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<p>PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO AOS</p><p>ASSÉDIOS E À DISCRIMINAÇÃO</p><p>Assédio Moral</p><p>Módulo III</p><p>Presidência dos Correios</p><p>Diretoria de Governança e Estratégia</p><p>Superintendência Executiva de Educação</p><p>Universidade Corporativa dos Correios</p><p>Diretoria de Gestão de Pessoas</p><p>Superintendência Executiva de Gestão de Pessoas</p><p>Departamento de Relacionamento Organizacional</p><p>Elaboração:</p><p>Coordenação educacional</p><p>Gabriel Vital Lins Filho</p><p>Conteúdo</p><p>Vilma Maria dos Santos Reis</p><p>Idel Profeta Ribeiro</p><p>Ricardo Aparecido dos Reis</p><p>Amaury José Valença de Melo</p><p>Ivan Palmeira da Costa</p><p>Enise Regina Willms Passos</p><p>Silvio do Espírito Santo</p><p>Desenho instrucional</p><p>Enise Regina Willms Passos</p><p>Silvio do Espírito Santo</p><p>Projeto gráfico</p><p>Alexsandro de Brito Almeida</p><p>Paula Andréia dos Santos</p><p>Ronaldo Baía da Silva</p><p>Coordenação do Núcleo de Revisão de Textos</p><p>Paula Andréia dos Santos</p><p>Revisão de texto</p><p>Paula Andréia dos Santos</p><p>Brasília-DF</p><p>Agosto/2024</p><p>É proibida a reprodução deste material fora do âmbito dos Correios.</p><p>Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT)</p><p>Edifício-sede dos Correios</p><p>SBN Quadra 1 Bloco A, Asa Norte</p><p>70002-900 Brasília/DF</p><p>Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.</p><p>EAD Prevenção e enfrentamento aos assédios e à discriminação. -Brasília: Correios, 2024.</p><p>44p.</p><p>Inclui bibliografia</p><p>1.Assédio moral. 2. Assédio sexual. 3. Discriminação. 4. Violência no trabalho. 5.</p><p>Conflitos. I. Título.</p><p>SUMÁRIO</p><p>Objetivo geral ................................................................................................... 6</p><p>Objetivos de aprendizagem ................................................................................... 6</p><p>Conteúdo ........................................................................................................ 7</p><p>Introdução ........................................................................................................8</p><p>Lição I - O que caracteriza assédio moral? ..................................................................9</p><p>Lição II – Quais são os tipos de assédio moral? ........................................................... 26</p><p>Lição III – Quais são os danos causados pelo assédio moral? ........................................... 37</p><p>Resumo do módulo ........................................................................................... 43</p><p>Objetivo geral</p><p>Identificar a importância da prevenção e do enfrentamento aos assédios e à discriminação nos</p><p>Correios e na sociedade.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final do Módulo III: Assédio moral, esperamos que você possa alcançar os seguintes</p><p>objetivos:</p><p> Identificar atitudes que caracterizam assédio moral.</p><p> Diferenciar dano moral de assédio moral.</p><p> Identificar os tipos de assédio moral.</p><p> Identificar os danos causados pelo assédio moral ao indivíduo, à organização e à sociedade.</p><p>Conteúdo</p><p>Módulo III – Assédio moral</p><p>Lição I: O que caracteriza assédio moral?</p><p>Lição II: Quais são os tipos de assédio moral?</p><p>Lição III: Quais são os danos causados pelo assédio moral?</p><p>Introdução</p><p>Olá! Seja bem-vindo(a) ao Módulo Assédio Moral!</p><p>Neste módulo vamos estudar sobre assédio moral, que é uma das formas de violência.</p><p>Considerado um fenômeno complexo, pode ter no seu bojo inúmeras causas como</p><p>decorrência de um conflito não gerido que vai se agravando, efeito da discriminação,</p><p>disputa de poder, insegurança, baixa autoestima, entre outros fatores que serão</p><p>estudados.</p><p>Como forma de promover um ambiente de trabalho digno e justo, à Empresa cabe</p><p>promover a participação da força de trabalho em capacitações e veicular campanhas</p><p>internas com o objetivo de disseminar conhecimento sobre o assunto. Também</p><p>disponibilizar canais de denúncia, apurar irregularidades e envidar esforços para coibir</p><p>toda e qualquer forma de assédio e discriminação.</p><p>À classe trabalhadora, a busca pela informação, o investimento na construção de uma</p><p>boa autoestima e a denúncia, se for o caso, são armas poderosas na prevenção e no</p><p>combate a esse tipo de agressão.</p><p>Bons estudos!</p><p>9</p><p>O que caracteriza assédio moral?</p><p>Vamos começar trazendo um trecho importantíssimo da Constituição Federal - CF,</p><p>que estabelece como direitos fundamentais o respeito à dignidade da pessoa humana</p><p>e a intimidade dela:</p><p>EAD - PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO AOS ASSÉDIOS E À DISCRIMINAÇÃO – LIÇÃO I</p><p>O que caracteriza assédio moral?