claudio Orrego (Ministro da Habitação, Urbanismo e Terras Públicas do Chile), Carlos Osorio (Assistente de Pesquisa, Grupo de Tecnologias da Informação, Centro de Desenvolvimento Internacional, Universidade de Harvard) e Rodrigo Mardones (Conferencista, Departamento de Engenharia Industrial, Universidade do Chile). Se você tiver interesse em artigos semelhantes, considere a possibilidade de participar do Grupo Temático sobre Gestão de Gastos Públicos. Entre em contato com Vinaya Swaroop (x 37688) ou clique em Thematic Groups, na Rede PREM. Sumário De forma sintetizada estudamos e discutimos Sobre Reformas do sector público no mundo, Inovação tecnológica na reforma do sector público: o sistema electrónico de aquisições públicas, onde chegamos a conclusão de que as tecnologias de 80 informação podem facilitar o desenvolvimento e a implementação da modernização do sector público, aumentando a eficiência e a qualidade dos serviços públicos, dando poder de actuação ao público e colocando o governo a serviço dos cidadãos, por outro lado, vimos que o governo electrónico dá poderes aos cidadãos, permitindo sua maior participação. As informações na Internet estão disponíveis a qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer momento. Os portais abertos ao público fornecem acesso fácil às agências governamentais. Esse recurso pode auxiliar na obtenção de feedback, incentivar a participação nas atividades de licitações para contratos e aumentar o acesso às informações - de modo que o público esteja sempre actualizado, assim, a eficiência e a efectividade dos serviços podem ser aumentadas através do governo electrónico. O governo electrónico pode ser utilizado como uma ferramenta de gestão no setor público. Ele serve também para harmonizar as normas e os regulamentos das diferentes agências, integrar melhor os serviços públicos e reunir as informações enviadas por todas as agências governamentais. Além disso, a possibilidade de desenvolver intranets cria a oportunidade de aperfeiçoar a coordenação interna e entre agências, assim como aumenta a supervisão ministerial dos serviços públicos. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO GRUPO-1: Perguntas Abertas 1. A condução electrónica das transacções públicas possibilita: a) A eliminação da presença física; b) Aguardar em uma fila, ir a vários departamentos; c) Criam um único veículo para acessar os serviços de muitas agências; d) Todas as alternativas estao correctas. 2. A tecnologia da informação não está mudando a maneira das pessoas pensarem e perceberem o mundo, impulsionando as inovações e contribuindo para o bem-estar económico e social. 81 a) Verdadeiro b) Falso 3. A transparência e a probidade aumentam através da publicação online das transacções. Porquê? a) Esse procedimento reduz as oportunidades de uso arbitrário dos fundos públicos, aumentando a imparcialidade e a integridade dessas operações; b) Possibilidade de dispor de um registo electrónico das transacções, que pode ser rastreado, reduz as oportunidades de corrupção e aumenta a credibilidade do sector público; c) Alternativas “a” e “b” estão correctas d) Nenhuma das alternativas está correctas. 4. O governo electrónico dá poderes aos cidadãos, permitindo sua maior participação. Porquê? a) As informações na Internet não estão disponíveis a qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer momento cabe aos cidadãos buscar a mesmas usandoos seus recursos; b) As informações na Internet estão disponíveis a qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer momento; c) Nenhuma informação na Internet está disponível, o que significa que os cidadãos podem aproximar as instituições por forma a acessar as mesmas; d) Nenhuma informação na Internet está disponível, o que significa que os cidadãos tem maior legitimidade para cobrar as instituições o acesso a informação. 5. De que forma o governo electrónico pode ser utilizado como uma ferramenta de gestão no setor público? a) harmonizar as normas e os regulamentos das diferentes agências, integrar melhor os serviços públicos e reunir as informações enviadas por todas as agências governamentais; b) Além disso, a possibilidade de desenvolver intranets cria a oportunidade de aperfeiçoar a coordenação interna e entre agências, assim como aumenta a supervisão ministerial dos serviços públicos; c) Alternativas “a” e “b” estão correctas 82 d) Nenhuma das alternativas está correctas. 6. A Dirección de Aprovisionamento del Estado (DAE) era a principal compradora no setor público. a) Verdadeiro b) Falso 7. O Comité Interministerial para a Modernização da Gestão Pública elaborou diversas etapas importantes para reformar o sistema de aquisições públicas do Chile. Como: a) Formação das bases de apoio, ou seja, o comité teve que enfrentar o ambiente e criar apoio para o novo sistema; b) Criação de instituições fortes, ou seja, melhorar a relação entre as instituições por forma a adequar para o novo sistema; c) Criação de novos sistemas, ou seja, criar bases para controle do sistema; d) Nenhuma das alternativas está correctas. 8. A tecnologia da informação e a Internet podem oferecer soluções interessantes para o combate à corrupção nos países em desenvolvimento ou industrializados, e quando houver demanda dos cidadãos de maior e melhor controle do governo. a) Verdadeiro b) Falso 9. Embora o desenvolvimento do sistema electrónico tenha sido dinâmico, ocorreram problemas com o consórcio encarregado do panejamento no chile. a) Verdadeiro b) Falso 10. Em Outubro de 1999, o Presidente Eduardo Frei assinou a Lei de Aquisições do Governo, que deu coerência ao sistema, permitiu as transacções de comércio electrónico, criou uma nova estrutura legislativa comum e substituiu a DAE por uma agência menor, que não está encarrega de adquirir bens e serviços. a) Verdadeiro b) Falso Resposta 83 1 - D 2- B 3 - C 4 - B 5 – C 6 - A 7 - A 8 - A 9 – A 10 - A Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-2 Marque a alternativa certa em cada questão abaixa descrita: 1. Entre outubro de 1999 e fevereiro de 2000, o sistema dispunha, como parte do plano piloto, de 454 fornecedores em 75 áreas e 16 agências públicas registradas. a) Verdadeiro b) Falso 2. Ao longo do desenvolvimento do sistema electrónico, fez-se um grande esforço de divulgação na imprensa a fim de mostrar os benefícios da iniciativa em termos de transparência, eficiência e desenvolvimento do potencial do comércio electrónico chileno. a) Verdadeiro b) Falso 3. Os funcionários públicos contribuíram com comentários sobre o sistema e passaram a se sentir confortáveis com a sua utilização. a) Verdadeiro b) Falso Resposta 1 - A 2 - A 3 - A 84 TEMA – VI: AS NOVAS TENDÊNCIAS DA REFORMA NO SECTOR PÚBLICO EM MOÇAMBIQUE UNIDADE Temática 6.1. As tendências da gestão pública e governança interativa em Moçambique. UNIDADE Temática 6.1. Os novos rumos da gestão pública e a governança interativa Introdução Embora sejam extremamente confiáveis como ferramentas de apoio à decisão, os gráficos de controlo por variável apresentam alguns inconvenientes de ordem prática, alguns dos quais listados a seguir: Cada gráfico, ou carta, pode ser usado para apenas uma variável. Supondo que um produto tenha cinco característicos a serem controlados. Neste caso serão necessários cinco gráficos. Em algumas etapas da produção o interesse resume-se à simples verificação de conformidade em relação a algum parâmetro. Uma situação típica deste caso é a inspecção efectuada com o objectivo de verificar se o diâmetro de um eixo está dentro dos limites de tolerância. Aqui não há interesse em determinar o diâmetro, o que dispensa a colecta de amostra e os cálculos das medidas já estudadas. Alguns componentes são inspeccionados apenas com o objectivo de verificar a presença de algum defeito. Nas indústrias automobilísticas as partes da carroceira de um veículo são inspeccionadas com a finalidade de verificar se apresentam riscos. A simples ocorrência de um risco na pintura é suficiente para que a peça seja rejeitada, não importando a dimensão ou a quantidade de riscos. 85 Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos • Compreender a evolução das novas tendências da gestão pública e governança interativa em Moçambique; e • Descrever as novas tendências da gestão pública e governança interativa. UNIDADE Temática 6.1. As tendências da gestão pública e governança interativa em Moçambique. Ao falar em “nova administração pública”, segundo De Paula (2005), identificam-se dois projetos políticos em desenvolvimento e em disputa na gestão pública. O primeiro, inspirado na vertente gerencial, que se constituiu no Brasil durante os anos 1990, a Administração Gerencial. O segundo, inspirado na vertente societal que, 16 Territórios, Redes e Desenvolvimento Regional: Perspectivas e Desafios Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 13 a 15 de setembro de 2017 manifesta-se nas experiências alternativas de gestão pública, como os Conselhos Gestores e o Orçamento Participativo, e possui suas raízes no “ideário dos herdeiros políticos das mobilizações populares contra a ditadura e pela redemocratização do país, com destaque para os movimentos sociais, os partidos políticos de esquerda e centro- esquerda, e as organizações não-governamentais”. (DE PAULA, 2005, p.37). Para a autora a origem da vertente da qual deriva a administração pública societal está ligada à tradição mobilizatória brasileira, que “alcançou o seu auge na década de 1960, quando a sociedade se organizou pelas reformas 86 no país” (DE PAULA, 2005, p.39). Ao se estimular a participação popular no debate das dificuldades cotidianas, através das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), esses espaços se transformaram como locais alternativos para mobilização políticas e inserção da participação popular na gestão da coisa pública. Nesse contexto uma concepção começa a se tornar predominante no âmbito da Administração: “a implementação de um projeto político que procura ampliar a participação dos atores sociais na definição da agenda política, criando instrumentos para possibilitar um maior controle social sobre as ações estatais” (DE PAULA, 2005, p. 37). A vertente societal enfatiza principalmente a participação social e procura estruturar um projeto político que repense o modelo de desenvolvimento brasileiro e a estrutura do aparelho de Estado, viabilizando a participação popular por meio da institucionalização de canais apropriados de acesso da população (DE PAULA, 2005). Nesse sentido, prioriza a dimensão sociopolítica da ação estatal como alternativa às dimensões econômicofinanceiras. Junquilho (2010, p. 165), entende que, mesmo existindo o mercado, a vertente societal apóia a sociedade democrática, em que as pessoas possam "[...] ter atitudes proativas, críticas e independentes em busca de uma ordem social mais equilibrada e menos injusta”. Para De Paula (2005, p. 47), “a nova administração pública está sempre sendo reinventada, e enquanto houver vitalidade democrática permanecerá como um projeto inacabado” As mudanças introduzidas no quadro da implementação da Estratégia Global da Reforma do Setor Público (EGRSP, 2001-11) a partir do ano de 2001 possuem diferenças significativas quando comparadas às reformas administrativas realizadas anteriormente. No bojo da EGRSP 87 estão as concepções que apregoam medidas reformistas na componente de administração do Estado e nos processos de gestão pública, de modo a responder aos desafios impostos pela necessidade de modernização administrativa e criação de processos e estruturas organizativas adaptadas à gestão pública contemporânea. Aliás, a análise dos pressupostos e princípios dessa reforma (Ciresp, 2001) mostra que estão embasados nas doutrinas da Nova Gestão Pública (NGP), que alegam, por um lado, a necessidade de modernização dos processos de gestão por meio da implementação de novas concepções acerca do funcionamento da administração pública de modo a promover maior eficiência e eficácia das acções governativas e elevação do desempenho das instituições do Estado. Por outro, fundamentam-se nas concepções da Governança Interativa (GI), pois assinalam a importância da adoção de novas práticas de gestão tais como accountability, transparência, participação e responsabilização na atuação dos organismos estatais. Algumas medidas reformistas, comprovam essa tendência de replicar doutrinas, princípios e práticas da NGP do NSP e da GI no contexto moçambicano. A partir de 2001 foram criados mecanismos administrativos para garantir a disciplina fiscal, casos da Unidade Técnica de Reforma da Administração Financeira do Estado (Utrafe) e do Sistema de Administração Financeira do Estado (Sistafe). Estes se constituíram nas grandes inovações relativamente à forma de organização e gestão de recursos financeiros públicos e visam a elevação da eficiência administrativa. Na mesma vertente, de forma mais intensa, a partir de 2006 as instituições públicas em todos os níveis (central, provincial, distrital e dos municípios) passaram a ser gerenciadas e avaliadas através de indicadores de desempenho que privilegiam o alinhamento entre os principais instrumentos de governança no setor público, o Plano Econômico e Social (PES) e o 88 Orçamento do Estado (OE). O PES e o OE incorporam uma nova lógica e visão de planejamento e execução, mas também de prestação de serviços à sociedade dado que privilegiam a gestão por resultados, a imposição de uma cultura de responsabilização dentro da administração pública, bem como a entrada de novos atores104 . Introdução ................................................................................................................... 104 Sumário ......................................................................................................................... 112 Exercícios de AVALIAÇÃO .............................................................................................. 113 Exercícios de AVALIAÇÃO .............................................................................................. 115 Referência Bibliográficas............................................................................................... 