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Prévia do material em texto

<p>Técnicas de</p><p>pesquisa</p><p>Prof.ª Mirian Goldenberg, Prof.ª Monise Nascimento</p><p>Descrição</p><p>Você vai estudar a relevância das técnicas de pesquisa qualitativa e</p><p>quantitativa na produção acadêmica, além da importância da pesquisa</p><p>de campo e da análise de dados em ambas as abordagens,</p><p>enriquecendo o processo de investigação.</p><p>Propósito</p><p>É essencial entender as características das abordagens qualitativa e</p><p>quantitativa de pesquisa para reconhecer como elas se cruzam.</p><p>Também vale ressaltar que a análise de dados da pesquisa de campo</p><p>pode ser útil na pesquisa acadêmica, não importando a abordagem.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Pesquisa quantitativa X Pesquisa qualitativa</p><p>Distinguir pesquisa quantitativa de pesquisa qualitativa, destacando a</p><p>importância da pesquisa de campo no contexto da produção</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 1/51</p><p>acadêmica.</p><p>Módulo 2</p><p>Análise de dados</p><p>Reconhecer a importância de utilizar recursos e instrumentos de</p><p>pesquisa de maneira adequada aos objetivos propostos em um</p><p>estudo científico.</p><p>Módulo 3</p><p>Gerenciamento de recursos e instrumentos</p><p>de pesquisa</p><p>Selecionar eficientemente recursos e ferramentas tecnológicas para</p><p>potencializar todas as etapas da pesquisa acadêmica.</p><p>Introdução</p><p>Quando os cursos presenciais de metodologia de pesquisa</p><p>começam, percebemos nos semblantes dos alunos uma</p><p>profunda desconfiança. Geralmente, questionamos suas</p><p>experiências anteriores com a disciplina e, salvo raríssimas</p><p>exceções, eles concordam que a matéria foi muito</p><p>desinteressante. Com essa recepção, não é fácil começar um</p><p>curso de dezenas de horas, semanas ou meses. Ao final do curso,</p><p>no entanto, sempre encontramos alunos entusiasmados,</p><p>empolgados com seus projetos, e não raro com manifestações</p><p>de carinho e gratidão. Aqui compartilhamos um pouco dessa</p><p>experiência prazerosa em sala de aula e demonstramos que a</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 2/51</p><p>pesquisa científica não é algo reservado apenas para alguns,</p><p>podendo ser exercida em qualquer campo de estudo.</p><p>A metodologia científica é muito mais do que algumas regras de</p><p>como fazer uma pesquisa; ela auxilia a refletir e propicia um novo</p><p>olhar sobre o mundo: um olhar científico, curioso, indagador e</p><p>criativo. Assim, a pesquisa não se reduz a certos procedimentos</p><p>metodológicos. A pesquisa científica exige criatividade,</p><p>disciplina, empatia, flexibilidade, humildade, interesse genuíno,</p><p>organização e sensibilidade, baseando‐se no confronto</p><p>permanente entre o possível e o impossível, entre o</p><p>conhecimento e o desconhecimento.</p><p>Nenhuma pesquisa segue um roteiro totalmente previsível, com</p><p>início, meio e fim claros. É um processo imprevisível, e o</p><p>pesquisador está sempre consciente de que seu conhecimento é</p><p>limitado. Da mesma forma, não há um único modelo de pesquisa.</p><p>Neste material, apresentaremos um dos caminhos possíveis que</p><p>temos explorado, adotando diferentes abordagens de acordo</p><p>com o tema escolhido.</p><p>Todos os pesquisadores precisam estar abertos a um verdadeiro</p><p>debate de ideias. É por meio da discussão de nossas</p><p>descobertas que podemos aprimorar nosso trabalho. A pesquisa</p><p>científica requer uma prática contínua de crítica e autoavaliação.</p><p>Portanto, encare o estudo deste conteúdo como um desafio</p><p>estimulante: uma oportunidade para desenvolver o pensamento</p><p>científico com clareza, criatividade, organização e, sobretudo,</p><p>prazer.</p><p>Podcast</p><p>Ouça e conheça os pilares essenciais da pesquisa científica,</p><p>explorando desde a fundamentação teórica até o uso de recursos</p><p>para facilitar seu processo como pesquisador.</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 3/51</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>1 - Pesquisa quantitativa X Pesquisa qualitativa</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir pesquisa quantitativa de pesquisa</p><p>qualitativa, destacando a importância da pesquisa de campo no contexto da produção</p><p>acadêmica.</p><p>Construindo o problema da pesquisa</p><p>Realizar uma pesquisa implica aprender a organizar as próprias ideias.</p><p>Mais importante do que o tema selecionado é a experiência adquirida</p><p>durante o processo de pesquisa. Trabalhando‐se bem, não existe tema</p><p>que seja tolo ou pouco importante. A pesquisa deve ser entendida como</p><p>uma ocasião singular para fazer alguns exercícios que servirão por toda</p><p>a vida. O trabalho de pesquisa deve ser instigante, mesmo que o objeto</p><p>não pareça ser tão interessante. O que o verdadeiro pesquisador busca</p><p>é o jogo criativo de aprender como pensar e olhar cientificamente.</p><p>Observe que falamos em objeto da pesquisa e não em objetivos. Em</p><p>metodologia científica, o que chamamos objeto da pesquisa é</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 4/51</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>exatamente aquilo que será pesquisado. Já os objetivos de uma</p><p>pesquisa dependerão de muitos fatores, inclusive do tipo de objeto</p><p>pesquisado.</p><p>Qualquer tema ou assunto da atualidade pode ser objeto de</p><p>uma pesquisa cientí�ca.</p><p>É preciso ter estudado muito, possuir uma sólida bagagem teórica e</p><p>muita experiência de pesquisa para enxergar o que outros não</p><p>conseguem ver. O pesquisador experiente descobre assuntos que</p><p>podem parecer banais e os transforma em pesquisas fecundas.</p><p>O desejo de reconhecimento não só leva o cientista a comunicar os</p><p>seus resultados, mas também o influencia na escolha de temas e</p><p>métodos que tornem seu trabalho mais aceitável por seus pares. Quanto</p><p>maior a consciência de suas motivações, mais o pesquisador é capaz</p><p>de evitar os desvios (bias) próprios daqueles que trabalham com a</p><p>ilusão de serem orientados apenas por propósitos científicos.</p><p>Comentário</p><p>Existe uma hierarquia de legitimidade dentro do campo científico</p><p>traçada de acordo com os temas que dão prestígio, recursos para a</p><p>pesquisa, cargos universitários, publicações em editoras prestigiadas</p><p>etc. Assim, falar de “liberdade de escolha” nesse campo é desconsiderar</p><p>as pressões (evidentes ou sutis) às quais o pesquisador</p><p>permanentemente se submete. Tendo consciência de tais pressões,</p><p>muitas dificuldades e contradições podem ser mais bem</p><p>compreendidas na escolha de um assunto e na sua formulação como</p><p>um projeto de pesquisa.</p><p>Na jornada de pesquisa, é fundamental cultivar uma série de atributos</p><p>que moldam tanto o pesquisador quanto seu trabalho. Esses atributos</p><p>podem ser divididos em duas categorias principais: os internos, que se</p><p>referem às características pessoais do indivíduo, e os externos, que</p><p>dependem da sua formação científica. Vamos entender melhor!</p><p>Encontramos uma gama de qualidades que definem a</p><p>abordagem e o comportamento do pesquisador:</p><p>Clareza na formulação de ideias e comunicação.</p><p>Concentração para manter o foco durante o processo de</p><p>pesquisa.</p><p>Atributos internos </p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 5/51</p><p>Criatividade para explorar novas abordagens e soluções.</p><p>Curiosidade para investigar questões profundamente.</p><p>Delicadeza no tratamento das informações e de pessoas</p><p>envolvidas.</p><p>Disciplina para manter uma rotina eficaz de trabalho.</p><p>Empatia para compreender as perspectivas dos outros.</p><p>Equilíbrio emocional diante dos desafios e resultados.</p><p>Flexibilidade para adaptar-se a mudanças e imprevistos.</p><p>Humildade para reconhecer limitações e aprender com os</p><p>outros.</p><p>Iniciativa para buscar novas oportunidades e soluções.</p><p>Interesse genuíno nas questões estudadas.</p><p>Objetividade na análise e interpretação dos dados.</p><p>Organização para gerenciar eficientemente o processo de</p><p>pesquisa.</p><p>Paciência para lidar com os prazos e contratempos.</p><p>Paixão pelo tema de estudo e pela própria pesquisa.</p><p>Respeito ao entrevistado e aos participantes</p><p>de sua instituição.</p><p>D</p><p>É necessário saber filtrar as informações, conforme</p><p>seu problema de pesquisa, bem como selecionar</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 46/51</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>O uso da internet para potencializar as buscas de obras que versam</p><p>sobre determinado tema consiste em uma ferramenta muito</p><p>favorável atualmente. Muitas são as vantagens ao acessar os</p><p>bancos de dados virtuais, bibliotecas, obras e até mesmo fazer</p><p>compras de exemplares que não estão disponíveis em estantes</p><p>físicas de livrarias. Porém, é necessário ter atenção ao volume de</p><p>informações acessadas nesse universo, e desenvolver a habilidade</p><p>de saber filtrar aquilo que, de fato, será pertinente ao seu trabalho.</p><p>Caso contrário, corre-se um grande risco de se perder no volume de</p><p>informações e ter dificuldade em conduzir sua pesquisa. Outro</p><p>cuidado mencionado no texto é saber selecionar fontes confiáveis.</p><p>Aqui, poderia ser destacado outro cuidado: atenção ao plágio!</p><p>Acessar as ideias dos outros é colaborar para a sua linha de</p><p>pensamento, mas é necessário utilizar as informações de forma</p><p>ética.</p><p>Considerações �nais</p><p>É fundamental registrar a importância dos primeiros orientadores, que</p><p>ensinam a pensar, ter disciplina e escrever corretamente. Graças a eles,</p><p>agora, já formados, em um ambiente de intensas e calorosas</p><p>discussões, de professores e alunos brilhantes, encontramos solo fértil</p><p>para começar a fazer pesquisa nas áreas das chamadas ciências</p><p>humanas ou ciências sociais. Contagiados pelo vírus do olhar científico,</p><p>não conseguimos parar de pesquisar.