</p><p>Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se</p><p>aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à</p><p>liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.</p><p>(...)</p><p>III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;</p><p>(...)</p><p>V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por</p><p>dano material, moral ou à imagem;</p><p>(...)</p><p>X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado</p><p>o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.</p><p>Administração Pública deve se guiar pelo princípio da dignidade da pessoa humana, da</p><p>Citação</p><p>10</p><p>A Constituição de um país embasa todas as outras leis que dela não podem divergir.</p><p>Isso também ocorre com normativos, guias, cartilhas, manuais internos, sobretudo em</p><p>se tratando de órgãos da administração pública federal, estadual e municipal.</p><p>Com os Correios não é diferente. Dessa forma, no Guia Lilás</p><p>(https://repositorio.cgu.gov.br/bitstream/1/93176/1/Guia_para_prevencao_assedio</p><p>.pdf), cartilha de orientações para prevenção e tratamento ao assédio moral, assédio</p><p>sexual e discriminação no Governo Federal, elaborada pela Controladoria-Geral da</p><p>União – CGU (2023), e adotada pelos Correios como forma de compor as ações de</p><p>enfrentamento aos assédios, consta que:</p><p>A Administração Pública deve se guiar pelo princípio da dignidade da pessoa</p><p>humana, da valorização social do trabalho, da proibição de todas as formas de</p><p>discriminação, do direito à saúde e da segurança no trabalho (artigos 1º, incisos</p><p>III e IV; 3º, IV; 6º; 7º, inciso XXII; 37 e 39, § 3º; 170, caput, da Constituição</p><p>Federal).</p><p>Citação</p><p>11</p><p>Isso quer dizer que, como empresa pública, o enfrentamento aos assédios e à</p><p>discriminação é um dever dos Correios, estabelecido pela Constituição Federal, certo?</p><p>Mas quem forma os Correios? Você e cada empregado(a), jovem aprendiz,</p><p>estagiário(a), cedido(a), terceirizado(a), prestador de serviço, que carrega o nome</p><p>dessa Empresa Brasil afora. Então, o dever de prevenir e enfrentar os assédios e a</p><p>discriminação também é uma tarefa sua.</p><p>Vamos entender o que é o assédio moral?</p><p>Veja o que consta no Guia Lilás:</p><p>O assédio moral consiste na violação da dignidade ou integridade psíquica ou física</p><p>de outra pessoa por meio de conduta abusiva. Manifesta-se por meio de gestos,</p><p>palavras (orais ou escritas), comportamentos ou atitudes que exponham o(a)</p><p>servidor(a), o(a) empregado(a), ou o(a) estagiário(a), ou o(a) terceirizado(a),</p><p>individualmente ou em grupo, a situações humilhantes e constrangedoras,</p><p>degradando o clima de trabalho e muitas vezes impactando a estabilidade</p><p>emocional e física da vítima (pág. 7).</p><p>12</p><p>Você vai encontrar na literatura, de forma recorrente, que o assédio moral se caracteriza</p><p>por atos hostis, repetitivos e sistemáticos ao longo do tempo. Sim, esses são traços que</p><p>configuram o assédio moral. E o dano moral, em geral, é consequência do assédio.</p><p>Entretanto, um ato isolado ou eventual também pode vir a produzir dano moral, a</p><p>depender do quanto a pessoa se sinta moralmente humilhada, exposta ou ultrajada em</p><p>sua honra, de acordo com as provas apresentadas.</p><p>Um(a) empregado(a) chega atrasado(a) a uma reunião de serviço e o(a) gestor(a)</p><p>o(a) deixa de castigo, em pé, durante todo o tempo da reunião, para aprender a</p><p>nunca mais se atrasar.</p><p>Exemplo</p><p>13</p><p>Mas qual é o conceito de dano moral?</p><p>Dano moral é um tipo de violação ou ofensa aos bens de ordem moral de uma pessoa</p><p>no que se refere a honra, imagem, intimidade, liberdade, privacidade ou dignidade</p><p>dela. Para que o dano moral seja configurado, alguns elementos são necessários:</p><p> Conduta ilícita: precisa ficar caracterizado que alguém infringiu a lei, ou</p><p>seja, agiu de forma contrária aos direitos fundamentais do outro ser</p><p>humano. Pode ser, por exemplo, calúnia, humilhação, injúria,</p><p>discriminação, entre outras situações.</p><p>Note-se que se o indivíduo sentir que foi exposto a uma situação vexatória,</p><p>humilhante, e que a conduta da gestão foi abusiva, caso comprovada</p><p>judicialmente, essa situação poderá configurar dano moral. O suposto dano moral</p><p>causado e as consequências dependem muito de pessoa para pessoa, por isso,</p><p>“cada caso é um caso”. É algo de foro íntimo, da personalidade e do quanto a</p><p>atitude do outro indivíduo o impactou psíquica, emocional e/ou moralmente.