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Acesso à Justiça, estrutura e 
competência em matéria 
previdenciária
José Antonio Savaris
Acesso à justiça. Estrutura e competência em 
matéria previdenciária. Gratuidade da Justiça. 
Interesse em agir. Relações do processo 
administrativo com o processo judicial. Da 
necessidade de prévio requerimento administrativo 
até a exigência de formalização adequada dos 
pedidos no processo administrativo previdenciário.
Competência da Justiça Federal
Poder Judiciário Federal 
CF/88. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública 
federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou 
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as 
sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;
Competência delegada – autorização 
constitucional
CF/88. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
§ 3º Lei poderá autorizar que as causas de competência da 
Justiça Federal em que forem parte instituição de previdência 
social e segurado possam ser processadas e julgadas na justiça 
estadual quando a comarca do domicílio do segurado não for 
sede de vara federal.
§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será 
sempre para o Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do 
juiz de primeiro grau.
Competência delegada – critério legal
A Lei 13.876, de 20.09.2019, que alterou o art. 15, III, da Lei 
5.010/66, estabeleceu que somente é possível o processamento e 
análise das causas previdenciárias na Justiça Estadual quando a 
Comarca de domicílio do segurado estiver localizada a mais de 70 
km (setenta quilômetros) de Município sede de Vara Federal. 
Resolução nº 603/2019 do Conselho da Justiça Federal (CJF) -
considerada a distância entre o centro urbano do município sede 
da comarca estadual e o centro urbano do município sede da Vara 
Federal mais próxima
Competência para julgar causas acidentárias no 
âmbito do RGPS
Causa previdenciária acidentária causa acidentária
Ações de concessão, de revisão ou de restabelecimento de benefícios 
previdenciários decorrentes de acidente de trabalho (benefícios acidentários). 
Competência da Justiça Estadual para causas 
acidentárias
“Compete à Justiça Ordinária Estadual o processo e julgamento, em ambas 
as instâncias, das causas de acidente de trabalho, ainda que promovidas 
contra a União, suas autarquias, empresas públicas ou sociedades de 
economia mista” (STF, Súmula 501).
“Compete à Justiça Estadual processar e julgar os litígios decorrentes de 
acidente do trabalho” (STJ, Súmula 15)
Competência da Justiça Estadual para causas 
acidentárias
Lei 8.213/1991, arts. 19 a 21. Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre 
pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador 
doméstico ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso 
VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação 
funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou 
temporária, da capacidade para o trabalho”.
Estrutura e competência da Justiça Federal
• Justiça 
Federal 
Comum
• Juizados 
Especiais 
Federais 
Competência dos Juizados Especiais Federais -
Lei 10.259/2001- subsidiariamente Lei 9.099/95
Art. 3º Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar 
causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários 
mínimos, bem como executar as suas sentenças.
§ 2o Quando a pretensão versar sobre obrigações vincendas, para fins de 
competência do Juizado Especial, a soma de doze parcelas não poderá 
exceder o valor referido no art. 3o, caput.
“Ao autor que deseje litigar no âmbito de Juizado Especial Federal Cível, é 
lícito renunciar, de modo expresso e para fins de atribuição de valor à causa, 
ao montante que exceda os 60 (sessenta) salários mínimos previstos no art. 
3º, caput, da Lei 10.259/2001, aí incluídas, sendo o caso, até doze prestações 
vincendas, nos termos do art. 3º, § 2º, da referida lei, c/c o art. 292, §§ 1º e 
2º, do CPC/2015” (STJ, Tema 1030).
Juizados Especiais Federais. Isenção de custas
Lei 9.099/95 (aplicação subsidiária conforme art. 1º da Lei 10.259/2001). 
Art. 54. O acesso ao Juizado Especial independerá, em primeiro grau de 
jurisdição, do pagamento de custas, taxas ou despesas.
