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1 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 2 2 O QUE É TRABALHO SOCIAL COM A FAMÍLIA. ........................................ 3 3 O TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO ÂMBITO DO SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA – PAIF ................................... 6 4 A DIFERENÇA ENTRE PAIF E CRAS.......................................................... 9 5 SEGURANÇAS AFIANÇADAS PELA POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL .............................................................................................. 11 6 ASSISTÊNCIA SOCIAL: CONCEITO DE FAMÍLIA .................................... 17 7 O QUE É FAMÍLIA PERANTE A SOCIEDADE ........................................... 18 8 CONHEÇA O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA ............................................. 32 9 A TEORIA DO PLANEJAMENTO DO TRABALHO SOCIAL ...................... 36 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................. 47 SECRETARIA ESPECIAL DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL. Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF. Ministério Da Saúde 03/08/2015. ............ 48 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................. 49 2 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 3 2 O QUE É TRABALHO SOCIAL COM A FAMÍLIA. Fonte: ssocialjunes.com Considerado como um conjunto de procedimentos efetuados com a finalidade de contribuir para com para a convivência familiar e comunitária, o reconhecimento de direitos e a possibilidade de intervenção na vida social de um grupo social tanto unido com vínculos consanguíneos ou de afinidade ou ainda de solidariedade. Entretanto, vale ressaltar que se faz necessário se tenha um planejamento especifico que siga os alguns tópicos que consideramos relevantes, como: O reconhecimento do território; Quais são as principais vulnerabilidades sociais e riscos sociais, nos quais as famílias que estão ali referenciadas pelo meu território social de abrangência, do qual somos responsáveis, estão vivenciando; 4 Assim, poderemos alcançar os nossos objetivos, que é a buscar da transformação social daquela família, da sua autonomia, do seu protagonismo frente a essas vulnerabilidades sociais e às vezes riscos sociais que as famílias do território em atuação, vêm enfrentando. Um ponto bem interessante quando se trabalha oficinas com as famílias, é que elas percebem que algumas vezes outras famílias também assistidas, estão vivendo os mesmos problemas ou semelhantes. Ainda que, para cada família será necessária uma tratativa diferente, de acordo com as individualidades e particularidade. Porém a troca de experiências entre as famílias é muito enriquecedora para que possam juntos traçar direcionamentos para seus atendimentos. O principal objetivo das oficinas com famílias é fomentar vivencias que questionem padrões estabelecidos e estruturas desiguais, estimulando o desenvolvimento da autoestima positiva, dos membros da família. Estimulando ainda a socialização de projetos de vida a partir de potencialidade coletivamente ali identificadas. Assim é possível incentivar uma discussão sobre várias situações vivenciadas pelas famílias e onde há uma troca de experiências e ideias de como cada família lida com determinada problemática. Importante ainda lembrarmos que o trabalho social com famílias é bastante antigo na nossa sociedade, no âmbito do serviço social, por exemplo, na história anterior da Assistência Social, antes dela ser uma Política Pública sempre houve a metodologia de trabalhos com famílias. Anteriormente a preocupação estava relacionada com a pobreza das famílias, que eram vistas como incapacitadas, sendo assim, o Estado e as organização que eram dirigidas pelas classes brasileiras dominantes, tinham que desenvolver um trabalho que ensinasse as famílias a serem famílias. Essa perspectiva muda ao longo do tempo, ganhando um outro status, inclusive no campo da Legislação Brasileira a partir de 1988, que é quando a Assistência Social é colocada como política pública, ou seja, uma política de proteção social. Desde então, as famílias passam a serem vistas como próprios cidadãos em suas capacidades. Esse olhar também sobre a pobreza material, passa a ganhar um outro entendimento, de que a pobreza não é fruto de incapacidade pessoal ou individual das famílias, mas decorrentes de um conjunto, de uma forma de sociedade, de um 5 sistema político ou econômico, que é por si de natureza excludente que pauperiza a população. O trabalho social hoje com as famílias, na Política de Assistência Social ele perpassa por diversos Serviços Socioassistenciais, como CRAS, CREAS, os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, os Serviços de Acolhimento, ou seja, todos esses serviços vão forcar no trabalho com a família, com a intencionalidade, que é de olhar não a fragilidade, mas a capacidade da família, as possibilidades que ela tem material, relacional, etc. Com a intenção de resinificar a condição de vida da família. Podemos dizer então, que o trabalho social com famílias vai ter dois grandes lugares de atuação: Um é o particularizado, que é a família em si, os membros da família; O outro que é coletivizado, que é colocar a dimensão particular, nesse núcleo do território, no núcleo das relações que vão sendo estabelecidas entre a família. Fonte:buzzero.com Para Sposati (2004, apud TEIXEIRA, 2010, p.5), a assistência social definida na legislação é uma das ferramentas para ativar um novo contrato social na direção da inclusão dos excluídos, parte fundamental do sistema de proteção social brasileiro. “Não há dúvida que a assistência social opera na dinâmica da extensão da agenda 6 pública para os novos direitos sociais, inclusive, não contributivos” (SPOSATI, 2004, apud TEIXEIRA, 2010, p.5). Permite ampliar o alcance da cidadania, ainda que em uma sociedade de desigualdades, rompendo com a tendência de inclusão no sistema de proteção social via cidadania regulada. Santos (1987, apud TEIXEIRA, 2010, p.5) destaca que a cidadania regulada é a denominação do arranjo de proteção social que outorga o estatuto da cidadania apenas aos membros da comunidade nacional, localizados em ocupações reguladas pelos preceitos legais, como a legislação trabalhista sendo, portanto, estratificada por ocupação. Os usuários da assistência social eram considerados subcidadãos - por destinar-se aos sem trabalho - e todos aqueles cujo trabalho a lei desconhecia. 3 O TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO ÂMBITO DO SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA – PAIF Fonte: lh5.googleusercontent.com Segundo a Secretaria Especial do Desenvolvimentocursos de Serviço Social no Brasil, passou a contar com a gestão, como importante disciplina no conjunto da organização curricular que, também é entendida como instrumento de trabalho e de domínio do assistente social no exercício profissional. Este trabalho propõe um novo olhar sobre a gestão e suas implicações no trabalho do assistente social. Todavia este novo olhar deve perpassar pelo prisma de uma visão crítica-reflexiva e construtiva para o profissional, sobre as atribuições do assistente social, no desempenho de suas funções profissionais no campo de atuação. Propiciando, assim a construção de um perfil profissional, capaz de responder conscientemente as demandas emergentes no espaço sócio ocupacional, através do exercício profissional propositivo pautado em ações previamente planejada, fundada no conhecimento e domínio das dimensões teórico-prático da profissão. Contribuindo assim, para o desenvolvimento de habilidades e competências profissionais capazes de propiciar a superação de práticas assistencialista e conservadoras, ainda cultivadas na esfera da Assistência Social, especialmente na esfera municipal. 43 Na trajetória histórica da profissão, os assistentes sociais dedicaram-se à implementação das políticas pública sociais, mantendo assim, uma intrínseca relação com o Estado e suas demandas. Considerando que desde o surgimento da profissão, o Serviço Social esteve presente nas diversas áreas de intervenção estatal, como mediador e executor das políticas sociais, desenvolvidas e implementadas como estratégia de enfrentamento e principalmente de controle as desigualdades sociais. Fonte: slideplayer.com.br No âmbito governamental, o profissional sempre foi chamado a intervir junto às manifestações da questão social, nas áreas da saúde, educação, assistência, habitação entre outras políticas sociais. No enfrentamento as desigualdades sociais, o Estado atribui legitimidade á instituições, políticas sociais e profissionais, entre os quais o assistente social, que é requisitado e reconhecido, enquanto profissional que intervém diretamente nas relações sociais e atua na gestão das políticas sociais, tanto no âmbito municipal, estadual e federal. Dessa forma, o Estado se qualificou como maior empregador de assistentes social, isto é, se constituiu como campo privilegiado de contratação do trabalho do assistente. 