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Responsável pelo Conteúdo: 
Prof. Dr. Edgar da Silva Gomes 
 
Revisão Textual: 
Profª. Dra. Patrícia Silvestre Leite 
 
 
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Para realizar seu trabalho com a unidade e desenvolver seu estudo, primeiro acesse o 
item Material Didático, no qual você encontrará o Texto Teórico, ou seja, o texto que servirá 
de base para as atividades da unidade. Leia-o com atenção! 
Em seguida, verifique se houve uma suficiente compreensão do conteúdo, respondendo 
às perguntas das Atividades de sistematização, que tratam das questões fundamentais sobre o 
assunto abordado. 
Foram disponibilizados, ainda, Materiais Complementares, Apresentação Narrada e 
Videoaula, para aprofundar a análise do tema. 
Finalmente, realize a Atividade de Aprofundamento da unidade onde você encontrará 
dicas para saber mais sobre Antropologia e Cultura. 
 Aplicações da antropologia culturalista nos trabalhos de Margaret 
 Franz Boas e crítica do evolucionismo 
 Cultura e civilização: três visões 
 Introdução 
 
Nesta unidade, vamos tratar do tema “A cultura: subjetividades”. 
Trata-se de um tema bastante complexo da antropologia e que vai 
auxilia-los na compreensão do desenvolvimento de algumas 
interpretações sobre cultura, por ser um tema complexo e em aberto, 
é necessário estar sempre atento aos usos e apropriações indevidas 
para não incorrermos em julgamentos preconceituosos em relação as 
culturas diferentes da nossa. 
 Dos usos da cultura – Conclusão MeadMargaret 
 
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A Cultura: subjetividades: “A cultura humana é um conjunto de textos (...) na qual o 
antropólogo deve saber ler por sobre os ombros daqueles a quem esta cultura pertence”. 
Clifford Geertz. 
 
Neste espaço de contextualização, acho importante inseri-los numa reflexão crítica à Unidade 
apresentada, para isto, mais uma vez estou deixando dois pequenos documentários; não farei 
juízo de valor sobre este material para não influencia-los, espero que com o conjunto de 
informações adquiridas vocês possam observar seu cotidiano e perceber onde se encaixa o 
preconceito ou o encontro de culturas documentadas nos vídeos abaixo. 
 
 
 
 
 
Vídeos sobre diferenças culturais: 
 
O mundo está mudando 
Primeira Igreja batista de São José dos Campos 
http://www.youtube.com/watch?v=wPlfxBpiIGQ 
 
Cultura Brasileira: herança de outros povos 
http://www.youtube.com/watch?v=v46R9cgLkgg 
 
Lisboetas 
http://www.youtube.com/watch?v=cv-H4-VrtP0 
Explore 
http://www.youtube.com/watch?v=wPlfxBpiIGQ
http://www.youtube.com/watch?v=v46R9cgLkgg
http://www.youtube.com/watch?v=cv-H4-VrtP0
 
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“A cultura humana é um conjunto de textos (...) na qual o antropólogo deve 
saber ler por sobre os ombros daqueles a quem esta cultura pertence”. 
Clifford Geertz. 
 
Cultura é um conceito importante para a Antropologia e ele diz respeito à forma como 
lidamos com as diferenças entre as nossas práticas sociais e as práticas sociais “dos 
outros”. Nesta unidade, vamos estudar como os antropólogos entendem a cultura. 
Partindo da crítica ao evolucionismo até chegarmos numa formulação culturalista, que 
predomina até hoje nos estudos antropológicos, que contribuem como ferramenta de 
análise para outras ciências sociais. 
 
