Prévia do material em texto
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Curso Bacharelado em Serviço Social NOME DO (A) ACADÊMICO(A): CAMILA DÁRIA ALMEIDA ARAÚJO (SES0813.8) TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO: ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROCESSO DE ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS IPUEIRAS-CE 2022 CIDADE ANO CAMILA DÁRIA ALMEIDA ARAÚJO ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROCESSO DE ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina de TCC – do Curso de Serviço Social – do Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, como exigência parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social. Nome do Tutor – Antonio Erivan Rodrigues Medeiros de Sousa. IPUEIRAS-CE 2022 ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROCESSO DE ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS POR CAMILA DÁRIA ALMEIDA ARAÚJO Trabalho de Conclusão de Curso aprovado do grau de Bacharel em Serviço Social, sendo-lhe atribuída à nota “______” (_____________________________), pela banca examinadora formada por: ___________________________________________ Presidente: Prof. XXXXXXXXXXXXXXX – Orientador Local ____________________________________________ Membro: XXXXXXXXXXXXX - Supervisor de Campo ____________________________________________ Membro: XXXXXXXXXXXXX - Profissional da área IPUEIRAS-CE Data da Realização da Banca DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha mãe e a minha vó, que são as pessoas no qual eu mais me espelho nessa vida, que sempre me encorajaram para nunca desistir dos meus sonhos. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, a Deus, que sempre me deu força, coragem e sabedoria para não desistir dos meus objetivos e concluir esta fase da vida. A minha mãe e minha vó, que são a base de tudo na minha vida, que sempre me deram todo apoio e ajuda, nunca mediram esforços para realizarmos esse sonho. Mãe, a senhora é a melhor mãe do mundo, é minha âncora na vida, tudo que eu conquistar é por sua causa e pra você! Ao professor Erivan, por ter sido meu orientador e ter desempenhado essa função com muita dedicação e amizade. Agradeço aos poucos amigos que sempre me incentivaram para que esse sonho fosse realizado. “A felicidade às vezes é uma bênção - mas geralmente é uma conquista.” Paulo Coelho RESUMO O presente trabalho tem como temática a inserção do assistente social no processo de adoção por casais homoafetivos. Percebe-se que a inserção do assistente social dentro dessa área social é de suma importância na questão de assegurar os direitos sociais dos indivíduos e assim, terem uma vida mais estável e com segurança. Visto à necessidade de se abordar a importância do estágio na vida acadêmica, tem como finalidade abordar essa temática, para sintetizar sua importância e ênfase na garantia dos direitos sociais dentro do referido território a qual está localizado. Além disso, as bases teóricas que foram fundamentadas são de suma importância na questão da atuação do assistente social e sua importância dentro das causas sociais e conjuntas de uma sociedade mais igualitária e que o direito seja ampliado para ambos os indivíduos. Palavras-chave: Adoção. Assistente Social. Casais Homoafetivos. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9 2 APRESENTAÇÃO DO TEMA .............................................................................. 11 3 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA E A RELAÇÃO COM A QUESTÃO SOCIAL..12 4 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................28 5 OBJETIVOS DA PESQUISA..................................................................................29 5.1 Objetivo Geral ......................................................................................................29 5.2 Objetivos Específicos ..........................................................................................29 6 METODOLOGIA DE PESQUISA ...........................................................................30 7 ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA................................................................31 7.1. APRESENTAÇÃO DOS DADOS........................................................................31 7.2. ANÁLISE DOS DADOS......................................................................................31 7.3. RESULTADOS...................................................................................................32 7.4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS....................................................................33 8 CONCLUSÕES......................................................................................................34 REFERÊNCIA...........................................................................................................36 9 1 INTRODUÇÃO Há muito tempo, o ser humano deve se relacionar com o outro dentro da sociedade e, para isso, precisa conviver com suas diferenças e particularidades, mas sempre respeitando os direitos sociais de seus indivíduos. Por conta disso, foi evidenciado a atuação do assistente social dentro das causas sociais, no caso, na adoção de crianças por casais homoafetivos e como assegurar uma sociedade mais justa e mais focada no outro. Conforme expresso no Art. 4° da lei de regulamentação da profissão, ou seja, constituem competências do Assistente social: I. Elaborar, programar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresa, entidades e organizações populares; II - Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do serviço social com participação da sociedade civil. II - Encaminhar providências e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população, entre outras competências. (BRASIL, 1993, p.12) Para Fávero (1999) na medida em que as sociedades evoluem e se organizam politicamente o poder judiciário se manifesta através da autoridade constituída. Esta atribui a norma da força coercitiva, impondo, por conseguinte suas obediências. E a infração a um preceito cogente provocando uma reação do Poder Judiciário. Percebe-se que a inserção do assistente social dentro da área de adoção para casais homoafetivos é de suma importância na questão de assegurar os direitos sociais desses indivíduos e assim, terem uma vida mais estável e com segurança. Por conseguinte, é necessário abordar os objetivos os quais foram