44 O setor público tem sido o maior empregador de assistentes sociais, sendo a administração direta a que mais emprega, especialmente na esfera estadual, seguida da municipal. Constata-se uma clara tendência à municipalização da demanda o que coloca a necessidade de maior atenção à questão regional e ao poder local. Nesse sentido, para a realização do trabalho do assistente social no âmbito da gestão pública, torna-se indispensável, que a ação profissional se fundamente e um planejamento organizado, baseado nas diretrizes das políticas públicas sociais e em conhecimento teórico-prático amplo e crítico sobre a gestão do trabalho profissional nas políticas sociais. Que oportunamente contribuirá para direcionar a ação profissional, para além das ações antes voltadas e limitadas à execução terminal de políticas sociais. Para tanto, a atuação dos profissionais que operam as políticas sociais, deve perpassar à apreensão das novas dinâmicas de trabalho e das possibilidades instrumentais da gestão, que devidamente apropriadas viabilize ao profissional a superação de práticas conservadoras e minimalistas. Contudo, esse processo de apropriação implica em conhecimento sobre os contextos de gestão e capacidade técnica do profissional em desenvolver funções gerenciais propositivas no campo de atuação, considerando sempre a realidade conjuntural que permeia o desenvolvimento do trabalho profissional. A função gerencial dos profissionais inseridos no âmbito das políticas sociais, especialmente na Política de Assistência Social, destaca-se como tendência, que precisa ser percebida com grande clareza pelos assistentes sociais, pois implica em novas formas de realizar o trabalho profissional sem se abstrair dos princípios e diretrizes que norteiam a profissão. A função do planejamento conceitua-se como processo que visa definir e estabelecer situações futuras desejadas, além de considerar os recursos e os meios necessários para alcançar essa situação. A organização constitui-se como processo de definir e detalhar o trabalho a ser realizado, as responsabilidades para a realização e distribuir os recursos disponíveis segundo critérios racionais. A função de direção compreende o processo de mobilizar e acionar os recursos, especialmente as pessoas, para concretização das atividades meio e fim. 45 A função do controle volta-se a garantir a realização dos objetivos, bem como, identificar e apontar necessidades de mudanças. Geralmente o controle origina avaliações continuadas o que influencia diretamente no desenvolvimento dos profissionais, das pessoas garantindo a qualidade dos resultados das ações planejadas. A administração é uma ciência organizada por uma série de teorias, possui um corpo sistematizado de conhecimentos, baseados em princípios e conceitos que tratam diretamente dos seres humanos. O processo de formulação e implementação das políticas sociais é uma dimensão privilegiada de atuação do assistente social e a instrumentação propositiva do profissional, fundamentada em princípios teóricos e práticos da gestão podem contribuir para o desenvolvimento técnico-operacional dos assistentes sociais inseridos no processo de formulação e implementação dos serviços públicos. Sob esta perspectiva, a apropriação dos instrumentos de gestão para a realização do trabalho profissional, no âmbito da Assistência Social, torna-se estratégia e recurso legal no enfrentamento das demandas apresentadas ao assistente social, tanto pela população usuária dos serviços públicos como pelo Estado, enquanto instituição empregadora. Fundamentando-se em recursos teóricos e práticos da profissão, o assistente social pode lançar mão dos princípios que orientam a gestão, como instrumento de trabalho e de domínio do profissional. Considerando que a capacidade de analisar, refletir, planejar e organizar a ação profissional se tornam instrumentos importantes na construção de uma prática propositiva, capaz de superar as contradições postas pelo sistema vigente e consolidar os valores e princípios fixados no projeto ético-político da profissão. O trabalho do assistente social na Política de Assistência Social, como em qualquer outra área, demanda competências e habilidades para construir planos de trabalho condizentes com as demandas emergentes no cotidiano profissional. Os instrumentos de gestão podem contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais, ponderando que estes instrumentos favorecem a construção de planos de trabalho nas diferentes etapas de operacionalização e implementação da Política de Assistência Social. 46 Entretanto, o profissional deve estar aberto a incorporar os princípios da gestão no cotidiano de trabalho. Visando assim, contribuir para a construção de um novo perfil profissional, capaz de responder conscientemente as demandas emergentes na sociedade, através do exercício profissional propositivo pautado em ações previamente planejada, fundada no conhecimento e domínio dos princípios de gestão, bem como sobre as dimensões teórico-prático postulados pelo Serviço Social e que fundamentam o exercício profissional. As metodologias participativas escolhidas pelo profissional social se mostraram adequadas o trabalho familiar. Porém, é necessário compreender como abordar, com quem fazer contato, de que maneira se dirigir aos usuários, etc. Diferenças de valores e práticas relativos às famílias em um universo culturalpróprio colocam desafios para a realização dos objetivos do serviço. Algumas metodologias mostram que é possível trabalhar com a promoção dos direitos e dos vínculos de maneira respeitosa com a cultura desde que haja a possibilidade dos próprios usuários problematizarem as suas questões e construírem formas de enfrentamento para as suas vulnerabilidades. Fonte: pt.slideshare.net 47 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS BRASIL, Código Civil. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, v. 11, 2002. BRASIL. Estatuto do Idoso. Lei n 10.741, de 1 de outubro de 2003. Dispõe sobre o estatuto do idoso e das outras providências. Brasília: Senado Federal, 2003. BRASIL, Senado Federal. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988. BRENAN, Kathryn Eleda; CAMPBELL, Stephen L.; PETZOLD, Linda Ruth. Numerical solution of initial-value problems in differential-algebraic equations. Siam, 1996. CARDOSO, Julietty Nunes. O Trabalho Social Com Famílias Na Proteção Social Básica e Suas Repercussões Nas Relações de Gênero: um estudo a partir dos CRAS de Teresina-PI, 2016. CAPELETTI, Mauro. Repudiando Montesquieu? A Expansão e a Legitimidade da" Justiça Constitucional". Revista da Faculdade de Direito, v. 1, n. 20, 2001. DIAS, Maria Berenice. A estatização do afeto. IBDFAM, Belo Horizonte, v. 4, 2002. HABERER, J. Politização na ciência. MERTON, RK A crítica da ciência: Sociologia e Ideologia da Ciência. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. HOWE, Irving. Decline of the New. Harcourt, Brace & World, 1970. LERNER, Aaron B. On the etiology of vitiligo and gray hair. 1971. LÔBO, Paulo. Direito Civil 5–Famílias. Editora Saraiva, 2018. MARIANO, Ana Beatriz Paraná. As mudanças no modelo familiar tradicional e o afeto como pilar de sustentação destas novas entidades familiares, v. 30, 2016. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas. Boitempo Editorial, 2015. SCHAFF, Adam. A sociedade informática: as consequências sociais da segunda revolução industrial. Ed. UNESP, 1990. 48 SECRETARIA DE AVALIAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO. Estudo sobre metodologias de trabalho social com famílias no âmbito do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF. 2010. Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. SECRETARIA ESPECIAL DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL. SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA – PAIF. Ministério Da Saúde 03/08/2015. TEIXEIRA, Solange Maria. Trabalho social com famílias na Política de Assistência Social: elementos para sua reconstrução em bases críticas. Serviço Social em Revista, v. 13, n. 1, p. 4-23, 2010. 49 BIBLIOGRAFIA GUEDES, Roberto. Egressos do Cativeiro: Trabalho, família, aliança e mobilidade social. Rio de Janeiro: Manuad Editora Ltda, 2018. IBSN: 978.85.7478.9934. MINUCHIN, Patrícia ; COLAPINTO, Jorge; MINUCHIN, Salvador. O Desafio de Trabalhar com Famílias de Alto Risco Social: Uma Abordagem Sistêmica. [S. l.]: ROCA, 2011.IBS 987.85.724.800-3. TEIXEIRA , SOLANGE MARIA. TRABALHO COM FAMILIA NO AMBITO DAS POLITICAS PUBLI. [S. l.]: PAPEL SOCIAL, 2018, ISBN-13: 978-8565540445.Social (2015), consiste no trabalho Social com famílias, de caráter continuado, com a finalidade de fortalecer a função protetiva das famílias, prevenir a ruptura de vínculos, promover seu acesso e 7 usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade de vida. Papel central na consolidação da rede de proteção social básica e articula todos os serviços. Suas ações e atuações: 1 - Ação preventiva 2 - Atuação protetiva e proativa Como surgiu o PAIF? O PAIF foi concebido a partir do reconhecimento que as vulnerabilidades e riscos sociais, que atingem as famílias, extrapolam a dimensão econômica, exigindo intervenções que trabalhem aspectos objetivos e subjetivos relacionados á função protetiva da família e ao direito à convivência familiar. O PAIF teve como antecedentes o Programa Núcleo de Apoio à Família (NAF - 2001), e o Plano Nacional de Atendimento Integrado à Família (PNAIF- 2003). Em 2004, o MDS, aprimorou essa proposta com a criação do Programa de Atenção Integral à Família (PAIF). Em 19 de maio de 2004, com o decreto 5.085 da Presidência da República, o PAIF tornou-se “ação continuada da Assistência Social”, passando a integrar a rede de serviços de ação continuada da Assistência Social financiada pelo Governo Federal. Em 2009, com a aprovação da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, o Programa de Atenção Integral à Família passou a ser denominado Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família, mas preservou a sigla PAIF. Esta mudança de nomenclatura enfatiza o conceito de ação continuada, estabelecida em 2004, bem como corresponde ao previsto no Art. 23 da Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS. Nessa direção, o PAIF concretiza a presença e responsabilidade do poder público e reafirma a perspectiva dos direitos sociais, constituindo-se em um dos principais serviços que compõem a rede de proteção social de assistência social, que vem consolidando no país de modo descentralizado e universalizado, permitindo o enfrentamento da pobreza, da fome e da desigualdade, assim como, a redução da incidência de riscos e vulnerabilidades sociais que afetam famílias e seus membros (Caderno de Orientações Técnicas do PAIF - vol. 1, apud SEDS, 2015). 