</p><p>Reflexão</p><p>14</p><p> Dano efetivo: deve ficar comprovado que houve significativo impacto</p><p>de foro íntimo, que ocasionou angústia, sofrimento emocional e abalou</p><p>psicologicamente o sujeito.</p><p> Nexo causal: é necessário que haja relação de causa e efeito entre a</p><p>conduta do responsável e o prejuízo emocional à vítima.</p><p>Lembrando que o dano moral não acontece somente no trabalho, mas também no</p><p>âmbito familiar e social.</p><p>Observe o que está previsto no Código Civil Brasileiro a respeito do dano moral:</p><p>Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,</p><p>violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete</p><p>ato ilícito.</p><p>Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a</p><p>repará-lo.</p><p>Citação</p><p>15</p><p>Agora que estudamos sobre dano moral, vamos focar no que pode</p><p>configurar assédio moral e respectivas consequências, certo?</p><p>Por incrível que pareça, a temática do assédio moral é recente no Brasil. Os primeiros</p><p>estudos brasileiros datam do início dos anos 2000, e na época, era denominado de</p><p>“humilhação no trabalho”.</p><p>Embora o termo assédio moral seja relativamente novo, a prática não o é. Basta</p><p>lembrar dos trabalhos forçados na idade antiga e média, da carga horária abusiva na</p><p>revolução industrial e das condições de trabalho insalubres e indignas ao longo dos</p><p>séculos, em vários segmentos.</p><p>Nesses casos, a violência física e a prática do assédio moral e muitas vezes do assédio</p><p>sexual também, eram visíveis, explícitas, ainda que não tivessem esse nome.</p><p>16</p><p>A Organização Internacional do Trabalho - OIT é um importante organismo que</p><p>contribui para o avanço do desenvolvimento de políticas e programas voltados ao</p><p>trabalho decente. Trata-se de uma agência da Organização das Nações Unidas –</p><p>ONU, que tem “a missão de promover oportunidades para que homens e</p><p>mulheres possam ter acesso a um trabalho decente e produtivo, em condições</p><p>de liberdade, equidade, segurança e dignidade” (Fonte:</p><p>https://www.ilo.org/pt-pt/regions-and-countries/americas/brasil/conheca-</p><p>oit). Criada em 1919, a OIT tem sede em Genebra, na Suíça, e é uma organização</p><p>tripartite, ou seja, fazem parte representantes de governos, organizações de</p><p>empregadores(as) e de trabalhadores(as). Para ler mais sobre, acesse o link o</p><p>link https://www.ilo.org/brasilia/conheca-a-oit/lang--pt/index.htm.</p><p>Saiba mais</p><p>17</p><p>E hoje, como o assédio moral se apresenta?</p><p>Muitas vezes, pode se apresentar como a face oculta, não visível, sutil, da violência</p><p>no trabalho. Embora tenhamos muitos avanços em relação à melhoria das condições</p><p>laborais, ainda precisamos avançar muito em termos de legislação, fiscalização,</p><p>políticas, programas e conscientização para que o trabalho não seja sinônimo de</p><p>sofrimento e de adoecimento.</p><p>Margarida Maria Silveira Barreto, médica e pesquisadora, reconhecida no meio</p><p>científico pelo pioneirismo nos estudos que identificaram e conceituaram o assédio</p><p>moral no trabalho no Brasil, cita que psicólogos e sociólogos contemporâneos</p><p>enfatizam a violência como um fenômeno único, com muitas e variadas faces,</p><p>constituindo-se em fato complexo e multidimensional.</p><p>Aliás, o crescente adoecimento psiquiátrico de trabalhadores(as) dos mais diversos</p><p>segmentos foi um dos fatores que atraiu a atenção de médicos e demais pessoas</p><p>envolvidas com a área de saúde e o vinculou, entre outros motivos, à prática do</p><p>assédio moral.</p><p>18</p><p>Para a psiquiatra, psicanalista e pesquisadora francesa Marie-France Hirigoyen (2002),</p><p>autora de vários livros e referência mundial no assunto, todo assédio moral é</p><p>discriminatório, pois “vem ratificar a recusa de uma diferença ou uma particularidade</p><p>da pessoa”. Para ela, o medo é um motor indispensável à prática e à manutenção</p><p>do assédio moral.</p><p>Em decorrência disso, pode utilizar das mais diferentes formas de assédio como:</p><p>desprezo, humilhação, isolamento, desqualificação, gritos, ameaças, intimidação,</p><p>negação de direitos, piadinha, ironia, símbolos e tantas outras formas de violência.</p><p>Pode ocorrer que o assediador sinta insegurança, inveja, ciúmes, rancor, haja</p><p>rivalidade, competitividade, ressentimentos ou medo em relação à vítima, não</p><p>adequadamente trabalhados dentro de si. Por outro lado, pode ser somente</p><p>necessidade de demonstrar poder.</p><p>19</p><p>Ainda que o assédio moral possa se manifestar de maneira sutil e invisível aos olhos, é</p><p>possível caracterizá-lo e comprová-lo por meio de anotações, testemunhas, relatos,</p><p>áudios e vídeos.