Parágrafo único. O preparo do recurso, na forma do § 1º do art. 42 desta 
Lei, compreenderá todas as despesas processuais, inclusive aquelas 
dispensadas em primeiro grau de jurisdição, ressalvada a hipótese de 
assistência judiciária gratuita.
Gratuidade da Justiça
Os benefícios da justiça gratuita - insuficiência de recursos para pagar as 
custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios (CPC/2015, 
art. 98, caput)
Para a obtenção do benefício de gratuidade da justiça, é bastante a 
declaração de insuficiência de recursos, a qual se presume verdadeira 
em relação às pessoas naturais (CPC/2015, art. 99, § 3º). 
O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver, nos autos, 
elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a 
concessão de gratuidade. Ainda assim, antes de indeferir o pedido, deve 
determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos 
pressupostos (CPC/2015, art. 99, § 2º).
Gratuidade da Justiça
* “A assistência do requerente por advogado particular não impede a 
concessão de gratuidade da justiça” (CPC/2015, art. 99, § 4º).
* Nas causas previdenciárias, o pedido de assistência judiciária pode ser 
impugnado pelo INSS, o qual detém o ônus de demonstrar que a 
afirmação de insuficiência de recursos não corresponde à verdade, isto é, 
que o requerente tem plenas condições de arcar com as custas, 
honorários advocatícios e demais despesas processuais (CPC/2015, art. 
100). 
* A presunção de veracidade atribuída por lei à declaração de pobreza 
somente pode ser elidida pela existência de elementos em concreto
TRF 4ª Região, IRDR – Tema 25 
A declaração do interessado poderá gerar presunção de insuficiência de 
recursos desde que seus rendimentos mensais não ultrapassem o valor 
do maior benefício do regime geral de previdência social (R$ 8.092,54 
para o ano de 2025), hipótese em que essa presunção somente será 
elidida por elementos que coloquem em dúvida a alegação de 
necessidade. 
Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de 
sua revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão 
for resolvida na sentença, contra a qual caberá apelação (CPC/2015, art. 
101, caput)
Gratuidade da Justiça e sucumbência do autor 
A concessão de justiça gratuita não livra a parte beneficiária, quando 
vencida, da condenação ao pagamento das custas e honorários 
advocatícios
Desde a vigência da Lei 1.060/50, a disciplina da justiça gratuita prevê a 
suspensão da exigência dessa verba pelo prazo de 5 (cinco) anos. Se 
nesse período houver a alteração das condições socioeconômicas do 
beneficiário, as verbas de sucumbência podem ser executadas. Vencido o 
prazo legal sem a revogação do benefício, extingue-se a obrigação (art. 
99, § 3º, do CPC/2015). 
Gratuidade da Justiça - sucumbência parcial
No contexto do CPC/2015, é vedada a compensação dos honorários 
advocatícios também em caso de sucumbência parcial, nos termos do art. 
85, § 14: Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza 
alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação 
do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de sucumbência 
parcial.
Cinco momentos sobre 
acesso à justiça no direito 
previdenciário
Para configurar o interesse processual, há 
necessidade de previamente requerer o 
benefício na via administrativa? 
Auxílio-acidente, particularidades? STJ, AIRESP 
2046599
Tema 350 do STF. RE 631.240. 
https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202300036577&dt_publicacao=22/06/2023
Paraconfigurar o interesse processual, há 
necessidade de previamente alegar todos 
os fatos na via administrativa? 
Tema 350 do STF. RE 631.240. 
I - A concessão de benefícios previdenciários depende de requerimento do interessado, 
não se caracterizando ameaça ou lesão a direito antes de sua apreciação e 
indeferimento pelo INSS, ou se excedido o prazo legal para sua análise. É bem de ver, no 
entanto, que a exigência de prévio requerimento não se confunde com o exaurimento 
das vias administrativas; II – A exigência de prévio requerimento administrativo não 
deve prevalecer quando o entendimento da Administração for notória e reiteradamente 
contrário à postulação do segurado; III – Na hipótese de pretensão de revisão, 
restabelecimento ou manutenção de benefício anteriormente concedido, considerando 
que o INSS tem o dever legal de conceder a prestação mais vantajosa possível, o pedido 
poderá ser formulado diretamente em juízo – salvo se depender da análise de matéria 
de fato ainda não levada ao conhecimento da Administração –, uma vez que, nesses 
casos, a conduta do INSS já configura o não acolhimento ao menos tácito da pretensão; 
Tema 350 do STF. RE 631.240. 
