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Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Edgar da Silva Gomes Revisão Textual: Profª. Dra. Patrícia Silvestre Leite 5 Para realizar seu trabalho com a unidade e desenvolver seu estudo, primeiro acesse o item Material Didático, no qual você encontrará o Texto Teórico, ou seja, o texto que servirá de base para as atividades da unidade. Leia-o com atenção! Em seguida, verifique se houve uma suficiente compreensão do conteúdo, respondendo às perguntas das Atividades de sistematização, que tratam das questões fundamentais sobre o assunto abordado. Foram disponibilizados, ainda, Materiais Complementares, Apresentação Narrada e Videoaula, para aprofundar a análise do tema. Finalmente, realize a Atividade de Aprofundamento da unidade onde você encontrará dicas para saber mais sobre Antropologia e Cultura. Aplicações da antropologia culturalista nos trabalhos de Margaret Franz Boas e crítica do evolucionismo Cultura e civilização: três visões Introdução Nesta unidade, vamos tratar do tema “A cultura: subjetividades”. Trata-se de um tema bastante complexo da antropologia e que vai auxilia-los na compreensão do desenvolvimento de algumas interpretações sobre cultura, por ser um tema complexo e em aberto, é necessário estar sempre atento aos usos e apropriações indevidas para não incorrermos em julgamentos preconceituosos em relação as culturas diferentes da nossa. Dos usos da cultura – Conclusão MeadMargaret 6 A Cultura: subjetividades: “A cultura humana é um conjunto de textos (...) na qual o antropólogo deve saber ler por sobre os ombros daqueles a quem esta cultura pertence”. Clifford Geertz. Neste espaço de contextualização, acho importante inseri-los numa reflexão crítica à Unidade apresentada, para isto, mais uma vez estou deixando dois pequenos documentários; não farei juízo de valor sobre este material para não influencia-los, espero que com o conjunto de informações adquiridas vocês possam observar seu cotidiano e perceber onde se encaixa o preconceito ou o encontro de culturas documentadas nos vídeos abaixo. Vídeos sobre diferenças culturais: O mundo está mudando Primeira Igreja batista de São José dos Campos http://www.youtube.com/watch?v=wPlfxBpiIGQ Cultura Brasileira: herança de outros povos http://www.youtube.com/watch?v=v46R9cgLkgg Lisboetas http://www.youtube.com/watch?v=cv-H4-VrtP0 Explore http://www.youtube.com/watch?v=wPlfxBpiIGQ http://www.youtube.com/watch?v=v46R9cgLkgg http://www.youtube.com/watch?v=cv-H4-VrtP0 7 “A cultura humana é um conjunto de textos (...) na qual o antropólogo deve saber ler por sobre os ombros daqueles a quem esta cultura pertence”. Clifford Geertz. Cultura é um conceito importante para a Antropologia e ele diz respeito à forma como lidamos com as diferenças entre as nossas práticas sociais e as práticas sociais “dos outros”. Nesta unidade, vamos estudar como os antropólogos entendem a cultura. Partindo da crítica ao evolucionismo até chegarmos numa formulação culturalista, que predomina até hoje nos estudos antropológicos, que contribuem como ferramenta de análise para outras ciências sociais. A percepção das diferenças nos modos como os homens vivem suas vidas em sociedade, como mostra Roque de Barros Laraia (2008), não é nova. Passando de Confúcio a Heródoto e Tácito, de Marco Polo a José de Anchieta, de Rousseau até os dias de hoje, a cultura se apresenta como uma das questões mais fundamentais do pensamento ocidental. Isso porque ela nunca vem isenta de um profundo debate da forma como nós mesmos, em nossos hábitos cotidianos, lidamos com a diferença, com aquele que se comporta diferentemente de nós. Por isso, nessa unidade mostraremos brevemente, num primeiro momento, de que modo franceses, alemães e ingleses pensavam a questão da cultura e civilização e os embates em torno desses conceitos – que foram basilares para formulações posteriores na antropologia – que acabaram por culminar em um substrato importantíssimo para o evento catastrófico que o seguiu: a Primeira Guerra Mundial. É evidente que não iremos subsumir as causas da Primeira Guerra a uma disputa por conceitos. O que quero mostrar é, antes, de que modo essas formulações dizem respeito, ao mesmo tempo, a forma dessas culturas verem o outro e do quão marcante é esse olhar para constituir uma noção do que seria a própria cultura. Assim, ilustrando a importância disso para a criação e manutenção de rivalidades que, por mais que não possam ser apontadas como uma causa principal torna-se um fator importante. 