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EJA-E-EDUCACAO-ESPECIAL

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racaju/SE 
Aracaju/SE 
Maio de 2022 
CADERNO COMPLEMENTAR DA EDUCAÇÃO DE 
JOVENS E ADULTOS E EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
 
 
 
3 
 
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
Ministro de Estado da Educação 
VICTOR GODOY VEIGA 
 
Secretaria Executiva 
JOSÉ DE CASTRO BARRETO JÚNIOR 
 
GOVERNO DE SERGIPE 
Governador 
BELIVALDO CHAGAS SILVA 
Vice-Governadora 
ELIANE AQUINO CUSTÓDIO 
 
Secretário de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura 
JOSUÉ MODESTO DOS PASSOS SUBRINHO 
 
CONSED 
Presidente 
VITOR AMORIM DE ANGELO 
 
 
Vice-Presidente 
MARIA CECÍLIA AMÊNDOLA DA MOTTA 
 
UNDIME 
Presidente 
LUIZ MIGUEL MARTINS GARCIA 
 
Vice-Presidente 
MARCELO FERREIRA DA COSTA 
 
Presidente da Seccional Sergipe 
QUITÉRIA LÚCIA ARAÚJO DE BARROS 
 
Secretaria Executiva 
JOSÉ ARINALDO NETO 
 
UNCME 
Presidente 
MANOEL HUMBERTO GONZAGA LIMA 
 
Coordenador Estadual de Sergipe 
MARIA JOSÉ GUIMARÃES VIEIRA
 
4 
 
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, DO ESPORTE E DA CULTURA 
 
Secretário de Estado da Educação, do 
Esporte e da Cultura 
JOSUÉ MODESTO DOS PASSOS 
SUBRINHO 
Chefe de Gabinete 
ROSILENE MARIA SANTOS 
Superintendente Executivo 
JOSÉ RICARDO DE SANTANA 
Superintendência Especial de Esportes 
MARIANA DANTAS MENDONÇA GOIS 
Conselho Estadual de Educação 
JOÃO LUIZ ANDRADE DÓRIA 
Departamento de Educação 
ANA LUCIA LIMA DA ROCHA MURICY 
SOUZA 
Coordenadoria de Informática 
ALEXANDRE ANTÔNIO VERAS LINS 
Assessoria de Comunicação 
GLEICE QUEIROZ 
Assessoria Especial 
JOSÉ WAGNER DA SILVA DE SOUZA 
Assessoria de Planejamento 
ARISTÓTELES GOMES DE OLIVEIRA 
Assessoria de Colaboração e Assistência 
aos Municípios 
ANDRÉA LIMA DANTAS 
Departamento de Administração e 
Finanças 
PAULO CÉSAR GONÇALVES SANTOS 
Departamento de Recursos Humanos 
JORGE COSTA CRUZ JÚNIOR 
Departamento de Alimentação Escolar 
EDNEIA ELISABETE CARDOSO 
SOBRAL 
Departamento de Apoio ao Sistema 
Educacional 
ELIANE PASSOS SANTANA 
Departamento de Inspeção Escolar 
ELIANA BORGES DE AZEVEDO 
Coordenadoria de Estudos e Avaliação 
Educacional 
JONIELY CHEYENNE MOURA LIMA 
Coordenadoria de Educação à Distância, 
Formação e Tecnologias Educacionais 
CLOTILDES FARIAS DE SOUZA 
Diretoria de Educação de Aracaju 
MARIA GILVÂNIA GUIMARÃES DOS 
SANTOS 
Diretoria Regional de Educação 01 
FRANZ RUSSEMBERG DA SILVA 
SANTOS 
Diretoria Regional de Educação 02 
DANIELA SANTOS SILVA 
Diretoria Regional de Educação 03 
DANIELA SILVA SANTANA 
Diretoria Regional de Educação 04 
MARIA LUIZA RODRIGUES DE 
ALBUQUERQUE OMENA 
Diretoria Regional de Educação 05 
JOÃO LUIZ ANDRADE DÓRIA 
Diretoria Regional de Educação 06 
MAX CARDOSO SILVA 
Diretoria Regional de Educação 07 
ELAINE SILVA MELO TOME 
Diretoria Regional de Educação 08 
MARLEIDE CRUZ DE ARAÚJO 
Diretoria Regional de Educação 09 
MEIRE FERREIRA DA SILVA
 
 
5 
 
FICHA TÉCNICA
Coordenadores Estaduais 
Ana Lúcia Lima da Rocha Muricy 
Souza (Diretora do Departamento de 
Educação – DED/SEDUC) 
 
Rogério Tenório de Azevedo (Professor da 
Educação Básica – SEMED - Aracaju) 
 
Articulador do Regime de Colaboração 
José Arinaldo de Oliveira Neto 
 
Articuladores(as) dos Conselhos 
Ednalva Menezes de Oliveira Bomfim 
Flora Michelle Lima Teixeira Machado 
Luana Silva Boamorte de Matos 
Hudson César Veiga Feitosa 
 
Articulador para Elaboração 
João Manoel de Faro Neto 
 
Redatores do Caderno Complementar 
da Educação de Jovens e Adultos 
 
Juliana Souto Santos (Organizadora) 
Ibernon Alves de Macena Júnior 
(Coordenador do SEJA) 
Silvaneide Silva Vieira 
Rosemeire Siqueira de Santana 
Edson Aragão de Melo 
Aldjane Moura Costa 
Beatriz Cardoso Lisboa 
Jacqueline Vasconcelos Silva de Lima 
José Antônio Marques de Oliveira 
Maria Amélia Feitosa 
Maria de Fátima Fonseca de Noronha 
Maria Ivanete de Nascimento 
Maria Nadja de Carvalho 
Vlademir Silva dos Santos 
Ana Ligia Rodrigues de Farias 
Adriana Suzette Dias dos Santos 
Izabel Cristina Santos da Silva (In 
Memorian) 
Ranusia Pereira da Silva 
Márcia Alves de Carvalho Machado 
Fabiana Araújo Silva dos Santos 
Leyla Menezes de Santana 
Ana Cristina Dantas da Silva 
Ana Angélica Gama Machado 
Antônio José dos Santos Costa 
Anne Shirley Pinto de Carvalho 
Arlene Ercília de Jesus Invenção 
Camila Brito Miranda 
Deogenes de Brito 
Edilde V. Menezes 
Edite Araújo Maciel 
Érica Nunes do Nascimento 
Erlânia Cristine Sampaio dos Santos 
Gustavo Floriano dos Santos 
Kátia Maria da Silva Oliveira 
Luciana Shunk Rabelo 
Margarida Azevedo 
Maria Marta da Silva Nunes 
Maria das Graças Oliveira Santos 
 
6 
 
Marieta de Santana Corrêa 
Nelma Abdias Santos Leandro 
Núbia Nunes de Oliveira Freire 
Renildes de Melo Souza 
Rosimeire Santos 
Rosemeire Siqueira de Santana 
Silvana Maria Santos 
Tânia Cristina Rocha de Araújo 
Valmira José das Chagas 
Viviane Almeida Rezende 
Viviane Andrade de Oliveira Dantas 
Antônio Bispo de Oliveira Neto 
Elisângela Rodrigues dos Santos 
Emanuella Wanus Barreto Siqueira 
Geane Santa Oliveira 
Genicelma Alves de Souza Lima 
Geraldo B. Oliveira 
Jamiles Rodrigues Santos 
José Amauri dos Santos 
José Gomes do Nascimento 
Josefa Claudete de S. Santos 
Katiuscia Elizabete S. Dórea 
Luciana Santana da Silva 
Maria Aparecida dos Santos 
Maria Luciana do Santos 
Milena Pinto da Silva 
Rafael Quintela Alves Lins 
Shirley Caetano Moreira 
Maria Adenoura do Rosário Fonseca 
Mariza Medeiros de Macedo 
Ana Paula S. Martins Pinheiro 
Elânia Lucy D. Albuquerque 
Maria Elze Plácido 
Gleidson Menezes da Silva 
Ivanilde Batista do Nascimento 
José Reginaldo dos Reis 
Marcos Paixão Bastos dos Santos 
Temisson Costa de Jesus 
Kennedy Souza de Andrade 
Valmira da Silva 
Flávio Silva de Souza 
Gracy Kelly Soares dos Santos 
Cremildes Nascimento Almeida 
Josefa da Silva Andrade 
Alisson Luiz da Cruz Silva 
André Barbosa de Santana 
André Ramos 
Antonio José dos Santos Junior 
Carina Aparecida Santos 
Cleciana Ribeiro de Moura Santos 
Edilamara Peixoto de Andrade 
Eduardo Rabelo Matos 
Elenice Santana Cruvelo 
Emerson Amorin de Santana 
Emerson Santa Rosa Santana 
Francis Fonseca Oliveira 
Genilson Marçal dos Santos 
Hamilton Sergio de Castro 
Hugo Fraga de Almeida 
Jiselma Tavares de Souza 
Josenilton Carvalho Santos 
Juranil Santos 
Karla Carvalho da Silva Oliveira 
Luzia Aurea dos Santos Souza 
Marcelo Domingos de Souza 
Marcelo Pereira 
 
7 
 
Marcia dos Santos Bonfim 
Marco Aurélio Gumar 
Marta Mendes Araujo 
Raline Neves de Santana 
Renato Pereira dos Santos 
Rosinaldo do Carmo Santana 
Rozenilde Francisco dos Santos 
Thassiana Hellena S. Cavalcante Bezerra 
Valeria Andrade Santos 
Viviane Góis Araujo 
Edilma Costa Lima Santos 
Elce Maria Mendonça Costa 
Givanilson Tavares de Jesus 
Ivone Soares de Andrade 
João Rafael Lisboa Santos 
Jones Clécio Oliveira 
Josiene Santos 
Macelo Santana Sales 
Maria Jocelma Lima dos Santos 
Maria Regina Da Silva Cunha 
Reryane Raunnir Farias Silva 
Rosilaine Gomes De Santana Costa 
Nara Barreto Nascimento de Carvalho 
Josenaldo Vieira Souza 
José Joaquim Silva Santos 
Maria Claudia Damasceno Santana Santos 
Joseane Carvalho Santos 
Jose Wilson Santos Barroso 
Stella Mares dos Santos Carvalho Andrade 
Nadja Maria Silva Almeida Lima 
Edna Dias Nascimento da Silva 
Jenilene Barros Palmeira 
Jorge Luiz Santos Silva 
Liziane Simões Leite Souza 
Maria Aparecida Cavalcante Rocha 
Marlene dos Santos Silva 
Maristela Machado Melo 
Sanadia Gama dos Santos 
Thelma Feitosa Sandes 
Wedson Ferreira dos Santos 
Jorge Luiz Santos Silva 
Liziane Simões Leite Souza 
Maristela Machado Melo 
Adriana Ferreira Silva Antunes 
Ailton Alves dos Santos 
Alequissandro Menezes Barreto 
Ana Cristina G. Melo Ferreira 
André Luis dos Santos 
Aron de Melo Aragão 
Carlos Deivide de S. Oliveira 
Daniel Resende 
Danila Meneses da Cruz Conceição 
Débora Meneses deTécnica de nível médio, da 
qual muitos são excluídos (BRASIL, 2006). 
Para a Rede Pública (Estadual e Municipal) foi implementado o Programa Nacional de Inclusão de Jovens Urbano e Campo 
(PROJOVEM), enquanto política pública de EJA Profissionalizante, por meio do Decreto n. 6.629/2008, instituídos pelas Leis n. 
11.129/2005, n. 11.692/2008 e pela Resolução n. 8/2014. No caso do PROJOVEM Campo, as Resoluções n. 11/2014 e n. 13/2017 
deliberaram sobre sua criação como ação governamental para atender à demanda de jovens e adultos pela oferta de Educação 
Profissional e Técnica de Nível Médio. 
 
 
 
44 
 
Segundo Marco Antônio Oliveira (2006), o Ensino Profissional é o processo educativo de caráter técnico, de aquisição de 
habilidades práticas, relativas ao exercício das profissões em distintos setores da vida socioeconômica. O Art. n. 39, da LDEN n. 
9394/1996 trata da condução da Educação Profissional para o desenvolvimento de aptidões na vida produtiva, devendo ser 
desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por estratégias de educação continuada, em instituições especializadas, 
organizando-se em três níveis: 1. Básico: curso destinado a trabalhadores jovens e adultos; 2. Técnico: para jovens e adultos que 
estejam cursando ou que tenham concluído o ensino médio; 3. Tecnológico: dá formação superior a jovens e adultos (BRASIL, 
2010). 
Nessa perspectiva Frigotto (2001) destaca que: 
 
A relação entre educação e a possibilidade de inserção no mercado de trabalho reveste a educação de conceitos 
valorativos, tal como a teoria do capital humano (acredita-se que o maior investimento na educação torna o indivíduo 
mais competente para concorrer no mercado de trabalho e que sua escolarização pode garantir uma posição melhor). 
Dessa forma, quanto maior a educação, maior o retorno profissional, e quanto menor, maior o desemprego. Assim, a 
teoria do capital humano pode ser compreendida como um dos fundamentos da desigualdade social (FRIGOTTO, 2001, 
p. 38). 
 
 
Nessa perspectiva, o presente capítulo analisa a política educacional implementada pela Secretaria de Estado da Educação, 
do Esporte e do Lazer (SEDUC), através do Departamento de Educação (DED) e de dois serviços: o Serviço de Educação de Jovens 
e Adultos (SEJA), e o Serviço de Educação Profissional (SEPRO). Ambos propõem, por meio de programas e projetos, ofertar uma 
 
 
 
45 
 
contribuição a jovens e adultos do ensino médio, articulados com a educação profissional, a chamada EJA Profissionalizante, em 
parceria com órgão do Sistema S, sobremodo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e do Serviço 
Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Os alunos recebem tanto o certificado de conclusão do ensino médio quanto do curso 
de qualificação profissional. Além do aumento na escolaridade, o projeto de EJA Profissionalizante capacita e estimula pessoas para 
o empreendedorismo, através dos cursos de Formação Inicial e Continuada – FIC ou de Formação Profissional, como oportunidade 
para o aperfeiçoamento das habilidades exigidas no mercado de trabalho. 
Saviani é o educador brasileiro que efetivou a elaboração consistente sobre as relações entre escola básica e o mundo do 
trabalho. Para ele: 
No ensino fundamental a relação é implícita e indireta, no ensino médio a relação entre educação e trabalho, entre o 
conhecimento e a atividade prática deve ser abordada de modo direto. O saber tem uma autonomia em relação ao 
processo de trabalho. A função essencial da escola é a de readquirir essa relação entre o conhecimento e a prática do 
trabalho. (SAVIANI, 2006) 
 
O objetivo deste texto é apresentar algumas ações da SEDUC, realizadas na área da educação profissionalizante voltadas 
para a EJA, e que ainda estão se organizando para serem implementadas, promovendo uma integração entre essas áreas. Existem 
ainda algumas Organizações Não-Governamentais (ONG´s) com foco no desenvolvimento de programas profissionais na área de 
EJA, que atuam no Sistema Prisional Sergipano. 
 
 
 
46 
 
A necessidade da vigência e implementação dessas políticas de educação profissional integradas à EJA em Sergipe visam 
a priorizar os interesses do educando desta modalidade, e a melhorar ou reforçar suas condições de inclusão social no mercado de 
trabalho. 
O termo Sistema S define o conjunto de entidades corporativas voltadas para o treinamento profissional, a assistência social 
e técnica, o lazer e a saúde dos trabalhadores, que têm raízes e características organizacionais comuns. Fazem parte do sistema S: 
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI); Serviço Social do Comércio (SESC); Serviço Social da Indústria (SESI); e 
Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC). Existem ainda os seguintes: Serviço Nacional de Aprendizagem Rural 
(SENAR); Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP) e Serviço Social de Transporte (SEST). 
Cada instituição do Sistema S oferece atividades diferentes, com o objetivo de agregar valor ao trabalhador. São atividades 
das instituições desse sistema: o SENAI promove cursos profissionalizantes e tecnológicos, trabalhando com as indústrias; o SESI 
trabalha com questões educacionais, cursos, colégios particulares, e cria projetos socioambientais; o SENAC propõe cursos 
presenciais e à distância para enriquecer a vida dos trabalhadores; o SESC promove esportes, saúde, turismo e ações sociais, para 
o bem-estar da comunidade; o SEBRAE apoia pequenos negócios empresariais; o SENAR promove formação profissional nas 
localidades rurais; o SEST e SESNAT oferecem assistência aos trabalhadores das áreas de transporte e outras (SISTEMA S, 2016). 
Em 2008, o MEC reformou o modo como o dinheiro era usado pelas organizações, ampliando a oferta de cursos profissionalizantes. 
 
 
 
 
47 
 
3. MARCO LEGAL DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL E EM SERGIPE – EJA 
 
Este capítulo refere-se ao marco legal da Educação de Jovens e Adultos (EJA), na esfera governamental, delineando as 
especificidades dessa modalidade. Historicamente, a oferta desse tipo de escolarização esteve, inicialmente, atrelada à perspectiva 
assistencialista e compensatória, em que os sujeitos excluídos do processo educacional na idade dita regular retornavam à escola 
para serem alfabetizados, certificados e incluídos no mercado de trabalho. Aos poucos, essa realidade mudou. O objetivo dessa 
reflexão é analisar a eficiência desse marco, com vistas à verificação das leis, portarias, resoluções e outros documentos, enquanto 
instrumentos que propõem inserir os alunos da EJA na sociedade. 
A importância dessa análise justifica-se pela necessidade de voltar um olhar mais comprometido com o contingente de 
jovens, adultos e idosos que se encontram afastados do processo de escolarização. É preciso que esses indivíduos sejam 
reintegrados à escola, tomem consciência dos benefícios dessa instituição, como também, possam refletir sobre a ressignificação 
da EJA por meio de uma prática cidadã. 
É relevante pensar sobre os problemas educacionais na EJA, sendo um deles as políticas públicas, para que mudanças se 
concretizem na realização das metas planejadas, no sentido de o Brasil apresentar resultados positivos à sociedade, como reuniões 
de prestação de contas e avaliação do combate ao analfabetismo. Assim, a organização de uma política educacional pública voltada 
para a EJA requer uma análise a respeito da sua trajetória para esse público-alvo, haja vista que os sintomas sociais originados dos 
processos de exclusão, do analfabetismo e da baixa escolaridade solicitam um amparo escolar mais apropriado com ações que 
 
 
 
48 
 
contemplem essa modalidade. No Brasil, saber ler e escrever está assegurado constitucionalmente, mas não consta como item 
essencial na lista de prioridade dos governantes e da maioria da própria população brasileira, que tem problemas mais iminentes a 
resolver (CERATTI, 2012). 
As políticaspúblicas surgem como conquista que se impõe, como resultado de uma realidade vergonhosa diante da 
sociedade contemporânea e do mundo globalizado. Nesse contexto a UNESCO, com reuniões internacionais, procura mobilizar os 
países com altos índices de analfabetismo a cumprirem metas estabelecidas. Para Ceratti (2012) o acesso, o ingresso, a 
permanência e a conclusão dos estudos a esse contingente de excluídos do nosso país precisam ser levados a sério, sendo a 
limitação de financiamentos destinados a EJA um problema a ser resolvido. Nesse sentido, a posição secundária da educação de 
jovens e adultas evidencia-se como um atendimento deficitário, demonstrando fatores conhecidos em nosso meio, como a 
improvisação no uso de instalações, a alocação de professores cedidos, entre outros. A realidade expressa no Brasil indica a 
necessidade de reformulações das políticas públicas de educação da EJA, haja vista que a questão orçamentária merece uma 
melhor distribuição, mesmo com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação (FUNDEB) pela Lei n.11. 494/2007, com vigência até 2020. Isto porque o recurso vem atrelado aos 
objetivos informados pela própria legislação (BRASIL, 2007). 
Assim, reconhecida a necessidade de uma política educacional para a EJA, em Sergipe, a Secretaria de Estado da Educação 
do Esporte e da Cultura, por meio do Departamento de Educação e do Serviço de Educação de Jovens e Adultos 
(SEDUC/DED/SEJA) organiza discussões sobre as proposições que nortearam o Currículo da EJA nas unidades escolares. A análise 
 
 
 
49 
 
do Projeto Pedagógico da EJA do Estado de Sergipe (2013), vigente, aponta para a necessidade de novos debates com os 
profissionais e educandos desta modalidade, confirmando que é preciso reorganizar a oferta de EJA, no que se refere à sua 
identificação e à flexibilidade no processo ensino–aprendizagem. 
Nessa perspectiva, novos embasamentos curriculares para a EJA estão sendo reconstruídos, indicando outro 
direcionamento para os educadores trabalharem nas práticas cotidianas de sala de aula, em todo o Estado. Esse processo é o 
resultado do trabalho realizado pelos técnicos da SEDUC/DED/SEJA, por meio das discussões sobre essa modalidade, em 
formações continuadas desenvolvidas, em seminários e encontros estaduais, em parceria com o Fórum Permanente de Discussão 
da EJA, em reuniões pedagógicas, em colaboração com os municípios, entre outras atividades que delineiam o planejamento da 
modalidade como documento orientador para a elaboração do Projeto Político-Pedagógico da Educação de Jovens e Adultos. 
Respondendo aos desafios da prática pedagógica que envolvem os eixos norteadores da EJA, os objetos do conhecimento e as 
metodologias das avaliações incluíram como menção o histórico das políticas educacionais já existentes no país e no Estado, sobre 
a EJA, a caracterização dos educandos dessa modalidade e dos professores, e das coordenações de EJA da SEDUC/DED/SEJA. 
Entretanto, no Brasil, as discussões sobre as políticas públicas para a EJA tiveram seus desdobramentos iniciais com as 
Campanhas pela alfabetização nos anos de 1950. Nesse contexto, Paulo Freire (1997) criou seu método que transformaria as 
concepções, de assistencialistas para libertárias. Novas perspectivas educacionais foram deflagradas, mas com o Golpe Militar de 
1960. O antigo modelo prevaleceu criando-se o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), o Projeto Minerva e outros. 
Contudo, a Lei 5.692/1971 faz menção a uma etapa destinada a jovens e adultos que não tiveram oportunidade de estudar. Esta 
 
 
 
50 
 
perspectiva permeou as políticas da área até meados dos anos de 1980, onde houve um reforço da oferta de qualidade referente ao 
ensino do antigo 1º grau, sobremodo, com a promulgação do Art. n. 205, da Constituição Federal (1988). Esta apregoa o direito dos 
indivíduos e o dever do Estado e da família de promover e incentivar, com a colaboração da sociedade, o desenvolvimento pleno da 
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
A promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN n. 9.394/1996) trouxe um avanço para a EJA, 
ao considerá-la uma modalidade da educação básica, nas etapas do ensino fundamental e médio. Assim, ao considerá-la uma 
modalidade da educação básica, nas etapas do ensino fundamental e médio, criou-se a oportunidade de ofertas de vagas nas 
esferas federal, estadual e municipal e as políticas educacionais da modalidade começaram a ser dimensionadas. 
Ainda de acordo com a LDBEN n. 9.394/96, seção V, da EJA, em seu Art. n. 37, parágrafos 1º e 2º, determina que: 
 
1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na 
idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, 
condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. 
2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações 
integradas e complementares entre si (BRASIL, 1996, p. 20). 
 
Outro aspecto apresentado foram as especificidades próprias das pessoas jovens, adultas e idosas, no que se refere à 
aprendizagem que são reconhecidas e com elas a necessidade de a escola repensar estratégias para o trabalho com esse público. 
Conforme o Art. n. 38 da mesma Lei: 
 
 
 
51 
 
 
1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: 
I - No nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos; II - no nível de conclusão do ensino 
médio, para os maiores de dezoito anos. 
2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos 
mediante exames (BRASIL, 1996, p. 21). 
Também conforme essa LDBEN os Arts. 8º, 10º e 12º determinam que: 
Art. 8º - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os sistemas de 
ensino da EJA. 
Art. 10 - Os Estados serão incumbidos de: 
I - Organizar, manter e desenvolver seus sistemas de ensino; 
V - Baixar normas complementares para o sistema de ensino. 
Art. 12 - Os estabelecimentos de ensino terão a incumbência de: 
I - Elaborar e executar proposta pedagógica; 
II - Administrar pessoal e recursos materiais e financeiros; 
III - Assegurar o cumprimento dos dias letivos estabelecidas; 
IV - Velar pelo cumprimento do plano de trabalho docente; 
V - Prover meios para a recuperação dos alunos; 
VI - Promover a integração da sociedade com a escola; 
VII - Informar os pais/responsáveis sobre a frequência/rendimento dos alunos e sobre a proposta pedagógica; 
VIII - Notificar ao Conselho Tutelar, ao juiz da Comarca e ao Ministério Público a relação dos alunos com faltas acima de 
50% (RETIFICAÇÃO DA LDBEN/1996 PELAS LEIS Nº 10.287/2001 ; N. 12.013/2009). 
 
No que tange à efetivação de uma educação de qualidade e da construção de uma identidade para EJA, as Diretrizes 
Curriculares Nacionais (DCNs/2013) estabelecem: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10287.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10287.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10287.htm
 
 
 
52 
 
I – Quanto à equidade, a distribuição dos componentes curriculares a fim de propiciar um patamar igualitário de formação 
e restabelecer a igualdade de direitos e de oportunidades face ao direito à educação; 
II – Quanto à diferença, a identificação e o reconhecimento da alteridade e inseparável dos jovens e dos adultos em seu 
processo formativo, da valorização do mérito e do desenvolvimento de seus conhecimentos e valores; 
III – Quanto à proporcionalidade, a disposição e alocação adequadas dos componentes curriculares face às necessidades 
da Educação de jovens e adultos em espaços e tempos nos quais as práticas pedagógicas assegurem aos seus 
estudantes identidadeformativa comum aos demais participantes da escolarização básica (BRASIL, 2013, p. 75). 
 
As DCNs (2013) da EJA se propõem a normatizar a modalidade no sentido de “ser considerada um marco, uma vez que 
supera a concepção de suplência e aligeiramento do ensino, e legitima o direito por uma educação de qualidade" (BRASIL, 2013, p. 
338). Isto porque a EJA assumiu uma proposta de compromisso com a formação humana, e o acesso à cultura aos sujeitos que não 
concluíram os estudos, pois ao retornarem desenvolvem atitudes e compromissos políticos, criando autonomia intelectual. 
Adams (1996), corrobora com a reflexão de que a escola é um espaço de transformação social e nesta perspectiva valoriza 
aqueles que não tiveram direito a essa instituição em outro momento de sua vida, possibilitando a reconstrução de uma sociedade 
pautada na justiça e na solidariedade. 
Nesse sentido: 
 
Contribuir no processo de transformação social, instrumentalizando, junto com outras forças criadoras de novos valores 
e práticas solidárias, as classes populares, para que estas assumam a conquista da cidadania plena. Contribuir, enfim, 
para construir uma sociedade economicamente justa, socialmente solidária, politicamente democrática e culturalmente 
plural (ADAMS, 1996, p. 34). 
 
 
 
53 
 
 
No referido contexto, o docente contribui para efetivação do processo de ressocialização do educando, com suas práticas 
pedagógicas voltadas para a realidade social desses sujeitos, implementando ações interdisciplinares, integradas e 
contextualizadas, com metodologias inovadoras favorecendo a assimilação de jovens, adultos e idosos, como recomenda o Currículo 
de Sergipe (2018). 
Os educadores são os mediadores do portal entre o conhecimento e as oportunidades para os educandos, e por meio da 
educação modificam vidas humanas. Nesse sentido, observar a escola de EJA nos dias atuais requer um olhar atento aos aspectos 
da transmissão da herança cultural e a valoração da humanidade, para formação desse público inserido em instituições que 
possibilitam a formação de sua visão de mundo. 
 Nesse sentido, o Plano Nacional de Educação (PNE) na sua Meta n. 09 trata sobre a elevação da taxa de alfabetização da 
população com 15 anos ou mais para 93,5%, até o final da vigência deste PNE, chegando a 2024 com a erradicação do analfabetismo 
absoluto, e reduzindo em 50% a taxa de analfabetismo funcional. Para tanto, as estratégias que devem ser adotadas são: garantia 
da oferta gratuita de EJA, nas etapas de ensino fundamental e médio; realização de busca ativa em regime de colaboração; apoio 
técnico e financeiro a projetos na EJA; promoção da compatibilização da jornada de trabalho dos empregados, com a oferta das 
ações de alfabetização e de EJA; implementação de programas de capacitação tecnológica da população jovem e adulta; entre 
outras. 
 
 
 
54 
 
De acordo com Vasconcellos (2007, p. 17), “a escola enfrenta dificuldades significantes na formação de identidades éticas 
e na capacidade de perpetuar valores relativos à individualidade do ser, e à possibilidade de opção ideológica, religiosa e sexual”. 
Estes fenômenos prevalecem para os sujeitos em suas relações com os saberes curriculares e com o mundo que trazem. A partir 
desta correlação as ações pedagógicas adotam significados para as suas vidas. 
Portanto, destaca-se a Resolução n. 03/2010 que, no Art. 01 determina as normas para a Educação Básica nas escolas do 
campo, a serem observadas nos projetos das instituições que integram o Sistema Estadual de Ensino; que no Art. n. 5 apregoa que 
nos anos finais do Ensino Fundamental e Médio, e em suas modalidades como a Educação Profissional e a EJA, a nucleação rural 
poderá organizar-se como solução, quando corroborada pelas localidades atendidas. 
Ainda no âmbito do Estado de Sergipe, a oferta da EJA é regulamentada pela Resolução Normativa n. 2, de 28 de maio de 
2013, a qual estabelece diretrizes para o funcionamento da EJA nas instituições educacionais pertencentes ao Sistema de Ensino 
do Estado. 
De acordo com a referida Resolução no Capítulo II (Art. n. 2) e III (Art. n. 4): 
 
Art. 2º - A Educação de Jovens e Adultos, modalidade de ensino da Educação Básica, constitui-se em oferta da educação 
escolar, com características adequadas às necessidades e disponibilidades dos jovens, adultos e idosos que não tiveram 
acesso à escolarização na idade própria, ou cujos estudos não tiveram continuidade ou conclusão do Ensino Fundamental 
e/ou do Ensino Médio. [...] Art. 4º - A oferta da Educação de Jovens e Adultos exige uma política educacional integrada 
ao contexto sócio, político e econômico do Estado de Sergipe, constituindo-se direito público subjetivo. Parágrafo único. 
 
 
 
55 
 
O Plano Estadual de Educação estabelecerá metas e estratégias que possibilitem o acesso, a permanência e o sucesso 
dos sujeitos inseridos no temário desta resolução (SERGIPE, RESOLUÇÃO N. 2/2013, p. 1-2). 
 
Assim, observa-se que a EJA é uma modalidade de ensino criada pelo Governo Federal, que perpassa todos os níveis da 
Educação Básica do país, destinada aos jovens, adultos e idosos que não ingressaram na escola na idade apropriada. Por meio 
dela, o aluno retorna aos estudos, o que possibilita sua qualificação para conseguir melhores oportunidades socioeconômicas e 
socioculturais. A SEDUC, por meio do Conselho Estadual de Educação (CEE/2014), legitimou essa modalidade, ainda através das 
Resoluções n. 069 de 16/10/2014 e n. 072 de 16/10/2014, que autorizam as instituições estaduais aptas a ofertar o segmento e das 
Resoluções n. 02/2014 e n. 02/2013, que consideram no seu Art. 1º a aprovação de Projetos Pedagógicos do: I - Ensino Fundamental: 
EJAEF I e EJAEF II; e II - Ensino Médio – EJAEM, para deliberação de uma prática pedagógica mais contextualizada com a realidade 
social dos educandos. 
A educação, enquanto bem público, é direito fundamental da pessoa. Logo, guarda consigo a contribuição para o crescimento 
sustentável, ético e produtivo das sociedades. A Conferência Internacional de Educação de Adultos (1999), preparada pela 
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) fortaleceu a modalidade para quem pretende dar 
continuidade a educação básica preconizando o desenvolvimento centrado na participação fundamentada nos direitos humanos. 
Desta forma, a EJA promove subsídios para que as ações realizadas no processo de ensino e aprendizagem contemplem 
as dimensões humanas, respaldadas na participação como requisito para a humanidade enfrentar desafios (UNESCO, 2004). 
Perrenoud (2001) aponta a necessidade de superação da unilateralidade no ato de educar. 
 
 
 
56 
 
 Para o autor (2001): 
 
Atualmente, esperamos que essa escola ofereça a todos uma mesma cultura básica. Como conciliar essa exigência de 
igualdade com a diversidade dos interesses, das aptidões, das formas de espírito? [...] A complexidade insere-se, como 
acabamos de dizer, na própria natureza da relação educativa e dos sistemas de ensino. No entanto ela é uma invariante? 
Onde se agrava hoje em dia, nos fatos ou nos espíritos? (PERRENOUD, 2001, p. 35). 
 
Para o avanço das transformações sociais acontecerem é necessário repensar o currículo e a prática pedagógica, onde este 
abranja, e que resgate a “valoração dos princípios éticos do homem, desenvolvendo uma postura de tolerância nas relações que 
efetivamente substancialize o processo de aquisição do conhecimento, (res)significando-o ética e solidariamente” 
(VASCONCELLOS, 2017, p.17). Neste sentido, a Declaração de Hamburgo (1999) destaca que: 
 
A educação de adultos inclui a educação formal, a educação não formal e o espectro da aprendizagem informal e 
incidental disponível numa sociedade multicultural, onde os estudos baseados na teoria e na prática devem ser 
reconhecidos. [...] Engloba todo o processo de aprendizagem formal ou informal, onde as pessoas [...] desenvolvem suas 
habilidades,enriquecem seu conhecimento e aperfeiçoam suas qualificações técnicas e profissionais, direcionando-as 
para a satisfação de suas necessidades e as de sua sociedade. Deve pretender dentre tantas habilidades: o 
desenvolvimento da participação comunitária; a vivência cidadã; a inclusão cultural; a ação proativa: atuante e 
participativa nos processos do trabalho e a adoção de uma postura de paz, tolerância e repúdio aos preconceitos e 
discriminações (DECLARAÇÃO DE HAMBURGO, 1999, p.19/20). 
 
 
 
 
 
57 
 
A EJA, a partir desta perspectiva, deve delinear-se, com o propósito de garantir ações pedagógicas necessárias para 
assegurar a permanência de jovens, adultos e idosos nas escolas, possibilitando a socialização de suas experiências atreladas às 
habilidades necessárias à promoção da autonomia, e às transformações individuais e coletivas. O Marco de Ação de Belém (2010), 
documento que derivou da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos – CONFINTEA (2010), apresentou uma diretriz que 
ampliou a prática inclusiva e equitativa, destacando a compreensão da natureza intersetorial, intercultural e interdisciplinar da 
aprendizagem de jovens e adultos. Reafirmam-se os quatro pilares da aprendizagem, recomendados para o Século XXI: aprender 
a conhecer, a fazer, a ser e a conviver (DELORS, 2003). 
Assim, a VI CONFINTEA (2010) orienta a EJA: 
 
Aprovado durante a Sexta Conferência Internacional de Educação de Adultos – CONFINTEA VI, o Marco de Ação de 
Belém é resultado do longo processo participativo de mobilização e preparação nacional e internacional, que teve início 
em 2007. Organiza as suas recomendações em torno de sete eixos fundamentais: alfabetização de adultos; políticas; 
governança; financiamento; participação, inclusão e equidade; qualidade e monitoramento da implementação do Marco 
de Ação. Destaca a sua compreensão da natureza intersetorial e integrada da educação e aprendizagem de jovens e 
adultos, a relevância social dos processos formais, não formais e informais e a sua contribuição fundamental para o futuro 
sustentável do planeta (CONFIEA VI, MARCO DE BELÉM, 2010, p. 2). 
 
A construção de uma educação arraigada em significados provenientes da realidade dos jovens e adultos desenvolve-se 
numa prática humanizada e participativa, com a garantia de uma escola pensada de forma coletiva, que contribui para os 
 
 
 
58 
 
desdobramentos de sujeitos detentores de direitos e deveres. O papel das organizações da sociedade permanece em instâncias 
voltadas à defesa do direito de acesso e permanência, restritos pela natureza excludente da sociedade globalizada. 
 
4. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA E O CURRÍCULO DE SERGIPE 
 
A sociedade brasileira traz, como uma das características marcantes, a diversidade que abrange desde as diferenças 
culturais, socioeconômicas, raciais e religiosas. Esse fator enriquece as possibilidades do processo educacional no país, na 
proporção em que considera as particularidades regionais, as quais nos permitem confirmar que os jovens e adultos, 
independentemente do acesso à educação sistêmica, já possuem uma riqueza cultural presente no repertório de suas vivências, 
suas leituras, e seus conceitos acumulados. Esse conjunto de experiências deve ser considerado pelos docentes, de modo a 
contextualizar e a integrar esses saberes aos organizadores curriculares e aos objetos do conhecimento da EJA. 
Em Sergipe, segundo a PNAD/IBGE (2018), 13,9% da população acima de 15 anos de idade ainda se encontra analfabeta 
e 38,6% da população acima de 60 anos de idade também se encontra inserida em situação de analfabetismo (PNAD, 2018). Em 
todo o país, o mesmo instituto de pesquisa indica que, "7% da população com 15 anos ou mais é considerada analfabeta, de acordo 
com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD/IBGE, 2017), o que representa ainda 11,5 milhões de pessoas. 
Essa informação reitera a relevância de uma abordagem maior às especificidades deste público, que na educação pública é atendido 
pela EJA e, constitucionalmente, tem direito ao acesso à escolarização. 
 
 
 
59 
 
De acordo com a LDBEN n. 9394/1996, em seu Art. 4°, é dever do Estado com a educação escolar pública, efetivar, mediante 
a garantia de “oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas 
necessidades e disponibilidades, a garantia, aos que forem trabalhadores, das condições de acesso e da permanência na escola”. 
A EJA é uma modalidade de ensino destinada a estudantes que não concluíram seus estudos no tempo regular e/ou que 
não tiveram acesso à escola na idade adequada. Para ingressar nessa modalidade de ensino, devem estar com 15 anos ou mais 
para preparar-se no ensino fundamental e 18 anos ou mais para o ensino médio. Os estudantes que desistem do ensino regular e 
dirigem-se a EJA trazem feições comuns: rotinas de responsabilidades sociais como vida familiar (casamento, filhos, desestruturação 
familiar); desejo de ingresso no mercado de trabalho; interrupção dos estudos; dificuldade na aprendizagem; ingresso tardio na 
escola; vulnerabilidade; baixa autoestima; falta de projeto de vida; entre outros. A maioria desses jovens e adultos que retornaram à 
escola anseia por um futuro melhor, vendo na educação a possibilidade de transformar suas vidas, de trabalho e de estabilidade na 
busca da qualidade social. 
 Mediante esse cenário, respeitar o ritmo de aprendizagem do educando deve ser um compromisso do educador, sendo um 
facilitador da aprendizagem, através de uma metodologia significativa, atrativa e de fácil aplicabilidade à sua vida fora da escola. Ao 
professor da EJA cabe desenvolver os processos de ensino e aprendizagem de forma interdisciplinar, transversal e integrada, 
voltados à reflexão da realidade de seus educandos; contextualizar os componentes curriculares e os objetivos do conhecimento às 
atividades; enaltecer as competências e habilidades dos estudantes, estimulando sua permanência e o emancipando para a 
cidadania. O educador de jovens e adultos deve conciliar sua prática com as experiências que os alunos trazem para sala de aula. 
 
 
 
60 
 
Para tanto, esse professor necessita de preparação para efetuar seu trabalho com inovação, ou seja, precisa de mais formação 
continuada enquanto política educacional assegurada pelo PNE (2014), enquanto compromisso das instituições a que estão 
jurisdicionadas. 
Os fatores citados acima contribuem para que se tenha um olhar cuidadoso, visto que a proposta pedagógica deverá 
contemplar os pilares da educação, na perspectiva de que o aluno possa "aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver 
e aprender a ser". Partindo desse pressuposto, reitera-se a necessidade de implementar na EJA um ensino que atenda o aluno em 
sua integralidade, desenvolvendo a colaboração, o respeito à diferença, a criticidade, inclusão, equidade, autonomia, 
sustentabilidade e criatividade, princípios norteadores do Currículo de Sergipe (2018), que se trabalhados de forma harmônica, 
garantem o completo desenvolvimento do cidadão. 
Sendo assim, a EJA reforça uma garantia de funcionalidade do processo de isonomia, no sentido de assegurar aos cidadãos 
que interromperam o processo educacional e/ou tiveram ceifadas as oportunidades de acesso à educação, o ensejo de estudar e 
enriquecer o seu cabedal informativo. Esse processo é efetivado na rede pública sergipana, por meio do planejamento e da 
aplicabilidade do Projeto Pedagógico da EJA do Estado de Sergipe (2013), que orienta as escolas nas deliberações e decisões a 
respeito da organização e dos projetos pedagógicos que essa modalidade deve desenvolver, para favorecer o segmento. Enfim, um 
instrumento necessário para uma EJA transformadora. 
 
 
 
61 
 
Para tanto, é fundamental também que os protagonistas da EJA tenham como objetivo formar o estudante na sua totalidade 
alinhada às competências da BNCC(2017) e do Currículo de Sergipe (2018): responsabilidade, cidadania, comunicação, 
pensamento científico, crítico e criativo, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação, repertório sociocultural e 
socioambiental, cultura digital, empreendedorismo, projeto de vida, inclusão, profissionalização e trabalho. Assim posto, o princípio 
da totalidade, está associado a uma perspectiva interdisciplinar, pois há uma inter-relação dos saberes com o mundo exterior, que 
leva em consideração que os indivíduos desta modalidade possuem suas identidades constituídas, estando imersos em práticas 
sociais. 
Neste sentido, pensar a alfabetização e o letramento desta modalidade exige também conceber um conceito que esteja 
relacionado às práticas cotidianas desses indivíduos. Segundo Freire (1997, p.11), "a leitura de mundo precede a leitura da palavra". 
Dessa maneira, o autor propõe uma concepção de alfabetização que vai além do código escrito; e leva os indivíduos a refletirem, 
por meio da palavra sobre sua realidade local, de maneira crítica e reflexiva. Dessa forma, leva-os a problematizarem as condições 
de vida, o mundo do trabalho, dentre outras situações. Para Paulo Freire (1987) o currículo é uma ferramenta político-ideológica e 
tem a função social fundamental para conscientização e sensibilização do próprio sujeito em suas relações com o mundo vivido. 
Nesse contexto, promove a humanização e o fomento da capacidade que a classe trabalhadora tem para efetivar práticas cidadãs, 
no mundo em que vive. 
Outro autor que corrobora com Freire, em alguns aspectos, é Street (2007, 2014), que propõe dois conceitos de letramento: 
autônomo e ideológico. O modelo autônomo para Street está baseado no pensamento escolar e em níveis de aprendizagem de 
 
 
 
62 
 
leitura, cuja base está vinculada à ideia de processamento de letras e de uma concepção cognitivista de aprendizagem. Já o modelo 
ideológico de letramento associa-se aos diferentes contextos e às realidades específicas em que os indivíduos se inserem. Nesse 
sentido, o letramento é dado pela escola, mas constituído de maneira cultural nas diferentes práticas sociais. Essa teoria reforça o 
repertório sociocultural do aluno que precisa ser legitimado no currículo e na modalidade. 
O currículo de EJA apresenta a concepção embasada na educação popular, ou seja, aquela que propõe compreender e 
realizar a educação, entendida como um direito humano e coletivo, considerando seu poder de habilitar e potencializar o ser humano 
como cidadão, de tal modo que este se torne apto para viver e conviver em determinado ambiente, em sua dimensão planetária. 
Para Juliana Silva dos Santos e Marcos Villela Pereira (2017), a educação é uma prática que se concretiza nas relações sociais que 
transcendem o espaço e o tempo escolares, tendo em vista os diferentes sujeitos que a demandam. Educação consiste no processo 
de socialização da cultura da vida, no qual se constroem, se mantêm, e se transformam saberes, conhecimentos e valores 
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2013). 
Ao definir a educação de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica de 1996, como sendo 
essencial e de responsabilidade do Estado, e com a democratização do acesso, a inclusão, a permanência e o sucesso dos jovens, 
adultos e idosos na instituição educacional, a EJA é incluída via de fato. As diretrizes também indicam para a possibilidade do 
exercício de outros direitos, como a possibilidade de se transcenderem o espaço e o tempo de sala de aula e da escola e, assim, 
potencializar o sujeito da EJA juntamente com outras frentes que educam e formam cidadãos. Sob essa perspectiva de formação 
potencializadora, temos, como base histórica, a luta dos movimentos sociais, o início da Educação de Adultos no Brasil, bem como 
 
 
 
63 
 
a presença dos princípios da educação popular, os quais vêm sendo ressignificados a cada projeto ou política de governo que 
assume o Ministério da Educação. 
Compreendemos um currículo voltado à educação popular como sendo contra-hegemônico, respeitando o sujeito, os seus 
conhecimentos e as suas leituras do mundo. A educação popular, para Gadotti (2016), trata da educação como um processo ligado 
à vida, ao bem viver das pessoas, e à cidadania. Não é um processo ligado apenas às secretárias de Educação, e ao MEC, mas 
aos movimentos sociais, populares, sindicais, às ONGs, reafirmando a educação e a aprendizagem como uma necessidade vital 
para todos e todas. Um processo que dura a vida inteira. A educação popular faz-se pautada na participação, na cidadania e na 
autonomia dos seus sujeitos. Não é uma educação formalizada dentro do campo oficial escolar, não é burocrática e é ligada à vida 
cotidiana, à cultura popular, ao trabalho. É também, valorativa, tanto dos processos formais como dos não formais. Ao analisar-se a 
EJA sob esse prisma teórico, o currículo seria voltado ao sujeito, às suas questões sócio históricas, refletindo na humanização social 
das classes menos favorecidas. 
O currículo escolar é o aspecto central do trabalho pedagógico efetivado nas escolas. A palavra currículo vem do latim 
currere que significa rota e/ou caminho. Para Michael Young (2014), a proposta de organização para a escolarização envolve eixos 
norteadores, áreas afins e objetos do conhecimento que os educadores contemplam nas salas de aula, e que devem ser apreendidos 
pelos estudantes no processo de formação das competências e habilidades necessárias ao seu desenvolvimento. No ambiente 
educacional, o currículo escolar é o referencial do caminho relevante que demarca, tanto abordagens dos conteúdos quanto das 
metodologias e avaliações adotadas pelas instituições das redes de ensino, para direcionamento do trabalho pedagógico. 
 
