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Técnicas de
pesquisa
Prof.ª Mirian Goldenberg, Prof.ª Monise Nascimento
Descrição Você vai estudar a relevância das técnicas de pesquisa qualitativa e
quantitativa na produção acadêmica, além da importância da pesquisa
de campo e da análise de dados em ambas as abordagens,
enriquecendo o processo de investigação.
Propósito É essencial entender as características das abordagens qualitativa e
quantitativa de pesquisa para reconhecer como elas se cruzam.
Também vale ressaltar que a análise de dados da pesquisa de campo
pode ser útil na pesquisa acadêmica, não importando a abordagem.
Objetivos
Módulo 1
Pesquisa
quantitativa X
Módulo 2
Análise de dados
Módulo 3
Gerenciamento
de recursos e
Pesquisa
qualitativa
Distinguir pesquisa
quantitativa de pesquisa
qualitativa, destacando a
importância da pesquisa
de campo no contexto da
produção acadêmica.
Reconhecer a importância
de utilizar recursos e
instrumentos de pesquisa
de maneira adequada aos
objetivos propostos em um
estudo científico.
instrumentos de
pesquisa
Selecionar eficientemente
recursos e ferramentas
tecnológicas para
potencializar todas as
etapas da pesquisa
acadêmica.
Introdução
Quando os cursos presenciais de metodologia de pesquisa começam,
percebemos nos semblantes dos alunos uma profunda desconfiança.
Geralmente, questionamos suas experiências anteriores com a disciplina e,
salvo raríssimas exceções, eles concordam que a matéria foi muito
desinteressante. Com essa recepção, não é fácil começar um curso de
dezenas de horas, semanas ou meses. Ao final do curso, no entanto,
sempre encontramos alunos entusiasmados, empolgados com seus
projetos, e não raro com manifestações de carinho e gratidão. Aqui
compartilhamos um pouco dessa experiência prazerosa em sala de aula e
demonstramos que a pesquisa científica não é algo reservado apenas para
alguns, podendo ser exercida em qualquer campo de estudo.
A metodologia científica é muito mais do que algumas regras de como
fazer uma pesquisa; ela auxilia a refletir e propicia um novo olhar sobre o
mundo: um olhar científico, curioso, indagador e criativo. Assim, a pesquisa
não se reduz a certos procedimentos metodológicos. A pesquisa científica
exige criatividade, disciplina, empatia, flexibilidade, humildade, interesse
genuíno, organização e sensibilidade, baseando‐se no confronto
permanente entre o possível e o impossível, entre o conhecimento e o
desconhecimento.
Nenhuma pesquisa segue um roteiro totalmente previsível, com início,
meio e fim claros. É um processo imprevisível, e o pesquisador está

sempre consciente de que seu conhecimento é limitado. Da mesma forma,
não há um único modelo de pesquisa. Neste material, apresentaremos um
dos caminhos possíveis que temos explorado, adotando diferentes
abordagens de acordo com o tema escolhido.
Todos os pesquisadores precisam estar abertos a um verdadeiro debate de
ideias. É por meio da discussão de nossas descobertas que podemos
aprimorar nosso trabalho. A pesquisa científica requer uma prática
contínua de crítica e autoavaliação. Portanto, encare o estudo deste
conteúdo como um desafio estimulante: uma oportunidade para
desenvolver o pensamento científico com clareza, criatividade, organização
e, sobretudo, prazer.
Podcast
Ouça e conheça os pilares essenciais da pesquisa científica, explorando
desde a fundamentação teórica até o uso de recursos para facilitar seu
processo como pesquisador.
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1 - Pesquisa quantitativa X Pesquisa qualitativa
Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir pesquisa quantitativa de pesquisa qualitativa,
destacando a importância da pesquisa de campo no contexto da produção acadêmica.
Construindo o problema da pesquisa
Realizar uma pesquisa implica aprender a organizar as próprias ideias. Mais
importante do que o tema selecionado é a experiência adquirida durante o
processo de pesquisa. Trabalhando‐se bem, não existe tema que seja tolo ou
pouco importante. A pesquisa deve ser entendida como uma ocasião singular
para fazer alguns exercícios que servirão por toda a vida. O trabalho de pesquisa
deve ser instigante, mesmo que o objeto não pareça ser tão interessante. O que
o verdadeiro pesquisador busca é o jogo criativo de aprender como pensar e
olhar cientificamente.
Observe que falamos em objeto da pesquisa e não em objetivos. Em
metodologia científica, o que chamamos objeto da pesquisa é exatamente aquilo
que será pesquisado. Já os objetivos de uma pesquisa dependerão de muitos
fatores, inclusive do tipo de objeto pesquisado.
Qualquer tema ou assunto da atualidade pode ser objeto de uma
pesquisa cientí�ca.
É preciso ter estudado muito, possuir uma sólida bagagem teórica e muita
experiência de pesquisa para enxergar o que outros não conseguem ver. O
pesquisador experiente descobre assuntos que podem parecer banais e os
transforma em pesquisas fecundas.
O desejo de reconhecimento não só leva o cientista a comunicar os seus
resultados, mas também o influencia na escolha de temas e métodos que
tornem seu trabalho mais aceitável por seus pares. Quanto maior a consciência
de suas motivações, mais o pesquisador é capaz de evitar os desvios (bias)
próprios daqueles que trabalham com a ilusão de serem orientados apenas por
propósitos científicos.
Comentário
Existe uma hierarquia de legitimidade dentro do campo científico traçada de
acordo com os temas que dão prestígio, recursos para a pesquisa, cargos
universitários, publicações em editoras prestigiadas etc. Assim, falar de
“liberdade de escolha” nesse campo é desconsiderar as pressões (evidentes ou
sutis) às quais o pesquisador permanentemente se submete. Tendo consciência
de tais pressões, muitas dificuldades e contradições podem ser mais bem
compreendidas na escolha de um assunto e na sua formulação como um projeto
de pesquisa.
Na jornada de pesquisa, é fundamental cultivar uma série de atributos que
moldam tanto o pesquisador quanto seu trabalho. Esses atributos podem ser
divididos em duas categorias principais: os internos, que se referem às
características pessoais do indivíduo, e os externos, que dependem da sua
formação científica. Vamos entender melhor!
Encontramos uma gama de qualidades que definem a abordagem e o
comportamento do pesquisador:
Clareza na formulação de ideias e comunicação.
Concentração para manter o foco durante o processo de pesquisa.
Criatividade para explorar novas abordagens e soluções.
Curiosidade para investigar questões profundamente.
Delicadeza no tratamento das informações e de pessoas
envolvidas.
Disciplina para manter uma rotina eficaz de trabalho.
Atributos internos 
Empatia para compreender as perspectivas dos outros.
Equilíbrio emocional diante dos desafios e resultados.
Flexibilidade para adaptar-se a mudanças e imprevistos.
Humildade para reconhecer limitações e aprender com os outros.
Iniciativa para buscar novas oportunidades e soluções.
Interesse genuíno nas questões estudadas.
Objetividade na análise e interpretação dos dados.
Organização para gerenciar eficientemente o processo de pesquisa.
Paciência para lidar com os prazos e contratempos.
Paixão pelo tema de estudo e pela própria pesquisa.
Respeito ao entrevistado e aos participantes da pesquisa.
Saber escutar ativamente para absorver diferentes perspectivas.
Tranquilidade para enfrentar os desafios sem se deixar abalar.
Estão relacionados ao conhecimento técnico e à expertise do
pesquisador:
Bom domínio da teoria relevante ao campo de estudo.
Domínio das técnicas de pesquisa, incluindo métodos e
ferramentas.
Boa escrita para comunicar os resultados de forma clara e
persuasiva.
Experiência com pesquisa que fortalece a habilidade de enfrentar
desafios.
Capacidade de relacionar os dados empíricos coletados com a
teoria, proporcionando insights significativos.
As principais etapasE. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de pesquisa. Planejamento e gestão
para o desenvolvimento rural da SEAD/UFRGS. Porto Alegre: Editora da UFRGS,
2009.
KAUARK, F.; MANHÃES, F. C.; MEDEIROS, C. H. Metodologia da pesquisa: guia
prático. Itabuna, BA: Via Litterarum, 2010.
GOLDENBERG, M. A outra. Rio de Janeiro: Record, 1990.
LACERDA, G. B. Augusto Comte e o "positivismo" redescoberto. Revista de
Sociologia e Política, v. 1, n. 34, p. 319-343, out. 2009.
MALINOWSKI, B. Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Abril Cultural,
1978.
PEIRANO, M. A favor da etnografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995.
POLLAK, M. Le Témoignage. Actes de la recherche en sciences sociales.
L’illusion biographique. v. 62-63, jun. 1986.
QUEIROZ, M. I. P. Variações sobre a técnica de gravador no registro da
informação viva. São Paulo: CERU e FFLCH/USP, 1983.