</p><p>Ao aplicar o que aprendeu neste conteúdo, como futuro pesquisador,</p><p>você deve identificar a seriedade de uma pesquisa acadêmica e a</p><p>importância de usar modelos qualitativos e quantitativos conforme</p><p>necessário.</p><p>Esperamos que se sinta inspirado pelo olhar científico!</p><p>fontes que sejam mais confiáveis.</p><p>E</p><p>O pesquisador precisa manter o foco em três fontes</p><p>da internet apenas.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 47/51</p><p>Aprofundando conceitos de nosso</p><p>tema</p><p>Neste vídeo vamos aprofundar os principais conceitos de nosso tema.</p><p></p><p>Explore +</p><p>A obra A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em</p><p>ciências sociais (1997) apresenta elementos importantes para o</p><p>aprofundamento do conteúdo aqui apresentado. Vale conferir!</p><p>Leia sobre Émile Durkheim, considerado o pai da sociologia, no artigo</p><p>que analisa seu legado, 100 anos sem Durkheim. 100 anos com</p><p>Durkheim, de R. Weiss e R. Benthien.</p><p>Leia o artigo que destaca o centenário da morte do autor, Wilhelm</p><p>Dilthey em novas traduções, de L. Waizbort.</p><p>Na obra Apresentação: Max Weber, hoje de L. Waizbort, entenda melhor</p><p>a relevância e a atualidade das ideias de Max Weber nos dias de hoje.</p><p>Leia A família na obra de Frédéric Le Play, de T. Botelho, e saiba um</p><p>pouco mais sobre o sociólogo Frédéric Le Play e seu método de</p><p>pesquisa.</p><p>No artigo O parentesco como consciência humana, de P. Gow, conheça</p><p>um dos principais conceitos do antropólogo Lewis H. Morgan.</p><p>Conheça uma pesquisa realizada a partir da fundamentação teórica de</p><p>Franz Boas e Bronislaw Malinowski no artigo A questão alimentar na</p><p>trajetória do pensamento antropológico clássico, de L. Santos.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 48/51</p><p>Para saber mais sobre Ralph Linton, Ruth Benedict e Margaret Mead, leia</p><p>o texto Cultura e personalidade, de R. Oliven.</p><p>Leia sobre a perspectiva de Clifford Geertz no texto Pode realmente</p><p>haver uma ciência natural da ação humana?, de S. Oliveira.</p><p>Veja a importância de Ruth Cardoso e Eunice Durham no artigo Ruth</p><p>Corrêa Leite Cardoso, de Gilberto Velho, publicado em 2008 na Revista</p><p>DADOS (IESP-UERJ).</p><p>No artigo Pesquisa etnográfica com crianças: participação, voz e ética,</p><p>de R. Marchi, é possível perceber a contribuição de Aaron Cicourel e</p><p>Mariza Peirano.</p><p>Conheça mais do trabalho de Maria Isaura Pereira de Queiroz, no artigo</p><p>Amizade e memória: Maria Isaura Pereira de Queiroz e Roger Bastide,</p><p>de G. Villas Boas.</p><p>Leia Memória, esquecimento, silêncio, de Michael Pollak, sociólogo e</p><p>historiador austríaco, e saiba mais sobre um importante conceito:</p><p>memória.</p><p>Em seu artigo História oral e contemporaneidade, o sociólogo britânico</p><p>Paul Thompson desenvolve esse importante conceito em sua produção</p><p>acadêmica.</p><p>A resenha do livro Truques da escrita: para começar e terminar teses,</p><p>livros e artigos, de Howard Becker (1928), realizada por C. Lima, mostra</p><p>como o sociólogo norte-americano preocupa-se com a temática da</p><p>produção científica e escrita acadêmica.</p><p>Em seu trabalho Qual a contribuição dos métodos quantitativos em</p><p>ciências sociais para o conhecimento da sociedade brasileira?,</p><p>apresentado no XXV Encontro Anual da ANPOCS, a pesquisadora</p><p>Neuma Aguiar já se preocupava com a integração entre a abordagem</p><p>quantitativa e qualitativa. Vale a pena conferir!</p><p>Referências</p><p>AGUIAR, N. Observação participante e survey: uma experiência de</p><p>conjugação. In: NUNES, E. de O. A aventura sociológica: objetividade,</p><p>paixão, improviso e método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar,</p><p>1978.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 49/51</p><p>BECKER, H. Métodos de pesquisa em ciências sociais. São Paulo:</p><p>Hucitec, 1997.</p><p>BERQUÓ, E. A família no século XXI. Ciência Hoje. v. 10, n. 58, out. 1989.</p><p>CARDOSO, R. Aventuras de antropólogos em campo ou como escapar</p><p>das armadilhas do método. In: CARDOSO, R. (org.). A aventura</p><p>antropológica: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.</p><p>CICOUREL, A. Teoria e método em pesquisa de campo. In: ZALUAR, A.</p><p>(org.). Desvendando máscaras sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves,</p><p>1980.</p><p>DURHAM, E. A pesquisa antropológica com populações urbanas. In:</p><p>CARDOSO, R. (org.). A aventura antropológica: teoria e pesquisa. Rio de</p><p>Janeiro: Paz e Terra, 1986.</p><p>DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. São Paulo: Nacional,</p><p>1985.</p><p>GEERTZ, E. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.</p><p>GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de pesquisa. Planejamento e</p><p>gestão para o desenvolvimento rural da SEAD/UFRGS. Porto Alegre:</p><p>Editora da UFRGS, 2009.</p><p>KAUARK, F.; MANHÃES, F. C.; MEDEIROS, C. H. Metodologia da pesquisa:</p><p>guia prático. Itabuna, BA: Via Litterarum, 2010.</p><p>GOLDENBERG, M. A outra. Rio de Janeiro: Record, 1990.</p><p>LACERDA, G. B. Augusto Comte e o "positivismo" redescoberto. Revista</p><p>de Sociologia e Política, v. 1, n. 34, p. 319-343, out. 2009.</p><p>MALINOWSKI, B. Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Abril</p><p>Cultural, 1978.</p><p>PEIRANO, M. A favor da etnografia. Rio de Janeiro: Relume Dumará,</p><p>1995.</p><p>POLLAK, M. Le Témoignage. Actes de la recherche en sciences sociales.</p><p>L’illusion biographique. v. 62-63, jun. 1986.</p><p>QUEIROZ, M. I. P. Variações sobre a técnica de gravador no registro da</p><p>informação viva. São Paulo: CERU e FFLCH/USP, 1983.</p><p>THOMPSON, P. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e</p><p>Terra, 1992.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 50/51</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 51/51</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>da</p><p>pesquisa.</p><p>Saber escutar ativamente para absorver diferentes</p><p>perspectivas.</p><p>Tranquilidade para enfrentar os desafios sem se deixar</p><p>abalar.</p><p>Estão relacionados ao conhecimento técnico e à expertise do</p><p>pesquisador:</p><p>Bom domínio da teoria relevante ao campo de estudo.</p><p>Domínio das técnicas de pesquisa, incluindo métodos e</p><p>ferramentas.</p><p>Boa escrita para comunicar os resultados de forma clara e</p><p>persuasiva.</p><p>Experiência com pesquisa que fortalece a habilidade de</p><p>enfrentar desafios.</p><p>Capacidade de relacionar os dados empíricos coletados</p><p>com a teoria, proporcionando insights significativos.</p><p>As principais etapas da pesquisa científica envolvem a concepção de</p><p>um tema de estudo, a coleta de dados, a apresentação de um relatório</p><p>com os resultados e, em alguns casos, a aplicação dos resultados. O</p><p>Atributos externos </p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 6/51</p><p>passo inicial está ligado à formulação do problema e consequente</p><p>definição do objeto da pesquisa.</p><p>O primeiro passo é tornar o problema concreto e explícito pelos meios a</p><p>seguir.</p><p>Imersão sistemática no assunto.</p><p>Estudo da literatura existente.</p><p>Discussão com pessoas que acumularam experiência prática no</p><p>campo de estudo.</p><p>A boa resposta depende da boa pergunta. O pesquisador deve estar</p><p>consciente da importância da pergunta que faz e deve saber colocar as</p><p>questões necessárias para o sucesso de sua pesquisa.</p><p>O pesquisador, ao escolher seu objeto de estudo, deve analisar alguns</p><p>detalhes. Veja!</p><p> Primeiro passo</p><p>Identificar um tema preciso (recorte do objeto).</p><p> Segundo passo</p><p>Escolher e organizar o tempo de trabalho.</p><p> Terceiro passo</p><p>Realizar a pesquisa bibliográfica (revisão da</p><p>literatura).</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 7/51</p><p>Para isso, o objeto de estudo deve responder aos interesses do</p><p>pesquisador e ter as fontes de consulta acessíveis e de fácil manuseio.</p><p>Quanto mais se recorta o tema, com mais segurança e criatividade se</p><p>trabalha. O estudo científico deve ser claro, interessante e objetivo, tanto</p><p>para as pessoas familiarizadas com o assunto quanto para as que não</p><p>são.</p><p>Muitos acadêmicos se perdem em parágrafos herméticos que não são</p><p>compreendidos nem pelos seus pares. O pesquisador não precisa</p><p>utilizar termos obscuros para se mostrar profundo. A profundidade e a</p><p>seriedade do estudo podem ser mais bem percebidas se o pesquisador</p><p>utilizar uma linguagem compreensível para o maior número de alunos e</p><p>leitores.</p><p>A pesquisa apresenta diferentes fases. Vamos conhecê-las!</p><p>Lembra uma paquera entre dois adolescentes. É o momento em</p><p>que se tenta descobrir algo sobre o objeto de desejo, quem mais</p><p>escreveu (ou se interessou) sobre ele, como poderia haver uma</p><p>aproximação, qual a melhor abordagem (ou metodologia) entre</p><p>todas as possíveis para conquistar esse objeto.</p><p> Quarto passo</p><p>Organizar e analisar o material selecionado.</p><p> Quinto passo</p><p>Fazer com que o leitor compreenda o seu estudo e</p><p>possa recorrer aos resultados caso queira dar</p><p>continuidade à pesquisa.</p><p>Fase exploratória </p><p>Fase de elaboração </p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 8/51</p><p>Equivale ao namoro, quando há maior compromisso e que exige</p><p>um conhecimento mais profundo, uma dedicação quase</p><p>exclusiva ao objeto de paixão. É a fase de elaboração do projeto</p><p>de pesquisa, quando o estudioso mergulha de fato no tema</p><p>estudado.