117 1 Visão geral Bem-vindo à Disciplina/Módulo de Reforma do Sector Público Objectivos do Módulo Ao terminar o estudo deste módulo de Reforma do Sector Público, o estudante deverá ser capaz de: Apresentar conceitos fundamentais relacionados a disciplina. Objectivos Específicos ▪ Compreender a desenvolvimento das Reformas no Sector Público em a Moambique ▪ Conhecer as principais estratégias introduzidos no âmbito da gestão pública e a governança interativa; ▪ Conhecer os impulsionadores do do processo das reformas do sector público ▪ Saber os conceitos fundamentais que norteiam o estudo das reformas do sector público; ▪ Desenvolver competências sobre reformas do sector público Moçambicano. Quem deveria estudar este módulo Este Módulo foi concebido para estudantes do 4º ano do curso de Licenciatura em Administração Pública e outros como Gestão de Rcursos Humanos e Contabilidade e Auditoria do ISCED. Poderá ocorrer, contudo, que hajam leitores que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem- vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual. 2 Como está estruturado este módulo Este módulo de Reforma do Sector Público, foi concebido para estudantes do 3º ano do curso de licenciatura em Administração Pública, à semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado como se segue: Páginas introdutórias ▪ Um índice completo. ▪ Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo, como componente de habilidades de estudos. Conteúdo desta Disciplina / módulo Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente unidades e, cada unidade temática se caracteriza por conter uma introdução, objectivos e conteúdos. No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, e só depois é que aparecem os exercícios de avaliação. Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e actividades práticas algumas incluído estudo de caso. Outros recursos A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você explorar. Para tal, o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD- ROOM, DVD. Para além deste material físico e electrónico disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos. 3 Auto-avaliação e Tarefas de avaliação Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios de auto-avaliação apresentam duas características: primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes; Segundo, exercícios que mostram apenas respostas. Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, realizar todos os exercícios de avaliação é uma grande vantagem. Comentários e sugestões Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza diadáctico- Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas observações que, em gosto de confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado. Ícones de actividade Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. Habilidades de estudo O principal objectivo deste campo é o de ensinar, aprender a aprender. Aprender aprende-se. Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e 4 eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo como se segue: 1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura. 2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de estudo de caso se existir. 6º Realizar os testes de Auto avaliação e os de avaliação dispon,iveis nos manuais, assim como na plataforma Moodle por forma a avaliar o grau de percepção dos conteúdos. IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, respectivamente como, onde e quando estudar como foi referido no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/pela manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? Estudo melhor com música/num lugar sossegado/num lugar barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos?/ em cada hora, etc. É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior. Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas, a melhor opção é juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo. 5 Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-se descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das actividades obrigatórias. Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem. Porque o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre o conhecimento, perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tantono processo de gestão das políticas públicas mediante a criação de parcerias público-privadas. Nessa perspectiva, a tônica da agenda recente de reforma assemelha-se às concepções da GI, visto que coloca seu foco para as questões relacionadas com as reformas institucionais e administrativas propondo que se dê maior atenção ao modo como se efetivam as interações entre o Estado e as demais organizações da sociedade civil. Como é assinalado pelo Novo Serviço Público (NSP), na EGRSP defende-se maior acesso dos grupos de interesse ao processo da governança no setor público, encarada, nessa perspectiva, como um mecanismo que permite a atuação da administração pública de forma mais participativa e coordenada. Formula-se que novos agentes provenientes do setor privado assim como da sociedade civil são vistos como atores que devem interagir com maior frequência com o Estado e suas instituições, reduzindo as fronteiras existentes de modo a elevar a participação pública no processo de formação e tomada de decisão das políticas públicas. Note-se que o caráter das medidas administrativas descritas aproxima- se das concepções propostas pela GI em que, por um lado, a questão de fundo é a modernização da gestão sustentada pela criação das bases para a construção de um serviço público que atende as demandas e expectativas da sociedade e, por outro, trata-se de um serviço voltado à elevação da capacidade da ação governativa do Estado para a implementação de políticas públicas. Essa tendência é atestada pelas mudanças que se pretende induzir nos valores e 89 comportamentos dos funcionários, na cultura administrativa, nas competências e responsabilidades dos organismos públicos, na coordenação institucional e na fiscalização das formas de atuação da administração pública. Desse modo, pode-se afirmar que a nova abordagem da reforma da administração pública sugere a introdução de um sistema administrativo caracterizado por um novo paradigma pós-burocrático, segundo a perspectiva de O'flynn (2007), dentro da gestão pública em Moçambique, no qual são construídos novos valores e uma nova consciência. Porém, apesar de os apontamentos apresentados indicarem uma tendência positiva na introdução de novas práticas e princípios de gestão no contexto nacional, importa realçar que as mudanças originadas pela reforma administrativa também vieram, na prática, colocar novos problemas relacionados com os objetivos de eficiência e da participação efetiva da sociedade na gestão das políticas públicas. A questão que pode ser colocada é: como garantir uma gestão pública eficiente e baseada em processos de participação e avaliação efetiva por parte da sociedade? Argumenta-se que, na adoção dos princípios do NGP e da GI, devem ser consideradas as limitações impostas pelos próprios modelos, uma vez que, por exemplo, a complexidade e a dinâmica da gestão por objetivos encerram dois tipos de limitações: o primeiro tem a ver com a complexidade das atividades e a definição das políticas públicas no nível local e o segundo está relacionado com as limitações que as pessoas têm para lidar com informação e sistemas formais de avaliação de resultados. Como referem King, Feltey e Susel (1998), a participação autêntica ou efetiva implica mais que simplesmente encontrar as ferramentas e técnicas para aumentar o envolvimento da sociedade nas decisões do setor público. A participação autêntica, asseveram esses autores, é a 90 que funciona para todas as partes e estimula o interesse e investimento em ambos os atores públicos e os cidadãos, e exige que sejam repensados os papéis subjacentes e as relações entre os entes públicos e os cidadãos. Verifica-se, portanto, que a nova configuração das estruturas organizacionais da administração pública dá lugar a uma nova lógica diferente de ação. No nível das províncias, distritos e municípios em Moçambique, o novo modelo e a nova lógica administrativa conferem à gestão dos serviços e interesses públicos uma determinada liberdade para decidir sobre como obter elevados níveis de desempenho. A implementação da EGRSP tem estado a decorrer com base na inspiração do que o NSP explicitado por Denhardt e Denhardt (2000:555) considera ser uma gestão construída coletivamente, isto é, em que são partilhados interesses e responsabilidades baseados na deliberação conjunta, onde o Estado promove a articulação e o interesse público, justiça e a equidade. Portanto, as políticas públicas têm estado a ser vistas como um complexo resultado dos interesses de vários grupos, opiniões e interesses. Nesse novo contexto de relações, o papel do governo tem estado a transformar-se, tornando- se um ator não exclusivo que controla a sociedade e oferece serviços, mas que agrega, negocia e facilita, busca soluções com outros atores privados e a sociedade civil. Na realidade, as mudanças que se verificam estão sendo acompanhadas de alterações significativas, nomeadamente, as mudanças nos valores e comportamentos dos funcionários, na cultura administrativa, nas competências e responsabilidades dos organismos públicos, na forma de atuação, relacionamento e de coordenação institucional entre as esferas governamentais (por exemplo, a aprovação da Lei no 8/2003, de 19 de maio, possibilitou a atribuição de competências exclusivas para os órgãos locais, eliminando de certa forma os problemas da dupla subordinação). Este último aspecto 91 transformou uma vez mais a tradicional função pública de extrema dependência hierárquica e falta de autonomia das unidades administrativas locais, para uma gestão pública coordenada e interdependente. A implementação, por exemplo, do Decreto no 5/2006, de 12 de abril, sobre a desconcentração de competências para o governador provincial e administrador distrital promoveu novas práticas de contratação para os quadros de pessoal em nível local concretizando, assim, a ideia da profissionalização dentro de um sistema de carreiras que obedece a tabelas salariais e a esquemas de promoção próprios. Por sua vez, a implementação do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado (Egfae) em 2009 pela Lei no 14/2009, de 17 de março, permitiu proceder a uma gestão de recursos humanos a partir de mecanismos modernos e de técnicas de avaliação de desempenho. O Sistema de Gestão de Desempenho na Administração Pública Moçambicana (Sigedap) foi aprovado em 2009 pelo Decreto no 55/2009, de 12 de outubro, com vista a aperfeiçoar a gestão determinada por objetivos, orientada para resultados e dotada de instrumentos de gestão necessários para atuar e responsabilizar, motivando as lideranças, os funcionários e agentes do Estado para um desempenho de qualidade e reconhecendo o mérito e a excelência. Contudo, as metas de eficiência e do alcance de resultados se apresentam como uma questão crítica no processo da reforma administrativa em Moçambique, por um lado, porque a pressão por resultados pode degenerar numa situação instrumental comparável à administração científica tayloriana, uma vez que transforma o espírito e a cultura de trabalho dos funcionários e agentes do Estado, relacionando o seu desempenho às recompensas, desintegrando os valores fundamentais do setor público como a integridade e o comprometimento com o interesse público. Por outro, a análise dos 92 objetivos da avaliação do desempenho estabelecidos no modelo do Sigedap mostra que a fixação de objetivos, a rigidez para o seu cumprimento, bem como a necessidade de responder aos indicadores fixados podem arrastar o sistema administrativo à inflexibilidade típica do modelo de administração burocrática. O contexto atual do funcionamento da administração pública em Moçambique faz ressaltar uma nova visão do serviço público como resultado das pressões impostas pelo novo paradigma da GI. A observaçãoda realidade mostra, por exemplo, o novo processo de contratação e oferecimento de bens e serviços implantado pelo Decreto no 15/2010, de 25 de maio, em que a racionalidade na gestão dos recursos e a flexibilidade organizacional exigem que o papel e as qualidades do gestor público estejam alinhados com a perspectiva de um administrador operativo mais voltado para a definição de estratégias. A perspectiva é a de que essas estratégias de gestão pública devem vincular suas tarefas com os princípios de monitoria e avaliação do cumprimento, por exemplo, dos contratos e programas estabelecidos, o que mostra que não será suficiente no novo contexto da administração pública uma atuação baseada na padronização e regras do modelo burocrático para conseguir o cumprimento dos objetivos organizacionais pretendidos na gestão. Para o efeito, o setor público deve abrir-se para as influências positivas do seu exterior, interagindo com os cidadãos de forma singular ou coletiva no intuito da construção de processos de tomada de decisão mais participativos. Compreende-se que se deve tomar os cidadãos como o fundamento e a razão da administração pública. Na afirmação de Hughes (2010), o setor público deve-se mover na esteira de uma administração pública moderna em que são estabelecidas a todo o momento ligações horizontais e verticais que 93 melhoram a participação tanto de organizações públicas, privadas lucrativas e sem fins lucrativos e voluntários, ao mesmo tempo que criam novas formas de organização e de estruturação das suas instituições para a resolução dos problemas das comunidades. UNIDADE 6.2. Os novos rumos da gestão pública e a governança interativa O processo de implementação ou de operacionalização das práticas suscitadas pelo modelo da Nova Gestão Pública (NGP) suscitou várias críticas, sobretudo por ter dedicado atenção especial à especialização, fragmentação e mercantilização como formas de funcionamento dos serviços da administração pública. A fragmentação, conforme argumenta Christensen (2012), provoca uma redução drástica do centro de atenção dos problemas. A fixação de objetivos, a avaliação do desempenho e a responsabilidade vertical prejudicam a integração horizontal. Esse modelo torna a coordenação mais complexa, pois requer muitas vezes a reconciliação de conflitos entre agências com posições discordantes, ofusca a responsabilidade para determinadas questões e enfatiza a necessidade do governo em reforçar o controlo central (Christensen, 2012:2-3). Para Lodge e Gill, ao adotar uma postura gerencialista, a NGP muitas vezes considerou os cidadãos e utentes como "consumidores dos serviços públicos" (Lodge e Gill, 2011:143). Fundamentando-se na visão de gestão voltada para a satisfação dos "consumidores" em lugar de cidadãos participantes e envolvidos, contrariou o fundamento básico da administração pública. Essas críticas formuladas ao modelo da NGP podem ser compreendidas como um fracasso desta em perceber que os arranjos administrativos e de gestão nela propostos não estão apenas destinados ao oferecimento de serviços públicos, mas também institucionalizam valores 94 administrativos profundos e que são, portanto, em alguns aspectos inseparáveis da própria essência do funcionamento do Estado e das suas respectivas instituições. Os argumentos da Governança Interativa (GI) formaram-se no entorno dessas críticas. Para autores como Kooiman e colaboradores (2008) e Frederickson (2005), a governança interativa envolve uma mudança na administração pública para incorporar novas formas de interação que reduzem as fronteiras entre o Estado e