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FORMA DE GESTÃO E VIOLÊNCIA CONTRA OS(AS) TRABALHADORES (AS) ASSÉDIO MORAL Entender e saber identificar são OS primeiros passos para prevenir práticas opressoras e violentas nos locais de trabalhoSumário Introdução 1. que é Assédio Moral? 05 2. Qual o objetivo do Assédio Moral? 05 3. Qual a diferença entre Assédio Moral e ordens superiores? 06 4. Quais os tipos de Assédio Moral? 08 5. Quais as formas de manifestação do Assédio Moral? 10 6. Por que o Assédio Moral é frequente no Serviço Público? 13 7. Como comprovar o Assédio Moral? 14 8. Quem são as vítimas (quem sofre o Assédio Moral)? 15 9. que sente a vítima de Assédio Moral? 16 10. Quais os impactos do Assédio Moral para os(as) demais trabalhadores(as)? 18 11. Como prevenir o Assédio Moral? 19 12. que a vítima de Assédio Moral deve fazer? 20 13. Para quem denunciar o Assédio Moral? 22 14. Quais as consequências jurídicas do Assédio Moral para a vítima? 23 15. que a instituição deve fazer em caso de Assédio Moral? 24 16. Quais as consequências do Assédio Moral no Serviço Público? 25 17. que as organizações de trabalhadores devem fazer ao tomar conhecimento de um caso de Assédio Moral? 27 18. "Não sou vítima, não sou sindicalizado nem gosto dessas coisas, mas quero ajudar e não sei como!" 29 19. "Não tenho nada a ver com isso e acho que estão fazendo tempestade em copo d'água!!!" 30 20. E a turma da rádio-corredor? Faz fofoca, especula e reforça o sofrimento da vítima sem perceber... 31 Conclusão 32 Referências 34Introdução Na nossa sociedade, os sentimentos de coletividade e solidariedade nos locais de trabalho estão sempre sob ataque dos patrões e governos. As empresas e órgãos públicos a competição entre colegas e o individualismo, como forma de garantir os interesses políticos, a estrutura de poder e a divisão entre os(as) trabalhadores(as). Dessa forma, cada vez mais os locais de trabalho tem sido palcos de violência, opressão e degradação da saúde. As mulheres, os(as) pretos(as) os LGBTT, historicamente, são a parcela da classe trabalhadora que mais sofre com esta situação: recebem salários menores, atuam em funções precarizadas e são as maiores vítimas de violência emocional. Como as relações de trabalho se organizam através de hierarquias, o poder de uns sobre outros, aliado à intensificação das metas e imposição de maiores quantidades de trabalho, o salto para práticas opressivas é corriqueiro. efeito colateral já é conhecido: insatisfação, sofrimento e adoecimento decorrente do ambiente de trabalho. Nas últimas décadas, com o aprofundamento da privatização dos aparelhos de Estado no Brasil e principalmente, com a intensificação da adoção de práticas de gestão já adotadas na iniciativa privada, a exemplo das metas de produtividade vinculadas ou não ao salário, aumentaram de forma alarmante as práticas violentas nos locais de trabalho do serviço público.Por entender a violência emocional como uma forma de gestão, quase sempre gerando danos à saúde, distúrbios psíquicos e vivências depressivas de difícil reparação, a CNASI-AN apresenta esta cartilha, com o objetivo de ajudar os(as) trabalhadores(as) a identificar e combater as práticas de violência, em específico Assédio Moral, contribuindo para o combate, a prevenção e a reparação dos danos causados não somente em âmbito jurídico e administrativo, mas também no aspecto da saúde e segurança no ambiente de trabalho. Esta não é uma luta só das vítimas do Assédio Moral, mas uma luta de todos(as) os(as)1. que é Assédio Moral? Assédio Moral é uma conduta violenta praticada geralmente no ambiente de trabalho. Caracteriza-se pela prática abusiva de exposição a situações humilhantes e constrangedoras, geralmente repetitivas e prolongadas, que acabam por atingir a integridade física e psíquica do trabalhador assediado. Não caracteriza-se como um ato isolado, mas sim como um ato continuado. Pode se manifestar de várias formas: críticas, ataques e humilhações constantes, sobrecarga de tarefas, impedimento do trabalhador executar as suas atividades, deslocamento imotivado e sem razoabilidade para outro local de trabalho. Nas últimas décadas, tem deixado de ser uma ação isolada de gestores, passando a se configurar como uma política de gestão e administração. 