THOMPSON, P. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
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Relatar problema
javascript:CriaPDF()da pesquisa científica envolvem a concepção de um tema
de estudo, a coleta de dados, a apresentação de um relatório com os resultados
e, em alguns casos, a aplicação dos resultados. O passo inicial está ligado à
formulação do problema e consequente definição do objeto da pesquisa.
O primeiro passo é tornar o problema concreto e explícito pelos meios a seguir.
Imersão sistemática no assunto.
Estudo da literatura existente.
Atributos externos 
Discussão com pessoas que acumularam experiência prática no
campo de estudo.
A boa resposta depende da boa pergunta. O pesquisador deve estar consciente
da importância da pergunta que faz e deve saber colocar as questões
necessárias para o sucesso de sua pesquisa.
O pesquisador, ao escolher seu objeto de estudo, deve analisar alguns detalhes.
Veja!
 Primeiro passo
Identificar um tema preciso
(recorte do objeto).
 Segundo passo
Escolher e organizar o
tempo de trabalho.
 Terceiro passo
Realizar a pesquisa
bibliográfica (revisão da
literatura).
 Quarto passo
Organizar e analisar o
material selecionado.
Para isso, o objeto de estudo deve responder aos interesses do pesquisador e ter
as fontes de consulta acessíveis e de fácil manuseio. Quanto mais se recorta o
tema, com mais segurança e criatividade se trabalha. O estudo científico deve
ser claro, interessante e objetivo, tanto para as pessoas familiarizadas com o
assunto quanto para as que não são.
Muitos acadêmicos se perdem em parágrafos herméticos que não são
compreendidos nem pelos seus pares. O pesquisador não precisa utilizar termos
obscuros para se mostrar profundo. A profundidade e a seriedade do estudo
podem ser mais bem percebidas se o pesquisador utilizar uma linguagem
compreensível para o maior número de alunos e leitores.
A pesquisa apresenta diferentes fases. Vamos conhecê-las!
Lembra uma paquera entre dois adolescentes. É o momento em que se
tenta descobrir algo sobre o objeto de desejo, quem mais escreveu (ou se
interessou) sobre ele, como poderia haver uma aproximação, qual a
melhor abordagem (ou metodologia) entre todas as possíveis para
conquistar esse objeto.
Equivale ao namoro, quando há maior compromisso e que exige um
conhecimento mais profundo, uma dedicação quase exclusiva ao objeto
 Quinto passo
Fazer com que o leitor
compreenda o seu estudo e
possa recorrer aos
resultados caso queira dar
continuidade à pesquisa.
Fase exploratória 
Fase de elaboração 
de paixão. É a fase de elaboração do projeto de pesquisa, quando o
estudioso mergulha de fato no tema estudado.
É como um casamento, em que a pesquisa exige fidelidade, dedicação,
atenção ao seu cotidiano, que é feito de altos e baixos. O pesquisador
deve resolver os problemas que vão aparecendo, desde os mais simples
(como se vestir para realizar as entrevistas) até os mais necessários
(como garantir a verba para a execução da pesquisa).
Equivale à separação, em que o pesquisador precisa se distanciar do seu
objeto para escrever o relatório final da pesquisa. É a fase em que se
deve examinar o objeto com o máximo de criticidade possível, fazendo
rupturas conceituais e sugerindo novas direções para pesquisas futuras.
É o momento de enxergar tanto as falhas quanto as virtudes desse objeto
tão familiar e caro ao pesquisador.
Relevância da pesquisa na vida
acadêmica
Confira neste vídeo a importância da vida acadêmica e da clareza do problema
pesquisado.
Fase de resolução de problemas 
Fase de diagnóstico 

Pesquisa quantitativa X Pesquisa
qualitativa
Características de uma pesquisa
Durante muito tempo, as ciências se pautavam por um modelo quantitativo de
pesquisa, em que a veracidade de um estudo era constatada pela quantidade de
pesquisados. Muitos pesquisadores, no entanto, questionaram a
representatividade e o caráter de objetividade com que a pesquisa quantitativa
se revestia.
É preciso aceitar o fato de que, mesmo nas pesquisas
quantitativas, a subjetividade do pesquisador está presente.
Existe um autor, um sujeito que decide os passos a serem dados, seja na
escolha do tema, dos entrevistados, seja no roteiro de perguntas, na bibliografia
consultada e na análise do material coletado.
Na pesquisa qualitativa, a preocupação do pesquisador não é com a quantidade
de indivíduos, mas com o aprofundamento da compreensão de um grupo social,
de uma organização, de uma instituição, de uma trajetória etc.
Ao se pensar nas origens da pesquisa qualitativa em ciências sociais, corre‐se o
risco de se perder em um caminho longo demais que, procurando as origens das
origens, não chega jamais ao fim. Poderia chegar a Heródoto (495 AEC-425 AEC)
que, descrevendo a guerra entre a Pérsia e a Grécia, dedicou-se a esboçar os
costumes, as vestimentas, as armas, os barcos, os tabus alimentares e as
cerimônias religiosas dos persas e dos povos vizinhos.
Heródoto
Uma boa reflexão sobre a importância de Heródoto nesse contexto, bem como um
ótimo exemplo de pesquisa podem ser encontrados no artigo O selvagem e a
História: Heródoto e a questão do Outro, de Klaas Woortmann.
Comentário
Vamos elucidar o debate entre a sociologia positivista e a sociologia
compreensiva, situando o uso de métodos qualitativos de pesquisa nas ciências
sociais.
Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa em pesquisa se opõem a
ideia de um modelo único de pesquisa para todas as ciências, baseado no
modelo de estudo das ciências da natureza. Esses pesquisadores se recusam a
legitimar seus conhecimentos por processos quantificáveis que venham a se
transformar em leis e explicações gerais. Os pesquisadores qualitativistas
recusam o modelo positivista aplicado ao estudo da vida social e afirmam que
as ciências sociais têm sua especificidade, o que pressupõe uma metodologia
própria.
Antes de prosseguirmos com a abordagem qualitativa, vamos analisar as ideias
de dois importantes representantes do modelo positivista. Acompanhe!
Augusto Comte
Autor dos famosos Sistema de filosofia positiva (1830-1842) e Catecismo
positivista (1852), o fundador do positivismo defendia a unidade de todas as
ciências e a aplicação da abordagem científica na realidade social humana. Com
base em critérios de abstração, complexidade e relevância prática, Comte propôs
uma hierarquia das ciências, na qual a matemática era considerada a mais
importante e a sociologia, ou "física social", a menos importante, precedida, em
ordem decrescente, pela astronomia, física, química e biologia. Segundo Comte,
cada ciência dependia do progresso da que a precedia. Assim, a sociologia não
poderia existir sem a biologia, que por sua vez dependia da química, e assim por
diante.
Retrato de Augusto Comte.
Segundo a perspectiva de que o objeto das ciências sociais deve ser estudado
como o das ciências físicas, a pesquisa é uma atividade neutra e objetiva, que
busca descobrir regularidades ou leis, em que o pesquisador não pode fazer
julgamentos nem permitir que seus preconceitos e suas crenças contaminem a
pesquisa.
Émile Durkheim
Assim como Comte, o chamado pai da sociologia também se posicionou a favor
da unidade das ciências, preocupado com a ordem na sociedade e com a
primazia da sociedade sobre o indivíduo. Tomando “os fatos sociais como
coisas”, Durkheim (1985) defendia que o social é real e externo ao indivíduo, ou
seja, o fenômeno social, como o fenômeno físico, é independente da consciência
humana e verificável pela experiência dos sentidos e da observação.
Retrato de Émile Durkheim.
Durkheim acreditava que os fatos sociais só poderiam ser explicados por outros
fatos sociais, e não por fatos psicológicos ou biológicos, como pretendiam
alguns pensadores de seu tempo. Defendendo a visão da ciência social como
neutra e objetiva, na qual sujeito e objeto do conhecimento estão radicalmente
separados, Durkheim teve uma influência decisiva para que as ciências sociais
adotassem o método científico das ciências naturais.
Sociologia compreensiva
Na segunda metade do séculopassado, alguns pensadores, influenciados pelo
idealismo de Kant, reagiram criticamente ao modelo positivista de conhecimento
aplicado às ciências sociais, acreditando que o estudo da realidade social por
meio de métodos de outras ciências poderia destruir a própria essência dessa
realidade, já que esquecia a dimensão de liberdade e individualidade do ser
humano.
A sociologia compreensiva, distinguindo “natureza” de “cultura”, mostrou que era
necessário, para estudar os fenômenos sociais, um procedimento metodológico
diferente daquele utilizado nas ciências físicas e matemáticas.
Wilhelm Dilthey
Filósofo alemão que criticava o uso da metodologia das ciências naturais pelas
ciências sociais, em função da diferença fundamental entre seus objetos de
estudo. Nas primeiras, os cientistas lidam com objetos externos passíveis de
serem conhecidos de forma objetiva, enquanto nas ciências sociais lidam com
emoções, valores, subjetividades. Essa diferença se traduz em diferenças nos
objetivos e nos métodos de pesquisa.