a sociedade, promovendo maior participação e envolvimento de novos atores no processo de gestão pública. De acordo com Denhardt e Denhardt (2000), essa abordagem considera que a administração pública é influenciada contemporaneamente por um conjunto expressivo de ideias e práticas que mostram uma evolução e mudanças nas formas de gestão pública, muito além das que são apresentadas na perspectiva da NGP. A nova concepção teórica da crítica aos conceitos da NGP fundamenta-se nas proposições do Novo Serviço Público (NSP), que consiste na aplicação de conceitos renovados da teoria da cidadania e sociedade civil, do humanismo organizacional e da administração pública pós-modernista. Na vertente do NSP, o Estado é encarado como uma entidade que existe para assegurar as escolhas dos cidadãos e os seus interesses. Enfatiza-se nessa visão que no setor público serve-se aos cidadãos e não a clientes, como consideram os teóricos do movimento da NPM, cujo enfoque central está direcionado à adaptação e transferência de técnicas e mecanismos gerenciais desenvolvidos no setor empresarial. Conforme explicam Denhardt e Denhardt (2000:552), a GI ganha uma importância maior no novo contexto do setor público que se pretende mais interativo e participativo. Argumenta-se que os gestores públicos devem se sujeitar à confiança dos cidadãos mediante três princípios importantes: (a) a responsabilidade; (b) o engajamento social com 95 vistas ao fortalecimento dos interesses coletivos; e (c) a dependência mútua alinhada na elevação do diálogo comum. Especificamente, a NPS defende que as políticas são um complexo resultado dos interesses de vários grupos, opiniões e interesses. No novo contexto de relações, o papel do governo se transforma, tornando-se um ator não exclusivo que controla a sociedade e oferece serviços, mas que agrega, negocia, facilita e busca soluções com outros atores privados e a sociedade civil (Denhardt e Denhardt, 2000:555). Para Kooiman e colaboradores (2008), a governança representa a forma modernizada do estabelecimento das relações democráticas entre o Estado e a sociedade civil. Esse autor contextualiza que, com a modernização defendida pelo movimento da governança, pretende-se que a administração se volte para o seu exterior passando assim a prestar também atenção às forças exteriores com as quais interage, criando-se mecanismos que favorecem uma maior participação no processo de gestão dos interesses coletivos. Nesse sentido, o conteúdo principal do conceito de governança interativa, de acordo com Kooiman (2010:73-74), representa um conjunto de interações assumidas para resolver problemas dentro da sociedade e criar oportunidades sociais, incluindo a formulação e aplicação dos princípios orientadores dessas interações de modo a viabilizar os arranjos institucionais estabelecidos entre o Estado e os atores sociais. A ênfase na interação constitui a principal inovação dessa abordagem acerca das mudanças na administração pública. 8. Considerações finais A introdução dos considerados renovados modelos de gestão a partir da década de 1980, designadamente da Nova Gestão Pública (NGP), do Novo Serviço Público (NSP) e a aplicação de práticas de Governança 96 Interactiva (GI), abalou de forma profunda as estruturas da administração pública tradicional e tem confrontado os vários governos a procederem reformas administrativas que fazem emergir novas configurações institucionais, cujo propósito é responder de forma mais adequada às demandas do processo de prestação de serviços públicos e das solicitações das comunidades. Da revisão da literatura efetuada algumas conclusões sobre a dinâmica das transformações que têm sido efetuadas podem ser destacadas. Existem diferenças no enfoque e intensidade das reformas administrativas realizadas em diferentes contextos nacionais sob a influência das concepções associadas à NGP. Apesar de a NGP se preocupar com o desempenho, a elevação dos resultados e a melhoria na qualidade de serviços públicos, as ações desenvolvidas nas reformas dos diferentes países não são unívocas uma vez que as reformas administrativas dependeram ou dependem de prioridades,circunstâncias e pontos de partida particulares de cada país. Particularmente, com seu enfoque inspirado nas técnicas gerenciais do setor privado, a NGP não priorizou os aspectos democráticos e de accountability ao limitar a participação dos "cidadãos considerados clientes" ao controle dos serviços, sem constituir mecanismos de integração da sociedade nas políticas públicas. Mas, embora possam ser feitas essas críticas, sobretudo pelo designado NSP, compreende- se que alguns princípios e práticas de gestão trazidos pela NGP permanecem atualmente, tais como a preocupação com os resultados, a garantia de eficiência e efetividade das políticas públicas. Quanto ao contexto moçambicano, as novas práticas de gestão pública orientadas para a elevação da GI ganharam maior centralidade no início da década de 2000, com o surgimento da reforma administrativa traduzida pela Estratégia Global de Reforma do Setor Público (EGRSP), que visa a modernização do setor público. Essas reformas focalizam a 97 implementação de novas práticas de gestão para melhorar a eficiência, a efetividade, o controle, a participação pública e boa governança no setor público em todos os níveis, central, provincial, distrital e dos municípios. Contudo, a apreciação dos pressupostos e práticas que têm estado a ser adotadas indica que a implementação dessa reforma tem sido marcada por algumas limitações de natureza estrutural e funcional que são, na prática, impostas pelo próprio modelo adotado. Os grandes dilemas se colocam em relação às metas de eficiência e ao alcance de resultados e processos participativos. Finalmente, para que os objetivos da criação de um novo serviço público modernizado e interativo sejam alcançados de forma efetiva, torna-se fundamental que a administração pública nacional encare esse desafio sob o prisma da aplicação de padrões de gestão que sugerem maior transparência, participação pública, prestação de contas e com uma preocupação constante em atender aos anseios e às necessidades da sociedade com maior qualidade. Sumário De forma resumida, estudamos e discutimos as tendências da gestão pública e governança interativa em Moçambique, os novos rumos da gestão pública e a governança interativa, onde ficou retido que as mudanças introduzidas no quadro da implementação da Estratégia Global da Reforma do Setor Público (EGRSP, 2001-11) a partir do ano de 2001 possuem diferenças significativas quando comparadas às reformas administrativas realizadas anteriormente. No bojo da EGRSP estão as concepções que apregoam medidas reformistas na componente de administração do Estado e nos processos de gestão pública, de modo a responder aos desafios impostos pela necessidade de modernização administrativa e 98 criação de processos e estruturas organizativas adaptadas à gestão pública contemporânea, mas tabem ficou registado que o PES e o OE incorporam uma nova lógica e visão de planejamento e execução, mas também de prestação de serviços à sociedade dado que privilegiam a gestão por resultados, a imposição de uma cultura de responsabilização dentro da administração pública, bem como a entrada de novos atores no processo de gestão das políticas públicas mediante a criação de parcerias público-privadas. Nessa perspectiva, a tônica da agenda recente de reforma assemelha-se às concepções da GI, visto que coloca seu foco para as questões relacionadas com as reformas institucionais e administrativas propondo que se dê maior atenção ao modo como se efetivam as interações entre o Estado e as demais organizações da sociedade civil, por outro lado afirmámos que o processo de implementação ou de operacionalização das práticas suscitadas pelo modelo da Nova Gestão Pública (NGP) suscitou várias críticas, sobretudo por ter dedicado atenção especial à especialização, fragmentação e mercantilização como formas de funcionamento dos serviços da administração pública. A fragmentação, conforme argumenta Christensen (2012), provoca uma redução drástica do centro de atenção dos problemas. A fixação de objetivos, a avaliação do desempenho e a responsabilidade vertical prejudicam a integração horizontal. Esse modelo torna a coordenação mais complexa, pois requer muitas vezes a reconciliação de conflitos entre agências com posições discordantes, ofusca a responsabilidade para determinadas questões e enfatiza a necessidade do governo em reforçar o controlo central (Christensen, 2012:2-3). Exercícios de Auto-Avaliação GRUPO-1: Perguntas Fechadas 1. Como é assinalado pelo Novo Serviço Público (NSP), na EGRSP defende-se: 99 a) Maior acesso dos grupos de interesse ao processo da governança no setor público, encarada, nessa perspectiva, como um mecanismo que permite a atuação da administração pública de forma mais participativa e coordenada; b) Formula-se que novos agentes provenientes do setor privado assim como da sociedade civil são vistos como atores que devem interagir com maior frequência com o Estado e suas instituições, reduzindo as fronteiras existentes de modo a elevar a participação pública no processo de formação e tomada de decisão das políticas públicas; c) Alternativas “a” e “b” estão correctas d) Nenhuma das alternativas está correctas. 2. Desse modo, pode-se afirmar que a nova abordagem da reforma da administração pública sugere a introdução de um sistema administrativo caracterizado por um novo paradigma pós- burocrático, segundo a perspectiva de O'flynn (2007). a) Verdadeiro b) Falso 3. A complexidade e a dinâmica da gestão por objetivos encerram dois tipos de limitações: a) o primeiro tem a ver com a complexidade das atividades e a definição das políticas públicas no nível local e o segundo está relacionado com as limitações que as pessoas têm para lidar com informação e sistemas formais de avaliação de resultados; b) o primeiro tem a ver com a complexidade das atividades e a definição dos cargos políticos no nível local e o segundo está relacionado com as limitações que as pessoas têm para lidar com informação e sistemas formais de avaliação de resultados; c) o primeiro tem a ver com a complexidade das atividades e a definição das melhores instituicaoes no nível local e o segundo está relacionado com as limitações que as pessoas têm para lidar com informação e sistemas formais de avaliação de resultados; 100 d) Nenhuma das alternativas está correctas. 4. Como referem King, Feltey e Susel (1998), a participação autêntica ou efetiva implica mais que simplesmente encontrar as ferramentas e técnicas para aumentar o envolvimento da sociedade nas decisões do setor público. a) Verdadeiro b) Falso 5. A implementação, por exemplo, do Decreto no 5/2006, de 12 de abril, sobre a desconcentração de competências para o governador provincial e administrador distrital que promoveu: a) Novas práticas de elaboração das politicas concretizando, assim, a ideia da profissionalização dentro de um sistema de carreiras que obedece a tabelas salariais e a esquemas de promoção próprios. b) Novas forma de ser e estar dos administradores e o quadros de pessoal em nível local concretizando, assim, a ideia da profissionalização dentro de um sistema de carreiras que obedece a tabelas salariais e a esquemas de promoção próprios. c) Novas práticas de contratação para os quadros de pessoal em nível local concretizando, assim, a ideia da profissionalização dentro de um sistema de carreiras que obedece a tabelas salariais e a esquemas de promoção próprios. d) Nenhuma das alternativas está correcta. 6. O Sistema de Gestão de Desempenho na Administração Pública Moçambicana (Sigedap) foi aprovado em 2009 pelo: a) Decreto no 55/2009, de 12 de outubro; b) Decreto no 15/2007, de 12 de outubro; C) Decreto no 50/2011, de 12 de outubro, d) Decreto no 27/20011,de 12 de outubro, 101 7. O Sistema de Gestão de Desempenho na Administração Pública Moçambicana (Sigedap) foi aprovado em 2009 pelo Decreto no 55/2009, de 12 de outubro, com vista a: a) Aperfeiçoar a gestão determinada por objetivos, orientada para resultados e dotada de instrumentos de gestão necessários para atuar e responsabilizar, motivando as lideranças, os funcionários e agentes do Estado para um desempenho de qualidade e reconhecendo o mérito e a excelência; b) Aperfeiçoar a consolidação das finanças públicas, orientada para melhoria das condições de trabalho financeiro, motivando as lideranças, os funcionários e agentes do Estado para um desempenho de qualidade e reconhecendo o mérito e a excelência; c) Alternativas “a” e “b” estão correctas d) Nenhuma das alternativas está correctas. 8. Para autores como Kooiman e colaboradores (2008) e Frederickson (2005), a governança interativa envolve uma mudança na administração pública por forma: a) A incorporar novas formas de interação que reduzem as fronteiras entre o Estado e a sociedade, promovendo maior participação e envolvimento de novos atores no processo de gestão pública; b) A incorporar novas formas de administração das instituições politicas, promovendo manor participação e envolvimento de novos atores no processo de gestão pública; c) Alternativas “a” e “b” estão correctas d) Nenhuma das alternativas está correctas. 9. Conforme explicam Denhardt e Denhardt (2000:552), a GI ganha uma importância maior no novo 102 contexto do setor público que se pretende mais interativo e participativo. Argumenta-se que os gestores públicos devem se sujeitar à confiança dos cidadãos mediante três princípios importantes: a) a responsabilidade; b) o engajamento social com vistas ao fortalecimento dos interesses coletivos; c) a dependência mútua alinhada na elevação do diálogo comum; d) Todas as alternativas estão correctas. 