8 Obviamente, aqui, não iremos trabalhar a Guerra, nosso foco será na cultura e as questões que ela suscita. A guerra será um modo de entendermos as dimensões de um problema que, por mais que pareça “apenas” terminológico, tem proporções maiores: diz respeito a uma visão de mundo onde estão ancoradas nossas subjetividades. Desse modo, a partir dessa exposição, apresentaremos a influência do pensamento alemão e das reflexões que estavam ocorrendo na Alemanha pré-Primeira Guerra no desenvolvimento tanto de uma crítica radical aos evolucionismos, quanto na formulação de uma antropologia culturalista, ancorada fortemente na antropologia de Franz Boas, um alemão muito preocupado com essas “dimensões” já ditas, que faz de seu trabalho uma incansável tentativa de interpretar antes de julgar as culturas estudadas. Num terceiro momento, analisarei de que maneira essa formulação culturalista aparece no trabalho de uma das principais alunas de Boas: Margaret Mead. Vocês verão a predominância que a cultura irá possuir nas análises da personalidade ligada ao sexo, no texto de M. Mead. Por fim, apresentaremos de que forma esse conceito de cultura que, num primeiro momento na antropologia foi importante para a compreensão da diversidade e a sua importância, foi utilizado, posteriormente, pelo apartheid sul-africano como arma para manter os negros numa posição de submissão, utilizaremos o texto de Adam Kuper Culture Wars (1999). Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/images/Vacation s_g208-Narrow_Stone_Street__p18391.html Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious _buildings_g294- Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Vacations_g208-Narrow_Stone_Street__p18391.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Vacations_g208-Narrow_Stone_Street__p18391.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Japanese_Golden_Pagoda_p25670.html 9 Adam Kuper, no primeiro capítulo de seu livro Culture: the antropologists’ account [Cultura: a visão dos antropólogos] (1999), nos mostra, muito brevemente, as formulações de cultura nos três principais países europeus de fins do século XIX: França, Alemanha e Inglaterra. A importância de sabermos como essas concepções aparecem nesses países está em podermos, a partir daí, elaborarmos, senão uma origem, um princípio que, de alguma forma, norteou o pensamento antropológico tanto dos evolucionistas como dos culturalistas e tantas outras escolas. O autor começa nos apresentando uma palestra muito significativa a respeito da visão francesa de civilização. Trata-se de uma comunicação proferida por Lucien Febvre (1878 – 1956), um grande historiador moderno francês, em 1929. Nesta comunicação, o historiador tenta rastrear os significados que a palavra civilizaçãoexcediam o âmbito acadêmico e tendiam para o militar. Ao estabelecer um vínculo com os EUA, Boas realizou vários trabalhos de campo. Não é nosso objetivo aqui apresentá-los, pois o mais importante dessas pesquisas foi a abertura para a crítica ao evolucionismo que ela proporcionou. E aqui está assentado o aspecto mais importante da contribuição boasiana para as ciências humanas. É disso que trataremos agora. Em seu texto As limitações do método comparativo da antropologia (2006), Boas aponta sua crítica não tanto para a teoria evolucionista, mas ao seu método. Para ele, não se poderia apreender a realidade das culturas estudadas se o antropólogo as tratasse como inscritas fora da história, isto é, se o antropólogo não enxergasse nelas as diferentes temporalidades existentes entre os homens, se eles não percebessem que não há apenas diferentes formas de “evoluir”, mas também que essa evolução, se