2. Qual o objetivo do Assédio Moral? Em geral, assediador tem como objetivos: obrigar trabalhador a intensificar seu ritmo e quantidade de trabalho para atender a fins pessoais, abandonar um projeto, um cargo ou pedir deslocamento/remoção para outro local de trabalho. No entanto, nos últimos anos tem como objetivo mudar a forma de proceder dos trabalhadores do serviço público em relação a alguma situação/tema específico, por exemplo, as pressões para que trabalhador assediado: deixe de apoiar movimento deixe de fazer críticas ou questionar procedimentos eventualmente irregulares; passe a executar uma atividade que não está na sua atribuição funcional ou em desacordo com a legislação; deixe de se organizar e lutar por seus direitos 5e de seus colegas no local de trabalho. Além disso, pode se configurar também como objetivo de puni-lo pela manifestação de opiniões ou atitudes no trabalho. 3. Qual a diferença entre Assédio Moral e ordens superiores? Como as entidades e órgãos públicos se caracterizam por estruturas de hierarquia previstas legalmente, o mero exercício do poder de direção muitas vezes é utilizado para encobrir práticas de assédio moral. poder de direção subdivide-se em: poder de organização, poder de controle e poder disciplinar. As ordens e determinações legais da chefia, no exercício destes poderes, devidamente motivadas e que estejam dentro das atribuições do trabalhador, no cumprimento da legislação no que diz respeito ao procedimento, não configuram assédio moral. Eventual desentendimento ou discordância da chefia com um trabalhador subordinado e a determinação para que este adote um determinado procedimento (de acordo com as normas e as atribuições), não configura assédio moral. 6No entanto, no serviço público, exercício do poder de direção dos gestores possui limites legais: determinados procedimentos devem ser executados de acordo com o que diz a legislação e portanto, muitas vezes não há margem para mudança na forma de execução. Portanto, alegar exercício do poder de direção para motivar ordens ilegais ou práticas de assédio no caso concreto, pode sim, configurar prática de assédio moral. Além disso, é necessário analisar se as ordens superiores e eventuais desentendimentos e divergências são sempre direcionados para um mesmo trabalhador ou grupo de trabalhadores, pois, a depender da situação, a chefia pode estar se utilizando de uma prática formalmente legal para dissimular um assedio que deseja praticar. 74. Quais os tipos de Assédio Moral? Atualmente Assédio Moral pode ser individual/interpessoal (praticado por uma pessoa física e direcionada a trabalhadores ou grupo de trabalhadores determinados). Subdivide-se em: a) Assédio Moral Descendente: é tipo mais comum e caracteriza-se quando um superior hierárquico pratica o assédio contra um trabalhador subordinado; b) Assédio Moral Horizontal: é quando é praticado por pessoa de mesmo nível hierárquico do trabalhador assediado; c) Assédio Moral Ascendente: é mais raro dos três tipos e caracteriza-se pela prática de assédio de um strabalhador subordinado contra seu chefe/superior hierárquico. No caso do assédio moral individual, mais importante não é o nível hierárquico, mas as caracerísticas da conduta. É muito comum que o assédio moral praticado por um superior hierárquico cause mudanças negativas também na conduta dos demais trabalhadores, que passam a isolar o assediado, para proteger-se de assédio semelhante ou proteger o próprio emprego. Passa-se então a constituir-se uma rede de silêncio e tolerância às condutas assediantes e a ausência de solidariedade para com o trabalhador exposto à prática opressiva. Quebrar essa rede de silêncio e conivência é um passo importante para ser tomado pelos demais trabalhadores e organizações no local de trabalho. 8Há ainda Assédio Moral coletivo/institucional (praticado pela pessoa jurídica, através de seus administradores, coletivamente), atualmente muito comum nos órgãos e entidades públicas que adotam a política de metas atreladas a gratificações de desempenho que compõem parte significativa do salário dos trabalhadores do serviço público. Neste caso, geralmente são organizadas estruturas, procedimentos e políticas que podem atormentar, abusar e gerar sofrimento físico e psicológico aos trabalhadores de uma determinada entidade. Ou seja, a própria pessoa jurídica, por meio de seus gestores, pratica uma política de gestão desumana, visando aumento dos lucros e/ou atingimento de metas, muitas vezes impossíveis de serem atingidas de acordo com os recursos disponíveis: humanos, financeiros, legislação, etc. As práticas de rankeamento de trabalhadores ou de unidades de trabalho poe se configurar como uma ação de assédio moral institucional.5. Quais as formas de manifestação do Assédio Moral? assédio moral individual ou interpessoal pode se manifestar de inúmeras formas. As mais comuns são as seguintes: Recusa na comunicacao direta entre o assediador e o assediado, quando aquele aceita se comunicar com este apenas por e-mail ou bilhetes; Segregacao fisica do trabalhador no ambiente de trabalho, ou seja, casos em que o mesmo é colocado em local isolado, com dificuldade de se comunicar com os demais colegas; Impedimento do trabalhador se expressar, sem explicar os motivos; Despromoção injustificada (ou, no servico publico, a retirada de funcoes gratificadas ou cargos em comissão), com o trabalhador perdendo vantagens ou postos que ja tinha conquistado; Imposiçao de condições e regras de trabalho personalizadas ao trabalhador, caso em que são exigidas, de determinada pessoa, tarefas diferentes das que são cobradas das demais, mais trabalhosas ou mesmo inúteis; Delegação de tarefas impossiveis de serem cumpridas ou que normalmente são desprezadas pelos outros; Determinação de prazo desnecessariamente exíguo para finalização de um trabalho; Não-repasse de trabalho, deixando o trabalhador ocioso, sem quaisquer tarefas a cumprir, o que provoca uma sensacao de inutilidade e incompeténcia e o coloca em uma situacao humilhante frente aos demais colegas de trabalho; 10Proibição de tomar cafezinho ou redução do horário das Advertência em razão de atestados médicos ou de de direitos; Divulgação de boatos sobre a moral do trabalhador (com os homens, em grande parte das vezes o assédio se manifesta atraves de piadas ou comentarios sobre sua virilidade); Zombar da origem, nacionalidade, cor, deficiências ou aspecto físico, crenças religiosas, alinhamento político, gênero e/ou expressão sexual; Imposição de sobrecarga de trabalho ou impedimento da continuação do trabalho, deixando de prestar informações Colocação de um trabalhador controlando o outro, fora do contexto da estrutura hierarquica da empresa, espalhando assim a desconfiança e buscando evitar a solidariedade entre colegas; Deslocamento/remoção do trabalhador para outro setor ou local de trabalho sem motivação razoável e/ou sem observância das atribuições funcionais; Pressão para o trabalhador abrir mão de exigir seus direitos; Ameaça de violência física (pode até caracterizar crime de ameaça); As condutas de assédio tém como alvo frequente as mulheres e os trabalhadores doentes ou que sofreram acidentes do trabalho, que são discriminados e segregados. Em relação a estes últimos, são comuns as seguintes condutas: 11Ridicularização do trabalhador adoecido e sua doença; Controle das idas aos médicos; Colocação de outra pessoa trabalhando no lugar do trabalhador que vai ao médico, para constrangê-lo em seu retorno, sendo que muitas vezes o substituto serve apenas para observar os demais trabalhadores, sem qualquer função; Não fornecimento ou retirada dos instrumentos detrabalho; Discriminação em relação aos adoecidos ou acidentados, colocando-os em locais diferentes dos demais trabalhadores; Dificultação da entrega de documentos necessarios a realização de perícia médica; Não observância das recomendações médicas; Responsabilização da pessoa pelo seu próprio sofrimento. 126. Por que o Assédio Moral é frequente no Serviço Público? setor público é um dos ambientes de trabalho onde assédio se apresenta de forma mais visivel e marcante. Os locais de trabalho tendem a ser ambientes carregados de situações perversas, com pessoas e grupos que fazem verdadeiros "plantões" de assédio moral. Muitas vezes, por falta de preparo de alguns chefes imediatos, mas com frequência por pura perseguição a um determinado trabalhador ou grupo. Neste ambiente, assédio moral tende a ser mais frequente em razão de uma peculiaridade: o chefe não dispõe sobre vínculo funcional do servidor. Não podendo demiti-lo simplesmente pela sua vontade, passa a humilhá-lo e sobrecarregá-lo de tarefas inócuas. Outro aspecto é fato de no setor publico muitas vezes os chefes são indicados em decorrência de seus laços de amizade ou de suas relações políticas, e não por sua qualificação técnica e preparo para desempenho da função. 