10. A implementação da EGRSP tem estado a decorrer com base na inspiração do que o NSP explicitado por Denhardt e Denhardt (2000:555) considera ser uma gestão construída coletivamente, isto é, em que são partilhados interesses e responsabilidades baseados na deliberação conjunta, onde o Estado promove a articulação e o interesse público, justiça e a equidade. a) Verdadeiro b) Falso Resposta 1 - C 2 - A 3 - A 4 - A 5 – C 6 - A 7 - C 8 - C 9 – D 10 - A 103 Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-1: Perguntas Fechadas 1. Ao falar em “nova administração pública”, segundo De Paula (2005), identificam-se dois projetos políticos em desenvolvimento e em disputa na gestão pública nomeadamente: a) O primeiro, inspirado na vertente Comercial, que se constituiu no Brasil durante os anos 1990, a Administração comercial e o segundo, inspirado na vertente politica que, 16 Territórios, Redes e Desenvolvimento Regional; b) O primeiro, inspirado na vertente administrativa, que se constituiu no Brasil durante os anos 1990, a Administração politica e o segundo, inspirado na vertente politica que, 16 Territórios, Redes e Desenvolvimento Regional; c) O primeiro, inspirado na vertente pelítica, que se constituiu no Brasil durante os anos 1990, a Administração Gerêncial e o segundo, inspirado na vertente psicological que, 16 Territórios, Redes e Desenvolvimento Regional; d) O primeiro, inspirado na vertente gerencial, que se constituiu no Brasil durante os anos 1990, a Administração Gerencial e o segundo, inspirado na vertente societal que, 16 Territórios, Redes e Desenvolvimento Regional; 2. Ao se estimular a participação popular no debate das dificuldades cotidianas, através das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), esses espaços se transformaram como locais alternativos para mobilização políticas e inserção da participação popular na gestão da coisa pública. a) Verdadeiro b) Falso 3. A partir de 2001 foram criados mecanismos administrativos para garantir a disciplina fiscal, casos da Unidade Técnica de Reforma da Administração Financeira do Estado (Utrafe) e do Sistema de Administração Financeira do Estado (Sistafe). a) Verdadeiro 104 b) Falso 4. A partir de 2006 as instituições públicas em todos os níveis (central, provincial, distrital e dos municípios) passaram a ser gerenciadas e avaliadas através de indicadores de desempenho que privilegiam o alinhamento entre os principais instrumentos de governança no setor público, o Plano Econômico e Social (PES) e o Orçamento do Estado (OE). a) Verdadeiro b) Falso 5. O PES e o OE incorporam uma nova lógica e visão de planejamento e execução, mas também de prestação de serviços à sociedade dado que privilegiam a gestão por resultados, a imposição de uma cultura de responsabilização dentro da administração pública, bem como a entrada de novos atores no processo de gestão das políticas públicas mediante a criação de parcerias público-privadas a) Verdadeiro b) Falso 1. Resposta 2. 1 - D 3. 2 - A 4. 3 - A 5. 4 - A 6. 5 – A TEMA – VII: A MODERNIZAÇÃO DA GESTÃO E A GOVERNANÇA NO SECTOR PÚBLICO UNIDADE Temática 7.1. Modernização da Gestão e a Governança no Sector Público . Introdução 105 As transformações da administração pública no Estado moçambicano, implementadas a partir da reforma administrativa, ocorrida em 2001. Mostra a existência de uma tendência positiva para a criação de novas práticas voltadas à eficiência, interacção e participação pública no processo de formulação e implementação de políticas públicas. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos • Comprender as mudanças introduzidas no Sector Publico no âmbito da Reforma • Descrever e compreender as mudanças no Sector Publico no âmbito da Reforma em Moçambique. UNIDADE Temática 7.1. Modernização da Gestão e a Governança no Sector Público Os conceitos de Governabilidade e Governança na Administração Pública Esses conceitos estão diretamente vinculados com o ato de "governar", cujo significado é “deter uma posição de força a partir da qual seja possível desempenhar uma função imediatamente associada ao poder de decidir e implementar decisões ou, ainda, de 17 Territórios, Redes e Desenvolvimento Regional: Perspectivas e Desafios Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 13 a 15 de setembro de 2017 comandar e mandar nas pessoas” (NOGUEIRA, 2001, p. 99). Nessa perspectiva os conceitos governabilidade e governança se colocam indissociáveis, pois “mantêm entre si uma relação muito forte, sendo complementares, em seu vínculo instável, dinâmico e indissolúvel” (ARAÚJO, 2002, p. 6). Contudo, apresentam particularidades na função 106 administrativa, com aproximação ao modelo de Administração Gerencial. A Governabilidade se refere à capacidade política de governar, que deriva da relação de legitimidade do Estado e do seu governo com a sociedade. Está presente quando a população legitima o exercício do poder pelo Estado. A legitimidade, nesse contexto, deve ser entendida como a aceitação do poder do Governo ou do Estado pela sociedade. Araújo (2002, p. 6) comenta que: a fonte ou origem principal da governabilidade são os cidadãos e a cidadania organizada, ou seja, “é a partir deles (e da sua capacidade de articulação em partidos, associações e demais instituições representativas) que surgem e se desenvolvem as condições citadas acima como imperativas para a governabilidade plena. Vinculada à dimensão estatal, diz respeito as “condições sistêmicas e institucionais sob as quais se dá o exercício do poder, tais como as características do sistema politico, a forma de governo, as relações entre os Poderes, o sistema de intermediação de interesses” (SANTOS, 1997, p. 342). Para Diniz (1995) a governabilidade, representa umconjunto de atributos essenciais ao exercício do governo, sem os quais nenhum poder pode ser exercido. O autor apresenta três dimensões inerentes ao conceito de Governabilidade, nesse âmbito: (1) Capacidade do governo para identificar problemas críticos e formular políticas adequadas ao seu enfrentamento; (2) Capacidade governamental de mobilizar os meios e recursos necessários à execução dessas políticas, bem como a sua implementação; (3) Capacidade liderança do Estado sem a qual as decisões tornam-se ineficientes. Paludo (2012, p. 134) adverte que “a fonte ou origem da governabilidade são os cidadãos e a cidadania organizada, os partidos políticos, as associações e demais agrupamentos representativos da sociedade.” Reforça que governabilidade se relaciona com legitimidade, ou seja, se os governos 107 não forem legitimados não haverá condições necessárias para governar. A governabilidade significa também que o governo deve tomar decisões amparadas num processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade, dos poderes constituídos, das instituições públicas e privadas e segmentos representativos da sociedade, para garantir que as escolhas efetivamente atendam aos anseios da sociedade, e contem com seu apoio na implementação dos programas/projetos e na fiscalização dos serviços públicos. (PALUDO, 2012, p. 134). Nesse sentido, significa a participação dos diversos setores da sociedade nos processos decisórios que dizem respeito às ações do poder público, uma vez que "[...] incorpora a articulação do aparelho estatal ao sistema político de uma sociedade, ampliando o leque possível e indispensável à legitimidade e suporte das ações governamentais em busca de sua eficácia” (JUNQUILHO, 2010, p. 32). Reforçando, Bento (2003, p. 85) descreve que “governabilidade se refere às condições do ambiente político em que se efetivam ou devem efetivar-se as ações da administração, à base de legitimidade dos governos, à credibilidade e imagem públicas da burocracia”. Desse modo o desafio da governabilidade [...] consiste em conciliar os muitos interesses desses atores (na maioria divergentes) e reuni-los num objetivo comum a ser perseguido por todos (ou vários objetivos comuns). Assim, a capacidade de articular-se em alianças políticas e pactos sociais constitui-se em fator crítico para a viabilização dos objetivos do Estado. Essa tentativa de articulação que a governabilidade procura é uma forma de intermediação de interesses. (PALUDO, 2012, p. 135). A governança por sua vez, refere-se à capacidade administrativa e financeira do Estado, ganhando aplicabilidade por parte dos agentes públicos que possibilitam a formulação e implementação das políticas públicas determinadas, dando vida às ações do Estado na relação com a sociedade civil e os mercados. Na iniciativa privada a 108 governança corporativa representa o modo como as organizações são administradas e controladas, e como interagem com as partes interessadas. “Inclui políticas, regulamentos/instruções, processos, estratégia e cultura, e orienta-se pelos princípios da transparência, equidade, responsabilidade por resultados, cumprimento das normas e accountability” (PALUDO, 2012, p. 138). Territórios, Redes e Desenvolvimento Regional: Perspectivas e Desafios Santa Cruz do Sul, RS, Brasil, 13 a 15 de setembro de 2017 Bento (2003, p. 85), argumenta que a governança diz respeito "[...] aos pré-requisitos institucionais para a otimização do desempenho administrativo, isto é, o conjunto dos instrumentos técnicos de gestão que assegure a eficiência e a democratização das políticas públicas”. Nesse sentido, é o braço operacional da governabilidade e deve ser entendida como um instrumento de governabilidade (ARAÚJO, 2002). Segundo Paludo (2012), em situações de crises que afetem a governabilidade, a governança estará comprometida, por ser esta um instrumento para a realização dos fins do Estado. Por isso, pressupõe condições mínimas de governabilidade. Ou seja, uma boa governança fortalece a legitimidade dos governos, aumentando sua governabilidade. Daí, que nesse contexto de semelhança entre governança e governabilidade, um novo termo surge: a "nova governança pública" (PALUDO, 2012). Segundo Junquilho (2010), governança pública, pode ser compreendida como a capacidade de governar, capacidade de decidir e implementar políticas públicas que atendam às necessidades da população. A governança pode ser considerada um elo entre os interesses do mercado e da sociedade civil, ao passo que a governabilidade inclui a participação do mercado e da sociedade civil nas decisões, o que dificulta ainda mais a distinção dos termos governança versus governabilidade (PALUDO, 2012). Para Secchi (2009), a participação dos cidadãos é um objetivo a ser alcançado, sendo que o cidadão se torna um parceiro da "nova governança pública", uma vez que a 109 sociedade passa a colaborar com o Estado no alcance de objetivos coletivos que visem o bem comum de determinada comunidade. O desenvolvimento participativo e a boa governança relacionam-se da forma seguinte: o desenvolvimento participativo, com seu foco central na melhoria da qualidade da participação pelas sociedades locais, facilitando o atingimento do desenvolvimento sustentável e auto- suficiente e da justiça social, é uma forma importante de desenvolvimento orientado para as pessoas. (BANDEIRA, 1999, p. 16). Para Junquilho (2010, p. 34), a “boa governança pressupõe, na Administração Pública, acompanhamento e controle, por parte dos cidadãos, no exercício pleno de sua cidadania em uma sociedade democrática, de todas as ações governamentais”. As reformas que a administração pública tem conhecido desde os anos 1980 e as mudanças nos modelos de gestão pública adoptados em vários países do mundo inteiro repercutem em análises teóricas e práticas administrativas consideradas inovadoras para as formas de organização e funcionamento da administração pública. A necessidade de se constituir uma administração pública cada vez mais capacitada para responder às solicitações da sociedade e a prestação de serviços públicos com maior qualidade, assim como a elevação do desempenho das instituições do Estado se tornaram de forma rápida e intensa numa "bandeira" fundamental da teoria e da prática da gestão pública na contemporaneidade. As concepções da New Public Management (Nova Gestão Pública) surgidas no contexto internacional durante a década de 1980 que, por um lado, estiveram voltadas às críticas ao modelo do estado de bem- estar e à administração pública baseada nos princípios da racionalidade burocrática, sugeriram novas formas de gestão, como 110 mencionam Hughes (2010) e Jones e Kettl (2003), promovendo dessa forma novos valores resultantes de um conjunto de técnicas e padrões de gestão pública. Por outro, esses padrões de gestão eram justificados pela necessidade de tornar a organização e o funcionamento do setor público mais flexíveis e efetivos. No prosseguimento dessa "onda" de novas propostas para a melhoria da gestão pública, há também que realçar o enfoque nos aspectos relacionados com o empowerment da sociedade e a reformulação dos processos de tomada de decisão e de implementação de políticas públicas da década de 1990 que trouxeram novos desafios institucionais para o setor público influenciado pelas concepções que defendem, de acordo com Denhardt e Denhardt (2000, 2003), a formação de sociedades democráticas e participativas. O tema da reforma administrativa em Moçambique adquiriu centralidade crescente no debate sobre as condições para o enfrentamento dos problemas estruturais e das fragilidades institucionais da gestão pública, caracterizada por uma burocracia excessiva e inoperante, pouco flexível e dinâmica, e, sobretudo,pela necessidade de ampliação da presença e representação do Estado ao nível das comunidades locais. Portanto, a conjuntura socioeconômica e política vivida no país no decurso dos anos 1980, o quadro de degradação das condições sociais, os desequilíbrios macroeconômicos e a deterioração do modelo de Estado socialista vigente (Hanlon 1991) tornaram imprescindível a realização de reformas dentro do Estado e na administração pública nacional. Entretanto, o sentido das mudanças efetuadas recentemente com a implementação da Estratégia Global de Reforma do Setor Público (EGRSP, 2001-11) pode ser encarado em duas vertentes importantes. Uma primeira que considera a aplicação de um conjunto de práticas e 111 de princípios de gestão pública, como discorre Barrett (2002:2), por exemplo, com a promoção de práticas voltadas à responsabilização ou accountability, a gestão por objetivos e a avaliação por resultados. Uma segunda que encara a reforma como um mecanismo para melhorar a satisfação dos interesses coletivos das comunidades em que, de acordo com Kooiman e colaboradores (2008), a cooperação entre atores públicos e privados e a participação da sociedade se estabelecem como os caminhos mais adequados para a condução de processos de gestão de políticas públicas mais inclusivas e interativas segundo uma nova lógica voltada para as concepções da governança interativa no setor público. As transformações ocorridas primeiramente nos países ocidentais como Reino Unido e Estados Unidos, assim como compreender o contexto em que mudanças similares, pelo menos, do ponto de vista teórico e doutrinário têm sido desencadeadas em países em desenvolvimento como Moçambique. Nisso, buscou-se o aprofundamento do entendimento sobre os pressupostos teóricos que orientam a aplicação das concepções e alguns princípios da Nova Gestão Pública (NGP), do Novo Serviço Público (NSP) e da Governança Interativa (GI) como novas tendências que influenciam o processo de organização e estruturação da administração pública no país. Para o efeito, o artigo está organizado, além desta seção introdutória, em outras cinco seções. Na primeira aborda a metodologia utilizada para a sua constituição. Na segunda expõe as concepções teóricas que nortearam a emergência de novos modelos de gestão surgidos com a implementação das reformas de Estado e administrativas nas décadas de 1980 e 1990. Na sequência, apresentam-se as suas críticas e as tendências recentes, como forma de salientar as renovadas abordagens acerca do novo serviço público conjeturado no nível internacional. 