 
 
64 
 
Na organização do currículo, a partir da escolha metodológica, a instituição adota abordagens disciplinares ou 
interdisciplinares nos modelos clássico disciplinares, no qual os conteúdos são organizados em disciplinas aplicadas, abordando as 
parcelas da experiência e do conhecimento humano; e interdisciplinar, no qual os conteúdos são desenvolvidos de forma integrada 
com as diferentes áreas do conhecimento, em um trabalho de cooperação entre as disciplinas. Existem múltiplas possibilidades de 
organização, precisando um esforço consciente por parte do grupo escolar para tratar o conhecimento de forma integrada com seus 
elementos (YOUNG, 2014). 
O currículo é um terreno de produção e de política cultural, no qual os materiais existentes funcionam como matéria prima 
de reinvenção, criação, debate e contravenção. Por conta disso, existe um rompimento da concepção de currículo, como mero 
documento imposto em favor de uma concepção de currículo flexível, como espaço para a construção de conhecimentos. O 
rompimento dessa visão tradicional do currículo traz consigo uma reflexão crítica sobre as relações que o permeiam, sobre a quem 
ele serve e por quem é construído, e qual a participação dos sujeitos nessa construção (MOREIRA; SILVA, 1999). 
A concepção de currículo, presente no projeto pedagógico do curso, aponta para a compreensão de que esse é o espaço 
onde a formação se efetiva e a proposta pensada se concretiza. Neste sentido, é importante considerar que o currículo manifesta os 
saberes e fazeres, aqui concebidos como processos que se constroem coletivamente, por meio da participação e da visão de que o 
conhecimento é uma construção. Buscou-se avançar para uma proposta onde a relação com o conhecimento possibilite concretizar 
uma abordagem que transite pela interdisciplinaridade. Entendendo assim, que implementar um currículo que rompa com a 
 
 
 
65 
 
disciplinaridade é um processo complexo, e que essas dimensões serão etapas a serem vividas, e coexistirão também na construção 
dinâmica de uma nova estrutura. 
A mudança em relação ao currículo envolve muitos aspectos, destacando-se um novo entendimento para os atores,sobre 
os processos de aprender e ensinar, e para a formação profissional do educador. Neste sentido, optou-se por uma concepção 
epistemológica que se orienta pela relação prática-teoria-prática. Isto implica construir um currículo que apresente a abordagem 
concreta sobre a práxis pedagógica, que privilegie o espaço da pesquisa, e que sua formatação represente a formação vivenciada, 
buscando as metodologias ativas como norteadoras do trabalho docente e como meio para a construção do conhecimento dos 
alunos em formação (CARVALHO, 2011). 
O conceito de currículo, segundo Sacristán (2000), caracteriza-se como um processo de construção, implantação, 
concretização e expressão de determinadas práticas pedagógicas e em sua própria avaliação, como resultado das interferências. 
Faz-se necessário entender que o currículo se estabelece numa relação dinâmica a partir do olhar do outro e de si próprio. O 
professor media a construção do conhecimento do aluno e renova o seu conhecimento através de seus saberes, vivências e 
experienciações de vida. Para Apple (1999), um dos sentidos atribuídos ao currículo é que este pode ser pensado como um programa 
ou cursos de estudos ou, ainda, como um ambiente simbólico, material e humano que é constantemente reconstruído. Resulta 
também em um planejamento que envolve desde aspectos técnicos ao ético e político e ainda ao nível pessoal e social. O currículo 
não deve ser visto como um documento que relaciona os conhecimentos previstos ou determinados. Nessa perspectiva, o seu 
conceito sofre uma variação de significados, uma vez que os sujeitos assumem posturas diferenciadas diante de tais concepções. 
 
 
 
66 
 
Pensar o Currículo de Sergipe (2018) e a EJA requer um novo olhar para os sujeitos dessa modalidade, haja vista que eles 
são plurais, mas precisam ser contemplados de modo individual. Nesse aspecto, deve-se lhes assegurar suas especificidades e 
diferentes realidades locais e multiculturais, às quais estão inseridos. Isto significa considerar as demandas da cidade e do campo, 
para garantir oportunidades que atendam a essas qualificações sociais e profissionais em práticas urbanas e/ou rurais, como 
também, das localidades onde estão fixadas as populações de configurações étnicas, a exemplo das comunidades quilombolas e 
indígenas. 
Moreira e Cadau (2007) apontam que distintos aspectos socioeconômicos, políticos e culturais contribuem para que o 
currículo seja pensando como: 
 
Os conteúdos a serem ensinados e aprendidos; as experiências de aprendizagem escolares a serem vividas pelos alunos; 
os planos pedagógicos elaborados pelos professores, escolas e sistemas educacionais; os objetivos a serem alcançados 
por meio do processo de ensino; os processos de avaliação que terminam por influir nos conteúdos e nos procedimentos 
selecionados nos deferentes graus da escolarização (MOREIRA; CADAU, 2007, p. 18). 
 
A concepção sobre o Currículo de Moreira e Cadau (2007) apresenta sua funcionalidade, a partir de representações 
fundamentadas na ampliação desse conceito, haja vista que é através do currículo que se implementam as funções da escola como 
instituição formadora. Na atuação cotidiana dos educadores, esse documento recebe essência e significado, moldando e pondo em 
prática o seu saber-fazer pedagógico. Nessa perspectiva, Moreira e Silva (1999) destacam que o currículo tem um amplo sentido, 
 
 
 
67 
 
se entendido como veículo de mudança. O currículo deve ser compreendido como um chão em que ativamente se cria e produz 
cultura, conhecimento, ciência, política, arte, tecnologia e trabalho. 
O educador em EJA deve buscar, como todos os outros educadores, uma formação continuada, procurando juntamente com 
os alunos a superação do currículo instituído. São os educadores, juntamente com os educandos que devem definir os temas que 
farão parte do currículo escolar, tendo como objetivo uma melhor aprendizagem. O currículo, dessa forma, trabalha, além da técnica, 
os temas transversais do interesse do educando, propiciando o seu desenvolvimento integral. Trabalha, também, todos os aspectos 
do conhecimento e da cultura e/ou, como diz Moreira (2001), da restrita visão de currículo como lista de disciplinas e de conteúdos, 
que abrangem todos os fenômenos educativos. 
 Gléce Kurzawa e Helenise Sangoi Antunes (2015) ressaltam que o currículo é um instrumento ideológico. A escola deve 
buscar novas concepções curriculares que estabeleçam uma relação contextualizada com a realidade. E deve também avaliar a 
escola como um lugar seguro dos conflitos sociais. A flexibilidade curricular deve significar um momento de aproveitamento das 
experiências diversas que esses alunos trazem, como os modos pelos quais eles trabalham seus tempos e seu cotidiano. A 
flexibilidade atenderá a esse tipo de tempo mediante módulos, combinações entre ensino presencial e não-presencial, e uma sintonia 
com assuntos da vida dos alunos, a fim de que se tornem elementos geradores de um currículo pertinente (PARECER CNE/CEB n. 
11/2000). 
 
 
 
68 
 
Para reforçar o sobredito, Inês Oliveira (2007) afirma que o Currículo da EJA deve constituir-se de elementos essenciais 
para a construção do saber formal, no qual a aprendizagem deve partir dos saberes acumulados e adquiridos pelos alunos, fora da 
escola, e contextualizá-los aos conteúdos curriculares, que devem ser trabalhados com estratégias concretas, integrando-se como 
um auxílio para a facilitação do saber-fazer pedagógico. 
A importância das relações existentes entre o conhecimento escolar e as práticas produzidas socialmente, construídas a 
partir dos fatores socioculturais cotidianos dos indivíduos inseridos na EJA, necessitam ser reconhecidas pela escola como parte 
intrínseca dos processos de aprendizagem dos alunos. Assim, o mais interessante é a vigência de um currículo próprio para EJA 
que dê conta das especificidades dos sujeitos desse segmento, a partir das competências da BNCC (2017) e do Currículo de Sergipe 
(2018). Nesse caso, o documento norteador dessa reorganização é o Projeto Pedagógico da EJA de Sergipe (2013). 
Na perspectiva do desenvolvimento de práticas pedagógicas contextualizadas, interdisciplinares e integradas, conforme 
indica o Currículo de Sergipe (2018), sua efetivação deve ser concebida como a cultura autêntica que surge de uma série de 
processos, mas com os objetos do conhecimento delimitado, planejado e implantado. Na realidade, a cultura nas salas de aula 
configura uma série de processos: as decisões acerca do que se vai fazer no ensino, durante cada semestre letivo; as tarefas 
escolares desenvolvidas; a forma como as salas de aula se distribuem; os conteúdos de ensino veiculados ao mundo exterior; as 
relações grupais; a relação professor e aluno; o aproveitamento de materiais didáticos; as práticas de avaliação entre outros 
(SACRISTÁN, 2013). 
 
 
 
69 
 
O Currículo de Sergipe (2018) tem como base 8 (oito) princípios norteadores, que foram eleitos pela equipe de redação e 
coordenação do currículo, referendados na Consulta Pública. Tais princípios objetivam o desenvolvimento integral do aluno, sendo 
eles: “Colaboração, respeito à diferença, criticidade, inclusão, equidade, autonomia, sustentabilidade e criatividade. Cada um deles 
colaborando para a educação integral, que visa ao desenvolvimento dos educandos e à promoção de uma sociedade justa, 
democrática e inclusiva.” (CURRÍCULO DE SERGIPE, 2018, p. 11). 
A Compreensão desses princípios perpassa o entendimento de cada um deles como valores essenciais na formação do 
caráter humano. 
Colaboração: Perceber-se como parte de um coletivo (família, escola, grupo social, comunidade, cidade, estado, país) 
capaz de se relacionar com o outro e trabalhar junto em equipes, exercitando a competência de ser líder e liderado e se 
reconhecendo como um ser corresponsável pelo outro e pelos grupos dos quais faz parte. Respeito à diferença: Saber 
lutar,combater a discriminação e o preconceito que afetam a autoestima do estudante, isso se reflete no aprendizado e 
pode ser uma das causas da desistência do aluno. É uma atitude que precisa ser encampada pela coletividade, não é 
uma responsabilidade só de quem é discriminado, a escola precisa ser o espaço que proporcione a reflexão e mudança 
de postura. Criticidade: Saber investigar, filtrar e organizar a imensa quantidade de informações que lhe são ofertadas 
diariamente, a fim de estabelecer um pensamento estruturado e crítico acerca de determinado assunto. É também a 
habilidade de fazer as pergu ntas certas, de reconhecer a raiz dos problemas e de olhar para uma questão sob diferentes 
perspectivas. Inclusão: Participar da garantia do direito de todos à educação. Concretiza-se na igualdade de 
oportunidades e a valorização das diferenças humanas, contemplando, assim, as diversidades étnicas, sociais, culturais, 
intelectuais, físicas, sensoriais e de gênero dos seres humanos. Equidade: Desenvolver a capacidade de apreciar, de 
fazer um julgamento justo comporta-se a partir do senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos. 
Autonomia: Fazer escolhas, tomar suas próprias decisões, saber decidir diante de alternativas reais e postos em 
condição de poder escolher entre uma e outra. Para a efetivação dessa condição, é de fundamental importância a garantia 
de direitos. Sustentabilidade: Desenvolver a capacidade de interagir com o mundo atual, satisfazendo suas 
 
 
 
70 
 
necessidades de forma consciente e responsável, comprometendo-se com as gerações futuras, seja no âmbito ambiental, 
social ou econômico. Criatividade: Desenvolver a capacidade de criar ideias novas e úteis, através de uma motivação 
suficiente para florescer a capacidade de criar soluções para as situações desafiadoras do cotidiano e descobrir como 
implementá-las nos diversos aspectos da aprendizagem, tornando um ser humano em potencial para a apreensão do 
que está proposto na sociedade moderna e a partir desse contexto inovar. (CURRÍCULO DE SERGIPE, 2018, p. 11 e 
12). 
 
O currículo deriva de procedimentos que refletem os interesses dos grupos sociais, onde teorias e metodologias são 
inseridas, ressaltando a importância de questionar os organizadores, as matrizes, os valores, e as visões de mundo. Considera-se, 
aqui, que a escola é um estabelecimento que transmite conhecimentos, mas tem seu foco atual voltado para a possibilidade de ser 
uma instituição produtora de saberes. Henry Giroux (2000) adverte sobre a necessidade dessas teorias considerarem o caráter 
histórico, político, social, e cultural do currículo, que geram emancipação e libertação nos alunos ao assimilarem os conhecimentos 
racionalmente. 
Isto porque o currículo deve ser especificado em planos e propostas. Porém, para surtir efeito na escola, as atitudes e valores 
transmitidos pelas relações pessoais, sociais e coletivas do cotidiano escolar integram um currículo oculto, constituído por enfoques 
transmitidos nos livros didáticos, nas relações hierárquicas, nas regras, nos procedimentos, nas formas de distribuir os estudantes 
por turmas, entre outros. Todo currículo corresponde à sobreposição de turnos distribuídos, na orientação estrutural do processo de 
ensino e aprendizagem, de forma que elementos significativos da vida dos estudantes e de suas comunidades possam ser os 
articuladores temáticos dos distintos campos de conhecimento operacionalizados nas práticas pedagógicas (GIROUX, 2000). 
 
 
 
71 
 
Nesse sentido nota-se que o currículo envolve uma série de fatores que ultrapassam as esferas técnicas e científicas, embora 
o sistema educacional vigente priorize os receituários executados nas escolas. Lá, seu cumprimento é fiscalizado por meio das 
políticas públicas de avaliação. 
Roseane Machado de Oliveira (2017) afirma que: 
Nesse sentido, analisa-se que currículo escolar deve ser mais bem elaborado na escola, pois o currículo é um conjunto 
de conhecimentos em prol ao ensino-aprendizagem dos educandos, e quando o mesmo é bem planejado, organizado e 
elaborado coletivamente por todos no contexto escolar, certamente os conhecimentos serão muito mais abrangentes, 
qualitativos e gratificantes para todos que fazem parte do processo do aprender-aprender. O que se analisa muitas vezes 
são instituições escolares que não sabem fazer um bom uso do currículo escolar, onde acabam desvalorizando o mesmo, 
ou fragmentando-o. Contudo, a escola passiva que não valoriza o currículo como fundamental na práxis pedagógica, 
obviamente não consegue formar cidadãos críticos, não humaniza, não sensibiliza para com o respeito ás diferenças, 
nem ativa o pensamento crítico/reflexivo dos discentes, assim como não atende aos interesses da comunidade, e muito 
menos, dos alunos em processo de aprendizagem e conhecimento (OLIVEIRA, 2017, p. 3). 
 
A proposta do Currículo de Sergipe (2018) insere-se nos debates e proposições de uma política pública para o Estado, que 
efetivamente corresponde à realidade e às necessidades de educandos e educadores que convivem nos espaços educativos do 
Ensino Fundamental, na rede pública sergipana. As formas de atendimento ao ensino dos organizadores curriculares e dos objetos 
do conhecimento perpassaram por diversas discussões para sua implantação. Para potencializar o debate a SEDUC/DED/SEF 
agregou à União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) para mobilizar professores, coordenadores 
pedagógicos e gestores da rede de ensino sergipana municipal. 
 
 
 
72 
 
Sobre a reorganização curricular, a SEDUC/DED/SEF planejou e desenvolveu várias ações. Dentre elas, destaca-se a 
interlocução realizada nos Encontros Formativos com as Equipes das Diretorias Regionais – DRE’s e cursos emblemáticos para o 
suporte dessa discussão, realizados no decorrer de 2014 e 2015. A EJA e as diferentes formas de atendimento, buscaram por novas 
possibilidades de referenciais e práticas educacionais ao longo das etapas do Currículo da EJA. 
 
5. FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA: POLÍTICA 
PÚBLICA 
5.1 HISTÓRICO DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA EJA 
 
A história da EJA apresenta muitas variações ao longo do tempo, demonstrando estar estreitamente ligada às 
transformações sociais, econômicas e políticas, que caracterizaram os diferentes momentos históricos do país. Com a Revolução 
de 1930, a mudança política e econômica consolidou um sistema público de educação elementar no país. A Constituição de 1934 
criou um Plano Nacional de Educação que indicava, pela primeira vez, a educação de adultos como dever do Estado, incluindo em 
suas normas a oferta do ensino primário integral, gratuito e de frequência obrigatória. Entretanto, ainda era incipiente a sua oferta, a 
considerar os altos índices de analfabetismo no país. 
 De acordo com Oliveira (2004), na década de 1940 a EJA era tema de política educacional, sendo marcada por iniciativas 
político-pedagógicas que ampliaram a modalidade como: a regulamentação do Fundo Nacional do Ensino Primário (FNEP); a criação 
 
 
 
73 
 
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP); o surgimento de obras sobre o ensino supletivo; o lançamento da Campanha 
de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), entre outros. Esta última ação possuía duas estratégias: planos de ação extensiva 
(alfabetização de grande parte da população) e planos de ação em profundidade (capacitação profissional e atuação junto às 
comunidades). Essa campanha atuou no meio rural e no meio urbano, em 1947. 
Conforme Bernardete A. Gatti (2011), no Brasil a história da EJA se constitui de forma gradativa, e carrega marcas de lutas 
dos diversos movimentos sociais que buscavam os direitos à escolarização, assim como, o fim das injustiças e retrocessos no campo 
educativo, ou seja, configurada de tensões entre diferentes projetos de sociedade e as necessidades da educação voltada para 
jovens e adultos.Nos anos 1950 se consolidam as concepções brasileiras da EJA, em virtude do contexto político e cultural assinalado por 
incessantes contestações e anseios de mudanças. Momento em que se constituíram grupos populares ligados a sindicatos e outras 
instituições civis. O Movimento de Educação de Base (MEB) tinha o propósito de abrir caminhos para os sujeitos, que ao viverem 
na ausência de conhecimento letrado, tornavam-se vulneráveis aos desmandos ditatoriais. Tinha por embasamento uma educação 
crítica de jovens e adultos que fosse capaz de promover transformações sociais, e sobreviveu até 1969 devido à sua ligação com a 
Igreja (GADOTTI, 2011). 
A partir de 1970, após o golpe militar, este regime criou o Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, que durou por 
mais de dez anos. O movimento tinha como propósito a alfabetização funcional de jovens e adultos, objetivando levar os alunos a 
 
 
 
74 
 
adquirirem técnicas de leitura, de escrita e de cálculo como forma de inseri-los e integrá-los à sociedade. No entanto, esses jovens 
e adultos não chegaram a atingir um nível aceitável de alfabetização e nem de letramento. Por um lado, o Brasil vencia o 
analfabetismo, por outro, mostrava-se incapaz de resolver os graves problemas da educação, revelando a ineficácia do programa, 
no tocante aos seus principais objetivos. 
Na década de 1980, os movimentos em prol da educação, da pesquisa, do avanço científico e tecnológico se intensificaram 
com a abertura política. Para M. H. Ribas (2000), com a conquista dos direitos políticos iniciou-se uma etapa na história da educação 
brasileira marcada por uma participação mais efetiva dos professores nas questões da educação. Com isso, as análises realizadas 
não se restringiam apenas às questões técnicas, mas passaram a abordar o contexto sócio histórico onde a formação do professor 
estava inserida. Entendia-se a importância dos programas de formação continuada de professores como forma de responder às 
demandas específicas do professorado, garantindo um aprendizado permanente, em que o perfil desejado do educador estivesse 
voltado para a dimensão política da prática docente (SILVA; FRADE, 1997). 
Os programas de especialização contribuíram efetivamente para a qualificação de professores, através de pesquisas, assim 
como, para a realização de eventos e encontros nacionais, ao longo dos anos 80, conforme relatado por Cunha (2013): 
 
Os programas de pós-graduação colocaram-se na vanguarda da discussão acadêmica, vista também como espaço 
político. Em nosso país, os estudos de Mello (1982), Nosella (1983), Vieitez (1982) e Luckesi (1983) inauguraram uma 
nova etapa de análise da competência docente nas dimensões técnica e política. Tais estudiosos foram inspirados nas 
contribuições de raiz marxista, feita por Saviani (1981), Gadotti (1980), Rodrigues (1985) e outros educadores brasileiros. 
 
 
 
75 
 
A formação de professores começou então a ser questionada e ampliada na sua compreensão, incorporando dimensões 
culturais e subjetivas que até aquele momento estavam ausentes dos estudos a respeito da docência. Os eventos 
nacionais retomados, como Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); Conferência Brasileira de 
Educação (CBE) e Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE) tornavam-se espaços privilegiados para 
grandes discussões políticas e acadêmicas. Tais eventos materializavam o esforço de entidades nacionais que 
floresciam, como Associação Nacional de Educação (ANDE); Associação Nacional de Docentes da Educação Superior 
(ANDES); Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação ANPED; e Centro de Estudos sobre 
Educação e Sociedade (CEDES) (CUNHA, 2013, p. 614). 
 
 
A LDBEN n. 9.394/1996 compreende a EJA como uma fase desenvolvida na pluralidade de vivências humanas, conforme 
aponta o Art. 1º, da lei vigente: a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência 
humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, e nas 
manifestações culturais. A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social (BRASIL, 1996). 
Sendo assim, a EJA hoje é um direito público que visa a garantir a igualdade de acesso e permanência na escola, e o ensino 
de qualidade, independentemente da idade em que se acessa. A centralidade do professor nas políticas públicas para educação, 
em especial para a EJA, iniciou a partir dos anos noventa, com o período das reformas na educação brasileira, marcado pela 
produção de documentos oficiais, leis, diretrizes, decretos e resoluções embasadas nas recomendações de organismos multilaterais 
como: Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 
 
 
 
76 
 
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre outros. 
Jamil Cury (2000) relator do Parecer n. 11/2000 da CNE/CNB aponta as matrizes curriculares da modalidade com postura e 
dimensões definidas que têm contribuições para os educandos, assim como, prevê a necessidade de formação inicial de professores 
para atuar na EJA, em função da necessidade em promover ação integrada que implica a existência de um espaço próprio, para os 
profissionais da EJA, nos sistemas, nas universidades e em outras instituições formadoras (BRASIL, 2000, p. 63). Contudo, essa é 
uma orientação e não uma lei que obriga as universidades a terem um mínimo de disciplinas em seus currículos das licenciaturas, 
com conteúdo referente à EJA, assim como, não existe nas universidades essa área de conhecimento contemplada na licenciatura 
(formação inicial). 
Tanto o Parecer n. 2/2015 do CNE/CP, como a Resolução n. 2/2015 do CNE/CP que tratam das Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos 
de licenciatura) e para a formação continuada – salientam que a base desse processo formativo deve considerar a realidade dos 
educandos da EJA e devem dinamizar o currículo, pois, 
[...] A realidade concreta dos sujeitos que dão vida ao currículo e às instituições de educação básica, sua organização e 
gestão, os projetos de formação, devem ser contextualizados no espaço e no tempo e atentos às características de [...] 
jovens e adultos que justificam e instituem a vida da/e na escola, bem como, possibilitar a reflexão sobre as relações 
entre a vida, o conhecimento, a cultura, o profissional do magistério, o estudante e a instituição (BRASIL, 2015, p. 22). 
 
 
 
 
77 
 
Miguel Arroyo (2010) analisa a situação em que se encontra a EJA no Brasil apontando que essa modalidade se consolidou 
há muito tempo, porém hoje existe uma maior atenção por parte da sociedade e das instituições governamentais. Nota-se a 
necessidade da criação de mais projetos e leis que amparem a EJA como prioridade do estado. ONGs e entidades também tomam 
partido dessa luta, lançando programas sociais específicos para a área. Meliana Cardoso Gomes (2011) aponta que existe a 
preocupação pela formação e capacitação de professores para essa modalidade, pois já se consegue ter a visão de que educar 
adultos necessita de propostas pedagógicas diferenciadas. A sociedade tem consciência da importância da EJA e reconhece a 
urgência de mais políticas públicas para a modalidade. Com isso, uma nova etapa foi inaugurada nacionalmente na modalidade com 
mais oportunidade de escolarização. 
Na atualidade, a opção de ser professor perpassa pelo seu compromisso que agrega conscientização de estar preparado 
para formar jovens e adultos para uma sociedade democrática,que atua de forma distinta daquele professor, cuja preocupação é 
desempenhar a normatização institucional, ou seja, limita-se a cumprir itens de um fluxograma. Ser um educador comprometido com 
os educandos incide sobre a oportunidade de transformação das vidas em um processo lógico de emancipação, na perspectiva 
crítica, sendo o educador um agente social, cujas ações refletem melhorando a realidade. 
Arroyo (2010) ainda nos faz pensar no perfil dos alunos da EJA e o que essa modalidade representa é vista como uma 
segunda chance para pessoas que não tiveram acesso e/ou evadiram no Ensino Fundamental e/ou Médio, na idade considerada 
oportuna. Ressaltando que essa modalidade só encontrará seu sucesso e sentido quando for vista como um tempo para os jovens 
e adultos, garantindo o direito à educação para essas pessoas. Outro aspecto apontado é o de como a EJA é tratada pelas políticas 
 
 
 
78 
 
públicas, uma vez que o estado somente reconhece essa modalidade como responsabilidade pública, sem levar em conta o direito 
ao ensino. 
 
5. 2 FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DA EJA 
 
A formação continuada de professores que atuam nas turmas da EJA tem sido um desafio para a SEDUC/DED/SEJA, no 
sentido de incrementar políticas de formação continuada para favorecer o processo ensino-aprendizagem, garantindo o acesso e a 
permanência do aluno na escola, haja vista que essa instituição deve ser o maior atrativo para o aluno, na qual ele deve ser acolhido, 
e deve aprender e socializar os saberes da EJA. Assim sendo, o presente documento tem como objetivo propor uma reflexão sobre 
a necessidade e a relevância da formação continuada de professores dessa modalidade, levando-se em conta que ela não foi 
contemplada na formação inicial da maioria dos professores. 
Para minimizar essa defasagem, a formação continuada ao longo da carreira profissional pode contribuir para com os 
docentes dessa modalidade de ensino, na troca de experiências com seus pares. Essa ação é eficaz e os leva na direção de um 
trabalho pedagógico capaz de enfrentar a diversidade cultural dos alunos, melhorando o seu desenvolvimento. Neste sentido, a 
SEDUC/DED/SEJA, em consonância com as Diretorias Regionais de Educação – DRE’s, contribui para a construção de uma 
formação continuada que estabeleça uma relação de coerência entre a teoria e a práxis pedagógica dos professores. 
 
 
 
79 
 
Considera-se de fundamental importância a formação de professores na modalidade educativa EJA. Levando-se em 
consideração que as práticas pedagógicas não são específicas para a EJA, reproduz-se muitas vezes o ensino regular de maneira 
inadequada e facilitadora. É preciso discutir a importância de constituir-se a EJA de profissionais formados para o trabalho com esse 
público, com uma formação que possibilite um repensar contínuo de sua prática, de forma a tornar-se cada vez mais identificado 
com as questões pedagógicas específicas dos educandos jovens e adultos. 
A Formação Continuada de professores é entendida como um processo constante de aperfeiçoamento dos saberes 
necessários às atividades dos educadores. Ela tem como objetivo assegurar um ensino de qualidade aos alunos dessa modalidade, 
oferecendo subsídios para a prática pedagógica docente, na busca incessante por orientações que forneçam aos professores as 
bases para um ensino que motive os alunos a aprender de maneira concreta e contextualizada. 
Conforme Gatti e Barreto (2009) a importância da formação continuada tem se acentuado consideravelmente no Brasil, tendo 
em vista a demanda e sua oferta. Percebe-se que os efeitos desses cursos realizados para os professores ainda representam 
desafios na relação teoria-prática. No contexto sergipano, o professor ao participar de cursos de atualização pedagógica e retornar 
para suas atividades educacionais da sala de aula, busca suprir as necessidades educacionais dos educandos com vistas à 
realização do sonho de concluir seus estudos, possuir seu diploma, ser inserido no mundo do trabalho e se sentir como um ser 
reintegrado na sociedade globalizada da atualidade. 
 
 
 
80 
 
A EJA no Brasil vem avançando por meio da implementação de projetos e programas voltados para correção dos problemas 
com o analfabetismo, a correção de fluxos e as distorções idade/ano, entre outros fatores. Segundo Imbernón (2010), para reforçar 
a assimilação dos docentes e discentes da EJA, é imprescindível, além da formação continuada, que aconteça um acompanhamento 
contínuo das ações pedagógicas durante o processo educativo, reestruturando os planejamentos e as ações, quando necessário. 
Os professores, durante o curso superior de licenciatura, estudam teóricos que contribuíram para a compreensão do fenômeno 
educativo. Mas é no cotidiano escolar, nas demandas de cada aula e de cada intervenção pedagógica que sistematicamente surgem 
novas alternativas para os desafios. 
O Ensino da EJA é uma modalidade educativa que vem ganhando um campo próprio de pesquisa. Atualmente, os cursos 
de licenciatura já a insere em suas temáticas curriculares. No entanto, os professores que estão na ativa carecem de formações 
continuadas, onde a EJA tenha uma maior centralidade. Começa-se a refletir sobre os problemas específicos da modalidade, em 
função de nossa prática. Os professores da modalidade ministram aulas no ensino regular, onde, ao contrário da EJA, há alinhamento 
idade/série. Podemos, a princípio, cometer o equívoco de transpor os planejamentos de umas turmas para outras. Mas logo ficamos 
cientes de que essa prática ocasiona alguns prejuízos pedagógicos. 
A formação continuada é viabilizada pela SEDUC, mas nada impede que professores, gestores e técnicos apresentem 
contribuições sobre temáticas educativas relevantes para seu cotidiano escolar, onde a interdisciplinaridade seja um alvo comum. 
Na escola, o fomento da Pedagogia de Projetos deve envolver os alunos da EJA no processo, no sentido de criar um senso de 
pertencimento nesses educandos, e as possibilidades de realizarem tarefas pertinentes aos componentes curriculares da escola. 
 
 
 
81 
 
Existe uma reciprocidade motivacional na relação professor/aluno. É notório que professores, ao serem acessados e 
provocados pelos alunos, devem contribuir com a inserção desses sujeitos na exploração de novos horizontes locais, regionais e 
nacionais. É por isso que o Plano Nacional de Educação recomenda a promoção das formações de professores em regime de 
colaboração. Na EJA, em Sergipe, a metodologia desenvolvida volta-se para a Pedagogia de Projetos e da Presença, consistindo 
na elaboração de ações coletivas com homens e mulheres, jovens e adultos, partindo da escrita, refletindo suas experiências 
cotidianas, os costumes locais, e a natureza da sua própria realidade, transformados em ações pedagógicas. Teóricos como John 
Dewey (1993), Paulo Freire (2000), Vygotsky (2003), e outros recomendam esses procedimentos que suscitam o aprofundamento 
teórico e prático dos fenômenos educativos voltadas para o ensino da EJA, proporcionando uma aprendizagem significativa. 
Para tanto, as formações continuadas devem contemplar as diretrizes, os conhecimentos básicos da EJA, as competências, 
os princípios articuladores da teoria e da prática docente, alinhando suas ações com a discussão do mundo do trabalho. Nesse 
sentido, é preciso compreender que o aumento por uma educação formal está relacionado com a reorganização social e a 
escolaridade. Dentro dessa perspectiva, é notório que o retorno dessa população à escola significa uma busca para ampliação de 
conhecimentos, para conseguir emprego e/ou uma posição favorável, mas, acima de tudo, para manter-se no trabalho atual. 
Gaudêncio Frigotto (2000) comenta sobre as atitudes de gestão que geram qualidade: 
 
O campo educativo, da escola básica à pós-graduação, no quadro do ajuste global, é, então, direcionado para uma 
concepção produtivista, cujo papel é o de desenvolverhabilidades de conhecimento, de valores e atitudes e de gestão 
 
 
 
82 
 
de qualidade, definidas no mercado de trabalho, cujo objetivo é formar, em cada indivíduo, um banco de reservas de 
competência que lhe assegure empregabilidade (FRIGOTTO, 2000, p. 34). 
 
Em todos os níveis e modalidades de ensino, a escola deve estar voltada ao educando. Na EJA, este conceito deve ser 
reforçado, pois o jovem, o adulto e o idoso que procuram esta modalidade de ensino, já trazem consigo experiências de vida e 
conhecimentos informais acumulados historicamente. Nesse sentido, o educador deverá ter a modéstia de aceitar os saberes 
adquiridos por eles e a tolerância para articular esses saberes transformando-os em conhecimentos (FRIGOTTO, 2000). 
Isto porque os jovens e adultos têm mais facilidade em aprender se o que estiver sendo ensinado andar articulado com suas 
vivências. Quando houver a junção entre o conhecimento erudito e a experiência do cotidiano, o saber-fazer pedagógico se 
concretizará. Assim, o perfil do educador da EJA requer uma compreensão sobre os saberes informais dos educandos para inseri-
los nas suas práticas pedagógicas cotidianas de sala de aula, que são ressignificadas por meio dessa interação e contextualização. 
Assim, o educando expressa sua história, cultura e costumes da sua comunidade, enquanto componentes curriculares que integram 
os objetos dos conhecimentos (FRIGOTTO, 2000). 
O Plano Nacional de Educação (PNE), em vigência até 2024, estabelece, nas metas n. 09 e 10, as preocupações com a 
necessidade de qualificação da formação docente no processo educativo. Na EJA não poderia ser diferente, haja vista, que as 
qualificações melhoram o sistema educacional brasileiro e sergipano, em grande escala, bem como, o desempenho dos educandos 
no sentido de conclusão das suas escolaridades. Além do PNE outros segmentos também ofertam programas de formação do 
docente em instâncias (federais, estaduais e municipais) com iniciativas que atendem desde a formação inicial até a continuada. 
 
 
 
83 
 
 Nesse bojo de discussão foi instituída a Resolução n. 2/2015 do CNE/CP, que determina as Diretrizes Curriculares Nacionais 
para a formação inicial em nível superior, ofertando cursos de licenciatura, formações educativas e de licenciatura para graduados 
e para a formação continuada (BRASIL, 2015). 
Esse documento apregoa a importância da formação de professores: 
 
Esse documento regulamentou as ações das instituições formadoras no atendimento das metas estabelecidas pelo PNE 
no contexto da formação de professores (inicial e continuada). A Resolução CNE/CP 2/2015 considera a formação 
docente inicial e continuada para a Educação Básica como um [...] processos dinâmicos e complexos, direcionado à 
melhoria permanente da qualidade social da educação e à valorização profissional, devendo ser assumida em regime de 
colaboração pelos entes federados nos respectivos sistemas de ensino e desenvolvida pelas instituições de educação 
credenciadas (BRASIL, 2015, p. 4) 
 
Imbernón (2011) lembra que a educação é um patrimônio do docente, das comunidades escolares e dos meios que a 
estabelecem como uma forma de representação e oportunidades dos fatores externos que a influenciam no modo de agir e pensar 
para a nova geração. Nesse sentido, os processos de formação da EJA precisam multiplicar os fatores da integração, da 
contextualização, da interdisciplinaridade e transversalidade para contribuir mais ainda com a prática docente. O professor é um 
profissional criativo, pois muito do que ele desenvolve em sala de aula tem influências dos cursos e dos outros profissionais que 
perfazem suas referências individuais e coletivas. 
Nesse contexto, Fontoura (2015) considera que: 
 
 
 
84 
 
Há uma visão holística dos sujeitos em formação, revelando a imbricação entre o pensar e o agir, assim como entre a 
teoria e a prática. Os aspectos pessoais também são reconhecidos como fatores que interferem nas questões 
profissionais, e vice-versa, não havendo a fragmentação do que somos com o que construímos na prática educacional 
(FONTOURA, 2015, p. 82). 
 
Segundo Gatti (2009), a formação de professores leva a uma aquisição e/ou a um enriquecimento da sua competência 
profissional, da preparação de um capital intelectual do docente, sugerindo novas tarefas para a dinamização das práticas de sala 
de aula. Nessa perspectiva, o que se espera da formação é uma preparação do professor para além de saber ministrar uma aula, 
ou seja, ele deve saber realizar o seu trabalho docente em regime de colaboração, mediando o processo de aprendizagem com os 
alunos. 
Conforme Gatti (2009) entende a formação docente como um processo contextualizado que se constrói nas trajetórias da 
escolarização, nas vivências, nas trocas de experiências ao longo da vida que nos torna um constante aprendiz, em permanente 
transformação e em construção de nossa identidade e subjetividade. Para tanto, os professores devem se comprometer com o 
processo de atualização educacional durante toda a vida, pois é permeado pela dimensão pessoal e que se integra ao dia a dia 
docente viabilizando o próprio desenvolvimento dos sujeitos (educadores e educador) em constante formação. 
Assim, a formação continuada deve ser concebida como uma aliada dos educadores, uma vez que contribui para a evolução 
constante da educação na EJA, favorecendo a criação de novos ambientes de aprendizagem, e oferecendo novos significados às 
práticas pedagógicas contemporâneas. Além disso, segundo a BNCC a formação continuada deve ser entendida e aplicada a 
 
 
 
85 
 
importância de instrumental basilar promovida pela escola. Neste contexto, deve desenvolver um programa de formação continuada 
em serviço dos professores da EJA, no âmbito de Sergipe, que estabeleça relação entre teoria e prática pedagógica, assegurando 
o sucesso dos docentes e discentes durante o processo de escolarização. 
O Projeto de Formação Continuada de professores que atuam na EJA na SEDUC/DED/SEJA articula-se aos das secretarias 
municipais de educação de Sergipe, em função do regime de colaboração, concretizando o seguinte escopo: propiciar aos 
educadores o desenvolvimento de competências e habilidades demandadas pelo novo contexto de EJA; ampliar as discussões 
teóricas que transcorrem do processo educativo da EJA; possibilitar debates sobre as políticas referentes à modalidade; incentivar 
a composição das metodologias ativas na EJA e desenvolver ações que contribuam para a ampliação dos conhecimentos dos 
profissionais da modalidade. 
Durante esses encontros pedagógicos, os docentes se preparam para a construção de Projetos Pedagógicos considerando 
as características, as expectativas e a realidade da EJA. Nessas formações aborda-se uma relação pedagógica com os 
trabalhadores marcados por experiências de vida. A formação de docentes ajusta-se à riqueza cultural dos discentes explicando os 
componentes curriculares, inclusive, as questões sergipanas. 
Essa ação consistiu num trabalho de intervenção político-pedagógica, enfocando as reflexões sobre a LDB, a Resolução 
01/2000 que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA e as Diretrizes e Bases para apresentação de Projetos em 
EJA de 2017 a 2019. A elaboração de Projetos interdisciplinares de intervenção na realidade social do educando, tem como 
 
 
 
86 
 
perspectiva as abordagens sugeridas nas formações: Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável; Cultura, Patrimônio e 
Identidade; Trabalho e Tecnologia; Economia Solidária e Direitos Humanos; Saúde e Exercício da Cidadania; entre outros. A 
proposta inclui a valorização entre a experiência dos professores, sua prática pedagógica e o conhecimento dos educandos sobre 
as concepções orientadas pela equipe do SEJA/DED/SEDUC. 
A formação continuada de professores garante um espaço de interesse com novos saberes, opções metodológicas e 
possibilidades de avaliaçãoAragão 
Eislay da Silva Santos 
Erinaldo Alves 
Fagna Regane Aragão 
Gabriel de Oliveira Lima 
Jânio Rezende Mota 
Jonalter Santos de Freitas 
Josevania A. dos Santos 
Josineide Andrade dos Santos 
Lara Rafaela O. Gouveia de Farias 
Luiz Rubenval Albuquerque de Oliveira 
Luzinete dos Santos Silva 
Marcela dos Santos Feitosa 
Maria Aparecida Batista Mota 
 
8 
 
Maria Rosimary Vieira Santos 
Marilúcia Alves Feitosa 
Marta Passos Santos Guilherme 
Marta Santos Sá Silva 
Naedia Vieira Matos 
Roseli Dantas Resende 
Silvio Ricardo Sousa 
Thiago Mecenas Silva do Amor Divino 
Veronica Valença P. Carvalho 
Ádson De Lima Silva 
Isabela Santos Chagas 
Morgana Almeida Fontes 
Rosimeire Santos Araújo 
Ana Celma Amaral Santos 
Hugo Hudsney Santana de Souza 
Lílian Santana Gois Silva 
Luciana Leite Santos 
Maria de Fátima Pires Raposo de M. Souza 
Maria Genalva de Jesus Santos 
Mirna Pereira Nonato da Silva 
Thawana Jacyara Silva Souza 
 
Autores dos Relatos de Experiência da 
Educação de Jovens e Adultos 
 
Cristiane Santos Lima Rezende 
Nelma Abdias Santos Leandro 
Maria Salete Amado de Andrade 
Solange Silva dos Santos 
Edite Araújo Maciel 
Margarete da Silva Santos 
Eliane Maria Pedro Gomes 
Luciana Shunk Rabelo 
George José Costa 
Angélica Bitencourt Menezes 
Rogéria Dias Teixeira 
Sileide Santos Mota 
Maria Conceição de Jesus Souza 
Elisângela de Souza Almeida Lima 
Soraya Rabelo Leite 
Karla Carvalho da Silva Oliveira 
Izabel Cristina Santos da Silva 
Antônio José dos Santos Júnior 
Viviane Gois Araujo 
Francis S. Fonseca Oliveira 
 
Avaliadores dos Relatos de Experiência 
da Educação de Jovens e Adultos 
 
Ibernon Alves Macena Júnior 
Rosemeire Siqueira de Santana 
Adriano Lima Menezes 
Jonathas Gabriel Santos Rocha 
Leitores Críticos do Caderno 
Complementar da Educação de Jovens 
e Adultos 
 
Márcia Alves de Carvalho Machado 
Ronaldo Nunes Linhares 
João Francisco do Lago Rodrigue 
Neuma Rúbia Figueiredo Santana 
Cristiano Ayres Machado 
Luana Silva BoaMorte de Matos 
José Adérico Cruz do Nascimento 
Hudson Cesar Veiga Feitosa 
Ana Júlia Máximo Oliveira 
Gisete Cláudia Santos Braz 
Jonas José de Matos Neto 
Valdinete Paes Silva de Jesus 
 
9 
 
Antônia Arimatéia 
Adriana Santos de Jesus Meneses 
Soray Brito Dantas Sobral 
Manoel Alves de Souza 
Antônio César Cabral de Oliveira 
Aline Rose e Silva Valentino 
Andreza Silva Mattos 
Cláudia Campos 
Joao Antônio Cabral de Monlevade 
Maurício Roberto da Silva 
Jairlene de Araújo Dias Oliveira 
Gilson Doria Leite Filho 
 
Redatores do Caderno Complementar 
da Educação Especial 
DEA 
Ana Angélica Pinheiro de Azevedo 
Rosa Karla Cardoso Almeida 
DRE’01 
Adriana Alves Novais Souza 
DRE’02 
Franciele Costa Santos 
DRE’03 
Cristiano Gomes da Silva 
DRE’04 
Adailson da Silva Melo 
DRE’05 
Maria Simonia Souza dos Santos 
Nadja Maria Silva Almeida Lima 
DRE’06 
Márcia Maria Bonfim 
DRE’07 
Gleice Couto de Sá Aragão 
Gracineide Barros Santos 
Roseli Dantas Resende 
Vanessa Resende Conceição 
DRE’08 
Rosimeire Santos Araujo 
DRE’09 
Glezia Kelly Costa Santos 
SERVIÇO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA -
SEINC 
Anatércia Silva Santos 
Karla Vannessa Aragão Siqueira Teles 
Lílian Alves Moura de Jesus 
(Coordenadora da SEINC) 
Marcia Denise Santos Costa 
Maria de Fátima Calheiros dos Santos 
Raquel Delgado Gonçalves Silva 
Renato D’Avila Moura 
Rita de Cássia Fontes de Oliveira 
Sirleide Ferreira da Cruz 
Tálita Cavalcanti Pergentino dos Anjos 
SEIAS 
Rosane da Cunha e Silva 
 
Autores dos Relatos de Experiência da 
Educação Especial 
 
Alene Mara França Sanches Silva 
Alessandra Rezende dos Santos Andrade 
Ana Cláudia Souza Mendonça 
Tania Menezes Santos 
Cristiano Gomes da Silva 
Edilma Silva Santos 
Rosa Helena dos Santos dos Anjos 
Rosa Karla Cardoso Almeida 
 
10 
 
Elvis Nichollas Pereira de Andrade 
Verônica Pereira de Aguiar 
Tálita Cavalcanti Pergentino dos Anjos 
 
Avaliadores dos Relatos de Experiência 
da Educação Especial 
 
Áurea Sérgia Oliveira Prado 
Camila de Araujo Lopes 
Lilian Alves Moura de Jesus 
Rogério Tenório de Azevedo 
Tálita Cavalcanti Pergentino dos Anjos 
 
Leitores Críticos do caderno 
Complementar da Educação Especial 
 
Ana Angélica Pinheiro de Azevedo 
Ana Cláudia Souza Mendonça 
Cristiano Gomes da Silva 
Irailde Gomes Aragão de Melo 
Patrícia Matos Souza Nunes 
Sandra Rosa Baldin 
Instituto Rodrigo Mendes 
 
Analista de Gestão 
Mariana Fátima Muniz Soares 
 
Diagramação 
Daniele Carvalho Leite 
Eronides Pereira de Oliveira Neto 
Luan Dayvisson Souza Santos 
 
Revisão Gramatical 
Klediane Ribeiro Nunes 
Maria Nadja de Carvalho 
 
Parceiros 
Conselho Estadual de Educação (CEE/ 
SE) 
Federação dos Estabelecimentos 
Particulares de Ensino do Estado de 
Sergipe (FENEN/SE) 
União Nacional dos Dirigentes Municipais 
de Educação – Sergipe (UNDIME – SE) 
União Nacional dos Conselhos Municipais 
de Educação – Secção Sergipe (UNCME – 
SE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
MODALIDADE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ................................................................................................................................... 16 
PREFÁCIO ...................................................................................................................................................................................................... 16 
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................................................. 18 
1. PERFIL DO ESTUDANTE DA EJA ................................................................................................................................................................. 24 
2. CAMPOS DE ATUAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA ............................................................................................... 35 
2.1 EJA REGULAR EM SERGIPE ................................................................................................................................................................... 35 
2. 2 EDUCAÇÃO PRISIONAL E SOCIOEDUCATIVA NO ENSINO FUNDAMENTAL ...................................................................................... 37 
2. 3 PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO ......................................................................................................................................................... 41 
2. 4 ENSINO PROFISSIONALIZANTE NA EJA ............................................................................................................................................... 43 
3. MARCO LEGAL DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL E EM SERGIPE – EJA .............................................................. 47 
4. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA E O CURRÍCULO DE SERGIPE ........................................................................................... 58 
5. FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA: POLÍTICA PÚBLICA ..................... 72 
5.1 HISTÓRICO DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA EJA .............................................................................................................................. 72 
5. 2 FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DA EJA ...................................................................................................................... 78 
6. CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO - PPP DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA ................. 86 
 
12 
 
6.1 PPP DA EJA EM SERGIPE ....................................................................................................................................................................... 86 
6. 2 METODOLOGIAS E AVALIAÇÃO A PARTIR DO PPP DA EJA ................................................................................................................com vistas à estabilização de uma identificação profissional para os professores. Essas formações geram 
uma inovação na construção dos conhecimentos gerados pelas trocas de experiências, por meio da reflexão-ação de novos 
conhecimentos e de projetos de EJA desenvolvidos de forma bem-sucedida. 
 
6. CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO - PPP DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E 
ADULTOS - EJA 
6.1 PPP DA EJA EM SERGIPE 
 
Este capítulo tem como objetivo orientar as unidades de ensino jurisdicionadas a Secretaria de Estado da Educação, do 
Esporte e da Cultura - SEDUC e da Rede Municipal de Educação de Sergipe, para readequação do Projeto Político Pedagógico 
(PPP), à luz da BNCC e do Currículo de Sergipe, na modalidade Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental - EJAEF I 
e II. 
 
