Prévia do material em texto
CONTEXTO HISTÓRICO Situação do brasil na época 1. Crise econômica e inflação O final da década de 1980 foi um período de grande instabilidade econômica. O Brasil enfrentava hiperinflação, com perda constante do poder aquisitivo e aumento das dívidas familiares. Muitas famílias corriam o risco de perder seus imóveis em execuções judiciais. 2. Redemocratização e Constituição de 1988 A Constituição Federal de 1988 havia acabado de ser promulgada e trouxe forte ênfase na dignidade da pessoa humana e no direito social à moradia (art. 6º e art. 226). Esse novo paradigma exigia instrumentos legais que protegessem o mínimo existencial das famílias. 3. Proteção da moradia Até então, não havia no ordenamento uma norma geral que tornasse o imóvel residencial impenhorável contra dívidas civis, comerciais ou fiscais. Existia apenas o bem de família voluntário, previsto no Código Civil de 1916 (arts. 70 a 73), que dependia de registro em cartório — mas era pouco usado, porque burocrático e restrito. 4. Resposta legislativa A Lei nº 8.009/90 foi, portanto, uma resposta legislativa à necessidade de resguardar a moradia das famílias brasileiras, estabelecendo a impenhorabilidade automática do imóvel residencial, independentemente de registro. A ideia era proteger o núcleo familiar contra a perda de sua casa em razão de dívidas, garantindo um mínimo de segurança habitacional. Art. 1º - Impenhorabilidade O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta Lei. Vide** Súmulas 364 e 449 do STJ. Súmulas Súmula 364-STJ: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. Súmula 449-STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. Súmula 486-STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família (inclusive imóvel comercial alugado se a renda for revertida – ampliação) Súmula 549-STJ: É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação. STF- É constitucional a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, seja residencial, seja comercial. (Repercussão Geral – Tema 1127) (Info 1046). **só cabe penhora do bem de família dado em hipoteca se a dívida beneficiar a entidade familiar** I) A exceção à impenhorabilidade do bem de família nos casos de execução de hipoteca sobre o imóvel, oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar, prevista no art. 3º, V, da Lei n. 8.009/1990, restringe-se às hipóteses em que a dívida foi constituída em benefício da entidade familiar; II) Em relação ao ônus da prova, a) se o bem for dado em garantia real por um dos sócios de pessoa jurídica, é, em regra, impenhorável, cabendo ao credor o ônus de comprovar que o débito da pessoa jurídica se reverteu em benefício da entidade familiar; e b) caso os únicos sócios da sociedade sejam os titulares do imóvel hipotecado, a regra é da penhorabilidade do bem de família, competindo aos proprietários demonstrar que o débito da pessoa jurídica não se reverteu em benefício da entidade familiar. STJ. 2ª Seção. REsp 2.093.929-MG e REsp 2.105.326-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgados em 5/6/2025 (Recurso Repetitivo - Tema 1261) (Info 855). **um veículo que seja essencial ao trabalho da pessoa executada é impenhorável; se esse veículo estiver em alienação fiduciária, a impenhorabilidade se estende para os direitos aquisitivos derivados do contrato de alienação fiduciária** Os bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do devedor são impenhoráveis, conforme o art. 833, V, do CPC, com a finalidade de proteger o direito à subsistência do executado. O veículo usado como ferramenta de trabalho é, em regra, impenhorável, salvo exceções legais. Essa proteção se estende reflexamente aos direitos aquisitivos derivados de contratos de alienação fiduciária, caso o bem em questão seja necessário à atividade profissional. A alienação fiduciária de um veículo como garantia financeira não transfere a propriedade plena ao credor fiduciário; em vez disso, vincula os direitos do devedor à aquisição do bem. Assim, tais direitos aquisitivos também são protegidos pela impenhorabilidade, enquanto subsistir a condição de necessidade ao exercício da profissão. Em suma: a impenhorabilidade de veículo automotor necessário ao exercício da profissão se estende, de maneira reflexa, aos direitos aquisitivos derivados de contrato de alienação fiduciária em garantia que tem por objeto o referido bem. STJ. 3ª Turma REsp 2.173.633-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/11/2024 (Info 834). **os direitos do devedor fiduciante sobre imóvel objeto de contrato de alienação fiduciária em garantia possuem a proteção da impenhorabilidade do bem de família legal.