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AO JUIZO DA 1ª VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO SEGURO/BA PROCESSO Nº xxxx BRUTUS, já qualificado nos autos em epigrafe, vem por meio do seu advogado infra-assinado, respeitosamente perante Vossa Excelência, apresentar, ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS com fundamento no art. 411 do Código de Processo Penal, pelos seguintes fatos e fundamentos a seguir expostos: 1 – DOS FATOS Na linha dos fatos, foi ofertada a ação penal na forma seguinte: “Trata-se de denúncia criminal oferecida em razão de o acusado ter praticado os delitos previstos no art. 121, § 2º, II (motivo fútil) e VIII (emprego de arma de fogo de uso restrito), do Código Penal, por duas vezes (duas vítimas), combinado com o crime do art. 16, caput (porte ilegal de arma de fogo de uso restrito), da Lei nº 10.826/03, por duas vezes (fuzil e pistola 9 mm), e art. 33, caput (tráfico de drogas), da Lei nº 11.343/06, todos em concurso material de crimes, na forma do art. 69 do Código Penal. A materialidade dos delitos de porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas pode ser aferida ao longo do processo, sendo dispensável o exame de corpo de delito nesse momento processual. Quanto ao crime de homicídio, entende-se que ele ocorrera por meio de disparo de arma de fogo, não sendo necessária a sua comprovação pericial. Por fim, quanto ao concurso material de crime previsto no artigo 69, CP, ele deve ser aplicado, pois o princípio da consunção não possui aplicação no presente caso, pois os bens jurídicos tutelados são diversos, pelo que pede o Ministério Público a sua pronúncia em todos os crimes narrados”. O réu foi denunciado conforme a descrição anterior, e a Defesa pugnou a rejeição da peça acusatória, alegando a existência de prova ilícita e a ausência de exame pericial nos crimes relatados. Ademais, foi requerido a aplicação do princípio da consunção ou absolvição. Entretanto, Magistrado decidiu por dar prosseguimento ao processo, concordando plenamente com a acusação apresentada pelo Ministério Público, mencionando que os fatos seriam bem mais esclarecidos durante a fase de instrução processual em audiência específica. Na audiência de instrução e julgamento, primeiramente, ocorreu o interrogatório do réu, não havendo sido ouvido ou juntado o depoimento de perito oficial a respeito da materialidade dos crimes. No lugar do exame de corpo de delito, foram ouvidas testemunhas de acusação, composto por policiais militares, os quais afirmaram, com base em sua experiência profissional, que as armas apreendidas eram autênticas e tinham potencial para causar ferimentos, além de que a droga encontrada era própria para consumo. Além disso, os policiais militares relataram que entraram na residência do acusado que era conhecido devido ao seu histórico criminal e lá encontraram as evidências dos crimes. Uma testemunha de defesa foi ouvida e relatou, que da janela de sua casa viu os policiais militares chutando a porta e invadindo o residência do acusado. A testemunha afirmou ter ouvido o réu sendo brutalmente espancado e torturado, em razão dos gritos e suplicas de clemência por parte dos militares Após a apresentação dessas provas durante a audiência de instrução, foi concedido prazo de 5 (cinco) dias para que a Acusação e a Defesa fizessem suas considerações finais. O Ministério Público ofertou suas considerações, requerendo a pronúncia conforme o que foi estabelecido na denúncia criminal. A defesa do acusado foi intimada no dia 24/11/23, sexta-feira. 1 – DO DIREITO 1.1 – DA PRELIMINAR DE NULIDADE ABSOLUTA A respeito do interrogatório como forma de prova, é importante destacar que o Código de Processo Penal estabelece que o réu tem o direito de apresentar sua versão dos acontecimentos ou optar pelo silêncio, devendo ser ouvido ao final, em conformidade com o princípio constitucional da ampla defesa. Isso está claramente expresso nos artigos 186 e 187 do Código de Processo Penal, in verbis: Art. 186, CPP. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa. Art. 187. O interrogatório será constituído de duas partes: sobre a pessoa do acusado e sobre os fatos. § 1º Na primeira parte o interrogando será perguntado sobre a residência, meios de vida ou profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a sua atividade, vida pregressa, notadamente se foi preso ou processado alguma vez e, em caso afirmativo, qual o juízo do processo, se houve suspensão condicional ou condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros dados familiares e sociais. § 2º Na segunda parte será perguntado sobre: I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita; II - não sendo verdadeira a acusação, se tem algum motivo particular a que atribuíla, se conhece a pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática do crime, e quais sejam, e se com elas esteve antes da prática da infração ou depois dela; III - onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve notícia desta; IV - as provas já apuradas; V - se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas ou por inquirir, e desde quando, e se tem o que alegar contra elas; VI - se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou qualquer objeto que com esta se relacione e tenha sido apreendido; VII - todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos antecedentes e circunstâncias da infração; VIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa. Conforme o disposto no art. 411 do Código de Processo Penal (CPP), que versa da audiência de instrução e julgamento, deve-se realizar o interrogatório ao fim do processo, em respeito aos princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No entanto, conforme registrado nos autos, durante a audiência de instrução e julgamento, o acusado foi interrogado antes. Acontece que essa alteração na ordem do procedimento, em inverter o momento do interrogatório para o início da audiência, contraria uma imposição constitucional (devido processo legal) comprometendo gravemente o direito ao contraditório e à ampla defesa. Art. 411. Na audiência de instrução, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, se possível, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado e procedendo-se o debate. Sendo assim, a mudança na sequência do interrogatório para antes da audiência de instrução e julgamento configura uma hipótese de nulidade, com isso se faz necessário a anulação do ato desde o início referida audiência, conforme previsto no art. 564, IV, do CPP, e conforme solicitado pela defesa do acusado. Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: (...) IV - por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato. 1.1 – PRELIMINAR DA PROVA ILÍCITA Outro ponto que merece atenção é sobre os efeitos de uma prova produzida de forma ilícita, consoante ocorre quando há a prática de um crime (tortura e abuso de autoridade). Nesse viés, destaca-se o art. 157 do CPP, nesses termos: Os efeitos de provas obtidas de maneira ilícita, principalmente quando associadas à prática de crimes como tortura e o abuso de autoridade. Nesse contexto, é pertinente mencionar o artigo 157 do Código de Processo Penal (CPP), que estabelece que: Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. Quando ocorre a violação dos dispositivosprocessuais ou constitucionais, mesmo que haja indícios de que o réu tenha cometido um delito, a maneira como a prova foi obtida tem grande importância para o Código de Processo Penal, ela poderá ser considerada ilícita. Ou seja, de forma simples e compreensível, o crime de tortura e invasão de domicílio de forma ilegal, já mencionado acima, o artigo 157, § 1º do CPP, e a Lei nº 9.455/97, Art. 1º, versam sobre o crime de tortura e na Lei nº 13.869/19, art. 22 a invasão a domicilio. I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; c) em razão de discriminação racial ou religiosa; II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. Pena - reclusão, de dois a oito anos. Lei nº 13.869/19 Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Assim sendo, caso não haja qualquer outra evidencia hábil que possa condenar o réu, a impronúncia se torna necessária, conforme estipulado pelo artigo 414 do Código de Processo Penal, conforme solicitado pela defesa do acusado. 1.1 – NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PERÍCIA É de suma importância ressaltar que os crimes não transeuntes (aqueles que deixam marcas) precisam da realização de uma perícia para confirmar a materialidade do delito, principalmente quando se referem a ofensas à vida, nas quais é crucial averiguar a causa da morte. O artigo 158 do Código de Processo Penal, deixa claro o quanto que o exame pericial é essencial em crimes que geram vestígios, esses muito comum nos delitos contra a vida, sendo assim a ausência desse exame compromete consideravelmente a verificação da materialidade do crime, vejamos o que versa o artigo citado: Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva: (Incluído dada pela Lei nº 13.721, de 2018) I - violência doméstica e familiar contra mulher; (Incluído dada pela Lei nº 13.721, de 2018) II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. (Incluído dada pela Lei nº 13.721, de 2018). De modo que, caso o corpo da vítima já tenha sido sepultado, isso não impede a realização do exame de corpo de delito, Dessa forma, o exame pericial em crimes dolosos contra a vida é indispensável. uma vez que o Código de Processo Penal afirma em seu artigo 163 que: Art. 163. Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado. Parágrafo único. O administrador de cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que tudo constará do auto. Além disto, nos casos de posse e porte de arma de fogo, bem como no tráfico de drogas, é imprescindível a realização de um exame pericial, para que se determine se a arma é adequada para o uso ao qual se destina e se a substância é, de fato, parte das esfera de drogas proibidas. A Lei nº 11.343/06 estabelece, em seu art. 50, §§ 1º e 2º, que: Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) horas. § 1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. § 2º O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1º deste artigo não ficará impedido de participar da elaboração do laudo definitivo. Em síntese, os delitos de homicídio, porte ou posse de arma de fogo e tráfico de drogas requerem exame pericial, uma vez que se trata de infrações que geram vestígios e demandam comprovação de sua materialidade. No caso de homicídios, o exame pericial pode ser substituído por outros meios de prova admissíveis. No entanto, essa substituição não se aplica quando se verifica que policiais militares cometeram delitos, como tortura e abuso de autoridade, para a obtenção de provas contra o réu, conforme a jurisprudência que será citada a seguir. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PROVA INDIRETA DA MATERIALIDADE DOS DELITOS. ARTS. 158 E 167 DO CPP. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 41 DO CPP. NÃO OCORRÊNCIA. MATERIALIDADE E AUTORIA. DESCONSTITUIÇÃO DO LIVRE CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A ausência de exame de corpo de delito no crime de homicídio não constitui, necessariamente, nulidade, podendo a prova da materialidade da conduta ser suprida, tanto de forma direta quanto indireta, com base no conjunto probatório, o que atende aos pressupostos do art. 41 do CPP. 2. A desconstituição da formação do livre convencimento motivado a respeito da presença da justa causa para ação penal, em especial quanto aos indícios de autoria e materialidade apresentados pelo órgão ministerial no momento do oferecimento da denúncia, demanda necessária dilação probatória, procedimento vedado na estreita via do habeas corpus. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 661479 / PA). Os demais pormenores da prova pericial estão tratados nos arts. 159 e 160, in verbis: Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior. § 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame. § 2º Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo. § 3º Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. § 4º O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão. § 5º Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia: I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar; II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. § 6º Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação. § 7º Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico. Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial,onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados. Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos. Importante ressaltar que a ausência do exame de corpo de delito é, inclusive, caso de nulidade processual, conforme disposto no artigo 564, III, b), do Código de Processo Penal, nas seguintes condições: Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: (...) III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes: (...) b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art. 167; Sendo assim, como demonstrado não há prova lícita ou válida para a condenação, requer o disposto no art. 414 do CPP, que determina a impronúncia em tais situações. 2 – DO DIREITO 2.1 – DA PROVA TESTEMUNHAL Conforme os artigos 202 e 203 do Código de Processo Penal, é importante ressaltar que a prova testemunhal, ou seja, quem presenciou os eventos, tem a obrigação legal de relatar a verdade. Qualquer indivíduo pode ser reconhecido como testemunha, inclusive os policiais militares, conforme previsto na legislação, elas serão interrogadas e têm a obrigação de relatar a verdade sobre o que observaram, sendo imperativo que compareçam ao ato processual mencionado. No entanto, essa evidência não deve ser considerada como incontestável, pois não se pode pressupor que todos os agentes públicos envolvidos na prisão possuam boa-fé, pois existem testemunho de defesa que deixa claro que os policiais podem praticar todas as ilicitudes e ilegalidades contra o réu. 2.2 – DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO E ERRO NA EXECUÇÃO O princípio da consunção ou absorção estipula que o acusado deve responder apenas por um único crime, conhecido como crime-fim, sendo que o crime-meio, que foi necessário para alcançar o resultado final, fica absorvido. Ou seja, se uma pessoa usa uma arma de fogo para cometer um homicídio, os delitos de posse e porte da arma praticados anteriormente para realizar esse crime devem ser absorvidos, ao contrário do que ocorre em situações de concurso material de crimes, conforme especificado no artigo 69 do Código Penal, que determina que todos os crimes devem ser punidos individualmente, com suas penas sendo somadas. Isto é, em vez de o indivíduo ser penalizado por vários crimes com a soma das punições, ele será punido apenas pelo crime-fim, enquanto os demais delitos ficam absorvidos e isentos de penalização. É importante destacar também que, no contexto mencionado, se aplica a situação de erro na execução prevista no artigo 73 do Código Penal: Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. Quando o agente tem como alvo uma única pessoa, mas acaba atingindo duas, aplica-se a norma do artigo 70 do Código Penal, mencionada no final do artigo 73. O artigo 70 do Código Penal, trata do concurso formal, que ocorre quando uma pessoa pratica dois ou mais crimes, com ou sem identidade, por meio de uma única ação ou omissão, pelo qual o agente é responsabilizado apenas pelo crime mais grave, recebendo uma pena agravada, sem a soma das penas do duplo homicídio. Como por exemplo, se um indivíduo comete um homicídio intencional e a outra morte foi acidental, ele será penalizado apenas por um único crime de homicídio, porém com a pena significativamente aumentada, em vez de ser processado por dois homicídios. Vejamos o que versa o art. 70, caput e Parágrafo único do Código Penal: Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código. 3 - PEDIDO Pelo exposto, serve a presente para requerer: a) Preliminarmente, seja reconhecida a nulidade absoluta do feito, em virtude da inversão do rito processual (realização do interrogatório no início o que resulta em prejuízo presumido para o réu, com a anulação de todos os atos a partir da audiência de instrução e julgamento; Além disso, seja reconhecida a ilicitude da provas obtidas pelos policiais militares, sendo necessário que tais provas sejam retiradas dos autos e que o processo seja anulado desde a fase policial, uma vez que todas as provas subsequentes são consideradas ilícitas por derivação; que seja também reconhecida a nulidade do processo em virtude da ausência de laudo pericial nos casos em que sua apresentação é exigida, conforme disposto no art. 564, III, b), do Código de Processo Penal. b) Não reconhecendo as preliminares anteriores, requer-se que o acusado seja declarado impronunciado com base na testemunha de defesa ouvida em contraditório judicial, que evidenciou as práticas criminosas cometidas pelos policiais militares; Por fim, seja reconhecido o instituto do princípio da consunção, afastando-se a imputação pelo crime de porte de fuzil e que somente seja aplicado um enquadramento pelo crime de homicídio, com a pena aumentada em 1/6." Nesses Termos, Pede Deferimento. PORTO SEGURO/BA, DATA. ______________________________ NOME/ASSINATURA N º INSCRIÇÃO OAB