Retrato de Wilhelm Dilthey.
Para Dilthey, os fatos sociais não são suscetíveis de quantificação, já que cada
um deles tem um sentido próprio, diferente dos demais, e isso torna necessário
que cada caso concreto seja compreendido em sua singularidade. Portanto, as
ciências sociais devem se preocupar com a compreensão de casos particulares
e não com a formulação de leis generalizantes, como fazem as ciências
naturais.
Max Weber
É o maior representante da chamada sociologia compreensiva. Para ele, o
principal interesse da ciência social era o comportamento significativo dos
indivíduos engajados na ação social, ou seja, o comportamento ao qual os
indivíduos agregam significado considerando o comportamento de outros
indivíduos.
Retrato de Max Weber.
Os cientistas sociais, que pesquisam os significados das ações sociais de
outros indivíduos e deles próprios, são sujeito e objeto de suas pesquisas. Nessa
perspectiva — que se opõe à visão positivista de objetividade e de separação
radical entre sujeito e objeto da pesquisa —, é natural que cientistas sociais se
interessem por pesquisar aquilo que valorizam. Esses cientistas buscam
compreender os valores, as crenças, as motivações e os sentimentos humanos,
compreensão que só pode ocorrer se a ação for colocada dentro de um contexto
de significado.
Fundamentação da pesquisa teórica
Confira neste vídeo a importância da fundamentação teórica para embasar suas
pesquisas, garantindo solidez e credibilidade aos seus resultados acadêmicos.
Pesquisa de campo

A discussão que diferencia as ciências sociais das demais ciências físicas,
contextualiza o surgimento e o desenvolvimento das técnicas e dos métodos
qualitativos de pesquisa social. Veja as descobertas de alguns antropólogos a
respeito desse tipo de pesquisa.
Frédéric Le Play
Contemporâneo de Comte, ele foi um dos primeiros a estudar a realidade social
dentro de uma perspectiva científica que considerava a observação direta,
controlável e objetiva da sociedade como o método mais adequado à pesquisa
social. Em La Réforme Sociale en France (1864), Le Play expõe o método das
monografias, que se caracteriza por ser uma técnica, ordenada e metódica, de
observação direta da sociedade.
Pepita de ouro.
Trouxe de sua experiência de
mineralogista, na qual estava
habituado a colher amostras de
jazidas para serem analisadas, a
preocupação de observar diretamente
e analisar sistematicamente as
famílias operárias localizadas em
diferentes países da Europa onde
pesquisou. De seus registros
minuciosos e ordenados, resultou um
conjunto de monografias reunidas em
Les ouvriers européens (1855).
Morgan, Boas e Malinowski
No final do século XIX e início do século XX, os estudos dos antropólogos nas
sociedades chamadas então de “primitivas” foram determinantes para o
desenvolvimento das técnicas de pesquisa que permitem recolher diretamente
observações e informações sobre a cultura nativa.
As sociedades estudadas diretamente por esses antropólogos eram sociedades
sem escrita, longínquas, isoladas, de pequenas dimensões, com reduzida
especialização das atividades sociais, tendo sido classificadas como simples ou
primitivas em contraste com a organização complexa das sociedades dos
pesquisadores.
O primeiro antropólogo a conviver com os nativos foi o americano Lewis Henry
Morgan, um dos mais expressivos representantes do pensamento evolucionista.
Jurista de formação, em 1851 publicou The League of Hodénosaunee, or Iroquois,
considerado o primeiro tratado científico de etnografia.
No entanto, foram os trabalhos de
campo de Franz Boas e Bronislaw
Malinowski, entre 1883 e 1902, e,
particularmente, a expedição às Ilhas
Trobriand, que consagraram a ideia de
que os antropólogos deveriam passar
um longo período na sociedade que
estão estudando para encontrar e
interpretar seus próprios dados, em
vez de depender dos relatos dos
viajantes, como faziam os chamados
“antropólogos de gabinete”.
Retrato de Franz Boas.
Nos primeiros 30 anos do século XX, o trabalho de campo passou a orientar as
pesquisas antropológicas. Boas, um geógrafo de formação, crítico radical dos
antropólogos evolucionistas, ensinou que no campo tudo deveria ser anotado
meticulosamente e que um costume só tem significado se estiver relacionado ao
seu contexto particular. Ensinou também o relativismo cultural, no qual o
pesquisador deveria estudar as culturas com um mínimo de preconceitos
etnocêntricos.
Quem foi Franz Boas?
Resposta
Foi o grande mestre da antropologia americana na
primeira metade do século XX. Formou toda uma
geração de antropólogos importantes no campo,
como Ralph Linton, Ruth Benedict e Margaret Mead,
considerados representantes da antropologia cultural
americana, que utiliza métodos e técnicas de
pesquisa qualitativa somados a modelos conceituais

Para Boas, o que constitui o “gênio próprio” de um povo repousa sobre as
experiências individuais e, portanto, o objetivo do pesquisador é compreender a
vida do indivíduo dentro da própria sociedade em que vive.
A primeira experiência de campo de Malinowski foi em 1914, entre os mailu, na
Melanésia. Impedido de voltar à Inglaterra no início da Primeira Guerra Mundial,
ele começou sua pesquisa nas Ilhas Trobriand, de 1915 a 1916, retornando em
1917 para viver com os nativos por mais um ano. Essa longa convivência com os
nativos teve uma influência decisiva na inovação do método de pesquisa
antropológica.
Malinowski demonstrou que o comportamento nativo não é irracional, mas se
explica por uma lógica própria que precisa ser descoberta pelo pesquisador.
Colocou em prática a observação participante, criando um modelo do que deve
ser o trabalho de campo: o pesquisador, por meio de uma estada de longa
duração, deve mergulhar profundamente na cultura nativa, impregnando‐se da
mentalidade nativa. Deve viver, falar, pensar e sentir como os nativos. Portanto, a
convivência íntima com os nativos passou a ser considerada o melhor
instrumento de que o antropólogo dispõe para compreender “de dentro” o
significado das lógicas particulares características de cada cultura.
Grande parte da renovação das ciências sociais se deve às influências (diretas
ou indiretas) dos métodos de pesquisa de Malinowski. Argonauts of the Western
Pacific provocou uma verdadeira ruptura metodológica na antropologia,
priorizando a observação direta e a experiência pessoal do pesquisador no
campo. Publicado em 1922, é um verdadeiro tratado sobre o trabalho de campo.
Fundamentação da pesquisa de campo
Comprenda neste vídeo a importância de fundamentar sua pesquisa de campo,
que é essencial para análises precisas e conclusões embasadas.
próximos da psicologia e da psicanálise. São de
autoria de Boas muitos trabalhos clássicos, inclusive
Raça, linguagem e cultura — provavelmente o mais
enfático texto antirracista a surgir do mundo
acadêmico em sua época.

Falta pouco para atingir seus objetivos.Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Sobre o conceito de pesquisa estudado neste material, considere as
seguintes afirmações:
I. A pesquisa não é uma ação isolada, mas uma oportunidade de fazer
exercícios que servirão por toda a vida.
II. O autêntico pesquisador compreende a pesquisa como um jogo que lhe
proporciona a criatividade e o desenvolvimento do olhar científico.
III. Ainda que o objeto não seja ou não pareça interessante, é preciso que o
trabalho do pesquisador seja instigante.
IV. Não é qualquer tema ou assunto da atualidade que pode ser objeto de
uma pesquisa científica.
V. Mesmo temas do cotidiano e banais, dependendo da experiência do
pesquisador, podem se tornar grandes e profundas pesquisas.
Está correto o que se afirma em
A I, II, IV e V.
B II, III, IV e V.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Qualquer tema ou assunto da atualidade pode ser objeto de uma pesquisa
científica. A pesquisa não é uma ação isolada, mas uma oportunidade de
fazer exercícios que servirão por toda a vida. O autêntico pesquisador
compreende a pesquisa como um jogo que lhe proporciona a criatividade e o
desenvolvimento do olhar científico. Ainda que o objeto não seja ou não
pareça interessante, é preciso que o trabalho do pesquisador seja instigante.
Mesmo temas do cotidiano e banais, dependendo da experiência do
pesquisador, podem se tornar grandes e profundas pesquisas.
Questão 2
Para este pensador, os fatos sociais somente podem ser explicados por
outros fatos sociais e não por explicações psicológicas ou biológicas,
diferenciando-se de muitos outros pensadores de sua época. A adoção do
método científico nas ciências sociais tem, com certeza, a sua influência
direta e determinante. Esse pensador é
C I, II e III.
D I, II, III e V.
E III, IV e V.
A Durkheim.
B Comte.
C Malinowski.
D Dilthey.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Um fato social é qualquer comportamento, seja ele estabelecido ou não, que
tem o poder de influenciar um indivíduo externamente; ou seja, qualquer
padrão de comportamento que seja comum em uma sociedade e que tenha
uma existência própria, independente das ações individuais. O fato social é
tudo o que se produz na e pela sociedade, ou ainda, aquilo que interessa e
afeta o grupo de alguma forma (Durkheim, 1985).