 
 
87 
 
A reflexão e a execução da construção coletiva desse documento, entendido como marco da organização do trabalho 
pedagógico da escola, considera as características dos estabelecimentos, o perfil dos educadores e dos educandos, a concepção 
teórico-metodológica e a forma de avaliação adotada em cada escola, com vistas a alcançar as condições do processo ensino e 
aprendizagem para o desenvolvimento pleno do educando, considerando as especificidades da EJA. As características dos 
educandos da EJA voltam-se para alunos trabalhadores que lutam para superar as dificuldades das condições de vida, como, 
moradia, baixos salários, péssimas condições de vida, problemas de saúde, alimentação, transporte, entre outros, de modo que 
perdeu a idade correta de escolarização. 
A contribuição do PPP com ênfase na EJA volta-se para o redimensionamento da prática pedagógica dessa modalidade, 
demarcando o pressuposto do que deverá ser apreendido pela comunidade escolar, auxiliando na construção de uma proposta 
inovadora que atenda aos anseios da coletividade. O PPP deverá inserir a EJA sistematizada e contextualizada a partir de um 
planejamento flexível que se concretize por meio da Educação Integral. Vale ressaltar que os Cadernos Complementares servirão 
de insumo para facilitar a prática pedagógica dessa modalidade à luz da LDBEN n. 9.394/1996, da BNCC, do Currículo de Sergipe 
e do Projeto Pedagógico da EJA (SEDUC/DED/SEJA, 2013). 
Nesse item do PPP, as unidades escolares que ofertam EJA indicarão os aspectos legais dessa modalidade, apontando os 
documentos e os pesquisadores que subsidiam o fazer e/ou a prática pedagógica da modalidade, fundamentada em teorias que 
perpassam a prática pedagógica nas escolas. Assim, é necessário apropriar-se das concepções pedagógicas adotadas para EJA e 
 
 
 
88 
 
alinhar com as competências da BNCC (2018), com os marcos da LDB (1996), com os objetos do conhecimento do Currículo de 
Sergipe (2018), acoplados a abordagem do Projeto Pedagógico da EJA de Sergipe (2013). 
A Resolução n. 4/2018/CEE regulamenta a implementação do Currículo de Sergipe nas etapas da educação infantil e do 
ensino fundamental. No que tange ao Art. 4º esse documento apregoa que as propostas pedagógicas das escolas efetivem uma 
Educação Integral voltada para as múltiplas dimensões dos educandos. O Art. 5º da Resolução n.4/2018/CEE aponta que a proposta 
e os planos de trabalho dos educadores devem se adequar às características dos educandos, alinhados com a contextualização dos 
conteúdos, identificando estratégias para apresentá-los de maneira significativa, com base na realidade do lugar. No Art. 6º 
determina-se que a Educação Básica deve abordar a BNCC (2017) e o Currículo de Sergipe (2018) como referências, sendo que no 
§ 1º destaca a EJA como modalidade de ensino que deve se desenvolver nas unidades escolares. 
Para tanto, as Metodologias Ativas, como a Pedagogia de Projetos e a da Presença, implicam novas posturas do educador 
para dinamização das suas práticas docentes. Nesse contexto, recomenda-se ouso de tais metodologias com vistas a valorização 
das manifestações artísticas, culturais e digitais para apropriarem-se de saberes que lhes possibilitem o entendimento com o saber-
fazer alinhado à cidadania, ao projeto de vida, ao trabalho, aos direitos humanos, à consciência socioambiental, à saúde física e 
emocional, ao exercício da empatia, entre outros. Essas novas metodologias estão associadas às formas e aos instrumentais de 
avaliação que devem perpassar toda a prática pedagógica do profissional da EJA. 
 
 
 
89 
 
Conforme Kelly D. da S. Macedo (2018) a metodologia ativa tem uma percepção de educação crítico-reflexiva com 
embasamento no estímulo do processo ensino-aprendizagem, derivando da inclusão do aluno na busca pelo conhecimento. Esse 
conceito inclui o método a partir da construção de uma situação problema, a qual harmoniza-se com reflexões críticas; mobiliza o 
educando para a busca da solução de questões; ajuda na reflexão e a na proposição de soluções mais adequadas e corretas. As 
concepções teóricas e metodológicas enfatizam a problematização e a resolução de situações problema das questões educacionais 
da EJA. O professor recomenda o despertar da capacidade do aluno, a partir do diagnóstico, da observação, da pesquisa, da análise 
e da avaliação, possibilitando o emprego dos conhecimentos adquiridos de forma ampliada e interdisciplinar (MACEDO, 2018). 
Dessa forma, estudos que trazem as metodologias ativas como prática docente expressam que os estudantes se sentem 
desafiados e estimulados a pesquisar a teoria, discutir as situações e propor soluções. Porém, sentem-se desconfortáveis em relação 
à avaliação, pois esta ocorre com base nas reflexões teórico-práticas expressas e descritas, que mostram a capacidade de 
elaboração do saber (MACEDO, 2018). Observa-se o uso de metodologias ativas e problematizadoras, e o aprender a aprender se 
mostra como uma via de construção do conhecimento. A interação proposta na ativação resulta na aprendizagem significativa. 
A adoção dessa metodologia requer uma reestruturação curricular, que considere o tempo para as atividades, a carga horário 
e a articulação entre as disciplinas. A aplicabilidade das metodologias ativas, na EJA, compreende a construção do conhecimento a 
partir da assimilação temática e dos saberes pré-existentes do aluno. Para elaboração da pergunta inicial, de critérios das hipóteses, 
da organização dos conceitos e das revisões de leituras, o professor incentiva diversas problematizações. Sua perspectiva é a de 
fornecer aos alunos uma prática voltada para o estudo de atividades que viabilizam o aprendizado cotidiano, focado no 
 
 
 
90 
 
aprofundamento de questões significativas. Os alunos se sentem motivados por atividades sugeridas pelos docentes, que as 
realizam aos poucos. Essa estratégia de ensino requer inclusão de metodologias ativas, mantendo a organização curricular e os 
componentes disciplinares. Nessa estratégia, as questões são pactuadas pelo interesse do grupo, baseadas pelos pilares 
educacionais do século XXI, apregoadas por Jacques J. Delors (2003), sendo aprender a ser, a conviver com independência, 
aprender com sensatez e aprender com compromisso pessoal. 
Nesse sentido Cipriano Luckesi (2006) ressalta que, 
 
A avaliação da aprendizagem neste contexto é um ato amoroso, na medida em que incluem o educando no seu curso de 
aprendizagem, cada vez com qualidade mais satisfatória, assim como na medida em que o inclui entre os bem-sucedidos, 
devido ao fato de que esse sucesso foi construído ao longo do processo de ensino-aprendizagem (o sucesso não vem 
de graça). (LUCKESI, 2006, p.175). 
 
A SEDUC/DED/SEJA propõe um aprendizado que privilegia o saber-fazer em conjunto, compartilhando e readequando os 
objetos do conhecimento na perspectiva da EJAEF I e II, por meio de 4 (quatro) Eixos Temáticos, sendo eles: 1. Eu e o Meio; 2. 
Trabalho e Cidadania; 3. Interação e Interatividade, e 4. O Corpo e o Mundo. A partir desses quatro eixos, os educadores devem 
acoplar quatro Temas Afins a essas linhasde concentração, que se desdobram em: 1. Identidade e as Relações com o Meio Social, 
o Cultural, o Histórico, o Ambiental e o Digital, que compõem a personalidade; 2. As Dinâmicas de Produção e as Relações de 
Trabalho, Direitos, Deveres, Atuação Política e suas Dimensões Éticas; 3. Relações Humanas e a Intermediação Tecnológica, Ética 
 
 
 
91 
 
e Moral, Inteligência Emocional, Resolução de Conflitos e Responsabilidade Afetiva; e 4. Saúde Física e Mental, Estética e Cultura 
de Consumo, Equilíbrio Ambiental, Globalização Econômica e Cultural. 
Os eixos temáticos apontam um caminho para a execução da Proposta Curricular e para a readequação dos Objetos do 
Conhecimento, na perspectiva de atender as especificidades da EJA. Nesse sentido, os Princípios da Educação Integrada e 
Contextualizada, apregoados pelo Currículo de Sergipe (2018), devem estar em consonância com a EJAEF I e II, correlacionados 
com os Eixos Norteadores e com os Temas Afins, que também são 4 (quatro): 1. Autonomia; Inclusão; Respeito à diferença; 
Criticidade; Criatividade; 2. Equidade; Colaboração; Criatividade; Autonomia; Inclusão; Criticidade; 3. Equidade; Inclusão; Criticidade; 
Respeito à Diferença; Colaboração; e 4. Sustentabilidade; Criticidade; Autonomia; Criatividade; Equidade; e Colaboração. 
Por sua vez, a Educação Integrada e Contextualizada, proposta pelo Currículo de Sergipe (2018), deve estar alinhada às 
competências da BNCC (2018) para implementação das práticas pedagógicas da EJAEF I e II, sendo elas: 1. Conhecimento; 2. 
Pensamento Científico, Crítico e Criativo; 3. Repertório Cultural; 4. Comunicação; 5. Cultura Digital; 6. Trabalho e Projeto de vida; 7. 
Argumentação; 8. Autoconhecimento e Autocuidado; 9. Empatia e Cooperação; e 10. Responsabilidade e cidadania. 
Para reforçar a readequação dos objetos do conhecimento, segue abaixo tabela explicativa sobre os procedimentos das 
Práticas Pedagógicas da EJAEF I e II da Rede Pública de Ensino de Sergipe, estadual e municipal (Figura 01). 
 
 
 
 
 
92 
 
Figura: 01 Procedimentos das Práticas Pedagógicas da EJAEF I e II: 
EIXOS TEMÁTICOS TEMAS AFINS PRINCÍPIOS DO 
CURRÍCULO DE 
SERGIPE 
COMPETÊNCIAS GERAIS 
 
 
 
Eu e o Meio 
Identidade e as relações 
com o meio social, cultural, 
histórico, ambiental e digital 
que compõem a 
personalidade. 
Autonomia; 
Inclusão; 
Respeito à 
diferença; 
Criticidade; 
Criatividade 
1. Conhecimento 
2. Pensamento Científico, Crítico e Criativo 
3. Repertório Cultural 
5. Cultura Digital 
8. Autoconhecimento e Autocuidado 
9. Empatia e Cooperação 
 
 
 
Trabalho e Cidadania 
As dinâmicas de produção e 
as relações de trabalho, 
direitos, deveres e atuação 
política e suas dimensões 
éticas. 
Equidade; 
Colaboração; 
Criatividade; 
Autonomia; 
Inclusão; 
Criticidade 
1. Conhecimento 
2. Pensamento Científico, Crítico e Criativo 
3. Repertório Cultural 
4. Comunicação 
6. Trabalho e Projeto de vida 
7. Argumentação 
9. Empatia e Cooperação 
10. Responsabilidade e cidadania 
 
Interação e 
Interatividade 
 
Relações humanas e a 
intermediação tecnológica, 
ética e moral, inteligência 
emocional, resolução de 
conflitos e responsabilidade 
Equidade; 
 Inclusão; 
 Criticidade; 
Respeito à 
diferença; 
1. Conhecimento 
2. Pensamento Científico, Crítico e Criativo 
3. Repertório Cultural 
4. Comunicação 
5. Cultura Digital 
 
 
 
93 
 
EIXOS TEMÁTICOS TEMAS AFINS PRINCÍPIOS DO 
CURRÍCULO DE 
SERGIPE 
COMPETÊNCIAS GERAIS 
Interação e 
Interatividade 
afetiva. Colaboração 8. Autoconhecimento e Autocuidado 
9. Empatia e Cooperação 
 
 
 
O Corpo e o Mundo 
Saúde física e mental, 
estética e cultura de 
consumo, equilíbrio 
ambiental, globalização 
econômica e cultural 
Sustentabilidade; 
Criticidade; 
Autonomia; 
Criatividade; 
Equidade; 
Colaboração 
1. Conhecimento 
2. Pensamento Científico, Crítico e Criativo 
3. Repertório Cultural 
4. Comunicação 
5. Cultura Digital 
8. Autoconhecimento e Autocuidado 
9. Empatia e Cooperação 
 Fonte: SEDUC/DED/SEJA, 2019 
A tabela apresenta a formatação para o desenvolvimento das práticas docentes da EJAEF I e II, para transmissão e 
readequação dos objetos de conhecimento. A proposta curricular deve estar em consonância com uma prática pedagógica 
interdisciplinar. Esta será vivenciada e ajustada aos eixos articuladores, com base em Temas Afins formulados, a partir dos critérios 
identificados pelos mediadores da aprendizagem, em parceria com os educandos, de acordo com as características das suas 
realidades sociais. 
No que se refere à EJAEF l e II, 20% da carga horário dos projetos interdisciplinares criados pela escola devem estar 
previstos em seu PPP. Essa determinação é garantida através da resolução 04/2010/CNE, citada nos anexos da resolução 
 
 
 
94 
 
01/2019/CEE, que trata sobre o que precisa ser garantido no PPP. Assim sendo, caberá à escola definir, em seu PPP, como ocorrerá 
a integração entre as áreas de conhecimento, os componentes curriculares e os temas transversais, por meio de projetos 
interdisciplinares, temas geradores e/ou eixos articuladores. 
A Rede Estadual de Ensino possui o componente curricular Projeto de Vida, Educação Empreendedora e Financeira, que 
elaborou o Organizador Curricular em parceria com o SEBRAE e que pode compor a parte diversificada da Matriz Curricular da EJA, 
de forma integrada e contextualizada. 
 
6. 2 METODOLOGIAS E AVALIAÇÃO A PARTIR DO PPP DA EJA 
 
O desafio posto para o Ensino Fundamental da EJAEF I e II é o de que o conhecimento adquirido privilegie as habilidades e 
as competências pré-existentes dos educandos. Elas são voltadas aos interesses dos sujeitos com valores, identidade e 
particularidades, e garantem uma mediação pedagógica que contemple práticas diferenciadas que, por sua vez, potencializam a sua 
inclusão no contexto social. 
A BNCC (2018) e o Currículo têm funções integradoras, pois garantem a aprendizagem definida para a Educação Básica, 
reconhecendo a importância das formações e do desenvolvimento intelectual, físico, afetivo, social, ético e simbólico dos educandos. 
Essas funções são consolidadas mediante as ações que se adequam às pressuposições locais, considerando a autonomia das 
redes públicas de ensino para adaptá-las a seus cenários, de acordo com a realidade dos alunos. Isso porque é fundamental a 
 
 
 
95 
 
contextualização dos conteúdos dos componentes curriculares, identificadas as estratégias para torná-los significativos, com base 
nas decisões sobre as formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares (BNCC, 2018). 
Portanto, as metodologias indicadas pela BNCC (2018) e pelo Currículo de Sergipe (2018) voltam-se para a seleção de 
procedimentos didático-pedagógicos diversificados, recorrendo-se aos conteúdos complementares para trabalhar as necessidades 
e a cultura dos alunos. Assim, novos métodos que motivam sua aprendizagem na EJA exigem a realização de formações docentes 
que os qualifiquem com temáticas voltadas para avaliação processual e/ou de resultado. Essas formações são recomendadas pela 
SEDUC/DED/SEJA para essa modalidade, e devem seguir os critérios das concepções que privilegiam as Metodologias Ativas, 
dentre as quais, destacam-se as Pedagogias de Projetos e da Presença. 
Pode-se dizer que a Pedagogia de Projetos é um método focado nas experiências educacionais e/ou um método de ensino, 
no qual a classe se ocupa com atividades voltadas para os seus interesses e para os da comunidade escolar. Isso porque esse 
procedimento coloca o aluno em contato com o plano concreto em que esteja inserido, nos seus critérios de demarcação, onde o 
planejamento coaduna com as preocupações da realidade. O professor propõe situações problema e/ou temáticas fundamentadas 
nas suas descobertas significativas. 
O trabalho com projetos apresenta novas possibilidades de entendimento do processo de ensino/aprendizagem. Aprender 
e ensinar a ressignificartodo o conhecimento que é construído em estreita relação com o contexto em que é utilizado, agrega os 
aspectos cognitivos, sociais e emocionais em um mesmo processo. Assim, a Pedagogia de Projetos objetiva a ressignificação do 
 
 
 
96 
 
espaço pedagógico, transformando a sala de aula e a escola em um espaço vivo de intercâmbios e interações, inteligíveis às 
múltiplas extensões. Nesse processo, a formação dos alunos é pensada como uma ação intelectual, mas também integral e 
intrincada, na qual o conhecer e o intervir na realidade estão associados. Aprende-se compartilhando, vivenciando emoções, e 
adotando atitudes diante dos acontecimentos. 
Já a Pedagogia da Presença se conceitua como: 
 
Um passo na direção do grande esforço, que se faz necessário, para a melhoria da qualidade da relação estabelecida 
entre educador e educando, tendo como base a influência construtiva, criativa e solidária favorável ao desenvolvimento 
pessoal e social das crianças, adolescentes e jovens. A Presença Educativa diz respeito a um relacionamento onde duas 
pessoas se revelam uma para a outra. O educador tem que deixar sua vida ser penetrada pela vida do educando. Isso 
requer abertura, troca, respeito mútuo, reciprocidade, ou seja, tem que haver um agenciamento singelo entre as pessoas 
(...). Um olhar, um toque, uma palavra, um incentivo, um gesto, um conselho, um sorriso, enfim, são atitudes que 
modificam nosso trabalho socioeducativo. Aqui está o segredo de todo o processo educativo. É preciso compartilhar 
momentos de alegria ou de tristeza que o educando está sentindo (COSTA, p. 01, 2019). 
 
A Pedagogia da Presença é uma metodologia, conforme a qual o professor tem de estar junto ao aluno para que esse 
exercício ocorra. Nessa tendência, os estudantes têm autonomia para participar, falar e sugerir por estarem inclusos em uma 
organização disciplinar. A Pedagogia da Presença está vinculada ao sentido de especificidade preventiva, que implica associação 
com contentamento, encorajando o crescimento e a agilidade com responsabilidade. 
 
 
 
97 
 
A presença dos adultos no mundo dos jovens é um ato que envolve consentimento, reciprocidade e respeito mútuo. O 
adolescente espera do educador algo mais do que um serviço eficiente, em que as tarefas claramente definidas, se integrem num 
conjunto coordenado, e tecnicamente preparado. Existir, para o adolescente, não é um problema metafísico, é dispor de alguns bens 
materiais e não-materiais essenciais. Um deles é ter valor para alguém, ser aceito e estimado num universo que lhe é particular, 
onde possa desenvolver as capacidades manifestas. 
A presença é uma exigência constante para o desenvolvimento da personalidade e a inserção social do ser humano. A vida 
desses sujeitos se traduz num desejo constante de presença. Quando esses vínculos são fragilizados e se rompem, todo o 
dinamismo da vida torna-se um vazio. Esse olhar da presença do educador na escola implica um novo caminho para a educação 
dos jovens. Um caminho que parte do reconhecimento de que, na EJA, o que varia é o momento, é o tipo de intervenção e é a 
receptividade do educando. 
Para que haja verdadeira preocupação na qualidade da aprendizagem do educando, faz-se necessário adotar como prática 
de avaliação o processo diagnóstico, em que se permitirão investigar quais práticas devem ser adotadas a fim de que se percebam 
quais intervenções adotar. As práticas de EJA conectadas aos novos dispositivos e possibilidades midiáticas, cuja inspiração está 
na pedagogia dos multiletramentos envolvem jovens e adultos oriundos de uma cultura informal. Esses alunos, ao ingressarem na 
escola, devem se integrar com os modos de funcionamento particulares da instituição. O aprendizado dos sujeitos começa antes de 
conviverem com os demais sujeitos da escola, uma vez que aprenderam a lidar com diversas situações e com as necessidades 
cotidianas da sociedade contemporânea. 
 
 
 
98 
 
Maria Cezarela Oliveira Carvalho (2019) observa que ao entrarem nas unidades escolares, jovens, adultos e idosos já 
consolidaram um aprendizado informal, mas com o acesso ao aprendizado formal, se direcionam para a apropriação dos 
conhecimentos de maneira sistematizada. Para compreender essa relação entre os níveis de aprendizagens, conforme Vygotsky 
(2008), deve-se apreender as etapas de desenvolvimento mental dos sujeitos e do seu aprendizado ao longo da vida. 
 O aprendizado, quando bem organizado, desencadeia processos internos de desenvolvimento, que são realizados quando 
a pessoa interage com outras. Ao serem internalizados, esses processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento do 
sujeito. Para Vygotsky (2008, p. 103), “o aprendizado é um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das 
funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas”. 
No que se refere à avaliação classificatória, esta não serve como auxílio, avanço e crescimento do educando, mas como um 
processo de estagnação em termos de adquirir e se apropriar dos conhecimentos e das habilidades necessárias. Há que partir da 
avaliação diagnóstica, pois a avaliação deve servir para a democratização do ensino, e da modificação da sua utilização de 
classificatória (LUCKESI, 2006). 
A função da avaliação é possibilitar ao educador condições necessárias de compreensão da fase do conhecimento em que 
o aluno se encontra, e que ele avance. A avaliação é um instrumento que possibilita a realização de um diagnóstico da situação dos 
educandos, para encaminhar as metodologias apropriadas a fim de que aconteça a aprendizagem. A avaliação é a ferramenta pela 
 
 
 
99 
 
qual o professor tem categoria de verificar quais necessidades deve-se trabalhar no educando para que este alcance a condição de 
assimilação dos conhecimentos, acerca do que é recomendado para a classe. 
A avaliação processual indica a prática de analisar a aprendizagem ao longo das atividades realizadas na sala de aula. 
Sendo consideradas diversas atividades como instrumentais avaliativos dos componentes curriculares, representações, 
apresentações, criações, pesquisas, excursões, debates, explanações e outras. Isso faz a diferença porque é a ligação entre o 
ensino e a aprendizagem que torna o docente corresponsável, assim como, os educandos, agentes da construção do conhecimento. 
A BNCC e o Currículo de Sergipe serão contemplados para garantir as aprendizagens essenciais, sempre compreendendo 
a complexidade e a subjetividade do educando dessa modalidade, por meio do ajuste da Proposta Curricular, que terá como função 
direcionar o que será apreendido pelo educando e para além disso, como esse processo de ensino e aprendizagem se desenvolverá. 
Os objetos de conhecimento, as habilidades, as competências específicas da área e do componente serão trabalhadas por 
meio da concepção pedagógica que atenderá, com coerência, as especificidades desse público, uma vez que é evidente a 
necessidade de uma metodologia diferenciada para que haja aquisição do conhecimento. Aspectos como a idade, a participação no 
mercado de trabalho, a necessidade de ajudar na renda da casa, dentre outras características, direcionam esses educandos à uma 
aprendizagem significativa, contextualizada e integrada, em que a teoria seja refletida na prática, ou seja, ele aprende a aprender, 
porque integra seu cotidiano; aprende a fazer, porque adicionará elementos importantes para alcançar melhores resultados no seu 
trabalho; aprende a ser e a conviver, porque as metodologias utilizadas os levam ao desenvolvimento das competências importantes. 
 
 
 
100 
 
O Currículo só encontra significado quando está em consonância com essa realidade e quando o educando, por meio das 
habilidades desenvolvidas, de forma gradativa, vivencia as competências gerais da BNCC, que de forma clara estão conectadas às 
necessidades e especificidades dessa modalidade. 
Ao visualizar a tabela proposta,percebe-se a integração entre os Eixos Temáticos, os Temas Afins, os Princípios do Currículo 
de Sergipe e as Competências Gerais que estão englobados no conceito de Educação Integral. Esse modelo de educação envolve 
o aluno nos seus múltiplos aspectos, unindo a competência cognitiva às competências socioculturais e emocionais, e direcionam 
uma prática pedagógica que se desenvolve englobando suas especificidades na EJA. 
O entrelaçamento do que fora citado no parágrafo anterior definirá como será a Proposta Curricular, ou seja, a organização 
dos Eixos Temáticos que serão preenchidos com os objetos de conhecimento, e com as habilidades correspondentes e 
indispensáveis à EJA, cumprindo o período de tempo previsto na legislação para desenvolver o processo ensino e aprendizagem 
dessa modalidade. Esse é o grande desafio. 
7. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA DA EJA NO BRASIL E EM SERGIPE 
7.1 FUNÇÕES DA EJA 
 
No caminhar da sua história, ao longo da sua existência como modalidade de ensino, a EJA experimentou inúmeras 
discriminações, a ponto de nem ser considerada e reconhecida como um direito. Analisando a sua trajetória, a legislação da EJA 
 
 
 
101 
 
surge em função das necessidades do país, do ponto de vista político, e das demandas sociais presentes nos movimentos populares. 
Mesmo dentro das próprias instituições de ensino, sejam elas municipais ou estaduais (na escola), ela sofreu inúmeros preconceitos, 
sendo vista pelas lentes do assistencialismo, da suplência e da emergência, relegada ao âmbito da alfabetização e à educação de 
caráter popular. 
O débito com a classe trabalhadora, quanto à ineficiência das políticas públicas que atuam no campo da EJA, explica as 
desigualdades sociais para inserção dos jovens e adultos na escola. Uma opção viável para esses estudantes, com especificidades 
econômicas desiguais, seria uma atuação mais efetiva do estado, assim como, das instituições que compõem a sociedade civil, no 
sentido de valorizar a escola como possibilidade de ascensão desse indivíduo. 
Isto porque a aquisição da leitura e da escrita possibilita aos sujeitos: a contribuição para universalização dos conhecimentos 
científicos, superando a ignorância; a apropriação de conhecimentos tecnológicos, contribuindo para a consolidação de pessoas 
mais autônomas; a participação no mercado de trabalho, no qual a exigência educacional impõe-se como realidade; a existência de 
um espaço democrático de conhecimento que discuta sobre uma sociedade menos desigual; e a colaboração com a autoestima 
(BRASIL, 2000). 
Na década de 1960, o método de alfabetização sugerido e proposto por Paulo Freire partia do pressuposto de que toda 
pessoa, alfabetizada ou não, trazia conhecimentos oriundos das diferentes relações travadas, durante a sua vida. Desta maneira, 
durante os primeiros momentos dessa década a EJA viveu ações muito importantes. 
 
 
 
102 
 
Na sua travessia, construindo a sua jornada, observando a sua linha cronológica de tantos acontecimentos, marcada por 
tantas idas e vindas, perdas e ganhos, grandes avanços e inúmeros retrocessos, a EJA revelou que é muito mais abrangente e que 
desempenha muitas outras funções. De fato, a EJA vai além, seja dentro das escolas ou fora delas. 
O Parecer CNE/CEB 11/2000 diz: 
 
Não se pode considerar a EJA e o novo conceito que a orienta apenas como um processo inicial de alfabetização. A EJA 
busca formar e incentivar o leitor de livros e das múltiplas linguagens visuais juntamente com as dimensões do trabalho 
e da cidadania. Ora, isto requer algo mais desta modalidade que tem diante de si pessoas maduras e talhadas por 
experiências mais longas de vida e de trabalho (PARECER CNE/ CEB N. 11/ 2000, DE 10 DE MAIO DE 2000). 
 
Como modalidade de ensino de Educação Básica, numa sociedade repleta de desigualdades e injustiças, sejam de caráter 
material, cultural e principalmente social, a Educação de Jovens e Adultos deve ser vista como uma possibilidade na efetivação, e 
na garantia dos direitos subtraídos e negados para alguns cidadãos. 
A EJA representa uma dívida social e histórica que deve ser reparada. E esse reparo deve chegar a todos os que foram 
excluídos, devendo ocorrer de forma justa e menos desigual, oportunizando assim a inclusão de tantas e tantos brasileiros que, por 
motivos diversos, foram vítimas do percurso muitas vezes perverso e excludente da história do nosso país. No Brasil, o ensino 
destinado aos jovens e adultos apresenta uma proposta pedagógica de caráter flexível, que valoriza e considera o indivíduo e suas 
 
 
 
103 
 
diferenças, suas experiências e vivências produzidas e adquiridas no cotidiano, e também no mundo profissional e do trabalho, bem 
como, todo o conhecimento informal, local e cultural dos alunos. 
Sobre este último ponto, é necessário destacar as experiências proporcionadas por Paulo Freire, que já evidenciavam a 
valorização dos variados conhecimentos produzidos pelos jovens e adultos, fora dos muros das escolas. Aí reside a grande questão: 
utilizar este conhecimento individual como ponto de partida para construir novos conhecimentos, confirmando que, “a leitura do 
mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, 1989, p.11). Desta forma, Freire afirma que o mundo que se revela para o aluno em 
seu contexto é diferente do mundo da escola. Portanto, faz-se necessário que as escolas que ofertam a EJA enxerguem a 
importância do vasto e rico conhecimento trazido pelo aluno, para dentro do ambiente escolar, e transformem todo esse material e 
todas essas informações em temas e conteúdos significativos, que facilitem e tornem prazeroso e concreto o processo de ensino e 
aprendizagem. 
 A partir do ano 2000 o Parecer n. 11/2000 da CNE/CEB redefiniu as funções do ensino supletivo constantes do Parecer 
CFE n. 699/72 e, assim, atribuiu à EJA três funções básicas: a função reparadora, a função equalizadora e a função qualificadora 
ou permanente. 
Para Jamil Cury (2000), relator do Parecer acima citado, a função reparadora não se refere apenas à entrada de jovens e 
adultos no âmbito dos direitos civis. Ela significa, principalmente, a reparação de um direito a eles negado. E não se trata somente 
 
 
 
104 
 
de ter acesso a uma escola de qualidade, mas também, do reconhecimento de igualdade a qualquer ser humano, que é o direito a 
um bem real e concreto, social e simbolicamente importante. 
Todavia, a função reparadora não pode ser entendida como apenas noção ou ideia de suprimento. Esta função deve garantir 
um modelo educacional que crie situações e práticas pedagógicas, que atendam às necessidades de aprendizagens específicas dos 
estudantes adolescentes, adultos e idosos. Tal função constitui-se na restauração do direito a uma escola de qualidade e deve 
contribuir para o acesso e a conquista da cidadania, e também para a entrada no mundo do trabalho, desenvolvendo assim, as 
habilidades e competências exigidas para tal. 
Desta forma, com relação à escola de qualidade, é preciso levar em conta que o jovem, o adulto e/ou idoso, ao ingressarem 
em uma turma de EJA, tenham a oportunidade de desfrutar de uma educação de acordo com sua realidade. E que, de fato, essa 
escola possa torná-los cidadãos suficientemente capazes de entenderem o mundo ao seu redor, de forma crítica. No que tange à 
igualdade, é preciso que os alunos da EJA se sintam totalmente inseridos no ambiente escolar, sendo parte dele. Já no que se refere 
à questão da segurança, o ensino de jovens e adultos necessita estar preparado para que o aluno possa perceber que dali sairá 
capaz de enfrentar os diferentes problemas e desafios que vão além da realidade e do cotidiano da escola. A função reparadora é 
crucial para o sentimento de autoconfiança desses estudantes, que irão conviver com os desafios que a sociedade e o sistema 
ofertam ao indivíduo. 
 
 
 
105 
 
Porém, essa função reparadora não existe sozinha, e não responde por todo um processo,de forma isolada. Por isso, faz-
se necessário conhecer e entender as outras duas funções. No sentido mais amplo, equidade significa igualdade, simetria, retidão 
e imparcialidade. Consiste no ajuste da regra existente a uma situação concreta, levando-se em consideração os critérios de justiça. 
Pode-se afirmar que a equidade acomoda e adapta a regra a um caso específico, com o objetivo e intenção de torná-la mais justa. 
Quanto ao seu emprego na EJA, a função equalizadora aplica-se àqueles que na trajetória da vida foram desfavorecidos 
quanto ao acesso e à permanência na escola, oportunizando a reentrada no sistema educacional dos que tiveram uma interrupção 
forçada, principalmente devido à evasão ou repetência, e também, pelas possibilidades desiguais e injustas de permanência dentro 
do contexto escolar. Seria, então, a função equalizadora um mecanismo de reparação corretiva? Sem dúvidas que sim, e deve ser 
saudada como tal, mesmo que ainda tardia e obviamente atrasada, e assim, oferecer aos indivíduos novas inserções no mundo 
profissional, na sua existência e no meio social, nos espaços de forma geral, e na promoção de novos canais e novas possibilidades 
de participação. 
A EJA deve, dessa forma, promover através da equidade, a efetivação do desenvolvimento desse sujeito, propiciando aos 
jovens empregados, subempregados ou não, o real cumprimento do princípio constitucional de que a educação é direito de todos. 
Desse modo, é a função equalizadora que deve garantir a esses jovens e adultos a sua reentrada no sistema educacional. Porém, 
há que se reconhecer que numa sociedade tão marcada por diversidades e diferenças, essa função deverá garantir, principalmente 
através das políticas públicas, a efetivação de oportunidades diferentes para eliminar tais desigualdades. De uma coisa deve-se ter 
certeza: o acesso aos bens sociais e ao exercício pleno e concreto da cidadania devem, portanto, ser equalizados dentro e fora da 
 
 
 
106 
 
escola, para só assim termos uma EJA de qualidade, na busca e no desenvolvimento de conhecimento, na formação integral de 
seus alunos, e também na qualificação dessa comunidade escolar para o mundo do trabalho. 
Reparar, garantir, efetivar e equalizar. Por fim, é necessário falar em qualificar, é a função qualificadora, aquela que permite 
o desenvolvimento de caráter tanto no currículo escolar, como fora dele. Essa função, também chamada de permanente, propicia, 
ou deveria propiciar a todos, a atualização de conhecimentos por toda a vida. A função qualificadora tem como base o caráter 
incompleto do ser humano, cujo potencial de desenvolvimento e de adequação pode se atualizar em quadros escolares ou não 
escolares. Mais do que tudo isso, ela é um apelo para a educação permanente e a criação de uma sociedade educada para o 
universalismo, a solidariedade, a igualdade e a diversidade. 
Como função de caráter permanente, a qualificadora atrela-se a um dos princípios da LDBEN n. 9.394/1994, no que se refere 
ao preparo para a cidadania e à qualificação para o trabalho. Assim, ela deve ser vista como uma promessa de qualificação de vida 
para todos, propiciando a atualização de conhecimentos por toda a vida. É necessário ficar entendido que a função qualificadora é 
o próprio sentido da EJA, já que tem como base o caráter incompleto do ser humano. De acordo com a LDBEN no seu Art. 2º, 
determina que a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, 
tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, o seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o 
trabalho. 
 
 
 
107 
 
No mais, através da existência, da garantia e do exercício dessas três funções, a EJA deve desenvolver um modelo 
educacional e escolar que possibilite o surgimento de um espaço democrático de conhecimento, propício aos jovens e adultos do 
campo e da cidade, e com tendência a assinalar um projeto de sociedade menos desigual e injusta. 
E como sugeriu Freire (2000): 
Um desses sonhos (…) é o sonho por um mundo menos feio, em que as desigualdades diminuam, em que as 
discriminações de raça, de sexo de classe sejam sinais de vergonha e não de afirmação orgulhosa ou de lamentação 
puramente cavilosa. No fundo, é um sonho sem cuja realização a democracia de que tanto falamos, sobretudo hoje, é 
farsa (FREIRE, 2000). 
É importante lembrar que esta modalidade de ensino representa um grandioso desafio a ser 
solucionado não só por meio de práticas e iniciativas individuais e isoladas, mas também a EJA 
como um todo, é um compromisso a ser realizado através de programas e políticas públicas 
visando ao macro, e não ao micro. 
Deve chegar a todos, porém respeitando e valorizando as particularidades, as 
peculiaridades, as individualidades e toda sua diversidade. Conforme afirma o Parecer 11/2000, 
o projeto pedagógico da EJA tem modelo próprio e deve assegurar, na sua prática pedagógica, 
a autoestima, a inclusão, a valorização da experiência, a satisfação e o cumprimento das 
necessidades de aprendizagem de jovens e adultos. 
 (Imagem 01: EJA e sua representatividade) 
 
 
 
108 
 
7. 2 AS CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E A EJA 
 
A EJA atende sujeitos que por algum motivo não tiveram acesso à educação escolar na idade certa. Portanto, é preciso 
pensar um ensino que valorize a experiência de vida dos estudantes. O ideal para desenvolver a inteligência de um sujeito é colocá-
lo em situações que o desafie constantemente, para que ele próprio possa ser sujeito construtor do seu conhecimento, pelo 
intermédio do professor. É a partir daí que há a diferenciação entre a concepção empírica e tradicional e as concepções libertária, 
sociointeracionista e construtivista, as quais se baseiam na construção do conhecimento do indivíduo, com foco na contextualização 
e integração da sua realidade social aos objetos dos saberes sistematizados. 
O Art. 37 da LDEN n. 9394/96 instituiu as seguintes determinações para a EJA, 
 
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos 
ensinos fundamental e médio na idade própria e constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da 
vida - Redação dada pela Lei n. 13.632/2018. 
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos 
na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, 
condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. 
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações 
integradas e complementares entre si. 
§ 3º A educação de jovens e adultos deverá articular-se, preferencialmente, com a educação profissional, na forma do 
regulamento - Incluído pela Lei n. 11.741, de 2008 (ART. N. 37 DA LDEN N. 9.394/1996, p. 34). 
 
 
 
109 
 
 
Segundo Paulo Freire (2000 p. 29), “essas condições exigem a presença de educadores e educandos criadores, 
investigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes”. Diante da maturidade do alunado da EJA, o processo 
de aprendizagem deve ser exercido da forma mais coerente possível, como também, deve ter algo que motive o aluno a se sentir 
parte integrante do seu próprio conhecimento. Além disso, o professor vai servir de referência para esses alunos que buscam 
completar seus estudos. 
O fato de se alcançar resultados satisfatórios, durante o processo de aprendizagem dos alunos da EJA depende muito da 
motivação e do envolvimento que o professor tem para realizar as suas aulas. Cabe também ao professor dessa modalidade de 
ensino, entender os níveis de dificuldade e de desenvolvimentoem que cada aluno se encontra. 
Ana Paula Borges dos Reis Queiroz Santos e Elane Gomes dos Santos (2013) destacam que para a realização da 
aprendizagem da leitura e da escrita é necessário que os docentes trabalhem com a modalidade de jovens e adultos de forma 
diferenciada. Deve haver uma atenção com as necessidades e as metodologias desse ensino e do público alvo. O aluno tem que 
ser autônomo no seu processo de aprendizagem, para que possa ressignificar seus conhecimentos e o seu mundo. De acordo com 
Paulo Freire (2002), o fundamental na alfabetização de adultos é que o alfabetizando descubra que o importante mesmo não é ler 
estórias alienadas e alienantes, mas fazer história e por ela ser feito. 
 
 
 
110 
 
Contradizendo os métodos de alfabetização mecânicos e diretos, as experiências susceptíveis de compatibilizar a existência 
do trabalhador com o material oferecido para aprendizagem, ligados à democratização da cultura, são lições voltadas para um público 
de jovens e adultos, contextualizadas com sua realidade. Uma vez que as atividades que produziam concordâncias fonéticas 
descontextualizadas, pouco contribuíam para a aprendizagem do educando, que decoravam sem ter noção do seu significado, no 
seu conjunto. 
Para entender como o aluno da EJA pensa, é preciso saber qual o conhecimento que ele traz consigo. Seres humanos 
constroem novos conhecimentos, seja por assimilação e/ou pelo processo de adaptação, uma vez que os saberes são aprimorados. 
Compete à comunidade escolar refletir, debater e esboçar metas para o sentido que essa modalidade de ensino suscita. 
A metodologia desenvolvida por Freire idealizou fazer da alfabetização uma ferramenta, através da qual o educando 
recriasse o seu mundo e gerasse outros atos inventivos. Conforme Brandão (2003, p. 24), depois de a comunidade envolver-se com 
o trabalho, deve iniciar a ‘troca-que-ensina’, que consiste na realização de uma pequena pesquisa. Este trabalho coletivo de 
construção do conhecimento da realidade incide sobre o lugar onde as pessoas vivem e são alfabetizadas. Essa etapa pedagógica 
do método foi denominada por Freire de: investigação do universo temático’ e/ou ‘levantamento do universo vocabular’. 
A aprendizagem ocorre de forma que os alunos participem dos círculos de cultura, e o que se pretende é que o aluno domine 
o processo que o faz ler e escrever, e tenha autonomia para ressignificar seus conhecimentos. Socialmente e culturalmente, a pessoa 
 
 
 
111 
 
letrada não é a mesma que era quando analfabeta. Ela passa a ter uma outra condição cultural, e não se trata de mudar de nível ou 
de classe social, mas de mudar seu lugar na sociedade, sua inserção na cultura, sua relação com os outros e com o contexto. 
 A prática se revela na relação entre educador e educando como sujeitos do processo de ensino e aprendizagem, que 
problematizam os conhecimentos oriundos da realidade social, construindo uma prática de alfabetizar jovens e adultos. Essa prática 
considera os sujeitos do mundo, dando-lhes condições de ler e escrever sua realidade, transformando-os em autores da história do 
seu país (BRASIL, 2007). 
A primeira fase da metodologia desenvolvida por Freire (2003), permite que o professor ‘descubra o universo vocabular’ da 
turma a ser trabalhada, na qual são coletadas as palavras mais utilizadas pelo grupo. O educador elege as expressões com valor 
significativo, existencial e emocional para os alunos. Essas são as palavras geradoras. Conforme Freire (2003), elas surgem da 
pesquisa da realidade do grupo de educandos, que conhece suas necessidades cognitivas. 
A segunda fase do método de Paulo Freire refere-se à seleção das palavras dentro do universo vocabular dos alunos, 
obedecendo a critérios da riqueza silábica, das dificuldades fonéticas e dos conteúdos práticos da palavra. Elas devem responder 
às dificuldades fonéticas da língua, possibilitando o significado de uma palavra dentro da realidade social, política e cultural do 
educando (SANTOS; SANTOS, 2013). 
A terceira fase da metodologia freiriana refere-se à criação de situações características dos grupos. Trata-se de fatos da 
realidade que devem ser debatidos, com o desígnio de abrir expectativas para o incremento da cognição crítica do mundo que o 
 
 
 
112 
 
circunda, por meio de temas familiares e problemáticas diversificadas, que aprofundam o diálogo no processo ensino e 
aprendizagem. Os debates cooperam para que o educando exiba seus conhecimentos e adquiram novos saberes na troca de 
experiências com os colegas e o professor (BRANDÃO, 2003). 
 A quarta fase é de elaboração de fichas indicadoras que ajudam os coordenadores do debate. Tais fichas ajudam nas 
representações feitas em painéis, as quais geram as trocas de ideias entre o professor e os alunos. Elas embasam a condução dos 
conceitos, e podem ser discutidos durante todo o trabalho (FREIRE, 2003). 
Segundo Freire (2003), a quinta fase versa sobre a construção dessas fichas, no que tange às formações das famílias 
fonéticas apropriadas às palavras geradoras. O educador deve chamar atenção dos alunos para a formação das palavras. No 
momento em que o aluno identifica os pedaços que compõem as palavras geradoras, assimilam o arranjo de novos vocábulos, 
percebendo que a junção das palavras forma uma frase (SANTOS; SANTOS, 2013). 
Uma vez terminados os exercícios orais, o aluno passa à escrita. O método de Paulo Freire consistia também na leitura e 
na escrita. Antes de o aluno aventurar-se a ler e a escrever ele é convocado a refletir sobre o significado das palavras para o seu 
mundo (FREIRE, 2003). Segundo Brandão (2003, p. 81), o método de alfabetização de jovens e adultos de Paulo Freire representa 
a fase de um longo processo dentro do sistema de educação. Essa teoria da EJA, por meio da qual o ensino e a aprendizagem 
ocorrem de forma diferenciada, permite ao aluno um ressignificar da leitura, da escrita, e o torna um sujeito ativo e consciente. 
 
 
 
113 
 
A EJA deve acolher as necessidades dos alunos, isto é, será o conhecimento para preencher a aquisição de um diploma, 
mas que o auxilie a transpor os empecilhos cognitivos e os da vida. A EJA desperta no aluno um senso autônomo nas relações 
sociais, pois proporciona meios para que o aluno se sinta provocado a contribuir com a sociedade. 
Para Edileuza da S. Oliveira e Maria D. dos Souza (2013), sabe-se que não se aprende da mesma maneira em todas as 
idades. Essa consideração reflete sobre os métodos que a escola adota e sobre o desenvolvimento do raciocínio lógico e autônomo 
do aluno. O objetivo da educação para o desenvolvimento integral do aluno construtivista é conquistar e apreender por si, correndo 
o risco de perpassar pelos meandros que uma atividade pressupõe. Isto porque a motivação para a aprendizagem resulta de 
estímulos externos e internos ao sujeito, como é o caso das categorizações escolares, da autoestima, da qualidade de vida, das 
tarefas com que se confrontam na sua vida cotidiana e das análises dos professores. 
Nesse sentido, cabe uma explicação sobre a Andragogia, que significa ensinar para adultos buscando as melhores práticas 
e estratégias para ajudá-los no processo de aprendizagem. Segundo uma visão andragógica, os adultos são portadores de uma 
experiência própria. As situações de aprendizagem partem das práticas dos adultos que constituem um recurso rico para a educação. 
Rodolfo Augusto Schmit (2016) faz uma abordagem sobre a vontade de aprender, e a disposição para assimilar aquilo que o 
professor ensina como fundamento e objetivo à lógica escolar, ou seja, a finalidade de obter êxito em termos escolares. 
 Na Andragogia, os adultos estão dispostos a iniciar um processo de aprendizagem, desde que compreendam a sua utilidade 
para melhor enfrentar problemas reais da sua vida pessoal e profissional. Nos processos pedagógicos, a aprendizagem é encarada 
 
 
 
114 
 
como um processo de conhecimentosobre um determinado tema. Isso significa que é dominante a lógica centrada nos conteúdos 
e não nos problemas. Nos andragógicos, a aprendizagem é orientada para a resolução de problemas e tarefas com que os alunos 
se confrontam na sua vida cotidiana. 
 A EJA deve apresentar uma educação multicultural, que desenvolve o conhecimento e a integração na diversidade como 
afirma Gadotti (2009). Uma educação para a compreensão mútua, contra a exclusão desses jovens e adultos. Uma educação de 
qualidade que perpassa pela necessidade de metodologias eficazes. A discussão sobre a Andragogia e o modelo com seus 
pressupostos metodológicos é o que mais se adequa a EJA, por levar em consideração o conhecimento de mundo que o jovem e o 
adulto já trazem; por mostrar onde os conhecimentos ensinados na escola terão utilidades na vida prática. 
O professor, no modelo andragógico, precisa se transformar num tutor de atividades de grupos, demonstrando a importância 
prática do assunto a ser estudado. Ele deve transmitir o entusiasmo pelo aprendizado, e a sensação de que aquele conhecimento 
faz diferença na vida dos alunos; deve transmitir a esperança de que aquela atividade está mudando a vida de todos. As 
características de aprendizagem dos adultos devem ser exploradas através de abordagens apropriadas, produzindo uma eficiência 
das atividades educativas. 
Além do enfoque freiriano, a concepção histórico-crítica de Dermeval Saviani (2005) também apresenta contribuições para 
o processo ensino e aprendizagem na EJA. Nessa perspectiva, é essencial dar novos significados para a educação escolar, 
demonstrando que a instituição está para além de uma educação tradicional, despontando no processo pedagógico com a 
 
 
 
115 
 
necessidade de transmitir conteúdos sistematizados, mas que com as indicações da Pedagogia Histórico-Crítica forma uma unidade 
combinada com a configuração pedagógica do ensino, baseada na consistência dialética. De tal modo, é relevante ressaltar que na 
democratização da escola como um espaço de socialização dos saberes organizados pela cultura, os conteúdos escolares são 
subsídios dos mais importantes para esta proposição pedagógica. Para Saviani (2005, p. 13), o objeto da educação diz respeito à 
identificação dos elementos culturais, que precisam ser assimilados pelos sujeitos para que se tornem humanos a partir das formas 
apropriadas para alcançar essa finalidade. 
Tendo como referência o princípio da contradição, considera-se que a função social da EJA ocupa um papel importante, pois 
vai além da alfabetização para a inserção ou adequação à sociedade. Nesse sentido, sua função reside na formação de uma 
concepção de mundo que, inicialmente, desperte o interesse formativo pela crítica e pela compreensão histórica do mundo e que, 
posteriormente, poderá ser incorporada como pressuposto de transformação da sociedade pelo processo de humanização dos 
sujeitos. Sobre isso, nos ensina Duarte (2005, p. 87), o trabalho educacional dispõe-se em relação à cultura humana e às 
objetivações produzidas historicamente. Esse princípio requer um posicionamento sobre o processo de formação dos indivíduos 
acerca do que seja sua humanização. 
Para Izac Trindade Coelho (2016), o aspecto da historicidade faz-se presente nesse enfoque, pois a historicidade da cultura 
dispõe-se sobre aquilo que analisa como aquisição significativa e duradoura para a humanidade. Uma postura historicizadora do 
sujeito estabelece apontamentos históricos permanentes como as probabilidades da vida humana, perpetrando a crítica às condições 
concretas da vida dos indivíduos, e estabelece orientações para o processo educativo desses sujeitos. 
 