** Ex: João fez um contrato de alienação fiduciária para aquisição de uma casa; ele está morando no imóvel enquanto paga as prestações; enquanto não terminar de pagar, a casa pertence ao banco; apesar disso, ou seja, a despeito de possuir apenas a posse, os direitos de João sobre o imóvel não podem ser penhorados porque incide a proteção do bem de família. STJ. 3ª Turma REsp 1677079-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 25/09/2018 (Info 635). A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados. O bem de família é a parte do patrimônio que fica imunizada contra a execução de dividas. Em razão do direito à moradia, direito fundamental social previsto na Constituição Federal. Parágrafo Único Bem de família legal x bem de família convencional Bem de família legal – o que tem amparo legal na lei 8009/90. Bem de família aqui é legal, cogente, involuntário e obrigatório. Tutela do direito fundamental à moradia. Bem de família convencional – previsto no Código Civil. Menos usado e menos protetivo. A rega atual é de que o patrimônio do devedor responde por suas dívidas. Art 391 código civil Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor. (Código civil) Bem de família no código civil Aqui o bem de família é voluntario. Precisa do registro no Registro de Imóveis. É limitado a 1/3 do patrimônio liquido existente. Pode-se definir sobre qual imóvel incidirá a proteção. Pode ser instituído: 1) Por escritura pública, no tabelionato de notas; 2) Por Testamento 3) Pela Liberalidade de terceiros mediante escritura publica de doação ou testamento, com aceitação expressa do beneficiário e do cônjuge, se houver. Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial. Parágrafo único. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. Art. 1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e poderá abranger valores mobiliários, cuja renda será SUBTÍTULO IV Do Bem de Família CONVENCIONAL CÓDIGO CIVIL aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família. Art. 1.713.Os valores mobiliários, destinados aos fins previstos no artigo antecedente, não poderão exceder o valor do prédio instituído em bem de família, à época de sua instituição. § 1 o Deverão os valores mobiliários ser devidamente individualizados no instrumento de instituição do bem de família. § 2 o Se se tratar de títulos nominativos, a sua instituição como bem de família deverá constar dos respectivos livros de registro. § 3 o O instituidor poderá determinar que a administração dos valores mobiliários seja confiada a instituição financeira, bem como disciplinar a forma de pagamento da respectiva renda aos beneficiários, caso em que a responsabilidade dos administradores obedecerá às regras do contrato de depósito. Art. 1.714. O bem de família, quer instituído pelos cônjuges ou por terceiro, constitui-se pelo registro de seu título no Registro de Imóveis. Art. 1.715. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição, salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio, ou de despesas de condomínio. Parágrafo único. No caso de execução pelas dívidas referidas neste artigo, o saldo existente será aplicado em outro prédio, como bem de família, ou em títulos da dívida pública, para sustento familiar, salvo se motivos relevantes aconselharem outra solução, a critério do juiz. Art. 1.716. A isenção de que trata o artigo antecedente durará enquanto viver um dos cônjuges, ou, na falta destes, até que os filhos completem a maioridade. Art. 1.717. O prédio e os valores mobiliários, constituídos como bem da família, não podem ter destino diverso do previsto no art. 1.712 ou serem alienados sem o consentimento dos interessados e seus representantes legais, ouvido o Ministério Público. Art. 1.718. Qualquer forma de liquidação