2 - Análise de dados
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância de utilizar recursos e
instrumentos de pesquisa de maneira adequada aos objetivos propostos em um estudo cientí�co.
Análise dos dados: da coleta à
interpretação
E Weber.
Como acontece a pesquisa de campo
Agora, vamos explorar mais a pesquisa de campo e seu processo. Isso ajudará
você a encontrar a melhor metodologia para realizá-la quando estiver elaborando
seu próprio projeto de pesquisa ou mesmo já buscando os dados de seu objeto.
Para isso, continuaremos aproveitando a experiência antropológica citada.
Malinowski sugeriu três questões para o trabalho de campo. Vejamos!
O que os nativos dizem sobre o que fazem?
O que realmente fazem?
O que pensam a respeito do que fazem?
Malinowski buscou respostas a essas questões através do contato íntimo com a
vida nativa, registrando suas observações no diário de campo e se esforçando
para compreender o ponto de vista dos nativos.
Para Malinowski, a antropologia era a chave para
entendermos melhor a nós mesmos, através do estudo dos
povos “primitivos".
A rica experiência de campo de Malinowski, assim como suas propostas
metodológicas, influenciaram decisivamente a aplicação de técnicas e métodos
de pesquisa qualitativa em ciências sociais.
Malinowski em pesquisa de campo com nativos das Ilhas Trobriand.
Na década de 1970, surge nos EUA a antropologia interpretativa, inspirada na
ideia weberiana de que a observação dos fatos sociais deve levar à
compreensão (e não a um conjunto de leis). Um dos principais representantes da
abordagem interpretativa é Clifford Geertz, que propõe um modelo de análise
cultural hermenêutico. Segundo ele, o antropólogo deve fazer uma descrição em
profundidade (descrição densa) das culturas como “textos” vividos, como teias
de significados que devem ser interpretados.
De acordo com Geertz (1978), os “textos” antropológicos são interpretações
sobre as interpretações nativas, já que os nativos produzem interpretações de
sua própria experiência. Essa perspectiva se traduz em um permanente
questionamento do antropólogo a respeito dos limites de sua capacidade de
conhecer o grupo que estuda, e na necessidade de expor, em seu texto, suas
dúvidas, perplexidades e os caminhos que levaram à sua interpretação,
percebida sempre como parcial e provisória.
Geertz inspirou a tendência atual da chamada antropologia reflexiva (ou pós‐
interpretativa), que propõe uma autorreflexão a respeito do trabalho de campo
nos seus aspectos morais e epistemológicos. Essa antropologia questiona a
autoridade do texto antropológico e propõe que o resultado da pesquisa não seja
fruto da observação pura e simples, mas de um diálogo e de uma negociação de
pontos de vista entre pesquisador e pesquisados.
Retrato de Clifford Geertz.
Partindo do princípio de que o ato de compreender está ligado ao universo
existencial humano, as abordagens qualitativas não se preocupam em fixar leis
para se produzir generalizações. Os dados da pesquisa qualitativa objetivam
uma compreensão profunda de certos fenômenos sociais apoiados no
pressuposto da maior relevância do aspecto subjetivo da ação social.
Contrapõem‐se, assim, à incapacidade da estatística de dar conta dos
fenômenos complexos e da singularidade dos fenômenos que não podem ser
identificados por meio de questionários padronizados.
Atenção!
Enquanto os métodos quantitativos lidam com uma população de objetos
comparáveis, os métodos qualitativos destacam as particularidades de um
fenômeno em relação ao seu significado para o grupo estudado. É como
mergulhar profundamente em um grupo para explorar questões importantes
relacionadas ao tema em estudo.
O reconhecimento da especificidade das ciências sociais conduz à elaboração
de um método que permita o tratamento da subjetividade e da singularidade dos
fenômenos sociais. Com esses pressupostos básicos, a representatividade dos
dados na pesquisa qualitativa em ciências sociais está relacionada à sua
capacidade de possibilitar a compreensão do significado e a descrição densa
dos fenômenos estudados em seus contextos, e não à sua expressividade
numérica.
A quantidade é, então, substituída pela intensidade, pela imersão profunda — por
meio da observação participante por um longo período, das entrevistas em
profundidade, da análise de diferentes fontes que possam ser cruzadas — que
atinge níveis de compreensão que não podem ser alcançados por meio de uma
pesquisa quantitativa.
O pesquisador qualitativo buscará casos exemplares que possam ser
reveladores da cultura em que estão inseridos. O número de pessoas é menos
importante do que a insistência em enxergar a questão sob várias perspectivas.
Observar aspectos diferentes, sob enfoques diversos, pode não só contribuir
para reduzir o bias da pesquisa, como também propiciar uma compreensão mais
profunda do problema estudado.
Representação da diversidade e complexidade dos fenômenos sociais abordados na pesquisa qualitativa em
ciências sociais.
Grande parte dos problemas metodológicos da pesquisa qualitativa é decorrente
da tentativa de se ter como referência o modelo positivista das ciências naturais,
não se considerando a especificidade dos objetos de estudo das ciências
sociais. Os dados qualitativos consistem em descrições detalhadas de
situações, com o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios
termos. Esses dados não são padronizáveis como os dados quantitativos,
obrigando o pesquisador a ter flexibilidade e criatividade no momento de coletá‐
los e analisá‐los.
Duas pesquisadoras destacam-se nesse cenário. Vamos conhecê-las!
Aponta para a falta de uma críticateórico‐metodológica consistente no
campo das ciências sociais e para algumas das armadilhas e limitações
das pesquisas qualitativas. A autora descreve um “indisfarçado
pragmatismo”, que dominou as ciências sociais contemporâneas e
desqualificou o debate sobre os compromissos teóricos que cada
método exige.
Retrato de Ruth Cardoso.
Mostra a preocupação dos pesquisadores em descobrirem uma
aplicação imediata e direta dos resultados de sua pesquisa que beneficie
a população estudada. Sem deixar de ver como necessária a
identificação do pesquisador com seu objeto, porque sem ela é
impossível a compreensão “de dentro”. Durham alerta para o perigo de
explicar a sociedade apenas através das categorias "nativas", sem uma
análise científica crítica e sem reflexão teórica e metodológica sobre a
postura do cientista social.
Ruth Cardoso (1986) 
Eunice Durham (1986) 
Retrato de Eunice Durham.
Aaron Cicourel, Mariza Peirano e Maria Isaura Pereira de Queiroz apresentam
importantes alertas:
Cicourel (1980) já havia advertido para o perigo de o pesquisador ficar
tão envolvido com o grupo estudado que poderia se tornar um “nativo”,
sem compreender as consequências dessa “conversão” para os
objetivos da pesquisa, como “tornar‐se cego para muitas questões
importantes cientificamente”. Cicourel aponta para as faltas de regras
processuais claras que definam o papel do pesquisador no campo
desde o momento de sua inserção.
Peirano (1995), em A favor da etnografia, afirma que não se pode
ensinar a fazer pesquisa de campo como se ensinam os métodos
estatísticos, as técnicas de surveys (tipo de investigação quantitativa,
baseada principalmente na coleta de dados), a aplicação de
questionário. A pesquisa qualitativa depende da biografia do
pesquisador, das opções teóricas, do contexto mais amplo e das
imprevisíveis situações que ocorrem no dia a dia da pesquisa. Um dos
principais problemas a ser enfrentado na pesquisa qualitativa diz
respeito à possível contaminação dos seus resultados em função da
personalidade do pesquisador e de seus valores. O pesquisador
interfere nas respostas do grupo ou do indivíduo que pesquisa. A
melhor maneira de controlar essa interferência é ter a consciência de
como sua presença afeta o grupo e até que ponto esse fato pode ser
minimizado ou, inclusive, analisado como dado da pesquisa.
Queiroz (1983) enfatiza que a omissão de fatos, de ocorrências, de
detalhes pode ser tão significativa quanto a sua inclusão nos
depoimentos. Para a autora, o importante não é verificar se o
entrevistado conhece ou não o fato, mas sim buscar saber por que
razão ele o havia esquecido, ou o havia ocultado, ou simplesmente dele
não tivera registro.
O pesquisador deve estabelecer um difícil equilíbrio para não ir além do que
pode perguntar, mas, também, não ficar aquém do possível. Além disso, a
memória é seletiva, a lembrança diz respeito ao passado, mas se atualiza
sempre a partir de um ponto do presente.
As lembranças não são falsas ou verdadeiras, simplesmente contam o passado
através dos olhos de quem o vivenciou. Um trabalho de negociação e
compromisso que consiste em interpretar, ordenar ou rejeitar (temporária ou
definitivamente) toda experiência vivida de maneira a torná‐la coerente com uma
identidade construída, como afirma Michael Pollak (1896).