IV - Nas ações ajuizadas antes da conclusão do julgamento do RE 631.240/MG (03/09/2014) que não tenham sido 
instruídas por prova do prévio requerimento administrativo, nas hipóteses em que exigível, será observado o 
seguinte: (a) caso a ação tenha sido ajuizada no âmbito de Juizado Itinerante, a ausência de anterior pedido 
administrativo não deverá implicar a extinção do feito; (b) caso o INSS já tenha apresentado contestação de 
mérito, está caracterizado o interesse em agir pela resistência à pretensão; e (c) as demais ações que não se 
enquadrem nos itens (a) e (b) serão sobrestadas e baixadas ao juiz de primeiro grau, que deverá intimar o autor 
a dar entrada no pedido administrativo em até 30 dias, sob pena de extinção do processo por falta de interesse 
em agir. Comprovada a postulação administrativa, o juiz intimará o INSS para se manifestar acerca do pedido em 
até 90 dias. Se o pedido for acolhido administrativamente ou não puder ter o seu mérito analisado devido a 
razões imputáveis ao próprio requerente, extingue-se a ação. Do contrário, estará caracterizado o interesse em 
agir e o feito deverá prosseguir; V – Em todos os casos acima – itens (a), (b) e (c) –, tanto a análise administrativa 
quanto a judicial deverão levar em conta a data do início da ação como data de entrada do requerimento, para 
todos os efeitos legais.
Tema 350 do STF. RE 631.240. 
Adoção do lógica do “fato novo” ou “alegação nova” 
como carente de postulação administrativa prévia -
das ações de revisão para as ações de concessão de 
benefício. 
Presença de indícios no PA. Fato não analisado e “fato 
novo”. 
Extensão da inteligência do Tema 350 do STF
Para configurar o interesse processual, há 
necessidade de cumprimento de todas 
exigências administrativas? 
Reg. da Previdência Social – Dec. 3.048/99, 
com redação do Dec. 10.410/20, art. 176
“Se o indeferimento do benefício na via administrativa ocorre 
pelo descumprimento injustificado da parte segurada da 
exigência solicitada pelo INSS para a instrução do processo 
administrativo – embasada, por sua vez, na falta de 
documentos para instruí-lo – o que impediu a decisão de 
mérito naquele âmbito, não se verifica o interesse de agir em 
juízo pela ausência de pretensão resistida” (TRF4, AC 5021364-
32.2021.4.04.9999, Turma Regional Suplementar do PR, Rel. 
Márcio Antônio Rocha, juntado aos autos em 25.03.2022)
Precedentes judiciais já orientavam no mesmo 
sentido
Pressupostos de legitimidade da exigência 
administrativa
Legalidade
Proporcionalidade 
• estar ao alcance do particular
• ser necessária para a instrução
• Informação não disponível para Administração
Para configurar o interesse processual, há 
necessidade de previamente se 
apresentar todos os documentos da ação 
judicial na via administrativa? 
Tema 350 do STF. RE 631.240. 
Questão: Caso superada a ausência do interesse de agir, definir o termo 
inicial dos efeitos financeiros dos benefícios previdenciários concedidos ou 
revisados judicialmente, por meio de prova não submetida ao crivo 
administrativo do INSS, se a contar da data do requerimento administrativo 
ou da citação da autarquia previdenciária. –
ProAfR no REsp 1905830/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, j. 
21.09.2021, DJe 17.12.2021
Tema 1124 do STJ. Aguarda-se julgamento. 