 
 
 
A percepção das diferenças nos modos como os homens vivem suas vidas em 
sociedade, como mostra Roque de Barros Laraia (2008), não é nova. Passando de Confúcio a 
Heródoto e Tácito, de Marco Polo a José de Anchieta, de Rousseau até os dias de hoje, a 
cultura se apresenta como uma das questões mais fundamentais do pensamento ocidental. 
Isso porque ela nunca vem isenta de um profundo debate da forma como nós mesmos, em 
nossos hábitos cotidianos, lidamos com a diferença, com aquele que se comporta 
diferentemente de nós. 
Por isso, nessa unidade mostraremos brevemente, num primeiro momento, de que 
modo franceses, alemães e ingleses pensavam a questão da cultura e civilização e os embates 
em torno desses conceitos – que foram basilares para formulações posteriores na antropologia 
– que acabaram por culminar em um substrato importantíssimo para o evento catastrófico que 
o seguiu: a Primeira Guerra Mundial. É evidente que não iremos subsumir as causas da 
Primeira Guerra a uma disputa por conceitos. O que quero mostrar é, antes, de que modo 
essas formulações dizem respeito, ao mesmo tempo, a forma dessas culturas verem o outro e 
do quão marcante é esse olhar para constituir uma noção do que seria a própria cultura. 
Assim, ilustrando a importância disso para a criação e manutenção de rivalidades que, por 
mais que não possam ser apontadas como uma causa principal torna-se um fator importante. 
 
 
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Obviamente, aqui, não iremos trabalhar a Guerra, nosso foco será na cultura e as 
questões que ela suscita. A guerra será um modo de entendermos as dimensões de um 
problema que, por mais que pareça “apenas” terminológico, tem proporções maiores: diz 
respeito a uma visão de mundo onde estão ancoradas nossas subjetividades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desse modo, a partir dessa exposição, apresentaremos a influência do pensamento 
alemão e das reflexões que estavam ocorrendo na Alemanha pré-Primeira Guerra no 
desenvolvimento tanto de uma crítica radical aos evolucionismos, quanto na formulação de 
uma antropologia culturalista, ancorada fortemente na antropologia de Franz Boas, um 
alemão muito preocupado com essas “dimensões” já ditas, que faz de seu trabalho uma 
incansável tentativa de interpretar antes de julgar as culturas estudadas. 
Num terceiro momento, analisarei de que maneira essa formulação culturalista aparece 
no trabalho de uma das principais alunas de Boas: Margaret Mead. Vocês verão a 
predominância que a cultura irá possuir nas análises da personalidade ligada ao sexo, no texto 
de M. Mead. Por fim, apresentaremos de que forma esse conceito de cultura que, num 
primeiro momento na antropologia foi importante para a compreensão da diversidade e a sua 
importância, foi utilizado, posteriormente, pelo apartheid sul-africano como arma para manter 
os negros numa posição de submissão, utilizaremos o texto de Adam Kuper Culture Wars 
(1999). 
Fonte: 
http://www.freedigitalphotos.net/images/Vacation
s_g208-Narrow_Stone_Street__p18391.html 
Fonte: 
http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious
_buildings_g294-
Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html 
http://www.freedigitalphotos.net/images/Vacations_g208-Narrow_Stone_Street__p18391.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Vacations_g208-Narrow_Stone_Street__p18391.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html
 