</p><p>Em qualquer dos casos, se de maneira contundente e visível ou de forma sutil e</p><p>dissimulada, causa imenso sofrimento. A finalidade é, em geral, levar a vítima a</p><p>cumprir uma determinação, fazer algo contra a própria vontade, pedir</p><p>transferência, afastamento da função, licença médica ou mesmo demissão.</p><p>Por outro lado, o assédio moral pode se manifestar de forma sutil, nebulosa,</p><p>difusa, implícita e dissimulada, disfarçada de cuidado e doçura. Margarida,</p><p>em décadas de pesquisa, menciona que a violência também pode esconder uma</p><p>face sedutora, zelosa e criativa, “como o canto de uma sereia”, confundindo a</p><p>vítima. Em algumas situações, o(a) assediador(a) pode se mostrar gentil,</p><p>prestativo(a), simpático(a), o que na verdade pode encobrir uma postura</p><p>insidiosa, ardilosa, enganadora.</p><p>Atenção</p><p>20</p><p>Por medo de ser exposta, retaliada, perseguida, a pessoa assediada muitas vezes</p><p>silencia, omite-se, encolhe-se, não denuncia e sofre calada: pelo assédio em si, pela</p><p>vergonha e pelo medo. É uma dor imensa!</p><p>Também, por vezes, as testemunhas fazem parte desse ciclo perverso, por medo de</p><p>serem prejudicadas, caso discordem ou denunciem a situação.</p><p>É preciso romper o silêncio para quebrar esse ciclo perverso.</p><p>Os comportamentos descritos são disfuncionais, perversos e doentios. Formas</p><p>totalmente inadequadas de canalizar sentimentos, divergências e de se</p><p>relacionar. Daí a importância do autoconhecimento e de compreender o que se</p><p>passa no seu íntimo para escolher maneiras éticas e saudáveis de se relacionar,</p><p>de resolver conflitos, de lidar adequadamente com seus medos sem ferir as</p><p>pessoas e sem se deixar ferir.</p><p>Reflita</p><p>21</p><p>No Manual de Governança Corporativa – MANGOV 4/2, Anexo 3, constam</p><p>medidas de salvaguarda ao denunciante de boa-fé. Observe o item 3.1:</p><p>h) o denunciante que, de boa-fé, fizer uma denúncia no Canal de Denúncia dos</p><p>Correios não deverá sofrer retaliação por parte de qualquer gestor,</p><p>empregados ou dirigentes.</p><p>Nota: conforme orientação contida no MANGOV, caso o(a) denunciante sofra</p><p>retaliação, deverá:</p><p>a. Denunciar o fato de</p><p>estar sendo retaliado.</p><p>b. Nessa segunda denúncia, deverá constar o nº do protocolo da denúncia</p><p>anterior para ser apurada no âmbito da Controladoria-Geral da União – CGU.</p><p>Atenção</p><p>22</p><p>Se você sofre algum tipo de assédio ou conhece alguém que está passando por essa</p><p>situação, denuncie, busque uma rede de apoio que pode ser composta por: amigos(as),</p><p>familiares, colegas de trabalho ou profissionais especialistas em medicina, psicologia,</p><p>serviço social, advocacia. Tais pessoas/profissionais, poderão ajudá-lo(a) a se</p><p>estruturar, a reunir provas e a se sentir mais confiante e seguro(a). Sempre há uma</p><p>saída.</p><p>Rompa o silêncio: denuncie!</p><p>E se você está presenciando situações de assédio moral, assédio sexual ou</p><p>discriminação, ofereça auxílio à vítima, ajude-a a romper o ciclo do silêncio, seja</p><p>apoio. Nós somos responsáveis pelo enfrentamento às situações de violência no</p><p>trabalho.</p><p>E quais são os canais para denúncia em caso de assédio moral?</p><p>Há vários canais disponíveis. Para maior agilidade, utilize o canal de denúncias dos</p><p>Correios:</p><p>23</p><p> No Fale Conosco: pela internet ou por telefone, na opção Denúncia, na página</p><p>oficial dos Correios: https://www.correios.com.br/.</p><p> Por correspondência para o seguinte endereço:</p><p>Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos</p><p>Ouvidoria</p><p>Setor Bancário Norte, Quadra 01, Bloco A, 8º andar, ala norte</p><p>CEP 70002-900 – Brasília/DF</p><p>Entretanto, a vítima poderá escolher um dos canais abaixo:</p><p> Plataforma Fala.BR, por meio do link: https://falabr.cgu.gov.br/web/home.</p><p> Delegacia Regional do Trabalho – DRT da sua localidade ou região.</p><p> Ministério Público do Trabalho – MPT da sua localidade ou região.</p><p>Se for o caso de registrar Boletim de Ocorrência, este não exclui a necessidade</p><p>de fazer denúncia em um dos canais de denúncia anteriormente citados.</p><p>24</p><p>Os canais de denúncia estão disponíveis para empregados(as)</p><p>jovens aprendizes, cedidos(as) e terceirizados(as).</p><p>Uma questão muito importante é que para serem apuradas, as denúncias</p><p>precisam de elementos mínimos de materialidade, ou seja, informações,</p><p>detalhes, subsídios para investigação. Quanto mais minuciosa a denúncia,</p><p>tanto maior a perspectiva de ser investigada. Várias denúncias são arquivadas</p><p>por falta de informações, de detalhes que possibilitem a apuração dos fatos.