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Darci Guimarães Ribeiro 
PQOVA0 ATÍPICA0 
R484p Ribeiro, Darci Guimarães 
Provas atípicas / Darci Guimarães Ribeiro. 
Alegre: Livraria do Advogado, 1998. 
150p.; 16x23cm. 
ISBN 85-7348-092-0 
- Porto ., 
1. Prova. L Título. 
CDU 347.94 
índice para catálogo sistemático 
Prova 
(Bibliotecária responsável: Marta Roberto, eRB 10/652) 
I, 
o  
livrar~ia 
DOA0 O ~ A O O 
edItora 
Porto Alegre 1998 
l 
©  Darci Guimarães Ribeiro, 1998. 
Projeto gráfico e diagramação 
Livraria do Advogado / Valmor Bortoloti 
Capa 
A Lógica e a Dialética, 
Relevo de Luca Della Robbia, 
(foto Aisa) 
Revisão 
Rosane Marques Borba 
Direitos desta edição reservados por 
Livraria do Advogado LIda. 
Rua Riachuelo, 1338 
90010-273 Porto Alegre R5 
Fone/fax: (051) 225-3311 
E-mail: Jivadv@vanet.com.br 
Internet: www.liv-advogado.com.br 
In memoriam 
Wolni Henrique Beckel Ribeiro 
Fanny Guimarães Ribeiro, 
exemplos de dedicação e amor, 
o meu eterno agradecimento. 
À Alessandra, minha querida esposa, 
pelas horas furtadas do 
nosso convívio. 
Impresso no Brasil / Printed in Brazil 
~ 
... 
Prefácio 
o Direito tem a pretensão de associar-se à Justica, mas em 
verdade ele é servo dos fatos, conseqüentemente servo da prova, 
que se relaciona com a Verdade. Tudo que é falso é necessariamen­
te injusto. Por conseguinte, o menor erro na instrução de um pro­
cesso ou má valoração da prova pelo magistrado põe em 
questionamento todo o Direito como compromisso com a Justiça. 
Darci Guimarães Ribeiro deixou-se sensibilizar por isso e ele­
geu a prova como tema para sua dissertação de Mestrado na pue 
do Rio Grande do Sul. Pretendeu delimitar nesse universo o que 
denomina de provas atípicas. O título engana, entretanto. O que fez 
foi, com técnica louvável e respaldo doutrinário de mérito, versar 
todos os grandes temas da prova. Antes de monografia sobre pro­
vas atípicas, seu trabalho é um minitratado sobre ela, pois todos 
os grandes temas que lhe dizem respeito foram abordados. 
A leitura de sua obra serviu para comprovar o juízo que já 
fazia a seu respeito. Darci é um lídimo representante dos jovens 
que vêm o:upar espaço destacado em nossas letras jurídicas. Es­
tudioso e ap.lÍxonado pelo ensino do Direito, profissional comba­
tivo, sempre particularmente empenhado na defesa dos interesses 
que patrocina, é vibrante, mas sensato, guerreiro, porém leal, in­
quieto, contudo construtivo. Pertence à geração que amadureceu 
no contexto tecnicista e politicamente repressivo do pós-1964, que 
se fez quartelada em 1968. Está amadurecendo num mundo com 
numerosos desafios, todos de matriz prioritariamente política, re­
clamando soluções também de natureza política. Inadvertida dis­
so, contudo, atônita - como todos estamos - ela ou idealiza o 
resgate do Direito via magistratura, esquecida do inelutável de 
que os magistrados são, necessariamente, a g e n t ~ s políticos inseri­
dos num sistema de poder, ou buscam fazê-lo mediante formula­
ção de princípios e valores dotados de validade que viria de um 
"transcendente racional", ou de um "transcendente passional", de 
algo, portanto, situado não se sabe onde e com conteúdo que não 
~ '$ 
, 
se sabe qual. Disso decorre o grave risco de simplesmente estar-
mos pretendendo substituir servidão por servidão, o que significa 
nada  mudar, ou  talvez mudar para  pior.  Mais  uma  vez corremos 
o risco de colhermos apenas sonhos, porque dessa natureza é tudo 
que se colhe do que não foi  semeado no solo das duras e determi-
nantes  realidades  sociopolítico­econômicas sobre  que  opera  o  ju-
rídico. 
Acredito seja a hora de amadurecermos e começarmos a abrir 
e  a  pavimentar o  caminho da  alternativa  que  se  revela  mais pro-
missora ­ a  recuperação das matrizes políticas do jurídico. Repen-
sá­lo sem a embriaguez da crença em um Direito Natural dado aos 
homens como dádiva dos deuses ou por eles intuído racionalmen-
te,  sim assumindo sua  historicidade e  ineliminável dimensão po-
lítica,  buscando  produzi­lo  intersubjetivamente,  mediante  um 
dialogo veraz que permita defini­lo com  um mínimo de arbítrio e 
um  máximo de  participação. Se  isso  não nos  levará ao  t:den nem 
a Xangrilá, irá  permitir­nos, com segurança, pensar um justo rela-
tivo  ; n a ~ revr:stido  de  efetividade,  de  uma  vez  por  todas  renun-
ciando  à  F.densão  de  nos  julgarmos  deuses,  nós  os  juristas,  e 
principalmente livrarmo­nos do mal de induzirmos os ingênuos à 
crença no Deus­Magistrado, num mundo cada vez mais satânico. 
O  tema  da  prova  é  particularmente  sensível  a  esta  provoca-
ção.  Darci  cumpriu  magnificamente  a  primeira  etapa.  Confio em 
que sua mocidade, élan e inquietação intelectual o  levarão a pros-
seguir na segunda. Repensar a prova na sua dimensão crítica e na 
sua  vinculação política,  na  moldura do  alto  risco  que a  tudo isso 
empresta  a  precariedade  humana  dos  operadores  jurídicos,  que 
pode,  mal  disciplinada,  torná­los  agentes  de  alta  periculosidade 
social. 
J.  J.  Calmon de Passos 
~umário 
Introd ução  ,.,""',.,..............  .  .  13  
1.  Princípios  inrorrnadorcs  do  Lcoria  da  prova  .....  .  .  .  .  .  17 
1.1. Teoria geral dos princípios  .  17 
1.2.  Princípios informativos do processo  19 
1.2.1.  Princípio da  imparcialidade ..  19 
1.2.2.  Princípio dispositivo  .  22 
1.2.2.1. Sentido material, substancial ou eleição dispositiva  25 
1.2.2.2.  Sentido processual,  impróprio ou impulso processual.  28 
1.2.3.  Princípio do contraditório  .....  30 
1.3.  Princípio informativo do procedimento  35 
1.3.1.  Princípio da oralidade  ....  35 
1.3.1.1.  A oralidade e o  direito antigo  .  35 
1.3.1.2.  Bentham, F.  Klein  e a  oralidade  37 
1.3.1.3. Os valores da oralidade e  a  prova  40 
1.3.1.4.  Audiência preliminar e oralidade  44 
1.3.1.4.1. Conciliação  .  50 
1.3.1.4.2. Saneamento do processo  .  53 
1.3.1.4.3.  Fixação dos pontos controvertidos  56 
1.3.1.4.4.  Determinação das provas a  serem produzidas  57 
2. fundamentos da prova  . . . . . . . . . . . . . . . . .  
2.1. Prolegômenos  . . . . . . . . . . . . . .  
2.2.  O  problema da  verdade na prova. 
2.3.  Conceito de prova  .... 
2.4.  Classificação das provas 
2.5.  Objeto das provas  .... 
2.6.  Princípio  iurn lJovil cllrin ...  ... 
3.  Classificação  dos  roLos  .  .  .  .  .  .. 
3.1.  Fatos controvertidos 
3.2.  Fatos  relevantes .. ,  . 
3.3. Fatos determinados  . 
3.4.  Fatos  incontroversos. 
3.5.  Fatos confessados  ..... 
4.  Provas  aLípicas  .. 
4.1.  Noções gerais 
.  .  .  .  ..  .  .. 
59 
59 
60 
63 
70 
74 
78 
.  .  83 
83 
85 
87 
87 
89 
. 
.. 
. 
93 
93 
~ 
" S I I ~ :I'.  I:  
mais.iOlport~IIte, é.  I I ~ m e d i d ~ cm  qUI:  o  ~ut\" f"i  e,·oh.illdo  l\ll  cOllceito  tia  1i,1c.  Quc,,'r  
justHici1r ., iUls':nci" da jurisdiciolli'lli(l.ulc Iln jurisdiç~(\ VOhllll.\rii'l. "r);llnlCll'''lu.ln rnlll II 
cOllcêilo  de  lide  descllvolvido  pelo  ~ 1 I ' o r n ~ I'  e  n~ 2'  fascs.  é  descOllhecer  ~ f ~ ~ , ' m.,is  
i O l p o r l ~ n l e do rells"Olclllo  c ~ r n e l u t i a l l o . 
73  Nesse senlido, 110  IIra~il, teOlos  Ar""I.'  ""'im, ob. cil.,  n· 57.  1'.  111;  F,,­derico  M ~ " l " e s , 
MlIIl/lnl dr Direi/" Pr"crssllnl Civil. SM;,iv".  \9')U,  n' 62.  1'.  119;  Lope~ da  C , ' ~ l ~ . Dirri/o  I ' r o " , ' ~ ' 
Sllnl Civil Brnsilcir",  I.  Konfino.  1 9 ~ 6 , nOs  116  e  117,  pp.  IClO·I;  I\.to~cyr 1\.  5.,II'''s.  /"imr;r" 
UIII,ns dt Direi/n ProcrsSllnl Civil, S~raiva. 1990,  I" V., n" 53. p. 79;  Iluml>crlo Theodoro limior.  
Cllrso de Direi/n Procr$SlInl Cil'iI, Forensc. 1995. ,,0 010,  p. 010;  Emane Fi,lélis, Mnll,,,,1 lle  Dirál" 
ProcesSllnl Civil, SMaiv~, 1996, nO  21.  pilg.  16;  r:d~on Pr~I~,I"ris(lirllo 1'Cl/"II/,lrin,  I.c\lIl.  1979.  
principalmente  Ululo  11I,  PI"  855.  (;  inleres~allle 1101'"  II  p o ~ i d o l l ~ l \ \ e n l o de  C h i ( " ' c l H ' ~ . 
quando crilica os  ~ u l o r e s que dcfendem  ~ ~ u s ê n c i ~ de  c ( l n l r o v l ! r ~ i ~ , c ( l n \ e l l c i o ~ i d ~ d e ((11111'  
caraclerfslíca  d ~ jurisdição volulllárin, dizcndo:  "Podc  h ~ v e r I ' r ! ' c e S ~ ( 1 ~ e 1 1 1 c o n l r o " é r ~ i ~ ( ~ 
o  que  aconlecc  ~ e O l p r c no  processo  ~ r C " c l i ~ ) " p.  IR. c  ",~i~ .llliallle  ~ a l i c l l l . I , .llribuindo 
como caracteríslica da  jurisdiçi\o vOll1l1l,\ria  ~ "~lIs"nci.' de  d u ~ s "Mies" 1"  19.01>. cil.. 2· v. 
7~ AI",d Wyness  Mill""  ob. dI.. p.  017. 
Durei  CuinlOnic~ h!ibciro3'2 
11 '.  cit.,  r. :187,  110t~ 38.  
18  Oh. dI.. p.  47.  
7'/ I'rorrsso r Dr",,,crnzin. Opcrc Ciuridichc,  1965.  v.1, p.  6111.  
~o Tall1b~1ll l1e~~c di,'pa~ão Uno  I " " ~ c i o , p ~ r ~ quem  (l  c o n t r a d i t ~ r i o "no exige  I ~ efeclividad  
,Irl ejNcido de Inl  derccho.  rn,ón por  la  cual éslc 110  pllede  illVOCMSC  cual1do  la  pMle inlere- 
snda nu I" h/lO  valer  por  u m i ~ i ~ n o ncsllgend.. '·  ill  M"""nl dr dcrrrl.n I'ro((~,,' eivil. Abeledo- 
PenOl, 2.  ed .•  1961\.  LI.  p. 76.  Vide  A d ~ I'cllcgril1i.  N " l ' n ~ I C l l d ' " c i n ~ ...  p.  19.  
81  F'",,/nl/ltll/llS ....  p.  150. Tnllll>ém  l1estc  selllido e com  m u i l ~ p r o f u n d i d ~ d e C.  Dil1amnrco.  
1'IIII"""'CIl/05 dol'rocrss" Cit'il M",/c",,,, In. 2.  ed.,  1987.  noln~ 49  "  ~O, pp.  94  e 95:  Nelson  
Ncry Junior.  ob.  cit.,  PI'.  122·3 e  IJO~. 
POOVM ATIPIOO  33'1) 
, 
pois, segundo Isidoro Eisner, a imediação é: "el principio en virtud 
deI cual se procura asegurar que el juez o tribunal se halle en 
permanente e íntimél vinculación personal con los sujetos y  ele-
mentos que intervienen en cI  proceso, recibicndo directélOlente  lils 
alegaciones de  las  partes  y  lils  aportaciones  probiltorifls;  il  fin  de 
que pueda conocer en toda su significación cl  material de  lél  Célusa, 
desde el  principio de ella, quicn  il  su  término hél  de pronunciilr  la 
sentencia  que  la  resuelva".82  E  essa  imediélçiio  se  dá,  tilnto  déls 
partes em  relação ao  juiz,  como do juiz em  relaçiio  às  partes.  No 
primeiro caso,  a. prova  é  i~ílida sem  il  p r ~ é l délS  partes;  é o 
que os  alemães chaméH11  de  P n r t c i õ f f e l l t l i c l l k c i t , ~ J p o i 5 , ~ õímgis-
trado, mesmo de  ofíd.QI-C~lUovél e niio cOlmmicélr  élS  pélrles 
.emprazo hábil,  essa  p­rQY.a.­cs!,Lmanchílda,  isto  é,  invímail  parà' 
. produzir  e f ~ i t o s objetivos sobre a  scntençél,8~ c.  g., a  inspcçiio  judi-
cial. Na segunda hipótese, esclarece N. Trocker que "Ia nssunzione 
dclle  prove  deve  avvenire  davanti  all'organo  g i u d i c a . n t c " , ~ 5 sob 
pena de ser consideréldél  ilwíllidél, na  medida em que o mil'gistréldo 
é  o  destinatário  direto  dn  provél;  e,  pelo  critério  subjetivo,  é  ele 
quem  deverá  formar  a  sua  convicçiio  interior,  que só  poderá  ser 
.adquirida mediante a  percepçiio,~6 conforme  é l : . . t . - ~ d o Cpc.  Oní 
:conc1uir  Ada  Pcllegrini  que. "tanto  será  viciélciél' él  provél  que  fOi 
~, colhida sem a presença do juiz, como o sere, n provél qlic'fõr­cõll'lidn 
pe l.Q:j,uiz...s_ero_eslabelece  regra  expressa  a  respeito  no art.  570  que diz  IItcralmcnte:  "Toda  dlllgencin  de  
prueb.,  incluso  la  de  tesligos,  se  prnticar6  en  alldlencln  p\íbllcn  y previacilaclón de  Ins  
. pArles con veinticunlro horas de nnlelnci6n por lo  menos, plldiendo cOllcllrrir  los  litig~nles 
ysus dcfenspres". Também o C6digo de Processo Civil y Comercial  d ~ A r g e n l i l l ~ . il\lS  ­'rIs. 
479  e  480. 
a5  Oh. cil., p. 548.  Neste sentido, Ada  Pellegrini, ob. cil..  rI"  22s.  
16 V. nola  nO  ]72.  
B7  Ob. cil., p.  22.  
34  Dnrci C\lil\IOI1iCb  Qibcim 
tt. 
r 
_._.~­­­_ ­ _­_  ­_ _ ... 
1.3.  Princípio  informativo do  procedimento 
r1'.:3.1 :P~illcfl'io dn ol'lllidndc ( 
.  ­.­ . __ .­­­­, ......_.~­
1.3.1.1. A ornlidnde e o direito nlltígo 
A  vllntllgemdél  péllavrêl  falêldn  sobre n p"lêlvrêl  escritêl  não foi 
umél  preocupêlçiio  exclusivll  dos  romllnos.  O  próprio  Pléltilo,  nn 
Grécill,  em um  de seus diéllogos,  disse: "(...) n escritêl  é mortêl  e s6 
rnln  por  umêl  pêlrte,  isto  é,  por  meio  daquelêls  idéins  que  com  os 
sinnis  desp'ertêlm  o espírito.  Nilo  satisfaz plenélmente  à  nossa  FU­
riosidêlde,  n50  responde às  nossns dúvidêls,  n50  apresento os  i~ú­
meros nspectos possíveis dél  própriêl cousn. Na pêllnvrél  vivêl,  ritl.nm 
tnmbém  o  rosto,  os  olhos,  n cor,  o  movimento,  o  tom  dêl  voz,  o 
modo  de  dizer,  e  tnntélS  oulréls  pequenlls  circunstiincias, que mo-
c1ificélll1  e  desenvolvem  o  sentido  dns  péllêlvras,  e  subministtnm 
till1toS  indícios'êI  félvor  ou  contrél  a própriêl  êlfirmnção deléls".9h 
Segundo Chiovendn,  "0  processo romnno  foi  eminentemente 
oril1: na  plenitude dél  significêlçilo  dêsse  termo e pela  raziio  rntimn 
e pr'ofundn de Cjue  "ssim o exigia n funçiio d" provn".92 O processo 
civil  romano se divide bélsicflmente em  três perfodos: lcgis nctiollcs, 
I 
RR Ncsse sentido, lunl',  Monlero Awca, dil'.eml(1 que ela  é  "In  \'erdndern dcfclan,  I ~ técnicn,  
In  renlludn  por  nbollndo  C ~ , CI1  gCl1ernl,  IrrclHlI1c1nblc",  //Ilrorlllrrltl/l  a/ Derecllo Protesa/. 
Temos,  1976, r. 241.  ,  
~9 Ob. cil..  ". 241. 
90  I.~ decidiu  o Supremo Trihullnl  Federal.  no  RECrim  91.838,  Rc'l.  Min. Soares MlIi\OS,  i"  
In 540/414 c 415..  
91 Citnç~o de MMio Pagnno, al'"'/ Chio"cnda j" ProcedimenlO Oral. na  C o l e t ~ n e a de Estudos  
tle  Jurisl~s· rrocessoOrnl.  Forense,  1940,  p.  41.  
92  Ob. cil.,  1° v,  nO  32, r. 126.  
PlX)\',\..." ArllJlCM  35(1; 
# 
\~ 
per formulas e cxtrnordinnrinc cognitioncs.9J No período des  da  lei  t o r n ~ r a m ' s e .,  PO\ICO  e  pouco  ( , d i o s ~ s . 
Pois dada  a  I!xtrema  sutileza  dos  antigos  fundadores do  direilo,  chegou­se  h  silu~çho de,  
quem' cometesse o  menor erro,  pcrdl!r a C.'IIS".  ror isso.  a b o l i r ~ I " - S c ~ s aç,;cs  c 1 ~ lei  pela Lei  
Eb~ci. e  pl!lns  duas  Leis Júlias,  Il!vando  os  processos  .,  se  r e ~ l i · l . n r e m p('r  p ~ l ~ v r a s 11. as,  
I.é., por fórmulas" fIlSli/lllos,  4.30.  
9' NI!S51!  sentido, Villorio Scialoja, P1Ilwfi/lli""O ..., § 50,  p. 365;  J ( \ S ~ H,  Crll1. e T\lcci e  l.uil.  
C. AzeVedo, Liçllts ..., Capo  10, p. 138;  Ncl10  Anclreolli  Nela,  Nol'o  EllcicloJ'Mio  ... , rI" 244s .. 
99 Ob. cil., p. 141. 
36  Dorci Cuimnnicl> Ribeiro 
·l 
. . I: 
A ornlidnde como poslulado do processo começou  t ~ d e c l í n a r 
com tl  influência  exercida pelo processo .romtlno (a  pé1fti~'de Justi-
niano  com  o  corpus  illri5  civilis) e  o  processo  cnnÔnico.  ~ Veio  tl 
surgir  n ~ v a m e n t e a  ornlidade, com  a  ndoção de  numerosos  prin-
cípios d,o  processo  sumário dn  C1ementina  Sncl'c, permitindo de-
bntes orais e  reduzindo formnlidades. 
1.3.1.2. BCI1I1InIll, F. Kleill c n omlidnrlc 
Pnpel  relevante para a ornlidade no processo  teve o  jurisfil6-
sofo  inglês  Jeremy  l 3 e n t h ~ m (1748­1832),  quando  escreveu,  em 
1823,  enlre  outrns  obras,  o  Trntnrlo de lns Prucbns llldiciales. Nela 
Denthnm  põe  em  relevo  n  importnncia  do  fato  pnra  n  vida  do 
direito,  e  príncipnlmenle  parn  n  provn.  N50  ,foi  irrefletidnmente 
que  Coutme,  referindo­se  no  filósofo,  disse:  "Denthnln  fue  el  mó-
safo deI  progreso",tOI  Ele,  como  poucos, deu  grnnde  importnncin 
no  contato direto  entre o  fnto  n  ser  provndo e  o  juiz que  decide, 
permitindo,  por conseqüêncin,  uma  mnior  ngiliznção  dos  proces-
sos, que é o pnrndigmn dn ciência processual modernn. São ns suas 
pnlnvras, mnis do que qunlquer coisde  In  inocencia,  con  Inl tm· 
bnción de  In  J11nln  fe;  pllCflc rlccírsc qllc Se cícrrn n s( ",iSIIICI  ef fillro de 
/1/  1/1/1 "m/czn' y que  se  vuelve  ciego  y sarda  en  casos  en  que  cs 
preciso ver y.oír  todo" (gri fo  nosso).1°2  ;. 
O posicionnmento desse jurisfilósofo em  lão avançado pnr 
O  princípio d"  or"lidnde,  de  acordo  com  Klein,  nno  deveri" 
existir sozinho, deverin  estnr mesclndo com o princípio dn  escritu-
l"él,  que, em "lguns cnsos, é nccessnrio;I07  tnnto é vcrdnde que criou 
10.1  /11'''''  Chirll'cl1d",  /I O,.,,/i,'rr,I.­ r  11  I'nH'n,  arlif;(l  il1~cridn 110  livro  I ' r / l ( r ~ ~ o Ornl.  Foren~c, 
1l)~O, 1'1'.  I~(, e  1~7. 
101  Kleill  loi  Minislro d"  Jusliç,'  "" Áustria. em  11191,  r ('rol. do  UI1Íl'rrsidnde de  Vienn.l'nrse prepara cl debil.te oral medianlc 
escritos. Por lo demás, s610 se recurre ai empleo ·de estos escritos 
prepa'ratorios en los casos especialmente previstos en esta Ley"HlS 
Para o autor, ardoroso adepto da oralidade, mas principillmenlc 
da razão prática, o processo deveria ser .1dequéldo aos seus fins, 
pois "los principios de adequaci6n y practicabilid~d dei procedi-
miento  (Zweckmiissigkeit, Prnkfiknbilitiif) más  se  han  de  referir  "I 
fondo  de  los  Iitigios que a  la  forma  de desarrollar  los  mismos".I09 
Pode­se  dizer,  com  certeza,  que  foi  Klein  o  primeiro  a  suslenléH 
ser  o  processo  um  instrumento  de  realização. da  justiça,  onde  a 
forma  deve ceder diante da  finalidade. 
1.3.1.3.  Os  vnlores da oralidade e a prova 
O problemél  maior dél  ornlidélde  não  reside  no  campo do Di­
reito, mas sim no campo da Filosofia e, em especiéll, nél  Élic~, pois, 
na medida em que se agrnva  ,!crise htica,1I0 agrava­se il  crise  nélS 
relações  humanas.  Vivemos  !lO  mundo  da  élparência,111  onele  os 
valores  são  facilmente  alterados  e  dificilmente  ilbsorvidos  pelo 
espírito humano, razno pela qual  temos uma desconfiança generll-
lizada no ser humano, e,  por conseguinte, na  pessoa do magistra-
do. A oralidade corre em sentido contrtírio, nél  proporção em  que 
pressupõe  uma  maior  credibilidnde,  confiançil  na  pessoa  do  ho-
mem­juiz, porquanto um proc'esso predominantemcnte oral significil 
aproximar o  juiz do fato,  permitirUio uma deve ser tanto quanto possível oral, visto que  él  orillidilde permite 
o  ' "$i~ICllCiil/ respecto  de  I ~ $ p ~ r l c s . disculicndtl  l'llll 
e l l ~ s la  meio r  rormul~ci611 dc  I ~ s d c m ~ I 1 l I , ' $ >' CXCCPciOllC$.  col~bllr~"do con  e l l ~ $ cn  I" 
bÍl$qucd~ dc  la  \'c"t~d". l"  Ornlitlntl  ....  r.  79.  E$l,'  id~in ~ 1~n1l>~111 ddendid"  re1('  ~ u l o r . 
noutra  obra.  q u ~ n d o diz  '1uc  " $ p c l l ~ l 1 o invcro  .,1  );iudicc  non  $,,11""10  poleri  rel.,livi  ~ 1 1 ( l 
svolvlmcnlo  r o r m ~ l c de) p,,'ce$$O  ( c . d . f ~ , . , " e l l e ",,.ozcs5/(il,,,rx)• ....  ~nche e  ~opr,'lIull" pllll'ri 
relMivj  all'oggello  s o s l ~ n z i ~ l c dcl  procc$$o  ( C l ' $ i d d e l l ~ ,,,,,,,,,ielle  I'rous5Ieil""Sl".  /.11  T(';,i. 
nroll;nllzn  ....  v.  I. p.  71. 
119  A Ornlirinric ...  p.  137.  . 
no  ~ intcressanlc  n o l ~ r quc. SOlllcnlc nn  n,'n~ cdição dc  ~ C l l M,,,",nle,  c l'lll  n o t ~ de  r ( l d ~ p l \ , 
M o r l ~ r a . quc cra ccmlrMi"o à  id~in da  o r a l i d ~ " c . c  porl~nlo coulcmh" de C h i o \ · c I H I " . I ' ~ l > \ ' ç n 
um  modclo  dc  proce$$o  dC$ejilvcl.  dizcndo:  "Or  ~ inluiti\'o  che  I ~ o",lil,)  (  pcr  , ! 1 I ~ 1 1 1 { ' 
rclativa  c  Icmpcrala  dnllc  nccc$silà  rralichc  della  d i $ r . I I $ ~ i o n c ) ~ h b r c \ ' i ~ c  ~c"'l'lific~ il 
proccsso; l! ~Ilrcllanlo inluilivo che la CO",.,."',,,zioll( dCj;li  ~ l t i di  i ~ l r u 1 . i ( l n c e Ih: 11 r. tl"c~lin"i 
preliminari o  prcgiudizi~li. in  lIn  rapido c  r~ccollo $\,oll;i",enln. dircllo Cl'n  h:~n,.l ",~nn c 
col'  polcslà discrelionnlc  dai  gilldice.  ~ b l > r e v i a c  ~Clnplilir~ linche  ",;ll;líil'rlllel1le  il  r"r~ll 
~' 
dcll~ lilc H Mnl/llnle  riell"  Proced,,,n  Civile.  Torino,  1921.9. cd.,  v.  I,  pp. 308  c 309. • 
4'2   Durei Cuill1nriic'.• Qilx'irl' 
. 
prever il  pos.sibilidilde de o juiz apreciar livremente, n50 .ó a I'l'ovn 
dos In/os, C0mo  tilmbém ns  cil'CllIIs/âllcins J:olls/nll/cS  dos  111 ~ os, o que 
s6  pode  s ~ r feito  mediante  élS  regra~ da  orali.dade. 12I O CPC  não 
traz  norni;a  expressél  adotando a  oralidade, como o  registm  o  art. 