Existem algumas qualidades essenciais que o pesquisador deve possuir para ter
sucesso em suas entrevistas: interesse real e respeito pelos seus pesquisados,
flexibilidade e criatividade para explorar novos problemas em sua pesquisa,
capacidade de demonstrar compreensão e simpatia por eles, sensibilidade para
saber o momento de encerrar uma entrevista ou sair de cena e, como lembra
Paul Thompson (1992), principalmente, disposição para ficar calado e ouvir.
Atenção!
Thompson, ao analisar a situação de entrevista, afirma que quem não consegue
parar de falar nem resistir à tentação de discordar do informante e de impor suas
próprias ideias, obterá informações inúteis ou enganosas.
Howard Becker, sociólogo norte-americano que fez grandes contribuições à
sociologia do desvio, sociologia da arte e sociologia da música, admite que, no
lugar de procedimentos uniformes, prefere um modelo artesanal de ciência, no
qual cada pesquisador produz as teorias e técnicas necessárias para o trabalho
que está sendo feito.
Becker (1997) alerta que a escolha das teorias que orientam a pesquisa também
está contaminada pelas preferências e dificuldades do pesquisador, já que uma
organização ou um grupo pode ser visto de muitas maneiras diferentes,
nenhuma delas certa ou errada, visto que são alternativas possíveis e talvez
complementares. Não é possível formular regras precisas sobre as técnicas de
pesquisa qualitativa porque cada entrevista ou observação é única: depende do
tema, do pesquisador e de seus pesquisados.
A delimitação do objeto de estudo deve ser claramente
explicitada pelo pesquisador para que outros pesquisadores
analisem as conclusões obtidas. A escolha do objeto está
relacionada a um problema central desse tipo de abordagem:
a questão da representatividade do caso escolhido.
Ao contrário das pesquisas quantitativas, em que a representatividade se
estabelece por meio de procedimentos claros, não existem regras precisas para
a escolha de um caso a ser estudado de maneira aprofundada pelo cientista
social. A exemplaridade de um indivíduo ou grupo e a possibilidade de explorar
um problema em profundidade em uma instituição ou família são alguns dos
motivos que levam à escolha do objeto de estudo. Essa escolha depende,
fortemente, da sensibilidade e da experiência do pesquisador, e não apenas das
características objetivas do grupo estudado.
Observe algumas responsabilidades do pesquisador!
1ª Responsabilidade
Apresentar de forma clara as características do indivíduo, da
organização ou do grupo que influenciaram sua seleção, permitindo que
o leitor forme suas próprias conclusões sobre os resultados e sua
aplicabilidade em contextos semelhantes envolvendo outros grupos ou
indivíduos.
2ª Responsabilidade
Destacar as dificuldades e restrições encontradas durante a pesquisa,
reconhecendo a importância das pessoas que facilitaram sua entrada
no campo (essenciais para a formação da identidade do pesquisador
perante o grupo estudado), mencionando aqueles que se recusaram a
participar de entrevistas, as perguntas não respondidas pelos
participantes, as contradições identificadas e a consistência (ou falta
dela) das respostas. Isso proporciona uma visão abrangente do estudo,
abordando não apenas os aspectos bem-sucedidos, mas também os
desafios enfrentados.
O fato de ter uma convivência profunda com o grupo estudado pode contribuir
para que o pesquisador naturalize certas práticas e alguns comportamentos que
deveria estranhar para compreender. Malinowski chama a atenção para a
explosão de significados no momento de entrada no campo, em que cada fato
observado na cultura nativa é significativo para o pesquisador. O olhar que
estranha, em um primeiro momento, passa a naturalizar em seguida e torna‐se
cego para dados valiosos.
É comum que pesquisadores se vejam em situações delicadas com o indivíduo
ou grupo pesquisado que extrapolam os limites da pesquisa, como pedido de
dinheiro ou de favores, convites inapropriados, telefonemas após o término da
pesquisa etc. Todos esses problemas, decorrentes do envolvimento intenso com
o objeto de estudo, precisam ser administrados pelo pesquisador para que sua
pesquisa não fique comprometida.
Quanto mais intensa a relação, maior a necessidade de um
distanciamento do pesquisador, que torne possível a sua
reflexão sobre cada dificuldade que, com certeza, terá de
enfrentar.
A questão do relacionamento entre pesquisador e objeto, da possível
dependência ou disputa de poder, é um dos maiores problemas que devem ser
enfrentados. O pesquisador necessita ter bom senso e criatividade para
encaminhar as soluções para cada situação.A experiência e a maturidade do
pesquisador são fatores determinantes para que a pesquisa seja bem‐sucedida.
Os dados da pesquisa
Confira neste vídeo a base teórica ao lidar com os dados da pesquisa, garantindo
análises precisas e interpretações sólidas para os resultados.

Integração dos dados da análise
quantitativa e qualitativa
Muitos pesquisadores que utilizam métodos de pesquisa qualitativos
consideram que os surveys apenas servem para dar legitimidade ao senso
comum, visto que não contribuem para a compreensão dos fenômenos sociais.
Para esses cientistas sociais, os métodos quantitativos simplificam a vida social
limitando‐a aos fenômenos que podem ser enumerados. Eles afirmam que as
abordagens quantitativas sacrificam a compreensão do significado em troca do
rigor matemático.
Comentário
Max Weber defendia que a quantificação na sociologia poderia ser útil, desde
que contribuísse para a compreensão de um problema específico e não
obscurecesse a singularidade dos fenômenos que não poderiam ser capturados
por meio da generalização. Como nenhum pesquisador pode abarcar toda a
realidade, diferentes abordagens de pesquisa podem oferecer insights sobre
questões diversas. É a combinação de múltiplos pontos de vista e métodos de
coleta e análise de dados (qualitativos e quantitativos) que possibilita uma
compreensão mais ampla e clara da complexidade de um problema.
A integração das pesquisas quantitativa e qualitativa permite que o pesquisador
faça um cruzamento de suas conclusões de modo a ter maior confiança de que
seus dados não são produto de um procedimento específico ou de alguma
situação particular. Ele não se limita ao que pode ser coletado em uma
entrevista: pode entrevistar repetidamente, pode aplicar questionários, pode
investigar diversas questões em diferentes ocasiões, pode utilizar fontes
documentais e dados estatísticos.
A maior parte dos pesquisadores em ciências sociais admite
que não há uma única técnica, um único meio válido de
coletar os dados em todas as pesquisas.
Há uma interdependência entre os aspectos quantificáveis e a vivência da
realidade objetiva no cotidiano. A escolha de trabalhar com dados estatísticos
ou com um único grupo ou indivíduo, ou com ambos, depende das questões
levantadas e dos problemas que se quer resolver.
É o processo da pesquisa que determina as técnicas e os procedimentos
necessários para as respostas que se quer alcançar. Cada pesquisador deve
estabelecer os procedimentos de coleta de dados que sejam mais adequados
para o seu objeto particular. O importante é ser criativo e flexível para explorar
todos os possíveis caminhos e não fixar a ideia positivista de que os dados
qualitativos comprometem a objetividade, a neutralidade e o rigor científico.
Representação do diálogo e interação na pesquisa social.
A combinação de metodologias diversas no estudo do mesmo fenômeno tem
por objetivo abranger a máxima amplitude na descrição, na explicação e na
compreensão do objeto de estudo. Parte de princípios que sustentam que é
impossível conceber a existência isolada de um fenômeno social. Enquanto os
métodos quantitativos pressupõem uma população de objetos de estudo
comparáveis, que fornecerá dados que podem ser generalizáveis, os métodos
qualitativos poderão observar, diretamente, como cada indivíduo, grupo ou
instituição experimenta, concretamente, a realidade pesquisada.
A pesquisa qualitativa é útil para identificar os conceitos e as variáveis
relevantes de situações que podem ser estudadas quantitativamente. A riqueza
presente nos casos desviantes da "média" nos relatórios estatísticos é inegável e
merece ser explorada. Também é evidente o valor da pesquisa qualitativa para
estudar questões difíceis de quantificar, como os sentimentos, as motivações, as
crenças e as atitudes individuais.
Comentário
Na integração, a premissa fundamental é que as limitações de um método
podem ser compensadas pela amplitude de outro. Assim, os métodos
qualitativos e quantitativos não são mais vistos como opostos, mas sim como
complementares.
Um exemplo de integração de observação participante e survey (técnica de
pesquisa que envolve a coleta de dados por meio de questionários estruturados)
é o estudo realizado por Neuma Aguiar no Cariri, uma região no sul do Ceará.
Esse estudo aborda os modos de organização social da produção e a
transformação de três tipos de matéria‐prima.
A pesquisadora observou as atividades envolvidas na produção do milho, do
barro e da mandioca, assim como as representações elaboradas pelos próprios
trabalhadores. Aguiar (1978) afirma que os dados da observação participante
são profundos, pois atingem níveis de compreensão dos fatos sociais não
alcançados pelos surveys.