</p><p>É como um casamento, em que a pesquisa exige fidelidade,</p><p>dedicação, atenção ao seu cotidiano, que é feito de altos e</p><p>baixos. O pesquisador deve resolver os problemas que vão</p><p>aparecendo, desde os mais simples (como se vestir para realizar</p><p>as entrevistas) até os mais necessários (como garantir a verba</p><p>para a execução da pesquisa).</p><p>Equivale à separação, em que o pesquisador precisa se</p><p>distanciar do seu objeto para escrever o relatório final da</p><p>pesquisa. É a fase em que se deve examinar o objeto com o</p><p>máximo de criticidade possível, fazendo rupturas conceituais e</p><p>sugerindo novas direções para pesquisas futuras. É o momento</p><p>de enxergar tanto as falhas quanto as virtudes desse objeto tão</p><p>familiar e caro ao pesquisador.</p><p>Relevância da pesquisa na vida</p><p>acadêmica</p><p>Confira neste vídeo a importância da vida acadêmica e da clareza do</p><p>problema pesquisado.</p><p>Fase de resolução de problemas </p><p>Fase de diagnóstico </p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 9/51</p><p>Pesquisa quantitativa X Pesquisa</p><p>qualitativa</p><p>Características de uma pesquisa</p><p>Durante muito tempo, as ciências se pautavam por um modelo</p><p>quantitativo de pesquisa, em que a veracidade de um estudo era</p><p>constatada pela quantidade de pesquisados. Muitos pesquisadores, no</p><p>entanto, questionaram a representatividade e o caráter de objetividade</p><p>com que a pesquisa quantitativa se revestia.</p><p>É preciso aceitar o fato de que, mesmo nas pesquisas</p><p>quantitativas, a subjetividade do pesquisador está</p><p>presente.</p><p>Existe um autor, um sujeito que decide os passos a serem dados, seja</p><p>na escolha do tema, dos entrevistados, seja no roteiro de perguntas, na</p><p>bibliografia consultada e na análise do material coletado.</p><p>Na pesquisa qualitativa, a preocupação do pesquisador não é com a</p><p>quantidade de indivíduos, mas com o aprofundamento da compreensão</p><p>de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, de uma</p><p>trajetória etc.</p><p>Ao se pensar nas origens da pesquisa qualitativa em ciências sociais,</p><p>corre‐se o risco de se perder em um caminho longo demais que,</p><p>procurando as origens das origens, não chega jamais ao fim. Poderia</p><p>chegar a Heródoto (495 AEC-425 AEC) que, descrevendo a guerra entre</p><p>a Pérsia e a Grécia, dedicou-se a esboçar os costumes, as vestimentas,</p><p>as armas, os barcos, os tabus alimentares e as cerimônias religiosas</p><p>dos persas e dos povos vizinhos.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 10/51</p><p>Heródoto</p><p>Uma boa reflexão sobre a importância de Heródoto nesse contexto, bem</p><p>como um ótimo exemplo de pesquisa podem ser encontrados no artigo O</p><p>selvagem e a História: Heródoto e a questão do Outro, de Klaas Woortmann.</p><p>Comentário</p><p>Vamos elucidar o debate entre a sociologia positivista e a sociologia</p><p>compreensiva, situando o uso de métodos qualitativos de pesquisa nas</p><p>ciências sociais.</p><p>Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa em pesquisa se</p><p>opõem a ideia de um modelo único de pesquisa para todas as ciências,</p><p>baseado no modelo de estudo das ciências da natureza. Esses</p><p>pesquisadores se recusam a legitimar seus conhecimentos por</p><p>processos quantificáveis que venham a se transformar em leis e</p><p>explicações gerais. Os pesquisadores qualitativistas recusam o modelo</p><p>positivista aplicado ao estudo da vida social e afirmam que as ciências</p><p>sociais têm sua especificidade, o que pressupõe uma metodologia</p><p>própria.</p><p>Antes de prosseguirmos com a abordagem qualitativa, vamos analisar</p><p>as ideias de dois importantes representantes do modelo positivista.</p><p>Acompanhe!</p><p>Augusto Comte</p><p>Autor dos famosos Sistema de filosofia positiva (1830-1842) e</p><p>Catecismo positivista (1852), o fundador do positivismo defendia a</p><p>unidade de todas as ciências e a aplicação da abordagem científica na</p><p>realidade social humana. Com base em critérios de abstração,</p><p>complexidade e relevância prática, Comte propôs uma hierarquia das</p><p>ciências, na qual a matemática era considerada a mais importante e a</p><p>sociologia, ou "física social", a menos importante, precedida, em ordem</p><p>decrescente, pela astronomia, física, química e biologia. Segundo</p><p>Comte, cada ciência dependia do progresso da que a precedia. Assim, a</p><p>sociologia não poderia existir sem a biologia, que por sua vez dependia</p><p>da química, e assim por diante.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio#</p><p>11/51</p><p>Retrato de Augusto Comte.</p><p>Segundo a perspectiva de que o objeto das ciências sociais deve ser</p><p>estudado como o das ciências físicas, a pesquisa é uma atividade</p><p>neutra e objetiva, que busca descobrir regularidades ou leis, em que o</p><p>pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus</p><p>preconceitos e suas crenças contaminem a pesquisa.</p><p>Émile Durkheim</p><p>Assim como Comte, o chamado pai da sociologia também se</p><p>posicionou a favor da unidade das ciências, preocupado com a ordem</p><p>na sociedade e com a primazia da sociedade sobre o indivíduo.</p><p>Tomando “os fatos sociais como coisas”, Durkheim (1985) defendia que</p><p>o social é real e externo ao indivíduo, ou seja, o fenômeno social, como o</p><p>fenômeno físico, é independente da consciência humana e verificável</p><p>pela experiência dos sentidos e da observação.</p><p>Retrato de Émile Durkheim.</p><p>Durkheim acreditava que os fatos sociais só poderiam ser explicados</p><p>por outros fatos sociais, e não por fatos psicológicos ou biológicos,</p><p>como pretendiam alguns pensadores de seu tempo. Defendendo a visão</p><p>da ciência social como neutra e objetiva, na qual sujeito e objeto do</p><p>conhecimento estão radicalmente separados, Durkheim teve uma</p><p>influência decisiva para que as ciências sociais adotassem o método</p><p>científico das ciências naturais.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 12/51</p><p>Sociologia compreensiva</p><p>Na segunda metade do século passado, alguns pensadores,</p><p>influenciados pelo idealismo de Kant, reagiram criticamente ao modelo</p><p>positivista de conhecimento aplicado às ciências sociais, acreditando</p><p>que o estudo da realidade social por meio de métodos de outras</p><p>ciências poderia destruir a própria essência dessa realidade, já que</p><p>esquecia a dimensão de liberdade e individualidade do ser humano.</p><p>A sociologia compreensiva, distinguindo “natureza” de “cultura”, mostrou</p><p>que era necessário, para estudar os fenômenos sociais, um</p><p>procedimento metodológico diferente daquele utilizado nas ciências</p><p>físicas e matemáticas.</p><p>Wilhelm Dilthey</p><p>Filósofo alemão que criticava o uso da metodologia das ciências</p><p>naturais pelas ciências sociais, em função da diferença fundamental</p><p>entre seus objetos de estudo. Nas primeiras, os cientistas lidam com</p><p>objetos externos passíveis de serem conhecidos de forma objetiva,</p><p>enquanto nas ciências sociais lidam com emoções, valores,</p><p>subjetividades. Essa diferença se traduz em diferenças nos objetivos e</p><p>nos métodos de pesquisa.</p><p>Retrato de Wilhelm Dilthey.</p><p>Para Dilthey, os fatos sociais não são suscetíveis de quantificação, já</p><p>que cada um deles tem um sentido próprio, diferente dos demais, e isso</p><p>torna necessário que cada caso concreto seja compreendido em sua</p><p>singularidade. Portanto, as ciências sociais devem se preocupar com a</p><p>compreensão de casos particulares e não com a formulação de leis</p><p>generalizantes, como fazem as ciências naturais.</p><p>Max Weber</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 13/51</p><p>É o maior representante da chamada sociologia compreensiva. Para ele,</p><p>o principal interesse da ciência social era o comportamento significativo</p><p>dos indivíduos engajados na ação social, ou seja, o comportamento ao</p><p>qual os indivíduos agregam significado considerando o comportamento</p><p>de outros indivíduos.</p><p>Retrato de Max Weber.</p><p>Os cientistas sociais, que pesquisam os significados das ações sociais</p><p>de outros indivíduos e deles próprios, são sujeito e objeto de suas</p><p>pesquisas. Nessa perspectiva — que se opõe à visão positivista de</p><p>objetividade e de separação radical entre sujeito e objeto da pesquisa —,</p><p>é natural que cientistas sociais se interessem por pesquisar aquilo que</p><p>valorizam. Esses cientistas buscam compreender os valores, as</p><p>crenças, as motivações e os sentimentos humanos, compreensão que</p><p>só pode ocorrer se a ação for colocada dentro de um contexto de</p><p>significado.</p><p>Fundamentação da pesquisa teórica</p><p>Confira neste vídeo a importância da fundamentação teórica para</p><p>embasar suas pesquisas, garantindo solidez e credibilidade aos seus</p><p>resultados acadêmicos.</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 14/51</p><p>Pesquisa de campo</p><p>A discussão que diferencia as ciências sociais das demais ciências</p><p>físicas, contextualiza o surgimento e o desenvolvimento das técnicas e</p><p>dos métodos qualitativos de pesquisa social. Veja as descobertas de</p><p>alguns antropólogos a respeito desse tipo de pesquisa.</p><p>Frédéric Le Play</p><p>Contemporâneo de Comte, ele foi um dos primeiros a estudar a</p><p>realidade social dentro de uma perspectiva científica que considerava a</p><p>observação direta, controlável e objetiva da sociedade como o método</p><p>mais adequado à pesquisa social. Em La Réforme Sociale en France</p><p>(1864), Le Play expõe o método das monografias, que se caracteriza por</p><p>ser uma técnica, ordenada e metódica, de observação direta da</p><p>sociedade.</p><p>Pepita de ouro.</p><p>Trouxe de sua experiência de mineralogista, na qual estava habituado a</p><p>colher amostras de jazidas para serem analisadas, a preocupação de</p><p>observar diretamente e analisar sistematicamente as famílias operárias</p><p>localizadas em diferentes países da Europa onde pesquisou. De seus</p><p>registros minuciosos e ordenados, resultou um conjunto de monografias</p><p>reunidas em Les ouvriers européens (1855).