 
 
116 
 
É relevante avaliar que o trabalho educativo histórico-crítico é transformador, pois enfatiza os conteúdos ao exigir uma atitude 
modificadora do professor que opera com os alunos da EJA. 
A forma de inserção da educação na luta hegemônica configura dois momentos simultâneos e organicamente articulados 
entre si: um momento negativo, que consiste na crítica da concepção dominante (a ideologia burguesa); e um momento positivo que 
significa: trabalhar o senso comum de modo a extrair seu núcleo válido (o bom senso), e dar-lhe expressão elaborada com vistas à 
formulação de uma concepção de mundo adequada aos interesses populares (SAVIANI, 2005, p. 3). 
Assim, para além da dimensão alfabetizadora e escolarizadora que se tem, a dimensão histórico-crítica do professor, na 
formação das concepções de mundo dos estudantes jovens e adultos é fundamental. Cabe ressaltar que a EJA pode se limitar a 
uma compreensão adaptativa do aluno à sociedade de consumo e reprodutora das desigualdades. Sob esse aspecto, traz as 
considerações de Gramsci (2011) sobre o princípio educativo. 
Marcela de Moraes Agudo e Lucas André Teixeira (2017) debatem sobre uma educação desinteressada (aquela que não 
tem um interesse imediato como a escola técnica, voltada para a formação do trabalhador), que tem como meta criar uma visão de 
mundo humanista e formativa que se torne uma segunda natureza nos sujeitos. Nesta perspectiva, afirma-se que o ensino dos 
conteúdos escolares, abordado de propósito pelos professores da EJA como um saber desinteressado, pode suplantar as formas 
hegemônicas que se acham nessa modalidade, em que se verifica um enfoque pragmático e/ou utilitarista de 
alfabetização/escolarização. Entretanto, o mais relevante na pedagogia histórico-crítica, quando utilizada na EJA, volta-se para o 
 
 
 
117 
 
fato da humanização dos sujeitos. Por isso, não se trata de apresentar métodos novos, mas de constituir na competência das 
metodologias que se está mencionando, a formação de indivíduos que lutem pela transformação da sociedade atual. Isso, pensando-
se como essa pedagogia enfrenta os desafios referentes à alfabetização e à escolarização, a partir dos fundamentos teórico-
metodológicos postulados por Saviani. 
Para Piaget (2009, p. 54), “devido às dificuldades dos alunos da EJA, a proposta construtivista seria conhecer o nível 
operatório dos alunos em função de uma proposta pedagógica que possibilite a aprendizagem”. Diante dessa dinâmica de construção 
de conhecimento do aluno há um resgate não somente da importância da relação professor-aluno, bem como, da importância de ele 
ser autor na construção desse conhecimento, individualmente e coletivamente. 
A teoria de Vygotsky (2003) influencia a educação, desde a infantil até a de jovens e adultos, a partir de seu contato com a 
realidade, o meio ambiente, e as outras pessoas. Essa é a base a ser trabalhada com os alunos da EJA, pois preza muito pela 
interação social, sendo sua questão central o conhecimento da relação do sujeito com o meio. São experiências adquiridas pelos 
alunos, no caso dos jovens e adultos da EJA, que não devem ser ignoradas. 
A linguagem é vista como simbólica e como um elemento imprescindível para a aprendizagem, pois possibilita trocar 
conhecimentos através da mediação, que por sua vez é outro elemento essencial. E, por intermédio de um professor o aprendizado 
torna-se mais preciso. A interação social desses jovens e adultos pela educação é um passo positivo, tanto para a sua convivência 
com o meio, quanto para o seu próprio ser. Considera-se aí o crescimento desses estudantes no que se refere a: melhora do senso 
 
 
 
118 
 
crítico político-social, amplitude do vocabulário, oportunidades extensivas a um bom emprego e, principalmente a uma adequação, 
de acordo com os parâmetros exigidos pela sociedade. 
A abordagem Vygotskiana é conhecida como abordagem histórico-cultural do desenvolvimento humano. Ela vincula o 
desenvolvimento humano ao contexto cultural, no qual o indivíduo se insere, e à influência que o ambiente exerce sobre a formação 
psicológica do homem. Nessa abordagem, a constituição das funções complexas do pensamento está veiculada principalmente 
pelas trocas sociais e, nesta interação,o fator de maior peso é a linguagem, ou seja, a comunicação entre os homens. Sua proposta 
é conhecida também como sócio interacionista, pois o desenvolvimento histórico acontece do social para o individual. 
Assim, as relações interacionistas humanas partem das experiências vividas pelo indivíduo com o meio. Partindo desse 
princípio, pode-se afirmar que o indivíduo só se desenvolve culturalmente, socialmente e intelectualmente se estiver inserido em um 
meio que lhe possibilite relacionar-se com outros. Foi este o pensamento de Vygotsky (2003), quando em seus estudos ele analisou 
o processo das relações humanas e sua relação com o meio. 
Diante do exposto, conclui-se então que a teoria de Vygotsky (2003) possui grande influência na educação em geral, desde 
a educação infantil até a educação adulta. A partir de seu contato com a realidade, com o meio ambiente, e com as outras pessoas. 
Essa é a base para ser trabalhada com os alunos da EJA, pois preza muito a interação social, sendo sua questão central o 
conhecimento pela relação do sujeito com o meio, que são as experiências adquiridas pelos alunos da EJA. 
 
 
 
119 
 
Esse grande teórico da educação enfatiza o aspecto interacionista, por considerar que é no plano intersubjetivo, isto é, na 
troca de experiências entre as pessoas, que têm origem as funções mentais superiores. Caracterizou a chamada zona de 
desenvolvimento proximal, que é a distância entre o que se pode fazer sozinho e o que se faz com a mediação de outra pessoa, ou 
de signos. O que novamente valida a importância de conhecer o contexto social no qual o indivíduo está inserido, para entender a 
maneira como ele estrutura seu pensamento. Considera essas as medidas essenciais para iniciar e nortear um processo significativo 
de alfabetização, onde o aluno seja capaz de relacionar aprendizagens anteriores às atuais e não apenas decodificar signos. 
Os fatores de maior relevância na teoria de Vygotsky (2003) são descritos como: 
mediação - se adquire o conhecimento através da interação com vários interlocutores, em uma relação em que todos os 
envolvidos são ativos; linguagem - sistema simbólico de significados e significantes dos grupos humanos que favorece o 
intercâmbio social e o fenômeno do pensamento; cultura - universo que traz diversas significações que permite construir 
a interpretação do mundo real; processo de interiorização - que envolve um fator interno e outro externo e que sendo 
interpessoal se torna intrapessoal. 
A interação social favorece as experiências de aprendizagem, que necessitam estruturar-se de modo a privilegiarem a 
colaboração, a cooperação e o intercâmbio de pontos de vista, em que há uma busca conjunta do conhecimento. Além disso, não 
se pode ignorar a importância de estar atento à zona de desenvolvimento proximal do indivíduo, para a proposta de atividades 
coerentes. A organização do trabalho pedagógico na EJA, objetiva formar sujeitos capazes de transformar a realidade com 
conhecimentos e argumentação crítica. Trata-se de um trabalho que deve fluir, possibilitando as somas de todas as experiências 
 
 
 
120 
 
vivenciadas pelos estudantes. Pois somadas aos conhecimentos oferecidos pela escola, elas permitirão transformar os alunos em 
sujeitos participativos, membros integrantes, produtivos e transformadores da realidade em que estão inseridos. 
Aprender é tornar-se capaz de fazer o que antes não se conseguia. Essa visão de aprendizagem faz com que aprender seja 
algo eminentemente ativo, interativo, colaborativo, entre outros, relacionado, acima de tudo, a um fazer não mecânico, em que 
apenas o corpo participa e a mente não tem lugar, mas a um fazer consciente, decorrente de tomada de decisão intencional e 
orientado por propósitos livremente escolhidos. 
Por conseguinte, percebe-se a urgente necessidade de se colocar em prática metodologias que coadunem com os estudos, 
além de uma reflexão sobre a forma de interação de conhecimentos, e as diferentes maneiras de ensinar, de uma perspectiva sócio 
interacionista. Isso exige do professor um conhecimento profundo da disciplina que ensina, visando aliar, efetivamente, a teoria à 
prática e às vivências. Para Freire (2000, p. 37), só aprende aquele que se apropria do aprendido transformando-o em apreendido, 
com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existentes 
concretas. 
Para Ricardo de Sousa e Lauriane Borges (2015) a psicologia que tem como base a teoria de Lev Semenovich Vygotsky 
(2013) concebe o desenvolvimento humano das relações sociais que a pessoa estabelece na vida, entendendo a escola como uma 
instituição, na qual são organizados os conceitos científicos para o conhecimento humano. Nessa perspectiva, a função da escola 
volta-se para a organização e o planejamento dos saberes acumulados historicamente. Portanto, a escola busca inserir o aluno em 
 
 
 
121 
 
formação, considerando que ele possui saberes anteriores a sua escolaridade e que esses devem integrar a rotina das atividades 
escolares. 
Os princípios de Vygotsky (2013) originaram o pensamento pedagógico chamado socioconstrutivismo e/ou 
sociointeracionismo. Seus estudos sobre aprendizado decorrem da compreensão do homem como um ser que se forma em contato 
com a sociedade. Para Vygotsky a formação educacional e pessoal acontece na interação do homem com a sociedade a que ele 
pertence, haja vista que o importante é a influência mútua que cada pessoa estabelece com o ambiente. 
Outro conceito de Vygotsky é a mediação. Segundo essa teoria, a relação do indivíduo com o mundo é realizada por meio 
de instrumentos, linguagens e conceitos culturais que transformam a natureza à qual pertence o sujeito (SOUSA; BORGES, 2015). 
Nessa concepção, o processo de ensino e aprendizagem se estabelece dentro das integrações ocorridas nos contextos sociais. A 
sala de aula é considerada um lugar privilegiado de sistematização do conhecimento e o professor é concebido como um articulador 
na construção do saber-fazer cotidiano. 
Ricardo de Sousa e Lauriane Borges (2015) indicam que o processo de ensino e aprendizagem, é para Vygotsky uma 
dimensão social importante para jovens e adultos, pois eles desenvolvem seu aspecto psíquico e intelectual, partindo do princípio 
de que a escola propicia uma prática contextualizada. 
A mediação é vista como central, pois é através dela que as funções psicológicas superiores e cognitivas se desenvolvem. 
O problema está no desenvolvimento dos processos de aprendizagem, que devem ser dinamizados de maneira concreta, e 
 
 
 
122 
 
integrados com a sua realidade proximal. Nesse sentido, ele construiu a nomenclatura ‘zona de desenvolvimento proximal’ para 
demarcar a importância da contextualização da cultura na escola, enquanto referenciais fundamentais para a consolidação do 
processo de escolarização dos jovens e adultos. Segundo Vygotsky (2013), existem níveis de desenvolvimento nos sujeitos do 
processo educacional: o plano real de crescimento que abrange as ações concebidas pelos jovens e adultos, ou seja, aquele que o 
indivíduo apreendeu e/ou consegue realizar sozinho; e o nível de desenvolvimento potencial que incide sobre aquilo que o 
alfabetizando está em possibilidade de assimilar, aquilo que faz como um educador (SOUSA; BORGES, 2015). 
 Para tanto, é essencial que o professor utilize situações práticas e vivências, possibilitando reflexões e o estabelecimento 
de relações sociais relevantes para cada educando que favorece a organização dos conceitos. No quesito EJA é necessário um 
tratamento destinado a esse público, pois são jovens, adultos e idosos que possuem experiências adquiridas ao longo dos anos de 
vida, devendo ser instigadas com apreço. 
 Segundo Vygotsky (2013), a aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, 
valores e outros, a partir de seu contato com a realidade proximal,o meio ambiente, a cultura local e outras pessoas. Então, ela deve 
ser o fundamento para ser trabalhado com os alunos da EJA. Pois a atenção que professores e estudantes atribuem a si mesmos, 
promove um diálogo entre eles, que compreendem as dificuldades de aprendizagem dos alunos da EJA, e se reportam à constatação 
da aprendizagem que ocorre quando o aluno se esforça, como uma relação íntima entre ensino e aprendizagem. Cabe ressaltar a 
contribuição da teoria vygotskyana, por apresentar o ensino e a aprendizagem como sendo processos indissociáveis (SOUSA; 
BORGES, 2015). 
 
 
 
123 
 
A base do pensamento construtivista apoia-se na premissa de que há uma construção do conhecimento e, que para que 
isso aconteça, a educação deverá criar métodos que estimulem essa construção, ou seja, que estimulem o aprender a aprender. 
Para Queiroz e Moita (2007, p. 7), 
[...] Tudo o que aprendemos é influenciado por aquilo que já tínhamos aprendido. A influência de Piaget na pedagogia é 
notável ainda hoje, principalmente através da obra de Emília Ferreiro sobre a alfabetização. No Brasil, suas ideias 
começaram a ser difundidas na época do movimento da Escola Nova, principalmente por Lauro de Oliveira Lima 
(QUEIROZ E MOITA, 2007, p. 7). 
 
Para a teoria construtivista, o papel da escola é ajustar as necessidades individuais ao meio, propiciando experiências onde 
o cerne é o aluno, que será instigado a buscar, conhecer, experimentar. A relação professor-aluno se dá em um clima harmonioso 
e democrático onde o professor é um auxiliar no processo de experienciação, criando condições para que os alunos vivenciem 
atividades interativas, nas quais os próprios alunos vão construir os saberes. 
No método de ensino construtivista é imprescindível que as salas tenham poucos alunos para que as experiências e 
interações aconteçam de forma a acalorar as discussões, visando assim, facilitar a aprendizagem, além de possibilitar ao professor 
condições para acompanhar de perto cada aluno, entendendo suas necessidades, e contribuindo para a sua formação. As avaliações 
não se dão por meio de provas e sim com o acompanhamento do professor após uma avaliação diagnóstica, onde ele observará a 
interação dos alunos nos processos de discussão e apreensão dos saberes. As salas de aula devem ser organizadas em círculo, 
favorecendo a interação entre alunos e professor. 
 
 
 
124 
 
Para Gonzalez (2009), 
 
O construtivismo não é uma teoria, e sim uma referência explicativa, composta por diversas contribuições teóricas, que 
auxilia os professores nas tomadas de decisões durante o planejamento, aplicação e a avaliação do ensino. Ou seja, o 
construtivismo não é uma receita, um manual que deve ser seguido à risca sem se levar em conta as necessidades de 
cada situação particular. Ao contrário, os profissionais da educação devem utilizá-lo como auxílio na reflexão sobre a 
prática pedagógica; sobre o como se aprende e se ensina, considerando-se o contexto em que os agentes educativos 
estão inseridos (GONZALEZ 2009, p. 29). 
 
Na EJA, essa metodologia se adequa perfeitamente, haja vista a propositura de que os alunos se tornam sujeitos da própria 
aprendizagem, colocando-se na posição de investigadores. 
Neste contexto, Gonzalez (2009) enfatiza que: 
 
O conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), proposto pelo psicólogo soviético L. S. Vygotsky, partindo do 
entendimento de que as interações e relações com outras pessoas são a origem dos processos de aprendizagem e 
desenvolvimento humano. Nesse sentido, a ZDP pode ser identificada como o espaço no qual, com a ajuda dos outros, 
uma pessoa realiza tarefas que não seria capaz de realizar individualmente. A contribuição do conceito de ZDP está 
relacionada à possibilidade de se especificar as formas em aula, ajudando os alunos no processo de significação pessoal 
e social da realidade. 
 
 
 
 
125 
 
Para o trabalho com os conceitos acima arrolados, indicam-se os seguintes pontos: inserir atividades significativas na aula; 
possibilitar a participação de todos os alunos nas diferentes atividades, mesmo que os níveis de competência, conhecimento e 
interesses sejam diferenciados; trabalhar com as relações afetivas e emocionais; introduzir modificações e ajustes ao logo da 
realização das atividades; promover a utilização e o aprofundamento autônomo dos conhecimentos que os alunos estão aprendendo; 
estabelecer relações entre os novos conteúdos e os conhecimentos prévios dos alunos; utilizar linguagem clara e objetiva evitando 
mal-entendidos ou incompreensões; recontextualizar e reconceitualizar a experiência (GONZALEZ, 2009, p. 36). 
A busca de novos métodos de ensinar e aprender, e de novos paradigmas com o intuito de despertar o interesse desses 
alunos, deve ser o foco neste segmento da educação, e o método construtivista pode ser um caminho. Nesse sentido, o fazer 
pedagógico a ser desenvolvido na EJA deve partir das experiências dos alunos e deve considerar a aquisição e organização de 
conhecimentos, fazendo-se imprescindível analisar e propor práticas educativas condizentes com a melhoria e inserção do indivíduo 
na sociedade, minimizando os efeitos da realidade socialmente excludente em que vivemos. Trabalhar a partir dessas percepções 
distingue provocações à prática educativa que não está desobrigada de dificuldades e restrições. Entretanto, apreende-se que esse 
empenho, mesmo que acompanhado de lentos progressos, é decisivo para a aprendizagem e o desenvolvimento da cognição dos 
alunos nas aulas das escolas. 
Repensar a educação de jovens e adultos é um desafio para aqueles que se propõem à construção de uma educação 
emancipadora, que considere o ser humano em todas as suas dimensões. Neste processo, a Teoria Vygotskiana, representa um 
caminho para um desenvolvimento mais humano e libertador, idealizando assim, novas perspectivas para aprendizagem. É neste 
 
 
 
126 
 
processo que o professor precisa assumir a crença no poder de transformação que a visão sociointeracionista pode trazer para a 
educação. A mediação deve ser vista como um ampliador do desempenho do educador e um potencializador de grandes êxitos. 
Faz-se necessário repensar essas práticas, ajustando as ações pedagógicas para promover o efetivo exercício da cidadania, e 
também perceber que a sala de aula se constitui em um ambiente com diferentes vivências, que podem ser aproveitadas para 
estimular os alunos facilitando e dinamizando o processo de ensino-aprendizagem. 
Frente a esse pressuposto, considera-se que as ações pedagógicas utilizadas pelos professores têm grande relevância no 
processo de ensino aprendizagem, visto que a metodologia de ensino desenvolvida pelo professor poderá contribuir para a 
efetividade deste processo. Todavia, para efetivar uma educação comprometida com a realidade do educando, no sentido de 
prepará-lo para a vida e para o mundo do trabalho, faz-se necessário uma educação conscientizadora para que o aluno possa, 
então, ser capaz de fazer sua leitura do mundo, com a mediação do educador. 
A metodologia de ensino para a EJA enfatiza a importância da existência do comprometimento entre todos os envolvidos no 
processo de ensino aprendizagem, desde os órgãos gestores até os protagonistas desse processo, uma vez que esse 
comprometimento mútuo é imprescindível para se alcançar melhor qualidade na educação. Ao planejar as aulas, o professor da EJA 
precisa saber realizar a conexão entre os aspectos teórico-filosóficos e a vivência cotidiana dos educandos que, apesar de não terem 
domínio dos conhecimentos sistematizados pela escola, possuem conhecimentos práticos adquiridos no seu dia-a-dia por meio dos 
quais garantem sua sobrevivência em um mundo letrado. 
 
 
 
127 
 
A esse respeito, Curitiba (2006, p. 61) destaca: 
 
Pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade aprendem observando, experimentando, fazendo, ouvindo relatos de 
experiências vividas por colegas,o que lhes permite construir caminhos singulares de compreensão. Esse conhecimento 
tácito dos estudantes é relevante no processo de ensino-aprendizagem, e o professor deve valer-se desse conhecimento 
para enriquecer seu trabalho. 
 
Entende-se que, na reconfiguração do trabalho didático na EJA, deve-se concretizar uma educação reflexiva, que considere 
os conhecimentos e as estratégias de pensamento que os estudantes desenvolvem na prática social, o que lhes permitirá uma 
participação ativa e consciente na sala de aula e na sociedade. Diante do exposto, percebe-se a importância do professor frente ao 
processo de ensino-aprendizagem, pois é ele que tem a função de desenvolver uma prática pedagógica que possibilite, ao educando, 
ampliar sua visão de mundo. Assim, eles serão capazes de refletir sobre as ações alheias e sobre suas próprias ações. Para tal, a 
metodologia e os materiais didáticos utilizados pelo professor precisam estar em consonância com a faixa etária e o contexto social 
e cultural, no qual o educando encontra-se inserido. Esses fatores poderão contribuir para uma maior eficácia no processo de ensino-
aprendizagem, tendo como reflexo a melhoria na qualidade da educação, principalmente para essa demanda específica. 
Nesse sentido, vemos, como sendo de muita relevância, que haja participação da comunidade e dos discentes em palestras, 
gincanas culturais, esportivas, comemorações alusivas às datas importantes como homenagem às mães, festejos juninos, semana 
da pátria, semana do meio ambiente, semana do folclore e outras. Sendo necessária junto à equipe diretiva, a elaboração de projetos, 
subprojetos, planos pedagógicos, que, no todo, ampliam o conhecimento dentro do processo educativo. 
 
 
 
128 
 
8. AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA E PROCESSUAL PARA A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA 
8.1 AVALIAÇÕES A SERVIÇO DA APRENDIZAGEM 
 
Para iniciarmos a abordagem da temática avaliação, no contexto educacional da EJA, é preciso destacar que ela deve estar 
integrada ao Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola, tanto na concepção como na implementação. O desafio da mudança está 
nas práticas de avaliação da aprendizagem na perspectiva democrática e libertadora. 
Ao considerar os estudantes e professores como sujeitos históricos e de direitos, participantes ativos e protagonistas na sua 
diversidade e singularidade, cabe perguntar por que é tão difícil mudar a prática de Avaliação? O desafio é construir novas 
concepções e práticas, e desconstruir as enraizadas, cujo foco reportam-se para o modelo classificatório e excludente do sujeito e 
às estruturas. A avaliação deve, também, estar articulada à proposta de ensino. De acordo com Luckesi (2000, p.28), “o processo 
avaliativo está relacionado ao contexto mundial educacional da época: não se dá nem se dará em um vazio conceitual, mas sim 
dimensionado por um modelo teórico de mundo e, consequentemente de educação, que possa ser traduzido em prática pedagógica”. 
Desse modo, cabe-nos perguntar: como deve ser a avaliação na EJA? A avaliação na EJA deve ser orientada pelas 
habilidades, pelos valores e pelas competências, estabelecidos no plano didático, para qual deve-se considerar a construção do 
conhecimento de cada aluno. Encontram-se vários conceitos sobre o que é avaliar, mas deve-se passar dos conceitos para a 
avaliação da prática que cada educador possa olhar para a sua prática como uma oportunidade de aprender. Sem dúvida, existem 
muitas respostas possíveis à pergunta: como se dará o entendimento do aluno sobre questões de aprendizagem? E pensar sobre 
 
 
 
129 
 
isso é ponto de partida para uma relação dialógica, e de discussões dos alunos, que possibilitará o entendimento progressivo 
aluno/professor. 
O professor deve avaliar constantemente, propiciando atividades diferenciadas como reforço ao desenvolvimento das 
habilidades dos alunos em defasagem. O professor não deve enfatizar apenas os erros ou os desconhecimentos dos alunos, mas 
levar em conta tudo o que já conseguiram aprender. Nesta perspectiva, faz-se presente o olhar investigador e ao mesmo tempo 
sensível, que passa a refletir a prática, não só buscando o seu retorno em meio aos acertos e derrotas ocorridas no processo da 
ação pedagógica da aprendizagem. 
Concordamos com Vasconcellos (1994) quando ele afirma que a avaliação deve informar ao professor se o seu trabalho 
está sendo claro ou deve ser revisto, mudando suas atitudes e metodologias. Neste sentido, atitudes serão revistas, de forma a rever 
o modelo anteriormente desenvolvido e ressignificá-lo em meio às práticas diversificadas. 
Ao diversificar, o professor dá aos sujeitos possibilidades de conhecer os caminhos por onde será avaliado e as chances de 
auto avaliar-se, uma vez que é possível alcançar o objetivo, investindo em diferentes caminhos, desde os convencionais, os formais, 
até os já presentes em seu repertório de vida, e que venham a ser respeitados pela academia. 
No decorrer da avaliação processual, inserem-se as atividades diárias, realizadas nas aulas, em que serão valorizadas as 
participações, as inferências e colaborações diversas dos alunos/sujeitos das aprendizagens. Acompanham-se a evolução, através 
de diferentes atividades e ritmos que direcionam a sua formação pessoal e profissional, para uma transformação social. 
 
 
 
130 
 
A avaliação deve basear-se nas aprendizagens significativas que os alunos tenham tido condições de desenvolver. É 
fundamental a participação dos próprios alunos na avaliação contínua de sua aprendizagem. Essa modalidade de avaliação permite 
organizar e reorganizar quando necessário, o percurso do ensino e da aprendizagem e, lembrando Freire (2000), buscar alternativas 
onde possamos ver os seres humanos, podendo refletir suas limitações e projetar a ação de transformar a realidade que os 
condiciona. 
Assim, é relevante fazer um redimensionamento da avaliação da aprendizagem integrado com o planejamento e a 
implementação do ensino, como subsídios indispensáveis em favor da democratização da sociedade. Para Perrenoud (2000, p.173), 
“ a avaliação que queremos é aquela que ajuda o aluno a aprender e o professor a ensinar”. É garantir as condições para a efe tiva 
aprendizagem de todos. Nesse sentido, a avaliação é uma das etapas do processo de ensino-aprendizagem, sendo parte integrante 
do mesmo processo. Planejando a disciplina é possível definir e estabelecer as técnicas a serem empregadas, refletindo os objetivos 
elencados para determinar o momento do exame avaliativo dos alunos. 
A função básica da avaliação é ajudar o aluno a aprender e o professor a ensinar, motivando quanto e em que condição os 
objetivos educacionais estão sendo alcançados. Para isso é necessário o uso de estratégias metodológicas e instrumentos 
avaliativos apropriados. Teodoro Adriano Costa Zanardi (2017) aponta a importância de trazer a questão do currículo, como uma 
preocupação para a Educação Integral desenvolvida no campo de diálogo, em que seja possível o apossamento da realidade numa 
perspectiva crítico-transformadora. O currículo territorializa o conhecimento na busca pelas vivências e saberes de seus sujeitos, 
indo para além da exclusividade do conhecimento científico. 
 
 
 
131 
 
A escola para Freire (2005), deve proporcionar aos homens a possibilidade de ser mais. A concepção e a prática 
problematizadora de educação levam os homens a conceberem-se como seres históricos, com uma consciência de sua inclusão, 
habilitando-os enquanto a um saber-fazer permanente. Freire (2005) afirma que essa possibilidade implica a comunhão e a 
solidariedade da existência. Isto porque o homem deve ser sujeito de sua própria história e da sua educação. Por isso, “ninguém 
educa ninguém, ninguém educa si mesmo. Os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 2005, p. 78). 
O conhecimento é produzido a partir de uma construção coletiva, e esse saber sistematizado deve se colocar94 
7. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA DA EJA NO BRASIL E EM SERGIPE ......................................................................... 100 
7.1 FUNÇÕES DA EJA .................................................................................................................................................................................. 100 
7. 2 AS CONCEPÇÕES EDUCACIONAIS E A EJA ....................................................................................................................................... 108 
8. AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA E PROCESSUAL PARA A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA .................................................. 128 
8.1 AVALIAÇÕES A SERVIÇO DA APRENDIZAGEM ................................................................................................................................... 128 
8. 2 INSTRUMENTOS E MODOS DE AVALIAÇÃO ....................................................................................................................................... 132 
8. 3 AVALIAÇÃO NA EJA NA PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA E SÓCIO INTERACIONISTA ................................................................. 135 
9. METODOLOGIAS ATIVAS NO ENSINO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA ...................................................................... 138 
9.1 ALUNOS COMO PROTAGONISTAS DO PROCESSO ........................................................................................................................... 138 
9.1.1 PEDAGOGIA DE PROJETOS NA EJA .............................................................................................................................................. 149 
9.1.2 PEDAGOGIA DA PRESENÇA NA EJA ............................................................................................................................................. 161 
10. RELATOS DE EXPERIÊNCIAS EXITOSAS NA EJA EM SERGIPE .......................................................................................................... 168 
TRAJETÓRIAS DE VIDA NO LUGAR ONDE VIVO ....................................................................................................................................... 180 
SEVERINO SEM BARREIRAS: UM ESPAÇO INCLUSIVO ........................................................................................................................... 193 
DROGAS, UM MAL QUE NOS CERCA ......................................................................................................................................................... 201 
 
13 
 
EDUCAÇÃO E QUALIDADE DE VIDA.......................................................................................................................................................... 211 
AULA DOCE .................................................................................................................................................................................................. 220 
NO COMBATE AO PRECONCEITO .............................................................................................................................................................. 228 
O SABER DO ALUNO DA EJA COMO PONTO DE PARTIDA PARA A APRENDIZAGEM ESCOLAR: RELATOS DA PRÁTICA EDUCATIVA
 ...................................................................................................................................................................................................................... 237 
TAMBÉM SE APRENDE NA ESCOLA: DOE SANGUE, SALVE VIDAS! ....................................................................................................... 247 
ATIVIDADE INTEGRATIVA EJA - BIOLOGIA ................................................................................................................................................ 256 
EDUCAÇÃO ESPECIAL ................................................................................................................................................................................... 262 
1. MARCOS LEGAIS ........................................................................................................................................................................................ 264 
2. PERFIL DOS EDUCANDOS ......................................................................................................................................................................... 270 
3. REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO ............................................................................................................................................. 271 
4. AVALIAÇÃO ................................................................................................................................................................................................. 277 
5. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO .......................................................................................................................................................... 291 
6. EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA BNCC E DO CURRÍCULO DE SERGIPE ....................................................................... 300 
7. FLEXIBILIZAÇÃO E ADEQUAÇÕES CURRICULARES: DA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA À PRÁTICA VIABILIZADA PELA AUTONOMIA 
DA ESCOLA EM SEU PPP E PLANO DE AÇÃO ............................................................................................................................................. 303 
8. O CURRÍCULO FUNCIONAL NATURAL E A INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS DE ALTO COMPROMETIMENTO ............................. 307 
9. FLEXIBILIZAÇÃO NO TEMPO DE ESTUDO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA E A TERMINALIDADE ESPECÍFICA ................................ 314 
 
14 
 
10. CONCEPÇÕES E OBJETIVOS DAS SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS ................................................................................ 320 
11. AS DEFICIÊNCIAS, O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA- TEA E OS RECURSOS DE ACESSO AO CURRÍCULO .................. 329 
12. ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO, ACESSO E EFETIVAÇÃO DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO ATRAVÉS DAS SRM ... 400 
13. A REDE COLABORATIVA NA ATUAÇÃO/ATENÇÃO AO ALUNO COM DEFICIÊNCIA, A ARTICULAÇÃO ENTRE A ESCOLA E A REDE 
DE CUIDADOS (EDUCAÇÃO, SAÚDE E ASSISTÊNCIA) ............................................................................................................................... 411 
14. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................................................ 414 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................................................................. 416 
RELATOS DE EXPERIÊNCIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL ............................................................................................................................ 431 
TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA AO ALUNO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ............................................................................. 432 
APRENDIZAGEM LÚDICA DA LÍNGUA PORTUGUESA .............................................................................................................................. 444 
A LENDA DO CARNEIRO DE OURO ............................................................................................................................................................ 472 
SÍNDROME DE MARSHALL: UM DESAFIO EDUCACIONAL E SOCIAL ...................................................................................................... 481 
EMOÇÕES .................................................................................................................................................................................................... 494 
CRIANDO UMA ENCICLOPÉDIA ..................................................................................................................................................................a serviço da 
transformação social que se apresenta pelas vivências. Para Freire (2005), a educação é o ato de transmitir conhecimento e o 
momento de partilha e encontro entre sujeitos no/e com o mundo. Os desafios da articulação conhecimento e território reportam-se 
para suas dimensões cognitiva, cultural, psicológica, afetiva, econômica, ética, estética, corpórea, social e outras (ZANARDI, 2017). 
A escola é um espaço de relações que se apresenta como catalizadora dos conhecimentos, e proporciona o empoderamento 
dos sujeitos, possibilitando a compreensão da sua realidade. A ideia é estimular a palavra dos educandos para que a realidade e a 
experiência vivida estejam integradas aos conhecimentos escolares. Um currículo crítico deve superar as contradições sociais, com 
o objetivo de formar o sujeito para atuar na realidade política e sociocultural, com a possibilidade de transformá-la (ZANARDI, 2017). 
Considera-se como crítico o currículo fundamentado em práticas socioculturais construídas pelos sujeitos, avaliado a partir 
de saberes e fazeres concretos. Para Freire (2008), a relação entre a educação e a cidadania deve ser posposta no tempo 
 
 
 
132 
 
empregado para que jovens e adultos vivam a experiência de ser cidadãos. Assim, o espaço escolar deve privilegiar o pensamento 
crítico, a autonomia e a emancipação, para a reorganização das salas de aulas. 
 
8. 2 INSTRUMENTOS E MODOS DE AVALIAÇÃO 
 
Diante dos procedimentos de avaliação, podemos observar que há a necessidade de que cada unidade escolar, elabore seu 
PPP, com a contribuição dos professores. Juntos, professores e gestores devem definir quais encaminhamentos deverão ser dados 
ao processo de avaliação. A avaliação não deve ser uma decisão isolada, ela deve ser discutida por toda a esquipe que, uma vez 
conhecendo seus alunos, parcial ou totalmente, possam traçar uma melhor maneira de atingir seus objetivos, que irão além das 
notas a serem lançadas nos diários de classe. 
Sobre a avaliação, fazem parte três processos oficiais que são: a avaliação diagnóstica, a formativa e a somativa. Dessa 
forma, poderemos relacionar as diferentes abordagens da avaliação à sua atuação na EJA. Na Avaliação Diagnóstica, que, segundo 
Freitas (2014, p. 87), “visa a verificar a existência ou ausência de habilidades e conhecimentos pré‐estabelecidos”. Sendo 
considerado o processo inicial de avaliação, ela está presente no primeiro contato com o sujeito a ser avaliado, onde serão 
observados os conhecimentos prévios, suas habilidades, seu domínio sobre os conteúdos, suas conexões e as relações que 
dialogam entre si. 
 
 
 
133 
 
Segundo Luckesi (2002), a avaliação diagnóstica será um instrumento fundamental para auxiliar cada educando no seu 
processo de competência e crescimento para a autonomia, situação que lhe garantirá sempre relações de reciprocidade. Luckesi 
(2002) afirma ainda que ninguém aprende para ser avaliado, mas aprendemos para ter novas atitudes e novos valores. Na vida, a 
avaliação é um meio e não o fim do processo de ensino, devendo se comprometer em reconhecer no processo de ensino, a formação 
de novos comportamentos e desempenhos. 
Na EJA deve-se avaliar o aluno por uma configuração na qual ele acompanhe seus avanços, corroborando com sua condição 
de aprendizagem e tornando-o um sujeito ativo do processo de ensino e aprendizagem. O educador ajusta a constatação da 
aprendizagem do aluno por meio dos princípios da construção, da autonomia, da parceria, da emancipação e reflexão, da 
criatividade, e da auto avaliação, indicando que a inclusão do aluno é categórica para a realização do trabalho pedagógico e avaliativo 
(LUCKESI, 2002). 
Para alcançarmos a avaliação formativa, professor e aluno são inseridos na forma processual oferecida pelas abordagens 
metodológicas, como as provas objetivas ou escritas, os seminários, as rodas de conversas, as mostras culturais, os saraus e 
debates, as pesquisas, os trabalhos individuais e coletivos, e tantas outras maneiras de apresentar os objetos do conhecimento. São 
formas de os alunos apresentarem o que aprenderam, de serem avaliados e auto avaliarem-se, no processo de conhecimento 
oferecido pela unidade escolar. 
 
 
 
134 
 
Esse processo do conhecimento é visto por Bordim (2014, p. 19) como múltiplas oportunidades de aprender: é vedada a 
avaliação em que os educandos sejam submetidos a uma única oportunidade de aferição. O resultado das atividades avaliativas 
será analisado pelo educando e pelo professor, em conjunto, observando quais são os seus avanços e as suas necessidades, e as 
consequentes demandas para aperfeiçoar a prática pedagógica. 
Concluindo a abordagem sobre as formas de avaliar, falaremos sobre a avaliação somativa, que se concretiza no final do 
processo, onde são quantificadas as possibilidades de ascensão, de mudanças de nível, de séries ou etapas, pelo aluno, no decorrer 
do processo de aprendizagem de um ano ou semestre. 
Diante disso Haydt (1988) reafirma os pressupostos da referida avaliação: 
 
É com esse propósito que é utilizada a avaliação somativa, com função classificatória, pois ela consiste em classificar os 
resultados da aprendizagem alcançados pelos alunos ao final de um semestre, ano ou curso, de acordo com níveis de 
aproveitamento preestabelecidos. Portanto, consiste em atribuir ao aluno uma nota ou conceito final para fins de 
promoção (HAYDT, 1988, p. 25). 
 
Assim caracterizados os procedimentos avaliativos, eles nos apontam que é necessário tornar o ato de avaliar como algo 
singular, para cada sujeito, onde cada um constrói seu caminho, e busca seu desempenho a seu modo, de acordo com seus 
conhecimentos. Cabe ao professor, a partir daí, procurar maneiras de como reparar e alcançar os objetivos almejados pelas partes. 
 
 
 
 
135 
 
8. 3 AVALIAÇÃO NA EJA NA PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA E SÓCIO INTERACIONISTA 
 
Ao avaliar são disponibilizados instrumentais que possibilitam uma análise da prática pedagógica dos educadores. Assim 
como as metodologias, os procedimentos e as estratégias utilizadas no processo de ensino e aprendizagem. Dentre eles destacamos 
a prova objetiva, a prova dissertativa, a autoavaliação, dentre outros. As provas dissertativas e objetivas, antigos instrumentos de 
avaliação, mesmo não o sendo, antes vistas como as únicas maneiras de o professor conhecer melhor o aluno, ainda persistem e 
são utilizados no cotidiano escolar. Para muitos é a maneira de oficializar e comparar o desempenho, como também sinaliza uma 
mudança na prática pedagógica quando necessário, buscando encontrar um novo caminho, visando ao progresso do aluno. 
É importante ressaltar o que diz Morett o (2014, p. 119): “a avaliação da aprendizagem é um momento privilegiado de estudo, 
e não um acerto de contas”. Sendo assim, não se deve converter o ato de avaliar num trunfo para separar o joio do trigo, entre os 
que já sabem e os que precisam saber, sob o risco de reforçarmos uma prática excludente e de reafirmar os índices de reprovação 
e evasão escolar, presentes na educação básica e na EJA. 
 Ao se pensar numa avaliação construtivista voltada para a EJA, é necessário ser levado em voga o que esse aluno traz de 
vivência, sua origem, seus traços culturais, já que é comum, muitas das vezes, o público alvo ser aquele jovem/adulto que está com 
a idade-série distorcida ou passou alguns anos fora da escola, e que retorna à sala de aula. Nesse sentido, a escola deve ser um 
ambiente que saiba acolhê-lo e que dê um suporte diferenciado a esse aluno específico. 
 
 
 
136 
 
Para efetivar uma avaliação sob o ponto de vista do construtivismo, o docente deve envolver-se com a produção ou a 
discussão de respostas a quatro questões que não estão prontas, mas que devem ser perseguidas pelos professores construtivistas 
diariamente, percorrendo inclusive um processo próprio do construtivismo: cada profissional deve construir seu conhecimento acercada avaliação, a saber: 
O que é avaliar? Como articular diferentes saberes num processo avaliativo? Por que avaliar? E para que avaliar ou qual o 
sentido desse objeto para quem aprende? Ao elencar essas quatro perguntas que permeiam o ato de avaliar implicam-se 
necessariamente essa reflexão o processo de ensino-aprendizagem já que os modelos de avaliação estão sempre ligados à prática 
pedagógica. 
Segundo Jacques Delors (UNESCO/2010), é preciso incluir os quatro Pilares da Educação propostos para o século XXI, 
pois aponta o modelo educacional que incorpora o paradigma do desenvolvimento humano que são: aprender a ser, a conviver, a 
fazer e a conhecer. Nesse sentido, a escolha da fundamentação teórica refletirá as decisões que nortearão a prática pedagógica da 
EJA, envolvendo metodologias e avaliações. 
A prática pedagógica deve preocupar-se em desenvolver quatro aprendizagens fundamentais, que serão para cada indivíduo 
os pilares do conhecimento: aprender a conhecer indica o interesse, a abertura para o conhecimento, que liberta da ignorância; 
aprender a fazer mostra a coragem de executar, de correr riscos, de errar mesmo na busca de acertar; aprender a conviver traz o 
desafio da convivência que apresenta o respeito a todos e o exercício de fraternidade como caminho de entendimento; e aprender 
 
 
 
137 
 
a ser, o mais importante, por explicitar o papel do cidadão e o objetivo de viver. Nesse processo, a participação do aluno deverá 
contar muito à medida que há aprendizagem levando-se em consideração a vontade, o desejo e a conscientização de que sempre 
é possível evoluir. 
Nesse ínterim, é comum professores aplicarem avaliações pautadas nos moldes tradicionais, com provas para conferir notas. 
Também há de se frisar que muitos professores que ensinam a modalidade regular estão despreparados para esse tipo de alunado, 
além de fazerem uso de materiais didáticos defasados, que não englobam as especificidades do ensino de jovens e adultos. Para 
além dessas questões, o que se quer propor é que se crie um componente específico da EJA de encontro ao que reza a BNCC à 
Luz do Currículo Sergipano. É tarefa do educador que trabalha conforme a proposta construtivista na EJA propiciar reflexões, 
discussões, trabalhos em grupo, em que os integrantes, ao se conhecerem, aprendam a se respeitar, a conhecer as habilidades dos 
colegas e a ouvir opiniões diferentes. 
O objetivo da avaliação da aprendizagem, dentro de uma educação dialética libertadora, numa abordagem sócio 
interacionista, é contribuir para que a escola cumpra sua função social transformadora, ou seja, favorecer que os educandos possam 
aprender e se desenvolver, levando em conta o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Por sua 
vez, o conhecimento transmitido e interagido com os alunos, só terá sentido se estiver embasado em algo que seja de interesse para 
a sua vida. Precisamos ensinar aquilo que esteja contextualizado no mundo que o cerca. Os conteúdos devem ser trabalhados de 
forma que o educando saiba analisar, inferir, resolver problemas, continuar a aprender e que saiba, acima de tudo, interferir nos 
problemas que a sociedade apresenta. 
 
 
 
138 
 
Em termos de avaliação, a proposta das totalidades presume uma avaliação contínua, participativa, global, diagnóstica e 
prognóstica, seguindo o ritmo de aprendizagem de cada aluno, privilegiando os procedimentos e instrumentos avaliativos, através 
de uma abordagem qualitativa. De acordo com as práticas pedagógicas da EJA, a avaliação é um processo diagnóstico, contínuo, 
cumulativo e participativo. Cumulativo por acompanhar a construção de conhecimento do aluno, como um todo, predominando os 
aspectos qualitativos sobre os quantitativos. Ela deve ter finalidade diagnóstica que se utiliza de diferentes instrumentos de avaliação 
tais como: observação, registros descritivos e reflexivos, trabalhos individuais e coletivos, exercícios, provas, questionários, dentre 
outros. Isso considerando a faixa etária, as características de desenvolvimento, o tempo e o ritmo de cada educando. O processo 
avaliativo tem como objetivos identificar potencialidades e dificuldades de aprendizagem, assim como, o de redirecionar o trabalho 
pedagógico. Levar o aluno a refletir sobre o que o fez acertar, ou errar, são colocados de lado, sendo atribuídos tais resultados ao 
acaso. Os alunos precisam aprender a analisar o seu próprio desempenho. 
 
9. METODOLOGIAS ATIVAS NO ENSINO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA 
9.1 ALUNOS COMO PROTAGONISTAS DO PROCESSO 
 
Combater a evasão escolar na EJA é um de seus maiores desafios dessas metodologias. Muitas vezes, os conteúdos e 
métodos pedagógicos podem se aproximar de uma tendência a infantilizar alunos, com a pretensão de torná-los mais fáceis. O 
espaço escolar para jovens e adultos é o lugar de interações de vivências e de trocas de experiências de vida. Estas, sem dúvida, 
 
 
 
139 
 
devem ser a matéria-prima que viabiliza a educação significativa. Quanto mais os jovens e adultos sentem-se pertencentes àquele 
momento de suas vidas, expressando suas singularidades, e seus modos de intervir na realidade circundante, mais motivados eles 
ficam na escola. Nada impede de se debater reprodução humana, numa aula de Biologia, a partir de um depoimento de uma mulher 
que gerou filhos aos 15 anos e teve que se casar, o que a impossibilitou de seguir os estudos. Tudo isto, portanto, faz das 
Metodologias Ativas uma alternativa adequada para inserir jovens, adultos e idosos, numa atmosfera educativa viva e atrativa. 
Nesse sentido, as Metodologias Ativas incidem na estruturação das práticas pedagógicas com o escopo de tornar o 
estudante cognitivamente envolvido no processo ensino e aprendizagem. Por essa configuração, o professor torna-se um orientador 
para que os alunos participem e interajam efetivamente na construção do conhecimento. Isso significa que nesse modelo de ensino 
o aluno abandona a condição de ouvinte, na sala de aula, e se engaje como agente do processo de aprendizagem. Conforme José 
Manuel Moran (2003), a partir desse enfoque, as disposições educacionais são concebidas com novos direcionamentos, estando 
contextualizados para que os alunos aprendam a integrar atividades de leituras, conhecimentos, valores, projetos de vida, 
provocações, jogos, problemas educativos presenciais, semipresenciais e à distância, como um caminho para implementar um 
organizador curricular flexível, voltado para o aluno, em suas necessidades e perspectivas. 
Do papel da dialogicidade e da emancipação cognitiva e libertária de Paulo Freire ao sociointeracionismo com a ‘zona de 
desenvolvimento proximal’ de Vygotsky, as Metodologias Ativas apresentam uma das mais relevantes alternativas para o 
enfrentamento dos desafios na EJA. Sem dúvida, a especificidade desta modalidade necessita de métodos e estratégias capazes 
de expandir seus problemas típicos: a desmotivação para o ato de estudar, aprender e concluir sua escolarização. No entanto, é 
 
 
 
140 
 
preciso situá-la no lugar do efeito e não da causa, ou seja, o perfil dos alunos da EJA comporta uma gama de variáveis que vai desde 
a relação desigual de idade/ano até o reingresso de adultos na escola, muitos inseridos no mundo do trabalho. 
Alinhar estes perfis de alunos aos propósitos e objetivos de cada intervenção pedagógica por parte do professor, será 
também um dos pressupostos fundamentais na EJA. Logo, a compreensão de que existe um universo prévio de saberes, oriundo 
da própria vivência dos alunos, consistirá no ponto de partida para se galgar as etapas cognitivas do processo de aprendizagem. 
Sendo assim, a cultura, em seu sentido mais amplo, não deverá ser suprimida dos planejamentos pedagógicos de cada professor. 
Milene Duarte Rechlinski e Suzana Feldens Schwertner (2016) afirmam que embora os professores não possuam controle 
sobre fatores relacionados aos alunos,como aptidões, e capacidades e desejos, é de sua responsabilidade o conhecimento a 
respeito da disciplina ministrada, bem como dos recursos e das habilidades para a efetivação do processo de ensino e aprendizagem. 
Estabelecer um ambiente propício à interação, estimulando a participação de todos é de fundamental importância. Frente a esse 
desafio, é necessário que se faça uma preparação adequada dos professores para atuar no ensino técnico, como orientadores de 
estudos, almejando pela parceria entre professor e aluno na busca do conhecimento. Diferenciada da pedagogia, da ciência e arte 
de educar crianças, a Andragogia, definida por Malcolm Knowles (2007), como a arte e a ciência de ajudar os adultos a aprender, 
se apresenta como importante ferramenta que pode ser utilizada no processo de ensino e aprendizagem na educação de adultos. 
Segundo Gil (2007, p. 13), a Andragogia fundamenta-se nos seguintes princípios: o conceito de aprendente, adotado como 
alternativa ao de aluno. Haja vista que o aprendente é aquele que assimila ao ser autodirigido. O que significa que é responsável 
 
 
 
141 
 
pela sua aprendizagem e demarca a sua trajetória educacional, bem como sua necessidade de conhecimento. Eles se sentem mais 
motivados para aprender. O modelo andragógico leva em conta as motivações externas, como melhor trabalho e aumento salarial, 
mas valoriza, particularmente, as motivações internas, relacionadas com a sua própria vontade de crescimento, como autoestima, 
reconhecimento, autoconfiança e atualização das potencialidades pessoais e o papel da experiência. Os adultos entram num 
processo educativo com experiências diversas e é a partir delas que eles se dispõem a participar de algum programa educacional. 
Por isso, essas experiências devem ser aceitas como fonte de recursos a serem valorizados, e partilhados e devem servir de base 
para a formação. O conhecimento dos professores e os recursos, como os livros e os projetos, são fontes que asseguram o interesse 
pela aprendizagem. 
A escolha do aprendiz e a prontidão para o aprendizado do adulto tem uma orientação pragmática, pois ele está pronto para 
aprender o que decide estudar. Sua relação de aprendizagem é natural e realista, por isso se nega a aprender o que os outros lhe 
impõem. Convém organizar as experiências de aprendizagem de acordo com as unidades temáticas, que tenham sentido e sejam 
adequadas às tarefas que os alunos são solicitados a realizar, nos seus diversos contextos de vida. 
Tomando como base os princípios da Andragogia, podem-se valer as metodologias ativas de ensino e aprendizagem que 
tenham como base, na forma de desenvolver o processo de aprender, a utilização de experiências reais. Elas fornecem subsídios 
para a solução de tarefas da prática profissional, em diferentes âmbitos de atuação. 
 