180 do CPCitil\iilno, milS somente de forma  indireta no art. 132.122 
A valomç5ci dil  provil'oral não im 1licél  necessilriamente n desvaJo-
rizilção  da  prova  ocumentél.·  tendo  em  vista  que  eSSil  lÍltima 
representil, por certo. uma melhor s e g ~ l I · a ' · . nas relações jurídicas 
sociais,  que  estão  forél  do  processo.  Por  essa  razão,  C a p p ~ l l e t l i 
salientil  que  "Ia  pruebil  legéll  (preconstituidil)  tiene  mns  bien  el 
cilrncter de  un  fenómeno  preprocesal  (sustanciéll)  que de  un  fenó-
meno propi(lmente  p r o c e s a l " . 1 2 ~ 
O que se  constiltil  é.que, em  c o n ~ e q l i ê n c i a do predomínio da 
pi'OVil  legill,  pelos critérios ilté  ilgora  apontados, a prova orill  pos-
sui  um  v(llor  reduzido de  simples dec\" 
mente il  provil"i nadil  pnrece ser mois verdildeiroi milS,  na  r o i l l i d ~ 
dC:=ii5o  O  é, pois,  se  í'ssim  fosse  njlo  DOS  prcOCllporfnllltlS,  "11\ 
s ~ n p r c ' q u e possível,  docuJnentnr um ""8ócio  jlltídjco, J1'*  ~ ' Í 5 1 . f 
111  "',1Inh6n  I \ r r " d ~ ,\I\'im,  CMii:0  ...• ". v, 1'.  252.   . ' j 
122  l)i\'cr~~Illente ocorre "" J " i z ~ d l ' $ E S l ' e c i ~ i $ . ol1de  h ~ previ$õo  e ' l ' r e ~ s n 110  ~rl. 2·"~ I.C'Í  
,,°9.099/95.  .'  
11.1 (/.  M ~ I ~ I , · ~ t ~ , "I> (il. 1'.  27R.   ,. 
1U  1.11  Or"lidn,1  p.  "N.  (~ \Trd"dt'  q\lC"  M'  rl~l"ç~lc~ i"rh1i(~4;" quC'  ~"n prt• .,ru("("Olj,~\li'{~, ,.",':.o." 
",.1,  m.,i~ ~,. cnl1!iOuh~I.'l1tii\m ""  pn'lVil C'!iõeril:t.  (,'111 \'irllld~ \.h."  (1  .,In  ('scritn t r i 1 1 ' ~ r n l i 1 i ~ 
g.1rt1ntii1.  p l ' l i ~ , Cllll(orn1C  ClIglicll1l('l  Fl'rrC'rl'l,  · · l 1 l l ~ ~ ( l I l . , J;.,r.11l7ii1  111iglit'lrc  {'!'=i~lil. ch('  ')lIl'lIi1 
di  n'ellrrl'  in  i5criUo  I~ \'olonl~. e  ~ffid~rc a  manl  ~ I c u r c I ~ (a"n. cI ~"mpr~ chc  q ' I ( ' I I ~ i d l ' ~ 
dchh.,  e ~ ~ e r e u n ~ i d l ' ~ ( ' l c l l 1 c n l ~ r c "cll"  ~ p i r i l o l I m ~ n o c  chc  ~ l 1 l ' h c il  c{'rI'l'lIo  pli.  "'l7.0 
c 1 I ' b h ~ c ~ l ' i r l ~ " , I  Sillll,~li .  i"  /\"1'1'("'10  f,IIn  SrMin  e rilosofin  drr Viril/o  nfln  I'~icolo.~;n r f,lftl 
S~rioloxi". Tnril1O,  189:1.1'.  17. 
Il~ Enlel1dc!ld(l rlll  ~ l ' l 1 l i " o n l ! l l r . ~ r i o . j ~ em  1894.  M.,I~trsla. p~r~ 'l"r!l'  ~ r r l " ' ~ p",du7.ilta 
" r ~ l l 1 1 e ! l t { ' tcm  m ~ i ~ valor do ,)ue n prell'n  e$nlln.  a c " n ~ e l h n l 1 ' " ' ' ~ ' ' ' ~ l ' m p r e '1"e  r O $ ~ h ' c l , n 
r('prl'lluç;\"  " r ~ 1 , I ' " i ~ " I ~ r ~ l ó n l ' $ I " , ..1 CI1  I~ il1lr~. C'lIlvicnc no "h'iclnr que. nlln  en  I ~ h i r { \ l e ~ i ~ ('n  '1 uc 
l'l  ( ' ~ C r i l l l !l'C'  (l'll1~id('r(' (OIl1(l  (prrn., Clrígintll,  ~ ( 1 C'lriginnlicf:ul  C~ ~i('lnpr(' 1l11"Il('~ pl'rf","cln  (I"C 
I ~ d l ' c 1 ~ r ~ c i ( ) n o r ~ r i"  (l.r .•  )'.279.  (,  intere$~antc nol~r, $el;'t1Hln  n , , ~ n'(l$lra  Iliden  N " k ~ . 
l11ur".  que  "il  I'rincipill  di  Ilrnlilà,  (he  ll(lvrebbc  in  l r " r i ~ I'rcvnlere  ncl  I ' r l l C l ' ~ $ n civilc 
l ; i ~ l ' l ' n n e ~ I · . r i n i ~ c e in  rCillti\  l'l1ll  il  ~(1ce(1l11l>ere. ~uhendo iIWl'CC  il  $(1)'ravvt'nll1 dell'rincil'io 
di $crillur".  In  1~lbui$~. ill'rl"'c$~" in Gi"l'ponc \'cdc d i l ~ l ~ r ~ i $ e m l ' r.e  a  fixêlçiio  dos  
pontos controvcrtidos;  pois,  como  pode o  mDgistmdo sêlnear .Dlgo  
.quc  niio conhece? Como pode fixêlr  os pontos controvertidos,ísem  
conhecer pormenorizildilmente os fatos constilüUvos, impedit.jvos,  
modificativos  ou  extintivos?  Essc, $ h  indcnizaç~o pclo  dano  nloral  dcrivanle  dc  prolon,;ada  
, , " ~ i c d ~ d e pclo bilo d ~ dcmal1da. (iH  EI Tri/Jllllnl fllro/,d o . . ; 
I~S Ob. cll., p, 35. 
.50  [)nrci Cllillloriic­J.  Qilx-irn 
.', .. 
, 
cocxistellcinl,  no dizer de  C a p p e l 1 e t t i , l ~ 6 e encontra eco  e ~ todos os 
c6d igos  modernos,  c.g.,  Portugual,147 .Áustria, 1 ~ 8 ItáIQj,H9  Uru-
guai,ISO Espanhin  i l i a ç ã o , _ d c y _ c . r crsse>  .... ob. cil.. p.  104  e,  tllmbém. O N(IlI(I I ' r e > r r ~ ~ " (il/i/ 
Brnsiltiro,  Foren~e, 19.  ed., 1997, p, 51; Calmon de  r a ~ ~ o ~ , ob.  cil., p. 111;  enl  c ~ r l o ~ ( ' n l i d ( l 
Dinamarco, ao afirmar·: "Em  l i l l S i o ~ sobre din;itl's  i n d i ~ p o n l v e i ~ , ~ ( ' q u e r Se!  pode  r e ! n ~ a r ('m 
conciliação", Mas mesmo  I I s ~ i m . segundo o  a'lItl,r.  ""  .,,"liênri,1  ~ c rcalizlI  e  iam.,i~ 1'\1\lcrin 
ser de COllcilinçtlo",  ob. cit., p.  118.  A  trllnsllç50, por óbvio,  ~ ó rode IItingir  d i r e i l l 1 ~ \,.,lrill1\1· 
niais  de  caráter  privado.  arl.  1.035  do  c.c.  o  que  n50  ~ i g n i ( i c l I dizer  qur  o  ~('II ,,/';rl,' 
perlença, exclusivllmente. ao ramo do direito das obrigllçl'es. pois, con(orme emin.1  1 ' \ l I l I I ~ S 
de Miranda, "só nllm  ramo se  operll, que é  o do direito das obrigllções. O \lue é  obj\'111  dn 
tfllnsaçAo é que pode pertencer no direito dlls obrignções.  no  di"'ito  d a ~ C C l i ~ a s , ao dir"ilc' 
de fllmlllll, ou 110 direito das sucessões. 0\1  ao direito público", iH  Tr"""Io l/f  /);rr;1I1  I'ri",,,/,,. 
RT,  1984,  I.  XXV,  § 3.033,  p.  141. 
52  .  Durei Cnilllnrnclo  Ril~'im 
'; 
prudêncin  anota  ser  possível  sua  transformação,  por Jordo, em 
separação consensual".158  .  ~ 
CoMorme o § lOdo nludido artigo: "Obtida a conciliação, será 
reduzida  a  lermo  e  110molo  ada  r  senten  a"  que,  certamente, 
sera  ( e  menta, consoante o art:­26.%  inc. :llt, do Cpc. 
Cumpre ressaltar que, havendo a audiência preliminar, dora-
"ante,  n.ida  se altera  no  procedimento,  pois  essa  inovaçiio do  le-
gislador' somente  inseriu  uma  novn  fase  no  procedimento,  na 
lenlativa' de agilizá­lo, ou seja, haverá uma audiência de instrução 
e  julgamento c nela,  novamente, o  juiz tentará  conciliar as  partes, 
segundo ,0  arl.41­do CPC, que  ficou  inalterado,  tudo no espírito 
do  inc..I.y.. do  ar!. =-J'!?5 do  CPC,  pois,  como  bem  snbemos,  a  mCllS 
kSislll/oris ,decidiupor expandir a  conciliaçno, e  niio  rcduzi­la. 159 
I ~ ~ Ob. cil..  r. 34.  
I~? ['nrll  uma  melhor  . , " ~ I i s e d o ~ problcmas  dll  n\lsrllcia  das  rartes  e  cios  rrocllradorl's,  
consllllar  Arakell  prlll  IIl1di,'IIC;II',  rro"''''ci.u·~c ~obr(' II~ q\leSlõe~ rcrlillcIIIC$",  O NIll'(l I'roasse>  ....  01>. 
c1I.,  p. !i). r : ~ s e ~ o  ~elllido, 11lIl1b~ll1, .111  rrf,,,,,/l1  i,,'rrrnlnr.  h.widll  em  I'orl\lglllll,  qunlldo
PI..1()VM i\11PIG\!J 53. 
.\ . 
, 
I; 
) 
prev~ ·a eliminação do rrCllrso 01//6/1011I0 do despO'cho proferido sobre l ~ i s r e c l ~ l l l ~ ç i \ c s " . 
oplld Fernando Luso SoO'res. PrOCr~SO Civil dr  Orc1oro(/ln. i\lmedi"O'. 1985, ,,°11. p. 90. "",cce 
que a pr~lCe. mais uma vez. nilo atendeu "0 ch"m"do d" reforn,". porque. segundo d c c l " ' ~ 
Carlos Manoel Ferreira d" Silva. "0 saneamento do r r o c e s ~ o e " prep"r"çilo d" "udicllci., 
de julgamento. núcleos da futura audicncia preliminar silo, "O' lei e nO' pr~lic" judiciMi" 
portuguesa atual, obtidos exclusivamenle "tri,lVc!S de um desp"cho escrito do juiz.. conHJI1i· 
cado também por escrilo IIs parles, que se designa por despO'cho s""eO'dor. de e ~ r e c i f i c " ç M ' 
e quesllon'rio·, ob. cit.. p. 172. 
162 O Dtsp",lro SO/leodor, °JI/lgome/lto do  Mirilo, Rev. Forense. 1945. ,,0 104. p. 20. 
'.',1 Ne»e partlculllr, consultar, obrfgatoriamente, ClIlmon de rO'SSOS. Co",,,,M,;ns  no Cl'C. 
Fprmse. v. 11I. 6. ed., nO 266 e ss. 
161> Ob. cil.. 1'. 161. COl1cord""do COm 1.,1 orienl"çilo, JosC! Rogc!rio Cruz e Tucci, Sobrt  " 
Efir~rio rrrdl/si,.. do  /)rri~llo Drc1oroltlrio "r 50/lro",,,,/n,  i/l Trlllo~ T'nl~",irn~ dr  rrnrr5~o Civil, 
164 Em Igual sentido, Galena Lacerda, ob. cil.. p. 8; OMbosa Moreira. O Not'O T'r(l(rSsn  ... , ob. 5nrn;'·n. 1990. p. 64. 
clt.. pp. 49 s.. 
;í{  1~7 Ob. cil .• 1'.20. 
165 Cf. terminologia utilizada por l3"rbos" Moreir". SO'IrO",,,,/o .... ob. cit.. Pl'. 109s. 
POOVM t\11PK.""M54 Darci CuimoniClo t:2ílx:iro 5.,'h·,;;.. . .. 
• • ':i 
1.3.1.4.3.  Fixação  dos  pontos  controvertidos 
.A.9ui reside o cerne da audiência preliminar, não obstante essa 
possibilidade Já ter sido prevista no antigo art. 451 do CPc, o que se 
fez foi racionalmente antecipar a fixação dos pontos controverti-
dos para uma fase anterior à da audiência de instrução e Julgamento. 
A expressão "pontos controvertidos", utilizada pela  lei, no § 2Q 
do referido artigo, é equivalente à expressão "questões controver-
tidas" ou, como querem os portugueses, ao questionário,  e  tem por 
finalidade  delimitar as questões sobre as  quais  recairá  a  prova.  É 
o  chamado thema  probandulIl  que se  refere  à  necessidade concreta 
de se  fazer  prova sobre algo que se encontra  duvidoso na  cabeça 
do JUiZ,168  mais especificamente,  as  questões de  fato.  Aqui,  o ma-
gistrado  deverá  delimitar  inevitavelmente  a  prova,  para  que  as 
partes  saibam  o  que  produzir  na  audiência  de  instrução  e  julga-
mento, evitando, assim, o elemento surpresa que dilata desneces-
sariamente  o  procedimento.  Haverá,  claramente,  uma  seleção  de 
fatos  influentes. 
• 
Impõe­se, neste momento, frisar que não só os pontos contro-
vertidos deverão se fixados pelo juiz na audiência preliminar, por-
que  ele  também  poderá  convencer­se  de  fatos  que  não  precisam 
4f ser  provados,  v.g.,  os  fatos  alegados  por  uma  das  partes  e  não 
contestados pela parte contrária, os  fatos  notórios, e  que poderão 
ser influentes na hora da sentença, necessitando, conseqüentemen-
te, uma delimitação no sentido de não mais poderem ser alterados 
logo adiante. Portanto,  uma vez  fixados esses pontos controverti-
dos, não se podem extrair conseqüências jurídicas diversas daquelas 
delimitadas, sob pena de se produzir a  mutatio  libelli,  proibida pelo 
direito pátrio, segundo o parágrafo único do art. 264 do CPC. 169 
Predomina, na doutrina, que as regras sobre o ônus da prova 
são regras de julgamento,170 ou seja, delas o magistrado irá se valer 
sempre  que  não  restarem  suficientemente  provados  os  fatos  da 
causa, uma vez que competia às partes, em razão do ônus subjetivo 
da  prova,l7l  art. 333 do CPC,  eliminar  todas as dúvidas possíveis 
168  V.  nOs  2.5  e 3.1. 
169  Complicação  maior  existe  no  Direito  italiano,  quando o ar!.  183  COlllrIl"  4°  fala  que "Ie 
parti  possono  precisare  e,  previa  autorizzazione  dei  giudice,  modificare  le  domande,  le 
eccezioni  e  te  conclusioni  già  formula te".  Predomina  na  doutrina  italiana  o entendimento 
de que  tal  possibilidade  refere­se  a  cmclldalio  libelli,  e  não a  //ll/tatio  libelli.  Nesse  sentido, 
encontramos Taruffo,  La  Rifar/lia  ... , 1991,  p.  38;  Patania, 11  Gil/dizia  ... ,  p.  358,  entre outros. 
170 Cf.  José  R.  Bedaque, ob.  cit.,  p.  81. 
171  V.  por todos Buzaid, Do ânus da  Prova,  in  Rev.  Dir.  Proc.  Civ ..  v.  4,1961, especialmente 
pp.  16s. 
56  Darci CuimarBCl\ Ribeiro 
para a procedência da sua pretensão. Todavia, quando o magistra-
do  inverter  o  ônus  da  prova,  ele  deverá  fazê­lo  no  saneamento, 
porque a  inversão é  feita  ope  juris, e,  se o  critério é  judicial para a 
inversão, não seria justo solapar a oportunidade, constitucional, con-
ferida às partes para, adequadamente, apresentarem suas provas. 
A  fixação  dos pontos controvertidos pode se dar: 
a)  delimitando  os  pontos  relevantes  que  foram  apresentados 
pelas partes, conseqüentemente, estar­se­á  simplificando o  objeto 
do processo, evitando, com isso, a  produção de prova inútil; 
b)  através  de uma  maior  participação do Juiz  em  audiência, 
que  pode,  inclusive,  em  razão  da  oralidade,  melhor  aclarar  as 
questões contraditórias, evitando, por conseguinte, a  interposição 
de recursos, uma vez que a discussão conjunta entre Juiz, partes e 
seus  advogados  facilita  o  consenso;  logo,  diminui  a  irresignação 
das partes. 
1.3.1.4.4.  Determinação das  provas a serem  produzidas 
Aqui, o magistrado deverá delimitar inevitavelmente a prova, 
para que as  partes saibam o que produzir na audiência de instru­ . 
ção e julgamento, evitando, assim, o elemento surpresa que dilata 
desnecessariamente o  procedimento.  Haverá, claramente uma se­
leção de fatos influentes . 
Essa  fixação  das provas é somente um ponto de partida para 
o  juiz  deferi­las  ou  indeferi­las,  ou  até,  usando  os  seus  poderes 
inquisitivos, que lhe são conferidos pelo art. 130 do CPC, determi-
ná­las ex officio. Aqui ele fixa  os fatos provados e  a  provar. 
A  extensão da  determinação das provas a  serem produzidas 
vai depender, e muito, da postura e do interesse do magistrado na 
rápida  resolução da  lide, pois a  concentração da prova nesse mo-
mento  é  fundamental  para  evitar­se  uma  dilação  desnecessária. 
Não seria exagero dizer­se que quanto mais concentrada forem as 
fases  do  requerimento e  do deferimento da  prova, maiores serão 
as  garantias para  um  processo  justo,  rápido e  barato,  na  medida 
em que estar­se­á preparando adequadamente a  instrução. 
Aqui  é o  local  onde a oralidade funciona  com plena eficácia, 
porque o contato direto e  pessoal do juiz com as partes e  os seus 
procuradores,  na  determinação  da  prova,  é  extremamente  profí-
cuo,  uma vez que o  diálogo faz  com que as questões  fiquem  me-
lhor resolvidas, e por assim dizer digeridas, permitindo uma troca 
recíproca de argumentações, que só serve para enriquecer o deba-
te,  evitando­se,valores 
dinâmicos, enquanto as leis são estáticas; eles evoluem, enquanto 
as leis estagnam. São eles os responsáveis diretos pelas reformas 
processuais, porque, variando no tempo e no espaço, exigem um 
aprimoramento dos instrumentos postos pelo Estado à disposição 
dos cidadãos. Não são eles perceptíveis a olho nu e só podem ser 
visualizados sob a lente aguda da filosofia, da sociologia, da his­
tória e da psicologia, sob pena de, em assim não se fazendo, redu­
zi-los à simples descrição da realidade. 
Estudei o princípio da imparcialidade a partir da natureza do 
homem, porque, segundo Protágoras (c. 487-420), "O homem é a 
medida de todas as coisas". 
e princípio dispositivo foi visto como uma relação dialética 
de atividades, em que o juiz é parte fundamental e atuante, e deve 
sempre, segundo VICe, "cultivar a arte dos melhores advogados 
para poder e, sempre que puderem, para obter, que também nas 
causas privadas, de interesse dos particulares, seja associado um 
interesse público."2, pois modernamente o processo é visto mais 
como um instrumento de realização da justiça, do que uma série 
de atos praticados pelas partes. 
e princípio do contraditório foi visualizado como condição 
essencial de validade da prova, necessitando, quando da sua co­
1 Derecho y Proceso, EJEA, 1971, nO 73, p. 143. 
2 De Nostri Temporis Studiorum Ratione, contido no livro Textos Clássicos de Filosofia do Direito, 
RT, 1981, p. 79. 
DOOVM ATIPICM 
5· 
13 
lheita, a presença tanto do juiz quanto das partes, sob pena de 
viciar a prova. 
O princípio da oralidade foi estudado em todos os sentidos, 
histórico, filosófico, psicológico e sociológico, e apresenta o seu 
campo mais fecundo na prova, porque o processo é a tentativa de 
se reproduzir uma realidade ocorrida sob a ótica do autor e a do 
réu. Foi vista também a audiência preliminar, que representa um 
avanço significativo na marcha do processo, pois será ela a respon-
sável  direta  pelo  aceleramento  da  prestação  jurisdicional  e  não 
seria  exagero  dizer,  consoante  Proto  Pisani,  que  "Il successo  o  il 
fallimento della  riforma sono indissolubilmente lega ti  ai funziona-
mento o  no di  questa  udienza".3 
No capítulo segunào, foram vistos os fundamentos da  prova, 
em  que  se  procurou  destruir  o  conceito  de  verdade  nas  ciências 
humanas  e,  em  especial,  na  ciência  jurídica,  tudo  isto  analisado 
desde  a  Grécia  Antiga,  passando­se  por  Descartes,  que,  segundo 
penso, representou um atraso par" a ciência  processual, à medida 
que,  escrevendo para  a  razão,  tentou  evitar  o  prejuízo,  dizendo 
que era  preciso "evitar cuidadosamente a precipitação e a preven-
ção"  e  explicava  que  por precipitação  deveria  ser entendido  que 
não se poderia "julgar antes de se  ter chegado à evidência".' Con-
seqüentemente, o autor só poderia "encostar" as mãos nos bens do 
devedor após uma  sentença, não permitindo, assim, uma  liminar. 
Após,  tentamos recuperar o conceito de prova, entendendo­a, fun-
damentalmente, como  técllica de argulJlellto, ou, como bem explica 
Alessandro Giuliani, "L'attenziont sull'esistenza  di  una concezio-
ne classica  della  prova come argUnteHtulH, e  sulla  esistenza di  una 
logica  dei  probabile  e  dei  verosimile,  legata  alie  tecniche  di  una 
ratio dialectica, ed all'idea di  UlW veritií probabile, construi ta  in  rela-
zione  alie  tecniche  ed  alia  problematica  dei  processo".5  Em  razão 
disto, justificamos ser ônus da parte tanto a prova que é feita sobre 
uma  alegação  de  fato,  quanto  aquela  feita  sobre  uma  questão de 
direito. 
Buscou­se, no capítulo terceiro, um aprofundamento sobre os 
fatos apresentados em uma causa e que são fundamentais para um 
bom  desempenho  processual.  Mostrou­se  a  importância,  por 
exemplo,  da  diferença  entre fatos controvertidos e  fatos discutidos. 
Na  primeira  hipótese,  temos  o  gênero,  enquanto  na  segunda,  a 
3 LII  NlIova Disciplil/a dei Processo Civile, Nilpoli,  1991,  p.  130.  
4 Discllrso do Método, contido na coleção Os  Perrsadorcs, v.  I, p. 37.  
511 Cal/celta di Prova·Cal/tributo alia Logica GillridiclI, Giuffre,  1961,  p.  253.  
espéCie,  razão  pela  qual  o  fato  pode  não  ser  discutido  e,  ainda 
assim,  permanecer  controvertido.  Vimos  também  que  só  há  fato 
incontroverso quando ocorrer o  silêncio de quem tinha o ônus de 
não silenciar. 
No capítulo quarto, reside o cerne do trabalho, é o estudo das 
provas atípicas, ou  seja,  aqueles  meios  não  tipificados  pelo  legis-
lador,  mas  que,  pela  sua  importância,  são  vitais  para  auxiliar na 
formação  do  convencimento  do  juiz.  A  literatura  a  respeito  das 
provas  atípicas  é  rarefeita  e  muito  esparsa,  não  sendo  possível, 
senão  mediante  um esforço muito grande, se alinhavar diretrizes 
fundamentais  que  sejam  capazes  de  auxiliar  aqueles  que  enfren-
tam  diuturna mente os  problemas das lides  forenses. 
O  fato  notório, apesar de sua complexidade, mereceu estudo 
sério, pois, segundo posição dou trinária maciça, ele está dispensa-
do da prova, principalmente, por se ter um entendimento errôneo 
do art. 334,  inc.  I,  do CPc, que confunde, nas palavras de AlIorio, 
o  notório com el efecto de la IlOtoriedad. 6 
Também  as  presunções  foram  revisitadas,  pois  tivemos  a 
preocupação de  demonstrar  que  todas  elas  dependem  de  prova, 
quer  sejam  absolutas,  quer  sejam  relativas  ou  simplesmente  co-
muns, porque a dispensa da prova reside só no fato desconhecido 
e no nexo de causalidade, sendo necessário provar, caso se queira 
utilizar a presunção como benefício, o  fato conhecido, mostrando-
se com isto como deve ser feita  a  interpretação do art. 334, inc. IV, 
do CPC. 
As  regras de experiência  foram analisadas e classificadas, di-
ferenciando­as  dos  fatos  notórios  e  do  conhecimento privado do 
juiz. Chegou­se à constatação que pertencem à premissa maior do 
silogismo jurídico, e,  portanto, são passíveis de desafiarem recurso 
especial. 
Atel'ção especial  mereceu  a  prova emprestada,  em  razão da 
pouca  literatura  a  respeito  e  da  sua  grande  importância  prática, 
tendo sido  traçados  requisitos para que a  prova pudesse ser tras-
ladada  de  um  processo  para  outro  com  segurança.  Sustentou­se 
como requisito fundamental, e.g., que a parte contra quem a prova 
é produzida  deverá  ter  participado do contraditório na  sua cons-
trução. Com isto, diz­se que a  prova  pode ser utilizada  por quem 
não  participou  do  processo  orig;nário,  uma  vez  que  ela  não  se 
dirige  a  ele,  mas  por  ele  é  utilizada  contra  quem,  obviamente, 
6  Obscrvaciol/es sobrc el Hccho Notorio, contido nos Problellllls de DerecllO Procesal, EJEA,  1963, 
t.  11,  p.  392. 
14 Darci Guimarães Ribeiro  PROVt\~ A'IÍPICt\dl  15 
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6 
, 
tenha participado do contraditório. Justificou-se, ainda, a licitude 
da prova obtida através de escuta telefônica em processo penal e 
transportada para o processo civil. 
Também mereceu muita atenção, quiçá, a maior, o comporta­
mento processual das partes como meio de prova, pois se buscou 
uma classificação inovadora, e, portantu, sujeita a críticas futuras, 
das diversas espécies de comportamento processual das partes, em 
face das normas contidas no nosso ordenamento processual, po­
dendo o comportamento gerar uma obrigação, um dever ou um 
ônus processual. Tudo isto, em virtude de uma exaustiva análise 
do princípio da lealdade processual, tanto em países, como a Áus­
tria, a Alemanha, a Itália, a Espanha e a Argentina, como no direito 
brasileiro. 
O documento eletrônico traz consigo uma série de situações 
novas, não previstas, diante das quais o jurista não deverá ficar 
inerte. Não se consegue encaixá-lo nem dentro dos documentos 
públicos, pela ausência de oficial público, nem dentro dos docu­
mentos particulares, em virtude de não possuírem firma, na me­
dida em que a caracterização desta espécie de documentocom  isso,  a  produção  de  provas  desnecessárias, 
POOVAS ATÍPICAS 
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também pode ser uma causa inibidora de pretensões infundadas,. 
na medida ~ que alegadas as pretensões, serão prontamente reba-
tidas pe!a parte contrá~ia, além de estarem sujeitas ao. crivo judicial..  . 
A ulhmu oportunldndc para que as partas requesram qualquer  . 
prova é aqui, não  sendo possível requerê­las em nenhuma  outra 
oportunidade, e.g., a prova testemunhal s6 pode ser requerida até.  .,esse  momento,  e  uma  Vez  requerida,  deverá  ser  deferida  pelo  . 
magistrado, que identificará, diante do  ~ f l C \ S o n c r e t o , I L p e r t i ~ ê n ~ . 
cia da testemunha, com o fato a ser provado, ~ i s , se o magistrado '. 
não conseguir identificar a vinculação existente  entre o fato  afir­', 
mado pela parte e a prova a ser produzida, não h a ~ e r á deferimen­' .':' 
to,  posto que ela  será  irrelevante, ou impertinente para produzir 
o convencimento necessário.   . 
Determinadas as  provas necessárias, deverá  O  jui~ àesigx:a~ .>,•. 
audiênCia  de instrução  e julgamento, com  a exc1usivafinalidade:': 
de colher aquelas provas selecionadas. 
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Darci CUimolÚc6 Ribeiro 
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'1,. ,Fundamentos da prpV6. 