112 Na terceira seção, dicorre-se sobre as características das mudanças que foram sendo introduzidas na administração pública moçambicana no período de 1975 a 2000, a partir de uma perspectiva histórica das reformas. Na quarta seção são explorados os processos recentes da reforma administrativa no período de 2001 a 2011, enquadrados na perspectiva que sugere a modernização do aparelho administrativo do Estado e de seus serviços. Finalmente, na última seção apresentam-se as considerações finais relativas à análise ora apresentada. O pressuposto de que a lógica da EGRSP encontra seu fundamento nas formulações e nos padrões instituídos pela Nova Gestão Pública, como afirma Barzelay (2000), nos argumentos do Novo Serviço Público contextualizado por Denhardt e Denhardt (2000, 2003), portanto, como fenômenos ideológicos e doutrinários cruciais não apenas para a teoria, mas também para a prática de administração pública que tem na Governança Interativa o seu objetivo principal, como defende Kooiman e colaboradores (2008). Sumário De forma resumidq, estudamos e discutimos, conceito de modernização, gestão e governança por outro lado aprendemos sobre a gestão da governança no sector público em Moçambique, onde chegamos a conclusão de que existem três dimensões inerentes ao conceito de Governabilidade, nesse âmbito: (1) Capacidade do governo para identificar problemas críticos e formular políticas adequadas ao seu enfrentamento; (2) Capacidade governamental de mobilizar os meios e recursos necessários à execução dessas políticas, bem como a sua implementação; (3) Capacidade liderança do Estado sem a qual as decisões tornam-se ineficientes. Paludo (2012, p. 134) 113 adverte que “a fonte ou origem da governabilidade são os cidadãos e a cidadania organizada, os partidos políticos, as associações e demais agrupamentos representativos da sociedade.” Reforça que governabilidade se relaciona com legitimidade, ou seja, se os governos não forem legitimados não haverá condições necessárias para governar. A governabilidade significa também que o governo deve tomar decisões amparadas num processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade, dos poderes constituídos, das instituições públicas e privadas e segmentos representativos da sociedade, para garantir que as escolhas efetivamente atendam aos anseios da sociedade, e contem com seu apoio na implementação dos programas/projetos e na fiscalização dos serviços públicos. A reforma administrativa em Moçambique adquiriu centralidade crescente no debate sobre as condições para o enfrentamento dos problemas estruturais e das fragilidades institucionais da gestão pública, caracterizada por uma burocracia excessiva e inoperante, pouco flexível e dinâmica, e, sobretudo, pela necessidade de ampliação da presença e representação do Estado ao nível das comunidades locais. Portanto, a conjuntura socioeconômica e política vivida no país no decurso dos anos 1980, o quadro de degradação das condições sociais, os desequilíbrios macroeconômicos e a deterioração do modelo de Estado socialista vigente (Hanlon 1991) tornaram imprescindível a realização de reformas dentro do Estado e na administração pública nacional. Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-1: Perguntas fechadas A Governabilidade se refere à capacidade política de governar, que deriva da relação de legitimidade do Estado e do seu governo com a sociedade. 114 a) Verdadeiro b) Falso A legitimidade, nesse contexto, deve ser entendida como a aceitação do poder do Governo ou do Estado pela sociedade. Araújo (2002, p. 6) a) Verdadeiro b) Falso Araújo (2002, p. 6) comenta que: a fonte ou origem principal da governabilidade são: a) Os políticos constroem a cidadania, ou seja, “é a partir deles (e da sua capacidade de articulação em partidos, associações e demais instituições representativas) que surgem e se desenvolvem as condições citadas acima como imperativas para a governabilidade plena. b) Os cidadãos e a cidadania organizada, ou seja, “é a partir deles (e da sua capacidade de articulação em partidos, associações e demais instituições representativas) que surgem e se desenvolvem as condições citadas acima como imperativas para a governabilidade plena. c) Os administradores constroem a cidadania, ou seja, “é a partir deles (e da sua capacidade de articulação em partidos, associações e demais instituições representativas) que surgem e se desenvolvem as condições citadas acima como imperativas para a governabilidade plena. d) Nenhuma das alternativas está correctas. De acordo com PALUDO (2012, p. 135) a governança por sua vez, refere-se: a) A capacidade administrativa e financeira do Estado, ganhando aplicabilidade por parte dos agentes públicos que possibilitam a formulação e implementação das políticas públicas determinadas, dando vida às ações do Estado na 115 relação com a sociedade civil e o mercado; b) As condições do ambiente político em que se efetivam ou devem efetivar-se as ações da administração, à base de legitimidade dos governos, à credibilidade e imagem públicas da burocracia; c) Conjunto de atributos essenciais ao exercício do governo, sem os quais nenhumpoder pode ser exercido; d) Nenhuma das alternativas está correcta. O tema da reforma administrativa em Moçambique adquiriu centralidade crescente no debate sobre as condições para o enfrentamento dos problemas estruturais e das fragilidades institucionais da gestão pública, caracterizada por: a) Uma burocracia excessiva e inoperante, pouco flexível e dinâmica; b) A necessidade de ampliação da presença e representação do Estado ao nível das comunidades locais; c) Alternativas “a” e “b” estão correctas d) Nenhuma das alternativas está correctas. Resposta 1 - A 2 - A 3 - B 4 - A 5 – C Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-2 Marque a alternativa certa em cada questão abaixa descrita: existem três dimensões inerentes ao conceito de Governabilidade, nomeadamente: a) Capacidade do governo para identificar problemas críticos e formular políticas adequadas ao seu enfrentamento; 116 b) Capacidade governamental de mobilizar os meios e recursos necessários à execução dessas políticas, bem como a sua implementação; c) Capacidade liderança do Estado sem a qual as decisões tornam-se ineficientes; d) Todas as alternativas estão correctas. o sentido das mudanças efetuadas recentemente com a implementação da Estratégia Global de Reforma do Setor Público (EGRSP, 2001-11) pode ser encarado em duas vertentes importantes. Uma primeira que considera a aplicação de um conjunto de práticas e de princípios de gestão pública e a segunda que encara a reforma como um mecanismo para melhorar a satisfação dos interesses coletivos das comunidades a) Verdadeiro b) Falso Resposta 1 - D 2 - A 117 Referência Bibliográficas BRITO, L. et al. (2010). Desafios para Moçambique.Maputo: Iese. CAIDEN, G. (1994). Administrative reform. In: BAKER, Randall. Comparative public management: putting U. S. public policy and implementation in context. Westport: Praeger Publishers. CASTEL-BRANCO, N. (1994). Moçambique-perspectivas económicas. Maputo: UEM. CIRESP (2011). Estratégia global da reforma do sector público (2001-2011). Maputo: Imprensa Nacional de Moçambique. DENHARDT, R. e DENHARDT, J. (2003). The new public service: an approach to reform. International Review of Public Administration, v. 8, n. 1. ECA (2003). Public sector management reforms in Africa. Addis Ababa. Ewalt, J. (2001). 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Managing Public Sector Reform: Politics, Capacity Building And Npm In Mozambique 2001-05. In: Awortwi, Nicholas &Sitoe, Eduardo. African Perspectives On New Public Management: Implications For Human Resource Training.Maastricht: Shaker Publishing. MAZULA, A. (1998). Quadro institucional dos distritos municipais. In: MAZULA, Aguiar et al. Autarquias locais em Moçambique: antecedentes e regime jurídico. Lisboa; Maputo: UEM. Osborne, D. &Gaebler, T. (1992). Reinventing Government: How The Entrepreneurial Spirit Is Transforming The Public Sector. Harvard: Harvard UniversityPress. PECI, A. e tal (2008). Governança e New Public Management: convergências e contradições no contexto brasileiro. Organização e Sociedade, v. 15, n. 46. Pereira, L. C. B. (2003). Gestão do Sector Público. Estratégia e Estrutura para um Novo Estado. In: Pereira, Luiz Carlos Bresser &Spink, Peter (Eds). Reforma Gerencial Do Estado E Administração Pública Gerencial. 5 Ed. Rio De Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas. Polidano, C. (1999). The New Public Management In Developing Countries (Public Policy And Management Working Paper No. 13). Manchester: Institute For Development Policy And Management. Polidano, C. (2001). Why Public Sector Reforms Fail? (Public Policy And Management Working Paper No. 16). Manchester: Institute for Development Policy and Management. SALOOJEE, et al (2010). Desafios comuns à reforma administrativa em países em desenvolvimento. São Paulo: Editora Unesp. SOIRI, L. (1999). Moçambique: aprender a caminhar com uma bengala emprestada? Ligações entre descentralização e alívio à pobreza. Maastricht: European Centre for DevelopmentPolicy Management. 119 VALÁ, S. (2008). Descentralização e desenvolvimento sustentável no Moçambique rural. In: CISTAC, Giles; CHIZIANE, Eduardo. 10 anos de descentralização em Moçambique: os caminhos sinuosos de um processo emergente. Maputo: FD-NEAD; UEM. CIRESP (2001). Estratégia Global da Reforma do Sector Público. Maputo. Segundo a lei n˚09/2002 (lei que cria SISTAFEmas não aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente incapaz! Não estude na última da hora; quando se trata de fazer alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobretudo, estude pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que está a se formar. Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou não lhe é familiar; Precisa de apoio? Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas 6 como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, fraca visibilidade, páginas trocadas ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, sms, correio electrónico, e, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando a preocupação. Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua aprendizagem com qualidade e sucesso. Daí a relevância da comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante – CR, etc. As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED indigetada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica e/ou administrativa. O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida em que permite-lhe situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos outros colegas. Desta maneira ficara a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade temática, no módulo. Tarefas (avaliação e auto-avaliação) O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e auto−avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da disciplina/módulo. Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do autor. 7 O plágio1é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor, sem o citar é considerada plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos autorias devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). Avaliação Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, estando eles fisicamente separados e muito distantes do docente/tutor. Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente. Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta detalhada do regulamentado de avaliação. Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos exames. Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira. Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 3 (três) avaliações escrtitas na plataforma moodle e 1 (um) exame. Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões nos fóruns e chats, serão utilizados como ferramentas de avaliação formativa. Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das referências bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de Avaliação. 1Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. 9 TEMA – I: INTRODUÇÃO, CONCEITO DE REFORMA, SECTOR PÚBLICO UNIDADE Temática 1.1. Considerações gerais sobre a disciplina. (Conceito de Reforma, Sector Público) UNIDADE Temática 1.2. A evolução e o papel das reformas no Sector Público Introdução O mundo moderno vem sendo objecto de profundas e aceleradas transformações económicas, políticas e sociais que têm levado aos governos a adoptarem estratégias que possam responder as mudanças sociais, assim sendo, pretende-se na presente unidade temática elucidar ao estimado estudante sobre os conceitos de Reforma do Sector Público, nas suas diversas vertentes do campo do saber científico, e prático. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos • Enunciar as perspectivas dos conceitos de Reforma do Sector Público • Entender a função administração do Estado; • Identificar e explicar as funções do Estado. 