é possível chamar assim, atende a critérios muito restritos e delimitados pela cultura, e não a critérios estabelecidos anteriormente a elas, em outro lugar, como a Europa. Nesse sentido, como bem aponta Castro, “O novo ‘método histórico’, por ele [Boas] defendido em oposição ao comparativo, exigia que se limitasse a comparação a um território restrito e bem definido. A precondição para o estabelecimento de grandes generalizações teóricas e a busca de leis gerais seria, portanto, o estudo de culturas tomadas individualmente e de regiões culturais delimitadas.” (2006, p.16) 13 Boas, à época, voltava-se também a outra escola que conhecera desde seus tempos de geografia, o difusionismo. Ao contrário dos evolucionistas, que pensavam que o fato de duas práticas culturais que aconteciam em lugares distantes demonstravam um estabelecimento de um mesmo lugar para essas culturas numa linha evolutiva da espécie humana, os difusionistas pensavam que uma determinada prática teria se originado de um mesmo lugar e através de diferentes formas de contato (guerra, comércio, viagens etc.), essas práticas teriam se difundido para outras regiões (Castro, 2006). Nesse caso, mesmo reconhecendo a importância desses tipos de contatos para mudanças no interior de uma determinada cultura, essa difusão só poderia ser pensada em regiões muito próximas, e em situações onde se poderia caracterizar com muita segurança a hipótese dessa transmissão. O que se vê na leitura do texto de Boas, é que a cultura vai tomando lugar como o conceito que melhor explica a diversidade humana. E não apenas isso, as diferentes culturas vão deixando de ter um valor maior ou menor, de acordo com um critério dominante que assegura para onde caminha a humanidade. Assim, “a concepção boasiana de cultura tem como fundamento um relativismo de fundo metodológico, baseado no reconhecimento de que cada ser humano vê o mundo sob a perspectiva da cultura em que cresceu” (idem, p.18). Embora o autor ainda tenha sido um crítico ferrenho do racismo e da raciação dos seres humanos, não abordaremos demoradamente o assunto. É apenas importante que saibamos que, para Boas, as variáveis ditas “raciais”, tinham no fundo um argumento que era, por excelência, determinista biológico e não levava em conta as interações sociais na construção da imagem mesma de raça. Podemos, portanto, sintetizar as críticas boasianas às duas bases do pensamento evolucionista: determinismo biológico (pois, para o autor não existe uma evolução da espécie humana e cada cultura deve ser examinada segundo seus próprios critérios de “evolução”) e o determinismo geográfico (pois, para o autor, a análise das condições de mudança e estabelecimento de determinadas práticas sociais, dizem respeito à forma como a cultura em seu interior entende determinado evento geográfico, e não à geografia de uma região que cria essa formas de lidar com aquilo). Por fim, Boas critica o difusionismo, que, como meio explicativo, carece de maior precisão, pois precisa ser muito bem caracterizado: como as interações entre as culturas aconteceram e a ligação entre isso e a prática social. Contudo, como lembra Kuper (1988), falando sobre uma brincadeira que o grande linguista Jakobson fazia a respeito de Boas (se um dia ele precisasse contar o descobrimento da América por Colombo, ele, primeiramente, iria dizer sobre as críticas dele e, então falaria o que tinha a propor) Jakobson percebeu muito bem que a teoria boasiana é fundamentalmente crítica, mais do que qualquer outra coisa, e se é que é possível dizer isso, se algo lhe falta, é um sentido prático dessas análise, entender in loco, como isso se dá. Não faltaram, porém, alunos brilhantes a ele que pudessem fazer isso por ele. 14 Para termos uma noção mais consolidada sobre como se concebe essa concepção de Boas na prática, dois estudos de uma de suas alunas mais importantes serão fundamentais. Margaret Mead (1901 – 1978) foi uma respeitada antropóloga americana, talvez a de maior popularidade em seu tempo nos Estados Unidos. Devido a seus estudos acerca dos comportamentos sexuais de culturas