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Exame de corpo de delito e perícias em geral
Prof. Me. Moisés de O. Matusiak
Direito Processual Penal
CESUCA – 2025/1
Disciplina legal
	
	Artigos 158 até 184 do Código de Processo Penal – CPP.
Perícia
	“É o exame realizado com a finalidade de instruir o julgador, por pessoa com conhecimentos específicos sobre matéria técnica, científica ou artística relacionada ao fato criminoso e suas circunstâncias.” (REIS e GONÇALVES, 2016)
“A prestação jurisdicional trata de fatos simples e complexos, e em relação a estes, algumas vezes, compreendê-los é algo que exige conhecimento bastante específico e profundo, só disponível em quem se dedicou e/ou dedica de forma particular ao conhecimento de determinadas matérias. Como é intuitivo, por mais experiente, eclético e culto que possa ser o juiz, ele não detém conhecimento sobre todo e qualquer tema, indistintamente. Vezes há, ainda, em que a questão levada à apreciação judicial só pode ser provada tecnicamente, por laudo pericial, isso em razão de expressa disposição de lei. Seja como for — por ausência de conhecimento específico ou por exigência legal –, não raras vezes o juiz só poderá alcançar a certeza e a verdade que se buscam no processo socorrendo-se de prova pericial; prova técnica, realizada por perito.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
Do exame de corpo de delito
	“Art. 158.  Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
	Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva: 
	I - violência doméstica e familiar contra mulher; 
	II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência.” (Código de Processo Penal) (Grifei e sublinhei)
“É certo que nem todo delito deixa vestígios palpáveis — delicta facti transeuntis —, tal como ocorre na generalidade dos casos envolvendo, por exemplo: crime de ameaça verbalmente realizada; crimes contra a honra; invasão de domicílio sem violência etc. Entretanto, na maioria das vezes o delito deixa vestígios — delicta facti permanentis — exatamente como se verifica nos seguintes casos: homicídio; aborto; lesões corporais; furto qualificado pelo rompimento de obstáculo; roubo mediante violência física; dano; estelionato mediante emprego de cheque; incêndio; falsificação de documento público ou particular; posse de droga para consumo pessoal; tráfico de droga, dentre outros. Quando a infração penal deixar vestígios — diz o art. 158 do CPP —, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo nem mesmo a confissão do acusado.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
“Art. 6o  Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:
[...].;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
[...].” (Código de Processo Penal)
	
	“Art. 161.  O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Corpo de delito é o conjunto de elementos sensíveis deixados pelo crime, isto é, aquilo que torna o crime ou a contravenção penal palpável, sensível, tangível, perceptível aos sentidos. Ex.: o cadáver é o corpo de delito do crime de homicídio.
	Exame de corpo de delito, por sua vez, é a espécie de perícia destinada a reunir vestígios materiais deixados pelo fato criminoso, ou seja, é a perícia realizada no corpo de delito. Ex.: a necropsia é exame de corpo de delito do crime de homicídio.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Destaquei)
	“Diz-se que o exame de corpo de delito é direto quando a análise recai diretamente sobre o objeto, ou seja, quando se estabelece uma relação imediata entre o perito e aquilo que está sendo periciado. O conhecimento é dado sem intermediações entre o perito e o conjunto de vestígios deixado pelo crime. Essa é a regra: a materialidade (existência) dos crimes que deixam vestígios deve ser comprovada através de exame de corpo de delito direto.” (LOPES JR., 2018) (Grifei)
	“Indireto é o realizado sobre dados ou vestígios paralelos (ficha clínica de atendimento hospitalar, imagens de câmera de vigilância, fotografias etc.). [...] quando o perito, ante a impossibilidade de estudo do cadáver (por ocultação ou destruição, por exemplo), analisa imagens que registram o momento em que a vítima é decapitada, fala-se em exame indireto.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Grifei)
	
	“Art. 167.  Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
Especial atenção merecem os casos de crimes no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, abrangidos pela Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha).
“Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal:
[...];
IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros exames periciais necessários;
[...].