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2.1. ProlcgômêItos _:..  .  .:.:  .....  : 
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O proceSso contemporâneo é úm processo de partes, no qual  
um sustenta'e outro defende, isto é, há uma tese, uma antítese e  
uma síntese.­Daí.a importâncía do conceito de parte. para a dênda  
processual,  a  poIno  de  o  próprio  Camelutti  considerá­lo  como  
'sendo um dos fulcros' do' seu pensarpl É possível, se afinnar que 
as partes e, o processo são dois lados de uma mesma moeda, pois 
um não tem razão de ser sem  outrO.l73 
A primeira impressão que se tem, quando se estuda prova, é 
que delá se servem o juiz e as partes no processo; depois, começa:" 
se a notar a sua importância também fora do processo, e.g.,no eód. 
Civil, as provas legais.  E,  no uso comum das provas não se chega 
a pensar, pois seria daqui que ()  estudo deveri&l  comcçarY· 
As questões relacionadas com a prova têm uma extensão bem 
maior dó que so chega a imaginar, podendo, inclusive, ser esten-
didas à  totalidade dos  (óllos da vida cotidiana, pois o m:\ncjo dos 
assuntos domésticos se desenvolve inteiramente sobre prov&ls, v.g. 
Um  pai de família, desde o momento em que surge a discussão, 
necessita chegar a uma decisão, que só pode ser alcançada median-
te  uma  investigação.  Ou, como  diz Bentham, quando se refere a 
um caçador, ao descobrir pegadas, ramos quebrados com pêlos, o 
cheiro, é prova suficiente de que determinado animal passou por 
ali?17SEstá  o'caça~or a exercitar a arte de julgar sem conhecer os 
172  F. Camelutti. Ven/d. DII/lbio. CertalJl. in  RivisQ di Diritto Processuale. v.XX. p. 4. 1965. 
onde diz o lIutor "il concetto di pute, costltuisce uno dei (ulal dei mio modo di pensare". 
173 Nesse sentido, TIto Camadni. quando  afirma: "In qucsto  senso specitico  e  11 questo 
preciso etfetto toma acconoo alfennare. conciliando cosi due estremi su di un altro piano 
già discussi e contcaPPOSli, dlC: se il processo serve alie parti, .Ua \oro volta le parti servono 
ai processo". Tutelll Giu,isdiz.itmme e Tia';", dei Proasso, Milano. G i u ( ( r ~ , 1951, p. 100. 
171  Cameluttl. ecrecho •••• ob. cit., p. 143.  
17S Ob. clt.• vol. I, p. 22.  
POOVMt\'rlDitM  59 
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58 
4 
-:.;;., 
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l) ricamente os fatos que interessam à causa, porém há sempre uma 
f t diferença possível entre os fatos, que ocorreram efetivamente fora 
do processo e a reconstrução desses fatos dentro do p r o c e ~ s o . Rara 
() o juiz, não bastam as afirmações ,dos fatos, mas impõe-se a de-
I) monl!t:ação da sua  e x i s t ê n c ~ a ( ) u i n e : X i s ~ ê n c i a . Na medida  e ~  a  Indagare 511  rlllll deI passlIlo c ad accerlarnc la verltll", ob. di., p. 27.,') m  COl/lellltltios 110 C.P.c., Forcnse, 1988. p. 3. 
,~: 
1780b. cit., v. I,  p. 10. I
(D 
t()  60  Darci Cuimaric6 Ribeiro 
~ ~ seus  p ~ i n d p i o s , a' s ' : 1 ~ e s ~ n c i a , e  raciocina .por puro  instinto  o ~ , ; ; f t : ' 
1';" éonforme Montesquieu, s e g u n ~ o l e i s naturais."  '.  . '  ....Y~>, 
.:',.  ' ~ natural, provável, que um homem não julgue sem confron­ ' ~ y , i " 
. ~ tar o' juízo com as provas que  lhe são demonstradas. Quando o,·" 
, ~ autor traz um fato e dele  q u ~ r extrair co.nseqüências tuddicas, via 
.  de regra, o  réu nega em sentido contráno às afirmaçoes do autor. 
. ~ Isso gera uma litigiosidade, que, por conseqüência lógica, faz nascer i'  a  dúvida,a  incerteza  no  espírito  de quem é  chamado  a  julgar. 
Nesse  afã  de  julgar,  o  juiz  se  assemelha  a  um historiador,176  à 
~ medida que  procura  reconstruir e avaliar os fatos  passados, com 
! ~ jl finalidade  de obter o máximo possível de certeza, pois o desti· 
natário  direto  e  principal  da  prova 6 o  juiz. Salienla  Moacyr  A. 
,  Sélnlos que também as partes, de modo indireto, o são, pois igual-
])  mente precisam ficar convencidas, a fim de acolherem como justa 
~ a decisão.177 
­ Para o juiz sentenciar, é  indispensável o sentimento de "ver-
:D déldc",  de certeza, pois sua deds!lo necessariamente deve corres· 
.). ponder  à verdade, ou,  no  mínimo,  aproximar­se  dela.  Ocorre 
recordar que aprova em juízo tem por objetivo  reconstruir histo-
i, ) 
.;:!:r. ~ )~. 
ret6rica,'0~ e i u ~ estivesse em jog!l, para qualquer das partes; pois a 
verdade:éJ:ori~gente e sobre ela não há.unanimidade.l79  O  pr6-
!' prio  G a â a m ~ r " Q l z : ; ~ L à sclenza "moderna; che  ha  ripreso  questa 
parola  d ' 9 r d i n é ~ 'Segue cosI  i1 principio dei dubbio cartesiano,  in 
base aI quale non si pub prendere per certo nuna di cui si possa 
in qualche modo dubitare".IBO Econtinua, mais adiante, o brilhante 
filósofo:  "La  prêdpltazione  ncl gludicarc  e l'origine  vera  dcgli 
errori in em  inêÇ)rriamo  quando .usiamo,':..lla nostra  ragionc".'81 
Demonstra  o -ex{~io .fil6sofo  a .aversão  que  a  ciência  moderna, 
inclusive a processual, te01por t'gdas'as formas de juízos fundadas 
na  aparência, na verossimilhança. É Eru,to; como bem se notou, da 
herança  cartesiana,  com  sua  conhecida  d ~ o n f i a n ç i \ de  todjl e 
qualquer espécie deprcjuízo.181  .
\' O  problema da  verdade, da  certeza  absoluta,  repercute  em 
todas ,as  searas do.Direito. A prova  j ~ ~ c i á r i a , sob esta ótica, não 
haveria  de escapar desses. malefícios oriundos  dessa  concepção. 
Tanto Isto é certo, que'pira o  juiz sentencinr é conveniente que as , 
partes p r o ~e m a v e r d Q d e dos fatos alegados, segundo se depreende'" 
do ·art. 332 do C.P.C: Segundo Moacyr A. Santos, a prova consiste 
"na exigência daverdade,'quanto à existência, ou inexistência, dos 
f a t o ~ . " , I 8 3 ou seja, salvo situações.especiais,  como, por exemplo, a 
179 Obrll /lIrldiCÍl.  R~Jur(dle., Porto­Portugual, p. 48. Eé o próprio Aristótelcs que, ilO dividir 
OS  gc!neros do discurso.  reserva  ao  g&lero Judiciirlo li k16riCII. Tnta­sc dc  uma t«nica 
própria reservada aos lu.ristas, se ben\ que essa  figUR 56 )d.~urgir em Romil, mas ~ I c j ~ di 
os primeirosP"sos, 11 O1I,IllNlo dlldllico, que encontra nuetóriçl c nl tópica plcnl aplicaç:io, 
ill  00. cit..· p.48.  Define o  aulor 1\  tóplcacunlC\ StOCs  propostas, partindo de prcmisSóls.  prov~­
vcis,  c  I evitar. quando defendermos  um arg\I01Cl\to,  dizcr  sqa o  que  ror  que.  lhe  seja 
contrArio·, Orglllloll,  v. V, Culmancs Editores, Usboa, 1987,  p.09. Para  um lnc!hor arro-
rundnmcnlo CQn5ultar, obrlgatoriamcnte, nlC,  regra gcrol, no  ~1I1.ullci" (senlen".), c ",sim agindo, l'SIArl!ml'" C'vltnu.io li  ,',reil'i.  
1"1'''0 dc S. Perdman, ob. dl.,,§§ 34s, prlnclpahnente IIs pp. 564 e 585. 
187  Tralad(l dc  'tiS Prucbtls, Madrid, 1893, p. 65. 
183 úlmo ~ I,acc  1111 Procc~, Temis, 1994, n' VI, p. 58. 
189'C;'a';"'ndrei, Vcrdad  'J ~rosi",ili/lld CII cI proaso civil, nas l n ~ t i t u c i o n e s .... EJEA, .936. 
v. 3. pp. 317s. Slslienta esse autor:que "cuando se dice que um hecho es verdadero, se: quicrc 
decir en lIustanda que ha logrado. en la concienda de quien como tal lo juzga, aque1 grado 
mbimo de veroslmilltud que. en relaclÓn a los medlos de conodmlento do que elluzgador 
dlspone. basta para darle la certeu subjetiva de que .quel hecho h. ocurrido·. jrr o.c.• p.318. 
Também Sérgio la China. L'ollerc dcllll  ProllfJ ncl Processo Civilc. 1974.1U- 48 e 53. para ql1cm 
a utilização cada vez mais acentuada de critérios puramente fonnais de verdáde, basudC',; 
na simples aparcl/cio,  de quc são excmplos os negócios jurldicos abstratos. como é o C"'O 
dos títul05 executivos extrajudicialiformes. Na doutrina alem:!. temos A. Wach. umfcm:ci.15 
$obrc la OrdCl/lll/lD Proccsnl Civil""cmnl/a. EJEA. 1958. p. 224, que salienta: "La comprobaci6n 
.1(' la v.:rclad • YIl In hem~ dlchn lInlcrlnrn\l!nll.' - no lOS III f1Mlldlld deI proceso civil Yno 
puede serlo". Em Portugual. temos Antuncs Varela. J. M. Uc:terra e Snmpalo e Ne:>ra. p'lra 
lJ"Cnl -li prm'a visa apenas, de ace:>rdo com OS critérios de razoabilidade essenciais à apli· 
cação prática de:> Direito, criar no esprrite:> do julgador UllI estado de cOI\\"lcç"o. aSSCI\\!! na . 
ccr/C7.a relali\'a do f,,/o-, Ma."",1  ,Ic  Pr(ICts~ Civil, Ce:>imbrn. 1985. pr. 435 C 436. Ta01b611 
c", anota(ão ao acórdão do S:q., dc 22.10.1981, c ao t I $ ~ I I I ( 1 dc.21.7.19to. lia I ~ . L J . , 1l6", 
. u: l' .\ 
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J  ..... 
O V f d i o t > ~ . Baptista da Silva, I9\)  ~ r r u d a Alvim,t91  entre outros, que 
cuidam do tema.  ~ interessante  notar­se a opinião de um grande 
jurista Italiano; Alessandro Giuliani, para quem "richiamando, nel-
la  p,resente  ricerca,  l'attenzione sull'esistenza di unaconcezione 
c1asslcadeUa  prova  come"nrgUlIIenlllm,  c  sulla  csistcnza  di  una 
logica  deI  probabile  e dei  verosimile, legata  al1e  tecniche di una 
r a t i o d i a l e c ~ i ã Ç e d al1'ide.a di una verità probabile, construita  in rela-
zione alletecniche ed alla  problem~ticá deI processo",l92. Também 
S a l v a t o r ~ . . P a t t i alerta  para  que.  em  cada  caso,  se  tenha  o  grau 
dell'ow':rtamel1lo. da  v ~ r o s s i l ) , i l h a n ç a requerida pela lei, divergindo 
de acordo com o  tiPo de fato  apr~sentado.193 Isso significa dizer, 
em última análise. que quem alega a existência ou inexistência de 
um determinado fato não  recisa  rovar, de forma absoluta. a sua 
_ ? J ~ ã o ; até  Eorque  oge  ao  campo  as  ciências  naturais.  para 
~ b t e r um proyimento jurisdicional! bastando provar uma  c e r t e z ~ . 
razoável da existência  ou  incxistênciá dos fatos.  Razão pela qual 
pode obter, inclusive, um adiantamento Qã­restãção )unsdicional, 
via  liminar, como ocorre, v.g.• nas ações caute ares, nas possessó­= 
rias,.  entr~ outros proV1mentos Junsdicionals. pOiS, segundo Reca-
sens Siches, "el  juez juzga. El  juzgar dei  juez entrana siempre un 
juicio estimativo, no un juicio cognoscitivo. Con su juicio estima-
i tivo el juez expresa lo que se debe  /U1Ccr  cl caso  c o n t r o v e r t i d o " , 1 9 ~i 
I 
2.3:  Conceito de prova  " 
­,  ,Toda definição nos causa um certo receio, conforme um con-
selho,  e r i ~ i d o a  adágio  jurídico. das  fontes  romanas.  segundo o 
qual onlltls  definitio  in  jure  civili  periculosa  est  (O.  50,17.202), pois, 
como  já  se disse  alhures.  o  Direito  é  um  processo  de adaptação 
social,  no  qual  O legislador  b u s c ~ , no  fato,  a  sua  matéria­prima 
190  Para Ovldlo 13.  da SLlva.  "quem participa da  e x p e r i ~ n c l a fe:>rense.  sabe  que. na  grande 
malorla dos CI5OS,  especialmente naqueles onde o  connilo seja ma;s pcolundo e de maic:>r 
celevância. a prova colhida nos autos oferece duas versões  antagônicas, de que se  pode 
pecfeilamenle retirar  tanlo a  procedência  quanto a  improcedência  da  causa".  ill  Curso  dc 
Proccssq Civil. Safe. 1987. p. V6. 
191 Também Arruda Alvim salienta: "A verdade, no processo, deve ser sempre buscada pelo 
juiz.  mas  o  leslslador.  embora  cure da  busca  da  verdade.  NO  a  coloca  como  um  fim 
,,\>,(>llIto. ,,1\\ _I mesmo. OU $CfA, (>  lJue é ~uflclel\te, n\ullas VCl.e1o.l'ar.l a VAlidade e a dkAcla 
da scntença l! li verossimilhança dos  f n l o ~ · . 00. cit.. vCl1.2"  1.')91.  KT.  p. 232.. 
"~'II CO/lcrlli, ii; " T l ' I ~ I - e o / l l r i l / l l l o al/I/ 1..'Sic" Cillri,liCII, G i u ( f r ~ . t961.  p. 253.  
I?J  tibcrl1 c(llll'i/lcilllclllo  ~ vnllll"liOllt dcl/.  11r(l~, il/  Rivista di Oirillo I'rocessuale. 1985,  AliO  
XL.  n' :t,  1"  503. 
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para normatizar as relações sociais, também chamada por Rehbindcr 
de "Sociologia dei dcrccho gmética".l95 Os fatos não são imutáveis; 
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Ao se conceituar a provil, dever-se-á ter por certo que, segun-
do a Constituição Federal, art. 5°,  inc.LVI, não serão admitidas no 
ao contrário, são,  isso sim, mutabilíssimos, pois a  vida diária nos 
.!,. é prodigiosa de exemplos que a cada dia preocupam mais e mais 
os magistrados. Tanto isto é verdade, que salientava o inolvidável 
A. Buzaid, em se referindo ao Direito: "O direito pode ser imortal, 
m ~ s não é  imutável",196.  .  .'. ",,;'Á.' . 
Segundo Couturc, 11 palavra prova, I!UmologlcaJncntl! fl1limdo, 
deriva do latim proba, ae, do verbo probo,  denominativo de probus, 
que  significa  originalmente  que  marcha  reclo,  bueno,  honesto;  pro­
bo,197 isto é,  séria  ou boa, porque exata. A própria  lei  emprega­a 
com variedade de significações, pois, consoante classificação de E 
Luso Soares,198  prova designa, assim, e  ~o mesmo tempo: 
­ a) a atividade processual (equivalente a iustrllçifo) que se destina 
a  demonstrar aquilo que se  afirma, v,g., quando diz que, n,o  art. 
448  do CP.C, antes de  iniciar a ínstrllçifo, o  juiz tentará conciliar 
as partes;  . 
b) a própria cOllvicçiio da verdade, adquirida pelo julgador como 
resultado !.io  ato de provar é  O  elemento subjetivo do conceito de 
prova, e.g., quando se afirma eu vou provar parn o juiz o mea direito; 
c)  os motivos da prova, quer dizer,  as causas, as  razões  pelas 
» quais o  julgador chegou  àquela  conclusão,  formando  o  seu  con-
).. vencimento,  v.g., quando a  lei  obriga  o  magistrado a  colocar  na 
sentença os molivos, 115 provas que lhe (ormarnm o convencimento, ) 'art. 131  do CP.C; " 
d) os  meios de prova, que são as  fontes  probantes de demons-t 
tração  da  verdade,  ou  seja,  o  elemento  objetivo do  conceito  de
}. prova, esculpido no art. 332 do CP.C, dizendo que todos os meios 
) legítimos são hábéis para provar a verdade dos fatos, e.g., a  prova 
documental, a  prova testemunhal, étc.199 
·i .  •) 
1'J5 Sociologlll dcl Dcrcc1IO, Ed.  r i r á r n ~ , Madrid, 1981, p. 22,t· 
176  UlliformiznfJfo ti.. l"ri$prutliIlCin, Ai,!ris, n· 3­4,  p.  ~ 9 2 . 
191  VCICIIlIIJlar/o I"r/dico, Dep;!lma, 1991, p. 491.f.....  
j . .- 198  Procwo Civil de Dedilrllrllo, Almedina, Coimbra, 1985, p. 770.  
199  Também  PonteS  de  Miranda  se  manifesla  sobre  a  distinção  entre  ",dos dc }/rOl'" c
J'~ dC/IItII/os ou JIIo/it'O$ tic pr(lw, quando salienta quc "meios de prova são as fontes probanles, 
os meios pelos quais o  juiz  r e c ~ b e os elementos ou motivos de prova: os documentos, as 
testemunhas. OS  depoimentos das. partes..  Elementos ou motivos da prova slIo  os.In/oonesJ~.: 
t 
.sobre ritos. ou julgamentos $Obrue:\cs, que derivam do emprego daqueles meios", eo,IIcll/drios  . 
fkJ eMigo tlr PrPCtWI  C/"n, Fomue, tomo IV, 1979, P.  3'0, No  D l ~ n l O Sénlldo, Ollo\'cndl, 
,- l)uando diz: "S.\o molivas de: pmvn lIS  nlcp'ç~ que de:termlllnl\\, InledlatDmente  O U 1 1 ~ 0 i\ 
convicçllo do juiz(...) Meios de provll são l I ~ fontes de que o jub. extrai os 1\I0tl\'O$ de prova", 
00.  dI.,  p.  95.  Tan,llél\l Carncluttl, 'luando diz, "ma/io itc l/rllclol  11  la  I\cllvldad  dei  l u c ~ 
)'.   mcdiante la  cual busca  la  \'crdad dd hccho a  provar, y 1"m/c dc Ilrllc/M  ai  bccho dei cual 
se sirve para deducir la prl'pia ver"a"", j" /J.  prl/c/M CilJi/, Aray11.  19S5. n"  16, pp. 70 e 71. 
).   ­­­­­­­­­­­­­­­­­_... ~ .. _­'­­­­-
64   Darci Cuillloriics Ribeiro} 
b' 
processo as provas obtidas através de meios iHcitos,200 ou. seja, os  ,; 
fc:tos  al~gados pelas partes s6 poderão ser considerados legitima- Oi,.;.,.
m'ente provados, se a qemonstração da veracidade desses for ob-
'~j 
lida  por,meios admitidos  ou  impostos pela  lei,  decorrendo  daí  ~ ;';;~ 
. u.Jm1.d,iv~ãó-CJiteriol~gica que.·vis~~lizará a prova, sob o  seu as­ . , 
~ pe~to objetivo ou sob o seu  llspec!o subJetivo, Pora nÓ9,  ambos o§ 
·4
200 Esse  prt~ellO ~nsUludonal,I~lpid~ ~âci. de 1988. te~ta encerra~ com uma celeuma  • 
doutrinJIrlae jlJlisprudenc1al  ' ; c ~ ..da )idmlss.lblUdade ou II\lldmlssibllldade das provas 
I  
~~obtldas atrav& de.melcifIUcito3. t contrirla .l.adrnbsibilidade das provas obtidas illclla-
mente Ada Pellegrinl Crlnover, quando diz! "Semeio  lnIcelUvel a corrente que adnúle as 
provas \lIcitas, no processo, pteconiundo pura e  s!mp1esmenle a  puniçl0 do Infrator pelo 
iUdto  m a t ~ r l a l cometldo""E continua,  n,ais adianle: "(_) é  nec~rio a correlaçlo entre o 
alo Illelto, material, da obtençl() da prova e a lua Inadmissibilidade e incfickia processuais' 
somcnte pode ser feita, como vimos, pelo qllaliflcaçl0 que os lnslitutos processuais rexebem 
I  
'\  do dlrello cotIlÚluclonal", Libcrdlldrs  P,iblic:ns  ,  Procnso P'"I1/, RT,  1982,  p.  160.  Tamb4!m.  
denlro  Inúmeros outros, Jolo Carlos Pestana de:Agular Silva, quando diz alntollcamtnlt  
que °a Imoralidade na ol>trnç50 da prova. sep de quat grau for.  "  InvaUda  inteiramrnte",  
1/1/rod..,/lOllo E$hulod. Prol1/l, in Revista forense. vol. 247,1974, p. 39. De outra banda, sendo 
favorivel 1 admisslo das provas iIlcitas: entre eles, cilamos Hélio Thomaghi, que entende 
que  a  pro"a  proibida  pelo  direito  é  inadmissfvel  Todavia. quando  a  prova  for  obtida. 
violando normas de direito material. o  juiz 010 pode simplesmente desconsiderar que a 
parte disse alguma coisa,  também n10 poder! admitir c:sse  meio como prova, sugerindo 
seja  aceito  pelo Juizo  como  indicio,  e  ludo que se descobrir  licilamente,  a  partir desses 
indldos, 6 valido e admissIvel em Juizo; II/s/i/"i,&$ tk pl'(lUSS() PCII/I', Saraiva, v. 3. Tambtm 
. o  Min. Cordeiro Guerra, qU'lndo diz: ­Nessc caso, creio que nuo assiste 1  nossa jurispru. 
d ~ n c i a ; pune­se O  respo~vel pelos exces..«>s comelldos, mas MO se absolve o culpado pelo 
crime",  V,/or PrDhilll1t tI,s úm[lSs&s Exlrllj"diôlIs, j" Revisl'" Forense, vol. 285, p.OS.  Nlo 4! 
oulro o  sentido do MIl\.  Raphael  de Darros  Monlclro,  j"  R.T.,  vol.  19­1,  pp.  157s,  como 
também do Dc:s..  Oarbosa Moreira, quando condul que a absolutizaç50 do direito 1  intimi. 
dade  acarreta  uma  restriçlo  ~ liberdade da parte de  produdr pro"a em ju{zo;  Temos  dc 
Direi/o Proassuol, 2'  ~ r i e , 1980,  p. 9.  José  Roberto  BedaquC!  sustenta que o  iuiz poderia 
buscar a prova de ofício. escamoteando, assim, a  itfdtude, 00. ciL, p. 99. 
O problema da prova oblida por meios iIIcitos reside no conceito de prova, pois, se enten· 
dermos a prova no seu sentido objetivo, de valorlzac;lo do IntÍo. ent10 ha"eremos de proibir 
O seu uso, porque i\{ólo o meio, i1lóto o conleádo. O que se protege aqui é o valor scgurllnçn 
jllr/JiCII, em detrirnenlO da justiça do caSO concreto. Mas, se nós privilegiarmos O  critério 
subjetlvo" valorizando o contel1do, a co.wicçJo. 56 O meio sen jUcito, e 1150 o conteúdo. E. 
se o  contel1do vale, porque valorizado o  crit4!r1o subjetivo, c!  posslvel aceitã­Io, desde que 
haju/go mais lUdto que o melo utilizado para a obtcnç:lo da prova. Aqui se protege o valor 
Justiçn tio C4SII  COllcretO, em detrimento da seguraOCa lurfdia. Só dessa mi!neira  c!  possfvel 
adotarmos a  teoria da proporcionalidade ou, como diz Trocker, do ~ p r i n c i p l o dei bilancia-
",ento degli inleressi e dcl vaiori • Gl1Itr IIIId llltCR:J$Cnll!mllgl(llg ­ rillesso dei principio di 
proponionalitllra rnezzo impiegato C!  lil\alitl  ~ si tende· Vtrhliltll;slllilssigai/$prillzip". 
ob. ót., p. 619.  Mas~ art.~, inc. LVI, da CF, para que serve? Responde Trocker: ~ l . · o b i e l l i v o • 
.prlndpi!Je cui muano le modeme regole di esdusione ~ qudlo del1a et1uOIzione t pr~lIzio­
111", ob, 'cil.","  pp. 63(­5. t I6gléQ  que  toda essa  arsumentaçio nJo pode 'reprcsentar uma 
5OluçJo ·absolull. a14  porquct O presente. trabalho nJo 50 relero especlflcamentctao teRIa 
versado, devendo, sempre, Imperar o  bom­senso c  "  an"Use del.llhói.Ja  de cada  caso CIII 
particular, sendolmposslvC!l dar­se uma resposta geral ante a complexldl\de dos IrnOmenos 
'que Se  nos .presenlam diariamente.  V.  lambém Erlco Bergmann, iJf  Provi!  urdIa,  Esludos 
MP·5, P.Alegre, 1992.   . 
POOV/'..; ATfplCM   (lj 
@ 
I 
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•. ..? 
critérios são necessários para a preci~a conceituação da prova,. 
pois, nas palavras de Carnelutti, por "prut!ba no se 11ama solamen-
te  el  objeto  que  sirve  para  el {;onocimiento  de  un  hecho,  sino 
. también el conocimiento mismo suministrado por el tal objeto".201 
O critério subjetivo é o que mais nos preocupa, na medida em que 
o  processo é  cada vez mais dialético,202 adotando­se, v.g.,  o com-
portamento processual das partes como meio de prova, os supor-
tes informáticos, e, salvo melhor juízo, o que tem mais importância 
para o staff jurldico, posto que o cerne do prestação jurisdicional se 
traduz  numa  sentença  justa  prolatada  por  um  juiz?  a  convicção 
(critério subjetivo}203 ou os meios utilizados para f o r m á - I a ( c r i ~ é r . ; o 
objetivo). Como se sabe, o juiz, para sentenciar, deve eliminar;.o 
máximo possível, as dúvidas acerca dos fatos alegados e prov~dos 
pelàs partes, ist.o é, ele deve possuir o máximo·de certeza sobre"as 
assertivas apresentadas em juízo, para só então julgar.  •.  .;,,:,t:~, .. 
Não podemos confundir a prova ilícita, que a f r o n t a · u m a : · n ~ . r - ." 
ma  de  direito  material,  isto  é,  quando  a  ofensa  é.- pertinente: à 
obtenção  da  prova,  com  uma  prova  ilegítima,  que' ofende: ú ~ a 
nonna de direito processual, v.g., utilizar a .prova  t e s t e m u n h a \ ~ h o ':: 
mandado de segurança. '.  .  :.' ;­:'.::..  .  .  ·· ...·i~~~t-:.· 
O ato  de  julgar  é  inSofismavelmente discriç:iolttfrio,2G4  en:(~.':la;:. 
verdadeira acepção, não obstante' posicionamentos .em  c o r i t r á ~ i o , ;. 
pois a discricionariedade é elemento imanente do ato de julgar, na 
medida em que sempre deverá haver interpretação quando da apli-
101  IlIslllucioll~ dtl PrOCtso  Civil. EJEA.  1973. p. '157. 
202 Nesse sentido éa concluslo de AlessandroGiuliani:""Si polrebbe dire che implicilamente 
si  vanno mettendo in luce gli aspdti argomenlativl della prova, e  dialetlici deI  processo", 
. ~ ~ ~ ". 
103  Pois:  segundo  E. Redcl\ti,  "11I  forma2ione  dclla  convin210ne  deI  gludlce  ~ dI  regola  ' 
govemala da melodi intelletluali preglurldici od extraglurldicl. CÓlllt p"llllVWllirt di qUlll.lII­
que pdsolUl nornude. di frollle dd "" quesilo o "d UII dubbio di ordillt s/orico". ciL po: Calaman-
drcl, em  nota  de  rodapé nO  I,  jll li giudlce e  lo  storlco~ Ced~m, 1947,  p. T/. Também G. 