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Adam Kuper, no primeiro capítulo de seu livro Culture: the antropologists’ account 
[Cultura: a visão dos antropólogos] (1999), nos mostra, muito brevemente, as formulações de 
cultura nos três principais países europeus de fins do século XIX: França, Alemanha e 
Inglaterra. A importância de sabermos como essas concepções aparecem nesses países está 
em podermos, a partir daí, elaborarmos, senão uma origem, um princípio que, de alguma 
forma, norteou o pensamento antropológico tanto dos evolucionistas como dos culturalistas e 
tantas outras escolas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O autor começa nos apresentando uma palestra muito significativa a respeito da visão 
francesa de civilização. Trata-se de uma comunicação proferida por Lucien Febvre (1878 – 
1956), um grande historiador moderno francês, em 1929. Nesta comunicação, o historiador 
tenta rastrear os significados que a palavra civilizaçãoexcediam o âmbito acadêmico e tendiam para o 
militar. 
Ao estabelecer um vínculo com os EUA, Boas realizou vários trabalhos de campo. Não 
é nosso objetivo aqui apresentá-los, pois o mais importante dessas pesquisas foi a abertura 
para a crítica ao evolucionismo que ela proporcionou. E aqui está assentado o aspecto mais 
importante da contribuição boasiana para as ciências humanas. É disso que trataremos agora. 
Em seu texto As limitações do método comparativo da antropologia (2006), Boas 
aponta sua crítica não tanto para a teoria evolucionista, mas ao seu método. Para ele, não se 
poderia apreender a realidade das culturas estudadas se o antropólogo as tratasse como 
inscritas fora da história, isto é, se o antropólogo não enxergasse nelas as diferentes 
temporalidades existentes entre os homens, se eles não percebessem que não há apenas 
diferentes formas de “evoluir”, mas também que essa evolução, se é possível chamar assim, 
atende a critérios muito restritos e delimitados pela cultura, e não a critérios estabelecidos 
anteriormente a elas, em outro lugar, como a Europa. Nesse sentido, como bem aponta 
Castro, 
“O novo ‘método histórico’, por ele [Boas] defendido em oposição ao 
comparativo, exigia que se limitasse a comparação a um território 
restrito e bem definido. A precondição para o estabelecimento de 
grandes generalizações teóricas e a busca de leis gerais seria, portanto, o 
estudo de culturas tomadas individualmente e de regiões culturais 
delimitadas.” (2006, p.16) 
 
 
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Boas, à época, voltava-se também a outra escola que conhecera desde seus tempos de 
geografia, o difusionismo. Ao contrário dos evolucionistas, que pensavam que o fato de duas 
práticas culturais que aconteciam em lugares distantes demonstravam um estabelecimento de 
um mesmo lugar para essas culturas numa linha evolutiva da espécie humana, os difusionistas 
pensavam que uma determinada prática teria se originado de um mesmo lugar e através de 
diferentes formas de contato (guerra, comércio, viagens etc.), essas práticas teriam se 
difundido para outras regiões (Castro, 2006). 
Nesse caso, mesmo reconhecendo a importância desses tipos de contatos para 
mudanças no interior de uma determinada cultura, essa difusão só poderia ser pensada em 
regiões muito próximas, e em situações onde se poderia caracterizar com muita segurança a 
hipótese dessa transmissão. 
O que se vê na leitura do texto de Boas, é que a cultura vai tomando lugar como o 
conceito que melhor explica a diversidade humana. E não apenas isso, as diferentes culturas 
vão deixando de ter um valor maior ou menor, de acordo com um critério dominante que 
assegura para onde caminha a humanidade. Assim, “a concepção boasiana de cultura tem 
como fundamento um relativismo de fundo metodológico, baseado no reconhecimento de 
que cada ser humano vê o mundo sob a perspectiva da cultura em que cresceu” (idem, p.18). 
Embora o autor ainda tenha sido um crítico ferrenho do racismo e da raciação dos 
seres humanos, não abordaremos demoradamente o assunto. É apenas importante que 
saibamos que, para Boas, as variáveis ditas “raciais”, tinham no fundo um argumento que 
era, por excelência, determinista biológico e não levava em conta as interações sociais na 
construção da imagem mesma de raça. 
Podemos, portanto, sintetizar as críticas boasianas às duas bases do pensamento 
evolucionista: determinismo biológico (pois, para o autor não existe uma evolução da espécie 
humana e cada cultura deve ser examinada segundo seus próprios critérios de “evolução”) e o 
determinismo geográfico (pois, para o autor, a análise das condições de mudança e 
estabelecimento de determinadas práticas sociais, dizem respeito à forma como a cultura em 
seu interior entende determinado evento geográfico, e não à geografia de uma região que cria 
essa formas de lidar com aquilo). Por fim, Boas critica o difusionismo, que, como meio 
explicativo, carece de maior precisão, pois precisa ser muito bem caracterizado: como as 
interações entre as culturas aconteceram e a ligação entre isso e a prática social. 
Contudo, como lembra Kuper (1988), falando sobre uma brincadeira que o grande 
linguista Jakobson fazia a respeito de Boas (se um dia ele precisasse contar o descobrimento 
da América por Colombo, ele, primeiramente, iria dizer sobre as críticas dele e, então falaria o 
que tinha a propor) Jakobson percebeu muito bem que a teoria boasiana é fundamentalmente 
crítica, mais do que qualquer outra coisa, e se é que é possível dizer isso, se algo lhe falta, é 
um sentido prático dessas análise, entender in loco, como isso se dá. Não faltaram, porém, 
alunos brilhantes a ele que pudessem fazer isso por ele. 
 