Plantação de milho.
Por outro lado, os dados dos surveys atingem um nível de mensuração que a
observação participante não pode atingir. A autora propõe que um modo de
superar a dificuldade de generalização dos dados qualitativos e a dificuldade de
interpretação das correlações alcançadas pelos surveys seja tentar integrar os
dois métodos.
Para aumentar a variabilidade dos dados a fim de situar o fenômeno estudado
em um contexto mais abrangente, Aguiar propõe que as categorias relevantes,
selecionadas por meio do processo de observação participante, sejam
empregadas de modo amplo e sistemático com a utilização do questionário.
Durante seis meses, a autora estudou, mediante observação participante, duas
indústrias de produtos cerâmicos e duas indústrias de farinha de milho. Também
recolheu, por intermédio de entrevistas e documentos, dados sobre uma fábrica
de fécula de mandioca que havia fechado. Foram aplicados, depois disso, 250
questionários.
Atenção!
A autora afirma que sua pesquisa não visa apenas à generalização, destacando
a importância da observação participante para explorar o tema, levantar
hipóteses e questionar as categorias do vocabulário dos trabalhadores. Essa
abordagem também ajudou a especificar conceitos e perguntas para os
questionários. Aguiar demonstra que ao combinar o survey com a observação
participante, foi possível ir além das generalizações sobre o processo de
industrialização na região, permitindo entender as representações dos
trabalhadores sobre suas atividades.
Outro exemplo de integração de dados qualitativos e quantitativos é a pesquisa
da professora Miriam Goldenberg (1990) sobre amantes de homens casados.
Foram realizadas entrevistas em profundidade com oito mulheres, em um
primeiro estudo. Em seguida, foram entrevistados nove homens casados que
refletiram sobre as suas experiências extraconjugais. Por fim, realizou-se um
estudo de caso, em que foram entrevistados o homem casado, sua amante e
toda a sua família (pai, mãe, duas irmãs e um irmão). Além desses dados
qualitativos, foram fundamentais para as conclusões as análises demográficas
feitas por Elza Berquó, a partir dos dados do censo de 1980.
Gráfico: Homens e mulheres casados com mais de 65 anos, conforme os dados do censo de 1980.
Berquó (1989), uma das fundadoras da Associação Brasileira de Estudos
Populacionais (Abep) observou que apenas 32% das mulheres com mais de 65
anos estavam casadas, em comparação com 76% dos homens. A maior
mortalidade dos homens e o fato de o homem brasileiro se casar com mulheres
mais jovens geram esse desequilíbrio. As mulheres teriam, assim, chances
iguais aos homens somente até os 30 anos, no máximo. Berquó levanta a
hipótese de que no Brasil exista uma poligamia disfarçada, já que as mulheres
sem possibilidades de casamento acabam se unindo a homens casados.
Nesse caso, apenas para ilustrar, os dados quantitativos revelam uma realidade
demográfica e as entrevistas em profundidade retratam como cada mulher
vivencia essa situação. É interessante como as entrevistadas se queixam de que
“falta homem no mercado”, constatação que pode ser facilmente verificada
pelos dados do censo.
Os dados do IBGE sobre idade, sexo e estado civil foramusados para pensar
situações complexas, não quantificáveis, como a situação de ser amante de um
homem casado. Esses dados ajudaram a interpretar o discurso e a compreender
a situação de forma mais ampla.
Interpretados à luz da questão, Goldenberg concluiu (1990) que as mulheres têm
menos chances de casar, e essa pode ser uma possível explicação para a
situação da amante. Sem os dados do IBGE, a pesquisadora poderia se restringir
às explicações dos pesquisados: a ideia de que o fato de ser amante deve
corresponder a um tipo determinado de personalidade de mulher “que não se
valoriza” ou que “não quer compromisso”. A integração dos dados quantitativos
e qualitativos permite verificar a tensão existente entre a escolha individual e o
campo de possibilidades das mulheres que são amantes de homens casados.
Resumindo
Por meio dessa análise detalhada, fica evidente que tanto o exame quanto a
interpretação dos dados quantitativos e qualitativos podem aprimorar a
compreensão do problema investigado. O suposto conflito entre pesquisa
qualitativa e quantitativa é infundado. Cada vez mais, os pesquisadores
reconhecem a importância de utilizar todas as ferramentas e técnicas
disponíveis para uma compreensão abrangente do problema em estudo.
Pesquisa quantitativa X Pesquisa
qualitativa
Compreenda neste vídeo as principais características de cada abordagem e
como elas se diferenciam na coleta e análise de dados.
Falta pouco para atingir seus objetivos.

Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Este pensador marcou a história e a conceituação da pesquisa ao apresentar
sua teoria de que é no trabalho de campo, no contato íntimo com o cotidiano
dos nativos, na vivência diária e com os registros de todas as atividades que
será possível obter as respostas para as principais questões que envolvem as
interrogações acerca da vida dos nativos. Este pensador é
Parabéns! A alternativa C está correta.
Para Malinowski, o trabalho de campo possibilita a compreensão do estado
mais primitivo do objeto de estudo. Ele influenciou decisivamente a pesquisa
ao apresentar sua proposta investigativa de campo com a aplicação de
técnicas específicas de pesquisa, principalmente no diário de campo, que
deve conter o relato das observações. Ele é um dos representantes da
pesquisa qualitativa em ciências sociais.
Questão 2
A Durkheim.
B Comte.
C Malinowski.
D Dilthey.
E Weber.
Este pensador não aceitava a generalização na compreensão dos
fenômenos. Por isso, afirmava que o método quantitativo defendido pelo
positivismo somente poderia ser proveitoso se não obscurecesse a
compreensão. Afirma ele em seu livro Metodologia das ciências sociais
(2001): “Não há um ‘agir racional’ sem a experimentação de regras referentes
ao decurso histórico que apenas podem ser percebidas e elaboradas
mediante uma percepção e observação objetivantes”. Este pensador é
Parabéns! A alternativa D está correta.
Max Weber defendia a pesquisa qualitativa e, por isso, questionou a validade
do método positivista das metodologias das ciências sociais como uma
física social capaz de compreender os fenômenos sem generalizá-los.
A Malinowski.
B Durkheim.
C Comte.
D Weber.
E Dilthey.
3 - Gerenciamento de recursos e instrumentos de pesquisa
Ao �nal deste módulo, você será capaz de selecionar e�cientemente recursos e ferramentas
tecnológicas para potencializar todas as etapas da pesquisa acadêmica.
Recursos como estratégia de pesquisa
Para a pesquisa, há diversos recursos disponíveis, incluindo ferramentas
tecnológicas que podem facilitar várias etapas da investigação. Ao iniciar um
estudo, o pesquisador geralmente encontra motivação através do interesse pelo
tema ou objeto. Esse interesse pode surgir por:
Razões pessoais.
Razões acadêmicas.
Lacuna na literatura existente sobre o assunto.
Esses fatores impulsionam a investigação, fundamentados no interesse e
curiosidade do pesquisador. Por outro lado, é necessário que o trabalho tenha
relevância para outras pessoas, apresentando novas provocações sobre o tema
ou sugira novos caminhos de análise. Assim, o pesquisador deve produzir algo
que seja significativo e colabore para as reflexões na área, não sendo apenas
“mais do mesmo”.
Durante todas as fases da pesquisa, certos recursos são essenciais, tanto para
realizar cada etapa da investigação quanto para apresentar um trabalho
significativo. Enfrentar desafios é uma parte natural desse processo,
independentemente do quão interessado o pesquisador seja pelo objeto de
estudo. Portanto, o pesquisador deve recorrer aos recursos mais adequados em
cada momento de seu trabalho.
Agora, vamos conferir alguns dos recursos internos e externos mais importantes
à condução da pesquisa:
Recursos internos: a motivação, o interesse, a persistência, a
dedicação e o interesse pelo seu trabalho.
Recursos externos: a literatura disponível sobre o tema, os recursos
tecnológicos que auxiliam desde a concepção até a divulgação dos
resultados, entre outros.
Uma estratégia fundamental para todo pesquisador é estabelecer a relação
direta entre seu problema de pesquisa e o emprego adequado dos recursos
pertinentes ao desenvolvimento dela.
Algumas vezes, temos recursos interessantes e atrativos, mas que não
condizem com a realidade do nosso trabalho. Por isso, o processo de gerenciar
o que se tem disponível é empregar recursos em favor do seu objetivo, porque a
carência ou abundância de recursos pode impor limitações ou abrir novas
possibilidades para sua pesquisa.
Exemplo
Quando há escassez de literatura disponível sobre o tema ou quando o tempo é
curto para abordagens metodológicas mais extensas.
Mesmo diante do cenário de escassez de produção literária sobre seu tema,
você pode desenvolver um trabalho muito relevante, inclusive porque vai
colaborar para que se amplie um acervo carente de contribuições.