Mlchell, salienta que "o ponto cenlral de qUlllquer frocC51o  ~ n formnçAo do convencimento 
do Jub., a  reapelto dos falos da cauSll", TtorÚl Gtrll  dll  ProlNJ, /11  Rel/lsta Ge  Processo, RT,  nO 
3. 1976, p. 11.  .~.:' ,  ... 
.  ~. "i 
20(' Discrldonaricdade nlo deve ser confundida com cal/uilos J"rldicnmcll/e /IIdclcrlll/nlldo' 
,.  '.  que sedifuenciam. segundo 'Barbosa Moreira, "entre os dois elementos essencias da e s ~ - , 
',:'(­, tura.da norma, a  lIiIbcr, o /RIo. oc(cfclto'llIrldic:o  I t d b ~ ( d . 9 . ~ · $ ~ a .concreta  o c o r r e ~ i : i ~ . : O s , 
.:  .'  .  t'onceltoa' Indeterminado. fnlegram·a'daacrlçlo:do /"/0, ao;pa••o .qllo  l,dl.crclomi~lq.ll ..do,...  , 
;'  ..  se sltua­..tQCia·no campo do, efelt950.0al'.esWl!l.que,.no tra.lamel\to daquela., a  \Il)ordado 
..  do aplic3dor se exaure na llxaçló.:cb  p r e m W a . ~ . Suêede'o lilveDõ,  lieIn sci"cómpreenao;' 
.~ ­,.. ) ~ . : qüanckr. própria escolha  da  ~ b c i a ~ que 8ca entregué  lO  dedslo do  . p l i ~ o " , ; = : 
.  ~gru de ~ m c i . e conceitos jUridicamente indeterminados,Tell/ll' de Dirt!/o ProussIIIII, 
2' St!de, Saraiva, 1988, p. 66. E, para Lúcla Valle Figueiredo, "conceitos indete.rminadóS hA' 
que nlo prescindem, para sua determinaçlo, de certa carga valorativa, como por eXemplo 
'estado de necessldado',  'pobre', 'pai de famOla''', A Autoridlldt Contorll  ,  o S••jcito  PlWiI/Q 
do Mandlldo de Sqlll'llnÇA. RT. 1991, p. 61.  .  . ~:.i.:' . 
Darci Guimoliic6  Qi~ro 
..' 
. ~ l r 
cação  da  lei  ao  caso concreto, pois, como disse  alhures Hegel,  a  
palavra é um mau veículo do pensamento, mesmo quando a lei for  
aparentemente clara, v.g., no art. 121 do c.P. Nesse caso, é neces-  : ' I : ; " ' ~sário  interpretar a clareza  do sentido de matar alguém,  a  partir do  ".::"
-::".próprio conceito de mor.te,·'que, com o  avanço da medicina, vem 
variando, pois derrogaClo está, há ~ a i s de meio século, o'aforismo 
in  claris cessát ­iriterpretalj.o. Nesse­ sent!do, Carlos Maximilian02°S  e  'z 
~' 
H. Kelscn,106 entre outros.207Mas o que vem a ser chamado de poder  ..J 
discriciomfr.io,  também  próprio  do áto  de  julgar?  Quem  o  define  ~ 
melhor é  Kar!ppgishJ..quan~9 nos d ~ z : "O autêntico poder discricio-  
ntfri~ é atribuf  pcetórios h.i  meio século; afirmativa sem ne-
nhum valor dentlflco, a.lte as IdéIas trIunfantes da atualidade", 00. clt., p. 33. 
106 Ttor/II Pura 40 D/relIa, Martln. Pontes,  \987, prlnclpalu\eI\te CapoVIll  (A Inte.rprataçlo).  .( 
~pr..  363,. SalJenLa  brilhantemente ase autor: "O  DIreIto  a apllar lorma, em  todas estn 
"  póleses; uma  moldUlll  deníro da qual  exIstem varias posslbllldades do aplkaçllo, pelo  ",i 
que é confonne ao Direito todo ato que se mantenha dentro deste quadro ou moldura, que  1 
preenchá esta moldura em qualquer sentido pas,lve1­, ob. ciL, p. 366.  . 
":j. 
W  NClsué!'!Udo, Dirbosa Moreira,. lO ,.Ilentar "limWm o juiz nao raro se vê aulorludo  j
pelo ordenamento  I  opçOcs  dlscrlclon'rlas",  R"""  d, 'Xl'trllltCla  "..  p.  65.  P.m  sentido  'S'.
contr'rto;'entendendo que a ativIdade l u r l ~ l d o n a l RIo 4 dbcrid0n6rla, com substanciosa 
. ·1 
.. referf;ncia.:1i doutrlni a t r a n g ~ , encontramos La1da Valle Figueiredo, ob.'clL. pp. 69 50  t. 
i
1OI1!ir~u~ tIO Pelis4mcll/o lurfdico. fundaçJo ulouste Cu1benkian. Usboã, 6. ed., p. 222-
Também Forstholldeline o poder dlsalàon;1riocomo sendo "um espaço de liberdade para 
a acçlo e para a resoluçlo, a escolha entre drlas espécies de conduLa Igualmente posslveis 
(­) O dIreito posItivo nJo dA  a qualquer desta, espkles de conduta preferência sobre as 
outras", IIpud lCarl Engish. ob. dt., p. 217. 
DooVM A'r1D1CM 
~ 
66 
. 
~ 
.!T.•e. ,tT•. \t, j(. ,u. J,. J ~ ..s;. .íc. ,iiL J" ._r~ a. 'I C ,ct J. 
prova210 e no próprio conceito de prova. , 
Por critérios  objetivos,  devem ser entendidos os meios utiliza­
dos pelas partes ou impostos pela lei para convencer o juiz do seu 
direito. São os mecanismos, os instrumentos  transportndores dn  certeza 
ncccssária pnrn nformação  da convicção no cspfrilo do  jlllgndor, e, salvo 
as provas atípicas, estão previstos ní\ lei, porém não se esgotnm 
nela, razão pera qual o legislador, ultrapassando este critério, ins­
sl las pr;llIh'15 50n cl modlJ d~ 
!l'"!1Ifc~lõ>ci611 dç 1'Iluenlc t:Ibjçllvil CJlIl! Clra vCrsiDd", 01.>. c:1l .• p. 71, T,,,"h,!ll' Slcln, qunndu 
;lS~eyçf;a; 'lô\ dólp6 nt 7", por CõlrnQ\llIlli. lJI Pruebll CIvil. l\rayl1. 1?5S, p. 53. 
21J I!S!I'" C:lI;l'rcs.~.lo (m,,·se ~ cOI1ccpç30 lia coi~, jllll;:Idn CIIITH'> ill~liilllo lIe direilo malerlal 
(concepç;'lo sub!.l;mciaIiSIIl). à qualtaOlbc!," :.e ruiam. del1lr", ""Im... AJlIHio. I..., C,,~n Gil/lli· 
cnln  Rispelltl a; Ttrzi. G I I I { { r ~ , 1935. p. 13; Adronldo' F. F:lhrício. Cfl;r,II {IIISr.rln lias A(,lrs rle 
AIi"'r;II~. Ajutis n' 52. p. 8: Caslro Mendes. Limllts OlJjrclÍL'os  ,I" CIISO {lIlg.1t1(\ e/ll Process(\ 
Civil. ed. Alica. 1968. pp. 2BOs. Em sentido contrArio. predominando na dOlltrilla brasilcirn. 
P(lnles de Mirõlndõl. Cnmtll,4rios  00 C.P.C./lJ. Forense. 5.' cd. 1995. r.XXIX; Celso Neves. 
COi511 /lIlglldll Civil, In, 1971. ". 442; narboSII Moreirn, C(\I5" 1"lgnda  r IJ/'c/nrnçdtl. j" TCIllM. 
..., Saraiva, 1988, l' Hrle. p. 81, entre oulros. Segundo Ovldio Uaptista. essa distinção "1130 
tem. Importancl. que muitos lho alribulram-, Curso de Direito Processual Civil, v.  I. p. 
4)1. 
Dorci Cuimotiic& Ribeiro68 
I 
Slle ,ervir de 
motivo de credibilidad sobre In existenclo o inexistencia de otro 
hecho".218 Também outros autores definiram o termo prova.219 
Não, obstante entendermos que o critério subjetivo tenha 
maior dimensão, maiores dificuldades e uma vinculnçiío mnior 
com 11 própria natureza da prova, como elemento tendencional a 
formar o convencimento de é \ l g u ~ e, em especial, do juiz. Não 
nbrimos mão do elemento objetivo pãta uma preciso conceituação. 
como bem demonstra o conceito do Prol. Sérgio G. Porto, para 
quem "prova  jlldicial  é a reunião dos meios aptos a demonstrar 
(critério objetivo) e dos meios aptos a convencer o espírito de 
quem julga ( c r i t ~ r i o s u b j e t \ v o ) " . 2 ~ O 
~ H Oll. ell .• p. 71. 
ll~ f:JIII,lil" de  p""hn flr(\a,"'. filEA, 11)(,7. ". S30. 
116 '/'eor/" Cw"nl Ilr 111 T'rrtdlll {IIIII,/nl. ViClor I'. dç z.wlll!i1·l:dilOr. 1?7~, tomo I. I'. :H. 
m Ob. cll., p. 50. 
II~ Ol>. cil.. vol. /. p. 21. ~ conlinna o .1\1lor. dizendo. nlilí, õI,liõ'lI1tc. 'Iul: "I~II lodo!. Jus C.l~% 
1.\ prI,,'hõ> ,,~ 1111 1I1""lio clI,·.lInin"do ~ 1111 (ill· j" Il.C.• \'01. I. ". ~ ~ . 
11'}l'õlrõl c..'rnr.llllli: provõl ~ o ,:h!IIIr.·IIIIlII''': 'p,:rmile conoccr 1.1 '!Xi~.II:II~i.1 1II.111:ri'll dcllu:dlll 
qllc IlIe~o éltienc qlle Võl lorll r jurídic.,nlCIIIC·.llIstíll'ciclIIes.... vol. I. p. 258. Sobre;l evolução 
do conceito dc prova. no pensõll\lCllto Ilc Carl\Clulli. consultar Ciõ>conlo P. ,\usellli. "',./!m/ice 
ru li, T'",1'I1n CIVil.  ArõlYÚ. 1955. p.227. Aprol:imõl·se mais do critério subjetivo, Chil>vend.l, 
'1IIõlnd(l di~: "Provar sil~nj(icil (ormar a c"llVic. cil..  pp. 98 e 99.  
mOI>. cil.. p. 30.  
223  P';lIIti,ns  .... 2. vol..  p. 329. 
mOI>. cil., v. 2,  p. 250. 
m  Ob. cil, v. 1,  p.  277. 
226  De:nth~~.iá fazia  essa c1assificaç50,  casuai  ou  p r e c o n ~ t i l u ( d a , mas  não  a  considerava 
quanto·ao··momento  de  produção,  e  tampoucolhe  empteslavn  o  senlido que  nqui  s e ~ ~ 
usada,  póis: ."He  vacilado 1:nlre  dos denóminaciones: prueba  l"u$lnbelccidn  y prueba  I"e-
cO/lslil"idn, 1­1 e preferido I. " , h i m a , l ' ~ r t l ' l C U/"csn n,e;n, 'I'"  csns I'r"eUns 5''''  ~l"n dc/legislndn" 
'1'/'  Ins  Iln  presc,ilo "n, "ICuisió,,' (grifo nosso), 01>.  cil., ". I, p. J2. M(lacyr 11. S.nlos n ~ o allola 
esla última classificação, pois cntendc quc a prova l"eeMs/i/lllt/n e cnSllnl  ~ ullla  s u l > d i v i s ~ ( ) 
da  c1assificaç30 {flM,,'n  ~ fn,mn.  ;"  r,nuo  ]lIdicitl,in  110  Ciuil  C(nlllc,ci.,I, Ma.  UlOonad,  1970, 
4,  ed., v.l. nO  46,  p. 71. 
a).  (t",.1I10  no  objeto:  refere­se  aos  fatos  por  provar­se,tois,  ­. 
enquanto  O  sujeito  direto  da  prova  é  o  juiz,  o  seu  objeto  ~ o os 
fatos.  ! 
. - Direta.  Para explicá­la existem duas correntes: 
1) a primeira, que consideramos a mais correta, é  encabeçada 
llt 
{., 
~...: 
por Carnelulti  e  seguicle  jUlgar", (lI>. cil.·  .  .  .  '.'  . 
71.  I.L zinr. i .Ii Oirilln P,~C(ssr",le Ciui/e, )o\'cne cditora, 2.  ed.,  1996, p.  459. e  l~ml>~tll, p.  4(,1. 
m  Ob. cit., pro  78) c 784. 
1.\0  OI>.  cit.,  I ' M ~ 'luenl ·cS  prucl'~ dirccla  a'l,.rlla  'lue licnc '(''''o C'l>jelo  i"Illcdialo la  cC'.a 
'IUC  se 'luiere o'·eril;uM. (' que  c o u s i ~ t c cn cu.  ,,,is,".··. 1'.  1)). 
POOVM 1\1ip1C.!I.SDorci Cllimariio; Qibci'{l 
JIJ 
11 70 
fi, 
mesmos. 231 Para eSS  laia (documcllIQ.  ( c s l c m u n h a ~ . CIC.).  piI'"  conheccr  o  filIO,  objCle>  da 
p r e l e n s ã o ~ . 
~J~ No · n ~ ' s S o : s i s t e m ..., que  é  o  da  civil lillV,  o  juil.  s e & u ~ d o i11irllla  Cappellclli,  N no  jUll;a 
sobre la .bitse  dc  lit  obscrvaci6n­ inmcdiala  dei  hech  a  proba r,  sino  que  IIi  siquicra  jUll:a 
sobrc la  bitse dei  hecho (prabalorio)  r c p r c ~ c n l ~ l i v o dc aquel  hecho a  provar. sine> sobrc  la 
basc de  un  ulterior hecho ­ la'  relaci6n. cl  prolocolo '. eI  cual  a  su  vcz  reprcscnla  cI  hccl'" 
represelllalivo",  I..n Ornlid,,,1  ...•  p.  92. 
1'­'  V,  inlra  n·  4.::1.  N.F.  Malalcslil  faz  ullla  pcrfeita  distino imóvel a  inspecionar e, segundo Malatesta,2JR 
uma  confissão  escrita  do  próprio  delito,  pelo  acusêldo,  num  mo· 
menla ete  son.  cil.,  p.  155. 
1"  Dl>.  cil..  p. 2~0. 
m Dl>..  cil..  p. 30.  
lJ6  i\rruda  i\lvim. ol>. di, p. 251.  
m Malalcsl~. oh. cil..  p.  241. 
mOI'. cil.,  p. 241.  
1.\9  M~l3lcslil ob, cil.. p, ,278.  Par~ cs~c aulor. a  prova proclulicla Nalmenlc lern  mais valt'l  
do quc  ~ prova  e ~ c r i l a , aconsclhando­sc, sempre quc possh'cl, a  rcproduçllo oral, p(lis  ­Ia  
r.",.:."  c s l a r ~ e"la i"le';(irielild que C(\010 prucba prescnla sicmprc el cs compa ...elo co',  
la  I",lab,... Co.",ienc ""  "lvidM quc. ;\IIn cn In  hipc:\lcsi~ cn quc el  c~crilo sc cOIIsidcre CO,\\,'  
(o,ma ",;&inal. 5\1  NiE:in~li,l~d r.S  ~irlllpre lllr.lIns  l'l'rlccl~ qUC  la dcc);"acióll  o r ~ I · . oh. cil.,  
1'·179.  
110 Oh. cil., p.  465. 
1)Q()V,', o r conseguinte,  um  objeto  m a t ~ ú a l , v.g., de  uma  ação 
criminosa. 
Ex.:  corpo  de  delito,  exames  periciais,  os  instrumentos  do 
cri me,  ~ te. 
d) Quanto no  momento. 
­ Cilsual (lU simples ou, como as chamam os portugueses, prova 
COl1stitllcnda. m  São ilquelas que se  formam  no curso dil  demõndil, 
ocasiol/{z/",ellte  ou  como  bem  diz Antunes  Vre>. (l('.  cil., p. 787.  
m Ob. ci!., p.  HI.  
241  V.  nola  197.  
.  H5  Anhllles  V M c l ~ ....  ol>.  cil., p.  4~ 1.  Sobr : "Hcmos  rCCOllo  lln1;J 
v ; \ s t í ~ s i m a e  quase  ilimitada  possibilidaclp  do  que  pO'lp  " ~ r SI'\l 
objeto. 
Segundo Devis  Echandiélfirma  que  "el  hecho,  élnte 
todo,  debe  estar  controvertido,  para  ser 'objeto  idónco  de  prue-
ba",251  incorre no mesmo erro. Soma­se" eles Michelli, "0 afirmar: 
"Es  enseiianza  común que el objeto de  I"  pruebil  está çonstituido 
por  los  hechos  controvertidos,  esto  es  por  aquellos  hechos  cuya 
existencia, o  modalidad de ser, no es pacífica en jllicio, puesto que 
se impugna por el  adversario".252 A  eles alinha­se  télmbém Coutll-
re, quando afirma haver exceções à  regra de que todo fato é objeto 
da pr:ova, pois "La  primera  excepción  consiste en que sólo llccJ,os 
. con!iOvcrtidos ::;on objeto de p r u e . b a " . ~ De resto, él  quase totalidade 
da doutrina brasileira afina  por esse  d i a p a s ã o , 2 5 ~ 
De  outra  banda,  fazendo,  n50  muito  c1uél  obra  em  conjunto,255  pois  houve 
grande evolução no seu pensar sobre esse  tema. Pois, num primei-
ro momento, segundo denuncia Michelli, o  fato niío­discutido não 
constitui  objeto da  prova, pois "la  féllta  de discllsión constituye un 
elemento de la  aparencia (dei fundélmento de la pretensión formll-
1 ~ ~ Ob.  cil., P:  144:  
250  Prillcipias  de  Derccho  Prbecsdl  Cillil,  I.  li, Ed.  Rcus,  Madrid,  1941. p.  282.  
15\  Teoria  Gelleral  de  In  P",d'lf '"  Derccl,o Cillil. Ecl.  RC\l~. Madrid.  1957,.1.  I. li· 168,  pro 208s.  
252  Ur Cargo  de  In  Prlle/in. Ed. Tcmis.  C o l o m b i ~ , 1989,  1I~ 16, p. lO\.  
153  flll,dnlllelllos  .... p. 223.  Tambêlll'r~ra H.  C~rila"t, flllrlldrrçliorr  "  L'Úllde dll Dr(lil Cillil. 
Pedone, 1897,  p,  403.  . ' 
. 2~ Nl!Sle senlido Nelson Ncry. CMig(l de Proa::,n Cillil C n l l l ~ I I " " ' o . : I . cd.. RT,  1997. MI:J32.S, 
p.612.  
255  Segundo  G i ~ C O l l l O r. Augellli,  ·cl  l e " ' ~ eleI  dapé nO 39. 
. lada  por  la  parle),  la  cual  hace  superflua  la  pruebà".256  no seu 
evoluir, Carnelutti salienta  que, "en  realidad  a  la  necesi  d  de  la 
prueba, o sea  cuándo las partes  tienen que suministrarla y cuándo 
:el  juez  puede  exigiria,  necesidad  y exigencia  que  desaparecen 
cuando hay acuerdo sobre el  hecho".257 Também Ugo Rocco  n50 é 
• muito  claro  no' seu  pensamento,  que  só  pode  ser  alcançado  me-
diante certo esforço, quando da  leitura  de vários capítulos.  Diz O 
autor:  "De  lo  ya  expuesto se sigue que  s o l a m ~ n t e los hechos  con-
trovertidos de los cuales se deba declarar la  e,ostencia, constituyen 
materia  de  prueba,  quedando  excluídos  los  hechos  admitidos  y, 
por  tanto,  no  controvertidos" .258  E  contínua,  milis  adiante:  "Sin 
embargo, sin necesidad de prueba, puede poner como fundamento 
de  la  decisión  las nociones de  hecho que entran en la  experiencia 
común".m  Para  Rosenberg,  citado  por  D.  Echandía,  "Objeto  de 
prucba  son,  por  lo  regular,  los  hechos,  a  veces  las  máximas  de 
experiencia,  rara  vez  los  preceptos  jurídicos".260  Mais  claro  é  o 
posicionamento de  L.  Prieto Castro, para quem o  objeto da prova 
"son  los  hechos,  las  norm"s o  máximas de  experiencia  y  el  dere-
ChO".161 
O  que é defini ti vilmente objeto de prova judicial? Quem me-
lhor  no­lo expõe é  Devis Echandia: "Objeto de prueba  judicial  en 
general  es  todo  aquello  que,  siendo  de  interés  para  el  proceso, 
puede  ser  susceptible  de  demostración  hist6rica(como  algo  que 
existió, existe o  puede llegar a  existir)  (... );  es decir, que objeto de 
prueba  judicial son  los  hechos  presentes, pasados o  futuros,  y  lo 
que puede asimilarse a éstos (costumbre y ley extranjera)".261 Tam-
bém Hugo Alsina salienta: "Objeto de la  prueba son los hechos que. 
se alegan como  fundamento  deI derecho  que se  pretende".16J  Por 
objeto da prova se entende, também, o provocar, no juiz, o cOllven-
cilllellto sobre a matéria que versa a  lide, isto é, convencê­lo de que 
os fatos  alegildos são verdadeiros, não importando a controvérsia 
sobre  o  fato,  pois. um  fato,  mesmo  não­controvertido,  pode  in-
~ 5 6 Ob. cit.. p.  1 0 ~ . 
257  111',,01  EcllJlldia, ob.  cil..  v.  I.  p.  1411.  
258 T'lfl••do de  De;ec/'o  Proccsnl Civil.  lell1is·Oepalma,  1983.  voUI.  p.  190.  
m  Ob. cil.. p.  199.  
260 Ob. cil., p.  ISO.  Como lambém SchÕnkc.  Kisch,  Florian. entre Qulros cilac1(lS  poe  Echan- 
dio, ob. til., pp. 147  ~ ISS. No Brasil. rn(Mlramos Darbosa Mllreirn.  R r ~ ' n s de  txl'cri""ein  ...•  
l'.6).  
w  C"Clliolle~ ,Ir  Deree/lo  "roasnl. RC\ls.  "ht\rid, 19P. }'.  12~. 
161  Ou. cíl.. n' :16.  ('.  155.  
16) T.nlmlo Ten,ieo  "rnclico de  Duec/'lI  I"'ocesol  Cil'il  IJ  C('",creinl.  E d ; ~ r . 1958. I. 111,  C:lp.  XX,  
p.239. 
76  jO..rci Cllinmnia; Qilxiro~ . DQOVIIS i\1íPleM 
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fluenci,H O juiz ilO decidir, à medielil que o elemento subjetivo do 
conceito de prova (collvencer) pode ser obtido, e.g" mediilnte um 
fato notório, mediante um fato incontroverso. 
2.6. Princípio i"rn 1I0vit CIIria 
Como todo ildágio jurídico, SUil origem nos é obscuril, lISõln-
do­o  cada  um  como  b'em  lhe  convém  ou, nil  feliz  constenquanlo 
qualquer oulra nor01'  jurídico  er. consider.d.,  corrio  mero­ f.lo o  .rirm.r·~e c •  rrov.r-~e 
pela parle inleressad •. Ess. concel'.  (il., § 48,  p. 591. 
ln Ob.  cil..  p.  64. 
Tanto é  verdade  que  a  prova do direito é ônus da  plte que 
no mandado de segurança é  inaplicável o princípio iura lIolit clIrin, 
ou  seja, é vedado ao juiz conceder  a:segurança com alteração da 
fundamentação  de  direito,  uma  vez  que  compete  à  parte  autora 
fazer  a  prova do direito líquido e  certo, que é, segundo Agrícola 
I3arbi,  "'jm conceito  tipicamente processual, pois atende  
i 
I 
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118  DI'  M,,,,Jnd,, ,Ir SCSI/"'''r'', Forense,  1987, ". 75,  p. 87.  
l7'J i"  RTJ  63178~,I.lllbém nas RTJ  85/314, 123/475; RJTJE$P  43/157.107173.1141180.  
80  Darci Cuimamo Qil:-ciro 1)!Xw/lS ATir)ICAS  8l
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3. Classificação dos rBlos 
3.1, Fatos controvertidos 
A regra geral é que os fatos por provar devem ser controver-
'tidos ou controversos. Segundo CarneluUi, isso significa "fato af.ir­}., 
n,ado y no admitido", diferenciando,portanto, o fato COlltrovertldo  ...l­
do  fato discutido,  que é, de  acordo com ele, "un  hecho no  solo  llO 
(ld/l/i/ido,  sino negado:  la  no ndmisión es concepto más arr.plio que  la 
llegacióII,  porque compreende  también el silencio y In  declnración  de 
/la  snber".280 A controvérsia é gênero em que a  discussão é espécie, 
ou sejn,  todo fato  discutido é um fato  controvertido, mas nem  todo 
fato controvertido é um fato discutido, porque a controvérsia abran-
ge  também o silêncio e  a declaração de não­saber. Essa diferença  é 
de slJma importância, pois, não raras vezes, em juízo, uma das partes 
afirma um fato,  e a outra silencia, o que, para muitos juízes, signi-
fica  diz.,r  que  o  fato,  ante  o  silêncio,  passa  a  ser  incontroverso; 
conseqüentemente, pelo art. 334, inc:'. m, está dispensado da prova, 
o que não é verdade, pois, como veremos,m  a declaração de não-
saber e  o  silêncio  não  retiram  a  controvérsia do  fato,  nem  legiti-
mam o juiz de dispensar a prova, tendo em vista que a incontrovérsia 
s6 é gerada quando aquele que  tinha O ônus de se manifestar não se 
manifesta; ou seja, se ele não tem o ônus de se manifestar em sentido 
contréÍrio, não se lhe podem ntribuir as conseqüências da incontro-
,   vérsia, c.g., se a autora  afirma, numa ação negat6ria de paternida-
d e , que o  marido não é  o  pai da criança  (art. 346 do CC)  e sobre  
esse  fato,  ele,  o  réu,  silencia,  não  signifiCla  dizer  que  o  fato  seja  W incontroverso, isto é, não lhe pode ser excluída a paternidade pela 
simples  afirmação  da  mãe  conjugada  ao  silêncio  do  pai,282  por-~ quanto ele não tinha o ônus de se manifestar em sentido contrário. 
180  Ln  P"'cbn  ...; p.  15. 
1~1 V. n' 3.4. 
1n Para  Maria  Helena  Oiniz  ~ n e l l l Illesmo a  «(lnfiss~o .nalcma do  a . cil., I'p. 162 s. 
m Ob. cil., p. 755. 
28S Ob. cit., p, 756. 
84 Durei C"inmivC5 Qil:x:i'\1 
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Há situações em que, embora não contestados, em daJs cir­
cunstâncias deve ser feita a prova dos fatos, em três (3) sit'Ições: 
a) quando o solicita o juiz, a fim'de formar com mais segu­
rança o seu conhecimento, segundo se depreende do art. 130 do 
CPC; 
b) quando a lide versar sobre direitos i/ldisponíveis, e.g., nas 
ações de anulaç50 de casamento; 
c) quando a lei éxígir quc (I prova do ato jur.ídico se revista de 
forma esp'ecial, v.g., a separação, o casamento.2U 
Também se constata que independem de prova os fatos repu­
tados verdadeiros em virtudc de uma presllltçiio legnl; por exemplo, 
provado O casamento, presumem-se legítimos os filhos nascidos 
180 dias depois de estabelecido o convívio conjugal, conforme art. 
:B8, inc. I, do CC; também provada a dissolução do casamento, 
presumem-se ilegltimos os filhos nascidos 300 dias depois dela, 
segundo inc. 11, do art. 338 do CC; como também, provado O 
domínio, presume-se este exclusivo e ilimitado, art. 527 do CC 
3.2. Fatos relevantes 
Segundo uma máxima romana,frllsfrn probnlu,. '1l1od proba/1I1Il 
/lon relevnl, os falos que não tenham nenhuma relação com a causa 
c, por conseguinte, não influam no seu resultado, são inúteis, isto 
é, não há necessidade de prová-los, na medida em que não influen­
ciarão na decisão judicial, pois deverão ser provados somente o ~ 
fatos que tenham relação ou conexão com a causa. Daí a regra: os 
fntos por prounr deI1e/1I ser influentes e não só releunltles,287 ou seja, 
devem Oll podem influenciar na decisão. 