 
 
142 
 
As Metodologias Ativas concebem, antes de tudo, alunos como protagonistas de sua própria apreensão e criação de 
conceitos. A intervenção pedagógica deverá ser mais provocativa, no sentido de retirar os alunos da clássica zona de conforto, 
própria da linha mais tradicional das teorias pedagógicas. Sendo assim, os métodos de pesquisa não são apenas atribuição do 
professor na busca do conhecimento, mas dos próprios alunos. Logo, o conhecimento que se elabora a partir da solução de 
problemas, na EJA, cumprirá a função primordial de estabelecer uma relação significativa entre o conteúdo prévio dos alunos e o 
que vem como resultado das pesquisas. É bom lembrar que muitos desses alunos também consomem informações digitais, o que 
abriga um paradoxo: se por um lado eles adquirem informação, por outro, podem não a transformar em conhecimento. Por esse 
motivo, a Metodologia Ativa também surge como potencial de desconstrução da mera apreensão destituída de interpretação. Ler o 
mundo, como preconizou Paulo Freire, ainda é a ponta de lança da educação inclusiva e libertadora. 
As diversas vertentes pedagógicas inserem os afetos no âmbito educacional que podem surgir a partir de sentimentos de 
colaboração, empatia, inclusão, respeito ao próximo e outros. Os projetos na EJA possuem um papel crucial na obtenção de uma 
educação significativa. Trata-se muito mais de uma troca de saberes, do que propriamente de uma transmissão de conteúdos por 
parte do professor. Entretanto, isto não pode encerrá-los num campo limitado de conhecimento, mas, ao contrário, deve ampliá-lo. 
 Uma intervenção pontuada nos processos de cognição lógico - racionais, numa sala de aula de jovens e adultos, é 
uma das causas do desinteresse, que pode eclodir na evasão escolar. Muitas vezes, os alunos narram um episódio de novela para 
exemplificar um tema que está sendo debatido. Por isso, partir da abstração pura, na mera exposição de conceitos, pode ser 
 
 
 
143 
 
desastroso. Daí entram as estratégias pautadas nas Metodologias Ativas, que provocam e problematizam a realidade, abrindo o 
caminho para que os alunos estabeleçam conexões e compreendam os conteúdos de modo autônomo e criativo. 
A Aprendizagem focada em problemas promove a construção do conhecimento do aluno, aumentando suas habilidades e 
atitudes no processo de escolaridade, além de beneficiar o aproveitamento dessas iniciativas em outras situações. Esse modelo 
didático conduz a uma aprendizagem integrada e contextualizada, pois a solução de enigmas desenvolve a competência de intervir 
de distintos formatos em um aspecto enfocado, promovendo a apreensão dos assuntos trabalhados. 
Para Tatiana de Fatima Bartolomeu (et al, 2017), uma das principais vantagens do uso desse método é a concentração no 
exercício, para o aluno, permitindo uma maior interação entre colegas de sala, os pontos levantados, os demais componentes do 
grupo e os professores. A finalidade versa sobre a promoção de discussões que desenvolvam a autonomia dos sujeitos, diante de 
desafios decorrentes dos meios nos quais estão inseridos. Para o desenvolvimento de atividades ativas como a aprendizagem 
fundamentada em projetos, é preciso que o docente opere como um mediador, abordando temas relevantes para o debate. 
Cada aluno, no ensino da EJA, traz diversos motivos que o fizeram não continuar a jornada escolar em tempo adequado. 
Voltar para a escola é uma decisão, no mínimo, corajosa. Percebe-se, entretanto, o receio desses educandos em não 
corresponderem às demandas existentes no cotidiano escolar. Sendo assim, trabalhar sua autoestima é uma tarefa imprescindível 
para alicerçar as práticas pedagógicas. 
 
 
 
144 
 
Os docentes sentem-se impotentes diante do quadro de conhecimento formal em que os alunos se encontram. Percebe-se 
a tendência em avaliá-los com os mesmos critérios de alunos das modalidades regulares. Isto pode ser negativo, na medida em que 
se ignora outros potenciais que podem ser inseridos nos planejamentos pedagógicos. Uma das proposições pertinentes às 
Metodologias Ativas consiste em não ressaltar os erros ortográficos, mas enfocar a expressividade das atividades que os alunos 
realizam. O que eles mesmos produzirem é uma alternativa para quebrar o gelo de anos fora da escola. A palavra restitui a autoestima 
perdida. Quando adultos percebem que expressam suas visões de mundo, interagindo com os demais, a aula ganha uma nova 
coloração. O que se pretende, com as Metodologias Ativas no âmbito da EJA, é a conquista emancipada da obtenção do 
conhecimento. 
Em entrevista concedida à Revista Perspectiva, em 1985, Paulo Freire fala sobre o respeito ao universo linguístico dos 
alunos, antes de enquadrá-los à norma culta. 
Nessa perspectiva: 
 
Então, faz 480 anos que os meninos populares desse país que chegam à escola - porque há uma quantidade 
extraordinária que nunca chegou - voltam para casa tristes, um dia, ou três, ou quatro, ou um ano inteiro ou a vida inteira, 
carregando um caderno cheio de riscão vermelho, escrito errado quando eles escrevem ‘nois vai (FREIRE, 1985, 34). 
 
Existeuma certa má interpretação de Freire (1985), quando ele defende o respeito ao universo linguístico do ser humano, 
que não teve acesso ao letramento formal. Não é verdade que o aluno deve escrever ‘nois vai’ eternamente, mas deve-se 
 
 
 
145 
 
compreender que a mudança da forma coloquial para a norma culta é um processo longo, e simplesmente negar e/ou ignorar a 
culturalidade da fala concreta, não será producente, enquanto estratégia pedagógica. 
Embora Vygotsky (2013) tenha elaborado seus estudos e suas pesquisas, a partir do desenvolvimento cognitivo das 
crianças, a psicologia evolutiva também inclui jovens e adultos, uma vez que a formação cerebral ainda continua interagindo com o 
meio ambiente, influenciada por fatores sociais, históricos e afetivos. O desenvolvimento e exercício da linguagem são primordiais 
para a aquisição de conceitos, como também para a prática de conceituar. Quando Vygotsky (2013, p. 84) diz que, “uma palavra 
vazia de pensamento é uma coisa morta, da mesma forma que um pensamento nu de palavras permanece na sombra”, ele ressalta 
a linguagem como meio pelo qual o pensamento se desenvolve. Sem ela, seja em sua forma oral, escrita ou imagética, os indivíduos 
não ultrapassam novos níveis cognitivos velozmente. 
O sociointeracionismo vygotsquiano fundamenta as práticas na EJA que podem ser pautadas nos círculos de debates, por 
meio de temas estabelecidos coletivamente, como também, nas produções de textos, individuais e coletivas, nos seminários em 
grupos e em outros. A princípio, pode-se perceber algumas resistências por parte de alguns alunos, para se envolverem nos 
trabalhos, mas, aos poucos, os que possuem menos dificuldade acabam por envolver os demais colegas nas atividades propostas. 
Nesse bojo, a Pedagogia de Projetos vigora desde o século XX e sua contribuição ao processo de ensino e aprendizagem 
se desenvolveu através de John Dewey. Um projeto estabelece conexões entre múltiplos pontos de vista, contemplando uma 
pluralidade de dimensões e formas de chegar a um conhecimento. O projeto é uma proposta que garante a flexibilidade das 
 
 
 
146 
 
atividades dos alunos, ao se perceberem diante de um problema significativo de enfrentamento com interpretações diversas, acerca 
da mesma questão. Iane Margareth Abreu (2008) aponta que em um projeto é trabalhado uma temática da educação, na qual a 
experiência vivida e a cultura sistematizada interagem com conhecimentos significativos, construídos em sua vida. O professor cria 
situações problematizadoras, produzindo condições para que os alunos pesquisem o conteúdo selecionado como estratégias 
inovadoras, contextualizadas com a realidade e com questões da sociedade. 
A Pedagogia da Presença é uma metodologia de qualificação das relações humanas e educacionais. Antônio Carlos Gomes 
da Costa (2012) ressalta que a Pedagogia da Presença é a vivência dessa ferramenta como uma ética de acolhimento e respeito 
para com as pessoas. A Pedagogia da Presença é parte de um empenho coletivo na direção de um conceito, de uma prática real e 
humanizada da EJA em dificuldades, cooperando para o desempenho desses jovens e adultos em termos pessoais e sociais. A 
Pedagogia da Presença sugere na existência, pois convida para atuação a pessoa, o educador e o cidadão. Compete ao professor 
empenhar-se sobre as mudanças, tendo como horizonte sua história e a de seu povo. A consciência do educador abre-se a um 
entendimento da sociedade, que deve ser capaz de lidar com condutas daquilo que há de mais íntimo na vida de jovens e adultos 
em situação de dificuldades (COSTA, 2012). 
Nessa perspectiva, os professores devem dar o retorno para os alunos, entregando em tempo hábil as atividades avaliadas, 
promovendo diálogos, onde a escuta sincera seja o importante princípio ético, no respeito aos saberes prévios dos alunos, através 
de suas visões de mundo. 
 
 
 
147 
 
A partir da reunião coordenada pelas técnicas da DRE’9, Ana Celma Amaral Santos (2019) e Lílian Santana Gois Silva 
(2019), os professores da EJA vinculados a DRE’9, apresentaram algumas propostas de intervenção na comunidade escolar, e 
sobremodo, na sala de aula, no Colégio Estadual Cícero Bezerra, em Nossa Senhora da Glória/SE. Na perspectiva da Pedagogia 
de Projetos, o professor Hugo Hudsney Santana de Souza (2019), que ministra a disciplina Língua Portuguesa, realizou uma ação 
sobre As Profissões e o Mercado de Trabalho. Inicialmente, ele promoveu leituras sobre o tema, com as turmas, em seguida, 
convidou ex-alunos da EJA formados em instituições de ensino superior e/ou que estavam ingressos nelas para proferirem palestras, 
narrando suas jornadas profissionais e acadêmicas, após concluírem a EJA. O evento aconteceu na quadra esportiva do Colégio 
Cícero Bezerra, onde, após as falas, os alunos realizaram debates e produziram relatórios sobre as profissões da atualidade e as 
possibilidades de trabalho nas suas localidades. 
O objetivo consistiu em despertar neles o sentimento de que os estudos na EJA podem ir além da mera obtenção do 
certificado do ensino médio. As professoras de História e Geografia, Luciana Leite Santos (2019) e Mirna Pereira Nonato da Silva 
(2019), respectivamente, propuseram o uso e a elaboração de jogos voltados para exercício do raciocínio lógico e cognitivo, 
abordando questões das Ciências Naturais e da Matemática, respectivamente. A professora Maria Genalva de Jesus Santos (2019) 
incentivou a reflexão de temas pautados na ética, que tem como princípio o respeito ao próximo. 
Outro projeto realizado pela professora Thawana Jacyara Silva Souza (2019) enfocou sobre ‘A Cultura Sergipana e a 
Memória de um Povo do Lugar’. Após realizarem estudos diversificados sobre a questão, foi realizada uma visita ao Museu da Gente 
Sergipana, com a contribuição de diversos professores, numa ação interdisciplinar. Outra estratégia utilizada foi o uso de músicas, 
 
 
 
148 
 
filmes e documentários, com o intuito de familiarizá-los com a história de Sergipe, desenvolvendo a produção de textos em português 
e inglês. Também a professora Maria de Fátima de Matos Souza (2019), que ministra a disciplina Sociologia, tratou de temas 
presentes nos meios de comunicação, elaborando análises de discurso, com o objetivo de fomentar o uso otimizado das informações 
midiáticas, quando se trata de divulgar a sergipanidade. À medida que as pesquisas iam sendo realizadas, os alunos aprendiam 
sobre a importância de se conhecer a história e a geografia de Sergipe, por meio de pesquisas em fontes variadas. Nessa ação, 
diversos professores do Colégio Estadual Cícero Bezerra estimularam a noção de identidade cultural, a memória local, as tradições, 
o folclore, os costumes antigos, as lendas, os mananciais naturais, as personalidades, os artistas da terra, entre outros aspectos, 
alinhados a uma proposta educativa efetivamente contextualizada ao processo de ensino e aprendizagem. 
Nesse contexto de ações, a avaliação foi realizada desenvolvendo a autonomia dos educandos no mundo. Para tanto, o 
sociointeracionismo mediou as atividades desenvolvidas no espaço escolar e fora dele, junto à sociedade, para que os alunos fossem 
desafiados a superar o autoritarismo e a buscar uma maior integração nos seus desempenhos e na sua participação. Isto porque na 
EJA esse procedimento não se restringe a aferição do aluno ao longo do período avaliado. Deve-se avaliar o aluno de forma que 
seja possível verificar a construção de novos conhecimentos, acompanhando seu progresso e levando os aprendizes a aprimorarem 
os saberes que já possuíam, evidenciando assim seu nível de aprendizagem e tornando-o um participante ativo do processo de 
ensino e aprendizagem. Vale frisar que o avaliador deve pautar a análise dentro dos princípios da construção, da reflexão, da 
colaboração, da criatividade, da parceria, da autoavaliação e da autonomia. Isso indica que o envolvimento e a internacionalidade149 
 
do aluno são cruciais no trabalho com o coletivo, dentro de uma função socializadora para o resultado final da avaliação, cujo sentido 
seja o de promover o desenvolvimento humano e o de intervir neste desenvolvimento, produzindo um determinado sentido. 
Nas Metodologias Ativas, a Pedagogia de Projetos e a Pedagogia da Presença colocam o aluno na centralidade do processo 
educativo, e os professores contextualizam os objetos do conhecimento exigidos pela diretriz curricular. O conhecimento ocorre a 
partir de atividades emocionais e cognitivas, isto é, o papel dos professores não consiste em transmitir conteúdos, tendo em vista 
uma reprodução. Pois aprender é pensar por si mesmo. Trata-se, então, de recriar a partir do que a tradição nos legou. 
 
9.1.1 PEDAGOGIA DE PROJETOS NA EJA 
 
Pedagogia de projetos é um método que ensina por meio da experiência. Essa metodologia propõe que o estudante se 
conecte a um projeto de pesquisa e que se interesse por ele. Aqui, o papel do professor é o de favorecer o ensino com base em 
descobertas surgidas das pesquisas realizadas sob sua orientação. É uma metodologia alternativa à qual a escola pode recorrer 
para formar cidadãos independentes, críticos e participativos. Quando a escola propõe uma abordagem baseada em projetos, 
incentiva uma visão interdisciplinar do conhecimento, além de estimular o aprendizado por meio da experiência, e o desenvolvimento 
da autonomia de seus alunos. 
Alessandra Melo (2019) ressalta que pedagogia de projetos estimula o pensamento crítico, que contribui para formar 
indivíduos autônomos e socialmente ativos. A Pedagogia de projetos trabalha com intencionalidade. Os projetos têm de ser 
 
 
 
150 
 
escolhidos a partir dos objetivos que o professor pretende que a turma alcance e do conhecimento que ambos precisam construir. 
Quando o professor define tais objetivos, surgem diversas possibilidades de projetos. Assim, o educador deve estar atento aos 
interesses dos alunos. 
Outra característica do método é a flexibilidade. Alunos têm particularidades, interesses e conhecimentos prévios bastante 
diversificados. Por isso, a recepção, o engajamento e o resultado que cada turma obtém são únicos. O professor precisa acompanhar 
as atividades para notar tais diferenças e fazer mudanças de plano, se assim for necessário. A multidisciplinaridade também é muito 
importante na Pedagogia de Projetos, já que a solução de um problema dificilmente é obtida com conhecimentos oriundos de uma 
única área – relacionar disciplinas como Matemática, Português e Ciências, por exemplo, é uma das chaves dessa metodologia. 
Na Pedagogia de Projetos, a escola objetiva formar cidadãos autônomos e participativos na sociedade. Para conseguir 
formar este cidadão, é preciso desenvolver nos alunos a autonomia. A Pedagogia de Projetos encontra-se como um instrumento de 
fácil operacionalização dentre a gama de possibilidades para atingir tal intento. Essa é uma metodologia de trabalho educacional 
que tem por objetivo organizar a construção dos conhecimentos em torno de metas previamente definidas, entre alunos e 
professores. O projeto deve ser considerado como um recurso, uma metodologia de trabalho destinada a dar vida ao conteúdo, 
tornando a escola mais atraente. Dessa forma, é valorizado o que os alunos já sabem, respeitando-se o que eles desejam aprender 
naquele momento. Significa acabar com o monopólio do professor tradicional que decide e define, ele mesmo, o conteúdo e as 
tarefas a serem desenvolvidas. 
 
 
 
151 
 
Fernanda de Souza Reis (2019) destaca que na Pedagogia de Projetos, a atividade do sujeito aprendiz é determinante na 
construção de seu saber operatório, e esse sujeito, que nunca está sozinho ou isolado, age em constante interação com os meios 
ao seu redor. Segundo Paulo Freire "o trabalho do professor é o trabalho do professor com os alunos e não do professor consigo 
mesmo". O papel do educador, em suas intervenções, é o de estimular, observar e mediar, criando situações de aprendizagem 
significativa. É fundamental que esse saiba produzir perguntas pertinentes, que façam os alunos pensarem a respeito do 
conhecimento que se espera construir, pois uma das tarefas do educador não é só fazer o aluno pensar, mas ensiná-lo. 
Vários são os fatores que influenciam na hora de se implementar a Pedagogia de Projetos como uma alternativa 
metodológica para a educação brasileira. Uma delas é a formação do professor; este deve ser qualificado para que possa lidar com 
as inovações que a aplicabilidade da pedagogia traz. Essa metodologia simples, na realidade, requer um conhecimento amplo do 
contexto político e social em que nos encontramos, como também um domínio de sala de sala, por parte do professor, que somente 
assim conseguirá conduzir o desenvolvimento do projeto a contento. Outro fator que corresponde à dificuldade de implementação 
de uma política de ensino, é o de as instituições escolares não possuírem um plano político pedagógico. Esse fato acaba por dificultar 
a implementação de inovações na escola. Outro fato significante é o de que muitas escolas ainda possuem uma política pedagógica 
tradicional, o que acaba por podar a ação do professor dentro de sala de aula (REIS, 2019). 
Para Rovena Monteiro Lopes (2017) a formação profissional do professor deve ser tratada como um processo reflexivo sobre 
a prática educativa e um investimento profissional dos professores. Ela deve ser considerada como um processo que se prolonga 
por toda a vida profissional, haja vista que ensinar é um processo complexo, que envolve fatores afetivos, cognitivos, éticos, dentre 
 
 
 
152 
 
outros. Espera-se que o educador seja capaz de contextualizar os conteúdos, articulando e diversificando as atividades, e utilizando 
novas metodologias, estratégias e materiais de apoio. Tudo isso, tendo como ponto de partida a realidade local; o trabalho em equipe 
com os outros professores; o estabelecimento de uma parceria constante com a comunidade (LOPES, 2017). 
O planejamento deve ser desenvolvido com foco nas atividades principais, nas estratégias, na coleta do material de pesquisa, 
na definição do tempo de duração do projeto, e em como será o seu fechamento. O professor deve elaborar com os alunos a 
diagnose do projeto, que consiste em registrar os conhecimentos prévios sobre o tema, as dúvidas, os questionamentos e as 
curiosidades a respeito do tema, e onde pesquisar sobre o tema, objetivando encontrar respostas para os questionamentos que o 
antecedem. 
É interessante realizar, periodicamente, relatórios parciais orais e/ou escritos a fim de acompanhar o desenvolvimento do 
tema. É necessário avaliar os trabalhos que foram programados e desenvolvidos, dando oportunidade ao aluno de verbalizar seus 
sentimentos sobre o desenrolar do projeto. Desse modo, ao retomar o processo, a turma organiza, constrói saberes e competências, 
opina, avalia e apresenta conclusões coletivamente. E é esse fazer que promove crescimento tanto no âmbito cognitivo, quanto no 
social, afetivo e emocional (REIS, 2019). 
Nesse sentido, foram realizados diversos projetos pedagógicos a partir da orientação do SEJA/DED/SEDUC, nas formações 
continuadas ministradas pelos integrantes do SEJA, do fórum Permanente da EJA em Sergipe e de instituições parceiras, como a 
Universidade Federal de Sergipe - UFS. Na sequência serão apresentados três desses projetos desenvolvidos, cuja temática volta-
 
 
 
153 
 
se para o eixo EJA e Cultura, nas unidades de ensino. Sendo eles: Projeto Consciência Negra - Por um Brasil Onde Caibam Todos; 
Projeto Identidade Cultural; e Projeto Resgatando o Nosso Folclore. 
O Projeto: Consciência Negra - Por um Brasil Onde Caibam Todos, desenvolvido pelos alunos e professores do EJAEM 2ª 
e 3ª Etapa, do Colégio Estadual Dr. Edélzio Vieira de Melo, situado em Santa Rosa de Lima/SE, jurisdicionado à DRE’08, foi realizado 
durante o ano letivo de 2018.A ação pedagógica pautada nas metodologias ativas, objetivou promover o reconhecimento e a 
valorização do legado afrodescendente no Brasil, considerando os aspectos culturais, valores, costumes, lutas e resistências, 
suscitando uma educação ética e cidadã voltada para o respeito e o convívio harmônico com a diversidade, a partir de temáticas 
significativas que propiciaram condições para que os alunos tomassem consciência das raízes históricas e culturais da própria 
formação e da formação nacional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
154 
 
Foto 1 e 2 – Projeto Consciência Negra - Por um Brasil Onde Caibam Todos (2018) 
 
 
 
 
 
 
 
Isto porque, historicamente, o Brasil no aspecto legal teve uma postura ativa e permissiva diante da discriminação e do 
racismo que atinge a população afrodescendente brasileira até hoje. Nesse sentido, ao analisar os dados que apontam as 
desigualdades entre brancos e negros, constatou-se a necessidade de políticas específicas que revertessem o quadro atual do negro 
brasileiro. O desafio de ensinar que somos frutos dos elementos étnico-culturais que contribuíram para a formação da sociedade 
brasileira, demonstrou a importância de criar estratégias para o redirecionamento da ação docente, promovendo a ressignificação 
de conceitos, contextos e métodos que auxiliassem no processo ensino-aprendizagem. 
 
 
 
155 
 
Para tanto, a metodologia do trabalho foi realizada por meio de um projeto, que integrou diversas disciplinas, com professores 
interessados em discutir a temática abordada. Em Língua portuguesa e Literatura, analisaram-se poesias e romances de autores 
negros; em Geografia e História, abordou-se o espaço e o tempo histórico dos afro-brasileiros; em Ciências, Física, Química e 
Biologia, averiguou-se sobre as doenças e fármacos populares; em Matemática foram analisados gráficos e estatísticas sobre os 
negros brasileiros; em Inglês debateu-se a cultura hip-hop e em Educação Física, as noções de capoeira como elemento da cultura 
do povo afro-brasileiro. 
Foto 3 e 4 – Projeto Consciência Negra - Por um Brasil Onde Caibam Todos (2018) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
156 
 
As atividades foram realizadas entre os meses de agosto e novembro de 2018, sendo as etapas do trabalho assim 
desenvolvidas: elaboração do projeto; criação e realização de banners e materiais pedagógicos (cartazes, painéis, pinturas, teatro e 
outros); apresentação e exposição dos banners e esses recursos pedagógicos aconteceram em dois momentos: o primeiro foi na 
Semana da Consciência Negra, na escola e o segundo momento ocorreu na Mostra Pedagógica da EJA realizada pela DRE’08. 
O Projeto Identidade Cultural realizado pelo Colégio Estadual Abdias Bezerra, da DRE’3, situado em Ribeirópolis/SE, nas 
turmas de EJAEM, teve como objetivo trabalhar essa temática a partir da realidade sociocultural dos alunos, utilizando as 
metodologias ativas para construção de relatos da história de vida desses atores, com vista à compreensão da noção de alteridade, 
por meio da valorização e do reconhecimento do outro. No projeto foram realizadas, inicialmente, ações de intervenção, solicitando 
que os alunos trouxessem objetos materiais que tivessem significado afetivo para cada um. 
 
 
 
157 
 
Fotos 5 e 6 – Projeto: Identidade Cultural (2017) 
 
 
 
 
 
 
 
Eles responderam perguntas feitas sobre o objeto, apresentando suas conclusões. De acordo com as professoras do 
Colégio, Adeilza Góis e Maria José Lima dos Santos, a metodologia desenvolvida contou com reuniões de professores e equipe 
diretiva para definir a organização do projeto (04/07/2017), seguidas de explicação aos alunos, sobre o projeto (12/07/2017), 
realização do relato de vida pessoal (26/07/2017) e culminância do projeto com a exposição da história de vida dos estudantes 
(16/08/2017). As atividades pedagógicas serviram de subsídios para trabalhar a história de vida dos alunos, os quais desenvolveram 
pesquisas, histórias orais, e relatos de entrevistas com familiares. Foi organizada uma exposição com os objetos e as histórias 
 
 
 
158 
 
pessoais deles para a comunidade escolar. Com essa experiência os alunos aprenderam a fortalecer sua autoestima, e a respeitar 
a cultura do outro. 
Fotos 7 e 8 – Projeto Identidade Cultural (2017) 
 
 
 
 
 
 
 
De acordo com a coordenadora do Colégio, Josiêne Santos, a identidade é um conjunto de elementos com significados 
fundados na memória dos indivíduos, com as quais garante a sobrevivência e continuidade do grupo social. Com o sentimento de 
identidade pessoal, o sentido da coletividade fica fortalecido nos alunos e em todos os envolvidos no projeto. Conforme os 
professores do Colégio, José Ailton Oliveira Carvalho e Wellington Lima de Oliveira, o objetivo da ação foi abordar a identidade 
 
 
 
159 
 
cultural pertencente aos alunos da EJAEM, do Colégio Estadual Abdias Bezerra, destacando sua história de vida e promovendo um 
momento de reflexão sobre suas identidades. 
O Projeto Resgatando o Nosso Folclore foi efetivado no Colégio Estadual Dr. Augusto César Leite localizado em 
Itabaiana/SE, na DRE’03, com o objetivo de refletir sobre o saber popular, tendo em vista a utilização dos saberes populares como 
um dos pontos de partida para o fazer pedagógico, buscando ampliar o conhecimento, a compreensão e uma análise sobre o folclore 
brasileiro, por meio do diálogo com alunos. A importância dessa ação volta-se para a valorização da cultura local, destacando a 
necessidade de as manifestações populares adentrarem a escola pública sergipana. No sentido de que a escola, como portadora 
do conhecimento, precisa resgatar a cultura sergipana e garantir as tradições de geração a geração. 
Importante faz-se evidenciar o desenvolvimento de projetos pedagógicos como um marco para perpetuação da identidade 
cultural e da memória das comunidades locais. Para tanto, usou-se princípios abordados como: cooperação, cultura, integração, 
determinação, comunicação, preservação e conservação sociocultural, patrimônio, entre outros. Foi possível assim, discutir de 
maneira interdisciplinar com diferentes áreas do conhecimento, preparando os educandos nas atitudes coerentes em relação a 
conservação dos elementos da cultura popular sergipana. 
O período de aplicação do projeto ocorreu de agosto a novembro de 2017, no horário noturno com os alunos da 1ª a 4 ª 
Etapa do EJAEM. As estratégias do projeto voltaram-se para uma variedade de recursos didáticos que favoreceu a compreensão 
dessa temática nos alunos. De modo que eles produziram diferentes expressões pedagógicas como: desenhos, interpretação de 
 
 
 
160 
 
músicas, painéis, produções de textos, rodas de leituras, danças, produções de textos e de lenda, debates, exposições de ervas 
medicinais dos elementos sobre a cultura popular. As lendas folclóricas foram mais estudadas pela 1ª Etapa A e a B. As simpatias 
foi foram estudadas com maiores detalhes pela 2ª Etapa. As ervas medicinais foram pesquisadas pela 3ª Etapa e as danças, com 
destaque para o samba de coco, foi debatido e apresentado pela 4ª Etapa. 
FOTOS 08 e 09 – Projeto Resgatando o Nosso Folclore (2017) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
161 
 
9.1.2 PEDAGOGIA DA PRESENÇA NA EJA 
 
Trata-se de um princípio presente nas ações de toda a equipe escolar por meio de atitudes participativas e afirmativas, 
ultrapassando as fronteiras da sala de aula e materializando-se por meio do estabelecimento de vínculos, como: consideração, afeto, 
respeito e reciprocidade entre os estudantes e os educadores. A essência da Pedagogia da Presença é a reciprocidade. O objetivo 
central é a mudança da forma de o educando se relacionar consigo mesmo e com os outros, no processo de Aprender a Ser, 
Aprender a Conviver, Aprender a Conhecer e Aprender a Fazer. 
O educador incorpora atitudes básicas que lhe permitem exercer uma influência construtiva, criativa e solidária na vidado 
educando, que, por influência dessa relação com o educador, amplia e desenvolve autoconhecimento, autoestima, autoconceito e 
autoconfiança. Tudo isso possibilita o aprimoramento de competências para relações interpessoais e exercício de cidadania, 
elementos fundamentais para sua formação e construção do seu Projeto de Vida. 
Na prática, a presença pedagógica se traduz em compartilhamento de tempo, experiências e exemplos. No ato de educar, 
educando e educador se tornam visíveis, perceptíveis, e se fazem presentes em seu meio, em seu tempo e em suas histórias, 
enquanto indivíduos e membros de suas gerações. 
A Pedagogia da Presença é um processo pedagógico destinado ao acompanhamento e à orientação do Projeto de Vida do 
aluno que propicia atividades de interação realizadas no cotidiano da escola por um profissional experiente, que valoriza os 
 
 
 
162 
 
conhecimentos e a vivência do desencadear do processo de ensino e aprendizagem, agregando novos conhecimentos, de caráter 
prático e modelar. 
O educador e o educando constroem uma relação de parceria e corresponsabilidade, com foco no desenvolvimento da 
prática do tutorado, de forma customizada, sempre com o objetivo de melhorar os resultados de aprendizagem dos alunos (RUIZ, 
2016). Conforme Edi Wilson Pereira Ruiz (2016), existem dez qualidades essenciais, aplicáveis à tutoria e aos pais: querer ajudar, 
com propósito decidido, com entrega, dedicação e disponibilidade; ter interesse autêntico pela pessoa a quem se ajuda, como por 
si mesmo; e ter desinteresse por si próprio, servindo o outro, sem buscar intencionalmente compensações pessoais (RUIZ, 2016). 
Depositar confiança nas possibilidades reais do outro; em seus desejos de melhora, em sua vontade de aprender e de 
trabalhar bem: disposições às vezes adormecidas ou esquecidas por causa da atitude cética de educadores que “cortam as asas” 
dos alunos por não acreditarem neles, por não confiarem em sua boa vontade, em vista de seus possíveis erros e apesar dos que 
cometam os próprios educadores: retificar é atitude de sábios, pois só aumenta a verdadeira autoridade. Expressiva capacidade de 
comunicação pessoal, com estilo próprio e naturalidade, sem afetação, genuína, com sinceridade e autenticidade. A capacidade de 
empatia consiste fundamentalmente em captar intuitivamente o mundo dos sentimentos e os modos de pensar do outro, sua forma 
de enfrentar a vida: em ser capaz de ver o outro como esse outro vê a si mesmo, como vê o outro, sente o seu problema e as 
circunstâncias que o rodeiam, supõe saber escutar (RUIZ, 2016). 
 
 
 
163 
 
O respeito reporta-se ao saber respeitar o modo de ser do outro, seu temperamento, sua personalidade, conjugado à ajuda 
de melhorar com o respeito por suas qualidades pessoais, diferentes das nossas, e por suas deficiências, levando-o a superar seus 
defeitos com tato, sensibilidade e senso comum, exigindo o que ele pode e deve dar de si, por respeito à sua potencialidade de 
desenvolvimento (RUIZ, 2016). 
O otimismo realista volta-se para a alegria capaz de animar o outro, apesar das dificuldades de todo tipo, fazendo com que 
ele veja o lado positivo das coisas. E ao mesmo tempo realista, esse objetivo é capaz de captar a realidade tal como é, sem cair na 
idealização do outro e de suas possibilidades objetivas, e sem supervalorizar suas próprias capacidades como agente de ajuda. O 
melhor “autoconceito”, a melhor “autoestima” se consegue aceitando objetivamente a própria verdade pessoal, e a partir daí, lutar 
para ser melhor. Ser exemplo de luta. É importante que o comportamento seja discreto, sem apresentar-se como exemplo de 
perfeição, mas como alguém que luta com suas limitações, que é o que o aluno deve aprender a fazer. Com entusiasmo e ânimo de 
superar-se e ajudar o outro a se superar, sem se deixar vencer pelas dificuldades do caso ou pelas reações negativas da pessoa 
que se quer ajudar, sem conformar-se com a mediocridade (RUIZ, 2016). 
A confidencialidade é um dever ético e profissional. Não comentar com ninguém, inclusive com os pais o que o aluno lhe 
tenha confiado, abrindo sua intimidade em questões estritamente pessoais. Mesmo em outros assuntos pede permissão. Se um 
aluno ouve de outra pessoa aquilo que confiou somente ao tutor, sua confiança desaparece imediatamente, para nunca mais voltar 
(RUIZ, 2016). 
 
 
 
164 
 
É caracterizada por exigências de selar compromissos, esforços de aproximação, apelos, ofertas discretas ou desajeitadas, 
que testemunham uma profunda inquietação; a segunda, quando a perda parece consumada, o adolescente em dificuldade alimenta-
se dos sentimentos engendrados pela privação, rejeição do meio, dissimulações presentes na edificação de um universo fechado, 
base de uma segurança enganadora onde são elaborados simulacros; a terceira fase é o momento em que o jovem procura outras 
presenças, indo ao encontro dos que são vítimas do sofrimento (RUIZ, 2016). 
Encontram-os trancados num grupo fechado e isolado dos demais. Movido por impulsos que emergem de sua natureza 
profunda, o jovem lança-se à procura dos bens perdidos, uma busca desorientada que ignora as leis e convenções morais. A 
transgressão da lei, contudo, aciona os mecanismos de controle e defesa social, cujas reações vêm somar-se ao sofrimento de um 
passado cujos tormentos, apossam-se do seu presente e o infernizam cada vez mais. Quando se chega a esse ponto, temos a prova 
de que a vida foi perturbada, não em planos superficiais, mas profundos. É então que o educador é chamado a intervir. Ele sabe que 
é neste momento que a sua capacidade de fazer-se presente na vida do educando tem maior sentido e importância. 
A Pedagogia da Presença orienta o educando para a conscientização da realidade, em que a peripécia pessoal e social do 
adolescente em dificuldade é vista com outros olhos ganhando, assim, outro enfoque e outra conotação. Descobriu-se os impulsos 
contraditórios que os caracterizam, uma vontade de ser aceito e de se libertar. 
Um exemplo de ação voltada para a pedagogia da presença na EJA tem sido desenvolvida pela SEDUC, por meio do DED 
e do SEJA, em parceria com a Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social - SEIAS e a Fundação Renascer, trata-se do 
 
 
 
165 
 
projeto “EJA como caminho socioeducativo: desenvolvimento de competências e habilidades para o exercício da liberdade”, Este 
projeto tem a finalidade de proporcionar aos jovens e adolescentes em conflito com a lei, um momento para que se possa tirar 
proveito pleno das possibilidades da presença, considerando-a como um recurso a mais no enfrentamento dos casos que comportam 
desafio. 
O Projeto “EJA como caminho socioeducativo: desenvolvimento de competências e habilidades para o exercício da 
liberdade”, foi criado pelos técnicos do SEJA/DED/SEDUC. Nele são desenvolvidas atividades direcionadas aos alunos em situação 
de privação de liberdade, aos professores, coordenadores e técnicos do Sistema Socioeducativo. O projeto englobou um ciclo de 
ações pedagógicas voltadas para a educação em valores humanos, que auxiliam no processo de reinserção social, a partir do 
desenvolvimento de competências e habilidades imprescindíveis para a vida em sociedade. A realização do projeto contou com o 
apoio de vários parceiros que desenvolveram trabalhos artísticos e culturais, ministraram oficinas de aprendizagem e palestras. 
A programação, realizada nas unidades socioeducativas, aconteceu da seguinte forma: os adolescentes e jovens privados 
de liberdade participaram de uma dinâmica em grupo, depois foram conduzidos a uma Roda de Conversa intitulada “Despertar do 
Ser” onde foram abordados temas diversos com enfoque no desenvolvimento humano e nas relações intrapessoais e interpessoais. 
A atividade conduziu o grupo a uma reflexão sobre sonhos, experiências de vida, balizadas nas expectativas para o futuro. Em 
seguida, realizou-se atividades práticas com o objetivode “Recriar com Arte”, para que fossem despertadas e valorizadas as 
potencialidades adormecidas de cada participante. 
 
 
 
166 
 
A ação pedagógica e os temas desenvolvidos foram norteados na ideia de trabalhar os valores e objetivos da medida 
socioeducativa, alinhando-os às competências da BNCC e do Currículo Sergipano, como uma forma de influenciar a conduta dos 
socioeducandos e contribuir de forma significativa para a sua relação pessoal, familiar e social. Trabalhou-se, portanto, a Educação 
como objeto de transformação estimulando o autoconhecimento e promovendo a elevação da autoestima, para que se aflore o 
espírito de cooperação e de solidariedade essenciais para a vida em sociedade. 
Em uma das ações pedagógicas realizadas no Centro de Atendimento ao Menor – CENAM, o palestrante convidado Hudson 
Clodoaldo dos Santos ministrou uma roda de conversa falando de oportunidade, igualdade e potencial. A ideia foi mostrar que os 
adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social são capazes de modificar a situação em que vivem ou até mesmo a 
realidade social na qual estão inseridos. Na oportunidade, foi possível perceber o talento artístico e as potencialidades desses jovens 
e adolescentes. Um deles, MC, como é chamado carinhosamente pelos professores e colegas, é aluno da EJAEF e expressa seus 
sonhos por meio do rap. Entre uma rima e outra, demonstrou maturidade ao falar dos percalços vividos na infância, escolhas, família 
e fé. "Deus é a resposta para tudo", frisou o jovem privado de liberdade. 
Com aproximadamente 85 internos, em 2019, cerca de 55 deles estavam matriculados na EJA, o CENAM, junto à SEDUC, 
oferta o ensino fundamental nos turnos da manhã e tarde, no qual são trabalhados os componentes curriculares polivalentes e por 
área. 
 
 
 
167 
 
É preciso preparar um futuro adulto para inserir-se de forma produtiva na sociedade, encontrando nele o que de bom ele 
trouxe consigo para a escola. Conforme Edi Wilson Pereira Ruiz (2016), quem se proponha a assumir essa modalidade de trabalho 
educativo junto a adolescentes, deve apresentar autodomínio dos impulsos. Além de uma inclinação pelo conhecimento dos aspectos 
da vida do adolescente, que testemunham as suas dificuldades e fragilidades e o seu potencial para superá-los. Esta aptidão implica 
simpatia, compromisso, solidariedade, ou seja, capacidade de relacionamento positivo com esse tipo de jovem (RUIZ, 2016). 
Outra aptidão reside na capacidade de autoanálise, pois é a partir de uma consciência perspicaz de si que é possível ao 
educador perceber perfeitamente que parte de sua personalidade está projetado nessas ações. Sem a abertura para a interioridade, 
a capacidade do educador é atribuir o que acontece de negativo ao educando e às suas condições de trabalho, eximindo-se de 
colocar-se a si como parte dos problemas. Esta capacidade de autocrítica à luz da ação, condiciona uma honestidade intelectual e 
a humildade, sem as quais proliferam os álibis de consciência propensa a se tomar mais acomodada. Mais do que responder aos 
temores, o educador deve orientar sua atuação para as necessidades dos adolescentes (RUIZ, 2016). 
 As situações em que a perspectiva da presença é chamada a intervir como o primeiro elemento da dinâmica do 
atendimento. A norma é a adoção de uma conduta repositiva das necessidades e carências do educando. Este caminho consciente 
é uma segura maneira de perder de vista o objetivo fundamental do processo educativo. Sobre a palavra socialização pesa um grave 
equívoco. Entende-se por este termo uma perfeita identidade entre os hábitos de uma pessoa e as leis e normas que presidem o 
funcionamento da sociedade; uma adesão prática à sua dinâmica, uma submissão ao seu ritmo, uma incorporação plena de seus 
valores, quando o comportamento ajustado é a única coisa que importa. 
 
 
 
168 
 
Para Antônio Carlos Gomes da Costa (2016) o enfoque da Pedagogia da Presença, dá importância a cada membro da sua 
comunidade, respeitando-os na sua pessoa, nos seus direitos, nos seus bens. Ele age por medo de sanções, mas também por uma 
ética pessoal que motiva o outro como valor em relação a si próprio. Modera seus impulsos de sensibilidade e de orgulho, julga os 
aspectos positivos e negativos da sociedade. Reconhece os desvios que deformam a convivência coletiva e se empenha na 
realização de interesses pessoais e sociais. 
 Tem a liberdade e o direito de exprimir, quando isso corresponder à sua vontade e ao seu entendimento, a indignação 
salutar que induz à denúncia e ao combate da injustiça e da opressão, que povoam a vida dos homens numa sociedade como a 
nossa. Segundo Antônio Carlos da Costa (2016), a socialização é uma aceitação, um compromisso sem exigências e/ou uma 
assimilação sem grandeza. Ela é uma possibilidade humana desenvolvida na direção da pessoa e do cidadão. A socialização, deve 
ser entendida como uma adaptação prática à vida social, algo desejável e necessário, capaz de abrir-se para a pessoa do educando 
em toda a sua complexidade. 
 
10. RELATOS DE EXPERIÊNCIAS EXITOSAS NA EJA EM SERGIPE 
 
O presente Caderno Complementar da EJA do Estado de Sergipe refletiu sobre a construção e redimensionamento do saber-
fazer nessa modalidade, trazendo ao debate a relevância da compreensão sobre o perfil do educando dessa modalidade. O objetivo 
dessa reflexão foi avaliar a diversidade do educando da EJA quanto aos objetivos desses agentes ao procurarem o espaço escolar. 
 
 
 
169 
 
Considerando que com esses dados os professores terão uma melhor aproximação com os estudantes, os possibilitando à produção 
de mecanismos de aprendizagem e a motivação mais eficazes, através de aulas que os estimulem a permanecer na escola. Ao 
conhecer sua realidade sociocultural poderão planejar as práticas pedagógicas de forma significativa e atrelada ao perfil dessa 
população atendida nessa modalidade, repensando o processo ensino e aprendizagem ofertado. 
Assim, a EJA representa um vasto campo de atuação que possibilita o desenvolvimento de jovens, adultos e idosos que 
desejam adquirir e atualizar seus conhecimentos e mostrar suas habilidades, trocar experiências e ter acesso a novas formas de 
construção do pensamento, por intermédio do profissional da EJA. As formas de avaliar representam os anseios das pessoas que 
estão ali inseridas, suas particularidades e os objetivos propostos nas exigências formuladas. Portanto, é necessária uma sintonia 
no ensinar e no apreender, ao estabelecermos critérios avaliativos que atendam à singularidade dos sujeitos. 
Nessa perspectiva, a sociedade vem pressionando os governantes para concretização de uma política pública voltada para 
a EJA, que atenda às necessidades e aos direitos de jovens, adultos e idosos. Assim, a importância da implementação de ações 
para essa modalidade fortalece o ingresso, a permanência e a certificação dos estudos para o contingente de agentes que precisam 
ser instigados à escolarização. Na atualidade, diversos documentos foram elaborados para favorecer essa possibilidade como, a 
Constituição Federal, LDB, PNE, Parâmetros e as Diretrizes Curriculares, diversas declarações e resoluções, que fortalecem as 
obrigações do estado perante os direitos do cidadão a educação de adultos. 
 
 
 
170 
 
A EJA contribui para incentivar a conclusão dos estudos, e consequentemente, oferecer igualdade de oportunidade no 
mercado de trabalho e na vida, pois as exigências das empresas ao recrutarem trabalhadores qualificados aumenta com a 
globalização da sociedade tecnológica. 
A BNCC, o Currículo de Sergipe e o Projeto Pedagógico da EJA de Sergipe, sobremodo, norteiam a construção do PPP 
voltado para práticas inovadoras e contextualizadas dessa modalidade nas escolas públicas sergipanas. Sendo referenciais também 
para a elaboração do planejamento anual, bimestral e de aula nas unidades de ensino. A partir dessas diretrizes, gestores, técnicose professores poderão realinhar a cada ano letivo suas atividades escolares, cientes da importância do sucesso dos educandos. 
Essa é uma contribuição para o fortalecimento do diálogo entre os componentes das comunidades escolares que se engajam 
com esses instrumentais e tornam-se aptos a redefinir e reintegrar o desenvolvimento da consciência científica, social, profissional 
e humana dos estudantes oportuniza-os enquanto sujeitos de direitos e deveres. Isto porque, um PPP quando bem elaborado pela 
comunidade escolar, deve atender às diversidades socioculturais e socioeconômicos nos estabelecimentos, oferecendo um conjunto 
significativo de conhecimentos, o qual deve ser entendido de modo democrático no ensino e aprendizagem. 
Nesse sentido, no Brasil as políticas educacionais asseguram os alunos que não tiveram acesso à educação na idade 
própria, enquanto ensejo de reintegração ao sistema de ensino através da EJA. Para tanto, essa modalidade deve garantir momentos 
educativos adequados, considerando as condições de vida dos alunos para atingir a autonomia intelectual e a cidadania. Nesse 
sentido, as formações continuadas realizadas pela equipe gestora do SEJA/DED/SEDUC destacam os componentes curriculares e 
 
 
 
171 
 
a realidade dos alunos a partir da contextualização, da integração e da interdisciplinaridade, como sugere os princípios do Currículo 
de Sergipe (2018). 
Para tanto, os objetos do conhecimento e os procedimentos metodológicos desenvolvidos nas aulas de EJA precisam fazer 
parte das vivências dos educandos, para que enfrentem e reconheçam o papel da aprendizagem, perpassando pela consecução do 
desenvolvimento humano, social, econômico, cultural e socioambiental. 
Nesse contexto, a construção de um PPP nas escolas de EJA objetiva a implementação de ensino e aprendizagem 
significativos e de uma proposta curricular, demarcando o que caracteriza a prática pedagógica da EJA. As unidades de ensino 
precisam evidenciar a forma como é realizado o trabalho com essa modalidade, dentro do que preveem as normas vigentes, a BNCC 
(2017), e o Currículo de Sergipe (2018). Ressalte-se a importância de caracterizar o educando, e observar quais são as maiores 
fragilidades, a exemplo da evasão e do fracasso escolar, para que o plano de ação da escola seja elaborado com o objetivo de 
mediar os problemas vigentes. 
Além dos fatores já citados, é necessário que haja ainda muita discussão acerca do que seja a educação nessa modalidade, 
e saber como operacionalizá-la; que se realizem pesquisas sobre as suas finalidades, a sua organização, e as inovações no modelo 
pedagógico e de gestão escolar para além dos conteúdos acadêmicos; sobre os saberes socioculturais e as possibilidades de 
vivências direcionadas à qualidade de vida, com atenção especial para o exercício da convivência solidária, a leitura e a interpretação 
do mundo, em sua constante transformação. 
 