13Muitas vezes "despreparados" para o exercicio da chefia - mas muito bem preparados para exercerem controle violento e assédio como forma de gestão - e respaldados nas relações de poder que garantiram a sua indicação os chefes, administradores, e às vezes toda a estrutura de gestão podem se tornar extremamente arbitrários, buscando compensar suas evidentes limitações e considerando-se blindados pela estrutura política que aparelha o Estado. 7. Como comprovar o Assédio Moral? Assédio Moral Individual é mais difícil de provar do que Assédio Coletivo/Institucional, pois assediador nega a prática da agressão e as testemunhas geralmente são outros trabalhadores subordinados ou colegas do agressor, que temem represálias. dever de provar a prática de assédio cabe à vítima. Podem ser utilizadas além da prova testemunhal, documentos, mensagens eletrônicas, gravações, vídeos, etc. depoimento 148. Quem são as vítimas (quem sofre Assédio Moral)? No caso do assédio moral individual, as mulheres, os negros e os trabalhadores LGBTs são as principais vítimas - apesar de não serem as únicas, como já citamos. Além do machismo, do racismo e da Igbtfobia que inferioriza esses trabalhadores na sociedade em geral, nos locais de trabalho é comum que estes trabalhadores ocupem postos de trabalho subordinados e/ou precarizados, situação que acaba por influenciar as práticas de Assédio Moral descendente, que é o tipo mais comum. Com a terceirização cada vez mais generalizada nas empresas e no serviço público, as mulheres negras geralmente são as que mais ocupam estes postos precarizados na estrutura das organizações. Assim, acabam estando mais sujeitas a este tipo de violência nos locais de trabalho, em virtude do medo de perder emprego, da dificuldade de organização dos(as) terceirizados(as) no local de trabalho, principalmente em conjunturas de crise e aumento do desemprego. 159. que sente a Vítima de Assédio Moral? Por conta da cultura de naturalização da violência emocional no local de trabalho, além do medo de confrontar os assediadores, que mais acontece nos locais de trabalho é a culpabilização da vítima. Com isso, a pessoa assediada tem dificuldades de identificar redes de apoio, pois tem medo de ser apontada como culpada pelo assédio. Quem nunca ouviu dos colegas os seguintes comentários: "Mas ele(a) realmente dificulta as coisas, querendo sempre burocratizar o trabalho...sempre problematiza, não quer cooperar..." ou "As coisas aqui são assim mesmo...nunca vai mudar...eu nem quero me envolver...daqui a pouco sobra pra mim!" ou "Se eu trabalho doente por que ele(a) não pode trabalhar também? É frescura e desculpa pra não trabalhar!" ou ainda "Quem mandou querer ter filho? Agora tem que saber conciliar as coisas...ser profissional...o trabalho não tem nada a ver com as questões pessoais de cada um!!!" Quando esse tipo de comentário aparece no local de trabalho, cada vez mais a vítima se fragiliza, se culpa, construindo uma relação de medo com o mundo e de pânico e sofrimento no local de trabalho. É comum a vítima desenvolver alguns ou vários sintomas. 16Os principais sintomas são: distúrbios psíquicos e alimentares, emagrecimento, fraqueza, perturbações do sono, ansiedade, dores abdominais, perturbações digestivas, diminuição da libido, abuso de álcool e outras drogas (lícitas ou ilícitas), estado de apreensão, pânico, ruminações, hipervigilância permanente, isolamento social e medo e até ideação suicida. Segundo Trombetta e as perturbações psicossomáticas não resultam da agressão propriamente dita, mas da incapacidade de reação individual e/ou coletiva (sentimento de impotência). Algumas vítimas necessitam inclusive de internação psiquiátrica, em face da gravidade dos sintomas. As vítimas relatam cansaço, perda de energia vital e da capacidade de concentração. Quando o afastamento para tratamento é negado, pode ocorrer inclusive tentativa de suicídio. Portanto, Assédio Moral - assim como outras práticas de violência no local de trabalho - causa danos físicos e psicológicos às vitimas. 