Por isso, a regra contida no § 2° do art. 331 do CP.c. Deve o 
juiz fixar os pontos conlrovertidos a fim de, sobre eles, f 
O conceito de impossibilidade  diferencia-se de improbnbilidnde, 
segundo Bentham, que dedica a essa matéria todo O L~vro III do 
vol. lI, composto de XI capítulos.. . 
Segundo esse autor, fato  imposslvel "es un hecho que, si. exis-~; ~. tiese, violaria las  leyes de  la naturale2a",288 e.g.,  a  lei  físiCa  de que 
nenhum corpo pode ocupar dois  lugares  ao  mesmo  tempo.  CtlSO 
o,":" uma das partes tente alegar tal  possibilidade em juízo, é óbviú que 
a  parte  contrária  estará  desobrigada  a  fazer  prova  em  sentido 
contrário.  . 
•·.·..,·;C\ 
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Já o  fato  improvável é  ilquele  que,  até determinadose faz 
pela firma. Sustenta-se a possibilidade da utilização do documento 
eletrônico como meio de prova, em virtude de o sistema jurídico 
brasileiro não excluir esta espécie de prova, segundo se depreende 
do art. 332; inc. III do art. 371 e art. 131, todos do CPC. 
Tudo isto deve ser apreendido conforme as brilhantes pala­
vras de Denti quando nos diz: "No Campo do processo não há 
outra matéria que reflita melhor o movimento político, social e 
cultural do mundo contemporâneo com maior intensidade que o 
direito das provas".7 
1. Princípios  informadores  da  teoria  da  prova 
1.1. Teoria geral dos princípios 
Cada sociedade tem o seu processo e, à medida que ela evolui, 
o seu processo também deve evoluir, sob pena de causar injustiças, 
pois a evolução dos fatos sociais exige instrumento adequado e 
eficaz capaz de regulá-los satisfatoriamente. O Direito é essencial­
mente uma ciência de valores que a civilização humana estabelece 
como padrões necessários à convivência social e à realização dos 
anseios superiores do homem. 
Cada sistema processual se calca em princípios erigidos pela 
sociedade, que se estendem a todos os ordenamentos, e em outros 
que lhe são próprios e específicos.8 
Os princípios são, na lição de D. Barbero, "antecedentes ao 
ordenamento positivo, mas nos quais se inspirou o próprio legis­
lador e que, através da legislação concreta, penetram no ordena­
mento jurídico tal como pilares fundamentais de sua estrutura, 
ainda que não expressos formalmente".9 
O estudo dos princípios é fundamental para uma boa percep­
ção do Direito processual, pois é através deles que se percebe o 
grau de desenvolvimento de uma sociedade, a proteção que seus 
indivíduos possuem frente ao Estado. E é sob essa perspectiva que 
visualizaremos os princípios, com o intuito de amoldá-los frente 
ao estudo do direito probatório e à nossa realidade sociocultural, 
já que nesse instituto avulta o poder discricionário do juiz. 
Os valores contidos nos princípios são considerados o espírito 
da lei, a alma que faz com que a lei caminhe neste ou naquele 
sentido, de acordo com o andar da sociedade, pois a lei s6 'é  mu­
8 Já salienlava o inolvidâvel meslre F. Carnelulti "para quien lrala de subir ad apices, que 
los principias no son olra cosa que los fines." E continua, mais adiante: "EI  fin se encuenlra 
ai principio de las cosas. No se lIega sin saber a dónde se va. La finalidad domina a la 
causalidad ", ob. cil., p. XXV e XX VIl (prefácio). 
9 Derecho Privado, vaI. I, n" 38, p. 128. 7 Esludios de Derecho Probtltorio. Buenos Aires, EJEA, 1974, p. 155. 
Darci Guimarães Ribeiro  PROVA0 i\TlplOO16 ., 17 
oraue--llnL..l1r.ÍllcíD~foi reintemretado L1eléls continl!ências 
. ~.g" J~O que diz respeito à lu1CTc-i antecipéltória, esta 
· ~Q;:m:;llé"'l.li'l'ttFi'e;=._'F.t§;I!'.~~P~9::::'sitivuda porque, no mundo moderno, vigoru u reél-
~~~.ade_da aparência. 1O  Conseqüentemente, o direito, como proces-
so  de adaptação social, não  poderia  ficar  éllheio  a  essa  reaJidtlde, 
razão pela qual houve uma.vn]oriznç50 do princípio da verossimi. 
Ihanç'a em detrimento do princípio dn  certezn, critlndo; por conse-
guinte,  a  tutela  nntecipntórin,  que  está  insculpidtl  ·noarl.  273  do 
C ~ C . 
En  unto ns  leis são estáticns, os  vnlores contidos  nos  princí-
· pios são dinãn:l.l&QL  nqutlnto aquelas, por serem cstátl.ctls,  neces-
sitam da jurisprudêncin, pún diminuir fi  dicotomin existente entre 
elas e a realidade socinl, estes, por serem dinfimicos, se cmconlrtl!11 
dentro da  próprin sociednde e ncompanhnm  o seu evolliir. 5.;0 os 
'vnlores  contidos nos princípios que dilo  ti  clasticidtldc 11ecessMitl 
para a interpretaç50 de umn]ei. Sem eles, n lei  fictlritl  pr'momento,
" .........  
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é  possível, mas,  por causa de um  fato  superveniente, ele  ptlSStl  i\~;\ 
ser  imp;ovável,  ou  seja,  até  certo  ponto,  se  trat . 
I::
alegação do réu ue quc ho'!vc
o 
pagamcnto da  divida. mas sua prÓpria  pClsiçllo no  rrOCC~~(l~ ' ..
já  é  m~nj(eslação conlrária  ao  falo  que  sc  ~Ic&a" ill  Manual. dc  Dircilo  Proccssual Civil, 
Saraiva. 1996. nO 607, p. 394. Conclui­se que. para o prcstigiado aulor. somenle havcria falos 
inconlroversos, quand(l o réu silcncias~e !'obre 3,!- "firn'ilç'ÕC$ do aulor, e n50 conlri\ri ..n'len­
te, pois o aulor sempre  ~ e oporia. Cm  virludc da peliç5(l inicial.  ~ s alirmaçõcs do réu, Esse 
entcndimenlO é. tln/a "(11;". cquivocado. pois rclcrc­sc somcnte  ~ q u c l c s lalos eklinlivos. n;o 
. ' >
considerando  que  o  réu  podc  opor  um  lalo  impcdiliv(l  ou  mod ilicath'o  ~ alirmaç;\o  do 
aulor.  v.g.• se  o  réu  alcgar  fundamcnl.damcnlc  a  ekistência  dc  uma  novação  c  o  aulor 
silenciar,  ~ r g u n l a - s c : quanlo à ekislência dcssa  novaç;o Canlc a ausência de manileslaç;\(l 
contrária do aulor. prcsumir­sc­â Q\J  n.'o  inC(lnlrovcrsa  a ekistencia dcsta? 
j?( 
295  Ob. ciL. p. 124.  ' 
. ' ..' ~ .0'  196  Nesse sentido, Emilio  Oelti  diz:  "qllcm.  Icndoa  concrcla  possibilidadc. o  intcressc  C O 
dever  de  falar.  c,  cm  parlícular.  de  conlradizcr.  omilc.  c o n s c i c n l c m e n l ~ , laze­Io  rcranlc 
aquelcs  ~ qucm dcvcria dcclarar  a  s"a  ( l i ' 0 s i ç ~ o . laz unIa  d e c l a r a ç ~ o silcnciosa de consc,', 
limcnlo.  ou  lllaniresla.  indirctamcnte,  o  sell  ~sscntimcnlo 11  inicialil'a  alhcia.  qua.. lo  aos 
seus prÓprios interesses". Teoria  Geral tio  Negtlcio Jllrftlico. Coimbra.  1969, L  I.  pp. 273 a 275; 
Também  enconlramos  Pontes  de  Miranda  quando  a s s e V c r ~ : "O si/ellci!'.  o  calar­sc.  pode 
compor  nlani/eslação de  vontadc".  Tralatlo tle  Direi/o  Pril",tlo.  L XXXVIII.  § 4.l88.  1'.24;  c 
Serpa lopcs, quando csclarcce qllc  "enlcndcmos incxislir qualqllcr obsláculo a  rcc,'nheccr. 
se  o  silellcio  como um  mcio  aplo  dc  m a n j l c s l a ç ~ o da  vontadc.  Todavia.  SlIslcnlamos  a 
necessidade do fundamelllo lia boa­lé bilateral­, Cllrso de Direi/o Civi/. v.  I.  1988,  nO  262.  p. 
. 3n, enlre outros. 
297  Nesse sClllido, Pcdro Batista  M ~ r ! i n s , i/, Comcntários ao Código de p'rOl:CSSo (h·iI. 1 9 ~ 1.  
Forcllse.  v.  li, llo  265: pp. 427 s_  
298  Contrariamcnle ao CPC .llua\. (l  CPC Jc 1939 dispunha dc li'" arlig(l para delin;r ('  lal('  
incontroverso. Era Oarl. 209, '1"c dizia: "O lalo  a l c g ~ d o ror IIl\Ia das p"rlcs, 'luando"  olllr,' 
O n30 conteslar. será  admitido como vcrídico. sc  O conlrário  nã(l  rcsultar do conjunlo liaS 
provas". 
Darci  Cllill\nriic.~ \)ilJci,n88 
.r 
S 
influenciar  o  magistrado  ta.nto  quanto  qualquer  o u t r o ~ cio  de 
prova; e a prova tem por fim  precípuo Icvar i'I convicção a ~ s p í r i t o 
do julgador, é a preponder5ncia do critério subjetivo na conceitua-
299'çi'io  da prova. .  . 
O silêncio de quem não deverii'l  silenciar gera uma presunção  
;uris talltlllll, se:  1) dos autos,  ni'io  restar provado em contnírio;  já  
que i'l0  juiz é conferida a  livre apreciação da prova, segundo o  nrt.  
131  do CPc, podendo,  inclusive,  solicitá­la  cx o/ficio, art.  130 do  
CPC; e  2)  não incidir nas hipóteses  previstas' nos  incisos 1,11  e  III  
do i'lTt.  302 do CPC. 
3.5. Fatos confessados 
Estabelece  o  art.  334,  inc.  11,  do  CPC:  "Não  dependem  de 
provn os  fatos:  (.. ~) 11­ afirmados por lima parte e  confessados pelCl 
parte contrária", pois estes s50 tidos como verdi'ldeiros, na medieln 
em  que  há  confissão,  e  esta,  segundo  mt.  348  do  CPC,  existe, 
"qunndo  a  parte  admite  a  verdade  de  um  fato,  contr  por Carnclulli. ao dizer: "La  alirmación 
dc  un hccho ya  afirmado por la  contraparle sc  lIama  " " m i ~ i ( i l l . cuya  noción,  por  talllo.  se 
punlualiu cn.  estos Ic!rminos: Il(lsicióII  COlllol"CS1i,,,,CS/o de In  dcmn..dn. de  1/"  hcellll  Y"  "resll' 
I'"es/o CII  la demallda cOII/"'rin~, ln P",ebn  _".  p. 08,' ou scja,  ~ q u a n d o a partc  I I ~ O impllgna a 
I'crcladc de U'Tla  alirmação conlrMia. scnl dizer IIcn,  lazcr comprccndcr qllC conhccc o lalo. 
sc  lcm simplcsmcnlc admissão·. 5is/ellln  tlcI Oiril/o P"'í'C551",lc  Cil,ile. Ccdal\l.  1°  I'.,  n' 311. 
Accilando parcialmcntc a dislinçào pr0I'0Sla  por Carnch'lIi. cncolllramos Dcvis Ech.ndia. 
'l"c  apresenía  qualro  difercnças;  "I) CII  la  ad",isión  cl  hccho  dcbc  habcr  sido  alcgado 
prcviamcnlc por  la  conlr'parlc. lo  cllal  no  (lcurre  CII  I;>  c(lI,lcsión; 2)  la  ach.. isi611  dcbc scr 
j)QOVA,1) t\'riplCM 89 
41 
------------------
.... 
•1 
'~ 
;'uma declaração, não mera admissão";302 é um plus à "dmissão, isto 
~ , exige uma exteriorização do pensamento que pode ser oral ou 
~ s c r i t a , e tem como natureza jurídica ser uma declaração de ciência 
ou conhecimento, Constituindo um meio de prova,300 
'i f: a confissão um ato jurídico stricto sc:nSII, e não um negócio 
j u r í d i c o , J O ~ pois, segullcl..o Marcos Bernardes, "no ato jurídico s/ricto 
sensu, como se conclui, a vontade não tem escolha da categoria 
Jurídica, razão pela qual a sua manifestação apellas produz efeitos 
pecessários, ou seja, preestabelecidos pelas normas jurídicas res-
pectivas,  e  invariáveis",3n~:sto é,  no  momento  em  que  a  parte 
~ o n f e s s a é­lhe proibido preestabelecer efeitos, condições ou termo. 
~ a l é O sentido da  lei,  art, 354 do CPC, quando diz:  "A confissão 
ié,  de regra, indivisível, não podendo a  parte, que a  quiser invoCilr 
como prova, aceitá­la no tópico que a beneficiar e:rejeitá­Ia no que 
lhe  for desfavorável",  f: a  consagração do princípio da  indiuisilJili­
tlade da confissão, quer dizer  lue a confissão não pode ser aceita em 
parte  e  rejeitada  em  parte,  salvo  na  hipótese  única,  legalmente 
prevista, de fatos nQVOS,  art. 354 do mesmO diploma. 
,siempre espontánea, mienlras que  la  cOlllesión  pued,e  s e : ' t a m l > i ~ 1 l provocaoa  m e d i ~ n l c Ull 
interrogatorio dei juez o de la  parle conlraria; 3) las cOllsecuencias de  la  aóm;sión  pueden 
'ser lavorables o desfavorables ai  adn,ilenle. mielltras qlle ell  la  cOllfesión esa consecuencia 
,es siempre adversa  ai conlesanle en cuanto lavorece a su contra­parle; 4)  la  admisión sólo 
puede ocurrir en  el  proceso,  y la  conlesión  p.uede  ser  lambién  extraprocesal­ ob.  cil..  pp, 
644  e 6SS.'. 
JOZ COllltll/tlrios ....  p.  102. 
JOJ  No sentido de identifica r a natureza jurídica da  confissão ee>m  lima declaraçiio de cienci. 
ou conhecimento. constituindo meio de prova. encontramos Oevis Echalldía, ob. cil.. p. 667; 
CarneluU;. Ttorln Ctlltrnl dei Oerecl,o. Maqrid. Ed. Revisl" de Ocrecho Privado. 1955, n' 13R. 
p.  370;  Ponles  de  Miranda,  C O I I I ( J t l t l r i o s · ~ .., p.  408.  Sobre"  ,,,,horeza  Jurldica  da  con/iss~o. 
consultar obrigatoriamente Devii EcI,andia, ob. cil.. n' 157. no 'lua! O  a\llor  e x p õ ~ de lorma 
esplêndida  as  n o v ~ leses sobrc  o  lema.  No  Brasil,  encontramos Moacyr  A.  Santos que, ao 
conceituar  c o n f i s ~ o . i ~ e n l i l i c a - a como "o 'ccolI"ceimellrn dn vtrrlndc, integral 011  parcial. dos 
ralos alegados pelo  . d v e r s ~ r i o · . COlllClllifrio ''', n' 83. p. 98; e. mais .dianle. qll.,ndo se  relere 
à  natureZa  jurldica.  idelltifica·a  como  "um  /cslcIII'/II"o qu"lilic"do  pelo  sujeito,  que  sed 
sempre a  parte, maS  leslemunho. em que se contêm uma declaração de ciêllcin dos (.Ios da 
causa". oh.  cil..  nO  84.  p. 99.  Se  a  conlissão é declaração  de  verdade,  ncgado  e s l ~ que seja 
. um ato de vontade que persiga necessarian',anle produzir delerminado eleito jurldico; Ilessc 
sentido.  D.  Echandia. 01>. cil.,  p.  66.1·.  .  
J04 Originariamenle CarneluUi entendia  a conlissão como sendo 11m  negócio jurldico pro- 
cessual, Úl Pruc""  ....  nO  8.  1'1'. 315;  por~m mais  tarde  mudou  de opini.\o.  dizendo ser  ela  
um  alO  jurldico.não  m a i ~ um  negÓCio  jurfdico.  Ttorín ...,  nO  138,  p.  370  e  no  Sislem.,  de  
Derecho Procesal Ci\'il.  1959.  L 11.  nO  311.  
JOS  Tcorill do Fnlo 111,(rlico: S"'aJva,  1985,  p.  162.  Nesse sentido,  Pontes ele  Mirand.,.  Tra/",io 
rlc  Direito Privnrlo. L I,  § 26.  nO  3,  pp. 83s; e principalmenle nos Comell/tlrios' 'O',  Pl'.  408s,  Em 
sentido conlrário.  encontramos  Nelson  Nery  Júnior.  afirmando  ser  a  conlissão  ""csócio 
jurldico  unilaleral.  não  receplício.  processual  ou  não.  conlonne  seja  reali7.ado  lor.,  do 
processo.ou  não". SMigo .... a rI.  348.1.  p.  627. 
:" 
90  Dnrci ClIin,ariíCb Qibeiro. ,..
.  Diverge  da  confissão  o  reconhecimento  jurídico  do  p  dido, 
àpesar disso para CarneIutti, "la confesi6n no es especie disti  ta dei 
r e ' o ~ o c i m i e n t o , sino gél1ero dei cual el' reconocimiento constituye 
una especie".306 Enquanto a confissão é ato jurídico stricto ~enSIl, o 
reconhecimento  é  negócio  jurídico  processual,  ou  seja,  a  parte, 
além de  aceitar  os  efeitos  contidos  na  lei,  pode  escolher  outros.  " 
desde que haja anuência  do ilutor.  A confissão pode emanar  tanto 
do  autor  quanto  do  réu;  já  o  reconhecimento  ~ ato.privativo  do 
réu, segundo se depreende do inc.  II do art. 269 do Cpc. A confis-
são versa exclusivamente sobre f:!tos,  enquanto o  reconh~cimento I, 
versa  sobre  " c ? n ~ e q ü ê n c i a s jurídicas 'pretendidas  pelo  autor".307  !../,'"\ 
Havendo  conflssao,  o  processo  continua,  enquanto,  havendo  o  ; 
reconhe.cimento  total,  o  proce~so extingue­se· com  julgamento de  I ,..,Y' 
mérito, art. 269. inc. 11  do CPC;'08 e, se for parcial O reconhecim('n­ \ 
to,  não  há  a  extinção.  Na  confissão,  o  juiz  não  está  obrigado  é:  \ 
julgar contra o confitellte,30'/ segundo se depreende do  art.  131 do  \ 
(;.PC, ao passo que, no reconhecimento, o  juiz, de regra (tendo em 
j 
j
.viSta  que  só  cabe  reconhecimento  quando  se  tratar  de  direitos  
nfissão também se diferencia da renúncia ao direito sobre  
, Oqual  se funda  a  ação, pois a  renúncia É,  segundo Chiovenda,  "a 
. declaração do autor de que sua ação é  infundada";31: enquanto, na 
'confissão, a  parte  declara  a  verdade' de um  fato  contrário ao seu 
interesse, na  rellúncia, o  autor não declara nenhum  fato  afirmado 
pelo réu e cOlltrário ao seu interesse, mas somente é\  inconsistêncip 
juddica da  ação.  A confissão  pode emanar,  tanto do  ilutor quanto 
do réu; já a  renúncia é ato privativo do autor, segundo se depreell-
de do inc, V do art. 269 do CPC. Enquanto a confiss50 é ato jurídico 
stricto sellSII, a  renúncia  é  negócio  jurídico  processual,  ou  seja,  a 
'parte,  além  de  aceitélr  os  efeilos  contidos  na  lei,  pode  c$colhcr 
outros,  desde que haja  anuência  do  réu.  Na confissão, O juiz.  não  
I 
.lOI.  lA  Prutun  ....  n' 27.  p.  136.  E  acrescenla  o  prestigiado aulor:  "Sc  puede  reconocer  Ull  
hecho sin  reconocer cI derecho que de  êl  derh'e; pero no cabo:  reconocer  Ull  derecho. que  
derive de  IIn hecho. sin  recono, RT,  1977.  nO  6. p.  \0.  
JOI  Em  igual sentido Clito  Foro.ciari Júnior, ob. cit.,  nO 31. pp. 78  e 79.  
;>09  Nesse  senlido.  Monis  de  A r a g ~ o . Co",cllttlrios ....  n' 550,  p.  563;  en'  ~ e n t i d o c o n l r ~ r i o . 
Frederico Marques, Mn .."n' .... v.  11.  § 69. n' 469.  
310  N e s ~ e sentido. Ctilo  Fornaciari  JÚllior,  ob.  cil.,  n' 6.  p.  11.  e  li' 30.  p.  73;  em  senlido  
conlr;\rio. Chio"enda. quando diz: "O simples falo do reconheCÍmenlo. porém. não confere  
a(l  aulor o direito de obler senlençafnunrtlll(/,',  " ' s l i I " i ç ~ t s ...• 2°  v.•  n' 2(,3.  p.  :lS6,  
.'11 IlIs/i,,,i,clts .... 2' v.,  nO  263,  p.  355.  
DQOw..SATÍDIOO 
'fll 
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8' :, . . está obrigéldo él jülgM contra o confilentc, segundo s ' l ! ! ' ~ d e p r e c n d c 
do art. 131 d'O CPC, enquélnlo na renúncia o juiz c l e v ~ ; j \ J l g a r im-
procedente a ~ sesugerir é criar,  para, a partir daí, se cxlrairem sérias conscqüênciils,ftI 'vIge o princípio canônic03!7 ltotorio nOIl  egent  probatione, ou s\, ostais como: noloria  110"  agenl  probaliOlle?,  secUlldlllll  nllegata et  probata 
falOS  lIotórios  não dependem  de  prova.  .~ partium  judex  judicare  debet?,  jura novit curia?,  judex  jlldicare  debet 
,, secundum  suam  crmscientiam?  E, também, d i f e r e n c i á - l o ~ da ErfnIJ­fi rungssiitze (ou máxima de experiênc!a). . 
A primeira tentativa legislativa de definição do f.  cil.,  p.  392:  Zan·  
1.\lcchi, oh. cil., p. 328;  Alsin., ob. cil., v.  IlI.  1'1'.  2475: Couture, 011.  dl.. li' ISO,  p. 2)3; Dcvis  
Ech.ndi., oh. cil., v. I. p. 219: Chiovcndn,I1I51illliçlles  ...,2. v.,  li" 262, p.p. 352 c 353; Michclll,  
ob. cil., li' 17,  p.  lOS;  Anluncs Varela, (lb.  cil.,  p. 420;  Lopes d. Costa, 011.  dI., v. 11,  n' 28t  
p.  294; UjjO  Rocco, ob. cil., v.  11. p.  191: C.n,cllllli, Ut Pruebn ..., li· ­I,  1I0ta  19, p.  15;  Mo,cyr 
DQOVM NrlPlOO   95 
41 
nossa legislação que previu leg,dmente till dispcnsa,.conforme inc. 
I do art. 334 do CPc, e também encontra pre'visão e ~ p r e s s a no nt! 
1 do art. 514 do CPC de Portugal; no § 291 da ZPO' illemã, já de 
forma não t ~ o precisa,325 e no art. 115, CO"""0  2t! do CPC Italiano.
" Resta saber Se entre nós vige o princípio sc!clIndlllll  ollegoto  ct 
/" probata partiunI debet  illdex illdicnre.  O CPc, no seu art. 131, estabe-
lece que "0 juiz apreçará  livremente a prova, atendendo aos fatos 
e circunstâncias constilntes dos autos, ainda  que não alegados pe-
las  partes;  mas  deverá  indicar,  na  sentença,  os  motivos  que  lhe 
formaram o convencin1ento".  ~ o princípio do livre convencimento 
motivado,  que  permite ao.j:'::3  soberanamente  analisar  aS  provas 
produzidas nos  autos, "ainda que  não  illeglldos  pelas  pllrtes",  Oll 
seja,  afasta­se  legillmente  a  necessidade  de  o  fato  ser  seCUllall'" 
allegntn partiunI,J26 o que não significa dizer, segundo Cillilmandrei, 
que  é  douere  dei  gilldice  di  colloseere  d'uffieio  i fofti  IIotnri,  criilndo,' 
conseqüentemente, uma máxima paril\elll  IIofor;a  IIouit  Cllr;0,327  mas 
uma  faculdade que  lhe é  reconhecida.n~ 
E como fica  o  restante da  máxima, onde o  juiz SCClIlldlllll  1'1'0-
uata decidire  deuet,  tendo  em  vistil  que  a·lei  dispensa  somente  il 
alegação  feita  pelas  partes,  e  não  a  possibilidade  de  o  filto  estilr 
(ora  dos  autos,  porque,  dessa  [o rn1 il,  o  juiz  estaria  julgando com 
base em sua ciência  privada, isto é, Senll/dll/II  cOIIsciel7'fiolll  SUO/li,O 
que é  proibido, pois' vige, entre  nós,  ili nda  a  máxi mil''1"0d 11011  cst 
t' 
• 
" A. Santos. Provn  .... v.  I.  1970.  nO  98.  p.  ISS.  e  C{lIJlCIJ/,;r;{I~ ....  ".  IV.  n· 27.  p.  35;  P(lnles de 
Mirand... C{lIIIl'Il/rÍri{l.  C11.•.nt  17;". ')08.. 
317  Ob. cit.. p. 281.....•1.:' 
31' Nesse sentido, Chiovenda qll .. ndo nos diz que  "/'{ldc  (I  jlliz  ( ( l m ~ r ~ S 5 C S ' r ~ ~ ~ e m (unsi· 
deração independenteme,'te da ilfirll\il(ào  ')u': dêle5  fac"  ,'li da  r r ( l \ ' ~ qlle.deles aprl'5cntc 
..  parte  i n t e r e s s ~ d a " . f l l s l i l / l i l ' c l c ~ .... 2.  ""  n' 262.  p.  ;1:;2;  Ta."l'~m Michclli'!l"~!'t1(l il5SC"era 
"d jucz  /",c.lc,  1\(1  debe.  lener  en  c \ l e l l l ~ 1 ~ 1 1 \ ( : c h ( l '1\1r  d  jllicrc5atlul\C):I",·.,{irmatl(l­. 1,)1 
cit.,  nO  17,  p.  105.  EI11  ~cl\lid(l C(lll\"lr;l"  AII(lrí(l.  \)lIa."I.  (il.. p. 398. 
'f 
96  Darci  C"iolnriil::,s  Ribeiro 
r-
I 
, ~.