§ 3º Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde.” (Lei 11.340/2006) (Grifei)
AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRANCAMENTO. AÇÃO PENAL. LESÃO CORPORAL QUALIFICADA PELA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, VIAS DE FATO E SUBMISSÃO DE MENOR A CONSTRANGIMENTO. ALEGAÇÃO DE DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA DA MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE EXAME DE CORPO DE DELITO. POSSIBILIDADE DE PERÍCIA SER SUPRIDA POR PROVA TESTEMUNHAL. PRECEDENTES. ILEGALIDADE MANIFESTA NÃO EVIDENCIADA. RECURSO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ALEGAÇÃO RECURSAL DE IMPRESCINDIBILIDADE DE EXAME DE CORPO DE DELITO. MATERIALIDADE DELITIVA. DEMONSTRAÇÃO POR OUTROS MEIOS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. ILEGALIDADE MANIFESTA NÃO EVIDENCIADA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Inicialmente, registre-se que o trancamento da ação penal constitui medida excepcional, justificada apenas quando comprovadas, de plano, sem necessidade de análise aprofundada de fatos e provas, a atipicidade da conduta, a presença de causa de extinção de punibilidade, ou a ausência de indícios mínimos de autoria ou prova de materialidade (EDcl no AgRg no HC n. 659.006/RO, Ministro Jesuíno Rissato, Desembargador convocado do TJDFT, Quinta Turma, DJe 25/2/2022). 2. No caso, a decisão agravada deve ser mantida, pois o entendimento desta Corte Superior é no sentido de ser prescindível o exame de corpo de delito a que se refere o art. 158, do CPP para fins de configuração do delito de lesão corporal ocorrido no âmbito doméstico, podendo a materialidade ser comprovada por outros meios, nos termos do art. 12, § 3º, da Lei n. 11.340/2006, tais como laudos médicos subscritos por profissional de saúde (AgRg no AgRg no AREsp n. 1.661.307/PR, Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, DJe 19/5/2020). Precedentes. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no RHC n. 161.010/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 5/4/2022, DJe de 8/4/2022.) (Superior Tribunal de Justiça – STJ) (Grifei)
Maior atenção também é devida aos casos penais submetidos ao rito sumaríssimo estabelecido na Lei 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais)
“Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese prevista no art. 76 desta Lei, o Ministério Público oferecerá ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências imprescindíveis.
§ 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.” (Lei 9.099/1995) (Grifei)
“O § 1º doart. 77 diz que para efeito da denúncia (e também da queixa) “prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente”. Isso não quer dizer que o juiz poderá reconhecer a materialidade delitiva e impor condenação sem prova direta (CPP, art. 158) ou indireta (CPP, art. 167) da materialidade. O que a lei admite, em razão da desejada celeridade e economia, é o oferecimento da inicial acusatória sem prova da materialidade nos moldes determinados no CPP, mas disso não se retira algo maior, de efeitos mais drásticos. A propósito, também em relação a outros delitos, tal como ocorre com o tráfico de drogas, a jurisprudência sempre admitiu o oferecimento e o recebimento da denúncia, mas não a condenação, sem prova definitiva da materialidade delitiva.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
LESÃO CORPORAL LEVE. ART. 129, “CAPUT”, DO CÓDIGO PENAL. AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. SENTENÇA CONDENATÓRIA REFORMADA. Tratando-se as lesões corporais leves de delito material, ou seja, que deixa vestígios, mostra-se indispensável o auto de exame de corpo de delito para comprovar a materialidade do crime, nos termos do artigo 158, do Código de Processo Penal, não se mostrando suficiente para tanto o atestado firmado por médico particular, máxime se tal declaração não determina maiores especificações acerca das dimensões da lesão, e o instrumento utilizado para produzi-las, com o que não se determina o nexo de causa entre elas e a conduta, tal qual descrito na denúncia. RECURSO PROVIDO. (Apelação Criminal, Nº 71010017911, Turma Recursal Criminal, Turmas Recursais, Relator: Luis Gustavo Zanella Piccinin, Julgado em: 23-07-2021) (Turma Recursal Criminal/RS) (Grifei)