</p><p>Morgan, Boas e Malinowski</p><p>No final do século XIX e início do século XX, os estudos dos</p><p>antropólogos nas sociedades chamadas então de “primitivas” foram</p><p>determinantes para o desenvolvimento das técnicas de pesquisa que</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 15/51</p><p>permitem recolher diretamente observações e informações sobre a</p><p>cultura nativa.</p><p>As sociedades estudadas diretamente por esses antropólogos eram</p><p>sociedades sem escrita, longínquas, isoladas, de pequenas dimensões,</p><p>com reduzida especialização das atividades sociais, tendo sido</p><p>classificadas como simples ou primitivas em contraste com a</p><p>organização complexa das sociedades dos pesquisadores.</p><p>O primeiro antropólogo a conviver com os nativos foi o americano Lewis</p><p>Henry Morgan, um dos mais expressivos representantes do pensamento</p><p>evolucionista. Jurista de formação, em 1851 publicou The League of</p><p>Hodénosaunee, or Iroquois, considerado o primeiro tratado científico de</p><p>etnografia.</p><p>No entanto, foram os trabalhos de campo de Franz Boas e Bronislaw</p><p>Malinowski, entre 1883 e 1902, e, particularmente, a expedição às Ilhas</p><p>Trobriand, que consagraram a ideia de que os antropólogos deveriam</p><p>passar um longo período na sociedade que estão estudando para</p><p>encontrar e interpretar seus próprios dados, em vez de depender dos</p><p>relatos dos viajantes, como faziam os chamados “antropólogos de</p><p>gabinete”.</p><p>Retrato de Franz Boas.</p><p>Nos primeiros 30 anos do século XX, o trabalho de campo passou a</p><p>orientar as pesquisas antropológicas. Boas, um geógrafo de formação,</p><p>crítico radical dos antropólogos evolucionistas, ensinou que no campo</p><p>tudo deveria ser anotado meticulosamente e que um costume só tem</p><p>significado se estiver relacionado ao seu contexto particular. Ensinou</p><p>também o relativismo cultural, no qual o pesquisador deveria estudar as</p><p>culturas com um mínimo de preconceitos etnocêntricos.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 16/51</p><p>Para Boas, o que constitui o “gênio próprio” de um povo repousa sobre</p><p>as experiências individuais e, portanto, o objetivo do pesquisador é</p><p>compreender a vida do indivíduo dentro da própria sociedade em que</p><p>vive.</p><p>A primeira experiência de campo de Malinowski foi em 1914, entre os</p><p>mailu, na Melanésia. Impedido de voltar à Inglaterra no início da Primeira</p><p>Guerra Mundial, ele começou sua pesquisa nas Ilhas Trobriand, de 1915</p><p>a 1916, retornando em 1917 para viver com os nativos por mais um ano.</p><p>Essa longa convivência</p><p>com os nativos teve uma influência decisiva na</p><p>inovação do método de pesquisa antropológica.</p><p>Malinowski demonstrou que o comportamento nativo não é irracional,</p><p>mas se explica por uma lógica própria que precisa ser descoberta pelo</p><p>pesquisador. Colocou em prática a observação participante, criando um</p><p>modelo do que deve ser o trabalho de campo: o pesquisador, por meio</p><p>Quem foi Franz Boas?</p><p>Resposta</p><p>Foi o grande mestre da antropologia</p><p>americana na primeira metade do século XX.</p><p>Formou toda uma geração de antropólogos</p><p>importantes no campo, como Ralph Linton,</p><p>Ruth Benedict e Margaret Mead,</p><p>considerados representantes da</p><p>antropologia cultural americana, que utiliza</p><p>métodos e técnicas de pesquisa qualitativa</p><p>somados a modelos conceituais próximos</p><p>da psicologia e da psicanálise. São de</p><p>autoria de Boas muitos trabalhos clássicos,</p><p>inclusive Raça, linguagem e cultura —</p><p>provavelmente o mais enfático texto</p><p>antirracista a surgir do mundo acadêmico</p><p>em sua época.</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 17/51</p><p>de uma estada de longa duração, deve mergulhar profundamente na</p><p>cultura nativa, impregnando‐se da mentalidade nativa. Deve viver, falar,</p><p>pensar e sentir como os nativos. Portanto, a convivência íntima com os</p><p>nativos passou a ser considerada o melhor instrumento de que o</p><p>antropólogo dispõe para compreender “de dentro” o significado das</p><p>lógicas particulares características de cada cultura.</p><p>Grande parte da renovação das ciências sociais se deve às influências</p><p>(diretas ou indiretas) dos métodos de pesquisa de Malinowski.</p><p>Argonauts of the Western Pacific provocou uma verdadeira ruptura</p><p>metodológica na antropologia, priorizando a observação direta e a</p><p>experiência pessoal do pesquisador no campo. Publicado em 1922, é</p><p>um verdadeiro tratado sobre o trabalho de campo.</p><p>Fundamentação da pesquisa de</p><p>campo</p><p>Comprenda neste vídeo a importância de fundamentar sua pesquisa de</p><p>campo, que é essencial para análises precisas e conclusões</p><p>embasadas.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Sobre o conceito de pesquisa estudado neste material, considere as</p><p>seguintes afirmações:</p><p>I. A pesquisa não é uma ação isolada, mas uma oportunidade de</p><p>fazer exercícios que servirão por toda a vida.</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 18/51</p><p>II. O autêntico pesquisador compreende a pesquisa como um jogo</p><p>que lhe proporciona a criatividade e o desenvolvimento do olhar</p><p>científico.</p><p>III. Ainda que o objeto não seja ou não pareça interessante, é</p><p>preciso que o trabalho do pesquisador seja instigante.</p><p>IV. Não é qualquer tema ou assunto da atualidade que pode ser</p><p>objeto de uma pesquisa científica.</p><p>V. Mesmo temas do cotidiano e banais, dependendo da experiência</p><p>do pesquisador, podem se tornar grandes e profundas pesquisas.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Qualquer tema ou assunto da atualidade pode ser objeto de uma</p><p>pesquisa científica. A pesquisa não é uma ação isolada, mas uma</p><p>oportunidade de fazer exercícios que servirão por toda a vida. O</p><p>autêntico pesquisador compreende a pesquisa como um jogo que</p><p>lhe proporciona a criatividade e o desenvolvimento do olhar</p><p>científico. Ainda que o objeto não seja ou não pareça interessante, é</p><p>preciso que o trabalho do pesquisador seja instigante. Mesmo</p><p>temas do cotidiano e banais, dependendo da experiência do</p><p>pesquisador, podem se tornar grandes e profundas pesquisas.</p><p>Questão 2</p><p>A I, II, IV e V.</p><p>B II, III, IV e V.</p><p>C I, II e III.</p><p>D I, II, III e V.</p><p>E III, IV e V.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 19/51</p><p>Para este pensador, os fatos sociais somente podem ser explicados</p><p>por outros fatos sociais e não por explicações psicológicas ou</p><p>biológicas, diferenciando-se de muitos outros pensadores de sua</p><p>época. A adoção do método científico nas ciências sociais tem,</p><p>com certeza, a sua influência direta e determinante. Esse pensador</p><p>é</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>Um fato social é qualquer comportamento, seja ele estabelecido ou</p><p>não, que tem o poder de influenciar um indivíduo externamente; ou</p><p>seja, qualquer padrão de comportamento que seja comum em uma</p><p>sociedade e que tenha uma existência própria, independente das</p><p>ações individuais. O fato social é tudo o que se produz na e pela</p><p>sociedade, ou ainda, aquilo que interessa e afeta o grupo de alguma</p><p>forma (Durkheim, 1985).</p><p>A Durkheim.</p><p>B Comte.</p><p>C Malinowski.</p><p>D Dilthey.</p><p>E Weber.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 20/51</p><p>2 - Análise de dados</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância de utilizar recursos e</p><p>instrumentos de pesquisa de maneira adequada aos objetivos propostos em um estudo</p><p>cientí�co.</p><p>Análise dos dados: da coleta à</p><p>interpretação</p><p>Como acontece a pesquisa de campo</p><p>Agora, vamos explorar mais a pesquisa de campo e seu processo. Isso</p><p>ajudará você a encontrar a melhor metodologia para realizá-la quando</p><p>estiver elaborando seu próprio projeto de pesquisa ou mesmo já</p><p>buscando os dados de seu objeto. Para isso, continuaremos</p><p>aproveitando a experiência antropológica citada.</p><p>Malinowski sugeriu três questões para o trabalho de campo. Vejamos!</p><p>O que os nativos dizem sobre o que fazem?</p><p>O que realmente fazem?</p><p>O que pensam a respeito do que fazem?</p><p>Malinowski buscou respostas a essas questões através do contato</p><p>íntimo com a vida nativa, registrando suas observações no diário de</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 21/51</p><p>campo e se esforçando para compreender o ponto de vista dos nativos.</p><p>Para Malinowski, a antropologia era a chave para</p><p>entendermos melhor a nós mesmos, através do estudo</p><p>dos povos “primitivos".</p><p>A rica experiência de campo de Malinowski, assim como suas propostas</p><p>metodológicas, influenciaram decisivamente a aplicação de técnicas e</p><p>métodos de pesquisa qualitativa em ciências sociais.</p><p>Malinowski em pesquisa de campo com nativos das Ilhas Trobriand.</p><p>Na década de 1970, surge nos EUA a antropologia interpretativa,</p><p>inspirada na ideia weberiana de que a observação dos fatos sociais</p><p>deve levar à compreensão (e não a um conjunto de leis). Um dos</p><p>principais representantes da abordagem interpretativa é Clifford Geertz,</p><p>que propõe um modelo de análise cultural hermenêutico. Segundo ele, o</p><p>antropólogo deve fazer uma descrição em profundidade (descrição</p><p>densa) das culturas como “textos” vividos, como teias de significados</p><p>que devem ser interpretados.</p><p>De acordo com Geertz (1978), os “textos” antropológicos são</p><p>interpretações sobre as interpretações nativas, já que os nativos</p><p>produzem interpretações de sua própria experiência. Essa perspectiva</p><p>se traduz em um permanente questionamento do antropólogo a respeito</p><p>dos limites de sua capacidade de conhecer o grupo que estuda, e na</p><p>necessidade de expor, em seu texto, suas dúvidas, perplexidades e os</p><p>caminhos que levaram à sua interpretação, percebida sempre como</p><p>parcial e provisória.