 
 
172 
 
É sabido que a essência da educação é o crescimento pessoal, o desenvolvimento máximo das possibilidades intelectuais. 
Entende-se que pensar em EJA pressupõe repensar as concepções e os princípios da educação, a própria escola, suas finalidades, 
e sua função social. Uma das funções da escola é acolher os jovens, adultos e idosos que nela ingressam. Essa é uma das propostas 
da Pedagogia da Presença, que pressupõe a necessidade de compreender o aluno como ele é, tendo disposição para encontrar-se, 
de fato, com o outro, praticando ativamente as atividades voltadas para um projeto de vida. No caso do aluno de EJA, o desenvolver-
se universalmente visa à sua emancipação como ser humano, além do seu preparo para o mercado de trabalho. É fundamental 
compreender que é por meio das ações da equipe gestora e, também, dos professores, na sala de aula e nos demais ambientes 
escolares, onde os trabalhos acontecem, que o aluno será formado. Esse fenômeno deve ocorrer com uma influência positiva, 
contribuindo assim para a relação necessária entre sonho e realização. 
A Pedagogia de Projetos contribui para a discussão sobre a relevância das práticas contextualizadas na escolarização dos 
jovens, adultos e idosos, suscitando o interesse para o aprofundamento dos objetos do conhecimento estudados. É a intervenção e 
o acompanhamento que o educando recebe no ambiente escolar, que contribuem para a formação de sua cidadania, autonomia, 
solidariedade, competência e emancipação. Isto porque auxilia na implementação do seu projeto de vida, o que lhe permite o acesso 
a uma vida ética e responsável. 
Assim, a promoção da educação como desenvolvimento humano objetivou a reconstrução de competências e habilidades 
que estimulem e valorizem as potencialidades do indivíduo, de forma integral. Ela foca na aprendizagem como aquisição de 
instrumentos de compreensão, raciocínio e execução, vistos como peças fundamentais e necessárias para conceber ideias e gerar 
 
 
 
173 
 
resultados que fortaleçam os princípios, os meios e os fins da educação. Na prática educativa, os professores que passam por 
formação continuada aumentam a valorização sócio afetiva na sala de aula. É nessa direção que se consegue formar alunos capazes 
de agir no mundo, transformando-o em uma realidade melhor, e de contribuir para o desenvolvimento da sua própria autonomia e 
da sua independência. 
Os métodos de ensino utilizados na EJA são desenvolvidos em práticas pedagógicas voltadas para os anseios dos 
educandos, como aplicação do conhecimento no futuro. Nesse sentido, a Andragogia, através de seus métodos, apresenta-se como 
importante ferramenta que estimula o adulto a aprender. Também é preciso utilizar metodologias ativas na EJA, para propiciar uma 
melhor performance dos alunos no processo de ensino e aprendizagem. Esse trabalho promove uma maior aproximação com a 
realidade social, e contribui para ampliação dos conhecimentos dos alunos, tanto na busca por soluções, quanto na tomada de 
decisões. 
As metodologias ativas representam caminhos, pelos quais se estabelecem conexões significativas com o conhecimento. 
Para o aluno, estar integrado com o saber que estuda é o início de uma abertura para novos ângulos de percepção e cognição no 
espaço da EJA. Refletir sobre a evasão escolar na EJA é importante nas etapas do ensino-aprendizagem dos alunos, incentivando 
o planejamento e a prática pedagógica dinamizada para promover essa modalidade de ensino. 
 Assim, a EJA é vista como um segmento da formação curricular e certificação, e também de constante saber-fazer coletivo, 
em que o aluno deve ultrapassar a ação reparadora. Pois enquanto sujeito de sua própria história, ele tem um espaço de evolução 
 
 
 
174 
 
pessoal e profissional, que permite sua atuação nos aspectos políticos e sociais, e faz emergir a necessidade de cidadania. Jovens, 
adultos e idosos são conduzidos na sociedade atual, através da EJA, o que lhes permite a condição do exercício de sua autonomia, 
sua cidadania e sua emancipação. A entrada desses sujeitos no âmbito dos direitos civis, pela restauração de um direito a eles 
negados – a uma escola de qualidade, mas também ao reconhecimento da igualdade de todo e qualquer ser humano de ter acesso 
a um bem social. Para tanto, é indispensável um modelo educacional que crie situações pedagógicas satisfatórias para atender às 
necessidades de aprendizagem desses alunos. 
Uma vez colocados no lugar que dá direito a avaliar e ser avaliado, faz notar a necessidade da criação de um processo de 
avaliação que se adapte com as expectativas dos alunos da EJA. O objetivo desse processo será o de ultrapassar a dimensão física 
e pedagógica da escola, haja vista as avaliações possuírem um caráter multidimensional, atuando na percepção de mundo dos 
sujeitos, nas suas diferenças, e nas necessidades pessoais, sociais e psicológicas. 
A modalidade de jovens e adultos na sua formatação profissional integrada ao ensino médio, em Sergipe, inclui a formação 
inicial,e a continuada, e concomitante ao ensino fundamental e à qualificação profissional desse alunado. Em Sergipe, a EJA 
profissionalizante vem se constituindo como um elemento essencial para as políticas públicas educacionais sergipanas. Essa oferta 
de EJA é implementada por meio de parceria com instituições especializadas, que contribuem com essa realidade. Jovens e adultos 
sergipanos precisam de cursos técnicos desenvolvidos de forma integrada na EJA, atendendo a uma demanda real. 
 
 
 
175 
 
Nessa perspectiva, conduzir o processo de ensino e aprendizagem de jovens, adultos e idosos sergipanos, possibilita sua 
manutenção na escola, por meio de práticas inovadoras, e dinâmicas criativas, integradas aos contextos sociais. O exercício da sala 
de aula, deve contemplar a ação educacional que valorize o diálogo com o outro, a investigação temática e a análise das questões 
educacionais no contexto histórico. É nesse viés de explicações do conhecimento que os procedimentos de aprender são 
reavaliados. Isto porque esse compromisso com a necessidade de revigoramento dos trabalhos pedagógicos, promove a apropriação 
dos conceitos, e proporciona uma educação firmada nos sujeitos ativos. 
Logo, a Pedagogia de Projeto norteou as práticas educacionais exitosas realizadas nas unidades de ensino da EJA, nas 
DRE’s, constituindo-se numa oportunidade para a inserção de temáticas socioeducativas e socioculturais nas abordagens feitas em 
salas de aula dessa modalidade. Os estudos e as discussões realizados envolveram uma gama de procedimentos e objetos do 
conhecimento, que facilitaram a organização do trabalho pedagógico dos educadores e um bom desempenho da aprendizagem dos 
educandos. Neste sentido, as ações realizadas mobilizaram tanto as unidades escolares quanto a comunidade do seu entorno, que 
acolheu as estratégias desenvolvidas pelos educadores e gestores da EJAEF, gerando intervenções educacionais e pedagógicas 
no interior e no exterior das escolas da rede estadual de educação básica. 
A seguir, este documento propõe-se apresentar experiências desenvolvidas na Educação de Jovens e Adultos que são 
alinhadas ao que preconizam a BNCC (2017) e o Currículo de Sergipe (2018). Tais experiências foram selecionadas a partir de um 
instrumento de consulta à sociedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
177 
 
Quem forma se forma e reforma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado 
Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia 
A próxima sessão deste caderno dedica-se aos relatos de experiências de professoras/res de redes públicas municipais e 
da rede pública estadual do estado de Sergipe, que compreendem a educação infantil, os anos iniciais e anos finais do ensino 
fundamental, além de abranger as seguintes modalidades de ensino: Educação de Jovens e Adultos - EJA, Educação Inclusiva, 
Educação do Campo, Indígena e Quilombola. Durante os meses de novembro de 2019 e abril 2020, tivemos cerca de 80 relatos 
coletados, dos quais 62 foram escolhidos para fazerem parte dos Cadernos Complementares de Experiências Pedagógicas e das 
Modalidades de Ensino. Eles foram selecionados com os objetivos de ser um importante instrumento de apoio ao planejamento ao 
concretizar o desenvolvimento das habilidades elencadas no Currículo de Sergipe, e de incentivar a troca de boas práticas entre os 
professores. 
 
 
 
178 
 
 
O conjunto de relatos constitui, junto com o Currículo de Sergipe e as formações continuadas em curso, uma ferramenta que 
o professor poderá utilizar ao planejar suas aulas. Ressalta-se ainda que os relatos foram enviados concomitantemente à realização 
das formações. Logo, esse documento representa em sua essência um momento de transição, em que o conteúdo deixa de ser 
 
 
 
179 
 
ponto de partida para dar lugar às habilidades que são a base do desenvolvimento das 10 competências gerais do Currículo, e da 
construção de uma sociedade sergipana mais democrática, solidária, justa e inclusiva. Assim, não podemos deixar de mostrar 
gratidão a todas/os as/os professoras/res que enviaram seus relatos. Ao lê-los, percebemos que a prática criou possibilidades para 
a produção ou construção de conhecimento, a partir do desenvolvimento das competências necessárias para esse século que já nos 
impõe tantos desafios. Ao conhecê-los é possível vislumbrar a educação pública com a qualidade pela qual almejamos, e mais 
satisfeitos devem estar seus alunos, que, com certeza, aumentaram suas possibilidades de inserção nesse mundo, ao saírem do 
processo de aprendizagem sentindo que realmente são capazes de aprender e de sonhar grande. 
Por outro lado, essa coletânea de práticas também tem por objetivo ensejar a troca. Assim, da mesma forma que essas/es 
professoras/res quiseram compartilhar com a rede suas boas práticas, a equipe do Currículo gostaria de promover essa atitude entre 
as/os demais professoras/res da rede. Afinal, muito se fala da solidão da/do professor/a em sala de aula, porém, todo/a professor/a 
tem alguma boa aula que poderia servir de inspiração para um/a colega. Então, por que não compartilhar e multiplicar algo que já é 
bom, tornando mais fácil o percurso de planejamento das aulas para todos? 
Por fim, queremos reiterar nossos parabéns a todas/os as/os professoras/res colaboradoras/res, e dizer que estamos muito 
contentes por vocês terem enviado seus relatos, e por fazerem parte dessa rede pública que tanto anseia pela mudança que vocês 
já começaram a promover. 
Equipe do Currículo de Sergipe 
 
 
 
180 
 
“TRAJETÓRIAS DE VIDA NO LUGAR ONDE VIVO” 
ESCOLA MUNICIPAL MANOEL CUNHA 
Idealizadoras: Cristiane Santos Lima Rezende 
Nelma Abdias Santos Leandro 
E-mail de contato: nelmaabdias@bol.com.br 
 
 
Palavras-chave: Ressignificar, Vida, Educação. 
 
 
1. Introdução 
 
O presente trabalho visa a relatar a experiência das professoras Nelma Abdias Santos Leandro e Cristiane Santos Lima 
Rezende, da Escola Municipal Manoel Cunha, localizada no Município de Nossa Senhora do Socorro, a partir da implementação do 
Currículo de Sergipe, no período entre agosto a dezembro de 2019. A experiência refere-se ao desenvolvimento do Projeto Trajetória 
de Vida no Lugar onde Vivo para os estudantes da 1ª a 4ª etapa da Educação de Jovens e Adultos, que tiveram como objetivo o 
 
 
 
181 
 
desenvolvimento das habilidades socioemocionais, focadas no crescimento pleno e integral dos alunos, através de práticas que 
ajudaram a ressignificar seus projetos de vida. 
 
2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades 
 
Área (s) de Conhecimento: Linguagem, Matemática, Ciências Humanas, Ensino Religioso 
Componente(s) Curricular(es): Língua Portuguesa, Artes, Ciências,História, Geografia, Ensino Religioso Artes. 
Competências Gerais contempladas: 
Conhecimento, Pensamento Científico, crítico e criativo, autonomia, empatia e cooperação, Autoconhecimento e 
autocuidado, Trabalho e projeto de vida, Responsabilidade e Cidadania. 
Competências específicas do (s) componente (s): 
Português: Apropria-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes campos de atuação 
da vida social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades de participar da cultura letrada, de construir conhecimentos 
(inclusive escolares) e de se envolver com maior autonomia e protagonismo da vida social. 
Artes: Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza dinâmica, 
reconhecendo-as e valorizando-as como formas de significação da realidade e expressão de subjetividades e identidades 
sociais e culturais. 
Matemática: Reconhecer que a matemática é uma ciência humana, fruto das necessidades e preocupações de diferentes 
culturas, em diferentes momentos históricos, e é uma ciência viva, que contribui para solucionar problemas científicos e 
tecnológicos e para alicerçar descobertas e construções, inclusive com os impactos499 
O TRABALHO NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: DESAFIOS E PRÁTICAS ............................................................. 508 
LABORATÓRIO DE LÍNGUAS: UMA EXPERIÊNCIA COM ALUNO SURDO COM PARALISIA CEREBRAL ............................................... 520 
PROJETO FOQUE EM MIM .......................................................................................................................................................................... 531 
 
 
15 
 
 
 
 
ed. 
 
 
 
 
16 
 
MODALIDADE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 
PREFÁCIO 
 
É com muita honra que o Fórum Permanente da Educação de Jovens e Adultos do Estado de Sergipe (FPEJA-SE) agradece 
à Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (SEDUC-SE) pelo convite a participar da elaboração do prefácio deste 
Caderno Complementar ao Currículo de Sergipe. Nossa contribuição na escrita deste documento veio de profissionais de 
intencionalidades pedagógicas e afetivas, cujas credenciais pertencem ao universo acadêmico, com a distinção que lhes confere. 
Sendo um órgão de movimento aberto e plural, o FPEJA-SE visa ao fortalecimento da oferta da Educação de Jovens e 
Adultos (EJA), respeitando o contexto da política de formação continuada. Afinal, como uma entidade de atendimento à demanda 
da EJA, seu propósito é impulsionar o debate social das concepções dessa modalidade de ensino, no estado. Portanto, sua busca 
sempre será por melhoria contínua, tanto no comprometimento de envolver os docentes quanto no de lhes proporcionar novas 
possibilidades de aprimoramento do fazer educativo. 
Em sua versão primeira, o FPEJA-SE traz, registradas por escrito, suas ideias, depois de discutidas entre os envolvidos que 
se erguem como um monumento de tamanha grandeza, tal é a amorosidade do olhar de educadores comprometidos e que juntos 
apontam a direção de um mundo protagonizado por novos sujeitos sociais. Nesse novo rumo, as práticas de acolhimento e 
humanização é o objetivo mais direto. 
 
 
 
17 
 
Assim, o leitor encontrará, ao longo das páginas deste Caderno Complementar ao Currículo de Sergipe, a descrição das 
características mais notáveis no trabalho desenvolvido pela equipe de educadores sergipanos, que atuam na Educação Básica na 
modalidade da Educação de Jovens e Adultos. Todas elas partiram de reflexões teóricas e práticas das nossas condutas, de saberes 
e de habilidades evocados pela nossa profissão de educado 
Essas reflexões conduzem à fina sensibilidade aos valores e à necessidade de atinar o que é ser jovem na atualidade: onde 
estão inseridos; quais processos devem ser empregados em sua socialização; como compreender os sentidos culturais de suas 
presenças em espaços escolares culturalmente significativos; como desenvolver uma percepção aguda das culturas juvenis como 
possibilidade de inclusão e transformação desses sujeitos na sociedade da informação e do conhecimento; impulsionar suas 
habilidades em apreenderem, por exemplo, a coerência entre a visão de mundo e suas práticas sociais; perceber quais destas 
práticas estão ligadas ao mundo do trabalho. 
Por conseguinte, apreciemos ao longo dos capítulos e anexos que se seguem, um trabalho, cuja finalidade é nortear os 
currículos e as propostas pedagógicas para uma dimensão mais qualitativa. Nessa altura, despertam-se os sentidos para os reais 
interesses e para as necessidades de aprendizagem e interação. Tudo isso é mostrado aqui, através de contribuições necessárias 
às práticas dos educadores da Educação Básica na modalidade da Educação de Jovens e Adultos do Estado de Sergipe. 
 Fórum Permanente da Educação de Jovens e Adultos do Estado de Sergipe 
 Aracaju – Sergipe, abril de 2020.
 
 
 
18 
 
INTRODUÇÃO 
 
Esta proposta de Caderno Complementar da EJA foi elaborada à luz do Currículo de Sergipe (2019), com o objetivo de 
orientar as práticas pedagógicas dos educadores, apresentando o marco legal e educacional, bem como as metodologias e formas 
de avaliação, no sentido de implementar essa modalidade ofertada nas escolas da rede pública sergipana. 
Para a produção deste Caderno, foi considerada a realidade socioeconômica dos estudantes, preservando-se o elo que 
deve existir entre escolarização e condições de cidadania e emancipação. Para a oferta da modalidade, foram priorizadas as 
concepções, as diretrizes e os princípios estabelecidos na Proposta Pedagógica para a EJA, da SEDUC. Também consta na 
elaboração a proposta da instituição em reavaliar os conceitos, as bases metodológicas e suas ementas. Observou-se, também, a 
necessidade de que haja integração entre todos os componentes deste documento, como também, entre os princípios da EJA e os 
saberes. 
A metodologia de trabalho utilizada foi a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo. Para tanto, as práticas educativas 
desenvolvidas nas escolas públicas das redes estadual e municipal serviram de amostra, tendo em vista a conexão entre teoria e 
prática, e entre o saber e o saber-fazer. Assim, articula-se as especificidades da EJA com as concepções do Currículo de Sergipe 
(2019), explicada a importância da interdisciplinaridade; a formação humana construída nos contextos socioculturais do aluno; e a 
sistematização da educação básica. 
 
 
 
19 
 
Dessa forma, a importância de elaborar este Caderno nos convida a uma reflexão sobre os fundamentos, os princípios, as 
metodologias e avaliações da EJA, com atenção a suas especificidades, sempre com enfocando as sugestões do Currículo de 
Sergipe (2019), onde é questionado o significado da escola de educação básica para jovens, adultos e idosos, na 
contemporaneidade. O desafio de implementar as práticas pedagógicas a partir do contexto sociocultural e socioeconômico do aluno, 
enquanto processo de formação inicial, reforça a necessidade da construção do conhecimento do sujeito numa sociedade 
globalizada como a nossa, percebida como “sociedade da informação e da comunicação do século XXI”. 
A educação básica realizada na EJA deve expressar as experiências culturais, as dificuldades e os desafios da modalidade, 
considerando a vigência das concepções de educação humanista, libertária, construtivista, sócio interacionista, interdisciplinar e 
integral, como possibilidade de implementação de um processo de ensino e aprendizagem mais crítico, contextualizado e integrado, 
que tem como horizonte a formação para a cidadania, a emancipação, o respeito e a diversidade. 
Nossa organização do Caderno Complementar da EJA traça a seguinte estrutura: 
O primeiro capítulo aponta para a peculiaridade do público da EJA que tem princípios pedagógicos configurados por classes 
“juvenializadas’’, heterogêneas, de ritmo próprio e dada à flexibilidade, continuidade, e com formas de avaliação em processo. Assim 
sendo, as atividades pedagógicas precisam fazer sentido para o aluno e instigá-lo à busca constante de conhecimentos, de modo 
que ele atinja um processo de reflexão sobre o que aprendeu. É um processo contínuo, inacabável, pois a todo o instante, diante de 
 
 
 
20 
 
tantas necessidades cognitivas têm-se o que aprender. Deve-se considerar nos alunos da Educação de Jovens, Adultos e Idosos 
suas vivências profissionais, seus históricos escolares, seu ritmo de aprendizagem e as estruturas de pensamentos. 
 No capítulo segundo pode-se afirmar que, mesmo que a educação de jovens e adultos continue a ocupar um lugar 
secundário no sistema educacional brasileiro, ela tem diversificado os seus campos de atuação para atender as necessidades de 
formação integral do cidadão. Ao revisitar sua história pode-se confirmar que essa modalidade já reúne um conjunto significativo da 
oferta, que merecem ser conhecidas, debatidas, avaliadas e analisadas, de forma a romper com a ideia recorrente de estar-se 
sempre começando do zero. 
Sobre o terceiro capítulo, ele abrange o histórico e a situação legal da EJA no Brasil e em Sergipe; constano mundo do trabalho. 
 
 
 
182 
 
Ciências: 
História: Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação 
e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas 
de organização cronológica. 
Geografia: Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e 
determinação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com base em princípios éticos, sustentáveis e 
solidários. 
Ensino Religioso: Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza enquanto expressão de valor da vida. 
Unidade Temática Objeto de 
Conhecimento 
Habilidades 
 
 
 
 
Leitura/escuta, escrita 
compartilhada e autônoma. 
 
 
 
Protocolos de Leitura, 
Escrita autônoma e 
compartilhada 
(EF01LP01) Reconhecer e praticar a leitura e a escrita 
para fixar que os textos são lidos e escritos da 
esquerda para a direita e de cima para baixo da página. 
(EF01HI03) Descrever e distinguir os seus papéis e 
responsabilidades relacionados à família, a escola e à 
comunidade. 
(EF02LP14) Planejar e produzir, gradualmente, 
pequenos relatos de observação de processos, de 
fatos, de experiências pessoais, mantendo as 
características do gênero, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto, mediado pelo 
professor. 
 
 
 
183 
 
 
 
 
Números 
Contagem de rotina. 
 
Contagem ascendente e 
descendente 
 
 
Reconhecimento de 
número no contexto 
diário 
 
 
Construção de fatos 
básicos da subtração 
(tirar, comparar e 
completar) 
 
(EF01MA01) Reconhecer e utilizar números naturais 
como indicador de quantidade ou de ordem em 
diferentes situações cotidianas e reconhecer situações 
em que os números não indicam contagem nem ordem, 
mas sim código de identificação, utilizando-se de jogos, 
exploração de problemas de contagem de objetos do 
cotidiano, observação de documentos pessoais e 
códigos presentes em contas de água, código de 
barras, entre outros presentes no contexto social da 
comunidade escolar e regional. 
(EF01MA02)Contar de maneira exata ou aproximada, 
utilizando diferentes estratégias como o pareamento e 
outros agrupamentos, priorizando o uso de material 
concreto para contagem, parlendas, poemas, 
brincadeiras diversas, recursos tecnológicos, livros 
infantis, entre outros. 
(EF01MA01SE) Conhecer e aplicar o conceito de 
adição, inclusive relacionando aos seus sinônimos, 
priorizando a concretização da adição como um 
agrupamento de elementos. 
(EF01MA03SE) Conhecer e aplicar o conceito de 
subtração, inclusive relacionando aos seus sinônimos. 
 
 
 
184 
 
 
 
 
Mundo pessoal, meu lugar no 
mundo. 
As fases da vida e a 
ideia de temporalidade 
(passado, presente e 
futuro). 
As diferentes formas de 
organização da família e 
da comunidade: os 
vínculos pessoais e as 
relações de amizade 
EF01HI01) Identificar aspectos do seu crescimento por 
meio do registro das lembranças dos membro de sua 
família. 
(EF01HI02) Identificar a relação entre as suas histórias 
e as histórias de sua família e de sua comunidade. 
(EF01HI03) Descrever e distinguir os seus papéis e 
responsabilidades relacionados à família, à escola e à 
comunidade 
 
 
 
O sujeito e seu lugar no mundo 
 
 
Formas de 
representação e 
pensamento espacial 
 
Elementos constitutivos 
dos mapas. 
(EF01GE1SE) Identificar e comparar as diferentes 
formas e paisagens, em seus aspectos socioculturais e 
histórico-naturais partindo do seu espaço de vivência. 
(EF02GE01) Identificar, descrever e apresentar a 
história das migrações no bairro e na comunidade em 
que vive fazendo um comparativo com outras 
comunidades. 
(EF04GE10) Comparar e conhecer os tipos variados de 
mapas, identificando suas características, 
elaboradores, finalidades, diferenças e semelhanças. 
 
Identidades e Alteridades 
 
Imanência e 
Transcedência 
 
(EF01ER04) Valorizar a diversidade de formas de vida. 
 
 
 
185 
 
 
 
 
Artes visuais, dança, música e 
teatro relacionados à Sergipe. 
 
 
Sistemas da linguagem 
 
Contextos e práticas 
(EF15AR07) Reconhecer algumas categorias do 
sistema das artes visuais (museu, galerias, instituições, 
artistas, artesãos, curadores etc). 
(EF15AR18) Reconhecer e apreciar formas distintas de 
manifestações do teatro presentes em diferentes 
contextos, aprendendo a ver e a ouvir histórias 
dramatizadas e cultivando a percepção, o imaginário, a 
capacidade de simbolizar e o repertório ficcional, 
através de jogos e bincadeiras populares. 
 
 
 
Vida e Evolução 
 
 
 
Corpo humano Respeito 
as diversidades 
(EF01CI02)Localizar, nomear e representar por meio 
das múltiplas linguagens (desenhos, fotografia, gestos, 
brincadeiras, danças, música, esculturas, entre outras) 
as partes do corpo humano e explicar oralmente as 
suas funções, percebendo as mudanças físicas que 
aconteceram desde seu nascimento. 
(EF01CI03)Discutir as razões pelas quais os hábitos de 
higiene do corpo (tomar banho, lavar as mãos antes de 
comer ou após usar o banheiro, escovar os dentes, 
limpar os olhos, o nariz e as orelhas etc.) e a prática de 
atividades físicas são necessários para a manutenção 
da saúde individual e coletiva, reconhecendo e 
respeitando os hábitos culturais das comunidades e as 
condições sociais de cada indivíduo. 
 
 
 
 
186 
 
3 Metodologia 
 
A Secretaria Municipal de Educação de Nossa Senhora do Socorro propôs um projeto macro intitulado “Trajetórias de Vida 
no Lugar onde Vivo”, pensando num melhor direcionamento metodológico para as escolas. 
Para a montagem do projeto, foi organizado um Grupo de Estudo, coordenado pela professora Claudia Campos, com a 
proposta de orientar como se deve contextualizar os objetivos, as metodologias, e as etapas sugestionadas para o Trabalho da 
Educação de Jovens e Adultos. A primeira ação pensada, seria o período de realização, ficando definido entre os meses de agosto 
e dezembro de 2019. Sendo que no primeiro semestre nos dedicamos às horas de estudo, focadas na leitura, na discussão e nas 
reflexões com os colegas sobre BNCC e o Currículo de Sergipe. 
Portanto, depois da parte teórica, era a hora de tentarmos aplicar às orientações na prática. Como a BNCC não tem 
direcionamento para a modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos), tivemos que adaptar algumas nomenclaturas e atividades 
para alcançar as habilidades, de acordo com a realidade dos nossos alunos. 
Foi sugestionado que trabalhássemos todas as competências gerais possíveis, mas uma foi escolhida como foco central, 
por ter direcionamento com o tema geral do projeto: a competência Trabalho e Projeto de Vida. Ela foi o nosso direcionamento mais 
evidente, no sentido de atingirmos os objetivos, trabalhando para que os alunos alcançassem as habilidades planejadas. 
 
 
 
187 
 
No primeiro dia de aula, combinamos com os alunos, que durante aquele semestre iríamos trabalhar juntos, um projeto de 
vida deles interligado com a escola. À medida em que falávamos, nós também os estimulávamos a falarem sobre seus sonhos, com 
a intenção de que eles sonhassem e escrevessem suas metas. Quanto aos que ainda não conseguissem fazer o que pedíamos, 
que eles fossem pensando para nos falar depois. Nesse primeiro momento, estávamos com as duas turmas da EJA, ou seja, da 1ª 
à 4ª etapa. 
Em posse dos depoimentos sobre os sonhos e as metas dos alunos, pudemos organizar melhor o planejamento de cada 
turma, em que seria trabalhado: dinâmicas, músicas e o direcionamento dos projetos da escola. Dessa forma, o conhecimento prévio 
dos alunos foi acessado através de dinâmicas, conversas informais, e atividades diagnósticas. Tudo por meio de estratégias onde 
pudemos escutá-los, avaliar as escutas e direcionar nosso planejamento. 
O conteúdo foi contextualizado de acordo com os sonhos e metas que os alunos, anteriormentejá tinham exposto. Dentro 
dos objetivos de vida e dos sonhos de cada um, traçamos as necessidades com relação aos conteúdos e às escolhas dos objetos 
de conhecimentos e das habilidades que precisaríamos trabalhar. 
Entre as necessidades que os alunos colocaram, uma foi a de que gostariam de aprender a ler, escrever melhor e rubricar 
documentos, porque muitos deles, quando foram tomar empréstimo em bancos, pediram para “fazer esse negócio e nem sei o que 
é isso”. Certamente que nessa atividade, falaram mais os alunos que passaram de uma etapa para outra. Eles já conheciam a escola 
e os professores. 
 
 
 
188 
 
O trabalho, com certeza, não foi como pensamos e planejamos de uma forma linear. Houve adaptações em algumas 
atividades, inclusive reflexivas e de motivação para não perdermos o foco. Isso acontece porque a maioria dos alunos trabalham ou 
passam por dificuldades diversas. 
E no meio das mudanças de rota do planejamento, surgiu um pedido de um aluno: “gostaria de realizar um sonho”. Foi, na 
verdade, uma conversa animada onde alguém disse: “Rapaz seria um luxo se fôssemos andar de catamarã um dia, mas esse sonho 
é muito caro e não é possível” -falou a aluna Jandira, da 2ª etapa. A professora Cristiane colocou a ideia para frente e envolveu 
todos: alunos, professores e equipe diretiva. Essa ação foi inclusa no planejamento coletivo, para o mês de outubro, onde 
exploramos a educação financeira e empreendedora. 
À medida em que íamos avançando no planejamento, surgiam novas oportunidades e experiências a pedido dos alunos, a 
exemplo da simulação de uma empresa, onde trabalhamos como se comportar em uma entrevista de emprego, como assinar a folha 
de ponto, e também, medida de tempo (matemática). 
Todas as atividades tiveram uma avaliação de forma oral, primeiro, partindo do aluno. Neste momento a escuta era do 
professor. Escutamos de um por um e anotávamos. Depois, tínhamos as atividades em sala de aula envolvendo a escrita, o ditado, 
a argumentação, e todo recurso para sabermos o que aprenderam e o que não aprenderam, fazendo assim uma avaliação do aluno 
e dos objetivos propostos pelo planejamento. 
 
 
 
 
189 
 
4 Resultados 
 
Os principais avanços que pontuamos com relação à realização das atividades, da forma que foi proposta, foi uma maior 
participação dos alunos. Isso ficou evidente desde o início, porque o planejamento foi traçado de acordo com as observações deles. 
Embora, tínhamos já um título e um tema proposto, através de um projeto norteador, o que foi importante para termos uma noção 
do que investigar no aluno, a fim de organizar estratégias metodológicas para que ele atingisse as habilidades. Entre todas, a que 
mais buscamos fazê-los atingir foi a habilidade de leitura e escrita. Essa foi uma constante busca. Mesmo com dificuldades, eles 
aceitaram o desafio, e em sala de aula registravam, corrigiam, e tentavam acertar. 
Estamos num mundo contemporâneo onde precisamos manter nosso equilíbrio emocional, trabalhar autogestão de 
pensamentos e ações, e, principalmente, termos firmeza e pensamento positivo, diante das dificuldades de colocar em ação nosso 
projeto de vida, e nossos sonhos. Esses momentos propiciaram a todos muitos depoimentos positivos dos alunos. Eles ficaram 
satisfeitos, e muitos disseram sentir muita paz dentro de si. Alguns choravam e outros agradeciam a aula com um abraço. 
A avaliação desses momentos, era oportunidade preciosa para ouvir os alunos, e muitos deles compartilhavam pensamentos 
que os prendiam, por exemplo, ao de achar que não iam aprender a ler e escrever devido às suas dificuldades. 
No exercício de uma das competências gerais, o Pensamento Científico, crítico e criativo: antes de irmos ao museu, uma 
das ações dentro do projeto, provocamos a curiosidade intelectual, a imaginação e a criatividade, com a seguinte pergunta: O que 
 
 
 
190 
 
vocês esperam que aconteça, no dia da nossa visita ao Museu da Gente Sergipana? Foi um momento onde trabalhamos a escrita, 
a escuta e a expectativa de cada um. 
A cada atividade proposta, poderíamos verificar o que estava dando certo e o que não estava. E, assim, utilizávamos outras 
estratégias para conseguir atingir o objetivo do projeto. 
 
5 Considerações Finais 
 
As mudanças sempre nos trazem oportunidades de repensarmos os projetos da escola já realizados, e também repensar 
nossos objetivos para com os alunos. Acredito que esse é um dos objetivos propostos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 
Ações são realizadas nas escolas, projetos também. Mas, essa nova maneira de abordar, de tirar o foco do planejamento conteudista, 
para o foco na aprendizagem, tendo o aluno como parte ativa do processo, é um desafio constante para o professor. 
Como toda mudança vem cercada de dificuldades, certamente tivemos com relação à compreensão de como faríamos na 
prática para alcançar as habilidades. Ainda estamos no processo de estudo e busca de melhoria, para oferecermos qualidade aos 
nossos alunos. E qualidade para eles é conseguir atingir seus objetivos de vida atrelados à escola. 
As evidências demonstram que a realização do projeto conseguiu estimular em cada aluno a abertura para sua autonomia 
e seu senso crítico. É preciso dizer que o trabalho foi relevante para ambos os lados, professores e alunos, e ainda é desafiador, a 
 
 
 
191 
 
cada plano de aula, a busca de melhoria para atingirmos os objetivos. O que mais importa é a qualidade no atendimento, e no servir 
ao aluno de uma forma que vidas possam ser transformadas e sonhos realizados. 
 
Referências Bibliográficas 
 
AQUINO, Thiago A. Avelar; DAMÁSIO, Bruno F.; SILVA, Joilson, Logoterapia e Educação.Paulus,2010. 
CURRICULAR, Base Nacional Comum. Material de Referência Pedagógica, Educação Infantil e Ensino Fundamental. Editora 
Morderna,2018. 
FRANKL, E. Viktor. Em busca de Sentido. Em busca de sentido; Um psicólogo no Campo de Concentração. Petrópolis: Vozes,2019. 
SERGIPE, Currículo. Secretaria Estadual de Educação. Educação Infantil e Ensino Fundamental. Regulamentado no Sistema 
Estadual de Ensino por meio do Parecer número 388/2018/CEE e da Resolução número 0001b/CEE.Aracaju,28 de dezembro de 
2018. Disponível em: https.//www.se.gov.br/arquivos/curriculodesergipe 
Acesso em 19.01.2020
 
 
 
193 
 
“SEVERINO SEM BARREIRAS: UM ESPAÇO INCLUSIVO” 
CENTRO DE REFERÊNCIA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS PROFESSOR SEVERINO UCHÔA 
IDEALIZADORAS: Maria Salete Amado de Andrade, Solange Silva dos Santos 
COLABORADORAS: Edite Araújo Maciel, Margarete da Silva Santos 
E-mail de contato: cepsu.seed@seed.se.gov.br 
 
 
Palavras-chave: Educação, Diferenças, Inclusão. 
 
1 Introdução 
 
A Lei de Diretrizes e Bases fala da importância de manter o aluno com deficiência em sala de aula regular; ali é afirmado 
que “o atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais deve se dar, preferencialmente, 
na rede regular de ensino” BRASIL (1996, p. 2). Porém, sabemos da importância de que esse processo não só contemple a 
permanência do aluno na escola, mas as barreiras que estão nas mentes das pessoas. São estas as mais difíceis de derrubar, mas 
 
 
 
194 
 
é importante ressaltar, que estar na escola não significa que esse aluno foi incluído. Faz-se necessário que ele participe do processo 
educacional, e que seja aceito por todos como alguém que, apesar das limitações, aprende. O presente trabalho visa a relatar a 
experiência dos professores do Centro de Referência em Educação de Jovens e Adultos Professor Severino Uchôa, localizado no 
Município de Aracaju, a partir da implementação do Currículo de Sergipe, no período entre 30 de janeiro a 22 de fevereiro de 2019. 
A experiência refere-se ao desenvolvimento do Projeto “Severino Sem Barreiras: um espaço inclusivo”, para estudantes do 
Ensino Fundamental e Ensino Médio, e tem como objetivo geral promover o desenvolvimento deuma cultura de convivência com as 
diferenças e as exigências legais da Educação Inclusiva. Através de diversas ações pedagógicas, a finalidade do projeto é: eliminar 
barreiras entre surdos e ouvintes, propiciar a cooperação, o diálogo, a solidariedade e o espírito crítico. Que essas ações sejam 
exercitadas na escola por professores, funcionários e alunos, desmistificando os preconceitos, estimulando o respeito às diferenças 
e o reconhecimento à igualdade de direitos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
195 
 
2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades 
 
Área(s) de Conhecimento: Linguagens e Matemática 
Componente(s) Curricular(es): Arte, Língua Portuguesa e Matemática 
Competências Gerais contempladas: Comunicação, Empatia e colaboração; Responsabilidade e 
Cidadania 
Competências específicas do(s) componente(s): Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, 
científicas, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, produções, intervenções e apresentações 
artísticas. 
Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em interações sociais e nos meios de 
comunicação, posicionando-se ética e criticidade em relação a conteúdos discriminatórios que ferem direitos 
humanos e ambientais. 
Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente no planejamento e 
desenvolvimento de pesquisas para responder a questionamentos e na busca de soluções para problemas, 
de modo a identificar aspectos consensuais ou não na discussão de uma determinada questão, respeitando 
o modo de pensar dos colegas e aprendendo. 
Unidades Temáticas Objeto de Conhecimento Habilidades 
 
ARTES VISUAIS 
 
Processos de criação 
(EF69AR06) Desenvolver processos de criação 
em artes visuais, com base em temas ou 
interesses artísticos, de modo individual, 
 
 
 
196 
 
 coletivo e colaborativo, fazendo uso de 
materiais, instrumentos e recursos 
convencionais, alternativos e digitais. 
 
TEATRO 
 
Processos de criação 
(EF69AR30) Compor improvisações e 
acontecimentos cênicos com base em textos 
dramáticos ou outros estímulos (música, 
imagens, objetos etc.), caracterizando 
personagens (com figurinos e adereços) 
 
 
ORALIDADE 
 
 
Participação em discussões 
orais de temas controversos 
de interesse da turma e/ou 
de relevância social 
(EF69LP13) Engajar-se e contribuir com a 
busca de conclusões comuns relativas a 
problemas, temas ou questões polêmicas de 
interesse da turma e/ou de relevância social, 
através de projetos interdisciplinares, 
promovendo, dessa forma, uma aprendizagem 
do saber conviver em harmonia e respeito 
mútuo. 
 
PRODUÇÃO DE 
TEXTOS 
 
 
Estratégias de produção: 
planejamento, textualização, 
revisão e edição de textos 
publicitários 
 
(EF89LP11)Produzir, revisar e editar peças e 
campanhas publicitárias, envolvendo o uso 
articulado e complementar de diferentes peças 
publicitárias: cartaz, banner, outdoor, folheto, 
panfleto, anúncio de jornal/revista, para 
internet, spot, propaganda de rádio, Tv, a partir 
da escolha da questão/problema/causa 
significativa para a escola. 
 
 
 
197 
 
 
 
PROBABILIDADE E 
ESTATÍSTICA 
 
 
 
Planejamento e execução de 
pesquisa amostral e 
apresentação de relatório 
 
(EF09MA23) Planejar e executar pesquisa 
amostral envolvendo tema da realidade social, 
de preferência de problemas circundantes, e 
comunicar os resultados por meio de relatório 
contendo avaliação de medidas de tendência 
central e da amplitude, tabelas e gráficos. 
(EF09MA08SE) Ler, interpretar e construir 
gráficos estatísticos. 
 
 
3 Metodologia 
 
O Projeto “Severino Sem Barreiras: um espaço Inclusivo”, surgiu a partir da necessidade específica de alunos surdos 
matriculados na escola, como a eliminação de barreiras de comunicação entre surdos e ouvintes. As ações desenvolvidas tiveram 
início em um bate-papo com os alunos, após um filme de pequena duração na sala de vídeo. Dividimos as turmas por horário e 
turnos, e as professoras do AEE fizeram a explanação do projeto, explicando cada etapa. Cada turma pesquisou sobre uma 
deficiência - Deficiência Física, Deficiência Auditiva e Surdez e Deficiência Intelectual, tendo um professor como Padrinho e apoio 
das professoras da sala de Recurso e intérpretes. Várias disciplinas se envolveram para efetivar este levantamento: Arte, para 
desenvolver processos de criação em artes visuais, através de cartazes e banner, escrever peça teatral usando a linguagem de 
sinais; Língua Portuguesa, para produzir, revisar e editar peças e campanhas publicitárias, envolvendo o uso articulado e 
 
 
 
198 
 
complementar de diferentes peças publicitárias: cartaz, banner, indoor, folheto, panfleto; Matemática, para planejar e executar 
pesquisa amostral, envolvendo tema da realidade social, ler, interpretar e construir gráficos estatísticos. Os professores usaram 
diversas estratégias para o estudo: textos, filmes, estudo de casos, entrevistas e pesquisas. No segundo momento, as professoras 
da sala de Recurso, juntamente com a equipe pedagógica, listaram 100 palavras e expressões de cumprimento, que foram 
trabalhadas nas aulas de libras. As professoras do AEE ministravam aulas de 15 minutos em todas as turmas, seguindo um 
cronograma. No terceiro momento, aconteceram 3 palestras, com a presença dos intérpretes: Amilton dos Santos Júnior, Geraldo 
Ferreira Filho e Pablo Ramon Lima (CESAJU). Após cada palestra houve uma roda de conversa, para que os palestrantes 
respondessem às perguntas dos alunos e professores. Finalizou com uma peça teatral, ”Teatrando em Libras”, com alunos surdos 
e ouvintes, do CREJA. No quarto momento, aconteceu a culminância do projeto em que todas as turmas tiveram 10 minutos para 
apresentar uma proposta que poderia desenvolver na escola, para facilitar o dia a dia dos surdos. Logo após, aconteceu o Soletrando 
– “Mãos que falam”. Nesse projeto, cada turma é representada por um aluno que não tenha deficiência auditiva. A palavra é sorteada, 
e cada competidor tem 2 minutos para soletrar, por meio da datilologia. Se ele não conseguir, a palavra volta para o sorteio e o aluno 
sai do jogo. No final, ganha a turma do aluno que acertou todas as palavras. 
. 
4 Resultados 
 
Uma das metas era fomentar a convivência e a interação social dos alunos com deficiência, através da mediação da Língua 
de sinais, que tem o poder de encantar e capturar a atenção. Um dos ensinamentos que os alunos deixaram explícito, após o projeto, 
foi a importância do vínculo afetivo e do respeito entre eles. O resultado foi bastante significativo, pois além de envolver toda a 
 
 
 
199 
 
comunidade escolar, serviu como estímulo aos estudantes ouvintes, no processo de aprendizagem de uma nova língua, além de 
contribuir na elevação da autoestima dos alunos surdos, por verem sua língua materna sendo valorizada por todos. 
A avaliação se deu diariamente, sendo observada, principalmente, a participação e a integração dos alunos, durante todo o 
processo. 
 
5 Considerações Finais 
 
Assim, nasceu um desafio para o Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos Professor Severino Uchôa, uma 
vez que a educação, na perspectiva inclusiva, provoca uma qualificação no processo educativo. Nesse trabalho, identificamos a 
necessidade de uma reflexão sobre tal temática, juntamente com toda a comunidade escolar, possibilitando o direito de todos os 
alunos, sejam deficientes ou não, de exercerem e de usufruírem de uma educação satisfatória. Conviver com o diferente abre espaço 
para que as barreiras sejam quebradas. E é nesse contexto que buscamos, com esse projeto, mapear nossa real situação enquanto 
espaço inclusivo. 
 
Referências Bibliográficas 
 
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: MEC, 1996c. 
Currículo – Sergipe: Ensino Fundamental - linguagens/ Ana Lúcia Lima da Rocha Muricy Souza, Adailson de Jesus Silveira,coordenadores - Aracaju:MEC,SEDUC,UNDIME,2018.294p.:il. 
 
1.Currículo – Sergipe. 2. Ensino Fundamental. 3. Arte. 4.Educação Física. 5.Língua Inglesa. 6.Língua Portuguesa. I. Souza, Ana 
Lúcia Lima da Rocha Muricy. II. Silveira, Adailson de Jesus.
 
 
 
201 
 
“DROGAS, UM MAL QUE NOS CERCA” 
CENTRO DE REFERÊNCIA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS PROF.SEVERINO UCHÔA 
IDEALIZADORA: ELIANE MARIA PEDRO GOMES 
COLABORADORES: LUCIANA SHUNK RABELO, GEORGE JOSÉ COSTA, 
ANGÉLICA BITENCOURT MENEZES, ROGÉRIA DIAS TEIXEIRA 
E-mail de contato: cepsu.seed@seed.se.gov.br 
 
 
Palavras-chave: Drogas, Prevenção, Conscientização. 
 
1 Introdução 
 
O presente trabalho visa a relatar a experiência dos professores, do Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos 
Professor Severino Uchôa, localizado no Município de Aracaju, a partir da implementação do Currículo de Sergipe, no período de 20 
de agosto de 2017 até os dias atuais. A escola tem um papel fundamental na formação do ser humano. É sua responsabilidade 
 
 
 
202 
 
garantir o acesso aos saberes historicamente acumulados, e promover um espaço de formação e informação, no qual o aluno seja 
capaz de socializar conhecimentos e de estabelecer um posicionamento crítico frente à realidade em que está inserido. A experiência 
refere-se ao desenvolvimento do “Projeto Drogas: um mal que nos cerca”, para estudantes do EJAEF II Modular, e tem como 
objetivo promover ações positivas, que além de diminuir os fatores de risco, auxiliam na prevenção e na conscientização das 
consequências causadas pelo uso indevido de drogas ilícitas e lícitas. A nossa expectativa, quanto à realização do projeto que iria 
envolver a Educação de Jovens e Adultos, foi firmada na decisão de conhecer os nossos jovens, suas dúvidas, seus anseios e 
sonhos; de interagir de maneira mais próxima com a família dos alunos; de orientar os educandos sobre os perigos do uso das 
drogas; de identificar as situações de risco; e de promover posturas preventivas de maneira atrativa e lúdica. Tornamos esse projeto 
parte integrante do Projeto Político Pedagógico da nossa escola, possibilitando assim, um trabalho mais eficaz em todo o CREJA, 
ano após ano. Esse projeto é mais um instrumento de transformação social, através de ações que vão diretamente ao encontro das 
necessidades desses jovens, vivenciando a pedagogia da presença. 
 
2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades 
Área(s) de Conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas,Ciências da Natureza e Matemática 
Componente(s) Curricular(es): Língua Portuguesa,Geografia,História,Ciências e Matemática 
Competências Gerais contempladas: Conhecimento, Pensamento científico, crítico e criativo, Repertório cultural, 
Comunicação, Trabalho e projeto de vida, Argumentação, Autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação, 
Responsabilidade e cidadania. 
 
 
 
203 
 
Competências específicas do(s) componente(s): 
● Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, 
reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem. 
● Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de linguagem adequados à situação comunicativa, ao (s) 
interlocutor (es) e ao gênero do discurso/gênero textual. 
● Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social. 
Econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive 
tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia. 
● Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos 
históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de 
conflitos, a cooperação e o respeito. 
● Construir argumentos com base em dados, evidências e informações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de 
vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a 
diversidade de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza. 
● Desenvolver e/ou discutir projetos que abordem, sobretudo, questões de urgência social, com base em princípios éticos, 
democráticos, sustentáveis e solidários, valorizando a diversidade de opiniões de indivíduos e de grupos sociais, sem 
preconceitos de qualquer natureza. 
 
 
 
204 
 
Unidade 
Temática 
Objeto de 
Conhecimento 
Habilidades 
 
Produção 
de texto 
 
Planejamento de textos 
de peças publicitárias 
de campanhas sociais 
(EF69LP09) Planejar e executar uma campanha publicitária sobre 
questões/problemas, temas, causas significativas para a escola e/ou comunidade, 
a partir de um levantamento de material sobre o tema ou evento, da definição do 
público-alvo, do texto ou peça a ser produzido – cartaz, banner, folheto, panfleto, 
anúncio impresso e para internet, spot, propaganda de rádio, TV etc. –, da 
ferramenta de edição de texto, áudio ou vídeo que será utilizada, do recorte e 
enfoque a ser dado, das estratégias de persuasão que serão utilizadas etc. 
 