APELAÇÃO CRIMINAL. LESÃO CORPORAL. ART. 129, “CAPUT”, DO CÓDIGO PENAL. REALIZAÇÃO DE EXAME DE CORPO DE DELITO INDIRETO. AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE DO FATO. SENTENÇA CONDENATÓRIA REFORMADA. O exame indireto é aquele realizado com base em informações verossímeis fornecidas aos peritos quando não dispuserem estes do vestígio deixado pelo delito, inviabilizando-se, assim, a perícia direta. Em crimes que deixam vestígios materiais deve haver, sempre, exame de corpo de delito. Preferencialmente, os peritos devem analisar o rastro deixado pessoalmente. Em caráter excepcional, no entanto, admite-se que o façam por outros meios de prova em direito admitidos, tais como o exame da ficha clínica do hospital que atendeu a vítima, fotografias, filmes, atestados de outros médicos, entre outros. Dessa forma, para os crimes de lesão corporal, não basta o exame de corpo de delito indireto, quando era possível, pelas circunstâncias do caso, realizar o exame direto, pois, em que pese não se desconhecer os princípios que regem o procedimento sumaríssimo, estes não podem se sobrepor às garantias constitucionais intrínsecas ao processo penal, dentre elas a existência inequívoca da materialidade do fato, sobretudo em infrações que deixam vestígios, devendo o ofendido ser examinado por "expert", o qual possui fé pública para atestar as lesões eventualmente sofridas, assegurando, dessa forma, em sua amplitude os princípios norteadores do processo penal - contraditório e ampla defesa -, bem como a obediência ao devido processo legal. No caso em apreço, não tendo sido produzida prova pericial direta, porque o laudo produzido, quando já transcorridos mais de um ano e quatro meses do fato, valeu-se de prontuário médico, inexiste prova da materialidade do delito, sendo impositiva a absolvição do denunciado. RECURSO PROVIDO.(Apelação Criminal, Nº 50009423420228210092, Turma Recursal Criminal, Turmas Recursais, Relator: Luis Gustavo Zanella Piccinin, Julgado em: 11-12-2023) (Turma Recursal Criminal/RS) (Grifei)
	“Importante destacar que a confissão do acusado não é suficiente para comprovação da materialidade do delito, sendo indispensável o exame de corpo de delito direto ou indireto, sob pena de nulidade do processo (art. 564, III, “b”, do CPP). (LOPES JR., 2018) (Grifei)
	“Art. 564.  A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
	[...];
	III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
	[...];
	b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art. 167;
	[...].” (Código de Processo Penal)
Perito/Peritos
	“Art. 159.  O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior.” (Código de Processo Penal) (Grifei)
	“Perito oficial é especialista em determinada área do conhecimento, diplomado em curso superior, que está investido na função em decorrência de prévia existência de vínculo com o Estado (ou seja, sua investidura na função não decorre da nomeação feita pelo juiz ou pela autoridade policial). É, portanto, o integrante da carreira da Polícia Científica, o funcionário de Instituto de Criminalística ou de órgão similar etc.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Grifei)
	“Art. 159 [...]
	§ 1o  Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame. 
	§ 2o  Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo. 
	[...].” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
ATENÇÃO para a hipótese específica prevista na Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas):
“Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) horas.