essenciais para a formulação do trabalho. Assim, o Objetivo Geral é ✓ Identificar os desafios para a garantia do acesso aos direitos sociais sobre a adoção para casais homoafetivos, juntamente com a atuação dos assistentes sociais na efetivação de garantias sociais aos menos favorecidos. Já os objetivos específicos são: 10 ✓ Buscar medidas que melhorem o acolhimento aos casais homoafetivos frente aos centros de adoção; ✓ Apontar alternativas de como os profissionais de Serviço Social podem ajudar na vida social desses casais e das crianças que serão adotadas; ✓ Conceituar a importância e urgência de entendimento sobre a aceitação da adoção por pessoas do mesmo sexo e ✓ Destacar o trabalho do assistente social juntamente com esse público, sempre enaltecendo o que está escrito na Constituição Federal, direitosa todos sem nenhuma distinção. É dentro desde cenário conflituoso que os assistentes sociais atuam. Seu fazer profissional ultrapassa as questões imediatas que surgem em seu cotidiano referente à realidade dos usuários que buscam a adoção. Essas contradições impostas no campo sociojurídico e as problemáticas inerentes ao convívio social dos indivíduos requerem do profissional uma atuação qualificada, a qual as dimensões ético-política, técnico-operativa e teórico-metodológica lhe baseiam a uma concretude do direito. É relevante ressaltar que a atuação do assistente social no processo de adoção contempla um universo repleto de normatizações, jurisprudências, regras e leis que podem desvincular a sua prática profissional do projeto ético político do assistente social. (SOUSA, 2017). Visto a importância desse profissional na esfera social, nesse relatório, foi abordada a sua importância frente as causas sociais dentro da Justiça e como essa instituição prega os direitos sociais do seu público e a importância de se ter uma sociedade mais justa e com equidade dentro da sua esfera. . 11 2. APRESENTAÇÃO DO TEMA A família ao longo do tempo foi caracterizando um espaço de inserção e apoio para o indivíduo, embora não se negue a sociabilidade familiar parece estar sendo ainda mais valorizada, assumindo-se historicamente como principal representante de integração e acesso a cidadania. Inegáveis são as mudanças sofridas pela sociedade brasileira em meio ao dinamismo do mundo globalizado. Com a crise da família patriarcal, surgem novos núcleos familiares. (SILVA; INÁCIO, 2011). Dentre eles, a família homoparental, formada por pares homoafetivos que, diante da impossibilidade biológica de gerarem filhos entre si, recorrem à adoção como meio de realizar o desejo da maternidade ou da paternidade afetiva, contraindo todos os direitos e deveres do referido instituto em face das crianças e adolescentes que, por motivos diversos, não gozam do amparo e do amor dos pais biológicos. (SILVA; INÁCIO, 2011). Assim, reconhece-se a possibilidade jurídica da equiparação da união estável à família homoafetiva e, consequentemente, da adoção. Esse entendimento já começa a ser discutido, além de reconhecer a família formada por par do mesmo sexo, tem decidido, ainda que timidamente, pela adoção de menores e adolescentes por dois homens ou duas mulheres que convivem afetivamente nos moldes da união estável. (SILVA; INÁCIO, 2011). . 12 3. PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA E A RELAÇÃO COM A QUESTÃO SOCIAL 3.1 CONCEITO DE FAMÍLIA E SUA EVOLUÇÃO A consolidação de família, dentro do contexto social, se percebe pela sua constituição de um grupo de pessoas, que podem ter laços sanguíneos ou não, mas que vivem dentro da esfera social como participantes de um mesmo grupo. Segundo Dias (2007), o fato de nós existirmos tem, em sua base, como um fator natural, a vida em semelhantes. Tendo como o principal intuito da propagação da sua espécie, e pelo fato de que algumas pessoas tem muito medo da solidão, acontecendo de uma forma contínua e duradoura a formação das famílias em nossa sociedade. Para Dias (2007), o encontro das famílias acontece de uma maneira espontânea em no nosso meio social, pois os diversos grupos informais têm uma mesma finalidade a qual essa é a convivência de todos em comum. A família é uma organização formada pela nossa sociedade, onde cada membro tem uma posição e, que por sua vez, desempenha alguma função, como ser o pai, ser a mãe, ser o irmão e/ou ser o filho. Para Novaes (2006, p. 215) destaca que o significado da convivência familiar quando define que “conviver pressupõe basicamente interagir, criar vínculos, enfrentar desafios, superar obstáculos e trocar experiências”. A concepção da família desde os primórdios, até os nossos tempos atuais, foram vários formatos tidos como “ideais de família”, contudo, com o passar dos anos, tudo foi se modificando e todos conceitos de famílias tiveram uma evolução na mesma proporção. A definição de família já teve vários termos, conforme Grisard Filho (2007). Primeiramente, veio a ideia de uma família arcaica e, por conseguinte, acompanhando as tendências que foram impostas pelas sociedades, para a família clássica, a família patriarcal, para o núcleo familiar e para a família contemporânea, dentre outros termos. Palma (2001) salienta que, dentro dessa evolução gradativa, pode-se observar uma característica muito forte que fora o patriarcalismo. A família patriarcal, foi inspirada na estrutura familiar romana, onde instalou- se na passagem do matriarcado para o casamento moderno. Representando, pois, a troca de um sistema que se baseava na organização familiar, onde traz agora a figura do homem como chefe da família. A busca dos homens pelo sustento da sua família, seja ele procurando alimentos ou, mais adiante, ele trabalhando para dar 13 uma sobrevivência, demonstra a importância da figura do sexo masculino dentro do núcleo familiar. Grisard Filho (2007, p. 45) afirma que: “O patriarcado vem determinar o parentesco, a hereditariedade, a posição e o nome das crianças de uma família a partir do tronco paterno”. Dentre dessas mudanças que foram reiteradas, o matrimônio foi uma modalidade de instituição familiar que mais se destacou de várias maneiras ao longo dos todos os tempos: A modo de resumo, a cronologia da família experimentou três formas principais de matrimônios, consanguíneo, sindiásmico e monogâmico, correspondentes aos três estágios fundamentais da evolução da humanidade mesma. Ao estado selvagem corresponde o casamento consanguíneo, ou por grupos; ao estado da