 
 
Oralidade 
 
Participação em 
discussões orais de 
temas controversos de 
interesse da turma e/ou 
de relevância social. 
 
Estratégias de produção 
(EF69LP14)Formular perguntas contextualizadas e decompor, com a ajuda dos 
colegas e dos professores, tema/questão polêmica, explicações e ou argumentos 
relativos ao objeto de discussão para análise mais minuciosa e buscar em fontes 
diversas informações ou dados que permitam analisar partes da questão e 
compartilhá-los com a turma. 
(EF69LP39) Definir o recorte temático da entrevista e o entrevistado, levantar 
informações sobre o entrevistado e sobre o tema da entrevista, elaborar 
roteiro de perguntas, realizar entrevista, a partir do roteiro, abrindo 
possibilidades para fazer perguntas a partir da resposta, se o contexto 
permitir, tomar nota, gravar ou salvar a entrevista e usar adequadamente as 
informações obtidas em um relatório final, de acordo com os objetivos 
estabelecidos. 
Análise 
Linguística/ 
Semiótica 
 
Efeito de sentido 
(EF69LP19) Analisar, em gêneros orais, que envolvam a argumentação, 
como o debate televisivo, os efeitos de sentido de elementos típicos da 
modalidade falada, como a pausa, a entonação, o ritmo, a gestualidade e 
expressão facial, as hesitações etc. 
 
 
 
205 
 
Modernização, 
Ditadura Civil-
Militar e 
redemocratizaçã
o: O Brasil após 
1946 
Os protagonismos da 
sociedade civil e as 
alterações da sociedade 
brasileira, a questão da 
violência contra 
populações 
marginalizadas. 
(EF09HI26) Discutir e analisar as causas da violência contra populações 
marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres 
etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, 
empatia e respeito às pessoas. 
 
Vida e Evolução 
Célula como unidade da 
vida 
Interação entre os 
sistemas locomotor e 
nervoso 
(EF06CI10)Explicar como o funcionamento do sistema nervoso pode ser afetado 
por substâncias psicoativas,produzindo alterações no comportamento, humor e 
cognição do indivíduo. 
 
Probabilidade 
Estatística 
Gráficos de setores: 
interpretação, 
pertinência e 
construção para 
representar conjunto de 
dados. 
(EF07MA37) Interpretar e analisar dados apresentados em gráfico de setores 
divulgados pela mídia e compreender quando é possível ou conveniente sua 
utilização. 
(EF07MA17SE) Construir gráficos a partir de dados coletados por meio 
eletrônico ou outros instrumentos, como o questionário, que possibilitem 
mensurar as informações de forma organizada e estruturada. 
 
3 Metodologia 
 
A ideia desse projeto surgiu devido ao fato de temos um grande índice de alunos envolvidos com drogas. Medianteesse 
problema, percebemos o quanto seria importante poder alertar esses jovens, que estão inseridos no contexto de marginalização e 
 
 
 
206 
 
violência, quanto aos riscos e consequências causados pelo consumo de drogas. Foram divididas as turmas de acordo com as 
disciplinas de cada etapa do EJAEF Modular. Iniciamos um bate-papo com os alunos no auditório, apresentamos o projeto explicando 
cada etapa, desenvolvemos dinâmicas que intencionam sensibilizar os alunos, com o objetivo de mostrar a importância do 
conhecimento mais profundo sobre a prevenção e a dependência das drogas. Várias disciplinas se envolveram para efetivar este 
levantamento: Matemática, interpretar, analisar e construir gráficos, a partir de dados apresentados dentro da escola; Língua 
Portuguesa, ler notícias, reportagens, formular perguntas contextualizadas decorrentes do tema polêmico, apresentando 
argumentos e opiniões coerentes, analisar gêneros orais que envolvam a argumentação, como debate, os efeitos de sentido de 
elementos típicos da modalidade falada, elaborar roteiro de perguntas, realizar entrevistas a partir de um roteiro; História, Discutir e 
analisar as causas da violência contra populações marginalizadas, com vistas à tomada de consciência e à construção de uma 
cultura de paz, à empatia e ao respeito às pessoas; Ciências, explicar como o funcionamento do sistema nervoso pode ser afetado 
pelas drogas. 
O presente trabalho foi realizado em 4 (quatro) momentos. No primeiro, os professores, durante suas aulas, em uma roda 
de conversa, trabalharam leitura e debate de textos, envolvendo temas relevantes ao projeto; conduziram pesquisas na biblioteca e 
na internet, a fim de buscar informações que abordassem os efeitos das drogas e as suas conseqüências maléficas à vida; promovem 
a exibição de filmes que relatam o narcotráfico – o tráfico de drogas, assim como pequenos documentários que abordam o tema; e 
instigaram os educandos a refletirem sobre o certo e o errado com relação às drogas. Na mesma semana, após os vídeos, os alunos 
deram início a confecção de cartazes de prevenção ao uso de drogas, que ficaram expostos em todo o CREJA. Na segunda semana, 
 
 
 
207 
 
que ficou programado como o segundo momento, visitamos o Instituto MAANAIM, que é um Centro de Recuperação de Dependência 
Química; assistimos uma breve palestra com o responsável pelo instituto, e ouvimos dos internos os testemunhos sobre como foi 
sua vida no período em que viviam no mundo das drogas. Esta ação tem embasamento no pensamento de Balzan (1987) que afirma 
que: desde que se pretenda de fato desenvolver plenamente a personalidade do educando, o estudo do meio passará a se constituir 
como uma atividade de excepcional importância na vida da escola. Após o retorno dessa visita foi cobrado dos alunos um relatório 
de tudo que foi vivenciado. No terceiro momento, tivemos duas palestras, com a presença da psicóloga do Programa de Redução 
de Danos, da Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju e com o policial federal Márcio Lopes. Eles explicaram, e mostraram através 
de slides, os danos causados ao corpo e à saúde psicológica, pela dependência química, e para finalizar, houve uma roda de 
conversa entre os convidados e a comunidade escolar. No quarto momento, que foi a culminância do projeto, realizada no auditório 
da escola, onde foi montado um cenário nos mesmos moldes, e simulado o programa "Encontro com Fátima", da Rede Globo, 
comandado por Fátima Bernardes. O programa uniu informação, debate de temas atuais, e música, contando com a interação do 
público e de especialistas. O nosso programa recebeu o nome Encontro no Severino, comandado por uma aluna. O evento contou 
com a apresentação musical de um aluno do EJAEM, e com a presença de convidados: a psicóloga Cleuzeleide Mendes Braga, um 
ex-dependente, do Grupo Esperança Viva – GEV, e o ex vereador Magal da Pastoral. Iniciou com um debate livre, a partir de 
perguntas do senso comum, que foram elaboradas pelos alunos. Em seguida, os alunos e professores que estavam como plateia 
fizeram perguntas aos convidados, esclarecendo suas dúvidas sobre as drogas. 
 
 
 
208 
 
Por fim, a avaliação acontecia durante todo processo de realização do projeto, através do interesse, da participação, da 
realização das atividades orais, escritas e práticas. Os conteúdos explorados também foram analisados por meio de pesquisas, 
apresentações, cartazes, relatórios, produções de textos. 
 
4 Resultados 
 
Com esse projeto, muitos alunos se tornaram mais conscientes dos malefícios causados à vida humana, pelo abuso de 
drogas e de que devem sim, buscar sempre formas de melhorar a sua qualidade de vida. Houve mudanças de comportamento, com 
o respeito entre eles e toda comunidade escolar, uma diminuição visível do uso de drogas dentro da escola, e a maioria deles 
prosseguem os estudos, terminando o EJAEM. Pois antes, eram muitos os que ficavam pelo caminho. 
 
5 Considerações Finais 
 
Em suma, o desenvolvimento desse projeto proporciona ao aluno uma vivência única, a estimulação de uma visão crítica e 
social, provocando neles ações e questionamentos que levam a reflexão sobre o uso das drogas. 
Diante do exposto, fica evidenciado que a realização de um projeto como esse é de imensurável importância para todos os 
alunos da EJA, já que propôs e propõe despertar uma nova concepção de prevenção e de redução do uso de drogas. No entanto, 
foi necessário abordar esse assunto com conhecimento de causa, para que a discussão fosse proveitosa e consolidasse uma 
 
 
 
209 
 
concepção de educação voltada para a socialização do conhecimento entre professores, alunos, escola e comunidade. Outro ponto 
delicado a se considerar foi o encaminhamento das práticas pedagógicas de prevenção. Pois não queríamos cair nos discursos das 
práticas repressivas, mas sim, montar um projeto do qual os alunos gostassem de participar. 
 
Referências Bibliográficas 
 
BALZAN, Newton César. Estudo do meio. In: CASTRO, Amélia D. et al. (Org.). Didática para a escola de 1º e 2º graus. 9.ed. 
São Paulo: Pioneira, 1987. 
 
Currículo – Sergipe: Ensino Fundamental - linguagens/ Ana Lúcia Lima da Rocha Muricy Souza, Adailson de Jesus Silveira, 
coordenadores - Aracaju:MEC,SEDUC,UNDIME,2018.294p.:il. 
 
1.Currículo – Sergipe. 2. Ensino Fundamental. 3. Arte. 4.Educação Física. 5.Língua Inglesa. 6.Língua Portuguesa. I. Souza, Ana 
Lúcia Lima da Rocha Muricy. II. Silveira, Adailson de Jesus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
211 
 
“Educação e Qualidade de Vida” 
ESCOLA MUNICIPAL PROFESSOR ISAAC MENEZES 
ESCOLA MUNICIPAL ARNALDO ROLEMBERG GARCEZ 
Sileide Santos Mota 
Maria Conceição de Jesus Souza 
Elisângela de Souza Almeida Lima 
Soraya Rabelo Leite 
E-mail de contato: luandrade.se@bol.com.br 
 
Palavras-chave: Educação, Hábitos, Vida. 
 
1 Introdução 
 
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de professores/as da Rede Municipal de Ensino de Nossa 
Senhora das Dores, no estado de Sergipe, a partir da implementação do Currículo de Sergipe, no período de agosto a dezembro de 
2019. A experiência refere-se ao desenvolvimento do projeto Educação e Qualidade de Vida para estudantes do Ensino 
 
 
 
212 
 
Fundamental, incluindo a Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental - EJAEF 1ª e 2ª fases. Essa experiência tem como 
objetivo geral, treinar a leitura, a escrita e os problemas de matemática, provocando mudanças comportamentais e práticas de 
hábitos saudáveis. Gera impactos positivos de transformação individual e social, com desenvolvimento das múltiplas competências, 
e das melhorias na qualidade de vida dos estudantes e da comunidade escolar e local, e, consequentemente, da sociedade em 
geral. Além disso, visa a trabalhar os componentes curriculares: Matemática, Ciências Humanas e na área de Linguagens - Língua 
Portuguesa, Arte e Educação Física.2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades 
 
Área(s) de Conhecimento: Linguagens, matemática e ciências humanas. 
Componente(s) Curricular(es): Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Ciências e Matemática. 
Competências Gerais contempladas: Conhecimento, Pensamento científico, crítico e reflexivo; Comunicação, 
Argumentação; Autoconhecimento e Autocuidado; Responsabilidade e Cidadania. 
Competências específicas do(s) componente(s): 
Apropriar-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes campos de atuação da vida 
social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades de participar da cultura letrada, de construir conhecimentos (inclusive 
escolares) e de se envolver com maior autonomia e protagonismo na vida social. 
Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, 
produções, intervenções e apresentações artísticas. 
 
 
 
213 
 
Refletir criticamente, sobre as relações entre a realização das práticas corporais e os processos de saúde/doença, inclusive 
no contexto das atividades laborais. 
Construir argumentos com base em dados, evidências e informações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de 
vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a diversidade 
de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza. 
Desenvolver e ou discutir projetos que abordem, sobretudo, questões de urgência social, com base em princípios éticos, 
democráticos, sustentáveis e solidários, valorizando a diversidade de opiniões de indivíduos e de grupos sociais, sem 
preconceitos de qualquer natureza. 
Unidade Temática Objeto de 
Conhecimento 
Habilidades 
PRODUÇÃO DE TEXTO 
Estratégias de escrita: 
textualização, revisão 
e edição 
(EF67LP21) Divulgar resultados de pesquisas, por meio de apresentações orais, 
painéis, artigos de divulgação científica, verbetes de enciclopédia, podcasts 
científicos etc. em feiras de ciências ou em eventos de fechamento do ano, 
envolvendo as diferentes áreas, através de projetos integradores possibilitando 
formas de divulgação que envolvam toda a comunidade escolar. 
GRANDEZAS E 
MEDIDAS 
Medidas de 
comprimento, massa 
e capacidade: 
unidades de medida 
convencionais 
rotineiras. 
(EF01MA08SE) Conhecer as unidades de medidas convencionais mais simples: 
m, kg, l, através de situações do cotidiano. 
NATUREZA, Impactos das 
atividades humanas. 
(EF03GE9) Investigar os usos dos recursos naturais, com destaque para os usos 
da água em atividades cotidianas (alimentação, higiene, cultivo de plantas etc.), 
 
 
 
214 
 
AMBIENTES E 
QUALIDADE DE VIDA. 
e discutir os problemas ambientais provocados por esses usos indicando os 
impactos à natureza. 
DANÇA 
Processos 
de criação. 
 
(EF15AR11) Criar e improvisar movimentos dançados de modo individual, 
coletivo e colaborativo, considerando os aspectos estruturais, dinâmicos e 
expressivos dos elementos constitutivos do movimento, com base nos códigos 
de dança. 
 
3 Metodologia 
 
Para a execução deste projeto e para garantir êxito no alcance dos objetivos, foi proposta a aplicação de atividades focadas 
no seguinte: bem estar físico e emocional (lazer, amizade, afetividade, relação intra e interpessoal, etc.), direitos, deveres e valores 
éticos e Saúde (alimentação, atividade física e higiene). 
Para tanto, foram realizadas atividades relacionadas às metodologias ativas, propostas pela Base Nacional Comum 
Curricular - BNCC: rodas de conversas, aula expositiva e extraclasse, pesquisas bibliográficas e in loco, entrevistas, palestras, 
produções textuais, apresentação musical, exposição de trabalhos, de modo a proporcionar ao estudante a busca por respostas às 
perguntas, com base em suas vivências e experiências cotidianas associadas ao que foi estudado. Nas atividades foram utilizados 
materiais recicláveis, produtos e alimentos, levados pelos discentes, a exemplo: rótulos de alimentos não saudáveis, verduras, 
legumes, ovos, etc. 
 
 
 
215 
 
Os assuntos foram introduzidos com discussão abrangente acerca das doenças que afetam os alunos e seus familiares, e 
de quais atitudes precisam ser tomadas para uma vida saudável. Partindo destes pontos, foi trabalhada a produção de texto em 
Língua Portuguesa, onde os estudantes confeccionaram cartazes e descreveram elementos importantes, identificados nas 
pesquisas; em matemática foi trabalhado grandezas e medidas, com preparação de alimentos saudáveis. A professora, juntamente 
com a equipe diretiva, proporcionou o espaço para que alunos preparassem alimentos na escola, com o seu auxílio, atentando para 
os hábitos saudáveis; em ciências humanas, foi trabalhado natureza, ambientes e qualidade de vida, analisando-se os impactos 
das atividades humanas: o lixo jogado pelas pessoas, no meio ambiente, que causa diversos transtornos como o entupimento de 
esgotos, a proliferação de doenças, e a morte de animais e pessoas. Também foi trabalhada a dança, associada a Arte e Educação 
Física. Neste sentido, foi criado uma coreografia com alunos e professores, utilizando a música Despacito. 
Através desse projeto, os discentes relataram experiências pessoais e tiveram uma participação incrível, com reflexões 
acerca do que faziam e do que ainda podem fazer para melhorar a qualidade de vida. Eles passaram a vislumbrar o futuro, partindo 
de suas atitudes do hoje. 
Os estudantes citaram casos de obesidade, hipertensão, diabetes, depressão, desnutrição, dentre outras doenças 
provocadas por hábitos não saudáveis. Além disso, demonstraram perceber a importância da água, ao visitar um espaço em Nossa 
Senhora das Dores, que há muito tempo foi considerado um local importante, pelos recursos hídricos, do qual a população se 
beneficiava, usando a água para beber, e lavar roupas e utensílios domésticos. Esse lugar é conhecido na cidade como “Pedreiras”. 
Atualmente ele está isolado/abandonado. Esse fato causou espanto e tristeza aos estudantes. 
 
 
 
216 
 
A avaliação se deu de forma processual, em observância a interação, participação e depoimentos, respostas às dúvidas, e 
a relatos de vida. Foi, sem sombra de dúvidas, uma aprendizagem significativa, onde todos interagiram, se identificaram e se 
reconheceram na situação. 
 
4 Resultados 
 
Em linhas gerais, os resultados superaram as expectativas, pois os estudantes foram capazes de compreender a natureza, 
e de perceberam que fazem parte de um todo e que são agentes de transformação do mundo em que vivem. Aprenderam a formular 
questões, diagnosticar problemas, e propor soluções para problemas reais, a partir dos assuntos explicados, colocando em prática 
conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar. Aprenderam a culminar leituras, observações, 
explicações, a coletar informações e organizar discussões, além de compreenderem a saúde como bem individual e comum, que 
deve ser promovido pela ação coletiva. Aprenderam também a valorizar o trabalho em grupo, sendo capazes de ações críticas para 
a construção coletiva do conhecimento. 
 
5 Considerações Finais 
 
No percurso para a realização do Projeto Educação e Qualidade de Vida, foi possível perceber a importância do trabalho 
diferenciado, na prática pedagógica, fazendo com que o aluno veja o real sentido daquilo que está estudando. 
 
 
 
217 
 
Os resultados foram surpreendentemente satisfatórios, já que, por meio dos relatos produzidos pelos estudantes, foi possível 
observar que a aprendizagem, de fato, aconteceu e que novas atitudes foram despertadas, e repercutiram no meio onde os alunos 
estão inseridos. 
Assim, é importante frisar que vale a pena enfrentar obstáculos, quebrar paradigmas, e investir em atividades que realmente 
faça sentido para o estudante da EJA. 
Não podemos continuar permitindo que essa modalidadede ensino seja vista como algo que surgiu por acaso, e que, de 
alguma forma garante o emprego de alguém. É fundamental enfatizar que a EJA é uma maneira de despertar “sonhos adormecidos”, 
e que os assuntos aqui trabalhados requerem grande atenção e a devida importância. 
Os resultados apurados e apresentados pelos discentes nos levaram a crer que é possível sim, fazer com que jovens, 
adultos, e idosos tenham acesso a amplos conhecimentos. 
Um trabalho diferenciado possibilita ao estudante visualizar nas entrelinhas, ou seja, no que não está escrito, mas ele 
consegue ler, apenas observando situações que são experienciadas por ele ou por outros. É a leitura do mundo. Portanto, em 
projetos assim, pode ser notado mediante um olhar crítico e atento, o que enfatiza a ideia da pedagogia crítica, descrita por Paulo 
Freire (2016). Porém, para isso, é primordial um trabalho de formação de professores focado na reflexão, análise comportamental, 
atualização, quebra de paradigmas, e na inserção de metodologias ativas. 
 
 
 
 
218 
 
Referências Bibliográficas 
 
Currículo de Sergipe: ensino fundamental – linguagens / Ana Lúcia da Rocha Muricy Souza, Adilson de Jesus Silveira, 
Coordenadores. – Aracaju: MEC, SEDUC, UNDIME, 2018. 
294 p. : il. 
 
Currículo – Sergipe. 2. Ensino Fundamental. 3 Arte. 4. Educação Física. 5. Língua Inglesa. 6. Língua Portuguesa. I Souza, Ana Lúcia 
da Rocha Muricy. II. Silveira, Adailson de Jesus. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos Freire, P. 1.ed. São Paulo: Editora UNESP, 2016.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
220 
 
“AULA DOCE” 
COLÉGIO ESTADUAL DOUTOR EVANDO MENDES DR’E - 2 
IDEALIZADORA: Karla Carvalho da Silva Oliveira 
E-mail de contato: karlacarvalhooliveira@hotmail.com 
 
 
 
Palavras-chave: Matemática. Aprendizagem. Alunos. 
 
1 Introdução 
 
O presente trabalho visa a relatar a experiência da professora Karla Carvalho, do Colégio Estadual Dr. Evandro Mendes, 
localizado no município de Lagarto, no estado de Sergipe, a partir da Base Nacional Comum Curricular, que é um insumo para a 
construção do Currículo Sergipano que está em processo de elaboração, e terá consulta pública lançada no dia 20 de dezembro de 
2019. 
 
 
 
221 
 
A matemática, além de ser uma disciplina considerada difícil pelos estudantes, tem seus conteúdos, muitas vezes, encarados 
como algo muito abstrato, sem praticidade no seu contexto social, o que gera uma recorrente preocupação dos docentes, já que tal 
visão interfere no desempenho escolar desses alunos. É por esse motivo que o professor deve procurar metodologias que torne 
significativa a aprendizagem de ler e interpretar o mundo da Matemática, levando o aluno a participar, em todas as etapas, da 
construção do conhecimento. Neste sentido, a ação docente torna-se desafiadora, uma vez que deve atender às expectativas dos 
alunos, mas fundamentar o conhecimento científico. 
Diante disso, a prática pedagógica “Aula Doce”, realizada na turma de 1ª Etapa da Educação de Jovens e Adultos do Ensino 
Médio, durante o período da I Unidade, tem como objetivo principal tornar o ensino da matemática mais significativo, levando os 
alunos a identificar os conhecimentos matemáticos como meios para compreender e transformar o mundo à sua volta. E, dessa 
forma, estimular o interesse, a curiosidade, o espírito de investigação e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas, 
além de promover a integração social. 
Assim, através de elementos práticos do cotidiano do aluno da EJAEM, como uma receita de bolo, tal experiência constitui-
se numa estratégia de ensino aprendizagem, que favoreça a relação teoria x prática, evidenciando a aplicabilidade dos 
conhecimentos matemáticos no seu cotidiano, e mostrando a importância do ambiente lúdico como um poderoso recurso didático, e 
facilitador de aprendizagens. 
 
 
 
 
222 
 
2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades. 
 
Área(s) de Conhecimento: Matemática e suas tecnologias no Ensino Médio. 
Componente(s) Curricular(es): Matemática. 
Competências Gerais contempladas: Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, 
incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e 
testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das 
diferentes áreas. 
Competências específicas do(s) componente(s): 
Utilizar estratégias, conceitos e procedimentos matemáticos para interpretar situações em diversos contextos, sejam 
atividades cotidianas, sejam fatos das Ciências da Natureza e Humanas, das questões socioeconômicas ou tecnológicas, 
divulgados por diferentes meios, de modo a contribuir para uma formação geral. 
Utilizar estratégias, conceitos, definições e procedimentos matemáticos para interpretar, construir modelos e resolver 
problemas em diversos contextos, analisando a plausibilidade dos resultados e a adequação das soluções propostas, de 
modo a construir argumentação consistente. 
Investigar e estabelecer conjecturas a respeito de diferentes conceitos e propriedades matemáticas, empregando 
estratégias e recursos, como observação de padrões, experimentações e diferentes tecnologias, identificando a 
necessidade, ou não, de uma demonstração cada vez mais formal na validação das referidas conjecturas. 
 
 
 
223 
 
Unidade 
Temática 
Objeto de 
Conhecimento 
Habilidades 
 
 
 
 
 
 
NÚMERO 
Identificar 
elementos dos 
conjuntos 
numéricos: 
Números Inteiros e 
Racionais 
(EM13MAT510) Investigar conjuntos de dados relativos ao comportamento de duas 
variáveis numéricas, usando ou não tecnologias da informação, e, quando 
apropriado, levar em conta a variação e utilizar uma reta para descrever a relação 
observada. 
(EM13MAT314) Resolver e elaborar problemas que envolvem grandezas 
determinadas pela razão ou pelo produto de outras (velocidade, densidade 
demográfica, energia Elétrica, etc.). 
(EM13MAT103) Interpretar e compreender textos científicos ou divulgar pelas 
mídias, que empregam unidades de medida de diferentes grandezas e as 
conversões possíveis entre elas, adotadas ou não pelo Sistema Internacional (SI), 
como as de armazenamento e velocidade de transferência de dados, ligados aos 
avanços tecnológicos. 
 
GEOMETRIA 
Reconhecer 
algumas formas 
geométricas 
(EM13MAT309) Resolver e elaborar problemas que envolvem o cálculo de áreas 
totais e de volumes de prismas, pirâmides e corpos redondos em situações reais 
(como o cálculo do gasto de material para revestimento ou pinturas de objetos cujos 
formatos sejam composições dos sólidos estudados), com ou sem apoio de 
tecnologias digitais. 
 
 
 
 
 
 
224 
 
3 Metodologia 
 
A experiência “Aula Doce”, executada em duas aulas, foi pensada a partir da resolução de uma atividade de revisão de 
Conjuntos Numéricos, principal assunto abordado, através de uma receita de bolo de chocolate, visando à contextualização com a 
realidade do aluno. A professora trouxe o bolo com cobertura de chocolate (previamente preparado em casa), refrigerantes, copos, 
guardanapos e espátula. 
No primeiro momento, foi criado um ambiente diferenciado, onde o birô foi arrumado com uma toalha de mesa, com alguns 
acessórios que foram utilizados na confecção do bolo: xícara com e sem água, fita métrica, canela e fôrma, e foi afixado na parede, 
um cartaz que trazia a receita que eles receberam na folha com a atividade. 
Logo em seguida, realizou-se a leitura da receita, e foram explicadas todas as representações numéricas, as transformações, 
algumas informações que não eram do conhecimento deles, como por exemplo, o diâmetro da fôrma, e até o corte do bolo. Depois, 
foi verificado se eles assimilaram o assunto, sempre fazendo com que os alunos participassem de forma ativa. 
Por fim, paraexecução da atividade, foi necessária a formação de duplas e, enquanto eles resolviam, foram sendo 
distribuídos bolo e refrigerante para todos, o que proporcionou um momento eufórico de confraternização e aprendizagem. 
 
 
 
 
 
225 
 
4 Resultados 
 
Durante o desenvolvimento da prática “Aula Doce”, ouviu-se comentários do tipo “faço de qualquer jeito”, “vou colocando os 
ingredientes sem medir e verificando a consistência”, e “descobri porque o bolo que eu fazia não dava certo”. Através desses 
pequenos relatos, pôde-se observar a importância da Matemática no dia a dia dos alunos, mostrando, acima de tudo, que o assunto 
estudado ganhou novo sentido e nova utilidade. Além disso, uma evidência de aprendizado constatado foi a interação entre as 
duplas e, inclusive, de alguns desempenhando papel de monitores. 
Depois de resolvidas, as atividades foram corrigidas, e verificada uma quantidade maior de acertos. Além de observar alguns 
desses benefícios, após a aplicação da atividade, destaca-se ainda a importância da troca de opiniões e argumentos entre os alunos, 
e da socialização provocada pelo do trabalho realizado em equipe. 
 
5 Considerações Finais 
 
Através da prática pedagógica “Aula Doce”, muitas dúvidas foram sanadas, de forma diferenciada. Nesse sentido, segundo 
Moraes, “uma aula prática ou expositiva terá cumprido seu papel educativo se levar o aluno a pensar sobre as questões 
desenvolvidas em sala de aula com suas atividades fora da sala de aula”. Dessa maneira, o conhecimento matemático pode ser 
construído a partir de uma experiência concreta, E, nesse caso, a aprendizagem será o resultado da ação física e intelectual do 
 
 
 
226 
 
aluno, que passa a ter um papel atuante e importante na elaboração e na apropriação do saber. Portanto, tal experiência leva a 
perceber que a busca por metodologias que torne o ensino da matemática mais contextualizado e dinâmico é possível, e traz 
excelentes resultados. 
 
Referências Bibliográficas 
 
BRASIL, Base Nacional Comum Curricular: Ensino Médio. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2018. 
 
Currículo – Sergipe: Ensino Fundamental - linguagens/ Ana Lúcia Lima da Rocha Muricy Souza, Adailson de Jesus Silveira, 
coordenadores - Aracaju:MEC,SEDUC,UNDIME,2018.294p.:il. 
 
1.Currículo – Sergipe. 2. Ensino Fundamental. 3. Arte. 4.Educação Física. 5.Língua Inglesa. 6.Língua Portuguesa. I. Souza, Ana 
Lúcia Lima da Rocha Muricy. II. Silveira, Adailson de Jesus. 
 
DANTE, Luiz Roberto. Matemática 1º Ano. Ática, São Paulo, 2012. 
 
MORAES, Shirley Aparecida. Socialização e Interação entre alunos e o Ensino de Matemática. Ponta Grossa. Disponível em: 
 . Acessado em: 
10 out. de 2019 
 
SCRIVANO, Carla Newton et al. Coleção Viver, Aprender – Ciências da Natureza e Matemática Ensino Médio. Global, 1ª edição, 
São Paulo, 2013.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
228 
 
“NO COMBATE AO PRECONCEITO” 
CREEJA - Professor Marcos Ferreira DR’E 2 
IDEALIZADOR: Antônio José dos Santos Júnior 
E-mail de contato: antoniojosedsj@bol.com.br 
 
Palavras-chave: Aprendizagem. Preconceito. Responsabilidade. 
 
1 Introdução 
 
As abordagens e os métodos utilizados nas práticas educativas da Educação de Jovens e Adultos são premissa para 
formação autônoma dos educandos, em sua proposta para a formação da cidadania. Nessa conjuntura, o século XXI foi inaugurado 
por transformações em paradoxo ao sistema educacional, aquém do desejável, notadamente para jovens e adultos, por vezes 
penalizados pelo abandono escolar dessa clientela, que necessitam enfrentar as exigências do mercado de trabalho para a própria 
subsistência. 
mailto:antoniojosedsj@bol.com.br
 
 
 
229 
 
Essa realidade social requer currículos cada vez mais motivadores e capazes de inserir o aluno nos contextos atuais de uma 
sociedade tecnológica, de comunicações variadas e de semioses várias. Para tal, as motivações na escola precisam ser o caminho 
para criar possibilidades de jovens inseridos, mais uma vez, no processo educativo com habilidades e competências para as 
demandas deste século. 
Pensando nessas propostas, o professor de História Antônio Melo Júnior, integrado com outros docentes, elaboraram o 
Projeto “No Combate ao Preconceito”, voltado para as turmas da EJAEF II da Primeira à Terceira etapa, desenvolvido no primeiro 
semestre letivo de 2019, no Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos – CREEJA Professor Marcos Ferreira, situado 
em Simão Dias/SE. 
O Projeto teve como foco a apresentação das práticas educativas desenvolvidas na EJA como fonte de produtos 
pedagógicos. 
 
2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades. 
 
Área(s) de Conhecimento: Linguagens,Ciências Humanas,Ciências da Natureza e Matemática 
Componente(s) Curricular(es): Artes, Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, e História, . 
Competências Gerais contempladas: Colaboração, Respeito à diferença, Criticidade, Equidade e Criatividade. 
 
 
 
230 
 
Competências específicas do(s) componente(s): 
Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, 
produções, intervenções e apresentações artísticas. 
Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em interações sociais e nos meios de comunicação, 
posicionando-se ética e criticamente em relação a conteúdos discriminatórios que ferem direitos humanos e ambientais. 
Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente no planejamento e desenvolvimento de pesquisas 
para responder a questionamentos e na busca de soluções para problemas, de modo a identificar aspectos consensuais ou 
não na discussão de uma determinada questão, respeitando o modo de pensar dos colegas e aprendendo com eles. 
Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e 
promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza. 
Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, 
compreendendo seu significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. 
Unidade Temática Objeto de 
Conhecimento 
Habilidades 
O Sujeito e seu lugar no 
mundo 
As manifestações 
culturais na formação 
populacional 
(EF09GE03) Identificar diferentes manifestações culturais de 
minorias étnicas como forma de compreender a multiplicidade 
cultural na escala mundial, defendendo o princípio do respeito 
ás diferenças com ênfase à xenofobia. 
Formas de Representação e 
pensamento espacial 
Leitura e elaboração de 
mapas temáticos, 
croquis e outras formas 
(EF09GE14) Elaborar e interpretar gráficos de barras e de 
setores, tabelas, mapas temáticos e esquemáticos (croquis) e 
anamorfoses geográficas para analisar sintetizar e apresentar 
 
 
 
231 
 
de representação para 
analisar informações 
geográficas. 
dados e informações sobre diversidade, diferenças e 
desigualdades sociopolíticas e geopolíticas mundiais. 
 
Trabalho e formas de 
organização social e cultural 
Escravidão e trabalho 
livre em diferentes 
temporalidades e 
espaços (Roma Antiga, 
Europa medieval e 
África) 
(EF06HI17) Definir e diferenciar os sistemas de escravidão, 
servidão e as relações de trabalho livre no mundo antigo e 
medieval, relacionando com relações de trabalho do mundo 
contemporâneo. 
 
 
O processo de 
independência nas Américas 
A tutela da população 
indígena, a escravidão 
dos negros e a tutela 
dos egressos da 
escravidão 
(EF08HI14) Discutir a noção da tutela dos grupos indígenas e 
a participação dos negros na sociedade brasileira do final do 
período colonial, identificando permanências na forma de 
preconceitos, estereótipos e violências sobre as populaçõesindígenas e negras no âmbito local, no Brasil e nas Américas, 
identificando formas de combate a todo tipo de preconceitos, 
estereótipos e violências sobre essas populações e 
relacionando as contribuições das comunidades quilombolas 
para a sociedade sergipana. 
O nascimento da república 
no Brasil e os processos 
históricos até a metade do 
século XX 
Os movimentos sociais e 
a imprensa negra; a 
cultura afro-brasileira 
como elemento de 
resistência e superação 
das discriminações 
(EF09HI01SE) Identificar as diversas organizações construídas 
e organizadas pelos negros como forma de ativismo diante da 
marginalização e do racismo imperante no pós-abolição. 
 
 
 
232 
 
(EF09HI04) Discutir a importância da participação da população 
negra na formação econômica, política e social do Brasil e de 
Sergipe. 
 
 
Probabilidade e estatística 
Coleta de dados, 
organização e registro 
(EF06MA33) Planejar e coletar dados de pesquisa referente a 
práticas sociais escolhidas pelos alunos e fazer uso de 
planilhas eletrônicas para registro, representação e 
interpretação das informações, em tabelas, vários tipos de 
gráficos e texto, tendo uma visão crítica da realidade, e por 
conseguinte mensurar esses dados para a análise de 
problemas locais. 
 
 
Números 
Números racionais na 
representação 
fracionária e na decimal: 
usos, ordenação e 
associação com pontos 
da reta numérica e 
operações 
(EF07MA05SE) Fazer leitura de textos nacionais, regionais e 
locais em que apresentem dados com números racionais na 
representação fracionária e decimal, interpretando as 
informações de maneira satisfatória no que corresponde ao 
letramento matemático. 
 
 
Teatro 
 
Processo de Criação 
(EF69AR27) pesquisar e criar formas de dramaturgias e 
espaços cênicos para o acontecimento teatral, em diálogo com 
o teatro contemporâneo. 
(EF69AR28) Experimentar diferentes funções teatrais e discutir 
os limites e desafios do trabalho artístico coletivo e colaborativo. 
 
 
 
 
233 
 
3 Metodologia 
 
Essa ação foi realizada a partir de experiências pedagógicas com enfoques interdisciplinares e contextualizados, com base 
no Currículo de Sergipe, considerando as correntes construtivista e sócio-interacionista. Na atualidade, tornou-se obrigatório 
abranger a temática História e Cultura Afro-brasileira no currículo das redes pública e privada de ensino fundamental e médio. A 
determinação consta das leis n. 10.639°/2003 e da nº. 11.645/2008 que tratam da cultura afro-brasileira e indígena, respectivamente. 
Para tanto, a implementação de esforços conjuntos e de iniciativas organizadas devem ser implementadas na escola, e na sociedade 
como um todo. 
O Projeto No Combate ao Preconceito foi organizado em 4 etapas: Primeira Etapa – O projeto iniciou dia 18 de maio de 
2019, de cuja abertura participaram os alunos da I-Etapa B e os da III Etapa B. Segunda Etapa - Pesquisa, leitura de textos, debates 
e produções. Terceira Etapa - Os alunos ministraram aulas sobre cidadania e combate ao preconceito. Quarta Etapa - A 
apresentação Teatral “O Preconceito Social”, organizada pelos discentes da I-Etapa B, constando de forte crítica à postura da 
sociedade, diante do problema; 
 
 
 
 
 
 
234 
 
4 Resultados 
 
Ao final do Projeto “No Combate ao Preconceito”, percebemos que a experiência serviu para instigar o debate sobre os tipos 
de preconceito que infelizmente estão enraizados em nossa sociedade. E, também para estimular nossos alunos a se lançarem nas 
diversas formas existentes de compreender e disseminar o conhecimento. 
 
5 Considerações Finais 
 
O relato aqui apresentado trouxe uma sequência de ações didáticas desenvolvidas na escola, com a participação da 
comunidade da EJA, das quais podemos dizer que as práticas educativas servem de base. Podemos afirmar, também, que a 
aplicação do Projeto “No Combate ao Preconceito”serviu para mostrar que é possível a implementação de um currículo dinâmico, 
que englobe na contextualização dos objetos do conhecimento os aspectos da realidade social, de uma educação integral, e da 
formação geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
235 
 
Referências Bibliográficas 
 
Currículo – Sergipe: Ensino Fundamental - linguagens/ Ana Lúcia Lima da Rocha Muricy Souza, Adailson de Jesus Silveira, 
coordenadores - Aracaju:MEC,SEDUC,UNDIME,2018.294p.:il. 
 
1.Currículo – Sergipe. 2. Ensino Fundamental. 3. Arte. 4.Educação Física. 5.Língua Inglesa. 6.Língua Portuguesa. I. Souza, Ana 
Lúcia Lima da Rocha Muricy. II. Silveira, Adailson de Jesus. 
 
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Disponível em: . 
Acesso em: 05 mar. 2019. 
 
BRASIL. Lei 11.645, de 10 de marco de 2008. Disponível em: 
 Acesso em:05 mar. 2019.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
237 
 
“O SABER DO ALUNO DA EJA COMO PONTO DE PARTIDA PARA A 
APRENDIZAGEM ESCOLAR: RELATOS DA PRÁTICA EDUCATIVA” 
CENTRO ESPECIALIZADO PARA PESSOA EM SITUAÇÃO DE RUA 
PROJETO ARACAJU ALFABETIZA – CENTRO POP 
IDEALIZADORA: Prof. Ma. Izabel Cristina Santos da Silva 
E-mail de contato: izabelcris2212@gmail.com 
 
 
Palavras-chave: EJA, Conhecimento, Prática Educativa. 
 
 
1 Introdução 
 
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência da professora no “Projeto Aracaju Alfabetiza”, promovido pela 
Secretaria Municipal da Educação de Aracaju-Sergipe, no período de 03 de junho de 2019 a 27 de fevereiro de 2020, com o objetivo 
geral de reduzir o analfabetismo entre jovens com 15 anos ou mais, adultos e idosos residentes no município de Aracaju, que não 
foram alfabetizados ou não alcançaram os níveis desejáveis de aprendizagens. As aulas do referido Projeto aconteceram em espaço 
não formal - Centro Especializado para Pessoas em Situação de Rua – Centro Pop, tendo como escola certificadora a Escola 
 
 
 
238 
 
Municipal de Ensino Fundamental José Antonio da Costa Melo, localizada no Município de Aracaju. Baseado nos princípios da 
inclusão, da equidade e da sustentabilidade, a ênfase do Projeto está na importância de aumentar as oportunidades para os cidadãos 
que vivem em vulnerabilidade social. E, assim, a experiência relatada refere-se ao desenvolvimento do Projeto Temático, “A Cidade 
somos nós e nós somos a Cidade”, para uma turma de alfabetização e alunos do Ensino Fundamental I incompleto da Educação de 
Jovens e Adultos – EJA, haja vista que a aquisição e o desenvolvimento da leitura e da escrita, no processo de ensino-aprendizagem, 
ampliam a possibilidade de acesso ao “conhecimento refinado”, dando a esses educandos o espaço que lhes cabe no sistema 
educativo, contribuindo para sua realização pessoal. 
 
2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades 
 
 
Área(s) de Conhecimento:Linguagens,Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas 
Componente(s) Curricular(es): Língua Portuguesa - LP:Matemática M ,Artes -A 
Competências Gerais contempladas: 1.Conhecimento, 2.Pensamento científico crítico e criativo, 8. Auto conhecimento e auto 
cuidado, 10.Responsabilidade e Cidadania 
Competências específicas do(s) componente(s): 
Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias. 
Desenvolver o raciocínio lógico, o espírito de investigação e a capacidade de produzir argumentos convincentes, recorrendo aos 
conhecimentos matemáticos para compreender e atuar no mundo. 
Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o trabalho coletivo e colaborativo nas artes. 
 
 
 
239 
 
Unidade Temática Objeto de 
Conhecimento 
Habilidades 
PRÁTICAS DE 
LINGUAGEM,LEITURA/ 
ESCUTA 
 
 
PRÁTICAS SOCIAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ORALIDADE 
Processo de leitura do 
texto, 
Interpretação oral, 
 
Fato Histórico; 
Fato Social; 
 
Evolução dos fatos 
históricos, 
fotos geográficos do 
município, 
Contextose práticas 
 
Decifrar Rótulos 
 
Situações problemas, 
envolvendo diferentes 
significados das 
operações matemáticas. 
Molde de letras para a 
construção da agenda 
coletiva 
(EF01LP05) Reconhecer o sistema de escrita alfabética como representação 
dos sons da fala. 
(EF15LP13) Identificar finalidades da interação oral em diferentes contextos 
comunicativos (solicitar informações, apresentar opiniões, informar, relatar 
experiências etc.). 
O trabalho interdisciplinar com as habilidades 
(EF15LP01), (EF03LP07) da Lingua Portuguesa- 
(EF01HI06) da História, 
(EF15AR18), (EF15AR19) e da Artes associadas à identificação de 
elementos narrativos em textos lidos, estudados e dramatizados. 
(EF15LP03) Localizar informações explícitas em textos 
(EF01LP05) Reconhecer o sistema de escrita alfabética como representação 
dos sons da fala. 
(EF01MA18) Produzir a escrita de uma data, apresentando o dia, o mês e o 
ano, e indicar o dia da semana de uma data, consultando calendários. 
(EF03MA03) Construir e utilizar fatos básicos da adição e da multiplicação 
para o cálculo mental ou escrito. 
(EF12LP04) Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a 
ajuda do professor ou já com certa autonomia, listas, agendas, calendários, 
avisos, convites, receitas, instruções de montagem (digitais ou impressos), 
dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a situação 
comunicativa e o tema/assunto do texto e relacionando sua forma de 
organização à sua finalidade. 
 
 
 
240 
 
 
 
GÊNERO TEXTUAL 
 
Diálogo sobre o tema do 
texto 
Estratégias de 
apresentação de texto 
Construção de Texto 
 
(EF15LP05) Planejar, com a ajuda do professor, o texto que será produzido, 
considerando a situação comunicativa, os interlocutores (quem escreve/para 
quem escreve); a finalidade ou o propósito (escrever para quê); a circulação 
(onde o texto vai circular); o suporte (qual é o portador do texto); a linguagem, 
organização e forma do texto e seu tema, pesquisando em meios impressos 
ou digitais, sempre que for preciso, informações necessárias à produção do 
texto, organizando em tópicos os dados e as fontes pesquisadas. 
 
 
 
 
PRODUÇÃO 
DE TEXTOS 
 
 
 
 
Estratégias de escrita 
Prática Multidisciplinar 
Fluência de Leitura 
 
(EF15LP03) Localizar informações explícitas em textos. 
(EF01LP04) Distinguir as letras do alfabeto de outros sinais gráficos. 
(EF02LP05) Ler e escrever corretamente palavras com marcas de nasalidade 
(til, m, n). 
 
(EF02LP01) Utilizar, ao produzir o texto, grafia correta de palavras conhecidas 
ou com estruturas silábicas já dominadas, letras maiúsculas em início de 
frases e em substantivos próprios, segmentação entre as palavras, ponto 
final, ponto de interrogação e ponto de exclamação. 
(EF15AR18) Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do 
teatro, presentes em diferentes contextos, aprendendo a ver e a ouvir histórias 
dramatizadas e cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de 
simbolizar e o repertório ficcional. 
 
 
 
 
 
 
241 
 
3 Metodologia 
 
 
Os conhecimentos prévios dos alunos foram observados com a aplicação do teste diagnóstico de entrada. A finalidade de 
analisar os conhecimentos que o aluno possui visa a auxiliar os métodos e as técnicas de ensino; a ajudar nas relações entre 
professor e alunos; a evidenciar sua realidade sociocultural; e, no que se refere ao ensino-aprendizagem, alcançar os objetivos de 
ensino e a finalidade educativa. A metodologia de ensino na turma do Centro Pop teve a concretização dos seguintes aspectos: 
1- O caminho metodológico para o saber refinado, que considera a lógica de que ler e escrever se aprende ao longo da vida; 
2- A consideração da importância de oferecer atividades que tenham significado e sentido para desenvolver um processo 
educativo condizente com as necessidades e interesses para: 
a) Monitorar os alunos nos trabalhos em grupo, e observar suas reações e evoluções durante a aprendizagem; 
b) Relatórios do desenvolvimento da aprendizagem; 
c) aplicação da Técnica de Perguntas, relações interativas na classe para garantir o protagonismo dos alunos, conforme a 
organização dos conteúdos para confirmar os seus desempenhos; 
d) Usar socialmente a leitura e a escrita, e responder às demandas sociais das mesmas; 
e) Eventos de letramento para adaptar e preparar os alunos para a vida em sociedade, e sua inclusão no contexto adquirido 
para uma aprendizagem significativa e utilitária; 
f) Roda de Conversa com os alunos, objetivando obter informações sobre suas características pessoais e profissionais, suas 
histórias de vida, e concepções de leitura para desenvolver habilidades; 
 
 
 
242 
 
g) As competências socioemocionais utilizadas no campo da elaboração das práticas pedagógicas, que foram planejadas 
de acordo com as demandas primordiais do contexto e dos objetivos a serem alcançados, que deram novo sentido a 
competências cognitivas, como interpretar, refletir e generalizar aprendizados. 
 
4. Resultados 
 
 O fortalecimento da identidade dos sujeitos em situação de rua, nossas primeiras palavras, depois transformadas em 
Projetos Temáticos numa Concepção Pedagógica Sociointeracionista, foi um grande avanço. Pois foi um fator que possibilitou, 
durante o ano letivo, o reconhecimento e o respeito aos saberes dos alunos no ambiente escolar, o encorajamento para ações 
futuras, e o desejo de aprender em cada nova situação. Sempre buscando resolver conflitos interpessoais, os resultados 
das atividades desenvolvidas foram percebidos na melhoria das relações interpessoais, conforme observação do comportamento, 
e dos relatos verbais da equipe multidisciplinar do Centro Pop. Desse modo, percebe-se que é através do diálogo humanizado que 
se compreende os impasses da prática educativa como uma possibilidade reflexiva e de problematização da ação do professor, no 
uso das Unidades temáticas. Os objetos que promovem conhecimento e que contribuem para o desenvolvimento das habilidades, 
que vão além da transmissão de conteúdos, conduzem todos os envolvidos no processo à descoberta da dimensão de seus 
potenciais cognitivos, e conferem uma porção a mais de autoconhecimento, tão necessário a uma formação integral. Cabe ressaltar, 
que no final do ano letivo todos estavam alfabetizados e letrados. Dois dos alunos participantes alcançaram nível mais elevado de 
escolaridade. Ressaltamos, ainda, as ações da intersetorialidade com a Secretaria Municipal da Assistência Social e Cidadania: dois 
 
 
 
243 
 
alunos foram contemplados com o auxílio moradia; um aluno recebeu o Benefício de Prestação Continuada de Assistência Social – 
BPC; outro aluno conseguiu internamento para tratar dos problemas da drogadição; e um casal conseguiu bilhetes de passagem 
para voltar a sua cidade natal. 
 