§ 1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea.” (Lei 11.343/2006) (Grifei)
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO EM FLAGRANTE. CRIME PERMANENTE. CONVERTIDA EM PREVENTIVA. DECISÃO ASSINADA POR JUIZ DE DIREITO. AUSÊNCIA DA FIRMA DO TOGADO SINGULAR NO MANDADO DE CONVERSÃO. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO MAGISTRADO PARA QUE O ESCRIVÃO ASSINASSE O DOCUMENTO. EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL INEXISTENTE. 1. De acordo com o artigo 285, parágrafo único, alínea "a", do Código de Processo Penal, a assinatura do juiz constitui formalidade essencial para a validade do mandado de prisão. 2. No caso dos autos, o magistrado singular converteu a prisão em flagrante do recorrente em preventiva, tendo o respectivo mandado sido assinado pelo escrivão, procedimento que foi excepcionalmente autorizado na respectiva decisão, uma vez que o Juiz de Direito estava respondendo por outra comarca simultaneamente, o que afasta a mácula suscitada no inconformismo. 3. Até mesmo nos casos em que a autoridade judicial dispensa a expedição de mandado de prisão, determinando que, face às pecularidades do caso, o próprio decreto constritivo faça as suas vezes, esta Corte Superior de Justiça tem afastado a alegação de nulidade, considerando válida a custódia. NULIDADE DO LAUDO DE CONSTATAÇÃO PROVISÓRIA. INEXISTÊNCIA DE ATESTADO DE QUE O RESPONSÁVEL PELA PERÍCIA PROVISÓRIA SERIA PESSOA CAPACITADA. DESNECESSIDADE DE OBSERVÂNCIAS ÀS FORMALIDADES PREVISTAS NO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. MÁCULA NÃO CARACTERIZADA. 1. De acordo com o artigo 50, § 1º, da Lei 11.343/2006, o laudo de constatação provisória não precisa ser elaborado por perito, podendo ser realizado por pessoa idônea, motivo pelo qual não se pode pretender que a pessoa responsável pelo exame preliminar seja portadora de diploma de curso de nível superior. Doutrina. Precedentes. 2. No caso em tela, a autoridade policial nomeou pessoa para figurar como perito ad hoc, inexistindo nos autos notícias de que não seria idônea, como determinado pela lei, o que impede o reconhecimento do vício aventado no inconformismo. PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM PREVENTIVA. ENVOLVIMENTO ANTERIORNA PRÁTICA DE ATOS INFRACIONAIS. RISCO CONCRETO DE REITERAÇÃO DELITIVA. ACAUTELAMENTO DA ORDEM PÚBLICA. CUSTÓDIA FUNDAMENTADA E NECESSÁRIA. COAÇÃO ILEGAL NÃO DEMONSTRADA. 1. No caso dos autos, a prisão encontra-se justificada em razão do histórico criminal do recorrente, que possui registros anteriores pela prática de atos infracionais equiparados ao tráfico de entorpecentes e ao homicídio, revelando a propensão à prática delitiva, demonstrando a sua periculosidade social e a real possibilidade de que, solto, volte a cometer infrações penais. 2. A cometimento de atos infracionais anteriores indica a propensão à criminalidade e torna fundado o receio de reiteração, autorizando a prisão preventiva a bem da ordem pública. PRISÃO CAUTELAR. INCIDÊNCIA DA LEI 12.403/2011. IMPOSSIBILIDADE. MOTIVAÇÃO IDÔNEA PARA A SEGREGAÇÃO CORPORAL. INSUFICIÊNCIA DAS MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. ILEGALIDADE AUSENTE. DESPROVIMENTO DO RECLAMO. 1. Inviável a incidência de medidas cautelares diversas da prisão quando, além de haver motivação apta a justificar o sequestro corporal, a aplicação das referidas medidas não se mostrar adequada e suficiente diante do risco concreto de reiteração delitiva. 2. Recurso desprovido. (RHC n. 52.746/GO, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 18/11/2014, DJe de 26/11/2014.) (STJ – Grifei)
	“Art. 275.  O perito, ainda quando não oficial, estará sujeito à disciplina judiciária.
	Art. 276.  As partes não intervirão na nomeação do perito.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“A atuação de apenas um perito oficial é suficiente para que a perícia seja válida. Somente em caso da inexistência de perito oficial é que o exame poderá ser realizado por peritos não oficiais.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Grifei)
Formulação de quesitos e indicação de assistente técnico
	“Art. 159 [...]
	[...];
	§ 3o  Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. 
	§ 4o O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão.
	[...].” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Quesitos são indagações de ordem técnica dirigidas ao perito com o intuito de provocar sua manifestação sobre determinado aspecto relevante do exame. Além das partes, pode o juiz ou a autoridade policial (se a perícia for determinada na fase do inquérito) formular quesitos.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Destaquei)
	“O assistente técnico é o profissional qualificado na área objeto da perícia e que deve ser indicado pela parte para prestar-lhe assessoria técnica. A atuação do assistente pressupõe sua prévia admissão pelo juiz e inicia-se depois da conclusão dos exames e da elaboração do laudo pericial (art. 159, § 4º, do CPP). O assistente técnico, portanto, não realiza o exame com o perito, já que esse nem mesmo precisa designar data para realização de seus trabalhos.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Destaquei)
	“Art. 159 [...]