/lI nctis  IlO/t  est  in  IIlllnáo.m  Aqui,  como  também  nas  reg  s  de  
e x p ~ r i ê n c i a , J J O se  nos  apreserita  uma  exceção  ao  princípio  CUI/-  
. dum  ol/egata  et  probata  partilll/l  judex  judicare  dellet,  ou  seja,  fato 
notõrio  representa  uma  exceção  a  esse  princípio,  na  medida  em 
·que o  juiz pode julgar, baseado nesse fato, sem necessidade de as 
partes  terem  alegado,  nem  feito  qualquer  tipo  de  prova,  conse-
q ü e n { e ~ e n t e julgando seculldulII cOllscientiam  suall/.  Isso nada  tem 
a ver com o seu conhecimento privado, pois ali o fato é conhecido, 
n50  s6  pelo juiz do processo, senão  por todos o,s  juízes,  procura-
dqres  e  pessoas de  determinada  cultura  m é d i a ~ enquanto  aqui  o 
conheci~ento seria  somente do jUlOZ  julgador do processo, e.g.,  se 
o  magistrado tivesse presenciado um acidente. Também o  tribunal  
poderá julgar independentemente da alegação das partes e do juíz,  
isto  é,  ;­,('de  o  tribunal,  no  julgamento  do  recurso,  reformar  ou  
mante( a  decis50 a quo  baseada num félto  notório.JJ1 
Essa possibilidade de o juiz julgar secundlllll COI1ScíClltíOIll  511/111I 
encontra justificativa nas palavras de Calamandrei: "in conc1usio- 
ne;  se  il  divieto ai  giudice di utilizzare nel  processo la  sua scienza  
priva ta  trova  la  sua ragione determinante nel1a  incompatibilità  tra  
la  ~ u n z i o n e di giudice e quel1a  di  testimone, e evidente che questo  
" di'Vieto non puo sussistere per quelle nozioni (1lI0SSillle di esperiel1Z11  
a .gi/ldizi 511  singoli fatti)  che  il  giudice  trova  già  acquisite  aI  Péltri- 
111Qnio  culturale  di  una  determinata  cerchia  sociale;  perche,  non  
eS5.endovi  bisogno di esercitar sulle  medesime quella  valutazione  
.'19  Essa  impossibilidade de o  juiz julgor scc,,,,d,,,,,  cO/lsciCI//inlll  slIn",  encontra  o  seu  limite  
no prinCIpio que obriga Omagistrado SUI/I/I/II", nlltsnln e/ pr{l!Jnlo I'0"i,,,,. jlldex jlldico" Jd.d,  
pois. como justifica Slein, s30 duas as proibi(Oes: "I) proibisce ai  giudice di allarg.re di SlIa  
inizialiva iI campo dclla lile ohre i {alli che le parli abbiano dedollo nel processo (scc/llldllt7l  
ofJ..csnln.  ,fecidcrc  debel);  2)  gli  proibisce  di  servírsi,  per accertarc  la  verità  dei  falli  allegati  
. . , \ q ~ i e · p a r l i . di  meui di"ersi  d.llci  prove  r ~ c c o 1 t c nel  processo  (sec,,"dl/III  probo In  decido,  
: , I ~ . ~ ' ( . r . op""  Calamandrci. ob. cit., p,  21\2.  Mas.  c(lnforme  C ~ I ~ l l l a n d r e i . a  razAo  Inais  pcr·  
,.{.\i.D,lva  é  "'1uclla  desunt.  dalla  I l l c o m l ' ~ t i h i l i t l l psiC(llogica  Ira  la  funzione  dei  r,illdicr.  ('  
q~~e:lla'del leslimone·, ob. cit.,  p. 283;  pois.  "se fosse  permesso  ai  gludlce di  utilizare  ne1  
processo  le' Sue  inlirmazioni  stragiudiziali  e  di  allingcre  liberamente  alie  torbide  riservc  
dcll3,mell\oria  pcr  trar  fuorí dai  residui del1e osservazioni occasionali  tuUo quello che  per  
. ~v.v~,llura si  riferisce ai  falti  della  c a u s ~ . egli. solto veste fli  giudice. compirebbe in  realll  
~ " l Z ; O l ' \ e di testimonc:: e  i pericoli di inesalta o  incompleta percezione, di arbitraria rappre- 
. 5 , : n ~ ; ; i i ( l n e . di  inconsapevole parzi.litl che  sono  ineren\i ad ogni  lestimonianza.  reslereb·  
beto. in  questo  caso  senza  corretivo  alcuno,  perchê  non  interverrebbe  a  rimuovcrli  o  ad  
. a'!chiJarli  la  valutazione obieUiva  di  persona  diversa  dai  lestimone",  ob.  dI.,  p. 284.  Tal  
j~"tilicativa se d ~ , como visto, pela incompatibilidade psicológica entre a  função de juiz e  
li '':u,:,(3'o  de  testemunha, o  '1ue  significa  di7.er  '1ue.  uma  vez afastada  lal  iltC{llllpnlibi/idorfe•  
't.a.n;>~c!ni estaria afastada  tal  juslificativa. permitindo, por conseguinte. ao jlliz julgar SIC"'"  
',/"", c{II.scíeltlinllf  suo",;  resla  s ~ b e r o  '1u('  siJ:n;fica  isso r.1ll  n'alc!ria  de  f ~ t o n o \ ~ r i o . 
))0.v. S ~ ' l l r n 4.4. 
l.!1  Nesse senlido. Pontes de Miranda. C(1l11elllll,i(1s  .... L IV.  1'.  35); e  Allorio. ob. dI.. p.  403. 
DQOVM AnOICM 
. 
971ft 
", 
I 
ft( 
_c ftC Critica alia quale deve sempre esser sottopostnot6rio, não necessila ser conhçéido, v.g., em 
ií,(· que  ano  Rui  Barbosa  foi  Ministro  da  Fazenda?  rnils  cogtloscí1JCI.
'~!",,­
\  Porém, a cognoscibjlidade do fato não adianta  para.que seja  notó- 
rio, é necessário que também seja compree/lsível,  isto é,  seja  apreen- 
sível  por qualquer  h o n ~ e m . Todavia,  a  compreensibi!idade exige  
um lil'nite dentro do qual possa ser percebido que é a'cultura  /1/édin,  
e  significa, segundo Calamelndrei, " non soltanto  le  !).ozioni  che  si  
apprendono a scuola e che rappresentano il  resultatotii uno studio  
·3)1  Ob. eit., p. 295.  Discorda de  tal  posicío"amenlo a doutrina alemã  dA  O'IIIrlrsuCt/nss""ss· 
g ~ r ; c " ' , segundo a qual também o ,\ot6rico d="e passar pelo crivo d. controvérsia r'''lIn:;"", 
(G~g~ns'n"d d~r V~rh."dlr"'g "'trdm),  pc>$ 
escapan  a  la  rcgla  que prohibe ai  jun hacer uso de  su cie"eia  priyad."  ello cocurre  I'or  hecho nolorio cs que cl  jucz lcndri\ que clcelarar  la  nOlorieclad  y la  nco  neccsidad de prucoa 
',;  'lo .. 
en Ja  sentencia­, Ln Prllcbn  ~I/ cl Prnccslt Citlil, Civil.s, 1996;  p.52. Para .se aulor, •  líx.{.\o  
C da  notoriedade deve ser  (eil. na SCnlCn{a, o quc inviabilizaría.  ~ a l v o rrlelhor juí:w, •  parle  
'F'  .....:'  de  (azer  prova  em  scntido  c o n l r ~ r i o , limitando,  cm  cOllscqüé"cia,  a  "o/ancêncí.  do  arl.  
('.' . ~ 9 3 . 2 ' da  LEC  espanhol., quc  prcvê a  lixa{~o dos ponlos conlroyerlido$, somenle '0 iujrj..  
Q,~ .. r l ~ 1 l I ~ " o r cllnll/(n. No quc sc  relerc  11  p(ls~ihilidade tle aprescnt.r prO"a el)l  conlr~rio. encon·  
tramos a doulrina  a l c m ~ : ..t ('I'i"ionc c('munc nclla dollrina c giurisl'rl,!lenl'a tcdcschc chc  • t.··
la prova  contraria  sia  ~ c m p r c ' m " , i s ~ i l l i l c - , nota  J ~ , n l " ' ~ N. Trodcr, ob. cil., p. .532. 
•
_C 
,. 
. li 
p'c'ientifico piu O  meno approfondito, ma a\lresl tu tio qucl  ! t m p l ~ s ­
so  di  conoscenze  empiríche,  tratle  dalla  esperienza o  da~a tradi-
•  zione,  che  ciascun  uomo  viven.te  in  società  possiede  in 
: . ~ ~ . o ~ ' l ~ ; g u e ~ z a della sua appartenenza a una determinada cerchia di 
~ · . ~ ~ d o Í 1 e , aventi con lui".3.35.'.'" . ...: .•..'aseiat~'l-se muito  nas presunções. Elas  têm uma importância  fun-
damen·tal  em  todos  os  campos do saber;  por exemplo, se  a  teste-
I")'lunha,  ao  depor, começar a se contradizer, gaguejar, enrubescer, 
presume­se que esteja  a  mentir. Se  um cdçador  for caçar perdiz, e 
Q  cachorro farejar o rastro, é presumível que ela  tenha passado por 
ali.  Enfim, essa modalidade de  prova  indireta do conhecimento é, 
segundo Malalesta, "el  triünfb de  la  inte,ligencia  humana sobre  la 
oscuridad que la  circunda".:m 
. •  A  falta  de certeza gerada  pela  realidade  exige,  segundo Mi-
.chelli, que "con  frecuenda  el  legislador, a  fin  de prevenir la  falta 
Ae certeza  en  la  aplicación de  una  regIa  jurídica,  ha  regulado  la 
~ l i p ó t e s i s legal en forma de hacer resultar con más precisión deler-
.m  Ob.  Cil.,  p.  293. 
•. ,\J~ Cf.  POlltes de  Mir,"da,  C " m t I l M , i , , ~ ....  I.  IV,  p.  35~ . 
~" Ob. eil., p.  ISO. 
9~ Darci CuimnriiCl. Qi!x:iroli':"  ,qQOV,~ AriplCM  9resposta  deve  ser  negativil,  pOHlue  ele: 
tem  o  ônus  de  provar,  se  ele  quiser  beneficiar­se  da  presunção. 
p r i m e i r o : _ q ~ e o d:vedoré. i ~ s o l ~ e ! ' t e , porque se não for  iI:'solvente 
e"o"betn  nao  estiver constnto, Mo  há  fraude:;  seglll1do.  que  tenhtl 
:,-;" da~ó:~rna.gar.~ntiade ,dívida  a  illgum credor. São os fLI tos  conhe~''11."
~ l ~:'fr cidos  da  presunção, para, através do  nexo  de  causalidade. se bc' 
neficiar da fraude gerada. que é o fato desconhecido; do contrário; 
,'" 
•  J38  Ob. cil.. p.  n· 30, p.  178. Com razão M. GREENLEAT. quando diz: "Los principios sobre 
•  Ias  presunciones  legales no se  reliere.n  ya  a  la  fe  deI  testimonio.  sino  que son  reglos  de 
i . prolecci6n (",,ncordallcln, 
i~ .  i produjerell convicci6n según  la naturale'­a  dei  juicio,  de conformidad con  las  rel;las de  la 
:.. .  sana crllicaw  (grifo nosso),  Isso significa dizer. segundo o Direito argelltino. que os  presun-
;.  ç ~ estabelecidas pela lei estão dispensadas da prova. e as demais necessilam ser provadas, 
Dorci  ClJim~riiCó QiI:x:iro•ti 
ti
• 
,. 
" 
Ii 
istO· é, ~ão s~n~o f7~~a ~p~?'ya .. da  insolvência . d o . d e ~ e d o r o u j u , e ~ 
, ele lt;nHa  dado alguma  garantIa  a  um credor,  ele  nao  po.dera  bE;.-
neficjar­se da presunção, porque não terá havido fraude. 
I É mister tomar cuidado para que  essa  norma  não seja  inter-
pre!lIda  li.teralmente.  para  não  incidir  em erro,3n  como fazem  al-
guns ílutores.3U 
: Agora que  identificamos  os  elementos, que  C O ~ l p õ ~ m a  pre-i 
sunção, podemos conceituá­Ia  como  (l dedução  qtl! Identificn  o fnlo 
\  . dcscon]lecido,n  partir do  fnto  conllecido. 
As  presunções podem ser  ]egl1is  (prnesumptiones  iuris)  OU  co-
'/IIL1/1S  (praesumptioncs ]/ol1Iillis), conforme a origem da dedução feita 
\  ãtrav~s do nexo de causalidade. 
:  Nas  pmeslllllplíoJles  illrís,:'H  o  raciocfnio dedutivo é  feito  pelo 
legrslador.  Encontram­se  estabelecidas  na  lei,  e  queni  as  lem  em 
seu favor. segundo inc.  IV,  do art. 334 do  C P C . 3 ~ 5 está dispcnsildo 
Jll  E~sa preoC\'pação  de  ~ a b e r interpretar  a  nom'o,  que  di5pensa  a  prova  da  p r e ~ \ I l \ ç ~ o . 
talnbém "Cr.  C(lmUIIl  de B(lnllier.  pois o Código Civil  Francês.  no scu ;;rl.  1.352,  efa  nesse  
senlido. Sel'.ulldo ele,  "no cs  exaclo decir  que eI  que invoca  una presunci6n leg.l no  liene  
".tlo.que  probar,  porquc  es  preciso  que  acredite  que se halla  en  posesi6n  de  im'ocar  la  
piesunci6n de la  Ley", ob. cil..  n"  840.  p.  462.  
)') Diz.endo  que  •  rresunç~o n~o neces~ita de  prova; enconlramoS  Nelson  Dower.  C"rsl'  
IJdsi,p dc  Direittt  Prttccss,,,,1 Civil.  Nelpa. 1997.2. v.•  n· 48.4.2.  p,  148;  Rogério  Lauria  Tucci,  
C!,Í'so ittDireilo Prl'Ccss"nl Civil. Sarah'a, 1989. v. 2.•  p. 356.  
~H O que  fn. com que unl. presllnção seja  i"ris cI de  iure ou  iuris  Innlol"'. ;slo é. permita a 
prova  en, contrjrio ou  n ~ o . é  O grioJu  de credibilidade que exisle no' nexo' de causalidade. 
'1ue  é o, raciodnio'presunlivc>; pois  t('da'presunção equivale; segu'ndõ Chiol'cillda; ~ a um. 
conv}cção  fundada  sôbre  a  ordem  normal  das  c o i ~ a s w . ob.  cil.. 3.  v.•  ". 348.  p.  139.  Isso 
equh'a\e dizer que todo  neX(l de  c a u ~ a J i d a d e é  origin~rio de  uma  experiência comum que 
pode ler  maior  oÍ!  menor  grau  de credibilidade e. quanto maior o  sr,,"  de  credibilidade. 
",cnor  n  possibilidade  de  cOlltest:\­lo.  Essa  variaç~o de  credibilidade  pode  ser  medida, 
qu.nJll o  nexo de c.."alidade lor ,ollsln.."  ou ordilllfrio. e deve­se entender essas palavras. 
conforr\le  esclarece  Mal.testa, C(lmo  "e~ eonst.nle  lo  que se  r f e ~ e l l t a como verdadero el\ 
lod05  los casc>s  particulares comprendidos en I.s especies: es  o r d i n ~ r i o . lo que:  ~e rresenta 
com (I yerd.dcro en  el  mayor  nÚmero  de  los  casos  comprendidos  el\  la  especie.  (...)  \0 
'I'''sl.'''e de la especie es Icy dt ar/cll!  rara el individuo: lo ordillnrio de la  especie  e ~ /ry ,/r 
I'rl'IJnbilidnd  rM. cI  individuow
•  ob.  cil.. p.  158.  Portanlo. se  o  raciocínio  p r e ~ u n t i Y o , feito 
I'elo lq;islõ.dor.  for  ~crado por cim  lalo considerado '01l5In"'r. a  pres\lIlção ser:\ absoluta, e 
ni\o se admilirA'.I'rova 'em contrário, ,.g.• os,ea .. c t e r l . s ! i c . $ ' d o , [ ~ N A de um indivíduo tornam 
certa  a  sua  identidade; Y entrou com  a ç ~ o illl'eslígação de patérnidade em desf."or de  X 
e,  através de exames laboraloriais. comprova­se que  Y herdou  caracterlslicas gellétic;ls de 
X:  a  cotlclusii(l  é  absoluta.  X é  pai  de  Y.  Ál;",a,  se  o­ raciodnio  presuntivo.  feito  pelo 
lel;islador.  (or  gerado' por 'um  (ato conside...do õ;'dindrio; a presullçlio  serA  relalivl'.  e  se 
adn;,itird  prova'em contr:\rio, v.g.•  regra cenlos cercas  ~ o feitas  para dividir os  c a m p o ~ ; 
elllre  dois campos  exisle  lima  cerca;  logo.  é  verossimllimo  que  a  cerca  separe  os  do.is 
ca",pc>s,  P~ra I1lelhc>r  aprofundamento, consultar Perelman. ob. cit., § 49,  pp.  (,()()s. 
,,~ Parn  I\Ir.un~ n"lores, c>  illc.  IV  do nrl. )01  .." Cpc.  refere'se  snlllcnle  1 I ~ plI·"lInçll,'..  j",i~ 
",,/c i",'c; enlre eles Nelson  N ~ r y Jda prova. São delast ~,.-.; 
I'-'T': 
':.," 
1(~ confunde o presligiado ,ulor o õnllS da prova com O falo de • presunç:io n:io depender de 
prova; tanlO num caso como no Oulro. o benc/iciário da p r e ~ u n ç i ' n e ~ l á livre da prova do ....:-'
lalo desconhecido. 
-! '.:" i )46 Sobre esse tipo de presunção, cC'nsull .. obrigaloriamenle M . , I . l e ~ I J . ob. cit.. )' Parte 
C.p. IV, pp. 2215. , 
f.-=-\
,\H A expressão "';5In  loi utili 4 ada por~o.c)'r A. Sanlo~, l'rimórolS  .... nO 692. p. 502, E~sa 
expressão, que serve para idenlilicar uma caleGoria inlermediári. entre. presunç:io abso­.,){-'." lula e a presunção relaliva, ~ equivoca, como bem observou Crecn Filho. ·pl'rque n;in c.isle 
"'~bi. 
I~'-'" uma calegoria 16gica enlre o absolulo c o relalivo; ludo o que n:io é absoluto rrlalivo c. A'(.... . ~:. relatividade, sim, comporia graus ou c1.lssificaçõesw
, Dirrílll PrCl(C;Slllll Cíuil IIrtlsílri,o.  S.l' 
raiva. 2. v.,  1996, n' 43.7, p. 209. 
)~a A impossibilidade de não admitir prova elll conlr;\rio é lão (nrle que. seg,n1do Ponles 
de Miranda. "inclusive a nOloriedade do falo", (CI",,"Mrí/lS .... p. )55, não' lhe pode ser 
oposla. • 
J~9 Nesse sentido, Lopcs-da Cosia. ob. cil., 2. v., n' HI, p. 428. :
1;("; 
"
)50 Reza esle arligo: "art. ISO, É escusada a r.lific.ç:io express.l. quando" ,obril;aç:io já foi 
cumprida em parle pelo devedor, cienle do vício que a inq\,in3\·;'-. Mesmtlaqui há neces' 
'\:. sidade de prova do (aiO conhecido, con(orme C!'c1olfece Mari. J-1elen.l Oiniz, ,Iizendo: •A ." r ~ "
prova da rati(icaç;'\olácil. compelirá a quçon a argi!ir", Cn.lí$;/l Cit'i' ",,"ln,ll. Sarai".l, 1995.1iJ(7 p. 147. .
1lIIp":' 
~~I Conforme esse entcndimento Michelli. (lh. cil .. I;' )0. p. 177; I.opes da Cosia. (ll>. cil.. ". 
.., 2., n' 411, p. 429; Ponles de Mir.nd•. C n " , ( , , ' h i l l ~ .... I. IV. p. )57. D;"crl;e d c ~ s ' possibili­
dade Lessolla, ob. cit.. n· 1 ~ 5 . p. 182..,r·: 
! 
10'2 Darci CllilllílrõCb I::)ilxiro 
..• 
. I ~ 
os exemplos dos élrtS. 337 e 338, que têm como prova e s p ~ i a l as 
hipóteses do a ~ t . 340, todos do Cc. (' 
Nôls prnes"IIIptiolles llOIIIillis,3S2 t. cit.. Cal" IV da 2' Parle. rI'. 
261 s: 
.)5) Ol.>•.cil., n· ~ 1 2 , p. 429. 
)~4 (o"lri/t"rn nlln  TCMin  ,Ielln  "rnl'n  U­.çnlc.  ('..dal11. 19~O, nO IR, 1'. 69. 
.'~~ E~~a I~,i&~nci. s\Hgill 110 .111. 188 du Ilc·I;. 737; " C(ldil;fl Civil alllal n:il' I " ~ " ~ IIOlJlla 
l'xl'rcs~" .1 C$~e respeito, diferelllel11enle ,lo 'I"e l1corre lll1 Códit:o C i v i l l ' o r l " g u ~ s qUI! prevê 
1,1 e.ig':lIcia 110 ar!. )51. 
)6 OI.>. .:il., li" 165. p. 50·1. 
\)L.)OV~ NriDI(.J"S 
~ 
.( 
.....­,"r
.,-\. prova' do fato constitutivo, conhecido para dela p 6 d e ~ se benefi- 
,r" ciar. Além do mais, o  raciocínio presuntivo incide a  partir do nexo  
:   l0,• 
de causalidade para se deduzir o  fato  desconheciao. Vejamos um  e·c exemplo  bem  comum:  ao  parar num  semáforo;  Xe.n.ofonte  tem  a  
Ar traseira do seu veículo abalroada pélo"a'utom6vel de·Sófocles, que 
W/ .... ~ .. 
não parou no temp? devido. Xenofonte, então, interpõe uma ação
.)(~;. de  indenização decorrente  de  acidente  com  veículo  eni"desfavor 
de  Sófocles,  e  deve, se  quiser  beneficiar­se  da  presunção  de  que~C·· 
quem bate atrás presume­se culpado, alegar e provar que o abalroa-"C:, mento .se  deu  na  traseira  de  seu  veículo,  não  podendo  o  juiz.
~ : ' · ' i . ",oi,
\ . ~ : ! \  mediante a  falta  de alegação e prova, buscá­Ia de dída, pois esta-I
~(., 
ria violando o  a~t. 128 do CPC, que deixa  à disposição das partes 
as questões relativas à  relação de direito material.'" 
f'" A  diferença entre presunção e  indício é  extrémamente difícil. 
, ..  ~. 0_. 
Difere de autor para  autor,  e  muitos não os  d i s t i n g u e m . J ~ 7 É inte· 
• .  ~l •  . ~~~ ressante  notar a  relação entre fato  e  iHdfcio.  e  ning­uém  melhor do ~ 
........­=>;" que Carnelutti para esclarecer, pois. segundo éle "un hecho no 'es'  
indicio  en sí, sino se  'convierte' cn  tal  cuando una  regia  de  expe- 
riencia  lo  pone con el  hecho a  probar en una  relaci6n  lógica, que  
permita  deducir  la  existencia  o  no  existencia  de  éste".m  Nesse  
~'" 
~C· ~-'",~. 
sentido,  já se  manifestou  o  STF  acerca  da  prova  no  desvio  de.­:­­0'­. 
~\.~ •.. finalidade' da  a d m i n i s t r ~ ã o ' p ú b l i c a , ' q u a n d o salientou que: "Indí· 
cios vários e  concordantes são prova".3S9~-
Hodiernamente, quem  melhor estudou  o  tema  foi  Malatesta, 
que  afirma:  "EI  raciocínio  de  presunción  a1canza  lo  desconocido~. por  la  vía  dei  principio de  identidad; el  raciocínio  indiciá rio.  por 
la dei de causalidad". E continua, mais adiante o  prestigiado autor: 
"EI raciocinio dei  indicià.se reduce ordinariamente a  un entinema. 
en  la  cual  se  callá  la  mayor; suele  decirse,  por  ejemplo:  Ticio  ha 
huído,  luego  es  reo.  EI  de  presunción,  en  cambio.  redúcese  de 
ordinário  a  la  simple conclusión; suprimienclo  líl  mayor  )'  lél  me-
nor; suele decirse, por ejemplo: el . 
"'''-' eit., n' 165; Grcco Filho. ob. cil.. n' 43.7. p.  208; Emane Fidélis. ol>.  cil.,  li· 603.  p. 392; ele. 
ICf'" J53  Ur I'rllebo  ..., n' 45. pp. 191  c  192. 
. ;..... ~ 
\ .. ~ 
JS9  lil  RlJ (DF) 52/140.l'I'l'" '{o,. ~;-~ .\.~; J60 Ob. cil., 3' Parle. Capo  m. p. 155. Também lazcndo a  di~linç50 clllre .prcsunção c indIcio. 
..... "~77' se  bem  que  salientando  que  não  tem  I\c1lhum  valor  prAlico  1\0  call1pC'  da  prO\'a  pCl\al• 
7; ­.fi:  ~.: \.:,.  cncontramos Florian. paraqucn\  ­illdizio scrv. ad  indicarc  pill  spcciallllclllc  ulla  cC'sa.  un 
(itUO, una circosliulza, ovvcro uni' '!:cric di C('l,!:C. d. (allt, di (Írco$l ... nzc, in$Olnrl'''' rdclllcnlo
~C: di  falto  Concrclo.  da  cui  si  1'"0  Irarrc  ,11\.,  I"(w"  (indirella).  La  p,csunÓ(lnc.  in,·ccc.  I: la 
conclusione d'un rar,iOnamcnlo. chc puõ n\UO"crc anchc da un indiziCl,  I\\a  chc pill  Irc'lucn. 
'~:'; tcmcntc  muovc  da  IIna  prcmcs~., sllggcrila  dai  I ' c ~ p c r i C l \ z n di  cic\  c1;c  il  pilo  dcllc  volt c \.:. 
avvienc nel CClrso  naluralc dcllc cosC.  11  n(lslrCl  n\'vi~o. I'indizio h.\  scniprc 1111  prC~Urr(l~t(l 
. '('~'.' ..;,' 
104   DilfCi ClIiOlorõCJo  Qilx:iro,.  . 
(. ~ 
~ ( . - : . ­
l.......;;. 
~ • 
: : 
4.4.  Regras de experiência  ~ 
,"  'A possibilidade de o juiz poder. utilizar as regrps de experiên-
" :'cia  é  confirmada, em nosso  ordenamento jurídico, no  art. 335 do 
CPC,  que  diz:  "Em  falta  de  normas  jurídicas  particulares,  o  jujz 
.  'éipli~ará as regras de experiência comum subministradas pela  ob-
­servaçi1o  do  que  ordinari.  cil .•  n· )/;, 1"  62.  Tnm\:>ém  atINa  c ~ s n d i ~ l i l \ ç 5 0 \'Nplw. ol>.  cil., 
p.  163.  nola  16. 
•   J61  Essc  in\prcciso  arliso.  scgundo  Michclli.  ol>.  ~il., 1'.108,  c  N.  Trockcr.  (ll­.  cil..  p.  530. 
_ .refcre­sc aC's  latos notórios; j ~ para Barl>Clsa  Morcira. Cl  aludido arligo  r e l c r e ' s ~ 11en  intcgrar la  exrcricncia dc la  "ida dcl jllcz y que éslc dcl>c  aplicar a  la  . 
hora de determinar el  valor probalorio de cada  \lna de  l a ~ IlIcnlcs·meJiCls de prncba.  Esas 
1I1hin\as no puedcn cslar  c o d i ( j c a d a ~ . I'cro si hall dI! haccr~c conslar cn  la  nlN;vación  de 
la  Scnll!neia.  pucs sólo  asl  p o d r ~ '1ncidar  cxcluida  la  d i ~ c r ç c i ~ , " : t l i d a d y pOOrá'  cC"'lroll\rsc 
pbr los  rccursOs  la  razonabilidad  tlc  la  decl;lnleitin  tIl!  hcchCl$  prClbados­, Clb.  cil.  1"  3­­tJ,  e 
quc signilicam. consoantc Coulurc: "a calilic;lç.it1 nlrihuítla  iI la$ rcglas que rigcnlos iuiciCls 
\Ic valor clllilidos por ~ I enlendimirnh'" IHllnano ~n I'ro~\lr., de ~ \ I ,'erci.,d. pl"tr itrl')"ar$C cn 
propO$ieic'ncs lÓGicas corrclas y por  IlIlIclarsc cn C'l'$crv"";(\'I\!  desenlboc.ndo  ~ e n un  iuido  h i p C ' I ~ l i ( C ' ~ C ' L ' r e llll 
orden norm.l de cC',wi"encia que el  luez,  'cc",  la  dehid. caulela', puede ulilizM 91vo que'·'U.>.·   ~ e a n irr.zonables Q  'lue conlradigan  hechos  d e m o s l r a d Q S ~ , Senhm(a de 28  de  re"Crl'i'.l de 
1989, cit.  por AUl;lislo M. Mordlo, U.  I'ruebn  • IClltle/lcins  ",,,,lcrlln~, Platense c  ,\bdedo­J'cr. 
rol,  1991, p.  125.• O~~:. 
~65 Do  C(lIIC(ÍI"  tle  Pr,,(,.,  ell'  I'rc>assc>  Civil.  I.isboa, 1961.  p. 664. 
366  Ob. cit.,  p'.  295.  Ta",h~m, nesse senlido. V.  Denli, ob. cit., p. 278. 
367  V.  s"I..n nO  4.2.  •~!~ .•. 368  Nesse senlido. Calamandrei, oh.  cit..  p.  292; Mo.cyr A.  Sal1los.  C " J l l c I I " i r i , , ~ "', n"  J2,  p.,:);. 43,  e  Primeiras  l.inl",s  ... ,  pp.  338  c  JJ9;  IJMhosa  Moreira,  oh.  di.,  p.  63,  C  lu.'"  MI.nlcro 
'. Aroca, oh.  cil.,  p.  56. 
. ~) ~;. )69  T a m h ~ m l J ; t r o11("«("sil;tdos de }II(innilcic'u,,·. p. 57.fie'> ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­_.fi'  106   Darci  CII;lIlOUõe.crg. """'II.I",Ic  Derecl,,,  I',~r"5011 (il"I.  1951,2. "" p.  211. 