8 Concepção de família na Política Nacional de Assistência Social (PNAS) A família para a PNAS é o grupo de pessoas que se acham unidas por laços consanguíneos, afetivos e, ou de solidariedade. A família, independente dos formatos ou modelos que assume, é mediadora das relações entre os sujeitos e a coletividade. Caracteriza-se como um espaço contraditório, cuja dinâmica cotidiana de convivência é marcada por conflitos e geralmente, também, por desigualdades, sendo a família a base fundamental no âmbito da proteção socia. O cofinanciamento do PAIF pelo MDS, acontece por meio do Piso Básico Fixo (PBF) com transferência do Fundo Nacional de Assistência Social para o Fundo Municipal de Assistência Social. (Portaria 116/2013). O valor do Piso Básico Fixo a ser repassado a municípios e DF, será calculado tendo como base um valor de referência, a ser pago por família referenciada, observada a classificação por porte dos municípios. (Portaria 116/2013). Importante ressaltar que, emm 19 de maio de 2004, o PAIF –Serviço de Proteção e Atendimento à Família passou a integrar a rede de serviços de ação continuada da Assistência Social financiada pelo Governo Federal, de acordo com o Decreto 5.085/2004. A Portaria nº 116, que regulamenta o Piso Básico Fixo, estabelecido pela NOB/ SUAS, sua composição e as ações financiadas, define as ações a serem ofertadas exclusivamente pelos CRAS. Para obter o cofinanciamento federal para o serviço PAIF, necessário respeite os itens abaixo: 1º) Estar de acordo com os critérios de elegibilidade pactuados na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e aprovados no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), para as expansões dos serviços socioassistenciais. 2º) Ter os requisitos mínimos, conforme prevê a nova NOB/SUAS, para que Estados, DF e Municípios, recebam os recursos referentes ao cofinanciamento federal, art. 30 da LOAS: • conselho de assistência social instituído e em funcionamento; • plano de assistência social elaborado e aprovado pelo conselho de assistência social; 9 • fundo de assistência social criado em lei e implantado; e • alocação de recursos próprios no fundo de assistência social. 4 A DIFERENÇA ENTRE PAIF E CRAS PAIF e CRAS não são sinônimos. O PAIF é o principal serviço da proteção social básica que desenvolve o trabalho social com famílias. Foi reconhecido pelo governo federal como um serviço continuado de proteção básica (Decreto nº 5.085/2004), passando a integrar a rede de serviços socioassistenciais. O CRAS é a estrutura física onde o serviço PAIF é executado, sendo a unidade pública estatal de referência da rede de proteção social básica. O PAIF deve ser obrigatoriamente ofertado no CRAS. Não existe CRAS sem a oferta do PAIF. Os objetivos do PAIF são ofertar ações socioassistenciais de prestação continuada, por meio do trabalho social com famílias em situação de vulnerabilidade social e tem como objetivos: • Fortalecer a função protetiva da família, contribuindo na melhoria da sua qualidade de vida; • Prevenir a ruptura dos vínculos familiares e comunitários, possibilitando a superação de situações de fragilidade social vivenciadas; • Promover aquisições sociais e materiais às famílias, potencializando o protagonismo e a autonomia das famílias e comunidades; • Promover o acesso a benefícios, programas de transferência de renda e serviços socioassistenciais, contribuindo para a inserção das famílias na rede de proteção social de assistência social; • Promover acesso aos demais serviços setoriais, contribuindo para o usufruto de direitos; • Apoiar famílias que possuem, dentre seus membros, indivíduos que necessitam de cuidados, por meio da promoção de espaços coletivos de escuta e troca de vivências familiares. 10 Constituem usuários do PAIF as famílias territorialmente referenciadas ao CRAS, em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, do precário ou nulo acesso aos serviços públicos, da fragilização de vínculos de pertencimento e sociabilidade e/ou qualquer outra situação de vulnerabilidade e risco social. São prioridades as seguintes situações consideradas de maior vulnerabilidade social: Famílias vivendo em territórios com nulo ou frágil acesso à saúde, à educação aos demais direitos, em especial famílias monoparentais chefiadas por mulheres, com filhos ou dependentes; Famílias provenientes de outras regiões, sem núcleo familiar e comunitário local, com restrita rede social e sem acesso a serviços e benefícios socioassistenciais; Famílias recém-retiradas de seu território de origem, em função da implementação de empreendimentos com impactos ambientais e sociais; Famílias com moradia precária (sem instalações elétricas ou rede de esgoto, com espaço muito reduzido, em áreas com risco de deslizamento, vivenciando situações declaradas de calamidade pública, dentre outras); Famílias vivendo em territórios com conflitos fundiários (indígenas, quilombolas, extrativistas, dentre outros); Famílias pertencentes aos povos e comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, ciganos e outros); Famílias ou indivíduos com vivência de discriminação (étnico-raciais e culturais, etárias, de gênero, por orientação sexual, por deficiência e outras); Famílias vivendo em contextos de extrema violência (áreas com forte presença do crime organizado, tráfico de drogas, dentre outros); Famílias que enfrentam o desemprego, sem renda ou renda precária com dificuldades para prover o sustento dos seus membros; Famílias com criança(s) e/ou adolescente(s) que fica(m)sozinho(s) em casa, ou sob o cuidado de outras crianças, ou passa(m) muito tempo na rua, na casa de vizinhos, devido à ausência de serviços socioassistenciais, de educação, cultura, lazer e de apoio à família; 11 Família que entregou criança/adolescente em adoção;Família com integrante que apresenta problemas de saúde que demandam do grupo familiar proteção e/ou apoios e/ou cuidados especiais (transtornos mentais, doenças crônicas etc). Vale ressaltar que isso não significa que todas as famílias residentes nos territórios de abrangência dos CRAS e que vivenciam tais situações precisam ser obrigatoriamente inseridas no PAIF. O atendimento pelo Serviço deve ser de total interesse e concordância das famílias, precedido da análise da equipe técnica. 5 SEGURANÇAS AFIANÇADAS PELA POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL a) segurança de acolhida - provida por meio de ofertas públicas de espaços e serviços localizados prioritariamente em territórios de maior vulnerabilidade, com condições de escuta profissional qualificada, informação, referência, concessão de benefícios, de aquisições materiais, sociais e socioeducativas; b) segurança social de renda - operada por meio de concessão de Benefícios de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC nos termos da lei, para cidadãos não incluídos no sistema contributivo de proteção social que apresentem vulnerabilidades decorrentes do ciclo de vida e, ou, incapacidade para a vida independente e para o trabalho; e concessão de auxílios financeiros sob determinadas condicionalidades; c) segurança de convívio familiar e comunitário - oferta pública de rede de serviços continuados que garantam oportunidades e ação profissional para: construção, restauração e fortalecimento de laços de pertencimento (de natureza geracional, intergeracional, familiar, de vizinhança e interesses comuns e societários); exercício capacitador e qualificador de vínculos sociais e de projetos pessoais e sociais de vida em sociedade; d) segurança de desenvolvimento da autonomia individual, familiar e social - provisão estatal de ações profissionais para o desenvolvimento de capacidades e habilidades para o exercício do protagonismo, da cidadania; a conquista de maior grau de liberdade, respeito à dignidade humana, protagonismo e certezas de proteção social 12 para o cidadão, a família e a sociedade; a conquista de maior grau de independência pessoal e qualidade nos laços sociais para os cidadãos e cidadãs sob contingências e dificuldades; e) segurança de sobrevivência a riscos circunstanciais - provisão de acesso estatal, em caráter transitório, de auxílios em bens materiais e em dinheiro, denominados de benefícios eventuais para indivíduos e famílias em risco e vulnerabilidades circunstanciais e nos casos de calamidade pública. O trabalho social com famílias no âmbito do PAIF, é conjunto de procedimentos a partir de pressupostos éticos, conhecimento teórico metodológico e técnico-operativo, com a finalidade de contribuir para a convivência, reconhecimento de direitos e possibilidades de intervenção na vida social de um conjunto de pessoas, unidas por laços consanguíneos, afetivos e/ou de solidariedade. (Caderno de Orientações do PAIF – Vol. 2, apud SEDS 2015). Reconhecer que as famílias são protagonistas de suas histórias, mas que sofrem os impactos da realidade socioeconômica e cultural nas quais estão inseridas, em especial as contradições do território. As ações que compõem o PAIF, podem ser de caráter individual ou coletivo. • Acolhida; • Oficinas com famílias; • Ações comunitárias; • Ações particularizadas; • Encaminhamentos. (Caderno de Orientações do PAIF – Vol. 2, apud SEDS 2015). Obs. Não é permitido utilizar o Piso Básico Fixo para o financiamento de benefícios eventuais. (Portaria 116/2013). São quatro as formas de acesso ao PAIF descritas pela Tipificação. Destaca-se dentre tais formas de acesso à busca ativa, pois é por meio dela que o PAIF consegue operacionalizar de modo mais efetivo a sua função protetiva e preventiva nos territórios, visto que é capaz de antecipar a ocorrência de situações de vulnerabilidade e risco social e não somente reagir passivamente às demandas apresentadas pelas famílias. (Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais). • Por procura espontânea; • Por busca ativa; 13 • Por encaminhamento da rede socioassistencial; • Por encaminhamento das demais políticas públicas. Abaixo