Porém, como provavelmente você precisará recorrer a fontes de pesquisa menos
acessíveis, precisará de mais tempo para desenvolver a pesquisa. Portanto,
mesmo diante da falta de algum recurso, você pode se destacar, mas é
necessário avaliar o todo.
Sobre o tema e sua relação com o gerenciamento dos recursos, é importante
registrar o seguinte. Observe!
Na escolha do tema, deve-se considerar a
quantidade de atividades a ser cumprida
para executar o trabalho, avaliando o
tempo disponível para tal, subtraindo deste
aquele necessariamente dedicado às
atividades cotidianas, estabelecendo
assim o limite das capacidades do
pesquisador em relação ao tema
pretendido.
(Kauark; Manhães; Medeiros, 2010, p. 46)
Nesse sentido, o pesquisador, desde a fase inicial da pesquisa, deve começar a
pensar nos recursos que possui e como pode utilizá-los da melhor forma,
propondo um estudo que possa ser executado de forma coerente.
Assim, estabelecer um recorte claro sobre o que se quer estudar dentro do tema
de pesquisa é começar a delimitar seu problema e direcionar o olhar para um
campo ou pergunta que possa ser respondida tendo em vista os recursos
disponíveis, ainda que essa resposta sugira novos estudos.
Os recursos disponíveis para uma
pesquisa
Confira neste vídeo os recursos que podem auxiliar seu processo como
pesquisador, fornecendo ferramentas e estratégias para tornar sua jornada
acadêmica mais eficiente e produtiva.

Instrumentos de pesquisa
Alguns instrumentos, que também funcionam como recursos, podem facilitar e
otimizar as informações durante sua pesquisa, como a utilização de
fichamentos, resumos, diário de bordo, internet e formulários. Vamos conhecer
em detalhes!
Fichamentos
Funcionam como uma reunião de dados de fácil acesso para a conclusão do
trabalho, com tópicos importantes para que o pesquisador mantenha o foco em
questões relevantes durante sua pesquisa bibliográfica.
O importante aqui é centralizar algumas informações que poderiam se perder ao
longo do processo, devido ao volume de leituras e reflexões. As fichas permitem
identificar as obras lidas, as citações,fazer críticas, entre outras possibilidades.
Em todos os casos, as fichas podem ser preparadas nas tradicionais folhas
pautadas, ou de forma mais moderna, em blocos de notas digitais ou similares.
De acordo com Kauark, Manhães e Medeiros (2010), há três tipos principais:
fichas bibliográficas, de conteúdo ou de citações. Vamos conferir!
 Fichas bibliográ�cas
São registros organizados dos principais temas
encontrados nas obras consultadas durante a revisão de
literatura. Ao ler um livro ou artigo, os pesquisadores
encontram informações diretamente relevantes para a
pesquisa. Recomenda-se fazer anotações breves em fichas,
permitindo acesso futuro às informações sem revisitar toda
b I t t i t ít l it ífi
Resumos
Consistem em um importante instrumento de trabalho para o pesquisador,
principalmente durante a revisão bibliográfica. Eles devem conter as principais
informações das obras lidas, destacando as ideias do autor da obra que está
sendo resumida.
Os resumos apresentam:
Ideia central da obra.
a obra. Importante registrar o capítulo ou item específico, e
incluir comentários pessoais ou ideias surgidas durante a
leitura.
 Fichas de conteúdo
Funcionam como resumos. Elaboradas a partir da leitura da
obra, são feitas com as próprias palavras do pesquisador,
sem a necessidade de seguir a estrutura de organização de
itens na obra original.
 Fichas de citações
São reproduções dos trechos que se pretende usar como
citação no trabalho, na linguagem original do autor. Essa
prática facilita reunir citações e referências ao estruturar a
pesquisa posteriormente. Manter uma ficha com citações é
muito importante para evitar a perda de informações e
seguir as diretrizes de referências e citações da ABNT. É
importante registrar o trecho e o ano da obra.
Forma como são acessadas e organizadas as informações.
Ordem em que as informações aparecem no texto original.
Ao ler um resumo, a pessoa deve ser capaz de compreender todos os principais
pontos tratados no livro, artigo ou conteúdo que está sendo resumido, sem
prejuízo de sentido, embora de forma mais sucinta.
Ao adotar o hábito de fazer resumos, o pesquisador:
Se informa melhor do conteúdo que está lendo, porque, para resumir
uma obra, é preciso compreendê-la.
Constrói um acervo pessoal de informações relevantes e mais
acessíveis em uma segunda leitura para organização do seu trabalho.
Diários de bordo
São registros detalhados das percepções do pesquisador ao longo do dia a dia
da pesquisa, especialmente em situações que envolvem observação e
entrevistas em campo. Podem ser mantidos em formato físico, como um
caderno, ou em meio digital.
O principal objetivo é anotar o dia e o local da observação, além de outros
detalhes relevantes, como resultados, fatos e descobertas. O diário de bordo
auxilia o pesquisador a reunir informações importantes e detalhadas após a
imersão durante sua pesquisa.
Os instrumentos viáveis a uma pesquisa
Confira neste vídeo algumas ferramentas e estratégias para tornar seu processo
de investigação mais eficiente e produtivo.

O uso das tecnologias para aplicar
instrumentos de pesquisa
Atualmente é possível contar com recursos e instrumentos de pesquisa mais
modernos e com diferentes possibilidades para potencializar sua pesquisa em
diferentes fases. Em função do avanço tecnológico, muitas ferramentas
facilitadoras estão à disposição do pesquisador.
A internet serve como uma ferramenta de pesquisa que possibilita o acesso a
uma variedade de obras, bancos de dados e recursos que podem impulsionar
significativamente a revisão de literatura, análise de dados e outras etapas da
pesquisa.
Segundo Gerhardt e Silveira (2009), em relação ao uso das tecnologias da
informação e comunicação em pesquisas, sabemos que o maior destaque está
na:
Capacidade de armazenamento
Grande diversidade de informação
Entretanto, para que seu objetivo seja plenamente alcançado, é preciso
considerar algumas questões. Devido ao vasto volume de acervos e informações
acessíveis por meio das tecnologias, o pesquisador enfrenta vários desafios,
como:
Selecionar fontes que sejam confiáveis.
Filtrar as informações, inclusive estabelecendo critérios para este fim.
Analisar a coerência entre a informação acessada e seu problema de
pesquisa.
Uma vez que o pesquisador permanece atento aos seus desafios, um leque de
boas possibilidades se abre, desde o início até o final de sua pesquisa.
Para ilustrar de que forma as ferramentas tecnológicas podem auxiliar, vamos
apresentar alguns exemplos, considerando três fases importantes de um
estudo.
Revisão de literatura
Com o uso cada vez mais frequente das novas tecnologias, a abordagem da
"pesquisa bibliográfica" adquire uma nova dimensão. Agora, para obter
informações atualizadas, é possível realizar pesquisas em bancos de dados,
internet, livros eletrônicos, entre outros recursos. Isso abre novas possibilidades
e facilita o acesso à informação, permitindo que os pesquisadores realizem
consultas de onde estiverem, otimizando seu tempo e ampliando o acesso aos
títulos disponíveis.
Exemplo
Diversas bibliotecas disponibilizam acervos virtuais para busca de forma
remota.
As pesquisas em periódicos estão cada vez mais acessíveis e permitem o
acesso à produção bibliográfica com base em critérios como tema, ano de
publicação, local de publicação e autor. Assim, é possível encontrar e ler
pesquisas bastante recentes, atualizadas, sobre o tema que se pretende estudar.
Dica
O portal de periódicos da Capes disponibiliza acesso livre às produções
nacionais e internacionais.
Coleta/análise de dados
Para esse momento, o pesquisador também pode contar com diferentes
instrumentos. Entre as formas mais utilizadas de coletas de dados, estão o
questionário e a entrevista. Vamos conhecer essas ferramentas!
Supõe conversas diretas entre entrevistador e entrevistado, podendo
acontecer das seguintes formas:
Estruturada, com perguntas prontas.
Não estruturada, que possui perguntas em aberto.
Entrevistas 
Semiestruturada, que embora possua roteiro, tem maior
flexibilidade. 
Não necessitam da interação direta entre entrevistador e entrevistado.
Esse instrumento é elaborado pelo pesquisador e respondido pelo
informante. Deve ter linguagem acessível e coletar dados gerais das
pessoas que irão responder, inclusive esses dados pessoais podem servir
para classificar determinado grupo de respondentes e observar se há
padrões conforme idade, classe social, gênero, entre outros. Os
questionários podem ser impressos ou digitais.
Uma ferramenta facilitadora para a aplicação de questionários são os
formulários on-line, como o Google Forms. Com eles, o pesquisador consegue
disponibilizar seus questionários e acessar as respostas de forma organizada,
otimizando o seu tempo.
Há também as ferramentas utilizadas para o tratamento dos dados, como o
Excel, que organiza informações com tabelas e gráficos. Assim, é possível
acessar a tabulação e visualização de resultados, realizar a contagem
automática de respostas, entre outras funcionalidades.