“Sobre a eventual diversidade de documentos juntados em processo 
administrativo e judicial, a regra geral é a que consta do votocondutor do 
acórdão embargado: será necessário prévio requerimento administrativo se 
o documento ausente no processo administrativo referir-se a matéria de 
fato que não tenha sido levada ao conhecimento da Administração. 
Eventuais exceções devem ser concretamente motivadas. Deve-se observar 
ainda o art. 317 do CPC/2015, segundo o qual “Antes de proferir decisão 
sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte oportunidade para, 
se possível, corrigir o vício”. (STF, RE 631.240-ED, j. 9 a 15/12/2016)
Tema 1124 do STJ. Aguarda-se julgamento. 
Para configurar o interesse processual, há 
necessidade de previamente formalizar 
todas as alegações e documentos nos 
campos do requerimento eletrônico? 
Tema 350 do STF. RE 631.240. 
Tema 350 do STF. RE 631.240 
“O que se tem é uma estrutura de inteligência artificial que não dialoga com o particular, não é
intuitiva e que não faz cumprir, porque apresenta limites de comunicação, o dever jurídico da
Administração em agir de modo eficiente e proativo na análise dos requerimentos de
benefícios previdenciários, orientando o particular, com ou sem representante, concedendo-lhe
a proteção previdenciária adequada.
Por outro lado, o INSS contestou o mérito da demanda, também munida, a Procuradoria
Federal, de recursos tecnológicos. Isso faria ao menos reconhecer o interesse processual
superveniente à DER.
Dessa forma, seja porque o fato foi levado à Administração, que não logrou ouvir, seja porque
não foi emitida exigência administrativa - o que é razoável de se exigir diante da afirmação
expressa do segurado no sentido de que deseja ter reconhecido tempo de trabalho rural -, seja
porque o mérito da causa foi objeto de impugnação, penso que não se justifica a extinção do
feito sem resolução do mérito, especialmente diante da norma processual fundamental que
consagra a primazia do mérito”.
3ª TURMA RECURSAL DO PARANÁ - RECURSO 
CÍVEL Nº 5007027-31.2023.4.04.7004/PR
https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=4&numero_gproc=700015904798&versao_gproc=2&crc_gproc=2db9dac4
Pedido de reabertura de tarefa pela 
via do mandado de segurança 
EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCEDIMENTO 
ADMINISTRATIVO. REABERTURA. NECESSIDADE DE NOVA DECISÃO. 1. A 
reabertura do processo administrativo é possível quando há fundamentação 
genérica, omissa ou inexistente que configure violação ao devido processo 
legal. Em casos tais, há legítimo interesse de agir na impetração do 
mandado de segurança. 2. O princípio da motivação dos atos 
administrativos impõe à administração o dever de indicar os fundamentos 
de fato e de direito de suas decisões, devendo seu texto guardar 
congruência com a realidade fática, ser claro, coerente e consistente, todas 
características de uma boa argumentação. Tal obrigatoriedade se 
fundamenta na necessidade de permitir o controle da legalidade dos atos 
administrativos. 
Pedido de reabertura de tarefa pela 
via do mandado de segurança 
3. Revela-se ilegal e irrazoável o encerramento do processo administrativo 
sem a adequada análise de todos os pedidos formulados pelo demandante e 
das provas apresentadas, bem assim a prolação de decisão fundamentada, 
com apreciação de todos os requisitos legais à análise do requerimento, nos 
termos dos §§ 1º a 3º do art. 691 da IN n.º 77/2015 4.Tem a parte 
impetrante direito à reabertura do procedimento administrativo de 
concessão do benefício previdenciário para que seja formulada nova 
exigência de documentos, bem como que seja prolatada nova 
decisão fundamentada. 5. Mantida a sentença que concedeua segurança. 
(TRF4 5022888-48.2023.4.04.7201, NONA TURMA, Relator CELSO KIPPER, 
juntado aos autos em 16/09/2024)

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