</p><p>Geertz inspirou a tendência atual da chamada antropologia reflexiva (ou</p><p>pós‐interpretativa), que propõe uma autorreflexão a respeito do trabalho</p><p>de campo nos seus aspectos morais e epistemológicos. Essa</p><p>antropologia questiona a autoridade do texto antropológico e propõe</p><p>que o resultado da pesquisa não seja fruto da observação pura e</p><p>simples, mas de um diálogo e de uma negociação de pontos de vista</p><p>entre pesquisador e pesquisados.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 22/51</p><p>Retrato de Clifford Geertz.</p><p>Partindo do princípio de que o ato de compreender está ligado ao</p><p>universo existencial humano, as abordagens qualitativas</p><p>não se</p><p>preocupam em fixar leis para se produzir generalizações. Os dados da</p><p>pesquisa qualitativa objetivam uma compreensão profunda de certos</p><p>fenômenos sociais apoiados no pressuposto da maior relevância do</p><p>aspecto subjetivo da ação social. Contrapõem‐se, assim, à incapacidade</p><p>da estatística de dar conta dos fenômenos complexos e da</p><p>singularidade dos fenômenos que não podem ser identificados por meio</p><p>de questionários padronizados.</p><p>Atenção!</p><p>Enquanto os métodos quantitativos lidam com uma população de</p><p>objetos comparáveis, os métodos qualitativos destacam as</p><p>particularidades de um fenômeno em relação ao seu significado para o</p><p>grupo estudado. É como mergulhar profundamente em um grupo para</p><p>explorar questões importantes relacionadas ao tema em estudo.</p><p>O reconhecimento da especificidade das ciências sociais conduz à</p><p>elaboração de um método que permita o tratamento da subjetividade e</p><p>da singularidade dos fenômenos sociais. Com esses pressupostos</p><p>básicos, a representatividade dos dados na pesquisa qualitativa em</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 23/51</p><p>ciências sociais está relacionada à sua capacidade de possibilitar a</p><p>compreensão do significado e a descrição densa dos fenômenos</p><p>estudados em seus contextos, e não à sua expressividade numérica.</p><p>A quantidade é, então, substituída pela intensidade, pela imersão</p><p>profunda — por meio da observação participante por um longo período,</p><p>das entrevistas em profundidade, da análise de diferentes fontes que</p><p>possam ser cruzadas — que atinge níveis de compreensão que não</p><p>podem ser alcançados por meio de uma pesquisa quantitativa.</p><p>O pesquisador qualitativo buscará casos exemplares que possam ser</p><p>reveladores da cultura em que estão inseridos. O número de pessoas é</p><p>menos importante do que a insistência em enxergar a questão sob</p><p>várias perspectivas. Observar aspectos diferentes, sob enfoques</p><p>diversos, pode não só contribuir para reduzir o bias da pesquisa, como</p><p>também propiciar uma compreensão mais profunda do problema</p><p>estudado.</p><p>Representação da diversidade e complexidade dos fenômenos sociais abordados na pesquisa</p><p>qualitativa em ciências sociais.</p><p>Grande parte dos problemas metodológicos da pesquisa qualitativa é</p><p>decorrente da tentativa de se ter como referência o modelo positivista</p><p>das ciências naturais, não se considerando a especificidade dos objetos</p><p>de estudo das ciências sociais. Os dados qualitativos consistem em</p><p>descrições detalhadas de situações, com o objetivo de compreender os</p><p>indivíduos em seus próprios termos. Esses dados não são padronizáveis</p><p>como os dados quantitativos, obrigando o pesquisador a ter flexibilidade</p><p>e criatividade no momento de coletá‐los e analisá‐los.</p><p>Duas pesquisadoras destacam-se nesse cenário. Vamos conhecê-las!</p><p>Aponta para a falta de uma crítica teórico‐metodológica</p><p>consistente no campo das ciências sociais e para algumas das</p><p>armadilhas e limitações das pesquisas qualitativas. A autora</p><p>Ruth Cardoso (1986) </p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 24/51</p><p>descreve um “indisfarçado pragmatismo”, que dominou as</p><p>ciências sociais contemporâneas e desqualificou o debate sobre</p><p>os compromissos teóricos que cada método exige.</p><p>Retrato de Ruth Cardoso.</p><p>Mostra a preocupação dos pesquisadores em descobrirem uma</p><p>aplicação imediata e direta dos resultados de sua pesquisa que</p><p>beneficie a população estudada. Sem deixar de ver como</p><p>necessária a identificação do pesquisador com seu objeto,</p><p>porque sem ela é impossível a compreensão “de dentro”. Durham</p><p>alerta para o perigo de explicar a sociedade apenas através das</p><p>categorias "nativas", sem uma análise científica crítica e sem</p><p>reflexão teórica e metodológica sobre a postura do cientista</p><p>social.</p><p>Retrato de Eunice Durham.</p><p>Aaron Cicourel, Mariza Peirano e Maria Isaura Pereira de Queiroz</p><p>apresentam importantes alertas:</p><p>Cicourel (1980) já havia advertido para o perigo de o pesquisador</p><p>ficar tão envolvido com o grupo estudado que poderia se tornar um</p><p>“nativo”, sem compreender as consequências dessa “conversão”</p><p>Eunice Durham (1986) </p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 25/51</p><p>para os objetivos da pesquisa, como “tornar‐se cego para muitas</p><p>questões importantes cientificamente”. Cicourel aponta para as</p><p>faltas de regras processuais claras que definam o papel do</p><p>pesquisador no campo desde o momento de sua inserção.</p><p>Peirano (1995), em A favor da etnografia, afirma que não se pode</p><p>ensinar a fazer pesquisa de campo como se ensinam os métodos</p><p>estatísticos, as técnicas de surveys (tipo de investigação</p><p>quantitativa, baseada principalmente na coleta de dados), a</p><p>aplicação de questionário. A pesquisa qualitativa depende da</p><p>biografia do pesquisador, das opções teóricas, do contexto mais</p><p>amplo e das imprevisíveis situações que ocorrem no dia a dia da</p><p>pesquisa. Um dos principais problemas a ser enfrentado na</p><p>pesquisa qualitativa diz respeito à possível contaminação dos seus</p><p>resultados em função da personalidade do pesquisador e de seus</p><p>valores. O pesquisador interfere nas respostas do grupo ou do</p><p>indivíduo que pesquisa. A melhor maneira de controlar essa</p><p>interferência é ter a consciência de como sua presença afeta o</p><p>grupo e até que ponto esse fato pode ser minimizado ou, inclusive,</p><p>analisado como dado da pesquisa.</p><p>Queiroz (1983) enfatiza que a omissão de fatos, de ocorrências, de</p><p>detalhes pode ser tão significativa quanto a sua inclusão nos</p><p>depoimentos. Para a autora, o importante não é verificar se o</p><p>entrevistado conhece ou não o fato, mas sim buscar saber por que</p><p>razão ele o havia esquecido, ou o havia ocultado, ou simplesmente</p><p>dele não tivera registro.</p><p>O pesquisador deve estabelecer um difícil equilíbrio para não ir além do</p><p>que pode perguntar, mas, também, não ficar aquém do possível. Além</p><p>disso, a memória é seletiva, a lembrança diz respeito ao passado, mas</p><p>se atualiza sempre a partir de um ponto do presente.</p><p>As lembranças não são falsas ou verdadeiras, simplesmente contam o</p><p>passado através dos olhos de quem o vivenciou. Um trabalho de</p><p>negociação e compromisso que consiste em interpretar, ordenar ou</p><p>rejeitar (temporária ou definitivamente) toda experiência vivida de</p><p>maneira a torná‐la coerente com uma identidade construída, como</p><p>afirma Michael Pollak (1896).</p><p>Existem algumas qualidades essenciais que o pesquisador deve possuir</p><p>para ter sucesso em suas entrevistas: interesse real e respeito pelos</p><p>seus pesquisados, flexibilidade e criatividade para explorar novos</p><p>problemas em sua pesquisa, capacidade de demonstrar compreensão e</p><p>simpatia por eles, sensibilidade para saber o momento de encerrar uma</p><p>entrevista ou sair de cena e, como lembra Paul Thompson (1992),</p><p>principalmente, disposição para ficar calado e ouvir.</p><p>Atenção!</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 26/51</p><p>Thompson, ao analisar a situação de entrevista, afirma que quem não</p><p>consegue parar de falar nem resistir à tentação de discordar do</p><p>informante e de impor suas próprias ideias, obterá informações inúteis</p><p>ou enganosas.</p><p>Howard Becker, sociólogo norte-americano que fez grandes</p><p>contribuições à sociologia do desvio, sociologia da arte e sociologia da</p><p>música, admite que, no lugar de procedimentos uniformes, prefere um</p><p>modelo artesanal de ciência, no qual cada pesquisador produz as</p><p>teorias e técnicas necessárias para o trabalho que está sendo feito.</p><p>Becker (1997) alerta que a escolha das teorias que orientam a pesquisa</p><p>também está contaminada pelas preferências e dificuldades do</p><p>pesquisador, já que uma organização ou um grupo pode ser visto de</p><p>muitas maneiras diferentes, nenhuma delas certa ou errada, visto que</p><p>são alternativas possíveis e talvez complementares. Não é possível</p><p>formular regras precisas sobre as técnicas de</p><p>é o estudo realizado por Neuma Aguiar no Cariri, uma</p><p>região no sul do Ceará. Esse estudo aborda os modos de organização</p><p>social da produção e a transformação de três tipos de matéria‐prima.</p><p>A pesquisadora observou as atividades envolvidas na produção do</p><p>milho, do barro e da mandioca, assim como as representações</p><p>elaboradas pelos próprios trabalhadores. Aguiar (1978) afirma que os</p><p>dados da observação participante são profundos, pois atingem níveis de</p><p>compreensão dos fatos sociais não alcançados pelos surveys.</p><p>Plantação de milho.