os elementos necessários para execução do serviço PAIF. • Ambiente físico; • Recursos materiais; • Recursos humanos; e • Trabalho social essencial ao serviço. É o processo de contato inicial do usuário com o PAIF, é conhecido como Acolhida e tem por objetivo instituir o vínculo necessário entre as famílias usuárias e o PAIF para a continuidade do atendimento sócio-assistencial iniciado. A Acolhida ocorre em grande parte na recepção do CRAS. Deve ser cuidadosamente organizada, para se constituir referência para as famílias. A acolhida é primordial na garantia de acesso da população ao SUAS e de compreensão daassistência social como direito de cidadania. As oficinas com famílias, consistem na realização de encontros previamente organizados, com objetivos de curto prazo a serem atingidos com um conjunto de famílias, por meio de seus responsáveis ou outros representantes, sob a condução de técnicos de nível superior do CRAS. As ações comunitárias,são ações de caráter coletivo, voltadas para a dinamização das relações no território. Possuem escopo maior que as oficinas com famílias, por mobilizar um número maior de participantes, e devem agregar diferentes grupos do território a partir do estabelecimento de um objetivo comum. Ações particularizadas, referem-se ao atendimento prestado pela equipe técnica do CRAS à família – algum (ns) membro(s) ou todo o grupo familiar, após a acolhida, de modo individualizado. As ações particularizadas devem ser realizadas por indicação do técnico responsável pela acolhida da família ou a pedido da família. Qual a diferença entre atendimento e acompanhamento familiar no âmbito do PAIF? O trabalho social com famílias do PAIF pode ocorrer por meio dos dois processos distintos, porém complementares. O atendimento refere-se a uma ação imediata de prestação ou oferta de atenção, com vistas a uma resposta qualificada de uma 14 demanda da família ou do território, ou seja, a inserção em alguma das ações do serviço. O acompanhamento familiar consiste em um conjunto de intervenções, desenvolvidas de forma continuada, a partir do estabelecimento de compromissos entre famílias e profissionais, que pressupõem a construção de um Plano de Acompanhamento Familiar - com objetivos a serem alcançados, a realização de mediações periódicas, a inserção em ações do PAIF, buscando a superação gradativa das vulnerabilidades vivenciadas. (Caderno de Orientações do PAIF – Vol. 2, apud SEDS, 2015). O acompanhamento familiar não é um processo que visa avaliar a(s) família(s), sua organização interna, seu modo de vida, sua dinâmica de funcionamento. Ao contrário, é uma atuação do serviço socioassistencial, com foco na garantia das seguranças afiançadas pela política de assistência social. São acompanhadas as famílias que aceitam participar do processo de acompanhamento. O acompanhamento familiar constitui um direito, portanto, sua participação não deve ser algo imposto pelos profissionais. (Caderno de Orientações do PAIF – Vol. 2, apud SEDS, 2015). As diretrizes metodológicas para o trabalho social com famílias do PAIF tem por objetivos: • Fortalecer a assistência social como direito social de cidadania; • Respeitar a heterogeneidade dos arranjos familiares e sua diversidade cultural; • Rejeitar concepções preconceituosas, que reforçam desigualdades no âmbito familiar; • Respeitare preservar a confidencialidade das informações repassadas pelas famílias no decorrer do trabalho social; • Utilizar e potencializar os recursos disponíveis das famílias no desenvolvimento do trabalho social; • Utilizar ferramentas que contribuam para a inserção efetiva de todos os membros da família no acompanhamento familiar. É importante que as ações do PAIF sejam adequadas às experiências, situações, contextos vividos pelas famílias. Portanto, ao implementá-las cabe refletir sobre o tipo de família a que a ação se destina e se ela terá algum significado. Faz-se de tamanha importância ressaltar também que não há um período máximo de permanência das famílias no serviço. No entanto, é necessário avaliar os 15 casos em que as equipes têm dificuldades para desligar as famílias, partindo do critério do cumprimento dos objetivos das ações propostas no CRAS ou em sua rede socioassistencial. O desligamento deve ser planejado e realizado de maneira progressiva, com acompanhamento familiar por período determinado para verificar a permanência dos efeitos positivos das ações, tendo como referência os resultados esperados. As atividades de geração de renda podem ser executadas dentro do CRAS desde que essas não venham a modificar substancialmente a natureza e as funções do CRAS e a oferta do serviço PAIF, tal qual orientações definidas pelo Caderno de Orientações Técnicas do CRAS. O CRAS deverá ter disponibilidade de espaços físicos e profissionais específicos e qualificados para desenvolver a atividade, ou seja, a equipe de referência que executa o serviço PAIF não poderá ser direcionada para a execução das atividades de geração de renda ou do cadastro único. As funções do CRAS não devem ser confundidas com as funções do órgão gestor da política de assistência social municipal ou do DF: os CRAS são unidades locais que têm por atribuições a organização da rede socioassistencial e oferta de serviços da proteção social básica em determinado território, enquanto o órgão gestor municipal ou do DF tem por funções a organização e gestão do SUAS em todo o município. (Cadernos de Orientações Técnicas do CRAS e PAIF, apud SEDS). Um questionamento muito comum é se a equipe responsável pelo PAIF pode fazer seu trabalho fora do CRAS, levando o serviço pelo território? Sim. Nada impede que a equipe de referência do serviço execute uma atividade do PAIF fora da estrutura física do CRAS. Entretanto, as ações devem ser planejadas e estruturadas para que atendam as demandas apresentadas. Vamos pautar quais situações em que haverá a suspensão ou bloqueio do repasse do Piso Básico Fixo: • A não observância das normativas do SUAS; • A não oferta do PAIF de forma regular e continuada; • Ao funcionamento irregular do CRAS; • O não preenchimento do formulário do CENSO CRAS. (Portaria 116/2013) É permitido utilizar os recursos do Piso Básico Fixo para pagamento de profissionais. A Resolução CNAS nº 32/2011 estabelece que Estados, DF e Municípios 16 poderão utilizar até 60% (sessenta por cento) dos recursos oriundos do Fundo Nacional de Assistência Social, destinados a execução das ações continuadas de assistência social, ao pagamento dos profissionais queintegrem a equipe de referência do SUAS, conforme art. 6º E a Lei 8.742/1993. Porém, não é possível comprar medicamentos, vacinas ou similares, próteses, materiais escolar, com o recurso do Piso Básico Fixo. A política de assistência social não financia gastos de outras políticas como saúde e educação. E a título de informação, seguem as seguranças afiançadas pela assistência social. O serviço PAIF pode ser executado por entidade privada por meio de convênio ou não com a prefeitura? Não. Conforme previsto em nossas normativas, PNAS, NOB, LOAS, NOB/RH, Tipificação, Cadernos de Orientações Técnicas do CRAS e PAIF, e demais normativas, o CRAS é uma unidade pública estatal de base territorial e responsável pela oferta do serviço de Proteção e Atendimento Integral a Família (PAIF). Não é permitida a terceirização do serviço PAIF, ou seja, a execução do serviço deve ser da gestão municipal. Ressaltamos a importância do caráter público da prestação dos serviços socioassistenciais, fazendo-se necessária a existência de servidores públicos responsáveis por sua execução. Para suprir as necessidades dos serviços deve ocorrer a nomeação de aprovados em concurso público. A Portaria nº 116 de 22 de outubro de 2013, dispõe sobre o serviço PAIF e o seu cofinanciamento federal. O previsto no art. 6º C da LOAS, refere-se aos demais serviços de proteção social básica, como o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. 17 6 ASSISTÊNCIA SOCIAL: CONCEITO DE FAMÍLIA Fonte: ebah.com.br O conceito mais adequado é aquele que contempla toda a diversidade de relações presentes na sociedade, pois a família não é uma totalidade homogênea, é uma instituição complexa produzida na diversidade das relações e construída dentro da multiplicidade de contextos, num processo dialético. Nas normativas e legislações da Política de Assistência Social, o conceito de família é ampliado, aberto e uma concepção moderna de família, que a considera não apenas restrita a laços consanguíneos, mas também laços afetivos duradouros. A definição de família é dada pelo critério da convivência e pela autoajuda, não necessariamente no mesmo domicílio, mas por uma ideia de rede que inclui parentes, amigos e compadres. O que Sarti (2007, apud CARDOSO, 2016, p.99) denomina de família rede, ou seja, a família ultrapassa os limites da casa, envolvendo uma rede de parentesco mais ampla, com ramificações, em um sentido duplo, ao dificultar sua individualização, ao mesmo tempo, viabiliza sua existência como apoio e sustentação básicos. 18 Para Saraceno (1999, apud CARDOSO, 2016, p.99), o domicílio se configura um indicador insuficiente para definir família, pois nem todas as pessoas que vivem juntas se auto definem como família, mas, por outro lado, há outras que não convivem no mesmo domicílio e são consideradas famílias. Ainda para Cardoso(2016), definição presa a domicílio pode ter influência da definição de programas específicos, de normativas, e até nos parâmetros para o Cadastro único, ou seja, de inclusão nos programas de transferência de renda, em que o domicílio é um fator determinante, e isso vai de encontro ao Plano de Promoção, Proteção e Defesa do Direito das crianças à convivência familiar e comunitária, que coloca o domicílio como limitante na operacionalização dos programas e serviços sociais de acesso a direitos, além disso, a família sendo definida como rede de vínculo facilitaria a operacionalização dos programas, projetos e serviços da política de assistência social. 