1 apud 201010. Quais os impactos do Assédio Moral para os(as) demais trabalhadores(as)? Assédio Moral, assim como outras formas de violência no trabalho, não atinge apenas a vítima assediada. Por um lado, a tendência é de haver um pacto de silêncio por parte dos demais colegas que temem ser o próximo alvo do assediador. E a consequencia é o isolamento do(a) trabalhdor(a) assediado(a). No entanto, não é raro que o ambiente de trabalho de forma geral se transforme em um martírio também para colegas da vítima e demais trabalhadores(as). Sensações de medo, nojo, raiva, impotência são muito comuns. É comum que outros trabalhadores não queiram permanecer no mesmo espaço que o assediador e não tolerem conviver profissionalmente com aqueles que optam por praticar Assédio Moral. local de trabalho se transforma num espaço de sofrimento e adoecimento generalizado. Por isso, é importante que sejam adotadas ações de prevenção e proteção à saúde dos trabalhadores em geral, além das ações de apuração de responsabilidade em âmbito administrativo, civil e trabalhista, conforme o caso. Inclusive, a empresa ou órgão público podem - e devem - ser responsabilizados, independentemente da punição do agressor. 1811. Como prevenir Assédio Moral? Para combater as práticas de Assédio Moral no local de trabalho é necessário disseminar a informação sobre o que é o Assédio Moral, como e por que ele ocorre, quais as causas e consequências e quais as medidas a serem tomadas quando ele ocorre. Isso pode ser feito por meio de atividades, mobilizações, debates, palestras, rodas de conversa e por meio de materiais informativos. A organização das trabalhadoras vítimas mais comuns - no local de trabalho, a criação de redes de solidariedade e apoio servem como prevenção às práticas violentas. Onde há organização e resistência, onde os assediadores percebem que há laços de solidariedade, camaradagem e luta, é mais difícil de ocorrer Assédio Moral. Além disso, é fundamental não ficar calado(a)! Sempre que possível deve-se expor publicamente a situação, tomando os devidos cuidados para não prejudicar a colheita de provas para um futuro processo de apuração de responsabilidade do assediador. No entanto, mesmo com todas essas iniciativas, o Assédio Moral pode ocorrer. Nesse caso, várias providências e atitudes devem ser tomadas. 1912. que a vítima de Assédio Moral deve fazer? A primeira coisa a fazer é anotar tudo o que acontece, fazer um registro diaário e detalhado do dia-a-dia do trabalho, procurando, ao máximo, coletar e guardar provas do assédio (bilhetes do assediador, documentos que mostrem o repasse de tarefas impossíveis de serem cumpridas ou inúteis, documentos que provem a perda de vantagens ou de postos, etc). Além disso, procurar conversar com o agressor sempre na presença de testemunhas, como um colega de confianca ou mesmo um integrante É importante também reforcar a solidariedade no local de trabalho, como forma de coibir o agressor, criando uma rede de resisténcia às condutas de assédio moral. Também podem ser exigidas explicações do agressor por escrito, enviando carta ao departamento de recursos humanos do órgão, guardando sempre comprovante do envio e da possível resposta. Ao mesmo tempo, é necessário procurar o sindicato/associação/coletivo de trabalhadores, que pode contribuir nessas situações, através da busca da solução do conflito e da prevenção de novas situações dessa espécie. Importante: se o sindicato não for da confiança política do(a) trabalhador(a) ou se for um sindicato pelego, melhor procurar outras organizações ou coletivos de confiança. 20É fundamental, desde o início das situações de assédio, procurar serviço de atendimento à saúde e serviço de atendimento psicológico/psiquiátrico para tratamento das consequências da violência sofrida, inclusive para caracterização de acidente de trabalho e afastamento para tratamento (geralmente é necessário apoio de outros(as) colegas, amigos(as) e familiares, pois o sentimento de culpa e de impotência muitas vezes impedem a vítima de procurar ajuda). É importante também relatar fato perante a CIPA (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes) ou a CISSP (Comissão Interna de Saúde do Servidor Público) e à Delegacia Regional do Trabalho e Ministério Público do Trabalho de sua cidade/região. Claro, se houver confiança nessas representações. Sempre deve-se estabelecer contato com alguém idôneo nestas instituições, para que não haja "ajuda" ao assediador. 