</p><p>Por outro lado, os dados dos surveys atingem um nível de mensuração</p><p>que a observação participante não pode atingir. A autora propõe que um</p><p>modo de superar a dificuldade de generalização dos dados qualitativos</p><p>e a dificuldade de interpretação das correlações alcançadas pelos</p><p>surveys seja tentar integrar os dois métodos.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 31/51</p><p>Para aumentar a variabilidade dos dados a fim de situar o fenômeno</p><p>estudado em um contexto mais abrangente, Aguiar propõe que as</p><p>categorias relevantes, selecionadas por meio do processo de</p><p>observação participante, sejam empregadas de modo amplo e</p><p>sistemático com a utilização do questionário. Durante seis meses, a</p><p>autora estudou, mediante observação participante, duas indústrias de</p><p>produtos cerâmicos e duas indústrias de farinha de milho. Também</p><p>recolheu, por intermédio de entrevistas e documentos, dados sobre uma</p><p>fábrica de fécula de mandioca que havia fechado. Foram aplicados,</p><p>depois disso, 250 questionários.</p><p>Atenção!</p><p>A autora afirma que sua pesquisa não visa apenas à generalização,</p><p>destacando a importância da observação participante para explorar o</p><p>tema, levantar hipóteses e questionar as categorias do vocabulário dos</p><p>trabalhadores. Essa abordagem também ajudou a especificar conceitos</p><p>e perguntas para os questionários. Aguiar demonstra que ao combinar o</p><p>survey com a observação participante, foi possível ir além das</p><p>generalizações sobre o processo de industrialização na região,</p><p>permitindo entender as representações dos trabalhadores sobre suas</p><p>atividades.</p><p>Outro exemplo de integração de dados qualitativos e quantitativos é a</p><p>pesquisa da professora Miriam Goldenberg (1990) sobre amantes de</p><p>homens casados. Foram realizadas entrevistas em profundidade com</p><p>oito mulheres, em um primeiro estudo. Em seguida, foram entrevistados</p><p>nove homens casados que refletiram sobre as suas experiências</p><p>extraconjugais. Por fim, realizou-se um estudo de caso, em que foram</p><p>entrevistados o homem casado, sua amante e toda a sua família (pai,</p><p>mãe, duas irmãs e um irmão). Além desses dados qualitativos, foram</p><p>fundamentais para as conclusões as análises demográficas feitas por</p><p>Elza Berquó, a partir dos dados do censo de 1980.</p><p>Gráfico: Homens e mulheres casados com mais de 65 anos, conforme os dados do censo de 1980.</p><p>Berquó (1989), uma das fundadoras da Associação Brasileira de</p><p>Estudos Populacionais (Abep) observou que apenas 32% das mulheres</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 32/51</p><p>com mais de 65 anos estavam casadas, em comparação com 76% dos</p><p>homens. A maior mortalidade dos homens e o fato de o homem</p><p>brasileiro se casar com mulheres mais jovens geram esse desequilíbrio.</p><p>As mulheres teriam, assim, chances iguais aos homens somente até os</p><p>30 anos, no máximo. Berquó levanta a hipótese de que no Brasil exista</p><p>uma poligamia disfarçada, já que as mulheres sem possibilidades de</p><p>casamento acabam se unindo a homens casados.</p><p>Nesse caso, apenas para ilustrar, os dados quantitativos revelam uma</p><p>realidade demográfica e as entrevistas em profundidade retratam como</p><p>cada mulher vivencia essa situação. É interessante como as</p><p>entrevistadas se queixam de que “falta homem no mercado”,</p><p>constatação que pode ser facilmente verificada pelos dados do censo.</p><p>Os dados do IBGE sobre idade, sexo e estado civil foram usados para</p><p>pensar situações complexas, não quantificáveis, como a situação de ser</p><p>amante de um homem casado. Esses dados ajudaram a interpretar o</p><p>discurso e a compreender a situação de forma mais ampla.</p><p>Interpretados à luz da questão, Goldenberg concluiu (1990) que as</p><p>mulheres têm menos chances de casar, e essa pode ser uma possível</p><p>explicação para a situação da amante. Sem os dados do IBGE, a</p><p>pesquisadora poderia se restringir às explicações dos pesquisados: a</p><p>ideia de que o fato de ser amante deve corresponder a um tipo</p><p>determinado de personalidade de mulher “que não se valoriza” ou que</p><p>“não quer compromisso”. A integração dos dados quantitativos e</p><p>qualitativos permite verificar a tensão existente entre a escolha</p><p>individual e o campo de possibilidades das mulheres que são amantes</p><p>de homens casados.</p><p>Resumindo</p><p>Por meio dessa análise detalhada, fica evidente que tanto o exame</p><p>quanto a interpretação dos dados quantitativos e qualitativos podem</p><p>aprimorar a compreensão do problema investigado. O suposto conflito</p><p>entre pesquisa qualitativa e quantitativa é infundado. Cada vez mais, os</p><p>pesquisadores reconhecem a importância de utilizar todas as</p><p>ferramentas e técnicas disponíveis para uma compreensão abrangente</p><p>do problema em estudo.</p><p>Pesquisa quantitativa X Pesquisa</p><p>qualitativa</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 33/51</p><p>Compreenda neste vídeo as principais características de cada</p><p>abordagem e como elas se diferenciam na coleta e análise de dados.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Este pensador marcou a história e a conceituação da pesquisa ao</p><p>apresentar sua teoria de que é no trabalho de campo, no contato</p><p>íntimo com o cotidiano dos nativos, na vivência diária e com os</p><p>registros de todas as atividades que será possível obter as</p><p>respostas para as principais questões que envolvem as</p><p>interrogações acerca da vida dos nativos. Este pensador é</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A Durkheim.</p><p>B Comte.</p><p>C Malinowski.</p><p>D Dilthey.</p><p>E Weber.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 34/51</p><p>Para Malinowski, o trabalho de campo possibilita a compreensão do</p><p>estado mais primitivo do objeto de estudo. Ele influenciou</p><p>decisivamente a pesquisa ao apresentar sua proposta investigativa</p><p>de campo com a aplicação de técnicas específicas de pesquisa,</p><p>principalmente no diário de campo, que deve conter o relato das</p><p>observações. Ele é um dos representantes da pesquisa qualitativa</p><p>em ciências sociais.</p><p>Questão 2</p><p>Este pensador não aceitava a generalização na compreensão dos</p><p>fenômenos. Por isso, afirmava que o método quantitativo defendido</p><p>pelo positivismo somente poderia ser proveitoso se não</p><p>obscurecesse a compreensão. Afirma ele em seu livro Metodologia</p><p>das ciências sociais (2001): “Não há um ‘agir racional’ sem a</p><p>experimentação de regras referentes ao decurso histórico que</p><p>apenas podem ser percebidas e elaboradas mediante uma</p><p>percepção e observação objetivantes”. Este pensador é</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Max Weber defendia a pesquisa qualitativa e, por isso, questionou a</p><p>validade do método positivista das metodologias das ciências</p><p>sociais como uma física social capaz de compreender os</p><p>fenômenos sem generalizá-los.</p><p>A Malinowski.</p><p>B Durkheim.</p><p>C Comte.</p><p>D Weber.</p><p>E Dilthey.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 35/51</p><p>3 - Gerenciamento de recursos e instrumentos de pesquisa</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de selecionar e�cientemente recursos e ferramentas</p><p>tecnológicas para potencializar todas as etapas da pesquisa acadêmica.</p><p>Recursos como estratégia de</p><p>pesquisa</p><p>Para a pesquisa, há diversos recursos disponíveis, incluindo ferramentas</p><p>tecnológicas que podem facilitar várias etapas da investigação.</p><p>Ao</p><p>iniciar um estudo, o pesquisador geralmente encontra motivação</p><p>através do interesse pelo tema ou objeto. Esse interesse pode surgir por:</p><p>Razões pessoais.</p><p>Razões acadêmicas.</p><p>Lacuna na literatura existente sobre o assunto.</p><p>Esses fatores impulsionam a investigação, fundamentados no interesse</p><p>e curiosidade do pesquisador. Por outro lado, é necessário que o</p><p>trabalho tenha relevância para outras pessoas, apresentando novas</p><p>provocações sobre o tema ou sugira novos caminhos de análise. Assim,</p><p>o pesquisador deve produzir algo que seja significativo e colabore para</p><p>as reflexões na área, não sendo apenas “mais do mesmo”.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 36/51</p><p>Durante todas as fases da pesquisa, certos recursos são essenciais,</p><p>tanto para realizar cada etapa da investigação quanto para apresentar</p><p>um trabalho significativo. Enfrentar desafios é uma parte natural desse</p><p>processo, independentemente do quão interessado o pesquisador seja</p><p>pelo objeto de estudo. Portanto, o pesquisador deve recorrer aos</p><p>recursos mais adequados em cada momento de seu trabalho.</p><p>Agora, vamos conferir alguns dos recursos internos e externos mais</p><p>importantes à condução da pesquisa:</p><p>Recursos internos: a motivação, o interesse, a persistência, a</p><p>dedicação e o interesse pelo seu trabalho.</p><p>Recursos externos: a literatura disponível sobre o tema, os recursos</p><p>tecnológicos que auxiliam desde a concepção até a divulgação dos</p><p>resultados, entre outros.</p><p>Uma estratégia fundamental para todo pesquisador é estabelecer a</p><p>relação direta entre seu problema de pesquisa e o emprego adequado</p><p>dos recursos pertinentes ao desenvolvimento dela.</p><p>Algumas vezes, temos recursos interessantes e atrativos, mas que não</p><p>condizem com a realidade do nosso trabalho. Por isso, o processo de</p><p>gerenciar o que se tem disponível é empregar recursos em favor do seu</p><p>objetivo, porque a carência ou abundância de recursos pode impor</p><p>limitações ou abrir novas possibilidades para sua pesquisa.</p><p>Exemplo</p><p>Quando há escassez de literatura disponível sobre o tema ou quando o</p><p>tempo é curto para abordagens metodológicas mais extensas.</p><p>Mesmo diante do cenário de escassez de produção literária sobre seu</p><p>tema, você pode desenvolver um trabalho muito relevante, inclusive</p><p>porque vai colaborar para que se amplie um acervo carente de</p><p>contribuições.