	[...];
	§ 6o  Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado  no  ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação.  
	§ 7o  Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
Faculdades das partes no processo
	“Art. 159 [...]
	[...];
	§ 5o  Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia: 
	I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com  antecedência  mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar;   
	II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência.  (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Art. 400.  Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.
	[...];
	§ 2o  Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das partes.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
Indeferimento do pedido de exame pericial
	
	“Art. 184.  Salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
“Não há previsão de recurso contra a decisão que indefere tal pretensão, mas a parte interessada poderá valer-se de simples pedido de reconsideração ou, eventualmente, de mandado de segurança.” (MARCÃO, 2023)
Laudo pericial
	“Laudo é o documento elaborado pelo perito para corporificar o exame pericial, de modo a registrar suas constatações e as conclusões de ordem técnica a que chegou. É importante registrar que o responsável pela elaboração do laudo deve abster-se de lançar qualquer conclusão de ordem jurídica, na medida em que esse juízo é exclusivo do magistrado.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Destaquei)
	“Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados.   
	Parágrafo único.  O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos.”  (Código de Processo Penal) (Destaquei)                 
(Des)vinculação do juiz ao laudo
	
	“Art. 182.  O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
“Vige entre nós o sistema liberatório, pelo qual, e em harmonia com o princípio do livre convencimento motivado, o juiz não está adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte, cumprindo que sobre isso decida fundamentadamente, como de resto devem ser fundamentadas todas as decisões judiciais (CF, art. 93, IX; CPP, art. 182).” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
“Art. 155.  O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.” (Código de Processo Penal) (Grifei)
	“Coerentemente com a opção pelo sistema da persuasão racional do magistrado, que vigora no tocante à avaliação da prova, o Código adotou o princípio liberatório, segundo o qual o julgador não fica adstrito às conclusões dos peritos, podendo, desde que fundamentadamente, acolhê-las ou rejeitá-las, no todo ou em parte.” (REIS e GONÇALVES) (Destaquei)
Divergências entre peritos e inobservância de formalidades
“Art. 180.  Se houver divergência entre os peritos, serão consignadas no auto do exame as declarações e respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um terceiro; se este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos.
	Art. 181. No caso de inobservância de formalidades, ou no caso de omissões, obscuridades ou contradições, a autoridade judiciária mandará suprir a formalidade, complementar ou esclarecer o laudo.         
	Parágrafo único.  A autoridade poderá também ordenar que se proceda a novo exame, por outros peritos, se julgar conveniente.” (Código de Processo Penal)
Algumasespécies de perícia
	Autópsia ou necropsia: É o exame realizado no cadáver para determinar a causa da morte.
	“A autópsia é modalidade de exame de corpo de delito, com a particularidade de recair sobre pessoa morta, ainda não sepultada. [...]. O primeiro contato do(s) perito(s) com o corpo de delito ocorre, em regra, no local dos fatos, e com vistas à fidelidade da prova, à orientação dos trabalhos e à possibilidade de contraditório pleno, o cadáver sobre o qual recaia a diligência deverá ser fotografado na posição em que for encontrado, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime (CPP, art. 164), revelando-se de extrema importância para esse mister a preservação do local do crime, exatamente como determinam os arts. 6º, I, e 169, ambos do CPP. Após esse contato inicial e providências cabíveis, o cadáver deve ser removido ao Instituto Médico Legal ou congênere, onde será detalhada e cuidadosamente examinado; periciado. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados (CPP, art. 165). Autópsia, necropsia ou exame necroscópico são denominações que se equivalem; têm o mesmo significado; são exatamente a mesma coisa; o mesmo tipo de exame pericial.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	“Art. 162.  A autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto.
	Parágrafo único.  Nos casos de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Art. 164. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. 
	Art. 165.  Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados.” (Código de Processo Penal)
Os artigos 163 e 166 do Código de Processo Penal tratam da exumação, que, embora não seja uma perícia propriamente dita, é um procedimento por vezes necessário para a realização de exame pericial no cadáver.