2113. Para quem denunciar Assédio Moral? Se você é vítima ou tem conhecimento da prática de Assédio Moral no trabalho você deve denunciar nos seguintes meios: -Nas de -Nas Delegacias Regionais do Ministério do Trabalho da sua cidade/região; -No Ministério Público do Trabalho de sua localidade. ATENÇÃO: é muito importante acompanhamento por advogado(a), se possível,_pois_geralmente a vítima encontra-se extremamente abalada, envergonhada e humilhada. necessitando de apoio nessas situações. MPT SRTE SINDICATO ASSOCIAÇÕES CIPA CISSP COMISSÃO INTERNA DE SAÚDE DO SERVIDOR PÚBLICO SEGURANCE 2214. Quais as consequências jurídicas do Assédio Moral para a vítima? A vítima pode - e deve - buscar os seus direitos. primeiro passo é procurar um(a) advogado(a) especializado(a) em questões dessa natureza. Se confia politicamente no seu sindicato, pode procurar a assessoria jurídica sindical. Se não confia, procure outra assessoria. Podem - e devem - ser pedidas alterações no seu contrato de trabalho, tais como mudança de local ou horário de trabalho; indenização por danos morais (pela humilhação, vergonha, etc.) e por danos materiais (gastos que teve com remédios ou tratamentos por conta do adoecimento físico ou mental; prejuízos em promoção ou salário; perda de vantagem, função ou até mesmo perda do emprego). Se a vítima foi demitida por conta de não ceder ao assédio do pode ser solicitada judicialmente a volta ao emprego ou a indenização em dobro do salário que receberia durante o período de afastamento se estivesse trabalhando, de acordo com o que dispõe art. 4°, da Lei 9.029/95. Além disso, como o Assédio Moral causa impactos na saúde física e mental da trabalhadora, a lesão pode ser considerada doença ocupacional, com os direitos e garantias que decorrem deste fato: emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), recebimento de auxílio previdenciário, estabilidade no emprego após o fim do benefício previdenciário. 2315. que a instituição deve fazer em caso de Assédio Moral? mais comum é que as empresas e os órgãos públicos façam vista grossa para a prática de Assédio Moral, ou adotem a prática como política de gestão (no caso do assédio institucional) ou como forma de administração e controle dos trabalhadores subordinados (assédio individual), Algumas empresas e gestores inclusive incentivam essa prática violenta como forma de "melhor administrar" seus trabalhadores. No entanto, há algumas medidas que devem ser tomadas pelos patrões e gestores de órgãos públicos, e que devem ser exigidas pela de conforme descrevemos a seguir: a) Empresas Privadas: - Criar canais de comunicação com regras claras de funcionamento, apuração e punição para os atos de assédio, que garantam o sigilo da identidade da vítima ou pessoa que denuncia; - Inserir o assunto em treinamentos, palestras e cursos em geral; - Capacitar os integrantes da CIPA e SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) e dos Recursos Humanos, bem como as chefias sobre o assunto; - Incluir regras de conduta a respeito do Assédio Moral nas normas internas da empresa (inclusive as formas de apuração e - Realizar a devida apuração dos fatos em âmbito administrativo e, se comprovada a prática de Assédio Moral, aplicar as punições cabíveis. 24b) Serviço Público: - Divulgar os canais de comunicação e as formas de apuração e punição; - Divulgar o Código de Ética do Servidor Público ou legislações específicas; - Em caso de conhecimento de práticas de Assédio Moral, qualquer servidor público deve levar o fato ao conhecimento do sindicato/associação/coletivo de trabalhadores e providenciar a notificação por escrito da autoridade superior; - Dirigente maior da unidade deve instaurar procedimento administrativo para apuração de responsabilidade; - Desenvolver as ações que integram a política de saúde do(a) trabalhador(a), visando a diminuição dos riscos e danos decorrentes da prática do Assédio Moral. 16. Quais as consequencias do Assédio Moral no Serviço Público No serviço público, o assediador pode receber punicoes disciplinares, de acordo com o regramento proprio. Embora a Lei n. 8.112 de 1990 (RJU - Regime Juridico Unico dos Servidores Publicos da Uniao, Autarquias e Fundacoes Publicas Federais) nao aborde claramente a questao do assédio moral, a conduta do assediador pode ser enquadrada no RJU, porque afronta dever de moralidade, podendo constituir-se em incontinéncia de conduta. RJU prevé, no Titulo IV, as condutas proibitivas e deveres do servidor, sendo alguns pertinentes ao tema. Em relacao aos deveres impostos aos servidores, tem-se que a pratica de assédio moral provoca a violacao do dever de manter conduta compativel com a moralidade administrativa (artigo 116, inciso IX), de tratar as pessoas com urbanidade (artigo 116, inciso XI) e de ser 25leal as instituicoes a que servir (artigo 116, inciso II). Além disso, RJU prevê