</p><p>Porém, como provavelmente você precisará recorrer a fontes de</p><p>pesquisa menos acessíveis, precisará de mais tempo para desenvolver a</p><p>pesquisa. Portanto, mesmo diante da falta de algum recurso, você pode</p><p>se destacar, mas é necessário avaliar o todo.</p><p>Sobre o tema e sua relação com o gerenciamento dos recursos, é</p><p>importante registrar o seguinte. Observe!</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 37/51</p><p>Na escolha do tema, deve-se</p><p>considerar a quantidade de</p><p>atividades a ser cumprida para</p><p>executar o trabalho, avaliando o</p><p>tempo disponível para tal,</p><p>subtraindo deste aquele</p><p>necessariamente dedicado às</p><p>atividades cotidianas,</p><p>estabelecendo assim o limite das</p><p>capacidades do pesquisador em</p><p>relação ao tema pretendido.</p><p>(Kauark; Manhães; Medeiros, 2010, p. 46)</p><p>Nesse sentido, o pesquisador, desde a fase inicial da pesquisa, deve</p><p>começar a pensar nos recursos que possui e como pode utilizá-los da</p><p>melhor forma, propondo um estudo que possa ser executado de forma</p><p>coerente.</p><p>Assim, estabelecer um recorte claro sobre o que se quer estudar dentro</p><p>do tema de pesquisa é começar a delimitar seu problema e direcionar o</p><p>olhar para um campo ou pergunta que possa ser respondida tendo em</p><p>vista os recursos disponíveis, ainda que essa resposta sugira novos</p><p>estudos.</p><p>Os recursos disponíveis para uma</p><p>pesquisa</p><p>Confira neste vídeo os recursos que podem auxiliar seu processo como</p><p>pesquisador, fornecendo ferramentas e estratégias para tornar sua</p><p>jornada acadêmica mais eficiente e produtiva.</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 38/51</p><p>Instrumentos de pesquisa</p><p>Alguns instrumentos, que também funcionam como recursos, podem</p><p>facilitar e otimizar as informações durante sua pesquisa, como a</p><p>utilização de fichamentos, resumos, diário de bordo, internet e</p><p>formulários. Vamos conhecer em detalhes!</p><p>Fichamentos</p><p>Funcionam como uma reunião de dados de fácil acesso para a</p><p>conclusão do trabalho, com tópicos importantes para que o</p><p>pesquisador mantenha o foco em questões relevantes durante sua</p><p>pesquisa bibliográfica.</p><p>O importante aqui é centralizar algumas informações que poderiam se</p><p>perder ao longo do processo, devido ao volume de leituras e reflexões.</p><p>As fichas permitem identificar as obras lidas, as citações, fazer críticas,</p><p>entre outras possibilidades. Em todos os casos, as fichas podem ser</p><p>preparadas nas tradicionais folhas pautadas, ou de forma mais</p><p>moderna, em blocos de notas digitais ou similares.</p><p>De acordo com Kauark, Manhães e Medeiros (2010), há três tipos</p><p>principais: fichas bibliográficas, de conteúdo ou de citações. Vamos</p><p>conferir!</p><p> Fichas bibliográ�cas</p><p>São registros organizados dos principais temas</p><p>encontrados nas obras consultadas durante a</p><p>revisão de literatura. Ao ler um livro ou artigo, os</p><p>pesquisadores encontram informações diretamente</p><p>relevantes para a pesquisa. Recomenda-se fazer</p><p>anotações breves em fichas, permitindo acesso</p><p>futuro às informações sem revisitar toda a obra.</p><p>Importante registrar o capítulo ou item específico, e</p><p>incluir comentários pessoais ou ideias surgidas</p><p>durante a leitura.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 39/51</p><p>Resumos</p><p>Consistem em um importante instrumento de trabalho para o</p><p>pesquisador, principalmente durante a revisão bibliográfica. Eles devem</p><p>conter as principais informações das obras lidas, destacando as ideias</p><p>do autor da obra que está sendo resumida.</p><p>Os resumos apresentam:</p><p>Ideia central da obra.</p><p>Forma como são acessadas e organizadas as informações.</p><p>Ordem em que as informações aparecem no texto original.</p><p>Ao ler um resumo, a pessoa deve ser capaz de compreender todos os</p><p>principais pontos tratados no livro, artigo ou conteúdo que está sendo</p><p>resumido, sem prejuízo de sentido, embora de forma mais sucinta.</p><p>Ao adotar o hábito de fazer resumos, o pesquisador:</p><p> Fichas de conteúdo</p><p>Funcionam como resumos. Elaboradas a partir da</p><p>leitura da obra, são feitas com as próprias palavras</p><p>do pesquisador, sem a necessidade de seguir a</p><p>estrutura de organização de itens na obra original.</p><p> Fichas de citações</p><p>São reproduções dos trechos que se pretende usar</p><p>como citação no trabalho, na linguagem original do</p><p>autor. Essa prática facilita reunir citações e</p><p>referências ao estruturar a pesquisa</p><p>posteriormente. Manter uma ficha com citações é</p><p>muito importante para evitar a perda de</p><p>informações e seguir as diretrizes de referências e</p><p>citações da ABNT. É importante registrar o trecho e</p><p>o ano da obra.</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 40/51</p><p>Se informa melhor do conteúdo que está lendo, porque, para</p><p>resumir uma obra, é preciso compreendê-la.</p><p>Constrói um acervo pessoal de informações relevantes e mais</p><p>acessíveis em uma segunda leitura para organização do seu</p><p>trabalho.</p><p>Diários de bordo</p><p>São registros detalhados das percepções do pesquisador ao longo do</p><p>dia a dia da pesquisa, especialmente em situações que envolvem</p><p>observação e entrevistas em campo. Podem ser mantidos em formato</p><p>físico, como um caderno, ou em meio digital.</p><p>O principal objetivo é anotar o dia e o local da observação, além de</p><p>outros detalhes relevantes, como resultados, fatos e descobertas. O</p><p>diário de bordo auxilia o pesquisador a reunir informações importantes e</p><p>detalhadas após a imersão durante sua pesquisa.</p><p>Os instrumentos viáveis a uma</p><p>pesquisa</p><p>Confira neste vídeo algumas</p><p>ferramentas e estratégias para tornar seu</p><p>processo de investigação mais eficiente e produtivo.</p><p>O uso das tecnologias para aplicar</p><p>instrumentos de pesquisa</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 41/51</p><p>Atualmente é possível contar com recursos e instrumentos de pesquisa</p><p>mais modernos e com diferentes possibilidades para potencializar sua</p><p>pesquisa em diferentes fases. Em função do avanço tecnológico, muitas</p><p>ferramentas facilitadoras estão à disposição do pesquisador.</p><p>A internet serve como uma ferramenta de pesquisa que possibilita o</p><p>acesso a uma variedade de obras, bancos de dados e recursos que</p><p>podem impulsionar significativamente a revisão de literatura, análise de</p><p>dados e outras etapas da pesquisa.</p><p>Segundo Gerhardt e Silveira (2009), em relação ao uso das tecnologias</p><p>da informação e comunicação em pesquisas, sabemos que o maior</p><p>destaque está na:</p><p>Capacidade de armazenamento</p><p>Grande diversidade de informação</p><p>Entretanto, para que seu objetivo seja plenamente alcançado, é preciso</p><p>considerar algumas questões. Devido ao vasto volume de acervos e</p><p>informações acessíveis por meio das tecnologias, o pesquisador</p><p>enfrenta vários desafios, como:</p><p>Selecionar fontes que sejam confiáveis.</p><p>Filtrar as informações, inclusive estabelecendo critérios para este</p><p>fim.</p><p>Analisar a coerência entre a informação acessada e seu problema</p><p>de pesquisa.</p><p>Uma vez que o pesquisador permanece atento aos seus desafios, um</p><p>leque de boas possibilidades se abre, desde o início até o final de sua</p><p>pesquisa.</p><p>Para ilustrar de que forma as ferramentas tecnológicas podem auxiliar,</p><p>vamos apresentar alguns exemplos, considerando três fases</p><p>importantes de um estudo.</p><p>Revisão de literatura</p><p>Com o uso cada vez mais frequente das novas tecnologias, a</p><p>abordagem da "pesquisa bibliográfica" adquire uma nova dimensão.</p><p>Agora, para obter informações atualizadas, é possível realizar pesquisas</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 42/51</p><p>em bancos de dados, internet, livros eletrônicos, entre outros recursos.</p><p>Isso abre novas possibilidades e facilita o acesso à informação,</p><p>permitindo que os pesquisadores realizem consultas de onde estiverem,</p><p>otimizando seu tempo e ampliando o acesso aos títulos disponíveis.</p><p>Exemplo</p><p>Diversas bibliotecas disponibilizam acervos virtuais para busca de</p><p>forma remota.</p><p>As pesquisas em periódicos estão cada vez mais acessíveis e permitem</p><p>o acesso à produção bibliográfica com base em critérios como tema,</p><p>ano de publicação, local de publicação e autor. Assim, é possível</p><p>encontrar e ler pesquisas bastante recentes, atualizadas, sobre o tema</p><p>que se pretende estudar.</p><p>Dica</p><p>O portal de periódicos da Capes disponibiliza acesso livre às produções</p><p>nacionais e internacionais.</p><p>Coleta/análise de dados</p><p>Para esse momento, o pesquisador também pode contar com diferentes</p><p>instrumentos. Entre as formas mais utilizadas de coletas de dados,</p><p>estão o questionário e a entrevista. Vamos conhecer essas ferramentas!</p><p>Supõe conversas diretas entre entrevistador e entrevistado,</p><p>podendo acontecer das seguintes formas:</p><p>Estruturada, com perguntas prontas.</p><p>Não estruturada, que possui perguntas em aberto.</p><p>Semiestruturada, que embora possua roteiro, tem maior</p><p>flexibilidade.</p><p>Não necessitam da interação direta entre entrevistador e</p><p>entrevistado. Esse instrumento é elaborado pelo pesquisador e</p><p>respondido pelo informante. Deve ter linguagem acessível e</p><p>Entrevistas </p><p>Questionários </p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 43/51</p><p>coletar dados gerais das pessoas que irão responder, inclusive</p><p>esses dados pessoais podem servir para classificar determinado</p><p>grupo de respondentes e observar se há padrões conforme</p><p>idade, classe social, gênero, entre outros. Os questionários</p><p>podem ser impressos ou digitais.