tradicionais do Pacífico Sul e do Sudeste da Ásia, a autora foi também muito citada pelas feministas na década de 60 (veremos mais adiante os motivos disso) e, ao mesmo tempo, foi muito criticada metodologicamente a partir da década de 19801. Seu primeiro livro de sucesso foi Coming of Age in Samoa [Adolescência em Samoa], publicado pela primeira vez em 1928. Não nos focaremos nesse livro, porém, para que saibamos o desenvolvimento de seus projetos vamos falar dele um pouco. Nele, entre outras coisas, as descobertas da autora sugerem que as comunidades samoanas ignoram tanto meninos como meninas até os 15 ou 16 anos, isto é, antes disso, as crianças não possuem nenhuma posição social dentro da comunidade. Ou seja, entre os samoanos a criança, pelo menos no que diz respeito às práticas mais elementares, não são alvos de disputas políticas, o que garantia uma série de “liberdades sexuais” para os jovens o que, segundo ela, também garantiria uma passagem tranquila da infância para a idade adulta (passagem a que nós denominamos de adolescência) e não marcada por traumas psicológicos, ansiedades e confusão, como acontece no Ocidente. Segundo Mead (1961), isso porque as garotas de Samoa (que é quem ela estuda com maior afinco no livro) pertencem a uma sociedade estável e monocultural, rodeada por modelos, em que nada do que diz respeito aos fatos mais básicos da existência humana – como a cópula, o nascimento, as funções corporais ou a morte – eram escondidos. As garotas samoanas não eram pressionadas a corresponder a uma variedade de valores conflitantes em relação às suas vontades, como as garotas ocidentais (aqui, claramente a autora está falando das garotas americanas, mas podemos transpor facilmente isso para a nossa cultura). É importante notar que, embora Margaret Mead esteja falando de uma cultura muito diferente e distante da nossa, ela está, simultaneamente, criticando o modo que nossas práticas oprimem a nós mesmos e criam conflitos internos muito traumáticos para nós. Ela faz isso, mostrando que não é natural sermos assim, esses conflitos não são inatos, eles são frutos de um doloroso processo de adaptação à nossa cultura, pois é ela que nos pede que sejamos assim e, por não ser parte da nossa constituição como Homo sapiens, essa forma de nos relacionar pode mudar. 1 Para uma leitura mais detalhada dessas críticas ver: FREEMAN, D. Margaret Mead and Samoa, 1983. 15 Em outro livro seu, fica muito claro para nós esse posicionamento. Trata-se de Sex and Temperament in Three Primitives Societies [Sexo e Temperamento em Três Sociedades Primitivas], de 1935. Esse livro tornou-se a maior pedra angular do movimento feminista, uma vez que ele alegava que o sexo (aparato biológico) e o temperamento(personalidade) não eram relacionados naturalmente e sim construções culturais. Era possível, por exemplo, que as mulheres comandassem uma região de Papua Nova Guiné sem causar nenhum problema, ao contrário do que diziam teorias evolucionistas da época, em que a mulher, por seu temperamento passivo e emotivo, não poderiam comandar nada além da casa sem causar problemas, ou que os homens o fariam melhor. Mead (1963) pôde perceber isso, analisando três culturas distintas (Arapesh, Mundugumor e Tchambuli) e, baseando-se na divisão clássica ocidental, que atestava uma personalidade passiva e pacifista para as mulheres, por elas estarem ligadas à vida privada, a casa e aos filhos, enquanto atribuía aos homens um papel ativo e guerreiro, ligados à vida pública, à defesa do território e da integridade familiar, pode negá-la radicalmente. Essas características eram vistas como do próprio ser humano. Homens evolutivamente se tornaram isso e as mulheres aquilo. Não é difícil de imaginar tanto o potencial crítico das pesquisas de Margaret Mead, como a comoção que esse livro causou nos movimentos feministas. Isso porque a autora mostrou que não só essas personalidades estão ligadas à própria concepção que nós, em nossa cultura, temos dos homens como das mulheres. Não obstante, essas concepções não encontram correspondência em outros lugares do mundo. Segundo a autora, os