da entidade administradora, a que se refere o § 3 o do art. 1.713, não atingirá os valores a ela confiados, ordenando o juiz a sua transferência para outra instituição semelhante, obedecendo-se, no caso de falência, ao disposto sobre pedido de restituição. Art. 1.719. Comprovada a impossibilidade da manutenção do bem de família nas condições em que foi instituído, poderá o juiz, a requerimento dos interessados, extingui-lo ou autorizar a sub-rogação dos bens que o constituem em outros, ouvidos o instituidor e o Ministério Público. Art. 2º - Exclusão e exigência de quitação Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos. Parágrafo único. No caso de imóvel locado, a impenhorabilidade aplica-se aos bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam de propriedade do locatário, observado o disposto neste artigo. Lógica da exigência de quitação A lei visa proteger apenas aquilo que já integra efetivamente o patrimônio do devedor ou de sua família. 👉 Se a lei protegesse bens não quitados, ela acabaria impedindo o credor originário (que financiou ou forneceu o bem) de recuperar o que ainda é seu. 📌 2. Conexão com a alienação fiduciária Quando um bem móvel está financiado com garantia fiduciária, a propriedade é do credor fiduciário até a quitação. O devedor só tem um direito aquisitivo, não o domínio pleno. 🔹 Assim, não faria sentido o Estado declarar a impenhorabilidade de algo que nem pertence ao devedor. Bens quitados = são propriedade plena do devedor (ex.: móveis comprados à vista, ou parcelados mas já pagos). Bens não quitados (alienados fiduciariamente, em leasing ou consignação) = ainda pertencem ao credor (ex.: banco, loja), sendo apenas usados pelo devedor. Art. 3º – Exceções à impenhorabilidade do bem de família A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: I – (Revogado pela Lei Complementar n. 150, de 1.º-6-2015.) II – Pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; A exceção à impenhorabilidade do bem de família, prevista para o crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, estende-se ao imóvel adquirido com os recursos oriundos da venda daquele bem. STJ. 3ª Turma REsp 1.935.842-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/06/2021 (Info 702). A autorização excepcional para penhora do bem de família, prevista no inciso II do art. 3º da Lei nº 8.009/90, aplica-se também para o imóvel adquirido com os recursos oriundos da venda do primeiro imóvel que foi objeto do financiamento. O apartamento foi adquirido com dinheiro do financiamento. Posteriormente, o apartamento foi vendido e a casa comprada com o produto dessa alienação. O imóvel atual de sua moradia foi adquirido com recursos obtidos a partir da venda do primeiro. Daí porque a situação jurídica de um se sub-roga no outro. Se o primitivo bem de família pode ser penhorado para a satisfação de dívida relativa ao próprio bem, o novo bem de família, adquirido com os recursos da alienação do primeiro, também estará sujeito à referida exceção. Desse modo, não pode o devedor adquirir novo bem de família com os recursos provenientes da venda de bem de família anterior para, posteriormente, se furtar ao adimplemento da dívida contraída com a compra do primeiro, notadamente tendo em vista a máxima de que a ninguém é dado beneficiar-se da própria torpeza. III – pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela dívida; IV – para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar; Quando a lei fala em “taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar”, o STJ interpreta essa expressão de modo amplo e diz que estão incluídas aí todas as “despesas condominiais”. É possível a penhora de bem de família de condômino, na proporção de sua fração ideal, se inexistente patrimônio próprio do condomínio para responder por dívida oriunda de danos a terceiros. Ex: um pedestre foi ferido por conta de um pedaço da fachada que nele caiu. Essa vítima terá que propor a ação contra o condomínio. Se o condomínio não tiver patrimônio próprio para satisfazer o débito, os condôminos podem ser chamados a responder pela dívida, na proporção de sua fração ideal. Mesmo que um condômino tenha comprado um apartamento neste prédio depois do fato, ele