</p><p>Uma ferramenta facilitadora para a aplicação de questionários são os</p><p>formulários on-line, como o Google Forms. Com eles, o pesquisador</p><p>consegue disponibilizar seus questionários e acessar as respostas de</p><p>forma organizada, otimizando o seu tempo.</p><p>Há também as ferramentas utilizadas para o tratamento dos dados,</p><p>como o Excel, que organiza informações com tabelas e gráficos. Assim,</p><p>é possível acessar a tabulação e visualização de resultados, realizar a</p><p>contagem automática de respostas, entre outras funcionalidades.</p><p>Divulgação</p><p>Tão importante quanto produzir uma boa pesquisa é saber divulgá-la,</p><p>tornando-a acessível aos demais pesquisadores e colaborando para o</p><p>avanço científico na área. Existem diversas formas para que você</p><p>divulgue a sua pesquisa, cada meio estabelece os critérios para</p><p>publicação.</p><p>Dica</p><p>O Google Acadêmico é uma das maneiras mais acessíveis de publicar</p><p>um estudo. Trata-se de uma ferramenta de busca destinada a</p><p>estudantes, professores, pesquisadores e ao público em geral. Por meio</p><p>dela, é possível acessar publicações de outros autores e também</p><p>publicar suas próprias contribuições.</p><p>Há uma série de possibilidades, principalmente com o avanço</p><p>tecnológico, que estão colaborando com estudantes e pesquisadores</p><p>contemporâneos.</p><p>Tecnologias digitais e a pesquisa</p><p>Confira neste vídeo como as tecnologias digitais podem revolucionar</p><p>sua pesquisa, oferecendo recursos inovadores para coleta, análise e</p><p></p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 44/51</p><p>apresentação de dados.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Os instrumentos de pesquisa funcionam como recursos que</p><p>ajudam o pesquisador a se organizar ao longo de todas as etapas</p><p>de seu estudo. Entre os exemplos de instrumentos citados, existe</p><p>um que, de forma mais particular, irá colaborar para o acesso a</p><p>informações sobre uma obra que foi lida durante a revisão de</p><p>literatura, bem como citações com suas páginas e obras. Isso ajuda</p><p>inclusive a organizar as referências de seu trabalho de acordo com</p><p>as normas da ABNT, pois é um instrumento que propõe o registro</p><p>das informações para este fim.</p><p>A qual instrumento de pesquisa o enunciado está se referindo?</p><p>A Resumo</p><p>B Diário de bordo</p><p>C Fichamentos</p><p>D Entrevistas</p><p>E Questionários</p><p>02/09/24, 11:07 Técnicas de pesquisa</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00962/index.html?brand=estacio# 45/51</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>Os fichamentos podem ser bibliográficos, de conteúdo e de citação.</p><p>Entre outras colaborações, esse instrumento de pesquisa auxilia a</p><p>reunir informações relevantes sobre as obras lidas, ajudando não</p><p>somente a retomar os conceitos principais em um livro ou artigo</p><p>lido, mas a organizar os dados de citações a serem acrescentados</p><p>nas referências do trabalho, conforme o padrão ABNT. Isso porque,</p><p>os dados exigidos pela norma podem ser previamente anotados</p><p>nas fichas e ficam de fácil acesso posteriormente, no momento da</p><p>estruturação e configuração do trabalho.</p><p>Questão 2</p><p>O uso das tecnologias da informação e da comunicação tende a</p><p>favorecer significativamente o acesso a alguns instrumentos de</p><p>pesquisa que, cada vez mais, são ofertados de forma virtual por</p><p>meio de programas, redes de buscas, softwares. O uso da internet</p><p>potencializa muito o acesso a obras disponíveis virtualmente,</p><p>inclusive a produção bibliográfica mais recente sobre determinado</p><p>tema de pesquisa. Entretanto, é preciso ter atenção a alguns pontos</p><p>para que se faça um uso consciente dessa tecnologia.</p><p>Assinale a alternativa que contempla alguns pontos de atenção em</p><p>relação ao uso das tecnologias, sobretudo a internet, como</p><p>ferramenta de busca.</p><p>A</p><p>É preciso saber elencar muitas informações e</p><p>agregar o maior número de informações à sua</p><p>pesquisa.</p><p>B</p><p>É necessário evitar o uso da internet, pois há muitas</p><p>fontes não confiáveis.</p><p>C</p><p>O pesquisador deve ter atenção e usar somente a</p><p>biblioteca virtual</p>de sua instituição.
D
É necessário saber filtrar as informações, conforme
seu problema de pesquisa, bem como selecionar
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Parabéns! A alternativa D está correta.
O uso da internet para potencializar as buscas de obras que versam
sobre determinado tema consiste em uma ferramenta muito
favorável atualmente. Muitas são as vantagens ao acessar os
bancos de dados virtuais, bibliotecas, obras e até mesmo fazer
compras de exemplares que não estão disponíveis em estantes
físicas de livrarias. Porém, é necessário ter atenção ao volume de
informações acessadas nesse universo, e desenvolver a habilidade
de saber filtrar aquilo que, de fato, será pertinente ao seu trabalho.
Caso contrário, corre-se um grande risco de se perder no volume de
informações e ter dificuldade em conduzir sua pesquisa. Outro
cuidado mencionado no texto é saber selecionar fontes confiáveis.
Aqui, poderia ser destacado outro cuidado: atenção ao plágio!
Acessar as ideias dos outros é colaborar para a sua linha de
pensamento, mas é necessário utilizar as informações de forma
ética.
Considerações �nais
É fundamental registrar a importância dos primeiros orientadores, que
ensinam a pensar, ter disciplina e escrever corretamente. Graças a eles,
agora, já formados, em um ambiente de intensas e calorosas
discussões, de professores e alunos brilhantes, encontramos solo fértil
para começar a fazer pesquisa nas áreas das chamadas ciências
humanas ou ciências sociais. Contagiados pelo vírus do olhar científico,
não conseguimos parar de pesquisar.
Ao aplicar o que aprendeu neste conteúdo, como futuro pesquisador,
você deve identificar a seriedade de uma pesquisa acadêmica e a
importância de usar modelos qualitativos e quantitativos conforme
necessário.
Esperamos que se sinta inspirado pelo olhar científico!
fontes que sejam mais confiáveis.
E
O pesquisador precisa manter o foco em três fontes
da internet apenas.
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Aprofundando conceitos de nosso
tema
Neste vídeo vamos aprofundar os principais conceitos de nosso tema.

Explore +
A obra A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em
ciências sociais (1997) apresenta elementos importantes para o
aprofundamento do conteúdo aqui apresentado. Vale conferir!
Leia sobre Émile Durkheim, considerado o pai da sociologia, no artigo
que analisa seu legado, 100 anos sem Durkheim. 100 anos com
Durkheim, de R. Weiss e R. Benthien.
Leia o artigo que destaca o centenário da morte do autor, Wilhelm
Dilthey em novas traduções, de L. Waizbort.
Na obra Apresentação: Max Weber, hoje de L. Waizbort, entenda melhor
a relevância e a atualidade das ideias de Max Weber nos dias de hoje.
Leia A família na obra de Frédéric Le Play, de T. Botelho, e saiba um
pouco mais sobre o sociólogo Frédéric Le Play e seu método de
pesquisa.
No artigo O parentesco como consciência humana, de P. Gow, conheça
um dos principais conceitos do antropólogo Lewis H. Morgan.
Conheça uma pesquisa realizada a partir da fundamentação teórica de
Franz Boas e Bronislaw Malinowski no artigo A questão alimentar na
trajetória do pensamento antropológico clássico, de L. Santos.
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Para saber mais sobre Ralph Linton, Ruth Benedict e Margaret Mead, leia
o texto Cultura e personalidade, de R. Oliven.
Leia sobre a perspectiva de Clifford Geertz no texto Pode realmente
haver uma ciência natural da ação humana?, de S. Oliveira.
Veja a importância de Ruth Cardoso e Eunice Durham no artigo Ruth
Corrêa Leite Cardoso, de Gilberto Velho, publicado em 2008 na Revista
DADOS (IESP-UERJ).
No artigo Pesquisa etnográfica com crianças: participação, voz e ética,
de R. Marchi, é possível perceber a contribuição de Aaron Cicourel e
Mariza Peirano.
Conheça mais do trabalho de Maria Isaura Pereira de Queiroz, no artigo
Amizade e memória: Maria Isaura Pereira de Queiroz e Roger Bastide,
de G. Villas Boas.
Leia Memória, esquecimento, silêncio, de Michael Pollak, sociólogo e
historiador austríaco, e saiba mais sobre um importante conceito:
memória.
Em seu artigo História oral e contemporaneidade, o sociólogo britânico
Paul Thompson desenvolve esse importante conceito em sua produção
acadêmica.
A resenha do livro Truques da escrita: para começar e terminar teses,
livros e artigos, de Howard Becker (1928), realizada por C. Lima, mostra
como o sociólogo norte-americano preocupa-se com a temática da
produção científica e escrita acadêmica.
Em seu trabalho Qual a contribuição dos métodos quantitativos em
ciências sociais para o conhecimento da sociedade brasileira?,
apresentado no XXV Encontro Anual da ANPOCS, a pesquisadora
Neuma Aguiar já se preocupava com a integração entre a abordagem
quantitativa e qualitativa. Vale a pena conferir!
Referências
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conjugação. In: NUNES, E. de O. A aventura sociológica: objetividade,
paixão, improviso e método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar,
1978.
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(org.). Desvendando máscaras sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves,
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DURHAM, E. A pesquisa antropológica com populações urbanas. In:
CARDOSO, R. (org.). A aventura antropológica: teoria e pesquisa. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1986.
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1985.
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guia prático. Itabuna, BA: Via Litterarum, 2010.
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informação viva. São Paulo: CERU e FFLCH/USP, 1983.
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