10 UNIDADE Temática 1.2. Considerações gerais sobre a disciplina. (Conceito de Reforma, Sector Público) A Reforma, no sentido amplo, é entendida como mudanças (intra e inter-institucionais) realizadas com a finalidade de aumentar a capacidade de actuação das instituições SALOOJEE, et al (2010), define Sector Público como conjunto de instituições e agências directa e indirectamente financiadas pelo Estado, que têm como objectivo final a provisão de bens e serviços públicos. Em Moçambique este objectivo é prosseguido pelo Governo Central, Ministérios, Governos Provinciais, Direcções Provinciais, Administrações de Distrito, Direcções Distritais, Postos Administrativos, Autarquias, Empresas Públicas, Instituições e Agências do Estado (CIRESP, 2001:47). Para Amaral (2003), Reforma do Sector Público é entendida como conjunto de providências a serem tomadas para melhorar o funcionamento daAdministração Pública no sentido de coloca-la em maior coerência com os seus princípios e em maior eficiência nos seus fins. 1.1.1. Funções do Estado. O Estado é uma comunidade política independente, organizada de forma permanente sobre um determinado território, criador exclusivo do Direito (só o Estado pode ser legislador), administração pública da imposição da lei e da ordem (só o Estado é polícia e juiz) e da promoção da defesa armada (só o Estado pode fazer a guerra e a paz), com vista à realização do bem-estar social dos seus cidadãos. Estado como uma organização não existe em si ou por si: Existe para resolver os problemas da sociedade, quotidianamente; existe para garantir a segurança, fazer justiça, promover a comunicação entre os homens, dar-lhes a paz e bem-estar e progresso. É um poder de decisão no momento presente, de 11 escolher entre opções diversas, de praticar os actos pelos quais satisfazem pretensões generalizadas ou individualizadas das pessoas e dos grupos; O tal Serviço Geral do Estado é «Administração Pública». Função administrativa é uma das funções básicas do Estado (ou dos seus delegados). A função administrativa é activa, pois em regra é independente de provocação do cidadão para ser a função administrativa e activa, pois em regra é independente de provocação do cidadão para ser exercitada; é subordinada à lei, portanto, é uma actividade infra-legal; A função administrativa é actividade infra-legal, activa, hierarquizada, de realização do interesse público; a função administrativa é o modo ordinário de realização dos fins públicos do Estado, em termos concretos, mais próximo ao cidadão. Em termos práticos a função administrativa do Estado consiste no desenvolvimento de actividades de forma permanente e homogénea, para prossecução dos objectivos que lhe são constitucionalmente cometidos. É comum no seio dos especialistas em Administração Pública designar as actividades desenvolvidas pelo Estado no quadro da sua função administrativa de Funções do Estado. As Funções de carácter jurídico são as que estão ligadas a criação de Direito: Função constituinte, (por vezes chamada Poder Constituinte) - faculdade de criar regras de Direito que representam a própria definição suprema e a organização do Estado-Colectividade, ou seja, faculdade de criar a Constituição. Através do passar dos anos as relações de comando, ou seja, governantes e governados, ou de uma forma mais objectiva, os 12 controladores e os controlados, sofreram diversas modificações que influenciaram no surgimento da Teoria da Separação dos Poderes. O professor MAZULA, A. (1998), enaltece que, a ideia de conter o Poder do Estado através da divisão de funções, e dar competência a diferentes órgãos, foi desenvolvida por Montesquieu, Artitoles, e não se pode confundir função com objectivos estatais, as finalidades vão desde a natureza económica e militar até a cultural. As funções básicas na antiguidade eram: a consultiva, a administrativa e a judiciária. Com o passar dos anos foi havendo modificações que consolidaram os três poderes actuais: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. 1) O Legislativo: estabelece normas que regem a sociedade. Cabe a ele criar leis em cada uma das três esferas e fiscalizar e controlar os actos do Poder Executivo. O presidente da República também pode legislar, seu principal instrumento é a medida provisória. Esse Poder é exercido pela Assembleia da República, que actua através dos o Parlamento composto por Deputados, 2) O Executivo; é responsável pela administração dos interesses públicos, sempre de acordo com nossa carta magna e as ordenações legais. O executivo é distribuído no âmbito nacional, regional e municipal. é exercido pelo Presidente da República, que é escolhido pelo povo, em eleições. 3) O Judiciário, possui duas tarefas principais, a primeira é a de controle de constitucionalidade, ou seja, é a averiguação da compatibilidade das normas com a Constituição da República, pois só assim serão válidas. A segunda obrigação é justamente solucionar as controvérsias que podem surgir com a aplicação da lei. Para o professor Macuane, J. J. (2006), a divisão desses Poderes é crucial para a formação de uma http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 13 sociedade preocupada com as relações de comando, pois sem esse desligamento podem ocorrer situações de arbitrariedade. “Quando, na mesma pessoa ou no mesmo corpo de magistratura, o Poder legislativo é reunido com o Poder Executivo não existe liberdade (...) tão pouco existe liberdade se o poder de julgar não fosse separado do Executivo e do Legislativo (...) tudo estaria perdido se o mesmo homem (...) exercesse os três poderes.” Montesquieu conclui que “só o poder freia o poder”, no chamado “Sistema de Freios e Contrapesos”, por essa razão cada poder deve manter-se autónomo e constituído por pessoas e grupos diferentes. MACAMO, E. e NEUBERT, D. (2003.), Chama atenção de não se esquecer que o Poder do Estado é uno e indivisível. Cada um desses órgãos, no exercício de suas funções, exercem suas actividades de formas diferenciadas, o que não quer dizer que são independentes, mas também não são subordinados entre si, ou seja, existe a independência orgânica, eles devem trabalhar de forma harmónica, mas autónoma. O importante é destacar que cada um desses Poderes necessita de liberdade, dentro dos limites, para agir. Eles são, na realidade, controladores do Poder Público, que visam à protecção dos cidadãos, coíbem certos abusos dos agentes administrativos e buscam o aumento da eficiência do Estado, uma vez que cada órgão torna-se especialista em determinada função. Essa especialidade não separa os poderes absolutamente, pois todos legislam, administram e julgam. O pensamento de que os órgãos possuem somente uma função específica é errado, claro que a tarefa maior de cada um deles é directamente determinada, mas existem responsabilidades que se entrelaçam Os três Poderes são responsáveis pela implantação do Estado em si, uma vez que eles receberam finalidades específicas, que contribuíram para a formação de uma força coletiva organizada, pois estavam 14 designados a atender os anseios da sociedade. Tais órgãos fazem parte da função social jurídica do Estado, mas não pode esquecer-se das não jurídicas. Essas são separadas em técnicas e políticas. A primeira está relacionada com a prestação de serviços e a produção de bens. A segunda diz respeito ao interesse geral e a conservação da sociedade política. BRITO, L. et al. (2010). Ferlie, E. et al (1999), finaliza argumentado que para que possamos ter uma sociedade realmente organizada, tanto o poder político, quanto o judiciário devem caminhar lado a lado, pois os dois residem na busca pelo progresso social, que não está só relacionado ao bem- estar de poucos, mas sim da evolução da colectividade através da correcta aplicação dos poderes inerentes do Estado. O objectivo principal deve ser a formação de uma sociedade equilibrada, em que os princípios constitucionais realmente são seguidos. UNIDADE Temática 1.2. A evolução e o papel das reformas no Sector Público As transformações das relações Estado-sociedade-economia impulsionadas pela globalização económica têm demandado uma reestruturação da organização política e económica dos países, com reflexos sobre o papel do Estado e consequentemente sobre o sector público. Reforma do Sector Publico A reforma do serviço público é uma parte cada vez mais importante na profissionalização da administração Pública.No entanto, essa reforma não gera, com frequência, melhorias sustentáveis no desempenho do governo. Repensar a maneira de actuação do da administração pública 15 poderia levar a intervenções mais amplas e mais adequadas às demandas e condições dos países. Ao reconhecer a importância da capacidade do governo de atingir os objectivos económicos e sociais, a administração pública investiu significativamente na reforma do funcionalismo nos últimos 20 anos. Poucos observadores duvidam da importância do desempenho da administração pública para a agenda de desenvolvimento, mas alguns questionam a eficácia dos programas anteriores quanto ao fortalecimento do serviço público nos países africanos. Função Pública Não se pode falar da função pública sem antes trazer o conceito de servidor público, servidor público, toda via o termo servidor público é polissémico - seus vários significados, por vezes contraditórios entre si, comportam aplicação a um mesmo tempo, e não tão ocasionalmente como se poderia esperar, para uma mesma situação fáctico - jurídica. Disto resulta favorecimento à insegurança jurídica; tratamento e sancionamento diversos para situações objectivamente idênticas e bens jurídicos lesados idem; e maior incompreensão sobre o servidor público já no seu início, ou seja, sobre quem deverá ser como tal considerado. Não é só. A polissemia conceitual, não raro contraditória, existente dentro da órbita da estrutura administrativa do Estado, pode contaminar as relações privadas que já começam a formar-se fora daquela estrutura, com o incentivo estatal, de acordo com políticas de descentralização administrativa que já estão a se desenvolver. Esta a preocupação que motivou a realização deste trabalho. Dados os limites desta exposição, serão feitas" pequenas incursões" nos âmbitos doutrinário, normativo e jurisprudencial, comparativamente e a título ilustrativo. SERVIDOR PÚBLICO - É todo aquele que, investido de qualquer cargo, 16 ofício ou função pública em o quadro dos funcionários públicos, é remunerado pelos cofres públicos. O mesmo que funcionário público. " Recusando esta identificação entre o pessoal da Administração Directa e da Administração Indirecta. Uma estratégia essencial ao se reformar o aparelho do Estado é reforçar o núcleo estratégico e fazer com que seja ocupado por servidores públicos altamente competentes. bem treinados e bem pagos; com servidores que entendam o ethos do serviço público como o dever de servir ao cidadão. Nessa área. a carreira e a estabilidade del'em ser asseguradas por lei. embora os termos "carreira" e "estabilidade" devam ser entendidos de modo mais flexível. se comparados com os seus correspondentes na tradicional administração burocrática. Nas atÍl'idades exclusivas. a administração del'e ser descentralizada; nos serviços não exclusivos. a administração deve ser mais que descentralizada - deve ser autônoma; a sociedade civil dil'idirâ, com o governo, as tarefas de cOlllrole." A evolução e o papel das reformas no Sector Público As transformações da relação Estado-sociedade-economia têm demandado uma reestruturação da organização política e económica dos países, com reflexos sobre o papel do Estado e, consequentemente, sobre o sector público. No mundo, nos anos 90, o processo de reforma do Estado baseia-se em um tríplice diagnóstico: uma crise profunda nas diversas vertentes das políticas públicas tendente ao desenvolvimento sócio económico. Uma exaustão das formas proteccionistas de intervenção na economia e uma administração pública considerada excessivamente burocrática e ineficiente. A construção da capacidade de Estado, assentada principalmente no 17 conceito de eficiência, é assumida como objectivo central da reforma do Estado no mundo e de seus aparelhos. A globalização, segundo SALOOJEE, et al (2010), é hoje em dia mais do que um conceito científico, é um fetiche. Isto é, a palavra é utilizada com frequência sem ser entendida no detalhe, significando muitas vezes o oposto, porém tendo um significado em comum: descreve algo como um poder oculto que agita o mundo, que determina nossa vida e que nos domina cada vez mais. Para autor acima, a globalização seria a decisiva estratégia do capital como solução à crise do fordismo, ou seja, a liberação radical do trânsito de mercadorias, serviços, dinheiro e capital deve ser a condição prévia da renovada racionalização sistemática do processo de trabalho na produção capitalista, e isto, por sua vez, está vinculado com a destruição do compromisso fordista de classes e de suas bases institucionais. O Estado nacional de competência representa, assim, uma nova forma histórica de Estado autoritário, onde a política democrática deve ser praticada essencialmente fora e independente do Estado e das instituições políticas estabelecidas na democracia liberal (SALOOJEE, et al (2010). Dentro desta perspectiva, DENHARDT, R. e DENHARDT, J. (2003), considera que a fraqueza do Estado não foi o efeito secundário ou perverso da globalização da economia. Foi um processo político muito preciso destinado a constituir um outro Estado forte, cuja força estivesse mais finamente sincronizada com as exigências do capitalismo global. Não se trata, pois, da crise do Estado em geral, mas de um certo tipo de Estado. A força do Estado, que no período do reformismo constitui a capacidade de o Estado promover interdependências não-mercantis, passou a consistir na capacidade de o Estado submeter todas as 18 interdependências à lógica mercantil. Não se trata do regresso do princípio do mercado, mas de uma nova articulação, mais direta e mais íntima, entre o princípio do Estado e o princípio do mercado. Para Ferlie, E. et al (1999), a implicação mais evidente parece ser a da redefinição do papel do Estado e da reestruturação de seu aparelho. Na medida em que o Estado deixa de ser "o demiurgo do desenvolvimento nacional" e que são crescentes as demandas da sociedade e as necessidades de atendê-las, tanto o raio de acção quanto o conteúdo das políticas públicas tendem a se deslocar. Isso exige, por sua vez, a reestruturação do aparelho burocrático para tomar-se instrumental a ambas. Do Estado de tradição patrimonialista e intervencionista na economia será cada vez mais exigida sua conversão VALÁ, S. (2008), enaltece que as tensões geradas pelo descompasso entre os custos sócio- econômicos dos ajustes e os benefícios por eles propugnados requerem um "forte grau de concentração de poder" no Executivo e uma exclusão dos sectores populares na formulação e implementação de políticas. Sumário De forma sucinta, estudamos e discutimos os o conceito de Reforma do Sector Publico, conceito de Função Pública e evolução e o papel das reformas no Sector Público, onde chegamos a conclusão de que não se pode abordar sobre a função pública sem antes trazer o conceito de servidor público, toda via o termo servidor público é polissémico, seus vários significados, por vezes contraditórios entre si, comportam aplicação a um mesmo tempo, e não tão ocasionalmente como se poderia esperar, para uma mesma situação fáctico-jurídica, por outro lado, vimos a capacidade de estado, assenta-se principalmente no conceito de eficiência, e é assumida como objectivo central da reforma do Estado no mundo e de seus aparelhos e que a força do estado no período do reformismo 19 constitui a capacidade de o Estado promover interdependências não- mercantis e passou a consistir na capacidade de o Estado submeter todas as interdependências à lógica mercantil. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO GRUPO-1: Perguntas Fechadas 1. Estado como uma organização não existe em si ou por si: a) Existe para resolver os problemas da sociedade, quotidianamente; b) Existe para garantir a segurança, fazer justiça,promover a comunicação entre os homens; c) Dar-lhes a paz e bem-estar e progresso d) Todas as alternativas estão Correcta. 2. O poder Legislativo, estabelece normas que regem a sociedade. cabe a ele criar leis em cada uma das três esferas nomeadamente: a) legislar, b) Fiscalizar; c) Controlar os actos do Poder Executivo d) Todas as alternativas estão Correcta. 3. O Judiciário, possui duas tarefas principais nomeadamente: a) Controle de constitucionalidade e solucionar as controvérsias que podem surgir com a aplicação da lei; b) Controle de constitucionalidade e garantir a segurança, fazer justiça, promover a comunicação entre os homens; c) Solucionar as controvérsias que podem surgir com a aplicação da lei e. Fiscalizar e controlar os actos do Poder Executivo; 20 d) Todas as alternativas estão Correcta. 