ainda assim poderá ser obrigado a pagar porque as despesas de condomínio são obrigações propter rem. O juiz poderá determinar a penhora dos apartamentos para pagamento da dívida mesmo que se trate de bem de família, considerando que as dívidas decorrentes de despesas condominiais são consideradas como exceção à impenhorabilidade do bem de família, nos termos do art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90. STJ. 4ª Turma REsp 1.473.484-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/06/2018 (Info 631). As despesas condominiais, inclusive as decorrentes de decisões judiciais, são obrigações propter rem e, por isso, será responsável pelo seu pagamento, na proporção de sua fração ideal, aquele que detém a qualidade de proprietário da unidade imobiliária ou seja titular de um dos aspectos da propriedade (posse, gozo, fruição), desde que tenha estabelecido relação jurídica direta com o condomínio, ainda que a dívida seja anterior à aquisição do imóvel. STJ. 4ª Turma REsp 1473484/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/06/2018 (Info 631). V – para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar; Só cabe penhora do bem de família dado em hipoteca se a dívida beneficiar a entidade familiar I) A exceção à impenhorabilidade do bem de família nos casos de execução de hipoteca sobre o imóvel, oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar, prevista no art. 3º, V, da Lei n. 8.009/1990, restringe-se às hipóteses em que a dívida foi constituída em benefício daentidade familiar; II) Em relação ao ônus da prova, a) se o bem for dado em garantia real por um dos sócios de pessoa jurídica, é, em regra, impenhorável, cabendo ao credor o ônus de comprovar que o débito da pessoa jurídica se reverteu em benefício da entidade familiar; e b) caso os únicos sócios da sociedade sejam os titulares do imóvel hipotecado, a regra é da penhorabilidade do bem de família, competindo aos proprietários demonstrar que o débito da pessoa jurídica não se reverteu em benefício da entidade familiar. STJ. 2ª Seção. REsp 2.093.929-MG e REsp 2.105.326-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgados em 5/6/2025 (Recurso Repetitivo - Tema 1261) (Info 855). VI – por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens; VII – por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. STF- É constitucional a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, seja residencial, seja comercial. (Repercussão Geral – Tema 1127) (Info 1046). Na caução é diferente; torna-se impenhorável É impenhorável o bem de família oferecido como caução em contrato de locação comercial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.873.203-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/11/2020 (Info 683). STJ. 4ª Turma. REsp 1.789.505-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 22/03/2022 (Info 732). Art. 4º – Limites à impenhorabilidade Não se beneficiará do disposto nesta Lei aquele que, sabendo-se insolvente, adquire de má-fé imóvel mais valioso para transferir a residência familiar, desfazendo-se ou não da moradia antiga. § 1.º Neste caso poderá o juiz, na respectiva ação do credor, transferir a impenhorabilidade para a moradia familiar anterior, ou anular-lhe a venda, liberando a mais valiosa para execução ou concurso, conforme a hipótese. § 2.º Quando a residência familiar se constituir em imóvel rural, a impenhorabilidade restringir-se-á à sede de moradia, com os respectivos bens móveis, e, nos casos do art. 5.º, inciso XXVI, da Constituição, à área limitada como pequena propriedade rural. Explicando: A lei protege o imóvel residencial da família, impedindo que ele seja penhorado para pagar dívidas. 👉 Mas esse benefício não pode ser usado de má-fé. 🔸 Se a pessoa já está insolvente (sem condições de pagar suas dívidas) e compra um imóvel mais caro, dizendo que vai morar nele para escapar de cobranças, essa proteção não vale. 💡 Exemplo prático: § 1º - Neste caso poderá o juiz, na respectiva ação do credor, transferir a impenhorabilidade para a moradia familiar anterior, ou anular-lhe a venda, liberando a mais valiosa para execução ou concurso, conforme a hipótese. O juiz pode: § 2º - Quando a residência familiar se constituir em imóvel rural, a impenhorabilidade restringir- se-á à sede de moradia, com os respectivos bens móveis, e, nos casos do art. 5.