</p><p>Em um caso verídico, a denúncia continha apenas as seguintes informações:</p><p>assédio no CDD “Y”. Mas quem pratica o assédio? Que tipo de assédio? Contra</p><p>quem o suposto assédio é praticado? Com uma pessoa especificamente ou</p><p>várias? Como são as atitudes do(a) suposto(a) assediador(a)? Há outros detalhes</p><p>que possam corroborar com a investigação?</p><p>A descrição detalhada dos fatos permite o encaminhamento do processo.</p><p>Atenção</p><p>25</p><p>Para Margarida Barreto, de alguma forma, a cultura do silêncio diante da violência</p><p>transforma todos em cúmplices da tirania e coautores(as) da violência, mesmo quando</p><p>o que domina é o medo, as imposições e as ameaças. O que sustenta e permite as</p><p>práticas de assédio moral é ainda um sistema afetivo baseado no medo, na</p><p>humilhação, na vergonha, na baixa autoestima, no isolamento e na solidão.</p><p>Situações de assédio (ou qualquer outro tipo de violência), podem ocorrer tanto</p><p>durante a jornada de trabalho quanto fora dela, quando se está a serviço da</p><p>Empresa em eventos sociais, treinamentos e viagens. As investidas podem se</p><p>materializar tanto de forma presencial quanto virtual.</p><p>Atenção</p><p>26</p><p>Lembra da Política de Consequências dos Correios que você estudou no Módulo I? Pois</p><p>é, praticar assédio moral é descumprir algumas das normas estabelecidas nos</p><p>normativos da Empresa e está sujeito às sanções previstas: advertência ou suspensão</p><p>ou demissão, respeitados o contraditório e a ampla defesa.</p><p>Ressaltando ainda que, em casos comprovados de assédio moral, poderão ocorrer</p><p>sanções administrativas, penais ou cíveis, a depender do caso.</p><p>Continuando, na Lição 2, você irá se debruçar sobre os tipos de assédio moral.</p><p>Vamos lá?</p><p>27</p><p>O assédio moral pode se apresentar de forma individualizada ou por meio de atos</p><p>institucionalizados como parte da política da organização, tornando-se prática</p><p>corporativa.</p><p>A forma individualizada pode ser:</p><p> vertical descendente: de cima para baixo, quando o assédio é praticado por uma</p><p>pessoa em posição hierárquica superior, ou seja, da liderança para com as pessoas</p><p>lideradas. É a forma mais comum relatada nos estudos, justamente pela possibilidade</p><p>de mau uso do poder e das relações hierárquicas.</p><p> Vertical ascendente: de baixo para cima, quando o assédio é praticado por uma ou</p><p>mais pessoas em posição hierárquica inferior, ou seja, quando a equipe assedia a</p><p>liderança.</p><p> Horizontal ou lateral: entre colegas. Quando um ou mais colegas humilham, isolam,</p><p>desqualificam, discriminam, ridicularizam determinada pessoa ou grupo de pessoas,</p><p>de forma recorrente e duradoura.</p><p>EAD - PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO AOS ASSÉDIOS E À DISCRIMINAÇÃO - LIÇÃO II</p><p>Quais são os tipos de assédio moral?</p><p>28</p><p> E há ainda o assédio moral institucional, que se apresenta quando a empresa</p><p>adota práticas que prejudicam a saúde física, emocional e psicológica do trabalhador</p><p>e da trabalhadora como forma de gestão e quando incentiva ou tolera atos de assédio.</p><p>Acompanhe a seguir situações verídicas de assédio moral institucional, citadas pela</p><p>pesquisadora Margarida Barreto, que parecem inacreditáveis e impossíveis de</p><p>acontecer em pleno século XXI:</p><p> Uma empresa que amarrava a pessoa à máquina até que atingisse as metas.</p><p> Uma empresa de bebidas em Manaus, em que a pessoa considerada</p><p>incompetente era obrigada a levar um bode para casa (sim, um bode). Tinha</p><p>a obrigação de cuidar do animal para que não morresse, sob pena de sofrer</p><p>multa.</p><p> Ou ainda outra empresa, em que a trabalhadora ficou detida em uma sala</p><p>durante todo o expediente, incomunicável e sem direito a se alimentar, porque</p><p>havia mandado currículo para outra organização.</p><p>Exemplo</p><p>29</p><p>Fonte: Folha de São Paulo (2023)</p><p>Nesse caso, o presidente da organização foi denunciado ao Ministério Público Federal</p><p>por supostas práticas de assédio moral e sexual. Em março de 2023, o executivo tornou-</p><p>se réu.</p><p>Figura 1</p><p>30</p><p>Esse episódio é emblemático, pois além de ser recente, aconteceu de forma contínua</p><p>e escancarada, uma vez que existem áudios, vídeos e relatos publicados pela mídia.</p><p>Trata-se de uma situação delicada, pois as denúncias eram contra a autoridade máxima</p><p>da empresa, registrados nos canais da própria organização. Essa é uma particularidade</p><p>do assédio moral institucional.