que é proibido ao servidor promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição (artigo 117, inciso V) e valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em prejuizo da dignidade da função pública, proibições que são desrespeitadas em casos de assédio. Por fim, a proibição de que ao servidor sejam designadas atribuições estranhas ao cargo que ocupa (artigo 117, inciso XVII), o que só é permitido em situações de emergéncia e transitorias, também é desrespeitada nas hipóteses em que o assediador determina que o assediado realize tarefas que nao fazem parte de suas atribuicoes. Assim, a pratica do assédio moral contraria varios dos deveres atribuidos por lei aos servidores publicos e desrespeita proibicoes que lhes sao impostas. Nesse sentido, RJU prevé também as penalidades disciplinares que podem ser aplicadas aos servidores (artigo 127), dentre elas constando a adverténcia, a suspensao, a demissao, a cassacao de aposentadoria ou disponibilidade, a destituigao de cargo em comissao e a destituicao de comissionada. Além disso, é importante saber que o Município, o Estado ou a União podem - e devem - ser responsabilizados na esfera judicial civil pelos danos morais e materiais sofridos pela vítima. Se for comprovada na Justiça a prática do Assédio, cabe ao Poder Público indenizar a vítima. Quando isso acontece, posteriormente o Poder Público pode mover ação contra o agressor que deu causa ao Assédio Moral. 26Por isso, é extremamente importante que a vítima esteja bem assessorada pela entidade organizativa de trabalhadores(as) e por advogado(a). 17. que as organizações de trabalhadores devem fazer ao tomar conhecimento de um caso de Assédio Moral? primeiro passo é procurar a vítima e oferecer apoio. Escutá-la, orientá-la sobre a gravidade da violência que ela está sofrendo e auxiliá-la nas providências a serem tomadas nesses casos (notificação dos gestores da empresa ou instituição pública; encaminhamento aos serviços de saúde; encaminhamento a assessoria jurídica para proteção dos direitos do(a) trabalhador(a) perante a empresa e para eventuais ações judiciais visando à reparação por danos morais e materiais contra a empresa e/ou contra o agressor). segundo passo é fortalecer a rede de solidariedade e camaradagem já existentes. De acordo com a situação concreta e avaliação do grupo e da vítima, podem ser organizadas intervenções políticas no sentido de coibir as referidas práticas (a exemplo de cartazes, cartilhas, debates e rodas de conversa), bem como abordar o assunto no âmbito das CIPAs ou CISSPs. 27terceiro passo é acompanhar de perto o processo de apuração de responsabilidade em todos os âmbitos (civil, penal e administrativo), inclusive levando o fato ao conhecimento do Ministério Público do Trabalho, para garantir os direitos do(a) trabalhador(a) e a devida punição ao agressor, uma vez que o mais comum é a empresa/instituição pública ser conivente com as práticas de assédio e não adotar as medidas de prevenção e combate. quarto passo é pressionar a empresa/instituição pública pela adoção de ações no sentido de promoção da saúde e segurança dos(as) trabalhadores(as). Ministério Publico do Trabalho, a Rede Pública de Saúde e as Redes de Promoção da Saúde do Trabalhador podem ser aliados nesta ação. Nesse sentido, é uma tarefa dos(as) trabalhadores(as) se organizarem e mobilizarem contra o Assédio Moral. pois entendemos que os patrões raramente se interessam por combater essa prática, muito pelo contrário, cada vez mais frequentemente tem sido utilizado o assédio moral individual ou institucional como forma de controle e política de gestão. Basta!!! 2818. "Não sou vítima, não sou sindicalizado nem gosto dessas coisas, mas quero ajudar e não sei como!" Nos locais de trabalho, geralmente há um percentual pequeno de trabalhadores(as) que se organizam para lutar pelos seus direitos e contra os ataques dos patrões e gestores. Em virtude do individualismo, do clima de medo, das situações de assédio e da ameaça de perda do emprego, a maioria dos(as) trabalhadores(as) preferem não se envolver nas lutas e causas coletivas que também lhe dizem respeito. No entanto, quando ocorre uma situação de violência, a exemplo do Assédio Moral, muitos(as) trabalhadores(as) entendem que é necessário fazer alguma coisa. Se você é um(a) desses(as) trabalhadores(as), saiba que não está sozinho(a). primeiro passo é procurar a de trabalhadores(as), e relatar