“Por vezes, mesmo depois de ter sido feita a autópsia e já enterrado o corpo da vítima, surge questão relevante a exigir novas informações periciais, seja para melhor esclarecer a causa da morte; o momento da morte, ou qualquer outra questão relevante (p.ex.: se a vítima, esposa do agressor, estava no início de gravidez não detectada inicialmente; exame de DNA para saber se o filho era do esposo etc.). Em casos tais, sem que disso possa resultar injustificado vilipêndio de sepultura ou de cadáver, será possível novo exame pericial, que recebe o nome de exame cadavérico. Para que se faça o exame cadavérico, é necessário se proceda à exumação do corpo. Exumação é o ato de desenterrar, tirar da sepultura, mas ordinariamente, com certa imprecisão gramatical e técnica, tem-se denominado exumação o que na verdade é exame cadavérico. Em síntese: primeiro ocorre a exumação; o cadáver é tirado da sepultura, para que sobre ele se faça o exame pericial, cujo nome é exame cadavérico.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	“Art. 163.  Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado.
	Parágrafo único.  O administrador de cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que tudo constará do auto.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Art. 166.  Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado, proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os sinais e indicações.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“A exumação não é, portanto, modalidade de perícia, mas procedimento destinado a propiciar o exame cadavérico.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Destaquei)
	Exame de lesões corporais
	
	“Art. 168.  Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor.
	§ 1o  No exame complementar, os peritos terão presente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo.
	§ 2o  Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. 129, § 1o, I, do Código Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do crime.
	§ 3o  A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
	Pena - detenção, de três meses a um ano. (Lesão corporal simples)
	 § 1º Se resulta:
	 I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
	[...].
	Pena - reclusão, de um a cinco anos. (Lesão corporal grave)
	[...]” (Código Penal) (Destaquei)
“Pode acontecer que no momento da perícia não seja possível afirmar a natureza das lesões, e isso por força de diversos fatores, mas especialmente diante da possibilidade de agravamento do quadro apresentado pela vítima, daí o art. 168, caput, do CPP determinar que em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto, proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor, quando então o(s) perito(s) terá(rão) presente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo. Mas a necessidade de exame complementar pode decorrer não apenas da situação anteriormente tratada, quando a justificada incerteza sobre a natureza das lesões deixa a prova pericial pendente de complementação. Em alguns casos, a necessidade decorrerá de falhas, omissões ou contradições que se verificarem no laudo. Há mais. Sempre que se tratar de crime de lesão corporal de natureza grave, da qual resulte incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias (CP, art. 129, § 1º, I), deverá ser feito exame complementar logo que decorra o indicado prazo, contado da data do crime (CPP, art. 168, § 2º), para que se possa afirmar, com segurança, ser mesmo caso desse tipo de lesão, com tal gravidade. A falta de exame complementar, todavia, poderá ser suprida pela prova testemunhal (§ 3º).” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	Exame do local do crime
	Art. 169.  Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. 
	Parágrafo único.  Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos. (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Art. 6o  Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:
	I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;
	[...].” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
“Fraude processual
Art.347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro.” (Código Penal) (Grifei)
“Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na pendência do respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o perito, ou juiz:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo, ainda que não iniciados, quando da inovação, o procedimento preparatório, o inquérito ou o processo aos quais se refere.” (Lei 9.503/1997 – Código de Trânsito Brasileiro) (Grifei e sublinhei)
“É de fundamental importância, na apuração de certos tipos de delitos, a colheita técnica de informações e impressões a respeito do local em que os fatos se deram. [...]. Para ilustrar, vejamos exemplo da prática judiciária: hipótese de homicídio doloso em que o investigado alega ter sido surpreendido pela vítima, por quem fora golpeado na cabeça com um pedaço de madeira, sendo que após intensa luta corporal, e já sangrando, depois de ser por ela perseguido, acabou por se apoderar de uma faca que casualmente encontrou no local, e com ela golpeou a vítima uma única vez, produzindo-lhe as lesões que a levaram à morte. A perícia no local poderá indicar, entre outras coisas: o exato local onde os fatos se deram; se há vestígios de luta corporal; se no local foi encontrado o pedaço de madeira supostamente usado pela vítima fatal e se nele havia vestígios de sangue ou tecido humano; a extensão e o(s) local(is) por onde havia sangue; o(s) tipo(s) sanguíneo(s) dos vestígios encontrados; se a faca utilizada foi encontrada no local etc. Tais apurações podem ser decisivas para indicar se o investigado diz a verdade; se houve, de fato, situação de legítima defesa, e outros apontamentos que, somados e confrontados com o restante da prova, podem conduzir à verdade real.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	Exame de destruição ou rompimento de obstáculo e escalada
	“Art. 171.  Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa, ou por meio de escalada, os peritos, além de descrever os vestígios, indicarão com que instrumentos, por que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	
“Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa, ou por meio de escalada, os peritos, além de descrever os vestígios, indicarão com que instrumentos, por que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado (CPP, art. 171). O dispositivo fala em subtração e, portanto, tem relação com os crimes de furto e roubo. Exemplo: é comum na rotina penal a apuração de crime de furto praticado mediante destruição ou rompimento de obstáculo e/ou escalada, estando tal crime tipificado no art. 155, § 4º, I e II, do CP.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	“Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
	Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
	[...].