</p><p>Nesses casos, pode ser necessário que as vítimas busquem apoio junto a um órgão</p><p>externo, como o Ministério Público do Trabalho – MPT. E foi justamente o que as vítimas</p><p>fizeram, no exemplo citado. Conforme publicação do MPT, por três meses houve</p><p>investigação e 38 testemunhas foram ouvidas, confirmaram e detalharam os abusos</p><p>sofridos. Para ler a publicação na íntegra acesse o link</p><p>https://www.prt6.mpt.mp.br/informe-se/noticias-do-mpt-go/2667-mpt-e-caixa-</p><p>assinam-acordo-em-caso-que-apurou-assedio-moral-e-sexual</p><p>Para ler a reportagem completa, você pode acessar clicando no link abaixo ou</p><p>colando-o na barra de endereço do navegador:</p><p>https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2022/07/03/escandalo-</p><p>da-caixa-como-guimaraes-transformou-assedio-em-modelo-de-gestao-o-dossie-</p><p>kgb-e-os-bastidores-do-esquema.ghtml</p><p>Saiba mais</p><p>31</p><p>Mas afinal, como podemos identificar o assédio moral?</p><p>Exemplos que constam do Guia Lilás (pág. 7/8) ajudarão você a identificar práticas</p><p>que podem vir a caracterizar assédio moral – se devidamente comprovadas e</p><p>respeitadas a ampla defesa e o contraditório - por</p><p>isso, devem sempre ser evitadas:</p><p> Privar a pessoa do acesso aos instrumentos necessários para ela realizar o</p><p>próprio trabalho.</p><p> Sonegar informações necessárias à realização de suas tarefas ou fornecer</p><p>informações que a induzam ao erro.</p><p> Não atribuir atividades à pessoa, deixando-a sem quaisquer tarefas a</p><p>cumprir, provocando a sensação de inutilidade e de incompetência, ou</p><p>colocando-a em uma situação humilhante frente aos colegas de trabalho.</p><p> Contestar sistematicamente todas as decisões da pessoa e criticar o</p><p>trabalho dela de modo exagerado ou injusto, em especial na frente de</p><p>outros.</p><p> Entregar, de forma permanente, quantidade superior de tarefas</p><p>comparativamente a seus colegas.</p><p> Exigir a execução de tarefas urgentes de forma permanente e</p><p>desnecessária.</p><p>32</p><p> Atribuir, de propósito e com frequência, tarefas inferiores ou superiores,</p><p>distintas das atribuições da pessoa.</p><p> Controlar a frequência e o tempo de utilização de banheiro.</p><p> Pressionar para que ela não exerça os direitos estatutários ou trabalhistas.</p><p> Dificultar ou impedir promoções ou o exercício de funções diferenciadas.</p><p> Segregar a pessoa assediada no ambiente de trabalho, seja fisicamente,</p><p>seja mediante recusa de comunicação.</p><p> Agredir verbalmente, gritar, dirigir gestos de desprezo ou ameaçar com</p><p>outras formas de violência física e/ou emocional.</p><p> Criticar a vida privada, as preferências ou as convicções pessoais ou</p><p>políticas.</p><p> Espalhar boatos ou fofocas a respeito da pessoa assediada, ou fazer piadas,</p><p>procurando desmerecê-la ou constrangê-la perante superiores, colegas ou</p><p>subordinados.</p><p> Desconsiderar problemas de saúde ou recomendações médicas na</p><p>distribuição de tarefas.</p><p> Realizar um controle excessivo e desproporcional apenas sobre a pessoa</p><p>assediada.</p><p>33</p><p> Evitar a comunicação direta com a pessoa assediada, ocorrendo</p><p>normalmente quando a comunicação se dá apenas por e-mail, bilhetes ou</p><p>terceiros e outras formas indiretas de comunicação.</p><p> Isolar a pessoa assediada de confraternizações, almoços e atividades</p><p>realizadas em conjunto com os demais colegas.</p><p> Fazer comentários indiscretos quando a pessoa falta ao serviço.</p><p> Invadir a intimidade da pessoa, procedendo a escutas de ligações</p><p>telefônicas, leituras de correspondências, mensagens em aplicativos ou e-</p><p>mails.</p><p> Ignorar a presença da pessoa.</p><p> Atribuir tarefas vexatórias ou humilhantes à pessoa.</p><p>34</p><p>Podem ainda ocorrer assédios específicos por gênero, sobretudo em relação às mulheres.</p><p>Atente-se aos exemplos a seguir retirados do Guia Lilás (pág. 8):</p><p>Fazer insinuações ou afirmações de incompetência ou incapacidade da pessoa pelo fato de ser</p><p>mulher.</p><p>Questionar a sanidade mental da pessoa pelo fato de ser mulher.</p><p>Apropriar-se das ideias de mulheres, sem dar-lhes os devidos créditos e reconhecimento.</p><p>Interromper constantemente mulheres no ambiente de trabalho e/ou em atividades</p><p>relacionadas ao trabalho.*</p><p>Tratar mulheres de forma infantilizada e/ou condescendente, com apresentação de explicações</p><p>e/ou opiniões não solicitadas. **</p><p>Dificultar ou impedir que as gestantes compareçam a consultas médicas fora do ambiente de</p><p>trabalho.</p><p>Interferir no planejamento familiar das mulheres, sugerindo que não engravidem.</p><p>Emitir críticas ao fato de a mulher ter engravidado.</p><p>Desconsiderar recomendações médicas às gestantes na distribuição de tarefas.</p><p> Desconsiderar sumária e repetitivamente a opinião técnica da mulher em sua área de</p><p>conhecimento.</p><p> Proferir piadas de cunho sexista. ***</p><p>Atenção</p><p>35</p><p>*Esse item se refere a interromper a fala da mulher de forma abrupta e continuada,</p><p>cortando o raciocínio e impedindo-a de se expressar, com o objetivo de se sobrepor.