7 O QUE É FAMÍLIA PERANTE A SOCIEDADE Designa-se por família o conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si e vivem na mesma casa formando um lar. Uma família tradicional é normalmente formada pelo pai e mãe, unidos por matrimônio ou união de fato, e por um ou mais filhos, compondo uma família nuclear ou elementar. A família é considerada uma instituição responsável por promover a educação dos filhos e influenciar o comportamento dos mesmos no meio social. O papel da família no desenvolvimento de cada indivíduo é de fundamental importância. São no seio familiar que são transmitidos os valores morais e sociais que servirão de base para o processo de socialização da criança, bem como as tradições e os costumes perpetuados através de gerações. O ambiente familiar é um local onde deve existir harmonia, afetos, proteção e todo o tipo de apoio necessário na resolução de conflitos ou problemas de algum dos membros. As relações de confiança, segurança, conforto e bem-estar proporcionam a unidade familiar. 19 Em Biologia, a família é uma categoria da classificaçãosistemática que fica entre o gênero e a ordem. A opção de estudar adolescentes oriundos de famílias rurais e urbanas vem de encontro à necessidade de procurar compreender, de forma mais ampla, como uma parcela dos jovens de hoje, de diferentes realidades culturais, geográficas, sociais e econômicas, percebe e conceitua os arranjos familiares. A família representa o espaço de socialização, de busca coletiva de estratégias de sobrevivência, local para o exercício da cidadania, possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus membros, independentemente dos arranjos apresentados ou das novas estruturas que vêm se formando. Sua dinâmica é própria, afetada tanto pelo desenvolvimento de seu ciclo vital, como pelas políticas econômicas e sociais. Ela é um dos principais contextos de socialização dos indivíduos e, portanto, possui um papel fundamental para a compreensão do desenvolvimento humano, que por sua vez é um processo em constante transformação, sendo multideterminado por fatores do próprio indivíduo e por aspectos mais amplos do contexto social no qual estão inseridos. A família é um complexo sistema de organização, com crenças, valores e práticas desenvolvidas ligadas diretamente às transformações da sociedade, em busca da melhor adaptação possível para a sobrevivência de seus membros e da instituição como um todo. O sistema familiar muda à medida que a sociedade muda, e todos os seus membros podem ser afetados por pressões interna e externa, fazendo que ela se modifique com a finalidade de assegurar a continuidade e o crescimento psicossocial de seus membros. 20 Fonte: presentepravoce.wordpress.com Com as mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais ocorridas ao longo dos tempos, a sociedade está sendo obrigada a reorganizar regras básicas para amparar a nova ordem familiar. No código de 1916, “família legítima” era definida apenas pelo casamento oficial. Em janeiro de 2003, começou a vigorar o Novo Código Civil, que incorporou uma série de novidades, sendo que a definição de família passou a abranger as unidades formadas por casamento, união estável ou comunidade de qualquer genitor e descendentes. O casamento passou a ser “comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”, os filhos adotados ou concebidos fora do casamento passaram a ter direitos idênticos aos dos nascidos dentro do matrimônio; a palavra “pessoa” substituiu “homem” e o “pátrio poder” que o pai exercia sobre os filhos passou a ser “poder familiar” e atribuído também à mãe. A Lei do Divórcio, de 1977, atribuía a guarda dos filhos ao cônjuge que não tivesse provocado a separação ou, não havendo acordo, à mãe. Hoje, é concedida a “quem revela melhores condições para exercê-la”. 21 O IBGE é a principal fonte de pesquisa para se ter um panorama geral das famílias no País, explicitando a situação domiciliar e tipo de composição das famílias rurais e urbanas. O arranjo familiar nuclear é o que possui maior percentual, embora ocorra mais em famílias da área rural (57%) do que da urbana (48%). Um tipo de arranjo familiar que vem crescendo na cidade (13%) é a de famílias onde há a mãe e os filhos, ocorrendo em cerca de 7,5% na zona rural. Quando há outros parentes morando junto, essa diferença praticamente se mantém (3,5% e 1,8%, respectivamente). Com base na amplitude das modificações sociais, econômicas, políticas e culturais, propõe um conceito de família definida como um grupo social especial, caracterizado por intimidade, conceito que consegue explorar inúmeras variáveis. Isto significa que o modelo nuclear de família composto por pai, mãe e seus filhos biológicos não é suficiente para a compreensão da nova realidade familiar que incorpora, também, outras pessoas ligadas pela afinidade e pela rede de relações. Também acreditam que para definir o que é família, é necessário estudar o que as pessoas pensam a esse respeito, pois os limites da família são definidos pelos laços de afetividade e intimidade e não somente pelo parentesco por consanguinidade e pelo sistema legal que rege as relações familiares. A concepção subjetiva que as pessoas têm de seus próprios arranjos familiares é uma definição individual, baseada nos sentimentos, crenças e valores de cada um e permite teorizar e aprender os eventos da vida cotidiana a partir das informações que circulam através dela. As famílias são constituídas basicamente em cima do modelo nuclear (pai, mãe e filhos), sendo o conceito subjetivo dos adolescentes, baseado na família extensiva. Apesar de inicialmente demonstrarem aceitação em relação aos novos arranjos familiares, suas falas foram contraditórias, indicando uma visão mais conservadora e tradicional de família. No em tanto, vale ressaltar que apesar de os adolescentes das cidades relatarem um ambiente familiar conflitivo, o grau de satisfação em relação às próprias famílias, nas duas localidades, foi bastante elevado, demonstrando a importância dessa rede social de apoio na vida desses indivíduos. Com este trabalho, espera-se estar contribuindo para preencher, embora minimamente, parte da lacuna de pesquisas nessa área, uma vez que as famílias têm passado por muitas modificações, e as pesquisas não as acompanham no mesmo 22 ritmo. Também se tem a pretensão de despertar o interesse de outros pesquisadores a investir na obtenção de dados semelhantes em diferentes regiões do País, contribuindo para se ter uma ideia de como o conceito de família é percebido em diferentes regiões, faixas etárias e nível socioeconômico-cultural. Fonte: familiaemmovimento2015.blogspot.com.br A construção da família contemporânea através das mudanças sociais e da evolução legislativa, possibilitando a inclusão das uniões afetivas como entidades familiares. Visando demonstrar as mudanças no modelo familiar tradicional enfocando o afeto como pilar de sustentação destas novas entidades familiares. Evidencia que no Brasil, a sociedade abrigou a família com o matrimonio no início do século passado tutelada pelo código civil de 1916 onde havia inúmeras discriminações em função do contexto social que o Código havia sido constituído. Porém, a evolução social trouxe também alterações legislativas diretamente voltadas para a família. Estas mudanças trouxeram à tona um novo conceito de família, que valorizava o afeto entre os integrantes da família. 23 A evolução constitucional também alcançou a sociedade e a família. A constitucionalidade conduziu o país do Estado Liberal para o Social e esta realidade surgiu com a Constituição Federal de 1988. O sistema jurídico estabeleceu regramentos segundo a realidade social e esta alcançou diretamente o núcleo familiar, regulamentando a possibilidade de novas concepções de família, instaurando a igualdade entre homem e mulher, ampliando o conceito de família e protegendo todos os seus integrantes. A Carta Magna representou, ainda, um marco na evolução do conceito de família abrindo a possibilidade de reconhecimento das uniões afetivas como uniões estáveis, reconhecendo-as como entidade familiar constituída entre pessoas do mesmo sexo e ainda possibilitando a redução de discriminação e injustiças, sobretudo, àqueles que vivem em união consensual, mas com seus direitos cerceados, impedindo o livre exercício de sua cidadania. Sob este enfoque, hoje as famílias afetivas buscam a proteção legal, para um posicionamento, que tem sido aceito pela sociedade e para o qual o mundo jurídico ainda não se pronunciou de forma definitiva. No desenvolvimento do trabalho tem-se como objetivo demonstrar estas mudanças, abordando seu histórico, conceitos e mecanismos. A dissolução do casamento era vetada, havia distinção entre seus membros, a discriminação, às pessoas unidas sem os laços matrimoniais e aos filhos nascidos destasuniões, era positivada. A chefia destas famílias era do marido e a esposa e os filhos possuíam posição inferior a dele. Desta forma a vontade da família se traduzia na vontade do homem que se transformava na vontade da entidade familiar. Nas últimas décadas, as transformações sociais atingiram diretamente o núcleo familiar e originaram novas concepções de família, que não são mais equiparadas à tradicional família patriarcal. Entretanto, somente a partir da Constituição Federal de 1988, é que esta visão passou a ter novos horizontes. A partir de sua entrada em vigor instaurou-se a igualdade entre homem e mulher, o conceito de família foi protegendo, agora todos os seus integrantes e ainda tutela expressamente além do casamento a união estável e a família parentesco. 