5. Considerações Finais 
 
 
Não se pode deixar de mencionar a relevância da dedicação da professora para seus alunos. Ela lhes possibilitou a vivência 
de atividades comuns do dia a dia, de forma mais dinâmica e criativa. Usou direcionamentos e intervenções diferentes, dos quais 
foram extraídos frutos de estudo e reflexão. Além de tudo isso, esse projeto considerou o perfil dos alunos, e permitiu que eles 
buscassem pelo conhecimento. O êxito desse novo processo de trabalho confirmou a necessidade de ruptura com a ação docente 
"tradicional", mostrando que se pode conduzir, de melhor forma, as mais diversas situações que possam surgir na sala de aula, no 
contexto dessa modalidade de ensino. Esse não é um processo fácil de transformação. Significa dar um passo por dia, resistindo à 
situação financeira desfavorável à aquisição de materiais didáticos que diferem do convencional, entre os quais: um vaso com balas 
na mesa da professora, para driblar o sono dos que vêm cansados, ou ainda para, na segunda-feira, equilibrar a glicose por causa 
do uso demasiado do álcool no final de semana; trabalho com o gênero textualde alguns estudos 
representativos sobre a modalidade; e, de modo geral, de estudos atuais com as características da aprendizagem de adultos e 
idosos com visão construtivista do ensino específico. É importante entender que a “EJA é uma categoria organizacional constante 
da estrutura da educação nacional, com finalidades e funções específicas. ” (CEB 11/2000: 5). 
Com relação ao quarto capítulo, faz-se aí uma abordagem do repensar o currículo escolar, perpassando pela reflexão do 
perfil dos sujeitos diversos que compõem a EJA; sobre que tipo de cidadãos ela pretende formar; o que seria bom para um aluno 
aprender nessa idade e nível de competências específicas; e como preparar para ele um currículo adequado. É sobre a importância 
de fazer uso da interdisciplinaridade. Pois a integração das disciplinas possibilita processos históricos e culturais. As práticas 
 
 
 
21 
 
interdisciplinares promovem a atualização do processo ensino aprendizagem, que deverá ser ampliado através do diálogo com 
conhecimento científico. 
No quinto capítulo o foco discursivo é a Formação Continuada durante o exercício da profissão. Nesse contexto, faz-se 
necessário trabalhar e ressignificar os conhecimentos específicos das áreas em que atuam os alunos da EJA, de acordo com a sua 
realidade e suas vivências. Parte-se do modelo andragógico, supondo-se que estes educandos têm necessidade de saber em que 
medida o conhecimento a adquirir lhes poderá ser útil. Quanto aos professores, estes produzem saberes durante toda a sua vida, 
pois estão cheios das marcas de sua história familiar e da formação escolar e profissional. Pressupõe-se que haja uma disposição 
para aprender, condicionada pelo meio, a quem cabe motivar-se para tal fim. 
Nessa abordagem, o modelo andragógico de aprendizagem, teorizado por Knowles, é notória a influência da psicologia 
humanista corrente em que se defende tanto as qualidades do eu, valorizando-se, nesse particular, a experiência subjetiva. É a 
“educação entre os iguais”. 
Considerando que a demanda por EJA é gerada na sociedade brasileira, como resultado do seu modelo de desenvolvimento, 
compreende-se que a formação de educadores de jovens e adultos, supõe um processo de mudança na direção de se construir uma 
nova sociedade. É nesse processo que cabe ao professor: ocupar seu espaço político; fazer valer os seus direitos; considerar a 
formação como ato político; e valorizar e entender a proposta da modalidade, para que ela não seja vista na escola como depositária 
do fracasso escolar. 
 
 
 
22 
 
Sobre o sexto capítulo, nas considerações a respeito do Projeto Político Pedagógico – PPP da Educação de Jovens e Adultos 
– EJA, observe-se a relação que se estabeleceu entre o campo da EJA e os saberes disciplinares, dando lugar a uma matriz de 
temas que formam a autonomia teórica da modalidade. Isso, tendo em vista identificar fundamentos necessários para a práxis 
educativa contemporânea. Portanto, deve-se aportar fundamentos que são pertinentes ao educador crítico humanista; aprofundar 
os pressupostos da cidadania para intervenção e mediação sócio pedagógica, como prática de criação de pontes e espaços de 
diálogo aberto e ético, que permita relançar a esperança na transformação social. Entende-se a grande valia de revisitar autores 
como Malcolm Knowles e Paulo Freire, que deram importantes contributos históricos na discussão em torno da relação pedagógica 
do educador com o educando. 
No sétimo capítulo, há um amplo repertório de práticas pedagógicas exitosas, de metodologias diversas, desde a promoção 
da leitura e da escrita, com variações importantes em torno de temas, métodos, meios e tecnologias empregadas in loco das zonas 
urbana e rural. Tudo isso visa a propiciar condições de permanência e sucesso na escola, com a finalidade de melhorar a qualidade 
do processo de ensino e aprendizagem. Assim, a oferta de educação na contemporaneidade tem desafios: a busca do resgate de 
valores humanos essenciais às relações sociais, como elemento importante para o princípio da igualdade de direitos; o respeito às 
diferenças e às relações democráticas; e um amplo debate in loco para a Elaboração da Proposta Pedagógica da EJA, dos Princípios 
Norteadores, do Currículo intercultural, da interdisciplinaridade, dos Aportes Legais da EJA, para se compreender e privilegiar suas 
potencialidades, valores e dimensões humanas. 
 
 
 
23 
 
No oitavo capítulo, buscou-se fundamentação teórica em autores que propõem o desafio de uma prática avaliativa para além 
da sala de aula. Essa prática teria maior alcance de objetividade social. A indicação desses autores tem como base as suas reflexões, 
e como finalidade contribuir com os professores, incentivando-os a analisarem a avaliação como uma das ações necessárias ao 
processo de construção de conhecimentos e conceitos científicos apreendidos na escola. Na busca dessa percepção, as atividades 
diversificadas objetivam identificar os conhecimentos pré-estabelecidos e o saber adquirido dos alunos. Que desse modo, a avaliação 
seja uma prática com significado para os alunos da EJA, para que eles retornem cheios de expectativas e esperança, com ânimo de 
continuarem sua trajetória escolar. 
Com referência ao nono capítulo, nele são apresentados os caminhos metodológicos e seu contexto, e os sujeitos 
envolvidos; os instrumentos utilizados na construção e reconstrução dos conhecimentos dos alunos da EJA. Tratam-se de 
metodologias com foco na produção de Projetos como alternativa para o ensino-aprendizagem na educação escolar de jovens, 
adultos e idosos; a necessidade de compreender os processos mais amplos de socialização desse público, sua inclusão e sua 
transformação como uma abordagem necessária. Afinal, as novas metodologias pretendem trazer à tona habilidades necessárias à 
ampliação do conhecimento científico teórico prático sobre os temas abordados em cada Projeto. 
Tais aspectos, citados, foram trabalhados por meio da perspectiva construtivista dos processos de ensino e de aprendizagem 
e buscaram ser contemplados por meio dos princípios do Currículo Sergipano. Aponta para o desenvolvimento de uma metodologia 
de construção de políticas públicas, que se consolida na prática cotidiana do fazer coletivo. 
 
 
 
24 
 
No décimo e último capítulo, é apresentado um amplo repertório de práticas pedagógicas exitosas e metodologias diversas 
de promoção da leitura e da escrita, com variações importantes em torno de temas, de métodos, meios e tecnologias empregadas 
no loco dos espaços pedagógicos das zonas urbana e rural, com intenção de propiciar condições de permanência, e sucesso na 
escola, para a melhoria e a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. 
Diante desta construção participativa, a Secretaria Estadual de Educação, do Esporte e da Cultura – SEDUC-SE espera que 
este Caderno seja coadjuvante dos educadores, como instrumento do trabalho pedagógico, para um salto de qualidade nos 
processos educativos de jovens, adultos e idosos. 
 Agradecemos a colaboração e a participação de todos. 
 
1. PERFIL DO ESTUDANTE DA EJA 
 
A caracterização do público-alvo da EJA possibilita uma reflexão sobre a demanda e o perfil desses alunos como sujeitos 
que têm direito à educação, sendo necessário considerar as suas problemáticas para entender o que os afastaram da escola na 
idade regular. E assim, desmistificar os aspectos criados a esse respeito, demonstrando a realidade do aluno dessa modalidade. 
Após essa reflexão, percebe-se que eles não tiveram acesso aos estudos por estarem inseridos em dificuldades socioeconômicas, 
antes mesmo dos problemas educacionais. Ainda assim, em Sergipe, segundo o Censo Escolar (2019) existem matriculados na 
rede estadual na Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental - EJAEF I e II 6.311 (seis mil trezentos e onze) estudantes, 
 
 
 
25 
 
e na Educação de Jovens e Adultos do Ensino Médio - EJAEM 10.628 (dezReceita, que finaliza com o lanche da receita; produtos 
para aniversário, que é tão significativo comemorar, e etc. É cansativo, pois requer cada vez mais estudo e preparo do professor. 
Esse docente, para ministrar sua aula, precisa estar com material providenciado, matéria estudada, pesquisa feita, enfim, preparado 
mentalmente. Esses desafios alcançados principalmente com a apropriação da leitura e da escrita, são reconhecidos, e confirmados 
 
 
 
244 
 
nas falas dos alunos quando expressam: “a maneira diferente de ensinar da professora”, que o “ensino é melhor e mais completo”, 
no espaço do Centro Pop. Assim, na escola, a natureza formadora da docência não pode reduzir-se ao puro processo técnico e 
mecânico de “transferir conhecimentos”. A diversidade dos alunos é um desafio do como desenvolver habilidades específicas, no 
campo da elaboração das práticas pedagógicas, de maneira eficaz. Os estudantes percebem o que é capaz de fazê-los desistir, ou 
identificam os seus erros, assim como, quais as emoções que os dominam diante de um fracasso. A busca constante para resolver 
os conflitos, exige sempre alterações no planejamento inicial. Nele incluíram-se os conceitos de autoconsciência e autocontrole nos 
diálogos diários, devido à demanda apresentada, ora pelos sujeitos ora pelo próprio contexto. É necessário que se falem sobre a 
importância das competências socioemocionais, tão necessárias à manutenção de relações sociais positivas. E é preciso que se 
tomem decisões com responsabilidade, tendo em vista a possibilidade de praticar as melhores atitudes ao lidar com as emoções. 
 
 
Referências Bibliográficas 
 
 
BACHELARD, G. A epistemologia. Lisboa: Edições 70, 2000. 
______________. O novo espírito científico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2001. 
 
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2017 
 
CURRÍCULO DE SERGIPE -- Secretaria Estadual da Educação, do Esporte e da Cultura - SEDUC - Parecer Nº 388/2018/CEE e da 
Resolução Nº04/2018/CEE, 28 de dezembro de 2018 
 
 
 
 
245 
 
CHEVALLARD, Y. La Transposición Didáctica: del saber sabio al saber enseñado. La Pensée Sauvage, Argentina, 1991. 
 
FREIRE, P. Educação e Mudança. Traduzido por Moacir Gadotti e Lilian Lopes Martin. 12. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. 
 __________. Pedagogia do oprimido. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. 
 
 __________. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. 
 
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FAZENDA, Ivani. C.. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. São Paulo: Loyola, 2002. 
 
FONSECA, M. C. F. R. Educação matemática de jovens e adultos: especificidades, desafios e contribuições. 2. ed. Belo 
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 IMBERNÓN, F. Formação permanente do professorado: novas tendências. São Paulo: Cortez, 2009. 
 
PEREIRA, Lucia Marina. A construção do Letramento na Educação de Jovens e Adultos. Belo Horizonte: Autêntica, Belo 
Horizonte 1998 
 
Revista Brasileira de Educação (ISSN 1809- 449X) Universidade Estadual de Campinas (SP) CUNHA (2017) [38] Alfabetização 
científica ou letramento científico? Interesses envolvidos nas interpretações da noção de scientific literacy. 
 
SOARES, Magda B. Letramento em Três Gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2010 
 
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
247 
 
“TAMBÉM SE APRENDE NA ESCOLA: DOE SANGUE, SALVE VIDAS!” 
IDEALIZADOR: Viviane Gois Araujo 
E-mail de contato: vivianegois3@gmail.com 
 
 
Palavras-chave: Aprendizagem, Doação de Sangue, Responsabilidade 
 
 
1 Introdução 
 
O Projeto “Também se aprende na Escola: Doe Sangue, Salve Vidas!” foi uma ação pedagógica desenvolvida no 
CREEJA Professor Marcos Ferreira, no ano letivo de 2019. Essa foi uma atividade interdisciplinar, desenvolvida na escola com o 
objetivo de estimular a doação de sangue pelos alunos da EJA, enquanto um compromisso de vida e um ato de cidadania. Segundo, 
Arroyo: 
 
mailto:vivianegois3@gmail.com
 
 
 
248 
 
Teremos de inventar alternativas corajosas, assumindo que as formas como se cristalizou a garantia pública à educação 
não são estáticas. Podem e devem ser reinventadas [...]. Avançaremos se nos aproximarmos da história da educação. 
Não, negando, mas incorporando seu legado. Reiventando formas possíveis de garantir o direito à educação na 
especificidade das trajetórias vividas pelos setores populares. (2005, p.46). 
 
Nessa perspectiva, a ação representou uma correlação entre a teoria e a prática socioeducativa, a qual estimula o 
conhecimento e o exercício de integração social, assumido por educadores e educandos da EJA, com relação aos direitos e deveres 
sociais. Também representa a tomada de consciência de uma sociedade que tem por dever saber que, para atender à demanda por 
transfusão, de uma forma universalizada, é necessário que o cidadão, por ser detentor dessa matéria prima – o sangue –, esteja 
consciente de que sua atitude representa um ato de solidariedade e de responsabilidade. 
Assim, este projeto surgiu da necessidade de se conscientizar a comunidade escolar, sobre a importância da doação de 
sangue. Pois com a crescente necessidade das transfusões sanguíneas, faz-se necessário estimular o aumento significativo dessa 
atitude. Nessa perspectiva, o projeto visava transformar alunos em agentes multiplicadores, difundida a seriedade do ato de doar 
sangue, tendo como culminância a formação de grupos para a doação. 
 
 
 
 
 
 
 
249 
 
2 Área do Conhecimento, Competências, Objetos de Conhecimento e Habilidades 
 
Área (s) de Conhecimento: Linguagem, Ciências Humana, Ciências da Natureza e Matemática 
Componente(s) Curricular(es): Língua Portuguesa, História, Ciências e Matemática 
Competências Gerais contempladas: Conhecimento, Pensamento Científico, crítico e criativo, Comunicação, Empatia e 
colaboração. 
Competências específicas do (s) componente (s): 
Português: Apropria-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes campos de atuação 
da vida social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades de participar da cultura letrada, de construir conhecimentos 
(inclusive escolares) e de se envolver com maior autonomia e protagonismo na vida social. 
História: Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo 
contextos histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e 
solidários. 
Ciências: Compreender conceitos fundamentais e estruturas explicativas das Ciências da Natureza, bem como dominar 
processos, práticas e procedimentos de investigação científica, de modo a sentir segurança no debate de questões 
científicas, tecnológicas, socioambientais e do mundo do trabalho, continuar aprendendo e colaborar para a construção de 
uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 
Matemática: Fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos presentes nas práticas sociais e culturais, de modo 
a investigar, organizar, representar e comunicar informações relevantes, para interpretá-las e avalia-las crítica e eticamente, 
produzindo argumentos convincentes. 
 
 
 
250 
 
 
UnidadeTemática 
Objeto 
De 
Conhecimento 
Habilidades 
 
Leitura/Escuta 
(compartilhada e Autônoma) 
Reconstrução das 
condições de 
produção e 
recepção de textos 
(EF15LP01) Reconhecer e identificar a função social de textos 
que circulam em campos da vida social dos quais participa 
cotidianamente (a casa, a rua a comunidade, a escola) e nas 
mídias impressa, de massa digital, reconhecendo para que 
foram produzidos, onde circulam, quem os produziu e a quem 
se destinam. 
Escrita Compartilhada e 
Autônoma)mil seiscentos e vinte e oito). Nas redes municipais 
sergipanas, distribuídos em todo território, 24.502 (vinte e quatro mil e quinhentos e dois) educandos na EJAEF. 
De modo geral, a base metodológica aponta como pressuposto que o aluno chega à escola trazendo, além de sua história 
de baixa autoestima, vários fatores que o impedem de concluir seus estudos. Entre esses fatores estão: não ter com quem deixar 
os filhos; cansaço após o trabalho; casamentos desfeitos; mães solteiras; gravidez na adolescência; dificuldade de aprendizagem; 
desmotivação pessoal; a vivência de situações de risco e vulnerabilidade socioeconômica; o sentimento de não pertencimento à 
instituição escolar; a falta de material didático; bloqueios emocionais que dificultam a aprendizagem, entre outros. 
Dessa forma, pode-se notar que existem vários agrupamentos de pessoas que compõem o perfil do estudante da EJA, com 
idade variando entre 15 e 35 anos. A exemplo disso, existem alunos que trabalham com carteira assinada na zona urbana, com 
renda de um salário mínimo e com filhos. Atualmente, grande parte dos alunos da EJA, dessa faixa etária, não tiveram acesso à 
escolarização na idade adequada. Eles não deram continuidade ao EJA ou não concluíram o Ensino Fundamental e Médio, devido 
a fatores sociais, econômicos, políticos e culturais. É, portanto, esse, o perfil da maior parte dos jovens da EJA, que pertence ao 
mundo do trabalho, do desemprego e/ou da procura por melhores ofertas no mercado; que busca pela promoção de melhores 
oportunidades sociais, dado o baixo salário; que recorre à educação para galgar uma melhor ocupação, no futuro; que mora em 
áreas periféricas urbanas ou rurais; que tem baixa autoestima, também, por problemas pessoais. São, em sua maioria, jovens 
inseridos em diversos conflitos familiares e pessoais, entre outros aspectos (MELO, 2015). 
 
 
 
26 
 
Segundo Arroyo (2011, p.29), “desde que a EJA é EJA, esses jovens e adultos são os mesmos: pobres, desempregados, 
trabalhadores informais, negros, nos limites da sobrevivência. São jovens e adultos populares”. Dentre todos esses aspectos 
apresentados, destaca-se mais acentuadamente, a vulnerabilidade socioeconômica, caracterizada pela condição do indivíduo que 
vive à margem da sociedade, ou seja, pessoas ou famílias em processo de exclusão social. Ao se referir ao estudante da EJA, é 
importante perceber a diferença que existe entre a clientela urbana e a rural, no que se refere a: o acesso à escola, as condições de 
transporte, a vida no campo, e outros fatores que asseguram a sua permanência na escola. 
É relevante enfatizar que o sujeito em processo de alfabetização e de escolarização é um ser que opera e produz cultura no 
seu meio social, mas procura a escola para se amparar e ter uma vida melhor, como bem assinala Lemos (1999): 
Os adolescentes e adultos procuram a escola, inicialmente, motivados pela expectativa de conseguir um emprego melhor. 
Outras vezes, são tocados pelo desejo de elevação da autoestima, da independência e da melhoria de sua vida pessoal. Muitos 
deles intencionam dar bons exemplos aos filhos ou ajudá-los em suas tarefas escolares. Em síntese, pode-se inferir que o maior 
motivo da procura da escola é a necessidade de fixação de sua identidade como ser humano e ser social. (LEMOS, 1999, p. 25). 
César Henrique de Melo (et al, 2015) destaca um estudo do Estado de Sergipe, no qual apresenta dados do perfil de gênero 
e faixa etária de frequentadores da EJA. Nele, a opção de estudar concorre com a jornada de trabalho, em que é preciso assertividade 
para fazer as duas atividades concomitantemente. Isto porque, na EJA, fala-se de um educando que busca recuperar os tempos de 
estudos desperdiçados. 
 
 
 
27 
 
Na maioria das vezes, esses educandos chegam à escola com objetivos pontuais de vida. E quando alguém lhes pergunta: 
para que você quer aprender a ler? E/ou por que você voltou à escola? As respostas são mais vivenciais: para ler a bíblia, identificar 
um ônibus, assinar meu nome, refazer minha carteira de identidade, para ver se aprendo a ler ao menos uma placa, ensinar o dever 
aos filhos, tirar a carteira de motorista, chegar ao banco e tirar meu dinheiro, entre outras (MELO, 2015). 
Estas mesmas demandas também existem no público que é atendido pelo sistema prisional e socioeducativo. Nestas 
unidades, a escolarização é realizada por meio da EJA, devido à rotatividade e à alta taxa de distorção idade/ano. Sabe-se da 
realidade de privação de liberdade atrelada à história de vida dessas pessoas, que é carregada de violência e infração. A escola que 
funciona dentro desses espaços, precisa considerar as questões sociais para um melhor acolhimento, destacando a humanização 
e a Pedagogia da Presença e de Projetos para suprir as peculiaridades do público da EJA. 
Luciana Fernandes Nery (et al, 2010) aborda a respeito dos motivos que levam os alunos de volta à escola da EJA, 
destacando o desejo deles em arranjar um emprego melhor e a possibilidade de estudar na própria comunidade, que fica menos 
cansativo. Contudo, percebe-se que os alunos têm consciência de que as habilidades de leitura e escrita poderão lhes ajudar no 
trabalho. 
Esse público traz suas experiências escolares mal sucedidas, para a escola, e surge um novo perfil de aluno da EJA, no 
Brasil. 
 
 
 
28 
 
Tais aspectos relativos à presença do jovem são incipientes no campo da EJA. E para enfrentar esse desafio de 
juvenialização da Educação de Jovens e Adultos, deveríamos buscar alternativas para a produção de espaços culturalmente 
significativos, que atendessem essa diversidade de sujeitos jovens – não apenas alunos. Esse fato propicia a reflexão sobre quem 
é esse sujeito, por que ingressou numa sala de EJA, e como desenvolver um trabalho que atenda, de forma mais adequada, suas 
especificidades. (CARRANO, 2007, p.1). 
Contudo, a exigência da sociedade capitalista em demandar uma maior agilidade, no que concerne a arranjar o certificado 
para inserir-se esse educando no mercado de trabalho, torna a EJA interessante para muitos desses personagens. Isto porque uma 
das dificuldades é a realidade socioeconômica do país, que os empurra para ocupações que viabilizem sua sobrevivência e a de 
sua família. Uma séria constatação é a de que o sistema educacional brasileiro condena esse aluno a desistir da escola, quando 
impõe seus métodos tradicionais. Embora o mundo do trabalho faça parte de seu currículo, a preparação da mão de obra não é a 
proposta principal da escola, pois o que se ambiciona é uma educação permanente, comprometida com as demandas de cada 
contexto social. 
Ainda que a educação seja um direito garantido constitucionalmente, segundo estudiosos, há uma disposição da sociedade 
em culpar os jovens que não conseguiram concluir seus estudos, impondo questões individuais para o abandono escolar. Nas últimas 
décadas, o Brasil garantiu a matrícula das crianças em idade escolar no Ensino Fundamental - nível obrigatório da Educação Básica. 
Contudo, a permanência e a conclusão da escolaridade não vêm acompanhadas da matrícula para os alunos dos grupos populares 
(NERY, 2010). 
 
 
 
29 
 
Outro motivo que leva o jovem a abandonar o ensino regular é o fracasso escolar atribuído as suas falhas pessoais. A 
instituição escolar vê esses alunos como problema, pois não se encaixam nas exigências e por isso são excluídos, sendo vistos 
como únicos culpados pelo seu insucesso escolar. 
Dessa maneira, a focalização das políticas públicas no Ensino Fundamental, universal e obrigatório, conveniente à relação 
idade própria/ano escolar ampliou o espectro de crianças nele presentes. Hoje, é notável a expansão desta etapa do ensino, e há 
um quantitativo de vagas cada vez mais crescentes, a fim de fazer jus ao princípio da obrigatoriedade face às crianças em idade 
escolar. Entretanto, as presentes condições sociais adversas, e as sequelas de um passado ainda maisperverso se associam a 
inadequados fatores administrativos de planejamento e a dimensões qualitativas internas à escolarização e, nesta medida, 
condicionam o sucesso de muitos alunos (...) Expressão desta realidade são a repetência, a reprovação e a evasão, mantendo-se e 
aprofundando-se a distorção idade/ano, e retardando um acerto definitivo no fluxo escolar (CURY, 2000, p.04). 
Os alunos adolescentes que migram para a EJA são frutos de um sistema educacional que concentra as assimetrias sociais 
fortes em nosso país e vem garantindo, parcialmente, a aprendizagem na idade certa. Entretanto, a partir do momento em que o 
indivíduo compreende sua realidade, estabelece possibilidades de modificação. Alguns alunos abandonam os estudos por ter que 
decidir entre os vários dilemas de uma sociedade que não os oportuniza ao desenvolvimento, numa configuração igualitária para 
todos. 
 
 
 
30 
 
Assim, o processo de juvenilização da EJA apresenta-se em meio às mudanças que a modalidade vivenciou nas últimas 
décadas. Ele representa um desafio da EJA na atualidade. Haddad e Pierro (2000) solicitam cuidado para este fato, indicando o 
crescente perfil juvenil dos alunos, sendo eles adolescentes excluídos da escola regular. Esse fenômeno na EJA preocupa o 
panorama brasileiro, porque reflete as falhas da escola regular, e esses alunos migram para a EJA. 
Vale ressaltar também, que apesar da maioria dos discentes serem jovens, nas salas de EJA, também encontramos grupos 
acima dos 60 anos. Para Denise Travassos Marques e Graziela Giusti Pachane, a sociedade determina, segundo interesses 
convencionados, o lugar e o papel do idoso. O critério de idade não é o único usado por ela, mas reúne em si justificativas para a 
não valoração e não emancipação desse ator social. No mundo, o número de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos tem 
aumentado rapidamente. (2010) 
A idade, muitas vezes, é definidora das pessoas e submete-as às normas sociais que não as beneficiam, mas, ao contrário, 
as estigmatizam, negando sua individualidade. No entanto, um aspecto que é recorrente entre os mais velhos é o problema com a 
visão. Sendo uma das dificuldades apontadas pelos idosos ao voltarem a estudar. Esses discentes têm dificuldade para copiar e ler 
as atividades do quadro, e (às vezes) sentem muita dor de cabeça no processo de aprendizagem. 
Outro importante dado observado em sala, é que alguns alunos em distorção idade/ano que ingressam na EJA, apresentam 
algum comprometimento cognitivo. Eles passam alguns anos retidos no mesmo ano do ensino regular sem serem notados como um 
possível candidato a intervenções pedagógicas. Dessa forma, são jovens, adultos e idosos inseridos em situação de negação de 
 
 
 
31 
 
direitos educativos, já enfrentados também por seus pais e avós, em função das questões da raça, gênero, etnia, classe social, entre 
outros. Seus direitos deveriam ser assegurados por meio do processo de ensino-aprendizagem, reafirmando as funções reparadoras, 
equalizadoras e qualificadoras, da EJA. 
Nesse bojo, o debate sobre a diversidade da sociedade brasileira é central nos fóruns da EJA. Conforme Julião (2017): 
Durante muitos anos, quando se falava em educação para jovens e adultos, imaginava-se estar falando de um grupo social 
homogêneo com características bio-psico-sociais bem distintas e definidas. Não se levavam em consideração as suas 
particularidades e especificidades, tampouco a sua diversidade: faixa etária; sexo; raça; credo religioso; ocupação profissional; opção 
sexual; situação social (privados ou não de liberdade) etc. Com os avanços instituídos na área, nos últimos anos, principalmente no 
âmbito do reconhecimento do direito humano fundamental em que se constitui a Educação em seu papel na sociedade 
contemporânea, a necessidade de compreensão dessas particularidades, para se levar em consideração as propostas político-
pedagógicas, traz como primordial a compreensão sobre os sujeitos da EJA (JULIÃO, 2017, p. 31). 
Conforme foi apresentado no início, na descrição do perfil de aluno da EJA, ele enfrenta o desafio de auto superação, 
perpassando por diversos fatores que englobam a conclusão da escolarização. Contudo, existem motivações vivenciais que levam 
esse aluno a completar seu processo escolar, dentre eles: o mercado de trabalho, a apropriação da leitura e da escrita, a necessidade 
social, a mobilidade, a satisfação da aprendizagem, dentre outros. A escola precisa oferecer recursos pedagógicos para uma 
aprendizagem significativa às particularidades e à flexibilidade desses alunos dentro de seus desafios e de suas dificuldades. 
 
 
 
32 
 
Para Eliana de Oliveira Teixeira (2018) o fato é que a EJA vem assumindo a função de restabelecer as trajetórias escolares 
desses sujeitos, e deve ter um foco na construção de PPP que os considerem. Isto porque, grupos de jovens têm demandas próprias, 
ligadas às configurações de ser e de estar no mundo; de propagar sua juventude, seus sonhos, sua cultura e seus desejos futuros. 
As formas de ser são configuradas na luta diária do trabalho, da sobrevivência, da vulnerabilidade e de outras situações que 
contribuem para afastá-los do acesso e da permanência na escola, assim como, de torná-los sujeitos de processos de formação e 
de humanização. 
Conforme Paulo Freire (2000), “é preciso ter a compreensão de si, para ler o mundo”. E, neste sentido, os alunos da EJA 
são sujeitos de direitos, sujeitos concretos, que necessitam participar de práticas educativas exitosas, bem como de qualificação e 
requalificação para o mercado de trabalho, de maneira contínua, visando a garantir um direito enquanto função qualificadora. Dentre 
as peculiaridades elencadas, que reafirmam a diversidade encontrada nos sujeitos da EJA, faz-se necessário destacar o 
reconhecimento e o respeito às relações de gênero no cotidiano escolar, bem como as escolhas e a necessidade dos alunos, 
enquanto sujeitos de sua história. O ato de reconhecer a diversidade dos sujeitos deve ir além do direito à escolarização como forma 
de garantir e resguardar a sua identidade enquanto cidadão. 
Em Sergipe, de acordo com o censo escolar de 2018, estão matriculados 15.923 alunos, sendo 9.577 na modalidade de 
EJAEM, voltada para o Ensino Médio, e 6.346 na EJAEF, no Ensino Fundamental. São 108 unidades escolares que oferecem esta 
modalidade de ensino, distribuídos em 55 municípios circunscritos às Diretorias Regionais de Educação – DRE’s e na Diretoria de 
Educação de Aracaju – DEA. 
 
 
 
33 
 
Outra forma de concluir os estudos é através do Exame Nacional para Certificação de Competência de Jovens e Adultos - 
ENCCEJA, que é ofertado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, certificado pela 
SEDUC ou pelo IFS. Por meio do ENCCEJA, em 2018, a SEDUC certificou 1.751 jovens, sendo 133 no Ensino Fundamental e 1.618 
no Ensino Médio. Em 2018 foram matriculados 42.620 alunos nas diferentes turmas de EJA, nas redes estadual, federal e municipal. 
Somente na rede estadual a quantidade de matriculados na EJA passou de 16.939 (2017) para 17.786 matriculados (SEDUC, 2018). 
O número de matrículas na EJA oscila, em razão de alguns fatores, segundo Ceratti: 
Por haver sido ultrapassada a faixa de idade da obrigatoriedade escolar, sua procura é voluntária trazendo problemas de 
oscilações no número de alunos. Outro fato que confunde um pouco os objetivos da EJA é a flexibilização necessária ao atendimento 
das necessidades dos alunos traduzidos em valores menos aceitáveis por parte da população, que prefere o ensino regular, mesmo 
que seja um pretenso aluno evadido por não dar conta das exigências desse nível, haja vista os problemas pessoais e outros 
enfrentados pelos jovens trabalhadores. Essas evidências mostram a vulnerabilidade da EJA dificultando a obtenção de recursos e 
ficando mais sujeita a cortes orçamentários (CERATTI, 2012, p. 21). 
 As DiretrizesCurriculares Nacionais - DCNs (2000) da EJA consideram a educação como direito social à cidadania, sendo 
que sua oferta deve respeitar as características e modalidades adequadas às necessidades dos adultos, possibilitando-lhes o acesso 
e permanência na escola (BRASIL, 1996). Este documento foi um marco histórico para a EJA, possibilitando a elaboração de sua 
Proposta Pedagógica para as escolas e as orientações curriculares para os estados. 
 
 
 
34 
 
Isso porque as DCNs da EJA (2000) trouxeram um encaminhamento para essa modalidade que, até então, não contava com 
documentos apropriados para a sua implementação. Estava à mercê das leis do ensino regular. Nesse sentido, os movimentos 
sociais existentes em nosso país buscam por reconhecimento e têm impulsionado a visão e o direito à EJA, contribuindo com 
discussões, eventos e congressos, cobrando a implantação do segmento. A modalidade foi apreendida com suas especificidades 
relacionadas a frequência, carga-horário desenvolvida nas disciplinas, sistema de avaliação, registros e documentos apropriados, e 
encaminhamento metodológico que respeite jovens, adultos e idosos. As atividades desenvolvidas devem ser direcionadas a esse 
público, como também a apresentação dos conteúdos propostos e assuntos discutidos. 
A EJA, como modalidade de ensino, engloba um público com características específicas, e demanda um olhar diferenciado 
dentro do espaço escolar. A exemplo das práticas pedagógicas que se realiza na EJA, os modelos pedagógicos de aula devem 
considerar os saberes dos alunos, pois são de suas experiências, saberes e cultura que o processo ensino e aprendizagem será 
concretizado. 
Nas décadas de 1950 e 1960 com o alto índice de analfabetismo, Paulo Freire (2000), através dos círculos de cultura e do 
seu método de ensino, tentou atender um público de adultos, referenciando suas experiências cotidianas à aprendizagem. A partir 
deste atendimento, o processo de ensino e aprendizagem para adultos necessitou levar em consideração os conhecimentos prévios, 
sistematizando-os e associando-os aos conteúdos escolares e à visão de mundo, para o desenvolvimento da aprendizagem. 
 
 
 
 
35 
 
2. CAMPOS DE ATUAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA 
2.1 EJA REGULAR EM SERGIPE 
 
Este capítulo aborda os Campos de Atuação da EJA em Sergipe e no Brasil, com o objetivo de verificar a atuação docente 
nas práticas pedagógicas desenvolvidas nas salas de aula da EJA. A partir de 2007, a menor formação exigida pelo Ministério da 
Educação (MEC) para atuação na EJA, nos níveis de Ensino Fundamental e Médio passou a ser o nível superior. Na atualidade, a 
formação ideal para o professor inserido na EJA seria em nível de pós-graduação, que contribui para um melhor preparo desse 
trabalhador nessa modalidade de ensino. A importância da adesão desses professores às formações continuadas permite reflexões 
sobre suas ações e um repensar da sua prática pedagógica, com a elaboração de propostas que qualifiquem a sua prática educativa. 
Conforme Sandra Mara do Nascimento (2013): 
 
Alfabetizar jovens e adultos é uma ação que exige compromisso, envolve também a afetividade, o gosto e a 
responsabilidade, é peculiar e nem sempre se dá da mesma forma como se alfabetiza uma criança na infância. O 
professor alfabetizador deve partir dos princípios de ação-reflexão-ação e deve estar aliado à formação continuada. É 
fundamental que o professor da EJA tenha a consciência da valorização do outro, é importante valorizar o conhecimento 
que este aluno possui, pois durante toda a vida o aluno adquire um vasto conhecimento do senso comum, daí a 
importância da valorização de suas experiências de vida, é claro sem se limitar a ele (NASCIMENTO, 2013, p. 20). 
 
 
 
 
36 
 
A EJA é considerada, historicamente, como uma modalidade de compensação da defasagem escolar, regulamentada pela 
LDBEN n. 9394/96, tendo a idade e a escolarização anterior como critérios para o ingresso, os estudos acadêmicos acerca do tema 
ocorrem frequentemente, e apontam para as últimas duas décadas um cenário com ações educacionais significativas, o que 
representa uma transformação cultural em relação a sua importância. 
Partindo desse pressuposto, percebe-se que o homem está apto a aprender, pois a educação na formação da identidade 
atua no seu modo de vida e possibilita descobertas criativas nas práticas exitosas. De tal modo, o educador da EJA é um profissional 
comprometido com a pedagogia da esperança e libertária, como disse o imensurável Paulo Freire (2002), que afirma a necessidade 
do construir junto com seus alunos os objetos do conhecimento. Sendo este um dos eixos dos campos de atuação da EJA. 
Garantida constitucionalmente, a EJA tem diversificado os seus campos de atuação para atender às necessidades de 
formação integral do cidadão. Neste sentido, a Constituição Federal (1988), em seu Art. 205, apregoa que a Educação é um direito 
de todos e dever do Estado e da família, incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, 
ao seu preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho. 
Neste contexto, para que os profissionais da EJA estejam habilitados, existem documentos oficiais que pontuam sobre essa 
preocupação, como a Resolução n. 1/2000 do Conselho Nacional de Educação – CNE e o Plano Nacional de Educação – PNE, que 
define a importância da formação inicial e continuada como referências para suas práticas. Nessa perspectiva, os campos de atuação 
dos profissionais que trabalham na EJA encontram-se numa diversidade de espaços onde se debruçam e realizam procedimentos 
 
 
 
37 
 
educacionais voltados para a reinserção social dos sujeitos. Dessa maneira, o profissional da EJA pode atuar nas unidades 
escolares, nos centros que implementam medidas socioeducativas para adolescentes e jovens, unidades prisionais, entre outras 
instituições. 
Como parte pedagógica da política de EJA do Governo do Estado para escolarização desse público que perdeu a etapa de 
escolaridade na idade certa, novas metodologias são desenvolvidas pelos profissionais da EJA, como a Pedagogia de Projetos, 
considerando seus históricos, suas questões econômicas, faixa-etária e outros características desses sujeitos. Isto cria 
procedimentos nas práticas pedagógicas aliadas ao planejamento que estimulem a construção do conhecimento dos alunos. 
 
2.2 EDUCAÇÃO PRISIONAL E SOCIOEDUCATIVA NO ENSINO FUNDAMENTAL 
 
O atendimento educacional aos privados de liberdade, através da implementação de programas que tenham a intenção de 
despertar sua autoestima e inclusão social, faz-se necessário. Muitos dos que se encontram nessa condição apresentam baixos 
índices de escolaridade, somado à sua condição socioeconômica, o que é provável ter contribuído para adentrarem o mundo da 
criminalidade. 
São marcos legais que referendam o diagnóstico e as estratégias voltadas para reintegrar as pessoas privadas de liberdade 
do sistema penal: a Lei de Execução Penal n. 7.210/1984, na parte que trata da Assistência Educacional, a LDBEN n. 9.394/96, que 
garante o direito à Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental e Médio (EJAEF e EJAEM), Meta n. 9 do Plano Nacional 
 
 
 
38 
 
de Educação – PNE, que assegura a oferta de EJA aos privados de liberdade, juntamente com o Plano Estadual de Educação nas 
Prisões de Sergipe (2019), alinhado também ao Plano Estadual de Educação - PEE, bem como as Resoluções do Conselho Nacional 
de Educação - CNE, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP e do Conselho Estadual de Educação – 
CEE. 
Para o atendimento educacional nas unidades socioeducativas, a base legal é encontrada nas Diretrizes Nacionais para 
Atendimento Escolar de Adolescentes e Jovens em Cumprimento de Medidas Socioeducativas, nas Resoluções do Sistema Nacional 
de Atendimento Socioeducativo – SINASE, no Estatuto da Criança e do Adolescente– ECA e no próprio Plano Estadual Decenal de 
Atendimento Socioeducativo. 
Esses marcos legais que afirmam a necessidade de implementação da EJA nos estabelecimentos de privação de liberdade, 
sejam do sistema prisional ou socioeducativo, que as Educações orientam considerar a integração, a contextualização e a 
interdisciplinaridade nas práticas educacionais desenvolvidas, como nos orienta o Currículo de Sergipe (2018). Nesse sentido, Paulo 
Freire (1999) defende o conhecimento como um instrumento que o homem desenvolve sobre o mundo, e que toda essa ação produz 
mudanças, não por ser um ato neutro, mas, porque sendo um ato de educar, é também um ato político. 
As penitenciárias e as unidades do sistema socioeducativo de Sergipe dispõem da educação formal e de projetos de incentivo 
à leitura, para promover a reintegração dos privados de liberdade. No tocante ao sistema prisional, conforme o Conselho Nacional 
 
 
 
39 
 
de Justiça (2017), Sergipe lidera no percentual de presos provisórios, em relação ao total de presos por estado, com 82,34%, pois 
são 3.624 presos provisionados para uma população carcerária de 5.481presos. (SEDUC/SEJUC, 2019). 
Sergipe conta com 09 (nove) unidades prisionais onde são ofertados o ensino de EJAEF Anos Iniciais. Os professores são 
lotados em uma escola da rede estadual da qual o estabelecimento penal está vinculado, conforme quadro abaixo (Tabela 1): 
Município Unidade Prisional Unidade Escolar e Diretoria Regional 
Nossa Senhora do 
Socorro 
Presídio Feminino (PREFEM) 
Escola Estadual Profª Adga Fontes Ferreira (DRE 08) 
 
Cadeia Pública de N. Senhora do Socorro 
São Cristóvão Complexo Penitenciário Dr. Manoel Carvalho 
Neto –COPEMCAN 
 
Aracaju 
Hospital de Custódia de Sergipe – HCTP 
Colégio Estadual Cel. Francisco Souza Porto (DEA) Complexo Penitenciário Advogado Antônio 
Jacinto Filho – COMPAJAF 
Areia Branca 
Cadeia Pública de Areia Branca 
Colégio Estadual Pedro Diniz Gonçalves (DRE 03) 
Presidio Semiaberto de Areia Branca – PRESAB 
Estância Cadeia Pública de Estância Colégio Estadual Constâncio Vieira (DRE 01) 
Tobias Barreto Presídio Regional Juiz Manoel Barbosa de 
Souza (PREMABAS) 
Colégio Estadual Tobias Barreto (DRE 02) 
 
 (Tabela 1) Fonte: SEDUC/DED/SEJA, 2018. 
 
A SEDUC considera o ensino um dos pilares da política de ressocialização dos apenados. Por isso, ela firmou parceria através do 
Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado da Justiça e de Defesa ao Consumidor - SEJUC para atender todo o sistema prisional, 
 
 
 
40 
 
levando escolarização, seja através das aulas presenciais ou por meio dos Exames Supletivos e ENCCEJA, os quais garantem a certificação de 
conclusão do ensino. 
Firmou também Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado da Inclusão, Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência 
Social - SEIASe com a Fundação Renascer para atender as unidades de medidas socioeducativas, assim distribuídas, abaixo, conforme Tabela 
2: 
Município Unidade Socioeducativa Unidade Escolar 
Nossa Senhora do Socorro Comunidade de Atendimento Socioeducativa 
Masculina – CASEM 
Colégio Estadual Antônio Fontes Freitas (DRE 08) 
Escola Estadual Agda Fontes Ferreira (DRE 08) 
Aracaju Unidade de Internação Feminina – UNIFEM Colégio Estadual Cel. Francisco Souza Porto 
(DEA) 
Aracaju Unidade Socioeducativa de Internação Provisória – 
USIP 
Colégio Estadual Cel. Francisco Souza Porto 
(DEA) 
Aracaju Centro de Atendimento ao Menor – CENAM Colégio Estadual Cel. Francisco Souza Porto 
(DEA) 
 
 (Tabela 2) Fonte: SEDUC/DED/SEJA, 2018. 
 
 
 
 
 
41 
 
2. 3 PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO 
 
A História da Educação de Jovens e Adultos no Brasil, até agora, percorreu um longo caminho. E desde o seu princípio o 
foco era o olhar para uma população, que por algum motivo em sua trajetória, ficou impossibilitado de iniciar ou dar continuidade a 
vida escolar. Nessa estrada, foram criadas inúmeras campanhas para diferentes ações políticas. De acordo com informações 
contidas no Ppalfa Sergipe (2011) “na maioria das vezes, de forma voluntarista e amadorista, com doses maiores ou menores de 
ufanismo patriótico, e sempre com uma conotação de tratamento de doenças, de erradicação, de combate”, tentativas essas que, 
ao não provocarem o efeito desejado a cada período, reinventavam-se programas para alfabetizar adultos. 
Em meio a esse caminho, surge o Plano Nacional de Educação – PNE (Lei n. 10.172, de 09 de janeiro de 2001) 
determinando, como uma das metas da Educação de Jovens e Adultos, a criação de Programas de Alfabetização, cujo fim seria 
erradicar o analfabetismo no país, sendo pensada como alternativa, a relação de parcerias para utilização dos espaços ociosos 
existentes nas diversas comunidades. 
O Governo Federal, seguindo o que determinava o Plano Nacional de Educação, lançou o Programa Brasil Alfabetizado por 
meio da Lei nº 11.507, de 20 de julho de 2007, sendo reorganizado no mesmo ano, por meio do Decreto nº 6.093, de 24 de abril de 
2007. Seu objetivo era a superação do analfabetismo e a universalização do ensino fundamental no Brasil, promovendo apoio às 
ações de alfabetização realizadas por Estados, Distrito Federal e Municípios que fizessem sua adesão ao Programa. 
 
 
 
42 
 
O Estado de Sergipe se inseriu nessa proposta, e por meio da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura 
– SEDUC, fez adesão ao Programa Brasil Alfabetizado, implantando o Programa Sergipe Alfabetizado no ano de 2008. A ação 
visava a oportunizar a jovens, adultos e idosos o acesso ao conhecimento. 
Dentro da proposta do Programa, eram atendidos jovens de 15 anos ou mais, adultos e idosos ainda não alfabetizados, que 
desejassem ingressar em turmas de alfabetização de adultos. A formação de turmas ocorria em espaço público nas zonas urbana 
e rural, no período matutino, vespertino e noturno; atendendo as comunidades quilombolas e ribeirinhas, os povos indígenas, as 
pessoas que cumpriam pena em unidades prisionais, as pessoas em cumprimento de medidas socioeducativas, além dos cidadãos 
cadastradas no Programa Mão Amiga. 
O Programa Sergipe Alfabetizado, em 2016, realizou uma reformulação na sua nomenclatura, passando a Programa Sergipe 
Alfabetiza Mais – AMA. E, durante os primeiros doze anos do programa, manteve como propósito a redução das taxas de 
analfabetismo no Estado. E por meio de uma metodologia diversificada, atendeu a população pouco ou não alfabetizada, de 
diferentes segmentos sociais, que estava em situação de exclusão ou de extrema vulnerabilidade social. 
Nos doze anos de efetiva atividade, o Programa de Alfabetização para Adultos, conduzido pela Secretaria de Estado da 
Educação, do Esporte e da Cultura, alfabetizou em média 242.823 pessoas distribuídas nos setenta e cinco municípios do estado 
de Sergipe. 
 
 
 
 
43 
 
2. 4 ENSINO PROFISSIONALIZANTE NA EJA 
 
Um dos fatores proeminente em relação à EJA Profissionalizante é a oportunidade dos jovens e adultos de ingressarem no 
mercado de trabalho, e saírem com uma habilitação apropriada. No século XXI, o mercado de trabalho está mais exigente e 
tecnológico. Por esse motivo, requer profissionais qualificados para operarem com os maquinários, sugerindo que sejam 
implantados, cada vez mais, Cursos do Ensino Médio Técnicos e Profissionais. 
Para Acácia Kuenzer (2010), este ainda é um desafio a ser ultrapassado por essa modalidade de ensino. A oferta ocorre 
integrada à Educação Básica, constituindo-se uma das metas do Plano Nacional de Educação 2014-2024 (Lei n. 13.005/2014). Com 
relação à política nacional, o Ministério da Educação (MEC) implantou na Rede Federal de Ensino o Programa de Integração da 
Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade Educação de Jovens e Adultos (PROEJA), criado pelo Decreto n. 5.478, de 
24/06/2005. Sua criação volta-se para atender à demanda de jovens e adultos na Educação Profissional

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