barbárie correspondo o casamento sindiásmico, ou de casal; à civilização corresponde a monogamia (GRISARD FILHO, 2007, p. 49). Com isso, podemos dizer que cada época é de certa forma diferente uma da outra, considerando o seu desenvolvimento social, o desenvolvimento político, o desenvolvimento humanitário e o desenvolvimento ambiental. Um outro ponto que tem muita importância no nosso direito de família é o casamento. Dias (2007) explica que uma maior intervenção do Estado trouxe a instituição do casamento como uma formalização dos laços entre as pessoas. Sendo como uma espécie de convenção social, em que o casamento seria a base da família. Nesse sentido, Diniz (2004, p. 39) concorda ao dizer que “é o casamento a mais importante e poderosa de todas as instituições de direito privado, por ser uma das bases da família, que é a pedra angular da sociedade”. Contudo, esse conceito, ao se afirmar que o matrimônio é “uma” das bases, já nos evidencia a presença de “outras” formas que são possíveis para a formação dos núcleos familiares, sendo controversas aos casamentos e atualmente tendo uma maior aceitação para a construção das famílias. Há, em decorrência de toda essa evolução, um paradoxo para a compreensão do conceito de família, conforme afirma Venosa (2004). Dentre os vários ramos do direito não há uma unicidade ao definirmos qual é a verdadeira família, certamente porque não exista uma fórmula exata. Ainda, sua extensão não é coincidente, podendo a mesma expressão “família” nos trazer diversos significados. O direito estuda as relações entre as pessoas que são unidas pelo matrimônio, pela união estável, entre pais e filhos, tutelados, curatelados. Mas, para Venosa (2004, p. 16), “importa considerar a família em um conceito amplo, como parentesco, ou seja, o conjunto de pessoas unidas pelo vínculo jurídico de natureza familiar”. 14 O entendimento atual nos aponta para a valorização e a satisfação dos membros existentes em cada instituição familiar: Já na modernidade difunde-se a idéia de valorar os direitos da intimidade e da privacidade. Sua incindível conexão com a dignidade humana estimou que estes deveriam ser os últimos dosatributos da pessoa humana a necessitar de limitações, desta sorte consumando uma mudança do enfoque que da família se tinha até então, abandonando-se as concepções abstratas e estéreis que impediam o livre desenvolvimento da pessoa. Impunha-se descerrar o véu do núcleo familiar para desvendar em cada caso se verificava efetivamente um vínculo de amor e autêntica solidariedade entre seus integrantes (GRISARD FILHO, 2007, p. 55). Já Gama (2006, p. 78), também fala na relatividade do conceito de família: “O conceito de família é relativo, altera-se continuamente, renovando-se como ponto de referência da pessoa na sociedade e, assim, qualquer análise do fenômeno não pode prescindir de enfocar o momento histórico e o sistema normativo em vigor”. Na prática, são, também, aceitas outras possibilidades de constituição das mesmas, que na modernidade são inseridas no cotidiano das pessoas e, em contrapartida, na esfera jurídica. Segundo Palma (2001), a família moderna entrelaça características de todos os tipos de núcleo familiar, aceitando a sua formação de qualquer maneira, desde as famílias mais antigas até as famílias mais modernas. Caminha-se para a igualdade dos institutos familiares, sejam legalizados ou não, mas aprovados, sob uma visão de que o importante é a finalidade e a felicidade dos membros que as constituem. A família natural, é constituída por um pai, por uma mãe e por seus filhos, não é mais o único modelo que existe na sociedade, podendo a união estável, as relações homoafetivas, as famílias monoparentais, as famílias substitutas e as famílias adotivas, as famílias reconstituídas, as famílias paralelas, as famílias anaparentais, dentre outras formas de famílias, serem um meio para o encontro da identidade dos indivíduos, onde cada um tem o direito de fazer a sua escolha. Nesse contexto, a compreensão do conceito e sua evolução exigem muita reflexão: Pensar e repensar o Direito de Família na atualidade significa voltar àquilo que é, por outro lado, mais primitivo e primário, ou seja, compreender as relações familiares, para, inclusive, entender os nós, as dificuldades de sua aplicabilidade, a atual política legislativa sobre a família e o entravado Poder Judiciário (PEREIRA R., 2003, p. 232). 15 Os reflexos da sociedade se propagam para todas as esferas, e, nesse meio, não é de se duvidar que a família seja modificada com o passar dos tempos. Contudo, diante de todo o explanado, nos restam algumas reflexões a serem feitas: O fato é que o homem diante do mundo atual globalizado fica perplexo face às suas peculiaridades: violento, narcisista, complexo, contraditório, plural e formula as seguintes indagações: De que modo reestruturar a convivência humana? Quais os mais efetivos eixos dessa reestruturação?; Quais os seus desdobramentos e implicações no cotidiano e na dinâmica institucional? (NOVAES, 2006, p. 215). Diante dessa divergência, a família procura fazer jus à sua definição, adaptando-se às transformações que são impostas pela sociedade: A família, ao converter-se em espaço de realização da afetividade humana, marca o deslocamento da função econômica-política-religiosa-procaciobal para essa nova função. Essas linhas e tendências enquadram-se no fenômeno jurídico-social denominado repersonalização das relações civis, que valoriza o interesse da pessoa humana mais do que suas relações patrimoniais. É a recusa da coisificação ou retificação da pessoa, para ressaltar sua dignidade. A família é o espaço por excelência da repersonalização do direito (LÔBO, 2009, p. 11-12). Essa adaptação da família contemporânea à realidade demonstra a amplitude de seu conceito. Conforme Lôbo (2009, p. 13), “A restauração da primazia da pessoa, nas relações de família, na garantia da realização da afetividade, é a condução primeira de adequação do direito à realidade. Essa mudança de rumos é inevitável”. O conceito trazido pela doutrina frisa essas mudanças no entendimento do conceito do que seja uma família: A entidade familiar, apesar do que muitos dizem, não se mostra em decadência. Ao contrário, é o resultado das transformações sociais. Houve a repersonalização das relações familiares na busca do atendimento aos interesses mais valiosos das pessoas humanas: afeto, solidariedade, lealdade, confiança, respeito e amor (DIAS, 2007, p. 34). Deste modo, percebemos que um novo conceito de família está de uma certa maneira ligado a toda evolução que é imposta pela sociedade. A entidade familiar não pode ser restritiva, muito pelo contrário, ela deve englobar um conhecimento complexo das suas relações e, principalmente, dos seus valores e dos seus princípios que surgem dentro das instituições familiares da sociedade contemporânea. 