Divulgação
Tão importante quanto produzir uma boa pesquisa é saber divulgá-la, tornando-a
acessível aos demais pesquisadores e colaborando para o avanço científico na
área. Existem diversas formas para que você divulgue a sua pesquisa, cada meio
estabelece os critérios para publicação.
Dica
O Google Acadêmico é uma das maneiras mais acessíveis de publicar um
estudo. Trata-se de uma ferramenta de busca destinada a estudantes,
professores, pesquisadores e ao público em geral. Por meio dela, é possível
acessar publicações de outros autores e também publicar suas próprias
contribuições.
Questionários 
Há uma série de possibilidades, principalmente com o avanço tecnológico, que
estão colaborando com estudantes e pesquisadores contemporâneos.
Tecnologias digitais e a pesquisa
Confira neste vídeo como as tecnologias digitais podem revolucionar sua
pesquisa, oferecendo recursos inovadorespara coleta, análise e apresentação
de dados.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Os instrumentos de pesquisa funcionam como recursos que ajudam o
pesquisador a se organizar ao longo de todas as etapas de seu estudo. Entre
os exemplos de instrumentos citados, existe um que, de forma mais
particular, irá colaborar para o acesso a informações sobre uma obra que foi
lida durante a revisão de literatura, bem como citações com suas páginas e
obras. Isso ajuda inclusive a organizar as referências de seu trabalho de
acordo com as normas da ABNT, pois é um instrumento que propõe o registro
das informações para este fim.
A qual instrumento de pesquisa o enunciado está se referindo?

A Resumo
Parabéns! A alternativa C está correta.
Os fichamentos podem ser bibliográficos, de conteúdo e de citação. Entre
outras colaborações, esse instrumento de pesquisa auxilia a reunir
informações relevantes sobre as obras lidas, ajudando não somente a
retomar os conceitos principais em um livro ou artigo lido, mas a organizar os
dados de citações a serem acrescentados nas referências do trabalho,
conforme o padrão ABNT. Isso porque, os dados exigidos pela norma podem
ser previamente anotados nas fichas e ficam de fácil acesso posteriormente,
no momento da estruturação e configuração do trabalho. 
Questão 2
O uso das tecnologias da informação e da comunicação tende a favorecer
significativamente o acesso a alguns instrumentos de pesquisa que, cada vez
mais, são ofertados de forma virtual por meio de programas, redes de
buscas, softwares. O uso da internet potencializa muito o acesso a obras
disponíveis virtualmente, inclusive a produção bibliográfica mais recente
sobre determinado tema de pesquisa. Entretanto, é preciso ter atenção a
alguns pontos para que se faça um uso consciente dessa tecnologia.
Assinale a alternativa que contempla alguns pontos de atenção em relação
ao uso das tecnologias, sobretudo a internet, como ferramenta de busca.
B Diário de bordo
C Fichamentos
D Entrevistas
E Questionários
Parabéns! A alternativa D está correta.
O uso da internet para potencializar as buscas de obras que versam sobre
determinado tema consiste em uma ferramenta muito favorável atualmente.
Muitas são as vantagens ao acessar os bancos de dados virtuais, bibliotecas,
obras e até mesmo fazer compras de exemplares que não estão disponíveis
em estantes físicas de livrarias. Porém, é necessário ter atenção ao volume
de informações acessadas nesse universo, e desenvolver a habilidade de
saber filtrar aquilo que, de fato, será pertinente ao seu trabalho. Caso
contrário, corre-se um grande risco de se perder no volume de informações e
ter dificuldade em conduzir sua pesquisa. Outro cuidado mencionado no
texto é saber selecionar fontes confiáveis. Aqui, poderia ser destacado outro
cuidado: atenção ao plágio! Acessar as ideias dos outros é colaborar para a
sua linha de pensamento, mas é necessário utilizar as informações de forma
ética.
A
É preciso saber elencar muitas informações e agregar o maior
número de informações à sua pesquisa.
B
É necessário evitar o uso da internet, pois há muitas fontes
não confiáveis.
C
O pesquisador deve ter atenção e usar somente a biblioteca
virtual de sua instituição.
D
É necessário saber filtrar as informações, conforme seu
problema de pesquisa, bem como selecionar fontes que
sejam mais confiáveis.
E
O pesquisador precisa manter o foco em três fontes da
internet apenas.
Considerações �nais
É fundamental registrar a importância dos primeiros orientadores, que ensinam a
pensar, ter disciplina e escrever corretamente. Graças a eles, agora, já formados,
em um ambiente de intensas e calorosas discussões, de professores e alunos
brilhantes, encontramos solo fértil para começar a fazer pesquisa nas áreas das
chamadas ciências humanas ou ciências sociais. Contagiados pelo vírus do
olhar científico, não conseguimos parar de pesquisar.
Ao aplicar o que aprendeu neste conteúdo, como futuro pesquisador, você deve
identificar a seriedade de uma pesquisa acadêmica e a importância de usar
modelos qualitativos e quantitativos conforme necessário.
Esperamos que se sinta inspirado pelo olhar científico!
Aprofundando conceitos de nosso tema
Neste vídeo vamos aprofundar os principais conceitos de nosso tema.
Explore +
A obra A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências sociais
(1997) apresenta elementos importantes para o aprofundamento do conteúdo
aqui apresentado. Vale conferir!

Leia sobre Émile Durkheim, considerado o pai da sociologia, no artigo que
analisa seu legado, 100 anos sem Durkheim. 100 anos com Durkheim, de R.
Weiss e R. Benthien.
Leia o artigo que destaca o centenário da morte do autor, Wilhelm Dilthey em
novas traduções, de L. Waizbort.
Na obra Apresentação: Max Weber, hoje de L. Waizbort, entenda melhor a
relevância e a atualidade das ideias de Max Weber nos dias de hoje.
Leia A família na obra de Frédéric Le Play, de T. Botelho, e saiba um pouco mais
sobre o sociólogo Frédéric Le Play e seu método de pesquisa.
No artigo O parentesco como consciência humana, de P. Gow, conheça um dos
principais conceitos do antropólogo Lewis H. Morgan.
Conheça uma pesquisa realizada a partir da fundamentação teórica de Franz
Boas e Bronislaw Malinowski no artigo A questão alimentar na trajetória do
pensamento antropológico clássico, de L. Santos.
Para saber mais sobre Ralph Linton, Ruth Benedict e Margaret Mead, leia o texto
Cultura e personalidade, de R. Oliven.
Leia sobre a perspectiva de Clifford Geertz no texto Pode realmente haver uma
ciência natural da ação humana?, de S. Oliveira.
Veja a importância de Ruth Cardoso e Eunice Durham no artigo Ruth Corrêa Leite
Cardoso, de Gilberto Velho, publicado em 2008 na Revista DADOS (IESP-UERJ).
No artigo Pesquisa etnográfica com crianças: participação, voz e ética, de R.
Marchi, é possível perceber a contribuição de Aaron Cicourel e Mariza Peirano.
Conheça mais do trabalho de Maria Isaura Pereira de Queiroz, no artigo Amizade
e memória: Maria Isaura Pereira de Queiroz e Roger Bastide, de G. Villas Boas.
Leia Memória, esquecimento, silêncio, de Michael Pollak, sociólogo e historiador
austríaco, e saiba mais sobre um importante conceito: memória.
Em seu artigo História oral e contemporaneidade, o sociólogo britânico Paul
Thompson desenvolve esse importante conceito em sua produção acadêmica.
A resenha do livro Truques da escrita: para começar e terminar teses, livros e
artigos, de Howard Becker (1928), realizada por C. Lima, mostra como o
sociólogo norte-americano preocupa-se com a temática da produção científica e
escrita acadêmica.
Em seu trabalho Qual a contribuição dos métodos quantitativos em ciências
sociais para o conhecimento da sociedade brasileira?, apresentado no XXV
Encontro Anual da ANPOCS, a pesquisadora Neuma Aguiar já se preocupava
com a integração entre a abordagem quantitativa e qualitativa. Vale a pena
conferir!
Referências
AGUIAR, N. Observação participante e survey: uma experiência de conjugação.
In: NUNES, E. de O. A aventura sociológica: objetividade, paixão, improviso e
método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
BECKER, H. Métodos de pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Hucitec, 1997.
BERQUÓ, E. A família no século XXI. Ciência Hoje. v. 10, n. 58, out. 1989.
CARDOSO, R. Aventuras de antropólogos em campo ou como escapar das
armadilhas do método. In: CARDOSO, R. (org.). A aventura antropológica: teoria e
pesquisa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
CICOUREL, A. Teoria e método em pesquisa de campo. In: ZALUAR, A. (org.).
Desvendando máscaras sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.
DURHAM, E. A pesquisa antropológica com populações urbanas. In: CARDOSO,
R. (org.). A aventura antropológica: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1986.
DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. São Paulo: Nacional, 1985.
GEERTZ,

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