24 Do ponto de vista legislativo, o advento da Constituição de 1988 inaugurou uma diferenciada análise jurídica das famílias brasileiras. Uma outra concepção de família tomou corpo no ordenamento. O casamento não é mais a base única desta entidade, questionando-se a ideia da família restritamente matrimonial. Isto se constata por não mais dever a formalidade ser o foco predominante, mas sim o afeto recíproco entre os membros que a compõem redimensionando-se a valorização jurídica das famílias extramatrimoniais. No modelo de família patriarcal, tinha sua existência presumida e condicionada à existência de uma situação juridicamente reconhecida. Desta forma, o casamento já trazia consigo o conceito de afetividade conjugal, justificando previamente a necessidade de continuidade da relação. Não se questionava tal elemento, uma vez que ele fazia parte da estrutura do matrimônio. O compromisso de manter a vida em comum não revela necessariamente, a existência de afeto. A continuidade da relação podia ser motivada por outros elementos como, por exemplo, a impossibilidade de dissolução de vínculo. A noção de afeto representa uma forma de se dar visibilidade às relações de família, uma vez que é em sua função que elas se formam e se desfazem. Resta claro que “a possibilidade de buscar formas de realização pessoal e gratificação pessoal é a maneira que as pessoas encontram de viver, convertendo-se em seres socialmente úteis, pois ninguém mais deseja e ninguém mais pode ficar confinado a mesa familiar. A família identifica-se pela comunhão de vida, de amor e de afeto no pão de igualdade, de liberdade, de solidariedade e de responsabilidade recíproca”, conforme ensina DIAS (2002). Portanto a conclusão que se chega é que a família contemporânea está pautada, principalmente, no afeto entre seus entes. Levando em consideração o que foi dito, se faz necessário lançar o olhar a respeito do que diz a Constituição da República do Brasil, que tem como fundamento a dignidade da pessoa humana, explicitada no art. 1º, inc. III, e constitui-se em princípio jurídico fundamental integrado no direito positivo vigente. Por tanto o princípio da dignidade da pessoa humana quanto o princípio da solidariedade são princípios fundamentais e estruturantes, enquanto que outros direitos 25 como igualdade, liberdade e afetividade, melhor interesse da criança e convivência familiar são princípios gerais. Assim sendo, dignidade, é um termo que se vincula à autodeterminação do indivíduo, que busca orientar-se segundo seu próprio entendimento, a respeito da própria existência. Confere ao indivíduo o direito de decidir sobre seus projetos existenciais de felicidade. Como preceito, a dignidade humana foi lançada em 1948, na Declaração Universal da ONU, em seu art. 1º, segundo o qual: “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito e fraternidade”. Não reconhecer na pessoa os direitos fundamentais que lhe são inerentes é negar a própria dignidade. A dignidade, como qualidade intrínseca do ser humano, é irrenunciável e inalienável. Ela existe em cada indivíduo, como algo que lhe é inerente, porquanto não lhe é concedida, ou retirada. Como qualidade integrante do ser humano, deve ser reconhecida, respeitada, promovida e protegida. A dignidade existe antes do direito, e, nesse sentido, o Direito exerce papel crucial. Assim sendo, quando a Constituição de 1988 consagrou este direito, como princípio fundamental do Estado Democrático de Direito e da ordem jurídica, tinha o intuito de tutelar o desenvolvimento da dignidade das pessoas humanas que integram a entidade familiar. Neste sentido não se pode olvidar que, nas palavras de Paulo LÔBO, (2008) “o princípio da dignidade da pessoa humana está intrinsecamente ligado ao princípio da solidariedade. Tal princípio advém da superação do individualismo jurídico, que é a superação do modo de pensar e de viver da própria sociedade a partir do predomínio dos interesses individuais que marcaram a modernidade e imprimem reflexos até hoje”. 26 Fonte: slideplayer.com.br No mundo contemporâneo, a busca pelo equilíbrio e a necessidade de interação do ser humano faz com que surja a solidariedade. A regra utilizada para este princípio revela-se no inciso I do artigo 3° da Constituição. O princípio surge quando é imposto um dever à sociedade, ao Estado e à família de proteção ao grupo familiar, à criança e ao adolescente e à pessoa idosa. Tendo em mente a importância de tais princípios para o direito de família devem- se voltar os olhares, a outro princípio que provocou imensa transformação na sociedade, doutrina, jurisprudência e no ordenamento jurídico. Ao longo do tempo, doutrina e jurisprudência, se encarregam de identificar uma série de posições que integram a noção de dignidade da pessoa humana, que reclamam a proteção da ordem jurídica. Neste sentido, o art. 5º, caput, da Constituição da República de 1988, consagra expressamente o princípio jurídico da igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No direito brasileiro o princípio da igualdade se apresenta adotando critérios que proíbem a diferenciação. Esse texto constitucional estabelece como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a promoção do bem de todos, sem preconceitos de 27 origem, raça, sexo, cor, idade nem quaisquer outras formas de discriminação. Dentro destes parâmetros, entende-se ainda inclusos o homossexualismo e a união dos homossexuais, pois, para Capeletti: “O princípio da dignidade da pessoa humana abarca todos aqueles direitos fundamentais como os individuais, os de cunho econômico, social e moral, impondo-se ao Estado assegurar condições para que as pessoas se tornem dignas, reconhecendo-se a liberdade de orientação sexual”. Contudo, pensar em família ainda traz a mente o modelo convencional, um homem e uma mulher unidos pelo casamento e cercados de filhos. Neste sentido, deve ficar claro que esta realidade mudou. A família transforma-se no sentido de que se acentuam as relações de sentimentos entre os membros do grupo: valorizam-se as funções afetivas da família, que se torna o refúgio privilegiado das pessoas contra a agitação da vida nas grandes cidades e das pressões econômicas e sociais. É o fenômeno social da família conjugal, ou nuclear ou de procriação, onde o que mais conta, portanto, é a intensidade das relações pessoais de seus membros. A ideia de sociedade é relativamente recente, quando do advento do conceito de cidadania e de cidadão posterior às revoluções francesa, inglesa e americana. Não há que se falar em sociedade dissociada da ideia de cidadão. O pertencimento autônomo com demandas coletivas e preservação de uma identidade individual só foi possível com o advento da emergência da burguesia como uma nova classe revolucionária e que estabeleceu um outro paradigma de atuação através de valores como a liberdade, igualdade e fraternidade. Oconceito de cidadão se opunha ao conceito de súdito, este era na verdade uma parte da soberania do Rei, como se fosse uma extensão de sua propriedade, amparada por valores exteriores ao indivíduo de uma moral mais elevada e inquestionável de caráter divino. Nesse sentido, os feudos não poderiam ser considerados como uma sociedade, mas um espaço físico do qual a soberania era exercida plenamente pela vontade do seu titular e sem qualquer limite. Do ponto de vista político, este sistema se convencionou chamar de absolutismo. 28 Fonte: www.guamareemdia.com A ideia de sociedade só é possível quando se admite não só uma tripartição de poderes como em Montesquieu no Espírito das Leis, mas também uma separação entre o conjunto de indivíduos que estão sob o domínio do Estado, mas que tem autonomia em relação a este, e fazem do exercício do poder a emanação de sua vontade. Podemos dizer, genericamente, que este conceito de sociedade foi traduzido pela ciência política como Sociedade Civil, e dela faziam parte os cidadãos, sejam eles produtores ou consumidores, mas eles tinham uma clara independência com relação ao Estado e faziam o exercício do poder estar sob seu controle. Foi com Marx que este conceito genérico deu lugar a uma Sociedade de Classes, com a identificação jurídica do cidadão que possuía igualdade formal perante a lei, mas 29 se via explorado pelo capital, mascarando a profunda desigualdade econômica presente nesta sociedade, a qual se pretendia senão homogênea ao menos igualitária em termos de direito. Contudo, as conquistas dos trabalhadores se deram muitas vezes sem a derrubada ou a extinção da burguesia. Os avanços sociais e jurídicos dos cidadãos fizeram amenizar a exploração do homem pelo homem e muitas vezes colocaram o trabalhador numa condição material que se imaginava possível apenas dentro de um processo revolucionário. Desta dinâmica surgiu o que tradicionalmente se convencionou chamar de Estado de Bem-Estar Social. A luta de classes não deixou de existir, mas os direitos dos trabalhadores tanto enquanto classe, como enquanto indivíduos foram conquistados dentro dos marcos do capitalismo e principalmente nas lutas democráticas, sendo que capitalismo e democracia nem sempre estiveram no mesmo diapasão, mas havia uma estreita relação entre ambos. A capacidade de produção aliada aos avanços científicos e tecnológicos trouxe problemas de outra ordem para além das questões de classe. As questões de gênero e de raça, por exemplo, não foram superadas nas sociedades em que promoveram a revolução socialista, nem o capitalismo deu a atenção devida a estas especificidades, como se fossem demandas menores a serem superadas pela condição da produção material. Porém, as contradições do sistema da sociedade industrial (seja ela capitalista ou socialista) viriam a se evidenciar quando da sua constante capacidade de aumentar a produção a partir de avanços da ciência e da tecnologia, onde a natureza não tinha valor em si, mas só depois de virar mercadoria processada pela indústria. Ora, a capacidade de reprodução ou mesmo de preservação da natureza, como matéria prima para a saga do crescente e desgovernado industrial ismo, trouxe um problema que ultrapassava a concentração ou distribuição de riquezas, questionando então o modo de vida e a sobrevivência humana diante do crescimento populacional e do consumo. Podem-se encontrar diversas denominações dadas à sociedade contemporânea quanto à suas características, sendo frequentemente chamada de sociedade pós- industrial ou pós-moderna. 