16 3.2 DO MATRIMÔNIO E DA UNIÃO ESTÁVEL Conforme Diniz (2004), a base da vida conjugal, no matrimônio e na união estável, é a afinidade obtida entre os cônjuges e companheiros. Sendo esperado que os dois partilhem da mesma vida e, unindo forços, conquistem a família que foi sonhada por ambos. Para Lôbo (2009, p. 47), “demarcando seu conceito, é o princípio que fundamenta o direito de família na estabilidade das relações sócio-afetivas e na comunhão de vida, com primazia sobre as considerações de cunho patrimonial ou biológico”. Desarte, Lôbo (2009) o classifica como um princípio jurídico da afetividade. Isto posto, a afetividade é o elemento de maior valia no relacionamento entre os familiares. Sendo entendido pela sociedade e pelos pensadores do direito, entrando na legislação com a força total, sendo que os reflexos da afetividade não atravessam apenas a família que fora constituída pelo casamento ou pela união estável. A família atual é tecida na complexidade das relações afetivas, que o ser humano constrói entre a liberdade e o desejo. A família, tendo desaparecido suas funções tradicionais, no mundo do ter liberal burguês, reencontrou-se no fundamento da afetividade, na comunhão de afeto, pouco importando o modelo que adote [...] (LÔBO, 2009, p. 49). Evidencia-se que, independentemente do modelo de família que fora escolhido, a afetividade é sempre o pilar do convívio familiar. Sob outra ótica é, de certa forma, aceitável a dissolução dessas sociedades quando a “afecttio” deixa de existir entre ambos. Ora, de fato ninguém tem a obrigação de conviver com uma pessoa quando entre elas a vida em comum já não seja mais viável. O afeto, que tem sido muito relevante no direito de família, deve ter garantia do Estado: O Estado impõe a si obrigações para com seus cidadãos. Para isso, elenca a Constituição um rol imenso de direitos individuais e sociais, como forma de garantir a dignidade de todos. Isso nada mais é do que compromisso de assegurar o afeto: o primeiro obrigado a assegurar o afeto por seus cidadãos é o próprio Estado (BIRCHAL apud DIAS, 2007, p. 67). O Estado, como sendo o ente maior da sociedade, deve dar o respaldo necessário e a segurança cabível ao bem-estar das famílias, não sendo interesse somente do cidadão. 17 3.3 DO PRINCÍPIO DE IGUALDADE A igualdade é um elemento de suma importância no nosso ordenamento jurídico para que a sensação de justiça seja alcançada. A igualdade faz parte dos princípios da Constituição sendo essencial, também, no direito das famílias. Conforme Dias (2007, p. 62), “é necessária a igualdade na própria lei, ou seja, não basta que a lei seja aplicada igualmente para todos”. O princípio da igualdade tem como finalidade: O princípio constitucional da igualdade (a fortiori normativo) dirige-se ao legislador, vedando-lhe que edite normas que o contrariem, à administração pública, para que implemente políticas públicas para superação das desigualdades reais existentes entre os gêneros, à administração da justiça, para o impedimento das desigualdades, cujos conflitos provocam sua intervenção, e, enfim, às pessoas para que o observemem seu cotidiano. Sabe-se que os costumes e tradições, transmitidos de geração a geração, sedimentaram condutas de opressão e submissão, no ambiente familiar, mas não podem ser obstáculos à plena realização do direito emancipador (LÔBO, 2009, p. 43). É exigido uma releitura da sociedade cada vez em que nós pensamos em igualdade, pois, de fato, uma total igualdade entre os indivíduos dificilmente ela é obtida. Segundo Dias (2007), o que se busca é que, na presença de vazios legais, a igualdade possa ser esclarecida para que os indivíduos tenham, de certa forma, os seus direitos resguardados de uma forma justa. A igualdade e seus consectários não podem apagar ou desconsiderar as diferenças naturais e culturais que há entre as pessoas e entidades. Homem e mulher são diferentes; pais e filhos são diferentes; criança e o adulto ou idoso são diferentes; a família matrimonial, a união estável, a família monoparental e as demais entidades familiares são diferentes. Todavia, as diferenças não podem legitimar tratamento jurídico assimétrico ou desigual, no que concernir com a base comum dos direitos e deveres, ou com o núcleo intangível da dignidade de cada membro da família (LÔBO, 2009, p. 44). Por fim, a igualdade precisa ser um princípio de aplicação efetiva aos direitos e deveres de todos os cidadãos, que são as partes principais da construção de uma sociedade mais justa e mais igualitária. 18 3.4 NOVO MODELO FAMILIAR: A CONSTITUIÇÃO E RECONHECIMENTO DA FAMÍLIA HOMOAFETIVA Através desses movimentos foram consolidados direitos jurídicos constituídos na Constituição Federal de 1988 - CF. 88, Art. 5° que enfatiza, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade privada [...]” (CF. 88, 2012). A família homoafetiva se caracteriza como um novo modelo familiar é um fato da realidade social, que se originou através das modificações que a sociedade vem sofrendo com o decorrer dos anos, a partir de sua dinamicidade (SANTOS, 2014). Referente à compreensão dos autores citados é necessário serem criadas regulamentações que reconheçam as uniões homoafetivas como entidade familiar, a partir de legislações que assegurem esse direito, independentemente da orientação sexual do indivíduo. Para Santos (2014, p.58), “[...] a homoafetividade é um fato social que se perpetuou através dos séculos, não podendo o judiciário olvidar-se de prestar a tutela jurisdicional a uniões que enlaçadas pelo afeto, assumem feição de família”. A sexualidade ainda traz consigo expressões discriminatórias por uma parcela da sociedade, que não aceita a homossexualidade. A discriminação acaba excluindo da sociedade os indivíduos que tem sua orientação sexual divergente da heterossexualidade. Para o autor, “A sexualidade não é uma opção. Não é uma doença e nem um desvio psicológico. Sua determinação ocorre porque deveria acontecer” (SANTOS, 2014, p.55). Referente