º, inciso XXVI, da Constituição, à área limitada como pequena propriedade rural. Se a residência da família for em área rural, a proteção não abrange toda a fazenda ou propriedade rural. ➡ A proteção se limita apenas à: José tem muitas dívidas e já está insolvente. Para tentar proteger seu patrimônio, ele vende a casa simples onde morava e compra uma mansão muito mais cara, dizendo que vai morar lá com a família. ➡ ❌ Essa casa não será protegida pela lei, pois houve má-fé na tentativa de escapar dos credores. Manter a proteção na casa antiga, se ela ainda não foi vendida, e liberar a nova (mais valiosa) para pagamento da dívida; Ou anular a venda da antiga casa, liberando a casa nova para ser usada na execução (pagamento da dívida). 💡 Exemplo prático: José vendeu a casa simples (antiga) e comprou uma mansão. O juiz pode anular a venda da antiga casa, deixando-a como bem de família, e liberar a mansão para que os credores possam cobrar suas dívidas. Sede da moradia (a casa onde a família vive); Bens móveis da casa (móveis, eletrodomésticos, etc.); E, se for o caso, à pequena propriedade rural trabalhada pela família (art. 5º, XXVI, da Constituição). 💡 Exemplo prático: Uma família vive em uma fazenda de 50 hectares. A proteção da impenhorabilidade vale para a casa onde moram e bens da residência, mas não para toda a fazenda. Se for considerada pequena propriedade rural (nos limites constitucionais), aí sim a área usada pela família também fica protegida. Art. 5º – Conceito de residência para fins de impenhorabilidade Para os efeitos de impenhorabilidade, de que trata esta Lei, considera-se residência um único imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente. Parágrafo único. Na hipótese de o casal, ou entidade familiar, ser possuidor de vários imóveis utilizados como residência, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e na forma do art. 70 do Código Civil. 🔹 Art. 5º – Definição de residência protegida pela impenhorabilidade "Para os efeitos de impenhorabilidade, de que trata esta Lei, considera-se residência um único imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente." A lei só protege da penhora um imóvel residencial – aquele que o casal ou a família usa como moradia principal e permanente. ➡ Ou seja, a família não pode dizer que todos os imóveis que possui são "bem de família". 🔸 A proteção recai sobre apenas um imóvel, usado como residência fixa. 💡 Exemplo prático: ✅ Somente o apartamento em que vivem permanentemente será protegido pela lei da impenhorabilidade. 🔸 Parágrafo único "Na hipótese de o casal, ou entidade familiar, ser possuidor de vários imóveis utilizados como residência, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e na forma do art. 70 do Código Civil." Se a família possuir mais de um imóvel usado como residência, a proteção da lei (impenhorabilidade): 💡 Exemplo prático: Explicando João e Ana têm três imóveis: um apartamento onde moram; uma casa de praia; uma chácara no interior. Vai recair, por regra, sobre o imóvel de menor valor; Mas a família pode escolher outro (mesmo mais caro), desde que o registre como residência protegida no Registro de Imóveis, conforme prevê o art. 70 do Código Civil. ➡ Pela regra, a proteção seria para a casa de menor valor. ➡ Mas, se a família registrar no cartório de imóveis que a casa de condomínio é sua residência oficial, então a proteção valerá para ela. Situação Imóvel protegido Família tem apenas 1 imóvel para moradia permanente ✅ Esse imóvel Família tem vários imóveis usados como residência ✅ O de menor valor Família quer proteger outro imóvel (mesmo de maior valor) ✅ Pode, se registrar como residência oficial no cartório (art. 70 CC) A família tem duas casas: uma simples na cidade (R$ 150 mil); outra maior em condomínio (R$ 500 mil), onde também vivem parte do tempo. Disposições Finais Art. 6.º São canceladas as execuções suspensas pela Medida Provisória n. 143, de 8 de março de 1990, que deu origem a esta Lei. Art. 7.º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 8.º Revogam-se as disposições em contrário.