30 Podemos destacar alguns pontos importantes das transformações sociais do último século, como a revolução tecnológica e suas consequências no modo de vida da maioria da população mundial, juntamente com o fenômeno da globalização. Na Sociedade Global desapareceram as antigas fronteiras entre a cultura e a economia dos países, as questões políticas fundamentais foram mundanizadas, e a inovação dos meios de produção fez surgir novos foros de poder ligados à tecnologia. A partir deste e de outros conceitos é que vamos apresentar um esboço teórico do que chamamos de Direito Planetário, que tem o mesmo objeto do Direito Internacional e do Direito Internacional Ambiental, mas não se confunde com este em função de seu estatuto epistemológico partir de outro paradigma, que por falta de uma expressão melhor vamos chamar de sustentabilidade. Para Schaff (1990), os conhecimentos científicos e suas aplicações trazem ao mesmo tempo o bem-estar social e situações conflituosas, de um lado a libertação e do outro a preocupação. Na década de setenta, Howe (1971) chamava de Sociedade de Massa aquela em que, através da cultura de massa homogênea, a população se torna alienada politicamente. A passividade política vinculada aos confortos da vida moderna se justifica em uma na confiança cega da maioria das pessoas nos bons usos do conhecimento científico. Percebe-se então que a sociedade tem considerado a ciência como um instituto fornecedor de recursos teóricos, desprovido de valores morais e éticos em relação aos seus meios e fins. Contudo, Lerner (1971) também já alertava para esta suposta neutralidade de que se reveste a ciência, podendo ser utilizada na realidade como uma ferramenta político-econômica. Haberer (1979) acrescenta que após o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, ficou clara uma nova preocupação política em relação aos usos do conhecimento científico, devendo-se admitir que a ciência consista em mais uma atividade humana multilateral, a qual possui uma grande capacidade de fazer dominar e modificar o meio ambiente natural e social. Através do fenômeno da Modernidade Tardia, verifica-se que não é possível aceitar uma relação simplista entre capacidade cognitiva e potencial político. Mais conhecimento científico nem sempre significa melhoria, podendo muitas vezes significar degradação. 31 A difusão do conhecimento na sociedade contemporânea não é democrática. Outro fator marcante na sociedade contemporânea, é que os conflitos que envolvem mudanças no modelo de vida e consumo humano, ultrapassam a esfera do indivíduo e da família, tornando-se coletivos e difusos. Sabe-se que há ainda uma grande dificuldade dos mecanismos tradicionais de tutela dos direitos da coletividade, uma vez que praticamente todo sistema de controle social, inclusive a própria estrutura do Estado, desenvolveu-se para tratar das relações e dos interesses privados. Na Conferência de Estocolmo, em 1972, foi elaborada a concepção de desenvolvimento sustentável, aquele capaz de atender as necessidades humanas do presente sem comprometer as necessidades das futuras gerações, com base em três pilares: economia, sociedade e meio ambiente. No Brasil, a fragmentação das instancias de decisão da política ambiental demonstram que o meio ambiente e a sustentabilidade não têm sido uma questão de Estado: A articulação das frentes de luta na busca da construção de um novo modelo de desenvolvimento tende a compreender dois movimentos: de um lado, a construção imaginaria de um futuro desejável e, de outro, o esforço de entendimento das condições de sua viabilização. A insustentabilidade ecológica é uma consequência histórica e epistemológica da ruptura do ser humano com o seu entorno natural, da dicotomia entre a sociedade e a natureza. Por isso, muitos autores falam no colapso do modelo atual de desenvolvimento e no surgimento de um novo modelo, mais adequado. As revoluções científicas, que implicam revoluções culturais, ocorrem pela mudança dos fundamentos da ciência vigente. Conclui-se que, assim como a economia e a cultura foram e continuam se tornando globalizadas, o direito deve guardar sua semente fundadora da cidadania e ampliar seu horizonte para além da sua definição limitadaao Estado-Nação. Não é uma questão de abandonar o direito e sua produção, mas pensá-lo de acordo com o próprio fluxo das mudanças da sociedade. Para tanto, vem surgindo o marco teórico de um Direito Planetário, onde os indivíduos voltem a serem cidadãos e os seus direitos estejam à altura dos deveres para com as atuais e futuras gerações, incluindo todas as raças, classes e gêneros. A partir desta nova cidadania, o direito terá que dialogar com 32 as questões além da fronteira e se tornar de fato mais do que Global, verdadeiramente Planetário. 8 CONHEÇA O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA Fonte: meubolsafamilia.com O Bolsa Família é um programa federal, mas, para que ele funcione efetivamente, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios precisam conjugar esforços, trabalhando de forma compartilhada. Assim, todos são corresponsáveis pela implementação do programa, criando bases de cooperação para o combate à pobreza e à exclusão social. A gestão do Bolsa Família — bem como a do Cadastro Único — é descentralizada, com competências específicas para cada ente da Federação, mas sempre articuladas. O Ministério da Cidadania tem um instrumento que mede a qualidade da gestão em âmbito estadual e municipal. Trata-se do Índice de Gestão Descentralizada (IGD) e, com base nele, o governo federal repassa recursos para apoiar as ações em cada local. 33 Esta seção apresenta as atribuições dos três níveis de governo, outras informações sobre o IGD e também os assuntos mais pertinentes para quem atua nas gestões municipais e coordenações estaduais do programa. É um programa que contribui para o combate à pobreza e à desigualdade no Brasil. Ele foi criado em outubro de 2003 e possui três eixos principais: Complemento da renda — todos os meses, as famílias atendidas pelo Programa recebem um benefício em dinheiro, que é transferido diretamente pelo governo federal. Esse eixo garante o alívio mais imediato da pobreza. Acesso a direitos — as famílias devem cumprir alguns compromissos (condicionalidades), que têm como objetivo reforçar o acesso à educação, à saúde e à assistência social. Esse eixo oferece condições para as futuras gerações quebrarem o ciclo da pobreza, graças a melhores oportunidades de inclusão social. Importante — as condicionalidades não têm uma lógica de punição; e, sim, de garantia de que direitos sociais básicos cheguem à população em situação de pobreza e extrema pobreza. Por isso, o poder público, em todos os níveis, também tem um compromisso: assegurar a oferta de tais serviços. Articulação com outras ações — o Bolsa Família tem capacidade de integrar e articular várias políticas sociais a fim de estimular o desenvolvimento das famílias, contribuindo para elas superarem a situação de vulnerabilidade e de pobreza. A gestão do Bolsa Família é descentralizada, ou seja, tanto a União, quanto os estados, o Distrito Federal e os municípios têm atribuições em sua execução. Em nível federal, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) é o responsável pelo Programa, e a Caixa Econômica Federal é o agente que executa os pagamentos. O Programa Bolsa Família está previsto em lei — Lei Federal nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004 — e é regulamentado pelo Decreto nº 5.209, de 17 de setembro de 2004, e outras normas. 34 Quem pode participar Deve-se possuir uma determinada renda mínima, além de algumas outras características. É necessário se cadastrar no setor municipal responsável, ao qual deve ser fornecido um documento de identificação. Após isso a família deve esperar ser selecionada. É um processo que é realizado mensalmente levando em conta a renda per capita familiar, dando preferência aos mais necessitados. Existem quatro possibilidades de benefício, chamados Benefício Básico, Benefícios variáveis, Benefício Variável de 0 a 15 anos, Benefício Variável à Gestante, Benefício Variável Nutriz – BVN, Benefício para Superação da Extrema Pobreza – BSP e Benefício Variável Vinculado ao Adolescente – BVJ. Os valores do Bolsa Família para o ano de 2019 seguem as seguintes regras: O benefício Básico é apenas para famílias em situação de extrema pobreza, seu valor é de R$ 89,00 e independe do número de membros na família. O Variável é para famílias pobres ou extremamente pobres, que possuam gestantes, lactantes, crianças e adolescentes de até 15 anos. É de R$ 41,00 por pessoa nesta condição, até no máximo cinco. Este benefício pode ser acumulado com o Básico. O Variável Jovem atende a mesma faixa acima, mas mira em grupos com adolescentes de 16 e 17 anos matriculados na escola. Cada jovem resulta no benefício de R$ 46,00, atendendo até no máximo duas pessoas por núcleo, podendo chegar a R$92. Pago às famílias com renda mensal de até R$ 178,00 por pessoa, que tenham adolescentes entre 16 e 17 anos em sua composição. Benefício Variável Nutriz – BVN: R$ 41,00 Pago às famílias com renda mensal de até R$ 178,00 por pessoa, que tenham crianças com idade entre 0 e 6 meses, para reforçar a alimentação do bebê, mesmo nos casos em que o bebê não more com a mãe. 35 Pagamento de seis parcelas mensais. Para que o benefício seja concedido, a criança precisa ter seus dados incluídos no Cadastro Único até o sexto mês de vida. Caso o bebê registrado no Cadastro faleça nos primeiros meses de vida, o benefício será recebido da mesma forma. Benefício para Superação da Extrema Pobreza – BSP: A Superação da Extrema Pobreza pode dar direito a um benefício por família nesta condição. É calculado em razão da renda per