a situação, para que coletivamente sejam discutidas as táticas a serem adotadas no combate ao agressor e à empresa/ órgão público que é conivente ou que apoia essa prática violenta. Sozinho(a) é muito difícil combater práticas de violência e ataques aos direitos nos locais de trabalho. é necessário organização, mobilização e redes de apoio. Se você tem medo até mesmo de procurar o sindicato de trabalhadores(as), seja porque não confia politicamente, ou porque o sindicato é pelego ou porque o assediador faz parte dessas organizações, procure colegas de sua confiança e levem a demanda ao conhecimento de outras organizações de trabalhadores(as) 2919. "Não tenho nada a ver com isso e acho que estão fazendo tempestade em copo dágua!!!" Se você não foi vítima e anda dizendo pelos corredores que frescura...", "estão fazendo um bicho de sete cabeças...", "uma tempestade em copo dágua...", "ele(a) é muito cricri, não colaborava!!!" além de outros comentários infames, você está reforçando a situação em favor do agressor ou do órgão, aumentando ainda mais sofrimento da vítima. Se você já se pegou fazendo estes ou outros comentários em situações de Assédio Moral, PARE ENQUANTO É TEMPO!!! VOCÊ PODE ESTAR AJUDANDO A ACABAR COM A VIDA DE ALGUÉM!!! Assédio Moral é a primeira violência e comentário que você dissemina é a segunda violência contra o(a) trabalhador(a) vítima de assédio. 3020. E a turma da rádio corredor? Faz fofoca, especula e reforça o sofrimento da vítima sem perceber... Se você soube de um caso de Assédio Moral e correu para contar caso, disseminando fofoca, especulando, mas sem preocupação em debater isso coletivamente para resolver a situação ou oferecer apoio à vítima, VOCÊ NÃO ESTÁ CONTRIBUINDO EM NADA E ESTÁ REFORÇANDO SOFRIMENTO DO(A) TRABALHADOR(A) VÍTIMA DE ASSÉDIO!!! Ao invés disso, procure a de trabalhadores(as) para enfrentarem a questão de forma madura e efetiva, tomando as providências em todos os âmbitos, afinal, fofoca não ajudará em nada!!! 31Conclusão trabalho na sociedade caracteriza-se pelo assalariamento e organização hierárquica das atividades produtivas e serviços em geral, seja nas empresas privadas, seja no serviço público. Cadeias de hierarquia e comando verticais (gerências, chefias, subchefias, coordenações, etc.) são criadas com objetivo de subordinar os(as) trabalhadores(as) à vontade da empresa/instituição. As chefias e demais superiores hierárquicos - mas não somente eles - são escolhidos para exercer o poder sobre um grupo de trabalhadores(as), de acordo com os interesses da empresa (obtenção de lucro) ou da instituição pública (interesses partidários, eleitorais, quase sempre ligados aos interesses das classes dominantes). Várias são as práticas violentas usadas contra os(as) trabalhadores(as) para garantir esses interesses, o que acaba gerando um ambiente de trabalho adoecedor, causando impactos à saúde física e emocional dos(as) trabalhadores(as). Dentre estas práticas está o Assédio Moral, fortemente vinculado às políticas de gestão pública atualmente. 32Nesse sentido, a CNASI-AN, através da mobilização e organização dos(as) trabalhadores(as), busca ampliar a noção de combate e prevenção ao Assédio Moral para além dos aspectos jurídicos, vinculando a questão à luta da classe trabalhadora por melhores condições de trabalho e pela promoção da saúde e segurança. Fale Conosco Em caso de denúncias, necessidade de orientação ou organização de atividades/debates no seu local de trabalho sobre Assédio Moral e Violência Emocional no Trabalho e suas repercussões ou outras formas de violência ou ataques, entre em contato: Site: cnasi.org.br E-mail: cnasi01@gmail.com 33Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Assédio: violência e sofrimento no ambiente de trabalho. Brasília/DF, 2012. DISTRITO FEDERAL. CÂMARA Violência no Trabalho: Reflexões, Conceitos e Orientações. Brasília/DF, 2008. SINASEFE. Cartilha Informativa sobre Assédio Moral no Mundo do Trabalho. Disponível em: http://www.sinasefe.org.br/antigo/cartilha assedio moral.pdf SINDICATO DOS BANCÁRIOS E FINANCIÁRIOS DE SÃO PAULO, OSASCO E REGIÃO. Assédio Moral - Saia do Isolamento. Disponível em: http://www.assediomoral.org/IMG/pdf/cartilha assedio moral saia do isola mento.pdf SINDPREVS/SC. Violência Emocional no Trabalho: uma prática a ser combatida. Florianópolis/SC, 2013. 34CNASI ASSOCIAÇÃO NACIONAL

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