à citação abordada acima a coordenadora da Comissão de Ética e Direitos Humanos do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Silvana Mara de Morais alude, “A conquista é importantíssima, mas não podemos deixar de seguir na luta para que o Poder Legislativo também faça sua parte, atuando na tendência de reconhecer e legalizar os direitos LGBT”. (CFESS, 2011). Antes da conquista efetivada em 2011, o CFESS já lutava pela garantia de direitos dos homossexuais. Em 2006 o conjunto CFESS/CRESS divulgou uma campanha que objetivava a liberdade de orientação sexual, juntamente como o movimento LGBT. Foi intitulada a Resolução 489/2006, enfatizando a negação por 19 comportamentos preconceituosos a qualquer indivíduo com orientação sexual divergente da heterossexualidade. O colegiado CFESS/CRESS busca através de debates combater os atos de preconceito e homofobia e informar a toda sociedade sobre os direitos LGBT. O CFESS criou a Resolução n° 594/2011, em que é realizado alterações no Código de Ética do (a) Assistente Social, fazendo correções gramaticais, formais e conceituais, se integrando a linguagem de gênero. As conselheiras Ivanete Boschetti e Marylucia Mesquita do CFESS ressaltam que, toda forma de amor exige relevância coletiva, por isso, as relações afetivas, sejam entre homens ou entre mulheres, necessitam de respeito e reconhecimento público para serem vividas em plenitude e integralidade. Nada justifica a homofobia/ lesbofobia, sutil ou explica que não reconhece e rejeita as relações homoafetivas. (CFESS, 2011). 20 3.5 ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS: LIMITES E POSSIBILIDADES JURÍDICAS Conforme a compreensão de Torres (2009), o processo de adoção se vincula a garantia do bem-estar da criança e adolescente, através da boa convivência familiar e comunitária. O que se deve levar em conta no processo de adoção não é a orientação sexual do casal adotante, mas sim as particularidades da entidade familiar, considerando se a família é apta ou não a se responsabilizar por uma criança ou adolescente. Quem pode considerar se a família está apta ou não são os magistrados através dos estudos sociais e psicossociais que a equipe multidisciplinar encarregada de analisar o processo de adoção faz para subsidiar a decisão das autoridades competentes. Antes de a família homoafetiva ter direito a adoção e ser constituída como entidade familiar, apenas um dos companheiros poderia registrar a criança ou adolescente adotado, deixando o outro parceiro sem nenhuma responsabilidade, acarretando a insegurança patrimonial, pois em caso de morte ou separação do parceiro não registrado, o adotado não teria direito de requerer pensão por morte ou alimentícia, entre outros direitos (TORRES, 2009). O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul foi o primeiro a dar um parecer favorável a um casal de mulheres a se tornarem legalmente responsáveis pela criação de duas crianças, retratando o reconhecimento do casal homoafetivo como entidade familiar, portando, todos os direitos de uma união por casais heterossexuais, alegando não ter nenhum problema em uma criança ou adolescente ser adotado por um casal do mesmo sexo (O POVO, 2010). Apesar de todo arcabouço político favorável à adoção de crianças e adolescentes por casais homoafetivos, ainda é visível na sociedade brasileira opiniões preconceituosas, como revela a pesquisa realizada pelo Instituto referente ao grupo Folha em 2010, da qual participaram 2.660 entrevistados em todo território nacional, 51% dos entrevistados mencionaram ser contra a adoção por casais homoafetivos e 39% aceitavam à adoção por casais do mesmo sexo. (Data Folha, 2010). A questão da adoção por casais homoafetivos recai sobre a criação da criança, pois muitos leigos presumem que a orientação sexual dos pais pode interferir no desenvolvimento da afetividade dessa criança. Contudo, Pinho (2009, 21 p.21) afirma que, “A adoção precisa deixar de ser um mito, um tabu. O medo do desafio, a lentidão do processo, o medo da sociedade preconceituosa não pode impedir a felicidade de tantas e tantas famílias”. Esse posicionamento discriminatório em relação aos homossexuais se opõe ao direito constitucional a cidadania, como também o direito do cidadão de se tornar pai ou mãe, desvalorizando o direito da criança e do adolescente de constituir a sua família. Para Torres (2009, p.110), “[...] não há dúvida alguma de que a inclusão de uma criança ou adolescente, que vive em total abandono, numa entidade familiar homoafetiva lhe será muito mais benéfica do que sua permanência nas ruas ou instituições [...]”. 22 3.6 ADOÇÃO POR CASAL HOMOAFETIVO: OS DESAFIOS DESTA NOVA DEMANDA PARA O SERVIÇOSOCIAL Iniciando este tópico e usando o pensamento de SANTOS; SANTOS (2016), destaca que as famílias homoafetivas na contemporaneidade sofrem com todos esses conceitos construídos socialmente através do tempo, ainda assim, no Brasil temos como base o modelo de família patriarcal, que só reforça o preconceito, pois esse tipo de família estabeleceu papéis sociais definidos para casais formados por homens e mulheres. Deste modo casais compostos por pessoas do mesmo sexo são discriminados e excluídos do meio social. A adoção por casais homoafetivos é muito discriminada na sociedade, pois a mesma tem a ideia de que crianças criadas em lares homoafetivos tendem a desenvolver a mesma sexualidade dos pais, em alguns casos acredita-se que as crianças possam vir a sofrer algum tipo de abuso por parte dos mesmos ou que possam sofrer rejeição por parte da sociedade por serem filhos de pais homossexuais. Esta problemática, por fazer parte do processo de trabalho do assistente social, tem se tornado um desafio a ser enfrentado e debatido pelos profissionais do Serviço Social. Por ser uma profissão que atua junto aos processos de adoção, atuando diretamente com os usuários destes direitos. (SANTOS; SANTOS, 2016). O serviço social vem manifestando através de publicações de artigos, eventos, seminários, encontros nacionais, debates etc., a visão da categoria com relação ao processo e adoção por homoafetivos, defendendo o direito à adoção pelos mesmos, já que a orientação sexual do adotante não afeta em nada na vida do adotado, fazendo prevalecer o que está na Constituição que garante direitos iguais para todos. Sendo assim, não há motivos para impedir que um homoafetivo realize uma adoção. Desta forma, o Serviço Social vem enfrentando esta expressão social que está cada vez mais em destaque na atual conjuntura brasileira. (SANTOS; SANTOS, 2016). Assim, segundo Uziel (2002), o poder judiciário e legislativo compreende que as diferentes modificações na estrutura familiar são decorridas das mudanças que ocorrem na sociedade a todo o momento e que é necessário que se criem leis para que possam dar respostas a essas demandas de modo legal, a fim de garantir os direitos de igualdade, de modo que constitucionalmente os homossexuais estão 23 inclusos nos processos de adoção. Na Constituição Federal de 1988, Titulo II, dos direitos e garantias fundamentais, capitulo I, dos direitos e deveres individuais e coletivos, diz que todos são iguais perante a lei, art. 5. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes. (ECno 45/2004) Deste modo com a finalidade de discutir sobre essa temática, aconteceu o 40º Encontro Nacional CFESS/CRESS, realizado em Brasília, no período de 8 a 11 de Setembro de 2011, onde uma das pautas foi à importância da adoção, inclusive por casais homoafetivos, ainda no mesmo ano em 18 de dezembro, em Brasília, aconteceu a 2ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). (SANTOS; SANTOS, 2016). Em 2012 em entrevista ao CFESS, a coordenadora da comissão de Ética e Direitos Humanos (CEDH-CFESS), Mary Lúcia Mesquita, criticou o Projeto de Decreto Legislativo 234/2011(Projeto de Decreto Legislativo tem como objetivo sustar a aplicação do parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual) apontando-o como um recuo na luta pelos direitos da população LGBT. (SANTOS; SANTOS, 2016). Deste modo como visto em Engels (1884), as configurações familiares sempre estão em constante mudança, assumindo novas características com o decorrer do tempo, onde as mesmas podem não ser aceitas de imediato, mas são adaptadas com o decorrer do tempo. Assim, os profissionais do serviço social no seu fazer profissional busca intensamente romper com as barreiras socialmente estabelecidas, afim de que todos possam exercer os seus direitos de cidadãos estabelecidos em lei, mesmo que temas como a adoção por casais homoafetivos sejam vistos e recriminados na sociedade, pois a mesma ainda mantém enraizada na sua estrutura o modelo de família patriarcal, fazendo com que os profissionais procurem fazer prevalecer o direito a igualdade e dignidade humana, seja no que se refere aos casais homoafetivos, seja no direito que os menores possuem de fazer 24 parte de uma família e ter direito a uma estrutura onde os mesmos possam usufruir de um espaço familiar e afetividade que um seio familiar deve proporcionar. 25 4. JUSTIFICATIVA O Serviço Social aparece como forma de enfrentamento da questão social, a qual tem sua gênese no processo de acumulação capitalista, marcado pela contradição entre o caráter social da produção e a apropriação privada da riqueza produzida, raiz de profundas desigualdades sociais que se agravam no cenário contemporâneo. Desse modo, conforme afirma Iamamoto (2009), o trabalho do assistente social assume uma dupla dimensão: como trabalho concreto, atende a determinadas necessidades sociais da classe trabalhadora; no entanto, a condição para que isto ocorra é igualar-se a qualquer outro trabalho, como tempo de trabalho social médio, ou seja, como trabalho abstrato. Como parte da referida classe social, este profissional enfrenta as transformações societárias decorrentes do processo de reestruturação econômica, política e ideológica do capital nas últimas décadas, as quais atingem diretamente suas relações e condições de trabalho nos diversos espaços sócio-ocupacionais em que atua. O Serviço Social atua no campo sociojurídico desde a década de 1940, quando começou a trabalhar (...) no Juizado de Menores de São Paulo auxiliando o magistrado na mediação dos conflitos familiares e juvenis, sob o aspecto do controle e manutenção da ordem social. Os referidos jovens eram tidos como perigosos e o assistente social era chamado para atuar nesta esfera. O Serviço Social vai se expandindo em todo o campo sócio jurídico atuando nas diversas comarcas e espaços do judiciário, auxiliando na elaboração de pareceres sociais, no atendimento ao público por meios de orientações jurídicas, acordos, conciliações e perícias. (RODRIGUES, 2009, p. 9). Nesse contexto, o profissional de Serviço Social passa a ser requisitado no campo sociojurídico, agindo frente a questões ligadas à garantia de direitos fundamentais. De acordo com Fávero (1999, p. 23), O judiciário, como parte do Estado, sendo uma instituição onde o poder se concretiza, é acionado para agir frente a essas contradições ou desvios. Como instância normatizadora no dia a dia de indivíduos, grupos e classes sociais, busca, pela lei, enquadrar determinadas situações, visando a manutenção ou o restabelecimento da ordem. Seu poder é aplicado prioritariamente de forma coercitiva ou repressiva, direcionado para o disciplinamento, a normalização de condutas. 26 Novamente, Fávero (1999) enfatiza e revela a importância dasmedidas no poder judiciário que foram se modificando, para passar a ser protetiva do indivíduo para dar um convívio social e colocá-lo em uma comunidade. Mas o verdadeiro objetivo do Assistente Social é de ressocializar os indivíduos que vão de encontro a essas normas que disciplinam a vida em sociedade. Embora tenham-se registros da atuação de assistentes sociais no judiciário desde a década de 1930, bem como no sistema penal desde 1950, houve uma fragilidade na formação continuada e no exercício da dimensão investigativada prática profissional, da sua sistematização, e da ínfima produção teórica sobre o conhecimento do campo sóciojurídico, revelando um descompasso entre o longo tempo de permanência do Serviço Social nessa esfera, em relação ao saber que este produzia. (PEQUENO, 2008). Sonda e Poncheck (2013), atentam para o fato, de que se refere ao Assistente Social quanto ao dever do Estado na busca pela ressocialização do ser humano que transgrida as normas de conduta, já que se trata de uma normatização para disciplinar a conduta do indivíduo no sentido de trazê-lo de volta ao convívio social. . 27 5. OBJETIVOS 5.1 OBJETIVO GERAL ✓ Identificar os desafios para a garantia do acesso aos direitos sociais sobre a adoção para casais homoafetivos, juntamente com a atuação dos assistentes sociais na efetivação de garantias sociais aos menos favorecidos. 