capita da família e os benefícios já recebidos no programa, podendo chegar ao máximo de R$372 por mês. Para as famílias do Bolsa Família que continuarem com renda mensal por pessoa de até R$ 89,00 mesmo após receberem os outros tipos de benefícios do Programa. Benefício Variável à Gestante – BVG: R$ 41,00. Pago às famílias do Bolsa Família com renda mensal de até R$ 178,00 por pessoa, que tenham grávidas em sua composição; Pagamento de nove parcelas mensais. Esse benefício só é pago se a gravidez for identificada pela área de saúde de seu município, sendo a informação inserida no Sistema Bolsa Família na Saúde. Caso a gestante identificada tenha a gestação interrompida, ela receberá o benefício da mesma forma. O valor do Bolsa Família passa por um reajuste anual, o qual já aconteceu este ano. O valor foi de 10% e começou a ser válido a partir do dia 1º de junho. Os pagamentos são feitos de acordo com o calendário anual do programa social 36 9 A TEORIA DO PLANEJAMENTO DO TRABALHO SOCIAL Fonte: br.pinterest.com O planejamento é uma ferramenta da administração e como tal o seu uso é indispensável para o sucesso da gestão das empresas. Atualmente, a turbulência por que passam as organizações é tão acentuada e tão acelerada que o ambiente organizacional é descrito como inconstante e, nesse ambiente, a grande função da estratégia é promover o equilíbrio entre a visão de futuro da organização e sua posição no presente. No contexto organizacional, a estratégia corresponde à capacidade de trabalhar, contínua e sistematicamente, ajustando a organização às condições ambientais em mutação, tendo em mente a visão de futuro e a perpetuidade organizacional. O planejamento estratégico se refere à escolha de coisas para fazer, enquanto, a administração estratégica diz respeito à escolha das atividades e das pessoas que as farão, formulando e implantando as estratégias e suas potencialidades. Então, toma-se 37 fundamental conhecer, a trajetória e as tendências do planejamento organizacional, em seu devido uso dos recursos e pessoas em função do cumprimento dos objetivos empresariais. As organizações passaram por três etapas no decorrer do século XX: a era industrial clássica, a era industrialneoclássica e a era da informação. Fonte: www.gestaodesegurancaprivada.com.br O planejamento foi visto, como uma responsabilidade da gerência e não do trabalhador, que apenas executava as tarefas. No trabalho, houve a substituição do critério individual do operário, da improvisação e da atuação empírica por métodos baseados em procedimentos científicos. Garantiu-se assim, estabilidade e certeza, pois, tudo estava previsto dentro de uma ordem e regularidade, que eram fundamentais, para a empresa manter o controle organizacional. O planejamento foi substituído, para efeito nitidamente normativo e prescritivo, por novas teorias de cunho explicativo e descritivo, ou seja, ocorreu uma valorização das pessoas em detrimento de suas funções. A seguir, houve um processo de adaptação do estruturalismo, que buscou adaptar a formalidade da estrutura à informalidade das pessoas, dando origem à Teoria dos Sistemas. As organizações vistas como um sistema de grupos formais e informais permitem dois enfoques: o técnico, no qual são tratados aspectos formais, criados pela 38 administração para atender às necessidades de trabalho; e o comportamental, que permite enxergar e reconhecer a importância dos grupos informais. Fonte: www.portal-administracao.com O sistema aberto permite um ajustamento organizacional, através de mudanças tanto estrutural quanto dos processos de seus subsistemas, permitindo a inclusão ou complementação de ideias, adaptáveis aos aspectos diferenciados e particulares da organização. Com isso, ao elaborar o planejamento da situação ambiental obtém-se um aspecto individual não só para as empresas como também para as pessoas que compartilham de sua complementação e execução. Uma alteração numa das partes do sistema causa necessariamente uma mudança em todas as demais, significando que a otimização dos objetivos requer uma integração dos subsistemas. Considerando a complexidade existente no relacionamento entre as variáveis internas e externas do sistema, em razão do interligamento dos mesmos, os efeitos das mudanças incidem sobre o planejamento estratégico, o que leva à construção e validação de um modelo organizacional próprio. 39 No início do século XX, em resposta à crescente turbulência ambiental, tanto tecnológica, econômica ou social, as empresas, percebendo sua complexidade, começaram a estudar e elaborar planos. O planejamento em longo prazo tem como característica: a elaboração, com base na extrapolação do crescimento dos dados passados da empresa. O planejamento estratégico faz uso de previsões relacionadas a esse passado, com a devida avaliação dos fatores ambientais em favor de um exame de alternativas novas. Na década de 50, o planejamento em longo prazo foi, durante um razoável tempo, a resposta da empresa às pressões do crescimento rápido, do tamanho e da complexidade. Logo se mostrou útil, tendo sido aceito pela maioria das empresas de grande porte, bem como por um número significativo das de tamanho médio, que demonstravam crescimento, através de aquisições daquelas menores, uma vez que as empresas dessa época se destacavam pelo seu porte. O conceito de planejamento em longo prazo começou a evoluir em direção ao planejamento estratégico, estimulado pela saturação e o declínio de várias empresas. Não era mais possível planejar o futuro da empresa, verificando as tendências passadas, menosprezando a evolução do mercado e não projetando metas e as decisões empresariais. Dentre as muitas críticas ao planejamento estratégico, a fundamental era que se tratava de uma invenção inadequada e, mesmo que fosse instalado e usado pela empresa, não produziria qualquer melhoria em seu desempenho. Os processos administrativos necessitam passar por contínuas adaptações e inovações para se adequarem ao ambiente. As organizações precisam ser sistematicamente ajustadas às condições ambientais que afetam o seu relacionamento no mercado. A mudança contingencial exige um processo de convencimento, introjeção e assimilação de novos objetivos, ou seja, determina um processo de negociação que, em última análise, requer participação de todos os níveis da organização. 40 Fonte: www.lofrano.com.br Qualquer atividade organizacional requer planos e controle, podendo estes ser formais ou informais. As características do planejamento podem ser representadas por complexidade ou simplicidade, qualidade ou quantidade, estratégica ou tática, confidencial ou público, formal ou informal, econômico ou caro. Efetivamente, o planejamento é a base na qual todos os planos da empresa estão montados, definindo as metas, princípios, procedimentos e métodos que determinam o futuro. Ele é efetivo, desde que envolva um compromisso por parte de todos que contribuem para sua evolução, do proprietário, diretor, presidente ao funcionário que mantém uma atividade operacional, braçal. O ideal é ter um estilo flexível de tomada de decisões conforme o sempre mutável ambiente empresarial. Na constituição de um planejamento, identificam-se as oportunidades mais promissoras do negócio para a empresa. Os princípios mostram como penetrar com sucesso, obter e manter as posições desejadas nos mercados identificados. Os objetivos da empresa, de acordo com sua ordem e importância, estão interligados entre si para o alcance empresarial. Mesmo com a dificuldade de separar e sequenciar as funções administrativas, pode-se considerar que, de maneira geral, o planejamento do que e como vai ser feito aparece no final do processo. 41 O planejamento estratégico depende da definição de uma missão clara para a empresa, de seus objetivos, de um bom portfólio de negócios e da coordenação de estratégias de suas áreas funcionais, como produção, marketing, financeiro, recursos humanos. Para as empresas dos dias atuais, o planejamento é visto como um processo contínuo de interação organizacional com o ambiente permitindo estabelecer objetivos e aumentar o desempenho da empresa, considerando que se torna uma ferramenta de orientação e aproveitamento de recursos utilizados pela organização, no entanto, nem todas as empresas obtêm um eficiente processo de planejamento, muitas vezes pela complexidade do sistema, considerando suas características de gestão como estrutura, comportamento e contexto. O conceito de estratégia nasceu da guerra, em que a realização de objetivos significa superar um concorrente, que fica impedido de realizar os seus. Cada um dos dois lados quer derrotar o outro. Vem daí a definição de Aristóteles, de que finalidade da estratégia é a vitória. Fora do contexto militar, a palavra estratégia é de uso corrente e indica uma forma de enfrentar um problema ou uma forma de realizar objetivos. Fonte: www.lofrano.com.br 42 A escrita de um planejamento operacional diário se trata de cronogramas, tarefas específicas e alvos mensuráveis e envolve gerentes em cada unidade que será responsável pela realização do plano. O processo de planejamento operacional começa com a divisão de um objetivo em objetivos menores, formando uma cadeia de meios e fins. A vida das pessoas de qualquer sociedade gira em torno e mantém profunda dependência das organizações. Por organização, entende-se que é o agrupamento de pessoas, que se reúnem de forma estruturada e deliberada e em associação, traçando metas para alcançarem objetivos planejados e comuns a todos os seus membros. Outra definição estabelece que as organizações sejam instituições sociais, e a ação desenvolvida por membros é dirigida por objetivos. São projetadas como sistemas de atividades e autoridade, deliberadamente estruturados e coordenados, e atuam de maneira interativa com o meio ambiente que as cerca. Contudo, a partir da revisão das Diretrizes Curriculares da formação acadêmica em 1996, o currículo mínimo dos