~ 7 1 ''''.' Reglns Ire  In  Sn.", (,;(;C" Cl/ I"  AI'rr(Í,.cióll ric 1"  P",.­i",  rC~IC"'(llIj"I. conli""  1 l 0 ~ E ~ h l " i o s 
"" ob. cil., 1.11.  p.  195.  
.17)  v. '''I'rn  li' 2.3.  
.  • bOOVM A'liPlCM   107 
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·:·i(.._. 
. :,­:­-
~ , ~ ,; " ' / ' ( l r I ' I l I ' c " ' O I " o c c s ~ I / . ' c rl,lIc  ,In"i 
C  cOlluillcilllClllo dei sirrdicc. i"  Riu. Di,.  P,oc.  Civ.• XIII.  1935.  p.  26;  Mo.cyr  A.  S.lllo~. 
Ct>nJw/,í,ios .... n· 31. p. 42; Montero Aroca. ob. cil.. p.  339; Nelson r"laia. ob.  cil..  p.  49.  Dc 
(o rOl"  mólis  !Íll\id.  c  cuidadosa.  porém  conc(lrdando  COIll  a  lese,  e"conlran'os  Il.rbos• 
Moreira.  O.C.  p.  70.  De  (orm.  conlradil6ria.  AIe.I.  Zamor.  y  Casl;1I0,  qualldo  diz:  "'L.' 
apreciólci6n de  l a ~ normas de experie"ci. corresponde ai  juez,  porque  si  bicn clllran cn  la 
premisa ma)'r/cfc",',. Un;,'.  N.c.  Au\.  dc MéxiclIlnlril'.  I'onh'~ 
de Miranda. '1u.,n"{, di7.:  "'Não,:e i"ricliciz.'" I.is  regras ele  C"l'crêncía. al'e""s delas Se  f~z 
c{'Illeúdo  ele  rCJ;ra  jurídica,  que  é.  P{lr  exemplo.  a  do arl.  ))5"'.  (m"cII/dl'it>s rIn crC/lJ. 2. 
ed.•  l. IV. p.  ;l(.J. Sobre o silogisn'cm  1906,  nfirlllou  como csscnda  da  função  jurisdicional  um  órgão  e s p C l c i ~ 1 (um 
juiz) quc  ~ c cspor a/'rescnlnr "unól cOllllición s .tn 5'"/(//(11  I'(//nl, In, 1980, p.  17.  155  é  rcnc.o dos idc"is "OI  Hc\'oluçllo  
Fmncesól  COIll  o  ~eu IllcnOSCólho  010  Podcr )udicillrio. pois.  ~ c g u n d o l o h n Ilcnry Mcrrymall,  
c O I l ~ c q i i é n c i " d"  R e \ ' " l l 1 ç ~ o F r ~ I l C ~ ~ , l ("í 'luC a  "~cpnr;'ri61l llc podcres prC'd\.jo un si51cma  
scp"rndo  de ·lribul1"les  n d l l l i l l i M r ~ l h ' o ~ , illhibió  la  óldopción  dc  la  rC\'isi(,"  judlclnl  dc  13  
legi~lacióll y'lirn.it6  a  111S  jucccs a  IIn  papcl  rclõllivalllCllle  sCClllldllrio  cn cI  rroccso  l l ! g ~ I · , 
I., r""liri(lll IlIrl,firo ROllltlllo·Cnllollirn, I l r e v i ; \ r i l l ~ , Ed, Fondo de CII\lurõl  Ecollónlica·México,  
1994,  p.  46.  
~iROVM NrlDICM 
~aJ 
~ 
imparcial. É uma gnrantia de justiçn pua ns pnrtes. 1f Essa é llmn 
das características da atividade jurisdicional, pois não se concebe 
que o Estado atribua a alguém pnrcial o poder para resolver os 
conflitos hllvidos em sociedade. E aqui chegnmos a umn encruzi-
I h a d a : ~ . a b e r se·o juiz é ou  não  imparcinl. 
Adverte F.  Carnelutti:  "De ordinnrio,  los estudiosos deI  pro-
ceso, bajo el  tema de  la  impnrcialidad, Iimifan el  discurso nl  instí-
tuto de  la  abstención y.  de  la  recusación".ls  Modcrnamente vemos 
estas idéias expandidas na corrente que se originou no Rio Grande 
do  Sul,  denominnda  Direito Altemativo. Dizem  os  adeptos  dessn 
corrente  ue  o  'uiz não  é  im  nrcial,  nn  medidn  em  ue  o  nto  de 
'ul  ar  de decidir  é um ato  íf  nto  areia. 
Discordamos  de  tnl  conclusão,  pois  há.  p recisn!1lente  nw 
uma confusno conceitlln!,  II  medidn que se  podc distinguir n9uí1o 
que chamamos de illlpnrcinlidnde filosóficn dn  illlpnrcinlidnde IUl/llnl/n. 
Do  onto  de  vista  filosófico,  o  juiz  nno  é  impnrcial,' assim 
como n  s  tam  m  não  o  somos,  o  n  CIl)1cnto I6
;  o 
juiz é umn  pessoa,  tem  suas preferências, suns  inclinnções  ideoló-
gicas, prefere o azul ao vermelho, o brnnco no preto ou vice­versn. 
Sob essa  ótica, querer a  impnrcinlidade do juiz é,  segund.o F,  CM-
nelutti,  "como  buscnr  In  cundrnturn  dei  círculo.  Serín  necesnrio 
hacer vivir ai  juez dentro de unil  cnmpnnn  de  vidrio"Y  E,  se  isso 
fosse  possível, pouca  utilidnde  teria  esse  juiz pnrn  o  Direito, pois 
a  palavra sentençn, que  trnduz o  cerne  d ~ ntividnde  jurisdicionnl, 
vem  do  latim sClltelltin, ne e  significn  dizer,  segundo  E.  Couture, 
"expresar.,n sentimiento (... )".18  ti  dn  mesma  fnmília  dn  pn!nvr.1 
u  ~ ill'crc~!oall'c noliH  (l  que  rCl"lrescnltl\'"  i\  in'l'.ud.,lid.,dc  1'.H.,  (l  Direito  P r c . l ( e ~ s \ l I , 1 
Hebreu,  n\ais  especilic:amenle  no  '(n/mll,I.La  premisa menor es  la  foente-~edio de  
prueba  (el  testigo y  su declaraci6n.  el  documento'y su  esenta- 
: ci6n), 2)  La  premisa mayor es una máxima de la  experie  da, y 3)  
. Ia  conclusi6n es la  afirmaci6n de la  existencia O  de la  inexistencia 
dei  hecho que se pretendía  probar":3'9  Q u a n d ~ a  premissa maior-
for  ".I~i, a  operação' mental.:do·silogismo  é f ' d e t e r m i n a d a " p e l à ~ léi. 
Já  quando a premissamaior:for­uma·regra de experiência,'a  ope-
ração mentalé­determinada:pelo'jüiz, O que equivale dizer que, no 
primeiro caso, os meios de prova são  p r e d e t ~ r m i n a d o s pelo legis-
lador, enquanto no segundo, pela  impossibilidade de positivação, 
.é  o  juiz qcem determinará o  valor de cada motivo de prova. 
Essa  conclusão,  que  coloca  as  regras  de  experiência  na  pre-
missa maior do silogismo. apresenta importantíssimas conseqüên-
cias  práticas,  notadamente  aquela  que  permite  o  controle  da 
aplicação da  lei,  mediante o  recurso especial, previsto no art. 105. 
inc. 1II, da CF, máxime na  letra c . Nessa visão, com a qual concor-
damos, as  r.egras  de experiência passam a  ser consideradas como 
qunf!stio  iuris,380  e  não  como  simples  questões  de  fato,  quer  nos 
rilciocínios  pertinentes  à  valoração  da  prova?81  quer  nos  concer-
nentes  ao  estabelecimento  de  praesu/IIptionf!s  IIOl/lillis;3111  ou  seja, 
quando  o  juiz,  ao  sentenciar,  utilizar,  na  premissa  mnior do  seu 
silogismo judicial, uma  regra de experiência  e esta  não se  fundar 
na mesma relação de causa e efeito com os·vários fatos observados, 
permitirá,  por  se  tratar  de  uma  qllnestio  illris.  a  interposição  de 
)79  Ob.  ci\.. p. 339. 
)00  A  quesl~o de direilo elll  concrelo pode ser viSla  de duas ",ancir... con(orme escla,ece 
Caslanheira  Neves:  ·Ou se  pOde  e"conlrar  no  sislema  jurldico  p r e s s u p o ~ l o uma  norma 
aplidvel  ­ e  a  queslão­de­direito  em  concreto  serA  enl~o resolvida  'por  n'ediação dess.' 
norma'. como seu crilério· ou n30 (oi esse o caso e o julgador lerá de realizar a juIzo jurldico 
concrelo  por  um  1',,'611011I1' cOlIs/i,,,içAt> IIO'IIInlilNl-. Mgin /urf,'icn.  Coimbra  Edil",a, 
1993. p. 176. Nola­se na primeira hipÓlese a previsão legal de un,a norma iurídica al'lidvel 
~ e ~ p é c i e . c na segunda. ausência de urna norn'a especHica. permilindo. conseqüentemen-
le.  a ulilizaç30 de sua experiência comum como 1',,/611011I1' cOIIslil"iplt> lIo""nlh.... razão rela 
qual se conclui que as  regras de  experiência são consideradas queslões de direilo. 
.'01  0 ST)  i~ se manilesíou posilivamenle a esse' respeilo. quaildo t 1 i s s c ~ "O erro na v.lorólção 
da  pro"a  ocorre  quanrio  mal  apreciado  seu  valor  jurídico  COIIIO  n'eio  de  prova­ 5T).4' 
Turma, Ag. 15.083·SP.AgRg. reI. Min. Sálvio de Figu'elredo, j. 4.12.91; negaram provimenlo. 
v.u .•  D)UJ.2.92. p.472. 2' col., em.  E,  noulro areslo salienlou o  prelÓrio excelso que:  ·Para 
eleilo de cabimento do recurso especial.  ~ n e c e s ~ r i o discernir enlre a al'reciaç30 da  prod 
c os crilérios legais de sua valorização. No primeiro caso h ~ pura operação menlal de conta, 
•  peso e  medida.  ~ qual é  imune o  recurso. O  segul'do envolve a .Ieoria do valor Ou  conhe· 
cimento. em 'operação qu.e  apura  se houve ou  não inrração de óllgul\l  princirio probóllõrio 
.  (RTf  56/67.  RF.  n' 70.568/Gllr  I l ~ l J 11/341. Na  "I'reciaç~o ria  I'rm'a, O juiz  ~ (halllóldo a 
"alorA­la  j,e1o  ~islema tio  livre  ctlllvrlldJllenlo  n'(ltivndo.  nrl. 1:11  tln CI'C.  r.nrJllnnlo.  na 
valorização  legal  da  prova.  o  jlli7.  c1r.ve  respeíl,,,  os  princlpios  e  rel\ra~ pr.rlinrllle~ pllrn 
obler o seu c. 61.. n'\
.C;   11­12. rI'. 12s; Nclson Nery.l'ri"ô)'i,,:, .... u'·2·1. pro  138s; SérI;i(llJr.rllludes. /)ireillll'r,.«(,são causados 
quanto às segundas, as cnsunis, que são prodt,zidas no decurso do 
processo e preparadas de acordo com as necessidades dos litigan-
tes em demonstrar a vertlcidaJe de SUilS  afirmações sobre determi-
nâdos  falos  c o n t ~ o v e r t i d o s , t  de  Direile>  rroccss"nl 
Civil.  v. 2. S.rni,·••  1989.  p.  362. 
)'9 V.  5"l'r. n' 1.3.1.3. 
.190  No  scnlido  de  a  prov~ elllprcslad~ aparecer  ,,(>  processo  l r a s l ~ d a d o como  c c r t i d ~ o . 
c n c o n l r ~ I l l O S Moacyr A.  San105.  r">l"  ....  1'.1.1\',208, p.  308: Nelson Ncry. rrillcf,.il's  ..., n' 
2 ~ . 1'.\)'); Co"lllle. 'I"C hrilha"tClllenh' di7.:  "I.a  ~ ( ' n l c n c i a \,(Ir sI  stlla  "O 1''''''\1a  l o ~ I I l ' ( h n ~ . 
,1IItllitidos.  Dr.hc" a);rel:arse  las  J ' i C 7 . ~ ~ ' ,11­,  I'r(lCeso  a,,"'rior (I  SII  lrslimonin".  J : n n , l a n l l ' n l n ~ 
.... oh. cil.. n' IM. p.  25(,. c  lamhé", D.  h  h~"dia. p~ra '1"(''''  " ( o r r c S I ' O n d f ~ ai  jlll'7 dr.1  ""Cl'U 
rroceso  calilicar  la  rrlleha.  para  ohll'''l'r  s u ~ co"c1usioncs  \,('rsonales.  {  } c1e  "hi  'I"e  se 
deban  I ' a s l . , d ~ r las pr"ehas C"  c O l ' i ~ s n "r.'gloses. parõl  '1"1'  I~s r"celõl es  lô'"  )' "I'rreiar". 
oh.  dI.. 1.1.  ,,'s 105 c 107.  r. 367. 
­­ --~ ­­­­­­­­­._­
DoaVAS ,\TIPICM 
s' 
111 
.-,'.
no puede invocarse en otro juício, salvo el C Qilx:iro 
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r: 
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.suas alegações,  uma  testemunha  que  afirma ser o  réu plsoa que  
bebe  e  dirige  s e g u i d a m e ~ ü e embriagado.  Noutro  proc{sso,  que  
venha sofrer Aristóteles, da  mesma/natureza e  ante a  impossibili- 
dade  ou  dificuldade  da  reprodução  da  prova  oral,  pergunta­se:  
pode  Demócrito  utilizar  aquela  prova  oral  contra  Aristóteles?  
Pode; poís cOlllra  quell/  ela  é produzida,  no caso Aristóteles,  partici- 
pou  do contTélditório,  ou seja,  se  teve  ele  todas as oportunidades  
.  para  contrariar  a  testemunha  naquele  processo,  foi  respeitada  a 
·:;garaiüia constitucional do contradit6rio,.e não há  razão suficiente 
para desprestigiar essa  fonte  de  convencimento, O que não signi-
fica  dizer que ele não poderá contrariar a prova trasladada. Agora, 
digamos que  no  processo em litígio contra  terceiro  vale  como 
prova emprestada, contra quem colaborou na sua colheita".39tl 
Conclui­se, portanto, gue a prova emprestada não precisa ser 
colhida entre as mesmas pilrtes, para que possa  ter validade e, por 
conseqüência, produzir convencimento, uma  vez que o  requisito, 
aqui, é o  respeito ao contraditório e  não às partes;399  além do que 
o  contraditório  foi  colhido  perante uma  testemunha,  cuja  idonei-
d"de  ',10 se pode negar, que é  a  autoridade judicial. Pode­se afir-
mar,  então,  que  quanto  mélior  for  o  respeito  ao  contraditório, 
)96  Em  scntido conlrário.  cntendcndo  d c v ~ ser  I e : \ ' ~ d ~ cm  considcraç50  a  prov.\  que  loi  
prodU1id. scm a prcsença da parle e cuutra elo, Moacyr A. Sanlos quc diz: ­Ncste:  s i 5 I e m ~ , 
no  prC'Cesso concebido como  inslrumenlo público de dislribuição  d ~ justiça (...l. presumc- 
~ e . sc  •  prova  é  do  juí10,  pelo  juízo  fOrlnada,  ~ de  cnlender­se  ler  sido  (cila  COm as 
necess:lrias garantias 1 descobcrta d... c r d ~ d e · , Pro..,  .... n· 213.  p. 312.  
)97  Ob. cil., p.  228.  
_m/.. RJTJESP  105/217. 
3'1'/ Enlendendo 'lue SÓ deve  rrodmir eleilos, quaudo eulre  ~ s m c ~ " ' ~ s I'nrlrs.  Moac)'r  1\. 
Santos, I're....'  ..., n' 215,  r.  ) I ~ , r.l'rim,·;rr,s .... 2.  V., n' 593.1>. J67; I{(ll;rdn  I.auria Turci,l''' . 
cit.,  p. 362;  HUGO  Alsíua,  ob.  cit..  v.  111,  1'.305  e  I>' 311);  C~"'nlho S.\nll'5,  Ctlrlis:o  ,/e  /'/I'ces..
•  c.. 
'" 
.  li 
Pode­se dizer, então, que   di  Un"  p.rle 
dell'allo  non  colpisce  Ic  ~lIre parli  chc  nc  50no  indil'enóe.Hi.  Se  il  vizio  i m r e d i ~ c e 111' 
dclermin%  crrelo, 1'0110 PUO  lull.vio prCldurre gli  ~ l I r i eHelli  "i  ' ] l I ~ l i c ídClIlCO". 
~O' "Ereclo~.-La  nulid"d de \In  "Cio  no i"'porl.rã I. dc  ' C l ~ "nleri(lres ni  ,. ele  los sucesivos 
que sc.n  indcpendienles de dicho "CIo.  L, n\llió.d  rlc  Ull"  I'~rle dei "cIo  no  .rcCI"rá •  I~~ 
I\CIll~~ p"rtes ']ue  sc"n  i l l d c p C l l d i c n l c ~ dc  ,,']u~II:o··. 
~IJ~ .. ,. 1.;\ Ilulid:ul de' UI' 0\(10' no impli(:Ht\ 1:'\ ele lo~ ~\1(f'!'oi\'o~ 'lU!" rllf'I~" ill(l("l'c"c1it~lllr$ 
de  . ' l u ~ 1 ni  lo  rle  .']1I1!1I0~ CU}'O  (Onl.  cil., p.  1663. 
~ ()QOVM ,\TíPIC\; 
l~ 
­.... 
inércia· dacpa rte'·em·.'não cxcepcionar; e se for opost~ 3 2 do 
CPC, pois, uma vez que foi  coletada com todos os requisitos supri1-
referidos,  ela  é  um  meicf moralmente  legítimo  e,  portanto, capaz 
de produzir convencimento, já  que  a  prov  dc direilo  for 
diversa,  a  provi!  é  nula, ol>.  ';il.,  p.  41. 
41) Tambc'm na HT  719/166 C(1C;/I,'raanos  'TI~OVA - Prov.,  C'l1presl"da .  I'rocl"ç~o l"lI ol.'ra 
a ç ~ o para a  óCIllClnslraç;;o  , I ~ mesmos  falos·  Lc&ilimid.,dc  c  idollcida,ic". 
,. 
para regular a prova importada, diferentemente do CPC t'r' 
lombia-
no, que dedicou dois artigos para  regulá­la: os arts. 185 e  229.  
O  valor  da  prova  emprestada/ em  qualquer  das  )ipóteses  
"cima  referidas,  depende  exclusivamente  da  avaliação  feita  pelo  
juiz da  causa,  não ficando este vinculado à  valorização  feita  pelo  
juiz do processo originário. T"nto que se a  prova emprestada  for  
impugnada pela  p  il  bi\se do Direito. 
O  sobreprincípio  é  o  p'rincípio  d.  cil..  p.  :120. 
lI9 F,,"d'lIIm/os  .... oh.  ri 1..  li' li'). ".1')0. () devI:r juríclicll rir.  di/ri"  .1  v,:rd.,dc al'""CCc  oI,:~.dr. 
O~ lexlo!- jurídicos rll.,i$. f l n l i g f ) ~ a l ~ O ~ mais l 1 l ( ' l e t c n l ( \ ~ . Pari' 1111' !Hrll\('lr ilprClftlllr!amrnlo 
d. '1"csl;;o.  consullor ourir,alorio",r.nIC Coul"r••  r.1  Od,(r  ....  nh.  (;1.1.111.  r. 236.  
\lO  IIISlilll/'s  ~ . 1 7 · 1 . r.  1.1Illhém  ·1.l78 c·,. J7CJ.  
1'10 Darci Cllimnriic.~ Qil.x:iro 
.  É sabida e consabida que é grande a influência que o plncípio 
do dispositivo exerce sopre o direito processual civil nos p.{ses em 
gerde  una 
s.agaz  deferisa y d6nde comicnza  el  reprobable engilno".m E se é 
verdade que  as partes  têm  liberdnde,  em virtude do no  art.  133  do. CPC:  "Responderá  por 
perdas  e  danos  o  juiz,  quando:  I  ­ no  exercício  de  suas  funções, 
proceder com dolo ou  fraude";  ao escrivão e  ao oficial  de justiça, 
no art. 144 do CPC: "O escrivão e o oficial de justiça são civilmente 
responsáveis: 11  ­ quando praticarem ato nulo com dolo ou culpa."; 
ao  perito, no art.  147 do CPC:  "O perito  que,  por dolo ou culpa, 
prestar  informações  inverídicas,  responderá  pelos  prejuízos  que 
causar à parte, ficará  inabilitado, por dois (2) anos, a funcionar em 
outras perícias e  incorrerá na sanção que a  lei  penal estabelecer"; 
POOVM A'IÍDIOO '0 123
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ao depositário ~ ilO ildOlinistrador, no art. 150 do CPC: "O deposi-
tárioou  o a d n ; j l ~ i s t r a d o r responde  pelos  prejuízos que,  por dolo 
ou  culpa,  caUSéll'  ~. parte,  perdendo  a  remuneração  que  lhe  for 
arbitrada; mas  tem o  direito a  haver o  que  legitimamente' d e s p ~ n ­
deu no exercício áo encargo"; e  ao  intérprete, no art. 153 do CPC: 
"O  intérprete,  oficial  Oll  não,  é  obrigado  il prestdeve ele decidir com  base no seu convencimelllo, po-ec· rém  nlotivado,  razão  pela  qual  s'e  conclui  que  o  comportamento 
da  parte pode,  e  vai,  i.lt.::rferir  no convencimento do  magistrado; 
4) I) art. 332 cio CPC prevê: "Todos os meios  lcgJis, bem como 
os  moralmente  legítimos, ainda que não especificados neste Códi-
.;.(
ê(  go,  silo  hábeis  para  provar  a  verdade  dos  filtos,  em  que  se  funda 
il  ação  ou  a  defesa".  E o  comportilmento  processtlal  clilS  partes  é.'('" 
um  meio legnl,  porque  não  é  ilegal,  1/I0rnllllclltc  lcgrtilllo,  IIno cslt\ 
cspecificndo  "este  código,  porém  é  lllíbil  pnrn  p/'ovnr  n ucrdndc  dc  11/1/••.: fnto,  em que se funda  a  ação ou  a  defesa; 
5)  o  processo em :.;eu  sentido social·ou, como querem éllguns, 
•.'
-'\
instrumental,  é  'um  instrumento  públicq  eficaz,  legítimo  e'verdél-
~- deiro  de  realização  da  Justiça  que  foi  colocado  11  disposição  das.'.
~' partes  pelo  Estado,  pélrél  que  elas  possam  buscar  a  prestação  da 
tutela jurisdicional, e  nenhum instrumento de  justiça pode sobre-
viver fundéldo em mentira, em condutél  ímprobél, em m- 0­1  N e ~ s c senlido,  Ovidio. Crl/S()  ...•  oh.  cit.,  \'.  1,286.  P:H.,  l­:urllO.  é  111\\  ll\i~t(l. porque  ".. i 
. !l .... ('o~i díc,."dC1,  ."Pl':'Ci(Í(Cl  ri';"i1rrh~ ;111.,  dfic;,,(i.,  (nl1 cui  i c1i\'r'r~i I1\r~.1.i di  Pfl)V;'I  "pcrõlnn 
t' 
sul convindm,cnto  d ~ (!li d('ve  .lpprCJ1.•Hnr.  i ri5ul1.1li  c  51"lhilirtU~ il  ""ICtH"  dil1lustrólti\·o.  in 
rrlilr"ionc ;11  fôllli dcll;l (.1US:t.  C i . ' ~ ( \ I 1 l I1lC·l7.0  di provil r i ~ p n l l d r . \'fllt.J .1  \'~II., .,1 ~i.f:.ll·n':'l 
libero o  ôl'  ~i~h~ln" lcb"tc. secondo chc l'urbano Ciudíc;tlltc  ~ (ui 1$lihl1.ion.,IIlll.:lltc si  ri\'('1l br 
8r 
­ P05$" O nQIl p { l $ ~ , j j libcr;,mcnlc dclcrrninuc di fronlc ad CS5Cl  lil  propriõl  p c r s . I I . ' ~ I { l n c . Ihc$cC 
parUco'"rnlcntc  {lrduo  SlilbiHre,  rr;l 1 i b c r l ~ c  lcgalilà,  un  rl'pporlo  (Ji  rcr,ol~ .1  eo,::clionc", 
ob.  cil.,  p.  146.  
05  EI  P",ÚSI' ...,  ,,\>.  cil..  li· 9,  p. 189.  [ ~ ~ a f O r l n ~ elc  \'~loriz,H "bicl;,'o  0\1  ~"lJjcli\'Oll'CIIIC o t!>( prova {oi  mtlilo bcnl dC$CIlVol"id;l  rpr r­urnc'.  'luilndo d i ~ s e . em  rcl"çe'p.i  "rcn'..  le);,,1  j/r;Cln 
~ C I I S I I : '4D;tU.l  crC;lzionc di una  ccrle1.l.1  slorica  di  \'"lore  Clf;gClti\'o.  \'OlllLl  etõlU.l  'cJ;I;C  c  C\;,e;.,:.. 
C$sa  impOs.lil  .. I &iudicc.  i n d i r e l l d c n l C l 1 l c ~ l l e d.,1  rer$oll,llc  COIl\'inciIl1CP1(\  di COSlui­,  (lb. ­­ , cil.,  p, 160.   .8('-
IJ·6  A  p.,rlc,  llu.'IH..io se  vale do  p r o ( c : : ; ~ ( l . ulíliz.,l1d(l.'  m.i·{é,  bU50C;'  ~\..·tHpre. !­­c);\Illdo  (;lI.,. 
Ill;lndrci.  "conSCXtlir  r.n  d  IH('l(("!'O  lIl1  drcln jurÍltico  que  ~ i r l cl  C r l l ~ . l j l C · " 1\0  J'lodrí.1  (nn~·f··~( gllir·sc",  F.I  1'(0((;11  ..•  ,,0  J.  I'.  no. 
~( 07  V.  SlIl'rn 2..1. 
'­..:.J  i n6   I)~ ..ó  C"!"'~rric.~ llilJôro.(,.':.
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. 
.  I 
é  mais justo dianle do caso concreto, v,g., art. 131  do CP  Iquando  
permite a ele apreciar livrementp "os falos" e "circunstfln~ 'as rons·  
tantes dos autos", E, se a ele é deferido, pela  lei, esse poder, então  
, ele pode se convencer, desde que moralmente  legítimo  e  éI  prova 
não tenba O seu valor legal, baseado na valoração objetiva  e hisló-
.  rica  dos  falos  ou  subjetiva  e  moral  das  pessoas  (circlIlIstiillciIlS) . 
Além do mais, a própria lei  processual, no seu art. 130, permite élO 
juiz,  de  ofício,  "determinar  as  provas  necessárias  iI  inslruçiio  do 
processo,  indeferindo  as  diligências  inúteis 'Ou  meramente  prote-
latórias", o  que vale dizer que  o  material  probatório aportado  no 
processo é de domínio do juiz,  d e s t i n a t ~ r i o direto da prova,m mas 
pela  adoção do  princípio do dispositivo  as  pélrtcs  ganham  prefe-
rência  na  formação  do  convencimento.  Essa  lei,  segundo  Nelson 
Nery,  "não  impõe  limitação  ao  juiz  para  e x ~ r c e r , de  ofício,  seu 
poder instrutório no processo",U9 devendo, portanto, ser interpre-
tada  no sentido  mais amplo  p o s s í v e V ~ o razões pelas 'lua is  o  com-
portélmento processuéll das partes deve ser valorizéldo pelo juiz no 
momento de decidir; 
­ 7)  modernamente,  se  verifica  na  doutrina  processual  uma 
creScd,te  tendên'cia  em se considerar éI  prova  judici.  cil.. dc  ",oeto  c ~ r c c i . 1 car. 3,  rI'. 54  ~. 
111\ 1 .."I." J"'c  Itul>se 
limita a  analisar o  problema sob a  ótic.  cil..  li"  16.1'.  (,9:  Ne)'  A h r C l 1 d ~ . 017.  ril ..  1'.  75;  1 ~ C ' \ { ' r . Fa"arcIlQ.  (lb.  cil..  pp. 