	§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
	I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
	II – com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
	[...].” (Código Penal) (Sublinhei e grifei)
	“Art. 172.  Proceder-se-á, quando necessário, à avaliação de coisas destruídas, deterioradas ou que constituam produto do crime.
	Parágrafo único.  Se impossível a avaliação direta, os peritos procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultarem de diligências.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	Perícia de incêndio
	“Art. 173.  No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
	“Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:
	Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
	§ 1º - As penas aumentam-se de um terço:
	I - se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio;
       II - se o incêndio é:
      a) em casa habitada ou destinada a habitação;
      b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura;
      c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo;
      d) em estação ferroviária ou aeródromo;
      e) em estaleiro, fábrica ou oficina;
      f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável;
      g) em poço petrolífico ou galeria de mineração;
      h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta.
	§ 2º - Se culposo o incêndio, é pena de detenção, de seis meses a dois anos.” (Código Penal) (Grifei)
“No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver iniciado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor, e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato (CPP, art. 173). Não se trata de perícia relacionada apenas com o crime de incêndio (CP, art. 250), mas destinada a todo e qualquer delito em que se tenha verificado incêndio, o que pode ocorrer, por exemplo, nos crimes de dano (CP, art. 163) e homicídio (CP, art. 121). [...]. A extensão do dano, por exemplo, é informação útil na apuração do valor a indenizar.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	Perícia de laboratório: “é o exame especializado realizado em lugares próprios ao estudo experimental e científico, que pode ter por escopo a análise de variadas substâncias, produtos, equipamentos e objetos relacionados à infração; exame químico-toxicológico de substância entorpecente; exame de balística; exame de produto impróprio ao consumo etc.” (REIS e GONÇALVES, 2016)
	“Art. 170.  Nas perícias de laboratório, os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas, desenhos ou esquemas.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
“É o que ocorre, por exemplo, no crime de tráfico em que, após a apreensão, a droga deverá ser submetida a exame pericial em laboratório, com reagentes, a fim de que fique demonstrada a natureza da substância apreendida, sem o que não se prova a materialidade do crime.” (MARCÃO, 2023)
	
	Exame grafotécnico: É o exame realizado para determinar a autoria de escritos, e é feito por comparação de letras.