 
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Para termos uma noção mais consolidada sobre como se concebe essa concepção de 
Boas na prática, dois estudos de uma de suas alunas mais importantes serão fundamentais. 
Margaret Mead (1901 – 1978) foi uma respeitada antropóloga americana, talvez a de maior 
popularidade em seu tempo nos Estados Unidos. Devido a seus estudos acerca dos 
comportamentos sexuais de culturas tradicionais do Pacífico Sul e do Sudeste da Ásia, a 
autora foi também muito citada pelas feministas na década de 60 (veremos mais adiante os 
motivos disso) e, ao mesmo tempo, foi muito criticada metodologicamente a partir da década 
de 19801. 
Seu primeiro livro de sucesso foi Coming of Age in Samoa [Adolescência em Samoa], 
publicado pela primeira vez em 1928. Não nos focaremos nesse livro, porém, para que 
saibamos o desenvolvimento de seus projetos vamos falar dele um pouco. Nele, entre outras 
coisas, as descobertas da autora sugerem que as comunidades samoanas ignoram tanto 
meninos como meninas até os 15 ou 16 anos, isto é, antes disso, as crianças não possuem 
nenhuma posição social dentro da comunidade. Ou seja, entre os samoanos a criança, pelo 
menos no que diz respeito às práticas mais elementares, não são alvos de disputas políticas, o 
que garantia uma série de “liberdades sexuais” para os jovens o que, segundo ela, também 
garantiria uma passagem tranquila da infância para a idade adulta (passagem a que nós 
denominamos de adolescência) e não marcada por traumas psicológicos, ansiedades e 
confusão, como acontece no Ocidente. 
Segundo Mead (1961), isso porque as garotas de Samoa (que é quem ela estuda com 
maior afinco no livro) pertencem a uma sociedade estável e monocultural, rodeada por 
modelos, em que nada do que diz respeito aos fatos mais básicos da existência humana – 
como a cópula, o nascimento, as funções corporais ou a morte – eram escondidos. As garotas 
samoanas não eram pressionadas a corresponder a uma variedade de valores conflitantes em 
relação às suas vontades, como as garotas ocidentais (aqui, claramente a autora está falando 
das garotas americanas, mas podemos transpor facilmente isso para a nossa cultura). 
É importante notar que, embora Margaret Mead esteja falando de uma cultura muito 
diferente e distante da nossa, ela está, simultaneamente, criticando o modo que nossas 
práticas oprimem a nós mesmos e criam conflitos internos muito traumáticos para nós. Ela faz 
isso, mostrando que não é natural sermos assim, esses conflitos não são inatos, eles são frutos 
de um doloroso processo de adaptação à nossa cultura, pois é ela que nos pede que sejamos 
assim e, por não ser parte da nossa constituição como Homo sapiens, essa forma de nos 
relacionar pode mudar. 
 
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 Para uma leitura mais detalhada dessas críticas ver: FREEMAN, D. Margaret Mead and Samoa, 1983. 
 