~ e ~ . 
H5 a.c.. ,,'  18,  p. 69.  
U6 Sc:rpa  L('Ipc!­.  (11"::(1 ,Ir. l),r(I((J (ir''''.  Frril.l$  n . l ~ h . ' : : : ' , Iilx:i.l' 
fI 
,. I: 
adversário pelo dano que causou,  fulti!ndo  com a  verdade. Hode-
mos evidenciar isso nos arts. 18, 69 e 601, ambos do CPC.H8  ~sse~ 
casos,  a  condutn da parte é fon/c primordinl de  prova,  e  não  mero 
ele'mento indiciário de prova, pois não há outro meio de prova tão 
e f i c a ~ que  seja  capaz  de  produzir  um  convencimento  tão  forte 
qUrinho, oh. cil.: p.  Il~. 
'~I Oh. ril.. 1'.  85. 
I~l SiSlclll,'  ...•  017.  cil..  v.l.  n· 21,  p.  65. 
j)QOVt\ó A'riDICAó 1'29 
~6I 
•••
•••• 
1 
••
•
.-
•
obrigação alguma, e se esgota no poder de determinar um efeito 
jurídico, e a não-realização de um ônus atinge somente a ~sfer" 
jurídica de quem deveria agir e não o fez. f: o que ocorre nos casos 
.'-
.,~. dos  arts.  158;  302  e  319,  todos  do CPC.  A  diferença  entre  ônus  e 
dever, para Lent,  r e s i d ~ ; : l '
que  realmente  conferem  credibilidade  ns  alegações  feita$  pela,.. 
partes ou  testemunhas  em  j u ' í Z O . ~ 5 ~.c" 
~c::.: . 
~. ;~ 4.7.  Documento  elel'rônico  como  meio de  prova 
4.7.1.  Noções  gerais  e conceito· (a,:,i(
!:c' 
A  vida  moderna  impõe  uma  série  de  situações  novas que  a
~'( realidade anterior não havia sequer imaginado. São modernas.téc-
nicas de administração, dc  informação, dc circulaçiio dc bens, quc
Ja.O;·~ 
não  podem  ser  menosprezados,  sob  pena  de,  em  pouco  tempo, 
­:"n~" \....­).,  estarmos  totalmente dessintonizados com  ()  realid~de. 
~~;( .  O avanço  tecnológico é brutal e  irreversível, porque é  o  único 
instrumento capaz de  siltisfélzer ÚlHiI  clclllélnclil  caela  vez  maior  (:~( (.  4SJ  AI'"d  Elicin C.  Snhrinhn. oh.  ril.. 1'.  U~. ,  ' 
~S~ V. suprn  nO  1.:1.1.1.J  I •.$:~ ·  130  Dllrei Çllinllllliç..b  I),!:nrn  
;~J'.'­=,­..r.'­"· 
'.
•• 
I:  
mais  exigente.  E o  que  hoje  é  exceçiio,  em matéria  de  t ~ n O I O g i é l ' 
élmà[\hã, com certeza, seriÍ  a  regra. Tal é  o  curso natura  âa  n o s s ~ 
sociedade, no final  do século XX  e  no  início do século X  I. 
A  esse  avanço  tecnológico  não  pode  o  jurista  ficar  inerte  t: 
despercebido, como se  a  realidade cotidiana não  fizesse  parte do 
seu  dia­a­dia,  pois  o  Direito  é,  como  todos  sabem,  um  contínuo 
processo de adaptação socia\' não  pode  entravar o  avanço da  so, 
ciedade,  milS,  sim,  facilitar  a  vida  das  pessoas,  uma  vez  queo 
Direito foi criado pelo homem e serve, exclusivamente; ao homem. 
O jurista, coma toôo homem, apresenta um velho defeito que está 
contido lia  natureza humana, o  medo do desconhecido, que nesse 
caso é  trazido pelas novas  tecnologias,  preferindo, portanto, ficar 
com  técnicas obsoletas. 
O conceito  de  documcnto eletrônico4ss  vai  depender  do  quc 
Se  entende por documento,  uIHa  vez que a  lei  nilo previu  tal  defini-
çiio,  sendo  nccessário,  portanto  recorrer  à  doutrina  especializadél . 
HiÍ  autores  que  reduzem  o  entendimento  do  q u ~ seja  documen-
to;456  outros, felizmente  a  maioria, conceituam documento em seu 
sentido amplo;457  outros,  ainda  reduzem­no à  forma  escritél,458  l' 
4'sS Prc((:d a expressão doc,,,,:c,,ro c1clrÓllico em \'Cl. dI! suporte í n ( o n n c \ l i c o ~ pela l e n d ~ I l C l a 
ger.1 dos aulores especializados na  m.téria '1ue  idenlilicam no documenlo eletrônico lod.» 
; \ ~ m o d a l i d a d c ~ de suporte. l;tis (OOlOI m e c ~ l l i c o . m.lgnélico. Ólico. r O ~ o 5 s e l \ s í \ ' c L Nesse 
~ l : n ' i d o . EUort! Gianl'l3nlonio. El Vnlnr Jllrldico dtl Documcnto Eltct.,6"ico. lradu(aC' cc R:tfae: 
lJie:sa, contido no livro  /lrfoflllAlicn  y OCr.  Buenos  Aires,  19913,  p. 579; lor!:e Oscar 
Aleade,  OOCIIIII(l"O  Eltel,ollico.  Co"sreso Inlernacional  de  In{ormAlica  y  Derecho.  Buenos 
Aires. 1990. p. 572; Francesco Parisi.  ri  COlllrnt:o  COIlc/IIS0  Medinllle CO"'I'"/er. Cedam. Pado· 
va.  1967. p. 51. 
~'>6 A{onso r ..S"  {"sliluiçclcs do  Procc  documento 
ponco importa o material em '11'e se laça a escrita: papel, cartolina,  p a p e l ~ o , madeira. pedra, 
melaI.  De  lalo  n'o é  o  maléria  'lue  imprime  elidci.  i",ldica  00  documento.  A  lei  não 
('rescre"e  '1l1e  I' escrito  seja  lançadn, 110  papel­ ob.  e  p.  cil..  Para  "'1ueles  '1ue  con{undem 
lorma COI\\  ;  t(.dos 
DIX)Vh.~ A1;PICJ,.;  13! 
sq 
•••
•
" 
••
•
há também aqueles que O identlficam com a slla duração.m 
Preferimos adotar O conceito de documento em sentido am-
•
plo, porque essa forma de se visualizar o documento não aprisiona 
determinada  p a ~ c e l a dil  reillidade àqueles documentos  e n t e n d i d o ~ 
•
por públicos, que são realizados por autoridade pübiicil, ist0 P..  qUf' 
tenham fépúbJica  ou  privados, no sentido estrito, que são os que 
devam  ser assinados pelas partes,l60  conforme arts. 368 e  367,  to-
• 
•• 
àos do Cpc. Há documentos particulares, em sentido lato, que não  
necessitam  ser  assinados  pela  parte,  v.g.,  inc.  m, do  art.  371  do  
CPC.  Nesse sentido, nos valemos do conceito de Carneluttl, para  
quem eI documeof1to  no es s610  una  cosa,  sino  UHa  cosa  represeni,iUva,  o  
sea  capaz de  representar  un  hedlO.461 O  documento é definido, assim,  
como  uma  coisa  que  faz  conhecer  um  fato,  em  contraposição  ao  
testemunho,  que  é  uma  pessoa  que  narra,  e  não  uma  coisa  que  
representa.  É o  documento  eletrônico,  portanto,  tI/1/  doctlmento  parti-  
cular,  em  swtido lato,  renfizndo  de  forma  escrita,  pois, segundo Gian-•••
nantonio,  "10s  bit  de  la  escritura  electránica  son  entidades 
magnéticas  y,  por  tanto,  a  su  manera,  realidades  materiaies, aun 
cuando no  perceptibles por los sentidos hurnanos".462 
'I ".
Ad.',;. 
4.7.2.  Espécies  de  dOCllnlento  eletrônico~ ~ i ~ 4 1 b : : ~ . 
O  documento eletrônico, na opinião Giannantonio, pode ser:
.:~." a)  formado pelo e1aborador e b) formado por meio do elaborador. 
."
,.;
.~, No  primeiro caso,  o  el.  ril..  p. 110.  1.lve7.  pm c.up el"  -"I. 272·\  do (6consistira nUI11il  rlcl//(l/lSlrnÇtio coercitivil, que "i.,licn  r e g r a ~ enu-
ll1er"dns prev,i Ribeiro 
. ,,  'l. ., . b'b ··iLprmClplos processuais, em ora sal amos, como Visto aC\II)a, que 
os institutos.fund  juiz de\'(' conservar. no decorrer do pro.esso. uma atitude e s l ~ l i c a . 
c ~ l ' e r a n " o 5el1\ I",paciência e se", curiosidade qlle 05 oulros o procurem I! lhe pr('lponhnm 
05 problemns 'Iue h ~ n resolver. A in~rcla é, pnrR o juiz, gArantin de I!quillbrio. islo é: de 
Itllparclalldade. Agir slgnllicaria lomnr pArtido". Eles, os jlllus...• 1'.50. 
:lO  O (undamenlO hislórlco desse princIpio s.. rglu com n Itl!vohlçfto I'rRncesa. pois. nnrra-no 
lonh H. Merr)'man: "L, aristocracia judicial era uno de 105 blancos de la RevoluclOn, no 
s610 por 'su lendencia a Idenli(icarse con la nrislocracin terrolenlenll!. sino lnmbém por ,u 
incal'acidad pam distinguir nHlY c1ar.,menle enlre In :lplicación y la elaboraciOn de la ley. 
(... ) Los trlbunales se negaban n nplicar las le)'es nuevas, I ~ s I n l e r p r e t n b ~ n I!n (orma cc"'· 
lrarla n 511 Intendón o (ruslraban .Ios es(uerlOS de los (unclonnrlos por ndmlnlslClrlas. 
Monlcs'luleu' y olros dulores desnrrollnron IR' leorla dI! qUI! In dnka forma sl!gura dc 
Impedir los nbu50S de esla clase era In separaclón (nlelRI dei poder leglslallvo y el poder 
ejecullvo frenle aIestar na memória RAM (Random 
_:..AccfsS Memory),  de  caráter  volátil,  porque  se  cilllcelilrn  ilulnmi1-
licainenle com  o  npagar dil  rnáquinn, ou  na  memória  ROM  (Reild 
Only Memory), permanecendo inalter: de la  biometríil, a sea, de aquella  ciencia que cstudia  cUilntitiltiva-
:( 
mente los'fenómenos da vida". E identifica­ils. mais adiilnte: "huel-
las digitales,  liI  configuración de los vasos sanguíneos de la  retina, 
la geometría de la mano, las huellas de los  labios, el  reconocimien-
to  de  la  voz  y  a  grafía  d'el  índividuo".467  Em  razão  disso,  pode 
concluir­se  que  a  prova  feita  por  documento  eletrôníl:o  é  muito 
mais autêntica e segura do g\Je  ilquela  feitil  iltrilvés dil  ilssinatllril. .- )I' Como se comprova,  hoje  em  dia,  nos supermercad9s,  nos  postos 
~ ~ ~ . de  gasolina, que  preferem o  pagamento com cartão eletrônico do 
banco, pois, assim,  e v i t a r - s e - ~ o  sério  problema  dos cheques sem.;): .. , 
fundos,  uma  vez  que  a .Iiber ' , suporte,  também  a  tecnol6gia  jiÍ  anda  bastante  d e s e n v o l v i d a , ~ 6 8 
como se  pode perceber nos programas de softwnrc, onde é  impos-. ) ( ' ~ : 
sível  alterá­lo. 
~ ~ : ; O  valor  que  possui  o  documento  eletrônico  na  Repúblicil 
Oriental  do  Uruguai  é,  segundo  Maria  Wonsiak,  "un  medio  de.):.'.' 
prueba  y tiene el  valor probatorio de  los documentos o quedan a 
la  valoración  dei  juez  según  seil  \iI  posición  doctrinaria  qlle  se ~( 
s u s t e n t e " . ~ n 9 Devido as  recentes  reformas  legislativils que  ilrnplia-
.0( 
'" 
ram o  material  probatório, são elas:  a  Lei  15.982, de  18.10.88;  Lei 
16.002 de 25.11, 88;  Lei  16.060, de 04.9.89..0(' 
466  Ob. dI., p. 65.tl)(
~67 Ob. cil., pr. 116 r  117.  Nesse srnlic!o.  J0'l;e  Oscar  "lendo.. oh. cil.. p.  571 ...:( ~68 Também  H o r l e n ~ i a V.,.  I'loro.s.  "I"''' José  Rogério Cru,. e Tllcci.  Tc"'"5 ....  ob. cit.,  1'.  71. 
~69 Ob. dI., p. 602..
Durci Cuimnnic/' IJilx:iro . 134.:
( . 
._~:-
..... 
" 
Il...•• 
~! . 
No Direito Inglês, o documento eletrônico só pôde ser  rodu-j. 
zido em juízo com a criaçiio de uma lei, a Civil Evidencc Ac/  1968, 
que prevê expressamente, no seu art. 59,  essa  possibilidade. 
No Direito Norte­Americano, a possibilidade de produzir em 
juízo documentos eletrônicos  foi  reconhecida  pela jurisprudência, 
em  virtude  de  uma  exceçãO  conhecida  com  o  nome  de  Busillcss 
Rccords  Exccptioll, que foi  reconhecida  pela  legislação  federal  com 
a  Uniform  Busilless  Records  as  Evidence  Act,  e  corn  a  Uniforlll  R"fes 
of Evidellce,  sendo suficiente demonstrar, segui'ldo a  regra  da  13/'51 
EvidCllce,  que  os  originais  desses  documentos  e!etrônicos  estão 
destruídos ou nunca existiram, como é o caso do registro direto.no 
Na legislação argentina, o documento eletrônico recebeu pro-
teção  das  Leis  22.903  e  23.314,  referentes  à  matéria  comerciill  e' 
tribul5ria. 
No  Brasil,  o  documento  eletrônico  pode  ser  lItilizildo  como 
meio de prova,  em  virtude do ilft. 332 do CPC que diz:  .rrodos os 
. meios  legais,  bem  como os  moralmente  legítimos,  ainda  que  niio 
especificados neste Código, siio  hábeis  para provar a  verdiloe dos 
(atos,  em  que  se  funda  a  açlio  ou  a  defesa".  É um  ",cio  de  prova, 
porque é capaz de produzir convencimento; é um meio  mom/mell/e 
legítimo, até prova em contrpoder judicial", ob.cit., 1'1" 41 e 42. EsSR foi a razflo hislórica pela qual o 
p~pel dos juIzes pas'sou ~ ser I\lcramenle vontade declaratOria dn lelra da lei ou, como quer 
Chiovel\da• .'I/bslil,,'ivn. preservando-se a imparcialidade do juiz, pois. declara Ovldio tia 1'­
lisla: "Dificilmente leria o julgador condições de manter-SI! compll!lamente isenlo c Impar. 
POOVM "11PICM '23 fi 
E o que é o princípio dispositivo? Predominri."  pois. na  medida el\l   ,/rl 
prillcipio díSJX'sililJO, i"  Riv.  dir.  proc., Xv (1960).  pp. 551­565. 
31  Em  cxcelenle  livro,  inlilulado  EI Prr>rcsr>  Civil. Astrea.  1978,  r.  52.  Nesse  diopasiiu  1'. 
CaJamandrci.  I " s l i l l l c i o " r ~ .... EJEA. 1986, v.l, p. 357; M. Zon:l.IIcchi, Diri/lo Prr>crSS/lnlr (íl.i/r. 
Giurrrl!.  1 9 ~ 7 . \;.1,  p.  363.;  G.  Chio\·enda.  I ' r ; I I c i l ' i l ' ~ " " Reus,  §  ~7, 1'1'.181$.  c  11I~lirllinJrs ... , 
SaraiVA,  1969; 2' v .•  pp. 346s; Ugo Roceo. Trnl'''''' ... r Ocpaln",.  1'1113,  v.  11,  p.  171;  R.IV.Mill.u, 
L ~ p r i " e i l ' i l l ~ /orrnnlit'(lS drl,'rpcrdilllirllll1  ril·i!.  Edi.u,  1'1.15,1'1"  HI S.;  1'.  (arnelulli. Drrrrl", 11 
I'roceso, EJEA.  1971.  p.  106,;  11.  Alsi"n.  '('n/,,,'r>.... Ediar.  1'J56.  \'.1.  1'1"  10Is.;  E.  (outllTe, 
Fundamentos  ....  Dcpalma,  1988.  p.  185,  e  principalmcnle  EI Dr"rr dc Ins I'nrlcs ,Ic Dreir In 
Vcrdnd. n' 5,  EsI"di05 ..., v.lIl.  1'1'.  246s.;  E.  Liebman. Fm,dlll"wlll IlrI I'r;IIcíl'ío disl'r>siI'I'O,  ;11 
Riv.  dir. proc., XV  (1960).  p. 551. 
32  Ob. cil..  p. 65.  • 
33  Enquanto a  relação  imidic"  material  tem  como sujcilos:  os  lilulares  alivo  e  possivo do 
direito subjetivo; como objelo  medinto:  r>  /'(11' dn vidll;  e  como  pressuposlos dessa  relação: 
agenle capaz. objelo Iícilo e  lorma  I ' r e s c r i l ~ 011  n,~o clclesa  em  Id. orl.  82  do Cc. A  relaçiiu 
jurfdicll proccssual  lem como sujeitos:  aulor,  juiz e  r~u; como objeto  imccli.ltO:  o prestaçãu 
da  lulela  jurisdicional  (sentcnça); c  comó  pressuposlos:  os  de  e ~ i s l ê n c i a c os dc  \'olidadc. 
segundo a.l. 267, IV,  do crc.  , 
J4  ~ Interessanlc notar que  j ~ em 1895, 'luando réalizou o seu projelo de Códibo de rrucesso 
Civll Auslrfaco.  um excepcional  juri.sla. chamado  ('ranz  Klein,  dividia  o  rrinclpio displIsí· 
livo, delimitando a  alividadc das partes e a  atividade do juiz no proce,so.  \ 
J5  Ob.cit••  pp. 65  c 79.  
J6  /lIicinlivns PrIlbntorin, dei Jllez !I Ilnses I'rrjrlrldic,lS rir 111  E51rlllllrtl ,lei I'rpreso.  no  lI!>r"  
inlitulada  I.n Ornlidnd .'I'ns Plllclms  CII  rll'rr>crso CÍl·il. EjE,\,  1972.  1'1'.  112s.  E nos Prr>I'''',"ns 
de Reformn do Procrssr> Civil,,"s Sr>círd"drs  Cnlllrll/l'r>rAII"'~. conler"ncio  de nberlura do Con- 
gresso DrllSileiro de Direito Processual Civil. Curiliba,  18.11.\11.  
'24  Darci CllimonicJ Rilx:iro 
f 
, 
.  II
I' 
1.2.2,1. SCI/lidolllnlerinl, slI/JstnllCinl 011  c1ciçiio d i s p o s i [ l ~ n 
Define o  dispositivo, neste sentido; Fr  /,or 
Fnlllz  Klrill, r O l i ~ d o nos  r . ~ I I I d ; ( l ~ ,Ir Drrrrho  I ' r o ( r ~ n l , Ed.  Hcvisl0  dc  Ocrccho  t>rh'odo, 
f\1.1drid,  1955,  r. 313.  1 
."  I'rn/ll"rlIIS  dr ... , nO  2. 
.'?  t:  Int~ressanle nolM  'lUl·.  no  pcrlodo  c 1 ~ s ~ i c o (ccrcR  dc  150  o.c.  a  28~ d.C.I.  Gaio.  quc 
Icria  vivido  nessc  s ~ c u l o 11.  j~ salicntavn  a  necessidadc  do  Eslado,  a t r a Y ~ s da  pesson  do 
prelor.  pMO  rcsolver  os  conflHos.  Era  o  inicio  do monopólio dn  jurisdição.  poís, segundo 
~ I e . "quem  'lucir.,  .,sir  conlra· oulrcm  dc\'c chaml\·lo  a  juIzo"  (InslHlllo5  4.183).  ~ inlcres· 
snnle  nolaT.  'lue  no  direilo  romano  a n l i ~ o se  conlundia  n  ddcsa  privnda  com  a  dclesa 
1'1Iblica,  i510  ~,I' próprio lilulnr nliv" do direHo  c ~ ( ' ( c i a · o I'rivndnmcntc, c C'IHular passivo 
d" direilo, cnSQ  n~t' ct'n«'rcla~se com Ongir  I'ril'ntlC', dcverio  ~ l 'dn  ky I"'i,,, c al'erfciçoado  com  o  decreto  elc  Marco  A u r ~ l i o , o  ehnmndo 
Drc'l(I"",  '/i(l;  Mnrei, .  r>  rurrilrm ro'" 
" f , l l ' ~ , I'r>is  rir>  (r>II/"lrio firllr/ll! "ril"I'/OS  dr/r. 11C'llicrnnmentc,  com  n  prllil'iç~o da  nuloluleln 
pclo  E ~ l a d o . O \ilular  nli\'o  do  direilo  nccessito  da  n ç ~ o l ' r o ( r ~ ~ l I n l rara  e ~ c r c l l A · l o . c$tn 
I T o n ~ p o s i ç ~ o do  delesa  privado  para a  dcleso  rlíblicn se  rcrlcle em  I'Arins  ~ren~ do dlrcllo, 
l a i ~ como:  no co"ceito de OÇ;'ll,  lanlo ,"alcriol qunnto processual, no enll'ndimcnlo do ônus 
do  prova. clc.  . 
PQOVMi A,1Ploo 
'2~ 
I 
40 Nesse senlldo, Moacyr(A, Santos, COl/lm/rf,ios "o CcldigCl de PrCl,cssrt Civil, forense. J994. 
7' ed., v.IV, n' 323, p. ~ 0 3 ; Arruda Alvim, M"",,,,I 111' DIrei/o P,oreHllnl Civil, .RT. 1991. v. 2. 
n' 300, p. 376. 
. 41 wa nulidade p ~ r a Arruda Alvill1 ~ relaliva. ob. cil.. p. 377. 
n Elc",cIllos p"'. 11"''' Teo,i" Gcml do P,ocesso, S~,~i"~, 1993. pp. 53·54. 
Q Conlorme Celso A. l3arbi. COII/CII/rfríOS no CPC. r:o'en~e, 1992,7. ed., v. I, n' 689. p. 320; c 
Arr~da Alvim. Código dc Processo Civil Comell/"do. RT. 1979, p. 152. 
/'. t; 
.desele,  rnnis  Oll  menos, 
1789,  quando  iI  Revolução  F r i l n é e ~ n colocou  o  mu"a1cs  prerrevolllcionarios habfa  hedHI  que  
los franceses lemierall ai  poder legislativo de  los  jlleces dis(razado de illlerpretaci6n de  las 
leyesW 
,  ob.  cil., p. 64. 
','28  Darci .CllilllnniCl> Qil:x:íro 
como  ocurre  en  el  proceso,  ha  de  haber  alguien  que  dirijn  esa 
discusi6n,  I"  haga  progresar  y  "vanZde  I:I11~nM l1ellhlll11~ medido  jlldici,,1  ~l'Ill 
ouvir as  pllrtes, r.g., Mls. 530, 552. 5(,9. 590, 596,600,612 c 624.  
", rl/s/I/lliç/lts  ....  1°  v .•  nO  29,  p. 100.  
.   14  Nes~e senlido. J.  Peyral1o. il/  o.c.. p.  146;  Ei~l1er. rri"(ÍI'iM I'rnr..."no  es  una  iguald ~esulld~ illlilul~da Oi­ 1,/  
j,,~/icitl srn/lli/n, q\le  ~ c O l l l p o s l ~ pelos § 1°  DrI  rrcollnrillltll/o "ri rirrrcf,n que englllbll  o ~ Arls.  
13  ~ 19;  § 2°  DrI prnwlilllm/n, a r l ~ . 20  ~ 29  e § 3°  Dr Ins  rf«(/ns rir In jlls/ici,' xrn/lli/n.  a r l ~ . 30  
o 50.  O  'lue pedaz ulll  101~1 dl'  l r i n \ ~ e  ~l'le (37)  Mligo~ tle~ic~tlos ilO  lem~. 
'7  E s ~ a C ( l n c e p ç ~ o leve (lrigl'm  n ~ H e v ( l l u ç ~ ( l F r a n c c ~ ~ , na  m l ' \ l í t l ~ em que  o ~ poderes  d o ~ 
m o g i s t r ~ t l o s lornm  r e d u z i d o ~ c,  por  r o n ~ e g u i n l e , a u m e n l a r ~ m ' s e (>5  podere~ d3~ p.nles.  
Conlorll'e  M e r r y " , ~ n . oh.  ci!. .. ". 78.  Vide  n o l ~ 18 e 34.  
& ~ Ob.  cil.,  nO  53. p.  104.  
h9  IMi~ essa  l ~ o lorle,  que  I \ d ~ Pellegrilli  idenlilicn  (>  procedil11elllo  com  ~ u m processo  
i u r l ~ d l c i o n n l de  eslrulum  C o o r C ! T ~ 1 6 r i a " , NC1{lns Tr",III"il/~ ,lo Direi/o /'rnrrssllnl.  Forense  
U n i v e r s i l f l r i ~ , 1990.  p.  2.  
70 1\0 'Iue p;crece. a  lide  ~ o conceilo qul' mnior  inlhu:'Ilria  ~ I ' r t ' ~ e l l l ~ I l t ' ~ i I l 5 l i l u l ( > ~ p r ( > c e ~ · 
~ l I ~ l s , I'.  11"  110  cClI1reil(l de  l u r i 5 \ 1 í ~ , ' o , no wncl'ilo  jurhlicn, 11(>  cllllceil(> de l'arle5.  
no Ctlllcl'ilt' dl'  ~ ( ! I \ I C I I Ç ~ , IIn  CIlIlCl'i11l  dI!  coi~~ julg~dn, elc.,  I ~ I l I I l que  C ~ r n e l u \ l i diz,  ~ e n el  
("ndo,  I l l d ( l ~ . más  (n  
.,  cil~';,'o ~ ~ i m , I"  v.,  1'.  59,  illlhl\'Il'  
DOOYM i\'liplCM  3 1 ~ 
1$, 
j~cisdição_v.oluntár-ia, segundo doutrina dominante, l'IãO.J.1áJide,72\ 
nem há partes,7J visto que a relaçiio processuill apresenta somente 
um pólo, o que logicamente faz com que inexista um tratamento 
igualitário, porquanto a igualdade de tratamento pressupõe partes 
antagônicas. Tanto é isso verdadeiro que os alemiies têm um provér-
bio que diz: "Eines mannes red  ist  keine red, der richter 5011  dic dell 
verhoeren beed" (A alegaçiio de um só homem niio é alcgaçiio; o jlliz 
deve ouvir ambas as  p a r t e s ) . 7 ~ 
ciou alguns aulores  b r ~ ~ i l c i r o s , el\l.re eles  A r r u d ~ A'vim, oI>.  cil..  ".  I.  nO  153. p. 302;  Tere~., 
Alvim  Pinto,  N,,/i"n"es dn Se,,/ellçn, RT.  191\7,  p.  15.  ~ ien  qlle ell,*l!'; c1e1medi,'.  porqlle 1.1  r('~cci~II ~e (111"1"'-
medianle  I ~ d e c l M ~ c i 6 n de  C l : r l c z ~ , n ; ~ I ' e r l o de  1.1  cu~1 l'"  s.,bl:lll"~ que  cllnsislL'  '­li  li'''' 
eleccl6n oficial que se suslílllYC  ~ \..  c1ecdúII dclparlindM; l'  p n , , · i ~ . ' l l l e n l e ~ I l 'li'" d"rd{1I1 
hechft sllvrr I'nr/ts y por cso i"'I',,,einl". D",rc1ro y I'r"crs". EIEA.  1971,,,· :17.1"  7~. COIII  isso, 
se quer \ l e l 1 1 o n s l r ~ r . c o n t r a r i ~ l I l e " t e ~ o qlle escrevem 05  ~ 1 I 1 ' ' ' e $ . qUI:  ~ jurisdiç"o ""Iunl,iria  
~ atividade j u r i s d i c i o n ~ 1 p M ~ Carneh,tti. ""0 o em somenle n"  "  e  II~ 2'  f a ~ e . I I I ~

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