Arapesh, por exemplo, eram pacíficos em seus temperamentos e nenhum dos dois (homens e mulheres) faziam guerras. Já entre os Mundugumor, o contrário acontecia: ambos faziam guerras e ambos tinham temperamentos bélicos. Por fim, entre os Tchambuli, diferentemente desses três anteriores e muito diferentes do cenário que a autora encontrava nos Estados Unidos do começo do século XX, eram os homens que tinham vidas relegadas a um plano privado e as mulheres que trabalhavam e eram ligadas à vida pública. Reparem como nos dois trabalhos, mas principalmente no segundo, é possível identificar as críticas boasianas tanto ao determinismo geográfico, quanto ao determinismo biológico. Isto é, não são pelas condições climáticas, geomorfológicas ou hidrográficas de uma região (Papua Nova Guiné) que práticas culturais são estruturadas, pois se tratam de grupos que habitam regiões de um mesmo país, cujas condições geográficas são semelhantes e mesmo assim possuem culturas muito distintas. Também cabe pensarmos a crítica ao determinismo biológico. Ora, como já discutimos, esses casos evidenciam uma diferença muito grande em relação ao pensamento ocidental, principalmente estadunidense da época (e talvez de hoje, ainda): se culturas tão distintas estabelecem relações em os sexos de modos diferentes das nossas, significa que, em primeiro lugar, essas relações não estão pressupostas na própria distribuição anatômica dos sexos (homem e mulher) e, em segundo lugar, se essas relações não estão pressupostas, elas foram criadas num espaço de interação social e depois naturalizadas como sendo as únicas possíveis. 16 Ela demonstra assim o pressuposto fundamental da antropologia culturalista de Franz Boas: os olhos com que vemos nossas práticas, que nós costumamos pensar ser o único jeito possível e a melhor forma, são os olhos da cultura na qual estamos inseridos. Só vemos as coisas como tal, porque aprendemos a vê-las assim. Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/images/Turkey_g119-Hagia_Sophia_p1887.html Embora Boas tenha lutado veementemente contra os mais diferentes tipos de preconceitos, e seus escritos sobre o método essencialmente culturalista tentem dar conta da diversidade humana não como um fator de cisão entre as diferentes subjetividades humanas, mas como algo que os colocava no mesmo patamar, sem melhores ou piores, apenas pessoas que viviam de seu modo – isto é, do modo que a cultura lhe proporcionava – os mais singulares eventos da vida, muitos usos que acabavam por acirrar os preconceitos foram feitos do conceito de cultura tal como ele mesmo estabeleceu. O exemplo mais característico disso é, sem dúvida, o apartheid sul-africano. Como Kuper (1988) nos mostra, ao contrário do muito que foi propagado pela mídia à época – inclusive nos dias de hoje ainda o dizem assim –, o apartheid não teve origem num racismo típico de um país colonizado, recém-independente. Ao contrário, como nos mostra o autor, também na África do Sul o racismo era visto com maus olhos, pois, principalmente depois dos eventos da Segunda Guerra Mundial, a ideia de ver um povo ser oprimido por sua raça era inaceitável e inadmissível. http://www.freedigitalphotos.net/images/Turkey_g119-Hagia_Sophia_p1887.html 17 Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Lot_Of_Buddha_Statue_p129457.html Os critérios de raças não estavam colocados, o que houve, antes teria sido uma espécie de doutrinação, partindo de estudos de grandes acadêmicos daquela região, de estudos que reforçassem as diferenças. Esses estudos mostravam que as populações negras possuíam uma riqueza cultural própria que seria, ao mesmo tempo, muito frágil. Portanto, ao menor contato com a cultura ocidental, já corrompida, poderia se esfacelar. Assim, o argumento que se punha de modo convincente, inclusive aos negros, era que, embora a convivência com os brancos fosse desejável, ela seria extremamente perigosa aos negros, uma vez que, nesse contato, eles poderiam perder as suas próprias raízes culturais. Esse argumento chega a tal ponto de convencimento que persuade, até certo ponto, boa parte da própria população negra (idem). Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/images/Co uplesPartners_g216- Young_Couple_Having_Fun_p71084.html Fonte: http://www.freedigitalphotos.net/imag es/Eating_Drinking_g369- Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_ Tea_p78700.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Lot_Of_Buddha_Statue_p129457.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Religious_buildings_g294-Lot_Of_Buddha_Statue_p129457.html http://www.freedigitalphotos.net/images/CouplesPartners_g216-Young_Couple_Having_Fun_p71084.html http://www.freedigitalphotos.net/images/CouplesPartners_g216-Young_Couple_Having_Fun_p71084.html http://www.freedigitalphotos.net/images/CouplesPartners_g216-Young_Couple_Having_Fun_p71084.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html http://www.freedigitalphotos.net/images/Eating_Drinking_g369-Asian_Woman_In_Hanbok_Drinking_Tea_p78700.html 18 Algumas dicas para aprofundar as discussões apresentadas na disciplina Ensaios de Antropologia. Unidade: A Cultura: subjetividades. Abaixo você tem seis documentários: “Saudades do Brasil” – Lévi-Strauss http://www.youtube.com/watch?v=VwpcZOMKKKU&list=PLKwjWb1poO6pj ntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=e_gL8h1gsbk&list=PLKwjWb1poO6pjntR IBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=ZjB13EElCbQ&list=PLKwjWb1poO6pjnt RIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjn tRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjn tRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=DNZht- Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=VwpcZOMKKKU&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=VwpcZOMKKKU&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=e_gL8h1gsbk&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=e_gL8h1gsbk&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=ZjB13EElCbQ&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQhttp://www.youtube.com/watch?v=ZjB13EElCbQ&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=DNZht-Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=DNZht-Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ 19 BOAS, F. “As limitações do método comparativo da antropologia”. In: CASTRO, C. (org.); BOAS, F. Antropologia cultural. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2006. CASTRO, C. “Apresentação”. In: _______. Antropologia cultural. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2006. FREEMAN, D. Margaret Mead and Samoa: the making and unmaking of an anthropological myth. Cambridge, Mass.; London: Harvard Univ. Press, 1983. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008. KUPER, A. Culture: the anthropologists' account. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1999. KUPER, A. The invention of primitive society: transformations of an illusion. London ; New York: Routledge, 1988. LARAIA, R. B. Cultura: um conceito antropológico. 23. ed. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2009. MEAD, M. Coming of age in Samoa: a psychological study of primitive youth for western civilisation. New York, NY: Morrow Quill, 1961. ______. Sex and temperament: in three primitive societies. New York, NY: William Morrow and Company, 1963. TYLOR, E. “A ciência da cultura”. In: CASTRO, C. Evolucionismo cultural. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. 20 _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________http://www.youtube.com/watch?v=ZjB13EElCbQ&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=6qkWO3TYEiM&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=mC_x6yCQrLA&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=DNZht-Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ http://www.youtube.com/watch?v=DNZht-Ke6uI&list=PLKwjWb1poO6pjntRIBxljOPTPVZV2oCEQ 19 BOAS, F. “As limitações do método comparativo da antropologia”. 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TYLOR, E. “A ciência da cultura”. In: CASTRO, C. Evolucionismo cultural. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. 20 _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________