5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ✓ Buscar medidas que melhorem o acolhimento aos casais homoafetivos frente aos centros de adoção; ✓ Apontar alternativas de como os profissionais de Serviço Social podem ajudar na vida social desses casais e das crianças que serão adotadas; ✓ Conceituar a importância e urgência de entendimento sobre a aceitação da adoção por pessoas do mesmo sexo e ✓ Destacar o trabalho do assistente social juntamente com esse público, sempre enaltecendo o que está escrito na Constituição Federal, direitos a todos sem nenhuma distinção. 28 6. METODOLOGIA DE PESQUISA O presente trabalho teve como parâmetro a pesquisa qualitativa, pois se baseou em fundamentos de autores e pensadores mediante o tema abordado e todos os seus fundamentos. Sobre a pesquisa qualitativa, Minayo (2001, p. 14) diz que: a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (Minayo, 2001, p.14). Assim, o trabalho foi constituído através de bases da adoção homoafetiva vinculado a atuação do assistente social, fazendo um até os dias vigentes, buscando alternativas que melhorem a qualidade de vida das populações e que assim, consigam circular dentro do seu território de forma mais abrangente e singular. . 29 7 ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA 7.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS A palavra adoção tem origem do latim "adoptio", que em nossa língua significa "tomar alguém como filho". Vários autores conceituam o instituto da adoção, havendo variações discretas ou não entre estes conceitos, no entanto, o que ocorre é que sempre se acaba chegando a um ponto comum, qual seja, o de que a adoção é a criação de vinculo jurídico de filiação. Em resumo, todos os conceitos concordam que a adoção confere a alguém o estado de filho, gerando um parentesco civil, desvinculado dos laços de consanguinidade. (SILVA; INÁCIO, 2011). O Código Civil, em seus artigos 1.618 a 1.629, e o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, Lei 8.069/90, em seus artigos 39 a 52, trazem os requisitos indispensáveis ao processo de adoção, bem como os efeitos deste. Dessa forma, em relação ao instituto da adoção, existem poucas controvérsias, aparecendo problema, entretanto, quando se trata da adoção por casais homoafetivos. (SILVA; INÁCIO, 2011). 7.2 ANÁLISE DOS DADOS Na nossa sociedade, o preconceito em relação aos homoafetivos ainda é muito grande e até bem pouco tempo a Organização Mundial de Saúde incluía a homossexualidade na lista de doenças (CID), situação que só mudou no começo dos anos 90. A família, base de qualquer sociedade passa por mudanças em decorrência do influxo que o direito de família recebeu com a promulgação da Constituição Federal de 1988, visto que, ela estabeleceu no seu artigo 5º, o princípio da Igualdade e ainda determinou como objetivo fundamental do Estado Democrático de Direito, a promoção do bem de todos sem preconceito de qualquer natureza, inclusive relativo ao sexo, ou seja, vedando qualquer discriminação por conta da opção sexual de qualquer pessoa. (SILVA; INÁCIO, 2011). 7.3 RESULTADOS A afetividade ganha relevância em detrimento do poder marital ou patriarcal. A Constituição de 1988 prevê que é princípio a dignidade da pessoa humana e que os cônjuges agora são iguais em direitos e deveres. As pessoas não mais são 30 obrigadas a permanecer convivendo sem o afeto, sem a livre escolha, pois o Código Civil tornou livre a constituição, o desenvolvimento e a extinção das entidades familiares. Também instituiu a proteção jurídica dos filhos biológicos, adotados e socioafetivos. Tais inovações modificaram o estatuto jurídico da família brasileira, mas ainda não atendem à necessidade da atual diversidade. (SILVA; INÁCIO, 2011). São muitas as transformações e, com isso, a base familiar sofre alterações significativas. E repercute no meio social e essa troca de influências assimiladas pelas modificações da família e da sociedade não pode ser desconsiderada pelo Estado. Entre tantas alterações, novas formas familiares passam a coexistir ao lado da família tradicional, constituída através do casamento. Dentre elas, a família homoafetiva, formada por pares homossexuais. Faz-se necessário esclarecer o significado de homoafetividade, homossexualismo e homossexualidade. O termo homossexualismo era empregado, no Brasil e no mundo, para designar uma das espécies de distúrbios mentais e emocionais, era considerado um "desvio ou transtorno sexual". Felizmente (embora tardiamente), em 1973, a APA (Associação Americana de Psiquiatria) retirou-o da lista de patologias. (SILVA; INÁCIO, 2011). Em 1995, na décima revisão do Código Internacional de Doenças (CID), "deixou de ser considerado doença, substituindo-se o sufixo “ismo‟ por “dade‟ (SILVA JÚNIOR, 2008, p. 63). Assim, homossexualismo passa a ser homossexualidade, já que o sufixo anterior remetia a uma interpretação equivocada e sem qualquer comprovação nos estudos médicos. Afinal, não causa qualquer mal à saúde ou à conduta social que justifique um indivíduo ser tratado como doente por sentir atração por pessoa do mesmo sexo. Indispensável esclarecer que o estudo aqui apresentado concentra-se nos pares homoafetivos e na possibilidade deles adotarem uma criança ou adolescente. Quanto à possibilidade de pessoa homossexual adotar, não existe motivo para se contestar, tendo em vista que, desde que atenda aos requisitos estabelecidos pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e pelo Código Civil de 2002, qualquer pessoa pode adotar. (SILVA; INÁCIO, 2011). 