</p><p>**Nessa acepção, o tratamento infantilizado quer denotar, de forma velada,</p><p>incapacidade intelectual, como se a mulher tivesse mais dificuldade de compreensão.</p><p>Como se diz popularmente: “quer que eu desenhe?”</p><p>***Sexismo: “representa o conjunto de preconceitos e discriminações que se baseiam</p><p>no sexo ou na orientação sexual”. Comumente refere-se ao gênero feminino.</p><p>(Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região/MG).</p><p>E o que não caracteriza assédio moral?</p><p>Cobranças de trabalho, realizadas de maneira respeitosa.</p><p>Atribuição de tarefas aos subordinados, no interesse da administração.</p><p>Conflitos esporádicos com colegas ou gestores como divergências sobre</p><p>determinado tema comunicadas de forma direta e respeitosa.</p><p>Avaliação de desempenho feita de forma criteriosa, respeitosa, atribuindo metas</p><p>pertinentes e exequíveis e dando ciência ao empregado, conforme prescrito no MANPES</p><p>13/1.</p><p>36</p><p>Críticas construtivas.</p><p>Solicitação de retorno do teletrabalho, com base nos normativos da Empresa,</p><p>MANPES 19/5.</p><p>Destituição da função em conformidade com critérios da Empresa, MANPES 34/2.</p><p>Transferência de empregado por necessidade de serviço, conforme regras previstas</p><p>no MANPES 23/1 e anexos, de forma a não caracterizar retaliação.</p><p>Todo trabalho apresenta certo grau de estresse e é normal haver discordâncias,</p><p>críticas, sugestões de melhoria, tanto por parte das lideranças quanto de colegas.</p><p>E isso não configura assédio moral, desde que ocorra de forma respeitosa.</p><p>37</p><p>Conflitos também podem acontecer. Mas nesse caso, a conversa ou até mesmo a</p><p>discussão ocorre de forma aberta, as pessoas envolvidas podem apresentar seu ponto</p><p>de vista e defender sua opinião. Pode até mesmo não haver consenso e isso é natural</p><p>nas relações humanas. O que não pode é haver dano moral ou assédio moral.</p><p>Cuidados redobrados devem ser tomados em relação aos(às) jovens</p><p>aprendizes, uma vez que estão em processo de aprendizagem e por isso são</p><p>mais vulneráveis, ainda que alguns sejam maiores de idade. Como adultas, todas</p><p>as demais pessoas precisam zelar pelo bem-estar desses(as) jovens e</p><p>protegê-los(as) de toda e qualquer espécie de violência no trabalho.</p><p>Atenção</p><p>38</p><p>Na palestra Prevenção, Detecção e Combate ao Assédio Moral, disponível em:</p><p>https://univirtual.correios.com.br/enrol/index.php?id=1539, o consultor e</p><p>psicanalista Nilson Perissé cita que em situação normal, a pessoa adulta, ao longo da</p><p>vida, desenvolve recursos internos e uma espécie de couraça para não se deixar abalar</p><p>facilmente pelas diversas situações desafiadoras, inerentes à existência humana.</p><p>Dessa forma, consegue lidar com o mau humor de outro indivíduo, uma rispidez, um</p><p>conflito, um desentendimento, que são até certo ponto inevitáveis nas relações</p><p>humanas. Mas, ser submetido a um longo e continuado tempo (ou uma única vez, mas</p><p>de forma contundente e avassaladora para você), a esse tipo de manifestação,</p><p>destruirá as defesas que você construiu.</p><p>Perissé usa uma metáfora muito didática, que nos ajuda a entender o quão danoso é o</p><p>processo que envolve o assédio moral. Leia a seguir.</p><p>EAD - PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO AOS ASSÉDIOS E À DISCRIMINAÇÃO - LIÇÃO III</p><p>Quais os danos provocados pelo assédio moral?</p><p>39</p><p>Mas sucumbir como?</p><p>Perdendo o brilho nos olhos, a alegria, a motivação, reduzindo a produtividade,</p><p>deixando de interagir, não brincando mais com a família como brincava antes,</p><p>isolando-se, perdendo o ânimo, adoecendo. Enfim, se apequenando diante da vida.</p><p>O assédio vai “triturando” a pessoa aos poucos. A repetição e a intensidade dos atos a</p><p>torna vulnerável, fragilizada.</p><p>Digamos que você é excelente e experiente nadador(a), acostumado(a),</p><p>inclusive, a nadar no mar. Um dia você mergulha e ao vir à superfície, uma onda</p><p>alta quebra sobre você. Você afunda. Não tendo tempo de respirar</p><p>profundamente, sua respiração já está precária. Volta à superfície e outra onda</p><p>quebra sobre você. Se essa situação se repetir várias vezes, poderá perder as</p><p>forças e morrer</p><p>afogado(a), mesmo sendo um(a) ótimo(a) nadador(a), mesmo</p><p>conhecendo o mar, mesmo tendo experiência em furar ondas, ou seja, mesmo</p><p>sendo pessoa adulta, tendo experiência de vida e construído suas defesas, se</p><p>continuamente exposto(a) a situações de assédio, suas forças poderão faltar e</p><p>você sucumbir.