4. MACAMO, E. e NEUBERT, D. (2003.), Chama atenção de não se esquecer que o Poder do Estado é uno e indivisível. Porquê? a) Cada um desses órgãos, no exercício de suas funções, não exercem suas actividades de formas diferenciadas, o que não quer dizer que não são independentes, mas também não são subordinados entre si; b) Cada um desses órgãos, no exercício de suas funções, exercem suas actividades de formas diferenciadas, o que não quer dizer que são independentes, mas também não são subordinados entre si; c) Cada um desses órgãos, no exercício de suas funções, exercem suas actividades de formas diferenciadas, o que não quer dizer que não são independentes, mas também são subordinados entre si; d) Cada um desses órgãos, no exercício de suas funções, exercem suas actividades de formas diferenciadas, o que não quer dizer que são independentes, mas também não são subordinados entre si. 5. No mundo, nos anos 90, o processo de reforma do Estado baseia- se em um tríplice diagnóstico nomeadamente: a) Na crise profunda nas diversas vertentes das políticas públicas tendente ao desenvolvimento sócio económico; b) Na exaustão das formas proteccionistas de intervenção na economia; c) Na administração pública considerada excessivamente burocrática e ineficiente. d) Todas as alternativas estão Correcta. 21 7. Dentro desta perspectiva, DENHARDT, R. e DENHARDT, J. (2003), considera que a fraqueza do Estado não foi o efeito secundário ou perverso da globalização da economia mas sim: a) Foi um processo político muito preciso destinado a constituir um outro Estado forte, cuja força estivesse mais finamente sincronizada com as exigências do capitalismo global. . b) Foi um processo académico muito preciso destinado a constituir um outro Estado fragil, cuja fragilidade estivesse mais finamente sincronizada com as exigências do capitalismo local. c) Foi um processo económico muito preciso destinado a constituir um outro mundo, cuja força estivesse mais finamente sincronizada com as exigências do capitalismo local. d) Foi um processo financeiro muito preciso destinado a constituir um outro Estado forte, cuja força estivesse mais finamente sincronizada com as exigências do capitalismo local. 8. SALOOJEE, et al (2010), define Sector Público como conjunto de instituições e agências directa e indirectamente financiadas pelo Estado, que têm como objectivo final a provisão de bens e serviços públicos. a) Verdadeiro b) Falso 9. A função administrativa é actividade infra-legal, activa, hierarquizada, de realização do interesse privado. a) Verdadeiro b) Falso 10. O Executivo; é responsável pela administração dos interesses 22 públicos, sempre de acordo com nossa carta magna e as ordenações legais. a) Verdadeiro b) Falso Respostas: 1 - D 2 - D 3 - D 4 - D 5 - D 6 - D 7 - B 8 - A 9 - B 10 - A Exercícios de AVALIAÇÃO GRUPO-2 Marque a alternativa certa em cada questão abaixo descrita: 1. SALOOJEE, et al (2010), entendem globalização como: a) O exercício que os governantes tem de agitar o mundo, que determina nossa vida e que nos domina cada vez mais; b) A capacidade que os políticos tem de agitar o mundo, que determina nossa vida e que nos domina cada vez mais; c) Um poder oculto que agita o mundo, que determina nossa vida e que nos domina cada vez mais; d) O poder que as organizações internacionais têm que agita o mundo, que determina nossa vida e que nos domina cada vez mais. 2. Ferlie, E. et al (1999), argumenta que para que possamos ter uma sociedade realmente organizada, tanto o poder político, quanto o judiciário devem caminhar lado a lado, pois: a) Os dois residem na busca pelo progresso político; http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 23 b) Os dois residem na busca pelo progresso social; c) Os dois residem na busca pelo progresso regional, d) Os dois residem na busca pelo progresso administrativo. 3. Os três Poderes são responsáveis pela implantação do Estado em si, uma vez que eles receberam finalidades específicas, que contribuíram para a formação de uma força coletiva organizada, pois estavam designados a atender os anseios da sociedade. a) Verdadeiro b) Falso 4. SERVIDOR PÚBLICO - É todo aquele que, investido de qualquer cargo, ofício ou função pública em o quadro dos funcionários públicos, é remunerado pelos cofres públicos. a) Verdadeiro b) Falso 5. Para o (SALOOJEE, et al (2010). O Estado nacional de competência representa, uma nova forma histórica de Estado autoritário, onde a política democrática deve ser praticada essencialmente fora e independente do Estado e das instituições políticas estabelecidas na democracia liberal a) Verdadeiro b) Falso 6. A força do Estado, que no período do reformismo constitui a capacidade de o Estado promover interdependências não-mercantis, passou a consistir na capacidade de o Estado submeter todas as interdependências à lógica mercantil. a) Verdadeiro b) Falso Resposta 1 - C 2 - B 3 - A 24 4 - A 5 - A 6 - A TEMA – II: A GESTÃO DO PROCESSO DE REFORMA NO SECTOR PÚBLICO UNIDADE Temática 2.1. Descentralização em Moçambique UNIDADE Temática 2.2. O Sistema de Administração e Finanças do Estado (SISTAFE) Introdução A reforma do sector público em Moçambique foi destacada como uma estratégia crucial para a melhoria na provisão dos serviços públicos, em que a descentralização constituiria um mecanismo para que este objectivo fosse alcançado (CIRESP, 2001). Os resultados mostraram que, embora em pequena escala, os cidadãos passaram a ter um acesso fácil aos serviços públicos devido à descentralização e, mesmo assim, destacou-se que persistiam desafios institucionais e processuais (CEEI/ISRI, 2010). Este processo de descentralização, que passa necessariamente pela transferência de competências para os níveis inferiores e periféricos do Governo foi destacado, teoricamente, como uma condição necessária para que os Estados fortificassem a sua capacidade de resposta aos anseios da sua população. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos • Compreender a gestão do Processo de reforma no sector público • Descrever Sistema de Administração e Finanças do Estado (SISTAFE) 25 UNIDADE Temática 2.1. Descentralização em Moçambique As dinâmicas sociais e políticas que se vivem em Moçambique no âmbito das reformas políticas iniciadas na década de 1990, concretamente os processos de descentralização e desconcentração do Estado central, a partir de uma dimensão local de perspetiva bottom-up, procura igualmente analisar os mecanismos de accountability pública implantados como meios de participação popular nos processos decisórios dos governos locais, tendo particular atenção ao orçamento participativoe os conselhos consultivos locais. Nestes termos, das leituras das dimensões da descentralização e desconcentração que articulam os distintos poderes locais. Constata- se porém, que em Moçambique coexistem no mesmo espaço-tempo, pressupostos e poderes políticos de origens e actuações diferentes e, por vezes, conflituantes na sua lógica da procura pela democracia local. Sendo assim, o processo de participação das comunidades locais na governação local, dilui-se nos conselhos consultivos locais e no orçamento participativo. O contexto no qual se desenrola o processo de democratização articulada das concepções do Estado (VALÁ, S. (2008).) deixa em aberto a possibilidade e a responsabilidade de criação de mecanismos e instituições nacionais e locais que possam garantir a operacionalização dos ideais do projecto democrático através do processo de delegação do poder legitimado pelo sufrágio universal que igualmente encarrega-se da deslocação do poder do centro para a periferia. A descentralização em Moçambique emergiu num contexto de transição do regime socialista para a democracia multipartidária, ela estava ligada ao reforço da 26 democracia e um maior envolvimento de novos actores, como a sociedade civil em práticas de governação participativa, retirando o domínio do espaço público pelo Estado centralizador na provisão dos serviços públicos. Estado e o funcionamento dos órgãos do Estado a nível local obedecem aos princípios de descentralização e desconcentração, sem prejuízo da unidade de acção e dos poderes de direcção do Governo”. No caso da descentralização do Estado, o Governo central de Moçambique atribui aos órgãos locais (Vilas e Cidades) a autoridade para administrar o território sob a sua jurisdição. Entretanto, deve existir, de acordo com a lei , uma partilha de responsabilidades e autoridades entre o governo central e os órgãos locais de governação por forma a responder da melhor maneira às necessidades dos cidadãos e cidadãs. Apesar deste suporte legal, SOIRI, L. (1999), sublinha que a operacionalização da descentralização democrática depende, (no caso moçambicano), das iniciativas políticas nacionais e de projetos políticos externos. Sendo assim, a intensidade e aplicabilidade de projectos democráticos varia de país para país e depende das especificidades locais, cabendo ao Estado a definição dos limites dentro dos quais ocorrem as formas democráticas de participação política e de prestação de contas. Neste sentido, e para uma visão apropriada das diversas possibilidades de concretização da descentralização do Estado contemporâneo e da participação pública nos processos de tomada de decisão e governação local, importa que, segundo a proposta de Polidano, C. (2001), a descentralização deve ser vista e encarada em função das obrigações políticas e administrativas do Estado à dois níveis (descentralização e desconcentração). As políticas públicas são procedimentos diversos que expressam relações de poder ou seja, visam a influenciar o comportamento das 27 pessoas e se destinam a alcançar ou produzir uma solução pacífica de conflitos relacionados com as decisões públicas (RUA ANTÓNIO, 2009). Segundo GRISA (2010), esclarece que a análise de políticas públicas começou a receber o status de área do conhecimento e disciplina académica nos Estados Unidos da América (EUA), a partir da segunda metade do século XX, sob o rótulo de policy science. Segundo ALLISON (1960), as políticas públicas são os conjuntos de acções tomadas por políticos e administradores públicos, na tentativa de proporcionar a colectividade todos os seus direitos garantidos na constituição de 1988. São inúmeros os programas, que são correspondentes a esse conjunto de acções do governo, que buscam atender as necessidades de moradia, saúde, educação e segurança, por exemplo, da população em geral. A Administração Pública no mundo, em particular em Moçambique vem se transformando em função dos objectivos dos administradores e principalmente das necessidades apresentadas pelos administrados, que cada vez mais clamam pelos seus direitos e se conscientizam da importância que possuem no controle das acções públicas. Essa consciência de seus direitos impõe à Administração Pública a necessidade de profissionalização, primando pela qualidade e transparência na execução de suas acções. Descentralização Ao analisar as questões relacionadas com a descentralização importa clarificar os conceitos de centralização, desconcentração e descentralização, tendo em conta que todos se referem ao modo como é distribuído o poder entre a administração central e local, diferindo no grau e no modo de 28 concentração ou de distribuição dos poderes e responsabilidades. De modo muito breve, e segundo PECI, A. e tal (2008), o conceito de centralização “significa que a responsabilidade e o poder de decidir se concentram no estado ou no topo da administração pública cabendo às restantes estruturas da administração (…) apenas a função de executar as directivas e ordens emanadas do poder central” (p. 54). No que diz respeito à desconcentração, esta é uma modalidade atenuada da centralização, ou seja, as principais características da centralização mantêm-se mas algumas decisões são tomadas por agentes em posições intermédias ou numa posição inferior da hierarquia. No caso português, as Direcções Regionais de Educação (DRE`s) são um exemplo de uma instituição que resultou da desconcentração da administração da educação, sendo identificadas como serviços regionais do Ministério da Educação. Na descentralização as decisões são confiadas a agentes que não dependem do governo mas de órgãos colegiais que representam uma parte da população. De referir que têm sido apontadas várias modalidades de descentralização que assentam em critérios políticos, administrativos e científico-pedagógicos, assim, podemos falar de descentralização política, administrativa, territorial e funcional. Mazula (1998) distingue ainda três modalidades de descentralização: o federalismo, o liberalismo e o localismo; no caso desta última, o poder político e administrativo situa-se nos municípios ou entidades estruturadas a partir destes, tendo como fundamento a subsidiariedade, segundo a qual “é preferível que o que pode ser feito por uma entidade menor não seja feito por uma entidade maior”. A descentralização pode ser entendida como um processo planificado que tem por objectivo, produzir mudanças na geografia e na sociologia de um dado poder central, a favor de "níveis de poder" mais baixos da 29 administração do Estado, sem pôr em causa as forças políticas que a constituem e que controlam a distribuição da riqueza, dos recurso e do tal poder VALÁ, S. (2008), Entretanto, entende-se assim que esta perspectiva implica uma análise política e económica, na qual se estabelecem não somente as forças e os agentes, mas também os conflitos de interesses. Nestes termos, aprofundar as dimensões da descentralização remete-nos á uma reflexão sobre a relação entre o objecto a descentralizar, os atores envolvidos, o espaço-tempo e as várias agendas que entram em cena nos contextos políticos e sociais específicos. Isto é, como anteriormente referido, o processo de descentralização não somente é influenciado e condicionado por factores internos, mas também por toda uma conjuntura política e ideológica vigente, que desempenha um papel fundamental na estruturação das reformas políticas dos Estados. Assim, MAZULA, A. (1998), percepciona a descentralização como sendo um processo de criação de entidades autónomas distintas e paralelas ao Estado central. Vantagens e desvantagens da Descentralização Vantagens Desvantagens Procedimentos homogêneos Alta dependência da cúpula Facilidade de controle Menor competição entreunidades Eficiência na comunicação vertical Maior dificuldade em avaliar gerentes Melhor acesso à informação Desestimulo a criatividade 30 Menos redundância de tarefas Ineficiência no uso de recursos De uma estrutura descentralizada: Vantagens Desvantagens Maior autonomia para os gerentes Maior heterogeneidade das operações Facilidade de avaliar os gerentes Tendência ao desperdício e duplicação Competição positiva entre unidades Comunicação menos eficiente Criatividade na busca de