31 7.4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS É notório que cada dia que passa aumenta o número de crianças nas casas abrigo, a espera de um lar, carinho, atenção e principalmente uma família com amor, como também é fato que hoje a sociedade vive um momento diferente de contextualização familiar, ou seja, a família não se constitui mais unicamente de pai, mãe e filhos denominados de Família nuclear, e ela pode constituir-se dá um neto e avo ou avó, tio e tia, classificada como família monoparental ou como pode ser constituída por casais homoafetivos, homens e homens, mulheres e mulheres. (SILVA; INÁCIO, 2011). No entanto mesmo os casais homossexuais conseguindo perante a lei alguns direitos, não são suficientes para banir o preconceito referente à adoção de uma criança, devido a não legalização da união entre os mesmos. A relevância do tema inicia-se na casa abrigo, onde várias crianças são deixadas, por inúmeros motivos, tais como: rejeição, desestruturação familiar, entre outros, e ficam sonhadores esperando uma nova família, um novo lar, novos pais uma nova vida. E do outro lado existem pessoas com opção sexual diferenteda convencional, em busca de uma criança para completar sua família, com intenção de amar e dedicar- se ao filho, porem sendo impedidas da realização devido à postura preconceituosa da sociedade e do Estado. (SILVA; INÁCIO, 2011). Assim, é importante identificar quais os elementos que dificultam a colocação de uma criança em uma família substituída sendo constituída por homoafetivos, sendo que o estatuto da Criança e do adolescente prevê que “toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educada no seio da sua família excepcionalmente, em família substituta, assegura a convivência família e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substancias entorpecentes”. Será analisada a importância da adoção pelos casais como homossexuais para diminuição de crianças em casa abrigo, procurando evidenciar a intervenção do profissional assistente social perante essa situação, a fim de ampliar o direito do homoafetivos enquanto cidadão e possuidores de direitos e consolidar os das crianças abandonada muitas vezes pelo próprio Estado. (SILVA; INÁCIO, 2011). 32 8 CONCLUSÕES Visto à necessidade de se abordar a importância do estágio na vida acadêmica, o referido relatório tem como finalidade abordar essa temática e foi escolhida a temática da adoção homoafetivas e a atuação do assistente social nesse âmbito, para sintetizar sua importância e ênfase na garantia dos direitos sociais dentro do referido território a qual está localizado. No campo sociojurídico a atuação do assistente social requer um olhar minucioso e dinâmico que compreenda as modificações ocorrentes na sociedade, sendo substanciada através das legislações que garantem o acesso do indivíduo ao direito. Explanamos no decorrer da pesquisa sobre o contexto histórico da categoria profissional e com isso assentamos que o assistente social sempre esteve interligado diretamente a resolução de conflitos e a garantia de direitos, com o tempo a prática profissional foi se fundamentando em teorias que possibilitaram uma visão macro e um posicionamento crítico sobre as problemáticas que lhe demandavam. (MARTINS, 2014). Consideramos que a execução do trabalho do assistente social está vinculada ao ECA que prioriza a qualidade de vida da criança ou adolescente adotado, como também se fundamenta na CF.88 que garante direito a todos os cidadãos de constituírem uma família e ao princípio da dignidade da pessoa humana que condena o preconceito de qualquer ordem. Contudo no processo de adoção independentemente da orientação sexual do adotante a prioridade da atuação do assistente social é contemplar aos interesses do adotado, visando à garantia dos direitos da criança e do adolescente, propiciando um lar que possibilite o desenvolvimento familiar e comunitário satisfatório. (MARTINS, 2014). Além disso, as bases teóricas que foram fundamentadas esse relatório são de suma importância na questão da atuação do assistente social e sua importância dentro das causas sociais e conjuntas de uma sociedade mais igualitária e que o direito seja ampliado para ambos os indivíduos. 33 REFERÊNCIAS BRASIL, Política Nacional de Assistência Social. Ministério do desenvolvimento social e combate a fome: Secretaria Nacional de Assistência Social. Brasília, 1993. . Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Disponível em: . Acesso em 05 jun. 2022. CFESS. Conselho Federal de Serviço Social - Atuação de assistentes sociais no Sociojurídico: Subsídios para reflexão. CFESS (org.) Brasília. 2011. DATA FOLHA. Maioria é contra adoção por casal gay, 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/civil_03/leis/I8560.htm. Acesso em 05 jun. 2022. DIAS, Maria Berenice. Família Homoafetiva. Revista IBDFAM, Porto Alegre, n. 3, p. 39-63, 2007. ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. MARX, Karl, ENGELS, Friedrich, 1884. FAVERO, E.T. O estudo social: fundamentos e particularidades de sua construção na área judiciária. In: CFESS (Org.). O estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos. São Paulo: Cortez/CFESS, 2003. GAMA, Guilherme Calmon Nogueira da. Princípios constitucionais de direito de família: guarda compartilhada a luz da lei n° 11.698/08. São Paulo: Atlas, 2006. IAMAMOTO, Marilda Vilela. A fé no que virá e a alegria de olha para trás: 30 anos do projeto ético-político profissional. In: Seminário Nacional – 30 anos do Congresso da Virada. 2009. LOBO, Paulo Luiz Netto. A Repersonalização das Relações de Família. Revista Brasileira de Direito de Família. Porto Alegre: Síntese, IBDFAM, v. 6, n.24, jun/jul., 2009. MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2001. O POVO, Jornal. Disponível em: https://ww.blog.opovo.com.br/direitoeinformacao/stj- abre-caminho-para-adocao-por-casais-homoafetivos/ Acesso em 05 jun. 2022. PEQUENO, Andreia. Serviço Social e o campo sociojurídico. Serviço Social em Revista. Londrina, v. 11, n. 1, s/ p., jul./dez., 2008. Disponível em: . Acesso em 05 jun. 2022. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Direito de Família: uma abordagem psicanalítica. 3.ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2003. 34 PINHO, Raquelina Cordeiro Arruda. Adoção de crianças maiores: uma reflexão sobre os desafios e as recompensas. – Fortaleza: Tribunal de Justiça de Estado do Ceará, 2009. RODRIGUES. Cleide Maria Batista. A Intersetorialidade e o papel da equipe multidisciplinar na Assistência Social. Disponível em: http://portalsocial.sedsdh.pe.gov.br/sigas/suasrh/arquivos/2013/modulo07/olinda/TE XTO_INTESETORIALIDADE(1).pdf Acesso em 05 jun. 2022. SANTOS, Lara Cintia de Oliveira. A constitucionalidade do conceito família e a adoção de crianças por pares homoafetivos. – Brasília: Editora Kiron, 2014. SONDA, ROSELENE; PONCHECK, DIONE DO ROCIO, Serviço Social e a sua relação com o Poder Judiciário, Curitiba, 2013. TORRES, Marcus Paulo de Paiva. A Segurança Pública como um Direito Fundamental. Congresso Nacional de Segurança Pública. 2009. UZIEL, Ana Paula. Família e homossexualidade: velhas questões, novos problemas. Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 2002. VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: Direito de Família. 9°. Ed. São Paulo: Atlas, 2004.