</p><p>Exemplo</p><p>40</p><p>O acúmulo de microagressões vai devastando a vida. A situação é tão grave, que muitas</p><p>pessoas se desestruturam física e psicologicamente, perdem o sentido da vida e podem</p><p>até cometer suicídio.</p><p>Em suma, os danos incluem vários aspectos relacionados à classe trabalhadora, à</p><p>família, à Empresa e à sociedade.</p><p>Para o(a) empregado(a), pode haver danos à saúde física e mental, vida profissional,</p><p>financeira, afetiva, familiar, social e espiritual.</p><p>Para a Empresa, o aumento do absenteísmo impacta na qualidade dos serviços</p><p>prestados à clientela, devido à ausência do(a) trabalhador(a), na produtividade, no</p><p>clima organizacional, nos custos operacionais e na própria reputação e credibilidade</p><p>da organização.</p><p>Confira mais exemplos de danos sofridos pela pessoa assediada, acessando o Guia</p><p>Lilás, página 11. Acesse o link</p><p>https://repositorio.cgu.gov.br/bitstream/1/93176/1/Guia_para_prevencao_ass</p><p>edio.pdf</p><p>Saiba mais</p><p>41</p><p>A sociedade como um todo também paga a conta ao ter que arcar com custos</p><p>financeiros e sociais de pessoas afastadas do trabalho, que se não fossem assediadas,</p><p>poderiam estar produtivas e felizes, ou seja, toda a população é penalizada.</p><p>E Margarida Barreto continua: “como atos de violência podem recompensar e educar?</p><p>Como a violência interfere positivamente na qualidade de vida dos ‘colaboradores’?</p><p>Podemos motivar o outro, humilhando-o? São inúmeras perguntas ante tal</p><p>naturalização da violência.” (Barreto, p. 11)</p><p>Assim como não há mais espaço para máquinas de escrever, balancetes manuais, Telex,</p><p>cesta básica em produtos, também não há mais espaço para a violência, pois interfere</p><p>negativamente na vida das pessoas, causa revolta, dor, trauma, indignação.</p><p>“O assédio moral constitui um processo de destruição insidioso de uma pessoa,</p><p>que devasta sua vida por meio de ameaças e coações repetitivas e de longa</p><p>duração, atingindo a dignidade, atentando contra a saúde física e mental dos</p><p>trabalhadores”. (Barreto, p. 58)</p><p>Citação</p><p>42</p><p>Podemos e devemos resolver conflitos e desentendimentos de forma educada,</p><p>humana e civilizada. Jamais atos de humilhação poderão educar alguém.</p><p>É preciso pensar que a violência é fruto do comportamento, ou seja, do conjunto de</p><p>atitudes específicas de uma pessoa ou de um grupo de pessoas que escolhe agir</p><p>daquela forma.</p><p>Fazem parte do comportamento humano características:</p><p> biológicas: genética, hereditariedade;</p><p> psicológicas: subjetividades como temperamento, caráter, personalidade;</p><p> sociais: contexto familiar, social, cultural, espiritual.</p><p>Cada ser humano é constituído por um entrelaçamento de características</p><p>biopsicossociais, que o tornam único, singular. Podemos dizer então que o</p><p>comportamento agressivo implica em um conjunto de fatores inatos e também</p><p>aprendidos socialmente.</p><p>E se aprendemos a ser preconceituosos, a discriminar e assediar, por exemplo,</p><p>também podemos “des-aprender”, ou seja, treinar novos comportamentos que</p><p>sejam éticos, civilizados e saudáveis.</p><p>43</p><p>Mesmo que existam características biológicas que componham nossa forma de ser, por</p><p>meio da educação e da tomada de consciência, é possível administrar impulsos inatos</p><p>indesejados e escolher se comportar de forma mais adaptativa.</p><p>E se você percebe que possui dificuldades de se controlar, de regular suas emoções,</p><p>que possui um jeito explosivo, busque ajuda, procure atendimento especializado. É</p><p>bom para você e para as pessoas ao seu redor.</p><p>44</p><p>Parabéns!</p><p>Você concluiu o Módulo III – Assédio moral.</p><p>Neste módulo, você estudou:</p><p> Atitudes que podem ou não caracterizar assédio moral. Algumas circunstâncias</p><p>enquadram-se como microagressões e devem ser coibidas, embora não se configurem</p><p>como assédio moral. Os conflitos, por outro lado, devem ser gerenciados.</p><p> A diferença entre dano moral e assédio moral e que a reparação por danos morais</p><p>é prevista pelo Código Civil Brasileiro.</p><p> Que existem tipos de assédio moral, como o descendente, ou seja, da gestão para</p><p>com o(a) empregado ou a equipe; o ascendente, do(a) empregado(a) ou equipe para</p><p>com a gestão; e o colateral ou horizontal, que ocorre entre colegas.</p><p> Que o assédio moral é uma violência extrema e pode causar danos físicos,</p><p>psicológicos e morais, não só ao(à) empregado(a), como também ao círculo familiar e</p><p>social. Há inclusive reflexos para a organização e toda a sociedade, devido aos</p><p>afastamentos pelo INSS, aposentadorias precoces e invalidez.</p>

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