“Alguns delitos só podem ser praticados na forma escrita (exemplos: CP, art. 302: falsidade de atestado médico; CP, art. 299: falsidade ideológica comissiva); outros só eventualmente serão praticados por esse meio (CP, art. 171: estelionato). O crime de ameaça pode eventualmente ser praticado na forma escrita (um e-mail ou uma carta ameaçadora, p.ex.), e o mesmo se diga em relação aos crimes contra a honra (calúnia, difamação ou injúria veiculada em uma publicação ou site, p.ex.); o crime de extorsão (CP, art. 158), dentre outros. O mais comum, entretanto, é que a forma escrita seja utilizada em crimes determinados, tais como: estelionato mediante emissão de cheque (CP, art. 171, caput); falsificação de documento público (CP, art. 297); falsificação de documento particular (CP, art. 298); certidão ou atestado ideologicamente falso (CP, art. 301), falsa perícia (CP, art. 342). Em qualquer caso, até mesmo por se tratar de crime que deixa vestígio, será indispensável exame pericial visando ao reconhecimento da origem do texto — seu autor, na verdade —, resultado que se pode alcançar com a colheitade material caligráfico fornecido pelo imputado e posterior exame grafotécnico comparativo entre as escritas. Com base em conhecimentos técnicos específicos, o perito grafotécnico compara o material caligráfico existente no corpo de delito com aquele fornecido, para o fim de identificar semelhanças, ou não, que possam afirmar ou afastar a proveniência comum dos manuscritos.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	“Art. 174.  No exame para o reconhecimento de escritos, por comparação de letra, observar-se-á o seguinte:
	I - a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato, se for encontrada;
	II - para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida;
	III - a autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes realizará a diligência, se daí não puderem ser retirados;
	IV - quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última diligência poderá ser feita por precatória, em que se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever.” (Código de Processo Penal) (Destaquei)
“Desse tipo de exame trata o art. 174, I a IV, do CPP, de onde se extrai que, caso seja encontrada, a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito (a pessoa investigada) será intimada para as diligências relacionadas com o exame comparativo; para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida; a autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos (bancos, cartórios, escolas etc.), ou nestes realizará a diligência, se daí não puderem ser retirados; quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a autoridade mandará que a pessoa escreva o que lhe for ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última diligência poderá ser feita por precatória, em que se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever.” (MARCÃO, 2023)
“Decorre do art. 5º, LXIII, da CF, e do art. 8º, II, g, da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), que ninguém está obrigado a produzir prova em detrimento de seu interesse; assim, o investigado ou acusado pode se recusar, impune e solenemente, a fornecer material caligráfico para ser usado em exame grafotécnico comparativo.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
	Exame de instrumentos
	“Art. 175.  Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração, a fim de se Ihes verificar a natureza e a eficiência.” (Código de Processo Penal)
“Por aqui, não se trata de periciar todo e qualquer objeto apreendido no local do delito, mas apenas aqueles empregados para sua prática. Isso não quer dizer que os objetos que não foram diretamente usados não interessam para a prova. Tanto interessam que devem ser apreendidos e coletados. O instrumento referido pode ser uma arma própria (revólver, espingarda etc.), uma arma imprópria (faca ou facão, p.ex.) ou mesmo qualquer outro artefato que tenha sido utilizado para a prática infracional (um pedaço de madeira, uma pedra, um bloco de cimento, p.ex.). O que se busca com isso apurar é se tal ou qual instrumento foi realmente utilizado, daí ser importante constatar eventuais vestígios de sangue ou tecido humano e, sendo caso, se provieram da vítima (tais resquícios são normalmente encontrados no instrumento utilizado: faca, machado etc.); se o objeto tem natureza cortante, perfurante, contundente, perfurocortante, perfurocontundente, dilacerante etc., para ser possível concluir se as lesões apresentadas pela vítima poderiam ter sido causadas por referido instrumento.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
“Em determinados tipos de crimes (homicídio e lesão corporal, v.g.), a arma de fogo merece particular atenção, pois é preciso provar pericialmente sua eficácia, vale dizer: se estava em condições de efetuar disparo; seu calibre; se tinha vestígios de disparo recente etc. Com efeito, se a arma é ineficaz, sem condições de efetuar disparo, não pode ter sido utilizada para causar a morte de quem foi fatalmente atingido por um projétil de arma de fogo. De igual maneira, ainda que eficaz, se a vítima foi morta por disparos de revólver calibre 38 e a arma apreendida no local do crime tem calibre 22, por certo não foi desta que saíram os tiros fatais, e tais circunstâncias estão a indicar novos rumos para a persecução penal.” (MARCÃO, 2023) (Grifei)
Referências
	LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
	MARCÃO, Renato. Curso de processo penal. Disponível em: Minha Biblioteca. Editora Saraiva, 2023.
	REIS, Alexandre Cebrian Araújo; GONÇALVES, Vitor Eduardo Rios. Direito Processual Penal Esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

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