soluções Dificuldade de localizar responsáveis Agilidade na tomada de decisões Dificuldade de controle e avaliação Desconcentração A desconcentração cuida-se de uma técnica de administração, destinada a desafogar o exercício da função administrativa, haja vista que, podendo uma determinada entidade pública exercer sua atividade por meio de um único órgão público, ou seja, 31 “concentradamente”, ela pode, para facilitar o desempenho dessa atividade, exercê-la por mais de um órgão, o que o faz “desconcentradamente”. Na desconcentração, reitere-se, há uma divisão interna de competências ou funções, no interior do próprio Estado ou das entidades de direito público que cria. A desconcentração - explica com propriedade Macuane, J. J. (2006), pode ocorrer tanto em razão da matéria ou do assunto (por exemplo, entre os Ministérios da Justiça, da Saúde, da Fazenda, da Educação), como em razão do grau de hierarquia (por exemplo, entre a Presidência da República e os Ministérios de Estado; a Directoria de Departamentos e a Diretoria de Divisões; Chefias de Secção e Encarregados de Sector). A actividade administrativa pode ser prestada de duas formas, uma é a centralizada, pela qual o serviço é prestado pela Administração Directa, e a outra é a descentralizada, em que a prestação é deslocada para outras Pessoas Jurídicas. Assim, descentralização consiste na Administração Directa deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para a Administração a Indirecta ou para o particular. Note-se que, a nova Pessoa Jurídica não ficará subordinada à Administração Directa, pois não há relação de hierarquia, mas esta manterá o controlo e fiscalização sobre o serviço descentralizado. Por outro lado, a desconcentração é a distribuição do serviço dentro da mesma Pessoa Jurídica, no mesmo núcleo, razão pela qual será uma transferência com hierarquia. UNIDADE Temática 2.2. O Sistema de Administração e Finanças do Estado (SISTAFE) 32 Introdução As reformas levadas a cabo através da Estratégia Global da Reforma do Sector Público, na área de Gestão de Finanças Públicas foram introduzidas a plataforma informática e-SISTAFE (Sistema Electrónica da Administração Financeira do Estado) com vista, entre outros, a melhoria dos processos de tramitação e pagamento de salários e outras despesas inerente ao funcionamento da administração pública. A EGRSP em si, se evidenciou como um ambicioso plano do governo para melhorar a administração pública e o ambiente das relações entre o Estado e o cidadão, o qual naturalmente mostrava-se de difícil alcance, países como Moçambique, demonstram na sua administração pública uma mistura entre o antigo modelo de administração burocrática e a nova gestão pública (NGP). Nessa simbiose, houve desafios como o da importação de políticas e indisponibilidade no governo de servidores públicos com a competência necessária para executar as responsabilidades muito críticas que as reformas pretendiam introduzir. Mesmo assim, a ideia central era tornar a máquina administrativa mais eficiente e dinâmica em função das demandas hodiernas. Assim, a EGRSP foi iniciada, incrementando a formação dos recursos humanos do setor público em todos os níveis, através das escolas do Estado especialmente criadas para esse fim, e, como avançou Macuane, J. J. (2006), o principal desafio do processo de reforma “referiu-se, sobretudo, à mudança da cultura, da atitude e do comportamento dos funcionários públicos perante o seu trabalho”. Em paralelo, novos procedimentos tendentes a dinamizar a máquina administrativa foram introduzidos. Iniciou-se a partir de 2002, no âmbito da melhoria dos procedimentos administrativos, a reforma do Sistema de Administração Financeira do Estado, conhecida como reforma do SISTAFE, abrangendo todo o ciclo orçamentário desde a 33 sua elaboração até a execução final, incluindo todos os subsistemas que o compõe, nomeadamente: orçamento, tesouro público, contabilidade pública, patrimônio e controle interno (CEDSIF-a, S/D). Esta reforma visava, dentre outras metas, a institucionalização de um sistema de informação que permitisse maior dinâmica no processo de administração financeira e orçamentária, sendo nela prevista a implementação do subsistema de controle interno, que lidaria, especialmente, com processos de inspeção e auditoria interna do setor público. Por conta do Subsistema de Controle Interno (SCI) projetado para o SISTAFE virtual, conhecido como e-SISTAFE (CEDSIF- b, S/D), acredita-se que as irregularidades inerentes aos processos operacionalizados pelos módulos de orçamento, contabilidade pública, patrimônio e tesouro sejam minoradas, uma vez que as entidades de controle interno no setor público poderão intervir, não apenas no final dos processos e de forma manual, mas também durante todos os processos e em tempo real, de acordo com o nível de intervenção de cada órgão de controle interno, garantindo melhorias em termos de monitorização. A implantação do SISTAFE em Moçambique. Segundo MENEGUIN (2013), Regulamento do SISTAFE no seu artigo 99 define, o e SISTAFE como, único sistema informático que suporta o SISTAFE, e para atender todos os procedimentos estabelecidos no seu Regulamento e nos seus instrumentos complementares está dividido em módulos. Constituem módulos do e SISTAFE: ❖ Módulo de Elaboração Orçamental, que apoia a elaboração da Proposta do Orçamento do Estado; ❖ Módulo de Execução Orçamental, que apoia a execução do Orçamento do Estado; ❖ Módulo de Gestão de Informações, que apoia a geração de 34 informações obtidas a partir dos demais Módulos do e SISTAFE, propiciando a acção do Controlo Interno e Externo e da administração pública; ❖ Módulo de Gestão do Património do Estado, que apoia a administração do Património do Estado; ❖ Módulo de Gestão de Salários e Pensões, que apoia a elaboração da folha de salários e pensões dos funcionários públicos e pensionistas; ❖ Módulo de Gestão da Dívida Pública, que apoia a administração da Divida; ❖ Módulo de Gestão da Rede de Cobrança que apoia a administração da Rede de Cobrança. “O QUE É O SISTAFE? É o Sistema de Administração Financeira do Estado” Entende-se por SISTAFE, como sendo uma política pública para as empresas públicas e o campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, colocar o governo em acção ou analisar essa acção e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas acções. O conceito de políticas públicas não está isento de controvérsias que revelam visões de mundo diferenciadas e, em alguns casos, opostas. Objectivos da Reforma Melhorar a programação e execução, financeira harmonizar o sistema dos impostos indirectos e a pauta aduaneira com os países da região estabelecer circuitos de registos da contabilidade pública, para uma maior eficiência, eficácia e transparência. Objectivos do SISTAFE: Estabelecer e harmonizar regras e procedimentos de programação, 35 gestão, execução, controlo e avaliação dos recursos públicos; Desenvolver subsistemas que proporcionem informação oportuna e fiável sobre o comportamento orçamental e patrimonial dos órgãos e instituições do Estado; Estabelecer, implementar e manter um sistema contabilístico de controlo da execução orçamentale patrimonial, adequado às necessidades de registo, da organização da informação e da avaliação do desempenho das acções desenvolvidas no domínio da actividade financeira dos órgãos e instituições do Estado; Estabelecer, implementar e manter o sistema de controlo interno eficiente e eficaz e procedimentos de auditoria interna, internacionalmente aceites; Estabelecer, implementar e manter um sistema de procedimentos adequados a uma correcta, eficaz e eficiente condução económica das actividades resultantes dos programas, projectos e demais operações no âmbito da planificação programática delineada e dos objectivos pretendidos. Vantagens do e-Sistafe E-SISTAFE é o sistema informático que suporta o SISTAFE, e atende a todos os procedimentos previstos no mesmo. E-SISTAFE garante cumprimento da Lei no processo de administração do Orçamento do Estado transparente Menos burocracia e papel Acesso mais rápido aos fundos do estado e gestão do Tesouro melhorado Aumenta produtividade, Apresenta informação atempada, precisa e adequada sobre a Execução Orçamental, Financeira e Patrimonial Incorpora “off-budgets” Estrutura Funcional Subsistemas do SISTAFE são as seguintes: • Subsistema do Orçamento do Estado - SOE • Subsistema do Tesouro Público – STP • Subsistema de Contabilidade Pública – SCP 36 • Subsistema do Património do Estado – SPE • Subsistema de Controlo Interno – SCI O Sistema de Administração Financeira vigente assenta em normas legais que remontam de mais de cem anos, sendo a destacar o Regulamento de Fazenda, de 1901, e o Regulamento de Contabilidade Pública, de 1881. A necessidade de reforma com vista a introduzir legislação e modelos de gestão mais adequados às necessidades actuais de administração do erário público, determinou a adopção e implementação pontuais de algumas medidas. Desde 1997 tem se vindo a desenvolver esforços de modernização nas áreas do Orçamento do Estado, impostos indirectos e alfândegas, entre outras. Estas Reformas procuravam melhorar o sistema de programação e execução orçamental, harmonizar o sistema dos impostos indirectos e a pauta aduaneira com os sistemas vigentes nos países da região em que Moçambique se insere, e, delinear circuitos de registo na área da contabilidade pública, visando torná-los mais eficientes, eficazes e transparentes. Com vista a estabelecer de forma global, abrangente e consistente os princípios básicos e normas gerais de um sistema integrado de administração financeira dos órgãos e instituições do Estado. a Assembleia da República aprovou a Lei 9/2002, de 12 de Fevereiro, que cria o Sistema de Administração Financeira do Estado, doravante designado por SISTAFE. O SISTAFE foi criado pela Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, tendo sido regulamentado pelo Decreto n.º 23/2004, de 20 de Agosto, onde estão contidas as principais normas de gestão orçamental, financeira, patrimonial, contabilística e de controlo interno do Estado. O SISTAFE estabelece e harmoniza regras e procedimentos de programação, gestão, execução e controle do erário público, de modo 37 a permitir o seu uso eficaz e eficiente, bem como produzir a informação de forma integrada e atempada, concernente à administração financeira dos órgãos e instituições do Estado. O SISTAFE aplica-se a todos os órgãos e instituições do Estado, tanto no regime geral (com autonomia administrativa) quanto excepcional (com autonomia administrativa e financeira). Aplica-se também às autarquias e às empresas do Estado, excepto no tocante à prestação de contas, por se reger por legislação específica. Segundo a lei n˚09/2002 (lei que cria SISTAFE, o SISTAFE, contribui para a economia de recursos, na medida em que a base de dados permite reduzir mão-de-obra na recolha, armazenamento, processamento e difusão de dados. Qualquer que seja a área de serviço da AP, os dados recolhidos em cada sistema de informação que interessa promover na AP são aqueles que contribuem para aumentar a eficiência dos processos, por um lado reduzindo custos, e por outro libertando tempo dos dirigentes e trabalhadores em geral, para que estes possam dedicar mais tempo a actividades produtivas que contribuam para melhorar o desempenho das organizações visa estabelecer, implementar e manter o sistema de controlo interno eficiente e eficaz e procedimentos de auditoria interna, internacionalmente aceites. Com a vinda desse sistema, tornou-se fácil desenvolver subsistemas que proporcionam informação oportuna e fiável sobre o comportamento orçamental e patrimonial dos órgãos e instituições estatais. Sumário De forma sucinta, aprendemos fundamentalmente sobre a descentralização em Moçambique e o Sistema de Administração e 38 Finanças do Estado (SISTAFE), onde ficou retido que descentralização em Moçambique emergiu num contexto de transição do regime socialista para a democracia multipartidária, ela estava ligada ao reforço da democracia e um maior envolvimento de novos actores, como a sociedade civil em práticas de governação participativa, retirando o domínio do espaço público pelo Estado centralizador na provisão dos serviços públicos, neste sentido a descentralização pode ser entendida como um processo planificado que tem por objectivo, produzir mudanças na geografia e na sociologia de um dado poder central, a favor de "níveis de poder" mais baixos da administração do Estado, sem pôr em causa as forças políticas que a constituem e que controlam a distribuição da riqueza, dos recurso e do tal poder Entende-se por SISTAFE, como sendo uma política pública para as empresas públicas e o campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, colocar o governo em acção ou analisar essa acção e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas acções Objectivos da Reforma Melhorar a programação e execução, financeira harmonizar o sistema dos impostos indiretos e a pauta aduaneira com os países da região estabelecer circuitos de registos da contabilidade pública, para uma maior eficiência, eficácia e transparência, deste modo entende-se como principais objectivos do SISTAF, Estabelecer e harmonizar regras e procedimentos de programação, gestão, execução, controlo e avaliação dos recursos públicos; Desenvolver subsistemas que proporcionem informação oportuna e fiável sobre o comportamento orçamental e patrimonial dos órgãos e instituições do Estado; Estabelecer, implementar e manter um sistema contabilístico de controlo da execução orçamental e patrimonial, adequado às necessidades de registo, da organização da informação e da avaliação do desempenho das acções desenvolvidas no domínio da actividade financeira dos órgãos e instituições do Estado; Estabelecer, implementar e manter o sistema de controlo interno eficiente e eficaz e 39 procedimentos de auditoria interna, internacionalmente aceites; Estabelecer, implementar e manter um sistema de procedimentos adequados a uma correcta, eficaz e eficiente condução económica das actividades resultantes dos programas, projectos e demais operações no âmbito da planificação. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO GRUPO-1: Perguntas fechadas 1. Segundo a proposta de Polidano, C. (2001), a descentralização deve ser vista e encarada em função das obrigações políticas e administrativas do Estado à dois níveis (descentralização e desconcentração). a) Verdadeiro b) Falso 2. Mazula (1998) distingue ainda três modalidades de descentralização: o federalismo, o liberalismo e o localismo. a) Verdadeiro b) Falso 3. Na descentralização as decisões são confiadas a agentes que não dependem do governo mas de órgãos colegiais que representam uma parte da população. a) Verdadeiro b) Falso 4. De acordo com PECI, A. e tal (2008), o conceito de centralização “significa que a responsabilidade e