15 
Em outro livro seu, fica muito claro para nós esse posicionamento. Trata-se de Sex and 
Temperament in Three Primitives Societies [Sexo e Temperamento em Três Sociedades 
Primitivas], de 1935. Esse livro tornou-se a maior pedra angular do movimento feminista, uma 
vez que ele alegava que o sexo (aparato biológico) e o temperamento(personalidade) não 
eram relacionados naturalmente e sim construções culturais. Era possível, por exemplo, que as 
mulheres comandassem uma região de Papua Nova Guiné sem causar nenhum problema, ao 
contrário do que diziam teorias evolucionistas da época, em que a mulher, por seu 
temperamento passivo e emotivo, não poderiam comandar nada além da casa sem causar 
problemas, ou que os homens o fariam melhor. 
Mead (1963) pôde perceber isso, analisando três culturas distintas (Arapesh, 
Mundugumor e Tchambuli) e, baseando-se na divisão clássica ocidental, que atestava uma 
personalidade passiva e pacifista para as mulheres, por elas estarem ligadas à vida privada, a 
casa e aos filhos, enquanto atribuía aos homens um papel ativo e guerreiro, ligados à vida 
pública, à defesa do território e da integridade familiar, pode negá-la radicalmente. 
Essas características eram vistas como do próprio ser humano. Homens evolutivamente 
se tornaram isso e as mulheres aquilo. Não é difícil de imaginar tanto o potencial crítico das 
pesquisas de Margaret Mead, como a comoção que esse livro causou nos movimentos 
feministas. 
Isso porque a autora mostrou que não só essas personalidades estão ligadas à própria 
concepção que nós, em nossa cultura, temos dos homens como das mulheres. Não obstante, 
essas concepções não encontram correspondência em outros lugares do mundo. Segundo a 
autora, os Arapesh, por exemplo, eram pacíficos em seus temperamentos e nenhum dos dois 
(homens e mulheres) faziam guerras. Já entre os Mundugumor, o contrário acontecia: ambos 
faziam guerras e ambos tinham temperamentos bélicos. Por fim, entre os Tchambuli, 
diferentemente desses três anteriores e muito diferentes do cenário que a autora encontrava 
nos Estados Unidos do começo do século XX, eram os homens que tinham vidas relegadas a 
um plano privado e as mulheres que trabalhavam e eram ligadas à vida pública. 
Reparem como nos dois trabalhos, mas principalmente no segundo, é possível 
identificar as críticas boasianas tanto ao determinismo geográfico, quanto ao determinismo 
biológico. Isto é, não são pelas condições climáticas, geomorfológicas ou hidrográficas de uma 
região (Papua Nova Guiné) que práticas culturais são estruturadas, pois se tratam de grupos 
que habitam regiões de um mesmo país, cujas condições geográficas são semelhantes e 
mesmo assim possuem culturas muito distintas. 
Também cabe pensarmos a crítica ao determinismo biológico. Ora, como já discutimos, 
esses casos evidenciam uma diferença muito grande em relação ao pensamento ocidental, 
principalmente estadunidense da época (e talvez de hoje, ainda): se culturas tão distintas 
estabelecem relações em os sexos de modos diferentes das nossas, significa que, em primeiro 
lugar, essas relações não estão pressupostas na própria distribuição anatômica dos sexos 
(homem e mulher) e, em segundo lugar, se essas relações não estão pressupostas, elas foram 
criadas num espaço de interação social e depois naturalizadas como sendo as únicas possíveis. 
 
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Ela demonstra assim o pressuposto fundamental da antropologia culturalista de Franz 
Boas: os olhos com que vemos nossas práticas, que nós costumamos pensar ser o único jeito 
possível e a melhor forma, são os olhos da cultura na qual estamos inseridos. Só vemos as 
coisas como tal, porque aprendemos a vê-las assim. 
 
Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/images/Turkey_g119-Hagia_Sophia_p1887.html 
 
 
 
 
Embora Boas tenha lutado veementemente contra os mais diferentes tipos de 
preconceitos, e seus escritos sobre o método essencialmente culturalista tentem dar conta da 
diversidade humana não como um fator de cisão entre as diferentes subjetividades humanas, 
mas como algo que os colocava no mesmo patamar, sem melhores ou piores, apenas pessoas 
que viviam de seu modo – isto é, do modo que a cultura lhe proporcionava – os mais 
singulares eventos da vida, muitos usos que acabavam por acirrar os preconceitos foram feitos 
do conceito de cultura tal como ele mesmo estabeleceu. O exemplo mais característico disso é, 
sem dúvida, o apartheid sul-africano. 
Como Kuper (1988) nos mostra, ao contrário do muito que foi propagado pela mídia à 
época – inclusive nos dias de hoje ainda o dizem assim –, o apartheid não teve origem num 
racismo típico de um país colonizado, recém-independente. Ao contrário, como nos mostra o 
autor, também na África do Sul o racismo era visto com maus olhos, pois, principalmente 
depois dos eventos da Segunda Guerra Mundial, a ideia de ver um povo ser oprimido por sua 
raça era inaceitável e inadmissível. 
http://www.freedigitalphotos.net/images/Turkey_g119-Hagia_Sophia_p1887.html
 
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Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Lot_Of_Buddha_Statue_p129457.html 
 
Os critérios de raças não estavam colocados, o que houve, antes teria sido uma espécie 
de doutrinação, partindo de estudos de grandes acadêmicos daquela região, de estudos que 
reforçassem as diferenças. Esses estudos mostravam que as populações negras possuíam uma 
riqueza cultural própria que seria, ao mesmo tempo, muito frágil. Portanto, ao menor contato 
com a cultura ocidental, já corrompida, poderia se esfacelar. Assim, o argumento que se 
punha de modo convincente, inclusive aos negros, era que, embora a convivência com os 
brancos fosse desejável, ela seria extremamente perigosa aos negros, uma vez que, nesse 
contato, eles poderiam perder as suas próprias raízes culturais. Esse argumento chega a tal 
ponto de convencimento que persuade, até certo ponto, boa parte da própria população 
negra (idem). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: 
http://www.freedigitalphotos.net/images/Co
uplesPartners_g216-
Young_Couple_Having_Fun_p71084.html 
Fonte: 
http://www.freedigitalphotos.net/imag
es/Eating_Drinking_g369-
Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_
Tea_p78700.html 
http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Lot_Of_Buddha_Statue_p129457.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Lot_Of_Buddha_Statue_p129457.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/CouplesPartners_g216-Young_Couple_Having_Fun_p71084.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/CouplesPartners_g216-Young_Couple_Having_Fun_p71084.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/CouplesPartners_g216-Young_Couple_Having_Fun_p71084.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html
http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html
 
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Algumas dicas para aprofundar as discussões apresentadas na disciplina Ensaios de 
Antropologia. Unidade: A Cultura: subjetividades. 
Abaixo você tem seis documentários: “Saudades do Brasil” – Lévi-Strauss 
 
http://www.youtube.com/watch?v=VwpcZOMKKKU&list=PLKwjWb1poO6pj
ntRIBxljOPTPVZV2oCEQ 
http://www.youtube.com/watch?v=e_gL8h1gsbk&list=PLKwjWb1poO6pjntR
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http://www.youtube.com/watch?v=ZjB13EElCbQ&list=PLKwjWb1poO6pjnt
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http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjn
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http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjn
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http://www.youtube.com/watch?v=DNZht-
Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=VwpcZOMKKKU&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=VwpcZOMKKKU&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=e_gL8h1gsbk&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=e_gL8h1gsbk&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=ZjB13EElCbQ&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQhttp://www.youtube.com/watch?v=ZjB13EElCbQ&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=DNZht-Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=DNZht-Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
 
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BOAS, F. Antropologia cultural. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2006. 
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http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ
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